Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19311.000137/2010-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 01/10/2007
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando lastreadas em dispositivos legais diversos.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 22/09/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 01/10/2007 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando lastreadas em dispositivos legais diversos. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19311.000137/2010-69
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388409
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.329
nome_arquivo_s : Decisao_19311000137201069.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19311000137201069_5388409.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5659364
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254688858112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 169 1 168 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19311.000137/201069 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.329 – 2ª Turma Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL PARA CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS VIAS PÚBLICAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 01/10/2007 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando lastreadas em dispositivos legais diversos. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 01 37 /2 01 0- 69 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 22/09/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL PARA CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DAS VIAS PÚBLICAS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrado Auto de Infração nº 37.170.4324, nos termos do artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com informações incorretas ou omissas, em relação às competências 04/2007 e 10/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 59/62, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração lavrado em 12/04/2010, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor consignado na folha de rosto da autuação, calculada com base nos artigos 32A, caput, inciso I, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91. Com mais especificidade, deixou a contribuinte de informar 39 segurados empregados, omitindo, ainda, o valor da cesta básica fornecida aos funcionários, além de não registrar a contribuição de 15% devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 8ª Turma da DRJ em Campinas/SP, Acórdão n° 05 32.762/2011, às fls. 110/112, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 3a Câmara, em 15/08/2012, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2301002.999, com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000137/201069 Acórdão n.º 9202003.329 CSRFT2 Fl. 170 3 LEGITIMIDADE PASSIVA. TOMADOR DE SERVIÇOS DE COOPERATIVA DE TRABALHO. Presente a legitimidade passiva do contribuinte haja vista o fato de que a Lei nº 8.212/91 prevê, no artigo 22, inciso IV a contribuição a cargo da empresa que toma serviços de cooperativas de trabalho. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CESTA BÁSICA. Não há a obrigação da empresa de informar em GFIP o fornecimento de cesta básica, eis que não se traduz em remuneração, ainda que a empresa não esteja incluída no PAT. Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. NÃO ENTREGA DE GFIP. INFRAÇÃO. DOLO. A constituição da infração de não entregar a GFIP independe da vontade do sujeito passivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em princípio, havendo beneficiamento da situação do contribuinte, deverá incidir na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente AI calculada nos termos do artigo 32 A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.” Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 143/154, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Turmas e/ou Câmaras do CARF/Conselhos de Contribuintes, consubstanciado nos Acórdãos nºs 20601.782 e 240100.127, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem autuação em face de sujeito passivo por infração relacionada a GFIP, determinaram o recálculo da multa com esteio no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, em observância a legislação posterior mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida que adotou o disposto no artigo 32A do mesmo Diploma Legal para fins de recálculo da penalidade aplicada. Em defesa de sua pretensão, infere que o relator do Acórdão guerreado se manifestou claramente que por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o artigo 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Ao revés, nos decisórios paradigmas, o Colegiado entendeu por bem adotar o artigo 35A da Lei nº 8.212/91 em caso análogo ao presente, sob alegação que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o artigo 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem, o que é rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio. Traz à colação histórico da legislação de regência, explicitando as espécies de lançamentos que eram procedidos antes da alteração introduzida pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, concluindo que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata.), de maneira que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. De outra banda, nas hipóteses de exigência fiscal contemplando a contribuição previdenciária propriamente dita (lançamento da obrigação principal), além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, estabelecida no artigo 35 A da Lei 8.212/91, na forma que restou muito bem delineado pelo relator do Acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, tendo havido lançamentos em razão de descumprimento de obrigações principal e acessória, impõese o recálculo da multa aplicada com arrimo no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2300384/2013, às fls. 160/163. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000137/201069 Acórdão n.º 9202003.329 CSRFT2 Fl. 171 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 3a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão da recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Infração, a contribuinte fora autuada com arrimo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com informações incorretas ou omissas, em relação às competências 04/2007 e 10/2007, ensejando a aplicação multa nos termos do nos artigos 32A, caput, inciso I, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, determinando o recálculo da multa com esteio no artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, por se apresentar como legislação posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, o que impôs a sua retroatividade em observância aos ditames do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito por outras Turmas e/ou Câmaras do CARF/Conselhos de Contribuintes, consubstanciado nos Acórdãos nºs 20601.782 e 240100.127, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, infere que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que, ao analisarem autuação em face de sujeito passivo por infração relacionada a GFIP, determinaram o recálculo da multa com esteio no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, em observância a legislação posterior mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida que adotou o disposto no artigo 32A do mesmo Diploma Legal para fins de recálculo da penalidade aplicada. Defende que o relator do Acórdão guerreado se manifestou claramente que por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o artigo 32A da Lei n° 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Ao revés, nos decisórios paradigmas, o Colegiado entendeu por bem adotar o artigo 35A em caso análogo ao presente, sob alegação que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o artigo 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem, o que é rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Traz à colação histórico da legislação de regência, explicitando as espécies de lançamentos que eram procedidos antes da alteração introduzida pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941, concluindo que o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata.), de maneira que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. De outra banda, nas hipóteses de exigência fiscal contemplando a contribuição previdenciária propriamente dita (lançamento da obrigação principal), além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, estabelecida no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na forma que restou muito bem delineado pelo relator do Acórdão paradigma. Na hipótese dos autos, tendo havido lançamentos em razão de descumprimento de obrigações principal e acessória, impõese o recálculo da multa aplicada com arrimo no artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a eterna discussão a propósito de qual dispositivo legal deverá ser adotado para fins de recálculo da multa, tendo em vista a edição da Lei n° 11.941/2009, a qual estabeleceu novas formas de cálculo de penalidades por descumprimento de obrigações acessórias, favoráveis em determinados casos ao contribuinte, razão da necessidade de sua aplicação retroativa, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Códex Tributário. Não obstante o esforço da recorrente, corroborado quanto ao conhecimento pelo nobre Presidente subscritor do Despacho que deu seguimento ao especial, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que a Procuradoria não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000137/201069 Acórdão n.º 9202003.329 CSRFT2 Fl. 172 7 § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a Procuradoria da Fazenda Nacional ao formular o Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto observar os requisitos ali insculpidos, especialmente aqueles constantes do § 6o, capaz de ensejar o conhecimento de sua peça recursal, senão vejamos: Com efeito, a ilustre autoridade fazendária, in casu, ao promover o lançamento por descumprimento de obrigação acessória, lastreou a pretensão fiscal no fato de a contribuinte ter apresentados GFIP’s com informações incorretas ou omissas, no período objeto da autuação, nos termos do artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Por outro lado, relativamente aos Acórdãos paradigmas, a autuação se deu com fulcro no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão de a contribuinte ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, mais precisamente deixando de informar a totalidade das remunerações dos segurados empregados. No caso dos autos, a multa fora aplicada com esteio no artigo 32A, caput, inciso I, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/91. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Em outra via, no Acórdão paradigma, a penalidade escorouse nos preceitos contidos no artigo 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Como se observa, em que pese os Acórdãos confrontados contemplarem Autos de Infração por descumprimento de obrigações tributárias/previdenciárias acessórias, não analisam situações fáticas idênticas. Ao contrário, in casu, se deu em razão de apresentar GFIP’s com informações incorretas ou omissas. Nos paradigmas, em virtude de apresentar GFIP’s deixando de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias. Tais infrações repousam em dispositivos legais absolutamente distintos. Igualmente, as multas foram aplicadas com arrimo em normas legais diversas. Nessa toada, não se pode afirmar existir divergência entre teses, mormente em razão de os Acórdãos confrontados não tratarem de situações idênticas ou mesmo parecidas, como acima alinhavado. E mais, somente a título elucidativo, no processo sob análise, o que torna ainda mais digno de realce é que a autoridade lançadora, ao aplicar a multa, adotou exatamente os preceitos contidos no dispositivo legal determinado pelo Acórdão recorrido, qual seja, artigo 32A, inciso I, da Lei n° 8.212/91, como acima explicitado. Assim, ao que parece, sequer haveria razão para determinar o recálculo da multa no decisório combatido, o que não fora observado pelo julgador recorrido, fato que, por si só, reforça a tese de não conhecimento da peça recursal, por absoluta ausência de interesse de agir. Nesse sentido, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação aos requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial da Fazenda Nacional em dissonância com as normas regimentais deste Conselho, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 19311.000137/201069 Acórdão n.º 9202003.329 CSRFT2 Fl. 173 9 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.002512/2008-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS - SÚMULA CARF 88 - PEÇA INFORMATIVA
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO - CURSO SUPERIOR - ALTERAÇÃO LEGISLATIVA - NÃO INCIDÊNCIA
O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplica-se aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o salário-de-contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.577
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS - DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS - SÚMULA CARF 88 - PEÇA INFORMATIVA A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO - CURSO SUPERIOR - ALTERAÇÃO LEGISLATIVA - NÃO INCIDÊNCIA O salário-de-contribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplica-se aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o salário-de-contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.002512/2008-18
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388434
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.577
nome_arquivo_s : Decisao_15586002512200818.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 15586002512200818_5388434.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS - DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5659659
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254702489600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2388; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 287 1 286 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.002512/200818 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2403002.577 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente TVV TERMINAL DE VILHA VELHA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS SÚMULA CARF 88 PEÇA INFORMATIVA A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 25 12 /2 00 8- 18 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 finalidade meramente informativa, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONCESSÃO DE BOLSA DE ESTUDO CURSO SUPERIOR ALTERAÇÃO LEGISLATIVA NÃO INCIDÊNCIA O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplicase aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 288 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Daniele Souto Rodrigues, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Marcelo Freitas de Souza Costa (ausente). Fl. 289DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TVV TERMINAL DE VILA VELHA S.A. contra Acórdão nº 1227.751 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.184.1364, às fls. 01, com valor inicial de R$ 16.481,61. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese a as contribuições devidas a outras entidades ou fundos Terceiros Salário Educação, INCRA e DPC incidentes sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com material escolar e sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. O Relatório Fiscal aponta que na análise da folha de pagamento da empresa encontrouse pagamento feito a empregados referente a reembolso com Material Escolar e Educação 3º Grau (Educação Superior), constante nas rubricas 0077, 0159 e 1159. Em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho acerca da cláusula de reembolso de despesas, aponta o Relatório Fiscal que a tributação incidiu sobre o valor efetivamente pago pelo TVV já deduzidos os valores custeados pelos empregados: 3.4 Conforme estabelecido no Acordo Coletivo de Trabalho 2003/2004 e 2004/2005 assinado entre o T\/V e o Sindicato dos Trabalhadores Portuário, Portuários Avulsos e com Vínculo Empregatício nos Portos no Estado do Espírito Santo SUPORT, as despesas custeadas pelo TVV com educação superior de seus empregados, seriam reembolsadas através de folha de pagamento, mediante apresentação do comprovante de pagamento do serviço prestado pela instituição de ensino. 3.5 O TVV reembolsou os empregados através de pagamento via folha de pagamento. 3.6 A remuneração considerada neste Auto de Infração, tanto de educação superior, quanto de material escolar, foi o valor efetivamente pago pelo TVV já deduzidos os valores custeados pelos empregados, isso porque o Acordo Coletivo de Trabalho estabeleceu limite para esses reembolsos. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 07, é de 01/2004 a 12/2004. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 29.12.2008, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação, conforme Relatório da decisão de primeira instância: 6.1. Preliminarmente, pugna pela exclusão dos diretores da empresa como responsáveis pelo crédito tributário, alegando que o arrolamento destes como responsáveis fere o artigo 135 do Código Tributário Nacional. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 289 5 6.2. Em relação à incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título de material escolar e reembolso de educação superior, afirma que celebrou Acordo Coletivo de trabalho em que previa que a Impugnante ofereceria estes benefícios aos empregados. As verbas relativas ao auxílioeducação não estão sujeitas à incidência de contribuição previdenciária, sendo que a legislação não exclui a educação superior do conceito de cursos de capacitação e qualificação profissionais. 6.3. Nos termos do artigo 444 da CLT, é livre a autonomia de vontade das partes no contrato de trabalho, quando vise a conceder aos empregados maiores vantagens. Assim, no exercício legítimo desta autonomia, a Impugnante concedeu maiores benefícios aos seus empregados, para o exercício do trabalho. O rol de definições de utilidades salariais é exemplificativo, e não taxativo, cabendo apenas questionar se a utilidade é dada para o trabalho ou pelo trabalho. 6.4. O artigo 458 da CLT dispôs expressamente que os valores pagos a título de mensalidade, anuidade, livros e material didático não tem natureza salarial. Por outro lado, o auxílio educação não pé fornecido gratuitamente ao empregado, pois este concorre também em parte com o custeio desta utilidade. Assim, os cursos custeados em parte pela Impugnante, bem como as despesas com material escolar não podem ser entendidos como rendimento do trabalho, e, deste modo, estão excluídos da incidência de contribuição previdenciária por força do artigo 195, I da Constituição Federal. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA S Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata o art. 22, incisos I, II e III da Lei n.° 8.212/91 , com as alterações da Lei 9.876/99. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. _ As hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pelos empregadores aos segurados com os quais mantenha relação jurídica laboral estão definidas no Art. 28, § 9°, da Lei 8.212/91, em todas as suas redações. Os benefícios fiscais devem ser expressamente definidos, tendo como inspiração o Art. 111 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS ADMINISTRADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 O Relatório de Representantes legais REPLEG não atribui responsabilidade tributária aos dirigentes nele identificados, pois sua finalidade é meramente cadastral, consistente em enumerar os representantes legais e seus respectivos períodos de atuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe (AI n° 37.184.1364), ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto que este decisum passam a integrar, para considerar devido o crédito tributário, no valor principal de R$ 8.579,23, acrescido e juros e multa moratória a serem calculados na data da liquidação. Intimese para pagamento do crédito no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate a decisão de primeira instância e reitera os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Em sede preliminar Da impossibilidade de manutenção dos administradores da Recorrente como responsáveis pelo crédito tributário em sede de auto de infração (ii) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de despesas com material escolar e auxílio educação Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 290 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Inconstitucionalidades Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (B) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – TVV TERMINAL DE VILA VELHA S.A. contra Acórdão nº 1227.751 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.184.1364, às fls. 01, com valor inicial de R$ 16.481,61. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal o lançamento referese a as contribuições devidas a outras entidades ou fundos Terceiros Salário Educação, INCRA e DPC incidentes sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com material escolar e sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.013.6250 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.184.1364) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 291 9 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. REPLEG Relatório de Representantes Legais; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. (i) Em sede preliminar Da impossibilidade de manutenção dos administradores da Recorrente como responsáveis pelo crédito tributário em sede de auto de infração Analisemos. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 292 11 Tal matéria acerca do Relatório REPLEG, como parte integrante da autuação, encontrase pacificada no âmbito deste Egrégio Conselho, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88, no sentido de que este Relatório tem finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO. (ii) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de despesas com material escolar e auxílio educação Analisemos. (ii.1) Auxílioeducação referente à educação superior Em relação ao auxílioeducação, o Relatório Fiscal aponta o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, correspondentes a parcela dos segurados empregados incidentes sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. Ora, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, dispõe que não integra o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) A seu turno, a Lei 9394/1996 em seu artigo 39, dispõe que a educação profissional abrange a educação profissional tecnológica de graduação e de pósgraduação: Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Desta forma, no caso de verbas pagas pela empresa a segurados empregados a título de despesas com educação superior (3º grau), conforme reiterados julgados desta Colenda Turma de Julgamento, aplicase o disposto no artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 12.513, a fatos geradores ocorridos anteriormente a essa nova redação com fundamento no art. 106, II, b, CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Diante do exposto, prospera a argumentação da Recorrente para se afastar a tributação incidente nos valores pagos pela empresa a seus empregados referente às despesas com educação superior. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 293 13 (ii.1) Despesas de material escolar Em relação aos valores pagos pela empresa a seus empregados referente às com material escolar, entendo que deve ser mantida a tributação incidente. Senão, vejamos. A isenção decorre, sempre, de lei que regule exclusivamente a matéria ou o correspondente tributo, conforme exigência expressa do art. 150, § 6º, da Constituição Federal e do art. 176, CTN: CRFB/1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) CTN Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. O art. 28, § 9º, da Lei 8212/1991 não excepciona o pagamento de despesas de material escolar da incidência de contribuições sociais previdenciárias: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) Por outro lado, o art. 111, II, CTN dispõe que em relação à outorga de isenção, a legislação tributária deve ser interpretada literalmente: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Neste sentido, o posicionamento do STJ é o de que não cabe ampliação jurisprudencial das hipóteses de isenção arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91: Requalificação da verba em razão dos seus elementos essenciais, com enquadramento na norma de isenção. Possibilidade. “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VERBA DE REPRESENTAÇÃO. 1. Em homenagem aos princípios de hermenêutica positivados nos arts. 108 e 111 do Código Tributário Nacional, não cabe ampliação jurisprudencial das hipóteses de isenção arroladas no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. 2. Nada obsta, entretanto, que determinada verba inominada ou nominada em desacordo com a terminologia adotada pela legislação previdenciária venha a ser considerada isenta de contribuição se, em razão de seus elementos essenciais, puder ser enquadrada em uma das hipóteses de dispensa de tributo legalmente previstas. 3. Por outro lado, não se submetem à incidência da contribuição previdenciária as verbas de caráter indenizatório, pois a reparação por ato ilícito ou o ressarcimento de um prejuízo não configuram o fato gerador desse tributo. 4. Há casos em que a distinção entre verba remuneratória e verba indenizatória não se mostra clarividente. Tanto é assim que o legislador ordinário remete ao magistrado trabalhista, conforme se infere do art. 832, §§ 3º e 4º, da CLT, a tarefa de esclarecer por meio de decisão, cognitiva ou homologatória, quais são as verbas de natureza indenizatória, assegurando à autarquia previdenciária o direito de recorrer de tal decisão. 5. Em determinadas situações, é necessário apreciar as características da verba paga aos empregados, com o objetivo de melhor elucidar a natureza de remuneração, fato gerador da contribuição previdenciária. 6...” (STJ, Primeira Seção, EDivREsp 496.737, Min. Castro Meira, mai/04) Não se pode estender a isenção a situações não previstas. Impossibilidade de utilização da analogia em matéria de isenção. “ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE... o Código Tributário Nacional (art. 97) é suficientemente claro ao dispor que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão do crédito tributário (inciso VI), nesta constando a isenção (art. 175, inciso I). Sendo imperativo o comando que determina a interpretação literal da outorga de isenção (art. 111, inciso II), revelase necessária a edição de legislação específica que discipline o comando isencional às atividades desenvolvidas pelas organizações sociais sem fins lucrativos, que atendam ao interesse e à utilidade públicas, situação discutida nos presentes autos. VII – Inexistindo nos autos documentos que comprovem a existência de legislação distrital disciplinadora da isenção pretendida pela Recorrente, não há como deferila nos moldes Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.002512/200818 Acórdão n.º 2403002.577 S2C4T3 Fl. 294 15 pretendidos.” (STJ, 1ª T., RMS 22.371/DF, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, mai/07) Embora a Recorrente argumente que o previsto em Acordo Coletivo afaste a tributação incidente sobre os pagamentos de reembolso de despesas com material escolar, tal não pode prosperar por violação a dispositivos legais no âmbito da legislação tributária previdenciário. Assim, não se pode considerar para efeitos tributários o previsto em Acordo Coletivo para efeitos de isenção de contribuição social previdenciária incidente sobre verbas pagas a título de reembolso de despesas com material escolar por violação ao disposto no art. 150, § 6º, da CRFB/1988 c/c art. 176, CTN c/c art. 111, II, CTN c/c art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. Desta forma, considero correto o lançamento efetuado pela AuditoriaFiscal posto que o pagamento de despesas com material escolar integra o salário de contribuição, posto não se enquadrar na hipótese de não incidência de contribuição social previdenciária conforme disposição expressa da redação do art. 28, § 9º, t, Lei 8.212/1991. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Analisemos. Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, dar provimento parcial ao recurso para: (i) excluir a tributação incidente sobre o código de levantamento ENS DESPESA EDUCAÇÃO SUPERIOR e; (ii) determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001442/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16004.001442/2008-39
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5390062
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-000.281
nome_arquivo_s : Decisao_16004001442200839.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 16004001442200839_5390062.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira - Presidente. Bernadete de Oliveira Barros- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
id : 5667747
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254708781056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1273; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 447 1 446 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.001442/200839 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.281 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de setembro de 2012 Assunto CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA Recorrente COFERFRIGO ATC LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 44 2/ 20 08 -3 9 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 448 2 RELATÓRIO Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente à contribuições devidas à Terceira Entidade, SENAR, pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural. Conforme Relatório Fiscal (fls. 77), a autuada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, tendo descontado e não recolhido a contribuição devida decorrente dessa operação, o que, em tese, configura a prática de crime de "Apropriação Indébita Previdenciária" previsto no DecretoLei n. 2.848/40, Art. 168A, § 1 0 , I, na redação dada pela Lei n. 9.983/2000. Segundo consta, a empresa também não informou na GFIP o desconto realizado, o que, em tese, configura a prática de crime previsto no DecretoLei n. 2.848/40, Art. 337A, inciso III, na redação dada pela Lei n. 9.983/2000, motivo pelo qual será objeto de comunicação a ser encaminhada ao Ministério Público Federal para conhecimento. A autoridade lançadora informa que os valores da base de cálculo das contribuições destinadas ao SENAR, objeto do levantamento de débito, foram obtidos dos valores da comercialização de produtos rurais bovinos para abate e lenha para caldeira, adquiridos de produtores rurais pessoas físicas, e estão demonstrados nos Anexos I, II e III, sendo que essa última referese ao resumo das aquisições de bovinos para abate pela Coferfrigo ATC, utilizandose de Notas Fiscais de Entrada da empresa Pereira, Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda. Relata que a empresa Pereira Comércio de Carnes e Derivados Ltda foi considerada pela Policia Federal como empresa "Noteira", ou seja, empresa constituída apenas para fornecer documentos fiscais para acobertar as operações de compra de gado para abate, venda de carne e transporte de carne e bovinos para abate, tendo sido declarada INAPTA pela Receita Federal do Brasil por meio do Ato Declaratório Executivo n° 061 de 24/06/2008. Esclarece que a ação foi desenvolvida por uma junta fiscal e teve início em 01/2005, tendo sido retomada, em 05/10/2006, por determinação judicial, uma vez que a Policia Federal desencadeou a operação denominada "GRANDES LAGOS”, procedendo buscas e apreensões de documentos em diversos locais, com o intuito de obter provas dos ilícitos praticados pela organização, constituída de várias células ou núcleos, cujo objetivo era sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades relacionadas às áreas trabalhistas e previdenciárias. Observa que o crédito tributário em comento foi lançado em nome de Coferfrigo ATC Ltda "E OUTROS", vez que, analisando a documentação apreendida pela Policia Federal, Receita Federal do Brasil e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, verificouse que a empresa Coferfrigo ATC Ltda, juntamente com outras pessoas jurídicas, formam um grupo econômico de fato. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 449 3 A seguir, sintetiza algumas informações a respeito das empresas integrantes do grupo e informa que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. No item 26 do Relatório Fiscal (fls. 91), o agente autuante informa que o Relatório do Grupo Econômico Anexos I e II será encaminhado em arquivo digital, de acordo com o artigo 663, parágrafos 1° e 2° da IN 3/2005, alterado pela IN 851/2008 e, no item 28, esclarece que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estão a disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil. Os sujeitos passivos Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, apresentaram defesa tempestiva em conjunto, e o Sr. João Pereira Fraga, espólio, representado por João Adson Fraga (inventariante), também impugnou o lançamento. Apesar de devidamente cientificadas, as demais empresas que, segundo entendimento da fiscalização, integram o grupo econômico de fato e, nessa condição, são responsáveis solidárias pelo débito, não apresentaram defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1426.536, da 9a Turma da DRJ/RPO (fls. 240), julgou as impugnações improcedentes, mantendo o crédito tributário. Inconformados com a decisão, os recorrentes Alfeu Crozato Mozaquatro, Patricia Buzolin Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro, Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Paticipações Ltda, considerados pela fiscalização como coresponsáveis pelo débito, apresentaram recurso tempestivo em conjunto (fls. 332), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reiteram que os Recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, foram considerados responsáveis solidários pelo débito tendo como única fundamentação para tanto um "Relatório da Polícia Federal", extraído de Inquérito Policial, sendo certo que a ação penal até a data de hoje não transitou em julgado. Entendem que o presente Auto de Infração é inconsistente e baseiase em prova ilícita, nula de pleno direito, posto que não foi submetida ao crivo do contraditório e da ampla defesa, bem como viola o principio da presunção de inocência, além do órgão autuador não ter produzido prova da responsabilidade na fase administrativa, ônus que lhe competia. Defendem que a prova emprestada do Inquérito Policial presidido por Delegado da Policia Federal não é meio licito para se fundamentar as responsabilidades dos Recorrentes, uma vez que não foram observados os .princípios constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e contraditório no processo onde ela foi produzida. Reafirmam que, no caso dos autos, o órgão autuador não fez prova licita alguma da responsabilidade dos Recorrentes, o que impõe a nulidade/inconsistência do auto de infração sobre a responsabilidade atribuída aos mesmos e discorre sobre o princípio da presunção da inocência, tentando demonstrar que apenas após o trânsito em julgado da ação criminal é que se poderia afirmar algo. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 450 4 Finalizam requerendo que seja reformada a decisão de primeira instância e julgado nulo o AI. O recorrente Sr. João Pereira Fraga espólio, considerado coresponsável pelo débito, representado por João Adson Fraga (inventariante), apresentou recurso tempestivo (fls.345) requerendo, inicialmente, que o Espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA falecido, em 02/10/08, seja excluído da condição de passivo solidário. Traz o histórico da empresa COFERCARNES COMERCIAL FENANDOPOLOIS DE CARNES LTDA, da qual seu falecido pai e sua mãe eram sócios fundadores, desde sua constituição. Informa que, após separação judicial, sua mãe vendeu 50% do Capital Social da COFERCARNES para ALFEU MOZAQUADRO, que colocou essas quotas de capital social em nome da empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual era o proprietário, e impôs que a planta do imóvel industrial fosse integralmente arrendada para uma filial da empresa COFERFRIGO ATC LTDA que, apesar de pertencer no papel a Valter Francisco Rodrigues Junior, havia fortes suspeitas de a mesma pertencer de fato ao Sr ALFEU, uma vez que foi ele quem pessoalmente determinou o arrendamento das instalações do frigorífico Cofercarnes, entabulou o preço e as condições do arrendamento. Discorre sobre o temperamento do Sr. Alfeu e a sociedade, que durou apenas oito meses, concluindo que não pode ser responsabilizado por atos praticados pela empresa COFERFRIGO ATC LTDA, da qual não fora sócio, por ter deixado esta empresa de arrecadar contribuições devidas no período de 01/12/2002 a 31/10/2006. Tenta demonstra que inexiste qualquer relação mercantil ou comercial de seu pai com as empresas mencionadas no Processo e requer a exclusão de seu pai da responsabilidade solidária pelos débitos devidos pela empresa COFERFRIGO, da qual não tinha o menor conhecimento e da qual não participava, por quaisquer de suas formas. Preliminarmente, alega nulidade da autuação por falta de clareza, argumentando que as autoridades fiscais não indicaram a conta contábil ou outro elemento constante da escrituração contábil da COFERFRIGO das quais foram extraídas as importâncias oras lançadas, bem como não elencaram, nos autos, quais seriam as remunerações admitidas como base de calculo das contribuições ou pagamentos que se sucedeu a esse titulo, denotando que não avaliou ou não se aprofundou suficientemente na natureza das rubricas, desconhecida do recorrente. Entende que houve cerceamento de defesa por terlhe sido entregue apenas um CDR, o que impediu o inventariante de manipular os documentos que o fisco julga supostamente representativas das operações praticadas pela Coferfrigo. Sustenta que o arbitramento e o termo de sujeição passiva solidária sobre as contribuições que o Fisco julga devidas pela COFERFRIGO ATC LTDA se deram apenas e estritamente por presunção. Assevera que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, exigindo dos solidários, no caso o espólio de JOÃO PEREIRA FRAGA, os tributos eventualmente devidos por aquela, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 451 5 Informa que as empresas que, segundo o fisco, integram o grupo econômico Mozaquatro, declararam espontaneamente, nos prazos regulares, toda a movimentação fiscal e contábil em seus nomes, mediante entrega das DCTFs, nos respectivos anoscalendário, bem como as Declarações de Rendas Pessoa Jurídica dos anos calendários de 2002 a 2006, sendo que o fisco não poderia estender a responsabilidade pelo débito constituído em face da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, em razão de que tal prática não está autorizada pelo artigo 135, inciso III, do CTN. Argumenta que, não sendo JOÃO PEREIRA FRAGA diretor, gerente ou representante da COFERFRIGO ATC LTDA, não responde por ela, não podendo a cobrança por tais descumprimentos ser redirecionada para a pessoa física de seu pai, como solidário, por não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135, do CTN, e cita a jurisprudência para reforçar suas alegações. Infere que não é possível, ao Fisco, atribuir a seu falecido pai a responsabilidade pela não retenção de contribuições previdenciárias que seriam de ordem da empresa COFERFRIGO ATC LTDA., do denominado GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO, uma vez que, em nenhum momento, os fiscais autuantes lograram comprovar a existência do vinculo entre a citada empresa e a pessoa do Sr. JOÃO PEREIRA FRAGA, razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal contra ele. Insurgese contra a utilização do art. 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia limitada, que depende de lei ordinária para sua regulamentação e reitera que a empresa de seu pai estava paralisada no período entre 10/2004 a 10/2006, não podendo, portanto, responder pelos débitos previdenciários da empresa Coferfrigo, integrante, segundo o fisco, de um grupo econômico, com empresas instaladas em vários municípios e em outros Estados. Discorre sobre contrato de arrendamento mercantil para tentar demonstrar que o arrendador não responde pelos tributos devidos pela Arrendatária ou outras empresas das quais a Arrendatária seja signatária ou faça parte e conclui que, no caso em apreço, o Espólio de FRAGA, como arrendador, não possuía a obrigação de proceder a retenção ou arrecadar contribuições devidas pela empresa COFERFRIGO ATC. Insiste no entendimento de que ocorrera a decadência de parte do débito, defendendo a aplicação da regra contida no art. 150, § 4o, do CTN, uma vez que o que o contribuinte entregou regularmente ao INSS as informações concernentes a todas contribuições previdenciárias relativas ao período fiscalizado, bem como sequer ocorreu indícios de fraude, dolo ou simulação comprovados. No mérito, reitera que seu pai nunca foi sócio, de fato ou de direito da empresa COFERFRIGO ATC LTDA, bem como não restou provado, nos autos, que seu falecido pai, João Pereira Fraga, tivesse qualquer participação com as empresas do denominado "GRUPO ECONÔMICO MOZAQUATRO”, e nem que seria solidariamente responsável pelos débitos supostamente devidos pelas empresas acima nos períodos mencionados, havendo, no caso, apenas presunções, ou seja, indícios sem comprovações. Entende que, no caso em tela, os fiscais autuantes promoveram o lançamento contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA por ter deixado de arrecadar, no período de 12/2002 a 10/2006, contribuições de segurados, e quer atribuir, por presunção, a responsabilidade pela falta das retenções ao Espólio de Joao Pereira Fraga, alegando que no Fl. 494DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 452 6 período de 15.10.04 a 14.10.05 teria arrendado a planta do seu estabelecimento frigorifico para a empresa COFERFRIGO ATC LTDA, como parte integrante do "Núcleo Mozaquatro" e que, assim o sendo, em decorrência do arrendamento, dele também é parte integrante. Informa que o Espólio tentou o acesso aos documentos que estão em poder da empresa COFERFRIGO e junto à fiscalização federal e estadual para promover a sua defesa, o que lhe foi negado, sob a alegação de que João Pereira Fraga ou o Espólio não fazem parte do quadro societário e há impedimento legal para o acesso, e chama atenção para o fato de que nem mesmo os fiscais autuantes tiveram total acesso a contabilidade da empresa envolvida. Discorre sobre o instituto da solidariedade e traz a doutrina para reforçar o entendimento de que o fisco não poderia incluir o espólio no pólo passivo da presente relação tributária para responder pela divida da Coferfrigo. Quanto à subrogação da compra de gado bovino, traz a decisão do STF no sentido de que os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n's 8.540/92 e n° 9.528/97, é inconstitucional. Finaliza, requerendo, em obediência ao principio constitucional de celeridade e economia processual, a improcedência, de plano, da presente exigência fiscal e, pelas razões expostas, sejam acolhidas as preliminares levantadas para, ao final, decretar a exclusão da solidariedade atribuída ao espólio de João Pereira Fraga na multa aplicada contra a empresa COFERFRIGO ATC LTDA. Lucélia Aparecida Nunes Lacerda, sócia do Frigorifico Mega Boi Ltda, que, segundo o fisco, é uma das empresas integrantes do grupo econômico, também apresentou recurso (fls 413), alegando que nunca foi dona de empresa, que não sabia como era a operação da empresa e tampouco injetou dinheiro para ser sócia de empresa, sendo que recebia seu salário da empresa Frigorifico Lister Ltda, administrada pelo Sr. Ivo Chiodi de Jesus e, posteriormente, pela empresa Coferfrigo Atc Ltda e Friverde Industria de Alimentos Ltda de Campina Verde, MG, que era administrada pelo Sr. Djalma Buzolin. Informa que nunca teve casa para morar, vive de aluguel e com um recurso financeiro de R$ 1.155,00 do INSS, que recebeu mais 14 cópias de processos da Receita Federal, leuos, mas não entendeu do assunto mencionado, que nem conhece várias empresas e pessoas mencionadas nos processos, mas somente as empresas e pessoas que trabalharam em Campina Verde — MG. Às fls. 423, a UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por sua procuradora, com fundamento no art. 48, §2°, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, apresentou contrarazões ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 453 7 VOTO Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Da análise dos autos, verificase que a fiscalização constatou a existência de grupo econômico de fato entre a empresa autuada e as demais apontadas no Relatório Fiscal, e lavrou o AI com fundamento no inciso IX, do art. 30, da Lei 8.212/91, informando que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados e anexados no Relatório de Grupo Econômico, Anexos I e II, que fica fazendo parte integrante deste Auto de Infração. Da mesma forma, o Acórdão recorrido faz referência a esses Anexos, citando, inclusive, folhas onde constam os documentos comprobatórios das acusações fiscais. A autoridade julgadora de primeira instância informa que, no Anexo I, a fiscalização tece inúmeras considerações acerca das empresas que integram o "Grupo Mozaquatro", das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo, inclusive aquela referente à Coferfrigo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava, e discorre detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo e pessoas físicas vinculadas às mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, a juntada de inúmeros documentos, sendo que o referido anexo totaliza 12 (doze) volumes. Da mesma forma, o citado Anexo II, segundo o Relator do Acórdão recorrido, é “composto por inúmeros documentos tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático”. Contudo, em que pese a afirmação de que tais documentos integram o AI, constatase que os Anexos citados não constam dos autos, o que impossibilita que os julgadores deste CARF tenham conhecimento pleno de todos os fatos motivadores do lançamento, dificultando a formação de convicção quanto à regularidade do feito. Cumpre observar, ainda, que não vislumbro a nulidade do AI pela ausência dos referidos anexos, já que, tanto em suas peças impugnatórias quanto em seus recursos, as recorrentes demonstram ter pleno conhecimento do que está lhes sendo imputado. Ademais, a autoridade lançadora, deixou claro nos itens 26 e 28 do Relatório Fiscal, que os referidos Anexos estavam sendo encaminhados por arquivo e que todos os documentos que integram o Auto de Infração bem como o Relatório de Grupo Econômico Anexos I e II estariam à disposição da empresa e responsáveis solidários na Delegacia da Receita Federal do Brasil Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, mas apenas em falta de elementos suficientes para a tomada da decisão por este Colegiado, o que pode ser sanado com a juntada da documentação solicitada. Dessa forma, em face da necessidade de mais informações sobre os elementos de provas que levaram as autoridades fiscais à convicção de que as empresas listadas no presente processo integram de fato o grupo econômico, entendo que o processo deva ser Fl. 496DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16004.001442/200839 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.281 S2C3T1 Fl. 454 8 baixado em diligência para que sejam juntados os Anexos citados acima, necessários para revestir a decisão de plena convicção. Tal procedimento é imprescindível para o julgamento do processo, pois permite ao julgador aferir efetivamente se existe a responsabilidade solidária entre as empresas apontadas pela fiscalização. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; VOTO por converter o julgamento em diligência É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 497DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 12 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003670/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em
sobrestar o julgamento do recurso, pela sistemática determinada no § 1º, Art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme Portaria MF 256/ 2009; e b) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do
Relator.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10865.003670/2009-16
conteudo_id_s : 6393714
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2301-000.172
nome_arquivo_s : 230100172_10865003670200916_201112.pdf
nome_relator_s : MAURO JOSE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10865003670200916_6393714.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em sobrestar o julgamento do recurso, pela sistemática determinada no § 1º, Art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme Portaria MF 256/ 2009; e b) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
id : 5731324
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254725558272
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-16T17:06:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-03-16T17:06:48Z; Last-Modified: 2020-03-16T17:06:48Z; dcterms:modified: 2020-03-16T17:06:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e61a27c3-eaf4-405a-b6d4-e453a16c8cc9; Last-Save-Date: 2020-03-16T17:06:48Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-16T17:06:48Z; meta:save-date: 2020-03-16T17:06:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-16T17:06:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-03-16T17:06:48Z; created: 2020-03-16T17:06:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-03-16T17:06:48Z; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-16T17:06:48Z | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 158 1 157 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.003670/200916 Recurso nº 999.999 Resolução nº 2301000.172 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 02 de dezembro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente COOPERATIVA DE ELETR. E DESENV. DA REGIAO DE MOGI MIRIM Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em sobrestar o julgamento do recurso, pela sistemática determinada no § 1º, Art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme Portaria MF 256/ 2009; e b) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003670/200916 Resolução n.º 2301000.172 S2C3T1 Fl. 159 2 RELATÓRIO Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 24/11/2009, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 25/28, deixado de recolher contribuições previdenciárias sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho médico, nas competências 01/2004 a 11/2008, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 59.088,24. Após tomar ciência pessoal da autuação em 27/11/2009, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 83/90, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 139/142, julgou o lançamento procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 29/03/2010, fls. 143. Foi aplicada a decadência com fulcro no art. 150, §4º do CTN e a penalidade mais benéfica pelo art. 35A da Lei .8.212/91. O recurso voluntário, apresentado em 15/04/2010, fls. 145/150, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende ser indevida a contribuição social sobre a prestação de serviços contratados com cooperativas de trabalho com argumentos de inconstitucionalidade. Colaciona diversas jurisprudências judiciais. Conclui ser a multa indevida, pois esta deve seguir o mesmo destino da obrigação principal. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003670/200916 Resolução n.º 2301000.172 S2C3T1 Fl. 160 3 VOTO Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Tendo em vista que o mérito trata do artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, e que a constitucionalidade deste esta sendo discutida no RE 595.838 com repercussão geral reconhecida em 15/05/2009, passamos a expor a nossa posição sobre a necessidade de sobrestamento do recurso. Sobrestamento de Recurso Voluntário. Art. 62A, § 1º do RICARF. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), a partir da modificação feita pela Portaria MF 586 de 21 de dezembro de 2010, passou a prever o sobrestamento de Recursos em seu art. 62A conforme veremos a seguir: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O sobrestamento de recursos extraordinários pelo STF é conseqüência do reconhecimento de existência de repercussão geral, conforme já admitiu o STJ em alguns julgados: AERESP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGENCIA EM RECURSO ESPECIAL – 1142490 ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PRECATÓRIO Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003670/200916 Resolução n.º 2301000.172 S2C3T1 Fl. 161 4 COMPLEMENTAR. JUROS DE MORA. PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE A HOMOLOGAÇÃO DO CÁLCULO E A EXPEDIÇÃO DO PRECATÓRIO OU RPV. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 168/STJ. SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. DESCABIMENTO. 1. Os juros moratórios não incidem entre a data da elaboração da conta de liquidação e a expedição da requisição de pequeno valorRPV. Precedente da Corte Especial: REsp 1.143.677/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 04.02.10. 2. Conforme a Súmula 168/STJ, "não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado". 3. O reconhecimento pelo Pretório Excelso de que o tema possui repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, acarreta, unicamente, o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido por esta Corte ou por outros tribunais, cujo exame deverá ser realizado no momento do juízo de admissibilidade. 4. Agravo regimental não provido. ADRESP AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL – 1139986 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. ENERGIA ELÉTRICA. DEMANDA CONTRATADA. SÚMULA 391/STJ. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. JULGAMENTO. POSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "O ICMS incide sobre o valor da tarifa de energia elétrica correspondente à demanda de potência efetivamente utilizada" (Súmula 391/STJ). 2. "O reconhecimento pelo Pretório Excelso de que o tema possui repercussão geral, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, acarreta, unicamente, o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido por esta Corte ou por outros tribunais, cujo exame deverá ser realizado no momento do juízo de admissibilidade" (AgRg no EDcl no REsp 760.494/RJ, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 28/06/10). 3. Agravo regimental não provido. Adotando idêntica premissa, sempre que em relação a uma matéria houver recurso extraordinário no STF com repercussão geral reconhecida, teremos uma situação que enseja o sobrestamento do recurso em relação à matéria que justificou a repercussão geral. Com relação à contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, temos o RE 595.838 com repercussão geral reconhecida em 15/05/2009. Logo, a parte do recurso voluntário que trata dessa matéria deve permanecer sobrestada até a o trânsito em julgado da referido RE no STF. No caso em epígrafe, todo o lançamento está afetado pela discussão envolvendo as cooperativas de trabalho. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.003670/200916 Resolução n.º 2301000.172 S2C3T1 Fl. 162 5 Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que o julgamento do Recurso fique sobrestado até a decisão final do STF sobre o RE 595.838. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.905416/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2003
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2003 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10950.905416/2012-82
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393225
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.534
nome_arquivo_s : Decisao_10950905416201282.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10950905416201282_5393225.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5684919
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254749675520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1784; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.905416/201282 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.534 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO NÃOCUMULATIVA PER/DCOMP ELETRÔNICO Recorrente CACAU'S DISTRIBUIDORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2003 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 54 16 /2 01 2- 82 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.905416/201282 Acórdão n.º 3801004.534 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002595/2004-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 06/01/2000 a 20/10/2000
LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSADO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL NÃO DEFINITIVA. FALTA DE PAGAMENTO. ERRO NA DESCRIÇÃO DO FATO. INOCORRÊNCIA.
Não há erro na descrição do fato se consta do auto de infração que o motivo do lançamento realizado para prevenir a decadência do crédito tributário foi a falta de pagamento do tributo objeto de compensação com créditos de terceiros, determinada por decisão judicial não definitiva.
LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE.
É procedente o lançamento do crédito tributário suspenso por medida liminar, concedida em ação cautelar inominada, até o julgamento definitivo da ação rescisória, especialmente, se autorizada, na respectiva decisão judicial, a realização do lançamento para fim de prevenir a decadência do crédito tributário objeto de compensação com créditos de terceiros, determinada por decisão judicial não definitiva.
AÇÃO JUDICIAL. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Recurso Voluntário Negado.
Por expressa determinação legal, o cessionário de direito litigioso poderá intervir no processo judicial somente na condição de assistente do cedente.
Numero da decisão: 3102-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares arguidas, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que acolhiam a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de MPF. No mérito, por unanimidade de votos, o recurso voluntário foi parcialmente conhecido e, na parte conhecida, foi negado provimento. Fez sustentação oral a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB/PE nº 25.620-D, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 06/01/2000 a 20/10/2000 LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSADO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL NÃO DEFINITIVA. FALTA DE PAGAMENTO. ERRO NA DESCRIÇÃO DO FATO. INOCORRÊNCIA. Não há erro na descrição do fato se consta do auto de infração que o motivo do lançamento realizado para prevenir a decadência do crédito tributário foi a falta de pagamento do tributo objeto de compensação com créditos de terceiros, determinada por decisão judicial não definitiva. LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE. É procedente o lançamento do crédito tributário suspenso por medida liminar, concedida em ação cautelar inominada, até o julgamento definitivo da ação rescisória, especialmente, se autorizada, na respectiva decisão judicial, a realização do lançamento para fim de prevenir a decadência do crédito tributário objeto de compensação com créditos de terceiros, determinada por decisão judicial não definitiva. AÇÃO JUDICIAL. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Negado. Por expressa determinação legal, o cessionário de direito litigioso poderá intervir no processo judicial somente na condição de assistente do cedente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12466.002595/2004-81
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5386189
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.245
nome_arquivo_s : Decisao_12466002595200481.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 12466002595200481_5386189.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares arguidas, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que acolhiam a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de MPF. No mérito, por unanimidade de votos, o recurso voluntário foi parcialmente conhecido e, na parte conhecida, foi negado provimento. Fez sustentação oral a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB/PE nº 25.620-D, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5649859
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254752821248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.002595/200481 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.245 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria II/IPI FALTA DE RECOLHIMETO Recorrente SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 06/01/2000 a 20/10/2000 SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. FALTA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O processo administrativo fiscal é regido pelo princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até a decisão final, em decorrência, a autoridade ou o órgão administrativo de julgamento não pode sobrestar o julgamento do processo até que seja proferida a decisão judicial definitiva. 2. Somente se houver decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário é que, a título de cautela, a fase de cobrança administrativa e de execução da dívida não pode ser iniciada antes do julgamento definitivo da demanda judicial, devendo, nesta hipótese, o processo administrativo ficar sobrestado até que ocorra o trânsito em julgado da correspondente decisão judicial. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. TRIBUTOS DEVIDOS NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. AUTORIDADE FISCAL COMPETENTE. IMPOSSIBILIDADE. 1. É valido o lançamento dos tributos devidos na operação de importação, realizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil da jurisdição da unidade da Receita Federal onde ocorreu o despacho aduaneiro de importação. 2. Também é considerado valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27). AÇÃO JUDICIAL. CESSIONÁRIO DE DIREITO LITIGIOSO. INTERVENÇÃO COMO ASSISTENTE DO ALINANTE. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 25 95 /2 00 4- 81 Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Por expressa determinação legal, o cessionário de direito litigioso poderá intervir no processo judicial somente na condição de assistente do cedente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 06/01/2000 a 20/10/2000 LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMPENSADO POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL NÃO DEFINITIVA. FALTA DE PAGAMENTO. ERRO NA DESCRIÇÃO DO FATO. INOCORRÊNCIA. Não há erro na descrição do fato se consta do auto de infração que o motivo do lançamento realizado para prevenir a decadência do crédito tributário foi a falta de pagamento do tributo objeto de compensação com créditos de terceiros, determinada por decisão judicial não definitiva. LANÇAMENTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL POR MEDIDA LIMINAR. POSSIBILIDADE. É procedente o lançamento do crédito tributário suspenso por medida liminar, concedida em ação cautelar inominada, até o julgamento definitivo da ação rescisória, especialmente, se autorizada, na respectiva decisão judicial, a realização do lançamento para fim de prevenir a decadência do crédito tributário objeto de compensação com créditos de terceiros, determinada por decisão judicial não definitiva. AÇÃO JUDICIAL. DIREITO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO CRIVO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares arguidas, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, que acolhiam a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de MPF. No mérito, por unanimidade de votos, o recurso voluntário foi parcialmente conhecido e, na parte conhecida, foi negado provimento. Fez sustentação oral a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB/PE nº 25.620D, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 101 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Tratase de Autos de Infração (fls. 3/6 e 7/10), em que formalizada cobrança do Imposto sobre a Importação (II), no valor total de R$ 24.762.761,64, e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor total de R$ 26.646.258,13, incluídos os valores dos juros moratórios calculados até 31/12/2004, acompanhados dos Demonstrativos de Apuração dos Impostos (fls. 11/31 e 52/72) e de Apuração dos Juros Moratórios (fls. 32/51 e 73/93), relativos às operações de importação realizadas no período de 6/1/2000 a 20/10/2000. Por bem descrever os fatos que motivaram o lançamento e as razões de defesa apresentada na peça impugnatória, adotase o Relatório encartado na decisão de primeira instância, que segue transcrito: Colocase à apreciação litígio instaurado em razão de lançamento de ofício promovido com vistas à prevenção da decadência de créditos tributários correspondentes ao Imposto de Importação (II), no valor de R$ 24.762.761,64, e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no valor de R$ 26.646.258,13, inscritos, respectivamente, nas peças acusatórias de fls. 01 a 03 e 04 a 07, incluídos nesses valores importância exigida a título de juros moratórios. A exigência em causa reportase a operações de importação realizadas pela autuada no período compreendido entre 06/01/2000 e 20/10/2000, sendo que os tributos incidentes nessas operações, ao invés de terem sido objeto de pagamento, foram arrolados pelo importador em processos de compensação com, ao que se sabe, créditosprêmio do IPI, cujo título era representativo de direito conferido a terceira pessoa. Dita compensação, é modalidade de aproveitamento de crédito não inserida no contexto em que se abrigavam as hipóteses de compensação ou ressarcimento disciplinados pelas Instruções Normativas (IN) SRF nº 21/1997 e nº 41/2000 que, vigentes à época do registro das importações de que se trata, vedavam, respectivamente, a compensação dos tributos devidos na importação com créditos tributários referentes a tributos de natureza diferente e a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Em face, pois, da falta de previsão legal que atendesse aos seus interesses, o importador, mediante a interposição de várias ações, buscou judicialmente o reconhecimento do direito de realizar a compensação desejada, qual seja: o direito de compensar débitos de tributos incidentes nas importações com alegados créditos de tributos de outra natureza e espécie, cuja titularidade não lhe pertencia. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 Em face de tal circunstância, ao amparo de medidas judiciais liminares ou não definitivas, foram autorizados os registros de Declarações de Importação sem pagamento dos tributos incidentes nas operações correspondentes. Considerando que às Declarações de Compensação, bem como aos Pedidos de Compensação – hoje a essas Declarações equiparados, não era conferido, à época, o caráter de Confissão de Dívida, os débitos declarados pelo contribuinte, por não se encontrarem constituídos, representavam crédito tributário cuja exigibilidade estava sujeita aos óbices decorrentes da decadência do direito de sua constituição pela Fazenda Pública. Sendo discutível a aplicação, à espécie, do disposto no art. 173, inciso I, do CTN – Código Tributário Nacional, em face de o art. 151 desse mesmo diploma legal prever a suspensão da exigibilidade do crédito tributário já constituído e não a postergação do início da contagem do prazo decadencial estabelecido para essa constituição, a fiscalização lavrou auto de infração para, preventivamente, constituir o crédito tributário mediante o lançamento ora litigado. Desse modo, o presente lançamento não está relacionado a questões relativas ao reconhecimento do direito creditório arrogado pelo contribuinte, uma vez que a análise dessas questões deve ser procedida no âmbito de processo próprio, formalizado à vista dos pedidos de compensação formulados. Os fundamentos sobre os quais recai o presente lançamento residem na falta de previsão legal para realização da compensação requerida ou, melhor dizendo, na vedação legal para esse tipo de compensação que, embora judicialmente, foram autorizadas precária e provisoriamente. Em impugnação tempestivamente interposta, buscando demonstrar não ser de terceiros os créditos oferecidos à compensação, a autuada discorre a respeito de sua relação de interdependência com a empresa titular do direito creditório oferecido à compensação, com vistas a descaracterizar o conceito estabelecido em torno da titularidade desses créditos, o qual os define como sendo um direito assegurado a terceira pessoa. Prosseguindo, a impugnante defende a nulidade da autuação, à vista do argumento de que à Alfândega do Porto de Vitória não foi outorgada competência para apreciar a legitimidade do direito creditório por ela arrogado, tendo em vista as disposições normativas então vigentes, que atribuíram às Unidades da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o estabelecimento titular do crédito a competência para apreciar e decidir a respeito dos pedidos de compensação. Igualmente, como razão de nulidade argumenta que os débitos de que se constitui o crédito tributário ora exigido estão sendo objeto de discussão em sede do processo administrativo nº 11534.000015/0011, atinente à compensação por ela requerida, no âmbito do qual foram, indevidamente, efetuadas cobrança dos mesmos valores cuja exigência ora contesta. Tendo sido intimada da decisão de 1ª instância administrativa proferida nos Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 102 5 autos do mencionado processo, interpôs manifestação de inconformidade ainda não apreciada pela autoridade competente. Além disso, alega que por força de determinação judicial encontrase suspensa a exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme prescreve o art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Tal circunstância, a seu ver, é o bastante para inibir a adoção, pela administração, de qualquer medida tendente a exigirlhe referido crédito, aí incluídos os juros moratórios, calculados sobre valores não devidos e com base na taxa selic, cuja flagrante inconstitucionalidade espera ver declarada. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 539/545), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi julgado procedente, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que seguem transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação – II Período de apuração: 06/01/2000 a 20/10/2000 Ementa: COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. As Declarações de Compensação, bem como os Pedidos de Compensação equiparados a essas Declarações, somente passaram a ser recepcionadas como título constitutivo do crédito tributário correspondente aos débitos declarados depois da edição da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003. Os débitos declarados em pedidos de compensação formulados anteriormente a essa data devem ser constituídos mediante lançamento de ofício, com vistas a prevenir a decadência. Em 8/11/2004, a autuada foi cientificada dessa decisão (fls. 547/548). Inconformada, em 8/12/2004, protocolizou o recurso voluntário de fls. 549/581, em que reafirmou das razões de defesa suscitadas na fase impugnatória. Em aditamento, a recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, por dois motivos: a) afronta ao princípio administrativo da eficência, sob o argumento de que não fazia sentido prosseguir na apreciação e julgamento de auto de infração cuja exequibilidade dependia de decisão judicial definitiva e (ii) concomitância deste processo com o processo administrativo nº 11543.000015/00, sob o argumento de que eles tratam dos mesmos débitos compensados. Em atenção ao pedido da recorrente de fl. 803, em 3/2/2006, foram juntados aos autos as cópias dos seguintes documentos: a) decisão final proferida pelo STF, em 12/9/2005, no julgamento do Agravo de Instrumento nº 523843 (fls. 805/809 e 813/814); b) certidão do trânsito em julgado da referida decisão (fls. 810/812); c) Ofícios da recorrente, endereçados ao Delegado da Receita Federal em Vitória e ao Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória, comunicandolhes os efeitos da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT N° 451, de 04.11.2005 (fls. 815/824 e 836/845); e d) a citada Solução de Consulta (fls. 826/832). Intimado a se manifestar sobre os referidos documentos, a Fazenda Nacional, por meio da petição de fls. 858/863, alegou que eles deveriam ser desconsiderados, pois, em Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 face da intempestividade, foram atingidos pela preclusão. Em relação à decisão prolatada no âmbito do citado Agravo de Instrumento, alegou que ela não tinha o condão de derrubar o auto de infração, eis que versava sobre matéria diversa dos autos, envolvendo valores ainda não devidamente quantificados. Ademais, em consulta na internet, havia localizado a Açao Rescisório nº 2.735 (fl. 864), proposta contra a SAB Trading Comercial Exportadora S/A., devendo ser efetivada diligência, a fim de saber se havia alguma correlação com o presente feito. Sobre a Solução de Consulta, alegou que ela não podia ser utilizada nos presentes autos, porque não mencionava a decisão judicial a qual ela referirseia. Em 19/06/2006, por intermédio da petição de fl. 869, a interessada ingressou com o pedido de juntada das cópias dos documentos de fls. 870/1.315, que foi acatado em 7/7/2006, conforme Despacho de Juntada de fl. 1.298. Entre tais documentos, destacamse os seguintes: a) parte dos processos fiscais n° 10768.002802/200478 e 10768.001928/200425, que certificavam a existência e o valor do crédito cedido à recorrente, compensado, em parte, com os débitos objetos deste processo (fls. 895/908); b) principais peças do processo n° 99.00166582, que tramitou perante a Justiça Federal do Rio de Janeiro, com decisões transitadas em julgado (fls. 909/986); c) cópia do extrato do processo fiscal n° 11543.000015/0011, já em fase de cobrança final, que comprovaria a duplicidade da exigência fiscal feita contra a interessada (fls. 988/1095); d) pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, relativos aos valores dos débitos lançados nas autuações objeto de processo (fls. 1097/1297). Intimado a se manifestar sobre os referidos documentos, em 30/8/2006, a Fazenda Nacional, por meio da petição de fls. 1299/1301, alegou que, sob pena inovação da lide, os referidos documentos deveriam ser desconsiderados e desentranhados dos autos, porque não enquadrava em nenhuma das hipóteses excepcionais de preclusão, que autorizava a juntada a posteriori de documentos, previstas no artigo 16, § 4°, do PAF. Porém, caso este Colegiado assim não entendesse, requereu que os autos fosse baixados em diligência, a fim de serem analisados os documentos ora acostados e a influência destes sobre o feito. Na Sessão de 5 de dezembro de 2006, por meio da Resolução nº 30301.237 (fls. 1303/1313), a 3ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligênica à unidade da Receita Federal de origem, para as seguintes providências, in verbis: a) que sejam adotados os procedimentos cabíveis quanto ao arrolamento de fls. 620 com o posterior encaminhamento dos autos a este Conselho de Contribuintes acompanhado de despacho fundamentado no que concerne a este requisito e admissibilidade; b) saber da repartição de origem qual a parcela do crédito foi alcançada pelos pedidos de compensação constantes dos processos administrativos citados no auto de infração, em face do trânsito em julgado do Mandado de Segurança 9900166582 da 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro; c) que a repartição se manifeste também no que concerne ao processo n° 11543.000015/0011, que conteria, segundo a empresa, cobrança em duplicidade da mesma exigência fiscal. Em atendimento ao citado pedido de diligência, por meio do Despacho de fls. 1521/1522, informou a autoridade fiscal que: Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 103 7 a) os créditos tributários sob controle junto ao processo nº 11543.000015/00 11 eram aqueles relacionados nas fls. 1500/1516, dados extraídos do citado processo, os quais já foram encaminhados à PFN e já foram inscritos em DAU; b) as duplicidades de controle com os débitos cadastrados no presente processo já havia sido sanadas, consoante se observava no despacho de fls. 1517/1518; c) em relação aos processos que teriam sido formalizados para o registro e o acompanhamento dos débitos que, a par de terem sido indicados pelo contribuinte para compensação, também teriam sido constituídos de ofício, observo que a tal correlação somente poderia ser confirmada, ou não, pelos respectivos fiscais autuantes, dado que, ao que tudo indicava, foi exatamente sobre tal questão que se debruçara a ação fiscal; e d) aproveitava o ensejo para juntar aos autos (fls. 1363/1489, cópia integral do acórdão proferido na Ação Rescisória nº 2006.02.01.0004164, o qual, tendo julgado procedente a ação, desconstituiu o acórdão que havia reconhecido em favor de SAB Trading, CNPJ nº 42.354.274/000129, nos autos do Mandado de Segurança no 99.000166582, o direito à fruição do benefício fiscal previsto no artigo 1º do Decretolei nº 491/69. No final, em face da localização dos processos 12466.000040/0082 e 12466.002362/0020, propôs a restituição deste processo à Alfândega do Porto de Vitória, para prosseguimento das ações voltadas ao atendimento da mencionada diligência. No âmbito da referida Alfândega, foi prestada a Informação de fl. 1524, em que esclarecido que o item relativo ao arrolamento de bens estava prejudicada com a edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 09, de 05/06/2007. No que tange aos demais itens, assim se manifestou autoridade diligenciante, in verbis: Item b): tendo em vista que os procedimentos e os controles de compensação são realizados pela DRF/VIT, pelo fato de não ter a Alfândega competência regimental para fazêlo, encaminhamos àquela Delegacia a consulta de fls 1241 [1362], tendo recebido da mesma as informações de fls 1242 a 1400 [1363/1.522]. Item c): ao realizar o controle dos pedidos de compensação, a Delegacia da Receita formaliza um processo (neste caso, o de n° 11543.000015/0011) onde registra os débitos a compensar e cadastra o mesmo no PROFISC, ficando o mesmo na situação de cobrança final com pendência de compensação; na grande maioria dos casos, é desnecessária a constituição de ofício dos créditos tributário, visto que os mesmos já se encontram declarados em DCTF e as dívidas confessablas. Todavia, no presente caso, poderia o contribuinte vir a alegar a sua decadência, pois a declaração de importação não se constitui em confissão de dívida; por essa razão, a alfândega passou a lavrar autos de infração relativos aos débitos objeto do pedido de compensação e assim passouse a ter dois processos com os mesmos débitos. Todavia, a informação de fls 1400 [1522] dá conta, em seu primeiro parágrafo, de que já foram excluídos do processo 11543.000015/0011 todos os débitos que, em duplicidade, constam do processo 12466.002595/200481. Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 8 Na Sessão de 12 de agosto de 2008, por meio da Resolução nº 30301.453 (fls. 1542/1553), a 3ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes, novamente, converteu o julgamento em diligênica, para que a unidade da Receita Federal de origem cientificasse a recorrente do resultado da diligência anterior e para, querendo, manifestarse. Em 29/10/2008, por meio do Comunicado de fl. 1.558 e em atendimento à referida diligência, a recorrente foi cientificada da Resolução n° 30301.237, dos documentos que foram juntados ao processo após tal Resolução, bem como da Resolução n° 30301.453, e aberto o prazo de 30 (trinta) dias, para apresentação de razões adicionais ao recurso voluntário. Tempestivamente, em 28/11/2008, por intermédio da petição de fls. 1559/1592, a recorrente reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça recursal. Em aditamento, alegou que: a) o lançamento, ora impugnado, fora realizado de forma vinculada ao desfecho ao Mandado de Segurança nº 99.00166582/RJ e que os fatos geradores envolvidos nesta lide eram a razão de ser e consubstanciavam a motivação e o pressuposto legal deste ato administrativo, praticado para prevenir a decadência do direito fazendário; b) com o advento do trânsito em julgado, em 3/10/2005, da decisão final proferida no âmbito do citado Mandado de Segurança, não havia que se falar na subsistência destas autuações, pois era inequívoca a extinção de tais créditos nos termos dos incisos II e X do art. 156 do CTN. Dessa forma, como o motivo determinante da autuação era prevenir a decadência, em face da existência de medida judicial, com o implemento da condição a que se encontrava vinculada a autuação, não podia o lançamento sobreviver sob pena de afronta à própria legalidade, uma vez que cessada a condição da exigibilidade dos débitos lançados, com a confirmação do direito à compensação em decorrência da coisa julgada; c) os créditos ora impugnados, vinculados ao citado Mandado de Segurança, não foram atingidos pela decisão liminar proferida nos autos da Medida Cautelar nº 2005.02.01.0144723, interposta pela Fazenda Nacional, portanto, não havia que se falar na subsistência das questionadas autuações; d) enquanto não houvesse decisão transitada em julgado na referida Ação Rescisória, prevaleceria a coisa julgada que se formou no referido mandamus, pois, segundo a doutrina e a jurisprudência eram uníssonas em reconhecer que a desconstituição (anulação) da decisão rescindenda só operava efeitos depois do trânsito em julgado da decisão desconstitutiva, com fiel endosso à letra clara do art. 489 do CPC e em prol da segurança jurídica; e) a rescisória não era apta a, neste momento, servir como fundamento de desconstituição da coisa julgada formada em favor da recorrente, conforme entendera a autoridade fiscal diligenciante, uma vez que a ação recissória não tinha efeito suspensivo, mas apenas devolutivo, logo prevalecia os efeitos da decisão rescindenda até o advento decisão final prolatada no âmbito desta ação, com trânsito em julgado; f) era absolutamente ineficaz contra a recorrente, qualquer decisão proferida na referida ação cautelar ou mesmo na ação rescisória, uma vez que a recorrente não fora incluída no polo passivo das referidas ações, não obstante sua condição de litisconsorte passivo necessário. Em decorrência, a coisa julgado formada no âmbito do referido MS era definitiva contra a recorrente; Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 104 9 g) embora autoridade fiscal tivesse afirmado, nos Despachos de fls. 1517/1518, 1521/1522 e 1524, que nos autos do processo nº 11543.000015/0011 foram excluídos os créditos tributários constantes deste processo, e que teria sanado o problema de exigência fiscal em duplicidade, a recorrente afirmou que ainda existiam valores sendo cobrado em duplicidade, pois, com base em novo extrato de débitos, retirado do processo nº 11543.000015/0011, em 24/11/2008, embora a quantidade de débitos tivessem diminuído de 722 para 60, destes 60 débitos remanescentes 56 ainda eram objeto de cobrança neste processo, conforme explicitado nos Demonstrativos de fls. 1621/1640 e nos documentos de fls. 1642/1700, que integram os Anexos II a V da citada petição; inclusive, tais débitos estavam relacionados no Demonstrativo de fls. 1508/1509, elaborado pela fiscalização; e h) configurava excesso de exação a cobrança, em duplicidade, dos mesmos valores, por meio de dois processos administrativos que tramitavam em paralelo perante dois órgão diferentes, o que poderia resultar em duas execuções indevidas, que causariam graves prejuízos tanto para a recorrente como para a Fazenda Nacional, que poderia ser condenada pelo ônus da sucumbência. No final, a recorrente (i) requereu o cancelamento dos autos de infração impugnados, uma vez que não existia nenhuma autorização contida em decisão judicial contra a recorrente, que cancelasse a parcela do crédito que adquirira, haja vista que, contra ela, eram manifestamente ineficazes a liminar produzida na medida cautelar e o acórdão proferido na ação rescisória das quais ela não era parte, e (ii) reiterou as razões aduzidas no recurso voluntário. Por meio do Despacho de fl. 1710, a autoridade fiscal informou cumprimento da diligência e determinou o envio dos autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. Na Sessão de 30 de janeiro de 2014, mediante sorteio, foi distribuído para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. É incontroverso que as autuações em questão foram formalizadas com vista a prevenir a decadência do crédito tributário, relativo ao II e ao IPI devidos nas operações de importação realizadas pela recorrente com base nas Declarações de Importação (DI) registradas no período de 6/1/2000 a 20/10/2000, no âmbito da jurisdição da Alfândega do Porto de Vitória. Também não será objeto da presente análise o mérito das compensações realizadas pela recorrente e tampouco a existência do crédito por ela utilizado nos respectivos procedimentos compensatórios, questões que ainda se encontram submetidas ao crivo do Poder Judiciário, o que, em razão do princípio da unicidade de jurisdição e em consonância com disposto no artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737, de 1979, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830, de 1980, importa renúncia ao julgamento da questão na esfera administrava. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 10 Previamente a análise das questões objeto da lide, cabe analisar o pedido da Fazenda Nacional para que os documentos colacionados aos autos pela recorrente, após a fase impugnatória e recursal, fossem desconsiderados e desentranhados dos autos, sob o argumento de que eles não se enquadravam em nenhuma das hipóteses excepcionais previstas do artigo 16, § 4°, do Decreto 70.235, de 1972, doravante denominado de PAF. Não assite razão à recorrida, uma vez que os documentos colacionados aos autos pela recorrente, a meu ver, se enquadram perfeitamente na hipótese excepcional de preclusão, prevista na alínea “b” do § 4º do art. 16 do PAF, que diz respeito a fato ou direito superveniente. Com efeito, compulsando os referidos documentos, constatase que eles atendem tais exigências, uma vez que foram produzidos após concluídos os prazos para apresentação da impugnação e do recurso voluntário em apreço. Por tais razões, manifestase pelo indeferimento do referido pedido, devendo tais documentos permanecer nos autos, pois tratam e demonstram fatos relevantes para o deslinde da controvérsia. Uma vez decidido o mencionado pedido da recorrida, passase a análise das questões preliminares e de mérito objeto da controvérsia. I DA ANÁLISE DAS QUESTÕES PRELIMINARES Em sede de preliminar, a recorrente alegou: a) nulidade da decisão de primeira instância, por afronta ao princípio administrativo da eficência e por concomitância deste processo com o processo administrativo nº 11543.000015/00; b) nulidade dos autos de infração, por incompetência da autoridade lançadora e duplicidade de cobrança; e c) cancelamento das autuações por falta de autorização judicial. I.1 Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância. A recorrente alegou nulidade da decisão de primeira instância, por afronta ao princípio da eficência administrativa, pois, em circunstância em que o sobrestamento do processo administrativo se impunha para garantir a efiência da Administração Pública, não fazia sentido prosseguir na apreciação e julgamento de auto de infração cuja exequibilidade dependia de decisão judicial definitiva. Do sobrestamento do processo administrativo. O sobrestamento do julgamento na esfera administrativa somente se justifica no caso de haver concomitância com o processo judicial, ou seja, se objeto do processo judicial for o mesmo do processo administrativo. Se as matérias forem distintas, o processo administrativo deve seguir o seu trâmite normal até a decisão final definitiva, quando, se houver medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, o processo administrativo ficará sobrestado até que seja prolatada a decisão definitiva na esfera judicial. Assim, em situação desse jaez, ao contrário do alegado pela recorrente, haveria afronta ao princípio da eficiência administrativa se o processo ficasse sobrestado aguardando o desfecho da decisão judicial. Portanto, além de estar em sintonia com o princípio da eficiência, o andamento do processo até a decisão definitiva está em consonância com o princípio da oficialidade, que rege o processo administrativo fiscal e exige que a administração, de ofício, impulsione o andamento do processo até a decisão final. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 105 11 Por essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau suscitada pela recorrente. Da concomitância com o processo nº 11543.000015/0011. A recorrente alegou concomitância entre o processo administrativo nº 11543.000015/0011 e este processo, sob argumento de que tratam dos mesmos débitos compensados. Não procede a alegação da recorrente. O referido processo trata dos pedidos de compensação. I.2 Da Nulidade do Auto de Infração. A recorrente alegou nulidade dos autos de infração, por incompetência da autoridade lançadora e duplicidade de cobrança. Da nulidade das autações por incompetência do autuante. A recorrente alegou nulidade das autuações, por incompetência da autoridade fiscal lançadora, com base no argumento de que a lavratura dos Autos de Infração era decorrente da não homologação das compensações na esfera administrativa, logo, em conformidade com o disposto no art. 15, § 4º, da Instrução Normativa SRF 21/97, era autoridade competente aquela pertencente à Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro, por ser unidade da jurisdicionante da sede da pessoa jurídica SAB Trading Comercial Exportadora S/A., titular e cedente dos valores dos créditos compensados. Previamente, é oportuno destacar que o referido § 4º do art. 151 da Instrução Normativa SRF 21/97, enquanto vigente, atribuía competência a unidade da Receita Federal para análise do pedido, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de controle atinentes aos créditos e débitos compensados. Assim, além de não tratar da competência da autoridade fiscal para realizar o lançamento de eventual tributo devido, o referido preceito normativo foi revogado desde 10/4/2000, quando foi publicada a Instrução Normativa SRF 41/2000. Portanto, além de não tratar da competência para realização do lançamento, tal regramento não se aplicaria ao procedimento fiscal em tela, pois, na data da lavratura dos questionados Autos de Infração, ocorrida em 13/4/2009, o citado preceito normativo já se encontrava expressamente revogado. Além disso, diferentemente do que alegou a recorrente, as questionadas autuações não foram decorrentes do indeferimento ou da não homologação das compensações, mas, conforme anteriormente destacado, para fim de prevenir a decadência dos valores dos impostos extintos pela recorrente mediante as referidas compensações. 1 Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado pela IN SRF n º 41/00, de 07/04/2000 ) [...] § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. [...]" Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 12 Com efeito, da leitura da Descrição dos Fatos que integra os referidos Autos de Infração, extraise que a autuação foi feita para prevenir a decadência dos valores dos impostos lançados, que, ao invés de pagos, foram compensados com os valores do crédito prêmio do IPI, reconhecido em favor da empresa Sab Trading Comercial Exportadora S/A., por decisão judicial proferida no âmbito do Mandado de Segurança nº 99.00166582/RJ. Ainda consoante o explicitado na citada Descrição, a determinação, para realização dos referidos lançamentos, fora respaldada no deferimento de medida liminar proferida nos autos da Medida Cautelar nº 2002.03.000527070, que autorizara o lançamento do crédito tributário, porém com a exigibilidade suspensa. Portanto, tratandose de lançamento para prevenir a decadência dos impostos devidos, mas não pagos, relativos às DI registradas no âmbito da Alfândega do Porto de Vitória, certamente, a autoridade fiscal pertencente aos quadros dessa unidade aduaneira, tinha plena competência para proceder às questionadas autuações, pois, de acordo com o estatuído no art. 9º2, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, doravante denominado de PAF, a autoridade fiscal competente, ainda que de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo, tem competência para proceder o lançamento do crédito tributário relativos aos tributos federais administrados pela RFB. Aliás, como a matéria se encontra sumulada por este Conselho, ela é de aplicação obrigatória por todos os membros deste Conselho. Tratase da Súmula CARF nº 27, in verbis: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar nulidade das autuações. Da nulidade das autuações por falta de emissão do MPF. A recorrente alegou nulidade das autuações, sob o argumento de que a falta de emissão do MPF configurava condição necessária e obrigatória para validades dos questionados Autos de Infração. Diferentemente do alegado pela recorrente, nem todo procedimento de fiscalização está sujeito à emissão de MPF. O assunto encontrase disciplinado, genericamente, no art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, cujos excertos relevantes seguem transcritos: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores 2 "Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer." Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 106 13 Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) (...) § 3o O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (Renumerado pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). § 4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. (Redação dada pelo Decreto no 6.104, de 30 de abril de 2007) [...]. (grifos não originais). Assim, temse que a regulamentação do MPF foi atribuída ao Secretário da RFB. Com base nessa competência, por meio de Portarias, a dita autoridade tem exercido essa competência. Na data da autuação, encontravase vigente a Portaria SRF nº 3007, de 26 de novembro de 2001, que, com respaldo no inciso II, e § 2º, do art. 1º do citado Decreto, expressamente, previa a dispensa de emissão de MPF, para o procedimento de fiscalização interno e de revisão aduaneira, neste caso, se o procedimento fosse destinado a identificar irregularidades fiscais relativas ao despacho, com base tão somente nos elementos probatórios disponíveis no âmbito da RFB. Na referida Portaria, tal previsão constava do art. 11, II, a seguir transcrito: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; [...] (grifos não originais) Da leitura dos referidos comandos normativos, extraise que os procedimentos de fiscalização realizados internamente, ou seja, com base nas informações contidas nos sistemas internos do Órgão fiscalizador, inequivocamente, estão dispensados da emissão do MPF. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 14 No caso em tela, por se tratar de lançamento para prevenir a decadência dos impostos lançados, ainda que o procedimento não fosse de revisão aduaneira, conforme alegou a recorrente, induvidosamente, tratase de procedimento de fiscalização interno, uma vez que realizado com os dados disponíveis nos sistemas internos da Alfândega do Porto de Vitória, sem que fosse realizado qualquer procedimento externo para fim de obtenção de documentos ou informações atinentes aos questionados lançamentos. Ademais, tais lançamentos foram realizados por expressa determinação do Inspetor da referida Alfândega, o que também supriria a exigência do referido documento. Dessa forma, fica evidenciado que, no procedimento de fiscalização em tela, não havia necessidade de expedição de MPF para realização do procedimento de fiscalização em questão, posto que realizado, exclusivamente, com base nos documentos internos ou extraídos dos sistemas de dados da RFB, inclusive, informados pela própria recorrente. É pertinente ressaltar ainda que, em conformidade com o disposto no § 2º do art. 10, anteriormente transcrito, a emissão do MPF tem nítido objetivo de controlar a atuação externa da atividade de fiscalização, especialmente, para informar o fiscalizado sobre a instauração e realização do procedimento de fiscalização. Situação que não se vislumbra no procedimento de fiscalização em destaque. Entretanto, ainda que assim não fosse, certamente, a ausência de emissão do MPF, por falta de previsão legal, não implicaria nulidade das questionadas autuações, haja vista que essa suposta irregularidade não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade prevista no art. 59 do PAF. A uma, porque a falta do referido documento, evidentemente, não resultou em cerceamento do direito de defesa da autuada. A duas, porque o descumprimento dessa formalidade não implica nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, matéria que se encontra, expressamente, definida em lei. Com efeito, dispõe o art. 142 do CTN, que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento. Da mesma forma, no âmbito dos tributos federais, determina o art. 10 do PAF, que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. E no que tange aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), tal competência foi atribuída ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB), conforme expressamente estabelecido no art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Por sua vez, as normas sobre o MPF, instituídas em Decreto e atos normativos infralegais, estabelecem apenas requisitos para instauração dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB, portanto, não trata da competência para realização do lançamento, matéria de reserva legal, conforme explicitado. Aliás, de acordo com os arts. 4º a 10 da Portaria RFB 11.371, de 2007, vigente na época da realização do procedimento fiscal em questão, é possível inferir que o MPF tem por objetivo principal o controle das atividades de fiscalização dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, permitindo também que o sujeito passivo confirme regularidade do procedimento fiscal contra ele instaurado, uma vez que lhe é informado a natureza, a abrangência, o prazo e as pessoas designadas para a execução dos trabalhos fiscais, além do código de acesso ao sítio da Receita Federal na internet, para fim de confirmação da autenticidade do referido documento. Por essas razões, entendese que o descumprimento de aspectos formais atinentes à expedição do MPF, certamente, não tem o condão de inquinar a higidez do auto de Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 107 15 infração lavrado por autoridade fiscal competente, com estrita observância do disposto no art. 142 do CTN e do art. 10 do PAF. No mesmo sentido, o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no julgamento do Acórdão CSRF/0105.558, cuja ementa segue transcrita: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 3007/2001 – NULIDADE – O desrespeito à previsão de indicação no MPFF de período fiscalizado e autuado não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de fiscalizar e promover lançamento; ademais, o descumprimento de algum item do art. 7 da Portaria SRF 3007/2001 não traz como conseqüência a nulidade do ato. CARF, CSRF. 1ª Turma. Ac. CSRF/0105.558, de 4/12/2006, Rel. Cons. José Henrique Longo) Com base nessas considerações, rejeitase a referida presente preliminar de nulidade. Da nulidade das autações por duplicidade de cobrança. A recorrente a reafirmou a nulidade do lançamento por cobrança em duplicidade dos valores lançados, sob o argumento de que, apesar da autoridade fiscal ter afirmado, nos Despachos de fls. 1517/1518, 1521/1522 e 1524, que foram excluídos do processo nº 11543.000015/0011 os créditos tributários constantes deste processo e que teria sanado a exigência fiscal em duplicidade ainda existiam valores sendo cobrado em duplicidade, pois, com base no novo extrato de débitos, retirado do processo nº 11543.000015/0011, em 24/11/2008, embora a quantidade de débitos tivessem diminuído de 722 para 60, destes 60 débitos remanescentes 56 ainda eram objeto de cobrança neste processo, conforme explicitado nos Demonstrativos de fls. 1621/1640 e nos documentos de fls. 1642/1700 (anexos II a V da citada petição); inclusive, tais débitos estavam relacionados no Demonstrativo de fls. 1508/1509, elaborado pela fiscalização. A cobrança de débitos em duplicidade não constitui motivo suficiente para nulidade de auto que atende todos os requisitos previstos no art. 10 do PAF, pois, esta irregularidade, sabidamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de nulidade relacionadas no art. 59 do PAF. Com efeito, se na fase de julgamento for apurada a existência de incorreção desse tipo, em conformidade com o disposto no art. 60 PAF, ela deve ser sanada quando resultar prejuízo para o sujeito passivo, situação que se vislumbra no caso em tela. Dessa forma, os 56 (cinquenta e seis) débitos cobrados neste processo, relacionados no Demonstrativo de fl. 1621, que também estão sendo cobrados no processo nº 11543.000015/0011, conforme Demonstrativo de fls. 1508/1509, devem ser excluídos da cobrança no citado processo e mantida a cobrança neste processo. Com base nessas considerações, rejeitase a preliminar de nulidade dos Autos de Infração pela alegada cobrança em duplicidade, mas uma vez configurada a incorreção Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 16 apontada pela recorrente, os débitos cobrados em duplicidade devem ser excluídos do processo nº 11543.000015/0011 e mantida a cobrança apenas neste processo. I.3 Do Cancelamento das Autuações. A recorrente defendeu o cancelamento das autuações, com base nos seguintes argumentos: a) os débitos compensados foram definitivamente extintos, por força de decisão judicial transitada em julgado; e b) ineficácia em relação à recorrente das decisões proferidas nos autos das mencionadas ações cautelar e rescisória. Da compensação definitiva. Segundo a recorrente os créditos ora impugnados, vinculados ao Mandado de Segurança nº 99.00166582/RJ, não foram atingidos pela decisão liminar proferida nos autos da Medida Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0144723, interposta pela Fazenda Nacional, não havendo que se falar, portanto, na subsistência da autuação ora combatida. Para a recorrente, a citada rescisória não era apta, neste momento, a servir de fundamento para desconstituição da coisa julgada, formada em favor da recorrente, uma vez que a dita ação rescisória não tinha efeito suspensivo, mas apenas devolutivo, logo prevalecia os efeitos da decisão rescindenda até o trânsito em julgado da decisão final a ser prolatada no âmbito da referida ação. A alegação da recorrente não procede, pois, embora tenha havido o trânsito em julgado da decisão proferida no âmbito do citado Mandado de Segurança e a decisão prolatada na citada ação rescisória tenha efeitos apenas suspensivos, certamente, a decisão liminar proferida no âmbito da referida Ação Cautelar Inominada, contrariamente ao alegado pela recorrente, manteve a autorização de lançamento dos tributos, inclusive em relação aos pedidos de ressarcimento e compensação apresentados anteriormente à mencionada decisão liminar, em razão da existência de coisa julgada assegurando o aproveitamento desses créditos. Aliás, essa determinação encontrase expressamente consignada no item 1 da decisão proferida pelo TRF da 2ª Região, no julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, com vistas a esclarecer os efeitos da medida liminar proferida nos autos da Ação Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0144723, em relação aos diversos pedidos de ressarcimento e compensação apresentados pela recorrente. Para fim de confirmação do asseverado, reproduzse a seguir o texto extraído da mencionada decisão (fls. 2808/2809): Nesse ínterim, a decisão liminar proferida nestes autos operará efeitos diversos, de acordo com a situação do pedido de aproveitamento de créditos apresentado pela requerida: 1 Quanto aos pedidos de ressarcimento e compensação já homologados anteriormente à decisão liminar proferida nesta ação cautelar, em razão da existência de coisa julgada assegurando o aproveitamento desses créditos, e considerando que a decisão liminar, dado o seu juízo de cognição sumária, não tem o condão de atingir o acórdão transitado em julgado; o alcance da decisão liminar restringese à suspensão dos efeitos da homologação, permitindo que se proceda ao lançamento dos créditos tributários já aproveitados, porém, com a sua exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal (rescisória); [...] (grifos não originais) Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 108 17 Dessa forma, fica demonstrada a insubsistência da afirmação da recorrente de que a suspensão dos efeitos da referida medida liminar teria efeitos apenas prospectivos, para o futuro, ex nunc, logo, não se aplicaria ao caso em tela, posto que interposta após a ocorrência de lapso temporal e, também, após o trânsito em julgado, estando os correspondentes fatos acobertados pelo sagrado manto da coisa julgada. Deveras, em consonância com a referida decisão liminar, proferida pelo TRF da 2ª Região, fica devidamente evidenciada a inexistência da alegada compensação definitiva, em consequência, com respaldo na citada decisão judicial, as autuações devem ser integralmente mantidas, porém, com a exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da citada ação rescisória. Pelas mesmas razões, fica também demonstrada que não houve a alegada implementação da condição suspensiva da exigibilidade da cobrança dos créditos impugnados, ocorrida com a certificação do trânsito em julgado da decisão proferida favoravelmente à cedente dos créditos (SAB Trading). Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, o motivo das autuações, para fim de prevenir a decadência, continua ainda presente. Em face dessas conclusões, fica prejudica a análise da alegação da recorrente de que a decisão administrativa que cancelasse a cobrança do crédito tributário, constituído para prevenir a decadência, apenas por reconhecer que a ação judicial encerrouse com a vitória do contribuinte, teria feito meramente do reconhecimento de um fato extintivo do direito do Fisco (o trânsito em julgado em favor do contribuinte) e seus efeitos, por isso, seriam retroativos à data da ocorrência desse fato. Com essas considerações, rejeitase o vertente pedido de cancelamento das autuações. Da ineficácia das decisões judiciais. A recorrente ainda pleiteou o cancelamento das autuações, sob o argumento de que a decisão judicial, que serviu fundamento dos questionados Autos de Infração, era absolutamente ineficaz contra ela, uma vez que não fora arrolada como parte na Ação Cautelar Inominada e tampouco na Ação Recissória, posteriormente ajuizada. Para a recorrente, na condição de litisconsórcio passivo necessário, nos termos do art. 47 do CPC, era obrigatória a sua integração ao polo passivo das referidas ações, uma vez que as cessões dos créditos utilizados na compensação dos débitos lançados se deram logo após a sentença proferida nos autos do MS nº 99.00166582 (7/5/2001), que reconheceu à cedente o direito ao benefício do créditoprêmio do IPI, fato que era do conhecimento da recorrida, quando do trânsito em jugado da decisão definitiva (3/10/2005), que reconheceu a possibilidade de utilização do créditoprêmio do IPI da cedente para compensação com débitos de terceiros (o caso da recorrente). Assim, fica evidenciado que o cerne da controvérsia cingese a forma de intervenção da recorrente nas demandas movidas pela Fazenda Nacional contra a autuada por meio da ação cautelar inominada e da ação recisória. O instituto do litisconsórcio necessário, alegado pela recorrente, encontrase definido no caput do art. 47 do CPC, a seguir transcrito: Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 18 Art. 47. Há litisconsórcio necessário, quando, por disposição de lei ou pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes; caso em que a eficácia da sentença dependerá da citação de todos os litisconsortes no processo. (grifos não originais) A leitura do dispositivo deixa claro que se terá lisconsócio necessário quando: a) exigir a própria natureza da relação jurídica deduzida em juízo (lisconsórcio necessário por natureza); ou b) exigir a lei, independentemente da relação jurídica deduzida em juízo (lisconsórcio necessário por determinação legal). No caso em tela, somente lisconsórcio necessário por natureza interessa analisar, pois foi a modalidade alegada pela recorrente. Segundo Cândido Rangel Dinamarco3, o lisconsórcio é necessário por natureza quando ele for unitário e a causa versar um objeto incindível. Em outra passagem, especificamente em relação ao lisconsórcio unitário, leciona o mencionado autor, in verbis: Quando todos os litisconsortes estão em defesa de uma só relação jurídica incidível, não é possível endereçar a cada um deles um julgamento de mérito diferente. É inteiramente inadmissível, do modo mais absoluto, julgar procedente a demanda em relação a um desses litisconsortes e improcedente quanto aos demais. Precisamente porque a relação controvertida é única e incidível, seria inviável dar efetividade a dois preceitos assim contraditórios4. (grifo do original) De acordo com essa relevante doutrina, o litisconsórcio necessário por natureza pressupõe a existência de uma relação jurídica única e incindível, de modo que o resultado do julgamento da demanda seja sempre o mesmo para todos os listisconsortes. No caso em tela, em relação à Fazenda Nacional, não existe essa relação jurídica única e incindível entre a recorrente e a pessoa jurídica cedente do crédito, SAB Trading Comercial Exportadora S/A., demandada nas referidas ação rescisória e ação cautelar inominada preparatória. Aliás, sequer há relação jurídica entre a Fazenda Nacional e a recorrente. Noticiam os autos que a única relação jurídica que existe, no entanto, ainda se encontra sub judice, é entre a Fazenda Nacional e SAB Trading Comercial Exportadora S/A., concernente ao direito de ressarcmento do créditoprêmio do IPI. Logo, diferentemente, do alegado pela recorrente, o fato dela ser cessionária do créditoprêmio do IPI em litígio, apenas a coloca em relação jurídica direta com a demandada (SAB Trading), porém, no processo judicial em que acionada a cedente do crédito, a recorrente somente poderá intervir na condição de assistente da cedente do crédito, conforme expressamente determina o art. 42, § 2º, do CPC, a seguir reproduzido: Art. 42. A alienação da coisa ou do direito litigioso, a título particular, por ato entre vivos, não altera a legitimidade das partes. § 1º O adquirente ou o cessionário não poderá ingressar em juízo, substituindo o alienante, ou o cedente, sem que o consinta a parte contrária. 3 DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. 4 ed. Malheiros, São Paulo, 2004, v. II, p. 353353. 4 Id. ibid., p. 350. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 109 19 § 2º O adquirente ou o cessionário poderá, no entanto, intervir no processo, assistindo o alienante ou o cedente. § 3º A sentença, proferida entre as partes originárias, estende os seus efeitos ao adquirente ou ao cessionário. É pertinente ressaltar ainda que, de acordo com disposto no § 3º do art. 42 em destaque, os efeitos da decisão judicial, proferida entre as partes originárias, estendese ao cessinário. Nesta situação, obviamente, se insere a ora recorrente, na condição de beneficiária da cessão dos créditos compensados. Assim, na condição de assistente, desde que evidenciado o interesse jurídico no resultado das referidas ações, nos termos do art. 505 do CPC, por iniciativa exclusiva da recorrente, ela poderá intervir nos processos objeto das referidas ações, porém os receberá no estado em que se encontra na data da intervenção. Ademais, como assistente, o terceiro interessado pode intervir em qualquer dos tipos de procedimento e em todos os graus da jurisdição, ao passo que o litisconsorte necesssário somente tem lugar no procedimento de conhecimento, na de citação, quando defina os limites subjetivos da lide. Dessa forma, fica demonstrado que, em consonância com o que afirmou a recorrente nessa passagem, a ela também se aplica os efeitos da medida liminar concedida, pelo TRF da 2ª Região, no julgamento da Ação Cautelar Inominada nº 2005.02.01.0144723, para suspender os efeitos do acórdão rescindendo, proferido na Apelação no Mandado de Segurança nº 2001.02.01.0470300, até que o trânsito em julgado da ação rescisória, nos termos explicitados no dispositivo da decisão proferida no julgamento dos Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, a seguir transcrito (fls. 2808/2809): Nesse ínterim, a decisão liminar proferida nestes autos operará efeitos diversos, de acordo com a situação do pedido de aproveitamento de créditos apresentado pela requerida: 1 Quanto aos pedidos de ressarcimento e compensação já homologados anteriormente à decisão liminar proferida nesta ação cautelar, em razão da existência de coisa julgada assegurando o aproveitamento desses créditos, e considerando que a decisão liminar, dado o seu juízo de cognição sumária, não tem o condão de atingir o acórdão transitado em julgado; o alcance da decisão liminar restringese à suspensão dos efeitos da homologação, permitindo que se proceda ao lançamento dos créditos tributários já aproveitados, porém, com a sua exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal (rescisória); 2 Com respeito aos pedidos de ressarcimento e compensação em andamento até a decisão liminar proferida nesta ação cautelar, com vistas a assegurar o resultado final da ação principal a ser ajuizada (rescisória), da qual esta ação cautelar é instrumento; impõe a decisão liminar proferida nestes autos a suspensão dos processos administrativos, 5 "Art. 50. Pendendo uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro, que tiver interesse jurídico em que a sentença seja favorável a uma delas, poderá intervir no processo para assistila. Parágrafo único. A assistência tem lugar em qualquer dos tipos de procedimento e em todos os graus da jurisdição; mas o assistente recebe o processo no estado em que se encontra." Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 20 permitindo o lançamento dos créditos tributários objeto dos pedidos, porém, com a exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal; 3 Por fim, em relação aos pedidos de ressarcimento e compensação porventura apresentados após a decisão liminar proferida nesta ação cautelar, por força do provimento jurisdicional acautelatório do resultado final da ação principal; impõe a decisão liminar exarada nestes autos sejam não recebidos referidos pedidos, dada a suspensão dos efeitos do acórdão rescidendo, permitindose o lançamento dos créditos tributários respectivos, porém, com a exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal. POSTO ISSO, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E DOULHES PROVIMENTO, para sanar a contradição existente na decisão de fls. 2177 / 2190, e integrála, nos termos da fundamentação ora lançada. Da leitura do referido dispositivo, verificase que, em relação a todos os pedidos de compensação apresentado pela recorrente, incluindo, portanto, os débitos compensados objeto das autuações em apreço, foi expressamente permitido que a autoridade competente da Receita Federal procedesse “ao lançamento dos créditos tributários já aproveitados, porém, com a sua exigibilidade suspensa, até o julgamento definitivo da ação principal (rescisória)”. Com base nessa conclusão, fica rejeitada a alegação suscitada pela recorrente no sentido de que não havia mais possibilidade de desconstituição da coisa julgada, para a reversão da extinção dos débitos da recorrente compensados com crédito cedido pela SAB Trading Comercial Exportadora S/A., uma vez que a ação rescisória fora ajuizada tãosomente contra a cedente dos créditos e havia decorrido o prazo para o ajuizamento de uma nova ação rescisória contra a cessionária do crédito, ora recorrente. Por todas essas razões rejeitase a prelilimar de cancelamento dos Autos de Infração suscitada pela recorrente. II – DAS QUESTÕES DE MÉRITO No mérito, a recorrente alegou que o caso em tela não se tratava de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que, em princípio, poderia comportar o lançamento para evitar a decadência, mas de débitos da recorrente “que foram extintos por compensações, devidamente reconhecidas e homologadas pelas autoridades federais, com emissão de DCC's e DARF's/SIAFI homologando tal extinção.” Para a recorrente, tais débitos foram extintos, nos termos do art. 156, II, do CTN, logo, em face da carência do atributo da exigibilidade, não poderiam ter sido lançados. Não assiste razão à recorrente. A uma, porque não houve a alegada homologação das citadas compensações, por parte das autoridades administrativas competentes da Receita Federal, pois, conforme noticiam os autos, as compensações foram realizadas em cumprimento a determinação judicial. A duas, porque o lançamento em questão foi realizado para prevenir a decadência do crédito tributário, com respaldo em expressa autorização judicial, portanto, em consonância com disposto no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 12466.002595/200481 Acórdão n.º 3102002.245 S3C1T2 Fl. 110 21 A alegação da recorrente de que às autoridades fiscais da Alfândega do Porto de Vitória não tinham competência para fiscalizar e cobrar os tributos compensados pela recorrente por determinação judicial, induvidosamente, não se aplica caso em tela, pois, conforme anteriormente demonstrado, as questionadas autuações não foram motivadas em decorrência da não homologação das compensações pela autoridade competente da citada Alfândega, mas com respaldo na referida decisão judicial que autorizou realização dos lançamentos, com vistas a prevenir a decadência dos débitos lançados. Pela mesma razão, também não se aplica ao caso em apreço, o alegado motivo apresentada para a declaração de nulidade do Despacho Decisório, proferido pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Vitória, que fora decretada pela DRJ de Juiz de Fora, no âmbito do processo nº 11543.00015/0011, uma vez que o mencionado Despacho tratava da análise e da não homologação das compensações informadas no citado processo, matéria estranha aos presentes autos, que, reiterase mais uma vez, trata de lançamento para prevenir a decadência de crédito tributário compensado por decisão judicial não definitiva, ou seja, que ainda depende do desfecho final do julgamento a ser proferido nos autos do processo da citada ação rescisória. Também não se conhece das alegações da recorrente sobre as limitações impostas às compensações com créditos de terceiros, determinadas por atos infralegais, especialmente, pela Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, pois, como já reiteradamente afirmado, o processo em questão não trata de análise de compensação, mas de lançamento para prevenir a decadência de débitos compensados, em atendimento a determinação judicial. O direito de compensação em comento, sabidamente, tratase de matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, logo, por força do disposto no artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737, de 1979, e no art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830, de 1980, não cabe a esta instância de julgamento se manifestar a respeito de questão sub judice. Nesse sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, a partir da edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, em face da concomitância com o processo judicial, não se toma conhecimento das alegações atinentes ao direito de compensação da recorrente, por se tratar de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. III – DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, votase por (i) não tomar conhecimento, por concomitância, das questões atinentes ao reconhecimento do direito creditório e à homologação dos procedimentos compensatórios, (ii) rejeitar as preliminares de nulidade e de cancelamento das autuações, porém, para determinar que os 56 (cinqüenta e seis) débitos, cobrados em duplicidade, relacionados no Demonstrativo de fl. 1621, sejam excluídos do processo nº Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 22 11543.000015/0011 (Demonstrativo de fls. 1508/1509), e no mérito, (iii) conhecer parcialmente do recurso e, nesta parte, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /09/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720042/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
NORMAS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é intempestivo o recurso voluntário interposto após transcorrido prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-001.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, em face da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 NORMAS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é intempestivo o recurso voluntário interposto após transcorrido prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão recorrida.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10467.720042/2011-06
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5397964
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.143
nome_arquivo_s : Decisao_10467720042201106.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10467720042201106_5397964.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5703968
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254772744192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.720042/201106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.143 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 Matéria IRPJ Recorrente Escola de Enfermagem Nova Esperança Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 NORMAS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. De acordo com o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é intempestivo o recurso voluntário interposto após transcorrido prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário, em face da intempestividade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Maurício Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 00 42 /2 01 1- 06 Fl. 4852DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório constante do Acórdão de piso, fls. 46574661: Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e do Programa de Integração Social – PIS, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos calendários de 2006, 2007 e 2008, no valor total de R$ 5.878.181,77, incluídos multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora. 2. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 5/11), apurado com base no lucro presumido, em conformidade com a opção da contribuinte, encontramse registradas as seguintes infrações, ao final tipificadas: 2.1. “001 – OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE”: sobre os valores omitidos, aplicouse multa na forma qualificada (150%); 2.2. “002 – APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO”: aplicação incorreta do coeficiente de 8%, quando o correto seria 32% (sobre tais valores, aplicouse multa de 75%); 2.3. “003 – RENDIMENTO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA”: a contribuinte não incluiu, na base de cálculo do imposto de renda, a totalidade dos rendimentos de aplicação financeira de renda fixa (sobre tais valores, aplicouse multa de 75%); 2.4. “004 – JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO”: a contribuinte não incluiu, na base de cálculo do imposto de renda, os juros sobre o capital próprio auferidos (sobre tais valores, aplicouse multa de 75%). 3. No Relatório de Ação Fiscal de fls. 4604/4624, a autoridade autuante consignou, em síntese, depois de descrever o procedimento fiscal: 3.1. O objetivo social da contribuinte é “a prestação de serviços de ensino particular, a manutenção e o funcionamento de escola de enfermagem, auxiliar de enfermagem, técnica de enfermagem, curso nível fundamental, médio e superior, curso superior em medicina, nutrição e biomedicina, cursos regulares e de suplência, cursos profissionalizantes, cursos supletivos e os denominados livres”. Somese, ainda, o objetivo social da filial constituída no município de Bayeux, em 02/07/2008, qual seja, Fl. 4853DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10467.720042/201106 Acórdão n.º 1401001.143 S1C4T1 Fl. 3 3 “a prestação dos serviços de clínica médica” (filial inscrita sob o n.º 02.949.141/000695); 3.2. Análise dos valores informados pela contribuinte, por meio de suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, revelou que, embora coincidentes entre si (à exceção do anocalendário de 2008, quando não se informou qualquer receita na Dacon), apresentavam algumas pequenas divergências dos valores constantes dos Livros Caixa e de Registro de Notas Ficais de Serviços Prestados; 3.3. A partir do exame dos extratos das contas bancárias mantidas pela contribuinte junto a instituições financeiras (anos calendários de 2006 a 2008), constatouse que nenhum dos créditos efetuados nas referidas contas estava registrado nos Livros Caixa apresentados, fato informado à contribuinte, que foi intimada a regularizálos, por meio da inclusão de toda a movimentação financeira, além de justificar a origem dos créditos em contacorrente; 3.4. O cotejo entre as receitas incluídas nos novos Livros Caixa e os créditos relacionados em anexo aos Termos de Constatação e Intimação permitiu constatar que, para todas as receitas, havia um crédito correspondente em conta bancária da contribuinte; 3.5. O exame de Declarações de Rendimentos Pagos e Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF nas quais a contribuinte figurava como beneficiária revelou que esta deixou de oferecer receitas financeiras à tributação. Exame dos Livros Caixa apresentados também revelou que tais receitas continuaram omitidas, à exceção das receitas de juros sobre capital próprio relativas aos anoscalendários de 2007 e 2008; 3.6. Os Livros Caixa apresentados em atendimento a Termo de Constatação e Intimação também demonstraram a existência de diversos saldos diários finais credores (fls. 2711/2715). Intimada a se manifestar sobre os saldos credores em questão, inclusive para apresentar provas da improcedência da presunção de omissão de receitas de que trata o art. 281 do Decreto n.º 3.000, de 1999 (RIR/99), a contribuinte não se manifestou até a data da lavratura dos autos de infração (anocalendário 2006; tabela à fl. 4611); 3.7. As receitas auferidas pela contribuinte não são aquelas constantes dos Livros de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados nem dos Livros Caixa originalmente apresentados, mas, sim, aquelas constantes dos novos Livros Caixa, que representam a soma das receitas registradas nos Livros Caixa originais com as recebidas por meio de créditos em contas bancárias, às quais devem ser acrescidas dos valores omitidos (receitas financeiras e saldos credores de caixa); 3.8. Adotouse como premissa de que os valores omitidos pela contribuinte correspondem à diferença entre a receita total auferida e os valores adotados como base para a confissão de Fl. 4854DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 débitos por meio de DCTFs e/ou recolhimentos (como no caso do 2º semestre de 2008, para o qual não houve confissão em DCTF); 3.9. Constatouse que a filial (02.949.141/000695) não preenchia os requisitos fixados no art. 27 da Instrução Normativa – IN n.º 480, de 2004 (redação conferida pela IN RFB n.º 791, de 2007) para que os serviços nela prestados fossem enquadrados como hospitalares, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ. Toda a receita decorrente das atividades desenvolvidas pela contribuinte está sujeita ao percentual de 32% (no cálculo do IRPJ/CSLL), no entanto, utilizouse do percentual de 8%; 3.10. Dos valores apurados, efetuouse a dedução do IRRF, dos valores confessados por meio de DCTFs e dos valores recolhidos; 3.11. No curso da ação fiscal, foram coletadas inúmeras evidências que, em tese levam ao cometimento das condutas previstas no art. 71, I, e 72 da Lei n.º 4.502, de 1964, pois, ao longo de trinta e seis meses, a contribuinte escriturou, em seus Livros Caixa e de Registro de Apuração do ISS, receitas significativamente inferiores aos valores auferidos. Além disso, declarou (DIPJ, Dacon e DCTF) e recolheu tributos em quantias substancialmente inferiores aos devidos. Foram omitidos valores da ordem de R$ 6.075.518,91, bem como não recolhidos tributos que montam R$ 2.612.785,93 (valores principais). 4. Pessoalmente cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 4633/4644, por meio da qual requer o cancelamento dos autos de infração, com base nos seguintes argumentos: Nulidade do lançamento: inconstitucionalidade/ilegalidade da requisição dos extratos bancários 4.1. O Agente Fiscal intimou a empresa a entregar, no prazo de cinco dias, extratos bancários e outros documentos. Grande parte dos autos de infração só se concretizou após a requisição e tomando por base os referidos extratos. Contudo, inexiste qualquer manifestação prévia e formal justificando a exigência de sua apresentação, apontando a sua indispensabilidade. Não houve motivação para a requisição dos extratos, que, ademais, carece de base legal por não obedecerem a critérios legalmente determinados. Infringiuse o disposto no art. 6º da Lei Complementar n.º 105, de 2001, na parte que condiciona o acesso dos agentes tributários aos livros e documentos bancários apenas quando considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Apoiada no entendimento do Supremo Tribunal Federal – STF de que a lei complementar não outorgou à RFB o direito de transferir incondicionalmente o sigilo bancário, a empresa entende que os autos são nulos; MÉRITO Erros de fato havidos na apuração da omissão de receitas Fl. 4855DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10467.720042/201106 Acórdão n.º 1401001.143 S1C4T1 Fl. 4 5 4.2. Em todas as contas bancárias existem depósitos de cheques que foram estornados por não disporem de fundos, sendo novamente depositados e só compensados na segunda apresentação. O Auditorfiscal, contudo, computou todos os depósitos efetuados, sem descontar qualquer estorno ou devolução de cheques, o que leva à nulidade e ao conseqüente cancelamento de todas as parcelas dos lançamentos fiscais; 4.3. Diante da impossibilidade de reconstituir de forma completa o elevado número de operações no curto espaço de trinta dias da impugnação, protesta pela juntada dos elementos probatórios em momento posterior; Cômputo de créditos que não traduzem receita 4.4. Observando os extratos bancários, constatase a existência de operações de créditos/depósitos que não caracterizam receitas tributáveis pelos tributos lançados. De outra parte, outras que, em tese, sujeitarseiam ao IRPJ e à CSLL, não o seriam pelo PIS e pela Cofins; 4.5. Diante da impossibilidade de reconstituir de forma completa o elevado número de operações no curto espaço de trinta dias da impugnação, protesta pela juntada dos elementos probatórios em momento posterior; Discrepâncias entre valores apurados e tributados 4.6. Confrontando os levantamentos das bases de cálculo efetuados com os demonstrativos de apuração que integram os autos de infração, constatouse a existência de discrepâncias que determinaram a formalização de créditos tributários maiores que os devidos. A título de exemplo, vejamse as bases de cálculo do PIS e da Cofins referentes ao período de outubro de 2008. Improcedência da tributação dos supostos saldos credores 4.7. É improcedente a tributação dos saldos credores promovidos pela fiscalização. O Agente Fiscal promoveu a tributação do somatório dos saldos credores de caixa apurados em vários meses do anocalendário de 2006, procedimento que é equivocado, porque, em se tratando de apuração pelo lucro presumido (obrigada a escriturar apenas o Livro Caixa), não se torna aplicável o critério de tributação da pretensa omissão de receitas (saldos credores de caixa) numa periodicidade mensal, ou seja, em cascata, como adotado. Se fossem reais os saldos credores de caixa, caberia a tributação apenas do maior deles no período anual, e não como aconteceu. Se algo houvesse a tributar, o quantum deveria apenas consistir no maior saldo credor de caixa apurado, que se deu em junho, no valor de R$ 329.955,23 (reproduz ementas do Conselho de Contribuintes para fundamentar o seu entendimento); 4.8. Admitindo, apenas hipoteticamente, a regularidade formal do lançamento, de qualquer forma estaria calcado em vários erros de fato: a) falhas técnicas cometidas no processamento do Fl. 4856DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Livro Caixa Reconstituído; b) ocorrência de saldos negativos que representam “saques a descoberto” havidos junto aos bancos, que configuram captação de empréstimos; 4.9. Diante da impossibilidade de reconstituir de forma completa o elevado número de operações no curto espaço de trinta dias da impugnação, protesta pela juntada dos elementos probatórios em momento posterior; Indevida apuração do percentual de 32% na apuração do lucro presumido 4.10. Dentre as várias atividades desenvolvidas pela empresa, há várias que não se caracterizam como de ensino regular. Por exemplo: Curso de programa de Saúde da Família, Curso de Sala de Vacinas, Instrumentação Cirúrgica, Assistência de Enfermagem do PréNatal, Suporte Básico de Enfermagem em Atendimento PréHospitalar, Capacitação em Saúde da Família, Aleitamento materno e Banco de Leite etc. Tais cursos não são ministrados por professores, mas por instrutores. Assim sendo, as receitas dessas atividades sujeitamse ao percentual reduzido de 16%; 4.11. A atividade de ensino propriamente dita está sujeita ao percentual de 8%. Isso porque a atividade de professor, praticada por boa parte de seus funcionários, não é uma profissão regulamentada pelo Ministério do Trabalho (reproduz ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes, entendendo que o percentual aplicável para a tributação dos estabelecimentos de ensino é de 8%, na medida em que não exercem atividade privativa das chamadas profissões regulamentadas); 4.12. A sua margem de lucratividade é, em média, de 7%; Aplicação da multa qualificada 4.13. É descabida a aplicação da multa de 150%, porque, se falhas ocorreram nos lançamentos dos Livros Caixa, jamais existiu a intenção de ludibriar o Fisco ou de sonegar. Ademais, se apresentaram equívocos, não podem servir de pressuposto para aplicação da multa qualificada. O atraso na entrega da DIPJ já é punida com multa formal; CSLL, PIS e Cofins 4.14. As ponderações que foram feitas em relação ao IRPJ também se aplicam à CSLL, ao PIS e à Cofins. A 3ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para manter os valores de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (principais) exigidos no lançamento – excetuado, unicamente quanto à última contribuição, apenas o valor exigido no mês de outubro de 2008, que foi reduzido para R$ 4.881,42. O acórdão da DRJ FNS recebeu a seguinte ementa, fls. 46564657: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 4857DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10467.720042/201106 Acórdão n.º 1401001.143 S1C4T1 Fl. 5 7 Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. EXERCÍCIO DE PROFISSÕES REGULAMENTADAS. O exercício de profissões legalmente regulamentadas, como as escolas, inclusive as creches, mesmo com receita bruta anual de até R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), não podem aplicar o percentual de 16% (dezesseis por cento) sobre a receita bruta para fins de determinação do lucro presumido, devendo, portanto, aplicar o percentual de 32% (trinta e dois por cento), exceção que, todavia, se faz às escolas de idiomas, por não exigirem formação específica. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. O percentual de presunção do lucro é o estabelecido em lei, não importando, para o contribuinte que fizer tal opção, a sua efetiva margem de lucratividade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A prática reiterada de omitir do Fisco receitas auferidas constitui evidente intuito de sonegar tributos, o que implica a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 RENDIMENTOS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA DE RENDA FIXA. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente questionada pela impugnante, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL e COFINS. O decidido no imposto sobre a renda de pessoa jurídica, por basearse nos mesmos argumentos e provas da impugnação, alcança as tributações reflexas dele decorrentes. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte. Não constitui quebra de sigilo bancário, a reclamar a aplicação do disposto no art. 6º da Lei Complementar n.º 105, de 2001, a entrega espontânea de dados bancários ao Fisco. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 4858DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 19/07/2011, conforme AR de fls. 4674 e apresentou recurso voluntário em 19/08/2011 (v. fls. 4760). É o relatório. Fl. 4859DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10467.720042/201106 Acórdão n.º 1401001.143 S1C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos A contribuinte tomou ciência do Acórdão 1133821 da DRJ Recife em 19/07/2011, conforme Aviso de Recebimento anexado às fls. 1674. A data de recebimento, que consta expressamente do carimbo da unidade de entrega, também foi firmada de próprio punho pelo preposto da contribuinte, que recebeu aquela comunicação postal. Compulsando os autos administrativos, verificase que o recurso somente foi protocolizado em 19/08/2011, conforme se verifica à fls 4760 (carimbo de protocolo). Esta informação é confirmada pela própria data aposta na peça recursal (fls. 4779). Sobre o tema, dispõe o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A contagem do referido prazo deve ser realizada nos termos do art. 52 do mesmo diploma legal, verbis: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na .sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o proceSso ou deva ser praticado o ato. Assim, tendo em vista que o dia 19/07/2011 foi uma terçafeira, e que o dia subsequente também foi dia de expediente normal, a contagem do prazo para interposição de recurso voluntário iniciouse na quartafeira, dia 20/07/2011, expirandose no dia 18/08/2011, uma quintafeira, também dia útil. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200, 504/217, 611/155 e 698/209, e RF 251/244), razão pela qual, com o mero decurso in albis do lapso temporal respectivo, extinguese, pleno jure, como sucedeu na espécie, o direito de o interessado deduzir o recurso pertinente: "Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244)", MS nº 24.274, AgR, Rel. Min. Celso de Mello. Desta feita, impõese a conclusão de que a decisão a quo já se tomou definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto n2 70.235/72, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Fl. 4860DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 Tendo em vista a intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual NÃO CONHEÇO do presente recurso, deixando, portanto, de analisar o mérito. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 4861DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13961.000164/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Relatório
Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 21.884,29, calculados até 29/05/2009.
A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, referente ação trabalhista movida contra Seara Alimentos S.A., no valor de R$53.636,97, apurado conforme Alvará Judicial e cálculos apresentados pelo contribuinte.
Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que:
... o valor tributável referente ao processo trabalhista é de R$ 28.096,60 e já foi oferecido à tributação. Expõe que essa base de cálculo corresponde ao valor de R$ 32.331,50 (juros de mora devidos), descontada a contribuição à Previdência Social de R$ 4.234,90, e está em consonância com o comando judicial, tendo sido adotado, em relação ao cálculo da parcela principal, o regime de competência, e, em decorrência, nada foi descontado do valor principal porquanto estava abaixo do limite mínimo tributável em cada competência.
Entende que não pode ser considerado o valor de R$ 53.363,97 (resultado da adição de R$ 49.129,07 ao valor do desconto previdenciário de R$ 4.234,90) como omissão de rendimentos, uma vez que o valor declarado está de acordo com a decisão judicial, confirmada, inclusive, em sede de recurso.
Requer o cancelamento da notificação.
A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se observa da transcrição de parte do voto condutor:
... de acordo com a legislação tributária, os rendimentos decorrentes de ações judiciais são tributados na fonte no mês do seu recebimento, sendo de responsabilidade da parte condenada ao cumprimento da sentença a retenção do imposto na fonte.
(...)
No caso dos autos, a decisão da justiça trabalhista foi no sentido de que a reclamada deveria comprovar o recolhimento do imposto de renda, observadas as alíquotas próprias, bem como as faixas de isenção. Tal decisão, como se vê, é em relação à obrigação da retenção do imposto de renda por ocasião do pagamento dos rendimentos acumulados, em outras palavras, com relação à forma de cálculo do imposto a ser retido, para fins de cumprimento do art. 46 da Lei nº 8.451, de 1992, acima transcrito. Todavia, o comando judicial não excluiu a obrigação do sujeito passivo, no caso, o reclamante, beneficiário do rendimento, de declarar o montante recebido na ação trabalhista na sua declaração de ajuste anual, submetendo-o a tributação.
Destarte, não havendo determinação expressa da Justiça de que os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial estariam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, competia ao impugnante incluí-los na declaração de ajuste anual e apurar o imposto correspondente.
No caso dos autos, mediante lançamento, imputou-se ao autuado a tributação de rendimentos no ajuste anual, posto que a ação trabalhista recebida é tributável.
Cabe ainda esclarecer, que a apuração da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física obedece ao regime de caixa, ou seja, o tributo incide sobre os rendimentos quando de seu efetivo recebimento, não sendo relevante se tais rendimentos referem-se a serviços prestados em anos-calendário anteriores, conforme parágrafo único do artigo 38 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, Decreto n° 3000/99:
(...)
Portanto, uma vez que os rendimentos recebidos pela pessoa física são tributáveis quando do seu recebimento, correta está a inclusão dos recursos provenientes da ação judicial.
Intimado da decisão de primeira instância em 09/05/2011 (fl. 106), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 06/06/2011 (fls. 109/112), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que a Lei nº 12.310/2010 determinou que o cálculo do imposto de renda deve ser efetuado com base na tabela progressiva mensal, correspondente ao mês do recebimento do crédito do rendimento.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13961.000164/2009-67
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392727
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-000.142
nome_arquivo_s : Decisao_13961000164200967.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13961000164200967_5392727.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5684776
ano_sessao_s : 2013
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 21.884,29, calculados até 29/05/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, referente ação trabalhista movida contra Seara Alimentos S.A., no valor de R$53.636,97, apurado conforme Alvará Judicial e cálculos apresentados pelo contribuinte. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... o valor tributável referente ao processo trabalhista é de R$ 28.096,60 e já foi oferecido à tributação. Expõe que essa base de cálculo corresponde ao valor de R$ 32.331,50 (juros de mora devidos), descontada a contribuição à Previdência Social de R$ 4.234,90, e está em consonância com o comando judicial, tendo sido adotado, em relação ao cálculo da parcela principal, o regime de competência, e, em decorrência, nada foi descontado do valor principal porquanto estava abaixo do limite mínimo tributável em cada competência. Entende que não pode ser considerado o valor de R$ 53.363,97 (resultado da adição de R$ 49.129,07 ao valor do desconto previdenciário de R$ 4.234,90) como omissão de rendimentos, uma vez que o valor declarado está de acordo com a decisão judicial, confirmada, inclusive, em sede de recurso. Requer o cancelamento da notificação. A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se observa da transcrição de parte do voto condutor: ... de acordo com a legislação tributária, os rendimentos decorrentes de ações judiciais são tributados na fonte no mês do seu recebimento, sendo de responsabilidade da parte condenada ao cumprimento da sentença a retenção do imposto na fonte. (...) No caso dos autos, a decisão da justiça trabalhista foi no sentido de que a reclamada deveria comprovar o recolhimento do imposto de renda, observadas as alíquotas próprias, bem como as faixas de isenção. Tal decisão, como se vê, é em relação à obrigação da retenção do imposto de renda por ocasião do pagamento dos rendimentos acumulados, em outras palavras, com relação à forma de cálculo do imposto a ser retido, para fins de cumprimento do art. 46 da Lei nº 8.451, de 1992, acima transcrito. Todavia, o comando judicial não excluiu a obrigação do sujeito passivo, no caso, o reclamante, beneficiário do rendimento, de declarar o montante recebido na ação trabalhista na sua declaração de ajuste anual, submetendo-o a tributação. Destarte, não havendo determinação expressa da Justiça de que os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial estariam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, competia ao impugnante incluí-los na declaração de ajuste anual e apurar o imposto correspondente. No caso dos autos, mediante lançamento, imputou-se ao autuado a tributação de rendimentos no ajuste anual, posto que a ação trabalhista recebida é tributável. Cabe ainda esclarecer, que a apuração da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física obedece ao regime de caixa, ou seja, o tributo incide sobre os rendimentos quando de seu efetivo recebimento, não sendo relevante se tais rendimentos referem-se a serviços prestados em anos-calendário anteriores, conforme parágrafo único do artigo 38 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, Decreto n° 3000/99: (...) Portanto, uma vez que os rendimentos recebidos pela pessoa física são tributáveis quando do seu recebimento, correta está a inclusão dos recursos provenientes da ação judicial. Intimado da decisão de primeira instância em 09/05/2011 (fl. 106), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 06/06/2011 (fls. 109/112), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que a Lei nº 12.310/2010 determinou que o cálculo do imposto de renda deve ser efetuado com base na tabela progressiva mensal, correspondente ao mês do recebimento do crédito do rendimento. É o relatório. Voto
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254775889920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13961.000164/200967 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.142 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de fevereiro de 2013 Assunto IRPF Recorrente MANOEL DOMINGOS ELIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 04/07, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 21.884,29, calculados até 29/05/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, referente ação trabalhista movida contra Seara Alimentos S.A., no valor de R$53.636,97, apurado conforme Alvará Judicial e cálculos apresentados pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 61 .0 00 16 4/ 20 09 -6 7 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13961.000164/200967 Resolução nº 2201000.142 S2C2T1 Fl. 3 2 Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: ... o valor tributável referente ao processo trabalhista é de R$ 28.096,60 e já foi oferecido à tributação. Expõe que essa base de cálculo corresponde ao valor de R$ 32.331,50 (juros de mora devidos), descontada a contribuição à Previdência Social de R$ 4.234,90, e está em consonância com o comando judicial, tendo sido adotado, em relação ao cálculo da parcela principal, o regime de competência, e, em decorrência, nada foi descontado do valor principal porquanto estava abaixo do limite mínimo tributável em cada competência. Entende que não pode ser considerado o valor de R$ 53.363,97 (resultado da adição de R$ 49.129,07 ao valor do desconto previdenciário de R$ 4.234,90) como omissão de rendimentos, uma vez que o valor declarado está de acordo com a decisão judicial, confirmada, inclusive, em sede de recurso. Requer o cancelamento da notificação. A 5ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se observa da transcrição de parte do voto condutor: ... de acordo com a legislação tributária, os rendimentos decorrentes de ações judiciais são tributados na fonte no mês do seu recebimento, sendo de responsabilidade da parte condenada ao cumprimento da sentença a retenção do imposto na fonte. (...) No caso dos autos, a decisão da justiça trabalhista foi no sentido de que a reclamada deveria comprovar o recolhimento do imposto de renda, observadas as alíquotas próprias, bem como as faixas de isenção. Tal decisão, como se vê, é em relação à obrigação da retenção do imposto de renda por ocasião do pagamento dos rendimentos acumulados, em outras palavras, com relação à forma de cálculo do imposto a ser retido, para fins de cumprimento do art. 46 da Lei nº 8.451, de 1992, acima transcrito. Todavia, o comando judicial não excluiu a obrigação do sujeito passivo, no caso, o reclamante, beneficiário do rendimento, de declarar o montante recebido na ação trabalhista na sua declaração de ajuste anual, submetendoo a tributação. Destarte, não havendo determinação expressa da Justiça de que os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial estariam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, competia ao impugnante incluílos na declaração de ajuste anual e apurar o imposto correspondente. No caso dos autos, mediante lançamento, imputouse ao autuado a tributação de rendimentos no ajuste anual, posto que a ação trabalhista recebida é tributável. Cabe ainda esclarecer, que a apuração da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física obedece ao regime de caixa, ou seja, o tributo incide sobre os rendimentos quando de seu efetivo recebimento, não Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13961.000164/200967 Resolução nº 2201000.142 S2C2T1 Fl. 4 3 sendo relevante se tais rendimentos referemse a serviços prestados em anoscalendário anteriores, conforme parágrafo único do artigo 38 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, Decreto n° 3000/99: (...) Portanto, uma vez que os rendimentos recebidos pela pessoa física são tributáveis quando do seu recebimento, correta está a inclusão dos recursos provenientes da ação judicial. Intimado da decisão de primeira instância em 09/05/2011 (fl. 106), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 06/06/2011 (fls. 109/112), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que a Lei nº 12.310/2010 determinou que o cálculo do imposto de renda deve ser efetuado com base na tabela progressiva mensal, correspondente ao mês do recebimento do crédito do rendimento. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente, constatase que a matéria está sob julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) e de acordo com o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256 de 22/06/2009) os Conselheiros estão vinculados aos entendimentos do STF. Transcrevese o art. 62A do RICARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 01, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13961.000164/200967 Resolução nº 2201000.142 S2C2T1 Fl. 5 4 Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal ao apreciar a admissibilidade do RE nº 614406, que versa exatamente sobre a forma de cálculo do imposto objeto dos autos, determinou o sobrestamento dos demais feitos que versem sobre o mesmo tema, nos termos do artigo 543B do CPC, verbis: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SUL REPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 – Publicação DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral objeto do recurso e reformou a decisão de inadmissibilidade do extraordinário. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. (grifei) Ante a todo o exposto, voto no sentido de sobrestar os autos até decisão definitiva do STF. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 14411.000017/2008-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recuirso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recuirso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14411.000017/2008-03
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398699
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.315
nome_arquivo_s : Decisao_14411000017200803.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 14411000017200803_5398699.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5720500
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254783229952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1832; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 11 1 10 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14411.000017/200803 Recurso nº 260.352 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.315 – 2ª Turma Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ENGECENTER ENGENHARIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recuirso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 41 1. 00 00 17 /2 00 8- 03 Fl. 990DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Engecenter Engenharia Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/68, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros. A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2403000.492, que se encontra às fls. 884/897v e cuja ementa é a seguinte: “(...) PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS E MULTA DE MORA – ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 – RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade Fl. 991DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14411.000017/200803 Acórdão n.º 9202003.315 CSRFT2 Fl. 12 3 benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, declarou a impossibilidade de cobrança das contribuições apuradas até a competência de 06/1999, aplicando a regra decadencial expressa no § 4º, art. 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Intimada do acórdão em 10/06/2011 (fls. 898), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 901/915), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n° 230100.283 e 240100.120, no tocante à aplicação da multa requerendo seja determinada a aplicação da penalidade prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 359/2011, de 04/07/2011 (fls. 951/955). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarrazões ao recurso especial (fls. 960/969). É o Relatório. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº 230100.283 e 240100.120. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 230100.283 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ha que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, afim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legítimo o instrumento Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14411.000017/200803 Acórdão n.º 9202003.315 CSRFT2 Fl. 13 5 realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 40 prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado" Acórdão nº 240100.120 "SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA I De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART 150, §4º ). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, §4 ° do CTN" Verifico, ainda, constar dos respectivos votos que integram os acórdãos paradigmas: Acórdão n° 230100283 "Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n°449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Acórdão n° 240100120 "Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serio aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cálculo de multa a ser aplicada em decorrência da retroatividade benigna, a comparação entre a multa aplicada no lançamento e a atual multa prevista no artigo 35, caput da Lei nº 8.212/1991 (conforme redação da Lei nº 11.941/2009), no percentual de 20%. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que para fins de aplicação da retroatividade benigna fosse comparada a multa lançada com aquela prevista no novel artigo 35A da Lei nº 8.212/191, que, ao fazer remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, resulta na aplicação de penalidade de 75% do valor do tributo lançado. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14411.000017/200803 Acórdão n.º 9202003.315 CSRFT2 Fl. 14 7 A discussão no presente recurso é relativa à multa a ser aplicada no presente caso em decorrência do advento da Lei nº 11.941/2009, que alterou os dispositivos da Lei nº 8.212/1991 que tratavam da matéria. Ressalto, antes de tecer maiores comentários, que o presente lançamento tem como objetivo a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração de empregados em obras de construção civil, apuradas por aferição indireta. O acórdão recorrido, ao analisar as razões de recurso do contribuinte, houve por bem manter o lançamento em relação ao principal, determinando o cálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela lei 11.941/2009, caso mais favorável ao contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra tal conclusão. Tratase de tema bastante debatido no âmbito deste egrégio colegiado. Para fins de clareza transcrevo, a seguir, a redação dos dispositivos relevantes vigentes à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena Fl. 996DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.” Esse dispositivo era aplicado às contribuições previdenciárias, administradas pelo INSS, enquanto que aos demais tributos e contribuições federais aplicavamse as penalidades dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Fl. 997DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14411.000017/200803 Acórdão n.º 9202003.315 CSRFT2 Fl. 15 9 “Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não apuração e recolhimento de outros tributos. De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era apenado com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo de tributo autolançado ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Assim, a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições previa a mesma penalidade em qualquer caso. Tal sistemática, no entanto, com o advento da Lei nº 11.941/2009, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia Fl. 998DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. A Lei nº 8.212/1991, após o advento da Lei nº 11.941/2009, passou a tratar das penalidades nos artigos 32A, 35 e 35A, in verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 14411.000017/200803 Acórdão n.º 9202003.315 CSRFT2 Fl. 16 11 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” No presente caso, considerando que o lançamento decorreu da não apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212/1991 denominasse tal penalidade de mora, tem ela, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal, e não no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de tributo autolançado. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Esta conclusão também é a mesma para aqueles que acompanham meu voto neste julgamento pelas conclusões. No entendimento deles a multa pelo descumprimento da obrigação principal deve ser acrescida à multa por descumprimento da obrigação acessória eventualmente lançada em outros autos para fins de comparação com o limite de 75% previsto na Lei n. 11.941. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja aplicada a multa prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723649/2011-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei.
DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário deve ser apurado em conformidade com o § 4° do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
O descumprimento das obrigações acessórias constantes do art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro na hipótese do art. 530, III, ambos do RIR/99. Será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 e 530, III do RIR/1999.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964
ARTIGO 135 DO CTN
Uma das possibilidades de responsabilização de sócio gerente, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação e, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação
Numero da decisão: 1301-001.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Com relação ao recurso voluntário: 1) Pelo voto de qualidade manter a responsabilidade tributária. Vencidos neste quesito os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 2) Por unanimidade de votos NEGAR provimento quanto às demais matérias.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário deve ser apurado em conformidade com o § 4° do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O descumprimento das obrigações acessórias constantes do art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro na hipótese do art. 530, III, ambos do RIR/99. Será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 e 530, III do RIR/1999. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964 ARTIGO 135 DO CTN Uma das possibilidades de responsabilização de sócio gerente, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação e, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.723649/2011-77
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393807
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.500
nome_arquivo_s : Decisao_13888723649201177.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Paulo Jakson da Silva Lucas
nome_arquivo_pdf_s : 13888723649201177_5393807.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Com relação ao recurso voluntário: 1) Pelo voto de qualidade manter a responsabilidade tributária. Vencidos neste quesito os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 2) Por unanimidade de votos NEGAR provimento quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5689836
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254793715712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 11 1 10 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.723649/201177 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301001.500 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de maio de 2014 Matéria IRPJ/OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA (Responsáveis Solidários: ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO, MARCOS ANTONIO RAINHA, ÂNGELA IRANI RAINHA –ME e, RAINHA & BELLO COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS IND. LTDA.) e, FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante à observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso as informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. DECADÊNCIA. IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário deve ser apurado em conformidade com o § 4° do art. 150 do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O descumprimento das obrigações acessórias constantes do art. 527, parágrafo único, enseja o arbitramento do lucro na hipótese do art. 530, III, ambos do RIR/99. Será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 36 49 /2 01 1- 77 Fl. 8774DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 e 530, III do RIR/1999. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964 ARTIGO 135 DO CTN Uma das possibilidades de responsabilização de sócio gerente, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação e, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Com relação ao recurso voluntário: 1) Pelo voto de qualidade manter a responsabilidade tributária. Vencidos neste quesito os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. 2) Por unanimidade de votos NEGAR provimento quanto às demais matérias. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 8775DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 10.379.252,98 (fl. 7630), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 4.610.869,96 (fl. 7668), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 12.805.786,83 (fl. 7696), Contribuição para o PIS no valor de R$ 2.766.341,96 (fl. 7722), acrescidos de juros de mora e multa de ofício, perfazendo o crédito tributário de R$ 70.158.772,59 (fl. 2), em virtude de omissão de receita operacional (revenda de mercadorias sem emissão de notas fiscais) e de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tudo conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 7743/7766. O procedimento fiscal iniciouse em 20/05/2010 com a ciência do Termo de Início (fls. 41/42), por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, relativamente aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, os extratos bancários da instituições financeiras relacionadas, informações referentes a movimentação das contas bancárias, como a presença de cotitulares ou movimentação por terceiros; livro Caixa e Diário Contábil; Notas Fiscais de entrada e saída; Livro de Registro de Inventário; Livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; Contrato de Prestação de Serviços; e Cópia do Contrato Social e suas alterações. No dia 09/06/2010, o contribuinte protocolou um pedido de prorrogação por mais 10 dias para cumprimento das exigências (fl. 43). Em 23/06/2010 solicitou mais uma prorrogação (fl. 44), contudo na ocasião o pedido foi INDEFERIDO e condicionado a entrega de alguns documentos exigidos. Segundo o Termo de Constatação Fiscal (fls. 7744) a contribuinte entregou alguns documentos relativos mas não cumpriu a exigência de entrega de extratos bancários, o que exigiu a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, com fundamento no art. 33 da Lei 9.430/96. Em 28/09/2010 foi a empresa cientificada de que, ao verificar os livros Caixas apresentados, constatouse que neles não estava escriturada a movimentação bancária, razão pela qual foi a empresa intimada (fls. 50/51) a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os livros Caixas contendo toda a movimentação bancária do período. Em 18/10/2010 a empresa, por meio de seu procurador (fl. 53), solicitou prorrogação por mais 30 (trinta) dias para apresentar os livros Caixas. Em 01/02/2011 (AR de fl. 57) a contribuinte foi intimada (Termo de intimação de fl. 56) a apresentar os extratos bancários do Banco Mercantil do período de 2006 a 2008. No dia 04/03/2011 a empresa, por meio de seu procurador, Dr. Fábio Mendes, solicitou prorrogação do prazo, contudo não apresentou qualquer documento. Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 22/02/2011, a contribuinte foi cientificada de que, em função da não apresentação dos extratos bancários, os mesmos foram obtidos diretamente dos Bancos através de RMF. Além disso, tendo em vista que alguns documentos obtidos necessitavam de maiores esclarecimentos, foram anexados ao Fl. 8776DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 termo cheques emitidos pelo contribuinte e foi solicitado a identificação do destinatário e subscritor, visto que nos cheques emitidos pela contribuinte constavam duas assinaturas que possivelmente não pertenciam à mesma pessoa. Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 28/03/2011 a contribuinte foi reintimada sobre os documentos anexados ao termo de 22/02/2011. Mais uma vez a contribuinte não apresentou nenhum documento, o que exigiu a emissão de uma RMF, com base no art. 33 da Lei 9.430/96, para o Banco Mercantil do Brasil S/A . Em 11/08/2011 a empresa foi novamente intimada a apresentar os livros Caixas contendo a movimentação bancária do período (fls. 83/84). Não consta ter atendido à intimação. De posse dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras a fiscalização procedeu a consolidação em arquivos digitais, apurando um total anual de depósitos/créditos bancários de R$ 223.871.254,34 em 2006, R$ 213.520.485,68 em 2007 e R$ 167.612.975,90 em 2008. totalizando R$ 605.004.715,92. Por meio da intimação de fl. 7107, datada em 15/07/2011, a empresa foi intimada a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos valores creditados em conta corrente e em poupança mantidas junto às instituições financeiras em nome da empresa, conforme planilhas anexas à intimação (fls. 7108/7435). Após excluir dos depósitos os valores que, pela sua natureza, não constituem créditos a serem computados (quadro de fl. 7747), a fiscalização elaborou um quadro resumo de TOTAL DE CRÉDITOS distribuídos por BANCO e ANO (fls. 7747/7748) e, ainda, visando uma melhor visualização do contexto, os créditos foram divididos em 05 SUBGRUPOS (fls. 7748/7750), a saber: 1) CRÉDITOS PRÓPRIOS; 2) CRÉDITOS INFERIORES À R$ 10.000,00; 3) CRÉDITOS DE DESCONTOS E COBRANÇA; 4) CRÉDITOS NÃO IDENTIFICADOS; e 5) CRÉDITOS IDENTIFICADOS. Às fls. 7436/7528 contém uma planilha denominada “PLANILHA COM DEPÓSITOS IDENTIFICADOS APURADOS PARA FINS DE OMISSÃO DE RECEITA” A Fiscalização verificou a existência de inúmeras transferências de valores entre contas próprias e elaborou uma tabela (fl. 7751) com um resumo desses valores. Do total de depósito/crédito apurado (R$ 570.665.490,10) foram excluídas as transferências entre contas próprias (R$ 119.740.840,55) resultando ainda depósitos no montante de R$ 450.924.649,55 no período de 2006 a 2008 (fl. 7751). Visando aprofundar a investigação a fiscalização solicitou aos Bancos, através de RMFs, documentos que subsidiassem as transações superiores à R$ 10.000,00, tanto de crédito como débitos. De posse da documentação fornecida pelas instituições financeiras a fiscalização procurou separar os créditos conforme sua finalidade e identificar alguns beneficiários de cheques e documentos emitidos pela contribuinte. Visando uma apuração correta da movimentação financeira da contribuinte, bem como obtenção de informações e confirmações externas, decidiu iniciar procedimento administrativo de diligência em empresas e pessoas físicas que foram identificadas através dos documentos enviados pelos bancos. Foram divididos dois grupos: FORNECEDORES e CLIENTES. De posse do Livro de Registro de Entrada, no qual constam os fornecedores de material, a fiscalização observou que a contribuinte emitia CHEQUES e ORDEM DE PAGAMENTO a terceiros que não constavam na lista de fornecedores constante das NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. Visando apurar o destino do dinheiro, foram lavrados Termos de Fl. 8777DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 13 5 Diligência, nos quais os contribuintes foram intimados a apresentar: 1) Descrição da natureza das operações vinculadas ao valor recebido; 2) Local e nome da pessoa responsável (contato) onde se processava a operação; 3) Descrição dos produtos e/ou serviços comercializados; 4) Original das Notas Fiscais e/ou documentos similares. No Termo de Conclusão Fiscal (fls. 7752) o autor do procedimento assim se manifestou em relação às respostas recebidas dos fornecedores: Não houve nenhum tipo de anormalidade nas respostas recebidas. As mercadorias e serviços eram relacionadas à compra de SUCATA e a pessoa responsável pelo contato, na maioria das repostas, era o Sr. Marcos Rainha ou apenas Rainha, filho do Sr. Antonio Borges Rainha Sobrinho, titular da empresa individual. O que chamou a atenção foi a grande quantidade de dinheiro enviado à empresas e pessoas físicas, que vale ressaltar, também confirmaram a compra de sucata, mas que não constavam de notas fiscais emitidas. O Sr. SIVAL GOMES DA SILVA CPF: 110.136.34870, não tem nenhuma nota fiscal de entrada no seu nome e recebeu em CHEQUES NOMINATIVOS mais de 1,8 milhão, passou as seguintes informações: "Referente aos valores recebidos, venho informar que os mesmos são de venda de sucata recolhidas na rua". "Os produtos comercializados na época eram a venda de sucata (especificamente latinha)". "Dos valores recebidos na época, os mesmos não possui documentos comprobatórios através de Notas Fiscais, Notas Promissórios e ou Recibos" (grifos nossos) Outros pagamentos que chamaram a atenção da fiscalização foram para o Sr. FLORISVALDO DIAGONE CPF: 382.055.48820. O contribuinte informou que "coletas que fazia (comprando), ...de sucata de metais ..." e ainda informou: ""...e entregava e vendia as referidas sucatas na empresa PRINCESA METAIS (RAINHA)" (Grifo nosso). Nesse ponto vale uma explicação que será melhor detalhada em tópico específico desse Termo de Constatação Fiscal, o nome fantasia de Princesa Metais é da empresa ÂNGELA IRANI RAINHA CNPJ: 04.614.325/000115, que é FILHA do Sr. Antonio Borges Rainha, que, operavam NO MESMO ENDEREÇO: RODOVIA SP 308, KM 175, SANTA TEREZEINHA PIRACICABA. No decorrer da fiscalização, um contribuinte diligenciado em especial foi objeto de questionamento ao fiscalizado, pois os cheques emitidos em seu nome apresentavam uma grafia que dificultava a identificação. No dia 22/02/2011 o fiscalizado foi intimado a fornecer a identificação completa do beneficiário de um cheque emitido pela empresa no valor de R$ 10.778,00, sendo que cópia do cheque foi em anexo ao Termo. Após inúmeras tentativas, esta fiscalização identificou o beneficiário como VANDERLEI TARIFA CPF: 132.608.46824. De acordo com as informações prestadas pelos Bancos, esse fornecedor recebeu mais de 6 milhões de reais, isso apenas nos documentos nominativos. O contribuinte informou que o dinheiro era referente à VENDA DE SUCATA feita pela empresa COMELIT COMERCIO DE METAIS DO LITORAL LTDA CNPJ 69.076.164/000107, na qual é sócio administrador. Os documentos relativos às operações comerciais foram enviados em resposta ao Termo de Diligência enviado à COMELIT. Outras empresas diligenciadas apresentaram informações que confirmavam o comercio de sucatas: CVP INDUSTRIA & COMERCIO DE PLÁSTICOS LTDA., CNPJ: 01.134.694/000112; ROMALTA COMERCIO DE METAIS LTDA CNPJ: 53.740.015/000152; SUCOCITRO CUTRALE LTDA CNPJ: 61.649.810/000249; PRADO COMERCIO DE SUCATAS LTDA EPP CNPJ: 53.935.821/000267; FISCHER S/A AGROINDÚSTRIA CNPJ: 52.311.529/0014 44; CAP METAIS LTDA. EPP CNPJ: 03.519.516/000135; LC LONGO COMERCIO DE METAIS E SUCATAS LTDA EPP CNPJ: 00.560.167/000107; ANÍBAL ARCE TORRES CPF: 199.824.37100, Fl. 8778DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 SACOMANI COMERCIO DE METAIS LTDA CNPJ: 00.286.597/000182, BORGWARNER BRASIL LTDA CNPJ: 61.881.058/000186, PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERVEJA LTDA CNPJ: 50.221.019/000136. A principal conclusão das diligências efetuadas sobre os fornecedores são: 1) Foram comprovadas OPERAÇÕES COMERCIAIS SEM A DEVIDA CONTABILIZAÇÃO; 2) Algumas compras realizadas pela empresa ANGELA IRANI RAINHA podem ter sido remetidas à empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba, tendo em vista que as operações eram realizadas no mesmo endereço. Com relação às diligências junto aos clientes da empresa a fiscalização assim se manifestou: O Sr. REYNALDO PASQUA CPF: 049.248.27800 depositou R$ 259.251,50 e informou que "As mercadorias adquiridas se consistiam em sucata de alumínio", e ainda informou "Não localizei notas fiscais ou recibos relativos àquela operação". SERGIO LUIZ CHIMELLO CPF: 076.323.11858 comprou SUCATA e depositou R$ 40.000,00 para pagamento. As empresas ADF CALDEIRA TAPETES E LONAS EPP CNPJ: 08.275.001/0001 50 e MÁRCIO ANTONIO CALDEIRA LTDA, após inúmeras prorrogações, informou que os depósitos efetuados em favor de Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba "ocorriam por conta de solicitações dos fornecedores de sucata, referente ao pagamento do beneficiamento que os mesmo contratavam com a empresa RAINHA". De acordo com o contribuinte, a empresa NÃO mantinha relação comercial direta com a Antonio Borges, mas sim através de outras empresas que compravam dele material beneficiado e revendiam à ADF Caldeira. Empresa ALUESTE INDUSTRIA E COMERCIO DE ALUMÍNIO LTDA EPP CNPJ: 07.673.743/000171 consta como um dos clientes "formais", pois existem notas fiscais de venda emitidas em seu nome, contudo verificouse que dentre os depósitos à crédito, essa empresa depositou no total valores SUPERIORES à soma das notas fiscais. Na primeira intimação de diligência, a empresa apenas informou dados que a fiscalização já possuía, referente as transações comerciais CONTABILIZADAS. Um ponto importante na resposta é relacionada às pessoas que tratavam da venda dos produtos, a empresa informou "Alueste Maria José Rios, contatava as responsáveis pela Rainha, Camila e ÂNGELA" (Grifo nosso). Esse é mais uma prova das conclusões dos fornecedores de que havia uma "CONFUSÃO PATRIMONIAL" entre as empresas Antonio Borges Rainha Piracicaba e Ângela Irani Rainha, que embora constituídas juridicamente distintas operavam, na verdade, de forma conjunta como se fossem uma só empresa. A empresa foi intimada sobre uma lista de depósitos que não constavam da resposta anterior, tendo apresentado a seguinte resposta: "A empresa esta apurando os TED relacionados no termo de diligência fiscal, previamente tem a esclarecer que podem ser decorrente de pagamentos de compras de sucata" (grifo nosso). Em relação à possibilidade de Ângela ser Ângela Irani Rainha, a empresa apenas disse que o contato era Ângela. Para a empresa BRUNA GREGORI MEGIOLARO CNPJ: 03.917.904/000174 consta apenas na nota fiscal n° 4612 de 15/05/2006 no valor de R$ 22.417,00, contudo foram identificados depósitos superiores à R$ 500.000,00 reais. Após inúmeros pedidos de prorrogação, o contribuinte foi informado da lista de depÓSitOS efetuados em seu nome, em resposta informou que "as operações listadas pelo d. fiscal se referem à compra de material não ferroso (sucata)..." (grifo nosso). Além disso, a empresa Bruna Gregori Megiolaro é citada pelas empresas LS FOMENTO MERCANTIL LTDA CNPJ: 03.195.972/000177 e NOVA AMÉRICA FOMENTO MERCANTIL LTDA CNPJ: 00.840.913/000116 como verdadeira dona do crédito e que os depósitos eram realizados por conta e ordem. Fl. 8779DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 14 7 Caso semelhante aconteceu na empresa ELDTEC BRASIL LTDA CNPJ: 05.465.079/000140 na primeira intimação a empresa apenas informou os pagamentos realizados as notas fiscais "oficiais", contudo ao ser questionada sobre OUTROS DEPÓSITOS IDENTIFICADOS realizados em nome da empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba, confirmou a compra de material ferroso. A empresa ALPHA GALVANO CNPJ 53.945.341/000104 em resposta a intimação apresentou apenas os depósitos referentes à INTERMEDIAÇÃO efetuada pelo fiscalizado com outras empresas. A empresa Alpha Galvano depositava nas contas bancárias da empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba vendas realizadas para outras empresas, mas os numerários deveriam ser em benefício de Antonio Borges. De acordo com o histórico de transações comerciais demonstradas ao longo do presente relatório, os indícios são de que a empresa Antonio Borges Rainha possuía créditos com os fornecedores da Alpha Galvano e estes repassavam para pagamento de vendas efetuadas anteriormente, o que caracteriza mais uma vez a habitualidade do contribuinte em realizar suas operações SEM A DEVIDA CONTABILIZAÇÃO. Posteriormente, a Alpha Galvano foi intimada sobre outros depósitos identificados e apresentou o espelho da nota de outros fornecedores, mas que o numerário havia sido entregue a empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba. Seguem exemplos da mesma forma de ação: a empresa DF SOCIEDADE DE FOMENTO MERCANTIL E COM LTDA CNPJ: 05.087.635/000191 informou que o deposito era crédito de MASSA VIDRO PRODUTOS PARA VIDRACEIRA LTDA e que este possuía débito com a fiscalizada. A empresa DANIELE BANCO FOMENTO COML E PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ: 66.618.653/000147 informou que o crédito era da empresa ICA LIGAS DE ALUMÍNIO LTDA. No Processo 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1436.557 DRJ/RPO (Fls. 88), mesmo caso a empresa GELMAR FOMENTO MERCANTIL LTDA CNPJ: 03.870.590/000100 remeteu o crédito à LIGALLOY COMERCIO DE LIGAS METALÚRGICAS LTDA. Outro exemplo foi a empresa GIROCAPITAL FOMENTO MERCANTIL LTDA CNPJ: 05.164.294/000100 que informou que o crédito era da empresa MILANI METALLIIND E COM LTDA. A conclusão inicial é que algumas transações comerciais NÃO ERAM CONTABILIZADAS e que os pagamentos eram efetuados por terceiros não relacionados diretamente com o fiscalizado, contudo NÃO RESTA DÚVIDA QUE ERAM OPERAÇÕES COMERCIAIS DE VENDA DE SUCATA. Foram também diligenciadas empresas de grande porte como: KSPG AUTOMOTIVE BRAZIL LTDA CNPJ: 57.576.274/000140, MICROS AL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA CNPJ: 54.111.737/000100, NOVELIS DO BRASIL LTDA CNPJ: 60.561.800/000103, CRONIMET BRASIL LTDA CNPJ: 03.374.355/000139 e COLETTI PRODUTOS SIDERÚRGICOS LTDA CNPJ: 04.870.670/000155, COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS CNPJ: 02.808.708/000107 que confirmaram as transações comerciais de venda de material ferroso. A empresa DOM BOSCO METAIS LTDA CNPJ: 48.771.950/000146 respondeu a diligência, contudo não apresentou os comprovantes de depósitos, além disso, apesar da grande quantidade de notas fiscais emitidas em seu favor, não constavam nos documentos bancários NENHUM depósito identificado. Há indícios que as relações comerciais entre a Dom Bosco e a Antonio Borges Rainha ultrapassem o campo da venda de sucata, pois de acordo com um contrato de locação apresentado por ANGELA IRANI RAINHA CNPJ: 04.614.325/000115 o imóvel no qual acontecem as atividades da citada empresa é alugado pelo valor de R$ 8.500,00. Como foi visto ao longo do presente Termo de Constatação, os fatos levam a crer que as duas empresas apresentam uma "confusão patrimonial". Fl. 8780DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 A diligência realizada na empresa MAS SENA COMÉRCIO EXTERIOR LTDA., CNPJ: 05.530.482/000105, foi emblemática, pois os documentos comprobatórios das transações comerciais com a Antonio Borges Rainha Piracicaba eram NOTAS FISCAIS COM NUMERAÇÃO DIVERSA DO LIVRO DE REGISTRO DE SAÍDA apresentado pelo contribuinte. Foram requisitadas as originais que constam no processo. A conclusão das diligências realizadas nos clientes foi que o contribuinte realizava, HABITUALMENTE, VENDAS SEM O REGISTRO CONTÁBIL DEVIDO. Segundo a fiscalização, no dia 26/05/2011, a contribuinte, na pessoa do Sr. Marcos Antonio Rainha, CPF 062.914.12829, Procurador/Administrador, solicitou uma reunião com da fiscalização com a finalidade de sanar dúvidas e pendências de outras intimações com exigências ainda não atendidas. Os assuntos tratados foram objetos de um Termo de Declaração, que foi apresentado e discutido com o contribuinte, contudo NÃO foi assinado. A alegação apresentada pelo advogado Dr. Fábio Guardia Mendes, OAB/SP 152.328, era que as informações poderiam de alguma forma prejudicar o cliente. A fiscalização assim descreve os termos do que chamou de “ata da reunião”: "O Sr. Marcos informa que solicitou a reunião com a finalidade de explicar os diversos questionamentos efetuados pela Fiscalização, tecendo de forma resumida uma explanação sobre o funcionamento da empresa inserida no ramo de comércio de sucatas metálicas". Explicou o Sr. Marcos que muito embora haja uma grande movimentação financeira, as operações realizadas são "casadas ", ou seja, tudo o que é comprado é vendido de imediato e a empresa tem uma pequena lucratividade, procurando ganhar nos grandes volumes comercializados. Acrescentou que toda a movimentação financeira dos anos sob fiscalização — 2006 a 2008, referese exclusivamente ao ramo de atividade da empresa, não havendo qualquer outro tipo de atividade vinculada aos montantes movimentados nos bancos. Esclareceu ainda que parte dessa movimentação está contida na contabilidade apresentada a Fiscalização e que foi devidamente tributada, e que é característica deste "ramo de mercado " atuar, em parte, na informalidade. Reafirmou que sua intenção de não obstruir os trabalhos da Fiscalização e que os questionamentos que estão sendo feitos aos seus principais clientes e fornecedores podem a partir de agora, serem feitos diretamente a empresa " Por meio do Termo de Intimação de fl. 7107, datado em 15/07/2011, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários listados em planilha anexa do citado termo (fls. 7108/7528). A contribuinte não apresentou nenhuma manifestação direcionada à comprovação. Levandose em conta as informações prestadas pelos Bancos e obtidas através das diligências, a soma total de créditos foi consolidada e a apuração do crédito tributário foi divido em 2 TIPOS DE INFRAÇÃO: (01) OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE no montante de R$ 75.333.727,22, conforme quadro de fl. 7759 e (02) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA no montante de R$ 375.590.922,33 conforme quadro de fl. 4459. Esclareceram os autuantes que os DEPÓSITOS IDENTIFICADOS foram aqueles selecionados dentre todos os depósitos a crédito que, de alguma forma ou de outra, o banco forneceu algum tipo de informação que identificava o depositante, sendo que muitos depositantes não constavam da lista de clientes com notas fiscais de venda emitidas, o que exigiu diligências a fim de sanar a dúvida. E com relação à OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE a fiscalização ressaltou que, através das diligências restou comprovado que o contribuinte mantinha um regime de transações comerciais marginal à contabilidade, tanto pagando fornecedores como recebendo créditos de vendas sem a devida emissão da Nota Fiscal de venda. Informou ainda que os recolhimentos feitos pela empresa foram abatidos por tributo e por período de apuração e encontramse discriminados no anexo do Termo de Constatação Tributos Recolhidos – Créditos. Fl. 8781DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 15 9 Tendo que em vista que a contribuinte, apesar de intimada, não apresentou a escrituração contábil referente ao período de 01/2006 à 12/2008 contendo a totalidade de sua movimentação bancária, a fiscalização procedeu o arbitramento do lucro nos termos do art. 530, III do RIR/99. Sobre os tributos apurados em decorrência da OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE aplicouse a multa de qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96, por entender que o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso I do Art. 71 da lei 4.502/64. Sobre os tributos apurados em decorrência da omissão de receita caracterizada por DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA aplicou se a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Pelas razões constantes no Termo de Conclusão Fiscal, foram lavrados Termos de SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA em nome de ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO CPF 148.767.60853 (fl. 7767), cientificado em 26/09/2011 (fl. 7768), MARCOS ANTONIO RAINHA CPF 062.914.12829 (fl. 7771), cientificado em 26/09/2011 (fl. 7771), ÂNGELA IRANI RAINHA –ME (fl. 7775), cientificada em 29/09/2011 (fl. 7776) e de RAINHA & BELLO COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS IND. LTDA (fl. 7781), cientificada em 29/09/2011(fl. 7782). Tanto a empresa autuada quanto os responsáveis solidários apresentaram impugnação. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA. A autuada aduziu como razões de defesa o seguinte: 1 Da nulidade ocorrente violação das garantias à liberdade, à intimidade e à privacidade prevista no art. 5º, inciso x, da constituição federal –impossibilidade de quebra de sigilo bancário/fiscal sem autorização do poder judiciário inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do supremo tribunal federal no re 389.808/PR Alegou que todas as informações bancárias que respaldaram a aferição da suposta matéria tributável foram obtidas de forma ilícita, haja vista que originaram de RMF's emitidas diretamente às instituições financeiras, sem o devido processo legal e determinação/autorização judicial para tanto, violando as garantias asseguradas no artigo 5º, incisos X e XII da Constituição Federal. Acrescentou, o Supremo Tribunal Federal, recentemente, em decisão plenária, ao julgar a matéria por meio do Recurso, Extraordinário de n° 389.808/PR, encerrou o debate existente, declarando a inconstitucionalidade da violação ao sigilo de dados bancários pela Receita Federal, estribandose justamente na impossibilidade de quebra sem a devida autorização judicial. Ressaltou que no atual contexto do processo a autoridade administrativa responsável pelos julgamentos é competente para análise das alegações de Fl. 8782DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 inconstitucionalidade de normas, quando as mesmas tenham sido declaradas inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, a teor do inciso I, do § 6° do artigo 26A do Decreto n° 70.235/72. 2 Da nulidade da autuação – arbitramento do lucro carente de respaldo legal – erro grosseiro de tipificação que contradiz os argumentos da autoridade administrativa. Alegou que, no caso em tela, sequer constou nos autos de infrações discutidos, qual a descrição fática da conduta da Impugnante que levou ao indevido Processo 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1436.557 DRJ/POR, arbitramento do seu lucro, com a desconsideração de sua escrituração e o regime a que era vinculada. Acrescentou que tomando por base as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal, extraise do mesmo que a conduta supostamente reprovada pela fiscalização se pautou na omissão de informações de movimentação financeira na escrituração da Impugnante. Entretanto, o dispositivo legal que embasou o arbitramento do lucro de forma discricionária (artigo 530, inciso III do RIR/99), impõe a conduta omissiva do contribuinte no tocante à apresentação de livros à fiscalização e não no tocante à ausência de informações na escrituração. Desta feita, restou evidente a discrepância entre a situação fática que a autoridade administrativa faz alusão e a tipificação legal de sua pretensão, sobretudo com base nas próprias assertivas fiscais de apresentação de todos os livros contábeis por parte da Impugnante. Segundo a impugnante, ainda que apurada qualquer omissão de rendimentos de forma lícita, caberia ao fisco eventual exigência tributária em atendimento ao regime de tributação adotado pela Impugnante, no caso pelo lucro presumido. 3 Da impossibilidade de lançamento efetuado apenas com base em depósitos bancários. Alegou que o Fisco valeuse única e exclusivamente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, visto que não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, nem comprova a efetiva existência de acréscimo patrimonial. Concluiu que para presunção de omissão de rendimentos tributáveis do referido imposto, necessário se faz por parte da autoridade fiscal a comprovação da exteriorização de riqueza do suposto contribuinte, sem a qual, não há preenchimento dos requisitos legais que legitimem a autuação. 4 Da consumação da decadência – fatos geradores de competências do ano calendário de 2006 artigo 150 §4° do código tributário nacional. a) Da autuação decorrente de depósitos bancários não identificados (multa de ofício de 75%). Com relação às exigências relativas a infração “depósitos bancários não identificados” alegou decadência no tocante aos 03 (três) primeiros trimestres de 2006, tendo em vista que tomou ciência dos autos de infração em 22/09/2011 e a contagem do prazo decadencial devese dar segundo o disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. b) Da autuação decorrente de "Omissão da Receita da Atividade" (multa de ofício qualificada de 150%). Requereu o reconhecimento da decadência parcial das exigências relativas à infração "omissão da receita da atividade" nos mesmos termos abordados anteriormente ao Fl. 8783DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 16 11 argumento de que deve ser refutada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta por parte da Impugnante. 5 Do afastamento da multa qualificada (150%). inexistência de conduta dolosa ensejadora do agravamento ausência de elementos probatórios. Alegou que deve ser afastada a multa qualificada imposta pela fiscalização, haja vista carência probatória na ação fiscal, de dolo e/ou intuito de fraude por parte da Impugnante, pois o fato da existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude, o que necessita ser comprovado cabalmente pelo fisco, pois implica em circunstâncias, mais gravosas à contribuinte autuada. Segundo a impugnante a fiscalização utilizouse de presunção de fraude para aplicar a multa qualificada, sem especificação e individualização alguma das praticas tidas por dolosas/fraudulentas por parte da autuada que ensejariam no agravamento da multa de ofício para 150%, sendo que a qualificação da multa de ofício não pode se respaldar em "contexto" utilizado genericamente pela fiscalização, mas sim deve ser aplicada quando da comprovação concreta, incontroversa e com detalhamento de forma individualizada acerca da específica conduta que implique em sua destinação. Concluiu que seria de rigor a redução da multa aplicada no patamar de 150% para o importe de 75%. 6 Dos pedidos. Requereu a total procedência da presente Impugnação para que: 1) Sejam cancelados os autos de infrações diante das insubsistências quanto: (a) a ilicitude das provas obtidas pela autoridade administrativa, diante da violação do sigilo bancário sem autorização judicial; (b) ao erro de tipificação legal para o arbitramento do lucro da Impugnante (artigo 530, inciso III do RIR/99), haja vista integral cumprimento das obrigações atinentes à entrega dos livros contábeis ratificado pela fiscalização; (c) a impossibilidade de lançamento do IRPJ, por conseguinte os seus reflexos, exclusivamente com base em depósitos bancários; 2) Seja reconhecida a decadência com relação aos 03 (três) primeiros trimestres de 2006, haja vista o transcurso do lapso qüinqüenal previsto no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional; e 3) seja afastada a multa qualificada, reduzindoa ao patamar ordinário da multa de ofício (75%). IMPUGNAÇÕES APRESENTADAS POR ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO e MARCOS ANTONIO RAINHA (fls. 8013/8046). Os impugnantes aduziram como razões de defesa o seguinte: 1 Do vício formal existente nulidade da cobrança inexistência de constituição do crédito tributário em face dos impugnantes erro na identificação dos supostos sujeitos passivos. Alegaram que, em momento algum, foram identificados como partes nas autuações que se pautaram única e exclusivamente em face da empresa "ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA" e que a responsabilização pessoal dos Impugnantes pretendida pelo fisco, consoante artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que Fl. 8784DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 constou somente de fls. 22/23 do termo de constatação fiscal, impõe à autoridade administrativa que se faça constar a identificação passiva dos mesmos nos autos de infrações lavrados, nos termos do Decreto n° 70.235/72, haja vista tratarse de redirecionamento da cobrança diretamente em face do suposto devedor pessoal, diferentemente do que ocorre nas responsabilizações subsidiárias e/ou solidárias. Diante disso seria inócua a busca de cobrança em face dos Impugnantes porque os Impugnantes foram cientificados da autuação como responsáveis pessoais, por meio de "Termos de sujeição passiva solidária", os quais continham como anexos os autos de infrações lavrados em face da pessoa jurídica autuada. Ainda que a autuação estivesse lastreada nos autos de infrações, estes não seriam hábeis à imputação de responsabilidade em face dos Impugnantes, haja vista erro de identificação do sujeito passivo, pois inexistentes quaisquer informações do mesmo nas autuações impugnadas, que se formalizaram exclusivamente em face da pessoa jurídica, faltandolhes, assim, requisito obrigatório contido no inciso I, do artigo 10°, do Decreto 70.235/72. 2 Da impossibilidade de responsabilização pessoal dos impugnantes inexistência de elementos probatórios que lastreiem a responsabilidade com base no artigo 135, III, do CTN. Alegou que a autoridade administrativa, no transcorrer da autuação em face da empresa autuada, da qual o primeiro Impugnante é sócio e o segundo procurador, imputou lhes de forma genérica responsabilidade inexistente, utilizandose sem qualquer elemento probatório para tanto, dispositivo do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, sendo que para efeito da responsabilização oponível com base nesta norma, necessária se faz a existência de conduta dolosa ativa por parte de diretores, gerentes ou representantes de empresas privadas, evidenciadas por meio de diligências e elementos concretos de provas que consubstanciem a ligação entre pessoas físicas supostamente responsáveis e o fato ilícito originário da autuação. Acrescentou que a fiscalização não se desincumbiu de comprovar sequer a ligação dos Impugnantes com as supostas práticas ilícitas e sequer se deu ao trabalho de mencionar quais as condutas dolosas e praticadas por quem que ensejaram na responsabilização, mas atribuindolhes responsabilidade pessoal sem qualquer individualização e/ou discriminação. Concluiu ser incabível a pretensão de se responsabilizar pessoalmente representantes legais de empresas, de forma genérica e sem qualquer indício e/ou demonstração de prova quanto à efetiva colaboração dos mesmos para com a ocorrência dos fatos geradores dos tributos exigidos, sob pena de banalização do instituto da responsabilidade, concebido pelo legislador em caráter excepcional. 3 Do quantum da autuação atribuído aos impugnantes necessidade de imputação de responsabilidades em consonância com a constatação fiscal. Alegou que a única conduta passível de responsabilização a teor do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional deveria estar estritamente vinculada e limitada à imputação da qual se verificou a qualificadora da conduta, ou seja, sobre a suposta "Omissão de receita das atividades". Isto porque, se a responsabilização pessoal de eventuais administradores da empresa, a teor do artigo 135, inciso III, do CTN, decorre da prática de conduta dolosa dos agentes, insuscetível de extensão aos Impugnantes da autuação oriunda de "Depósitos bancários de origem não comprovada" que, conforme apuração da própria autoridade fiscal, não decorreu de nenhum indício, fraudulento, tanto é que levou à constituição Fl. 8785DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 17 13 do crédito tributário com a multa de ofício no patamar de 75%, ou seja, sem qualquer elemento qualificador. Daí concluiu que, independentemente de qualquer outra assertiva desta peça, deve ser afastada de plano a responsabilidade dos Impugnantes no tocante à autuação ocorrida com base nos "Depósitos bancários de origem não comprovada. 4 Da nulidade ocorrente violação das garantias à liberdade, à intimidade e à privacidade, previstas no art. 5º , inciso x, da constituição federal impossibilidade de quebra de sigilo bancário/fiscal sem autorização do poder judiciário – inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do supremo tribunal federal no re n° 389.808/PR. Alegou que todas as informações bancárias que respaldaram a aferição da suposta matéria tributável foram obtidas de forma ilícita, haja vista que originaram de RMF's emitidas diretamente às instituições financeiras, sem o devido processo legal e determinação/autorização judicial para tanto, violando as garantias asseguradas no artigo 5º, incisos X e XII da Constituição Federal. Acrescentou, o Supremo Tribunal Federal, recentemente, em decisão plenária, ao julgar a matéria por meio do Recurso, Extraordinário de n° 389.808/PR, encerrou o debate existente, declarando a inconstitucionalidade da violação ao sigilo de dados bancários pela Receita Federal, estribandose justamente na impossibilidade de quebra sem a devida autorização judicial. Ressaltou que no atual contexto do processo a autoridade administrativa responsável pelos julgamentos é competente para análise das alegações de inconstitucionalidade de normas, quando as mesmas tenham sido declaradas inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, a teor do inciso I, do § 6° do artigo 26A do Decreto n° 70.235/72. 5 Da nulidade da autuação – arbitramento do lucro carente de respaldo legal – erro grosseiro de tipificação que contradiz os argumentos da autoridade administrativa. Alegou que, no caso em tela, sequer constou nos autos de infrações discutidos, qual a descrição fática da conduta da Impugnante que levou ao indevido arbitramento do seu lucro, com a desconsideração de sua escrituração e o regime a que era vinculada. Acrescentou que tomando por base as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal, extraise do mesmo, que a conduta supostamente reprovada pela fiscalização, se pautou na omissão de informações de movimentação financeira na escrituração da Impugnante. Entretanto, o dispositivo legal que embasou o arbitramento do lucro de forma discricionária (artigo 530, inciso III do RIR/99), impõe a conduta omissiva do contribuinte, no tocante à apresentação de livros à fiscalização e não no tocante à ausência de informações na escrituração. Desta feita, restaria evidente a discrepância entre a situação fática que a autoridade administrativa fez alusão e a tipificação legal de sua pretensão, sobretudo com base nas próprias assertivas fiscais de apresentação de todos os livros contábeis por parte da Impugnante. Segundo a impugnante, ainda que apurada qualquer omissão de rendimentos de forma lícita, eventual exigência tributária deveria se dar conforme o regime de tributação adotado pela Impugnante, no caso pelo lucro presumido, o que não ocorreu por vício exclusivo na constatação fiscal. Fl. 8786DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 6.Da impossibilidade de lançamento efetuado apenas com base em depósitos bancários. Alegou que o Fisco valeuse única e exclusivamente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n°. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, visto que não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, nem comprova a efetiva existência de acréscimo patrimonial. Concluiu que para presunção de omissão de rendimentos tributáveis do referido imposto, necessário se faz por parte da autoridade fiscal a comprovação da exteriorização de riqueza do suposto contribuinte, sem a qual, não há preenchimento dos requisitos legais que legitimem a autuação. 7 Da consumação da decadência – fatos geradores de competências do ano calendário de 2006 artigo 150 §4° do código tributário nacional. a) Da autuação decorrente de depósitos bancários não identificados (multa de ofício de 75%). Com relação às exigências relativas a infração “depósitos bancários não identificados” alegou decadência no tocante aos 03 (três) primeiros trimestres de 2006, tendo em vista que tomou ciência dos autos de infração em 22/09/2011 e a contagem do prazo decadencial devese dar segundo o disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. b) Da autuação decorrente de "Omissão da Receita da Atividade" (multa de ofício qualificada de 150%). Requereu o reconhecimento da decadência parcial das exigências relativas à infração "omissão da receita da atividade" nos mesmos termos abordados anteriormente ao argumento de que deve ser refutada qualquer conduta dolosa ou fraudulenta por parte da Impugnante. 8 Do afastamento da multa qualificada (150%). inexistência de conduta dolosa ensejadora do agravamento ausência de elementos probatórios. Alegou que deve ser afastada a multa qualificada imposta pela fiscalização, haja vista carência probatória na ação fiscal, de dolo e/ou intuito de fraude por parte da Impugnante, pois o fato da existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude, o que necessita ser comprovado cabalmente pelo fisco, pois implica em circunstâncias, mais gravosas à contribuinte autuada. Segundo a impugnante a fiscalização utilizouse de presunção de fraude para aplicar a multa qualificada, sem especificação e individualização alguma das praticas tidas por dolosas/fraudulentas por parte da autuada que ensejariam no agravamento da multa de ofício para 150%, sendo que a qualificação da multa de ofício não pode se respaldar em "contexto" utilizado genericamente pela fiscalização, mas sim deve ser aplicada quando da comprovação concreta, incontroversa e com detalhamento de forma individualizada acerca da específica conduta que implique em sua destinação. Concluiu que seria de rigor a redução da multa aplicada no patamar de 150% para o importe de 75%. Dos pedidos. Requereu a total procedência da Impugnação para que: Fl. 8787DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 18 15 1) Sejam reconhecidos os vícios insanáveis existentes com o afastamento da imputação de responsabilidade aos Impugnantes, em razão da (a) Impossibilidade de constituição do crédito tributário em face dos mesmos por meio de "Termo de sujeição passiva solidária", haja vista não se enquadrar na forma legal exigida pelo Decreto 70.235/72; (b) Imprestabilidade do "Termo de sujeição passiva solidária" para responsabilização de conduta tipificada como responsabilização pessoal com base no artigo 135, inciso III do CTN, haja vista distinção de institutos não considerados pela fiscalização; (c) Ausência de requisito obrigatório dos autos de infrações impugnados, quanto à identificação dos Impugnantes como responsáveis pessoais pelo débito exigido, conforme norma'cogente prevista no artigo 10, inciso I do Decreto 70.234/72; 2 ) Sejam afastadas quaisquer responsabilidades, dos Impugnantes pela autuação promovida em face da empresa da qual o primeiro é representante e o segundo meramente procurador, haja vista integral carência de elementos probatórios que comprovem seus envolvimentos na prática de conduta dolosa, consoante imposição trazida pelo artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional; ; 3) Seja afastada de plano qualquer responsabilidade dos Impugnantes no tocante à autuação ocorrida com base nos "Depósitos bancários de origem não comprovada" (multa de ofício de 75%), pois ausentes os elementos autorizadores para tanto, nos termos comprovados. 4) Sejam cancelados os autos de infrações diante das insubsistências quanto: (a) A ilicitude das provas obtidas, pela autoridade administrativa, diante da violação do sigilo bancário sem autorização judicial; (b) Ao erro de tipificação legal para o arbitramento do lucro da empresa autuada (artigo 530, inciso III do RIR/99), haja vista integral cumprimento das obrigações atinentes à entrega dos livros contábeis ratificado pela fiscalização; (c) A impossibilidade de lançamento do IRPJ, por conseguinte os seus reflexos, exclusivamente com base em depósitos bancários. 5) Seja reconhecida a decadência com relação aos 03 (três) primeiros trimestres de 2006, haja vista o transcurso do lapso qüinqüenal previsto no artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. 6) Seja afastada a multa qualificada, reduzindoa ao patamar ordinário da multa de ofício (75%), pois ausentes os elementos de prova que autorizem o agravamento pretendido. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR ANGELA IRANI RAINHA –ME (fls. 8250/8274). A impugnante aduziu como razões de defesa o seguinte: 1 Da impossibilidade de encaminhamento ao ministério público. Requereu que seja interrompido ou retirado qualquer procedimento interno, no sentido de se promover qualquer encaminhamento ao Ministério Público, para fins de representação da empresa impugnante para fins penais, relacionado ao presente auto de infração, por afrontar disposto de lei. 2 – Do arrolamento de bens. Alegou que não pode ser imputado à impugnante a condição de sujeito passivo solidário, nos termos do artigo 124,1, da Lei 5172/1966, e requereu a suspensão do Fl. 8788DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 eventual ARROLAMENTO DE BENS da ora impugnante até o ingresso da Segunda Instancia Administrativa ou mesmo até decisão judicial a respeito. 3 – Das nulidades. Primeiramente alegou que é entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, conforme Acórdão que menciona, que o Termo de Sujeição Passiva Solidária não tem o condão de incluir um contribuinte no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim tem um caráter informativo e de prevenção para eventual responsabilização, mas na esfera judicial. Alegou que a responsabilidade da impugnante buscada pelo fisco, a qual motivou a intimação por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária (Documento de número 02) encontrase exclusivamente balizada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, não há como se impor a responsabilidade solidária pretendida pelos senhores auditores através do indigitado termo, que se tornou imprestável em face da impugnante, haja vista tratarse de instituto jurídico totalmente diverso da solidariedade prevista no artigo 124 do Código Tributário Nacional e ainda porque "Os Termos de Sujeição Passiva Solidária e a relação de coresponsáveis anexados pela Fiscalização não têm como escopo incluir os citados no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa". Ora, se o legislador teve por intenção atribuir distinção entre as hipóteses de responsabilização solidária (artigo. 124 do CTN), não cabe à autoridade administrativa desvirtuar os institutos expressamente distinguidos pela norma revestida de legalidade, utilizandose de "Termo de Sujeição Passiva SOLIDÁRIA", para atribuir responsabilidade da impugnante. Ademais, ainda que a autuação estivesse lastreada nos autos de infrações lavradas em face de ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, estes não seriam hábeis à imputação de responsabilidade em face da impugnante, haja vista erro de identificação do sujeito passivo, pois inexistentes quaisquer informações da mesma nas autuações, que se formalizaram exclusivamente em face daquela pessoa jurídica, faltando requisito obrigatório nos termos do inciso I, do artigo 10°, do Decreto 70.235/72. Citou Acórdão da DRJ/BELÉM para afirmar que o posicionamento de que os responsáveis tributários devem constar da autuação diante de sua sujeição passiva encontra respaldo, inclusive, nos julgamentos proferidos pelas Delegacias da Receita Federal. Concluiu que, diante disso, é de rigor o afastamento de responsabilidade da impugnante ÂNGELA IRANI RAINHA ME, haja vista vícios insanáveis na constituição dos créditos exigidos em face da mesma. Da sujeição passiva Inexistência de elementos probatórios que lastreiem a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN. Alegou que, sem qualquer amparo legal e fático, aos auditores fiscais de forma absurda estenderam para a impugnante os efeitos das autuações da empresa ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, sob a alegação de suposta "confusão patrimonial" e interesse comum das empresas, mas que, no entanto, inexistem elementos probatórios que lastreiem a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN. Fl. 8789DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 19 17 Acrescentou que, não obstante, além da efetiva e cabal comprovação que deve ser feita pela fiscalização, por se tratar de conduta ativa e intransferível de cada agente, imprescindível que averigúe e diligencie de forma individualizada, precisa, aprofundada e com provas robustas se primeiramente houve e qual a parcela de participação da impugnante quanto à suposta prática ilícita, sendo incabível a pretensão de se responsabilizar a impugnante, de forma genérica e sem qualquer indício e/ou demonstração de prova, quanto a sua efetiva participação para com a ocorrência de eventuais fatos geradores dos tributos exigidos, sob pena de banalização do instituto da responsabilidade concebida pelo legislador em caráter excepcional. Afirmou que, no caso em tela, a fiscalização não se desincumbiu de comprovar sequer a ligação da impugnante com as supostas práticas ilícitas, sequer se deu ao trabalho de mencionar efetivamente quais as condutas dolosas e como praticadas por quem gostaria de responsabilizar, sem qualquer individualização, discriminação e demonstração robusta e concluiu que a condição estabelecida no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional não se fez presente em momento algum diante da ação fiscal, haja vista inexistir qualquer prova em face da impugnante. 5 Dos autos lavrados em face de Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba. Repudiou a atitude dos auditores que requisitaram diretamente das instituições financeiras, por meio de Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira, informações sobre movimentação financeira e teceu considerações sobre violação do sigilo bancário violação das garantias à liberdade, à intimidade e à privacidade, previstas no art. 5º , inciso X, da constituição federal impossibilidade de quebra de sigilo bancário/fiscal sem autorização do poder judiciário inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do supremo tribunal federal no re n° 389.808/PR. 6 Da juntada de documento apócrifo Repudiou também a forma que os auditores fiscais fizeram menção, página 15 do Termo de Constatação Fiscal, a um documento apócrifo que se disse "representa uma espécie de ata de reunião", maculando os trabalhos da autoridade fiscalizadora porque unilateral e sem amparo legal, não se sabendo a razão da conduta da autoridade administrativa colocando em descrédito todo o trabalho desenvolvido pelo fisco e obstruindo os princípios da ampla defesa, contraditório e da lealdade, o que não se pode aceitar. 7 – Do pedido. Requereu a total procedência da Impugnação, haja vista a ausência de solidariedade, na forma preconizada no artigo 124,I, do CTN e, inclusive, que: (a) sejam reconhecidos os vícios insanáveis existentes com o afastamento da imputação de responsabilidade da impugnante; (b) sejam afastadas quaisquer responsabilidades da impugnante pela autuação promovida em face da empresa ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, ante a carência de elementos probatórios que comprovem a prática de suposta conduta dolosa, consoante já articulado; (c) sejam cancelados integralmente os autos de infrações em face de ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, diante das constatadas insubsistências, notadamente a ilicitude das provas obtidas pela autoridade administrativa, diante da violação do sigilo bancário sem autorização judicial e afronta as garantias individuais asseguradas pelo artigo 5º, incisos X e XII da Constituição Fl. 8790DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 Federal e pela declaração de inconstitucionalidade pela Corte Suprema, definida no RE n° 389808/PR; e (d) todas as intimações referentes ao processo em tela sejam enviadas à empresa ora autuada (em seu endereço), bem como aos seus representantes legais. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR RAINHA & BELLO COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA. A impugnante aduziu como razões de defesa o seguinte: 1 Da impossibilidade de encaminhamento ao ministério público. Requereu que seja interrompido ou retirado qualquer procedimento interno, no sentido de se promover qualquer encaminhamento ao Ministério Público, para fins de representação da empresa impugnante para fins penais, relacionado ao presente auto de infração, por afrontar disposto de lei. 2 – Do arrolamento de bens. Alegou que não pode ser imputado à impugnante a condição de sujeito passivo solidário, nos termos do artigo 124,1, da Lei 5172/1966, e requereu a suspensão do eventual ARROLAMENTO DE BENS da ora impugnante até o ingresso da Segunda Instancia Administrativa ou mesmo até decisão judicial a respeito. 3 – Das nulidades. Primeiramente alegou que é entendimento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, conforme Acórdão que menciona, que o Termo de Sujeição Passiva Solidária não tem o condão de incluir um contribuinte no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim tem um caráter informativo e de prevenção para eventual responsabilização, mas na esfera judicial. Alegou que a responsabilidade da impugnante buscada pelo fisco, a qual motivou a intimação por meio do Termo de Sujeição Passiva Solidária (Documento de número 02) encontrase exclusivamente balizada no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, não há como se impor a responsabilidade solidária pretendida pelos senhores auditores através do indigitado termo, que se tornou imprestável em face da impugnante, haja vista tratarse de instituto jurídico totalmente diverso da solidariedade prevista no artigo 124 do Código Tributário Nacional e ainda porque "Os Termos de Sujeição Passiva Solidária e a relação de coresponsáveis anexados pela Fiscalização não têm como escopo incluir os citados no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim, listar todas as pessoas físicas e jurídicas que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa". Ora, se o legislador teve por intenção atribuir distinção entre as hipóteses de responsabilização solidária (artigo. 124 do CTN), não cabe à autoridade administrativa desvirtuar os institutos expressamente distinguidos pela norma revestida de legalidade, utilizandose de "Termo de Sujeição Passiva solidária", para atribuir responsabilidade da impugnante. Ademais, ainda que a autuação estivesse lastreada nos autos de infrações lavradas em face de ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, estes não seriam hábeis à imputação de responsabilidade em face da impugnante, haja vista erro de identificação do sujeito passivo, pois inexistentes quaisquer informações da mesma nas Fl. 8791DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 20 19 autuações, que se formalizaram exclusivamente em face daquela pessoa jurídica, faltando requisito obrigatório nos termos do inciso I, do artigo 10°, do Decreto 70.235/72. Citou Acórdão da DRJ/BELÉM para afirmar que o posicionamento de que os responsáveis tributários devem constar da autuação diante de sua sujeição passiva encontra respaldo, inclusive, nos julgamentos proferidos pelas Delegacias da Receita Federal. Concluiu que, diante disso, é de rigor o afastamento de responsabilidade da impugnante RAINHA & BELLO COMÉRCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA, haja vista vícios insanáveis na constituição dos créditos exigidos em face da mesma. 4 Da sujeição passiva Inexistência de elementos probatórios que lastreiem a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN. Alegou que, sem qualquer amparo legal e fático, aos auditores fiscais de forma absurda estenderam para a impugnante os efeitos das autuações da empresa ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, com base no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, sob a alegação de suposta "confusão patrimonial" e interesse comum das empresas, mas, no entanto, inexistem elementos probatórios que lastreiem a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN. Acrescentou que, não obstante, além da efetiva e cabal comprovação que deve ser feita pela fiscalização, por se tratar de conduta ativa e intransferível de cada agente, imprescindível que averigúe e diligencie de forma individualizada, precisa, aprofundada e com provas robustas se primeiramente houve e qual a parcela de participação da impugnante quanto à suposta prática ilícita, sendo incabível a pretensão de se responsabilizar a impugnante, de forma genérica e sem qualquer indício e/ou demonstração de prova, quanto a sua efetiva participação para com a ocorrência de eventuais fatos geradores dos tributos exigidos, sob pena de banalização do instituto da responsabilidade concebida pelo legislador em caráter excepcional. Afirmou que, no caso em tela, a fiscalização não se desincumbiu de comprovar sequer a ligação da impugnante com as supostas práticas ilícitas, sequer se deu ao trabalho de mencionar efetivamente quais as condutas dolosas e como praticadas por quem gostaria de responsabilizar, sem qualquer individualização, discriminação e demonstração robusta e concluiu que a condição estabelecida no artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional não se fez presente em momento algum diante da ação fiscal, haja vista inexistir qualquer prova em face da impugnante. Acrescentou que a empresa impugnante é pessoa jurídica distinta da empresa autuada ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, inclusive no que tange ao ramo de atividade, pois o objeto social de ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA e ANGELA IRANI RAINHA ME são o comércio e a impugnante é prestadora de serviços, trabalha com resíduos sólidos e locação. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/RIBEIRÃO PRETO/SP) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1436.557, de 15/02/2012, julgando a impugnação procedente em parte, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Ano calendário: 2006 Fl. 8792DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 20 DADOS BANCÁRIOS. SIGILO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO LEGAL. PROVAS ILÍCITAS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento por utilização de provas ilícitas, consistentes em dados obtidos da movimentação bancária da impugnante, quando esses elementos foram obtidos segundo a legislação de regência, cujo rito procedimental impõe a transferência do sigilo bancário à Autoridade Fiscal. As informações bancárias assim obtidas e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei 9.430, de 27/12/1996. Os valores dos depósitos cuja origem houver sido comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha efetuado pagamento, mesmo que parcial, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º do CTN), salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando então o termo inicial para a contagem do prazo decadencial deslocase para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tal responsabilidade é pessoal, mas não exclusiva. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, para a imputação da solidariedade tributária deve restar demonstrado o interesse comum do terceiro na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Convém salientar que os autos do presente processo veio a julgamento por esta Turma Ordinária em Sessão do dia 07 de agosto de 2013, da qual por maioria de votos os membros da Turma resolveram sobrestar o julgamento nos termos do disposto no art. 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF (Sigilo Bancário, matéria encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral). No entanto, em decorrência da revogação dos parágrafos 1o. e 2o. do citado art. 62A pela Portaria (GMF) 545, de 18/11/2013, pondo fim ao sobrestamento do feito, retorna o processo a julgamento por esta Corte Administrativa. É o relatório. Fl. 8793DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 21 21 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas RECURSO DE OFÍCIO A autoridade julgadora de primeira instância acolhendo a decadência, decidiu: a) por excluir do lançamento à infração do item “002 Depósitos bancários de origem não comprovada”, relativa ao IRPJ e a CSLL concernentes aos 1º e 2º trimestres de 2006 e o PIS e a COFINS relativos aos meses de janeiro a agosto de 2006; b) excluir a responsabilidade solidária atribuída a ANGELA IRANI RAINHA – ME e a RAINHA & BELLO COMERCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA em relação a todo o crédito tributário apurado; c) excluir a responsabilidade atribuída a ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO e a MARCOS ANTONIO RAINHA em relação ao crédito apurado em decorrência da infração “Depósitos bancários de origem não comprovada”, remanescendo a responsabilidade solidária com relação à infração “Omissão de receita da atividade”. O valor do crédito exonerado supera o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, que revoga a Portaria MF nº 375, de 2001, razão pela qual, nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/97, deve a decisão ser submetida à revisão necessária. DECADÊNCIA Com relação a acolhida da decadência com relação à infração (Item 2) “Omissão de receita de origem não comprovada com multa de ofício de 75%”, assim se pronunciou a autoridade a quo: “No caso desses autos em que houve pagamento parcial dos tributos e contribuições devidos e em relação às infrações sem a presença de dolo (Depósitos bancários de origem não comprovada) deve ser aplicada a regra do art. 150, § 4º do art. 150 do CTN, acima transcrito, ou seja, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Relativamente ao IRPJ e a CSLL para os quais o fato gerador ocorre no final de cada trimestre, já que a tributação se deu na forma do lucro arbitrado trimestral, quando da ciência dos autos de infração em 22/09/2011 já estava decaído o direito de o Fisco proceder ao lançamento para exigir o IRPJ e a CSLL relativamente aos 02 (dois) primeiros trimestres de 2006, mas tão somente com relação à infração (2) “ omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada”. Fl. 8794DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 22 Em relação às contribuições PIS e COFINS aplicase o mesmo entendimento acima, ou seja, na ausência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, isto é o prazo decadencial de 5 (cinco anos) é contado a partir da ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador ocorre mensalmente, então concluise que quando da ciência dos autos de infração em 22/09/2011 já estava decaído o direito de o Fisco proceder ao lançamento para exigir o PIS e a COFINS relativamente aos meses de janeiro a agosto de 2006, mas, repito, tão somente com relação à infração (2) “omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada”. Neste ponto não há reparos a fazer com relação ao decidido no julgamento de primeira instância. O segundo ponto a ser apreciado diz respeito: b) excluir a responsabilidade solidária atribuída a ANGELA IRANI RAINHA – ME e a RAINHA & BELLO COMERCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA em relação a todo o crédito tributário apurado e, c) excluir a responsabilidade atribuída a ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO e a MARCOS ANTONIO RAINHA em relação ao crédito apurado em decorrência da infração “Depósitos bancários de origem não comprovada”, remanescendo a responsabilidade solidária com relação à infração “Omissão de receita da atividade”. Neste ponto, extraise do voto condutor recorrido: 8 Da responsabilidade solidária atribuída a ANGELA IRANI RAINHA – ME e a RAINHA & BELLO COMERCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de Angela Irani Rainha – ME (fls. 7775) e de Rainha & Bello Comercio e Administração de Resíduos Industriais Ltda (fl. 77/81) por entender a autoridade fiscal que “o sujeito passivo solidário obteve ganhos patrimoniais proveniente de interesse comum em situações constituintes de fato gerador de obrigação principal relativa as atividades econômicas da empresa ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO – ME, nos termos do art. 124, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). (...) 4 – Do mérito No Termo de Conclusão Fiscal (fls. 7762/7765) a autoridade fiscal relatou o seguinte: Ao longo da fiscalização verificouse que no endereço onde se processavam as operações de compra e venda de sucata pela empresa Antonio Borges Rainha Piracicaba, Rodovia do Açúcar SP 308 S/N Km 175, consta nos cadastros da RFB a empresa ANGELA IRANI RAINHA ME CNPJ: 04.614.325/000115 que é administrada por Ângela Irani Rainha CPF: 029.880.68860, filha do Sr. Antonio Rainha. Em diligência às instalações no dia 24/05/2011, formalizada através do MPF Diligência 08.1.25.00¬201100541, foram verificadas algumas inconsistências que foram objetos de um Termo de Intimação. (...). O contribuinte apresentou os documentos requisitados e os seguintes esclarecimentos: a) "As relações da empresa Angela Irani Rainha ME com a empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba são amplas, de caráter familiar, o senhor Rainha é pai da senhora Ângela, tem ótimo relacionamento, de cunho bastante próximo e comercial, auxiliandose mutuamente quando tem necessidade". Fl. 8795DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 22 23 b) "A presença de funcionários da empresa Rainha & Bello Comercio e Administração de Resíduos Industriais Ltda., decorre da proximidade do relacionamento familiar e de contrato de prestação de serviços, cópia reprográfica anexa. A de funcionário de empresa Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba, que estava ocioso, fora disponibilizado para fazer alguns reparos de alvenaria na empresa intimada". A empresa RAINHA & BELLO COMERCIO E ADMINISTRAÇÃO DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS LTDA CNPJ: 08.915.651/000113 também foi diligenciadas através do procedimento: MPF Diligência 08.1.25.00201100677. No Termo de Diligência o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a presença de funcionários, registrados na Rainha & Bello, no local de funcionamento de outra empresa. As diligências acima descritas levaram a fiscalização a observar uma situação que se enquadra na HIPÓTESE DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA prevista no Art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional. "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;" (...) Segundo os impugnantes, os auditores fiscais, de forma absurda, estenderam para a impugnante os efeitos das autuações da empresa ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA, com base no artigo 124, I, do CTN, sob a alegação de suposta "confusão patrimonial" e interesse comum das empresas, mas que, no entanto, inexiste elementos probatórios que lastreiem a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I, do CTN. No caso dos autos, as evidências em que se baseou a fiscalização para imputar a responsabilidade solidária às citadas empresas, a meu ver, se constituem em indícios, carecendo, no entanto, a conclusão fiscal de prova robusta a fim de restar caracterizado o “interesse comum” a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Do termo de Conclusão Fiscal extraise os seguintes fatos detectados pela autoridade fiscal: 1 No endereço onde se processavam as operações de compra e venda de sucata pela empresa Antonio Borges Rainha Piracicaba, Rodovia do Açúcar SP 308 S/N Km 175, consta nos cadastros da RFB a empresa ANGELA IRANT RAINHA ME; 2 – Todas as três empresas realizam atividade de COMPRA E VENDA DE SUCATA e auferem ganhos com a atividade e operam no mesmo ambiente físico, onde existe apenas 01 BALANÇA; 3 Em relação as empresas Antonio Borges Rainha Sobrinho Piracicaba e Rainha & Bello Ltda a vinculação chega a ser gerencial, com a presença do Sr. Marcos Rainha como administrador e procurador das empresas. Poderseia pelos elementos acostados aos autos, a princípio e de forma indiciária, se perquirir sobre a efetiva vinculação das citadas empresas com as atividades da empresa fiscalizada. No entanto, a fim de se imputar a Fl. 8796DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 24 responsabilidade solidária disposta no art. 124, inciso I, do CTN, caberia à fiscalização aprofundar as investigações a fim de demonstrar de forma inequívoca que as empresas Angela Irani Rainha – ME e Rainha & Bello Comercio e Administração de Resíduos Industriais Ltda tinham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Não consta dos autos documentos que de maneira segura dêem suporte a conclusão fiscal de que há uma confusão patrimonial e/ou financeira, sendo insuficiente para se chegar a esta conclusão o fato de constar no registro de entrada a presença de funcionários das três empresas. O fato de existir mais de uma empresa localizada no mesmo espaço físico não tem o condão de descaracterizar a individualidade de cada uma delas. Também, não se pode afirmar que o fato das três empresas realizarem a mesma atividade econômica leva a formação de GRUPO ECONÔMICO e, por conseqüência, o INTERESSE COMUM. Os indícios obtidos pela fiscalização não foram aprofundados a fim de que provas inequívocas fossem carreadas aos autos, objetivando a assunção da responsabilidade solidária pelas empresas Angela Irani Rainha – ME e Rainha & Bello Comercio e Administração de Resíduos Industriais Ltda. Ressaltese no entanto, que referida investigação fiscal pode ser realizada a qualquer tempo, inclusive na fase de execução fiscal, onde poderá restar demonstrado de forma clara e precisa os pressupostos de que trata de que trata o art. 124, I, do CTN. Nesse passo, no presente momento, não vislumbro nos autos a constatação material necessária a fim de que seja imputada às empresas Angela Irani Rainha – ME e Rainha & Bello Comercio e Administração de Resíduos Industriais Ltda, razão pela qual devese excluir as responsabilidades a elas atribuídas.” Concordando com o acima descrito, não faço reparos ao decidido em primeira instância, pelo que NEGO PROVIMENTO ao recurso de oficio. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os recursos voluntários apresentados pela empresa autuada ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO PIRACICABA e, pelos responsáveis tributários ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO e MARCOS ANTONIO RAINHA, são tempestivos (doc. DRF/Piracicaba em anexo) e por atenderem as disposições de lei, deles conheço. Extraise do relatório e voto condutor que duas são as imputações lavradas nos autos de infração: 1) Omissão de receitas vinculadas à atividade operacional da empresa (Revenda de mercadorias sem emissão de notas fiscais no valor apurado de R$ 75.333.727,22), com multa qualificada de 150% e, 2) Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no total de R$ 375.590.922,33 (com multa de ofício de 75%). Os recursos serão apreciados em conjunto, por matéria, pois respaldamse nas mesmas contestações e argumentações, com algumas variações com relação à responsabilização solidária. Da nulidade por quebra de sigilo bancário. Consoante relatado, o crédito tributário aqui exigido tem como lastro informações bancárias obtidas pelo Fisco mediante Requisições de Movimentação Financeira – RMF dirigidas às instituições financeiras. Os recorrentes argúem a inconstitucionalidade da quebra de seu sigilo bancário, constituindose assim em prova ilícita e invocam a aplicação do Fl. 8797DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 23 25 art. 62A do Regimento Interno do CARF (RICARF), reportandose a entendimento favorável à proteção do sigilo bancário exteriorizado pelo Supremo Tribunal Federal. O procedimento adotado pela Fiscalização está previsto no art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, como bem exposto pela autoridade julgadora de 1a instância: Sem a pretensão em fazer uma análise quanto à constitucionalidade do dispositivo que autoriza a requisição de informações junto às instituições financeiras, há que se proceder, num primeiro momento, ao exame da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001 e o parágrafo 3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996, alterado pelo art. 1º da Lei nº 10.174 de 09 de janeiro de 2001, dentro dos limites de competência atribuídos aos órgãos administrativos judicantes para apreciação da matéria. A Lei Complementar n. º 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001, dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências, introduzindo significativas modificações no instituto do sigilo bancário em relação ao seu anterior disciplinamento, conferido pelo art. 38 da Lei n. º 4.595, de 31 de dezembro de 1964, ora revogado. Assegura a aludida Lei Complementar, no seu art. 1º, § 3º, III, abaixo transcrito, que o fornecimento de informações à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras, ou equiparadas, referentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, necessárias à identificação dos contribuintes e dos valores das respectivas operações, nos termos do art. 11, § 2º, da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996 c/ redação dada pela Lei n. º 10.174/2001, não constitui violação do dever de sigilo bancário. No mesmo sentido, prescreve a citada Lei Complementar, no seu art. 1º, § 3º, VI, que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações nos termos e condições estabelecidas nos seus artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 10. “Art. 1º ... (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 8798DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 26 V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar.” (...) Por sua vez, restaria caracterizada a quebra de sigilo pela autoridade fiscal se ela divulgasse essas informações, sujeitandose por tal ato ilícito, todavia, às penalidades funcionais, penais, e à reparação por perdas e danos causados ao contribuinte. No caso em concreto, a impugnante não questionou os fatos que levaram a Autoridade Fiscal a requisitar às instituições financeiras em que a contribuinte mantinha contas correntes, informações sobre sua movimentação financeira e os serviços por elas prestados à contribuinte. Consoante registrado nos autos, a fiscalização ao confrontar os documentos apresentados pela empresa com os dados contidos nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verificou que a empresa não havia apresentado todos os extratos exigidos, o que caracterizaria embaraço à fiscalização, nos termos do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante dessa circunstância e considerando, ainda, o fato da escrituração ser incompleta, a fiscalização, com base na Lei Complementar n° 105/2001 e no Decreto 3.724/2001 e na forma da Lei 9.430/1996, solicitou às Instituições Financeiras os extratos bancários (fls. 260/281), com o objetivo de obter dados imprescindíveis aos trabalhos de fiscalização em curso. O procedimento fiscal encontrase arrimo no inciso VII do art. 3º e § 1º do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 10.01.2001: “Art.3oOs exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; (...) Art.4o Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF. §1oA requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao:” Por sua vez, o art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe: Art.33.A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, Fl. 8799DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 24 27 quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; Retornando ao meu voto. O art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 é, de fato, objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal em rito de repercussão geral, sob relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski. A decisão que reconheceu a repercussão geral desta matéria foi assim ementada: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de repercussão geral. Todavia, no referido recurso extraordinário ainda não foi editada decisão definitiva de mérito que pudesse impor a reprodução, pelos Conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, do entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal em outros casos semelhantes, como pretendem os recorrentes. Nem mesmo o sobrestamento antes previsto nos §§ do art. 62A do RICARF mostrase possível, dada sua recente revogação pela Portaria MF nº 545/2013. Por sua vez, o Decreto nº 70.235/72 somente autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 8800DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 28 b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídico tributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Por estas razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade do lançamento em razão de inconstitucional acesso às informações bancárias da pessoa jurídica autuada. DECADÊNCIA E DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Com relação a decadência relativa ao lançamento do item 2 do auto de infração “Da autuação decorrente de depósitos bancários não identificados com multa de ofício de 75%”, a matéria foi objeto de análise no quesito Recurso de Ofício conforme se observa acima. A apreciação das argüições de decadência de crédito tributário lançado com relação ao item 01 “Omissão de receitas vinculadas à atividade operacional da empresa (Revenda de mercadorias sem emissão de notas fiscais no valor apurado de R$ 75.333.727,22), com multa qualificada de 150%) exige, antes, a análise da multa qualificada imputada na presente exigência. O Termo de Constatação Fiscal traz a seguinte fundamentação: Através das diligências acima descritas restou comprovado que o contribuinte mantinha um regime de transações comerciais marginal à contabilidade, tanto pagando fornecedores como recebendo créditos de venda sem a devida emissão da Nota Fiscal de venda. Fl. 8801DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 25 29 (...) 9) DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO O contribuinte, por intermédio de seu agente, assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso I, do art. 71 da Lei 4.502/64. Com isso, sobre a infração do item 7.1 – OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE aplicase a multa de oficio QUALIFICADA de 150%, conforme item especifico previsto no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. Os recorrentes apontam, em síntese, que não houve por parte da autoridade autuante, qualquer procedimento ou instrução probatória que comprovasse prática fraudulenta, elemento subjetivo e indispensável para aplicação da multa qualificada. A abordagem contida na decisão recorrida, naquilo que interessa neste item, bem demonstra a impropriedade desta argumentação: A discussão nos autos entendo que ficou restrita à multa qualificada de 150% contra a qual insurgiu a impugnante alegando, em síntese, não ter ficado provado o dolo por parte da autoridade fiscal e que a existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude, o que necessita ser comprovado cabalmente pelo fisco e com detalhamento de forma individualizada acerca da específica conduta que implique em sua destinação. Por essas razões, requereu a redução da multa aplicada para 75%. No caso em análise entendo que não se trata simplesmente de declaração inexata ou de falta de recolhimento de tributos ou ainda de simples omissão de receita como foi alegado. Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso dos autos, restou devidamente comprovado que a empresa teve em suas contas bancárias créditos identificados como provenientes de sua atividade comercial na ordem de R$ 75.333.727,22 relativamente aos anos calendário de 2006 a 2008, enquanto informou em suas declarações de imposto de renda receitas de R$ 12.331.076,45, R$ 6.739.482,55 e R$ 5.460.256,72, relativamente aos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente, portanto em valores muito inferiores aqueles realmente auferidos e que não foram escriturados. Enfim, não há dúvida de que a empresa autuada realizou vendas sem emissão de nota fiscal e sem o registro contábil devido com a clara intenção de deixar de pagar ou pagar menos tributo. O procedimento da autuada está muito mais a configurar a intenção de obscurecer o conhecimento da dimensão do evento jurídico tributário por parte das autoridades fiscais que, de outro lado, a caracterizar a simples hipótese de Fl. 8802DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 30 declaração inexata como quer a impugnante. Não se pode admitir a hipótese de ter havido simplesmente erro de informação ou que a impugnante tenha agido, por assim dizer, desavizadamente. Notase que a impugnante, sequer tentou justificar as diferenças apuradas pelo Fisco, mesmo porque não haveria como justificar. Discutível seria o caso se estivéssemos diante de uma operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente; neste caso, poderseia concluir pela ocorrência de um erro eventual, de ordem meramente material, passível de tributação sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas não é o caso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pela autuada em quase todos os meses do período fiscalizado. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos e se beneficiar, indevidamente, do Simples, uma vez que se a totalidade de suas receitas fosse declaradas superariam o limite para usufruir o referido sistema, como bem destacou a autuante. Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. O fato de oferecer à tributação valores inferiores aos auferidos, de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. Assim, por concordar com as argumentações acima transcritas, mantenho a multa qualificada neste item. Agora retorno ao tema DECADÊNCIA. Diante deste contexto, quanto à decadência em caso de dolo, fraude ou simulação, forçoso concluir que o termo inicial de contagem do prazo decadencial é o determinado pelo inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Logo, conforme bem assentado na decisão recorrida, fixado o termo inicial de contagem do prazo decadencial, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, temos que, no presente caso, o IRPJ, estando embutido na sistemática de apuração do lucro arbitrado trimestral, os fatos geradores ocorrem no final de cada trimestre, podendo eventuais diferenças apuradas de ofício serem lançadas já a partir do trimestre seguinte. Dessa maneira, partindo da premissa de que somente cabe lançamento de ofício após ser consumado o fato gerador e estar vencida a obrigação correspondente, temse que os fatos geradores ocorridos no 1º , 2º e 3º trimestres de 2006 poderiam ser lançados dentro do próprio ano calendário, sendo o termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte (01/01/2007), repito, de acordo com a regra estampada no inciso I do art. 173 do CTN. Relativamente a estes períodos de apuração (1º, 2º e 3º trimestres de 2006), a decadência somente se operaria em 1º de janeiro de 2012, cinco anos após 1º de janeiro de 2007. Fl. 8803DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 26 31 Assim, tendo em vista que o lançamento foi notificado à interessada em 22/09/2011, nesta data não havia transcorrido o prazo decadencial do IRPJ, relativamente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2006 com relação à infração “Omissão de receita operacional”. De igual forma não há que se falar em decadência da CSLL, PIS e COFINS em relação a esta infração. Portanto, quanto a este item, também nego provimento ao recurso. Do arbitramento do lucro Neste item os recorrentes argüiu nulidade da autuação sob a alegação de falta de amparo legal e erro de tipificação tendo em vista a discrepância entre a situação fática que a autoridade administrativa fez alusão (ausência de informações na escrituração) e a tipificação legal de sua pretensão (artigo 530, inciso III do RIR/99) que impõe a conduta omissiva da contribuinte no tocante à apresentação de livros à fiscalização e não no tocante à ausência de informações na escrituração. Consta no auto de infração (descrição dos fatos e enquadramento legal fls. 7649) que o arbitramento do lucro se fez “em virtude de que o contribuinte, estando autorizado a optar pela tributação com base no lucro presumido, deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas a sua determinação em relação aos seguintes fatos”. Constou como enquadramento legal o art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), cuja base legal é o art. 47 da Lei n.º 8.981, de 1995, que assim dispõe: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (destaquei) Consta, ainda, do voto condutor ,ora recorrido: De fato, verificase dos autos que a empresa em 28/09/2010 foi cientificada de que a fiscalização, ao verificar os livros Caixas apresentados, constatou que neles não estava escriturada a movimentação bancária. Em razão disso, foi a empresa intimada e reintimada a apresentar os livros Caixa contendo toda a movimentação bancária do período de 01/2006 à 12/2008. Não tendo apresentado a escrituração Fl. 8804DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 32 contábil e fiscal a fiscalização procedeu o arbitramento do lucro com fulcro no art. 530, III do RIR/99. De acordo com a legislação tributária (art. 527 do RIR/99), a pessoa jurídica que optar pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido não está obrigada a manter escrituração contábil nos termos das leis comerciais, desde que escriture, em livro Caixa, toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. A escrituração do livro Caixa é prerrogativa concedida pela lei, no entanto nada impede que a legislação seja completa, conforme legislação comercial e fiscal. No caso, é incontroverso o fato de a contribuinte não ter apresentado a escrituração conforme legislação comercial e fiscal, nem o livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira e bancária e, mesmo intimada a fazêlo, não apresentou o livro Caixa reescriturado. Portanto, não resta dúvida de que a contribuinte não cumpriu com a obrigação acessória relativa à escrituração, o que justifica o arbitramento, pois configurado está a materialização da hipótese prevista no art. 530, III, do RIR/99. Com relação a argumentação da impugnante de que houve discrepância entre a situação fática que a autoridade administrativa fez alusão (ausência de informações na escrituração) e a tipificação legal de sua pretensão (artigo 530, inciso III do RIR/99), entendo correta a capitulação legal adotada, pois, de fato, mesmo intimada a apresentar a escrituração contendo toda a movimentação bancária, a contribuinte deixou “de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527”. O livro Caixa que fora apresentado não contém a escrituração de toda a sua movimentação financeira e bancária, fato não contestado, o que, por si só, justifica o arbitramento com base no art. 530, III, do RIR/99, tendo em vista a imprestabilidade da escrituração para “identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária”. Há que se reconhecer, portanto, a perfeita subsunção dos fatos apurados pela fiscalização à hipótese legal de arbitramento dos lucros da contribuinte. Acrescento mais, que também descabe razão a ora recorrente quando sustenta que “nem sequer consta nos autos de infrações discutidos qual a descrição fática da conduta da Recorrente que levou ao indevido arbitramento do seu lucro, com a desconsideração de sua escrituração e o regime a que era vinculada”. Temos que a contribuinte fez opção pela tributação com base no lucro presumido. O art. 527 do RIR/99 apresenta as obrigações acessórias a que estão sujeitas as empresas que fizeram opção por este regime de tributação. O parágrafo único do art. 527 é expresso ao exigir a pessoa jurídica deverá manter Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Eis o dispositivo aludido: “Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais Fl. 8805DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 27 33 papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do ano calendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária.” (destacamos) Este dispositivo deve ser lido conjuntamente com o art. 530, que elenca as hipóteses de arbitramento. O inciso III do art. 530 prevê a hipótese de arbitramento do lucro caso a contribuinte deixe de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527, como acima transcrevemos. O presente caso amoldase claramente ao inciso III do art. 530, na medida em que resta comprovada a falta de escrituração de toda sua movimentação bancária em seu Livro Caixa. Eis, então, a subsunção perfeita dos fatos à norma constante do art. 530, III, do RIR/99. Pelo que NEGO PROVIMENTO ao recurso com relação a este quesito. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Aqui, em síntese, alega a recorrente: No presente caso, em se tratando de IRPJ, que implica nos reflexos da CSLL, PIS e COFINS, temse como expressa hipótese de incidência tributaria auferir renda e proventos de qualquer natureza com a ocorrência de acréscimo patrimonial, nos termos do artigo 43 caput e incisos I e II, do CTN. A imposição do Código Tributário Nacional demonstra que para a ocorrência do fato gerador do imposto de renda deve haver acréscimo patrimonial por parte do contribuinte de forma evidente, ou seja, mister se faz a exteriorização de nova riqueza. Digo eu, há que se observar, repitase, que a exigência tributária decorreu de duas infrações: (01) Omissão de receita operacional – Revenda de mercadorias sem emissão de notas fiscais e (02) Omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fulcro na presunção de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 8806DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 34 Consta, ainda, como fundamentos do voto recorrido: Com relação a esta matéria, a única alegação da contribuinte é que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, visto que não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, nem comprova a efetiva existência de acréscimo patrimonial. Concluiu que para presunção de omissão de rendimentos tributáveis, necessário se faz por parte da autoridade fiscal a comprovação da exteriorização de riqueza do suposto contribuinte, sem a qual, não há preenchimento dos requisitos legais que legitimem a autuação. A partir de 01/01/1997 (data em que se tornou eficaz a Lei n.º 9.430 de 1996), a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta corrente, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tão somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). [...] Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção, o que não aconteceu ao caso concreto. Neste caso, mantenho a decisão de primeira instância. Em especial, com relação ao recurso voluntário apresentado em conjunto pelos responsáveis solidários ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO e MARCOS ANTONIO RAINHA, passamos a análise das razões nos termos apresentados. Da responsabilidade solidária atribuída a ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO e MARCOS ANTONIO RAINHA. Extraise do voto condutor recorrido: Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO CPF 148.767.60853 e MARCOS ANTONIO RAINHA CPF 062.914.12829, sendo o primeiro sócio gerente e o segundo representante/procurador com amplos poderes outorgados por procuração pública obtida através das RMFs, entendendo a autoridade fiscal que teria ficado caracterizada suas responsabilidades, nos termos do art. 135, III, do CTN. Os impugnantes além de contestarem os autos de infração utilizandose dos mesmos argumentos empregados pela empresa autuada, cuja análise das alegações já foram aqui apreciadas, também contestaram a responsabilidade a eles atribuída alegando, em síntese, não terem sido identificados nos autos de infração como partes nas autuações e que a responsabilização pessoal dos Impugnantes pretendida pelo fisco, consoante o artigo 135, III, do CTN, impõe à autoridade administrativa que se faça constar a identificação passiva dos mesmos nos autos de infrações lavrados, Fl. 8807DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 13888.723649/201177 Acórdão n.º 1301001.500 S1C3T1 Fl. 28 35 haja vista tratarse de redirecionamento da cobrança diretamente em face do suposto devedor pessoal, diferentemente do que ocorre nas responsabilizações subsidiárias e/ou solidárias. Além disso, a autoridade administrativa, no transcorrer da autuação em face da empresa autuada, da qual o primeiro Impugnante é sócio e o segundo procurador, teria imputado de forma genérica responsabilidade inexistente, utilizandose sem qualquer elemento probatório para tanto, dispositivo do artigo 135, III, do CTN, sendo que para efeito da responsabilização oponível com base nesta norma, necessária se faz a existência de conduta dolosa ativa por parte de diretores, gerentes ou representantes de empresas privadas, evidenciadas por meio de diligências e elementos concretos de provas que consubstanciem a ligação entre pessoas físicas supostamente responsáveis e o fato ilícito originário da autuação. Segundo os impugnantes a única conduta passível de responsabilização a teor do artigo 135, III, do CTN, deveria estar estritamente vinculada e limitada à imputação da suposta "Omissão de receita das atividades", isto porque se a responsabilização pessoal de eventuais administradores da empresa decorre da prática de conduta dolosa dos agentes, insuscetível de extensão aos Impugnantes da autuação oriunda de "Depósitos bancários de origem não comprovada" pois, conforme apuração da própria autoridade fiscal, esta não decorreu de nenhum indício fraudulento. Compulsando os autos, constatase, que dois foram os fundamentos adotados pelo Fisco para a imputação de responsabilidade ao sócio da empresa autuada e ao procurador: a não apresentação da escrituração comercial e fiscal (infração à lei) e a falta de recolhimento de tributos, consubstanciada nos lançamentos ora discutidos (omissão de receitas). A base legal foi o art. 135, inciso III, do CTN, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Quanto ao segundo fundamento (falta de recolhimento de tributos), a jurisprudência já está pacificada, tanto no âmbito judicial quanto na esfera administrativa, de que este fato, por si só, não é suficiente para que se atribua ao sócio ou representante da empresa a responsabilidade pelo tributo devido. A menos que sejam comprovados outros fatos que comprovem que a falta de recolhimento decorreu de atos específicos de gestão que tiveram como finalidade e conseqüência a lesão aos cofres públicos, não seria possível a imputação da responsabilidade tributária. A questão deve ser analisada com mais detalhes no que respeita ao primeiro fundamento, a saber, a não apresentação da escrituração comercial e fiscal mesmo reintimado a escriturar seu Livro Caixa com toda a sua movimentação bancária. O descumprimento desse dever legal é ato contrário à lei, portanto, conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Tudo porque o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Fl. 8808DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 36 Com base nesta interpretação, uma das condutas que estariam alcançadas pelo dispositivo é a pessoa estar no comando da empresa quando a empresa sonega tributos (oculta do fisco a ocorrência de fatos tributáveis). Agora, juntando os dois elementos, temse que para responsabilizar o sócio gerente ou administrador é preciso que o débito tributário decorra de sonegação, que ele tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. Neste passo, constatase dos autos, evidenciado no item 5.1 do Termo de Constatação Fiscal, “A fiscalização de posse do Livro Registro de Entrada, no qual constam os fornecedores de material, observou que o contribuinte emitia CHEQUES e ORDEM DE PAGAMENTO à terceiros que não constavam na lista de fornecedores constante das NOTAS FISCAIS DE ENTRADA”. Visando apurar o destino do dinheiro, foram lavrados Termos de Diligencia, juntos aos contribuintes e, apurouse que as mercadorias e serviços eram relacionados à compra de sucatas e a pessoa responsável pelo contato, na maioria das respostas, era o Sr. MARCOS RAINHA, filho do Sr. ANTONIO BORGES RAINHA SOBRINHO, titular da empresa autuada. Ficou evidenciado e chamou a atenção da autoridade fiscal a vultosa diferença entre os valores informados em DIPJ como faturamento e o total de créditos bancários (vide Quadro Demonstrativo no TVF). A conclusão das diligências realizadas (fornecedores e clientes) foi que a empresa, ora recorrente, realizava transações comerciais (compra e venda) habitualmente sem o devido registro contábil e fiscal. Em termos práticos, concluise que a responsabilidade prevista no art. 135 é subsidiária, e não solidária, e aplicase, dentre outras situações, quando o débito decorre de sonegação. Diante dos fatos mantenho a responsabilização tributárias de ambos. Por tudo o quanto exposto, meu voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e por NEGAR provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 8809DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/ 09/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
