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Numero do processo: 13056.000538/2007-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO.
Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA.
Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 3802-001.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ARGUMENTOS NÃO APRECIADOS PELA INSTÂNCIA ANTERIOR. NÃO CONHECIMENTO. Em sede recursal, não é possível o conhecimento de argumentos que não tenham sido apreciados pela instância a quo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe aos conselheiros do CARF afastar a aplicação de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 05 38 /2 00 7- 03 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 10 21.865, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre – RS, em que foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. A Recorrente formulou pedido de ressarcimento de PIS nãocumulativo, pleiteando o reconhecimento do crédito de PIS nãocumulativo. No entanto após ação fiscal no processo em referência, o Delegado da Receita Federal glosou parte do crédito, sob o argumento de que os créditos apurados pela recorrente não estariam na legislação que rege a contribuição em comento. Dessa forma, foi reconhecido o crédito parcial da recorrente. Após o conhecimento da glosa parcial dos créditos mencionados, a Recorrente apresentou tempestivamente a sua Manifestação de inconformidade, ocasião em que esta alegou que a vedação ao aproveitamento de créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas, assim como de despesas administrativas e comerciais que não se refiram diretamente à atividadefim do estabelecimento, veda o princípio da nãocumulatividade concebida na Constituição Federal através da Emenda Constitucional n° 42/2003 e viola, portanto, a disposição constitucional que regulamenta a matéria. Além disso, a Recorrente afirmou na sua Reclamação que as vedações de aproveitamento de crédito presentes nas Leis ordinárias que regulamentam as contribuições em questão são inválidas, ao passo que deveriam ser matéria de Lei Complementar, de acordo com o art. 146, III, “b”, da CRFB/88. Ao analisar a impugnação oposta ao auto de infração, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela improcedência da impugnação, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Necessário que haja previsão legal para que os custos e ou despesas incorridos pela pessoa jurídica possam gerar créditos de Cofins e/ou PIS passíveis de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 185DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000538/200703 Acórdão n.º 3802001.498 S3TE02 Fl. 6 3 Direito Creditório Não Reconhecido. Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e aduziu, ainda, que os gastos gerais de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual devem ser admitidos os créditos relativos aos mesmos. A recorrente argumentou, ainda, que as despesas com combustíveis são passíveis de reconhecimento de crédito, tendo em vista que foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a inconstitucionalidade das vedações presentes nas leis que regulamentam as contribuições em comento, tendo em vista que ferem o princípio da nãocumulatividade, bem como os limites aos créditos deveriam ser matéria de lei complementar; (b) os gastos de fabricação que foram objeto de glosa se enquadram no conceito de insumo admitido pela Receita Federal; e (c) as despesas com combustíveis foram utilizadas para abastecer os caminhões que transportam as mercadorias compradas pela empresa, e, por essa razão, tais despesas podem gerar crédito de PIS. Compulsando os autos, verificase que os itens (b) e (c) não faziam parte dos argumentos de defesa presentes na Manifestação de Inconformidade. Tratase, portanto, de inovação de matéria defensiva na peça recursal no que diz respeito à conceituação dos gastos de fabricação como insumos e possibilidade de os gastos com combustíveis gerarem crédito de PIS. Por essa razão, tais argumentos não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do Dec. 70.235/72, que diz em seu artigo 16, inc. III, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Além disso, o art. 17 do mesmo diploma arremata a impossibilidade de trazer matérias em instância superior que não tenham sido objeto da impugnação: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Frisese que não consta nos autos qualquer demonstração de que parte dos insumos adquiridos pela Recorrente venha a ser combustível, ou mesmo que se refira à atividade da empresa. Há apenas valores totalizados, que não permitem nem mesmo averiguar se se trata mesmo, e em que medida, de combustíveis ou outros insumos. No mais, a Recorrente argumenta que as vedações à concessão de crédito de PIS pelas despesas sob exame são inconstitucionais, pois são disciplinadas por leis ordinárias, enquanto há reserva de lei complementar, segundo o art. 146, inc. III, alínea “b”, da CRFB/88, e que elas ferem o princípio da nãocumulatividade à luz da EC 42/2003. No entanto, a esfera administrativa é incompetente para analisar a inconstitucionalidade de leis, pois esta é função jurisdicional que pode ser efetuada de maneira difusa ou concentrada. De maneira difusa, somente pelo voto da maioria absoluta dos membros de um Tribunal (organismo do Poder Judiciário) ou do seu órgão especial, a Lei será declarada inconstitucional, conforme o art. 97 da CRFB/88. De forma concentrada, a competência para apreciar e julgar a inconstitucionalidade da Lei através da propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade é do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o art. 102, inc. I, “a” da Constituição Federal. Sendo assim, verificase a impossibilidade de conceder o crédito de PIS pelas despesas da Recorrente, pois, para isso, deverseia declarar inconstitucional a Lei que disciplina a contribuição, o que extrapola a competência da esfera administrativa. Nessa toada, o art. 62 da Portaria MF 256/09, Regimento Interno do CARF, veda expressamente que os seus conselheiros afastem a aplicabilidade de lei em função de inconstitucionalidade arguida pelo Recorrente, senão vejamos in verbis: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Diante de todos os argumentos aqui expostos, tenho que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela inovação de matéria de defesa em sede recursal e pela impossibilidade de se reconhecer a inconstitucionalidade de Lei em esfera administrativa. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 187DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13056.000538/200703 Acórdão n.º 3802001.498 S3TE02 Fl. 7 5 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728299/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PAF. INTIMAÇÃO POR EDITAL. A intimação pode ser feita por edital sempre que resultar improfícua tentativa de intimação por qualquer um dos outros meio previstos no art. 23, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de impugnação a lançamento quando apresentada depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência do auto de infração ou notificação de lançamento.
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe, que deu provimento ao recurso e fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Márcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 10/11/20112
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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INTIMAÇÃO POR EDITAL. A intimação pode ser feita por edital sempre que resultar improfícua tentativa de intimação por qualquer um dos outros meio previstos no art. 23, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de impugnação a lançamento quando apresentada depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência do auto de infração ou notificação de lançamento. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe, que deu provimento ao recurso e fará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Márcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 10/11/20112 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 82 99 /2 00 9- 87 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASS ET LACOMBE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Rayana Alves de Oliveira França. Relatório LUCIMEIRE CARVALHO FARIAS LEITE MEDEIROS interpôs recurso voluntário conta acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 149) que não conheceu de impugnação apresentada a auto de infração, por intempestividade. Cuidase de auto de infração para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, no valor de R$ 78.400,89, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 170.333,76. A infração que ensejou o lançamento foi a classificação indevida de rendimentos como isentos, conforme detalhadamente descrito no auto de infração. A ciência do lançamento foi feita por edital afixado em 15/12/2009 e desafixado em 04/01/2010 (fls. 31) e a impugnação foi apresentada em 19/08/2010 (fls. 40/113). Aduziu a Impugnante, quanto à tempestividade, que o auto de infração foi encaminhado para o seu endereço correto, à Rua Juruna, nº 218, Condomínio Aldeia de Jaguaribe, Piatã, em Salvador, Bahia, mas, inexplicavelmente, foi devolvida, e, portanto, a intimação não chegou ao seu conhecimento. Observou que, no caso, tanto o termo de início quanto as intimações da fiscalização foram encaminhadas para este endereço onde foram normalmente recebidos. Sustenta, enfim, que não teve ciência da autuação e não pôde exercer o direito de defesa. Informa que somente em 29/07/2010 teve conhecimento da autuação, quando compareceu à Receita Federal e obteve cópia dos autos. Pede, assim, que seja considerada a tempestividade da impugnação. A DRJSALVADOR/BA não conheceu da impugnação, por intempestiva. Sobre a alegação da defesa quanto a este ponto, observou que, independentemente da culpa da Contribuinte, o fato é que a intimação por via postal resultou improfícua, justificando, assim, a intimação por edital, que foi feita regularmente. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 04/10/2011 (fls. 327) e, em 20/10/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 155/251, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação quanto à tempestividade da impugnação, e pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja conhecidas suas razões de defesa. A Recorrente também discute o mérito da própria autuação, mas deixo de relatar essas alegações, pois a questão não será apreciada nesta assentada. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASS ET LACOMBE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.728299/200987 Acórdão n.º 2201001.833 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a decisão de primeira instância não conheceu da impugnação, por intempestividade, conclusão contra a qual se insurge a recorrente. Embora a Contribuinte também discuta no recurso questões de mérito do lançamento, cuidase aqui apenas a questão da tempestividade, que é prejudicial com relação às demais. Isto é, este julgamento somente pode ter dois desfechos possíveis: ou a manutenção da decisão de primeira instância, confirmando a intempestividade da impugnação, o que prejudica o exame do mérito quanto à exigência; ou o acolhimento das razões de defesa, o que implicaria na devolução do processo para exame do mérito pela primeira instância. Como se vê, em qualquer caso, o mérito não será examinado nesta assentada. Dito isto, passo ao exame da questão. Conforme documento de fls. 29/30 (Aviso de Recebimento) o auto de infração foi enviado para o domicílio fiscal eleito da Contribuinte, do qual foi devolvido, conforme indicado no referido documento. Fezse, então, a intimação por edital. Pois bem, o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 prevê como formas preferenciais de intimação a entrega pessoal, a via postal ou a via eletrônica e, restando improfícua a intimação por uma dessas formas, a intimação poder ser feita por edital. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1 Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASS ET LACOMBE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). [...] Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASS ET LACOMBE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.728299/200987 Acórdão n.º 2201001.833 S2C2T1 Fl. 4 5 Alega a Contribuinte que a intimação foi encaminhada para o seu endereço correto, à Rua Juruna, nº 218, Condomínio Aldeia de Jaguaribe, Piatã, em Salvador, Bahia tanto que as intimações expedidas no curso da fiscalização foram encaminhadas para o mesmo endereço e lá recebidas, mas afirma que, inexplicavelmente, desta vez foi devolvida. Ora, não cabe aqui se especular sobre as razões que levaram à devolução da correspondência, o fato relevante é que a intimação por via postal restou improfícua, ensejando a intimação por edital que, assim, foi feita regularmente. Notese que a Lei não cogita sobre as razões do insucesso da impugnação por via postal para autorizar a intimação editalícia. É interessante observa, embora tal fato não seja determinante, que no comprovante de rendimentos da Contribuinte, fornecido pela fonte pagadora, consta como seu endereço Rua Joana Angélica nº 1312, Nazaré, Salvador/BA (fls. 129/1310), portanto endereço diverso daquele do seu domicílio fiscal, o que pode ser a razão para a devolução da encomenda em questão aos Correios. Assim, é forçoso concluir pela regularidade da intimação do auto de infração, realizada por edital, em 04/01/2010 (fls. 31), e como a impugnação somente foi apresentada em 19/08/2010 (fls. 40), é forçoso concluir pela intempestividade desta. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Declaração de Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe Divergi, com a devida vênia, do Ilustre conselheiro relator uma vez que dos autos verificamos que a recorrente foi notificada do início da ação fiscal regularmente no endereço constante da notificação de lançamento, bem como jamais ter se mudado de lá. A notificação do lançamento de um tributo equivale citação inicial do processo civil e constitui um importante ato processual, tendo em vista que está vinculado ao princípio do contraditório, ao direito de defesa do contribuinte. Neste contexto, não se pode ter como presumida a ocorrência da citação endereçada a pessoa física quando a carta for Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASS ET LACOMBE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 simplesmente entregue, é imprescindível a prova da sua efetiva entrega no endereço do domicílio fiscal do contribuinte e que alguém, alguma pessoa física tenha efetivamente recebido a correspondência e não simplesmente sido deixada na caixa de correio. A notificação pelo correio, não obstante ágil, deve ser engendrada de forma a respeitar o grau de importância que o ato encerra. Por essa razão, os requisitos legais não podem ser postergados. Assim, nesta modalidade, para validade do ato é imprescindível o Aviso de Recebimento, pois somente ele faz prova de onde foi efetivamente entregue e a quem foi entregue. Ainda que a identificação pessoal seja irrelevante, ou melhor dizendo, ainda que a notificação possa ser entregue a terceiros, no endereço do domicílio fiscal, por óbvio que deve esse terceiro resguardar idoneidade moral. Assim, por exemplo, não pode a notificação ser entregue ao inimigo capital do contribuinte ou simplesmente ser deixada na caixa de correio, sob pena de não produzir efeitos. No presente caso, ficou demonstrado que houve erro por parte da Empresas de Correios e Telégrafos, induzindo a Fiscalização ao erro e cerceando o direito de defesa da Contribuinte em epígrafe. Desta forma, em homenagem ao princípio da verdade material, conheço do recurso. Vencido na preliminar deixo de apreciar o mérito. É como voto. Assinatura digital Rodrigo Santos Masset Lacombe Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASS ET LACOMBE, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.002341/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.345
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da redatora designada. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Designada a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Relator (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS – Redatora Designada Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Error! Reference source not found. Fls. 272 ___________ RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 211 a 237) apresentado em 09 de dezembro de 2012 contra o Acórdão no 1632.218, de 21 de junho de 2011, da 6ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 177 a 202), cientificado em 12 de novembro de 2011, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de agosto de 2004 e junho de 2007, considerou a impugnação procedente em parte, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANO CALENDÁRIO: 2004, 2007 CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. Inadmissível a compensação de suposto valor de crédito trabalhista de terceiros, de natureza nãotributária, com tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, em face de expressa vedação legal, conforme art. 170 do CTN, que só autoriza a compensação mediante lei específica. Constatada a tentativa de compensar indevidamente créditos trabalhistas de terceiros utilizando os sistemas da Receita Federal, cabível a multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DO ESTOQUE DE ABERTURA: FATO GERADOR 31/08/2004 A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração não cumulativa tem direito a desconto correspondente ao valor do estoque de abertura dos bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no pais, existentes na data de início da incidência desta contribuição, devendo ser apropriado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas. MULTA DE OFÍCIO Será aplicada em procedimento de OFÍCIO a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição apurada, de acordo com a legislação de regência. A multa de OFÍCIO constitui instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL E SELIC Os juros de mora destinamse a indenizar a Fazenda Nacional em decorrência da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, reportandose o lançamento à legislação aplicável no período compreendido entre o seu vencimento original e o efetivo pagamento do débito. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.002341/200722 Resolução nº 3302000.345 S3C3T2 Fl. 273 3 A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, a teor do disposto no art. 13 da Lei nº 9. 065/95, e legislação superveniente os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 04 de setembro de 2007, de acordo com o temo de fls. 97 a 100. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 1. Contra a empresa em epígrafe foi lavrado, em 21 de Agosto de 2007, Aviso de Recebimento – AR (RA 95.023.2801 BR e RA 95.023.281 – 5 BR fls. 112/113), em 3 de novembro de 2007, o Auto de Infração no valor de R$ 4.193.869,73 (QUATRO MILHÕES, CENTO E NOVENTA E TRÊS MIL, OITOCENTOS E SESSENTA E NOVE REAIS E SESSENTA E TRÊS CENTAVOS), cujo crédito tributário versa sobre falta/insuficiência de recolhimento da COFINS, fato gerador 31/08/2004 e da Multa Regulamentar (fls. 99/110) decorrente da compensação indevida de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com Títulos da Dívida Pública, conforme explicitado no Termo de Constatação (fls. 99/101); [...]3. No Termo de Constatação (fls. 97/100), o autor do procedimento fiscal realiza a descrição dos fatos conforme a seguir: 3.1 Irregularidades apuradas: o contribuinte apresentou Declarações de Compensação transmitidas eletronicamente, buscando a utilização de crédito decorrente de Ação Judicial de espécie Reclamação Trabalhista identificada por JCJBV054/90, cujo crédito é descrito pelo contribuinte como “Acordo 1343/90 Prec. Requisitório Trabalhista Nr. 024/96” (DCOMP’s 14980.92991.061004.1357.7241 e 03107.24356.061004.1357.3726, controladas pelo processo nº 10880.720778/200628). A utilização de referidos créditos teve por finalidade a compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil; 3.2 As compensações pleiteadas foram consideradas ineficazes por decisões administrativas proferidas pela Delegacia da Receita de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SPO, em decisão que teve por ementa: COMPENSAÇÃO DE DÉBITO. SUPOSTO CRÉDITO OFERECIDO ORIUNDO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. CONSIDERADA INEFICAZ A COMPENSAÇÃO. É considerada ineficaz desde a origem a compensação em que o crédito oferecido seja de terceiros ou não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal . (...) [...]3.2 Intimado o contribuinte com procedimento de Diligência (que posteriormente originou procedimento de Revisão Interna de Declaração), o mesmo apresentou petição respondendo os quesitos solicitados, bem como esclarecendo: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.002341/200722 Resolução nº 3302000.345 S3C3T2 Fl. 274 4 [...]Em 06/10/2004, a administração da época da Fiscalizada efetuou a pretensa aquisição de direitos de terceiros declarados através do processo trabalhista nº JCBV – 054/90, movido pelo sindicato dos Professores em face do governo Federal. (...) Contudo, tendo em vista a natureza dos direitos pretensamente adquiridos, a fiscalizada considera que a compensação pleiteada não encontra amparo na legislação tributária vigente. 3.3 O contribuinte ainda informa que as compensações aqui tratadas teriam sido efetuadas sob a violação de seu estatuto. Todavia, informa na mesma petição que as compensações foram realizadas pelos “administradores da época”, pessoas incumbidas, portanto, de representar o contribuinte perante a Receita Federal e, portanto, com poderes para proceder a compensação aqui tratada; 3.4 Cabe ainda esclarecer que, não concordando com os procedimentos que foram adotados, as providências necessárias resultaram nas presentes compensações indevidas, poderia o contribuinte, através de seus órgãos de controle interno e auditoria, ou mediante simples consulta aos dados disponíveis na Receita Federal e passíveis de fornecimento ao contribuinte, ter adotado as devidas providências necessárias ao cancelamento das Dcomp’s através de transmissão de Per/Dcomp de cancelamento, o que não foi feito; 3.5 Sendo assim, reputamse infundadas as possíveis alegações de ilegitimidade das compensações indevidas tentadas pelo contribuinte. [...]3.6 Pelos elementos expostos, e tratandose de crédito derivado de Reclamação Trabalhista de terceiros (JCBV – 054/90), constatase que o crédito pleiteado pelo contribuinte é de natureza não tributária, conforme tipificado no art. 18 caput § 2º, da Lei nº 10.833, de 2003 (texto original) para as DCOMP’S entregues até 29/12/2004, sendo aplicável multa isolada à alíquota de 75% sobre o montante indevidamente compensado; 3.7 Ainda, hoje, com o texto legal da Lei nº 10.833, de 2003 alterado pela Lei nº 11.196, de 2005 e pela Lei nº 11.488, de 2007, permanece o cabimento de aplicação de multa isolada para o caso sob análise, tendo em vista tratarse de compensação através da utilização de créditos que não se referem a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, bem como de créditos de terceiros (art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, Lei nº 11.196, de 2005 e a Lei nº 11.488, de 2007; 3.8 A base de cálculo para a multa isolada é o valor correspondente às diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, entendia como o valor do débito indevidamente compensado, nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com entendimento expressamente esclarecido pelo art. 30, § 1º, da IN SRF nº 460, de 2004 e pelo § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003 (com redação dada pelas Leis nº 11.051, de 2004 e 11.196, de 2005). Este valor foi apurado a partir das DCOMP’s indevidas, conforme abaixo transcrito, sendo a multa aplicável no percentual de 75%. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.002341/200722 Resolução nº 3302000.345 S3C3T2 Fl. 275 5 A DRJ, com base no que foi alegado pela Interessada na impugnação, manteve parcialmente o lançamento da Cofins do período de agosto de 2004 e manteve a multa de ofício isolada. No recurso, a Interessada esclareceu, inicialmente, que, após a alocação dos pagamentos ordenada pelo acórdão de primeira instância, não restou valor a ser cobrado em relação ao item I da autuação. No tocante à multa de ofício isolada, alegou que não teria ocorrido a situação ensejadora de sua aplicação. Afirmou ter a Fiscalização apurado que os débitos compensados também seriam indevidos, reafirmando que a transmissão das declarações teria ocorrido por engano e que, assim, não teria havido compensação irregular. Na sequência, tratou da tipicidade cerrada, concluindo não ser exigível a multa no caso dos autos. VOTO VENCEDOR Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Redatora Designada Pedi vista destes autos para melhor analisar a matéria fática nele discutida. Em síntese, tratase de duas Declarações de Compensação, sendo que a discussão referese à multa incidente sobre a compensação indevida e a base utilizada para o cálculo desta multa foi todo o valor compensado. Ocorre que o contribuinte alega que pagou todo o tributo que devia, a saber: “3726” – débito de R$ 193.845,00 – neste caso a Recorrente diz que o valor já estaria pago via DARF, mas mesmo assim teria sido compensado depois, como se estivesse em aberto. “7241” – R$ 3.667.350,40 (destes R$ 3.114.567,37 a Recorrente também alega que já teriam sido pagos) sobrando R$ 552.783,03 + 75% de multa. A meu sentir a alegação de pagamento altera o deslinde da questão, uma vez que o pagamento consiste em uma das formas de extinção do crédito tributário. Registra o contribuinte que esta informação (pagamento) não está neste processo, mas consta de processo específico que controla a compensação, o qual não está sob nossa análise. Em virtude deste fato, voto por converter o presente julgamento em diligência para requerer à autoridade administrativa competente que traga aos autos as principais peças do mencionado processo administrativo (10880.720778/200628). Requerse, ainda, que o contribuinte seja intimado a trazer aos autos a comprovação dos pagamentos alegados (ou as informações suficientes acerca destes pagamentos), no prazo de 30 dias Anexados os documentos deverá a autoridade administrativa avaliar os mesmos e concluir se houve o pagamento alegado, bem como se estes foram realizados antes do auto de infração. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.002341/200722 Resolução nº 3302000.345 S3C3T2 Fl. 276 6 Após, o contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência, sendo lhe concedido prazo de 30 dias para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 17/07/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 24/07/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10830.001934/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO.
O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial no 1.127.877-SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543-C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62-A do Regimento Interno do referido Conselho.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ JULGADO SEGUNDO A SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. ENTENDIMENTO QUE VINCULA O CARF POR FORÇA DE SEU REGIMENTO INTERNO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial no 1.127.877SP, proferido segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, entendeu que a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, em sintonia com as Súmulas 68 e 94 da citada Corte. Tal entendimento deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, por força do disposto no caput do artigo 62A do Regimento Interno do referido Conselho. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 34 /2 00 8- 13 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 7ª Turma da DRJ Campinas (fls. 58/68), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório de fls. 27/33, não tendo sido reconhecido, consequentemente, o pleiteado direito a creditamento da COFINS em vista de em sua base de cálculo haver sido incluído o valor correspondente ao ICMS, o que, segundo a interessada, seria indevido. O total do direito creditório alegado corresponde a R$ 137.646,29 (ver fls. 02 e 15 do processo eletrônico). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Tratase de Pedido de Restituição, formulado por Contribuinte que é fabricante de produtos de metal (metalúrgica), apresentado em 03/03/08 e relativo ao recolhimento de COFINS do período de janeiro de 1998 a dezembro de 2006, em cuja base de cálculo foi incluído o ICMS. Acompanha o Pedido de Restituição (fl. 2) as “Razões do Pedido” (fls. 15/25), com a qual o Contribuinte, de início, menciona o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.7852 — MG. Transcreve o voto do Relator, Ministro Marco Aurélio, que concluiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para a COFINS. Ressalva que, pela aplicação do que dispõe o artigo 110 do Código Tributário nacional (CTN), não pode ser dado outro entendimento ao conceito de faturamento, que não seja o de que “... este corresponde aos valores decorrentes do próprio negócio jurídico, ou seja, daqueles percebidos com a operação mercantil ou similar (venda de mercadorias ou com a prestação dos serviços)”. Defende, também, a tese, como o ICMS “... é um tributo e, como tal, não integra o patrimônio do contribuinte, portanto, não constitui uma receita deste”. Segue a argumentação declarando: “Em verdade, constitui uma receita do Estado e despesa do contribuinte. Nas palavras do Ministro Marco Aurélio: ‘Se alguém fatura ICMS, esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria’”. Além do mais, assim procedendo, o Fisco estaria deixando de observar o princípio da capacidade contributiva (artigo 145 da Constituição Federal – CF), na medida em que “... Estarseia tributando uma riqueza que não pertence ao contribuinte!” Indeferimento do Pedido O Pedido de Restituição foi indeferido (fls. 27/33) pela competente Delegacia da Receita Federal do Brasil (RFB), ressalvando, de início, quanto ao processo sob julgamento do STF e mencionado pelo Contribuinte, que não foi ainda nem mesmo concluído. Mas ainda que tivesse sido não poderia, dada a sua natureza e as disposições legais pertinentes, ter seus efeitos automaticamente estendidos ao Contribuinte: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.001934/200813 Acórdão n.º 3802001.617 S3TE02 Fl. 99 3 .... temos que observar que se trata de controle de constitucionalidade por via de exceção ou defesa (também conhecido por controle difuso ou aberto), o que traz conseqüências próprias, diferentes daquelas advindas do controle concentrado ou via de ação direta (ação declaratória de constitucionalidade e ação direta de inconstitucionalidade). A principal é que os efeitos dessa decisão valerão apenas para as partes do processo (efeitos inter pars), não beneficiando nem prejudicando terceiros, como estatui o art. 472 do Código de Processo Civil (CPC). Ressalva, ainda, outro aspecto, quanto à eficácia de eventual decisão, caso esta venha a ser aplicável a todos os demais casos pertinentes: ... seus efeitos, apesar de, nesta hipótese1, passar a atingir todos os demais sujeitos passivos da Cofins (a decisão passará a ter efeitos erga omnes), poderão ser sentidos não retroativamente, mas somente a partir do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade ou de outro momento que venha a ser fixado, conforme estabelece o art. 27 da Lei n° 9.868, de 10 de novembro de 1999 (efeitos ex nunc). Quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, destaca a aplicabilidade da legislação invocada pelo próprio Contribuinte, legislação esta que, aliás, não prevê a possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. Recorre também à jurisprudência para demonstrar a viabilidade legal da inclusão do ICMS na base de cálculo: Como se pode ver com clareza, é pacifico o entendimento nas jurisprudências administrativa e judicial (algumas decisões são, inclusive, posteriores ao inicio do julgamento do RE no 240.7852/MG) de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins. A tal ponto que o próprio STJ, guardião maior das leis federais, sumulou tal entendimento: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS." Súmula 68. "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial." Súmula 94. Ressalva, em seguida, as disposições do artigo 166 do CTN, para concluir que, integrando o tributo o preço cobrado do adquirente, este teria efetivamente suportado o ônus tributário, que lhe repassou o Contribuinte, ora Requerente. Faltarlheia, pois, legitimidade para o pedido formulado. Finalmente, quanto ao prazo para o Contribuinte pleitear a restituição, ressalva as disposições dos artigos 165 e 168 do CTN. Ao que acrescenta as disposições do Ato Declaratório SRF 96/992, segundo a qual: "I o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)." 1 No caso de Resolução do Senado Federal. 2 Norma esta que está de acordo com o Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Considerando, assim, tais disposições e, ainda, o que a respeito dispõe a Lei Complementar 118/05, no seu artigo terceiro, conclui que não poderiam ser incluídos no pedido os pagamentos eventualmente feitos indevidamente (ou a maior), até 03/03/03. Sob tais fundamentos, o Pedido de Restituição foi indeferido. Fundamentos da Manifestação de Inconformidade O Contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 38/55), reiterando que o ICMS não integraria a base de cálculo da contribuição para a COFINS, repetindo basicamente os argumentos das suas “Razões do Pedido” (fls. 15/25). Reportase novamente ao Recurso Extraordinário 240.7852, em trâmite pelo STF. Ressalva que o artigo 110 do CTN impediria a alteração de conceitos “previamente estabelecidos pelo Direito Privado”. Pugna pela possibilidade do reconhecimento pela instância administrativa da inconstitucionalidade de normas legais. Defende que o conceito de “faturamento” não pode abarcar o ICMS, pois “... não constitui uma receita do contribuinte”, não integrando, pois, seu patrimônio, configurando, sua inclusão, inobservância do princípio constitucional da “capacidade contributiva”, pois “Estarseia tributando uma riqueza que não pertence ao Contribuinte!”. Opõese, também, à tese de que seu pleito encontraria óbice nas disposições do artigo 166 do CTN, pois: A nãocumulatividade do PIS e da COFINS, ao contrário daquela aplicável ao ICMS e ao IPI, não transforma referidos tributos em indiretos, os quais repercutem diretamente no consumidor final. Isto, pois, conforme entendimento do STF nos RE's 205.3557/DF, 230.337 4/RN e 233.8074/RN, a incidência do PIS e COFINS não é afastada pela imunidade do art. 155, § 3°, da CF, visto que seu fato gerador não são as operações com mercadorias, mas a totalidade das receitas delas decorrentes. Ademais, o PIS e a COFINS, cumulativos ou não cumulativos, não vem destacados nas notas fiscais de produtos e serviços tal como o ICMS e o IPI, o que impede a prova do não repasse exigido pelo art. 166 do CTN. Finalmente, quanto à “Decadência do direito de repetição do indébito tributário ...”, sustenta a prevalência do entendimento jurisprudencial no sentido de que, para os tributos sujeitos ao regime da homologação, a contagem do prazo, darseia a partir da data da homologação (tácita ou expressa) e não da data do recolhimento. E, mais, que nem mesmo a Lei Complementar 118/05 poderia ter alterado retroativamente esta proposição. Não haveria, assim, período que tivesse sido atingido pela perda do direito de pleitear a restituição. Reitera pedido de deferimento da restituição. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, que indeferiu o pleito em acórdão assim amentado: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.001934/200813 Acórdão n.º 3802001.617 S3TE02 Fl. 100 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2006 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A COFINS. PRAZO PRESCRICIONAL Ora, consta que o Contribuinte ingressou com seu pedido em 03/03/08, encontrandose, portanto, não apenas submetido à regra do artigo 168 do CTN, mas também sob a égide da Lei Complementar 118/05. Ocorrência de prescrição. JUÍZOS DE LEGALIDADE CONSTITUCIONALIDADE COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA Não há previsão legal que exclua o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/COFINS. É expressamente vedado à Autoridade Administrativa afastar, sob pretexto de inconstitucionalidade, a legislação que define a base de cálculo das contribuições. EXISTÊNCIA DE PROCESSOS JUDICIAIS PENDENTES DE DECISÃO A existência de processos judiciais pendentes de decisão final e definitiva, dos quais, aliás, o Contribuinte nem mesmo é parte, não legitimam o deferimento do Pedido, por falta de cumprimento dos requisitos legais pertinentes. RECEITA BRUTA ICMS Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias. É insofismável que o ICMS compõe o preço da mercadoria, configurando um dos elementos da receita bruta de vendas (é "calculado por dentro", isto é, representa ele mesmo um dos componentes de sua própria base de cálculo). CRÉDITO RESTITUÍVEL PROVA Cabe ao Requerente o ônus de demonstrar inequivocamente a efetiva existência do direito pleiteado, pois o ônus da prova compete a quem o alega, ou, neste caso, a quem pleiteia a restituição. Cientificada da referida decisão em 25/04/2012 (vide AR de fls. 72), a interessada, em 25/05/2012 (fls. 75), apresentou o recurso voluntário de fls. 75/95, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, tendo acrescentado apenas em relação à aduzida decadência do direito, o seguinte: a) que o STF, no julgamento do REsp 644.736, declarou inconstitucional o artigo 4o da Lei Complementar no 118 de 2005, na parte em que determina a aplicação retroativa do artigo 3o, “já que este não possui natureza interpretativa, mas sim modificativa e não poderia se enquadrar nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional [...]”; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 b) assim, o STF entendeu “[...] que o art. 3o da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo sobre situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência não podendo alcançar fatos passados”; c) desta feita, “para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para se pleitear a restituição dos valores indevidamente recolhidos continua sendo de 5 anos a contar da homologação do lançamento, que, não sendo expressa, ocorre 10 anos após a ocorrência do fato gerador”; d) assim, entende a suplicante pela legitimidade do direito relativamente a todo o período pleiteado, já que “todos os fatos geradores correspondentes aos recolhimentos indevidos cuja restituição foi pleiteada (01/01/1998 a 31/12/2006) ocorreram, em sua maioria, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, e, para estes, o prazo a ser observado deve ser, pois, de 10 (dez) anos a contar de suas ocorrências”; ademais, “para aqueles ocorridos a partir de junho/2005 a dezembro/2006 foi observado o prazo de 5 anos a contar do fato gerador”. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente deferimento de seu pedido de ressarcimento, corrigido pela taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do alegado direito à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS Conforme asseverado tanto no recurso como na decisão recorrida, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS é objeto ao menos de dois processos judiciais sob a responsabilidade do STF, no caso, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18 e o Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG. Nenhuma das duas ações foi ainda julgada até a presente data. Relativamente à ADC no 18 (proposta pelo Presidente da República), o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.001934/200813 Acórdão n.º 3802001.617 S3TE02 Fl. 101 7 Quanto ao RE nº 240.7852 MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A3 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. A suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria, determinada pelo STF, motivou fosse também sustado, pelo STJ, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP, recurso o qual fora recebido na origem segundo a sistemática do artigo 543C do CPC, conforme despacho proferido pelo Sr. relator, Min. Teori Zavascki, em 03/11/2009. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, o STJ proferiu decisão monocrática e definitiva no aludido REsp no 1.127.877SP (transitada em julgado em 20/06/2012), entendimento o qual deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, abaixo transcrito: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, não há como reconhecer direito creditório favoravelmente à recorrente, já que o STJ, no âmbito do REsp no 1.127.877SP, entendeu que o ICMS integra sim a base de cálculo da COFINS, conforme ementa do voto acima referenciado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg 3 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Portanto, não existe direito de creditamento favoravelmente à reclamante. Da prescrição parcial Subsidiariamente, e no intuito de deixar registrado o entendimento sobre a questão da prescrição acaso a matéria suba para a Câmara Superior de Recursos Fiscais e, eventualmente, seja dado entendimento diverso do que foi acima proferido, importa destacar que referido direito, ainda que existente, estaria parcialmente prescrito. Com relação à contagem do prazo para se requerer a repetição do indébito, o Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS – o qual substituiu o RE nº 561.908 como paradigma na repercussão geral –, assentou ser inconstitucional o artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) tãosomente para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Referido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR NO 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra Fl. 105DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.001934/200813 Acórdão n.º 3802001.617 S3TE02 Fl. 102 9 de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Assim, segundo o acórdão do STF, o “novo prazo de 5 anos” deverá ser adotado unicamente para os processos formalizados depois de 9 de junho de 2005, como no caso presente, em que o pedido de restituição da interessada só foi formalizado em 03/03/2008 (ver fls. 01). E a adoção do entendimento determinado pela LC 118/05 demonstra já estar prescrito parte do direito postulatório inerente aos alegados créditos aos quais se refere a interessada. Com efeito, prescreve o artigo 168 do CTN que o direito de pleitear a restituição decorrente, dentre outras hipóteses, do pagamento indevido ou a maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN, conforme artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, abaixo reproduzido: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. No caso concreto, ainda que fosse admitida a existência de direito a amparar o pedido da interessada, e já que o pedido de restituição foi formalizado em 03/03/2008, somente poderia ser reconhecido direito creditório relativamente aos pagamentos ocorridos a partir de 03/03/2003, estando prescritos todos aqueles efetivados anteriormente à data referida. Isso, repito, acaso houvesse direito a socorrer o pleito da reclamante, o que não restou consignado, conforme demonstrado. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 28 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 18471.001321/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO IMPOSTO. APLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62-A DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1301-001.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em: NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DO IMPOSTO. APLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em: NEGAR provimento ao Recurso de Ofício e DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 13 21 /2 00 8- 14 Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, e de Recurso de Ofício, ambos manuseados contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Trata o presente processo dos autos de infração (fls. 489/544), lavrados em 27/06/2008, para formalização e exigência de crédito tributário relacionado ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 1.595.686,21 (fls. 489/506); a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no valor de R$ 112.356,52 (fls. 507/516); Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no valor de 190.623,08 (fls. 517/530) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 522.136,01 (fls. 531/544), todos acrescidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 30/05/2008. Segundo atestou a Fiscalização o procedimento fiscal iniciouse em 14/02/2008 (fl.182), sendo o contribuinte intimado a apresentar os livros Diário e Razão, os balancetes mensais, documentos utilizados na contabilização e extratos bancários, relatandose que na sequência da auditoria o contribuinte foi intimado em 11/04/2008 a apresentar o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e a documentação comprobatória dos valores lançados a débito da conta 112.6.001.005 Ingressos Adiantamento de Clientes Reembolso de Despesas (fl. 183). Mediante a intimação 002 (fl. 184), o contribuinte foi intimado, em 02/06/2008, a apresentar documentação comprobatória dos valores lançados a crédito da conta 213.05.001 Adiantamento de Clientes, sendo que em resposta o contribuinte apresentou a correspondência (fls. 185/187), prestando as informações a seguir resumidas: desde a sua constituição exerce a atividade econômica de agência de viagens e turismo receptivo internacional, estando habilitada sob registro na Embratur de n° 20.806.00.419; presta serviços de recepção/transferência e assistência especializadas e personalizadas, exclusivamente, a grupos de turistas vindos do exterior, bem como a organização da viagem ou excursão, mediante o planejamento e elaboração de programas, roteiros e itinerários turísticos, a execução direta e/ou subcontratação de empresas prestadoras de serviços turísticos nos principais atrativos turísticos localizados no Brasil, transportadoras e de hospedagem; Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.001321/200814 Acórdão n.º 1301001.252 S1C3T1 Fl. 3 3 a fim de viabilizar a execução dos serviços de turismo receptivo necessita receber adiantamentos dos numerários necessários para realizar as despesas atinentes à sua atividade; considerando a dinâmica do setor, de modo similar às demais empresas deste segmento, não dispõe de controles físicos que lhe permitam identificar a origem dos créditos que lhe fazem os inúmeros operadores, agências e grupos de turistas que se valem dos seus serviços, especialmente por se tratarem de operações com estrangeiros no Brasil; o recebimento dos adiantamentos efetuados é contabilizado em conta própria do passivo e baixadas, após realizadas, levandose a tributação a sua remuneração que se limita ao comissionamento pela organização ou intermediação de serviços turísticos; os valores efetivamente adiantados foram devidamente lançados e registrados na escrituração e contabilizados em conta própria, cujas despesas diretamente relacionadas e realizadas são facilmente comprovadas, além das respectivas notas fiscais referentes ao comissionamento dos serviços ou intermediação pelos serviços turísticos organizados pela Isata Turismo, nos termos da legislação. A fiscalização, com base na resposta do contribuinte, em 19/06/2008, elaborou o Termo de Verificação e Intimação 003 (fls. 188/190), com as seguintes considerações: a própria empresa reconhece não possuir controles físicos que permitam identificar a origem dos créditos; o item 2 do Termo de Intimação 002 (fl. 184) não foi atendido, por não ter sido esclarecido a forma de recebimento do valores creditados na conta 213.05.001 Adiantamento de Clientes, recebidos de pessoas físicas e que se encontram discriminados nas planilhas de fls. 191/195; através de pesquisas nos sistemas internos da SRF foi constatado que nenhuma das pessoas físicas indicadas nos recibos constam nos cadastros da SRF, havendo o contribuinte esclarecido verbalmente que tal se devia ao fato de serem estrangeiros. A contribuinte foi novamente intimada (fl. 189), para no prazo de 05 (cinco) dias comprovar a origem desses recursos que ingressaram em conta bancária de sua titularidade, sendo que em 27/06/2008 a Fiscalização lavrou o auto de infração de IRPJ e tributos reflexos, por omissão de receitas, caracterizada por depósitos/créditos bancários efetuados em conta bancária do contribuinte que mesmo após regularmente intimado não conseguiu comprovar a origem dos mesmos, com fundamento no artigo 42 da Lei 9.430/1996. Como parte integrante do auto de infração foi elaborado o Quadro Demonstrativo 01 demonstrativo dos depósitos/créditos cuja origem não foi comprovada (fls. 196/202), juntamente com os extratos bancários correspondentes (fls. 203/481). A omissão de receitas repercutiu no resultado apurado pelo contribuinte, de sorte que por força da reversão de prejuízos, foram glosados valores indevidamente compensados na base de cálculo do IRPJ e da CSLL e lançados os tributos devidos. Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Cientificada das imputações fiscais, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 563/587), alegando resumidamente: como a ciência do lançamento se deu em 30/06/2008, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos no primeiro semestre de 2003 já se encontrava extinto, nos termos do artigo 150, parágrafo 4º do CTN, devendo ser excluídos da autuação; a decadência implicará na alteração dos valores exigidos no item 2 da autuação (glosa de prejuízos compensados indevidamentesaldo de prejuízos insuficientes) e constantes dos demonstrativos da compensação de base negativa (fls. 539/544) e de prejuízos fiscais (fls. 500/506), relativamente aos fatos geradores fulminados pela caducidade. o lançamento tributário só é válido se demonstrada, com absoluta certeza, a ocorrência do fato gerador, pois a exação baseada em dúvidas ou mera possibilidade (presunção) ofende o princípio da legalidade; a vinculação do lançamento aos estritos termos da lei faz com que impere no Direito Tributário a busca pela verdade material, em detrimento da verdade formal; a fiscalização questionou os valores registrados pela empresa na conta de adiantamento de clientes, sendo esclarecida que se tratavam de adiantamentos de numerários depositados no Brasil, por grupo de turistas estrangeiros não residentes, em suas contas bancárias para o pagamento das despesas da contratação dos programas e pacotes fechados, hospedagem e prestadores de serviços turísticos; com base nos elementos contábeis e financeiros entregues pela empresa, a autoridade fiscal passou a questionar a forma do recebimento; tal questionamento é descabido, pois os extratos bancários e o livro Razão identificam claramente os clientes turistas estrangeiros, valores e a forma dos depósitos; uma vez realizada a obrigação pelos clientes, os serviços turísticos combinados estavam contratados, não cabendo mais qualquer indagação à empresa; sem maior aprofundamento na escrita contábil da empresa e sem exigir qualquer comprovante das despesas realizadas (sequer glosadas), ou seja, sem apurar a verdade material do fato gerador, absurdamente a autoridade fiscal entendeu haver omissão de receitas em razão de os depositantes (não residentes) não possuírem identificação na Receita Federal (CPF), o que não pode servir de base para a constituição de crédito tributário, por ofender a ordem legal; a fiscalização extrapolou o direito de cobrar, pois a lei não permite formalizar a exigência de tributação baseada em mera presunção de omissão de receitas, sem a comprovação do fato gerador e considerando como base de cálculo valores devidamente contabilizados a crédito de conta representativa de adiantamento de clientes, em depósitos bancários devidamente identificados e sem qualquer intenção de fraude; que entregou todos os elementos exigidos e prestou, por escrito e verbalmente, os esclarecimentos à Autoridade Fiscal que sequer lhe entregou protocolo, conforme art. 35 da Lei. 9340/96; nos termos do artigo 226 do Código Civil e do artigo 923 do RIR/1999, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.001321/200814 Acórdão n.º 1301001.252 S1C3T1 Fl. 4 5 dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais; não se pode admitir, sob pena de violar direitos e garantias fundamentais consagrados em sede constitucional, uma inversão do ônus da prova para impor ao contribuinte a prova da não ocorrência do fato típico tributário, por tratarse de prova negativa; em se tratando de matéria tributária incumbe ao Fisco provar o fato constitutivo do seu direito, nos termos do artigo 333 do CPC e do artigo 924 do RIR/1999; os depósitos bancários, por si só, não podem servir de base à presunção legal relativa de omissão receitas, havendo necessidade de prova evidente por parte do fisco de auferimento de renda ou de consumo incompatíveis com os rendimentos (ou receitas) declarados; a fiscalização poderia, com base no art. 194 do CTN intimar terceiros beneficiários dos pagamentos contabilizados e assim constatar a existência das despesas ou omissão de receitas, todavia assim não procedeu; no direito tributário brasileiro, ainda prevalece a presunção de inocência do contribuinte, consoante art. 112, do CTN, que traz o princípio consagrado in dúbio pró contribuinte e afasta o in dúbio pró fisco; considerando os princípios da legalidade e da verdade real, diante da inexistência de prova da suposta irregularidade praticada pela empresa o lançamento deve ser considerado totalmente improcedente. os valores tidos como receitas omitidas não são rendimentos e jamais ingressaram no patrimônio da empresa, pois, na verdade, referemse a adiantamentos das despesas da contratação dos programas e serviços turísticos, depositados por clientes turistas estrangeiros não residentes; caso prevaleça o lançamento o Fisco estará asfixiando a empresa, inviabilizandolhe, a continuidade de sua atividade econômica e da sua função social, praticando verdadeiro confisco, ofendendo princípios constitucionais; o lançamento absurdamente ultrapassa a capacidade contributiva suportável da autuada, e, se mantido, resultará na privação total do seu patrimônio, com nítido efeito confiscatório obstado pela Constituição; no que tange a este tópico destaca que: a) ao contrário do que consta no item 001 do auto de infração, todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados, tanto que foi possível identificálos, como afirma à própria autoridade autuante nos itens 1 e 2 do termo de verificação e intimação 3 (fls. 188/190); b) a empresa atendeu a todas às solicitações da fiscalização, inclusive, disponibilizando os extratos bancários, livros Diários e Razão, documentos e comprovantes; Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 c) o não agravamento da multa de lançamento de ofício demonstra, a toda evidência, que a autoridade autuante não constatou qualquer propósito da ocorrência de dolo, da fraude ou da simulação; d) mantém escrituração devidamente regular, com observância dos requisitos legais e dos princípios fundamentais contábeis aplicáveis, valendo dizer que a fiscalização não procedeu à desclassificação da sua escrita contábil e fiscal. o lançamento fundase em total equívoco, pois os numerários que transitaram nas contas da empresa jamais podem ser considerados como receitas por ela auferidas, porque compreendem adiantamento de quantias repassadas a terceiros, o que viola os arts. 42 da Lei n° 9.430 e 287 do RIR/99; os valores que transitaram em conta bancária da empresa referemse a adiantamentos de numerários feitos no Brasil por grupos de turistas estrangeiros não residentes, sob duas modalidades: a) valores adiantados para custear despesas de curto prazo da contratação dos programas e pacotes, hospedagem e prestadores de serviços turísticos; b) pagamento antecipado de comissionamento pela organização e/ou intermediação dos serviços turísticos receptivos. os montantes recebidos dos turistas estrangeiros em caráter de adiantamento são registrados contabilmente em conta separada do passivo circulante até que sejam realizadas as despesas correspondentes, lançadas a débito na conta banco e, em contra partida, creditadas na conta de adiantamento de clientes, procedimento que encontra respaldo na Norma Brasileira de Contabilidade NBCT 10.6, aprovada pela Resolução CFC n° 956/05; o recebimento da comissão é registrado contabilmente e levado a resultado, sendo certo que a comissão incidiu em percentual, médio de 12% (doze por cento), consoante art. 20 do Decreto n° 84.934/80, que transcreve; a autoridade autuante não analisou adequadamente a documentação contábil e financeira que lhe foi entregue e não esgotou as diligências necessárias que lhe competia investigar sobre as origens dos depósitos bancários; os valores de clientes que legalmente transitaram na conta da empresa não podem ser considerados receitas, mas apenas adiantamentos de despesas destinadas aos pagamentos de terceiros, e sequer trouxeram qualquer acréscimo patrimonial, não configurando a hipótese de incidência do imposto de renda, prevista no art. 43 do CTN; autuação fiscal também não se sustenta quanto à alegação de que os depositantes não constarem no cadastro da Receita Federal (CPF), porquanto, no caso, se tratavam de turistas estrangeiros, em trânsito no País, não existindo no ordenamento jurídico tributário brasileiro a obrigatoriedade de pessoa física estrangeira, não residente, em trânsito no Brasil, inscreverse no cadastro de pessoas físicas (CPF); o legislador em nenhum momento condicionou o ingresso de estrangeiro no País à prévia inscrição no cadastro da Receita Federal, razão pela qual o entendimento fiscal é indevido; os depósitos bancários foram devidamente contabilizados em conta transitória, vinculada especificamente ao pagamento das despesas operacionais, sendo assim Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.001321/200814 Acórdão n.º 1301001.252 S1C3T1 Fl. 5 7 forçoso concluir que esses valores sequer podem ser considerados receitas decorrentes de vendas de serviços e, por isso, não podem compor a matéria tributável ao lançamento, devendo ser cancelado integralmente o lançamento. que mantém escrituração em registro permanente, com observância dos preceitos da legislação empresarial e dos Princípios Fundamentais de Contabilidade; violando todas as regras aplicáveis à tributação com base no lucro real, a autoridade autuante simplesmente ignorou as despesas operacionais efetivamente realizadas pela empresa, sem qualquer consideração a respeito da efetividade das receitas e dedutibilidade de despesas; a legislação vigente não autoriza à Fazenda arbitrar o lucro tributável quando a autuada mantém escrituração regular na forma das leis comerciais e fiscais; do mesmo modo, inadmissível é o procedimento do Fisco no caso em exame, quando são consideradas apenas a suposta receita omitida; o Regulamento do Imposto de Renda, nos arts. 519 e 528, estipula, em relação às prestadoras de serviços, que, verificada a omissão de receita, o suposto montante omitido corresponda a 32% da receita omitida; as compensações de prejuízos fiscais realizadas pela autoridade autuante estão incorretas, porquanto, nos exatos termos do art. 509, do RIR/99, o LALUR da empresa demonstra claramente o prejuízo compensável nos seguintes anoscalendário e valores: 2003 R$ 873.968,70; 2004 R$ 809.467,95 e 2005 R$ 815.014,52; estando regular sua escrita contábil e incorreta a forma de tributação da suposta omissão entendida pela autoridade autuante, espera seja o auto de infração julgado insubsistente ou, caso assim não se entenda, sejam promovidas as exclusões demonstradas. requer exame pericial de sua escrituração fiscal e contábil, referente aos anoscalendários 2003 a 2005, de forma que fique constatada a inexistência de omissão de receitas; nomeia perita, identificada à fl. 587 e formula quesitos. A 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 606 a 628, julgou o lançamento parcialmente procedente, fundamentando de início a possibilidade de lançamento por omissão de receitas com base em depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Nesta ordem de ideias destacou a decisão recorrida que no caso em exame, os depósitos bancários foram individualizados na planilha anexa (fls. 191/195) ao Termo de Verificação e Intimação 003, de 19/06/2008, sendo o contribuinte claramente intimado a "comprovar a origem desses recursos que ingressaram em conta bancária de sua titularidade, que se encontram discriminados na planilha em anexo". Resta claro que todo o procedimento efetuado se deu assim em perfeita sintonia com o artigo 42 da Lei 9.430/1996 e, uma vez que a empresa foi intimada em 19/06/2008 a esclarecer a origem dos recurso depositados em contas bancárias de sua titularidade, restou configurado o fato autorizador da utilização da presunção de omissão de receitas, cabendo à empresa ilidir a autuação através da juntada de provas Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 8 necessárias à demonstração de que os valores depositados em conta bancária foram devidamente oferecidos à tributação. Mencionouse que a legislação atinente ao processo administrativo fiscal de exigência prevê que o defendente traga na impugnação os motivos de fato e de direito em que se fundamenta e atribui ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo e que o Termo de Intimação e Verificação 003 não atendido pela empresa, demonstra que a autuação foi efetuada em coerência com o artigo 42 da Lei 9.430/1996, sendo que a tese da empresa de que os extratos comprovam a origem e que tal demonstração estaria estampada nos próprios documentos, careceria de sustentação. A partir destas premissas cuidou a decisão recorrida de indeferir o pedido de perícia formulado pela contribuinte, porquanto este expediente não se presta a suprir deficiências na instrução da Impugnação. Quanto à aventada decadência entendeu a decisão recorrida que no caso concreto do lançamento de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e das contribuições lançadas, ausentes dolo, fraude e simulação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o art. 150, § 4º , do Código Tributário Nacional (CTN) e que em relação às contribuições, deve ser destacado que o Supremo Tribunal Federal, em 12 de junho de 2008, editou enunciado de Súmula vinculante n° 8, publicada no D.O.U. em 20 de junho de 2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, que previa que o direito de constituição do crédito tributário das contribuições para a seguridade social (CSLL, PIS, COFINS e INSS) extinguirseia somente após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Dito isso, asseverouse que a ciência dos valores lançados a título de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, se deu em 30/06/2008 (fls. 482, 508, 517 e 532), razão pela qual somente pode prosperar a cobrança de créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de 30/06/2003, porquanto em relação aos fatos geradores anteriores já havia decaído o direito do Fisco de exigir tais tributos, correspondentes ao primeiros trimestre de 2003, cujo fato gerador ocorreu em 31/03/2003. Atestou ainda que em relação ao IRPJ referente ao segundo trimestre de 2003, não houve decadência, já que o seu período de apuração encerrase em 30/06/2003, consoante artigo 220 do RIR/1999 assinalando que a CSLL, como segue o mesmo regime de apuração, também os valores lançados correspondentes ao segundo trimestre de 2003 não foram atingidos pela decadência. No mais afastouse a nulidade alegada, afirmando que houve a devida vazão no caso concreto ao princípio da verdade material, porquanto desde a lavratura do termo de início, em 14/02/2008, quando foram solicitados livros contábeis, balancetes, documentos e extratos bancários, o Fisco passou a investigar as contas 112.06.001.005 Ingressos Adiantamento de Clientes Reembolso de Despesas (fl. 183) e 213.005.001 Adiantamento de Clientes, sendo que em seguida, questionou a forma de recebimento dos valores indicados em tais contas e no processo investigatório verificou a existência de valores depositados em conta bancária do contribuinte, intimandoo a comprovar sua origem, nos exatos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 e o contribuinte pretenderia, contudo, justificar o depósito em conta bancária de sua titularidade com base nos registros contábeis e recibos, constantes nos anexos I a IX. Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.001321/200814 Acórdão n.º 1301001.252 S1C3T1 Fl. 6 9 Passou a decisão recorrida a cotejar alguns exemplos, para ver se tais documentos ilidiam a autuação, concluindo que a documentação apresentada não era suficiente para tal fim. Afastouse a alegação de confisco e considerouse, portanto, parcialmente procedente o lançamento. Relativamente ao reconhecimento da decadência parcial o feito foi submetido a Recurso de Ofício e a contribuinte, devidamente cientificada (fl. 680), apresentou Recurso Voluntário (fls. 686 696), aduzindo que, em relação à reconhecida decadência parcial, efetuou recolhimentos do IRPJ e CSLL no 1º trimestre de 2003, bem como do PIS e Cofíns dos fatos geradores de janeiro a maio de 2003, de sorte que ainda que se aplique o atual entendimento do STJ, o lançamento desses períodos continua alcançado pela decadência. Na sequência passou a arrazoar pela inocorrência de omissão de receitas e a consequente inaplicabilidade do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, alegando que fora reconhecido no próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 188190) que o Fisco não apurou uma única receita da empresa que não estivesse contabilizada e que não haveria prova nos autos de omissão de receitas, tampouco de qualquer ingresso não contabilizado, sendo que a presunção legal foi aplicada em virtude de o Fisco não ter aceitado os esclarecimentos da empresa quanto aos adiantamentos de clientes, cuja comprovação material alega ter sido produzida durante a auditoria exatamente com a apresentação dos extratos bancários utilizados. Argumentou ainda, que em nenhum momento a contribuinte recusouse a atender a Fiscalização e que não foi feita qualquer ressalva à escrita contábil da empresa, afirmando, destarte, que por estarem os adiantamentos de clientes e os depósitos bancários contabilizados tendo ainda receita operacional oferecida à tributação pelo condizente com os esses valores, não haveria falar em omissão de receitas. Alega que se os adiantamentos dos clientes, a quem a empresa prestou serviços (turismo receptivo) não correspondem às receitas contabilizadas, não haveria outra origem para suas receitas, reputando que a Fiscalização pretendeu forçar a aplicação da presunção legal, e neste expediente simplesmente ignorou o valor probante da escrita contábil da contribuinte e exigiu uma prova praticamente impossível de ser realizada quase cinco anos após as operações, qual seja, a perfeita identidade em data e valores dos adiantamentos de clientes com os depósitos bancários, exigência essa que não encontra amparo na lei ou não jurisprudência, sobretudo em situações como a versada nos autos, em que tudo, absolutamente tudo está contabilizado, e a dinâmica das atividades da contribuinte não permite a exigência de depósitos bancários/pagamentos individualizados por clientes finais, em sua maioria turistas do exterior. Teceu outro tantos argumentos, sempre tendentes a demonstrar que os valores por ela contabilizados, a título de adiantamento de clientes, inclusive, é superior aos depósitos bancários glosados pelo Fisco. No mais, insurgiuse contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e pugnou pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 10 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos genéricos de recorribilidade. O Recurso de Ofício, de igual modo, atende aos pressupostos regimentais. Admitoos para julgamento. Por versar parcial extinção do crédito tributário ante o reconhecimento do fato decadencial analiso primeiramente a matéria submetida a Recurso de Ofício. Com efeito, a decisão sob análise reconheceu que o crédito tributário relativo ao 1º trimestre do ano de 2006 estaria extinto à época da lavratura do auto de infração, arrimandose no que disposto no § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Cumpre registrar que as decisões administrativas, quer por coerência lógica, quer por disposição regimental, devem se conformar à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, de sorte que o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) dispõe em seu artigo 62A no Anexo II da Portaria MF nº 256/2009, a referida conformação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Introduzido pela Portaria MF nº 586/2010, publicada no DOU de 22/12/2010). Sendo assim, de rigor reconhecer que a matéria sob exame, a aplicabilidade do artigo 150, § 4º, ou do artigo 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543 C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sendo que o julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJ de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.001321/200814 Acórdão n.º 1301001.252 S1C3T1 Fl. 7 11 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 12 Temse assim, que o Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do artigo 173, I, do CTN, como regra geral, de sorte que esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. A própria contribuinte, em suas razões de Recurso Voluntário, atesta que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, manifestada em sede de julgamento fundamentado no artigo 543C, é de que aplicação do artigo 150, § 4º do CTN, reclama prova de pagamento. Com vistas a verificar a prevalência da decisão recorrida no ponto atinente à reconhecida decadência, considerado que se trata de tributo (IRPJ e seus reflexos) para o qual a lei claramente estipula o dever de antecipar a exação, verificar se há prova de pagamento tal como assevera a contribuinte. Cumprindo este propósito investigativo, verifico que a partir da folha 793 está encartado aos autos inequívoca prova de pagamento (DARF), para o período em questão, de sorte que subsiste a decisão recorrida, mesmo que à luz da atual Jurisprudência do STJ, razão pela qual, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Superada esta questão, remanesce para julgamento a verificada omissão de receita, apurada na sistemática do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, a apuração de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, a contribuinte não teria comprovado. No que toca especificadamente à possibilidade de aplicação da presunção legal de omissão de receitas, antes mesmo de enveredar pelos argumentos da contribuinte de que não haveria falar em omissão de receitas, é oportuno registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, que a decisão recorrida não aceitou as justificativas apresentadas pela recorrente, se o fez de maneira acertada é outra questão, o fato é que realizou a perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação e para a decisão recorrida, não foi a simples existência dos depósitos, o critério legal se deu com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Verificada a possibilidade abstrata da presunção legal, bem como considerado que a decisão recorrida não acatou os argumentos ditos justificadores pela contribuinte, remanesce para enfretamento em sede de Recurso o Voluntário o núcleo do inconformismo da contribuinte, que se dirige ao fato de ter escriturado todos os depósitos bancários, bem como ter declarado receita operacional condizente com os tais depósitos. Segundo a recorrente fora reconhecido no próprio Termo de Verificação Fiscal (fls. 188190) que não houve uma única receita da empresa que não estivesse Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 18471.001321/200814 Acórdão n.º 1301001.252 S1C3T1 Fl. 8 13 contabilizada, tampouco qualquer ingresso não contabilizado, sendo que a presunção legal foi aplicada em virtude de o Fisco não ter aceitado os esclarecimentos da empresa quanto aos adiantamentos de clientes, cuja comprovação material alega ter sido produzida durante a auditoria exatamente com a apresentação dos extratos bancários utilizados. Temse um panorama em que muito embora a recorrente tenha de fato escriturado os valores depositados a título de “adiantamento de clientes”, segundo a decisão recorrida não foi capaz de comprovar por documentação hábil e idônea sua origem, que como vimos, é matriz que desencadeia a aplicação da regra do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Quer me parecer que tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida, para além de dar vazão à presunção legal aventada acima, impuseram à contribuinte prova de feitura desnecessária. Digo isso ao considerar que a contribuinte apresentou sua escrituração, na qual os valores foram lançados a título de adiantamento de clientes e o valor das receitadas declaradas e tributadas superam o montante dos aludidos depósitos. Verifiquese por oportuno o que dispôs a zelosa Fiscalização no TVF de folhas 188 em diante: (...) 1) O contribuinte contabiliza os valores discriminados na planilha em anexo a título de adiantamento de clientes, ou seja, debita conta de banco e credita a conta 213.05.001 Adiantamento de Clientes Sinais recebidos. 2) Em 02/06/2008 foi lavrado o Termo de Intimação 002, onde foi solicitado a Documentação comprobatória dos valores lançados a crédito da conta 213.05.001 Adiantamento de Clientes, recebidos de pessoas físicas e que fosse informado a forma de recebimento dos valores em questão. 3) Em atendimento ao termo supracitado, o contribuinte em 10/06/2008, apresenta os documentos que embasam seus lançamentos (recibos) e uma carta resposta onde faz uma breve explanação sobre suas atividades, esclarecendo ainda que leva à tributação o comissionamento pela organização ou intermediação dos serviços turísticos. Ora, se a Fiscalização tivesse glosado o fato de a contribuinte levar à tributação apenas o comissionamento recebido pelos serviços de turismo – o que não o fez – a discussão se daria por outra vertente, ou, tivesse a Fiscalização reputado imprestável a contabilidade da empresa de igual modo outra discussão se travaria, mas tais procedimentos não foram sequer aventados, de sorte que não se pode negar que os depósitos foram regularmente contabilizados, mas levada à tributação apenas a parcela referente à comissão, não sendo o caso de se aventar de presunção legal. Sendo assim, entendo que a decisão recorrida esteja a merecer reforma, motivo pelo qual encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Por todo exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício e dou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 14 Sala das Sessões, em 10 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 15374.913229/2008-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da ciência do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 32 29 /2 00 8- 09 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório SÁ CONSTRUTORA E IMOBILIÁRIA SA transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 16813.86947.180804.1.3.046771, visando à extinção de débito(s) de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de PIS, no valor de R$ 9.641,25. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 781156591 indeferiu o pleito repetitório e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado explicou que o indébito originouse da falta de creditamento dos custos dos apartamentos construídos para venda, autorizado pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, mas não computados na apuração do pagamento do PIS do PA 01/02/2003 a 28/02/2003, conforme DARF, mas corretamente declarada no DACON e na DCTF retificada. A 5ª Turma da DRJ/RJ2 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 13040.274, de 8 de março de 2012, fls. 45 a 48, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 5ª Turma da DRJ/RJ2. O arrazoado de fls. 53 a 64, após protesto de tempestividade e resumo dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material. Discorre sobre o referido princípio, cita e transcreve ementas de julgados administrativos, tudo para amparar a juntada de novas provas na fase recursal do procedimento. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913229/200809 Acórdão n.º 3403002.292 S3C4T3 Fl. 358 3 Na continuação, repete a gênese do indébito, que diz ser referente aos custos vinculados à unidade imobiliária, construída ou em construção incorridos no período de apuração na proporção da receita relativa à venda da unidade imobiliária, àqueles decorrentes de energia elétrica e água consumida em seus estabelecimentos, bem como da mão de obra utilizada na confecção dos bens produzidos, consoante planilha de apuração proporcional de custos, elaborada a partir dos documentos que diz acostar à peça recursal: a) Cópia da nota fiscal da concessionária de energia elétrica; b) Cópia da nota fiscal da concessionária de fornecimento de água; c) Cópia Folha de pagamento do mês; d) Cópia de Notas Fiscais dos bens e serviços utilizados referentes à atividade da empresa, e; e) Cópia do Livro de Registro de Entradas de Materiais e Serviços de Terceiros – REMAS, autenticado pela Secretaria Municipal da Fazenda Município do Rio de Janeiro. Discorre sobre a não cumulatividade da contribuição social. Oferece cálculos. Entendendo estar cabalmente comprovado o direito creditório, requer que se julgue improcedente o despacho decisório da DERAT/RIO, homologando a compensação declarada, em homenagem ao princípio da verdade material que deve informar a atuação do Fisco. Subsidiariamente ao pedido acima, que se baixe o feito em diligência, a fim de que AFRFB autuante, que indeferiu a homologação, proceda à análise dos documentos apresentados no recurso voluntário, assim como permita o oferecimento de esclarecimentos e/documentos, com abertura em contraditório. Pugna, ainda, pela ulterior juntada de documentos, mormente aqueles que constituem início de prova ora apresentados em atenção ao princípio da verdade material. Por fim, solicita que o resultado do julgamento dessa impugnação seja pessoalmente comunicado ao patrono da causa, no endereço que transcreve. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 53 a 64 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ25ª Turma nº 13040.274, de 8 de março de 2012. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Mérito Compulsando os autos, constatei que a DCTF retificadora foi transmitida em 29/09/2008 (cf. fl. 16), antes da ciência do DDE nº 781156591, em 26/02/2009 (ciência editalícia, fls. 33 a 39). Nada obstante, a decisão recorrida manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação por falta de prova do indébito. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.913229/200809 Acórdão n.º 3403002.292 S3C4T3 Fl. 359 5 Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10640.000047/2008-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Julio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim
RELATÓRIO
Trata-se de lançamento vinculado resultado da mesma ação fiscal que motivou as razões expressas no requerimento de diligência do processo n° 10640.005532/2008-17.
Por economia processual procedo o relatório de forma sumária.
VOTO
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Julio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 00 04 7/ 20 08 -5 7 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento vinculado resultado da mesma ação fiscal que motivou as razões expressas no requerimento de diligência do processo n° 10640.005532/200817. Por economia processual procedo o relatório de forma sumária. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Reitero, na íntegra o que foi requerido no sobredito processo 10640.005532/200817. A autuação foi descrita em minucioso e bem elaborado Relatório Fiscal. Entretanto, por segurança processual e, ainda, para formar convicção para decisão, alguns aspectos necessitam esclarecimento. Cumpre ressaltar que a recorrente não logrando êxito em sede administrativa, na hipótese de as questões a seguir colacionadas restarem pertinentes, argüidas em sede judiciária reúnem possibilidade de prosperar ao tempo que eventualmente concorram para a imposição de ônus de sucumbência. Desse modo é conservador observar o que se segue. DA AUTUAÇÃO E DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR O auto de Infração de fls. 01, aponta como sujeito passivo obrigação tributária a filial representada pelo CNPJ 18.540.906/000830. A matriz da empresa tem CNPJ n° 18.540.906/0001 64. Consulta ao sítio da RFB registra que o CNPJ da filial data de 09/04/1999. Nos itens 3 e 3.1 do Relatório Fiscal às fls. 17, a Autoridade autuante justifica a razão do sobredito procedimento: “ 3 A sede da empresa foi transferida para o Rio de Janeiro passando a utilizar o CNPJ 18.540.906/000164, a partir de 09/04/1999. O estabelecimento existente em Matias Barbosa transformouse em filial com CNPJ 18.540.906/000830, conforme Ata da Quinta Assembléia Geral Extraordinária arquivada na JUCEMG sob n° 1747615, de 09/04/1999. 3.1 O procedimento fiscal foi programado para se desenvolver no estabelecimento situado no Empresarial Park Sul 1 Rodovia BR 040 Matias Barbosa CNPJ 18.540.906/000830, em razão de a centralização da estrutura administrativa de pessoal e contábil da empresa estar localizada no endereço mencionado.” Na forma do art. 745. da Instrução Normativa MPS/S|RP nº 3, de 14 de julho de 2005 vigente à época da ação fiscal, “ o estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à AuditoriaFiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22.” Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 5 4 O Termo de Inicio da Ação Fiscal – TIAF de fls. 20 procedeu a intimação à filial. Aduz que o referido documento registra respaldo nos termos do Mandado de Procedimento Fiscal MPF : 0610400.2008.00005 emitido pela chefia da Autoridade autuante para o CNPJ da filial, que apenas cumpriu a determinação de iniciar a ação fiscal naquele definida circunstância. Reiterese que a competência atribuída à SRP para fazer de ofício a alteração, estabelece cumprir o disposto no § 2º do art. 22, verbis: “ Art. 22. As alterações cadastrais serão efetuadas em qualquer UARP ou pela Internet, conforme o caso, exceto as abaixo relacionadas, que serão efetuadas na UARP da circunscrição do estabelecimento centralizador: I de início de atividade; II de responsáveis; III de definição de novo estabelecimento centralizador; IV de mudança de endereço para outra circunscrição. § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, das alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente, considerandose quanto aos efeitos de vigência das alterações, o disposto no §1º do art. 21. (Nova redação dada pela IN MPS/SRP nº 23, de 30/04/2007) Redação original: § 1º Para quaisquer das alterações previstas no caput, será necessária a apresentação do contrato social, alterações contratuais ou da ata de assembléia, registrados no órgão competente. § 2º Para alteração do estabelecimento centralizador, prevista no inciso III do caput, deverá o sujeito passivo apresentar requerimento específico de alteração de estabelecimento centralizador contendo as justificativas e a indicação do número do novo CNPJ ou CEI centralizador. § 3º Para efeito do disposto no inciso III do caput, a SRP recusará o estabelecimento eleito como centralizador quando constatar a impossibilidade ou a dificuldade de realizar o procedimento fiscal neste estabelecimento. § 4º Quando a empresa solicitar alteração de estabelecimento centralizador, deverá ser cientificada da aceitação ou da recusa de sua solicitação, pela Delegacia da Receita Previdenciária DRP, no prazo de trinta dias, contados da data em que tenha protocolizado o requerimento.” Isto posto, é relevante ressaltar que não consta colacionado nos autos documentação que demonstre formalizada a eleição do estabelecimento como centralizador. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 6 5 DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Na exegese do art. 127 do Código Tributário Nacional é lícito concluir que se exige formal da eleição do domicílio tributário pelo contribuinte e que , na falta, determinase : “ Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considerase como tal: I quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade; II quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerarseá como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicandose então a regra do parágrafo anterior. Realçando a necessidade de eleição formal do estabelecimento centralizador, regulamentando o sobredito, vigendo por ocasião da autuação, a Instrução Normativa MPS/S|RP nº 3, de 14 de julho de 2005 , nos arts. 741, 743 e 744, instruíam efetivamente : “ Art. 741. Domicílio tributário é aquele eleito pelo sujeito passivo ou, na falta de eleição, aplicase o disposto no art. 127 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). (...) Art. 743. Estabelecimento centralizador, em regra, é o local onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, sendo geralmente a sua sede administrativa, ou a matriz, ou o seu estabelecimento principal, assim definido em ato constitutivo. Art. 744. A empresa poderá eleger como centralizador quaisquer de seus estabelecimentos, devendo, para isso, protocolizar requerimento na SRP, observado o disposto no art. 22. Art. 745. O estabelecimento centralizador será alterado de ofício pela SRP, quando for constatado que os elementos necessários à Auditoria Fiscal da empresa se encontram, efetivamente, em outro estabelecimento, observado o disposto no § 2º do art. 22. § 1º A escolha ou a alteração do estabelecimento centralizador levará em conta, alternativamente, o estabelecimento empresarial que: I possuir o maior número de segurados; II concentrar o funcionamento contábil e de pessoal; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 7 6 III apresentar o maior valor de contribuição para a Previdência Social. § 2º Se o estabelecimento definido como novo centralizador estiver circunscrito a outra DRP, será providenciada, pelo Serviço/Seção de Fiscalização da DRP, a transferência dos documentos e dos registros informatizados da empresa para a DRP circunscricionante do novo estabelecimento centralizador que, no prazo de trinta dias, comunicará à empresa esta mudança. ” Não formalizar a exigência apontada, produz severas implicações. A Jurisprudência deste Conselho registra que por não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, o contribuinte não se legitimou para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição., verbis: “ Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20400448 do Processo 109800072930023 10/08/2005 NORMAS PROCESSUAIS CONTRIBUIÇÃO AO PIS SEMESTRALIDADE PRAZO PARA RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. RESOLUÇÃO N° 49 DO SENADO FEDERAL. O prazo para o sujeito passivo formular pedidos de restituição e de compensação de créditos de PIS decorrentes da aplicação da base de cálculo prevista no art. 6°, parágrafo único da LC n° 7/70 é de 5 (cinco) anos, contados da Resolução n° 49 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial, em 10/10/95. Inaplicabilidade do art. 3° da Lei Complementar n° 118/05. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTOS INDEVIDOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito creditório pertinente a indébitos só é possível quando houver prova dos recolhimentos indevidos ou efetuados a mais que o devido. O ônus dessa comprovação incumbe ao demandante. LEGITIMIDADE PARA REPETIR. INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. A contribuinte, ao não ter exercido a faculdade de centralizar em um de seus estabelecimento a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição ao PIS, devida pela matriz e suas filiais, não se legitima para pleitear eventual repetição de indébitos referente a pagamentos efetuados por estabelecimentos distintos daquele que efetuou o pedido de restituição. PIS. BASE DE CÁLCULO. Os indébitos oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nº.s 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº. 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Recurso provido em parte.” DO ARROLAMENTO DE BENS O Termo de Arrolamento de Bens e Direitos às fls. 60, está formalizado em face da filial cujas notas fiscais de fls. 62 representam entradas emitidas por ela mesma para o seu próprio CNPJ de bens adquiridos no exterior, Guadalara e Madrid . No Relatório de Fundamentos Legais do Debito FLD de fls.14 não se faz referência a à legislação de suporte para arrolamento de bens. Desse modo, para segurança da Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 8 7 decisão a ser exarada, informar se não existiam as prioridades aludidas no parágrafo 3°, do art. 620, da Instrução Normativa MPS/SRP N° 03 de 14/07/2005, definindo que o arrolamento deva recair sobre bens e direitos suscetíveis de registro público, com prioridade aos imóveis. Por oportuno, que se providencie, se for o caso, os elementos ausentes exigíveis na forma do comando dos § § 1°, 2° , 3° , 4° e 5° do art. 7° e § 1° , inciso II do art. 8° da então vigente Instrução Normativa SRF, n° 264, de 20 de dezembro de 2002, revogada pela IN RFB n° 1088, de 29 de novembro de 2010, bem como dos arts. 64 e 64A da Lei n 9.532/97. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça Superior Tribunal de Justiça, 1ª Turma, registra que Efetivado o arrolamento fiscal, deve o mesmo ser formalizado no registro imobiliário : “ REsp 689472 / SE 05/10/2006 TRIBUTÁRIO. ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS DO CONTRIBUINTE EFETUADO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ARTIGO 64, DA LEI 9.532/97. INEXISTÊNCIA DE GRAVAME OU RESTRIÇÃO AO USO, ALIENAÇÃO OU ONERAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE DA MEDIDA ACAUTELATÓRIA. (...) Efetivado o arrolamento fiscal, deve o mesmo ser formalizado no registro imobiliário, ou em outros órgãos competentes para controle ou registro, ficando o contribuinte, a partir da data da notificação do ato de arrolamento, obrigado a comunicar à unidade do órgão fazendário a transferência, alienação ou oneração dos bens ou direitos arrolados. O descumprimento da referida formalidade autoriza o requerimento de medida cautelar fiscal contra o contribuinte. (...)8. Recurso especial provido Decisão Prosseguindo no julgamento, após o votovista do Sr. Ministro Teori Albino Zavascki, os Ministros da Egrégia Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça acordam, por maioria, vencido o Sr. Ministro José Delgado (votovista), dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki (votovista) e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. ” DA DILIGÊNCIA A necessidade de diligência tem fulcro na forma expressa no art. 63 do Decreto 7.574, de setembro de 2011, verbis: “ Art.63.Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36 (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 29 e 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o).” Assim, retornese à DRJ de origem para que a fiscalização informe de forma precisa a respeito dos sobreditos destaques: DA AUTUAÇÃO E DO ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR; DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO; e DO ARROLAMENTO DE BENS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 10640.000047/200857 Resolução nº 2403000.126 S2C4T3 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, na forma do artigo 63 do Decreto 7.574/2011, voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que se procedam às providências supra. Concluída a ação, participe o resultado ao contribuinte ao tempo em que se reabra prazo para que a recorrente, se assim desejar, apresente seus argumentos. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 11040.720215/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2010 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL.
Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005.
PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA EFETUAR COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O parcelamento não é causa extintiva do crédito tributário, assim não pode ser tomado como causa suspensiva da prescrição do direito de compensar tributo pago indevidamente.
COMPENSAÇÃO PELA PREFEITURA DE CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS EM NOME DA CÂMARA MUNICIPAL. POSSIBILIDADE.
As contribuições indevidas sobre a remuneração dos agentes políticos (vereadores) podem ser compensadas no CNPJ da Prefeitura.
AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS GFIP. IMPEDIMENTO PARA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A falta de retificação da GFIP representa descumprimento de dever instrumental a ser punido com aplicação de multa, não podendo ser utilizado como barreira para compensação de créditos pertencentes ao sujeito passivo.
HORAS EXTRAORDINÁRIAS. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO.
Incidem contribuições sobre os pagamentos efetuados a título de horas extraordinárias, posto que representam remuneração pelo trabalho. Não cabe, portanto, compensação de recolhimentos sobre essa parcela, posto que inexistiu pagamento indevido.
FÉRIAS INDENIZADAS. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
O sujeito passivo não tem direito a efetuar compensação com recolhimentos sobre férias indenizadas, posto que não comprovou haver incluído tal parcela na base de cálculo das contribuições.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo, que é aquela que engloba o maior número de segurados empregados e avulsos, só se considerando nesse cômputo os trabalhadores que atuam nas atividades fim da empresa.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-003.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para: I) reconhecer o direito à compensação referente às contribuições pagas aos agentes políticos, desde que não tenham sido alcançadas pela prescrição qüinqüenal; e II) afastar a multa isolada.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005. PARCELAMENTO. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA EFETUAR COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O parcelamento não é causa extintiva do crédito tributário, assim não pode ser tomado como causa suspensiva da prescrição do direito de compensar tributo pago indevidamente. COMPENSAÇÃO PELA PREFEITURA DE CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS EM NOME DA CÂMARA MUNICIPAL. POSSIBILIDADE. As contribuições indevidas sobre a remuneração dos agentes políticos (vereadores) podem ser compensadas no CNPJ da Prefeitura. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS GFIP. IMPEDIMENTO PARA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A falta de retificação da GFIP representa descumprimento de dever instrumental a ser punido com aplicação de multa, não podendo ser utilizado como barreira para compensação de créditos pertencentes ao sujeito passivo. HORAS EXTRAORDINÁRIAS. RETRIBUIÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 02 15 /2 01 2- 32 Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Incidem contribuições sobre os pagamentos efetuados a título de horas extraordinárias, posto que representam remuneração pelo trabalho. Não cabe, portanto, compensação de recolhimentos sobre essa parcela, posto que inexistiu pagamento indevido. FÉRIAS INDENIZADAS. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. O sujeito passivo não tem direito a efetuar compensação com recolhimentos sobre férias indenizadas, posto que não comprovou haver incluído tal parcela na base de cálculo das contribuições. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo, que é aquela que engloba o maior número de segurados empregados e avulsos, só se considerando nesse cômputo os trabalhadores que atuam nas atividades fim da empresa. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. 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Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 2401003.083 S2C4T1 Fl. 1.963 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 41.899 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração – AI: a) AI n. 51.016.3068: referente a glosas de valores indevidamente compensados pelo Município nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. b) AI n. 51.016.3076: aplicação de multa isolada no patamar de 150%, em razão da suposta falsidade na declaração de compensação com créditos inexistentes. Acerca da compensação indevida, afirmase que decorreram de contribuições indevidamente recolhidas sobre subsídios dos exercentes de mandato eletivo, no período de 02/1998 a 09/2004, em razão da declaração de inconstitucionalidade da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei n.º 8.212/1991. Todavia, o fisco aponta as seguintes irregularidades no processo compensatório: a) prescrição do direito de compensar; b) falta de retificação nas GFIP para excluir os exercentes de mandatos eletivos; c) inexistência de legitimidade da Prefeitura para compensar valores decorrentes de recolhimentos indevidos de contribuições incidentes sobre a remuneração dos vereadores. Também se afirmou que foram glosadas compensações relativas a parcelas que o sujeito passivo entendeu não serem integrantes do saláriodecontribuição, no período de 12/1999 a 13/2000. Quanto a estes recolhimentos, a autoridade lançadora asseverou que os recolhimentos efetuados até 16/09/2005 já se encontravam prescritos em 17/09/2010, data da efetivação da compensação declarada na GFIP da competência 08/2010; Com relação aos recolhimentos efetuados posteriormente a 16/09/2005, o fisco advoga que as sobre as rubricas “151 – 1/3 férias rescisão” e “150 – férias proporcionais” não há valores a compensar, posto que, de acordo com a documentação analisada, o sujeito passivo não as considerou como integrantes da base de cálculo. Já as rubricas “411 – dif. horas extras 100% s/ FDC” e “410 dif. horas extras 50% s/ FDC”, por se referirem ao pagamento de horas extraordinárias, compõem o saláriodecontribuição e, portanto, não houve recolhimento indevido. Afirmase que a Prefeitura recolheu a contribuição para o RAT pela alíquota de 2%, todavia, posteriormente passou a entender que teria direito a recuperar 1%, todavia a Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 fiscalização esclarece que a alíquota correta é 2% até 12/2009 e, após a implantação do Fator Acidentário de Prevenção, no período de 01/2010 a 12/2010, a alíquota foi fixada em 3,1226%. A fiscalização informou que, em razão da conduta do contribuinte de efetuar compensação de contribuições previdenciárias indevidamente, fazendo declaração com falsidade, constituir, em tese, prática de crime contra a ordem tributária, seria efetuada comunicação ao Ministério Público Federal, mediante formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificado das lavraturas, o sujeito passivo ofertou tempestivamente defesas separas, fls. 221/240 e 1040/1065, cujas razões não foram acatadas pela DRJ, que declarou improcedentes as impugnações, mantendo os créditos na integralidade, ver fls. 1.930/1.942. Inconformado, o Município interpôs recurso voluntário, no qual, em síntese apertada, afirmou que: a) não há o que se falar em prescrição do direito de compensar, posto que as contribuições objeto da compensação foram parceladas e os contratos de parcelamento encontramse regulares; b) o Município detém legitimidade para pleitear a compensação dos valores recolhidos indevidamente sobre os subsídios dos vereadores, posto que efetivamente assumiu o encargo do pagamento; c) a falta de retificação das GFIP não pode ser óbice à compensação, sob pena de enriquecimento sem causa da União; d) o caráter indenizatório do terço constitucional de férias já foi reconhecido até pelo Supremo Tribunal Federal – STF; e) apesar de as horas extras serem verbas de natureza remuneratória, o adicional de hora extra é indenizatório, eis que visa indenizar o empregado em período de descanso; f) inexistiu intenção da Municipalidade em ludibriar o fisco, com artifícios de máfé e dolo, assim, a multa isolada deve ser excluída; g) os serviços prestados pelo Município não podem ser indistintamente tratados como administração pública em geral, mesmo porque há uma gama de atividades que se enquadram na alíquota RAT de 1%, por isso a decisão da DRJ deve ser reformada no ponto que manteve a alíquota em 2%. É o relatório. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 2401003.083 S2C4T1 Fl. 1.964 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Prescrição O Supremo Tribunal Federal sedimentou a tese de que para as ações ajuizadas após a entrada em vigência da Lei Complementar n. 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para repetição do indébito, também aplicável aos processos de compensação, é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Considerandose que o primeiro pedido de compensação ocorreu em 17/10/2009, data da apresentação da GFIP da competência 08/2010, a Municipalidade perdeu por decurso do tempo a possibilidade de se compensar dos recolhimentos efetuados até 16/10/2005. Não deve, portanto, ser reformada a decisão da DRJ quanto a esse ponto. Parcelamento e suspensão da prescrição Não concordamos com a tese apresentada no recurso de que a inclusão das contribuições em parcelamento teria suspendido o prazo prescricional para requerer a compensação. Valhome dos argumentos lançados na decisão recorrida para afastar essa tese. Vejamos o que disse a DRJ: “A esse respeito, inicialmente devese observar que o artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, na redação da Lei nº 11.941/2009, estabelece que somente poderão ser compensadas contribuições nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido. O parcelamento não é hipótese de extinção do crédito tributário; apenas suspende sua exigibilidade, conforme previsão do inciso VI do artigo 151 do CTN. É impossível a compensação de contribuições incluídas em parcelamento não liquidado, visto que as mesmas não foram efetivamente recolhidas aos cofres públicos. Caberia ao contribuinte, se fosse Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 2401003.083 S2C4T1 Fl. 1.965 7 o caso, a demonstração do equívoco e o requerimento da revisão do parcelamento na instância adequada, e não a compensação de contribuições que sequer foram recolhidas.” De fato, para que haja compensação é necessário que haja um crédito líquido e certo do sujeito passivo para com a Fazenda. No caso de contribuições parceladas, não há como se aferir se efetivamente as contribuições objeto de compensação já haviam sido quitadas pelas amortizações dos diversos parcelamentos mantidos pelo Município de Rio Grande. Assim, descabe a alegada suspensão do prazo prescricional. Da utilização dos recolhimentos efetuados pela Câmara Alega o fisco que a Prefeitura não poderia efetuar a compensação relativas aos recolhimentos das contribuições sobre a remuneração dos vereadores, posto que o recolhimento foi efetuado em nome da Câmara Municipal. O Município alega que, tendo suportado o ônus do recolhimento, tem sim a possibilidade para se compensar dos valores em questão. Sobre esse ponto da demanda, assim se pronunciou a DRJ: A Prefeitura Municipal pretendeu incorretamente compensar as contribuições incidentes sobre a remuneração dos vereadores, que já haviam sido informadas pela Câmara Municipal em GFIP’s com seu próprio CNPJ. Tanto a Prefeitura Municipal como a Câmara Municipal são consideradas empresa em relação aos segurados não abrangidos pelo Regime Próprio de Previdência Social, e ambas estão sujeitas ao cumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais. A Câmara Municipal, ainda que dependente de repasses previstos constitucionalmente, possui orçamento e autonomia financeira. Assim, não cabe o aproveitamento das contribuições sociais de responsabilidade da Câmara Municipal e por ela declaradas em GFIP pela Prefeitura Municipal, já que ambas possuem CNPJ’s próprios e obrigações distintas. É de se considerar que os recolhimentos de fato foram suportados pelos cofres do Município de Rio Grande, devendose ressaltar inclusive que quando da retenção efetuada pelo INSS no FPM da Municipalidade os recolhimentos para quitação das obrigações correntes da Câmara Municipal eram apropriados no CNPJ da Prefeitura, conforme a sistemática vigente. Assim, não se pode agora cercear o direito do Município de Rio Grande – Prefeitura de se compensar de valores que foram indevidamente recolhidos em razão da declaração de inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a remuneração dos vereadores.. Retificação da GFIP O fisco impôs outro obstáculo para compensação das contribuições relativas a recolhimento indevido sobre a remuneração dos agentes políticos: a retificação das GFIP. Não podemos concordar com esse posicionamento. Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Na verdade, a retificação das guias declaratórias representa mero descumprimento de obrigação acessória, cujo castigo já é aplicado com a imposição de multa administrativa, assim, não deve ser tomado como empecilho ao aproveitamento dos créditos que porventura detenha o sujeito passivo. Verbas indenizatórias Alega a recorrente que efetuou a compensação de recolhimentos indevidos sobre verbas de caráter indenizatório, quais sejam: férias indenizadas e horas extras. Não devemos acatar esse argumento. É que está demonstrado nos autos que não houve recolhimento sobre as parcelas “151 – 1/3 férias rescisão” e “150 – férias proporcionais”, posto que a Prefeitura não as incluiu na base de cálculo das contribuições, portanto, o alegado crédito inexiste quanto a essa rubrica. Para as parcelas “411 – dif. horas extras 100% s/ FDC” e “410 dif. horas extras 50% s/ FDC”, não há o que se falar em recolhimento indevido, posto que são verbas decorrentes de pagamentos de horas extraordinárias que, inegavelmente, possuem caráter remuneratório, estando incluídas no conceito de saláriodecontribuição inserto no inciso I do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Assim, afastase o alegado direito de compensação relativo a essas parcelas. Redução da alíquota RAT A recorrente pugna pelo enquadramento na alíquota RAT de 1%, asseverando que a maioria das atividades desenvolvidas pela administração municipal corresponde ao grau de risco leve. Acerca desse pedido, a princípio pensamos na possibilidade de aplicar o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, que carrega a seguinte ementa: Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Todavia, o Município não apresentou demonstrativo hábil a comprovar que sua estrutura administrativa é dividida em secretarias/departamentos com CNPJ próprio, de modo que se pudesse aferir a atividade preponderante por cada setor e aplicar os ditames do citado Parecer. Por outro lado, também não nos convenceu de que a sua atividade preponderante fosse de grau de risco leve. Deve então prevalecer o enquadramento do fisco, efetuado pelo CNAE 8411 6/00 (Administração Pública em Geral). Multa isolada Sobre a aplicação da multa isolada, no patamar de 150%, a Autoridade Fiscal (fls. 131 e 132) no sentido de que foi aplicada conforme previsão do § 10 do artigo 89 da Lei n. 8.212/1991, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, em razão do contribuinte ter apresentado declaração falsa, já que inseriu nas GFIP’s informação de créditos Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11040.720215/201232 Acórdão n.º 2401003.083 S2C4T1 Fl. 1.966 9 inexistentes relativos a contribuições incidentes sobre o subsídio dos exercentes de mandato eletivo no período até 09/2004, incidentes sobre verbas que entendia indenizatórias e relacionadas à alíquota RAT. Alega a recorrente que a multa isolada é exorbitante, ferindo os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que somente poderia ser aplicada caso o fisco comprovasse a ocorrência de fraude, o que não ocorreu. Vejamos o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 em que se baseou o fisco para aplicação da multa isolada: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada à comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que tinham em tese uma causa lícita, qual seja o recolhimentos de contribuições declaras inconstitucionais ou sobre supostas verbas indenizatórias. Verificase, assim, que o processo não trata de compensação de créditos decorrentes de fraude, mas de valores que, o sujeito passivo entendia passíveis de serem utilizados para como créditos para quitar contribuições devidas. Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O fisco tenta caracterizar a fraude sob a alegação de que a recorrente lançou mão de créditos inexistentes para quitar as contribuições. Entendemos, todavia, que a compensação com base em créditos prescritos e decorrentes de errônea interpretação da Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 legislação enseja apenas a imposição dos acréscimos legais, jamais ser tratada como falsificação, com aplicação de multa isolada no patamar de 150%. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. Conclusão Voto pelo provimento parcial ao recurso para que sejam afastadas as glosas relativas à contribuições sobre a remuneração dos agentes políticos não alcançadas pela prescrição qüinqüenal e para afastar a multa isolada aplicada no AI n.º 51.016.3076. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15889.000132/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004
Ementa:
INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS.
O envio de especificações técnicas, mesmo que por escrito, na aquisição de produtos por encomenda, não se equivale à remessa de modelos que caracteriza a industrialização por encomenda.
Caso revenda os produtos adquiridos, a contribuinte estará realizando uma operação comercial, não se equiparando a estabelecimento industrial nessa operação.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Valdirene Lopes Fronhani, OAB/SP 141248.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
(assinado digitalmente)
NOME DO REDATOR - Redator designado
EDITADO EM: 27/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS. O envio de especificações técnicas, mesmo que por escrito, na aquisição de produtos por encomenda, não se equivale à remessa de modelos que caracteriza a industrialização por encomenda. Caso revenda os produtos adquiridos, a contribuinte estará realizando uma operação comercial, não se equiparando a estabelecimento industrial nessa operação. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Dra. Valdirene Lopes Fronhani, OAB/SP 141248. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 32 /2 00 9- 15 Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 2 NOME DO REDATOR Redator designado EDITADO EM: 27/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão PretoSP: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de As. 02/05, lavrado em 05/05/2009, com ciência da contribuinte em 07/05/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 3.744.781,72. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 04/05 e o termo de verificação fiscal de fls. 15/26, houve falta de lançamento de IPI, no período de janeiro a setembro de 2004, em razão da saída de produtos mandados industrializar por encomenda. Segundo consta, a contribuinte encomenda a fabricação de filtros de papel da empresa Celupa Industrial Celulose e Papel Guaíba Ltda, empresa com a qual mantém relação de interdependência. A fabricação é feita seguindo as especificações técnicas, características, design, cor, forma, tamanho, tipo de material, de embalagem etc, definidas pela Melitta. Esse procedimento enquadraria a operação como uma industrialização por encomenda, nos termos do art. 9o, inciso IV do RIPI/2002, porque a definição do produto a ser fabricado, equivale a um modelo, já que um modelo não precisa ser necessariamente um modelo físico. Da mesma forma, a autuada encomenda a fabricação de cafeteiras manuais da empresa Astra Brasil Indústria de Vidros Ltda. Nas duas operações a empresa se equipara a estabelecimento industrial. Conseqüentemente, foi calculado o IPI não lançado nas revendas dos filtros e cafeteiras, e realizada a reconstituição da escrita fiscal. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 862/881, alegando, em síntese, que: 1. Decaiu o direito de lançar o imposto em relação aos fatos ocorridos antes de 07/05/2004, pois na data da ciência do auto de infração, 07/05/2009, já havia passado mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000132/200915 Acórdão n.º 3302001.844 S3C3T2 Fl. 1.291 3 2. Considerandose a decadência, a reconstituição da escrita fiscal deveria ter partido da I a quinzena de maio/2004, e não de janeiro/2004; 3. Nas operações objeto do lançamento, apenas revendia as mercadorias adquiridas de terceiros, atuando como estabelecimento comercial; 4. Os filtros fabricados são licenciados com exclusividade pela empresa alemã, proprietária da marca, para o fabricante, empresa Celupa; não é a autuada que determina o modelo dos filtros; 5. O Parecer Normativo CST n° 202/70 determina que para a caracterização por encomenda é essencial que o encomendante remeta ao menos parte dos insumos; 6. Os filtros são entregues à impugnante já acabados, nos moldes e com a marca desenvolvida pela empresa alemã; 7. O Parecer Normativo CST n° 202/70 é bastante claro ao expressar que a remessa de moldes, matrizes e modelos não pode ser estendida ao fornecimento de instruções técnicas acerca das especificações do produto; 8. Os filtros de papel de n° 102 e 103 não podem ser objeto de modelo exclusivo, pois já passaram a ser de domínio público; 9. Também em relação às cafeteiras, apenas revendia o produto; 10. E irrelevante a relação de interdependência para efeito de equiparação a estabelecimento industrial; a interdependência apenas exige um valor tributário mínimo de venda do produto, por parte da Celoma, fabricante do produto; 11. A multa aplicada tem caráter confiscatório. Por fim, requer a improcedência do auto de infração, ou o reconhecimento da decadência, ou ainda, a exclusão da multa aplicada. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar procedente a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS I P I Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 4 regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS. O envio de especificações técnicas, mesmo que por escrito, na aquisição de produtos por encomenda, não se equivale à remessa de modelos que caracteriza a industrialização por encomenda. Caso revenda os produtos adquiridos, a contribuinte estará realizando uma operação comercial, não se equiparando a estabelecimento industrial nessa operação. Impugnação Procedente Por força do determinado no art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, a decisão exarada foi submetida à segunda estância de julgamento. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Contra a Recorrida foi lavrado auto de infração sob o argumento de que esta teria deixado de destacar em suas notas fiscais de venda o IPI incidentes sobre as operações praticadas com filtros de papel e cafeteiras manuais. A fiscalização entendeu que as aquisições de filtros de papel e cafeteiras manuais efetuadas pela contribuinte caracterizavamse como operações de industrialização por encomenda, equiparando o estabelecimento a industrial, nos termos do art. 9º, inciso IV, do RIPI/2002, na medida em que a impugnante determinava quais os produtos a serem fabricados, definindo as especificações técnicas, características, design, cor, forma, tamanho, tipo de material, de embalagem etc. A Recorrida, por sua vez, aduz que os filtros fabricados são licenciados com exclusividade pela empresa alemã, proprietária da marca, para o fabricante, empresa celoma; não é a autuada que determina o modelo dos filtros. Citou parecer COSIT nº 202/70 que corrobora seu entendimento. O lançamento foi efetuado tendo por base a equiparação a industrial da Recorrida nas atividades relacionadas a filtros de papel e cafeteiras manuais, e fundamentado no seguinte dispositivo do RIPI/04: Art. 9° Equiparamse a industrial: (...) IV os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000132/200915 Acórdão n.º 3302001.844 S3C3T2 Fl. 1.292 5 efetuada, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; A Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto ao analisar a matéria tratada no presente processo entendeu por bem julgar procedente a Impugnação e cancelar o lançamento, tendo pautado seu entendimento nas seguintes razões: Sobre o assunto, já se manifestou a Administração Fazendária mediante o Parecer Normativo CST n° 202/70. Cabe esclarecer que a autoridade julgadora administrativa tem o dever de observância dos atos normativos da Secretaria da Receita Federal SRF, de acordo com a Portaria MF n° 58/2006: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112. de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Abaixo, transcrevo parte do referido Parecer Normativo: 2. Preliminarmente, tornase necessário estabelecer o exato alcance de "moldes, matrizes ou modelos", de que fala a parte final do dispositivo acima transcrito. Entendemos, em princípio, que os vocábulos em questão guardam uma relação de semelhança com os seus antecedentes (matériasprimas, embalagens, recipientes) no sentido de se referirem a coisas corpóreas, não abrangendo, pois a meras especificações, ainda que por escrito, referentes à determinada marca ou tipo do produto a ser industrializado. 3. Aliás, no capítulo sobre a "interdependência" (RIPI, art. 21, § 7º), vamos encontrar na alínea "d" uma hipótese que a configura, quando uma das firmas seja a única adquirente de um ou mais de um dos produtos industrializados pela outra, "ainda quando a exclusividade se refira apenas a padronagem, marca ou tipo do produto". Quer dizer que a industrialização por encomenda, com especificação de marca ou tipo, pelo encomendante, caracteriza a interdependência (artigo 21, § 7°, "d") e não a figura de que estamos tratando (art. 3°, § 1º, III). 4. Assim sendo, estabelecimento que manda industrializar produtos em estabelecimento de terceiros sem fornecimento de matériasprimas. produtos intermediários, embalagens, moldes, matrizes ou modelos, não é equiparado, por esse fato, a estabelecimento industrial, ainda que determine especificações sobre determinada marca ou tipo do produto que mandou industrializar. Se, dentro dessa mesma hipótese, o autor da encomenda é um estabelecimento industrial, relativamente a essa operação estará agindo como mero comerciante, e não como contribuinte; as obrigações relativas a este, e com referência ao produto encomendado, terão que ser cumpridas pelo executor da encomenda. 9. Quando a industrialização por encomenda não obrigue o seu autor (item 4, retro), este agirá, em relação ao produto encomendado, como mero comerciante, cumprindo, contudo, Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 6 observar o disposto no a/i. 139 do R1PI. Por outro lado, nas hipóteses mencionadas no item 7, supra, o executor devolverá os produtos ao encomendante acompanhados de nota fiscal com suspensão do imposto, indicando em separado, se for o caso, o valor dos produtos por ele diretamente aplicados na industrialização, devendo observar o disposto na alínea "b", inc. 1, art. 33, do RIPI. 12. Esclareçase, ainda, que quando configurar a hipótese da interdependência, prevista no art. 21, § 7°, "d", do RIPI, isto é, quando os produtos sejam industrializados por encomenda de terceiro o qual especifique a padronagem, marca ou tipo do produto e seja o único adquirente desse produto, deverá o executor da encomenda atentar para o disposto no § 8a, seguinte, sobre o valor tributável. Todavia, sempre que o autor da encomenda seja equiparado a contribuinte, excluída estará à hipótese de interdependência. " O Parecer Normativo apresenta as seguintes conclusões aplicáveis ao caso em tela: Quando o artigo do RIPI referese à remessa de modelos, está se referindo a bens corpóreos. O envio de especificações, ainda que por escrito, referentes à determinada marca ou tipo do produto a ser industrializado, não se caracteriza como uma remessa de modelo. A encomenda de produto, com especificação de marca ou tipo, pelo encomendante, caracteriza a interdependência, e não a figura da industrialização por encomenda. A impugnante, ao mandar industrializar produtos em estabelecimento de terceiros sem fornecimento de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, moldes, matrizes ou modelos, não é equiparada, por. esse fato, a estabelecimento industrial, ainda que determine especificações sobre determinada marca ou tipo do produto que mandou industrializar. Mesmo que a contribuinte seja um estabelecimento industrial, nessas operações está agindo como mero comerciante. Desse modo, e de acordo com o entendimento expresso no Parecer Normativo, as aquisições de filtros de papel e cafeteiras manuais, mesmo que efetuadas por encomenda mediante o envio das especificações técnicas dos produtos, não se caracterizam como industrialização por encomenda, e, nessas operações, a recorrente não se equipara a estabelecimento industrial. A nosso ver, correta a decisão da Delegacia Regional. Isto porque, o simples encaminhamento de especificações técnicas não pode ser considerado como sendo equivalente à remessa de moldes, matrizes ou modelos como exige o texto legal. Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 15889.000132/200915 Acórdão n.º 3302001.844 S3C3T2 Fl. 1.293 7 Neste sentido, são taxativos os comentários de Antonio Zomer1: Os moldes, matrizes ou modelos devem estar relacionados com a fabricação dos produtos industrializados por encomenda. O mero fornecimento das especificações sobre padronagem, marca ou tipo do produto que se deseja adquirir não equipara o encomendante a industrial, se não houver o fornecimento de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos. Se o autor da encomenda for ele próprio um estabelecimento industrial, não restará equiparado na operação de saída dos produtos assim adquiridos, se não praticar neles qualquer operação de transformação definida como industrialização pela legislação do IPI. Aliás, esta é a posição assentada a mais de uma década pela própria Receita Federal que, em inúmeras soluções de consulta, assim orienta: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 94 de 19 de Junho de 2001 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA. Industrialização por encomenda. Sem fornecimento de insumos. Não equiparação a estabelecimento industrial. O estabelecimento que manda industrializar produtos em estabelecimento de terceiros sem fornecimento de insumos não é equiparado a industrial, ainda que indique especificações sobre determinada marca ou tipo de produtos. MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 139 de 05 de Maio de 2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que se considere uma determinada operação como industrialização por encomenda é necessário que o encomendante tenha encaminhado ao executor da encomenda matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos e não apenas especificações técnicas. A simples conexão de fechos de cintos de segurança a assentos já fabricados de automóveis não configura processo de industrialização. 1 in Regulamento do IPI Imposto Sobre Proidutos Industrializados Anotado e Comentado. Coordenadores Marcelo Magalhães Peixto, Luiz Roberto Domingo; Autores Antonio Zomer...[ et al.] SP; MP Ed., 2008. p. 60 Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 51 de 29 de Fevereiro de 2012 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CONCEITO. ALÍQUOTA. Para que se caracterize operação de industrialização por encomenda é necessário que o encomendante tenha encaminhado ao executor da encomenda matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos, e não apenas especificações técnicas. Caso caracterizada uma operação de industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora de tal operação, no que toca à receita bruta auferida com a industrialização por encomenda das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, está sujeita à incidência da Cofins à alíquota de 0% (zero por cento) nos períodos de 1º de abril a 30 de setembro de 2005 e de 14 de outubro de 2005 a 28 de fevereiro de 2006; e à alíquota de 7,6% no período de 1º a 13 de outubro de 2005, bem como a partir de 1º de março de 2006. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, nos termos do acima exposto, em complemento as razões de decidir expostas no acórdão recorrido, as quais fazse remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei 9.784/99; (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 13005.000744/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/04/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO QUINQUENAL DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO EM REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A Repercussão Geral relativa à constitucionalidade da Lei Complementar 118/2005 foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal em 04 de agosto de 2011 nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO NA PENDÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Quanto ao pedido de sobrestamento do julgamento em razão de Repercussão Geral referente à incidência de contribuições sobre serviços prestados por cooperativas, não merece razão a Recorrente, uma vez que o RICARF prevê a possibilidade de suspensão do processo administrativo apenas quando, ao declarar Repercussão Geral, determinar expressamente a suspensão dos feitos relativos à matéria pendente de apreciação. Sobrestamento prejudicado. INSTRUÇÃO NORMATIVA QUE DETERMINA O PROTOCOLO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PELA VIA DIGITAL. Alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, matéria fora do alcance do julgamento deste Conselho nos termos da Súmula n° 02, CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Alves - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO QUINQUENAL DE RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO EM REPERCUSSÃO GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A Repercussão Geral relativa à constitucionalidade da Lei Complementar 118/2005 foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal em 04 de agosto de 2011 nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621. SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO NA PENDÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. IMPOSSIBILIDADE. Quanto ao pedido de sobrestamento do julgamento em razão de Repercussão Geral referente à incidência de contribuições sobre serviços prestados por cooperativas, não merece razão a Recorrente, uma vez que o RICARF prevê a possibilidade de suspensão do processo administrativo apenas quando, ao declarar Repercussão Geral, determinar expressamente a suspensão dos feitos relativos à matéria pendente de apreciação. Sobrestamento prejudicado. INSTRUÇÃO NORMATIVA QUE DETERMINA O PROTOCOLO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PELA VIA DIGITAL. Alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, matéria fora do alcance do julgamento deste Conselho nos termos da Súmula n° 02, CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 07 44 /2 01 0- 14 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Alves Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.000744/201014 Acórdão n.º 2402003.454 S2C4T2 Fl. 98 3 Relatório Tratase de pedido de restituição realizado pela Recorrente por entender que a contribuição previdenciária prevista pelo art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional. O pedido foi formalizado em 07 de junho de 2010, pela via impressa, sendo anexada ao requerimento planilha demonstrativa (Fls. 02/03). Às fls. 14/15 foi proferida decisão indeferindo o pedido de restituição sob os fundamentos de que: i) o direito de pleitear as competências de 02/2003 a 05/2005 está prescrito, vez que transcorridos mais de cinco anos da data dos respectivos recolhimentos das contribuições; ii) para as competências de 06/2005 a 04/2010, considerase o pedido de restituição não formulado, uma vez que realizado por meio impresso e não por meio digital, como previsto por Instrução Normativa. Intimada da decisão (Fl. 16), a Recorrente interpôs, tempestivamente, manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: i) o despacho decisório é ilegal, uma vez que a Recorrente apresentara o pedido de restituição por meio físico para que pudesse justificar legalmente a pretensão; ii) que o requerimento cumpriu fielmente o que dispõe o art. 6°, da Lei n° 9.784, no que tange a formalidade; iii) que se o meio impresso não era o correto para o pedido de restituição, era obrigação legal do servidor do protocolo orientar a Requerente para suprir falha verificada; iv) que o direito de restituição não está prescrito em razão da tese dos cinco mais cinco, em que a extinção do crédito tributário, quanto ao lançamento por homologação, ocorre apenas quando do término do prazo de 5 anos para homologação. Menciona o STJ ao tratar do prazo prescricional e, ao final, requer seja reconhecida a restituição na forma inicialmente pleiteada. Face a manifestação de inconformidade a DRJ/JFA proferiu acórdão de fls. 37/39 (verso), julgandoa improcedente com as seguintes justificativas: i) A decisão observou a legislação tributária e previdenciária; ii) Quanto à prescrição, foi observado o disposto no art. 168 c/c art. 165, ambos do CTN, bem como o disposto no art. 3° da LC n° 118/2005; iii) Não cabe à instância administrativa manifestarse acerca da legalidade e ou constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico, cuja apreciação incumbe ao Poder Judiciário; iv) O pedido deve ser considerado não formulado, quanto às competências de 06/2005 a 04/2010, uma vez que a autoridade observou as normas vigentes. Mais uma vez intimado do acórdão (fls. 41), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 42/49, alegando, em síntese: i) Em preliminar, que o feito deve ser sobrestado, nos termos do art. 62A do Regimento Interno no CARF, uma vez que pendentes de julgamento em repercussão geral do STF recursos extraordinários referentes ao prazo prescricional do direito de restituição (RE 561908) e à incidência de contribuições de 15% do valor bruto da NF ou fatura de prestação de serviços de cooperativas; ii) No mérito, que o pedido feito pela via impressa não pode ser considerado não formulado, uma vez que a Recorrente só o fez desta forma para que pudesse fundamentar Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 legalmente sua pretensão, atendendo a todos os critérios estabelecidos no art. 6° da Lei n° 9.784/99; iii) Reitera os fundamentos quanto à não ocorrência da prescrição e, ao final, requer a suspensão do processo administrativo enquanto pendentes de julgamento o RE 561908 e o RE 595838 junto ao Supremo Tribunal Federal, bem como seja reconhecido o pedido de restituição em relação às competências de 03/2003 a 05/2005. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso (Fls. 61). É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13005.000744/201014 Acórdão n.º 2402003.454 S2C4T2 Fl. 99 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator A Repercussão Geral relativa à constitucionalidade da Lei Complementar 118/2005 foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal em 04 de agosto de 2011 nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621: Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No mais, quanto ao pedido de sobrestamento do julgamento em razão de Repercussão Geral referente à incidência de contribuições sobre serviços prestados por cooperativas, não merece razão a Recorrente, uma vez que o RICARF prevê a possibilidade de suspensão do processo administrativo apenas quando, ao declarar Repercussão Geral, determinar expressamente a suspensão dos feitos relativos à matéria pendente de apreciação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. O pedido de sobrestamento do julgamento, portanto, resta prejudicado. Não obstante, o mérito do pedido fundamentase ilegalidade de norma que determina a possibilidade apenas de apresentação de requerimento de restituição por via eletrônica. Em suma, em relação ao período de 03/2003 a 05/2005 a DRJ entendeu como não formulado o pedido de restituição da Recorrente, por esta não ter atendido à formalidades previstas em Instrução Normativa que determina que o requerimento seja feito tão somente pela via digital. Assim, a pretensão da Recorrente se pauta na alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, matéria fora do alcance do julgamento deste Conselho: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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