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Numero do processo: 16227.000285/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues,Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues,Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues,Thiago Taborda Simões e Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 62 27 .0 00 28 5/ 20 08 -2 0 Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16227.000285/200820 Resolução nº 2402000.430 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) constituída em 30/11/2001 (fl. 03), decorrente do não recolhimento dos valores referentes às contribuições previdenciárias – cota patronal, SAT/RAT, terceiros, segurados empregados e autônomos no período de 01/01/1991 a 31/12/1998. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 2528/2595) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Osasco – SP, ao analisar o presente caso (fls. 3285/3318), julgou o lançamento procedente em parte, excluindo os valores relativos às competências de 1991/1994, período em que a Recorrente manteve direito à imunidade. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 3378/3431) argumentando em síntese: (i) a decadência do lançamento; (ii) o direito adquirido e o ato jurídico perfeito que amparam o seu direito à imunidade no tocante às contribuições previdenciárias; (iii) a proteção, como entidade assistencial, pela medida liminar da Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 2.0285; (iv) a inobservância do ParecerMPAS n° 2272/2000 pela fiscalização para efetuar o lançamento; (v) a nulidade da NFLD; (vi) o cumprimento de todas as exigências do artigo 55 da Lei 8.212/1991; e (vii) a impugnação dos valores lançados pela fiscalização. Ademais, pelas informações dos autos, constatase, às fls. 3318, que houve a interposição de recurso de ofício pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Osasco – SP, o qual não foi citado pelo despacho de encaminhamento do presente processo (às fls. 3612/3613) para análise de admissibilidade e processamento do mesmo perante este Conselho. É o relatório. Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16227.000285/200820 Resolução nº 2402000.430 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, tomo dele conhecimento assim como do recurso de ofício. Da análise da situação fática e das peças que compõem os autos, constatase que a autoridade fiscal realizou o presente lançamento em razão de a Recorrente ter deixado de efetuar, no prazo legal, o “pedido de renovação de isenção da cota patronal”, não gozando mais da imunidade. Por esta razão, estaria obrigada a recolher os valores referentes às contribuições previdenciárias no período de 1991/1998. Ocorre que, às fls. 3601/3609, foi juntado ao presente processo mandado de intimação/citação para o cumprimento de decisão judicial que deferiu tutela antecipada no Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0367163, ajuizado pelo contribuinte,e em trâmite originalmente perante a 21ª Vara Federal do Distrito Federal, para que seja reconhecida a vigência da imunidade da Recorrente, obstando, assim, a cobrança de tributos até nova determinação judicial. Contudo, a decisão judicial que deferiu o pedido de tutela antecipada em favor da Recorrente, em sede de pedido de reconsideração, anexada às fls. 3604/3606,permite concluir, especificamente através da leitura do trecho transcrito à fl. 3605, que a discussão judicial giraria em tornodo cumprimento dos requisitos legais para que a Recorrente se enquadrasse como entidade beneficente de assistência social no período de 01/01/1995 a 31/12/1996. Vejase: “O cerne da questão está em se verificar se a autora, no período de 01/01/1995 a 31/12/1996, cumpria os requisitos legais para se enquadrar como entidade beneficente de assistência social. (,,,)” Ou seja, o trecho a que se faz referência acima permite a conclusão de que a discussão judicial proposta pelo contribuinte, na qual se deferiu o pedido de liminar, não abrangeria a totalidade do crédito tributário discutido nestes autos. Muito embora este documento não conste dos presentes autos, no DEBCAD nº 37.078.7200 (Processo Administrativo Fiscal n° 13896.002211/200776), constituído na mesma ação fiscal contra a Recorrente, e que também se encontra pendente de julgamento por este E. Conselho, foi anexada cópia da sentença proferida no mandado de segurança proposto pelo sujeito passivo. Contudo, a referida sentença não traz informações detalhadas do período em discussão na ação judicial, se é que há alguma limitação nesse sentido. Para se ter certeza do objeto da ação judicial movida pela Recorrente só mesmo através da petição inicial do referido processo. Contudo, a mesma não foi juntada aos presentes autos. À fl. 3609 consta apenas a primeira página da referida exordial, de maneira que não é possível determinar qual o exato objeto da medida judicial, ou seja, se ela objetiva o reconhecimento da imunidade da Recorrente apenas para o período de 01/01/1995 a Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 16227.000285/200820 Resolução nº 2402000.430 S2C4T2 Fl. 5 4 31/12/1996, conforme pode dar a entender o trecho da decisão anexada às fls. 3604/3606, ou se objetiva o reconhecimento da imunidade sem restrição de período. Concluo que tal questão é de suma importância, pois, caso se reconheça que o objeto do presente processo está compreendido na discussão judicial movida pelo contribuinte deverá ser reconhecida a renúncia do contribuinte à discussão nesta esfera, conforme Súmula CARF n° 1, que determinaque a propositura de medida judicial pelo sujeito passivo, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia à instância administrativa. Vejase: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Por esta razão, entendo que deve ser realizada diligência para que a autoridade fiscal apresente cópia completa da petição inicial do Mandado de Segurança n° 2007.34.00.0367163, de todas as decisões nele proferidas, e certidão de objeto e pé atualizada do referido processo. Além disso, diante do equívoco do despacho de encaminhamento às fls. 3612/3613 quanto à falta de menção à interposição de recurso de ofício pela d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Osasco – SP, requer seja observada tal interposição quando do retorno do presente processo a este Conselho para julgamento, após o cumprimento da diligência ora requerida. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e proceda ao solicitado acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.720331/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que rejeitaram a preliminar de diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente em Exercício
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Henrique de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles de Aguiar.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar que rejeitaram a preliminar de diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente em Exercício Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Henrique de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles de Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, adotase o relatório da decisão recorrida: : Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 11 a 15, referente ao ano RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 33 1/ 20 08 -9 2 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720331/200892 Resolução nº 2801000.249 S2TE01 Fl. 75 2 calendário de 2006, que exige R$ 3.575,00 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, em razão da glosa de R$ 13.000,00 de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo desembolso e utilização dos serviços. Cientificada do lançamento por via postal, em 17/09/2008 – fl. 38, a contribuinte apresentou, em 15/10/2008, a impugnação de fls. 02 a 08, acompanhada dos documentos de fls. 09 a 29, acatada como tempestiva pelo órgão de origem – fl. 41. Transcreve a legislação citada no lançamento, alegando que a dedução pleiteada, referente a “tratamento com fisioterapia, dentista e psicólogo”, “estaria perfeitamente enquadrada nos tópicos ali elencados”. Sustenta ter apresentado, durante a fase de preparação do lançamento, os recibos firmados pelas profissionais que a atenderam, os quais seriam “comprovantes idôneos e suficientes do pagamento efetuado”, suscitando que “somente na falta de comprovação do pagamento, poderão ser solicitadas outras formas de comprovação”. Cita o art. 320 do Código Civil Brasileiro, que trata de documento de quitação. Aduz que a autoridade fiscal teria extrapolado “suas atribuições ao tentar insinuar ou questionar a lisura do tratamento efetuado”, além de afirmar que sua renda comportaria perfeitamente as despesas glosadas. Alega que exigência de laudos, relatórios dos profissionais, orçamentos, etc, constituem verdadeira arbitrariedade praticada pela fiscalização, uma vez que a legislação só exigiria o comprovante de pagamento, e também invadiria “o terreno do sigilo estabelecido por lei e das garantias individuais agasalhadas pela Constituição Federal do Brasil”. Finaliza solicitando a improcedência do lançamento, a “validade e suficiência dos recibos apresentados” e a produção futura de eventuais provas. A impugnação foi julgou a improcedente, a teor do acórdão (fls. 42/48), assim fundamentando sua decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. APRESENTAÇÃO. Cumpre à contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe à contribuinte o ônus da prova. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720331/200892 Resolução nº 2801000.249 S2TE01 Fl. 76 3 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual da contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 19.08.2011 ( fl. 52 ), a contribuinte apresentou recurso em 19.09.2011 ( fl.53 ). Em sua defesa, alega, em síntese o seguinte: Transcreve a legislação em que “tratamento com fisioterapia, dentista e psicólogo”, está de acordo com a Legislação. Aduz que apresentou os recibos firmados pelas profissionais que a atenderam, os quais seriam “comprovantes idôneo e suficientes do pagamento efetuado”, suscitando que “somente na falta de comprovação do pagamento, poderão ser solicitadas outras formas de comprovação”. Cita o art. 320 do Código Civil Brasileiro, que trata de documento de quitação. Aelga que houve exagero da autoridade fiscal ao tentar insinuar ou questionar a lisura do tratamento efetuado”, além de afirmar que sua renda comportaria perfeitamente as despesas glosadas. Afirma que exigência de laudos, relatórios dos profissionais, orçamentos, etc, constituem verdadeira arbitrariedade praticada pela fiscalização, uma vez que a legislação só exigiria o comprovante de pagamento, e também invadiria “o terreno do sigilo estabelecido” por lei e das garantias individuais agasalhadas pela Constituição Federal do Brasil”. Alega que exigência de laudos, relatórios dos profissionais, orçamentos, etc, constituem verdadeira arbitrariedade praticada pela fiscalização, uma vez que a legislação só exigiria o comprovante de pagamento, e também invadiria “o terreno do sigilo estabelecido” por lei e das garantias individuais agasalhadas pela Constituição Federal do Brasil”. Informa que foram extraviados os comprovantes dos serviços prestados pela profissional Ana Lúcia Moreno da Silva (R$ 2.680,00), pelo Hospital Nossa Senhora das Graças (R$ 2.600,00) e pela Clinica de Fraturas e Ortopedia XV (R$ 1.830,00), concordando com o crédito tributário decorrente, para o qual solicita parcelamento e junta cópia do DARF que afirma corresponder à primeira parcela. Finaliza solicitando a improcedência do lançamento referente à glosa das despesas médicas declaradas como pagas a Viviane Ciola Martinski e Helen Caroline Gardini, ambas de R$ 7.000,00, a validade e suficiência dos recibos apresentados e a produção futura de eventuais provas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720331/200892 Resolução nº 2801000.249 S2TE01 Fl. 77 4 É o relatório. Voto Conselheiro José Valdemir da Silva – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido De inicio, é importante analisar as condições de admissibilidade do recurso interposto. Considerando que a ciência do recurso se deu em 18.08.2011 ( fl.55 ) e seu término ocorreu em 17.09.2011 (fl.56 ), sábado, portanto, o prazo prorrogase para o primeiro dia útil, ou seja, segunda feira dia 19.09.2011, a teor do que dispõe o art. art. 5o do Decreto n. 70.235/1972, in verbis Art. 5o Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento Parágrafo único – Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A controvérsia cingese à glosa da dedução de despesas médicas referentes aos profissionais Adélia M. G. N. Oliveira no valor de R$ 3.000,00, João Martins no valor de R$ 5.000,00 e Juliana Regina de Novaes no valor de R$ 5.000,00, no total de R$ 13.000,00, por falta de comprovante ou por falta de previsão legal. Como se sabe, somente poderão ser deduzidos a título de despesas médicas os valores pagos que se referirem ao próprio contribuinte ou a pessoa declarada como seu dependente ( art. 8o , inciso II, alínea “a”, e § 2o e 3o da Lei 9250, de 26 de Dezembro de 1995) Nada obsta, entretanto, que a Administração Tributária exija que a interessada comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do RIR/99, cujo teor é o seguinte: Art. 73 –Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou a contribuinte a comprovação da efetiva prestação dos serviços e dos pagamentos efetuados a profissionais da área de saúde. Ante o exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligencia à unidade de origem para que se junte aos autos a intimação a contribuinte da comprovação do efetivo pagamento e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas, bem como o registro da correspondente ciência a contribuinte. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 82DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/20 13 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 15165.002590/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 19/04/2006 a 21/12/2009
PAPEL IMUNE. REGISTRO ESPECIAL POR ESTABELECIMENTO
A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condiciona-se ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao princípio da autonomia dos estabelecimentos que impera no Imposto de Importação e no IPI, além da observância do devido controle aduaneiro previsto no artigo 237 da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo que apresentará declaração de voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 30/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Monica Monteiro Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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REGISTRO ESPECIAL POR ESTABELECIMENTO A importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos sem incidência tributária condicionase ao registro especial por estabelecimento importador junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em atendimento ao princípio da autonomia dos estabelecimentos que impera no Imposto de Importação e no IPI, além da observância do devido controle aduaneiro previsto no artigo 237 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo que apresentará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 30/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 25 90 /2 01 0- 80 Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Monica Monteiro Garcia de los Rios (suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o relatório do órgão julgador de primeiro grau (fls. 725 a 726 do e processo) até aquela fase: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 10.190.598,36, referentes a: Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS/PASEP Importação, contribuição COFINS Importação, Juros de Mora, Multa Proporcional e, Juros de Mora (calculados até 31/08/2010); em virtude de o estabelecimento responsável pelas operações de importação não possuir a necessária inscrição prévia em Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil para usufruir dos benefícios relacionados à imunidade dos impostos e redução de alíquota das contribuições. Conforme relatado no documento de folhas 122 a 146, Relatório Fiscal, a filial da empresa PUBLICAR DO BRASIL LISTAS TELEFÔNICAS LTDA. de CNPJ n° 53.026.472/005904, situada em São José dos Pinhais, no Paraná, realizou diversas operações de importação de papel para impressão de listas telefônicas invocando o benefício de imunidade para os impostos e a redução de alíquotas para as contribuições. Ocorre que o estabelecimento filial (CNPJ n° 53.026.472/005904) não possuía o devido Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, obrigação acessória normatizada por meio da Instrução Normativa SRF n° 71/2001 (fatos geradores após 07/12/2009, Instrução Normativa RFB n° 976/2009). Somente o estabelecimento matriz (CNPJ n° 53.026.472/000180) obteve o Registro Especial de Importador (IP08190/00074, ADE n° 360/02, processo 11610.010521/200283). Relata a fiscalização que a análise da destinação do papel perde sua finalidade, dado que todo o papel que foi importado pelo estabelecimento filial (CNPJ n° 53.026.472/005904) sem o competente Registro Especial junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona este estabelecimento foi internalizado de forma irregular. Cientificada, a interessada apresentou impugnação às folhas 445 a 459, 646 a 660, anexando os documentos de folhas 460 a 624, 661 a 700,. Traz as seguintes alegações, em síntese: Que, não há na legislação qualquer elemento que impute à impugnante a imputação das penalidades para si lançadas; Que, a autuação contraria o previsto na Constituição Federal (é defeso aos entes federativos instituir tributos sobre o papel para impressão de livros, jornais e periódicos), o caso é de imunidade objetiva, não Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 4 3 havendo desvio de finalidade não pode ser imputada ao contribuinte a obrigação principal; Que, a obrigação acessória, seja qual for, somente deverá servir para auxiliar o controle da sua comercialização e importação, não para criar requisitos para a fruição de uma imunidade constitucional; Que, Instrução Normativa não pode criar uma obrigação acessória ou um dever instrumental. Ademais, conforme o artigo 7o , incisos II e IV, da Lei Complementar n° 95/98, não há como ampliar o Registro Especial (cigarros) regulado pelo DL n° 1.593/77 para o "papel", matéria estranha, não vinculada por afinidade, pertinência ou conexão; Que, não há no auto de infração a fundamentação legal hábil a motivar o lançamento realizado; Que, não há como separar a personalidade jurídica da matriz e da filial, já que esta personalidade é uma e indissociável. A apresentação das DIFs pela matriz não invalida a informação prestada. A apresentação das informações por meio da matriz supre devidamente as informações requisitadas pela Receita Federal; Requer a anulação do auto de infração em discussão, uma vez que a autuada não incorreu em qualquer infração que ensejasse o lançamento do mesmo, e também sustentação oral em todas as fases do processo. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, ementando assim o acórdão 0724.328: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 19/04/2006 a 21/12/2009 PAPEL. IMUNIDADE DE IMPOSTOS. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DE CONTRIBUIÇÕES. REGISTRO ESPECIAL. Para os impostos, por força do Ato Declaratório Normativo CST n° 46/1988, à hipótese de imunidade tributária, prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição Federal, devem ser aplicadas, para efeito de controle fiscal, as disposições do Regulamento Aduaneiro que tratam da isenção na importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. A redução de alíquota, caso das contribuições, só pode ser aplicada se o estabelecimento responsável pela importação possuir o devido registro especial. Ausente o registro, aplicável a alíquota sem o benefício de sua redução. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. As arguições de inconstitucionalidade apresentadas na peça de defesa não podem ser apreciadas no âmbito do contencioso administrativo. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos esgrimidos na impugnação, requer o acolhimento de seu recurso para que seja reformado o acórdão da DRJ, cancelandose o auto de infração em discussão. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. Trata o presente julgamento de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, referentes a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição PIS/PASEP Importação, contribuição COFINS Importação, Juros de Mora, Multa Proporcional e, Juros de Mora, em virtude de o estabelecimento responsável pelas operações de importação não possuir a necessária inscrição prévia em Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil para usufruir dos benefícios relacionados à imunidade dos impostos e redução de alíquota das contribuições incidentes na importação de papel. Segundo alegação da fiscalização, para importar papel imune é necessário inscrição prévia em Registro Especial junto à unidade da RFB que jurisdiciona o estabelecimento importador. Como o estabelecimento importador não se inscreveu no Registro Especial junto a Delegacia da Receita Federal em Curitiba e, dessa forma, não possuía autorização para operar com papel imune, a imunidade não se aplicaria ao caso concreto. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do auto de infração por mudança no critério jurídico adotado pela DRJ quando do julgamento em primeira instância. A recorrente alega que o auto de infração foi fundamentado nos artigos 638, 752 e 753 do Regulamento Aduaneiro de 2009, no artigo 1º, §6º do Decretolei n° 1.593/77 e nas Leis 11.945/2009 e 10.865/2004; e a DRJ alterou seus fundamentos, enquadrandoo nos artigos 178 a 185 do Decreto n° 91.030/1985, no Ato Declaratório Normativo CST n° 46/1988 e no Regulamento Aduaneiro de 2002. Não assiste razão a recorrente. Em uma leitura atenta do Relatório Fiscal (fls. 125 a 149 do eprocesso), que faz parte integrante dos Autos de Infração, constatase que a matriz legal que fundamentou o lançamento não foi modificada: Decretolei n° 1.593/77, Lei nº 11.945/2009, Lei nº 10.865/2004 e Decretolei nº 37/1966, além dos dispositivos regulamentares. A referência ao Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 5 5 Ato Declaratório Normativo CST nº 46/1988, que não fundamenta o lançamento (nem poderia, por se tratar de ato infra legal) apenas auxilia, de forma subsidiária, a interpretação do direito posto e aplicável ao caso concreto, não se tratando de mudança de critério jurídico adotado. Ele continua o mesmo: para a fiscalização e para o julgador de primeira instância administrativa, como o estabelecimento importador não se inscreveu no Registro Especial junto a Delegacia da Receita Federal em Curitiba, não possuía autorização para operar com papel imune, e a imunidade não se aplicaria ao caso concreto. Quanto ao mérito, a recorrente alega que a fruição do benefício, no caso imunidade para os impostos e redução a zero para as contribuições, não dependem do cumprimento da obrigação acessória de Registro Especial do estabelecimento filial, por decorrerem de previsão constitucional e legal para tanto. Vejamos: A obrigatoriedade de Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal foi inicialmente instituída pelo do DecretoLei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, para fabricantes de cigarros, e posteriormente estendida para outros produtos que necessitem de controle específico, pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. O art.1º, caput e § 6, do Decretolei nº 1.593/77 assim estabelecia: Art. 1º A fabricação de cigarros classificados no código 2402.20.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, excetuados os classificados no Ex 01 , será exercida exclusivamente pelas empresas que, dispondo de instalações industriais adequadas, mantiverem registro especial na Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003). [...] § 6º O registro especial poderá também ser exigido dos estabelecimentos que industrializarem ou importarem outros produtos, a serem especificados por meio de ato do Secretário da Receita Federal (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). (grifei) Destacamos que o referido dispositivo previa a possibilidade de exigência de registro especial para estabelecimentos que industrializarem ou importares outros produtos a serem especificados por meio de ato do Secretário da Receita Federal. Portanto, existia a previsão legal para a exigência de registro por estabelecimento, não apenas por pessoa jurídica importadora. Apenas na edição da Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, passou a constar a previsão específica de Registro Especial para pessoas jurídicas que operam com papel imune e a delegação de competência à Secretaria da Receita Federal para expedir normas respectivas. Quanto às contribuições de PISImportação e CofinsImportação, o §13 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004 delegou competência ao Poder Executivo para regulamentar o disposto em seu §§ 10 e 12, inclusive podendo estabelecer condições para a utilização do benefício de alíquota zero prevista em seu §12, na importação de papel imune. A matéria é tratada no Regulamento Aduaneiro nos artigos 177 a 185 (Regulamento Aduaneiro de 1985), nos artigos 135, II, “a”, 147 a 150 (Regulamento Aduaneiro de 2002) e nos artigos 136, II, “a”, 149 a 152 (Regulamento Aduaneiro de 2009). Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 Como as operações de importação em análise foram realizadas entre abril de 2006 e dezembro de 2009, há que se aplicar o disposto no artigo 149 do Regulamento Aduaneiro de 2002 e o disposto no artigo 151 do Regulamento Aduaneiro de 2009, para as importações registradas após a edição do Decreto n° 6.759/09, o que significa que somente pode importar papel sem a incidência do imposto de importação a empresa para esse fim registrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. No que diz respeito às contribuições incidentes nas operações de importação de papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos, o Decreto n° 5.171/04 reduziu as alíquotas a zero, resguardando o direito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em regulamentar a fruição dos benefícios. O artigo 2º do referido decreto, expressamente determinava que somente a empresa registrada na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal poderia importar papel imune. O referido decreto foi revogado pelo Decreto n° 6.842/09, mas manteve a mesma exigência em no § 5º do artigo 1º. Os referidos decretos, cujos objetivos eram a regulamentação das disposições legais que previam o exercício do efetivo controle aduaneiro previsto no art. 237 da Constituição Federal, continham a exigência de registro junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil para a fruição do benefício de imunidade e alíquota zero na importação de papel. Utilizando uma interpretação sistemática das normas sobre imunidade, alíquota zero das contribuições e controle de papel imune, extraise que o controle da renuncia fiscal, constitucionalmente e legalmente prevista, deve ser exercido através de obrigações acessórias definidas em normas editadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Quanto à “forma” que deve ser efetuado o registro, a Secretaria da Receita Federal do Brasil estabeleceu nos artigos 1º , 2° e 3º da Instrução Normativa SRF n° 71/2001 (mesmo entendimento foi mantido pela IN RFB n° 976/09 em seus artigos 1º , 2° e 3º) , que os importadores que realizem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial, mediante pedido da pessoa jurídica à respectiva unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em cuja jurisdição estiver localizado o estabelecimento importador. Destacase que o artigo 1º da referida Instrução Normativa, em atendimento à previsão legal e regulamentar, condicionou a importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos com imunidade ao registro especial por estabelecimento importador. Conforme dispõe o art. 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF), é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Como a previsão legal para a exigência do registro especial constava do art.1º, caput e § 6, do Decretolei nº 1.593/77, e do §13 do art. 8º da Lei nº 10.865/2004, além da previsão regulamentar que delegou à Secretaria da Receita Federal a forma para controle do benefício, condicionando sua fruição ao seu atendimento, de acordo com o art. 149 do Decreto nº 4.543/2002, art.151 do Decreto 6.759/2009, art. 2º do Decreto n° 5.171/04, e § 5º, art.1º, Decreto n° 6.842/09, tornase obrigatório para essa turma de julgamento, obedecer a exigência de registro especial por estabelecimento importador. A previsão de registro específico junto à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição de cada estabelecimento da empresa que importa papel imune, além de observar o princípio de autonomia dos estabelecimentos que impera no imposto de importação e IPI vinculado à importação), também visa o maior controle da imunidade do papel importado por parte da administração fiscal, na unidade que efetivamente fiscaliza o estabelecimento da empresa, em atendimento ao devido controle aduaneiro previsto no artigo 237 da Constituição Federal. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 6 7 No caso em análise, o estabelecimento filial (CNPJ n° 53.026.472/005904) descumpriu a obrigação de Registro Especial junto à Delegacia da Receita Federal em Curitiba para efetuar importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos com imunidade, desobedecendo ao disposto nas normas regulamentares do benefício. Como o estabelecimento filial da recorrente, CNPJ n° 53.026.472/005904 não fazia jus ao benefício de imunidade na importação de papel, consideramos que o lançamento está devidamente fundamentado, e não merece reparos. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 27 de novembro de 2013. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Os robustos argumentos trazidos pelo voto condutor do Acórdão de lavra do Ilustre Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes atendem, de forma protocolar a pretensão delimitada pelo Fisco no auto de infração, mas não encontram sustentação diante da interpretação sistêmica, histórica ou ontológica do direito, haja vista os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e da aplicação das normas em face do valor jurídico protegido – objeto jurídico tutelado. Por conta disso ouso discordar do Ilustre Relator. O Auto de Infração em apreço constituiu a totalidade dos tributos (impostos e contribuições) incidentes sobre a importação de papel imune em decorrência da ausência de registro especial do estabelecimento filial. A exigência é formulada sem que tenha havido a comprovação ou qualquer indício de que o papel imune importado tenha sido utilizado para outra destinação que não aquelas legalmente estabelecidas para que haja o reconhecimento da imunidade. Portanto, a motivação do ato administrativo resumiuse ao não atendimento de requisito formal, especificamente em relação ao registro da filial, haja vista que a empresa, por seu estabelecimento matriz, mantem incólume o registro e autorização para operar com papel imune. O fundamento normativo para manutenção do auto foi o Ato Declaratório Normativo CST n° 46/1988, conforme expressamente aponta a ementa do acórdão da DRJ. O referido Ato Declaratório Normativo tem a seguinte redação: Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 8 Ato Declaratório Normativo CST/COSIT nº 46, de 10.11.1988 DOU de 14.11.1988 Dispõe sobre o tratamento tributário para qualquer tipo de papel destinado à impressão de livros, jornais ou periódicos. O Coordenador do Sistema de Tributação, em exercício, no uso das atribuições que lhe confere i item II da Instrução Normativa n. 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o Parecer CST/DTCEx n. 1.014, de 10 de novembro de 1988, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados: I O tratamento tributário previsto no artigo 150, inciso VI, alínea “d”, da Constituição Federal e no § 2º, alínea c, do artigo 1º, do DecretoLei n. 2.434, de 19 de maio de 1988, alcança todo e qualquer tipo de papel, desde que destinado à impressão de livros, jornais ou periódicos. II À hipótese, que é de imunidade tributária, é de se aplicar, para efeito de controle fiscal, até nova regulamentação da matéria, as disposições constantes dos artigos 178 a 185 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n. 91.030, de 5 de março de 1985. O Ato Declaratório Normativo referese aos artigos 178 a 185 do RA/1985, dos quais destaco os artigos 181 e 183, por sua relevância para o caso: Art. 181. Para promover despacho aduaneiro do papel com o benefício de que trata o artigo 177, a empresa a que se refere o inciso II do artigo 178 deverá ser previamente autorizada pelo Ministro da Fazenda. § 1º A autorização deverá ser renovada a cada ano e será cancelada se descumpridas as obrigações estabelecidas. § 2º Somente obterá renovação da autorização a empresa que não estiver em falta com as obrigações estabelecidas. ... Art. 183. Sempre que solicitado, deverão comprovar a regular utilização ou destinação do papel objeto do benefício de que trata o artigo 177: I as pessoas e empresas a que se refere o artigo 178; Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 7 9 II as gráficas que executarem serviço na forma do inciso I do artigo 179. § 1º O emprego ou a destinação do papel em desacordo com as prescrições deste Capítulo obrigará quem o utilizou ou destinou indevidamente ao pagamento do imposto dispensado por ocasião do despacho aduaneiro. § 2º Também ficará obrigado a pagar o imposto, com relação ao estoque existente, quem interromper suas atividades normais, sem motivo justificado, salvo transferência a outra empresa qualificada para fruir o mesmo benefício. § 3º O prazo para pagamento do imposto será de trinta (30) dias da intimação, no caso de utilização ou destinação indevida, ou de sessenta (60) dias da interrupção das atividades. Assim, a disposição normativa, que subsidiou a decisão da DRJ, determina que a empresa importadora do papel imune deve ter autorização para importar e que, havendo desvio de finalidade no uso do papel imune, o imposto deve ser exigido. A Lei n° 11.945/2009 é expressa a impor a obrigação de registro à pessoa jurídica e não ao estabelecimento: Art. 1 o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1 o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2 o O disposto no § 1 o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2 o do art. 2 o da Lei n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , no § 2 o do art. 2 o e no § 15 do art. 3 o da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , e no § 10 do art. 8 o da Lei n o 10.865, de 30 de abril de 2004. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 10 § 3 o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4 o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3 o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5 o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4 o deste artigo será reduzida à metade. Ora, se o requisito material para exigência dos tributos é, à luz da norma de incidência, o desvio de finalidade. O registro é pressuposto e não é especificamente dado ao estabelecimento, mas, segundo a norma, é dado à empresa. Não havendo prova do desvio não há materialidade possível para incidência normativa da exigência tributária. A própria decisão da DRJ reconhece que a empresa possui registro especial de importador, conforme trecho constante das fls. 717 e 718 dos autos: Ocorre que o estabelecimento filial (CNPJ 53.026.472/005904) não possuía o devido Registro Especial junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, obrigação acessória normatizada por meio da Instrução Normativa SRF nº 71/2001 (fatos geradores após 07/12/2010, Instrução Normativa RFB 976/2009). Somente o estabelecimento matriz (CNPJ 53.026.472/000180) obteve o Registro Especial de Importador (IP08190/00074, ADE nº 360/02, processo 11610.010521/200283). Assim, como o fundamento para o lançamento é a ausência de registro, diante do reconhecimento expresso de que a empresa o possui, não há subsistência lógica, ou nexo causal para manutenção do lançamento. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 8 11 Inclusive a redação do art. 2º do Decreto nº 5.171/2004, que regulamenta a Lei nº 10.865/2004 (PISImportação e COFINSImportação), não determina qualquer registro “por estabelecimento”, a saber: Art. 2º. Somente poderá importar papel imune ou adquirilo das empresas referidas no inciso II do § 1º do art. 1º a empresa para esse fim registrada, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. A obrigação acessória foi introduzida pela IN SRF nº 71/2001 (fatos geradores após 07/12/2010) e posteriormente na IN RFB n° 976/2009. A penalidade cabível para o caso de descumprimento do registro, se é que o registro existente abrange apenas o estabelecimento Matriz, não poderia ser a exigência dos tributos, uma vez que está, mais grave destinase a punir a conduta delituosa do desvio. Trata se de inadimplemento de obrigação acessória e não material dos requisitos da imunidade. Tenho convicção de que os valores jurídicos protegidos pela Constituição Federal ao conferir a imunidade ao papel destinado a livros e periódicos, não pode ser amesquinhado por um descumprimento formal que, repito, esta sendo exigido de cada um dos estabelecimentos por uma interpretação, uma engenharia jurídica, que se utiliza de uma emaranhado de normas. Ora o fato de o art. 40 da Lei n° 9.532/1997, estabelecer previsão específica para o papel imune, não autoriza que a Receita Federal lance mão do disposto do art. 47, que trata do registro especial do importador de cigarro. Naquele caso, há sentido que o registro seja por estabelecimento, haja vista a grande quantidade de casos que fogem ao controle da administração pública em geral e não só a tributária. Mas no caso do papel imune, houve uma apropriação desvirtuada da norma para criar, via Instrução Normativa, a obrigação de Registro por estabelecimento, fato que, diferentemente do que se verifica para o cigarro (DecretoLei nº 1.593/1977), não há previsão legal para tanto. Não há uma norma legal direta e objetiva que acometa o contribuinte do registro por estabelecimento. No meu entendimento, se vencido em relação à ausência de tipo infracional, a penalidade legais cabível in casu seriam a prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, uma vez tratarse de descumprimento da obrigação acessória. Não poderia ser diferente, pois o raciocínio contrário implica em perda de imunidade, sem que qualquer desvio tenha sido cometido. A infração descrita no auto é motivada pelo descumprimento da obrigação acessória, não pelo desvio da finalidade. Para o não cumprimento de obrigação acessória a contento a penalidade não é a perda do benefício, mas o lançamento da multa correspondente especialmente porque, a teor do art. 113 do CTN, descumprida a obrigação acessória sem, por óbvio, que isso tenha implicado a falta de comprovação do adimplemento da obrigação principal – no caso a finalidade de uso do papel imune –, cabe a aplicação da penalidade pecuniária, mas não decorre disto a conversão desta em obrigação principal no que concerne ao pagamento dos tributos devidos. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 12 A obrigação de registro de cada “estabelecimento” exigido pela IN demonstra com clareza que a norma é voltada para o IPI, cuja apuração é descentralizada. O princípio da unicidade da personalidade jurídica, por diversas vezes, foi utilizado para demonstrar que a divisão de obrigações por estabelecimento está vinculada ao controle em relação ao IPI, unicamente. Sempre que a independência jurídica dos estabelecimentos se mostra contrária a outros bens jurídicos tutelados, como no caso da imunidade ou no caso do Drawback, por exemplo, o princípio vem socorrer os contribuintes da excessiva carga de obrigações acessórias ou da incoerência lógica da repercussão jurídica (penalidade) do descumprimento de deveres instrumentais, que não desqualificam materialmente a conduta pretendida pela norma jurídica, ou seja, o princípio recompõe a regra da unicidade da personalidade em prol da razoabilidade e da proporcionalidade. No Acórdão n° 310100.323, de 04/12/2009, já havia consignado sobre tal fenomenologia, em caso de Drawback: Desta forma, em que pese o fato da não oposição do CNPJ da matriz informado no Ato Concessório nos documentos nos registros de exportação, e sim da filial, real exportadora, esta atitude não fere nem desnatura o objetivo do Ato Concessório em seu intuito políticoeconômico. De fato, houve a exportação por estabelecimento diverso ao informado no Ato Concessório, mas o estabelecimento cujo CNPJ foi informado é diretamente ligado à matriz, sendo desproporcional desconsiderar a fruição do benefício por descumprimento de obrigação acessória, a verdade material, desta forma, surge como evidência. Aliás, como já tive oportunidade de manifestar meu entendimento, a unicidade da personalidade jurídica deve ser concebida pela Administração em todos os momentos das relações jurídicas, ressalvadas as condições especiais (exceções), na medida em que há o efetivo reconhecida de tal unicidade no momento em que a Administração exige o cumprimento de obrigações tributárias; aí não há diferença nem distinção entre estabelecimentos, qualquer um é responsável pelo todo. Assim, se o estabelecimento filial tem a mesma capacidade de industrializar e/ou exportar, entendo deva ser reconhecida a exportação como da contribuinte, independentemente do “sufixo” de seu CNPJ.” Nesse sentido também se assenta a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Acórdão n° 930300219, de 15/09/2009, cujo voto condutor é de lavra da Ilustre Conselheira Naci Gama: DRAWBACK SUSPENSÃO. CUMPRIMENTO DE SUA FINALIDADE. DISTINÇÃO ENTRE O CNPJ CONSTANTE NO AC E DO RE. Se o fato do CNPJ constante no Ato Concessório, diverso do indicado no RE, não prejudicar a fiscalização na verificação do cumprimento do regime pela beneficiária, não procede a alegação de descumprimento do regime capaz de cancelar o benefício fiscal em destaque. Recurso Especial do Procurador Negado Assim, pressuposto imprescindível ao lançamento do tributo, é a demonstração do desvio de finalidade do papel imune, o que não se prova nem se alega nestes autos. Aliás, a destinação é matéria incontroversa nos autos. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 15165.002590/201080 Acórdão n.º 3101001.541 S3C1T1 Fl. 9 13 Por fim, entendo que nas importações em que houve canal de conferência aduaneira é inadmissível a exigência dos tributos. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a exigência dos tributos sobre as importações de papel imune realizado por pessoa jurídica com Registro Especial junto à Receita Federal do Brasil. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/02 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10830.902581/2006-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1354; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 383 1 382 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.902581/200609 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.385 – 2ª Turma Especial Data 05 de novembro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Fiscal Recorrente CADSERVICE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente, justificamente, o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 02 58 1/ 20 06 -0 9 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 384 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário (fls. 268/270) contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Campinas de fls. 251/254 que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 30/10/2003 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 41281.88471.301003.1.3.0 49260 (fls. 40/42), informando: a) débito (confessado): IRPJ – Lucro Presumido, código de receita 2089, do PA 3º trimestre/2003, data de vencimento 31/10/2003, assim especificado: principal: R$ 42.906,24; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 42.906,24. b) crédito utilizado/informado: aproveitamento de crédito de R$ 27.635,09 (valor original), referente suposto pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código de receita 3373, do PA 30/06/2000 (IRPJ PJ NÃO OBRIGADAS AO LUCRO REAL BALANÇO TRIMESTRAL), adimplemento no valor total de R$ 67.151,60, em 31/07/2000.Valor original do crédito inicial R$ 27.635,09. O despacho decisório da DRF/Campinas, de 18/07/2008, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fls. 45), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.635,09. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Fl. 384DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 385 3 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 29/07/2008 (fls. 44), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls 01 e 48, aduzindo, em suas razões, o seguinte, in verbis: Ref. Processo de Crédito n.° 10830.902.581/200609 CADSERVICE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, sociedade limitada de direito privado, estabelecida à Rua Pedro Stancato, n.° 250/290 Bairro Campo dos Amarais Campinas SP, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob n.° 65.877.300/000107, por seus representantes legais abaixo assinados, tendo recebido o Despacho Decisório n.° 775562613 (Rastreamento), com referencia ao Processo epigrafado, vem respeitosamente a presença de Vossa Senhoria, para manifestar sua inconformidade e esclarecer que requereu o desarquivamento do processo n.° 10830.008903/200290, tendo em vista que não foram consideradas as Alterações de DCTF desse processo, protocoladas em 01/10/2002. Do exposto, requer seja tal despacho considerado sem efeito, pleiteando comprovar a legitimidade dos créditos devidamente compensados, assim que tomar vista do processo desarquivado. Em face dessa alegação da contribuinte, cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, que tratam de solicitação de alteração de DCTF, foram juntados aos presentes autos (fls. 53/229), conforme despacho de expediente da DRF/Campinas, de 16/04/2009 (fl. 244), in verbis: (...) Trata o presente de processo de manifestação de inconformidade, vide fls. 01 a 52, de Despacho Decisório emitido pelo SCC, com ciência em 29/07/2008, vide fls.240 . Como o contribuinte solicitou o desarquivamento do processo 10830.008903/200290, pois entende que a decisão prolatada nesse processo estaria vinculada ao presente despacho decisório, foram anexadas as cópias das fls. do processos 10830.008903/2000290, vide fls. 53 a 229. Encaminho o presente à DRJ/Campinas para prosseguimento . (...). Na sequência, a DRJ/Campinas, enfrentando o mérito da lide, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão da 5ª Turma, de 25/04/2011 (fls. 251/254), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 385DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 386 4 Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DCTF RETIFICADORA. Não há que se falar em crédito junto à Fazenda Pública vinculado a processo anterior de retificação de DCTF, se, após deferimento da retificação inicial, outras DCTF retificadoras, instrumentos de confissão de dívida, foram espontaneamente apresentadas pelo contribuinte, confirmando a existência de dé bito de tributo no valor inicialmente apurado, declarado e recolhido pela pessoa jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Restando não comprovada a existência do crédito utilizado na DCOMP, insta não homologar a compensação declarada dos débitos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 13/06/2011 (fl. 267), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 268/270) e juntou documentos (fls. 271/371), argumentando, in verbis: (...) DOS FATOS Trata o presente processo de crédito de Imposto de Renda, referente ao 2o trimestre de 2.000, no valor original de R$ 54.485,42 (diferença entre o IRPJ recolhido antes da recomposição da contabilidade no valor de R$ 67.151,60 e o valor apurado após a recomposição R$. 12.666,18). A recorrente procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 41281.88471.301003.1.3.049260 (copia anexa) para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 42.909,24, com o crédito remanescente do original de R$ 54.485,42, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 387 5 entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retifícadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2o trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 67.151,60 e não R$. 12.666,18 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivada de erro", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. Corroborando tal afirmativa, anexamos cópia fiel da DIPJ/2001, ano calendário 2000, única retificadora (cópia anexa), apresentada em 02/08/2002, onde na Demonstração do Resultado, constatamos a Provisão para o Imposto de Renda no 2o trimestre/2000, no valor de R$.12.666,18 (a mesma constante da DCTF retificadora n.° 91074751).(cópia anexa) Acrescenta ainda a recorrente que, em virtude do prazo decadencial (Art. 150 do CTN), está impedida de solucionar o erro, pelos meios eletrônicos. DO ERRO PLENAMENTE ESCUSÁVEL A recorrente, ao apresentar a DCTF retificadora n.° 22044953 (cópia anexa) de 26/11/2004, cometeu erro de fato, plenamente escusável, na forma em que dispõe o artigo 172, inciso II do Código Tributário Nacional, conforme se transcreve (...) DA CONCLUSÃO Na análise das disposições retro transcritas, constatase ser a recorrente legítima detentora do crédito pleiteado para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre de 2003, conforme DCOMP N.° 41281.88471.301003.1.3.049260, restando demonstrada a necessidade de reforma do r. "decisum" por este Egrégio Conselho, para reparar a subtração do direito alijado na decisão de primeira instância. Diante do exposto, por ter comprovado as razões de fato, e demonstrado as razões de direito, requer seja dado provimento ao presente Recurso (...) É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 388 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Declaração de Compensação Tributária DCOMP nº 41281.88471.301003.1.3.0 49260, transmitida em 30/10/2003, por meio da qual a contribuinte compensou, sob condição resolutória: a) débito informado do IRPJ, valor do principal R$ 42.906,24, código de receita 2089, referente ao período de apuração 3º o trimestre de 2003; b) crédito original utilizado do IRPJ de R$ 27.635,09, referente suposto adimplemento indevido ou a maior do IRPJ do PA 30/06/2000. Quanto a esse PA, o adimplemento, em 31/07/2000, seria no valor de R$ 67.151,60. Valor original do crédito inicial R$ 27.635,09 (informado na DCOMP). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ, relativo ao citado período de apuração. Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que faz jus ao crédito pleiteado, aduzindo: que o crédito – direito creditório do IRPJ, referente ao 2o trimestre do ano calendário 2000, perfaz R$ 54.485,42 (valor original adimplido indevidamente ou a maior); que esse valor corresponde, justamente, a diferença entre o IRPJ adimplido antes da recomposição da contabilidade de R$ 67.151,60 e o valor apurado após a recomposição de R$ 12.666,18; que o IRPJ do 2º trimestre/2000, no valor de R$ 12.666,18 está em consonância com: a) DIPJ retificadora 2001, anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002, vide Ficha 6A Demonstração do Resultado – Provisão do Imposto de Renda de R$ 12.666,18 para 2º trimestre/2000 e Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Real para 2º trimestre/2000, no vador de R$ 12.666,18 (fls. 228/229 e 321/371); b) DCTF retificadora (1ª): o IRPJ do 2º trimestre/2000 foi reduzido de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18; c) DCTF retificadora (última retificadora): que foi transmitida por equívovo, por erro material escusável ao restabelecer o IRPJ do 2º trimestre/2000 para R$ 67.151,60; que, por conseguinte, a DCTF retificadora correta é a 1ª, e não a última. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 389 7 Compulsando os autos, constato que os elementos de provas não permitem, não são insuficientes, para formação de convicção do Julgador quanto ao mérito do crédito pleiteado, ou seja, quanto à existencia e liquidez do crédito demandado. Senão, vejamos: Inicialmente, a contribuinte transmitiu eletronicamente DCTF, em 10/08/2000, quanto ao 2º trimestre/2000, confessando débito do IRPJ estimativa desse trimestre no valor de R$ 67.151,60, informando extinção mediante pagamento por DARF, código de receita 3373, com vencimento em 31/07/2000 (fls. 142 e 175). Porém, não consta dos autos cópia do referido DARF de pagamento/recolhimento. Posteriormente, no processo nº 10830.008903/200290, protocolado em 01/10/2002, a contribuinte solicitou retificação de DCTF, preenchendo formulário em papel de DCTF retificadora, no intuito de redução do débito do IRPJ do PA 2º trimestre/2000 de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18 (fls. 55, 186 e 189). Cópia dos autos do processo nº 10830.008903/200290, de que trata a solicitação de retificação de DCTF, foi juntada aos presentes autos (fls. 53/229 e 244). Ainda, para justificar a retificação da DCTF e redução do imposto apurado do 2º trimestre/2000, de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18, naqueles autos, a contribuinte juntou cópia da Ficha 6A Demonstração do Resultado do 2º trimestre/2000, onde consta consignado, informado, no item 54, Provisão para o IRPJ R$ 12.666,18 (fl. 223) e na Ficha 12 –Cálculo do Imposto de Renda s/ o Lucro Real, item 18 – Imposto de Renda a Pagar R$ 12.666,18 (fl. 224). Por fim, os autos do processo nº 10830.008903/200290 foram arquivados, sem análise do mérito do pedido formulado, por perda de objeto, pois a contribuinte tansmitiu eletronicamente a DCTF retificadora, reduzindo o débito apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 de R$ 67.151,60 para R$ 12.666,18, informando, reiterando, ainda que pagara, em DARF, do referido PA R$ 67.151,60, código de receita 3373. Vide cópia de tela DCTF – Sistema Gerencial (fl. 246/247). Quanto ao referido arquivamento (processo nº 10830.008903/200290), transcrevo o despacho de 12/11/2002 propondo arquivamento e o qual realmente foi arquivado (fl. 229): Trata o presente processo de pedido de retificação de DCTF referente ao (s) ano (s) calendário 2000. A DCTF retificadora já foi transmitida via receitanet. Considerando o disposto no arigo 10 da IN SRF nº 255 de 11/12/2002, PROPONHO o encaminhamento do presente a ARQ – GRA/SP para arquivamento. Ainda, por último a contribuinte apresentou DCTF retificadora, da anterior DCT retificadora, retornando para o débito do IRPJ inicial de R$ 67.151,60 quanto ao PA 30/06/2000, informando que esse valor fora adimplido da seguinte forma (fls.253/257): pagamento em DARF R$ 12.666,18; outras compensações e deduções R$ 54.485,42, conforme pedido formalizado no PAF nº 10830.0008903/200290. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 390 8 Ora, o processo nº 10830.0008903/200290, diversamente do alegado pela contribuinte, não tratou de pedido de compensação tributária, mas apenas de solicitação de retificação de DCTF. Logo, o crédito pleiteado de R$ 27.635,09, na DCOMP objeto destes autos, referente adimplemento indevido ou maior de R$ 54.485,42 do IRPJ do PA 30/06/2000 não restou comprovado, por duas razões: a) se houve compensação, inexiste comprovação nos autos da alegada compensação tributária de R$ 54.485,42, quanto ao IRPJ apurado do PA 30/06/2000; b) ou, se houve pagamento, não consta do autos DARF de pagamento do IRPJ do PA 30/06/2000 no valor de R$ 67.151,60. Por outro lado, quanto à alegação da contribuinte de que houve mero erro material ou erro escusável de preenchimento da DCTF retificadora, transmitida por último, restabelecendo o IRPJ do 2º trimestre/2000 (PA 30/06/2000) para R$ 67.151,60 (DCTF original), entendo que, em tese, é possível, sim, a existência do alegado erro material, pois na DIPJ retificadora, que foi recepcionada pelo Sistema informatizado da RFB (a qual é válida até prova em contrário), o IRPJ apurado do 2º trimestre/2000 totaliza o valor de R$ 12.666,18. A propósito quanto ao alegado erro material, transcrevo, nessa parte, as razões suscitadas no recurso, nesta instância de julgamento, in verbis: (...) A recorrente procedeu a apresentação de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica retifícadora e das solicitações de Alteração de DCTF's, protocoladas em 01/10/2002 (DCTF n.° 91074751 Processo 10830.008903/200290). (copia anexa) Em 28/10/2003, a recorrente protocolou DCOMP n.° 41281.88471.301003.1.3.049260 (copia anexa) para a compensação do IRPJ apurado no 3o trimestre/2003 no valor de R$ 42.909,24, com o crédito remanescente do original de R$ 54.485,42, tendo sido emitido o despacho decisório pela DRF da não homologação da compensação, entendendo que o crédito havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente. Tal entendimento da RFB baseouse nas informações da DCTF retificadora n.° 22044953, recepcionada em 26/11/2004, correspondente ao 2o trimestre/2000, onde por um erro de fato, informouse o valor de R$ 67.151,60 e não R$ 12.666,18 no campo "Débito Apurado", voltando aos valores informados antes da recomposição da contabilidade, o que levou a relatora a julgar a DCTF n.° 91074751, como "eivadas de erros", quando na realidade, espelha fielmente os valores apurados após sanadas as irregularidades contábeis. (...) Como demonstrado, existe DIPJ retificadora (recepcionada validamente até prova em contrário) do anocalendário 2000, transmitida eletronicamente em 02/08/2002 com recibo de entrega (fls. 49/99), demonstrando apuração do IRPJ de R$ 12.666,18 para o 2º Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.902581/200609 Resolução nº 1802000.385 S1TE02 Fl. 391 9 trimestre/2000, logo não tem sentido, em tese, a transmissão de DCTF retificadora apresentada, por último, restabelecendo apuração do IRPJ para R$ 67.151,60 para referido PA. Por isso, o alegado erro material no preenchimento da última retificadora tem, em tese, plausiblidade, no caso. Mas, por outro lado, como já dito, em face dos elementos de prova constantes dos autos, não restou comprovado o adimplemento indevido ou a maior de IRPJ do 2º trimestre/2000 no valor de R$ 54.485,42 (valor original), do qual a recorrente, na compensação objeto dos presentes autos, utilizou crédito de R$ 27.635,09 (valor original). Vale dizer, não consta dos autos, prova cabal, de que o valor do IRPJ de R$ 67.151,60 do PA 30/06/2002 (inicialmente apurado – DIPJ primitiva) tenha sido pago integralmente por DARF ou que tenha sido objeto de quitação integral por compensação, ou ainda por DARF de R$ 12.666,18 e R$ 54.485.42 por compensação. Nesse diapasão, e com base no princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Campinas: a) intime a contribuinte a fazer comprovação, nos autos, do valor apurado do IRPJ do 2º trimestre/2000 à luz da escrituração contábil, informado na DIPJ retificadora; b) intime a contribuinte a comprovar o alegado adimplemento indevido ou a maior de R$ 54.485,42 (valor original) do IRPJ PA 30/06/2000 e do qual ela utilizou/pleiteou R$ 27.635,09 na compensação objeto destes autos (valor original); c) caso o imposto, desse PA, tenha sido adimplido a maior ou indevidamente por pagamento em DARF e/ou compensação tributária, juntar aos autos cópia do DARF com respectiva confirmação de recolhimento e juntar prova de compensação tributária válida; d) informar se há, ou não, disponibilidade de crédito para compensação informados na DCOMP objeto dos autos. e) elaborar, ano final, relatório circunstânciado, apresentando o resultado da diligência fiscal; f) intimar a contribuinte do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para manifestação nos autos, a partir da ciência, caso queira; g) transcorrido o lapso temporal, com ou sem manifestação da contribuinte, fazer a remessa dos autos a este CARF para julgamento. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/11/2013 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001762/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação lastreado em direito creditório reconhecido em outro Processo, no limite do valor lá apurado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 26/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação lastreado em direito creditório reconhecido em outro Processo, no limite do valor lá apurado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 26/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 62 /2 00 8- 81 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O presente processo foi formalizado, originariamente, para análise da compensação constante do PER/DCOMP nº 28307.03862.280205.1.3.043147 e do respectivo PER/DCOMP Retificador nº 23143.52679.150405.1.7.044305. Nesse PER/DCOMP Retificador a contribuinte informou a extinção (sob condição resolutória) de débitos de IPI em decorrência da compensação com créditos que estariam sendo pleiteados no âmbito do processo nº 11128.004396/200486, no valor original de R$ 204.378,71. Às fls. 17/18, cópia do despacho decisório proferido em 16/01/2007 pela SEORT – Serviço de Orientação e Análise Tributária da Alfândega do Porto de Santos, no âmbito do processo administrativo nº 11128.004396/200486. À vista do indeferimento da restituição pleiteada no processo nº 11128.004396/200486, a SAORT da DRF em Santo Ângelo RS emitiu, em 23/12/2009, o despacho decisório de fls. 120/121, não homologando a compensação indicada no PER/DCOMP Retificador nº 23143.52679.150405.1.7.044305. Cientificada (fls. 122) em 29/12/2009, a interessada apresentou, em 28/01/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 123/129, alegando, em síntese, o efeito suspensivo do recurso apresentado, afirmando que como existe vinculação com o processo administrativo nº 11128.004396/200486, que se encontra no CARF aguardando julgamento de recurso voluntário, o débito deverá permanecer com exigibilidade suspensa até que este seja julgado em definitivo na esfera administrativa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 Pedido de Suspensão da Exigibilidade. Não é da competência das Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento a apreciação da suspensão da exigibilidade de crédito tributário Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Como consta, a decisão do vertente litígio está atrelada ao reconhecimento da disponibilidade do crédito discutido no Processo nº 11128.004396/200486, pautado para essa mesma Sessão de Julgamento. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001762/200881 Acórdão n.º 3102001.990 S3C1T2 Fl. 3 3 Não me parece que exista litígio neste que transborde a matéria daquele. Uma vez que tenha sido reconhecido o direito de crédito pleiteado naquele, a compensação neste requerida deve ser homologada no limite do valor lá apurado, nos termos em que foi decidido no Acórdão correspondente. É como VOTO. Sala de Sessões, 22 de agosto de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 346DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914747/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 19/04/2010
IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS.
O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do Fato Gerador: 19/04/2010 IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi.
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Bruno Maurício Macedo Curi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 47 47 /2 00 9- 12 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 122 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. ‘Em análise no presente processo o litígio decorrente do Despacho Decisório de fl. 50 [emitido eletronicamente pelo SCC] que não homologou a DCOMP nº 09726.39624.121205.1.3.047910 transmitida pelo contribuinte retro identificado, por meio da qual se pretendeu a extinção de débitos no montante de R$ 131.395,86 [IPI, PA 11/2005, venc. 15/12/2005], tendo por lastro crédito originário de Pagamento a Maior/Indevido do IPI realizado em 20/02/2001, de valor original igual a R$ 71.574,17, que corrigido pela selic acumulada informada na DCOMP resulta no crédito atualizado de R$ 131.395,86. Tudo isso cf. fls. 54/58. A motivação da nãohomologação foi a constatação da inexistência do crédito informado em razão da utilização integral do pagamento para quitação de débitos do contribuinte [IPI, PA 10/02/2001, valor R$ 71.574,17], não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Cientificada do Despacho Decisório e intimada a recolher o crédito tributário decorrente da nãohomologação da compensação, em 27/04/2010 (fl. 53), manifestou a pleiteante a sua inconformidade em 14/05/2010 (fl. 02), por meio do arrazoado de fls. 02/21, alegando, em síntese: => em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que os dispositivos legais indicados no despacho decisório [arts. 165 e 170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430/96] “em nada se relacionam com um possível Fundamento Legal, que deveria constituir o Despacho Decisório, a fim de evidenciar as justificativas e fundamentos de tal Ato Administrativo, a fim de ensejar elementos básicos para constituição da presente Manifestação de Inconformidade”; e, ainda, de que “não há narrativa lógica entre os fatos e o enquadramento legal utilizado pela Autoridade Fiscal, o que impossibilita a defesa atacar o fato concreto”; => no mérito, sob o título “Crédito Utilizado nos PER/DCOMPs – Da exclusão do ICMS da Base de Cálculo do IPI, PIS e da Cofins”, desenvolve longo arrazoado acerca da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, sob o argumento de que tais impostos não representam receita ou faturamento [estas, sim, base de cálculo do PIS e da Cofins] segundo seus conceitos jurídicos, reproduzindo extensos excertos de doutrina e jurisprudência acerca do tema; => finaliza o tópico retro mencionado nos seguintes termos: “Tal entendimento, como facilmente demonstra o julgado, deverá ser extensivo para a exclusão do ICMS da base de cálculo de todos os Tributos Federais”; => pede, ao final, seja acolhida a preliminar invocada e, no mérito, seja dado provimento à manifestação de inconformidade e homologada a compensação e, caso entenda necessário, seja convertido o julgamento em diligência para a realização de prova contábil para que sejam constatados e confirmados os valores relativos à exclusão do ICMS das bases de cálculo dos Tributos Federais. Na sequência encontramse anexadas às fls. 22/41 dos autos longo arrazoado no qual a defendente discorre acerca do princípio da nãocumulatividade e da base Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 123 3 de cálculo do ICMS, concluindo que “todos os tributos cujo valor tributável tem como base de cálculo o faturamento, trazem consigo o valor do ICMS incluído em sua própria base de cálculo, caracterizando, portanto, flagrante BITRIBUTAÇÃO” A DRJ/JFA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do Fato Gerador: 20/02/2001 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação [preço de venda], nele já está inserido, de modo que a expressão "valor da operação" deve ser compreendida com a sua inclusão. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual apresenta jurisprudência e argumentos contrários a inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, asseverando que seriam aplicáveis também na inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 124 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório também não são combatidos. O único ponto tratado no recurso é a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Incidência do IPI sobre o ICMS No Sistema Tributário Nacional, cada tributo possui sua própria regra de incidência, à luz da qual se deve verificar se determinado valor integra sua base de cálculo. Sobre o IPI, o CTN dispõe: “Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: (...); II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 125 5 (...)” A Lei nº 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI, diz: “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” A Lei Complementar nº 87, de 13/09/1996, que dispõe sobre o ICMS, diz: “Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; (...) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; (...) § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; (...)” No julgamento do RE nº 582.461/SP, em 18/05/2011, o Plenário do STF decidiu, em regime de repercussão geral, que o montante de ICMS deve ser incluído na própria base de cálculo, pois integra o valor da operação. Transcrevo parte da ementa que interessa: “3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 126 6 do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/88, c/c arts.2º, I, e 8º, I, da LC 87/96), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação.” Uma vez que o ICMS faz parte do valor da operação, integra a base de cálculo do IPI. A jurisprudência do STJ corrobora esta conclusão, conforme decisão abaixo: RECURSO ESPECIAL Nº 675.663 PR (2004/01251439) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. Alegações sobre a nãoincidência de outros tributos sobre o ICMS não se aplicam à incidência do IPI. Sobre certeza e liquidez do crédito. Ainda que se entendesse que o ICMS deveria ser excluído da base de cálculo do IPI, no caso não se poderia dar provimento ao recurso. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de IPI. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 15374.914747/200912 Acórdão n.º 3802001.968 S3TE02 Fl. 127 7 Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Além disso, até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem eventual erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito, conforme. acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. E a 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento manifestou o mesmo entendimento no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale ao IPI sobre valores de ICMS. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 13/11/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13976.000247/00-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
NORMAS PROCESSUAIS.
Constatada a ocorrência de contradição entre o voto e o relatório, deve ser corrigida a decisão de modo a retratar, corretamente, a matéria (única) em julgamento, conforme corretamente relatado.
A ementa do acórdão 9303-00.516 deve passar a:
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA
O incentivo denominado crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda
Numero da decisão: 9303-002.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. .
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 08/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
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Constatada a ocorrência de contradição entre o voto e o relatório, deve ser corrigida a decisão de modo a retratar, corretamente, a matéria (única) em julgamento, conforme corretamente relatado. A ementa do acórdão 930300.516 deve passar a: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA O incentivo denominado “crédito presumido de IPI” somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. . JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 02 47 /0 0- 51 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 EDITADO EM: 08/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Na reunião realizada em novembro de 2009 esta Terceira Turma, com a composição de então, julgou recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e lhe deu provimento. Na ocasião, a Conselheira Maria Teresa Martinez López, assim, corretamente, o relatou: Tratase da análise de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão 20217.886, de 28/03/2007, da então 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. A Fazenda Nacional se insurge quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores pagos a título de industrialização por encomenda. A ementa do acórdão recorrido possui a seguinte redação: CRÉDITO PRESUMIDO.INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA, a mens legis do incentivo teve por finalidade a desoneração tributária dos produtos exportados, via ressarcimento das contribuições sociais incidentes, o que inclui os produtos industrializados por encomenda. ENERGIA ELÉTRICA. Não se inclui no conceito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, conforme definido na legislação do IPI. Recurso provido em parte. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido pelo Despacho n° 202523 (fls. 288/289) após verificação do atendimento aos requisitos formais para a sua admissibilidade. A Fazenda Nacional, pede para restaurar a decisão de primeira instância. Desse ato processual a contribuinte foi cientificada optando por não apresentação de contrarazões. A contribuinte apresentou também recurso contra a decisão que não lhe reconheceu o custo de energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido. As fls. 353/354, Despacho de admissibilidade n° 202186, pelo qual foi analisada e negado seguimento ao recurso de divergência da contribuinte depois de Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13976.000247/0051 Acórdão n.º 9303002.287 CSRFT3 Fl. 7 3 verificado o não atendimento aos requisitos formais para a sua admissibilidade. É o Relatório. Como se constata, o relatório deixa claro haver apenas uma matéria em discussão, a industrialização por encomenda. Sobre ela versou o voto da relatora, quem, no entanto, restou vencida. Designado para redigir o acórdão, o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, equivocadamente, nele abordou matéria completamente estranha ao recurso: “atualização monetária pela taxa Selic” Patente a contradição, a empresa acima qualificada interpõe os presentes embargos nos quais alega: (...) Contudo, cientificada da decisão proferida, constatou a contribuinte que, em que pese a Senhora Relatora tenha reconhecido o seu direito em relação a inclusão dos valores relativos a industrialização por encomenda, na apuração do crédito em discussão, seu voto foi equivocadamente afastado em vista daquele proferido pelo relator designado, que insurgiuse em relação a aplicação da taxa selic no ressarcimento do IPI, sequer alegada pela Senhora Relatora (destaques do original) (...) É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Os presentes embargos foram a mim distribuídos em razão de o Conselheiro Gilson Rosenburg Filho a ele não mais pertencer neste momento. Ao analisálo constato a presença de vício a requerer pronta correção. Por não ter integrado o colegiado quando da votação original, tive dúvida sobre reconhecer a mera ocorrência de vício material, o que dispensaria até mesmo o retorno ao Colegiado, ou a presença de contradição, a requerer o pronunciamento dos demais membros. E essa dúvida fica reforçada pela leitura da passagem do recurso que fiz incluir no Relatório deste. É que ali, me parece, a embargante parece insinuar que a Câmara não enfrentara a matéria corretamente, o que tornaria possível rediscutila no presente momento. Isso porque, o texto da decisão que consta na página de rosto do acórdão também não é suficientemente claro. Com efeito, o resultado restou assim anotado: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffman, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez (Relatora) e Leonardo Siade Manzan, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Optei, por isso, em colocálo em pauta. Isso não obstante, da leitura do relatório e do voto da dra. Maria Teresa extraio que a única matéria submetida a debate no colegiado foi exatamente a industrialização por encomenda, tendo havido apenas um equívoco por parte do redator designado na anexação do voto vencedor, operação que é sempre feita posteriormente ao encerramento da sessão. A implicação é que a decisão em si foi perfeita, tendose negado o direito anteriormente reconhecido pela instância recorrida, havendo erro apenas na redação do acórdão. Por isso, a meu ver, agora cabe apenas suprimir o erro, mediante a correta transcrição do entendimento do Conselheiro Gilson sobre a matéria que fora discutida, isto é, a industrialização por encomenda. E ela era bem conhecida porquanto expressa em diversos outros julgados. Trago à colação aquele proferido no julgamento do recurso nº 218.049, relativo ao processo nº 11080.008497/9883, coincidentemente também relatado pela dra. Maria Teresa e em que ele fora igualmente designado redator. São suas palavras: A discordância em relação ao voto da ilustre relatora diz respeito à possibilidade de utilização dos valores referentes aos serviços prestados por terceiros no cômputo da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Sobre esse tema, percuciente é a lição do conselheiro Antonio Bezerra Neto, que peço vênia para transcrever e utilizar como fundamento de meu voto: A Lei n.º 9.363, de 1996, que introduziu o benefício em tela, previu, em seu art. 1º, que o crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sejam incidentes “sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo” (g.n.). Em razão dos termos em que vazada a aludida norma, qualquer interpretação que se lhe empreste não deve afastarse das seguintes premissas: por primeiro, que os insumos utilizados no cômputo do benefício devam ser adquiridos, ou seja, comprados de outro estabelecimento, resultando de uma operação comercial de compra e venda mercantil, não de serviços, como é o caso em comento; segundo, que sejam efetivamente utilizados na produção de produtos exportados, no estabelecimento adquirente; terceiro, como se trata de direito excepto, não comporta interpretação ampliativa, pois os benefícios tributários devem ser interpretados restritivamente, já que envolvem renúncia de receitas públicas. Em relação à primeira das premissas, na operação realizada pela contribuinte não há qualquer aquisição de matériaprima, Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13976.000247/0051 Acórdão n.º 9303002.287 CSRFT3 Fl. 8 5 vez que já pertencia ao estabelecimento encomendante no momento do envio para industrialização por encomenda. A aquisição da matériaprima se deu, portanto, em momento anterior à remessa para industrialização. O custo do beneficiamento realizado por terceiro deve ser contabilizado como “Gastos Gerais de Fabricação”, não como incremento do valor da matériaprima, não podendo ser incluído no cálculo do crédito presumido. O montante despendido por tal pagamento não deve entrar no cômputo do benefício, mesmo porque a operação de envio e retorno se dá com suspensão do IPI, conforme sublinhado na Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX n.º 312, de 3 de agosto de 1998. Aliás, não há razão para que os custos dos insumos que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem não sejam agregados quando utilizados pelo encomendante, quando a operação de industrialização se dá em seu próprio estabelecimento, mas, ao contrário, sejam agregados quando a industrialização se dê por encomenda. Ora, “Onde há a mesma razão, há de se aplicar o mesmo direito”, diz o brocardo romano. Com efeito, tratarseia de situação no mínimo incongruente, para não dizer injusta, retirando a racionalidade das disposições legais que compõem o arcabouço normativo do IPI. No tocante à última das premissas inicialmente delineadas, pois que, quanto à segunda, não há dissenso, importa destacar que há uma certa tendência à construção de exegeses que resultam, as mais das vezes, de considerações outras que não a propriamente jurídica, tal como as de natureza meramente econômica, tão costumeiramente encontráveis no diaadia do julgador. Em que pese o brilhantismo como tais teses são construídas, é preciso evidenciar que não cabe ao intérprete a tarefa de legislar, de modo que o sentido da norma não se pode afastar dos termos em que positivada, pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. Aliás, ainda com relação à terceira premissa, costuma ser encontradiço nos textos que discorrem sobre Hermenêutica Jurídica a afirmação de que “a lei não contém palavras inúteis”, a qual, segundo se diz, vem a ser princípio basilar da disciplina. É dizer, as palavras devem ser compreendidas como tendo, ao menos, alguma eficácia. Não se presumem, na lei, palavras inúteis (Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, 8a. ed., Freitas Bastos, 1965, p. 262). Querse evidenciar com isso que, caso se concebesse o contrário, não haveria razão para que o legislador expressamente previsse o cômputo do valor relativo à prestação de serviços na hipótese de industrialização por encomenda. Veja como dispôs ao estruturar o art. 1º da Lei n.º 10.276, de 2001, in verbis: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto” (g.n.). Ora, in casu, fosse verdadeira a afirmação de que os valores correspondentes ao serviço de beneficiamento, na industrialização por encomenda, deveriam ser incluídos no cômputo do crédito presumido de que trata a Lei n.º 9.363, de 1996, não haveria razão para que o legislador inequivocamente inserisse tal hipótese na Lei n.º 10.267, de 2001, permitindo o seu acréscimo juntamente com o custo de outros insumos (energia elétrica e combustíveis). Notese, por importante, que a aplicação do novel regramento, conforme disciplinado na Lei n.º 10.267, de 2001, se dá alternativamente ao estabelecido na Lei n.º 9.363, de 1996, quando da determinação do crédito presumido. Assim sendo, é de se concluir que a hipótese introduzida no inciso II naquele diploma legal não se encontrava incluída neste último. Pelos fundamentos jurídicos e legais expostos, nego o aproveitamento dos custos com beneficiamentos realizados externamente aos estabelecimentos da sociedade para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para glosar os valores referentes à industrialização por encomenda do cálculo do crédito presumido do IPI. Este era o “voto vencedor” que deveria ter sido por ele incluído, o que faço agora para sanar a contradição verificada sem alteração do resultado do julgamento JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13976.000247/0051 Acórdão n.º 9303002.287 CSRFT3 Fl. 9 7 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 36624.015759/2006-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2004
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. EMENTA INCOMPLETA. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Segundo o art. 31 do Decreto-Lei 70.235, a decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. O fato de a ementa do acórdão não possuir todos os pontos abordados no voto é incapaz de provocar sua nulidade.
MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO - A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internet, e não pela ciência ao fiscalizado.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA POR SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. EXCEDENTE DE LIMITE MÁXIMO.
A possibilidade de eventuais excedentes ao limite máximo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregado e contribuinte individual deve ser demonstrada pela empresa e pelos segurados interessados, na forma estabelecida na legislação.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de inexistência de grupo econômico. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto que excluía do levantamento as Empresas Frigorífico Margem e Cia. União Empreendimentos e Participações. No mérito: 1- Por maioria de votos manter o levantamento 'LEV A11'. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto( relator) que excluía esta rubrica. 2- Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Presidiu o julgamento o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. O conselheiro presidente Dr. Carlos Alberto Mees Stringari declarou-se impedido.
Marcelo Freitas de Souza Costa Presidente em Exercício
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EMENTA INCOMPLETA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Segundo o art. 31 do DecretoLei 70.235, a decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. O fato de a ementa do acórdão não possuir todos os pontos abordados no voto é incapaz de provocar sua nulidade. MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na internet, e não pela ciência ao fiscalizado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA POR SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. EXCEDENTE DE LIMITE MÁXIMO. A possibilidade de eventuais excedentes ao limite máximo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregado e contribuinte individual deve ser demonstrada pela empresa e pelos segurados interessados, na forma estabelecida na legislação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 57 59 /2 00 6- 09 Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 2 Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de inexistência de grupo econômico. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto que excluía do levantamento as Empresas Frigorífico Margem e Cia. União Empreendimentos e Participações. No mérito: 1 Por maioria de votos manter o levantamento 'LEV A11'. Vencido o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto( relator) que excluía esta rubrica. 2 Por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Presidiu o julgamento o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. O conselheiro presidente Dr. Carlos Alberto Mees Stringari declarouse impedido. Marcelo Freitas de Souza Costa – Presidente em Exercício Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro – Redator Designado Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 3 3 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 4 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 16 14.256, fls. 1883/1908, que julgou procedente o lançamento para manter o crédito tributário exigido na NFLD n. 37.038.8704, no valor de R$ 179.140,71 (cento e setenta e nove mil, cento e quarenta reais e setenta e um centavos). O Auto de Infração abrange o período de 01/2002 a 11/2004,tendo sido lavrado em 30/11/2006 e cientificado o contribuinte em 14/12/2006, fl. 1035, e almeja o recolhimento de contribuições previdenciárias, correspondente à parte dos segurados, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – SAT/RAT e as destinadas a terceiros: SESI, SENAI, SEBRAE, Salárioeducação e INCRA. As contribuições têm como fatos geradores os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais declarados na GFIP e apurado pelo Resumo Mensal do sistema previdenciário CNISA. O Relatório Fiscal está presente nas fls. 168/178, e narra que em decorrência de Mandados de Busca e Apreensão Judicial expedidos pelo Juiz Federal da 1ª Vara de Campo Grande – MS, em 26/11/2004, em operação conjunta entre a Polícia Federal e a Receita Federal do Brasil, foram apreendidos diversos documentos que demonstraram a existência de um grupo econômico denominado Grupo Margen, composto por unidades frigoríficas distribuídos em diversos estados do país. Afirma também que foram devidamente apropriados todos os valores recolhidos ou confessados pelo contribuinte, assim como aqueles decorrentes de lançamentos efetuados contra a empresa relativos às competências inseridas na notificação, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, fl. 97/149. Em razão da caracterização de grupo econômico, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil arrolou como solidárias as seguintes empresas: a) Frigorífico Margen; b) Frigorífico Centro Oeste SP LTDA; c) MF Alimentos BR Ltda; d) Eldorado Participações LTDA; e) SS Administradora de Frigoríficos LTDA; f) Água Limpa Transportes LTDA.; g) Magna Administração e Participações LTDA; h) Ampla Empreendimentos e Participações LTDA.; i) Cia União Empreendimentos e Participações. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, duas das empresas arroladas contestaram a autuação fiscal em epígrafe: Frigorífico Centro Oeste, fls. 1.731/1.762 e; Cia União Empreendimentos com dois de seus sócios Alexandre Elias e Neys Agilson Padilha, fls. 1.775/ 1.792. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 4 5 Após analisar os argumentos da Recorrente, a 12ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo, DRJ/SP1, prolatou o Acórdão n° 1614.256, fls. 1883/1910, julgando improcedente a impugnação para manter o crédito tributário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2002 a 30/11/2004. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n. 8.212/91, nos termos do art. 30, inc. IX do mesmo diploma legal. A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico (art. 30, inciso IX da Lei n. 8.212/91 e art. 748 da IN MPS/SRP n. 03/2005) é bastante ampla. Basta uma das componentes do grupo não cumprir as obrigações previdenciárias, para outra delas assumir a responsabilidade por via da solidariedade, o que possibilita ao FISCO, proceder contra qualquer delas, sem que se possa argüir a defesa de ilegitimidade de parte, ou benefício de ordem. INCONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da lei não se discute em instância administrativa. Tais teses deverão ser discutidas na esfera própria, Supremo Tribunal Federal, conforme competência estabelecida no Capítulo III, da Constituição Federal (art. 102, inciso I, alínea ‘a’) SAT. A contribuição do seguro de acidentes de trabalho, está incluída no rol das contribuições previstas no art. 195 da CF/88. A fixação de todos os elementos da obrigação tributária dáse em seu integra pela Lei 8212/91, art. 22, Inciso II. INCRA – São devidas as contribuições sociais a terceiros, entre elas a devida ao INCRA, cuja legislação foi recepcionada pelo art. 240 da Constituição Federal de 1988. SEBRAE – As contribuições destinadas aos serviços sociais autônomos foram recepcionadas pela CF/88, art. 240, devendo ser pagas por todas as empresas à vista do princípio da solidariedade social. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, não pagas dentro do prazo legal, incidem juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e CustódiaSelic – Art. 34 da Lei 8212/91. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 6 Irresignadas, três empresas arroladas interpuseram, tempestivamente, Recurso Voluntário: a) Cia União Empreendimentos, fls. 1.944/1.963; b) Frigorífico Margen, fls. 1.987/1.995 e; c) Frigorífico Centro Oeste, fls. 2.003/2.028. Os argumentos de reforma do Acórdão da DRJ foram os mesmos, em suma: 1. A nulidade do acórdão recorrido por estar a ementa incompleta, uma vez que é parte integrante do Acórdão; 2. A falta de regular ciência do contribuinte quanto as prorrogações do MPF originário; 3. A não observância do limite de saláriodecontribuição dos segurados empregados; 4. Não há nos autos provas da caracterização de grupo econômico; 5. A inexistência da solidariedade. É o relatório. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documento de fls., temse que os recursos são tempestivos e reúnem os pressupostos de admissibilidade. Apesar de o Frigorífico Margen não ter impugnado o auto de infração inicialmente, seus pares o fizeram e, apesar da revelia, deve ser aplicado o disposto no art. 322 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente, que positiva que o revel poderá intervir no processo em qualquer fase, recebendoo no estado em que se encontrar. Portanto, deles tomo conhecimento. DO MÉRITO DO GRUPO ECONÔMICO Este relator entende que para que haja a caracterização de grupo econômico é necessário mais do que empresas possuírem sócios em comum e a existência de um ou outro empregado que se transfere de uma empresa para outra. Na realidade, é entendimento deste, que mesmo que seja provada a existência do grupo econômico, isso não é, por si só, motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias. Com relação a Cia. União Empreendimento e Participações o fiscal não demonstrou qualquer relação que caracterizasse grupo econômico com os demais arrolados, apenas o fundamenta no fato de a empresa ter sido fundada por Ney Agilson Padilhá e Tânia Maria Elias Padilha em 19/07/2002 e a companhia ter como presidente o senhor Alexandre Elias, pai da acionista e diretora Tânia Maria Elias Padilha, conforme Relatório Fiscal. O fato de parte ou mesmo todo quadro societário de uma empresa compor igualmente outras pessoas jurídicas sem que haja qualquer comprovação da vinculação entre elas não é apta a caracterizar grupo econômico. Ocorre que, invariavelmente se confundem relações tributárias com as relações trabalhistas quando se trata de solidariedade. Nas relações trabalhistas podem entrar no polo passivo empresas com vínculo jurídico de controle, em face do seu caráter mais protecionista, pois se trata das relações com as empresas e os “hipossuficientes”, que devem ser protegidos de quaisquer armadilhas” tentada pelo empregador que não deseja pagar o devido ao seu empregado. Sendo assim juridicamente aceitável a configuração de grupo econômico independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica. É o denominado “grupo composto por coordenação” em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento (TRT4RO19827/97 – DOMG. 22.07.98). Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 8 No entanto, quando se trata da aplicação da responsabilidade solidária no campo fiscal, esse caráter protecionista não pode ser aplicado, já que no polo ativo da relação não está o trabalhador e sim o Fisco. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, em recente julgado, já se manifestou em vários precedentes sobre o assunto, conforme colacionado, verbis: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Precedentes do STJ. 2. Para verificar as alegações da parte agravante de existência de solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento, em contraposição ao que foi decidido pelo Tribunal de origem, é necessário o revolvimento de matéria de provas, o que é inadmissível em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1240335/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2011, DJe 25/05/2011) **************************************************** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL. MIN HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 6 9 MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012) ************************************************ TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) Portanto, não merece prosperar a imputação fiscal quanto a solidariedade em razão de não estar comprovado que as empresas arroladas como solidárias praticaram o fato gerador sob análise, devendo a CIA. UNIÃO EMPREENDIMENTO E PARTICIPAÇÕES e o FRIGORÍFICO MARGEN, serem excluídos do pólo passivo presente processo. Destaquese que o fiscal elaborou Anexo I, Resumo Mensal Declarado na GFIP, fls. 179/184, com o CNPJ do estabelecimento, a competência, a remuneração, Décimo Terceiro, total da Contribuição do Segurado, Salário Família e observação do levantamento A11 e A12, que totalizam os levantamentos do presente DEBCAD n. 37.038.8704. Nele constam 09 (nove) estabelecimentos que formaram a base de cálculo desta NFLD. Com relação às empresas arroladas como solidárias, Magem e Cia. União., não há correlação entre seus CNPJs e os relacionados no Anexo I, portanto, acaso fosse mantida a decisão de primeira instância o pagamento por eles eventualmente realizado o seria apenas a título de responsabilidade. Com relação ao principal obrigado, Frigorífico Centro Oeste, consta seu estabelecimento (04872265000130) nas competências de 03/2002 a 11/2004 todos fazem parte do levantamento A12, os demais estabelecimentos fazem parte do levantamento A11. Portanto, não demonstrada a prática conjunta do fato gerador entre o Frigorífico Centro Oeste e as demais coobrigadas, entendo que ele não deve responder pelo levantamento A11, por responsabilidade tributária, uma vez que não demonstrada a prática conjunta do fato gerador das contribuições previdenciárias. Portanto, devem ser analisados os argumentos de mérito do seu recurso, presente nas fls. 2003/2018. DA PRINCIPAL AUTUADA – FRIGORÍFICO CENTRO OESTE Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 10 O Frigorífico Centro Oeste alega: a) a nulidade do acórdão de primeira instância em razão de a ementa estar incompleta; b) a falta de regular ciência do contribuinte quanto às prorrogações do originário MPF; c) a não observância do limite de saláriode contribuição; d) a inexistência de grupo econômico. A primeira alegação não possui robustez, haja vista que o acórdão prolatado possui todos os seus requisitos e o fato de a ementa não conter todos os argumentos presente no voto e na conclusão não são capazes de ensejar sua nulidade, por não haver qualquer prejuízo ao contribuinte. Ademais, a ementa sequer é requisito do acórdão nos termos do DecretoLei 70.235/72, que traz a seguinte redação: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Com relação ao segundo, argumento, este também não causou qualquer prejuízo à recorrente, ademais, é mansa e pacífica a jurisprudência desta corte administrativa a respeito do tema, conforme se percebe de julgado ilustrativo abaixo, in verbis: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO A prorrogação de procedimento fiscal regularmente cientificado ao contribuinte dáse mediante registro eletrônico disponível na internet, e não pela ciência ao fiscalizado. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. Ocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do CTN, conforme precedentes do E. STJ. PIS e COFINS MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Incabível a exigência da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, afeta às condutas de sonegação, fraude e conluio, quando a receita tomada em conta pelo procedimento fiscal para o lançamento dos tributos foi colhida em livro contábil ou fiscal da própria contribuinte, aflorando a hipótese de declaração inexata, igualmente prevista no mesmo comando legal e cuja penalidade pecuniária é aquela prevista em seu inciso I, qual seja, multa de Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 7 11 75%. Recurso Voluntário provido. Recurso de Ofício desprovido. (CARF. Primeira Seção, Processo 13971.001150/200607, Relator Conselheiro Carlos Pelá, Acórdão 1402001.271, sessão de 04 de dezembro de 2012.) Quanto à suposta não observância do limite de saláriodecontribuição, por dever o fiscal comprovar por meio dos sistemas informatizados da Previdência Social, aqueles que já teriam pago integralmente as contribuições indevidas é alegação inadequada. Deve realmente o contribuinte fazer prova de tal alegação e não o contrário. A obrigação da empresa em seu recolhimento consta no art. 4º da Lei 10.666, art. 30 da Lei n. 8212/91, art. 216 e 225, incisos e parágrafo do Decreto n. 3.048/99, não podendo o contribuinte se eximir de tal ônus. Para tanto, ilustrase o entendimento através do precedente abaixo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DEVIDA POR SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A possibilidade de eventuais excedentes ao limite máximo das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregado e contribuinte individual deve ser demonstrada pela empresa e pelos segurados interessados, na forma estabelecida na legislação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEGALMENTE CONSTITUÍDO. ART. 142 DO CTN. Crédito tributário deve está revestido das formalidades legais do art. 142 e parágrafo único, e arts. 97 e 114, todos do CTN. DILIGÊNCIA. A diligência pretendida deve expor os motivos que as justifiquem e a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados. Considerarseá não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c parágrafo 1º do Decreto n. 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Quanto ao último tópico, este já foi analisada no tópico acima, não merecendo repetições. DA MULTA APLICADA A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 12 Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 8 13 a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial dos recursos para: a) excluir do pólo passivo Frigorífico Magen e Cia. União Empreendimentos e Participações por não comprovação da prática conjunta do fato gerador com o principal obrigado; b) determinar inexigível ao Frigorífico Centro Oeste, os valores integrantes no levantamento ‘LEV A11’ por ausência de comprovação da prática conjunta do fato gerador com os demais estabelecimentos; c) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 14 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Redator Designado Divirjo do I. Relator quanto à exclusão do pólo passivo das empresas Frigorífico Magen e Cia. União Empreendimentos e Participações por não comprovação da prática conjunta do fato gerador com o principal obrigado. Igualmente, divirjo do I. relator quanto à inexigibilidade do levantamento "LEV A11". (i) Em relação à exclusão do pólo passivo das empresas Frigorífico Magen e Cia. União Empreendimentos e Participações. Analisemos. I. Configuração do Grupo Econômico de fato I.1 Aspectos gerais Na alegação do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. A corroborar tal entendimento, a Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal, às fls. 170 a 179, e no Relatório Grupo Econômico, às fls. 190 a 215, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 9 15 Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 16 Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e da IN RFB 971/2009: Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época dos fatos geradores, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. No mesmo sentido, a IN RFB 971/2009: Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 10 17 Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 18 trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento do Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato, onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão vejamos: O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 1.2.1. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão Judicial expedidos pelo M.M. Juiz Federal da 1°. Vara de Campo Grande—MS em 26/11/2004 (Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul), Autos de Inquérito Policial n°. 319/02 SR/DPF/MS, em operação realizada pela Policia Federal e Auditores Fiscais da Previdência Social nas dependências das empresas e locais relacionados na Tabela 01, resultou na apreensão de grande quantidade de documentos e microcomputadores. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 11 19 1.2.2. A análise dos documentos apreendidos demonstrou a existência de um grupo econômico denominado GRUPO MARGEN, composto por unidades frigorificas, transportadoras, holdings e empresas de cessão de mão deobra, distribuídos nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Parana, São Paulo, Santa Catarina, Goias, Tocantins e Brasilia. 0 relatório caracterizador do referido grupo econômico encontrase se no relatório "GRUPO ECONÔMICO: GRUPO MARGEN". O Relatório Fiscal, às fls. 170 a 179, e no Relatório Grupo Econômico, às fls. 190 a 215, caracterizou a ocorrência de grupo econômico entre as empresas: Frigorifico Margen Ltda, Eldorado Participações Ltda., MF Alimentos BR Ltda., SS Administradora de Frigorifico Ltda., Magna administração e Participações Ltda., Agua Limpa Transportes Ltda, Ampla Empreendimentos e Participações Ltda, CIA Unido Empreendimentos e Participações e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. Em relação à caracterização do grupo econômico de fato constituído, disposto no Anexo Relatório de Grupo Econômico às fls. 190 a 215, destacamse, dentre outros aspectos: GRUPO ECONÔMICO: "GRUPO MARGEN" C.N.P.J.'s: 25.068.875/000156 — Frigorifico Margen Ltda.; 05.281.319/000156 — SS Administradora de Frigorifico Ltda.; 02.682.269/000120 — Eldorado Participações Ltda.; 02.135.319/000150 — Magna Administração e Participações Ltda.; 05.300.347/000173 — Ampla Empreendimentos e Participações Ltda.; 05.166.882/000183 — Cia. União Empreendimentos e Participações; 01.169.288/000195 — Agua Limpa Transportes Ltda.; 04.872.265/000130 — Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.; 05.307.573/000186 — MF Alimentos BR Ltda 1. HISTÓRICO 1.1. 0 Grupo Margen é um dos maiores processadores de carne bovina da América Latina e está presente em 8 estados brasileiros e no Distrito Federal. Sua sede encontrase na cidade de São Paulo e o seu Departamento Comercial está fixado na cidade de Rio VerdeGO. Possui 12 unidades industriais distribuídas nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Paraná e Tocantins. Estas plantas industriais abatem em média 5.000 cabeças de bovinos por dia. 1.2. 0 Grupo realiza o transporte de carne para o mercado interno por meio de frota própria de veículos refrigerados. A Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 20 distribuição é realizada através de 07 entrepostos localizados nas cidades de BarueriSP, CampinasSP, BauruSP, AraraquaraSP, BrasiliaDF, BlumenauSC e CuritibaPR. Essas unidades realizam mais de 6.000 entregas diárias. 0 Grupo ainda mantém uma unidade na Europa. 1.3. 0 Grupo Margen emprega mais de 5 mil funcionários e geram outros milhares de empregos indiretos. 1.4. Estas informações constam na página mantida pelo Grupo na internet no sitio http://www.marcen.com.br , anexo 01. 3. COMPOSIÇÃO DO GRUPO MARGEN 3.1. 0 Grupo Margem atualmente é composto por nove empresas nos seguintes ramos de atividade: 1. Frigoríficos: Frigorifico Margen Ltda.; MF Alimentos BR Ltda. e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. 2. Transportes: Agua Limpa Transportes Ltda. 3. Holdings: Ampla Empreendimentos e Participações Ltda.; Magna Administração e Participações Ltda.; Eldorado Participações Ltda. e Cia. União Empreendimentos e Participações. 4. Cessionária de Mãodeobra: SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4. HISTÓRICO DAS ALTERAÇÕES SOCIETÁRIAS Frigorifico Margen Ltda. 4.1. A empresa foi constituída inicialmente sob a denominação social "Margen • Transportes Rodoviários Ltda.", ern 08/02/1989. 0 quadro societário inicial era composto pelos senhores Ney Agilson Padilha, Verena Maria Bannwart Suaiden, Roberto Siqueira Rosa, Adair Ermetti Furini e Milton Prearo. 4.2. Em 14/05/1990, a sua denominação social foi alterada para "Frigorifico Margen Ltda." e sua atividade econômica para "abate e frigorificação de bovinos". Em 23/08/1990, retiraram se da sociedade os sócios Roberto Siqueira Rosa e Adair Ermetti Furini. 4.3. Em 10/11/1995 ocorreu uma cisão parcial com versão de parcela do seu patrimônio para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda., CNPJ 01.169.288/000195. Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 12 21 4.4. Em 11/11/96 a sócia Verena Maria Bannwart Suaiden retirouse da sociedade, sendo então admitidos os senhores Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. 4.5. Em 03/12/96 retiraramse da sociedade os senhores Ney Agilson Padilha e Milton Prearo. 4.6. Em 07/10/98 o sócio Jelicoe retirouse da sociedade, sendo admitida a empresa Eldorado Participações Ltda. Com esta alteração o sócio Lourenço Augusto Brizoto passou a deter 1% do capital social e a Eldorado Participações Ltda. ficou com 99%. Em 20/02/2003 retirouse da sociedade Lourenço e foi readmitido o sócio Jelicoe Pedro Ferreira Eldorado Participações Ltda. 4.7. A empresa foi constituída em 10/08/1998 pelos senhores Lourenço Augusto Brizoto, Jelicoe Pedro Ferreira e Aldomiro Lopes de Oliveira. Em 13/07/2004 o sócio Aldomiro Lopes de Oliveira transferiu 100% de sua participação no capital social para a empresa uruguaia Cyndell Company Sociedad Anonima, cujo procurador é o próprio Jelicoe Pedro Ferreira. Em 27/07/2004 o sócio Lourenço Augusto Brizoto transfere suas quotas aos sócios Jelicoe Pedro Ferreira e Cyndell Company Sociedad Anonima. Assim, Jelicoe passou a deter 51% do Capital Social e a empresa uruguaia os 49% restantes. MF Alimentos BR Ltda. 4.8. A MF Alimentos BR Ltda. foi constituída em 23/07/2002 pelo senhor Jelicoe Pedro Ferreira e pela pessoa jurídica Eldorado Participações Ltda. Em 12/08/2002 retirouse da sociedade o sócio Jelicoe, transferindo sua participação societária para o senhor—Lourenço Augusto Brizoto. Com a alteração contratual ocorrida em 10/02/2003, o sócio Lourenço Augusto Brizoto retirase da sociedade, sendo novamente admitido o senhor Jelicoe. SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4.9. A empresa foi constituída em 26/08/2002 pelos senhores Marcelo Ribeiro Rocha e Alberto Asciutti Netto. Posteriormente, ingressou na sociedade a pessoa jurídica Eldorado Participações Ltda. 4.10. A função da SS Administradora de Frigorifico Ltda. é o de prover de mãodeobra as unidades frigorificas do Grupo Margen. Esta empresa foi constituída estrategicamente para receber formalmente toda a mãodeobra das unidades industriais das empresas Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos Ltda. Este ardil concebido com a arte da malícia tem por fim afastar os fatos geradores de contribuições previdenciarias incidentes sobre Folha de Pagamento de Salários das unidades industriais e estancar os débitos relativos a estas contribuições na SS Administradora de Frigorifico Ltda. Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 22 4.11. A atuação desta empresa restringese a executar as formalidades previstas na legislação trabalhista, pois a relação de emprego de fato estabelecese entre as unidades industriais e as pessoas formalmente contratadas pela SS Administradora. Os documentos arrolados no anexo 04 resgatam a supremacia da realidade dos fatos. Nestes expedientes encaminhados pelo Frigorifico Centro Oeste a SS Administradora consta: • Expediente de 30/04/2003: informa a alteração por parte do Frigorifico do horário de inicio da jornada de trabalho para alguns funcionários e determina o pagamento de horas extras; • Expediente de 08/05/2003: comunica a freqüência correta de funcionários e o direito destes a cesta básica; • Expediente de 13/06/2003: solicita que se faça vale extra para funcionário; • Expediente de 14/06/2003: solicita a demissão imediata de funcionário e determina que o mesmo deverá ter aviso prévio retroativo; • Expediente de 21/07/2003: comunica a alteração de cargos de funcionários; • Expediente de 23/07/2003: solicita advertência a funcionária por ter a mesma trocado horário de trabalho sem aviso prévio à gerência do frigorifico. 4.12. Como se depreende, fica evidente a subordinação dos funcionários diretamente ao frigorifico, responsável de fato pela gestão do pessoal apenas formalmente registrado pela SS Administradora. A planilha intitulada "Relação de Funcionários — C.Oeste", anexo 04, mostra o detalhamento em 07/03/2003 de quais funcionários foram contratados via "registro" pelo próprio Frigorifico Centro Oeste e aqueles via "registro" pela SS Administradora, evidenciando a estratégia adotada pelo Grupo Margen para a formalização das relações de emprego. Magna Administração e Participações Ltda. 4.13. A empresa foi constituída em 23/09/1997 pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Em 06/04/1998 ocorreu incorporação parcial da sociedade Aqua Limpa— Transportes Ltda., com versão de parcela patrimonial no valor de R$ 1.700.831,58. Novamente, em 11/11/1999, a sociedade Magna Administração e Participações Ltda. incorporou parcialmente a empresa Aqua Limpa Transportes Ltda., com recebimento de patrimônio no valor de R$ 389.034,55. Aqua Limpa Transportes Ltda. 4.14. Esta empresa foi constituída em 10/11/1995 especialmente para receber a parcela patrimonial cindida do Frigorifico Margen Ltda., cuja avaliação montou em R$ 1.792.097,78. 0 quadro societário inicial estava composto pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo e Verena Maria Bannwart Suaiden. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 13 23 Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. 4.15. A sociedade foi constituída em 09/09/2002 pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Em 31/05/2004 ingressaram na sociedade os senhores Geraldo Antônio Prearo, Mauro Suaiden e James Celso Lisboa Júnior e retiraramse da sociedade os sócios Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Cia. União Empreendimentos e Participações 4.16. Fundada por Ney Agilson Padilha e Tânia Maria Elias Padilha em 19/07/2002. A companhia tem como presidente o senhor Alexandre Elias, pai da acionista e diretora Tânia Maria Elias Padilha Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. 4.17. A sociedade foi constituída em 14/01/2002 pelos senhores José Geraldo de Freitas e Cláudio Sobral de Oliveira. A empresa Eldorado Participações Ltda. participou da sociedade entre 20/05/2002 e 30/07/2002. 5. OS ATORES PRINCIPAIS: MAURO SUAIDEN, GERALDO ANTONIO PREARO E NEY AGILSON PADILHA 5.1. 0 nome MARGEN advém da justaposição das iniciais dos nomes de seus proprietários e administradores de fato — como se demonstrará adiante — os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha, 5.2. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha são os personagens centrais no arcabouço constituído pelas empresas aqui citadas. São eles as vigas mestras que provêem sustentação financeira, administrativa e gerencial ao conjunto destas empresas. Formalmente aparecem apenas no quadro societário da empresa Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. Nas demais empresas fizeram constar ardilosamente ora os cônjuges (Verena Maria Bannwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha), ora o irmão (Milton Prearo), ora o sogro (Alexandre Elias), ora outros (Jelicoe Pedro Ferreira, Aldomiro Lopes de Oliveira, Lourenço Augusto Brizoto, José Geraldo de Freitas, Cláudio Sobral Oliveira, Marcelo Ribeiro Rocha) que simploriamente cederam seus nomes para figurarem artificialmente como responsáveis pelos empreendimentos ocultando as identidades dos seus verdadeiros proprietários. 5.3. Dentre estes últimos, a pessoa Jelicoe Pedro Ferreira é utilizada de forma ostensiva e amiudamente. Seu nome aparece nos contratos sociais e nas inúmeras alterações contratuais de várias empresas. Atualmente, Jelicoe aparece à frente das— empresas Frigorifico Margen Ltda., MF Alimentos BR Ltda., Eldorado Participações Ltda. e é o representante legal da "offshore" uruguaia Cyndell Company Sociedad Anônima. Como Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 24 se pode observar no fluxograma do Grupo Margen no anexo 04, após as diversas manobras de reestruturação do quadro societário, Jelicoe Pedro Ferreira tornouse o único responsável pelo Frigorifico Margen Ltda., pois o mesmo é também o sócio gerente da empresa Eldorado Participações e o representante legal no Brasil da Cyndell Company. Assim, todo o poder de gestão dessa empresa estaria ficticiamente a seu encargo. 5.4. Outro fato relevante está na cisão da empresa Frigorifico Margen Ltda. ocorrida em 10/11/1995, com a transferência de 80,6% dos bens que compunham o seu • imobilizado para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda. A versão destes ativos implicou em uma redução de seu Patrimônio Liquido de 98,1%. Esta manobra teve como finalidade evidente descapitalizar a empresa Frigorifico Margen para posteriormente passar a operála com a interposição de pessoas travestidas de sócios gerentes. 0 que de fato veio a ocorrer com a modificação do quadro societário em 11/11/1996, ocasião em que a esposa do Sr. Mauro Suaiden, Verena Maria Bannwart Suaiden, transferiu suas quotas para o Sr. Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. E posteriormente em 03/12/1996, os srs. Ney Agilson Padilha e Milton Prearo também cederam suas participações a Jelicoe e Lourenço. Assim, completouse o ciclo de transformação do quadro societário, resultando em uma empresa exaurida de ativos e com sócios proprietários fictícios. 5.5. Os ativos transferidos para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda. continuaram a ser utilizados pelo Frigorifico Margen Ltda. em suas atividades operacionais por meio de contratos de arrendamento. As copias de diversos contratos de arrendamento juntados no anexo 05 comprovam tal sistemática, conforme demonstrado a seguir: • Nos "Contratos de Locação Industrial" firmados em 05/05/1996 e 05/01/1998, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. um "conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17, composto de dois módulos, sendo um para abate e frigorificação de bovinos e o outro para produção de charque ...". Tratase das instalações industriais onde o Frigorifico Margen sempre operou desde o inicio de suas atividades; • Nos "Contratos de Locação de Veículos" firmados em 01/03/1997, 01/06/1997 e 01/07/1997, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. diversos caminhões Mercedes Benz equipados com carroceria fechada tipo baú; • Nos "Contratos de Locação Industrial" firmados em 01/05/1998, 01/01/1999, 01/01/2002 e 01/01/2004, a Magna Administração e Participação Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. um "conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17, composto de dois módulos, sendo um para abate e frigorificação de bovinos e o outro para produção de charque ...". Tratase das mesmas instalações industriais antes pertencentes à Agua Limpa Transportes Ltda.; Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 14 25 • Nos diversos "Contratos de Locação de Veículos' firmados em 01/01/2002, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. caminhões do tipo Furgão lveco Fiat. 5.6. 0 esquema mostrado na figura a seguir ilustra a sistemática adotada pelo grupo de empresas em relação ao ativo composto pelo conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17. Como se observa, aquele ativo migrou da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Da mesma forma, os sócios Ney Agilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden migraram do quadro societário da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Já o quadro societário do Frigorifico Margen passou a ser constituído pelos sócios fictícios Jelicoe Pedro • Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto e as instalações industriais passaram a ser exploradas por meio de arrendamento. 5.7. Esta estratégia teve como finalidade afastar o patrimônio de possíveis execuções fiscais, uma vez que a partir de então o Frigorifico Margen passou a acumular enorme passivo fiscal, mormente em relação ás contribuições devidas a Previdência Social. 5.8. Outro fato emblemático é o "Contrato de Confissão e Parcelamento de Divida com Garantia Pignoraticia e Avalista", anexo 06, pactuado entre Juma Indústria e Comércio de Carnes Ltda. e Joaquim Carlos Sabino dos Santos. Nesta confissão de divida figuram como avalistas o Frigorifico Margen Ltda., Geraldo Antônio Prearo e sua esposa Rosângela de Lurdes Veronese Prearo. Em todas as situações em que se faz necessário o oferecimento de garantias é praxe ver os nomes dos senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha associados ao Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos Ltda As cópias do anexo 07 reforçam ainda mais a estreita vinculação destes senhores com o Frigorifico Margen Ltda. Conforme se observa, estas cópias mostram: • correspondências endereçadas ao Sr. Geraldo Prearo (em 23/11/2004, 25/11/2004 e 27/11/2004) têm como endereço o Frig. Margen Ltda. e o qualificam como "Diretor Geral"; • oficio da AVM Engenharia para o Frig. Margen em atenção ao Sr. Geraldo Antônio Prearo; • "Facsimile Transmission" da Jet Avionics para o Frig. Margen em atenção ao Sr. Mauro Suaiden. 5.10 Os "Termos de Declarações" tomados pelos Delegados da Policia Federal Cristian Arley Silva Lages e Rubens Alexandre de França, anexo 08, mostram que os empregados do Frigorifico Margen Ltda. e Agua Limpa Transportes Ltda., desde o vigilante ao Gerente Financeiro, são unânimes em apontar os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Pad ilha Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 26 como os proprietários e gestores de fato do Frigorifico Margen Ltda. Nos depoimentos colhidos destacamos as seguintes afirmações: • Wagner Cyrne Diniz, Gerente Comercial do Frigorifico Margen: "...que foi contratado por NEY PADILHA, um dos diretores do FRIGORIFICO MARGEN; que os outros diretores do FRIGORIFICO MARGEN são GERALDO PREARO, MAURO SUAIDEN; ...que a empresa tem uma distribuição em São Paulo, coordenada por MAURICIO SUAIDEN JUNIOR, irmão de MAURO SUAIDEN;..." • José Marcos Giacone, Gerente Financeiro do Frigorifico Margen: "...que fora contratado para trabalhar na empresa pelo Senhor GERALDO ANTONIO PREARO; ...que questionado se recebe orientação direta do proprietário da empresa, senhor JELICOE, o declarante disse que sempre as orientações são passadas pela diretoria que é composta pelos senhores GERALDO ANTÔNIO PREARO, NEY PADILHA e MAURO SUAIDEN; ...que a diretoria geral do frigorifico tem sede na cidade de Rio VerdeGO, sendo que seus três componentes (GERALDO, MAURO e NEY) dispõem de amplos poderes para gerir a empresa; ...que questionado se conhece os senhores LOURENQO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE • OLIVEIRA, disse não conhece qualquer deles, nunca tendo sequer ouvido falar de tais pessoas;..." • Sebastião Coleoni dos Reis, Gerente de Transportes da Aqua Limpa Transportes Ltda.: " ...que foi contratado para trabalhar na empresa pelo Sr. MAURO SUAIDEN, que é um dos sócios da empresa; que além de MAURO SUAIDEN, também são sócios da empresa AGUA LIMPA os senhores NEY AGILSON PADILHA e GERALDO PREARO; que referidos sócios construíram toda a estrutura da AGUA LIMPA TRANSPORTES e também do FRIGORIFICO MARGEN; ...que esclarece que os únicos sócios da empresa são os acima citados; que MAURO, NEY e GERALDO são os únicos sócios do FRIGORIFICO MARGEN; que questionado sobre a pessoa de JELICOE PEDRO FERREIRA, já o viu uma vez nesta empresa, mais precisamente em uma festa, mas não mantém relacionamento com o mesmo, sabendo dizer que o mesmo não trabalha no FRIGORIFICO MARGEN ou na AAG U LIMPA TRANSPORTES; que reitera que JELICOE nunca mais esteve no FRIGORIFICO MARGEN ou na TRANSPORTADORA AGUA LIMPA; • Airton Prearo Júnior, Assistente Financeiro do Frigorifico Margen, sobrinho de Geraldo Antônio Prearo: "...que informou ainda que seu pai lhe disse que a rede de Frigorifico Margen sempre pertenceu a GERALDO PREARO, MAURO SUAIDEN e NEY PADILHA; ...que questionado se conhece o Sr. JELICOE PEDRO FERREIRA, LOURENÇO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE OLIVEIRA, disse: nunca ouvi falar de nenhum deles;..." • Suelen Rosa de Castro, Auxiliar de Contabilidade e Recepcionista do Frigorifico Marc:ten: "... que questionada se conhecia os proprietários do frigorifico, a depoente respondeu que sabe que a empresa pertence aos senhores MAURO Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 15 27 SUAIDEN, NEY PADILHA e GERALDO PREARO; ...que questionada se conhece os senhores JELICOE PEDRO FERREIRA, LOURENÇO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE OLIVEIRA, disse que não conhece qualquer dos nominados, também não se recorda têlos atendido, via telefone; ...que sabe que a empresa é de propriedade de GERALDO, MAURO e NEY, pois todos no frigorifico mencionam, inclusive o gerente MARCOS GIACONE;..." • Rodrigo Silveira e Souza, Auxiliar de Escritório do Frigorifico Margen: "...que sabe que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são NEY, GERALDO e MAURO; ..." • Irineu Dantas de Arailio, Auxiliar de Comprador de Bovinos do Frigorifico Margen: "...que sabe dizer que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são MAURO SUAIDEN, NEY AGILSON PADILHA e GERALDO ANTÔNIO PREARO; ..." • Edilson Tavares Melo, Faturista do Frigorifico Margen: "...que não conhece a pessoa de JELICOE, não tendo visto o mesmo em nenhuma oportunidade na sede da empresa FRIGORIFICO MARGEN, parecendo ao mesmo que JELICOE trabalha em São Paulo; ...que MAURO SUAIDEN, NEY AGILSON PADILHA e GERALDO PREARO são os donos da empresa FRIGORIFICO MARGEN; ..." • Jailson Pereira Lopes, Vigilante do Frigorifico Margen: " ...que sabe dizer que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são NEY, GERALDO e MAURO; que questionado como sabia que NEY, GERALDO e MAURO eram sócios do FRIGORIFICO MARGEN, informou que antes mesmo de começar a trabalhar, já sabia do fato, que é de conhecimento geral na cidade de Rio Verde/GO; ..." 6. FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS DO GRUPO 6.1. Dentre os documentos apreendidos há copiosa quantidade de contratos de financiamento firmados com instituições financeiras do Brasil e exterior. Estes financiamentos levantavam recursos para operacionalizar as atividades do Grupo, beneficiando, entre outras, as empresas Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltd a. e MF Alimentos BR Ltda. 6.2. Entrementes, estas empresas não apresentam ativos suficientes para garantir os volumosos empréstimos captados na rede bancária. 0 mesmo se pode constatar em relação aos sôcios formais destas empresas — Senhores Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas — pessoas de acanhadíssima posição patrimonial e, portanto, sem a minima capacidade financeira para obter vultosos empréstimos e oferecer garantias aos financiadores. Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 28 6.3. Diante deste quadro, os verdadeiros sócios proprietários destas empresas —Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha — se viram compelidos a avocarem de forma ostensiva as responsabilidades pelos empréstimos • bancários na condição de garantidores, fiadores, responsáveis solidários, etc. 0 quadro 04 mostra sinteticamente dados de algumas operações de financiamento 6.4. Os documentos juntados no anexo 09, selecionados por amostragem, são contundentes e demonstram de forma irrefutável que o suporte financeiro para as atividades operacionais das empresas do Grupo Margen é provido pelos Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha. A seguir temse uma análise sucinta destes documentos. • TERMO DE ADITAMENTO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. 09923479 — VALOR R$ 2.000.000,00 — 29/10/2004 Tratase da abertura de crédito junto ao banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa MF Alimentos BR Ltda., cujos sócios formais são os Senhores Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. 0 quadro 04 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Aqilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • INSTRUMENTO PARTICULAR DE ADITAMENTO A CONTRATO / CÉDULA DE CRÉDITO N°. — VALOR R$ 500.000,00 Abertura de crédito no Banco Safra S/A em favor de Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.. Assina este documento como avalista o Sr. Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Observase ainda que o Sr. Mauro Suaiden assina também a Nota Promissória emitida pelo Frig. Centro Oeste em favor do banco. • NOTA DE CRÉDITO INDUSTRIAL Nr.21/001251 — VALOR R$ 1.990.000,00 —24/04/2004 Nota de crédito emitida pelo Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. a favor do Banco do Brasil S.A. Assinam a nota de crédito "POR AVAL AO EMITENTE" os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO ROTATIVO DE LIMITE DE CRÉDITO FIXO — VALOR R$ 2.000.000,00 — 29/08/2003 Contrato firmado entre o Banco Industrial e Comercial S/A — BICBANCO e Frigorifico Margen Ltda., constando como devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e Ney Aqilson Padilha, e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO ROTATIVO DE LIMITE DE CRÉDITO FIXO — VALOR R$ 2.000.000,00 — 04/12/2003 Contrato firmado entre o Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 16 29 Banco Industrial e Comercial S/A — BICBANCO e Frigorifico Margen Ltda., constando como devedor solidário o Senhor Mauro Suaiden e esposa Verena Maria Banwart Suaiden. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO / MÚTUO N°. 675777.0 — VALOR R$ 2.000.000,00 — 24/08/2004 Abertura de crédito no Banco Safra S/A em favor de Frigorifico Margen Ltda.. Assina este documento como avalista o Sr. Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Atentese para o fato de que os endereços informados para a empresa e para o Sr. Mauro Suaiden são os mesmos, quais sejam, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 — 8°. Andar — São Paulo. • TERMO DE ADITAMENTO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. — VALOR R$ 2.000.000,00 — 03/11/2003 Tratase da abertura de crédito junto ao Banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa Frigorifico Margen Ltda. 0 quadro 04 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Aqilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • INSTRUMENTO PARTICULAR DE ADITAMENTO DE CONTRATO — VALOR R$ 170.000,00 Alteração de contrato original de abertura de crédito no Banco Bradesco S.A. em favor de Frigorifico Margen Ltda.. Assinam este documento como avalista / devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e esposa Verena Maria Banwart Suaiden e Ney Agilson Padilha. Observase ainda que estes Senhores assinam também a Nota Promissória no valor de R$ 212.500,00 emitida pelo Frig. Margen em favor do Banco. Novamente os endereços informados para a empresa e para estes Senhores são os mesmos, quais sejam, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 — 8°. Andar — São Paulo. • CARTA DE FIANÇA — VALOR US$ 1.900.000,00 — 04/09/2003 Por este instrumento o Sr. Mauro Suaiden e sua esposa Verena Maria Banwart Suaiden se declaram fiadores em favor do Banco Bradesco S/A, responsabilizandose como devedor e principal pagador solidariamente com o Frigorifico Margen Ltda. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. 08616552 — VALOR R$ 3.000.000,00 — 06/08/2003 Contrato de abertura de crédito junto ao banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa Frigorifico Margen Ltda.. 0 quadro 06 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. Observase que o endereço Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 30 informado por todos é o mesmo endereço da sede do frigorifico: Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 —8°. Andar — São Paulo. • CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO N°. 15.223 —VALOR R$ 371.000,00 — 25/03/2004 Contrato entre a BB Leasing S.A. — Arrendamento Mercantil e o Frigorifico Margen Ltda.. Firmam o presente contrato como fiadores os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Nev Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO CONTA GARANTIDA BB N°. 313.200.161 — VALOR R$ 2.200.000,00 — 25/08/2003 Contrato de abertura de crédito junto ao Banco do Brasil S.A. em favor da empresa Frigorifico Margen Ltda.. Assinam o referido contrato como devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. • BRAZILIAN PREEXPORT FINANCING AGREEMENT — VALOR US$ 2.000.000,00 — 08/09/2004 Contrato de financiamento entre o BankBoston localizado em Nassau, Bahamas, e o Frigorifico Margen Ltda.. Firmam o presente contrato como fiadores os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo, Milton Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo, Silvana Aparecida Gonçalves Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • TERMO DE FINANCIAMENTO N°. 02 — VALOR R$ 4.000.000,00 — 03/11/2004 Este termo esta vinculado ao Contrato Master de Financiamento de Capital de Giro n°. 46222 celebrado entre o Frigorifico Margen Ltda. e o Banco BBM S.A. Assinam o referido termo como intervenientes avalistas o Senhor Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Este Termo de Financiamento esta garantido pelo Instrumento Particular de Penhor de Títulos —Anexo de Garantia, cujos garantidores são as empresas MF Alimentos BR Ltda., Frigorifico Margen Ltda. e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. A divida do financiado decorrente deste Termo de Financiamento é representada pela Nota Promissória no valor de R$ 4.900.000,00, cujos avalistas são o Senhor Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. • PROPOSTA DE TETO DE COMPRADOR PARA DESCONTO DE NPR/DR —VALOR: R$ 500.000,00 — 26/10/2004 Abertura de crédito no Banco do Brasil S/A em favor do Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. para fazer frente aos descontos de Notas Promissórias Rurais e/ou Duplicatas Rurais de responsabilidade do Frigorifico. 0 contrato traz como devedor solidário o Frigorifico Margen Ltda. A Carta de Fiança da presente Proposta está assinada pelos Senhores Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo e por Ney Aqilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden, como representantes legais da empresa Magna Administração e Participações Ltda. Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 17 31 • CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO "SAQUE FÁCIL DIAS ÚTEIS" — VALOR: R$ 1.500.000,00 — 30/06/2004 Abertura de limite rotativo para saques a descoberto em conta corrente no Banco Bradesco S/A em favor do Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. Os avalistas desta operação financeira é o Senhor Mauro Suaiden e sua esposa Verena Maria Bannwart Suaiden e as empresas Magna Administração e Participações Ltda. e Frigorifico Margen Ltda. 7. GESTÃO ADMINISTRATIVA 7.1. É intuitiva a percepção de que o comando gerencial das empresas que 4110 compõe o Grupo Margen não poderia estar, como de fato não está, nas mãos daqueles que cederam nomes e dados cadastrais para figurarem nos contratos sociais como "sócios" e "sóciosgerentes". É manifesto que os Srs. Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas tãosomente se apresentam no plano da formalidade como responsáveis por empreendimentos e atos de outrem. Os papéis desempenhados por estas pessoas correspondem exatamente á definição encontrada no Dicionário Aurélio e consagrada no cotidiano nacional para as expressões "testade ferro" e "laranja f 7.2. PROCURAÇÕES 7.2.1. Os documentos do anexo 10 e descritos a seguir, corroboram que a gestão administrativa é desempenhada por pessoas diversas daquelas que simuladamente nos Contratos Sociais assumem o status de "sóciosgerentes". 9. "MODUS OPERANDI" DA ORGANIZAÇÃO 9.1. 0 grupo está estrategicamente composto por empresas operacionais e de investimentos. As empresas de investimento Magna Administração e Participações Ltda., Cia. União Empreendimentos e Participações e Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. possuem em seus quadros societários os próprios senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha ou pessoas dos clãs Suaiden, Prearo e Padilha. Por outro lado, dentre as empresas operacionais apenas uma — Agua Limpa Transportes Ltda. — tem no seu quadro societário estas pessoas. 9.2. As demais empresas — Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda., MF Alimentos BR Ltda. e SS Administradora de Frigorifico Ltda. — encontramse convenientemente em nome de terceiros interpostos. A razão para tanto se compreende prontamente, pois é nestas que se praticam os fatos geradores de tributos e das contribuições devidas à previdência social, mormente a contribuição incidente sobre a aquisição de bovinos para o abate. Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA 32 9.3. Assim, as empresas onde se concentram as atividades operacionais do Grupo Margen são empresas descapitalizadas, desguarnecidas de bens — suas instalações industriais são todas arrendadas — e com "sóciosgerentes" perceptivelmente desprovidos de capacidade financeira, patrimonial e gerencial para a monta daqueles empreendimentos industriais. Podese dizer que estas empresas representam a parte "podre" do Grupo Margen, sendo exploradas à exaustão, arrancandolhes faturamentos mirabolantes (R$ 1.176.556.922,84 em 2003 — Frig. Margen Ltda.) e estancando nelas dividas para com a Previdência Social igualmente assombrosas. 9.4. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, com seu poderio financeiro arregimentam terceiros incautos para emprestarem seus nomes — Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas —e figurarem como "sóciosgerentes" diante destas empresas. Desta forma, com tais ardis colocam seus patrimônios pessoais em salvaguarda, pois evidente está que sua intenção • velada é a de que, com a fraude perpetrada, o fisco busque seus créditos no patrimônio nulo dos supostos "sóciosgerentes". Com tais subterfúgios, os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, embora sendo os gestores de fato dos empreendimentos, ainda buscam se esquivar da imputação dos inúmeros crimes contra a Previdência Social e a Ordem Tributária cometidos em tese na condução dos negócios. Em suma, aos supostos "sóciosgerentes" cabem arcar com as gigantescas dividas tributárias e as conseqüências penais dos ilicitos, enquanto àqueles os fáceis e gordos lucros obtidos. 10. Conclusão 10.1. Portanto, tendo em vista o interrelacionamento e a gestão comum a cargo dos Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, resta caracterizada a existência de um grupo econômico de fato constituído pelas empresas relacionadas no inicio deste relatório. A denominação do grupo utilizada nos diversos relatórios que comporão as notificações fiscais de débito, será "Grupo Margen". Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente, de modo a manterse no pólo passivo da obrigação tributária as empresas Frigorífico Margem e Cia. União Empreendimentos e Participações. (ii) inexigibilidade do levantamento "LEV A11". Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015759/200609 Acórdão n.º 2403002.373 S2C4T3 Fl. 18 33 Analisemos. O fundamento para que o I. Relator excluísse a exigibilidade do Levantamento "A11" está centrado na suposta ausência de configuração do grupo econômico, o que conseqüentemente acarretaria a exclusão da exigibilidade de tal Levantamento: Portanto, não demonstrada a prática conjunta do fato gerador entre o Frigorífico Centro Oeste e as demais coobrigadas, entendo que ele não deve responder pelo levantamento A11, por responsabilidade tributária, uma vez que não demonstrada a prática conjunta do fato gerador das contribuições previdenciárias. Portanto, devem ser analisados os argumentos de mérito do seu recurso, presente nas fls. 2003/2018. No entanto, conforme demonstrado no item (i) acima, restou configurado o grupo econômico, mantendose no pólo passivo da obrigação tributária as empresas Frigorífico Margem e Cia. União Empreendimentos e Participações. Portanto, por via lógica, devese manter a exigibilidade do crédito tributário originado pelo Código de Levantamento "LEV A11". Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente, de modo a manterse a exigibilidade do Código de Levantamento "LEV A11". CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de manterse no pólo passivo da obrigação tributária as empresas Frigorífico Margem e Cia. União Empreendimentos e Participações, bem como manterse a exigibilidade do crédito tributário originado pelo Código de Levantamento "LEV A11". Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 16/01 /2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCELO MAGALHAE S PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 13502.001320/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a existência de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, acolhem-se os embargos de declaração sem efeito modificativo para sanar o vício e afastar o caráter condicional da decisão proferida.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3403-002.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeito modificativo para sanar a omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado e afastar o caráter condicional do julgado, quanto ao direito de crédito da contribuição sobre as aquisições de cal hidratada e cal virgem.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Verificada a existência de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, acolhemse os embargos de declaração sem efeito modificativo para sanar o vício e afastar o caráter condicional da decisão proferida. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração sem efeito modificativo para sanar a omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado e afastar o caráter condicional do julgado, quanto ao direito de crédito da contribuição sobre as aquisições de cal hidratada e cal virgem. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 13 20 /2 00 9- 14 Fl. 3569DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Por meio do Acórdão 3403001.935 este colegiado negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: a) por maioria de votos, deuse provimento parcial para reconhecer o direito à tomada do crédito em relação à cal hidratada aplicada no tratamento da água industrial, vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim, que deram provimento integral quanto a este item; e negouse provimento quanto ao direito à tomada de crédito em relação aos materiais de embalagem, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho; b) por unanimidade de votos, deuse provimento quanto aos "créditos a descontar na importação" e quanto à tomada do crédito extemporâneo apenas em relação ao minério concentrado de cobre que tenha sido adquirido na vigência do regime não cumulativo; e negouse provimento quanto aos serviços diversos e à multa de ofício. Regularmente cientificada da referida decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou, em tempo hábil, embargos de declaração alegando a existência de contradição no julgado. Segundo a embargante: “A e. Turma decidiu que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente ao PIS/COFINS nãocumulativos aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF nº 247, de 2002, com as alterações da IN SRF nº 358, de 2003, como exatamente decidiu a decisão de 1ª instância, adotandose no contexto da nãocumulatividade do PIS/COFINS a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Contudo, contraditoriamente, a e. 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário para “reconhecer o direito à tomada do crédito em relação à cal hidratada aplicada no tratamento da água industrial”. (...)” Considerando que a cal hidratada não se enquadra no conceito de insumo adotado pela administração tributária, a Procuradoria da Fazenda Nacional requer o acolhimento dos embargos a fim de que o colegiado saneie o vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator ad hoc. Tendo em vista que a relatora originária deste processo, Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel deixou de relatar neste colegiado, passo a relatar os embargos na condição de relator “ad hoc”. Entendeu a Procuradoria da Fazenda Nacional que a contradição residiria no fato de o colegiado ter encampado a tese da aplicabilidade do Parecer Normativo CST nº 65/79 para definir o que é insumo no âmbito das contribuições não cumulativas, mas deu provimento ao recurso quanto à cal hidratada e à cal virgem que não se enquadram naquele conceito. Fl. 3570DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.001320/200914 Acórdão n.º 3403002.588 S3C4T3 Fl. 5 3 Inicialmente cumpre esclarecer que o texto do voto da relatora não permite concluir que ela adotou para o caso da contribuição nãocumulativa o mesmo conceito de insumo vigente para o IPI. A relatora, de fato, transcreveu as Instruções Normativas da Receita Federal que estabelecem esse conceito mais restrito, mas isso não significa que a Conselheira Raquel tenha adotado a tese oficial. Segundo o Prof. Paulo Barros Carvalho, não existe texto sem contexto. A leitura do inteiro teor do voto da Conselheira Raquel sugere que a relatora considera insumo tudo aquilo que “entra” no processo produtivo para formar o produto final e não os produtos que se desgastem em contato direto com o produto em fabricação. Essa constatação é confirmada pela leitura do seguinte excerto, extraído da fl. 3558: “No meu entender não ficou claro no referido laudo se a “cal” é utilizada para tratar a água após o processo produtivo, ou seja, etapa posterior à produção, ou se é utilizada para tratar a água que entra no processo produtivo, para ser utilizada durante as etapas de produção. Essa distinção é importante para saber se os produtos em análise fazem parte do processo produtivo, gerando direito a crédito de PIS e COFINS não cumulativo, ou se seriam utilizados em etapa posterior ao processo produtivo, com ela não se confundindo, que a meu ver, não enquadrariam no conceito de insumo, não sendo aptos, portanto, a gerar crédito das referidas contribuições” Daí sua conclusão no sentido de admitir o crédito de PIS e Cofins em relação à “cal virgem” e à “cal hidratada” desde que empregadas no tratamento da água que ingressa no processo produtivo. Eis a transcrição da conclusão do voto, quanto a esses insumos (fl. 3558): “Pelo exposto, voto por dar direito ao aproveitamento de crédito de PIS e COFINS da “cal virgem” e “cal hidratada” desde que empregadas no tratamento de água que ingressa no processo produtivo para ser nele utilizada”. Portanto, o problema no argumento da relatora não reside em contradição decorrente da adoção deste ou daquele conceito de insumo. O problema desta parte no voto reside no fato da relatora ter ficado na dúvida quanto à participação desses produtos no processo produtivo e ter formulado uma conclusão condicional, ou seja, ela reconhece o direito aos créditos sobre as aquisições de cal hidratada e cal virgem desde que esses produtos sejam utilizados na água que ingressa no processo produtivo. Assim, o pressuposto dos embargos deveria ter sido omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, pois para a relatora não ficou esclarecido como a cal hidratada e a cal virgem participam do processo produtivo. Ela foi acompanhada pela maioria dos conselheiros quanto à decisão de considerar aqueles produtos insumos desde que eles fossem adicionados à água industrial que “entra” no processo produtivo. Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Naquela composição, a maioria dos membros do colegiado entendia que um bem só poderia ser caracterizado como insumo, quando “entra” no processo produtivo para contribuir na formação do produto. Os Conselheiros Marcos Ortiz e Antonio Carlos Atulim foram vencidos porque deram provimento, por considerarem que a cal hidratada e a cal virgem se constituem em insumos por integrarem o custo de produção dos produtos industrializados pelo contribuinte, independentemente de serem aplicados na “entrada” ou na “saída” do processo produtivo. Para esses dois conselheiros, o que é relevante para caracterizar um bem como insumo é a relação de pertinência entre o bem e o processo produtivo. Portanto, uma vez que a maioria dos membros entendia ser relevante se o insumo era consumido na “entrada” ou na “saída” do processo produtivo, é preciso sanar a omissão do ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado e também a decisão condicional, pois não é possível reconhecer um direito desde que esteja verificada determinada situação de fato não aferida no momento do julgamento. O processo é justamente um meio colocado à disposição das partes para reconstruir a situação de fato por meio das provas. Por esse motivo não se pode admitir uma decisão condicional, pois a prova do fato gerador do direito ficaria postergada para o momento da liquidação do julgado, ficando fora da apreciação do órgão incumbido de julgar o processo. Nesse passo, o exame do laudo acostado às fls. 1234 a 1235 do PDF, assinado pelo Eng. Elihu Rubens de Castro Neto, e do laudo de fls. 1236 a 1237 do PDF, assinado pela Engª. Ana Carolina Lírio de Almeida, revelam que toda a água que entra na empresa provém de poços artesianos. O Contexto dos referidos laudos permite concluir que tanto a água que “entra” no processo produtivo, quanto os efluentes que “saem” do referido processo são tratados com a cal hidratada e que a cal virgem é convertida em cal hidratada mediante adição de água (hidratação). Portanto, essa constatação de que a cal é utilizada na água que entra no processo produtivo retira o caráter condicional e confirma o resultado do julgamento proferido por este colegiado na assentada do dia 20 de março de 2013. Continuam vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim, que deram provimento ao recurso por considerarem que o direito ao crédito em relação à cal hidratada e à cal virgem existe em razão desses produtos caracterizarem custo de produção do produto industrializado pela recorrente. Em relação à questão levantada na sessão de julgamento do mês de outubro de 2013, quanto à execução deste julgado, verificase que realmente será necessário segregar a cal aplicada na água que "entra" no processo produtivo daquela aplicada nos efluentes que "saem" do referido processo. Tal segregação poderá ser feita com base na descrição do tratamento dos efluentes de fls. 109 a 119. Isto porque na fl. 111 consta que são aplicadas cerca de 2.000 toneladas por mês de cal virgem no tratamento dos efluentes que "saem" do processo produtivo. Desse modo, à luz das provas que constam do processo, se pode extrair o valor das aquisições de cal virgem que dão direito ao crédito por uma operação aritmética de subtração. Tendo em vista que a informação de fl. 111 permite concluir que na água que "sai" do processo produtivo (efluentes) só é aplicada a cal virgem (2.000 Toneladas/mês), bastará subtrair do total de aquisições mensais desse produto as 2.000 toneladas para se chegar à base Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13502.001320/200914 Acórdão n.º 3403002.588 S3C4T3 Fl. 6 5 de cálculo do crédito relativo ao referido insumo. Como não há aplicação de cal hidratada na saída dos efluentes, presumese que toda a quantidade adquirida desse produto é utilizada na água que "entra" no processo produtivo. Assim, a base de cálculo do crédito sobre a cal hidratada corresponderá ao total das aquisições mensais desse produto, quando houver aquisição, já que a cal hidratada também pode ser obtida por meio da adição de água à cal virgem (vide relatório de diligência fl. 128 e laudos de fls. 1234 a 1237). Por fim, quanto à alegação verbal da ilustre advogada da recorrente, no sentido de que parte água que sai do processo industrial é reaproveitada, cabe esclarecer que o reaproveitamento de uma parte da água não tem influência sobre a apuração do crédito sobre a cal virgem, pois o crédito está sendo tomado sobre o insumo "cal virgem" e não sobre a água. Com esses fundamentos, voto no sentido de acolher os embargos de declaração sem efeito modificativo, para sanar a omissão do ponto sobre o qual deveria o colegiado ter se manifestado, afastando o caráter condicional do voto quanto ao direito de o contribuinte tomar o crédito em relação às aquisições de cal hidratada e cal virgem. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/12/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 14485.000693/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. PARCIAL RECOLHIMENTO. MULTA. PROPORCIONAL. DIMINUIÇÃO.
Nos termos do artigo 52, parágrafo 1º, do Decreto 7574, de 2011, têm direito a redução do valor da multa moratória se comprovado recolhimento
No presente caso, a contribuinte recolheu parcialmente até o momento da interposição recursal e, dessa feita, o efetivo pagamento deve ser abatido proporcionalmente tanto do crédito tributário quanto da multa.
Recurso Voluntário Provido
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 2301-003.725
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Marcelo Oliveira.
Declarações de impedimento: Marcelo Oliveira
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/10/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS EMPREGADOS. PARCIAL RECOLHIMENTO. MULTA. PROPORCIONAL. DIMINUIÇÃO. Nos termos do artigo 52, parágrafo 1º, do Decreto 7574, de 2011, têm direito a redução do valor da multa moratória se comprovado recolhimento No presente caso, a contribuinte recolheu parcialmente até o momento da interposição recursal e, dessa feita, o efetivo pagamento deve ser abatido proporcionalmente tanto do crédito tributário quanto da multa. Recurso Voluntário Provido Aguardando Nova Decisão
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SEGURADOS EMPREGADOS. PARCIAL RECOLHIMENTO. MULTA. PROPORCIONAL. DIMINUIÇÃO. Nos termos do artigo 52, parágrafo 1º, do Decreto 7574, de 2011, têm direito a redução do valor da multa moratória se comprovado recolhimento No presente caso, a contribuinte recolheu parcialmente até o momento da interposição recursal e, dessa feita, o efetivo pagamento deve ser abatido proporcionalmente tanto do crédito tributário quanto da multa. Recurso Voluntário Provido Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). Impedido: Marcelo Oliveira. Declarações de impedimento: Marcelo Oliveira (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 06 93 /2 00 7- 24 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela FUNDAÇÃO SELMA contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado e manteve débito tributário referente ao período de 01/1995 a 08/2005, tendo sido lançado o débito no período de 03/2001 a 10/2004, relativo à contribuição previdenciária sobre as remunerações dos segurados empregados. 2. Segundo o relatório fiscal (fls. 50/54), a empresa não teria efetuado o recolhimento das parcelas retidas, conforme informações constantes nas folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte. 3. A empresa apresentou tempestivamente sua impugnação (fls. 123 e 124), com posterior pedido de correção do lançamento, juntando aos autos comprovantes do pagamento efetivo (fls. 185 ss). 4. Após análise dos documentos apresentados, a primeira instância administrativa converteu o julgamento em diligência para apuração de eventual quitação parcial do débito (fls. 185). Após, julgou o lançamento procedente em parte (fls. 199/202), oportunidade em que considerou os valores já pagos pela empresa recorrente cuja decisão restou assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURADOS A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados a seu serviço nos prazos definidos em Lei. LANÇAMENTNO PROCEDENTE EM PARTE. 5. Após devidamente notificada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 216/218) tendo, na ocasião, juntado novos comprovantes de recolhimento tributário (fls. 220 ss), solicitando o abatimento do restante, nos seguintes termos: (...) requerer a reforma da decisão, nos termos do artigo 26 da Portaria 520, de 19 de maio de 2004, do Ministério da Previdência Social, uma vez que o valor referente ao débito correspondente a 2004 e 10/2003, 11/2003, 12/2003 e 13/2003 está devidamente recolhido. 6. O fisco não apresentou contrarrazões e os autos foram remetidos para esta presente Turma para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 14485.000693/200724 Acórdão n.º 2301003.725 S2C3T1 Fl. 361 3 Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO DECADÊNCIA O lançamento fiscal se refere ao período de 10/1998 a 07/2004. O contribuinte foi cientificado do débito em 25/10/2005 (fl. 45) DO RECOLHIMENTO PARCIAL 2. Narra a contribuinte recorrente, respaldandose nos comprovantes de recolhimento (fls. 220 e ss), o pagamento referente às competências de outubro a dezembro de 2003 (incluindo o décimo terceiro), e as relativas ao período de janeiro a julho de 2004. Desse modo, segundo ela, devem ser excluídos do montante de sua dívida tributária. 3. Compulsando os autos, constato que o efetivo pagamento ocorreu dentro do prazo estipulado em lei, qual seja: até a interposição do recurso voluntário, para que a contribuinte gozasse do direito à redução do valor da multa aplicada em razão de mora no recolhimento tributário, a saber, o art. 52, § 1º, do Decreto 7574, de 29 de setembro de 2011, in verbis: Art. 52. Será concedida redução de cinquenta por cento do valor da multa de lançamento de ofício ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento ou a compensação do crédito tributário no prazo previsto para apresentar impugnação (Lei n o 8.218, de 1991, art. 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 2009, art. 28; Lei n o 9.430, de 1996, art. 44, § 3 o ). § 1 o Apresentada impugnação tempestivamente, a redução será de trinta por cento se o pagamento ou a compensação forem efetuados no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância (Lei n o 8.218, de 1991, art. 6 o , inciso III, com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 2009, art. 28; Lei n o 9.430, de 1996, art. 44, § 3 o ). Fl. 362DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 4. Assim, dou provimento ao recurso voluntário para que seja feito o devido abatimento na quantia total do crédito tributário, reduzindo, oportunamente, o valor da multa aplicada que, para o caso, é de 30% (trinta por cento), considerandose proporcionalmente em razão de recolhimento parcial. CONCLUSÃO 5. Do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO nos termos acima alinhavados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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