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Numero do processo: 10600.720120/2015-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS PESSOA JURÍDICA. REGRA GERAL. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes.
DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÕES PARA SUA DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES.
Para que uma despesa ou custo seja dedutível, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, é necessário que os documentos emitidos por terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e idôneos. A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de certeza absoluta; é preciso, acima de tudo, que fique provada sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos. Sujeitam - se, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica. Eventual prestação de serviços deve ter sua efetividade amparada em documentos hábeis e idôneos.
DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
As despesas com perdas no recebimento de créditos devem corresponder a créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica e obedecer aos requisitos dos arts. 340 a 343 do RIR/99.
Perdas com adiantamento de investimento não são decorrentes da atividade de empresa que não tem como objeto social a participação societária em outros empreendimentos.
Não se aplica às pessoas jurídicas o art. 340, §1°, inciso I e sim o art. 340, §1°, inciso IV, posto que insolvência é conceito aplicável às pessoas físicas e não às pessoas jurídicas, pois estas se submetem à recuperação judicial e à falência. Logo, a eventual insolvência, ainda que tivesse sido declarada em sentença, não serve como justificativa para a dedutibilidade de despesas com perdas no recebimento de créditos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO DE ROYALTIES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA.
Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017, determina que as regras de indedutibilidade de royalties, previstas no art. 71, caput, alínea a, e parágrafo único, alíneas c a g, da Lei nº 4.506, de 1964, são aplicáveis apenas ao IRPJ, e não à CSLL.
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências atiças, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ, em harmonia com o art. 6°, parágrafo único da Lei 7.689/88.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. n.º 973.733/SC.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória.
PROVA INDICIÁRIA. UTILIZAÇÃO COMO MEIO DE PROVA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES.
Em harmonia com o art. 24 do Decreto 7.574/2011, são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Assim, a prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários.
Numero da decisão: 1302-003.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a cobrança da CSLL sobre a despesa de royalties, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que também davam provimento quanto à aplicação da multa isolada de estimativas de IRPJ e CSLL. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à matéria em que o relator restou vencido, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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REGRA GERAL. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÕES PARA SUA DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. Para que uma despesa ou custo seja dedutível, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, é necessário que os documentos emitidos por terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e idôneos. A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de certeza absoluta; é preciso, acima de tudo, que fique provada sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos. Sujeitam se, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica. Eventual prestação de serviços deve ter sua efetividade amparada em documentos hábeis e idôneos. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. As despesas com perdas no recebimento de créditos devem corresponder a créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica e obedecer aos requisitos dos arts. 340 a 343 do RIR/99. Perdas com adiantamento de investimento não são decorrentes da atividade de empresa que não tem como objeto social a participação societária em outros empreendimentos. Não se aplica às pessoas jurídicas o art. 340, §1°, inciso I e sim o art. 340, §1°, inciso IV, posto que insolvência é conceito aplicável às pessoas físicas e não às pessoas jurídicas, pois estas se submetem à recuperação judicial e à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 01 20 /2 01 5- 14 Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.031 2 falência. Logo, a eventual insolvência, ainda que tivesse sido declarada em sentença, não serve como justificativa para a dedutibilidade de despesas com perdas no recebimento de créditos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 PAGAMENTO DE ROYALTIES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017, determina que as regras de indedutibilidade de royalties, previstas no art. 71, caput, alínea “a”, e parágrafo único, alíneas “c” a “g”, da Lei nº 4.506, de 1964, são aplicáveis apenas ao IRPJ, e não à CSLL. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências atiças, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ, em harmonia com o art. 6°, parágrafo único da Lei 7.689/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 173 do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. n.º 973.733/SC. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Após a alteração de redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é plenamente aplicável a multa isolada de 50% em relação à insuficiência de recolhimento de estimativas e a multa de ofício de 75% sobre o lançamento complementar. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória. Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.032 3 PROVA INDICIÁRIA. UTILIZAÇÃO COMO MEIO DE PROVA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. Em harmonia com o art. 24 do Decreto 7.574/2011, são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Assim, a prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a cobrança da CSLL sobre a despesa de royalties, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias que também davam provimento quanto à aplicação da multa isolada de estimativas de IRPJ e CSLL. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à matéria em que o relator restou vencido, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 1678.460 – 3ª Turma da DRJ/SPO, complementandoo ao final: Tratase de impugnação de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 110/122; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 123/133; lavrados em 16/11/2015, pela autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Uberlândia/MG, para constituir crédito tributário no montante de R$ 61.520.818,93, fls. 2701, incluídos principal, multa de oficio de 75% e 150%, e juros de mora, tendo em conta infrações apuradas no anocalendário 2010 que a seguir são relatadas. Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.033 4 A Cencosud incorporou a Irmãos Bretas em 31/10/2011, fls. 136, e como responsável tributário pelos tributos da incorporada teve contra si realizada fiscalização. O procedimento de fiscalização teve início em 02/05/2014, fls. 288, e foi encerrado em 20/11/2015, fls. 2726, tendo sido desenvolvido conforme relataremos a seguir. O procedimento apurou a seguintes infrações no anocalendário 2010: Despesas não dedutíveis referentes a pagamentos efetuados à sua controladora Ambapar; Despesas não dedutíveis na perda no recebimento de créditos. A fiscalização apontou que foram deduzidas do lucro real despesas referentes a notas fiscais emitidas pela Ambapar no montante de R$43.340.818,54, fls. 148. Intimada a justificar as despesas, a empresa alegou que as despesas referiam se a uso da marca Bretas e a serviços de assessoria e consultoria, conforme tabela de fls. 148/149. Foi observado no SPED que as notas respectivas foram contabilizadas a débito de contas de despesas com honorários de diretoria e honorários profissionais e a crédito de passivo circulante. Diante disso, concluiu a fiscalização que "os lançamentos contábeis referentes aos serviços prestados pela Ambapar ficaram escondidos na escrituração do Bretas em contas inapropriadas e históricos sem identificação do prestador". Foi segregado as notas fiscais pelo tipo de serviço prestado, apurando que a empresa Irmãos Bretas pagou à sua controladora Ambapar no anocalendário de 2010: R$ 21.670.409,27 pelo uso da marca Bretas; R$ 21.670.409,27 pelos serviços de assessoria, consultoria comercial, administrativa, contábil operacional, recursos humanos, financ (sic)., aquisição de produtos, coordenação de vendas e marketing. Várias intimações e reintimações foram realizadas, conforme relatado em fls. 150/154, inclusive junto a Ambapar, tendo sido possível concluir que esta não logrou comprovar: A efetiva prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa prestados ao Bretas no anocalendário de 2010; Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.034 5 os administradores e procuradores da AMBAPAR, no período de 2010 e 2011; Comprovação das despesas administrativas efetuadas com telefone, energia, água, provedores de internet, condomínio e aluguel do imóvel, este último acompanhado do contrato de locação, substituídos, no caso de imóvel próprio, pelo registro/matrícula do mesmo no CRI; Alvarás de localização e Funcionamento válidos em 2010 e 2011. Em relação a Ambapar, a fiscalização fez um minucioso relato a respeito de suas alterações societárias, ficando constatado que de setembro/97 a outubro de 2010 a Ambapar figurou como sócia da Irmãos Bretas com 99,99% de participação no capital social da investida. Tratando do pagamento pelo uso da marca Bretas, a fiscalização apontou o art.22 e o art. 71 da Lei 4506/64, bem como os arts. 352 e 353 do RIR/99 e concluiu: Logo, os pagamentos pelo uso da marca "Bretas", conceituada como royalties pelo artigo 22, inciso "c" da Lei 4.506/64, pagos pelo Bretas de Janeiro/2010 a outubro/de 2010 à sua sócia controladora AMBAPAR PARTICIPAOES LIDA, no montante de R$ 21.670.409,27, tornam indedutíveis as referidas despesas, com fulcro no artigo 71, parágrafo único da Lei 4.506/64. Ainda sobre o assunto, a fiscalização apontou que a Irmãos Bretas era dona da marca Bretas até 02/01/2009, data na qual esta foi transferida para a Ambapar quando da cisão parcial. Em 15/05/2009, foi celebrado entre Ambapar e a Irmãos Bretas um contrato de cessão de marca com remuneração de 1% do faturamento. Logo, a marca "Bretas" foi transferida do Bretas à sua controladora AMBAPAR em 02/01/99 pelo valor contábil de R$ 555,00, e desta à FAG em 20/10/2010, pelo valor contábil de R$ 68.531,00, ressaltandose que ambas as transferências se deram entre empresas de um mesmo grupo econômico (partes relacionadas). No período de Maio/2009 a outubro/2010, a sociedade Irmãos Bretas pagou à sua sóciacontroladora AMBAPAR pelo uso da referida marca o equivalente a 1% de seu faturamento mensal (receita bruta), o que correspondeu no anocalendário de 2010 (Janeiro a Outubro) o montante de R$ 21.670.409,27. Baixas contábeis de ativos patrimoniais, seguidas do registro de vultosas despesas pelo uso dos mesmos, despesas estas que extrapolam Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.035 6 vertiginosamente os valores dos ativos transferidos, foge completamente aos verdadeiros propósitos negociais/econômicos de uma sociedade. É óbvio que a empresa Irmãos Bretas não transferiria sua marca a terceiros nãorelacionados (partes independentes), pelo seu irrisório valor contábil de R$ 555,00. O princípio arm's length, que busca alcançar o valor da operação praticada entre pessoas relacionadas se estivessem negociando em condições reais de mercado, não foi verificado no presente caso. Sendo cessionária e cedente da marca (Bretas e Ambapar) partes relacionadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico/familiar, tributadas pelo lucro real e presumido respectivamente, verificase o propósito deliberado em aumentar despesas na empresa tributada pelo lucro real, reduzindo seu lucro tributável e sua carga tributária: enquanto ocorre uma redução nos valores do IRPJ e CSLL devidos na contabilidade da empresa Irmãos Bretas na ordem de 34% (25% de IRPJ + 9% de CSLL) sobre as despesas com royalties, surge uma tributação da ordem de 10,88% (34% x 32% de coeficiente de presunção do lucro) sobre as correspondentes receitas na contabilidade da Ambapar. Assim, como resultado líquido, ocorre uma economia tributária na ordem de 23,12% (34% 10,88%) sobre os valores pagos pela cessão pelo uso da marca, economia esta livre para ser distribuída na forma de lucros/dividendos. Não é por acaso que os pagamentos de royalties à Ambapar pelo uso da marca "Bretas" foram contabilizados pelo Bretas em conta de despesa titulada "Honorários da Diretoria". Sobre tal infração, a fiscalização entendeu que devia ser aplicada a multa de 150% com a seguinte justificativa: Constatouse na presente infração a intenção deliberada do grupo econômico em reduzir suas despesas tributárias, mediante a criação de despesas em empresa tributada pelo lucro real, em consequência de operações praticadas entre partes relacionadas, sem qualquer propósito negocial (conluio), bem como na imprecisão dos lançamentos contábeis e declarações ao Fisco, maquiando o pagamento de royalties em "Honorários da Diretoria", com vistas a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária do verdadeiro fato gerador da obrigação tributária: o paramento de royalties à sócia pessoa jurídica despesa indedutível na forma do artigo 71, parágrafo único da Lei 4.506/64 (artigo 353, inciso I do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda). Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.036 7 A fiscalização apontou que, no ano calendário de 2010, a empresa Irmãos Bretas, Filhos & Cia Ltda contabilizou em contas de despesas, serviços de assessoria, consultoria comercial, administrativa, contábil operacional, recursos humanos, financ., aquisição de produtos, coordenação de vendas e marketing, prestados por sua controladora Ambapar, no montante de R$ 21.670.409,27. A investigação sobre a prestação de serviços ficou assim assinalada: Em atendimento ao item 5 do Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015, a AMBAPAR apresentou contrato de prestação de serviços de administração datado de 01 de julho de 2006, firmado entre a mesma, na qualidade de contratada, e Irmãos Bretas, na qualidade de contratante, tendo por objeto a prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa, comercial, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, aquisição de suprimentos e coordenação de vendas, com remuneração correspondente a 1% do faturamento mensal da contratante, representado pela receita bruta, conforme descrito nas cláusulas primeira e segunda do referido contrato. O contrato de prestação de serviços foi apresentado, porém a fiscalização, após análise de seu conteúdo assim concluiu: Como se vê, os serviços contratados são descritos de forma sucinta e geral, não havendo qualquer outra cláusula contratual que melhor os especifique. Aliás, tratase de contrato singelo, revestido de mínimas formalidades, que não permite maiores considerações sobre a abrangência e profundidade dos serviços contratados. A autoridade fiscal intimou a fiscalizada e a prestadora a comprovarem a efetiva prestação de serviços nos seguintes termos. Intimada a Cencosud Brasil Comercial Ltda, na qualidade de sucessora de Irmãos Bretas, a comprovar a efetiva prestação dos serviços de assessoria, consultoria administrativa, contabilidade e RH prestados ao Bretas pela Ambapar no anocalendário de 2010 (item 7.4 do Termo de Intimação Fiscal n° lavrado em 22/01/2015), a mesma não se manifestou; o que levou à várias reintimações, também não atendidas (item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° lavrado em 07/05/2015 e item 7.4 do Temo de Reintimação Fiscal n° 002, lavrado em 02/07/2015). Intimada também a Ambapar a comprovar a efetiva prestação dos referidos serviços de assessoria, consultoria administrativa, contabilidade e RH prestados ao Bretas no ano¬calendário de 2010 Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.037 8 (item 5.2 do Termo de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015), esta justificou que "os documentos produzidos na execução dos trabalhos contratados ficavam nas dependências dos contratantes por se tratar de documentos confidenciais e de utilização dos mesmos." (...) Quanto aos serviços de assessoria e consultoria administrativa, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, etc., supostamente prestados no anocalendário de 2010, a Ambapar mantevese omissa, o que levou o Fisco a reintimála mais duas vezes a comproválos (Termo de Diligência Fiscal n° 03 e Termo de Reintimação Fiscal n° 002), sem sucesso. Diante das respostas obtidas, concluiu a fiscalização: Logo, nenhuma das partes (prestadora e tomadora) comprovou a efetividade dos serviços de assessoria e consultoria supostamente prestados pela Ambapar ao Bretas no anocalendário de 2010. Além de registrar a falta de efetividade dos serviços, a autoridade fiscal apontou algumas inconsistências verificadas na Ambapar que desqualificam a prestação de serviços: A atividade de consultoria e gestão não fazia parte do objeto social da Ambapar: A AMBAPAR não possuía infraestrutura administrativa própria Ausência de alvará de licença e funcionamento no período autuado A AMBA PAR não contabilizou gastos com empregados (Salários/ordenados/comissões inexpressiva sua despesa com serviços prestados por terceiros, o que afasta a hipótese de Subcontratação dos serviços supostamente prestados. Vínculo de Valter Luiz Sartorato Dias com diversas empresas do grupo, dentre elas Bretas e Ambapar: o mesmo foi identificado pela Cencosud no curso do procedimento fiscal como controller do Bretas, bem como a pessoa de contato na Ambapar e outras empresas do grupo, mediante vínculo contratual de prestador de serviço PJ, através de sua empresa Ideiativa Serviços Empresariais Ltda — CNPJ: 03.226.025/000194: Após as investigações realizadas e de posse do conjunto probatório que dos autos consta, a fiscalização assinalou: Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.038 9 Diante de todo o exposto, são indedutíveis as despesas com serviços de assessoria/consultoria prestados ao BRETAS por sua controladora Ambapar no anocalendário de 2010, uma vez que. • não houve a comprovação da efetiva prestação do serviços; • os serviços contratados não faziam parte do objeto social da prestadora (AMBA PAR) no anocalendário de 2010; • impossibilidade fática da prestação de serviços pela AMBAPAR, dada a inexistente estrutura operacional da mesma: inexistência de funcionários para desempenhar as supostas assessorias/consultorias, bem como inexistência de custos/despesas com aluguel, condomínio, energia elétrica, água, telefone, etc; • operação realizada entre partes relacionadas e fora dos padrões de mercado: a transferência da marca Bretas desta para sua controladora se deu pelo seu irrisório valor contábil de R$ 555,00, operação esta inimaginável entre partes independentes; • A Ambapar teve como única cliente no anocalendário de 2010 sua controlada Irmãos Bretas, obtendo uma excepcional rentabilidade às custas desta (82%), conforme dados extraídos de seu balancete de 2010, apresentado em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015 (...) Concluise, portanto, que o contrato de prestação de serviços de administração datado de 01 de julho de 2006, firmado entre Ambapar e Irmãos Bretas, tendo por objeto a prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa, comercial, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, aquisição de suprimentos e coordenação de vendas, é um contrato de fachada, fictício, eivado de falsidade ideológica, assim como o são as notas fiscais emitidas, uma vez que não houve a efetiva prestação dos serviços. (...) Diante de todo o exposto e com fulcro nos artigos 149, VII do Código Tributário Nacional/CTIV e 299 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), efetuamos a glosa das despesas com serviços de assessoria/consultoria prestados ao BRETÃS por sua controladora Ambapar no anocalendário de 2010, no montante de /gratificações) no anocalendário de 2010, sendo R$ 21.670.409,27, Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.039 10 contabilizados nas contas 3.3.1.08.26 Honorários da Diretoria e 3.3.3.05.20 Honorários profissionais. Com relação a tal infração, a aplicação da multa qualificada de 150% foi assim justificada: Comprovado o artificialismo na prestação de serviços de assessoria/consultoria pela Ambapar à sua controlada Irmãos Bretas, Filhos & Cia Lida, conforme discorrido ao longo do presente Termo, mediante a utilizacão de documentos ideologicamente falsos, estando presentes, portanto, o dolo, a _fraude e o conluio entre as partes, efetuamos o lançamento da glosa das referidas despesas com imposição da multa de oficio qualificada, conforme disposto no Artigo 44, §. I° da Lei 9.430/96. Tratando da perda no recebimento de créditos, a autoridade fiscal conduziu o procedimento conforme assinalamos a seguir: Em 22/01/2015 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 003, intimando a Cencosud, na qualidade de sucessora da empresa Irmãos Bretas, Filhos & Cia Lida, a detalhar a operação que deu origem à baixa de um ativo de R$ 16.711.163,62, em contrapartida a uma conta de resultado Sobre o assunto, após reiteradas intimações, a fiscalizada informou: Ref.: Termo de Reintimacio Fiscal no 003, de 02/10/2015. CENCOSUD BRASIL COMERCIAL LTDA., pessoa jurídica inscrita no CNPJ ng 39.346.861/000161, com wcie na Rod. BR 235, KM 04, S/N, Nossa Senhora do Socorro — SE, em atendi mento ao Termo de Reintimação Fiscal em referência, vem expor e apresentar o que segue: Termo de Intimação Fiscal n2 003: Item 8: A Contribuinte informa que a operação que originou a transação contábil é relativa a perda de investimento realizado na sociedade C&C Perf. e Franchisins S.A Como comprovação, seguem com a presente cópia de processos judiciais de execução extrajudicial nos quais a sociedade Irmãos Bretas, Filhos e Cia. Ltda. pretendeu obter a satisfação dos créditos. Sobre a origem dos processos, o relato fiscal informou o seguinte: 4.2.1. Processo 038720213.2010.8.13.0079 Trata de ação de execução de título extrajudicial, ajuizada em 03/08/2010 na 3a Vara Cível da Comarca de Contagem/MG por Irmãos Bretas em desfavor de C & C Perfumes e Franchising S/A. Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.040 11 Na petição, datada de 26/05/2010, o exequente (Irmãos Bretas) esclarece a origem da dívida: três contratos de mútuo, no montante de R$ 1.712.239,50, vencidos em 15/02/2008, 14/04/2008 e 28/04/2008... 4.2.2. Processo 195346181.2010.8.13.0024 Trata de ação de execução de título extrajudicial, ajuizada em 03/08/2010 na 3a Vara Cível da Comarca de Contagem/MG por Irmãos Bretas em desfavor de C & C Perfumes e Franchising S/A. Na petição, o exequente (Irmãos Bretas) esclarece a origem da dívida: Adiantamentos para Futuro aumento de capital efetuados em 2008 pela Ambapar à C & C Perfumes e Franchising, totalizado R$ 13.285.000,00, tendo a Ambapar cedido os direitos creditórios sobre tais adiantamentos ao Bretas em 05/01/2009, conforme Instrumento Particular de Cessão de Direitos Creditó rios e outras Avenças A fiscalização observou os processos judiciais referidos e concluiu: É indedutível a baixa dos créditos junto à C&C Perfumes, efetuada em 15/06/2010, no valor de R$ 16.711.163,62, uma vez que: a) os créditos baixados não correspondem à atividade operacional da empresa, contrariando o caput do artigo 90 da Lei 9.430/96 (artigo 340 do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda); b) mesmo que tais créditos correspondessem à atividade operacional da empresa, o contribuinte desistiu da cobrança judicial dos mesmos antes de decorridos cinco anos do seu vencimento, o que, de acordo com o artigo 10, § 1° da Lei 9,430/96, a perda eventualmente registrada deve ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. Conforme verificado no Lalur apresentado em atendimento ao Termo de Início de Diligência Fiscal, o contribuinte não adicionou ao lucro líquido, quando da apuração do lucro real e da CSLL. a perda no recebimento dos referidos créditos. (...) Deste modo, efetuamos de oficio a adição ao lucro líquido do montante de R$ 16.711.163,62 referente à baixa dos créditos Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.041 12 junto à C & C Perfumes, escriturada em 15/06/2010 na conta 3.4.1.01.001 Custo residual de bens e direitos baixados, com fulcro nos artigos 9 e 10 da Lei 9.430/96 (art. 340 e 341, § 10 do Decreto 3.000/99), com imposição da multa de 75%. Além das infrações acima, foi incluído no lançamento a multa isolada de 50% por falta de recolhimento de estimativas mensais. Segundo consta de fls. 2726, a fiscalizada foi cientificada do lançamento do presente processo por meio de sua caixa postal eletrônica em 21/11/2015, tendo postado sua impugnação em 22/12/2015, fls. 2901, com os argumentos que resumimos a seguir em seus principais aspectos. De plano, requer a nulidade do auto de infração por ausência de provas do aspecto material dos fatos geradores. Vejamos um trecho com tal argumento: (..) em que pese o esforço da d. fiscalização em tentar criar elementos que dessem conta da infração apontada (o que justifica a enorme extensão do TVF), foram baseados exclusivamente em elementos indiciários e presuntivos, sem qualquer fundamentação objetiva que pudesse sustentar o crédito tributário que se pretende exigir a esse título. O que importa dizer a esse respeito é que Fisco descurou de sua obrigação de buscar a verdade material dos fatos, apoiandose em elementos que são produto unilateral de suas conclusões baseadas em indícios e presunções distanciados de qualquer elemento de prova. O Fisco Federal nesse particular desconsiderou toda a gama de elementos objetivos e concretos, fundamentadas em documentos e registros contábeis e fiscais, apresentadas pelo contribuinte, preferindo concluir com base em indícios e presunções unicamente criados em decorrência do caminho de análise escolhido pelo Fisco, pela impossibilidade de dedução das despesas em referência. Tal fato por si só, torna o presente auto de infração completamente nulo de pleno direito. (...) (i) como nos autos não pôde ser comprovado inequivocamente os fatos criados e narrados pela fiscalização para considerar como indedutíveis as despesas apontadas em relação a "primeira classe de despesas" (h) deixando esta última de fazer a busca pela verdade material dos fatos e cumprir o dever objetivo de prova e investigação das premissas fáticas que dariam ensejo à autuação, (iii) sendo a presunção realizada pelo Fisco insuficiente para Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.042 13 conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, deve a presente Impugnação ser provida para cancelar o Auto de Infração ora combatido. Argumenta que o uso de presunções afeta o princípio constitucional da capacidade contributiva: Se a Autoridade Fiscal imputa ao contribuinte autuação despida de qualquer prova objetiva que identifique a ocorrência do fato gerador, na forma como previamente determinada pela lei, considerando apenas meros indícios ou presunções, a exigência fiscal não estará pautada pelo princípio da capacidade contributiva, afrontando gravemente o princípio constitucional. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo este prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4° do CTN. Estariam decaídos fatos geradores corridos de janeiro a novembro de 2010, uma vez que o lançamento foi concluído em 20/11/2015. Referindose à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), sustenta que não há norma que determine a glosa de despesas desnecessárias. Vejamos a transcrição: (..)a legislação do imposto de renda da pessoa jurídica determina que, para se chegar ao lucro real (base de cálculo do IRPJ), as despesas 'desnecessárias' devem ser adicionadas ao lucro líquido do exercício. As normas que regem a CSLL nada dizem a esse respeito, razão pela qual, mesmo que os pagamentos feitos a controladora da Impugnante sejam indedutíveis para efeito do IRPJ (o que se admite apenas para argumentar), não cabe nenhuma glosa em relação a CSLL. Discute se a lei que impede a dedutibilidade dos pagamentos a sócios se aplica realmente a sócio pessoa jurídica, uma vez que a lei não específica e somente no art. 353, inciso do Regulamento do Imposto de renda (RIR/99), a aplicação a pessoa física e jurídica é explicitada. Insiste com o seguinte argumento: É absolutamente claro que a lei 4.506/64, ao mencionar a expressão 'Pagos a sócios" e não inserir qualquer explicação/complementação em seguida e na porção seguinte da redação, completar estendendo a vedação também aos "dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.043 14 "pretendeu limitar a possibilidade de pagamento de royalties aos sócios apenas pessoas físicas, não se enquadrando nessa vedação os sócios pessoas jurídicas. A estrutura da redação do dispositivo é muito clara nesse sentido, pois de um lado é mencionado "sócios ou dirigentes "e de outro, após a edição de uma vírgula (o que indica que o que virá em seguida no texto se refere a ambas as palavras que estavam antes da vírgula)," e a seus parentes ou dependentes". Ora, não há dúvidas que a expressão "e a seus parentes ou dependentes " está se referindo tanto a "sócios" quanto a "dirigentes" o que seria forçoso concluir que a vedação trazida pelo dispositivo se aplica apenas aos sócios que sejam pessoas físicas, já que apenas asses poderiam ter a condição de ter parentes ou dependentes. Não é crível admitir que sócios pessoas jurídicas pudessem ter parentes ou dependentes na medida em que tal condição apenas pode ser encontrada em uma pessoa física. Em outras palavras, a vedação insculpida no artigo 71, § único, "d" da lei 4.506/64, em relação a possibilidade de pagamentos de royalties para sócios, aplicase apenas a hipótese de sócios pessoas fisicas, não cabendo na hipótese em que os sócios que recebam esses pagamentos sejam pessoas jurídicas, sendo absolutamente ilegal o alargamento do alcance da norma legal pretendida pelo dispositivo transcrito da lei original para o decreto (RIR/99) cuja aplicação foi indevidamente pretendida pela autoridade fiscal. Aponta que a comparação do art. 353, inciso I com o inciso III, "b" apoiaria seu argumento, vejamos: Ocorre que se analisarmos a previsão específica contida no inciso IH, "h" é possível verificar que não faria qualquer sentido que a previsão do inciso I de fato se aplicasse também as pessoas jurídicas. Isso porque no inciso III a vedação é específica para "royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio" e na alínea "b" a vedação se direciona aos pagamentos feitos a controladores com sede no exterior, o que a contrário sensu induziria a conclusão de que se os pagamentos fossem feitos a minoritários com sede no exterior, esses pagamentos seriam autorizados. Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.044 15 Cita decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que concluiu ser o art. 71 da Lei 4.506/64 aplicável somente a pessoa física. Defende que "as despesas relacionadas a utilização da marca Bretas são absolutamente regulares e foram devidamente lastreadas em contrato firmado entre as partes e ainda todos os pagamentos realizados foram devidamente comprovados com a individualização de todos os comprovantes de pagamento bancários realizados". Informa que em laudo anexo demonstra a regularidade dos pagamentos que são todos amparados em notas fiscais. Vale dizer que toda a operação que a fiscalização pretende glosar foi regularmente lastreada em contrato firmado entre as partes, documentos fiscais idoneamente emitidos e contabilizados e todos os pagamentos bancários comprovados. Foi exatamente o que também concluiu o perito especializado responsável pela elaboração do laudo pericial que segue anexo. Entende que a efetiva prestação de serviços seria provada pelos próprios documentos legais e formais que acorbetaram a operação. Com relação às inconsistências apontadas pela fiscalização na prestação de serviços, contraditou da seguinte forma: A. A fiscalização aponta que a atividade de consultoria e gestão não fazia parte do objeto social da Ambapar, o que seria uma inconsistência que desqualificaria a prestação de serviços. O argumento de tão superficial, data máxima venia, que dificulta até o seu enfrentamento. Não demanda maiores delongas para se demonstrar que a ausência de conformidade entre o objeto social descrito nos documentos constitutivos de determinada empresa e eventual atividade desenvolvida na prática tratase de mera imprecisão técnicaformal e não traz qualquer caráter indicativo de que a atividade não descrita não possa ser executada pela empresa. B. Há ainda a indicação de que a Ambapar não possuía infraestrutura administrativa própria, por não haver custos/despesas de aluguéis, condomínio, energia elétrica, água e telefone. A Impugnante não pode discorrer a respeito da estrutura administrativa de sua prestadora de serviços ainda que essa seja sua controladora. Porém, o fato é que no que se refere a necessidade dessa estrutura para a execução da prestação de serviços, torna¬se extremamente desnecessária na medida em que conforme já explicitado acima (e em Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.045 16 diversas respostas as intimações fiscais!), os serviços eram prestados nas dependências da Contratante e diretamente em seus sistemas, o que para fins da execução do serviço, torna se irrelevante qual a estrutura própria da prestadora do serviço. C. O fisco ainda questiona a inexistência de alvará de licença e funcionamento no período autuado. Com a devida vênia, a fiscalização destoa completamente qual o seu dever no contexto desse auto de infração ao concentrarse em diligências absolutamente inócuas, inapropriadas e inaplicáveis ao caso, o que, evidentemente desnatura em absoluto as conclusões que pretende tirar das referidas diligências. Não faz qualquer sentido tirar a conclusão de que determinado serviço não possa ter sido prestado pela empresa por questões relacionadas a sua regularidade regulatória. Ou seja, em outras palavras, se havia algum problema relacionado aos certificados regulatórios necessários ao funcionamento da empresa, isso obviamente deve (ou deveria) ser tratado na esfera competente. O fato é que, mais uma vez, para efeitos da prestação dos serviços em tela isso não tem qualquer efeito, já que os serviços eram prestados na sede da Contratante. D. O TVF aponta ainda como uma inconsistência encontrada na Ambapar o fato de que não teria havido a contabilização de gastos com empregados. Nesse particular, mais uma vez a Impugnante não tem condições de dizer ou afirmar a respeito de situações internas de outra sociedade. Porém, em relação a prestação de serviços em discussão, vale dizer que os serviços eram prestados pela Ambapar, nas dependências da Contratante, e através de seus sócios. Ou seja, até por uma exigência contratual, de fato os serviços não eram prestados por empregados ou terceirizados da contratada, mas sim diretamente por seus sócios. Conforme exposto no próprio TVF, a Ambapar possuía 11 sócios e cabia a eles a execução direta dos serviços contratados. (...) Analisando os fatos apresentados o perito responsável pelo laudo pericial anexo demonstrou que os sócios da Ambapar possuíam senhas de acesso a diversos sistemas da Impugnante, o que demonstra que os serviços eram prestados diretamente pelos próprios sócios, e ainda na sede e nos sistemas da contratante: Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.046 17 (...) Insiste no conteúdo do laudo anexo que mostraria que os sócios da Ambapar tinham acesso a sistemas da Irmãs o Bretas como forma de provar a efetividade dos serviços. Destaca em seus argumentos que em nenhum momento a fiscalização demonstrou que os serviços contratados e prestados não eram necessários, usuais ou normais para a sua atividade. Conclui que utilizou se dos meios de prova disponíveis (contratos, pagamentos, etc) para provar a existência dos serviços. Avança para apontar que os tributos recolhidos pela Ambapar não foram corretamente deduzidos na apuração feita em relação à Irmãos Bretas. O laudo anexo demonstraria a incorreção alegada. Com relação à multa qualificada de 150% para a glosa de despesas com os pagamentos relativos a marcas e a serviços prestados, a impugnante assim argumenta: No caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação da Impugnante tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação. Fraude também não pode ser verificada nos autos, tendo em vista que nenhuma operação foi escondida ou modificada para implicar no recolhimento a menor dos tributos, sendo que compete ao Fisco comprovar, de forma inequívoca, sua ocorrência. Por fim, não pode ser caracterizado conluio, pois não restou comprovado nos autos quaisquer acordos entre a Autuada e terceiros tendentes a praticar as infrações apontadas pela fiscalização federal, até mesmo porque tais infrações não foram, sequer, praticadas. Vale dizer que a autoridade fazendária justifica a imposição da multa agravada pela forma utilizada pela Impugnante na contabilização das referidas despesas, especialmente em relação ao nome dado a conta contábil que registrou as despesas em discussão. O fato é que não há nos autos qualquer demonstração de que o contribuinte tenha agido com base nas hipóteses que permitam a qualificação da multa imposta. O modo de contabilização Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.047 18 realizado pelo contribuinte, ainda que eventualmente seja dotado de alguma imprecisão ou atecnia não induz a conclusão de que haveria as restritas e taxativas hipóteses descritas no artigo 44 da lei 9.430/96 acima transcrito. Quando trata da dedutibilidade das despesas referentes a perda no recebimento de créditos, insiste que a regularidade das operações está fundada na insolvência do devedor. Vejamos um aspecto central de seu argumento: No caso presente, vale destacar que mesmo propondo as duas ações executivas buscando satisfazer o crédito, o contribuinte identificou que o devedor estava em situação de absoluta insolvência no mercado e que o recebimento do crédito seria impossível nesse cenário. Sendo assim, foi esse fato que motivou o contribuinte a desistir das ações judiciais na média em que manter a medida apenas acentuaria sua dívida, com a incursão de custos processuais e com advogados que não poderia ser revidos posteriormente. Uma prova da insolvência do devedor é que recentemente a empresa teve sua recuperação judicial deferida pelo TJSP (Processo 108306831.2014.8.26.0100), (..) No tocante à multa isolada pela falta de recolhimentos de estimativas, cita diversas jurisprudências do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), especialmente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) , bem como aponta a existência da Súmula CARF 105, in verbis: Súmula CARF n° 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § lo, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de oficio por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de oficio. Nesse aspecto, seus argumentos são demonstrados nos trechos seguintes: De fato, nos autos do processo já foi aplicada multa de oficio de 150% e 75% (dependendo da imputação fiscal conforme já demonstrado acima) sobre a glosa das despesas em discussão, de forma que uma nova aplicação de multa no mesmo percentual, sem sombra de dúvidas implicará uma dupla penalização, não admitida conforme jurisprudência reiterada do Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.048 19 Os fatos que deram origem autuação e ensejou a aplicação da multa de oficio são exatamente os mesmos que deram origem a aplicação da multa isolada. Ou seja, a suposta utilização das despesas consideradas não dedutíveis pela fiscalização está ensejando a aplicação de multa de oficio (em grande parte agravada) e ainda de multa isolada. Dessa forma, um mesmo fato não pode dar origem a dupla penalização, sob pena de infringência ao art. 44 da Lei 9.430/96. A jurisprudência no âmbito do Conselho Administrativo de Resursos Fiscais é consolidada nesse sentido, no que se refere à impossibilidade da cumulação da multa isolada com a multa de oficio em hipóteses como a presente. Ao analisar as razões de impugnação do contribuinte, a 7ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente a impugnação, conforme pode ser depreendido da leitura do acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória. PROVA INDICIÁRIA. UTILIZAÇÃO COMO MEIO DE PROVA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. Em harmonia com o art. 24 do Decreto 7.574/2011, são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Assim, a prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO CONTEÚDO DO RESP 973.733/SC NOS MOLDES DA NOTA PGFN/CRJ N° 1.114/2012 C/C PARECER PGFN/CAT 1.617/2008 EM DECORRÊNCIA DA PORTARIA CONJUNTA PGFN/FRB N° 01/2014 QUE Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.049 20 REGULAMENTOU O DISPOSTO NOS §§ 40, 50 E 70 DA LEI 10.522/2002. Em harmonia com o que decidiu o STJ no Resp 973.933/SC, considerando os moldes da nota PGFN/CRJ N° 1.114/2012 c/c parecer PGFN/CAT 1.617/2008 em decorrência da portaria conjunta PGFN/FRB N° 01/2014 que regulamentou o disposto nos §§ 40, 50 e 70 da Lei 10.522/2002, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN 173, I), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. No caso em tela, ainda que fosse aplicada a regra decadencial do art. 150, §4°, não haveria fato gerador atingido pela caducidade. DESPESAS COM PAGAMENTOS DE ROYALTIES A Sócios PESSOA JURÍDICA. INDEDUTIBILIDADE. Por força do art. 353, inciso I do RIR/99, não são dedutíveis os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas. DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÕES PARA SUA DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. Para que uma despesa ou custo seja dedutível, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, é necessário que os documentos emitidos por terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e idôneos. A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de certeza absoluta; é preciso, acima de tudo, que fique provada sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos. Sujeitamse, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica. Eventual prestação de serviços deve ter sua efetividade amparada em documentos hábeis e idôneos. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS COM PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. As despesas com perdas no recebimento de créditos devem corresponder a créditos decorrentes da atividade da pessoa jurídica e obedecer aos requisitos dos arts. 340 a 343 do RIR/99. Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.050 21 Perdas com adiantamento de investimento não são decorrentes da atividade de empresa que não tem como objeto social a participação societária em outros empreendimentos. Não se aplica às pessoas jurídicas o art. 340, §1°, inciso I e sim o art. 340, §1°, inciso IV, posto que insolvência é conceito aplicável às pessoas físicas e não às pessoas jurídicas, pois estas se submetem à recuperação judicial e à falência. Logo, a eventual insolvência, ainda que tivesse sido declarada em sentença, não serve como justificativa para a dedutibilidade de despesas com perdas no recebimento de créditos. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. INFRAÇÃO AUTÔNOMA CABIMENTO. Nos casos de lançamento de oficio, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido ainda que após o encerramento do períodobase e apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no ano correspondente. A hipótese legal de aplicação da multa isolada não se confunde com a infração que implicou na aplicação da multa de oficio, porquanto infrações tributárias autônomas e passíveis de incidência simultânea na mesma autuação fiscal. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APLICAÇÃO NA PRESENÇA DE DOLO DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. Nos casos de sonegação, fraude ou conluio previstos nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/64, a multa deve ser qualificada para 150%. Escrituração de despesas em contas que não guardam correlação com os documentos que lhes dão suporte revela dolo de sonegação a justificar a qualificadora. A falta de comprovação da efetividade de despesas revela que os documentos que lhes dão suporte são ideologicamente falsos a indicar fraude. As condutas praticadas com empresa do mesmo grupo, quando visam sonegação e fraude consubstanciam conluio. O que reforça a aplicação da multa de 150%. Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.051 22 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências atiças, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ, em harmonia com o art. 6°, parágrafo único da Lei 7.689/88. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese: a) ausência de busca da verdade material para lavratura do auto de infração; pugnando pela anulação deste por ter sido baseado em indícios; b) decadência de parte do crédito exigido; c) regularidade da totalidade das despesas glosadas pela autoridade fiscal; d) incorreção na dedução de tributos recolhidos pela Ambapar na apuração de tributos, baseada em laudo contábil; e) impossibilidade de aplicação da multa qualificada em relação a glosa de despesas relacionadas ao uso da marca Bretas e da prestação dos serviços de assessoria e consultoria, por inexistência de fraude, dolo ou simulação; f) dedutibilidade das despesas referentes a perda no recebimento de créditos; g) impossibilidade de aplicação da multa isolada (por recolhimento a menor das estimativas) com a multa de ofício (pela exigência do tributo não recolhido). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da questão Preliminar Suscita a recorrente em sede de Recurso Voluntário que: “O procedimento administrativo de lançamento, no caso em comento consubstanciado no auto de infração ora combatido, deve ter como objetivo a busca da verdade material, devendo esta ser demonstrada e provada objetivamente, à luz dos rigores do devido processo legal. Isso não quer dizer que indícios e presunções jamais possam ser Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.052 23 considerados, mas devem, sobretudo, obviamente quando legalmente possível sua utilização, serem construídos sob o rígido holofote da busca da verdade material. Isso em nada tem a ver, conforme, equivocadamente, afirmou a decisão recorrida, que "Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário". A verdade material deve ser objeto de prova realizada pela autoridade administrativa, sendo este dever completamente inerente à atividade administrativa de aplicação da lei tributária vislumbrada no lançamento. Isso evidentemente não tolhe em absoluto a utilização de um elemento de indício ou presunção mas, em hipótese alguma, podese levar ao absurdo de que seja transferido ao contribuinte ônus de desfazer o indício e a presunção única e exclusivamente com a prova ou com os elementos probatórios idealizados pela Fiscalização. (...) Não pode o Fisco desconsiderar toda a documentação contábil e fiscal regular que envolve a operação (documentação reconhecidamente legal conforme indicado no próprio TVF!) analisada e exigir que o contribuinte preencha o anseio de prova criado aleatoriamente e que a d. fiscalização quer ver em relação aos fatos analisados. Esse dever constitucional de prova é da Fiscalização e não pode ser transferido/exigido do contribuinte em completa inversão dos papéis dentro do Estado Democrático de Direito. (...) Trazendo a questão para o caso concreto dos autos, em relação a "primeira classe de despesas", consideradas não dedutíveis pela d. fiscalização, ou seja, em relação aos pagamentos feitos pela Recorrente à Ambapar pelo (a) uso da marca Bretas e (b) pela prestação de serviços de consultoria e assessoria prestados pela controladora, o Fisco Federal sustenta que a operação de pagamento pelo uso da marca Bretas não teria proposito negociai e que os pagamentos feitos em contrapartida a prestação de serviços de consultoria e assessoria se refeririam a serviços não efetivamente prestados à Recorrente. Ocorre que em relação as duas situações, o Fisco desconsidera toda a regularidade da documentação que formalizou as operações em questão (contratos, pagamentos, registros contábeis e fiscais), regularidade reconhecida pelo próprio TVF que traz a demonstração dos contratos e dos pagamentos comprovadamente realizados, e por um juízo absolutamente unilateral e descasado com qualquer prova que atenda ao dever jurídico de prova inerente a atividade impositiva, cria elementos históricos que supostamente funcionariam como suficientes a sustentar o feito fiscal nesse particular. (a) Em relação a operação de uso da marca, a d. fiscalização sugere que não haveria propósito negocial apenas por serem empresas ligadas e por ter ocorrido a operação de transferência da marca para a Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.053 24 controladora em processo de cisão há 6 anos, indicando que haveria: "um proposito deliberado em aumentar despesas na empresa tributada pelo lucro real, reduzindo seu lucro tributável e sua carga tributária: enquanto ocorre uma redução nos valores de IRPJ e CSLL devidos na contabilidade da empresa Irmãos Bretas na ordem de 34% (25% de IRPJ + 9% de CSLL) sobre as despesas com royalties, surge uma tributação da ordem de 10,88% (34% x 32% de coeficiente de presunção do lucro) sobre as correspondentes receitas na contabilidade da Ambapar". A Fiscalização apenas desconsidera alguns fatos importantes, sobrepondoos com os supostos indícios criados a partir de elementos oriundos da exclusiva análise que a fiscalização "quis" fazer dos fatos: 1° fato: a cisão realizada na Recorrente há mais de 6 anos que cindiu ativos para sua controladora, dentre os quais marcas e patentes ocorreu de modo absolutamente regular, em conformidade com os critérios legais aplicáveis; 2° fato: todos os pagamentos realizados pela Recorrente em razão do uso da marca Bretas foram devidamente lastreados em contrato formal, e regular, devidamente apresentado à Fiscalização, cuja validade em momento nenhum foi questionada; 3° fato: a Recorrente comprovou a realização efetiva, lastreada em documentos e comprovantes bancários, de todos os pagamentos registrados e escriturados a título de uso da marca Bretas; 4° fato: em que pese serem empresas ligadas (controlada e controladora), são sociedades absolutamente distintas, com atividades distintas, personalidade jurídica individual, sócios diversos, e que não podem ser tratadas como se fossem a mesma sociedade, como pretendeu fazer o Fisco Federal. Ora, não há dúvidas que a fiscalização, abandonou os elementos e fatos concretos e objetivos com os quais se deparou e preferiu apoiarse em elementos criados pela própria fiscalização, para sustentar que não haveria proposito negocial na relação de uso da marca realizada entre a Recorrente e sua controladora. Para utilizarse da conclusão trazida no trecho acima transcrito, a fiscalização deveria ter observado seu dever constitucional de prova e demonstrado objetivamente a ocorrência do fato narrado em simples hipótese teórica. São diversos os momentos em que a fiscalização trata subjetivamente os fatos e não comprova absolutamente nada o que está afirmando, esvaziando por completo a prova necessária a sustentação do fato tributário que supostamente identificou. (grifos no original) Não assiste razão a recorrente. Vejamos os motivos. Inicialmente, cabe trazer a baila, trechos do TVF ( fls.135/214), que infirmam a argumentação da recorrente litteris: 4. Infrações Apuradas Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.054 25 Foram constatadas as seguintes infrações apuradas na empresa IRMÃOS BRETAS, FILHOS & CIA LTDA no anocalendário de 2010, empresa incorporada pela Cencosud em 2011: Despesas não dedutíveis referentes a pagamentos efetuados à sua controladora Ambapar; Despesas não dedutíveis na perda no recebimento de créditos. 4.1. DESPESAS NÃO DEDUTÍVEIS – PAGAMENTOS EFETUADOS À AMBAPAR Identificados no anocalendário de 2010 pagamentos efetuados pela empresa Irmãos Bretas à sua controladora AMBAPAR Amba Participações Ltda – CNPJ: 01.909.826/000130, foi o contribuinte fiscalizado, na qualidade de sucessor da empresa Irmãos Bretas intimado a apresentar os documentos relacionados no item 2 do Termo de Intimação Fiscal nº 002, lavrado em 09/10/2014: Não atendido integralmente o referido item, foi lavrado em 22/01/2015 o Termo de Intimação fiscal nº 003, cujo item 7 solicitava: Em atendimento às referidas intimações, a Cencosud apresentou os seguintes documentos/esclarecimentos: notas fiscais de nº 95 a 130 (sequenciais) emitidas pela Ambapar no anocalendário de 2010, tendo como destinatário Irmãos Bretas, no montante de R$ 43. 340.818,54; boletos bancários do Banco do Brasil, tendo como cedente: Ambapar e sacado: Irmãos Bretas, como comprovação dos pagamentos; Relatório Analítico de contas a pagar emitido pelo Bretas, referente ao fornecedor Ambapar, totalizando R$ 43.340.818,54 (valor total das notas fiscais) e R$ 42.008.088,61 (valor líquido das nf); Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.055 26 Relação analítica de contas a pagar, referente ao fornecedor Ambapar, totalizando R$ 42.008.086,60. Relação das Notas fiscais apresentadas em atendimento aos itens 2.1 do Termo de Intimação Fiscal nº 002 e 7.1 do Termo de Intimação Fiscal nº 003: As referidas notas fiscais foram contabilizadas pelo Bretas a débito de Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.056 27 contas de despesa (3.3.1.08.26 – Honorários da diretoria e 3.3.3.05.20 – Honorários profissionais) e a crédito de conta do Passivo circulante (2.1.1.04.01– fornecedores de mercadorias), conforme lancamentos contábeis extraídos da escrituração contábil digital (SPED) de Irmãos Bretas, Filhos & Cia Ltda: Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.057 28 Como se vê, os lançamentos contábeis referentes aos serviços prestados pela Ambapar ficaram escondidos na escrituração do Bretas em contas inapropriadas e históricos sem identificação do prestador. Segregando as notas fiscais pelo tipo de serviço prestado, temos que a empresa Irmãos Bretas pagou à sua controladora Ambapar no ano calendário de 2010: R$ 21.670.409,27 pelo uso da marca Bretas; R$ 21.670.409,27 pelos serviços de assessoria, consultoria comercial, administrativa, contábil operacional, recursos humanos, financ., aquisição de produdos, coordenação de vendas e marketing. Reintimada a apresentar os itens 7.3, 7.4 e 7.5 do Termo de Intimação fiscal nº 03 (item 4 do Termo de Intimação Fiscal nº 004, lavrado em 07/05/2015), a Cencosud atendeu em 27/05/2015 apenas o item 7.5 do referido termo, informando que a pessoa da Ambapar com a qual eram mantidos os contados era o Sr. Valter Sartorato: Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.058 29 Em 23/06/2015, acrescentou que o Sr. Valter Sartorato desempenha a função de contabilista através de vínculo contratual de prestador de serviço PJ conforme contrato firmado entre as partes: Ressaltase que em resposta ao Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 30/05/2014, referente ao procedimento instaurado na empresa Irmãos Bretas, Filhos & Cia Ltda, a Cencosud referese ao Sr. Valter Sartorato como antigo controller do Bretas, informando que tal pessoa disponibilizaria a documentação dos itens 2, 4 e 5 do referido Termo: Em 02/07/2015 foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal nº 002, reintimando o contribuinte a, dentre outros elementos, apresentar os documentos solicitados nos itens 7.3 e 7.4 do Termo de Intimação Fiscal nº 03 : contrato firmado entre Ambapar e Bretas pelo uso da marca “Bretas” e relatórios e demais documentos que comprovem a prestação dos serviços de assessoria, consultoria administrativa, contabilidade e RH, respectivamente. Apenas o contrato firmado pelo uso da marca “Bretas” foi apresentado. 4.1.1. Diligência efetuada na Ambapar Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.059 30 Em 05/05/2015 foi lavrado Termo de Início de Diligência Fiscal, intimando a AMBAPAR a apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos, com relação ao período de 2010 e 2011: 1. Contrato social de constituição e alterações contratuais vigentes no período especificado; 2. Alvará de licença para localização expedido pelo município, vigente no referido período; 3. Comprovação das despesas administrativas efetuadas com telefone, energia, água, provedores de internet, condomínio e aluguel do imóvel, este último acompanhado do contrato de locação, substituídos, no caso de imóvel próprio, pelo registro/matrícula do mesmo no CRI; 4. Com relação à cessão da marca Bretas à Ambapar: 4.1. Averbação do ato ou contrato junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial/INPI; 4.2. Contrato firmado entre Irmãos Bretas e Ambapar pelo uso da marca Bretas; 4.3. Relacionar data e valores dos efetivos recebimentos a título de royalties pelo uso da marca Bretas, bem como apresentar extratos bancários comprobatórios dos referidos créditos, coincidentes em datas e valores; 5. Com relação aos serviços de assessoria, consultoria administrativa, contabilidade e RH prestados ao Bretas: 5.1. Contrato firmado entre as partes; 5.2. Relatórios, pareceres, correspondências trocadas entre as partes, e demais documentos que comprovem a efetiva prestação dos serviços; 5.3. Relacionar data e valores dos efetivos recebimentos, bem como arpesentar extratos bancários comprobatórios dos referidos créditos, coincidentes en datas e valores; 6. Arquivos eletrônicos contábeis e fiscais, nos termos da IN SRF 86/2001 e ADE Cofis nº 15/2001. Em atendimento ao referido termo, o contribuinte apresentou: arquivos eletrônicos contábeis e fiscais, conforme solicitado no item 6; cópias das notas fiscais referentes ao uso da marca e serviços de assessoria; extratos de conta corrente para comprovação dos valores recebidos; contrato social e demais alterações; alvarás de licença e funcionamento de 2007 a 2009; cópia do contrato de prestação de serviços; contrato de cessão de uso da marca; Contrato de prestação de serviços com a empresa Órion Assessoria Empresarial ltda, para assessoria, agenciamento, orientações e esclarecimentos inerentes aos Pedidos de Registros junto ao INPI; registros das marcas junto ao INPI. Quanto à efetiva prestação dos serviços de assessoria e consultoria, alegou que os documentos produzidos na execução dos trabalhos Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.060 31 contratados ficavam nas dependências dos contratantes por se tratar de documentos confidenciais e de utilização dos mesmos. Em 17/06/2015 foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal nº 002, cientificado em 24/06/2015, intimando a Ambapar a apresentar os seguintes elementos/esclarecimentos: Não atendido o referido Termo no prazo marcado, foi lavrado em 08/07/2015 Termo de Reintimação Fiscal, reintimando a Ambapar a apresentar os elementos solicitados no Termo de Diligência Fiscal nº 002. Em atendimento ao referido Termo, a Ambapar se limitou a justificar apenas a prestação de serviços executados no anocalendário de 2011, referente à prospecção de terrenos para edificação de lojas comerciais (supermercados), objeto do contrato de prestação de serviços firmado em 29/10/2010 (apresentado pela Cencosud em atendimento ao Termo de Início do Procedimento Fiscal), sendo omissa quanto aos serviços de assessoria e consultoria administrativa prestados ao Bretas no anocalendário de 2010. Em 02/09/2015 foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal nº 03, cientificado em 16/09/2015, cujo item 2 do referido Termo reintimava novamente o contribuinte a apresentar os documentos inicialmente solicitados no Termo de Diligência Fiscal nº 02: Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.061 32 Não tendo o contribuinte se manifestado no prazo marcado, foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal nº 002, lavrado em 05/10/2015 e cientificado em 14/10/2015, reintimando o contribuinte a apresentar os elementos/esclarecimentos solicitados no Termo de Diligência Fiscal nº 03. Em atendimento, apenas o item 1 do referido termo foi atendido parcialmente. Logo, a Ambapar não logrou comprovar: A efetiva prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa prestados ao Bretas no anocalendário de 2010; os administradores e procuradores da AMBAPAR , no período de 2010 e 2011; Comprovação das despesas administrativas efetuadas com telefone, energia, água, provedores de internet, condomínio e aluguel do imóvel, este último acompanhado do contrato de locação, substituídos, no caso de imóvel próprio, pelo registro/matrícula do mesmo no CRI; Alvarás de localização e Funcionamento válidos em 2010 e 2011. (...) 4.1.3. PAGAMENTOS À AMBAPAR PELO USO DA MARCA BRETAS As despesas contabilizadas no anocalendário de 2010 pelo Irmãos Bretas, referentes aos pagamentos efetuados à Ambapar pelo uso da marca “Bretas”, totalizaram R$ 21.670.409,27: Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.062 33 (...) 4.1.3.1. Ausência de propósito negocial Além da imposição legal disposta no artigo 71, parágrafo único da Lei 4.506/64 (art. 353 e 355, §2º do Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda), tornando indedutíveis as despesas de royalties pagas pelo Bretas à Ambapar, verificase ainda no presente caso total ausência de propósito negocial na referida operação, conforme a seguir demonstrado. A marca “Bretas” era de propriedade de Irmãos Bretas até 02/01/2009, estando registrada em sua contabilidade pelo valor de R$ 555,00 quando ocorre cisão parcial na referida sociedade, mediante versão parcial de seu patrimônio (marcas e patentes) para sua controladora AMBAPAR AMBA PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ: 01.909.826/000130 (detentora de 99,99% de seu capital social), conforme protocolo de cisão parcial e justificação, registrado na Jucemg em 25/03/2009, sob o nº 4109270, protocolo 09/152.5691, juntamente com a 11ª alteração contratual da Ambapar: (...) Em 15/05/2009 foi celebrado o contrato de cessão de uso de marca, tendo por cedente AMBAPAR, e cessionária: Irmãos Bretas, filhos & cia Ltda, e como objeto a cessão de uso da marca “Bretas” à cessionária. Dispõe a cláusula 2.1 do referido contrato de cessão de uso de marca, firmado entre Irmãos Bretas e Ambapar, que a remuneração pela cessão será de 1% do faturamento mensal da Cessionária, representado pela receita bruta: (...) Logo, a marca “Bretas” foi transferida do Bretas à sua controladora AMBAPAR em 02/01/99 pelo valor contábil de R$ 555,00, e desta à FAG em 20/10/2010, pelo valor contábil de R$ 68.531,00, ressaltando se que ambas as transferências se deram entre empresas de um mesmo grupo econômico (partes relacionadas). No período de Maio/2009 a Outubro/2010, a sociedade Irmãos Bretas pagou à sua sóciacontroladora AMBAPAR pelo uso da referida marc o Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.063 34 equivalente a 1% de seu faturamento mensal (receita bruta), o que correspondeu no anocalendário de 2010 (Janeiro a Outubro) o montante de R$ 21.670.409,27. Baixas contábeis de ativos patrimoniais, seguidas do registro de vultosas despesas pelo uso dos mesmos, despesas estas que extrapolam vertiginosamente os valores dos ativos transferidos, foge completamente aos verdadeiros propósitos negociais/econômicos de uma sociedade. É óbvio que a empresa Irmãos Bretas não transferiria sua marca a terceiros nãorelacionados (partes independentes), pelo seu irrisório valor contábil de R$ 555,00. O princípio arm’s length, que busca alcançar o valor da operação praticada entre pessoas relacionadas se estivessem negociando em condições reais de mercado, não foi verificado no presente caso. Sendo cessionária e cedente da marca (Bretas e Ambapar) partes relacionadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico/familiar, tributadas pelo lucro real e presumido respectivamente, verificase o propósito deliberado em aumentar despesas na empresa tributada pelo lucro real, reduzindo seu lucro tributável e sua carga tributária: enquanto ocorre uma redução nos valores do IRPJ e CSLL devidos na contabilidade da empresa Irmãos Bretas na ordem de 34% (25% de IRPJ + 9% de CSLL) sobre as despesas com royalties, surge uma tributação da ordem de 10,88% (34% x 32% de coeficiente de presunção do lucro) sobre as correspondentes receitas na contabilidada da Ambapar. Assim, como resultado líquido, ocorre uma economia tributária na ordem de 23,12% (34% 10,88%) sobre os valores pagos pela cessão pelo uso da marca, economia esta livre para ser distribuída na forma de lucros/dividendos. Não é por acaso que os pagamentos de royalties à Ambapar pelo uso da marca “Bretas” foram contabilizados pelo Bretas em conta de despesa titulada “Honorários da Diretoria”.” Como se pode observar, ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo a fiscalização demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. Logo, incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. Ademais, quanto ao argumento que a fiscalização criou um suposto indício e o exauriu em si mesmo, abandonado a busca da verdade material, tal entendimento não pode ser aplicado ao presente caso, pois a fiscalização trouxe aos autos todo encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao seu convencimento, sendo a prova indiciária meio idôneo para referendar uma autuação, Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.064 35 quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indícios convergentes, situação que ocorreu no presente caso. Da mesma forma entendeu a DRJ ao se debruçar sobre o caso (fls. 2911/2945): Da prova indiciária no direito tributário A recorrente não admite a prova indiciária no direito tributário, o que nos induz a alguns considerações sobre tal tipo de elemento probatório. Fabiana Dei Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é frequentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que "toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato "(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescenta que " toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere"(opie., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que "o indício em nada difere da prova "(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que "a força probatória de qualquer indício(..) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário (prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, terseá por provado o fato". (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Dei Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López (Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como consequência apenas um único fato. Essa exigência, no Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.065 36 entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: "O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura. "(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: "Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade." O que queremos destacas de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.066 37 indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídicoaxiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que "a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica". O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Tendo elucidado a possibilidade de utilização dos indícios no direito tributário, idênticas conclusões podem ser tomadas em relação às presunções, uma vez que estas são o processo lógico que parte dos indícios para chegar no convencimento de determinado fato. Utilizase um indício para presumir a ocorrência de algum fato. O maior ou menor poder de convencimento de uma presunção dependerá, como dissemos, de serem os indícios que sustentam as presunções Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.067 38 convergentes e contingentes. Sendo assim, nada vemos de ofensivo para a legalidade, para a aplicação do art. 142 do CTN ou para qualquer outra regra ou princípio do direito tributário a utilização de indícios e presunções pela autoridade fiscal. Diante do exposto, rejeito a preliminar aventada pela recorrente. Da preliminar de decadência A preliminar de decadência suscitada pela recorrente será apreciada juntamente com a análise do mérito recursal, pois o início da contagem do seu prazo (da data da ocorrência do fato gerador ou a partir do 1º dia do exercício subsequente a ocorrência do fato gerador), depende da manutenção ou não da multa qualificada. Do mérito Despesas com pagamentos de Royalties a sócios Pessoa Jurídica Segundo a recorrente afirma, resumidamente, que a expressão "sócio" presente no aludido artigo 71 tem seu âmbito de incidência restrito a pessoas físicas, e, portanto, a redação do RIR/99 que abrangeu as pessoas jurídicas importaria extrapolação carente de fundamento legal. Pois bem. Passamos a análise. Eis a redação do dispositivo legal objeto de controvérsia, em negrito: Lei 4.506/64 Art. 71. A dedução de despesas com aluguéis ou "royalties" para efeito de apuração de rendimento líquido ou do lucro real sujeito ao impôsto de renda, será admitida: a) quando necessárias para que o contribuinte mantenha a posse, uso ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento; e b) se o aluguel não constituir aplicação de capital na aquisição do bem ou direito, nem distribuição disfarçada de lucros de pessoa jurídica. Parágrafo único. Não são dedutíveis: a) os aluguéis pagos pelas pessoas naturais pelo uso de bens que não produzam rendimentos, como o prédio de residência; b) os aluguéis pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes, em relação à parcela que exceder do preço ou valor do mercado; c) as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; d) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; e) os "royalties" pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.068 39 1) Pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício da sua matriz; 2) Pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicilio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto; O Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, ao tratar da alínea "d" acima transcrita, realmente acrescentou o aposto "pessoas físicas ou jurídicas" após a palavra "sócios": Art. 353. Não são dedutíveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 71, parágrafo único): I os royalties pagos a sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes; II as importâncias pagas a terceiros para adquirir os direitos de uso de um bem ou direito e os pagamentos para extensão ou modificação do contrato, que constituirão aplicação de capital amortizável durante o prazo do contrato; III os royalties pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, ou pelo uso de marcas de indústria ou de comércio, quando: a) pagos pela filial no Brasil de empresa com sede no exterior, em benefício de sua matriz; b) pagos pela sociedade com sede no Brasil a pessoa com domicilio no exterior que mantenha, direta ou indiretamente, controle do seu capital com direito a voto, observado o disposto no parágrafo único; [...] Parágrafo único. O disposto na alínea "b" do inciso III deste artigo não se aplica às despesas decorrentes de contratos que, posteriormente a 31 de dezembro de 1991, sejam averbados no Instituto Nacional da Propriedade IndustrialINPI e registrados no Banco Central do Brasil, observados os limites e condições estabelecidos pela legislação em vigor (Lei n° 8.383, de 1991, art. 50). O acórdão recorrido não vislumbrou a alegada ilegalidade do Decreto nº 3000/1999. Vejamos: “O RIR, de 1999, art. 353, I, dispõe claramente que não são dedutíveis os pagamentos de royalties, cujo beneficiário seja um sócio (pessoa física ou jurídica) da entidade pagadora. Sei da controvérsia acerca desse dispositivo, haja vista que ele vai além do que diz a Lei n° 4.506, de 1964, art. 71, § único "d". Enquanto o RIR, de 1999, prescreve que a vedação à dedutibilidade atinge os pagamentos a sócio pessoa jurídica, a lei não traz essa situação, eis ela: Não são dedutíveis (.) os "royalties" pagos a sócios ou dirigentes de empresas, e a seus parentes ou dependentes. Todavia, não nos cabe aqui, em sede de processo administrativo, afastar a aplicabilidade da norma (decreto) perfeitamente inserta no nosso ordenamento; portanto, sigo o que determina o RIR, de 1999. Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.069 40 Ademais, há no Conselho de Contribuintes também quem entenda que a restrição à dedução dessa despesa de royalties aplicase sim aos pagamentos a esse título feitos a pessoa jurídica sócia da pagadora, eis o seguinte acórdão: IRPJ ROYALTIES DEDUTIBILIDADE A remuneração pela transferência de tecnologia atribuída à pessoa física ou jurídica, vinculada societariamente à fonte pagadora, é indedutível, sendo irrelevante que o contrato esteja registrado no INPI e haja autorização do BACEN para realização das remessas ao exterior (Acórdão 10804.211/97) Acompanho esse entendimento, o que torna subsidiário o conjunto indiciário convergente apresentado pela fiscalização que aponta para a falta de propósito negocial na operação. De fato, há elementos que apontam para tal falta de propósito negociai, porém sua consideração não é necessária para nosso convencimento na aplicação do dispositivo do R1R/99. Para nossa conclusão, basta que os royalties sejam pagos a sócio pessoa jurídica como de fato foram. Esclareço, ainda, que qualquer discussão em torno da constitucionalidade e legalidade de dispositivos normativos dos quais tenha a fiscalização lançado mão devem ser analisadas pelo Poder Judiciário, que detém com exclusividade essa prerrogativa, conforme se infere dos arts. 97 e 102 da Carta Magna. A autoridade administrativa não detém competência para decidir sobre a constitucionalidade e legalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo.” Não assiste razão o argumento do contribuinte no que se refere ao IRPJ. Ora, se a vedação expressamente alcança os parentes e dependentes dos sócios, que seriam, no entendimento da lei, vetores oblíquos dos pagamentos, ou seja, receptores de valores que beneficiariam, pela via indireta, os titulares da empresa, qual seria a correta exegese em relação ao controlador direto? É inviável, ilógico e juridicamente incorreto afastar, a partir de tal premissa, o alcance da norma no que diz respeito ao controlador da própria empresa. O controlador, ainda que indireto, tem total interesse na atividade econômica e nos resultados da controlada. E mais, detém poder para decidir sobre pagamentos, contratos e demais compromissos jurídicos e financeiros, ao contrário dos parentes e dependentes, que não possuem tal capacidade. Ou seja, se a norma restringe, para fins tributários, o pagamento feito por mera liberalidade sempre que os destinatários são parentes, qual seria a interpretação na hipótese de o beneficiário ser o próprio controlador, vale dizer, a matriz do grupo econômico? Independente do arranjo societário (cuja atual dinâmica e internacionalização não poderia ser prevista pelo legislador, em 1964!), a teleologia, o objetivo e a razão de ser da norma não podem ser outros senão o de evitar a manipulação do resultado, mediante pagamentos a sócios ou quaisquer beneficiários em favor destes. Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.070 41 A norma busca vedar, em sentido amplo, a destinação irregular de royalties em benefício dos sócios ou de pessoa que lhe faça as vezes, em prejuízo do Fisco ou mesmo de outros sócios minoritários. Se isso vale, inclusive, quando o beneficiário não compõe a estrutura da corporação nem detém poderes de decisão (como no caso de parentes e dependentes), com mais força e razão o comando se aplica ao controlador direto. Neste ponto, a questão me parece cristalina: não se trata de lacuna ou omissão legal, mas sim de situação perfeitamente enquadrada na dicção e vontade do legislador, que, por óbvio, não possui dons premonitórios capazes de conhecer, muito antes da realidade fática, as inúmeras variantes que hoje existem nas relações societárias. Esse tema também não é estranho ao CARF, posto que já se decidiu pela indedutibilidade quando os pagamentos são efetuados entre empresas do mesmo grupo econômico. Vejamos a ementa da CSRF 9101003.062: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009 REMUNERAÇÃO À CONTROLADORA INDIRETA NO EXTERIOR PELO LICENCIAMENTO DE DIREITOS SOBRE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. INDEDUTIBILIDADE. As remunerações pagas pela controlada à sua controladora no exterior, pelo licenciamento de direitos sobre programas de computador, ainda que de forma indireta, constituem royalties e são indedutíveis para efeito do Imposto de Renda. A IBM USA não cabe dentro da figura do "autor/criador" traçada pelo direito autoral brasileiro. E os rendimentos que ela recebe, quando autoriza a IBM Brasil a licenciar e distribuir cópias de seus programas de computador, são royalties. Não foi por acaso, e nem por equívoco, que a Lei que "atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais" no Brasil, a Lei nº 9.610/1998, disse com todas as letras em seu art. 11, que o "autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica". PAGAMENTO DE ROYALTIES A SÓCIOS PESSOA JURÍDICA. REGRA GERAL. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis os royalties pagos a quaisquer sócios, pessoas físicas ou jurídicas, ou ainda a dirigentes de empresas e a seus parentes ou dependentes. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009 PAGAMENTO DE ROYALTIES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DISPOSIÇÃO EXPRESSA EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. Disposição expressa no Anexo I da IN RFB nº 1.700, de 2017, determina que as regras de indedutibilidade de royalties, previstas no art. 71, caput, alínea “a”, e parágrafo único, alíneas “c” a “g”, da Lei nº 4.506, de 1964, são aplicáveis apenas ao IRPJ, e não à CSLL. Portanto, não há como acolher o argumento de que a vedação contida Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.071 42 na alínea "d" do parágrafo único do art. 71 da Lei n° 4.506/1964 alcança apenas sócio pessoa física. Caso não fosse assim, bastaria se interpor uma pessoa jurídica entre o pagador e a pessoa física e a norma antielisiva seria contornada. Ademais, tanto a atual Lei das Sociedades por Ações, Lei n° 6.404, de 15/12/1976, quanto a antiga, DecretoLei n° 2.627, de 26/09/1940, vigente muito antes da Lei n° 4.506/1964, já tratavam o termo sócio para designar tantas pessoas físicas como pessoas jurídicas. Analogamente é o tratamento dado pelo Código Civil vigente, a Lei n° 10.406, de 10/01/2002, quanto o anterior Código Civil de 1916, que empregam a palavra 'sócio' abrangendo pessoas naturais e sociedades. Portanto, à época de publicação da lei em questão e durante todo o período que se passou até hoje, entende se por sócio a pessoa física ou jurídica. Noutra banda, no que se refere a questão da dedutibilidade da despesa de royalties da base de cálculo da CSLL, adoto como razões de decidir o trecho do acórdão n.º 9101003.062 da Câmara Superior de Recursos Fiscais abaixo transcrito: Quanto a esta última divergência, a contribuinte alega que as regras que vedam a dedução dos royalties são próprias do IRPJ, e não se aplicam à CSLL. Sempre houve muita polêmica em torno desse tipo de questão, ou seja, de definir quais regras do IRPJ (relativamente à apuração da base de cálculo) são também aplicáveis à CSLL. A Receita Federal, no intuito de reduzir a litigiosidade em relação a essas questões, editou a IN RFB n° 1.700, de 14/03/2017, listando uma série de ajustes à base de cálculo (adições e exclusões), e identificando quais deles seriam específicos para o IRPJ, e quais seriam aplicáveis aos dois tributos (IRPJ e CSLL). A referida instrução normativa apresenta o "ANEXO I TABELA DE ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO", contendo a seguinte informação sobre a matéria que aqui interessa: Nº Assunto Descrição do ajuste Aplicase ao IRPJ? Aplicase à CSLL Dispositivo na IN 99 Royalties e Assistência Técnica, Cientifica e Administrativa O Valor dos royalties e das importâncias pagas a título de assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante, que forem indedutíveis nos termos: (1) dos arts. 52 e 71, caput, alínea ‘a’, e parágrafo único, alíneas ‘c’ a ‘g’, da Lei nº 4.506, de 1964;(2) do art. 50 da Lei nº 8.383, de 1991;(3) do art.74 caputs, da Lei nº 3.470, de 1958; (4) do art.12 da Lei nº 4.131, de 1962; e (5) do art. 6º Sim Não Arts. 85 a 88 Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.072 43 do DecretoLei nº 1.730, de 1979 Como se trata de posicionamento do próprio órgão encarregado da administração e fiscalização dos tributos de competência da União, manifestando o mesmo entendimento que é defendido pela contribuinte, penso ser desnecessário outras considerações a respeito disso. Nesse sentido é a Súmula CARF 117, litteris: A indedutibilidade de despesas com "royalties" prevista no art. 71, parágrafo único, alínea "d", da Lei nº 4.506, de 1964, não é aplicável à apuração da CSLL. Desse modo, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para afastar a cobrança da CSLL quanto a este ponto. Despesas com prestação de serviços Defende a recorrente a regularidade dos pagamentos efetuados para a Ambapar no que se refere a contrapartida de serviços de assessoria, consultoria comercial, administrativa, contábil, operacional, recursos humanos, financ., aquisição de produtos, coordenação de vendas e markenting, tendo em vista que os serviços foram efetivamente prestados e a fiscalização não se desincumbiu de provar o contrário, lastreandose a autuações em meros indícios e presunções. Reza a decisão recorrida o seguinte: “Para que uma despesa ou custo seja dedutível, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, é necessário que os documentos emitidos por terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e idôneos. A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de certeza absoluta; é preciso, acima de tudo, que fique provada sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos. Sujeitamse, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica. Neste ponto, importa invocar o dever do contribuinte em comprovar Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.073 44 documentalmente as operações que onerem o resultado de sua atividade. Os arts. 251, e § único, 264, 276 e 923 do RIR/1999, assim dispõem: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decretolei n.º 1.598, de 1977, art. 7º.). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n.°2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2o., e Lei n.º 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei n. ° 486, de 1969, art. 4 °). [...] Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita á verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 923 (DecretoLei n.º 1.598, de 1977, art. 9º). [...] Art. 302. Os pagamentos, de qualquer natureza, a titular, sócio ou dirigente da pessoa jurídica, ou a parente dos mesmos, poderão ser impugnados pela autoridade lançadora, se o contribuinte não provar (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 5º) I no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo ou profissional, a prestação efetiva dos serviços; II no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a efetividade da operação ou transação. A escrituração contábil, que se destina ao registro ordenado dos fatos administrativos ocorridos na empresa, não constitui prova, por si mesma, a favor do contribuinte, mas tão somente quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma irretorquível os fatos registrados. Cabe ao contribuinte, portanto, manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações que alteraram sua situação patrimonial. Por consequência, cabe à autuada comprovar que os pagamentos ocorreram. A impugnante insiste na dedutibilidade das despesas com a prestação de serviços acobertada por documentos fiscais da Ambapar, apesar de não ter apresentado elementos que formem a convicção de que estes foram efetivamente realizados. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.074 45 (Grifei) Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. O contrato particular de prestação de serviço, as notas fiscais e comprovantes de pagamento apresentados pela recorrente não são suficientes, por si sós, para comprovar que os serviços foram efetivamente prestados. Ademais, mesmo intimada e reintimada, a recorrente não apresentou a descrição pormenorizada dos serviços prestados pela Ambapar, bem como provas da sua efetiva prestação. Vejamos trecho do TVF: Em atendimento ao item 5 do Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015, a AMBAPAR apresentou contrato de prestação de serviços de administração datado de 01 de julho de 2006, firmado entre a mesma, na qualidade de contratada, e Irmãos Bretas, na qualidade de contratante, tendo por objeto a prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa, comercial, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, aquisição de suprimentos e coordenação de vendas, com remuneração correspondente a 1% do faturamento mensal da contratante, representado pela receita bruta, conforme descrito nas cláusulas primeira e segunda do referido contrato: Como se vê, os serviços contratados são descritos de forma sucinta e geral, não havendo qualquer outra cláusula contratual que melhor os especifique. Aliás, tratase de contrato singelo, revestido de mínimas formalidades, que não permite maiores considerações sobre a abrangência e profundidade dos serviços contratados. Intimada a Cencosud Brasil Comercial Ltda, na qualidade de sucessora de Irmãos Bretas, a comprovar a efetiva prestação dos serviços de assessoria, consultoria administrativa, contabilidade e RH prestados ao Bretas pela Ambapar no anocalendário de 2010 (item 7.4 do Termo de Intimação Fiscal nº 003, lavrado em 22/01/2015), a mesma não se manifestou; o que levou à várias reintimações, também não atendidas (item 4 do Termo de Intimação Fiscal nº 004, lavrado em 07/05/2015 e item 7.4 do Termo de Reintimação Fiscal nº 002, lavrado em Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.075 46 02/07/2015). Intimada também a Ambapar a comprovar a efetiva prestação dos referidos serviços de assessoria, consultoria administrativa, contabilidade e RH prestados ao Bretas no anocalendário de 2010 (item 5.2 do Termo de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015), esta justificou que “os documentos produzidos na execução dos trabalhos contratados ficavam nas dependências dos contratantes por se tratar de documentos confidenciais e de utilização dos mesmos. ” Em 17/06/2015 foi lavrado o Termo de Diligência Fiscal nº 002, cujo item 1 insistia na comprovação dos serviços prestados ao Bretas: Não atendido o referido Termo, foi lavrado em 08/07/2015 Termo de Reintimação Fiscal, reintimando a Ambapar a apresentar os elementos/esclarecimentos solicitados no Termo de Diligência Fiscal nº 002. Em atendimento ao item 1 do referido Termo, a Ambapar se limitou a justificar os serviços prestados no anocalendário de 2011, referentes à prospecção e identificação de terrenos estratégicos para edificação de lojas comerciais (supermercados), a administração das referidas obras (construção civil, instalações elétricas, hidráulicas, incêncio, alarme), bem como a prospecção e instalação dos equipamentos operacionais e utensílios de loja, alegando que os profissionais imcubidos de realizar o referido serviço de consultoria na prospecção e identificação de terrenos foram exatamente os sócios da empresa. Notas fiscais emitidas pela Ambapar referente ao serviço de consultoria e prospecção de terrenos: Quanto aos serviços de assessoria e consultoria administrativa, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, etc, supostamente prestados no anocalendário de 2010, a Ambapar mantevese omissa, o que levou o Fisco a reintimála mais duas vezes a comproválos (Termo de Diligência Fiscal nº 03 e Termo de Reintimação Fiscal nº 002), sem sucesso. Logo, nenhuma das partes (prestadora e tomadora) comprovou a efetividade dos serviços de assessoria e consultoria supostamente prestados pela Ambapar ao Bretas no anocalendário de 2010. 4.1.4.1. Inconsistências verificadas na Ambapar, que desqualificam a Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.076 47 prestação dos serviços de assessoria/consultoria no anocalendário de 2010: A efetividade da prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa, administrativa, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, aquisição de suprimentos e coordenação de vendas não foi comprovada pelas partes (prestadora e tomadora), pela simples razão de que tais serviços não foram efetivamente prestados, por total incapacidade operacional da “suposta” prestadora, conforme a seguir enumerado: · A atividade de consultoria e gestão não fazia parte do objeto social da Ambapar: quando da celebração do contrato de prestação de serviços de administração, firmado em 01/07/2006 entre Irmãos Bretas e Ambapar, esta tinha como objeto: “a administração e a participação em capitais de outras empresas, a aquisição de ativos, exceto financeiros, de bens móveis e de valores mobiliários, e a locação de bens.” O referido objeto vigorou desde sua 7ª alteração contratual, também datada de 01/07/2006, até sua 13ª alteração contratual, datada de 05/09/2011, quando as atividades de “consultoria, gestão e assistência operacional em atividades empresariais, consultoria e gestão financeira” passaram a fazer parte de seu objeto social. Sendo assim, os serviços de assessoria e consultoria descritos nas notas fiscais emitidas no anocalendário de 2010 por Ambapar, no montante de R$ 21.670.409,27, não faziam parte de seu objeto no referido período. Em consulta ao CNPJ da empresa, verificamos que seu CNAE principal é 64620/00 – Holding de instituições nãofinanceiras e seu CNAE secundário é 68102/02 – aluguel de imóveis próprios. Ou seja, no CNPJ da empresa não consta o CNAE de assessoria e consultoria, também não existente em sua inscrição municipal, conforme detalhado adiante, no tópico do alvará de licença e funcionamento. · A AMBAPAR não possuía infraestrutura administrativa própria: conforme constatado em sua escrituração, apresentada em atendimento ao Termo de Início de Diligência Fiscal, inexiste custos/despesas de aluguéis, condomínio, energia elétrica, água e telefone . Intimada e reintimada a comprovar as referidas despesas (item 3 do Termo de Início de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015, item 3 do Termo de Diligência fiscal nº 02 lavrado em 17/06/2015, item 3 do Termo Reintimação Fiscal lavrado em 08/07/2015 e item 2 do Termo de Reintimação Fiscal nº 002,lavrado em 05/10/2015), não se manifestou. · Ausência de alvará de licença e funcionamento no período autuado: Intimada a Ambapar a apresentar os alvarás de licença e funcionamento vigentes em 2010 e 2011 – período em que emitiu notas fiscais de prestação de serviços para as Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.077 48 empresas Irmãos Bretas e Cencosud (item 2 do Termo de Início de Diligência Fiscal, lavrado em 05/05/2015; item 4 do Termo de Diligência Fiscal nº 002, lavrado em 17/06/2015 e item 4 do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 08/07/2015), apresentou os alvarás pertinentes aos anos de 2007, 2008, 2009 e 2012, constando nos mesmos como atividade da empresa apenas a gestão em participações societárias. Quanto aos anos de 2010 e 2011, apresentou guias de arrecadação expedidas pela Prefeitura Municipal de Santa Maria de Itabira, que trazem como como natureza do contribuinte apenas a atividade de gestão de participações societárias: (...) 4.1.4.2. Conclusão: O artigo 299 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda) apresenta os requisitos da necessidade, usualidade e normalidade para que uma despesa seja operacional e, conseqüentemente, dedutível da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Para que as despesas sejam necessárias, não basta comprovar que foram contratadas, assumidas e pagas. É indispensável comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de bens ou serviços efetivamente recebidos e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Além disso, os valores desembolsados devem ser razoáveis, ou seja: “o valor pago ou empenhado deveria corresponder a uma justa retribuição pelos bens e serviços obtidos segundo as regras de mercado existentes em cada lugar e em cada época.” (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Imposto de Renda das empresas. São Paulo: Atlas, 204, p.169). Para atender a condição de despesa dedutível exigese ainda que esteja devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Logo, são despesas indedutíveis aquelas que não atendam qualquer um dos requisitos acima descritos. Diante de todo o exposto, são indedutíveis as despesas com serviços de assessoria/consultoria prestados ao BRETAS por sua controladora Ambapar no anocalendário de 2010, uma vez que: não houve a comprovação da efetiva prestação do serviços; os serviços contratados não faziam parte do objeto social da prestadora (AMBAPAR) no anocalendário de 2010; impossibilidade fática da prestação de serviços pela AMBAPAR, dada a inexistente estrutura operacional da mesma: inexistência de funcionários para desempenhar as supostas assessorias/consultorias, bem como inexistência de custos/despesas com aluguel, condomínio, energia elétrica, água, telefone, etc; operação realizada entre partes relacionadas e fora dos padrões de mercado: a transferência da marca Bretas desta para sua controladora Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.078 49 se deu pelo seu irrisório valor contábil de R$ 555,00, operação esta inimaginável entre partes independentes; A Ambapar teve como única cliente no anocalendário de 2010 sua controlada Irmãos Bretas, obtendo uma excepcional rentabilidade às custas desta (82%), conforme dados extraídos de seu balancete de 2010, apresentado em atendimento ao Termo de Diligência Fiscal lavrado em 05/05/2015: Logo, os custos/despesas da Ambapar consistiram basicamente em impostos sobre os serviços Prestados (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e ISS) e honorários da diretoria (pagamento de prólabore e encargos previdenciários), sendo de pouca significância suas despesas administrativas, incompatível com os supostos serviços prestados. Concluise, portanto, que o contrato de prestação de serviços de administração datado de 01 de julho de 2006, firmado entre Ambapar e Irmãos Bretas, tendo por objeto a prestação dos serviços de assessoria e consultoria administrativa, comercial, contábil, de recursos humanos, operacional, marketing, financeira, aquisição de suprimentos e coordenação de vendas, é um contrato de fachada, fictício, eivado de falsidade ideológica, assim como o são as notas fiscais emitidas , uma vez que não houve a efetiva prestação dos serviços. Sendo assim, a prestação dos referidos serviços, que justificaria as Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.079 50 despesas, decorreu de situação artificial, tendo em vista que nasceu a partir de um fato fictício, inexistente, vez que não ocorreu nenhuma prestação de serviço. Foi criada uma ficção, para lastrear os pagamentos efetuados e justificar a dedução na base de cálculo do IRPJ e da CSLL a título de despesas operacionais. Diante de todo o exposto e com fulcro nos artigos 149, VII do Código Tributário Nacional/CTN e 299 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), efetuamos a glosa das despesas com serviços de assessoria/consultoria prestados ao BRETAS por sua controladora Ambapar no anocalendário de 2010 , no montante de R$ 21.670.409,27 , contabilizados nas contas 3.3.1.08.26 – Honorários da Diretoria e 3.3.3.05.20 – Honorários profissionais. Ressaltase que a infração de glosa de despesas implica em lançamento decorrente de CSLL, nos termos da Lei nº 7.690/88 Como se pode observar, a ausência de provas da efetividade dos serviços é corroborada pelo conjunto de indícios convergentes que a fiscalização apontou. São indícios que isoladamente não formam a convicção, mas que reunidos e considerando a inexistência de prova da efetividade dos serviços ajudam a formar a convicção do julgador no sentido de que não houve de fato a prestação de serviços aventada. Oportuno colacionarmos trecho da decisão da DRJ, verbis: Ao contrário do que alega a impugnante, exercer uma atividade que não faz parte de seu objeto social não é fato a ser ignorado, pois o ordenamento jurídico entende que tal situação atrai a responsabilidade para os sócios, nos termos do art. 135 do CTN. Ademais, à toda vista dada a importância da publicidade do contrato social para o interesse de terceiros é situação que viola a boa fé e sua ilicitude é notória quando analisados os vários dispositivo do Código Civil que tratam da matéria, entre eles, arts. 997, 1.034, 1071 do CC. Por seu turno, a irregularidade da prestadora frente a normas regulatórias é um indício de que não operava regularmente e vai se somando a outros. Quanto à atuação dos sócios da Ambapar ser comprovada por acesso aos sistemas, vemos que o laudo apresentado não foi capaz de demonstrar que serviços foram prestados, uma vez que ao contrários demonstra uma lista de usuários do sistema com status de "inativo". O documento apresentado é indício que induz a conclusão diversa da que pretende a impugnante, pois é possível inferir que os alegados usuários não atuavam nos sistemas com suas senhas. A propósito do laudo, é de ser assinalado que apesar de se autodenominar "laudo pericial contábil", o documento pouco ou nada acrescenta na análise fática, prestandose mais a reafirmar os argumentos jurídicos expendidos na impugnação com colagens de imagens de documentos citados pela defesa e já constantes dos autos. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.080 51 Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Da dedução dos tributos pagos pela Ambapar Quanto a este ponto a recorrente não trouxe novos argumentos, e pelo fato de reputar correta a decisão da DRJ, adoto as suas razões de decidir que abaixo transcrevo: Quanto à não dedução correta dos tributos pagos pela Ambapar, observamos que o "laudo" cometeu um equívoco ao pretender que a totalidade dos tributos pagos em 2010 fossem deduzidos, pois, conforme consta em fls. 196, somente 50% do faturamento era destinado à Irmãos Bretas e havia nesse montante a inclusão do Impostos sobre Serviços que não é de competência da União, conforme o próprio laudo admite em fls. 2856. A fiscalização apontou em fls. 196/197 como deduziu os impostos pagos pela Ambapar na atuação da Irmãos Bretas. Por outro lado, os argumentos do laudo, equivocados como já apontamos, não foram capazes de, com acerto, demonstrar que a dedução feita estava incorreta. Ao contrário, quando o laudo aponta que do total de tributos do ano de 2010 pagos pela Ambapar, que incluíam o ISS, 34,57% foram deduzidos pela fiscalização, fls. 2856, fica demonstrada a correção do trabalho fiscal, já que o montante total referia se a 100% do faturamento e incluía tributo que não é de competência da União. Nesse cenário, numa visão perfunctória, tomase bastante razoável supor que 34,57% do montante total corresponde aos tributos de 50% do faturamento sem considerar o ISS. Porém, frisamos, a fiscalização fez a demonstração precisa e o levantamento do laudo traz equívocos grosseiros. Assim, nego provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Glosa de despesas com perdas no recebimento de créditos Referida glosa decorre na perda de recebimentos de créditos existentes em face da Empresa C&C Perfumes e Franchising S.A, referentes originalmente a contratos de mútuo, e adiantamentos para futuro aumento de capital. Alega a recorrente que mesmo propondo as duas ações executivas buscando satisfazer o crédito, o contribuinte identificou que o devedor estava em situação de absoluta insolvência no mercado e que o recebimento do crédito seria impossível nesse cenário. Sendo assim, foi esse fato que motivou o contribuinte a desistir das ações judiciais na medida em que manter a demanda apenas acentuaria sua dívida, com a incursão de custos processuais e com advogados que não poderia ser reavidos posteriormente. Pois bem. Passamos a análise. Em 2010, a Irmão Bretas deu baixa a R$ 16.711.163,62 em contrapartida a conta de resultado com a justificativa que se tratava de perda no recebimento de créditos. Intimada a justificar, argumentou que se tratava de perda de investimento realizado na C&C Perf. que foi objeto de dois processos judiciais de execução. Para que tais despesas sejam dedutíveis, devem corresponder a créditos Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.081 52 decorrentes da atividade da pessoa jurídica e obedecer aos requisitos dos arts. 340 a 343 do RIR/99, situação que não ocorreu. No caso em tela, a recorrente pretende que seja aplicado o art. 340, §1º, inciso I do RIR/99, porém, ainda que fosse possível falar de insolvência da pessoa jurídica, sequer aguardou a sentença do Poder Judiciário, optando por desistir das ações que ajuizara contra o devedor. Portanto, nem mesmo as regras a respeito da insolvência foram obedecidas. Cabe trazer a baila trecho da decisão da DRJ quando enfrentou o tema: Ocorre que insolvência é conceito aplicável às pessoas físicas e é verificada nos termos do art. 955 do Código Civil, in verbis: Art. 955. Procedese à declaração de insolvência toda vez que as dívidas excedam à importância dos bens do devedor. Para que se caracterize a insolvência é preciso que se apure se as dívidas são superiores à importância dos bens do devedor, o que não pode ser feito pela própria avaliação do interessado, dependendo de sentença do Poder Judiciário para tanto. Ocorre que no tocante às pessoas jurídicas existe lei específica que trata do assunto: a Lei 11.101/2005. Ademais, o art. 340 do RIR/99 deu tratamento distinto aos casos de insolvência, falência e recuperação judicial. A insolvência é tratada no art. 340, §1°, inciso I, ao passo que a falência e a recuperação judicial no art. 340, §1°, inciso IV. Logo, é equivocada a pretensão da impugnante de aplicar dispositivo relativo a insolvência ao presente caso. Assim, nego provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Da multa qualificada Consoante consta dos autos de infração que compõem o presente processo, a multa foi exigida no percentual de 150%, em relação às infrações capituladas como Despesas com pagamentos de Royalties a sócios Pessoa Jurídica (uso da marca Bretas) e Despesas com prestação de serviços. A base legal do lançamento se assenta nas disposições do art. 44, incisos I e II da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que, na sua redação original, assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de 'ilidia moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos acrescentados) Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.082 53 Alega a recorrente os seguintes motivos para não ser aplicada a multa qualifica: A verdade é que a Autuada não pode se conformar com a aplicação da multa em sua alíquota qualificada (150%), tendo em vista que não agiu com máfé perante o Fisco Federal, ao contrário do que consigna o TVF; A decisão recorrida também da a entender que a escrituração errada das despesas seria um ato ilícito e que AUTOMATICAMENTE, ensejaria o agravamento da penalidade, deixando de observar que existem rígidos e intransponíveis requisitos a serem demonstrados para se admitir um agravamento tão sério como o pretendido no caso dos autos; No caso dos autos, não restou COMPROVADA quaisquer das circunstâncias qualificadoras, sendo que não houve nenhuma ação da Recorrente tendente a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador, o que implicaria na sonegação; Fraude também não pode ser verificada nos autos, tendo em vista que nenhuma operação foi escondida ou modificada para implicar no recolhimento a menor dos tributos, sendo que compete ao Fisco comprovar, de forma inequívoca, sua ocorrência; Por fim, não pode ser caracterizado conluio, pois não restou comprovado nos autos quaisquer acordos entre a Autuada e terceiros tendentes a praticar as infrações apontadas pela fiscalização federal, até mesmo porque tais infrações não foram, sequer, praticadas; O fato é que não há nos autos qualquer demonstração de que o contribuinte tenha agido com base nas hipóteses que permitam a qualificação da multa imposta. O modo de contabilização realizado pelo contribuinte, ainda que eventualmente seja dotado de alguma imprecisão ou atecnia não induz a conclusão de que haveria as restritas e taxativas hipóteses descritas no artigo 44 da lei 9.430/96 acima transcrito. Em outras palavras, esse fato por si só, não gera a conclusão automática de quer existiu dolo, fraude ou simulação; Obviamente que "imprecisão" sequer se aproxima das definições necessárias para subsunção das hipóteses trazidas pelo artigo acima transcrito. Entender que "imprecisão", ainda que existente, fosse suficiente para qualificar uma penalidade é o mesmo que rasgar o texto legal (com a devida licença) e aplicar a majoração da pena por MERA CULPA, fato que tecnicamente não se pode admitir. Pois bem. Passamos a análise. A qualificação da multa de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, nos termos do § 1º do mesmo artigo, duplicandoa para 150%, pressupõe a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. O artigo 72 da Lei n° 4.502/64 assim define fraude (destacamos): Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Percebese que a intenção do legislador foi proteger, como circunstância qualificativa da penalidade aplicada, o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.083 54 de todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Impedir ou retardar o seu conhecimento, ou ainda modificar as suas características essenciais significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado. A base de cálculo é uma das características essenciais da obrigação tributária principal. Demonstrado o artificialismo na prestação de serviços de assessoria/consultoria pela Ambapar à sua controlada Irmãos Bretas, Filhos & Cia Ltda, conforme discorrido ao longo do TVF, mediante a utilização de documentos ideologicamente falsos as características essenciais da obrigação tributária principal foram modificadas, com a consequente redução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Também resta caracterizada a intenção deliberada da recorrente em reduzir suas despesas tributárias, mediante a criação de despesas em empresa tributada pelo lucro real, em consequência de operações praticadas entre partes relacionadas, fora da realidade de mercado, bem como na imprecisão dos lançamentos contábeis e declarações ao Fisco, maquiando o pagamento de royalties em "Honorários da Diretoria", com vistas a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária do verdadeiro fato gerador da obrigação tributária: o pagamento de royalties à sócia pessoa jurídica. Em consequência, preenchido o requisito qualificativo das operações como fraude e conluio, nos moldes do artigo 72 da Lei nº n° 4.502/64, legítima a qualificação da multa de ofício prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O Termo de Verificação Fiscal (e toda a documentação acostada ao processo) demonstra exaustivamente o fato de não estarmos diante de mero erro nos lançamentos contábeis, mas de lançamentos contábeis intencionais com objetivo de encobrir o tipo de despesas que estava sendo pagas pelo recorrente, isto é, despesas de royalties ao invés de honorários destinado a diretoria. O dolo é o "animus", a vontade de querer o resultado. No presente caso, esta vontade restou demonstrada nos autos. Todos os atos praticados foram realizados de forma consciente e planejada para alcançar, ao fim, unicamente com o intuito de esconder o tipo de despesa arcada pela recorrente e o pagamento de despesas por serviços que não foram prestados efetivamente. Como se observa, não há reparos a serem feitos na decisão da DRJ, por esse motivo, incorporo as suas razões de decidir ao presente voto quanto a este ponto, nos termos do §3º, art. 57 do RICARF. Vejamos: A fiscalização fundamentou a aplicação da multa de 150% na ocorrência de sonegação e de conluio com relação ao pagamento de royalties no trecho a seguir: Constatouse na presente infração a intenção deliberada do grupo econômico em reduzir suas despesas tributárias, mediante a criação de despesas em empresa tributada pelo lucro real, em consequência de operações praticadas entre partes relacionadas, sem qualquer propósito negocia! (Conluio), bem como na imprecisão dos lançamentos contábeis e declarações ao Fisco, maquiando o pagamento de royalties em "Honorários da Diretoria", com vistas a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária do verdadeiro fato Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.084 55 gerador da obrigação tributária: o pagamento de royalties à sócia pessoa jurídica despesa indedutível na forma do artigo 71, parágrafo único da Lei 4.506/64 (artigo 353, inciso I do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda). Nosso entendimento é no sentido de que a contabilização de pagamentos de royalties como honorários de diretoria, de fato, evidencia uma atuação dolosa da Irmãos Bretas no sentido de "a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária do verdadeiro fato gerador da obrigação tributária". Os argumentos da impugnante que tentam dar menor importância a tal fato não encontram amparo legal, uma vez que ao contrário, a legislação exige que a empresa faça a correta contabilizarão de suas operação em harmonia com a respectiva documentação. Se tomarmos o art. 1.179 do Código Civil (CC), podemos constatar que a empresa Irmãos Bretas não cumpriu sua obrigação legal de manter escrituração em correspondência com a documentação respectiva, in verbis: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Facilmente podemos concluir, em oposição aos argumentos da impugnante, que a escrituração de fatos que não correspondem aos documentos é ato ilícito. No caso presente, além disso, evidenciou o dolo de sonegação. Ao atuar em tais operações com empresa do mesmo grupo econômico, emerge o conluio entre as empresas com o mesmo objetivo. Assim, a aplicação da multa de 150% encontra amparo tanto na ocorrência de sonegação como de conluio, não havendo reparos a fazer no trabalho da fiscalização. Por seu turno, na aplicação da multa de 150% no caso da falta de efetividade dos serviços prestados pela Ambapar, a fiscalização assim justificou: Comprovado o artificialismo na prestação de serviços de assessoria/consultoria pela Ambapar à sua controlada Irmãos Bretas, Filhos & Cia Ltda, conforme discorrido ao longo do presente Termo, mediante a utilização de documentos ideologicamente falsos, estando presentes, portanto, o dolo, a fraude e o conluio entre as partes, efetuamos o lançamento da glosa das referidas despesas com imposição da multa de oficio qualificada, conforme disposto no Artigo 44, § 1° da Lei 9.430/96. A fiscalização, portanto, entendeu que os documentos fiscais utilizados para justificar as despesas eram ideologicamente falsos, uma vez que a prestação de serviços de fato não teria ocorrido. Sendo falsos os documentos, teria ocorrido dolo de fraude, pois se pretendeu impedir a Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.085 56 ocorrência do fato gerador do imposto de renda por meio da utilização de documento ideologicamente falso. A impugnante não foi capaz de provar a efetividade dos serviços, insistindo na tese da validade formal dos documentos utilizados na contabilização, o que, em nosso entendimento já assinalado, é insuficiente. Portanto, considerando o conjunto probatório dos autos, o que inclui um vasto conjunto indiciário convergente, concluímos que tem razão a fiscalização ao aplicar a multa qualificada, acrescentando que o ajuste entre partes relacionadas em ato fraudulento caracteriza o conluio. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Da decadência Alega a recorrente que grande parte do crédito tributário ora debatido está decaído (janeiro a novembro de 2010) haja vista que no presente caso deve ser aplicado os ditames do §4º, do art. 150 do CTN. O argumento da recorrente cai por terra quando se comprova a existência do intuito doloso de sonegar tributos, o que desloca o prazo decadencial para o primeiro dia do exercício em que este poderia ser lançado, nos termos do art.173, inc. I do CTN, conforme entendimento exarado pelo STJ no julgamento do Resp. nº 973.733/SC, julgado no rito dos recursos repetitivos estabelecido no art. 543C do antigo CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.086 57 direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta feita, considerandose que o lançamento se refere ao anocalendário 2010 e tendo sido devidamente cientificado à contribuinte, ora recorrente, em 29/11/2015, há que se rejeitar a alegação de decadência. Ademais, em relação a glosa de despesas no recebimento de créditos, a qual foi aplicada a multa no percentual de 75%, ainda que aplicássemos a regra de caducidade do art. 150, §4º, não haveria fatos geradores atingidos, pois como a empresa Irmãos Bretas incorporada pela recorrente, foi optante pela forma de tributação anual, conforme demonstram os documentos de fls. 222/267, o fato gerador do ano calendário 2010 ocorreu e 31/12/2010, o que levaria o prazo de caducidade , segundo as regras do art. 150, §4º, para 31/12/2015. Como o lançamento foi cientificado em 21/11/2015, não há que se falar em caducidade, ainda que aplicássemos a regra especial do art. 150, §4º do CTN. Assim, afasto a alegação de decadência. Da Aplicação da Multa Isolada em Concomitância com a Multa de Ofício Ao analisar a alegação da recorrente quanto à concomitância das multas lançadas no ano de 2010, a DRJ concluiu que as multas são distintas não havendo que se falar em duplicidade de incidência sobre uma mesma materialidade, uma vez que a Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.087 58 nova redação legal dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, deixa claro que a base de cálculo da multa isolada é o pagamento mensal. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário alegando, em apertada síntese que a autoridade fiscal ao exigir multa de ofício incidente sobre tributos lançados concomitante com a multa de ofício isolada, sobre a insuficiência calculada em decorrência da mesma infração (dos mesmos períodos) estaria incorrendo em duplicidade de penalidades de ofício sobre uma mesma infração. Pois bem. Em relação a cobrança da multa isolada em concomitância com a multa de ofício, cabe esclarecer incialmente, que não é necessário que haja identidade de valores para que possamos falar em concomitância de multas aqui aludidas, basta que elas se refiram ao mesmo anocalendário, que no caso em comento ocorreu referente ao período de apuração do anocalendário 2010. A concomitância a que aludimos diz respeito ao fato de que a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o valor do IRPJ e da CSLL no final do período em análise, isto é, o fato gerador do IRPJ e CSLL somente se aperfeiçoa quando ao término de determinado período se valorizam os “n” fatos isolados, que somados, resultam então o fato gerador do tributo. Logo, não podemos dissociar eventuais recolhimentos mensais da contribuição social sobre o lucro líquido do recolhimento final, relativo a todo o período anual. No caso sob análise, além do IRPJ e da CSLL, a fiscalização aplicou multa isolada por pagamento a menor das estimativas do período em análise, bem como aplicou multa de ofício em face do valor recolhido a menor na apuração do IRPJ e CSLL nos mesmos anoscalendários. Ocorre que, quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir a contribuição no final do anobase. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Pelo critério da consunção, a multa de lançamento de ofício de 75% é meio de execução da multa isolada por ausência de recolhimento da estimativa mensal. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção." Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.088 59 Noutras palavras, as expressões “isoladas” ou “conjuntamente” (com o tributo não pago) são apenas formas pelas quais podem ser exigidas as penalidades, mas não indicam hipóteses autônomas da aplicação das multas como faz crê a decisão recorrida, daí não poderem incidir concomitantemente. O Ilustre ExConselheiro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, MARCOS VINICIUS NEDER aborda a questão de forma brilhante no Acórdão CSRF/0105.511. Respaldado nas lições do Professor PAULO DE BARROS CARVALHO, o Conselheiro sustenta que uma das funções da base de cálculo da regra sancionatória é atender à exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção, o que estaria sendo violado pela cobrança simultânea das multas de ofício e isolada, litteris: “Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo não recolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Desta forma, estamos diante de duas penalidades, ou melhor, de um bis in idem punitivo, ao arrepio do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária, porquanto estão sendo exigidas cumulativamente duas multas de ofício sobre uma mesma irregularidade, ou seja, falta de pagamento do IRPJ e da CSLL no anocalendário em análise, em decorrência da alteração da base de tributação efetuada pela fiscalização. A multa isolada, ora exigida, está fundamentada no inciso II, “b” do art. 44, da Lei n.º 9.430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.089 60 (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Caput com redação determinada na Lei nº 11.488, de 15.6.2007, DOU 15.6.2007 Edição Extra) Ora, analisando o dispositivo legal de forma sistemática, tenho para mim, que não há como sustentar tal exigência, porquanto não se encontra no artigo em referência, autorização legal para que o Fisco lance concomitantemente duas penalidades sobre uma única infração – deixar de recolher IRPJ e CSLL – vez que a norma sancionadora autoriza apenas o lançamento da multa de ofício nos casos das infrações previstas nos incisos I, II, do art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Explicando, para o caso de penalidade prevista no inciso I, do art. 44, da Lei n.º 9.430/96, tratase de norma geral que estabelece o percentual da penalidade a ser aplicada para os casos de falta de pagamento, pagamento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, falta de declaração e/ou declaração inexata, enquanto que o inciso II do citado artigo, trata especificamente das infrações que irão suportar aquela penalidade. Logo, qualquer penalidade que venha a ser atribuída ao contribuinte por infrações, porventura praticadas, deverá necessariamente estar capitulada conjuntamente com os incisos I e II do caput, do art. 44 e incisos do mesmo dispositivo legal, pois, um não existe sem o outro. Desta forma, não há que se falar em distinção de multas previstas no referido artigo, mas tão somente de uma penalidade que deverá ser interpretada de forma sistemática entre os incisos I e II “caput”, com os demais parágrafos do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Esse “excesso punitivo”, por conseguinte, não se trata de desestímulo ao ilícito e à punição da infração, mas sim, de um autêntico confisco, repelido pela Constituição Federal, além do art. 97, V combinado com o art. 113 do CTN, que somente autorizam a cobrança de multa isolada na hipótese de descumprimento de obrigação acessória. Tal matéria já se encontra pacificada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da edição da súmula CARF n.º 105, litteris: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. De acordo com o CTN, somente é possível estabelecer duas hipóteses de obrigação de dar, uma ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios (juros e a multa) e a outra relativamente à penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória, não podendo ocorrer bis in idem em relação a Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.090 61 penalização, ou seja, sobre a mesma obrigação de dar, incidir mais de uma penalização pelo fato de descumprimento da obrigação principal. É inaplicável a multa isolada prevista no inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cumulativamente com a multa genérica prevista no inciso I do referido dispositivo legal, exigível juntamente com a contribuição devidas, nas hipóteses de falta de pagamento de antecipação do IRPJ e da CSLL. A multa isolada de que trata o dispositivo legal supracitado é aplicada apenas nas hipóteses ali previstas, ou seja, quando o contribuinte, sujeito ao pagamento da antecipação do tributo deixar de fazêlo, mas ao incluir a contribuição na sua declaração anual de ajuste, afasta a aplicação da multa isolada. A imputabilidade da multa genérica exclui as referidas multas isoladas, sob pena de se impor dupla penalização sobre um mesmo fato jurídico, não admitida pelo ordenamento jurídico nacional, devendo, portanto, ser canceladas as multas isoladas aqui exigidas. Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste ponto. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário, afastando a cobrança da CSLL sobre a despesa de royalties, bem como a aplicação da multa isolada tanto para o IRPJ como para a CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.091 62 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Acompanho o Relator em todas as matérias do seu bem fundamentado voto, à exceção daquela relativa à imposição de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. É que não merecer ser acolhida a tese da Recorrente de que a referida multa não poderia ser imposta após o encerramento do anocalendário e em concomitância com a exigência dos citados tributos acrescidos da multa de ofício de 75%, uma vez que isso configuraria duplicidade de penalidade. Conforme art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não há impedimento para a aplicação concomitante das referidas penalidades, que possuem bases de cálculo distintas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" A multa de ofício sobre o ajuste anual é embasada no inciso I c/c o §1º do referido dispositivo e calculada sobre a diferença de imposto apurada ao final do exercício; a multa isolada tem por base o inciso II, e é calculada sobre o valor devido no mês correspondente. A primeira alegação da Recorrente é totalmente despida de sentido, já que o momento de aplicação da penalidade isolada é exatamente após o encerramento do ano Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.092 63 calendário. Antes disso, a autoridade fiscal exigirá o próprio tributo devido por estimativa. É essa a justificativa, portanto, para a Súmula CARF nº 82. Quanto à concomitância de penalidades, também não há razão para acolher tal tese. Os argumentos trazidos pela Recorrente para fundamentar a sua tese se referem à redação anterior do referido art. 44 (e que se apresentam em consonância com a Súmula CARF nº 105). É que na redação original do dispositivo legal, a multa de ofício aplicada ao final do exercício e a multa pelo não recolhimento da estimativa tinham, ambas, como fundamento legal o inciso I do citado art. 44, razão pela qual se firmou a tese da inaplicabilidade concomitante. Após a alteração da redação, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, entendese plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. Cabe neste momento a transcrição de trecho do voto da Conselheira Adriana Gomes Rêgo, no Acórdão nº 9101002.438 (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 20 de setembro de 2016), de sua relatoria: "Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do Acórdão nº 9101002.251: [...]Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.093 64 Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação original não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 10600.720120/201514 Acórdão n.º 1302003.088 S1C3T2 Fl. 3.094 65 pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem." Essa tem sido a jurisprudência dominante sobre o tema, inclusive no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ilustra a ementa a seguir referenciada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 (...) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007." (Acórdão nº 9101003.060 1ª Turma, sessão de 12 de setembro de 2017, Redator designado Conselheiro André Mendes de Moura) Após a alteração da redação, entendese, como já dito, plenamente cabível a aplicação concomitante das duas penalidades. Desta forma, rejeito o Recurso apresentado também quanto a este tópico, de modo que dou provimento ao Recurso Voluntário tão somente em relação à possibilidade de dedução dos royalties pagos na base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 3094DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.901341/2006-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-001.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 13 41 /2 00 6- 62 Fl. 215DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 18/23, de n. 03807.06283.280205.1.7.029540, de 28/02/2005, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de Saldo Negativo de IRPJ referente ao 4 ° Trimestre / 2002 no montante de R$ 52.196,53. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775566031 (efl. 27), que analisou as informações e concluiu que não foi confirmado o saldo negativo devido a não confirmação de IRRF no mesmo valor (R$ 52.196,53). O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 30/07/2008, conforme espelho de Aviso de Recebimento AR (efl. 31) e conforme o próprio AR (efl. 32), ambos sob o número de identificação AR 775566031RF. A DRJ Campinas (Acórdão 0529.579 2ª Turma da DRJ/CPS, efls. 143/148) considerou como manifestação de inconformidade o documento de 07/08/2008 (efl. 02), que é anterior ao Despacho Decisório 775566031 (efl. 27), que tem data de emissão em 18/07/2008 e cuja ciência ao contribuinte ocorreu em 30/07/2008 (efls. 31 e 32). O Acórdão da DRJ relatou assim sobre a manifestação de inconformidade: A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, por entender que confirmouse a retenção do imposto objeto do litígio, mas não houve regular oferecimento à tributação dos correspondentes rendimentos, para fins da admissão da dedutibilidade pretendida, quando da apuração do imposto devido no encerramento do 4° trimestre do anocalendário 2005. Em números, restou à margem de tributação a parcela dos rendimentos de R$ 156.184,94, tendose em vista que para uma retenção (IRF) no montante de R$ 52.196,53 deveria ser oferecido à tributação os rendimentos no total de R$ 260.982,65 (500% de R$ 52.196,53), mas somente o foi no total de 104.797,71), impondose adicionar a diferença R$ 156.184,94 (R$ 260.982,65 R$ 104.797,71) na determinação do Lucro Real, para se admitir a dedução do IRRF pleiteado. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/12/2010 (efl. 131) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 21/01/2011 (efl. 132), em que aduz, em resumo, que contabiliza e oferece à tributação, mensalmente, os rendimentos auferidos sobre suas aplicações financeiras, independente de ter ou não ocorrido resgate no mês, mas que Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10875.901341/200662 Acórdão n.º 1001001.029 S1C0T1 Fl. 216 3 a respeito das aplicações de renda fixa, o crédito efetivo ( e informado à Receita Federal pelas instituições financeiras, por meio da DIRF) dos rendimentos e a retenção do imposto sobre a renda na fonte, somente ocorre por ocasião do resgate da aplicação. Como a Requerente informa à Receita Federal, por meio da DIPJ, separados por trimestre, os rendimentos contabilizados de acordo com o regime de competência, isto é, mensalmente, a conseqüência é que, quando se compara as informações da instituição financeira, com as informações do aplicador (a Recorrente), em cada trimestre, ou mesmo no ano inteiro, os valores não conferem. Pelo exposto ficaria demonstrado que não houve omissão de receita financeira e que a diferença se deveria a critérios diferentes para a transmissão de informações à Receita Federal critérios esses estabelecidos pelo Poder Público, razão pela qual a recorrente anexa demonstrações contábeis em que estaria demonstrada a sua forma de apuração dos anos anteriores a 2005 para tentar comprovar a tributação daquelas receitas financeiras não exclusivamente no 4 ° Trimestre / 2002. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não tenha sido comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações Fl. 217DF CARF MF 4 prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Isto porque que não houve a apresentação, até antes do recurso voluntário ao CARF, de provas que sustente o principal argumento de defesa do recorrente, qual seja, de que não houve omissão de receita financeira em sua DIPJ e que a diferença entre estas receitas e aquelas informadas em DIRF (diferença que impediu o reconhecimento integral do crédito requerido em PERDCOMP) se deveria a critérios diferentes adotados pelo recorrente (em DIPJ e em DIRF) para a transmissão de informações à Receita Federal. Na verdade, sequer este argumento foi apresentado em manifestação de inconformidade. Duas razões me fazem crer que não houve a apresentação deste argumento e das provas que o acompanhariam. O primeiro é de que o documento de 07/08/2008 (efl. 02) é anterior ao Despacho Decisório 775566031 (e fl. 27), pois este tem data de emissão em 18/07/2008 e a ciência ao contribuinte ocorreu em 30/07/2008 (efls. 31 e 32). Logo, não houve manifestação de inconformidade nos autos, razão pela qual concluo que faltou argumentos e provas apresentados à primeira instância a respeito da tese de que o requerimento de restituição/compensação deveria ser provido integralmente e de que as receitas financeiras já tinham sido oferecidas à tributação mesmo que em períodos diversos ao 4 ° Trimestre / 2002. Mesmo que por hipótese se admitisse que o documento de 07/08/2008 (efl. 02) é posterior ao Despacho Decisório 775566031, hipótese que não admito, o teor daquele documento não traz qualquer informação justificando a diferença entre as receitas financeiras informadas em DIPJ e aquelas informadas em DIRF e que correspondiam ao valor de IRF pleiteado pelo recorrente. Desta forma, como não cabe nesta segunda instância recursal apreciar pela primeira vez nos autos eventuais demonstrativos contábeis para a apuração do crédito, conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, o recurso deve ser improvido. Ou seja, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte. Mas este não anexou àquele recurso (admitindose aqui por hipótese de que o documento de 07/08/2008 (efl. 02), anterior ao Despacho Decisório 775566031, era uma manifestação de inconformidade, hipótese que não admito) qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10875.901341/200662 Acórdão n.º 1001001.029 S1C0T1 Fl. 217 5 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme Fl. 219DF CARF MF 6 dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 13840.000289/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECURSO DE OFÍCIO. REEXAME NECESSÁRIO DISPENSADO POR LEI.
Conforme disposto no Art. 27, Inciso VI da Lei nº 10.522/02, tais decisões não estão sujeitas ao reexame necessário, razão pela qual, o Recurso de Ofício, nesta parte não merece conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento, Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Oficio. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Pedroso Pereira, OAB nº 205.704/SP
(assinado digitalmente)
DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA - Presidente
(assinado digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e José Ricardo Moreira (suplente convocado. Ausente justificadamente o Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: Jamed Abdul Nasser Feitoza
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/01/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RECURSO DE OFÍCIO. REEXAME NECESSÁRIO DISPENSADO POR LEI. Conforme disposto no Art. 27, Inciso VI da Lei nº 10.522/02, tais decisões não estão sujeitas ao reexame necessário, razão pela qual, o Recurso de Ofício, nesta parte não merece conhecimento. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 02 89 /2 00 7- 00 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13840.000289/200700 Acórdão n.º 2402006.620 S2C4T2 Fl. 401 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento, Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Oficio. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Mauricio Nogueira Righetti. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Pedroso Pereira, OAB nº 205.704/SP (assinado digitalmente) DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA Presidente (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e José Ricardo Moreira (suplente convocado. Ausente justificadamente o Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 376 usque 396, voltado contra Acórdão de fls. 356 a 371, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a o lançamento, reconhecendo sua decadência parcial, bem como não conheceu da Impugnação apresentada, na parte coincidente com o objeto da ação judicial versando sobre a mesma matéria. Eis o relatório da r. decisão recorrida: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) debcad n.° 37.072.3767, que constitui o crédito tributário de contribuições sociais devidas à seguridade social, referente à parte da empresa sobre as remunerações/valores constantes de faturas de prestação de serviços por cooperativas de trabalho médico, e cujo mérito encontrase, ainda, sob apreciação de instâncias judiciais, no montante de R$ 5.091.164,38 (cinco milhões e noventa e inn mil e cento e sessenta e quatro reais e trinta e oito centavos), consolidado em 22/06/2007 e relativa ao periodo de 03/2000 a 01/2007. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13840.000289/200700 Acórdão n.º 2402006.620 S2C4T2 Fl. 402 3 Consoante o Relatório Fiscal (fls. 37/51), o presente lançamento é composto pelo seguinte levantamento, conforme os autos sob análise: 4 REMUN COOP DE TRABALHO 15%, cujas contribuições NÃO foram declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Estão sendo cobradas as contribuições sobre a remuneração efetuada à UNIMED REGIONAL DA BAIXA MOGIANA, nos termos do art. 22, IV da Lei n.° 8.212/91. As bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas aplicadas, o valor apurado das contribuições devidas estão demonstradas, por estabelecimento, no relatório Discriminativo Analítico do Débito (DAD), e no Relatório de Lançamentos (RL), anexos ao AI/NFLD. Os percentuais de juros e da multa de mora aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no relatório Fundamentos Legais do Débito (F LD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. Relevantes são as informações do Relatório Fiscal de que: (i) a empresa impetrou ação judicial Mandado de Segurança (MS) n.° 2000.61.05.0096243, na 2.” Vara da Justiça Federal de Campinas, com o fim de suspender a exigibilidade das contribuições incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho e de obter a declaração de inconstitucionalidade de tais contribuições; (ii) foram feitos os depósitos judiciais correspondentes, conforme planilha anexada; (iii) após decisão de 1.” instância favorável, a sentença do Tribunal Regional Federal da 3.” Região foi desfavorável ao sujeito passivo, mas ainda não transitou em julgado; (iv) há ainda, pendente de decisão judicial definitiva, uma medida cautelar de n.° 2003.03.00.0772627, em dependência ao MS mencionado, suspendendo a exigibilidade das referidas contribuições, em função dos depósitos judiciais feitos nos termos do art. 151, II do CTN; e (v) foram, enfim, lançadas essas contribuições, que são objeto de discussão judicial e foram depositadas em juizo, no intuito de prevenir a decadência, estando com a exigibilidade suspensa. Informa a Fiscalização que serviram de base para apuração e lançamento das contribuições constantes nesta NFLD os contratos e faturas de Cooperativas de Trabalho, informações em GFIP e arquivos contábeis em meio digital, dentre outros. Elementos de prova anexados ao processo principal: cópias de decisões judiciais, contratos de prestação de serviços médicos e hospitalares, cópia de fatura emitida pela Unimed contra a autuada, planilha demonstrativa de faturas e pagamentos à Cooperativa Médica, com valores, basesdecálculo e contribuições devidas, dentre outros. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13840.000289/200700 Acórdão n.º 2402006.620 S2C4T2 Fl. 403 4 A empresa foi cientificada do lançamento, pessoalmente, em 22/06/2007. A notificada apresentou IMPUGNAÇÃO (fls. 120/139) dentro do prazo legal de defesa, aduzindo, em síntese, o que se segue. Da decadência parcial que há extinçao parcial do crédito, nos termos do CTN, ocorrendo a decadência qüinqüenal das competências 03/2000 a 05/2002, haja vista que a constituição definitiva deuse em 22/06/2007. Da suspensão da exigibilidade do crédito que o presente crédito está com a exigibilidade suspensa, pois a matéria objeto da NFLD está sendo discutida judicialmente, com o correspondente depósito judicial das contribuições exigidas, nos temos do MS n.° 2000.61.05.0096243 e medida cautelar n.° 2003.03.00.077262~7; de que acarreta a anulação ou 0 sobrestamento da autuação em tela, ate' decisão final da justiça, pois esta o Fisco impossibilitado de exigir o tributo. Da existência de Mandado de Segurança da contribuição incidente sobre pagamentos a cooperativas de trabalho discussão judicial da matéria que as matérias referentes às contribuições da empresa sobre notas fiscais/faturas de cooperativas de trabalho estão sub judice, quanto à constitucionalidade, tendo havido a propositura de mandado de segurança (MS) n.° 2000.61.05.0096243, o qual tramita no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.” Região, pendente de julgamento. que é totalmente inconstitucional a exigência do art. 22, IV, de 15% sobre as faturas de serviços prestados pelas cooperativas de trabalho, a ser recolhida pelas empresas contratantes, por diversas razões expostas. Da basedecálculo utilizada que a basedecálculo utilizada pela fiscalização considerou 60% do valor das notas fiscais das cooperativas, apesar de a Instrução Normativa SRP n.° 03/2005 (DOU de 15/07/2005), nos artigos 291 e 293 estabelecer que para os serviços de saúde devem ser obedecidas as disposições contratuais, devendo corresponder, assim, a 30% do valor das respectivas notas fiscais. Dos juros de mora e da multa de mora inexigibilidade que as contribuições ora exigidas foram depositadas judicialmente dentro do prazo legal de vencimento, sendo corrigidas pela Caixa Econômica Federal, pelo que é ilegal a cobrança de juros e multa de mora. que devem ser excluídos os juros e a multa de mora da NFLD. Da intimacão dos atos ao patrono do sujeito passivo que deve ser notificado dos atos e decisões somente o patrono da impugnante. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13840.000289/200700 Acórdão n.º 2402006.620 S2C4T2 Fl. 404 5 Junta atos constitutivos, cópias de petições e decisões judiciais, e de contrato de prestação de serviços médicos e hospitalares. Do pedido Requer a impugnante: 1) a suspensão do presente lançamento, até decisão final da justiça; 2) a decadência e/ou insubsistência do débito apurado pela fiscalização; e 3) a redução da basedecálculo para 30% das notas fiscais/faturas. Em seu apelo, excetuandose o trecho referente à decadência parcial do crédito lançado, que foi reconhecido pela d. DRJ, reprisa o recorrente os mesmos argumentos lançados em sua peça de Defesa, requerendo, ao final, a suspensão do processo até a decisão final no mandado de segurança impetrado pela empresa; seja acolhido o recurso, julgandose insubsistente a autuação lavrada pela fiscalização; ou, de forma sucessiva, para que seja reduzida a base de cálculo aplicada, para 30% do valor das notas fiscais. Recurso de Oficio interposto nos termos do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, e considerando os valores estabelecidos na Portaria MF n.° 3 (DOU de O7/01/2008), já exoneração do crédito procedida pelo acórdão recorrido foi em valor superior ao de alçada. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE 1.1. DO RECURSO DE OFICIO. Recurso de Oficio interposto nos termos do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, e considerando os valores estabelecidos na Portaria MF n.° 3 (DOU de O7/01/2008). O crédito em lide consiste em contribuição previdenciária incidente decorrente da contratação de sociedade cooperativa operaradora de plano de Saúde, Unimed Baixa Mogiana, cujo o crédito foi parcialmente exonerado sob os auspícios do reconhecimento da extinção do direito da Fazenda constituílo eis que, nos termos conformados pelas alterações normativas impostas pela Sumula Vinculante SRF nº 8, estariam sob decadência. Conforme disposto no Art. 27, Inciso VI da Lei nº 10.522/02, tais decisões não estão sujeitas ao reexame necessário, razão pela qual, o Recurso de Ofício não merece conhecimento. 1.2. RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13840.000289/200700 Acórdão n.º 2402006.620 S2C4T2 Fl. 405 6 2. PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A Recorrente advoga pela suspensão do presente processo até a ultimação da ação judicial nº 2000.61.05.0096243 que segue na Justiça Federal, eis que obteve provimento liminar que a eximia da obrigação de recolhimento das contribuições incidentes sobre faturas de cooperativas de trabalho. Ocorre que tal demanda se resolverá através da repercussão geral declarada nos autos do RE nº 595.838/SP, que firmou entendimento vinculativo favorável a tese recursal como veremos em tópico próprio. E ainda que não fosse o caso, a decisão judicial em questão não impede o lançamento, tão pouco o seguimento de atos processuais como o presente. As discussões travadas nos autos da ação estão ancoradas em inconstitucionalidade da norma de instituição da exação fato que também excluí a possibilidade de concomitância e não tem impacto sobre o presente processo eis que restaria suspensa apenas a exigibilidade dos créditos advindos da autuação. 3. MÉRITO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Tratase de lançamento realizando com fundamento no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência plena do dispositivo à época dos fatos. Como veremos adiante a inconstitucionalidade da exação foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, entretanto, ainda que assim não fosse, o lançamento não poderia prosperar. A exação incidiu sobre Planos de Saúde mantidos regularmente por cooperativas de saúde UNIMED BAIXA MOGIANA, que não se confundem com as cooperativas de trabalho. Apesar de posterior, a Lei nº 12.690/12 tratou de conceituar as cooperativas de trabalho, excluindo as Cooperativas de Saúde do conceito. Para que se perceba a diferença, analisando as operações sob a ótica do principio da dupla qualidade, cabe observar que, em essência, existem três espécies de cooperativas, aquelas em que os sócios são clientes da cooperativa, fornecedores de serviços ou produtos entregues ao mercado por meio da cooperativa ou trabalhadores que se utilizam da cooperativa para acesso ao mercado. As cooperativas de saúde suplementar criam planos de saúde com o objetivo de viabilizar aos sócios o fornecimento de serviços médicos ao mercado, sob a sistemática de prépagamento e em conjunto com uma gama de serviços que, não necessariamente, representam trabalho pessoal do sócio, tais como exames, internações, aplicação de medicamentos etc. Já as cooperativas de trabalho, através da sistemática de coordenação e parassubordinação, viabilizam aos sócios meios de disponibilizar sua força de trabalho ao Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13840.000289/200700 Acórdão n.º 2402006.620 S2C4T2 Fl. 406 7 mercado, viabilizar o trabalho sem alienação plena de tal força é a razão essencial das Cooperativas deste tipo. Portanto, nas cooperativas que operam planos de saúde, para além do próprio serviço não guardar relação direta com o trabalho do cooperado, este é mero fornecedor de serviços e não trabalhador que coloca sua força de trabalho à disposição do mercado. São situações econômicas, fáticas e jurídicas bem distintas. Citamos tais questões apenas para compartilhar com o colegiado nossa visão sobre matéria especifica e não corriqueiramente posta à julgamento, mas existe outra razão legal para exclusão dos créditos constituídos sobre tais fatos. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Tal decisão é vinculativa e deve ser aplicada pelo colegiado nas lides pendentes de julgamento conforme determina o Art. 62 do Anexo II do RICARF, merecendo provimento o Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Por todo exposto votamos por não conhecer do Recurso de Oficio e por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário afastando a preliminar de suspensão do processo, para no mérito darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13738.000261/2008-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.008467/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
ALEGAÇÕES NÃO CONHECIDAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E REITERADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Tratando-se de matérias não conhecidas em primeira instância e reapresentadas em sede de recurso voluntário, não sendo o caso de nulidade da decisão de piso, impõe-se o não conhecimento destas também nesta fase processual.
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que haja pagamento antecipado e que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
LANÇAMENTO COMPLEMENTAR.
Quando, em exames posteriores, diligencias ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar.
A devolução do prazo ao sujeito passivo para impugnação do auto de infração complementar restringe-se à matéria modificada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Sujeita-se à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos.
Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓITO BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova.
Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora.
Os depósitos/créditos, cuja origem de recursos restou comprovada, devem ser excluídos da tributação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A reiteração de ocorrências (infrações fiscais) apontadas no lançamento decorrente de um mesmo procedimento fiscal - fundado em presunções legais - por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 2402-006.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado i) por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Renata Toratti Cassini, para, na parte conhecida ii) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; iii) por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação ao ano-calendário 2000, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini que, neste ponto, deram provimento em maior extensão, votaram pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Gregorio Rechmann Junior (Relator); e iv) por maioria de votos, reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar ordinário de 75%, vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Gregorio Rechmann Junior (Relator). Manifestou ao intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. ALEGAÇÕES NÃO CONHECIDAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E REITERADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Tratando-se de matérias não conhecidas em primeira instância e reapresentadas em sede de recurso voluntário, não sendo o caso de nulidade da decisão de piso, impõe-se o não conhecimento destas também nesta fase processual. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que haja pagamento antecipado e que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. Quando, em exames posteriores, diligencias ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar. A devolução do prazo ao sujeito passivo para impugnação do auto de infração complementar restringe-se à matéria modificada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeita-se à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓITO BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os depósitos/créditos, cuja origem de recursos restou comprovada, devem ser excluídos da tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A reiteração de ocorrências (infrações fiscais) apontadas no lançamento decorrente de um mesmo procedimento fiscal - fundado em presunções legais - por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Recorrente ANTONIO DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INAPLICABILIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. ALEGAÇÕES NÃO CONHECIDAS EM PRIMEIRA INSTÂNCIA E REITERADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Tratandose de matérias não conhecidas em primeira instância e reapresentadas em sede de recurso voluntário, não sendo o caso de nulidade da decisão de piso, impõese o não conhecimento destas também nesta fase processual. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 84 67 /2 00 6- 97 Fl. 1366DF CARF MF 2 Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓITO BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os depósitos/créditos, cuja origem de recursos restou comprovada, devem ser excluídos da tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A reiteração de ocorrências (infrações fiscais) apontadas no lançamento decorrente de um mesmo procedimento fiscal fundado em presunções legais por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado i) por maioria de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Renata Toratti Cassini, para, na parte conhecida ii) por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; iii) por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência com relação ao anocalendário 2000, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini que, neste ponto, deram provimento em maior extensão, votaram pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Gregorio Rechmann Junior (Relator); e iv) por maioria de votos, reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar ordinário de 75%, vencidos os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Gregorio Rechmann Junior (Relator). Manifestou ao intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da 7ª Tuma da DRJ/SPOII, consubstanciada no Acórdão nº 1728.897 (fls. 1.205/1.253), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Extraise do relatório da decisão recorrida, naquilo que se afigura essencial para relatar, que: Contra o contribuinte foi lavrado, em 20/12/2006, o Auto de Infração de fls. 804/808, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 809/814, que lhe exige crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercícios 2001 a 2005, anos calendário 2000 a 2004, tendo sido apontadas as seguintes infrações: * ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, onde verificouse excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovado. * DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 819/848. A DRJ, em face da constatação de divergência entre o Auto de Infração (fls. 805) e o seu respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 793/795), no que tange aos valores referentes à Fl. 1368DF CARF MF 4 infração de acréscimo patrimonial a descoberto, baixou os autos em diligência, com vistas ao esclarecimento dos fatos apontados, bem assim para as providências cabíveis. Foi, então, lavrado o Auto de Infração em 12/08/2008 (fls. 921/926), por meio do qual o contribuinte foi intimado a recolher ou impugnar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência, TÃO SOMENTE OS DÉBITOS DECORRENTES DA RETIFICAÇÃO DOS VALORES DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO VERIFICADOS NOS MESES DE JAN, FEV, MAR, MAI, JUN, JUL, AGO e DEZ/2011, JAN, FEV, e MAR/2002 e JAN/2003. Cientificado do lançamento complementar, o interessado apresentou a impugnação de fls. 915/1084, aduzindo i) da quebra do sigilo bancário inexistência de autorização judicial; ii) violação ao princípio da irretroatividade e anterioridade da lei tributária; iii) decadência; iv) ilegalidade do lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários; iv.i) origem dos depósitos bancários comprovação; iv.ii) das inconsistências materiais na autuação decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; iv.iii) das inconsistências materiais na autuação decorrente acréscimo patrimonial a descoberto; v) multa qualificada improcedência; vi) imposição da multa de ofício confisco improcedência; vii) taxa SELIC improcedência e viii) suspensão da incidência dos juros no curso do contencioso administrativo fiscal. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSIA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os rendimentos omitidos apurados com base em acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários de origem não comprovada, embora submetidos à apuração mensal, estão sujeitos à tributação na declaração anual, pelo que a contagem do prazo decadencial não é Mensal, contados do mês em que a omissão foi apurada. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art 59 do Decreto 70.235/1972, não há que e cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento, enquanto ato administrativo. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar. A devolução do prazo ao sujeito passivo para impugnação do auto de infração complementar restringese à matéria modificada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 4 5 Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto as instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Os depósitos/créditos, cuja origem de recursos restou comprovada, devem ser excluídos da tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. Lançamento procedente em parte. Cientificado dessa decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 1.266/1.361, reiterando os termos da impugnação apresentada, inovando, apenas, no que tange à arguição de nulidade da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso voluntário é tempestivo. Entretanto, dele se conhece parcialmente, pela razões expostas no presente voto. Da Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em sede de preliminar, argui o recorrente a nulidade da decisão de primeira instância em razão desta ter conhecido apenas parcialmente a impugnação apresentada em 12/08/2008. Fl. 1370DF CARF MF 6 Nos termos da recorrida decisão, temse que a DRJ, relativamente à impugnação protocolada em 15/09/2008 (fis. 95 1083), tomou conhecimento da impugnação tão somente da parte que concerne à matéria modificada por meio do Auto de Infração lavrado em 12/08/2008 (fls. 1921/926). Assim, deixou de conhecer, portanto, a impugnação protocolizada em 15/09/2008 (fls. 951/1083), relativamente aos depósitos bancários de origem não comprovada, em todos os seus aspectos, uma vez que não houve inovação no que se refere ao Auto de Infração primitivo. Sem razão, o recorrente!! De plano, cumpre salientar que as hipóteses de nulidade da decisão recorrida estão previstas no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972, a seguir transcrito, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Compulsando em sua integralidade, verificase que a decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, percebese, sem qualquer esforço, que o presente ato contêm todos os requisitos legais, o que lhe confere existência, validade e eficácia. Ademais, insta salientar, por oportuno, que não só a decisão recorrida, mas todos os demais atos que integram o presente processo respeitaram as formas instrumentais, os documentos foram reunidos nos presentes autos, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Desta feita, temse que o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. Consta do Relatório do vergastado Acórdão, já reproduzido neste julgado, toda a contextualização fática e jurídica que motivou a autuação contestada. Por sua vez, o Recorrente tinha conhecimento do conjunto probatório robusto que instrui os autos e comprova a infração que lhe foi imputada. De se ver, portanto, que as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram sobejamente observadas, permitindose concluir pelo não cabimento das referidas alegações recursais, afastandose qualquer possibilidade de nulidade da Decisão Recorrida. Da Matéria Não Conhecida Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 5 7 Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração de fls. 819 / 830 e respectivo Termo de Verificação Fiscal de fls. 794 / 818. Cientificado, apresentou tempestiva impugnação de fls. 835 / 863. Relativamente ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, a DRJ, por meio do Despacho de fls. 933 / 934, constatou uma divergência entre as informações contidas no AI e aquelas objeto do Termo de Verificação Fiscal, base do próprio AI, pelo que, baixou os autos em diligência, com vistas ao esclarecimento dos fatos acima apontados, bem assim para as providências que julgar cabíveis. Assim foi que, a Unidade de origem emitiu “novo” Auto de Infração, referente tão somente aos débitos decorrentes da retificação dos valores da variação patrimonial a descoberto verificado nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, junho, julho, agosto e dezembro de 2001, janeiro, fevereiro e março de 2002 e janeiro de 2003. Registrese que o termo novo no parágrafo precedente está entre aspas de forma proposital, pois não se trata, tecnicamente falando, de um novo auto de infração, já que não houve qualquer inovação na fundamentação fática e/ou jurídica da autuação. Em face dessa nova intimação, o sujeito passivo apresentou nova impugnação, aduzindo razões defensivas, em sede de preliminar e de mérito, que não tinham sido formuladas na primeira impugnação. Neste contexto, a DRJ tomou conhecimento da impugnação protocolada em 19/01/2007 em sua integralidade. No entanto, relativamente à impugnação protocolada em 15/09/2008 (fis. 951 / 1083), conheceu desta tão somente da parte que concerne à matéria modificada por meio do Auto de Infração lavrado em 12/08/2008 (fls. 1921/926). Por meio do seu Recurso Voluntário, o contribuinte reitera os argumentos defensivos apresentados somente na impugnação datada de 15/09/2008 e que não foram conhecidos pela DRJ. Tratandose, pois, de matérias não conhecidas pelo órgão julgador de primeira instância e não sendo o caso de nulidade da decisão de piso nos termos do item precedente deste julgado, voto pelo não conhecimento das referidas razões defensivas, abaixo enumeradas conforme apresentadas no recurso voluntário: Fl. 1372DF CARF MF 8 Da Decadência O Recorrente sustenta que há de se arguir a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário apurado nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, junho, julho, agosto e dezembro e 2001, janeiro, fevereiro e março de 2002 e janeiro de 2003, no que se refere ao suposto acréscimo patrimonial a descoberto, bem como o crédito tributário nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, julho, setembro e dezembro de 2000; janeiro, fevereiro, abril, setembro e novembro de 2001; janeiro, julho e outubro de 2002 e abril, maio, junho e julho de 2003, no que pertine às supostas omissões de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, tendo em vista que o fato gerador da obrigação tributária, conforme novo auto de infração lavrado em 12 de agosto de 2008, com ciência via postal em 15 do mesmo mês e ano, substituindo o auto de infração lavrado em 20 de dezembro de 2006, ocorreu em cada um dos citados meses. Razão não assiste ao Recorrente neste particular. Inicialmente, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Neste sentido, confirase a ementa do julgado abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005, 2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada ano calendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...)” (acórdão nº 2402005.594 de 19/01/2017). Ainda no âmbito deste Conselho, é sumulado o entendimento de que "o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário" (Súmula CARF nº 38). No caso concreto, o lançamento de créditos sujeitos ao ajuste anual (APD e omissão de rendimentos) engloba os anoscalendário de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. O fato gerador mais remoto, portanto, ocorreu em 31/12/2000. Fixada esta premissa, sobre o tema, entendeu a DRJ que, diversamente do entendimento manifestado pelo contribuinte, entendese que a decadência do lançamento de oficio é regulada exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, descabendo invocar o § 4° do artigo 150 do CTN, que trata de lançamento por homologação ou o parágrafo único do art. 173 do mesmo dispositivo legal. Assim, concluiu aquele órgão julgador que: Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 6 9 (...) no caso do lançamento de oficio referente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000 (depósitos bancários de origem não comprovada), que, em 21/12/2006 (AR de fl. 900), data da ciência do Auto de Infração de fls. 804/808, não estava extinto o direito de o Fisco efetuar o lançamento em tela. Em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto levado à tributação, por meio do Auto de Infração lavrado em 20/12/2006 (fls. 804/808), ciência em 22/12/2006 (AR de fl. 900), totalizou o montante de R$ 92.983,15. Observase que o Auto de Infração lavrado em 12/08/2008 (fls. 921/926), ciência em 15/08/2008 (AR de fl. 942), majorou o montante do acréscimo patrimonial a descoberto, relativo ao anocalendário 2001, em R$ 76.000,06, importando em total anual de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 168.983,21. Em vista do acima discutido, constatase, relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001, que, em 15/08/2008, data da ciência do auto de infração lavrado em 12/08/2008, havia decaído o direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento referente ao anocalendário 2001, somente sobre o valor do acréscimo patrimonial a descoberto de R$ 76.000,06, acima aludido. Fica mantida a tributação sobre o valor omitido de R$ 92.983,15, que já havia lançado por meio do Auto de Infração de 20/12/2006. Por fim, concluiu a DRJ que, ainda que se entendesse tratarse de imposto sujeito a lançamento por homologação, ainda assim, a contagem do prazo decadencial, no caso em exame, seria pela regra geral do art. 173, I, do CTN. Isso porque restou caracterizada a situação descrita na ressalva contida no art. 150, § 4°, in fine, do CTN. Qual seja, a de omissão dolosa de rendimentos, que ensejou a qualificação da multa de oficio. Não há reparos a serem feitos no decisum em análise neste particular. De fato, ainda que fosse aplicável o art. 150, § 4º, do CTN, conforme defende o Recorrente, não se deve olvidar que, tal como ressaltado pela DRJ, o referido dispositivo legal, em sua parte final, expressamente excepciona a sua aplicação nos casos da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, atraindo, assim, a incidência da regra prevista no art. 173, I, do mesmo Diploma. Neste espeque, temse como decaídos os valores majorados relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2001 por meio do auto de infração lavrado em 12/08/2008 (com ciência em 15/08/2008), referente ao acréscimo patrimonial a descoberto no montante de R$ 76.000,06, tal como decidido pelo órgão julgado de piso. Do Mérito No que tange ao mérito, considerando que as razões recursais são idênticas àquelas deduzidas em sede de impugnação, inclusive textualmente, em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, neste particular: Fl. 1374DF CARF MF 10 Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 7 11 Fl. 1376DF CARF MF 12 Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 8 13 Fl. 1378DF CARF MF 14 Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 9 15 Fl. 1380DF CARF MF 16 Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 10 17 Fl. 1382DF CARF MF 18 Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 11 19 Fl. 1384DF CARF MF 20 Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 12 21 Fl. 1386DF CARF MF 22 Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 13 23 Fl. 1388DF CARF MF 24 Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 14 25 Fl. 1390DF CARF MF 26 Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 15 27 Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de conhecer em parte o recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Em que pese as muito bem articuladas fundamentação e conclusão do voto condutor, delas ouso discordar. O ponto de discordância resumese, podese assim dizer, à demonstração, ainda que por meio de elementos acostados aos autos, da existência de fraude, sonegação ou conluio necessários a dar ensejo a qualificação da multa de oficio. O lançamento em tela valeuse de presunções legais de omissão de rendimentos, a partir de duas circunstâncias evidenciadas in concreto, quais sejam, i) a de depósitos/créditos em conta sem que haja a comprovação de sua origem/natureza; e ii) a de excesso de aplicações, quando comparadas às origens do mesmo período. A rigor, são presunções que se materializam em função da inércia do sujeito passivo (ou não adequação de suas respostas) frente a constatações e intimações fiscais. Tanto a acusação fiscal, quanto o julgamento de primeira instância ampararam a qualificação da multa na reiteração das infrações no período, não trazendo, o Fisco, qualquer outro elemento de convicção que tendesse a demonstrar minimamente, ainda que de forma indireta, o animus do contribuinte em sonegar ou fraudar a Administração Tributária. De outro giro, vale destacar a tentativa do contribuinte, digase frustrada é bem verdade, de se comprovar a inexistência da omissão de rendimentos tributáveis. Fl. 1392DF CARF MF 28 Por sua vez, a Súmula CARF nº 14, ao assentar que "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo" alcançaria, assim penso eu, as autuações fundadas apenas em presunções legais, sem que o autuante tivesse trazido qualquer outra circunstância como decorrência de uma investigação fiscal. Nesse sentido, observado o entendimento encimado, tenho por mim que a ocorrência reiterada dessas infrações, dentro de um mesmo procedimento fiscal, não tem, em princípio, o condão de dar azo à qualificação da multa de ofício. Como consequência e a considerar a evidência de pagamento antecipado vide consultas abaixo1 bem como a ciência do lançamento em 21/12/2006, há de se reconhecer a decadência com relação ao ano calendário 2000, com fulcro no §4º do artigo 150 do CTN. 1 A Fiscalização considerou, como aplicações, o IRRF no valor de R$ 1.087,20, correspondente a R$ 90,60 ao mÊs (fls. 726/728). Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 16 29 Isto posto, VOTO no sentido de reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar ordinário de 75%, bem como reconhecer a decadência do anocalendário 2000. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Declaração de Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Com o devido respeito, divirjo do relator no tocante à decadência e à qualificação da multa de ofício. Iniciandose pela decadência, nos termos da Súmula CARF 14, "a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo", ao passo que, no caso concreto, não houve tal demonstração. A reiteração mencionada pela autoridade administrativa no relatório fiscal não afasta a aplicação do citado verbete sumular, porque incorrer em reiteradas omissões obviamente não pode ser tomado como conduta equivalente à fraude. Terseia a existência de fraude se o contribuinte, exemplificativamente, tivesse se utilizado de pessoa interposta para manter seus depósitos, sem prejuízo de outras circunstâncias adicionais a serem porventura demonstradas pela administração fazendária. Esse raciocínio é igualmente aplicável à infração caracterizada por acréscimo patrimonial descoberto, mesmo porque a tributação com base em tal pressuposto também parte de uma presunção de omissão de rendimentos, assim como ocorre com os depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1394DF CARF MF 30 Por outro lado, a existência de recolhimentos antecipados pode ser verificada nas declarações de ajuste anual dos anoscalendário 2000 e 2001 (v. fls. 6 e 19), as quais registram a existência de imposto de renda na fonte naqueles anosbase. Nesse contexto, cabe citar a Súmula CARF 123, segundo a qual o "imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional". Logo, tendo inexistido dolo, fraude ou simulação, e tendo havido recolhimentos antecipados nesses anoscalendário, concluise pela aplicação do disposto no art. 150, § 4º, do CTN. O critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10880.008467/200697 Acórdão n.º 2402006.599 S2C4T2 Fl. 17 31 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Ademais, diante das circunstâncias narradas e demonstradas pelo ilustre relator, em 2008 houve necessidade da lavratura de outro auto de infração. No entender deste conselheiro, tal lavratura constitui sim nova autuação, de tal forma que o crédito cobrado nestes autos foi definitivamente constituído apenas em 15/08/2008, quando da sua notificação ao sujeito passivo. Nesses termos, e como os fatos geradores dos anoscalendário 2000 e 2001 ocorreram, respectivamente, em 31/12/2000 e 31/12/2001, na data de ciência ao sujeito passivo realmente já havia transcorrido o prazo decadencial. Fl. 1396DF CARF MF 32 No mais, vale dizer que a declaração do anocalendário 2002 não registra a existência de imposto de renda retido na fonte e nem há demonstração nos autos de ter havido recolhimentos antecipados, de tal modo que, neste particular, não é aplicável o disposto no art. 150, § 4º, mas sim a regra do art. 173, I, do Código. Por fim, e diante do que foi dito em relação à inexistência de dolo, fraude ou simulação, é incabível a qualificação da multa de ofício, multa que somente pode ser duplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4502/1964, ex vi do disposto no § 1º do art. 44 da Lei 9430/1996, casos que pressupõem a existência de ato doloso. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1397DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000083/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. NÃO CONHECIMENTO.
As matérias não contestadas na impugnação são insuscetíveis de conhecimento em grau recursal.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO.
A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, para a execução de serviços contínuos, em suas dependências, caracteriza cessão de mão de obra.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE ENTRE O TOMADOR E O PRESTADOR. AUSÊNCIA DE BENEFÍCIO DE ORDEM.
Até janeiro de 1999, o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra respondia solidariamente com o executor dos serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Previdência Social, exceto em relação às contribuições provenientes do faturamento e do lucro, podendo os créditos serem cobrados tanto do prestador quanto do tomador, sem benefício de ordem.
Numero da decisão: 2402-006.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Votou pelas conclusões, em relação à coisa julgada administrativa e divergiu do relator quanto à hipótese de inexistência de cessão de mão-de-obra o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NÃO CONHECIMENTO. As matérias não contestadas na impugnação são insuscetíveis de conhecimento em grau recursal. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, para a execução de serviços contínuos, em suas dependências, caracteriza cessão de mão de obra. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. SOLIDARIEDADE ENTRE O TOMADOR E O PRESTADOR. AUSÊNCIA DE BENEFÍCIO DE ORDEM. Até janeiro de 1999, o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra respondia solidariamente com o executor dos serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Previdência Social, exceto em relação às contribuições provenientes do faturamento e do lucro, podendo os créditos serem cobrados tanto do prestador quanto do tomador, sem benefício de ordem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, por unanimidade de votos, afastar a decadência e, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Votou pelas conclusões, em relação à coisa julgada administrativa e divergiu do relator quanto à hipótese de inexistência de cessão de mãodeobra o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Renata Toratti Cassini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 83 /2 00 7- 04 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregorio Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 18471.001854/200898, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "A DRJ/RJ1 fez um relato preciso do lançamento e da impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.521.1157 consolidado em 01/09/2002), no valor de R$ 103.176,83, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 29/32), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, referentes à competência 01/1999. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa BELCONAV S/A CONSTRUÇÃO NAVAL CNPJ 04.146.809/000187, em cumprimento aos contratos nº 295.2.003.988 (Levantamento A42) e nº 295.2.004.980 (Levantamento A43). 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 4 3 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 25/09/2002 apresentou impugnação em 14/10//2002, através do instrumento de fls. 37/42, alegando em síntese a tempestividade; a inexistência de “cessão de mão de obra”; a necessidade da comprovação de existência da obrigação do devedor originário e a constituição de sua liquidez; assim como o alargamento da base de cálculo; invocando finalmente sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta, para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito do próprio governo. Do aditamento à impugnação 3.1. A PETROBRAS ainda apresentou aditamento à impugnação, fls. 53, com a juntada de documentos (fls. 54/83) para comprovar suas alegações. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 4. A BELCONAV, notificada do lançamento, por via postal, em 06/12/2002 (AR fls. 50) não apresentou impugnação. DA DILIGÊNCIA 5. Diante da documentação apresentada os autos foram encaminhados, em 30/04/2003, à Junta Notificante, para apreciação (fls. 85). 5.1. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, o fiscal notificante elaborou Informação Fiscal, em 04/07/2003, fls. 88, na qual concluiu pela retificação do débito, tendo sido emitido o FORCED de fls. 86/87. DO JULGAMENTO E DO RECURSO 6. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE EM PARTE através da DecisãoNotificação nº 17.401.4/0759/2003, de 26/08/2003, fls. 90/95. Devidamente notificada a PETROBRAS, em 04/09/2003 (fls. 97) e a BELCONAV através de edital, publicado no Jornal Extra, em 04/02/2004 (fls.100). 6.1. Apenas a PETROBRAS apresentou recurso em 30/09/2003, fls. 103/107. DAS CONTRARAZÕES 7. Após a elaboração das ContraRazões, às fls. 113/115, o processo foi encaminhado ao CRPS. 8. A 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001851, de 22/07/2004 (fls. 117/130), decidiu anular a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar o contribuinte (prestador de serviços) tais Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 5 4 como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização do mesmo, pois entendeu que o INSS não se esforçou para localizálo, já que publicou edital de citação em praça diversa do contribuinte. 9. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 132/137). 10. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão, sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação. Sendo que a PETROBRAS foi notificada em 19/01/2005 (fls. 138) e a BELCONAV através de edital, publicado no Jornal Extra, em 16/03/2005 (fls.151). 11. Apenas a PETROBRAS se manifestou em 18/02/2005 (fls. 144/148). 12. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0000987, de 04/08/2005, sob a alegação de que divergência de entendimento não é causa para revisão de julgados deste conselho (fls. 155/159). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 13. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o entendimento exarado pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado pelo Conselho Pleno do CRPS, o qual exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, passando a dispensar tal exigência: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços". 14. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 15. Em atendimento ao determinado no Decisório do CRPS, em 23/01/2008, fls. 191, o AuditorFiscal afirma que efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Previdenciária, fls. 185/186, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada e prestadora de serviços, constatandose que não houve ação fiscal com exame Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 6 5 de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta, e que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 – REFIS (fls. 187), assim como não aderiu ao parcelamento da Lei nº 10684/2003 –PAES (fls. 188). 16. Assim sendo, a PETROBRAS foi notificada do Acórdão nº 000987 e do Resultado da Diligência de 23/01/2008, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 1134/2010 (fls. 195) em 29/11/2010 (fls. 197) e a BELCONAV, através de edital, publicado no Diário Oficial da União em 10/08/2011 (fls. 206), entretanto não se manifestaram. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mão de obra. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. ELISÃO PARCIAL DA SOLIDARIEDADE. RETIFICAÇÃO Uma vez apresentados, ainda que parcialmente, documentos elisivos da responsabilidade solidária relativa à construção civil, abatese do lançamento os valores vinculados a tais documentos, nos termos da legislação de regência. O montante exonerado não resultou na interposição de recurso de ofício. Intimada da decisão em 08/10/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital (fl. 264), a contribuinte interpôs seu recurso voluntário em 06/11/2003 (fls. 269 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: · nulidade da NFLD por ausência de requisitos legais mínimos; · existência de coisa julgada administrativa; · decadência do crédito tributário; · impossibilidade de revisão do lançamento; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 7 6 · descumprimento da decisão do CRPS; · ilegalidade da aferição indireta em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a fevereiro de 1999; · inexistência de cessão de mão de obra; · inexistência de solidariedade por falta de configuração prévia da obrigação; · erro na mensuração da base de cálculo; A BELCONAV foi intimada por edital, mas não interpôs recurso voluntário. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório." Voto Mario Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 18471.001854/200898, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Denny Medeiros da Silveira, dignos Relator e Redator designado da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 06 de junho de 2018: Acórdão nº 2402006.257 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido " Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator. 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, mas não deve ser totalmente conhecido. Comparandose a defesa administrativa com o recurso, conclui se que a contribuinte, sem a ocorrência de qualquer fato ou circunstância jurídica superveniente ao lançamento, inovou ao deduzir as seguintes teses recursais (vide relatório): Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 8 7 a) nulidade da NFLD por ausência de requisitos legais mínimos; e f) ilegalidade da aferição indireta em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a fevereiro de 1999. A impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. [...] Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. 2 Da coisa julgada administrativa Conforme já relatado, a 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão nº 0001851, de 22/07/2004, decidiu anular a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS apresentasse elementos, com base na contabilidade da contribuinte, que justificasse o procedimento adotado, e ainda utilizasse outros meios para localizar a prestadora de serviços, tais como diligência junto à Receita Federal, Junta Comercial, Secretaria da Fazenda Estadual, Cadastro do ISS, etc, inclusive utilizandose edital na praça de localização da mesma, pois Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 9 8 entendeu que o INSS não teria se esforçado para localizála, já que publicou edital de citação em praça diversa da prestadora. Para ilustrar e demonstrar como a questão foi decidida pelo CRPS, vale transcrever o desfecho da fundamentação do voto condutor do acórdão e a sua conclusão: O resultado do acórdão foi exatamente no sentido de anular a decisão notificação, de acordo com o voto do relator e sua fundamentação. Vejase: Como se pode ver acima, o CRPS não anulou o lançamento e ainda fez claras determinações ao INSS ao utilizarse das seguintes expressões: "entendo que o INSS deve apresentar elementos com base na contabilidade do sujeito passivo"; "anular a DN, determinado que o INSS verifique a existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte prestador de serviços" (erro de conjugação do verbo no original); e "deverão ser adotados outros meios para localizar seu paradeiro". De outro modo, a decisão foi por anular a decisão notificação, e não por anular o lançamento. Ainda que se pudesse afirmar que a decisão não tenha tido a melhor técnica possível (e está se alegando isso apenas por argumentação, e não para reprovar o conteúdo decisório), o fato é que não houve nem fundamentação, nem conclusão e nem Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 10 9 acórdão determinando a anulação da NFLD, mas sim a decisão notificação, tendo sido determinado, outrossim, que o INSS adotasse as duas providências relacionadas na fundamentação (i verificação da contabilidade do prestador; e ii localização do seu paradeiro). Produziuse coisa julgada material, portanto, nesse tocante, e não coisa julgada para anular o próprio lançamento. Em sendo assim, o recurso deve ser desprovido nesse particular. Contudo, e como dito, a decisão transitada em julgado foi no sentido de determinar que o INSS localizasse o endereço do prestador e verificasse a sua contabilidade. No entender do CRPS, a falta de verificação da contabilidade do prestador poderia ensejar o lançamento de contribuição em duplicidade, como deixa claro o seguinte parágrafo da fundamentação do voto condutor do acórdão: A despeito disso, o relatório de diligência fiscal de fl. 191 do pdf revela que "não houve ação fiscal com exame da contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta, conforme cópias anexadas às fls. 172 a 173" (destaques do original). É importante observar que se determinou, expressa e literalmente, o exame da contabilidade da empresa prestadora, não bastando, pois, a análise do conta corrente junto aos sistemas da SRFB, do fisco previdenciário, etc. A decisão do Conselho transitou em julgado e essa questão não poderia ter sido redecidida pela DRJ/RJ1. É bem verdade, registrese, que esse entendimento do CRPS acabou sendo superado ao longo do tempo, mas não neste PAF, no qual ele transitou em julgado, como se depreende do exame dos autos e tendo em vista que não foi conhecido o Pedido de Revisão então apresentado pela Secretaria da Receita Previdenciária. Diante do exposto, é óbvio que houve erro relacionado à própria materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, devendo Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 11 10 ser provido o recurso para cancelar o lançamento por vício material. Cabe ressaltar, nesse contexto, que o Poder Judiciário, quando da apreciação do mandado de segurança impetrado para propiciar a devolução dos depósitos recursais efetuados para viabilizar o prosseguimento daquele primeiro apelo, fez constar a seguinte afirmação, que corrobora a verdade do que foi exposto: Entendeuse, inclusive, e até com certo desacerto, que o sujeito passivo teria tido êxito em desconstituir o crédito tributário, o que serviu de fundamento para a devolução do depósito efetuado. Vejase: Em síntese, o lançamento permaneceu com o mesmo vício apontado pelo CRPS, vício este relacionado à própria materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, lembrando que vício formal é mácula inerente ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito, ao passo que vício material é aquele relativo à validade e à incidência da lei. Vejase, nesse sentido, a doutrina de Leandro Paulsen1: Os vícios formais são aqueles atinentes aos procedimentos e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e incidência da lei. No caso in concreto, como houve vício relativo à materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, houve vício na incidência da lei, não se vislumbrando simples erro de forma (incompetência da autoridade lançadora, incorreção do documento que formalizou o lançamento, etc). Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, ESMAFE, 2008, p. 1164. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 12 11 A inobservância de tal norma implica, indubitavelmente, vício de natureza material, e não meramente formal. Deste Colegiado, vale transcrever o seguinte julgado: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL X MATERIAL. AUTUAÇÃO SUBSTITUTIVA. ALTERAÇÃO MATÉRIA TRIBUTÁVEL. NOVO LANÇAMENTO. NÃO APLICAÇÃO ARTIGO 173, II, CTN.Na hipótese vertente, declarada a insubsistência da execução fiscal, diante da ausência de liquidez e certeza da CDA, em razão da inclusão indevida de segurados ao Regime Geral da Previdência Social, não se cogita em vício formal, mas, sim, material, em razão da mácula na necessária descrição clara e precisa do fato gerador e matéria tributável das contribuições previdenciárias lançadas, o que afasta de plano a aplicação do artigo 173, inciso II, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, constatouse a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4º ou 173, do CTN). Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2402005.189, Rel. Lourenço Ferreira do Prado, sessão de 12 de abril de 2016) Passase a analisar as demais matérias suscitadas em grau recursal, caso este relator seja vencido neste ponto. 3 Da decadência A recorrente afirma que em 23/01/2008, a autoridade administrativa teria praticado ato de cobrança, relativo a tributos cujos fatos geradores ocorreram em 01/1999, o que configuraria decadência. Todavia, e como já esclarecido, não houve a constituição do crédito tributário em 23/01/2008, uma vez que o CRPS não anulou o lançamento efetuado em 25/09/2002, constituído mediante NFLD, mas apenas determinou que o INSS analisasse a contabilidade da prestadora e diligenciasse no seu endereço. Houve, então, mera diligência determinada em decisão transitada em julgado no Conselho e determinação para que o sujeito passivo se manifestasse no prazo de trinta dias. Em sendo assim, deve ser rejeitada a alegação de decadência. 4 Da impossibilidade de revisão do lançamento Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 13 12 A recorrente assevera que seria impossível procederse à revisão do lançamento. Entretanto, e diferentemente do que alega a recorrente, não chegou a haver novo lançamento. É bem verdade que, no entender deste conselheiro, o órgão julgador não tem competência para alterar ou reformar os critérios jurídicos que embasaram o ato de constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa. A competência do órgão de julgamento é apenas no sentido de confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrido, a exemplo do que determina o art. 64 da Lei 9784/99. Mas, no caso concreto, efetivamente não houve um novo lançamento e é descabida a menção ao art. 149 do CTN. O que houve, como já demonstrado, foi uma anulação de uma decisão pelo CRPS com determinação de diligência, decisão contra a qual a recorrente não chegou a se insurgir. Negase, pois, provimento ao recurso voluntário neste particular. 5 Da inexistência de cessão de mão de obra O sujeito passivo reafirma os fundamentos de sua defesa, sustentando a tese de que não teria havido cessão de mão de obra. Analisandose o singelo relatório fiscal, observase que a fiscalização não comprovou que os serviços contratados pela empresa tenham sido executados mediante cessão de mão de obra. Em janeiro de 1999, época dos fatos geradores, o art. 31 tinha a redação da Lei 9528/972, e assim dispunha: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, 2 A Lei 9711/98, que alterou a redação do art. 31, somente produziu efeitos a partir de 1º de fevereiro de 1999 (Art. 29. O art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, produzirá efeitos a partir de 1o de fevereiro de 1999, ficando mantida, até aquela data, a responsabilidade solidária na forma da legislação anterior) e foi posteriormente revogada. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 14 13 em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). A interpretação do § 2º encimado revela que somente ocorre cessão de mão de obra quando se coloca à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da forma de contratação. Em tal situação, os segurados são cedidos à empresa contratante em caráter não eventual ("colocação à disposição do contratante") e de forma contínua ("segurados que realizem serviços contínuos"), de tal maneira que a cessionária passará a dirigirlhes as atividades, respeitados os limites do contrato de cessão. Por essa razão, e por motivos de técnica tributária arrecadatória, atualmente a empresa beneficiária da prestação dos serviços prestados pelos segurados da empresa cedente fica obrigada a proceder à retenção/antecipação de parte dos valores devidos, à alíquota de 11%; e à época dos fatos geradores a legislação estabelecia que o contratante respondia solidariamente com o executor. Ao fazer o lançamento das contribuições devidas a esse título, portanto, a autoridade fiscal deve demonstrar que os segurados foram efetivamente cedidos à empresa contratante de forma não eventual e contínua, a fim de prestarlhe os serviços, nas dependências da própria contratante ou nas de terceiros, e não nas dependências da própria empresa cedente. Com efeito, o art. 142 do Código Tributário Nacional impõe à autoridade administrativa a obrigação de verificar, isto é, de relatar e demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, devendo, ainda, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Quanto ao dever imposto ao Fisco de demonstrar a existência efetiva de cessão de mão de obra, confirase o seguinte precedente deste CARF: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODE OBRA Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 15 14 É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. (CARF, PAF 11330.000963/200772, Acórdão 2201003.412, Redator Carlos Henrique de Oliveira, julgado em 07/02/2017) ......................................................................................................... Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Anocalendário: 2009, 2010 [...] CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃODEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, PAF 19311.720414/201134, Acórdão 9202004.404, Relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 25/08/2016) Deste Colegiado, vale citar o seguinte precedente, julgado por unanimidade: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. RETENÇÃO 11%. INEXISTÊNCIA COMPROVAÇÃO CESSÃO DE MÃODEOBRA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. Somente na hipótese em que restar devidamente comprovada pela autoridade lançadora à prestação dos serviços mediante cessão de mãodeobra, será devida pela empresa contratante a retenção de 11% de que trata o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, devendo o fiscal autuante demonstrar de maneira pormenorizada/individualizada os serviços executados com o respectivo enquadramento nos casos previstos no rol constante do artigo 219, § 2º, do Decreto nº 3.048/99, sob pena da Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 16 15 improcedência do lançamento, em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo.Recurso Voluntário Provido. (CARF, PAF 10510.004019/200975, Acórdão 2402005.003, julgado em 16/02/2016, Relator Lourenço Ferreira do Prado) Neste caso concreto, contudo, a autoridade administrativa não se dignou de demonstrar o fato gerador das contribuições. O agente lançador apenas relacionou os contratos que, no seu entender, caracterizariam a cessão, sem ter tido o cuidado de efetivamente caracterizála. Vejase o contido no relatório fiscal, onde a administração fazendária enumera os contratos de serviços de correção de vazamentos em tubulações e acessórios e manutenção em purgadores e de serviços de manutenção em caldeiraria, tubulações, equipamentos, etc: Em nenhum momento, o agente fiscal sequer afirmou que os segurados das empresas contratadas foram cedidos à empresa contratante em caráter não eventual e de forma contínua. Diante da falta de demonstração da efetiva cessão dos trabalhadores, podese afirmar que os contratos acima são típicos contratos de prestação de serviços, os quais, de acordo com o Código Civil brasileiro, naturalmente implicam a realização de um trabalho lícito, material ou imaterial, mediante retribuição (art. 594). A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, de forma que é dever inafastável da autoridade fiscal o empreendimento de todos os esforços na determinação do critério material do fato gerador da obrigação tributária (ou critério material da regra matriz de incidência). Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 17 16 É nesse contexto que o art. 25 do Decreto 7574/2011 determina que os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Destarte, e em função da descrição deficiente do fato gerador das contribuições, isto é, da insuficiente narração da materialidade do fato jurídico tributário, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Se porventura este relator for vencido neste ponto, passase à análise das demais matérias recursais. 6 Da inexistência de solidariedade A própria contribuinte reconhece a existência de solidariedade legal no período lançado, mas afirma que não teria havido prévia configuração da obrigação junto ao contribuinte originário. Como já afirmado, essa questão foi previamente decidida pelo CRPS e se encontra sob o abrigo da coisa julgada. Realmente se decidiu que haveria necessidade de averiguação na contabilidade do prestador e de verificação no seu endereço. Todavia, caso o colegiado entenda que não houve produção de coisa julgada administrativa e que é necessária a (re)análise dessa matéria, e considerandose que este recurso voluntário constituise em paradigma, cabe afirmar o seguinte: Até a edição da Lei 9711/98, a legislação determinava que o contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, respondia solidariamente com o prestador pelas obrigações para com a seguridade social. Com a edição da citada lei, com vigência a partir de fevereiro de 1999, a empresa contratante passou a ser obrigada a reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida. Para ilustrar, transcrevese o art. 31 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 9528/97, aplicável ao fato gerador lançado neste PAF (janeiro de 1999): Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). É inquestionável, e a própria contribuinte reconhece, que a norma retro mencionada estabelecia a solidariedade entre o tomador e o prestador, de tal forma que o afastamento dessa modalidade de sujeição passiva tributária necessitaria de Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 18 17 declaração de ilegalidade do art. 31, o que é defeso na esfera administrativa (e.g., Súmula CARF 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). A tese recursal, portanto, e isto está claramente definido, é que seria imprescindível a verificação da falta de recolhimento no prestador. Pois bem. O CTN, em seu art. 121, parágrafo único, prevê duas espécies de sujeitos passivos: (1) o contribuinte, que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador da obrigação; e (2) o responsável, o qual está obrigado por expressa previsão legal. No tocante ao responsável, o art. 128 do Código preleciona que sua obrigação deve necessariamente decorrer de sua vinculação com o fato gerador. Solidariamente obrigado, portanto, é aquele que tem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou aquele expressamente designado por lei, ex vi dos incs. I e II do art. 124. Muito embora costumeiramente se denomine o solidariamente obrigado como responsável solidário, fato é que o Código, até mesmo por sua tipologia e pela disposição de seus artigos, estabelece uma clara diferenciação entre tais institutos. A solidariedade é tratada nos arts. 124 e 125, enquanto a responsabilidade é regrada em capítulo próprio, e nos arts. 128 e seguintes. Conquanto a solidariedade tenha o efeito de responsabilizar/obrigar o sujeito ao pagamento do crédito tributário (sob o ponto de vista do direito das obrigações, o Código Civil, em seu art. 391, preceitua que pelo inadimplemento das obrigações "respondem" todos os bens do devedor), é iniludível que o CTN distinguiu as figuras (a) do contribuinte, (b) do responsável e (c) do solidariamente obrigado. É importante frisar, ainda, que enquanto a solidariedade pressupõe o interesse comum na obrigação principal (e veja que não se trata de mero interesse, mas sim de interesse comum na própria obrigação), ou a expressa indicação em lei (a exemplo do art. 31 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 9528/97), a responsabilidade tributária pressupõe simples vinculação com o fato gerador da respectiva obrigação. A extensão da relação jurídicotributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à solidariedade ou à responsabilidade. Dito de outra forma, a solidariedade ou a responsabilidade pressupõem a regra matriz de incidência e a regra matriz de solidariedade ou responsabilidade, cada uma Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 19 18 com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, solidários, responsáveis, etc). No caso vertente, e conforme já afirmado, a solidariedade do cessionário decorria de expressa disposição legal (art. 31 da Lei 8212/91, em sua redação anterior). Naturalmente, o contribuinte das exações seria o prestador dos serviços, na condição de empregador da mão de obra. Daí se segue que, para a caracterização da solidariedade, primeiramente seria necessária a constituição do crédito tributário ou a verificação da falta de recolhimento naquele que ostentava a posição natural de contribuinte o prestador. Lembrese, o cessionário não era o empregador da mão de obra e, consequentemente, não era o contribuinte das exações decorrentes do seu emprego, e a sua obrigação decorria de expressa disposição de lei, e não de sua vinculação direta com o fato gerador (essa expressa vinculação somente ocorre quando o chamado solidário realmente ostenta a posição de contribuinte, praticando igualmente o fato jurídico tributário, a exemplo de um condômino de um imóvel urbano em relação ao IPTU). Uma vez que a fiscalização não se dignou de verificar a falta de recolhimento no alegado cedente da mão de obra, deve ser provido o recurso, a fim cancelar o crédito tributário contra ela constituído. Essa interpretação está de acordo com o entendimento da Primeira e da Segunda Turma do STJ, conforme precedentes abaixo com destaques: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. AFERIÇÃO INDIRETA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. IMPOSSIBILIDADE. ART. 124 DO CTN. CONSTITUIÇÃO VÁLIDA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 83/STJ 1. Tratase de demanda referente à contribuições previdenciárias relativas ao período de 11/1996 a 07/1997, 01/1999 a 06/2001 e 01/1999 a 05/2000. Quanto aos Fatos Geradores ocorridos antes da Lei 9.711/1998, aplicase o art. 31 da 8.212/1991 na sua redação original. Após o dia 1º.02.1999, adotase a redação dada pela Lei 9.711/1998. 2. o acórdão recorrido não nega a existência de responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições entre tomadora e prestadora dos serviços. O que sustenta o acórdão é que a responsabilidade solidária supõe a existência de regular constituição do crédito tributário, que não teria ocorrido. In casu, como bem fundamentou o acórdão recorrido, a constituição do crédito tributário, referente ao período anterior a 1º.02.1999, não poderia ser feita por meio da aferição Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 20 19 indireta nas contas do tomador dos serviços. Precedentes: REsp 1.175.075/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.5.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10.6.2011; REsp 1.174.976/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 11.5.2010. 3. Dessumese que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ. 4. Acrescentese que, nos contratos de cessão de mão de obra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/91, não comportando benefício de ordem, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Precedentes: AgRg no REsp 1.213.709/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.12.2012, DJe 8.02.2013; REsp 1.281.134/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 13.12.2011, DJe 19.12.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7.6.2011, DJe 10.6.2011. 5. Por fim, constatase que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13.8.2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28.6.2007. 6. Recursos Especiais não providos. (REsp 1518887/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 30/06/2015) ......................................................................................................... PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE DE SERVIÇOS EXECUTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. 1. O Tribunal regional não afastou a responsabilidade solidária entre o prestador do serviço e o contratante, apenas reconheceu que cabe ao Fisco, em primeiro lugar, verificar a contabilidade da prestadora de serviços e se houve ou não recolhimento da contribuição previdenciária, para, então, constituir o crédito Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 21 20 tributário. Efetivamente, o sujeito passivo da obrigação tributária é a prestadora de serviços, razão por que não há como afastar a obrigação do Fisco de primeiro verificar a sua contabilidade e se houve recolhimento ou não recolhimento da contribuição previdenciária. Tal fato, no entanto, não exclui a solidariedade entre a empresa contratante e a cedente de mão de obra. O óbice à cobrança intentada pela Fazenda Pública é tão somente a forma utilizada para apurar o crédito tributário. 2. Precedentes: REsp 1212832/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 19.11.2010; AgRg no REsp 1142065/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10.6.2011; e REsp 939.189/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJe 23.11.2009. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 202.293/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2012, DJe 25/09/2012) ................................................................................................. DIREITO TRIBUTÁRIO. FISCALIZAÇÃO DA CONTABILIDADE DA PRESTADORA DE SERVIÇOS COMO PRESSUPOSTO PARA O RECONHECIMENTO DE SOLIDARIEDADE NA FASE DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Na cobrança de contribuições previdenciárias realizada com base na redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/1991, não é lícita a autuação da tomadora de serviços sem que antes tenha havido a fiscalização da contabilidade da prestadora de serviços executados mediante cessão de mão de obra. O art. 31 da Lei n. 8.212/1991, em sua redação original, reconhece a existência de responsabilidade solidária entre o tomador e o prestador de serviços pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a cessão de mão de obra. A referida solidariedade, entretanto, ocorrerá na fase de cobrança do tributo, pressupondo, desse modo, a regular constituição do crédito tributário, cuja ocorrência, antes da vigência da Lei n. 9.711/1998 que deu nova redação ao art. 31 da Lei n. 8.212/1991 , demandava a fiscalização da contabilidade da empresa prestadora dos serviços demão de obra,devedora principal da contribuição previdenciária. Precedentes citados: AgRg no REsp 1.348.395 RJ, Segunda Turma, DJe 4/12/2012, e AgRg no REsp 1.174.800 RS, Segunda Turma, DJe 23/4/2012. (AgRg noREsp 1.194.485 ES, Rel. Min. Diva Malerbi, Desembargadora convocada do TRF 3ª Região, julgado em 26/2/2013) 7 Do erro na mensuração da base de cálculo A recorrente afirma que, nas notas fiscais, o valor relativo a materiais, insumos, máquinas, equipamentos, etc, seriam bem superiores ao valor referente à mão de obra e que somente a Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 22 21 mão de obra poderia constituirse em base de cálculo do lançamento. Realmente, em função da alínea a do inc. I do art. 195 da CF, o lançamento em referência somente poderia ter como base de cálculo a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e o próprio art. 31 da Lei 8212/91 prevê a solidariedade do tomador pelas obrigações decorrentes do custeio previdenciário "em relação aos serviços executados". Desta forma, o lançamento não poderia mesmo incidir sobre materiais, insumos, equipamentos, etc. Contudo, a recorrente não demonstrou que o lançamento incidiu sobre tais bens e as notas fiscais de prestação de serviços apenas relacionam os serviços prestados. Inclusive, nelas se verifica que o ISS (imposto incidente sobre serviços) foi calculado sobre o valor total das notas. Em sendo assim, negase provimento ao recurso neste tópico. 8 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, darlhe provimento, a fim de cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci " Voto Vencedor "Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Acompanho o Relator nas demais questões, porém, com a maxima venia, divirjo quanto ao alegado vício material no lançamento, quanto à inexistência de cessão de mão de obra e quanto à inexistência da solidariedade. Do alegado trânsito em julgado Antes de considerações outras, gostaríamos de expor o nosso entendimento quanto ao trânsito em julgado da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) que, tantas vezes, o Relator mencionou em seu voto. Em nossa ótica, se há coisa julgada em relação à decisão do CRPS, esta é apenas de cunho formal e diz respeito, unicamente, à anulação da decisão de primeira instância para outra fosse produzida em seu lugar, após a realização de diligência. Também não identificamos, no presente processo, qualquer ato que tenha entrado em conflito com a decisão do CRPS, mas, pelo contrário, a anulação da decisão de primeira instância foi Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 23 22 plenamente acatada e as providências solicitadas foram tomadas. Do alegado vício material Segundo o Relator, a anulação da decisão de primeira instância, pelo CRPS, e a determinação de realização de diligência para exame da contabilidade da empresa prestadora teriam apontado a ocorrência de erro relacionado à materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, razão pela qual decidiu por cancelar o lançamento por vício material. Porém, não comungamos desse entendimento. Compulsando o relatório fiscal, constatase que a fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições com base nas notas fiscais emitidas pelo prestador, em estrita observância à legislação de regência e fundamentando o procedimento nos arts. 31 e 33 da Lei 8.212, de 24/7/91, no art. 124 do Código Tributário Nacional3 (CTN) e na Instrução Normativa INSS/DC nº 70, de 10/5/02. Ademais, segundo bem apontado pelo Relator do voto vencido, constante do acórdão proferido pelo CRPS, o procedimento fiscal também estaria amparado no Parecer/CJ nº 2.376, de 21/12/2000: Inicialmente cabe situar que o instituto da solidariedade quanto às contribuições previdenciárias estava previsto no art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação anterior à edição da MP 1.663/98, convertida na Lei 9.711/99, vejamos: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. (Grifo no original) Frente ao dispositivo legal retro, surgiram indagações acerca da necessidade do INSS lançar as contribuições previdenciárias em face de um dos solidários, de ambos ou se era uma faculdade do Instituto. Com vistas à solução da controvérsia, a então Diretoria de Arrecadação submeteu consulta à Consultoria Jurídica do MPS, sendo proferido o Parecer/CJ N° 2.376, o qual possui a seguinte Ementa: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PREVIDENCIÁRIO. SOLIDARIEDADE PASSIVA NOS CASOS DE CONTRATAÇÃO DE EMPRESAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTOS. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária é uma só e o fisco pode cobrar o seu crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário. Não há ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação. (Grifo no original) 3 Lei 5.172, de 25/10/66. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 24 23 A simples leitura dessa Ementa transmite a idéia de que ao INSS foi atribuído o poder de escolha sobre quem e quantos lançamentos efetivamente podem ser efetivados no caso da solidariedade. Como se vê, além do suporte na citada legislação, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) consultou a Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS), tendo esta asseverado que o Fisco poderia cobrar o crédito tanto do contribuinte, quanto do responsável tributário, e que não haveria ocorrência de duplicidade de lançamento, nem de bis in idem e nem de crime de excesso de exação. Pois bem, vejamos, agora, o que restou consignado no voto condutor do acórdão proferido pelo CRPS: 2ª CaJ Segunda Câmara de Julgamento [...] A Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/ CGARRREC n° 006/2000, de 02 DEZ 2002, em especial o item 5.17, estabelece que: 5.17 A apuração do crédito com base na documentação do contribuinte deve prevalecer à realizada por arbitramento no responsável solidário, quando for pleiteada por qualquer dos devedores em fase processual própria. Se analisarmos as mudanças nos procedimentos do INSS, que decorrem, inclusive, das recomendações contidas no Parecer CJ/MPAS 2.376/2000, que consta do preâmbulo do ato normativo mencionado, vemos uma preocupação em se evitar os lançamentos em duplicidade, ou ainda, a exigência de contribuições já recolhidas e é, dentro dessa ótica, que deve ser lido o mencionado no item 5.17. [...] Isso posto, entendo que o INSS deve apresentar elementos, com base na contabilidade do contribuinte, que justifique o procedimento adotado. Assim não vejo outro desfecho senão anular a DN, determinado que o INSS verifique a existência do crédito lançado na contabilidade do contribuinte prestador dos serviços. Conforme se observa, mesmo não tendo apontado qualquer mácula no lançamento, a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS decidiu anular a decisão de primeira instância, tomando por base o item 5.17 da Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/ CGARRREC n° 006/2000, de 2/12/02, segundo o qual a apuração, com base na documentação do contribuinte, deveria prevalecer à realizada por arbitramento no responsável solidário, quando fosse pleiteada por qualquer dos responsáveis, em fase processual. Lembrando que tal Circular Conjunta é posterior ao lançamento. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 25 24 Dessa forma, apesar do prestador ter sido notificado do lançamento, com abertura de prazo para defesa e não ter se manifestado, o CRPS entendeu que o INSS, mesmo assim, deveria ter buscado examinar a contabilidade do prestador, antes de proferir a decisão de primeira instância, concluindo, assim, pela sua anulação, para que fosse produzida nova decisão, após a realização de diligência no prestador. A preocupação manifestada pelo CRPS, segundo se observa no seguinte trecho do voto condutor do seu acórdão, era de que a fiscalização do INSS pudesse ter efetuado o lançamento em duplicidade, ou seja, tanto no tomador quanto no prestador: Ainda outro dia quando julgávamos NFLD's lavradas contra a própria Petrobrás, nos deparamos com a NFLD DEBCAD n° 35.396.3538, que constituiu de crédito previdenciário por solidariedade no valor de R$ 2.445.610,67, decorrente de serviço realizado entre 01 a 04 e 06.99 (cinco competências). Na oportunidade tivemos conhecimento que o consórcio prestador dos serviços havia sido fiscalizado por livro diário, no período de 02.98 a 05.2000 (vinte e oito competências), sendo constituído crédito previdenciário no valor de R$ 57.549,78 (duas NFLD's DEBCAD: n.°35.131.5241 e n° 35.172.8961). Infelizmente sou obrigado a admitir que a situação narrada não foi um caso isolado, posto que diversos outros casos semelhantes podem ser apontados. A mesma preocupação também é verificada nos itens 26 e 27 do já citado Parecer/CJ n° 2.376/2000: 26. Em relação à arrecadação fiscal, temos que o mesmo fato gerador da obrigação tributária deve sempre constar do mesmo débito, evitandose, assim, que a mesma obrigação seja cobrada duas vezes em duas NFLD distintas, uma em relação ao contribuinte e outra em relação ao responsável tributário. Portanto, em cada NFLD deve constar o nome não só do contribuinte como também de todos os responsáveis tributários. 27. A Arrecadação não deve lançar, sobre o mesmo fato gerador, duas NFLD, uma contra o contribuinte e outra contra o responsável. Pois bem, encaminhados os autos à Secretaria da Receita Federal do Brasil4 (RFB), esta realizou a diligência requerida, mediante pesquisa em seus sistemas informatizados, constatando que “não houve ação fiscal com exame da contabilidade [no prestador dos serviços] englobando o período referente ao lançamento em pauta”, o que demonstra a observância do presente lançamento ao item 27 do Parecer/CJ nº 2.376/2000. Na sequência, a RFB procedeu à intimação do solidário e do prestador, quanto ao resultado da diligência, porém, nenhum dos dois apresentou manifestação, sendo que no caso do 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil foi criada em 2/5/07, como resultado da fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária. Vide Lei 11.457, de 16/3/07. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 26 25 prestador, a intimação, que tinha sido enviada por via postal, voltou com a informação de que o destinatário havia mudado de endereço e, dessa forma, tendo em vista que o prestador se encontrava em lugar incerto e ignorado, procedeuse à sua intimação por edital. Portanto, diante do quadro que se apresenta, não restou evidenciado qualquer vício material no lançamento efetuado, em especial quanto à materialidade do fato gerador e à sua base de cálculo, motivo pelo qual concluímos pela sua manutenção. Da cessão de mão de obra O Recorrente alega que a fiscalização não teria especificado “onde estaria devidamente caracterizada essa hipotética cessão de mão de obra”, bem como que não teria ocorrido a prestação de serviço contínuo e nem a colocação de empregados à sua disposição. Em seu voto, o Relator acolheu essas alegações recursais, argumentando, ainda, que a fiscalização não teria demonstrado a “efetiva cessão de trabalhadores” e, desse modo, não haveria suficiente “narração da materialidade do fato jurídico tributário”, concluindo pelo provimento ao recurso voluntário e cancelamento do crédito lançado. Pois bem, em que pese a defesa e seu acolhimento pelo Relator, em nosso entendimento, a argumentação deduzida não merece guarida. O art. 31, § 2º, da Lei 8.212/91, trazia a seguinte definição para a cessão de mão de obra, em sua redação vigente ao tempo dos fatos (01/1999): Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [...] § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). (Grifo nosso) O relatório fiscal, por sua vez, é muito claro ao informar que a “empresa contratou com a empresa prestadora [...] a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra (sic)”, em Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 27 26 cumprimento aos contratos 295.2.003.988 e 295.2.004.980, trazendo, ainda, as seguintes informações quanto ao objeto dos contratos e quanto ao prazo para a sua execução, além de apontar evidências que, em seu entendimento, caracterizariam a cessão de mão de obra: 5.1 Contrato: 295.2.003.988 Serviços de correção de vazamentos em tubulações e acessórios e manutenção em purgadores para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas REPAR. Caracterizada a CMO em função das seguintes evidências: Prazo de realização do contrato 730 dias (cláusula 4) Prazo de 30 dias p/ substituição de empregado qualificado (anexo IV item 6.2.3.2) Definição de qualificação para os oficiais de caldeiraria (anexo IV item 6.2.3); 5.2 Contrato: 295.2.004.980 Serviços de manutenção da caldeiraria, tubulações, equipamentos, isolamento térmico no âmbito da Refinaria Presidente Getúlio Vargas REPAR e no Terminal Marítimo da Divisão de Movimentação (DMO V) em Paranaguá/PR. Caracterizada a CMO em função das seguintes evidências: Prazo de realização do contrato 730 dias (cláusula 4) Requisitos de Qualidade com definição de equipe mínima (anexo V item 3.3). Como se percebe, esses contratos se referem a prestação de serviços de manutenção em caldeiras, tubulações, equipamentos, purgadores e isolamento térmico na Refinaria Presidente Getúlio Vargas, executados por trabalhadores com qualificações específicas e com prazo de realização de 2 (dois) anos. Devemos observar, ainda, que o contrato 295.2.003.988 estabeleceu prazo de 30 (trinta) dias para que a empresa prestadora substituísse empregado qualificado, obviamente, empregado que, por algum motivo, deixasse de prestar o serviço. Portanto, além dos apontamentos feitos pela fiscalização, não vemos como seria possível os serviços contratados e pelo prazo contratado terem sido realizados sem que trabalhadores tivessem ficado à disposição da refinaria e de forma contínua. Sendo assim, nego provimento ao recurso quanto à alegada inexistência de cessão de mão de obra. Da solidariedade Quanto a esse ponto, alega o Recorrente que a solidariedade exige a configuração prévia da dívida ou obrigação e que inexistindo apuração do débito contra o devedor originário (a empresa prestadora), não pode o Fisco cobrar tal débito da empresa tomadora dos serviços. Acompanhando a defesa, o Relator argumenta que a fiscalização não teria se dignado a verificar a falta de recolhimento no Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 28 27 cedente da mão de obra, e, dessa forma, deu provimento ao recurso, a fim cancelar o crédito tributário em análise. Pois bem, a responsabilidade solidária, objeto do presente lançamento, está prevista no art. 31, da lei 8.212/91, e não comporta benefício de ordem, segundo dispõe o art. 124, § único do CTN. Dessa forma, o valor apurado pela fiscalização pode ser cobrado tanto do tomador dos serviços, quanto do prestador, o que confere maior garantia ao crédito previdenciário. Assim dispunha o art. 31, da Lei 8.212/91, na competência de 01/1999: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.1997). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Como se vê nos dispositivos acima transcritos, o tomador de serviços, executados mediante cessão de mão de obra, devia exigir do prestador cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento, e tais documentos elidiriam a responsabilidade solidária, porém, no caso em tela, o Recorrente (tomador dos serviços) deixou de apresentar esses Fl. 277DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 29 28 documentos à fiscalização, conforme se observa no seguinte excerto extraído do relatório fiscal: 10 Assim, não tendo a empresa contratante e tomadora, ora fiscalizada, apresentado os documentos suficientes de modo a elidir a solidariedade; sendo a empresa contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra solidária com a empresa contratada e executara dos serviços contratados, pelo cumprimento das obrigações desta para com a Seguridade Social; e sabedores de que o instituto da solidariedade, em matéria tributária, não comporta benefício de ordem; o débito foi lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.521.1157. Desse modo, com base no valor das notas fiscais emitidas pelo prestador dos serviços, a fiscalização procedeu à apuração das contribuições devidas, seguindo o critério de aferição previsto no art. 63 e seguintes da Instrução Normativa INSS/DC nº 70, de 10/5/02, donde se conclui que o crédito foi devidamente (e previamente) constituído e corresponde, sim, a um crédito devido pelo prestador dos serviços (devedor original), mas que foi lançado em nome do Recorrente, por solidariedade, estando, pois, em perfeita sintonia com a legislação. Ponderese que o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade e, portanto, cumpria aos responsáveis pelo crédito lançado o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não aconteceu, pois, como visto, o tomador não apresentou os documentos que, por lei, deveria ter exigido do tomador, e este, por sua vez, ao ser intimado do lançamento e chamado para se manifestar, mantevese silente, sendo que na última tentativa de intimação, por via postal, sequer foi localizado, estando, pois, em lugar incerto e ignorado. Portanto, se a responsabilidade solidária visa conferir maior garantia ao crédito previdenciário, está cumprindo bem o seu papel, no caso em questão. Sendo assim, temse por afastada a alegação de inexistência de solidariedade. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator designado" Declaração de Voto "A Conselheira Renata Toratti Cassini declinou da intenção de apresentar Declaração de Voto." Fl. 278DF CARF MF Processo nº 11330.000083/200704 Acórdão n.º 2402006.259 S2C4T2 Fl. 30 29 Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Mario Pereira de Pinho Filho Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.731211/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF.
Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2008 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2301-005.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO-CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano-calendário de 2008 aplica-se o regime de competência, calculando-se o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ANO CALENDÁRIO DE 2008. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIAS DO CARF. Aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) recebidos no ano calendário de 2008 aplicase o regime de competência, calculandose o imposto de renda com base nas tabelas vigentes a cada mês a que se refere o rendimento. Aplicação do entendimento manifesto pelo STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 12 11 /2 01 1- 29 Fl. 65DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física (efls. 26 a 29), exercício de 2009, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Anual no qual se apurou omissão de rendimentos. O sujeito passivo impugnou a exigência alegando trataremse de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e que, nessa condição, deveriam ser tributados exclusivamente na fonte, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011. Sustentou que, por ser norma de caráter interpretativo, deveria ter aplicação retroativa, com fundamento no art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Subsidiariamente, pugnou pela aplicação do entendimento judicial pacificado sobre o tema. A impugnação foi julgada improcedente sob o argumento de que a tributação exclusivamente na fonte de RRA somente passou a viger a partir dos rendimentos percebidos a partir de 28 de julho de 2010. Em se tratando de rendimento recebidos em 2008, a regra aplicável seria o art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, os rendimentos deveriam ser tributados no mês do recebimento ou crédito dos valores. Foi manejado o recurso voluntário no qual o recorrente insistiu na aplicação do entendimento consubstanciado no REsp nº 1.118.429/SP para, assim, aplicarse no cálculo as tabelas do Imposto de Renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. A matéria foi inúmeras vezes apreciada por este conselho1 . Sem desnecessária delonga, e consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF2, que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 1 Precedentes nos acórdãos nºs. 9202003.518, 2301004.658, 2202004.521, 2801003.713, 9202007.006. 2 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10580.731211/201129 Acórdão n.º 2301005.692 S2C3T1 Fl. 66 3 João Maurício Vital Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903129/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 29 /2 00 9- 21 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.903129/200921 Acórdão n.º 3301005.391 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1427.880, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13888.903129/200921 Acórdão n.º 3301005.391 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13888.903129/200921 Acórdão n.º 3301005.391 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13888.903129/200921 Acórdão n.º 3301005.391 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13888.903129/200921 Acórdão n.º 3301005.391 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13888.903129/200921 Acórdão n.º 3301005.391 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.904392/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.544
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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ICMS BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS. Recorrente CITROSUCO S/A AGROINDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição indeferido por despacho decisório eletrônico, vez que o valor do DARF teria sido utilizado integralmente para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14045329. Intimada desta decisão a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 04 39 2/ 20 11 -7 0 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13851.904392/201170 Resolução nº 3402001.544 S3C4T2 Fl. 153 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98 e na não incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (ii) que as provas anexadas na Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, sendo descabida a afirmação da r. decisão recorrida no sentido de que a produção de provas estaria preclusa. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.537, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902716/201216, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.537): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98 e a não inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, especificamente quanto ao período de apuração de 04/2003. Observese a Recorrente acostou aos autos memória de cálculo do crédito, identificando as contas contábeis nas quais respalda o seu crédito. Contudo, esses documentos não foram apreciados pela r. decisão recorrida sob o argumento de que teriam apenas valor indicativo: "Em relação aos elementos de prova, somente se constituem em excertos de livros contábeis ou fiscais se demonstrada a observância das formalidades (termos e abertura e encerramento, e, no caso de Livro Diário, autenticação), previstas no art. 5º, § 2º, do Decreto Lei nº 486, de 1969, e no art. 6º do Decreto nº 64.567, de 1969, a seguir transcritos: (...) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13851.904392/201170 Resolução nº 3402001.544 S3C4T2 Fl. 154 3 No caso dos documentos juntados aos autos pela interessada, constatase que não cumprem tais formalidades. Em suma, os documentos apresentados, embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos dos artigos acima transcritos. Além disso, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado, resultante da aplicação da alíquota da contribuição sobre a base de cálculo efetivamente apurada na contabilidade, nos termos do artigo 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977, acima transcrito." (efl. 111) Assim, os documentos apresentados pelo contribuinte para respaldar seu crédito não foram analisados pela fiscalização. Visando sanar a questão meramente formal apontada pela r. decisão, o contribuinte acostou aos autos, no Recurso Voluntário, os termos de abertura e encerramento do livro razão. Cumpre mencionar que o presente processo envolve duas teses distintas. Primeiro, quanto à extensão do conceito de receita da Lei n.º 9.718/98. Neste ponto, devidamente indicou a r. decisão recorrida, com base nos julgamento do Supremo Tribunal Federal, que "externe de dúvida que, na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS, somente deveriam ter sido considerados pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, isto é, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços." Além disso, discutese ainda a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. E é do conhecimento deste colegiado que o Supremo Tribunal Federal julgou esta tese no Recurso Extraordinário n.º 574.706, em sede de repercussão geral, no sentido de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins": "EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13851.904392/201170 Resolução nº 3402001.544 S3C4T2 Fl. 155 4 aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS." (RE 574706, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, Acórdão eletrônico DJe223 Divulgado 29/09/2017 publicado 02/10/2017 grifei) Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, segregando na memória de cálculo os valores relacionados às duas teses, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório fiscal avaliando a validade da memória de cálculo do crédito apresentada pelo contribuinte, identificando: (i) se as parcelas relacionadas como "OUTRAS RECEITAS" não se enquadram no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos); e (ii) a sistemática adotada para o cálculo do ICMS excluído da base de cálculo da COFINS à luz do entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13851.904392/201170 Resolução nº 3402001.544 S3C4T2 Fl. 156 5 alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara/SP): (i) intime a Recorrente a apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) identificar qual a sistemática adotada pelo contribuinte para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, avaliando o valor de crédito do tributo passível de ser reconhecido ao contribuinte caso se adote o entendimento majoritário firmado no julgamento Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13851.904392/201170 Resolução nº 3402001.544 S3C4T2 Fl. 157 6 do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907339/2008-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 351 1 350 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.907339/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.888 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente IMANTEC INSTALACAO E MANUTENCAO TECNICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 73 39 /2 00 8- 46 Fl. 351DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PERDCOMP) 23573.48734.240904.1.3.042920 (efls. 11/15), de 24/09/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ 2089, PA: 30/09/1999). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 775490443 (efl. 16), que analisou as informações e averbou que o pagamento foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0225.956 4ª Turma da DRJ/BHE, efls. 28/32). Assim dispôs em relatório aquela decisão de primeira instância: Ciente em 30 de julho de 2008, conforme aviso de recebimento de fls. 15, a interessada apresentou, em 28 de agosto de 2008, a manifestação de inconformidade de fl. 1, alegando tão somente que “os débitos apresentados fiaram compensados com recolhimentos a maior calculados com base de cálculo de 32% sendo a correta 8%. Por um lapso somente no dia 04/08/2008 foram transmitidas as DCTF 's retificadoras.” Para instrução dos autos, foram juntados os seguintes documentos: Declaração de Compensação n° 23573.48734.240904.1.3.042920 (fls. 7/9) e cópia do recibo de entrega de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTFS, correspondentes aos quatro trimestres de 1999, recepcionadas em 04/08/2008 (fls. 11/14). É o relatório. A mesma decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito. Adicionalmente a decisão recorrida dispôs que os valores pagos correspondem aos débitos (PA: 2° trimestre de 1999) confessados na DCTF válida entregue em 26/04/2004: (...) Nas DCTFs n° 41847768 e 21931015, apresentadas em 26/04/2004, e válidas por ocasião da transmissão da DCOMP 23573.48734.240904.1.3.042920, a contribuinte declarou que o IRPJ apurado para o terceiro trimestre de 1999, no valor de R$ 10.801,67, seria pago em três cotas de R$ 3.600,56 (docs. fls. 17/19, ora juntados). Para esse período, de acordo com tela do sistama Sinal06 (fls 20), sob o código 2089: foram efetuados três pagamentos, em 29/10/1999, 29/11/1999 e 29/12/1999, sendo aquele efetuado em 29/1 1/1999 o pagamento relativamente ao qual a impugnante pleiteia o direito creditório. (...) Como visto, de acordo com o art. 16, III e § 4°, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, cabe à impugnante o ônus da prova. Caso não o faça, como é a situação aqui tratada, não há Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10680.907339/200846 Acórdão n.º 1001000.888 S1C0T1 Fl. 352 3 como considerar indevido o pagamento no valor de R$ 6.752,09, efetuado em 30/09/1999. Por tudo que dos autos consta, não há provas de que a contribuinte faz jus ao direito creditório que pleiteia. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/05/2010 (efl. 35) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 24/06/2010 (efl. 39), em que repete o argumento de que os recolhimentos a maior teriam sido calculados considerando uma base de cálculo de 32% sendo a correta 8%. Adiciona que na decisão recorrida sustentase: “Para justificar o erro, a contribuinte sequer menciona as atividades que exerce, e em que proporção em relação ao total as receitas correspondentes a essas atividades teriam sido auferidas”, o que facultaria a juntada de novos documentos a fim de contrapor os fatos sustentados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Observo que a DIPJ tem caráter meramente informativo, constituindose apenas num demonstrativo da apuração da base de cálculo, do imposto devido, e dos saldos a pagar ou a restituir de imposto, passível de verificação. Como a DCTF retificadora entregue em 26/04/2004, a que faz alusão a contribuinte, declara como valor do IRPJ a pagar o mesmo contido no DARF referido na PERDCOMP em questão, não restou o crédito a ser compensado que embasa este recurso. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito (considerando uma base de cálculo de 8% sendo incorreta a de 32%) não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza (e que contrariasse a DCTF referida acima), os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Fl. 353DF CARF MF 4 Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente tenta sanar sua omissão quanto à apresentação de documentos contábeis que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10680.907339/200846 Acórdão n.º 1001000.888 S1C0T1 Fl. 353 5 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo, por não trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos contábeis hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Neste sentido, e em caso que se referia também à compensação de alegados créditos fiscais, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 355DF CARF MF
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