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Numero do processo: 14098.000201/2008-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE INFORMAR EM GFIP FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração a legislação previdenciária, deixar de informar em GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias.
PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL.
No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542-B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DEIXAR DE INFORMAR EM GFIP FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração a legislação previdenciária, deixar de informar em GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias. PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 02 01 /2 00 8- 45 Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000201/200845 Acórdão n.º 2403002.239 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS, que entendeu pela parcial mantença da autuação constante no DEBCAD n. 37.174.5403 (Descumprimento de Obrigação Acessória), no valor de R$ 1.756.846,00, consolidado em 04/09/2008, referente ao período de 01/09/2003 a 31/12/2006. Os fatos foram narrados no relatório fiscal, fls. 18/21: 1 A empresa apresentou o documento a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV e § 3º, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997 (GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social), com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no caso, deixou de informar as contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à comercialização da produção própria e adquirida de terceiros e as contribuições devidas à Seguridade Social retidas pelo adquirente, na condição de subrogado, sobre o valor da comercialização do produto rural adquirida de pessoa física e segurado especial. DO PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA E REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA Inconformada com o lançamento, a empresa apresentou pedido de relevação da multa imputada no lançamento em epígrafe, fls. 25/27, por atender a todos os requisitos necessários para a sua devida concessão. A DRJ, neste caso, proferido despacho, fls. 694/697, propondo a realização de diligência a fim de que se apurasse as informações consignadas no requerimento do contribuinte. Realizada a diligência, foi formulada informação fiscal, fl. 702, na qual, em síntese, indicou que a correção da falta foi feita integralmente quanto à competência de 09/2003, porém proporcionalmente às demais competências. Ciente da informação fiscal, a empresa a contestou por meio do instrumento de fls. 711/736. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, prolatou o Acórdão n. 0426.154, fls. 1257/1277, mantendo parcialmente o lançamento, para excluir a multa proporcional à competência 09/2003, conforme ementa que abaixo segue transcrita (com equívoco no assunto), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 PREJUDICIALIDADE DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS COM RECURSO PARA O CARF O pedido de efeito suspensivo ao recurso não encontra amparo na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal Federal. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. RURAL A contribuição substitutiva do empregador rural pessoa física, e a do segurado especial, destinada à Seguridade Social, incide sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção conforme Lei 8.212/1991, art. 25. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. MERCADO EXTERNO. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. DECLARAÇÃO RETIFICADORA EM GFIP A GFIP retificadora ou complementar deve conter todo o movimento devido para aquele empregador/contribuinte e para aquela competência, bem como os registros de alteração/retificação cadastral do SFIP, se for o caso, inclusive aqueles que já foram informados na GFIP/SEFIP anterior. INFRAÇÃO. DOLO. A configuração da infração pela omissão de fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP independe da intenção do agente. Inteligência do art. 136 do Código Tributário Nacional. MULTA MAIS BENÉFICA. Sobre as contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP no ano de 2004, incide multa de ofício de 75%, nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/08, convertida na Lei 11.941/2009, desde que as multas previstas nos arts. 35 e 32 § 5º, ambos da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, não sejam mais favoráveis ao contribuinte. Aplicação do art. 106 inc. II “c” do Código Tributário Nacional. COMUNICAÇÃO PROCESSUAL Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000201/200845 Acórdão n.º 2403002.239 S2C4T3 Fl. 4 5 A comunicação processual será realizada no domicílio tributário do sujeito passivo, prévia e oportunamente cadastrado. DILAÇÃO PROBATÓRIA Pelo princípio da concentração das provas na contestação, que informa o processo administrativo fiscal, devem elas ser apresentadas com a impugnação, salvo fique demonstrada a ocorrência de motivo de força maior; decorram de fato ou direito superveniente, ou, ainda, destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 1286/1324, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Nulidade do Acórdão recorrido, em razão de ausência de fundamentação do julgado em expressamente motivar as razões que levaram a negativa do provimento da impugnação; Infundada negativa de pedido de perícia/análise dos documentos acostados para aferir a real quantidade de inexatidões constantes nas GFIP’s, em prejuízo ao contraditório e ampla defesa. Relevação da multa se acaso julgadas indevidas as contribuições discutidas nos processos de obrigação principal, de modo que as GFIP’s jamais contiveram inexatidões/omissões, nunca tendo existido liame causal que implicasse na penalidade imposta; Aplicação da legislação mais benéfica, acaso não entenda pela relevação da multa; Os valores não declarados em GFIP são indevidos, razão pela qual não há que se falar em inexatidão das declarações prestadas É o relatório. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls., tenho o recurso por tempestivo e, por estarem presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão. DO MÉRITO DOS PROCESSOS CONEXOS E SEUS REFLEXOS Cuidase o presente Auto de Infração acerca de imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória, nos termos do art. 32, V, da Lei nº. 8.212/91, com a redação vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Os dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devemse tão somente, conforme consignado no Relatório Fiscal, fl. 18, ao fato de a empresa ter deixado de informar as contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à comercialização da produção própria e adquirida de terceiros e as contribuições devidas à Seguridade Social, retidas pelo adquirente, na condição de sub rogado, sobre o valor da comercialização do produto rural adquirida de pessoa física e segurado especial. Tais contribuições não informadas em GFIP estão sendo discutidas nos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD’s 37.184.0660 (Contribuição patronal e GILRAT) e 37.184.0694 (Terceiros – SENAR), consubstanciados, respectivamente, nos Processos nº. 14098.000197/200815 e nº. 14098.000198/200860, de modo que a presente autuação encontrase diretamente relacionada aos resultados de ambas. Considerando que todos os referidos processos foram sorteados e distribuídos à minha relatoria, bem como estão postos em julgamento na mesma sessão do presente processo, e firmandome pelo entendimento de que naqueles devemse dar provimento ao Recurso Voluntário, Ademais, cumpre destacar que outras duas atuações lavradas no mesmo procedimento fiscal, na qual se discute a mesma matéria, no que concerne à obrigação principal, a saber, os processos nº. 14098.000197/200815 (DEBCAD 37.184.0660) e nº. 14098.000198/200860 (DEBCAD 37.184.0694), já foram julgados e providos por este Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000201/200845 Acórdão n.º 2403002.239 S2C4T3 Fl. 5 7 Conselho, pela 4ª Câmara / 1ª Turma desta Seção de Julgamento, para exonerar os créditos previdenciários ali contidos. No entanto, esclareçase que houve desistência parcial do contribuinte nos processos acima indicados, no que toca à parte de sua comercialização própria para o mercado interno, tendo remanescido a discussão com relação aos valores das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e exportação indireta, o que afetará o julgamento do presente recurso. Além das verbas referentes à comercialização da procuração própria, aqui também estão englobadas as contribuições das quais, segundo o fiscal, deveria a contribuinte reter por subrogação, estas compreendem o Processo n. 14098.000199/200812, conforme documento de fls. 1338/1347,trazido no Recurso Voluntário, tendo a DRJ julgado procedente as suas razões, em razão da declaração de inconstitucionalidade pelo STF dos dispositivos que o obrigariam a tal ônus, seriam os DEBCADs 37.184.0678 e 37.184.0686, os quais não foram distribuídos a este relator, encontrandose pendente de distribuição perante o CARF. Na fl. 18, o auditor fiscal faz levantamento dos valores da comercialização própria e da Subrogada, aplicando multa no valor de R$ 1.756.846,00, que corresponderia a 100% do valor da contribuição devida relativa aos fatos geradores não declarados em GFIP. Portanto, por também compreender a parte da subrogação, declarada inconstitucional pelo STF, adentro ao mérito da questão. DA (IN)CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL – DA SUBROGAÇÃO Com relação aos fatos geradores sobre aquisição de produtos rurais (compra de bovinos) de pessoas físicas, conforme o anexo I, exigido na forma art. 25, parágrafos 3º e 4º da Lei 8.212/91, cumpre observar que a exigência é indevida ante a sua declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede repercussão geral, de reprodução obrigatória, em razão de expressa disposição regimental, art. 62A, in verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe165 DIVULG 26082011 PUBLIC 29082011 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 EMENT VOL0257502 PP00211 RT v. 101, n. 916, 2012, p. 653662) Cumpre trazer à lume os argumentos para reconhecimento da inconstitucionalidade, constantes no voto condutor do acórdão, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski: A Lei Maior é exaustiva quanto aos fatos que podem dar causa à obrigação de financiamento da seguridade social,e que somente a Constituição pode abrir exceção à unicidade de incidência da contribuição; O produtor rural passou a estar compelida a duplo recolhimento, com a mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social recolhe, a partir do disposto no art. 195, I, alínea 'b', a COFINS e a contribuição prevista no referido art. 25"; Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária Art. 150, II, da CF/1988 pois haveria duplicidade de contribuição, uma vez que o produtor rural, caso possua empregados estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei n. 8.212/91; Necessidade de lei complementar para se instituir nova fonte de custeio para a seguridade social, dado que o faturamento e resultado da produção não possuem o mesmo significado. Nesse sentido, destacou ser essa a razão para a existência do art. 195 da Constituição e da impossibilidade de se considerar o previsto no art. 25, I e II, da Lei 8.212/1991 como majoração da alíquota da contribuição prevista na Lei Complementar 70/1991. Todos os fundamentos foram retirados do julgamento do RE 363.852, matéria com o mesmo objeto do julgado acima, apenas sem o pálio da repercussão geral, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, cuja ementa segue dado o valor do precedente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000201/200845 Acórdão n.º 2403002.239 S2C4T3 Fl. 6 9 (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) O Acórdão prolatado foi no seguinte sentido, in verbis: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, em conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural"de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1 da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus sucumbência. Em seguida, o relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Em continuação ao acórdão do Recurso em sede de repercussão geral, para que não restasse dúvidas, o Ministro relator do primeiro acórdão julgado, RE 363.852, Marco Aurélio, interveio em seu voto, cujos trechos seguem transcritos a seguir: Senhor Presidente, apenas em atenção ao que foi veiculado da tribuna, consigno que persiste o erro glosado quando do pronunciamento anterior do Tribunal. Veio à balha não uma lei complementar que atendesse ao artigo 195, parágrafo quarto, da Carta Federal, mas uma lei ordinária, a n. 10.256/2001. E nem se diga que a Emenda Constitucional n. 20 acabou por placitar a utilização da lei ordinária para criação desse tributo, porque apenas alterou o parágrafo oitavo do artigo 185 para expungir a referência a garimpeiro. A situação, portanto, é idêntica àquela com a qual o Plenário se defrontou se não me falha a memória, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 363.852/MG , e concluiu pelo provimento do recurso do contribuinte. Acompanho o relator provendo o recurso e declarando a inconstitucionalidade dos preceitos referidos por Sua Excelência, reportandome ao voto proferido no mencionado extraordinário: (...) Portanto, há de ser afastada a exigência no tocante à contribuição decorrente da aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, da contribuição referente à comercialização Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 da produção rural, venda de bovinos e, consequentemente, as imputações acessórias decorrentes do auto de infração. DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DA RELEVAÇÃO A multa aplicada tem como previsão o disposto no art. 32 da Lei n. 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, qual seja, apresentar GFIP com dados incorretos. No entanto, uma vez notificada, a empresa retificou as obrigações acessórias e fez pedido de relevação da multa, fl. 23/25, em conformidade com o disposto no art. 291, parágrafo 1º do Regulamento da Previdência Social, conforme redação vigente à época, que segue abaixo transcrita: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 3o Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Após o pedido, houve a proposta de diligência por parte da DRJ que exarou o Despacho 29, em 16 de dezembro de 2009, fls. 694 e seguintes. Na fl. 704, há a informação fiscal de que informa o seguinte: Após detida análise do processo, foi constatado que a empresa retificou a GFIP dentro do período de apuração, apresentando novas GFIP entre as datas de 06/10/2008 a 10/10/2008, com inclusão do fato gerador, mas não em sua totalidade, ou seja, não corrigiu integralmente a falta (correção parcial). Sendo assim, através do anexo II foi calculada a multa na proporção dos valores das contribuições sociais previdenciárias relativos aos fatos geradores corrigidos. Ocorre que, o cálculo do AIOA original anexo I foi lavrado considerando a proporcionalidade da correção da falta, o valor permaneceu superior ao limite máximo da aplicação da multa em alguns casos, o que gerou a redução do AIOA para R$ 1.673.007,30. Destaquese que a DRJ consultou o sistema informatizado da PGF – PGFN – DATAPREV e não localizou qualquer lavratura de auto de infração por obrigação acessória, fl. 1.268, demonstrando assim sua primariedade. Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14098.000201/200845 Acórdão n.º 2403002.239 S2C4T3 Fl. 7 11 Portanto, a recorrente apresentou GFIP`s retificadoras nas competências de 09/2003 a 12/2006, corrigindo os campos referentes a comercialização própria para o mercado interno, permanecendo apenas as informações relativas a Zona Franca de Manaus e Exportações via Trading Companies, conforme se percebe dos documentos 602 e seguintes. Todas as retificações foram realizadas antes mesmo da apresentação da impugnação em 25/10/2008, na vigência do Decreto n. 6.032/2007, que previa no parágrafo 1º do art. 291 a relevação da multa. Portanto, tendo em vista que não deve incidir contribuição previdenciária sobre a receita de produtos comercializados para a Zona Franca de Manaus, assim como aquelas destinadas a exportação via Trading Companies, conforme decidido nos processos principais a este auto de infração: 14098.000197/200815 e 14098.000198/200860. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 20/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903592/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. O recurso voluntário apresentado após o decurso de trinta dias da ciência da decisão recorrida não preenche requisito de admissibilidade, sendo inapto a ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 06492.85155.270106.1.3.043714, fls. 35/39, em que utilizou como crédito pagamentos supostamente a maior de Cofins, no valor de R$ 4.553,49. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 35 92 /2 00 9- 24 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Despacho Decisório eletrônico, de 9 de abril de 2009, da DRF/Guarulhos, fl. 30, não homologou a DComp por não ter sido localizado o DARF indicado. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 3/5, a Contribuinte argüiu, sucintamente, que do pagamento relativo ao DARF de R$ 5.691,87, do período de apuração abril de 2002, detectara pagamento a maior na importância utilizada na compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Campinas, fl. 47/50, considerou que a pretensão da Interessada de infirmar os dados por ela própria prestadas devia estar calcada em provas documentais robustas, e ausente nos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. 0 reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente A legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Cientificada da decisão em 13 de fevereiro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário, 81/99, em 19 de março de 2012, em que inaugura dois novos argumentos, segundo os quais a origem do seu crédito teria sido: a) o alargamento indevido da base de cálculo do(a) PIS/Cofins, por extravasamento do conceito de faturamento e consequente declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do disposto no § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98); b) exclusão da base de cálculo do(a) PIS/Cofins em decorrência do regime de substituição tributária e incidência monofásica aplicáveis sobre operações com combustíveis, amparada pelo art. 4o, LC 70/91; art. 6o, Lei 9.715/98; art. 4o e parágrafo único, Lei 9.718/98; e c) exclusão da incidência do(a) PIS/Cofins das parcelas de ICMS e ISS, minuciosamente detalhadas, para ao final requerer a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903592/200924 Acórdão n.º 3803004.449 S3TE03 Fl. 103 3 Voto Conselheiro Belchior Melo Sousa Relator O recurso é intempestivo, dele não se podendo conhecer. É o voto. Sala das sessões, 21 de agosto de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001453/2005-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.212
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-30T14:01:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-27T17:17:39Z; Last-Modified: 2014-10-30T14:01:30Z; dcterms:modified: 2014-10-30T14:01:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:29782562-cfa7-490c-95fa-357521aa752f; Last-Save-Date: 2014-10-30T14:01:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-30T14:01:30Z; meta:save-date: 2014-10-30T14:01:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-10-30T14:01:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-27T17:17:39Z; created: 2014-10-27T17:17:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2014-10-27T17:17:39Z; pdf:charsPerPage: 1468; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-10-27T17:17:39Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 359 1 358 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.001453/200531 Recurso nº 506.219 Voluntário Acórdão nº 3201 000.212 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02/03/2011 Matéria PIS Recorrente CREMER S/A Recorrida FAZENDA PÚBLICA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Maria Regina Godinho de Carvalho. Relatório Tratase o presente processo de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (fls. 90/ss), para a cobrança da Contribuição para o PIS, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 908.266,98, em decorrência dos seguintes fatos: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 (i) ganhos decorrentes da aquisição de créditos fiscais, com deságio, utilizados para amortização de multas e juros incluídos em parcelamento (REFIS), que a empresa deixou de incluir na base de cálculo do PIS; (ii) diferença do PIS apurada entre os valores declarados, em DCTF, e os valores apurados na escrituração fiscal no contribuinte, para os períodos 12/2002, 03/2003 e 04/2003. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis : DA AUTUAÇÃO Em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, de acordo com o Termo de Verificação de Infração (fls. 90/97), constatouse que a mesma adquiriu de terceiros créditos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL para amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS, sendo que os deságios obtidos nas operações de cessão de crédito não integraram a base de cálculo da contribuição PIS nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998. 2. Ademais, no cotejo entre os valores constantes da Declaração de Créditos e Débitos (DCTF) e os valores escriturados, a fiscalização constatou que não foram declarados débitos de PIS nos meses de 12/2002, 03/2003 e 04/2003 conforme discriminado às fls. 95/96. 3. Em razão da falta apurada, o sujeito passivo foi cientificado, em 30/06/2005, do seguinte auto de infração: 3.1. Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 98/100): Crédito tributário no valor total de R$ 908.266,98 (novecentos e oito mil, duzentos e sessenta e seis reais e noventa e oito centavos), incluídos tributo, multa e juros de mora calculados até 31/05/2005, com enquadramento legal descrito às fls. 99/100. DA IMPUGNAÇÃO 4. Inconformada com a referida autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 105/120, acompanhada dos documentos de fls. 121/131, alegando em síntese que: 4.1. O auto de infração não deve prosperar. 4.2. O procedimento fiscal contém vícios insanáveis, uma vez que o Mandado de Procedimento fiscal, criado com a finalidade de evitar extrapolações e para atender ao Decreto nº 70.235/1972, não observou os requisitos da Portaria SRF nº 3.007/2001, devendo o auto de infração ser anulado conforme exposto às fls. 105/109. 4.3. A alteração da base de cálculo do PIS determinada pelos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998 é inconstitucional (fls. 109/112). Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201 000.212 S3C2T1 Fl. 360 3 4.4. O deságio obtido na aquisição de créditos fiscais e bases negativas de terceiros para amortização de multa e juros incluídos no REFIS não é receita tributável (fls. 112/115). 4.5. No entanto, ainda, que se admitisse a suposta receita, a mesma não poderia ter sido considerada integralmente na data da aquisição dos créditos, tendo em vista o aproveitamento parcelado destes créditos. Só poderia haver tributação de forma diferida pro rata tempore, ou seja, a tributação ocorreria somente nos períodosbase em que foram efetivamente aproveitados os créditos (fls. 114/115). 4.6. No tocante aos valores apurados em 12/2002, 03/2003 e 04/2003, houve um lapso na época, não sendo os valores declarados em DCTF, porém, foram informados nas DIPJ e DACON conforme cópias anexas (doc. 03 e 04). Além disso, os valores encontramse parcelados ou compensados de acordo com o exposto às fls. 115/116. 4.7. A falta de informações em DCTF não pode dar origem à obrigação tributária de pagar o tributo quando os valores devidos já haviam sido compensados e/ou parcelados. Neste caso, quando muito, caberia uma multa pelo descumprimento de obrigação acessória. 4.8. Não pode prevalecer a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios. Ademais, referida taxa não tem suporte legal e não respeita o limite constitucional de 12% ao ano previsto no art. 192, § 3º da Constituição. Destarte, os juros devem ser reduzidos à alíquota de 1% ao mês (fls. 116/118). 4.9. A multa de 75% é extremamente confiscatória, ilegal e inconstitucional, devendo ser excluída (fls. 118/120). 4.10. Diante do exposto, requer o cancelamento do lançamento e a extinção do crédito tributário. Na hipótese de manutenção, solicita o recálculo a fim de considerar a incidência do tributo proporcional à amortização das parcelas do REFIS. E, de qualquer forma, que sejam excluídas as parcelas relativas à multa e aos juros moratórios, limitando estes últimos em 1% ao mês. 5. É o relatório. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – I, julgou procedente em parte o lançamento efetuado, proferindo o Acórdão 1621.015 (fls. 276/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2000, 2002, 2003 BASE DE CÁLCULO. A partir da vigência da Lei nº 9.718 de 27/11/1998, a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 PIS corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, sendo permitidas somente as exclusões determinadas em lei. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÕES JUDICIAIS. A Lei nº 9.718/1998 constitui norma legal regularmente editada segundo o processo legislativo estabelecido, tem presunção de legitimidade e vige enquanto não for afastada do sistema jurídico brasileiro; eventuais decisões do Poder Judiciário acerca do alargamento da base de cálculo do PIS, proferidas incidentalmente, beneficiam apenas as partes das respectivas ações. REFIS. PREJUÍZOS FISCAIS. BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. TERCEIROS. AQUISIÇÃO. DESÁGIO. RECEITA. O deságio, obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSLL de terceiros para liquidação de multas e juros moratórios no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS, constitui receita que integra a base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. FATO GERADOR. O fato gerador da Contribuição para o Programa de Integração PIS ocorre no momento em que a receita é auferida pelo sujeito passivo, independentemente, de quando sejam utilizados os recursos a ela vinculados. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. MULTA DE OFÍCIO. CAPITULAÇÃO LEGAL. CONFISCO. INEXISTÊNCIA. Estando a multa aplicada prevista em lei, não há o que cogitar, em âmbito administrativo, a respeito de confisco. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2002, 2003 DIPJ. DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON têm caráter meramente informativo, ou seja, não têm natureza de confissão de dívida, portanto, não constituem o crédito tributário. DCTF. DCOMP. NATUREZA JURÍDICA. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201 000.212 S3C2T1 Fl. 361 5 Atualmente, os débitos informados espontaneamente em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e/ou em DCOMP Declaração de Compensação constituem confissão de dívida e, portanto, são instrumentos hábeis e suficientes para a exigência dos mesmos. PAES. DÉBITOS. INCLUSÃO. DCTF. OBRIGATORIEDADE. A inclusão de débitos no Parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei nº 10.684/2003, passíveis de declaração em DCTF a que o sujeito passivo a ela obrigado se encontrava omisso, somente poderia ser feita por intermédio desta declaração desde que entregue até 28/11/2003. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO OBJETO DE DCOMP. Comprovada a formalização de Declaração de Compensação DCOMP antes do início do procedimento de fiscalização, envolvendo os mesmos débitos, afastase o crédito tributário constituído de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto nº 70.235/1972. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento administrativo interno de planejamento e controle da atividade fiscal, não tendo implicação sobre a competência da autoridade fiscal. A eventual falta de emissão ou descumprimento de seus requisitos regulamentares não acarretam a nulidade do lançamento. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. As normas que regulam o Mandado de Procedimento Fiscal autorizam a fiscalização a levar a efeito as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 A DRJ – São Paulo exonerou a empresa da cobrança de parte dos créditos lançados relativos ao item (ii) diferença do PIS apurada entre os valores declarados, em DCTF, e os valores apurados na escrituração fiscal no contribuinte, por já estarem confessados através de DCOMP, mais especificamente para os períodos 03/2003 e 04/2003, nos seguintes termos: 59. Destarte, constatase que, de fato, os débitos apurados pela fiscalização, no período de 03/2003 e 04/2003, ainda que não declarados em DCTF ou pagos, já haviam sido confessados por meio de DCOMP, sendo, assim, indevido o lançamento fiscal das contribuições relativas a estes fatos geradores (03/2003 e 04/2003). Consequentemente, indevida também as respectivas multas de ofício. A recorrente foi regularmente cientificada do Acórdão em 30/04/2009 (fl. 310). Foi interposto Recurso Voluntário (fls. 311/ss) em 02/06/2009, portanto, tempestivamente. A interessada, reitera argumentos já trazidos na Impugnação, aduzindo, em apertada síntese que: questiona a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS prevista na Lei 9.718/98; afirma que obteve decisão judicial favorável quanto ao alargamento da base de cálculo da contribuição, prevista na Lei 9.718/98, nos autos do RE No. 324.6674 (cópia anexa); no tocante aos valores cobrados (e mantidos pela DRJSão Paulo) relativo ao período 12/2002, reafirma que embora não tenham sido declarados em DCTF, foram informados na DIPJ e na DACON; Por fim, requer o provimento do Recurso Voluntário. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 01/10/2010, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Conforme esclarecido no Relatório, duas questões devem ser enfrentadas neste voto. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201 000.212 S3C2T1 Fl. 362 7 Passemos à análise da primeira delas. (i) Alargamento da base de cálculo do PIS, prevista na Lei 9.718/98. Cabimento ou não da incidência da contribuição sobre os ganhos decorrentes da aquisição de créditos fiscais, com deságio, utilizados para amortização de multas e juros incluídos em parcelamento (REFIS). Neste item assiste razão à recorrente. O artigo 62 do Regimento Interno do Carf (Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009) , dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC nº 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF (cf. Acórdão da 1ª Turma do STJ no REsp nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/2006, rel. Min. Teori Albino Zavascki, publ. in DJU de 15/05/2006, pág. 186). Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201 000.212 S3C2T1 Fl. 363 9 Como o presente lançamento ocorreu em função da não inclusão na base de cálculo do PIS dos “ganhos” em decorrência de deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros por valor inferior àquele utilizado para liquidação de multas e juros de débitos incluídos no REFIS, entendo, que a presente discussão está inserida no contexto do alargamento da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. No caso concreto em litígio, entendo que não deve incidir contribuição para o PIS sobre os citados “ganhos” em decorrência de deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros, por trataremse de receitas não operacionais, em face da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo pela Lei nº 9.718, de 1998, já declarada pelo Pleno do STF. Ademais, o contribuinte informa que obteve decisão judicial favorável quanto à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição prevista na Lei 9.718/98, nos autos do RE No. 324.6674 (fls 324/340). * * * Em relação à segunda questão a ser decidida (ii) diferença do PIS apurada entre os valores declarados, em DCTF, e os valores apurados na escrituração fiscal no contribuinte, para os períodos 12/2002, 03/2003 e 04/2003, não merece reparos a decisão da autoridade julgadora de primeira instância. Registre, mais uma vez, que a DRJ – São Paulo I já exonerou da cobrança os créditos lançados e confessados através de DCOMP (períodos 03/2003 e 04/2003), mantendo a exação apenas em relação à diferença do PIS apurada para o período 12/2002. De fato, não pode o sujeito passivo insurgirse contra esta parte do lançamento de ofício (período 12/2002) com o argumento de que os mesmos foram informados em DIPJ e/ou em DACON, quando devia têlos declarado em DCTF. Neste ponto, adoto como fundamento desta decisão os argumentos trazidos na acórdão de primeira instância administrativa, por concordar inteiramente com os mesmos, nos termos do artigo 50, parágrafo 1º da Lei 9.784/99, os quais transcrevese abaixo: 47. A Impugnante entende ainda que não poderia haver lançamento do débito da competência 12/2002, pois, o mesmo teria sido parcelado no PAES (item 53 – fls. 115). No entanto, conforme será demonstrado esta afirmativa não procede. 47.1. A Lei nº 10.684 de 30/05/2003 autorizou o parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal com vencimento até 28/02/2003 em até 180 (cento e oitenta) prestações mensais e sucessivas (art. 1º), denominado PAES, e esclareceu que os débitos ainda não constituídos deveriam ter sido confessados de forma irretratável e irrevogável (art. 1º, § 2º). 47.2. Nos termos do art. 10 da Lei nº 10.684/2003, abaixo transcrito, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1, de 25/06/2003, publicada no DOU de 27/06/2003 que, dentre outras disposições, determinou, em seu art. 1º, § 3º, que os débitos submetidos ao parcelamento seriam informados por intermédio Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 10 do programa disponibilizado via Internet, após formalização do pedido de parcelamento pelo sujeito passivo, conforme instruções que seriam expedidas conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal (SRF) e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Lei nº 10.684/2003: Art. 10. A Secretaria da Receita Federal, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão, no âmbito de suas respectivas competências, os atos necessários à execução desta Lei. Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 1/2003: Art. 1º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, vencidos até 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em até cento e oitenta prestações mensais e sucessivas, observado o disposto nesta Portaria. § 1º O parcelamento abrange os débitos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, os débitos das pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), os submetidos a parcelamento sob qualquer das modalidades legalmente autorizadas, ainda que cancelado por falta de pagamento, bem assim os que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de: (...) § 3º Os débitos submetidos ao parcelamento serão informados por intermédio do programa a ser disponibilizado via Internet, após formalização do pedido de parcelamento pelo sujeito passivo, conforme instruções a serem expedidas conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal (SRF) e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). 47.3. Nesta esteira, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3, de 01/09/2003 que instituiu a Declaração PAES que deveria ser apresentada até 31/10/2003, com a finalidade, dentre outras, de confessar débitos com vencimento até 28/02/2003, não declarados ou não confessados à SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica (art. 1º, I). Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3/2003: Art. 1º Fica instituída declaração Declaração Paes a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados à SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração específica; Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201 000.212 S3C2T1 Fl. 364 11 (...) 47.4. Já o art. 2º da referida Portaria PGFN/SRF nº 3/2003 dispõe que: Art. 2º A inclusão de débitos passíveis de declaração, a que o sujeito passivo a ela obrigado se encontre omisso, darseá, exclusivamente, com a apresentação da respectiva declaração, no prazo fixado no art.1º, exceto na situação referida no inciso IV, do mesmo artigo. Parágrafo único. Na hipótese de débito já declarado por valor inferior ao efetivamente devido, a inclusão do valor complementar farseá mediante entrega de declaração retificadora, no prazo fixado no art. 2º. (g.n.) 47.5. Portanto, estando o sujeito passivo obrigado à entrega da DCTF, como no presente caso, a inclusão de débitos no PAES somente poderia ter sido feita por intermédio desta declaração por expressa disposição normativa (art. 2º da Portaria PGFN/SRF nº 3/2003). 47.6. Cumpre frisar que o prazo de 31/10/2003, estabelecido no art. 1º da Portaria PGFN/SRF nº 3/2003 foi estendido até 28/11/2003 por força do disposto no art. 1º da Portaria PGFN/SRF 5, de 23/10/2003 in verbis: Art. 1º Ficam prorrogadas para 28 de novembro de 2003: I o prazo para apresentação da Declaração Paes previsto no art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3, de 1º de setembro de 2003; 47.7. Assim, em que pesem os formulários protocolizados pelo contribuinte em 30/10/2003 (fls. 163/165) e, posteriormente, em 24/02/2005 (fls. 166/168), este último estando o contribuinte sob ação fiscal (fls. 01/02, 07/09 e 103), os mesmos não atenderam a forma prescrita na norma, portanto, não têm validade para inclusão de débitos no PAES. 47.8. Evidentemente, e ao contrário do alegado, o débito de PIS da competência 12/2002, o qual, reconhecidamente, não foi declarado em DCTF até o último prazo concedido (28/11/2003), não foi incluído no PAES. 47.9. Para tanto, basta observar o demonstrativo de débitos de PIS incluídos no PAES cuja pesquisa foi anexada às fls. 245 para constatar que o referido débito não foi objeto do parcelamento estabelecido pela Lei nº 10.684/2003. 47.10. Ressaltese que esta pesquisa também pode ser feita diretamente pelo contribuinte no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB (www.receita.fazenda.gov.br). 47.11. Cumpre frisar, ainda, que esta é a posição pacífica adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 12 (antigo Conselho de Contribuintes) conforme, por exemplo, as seguintes decisões cujas ementas, assim, dispõem: PRELIMINARES DE NULIDADE NORMAS PROCESSUAIS. Não estando presentes os requisitos previstos no art. 59 do Decreto 70.235/72 e não tendo sido infringidos os arts. 9º e 10º do mesmo Decreto, não se acolhe as preliminares de nulidade suscitadas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DIPJ – DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF. Em razão da DIPJ não ter a natureza de confissão de dívida, a contribuição não declarada em DCTF deve ser objeto de lançamento de ofício. PAES – DIPJ DÉBITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. No caso de contribuinte obrigada à apresentação de DCTF, a inclusão de débitos da CSLL no PAES só se dá com a apresentação da declaração específica, que no caso é a DCTF. A DIPJ não supre a DCTF nem possui caráter de confissão de divida. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Tratandose parte do lançamento, de matéria decorrente de tributação reflexa, aplica se o decidido no julgamento da exigência principal, em razão da estreita relação de causa e efeito. CSLL – MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS – ANOS CALENDÁRIOS JÁ ENCERRADOS – LIMITE Após o encerramento do anocalendário, a base de cálculo para efeito de aplicação da multa isolada, tem como limite os saldos do imposto a pagar na declaração de ajuste, não sendo cabível, a sua imposição no valor que excede o ajuste, conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. (1º CC, 7ª Câmara, Rec. Voluntário nº 151768, Proc. nº 10380.012665/200343, Rel. Albertina Silva Santos de Lima, Acórdão nº 10709343, Sessão de 16/04/2008). (g.n.) NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. As nulidades absolutas limitamse aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. Preliminar rejeitada. PERÍCIA. É prescindível a realização de perícia quando constam dos autos todos os elementos necessários para solução do litígio. Recurso negado. FALTA DE RECOLHIMENTO. É legítimo o lançamento de ofício decorrente da falta e/ou insuficiência de recolhimento desta contribuição. PAES. DÉBITOS NÃO CONFESSADOS EM DCTF. No caso de contribuinte obrigado a apresentação de declaração específica, que tenha caráter de confissão de divida, o que, no caso da contribuição em comento, é representada pela DCTF a inclusão destes débitos no PAES só se dará com a apresentação da referida declaração específica, ou seja, da DCTF. A DIPJ não supre a DCTF nem possui caráter de confissão de divida em relação a débitos do PIS e da Cofins. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. Tendo esta matéria sido decidida de maneira favorável à contribuinte pela autoridade julgadora de primeira instancia não cabe a sua apreciação por este Colegiado, uma vez que sobre ela não existe mais litígio a ser tratado. Recurso negado. D.O.U. de 27/02/2007, Seção 1, pág. 177. (2º CC, 4ª Câmara, Rec. Voluntário nº 133758, Proc. nº 10435.000984/200412, Rel. Nayra Bastos Manatta, Acórdão nº 20401561, Sessão de 27/07/2006). (g.n.) Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13971.001453/200531 Acórdão n.º 3201 000.212 S3C2T1 Fl. 365 13 48. Destarte, não tendo o referido débito sido declarado em DCTF e, consequentemente, não estando incluído no PAES, cumpre reconhecer a procedência do lançamento de ofício quanto a este fato gerador (12/2002). Ressalte,se, por fim, que a empresa afirma em seu Recurso que o valor exigido em relação à diferença do PIS apurada para o período 12/2002 já foi exigido através de aviso de cobrança (Termo de Intimação No. 30735) que gerou o processo administrativo No. 13971.503641/200680, que haveria sido inscrito em dívida ativa (cadastro No. 91706003210 50 – inscrição de origem e No. 9170600429098 – inscrição derivada). É certo, portanto, que quando da cobrança destes valores, a autoridade fiscal deverá atentar para a informação trazida pela Recorrente, para que seja evitada a cobrança em duplicidade, se for o caso. * * * Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade, para no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, conforme demonstrativo abaixo: DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PIS Valores em Reais Fato Gerador Exigido Exonerado Mantido Contribuição Multa Contribuição Multa Contribuição Multa 29/09/2000 41.752,22 31.314,16 41.752,22 31.314,16 0,00 0,00 19/12/2000 2.736,35 2.052,26 2.736,35 2.052,26 0,00 0,00 31/12/2002 125.566,97 94.175,22 0,00 0,00 125.566,97 94.175,22 31/03/2003 (*) 126.808,62 95.106,46 126.808,62 95.106,46 0,00 0,00 31/04/2003 (*) 122.548,65 91.911,48 122.548,65 91.911,48 0,00 0,00 (*) Valores já exonerados pela DRJ São Paulo É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Voto Conselheiro Relator Designado Fl. 371DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 14 Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes Discutese nos autos lançamento relativo ao PIS. Em relação especificamente ao lançamento de PIS da competência de 12/2002, a recorrente informa já haver quitado o referido débito. Entretanto, da análise dos autos, não é possível confirmar esta informação. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se a competência de 12 de 2002 de PIS já está quitada. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 02 de março de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 372DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 05/05/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 13839.720527/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS/ODONTOLÓGICAS.
É descabida a glosa da DIRPF de despesas médicas/odontológicas comprovadas por documentos idôneos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2202-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS/ODONTOLÓGICAS. É descabida a glosa da DIRPF de despesas médicas/odontológicas comprovadas por documentos idôneos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 05 27 /2 01 3- 76 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 2 Emitiu a fiscalização, notificação de lançamento (Fl. 59) sob o n.° 2012/693817561039078, por suposta dedução indevida de despesas médicas, no ano calendário 2011, exercício 2012, tendo sido apurado o crédito tributário no montante de R$ 1.756,95 sendo R$ 967,49 à título de imposto de renda suplementar, R$ 725,61 de multa de ofício e R$ 63,85 de atualização monetária até 28/02/2013. A glosa das deduções indevidas de despesas médicas foi no montante de R$ 17.540,00, por desacordo dos comprovantes com as formalidades especificadas no art. 80, par. 1º, III do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99 de gastos com Francisco Carlos Figueira, inscrito no CPF sob o n.° 710.793.19891, qual seja, a falta de endereço do prestador de serviço no recibo. Juntado demonstrativo de apuração do imposto devido (Fl. 8) e demonstrativo de apuração da multa de ofício e dos juros de mora (Fl. 9) Impugnação Não se conformando com a notificação de lançamento, apresentou o contribuinte Impugnação (Fl. 2), em 06.03.2013, sob o n.° 2012/40000000198 embasando suas alegações nos seguintes argumentos: (i) que o valor se refere a despesas médicas do próprio contribuinte; (ii) que o valor referese a despesas médicas de companheiro(a) com quem o contribuinte tem filho ou vive há mais de 5 anos, ou cônjuge. Anexou na Impugnação documento comprovando o grau de parentesco do dependente com o contribuinte – certidão de casamento do contribuinte com a Sra. Benedita Aparecida Grigoletto (Fl. 10) ; 13 recibos e/ou notas fiscais (Fl.1117), contendo todos os requisitos exigidos pela legislação tributária (identificação do paciente, descrição do serviço prestado, data do pagamento, identificação de quem efetuou o pagamento, bem como nome, endereço, registro no órgão de classe competente e CPF/CNPJ do profissional ou estabelecimento que recebeu o pagamento e documento de identidade do signatário. Juntada à Fl. 2126, Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda do contribuinte, constando como dependente a Sra. Benedita Aparecida Grigolleto Duarte, iscrita no CPF sob o n.° 779.119.62804 Decisão da DRJ Considerada tempestiva, a impugnação foi remetida ao DRJSPO para julgamento (Fl. 31). Neste, a impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 21ª Turma da DRJ/SP1, (Fls. 3237), mantendo na integralidade o crédito tributário exigido, sob o fundamento de que o direito à dedução de despesas médicas está condicionado ao atendimento de todos os requisitos legalmente previstos, com comprovação da efetividade dos serviços prestados e do pagamento. Isto, pois entendeu a Delegacia de julgamento que nos recibos apresentados à autoridade fiscal lançadora não constava o endereço profissional, requisito legalmente previsto no RIR. Também, que por serem os recibos meio de prova muito frágil, a apresentação destes documentos, em muitos casos, deve servir apenas como ponto de partida para a comprovação das despesas declaradas, não podendo a autoridade fiscal se satisfazer apenas com eles. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13839.720527/201376 Acórdão n.º 2202002.392 S2C2T2 Fl. 9 3 Que a prova definitiva e incontestável da despesa médica é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (pagamento) e de documentos que comprovem a realização do serviço (radiografias, receitas médicas, fichas clínicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras), não tendo a apresentação de recibos, por sí só, essa capacidade. Que quando opta por deduzir a despesa médica da base de cálculo do imposto de renda, o contribuinte deve ter em conta que o pagamento efetuado não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também o fisco, e, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. Que os recibos refeitos pelo profissional, de modo a atender às formalidades legais não são aceitáveis, pois a exigência referese ao recibo original, cabendo ao contribuinte apresentar outro elemento de prova. Recurso Voluntário Cientificado o contribuinte em 17/04/2013 (Fl. 42), este apresentou Recurso Voluntário (Fl. 4346), sob os seguintes argumentos: Preliminarmente, declinou ao recolhimento da DARF emitida por entender que seria a confissão e convicção flagrante deste em driblar o Fisco, fato que repudia veementemente. Ainda, enfatiza a não observância do princípio da verdade real, uma vez que os recibos são de procedência idônea e legítima, pois os mesmos foram emitidos em face da realização de tratamento odontológico. Quanto ao direito, visando ratificar a veracidade das suas alegações, junta as provas abaixo elencadas para apreciação deste Órgão: RX realizado em 10/09/2010 no Instituto de Documentação Ortodôntica e Radiodiagnóstico Ltda, com resultado do exame (cópia autenticada) e metodologia aplicada (original) onde se deu o início do tratamento; (doc. 01) Ficha de histórico autenticada com todos os procedimentos a serem realizados, emitida pelo profissional; (doc. 02) Cópia autenticada de previsão de honorários com descrição dos serviços a serem realizados, com valor previsto na ordem de R$ 26.500,00(doc. 03) Cópia autenticada da ficha de previsão de honorários do início do tratamento em 10/09/2010, 1ª parte (doc. 04); Cópia autenticada da ficha de previsão de honorários do tratamento (2a parte) em 12/04/2011, (doc. 05); Cópia autenticada com solicitação de procedimentos do profissional ao Otorrinolaringologista, de avaliação para submeter á cirurgia necessária na conclusão do tratamento, (doc.06); Cópia autenticada de solicitação do profissional, para encaminhamento do paciente contribuinte, para tomografia do seio maxilar, (doc.07); Tomografia computadorizada dos seios da face, realizada em 28/09/2011 para verificação óssea com laudo, a pedido do profissional, (doc.08) declaração original do profissional afiançando o tratamento e reabilitação dentária, com reconhecimento de fépública. (doc.09); Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 4 DVD com imagens do local da realização do procedimento no pacientecontribuinte. (doc. 10); RX panorâmico atual realizado em 26/04/2013 comprovando os procedimentos finais realizados.(doc.11); Recibos originais refeitos, em atendimento às formalidades exigidas. (doc. 12); Cópia autenticada da ficha histórico da dependente do contribuinte, Sra. Benedita Aparecida G.Duarte, (doc.13); Cópia autenticada da previsão de honorários e procedimentos da dependente do contribuinte Sra. Benedita Aparecida G. Duarte, (doc. 14) recibo original refeito da dependente Sra. Benedita Aparecida G.Duarte em atendimento às formalidades exigidas.( doc. 15); Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator O recorrente traz em suas razões a alegação de que há sim comprovante de que se submeteu a intervenções cirúrgicas de natureza odontológico, tendo sido preenchidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, no regulamento do imposto de renda. Traz o Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 73 que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 3 º ). § 1 º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 4 º ). § 2 º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 11, § 5 º ). Complementando tal artigo, vem o art. 80 do mesmo Decreto tratar sobre as despesas médicas, estando nestas abarcadas as despesas odontológicas, como no caso em tela: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , inciso II, alínea "a"). § 1 º O disposto neste artigo (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , § 2 º ): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos Fl. 95DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13839.720527/201376 Acórdão n.º 2202002.392 S2C2T2 Fl. 10 5 ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2 º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3 º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4 º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5 º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei n º 9.250, de 1995, art. 8 º , § 3 º ). Entendeu o Órgão julgador, que não estaria preenchido na sua totalidade o inciso III do artigo supra, pois estaria faltando nos recibos, o endereço profissional do médico odontólogo que efetuou o tratamento no recorrente. Não posso coadunar com tal entendimento. Inicialmente, quanto à produção de provas no processo administrativo, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, já se manifestou a respeito, aceitando a juntada de documentos quando da apresentação do Recurso Voluntário: Número do Processo: 13748.000567/200183 Data de Publicação: 18/10/2006 Contribuinte: JEFERSON EVANGELISTA CORREA Relator(a): Moises Giacomelli Nunes da Silva Ementa: GLOSA DE DESPESAS – PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROVAS A verdade real é princípio que não pode ser afastado do processo administrativo. Na busca da verdade e para a apuração do Fl. 96DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 6 efetivo tributo devido, é assegurado ao contribuinte, em qualquer fase do processo, apresentar provas pertinentes e necessárias ao julgamento. A juntada aos autos, ainda que após o julgamento de primeira instância, de documento que comprove a efetiva contribuição à Previdência Oficial, importa considerálo e, se for o caso, afastar a glosa. Demonstrado por meio de documentos as efetivas contribuições feitas à Previdência Oficial, afastase a glosa. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara) Número do Processo: 10480.010832/200211 Data de Publicação: 07/12/2006 Contribuinte: JOSE QUITINO GUIMARAES JUNIOR Relator(a): Silvana Mancini Karam Ementa: DESPESAS MÉDICAS COMPROVANTES PRINCIPIO DA VERDADE REAL RESTABELECIMENTO DA DEDUÇÃO É de se acolher documentos apensados em sede de recurso voluntário em homenagem à verdade real. Comprovada a efetividade da despesa médica é de se restabelecer a sua dedução. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesa médica. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Segunda Câmara) Número do Processo: 13924.000276/200298 Data de Publicação: 26/05/2006 Contribuinte: JOSE CARLOS DE LIMA Relator(a): José Ribamar Barros Penha Ementa: IRPF IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. VERDADE MATERIAL A comprovação do recolhimento do imposto na fonte mediante cópias de DARF apresentadas na fase recursal, em homenagem ao princípio da verdade real, comporta a alteração do lançamento. Recurso provido. Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Primeiro Conselho de Contribuintes – Sexta Câmara) Dito isso, destaco que, na documentação juntada, tanto em sede de impugnação, e mais ainda no Recurso Voluntário do contribuinte, há comprovação suficiente para serem aceitas as deduções com tais despesas médicas, suas e de sua esposa. Dúvida não há de que a Sra. Benedita Aparecida Grigoletto é dependente do recorrente. A certidão de casamento emitida por Cartório de Registro Civil e Notas, e juntada às fls. 10, documento com fépública, e a declaração de imposto de renda (Fl. 21), não dá margem à interpretação diversa. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Processo nº 13839.720527/201376 Acórdão n.º 2202002.392 S2C2T2 Fl. 11 7 Ao juntar em impugnação os recibos emitidos pelo Dr. Francisco Carlos Figueira (Fls. 1117), estes trazem expressamente em seu cabeçalho o endereço do profissional, qual seja, “Rua Domingos de Morais, 814 B1 III s/l conj. 11 – Vila Mariana – São Paulo”. Há também nos recibos, a indicação do nome e número de inscrição no CPF, assim como o número de inscrição no cadastro profissional, o valor recebido, a data e a forma de pagamento efetuada, isto é, mais do que a própria legislação exige. Ainda, da soma dos recibos apresentados, chegase ao valor de R$ 17.540,00, valor exato da suposta dedução indevida de despesas médicas. Mais força ainda, quando em seu Recurso Voluntário, junta o recorrente, extensa documentação (Fls. 4782), quanto aos exames e procedimentos por este sofridos, detalhando previsões de honorários, tomografias, histórico odontológico do paciente dentre outros. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em outras oportunidades análogas, assim já se manifestou a respeito: Número do Processo: 11080.723069/201069 Data de Publicação: 10/05/2013 Contribuinte: LUIZ HENRIQUE BIONDI Relator(a): MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. DEDUTIBILIDADE. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovadas. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. Para fins de dedução a título de despesas médicas, os recibos devem conter a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ do profissional que prestou serviço, podendo ser apresentada declaração complementando as informações constantes do referido recibo. (2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Número do Processo: 10410.002426/200542 Data de Publicação: 24/07/2013 Contribuinte: JOAO BATISTA DOS SANTOS Relator(a): RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são acatadas as despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, quando comprovadas por documentação que Fl. 98DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT 8 Assim, em atenção ao princípio da verdade real, levandose em conta os documentos juntados pelo recorrente, preenchendo todos os requisitos dispostos na legislação, voto pelo provimento do Recurso Voluntário, restabelecendo a dedução das despesas odontológicas no valor de R$ 17.540,00 relativamente à DIRPF do exercício 2012 (anocalendário 2011). (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 07/10/20 13 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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Numero do processo: 19647.010306/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 13/09/2005 a 07/03/2007
IMPORTAÇÃO. FRAUDE. MULTA REGULAMENTAR.
A importação de bens do exterior, com a utilização de recursos cuja origem não foi comprovada, caracteriza interposição fraudulenta de terceiros, com dano ao Erário, sujeitando o importador à pena de perdimento com posterior substituição por multa punitiva equivalente ao valor aduaneiro dos bens importados consumidos ou não localizados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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FRAUDE. MULTA REGULAMENTAR. A importação de bens do exterior, com a utilização de recursos cuja origem não foi comprovada, caracteriza interposição fraudulenta de terceiros, com dano ao Erário, sujeitando o importador à pena de perdimento com posterior substituição por multa punitiva equivalente ao valor aduaneiro dos bens importados consumidos ou não localizados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 03 06 /2 00 7- 81 Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Fortaleza que julgou improcedente a impugnação do lançamento da multa regulamentar isolada, na importação de bens do exterior pela impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas de forma fraudulenta, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 03/06 e Relatório de Fiscalização às fls. 13/28 e Relatório de Fiscalização Suplementar às fls. 29/34. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando, razões assim resumidas por aquela DRJ: 1) “A sede do Contribuinte está localizada no município do Cabo, onde .fica o complexo industrial portuário de Suape. Lá está o núcleo de operações físicas do Contribuinte, inclusive galpão onde armazena produtos que são distribuídos por suas hoje 95 revendedoras – dado não operar, dito Contribuinte, com venda direta de seus produtos ao público comprador. Ocorre que dita sede está, fisicamente, a 1 (uma) hora por carro, do Recife (em condições normais de tráfego). Sendo natural que, em boa parte do tempo, os controladores do Contribuinte permaneçam no Recife, em suas outras empresas. Entre elas a Total Distribuidora. No caso temos, então, não uma “maneira de obstar a apuração da origem dos recursos empregados nestas operações, e dos responsáveis por infração, à legislação em vigor” (pág. 2); mas, apenas, a comodidade de permanecer em escritório fisicamente mais próximo”; 2) “Não tem qualquer sentido essa referência a “denúncia espontânea”, no presente processo CTN, at. 138. Ate porque o Contribuinte não denunciou nada nem espontânea, nem não espontaneamente. Apenas responsabilizou um funcionário por não prestar informações corretas, à Receita Federal. E isso o disse claramente. Assim que percebeu não corresponderem à verdade essas informações, o demitiu. Precisamente por isso. Com todas as razões. Em seqüência contratou outro auditor, para responder por sua contabilidade; e encarregou um advogado, de prestar informações agora corretas. Sem que possa (ou deva), o Contribuinte, responder por afirmações de um funcionário que não procedeu adequadamente certo que jamais as fariam, pessoalmente, os controladores do Contribuinte, por serem incorretos. No caso, melhor semelhança se dá com declarações retificadoras do IR, em que o declarante não responde pelos dados da declaração posteriormente corrigidos [sic]. As novas declarações prestadas pelo Contribuinte, agora se reafirma, são absolutamente verazes. Sem dúvida possível. São essas as que devem ser consideradas, no presente caso. Apenas isso”,. 3) “Diz o relatório não ser “nada sensato esperar e exigir desta mesma autoridade uma completa adstrição aos preceitos jurídicos indicados na representação” (pág. 23). Vai mais longe: “As regras acaso consignadas na representação servem como indicativo da relevância dos fatos apurados. Todavia não vincularam a autoridade administrativa julgadora” (pág. 24). Entende de maneira diversa, o Contribuinte, com base em própria Lei 9.784/99, art. 26, que dispõe: Art. 26. § 1º A intimação deverá conter: VI Indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. Sem que possa a Receita Federal alterar os fatos, sobre os quais funda sua alteração; ou alterar a base legal de qualquer autuação com base nesses fatos. Certo que poderá sempre a Receita Federal, a qualquer tempo, proceder a nova autuação indicando outros fatos e outras bases legais que fundamentem essa autuação. Como em todas as democracias. Jamais ao correr do próprio processo, pois.”; 4) “Como visto e sabido, no presente processo, o Contribuinte teve seu capital formado por notas promissórias, só mais tarde quitadas. Desse gesto não se podendo Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.010306/200781 Acórdão n.º 3301001.921 S3C3T1 Fl. 1.058 3 tirar nenhuma conclusão afora a circunstância de ter que trabalhar com recursos financeiros de terceiros. Todos, sem nenhuma exceção, identificados no presente processo. A idéia de que possa ter havido “fraude ou simulação, a fim de ocultar os sujeitos passivos” (pág. 30) é irrealistica; que assim fazem os contrabandistas contumazes, aqueles que não podem (ou não querem) mostrar seus rostos. A simples idéia de que esses “sujeitos passivos” sejam o próprio sócio do Contribuinte, uma outra empresa sua, e um sócio seu nessa outra empresa, apenas usando o bom senso, não se sustenta. O controlador não integralizou capital por razões unicamente operacionais; até porque, sócio do Contribuinte, e nem teria como se “ocultar”. Sem contar que essa outra empresa do sócio controlador do Contribuinte, dedicada ao comércio de combustíveis, nada tem a ver com motocicletas”; 5) “a afirmação de que teria havido “irregularidades em operação de comércio exterior” (pág. 19), ou “fraude e sonegação” (pág. 30), sem que seja apresentado [sic] pelos fiscais uma (mica e solitária operação irregular, não pode ser considerada. Aqui, remetese o Contribuinte a sua defesa. Para reiterar que todos, absolutamente todos os recursos por ele utilizados, estão identificados. Sem uma única exceção. 6) “Alegam os fiscais que Eagle do Brasil e Paraíba Indústria não “ofereceram à fiscalização seus livros comerciais e fiscais”; esquecendo que ficaram provados os depósitos por estes efetuados, e os contratos de mútuos firmados entre as partes. No caso se deu apenas que, sem mais continuaram suas relações comerciais, não tem o Contribuinte como obrigar essas empresas a apresentar seus livros. Representando, os valores correspondentes a essas empresas, menos que 1% dos recursos utilizados pelo Contribuinte em suas atividades. Não obstante, reiterese, estando provada a origem desses recursos”; 7) “Admitir que possa o Contribuinte “servir de véu por trás do qual se mantinha [sic] ocultos (pág. 33) seu sócio controlador, empresa desse sócio controlador, e sócio do sócio controlador dessa última empresa, não se sustenta. Nem pode ser considerada “fraude” (pág. 34), essa prática. Muitos menos com “o escopo de ocultar de toda forma as sociedades empresariais e as pessoas responsáveis pelas operações” (pág. 34). Por estarem todas essas pessoas às claras: na Junta Comercial, na Receita Federal, na contabilidade do Contribuinte, nos contratos de mútuo”; 8) “A conclusão que, de que “o interessado se interpôs com o intuito de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados em operação de comércio exterior (pág. 36)resulta, assim, sem nenhum sentido. Por estarem escancaradamente à mostra, essas terceiras pessoas. Todas ligadas ao Contribuinte o sócio controlador e empresa que ele controla (e seus sócios)”; 9) “Aqui, apenas cabe observar ser contraditória, essa proposta, em relação ao restante do parecer. Porque, acaso considerada mesmo irregular a situação do Contribuinte, e jamais poderia ter dito Parecer considerado regular a situação do Contribuinte. Entendendo o Contribuinte que, ao efetuar essa proposta, no fundo a Receita Federal sabia perfeitamente bem quem era a empresa, e o cumprimento do seu papel social. Sem um Único valor, correspondente a tributo ou contribuições, que não tenham sido pagos durante todo esse período, só para lembrar”. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, retificando contudo o valor do crédito tributário, conforme acórdão nº 0821.760, datado de 06/09/2011, às fls. 975/1.015, sob as seguintes ementas: Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 “LANÇAMENTO. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO DE OFÍCIO. As irregularidades, incorreções e omissões que não importem em nulidade do lançamento serão sanadas pela autoridade julgadora quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo e este não lhes houver dado causa. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. INAPLICABILIDADE. Descabe falarse em interpretação da lei mais favorável ao acusado quando, no caso concreto, inexiste dúvida a ensejála. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos nela empregados. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. VERDADEIRO ADQUIRENTE. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, o qual, por ficção jurídica, é o verdadeiro adquirente da mercadoria.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1.029/1.049), requerendo a sua a reforma a fim de que se cancele, na íntegra, o lançamento da multa regulamentar isolada, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação, ou sejam a documentação apresentada comprova a legalidade da integralização do capital da recorrente e sua capacidade financeira para alavancar as importações. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado, a questão de mérito se restringe à comprovação da disponibilidade, origem e transferências dos recursos utilizados na importação considerada fraudulenta pela Fiscalização. O Decretolei nº 1.455, de 1976, em que se fundamentou a multa em discussão assim dispõe: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...]; Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.010306/200781 Acórdão n.º 3301001.921 S3C3T1 Fl. 1.059 5 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. [...].” Por sua vez, a IN SRF nº 228, de 2002, ao tratar da interposição fraudulenta na operação de comércio exterior por nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, assim dispõe: “Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. § 2º No caso de importação realizada por conta e ordem de terceiro, conforme disciplinado na legislação específica, o controle de que trata o caput será realizado considerando as operações e a capacidade econômica e financeira do terceiro, adquirente da mercadoria. Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: [..]; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).” Conforme demonstrado na decisão recorrida, a recorrente não conseguiu comprovar a origem do capital social integralizado e utilizado nas operações de importação, objeto do lançamento contestado. Do exame dos autos, verificamos que sua constituição se deu em 07/01/2005, sob a forma de sociedade por ações, com capital subscrito e realizado de R$1.000.000,00, com apenas dois sócios, o Sr. José Edson de Medeiros, com 95,0 % do capital, e José Florentino de M. Neto com os outros 5,0 %. Suas atividades se iniciaram em agosto de 2005. Intimada a comprovar a origem do capital integralizado e dos recursos utilizados nas importações, a recorrente alegou que os recursos foram obtidos mediante contratos de mútuos realizados com terceiros. Contudo, não apresentou os contratos firmados e, conseqüentemente, seus registros em cartórios, assim como não demonstrou o trânsito do numerário pela sua escrita fiscal. Tomo, ainda, a liberdade de transcreve parte da decisão recorrida, do relator Luiz Aldeisio de Oliveira Maia, comprovando a interposição fraudulenta, cujo fundamento adoto, a saber: “1) a apresentação, no inicio do procedimento especial de fiscalização, de extratos bancários adulterados, de forma a dificultar a identificação dos transferidores dos recursos aplicados em suas primeiras importações; 2) a apresentação de múltiplas versões para a integralização do seu capital social, incompatíveis entre si, porém acobertadas por documentos cuja reversibilidade não é tão simples quanto desdizer palavras; 3) a implausivel versão da constituição da empresa com base apenas em notas promissórias dos sócios e a integralização tardia do capital social, mediante lucro decorrente das operações feitas com recursos de terceiros vinculados à empresa autuada; 4) a inexistência de patrimônio próprio da empresa autuada, o que também demonstra falta de capacidade econômica; 5) as tratativas de interesse da empresa autuada junto a seus fornecedores e parceiros no exterior, feitas por pessoas ligadas as empresas Total Distribuidora Ltda. e Full Trading e Comércio Ltda. (atual Platinum Trading S/A), inclusive o Sr. Paulo Perez Machado, sóciogerente dessas empresas, antes mesmo de sua eleição para o cargo de diretor da autuada, demonstrando o compartilhamento de interesses e o vinculo que as uniam já à época dos fatos; 6) uso, pela empresa autuada em suas primeiras operações de comércio exterior, de recursos, no montante de R$ 5.500.000,00 (cinco milhões e quinhentos mil reais), provenientes de empréstimos feitos com pessoas jurídicas que não têm esta atividade dentre as que integram seu objeto societário, e mediante contratos com cláusula que permite ao mutuário utilizar os recursos tomados emprestados para extinguir obrigações do próprio mutuante, o que torna a autuada um instrumento de atuação daquelas empresas; Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.010306/200781 Acórdão n.º 3301001.921 S3C3T1 Fl. 1.060 7 7) o fato de figurar como avalista dos empréstimos obtidos de instituições financeiras, no total de R$ 7.654.803,15 (sete milhões, seiscentos e cinqüenta e quatro mil, oitocentos e três reais e quinze centavos), o Sr. Marcos José Bezerra Menezes, CPF n° 439.859.8.0497, um dos sóciosgerentes dos dois maiores provedores de recursos do interessado, Total Distribuidora Ltda., e Full Trading e Comércio Ltda. (atual Platinum Trading S/A); 8) o fato de gozar de crédito na praça, apesar de recémconstituída com capital social subscrito apenas com notas promissórias e sem possuir bem algum para abonar os empréstimos concedidos, evidenciando o suporte financeiro, econômico e operacional do grupo formado por Total Distribuidora Ltda, CNPJ n° 01.241.994/000524 e Platinum Trading S/A, antes Full Trading e Comércio Ltda., CNPJ n° 04.870.288/000106, pelo menos; além de, aqui também pelo menos, alguns dos sócios destas últimas, os Srs. Marcos José Bezerra Menezes, CPF n° 439.859.80497 e Paulo Perez Machado, CPF n° 002 304 76406; 9) a participação em comum da autuada e de seus fornecedores de recursos em acertos comerciais de grande relevo, tal qual aqueles que lhes dão a exclusividade de distribuição no Brasil de produtos de dois importantes fornecedores chineses: 5R Motors (Guangzhou) Co. Ltd. (com as empresas Eagle do Brasil Comércio Exterior S/A e Platinum Trading S/A) e Chongqing Shineray Motorcycle Manufacturing Co. Ltd. (com a empresa Platinum Trading S/A).” Ora, a simples alegação de que realizou a integralização do capital, mediante contratos de mútuos, sem a apresentação dos respectivos contratos devidamente registrados em cartório, não comprova a origem dos recursos. Também, em momento algum, a recorrente demonstrou o trânsito do numerário referente ao capital integralizado e o excesso utilizado nas importações, em sua escrita contábil. Assim, configurada a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importações realizadas pela recorrente e o consumo das mercadorias e/ ou a não localização destas, correta a aplicação da multa regulamentar no valor equivalente ao valor aduaneiro das importações. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 03 /07/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 17883.000267/2005-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA - SÚMULA CARF nº 1:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 16/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 67 /2 00 5- 24 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 EDITADO EM: 16/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em sessão plenária de 26/07/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 174.048, prolatandose o Acórdão 220200.615 (fls. 71 a 73), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRFONTE RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Sumula CARF n° 12). RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL – NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO Á EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. MULTA DE OFICIO COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS EXPEDIDO PELA FONTE PAGADORA EXCLUSÃO DE PENALIDADE Tendo a fonte pagadora informado no comprovante de rendimentos pagos ou creditados que a contribuinte era beneficiária de isenção indevida, levando a a incorrer em erro escusável e involuntário no preenchimento da declaração de ajuste anual, incabível a imputação da multa de oficio sobre o valor informado erroneamente, sendo de se excluir sua responsabilidade pela falta cometida. Recurso parcialmente provido.” A decisão foi assim resumida: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000267/200524 Acórdão n.º 9202002.847 CSRFT2 Fl. 7 3 “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Eduardo da Rocha Schmidt, OAB/RJ 11 0. 98.035.” Cientificada do acórdão em 19/08/2011 (fls. 74), a Fazenda Nacional interpôs, em 30/08/2011, o Recurso Especial de fls. 77 a 81, com fundamento no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a exoneração da multa de ofício. Ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, foi dado seguimento, conforme o Despacho 0000.831, de 28/09/2011 (fls. 84 a 88). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos, em síntese: a decisão recorrida dispensou a respectiva multa de oficio, ao argumento de que a fonte pagadora teria levado o contribuinte ao erro; pelos autos, verificase que se o sujeito passivo veio a sofrer autuação em decorrência de informação incorreta prestada pela fonte pagadora, não será a autuação fiscal que estará eivada de vicio; caberá, em princípio, ao contribuinte pleitear o respectivo ressarcimento em face da fonte de rendimentos, pois o lançamento está correto; não há dispositivo legal que estabeleça dispensa da multa de oficio para a hipótese dos autos; percebese que o Colegiado a quo ao aplicar critério de equidade, está a vulnerar o que determina o art. 97, VI do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributArios, ou de dispensa ou redução de penalidades ao excluir a multa de oficio, em virtude de um suposto erro do contribuinte, o acórdão recorrido deixou de aplicar uma norma vigente com base em um subjetivismo, portanto violou o art. 44, I da Lei n. 9.430/96 e o art. 136 do CTN. In verbis: Lei 9.430/96 "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) "Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato." o comando normativo é claro: se houve lançamento de oficio, a aplicação da multa de oficio de 75% se impõe; não há qualquer possibilidade de se admitir, neste caso, uma conduta discricionária da autoridade fiscal, em que esta poderia deixar ou não de aplicar a penalidade, segundo sua mera conveniência; devese mencionar, em observância ao art. 136 do CTN, que não há margem para subjetivismos quando da aplicação da legislação tributária em vigor; nesse sentido, não se deve enveredar pela busca da culpabilidade do contribuinte; questionamentos acerca de eventual erro cometido pelo contribuinte, se escusável ou inescusável, são irrelevantes ante a legalidade e a responsabilidade objetiva que regem a aplicação da legislação tributária (cita jurisprudência); assim, concluise que o lançamento realizado, com a respectiva cobrança de multa de oficio, é plenamente cabível e condizente com a legislação tributária vigente. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do recurso, restabelecendose a multa de ofício. Cientificada do acórdão, do recurso da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 15/09/2010 (fls. 91), a Contribuinte quedouse silente, conforme o Despacho de Encaminhamento de 23/11/2012 (fls. 179). Assim, em 11/12/2012, o presente processo foi encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme despacho de fls. 180. Às fls. 181 consta o Memorando nº 514/ASTEJ/CARF/MF, de 31/01/2013, encaminhando ao Sr. Presidente da Segunda Seção de Julgamento o Ofício nº 66/2012 PRFN 2ª REGIÃO/DIDE e Mandado de Intimação de Decisão nº MTL 0021.0000185/2013, acompanhados das peças relativas a ação judicial ajuizada pela Contribuinte (fls. 182 a 185). ÀS fls. 186 a 213, foram juntados aos autos documentos relativos à ação judicial. Em 04/03/2013, o processo foi enviado ao CARF, por meio do despacho de fls. 214, noticiandose a concessão de tutela antecipada. Às fls. 253 a 288 consta despacho do Sr. Presidente da Segunda Seção de Julgamentos, de 24/05/2013, por meio do qual são juntados documentos relativos à Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2012.51.01.0497638, ajuizada junto à Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, 21ª Vara Federal, para fins de verificação de concomitância de discussão nas esferas administrativa e judicial e eventual aplicação da Súmula CARF nº 1. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 17883.000267/200524 Acórdão n.º 9202002.847 CSRFT2 Fl. 8 5 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Trata o presente processo, de autuação por omissão de rendimentos recebidos a título de Abono Variável, por membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir da exigência a multa de oficio, por erro escusável, e é esta a matéria suscitada no Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. Entretanto, às fls. 253 a 288, consta despacho do Sr. Presidente da Segunda Seção de Julgamentos, de 24/05/2013, por meio do qual são juntados documentos relativos à Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2012.51.01.0497638, ajuizada pela Contribuinte junto à Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, 21ª Vara Federal, em 10/12/2012, versando sobre o mesmo objeto tratado no presente processo administrativo fiscal, caracterizandose assim a concomitância. A questão da concomitância de processo administrativo e ação judicial, versando sobre o mesmo objeto, encontrase sumulada, a saber: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” No presente caso, a ação judicial foi interposta após a prolação da decisão de Segunda Instância, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, e contra a qual foi interposto Recurso Especial da Fazenda Nacional. Para tais situações, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2209, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 2010, assim estabelece: ”Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo Fl. 293DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” (grifei) Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para declarar a definitividade do crédito tributário constituído no Auto de Infração. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 294DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10120.912610/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.124
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. RELATÓRIO O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito da Contribuição para o PIS/PASEP, no valor original de R$ 46.556,08, a ser compensado com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 12213.19765.171008.1.3.040290, transmitida eletronicamente em 17/10/2008, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.912610/200991 Resolução n.º 3202000.124 S3C3T2 Fl. 266 2 A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/6/2008 6912 46.556,08 17/7/2008 A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 4843456531 46.556,08 DB: cód 6912 – PA 30/6/2008 46.556,08 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 10.588,61. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 27), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão n° 0345.485 de 20/10/2011, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é Fl. 266DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.912610/200991 Resolução n.º 3202000.124 S3C3T2 Fl. 267 3 imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que: houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.912610/200991 Resolução n.º 3202000.124 S3C3T2 Fl. 268 4 a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação da Recorrente foi indeferido, por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. No seu entender, com a apresentação da declaração retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no Despacho Decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas na DCTF retificadora. A interessada, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ – Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Muito bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência Fl. 268DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.912610/200991 Resolução n.º 3202000.124 S3C3T2 Fl. 269 5 desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF – Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem – Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 269DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 13/08/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10860.900293/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.900293/200816 Recurso nº Resolução nº 3801000.478 – 1ª Turma Especial Data 21 de março de 2013 Assunto PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente MAXION SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. 1 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 00 29 3/ 20 08 -1 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, proferida pela DRJ Campinas (SP), fl. 26, que transcrevo a seguir: “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 6), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 7), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 8/13), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 10 do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente â época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a 2 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributaria; o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3341, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 0914. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. 3 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Em apertada síntese, requer a contribuinte que seja homologada a Declaração de Compensação (DCOMP)de fls. 02/06, alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi posteriormente corrigido através da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes na DIPJ apresentada. Ocorre que a Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação, referindo que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Ciente do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, contudo, sem apresentar parte da documentação informada, necessária para a análise do pedido, motivo pelo qual foi julgada improcedente a manifestação, restando não homologada a compensação pela DRJ de origem. Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. Primeiramente, é necessário observar que a recorrente anexou a mencionada DCTF retificadora, estando esta em consonância com as suas razões recursais, tendo em vista que nela se pode verificar com clareza a informação referente ao crédito existente no período no qual, através da informação da DCTF apresentada anteriormente, haveria débito. Quanto à apresentação da DCTF e da DCTF retificadora, dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que: Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, 4 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9ºA As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de 5 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.258, de 13 de março de 2012). Da análise da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil acima transcrita, concluise que a DCTF retificadora substitui integralmente à original. Este é o entendimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.06.0006180/SC RELATOR: Des. Federal JOEL ILAN PACIORNIK EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ. DCTF RETIFICADORA. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. ENCARGO LEGAL. 1. Consoante disposição do art.204doCTNe do art.3ºda Lei nº6.830/80, a dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez, a qual só pode ser ilidida por prova inequívoca em sentido contrário. 2. A DCTF retificadora substitui a DCTF anteriormente apresentada. 3. O Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, uma vez que não integra o rol das hipóteses legalmente previstas e aptas para tanto (art.151,III, doCTN). 4. Considerando que se encontra presente o encargo legal do Decreto Lei n1.025/69, não há falar em condenação da embargante ao pagamento dos honorários advocatícios. 5. Apelação improvida. (grifei) Havendo divergência encontrada na DCTF retificadora, esta deve ser objeto de auditoria interna da Receita Federal. Todavia, no caso em tela, a contribuinte apresentou também a DIPJ onde consta o crédito apontado, o que comprova a veracidade das suas informações, uma vez que é realizada a análise dos valores informados a título de créditos e débitos quando da apresentação desta, através do cruzamento das informações da Receita Federal com aquelas apresentadas na DIPJ pelo contribuinte. Desta forma, verificando a DIPJ apresentada, constatase que não existe débito no período informado. 6 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Acerca da análise, neste momento, da documentação comprobatória trazida aos autos somente quando da interposição do presente recurso, cumpre ressaltar que o processo administrativo fiscal tem por finalidade a apuração de fatos que podem ou não ensejar o direito de crédito para a Administração ou para o contribuinte. O processo administrativo tributário nada mais é do que uma revisão dos atos administrativos que culminam com o lançamento final do crédito tributário, de modo que o sujeito passivo possa discutir dentro do Executivo a existência de algum equívoco quanto ao lançamento do crédito tributário. É um instrumento de controle da qualidade que a administração dispõe para aperfeiçoar seus atos administrativos. Esta finalidade do processo administrativo enseja a aplicação, em seu âmbito, do princípio da verdade material. No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialemnte pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. 7 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 15/10/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12267.000335/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 35 /2 00 8- 41 Fl. 4280DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Fl. 4281DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 2301003.584 S2C3T1 Fl. 4.281 3 Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 4282DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: Fl. 4283DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 2301003.584 S2C3T1 Fl. 4.282 5 O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir Fl. 4284DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. CONCLUSÃO 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. Fl. 4285DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 12267.000335/200841 Acórdão n.º 2301003.584 S2C3T1 Fl. 4.283 7 (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 4286DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10882.902852/2008-74
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS QUANDO O CONTRIBUINTE JÁ NÃO MAIS SE ENCONTRAVA AMPARADO PELA ESPONTANEIDADE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS QUE ALICERCEM A RETIFICAÇÃO.
A retificação de DCTF para reduzir créditos tributários originariamente declarados requer a apresentação de prova do erro, sob pena do não acolhimento da retificação e do conseqüente não reconhecimento do direito creditório aduzido pelo sujeito passivo.
Recurso voluntário negado, uma vez não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito necessárias à liquidação de débitos tributários por compensação.
Numero da decisão: 3802-001.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS QUANDO O CONTRIBUINTE JÁ NÃO MAIS SE ENCONTRAVA AMPARADO PELA ESPONTANEIDADE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS QUE ALICERCEM A RETIFICAÇÃO. A retificação de DCTF para reduzir créditos tributários originariamente declarados requer a apresentação de prova do erro, sob pena do não acolhimento da retificação e do conseqüente não reconhecimento do direito creditório aduzido pelo sujeito passivo. Recurso voluntário negado, uma vez não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito necessárias à liquidação de débitos tributários por compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO DE DÉBITOS QUANDO O CONTRIBUINTE JÁ NÃO MAIS SE ENCONTRAVA AMPARADO PELA ESPONTANEIDADE. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS QUE ALICERCEM A RETIFICAÇÃO. A retificação de DCTF para reduzir créditos tributários originariamente declarados requer a apresentação de prova do erro, sob pena do não acolhimento da retificação e do conseqüente não reconhecimento do direito creditório aduzido pelo sujeito passivo. Recurso voluntário negado, uma vez não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito necessárias à liquidação de débitos tributários por compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 52 /2 00 8- 74 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ Campinas (fls. 25/29 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica diante da não confirmação do crédito informado, “[...] pois o DARF [...] discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal”. Alegou a interessada haver incorrido em equívoco ao preencher sua declaração de compensação, já que, no campo destinado a informar os dados relativos ao documento de arrecadação (DARF) – origem do crédito – , anotou indevidamente o valor a ser compensado. Ressaltou ainda que efetuou recolhimento a maior, fazendo jus à homologação da compensação em vista da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada protocolizou a juntada de DCTF retificadora, a qual, segundo alega, comprovaria a legitimidade do crédito requerido. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/03/2011(fls. 30). Inconformada, a mesma apresentou, em 20/04/2011, o recurso voluntário de fls. 31/38, onde reitera o equívoco cometido e defende ser factível a retificação da DCOMP, a pedido ou de ofício, com fulcro na busca da verdade material. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10882.902852/200874 Acórdão n.º 3802001.881 S3TE02 Fl. 70 3 Em relação à DCTF retificadora, ressalta que esta, associada às informações contidas no banco de dados da Receita Federal, notadamente inerentes à DIPJ, seriam suficientes para a comprovação do direito creditório aduzido. Ressalta ainda que, em casos análogos, a mesma DRJ Campinas entendeu por reconhecer o direito creditório decorrente do pagamento a maior ou indevido diante de erro de fato na informação prestada pelo contribuinte relativa a DARF em que se alicerçou o crédito. Acosta aos autos cópias dos acórdãos que, entende, corroboram sua tese. Por todo o exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 22/03/2011 (fls. 30). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 20/04/2011, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Conforme relatado, vêse que a recorrente, na prática, busca alterar o objeto de análise do pleito mediante a retificação do aduzido direito creditório declarado na DCOMP. Primeiramente, como bem ressaltado pela instância a quo, releva registrar que a contribuinte, ainda antes da emissão do despacho decisório, foi intimada a retificar as informações sobre o documento de arrecadação informado na DCOMP (v. fls. 23), sob pena de não homologação de sua compensação. No referido documento consta que o DARF indicado como fonte do crédito “[...] não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal”, e ainda, que o contribuinte poderia “[...] transmitir PER/DCOMP retificador” ou comparecer “[...] à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação e o(s) DARF original(is), no prazo indicado”. Todavia, nenhuma providência foi tomada pelo sujeito passivo, o qual somente depois de instaurado o litígio busca alterar o objeto do pleito voltado a extinguir créditos tributários mediante compensação, o que não se pode admitir. Com efeito, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não pode o contribuinte alterar o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento representaria verdadeira inovação do objeto do pleito, com conseqüências que poderiam envolver a usurpação da competência da autoridade responsável pela análise da matéria, o que ocorreria acaso a instância julgadora se manifestasse sobre a legitimidade de crédito tributário não arguido junto à autoridade responsável pelo exame. A aceitação da mudança de objeto do pedido uma vez instaurado o litígio violaria os princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Cumpre destacar que a modificação do pedido apresenta grandes limitações no direito processual como um todo, como se vislumbra do disposto no artigo 264 do CPC, abaixo reproduzido: Art. 264. Feita a citação, é defeso ao autor modificar o pedido ou a causa de pedir, sem o consentimento do réu, mantendose as mesmas partes, salvo as substituições permitidas por lei.(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Parágrafo único. A alteração do pedido ou da causa de pedir em nenhuma hipótese será permitida após o saneamento do processo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Ainda que fosse admitida a possibilidade de alteração dos créditos declarados na DCOMP na fase do contencioso, tal não seria suficiente para redundar em um reconhecimento de direito creditório favoravelmente ao sujeito passivo, já que a retificação da DCTF apresentada pela interessada se deu de forma intempestiva, e não foi acostada aos autos nenhuma prova que pudesse levar ao reconhecimento do direito reclamado. Com efeito, constatase, às fls. 11 do processo eletrônico, que a DCTF retificadora só foi transmitida em 25/02/2009, ou seja, posteriormente à ciência do despacho decisório que cientificou a interessada da não homologação de sua compensação, ciência esta que se deu em 22/08/2008, conforme fls. 21 da cópia digitalizada do processo. À época da retificação da DCTF vigorava a IN RFB no 903, de 30/12/2008, onde está consignado que a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]” (ver artigo 11, § 1º). A retificação automática somente não produziria efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tivessem sido enviados à PGFN para inscrição em dívida ativa, ou ainda, acaso a pessoa jurídica já tivesse sido intimada do início de procedimento fiscal, ou seja, quando já não mais resguardada pela espontaneidade, como no caso presente, já que a empresa fora notificada do indeferimento de seu pleito. Reproduzo, abaixo, o mencionado artigo 11 da IN RFB no 903, de 2008, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10882.902852/200874 Acórdão n.º 3802001.881 S3TE02 Fl. 71 5 § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do ano calendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Além de ter apresentado DCTF retificadora depois de notificada da não homologação da compensação pleiteada, a reclamante, como já dito, não apresentou nenhuma prova do suposto direito creditório, isso mesmo ciente da necessidade de comprovar a liquidez e a certeza do crédito. A interessada, portanto, ficou inteiramente ciente das razões que levaram ao indeferimento de seu pedido e comparece agora, novamente, sem apresentar a prova do crédito alegado, cujo ônus é da própria recorrente, e não do Fisco, como alega. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Portanto, e considerando: a) que o sujeito passivo, mesmo tendo sido intimado da não localização, nos sistemas da Receita Federal, do DARF informado na DCOMP, não procedeu à retificação da aludida declaração; b) que a lide tem como delimitação o crédito aduzido pelo sujeito passivo, não se admitindo a mudança do objeto do pleito quando já instaurado o contencioso; c) que a DCTF retificadora foi transmitida quando a recorrente não mais se encontrava resguardada pela espontaneidade; e, d) que não há, nos autos, nenhuma documentação minimamente suficiente à demonstração de direito creditório favoravelmente ao sujeito passivo, condição obrigatória à liquidação de débitos tributários por compensação; voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 23 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/09/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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