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Numero do processo: 16327.001725/2007-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
PERC
Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1103-000.661
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, dar provimento por unanimidade.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 PERC Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 3ª turma ordinária do primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, dar provimento por unanimidade. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, relativo ao anocalendário de 2004, protocolizado em 19/09/2007 pelo contribuinte acima identificado (fls. 2). Conforme dados constantes da ficha 36 – Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ (fls. 19), o contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda, no montante de R$303.474,86, para aplicação no FINOR. Todavia, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls. 138 a 140, em razão de irregularidades fiscais do contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, além de estar inscrito no Cadastro informativo de créditos não quitados do setor público federal CADIN. Cientificado dessa decisão em 20/08/2008 (AR de fls. 142), o contribuinte protocolizou, em 18/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 153 a 162, acompanhada dos documentos de fls. 163 a 223. O requerente contesta a alegação da autoridade a quo de que estaria em situação irregular desde a protocolização do PERC até o momento em que foi proferido o despacho decisório. Sustenta o requerente que a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa é documento hábil para comprovar sua regularidade perante a RFB e a PGFN, a teor do disposto nos artigos 205 e 206 do CTN. Acrescenta que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacífica no sentido de que a regularidade fiscal deve ser comprovada no momento do protocolo do PERC. Assim, conclui que sua regularidade fiscal está comprovada pela Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de fls. 7. Quanto ao processo administrativo nº 16327.000007/200411, inscrito no CADIN, alega o requerente que a exigibilidade dos créditos tributários está suspensa em razão de tutela antecipada deferida na Ação Declaratória nº 2008.61.00.0191036 e de depósitos judiciais efetuados nos autos do Mandado de Segurança nº 96.0031720 e da Ação Declaratória nº 2008.61.00.0204651, fatos já esclarecidos perante a Deinf/SPO (fls. 169 a 223). Em 17/11/2008, o contribuinte apresentou a petição de fls. 227, requerendo a juntada de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa válida até 03/05/2009 (fls. 228) e de despacho proferido pela Deinf/SPO que reconheceu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários do processo nº 16327.000007/200411 (fls. 229). A 10ª Turma da DRJ de SP/ I decidiu (ementa): “INCENTIVO FISCAL. FINOR. REQUISITOS. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais pelo contribuinte, bem como sua inscrição no CADIN, impedem o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais.” Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.001725/200757 Acórdão n.º 110300.661 S1C1T3 Fl. 2 3 0 argumento acima é totalmente infundado, pois, ao contrário do entendimento da D. DRJ em São Paulo, a situação da Recorrente está e sempre esteve regular perante a SRFB, a PGFN e, consequentemente, no CADIN. Isso porque, tal como reconhecido pela própria r. decisão, ora recorrida, a Recorrente apresentou à época do protocolo do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, "Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União", juntada aos autos às fls. 07. Notase que referida Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, ora juntada, é eficaz, comportando, inclusive, os "supostos" débitos apontados pela Fiscalização, relacionados com o Processo Administrativo Fiscal n° 16327.000007/200411. Posteriormente, a Recorrente apresentou outros documentos, ratificando a sua regularidade fiscal, bem como comprovando a inexistência de débitos pendentes no citado processo administrativo e, por conseguinte, a indevida inclusão no CADIN, quaís sejam: a) Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União, com validade até 03/05/09; e b) Despacho proferido pela D. DEINF/SP, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário constante dos autos do Processo Administrativo n 2 16327.000007/2004 11. Portanto, não há qualquer dúvida quanto à regularidade fiscal da Recorrente, em face dos documentos acostados aos autos. Cabe ressaltar, por importante, que a Certidão Positiva com Efeito de Negativa tem o mesmo efeito da CND e, por conseguinte, ao contrário do entendimento da D. DRJ, comprova a regularidade fiscal perante os órgãos públicos, conforme estabelecem os artigos 205 e 206, ambos do CTN. Por fim, cabe destacar que o posicionamento pacífico desse E. CARF é no sentido de que o contribuinte tem direito ao benefício (PERC) se comprovou sua regularidade fiscal quando do protocolo do respectivo pedido. E esse é exatamente o caso dos autos, pois a Recorrente apresentou à época do protocolo do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, "Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União", juntada aos autos às fls. 07. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. De fato na fl. 7, consta a Certidão Conjunta Positiva com efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e a Dívida Ativa da União. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Quanto ao critério temporal utilizado para a verificação da regularidade fiscal do contribuinte, deve ser observada a Súmula CARF nº 37, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 37 Para fins de deferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.” Quanto aos créditos tributários relativos ao processo administrativo nº 16327.000007/200411 (inscrita no CADIN), estes já estavam com a exigibilidade suspensa de acordo com o despacho proferido pela Deinf/SPO/Dicat em 01/10/2008. Assim, deve ser reconhecida a regularidade fiscal da recorrente. De todo o exposto voto por da provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002099/99-83
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 11/12/1989 a 09/03/1994
PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/12/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de dezembro de 1989 a março de 1994.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: NANCI GAMA
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materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 11/12/1989 a 09/03/1994 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/12/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de dezembro de 1989 a março de 1994. Recurso Extraordinário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Nanci Gama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-04-11T00:45:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-04-11T00:45:08Z; Last-Modified: 2013-04-11T00:45:08Z; dcterms:modified: 2013-04-11T00:45:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2013-04-11T00:45:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-04-11T00:45:08Z; meta:save-date: 2013-04-11T00:45:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-04-11T00:45:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-04-11T00:45:08Z; created: 2013-04-11T00:45:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-04-11T00:45:08Z; pdf:charsPerPage: 2499; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: iText 2.1.7 by 1T3XT; pdf:docinfo:created: 2013-04-11T00:45:08Z | Conteúdo => CSRFPL Fl. 303 1 302 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10835.002099/9983 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.754 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida EKILÍBRIO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES RANCHARIA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 11/12/1989 a 09/03/1994 PIS. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 14/12/1999, antes da vigência da Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, reconheço o direito de o contribuinte pleitear restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de dezembro de 1989 a março de 1994. Recurso Extraordinário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 20 99 /9 9- 83 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martínez López, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de nº 0202.912, proferido pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer o direito de o contribuinte pleitear, em 14/12/1999, restituição/compensação de valores de PIS cujos fatos geradores ocorreram entre dezembro de 1989 e março de 1994. Para tanto, a Segunda Turma considerou que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de valores de PIS nos presentes autos seria de 5 (cinco) anos contados a partir da publicação, em 09/10/1995, da Resolução do Senado Federal de nº 49, a qual suspendeu a execução dos inconstitucionais Decretos Leis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, conforme ementa a seguir: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para apresentação de pedido de restituição é de cinco anos, contados da data de publicação da resolução do Senado Federal que suspendeu a execução da lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado.” Inconformada, a Fazenda Nacional, com fulcro nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº Fl. 304DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10835.002099/9983 Acórdão n.º 9900000.754 CSRFPL Fl. 304 3 147/2007, interpôs recurso extraordinário com base no acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais utilizado como paradigma, qual seja, o de nº 0400.810, para aduzir que o prazo para pleitear restituição/compensação é de 5 (cinco) anos contados a partir da data de extinção do crédito tributário conforme previsão dos artigos 165 e 168, I, do CTN. O acórdão paradigma restouse assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – ILL – O direito de pleitear restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” A Recorrente complementa, ainda, que o advento da Lei Complementar 118/2005 teria encerrado definitivamente a controvérsia sobre o tema, tendo em vista que o seu artigo 3º prevê que “para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei”. E, entendendo que aludido dispositivo deteria caráter interpretativo, a Fazenda Nacional alega que caberia a sua aplicação retroativa nos presentes autos, conforme previsão do artigo 106, I, do CTN. A Recorrente alega, também, a necessidade de observância ao disposto no Ato Declaratório SRF nº 96, de 1999, o qual considera que “o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário”. O i. Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheceu o dissídio jurisprudencial e deu seguimento ao recurso extraordinário. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 275/301 aduzindo que o recurso extraordinário da Fazenda Nacional sequer deveria ser conhecido e que, na remota hipótese de o mesmo ser conhecido, que lhe fosse negado provimento. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso extraordinário é tempestivo, razão pela qual passo a analisar seus pressupostos de admissibilidade em conformidade ao Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Primeiramente, quanto à divergência entre acórdãos recorrido e paradigma, entendo ter a mesma sido devidamente demonstrada. Isso porquê ao passo que o acórdão recorrido respaldou o entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (PIS), se inicia a partir da edição do ato normativo que dispensa o pagamento desse tributo, o acórdão paradigma respaldou entendimento de que o prazo de 5 (cinco) anos, para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação (ILL), se inicia a partir da data da extinção do crédito tributário “sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro”. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/20071, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/20092, também entendo terem os mesmos sido devidamente demonstrados, razão pela qual conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia aduzida nos presentes autos cingese, basicamente, em determinar o prazo para o contribuinte pleitear restituição dos valores de PIS recolhidos com base nas sistemáticas instituídas pelos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.448/88, os quais tiveram suas execuções suspensas por força da Resolução do Senado Federal de nº 49/95, publicada com base em decisão do STF que reconheceu as suas inconstitucionalidades. Conforme se infere do relatório, o acórdão recorrido entendeu que o prazo para pleitear restituição deve ser de 5 (cinco) anos contados a partir da data da publicação de aludida Resolução do Senado Federal. Em contrapartida, a Fazenda Nacional entende que o prazo para pleitear restituição é de 5 (cinco) anos contados a partir das datas de extinção do crédito tributário, ocorridas entre dezembro de 1989 e março de 1994, e que, portanto, o pedido de restituição, protocolado em 14/12/1999, já estaria prescrito. 1 “Art. 9º Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” 2 “Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos artigos 15 e 16, no art. 18 e nos artigos 43 e 44 daquele Regimento. (Redação dada pela Portaria MF nº 446, de 27 de agosto de 2009).” Fl. 306DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10835.002099/9983 Acórdão n.º 9900000.754 CSRFPL Fl. 305 5 Considerando que o artigo 62A3 do atual Regimento Interno do CARF, qual seja, o aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vincula os Conselheiros do CARF às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em sede de recurso especial repetitivo, cabe a esta Relatora aplicar ao presente caso o entendimento do STF consubstanciado no julgamento do RE nº 566.621, bem como o entendimento do STJ objeto do julgamento do REsp nº 1.002.932. De acordo com referida jurisprudência, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação será, para os pedidos de compensação protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118 ocorrida em 09/06/2005, o de 10 (dez) anos, ou seja, 5 (cinco) anos para homologar (artigo 150, § 4º, do CTN) mais 5 (cinco) anos, a partir dessa homologação, para pleitear restituição (artigo 168, I, do CTN). E, em se tratando a contribuição para o PIS de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado antes do dia 09/06/2005 (vigência da LC 118/05), plenamente aplicável ao presente caso a tese dos 5 (cinco) anos mais 5 (cinco) anos objeto do REsp nº 1.002.932, por força da decisão do STF objeto do RE nº 566.621. O acórdão do Supremo Tribunal Federal restou assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também 3 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Em face do exposto, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto no sentido de lhe negar provimento para afastar a prescrição do pedido, protocolado em 14/12/1999, de restituição/compensação da totalidade dos valores de PIS, os quais são relativos ao período de apuração de dezembro de 1989 a março de 1994. Nanci Gama Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 19647.004442/2003-17
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO.
É de se reconhecer o direito à compensação de débitos da própria pessoa jurídica com créditos oriundos de pagamento efetuado indevidamente, em respeito à vedação de enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes.
MULTA CONFISCATÓRIA.
A vedação constitucional à utilização de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador que deve observá-la na elaboração das leis. Este fato não se confunde com o caráter coercitivo da multa cujo intuito é de evitar determinadas práticas definidas pelo legislador.
INCONSTITUCIONALIDADE COMPETÊNCIA.
Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. Cabe à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É legítima a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da Lei nº 9.430/96, porque o § 1º do art. 161 do CTN ressalvou a possibilidade de lei ordinária dispor de forma diversa. O § 3º do art. 192 da CF que limitava os juros a 12% a.a. foi revogado pela EC nº 40/2003.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-79419
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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' Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 19647.004442/2003-17, mf..segundo C?nsen:±side CcindaubunesU: Recurso n2 : 129.496 r • Acórdão n2 : 201-79.419 Pub:Istr,D o I de 4/10» Recorrente : J. MARIA SILVA Recorrida DRJ em Recife - PE NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. É de se reconhecer o direito à compensação de débitos da própria pessoa jurídica com créditos oriundos de pagamento efetuado indevidamente, em respeito à vedação de enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes. MULTA CONFISCATORIA. A vedação constitucional à utilização de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador que deve observá-la na elaboração das leis. Este fato não se confunde com o caráter coercitivo da multa cujo intuito é de evitar determinadas práticas definidas pelo legislador. INCONSTITUCIONALIDADE COMPETÊNCIA. Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. Cabe à autoridade administrativa apenas aplica-la, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC É legitima a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, nos termos da Lei n2 9.430/96, porque o § 1 2 do art. 161 do CTN ressalvou a possibilidade de lei ordinária dispor de forma diversa. O § 3 2 do art. 192 da CF que limitava os juros a 12% a.a. foi revogado pela EC n2 40/2003. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por J. MARIA SILVA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2006. 4acL QAPPOJWc1/4. J.Àfi@CUtir . sefa Maria Coelho Marques Presidente MF - SEGUNDO CONVIIHO DE CONTRIBUINTES I CONFERE COM O 02!C:HP.I. I erasiiia CA I 1 1 j 0 4 1 Ma i a e Silva Relator tuna C:Uukíia Si it a Castro Mal Siape 92) 3C, Participaram ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Gileno Gurjão <Barreto, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidail e Gustavo Vieira de Melo Monteiro. • 22 CC-MF , Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes mi:. sEG'Imoo coNsguiD DE Di..»,71:z:BuINTEs - Processo n' : 19647.004442/2003-17 CONFERE: COM O Wi3:NAL Recurso o' 129.496iltasq•a 05I ' • — -„j_ f O Ç. Acórdão o' : 201-79419 1 Ivana Cláudia SiNa Recorrente : J. MARIA SILVA g htzu. ',tape f RELATÓRIO J. MARIA SILVA, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, por meio do Recurso de fls. 354/378, contra o Acórdão n 2 9.376, de 3/9/2004, prolatado pela 4t Turma de Julgamento da DRJ em Recife - PE, fls. 339/349, que julgou procedente em parte o auto de infração lavrado em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Cofins (fls.06/09), referente a períodos de janeiro/2001 a dezembro/2002, • perfazendo um crédito tributário de R$ 510.261,88, à época do lançamento, cuja ciência ocorreu em 10/11/2003. Conforme consignado no "Termo de Verificação e de Encerramento de Ação • Fiscal" (fls. 17/19), a contribuinte permaneceu, indevidamente, enquadrada no sistema Simples desde do ano-calendário de 2001. Assim sendo, foi emitido o Ato Declaratório n 2 91, publicado no D.O.0 em 20/10/2003, com efeitos a partir de 1/1/2001. Segundo o fiscal autuante (fl. 18), houve reiteradas entregas de Declaração pelo Simples, registrando valores inferiores aos escriturados no Livro de Apuração de ICMS, o qual serviu de base ao presente lançamento. Em 9/12/2003, a interessada apresentou uma peça única de impugnação, fls. 260/284, dirigida aos cinco autos de. infração, Processos d's 19647.002785/2003-39, 19647.004441/2003-64, 19647.004443/2003-53, 19647.00444/2003-06 e 19647.004442/2003-17, acrescida de documentos de fls. 285/332, na qual alega, em síntese, o seguinte: 1) nos meses de outubro/2000 e novembro/200I, não foram consideradas as devoluções de vendas; 2) contesta a autuação referente ao IPI no valor de R$ 27.011,04; •• 3) os pagamentos realizados a título de Simples, nos anos calendários de 1999 a 2003, encontram-se desalocados, solicitando a compensação destes valores; 4) a multa de oficio de 75% fere os princípios da capacidade contributiva e do não confisco, requerendo a redução desta para 30%; 5) do anatocismo e da limitação constitucional dos juros de 12% ao ano, portanto, inconstitucional a aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic. A DRJ considerou procedente em parte o auto de infração, reduzindo o valor devido no mês de novembro/2001, tendo o acórdão a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2002 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. ruit 2 MÇ:" 22 CC-MF -Ministério da Fazenda - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O, OR: 1-1: NAL Fl. .;n:,.! Segundo Conselho de Contribuintes , Brasla. 05 r_ _0» I Processo n' : 19647.004442/2003-17 Recurso n' : 129.496 Ivan ClAtAlia Silvt, Czrato Acórdão n 201-79.419 Ntat Siape : I .I6 • • FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. - Apurados, através de procedimento de oficio, valores devidos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a autuação, com a aplicação da multa de oficio. . • • BASE DE CÁLCULO. • • OS valores consignacks no livro de apuração do ICMS na coluna de sOidas corno devoluções de compras não compõem a base de cálculo para apuração dos valores • devidos da COFINS. . . COMPENSAÇÃO — PAGAMENTOS INDEVIDOS. .• • ' • • Os pagamentos efetuados pela sistemática do SIMPLES, quando a empresa foi excluída • . de oficio retroativamente, são indevidos e para sua restituição/compensação devem . ; • seguir os tramites da I7V SRF n° 210 de 2002, c/c a LV SRF n.°322 de 24/04/2003.• - • • . , MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) — • • . INCONSTITUCIONALIDADE. . • .Não está compreendida no espectro de competência das Autoridades Administrativas de • . Julgamento a apreciação de alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. ., federal. • Lançamento Procedente em Parte". . . • Inconformada, a contribuinte prótocolizou, em 12/11/2004, recurso voluntário, •- • • novamente apresentando uma única peça recursal para todos seus processos, porém, efetuando - considerações especificas aos Processos n2s 19647.002785/2003-39 — exclusão de imposto único . ?, Simples e 19647.004444/2003-06 — auto de infração do imposto Simples, repisando os - • argumentos anteriormente aduzidos. • , • Às fls. 382/385 consta o arrolamento recursal necessário. • É o relatório. • . • • . _ • 1 - NIF - SEGUNDO CONSELHO DE Cr;NTRIBUINTES 22 CC-MF 3/4w Ministério da Fazenda CONFERE COM O Fl. Segundo Conselho de ContribuintesO ço Brasil:a. O 49 i Processo n2 : 19647.004442/2003-17 is na Clàudia S a: Castro Recurso»2 : 129.496 Mut Siape 92136 • 5 Acórdão n2 : 201-79.419 • • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA • • O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, - razão pela qual dele se conhece. Inicialmente cabe repisar que a recorrente apresentou, tal qual em sua impugnação, "uma só peça recursal para os cinco processos, porém, desta vez, pontuando isoladamente alguns itens específicos de determinados autos de infração. Portanto, a apreciação deste recurso cingir-se-á às matérias pertinentes ao presente processo. Conforme decidiu a recorrida, a compensação é uma faculdade de que dispõe a • . contribuinte, a ser exercida conforme rito que lhe é próprio. Desse modo, não compete ao fiscal • • • autuante proceder à compen gaCão de oficio, até porque a contribuinte pode ter-se utilizado desses créditos em algurà momento, efetuando 'uma Outra .compensação. Porém, o presente cato requer uma maior reflexão e ponderação das questões envolvidas, conforme se demonstrará. A contribuinte solicitou, tanto em sua impugnação quanto em seu recurso, que a administração tributária proceda a compensação em questão. Este fato determina que a - interessada se obrigue a ficar inerte, aguardando a decisão de seu pleito, impedindo-a de requerê- la, simultaneamente, de acordo com as regras que regulamentam esse procedimento. Assim sendo, do " moniento que a contribuinte solicitou que fosse efetuada a - compensação, houve a interrupção do prazo prescricional, o qual corre em desfavor da contribuinte. Em sentido contrário, do momento eni que essa compensação lhe é negada, restaria • se submeter ao rito próprio para tê-la concretizada. Entretanto, neste caso, seu direito encontrar- se-ia parcialmente fulminando pela prescrição. • •A finalidade da norma que possibilita a compensação é prestigiar o principio que veda o enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes. Portanto, considerando os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do enriquecimento sem causa, no presente caso, reconheço • o direito de a recorrente ter abatido dos débitos, objeto do presente lançamento, os créditos - porventura existentes decorrentes do recolhimento na modalidade Simples. • .. Quanto à multa confiscatória e a inobservância da capacidade contributiva é de se esclarecer que a vedação constitucional à utilização de tributo com efeito confiscatório e a observância da capacidade contributiva são dirigidas ao legislador que. deve levar em consideração tais princípios, na elaboração das leis. Este fato não se confunde com o caráter - coercitivo da multa de oficio cujo intuito é de evitar determinadas práticas definidas pelo - legislador. Os órgãos de julgamento administrativo não têm competência para negar vigência à lei, sob a mera alegação de sua inconstitucionalidade. Cabe à autoridade administrativa apenas aplicá-la, nos moldes da legislação que a instituiu, não havendo previsão le gislativa para que este órgão julgador substitua a multa de oficio de 75% por outra de 30%. Sobre a ilegalidade da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, aplicável aos débitos fiscais, cabe consignar que as Leis n22 9.065/95, art. 13, e 9.430/96, art. 61, § 32, que normatizam sua aplicação, estão em perfeita harmonia com o art. 161 do CTN, que rcg 4 • \ Ministério da Fazenda - SEGUME",0::ONSELHICIET:r.INTSiBUINTES 22 CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes Bilfi (r) • Li ; O (1 Processo n2 : 19647.004442/2003-17 et, bana Cláudia S:lvt: Calaro Recurso n2 : 129.496 Siepe ; 3f, Acórdão n2 : 201-79.419 autorizou a lei ordinária a dispor de modo diverso do estabelecido na norma complementar e em momento algum exigiu que a taxa fosse fixada pela lei em sentido estrito. Estando o encargo previsto em normas jurídicas emanadas do órgão legiferante competente, só resta à Administração Pública velar pela sua fiel aplicação, restando aos - inconformados buscar a tutela de seus direitos na via judicial. • Registre-se, por oportuno, que a limitação constitucional de juros ao patamar de 12% ao ano foi revogada pela Emenda Constitucional n2 40, de 29/5/2003, que deu nova redação ao art. 192, revogando o § .32, não, mais havendo previsão limitativa de juros, embora que, quando ainda vigorava, o STF já havia se pronunciado no sentido de não se tratar de norma auto- - aplicável, dependendo de legislação complementar para sua aplicação. Diferente do que aduz a recorrente, não ocorre anatocismo, pois, conforme se - verifica no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (fls. 12/13), os juros foram calculados pela soma dos valores mensais, através de juros simples e não compostos, obedecendo ao que dispõe a legislação pertinente à matéria. Ante o exposto, dou provimento , parcial ao recurso voluntário interposto pela recorrente par. a acolher compensação requerida. Desse modo, a DRF de origem deverá proceder ao novo cálculo, levando em conta os valores pagos 'a titulo de Simples, que não tenham sido •. „ aproveitados pela contribuinte, para determinar o saldo remanescente desfavorável à recorrente, no auto de infração. • Sala das Sessões, em 29 de junho de 2006. . • MA ' ICIO TA •• .4 Là 4$ SILVA , • • . • 5 Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1
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Numero do processo: 37172.001332/2005-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DE DILIGÊNCIA REALIZADA PELO FISCO.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa, por cerceamento do direito de defesa.
Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2301-000.185
Decisão: ACORDAM os membros da 3ªCâmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Julio Cesar Vieira Gomes. Apresentará o voto divergente vencedor o conselheiro Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DE DILIGÊNCIA REALIZADA PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa, por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Processo Anulado
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Recorrida DRP/CONTAGEM/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/05/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CON'TRIBU1NTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DE DILIGÊNCIA REALIZADA PELO FISCO. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico- procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa, pbr cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. • Processo Anulado V.-- Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. II (f . • Processo n• 371 72.001332J2005-62 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.185 Fl. 762 • ACORDAM os membros da 3* Câmara / 1 Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, anular a decisão de primeira instância. Vencidos os Conselheiros Marco Andr r Ramos Vieira e Julio Cesar Vieira Gomes. Apresentará o voto divergente vencedor o Co . lh o Damião Cordeiro de Moraes. \ i 14 iL4 \ P JULI el ESA • VIEIRA GOMES Presiden t tiii,.. Ia DAMIÃO CO.111- • O DE MORAES Redator Designado Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). " Processo n°37172.001332/2005-62 62-C3T1 Acórdão n.°2301-00.185 Fl. 763 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos empregados e da empresa, incluindo a relativa aos Terceiros, apurados por meio de aferição indireta pela ausência da apresentação de documentos, referente ao período compreendido entre as competências janeiro de 2002 a maio de 2004, fls. 36 a 38. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela entidade, fls. 42 a 52. Em função da documentação juntada na impugnação, foi comandada diligência fiscal, fl. 640. A fiscalização manifestou-se às fls. 641 a 642, juntando planilhas às fls. 643 a 644. Foi exarada a Decisão-Notificação, que confirmou a procedência do lançamento, em parte, fls. 690 a 696. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 734 a 745. A unidade da Receita Previdenciária apresentou contra-razões às fls. 750 a 754, sugerindo a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. • Processo rt• 37172.001332/2005-62 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.185 Fl. 764 Voto Vencido Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 749; pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Tendo em vista a discussão acerca da nulidade ou não da Decisão- Notificação pela ausência da intimação de informações juntadas às fls. 641 a 642, há que ser analisada tal preliminar por este Colegiado. Entendo que não há vicio na falta de intimação das informações juntadas, pois no presente caso não foram juntados documentos novos pela fiscalização. As informações tiveram natureza de simples réplica na forma prevista nos artigos 326 e 327 do CPC — Código de Processo Civil. De acordo com o CPC, haverá réplica quando na impugnação o autuado tiver alegado alguma questão preliminar, ou tiver aduzido fato constitutivo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco. No caso, a fiscalização apenas foi instada a se manifestar acerca das argumentações apresentadas e documentos juntados em fase de impugnação pelas notificadas. Ainda mais que no presente caso não foram apresentados documentos durante a ação fiscal, o que gerou a aferição dos valores. Se não há documento novo, a falta da intimação da manifestação não causa cerceamento de defesa, tampouco fere o principio do contraditório. Assim sendo, uma vez que no processo civil não é aberto prazo para contra- razões de réplica, e considerando que o CPC aplica-se subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, não há necessidade, in casu, de se abrir prazo para manifestação após as informações prestadas pela fiscalização. Mesmo porquê se fosse aberto prazo para manifestação de réplica, deveria ser aberto prazo para manifestação da manifestação, e desse modo, o processo nunca findaria, pois entraria em um circulo vicioso. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade da Decisão-Notificação. É como voto. Sala das Sessões em 05 de mal • de 2009 01.11114"-411e1P ;alkitt • -4 •.1 , a 1 24 OS VIEIRA — Conselheiro 1CC e Processo n° 37172.001332/2005-62 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.185 Fl. 765 Voto Vencedor Conselheiro, DAMIA0 CORDEIRO DE MORAES - Redator Designado 1.Peço licença ao nobre Conselheiro relator para divergir do seu voto. 2. Compulsando os autos verifico que, antes de proferida a decisão recorrida, foram comandadas pelo fisco diligências, com a prestação de novas informações, sem que a empresa fosse regularmente cientificada. 3. Irregularidade que considero prejudicial à recorrente, uma vez que somente em sede de recurso teve a oportunidade de conhecer dos fatos, esclarecimentos e documentos juntados ao processo fiscal pelo fisco e exercer o sei direito ao contraditório. 4. E a atitude adotada pelo julgador de primeira instância, corroborando procedimento cerceador do direito de defesa da recorrente, tem sido combatida por decisões adotadas em processos semelhantes. Nesse sentido, peço licença para transcrever a ementa do Acórdão ri° 205-00098 (voto vencedor Conselheiro Darnião Cordeiro de Moraes), verbis: "Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DE DILIGÊNCIA E DOCUMENTOS JUNTADOS PELO FISCO. I. Á ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa, por cerceamento do direito de defesa. 2. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa." Decisão de primeira instância anulada D.O.U. de 15/05/2008, Seção N" 01, págs. n°41 a 47" 5. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, assevera de forma solar que a ampla defesa deve ser observada no processo administrativo: "A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Maniftsta-se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa opor-se a pretensão do fisco, fazendo-se serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações." tÍd—. Processo n° 37172.001332/2005-62 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-00.185 • TI. 766 6. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto n° 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Restando, portanto, patente o prejuízo para a defesa do recorrente, maculando a decisão recorrida que não saneou o processo para garantir à empresa o contraditório. 7. Sendo assim, entendo ser necessário anular a decisão recorrida para que os autos retornem à instância originária, a fim de que se dê ciência à empresa 'contribuinte do resultado da diligênciaconcedendo-lhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. 8. Feitas estas considerações, meu voto é pela ANULAÇÃO da decisão recorrida. Sala das Sessões, e . io de 2009 fre DAMIÃO CORDEIRO i E MORAES — Redator Designado 6 Page 1 _0062200.PDF Page 1 _0062300.PDF Page 1 _0062400.PDF Page 1 _0062500.PDF Page 1 _0062600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 26515.400043/87-82
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IAA - CONTRIBUIÇÃO E ADICIONAL - A falta de recolhimento da contribuição e do seu adicional implica a exigência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 100%. Reincidência caracterizada. Recurso a que se dá provimento, em parte, para reduzir a multa.
Numero da decisão: 202-04957
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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Q..1). 2.° C D 3) / C ""•-,vg,::- MINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N. • 26.515-400.043/87-82 (nms) &mude 21 de abril 41102 ACORDAON, 202-04.957 Recurso mo 84.761 Recorrente AÇÚCAR E ÁLCOOL BANDEIRANTES S.A. Recorrida DRF EM LONDRINA - PR IAA CONTRIBUICICE-ADICIONAL-: A falta de recolhimen to da contribuição e do aeu adicional implica a exi- gência dos acréscimos legais, inclusive da multa de 100%. Reincidência caracterizada. Recurso a que se dá provimento, em parte, para reduzir a multa. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AÇÚCAR E ÁLCOOL BANDEIRANTES S.A. ACORDAM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conse lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte, ao recurso,para reduzir a multa, de 100%, para 50%. Sala 4,É.. - ; s ;es, em 38 de abril de 1992 ndfOr-/ HELV • -- e :lDO BA'. LLOS - Presidente e EBAdik e SOÁ EIPTAF Relator ."11•#~44 as,md 4111V JOST • RLOST ALMrA LEMOS - Procurador-Representan te da Fazenda Nacional VISTA EM SESSA0 DE di 2 jo 1992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE, OSCAR LUIS DE MORAIS, ROSALVO VITAL GONZAGA SANTOS (suplen te), ACÁCIA DE LOURDES RODRIGUES, RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS FY LHO e ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO. • 47t4V> MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Nu 26.515-400.043/87-82 Recurso N2: 84.761 Acordão N2: 202-04.957 Recorremo: AÇÚCAR E ÁLCOOL BANDEIRANTES S.A. RELATÓRIO Conforme consta da Notificação sins; e do Termo de Verifi cação, de 10/11/86 (fls. 02 e 03), a ora recorrente deixou de reco lher a contribuição e o adicional incidentes sobre a saída dos seus produtos ali descritos, referentes à safra de 1987/7, e no período de 14 a 30/09/87. A notificada, defendendo (fls. 04/07), em síntese e subs- tância alega e requer o que se segue: que não procede a exigênciano seu todo, porque lhe falta empam legal, a par de ser abuso de autori- dade exigir o crédito objeto da notificação, considerando as condi- ções de crise que atravessa o Setor. Dito isso, requereu fosse cance leda a notificação de lançamento. A reincidência da ora recorrente não foi confirmada (fls. 11) e não houve réplica. A decisão singular (fls. 13) julgou procedente a ação fis cal e manteve a exigência, impondo a multa de 100%, considerando a notificada como reincidente; além do principal e os acréscimos d juros e correção monetária tudonos termos do art. 44 e 14 do Decre to n4 62.388 de 12.03.68; art. 11 c/c o art. 12 da Resolução no 2.005/68, do Conselho Deliberativo do Instituto do Açúcar e do Rico- ol, e arts. 44, 64 e 11, do Decreto-Lei n4 308/67. . . . PRgárag"27,51 26.515-400.043/87-82 Acórdão no 202-04.957 Depois de intimada e no prazo legal, a notificada in- terpôs, contra essa decisão de lo grau, o recurso voluntário, de fls. 25/30,.onde reeditou as razões da defesaeenfatizou, em sinte se,que a decisão recorrida viola a Constituição Federa], a par de ser absurda a exigência das contribuições constantes da peça noti- ficatória, com os acréscimos ali indicados e confirmados na deci são de lo grau. É o relatório. segue- - .... , SERVO° PUBLICO FEDERAL Processo no 26.515-400.043/87-82 Acórdão no 202-04.957 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIÃO BORGES TAQUARY A hipótese, ora em exame, encontra inúmeros preceden- tes, em ambas as Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, dá quais são exemplos estes Acórdãos: 202-02.405, de 28.04.89; 202-02.403, de 28.04.89; 201-65.648, de 22.09.89; 201-65.801, de 10.11.89, e 201-65.825, de12.12.89 e 202-03.863, de 09.11.90. Trata-se de não-recolhimento de contribuição e adicio- nal, com seus acréscimos legais, devidos ao IAA. Os fatos ensejado res do lançamento foram comprovados e a exigência conforma-se com a legislação pertinente. A reincidência não resultou confirmada (fls. 09). Isto posto e por tudo mais que dos autos consta, voto 1 no sentido de dar em parte, provimento ao recurso voluntário, para 1 reduzir a multa de 100% para 50%, continuando a decisão, quanto ao mais, a decisão recorrida, por seus judiciosos fundamentos. Sala das Sessões, em 29 de abril de 1992 ,BAStt'IA0 BOR TA ARy 4-5
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001976/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO - NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - É cabível o lançamento de ofício para constituição de crédito tributário quando a compensação efetuada em DCTF afeta o seu saldo devedor e não há confissão de dívida por PER/DCOMP protocolada na vigência da Lei nº 10.833/03.
CSLL - MULTA DE OFICIO - RETROATIVIDADE BENIGNA - CSLL DECLARADA EM DCTF - No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP-2158-35 de 24/08/2001, com vinculação de pagamento incorreta, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna.
CONHECIMENTO - RECURSO ESPECIAL - AUSÊNCIA DE PARADIGMA - A discussão sobre a retroatividade benigna para multa que acompanha lançamento de ofício, não se confunde com a discussão sobre o cabimento de multa de ofício imputada isoladamente.
Numero da decisão: 9101-001.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora.
EDITADO EM: 17/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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CSLL MULTA DE OFICIO RETROATIVIDADE BENIGNA CSLL DECLARADA EM DCTF No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP215835 de 24/08/2001, com vinculação de pagamento incorreta, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna. CONHECIMENTO RECURSO ESPECIAL AUSÊNCIA DE PARADIGMA A discussão sobre a retroatividade benigna para multa que acompanha lançamento de ofício, não se confunde com a discussão sobre o cabimento de multa de ofício imputada isoladamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 76 /2 00 6- 51 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora. EDITADO EM: 17/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 120200.102, de 17/06/2009. O auto de infração exige CSLL, referente aos anoscalendário de 2001 e 2002, em decorrência da falta de recolhimento de CSLL declarada em compensação, sem autorização judicial expressa para compensação em DCTF, da diferença do recolhimento da CSLL efetuado à alíquota de 15%, em detrimento da alíquota de 08%, discutida judicialmente. Segundo a fiscalização, apesar de os débitos estarem declarados em DCTF, foram objeto de lançamento de ofício por determinação legal. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que o julgou procedente. Interposto Recurso Voluntário, o acórdão da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso, para excluir do lançamento a multa de ofício em razão da retroatividade benigna. A decisão recorrida foi ementada nos seguintes termos: Anocalendário: 2001, 2002 Ementa: CSLL NORMAS PROCESSUAIS COMPENSAÇÃO ÔNUS DA PROVA Para que seja reconhecido o direito à compensação, os créditos alegados precisam ser comprovados por meio de documentação idônea que possibilite a verificação dos motivos que justificam seu direito. CSLL COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LANÇAMENTO DE OFÍCIO É cabível o lançamento de oficio e crédito tributário que, ao tempo em que formalizado, foi efetuado sem que houvesse decisão judicial transitada em julgado. CSLL MULTA DE OFICIO RETROATIVIDADE BENIGNA CSLL DECLARADA EM DCTF No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP215835 de 24/08/2001, com vinculação de pagamento incorreta, a multa de oficio deve ser exonerada Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 16327.001976/200651 Acórdão n.º 9101001.557 CSRFT1 Fl. 6 3 pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna. CSLL EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA A imposição dos juros de mora independe de formalização por meio de lançamento e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo, salvo a hipótese do depósito do montante integral. Súmula n° 05 do 1° Conselho de Contribuintes. INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência à lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. Súmula n°02 do 1° Conselho de Contribuintes TAXA SELIC JUROS DE MORA PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde abril de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. Súmula n° 04 do 1° Conselho de Contribuintes. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 288/296), no qual requer a reforma do acórdão recorrido na parte em que exclui do lançamento a multa de ofício. Aponta como paradigma o acórdão nº 20279948, no qual firmouse o entendimento de que “é devida a multa isolada decorrente de diferenças apuradas em compensação indevida e declaração inexata prestada em DCTF pelo contribuinte, conforme disposto no artigo 90 da MP nº 2.158/2001, nos termos do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, atualmente modificada pela Lei nº 11.196/2005”. O Despacho de fls. 307/309 deu seguimento ao Recurso Especial. Intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, no qual requer seja mantida a multa de ofício. Com base em acórdão paradigma, alega ter havido violação do artigo 90 da MP nº 2.158/01, em consonância com o artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Os referidos artigos assim dispõem: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) De outra parte, entendeu o acórdão recorrido por aplicar a retroatividade benigna, tendo em vista o disposto no artigo 18 da Lei nº 10.833/03: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Argumenta a Recorrente pela inaplicabilidade do mencionado artigo, em razão de não haver DCOMP apresentada como confissão de dívida. A atuação se deu, segundo a Fazenda, em virtude de compensação indevidamente efetuada em DCTF. Para a Recorrente, a aplicação do mencionado artigo pressupõe a compensação tenha sido efetuada mediante DCOMP, com efeitos de confissão de dívida, o que não ocorreu no presente caso. De se ressaltar que, no caso concreto, não foram apresentados pedidos de compensações, sendo estas informadas na própria DCTF do contribuinte. A despeito de a DCTF ter o condão de constituir o crédito tributário, no presente caso, tendo em vista que as mesmas apresentaram saldo zerado, na medida da compensação, a fiscalização procedeu corretamente ao efetuar o lançamento de ofício, nos termos do artigo 90 da MP 2.15835/01, vez que constatou “diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida”. É certo também que o artigo 18 da Lei nº 10.833, já mencionado, prevê que os lançamentos com base no artigo 90 da MP 2.15835 limitarseão à imposição de multa isolada em razão de não homologação. Entretanto, se de um lado é correto o lançamento de ofício no caso concreto, de outro lado, os procedimentos de compensação foram substancialmente alterados mormente a partir da vigência da Lei 10.833/0, o que ocorreu após as compensações apresentadas em DCTF pelo contribuinte, não havendo mais que se falar em multa de ofício senão, quando o caso, de imputação de multa isolada. Nesse passo, tendo em vista a alteração nos procedimentos de compensação e nas multas aplicáveis, sem reparos o acórdão recorrido no sentido de que foi corretamente efetuado o lançamento de ofício à época, única forma de se exigir o crédito tributário mas, noutro giro, pela aplicação da retroatividade benigna, de se excluir a multa de ofício. Importante mencionar que o decisum recorrido foi proferido à unanimidade, cabendo a d. Procuradoria recorrer à CSRF apenas sobre o fundamento de existência de acórdão paradigma (acórdão 20179.948). A despeito do despacho de admissibilidade, no acórdão citado por paradigma, verificase claramente às fls. 305 desses autos, que há justamente discussão sobre a multa de ofício isolada e não da multa de ofício que acompanha o lançamento (principal). Ora, não é possível ao julgador (e talvez sequer fosse o caso na situação concreta), a imputação de ofício da multa isolada ou transmutação da multa de ofício Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 16327.001976/200651 Acórdão n.º 9101001.557 CSRFT1 Fl. 7 5 que acompanha o principal em multa isolada. Assim sendo, pareceme que nem sequer é o caso de conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da d. Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões em 23 de janeiro de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10320.001265/00-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO. Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3403-001.544
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade do consócio para pleitear o ressarcimento do crédito presumido de IPI, determinando-se o retorno dos autos à origem para análise do pedido de ressarcimento. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões, pois entende que a solução correta seria anular o processo a partir do despacho da Delegacia da Receita Federal.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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REQUISITOS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. CARACTERIZAÇÃO. PRAZO. Empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Não há falar em perpetuação de empreendimento que tem prazo determinado em 50 (cinqüenta) anos, ainda que renovável. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade do consócio para pleitear o ressarcimento do crédito presumido de IPI, determinandose o retorno dos autos à origem para análise do pedido de ressarcimento. O Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz votou pelas conclusões, pois entende que a solução correta seria anular o processo a partir do despacho da Delegacia da Receita Federal. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos que tratam o presente julgado, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, fls. 568/570: Trata o presente processo do pedido de compensação de fl. 01 no valor de R$ 947.272,4. Segundo discriminado no pedido de fl. 78, que retificou o formulário de fl. 02, o crédito utilizado na compensação tratase de crédito presumido do IPI com amparo na Lei 9.363/96 e Portaria MF 38/97, relativo ao 1º trimestre de 2000. A DRF/São Luis entendeu ser incompetente para a verificação da legitimidade dos créditos, em razão da obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido (fls. 06/08), remetendo o processo para a Derat/Rio de Janeiro. Por sua vez, a Diort/Derat/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls.11/15), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato da empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulando se as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação da contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 78), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 112/119, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de ressarcimento de crédito presumido apurado pela matriz vinculado a compensação de débitos da matriz. Contra esse último Despacho Decisório a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 125/135. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação tácita da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de fls. 158/159. Em resposta, a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 300/301, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa Fl. 634DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 634 3 produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363/96), dado que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar, e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Ao tomar ciência da informação fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 309 a 324. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, enquanto integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho de fls. 345/349, o processo foi novamente encaminhado à Defic/Rio de Janeiro para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à nova solicitação o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 472. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificada da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 480 a 487. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação. A 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, mediante Acórdão nº 0928.603, de 12 de março de 2010, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob os fundamentos conforme ementa a seguir transcrita: Fl. 635DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 4 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CONSÓRCIO DE EMPRESAS. EMPREENDIMENTO DETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A elaboração do parque industrial, a exploração das atividades de Refino de Bauxita e também de Redução de Alumina, para a obtenção do Alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Ademais, da perpetuação do empreendimento, no tempo, e do constante incremento de produção não planejado no empreendimento original, depreende se o ânimo definitivo, inerente às pessoas jurídicas constituídas com o propósito de continuidade e obtenção crescente de lucro. APROVEITAMENTO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o aproveitamento de Crédito Presumido de IPI por empresa que não se enquadra nos pressupostos legais para fruição do benefício fiscal. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2000 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. Cientificada da decisão em 27/05/2010, fls. 587, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 24/06/2010, fls. 588/606, alegando em síntese: a) O Consórcio Alumar: a recorrente é pessoa jurídica regularmente constituída que se dedica à produção e comercialização de alumina e alumínio e para desenvolvimento de suas atividades no Brasil, constituiu o Consórcio DE Alumínio do Maranhão – ALUMAR, juntamente com as sociedades Alcoa Alumínio S/A, Alcan Alumínio do Brasil S/A e Abalco S/A; sendo implementado em julho de 1980; b) O fundamento exclusivo da nãohomologação da compensação: o fundamento exclusivo para a não homologação da compensação reside na consideração de consideração de : "Muito embora a forma adotada ela Billiton, Alcoa, Alcan e Abalco seja a de um consórcio, o empreendimento e seu prazo de realização extrapolam o conceito legal de tal associação”; Fl. 636DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 635 5 a recorrente, não concordando com a descaracterização do Consórcio Alumar, tece considerações sobre a natureza jurídica do consórcio visando de demonstrar a improcedência dos fundamentos apontados no relatório da decisão recorrida; c) O Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado: o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado, modalidade contratual regulada nos artigos 278 e 270 da Lei nº 6.404, de 1976 – Lei das S/A; para a lei brasileira, o elemento essencial do conceito de consórcio reside na sua finalidade que a execução de determinado empreendimento; vem rebatendo que a lei não define o conceito de empreendimentos, mas a experiência do direito comprado revela que ele consiste num objetivo econômico a ser perseguido na produção, industrialização ou comercialização de bens ou/serviços, de que exemplos: (i) a produção de bens que possam ser repartidos, em espécie, entre os membros do consórcio; (ii) o fornecimento a terceiros de bens iguais ou complementares; (iii) a pesquisa ou exploração de recursos naturais; e (iv) a execução de contratos com terceiros, tais como empreitada, prestação de serviços, construção.” d) o consórcio Alumar como consórcio operacional para execução de negócios jurídicos relativos à atividade industrial determinada: não há onde se encontrar a alegada indeterminação do contrato ou negócio jurídico desenvolvido, eis que o Consórcio ALUMAR é um consórcio operacional constituído para execução de um empreendimento determinado consistente na prática de negócios jurídicos relacionados com a exploração de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais; e) Existência de prazo de duração determinado: refuta a alegação segundo a qual o prazo estabelecido no contrato, bem como a possibilidade prorrogação prevista conduziria à perpetuidade do empreendimento, ressaltando que a lei não exige a fixação de um prazo determinado, apenas impõe que conste do instrumento contratual do consórcio sua duração ( art. 279, III da Lei das S/A), não lhe impondo ser o prazo determinado ou determinado; mas isso não sucede no caso concreto eis que o prazo de duração do Consórcio Alumar é determinado, no caso 31/03/2050, período longo, mas adequado para o fim a que se destina; f) a incorreta caracterização do Consórcio como sociedade de fato: ainda que se admita o caráter amplo e douradouro do empreendimento desenvolvido pelo Consórcio Alumar torneo um consórcio atípico, essas características não autorizam o fisco a sua recaracterização como sociedade de fato; isso só seria possível caso pudesse apontar no consórcio um desvio de sua essência mais profunda –“ e que o diferencia das sociedades — que e o intuito de imputação dos efeitos jurídicos diretamente às pessoas dos consorciados, conseqüência direta da ausência de personalidade jurídica”; o direito brasileiro acolheu uma visão contratualista do instituto do consórcio, decorrente da inexistência de personalidade jurídica e da singularidade das obrigações, afirmadas no art. 278, § 1º da Lei das S/A; acrescenta que : “é precisamente da inexistência de uma atividade comum que resulta a inexistência de um lucro ( ou perda) comum a partilhar entre os consorciados; sendo o exercício da atividade dos consorciados individual (embora coordenado), os resultados desta são atribuláveis também individualizadamente a cada um.”; é certo que o art. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 6 o art. 279, inciso V da Lei das S/A estabelece que do contrato de consórcio devem constar “ normas sobre o recebimento de receitas e partilha dos resultados”, porém tal partilha respeita não a um resultado comum, inexistente, mas à divisão entre os consorciados dos resultados auferidos individualmente por cada um; no caso concreto do Consórcio Alumar tal divisão encontrase pormenorizadamente, o que também configura a ilegalidade da caracterização como sociedade de fato; g) Efeitos da caracterização do Consórcio Alumar como Sociedade de Fato a decisão recorrida não reconheceu o seu direito creditório ao fundamento de que o Consórcio Alumar seria uma sociedade de fato, haja vista não ter por objeto um empreendimento determinado; concluindo que: "a tal sociedade de fato sujeitase a todas as conseqüências legais e tributárias, entre elas — no caso de que aqui se trata — a total separação das receitas e despesas entre a BHP Billiton Metais S/A e a sociedade de fato denominada “ Consórcio Alumar”, com o cálculo e o reconhecimento a cada uma destas empresas, se for o caso, do direito à redução do IR e adicionais”. f) cita jurisprudência acerca da matéria, que realça a impossibilidade de descaracterização de consórcio regularmente constituído com fundamento quase que exclusivo na questão do prazo de duração do empreendimento, citando por exemplo acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão 10708961); em seguida, traz acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas, acórdão nº 057562 que trata de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica; no sentido que a extensão do prazo não se confunde com a determinação do empreendimento; as razões de direito da recorrente estão em perfeita sintonia com a jurisprudência e doutrina pátria, razão pela qual deve anulado o acórdão recorrido. No pedido requer seja o recurso voluntário conhecido e provido para reformar o acórdão 0928.603 reconhecendose a existência do Consórcio Alumar e, consequentemente, a extinção dos créditos tributários objeto do processo administrativo nº 10320.001265/200021 e apensos. É o relatório. Voto Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado o processo trata de pedido de compensação com créditos presumidos de IPI, apurado de acordo com o disposto no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. A lide gira em torno da legitimidade da recorrente para pleitear o ressarcimento do referido crédito alegado. Da leitura dos autos, observase que muitos procedimentos fiscais foram realizados até a decisão da DRJ/JFA que resultou no indeferimento do pleito da ora recorrente. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 636 7 Esse órgão colegiado já se manifestou em outros processos da recorrente nos quais se discute a mesma matéria e em outros nos quais participam outros integrantes do Consórcio Alumar. A matéria tem apresentado divergência em seus julgados, conforme pude constatar em pesquisa ao sistema eprocesso. Inclusive essa turma já se pronunciou dando provimento ao recurso em 28 de fevereiro de 2011, no acórdão 340300818, em processo de um membro do Consórcio Alumar. Pois bem. Da leitura dos autos, vêse que a questão sob análise reside na possibilidade de uma pessoa jurídica integrante de um consórcio pleitear, em seu nome, ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e na possibilidade dos elementos necessários à caracterização dos consórcios a fim de se ter o Consórcio Alumar como regular ou não. A julgadora do voto vencedor assim fundamentou as razões de decidir: Muito embora a forma adotada pela Billiton, Alcoa, Alcan e Abalco seja a de um consórcio, o empreendimento e seu prazo de realização extrapolam o conceito legal de tal associação. Não pode o consórcio ter ânimo definitivo ou se expandir além de limites originalmente definidos, seja no tempo ou na quantificação e qualificação do empreendimento. A configuração do Consórcio Alumar o faz confundirse com uma empresa comum, cujos objetivos precípuos, entre outros, são a continuidade (existência da empresa indefinidamente no tempo) e a geração de lucro, por meio da execução e expansão de sua atividade. É o que faz o chamado Consórcio Alumar, quando vai além do que a legislação admite como consórcio. Nesse caso, há de se entender que não sendo consórcio, embora registrado como tal, a Alumar é uma sociedade de fato, que tem como um dos sócios a Billiton. (...) Em síntese: decorre o consórcio de um contrato firmado entre sociedades, com atividades comuns e complementares, objetivando juntar esforços para a realização de um determinado empreendimento; tem caráter mercantil, mas não objetiva a distribuição de lucros, até porque não possui personalidade jurídica e, conseqüentemente, não dispõe de capital próprio; a sua duração deve ser curta e determinada, coincidente sempre com o término de sua finalidade específica; a personalidade jurídica das consorciadas não se confunde com o consórcio, pois a finalidade daquelas deve ser muito mais abrangente, com tempo de duração longo e indeterminado. Inferese da leitura do Termo de Alteração do Contrato do Consórcio Alumar, cópia às fls. 235/238, que a Alcoa Alumínio SA, CNPJ nº 23.637.697/000101, a Billiton Metais SA, CNPJ nº 42.105.890/000146, a Alcan Alumínio do Brasil SA, CNPJ 60.561.800/000103 e a Abalco SA., CNPJ nº 00.434.317/0001 36, estabeleceram um consórcio na forma da Alteração e Consolidação do Consórcio Alumar (Contrato do Consórcio Alumar), datada de 1º de janeiro de 1995 e registrada na Junta Fl. 639DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 8 Comercial do Estado do Maranhão sob nº 6203/95, em 27 de dezembro de 1995. O Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do mencionado contrato, tem por objeto (fls. 123/124): “(...) O objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituílo são de dedicarse aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformandoa em alumina no Empreendimento de alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de redução de Alumínio, utilizandose de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, (...)”. Verificase daí que dada a abrangência da finalidade da constituição do consórcio em discussão, qual seja, o processamento da bauxita, transformandoa em alumina e a alumina em alumínio, não pode ser caracterizada como um empreendimento determinado. Na verdade, é determinado apenas quanto à natureza do empreendimento, mas não quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A amplitude do objeto empreendido pelo consórcio em litígio não se coaduna com as prescrições legais e o prazo definido contratualmente, apesar de determinado, não guarda qualquer relação com os negócios jurídicos a serem pactuados no âmbito da atividade do consórcio. Decorre disso a possibilidade de ser reiteradamente prorrogado, e que de fato está previsto no contrato celebrado: “O presente contrato permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano” (fls. 213). A SOCIEDADE DE FATO E O CRÉDITO PRESUMIDO A perquirir os efeitos tributários decorrentes da conclusão de que o Consórcio Alumar não o é de fato (consórcio), pois que se caracteriza como uma sociedade de fato. O art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, assim estipula: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. O ato acima, embora mencione a necessária comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais para que possa usufruir benefícios fiscais do Estado, é de se entender de maneira ampliada. Não é apenas a existência pura e simples de débitos em face de créditos tributários declarados e não pagos ou de lançamentos de ofício inadimplidos pelos contribuintes que deve impedir a fruição do incentivo. Isso porque conceder benefício fiscal significa concessão de toda a sociedade, pois que a renúncia fiscal demanda que todos contribuam mais para adequar os recursos Fl. 640DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 637 9 escassos disponíveis ao objetivo de cumprimento dos deveres do Estado. É sim do interesse de todos, Estado e sociedade brasileira, que a empresa que requeira benefício fiscal, seja por meio de ressarcimento em espécie, ou de dedução em sua escrita fiscal de débitos de IPI, aja dentro dos estritos preceitos legais. Na forma como ocorre no presente caso, inferese que a Billiton, na qualidade de sócia de uma sociedade de fato, não obedece as determinações legais para a fruição do benefício fiscal denominado crédito presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, mormente porque não atende ao preceito da Lei nº 9.069, de 1995, expresso no seu art. 60. Ora, se é o Consórcio Alumar uma sociedade de fato, a responsabilidade da Billiton no feito é inquestionável e, por conseguinte, não é possível excluíla das responsabilidades legais decorrentes dessa irregularidade, uma vez que integra a sociedade de fato. Assim sendo, a Billiton não atende os requisitos para fruição de benefício fiscal, o que vai ao encontro da conclusão extraída ao final do voto relativo ao já citado Acórdão 0914.720 2ª Turma DRJ/JFA, 09/10/2006, verbis: Desse modo, temse por procedente a constatação da autoridade fiscalizadora de não ser regular, na forma da legislação comercial, a constituição do consórcio de empresas, ora sob apreciação. Destacase que em face da irregularidade na constituição do grupo consorcial em questão, é dever da Administração Tributária perquirir a respeito dos efeitos fiscais daí diretamente decorrentes, que no caso em tela é a imputação da ilegitimidade da requerente para pleitear o crédito presumido de IPI requerido no presente processo. De acordo com o voto vencedor, a recorrente BHP Billiton Metais S/A e os outros membros, Alcoa Alumínio S.A., Abalco S.A. e Alcan Alumina Ltda, não se subsumiriam à associação tipificada como consórcio nos termos dos arts. 278 e 279 das Lei das Sociedades por Ações, retirando, portanto, das mesmas, a legitimidade para pleitear eventual crédito presumido de IPI. Sendo o Consórcio Alumar uma sociedade de fato, a titularidade pertencerlheia. Dispõem os arts. 278 e 279 da Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404, de 1976) que: CAPÍTULO XXII Consórcio Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no Fl. 641DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 10 respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I – a designação do consórcio se houver; II – o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III – a duração, endereço e foro; IV – a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V – normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI – normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII – forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII – contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. Trago a colação para compor o presente julgado trechos do voto do conselheiro Alexandre Kern, presidente da 3ª Turma Especial dessa seção de julgamento, quando do julgamento do processo 13656.000282/200503, tendo como recorrente uma empresa do Consórcio Alumar, no caso a empresa Abalco S/A. (...) A propósito dos consórcios, antes mesmo da Lei das S/A, Pontes de Miranda, no Tratado de Direito Privado5 já lecionava: § 5.386 “O consórcio supõe a com sorte, o pôrse em comum a sorte de duas ou mais empresas. O elemento consorcial resulta de ligação negocial no tocante a determinada atividade econômica, ou atividades econômicas conexas. Hão de existir disciplina e organização que permitam a comunidade no tratamento dos interêsses e nos resultados. § 5.388 Fl. 642DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 638 11 O consórcio é, necessariamente, negócio jurídico causal. Tem de haver referência à mesma atividade econômica ou a atividade econômica conexa, para que resultem a função comum e o interêsse comum. Quando há exigência de mesmidade ou de conexidade do que se há de prestar, a causa aparece, para que a consortilidade possa existir. (...) A empresa consorciada pode ser pessoa jurídica ou pessoa física. O que é essencial é que haja mesmidade ou conexidade de atividade das emprêsas. Bem assim, que o laço consórtil não retire a independência das emprêsas que se consorciam. § 5.389 Cumpre prestar atenção a que o consórcio não tem finalidade de lucro, mas sim de lucros dos consorciados.” A Lei nº 6.404, de 1976, ao disciplinar a figura do consórcio, introduziu o contrato que pode ser firmado entre sociedades, com vistas a executar determinado, específico empreendimento, não sendo conferida a tal associação de sociedades personalidade jurídica, o que afasta a possibilidade de existir, entre os consorciados, qualquer vinculação ou relação no plano vertical. Nos termos da doutrina de João Luiz Coelho da Rocha: “O consórcio, não sendo sujeito de direito, não pode assumir obrigações enquanto tal. São as empresas consorciadas que assumem as obrigações e responsabilidades perante terceiros, cabendolhes, do mesmo modo, exercer os direitos decorrentes dos atos jurídicos que celebram, ainda que de interesse comum. A repartição desses direitos, tal como a das obrigações, por assim dizer, será assunto do trato interno, de caráter obrigacional, entre os consorciados” Na definição de Fabrício Muniz Sabage7, o consórcio é uma “...comunhão de interesses e atividades que atende a específicos objetivos empresariais, que se originam nas sociedades consorciadas e delas se destacam”. O consórcio, dito operacional, quando visar a acumular meios para a consecução de um fim comum, ou instrumental, quando almejar somar recursos para contratarem com terceiros a execução de determinados serviços, obras ou concessões, decorre de contrato firmado entre sociedades, com atividades comuns e complementares; tem caráter mercantil, mas não objetiva a distribuição de lucros, até porque não possui personalidade jurídica e, conseqüentemente, não dispõe de capital próprio; a sua duração deve ser curta e determinada, coincidente sempre com o término de sua finalidade específica; a personalidade jurídica das consorciadas não se confunde com o consórcio, pois a finalidade daquelas deve ser muito mais abrangente, com tempo de duração longo e indeterminado. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 12 A propósito da finalidade, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes já vaticinou que o consórcio deve ser constituído para executar empreendimento determinado, constando obrigatoriamente de seu contrato, o objeto do empreendimento e o prazo de duração previsto para sua execução, e que a prática de atos negociais diversificados, por prazo de duração indeterminado, ainda que sob a roupagem consorcial, não atendem os requisitos estabelecidos na Lei nº 6.404, de 1976. A esse respeito, colaciono a ementa do Acórdão nº 10186.540, de 18 de maio de 1994. I.R.P.J LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO. O lançamento tributário deve ser formalizado contra o sujeito passivo na relação jurídico tributária. CONSÓRCIO. NATUREZA. OBJETO. Por consórcio se denomina a sociedade não personificada, cujo objeto é a execução de determinado e especifico empreendimento. Inocorrendo a unicidade do empreendimento, como também constatado que o contrato é por prazo indeterminado, o acordo firmado entre as sociedades não pode ser reconhecido como de natureza consorcial. Tratase, na essência, de Sociedade de Fato. Preliminar argüida que se acolhe, por configurado erro na identificação do sujeito passivo. Ao caso concreto: o Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do seu contrato sócial8, tem por objeto: a) Objeto Social: “Artigo 1. Objeto e descrição do consórcio. Pelo presente contrato, a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco estabelecem um Consórcio, que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina, e de Instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com instalações de apoio, nas vizinhanças de São Luís, Estado do Maranhão, República Federativa do Brasil, assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita, a partilha de alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco, a partilha de alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio (...). 3.02. Objeto. Fiscalização e Poderes do Consórcio. (a) Objeto. O Objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituílo são de dedicarse aos Empreendimentos descritos no artigo 1 deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformandoa em alumina no Empreendimento de Refino de Alumina e alumina em alumínio no Empreendimento de Redução de Alumínio, utilizandose de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, e assim, dando o Fl. 644DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 639 13 direito a cada Consorciada de receber uma participação (se houver) da alumina e do alumínio produzidos, até o limite dos seus respectivos Direitos de Alumina e Direitos de Alumínio, com cada Consorciada responsabilizandose por sua respectiva participação nos custos e despesas determinados e alocados de acordo com os termos e condições do presente Contrato, incorridos com as referidas construção e propriedade, assim como com a produção da alumina e do alumínio (fls. ...)”; A DRF/PCS vislumbrou aí uma abrangência de finalidade o processamento da bauxita, transformandoa em alumina e a alumina em alumínio – que desnaturaria o consórcio enquanto obrigatoriamente voltado a um empreendimento determinado. No seu entender, corroboraria essa conclusão o prazo definido contratualmente (até 31 de março de 2050) e a possibilidade de ser reiteradamente prorrogado por períodos de um ano. A recorrente, a seu turno, rechaça a competência de a Receita Federal do Brasil analisar a regularidade do Consórcio Alumar. Segundo ela, não é atribuição do Fisco Federal manifestarse sobre aspectos de Direito Comercial, modificar ou restringir conceitos de direito privado contidos na legislação que disciplina a constituição de consórcio. Não me parece que o Fisco tenha assim procedido. A SAORT/DRF/PCS, por meio do parecer que fundamentou o Despacho Decisório, tratou apenas de confrontar as nuances do caso concreto com legislação de regência dos diversos institutos inerentes ao pleito de ressarcimento e compensação, nos termos de seu mister regimental. Se para tanto articulou os conceitos do direito privado, fêlo sem modificálos. Embora não retire do Fisco a competência para analisar a regularidade do contrato, como pretendeu a recorrente, não compartilho das conclusões a que chegou. De um lado, mesmo amplo, não se pode afirmar que o empreendimento não tenha algum grau de determinação. Ainda que se admita como amplo um empreendimento que abarque toda a siderurgia do alumínio, a atuação do consórcio se limita a esse metal, não se cogitando do processamento de minério de ferro, por exemplo. Ou ainda, se o empreendimento atua na siderurgia, não avança sobre etapas subseqüentes de manufatura de bens compostos por esse metal. Vêse que há, efetivamente, algum grau de limitação no empreendimento. No que pertine ao prazo, a sua fixação em 50 (cinqüenta) anos, pode ser exorbitante, a depender do volume das reservas de bauxita comercialmente disponíveis. Ou poderá ser estreitíssimo, se se tratar de empreendimento cujo investimento demande soma de recurso financeiro substancial, que implica longo prazo de maturação. Enfim, pareceme que os ditames da Lei nº 6.404, de 1976, não autorizam as subjetivizações praticadas pela ciosa repartição fiscal para chegar às suas conclusões. Julgo que atos de constituição do Consórcio Alumar satisfizeram os requisitos dos Fl. 645DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 14 arts. 278 e 279 da Lei da S/A, não se tratando pois de uma sociedade de fato. Todavia, como já se disse, o consórcio não é sujeito de direito por não ter personalidade jurídica e, portanto, não tem legitimidade para figurar em pólo de relações jurídicas negociais, apurar receitas, despesas ou créditos, apresentar declarações, enfim, não é sujeito de direitos para quaisquer efeitos. São as sociedades consorciadas que assumem as obrigações e responsabilidades perante terceiros, cabendolhes, do mesmo modo, exercer os direitos decorrentes dos atos jurídicos que celebram, ainda que de interesse comum. A repartição desses direitos, tal como a das obrigações, por assim dizer, será assunto do trato interno, de caráter obrigacional, entre os consorciados. Desta forma, as empresas se unem em um empreendimento determinado, sem prejuízo da intangibilidade da personalidade jurídica e do patrimônio de cada uma delas. Concordo plenamente com o entendimento do nobre conselheiro Alexandre. O tempo de duração, no caso específico 50 (cinqüenta) anos, é determinado, embora longo, mas isso não é motivo para descaracterizar o consórcio; outro ponto, há uma delimitação do objeto que reside no processamento da bauxita, transformandoa em alumina e a alumina em alumínio. Temse, portanto, definido o objeto do consórcio e o seu tempo de duração. Os dispositivos legais que tratam de consórcio não fazem restrições quanto à duração do consórcio. Meu entendimento é que o objeto do consórcio encontrase identificado e limitado, não havendo razão para que seja visto como uma sociedade de fato. O empreendimento, identificado no ato constitutivo de consórcio operacional como a construção do parque industrial, o refino de bauxita e a redução de alumina para a obtenção do alumínio, tem grau de determinação suficiente para fim de respaldar a constituição de um consórcio de sociedades nos termos da legislação comercial. Se a lei não limita, não vejo como descaracterizar mencionado consórcio, sob os fundamentos apontados na decisão recorrida. Ora, se a fiscalização concluiu ser o Consórcio Alumar uma sociedade de fato, deveria lhe ter exigido os tributos devidos mediante constituição do lançamento já que o mesmo passaria a sujeitarse as obrigações tributárias próprias das sociedades com personalidade jurídica. Lembrando as lições do Mestre Pontes de Miranda, trazidas à baila pelo conselheiro Alexandre Kern: primeiro, a empresa consorciada pode ser pessoa jurídica ou pessoa física, no caso específico a recorrente é uma pessoa jurídica; segundo, o que é essencial é que haja mesmidade ou conexidade de atividade das empresas, vêse que há conexidade nas atividades desenvolvidas pelas consorciadas; terceiro, o laço consórtil não retirou a independência das empresas que se consorciaram. Com efeito, depreendese dos documentos acostados aos autos que as empresas consorciadas utilizam de seus ativos que possuem em consórcio para a produção da alumina e do alumínio. A produção no período dos créditos solicitados deuse dentro do complexo Alumar. Cabendolhe ao final da produção, a retirada de cada uma consorciada na proporção que lhe cabe segundo estabelecido no contrato. Ademais, os custos da produção são arcadas pelas consorciadas no processo produtivo e elas obtêm receitas em nome próprio, realizando inclusive exportações. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA Processo nº 10320.001265/0021 Acórdão n.º 3403001.544 S3C4T3 Fl. 640 15 Ora, não possuindo o Consórcio Alumar personalidade jurídica não é sujeito de direitos para efeitos fiscais, a mesma não apura receitas, despesas ou créditos. Portanto, não tem legitimidade para pleitear eventual crédito. Ao contrário, sendo as aquisições de matéria primas, produtos intermediários e materiais de embalagem realizadas pelas empresas consorciadas, ensejamlhes sim o direito a apuração de créditos em conformidade com o disciplinado em lei. Assim sendo, a recorrente tem legitimidade para compor a relação jurídicotributária para pleitear eventual crédito presumido de IPI. A argüição de que não pode a recorrente utilizase do benefício fiscal por não preencher os requisitos na Lei nº 9.363, de 1996, no caso específico de ser empresa produtora e exportadora, não coaduno com esse entendimento. No caso em estudo, são as empresas consorciadas que produzem, no entanto, tal produção ocorre no complexo da Alumar. As aquisições de MP. PI e ME foram efetuadas pela empresa Billiton no mercado interno como atestou a fiscalização, sendo o custo apurado por critério de rateio com exceção das aquisições de combustíveis cujas notas fiscais de aquisição estão em nome do Consórcio Alumar (fls.468/469). Quanto às exportações realizadas pela Billiton, notas fiscais relacionadas à fl. 425/426, estas foram também reconhecidas pela fiscalização (fls. 468/469). Assim, a recorrente atende os requisitos exigidos na Lei nº 9.363, de 1993, por ser produtora e exportadora. Quanto à questão da regularidade fiscal, também levantada como impedimento para a concessão do benefício, na hipótese de consórcio regularmente constituído são as consorciadas que devem comprovar a quitação de tributos ou contribuições federais (art. 60 da Lei 9.069/95). Não consta dos autos qualquer menção à existência débitos fiscais, em aberto, em nome da recorrente, no caso concreto a Billiton, que impedisse o reconhecimento do direto ao crédito presumido tratado nestes autos. Trago aos autos, os fundamentos do voto vencido da relatora da decisão recorrida se pronunciou pela inexistência de qualquer óbice ao reconhecimento do crédito presumido de IPI pleiteado pela recorrente: Portanto, seja considerando a Alumar como consórcio legalmente constituído, seja como sociedade de fato, não vejo como: a) deslocar o beneficiário do crédito presumido das consorciadas, ou sócias de fato, para a Alumar; b) negar o benefício por desatendimento às disposições do art. 60 da Lei 9.06/95. Frisese: a irrelevância, para mim, dessa discussão acerca da irregularidade na constituição do consórcio Alumar é apenas quanto à concessão do crédito presumido, considerando a forma como as operações aconteceram. Contudo, se a decisão final na esfera administrativa for pela irregularidade do consórcio, que sejam adotadas as medidas cabíveis para exigir que a Alumar opere como sociedade de empresas, incluindo alteração no cadastro CNPJ, apuração e lançamento de ofício dos impostos e contribuições que porventura deixaram de ser recolhidos, etc. Mas não há como obstar o reconhecimento do direito ora em discussão a medidas que, eventualmente, podem vir a ser tomadas. Assim, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer a legitimidade da recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, Fl. 647DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA 16 devolvendo os presentes autos para que a DRF de origem, uma vez superado o óbice formal, examine e decida o pedido de ressarcimento como de direito. Liduína Maria Alves Macambira Fl. 648DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 2 8/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA
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Numero do processo: 10665.907679/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA-PRIMA PRÓPRIA - A extração de minério (pedra de ardósia) de mina, pertencente a filial, para ser industrializada e exportada pela empresa-matriz recorrente não permite a apuração do crédito presumido do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pois este exige a aquisição de matéria-prima, a qual pressupõe, necessariamente, que o insumo tenha sido adquirido de terceiros.
CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE PRODUTO INTERMEDIÁRIO. ÓLEO DIESEL E ENERGIA ELÉTRICA. MINERADORA. Ressalvado o entendimento do Relator, impende aplicar a Súmula CARF nº 19, segundo a qual não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário.
TAXA SELIC. RESSARCIMENTO.
Por falta de previsão legal, a taxa SELIC não incide sobre o ressarcimento de tributos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Designado para redigir o voto vencedor: o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza
(assinado digitalmente)
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
(assinado digitalmente)
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA PRÓPRIA A extração de minério (pedra de ardósia) de mina, pertencente a filial, para ser industrializada e exportada pela empresamatriz recorrente não permite a apuração do crédito presumido do art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pois este exige a aquisição de matériaprima, a qual pressupõe, necessariamente, que o insumo tenha sido adquirido de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO ART. 1º DA LEI Nº 9.363/1996. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE PRODUTO INTERMEDIÁRIO. ÓLEO DIESEL E ENERGIA ELÉTRICA. MINERADORA. Ressalvado o entendimento do Relator, impende aplicar a Súmula CARF nº 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Por falta de previsão legal, a taxa SELIC não incide sobre o ressarcimento de tributos. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. Designado para redigir o voto vencedor: o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 76 79 /2 00 9- 46 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 (assinado digitalmente) Irene Souza da Trindade Torres Presidente. (assinado digitalmente) Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. EDITADO EM: 22/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O ora Recorrente protocolou pedido de ressarcimento, combinado com Declarações Eletrônicas de Compensação – PER/DCOMP, na Delegacia da Receita Federal DRF de sua jurisdição, postulando o reconhecimento de crédito presumido de IPI, como ressarcimento do PIS/COFINS, previsto no art. 1º da Lei nº 9.363/1996, gerado de 01/04/2006 a 30/06/2006, no valor de R$110.206,74. Analisando o pleito da contribuinte, a DRF deferiu parcialmente o crédito requerido, no valor de R$80.887,55, e, consequentemente, homologou de forma parcial as compensações através do Despacho Decisório de fl. 02. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que, depois de realizadas diligências, foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ competente para acrescentar, ao saldo credor já reconhecido pela DRF, a quantia de R$ 556,15 (fl. 266). Efetivamente, a DRJ julgou que a DRF havia glosado indevidamente produtos que, em parte, se enquadram no conceito de insumos para fins de apuração de crédito presumido. Eis suas palavras: Certamente não foram aceitos as compras de ardósias já computadas originalmente, os combustíveis, a energia elétrica, os gastos com telefonia, materiais de construção, aparelho de jantar, rolamento, escada de madeira para uso geral, material de uso e consumo, retentores, rolamentos, poste de concreto para construção de galpão, imobilizado, mercadorias que não foram identificadas; peças de reposição diversas; arame para concreto; avental de PVC, etc. Tais glosas são plenamente justificadas pela legislação que rege o incentivo. Contrário senso, foram acatados: o esmeril; o disco de corte; os rebolos, quando ainda não incluídos no cálculo original; pregos; parafusos; produtos identificados como material de embalagem; serra ticotico; serra mármore; lixadeiras; disco de desbaste; madeira serrada roxinho, etc. Outros não foram aceitos simplesmente porque já considerados no cálculo original. Os exemplos mais importantes foram as aquisições de ardósia; de Segmento 65E diamantado; madeira cupressus e até Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907679/200946 Acórdão n.º 3202000.660 S3C2T2 Fl. 232 3 discos de cortes, se já consideradas no Termo de Verificação Fiscal inicialmente lavrado. Por outro lado, a DRJ negou a pretensão da Recorrente de ver reconhecido o direito de calcular o crédito presumido sobre produtos oriundos de sua filial, nos seguintes termos: De posse da documentação apresentada pelo contribuinte, o auditor fiscal realizou as verificações necessárias de que resultaram as planilhas e demonstrativos de fls..., que abrangeram o período compreendido entre 01/01/2005 e 31/12/2006. Na planilha intitulada Anexo I Insumos a serem adicionados à base de cálculo (BC) do Crédito Presumido (CP) possíveis anomalias na apuração inicial foram afastadas e justificativas foram dadas para a computação ou não de certos valores na base de cálculo do crédito presumido. Por exemplo, as ardósias adquiridas de terceiros já tinham sido devidamente computadas na base de cálculo do crédito presumido já na sua apuração inicial. Assim, elas não foram obviamente consideradas uma segunda vez, para evitar duplicidade de inserção na base cálculo dessas aquisições. Outros exemplos: materiais que constavam com CFOP diferente de 1.101 ou 2.101, classificados como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem passaram a compor a base de cálculo do incentivo (disco de desbaste, CFOP 1.407 ou 1.556; pregos e parafusos, serra ticotico e disco de corte, CFOP 1.556; lixadeira angular 7”, CFOP 1.407, etc.). Concluindo, todas transferências foram consideradas: se não inicialmente, o foram após a diligência solicitada pela DRJ/JFA/MG, desde que correspondessem, cumulativamente, a matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem e a aquisições no mercado interno, ainda que escrituradas com CFOP diferente de 1.101 e 2.101. Ficou assim solucionado o questionamento do contribuinte quanto a não consideração de itens simplesmente por não constaram com os referidos CFOP (1.101 e 2.101). Resta examinar o segundo aspecto relativo às transferências, que equivale àquelas ocorridas entre matriz e filial, especificamente em relação às ardósias, cujas origens reportam à lavra em mina pertencente ao contribuinte: ou seja, a extração de um bem que é registrado no ativo imobilizado do contribuinte. Nesse aspecto, com relação à lavra em mina de propriedade do solicitante, cumpre destacar que, de acordo com o art. 1º da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, a base de cálculo do crédito presumido é representada pela aquisição, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Vejase o texto da lei: [...] A expressão no mercado interno implica uma relação bilateral, dentro do território nacional, de um lado o vendedor de um bem ou serviço, de outro lado o comprador dos referidos bens ou Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 serviços. Portanto, a aquisição não pode ser tomada como simples operação primária de mineração, mas uma relação comercial entre o interessado e o vendedor desses minerais, caracterizandose ambos como partícipes do mercado de compra e venda desses insumos. Não pode ser simplesmente uma operação interna da empresa. Na operação em mina própria não há a intervenção de terceiros. Nenhuma circunstância que se amolde ao art. 1º da Lei 9.363, de 1996, que exige que a operação sobre cujo valor incidirá o incentivo deva se dar na forma de aquisição no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Infelizmente, nesse caso, embora trate de matériaprima, a obtenção do insumo se dá no âmago da empresa que pleiteia o incentivo. Essa hipótese de obtenção de pedras não é passível de se computar como base de cálculo do crédito presumido. Assim sendo, ratificamse, no tocante às transferências de insumos, os cálculos realizados na DRF em Divinópolis, MG, a pedido da DRJ/JFA/MG. A DRJ, igualmente, negou o pedido de creditamento dos custos com energia elétrica e óleo diesel, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão: A leitura da parte do Parecer CST nº. 65, de 1979, antes reproduzida, demonstra seu objetivo de esclarecer a equivocada interpretação de que quaisquer elementos consumidos nas instalações do contribuinte ou utilizados nos limites do seu parque industrial, certamente necessários ao desenvolvimento de suas atividades, ainda que indiretamente, sejam considerados matériaprima ou produto intermediário com o fim de gerarem o respectivo direito ao crédito e serem, obviamente, incluídas suas aquisições na base de cálculo do crédito presumido. Tornase patente, assim, que nem tudo que se consome ou se utiliza na produção pode ser conceituado como matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. É de se concluir, portanto, que os gastos com ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS, MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO, MATERIAIS DE USO E CONSUMO, PEÇAS DE REPOSIÇÃO E TODOS OS DEMAIS ELEMENTOS MINUCIOSAMENTE RELACIONADOS NO ANEXO 1, NÃO ACEITOS NA DILIGÊNCIA FISCAL, não podem ser computados na base de cálculo do crédito presumido, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência, pois não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa. Acrescentese que o entendimento sobre os gastos com energia elétrica e óleo combustível se tornou explícito, primeiramente com a manifestação da Secretaria da Receita Federal encontrada no Boletim Central nº. 147, de 04/08/1998, que, em resposta à questão 17, enunciou que não é admitido crédito presumido de energia elétrica, e de combustíveis, quando Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907679/200946 Acórdão n.º 3202000.660 S3C2T2 Fl. 233 5 utilizados como fonte de energia motriz, eletromagnética ou térmica, por não se enquadrarem no conceito de MP, PI ou ME. Muito embora, o regime de cálculo do crédito presumido de IPI adotado pelo contribuinte seja o da Lei nº 9.363, de 1996, destacase que com a publicação da Lei nº.10.276, de 10/09/2001, os gastos com energia elétrica e óleo combustível passaram a integrar a base de cálculo do crédito presumido, num regime alternativo àquele disposto na Lei nº. 9.363, de 13/12/1996. O dispositivo legal não os considera como matéria prima ou produto intermediário, mas apenas autoriza a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias a determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI),como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (Cofins), utilizandose de base de cálculo do crédito presumido formada pela soma não só dos custos com aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a material de embalagem, mas também dos gastos com energia elétrica e com combustíveis, desde que adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. A redação do inciso I do §1º do art. 1º da Lei nº. 10.276, de 2001, não deixa dúvidas sobre a correta visão que se deve ter sobre a matéria: [...] Não há confusão entre os conceitos. A energia elétrica e os combustíveis aparecem no dispositivo acima em destaque, fora daqueles insumos classificados como matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem. É possível no regime alternativo computar gastos com energia elétrica a e combustíveis, impensável tal aproveitamento no regime da Lei nº. 9.363, de 1996, adotado pelo contribuinte. Assim sendo, não se considera no presente voto, como integrante da base de cálculo do crédito presumido, os gastos com energia elétrica e combustível. No que diz respeito ao pedido de aplicação da Taxa SELIC sobre o crédito presumido, o acórdão da DRJ julgouo improcedente, nas seguintes palavras: Sobre a aplicação de juros Selic sobre o crédito requerido, alertese o reclamante de que os registros de créditos e débitos do IPI efetuados na escrita fiscal (registros escriturais) e utilizados na sistemática da não cumulatividade devem ser feitos pelos valores nominais do imposto destacados nas respectivas notas fiscais de aquisição de insumos onerados pelo IPI e de saída de produtos industrializados (também onerados), sem qualquer aplicação de correção monetária ou de juros. O mesmo se aplica aos saldos credores trimestrais decorrentes do confronto entre créditos e débitos de IPI, sejam eles os chamados créditos básicos ou créditos escriturais decorrentes de incentivos fiscais, no caso, o crédito presumido de IPI. E a explicação para tanto Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 decorre da inexistência, na legislação tributária, de previsão que expressamente autorize o cômputo de tais acréscimos àqueles registros escriturais. Assim, a admissão da incidência de consectários relativos à correção monetária ou juros sobre créditos escriturais, entre os quais, o crédito presumido de IPI, ou o saldo credor trimestral pela autoridade administrativa representaria uma indevida inovação da ordem jurídica, cuja competência cabe privativamente ao legislador. Não há, destarte, como aceitála. Intimada do acórdão, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, pedindo o reconhecimento integral do crédito e expressamente que: 1) Seja incluída na base de cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de energia elétrica e oléo diesel e as transferências realizadas de matériaprima da filial para a matriz. 2) Seja o crédito presumido de IPI apurado corrigido pela Taxa SELIC. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. Primeiramente, é preciso esclarecer que não se esta discutindo, in casu, a possibilidade genérica de calcular o crédito presumido sobre produtos oriundos da filial da Recorrente. Como bem destacou a DRJ, pelo menos desde o advento do art. 15, II, da Lei nº 9.779/1999, com a apuração do incentivo centralizadamente pela matriz, nesta deve se concentrar todas as compras de matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagens para o cálculo do crédito presumido. In verbis: Art.15.Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: [...] IIa apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; Entretanto, embora seja possível em tese o creditamento, o caso dos autos é peculiar, pois se trata de creditamento da matériaprima (pedra de ardórsia), extraída de mina própria da filial e remetida à Recorrentematriz. Para a DRJ, em tais circunstâncias, inexiste direito ao creditamento, por considerar que o uso da palavra aquisição, pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, pressupõe que o estabelecimento do contribuinte, seja matriz ou filial, tenha adquirido de terceiros a matéria Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907679/200946 Acórdão n.º 3202000.660 S3C2T2 Fl. 234 7 prima, o produto intermediário ou material de embalagem, para fazer jus ao crédito presumido, o que não ocorre quando a matériaprima pertence a filial da própria empresa. No meu entender, é correto o raciocínio do acórdão recorrido, que espelha o disposto no art. 1º da Lei nº 9.363/1996. Confirase: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafoúnico.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Assim, não dou provimento ao recurso voluntário, na parte em que pede o direito de se creditar de matériaprima extraída de mina (predreira) da sua filial. No que diz respeito, porém, a parte do acórdão que negou o creditamento dos custos de energia elétrica e oléo diesel, utilizados no processo produtivo da Recorrente como força motriz ou como fonte de luz, discordo, com o devido respeito, do entendimento adotado pela DRJ. É que, segundo a DRJ, o contato físico do bem com o produto final é essencial para o seu enquadramento ou não como produto intermediário, quando, na verdade, o art. 147 do RIPI/2002 – norma utilizada como fundamento pelo acórdão recorrido – é claro ao estabelecer tanto a integração (=contato físico) na nova mercadoria quanto o consumo do produto intermediário no processo (ideia mais abragente que contato físico) de industrialziação, como possibilidades de creditamento no IPI. Leiase: Art. 147 – Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art, 25): I – do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanentes. Não bastasse a redação do art. 147 do RIPI/2002 autorizar a exegese ora propalada, a parte final do art. 1º da Lei nº 9.363/1996 assenta, por igual, que são creditáveis a MP, o ME ou o PI destinados à utilização no processo produtivo. Embora seja esse meu entendimento, em homenagem a segurança jurídica, submetome à interpretação constante na Súmula CARF nº 19, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. Desse modo, considerando o teor da Súmula CARF nº 19, não merece provimento o recurso voluntário, devendo ser mantido o acórdão na parte em que não reconheceu o direito ao crédito presumido sobre gastos com energia e oléo diesel. Por fim, entendo que merece reforma o acórdão do DRJ, na parte em que negou a atualização pela Taxa SELIC do crédito presumido, porquanto, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, a compensação é acrescida de Taxa SELIC, abrangendo, por isso, o ressarcimento e a restituição isonômica e igualmente. Nesse sentido, colhase o seguinte precedente da lavra do Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça: CARF 3a. Seção / 2a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 3402 00.610, em 24/05/2010 IPI RESSARCIMENTO CORREÇÃO SELIC ASSUNTO: IPI RESSARCIMENTO COMPLEMENTAR DE CRÉDITO INCENTIVADO CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. EMENTA Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01,96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250195) e, sendo o ressarcimento urna espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF e do STJ. Recurso Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer a incidência da taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Nayra Bastos Manatta que negavam provimento, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Raquel Mota Brandão Minatel (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Leonardo Siade Manzan e Nayra Bastos Manatta. Publicado no DOU em: 16.02.2011 Recorrente: RGS INDÚSTRIA DE COUROS LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL Sem discrepar desse entendimento, decidiu esta douta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, fundada em recurso repetitivo do STJ (543C, do CPC), proferido no REsp 993164/MG: Processo nº 13811.000874/9879 Recurso nº 868.113 Voluntário Acórdão nº 3202000.471 Sessão de 21 DE MARÇO DE 2012 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.907679/200946 Acórdão n.º 3202000.660 S3C2T2 Fl. 235 9 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente BRASWEY S/A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). Pelas razões, conheço do recurso voluntário para lher dar parcial provimento parcial, de modo a fazer incidir a Taxa SELIC sobre o saldo credor do crédito presumido de IPI, reconhecido pela DRF e pela DRJ, a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Sala de sessões 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho de Albuquerque Alves Relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Com a devida vênia do il. Relator, não concordo com a incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. É que ressarcimento não é espécie de restituição, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 165, I, do CTN), e o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos. Também oposição não houve. Afinal, a interessada promoveu a compensação de todo o crédito pleiteado, só posteriormente reduzido porque abrangera valores não autorizados pela regra matriz do benefício, situação bem diversa da hipótese aventada na decisão do STJ, quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Não sendo o caso, resta impossível a aplicação da taxa Selic sobre o crédito ressarcido. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/05/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 23/05/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11516.004192/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO E
CONTRADIÇÃO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA
DETERMINAR A PENALIDADE A SER APLICADA AO
CONTRIBUINTE.
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão recorrido,
omissão, contrariedade ou obscuridade, nos termos do artigo 56, I, do antigo
Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela portaria
MF nº 147/07.
No presente caso, a decisão recorrida padece de omissão e contradição
quanto à penalidade a ser aplicada ao contribuinte por ter deixado de recolher
as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza.
Numero da decisão: 2301-002.689
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; II) Por maioria de votos: a) acolhidos os embargos, em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art.
61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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OCORRÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. EMBARGOS CONHECIDOS E ACOLHIDOS PARA DETERMINAR A PENALIDADE A SER APLICADA AO CONTRIBUINTE. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver no acórdão recorrido, omissão, contrariedade ou obscuridade, nos termos do artigo 56, I, do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela portaria MF nº 147/07. No presente caso, a decisão recorrida padece de omissão e contradição quanto à penalidade a ser aplicada ao contribuinte por ter deixado de recolher as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; II) Por maioria de votos: a) acolhidos os embargos, em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relatório Tratase de Auto de Infração em desfavor de EMBRACONT PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA ME, do qual foi intimada em 31/07/2009, tendo em vista o não recolhimento de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O Relatório Fiscal de fls. 35/39 elucida que as contribuições previdenciárias, referentes às competências de 01/2004 a 12/2007, foram lançadas tendo como base de cálculo as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, mais as rubricas que constavam nas folhas de pagamento e não contidas naquelas. Outrossim, fora ressaltado que a empresa recolheu apenas as contribuições descontadas dos segurados a seu serviço, bem como parcialmente a parte patronal através da DIRF, sendo o recolhimento parcial da parte patronal deduzido como crédito. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Impugnação de fls. 53/63, tendo a decisão de fls. 74/79 julgado improcedente a defesa e mantido o crédito tributário, consoante se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 3 3 AIOP DEBCAD N° 37.202.9108 BASE DE CÁLCULO APURADA ATRAVÉS FOLHA DE PAGAMENTO. Presumemse verdadeiros os valores lançados pela autoridade fiscal fundamentados nas folhas de pagamento da empresa, cabendo a esta o ônus da prova em contrário. DECADÊNCIA Quando não se verifica a antecipação de pagamento por parte do contribuinte, aplicase o prazo decadencial previsto no inciso I do art. 173 do CTN. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não tem o condão de desconstituir o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com o acórdão, a EMBRACONT interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 83/96, alegando, em síntese: a) Que o prazo de decadência para efetuar cobrança de contribuições previdenciárias é de 5 (cinco) anos conforme se depreende no art. 150, §4°, do CTN, a contar da ocorrência do fato gerador razão por que todos os tributos cobrados até a competência de agosto de 2004 encontramse decaídos; b) Que não deveria ser utilizado como termo inicial o disposto no art. 173, II, do CTN, haja vista que foram efetivados, mesmo que minimamente, recolhimento do tributo via SIMPLES e SIMPLES NACIONAL; c) Que durante o curso de tempo em que estava enquadrada no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL, foram recolhidos, através de pagamento mensal unificado, na forma do art. 3° da Lei 9.317/1996, valores relativos às Contribuições para a Seguridade Social, requerendo a nulidade do auto de infração; d) Que, em virtude da aplicação do art. 146 do CTN, deveria ser decretada a insubsistência integral do auto de infração, eis que uma mudança no critério de interpretação da Receita Federal não pode ensejar a aplicação o período em que a empresa esta submetida ao regime jurídico do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL; e) Que não foram compensadas as quantias pagas pela empresa; f) Por fim o afastamento de multa imposta, tendo em vista as alterações no sistema de imposição de multas pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias acarretadas na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 4 4 Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário, que foi parcialmente provido, afastandose do lançamento apenas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores tenham ocorrido até 06/2004, isto é, anteriores a 07/2004, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A exclusão da empresa do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL implica a exigência imediata das diferenças contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte diante do regime diferenciado e cujos fatos geradores foram declarados em GFIP. Inconformada com a decisão acima, a FAZENDA NACIONAL opôs embargos de declaração, alegando contradição e obscuridade por parte deste Conselho quando do julgamento do Recurso Voluntário do contribuinte, pois supostamente deixou de se manifestar quanto à multa aplicada no Auto de Infração. Aduziu que, “nos termos do voto condutor do acórdão foi aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, com fundamento na retroatividade benigna da alínea “c”, inc. II do art. 106 do CTN”. Acrescentou ainda que, “não se tem certeza se o julgamento concluiu pelo provimento parcial também para aplicar a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 5 5 (redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91), com fundamento na alínea “c”, inc. II do art. 106 do CTN.”. Diante da interposição dos embargos declaratórios, este Relator emitiu despacho de conhecimento do recurso, uma vez que em análise ao acórdão embargado, verificou que assiste razão à embargante, tendo em vista que a decisão embargada apresenta contradição, além de que houve omissão ao não verificar se a novel legislação levaria à redução da multa aplicada, o que poderia ser feito inclusive de ofício, isso é, independentemente de provocação da parte interessada, o que vinha sendo feito pelo colegiado, por força do disposto no art. 106, II do CTN. Diante da interposição dos embargos declaratórios, este Relator emitiu despacho de conhecimento do recurso, uma vez que em análise ao acórdão ora embargado, verificou que assiste razão à embargante, pois este Conselho deixou de verificar se a novel legislação levaria à redução da multa aplicada, o que poderia ser feito inclusive de ofício, isso é, independentemente de provocação da parte interessada, o que vinha sendo feito pelo colegiado, por força do disposto no art. 106, II do CTN. Acolhido pelo Presidente da Turma o reconhecimento da omissão apontada pela embargante, foram os embargos de declaração submetidos a julgamento pelo colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da aplicação de penalidade benéfica A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade Fl. 159DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 6 6 correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos Fl. 160DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 7 7 previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 8 8 Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 2301002.689 S2C3T1 Fl. 9 9 Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço e dou PROVIMENTO aos presentes Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada no tocante à multa de mora aplicada no caso vertente, considerando a novel legislação, bem como para determinando que se aplique a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 163DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 1/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10840.000215/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO DE FATO. Exclui-se da
tributação os proventos da inatividade pagos pela Previdência Social da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o pensionista ou inativo completar 65 anos de idade, até o valor
de R$ 1.058,00 por mês, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência do imposto.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.691
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000215/200513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210101.691 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente ORLANDO FERREIRA FONTELLAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO DE FATO. Excluise da tributação os proventos da inatividade pagos pela Previdência Social da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o pensionista ou inativo completar 65 anos de idade, até o valor de R$ 1.058,00 por mês, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência do imposto. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0415.003 (fl. 07), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a Notificação à fl. 02, que exige do contribuinte o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 674,64. O lançamento originouse do processamento normal da DIRPF/2004. Em sua impugnação, à fl. 01, o autuado alegou, em síntese, que tem mais de 65 anos, portanto tem direito a uma parcela de isenção do seu rendimento, que não foi deduzida dos rendimentos tributáveis informados em sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004. Requer a revisão da presente notificação. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente a exigência tributária, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Exercício: 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. ERRO DE FATO. Somente deve ser retificada a declaração de rendimentos, após o inicio do procedimento de oficio, em relação ao erro de fato que estiver inequivocamente demonstrado. Lançamento Procedente Em seu apelo ao CARF, o recorrente esclarece, inicialmente, que em 21/01/2005 informou à DRF Ribeirão Preto que havia cometido um erro no preenchimento de minha declaração de ajuste anual, exercício 2004, anobase 2003, a saber: do total de rendimentos tributáveis, cujo valor totalizou R$ 21.492,02, deixei de efetuar o abatimento sobre o total recebidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social e pelo Governo do Estado de São Paulo, no montante de R$ 12.696,00. a titulo de proventos de aposentadoria, por enquadrarme na condição de contribuinte maior de 65 anos. Pelo fato de ter declarado a origem de meus vencimentos, estava certo de que a Secretaria da Receita Federal tinha condições de consultar as DIRF'S fornecidas pelos respectivos Orgãos Governamentais, motivo pelo qual deixei de juntar na ocasião as fontes de rendas. Face ao ocorrido, aproveito a oportunidade de fazer a juntada dos documentos comprobatórios de rendimentos auferidos no anobase 2003, emitidos pelo Governo do Estado de São Paulo e pelo Instituto Nacional do Seguro Social, bem como relação de alugueres recebidos de pessoas físicas, com o intuito de esclarecer, e para reconhecer a veracidade de meus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, verificase que os fatos alegados pelo contribuinte têm suporte nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10840.000215/200513 Acórdão n.º 210101.691 S2C1T1 Fl. 2 3 de Renda na Fonte às fls. 29/30, emitidos pelo INSS e pelo Governo do Estado de São Paulo, que informam o pagamento de proventos de aposentadoria nos valores de R$8.700,86 e 8.471,16, respectivamente, como parcela isenta dos proventos de aposentadoria, reserva, reforma e pensão (65 anos ou mais). É certo que a parcela de isenção alcança o montante mensal de R$ 1.058,00 mais o 13° salário. Assim, o contribuinte na sua declaração de ajuste anual deveria ter declarado o rendimento recebido a titulo de proventos de aposentadoria, a partir do mês em que completasse 65 anos, até o valor de R$ 1.058,00 por mês, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto. O valor excedente a esse limite está sujeito a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração, situação bem esclarecida na pergunta nº 251 do Perguntas e Respostas relacionado ao IRPF 2004: 251 — O valor total recebido a titulo de pensão e de proventos de aposentadoria, reserva remunerada ou reforma, por contribuinte maior de 65 anos é isento do imposto de renda? Não. Somente estão isentos a pensão e os proventos da inatividade pagos pela Previdência Social da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o pensionista ou inativo completar 65 anos de idade, até o valor de R$ 1.058,00 por mês, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto. 0 valor excedente a esse limite está sujeito a incidência do imposto de renda na fonte e na declaração. (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, VI, e 8º, § 1º; Lei nº 10.451, de 2002, art. 2º; RIR/1999, art. 39, XXXIV; IN SRF nº 15, de 2001, art. 52, XIII) O Extrato Semestral de Benefício à fl. 33 informa o início do benefício em 17/02/1981. Desta forma, em todos os meses do ano de 2003 o contribuinte tem direito ao benefício fiscal. Constatase, portanto, o acerto do contribuinte em pleitear somente a exclusão do montante anual de R$12.696,00, a título de proventos da inatividade pagos pela Previdência Social da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, já que referida isenção não é cumulativa quando há mais de uma fonte pagadora, como se vê no presente caso, em que a parcela isenta encontrase indicada nos Comprovantes às fls. 29/30, cujo montante é R$17.172,01. O saldo remanescente de R$4.476,01 e os rendimentos de alugueres informados no documento à fl. 31 (R$2.052,00) encontramse na faixa de isenção da tabela progressiva anual do IRPF do exercício de 2004. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 06/0 7/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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