Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10980.003893/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolve os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10980.003893/2005-25
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5300878
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.085
nome_arquivo_s : Decisao_10980003893200525.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10980003893200525_5300878.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolve os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5124411
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176623755264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 268 1 267 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.003893/200525 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.085 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2013 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ELECTROLUX DO BRASIL S/A Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolve os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de Auto de Infração, fls.169/173, lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor do principal de R$ 78.188,31, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito no valor de R$ 211.574,53, conforme Demonstrativos de Crédito anexado às fls. 162/168. De acordo com a descrição da Autuação, o crédito tributário exigido é oriundo de um recolhimento a menor do IPI, em razão da empresa ter utilizado classificação fiscal e alíquota equivocadas nos documentos fiscais para os aspiradores modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, no exercício de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 03 89 3/ 20 05 -2 5 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003893/200525 Resolução nº 3202000.085 S3C2T2 Fl. 269 2 Inconformada com o Auto de Infração (fls. 193/206), a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade do lançamento em face reclassificação fiscal dos produtos modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA)– DRJ/SDR (fls. 227/236). Efetivamente, a DRJ julgou procedente o Auto de Infração lavrado, em razão de a empresa ter utilizado equivocada classificação fiscal para os produtos acima citados, o que implicou num recolhimento a menor do Imposto sobre Produtos Industrializados. Eis suas palavras: A contribuinte apresentou para os produtos industrializados ASP GT 2000, ASP GT 2000 PROF, ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF e ASP T1001, no período autuado, a descrição por tipo, função, princípio de funcionamento, aplicação e capacidade (fls.94/98), em resposta a intimação de fl.93. O código NCM 8509.10 descreve os “aspiradores de pó, incluídos os aspiradores de matérias secas e de matérias líquidas”. Na posição 84.79 classificamse as máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos que não se incluam nas posições precedentes. A fiscalização, em contrapartida, constatando que a contribuinte adotava para os modelos ASP GT 2200 e ASP GT 3000 PROF uma classificação fiscal diferente daquela indicada pela Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA n°180/2002, relativa ao produto modelo A20L, decidiu pela reclassificação dos mencionados modelos para o de código TIPI 8509.10.00, com alíquota prevista para o período de 10%. [...]Verificase que a reclassificação fiscal adotada pela fiscalização está baseada fundamentalmente na similaridade funcional e na potência do motor e volume do recipiente entre os produtos destacados, conforme tabela de fl.172, tendo a contribuinte contudo, alegado que o que os difere, é a extrapolação das necessidades para o uso doméstico, excluindo assim os produtos objeto da autuação da posição 8509.10.00 para classificação da posição 8479.89.99. [...]Como se depreende da leitura das notas dos capítulos, não é suficiente para classificação em um capítulo ou noutro a simples informação de que o produto tem destinação para “o uso doméstico” ou para “utilização em atividades comerciais, industriais, profissionais”. A caracterização da classificação no capítulo 85 leva em consideração principalmente a capacidade de armazenamento, no caso, o volume aspirado, que seja o aparelho eletromecânico, excluindose deste capítulo aqueles aparelhos que receberem a força motriz de um motor elétrico separado, ou que mesmo que tenham motor elétrico incorporado, sejam concebidos para usos exclusivamente industriais, mesmo que sejam de concepção e tenham funções semelhantes às dos aparelhos de uso doméstico, sendo irrelevante portanto a denominação dada fabricante. Assim, com base na aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1ª (Nota 3 da Seção XVI, Nota 3 a) do Capítulo 85 e texto da posição 8509) e 6ª (texto da subposição 8509.10), e subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/Nesh, versão lusobrasileira, aprovadas pelo Decreto n° Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003893/200525 Resolução nº 3202000.085 S3C2T2 Fl. 270 3 435, de 1992, e atualizações posteriores, bem como em decisões feitas em processo de consulta já referidas para o contribuinte não há reforma a ser feita no auto de infração em decorrência da reclassificação dos aspiradores em questão para a posição 8509.10.00. No que diz respeito ao pedido de produção de provas, o acórdão da DRJ julgou o improcedente, nas seguintes palavras: O processo administrativo fiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, com o condão de mitigar a aplicação do princípio da verdade material, ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como só ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária, no caso de exigência tributária, e as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. Portanto, não havendo as exceções elencadas no parágrafo acima transcrito, ocorre a preclusão temporal e a contribuinte não pode carrear aos autos provas ou alegações suplementares. O momento processual propício para a defesa cabal da contribuinte é o da apresentação da peça impugnatória. Pedidos genéricos e vagos para apresentação de provas a posteriori não podem receber guarida, consequentemente, indeferese o pedido do sujeito passivo. Sobre a classificação fiscal das mercadorias para efeitos de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, a DRJ esclareceu que: De acordo com o art. 16 do RIPI de 2002, a classificação dos produtos na Tabela de Incidência do IPI é feita de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM), sucedida pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), integrantes do seu texto. Ainda que não constituam instrumento legal para a classificação fiscal de mercadorias, as NESH são elemento subsidiário fundamental para a interpretação e correta classificação fiscal. Intimada do acórdão, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, pedindo o reconhecimento integral do crédito e expressamente a (fls. 243/262): 1) Improcedência do Auto de Infração e a desconstituição dos lançamentos nele consubstanciados, prevalecendo a classificação fiscal adotada pela Impugnante. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003893/200525 Resolução nº 3202000.085 S3C2T2 Fl. 271 4 O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. A controvérsia dos presentes autos se resume a classificação correta dos aspiradores de pó, modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, no exercício de 2004. A autoridade fiscal se valeu da classificação da solução de Consulta SRRF/9ª RF/ DIANA nº 180, 25/10/2002, que tinha como consulente a própria empresa autuada, para atribuir a mesma classificação do modelo A20L para os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF. Partindo da premissa que havia identidade dos modelos para fins de classificação fiscal, o auto de infração excluiu os produtos da posição 8509.10.00 para transportálos para classificação da posição 8479.89.99. Confiramse as descrições legais de ambas as posições: “8509.10.00 Aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), de uso doméstico, com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando 11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento, fabricado por Nilfisk Advanced –Suécia. “8479.89.99 Aspirador de sólidos e líquidos com motor elétrico incorporado (1.000W), de uso não doméstico, pesando 21kg, com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 60 litros, modelo WD260F, dimensões de 900mm de altura, 500mm de largura e 1.120mm de comprimento, fabricado por Nilfisk Advanced – Suécia. (...)”. Julgando a legalidade ou não do auto de infração, a DRJ concluiu que o uso doméstico ou não dos modelos de aspiradores de pó não são determinantes para fins de classificação fiscal, como se verifica do seguinte trecho do decisório recorrido: Como se depreende da leitura das notas dos capítulos, não é suficiente para classificação em um capítulo ou noutro a simples informação de que o produto tem destinação para “o uso doméstico” ou para “utilização em atividades comerciais, industriais, profissionais”. A caracterização da classificação no capítulo 85 leva em consideração principalmente a capacidade de armazenamento, no caso, o volume aspirado, que seja o aparelho eletromecânico, excluindose deste capítulo aqueles aparelhos que receberem a força motriz de um motor elétrico separado, ou que mesmo que tenham motor elétrico incorporado, sejam concebidos para usos exclusivamente industriais, mesmo que sejam de concepção e tenham funções semelhantes às dos aparelhos de uso doméstico, sendo irrelevante portanto a denominação dada fabricante. A despeito dessa afirmação do douto acórdão, nas considerações gerais para definição do “alcance geral e estrutura do capítulo” 85 transcrita pela prória DRJ em sua decisão se verifica que o uso doméstico é importante para enquadramento na posição. Leiase: 2) Os aparelhos eletromecânicos de uso doméstico da posição 85.09, bem como os aparelhos ou máquinas de barbear e máquinas de cortar cabelo, de tosquiar e aparelhos de depilar da posição 85.10. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.003893/200525 Resolução nº 3202000.085 S3C2T2 Fl. 272 5 Assim, embora aparentemente não tenha havido discordância quanto ao uso não doméstico dos modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF, por dever de cautela, entendo necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem certifique o uso comercial dessas mercadorias. Por essas razões, resolvo converter o julgamento em diligência para determinar a realização de perícia, onde deverão ser respondidas os seguintes quesitos: 1) Identificar perfeitamente se os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF são de uso doméstico ou não? 2) os modelos ASP GT 2200, ASP GT 3000 PROF se tratam de aspirador de pó com motor elétrico incorporado (1.000W), com recipiente para produtos aspirados com capacidade para 25 litros, pesando 11kg, modelo 225WF, com dimensões de 630mm de altura, 360mm de largura e 460mm de comprimento? Desta forma, a autoridade fiscal deverá intimar a Recorrente para contratar de instituição de renomada reputação (IPT, INT, UNICAMP, p.ex.) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, a fiscalização poderá manifestarse sobre o novo Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual, a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 22/09/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722359/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste.
CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA E DE FISCALIZAÇÃO.
Não dá causa a cerceamento de defesa, a entrega de mandado de procedimento fiscal de diligência, quando o contribuinte toma conhecimento da fiscalização através de vários termos fiscais, com informações precisas do objeto, conteúdo e alcance do procedimento fiscal que se realiza, incluindo menção a possível lançamento.
PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONTROLE, COLIGAÇÃO OU INTERLIGAÇÃO ENTRE MUTUANTE E MUTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Ausente a comprovação de controle, coligação ou interligação, pode a pessoa jurídica deduzir perda no recebimento de créditos desde que preenchidos os demais requisitos legais.
Numero da decisão: 1402-001.464
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA E DE FISCALIZAÇÃO. Não dá causa a cerceamento de defesa, a entrega de mandado de procedimento fiscal de diligência, quando o contribuinte toma conhecimento da fiscalização através de vários termos fiscais, com informações precisas do objeto, conteúdo e alcance do procedimento fiscal que se realiza, incluindo menção a possível lançamento. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONTROLE, COLIGAÇÃO OU INTERLIGAÇÃO ENTRE MUTUANTE E MUTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Ausente a comprovação de controle, coligação ou interligação, pode a pessoa jurídica deduzir perda no recebimento de créditos desde que preenchidos os demais requisitos legais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.722359/2011-21
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5302618
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-001.464
nome_arquivo_s : Decisao_19515722359201121.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 19515722359201121_5302618.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5138471
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176660455424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2359; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.809 1 1.808 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722359/201121 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.464 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2013 Matéria IRPJ PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS Recorrente NEC LATIN AMERICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA E DE FISCALIZAÇÃO. Não dá causa a cerceamento de defesa, a entrega de mandado de procedimento fiscal de diligência, quando o contribuinte toma conhecimento da fiscalização através de vários termos fiscais, com informações precisas do objeto, conteúdo e alcance do procedimento fiscal que se realiza, incluindo menção a possível lançamento. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. GLOSA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONTROLE, COLIGAÇÃO OU INTERLIGAÇÃO ENTRE MUTUANTE E MUTUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, § 6º). Ausente a comprovação de controle, coligação ou interligação, pode a pessoa jurídica AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 59 /2 01 1- 21 Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.810 2 deduzir perda no recebimento de créditos desde que preenchidos os demais requisitos legais. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.811 3 Relatório O auto de infração foi lavrado em 22/12/2011. Os fatos apurados pela Autoridade Lançadora estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1111 a 1143). O Contribuinte foi intimado a esclarecer o motivo da baixa da conta do ativo “121320102” no ano calendário de 2006 (mútuos com “COBOTEL”). Em atendimento à intimação, o contribuinte informou que a baixa do ativo se deu nos termos das normas contábeis e fiscais aplicáveis às hipóteses de inadimplência, particularmente o art. 177 e seguintes da Lei n° 6.404/76 e o Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Reintimado a prestar esclarecimentos sobre os contratos de mútuo entre NEC e COBOTEL, informou o contribuinte: que a provisão foi contabilizada no anocalendário de 2002, mas foram adicionadas ao lucro líquido do exercício para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; que, para fins de recebimento do crédito, foram adotadas todas as medidas possíveis, conforme legislação de regência, inclusive cobrança judicial; que não dispunha da documentação de constituição da COBOTEL, necessitando de dilatação de prazo para atender à intimação, haja vista que as operações originais de crédito datavam de mais de uma década; Além das informações prestadas, o contribuinte também apresentou documento com tradução juramentada de parte de algumas peças do expediente original relativo à ação executiva instituída por NEC DO BRASIL S/A em face de COBOTEL LTDA. De tal documentação extraise que COBOTEL seria devedora da NEC DO BRASIL S/A da importância de US$ 34,425,684.29. Em complemento as respostas anteriores, informou ainda o contribuinte que não possuía o documento de constituição de COBOTEL. Em nova intimação, lavrada em 24/10/2011, o contribuinte foi instado a responder a 14 quesitos. Entendeu a Fiscalização que o contribuinte não atendeu às intimações sobre a apresentação do contrato social da COBOTEL, lavrando “AUTO DE EMBARAÇO”. Ainda assim, alegou a Fiscalização que o contrato de constituição da Cobotel e suas alterações não foi apresentado. Contudo, em 20/12/2011 o contribuinte apresentou documento em língua estrangeira, o qual declarava os poderes especiais que tinham certas pessoas para firmar em nome da Cobotel os contratos de empréstimos nas datas em que foram assinados. Esse documento não foi aceito pela Autoridade Fiscal, por estar em desacordo com a legislação (desacompanhado de tradução juramentada). Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.812 4 Em relação às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, a Fiscalizada procedeu à exclusão, no anocalendário de 2006, de R$ 97.738.741,28 referentes à provisão para perdas com Cobotel, constituída no ano de 2002. O relatório da decisão de primeira instância, retrata bem as questões de fato ocorridas, conforme transcrito a seguir: 15.À época dos fatos, a então NEC DO BRASIL S.A. firmou contrato de leasing com COTAS, empresa sediada em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, para instalação de 145.000 linhas telefônicas. Conforme documentação apresentada, NEC subcontratou uma empresa sediada na Bolívia (COBOTEL), competente tecnicamente para realizar os trabalhos. Essa empresa adquiriria os equipamentos da NEC, manteria a propriedade dos bens e realizaria operação de leasing operativo perante COTAS. 16.A NEC cedeu à COBOTEL as obrigações e direitos estabelecidos nos Contratos com COTAS. A COBOTEL contratou financiamento junto ao BNDES para cobrir todos os gastos com equipamentos. A NEC financiou as demais despesas, sendo essa a razão dos mútuos (viabilizar alguns gastos da COBOTEL para que essa pudesse operar e adquirir seus serviços e equipamentos). 17. O contrato de leasing entre COTAS e NEC foi assinado em 16 de outubro de 2005, ao qual foi dada a denominação “PROJECTO LEASING”. Do acordo celebrado entre as partes, a Autoridade destacou: “ Treinamento técnico do pessoal designado por COTAS LTDA, mediante o fornecimento de instrutores, apoio logístico, aulas, materiais, documentação, passagens e viáticos, nos centros destinados pela NEC DO BRASIL para este fim. (item 2.8) 8 Das Obrigações das Partes: Por parte da NEC do Brasil 8.1.6) Capacitar o pessoal designado por COTAS LTDA, para operação, exploração e manutenção preventiva e corretiva dos Sistemas e equipamentos fornecidos por NEC DO BRASIL. 8.1.9 Permitir que técnicos autorizados por COTAS LTDA, realizem a fiscalização, seguimento da execução de cada Projeto Executivo, oferecendolhes a máxima colaboração e informação para o bom desempenho de suas funções, seja no processo de fabricação dos equipamentos e materiais, montagem dos mesmos ou na execução das obras da Unidade Externa. 8.1.9 Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.813 5 8.2 Por parte de COTAS LTDA: 8.2.6 Assumir a responsabilidade pela administração, exploração, operação e manutenção dos equipamentos e sistemas instalados pela NEC DO BRASIL. 9 Da Participação das Partes (...) A utilização de subcontrantes para as obras da unidades externas não significam liberação das obrigações da NEC DO BRASIL quanto as responsabilidades globais contidas no presente contrato, a qual se constitui responsável pela entrega do sistema funcionando em regime de chave na mão satisfatória a COTAS LTDA. 11.2.1 DAS CONDIÇÕES DE PAGAMENTO: (...) 11.2.4 Os pagamentos da NEC DO BRASIL serão efetuado na conta bancária da NEC DO BRASIL no exterior ou na Bolívia, conforme comunicada por escrito a COTAS LTDA. (grifamos) 19 DA PROIBIÇÃO DE SUBSTABELECIMENTO Nenhuma das partes poderá substabelecer ou transferir no todo ou em parte a terceiro ou terceiros o presente contrato sem o consentimento prévio pela parte contaria. ” 18.Em janeiro de 2003, COTAS LTDA (Proponente), COBOTEL (Credora) e NEC (Fornecedora) firmaram um Memorando de Entendimento (doc 3). 19.A Autoridade Fiscal, dos pontos descritos até então, destaca que NEC firmou com COTAS o Contrato de Arrendamento Mercantil pelos quais se comprometeu a fornecer equipamentos e serviços referentes a sistemas de telefonia; NEC cedeu à COBOTEL os créditos que detinha contra COTAS em decorrência dos CONTRATOS permanecendo como fornecedora de equipamentos e serviços; COTAS pretende recorrer ao mercado financeiro e levantar fundos para quitar a dívida para coma COBOTEL em sua totalidade até 30.09.2003; COBOTEL deseja aceitar a proposição de COTAS. 20.Foi celebrado em 26 de maio de 2003 o Aditivo n° 1 ao Memorando de Entendimento, que tratou das alterações de valores e datas de pagamentos pela COTAS à COBOTEL. Em 2 de agosto de 1996, a NEC DO BRASIL S.A cedeu e transferiu a Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.814 6 totalidade de seus créditos devidos pela COTA LTDA à COBOTEL. 21.De forma a operacionalizar o Projeto, a empresa NEC subcontratou para realizar os trabalhos uma empresa sediada na Bolívia, COBOTEL, empresa essa que adquiriria os equipamentos da NEC, manteria a propriedade dos bens e realizaria operação de leasing operativo perante COTAS. Em agosto de 1996, a NEC DO BRASIL S.A cedeu e transferiu a totalidade de seus créditos devidos pela COTA LTDA à COBOTEL. 22.COBOTEL foi criada em 13/05/1996, com capital de 50.000,00 (cinquenta mil bolivianos). Observa a Fiscalização que em 02/08/1996 COBOTEL recebia para execução contratos no valor de milhões de dólares. 23.Sobre a data de constituição de COBOTEL, a Fiscalizada informou que a empresa foi criada devido ao plano de negócios desenhado por COTAS, que exigia que os serviços fossem prestados por equipamentos operados na modalidade leasing por empresa estabelecida na Bolívia, que operasse essa modalidade de contratação e em relação à qual COTAS tivesse proximidade. Porém, a Fiscalização afirma que não encontrou nos documentos fornecidos pela diligenciada nenhuma cláusula que tratava da obrigatoriedade de uma empresa sediada na Bolívia para execução do trabalho. 24.O Contribuinte ainda respondeu à Fiscalização que COBOTEL foi mais que uma subcontratada da NEC, pois COBOTEL assumiu todos os direitos e obrigações relativos à execução dos contratos de leasing, enquanto que a NEC permanecia como garantidora dos bens e equipamentos da perspecti v a t ecnológica. Por sua vez, a NEC impôs a COTAS e a COBOTEL que, para atuar como intermediária na operação, COBOTEL deveria aceitar entre seus sócios e no seu corpo técnico representantes indicados por ela, com poderes para fiscalizar a adequada aplicação dos recursos financeiros, vetar condutas empresarialmente nocivas ao cumprimento dos compromissos assumidos e garantir a técnica na implantação dos projetos. O corpo técnico fiscalizava a administração do dinheiro e checava a qualidade dos serviços prestados pelo pessoal contratado por COBOTEL. 25.Os sócios pessoas físicas da COBOTEL eram, como informado pela Fiscalizada, empregados da NEC e tinham poder de comando e amplos poderes administrativos e técnicos. Apesar de ser intimada diversas vezes, os sócios pessoas jurídicas de COBOTEL não foram informados, exceto pelas pessoas físicas que eram empregados da NEC. 26.Os sócios pessoas físicas de COBOTEL tinham participação irrisória no capital da empresa, apesar da Fiscalizada afirmar peremptoriamente não ter o documento da constituição da COBOTEL. Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.815 7 27.Para a Autoridade Fiscal, o comportamento acima descrito indica o evidente objetivo da NEC em ocultar a informação sobre a constituição da COBOTEL, o que levaria a comprovar que ela foi constituída como uma empresa pertencente ao seu grupo econômico. Segundo entende, as respostas e documentos apresentados pela diligenciada denotam que a empresa COBOTEL é totalmente controlada pela NEC. 28.Em resposta à Intimação, NEC disse que recebeu de COBOTEL, como garantia para transferir a cessão de direitos nos contratos que tinha contra a COTAS, letras de câmbio entre NEC e COTAS. Argumenta a Fiscalização que a operação efetuada entre NEC e COBOTEL caracterizase como uma operação entre empresas do mesmo grupo econômico, pois se feita com empresa independente não teria sido efetuada da forma indicada. Esse entendimento é corroborado com os documentos apresentados no dia 20/12/2011. 29.Foi apresentada cópia de um processo, com tradução juramentada, em que a NEC DO BRASIL S.A. propôs contra a COBOTEL uma Ação Executiva de Cobrança, distribuída ao “Juiz do 9o Tribunal de Vara Civil” em 31/05/2005. A ação foi proposta cobrando o valor de US$ 34.425.684,29 que é consequente da não obediência do dever de pagar uma obrigação emergente de um contrato de reconhecimento de dívida. 30.COBOTEL, devidamente intimada da ação, não opôs as exceções previstas no Processo e tampouco pagou as obrigações. Foi proferida sentença favorável a NEC do Brasil, notificada em 27 de setembro de 2005. A COBOTEL foi notificada em 13 de outubro de 2005. 31. A empresa COBOTEL não possuía veículos ou imóveis registrados em seu nome. US$ 3,304.51 foram remetidos pelo Banco Santa Cruz S.A. à autoridade judicial. A sentença transitou em julgado em 27 de outubro de 2005 sem qualquer recurso proposto por parte da COBOTEL. 32.A Autoridade Fiscal descreve a existência de um plano que acaba culminando com a exclusão do seu lucro líquido do valor da provisão sobre perdas no valor de R$ 97.738.741,28. Reproduzimos, a seguir, as etapas desse plano indicadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1131 a 1133): “ O plano é detectado ao constatarmos a existência de uma seuüência de atos ou negócios em que um passo subsequente nunca será dado se o anterior não for realizado. As etapas não têm causas autônomas; a causa é única e está vinculada ao complexo de etapas; cada etapa só se justifica em função do conjunto. Vejamos: Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.816 8 1 Contrato de Leasing de Equipamentos e Serviços entre a NEC e COTAS; (16/10/1995) 2 Criação da COBOTEL com sócios pessoa jurídica17 e pessoas físicas empregados da NEC; (13/05/1996). Os funcionários da NEC sócios da COBOTEL a administravam financeiramente e tecnicamente; 3 Instrumento Particular de Cessão de Contrato (projeto executivo n° 1), com anuência de COTAS em que a cedente NEC DO BRASIL cede e transfere a CESSIONÁRIA COBOTEL a totalidade dos créditos devidos pela COTAS LTDA18; (02/08/1996); 4 Em 2002 a NEC provisiona perdas com a COBOTEL; 5 Documento Particular de Memorando de Entendimento entre COTAS, COBOTEL e NEC com proposta de pagamento pela COTAS à COBOTEL da dívida existente; (10/01/2003); 6 Aditivo n°1 ao Memorando de Entendimento, com nova proposta de quitação da dívida pela COTAS à COBOTEL, cuja validade do documento foi até 30/11/2003; (26/05/2003); 7 Assinado documento transacional entre NEC e COBOTEL em que esta reconhecia a dívida com aquela e firmavam compromisso de pagamento (04/02/2004); 8 Em 31 de maio de 2005 a NEC DO BRASIL S.A propõe junto ao Senhor Juiz da Vara Cível e Comercial de Turno desta Capital uma AÇÃO EXECUTIVA DE COBRANÇA contra a COBOTEL exigindo o valor de, além dos juros já acessórios acordados no referido contrato transacional. Requer que seja expedido o correspondente mandado de embargo sobre os bens que sejam reconhecidos como de propriedade da sociedade executada Compañía Boliviana de Telecomunicações Ltda (COBOTEL), em quantidade suficiente para cobrir a dívida buscada, juros, custas e honorários advocatícios. (grifamos). No dia 17/06/2005 o MM. Juiz determinou a intimação da COBOTEL pagar a favor da NEC DO BRASIL AS, a soma de US$ 34.425.684,29. No dia 22/06/2005 a COBOTEL, por intermédio se seu gerente Sr. Gerente, Augusto César Baldivieso Ochoa, foi notificado. O MM Juiz proferiu sentença em 8 de setembro de 2005, alegando que no prazo previsto o obrigado não pagou a obrigação assumida, determinando que a ação seja levada até Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.817 9 o estado de arremate e leilão dos bens embargados ou a serem embargados para que, com o produto de sua venda, seja paga demandante a soma de US$ 34.425.684,29, mais juros , danos e prejuízos. Em 25 de outubro de 2005 a NEC por intermédio de seus advogados requereu ao MM. Juiz que seja expedido um certificado no qual constem os seguintes pontos: 1 Que o processo referido no preâmbulo, foram anexadas as certificações emitidas tando pelos escritórios de trânsito, quanto pelo registro de direito Reais, que comprovam que a devedora COBOTEL não conta com veículos nem imóveis registrados em seu nome. 2 Que, conforme consta às fls. 30 do expediente, o Banco Santa Cruz AS, mediante seu ofício , CITE : DSO 0878/2005 DE 27/06/05 certificou a retenção de fundos da devedora COMPAÑÍA BOLIVIANA DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA (COBOTEL), na quantia de US$3.304,14 e 3 Que, além da retenção acima referida, não foi efetuado no processo o embargo de nenhum outro bem. Em 23 de janeiro de 2006 foi certificado pelo Nono Tribunal de Vara Civil e Comercial da Capital que a sentença prolatada em 08/09/2005 transitou em julgado. Em 25 de janeiro de 2006 foi certificado que a assinatura e rubrica no translado de 23 de janeiro de 2006 corresponde à Dra. Mirian Roseli Terrazas, secretária advogada do 9o Tribunal da Vara Civil e Comercial da Cidade de Santa Cruz de La Sierra. Assinado pelo MM. Juiz Dr. Jesus Chuquimia Zeballos; 9 Em fevereiro de 2006 a NEC do Brasil S.A, excluiu do seu lucro líquido para apuração do lucro real o valor da provisão sobre perdas no valor de R$ 97.738.741,28. (17 A diligenciada apesar de várias vezes intimada não apresentou o contrato de constituição e suas alterações da NEC. 18 Os outros projetos executivos também foram cedidos à COBOTEL) ” 33.A Autoridade Fiscal argumenta que a NEC DO BRASIL S.A administrava financeiramente e tecnicamente a COBOTEL. Assim, ao perceber que COTAS poderia atrasar os pagamentos à COBOTEL, fez a provisão para perdas em 2002 relativos aos contratos de mútuo. 34.Ao propor a ação de execução contra COBOTEL, a NEC tinha o perfeito conhecimento de toda a situação da empresa, dos bens, das contas bancárias, já que seus funcionários participavam da administração da COBOTEL. Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.818 10 35.Observa a Autoridade Fiscal que a NEC, em nenhum momento, solicitou ao Juízo os embargos dos direitos da COBOTEL sobre COTAS, já que COBOTEL tinha créditos a receber de COTAS. Em seguida, levantou questionamentos sobre o destino do dinheiro e sobre o comportamento dos sócios de COBOTEL também funcionários da NEC. 36.A Autoridade Fiscal afirmou que a NEC, sabendo da situação da COBOTEL, preferiu acionála, pois neste caso poderia manipular o processo, deixando transitar em julgado a sentença favorável à NEC. Ao propor a ação, a NEC tinha perfeito conhecimento da impossibilidade do objeto do negócio jurídico. Nesse caso, ocorreu Fraude à Lei, prevista no artigo 166, VI, do Código Civil Brasileiro, que é a impossibilidade do objeto do negócio jurídico, que o faz nulo. 37.Ressaltou que o documento denominado Memorando de Entendimento, celebrado entre COTAS, COBOTEL e NEC, em 10 de janeiro de 2003, seria regido pelas leis da República Federativa do Brasil, elegendo o Foro da Cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, com renúncia a qualquer outro, por mais privilegiado que seja para dirimir quaisquer dúvidas a respeito desse Memorando. 38.Para a Autoridade Fiscal, no caso examinado, temse uma impossibilidade física (natural) do objeto do negócio jurídico. A impossibilidade física existe quando o objeto do negócio refere se a coisa que não existe nem pode existir, ou a coisa que, por sua própria natureza, não seja provável, ou, ainda, o fato (prestação) absolutamente impossível de realizarse. 39.A ação de cobrança contra a COBOTEL foi proposta na Bolívia, conforme previa o Contrato Transacional celebrado entre as partes, na cláusula 3.4. (tribunais de Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, ou de São Paulo). 40.Ao fazer o procedimento judicial contra a COBOTEL na Bolívia, a NEC sabia que nada ia receber. Assim, pela legislação fiscal brasileira, teria, com o trânsito em julgado da ação, a possibilidade de baixar a provisão de perdas contra o mútuo a receber, podendo excluir do Lucro Líquido, quando da apuração do Lucro Real, o valor da baixa, aplicando o artigo 9º da Lei 9.430/96. 41.A intenção da NEC não era receber de COBOTEL, mas produzir documentos para conseguir excluir esta perda do Lucro Líquido quando da apuração do Lucro Real. O artigo 9o da Lei 9.430/96, sobre esta matéria dispõe o que as perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real. Porém, conforme § 6°, não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.819 11 42.O parágrafo § 6° do artigo 9o da Lei 9.430/96 impossibilita a dedução de perdas nos casos que menciona. 43.A Autoridade Fiscal disse que a NEC DO BRASIL S.A montou a COBOTEL, sendo que parte dos sócios pessoas físicas eram também seus empregados, com participação minoritária, como afirma a própria NEC, mas com amplo poder de administração financeira e técnica. 44.A Fiscalizada não declinou o nome do sócio majoritário, alegando falta de documentos e que já tinha se passado mais de 10 anos, sendo portanto desnecessária sua apresentação. A Autoridade Fiscal cita normas legais e do Conselho de Federal de Contabilidade de forma a sustentar que o Contribuinte deveria ter mantido a documentação solicitada, sendo, assim, improcedente a argumentação de que a falta de documentos deveuse ao tempo decorrido. 45.A falta de apresentação da constituição da COBOTEL e possíveis alterações é totalmente improcedente e tinha como objetivo o embaraço à fiscalização com o intuito de esconder do poder público a verdadeira composição social da COBOTEL. 46.Em seguida, a Fiscalização retorna à questão da fraude à lei. O Contribuinte monta determinada estrutura negocial que se enquadra em uma norma de contorno para “driblar” outra norma, a contornada. Com isso, pretende fazer com que a situação concreta seja regulada pela norma de contorno, com o que ficaria afastada a aplicação da norma de tributação (ou de tributação mais onerosa). 47.A NEC DO BRASIL SA colocou como sócios da COBOTEL vários de seus empregados, que geriram administrativamente e tecnicamente a empresa. Do exame dos documentos apresentados, observase que qualquer ato administrativo ou técnico está vinculado a concordância da NEC DO BRASIL S.A. É a NEC DO BRASIL S.A, através de sócios, pessoas físicas, seus empregados e subordinados à sua administração, quem administrava a COBOTEL. 48.Para a Fiscalização, aplicase o previsto no § 6o do artigo 9o da Lei 9.430/96, que é a norma contornada, que trata da não dedutibilidade da perda no caso nela previsto. 49.Na ação judicial proposta, o objeto do negócio jurídico era impossível de ser atingido, pois a COBOTEL não tinha imóveis, móveis e disponibilidade financeira que desse suporte aos propósitos da ação. Esse fato era de conhecimento da NEC DO BRASIL S.A. Caso a NEC recebesse os créditos da COBOTEL contra a COTAS, o seu objetivo de excluir a baixa da provisão do mútuo na ação não seria alcançado. A finalidade da ação foi de criar um fato jurídico para poder usufruir do artigo 9o da Lei 9.430/96 e nunca foi o recebimento de alguma coisa para ressarcir seu possível prejuízo. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.820 12 50.A NEC DO BRASIL S.A., para continuar controlando toda a operação com a COTAS, criou a COBOTEL com interpostas pessoas que eram os seus empregados. Desta forma ela tinha todo o controle das operações. Isto fica claro em toda documentação apresentada pela diligenciada. 51.A Autoridade Fiscal finaliza observando que o Contribuinte não apresentou a sentença original estrangeira que deveria conter o visto consular e nem a prova de sua homologação, que é um processo que visa conferir eficácia a um ato estrangeiro no território brasileiro. Qualquer provimento, inclusive não judicial, proveniente de uma autoridade estrangeira só terá eficácia no Brasil após sua homologação pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme art. 4o da Resolução n. 09/STJ, de 04/05/2005. Assim, a sentença apresentada sem os requisitos legais não produz efeitos no território brasileiro. 52.Enquadramento legal: Arts. 9º e 44, II, da Lei nº 9.430/96; art. 250, inciso I, do RIR/99; art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 273 do RIR/99, art. 37 da Lei n° 10.637/02; arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei n° 5.172/66. O contribuinte foi cientificado da autuação em 22/12/2011, apresentando impugnação de fls. 13931461 em 20/01/2012, a qual, em resumo, aduz que: - Preliminarmente, a Impugnante alegou a nulidade do auto de infração, em especial quanto a questões ligadas a expedição e prorrogações de Mandados de Procedimento Fiscal – MPF; - Alega que a maior parte do procedimento foi realizada com base em MPF Diligência, o que a levou a entender que não estava sob fiscalização direta, mas que cumpria seu dever de colaboração com a Administração com relação a uma “diligência”; - em 20 de dezembro de 2011, foi emitido o MPF de n.° 08.1.90.002011 037287, dessa vez com a natureza de fiscalização (MPFF), relativo ao IRPJ do ano de 2006. O que seria lógico entender é que, a partir desse MPFF, seria iniciado um procedimento de investigação do IRPJ recolhido pela Impugnante em 2006, a fim de verificar a sua regularidade perante a administração tributária; dois dias após incluiuse a CSLL entre os tributos fiscalizados e, na mesma data, já lhe foi dada ciência dos autos de infração, exatamente na mesma data em que tomou ciência do MPFFiscalização; tais fatos levariam à nulidade da autuação. - Alega ainda que, além de infringir as normas atinentes ao MPF, desrespeitouse também os princípios básicos do processo administrativo, expressos no artigo 2º da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (Lei de processo Administrativo Federal); Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.821 13 - Argumenta ainda que os prazos de 5 dias concedidos pelo Fisco eram insuficientes para se alcançar os documentos e informações solicitadas, ainda mais alguns dos quais se exigia tradução juramentada, demonstrando o pouco zelo da Fiscalização; - A esse respeito, ataca ainda a lavratura do Auto de Embaraço à Fiscalização, principalmente porque, em pouco mais de 60 dias, período decorrido entre a emissão do MPFD em 30 de setembro de 2011 e a lavratura do referido Auto de Embaraço em 6 de dezembro de 2011, a Impugnante recebeu sete Termos de Intimação, contendo 22 quesitos, sendo que 20 deles foram respondidos até a data da lavratura do Auto de Embaraço à Fiscalização e dentro dos apertados prazos concedidos pela Autoridade Fiscal; - Os autos de infração seriam nulos também por ausência de indicação da base legal para a glosa das despesas. Alega que a infração relativa ao IRPJ teve como fundamento legal para a glosa das despesas o artigo 250, I, do Regulamento do Imposto sobre a Renda ("RIR/99" Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999). O artigo trata genericamente de valores que devem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ, e não haveria a indicação de qualquer situação específica na qual se encaixaria a Impugnante; - No mérito, a Impugnante defende o cancelamento dos autos lavrados, porque restringiram a dedutibilidade de despesas sem que estivesse caracterizada a hipótese legal que autoriza a sua aplicação; - Não seria razoável entender que a empresa NEC sustentou um suposto “plano” por 11 anos simplesmente para reconhecer a perda do valor mutuado acrescido de juros, e então poder deduzir as respectivas despesas para fins do IRPJ e da CSLL, conforme apontado pela Fiscalização; - A própria Fiscalização, em nenhum momento, nega que efetivamente ocorreram os mútuos e que a COBOTEL deixou de pagar o que devia à Impugnante. O que a Fiscalização contesta e é só o que está em questão no presente processo é o preenchimento dos requisitos legais para a dedutibilidade das despesas pela Impugnante; - Em continuação, a Impugnante trata do não cabimento da “fraude à lei” no caso em questão, e tampouco a possibilidade de sua aplicação pela autoridade administrativa, bem como o preenchimento dos requisitos legais para a dedutibilidade das despesas; - Não seria hipótese de aplicação do art. 9° da Lei n° 9.430/96, nem do caput nem de nenhum de seus parágrafos. Isso porque o art. 9º da Lei nº 9.430/96 trata da dedutibilidade das perdas provisórias e não se aplicaria a perdas definitivas; - Ou seja, as disposições do art. 9° da Lei 9.430/96 trazem uma presunção legal de perda efetiva, ou seja, dizem respeito a perdas provisórias, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.822 14 há um ou dois anos. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados, ou perdas definitivas por esgotamento dos meios legais de cobrança; - O artigo é pensado para a dedução de perdas estimadas, provisionais. Não faz nenhum sentido condicionar a dedução fiscal ao prosseguimento das medidas de cobrança para perdas definitivas; - A dedutibilidade das perdas definitivas não é, portanto, regulada pelo art. 9° da Lei 9.430/96, não havendo que se falar quer aplicação do §1° quer de “contorno” da norma do §6°; - As provisões constituídas pela Impugnante em 2002 foram devidamente adicionadas à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Poderiam ter sido deduzidas para fins fiscais a partir de 2003, enquanto ainda provisórias, nos termos do §1° do art. 9° da Lei 9.430/96. A Impugnante é que adotou a posição conservadora de apenas deduzir tais despesas quando as perdas se revelaram definitivas, aí não mais com base na Lei 9.430/96, mas no regime geral de dedutibilidade de despesas, pelo que o cancelamento dos presentes autos de infração é medida indispensável; - A Impugnante, por amor à argumentação, defendeu também a dedutibilidade de perdas efetivas, por depender apenas de a operação que as originou estar relacionada às atividades da empresa; - No caso, os mútuos eram necessários para viabilizar a cessão de algumas das obrigações que a Impugnante assumiu perante Cotas, conforme exaustivamente demonstrado. É hipótese de aplicação do art. 299 do RIR/99, sendo que as perdas ora analisadas eram necessárias, usuais e normais ao ramo de atividade da Impugnante; - O projeto na Bolívia deve ser analisado como um todo. A Impugnante assumiu perante COTAS o compromisso de fornecer equipamentos e serviços e cedeu o contrato à Cobotel, ficando porém responsável técnica e tecnologicamente pelos projetos; - Diante disso, a Impugnante exportou cerca de US$ 70 milhões em equipamentos para a Cobotel. Cobotel pagou pelos equipamentos, ficando inadimplente apenas com relação aos mútuos; - Como resultado, na operação como um todo, embora a Impugnante não tenha conseguido recuperar os mútuos, exportou milhões de dólares em equipamentos e consolidou sua presença no mercado de telefonia boliviano; - Em seguida, a Impugnante defendeu a impossibilidade de se presumir que os mútuos foram uma operação com empresa do mesmo grupo econômico, bem como a validade do processo de execução ajuizado contra a Cobotel; - Não há provas de que a operação se deu entre partes ligadas e não é possível presumir tal circunstância. O processo de execução ajuizado contra a Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.823 15 Cobotel seguiu todos os trâmites legais daquele país e é plenamente válido para atestar a perda; - A Autoridade Fiscal presumiu a vinculação entre a Impugnante e a Cobotel, de modo a enquadrar a baixa dos mútuos no parágrafo 6º do art. 9° da Lei 9.430/96; - A Autoridade Fiscal sustentou o entendimento de que a Impugnante e a Cobotel eram empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. A Impugnante, ao contrário do que disse a Fiscalização, não se furtou à apresentação do documento de constituição da Cobotel. A Impugnante havia conseguido a declaração do representante legal da cobotel, que indica a composição societária da Cobotel desde a sua constituição, declaração que a Impugnante entregou à fiscalização (fls. 1075 a 1089 dos autos), antes do encerramento do procedimento de fiscalização; - Ainda que se alegue se tratar de documento redigido em língua estrangeira, a identificação da composição societária não demandaria o mínimo conhecimento da língua espanhola. Imediatamente após a apresentação desse documento, a Autoridade Fiscal lavrou os autos de infração, sem dar oportunidade de a Impugnante juntar a tradução juramentada; - A Impugnante solicitou a tradução juramentada do referido documento, juntandoo apresente Impugnação (Doc. 8). Esse documento confirma a informação de que a Impugnante nunca fez parte do quadro societário desta empresa; - A demonstração de que não há vínculo de controle, coligação ou interligação entre a Impugnante e a Cobotel é suficiente para afastar a aplicação do parágrafo 6º do art. 9º da Lei 9.430/96 ao presente caso. Com isso, a apresentação de documento comprobatório de que a Impugnante jamais fez parte da composição societária da Cobotel, elimina qualquer cogitação sobre a existência de vínculo societário entre elas; - A Impugnante ainda defendeu que não está obrigada legalmente à guarda de documentos de terceiros. A norma citada pela Fiscalização diz respeito aos documentos relacionados ao próprio contribuinte e, em atenção rigorosa à exigência legal/regulamentar, a Impugnante cumpriu com todas as solicitações feitas no curso do procedimento de fiscalização, apresentando o contrato de mútuo e os respectivos aditivos; contratos celebrados no âmbito das operações de mútuo; informações e documentos relacionados à ação executiva de cobrança movida na Bolívia; balanços patrimoniais; balancetes, livro Diário; controles de operações de câmbio; LALUR etc.; - A Impugnante buscou as definições sobre sociedades coligadas, controladas e interligadas, concluindo que o caso em questão não se enquadra em qualquer delas; - A partir da leitura do Termo de Verificação Fiscal, é de fácil constatação que não houve qualquer indicação, pela Autoridade Fiscal, dos critérios objetivos Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.824 16 definidos na legislação comercial que permitiriam o estabelecimento de vínculo societário de controlada, coligada ou interligada; - E a presença de funcionários da NEC na Cobotel tinha por única finalidade a fiscalização da destinação dos recursos oriundos do mútuo, além da conferência da qualidade técnica dos serviços prestados por esta sociedade boliviana dentro do contexto da operação com Cotas; - Os sócios pessoas físicas da COBOTEL apenas tinham ingerência nas operações envolvendo a Impugnante; não havia qualquer ingerência dos colaboradores da Impugnante no controle ou na administração geral da Cobotel; - A existência de controle, coligação ou interligação deve corresponder aos respectivos institutos jurídicos na forma em que concebidos pela legislação privada, com a roupagem que esta lhe empresa, sob pena de infringência ao disposto no artigo 109 do CTN; - Assim, ainda que acolhidas as suposições constantes do Termo de Verificação Fiscal, em relação à possível existência de controle, coligação ou interligação, fica cabalmente demonstrada a sua impropriedade técnica, porquanto não corresponde aos respectivos institutos previstos na legislação do direito privado, afastandose, de plano e novamente, a aplicação do parágrafo 6º do artigo 9º da Lei n° 9.430/96 ao presente caso; - Sustentar a pretensão fiscal com base em mera “presunção” significaria frontal ofensa aos princípios mais basilares do Direito Tributário – o princípio da legalidade, esculpido no artigo 5º, inciso II, e artigo 150, inciso I, da Constituição Federal. Também foi ofendido o art. 97 do CTN; - A presunção, em matéria fiscal, somente se mostra aceitável, em vista dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, quando decorrer de previsão legal e, mesmo neste caso, deve estar presente a correlação firme e provável entre o fato conhecido e o que se pretende provar ocorrido, de modo que se possa afirmar, com segurança, tal ocorrência; - Ainda que se admitisse a técnica da presunção, não há qualquer fato conhecido em que se possa sustentar a ocorrência de outro, desconhecido, assim como a não apresentação do documento não significa provável relação de controle, coligação ou interligação entre a Impugnante e a Cobotel; - Da mesma forma que não há provas, nem previsão legal que autorize a presunção, de que as operações de mútuo em questão se deram entre empresas do mesmo grupo econômico, é conclusão necessária que o processo de execução ajuizado na Bolívia seguiu todos os trâmites legais e sua validade não pode ser questionada; - Se fosse admitido que a dedutibilidade devesse ser regida pela Lei 9.430/96, defende a Impugnante que seria caso de aplicação do § 1o do art. 9º. Esse dispositivo legal permite o registro como perda dos créditos sem garantia Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.825 17 superiores a R$30.000,00 quando vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; - E a situação da Impugnante se encaixa nas condições legais citadas, já que o mútuo venceu em 2004 (quando a Cobotel não honrou com os pagamentos previstos no “Contrato Transacional”), uma vez esgotadas as chances de cobrança amigável a Impugnante ajuizou a ação de cobrança em 2005 e, em 2006, diante do trânsito em julgado da sentença que atestou não haverem bens suficientes para saldar a dívida, a Impugnante reconheceu a perda para fins fiscais; - A Fiscalização concluiu pela invalidade do processo de cobrança na Bolívia por entender que, ao propor a ação, a Impugnante já sabia que nada iria receber, ou seja, que a intenção da Impugnante nunca foi receber nada da Cobotel, mas produzir documentos para conseguir excluir a perda do lucro líquido quando da apuração do Lucro Real com base no §1° do art. 9o da Lei 9.430/96; - A conclusão da Fiscalização é baseada em ilações, que não passam de inferências carentes de um mínimo de suporte fático que lhes sirva de prova; - Em primeiro lugar, o fato de a Impugnante ter representantes seus como sócios minoritários da COBOTEL não significa que tais sócios tinham pleno conhecimento das finanças da empresa. Conforme a Impugnante informou nas respostas às intimações, eles tinham poderes para fiscalizar a aplicação dos recursos financeiros mutuados pela Impugnante, com vistas a garantir a qualidade técnica na implantação dos Projetos Executivos contratados com COTAS, mas isso não significa que tinham controle sobre o mercado local nem sobre as condições comerciais para o fornecimento dos bens na Bolívia; - Outra ilação diz respeito à qualificação de “negócio jurídico impossível” conferida à ação de cobrança na Bolívia. Ocorre que tal conceito não se aplica ao caso, pois uma ação judicial não é um “negócio jurídico”, nem o objeto é impossível; - O fato de não se ter bens (ativo) não significa que não se possa saldar dívidas. De fato, tanto o objeto não era impossível que a COBOTEL poderia, por exemplo, ter contraído novos empréstimos para saldar a dívida com a Impugnante. Não foi o que aconteceu por circunstâncias alheias à vontade da Impugnante, que obviamente preferia receber o dinheiro de volta a simplesmente deduzir a perda; - A Fiscalização questionou também a eficácia da decisão da Justiça boliviana, afirmando que a sentença estrangeira não poderia produzir efeitos no Brasil para fins de permitir a baixa da provisão para perdas, porque a Impugnante não teria apresentado sentença original estrangeira contendo o visto consular bem como prova de sua homologação pelo Superior Tribunal de Justiça (“STJ”); Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.826 18 - Primeiramente, a legalização e consularização dos documentos ocorreram em 3 de fevereiro de 2006 (Doc. 9). Quanto à homologação da sentença estrangeira, esta não era necessária para possibilitar a referida baixa da provisão para perdas e, mais do que isso, sequer seria juridicamente possível referida homologação para os fins pretendidos pela Fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal; - A sentença boliviana proferida na ação de cobrança ajuizada pela Impugnante contra a Cobotel teve como objeto geração de efeitos eminentemente patrimoniais entre ambas as partes. Assim, a eventual homologação da referida sentença no Brasil só poderia ter como objeto tais efeitos patrimoniais entre estas mesmas partes; - Assim, no entender da Impugnante, merece rejeição o argumento contido no Termo de Verificação Fiscal, no sentido de reclamar homologação à sentença proferida no processo executório boliviano, para embasar a baixa da provisão para perdas e conseqüente dedutibilidade para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL aqui exigidos; - Continuando, a Impugnante defendeu a impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício; - Sobre as penalidades, argumenta a Impugnante que o auto de infração lavrado extrapola os limites legais e usuais do direito tributário. Isso porque a Fiscalização aplicou, concomitantemente, multa isolada e multa proporcional de lançamento de ofício sobre uma única base de cálculo; - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício é uma duplicação da penalidade. Fica evidente a identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias: no aspecto pessoal alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo); o critério material, por sua vez, está centrado no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo supostamente devido; - Cita jurisprudência administrativa favorável a sua tese e conclui pela ilegalidade da imposição da multa isolada cumulada com a multa de ofício, devendo ser cancelada a multa isolada; - Em caráter subsidiário às alegações que apontam para a absoluta improcedência do auto de infração impugnado, propugna a Impugnante pela inexistência dos pressupostos para a aplicação da multa agravada de 112,5%; - Diz a Impugnante que o Termo de Verificação Fiscal silencia quanto à majoração da multa, qualquer menção ao agravamento da multa nem aos motivos para tal conduta, o que já seria razão para a nulidade da majoração da multa, por cerceamento de defesa da Impugnante; - Porém, como a Autoridade Fiscal lavrou também Termo de Embaraço à Fiscalização, e apenas para argumentar, a Impugnante defendese da multa Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.827 19 majorada assumindo que tal majoração tem por fundamento o termo de embaraço à fiscalização; - Em nenhum momento a Impugnante deixou de atender à Fiscalização, seja prestando todos os esclarecimentos que lhe foram solicitados, seja apresentando toda a documentação exigida com base na legislação. Assim, não houve descumprimento do disposto no art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, razão pela qual não há como se alegar o cabimento da multa agravada de 112,5%; - A fundamentação do agravamento da multa de ofício, com base no artigo 919 do RIR/99, não encontra qualquer relação com o caso em tela, já que não houve recusa de apresentação de qualquer documentação contábil da Impugnante ou registros relacionados aos seus negócios; - Os documentos exigidos pela Fiscalização e que não puderam ser apresentados no momento dos atendimentos à fiscalização são documentos de constituição da Cobotel, que não se referem à Impugnante e que esta não tinha obrigação de manter em seus arquivos; - Entre a data de emissão do MPFD, em 30 de setembro de 2011, e o dia 6 de dezembro de 2011, quando foi lavrado o referido Auto de Embaraço, foram lavrados sete Termos de Intimação, contendo 22 quesitos, todos eles com prazo para cumprimento de cinco dias, indiscriminadamente, mostrando obviamente que a Fiscalização imagina que a coleta de dados e documentos seja igual, tanto quando pede para explicar um tratamento contábil dado a uma despesa quanto para localizar documentos referentes a períodos em que a decadência já se operou ou documentos que estão em outros países e cuja apresentação depende inclusive de autoridades estrangeiras; - O Auto de Embaraço à Fiscalização foi lavrado a partir de mera “presunção” de que a Impugnante estava se negando a apresentar os documentos exigidos pela fiscalização, ou que os documentos faziam referência a uma empresa ligada a ela, o que, como já tratado, não é o caso; - E a constatação de ocorrência de ilícito depende de prova cabal, afirma a Impugnante, indicando julgados que entende favoráveis a sua tese, tanto do CARF como das Delegacias de Julgamento da Receita Federal; - Diante desses fatos, deve ser cancelada a aplicação da multa qualificada de 112,5%; - Por fim, requereu a Impugnante o acolhimento da sua pretensão conforme razões acima sintetizadas, protestando pela produção de todas as provas em Direito admitidas, sobretudo a realização de diligências e a juntada de novos documentos. O julgamento em primeira instância julgou improcedente a impugnação, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.828 20 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. CERCEAMENTO DE DEFESA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA E DE FISCALIZAÇÃO. Não dá causa a cerceamento de defesa, a entrega de mandado de procedimento fiscal de diligência, quando o contribuinte toma conhecimento da fiscalização através de vários termos fiscais, com informações precisas do objeto, conteúdo e alcance do procedimento fiscal que se realiza, incluindo menção a possível lançamento. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA AGRAVADA. O embaraço à fiscalização dá causa ao agravamento da multa de ofício, conforme previsto na legislação fiscal. MÚTUO. PERDAS. DEDUÇÃO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. VÍNCULO ADMINISTRATIVO. Existindo vínculo administrativo, técnico e financeiro entre as empresas, não se permite a dedução das perdas originadas de mútuo entre elas, por expressa vedação legal. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. BASES DE CÁLCULO. As bases de cálculo das multas isolada e de ofício, por falta de recolhimento de antecipação e por falta de pagamento da contribuição ou tributo, respectivamente, são distintas. Constatada a insuficiência de pagamento de estimativas e de pagamento do tributo, verificase a ocorrência de duas infrações. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Questionamentos dessa natureza não são apreciáveis na esfera administrativa. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. O momento adequado para a produção de provas dáse dentro do prazo de impugnação, exceção feita às situações previstas nas normas que regem o contencioso administrativo. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PETIÇÃO GENÉRICA. Considerase não formulado o pedido genérico de juntada posterior de documentos e de realização de diligência, o qual desatende as condições Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.829 21 previstas na legislação processual administrativa tributária federal atinente à matéria. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 06 de novembro de 2012 (fl. 1734), apresentando recurso voluntário em 05 de dezembro de 2012 (fls. 17351794). Em resumo, repete seus argumentos de impugnação. É o Relatório. Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.830 22 Voto O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1 ARGUIÇÕES DE NULIDADE 1.1 IRREGULARIDADES QUANTO AO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O denominado MPF – Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da administração tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Além de ser utilizado como instrumento de controle criado pela Administração Tributária, tem como escopo também resguardar a segurança e a transparência à relação fiscocontribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o AuditorFiscal está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com emissão ou a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AuditorFiscal para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. A não prorrogação do MPF ou a sua não ciência ao contribuinte, por si só não gera nulidade do lançamento, tampouco a conversão de MPF Diligência em MPF de Fiscalização pouco tempo antes da formalização da autuação. O fato de o contribuinte estar submetido a procedimento de diligência não pode servir de motivo para anulação do procedimento fiscal. O início da ação fiscal por parte do Fisco possui regramento específico, em especial o art.7º do Decreto nº 70.235, de 1972, e o parágrafo único do art. 138 do CTN, o que afasta a aplicação dos ditames da Lei nº 9.784, de 1999, a tais aspectos do procedimento fiscal, uma vez que tal norma legal, conforme dispõe seu art. 69, somente se aplica subsidiariamente aos processos administrativos que possuem regramento específico. Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.831 23 Ademais, no caso concreto, o procedimento fiscal transcorreu absolutamente nos moldes estabelecidos pelas normas infralegais que regem a matéria. Nesse ponto, perfeitas as considerações da decisão recorrida, que, em resumo, demonstram que tanto a emissão, quanto as prorrogações dos MPF e as respectivas ciências, realizaramse em perfeita sintonia com as Portarias da RFB que regulamentam o tema. Por tais razões, rejeito a arguição de nulidade do lançamento sustentada em vícios no Mandado de Procedimento Fiscal. 1.2 AUSÊNCIA DE BASE LEGAL Entendo não assistir razão ao Recorrente. Embora no demonstrativo do auto de infração conste apenas regras gerais sobre dedutibilidade de despesas e exclusões do lucro real, no Termo de Verificação Fiscal tornouse evidente que a fundamentação legal para a autuação foi o §6º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996, tanto assim que o Recorrente em sua impugnação, e também em sede de recurso voluntário, discorre em pormenores sobre o alcance de tal dispositivo legal. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. No caso concreto não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.832 24 clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado no Termo de Verificação Fiscal, no qual se apontou com minúcias os fatos constatados, qualificandoos e subsumindoos com perfeição aos dispositivos legais apontados no próprio relatório em questão. Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, não havendo qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, deve ser afastada esta arguição de nulidade. 2 MÉRITO 2.1 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO A autoridade fiscal considerou que o Recorrente arquitetou operações em sequência visando deduzir das bases de cálculo de IRPJ e CSLL perdas no recebimento de créditos. Apontou a Fiscalização que o Recorrente, ao perceber que a empresa boliviana COTAS não iria honrar com seus compromissos, repactuou as operações, inserindo COBOTEL como intermediária nas operações realizadas, de modo que pudesse deduzir os valores não honrados por COBOTEL da apuração das bases de cálculos de IRPJ e CSLL. Alega ainda a autoridade autuante que COBOTEL teria íntima ligação com o Recorrente, já que seus sócios e dirigentes eram funcionários do Recorrente. Desse modo, incidiria a vedação do §6º do art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. [....] § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.833 25 Desse modo, independentemente do prazo e valor dos débitos de COBOTEL em relação ao Recorrente, bem como dos procedimentos adotados por este para a cobrança de tal montante, o fato de haver subordinação administrativa e financeira da devedora em relação à credora faria incidir tal dispositivo legal, o qual, por sua vez, não admite a dedução na perda de recebimento de créditos em tal hipótese. Embora reconheça que a tese da autoridade fiscal pudesse ser viável, entendo que não há provas nos autos de que COBOTEL fosse controladora, controlada, coligada ou interligada do Recorrente. E na ausência de comprovação desse jaez, impraticável aplicar a restrição contida no dispositivo legal em comento. Em sua defesa o Recorrente fez uma perfeita explanação dos conceitos de controle, coligação e interligação contidos nas normas societárias e fiscais, demonstrando, de maneira cabal, não se enquadrar em quaisquer das hipóteses legais aventadas, quer com base na Lei das S/A, quer com base em normas fiscais, tais como as aplicáveis aos preços de transferência, à distribuição disfarçada de lucros ou no âmbito do IPI. Convém transcrever seus argumentos: 80. De fato, poderia o legislador, ao editar o artigo 9o da Lei n° 9.430/96, prever a indedutibilidade da perda incorrida em operações com pessoas jurídicas com as quais se mantenha relação de controle, coligação, interligação ou vinculo tecnológico, administrativo e financeiro, mas não o fez. 81. Ora, se o legislador não pretendeu estender a aplicação do parágrafo 6o do artigo 9o da Lei n° 9.430/96, é evidente que, em atenção ao disposto no artigo 109 do CTN, não pode o intérprete (fiscalização e autoridades julgadoras) buscar equiparar tais institutos com o escopo de criar obrigação tributária. 82. Importante observar que a relação de vínculo societário e demais vínculos de outra natureza (comercial, administrativa etc.) sempre esteve presente na legislação tributária. 83. Vale dizer, há décadas, em se tratando de estabelecer obrigações tributárias, o legislador tributário, sempre que assim pretendeu, determinou expressamente quais vínculos entre pessoas jurídicas implicará efeitos tributários, a depender do negócio sob análise. Explicase. 84. No caso de distribuição disfarçada de lucros, o artigo 60 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, assim prescreve: "Art. 60 Presumese distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica: I aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; II adquire, por valor notoriamente superior ao de mercado, bem de pessoa ligada; III perde, em decorrência do não exercício de direito à aquisição de bem e em beneficio de pessoa ligada, sinal, Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.834 26 depósito em garantia ou importância paga para obter opção de aquisição; IV aparte das variações monetárias ativas (art.18) que exceder as variações monetárias passivas (art. 18, parágrafo único) V empresta dinheiro a pessoa ligada se, na data do empréstimo, possui lucros acumulados ou reservas de lucros; VI paga a pessoa ligada aluguéis, royalties ou assistência técnica em montante que excede notoriamente do valor de mercado. VII realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condições de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros; § 2o A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros. S 3o Considerase pessoa ligada à pessoa jurídica: a) o sócio desta, mesmo quando outra pessoa jurídica; b) o administrador ou o titutlar da pessoa jurídica; c) o cônjuge e os parentes até terceiros grau, inclusive os afins, do sócio pessoa física de que trata a letra "a" e das demais pessoas mencionadas na letra "b". 85. No caso de interdependência (para fins de IPI), a legislação assim estabelece: Regulamento do IPI (Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010) "Art. 612. Considerarseão interdependentes duas firmas: I quando uma delas tiver participação na outra de quinze por cento ou mais do capital social, por si, seus sócios ou acionistas, bem como por intermédio de parentes destes até o segundo grau e respectivos cônjuges, se a participação societária for de pessoa física (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, inciso I, e Lei n° 7.798, de 1989, art. 9o); II quando, de ambas, uma mesma pessoa fizer parte, na qualidade de diretor, ou sócio com funções de Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.835 27 gerência, ainda que exercidas sob outra denominação (Lei n°4.502, de 1964, art. 42, inciso II); III quando uma tiver vendido ou consignado à outra, no ano anterior, mais de vinte por cento no caso de distribuição com exclusividade em determinada área do território nacional, e mais de cinquenta por cento, nos demais casos, do volume das vendas dos produtos tributados, de sua fabricação ou importação (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, inciso III); IV quando uma delas, por qualquer forma ou título, for a única adquirente, de um ou de mais de um dos produtos industrializados ou importados pela outra, ainda quando a exclusividade se refira à padronagem, marca ou tipo do produto (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso I); ou V quando uma vender à outra, mediante contrato de participação ou ajuste semelhante, produto tributado que tenha fabricado ou importado (Lei n° 4.502, de 1964, art. 42, parágrafo único, inciso II). Parágrafo único. Não caracteriza a interdependência referida nos incisos III e IV a venda de matérias primas e produtos intermediários, destinados exclusivamente à industrialização de produtos do comprador.'' 86. Em se tratando de preços de transferência, a legislação preceitua o quanto segue: LEI N° 9.430/96: "Art. 23. Para efeito dos arts. 18 a 22, será considerada vinculada à pessoa jurídica domiciliada no Brasil: I a matriz desta, quando domiciliada no exterior; II a sua filial ou sucursal, domiciliada no exterior; III a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, cuja participação societária no seu capital social a caracterize como sua controladora ou coligada, na forma definida nos §§ I o e 2o do art. 243 da Lei n" 6.404, de 15 de dezembro de 1976; IV a pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja caracterizada como sua controlada ou coligada, na forma definida nos §§ I o e 2o do art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; V a pessoa jurídica domiciliada no exterior, quando esta e a empresa domiciliada no Brasil estiverem sob controle societário ou administrativo comum ou quando pelo menos dez por cento do capital social de cada uma pertencer a uma mesma pessoa física ou jurídica; Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.836 28 VI a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que, em conjunto com a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, tiver participação societária no capital social de uma terceira pessoa jurídica, cuja soma as caracterizem como controladoras ou coligadas desta, na forma definida nos §§ I o e 2odo art. 243 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VII a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que seja sua associada, na forma de consórcio ou condomínio, conforme definido na legislação brasileira, em qualquer empreendimento; VIII a pessoa física residente no exterior que for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro de qualquer de seus diretores ou de seu sócio ou acionista controlador em participação direta ou indireta; IX a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que goze de exclusividade, como seu agente, distribuidor ou concessionário, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos; X a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, em relação à qual a pessoa jurídica domiciliada no Brasil goze de exclusividade, como agente, distribuidora ou concessionária, para a compra e venda de bens, serviços ou direitos." 87. Observase, nitidamente, que o legislador tributário, sempre que pretende atribuir efeitos tributários específicos em relação a negócios realizados entre pessoas jurídicas ou entre pessoas jurídicas e físicas, o faz de modo expresso, indicando qual espécie de vinculo acarretará tratamento específico. 88. Ora, em que momento o parágrafo 6° do artigo 9° da Lei n° 9.430/96 indicou a existência de vinculo tecnológico, financeiro e administrativo como elemento qualificador do tratamento tributário específico que é a indedutibilidade da perda? 89. E nem se alegue que a intenção do legislador era a de abrigar este vínculo, ainda que sem indicálo de forma expressa. Esta alegação não prosperaria pelo fato de que, na mesma lei, ao tratar de preços de transferência, previu uma série de vínculos que não somente o de natureza societária (controle, coligação ou interligação) como causadora de efeitos tributários específicos, que também abrange indedutibilidade de despesa. Como bem assevera o Recorrente, o DecretoLei n° 1.950, de 14 de julho de 1982, em seu artigo 10, parágrafo 2º, alínea "b", traz a definição de sociedades interligadas como "as pessoas jurídicas que tenham como controlador o mesmo sócio ou acionista". Já o art. 243 Lei das S/A, ao definir o conceito de empresa coligada, quer pela sua redação original e vigente à época dos fatos geradores , quer pela sua nova redação Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.837 29 dada pela Lei nº 11.638, de 2007, impõe como requisito a participação no capital da investida para que se possa considerar a ocorrência de coligação. Com efeito, os documentos acostados aos autos não permitem comprovar que o Recorrente possa ser considerado controlador, possua coligação ou interligação com COBOTEL. A composição societária de COBOTEL restou comprovada, sendo que 0,6% das ações pertenciam a funcionários do Recorrente, e 99,4% à “PROUDFOOT INC”, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Por mais que houvesse uma dependência econômica, administrativa e tecnológica entre COBOTEL e o Recorrente, a Fiscalização não logrou comprovar os requisitos legais para tornar indedutíveis as perdas nos recebimentos de créditos objeto da lide. A conclusão a que chegou a decisão recorrida de que o Recorrente conhecia PROUDFOOT INC em nada interfere na ausência de provas de coligação, controle ou interligação entre COBOTEL e o Recorrente. Embora não altere o panorama do caso concreto, saliento, contudo, que ao contrário do que defendido pelo Recorrente, entendo que a vedação à dedutibilidade disposta no § 6º do art. 9º da Lei nº 9.430/96 aplicase tanto a perdas provisórias quanto a definitivas, pois o legislador não diferenciou tais situações. Até mesmo porque, embora no § 4º do art. 10 do mesmo diploma legal digase da possibilidade de baixa definitiva a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor, não se pode levar em consideração que no caput do mesmo dispositivo o legislador deixa claro que está a se tratar das perdas admitidas nesta lei, ou seja, nos moldes definidos em seu art. 9º. No mais, entendo comprovados os demais requisitos legais para que o Recorrente pudesse deduzir da base de cálculo do IRPJ as perdas no recebimento de crédito, que já poderia, inclusive, ter sido excluída do lucro real a partir do anocalendário de 2005, pois o débito superava R$ 30.000,00, estava vencido há mais de um ano e em 31/05/2005 o Recorrente ingressou com ação de execução em face de COBOTEL. Além disso, a execução restou frustrada em razão da quase inexistência de bens penhoráveis, o que acabou por tornar a perda, então, provisória, em definitiva, possibilitando, assim, a baixa das perdas independentemente do disposto no art. 9º da Lei nº 9.430, de 1996, quanto às perdas provisórias. Cumpre salientar, ainda, que a conclusão da autoridade fiscal de que se tratava de operações realizadas em sequência não se mostra razoável no caso concreto, pois a operação inicial entre o Recorrente e COTAS se deu no ano de 1995, a intermediação de COBOTEL em 1996 e dedução das perdas somente uma década depois (2006). Somase a isso o fato de que, se o raciocínio do Fisco estivesse correto no sentido de que o Recorrente criou COBOTEL ao perceber que COTAS não honraria com os pagamentos com a finalidade de poder contabilizar as perdas nos recebimentos de créditos, não haveria necessidade de toda essa engenharia para tanto, bastando que se mantivesse a condição contratada entre COBOTEL e COTAS, que, ao fim e ao cabo, o não pagamento dos valores acordados também redundaria em perdas dedutíveis da base de cálculo de IRPJ. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.722359/201121 Acórdão n.º 1402001.464 S1C4T2 Fl. 1.838 30 Em relação aos argumentos de que sentença estrangeira, para surtir efeitos no Brasil, deveria ser homologada pelo STJ, entendo absolutamente inaplicável ao caso, pois tal homologação diz respeito às condições de validade e eficácia da sentença estrangeira a ser cumprida no Brasil, ou, em outras palavras, é o ato formal do Poder Judiciário que recepciona a sentença estrangeira. No caso concreto, não haveria necessidade de homologação de sentença estrangeira pois os seus efeitos que se por ventura se pretendessem se irradiar no Brasil diriam respeito aos bens de COBOTEL para fins de honrar os valores executados. Não há que se falar, portanto, de homologação de uma sentença estrangeira em execução para fins de dar guarida à dedutibilidade de perdas no recebimento do crédito. Isso posto, entendo não subsistir a exigência. 3 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por rejeitar as arguições de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, considerando prejudicada a análise quanto ao agravamento da penalidade e a exigência de multas isoladas. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 25/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/10/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.909853/2009-58
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10855.909853/2009-58
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5284836
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1802-000.255
nome_arquivo_s : Decisao_10855909853200958.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIEL EDER COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10855909853200958_5284836.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5017502
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176674086912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1337; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 129 1 128 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.909853/200958 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1802000.255 – 2ª Turma Especial Data 9 de julho de 2013 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGENCIA Recorrente LAPONIA SUDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 09 85 3/ 20 09 -5 8 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.909853/200958 Resolução nº 1802000.255 S1TE02 Fl. 130 2 Relatório Tratam os presentes autos de não homologação de compensação, cujo crédito está em suposto pagamento indevido/ a maior de IRPJ (0220) recolhido em 31/03/2008, no valor de R$ 359.757,81, e cujo débito é do IRPJ (0220) relativo ao 2° Trimestre de 2008, vencido em 31/07/2008. Por bem descrever os fatos que antecedem à análise do recurso voluntário, transcrevo o relatório proferido pela 5a Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1435.118, disponível às efls 72 dos autos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 0220) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 06/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/44, na qual alega, em síntese, que: a) no Doc 1, DIPJ/2008, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 887.451,81, referente ao 4° trimestre de 2007, que foi dividido em três cotas no valor de R$ 295.817,27; b) no Doc 2, DCTF de dezembro de 2007, consta débito de IRPJ do 4° trimestre de 2007, no valor de R$ 887.451,81, onde o mesmo foi dividido em três quotas a ser demonstrado na DCTF do próximo trimestre; c) no Doc 3, DCTF de março de 2008, consta débito de IRPJ do trimestre anterior, no valor de R$ 887.451,81, onde o mesmo foi dividido em três cotas no valor de R$ 295.817;27; d) apresenta cópia do DARF, referente ao recolhimento do IRPJ do 4° trimestre de 2007, 3a quota, no valor de R$ 359.757,81, recolhido em 31/03/2008; e) o PER/Dcomp referese à compensação do saldo de R$ 50.476,31 (R$ 48.656,55 do crédito original acrescentado de R$ 1.819,76, referente à taxa Selic acumulada de 3,74%), decorrente da diferença apurada de R$ 57.579,40 entre o valor apurado para a 3a cota do IRPJ do 4° trimestre de 2007, no montante de R$ 295.817,27, e o valor efetivamente pago na cifra de R$ 353.396,67. Ao final, requer a homologação do crédito. E o relatório. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade oferecida pelo contribuinte, conforme a seguinte ementa (efls 71): Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.909853/200958 Resolução nº 1802000.255 S1TE02 Fl. 131 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a manutenção da exigência da qual foi intimada em 03/10/2011, apresentou Recurso Voluntário em 25/10/2011 (efls 79/85), onde refuta que o acórdão recorrido não entrou no mérito da busca pela verdade real, seja por diligência ou outra forma que substanciasse o indeferimento procedido, mas reputando carência probatória, manteve a exigência. Junta documentos adicionais que supostamente comprovam seu direito ao crédito pleiteado. É o relato do essencial. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.909853/200958 Resolução nº 1802000.255 S1TE02 Fl. 132 4 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a autoridade julgadora a quo, entendendo pela insuficiência probatória, manteve o contido pelo Despacho Decisório. A recorrente, por sua vez, insiste na liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. O Despacho Decisório que não homologou a compensação e instaurou o presente contencioso (efls. 5), estabeleceu que o valor pago de R$ 359.757,81 através de DARF no código 0220 (IRPJ) em 31/03/2008, foi integralmente utilizado para extinguir crédito tributário devido de igual montante e natureza, não restando saldo algum para suportar a compensação declarada através da DCOMP em comento. Ora, a DIPJ versão original, entregue em 30/06/2008 (efls 11/12) traz como valor devido do IRPJ (0220) relativo ao 4° trimestre de 2008 o montante de R$ 887.451,81. Conforme atestam os documentos juntados aos autos, o saldo foi recolhido em três quotas. Já no que tange às DCTFs juntadas aos autos pela recorrente (efls 13/19), atestase que são retificadoras e entregues depois do envio da DCOMP em análise (31/07/2008) – 07963.18855.310708.1.3.036642. Assim, para fins de vinculação ao despacho decisório, os débitos declarados em DCTF retificadora não têm força probatória suficiente a sustentar o direito creditório alegado. Deste fato, surge a necessidade da identificação de outros elementos para atestar a liquidez e certeza do crédito pretendido, que não só na DIPJ. Isto porque, o extrato constante às efls 65 denota que somente a DCTF original havia sido entregue antes da DCOMP apresentada e constava como saldo devedor para o IRPJ (0220) o montante de R$ 1.060.190,01, resultando em três cotas no montante de R$ 353.396,67, o que importaria na não existência do crédito pretendido, na forma do Despacho Decisório emitido. Ora, da insuficiência de provas pela manifestação de inconformidade apresentada, deveria a autoridade julgadora a quo, converter em diligência o julgamento a fim de apurar a verdadeira condição do crédito pleiteado. Contudo, aplicando com supremacia o art. 333 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), julgou improcedente a manifestação por ausência de provas. Agora em sede recursal, foram apresentadas provas adicionais, como o Balanço Patrimonial (efls 92/94), Balancete Analítico (efls 95/101), DIPJ (efls 102/107), Comprovantes de Arrecadação (efls 108/110), Comprovantes de Rendimento (efls. 111/117), e a DCOMP (efls 118/123) que, contudo, ainda não permitem a completa comprovação do direito creditório pleiteado Ao que consta na própria DIPJ, a diferença do valor inicialmente declarado em DCTF como devido para o tributo IRPJ (0220), de R$ 1.060.190,01 para o retificado de R$ 887.451,81 referemse ao Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao 4° Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.909853/200958 Resolução nº 1802000.255 S1TE02 Fl. 133 5 Trimestre, no valor de R$ 172.738,69 (Comprovantes de Rendimento efls 111/117), tendo sido a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 9.160,40 já computada no cálculo desde o princípio, não havendo o que se contestar a respeito. Da análise documental contudo, não há como atestar que o direito creditório pleiteado se encontra líquido e certo em favor da recorrente, visto que não há qualquer identificação de quais rendimentos retidos resultam no montante de R$ 172.738,69, fato também não analisado pelo julgador a quo. Neste sentido dispõe a Súmula CARF n° 80: Súmula CARF n° 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o computo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de que seja apurado o montante de imposto de renda retido na fonte na forma em que declarados em DIPJ, da seguinte forma: A recorrente deverá trazer aos autos cópias das notas fiscais emitidas que contém os impostos retidos que perfazem o montante de R$ 172.738,69, e os comprovantes de rendimento das pessoas jurídicas que retiveram esse montante no 4° Trimestre de 2008, devidamente identificados, comprovantes estes que devem ser objeto de validação pela autoridade fiscal. A não comprovação de tais elementos ensejará na improcedência do recurso. Após a realização da diligência, retornemse os autos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720344/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, não gera direito a créditos, para o comerciante atacadista ou varejista, a aquisição de automóveis e autopeças, sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, por expressa vedação legal. As disposições do art. 17 da Lei n° 11.033/2004 aplicam-se tão-somente ao regime de tributação específico denominado REPORTO.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3202-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, não gera direito a créditos, para o comerciante atacadista ou varejista, a aquisição de automóveis e autopeças, sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, por expressa vedação legal. As disposições do art. 17 da Lei n° 11.033/2004 aplicam-se tão-somente ao regime de tributação específico denominado REPORTO. Recurso Voluntário negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10120.720344/2010-14
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5304653
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.955
nome_arquivo_s : Decisao_10120720344201014.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 10120720344201014_5304653.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5154225
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176676184064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 313 1 312 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720344/201014 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.955 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria PIS/PASEP.PER/DCOMP.TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente NAVESA NACIONAL DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP, não gera direito a créditos, para o comerciante atacadista ou varejista, a aquisição de automóveis e autopeças, sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, por expressa vedação legal. As disposições do art. 17 da Lei n° 11.033/2004 aplicamse tãosomente ao regime de tributação específico denominado REPORTO. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama votaram pelas conclusões. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 03 44 /2 01 0- 14 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de Per/Dcomp (fls. 3 a 5) baixados para tratamento manual, nos quais a contribuinte, acima identificada, pleiteou o ressarcimento de crédito de Pis nãocumulativa, incidente sobre a aquisição de veículos novos e peças em geral, no valor de R$ 4.841.677,22, relativo ao 1º trimestre do anocalendário 2008. Intimada (fls. 8 e 9) a apresentar documentos e prestar esclarecimentos, a contribuinte, representada por seu procurador (Oracy Cavalcante Milhomens), em resumo, na petição (fls. 11 a 13) informou o seguinte: a sua principal atividade é compra e venda, no atacado e no varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionados na Lei 10.485, de 2002, que tiveram as alíquotas do Pis e da Cofins reduzidas 4 zero, relativamente a receita auferida, por força do disposto nos incisos I e II do § 2º do artigo 3º; os créditos de Pis e Cofins não cumulativos, objetos dos pedidos de ressarcimentos, têm origem na aplicação direta das alíquotas de 1,65% e 7,6%, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei 10.485, de 2002 (veículos automotores e autopeças), uma vez que as alíquotas da contribuição para o Pis e da Cofins foram reduzidas a zero na saída desses produtos, e a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição dos produtos tem como fundamento o artigo 17 da Lei 11.033 de 2004, cujos pedidos de ressarcimentos dos créditos de Pis e de Cofins foram realizados com base no artigo 16 da Lei 11.116, de 2005. A autoridade fiscal examinou a questão e no despacho decisório (fls. 27 a 39) indeferiu os pedidos de ressarcimento, sob o argumento de que a Lei 10.637, de 2002, expressamente veda o direito ao creditamento da contribuição para o Pis apurado pelo regime monofásico. A contribuinte tomou ciência da decisão em 18/08/2010 (AR fl. 46). Inconformada, por intermédio de seus procuradores (Paulo Adriano Elias Magalhães e Oracy Cavalcante Milhomens), apresentou, em 01/09/2010, manifestação de inconformidade (fls. 47 a 80), na qual cita e transcreve dispositivos da legislação tributária sobre as contribuições (Pis e Cofins) cumulativas e nãocumulativas; cita dispositivo da Constituição Federal e faz um longo histórico sobre a legislação aplicável a essas contribuições, citando e transcrevendo inclusive dispositivos da legislação do IPI, bem como jurisprudência do Conselho de Contribuintes sobre esse imposto, e, na conclusão, apresenta as seguintes premissas, se: no Estado Democrático de Direito a legalidade é principio que deve reger a tributação. O único instrumento com poder para criar restrições ou vedação ao direito a creditamento é a lei, havendo momento inicial em que realmente era negado; também inegável a existência de norma que previu, expressamente, que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência: posteriormente, pela mesma forma que se estabelece preceitos cogentes, foi introduzido no universo jurídico o art. 17 da Lei n° 11.033/04, prevendo expressamente que mesmo quem faturasse com alíquota zero, ainda assim, poderia creditarse de PIS/COFINS; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.720344/201014 Acórdão n.º 3202000.955 S3C2T2 Fl. 314 3 a Lei n° 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas; o art. 16 da Lei 11.116/05, ao invés de restringir direito de creditamento, adotou mais garantias ao art. 17 da Lei n° 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações. Nas novas normas sempre se ressalva o que fica regulado na norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos, o que não aconteceu no presente caso, sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; o direito de creditamento é coerente com os objetivos desonerativos das inovações legislativas do PIS/COFINS e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais Setores serão incluídos na não cumulatividade, só não permite esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime de substituição; o art. 17 da Lei n° 11.033/04 é justamente norma geral para os casos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; foram revogados os preceitos das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03 que mandavam aplicar, para a contribuinte, as normas anteriores a não cumulatividade, agora ficando as mesmas inteiramente enquadradas neste regime que tem como pressuposto o creditamento; finalmente, vieram as MP 413 e 451, de 2008, tentar restringir creditamento para a contribuinte baseado no art. 17 da Lei 11.033/04 , mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foram mantidas no ordenamento jurídico. Logo, viola o arcabouço jurídico, reprimir ou indeferir a tomada dos créditos aqui discutidos, amparada legalmente e constitucionalmente. Assim, por fim, requer a reforma do despacho decisório questionado para que sejam deferidos os pedidos de restituição em questão.” A DRJBrasília/DF (efls. 98/104) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 Crédito de PIS/Pasep Incidência não cumulativa Tributação monofásica na aquisição de produtos para revenda Vedação legal. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS, a aquisição de automóveis e autopeças sujeitos à tributação monofásica, adquiridos para revenda, não gera direito a créditos para o comerciante atacadista ou varejista desses produtos, por expressa vedação legal, não se aplicando, portanto, à disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 108/141), repisando os mesmos argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescendo reforços quanto aos aspectos econômicos de fixação das alíquotas da Cofins não cumulativa e aos normativos que amparariam seu direito. Os mesmos dispositivos legais citados e transcritos na manifestação de inconformidade foram e repetidos no recurso voluntário. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida e o deferimento de seu pedido de ressarcimento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Brasília/DF, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório proferido pela DRFGoiânia/GO que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de saldo credor da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo, apurado para o 1º trimestre do ano calendário de 2008, no valor total de R$ 4.841.677,22. Por meio do Despacho Decisório nº 555/2010, às efls. 28/40, a DRF indeferiu os pedidos de ressarcimento transmitidos pela recorrente, sob o fundamento de que a revenda de produtos sujeitos ao regime monofásico não geram créditos da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativo passíveis de ressarcimento. No mesmo sentido manifestouse a autoridade administrativa julgadora de piso. A despeito do extenso recurso voluntário apresentado pela querelante, a matéria restringese à análise do direito ao creditamento da contribuição para o PIS/PASEP sobre as aquisições de produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração e pagamento desta contribuição, para fins de ressarcimento de suposto saldo credor trimestral apurado em decorrência de tal creditamento. O regime de tributação não cumulativa da contribuição para o PIS/PASEP foi instituído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Em seu art. 3º, I, “b”, a referida lei excetua o creditamento exatamente dos produtos dos quais pretende a recorrente verse creditada para fins de ressarcimento, quais sejam, veículos e autopeças, elencados nos incisos III e IV do §1º do art. 2º daquela lei. Vejase a redação vigente à época dos fatos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ........................................................................................................ Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.720344/201014 Acórdão n.º 3202000.955 S3C2T2 Fl. 315 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004): ........................................................................................................ b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) ....................................................................................................... III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifos não constantes do original) Por sua vez, a Lei nº 10.485/ 2002 assim dispõe sobre a alíquota da contribuição incidente sobre as receitas decorrentes de vendas daqueles bens sujeitos à tributação monofásica: “Art. 1º As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...). II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]. § 2 Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (incluído pela Lei n" 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei n°10.865, de 2004) II o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5º, da Medida Provisória n' 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei n" 10.925, de 2004) (grifos não constantes do original) Pelos textos legais acima transcritos, vêse claramente que o art. 3º, I, “b”, da Lei n º. 10.637/2002, veda expressamente o creditamento pretendido pela recorrente. Assim, suas aquisições não geram direito a crédito e, por sua vez, não há qualquer valor a ser ressarcido. Alega a recorrente que o creditamento pretendido encontraria amparo no art. 17 da Lei nº. 11.033/2004, o qual assim estabelece: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acontece, porém, que a referida lei não se aplica à contribuinte, vez que diz respeito tãosomente ao regime de tributação específico denominado REPORTO, conforme se vê de sua própria ementa : Lei nº. 11.033, de 21 de dezembro de 2004 Altera a tributação do mercado financeiro e de capitais; institui o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO; altera as Leis nos 10.865, de 30 de abril de 2004, 8.850, de 28 de janeiro de 1994, 8.383, de 30 de dezembro de 1991, 10.522, de 19 de julho de 2002, 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 10.925, de 23 de julho de 2004; e dá outras providências. (grifos não constantes do original) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.720344/201014 Acórdão n.º 3202000.955 S3C2T2 Fl. 316 7 Este também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme demonstra a ementa abaixo transcrita, referente ao julgamento proferido no Resp nº 1.217.828/RS: “EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 285A DO CPC. NULIDADE DA SENTENÇA. INOCORRÊNCIA. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. 1. Para utilizarse da faculdade prevista no artigo 285A do CPC, não está o julgador obrigado a transcrever na sentença mais de uma decisão paradigma, bastando apenas a reprodução de uma delas. 2. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 3. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 4. Recurso especial não provido. (grifos não constantes do original) Neste sentido também é o precedente deste CARF, manifestado no Acórdão nº. 3301001.714, nos autos do processo nº. 10120.720343/201061. Naquela oportunidade, a Turma julgadora, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário oferecido pela mesma interessada, “NAVESA Nacional de Veículos Ltda”, que pretendia verse ressarcida em supostos créditos referentes à COFINS, relativos aos quatro trimestres de 2007. Referida decisão restou assim ementada: AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. RESSARCIMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos de Cofins não cumulativa sobre aquisições de bens para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e, conseqüentemente, para o ressarcimento de tais valores. Recurso Voluntário Negado Assim, por ausência de amparo legal à pretensão da recorrente, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 320DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902410/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-002.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10835.902410/2009-74
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5305020
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-002.192
nome_arquivo_s : Decisao_10835902410200974.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10835902410200974_5305020.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5156869
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176680378368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1646; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 131 1 130 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.902410/200974 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.192 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria PIS Recorrente AUTOESTE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O.DO ART. 3O. DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não operacionais. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 24 10 /2 00 9- 74 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902410/200974 Acórdão n.º 3801002.192 S3TE01 Fl. 132 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP). O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 30/09/2001. Por intermédio do despacho decisório de fl. 6, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) foi alocado para o débito declarado conforme Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) apresentada pela própria contribuinte. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 09/23, na qual alega, em síntese, que: I. A contribuinte auferiu na competência em questão receitas constituídas de valores outros que não a venda de veículos e serviços correlatos (oficina mecânica e outros que compõe o objeto social da empresa), receitas essas que juridicamente não estavam sujeitas à incidência de PIS e Cofins, dada a irregularidade do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento para fins de incidência de PIS e Cofins; II. A lei ordinária, ao fixar novo conceito de faturamento, abarcando todas as receitas auferidas pela empresa, sem qualquer distinção, acabou por imiscuirse em matéria privativa de lei complementar (majoração de base de cálculo) criando uma nova fonte de custeio para a Seguridade Social; III. O dispositivo em questão é inconstitucional, pois fere o art. 146 e 195 da Constituição Federal, além de violar o art. 110 do Código Tributário Nacional, alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado; IV. De acordo com a doutrina, faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços. Sendo o faturamento uma espécie de receita, forçoso concluir que o Fl. 132DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902410/200974 Acórdão n.º 3801002.192 S3TE01 Fl. 133 3 primeiro, dada a qualificação, não abrange a segunda, razão pela qual é conceito jurídico limitado e assim deve ser interpretado pelo jurista; V. O Supremo Tribunal Federal, por seu pleno, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, ao julgar os RREE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal; VI. Demonstrada a ilegitimidade da cobrança do PIS e da Cofins sobre as receitas não provenientes de venda de mercadorias ou da prestação de serviços no período que se cuida, não há razão para se considerar inexistente o crédito apontado na PER/DCOMP; VII. Ao final, requereu que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de que se reconheça a existência do direito ao crédito e conseqüentemente à compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), às fls. 35/37, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraída de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 41 a 64, no qual, na essência, apresenta as seguintes alegações : Fl. 133DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902410/200974 Acórdão n.º 3801002.192 S3TE01 Fl. 134 4 • Conforme demonstram os julgados transcritos, não só o STF já consolidou a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em questão, como os demais tribunais nacionais assim o fizeram; • Deste modo, considerando especialmente os termos do artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, sendo certo que a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 foi inequivocamente declarada pelo STF, é de se reconhecer o direito creditório da recorrente; • Quanto à comprovação documental do crédito, argumenta que efetuou tal prova por meio do registro e indicação do crédito na PER/DCOMP (comprovante de pagamento – DARF); • Além disso, a falta de comprovação não foi o motivo da não homologação, e sim considerar que a recorrente não possuía o direito creditório; • Por fim, argumentase que a comprovação é facilmente extraída do cruzamento das DCTF com as DIPJ, que demonstram os montantes a que a empresa faz jus. Em julgamento realizado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através de resolução exarada, entendeuse por bem converter o julgamento em diligência a fim de: 1. Verificar se o contribuinte possui ação judicial relativa à Lei nº 9.718/98; 2. Apurar a base de cálculo do PIS devido pela recorrente no PA setembro/2001 e a contribuição correspondente, considerando o disposto na LC nº 70/91; 3. Intimar a recorrente do resultado do item acima para, se assim desejar, apresentar complementação ao recurso voluntário interposto, relativamente à diligência realizada, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. Realizada a diligência, a fiscalização, após intimar o contribuinte a apresentar documentação comprobatória dos créditos declarados, demonstrou que, considerando que as receitas operacionais não podem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de fato, existem créditos do contribuinte que são passíveis de compensação. Em apuração realizada, a fiscalização demonstrou, de forma detalhada, os aludidos créditos. Intimado sobre as conclusões da fiscalização, o Recorrente não se manifestou. Assim, os autos foram remetidos para julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o Relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902410/200974 Acórdão n.º 3801002.192 S3TE01 Fl. 135 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS e COFINS pagos com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902410/200974 Acórdão n.º 3801002.192 S3TE01 Fl. 136 6 No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Concluise, assim, ser improcedente a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente no limite dos créditos apontados pela fiscalização, que foram levantados de acordo com a análise dos documentos e escriturações fiscais do contribuinte. Ressaltese que, como relatado acima, não houve oposição do Recorrente com relação aos valores levantados, mesmo tendo sido expressamente intimado a se manifestar. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10835.902410/200974 Acórdão n.º 3801002.192 S3TE01 Fl. 137 7 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite dos valores levantados pela autoridade fiscal. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 137DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007020/2008-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA.
Somente sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Alimentação em pecúnia sofre tributação.
SALÁRIO-MATERNIDADE.
O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, Por maioria de votos, Manter a tributação incidente sobre alimentação paga em pecúcia e ao salário maternidade, vencidos o relator e a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da alimentação e vencido o relator na questão do salário maternidade. E por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. Somente sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Alimentação em pecúnia sofre tributação. SALÁRIO-MATERNIDADE. O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.007020/2008-83
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303367
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2403-002.083
nome_arquivo_s : Decisao_11516007020200883.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 11516007020200883_5303367.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, Por maioria de votos, Manter a tributação incidente sobre alimentação paga em pecúcia e ao salário maternidade, vencidos o relator e a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da alimentação e vencido o relator na questão do salário maternidade. E por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5142166
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176683524096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.007020/200883 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.083 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente LIDERANÇA LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. Somente sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Alimentação em pecúnia sofre tributação. SALÁRIOMATERNIDADE. O saláriomaternidade é considerado saláriodecontribuição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 70 20 /2 00 8- 83 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência até a competências 09/2003 nos termos do § 4º do art. 150, do CTN. E no mérito, Por maioria de votos, Manter a tributação incidente sobre alimentação paga em pecúcia e ao salário maternidade, vencidos o relator e a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos na questão da alimentação e vencido o relator na questão do salário maternidade. E por maioria de votos, determinar o recálculo da multa de mora do saldo remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, fls. 304/330, interposto em face do Acórdão proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, fls. 279/300, a qual julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para exonerar o crédito previdenciário de R$ 26.606,65, mantendose o montante de R$ 188.756,17 (cento e oitenta e oito mil setecentos e cinquenta e seis reais e dezessete centavos). A presente autuação foi consubstanciada no DECBAD nº. 37.151.0023 (Terceiros), em fiscalização no período de 01/2003 a 12/2007, que originou os seguintes levantamentos: a) AP – ALIMENTAÇÃO PECUNIA PGTO FOLHA – R$ 208.094,73; b) SM – SALARIO MATERN NÃO INCLUINDO BC – R$ 7.268,09 O Relatório Fiscal, fls. 103/110, evidencia os seguintes fatos: 2. Levantamento ‘AP – ALIMENTAÇÃO EM PECÚNICA PGTO FOLHA’ 2.1. No desenvolvimento do procedimento fiscal, constatouse que a empresa realizou, de 01/2003 a 12/2007, pagamentos habituais a seus segurados empregados a título de alimentação. 2.2. Os pagamentos em questão eram realizados em folha, mensalmente, por meio dos seguintes códigos de proventos: (...) 2.5. Embora a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, instituído pela Lei nº 6.321, de 14/04/1976, à época da ocorrência dos fatos geradores, os pagamentos em folha a título de alimentação não estão abrangidos pela não incidência referida na alínea ‘c’ do § 9º do art. 28, uma vez que o PAT não contempla a modalidade de fornecimento em pecúnia (...). Fl. 345DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 2.7. Concluise que o pagamento o pagamento de alimentação em pecúnia caracterizase como saláriodecontribuição, ainda que a empresa esteja regularmente inscrita no PAT. Tais pagamentos caracterizamse como verdadeira remuneração por serviços prestados, incorporandose ao patrimônio dos trabalhadores. (...) 2.9. Face aos fatos narrados, é realizado o presente lançamento fiscal, com o objetivo de constituir os créditos previdenciários relativos às seguintes contribuições, todas incidentes sobre a remuneração de segurados empregados: a) SalárioEducação: 2,5% b) INCRA: 0,2% c) SENAC: 1,0% d) SESC: 1,5% e) SEBRAE: 0,6% TOTAL: 5,8% 2.10. Além das contribuições devidas pela empresa a Outras Entidades e Fundos, foram lançadas as contribuições devidas à Previdência Social pela empresa (AI nº 37.151.0015) e as contribuições devidas pelos segurados (AI nº 37.151.0007). (...) 2.12. Para a correta apuração das bases de cálculo, foram deduzidos, dos valores dos proventos listados acima, os descontos realizados em folha de pagamento relacionados com o fornecimento da alimentação em pecúnia, os quais foram identificados pela empresa em atendimento ao TIAD nº 04. Há que se esclarecer que não há desconto de qualquer participação do trabalhador proporcional ao valor pago mas, tão somente, devoluções de valores quando, por exemplo, o trabalhador faltou ao serviço no mês anterior, perdendo o direito ao benefício, segundo a política de concessão convencionada entre as partes. (...) 3. Levantamento ‘SL – SALÁRIO MATERNIDADE NÃO INCLUÍDO NA BASE DE CÁLCULO’ 3.1. Em análise das folhas de pagamento, foram identificados pagamentos realizados a seguradas empregadas, a título de saláriomaternidade, sem que os mesmos tenham sido incluídos nas bases de cálculo das contribuições previdenciárias consideradas pela empresa. (...) 3.4. O período inicial (09/2003) coincide com o mês a partir do qual, consoante a legislação vigente, as empresas voltaram a ser responsáveis pelo pagamento do beneficio às seguradas e pela arrecadação das contribuições devidas pelas mesmas, com reembolso em valor correspondente ao do benefício pago, mediante dedução do valor das contribuições a serem recolhidas na competência. (...) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 4 5 3.6. O lançamento fiscal é realizado com o objetivo de constituir os créditos previdenciários relativos às seguintes contribuições, todas incidentes sobre a remuneração de segurados empregados: a) SalárioEducação: 2,5% b) INCRA: 0,2% c) SENAC: 1,0% d) SESC: 1,5% e) SEBRAE: 0,6% TOTAL: 5,8% 3.7. Além das contribuições devidas pela empresa a Outras Entidades e Fundos, foram lançadas as contribuições devidas à Previdência Social pela empresa (AI nº 37.151.0015) e as contribuições devidas pelos segurados (AI nº 37.151.0007). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento efetuado, a empresa contestou a autuação fiscal por meio do instrumento de fls. 156/192. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, DRJ/FNS, prolatou o Acórdão n° 07 29/570, fls. 279/300, julgando a impugnação parcialmente procedente para exonerar o crédito previdenciário relativo à competências que se encontravam decadentes, mantendose, contudo, os demais valores anteriormente mencionados no relatório. Segue ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 SALÁRIO UTILIDADE ALIMENTAÇÀO PAGO EM PECÚNIA. O pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação integra a base de cálculo das contribuições sociais. SALÁRIOMATERNIDADE. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. O saláriomaternidade é considerado saláriodecontribuição e se sujeita à incidência de contribuição previdenciária. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. A decadência das contribuições para terceiros (outras entidades e fundos) é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pelo artigo 3º, § 3º, da Lei nº 11.457/2007, e pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 08, publicada no DOU de 20/06/2008. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 347DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal. Verificando se nos autos a regular ciência e prorrogação do MPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, sob pena de preclusão, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 11.941, DE 2009. ART. 106, CTN. ART. 35 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. São aplicáveis às multas nos lançamentos de ofício, quando benéficas, as disposições da novel legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 304/330, alegando, em síntese, a não incidência de contribuição previdenciária sobre alimentação em pecúnia e saláriomaternidade, além da aplicação mais benéfica da multa de mora. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 342, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 349DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Na esteira do entendimento esposado, verificase, então, o equívoco do acórdão da DRJ quando reconheceu a decadência apenas das competências que possuíam antecipação de pagamento tanto ao INSS quanto a Outras Entidades. Assim, diante dos dados fornecidos pela DRJ acerca da existência de antecipação de pagamento (Fls. 290/291), cujas autoridades fiscais possuem fé de ofício nas informações que prestam, são suficientes para que se aplique o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/2003 a 12/2007, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 09/10/2008, fl. 02. Portanto, temse que a decadência fulminou os créditos previdenciários referentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/2003 a 09/2003. MÉRITO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA É cediço que o saláriodecontribuição é constituído apenas por verbas remuneratórias, aquelas contraprestacionais aos serviços prestados pelos segurados, excluindo se, portanto, as de caráter ressarcitório e indenizatório. Neste sentido, Wladmir Martinez aduz: Integramno a remuneração e os ganhos habituais. Portanto, óbice respeitável à determinação das rubricas consiste em desvendar o conceito trabalhista de remuneração e seus institutos paralelos, indenização e ressarcimento de despesas. Fundamentalmente, repetese, a remuneração, nela contidos principalmente o salário e os desembolsos decorrentes de Fl. 350DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 6 9 conquistas sociais. Restam excluídas importâncias ressarcitórias de gastos feitos pelo trabalhador em razão da prestação de serviços e as indenizatórias. (MARTINEZ. Wladimir Novaes. Curso de Direito Previdenciário. 4ª Edição. São Paulo: LTr, 2011. p. 482) É por ser de natureza nitidamente indenizatória, que o art. 28, § 9º, “c”, da Lei nº. 8.212/91 traz em sua redação que não integrará o salário de contribuição a parcela in natura recebida nos termos do PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador. Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; A referida norma reproduziu o já disposto na Lei nº. 6.321/76, em seu art. 3º: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de constar a vinculação às condições legais específicas ao Programa de Alimentação do Trabalhador, é certo que não há possibilidade de sua natureza jurídica ser alterada em razão de como é feito o seu pagamento, sendo in natura, em cartão eletrônico, ticket ou pecúnia. Qualquer que seja o modo, não há como desnaturar o caráter indenizatório de um benefício que, em sua essência, nada mais é do que uma antecipação ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de alimentação que garanta o seu sustento e fiel cumprimento de suas atividades dispostas no contrato de trabalho. Conquanto, independentemente da forma como esse benefício é antecipado ao empregado, não há hipótese que possa qualificálo como natureza salarial eis que é patente a sua natureza ressarcitória de despesas inerentes a execução do trabalho, e de modo algum caracterizado como prestação remuneratória. É neste sentido que, embora o Superior Tribunal de Justiça já tenha adotado posicionamento diverso, este foi alterado em razão de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pacificando a jurisprudência da Corte Superior, em sede de Embargos de Divergência acerca de situação análoga, a saber, os valores pagos em pecúnia a título de transporte. Tal posicionamento foi assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ART. 105, III, A, DA CF/88. TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALE ALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) "o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho" (REsp 1.180.562/RJ, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010); (b) o entendimento do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que pago o benefício de que se cuida em moeda, não afeta o seu caráter não salarial; (c) 'o Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (...), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória'; (d) "a remuneração para o trabalho não se confunde com o conceito de salário, seja direto (em moeda), seja indireto (in natura ). Suas causas não são remuneratórias, ou seja, não representam contraprestações, ainda que em bens ou serviços, do trabalho, por mútuo consenso das partes. As vantagens atribuídas aos beneficiários, longe de tipificarem compensações pelo trabalho realizado, são concedidas no interesse e de acordo com as conveniências do empregador. (...) Os benefícios do trabalhador, que não correspondem a contraprestações sinalagmáticas da relação existente entre ele e a empresa não representam remuneração do trabalho , circunstância que nos reconduz à proposição, acima formulada, de que não integram a base de cálculo in concreto das contribuições previdenciárias". (CARRAZZA, Roque Antônio. fls. 2583/2585, eSTJ). 6. Recurso especial provido. (STJ. 1.185.685 – SP 2010/00494616, Relator: Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Data de Julgamento: 16/12/2010, 1ª TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011) (grifos acrescidos) Por oportuno, colacionase o precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, utilizada como parâmetro para uniformização da jurisprudência pátria no que toca às Fl. 352DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 7 11 verbas indenizatórias e a questão da utilização da impossibilidade de relativização do curso legal da moeda: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (STF. RE 478410/SP, Relator: Ministro EROS GRAU, Data de Julgamento: 10/03/2010, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe 14/05/2010) (grifos acrescidos) Declarada inconstitucional pela Corte Suprema a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte, é prudente o posicionamento da Corte Superior na aplicação análoga a alimentação em pecúnia, por trataremse de verbas ofertadas ao empregador em caráter estritamente indenizatório, valor que o pago para execução do seu trabalho e não em razão dele. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 De outra sorte, o Tribunal Superior do Trabalho – TST, também adota a posição de a verba a título de alimentação paga em pecúnia é também indenizatória, para tanto, vejase os precedentes abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Recurso que não logra demonstrar a incorreção ou o desacerto do despacho negativo de admissibilidade do recurso de revista. Agravo de instrumento a que se nega provimento. ( TSTAIRR 4334034.2007.5.02.0077 , Relator Juiz Convocado: Flavio Portinho Sirangelo, Data de Julgamento: 09/05/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 18/05/2012) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALEALIMENTAÇÃO. ACORDO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. Esta Corte Superior tem perfilhado entendimento no sentido de que o pagamento da parcela auxílioalimentação em pecúnia, no acordo judicial, decorre do descumprimento de obrigação de fazer, que se resolve em obrigação de indenizar, o que não desnatura sua natureza jurídica indenizatória. Assim, nos termos do artigo 28, § 9º, c, da Lei 8.212/91, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tal parcela. Precedentes do TST. Recurso de revista conhecido e provido." (TSTRR2200 80.2009.5.15.0079, Relator Ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data 2ª Turma, DEJT 21.10.2011) **************************************************** ACORDO JUDICIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALEALIMENTAÇÃO. NATUREZA. A parcela denominada valealimentação recebida em acordo judicial não integra o saláriodecontribuição. Assim é porque o recebimento da referida parcela em pecúnia ocorreu para compensar o não recebimento durante o contrato de trabalho, hipótese que não altera sua natureza jurídica que é indenizatória. Recurso de Revista de que não se conhece." (TSTRR4300 76.2008.5.15.0003, Relator Ministro João Batista Brito Pereira, 5ª Turma, DEJT 26.8.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CESTA BÁSICA. NATUREZA JURÍDICA. ACORDO HOMOLOGADO NA JUSTIÇA. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 8 13 recebimento da cesta básica em pecúnia, em razão da homologação de acordo judicial, não tem o condão de transmudar a natureza do auxílioalimentação para salarial. Incidência da Súmula 333 do TST e do § 4º do art. 896 da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR15100 39.2006.5.15.0067, Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, 6ª Turma, DEJT 19.4.2011) **************************************************** RECURSO DE REVISTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ACORDO JUDICIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. NATUREZA INDENIZATÓRIA DA VERBA. PAGAMENTO EM PECÚNIA. 1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que não tem o condão de alterar a natureza jurídica indenizatória do auxílioalimentação o fato de a parcela ser paga em pecúnia, uma vez que o pagamento decorre do descumprimento de obrigação de fazer, gerando a obrigação de indenizar. Precedentes. 2. Não há de se falar em contribuição previdenciária em relação ao valor recebido a título de indenização de alimentação, porque seu pagamento destinase a viabilizar o trabalho do empregado, e não a retribuílo pelo serviço prestado. Precedentes. 3. Incólumes os dispositivos legais apontados na revista e superada a divergência jurisprudencial, nos termos da Súmula n.º 333 do TST e do art. 896, § 4.º, da CLT. Recurso de revista não conhecido." (TSTRR2600049.2006.5.15.0013, Relator Juiz Convocado Flavio Portinho Sirangelo, 7ª Turma, DEJT 15.10.2010) Na esteira do raciocínio esposado, destaquese julgado deste Conselho, 2ª Seção, Processo nº. 35.301.000131/200761. Recurso Voluntário nº. 244.766. Acórdão nº. 230101.396 — 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 28 de abril de 2010. Apesar de se referir ao transporte em pecúnia, traz em sua ementa, relevante lição a ser aplicada, a de que o beneficio, em favor do empregado, é ofertado para a execução do trabalho, logo o pagamento realizado pela empresa não constitui fato gerador de contribuição social previdenciária e, por conseguinte, não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária acessória. Por fim, destaquese que na sessão de 20 de setembro de 2012, esta 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos autos do processo 10680.720790/201075, que resultou no acórdão 2403001.629, julgou pela não incidência de contribuição previdenciária no caso de alimentação paga in pecúnia, in verbis: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares: por unanimidade de votos reconhecer a decadência parcial em relação ao período compreendido entre 01/2005 a 03/2005, nos termos do art. 150, parágrafo 4 do CTN. No mérito: I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de "Vale Transporte em pecúnia", "Alimento em pecúnia","Cesta Básica in natura"; II) por maioria de votos determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9/4430/96), prevalecendo o Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros da questão da multa. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Leôncio Nobre Medeiros. Partindo, então, das premissas presentemente discutidas, não sobejam dúvidas quanto à impossibilidade de incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos em pecúnia a título de alimentação, razão pela qual a autuação em epígrafe, deve ser anulada. SALÁRIOMATERNIDADE Na mesma linha dos argumentos tecidos acerca da alimentação em pecúnia, merece maior atenção no que concerne a incidência de contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade, esta expressamente considerada como saláriodecontribuição, por força do art. 28, § 2º, da Lei nº. 8.212/91, in verbis: Art. 28. (...) § 2º O saláriomaternidade é considerado saláriode contribuição. Contudo, não há como afastar o caráter indenizatório do salário maternidade, mesmo em face de previsão legal. Isso porque entendese, como bem apontado acima, que o saláriodecontribuição compreende os valores pagos a título de contraprestação ao empregado pelos serviços por ele prestados. Logo, não há possibilidade de conferir caráter remuneratório ao salário pago justamente no período em que a empregada não executa seus serviços em razão da recém maternidade, restando, portanto, patente o caráter indenizatório do instituto em comento. Este é o posicionamento compartilhado também pela Corte Superior em recente julgado, in verbis: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE E FÉRIAS USUFRUÍDAS. AUSÊNCIA DE EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELO EMPREGADO. NATUREZA JURÍDICA DA VERBA QUE NÃO PODE SER ALTERADA POR PRECEITO NORMATIVO. AUSÊNCIA DE CARÁTER RETRIBUTIVO. AUSÊNCIA DE INCORPORAÇÃO AO SALÁRIO DO TRABALHADOR. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARECER DO MPF PELO PARCIAL PROVIMENTO DO RECURSO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA AFASTAR A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE E AS FÉRIAS USUFRUÍDAS. 1. Conforme iterativa jurisprudência das Cortes Superiores, considerase ilegítima a incidência de Contribuição Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 9 15 Previdenciária sobre verbas indenizatórias ou que não se incorporem à remuneração do Trabalhador. 2. O saláriomaternidade é um pagamento realizado no período em que a segurada encontrase afastada do trabalho para a fruição de licença maternidade, possuindo clara natureza de benefício, a cargo e ônus da Previdência Social (arts. 71 e 72 da Lei 8.213/91), não se enquadrando, portanto, no conceito de remuneração de que trata o art. 22 da Lei 8.212/91. 3. Afirmar a legitimidade da cobrança da Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade seria um estímulo à combatida prática discriminatória, uma vez que a opção pela contratação de um Trabalhador masculino será sobremaneira mais barata do que a de uma Trabalhadora mulher. 4. A questão deve ser vista dentro da singularidade do trabalho feminino e da proteção da maternidade e do recém nascido; assim, no caso, a relevância do benefício, na verdade, deve reforçar ainda mais a necessidade de sua exclusão da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, não havendo razoabilidade para a exceção estabelecida no art. 28, § 9o., a da Lei 8.212/91. 5. O Pretório Excelso, quando do julgamento do AgRg no AI 727.958/MG, de relatoria do eminente Ministro EROS GRAU, DJe 27.02.2009, firmou o entendimento de que o terço constitucional de férias tem natureza indenizatória. O terço constitucional constitui verba acessória à remuneração de férias e também não se questiona que a prestação acessória segue a sorte das respectivas prestações principais. Assim, não se pode entender que seja ilegítima a cobrança de Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional, de caráter acessório, e legítima sobre a remuneração de férias, prestação principal, pervertendo a regra áurea acima apontada. 6. O preceito normativo não pode transmudar a natureza jurídica de uma verba. Tanto no saláriomaternidade quanto nas férias usufruídas, independentemente do título que lhes é conferido legalmente, não há efetiva prestação de serviço pelo Trabalhador, razão pela qual, não há como entender que o pagamento de tais parcelas possuem caráter retributivo. Consequentemente, também não é devida a Contribuição Previdenciária sobre férias usufruídas. 7. Da mesma forma que só se obtém o direito a um benefício previdenciário mediante a prévia contribuição, a contribuição também só se justifica ante a perspectiva da sua retribuição futura em forma de benefício (ADIMC 2.010, Rel. Min. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 CELSO DE MELLO); dest'arte, não há de incidir a Contribuição Previdenciária sobre tais verbas. 8. Parecer do MPF pelo parcial provimento do Recurso para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o saláriomaternidade. 9. Recurso Especial provido para afastar a incidência de Contribuição Previdenciária sobre o salário maternidade e as férias usufruídas . (STJ. REsp 1.322.945/DF 2012/00974088. Relator Ministro Luiz Fux. Data de Julgamento: 17/02/2011, 1ª TURMA. Data da publicação: 08/03/2013) Suficientes as palavras consignadas na ementa acima colacionada, não se operam óbices para o provimento da peça recursal sob análise. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conheço do recurso para reconhecer a decadência até a competência de 09/2003 e, no mérito, dar provimento do recurso. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11516.007020/200883 Acórdão n.º 2403002.083 S2C4T3 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari – Redator Designado A divergência com o relator referese às questões da tributação do auxílio alimentação pago em pecúnia e do salário maternidade. ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA Ao CARF compete julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como regra geral, a Lei 8.3212/91 estabelece que a contribuição previdenciária considera salário de contribuição (base de cálculo) a totalidade da remuneração. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) As exceções estão estabelecidas no parágrafo 9º do próprio artigo 28. Quando cita a alimentação, afasta da tributação a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/76. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; O que temos no caso em análise é pagamento em pecúnia, que se enquadra na regra geral, isto é, sofre incidência de tributação. SALÁRIO MATERNIDADE Ao CARF compete julgar recursos que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 Para a questão do salário maternidade, a Lei 8.212/91 é textual ao estabelecer que o saláriomaternidade é considerado saláriodecontribuição. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 2º O saláriomaternidade é considerado saláriode contribuição. O resultado do julgamento sobre a aplicação da legislação não pode ser outro senão considerar o salário maternidade como tributável. CONCLUSÃO Voto pela manutenção da tributação incidente sobre a alimentação e sobre o salário maternidade. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/09 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.000187/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Incidência da regra prevista no artigo 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, ficando afastada a hipótese do artigo 150, §4º, do CTN, pois a questão jurídica em análise não se trata de obrigação tributária principal, na qual há a hipótese de pagamento antecipado e parcial para a incidência dessa regra, mas sim de obrigação tributária acessória.
ABONO RETORNO DE FÉRIAS
Tratando-se de abono previsto em Convenção Coletiva de trabalho, fundado no artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, incide o disposto no item 6, do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integram o salário-de-contribuição as importâncias recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT.
Em decorrência da a extinção do citado benefício foi prevista uma indenização, a qual não atrai a incidência das contribuições previdenciárias.
AUXILIO-CRECHE
Não incidência das contribuições previdenciárias. Aplicação do Parecer n° 2600/2008 da PGFN e Súmula 310 do Colendo Superior Tribunal de Justiça.
INDENIZAÇÃO. ALTERAÇÃO DA DATA-BASE
Não se verifica a habitualidade, já que fora um único pagamento, além do que tal valor revela natureza indezatória na medida em que os empregados, com a alteração da data-base em 90 dias posteriomente à data prevista, deixaram de perceber os valores que lhes seriam devidos em decorrência do contrato de trabalho.
ABONO ÚNICO.
Não incide contribuições previdenciárias sobre o abono único. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011.
ABONOS PAGOS EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DE DIREITOS ASSEGURADOS EM CONVENÇÕES COLETIVAS ANTERIORES.
Os valores previstos nas cláusulas 8 e 9 também não estão sujeitos ao alcance das contribuições, eis que não detêm as características da habitualidade e da retributividade, pois pagos uma única vez, além do que assumem feição nitidamente indenizatória eis que pagos em decorrência de supressão de direitos trabalhistas previstos em Convenções anteriores.
SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS.
Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório.
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. O benefício não atinge os gastos com os dependentes do trabalhador com material escolar.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em excluir da autuação as contribuições oriundas do "abono retorno de férias", nos termos do voto do Relator; c) em excluir da autuação as contribuições oriundas do auxílio creche, nos termos do voto do Relator; d) em excluir da autuação as contribuições oriundas de abonos, item 03, Convenção Coletiva/2006, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra decadencial prevista no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização alteração da data base, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; b) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização rescisão especial de contrato, item 08, Convenção Coletiva/2006,, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; c) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização prêmio aposentadoria, item 09, Convenção Coletiva/2006,, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida em grupo, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão do kit escolar ou material escolar, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Mauro José Silva Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vice-presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15504.000187/2008-11
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5297124
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2301-003.522
nome_arquivo_s : Decisao_15504000187200811.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ADRIANO GONZALES SILVERIO
nome_arquivo_pdf_s : 15504000187200811_5297124.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em excluir da autuação as contribuições oriundas do "abono retorno de férias", nos termos do voto do Relator; c) em excluir da autuação as contribuições oriundas do auxílio creche, nos termos do voto do Relator; d) em excluir da autuação as contribuições oriundas de abonos, item 03, Convenção Coletiva/2006, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra decadencial prevista no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização alteração da data base, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; b) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização rescisão especial de contrato, item 08, Convenção Coletiva/2006,, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; c) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização prêmio aposentadoria, item 09, Convenção Coletiva/2006,, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida em grupo, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão do kit escolar ou material escolar, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Mauro José Silva Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vice-presidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5103872
ano_sessao_s : 2013
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Incidência da regra prevista no artigo 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, ficando afastada a hipótese do artigo 150, §4º, do CTN, pois a questão jurídica em análise não se trata de obrigação tributária principal, na qual há a hipótese de pagamento antecipado e parcial para a incidência dessa regra, mas sim de obrigação tributária acessória. ABONO RETORNO DE FÉRIAS Tratando-se de abono previsto em Convenção Coletiva de trabalho, fundado no artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, incide o disposto no item 6, do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integram o salário-de-contribuição as importâncias recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT. Em decorrência da a extinção do citado benefício foi prevista uma indenização, a qual não atrai a incidência das contribuições previdenciárias. AUXILIO-CRECHE Não incidência das contribuições previdenciárias. Aplicação do Parecer n° 2600/2008 da PGFN e Súmula 310 do Colendo Superior Tribunal de Justiça. INDENIZAÇÃO. ALTERAÇÃO DA DATA-BASE Não se verifica a habitualidade, já que fora um único pagamento, além do que tal valor revela natureza indezatória na medida em que os empregados, com a alteração da data-base em 90 dias posteriomente à data prevista, deixaram de perceber os valores que lhes seriam devidos em decorrência do contrato de trabalho. ABONO ÚNICO. Não incide contribuições previdenciárias sobre o abono único. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011. ABONOS PAGOS EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DE DIREITOS ASSEGURADOS EM CONVENÇÕES COLETIVAS ANTERIORES. Os valores previstos nas cláusulas 8 e 9 também não estão sujeitos ao alcance das contribuições, eis que não detêm as características da habitualidade e da retributividade, pois pagos uma única vez, além do que assumem feição nitidamente indenizatória eis que pagos em decorrência de supressão de direitos trabalhistas previstos em Convenções anteriores. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. O benefício não atinge os gastos com os dependentes do trabalhador com material escolar. MULTA. RETROATIVIDADE. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176689815552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 483 1 482 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.000187/200811 Recurso nº 999.999 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2301003.522 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2013 Matéria Multa GFIP Recorrentes MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Incidência da regra prevista no artigo 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, ficando afastada a hipótese do artigo 150, §4º, do CTN, pois a questão jurídica em análise não se trata de obrigação tributária principal, na qual há a hipótese de pagamento antecipado e parcial para a incidência dessa regra, mas sim de obrigação tributária acessória. ABONO RETORNO DE FÉRIAS Tratandose de abono previsto em Convenção Coletiva de trabalho, fundado no artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, incide o disposto no item 6, do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas “a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT.” Em decorrência da a extinção do citado benefício foi prevista uma indenização, a qual não atrai a incidência das contribuições previdenciárias. AUXILIOCRECHE Não incidência das contribuições previdenciárias. Aplicação do Parecer n° 2600/2008 da PGFN e Súmula 310 do Colendo Superior Tribunal de Justiça. INDENIZAÇÃO. ALTERAÇÃO DA DATABASE Não se verifica a habitualidade, já que fora um único pagamento, além do que tal valor revela natureza indezatória na medida em que os empregados, com a alteração da database em 90 dias posteriomente à data prevista, deixaram de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 01 87 /2 00 8- 11 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 perceber os valores que lhes seriam devidos em decorrência do contrato de trabalho. ABONO ÚNICO. Não incide contribuições previdenciárias sobre o abono único. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011. “ABONOS” PAGOS EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DE DIREITOS ASSEGURADOS EM CONVENÇÕES COLETIVAS ANTERIORES. Os valores previstos nas cláusulas 8 e 9 também não estão sujeitos ao alcance das contribuições, eis que não detêm as características da habitualidade e da retributividade, pois pagos uma única vez, além do que assumem feição nitidamente indenizatória eis que pagos em decorrência de supressão de direitos trabalhistas previstos em Convenções anteriores. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. Entretanto, em homenagem ao princípio da eficiência e diante de Ato Declaratório da PGFN dispensando aquele órgão de recorrer quando o lançamento tratar do seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, adotamos entendimento similar. No caso, não há prova de que não há individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, inviabilizando a aplicação das conclusões do Ato Declaratório. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. O benefício não atinge os gastos com os dependentes do trabalhador com material escolar. MULTA. RETROATIVIDADE. Havendo beneficiamento da situação do contribuinte, incide a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em excluir da Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 484 3 autuação as contribuições oriundas do "abono retorno de férias", nos termos do voto do Relator; c) em excluir da autuação as contribuições oriundas do auxílio creche, nos termos do voto do Relator; d) em excluir da autuação as contribuições oriundas de abonos, item 03, Convenção Coletiva/2006, nos termos do voto do Relator; e) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação os fatos motivadores da multa até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra decadencial prevista no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização alteração da data base, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Mauro José Silva acompanhou a votação por suas conclusões; b) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização rescisão especial de contrato, item 08, Convenção Coletiva/2006,, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; c) em excluir da autuação as contribuições oriundas de indenização prêmio aposentadoria, item 09, Convenção Coletiva/2006,, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; III) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão do seguro de vida em grupo, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão do kit escolar ou material escolar, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão. Redator: Mauro José Silva Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Mauro José Silva – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vicepresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Relatório Tratase de Auto de infração, o qual exige multa do Recorrente por ter deixado de registrar no campo remuneração da guia de recolhimento do FGTS informações à Previdência SocialGFIP os fatos geradores da contribuição previdenciária incidente sobre os seguintes valores abono de férias, auxílio creche, participação nos resultados, seguro de vida em grupo, kit escolar, abonos, apurado no período de 01/1999 a 12/2006. Devidamente intimado do lançamento em 21/12/2007 o sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que a multa é indevida na medida em que: a) “ a exigência de multa no percentual de 100% do valor do próprio tributo tem caráter confiscatório e, por tal razão, é inconstitucional – como consignado pelo C. STF nos autos da ADI 551/RJ”; b) “os créditos anteriores a dezembro de 2002 foram extintos pela decadência;” c) “não há falarse em descumprimento de obrigação acessória por ter a Impugnante deixado de declarar em GFIP os valores exigidos na NFLD nº 37.101.2791, pois não há a incidência de contribuição previdenciária sobre estas rubricas, conforme teses expostas na impugnação à aludida autuação (doc. Nº 03, cit.).”; e d) “foi lavrada conjuntamente com o auto de infração em testilha a NFLD 37.101.2791 – que tem como objeto a exigência das contribuições supostamente não declaradas e no bojo das quais foram lançadas multa decorrente desta pretensa de declaração e recolhimento – implicando evidente bis in idem a exigência de novos valores a título de multa em decorrência da mesma (suposta) infração.” A instância a quo julgou parcialmente procedente a impugnação apenas para declarar extinto, pela decadência, nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, o crédito previdenciário lançado, relativo ao período de 01/1997 a 11/2001, mantendose, dessa forma, o lançamento no período subsequente. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 485 5 Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência Por se tratar a decadência de matéria prejudicial ao mérito da demanda administrativa, passo apreciar este ponto em sede de preliminar. Nesses termos, registrase que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 486 7 competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” Assentada essa premissa básica, cabe ponderar que, considerando que objeto do presente feito administrativo encontrase atrelado à discussão da legitimidade da cobrança de multa imposta pela falta de declaração de informações fiscais acerca da base de cálculo das contribuições previdenciária, entendo, todavia, por não se tratar de hipótese na qual há a realização de pagamento antecipado e parcial do tributo, que deve ser aplicado, in casu, o prazo quinquenal do artigo 173, inicio I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1999 a dezembro de 2006 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 21 de dezembro de 2007, verificase que está decaído o período de janeiro de 1999 a novembro de 2001, motivo pelo qual mantenho a decisão ora recorrida, para declarar extinta a cobrança das contribuições previdenciárias abrangidas pela decadência nos termos do inciso V, do artigo 156, do CTN. Mérito Da análise do Auto de Infração nº 37.101.2783, constatase claramente que a sua lavratura se deu em razão do sujeito passivo ter efetuado a entrega da GFIP, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, assim, a regra contida no artigo 32, inciso IV, §9ª, da Lei nº 8.212/1991. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 487 9 De acordo com o relatório fiscal, a referida multa foi aplicada com base na constatação da prática de omissão na GFIP, em relação aos valores pagos a título de abono de férias, auxílio creche, participação nos resultados, seguro de vida em grupo, kit escolar, abonos, durante o período 01/1999 a 12/2006. Insurgindose contra a lavratura do referido auto de infração, o Recorrente apresentou impugnação, alegando, basicamente, a impossibilidade da incidência da multa ora questionada, aplicada sobre valores não passíveis de tributação pelas contribuições previdenciárias, o que lhe dispensária de proceder o cumprimento das obrigações acessórias previstas no artigo 32, inciso IV, §9ª, da Lei nº 8.212/1991. Segundo o entendimento da Recorrente, essa multa seria – seu ver – indevida na medida em que a sua aplicação fora originada em decorrência da lavratura de auto de infração nº 37.101.2791, no qual lançou crédito previdenciário sobre valores pagos a seus empregados a título de abono de férias, auxílio creche, participação nos resultados, seguro de vida em grupo, kit escolar, não enquadrados no conceito de salário de contribuição. Pois bem, em julgamento do recurso voluntário interposto pelo ora recorrente contra a decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 15504.000158/200841 (AI nº 37.101.2791), cujo objeto analisou a legitimidade incidência das contribuições previdenciárias sobre as rubricas acima destacadas, posicioneime, conforme se depreende da ementa abaixo: “ABONO RETORNO DE FÉRIAS Tratandose de abono previsto em Convenção Coletiva de trabalho, fundado no artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho, incide o disposto no item 6, do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, segundo o qual não integram o saláriodecontribuição as importâncias recebidas “a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT.” Em decorrência da a extinção do citado benefício foi prevista uma indenização, a qual não atrai a incidência das contribuições previdenciárias. AUXILIOCRECHE Não incidência das contribuições previdenciárias. Aplicação do Parecer n° 2600/2008 da PGFN e Súmula 310 do Colendo Superior Tribunal de Justiça. INDENIZAÇÃO. ALTERAÇÃO DA DATABASE Não se verifica a habitualidade, já que fora um único pagamento, além do que tal valor revela natureza indenizatória na medida em que os empregados, com a alteração da database em 90 dias posteriormente à data prevista, deixaram de perceber os valores que lhes seriam devidos em decorrência do contrato de trabalho. ABONO ÚNICO. Não incide contribuições previdenciárias sobre o abono único. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011. “ABONOS” PAGOS EM DECORRÊNCIA DA EXTINÇÃO DE DIREITOS ASSEGURADOS EM CONVENÇÕES COLETIVAS ANTERIORES. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 Os valores previstos nas cláusulas 8 e 9 também não estão sujeitos ao alcance das contribuições, eis que não detêm as características da habitualidade e da retributividade, pois pagos uma única vez, além do que assumem feição nitidamente indenizatória eis que pagos em decorrência de supressão de direitos trabalhistas previstos em Convenções anteriores. SEGURO DE VIDA EM GRUPO O E. Superior Tribunal de Justiça pacificou a questão no sentido de que a previsão contida no Decreto 3.048/99 não tem respaldo na Lei nº 8.212/91, não havendo que se falar em necessidade de o seguro de vida em grupo estar previsto em convenção ou acordo coletivos de trabalho. KIT ESCOLAR OU MATERIAL ESCOLAR Tem adotado, a jurisprudência pátria, a posição de que o auxílioeducação fornecido pela empresa a seus empregados não se constitui em salário in natura, pois não retribui o trabalho efetivo. Ademais, em relação ao “auxílioeducação”, o Poder Judiciário vem se manifestando no sentido de que se inclui no seu conceito o material escolar fornecido pela empresa. Benefício estendido a dependentes de segurados os quais não mantém relação jurídica com o autuado, em qualquer das modalidades de segurados previstos na Lei nº 8.212/91, sendo inadmissível, sob essa ótica, entender que teria havido a ocorrência do fato gerador das contribuições, qual seja, “prestação de serviços”.” Assentada a premissa de que as quantias pagas pelo empregador a título de abono de férias, auxílio creche, participação nos resultados, seguro de vida em grupo, kit escolar, abonos, não se enquadram no conceito de salário contribuição, não há que se falar, in casu, em descumprimento de obrigação tributária acessória regulada pelo artigo 32, inciso IV, 5º§, da Lei nº 8.212/1991, uma vez que esses valores não constituem fato gerador da respectiva contribuição previdenciária. Contudo, como algumas rubricas foram mantidas no lançamento, cabe verificar a aplicação da multa ao caso concreto, haja vista a alteração legislativa ocorrida em virtude da Lei nº 11.941/09 Multa Em relação à aplicação da tabela de segurados para o cálculo da multa, há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. A penalidade aplicada ao caso era a prevista no § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual previa multa de 100% (cem por cento) sobre o valor devido da contribuição não declarada, limitada pelo número de segurados. É certo que o artigo acima citado foi, no curso desse processo, revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a qual instituiu uma nova multa para casos como esse ora analisado, previsto no novel artigo 32A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 cabendo, portanto, analisar a viabilidade ou não da aplicação do que dispõe a alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 488 11 Segundo as novas disposições legais, a multa prevista no recente dispositivo legal prevê multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, tal como ocorre no caso. Entendo que não se aplica ao caso a multa prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91 uma vez que esse se refere apenas ao lançamento de contribuições previdenciárias, não cabendo interpretação extensiva para incluir nesse dispositivo a “declaração inexata” do artigo 44 ao qual ele faz referência. A meu ver houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada no presente Auto de Infração calculada nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para cancelar a multa lançada sobre a parcela paga pela empresa a seus empregados, a título de abono de férias, auxílio creche, participação nos resultados, seguro de vida em grupo, kit escolar, abonos. Contudo, decidindo a E. Turma pela manutenção de algumas rubricas (p., ex., seguro de vida), a multa a ser aplicada será aquela do artigo 32A, inciso I da Lei 8.212/91. Adriano Gonzales Silvério – Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Seguro de vida em grupo. Requisitos para isenção e situações para aplicação do Parecer PGFN 2.119/2011. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre pagamentos de seguro de vida tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 210DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 489 13 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social, é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Logo, cabenos verificar se os pagamentos feitos pelo empregador a título de seguro de vida estão alcançados por algumas incidências do inciso I do art. 22. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar, em relação aos empregados, o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos pagamentos de seguro de vida, quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. Sabendo da dificuldade de conceituarmos o que é habitual, adotaremos a habitualidade como a qualidade daquilo que é freqüente, que é repetido muitas vezes, o que Fl. 212DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 490 15 implica tomarmos como habitual aquilo que é, ou poderá ser, repetido mais de três vezes durante a duração do contrato de trabalho. No caso em tela, os pagamentos de seguro de vida preenchem tal requisito, portanto consideramos que são ganhos habituais, ou seja, são ganhos habituais sob a forma de utilidade que sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência, foi instituída uma isenção por meio da norma do art. 214, §9º, inciso XXV do Regulamento da Previdência Social(RPS): Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Portanto, são requisitos da isenção: previsão em acordo coletivo e estar disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.119/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 04/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral Fl. 213DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, quando tratamos de contribuição previdenciária incidente sobre seguro de vida em grupo, consideraremos que o seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles, não integra a base de cálculo da contribuição. Não há prova nos autos de que o seguro de vida não tenha individualização do montante que beneficia cada um dos empregados, o que impede de aplicarmos o conteúdo do Parecer da PGFN. Não sendo cumprido tal requisito e não constando o seguro de vida em acordo coletivo em todo o período, revelase correta a inclusão de tais pagamentos na base de cálculo da contribuição previdenciária. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 491 17 Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 18 Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 492 19 utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 20 corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. De outro lado, se o benefício está dentro do alcance normal previsto na norma, mas vem a ser questionado quanto ao atendimento das condições legais, podemos interpretar estas considerando a razoabilidade para que não nos afastemos da finalidade para a qual a isenção foi criada sem que isso representa uma ofensa ao art. 111 do CTN. Para prosseguirmos, vejamos o texto legal: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998); Como podemos extrair do dispositivo isencional, são dois os requisitos: a utilidade bolsa de estudo não pode ser utilizada em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 15504.000187/200811 Acórdão n.º 2301003.522 S2C3T1 Fl. 493 21 O primeiro requisito exige dilação probatória casuística que não diz respeito ao presente processo. O segundo requisito é o cerne da discussão: todos os empregados e dirigentes devem ter acesso ao benefício. Parecenos que condição pretende afastar a discriminação odiosa, aquela que não guarda, seguindo as lições de Celso Antonio Bandeira de Mello, “correlação lógica entre o fator erigido em critério de discrímen e a discriminação legal decidida em função dele” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antonio. O Conteúdo jurídico do princípio da igualdade. 3. ed. São Paulo: Malheiros , 2001, p. 37). Se a empresa adota como critério de discrímen o cargo ocupado, isso representa à toda vista, uma discriminação injustificada, pois o cargo não possui qualquer relação lógica com a necessidade ou não de uma maior capacitação para o trabalho, pois, afinal, todos os cargos serão melhor desempenhados se os empregados que os exercem alcançarem maior capacitação. Por outro lado, se a empresa coloca como discrímen um tempo mínimo de trabalho na empresa – um ano, por exemplo – é fácil concluir que tal discrímen possui relação lógica com a melhor capacitação para o trabalho daqueles empregados que já revelam a intenção de permanecer prestando serviço ao empregador que lhe concede o benefício. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre o tema, passamos a analisar o caso concreto. Como já dissemos, a isenção para gastos com educação não pode ser estendida par os dependentes do empregado, o que, de plano, já retira a possibilidade de fruição do benefício no presente caso. Entretanto, o caso possui também outro aspecto: o valor incluído na base de cálculo referese a kit material escolar, o que não está acobertado pelo dispositivo isencional. Por tais motivos, votamos por negar provimento ao Recurso nessa questão. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002134/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.
O fato gerador do IRPF é complexivo, somente se aperfeiçoando em 31 de dezembro do ano-calendário, haja vista se tratar de imposto sujeito ao regime de apuração anual, mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual.
IRPF. DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do IRPF sujeito à Declaração de Ajuste Anual decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, no caso de existência de pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
ENTENDIMENTO STJ E STF. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O art. 62-A do Regimento Interno do CARF determina observância das decisões definitivas de mérito do STJ e do STF, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil.
LUCROS DISTRIBUÍDOS. DISTRIBUIÇÃO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO.
São tributáveis os rendimentos recebidos a título de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO.
Ante à ausência de demonstração e comprovação de que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, incabível a aplicação da multa de ofício qualificada.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-002.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza que, além disso, excluíram da base de cálculo os valores recebidos a título de lucro da Pessoa Jurídica.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo, somente se aperfeiçoando em 31 de dezembro do ano-calendário, haja vista se tratar de imposto sujeito ao regime de apuração anual, mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual. IRPF. DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do IRPF sujeito à Declaração de Ajuste Anual decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, no caso de existência de pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ENTENDIMENTO STJ E STF. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF determina observância das decisões definitivas de mérito do STJ e do STF, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil. LUCROS DISTRIBUÍDOS. DISTRIBUIÇÃO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. São tributáveis os rendimentos recebidos a título de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. Ante à ausência de demonstração e comprovação de que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, incabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.002134/2010-73
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5289279
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-002.223
nome_arquivo_s : Decisao_19515002134201073.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WALTER REINALDO FALCAO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 19515002134201073_5289279.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza que, além disso, excluíram da base de cálculo os valores recebidos a título de lucro da Pessoa Jurídica. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
id : 5051649
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176703447040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 382 1 381 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002134/201073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.223 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2013 Matéria IRPF Recorrente ALEXANDRE HUSNI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo, somente se aperfeiçoando em 31 de dezembro do anocalendário, haja vista se tratar de imposto sujeito ao regime de apuração anual, mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual. IRPF. DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário do IRPF sujeito à Declaração de Ajuste Anual decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro do respectivo anocalendário, no caso de existência de pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ENTENDIMENTO STJ E STF. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O art. 62A do Regimento Interno do CARF determina observância das decisões definitivas de mérito do STJ e do STF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. LUCROS DISTRIBUÍDOS. DISTRIBUIÇÃO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. São tributáveis os rendimentos recebidos a título de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 34 /2 01 0- 73 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Ante à ausência de demonstração e comprovação de que o contribuinte agiu com evidente intuito de fraude, incabível a aplicação da multa de ofício qualificada. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza que, além disso, excluíram da base de cálculo os valores recebidos a título de lucro da Pessoa Jurídica. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 336 a 338), que reproduzo a seguir: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 273 a 280, referente ao anocalendário de 2005, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 686.533,23, sendo R$ 233.421,82 a titulo de imposto, R$ 346.110,85, de multa de ofício, e R$ 107.000,56, de juros de mora, calculados até 30/06/2010. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 278 a 280) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos de aluguéis ou royalties recebidos de pessoas jurídicas. Enquadramento legal: arts. 1° a 3° e §§ da Lei n° 7.713/1988; arts. 10 a 3° da Lei n° 8.134/1990; arts. 49 a 53 do Decreto no 3.000/1999 RIR11999; art. 1° da Lei n° 11.119/2005; rendimentos pagos a sócio de empresa, excedentes ao lucro presumido, depois de deduzidos o IRPJ e a CSLL, uma vez não Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002134/201073 Acórdão n.º 2201002.223 S2C2T1 Fl. 383 3 demonstrado, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é superior ao lucro presumido. Enquadramento legal: Ato Declaratório Normativo COSIT no 4/1996, inciso II; artigo 663 do RIR/1999 e art. 1 ° da Lei nº 11.119/2005. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 237 a 270, que integra o auto de infração, consigna o que segue, em síntese: da análise das informações prestadas no curso da ação fiscal e documentadas por meio de extratos bancários, verificouse que Alexandre Husni movimentou recursos pelas contas correntes n os 01.0141311 e 01.7587598 (em cotitularidade com Vicente Renato Paolillo, CPF no 026.102.05872, e Roberto Cabariti, CPF n° 031.875.19849), da agencia 03841 do Banco Nossa Caixa S/A, incompatíveis com os rendimentos declarados, razão pela qual foi intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos recursos depositados nas referidas contas correntes (fls. 04 a 20); o contribuinte e os outros cotitulares das contascorrentes não lograram comprovar a origem dos recursos movimentados por meio dos depósitos relacionados na tabela inserida no item 2.2 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 238 e 239), conforme razões especificadas nos itens 2.3 a 2.57 (fls. 239 a 245); uma vez que as contas correntes n os 01.0141311 e 01.758759 8, acima referidas, têm mais de um titular, os depósitos cuja origem dos recursos não foi comprovada foram repartidos proporcionalmente, conforme "Planilha A" anexa (fls. 271 e 272); constatouse, também, que o interessado auferiu rendimentos de alugueis, recebidos da empresa Oxigênio Desenvolvimento de Políticas Públicas e Sociais, por meio de depósitos efetuados na contacorrente no 01.8500011, da agência bancária acima citada, referentes ao imóvel situado na Rua José Clemente, esquina da Rua Estados Unidos, nº 153, que possui em co propriedade, A proporção de 50% (cinquenta por cento), com Vicente Renato Paolillo; o referido bem foi informado na declaração de bens da DIRPF/2006 do contribuinte, todavia, os respectivos rendimentos (relacionados no item 2.60 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 246) não foram declarados; apurouse, ainda, em auditoria fiscal realizada junto As pessoas físicas sócias da pessoa jurídica Advocacia Husni PaolilloCabariti S/C e também nesta última, que foram depositados R$ 2.552.446,40 em contas bancárias particulares dos sócios, recursos esses não devolvidos à pessoa jurídica, nem por esta declarados como receita, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal do auto de infração emitido contra a referida pessoa jurídica, objeto do Processo n° Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 19515.002234/201008 (cujos itens 1.3 a 2.75 foram transcritos nas páginas 11 a 28 do Termo de Verificação Fiscal constante do presente feito, fls. 247 a 264); com a recomposição da receita bruta da pessoa jurídica citada, devido à inclusão dos R$ 2.552.446,40, apurouse o lucro presumido que poderia ter sido distribuído aos sócios, considerandose o limite de 32% (trinta e dois por cento) da receita, menos o IRPJ e o CSLL devidos, o qual foi comparado com o que os sócios haviam recebido em suas contas bancárias somado ao informado na DIPJ/2006, constatandose excesso de distribuição de lucros, a ser tributado na pessoa física do sócio, conforme demonstrado nas Tabelas I a V inseridas no item 2.66 do Termo de Verificação Fiscal relativo A ação fiscal levada a efeito na pessoa jurídica (transcrição de fls. 261 e 262), com fundamento no artigo 10 da Lei n° 9.249/1995, nos artigos 55, inciso XIX, e 663, caput e parágrafo único, do RIR/1999, e no artigo 51, §§ 3 0 e 40, da Instrução Normativa SRF n° 11/1996; foram juntadas ao presente feito cópias de documentos acostados ao Processo n° 19515.002234/201008, acima mencionado, dos quais já não constavam similares nestes autos (fls. 148 a 236); apesar de o contribuinte não ter comprovado a origem dos depósitos bancários mencionados no item 2.2 (fls. 238 e 239), não haverá lançamento de crédito pertinente a tal matéria, uma vez que a participação proporcional do contribuinte nos valores depositados implica em valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 e participação anual inferior a R$ 80.000,00, conforme demonstrado na "Planilha A", referida no item 2.58 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 245, 271 e 272). O interessado foi cientificado em 28/07/2010, por via postal (fl. 282) e, em 23/08/2010, encaminhou, também por via postal (fl. 289), a impugnação de fls. 290 a 304. Argui a decadência do direito à constituição do crédito tributário correspondente aos fatos anteriores a 23 de julho de 2005, conforme interpretação que faz do disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional. Entende que são isentos de tributação todos os valores recebidos no anocalendário de 2005 da empresa Advocacia Husni — Paolillo — Cabariti S/C, uma vez que esta tem condições de demonstrar através de escrituração contábil (fls. 306 a 319) o montante do lucro distribuível aos sócios. Pugna pelo cancelamento do lançamento, por considerar que não haveria prova da ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte e muito menos de haver cometido fraude e que a autoridade lançadora não teria descrito a ação ou omissão dolosa que teria dado ensejo à aplicação da multa qualificada. Ao final, requer: i) seja acolhida a arguição de decadência; ii) seja decretada a nulidade do auto de infração; iii) no mérito, seja cancelado o lançamento por inexistência do fato gerador do tributo e consequente anulação da multa qualificada. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002134/201073 Acórdão n.º 2201002.223 S2C2T1 Fl. 384 5 As fls. 320 a 322, anexouse petição do contribuinte, que encaminhou cópia de DARF referente à parte não litigiosa do presente processo.” A 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II julgou a impugnação improcedente (fls. 335 a 346), nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação de regência. LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver presente o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ausente o elemento subjetivo e havendo antecipação de pagamento, aplicase o prazo previsto no artigo 150, § 40 , do CTN, que tem como termo inicial o encerramento do ano calendário, em caso de rendimentos sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. LUCROS DISTRIBUÍDOS. DISTRIBUIÇÃO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO. São tributáveis os rendimentos recebidos a titulo de lucros ou dividendos, na parte em que superam o lucro tributado e ajustado pelos impostos e contribuições correspondentes, se não é apresentada escrituração que corrobore a existência de resultado contábil a amparar a distribuição ocorrida. MULTA QUALIFICADA. Sempre que houver conduta dolosa do sujeito passivo buscando impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, está configurado o evidente intuito de fraude à lei tributária, a justificar a aplicação da multa qualificada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 12/04/2011 (Aviso de Recebimento de fls. 352), o Interessado interpôs o recurso de fls. 364 a 378, alegando, em suma: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 a) decadência do direito de proceder ao lançamento relativo ao período anterior a 23/07/2005. Sustenta que o fato gerador do IRPF ocorre mensalmente e que a falta de pagamento antecipado não descaracteriza o lançamento por homologação. Reproduz diversas decisões deste Conselho que seriam favoráveis a sua tese; b) não há nos autos provas da ocorrência de que sua conduta foi dolosa, logo não é cabível a aplicação da multa qualificada. Cita jurisprudência deste Conselho nesse sentido; c) o fato de que os lucros distribuídos são isentos foi comprovado mediante registro contábil, conforme determina a Instrução Normativa (IN) SRF nº 93, de 24/12/1997. Diante do exposto, requer o provimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas, relativamente aos valores auferidos de 24 de julho a dezembro de 2005, não faz parte da lide, por não ter sido objeto de impugnação. Quanto à alegação de decadência em relação aos fatos anteriores a 23 de julho de 2005, sob a justificativa de que o fato gerador do IRPF ocorre mensalmente, cabe esclarecer que o IRPF decorrente das infrações apuradas, embora apurado mensalmente, está sujeito ao regime de apuração anual mediante a apresentação da Declaração de Ajuste Anual DAA. Tratase, pois, de fato gerador complexivo, que somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário. Nesse sentido é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4º, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002134/201073 Acórdão n.º 2201002.223 S2C2T1 Fl. 385 7 ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte no ano de 1998, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1998 e terminado em 31/12/2003. Como o lançamento se deu apenas em 12/04/2004, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso especial negado.” (Acórdão nº CSRF/9202002.586, de 07/03/2013) Assim o fato gerador correspondente ao IRPF relativo às omissões de rendimentos dos meses de janeiro a julho de 2005 ocorreu em 31/12/2005. A questão decadencial foi sujeita ao rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, por meio de decisão prolatada em 18/05/2009 no Resp STJ nº 973.333/SC, que teve seu julgamento submetido como “recurso representativo da controvérsia”, sendo que por meio do acórdão proferido em 12/08/2009, foi decidido que, nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o termo inicial do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN. Confirase a ementa do julgado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 388DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)” Ao apreciar, em 09/02/2010, embargos de declaração opostos nos embargos de declaração no agravo regimental no Resp STJ nº 674.497 PR (2004/01099782), a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acolheu os referidos embargos, com efeitos modificativos, para dar provimento parcial ao recurso, de acordo com a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002134/201073 Acórdão n.º 2201002.223 S2C2T1 Fl. 386 9 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial.” Oportuno transcrever trecho do voto do relator do respectivo julgado, em que consta o esclarecimento acerca da data em que se considera como marco inicial da contagem do prazo decadencial, nos casos de ausência de pagamento antecipado do respectivo tributo: “Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).” Pelo exposto, resta claro em ambos os acórdãos que aquela Corte considera relevante a existência ou não de pagamento antecipado para fins de contagem do prazo decadencial. Havendo recolhimento antecipado, o citado prazo será contado a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não havendo pagamento antecipado, deve ser aplicada a regra contida no art. 173, I, do CTN, que estabelece como marco inicial do prazo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Convém ressaltar que o art. 62A do Regimento Interno do CARF, inserido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, publicada no DOU de 22/12/2010, determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O acórdão proferido no Resp STJ nº 973.333/SC, que norteou o entendimento do STJ acerca da matéria, transitou em julgado em 22/10/2009. Como, no presente caso, existe pagamento de imposto antecipado, conforme DAA de fls. 104 a 109, o prazo decadencial será contado a partir do fato gerador, 31/12/2005, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Tendo o Contribuinte sido cientificado do auto de infração em 28/07/2010 (fls. 282), dentro do prazo quinquenal previsto naquele dispositivo legal, resta improcedente a alegação de decadência. No tocante à multa qualificada relativa à infração “Omissão de Rendimentos Pagos a Sócio de Empresa, Excedentes ao Lucro Presumido”, as únicas menções a esse fato constam no Termo de Verificação Fiscal de fls. 237 a 270, todas referentes às respostas dadas pela pessoa jurídica Advocacia Husni – Paolillo – Cabariti S/C (itens 2.16, 2.33, 2.46 e 2.59) nos seguintes termos: “Após a verificação do Livro Caixa e da DIPJ constatamos que as Receitas da Advocacia HusniPaolilloCabariti S/C depositadas nas contas pessoais das pessoas físicas sócias, diferentemente do que afirmaram, NÃO haviam sido informadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, no momento oportuno, nem sobre elas haviam sido recolhidos os impostos e contribuições devidos. Conforme pode ser visto no Livro Caixa e DIPJ, para o Primeiro Trimestre de 2005, a Advocacia Husni PaolilloCabariti S/C informou Receita de apenas R$ 11.490,67, quando a soma de R$ 860.725,34, honorários depositados em 01/03/2005, mais R$ 1.125.832(R$ 460.000,00 + R$ 665.832,00), honorários depositados em 19/01/2005, mais R$ 60.498,18, honorários depositados em 17/01/2005, totaliza R$ 2.047.082,52. Vêse, portanto, que a Receita declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, é irrisória comparada à não declarada. Este fato evidencia que a omissão do contribuinte foi consciente. Não é admissivel aceitar que alguém que deve declarar ao FISCO R$ 2.058.573,19 declare apenas R$ 11.490,67 e fique anos a fio sem perceber o engano. O fato está tipificado no artigo 71 da Lei n° 4.502/64, como sonegação, pede representação fiscal para fins penais, cobrança de multa qualificada, nos termos do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 e artigo 957, inciso II, do RIR199 e constituição do crédito tributário fundamentada no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional.”(destaque do original) Pela leitura do trecho acima transcrito, constatase que a fundamentação para a qualificação da multa está alicerçada no procedimento realizado pela pessoa jurídica, e não pelo Recorrente, haja vista que toda a descrição dos fatos diz respeito a verificações de documentos da pessoa jurídica e prática de atos por aquela empresa, que declarou somente R$ 11.490,67, a título de Receita, quando deveria declarar R$ 2.058.573,19. Tais fundamentos podem ser considerados para aplicação da multa qualificada na pessoa jurídica, mas não em relação à pessoa física de seus sócios. Portanto, verificase que a fiscalização não demonstrou, tampouco comprovou, que o Recorrente, ao omitir os rendimentos sobre os quais ensejou a qualificação da multa de ofício, agiu com evidente intuito de fraude, pois não foi relatado qual conduta dolosa ele teria praticado, que justificasse a imposição da multa qualificada. Por tais razões, a multa de ofício referente à infração “Omissão de Rendimentos Pagos a Sócio de Empresa, Excedentes ao Lucro Presumido” deve ser reduzida ao percentual de 75%. Por fim, quanto à alegação de que os lucros distribuídos, que resultaram na omissão mencionada no parágrafo anterior, são isentos, sob a justificativa de que teriam sido Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002134/201073 Acórdão n.º 2201002.223 S2C2T1 Fl. 387 11 comprovados através de registro contábil, conforme determina a IN SRF nº 93, de 24/12/1997, não assiste razão ao Recorrente, como perfeitamente demonstrado no acórdão recorrido, razão pela qual peço vênia para adotar como razões de decidir os fundamentos expostos naquele acórdão, que reproduzo a seguir: “Sobre a matéria, observese o que prevê o Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999), em seu artigo 39, incisos XXVIII e XXIX: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei n°8.981, de 1995, art. 46); XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei n° 9.249, de 1995, art. 10); (destaques da transcrição) Por sua vez, a Instrução Normativa SRF no 93/1997, invocada pelo impugnante, assim esclareceu tais disposições: Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. § 1° O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3° A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a titulo de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação especifica, com acréscimos legais. § Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida a tributação nos termos do art. 3°, § 4°, da Lei n° 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3° da Lei n°9.250, de 1995. § 50 A isenção de que trata o "caput" não abrange os valores pagos a outro titulo, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6° A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7° O disposto no § não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2°, após o encerramento do trimestre correspondente. § Ressalvado o disposto no inciso I do § 2°, a distribuição de rendimentos a titulo de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4°. (destaques da transcrição) Logo, para se admitir tais rendimentos como isentos, necessário é que estejam limitados ao lucro submetido à tributação pela pessoa jurídica (deduzido dos impostos e contribuições correspondentes), ou, então, que exista escrituração demonstrando a apuração de resultado contábil a suportar a distribuição. O interessado se limita a juntar os balanços, balancetes e demonstrativos de resultados de fls. 306 a 319, que não são hábeis a comprovar a existência de escrituração contábil regular. Vejase o que prevê o artigo 258 do RIR/1999: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei n2 486, de 1969, art. 59. §12 Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei n2 486, de 1969, art. 52, § 32). §22 Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 19515.002134/201073 Acórdão n.º 2201002.223 S2C2T1 Fl. 388 13 §32 A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 52, § 12). §42 Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 12, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos ex autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 52, § 22). §52 Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. § 62 No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente. Assim, deveria o contribuinte comprovar que o ingresso dos recursos correspondentes à receita não oferecida à tributação na DIPJ teria sido registrado no Livro Diário e que o balanço teria sido transcrito no mesmo livro, mantido com observância das formalidades estabelecidas no dispositivo acima citado. Não atendidos os requisitos previstos na legislação tributária para a isenção em relação aos valores distribuídos que excederam o lucro presumido, não merece reparos o lançamento do imposto.” Diante do exposto voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010868/2005-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2000
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, o próprio Fisco, na autuação, atesta a existência de recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN.
Numero da decisão: 9202-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, o próprio Fisco, na autuação, atesta a existência de recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10980.010868/2005-06
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5302076
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9202-002.862
nome_arquivo_s : Decisao_10980010868200506.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980010868200506_5302076.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
id : 5130976
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176709738496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1727; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 249 1 248 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.010868/200506 Recurso nº 171.140 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.862 – 2ª Turma Sessão de 10 de setembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado SLEIMAN ALI BARK ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2000 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, o próprio Fisco, na autuação, atesta a existência de recolhimentos, o que resulta na aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 08 68 /2 00 5- 06 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.010868/200506 Acórdão n.º 9202002.862 CSRFT2 Fl. 250 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0225, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0210, que decidiu dar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0 fato gerador do IRPF, tratando se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Relator, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o credito tributário lançado. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre qual regra decadencial determinada no CTN deve ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que a decisão expressa no acórdão recorrido está equivocada, pois, em casos de ausência de recolhimentos parciais deve ser aplicada a regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, e não a expressa no Art. 150, como decidiu o acórdão recorrido. Por fim, solicita o acolhimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0236, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0242, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no Art. 173, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10980.010868/200506 Acórdão n.º 9202002.862 CSRFT2 Fl. 251 5 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Cabe destacar que na análise dos autos encontramos valores recolhidos no período que importa para a definição da regra, fls. 038 (Auto de Infração), 048 e 0100 (Declaração). Portanto, como há recolhimentos, deve ser aplicada ao caso a regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN, conforme decidido no acórdão recorrido. CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 266DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10510.721661/2011-37
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10510.721661/2011-37
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5287969
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-000.254
nome_arquivo_s : Decisao_10510721661201137.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANA DE BARROS FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 10510721661201137_5287969.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5046872
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046176711835648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2002; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.721661/201137 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1801000.254 – 1ª Turma Especial Data 06 de agosto de 2013 Assunto Solicitação de Diligências Recorrente ADVOCACIA OPERÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO O escritório “Advogados Operária” sofreu autuação para a exigência de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e Cofins) por ter sido constatado que rendimentos de aplicações financeiras, auferidos no anocalendário de 2008, não haviam sido oferecidos à tributação, consoante pesquisas de Dirf – Autos de Infração e Relatório Fiscal às efls. 02 a 32 e 193 a 198. Defendese sob o argumento que os rendimentos financeiros não lhe pertencem, mas sim a terceiros, no caso, clientes, cujo valor aplicado está ainda sendo discutido judicialmente (atacando a incidência de IRRF e CPSS sobre o montante recebido em decorrência do êxito de ação judicial). Argúi, com relação à exigência de PIS e Cofins, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo com a inclusão de receitas financeiras RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .7 21 66 1/ 20 11 -3 7 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10510.721661/201137 Resolução nº 1801000.254 S1TE01 Fl. 3 2 no conceito de faturamento. Junta à impugnação diversos relatórios, extratos bancários e outros documentos para comprovar o alegado. A Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA proferiu o Acórdão nº 1529.195/11, efls 644 a 655, mantendo integralmente os lançamentos tributários. Transcrevo trecho do voto do aresto guerreado para melhor historiar os fatos: “Em análise a tributação de receitas financeiras apuradas com base nas informações constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) apresentadas pelas seguintes fontes pagadoras: Banco do Estado de Sergipe S/A, CNPJ n° 13.009.717/000146; Banco do Brasil S/A, CNPJ n° 00.000.000/000191; BB Gestão de Recursos Distribuidora de Títulos, CNPJ n° 30.822.936/000169; Caixa Econômica Federal, CNPJ n° 00.360.305/000104. A Contribuinte alega que tais rendimentos seriam de aplicação financeira do tipo CDB DI, no Banco do Brasil, agência 32875, conta 21.8707, no valor de R$19.621.000,00, e do tipo Fundo BB CP CORP 600 mil, no valor de R$2.632.320,10, efetuadas para o fim específico de salvaguardar créditos controversos liberados por alvará judicial e exclusivos de seus clientes, valores estes correspondentes ao Imposto de Renda e à contribuição previdenciária, cujos recolhimentos estavam sendo questionados judicialmente. Como prova de suas alegações, a Contribuinte apresentou: 1) Alvará Judicial, datado de 15 de abril de 2008, referente ao processo n° 01.03 1337/90, cujo reclamante é o Sindicato dos Previdenciários de Sergipe Sindiprev, determinando ao gerente do Banco do Brasil, agência 3611, a liberação da quantia de R$79.438.317,00, depositada na conta judicial n° 3900129387877 (fl. 252); 2) Comprovante da liberação do referido depósito, pelo Banco do Brasil, em 17 de abril de 2008 (fl. 253); 3) nota fiscal referente aos honorários recebidos pela Contribuinte, no valor de R$4.766.748,04 (fl. 254); 4) petição para a nãoincidência de imposto de renda e contribuição previdenciária sobre os pagamentos dos créditos da ação n° 01.031337/90 (fl. 255/259); 5) sentença judicial, datada de 20/10/2008, publicada em 22/10/2008, deferindo o pedido, para reconhecer a não incidência de recolhimentos previdenciários e fiscal, em face do montante percebido pelos substituídos, a título de juros moratórios (fl. 260/263); 6) extrato de CDB/BB DI, agência 32875, conta 21.8707, do período de 01/04/2008 a 30/04/2008 (fl. 264); 7) relatórios denominados: Relatório 1 (Falecidos e Cheque); Relatório 2(Banco do Brasil); Relatório 3 (Banese); Relatório 4 (Caixa Econômica Federal); Relatório 5(Bradesco); Relatório 6 (Itaú); Relatório 7 (Real); Relatório 8 (Unibanco); e Resumo (fls. 265 a 288); 8) extrato do Banco do Brasil, conta 00.021.8707, BB CP CORP 600 Mil,CNPJ 05.775.723/000186, dos meses de abril a dezembro de 2008 (fls. 289 a 301) Fl. 732DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10510.721661/201137 Resolução nº 1801000.254 S1TE01 Fl. 4 3 9) correspondência da Contribuinte dirigida ao gerente geral do Banco doBrasil, Everaldo Moreira Guimarães, datada de 04/12/2008, com o carimbo e assinatura docitado gerente, em 09/12/2008, requerendo "face à decisão judicial proferida no processo01.031337/90, que determinou a liberação das quantias relativas ao imposto de renda e à contribuição previdenciária, que sejam creditados nas contas dos favorecidos, consoante relação anexa, devidamente autenticada, os valores constantes na planilha, a serem debitados da conta Ag. 32878, c/c 218707, que deverá estar em uma conta remunerada, com resgate automático, no valor de R$21.396.728,22 (fls. 302 e 303)"; 10) Relatório dos valores para liberação do Imposto de Renda e PSS, ref. Processo n° 01.03.1337/90, precatório n° 032/2003 (fls. 304 a 332); 11) Recibos de pagamentos feitos a substituídos falecidos (fls. 333 a 605) e novamente o Relatório dos valores para liberação do Imposto de Renda e PSS, ref. Processo n° 01.03.1337/90, precatório n° 032/2003 (fls. 606 a 636). De acordo com o mencionado "Relatório dos valores para liberação do Imposto de Renda e PSS, ref. Processo n° 01.03.1337/90, precatório n° 032/2003", o valor do Imposto de Renda importa em R$19.621.000,00 e a Contribuição Previdenciária corresponde a R$2.632.320,10. Afirma a Contribuinte que aplicou o valor de R$19.621.000,00, relativo ao Imposto de Renda, em aplicação financeira do tipo CDB DI, no Banco do Brasil, agência 32875, conta 21.8707. [...] Dessa forma, o extrato bancário anexado, relativo ao Fundo BB CP CORP 600 mil, também, não permite a identificação da aplicação que teria sido efetuada, no valor de R$2.632.320,10, os rendimentos por ela produzidos, o momento do seu resgate, assim como, o(s) valor(es) e a data(s) do(s) repasse(s) aos clientes da Contribuinte, a fim de comparálos com as receitas financeiras informadas nas Dirf apresentadas pelo Banco do Brasil e/ou BB Gestão de Recursos Distribuidora de Títulos, objeto da tributação em litígio. Quanto às receitas financeiras informadas nas Dirf apresentadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Estado de Sergipe, devese registrar que não consta do presente processo qualquer documento que permita a conclusão de que tais rendimentos são referentes a aplicações financeiras efetuadas com recursos de terceiros (clientes da Contribuinte) e que a eles tenham sido repassados. Assim, depreendese que os documentos apresentados pela Contribuinte não são suficientes para fazer prova das suas alegações.” No que respeita às contribuições do PIS e da Cofins, fundamentou a improcedência da impugnação: “Assim, em conformidade com os artigos do Decreto n° 2.346, de 1997, acima reproduzidos, apenas quando o STF fixa entendimento pela inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, quer via controle concentrado da constitucionalidade, através de ação direta de inconstitucionalidade, quer via controle difuso e, nesta hipótese, somente após a publicação da Resolução do Senado Federal a que se refere o art. 52, X, da Constituição Federal de 1988, é que os órgãos julgadores da Administração Fazendária devem afastar a aplicação da lei ou o ato dado por inconstitucional, para harmonizarse com o entendimento exarado pela Corte Suprema. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10510.721661/201137 Resolução nº 1801000.254 S1TE01 Fl. 5 4 As decisões proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal, em Recursos Extraordinários, a exemplo da citada na Impugnação, declarando a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, aproveitam apenas às partes integrantes daquelas ações judiciais (art. 472 do Código de Processo Civil). No âmbito da Administração Federal, sem que tenha sido publicada a respectiva Resolução do Senado, suspendendo a execução da norma demandada naquelas ações, nem havendo autorização do Presidente da República para que fossem estendidos os efeitos jurídicos da decisão proferida no caso concreto, não é possível realizar a extensão administrativa das decisões judiciais que não estejam retratadas dentre as hipóteses previstas no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 01/02/2012, fls 660; Recurso – 02/03/2012, fls. 668) o Recurso de fls. 668 a 713, reiterando os termos da defesa exordial e contestando, em suma, o argumento do acórdão da Turma de Julgamento de Primeira Instância de que não apresentou documentos suficientes para comprovar as alegações, ou documentos nos quais não estão demonstrados as datas de aplicações, resgates, rendimentos auferidos etc É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Acolho, em parte, as alegações da recorrente, concordando que os documentos apresentados junto à impugnação colocam em dúvida quanto à integralidade da matéria tributada ex officio. Constato, nos autos, que a autoridade fiscal não intimou a recorrente a esclarecer sobre os valores acusados em DIRF, limitandose a considerar todos os rendimentos financeiros como receita omissa. Não é que seja absolutamente necessária a Intimação Fiscal em procedimento de fiscalização, ao se deparar com possíveis infrações tributárias demonstradas por documentos de terceiros, mas, em se tratando de escritórios de advocacia, inquirir sobre os valores depositados ou aplicados nas contas bancárias da recorrente é o meio mais prudente para ser empregado no curso do procedimento fiscal. Destarte, tornase imprescindível a realização de diligências para averiguar quais os valores, dentre os rendimentos financeiros objetos de autuação, efetivamente são do escritório fiscalizado e não pertencentes a terceiros, ou se foram de fato repassados aos terceiros – clientes. Os relatórios apresentados pela recorrente devem ser confrontados com os documentos pertinentes, principalmente, aqueles que comprovem o repasse destes valores, tais como recibos, comprovantes de depósitos, para afastar qualquer impropriedade na autuação fiscal, por força do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. A autoridade fiscal designada, após análise da documentação apresentada, deverá lavrar um Relatório Conclusivo e facultar, à recorrente, manifestarse a respeito das conclusões das diligências em prazo regulamentar. Após as providências acima solicitadas, os autos deverão retornar a esta Conselheira para a continuidade do julgamento do litígio tributário. Voto na conversão do julgamento na realização de diligências. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10510.721661/201137 Resolução nº 1801000.254 S1TE01 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 735DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/08/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
