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Numero do processo: 10980.720611/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Ausente justificadamente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls 1721 em face de decisão da DRJ/RS de fls. 1678 que decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade de fls 1556, restando parte do direito creditório de Pis e Cofins não reconhecidos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 20 61 1/ 20 11 -0 4 Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.743 2 Como de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento de primeira instância: "Tratase de processo para analisar declarações de compensação enviadas sobre crédito relativo ao Mandado de Segurança de nº 2002.70.00039076 impetrado pelo contribuinte, onde requeria créditos de PIS e de Cofins sobre vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus (ZFM), ação judicial essa transitada em julgado em 17/10/2005. A ELETROLUX DO BRASIL queria a compensação de valores recolhidos à título de PIS e de Cofins incidentes sobre a receita de vendas de mercadorias efetuadas às empresas situadas na ZFM, entendendo ser inconstitucional a alínea “a”, do § 2º, do art. 1º, da Medida Provisória nº 622/94 (convertida na Lei nº 9.004/95) e do Decreto nº 1.030/93. De acordo com a Certidão Judicial Explicativa nº 187/2005, fl. 295, foi autorizado ao impetrante o direito de compensar tais valores relativos ao período de dez/1993 a dez/2002. O processo de habilitação do crédito foi o de nº 10980.003905/200601. O contribuinte, então, transmitiu declarações de compensação tratadas nesse processo onde estaria quitando os débitos correspondentes ao seu alegado crédito original: DCOMP nº 16173.94632.240910.1.3.571414 (fls. 3 a 9) 1: R$ 7.895.919,36 DCOMP nº 41150.46171.251010.1.3.573306 (fls. 11 a 17): R$ 4.710.326,11 DCOMP nº 31871.72022.201108.1.3.575023 (fls. 19 a 25): R$ 245.967,38 Porém é de se registrar que existiriam outras duas DCOMPs se utilizando desse mesmo crédito tratadas no processo nº 10980.001551/200813, não homologadas e já encaminhadas para inscrição na Dívida Ativa: DCOMP nº 42786.48397.110506.1.3.570306 DCOMP nº 13673.20166.140606.1.3.575310 A DRF solicitou ao contribuinte através da Intimação SEORTEQARC nº 14/2001 cópia do teor do processo judicial e outros esclarecimentos relevantes sob esse crédito (fls. 27), encontrandose as peças pertinentes à ação judicial às fls. 34 a 302 dos autos. Posteriormente, a empresa foi intimada a apresentar: planilhas com demonstrativos dos créditos, constando os meses de referência, bases de cálculo, valores informados a pagar na DIPJ, valores dos tributos apurados e declarados em DCTF, base de cálculo com a exclusão das vendas para a ZFM, valores dos tributos devidos, e diferenças entre o valores pagos e os devidos (fls. 305 a 309). O contribuinte então solicitou prorrogações do prazo para a apresentação dessas informações, como se observa à fl. 313 e 338, solicitações essas Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.744 3 concedidas. O contribuinte foi intimado em 15/03/2001 e o prazo foi dilatado até 30/05/2011, ou seja, por 75 dias. As planilhas apresentadas pela ELETROLUX encontramse às fls. 342 a 378. No entanto, verificouse nessas a existência de valores correspondentes a CNPJs diferentes daquele relativo ao autor da ação judicial. A ação corresponderia a ELETROLUX DO BRASIL S/A, CNPJ 76.487.032/000125, no entanto, as planilhas traziam também créditos de outras empresas como OBERDORFER S/A, CLÍMAX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A e ELETROLUX LTDA. Somente as empresas OBERDORFER e CLÍMAX foram incorporadas pela ELETROLUX DO BRASIL. A empresa ELETROLUX LTDA, conforme os sistemas informatizados da Receita Federal, nunca foi incorporada, tendo sido baixada por extinção devido à liquidação judicial. Dessa forma os créditos correspondentes a ELETROLUX LTDA (CNPJ nº 61.076.121) foram desconsiderados pela DRF. São também juntados aos autos: a) cópias das notas fiscais (fls. 333 a 1.273); b) extratos do sistema CNPJ (fls. 1.274 a 1.278); c) extratos da DIPJ (fls. 1.279 a 1.376); d) consulta de pagamentos no sistema SINAL, SINCOR e Dívida Ativa (fls. 1.378 a 1.405). O SEORT da DRF/Curitiba emitiu então o Parecer Técnico das fls. 1.489 a 1.551, com base no levantamento dos créditos do contribuinte em planilhas confrontados com os débitos elencados nas DCOMPs, e através do Sistema de Apoio Operacional (SAPO), conforme se observa às fls. 1.442 a 1.486 2, concluiu que os créditos de Cofins e de PIS não foram suficientes para homologar a integralidade dos débitos elencados, havendo remanescido o saldo de débitos constante na fl. 1.442 (fl. 1.393 na numeração em papel). Dessa forma, foram homologadas integralmente as declarações de compensação de nº 16173.94632.240910.1.3.571414 e 31871.72022.201108.1.3.575023, e homologada parcialmente a compensação do débito com Código de Receita 5856, relativo ao período de apuração de 09/2010, até o valor de R$ 2.998.026,18 – DCOMP 41150.46171.251010.1.3.573306 (fl. 1.549). Foi então dada a ciência ao contribuinte do Parecer Técnico em 05/07/2011, sendo que aquele apresentou manifestação de inconformidade em 04/08/2011. Em síntese o manifestante faz as seguintes alegações às fls. 1.556 a 1.576: QUE o agente fiscal deixou de reconhecer parte do crédito pleiteado sem a intimação do manifestante para apresentação de documentos que demonstrassem e comprovassem a ocorrência de recolhimentos e de compensações regularmente efetuadas. QUE houve cerceamento de defesa em relação ao valor que lhe está sendo cobrado, tendo em vista a não demonstração da memória de cálculo que lastreia essa cobrança instrumentalizada pelos DARFs que Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.745 4 lhe foram enviados. Diz que isso afrontaria o inciso LV, do art. 5º, da Constituição Federal. QUE existe erro material (de digitação) na planilha referente ao cálculo do crédito de Cofins devido pelo manifestante para o mês de referência de abril de 2000. Na planilha constante no Parecer Técnico foi informado o valor de R$ 70.080.173,28 como base de cálculo, enquanto o valor correto seria R$ 70.030.173,28. Isso originou um crédito homologado de R$ 9.301,73, enquanto que deveria ter sido considerado R$ 10.801,73. QUE ocorreu lesão ao princípio da verdade material, do dever de investigar os valores informados na DIPJ e dos efetivamente recolhidos. A decisão administrativa não reconheceu parte dos créditos, pautandose na inexistência de comprovantes de quitação das contribuições em determinados períodos. Anexa DARFs (docs. 01 e 03) que entende que comprovariam os recolhimentos. QUE deve ser reconhecida a regular autocompensação realizada pelo manifestante nos termos do art. 66, da Lei nº 8.383/91, sendo esse reconhecimento obrigatório dos valores recolhidos a maior. Isso porque tendo efetuado recolhimentos a maior para determinados períodos de apuração, realizou a autocompensação de débitos de Cofins e de PIS. Afirma que a Autoridade Fiscal não considerou esse valores pagos a maior, adotando equivocadamente a premissa descrita nos itens 79 (Cofins) e 112 (PIS) do Parecer Técnico, o que seria contrário à disposição legal vigente. Fala sobre o direito à compensação e cita na seqüência o art. 170, do CTN; o art. 66, da Lei nº 8.383/91; o art. 14, da IN/SRF nº 21/97; e o art. 74, da Lei nº 9.430/96 (versando sobre a possibilidade de compensação entre tributos da mesma espécie ou entre quaisquer tributos – isso até a entrada em vigor da Lei nº 10.637/02). Apresenta a planilha das fls. 1.570 a 1.572. Cita, como exemplo, o pagamento que teria sido recolhido a maior de 11/1996 e que foi autocompensado em valor idêntico no mês de 04/1997. Diz, ainda, que mesmo após a autocompensação para quitação de débitos em aberto, os pagamentos indevidos realizados ainda seriam superiores aos valores dos débitos compensados. Complementa que os pagamentos indevidos deveriam ser considerados para compensação dos débitos não quitados, como é o caso do exemplo da tabela da fl. 1.574. POR FIM, requer que seja conhecida e provida a sua manifestação de inconformidade, para que seja reformada a decisão atacada, reconhecendose o direito creditório debatido, e homologandose a compensação requerida, bem como se cancelando o valor exigido por meio do Ofício SEORT nº 451/2011, descrito nos itens 79 (Cofins) e 112 (PIS) do Parecer Técnico. Não obstante, mesmo entendo que a prova documental que junta aos autos ser suficientemente hábil a comprovar o direito do crédito compensado, na hipótese remota de que assim não se entenda, protesta, desde já, pela juntada posterior de outros documentos. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.746 5 Finalmente, caso se entenda que esses documentos não são suficientes para suportar o direito creditório pleiteado, protesta pela baixa do processo em diligência a fim de que se apresentem os documentos comprobatórios de recolhimento, com a finalidade de comprovar os valores regularmente pagos." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa de recursos fiscais foi publicada da seguinte forma: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1993 a 31/12/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. MEMÓRIA DE CÁLCULO. Não há de se falar em cerceamento de defesa, quando a decisão administrativa demonstra detalhadamente, através de planilhas, demonstrativos e listagens, como chegou às bases de cálculo e à apuração dos respectivos créditos a que teria direito o contribuinte. ERRO MATERIAL. DIGITAÇÃO. Tendo sido constatado erro de digitação no transporte de valor entre planilhas da base de cálculo para determinado mês de apuração, deve ser reconhecido o valor correto que já fora ratificado pela DRF. DARFs. LESÃO À VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA. Tendo todos os DARFs apresentados pelo contribuinte em sua contestação sido considerados pela DRF em sua decisão administrativa, não há de se falar em lesão à verdade material. AUTOCOMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR O contribuinte para realizar compensação à época dos fatos, tinha que declarar a mesma em DCTF, conforme disposto pela IN SRF nº 73/1996. Aliás, quando intimado nos autos o próprio contribuinte declarou não ter realizado nenhuma compensação. De outro lado, não há como o contribuinte se compensar de pagamentos realizados a maior em ação judicial que apenas reconheceu o direito ao crédito de vendas realizadas para a ZFM. CERTEZA E LIQUIDEZ. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1993 a 31/12/2002 CERCEAMENTO DE DEFESA. MEMÓRIA DE CÁLCULO. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.747 6 Não há de se falar em cerceamento de defesa, quando a decisão administrativa demonstra detalhadamente, através de planilhas, demonstrativos e listagens, como chegou às bases de cálculo e à apuração dos respectivos créditos a que teria direito o contribuinte. ERRO MATERIAL. DIGITAÇÃO. Tendo sido constatado erro de digitação no transporte de valor entre planilhas da base de cálculo para determinado mês de apuração, deve ser reconhecido o valor correto que já fora ratificado pela DRF. DARFs. LESÃO À VERDADE MATERIAL. INOCORRÊNCIA. Tendo todos os DARFs apresentados pelo contribuinte em sua contestação sido considerados pela DRF em sua decisão administrativa, não há de se falar em lesão à verdade material. AUTOCOMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR O contribuinte para realizar compensação à época dos fatos, tinha que declarar a mesma em DCTF, conforme disposto pela IN SRF nº 73/1996. Aliás, quando intimado nos autos o próprio contribuinte declarou não ter realizado nenhuma compensação. De outro lado, não há como o contribuinte se compensar de pagamentos realizados a maior em ação judicial que apenas reconheceu o direito ao crédito de vendas realizadas para a ZFM. CERTEZA E LIQUIDEZ. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova certeza e liquidez, não é suficiente para reformar a decisão de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte." Após o protocolo do Recurso Voluntário os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. É o breve relatório. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.748 7 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção de Julgamento, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser reconhecido. DO SANEAMENTO DO PROCESSO. Considerando que o contribuinte alegou em sua preliminar o cerceamento de defesa, é preciso trazer aos autos as razões pelas quais se forma a convicção de que o presente procedimento administrativo não está em condições de julgamento. O processo é inaugurado com um pedido de compensação com créditos de Pis e Cofins sobre estas contribuições pagas a mais de forma indevida em operações de vendas a empresas situadas na ZFM, reconhecidos judicialmente em decisão transitada em julgado, o que pode ser confirmado ao visualizar as fls. 3 (pedidos de compensação) e seguintes e fls. 179 e 1499 (decisão TRF 4.ª Região). O pedido administrativo foi deferido parcialmente, conforme despacho decisório e parecer técnico de fls. 1489 e 1548, restando a diferença em litígio entre o entendimento do contribuinte e o exarado nesse despacho decisório. Diante dos fatos acima, patente está que houve indeferimento parcial do pedido de compensação e, portanto, instaurado o litígio. Assim, não há que se falar em "fase de cobrança" ou impossibilidade de discutir a apuração uma vez que conforme Art. 33 do Decreto 70.235/72 (PAF), é inegável o efeito suspensivo do Recurso Voluntário. Com fundamento na jurisprudência e no Art. 142 do CTN, é fato notório que o instrumento adequado para o lançamento de ofício é o Auto de Infração, inclusive para prevenir a decadência, ao invés de simples “carta de cobrança” conforme fls. 1708. É importante lembrar que também se aplica ao caso a Súmula Vinculante 8 do STF, conforme trecho extraído do voto paradigma transcrito a seguir: "Declaração de inconstitucionalidade, com efeito 'ex nunc', salvo para as ações judiciais propostas até 11.6.2008, data em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991." (RE 559943, Relatora Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, julgamento em 12.6.2008, DJe de 26.9.2008)" Assim, diminuiu para 5 anos o prazo para o estado exercer o direito de cobrar o tributo. Após esse período, em casos de tributo sujeito a homologação, ocorre a homologação tácita e já não se pode mais cobrar o contribuinte. Tal entendimento é favorável ao contribuinte quando alega que a fiscalização deveria ter juntado memória de cálculo nos autos assim como não poderia ter realizado “compensações de ofício” com tributos extintos. Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.749 8 Uma última situação que contribui para a dificuldade das condições de julgamento da lide é a afirmação constante em fls 1489 do Parecer Técnico, conforme segue: "2. Importa observar que outras 2 Declarações de Compensação alegando o mesmo crédito já foram analisadas mediante o processo n° 10980.001551/200813 e a análise (conforme despacho decisório cientificado ao contribuinte na data de 14/07/2010) conclui pela' não homologação das compensações dos _débitos elencados nas 2 DCOMP analisadas e os débitos, ,impagos, foram encaminhados para inscrição em divida ativa da União." DA CONCLUSÃO. Por necessidade social, atribuição legal e por meio de interpretação sistemática legislativa, a função principal deste conselho e seu papel na sociedade Brasileira é o de revisar os lançamentos da fiscalização em duplo grau de jurisdição, como órgão de segunda instância do procedimento administrativo fiscal. Também para evitar eventual descumprimento de decisão judicial transitada em julgado, no caso do prosseguimento deste procedimento administrativo, a diligência se faz necessária. Diante do exposto, com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, com o objetivo de realizar o encontro de débitos e créditos e verificar as compensações com os valores recolhidos a maior no período em questão, determinase que seja realizada a diligência para que: 1 a autoridade de origem ateste o recolhimento dos tributos conforme DARFs e comprovantes de pagamento de tributos dos períodos de 03/97 a 09/98, juntados com a manifestação de inconformidade de fls. 1556 e seguintes e verifique no sistema da Receita Federal a autenticidade das informações; 2 – apresente novo relatório, a fim de que seja aferida e publicizada de forma clara a certeza e liquidez do crédito tributário e para que o contribuinte não seja prejudicado no seu direito de defesa, com juntada da memória dos cálculos e justificativas individualizadas das glosas; Após, retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10980.720611/201104 Resolução nº 3201000.893 S3C2T1 Fl. 1.750 9 Fl. 1750DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.667966/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS.
Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP
No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Voluntário Acórdão nº 3301003.231 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO FORA DO PRAZO COFINS Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DATA DA COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. DATA DA APRESENTAÇÃO DA DCOMP No caso de apresentação de DCOMP após o vencimento do tributo a ser compensado haverá acréscimos legais ao débito. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa, Maria Eduarda e Valcir Gassen, que davam provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 66 /2 00 9- 63 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.667966/200963 Acórdão n.º 3301003.231 S3C3T1 Fl. 103 2 d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação, em 21/01/2007, pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de COFINS (código de receita 2172), decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior efetuado em 15/06/2004. Por meio do Despacho Decisório emitido em 20/11/2009 pela DERATSP, a compensação declarada foi homologada parcialmente, sob o fundamento de que constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão em 30/11/2009, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 08/09) em 29/12/2009 alegando, em síntese, que: a) O valor original utilizado para a compensação, foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados; b) Assim, não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados no PER/DCOMP, e não imputou multa e juros sobre os créditos tributários compensados, pois são do mesmo período de apuração; c) Faz planilha para comparação dos períodos de apuração e datas de vencimento. d) Tratase de evidente cobrança equivocada, e apresenta como provas as cópia dos documentos relativos aos lançamentos contestados e a procuração de nomeação do representante legal que assina a manifestação de inconformidade; e) Demonstrada a insubsistência e improcedência do processo, requer seja cancelado o processo reclamado. A DRJ/SP1 indeferiu a manifestação de inconformidade sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. VALORAÇÃO DOS CRÉDITOS E DÉBITOS. Na compensação declarada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.667966/200963 Acórdão n.º 3301003.231 S3C3T1 Fl. 104 3 apresentação do PER/DCOMP, na forma da legislação de regência. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. A falta de equivalência entre o total de crédito e de débitos apontados como compensáveis, valorados na forma da legislação que rege a espécie, impõe a homologação apenas parcial da DCOMP apresentada pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. A recorrente repetiu os argumentos da impugnação no recurso voluntário. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.667966/200963 Acórdão n.º 3301003.231 S3C3T1 Fl. 105 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Constatase que a controvérsia do processo permanece a mesma desde a 1ª instância, com a contribuinte alegando que o DARF utilizado como pagamento a maior para a compensação foi pago dentro do prazo de vencimento do tributo e por isso, não se conformando com a cobrança de acréscimos legais no momento da efetiva compensação. Entretanto, como veremos adiante, o valor do crédito foi insuficiente para quitar o débito, em função dos acréscimos legais ao débito compensado, atualizados até a data da apresentação do PER/DCOMP, em virtude do atraso entre seu vencimento e a formalização da compensação. A DCOMP em tela, foi formalizada pela interessada para compensar débito de COFINS – não cumulativa (código de receita 5856), vencido em 15/06/2004, com créditos de COFINS (código de receita 2172), cuja data de arrecadação foi 15/06/2004. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela DERAT/SP, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. No entanto, o mesmo foi insuficiente para quitar os débitos informados em consequência da data de apresentação da DCOMP, e por este motivo a compensação foi homologada parcialmente. A recorrente alega que o valor original utilizado para a compensação foi recolhido no mesmo prazo de vencimento dos créditos tributários compensados, e sendo assim, não poderia haver multa e juros sobre os referidos créditos, pois são do mesmo período de apuração. Como bem dito no acórdão recorrido, a contribuinte equivocouse em relação à forma de valoração do crédito e do débito que informou em sua declaração de compensação, ao não efetuar os cálculos relativos aos acréscimos legais, o que gerou um saldo devedor, e consequentemente, a homologação parcial da compensação. Constatase que a data do envio do PER/DCOMP é quando se formaliza a extinção do débito por compensação, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430/1996, abaixo transcrita: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.667966/200963 Acórdão n.º 3301003.231 S3C3T1 Fl. 106 5 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Portanto, a extinção do débito por compensação ocorre na data de envio do PER/DCOMP. No caso concreto, a interessada enviou a PER/DCOMP em 21/01/2007 para compensar débito cujo vencimento se deu em 15/06/2004, portanto, é fato que o débito já estava vencido quando foi extinto pela compensação. Assim, partir da data do vencimento passaram a incidir sobre o débito os acréscimos legais, quais sejam, multa de mora e juros, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/1996, abaixo transcrito: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No recurso voluntário, a recorrente repete o argumento de que o pagamento utilizado para a compensação foi realizado no mesmo prazo de vencimento do débito compensado, mas tal fato não a socorre, pois a utilização do crédito tributário ocorre apenas com a apresentação do PER/DCOMP, que ocorreu após o vencimento do débito compensado. Assim, cumpre transcrever o artigo 28 da IN SRF nº 600/2005, em vigor à época da transmissão do PER/DCOMP: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 52 e 53 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.667966/200963 Acórdão n.º 3301003.231 S3C3T1 Fl. 107 6 § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Logo, os débitos vencidos, vinculados a PER/DCOMP, serão acrescidos de multa de mora, calculada a partir do primeiro dia subsequente à data de vencimento até a data da entrega do PER/DCOMP, quando se formaliza a compensação; bem como sofrerão a incidência de juros referentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em relação aos créditos utilizados na compensação, as regras para valoração vigentes à época da transmissão do PER/DCOMP estão contidas no artigo 52 da IN SRF nº 600/2005, também transcrita: Art. 52. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: (...) II – houver a entrega da Declaração de Compensação; (...) § 1º No cálculo dos juros Selic de que trata o caput, observarse á, como termo inicial de incidência: (...) III – na hipótese de pagamento indevido ou a maior: a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; Por isso, foi apurado o saldo devedor indicado no Despacho Decisório e a compensação foi parcialmente homologada. Portanto, não se está desprezando o princípio da verdade material e nem está havendo enriquecimento sem causa do Fisco, como alega a recorrente. Simplesmente, está sendo cobrado o atraso entre a data do vencimento do tributo e o seu necessário pagamento, que, no caso em tela, deuse no momento da apresentação da DCOMP. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.667966/200963 Acórdão n.º 3301003.231 S3C3T1 Fl. 108 7 Assim, tendo em vista tudo o acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901087/2013-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 87 /2 01 3- 36 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901087/201336 Acórdão n.º 1302002.241 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901087/201336 Acórdão n.º 1302002.241 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901087/201336 Acórdão n.º 1302002.241 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.730154/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das características regradas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda.
Numero da decisão: 2202-003.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. O recibo emitido por profissional da área de saúde, com observação das características regradas no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, via de regra faz prova da despesa pleiteada como dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 01 54 /2 01 4- 63 Fl. 64DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 28/33), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores pagos às profissionais abaixo relacionadas, indevidamente deduzidos a título de despesas médicas, devido aos recibos apresentados não atenderem às formalidades legais exigidas na legislação: · Stella Maris da Rocha Braga, no valor de R$ 12.000,00; · Mônica Carvalho Pinto, no valor de R$ 5.000,00; Foi apresentada impugnação tempestiva alegando a interessada que devido a sua idade necessita de atendimento médico e que as despesas declaradas estão comprovadas nos recibos apresentados. Anexa recibos (fls. 11/17). A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 34/36, mantendo a glosa das despesas médicas haja vista que os recibos apresentados não contém o endereço das profissionais que prestaram os serviços, exigência do inciso III do § 1º do artigo 80 do RIR/1999. Cientificada dessa decisão por via postal em 09/07/2015 (A.R. de fls. 58), a interessada apresentou Recurso Voluntário em 28/07/2015 (fls. 46/50), informando estar juntando declarações das profissionais para suprir as falhas apontadas. Referidas declarações estão às fls. 53/54. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. A controvérsia nestes autos se resume à não aceitação de recibos por falta de atendimento às formalidades exigidas na legislação. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 que transcrevo: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 12448.730154/201463 Acórdão n.º 2202003.935 S2C2T2 Fl. 65 3 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) ( sem grifos no original) Para suprir a falta de endereço nos recibos, a contribuinte juntou a seu recurso, declarações das profissionais com esta informação e também indicando as causas que levaram aos tratamentos realizados. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pela Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Fl. 66DF CARF MF 4 Tenho assim como sanadas as faltas, devendo ser restabelecida a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 17.000,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.904085/2014-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade.
Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1301-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.904085/201475 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.457 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de maio de 2017 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente AÇOS GROTH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Créditos de PIS e Cofins Não Cumulativos. Exclusão do Líquido. Impossibilidade. Os valores de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem ser excluídos do lucro líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 40 85 /2 01 4- 75 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10875.904085/201475 Acórdão n.º 1301002.457 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AÇOS GROTH LIMITADA, pessoa jurídica de direito privado já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada contra despacho denegatório do pedido de restituição formalizado pela recorrente. Por meio de Perdcomp, a recorrente havia pleiteado, perante a repartição fiscal de seu domicílio, restituição de valores pagos indevidamente, a título de IRPJ, ao argumento de que, na base de cálculo do tributo, teriam sido incluídos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos, oriundos de aquisições de bens e serviços. Indeferido o pedido, foi apresentada manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, fundada no fato de que não haveria norma legal permitindo excluíremse, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, os créditos de PIS e de Cofins, calculados sobre custos e despesas. Portanto, em face da ausência de autorização legal, impossível, segundo o acórdão recorrido, excluir na DIPJ tais valores (créditos de PIS e Cofins), reduzindo o lucro tributável. Não resignada, a contribuinte apresentou recurso alegando, em síntese, os seguintes pontos: a) A incidência de IRPJ e de CSLL sobre os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos desrespeita o princípio da neutralidade tributária, além de implicar a tributação de valores que se caracterizam como subvenção de investimento. b) A finalidade dos "créditos" de PIS e Cofins é tão somente "servir de moeda de pagamento" dos débitos desses tributos. c) O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 3/2007 manda registrar contabilmente tais "créditos" como ativo fiscal, mas ressalta que a contrapartida não pode ser feita em conta de receita. A contrapartida, diz a recorrente, só pode ser em conta de redução do custo do bem ou de redução de despesa. Em qualquer hipótese, todavia, o registro contábil da contrapartida repercute aumentando a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. d) Diz a recorrente que, de acordo com o § 10, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, o montante dos créditos apurados não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo apenas para dedução do valor devido. Entretanto, se tais créditos forem contabilizados como redução de custo ou de despesa, haverá impacto sobre o lucro, que é a diferença entre o total da receita e o total de custos e despesas. e) Por último, afirmou que os créditos de PIS e de Cofins revestiriam a natureza jurídica de subvenção de investimento, e, por essa razão, não estariam sujeitos à incidência do IRPJ e da CSLL. Tratase de valores cedidos pelo Poder Público ao contribuinte, caracterizandose como transferência de capital. Com esses fundamentos, pugnou pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10875.904085/201475 Acórdão n.º 1301002.457 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.445, de 18/05/2017, proferido no julgamento do processo 10875.901196/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.445): Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Impossibilidade de excluir créditos de PIS e de Cofins do lucro tributável O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, diz que o valor dos créditos apurados na forma daquele artigo não constitui receita bruta. A regra se aplica também ao PIS, por força do disposto no art. 15, inciso II, da mesma lei. Assim está redigido o § 10 do art. 3º, acima referido: § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. O dispositivo é um dos parágrafos do art. 3º da Lei nº 10.833, artigo esse que trata especifica e exclusivamente da Cofins não cumulativa. Daí se pode inferir que o dispositivo tem alcance restrito, aplicandose apenas à Cofins e, por força do art. 15, inciso II, também ao PIS não cumulativo. O objetivo legal é claramente impedir que PIS e Cofins, na sistemática não cumulativa, viessem a incidir sobre os valores dos próprios créditos, mitigando, pela dupla incidência, a não cumulatividade que a lei pretendeu assegurar. Assim sendo, quer se caminhe pela trilha da interpretação lógica (interação do dispositivo com outros dispositivos da mesma lei) ou da interpretação teleológica (considerando os fins que a lei pretende alcançar), a conclusão a que se chega é a mesma: o dispositivo, cingindose ao PIS e à Cofins, não irradia qualquer efeito sobre o IRPJ e a CSLL. É equivocado, portanto, afirmar que os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não podem interferir na apuração do lucro tributável, seja reduzindo custo ou reduzindo despesa. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10875.904085/201475 Acórdão n.º 1301002.457 S1C3T1 Fl. 5 4 Daí porque não se admite excluir do lucro líquido, quando da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores dos créditos de PIS e de Cofins. Fiel a essa linha de raciocínio está a orientação emanada da Receita Federal por meio do Ato Declaratório Interpretativo nº 3/2007: Art. 1º O valor dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), apurados no regime nãocumulativo não constitui: I receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido das referidas contribuições; II hipótese de exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). (g.n.) Frisese que o E. Superior Tribunal de Justiça não discrepa desse entendimento. Ao contrário, a jurisprudência é firme no sentido da impossibilidade de excluir do lucro líquido o valor dos créditos de PIS e Cofins não cumulativos, como se pode constatar da ementa abaixo transcrita. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ENUNCIADO Nº 3 DO STJ. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Ambas as Turmas da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça já se manifestaram no sentido da impossibilidade de exclusão dos créditos escriturais apurados pelos contribuintes no regime não cumulativo do PIS e da COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.447.382/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12/06/2014; AgRg no REsp 1.181.156/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 21/02/2013. 2. Agravo interno não provido. (AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 913.315 SP) (g.n.) Subvenção Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não têm natureza jurídica de subvenção, nem a ela se equiparam para qualquer fim ou efeito. De acordo com o § 3º do art. 12 da Lei nº 4.320/1964, que estatui normas de Direito Financeiro, subvenções são transferências feitas pelo Poder Público em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas a cobrir despesas de custeio. Este é o texto legal: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10875.904085/201475 Acórdão n.º 1301002.457 S1C3T1 Fl. 6 5 § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (g.n.) A Lei Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), por sua vez, exige, para que o Poder Público possa realizar repasses a título de subvenção, que haja lei específica autorizando as concessão do benefício. Art. 26. A destinação de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas físicas ou déficits de pessoas jurídicas deverá ser autorizada por lei específica, atender às condições estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias e estar prevista no orçamento ou em seus créditos adicionais. § 1º O disposto no caput aplicase a toda a administração indireta, inclusive fundações públicas e empresas estatais, exceto, no exercício de suas atribuições precípuas, as instituições financeiras e o Banco Central do Brasil. § 2º Compreendese incluída a concessão de empréstimos, financiamentos e refinanciamentos, inclusive as respectivas prorrogações e a composição de dívidas, a concessão de subvenções e a participação em constituição ou aumento de capital. (g.n.) As subvenções, como deixam ver os dispositivos legais transcritos, exigem lei prévia que, além de autorizar a concessão, defina as condições e os requisitos a serem cumpridos pela entidade beneficiária. Não existe subvenção geral e incondicional, e tampouco desvinculada do interesse público. Os créditos de PIS e de Cofins não cumulativos não se encaixam nessa moldura. Têm direito ao "crédito" todas as pessoas jurídicas que apurem o IRPJ pelo lucro real, independentemente de qualquer condição ou requisito, sendo desnecessária qualquer lei específica ou ato administrativo para concessão do direito. No obstante, ainda que o crédito de PIS e de Cofins não cumulativos pudesse ser enquadrado como um tipo de subvenção, como quer a recorrente, não haveria isenção. É que a isenção de IRPJ e CSLL só alcançam as chamadas subvenções para investimento, ou seja, aquelas que, a teor do art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda, se destinam a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10875.904085/201475 Acórdão n.º 1301002.457 S1C3T1 Fl. 7 6 Portanto, também sob esse prisma, não assiste razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000285/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OPERAÇÕES COM CAFÉ CRU. EFICÁCIA DA CONSULTA. EFEITO VINCULANTE.
Em relação aos fatos geradores ocorridos no 2º Trimestre de 2009, o contribuinte tem direito à tomada do crédito "cheio" das contribuições não cumulativas, pois o entendimento oficial da Administração Tributária é no sentido de que o café cru adquirido das cooperativas enquadradas nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não estava sujeito à suspensão da incidência das contribuições, prevista no art. 9º da mesma lei. Entendimento fixado na Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10/03/2014, que possui efeito vinculante no âmbito da Receita Federal.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. SEGUROS. EFICÁCIA DA CONSULTA.
Os valores relativos a despesas com seguros, incluídos pelos armazéns nas notas fiscais de prestação de serviços, integram o valor do custo com armazenagem, estando, portanto, abrangidos de forma implícita pela Solução de Consulta nº 320/2004 da 9ª Região Fiscal, a qual protegerá o contribuinte contra mudança de entendimento da Administração Tributária até que sobrevenha o ato de revisão a que alude o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ.
Até o advento do art. 7º-A da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7º-A da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos credores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. MORA DA ADMINISTRAÇÃO.
A teor do art. 13 da Lei nº 10.833/2003, é vedada a correção monetária ou o abono de juros aos créditos decorrentes da não cumulatividade, sendo inaplicável o entendimento vertido no RESP 1.035.847.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-004.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa em relação ao crédito "cheio" da COFINS, nas aquisições de cooperativas agroindustriais, e para reverter a glosa das despesas com seguros incluídas no custo dos serviços de armazenagem. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra que negaram provimento na íntegra.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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OPERAÇÕES COM CAFÉ CRU. EFICÁCIA DA CONSULTA. EFEITO VINCULANTE. Em relação aos fatos geradores ocorridos no 2º Trimestre de 2009, o contribuinte tem direito à tomada do crédito "cheio" das contribuições não cumulativas, pois o entendimento oficial da Administração Tributária é no sentido de que o café cru adquirido das cooperativas enquadradas nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não estava sujeito à suspensão da incidência das contribuições, prevista no art. 9º da mesma lei. Entendimento fixado na Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10/03/2014, que possui efeito vinculante no âmbito da Receita Federal. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. SEGUROS. EFICÁCIA DA CONSULTA. Os valores relativos a despesas com seguros, incluídos pelos armazéns nas notas fiscais de prestação de serviços, integram o valor do custo com armazenagem, estando, portanto, abrangidos de forma implícita pela Solução de Consulta nº 320/2004 da 9ª Região Fiscal, a qual protegerá o contribuinte contra mudança de entendimento da Administração Tributária até que sobrevenha o ato de revisão a que alude o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 85 /2 01 0- 50 Fl. 684DF CARF MF 2 janeiro de 2012 e não aos saldos credores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. MORA DA ADMINISTRAÇÃO. A teor do art. 13 da Lei nº 10.833/2003, é vedada a correção monetária ou o abono de juros aos créditos decorrentes da não cumulatividade, sendo inaplicável o entendimento vertido no RESP 1.035.847. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa em relação ao crédito "cheio" da COFINS, nas aquisições de cooperativas agroindustriais, e para reverter a glosa das despesas com seguros incluídas no custo dos serviços de armazenagem. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra que negaram provimento na íntegra. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa decorrente de exportações, relativo ao 2º Trimestre de 2009, formulado com base no art. 6º, I, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003, transmitido em 13/07/2009, e cumulado com declarações de compensação. Segundo a informação fiscal de fls. 384/399, o objeto social do contribuinte consiste no comércio, importação, exportação, benefício e rebenefício de café adquirido de terceiros, pessoas físicas ou jurídicas. Foi constatado que no trimestre em questão o contribuinte efetuou o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas em relação às aquisições de café efetuadas de pessoas físicas. Nas aquisições efetuadas de cooperativas o contribuinte aproveitou o crédito integral, em desacordo com a legislação aplicável à sua atividade. Entende a fiscalização que o art. 9º, I, da Lei nº 10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, determinou a suspensão da incidência das contribuições nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas mencionadas no art. 8º, § 1º, I, da referida lei. Desse modo, entende o fisco que se não há incidência da contribuição nas aquisições de café efetuadas de cooperativas, o contribuinte ora fiscalizado não tem direito de apurar o crédito "cheio" do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, mas apenas e tãosomente o crédito presumido da agroindústria, tal como estabelecido no art. 4º da IN 660/2006. Quanto às formas de utilização do crédito presumido, entende a fiscalização que ele só pode ocorrer sob a forma de dedução Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16366.000285/201050 Acórdão n.º 3402004.144 S3C4T2 Fl. 3 3 das contribuições devidas ao PIS e COFINS não cumulativos, pois não há previsão legal para a compensação com outros tributos ou para o ressarcimento em espécie, a teor do ADI nº 15/2005 e do art. 8º, § 3º, I e II, da IN 660/2006. A fiscalização constatou também que o contribuinte está amparado pela Solução de Consulta SRRF 9ª RF nº 320/2004, que concluiu que as despesas relativas à armazenagem e manipulação de café (prélimpeza, eliminação de impurezas e de grãos defeituosos, classificação do café de acordo com o tamanho dos grãos, ensaque, costura e blocação dos volumes e formação de lotes para embarque), incluídas nas faturas emitidas pelas empresas de armazenagem, rendem ensejo ao aproveitamento de crédito das contribuições não cumulativas. Entretanto, as referidas faturas também incluíram as despesas com seguros, as quais não estão abrangidas pela solução de consulta. Tendo em vista que os gastos com seguros, apesar de estarem relacionados à armazenagem, não se classificam como tais, e considerando também que tais despesas não foram incorridas diretamente na produção ou fabricação dos produtos, o fisco glosou esses valores do cálculo do crédito, invocando precedentes contidos das Soluções de Consulta nº 107/2004 da 8ª RF e 245/2005 da 6ª RF. Com base nessas constatações, a fiscalização propôs o reconhecimento parcial do crédito pleiteado pelo contribuinte nos valores mencionados nas fls. 398/399. Por meio do despacho decisório de fls. 405/408, que acolheu a proposta da fiscalização, a autoridade administrativa homologou parcialmente as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, uma vez que o crédito passível de ressarcimento (decorrente de exportações de café) fora totalmente absorvido na amortização das compensações homologadas. Em sede de manifestação de inconformidade, a defesa alegou, em síntese, o seguinte: 1) Em decorrência de suas atividades, o contribuinte faz juz aos créditos integrais da COFINS não só em relação à aquisição de insumos (art. 3º, II, da Lei nº 10.833/2003), mas também em relação à aquisição de bens para revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.833/2003). Isso porque em determinados casos o contribuinte apenas revende o "café cru", já beneficiado, adquirido de cooperativas, e em outros casos precisa rebeneficiar o "café cru" assim adquirido. Segundo a explicação da defesa, na operação de rebeneficiamento do café ocorre um aperfeiçoamento do café adquirido das cooperativas. Nesse rebeneficiamento ocorre o exercício não cumulativo de algumas das operações mencionadas no art. 8º, § 6º, da Lei nº 10.925/2004; 2) Informou que a cadeia produtiva do café a ser exportado se compõe de três etapas. Na primeira etapa estão envolvidos os produtores rurais pessoas físicas ou jurídicas e as cooperativas de produção agropecuária e agroindustrial. Nesta etapa o café in natura é entregue às cooperativas agroindustriais para ser beneficiado e comercializado no mercado interno. A cooperativa agroindustrial faz juz ao crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, pois o café por ela adquirido de pessoa física não sofre a incidência das contribuições e o café adquirido de pessoas jurídicas está sujeito à suspensão da incidência determinada pelo art. 9º da mesma lei. Na segunda etapa, a cooperativa de produção agroindustrial industrializa (beneficia) o café in natura e o transforma em "café cru", que é destinado à alimentação humana (art. 8º, §§ 6º e 7º da Lei nº 10.925/2004). Na terceira etapa a recorrente adquire o "café cru" dessas cooperativas de produção agroindustrial e o revende para o mercado externo; 3) Ao contrário do que sustenta a fiscalização, na segunda etapa as cooperativas de produção agropecuária e agroindustriais não podem vender o "café cru" com Fl. 686DF CARF MF 4 suspensão para a recorrente. Isso porque existe vedação expressa contida no art. 9º, § 1º, II da Lei nº10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004). Assim, nas vendas efetuadas por essas cooperativas, podem ocorrer duas situações. Se a operação de venda consistir em um ato não cooperativo, a receita será tributada normalmente com a alíquota global de 9,25% de PIS e de COFINS. Se a receita bruta for decorrente de um ato cooperativo, a alíquota global será a mesma, mas a cooperativa poderá efetuar as deduções da receita admitidas no art. 11 da IN 635/2006. Em ambos os casos, a ora recorrente tem o direito de tomar o crédito integral, pois mesmo na hipótese da venda ser caracterizada como um ato cooperado, as deduções da base de cálculo não se confundem com os institutos desonerativos da suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência; 4) Na terceira etapa da cadeia, a recorrente revende ao exterior o "café cru" adquirido na segunda etapa. Na operação destinada ao mercado externo não há incidência das contribuições e a recorrente tem direito à utilização dos créditos fiscais integrais da COFINS para compensação com outros tributos ou ressarcimento em espécie, a teor do art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/2003; 5) Relativamente à glosa das despesas com seguros, alegou que considerando a materialidade da regra matriz de incidência da COFINS, o conceito de insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas. Assim, invocando precedente do CARF sustentou que devem gerar crédito das contribuições no regime da não cumulatividade todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora da receita. Acrescentou que o direito ao crédito com gastos com seguros encontra amparo legal no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003 que trata da armazenagem da mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus da despesa for suportado pelo vendedor. Entende que os gastos com seguros estão incluídos nos gastos com armazenagem, pela regra de que o acessório segue o principal. Por tal motivo a Solução de Consulta nº 320/2004 da 9ª RF englobou, ainda que implicitamente, o valor dos seguros; 6) Alegou que tem direito à tríplice forma de aproveitamento dos créditos presumidos da COFINS exportação, que foram deferidos de forma incontroversa, a teor do art. 36 da Lei nº 12.058/2009, regulamentado pelo art. 18 da IN 977/2009. Embora o dispositivo legal mencione especificamente o setor de carne bovina, a possibilidade de compensação e de ressarcimento em espécie deve ser estendida aos demais setores do agronegócio exportador, sob pena de ofensa aos princípios da nãocumulatividade e da isonomia; 7) Requereu o acolhimento de suas razões para que fossem revertidas as glosas efetuadas e reconhecido o crédito originalmente pleiteado no Perdecomp. Requereu que o crédito fosse atualizado pela Taxa Selic a partir da data da transmissão do Perdecomp (13/07/2009), em razão de a Administração Tributária ter extrapolado o prazo de 360 dias, previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, combinado como o art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Por meio do Acórdão nº 37.199, de 06/06/2012, a 3ª Turma da DRJ/Curitiba julgou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo o julgado recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 AQUISIÇÕES. INSUMOS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16366.000285/201050 Acórdão n.º 3402004.144 S3C4T2 Fl. 4 5 As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, no caso, classificadas no capítulo 9 da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumo na produção, quando adquiridos de pessoa física, cerealista (nos termos da lei), pessoas jurídicas que exerçam atividades agropecuárias e sociedades cooperativas de produção agropecuária. AQUISIÇÕES DE CAFÉ CRU. REVENDA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO PRESUMIDO. Na falta de comprovação pela contribuinte da quantidade de café cru que foi adquirido e teve sua destinação para insumo (crédito presumido) ou para revenda (crédito básico), é de se considerar, pelas provas contidas nos autos, apenas o direito de deduzir da contribuição devida, em cada período de apuração, o valor equivalente ao crédito presumido sobre os valores adquiridos. DESPESAS COM SEGUROS. INSUMO. CONCEITO. A despesa com a contratação de seguros com a armazenagem de produtos não pode ser acrescida ao valor dos insumos, já que para isso, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da Cofins apurada no regime de incidência não cumulativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Regularmente notificado em 10/07/2012 (fl. 504), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 505 e seguintes em 06/08/2012, no qual reprisou as alegações da manifestação de inconformidade e atacou pontos específicos do Acórdão de primeira instância, acrescentando, em síntese, o seguinte: 1) nulidade do acórdão de primeira instância por cerceamento de defesa, pois o julgador não se esforçou em buscar a verdade material; ignorou provas juntadas ao processo, consistentes nas notas fiscais dos fornecedores; e desprestigiou o princípio inquisitivo ao não determinar a realização de diligência (art. 18 do PAF); e 2) é preciso sanar contradição e omissão existentes no julgado recorrido. A omissão residiu no fato do órgão ter ignorado as notas fiscais dos fornecedores e demais documentos acostados ao processo. E a contradição residiu na manutenção da glosa dos créditos sob dois fundamentos inconciliáveis. Por meio da Resolução nº 3402000.678, este colegiado, em sua composição anterior, baixou o processo em diligência em virtude de proposta do exconselheiro João Carlos Cassuli Júnior a fim de que fossem adotadas as seguintes providências: "(...) Fl. 688DF CARF MF 6 a) Verificar, junto ao contribuinte, se e quanto do café cru adquirido pela Recorrente era submetido a processo industrial, descrevendo todas as formas de industrialização e se eram “cumulativas, nos termos dos §§6º e 7º, do art. 8º, da Lei n°10/925/2004, bem como as quantidades que eram simplesmente revendidas, segregando mercado interno do externo; b) Em sendo efetivada a segregação entre os produtos submetidos a processo industrial “cumulativo” das atividades descritas nos citados §§ 6º e 7º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, posicionarse sobre a eventual existência a parcela de crédito presumido e de crédito integral das referidas aquisições do período em questão; c) Recompor os efeitos das aferições das alíneas “a” e “b”, acima, na apuração da contribuição à COFINS de que trata o pedido de ressarcimento; d) Emitir Relatório Conclusivo da Diligência realizada, manifestandose sobre a existência ou não de créditos ressarciendos, seus montantes e reflexos no pedido de ressarcimento e correspondentes DCOMP’s vinculadas; e) Após seja dado vista ao contribuinte para, querendo, apresentar manifestação em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, sendo que, após decorrido este prazo, com ou sem manifestação, devem os autos retornar à este Colegiado para reinclusão em pauta e continuidade no julgamento." O processo retornou com a informação fiscal de fls. 591 a 597 na qual a fiscalização apresentou resposta parcial aos quesitos e reafirmou que o contribuinte só tem direito ao aproveitamento do crédito presumido porque seus fornecedores estão obrigados a vender o café cru com suspensão da contribuição. Em sua manifestação de fls. 604/622 a defesa contestou a informação prestada na diligência e reafirmou seu direito ao crédito integral da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica nos autos, o recurso voluntário foi apresentado 06/08/2012, antes do advento do art. 33 da Lei nº 12.844, de 19/07/2013, que alterou a redação do art. 23, § 2º, III, do Decreto nº 70.235/72, que regula a intimação por meio eletrônico. Antes do advento do art. 33 da Lei nº 12.844, de 19/07/2013, a intimação por meio eletrônico só ocorria por decurso de prazo. Presumiase que o contribuinte estava notificado no 15º dia a partir da data registrada no comprovante de entrega dos documentos no domicílio tributário eletrônico do contribuinte (art. 23, § 2º, III, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 113 da Lei nº 11.196/2005). Com o advento do art. 33 da Lei nº 12.844, de 19/07/2013, a notificação passou a ocorrer na data em que o contribuinte efetuar a consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela Administração Tributária, caso essa consulta ocorra antes da notificação por decurso de prazo. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16366.000285/201050 Acórdão n.º 3402004.144 S3C4T2 Fl. 5 7 No caso concreto, embora o contribuinte tenha consultado os documentos antes dos 15 dias, a data da consulta não pode ser tomada como data da notificação, pois não havia lei juridicizando a conduta do contribuinte, ou seja, o fato de abrir e consultar os documentos não era considerado pela lei notificação da decisão de primeira instância. Portanto, tendo sido notificado por decurso de prazo em 10/07/2012, o recurso voluntário apresentado em 06/08/2012 é manifestamente tempestivo. Considerando que o referido recurso preenche os demais requisitos formais para sua admissibilidade, deve ser conhecido pelo colegiado. A defesa alegou preliminares, as quais, se acolhidas, poderiam render ensejo à decretação de nulidade da decisão de primeira instância. Essas preliminares estão relacionadas com a questão principal debatida neste processo que é o direito de a recorrente aproveitar o crédito "cheio" das contribuições não cumulativas, em lugar do crédito presumido da agroindústria, como foi o entendimento da fiscalização. Entretanto, na data em que foi proferida a Resolução 3402000.678, que converteu o julgamento em diligência, já havia sido publicada a Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10/03/2014, que contém a mesma interpretação jurídica que foi dada pela defesa à legislação aplicável ao caso concreto. Cabe ressaltar que a interpretação contida nessa Solução de Consulta, torna irrelevante a diligência solicitada pelo exconselheiro Cassuli Júnior, mesmo porque as notas fiscais existentes no processo e os demais documentos citados pela defesa são mais do que suficientes para o reconhecimento do direito ao crédito integral pleiteado pelo contribuinte no 2º Trimestre de 2009. Tendo em vista que a teor dos arts. 9º e 32 da IN nº 1.396, de 16/09/20131 (DOU 17/09/2013), essa solução de consulta tem caráter vinculante para a Receita Federal, beneficiando qualquer sujeito passivo que esteja na mesma situação, ainda que não seja o consulente, valhome do disposto no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/722 para deixar de analisar as preliminares e passar diretamente ao exame das questões de mérito. No mérito, verificase que a fiscalização entende que os fornecedores do contribuinte, por se tratarem de cooperativas agroindustriais (art. 8º, da Lei nº 10.925/2004 e alterações), estão obrigados a venderem o café cru com a suspensão da incidência das contribuições, estabelecida pelo art 9º, I, da Lei nº 10.925/2004. Desse modo, como não há incidência das contribuições nessas vendas, o contribuinte em questão, Exportadora Marubeni Colorado, não poderia tomar o crédito "cheio" das contribuições, mas apenas e tãosomente o crédito presumido da agroindústria, previsto na própria Lei nº 10.925/2004. 1 Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1434, de 30 de dezembro de 2013) (...) Art. 32. O disposto nos arts. 9º e 22 aplicase somente às Soluções de Consulta Cosit e às Soluções de Divergência publicadas a partir da entrada em vigor desta Instrução Normativa. 2 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993 Fl. 690DF CARF MF 8 A defesa, por seu turno, entende que o art. 9º, § 1º, II da Lei nº 10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, estabelece que as cooperativas agroindustriais (suas fornecedoras) estão proibidas de efetuar vendas com suspensão das contribuições, uma vez que elas já aproveitaram o crédito presumido da agroindústria em suas aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas de produtores rurais e exercem as atividades citadas nos §§ 6º e 7º do art. 8º. Conforme foi dito antes, a Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10 de março de 2014 (DOU de 31/03/2014, pág. 22) decidiu a questão da mesma forma apresentada pela defesa em seu recurso voluntário, conforme excerto transcrito a seguir: "(...) 11. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). (...)" (Grifei) Portanto, a questão direito versada neste processo está resolvida favoravelmente à recorrente, pois para o 2º Trimestre de 2009 o entendimento oficial da Administração Tributária é no sentido de que o café cru adquirido de cooperativas enquadradas nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 não estava sujeito à suspensão da incidência das contribuições, prevista no art. 9º da mesma lei, como equivocadamente entendera a fiscalização. Diante do efeito vinculante dessa solução de consulta, deveria a fiscalização ter revisto seu entendimento e proposto já no relatório de diligência que a glosa fosse revista, a fim de reconstituir a apuração original do contribuinte no DACON. Mas o fisco ignorou o comando do art. 9º da IN 1.396/2013 e manteve a sua equivocada interpretação. A interpretação oficial fixada pela COSIT torna irrelevante a providência solicitada na Resolução 3402000.678, pois se as contribuições incidiram nas operações de aquisição de café cru das cooperativas agroindustriais, a ora recorrente tem direito ao crédito "cheio" previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, independentemente de revender diretamente para o exterior ou de submeter o café cru a algum rebeneficiamento antes de exportálo. Relativamente à comprovação de que o café cru foi adquirido de cooperativas agroindustriais que praticaram as operações descritas nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, considero que a documentação anexada ao processo é mais do que suficiente para comprovar esse fato. Isso porque as notas fiscais acostadas pela fiscalização às fls. 141 a 404, trazem a descrição do café, ora mencionando "café beneficiado" (fls. 141, 144), ora mencionando café beneficiado consignando suas características técnicas que indicam sua qualidade, quais sejam: tipo do café, a peneira, se a bebida é dura ou mole, etc. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16366.000285/201050 Acórdão n.º 3402004.144 S3C4T2 Fl. 6 9 Exemplo dessas constatações são as notas fiscais de fls. 144, 148 e 250: Todas as notas fiscais acostadas estão acompanhadas da prova do transporte da mercadoria e das transferências bancárias comprovando a quitação do preço e a quem foi pago o preço. Além disso, as referidas notas fiscais foram regularmente escrituradas nos livros do contribuinte, conforme afirmado pela fiscalização às fls. 387: "(...) (...)" Portanto, está comprovado nos autos que o café cru foi adquirido de cooperativas agroindustriais; que foi beneficiado (§§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004) e que as operações ocorreram no mundo real, a teor do que estabelece o art. 9º, § 1º, do Decreto Lei nº 1.598/77: "(...) § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (...)" Fl. 692DF CARF MF 10 Com base nesses fundamentos, deve ser revertida a glosa dos créditos efetuadas pela fiscalização nas aquisições de café cru perante cooperativas agroindustriais, pois é manifesto o direito da Exportadora Marubeni Colorado aos créditos integrais da contribuição com base no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, relativamente ao 2º Trimestre de 2009. Outro ponto colocado para deslinde por parte deste colegiado foi a questão do direito à tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria, que o contribuinte aproveitara em relação às aquisições de café de pessoas físicas. Entende a fiscalização que não há previsão legal para o aproveitamento do crédito presumido sob as formas de compensação com outros tributos ou sob a forma de ressarcimento em dinheiro. O contribuinte só pode aproveitar esse crédito presumido para dedução das contribuições devidas no regime não cumulativo. Já o contribuinte fundamenta seu pleito no 36 da Lei nº 12.058/2009, regulamentado pelo art. 18 da IN 977/2009, reconhecendo que embora esses dispositivos sejam específicos para o setor de carne bovina, deveriam ser estendidos aos demais contribuintes por analogia, a fim de prestigiar os princípios da isonomia e da não cumulatividade. Em sede de memorial apresentado antes da sessão de julgamento, a defesa invocou o art. 7ºA da Lei nº 12.599, de 23/03/2012, incluído pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014, que garantiria o direito de aproveitar o crédito presumido sob as modalidades de compensação ou de ressarcimento. Quanto a essa questão, verificase que na época da fiscalização e na época da prolação da decisão de primeira instância, realmente não havia previsão legal para o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria sob as formas de compensação ou de ressarcimento, pois o art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833/2003 limita expressamente a tríplice forma de utilização dos créditos de exportação aos créditos integrais mencionados no art. 3º da referida lei. Embora alguns setores tenham sido beneficiados de forma casuística com o direito à tríplice forma de utilização do crédito presumido da agroindústria, a Administração Tributária não pode se valer da analogia, da isonomia ou de qualquer outro princípio citado pela defesa para estender o benefício à recorrente, sob pena de, ao assim proceder, violar o princípio da legalidade. Se o legislador quisesse ter contemplado o setor de café com a tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido, ele teria feito isso expressamente por meio da lei. Com o passar do tempo esse cenário foi mudando e o legislador foi aumentando o rol de setores beneficiados com a tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Em 2012 chegou a vez do setor cafeeiro, mas tríplice forma de aproveitamento do crédito presumido da agroindústria veio acompanhada de uma ruptura do regime jurídico ao qual estavam submetidos os exportadores de café. Vejamos. A Lei nº 12.995, de 18/06/2014 incluiu um art. 7A na Lei nº 12.599, de 23/03/2012, com o seguinte teor: Art. 7oA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1ode janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para:(Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16366.000285/201050 Acórdão n.º 3402004.144 S3C4T2 Fl. 7 11 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.(Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (Grifei o até) O exame do demonstrativo elaborado pela fiscalização às fls. 383, revela que no final do 2º Trimestre de 2009 existia um saldo remanescente de R$ 2.629.071,30 relativo ao crédito presumido da agroindústria. Entretanto, o art. 7ºA acima indicado não autoriza o aproveitamento desse saldo no próprio Perdecomp em questão, uma vez que o caput do art. 7ºA se refere ao saldo apurado até 1º de janeiro de 2012. Em outras palavras, apenas o saldo credor que foi se acumulando na escrita até 1º de janeiro de 2012 é que pode ser aproveitado na compensação ou no ressarcimento em dinheiro e não o saldo credor existente em cada um dos trimestres calendário anteriores. E isso é assim porque a partir de 2012, em relação aos exportadores, o legislador vedou o aproveitamento de crédito "cheio" nas aquisições de café, uma vez que ao mesmo tempo em que instituiu a suspensão da incidência das contribuições não cumulativas sobre o café (art. 4º da Lei nº 12.599/2012), instituiu também um novo crédito presumido específico para o setor (artigos 5º e 6º da Lei nº 12.599/2012). Em outras palavras: em relação aos exportadores de café, a partir da Lei nº 12.599/2012, houve uma ruptura em relação ao regime jurídico anterior, pois o legislador substituiu o crédito "cheio" de PIS e COFINS por um crédito presumido específico para o setor, autorizando a tríplice forma de aproveitamento desse novo crédito presumido e estendendo a mesma possibilidade de aproveitamento ao saldo de crédito presumido da agroindústria que estava acumulado na escrita em 01/01/2012. O dia 01/01/2012 é um marco para o setor de exportação de café, pois foi o dia em que desapareceram o crédito cheio e o crédito presumido da agroindústria e nasceu o direito ao crédito presumido específico do setor. E como consequência dessa ruptura, o legislador permitiu que o saldo de crédito presumido da agroindústria existente em 01/01/2012 fosse utilizado da mesma forma que o novo crédito presumido que acabara de criar. Portanto, o que é passível de ser compensado ou ressarcido é o crédito presumido da agroindústria acumulado na escrita da Exportadora Marubeni em 01/01/2012 e não o saldo existente no final do 2º Trimestre de 2009, que foi apurado na fl. 383 deste processo. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de indeferir o pleito do contribuinte quanto à possibilidade de aproveitar o saldo de crédito presumido apurado na fl. 383 para compensação ou ressarcimento, devendo o referido saldo ser transportado mês a Fl. 694DF CARF MF 12 mês até 1º de janeiro de 2012, a fim de que se apure o saldo passível de compensação ou ressarcimento, na forma estabelecida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012. Outro ponto controvertido é a questão do direito à tomada do crédito em relação às despesas com seguros na armazenagem de mercadorias. Nessa parte, a recorrente formulou uma consulta no processo nº 13909.000020/200431, que foi respondida por meio da Solução de Consulta nº 320, de 29 de outubro de 2004, na qual a 9ª RF firmou o seguinte entendimento: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVIDADE ATIVIDADE CAFEEIRA CUSTO DE ARMAZENAGEM. Cabível o aproveitamento de crédito decorrente de custo de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país concernente à armazenagem e manipulação de café (prélimpeza, eliminação inicial de impurezas, eliminação posterior de grãos defeituosos, classificação do café de acordo com o tamanho dos grãos, ensaque, costura e blocamento dos volumes e formação de lotes para embarque). Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, art. 3º, II. IN SRF nº 404/2004, artigos 8º, II, “e”. A fiscalização entendeu que os seguros não estariam incluídos nos custos com armazenagem, aparentemente, pelo fato de o parecerista ter listado entre parênteses os serviços prestados pelos armazéns. O mesmo texto que aparece entre parênteses na ementa da solução de consulta, aparece também na fundamentação do parecer. Essa fundamentação foi bem sucinta, resumindose na transcrição dos dispositivos legais, seguida de um único parágrafo no qual o parecerista cita o art. 8º, II, "e" da IN 404/2004. A seguir transcrevo o único parágrafo da fundamentação da solução de consulta que não trata exclusivamente da transcrição de textos legais: "(...) 7. Assim, pelo entendimento esculpido na Lei nº 10.833/2003, art. 3º, II, e na IN SRF seu artigo 8º, II, “e”, cabe à consulente o direito ao crédito advindo dos custos de prestação de serviços concernentes na armazenagem e manipulação de café prestados (prélimpeza, eliminação inicial de impurezas, eliminação posterior de grãos defeituosos, classificação do café de acordo com o tamanho dos grãos, ensaque, costura e blocamento dos volumes e formação de lotes para embarque) por pessoas jurídicas. (...)" Verificase que o nosso problema consiste em saber se os gastos com seguros, que foram incluídos pelos armazéns nas notas fiscais de prestação desses serviços, foram ou não foram contemplados pela Solução de Consulta nº 320/2004. Embora o parecerista não tenha citado expressamente os gastos com seguros na sua fundamentação, entendo que tais gastos foram contemplados de forma implícita nas despesas de armazenagem. E essa conclusão pode ser extraída da leitura do relatório da solução de consulta, vazado nos seguintes termos: Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16366.000285/201050 Acórdão n.º 3402004.144 S3C4T2 Fl. 8 13 "(...) A consulente, tributada com base no lucro real, dedicase à atividade de comércio atacadista de produtos alimentícios nos mercados interno e externo. Neste diapasão, ela adquire mercadorias (café beneficiado) para revenda e, por não possuir próprio para armazenagem e manipulação dos produtos, utiliza serviços de terceiros para a realização dessas atividades, os quais consistem, basicamente, em: prélimpeza; eliminação inicial de impurezas (pedras, torrões etc); eliminação posterior de grãos defeituosos; classificação do café de acordo com o tamanho dos grãos (separação por peneira de grãos); ensaque, costura e blocamento dos volumes; formação de lotes para embarque; armazenagem. 2. Os armazéns gerais, portanto, cobram pelos serviços de armazenagem e manipulação do café, mediante emissão de nota fiscal de prestação de serviços. 3. A consulente entende haver direito ao crédito, decorrente da sistemática da nãocumulatividade, calculado sobre o valor pago a título de serviços prestados pelos armazéns gerais. (...)" Observem senhores conselheiros que a consulta não foi direcionada individualmente a cada uma das atividades desenvolvidas pelos armazéns. Ela abrangeu o custo do serviço de armazenagem prestado, que é representado pelo valor global das notas fiscais emitidas por aqueles armazéns. Obviamente que os armarzéns tomam a precaução de proteger as mercadorias de terceiros por meio da contratação de seguros, pois se ocorrer algum sinistro durante o período em que estiverem na posse dessas mercadorias, terão a obrigação de indenizar seus clientes, o que pode ser um problema de difícil solução se as mercadorias não estiverem seguradas. Sendo assim, o seguro não é um luxo ou uma coisa que possa ser dispensada pela Exportadora Marubeni Colorado, mas sim uma necessidade que atende aos interesses da Exportadora Marubeni e dos prestadores de serviço, pois as partes não desejam assumir o risco de perder a mercadoria ou de ter que indenizar essa perda, caso venha a ocorrer algum acidente com o café que está sendo manipulado. Portanto, considero que se os custos com seguros integram o valor da nota fiscal de serviços emitidas pelos armazéns, eles estão englobados pela Solução de Consulta nº 320/2004 e não podem ser glosados pela fiscalização, até que a Administração Tributária reveja seu entendimento e publique tal decisão no diário oficial, a teor do que determina o art. 48, § 12, da Lei nº 9.430/963. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de que sejam revertidas as glosas das despesas de seguro. Por fim, a recorrente pleiteia a correção dos créditos pela Taxa Selic, em razão de a Administração Tributária ter extrapolado o prazo de 365 dias estabelecido no art. 24 3 § 12. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. Fl. 696DF CARF MF 14 da Lei nº 11.457/2007, invocando o RESP 1.035.847 julgado na sistemática do art. 543C do CPC. Essa questão é velha conhecida deste colegiado. O pleito da recorrente não pode ser atendido, pois o caso concreto versa sobre créditos de COFINS não cumulativa e não sobre créditos de IPI. No caso das contribuições não cumulativas existe vedação legal expressa à correção dos créditos da não cumulatividade, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833/20034. Em virtude dessa vedação legal, não é possível aplicar de forma analógica ao caso concreto o RESP nº 1.035.847, que foi proferido em relação a um processo de IPI. Cabe esclarecer ainda, que no caso das glosas que estão sendo revertidas, não existe problema algum decorrente da demora do processo, pois o restabelecimento dos créditos determinado pela presente decisão retroagirá à data de apresentação das declarações de compensação. E considerando que a declaração de compensação extingue o crédito sob condição resolutiva de sua posterior homologação, o efeito da homologação também retroage à data de interposição do Perdecomp. Isso significa que o encontro entre os débitos e os créditos será feito pelo valor consignado na data de transmissão do Perdecomp. Assim, a mora na tramitação deste processo não dará causa ao enriquecimento sem causa da União, seja em razão da previsão contida no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, seja em razão da própria sistemática de operacionalização da declaração de compensação. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter a glosa em relação ao crédito "cheio" da COFINS, nas aquisições de cooperativas agroindustriais, e para reverter a glosa das despesas com seguros incluídas no custo dos serviços de armazenagem. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim 4 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 697DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000172/2010-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Exercício: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRESCINDIBILIDADE PARA VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS.
O Mandado de Procedimento fiscal - MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle e planejamento administrativo, de modo que sua ausência, ou mesmo defeito em sua prorrogação, não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento, tampouco interfere na reaquisição da espontaneidade, para a finalidade do art. 138 do Código Tributário Nacional c/c art. 7º do Decreto nº 70.235/72.
CIDE-ROYALTIES. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe a essa corte administrativa decidir quanto à constitucionalidade de norma, nos termos da Súmula CARF nº 2.
Taxa SELIC. ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF nº 4. Essa matéria já foi enunciada na Súmula CARF nº4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 3401-003.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar-se provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, (a1) foi rejeitada a proposta de diligência efetuada pelo relator, e acompanhada pelo Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, ambos vencidos; e (a2) foi rechaçada a alegação de nulidade suscitada pelo relator, vencido; e (b) por unanimidade de votos, negou-se, no mérito, provimento ao recurso voluntário, demandando-se à unidade preparadora que efetue a imputação do pagamento informado nos autos. Designado para redigir o voto vencedor em relação aos itens (a1) e (a2) o Conselheiro Robson José Bayerl.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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PRESCINDIBILIDADE PARA VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REAQUISIÇÃO DA ESPONTANEIDADE. EFEITOS. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle e planejamento administrativo, de modo que sua ausência, ou mesmo defeito em sua prorrogação, não importa em nulidade do ato administrativo de lançamento, tampouco interfere na reaquisição da espontaneidade, para a finalidade do art. 138 do Código Tributário Nacional c/c art. 7º do Decreto nº 70.235/72. CIDEROYALTIES. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe a essa corte administrativa decidir quanto à constitucionalidade de norma, nos termos da Súmula CARF nº 2. Taxa SELIC. ATUALIZAÇÃO DE DÉBITOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. ILEGALIDADE. SÚMULA CARF nº 4. Essa matéria já foi enunciada na Súmula CARF nº4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negarse provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, (a1) foi rejeitada a proposta de diligência efetuada pelo relator, e acompanhada pelo Conselheiro Augusto Fiel Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 72 /2 01 0- 38Fl. 472DF CARF MF 2 D'Oliveira, ambos vencidos; e (a2) foi rechaçada a alegação de nulidade suscitada pelo relator, vencido; e (b) por unanimidade de votos, negouse, no mérito, provimento ao recurso voluntário, demandandose à unidade preparadora que efetue a imputação do pagamento informado nos autos. Designado para redigir o voto vencedor em relação aos itens (a1) e (a2) o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN Presidente. RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Renato Vieira de Ávila Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 421 e seguintes) contra decisão da 6ª Turma da DRJ/SPO que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração exarado pela DEMAC/São Paulo, em 26.08.2010, referente aos valores não declarados e não recolhidos da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre Remessas ao Exterior ("CIDERoyalties"), referente ao período de apuração de dezembro/2005. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 343 e seguintes) de R$ 30.843,53 (trinta mil, oitocentos e quarenta e três reais e cinquenta e três centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$ 69.505,88 (sessenta e nove mil, quinhentos e cinco reais e oitenta e oito centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram as seguintes: Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 473 3 Como veremos, as informações prestadas pelo sujeito passivo corroboram com os fatos apurados, já que, à exceção de uma remessa, a apuração da CIDE informada pelo contribuinte está de acordo com a feita neste relatório. No entanto, foi apurado recolhimento insuficiente da CIDE dos valores apurados em confronto com os declarados em DCTF. Para reforçar ainda mais esta conclusão, ficou comprovado (pg 296 e 297) que o próprio contribuinte, ao ser intimado a retificar as DCTF, constatou a diferença apurada e a declarou com a fiscalização em andamento. Cabe ressaltar que os demais recolhimentos não abordados neste Auto de Infração, também foram objeto de verificação, em confronto com as remessas declaradas (pg 299 e 300) e os mesmos se justificam pelos pagamentos efetuados. (a) Ou seja, no curso da revisão fiscal, o contribuinte veio a retificar a DCTF para acrescer ao débito de CIDERoyalties até então declarado o valor adicional que o próprio contribuinte calculara – e posteriormente o Fisco corroborou – mas deixara de informar na respectiva declaração de débitos federais; (b) Nessa retificação, a diferença acrescida como débito, R$ 29.745,26, teve como contrapartida na declaração retificadora um registro de mesmo valor a crédito como “pagamento”. Essa informação será importante mais adiante. (c) Em adição a esse erro, a D. Fiscalização identificou um caso também em que a contribuinte deixou efetivamente de apurar – e consequentemente de declarar o débito na DCTF referente ao contrato de câmbio abaixo assinalado, por ter desconsiderado a remessa como decorrente de um serviço técnico: Data do Pagamento Contrato de Câmbio Beneficiário Valor Pago (Euro) Invoice 22/12/05 05/034897 Schuler Hydroforming GMBH 3.353,76 237720/05/102131 (d) Diante disso, temos o seguinte: (a) (b) (c) (d) = (b)(a)+(c) DCTF Original DCTF Retificadora* Contrato não incluído Crédito Tributário a Lançar CIDERoyalties a Pagar 840.588,09 870.333,35 1.098,24 30.843,53 (e) Sobre o crédito tributário total acima, aplicouse multa de oficio no percentual de 75%, bem como juros de mora; Fl. 474DF CARF MF 4 Da Impugnação Inconformada com a lavratura do auto de infração, a Recorrente impugnou à época (fls. 352 e seguintes). Sumarizo: (a) O Contribuinte reconhece a ausência de recolhimento da CIDE quanto ao Contrato de Câmbio N° 05/034897. Entretanto, entendeu que a Fiscalização acabou por imputar quantia em muito maior que seria devida; (b) O valor de R$ 30.843,53, lançado no Auto de Infração, não teria sido objeto de qualquer espécie de motivação, o que viciaria o ato administrativo, conforme disposto no art 142 do CTN e Decreto Federal 70.235/1972; (c) O Fisco teria desconsiderado o pagamento realizado a titulo de CIDE (fls 396 e 397), do período de apuração 31.12.2005, no valor de R$49.829,34, sendo R$29.745,31 a título de tributo e o restante, R$14.134,97, a título de multa de mora e juros; (d) Arguiu a Inconstitucionalidade da CIDE; (e) Arguiu indevida a aplicação da SELIC, uma vez que esta possuiria natureza remuneratória e não indenizatória, própria dos juros de mora, portanto, isto importaria em afronta ao art. 192, § 30, da CF, que limitaria juros em até 12% ao ano; e Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 403 e seguintes), em 26 de fevereiro de 2015, que manteve integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 474 5 ARGUIÇÕES DE VIOLAÇÃO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA. A apreciação de constitucionalidade é atribuição do Poder Judiciário. O julgador da esfera administrativa não tem competência para proceder à análise de aspectos constitucionais de norma legal regularmente editada. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. VINCULAÇÃO. O julgador da esfera administrativa deve observar as normas legais e regulamentares, não podendo desrespeitar textos legais vigentes sob pena de responsabilidade funcional (§ único do art. 142 do CTN; artigo 7º, inciso V, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 341/2011; e artigo 116, inciso III, da Lei nº 8.112/1990. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente será considerado nulo o lançamento, se o ato for praticado por agente incompetente. Art. 59, I, do Decreto nº 70.235/1972. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Consideramse não formulados os pedidos de diligência e perícia que deixam de atender aos requisitos previstos em lei. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Consideramse não formulados os pedidos de diligência e perícia que deixam de atender aos requisitos previstos em lei. IMPUGNAÇÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto nº 7.574 de 29/09/2011. A alegação sem produção de provas impossibilita a revisão do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Constatada a falta de declaração e de recolhimento de débitos pelo sujeito passivo, deve ser formalizado o crédito tributário pelo lançamento. JUROS.TAXA SELIC. É procedente a utilização da taxa SELIC para o cálculo de juros de mora, pois se encontra amparada em lei, cuja legitimidade não pode ser aferida na esfera administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos (a) Quanto à discriminação do valor apurado no Procedimento Fiscal: 16. Como se vê no DARF citado (fls. 396/397), o mesmo foi recolhido em 15/03/2010, ou seja, no curso do procedimento fiscal, que teve início em 30/11/2009 (fl. 09), portanto, quando já estava excluída a espontaneidade do sujeito passivo, nos termos do artigo 7º, parágrafo 1º e inciso I, do Decreto nº 70.235/1972. 17. Assim, ao calcular o valor devido de CIDE no período de dezembro/2005, sem levar em consideração a DCTF retificadora e o valor pago Fl. 476DF CARF MF 6 após o início da ação fiscal, a autoridade fiscal agiu de acordo com o artigo 7º, parágrafo 1º e inciso I, do Decreto nº 70.235/19721 e artigo 9º, parágrafo 2º, “c” da IN RFB nº 974/2009, vigente à época da fiscalização. 18. Desta forma, ao contrário do que defende a interessada, a autuação é resultado de um procedimento correto feito pela autoridade fiscal, devidamente motivado, pois consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 325/342) a descrição de todo o procedimento realizado e consta no auto de infração a fundamentação legal que dá suporte aos valores apurados, e tendo em vista a constatação da falta de declaração e do recolhimento de valores devidos antes do procedimento fiscal, a formalização do crédito tributário pelo lançamento decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, conforme dispõe o artigo 142 do CTN, abaixo transcrito: (...)23. Quanto ao recolhimento efetuado após o início da ação fiscal, no valor total de R$ 49.829,34, o mesmo deverá ser desvinculado da DCTF retificadora também enviada durante a ação fiscal, tendo em vista que a mesma não produz efeitos, conforme artigo 9º, parágrafo 2º, “c” da IN RFB nº 974/2009[2], vigente à época da fiscalização, e alocado ao auto de infração em análise. Do Recurso Voluntário Diante do acórdão denegatório de qualquer reforma no lançamento, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repetindo os argumentos apresentados na impugnação e ainda os seguintes: (a) O MPF que originou o Auto de Infração estaria com prazo expirado e, portanto, sem validade, desde 20.03.2010, conforme estabelece os artigos 9º3, 1 Art.7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;(...) § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. 2 Art.9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 3 Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 475 7 11, 12, 14 e 15 da Portaria RFB 11.371/2007, então vigente; que estabelecia prazo de 120 (cento e vinte) dias para sua validade, prorrogado por mais 60 (sessenta) dias, desde que intimado o recorrente; (b) Defende a Contribuinte que após os 120 (cento e vinte dias de prazo de validade do MPF, que teria findado em 20.03.2010, recebeu nova intimação somente em 31.03.2010 e que não houve o registro eletrônico exigido no art. 9º da Portaria RFB 11.371/2007, conforme destacado abaixo: (c) Assim, o segundo Termo de Intimação Fiscal, emitido somente em 31.03.2010 – ou 11 dias após o decurso do prazo teria sido lavrado quando o MPF original já estava extinto, pois que, não havendo qualquer notificação à Recorrente quanto ao registro eletrônico de prorrogação, aplicável ser o artigo 14, da aludida Portaria4. (d) Aduz, por fim, que todos atos praticados após sua extinção seja declarados nulos, incluindo o próprio lançamento ora impugnado; (e) Diante de tal nulidade, a Recorrente defende que teria havido recuperação da espontaneidade pelo Sujeito Passivo, em função da nulidade da prorrogação do MPF e que, por isso, deve ser reconhecida a quitação do débito pelo recolhimento do tributo exigido com os juros moratórios, e como tal, pede seja cancelada a multa de ofício de 75%. 4 Art. 14. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Fl. 478DF CARF MF 8 (f) Ad argumentandum, caso não seja reconhecida a espontaneidade, pede que haja a redução de multa em 50% (cinquenta por cento), por ocorrido o pagamento antes da apresentação da impugnação. Alternativamente, a Recorrente volta a solicitar que os valores pagos, ainda que no curso de procedimento fiscal, sejam considerados para fins de determinação do crédito tributário a ser lançado; e ainda reputa a inconstitucionalidade da contribuição e do uso da Taxa SELIC como critério de cálculo de juros de mora para débitos perante a Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Da Preliminar e do Mérito A questão principal – visto que representa quase 97% do crédito tributário lançado a ser avaliada no presente Recurso reside em avaliarmos se houve ou não a extinção do MPF instaurado em 20.11.2009 pelo agente fazendário e, em 30.11.2009, o contribuinte intimado via Aviso de Recebimento (AR). No caso em questão, o MPF original teria validade até 20.03.2010, ou 120 dias contados da instauração da fiscalização, enquanto a alegação da Recorrente é que ela somente teria sido intimada de tal fato em 30.03.2009. Esse lapso temporal, nos termos do Recurso apresentado, representaria a nulidade do lançamento. Sem prejuízo das afirmações da Recorrente, tomo a liberdade de recorrer ao artigo 4º, da mesma Portaria MF 11.371/2007: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 476 9 endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Enquanto isso, o Decreto Federal 70.235/1972 dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Dito isso, sabendose que é possível que a intimação via AR não tenha sido o único meio de intimação perante a RFB no período fiscalizado, resta dúvidas – uma vez que esse ponto somente fora levantado em sede de Recurso e, pois, nunca confirmado pela Fazenda – quanto a certeza de que houve a perempção do prazo para renovação do mandado de procedimento fiscal. Fl. 480DF CARF MF 10 Como decorrência, e levandose em conta que assumir como verdade absoluta a afirmação da Recorrente representaria necessariamente, a meu entender, a anulação do lançamento em sua integralidade, sugiro a conversão do julgamento em diligência para confirmar perante a unidade de origem: (a) Se a Recorrente já fazia uso do domicilio tributário eletrônico à época do procedimento de fiscalização ora em análise; (b) Caso afirmativo, identificar todas as datas de intimação e da respectiva ciência pelo contribuinte referentes à ação fiscal que originou no lançamento, especialmente para confirmar documentalmente se houve tempestivamente a ciência eletrônica dda renovação do MPF além dos 120 dias iniciais; Esse foi o meu entendimento que acabou por não ser seguido pelo restante da Turma, de modo que, esse colegiado, nesse particular, entendeu pela improcedência da argumentação da Recorrente relativa à existência de nulidade do lançamento, bem como em relação à reaquisição da espontaneidade, nos termos do voto vencedor, que segue ao final. Quanto aos pedidos alternativos do recurso: (a) Quanto à constitucionalidade da CIDERoyalties: Não cabe a essa corte administrativa decidir quanto a constitucionalidade de norma, nos termos da Súmula CARF nº 2 ("O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."), de modo que nego provimento ao pedido da Recorrente. (b) Quanto à ilegalidade do uso da Taxa SELIC para atualização de débitos tributários: Essa matéria já se encontra sob a forma da Súmula CARF nº4 ("A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais."), de modo que também nego provimento ao Recurso. (c) Sobre espontaneidade do pagamento efetuado no curso da ação fiscal: Conforme previsto no parágrafo único do artigo 138, do CTN, somente faz jus aos benefícios do pagamento espontâneo o contribuinte que liquidar a obrigação tributária pendente antes do início de "procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Não é o caso, em vista das conclusões anteriores, de modo que deve ser mantida a multa de ofício nominal de 75%; diante do fato que, embora tenha havido o pagamento antes do Auto de Infração, a Recorrente ofereceu impugnação sobre a integralidade do débito lançado. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 477 11 Ainda, deve ser reconhecida também a extinção do próprio crédito tributário da parcela da contribuição paga – haja vista o artigo 156, inciso I do CTN, independentemente da interpretação que se tenha do artigo 9º, parágrafo 2º, “c” da IN RFB nº 974/2009 tendo o Código Tributário Nacional status de Lei Complementar e, portanto, hierarquicamente superior à norma administrativa exarada pela Receita Federal do Brasil – via imputação de pagamento a ser processada pela unidade de origem. Por outro lado, quanto à parcela não quitada à época da fiscalização, por óbvio, mantémse sua exigibilidade, não havendo qualquer mácula ao lançamento efetuado. Relator Tiago Guerra Machado Relator Fl. 482DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Com as vênias de praxe, divirjo do i. Relator quanto à apontada nulidade do lançamento pelos supostos vícios na emissão/renovação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF e a reaquisição da espontaneidade nessas hipóteses. A jurisprudência hodierna desse sodalício é firme no sentido que o MPF é mero instrumento de planejamento e controle administrativo, de maneira que, dada essa condição, a sua ausência ou mesmo a falha na sua emissão ou prorrogação não têm o condão de invalidar o lançamento, cujos requisitos mínimos de validade vêm arrolados numerus clausus no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, dele não constando a prévia emissão ou mesmo a manutenção, ao longo do procedimento fiscal, do mandado em comento. O exercício da atividade de lançamento atribuída ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, na qualidade de autoridade fiscal, deflui diretamente dos textos legais, mormente o art. 142 do Código Tributário Nacional e Lei nº 10.593/2002, razão porque eventuais falhas do MPF não acarretam a nulidade do instrumento de constituição/formalização do crédito tributário, tampouco influenciam a competência legal daquela autoridade administrativa. Para referendar o posicionamento, colaciono, de forma exemplificativa, acórdãos recentes desta casa julgadora: “MPF E NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.” (Acórdão nº 9303 003.506, de 15/03/2016) “VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento.” (Acórdão nº 9202003.956, de 12/04/2016) “PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 478 13 se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento.” (Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016) “NORMAS PROCESSUAIS. MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZOS. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de ato administrativo de caráter gerencial. O mandado de procedimento fiscal, por ser medida disciplinadora visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode sobreporse ao que dispõe o CTN acerca do lançamento tributário, bem como aos dispositivos da Lei nº 10.593/2002, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração.” (Acórdão nº 3402003.288, de 27/09/2016) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, não podendo dar causa à nulidade do lançamento eventual irregularidade na sua emissão ou prorrogação.” (Acórdão nº 1201001.574, de 16/02/2017) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno, disciplinado por ato administrativo, de planejamento e controle da administração tributária federal. Eventuais omissões ou irregularidades formais em sua emissão ou prorrogação, não ensejam a nulidade do lançamento de ofício, vinculado e obrigatório, por lei.” (Acórdão nº 3401003.437, de 28/03/2017) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. AUSÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nem irregularidades, equívocos cometidos na sua emissão, na sua prorrogação, alteração ou qualquer outro, ou mesmo a circunstância de o procedimento fiscal ter sido instaurado sem a emissão do Mandado acarreta nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da lei, possui competência para tanto.” (Acórdão nº 3302 004.019, de 29/03/2017) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao Fl. 484DF CARF MF 14 contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no MPF não são causa de nulidade do lançamento.” (Acórdão nº 2401004.735, de 24/04/2017) “NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF.” (Acórdão nº 1302002.067, de 25/04/2017). Pelo motivo assinalado, inclusive, mostrase despiciente a conversão do julgamento em diligência para aferição das sucessivas prorrogações do mandado. Concernente à reaquisição da espontaneidade, para efeito do disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, ante eventual inconsistência na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, não assiste razão ao recorrente. A teor do parágrafo único do mencionado dispositivo, “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Segundo o art. 7º, I, §§ 1º e 2º do Decreto nº 70.235/72, o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, oportunidade que é excluída a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas, valendo tal ato de ofício por 60 (sessenta dias), prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. O ato de ofício a que se refere o preceptivo não se confunde com o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, correspondendo àquele os termos lavrados pela autoridade fiscal responsável na condução do procedimento fiscal. A própria Portaria RFB nº 11.371/2007, que trata do MPF, realça essa distinção, ao dispor, no seu art. 4º, parágrafo único, que a ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico que especifica, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Também o art. 9º do prefalado ato administrativo, ao tratar das modificações do MPF (prorrogação de prazo, exclusão/inclusão de AFRF ou tributos, etc.), estabelece que as alterações serão cientificadas ao sujeito passivo, pelo responsável pelos trabalhos fiscais, “quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração”. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16643.000172/201038 Acórdão n.º 3401003.803 S3C4T1 Fl. 479 15 Portanto, não equivalendo “ato de ofício escrito” à emissão e/ou prorrogação de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, a reaquisição da espontaneidade para o recolhimento dos tributos sob fiscalização, durante o procedimento fiscal, sem incidência da multa de ofício, verificase pela ocorrência da quebra da cadeia temporal entre os interstícios sucessivos de 60 (sessenta) dias, a partir dos termos lavrados pela autoridade fiscal competente. No caso vertente, revistos os termos, inferese não existir qualquer hiato que proporcionasse ao recorrente o pretendido restabelecimento da espontaneidade, encontrandose hígido o lançamento reclamado. Outrossim, a realização do pagamento, ainda que no decurso da fiscalização, apesar de não afetar o lançamento, deverá ser considerado e imputado à apuração do valor devido, após o encerramento do processo contencioso administrativo, por ocasião da liquidação da decisão administrativa irreformável, como acentuado pelo nobre Relator. Com essas considerações, afasto as preliminares argüidas. Robson José Bayerl Fl. 486DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722787/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
TERMO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
A atribuição de responsabilidade tributária, mediante termo do qual se dá ciência aos acusados, congênita ao lançamento tributário de ofício, potencializa o direito a ampla defesa, na medida em que faculta aos supostos responsáveis, no processo administrativo tributário, a oportunidade de conhecer, desde logo, os fatos da acusação e de opor argumentos contrários às alegações da Fazenda Pública.
DESLEIXO DA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO DE COLETA DE PROVAS DEFICIENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
Somente a impugnação inaugura a fase litigiosa do procedimento para a constituição dos créditos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, a teor do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. Antes disso remanesce uma fase inquisitorial em cujo bojo a Administração Tributária pode empreender diligências e realizar intimações e exames, tudo com o fito de apurar a regularidade fiscal do administrado, respeitando, é óbvio, os direitos fundamentais dos indivíduos. Por essa óptica, eventual falha do critério metodológico empregado no exame de fatos e na análise de dados pode comprometer as conclusões do trabalho, mas daí a rotular essa falha procedimental com a pecha do cerceamento da defesa há uma distância enorme. Nesse roldão, improcede a alegação de cerceamento de defesa, já que o recorrente pôde regularmente contestar a imputação de sujeição passiva em duas instâncias julgadoras administrativas
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS.
O fato de inexistir pagamento antecipado de IRPJ e CSLL submete a contagem do prazo decadencial ao rigor do artigo 173, inciso I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, I, CTN. INTERESSE ECONÔMICO.
Não é o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação o sustentáculo da atribuição de responsabilidade tributária prevista no artigo 124, inciso I, do CTN, mas o interesse jurídico vinculado à situação configuradora do fato gerador.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, II, DO CTN. EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA.
O artigo 124, inciso II, do CTN apenas autoriza o legislador ordinário a estabelecer previsões normativas distintas daquela que já está consagrada no artigo 124, inciso I, do CTN. Em outras palavras, as referências ao artigo 124, inciso II, por si sós, não emprestam fundamento para a responsabilidade tributária de sócio, administrador ou gerente, por dívida tributária da pessoa jurídica.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGOS 134, VII, E 135, III, DO CTN. ARTIGO 5º, V, DO DL nº 1.598/1977. SÓCIO, ADMINISTRADOR OU GERENTE. PROVA.
A atribuição de responsabilidade tributária fundada nos artigos 134, VII, e 135, III, ambos do CTN, bem como no artigo 5º, V, do Decreto-lei nº 1.598/1977, exige, conforme o caso, prova da qualidade de sócio, administrador ou gerente.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
LEI Nº 9.317/1996. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. EXCEDENTE DE RECEITAS.
Se a Fiscalização constatou duas irregularidades não simultâneas no mesmo ano-calendário - interposição fraudulenta e excedente de receitas - para as quais a sanção é a mesma - a exclusão do SIMPLES - era seu dever aplicar a lei vigente na data em que ocorreu a primeira infração, no caso, a interposição fraudulenta, excluindo a pessoa jurídica do mencionado regime retroativamente ao mês da ocorrência da citada irregularidade, conforme artigo 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Desde então, até o final do mesmo ano-calendário, a fiscalizada deveria ter sido submetida às normas de tributação aplicadas às demais pessoas jurídicas. A opção da Fiscalização pela exclusão em razão do excedente de receitas, só surtindo efeitos no ano-calendário subsequente, a teor do artigo 15, IV, da Lei nº 9.317/1996, reflete erro de direito, a afetar a validade do lançamento tributário que não considerou os efeitos da exclusão do SIMPLES desde o mês da interposição fraudulenta.
Numero da decisão: 1301-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários interpostos por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que votaram por negar provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários interpostos por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que votaram por negar provimento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 TERMO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. A atribuição de responsabilidade tributária, mediante termo do qual se dá ciência aos acusados, congênita ao lançamento tributário de ofício, potencializa o direito a ampla defesa, na medida em que faculta aos supostos responsáveis, no processo administrativo tributário, a oportunidade de conhecer, desde logo, os fatos da acusação e de opor argumentos contrários às alegações da Fazenda Pública. DESLEIXO DA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO DE COLETA DE PROVAS DEFICIENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Somente a impugnação inaugura a fase litigiosa do procedimento para a constituição dos créditos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, a teor do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. Antes disso remanesce uma fase inquisitorial em cujo bojo a Administração Tributária pode empreender diligências e realizar intimações e exames, tudo com o fito de apurar a regularidade fiscal do administrado, respeitando, é óbvio, os direitos fundamentais dos indivíduos. Por essa óptica, eventual falha do critério metodológico empregado no exame de fatos e na análise de dados pode comprometer as conclusões do trabalho, mas daí a rotular essa falha procedimental com a pecha do cerceamento da defesa há uma distância enorme. Nesse roldão, improcede a alegação de cerceamento de defesa, já que o recorrente pôde regularmente contestar a imputação de sujeição passiva em duas instâncias julgadoras administrativas Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. O fato de inexistir pagamento antecipado de IRPJ e CSLL submete a contagem do prazo decadencial ao rigor do artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, I, CTN. INTERESSE ECONÔMICO. Não é o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação o sustentáculo da atribuição de responsabilidade tributária prevista no artigo 124, inciso I, do CTN, mas o interesse jurídico vinculado à situação configuradora do fato gerador. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, II, DO CTN. EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA. O artigo 124, inciso II, do CTN apenas autoriza o legislador ordinário a estabelecer previsões normativas distintas daquela que já está consagrada no artigo 124, inciso I, do CTN. Em outras palavras, as referências ao artigo 124, inciso II, por si sós, não emprestam fundamento para a responsabilidade tributária de sócio, administrador ou gerente, por dívida tributária da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGOS 134, VII, E 135, III, DO CTN. ARTIGO 5º, V, DO DL nº 1.598/1977. SÓCIO, ADMINISTRADOR OU GERENTE. PROVA. A atribuição de responsabilidade tributária fundada nos artigos 134, VII, e 135, III, ambos do CTN, bem como no artigo 5º, V, do Decreto-lei nº 1.598/1977, exige, conforme o caso, prova da qualidade de sócio, administrador ou gerente. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 LEI Nº 9.317/1996. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. EXCEDENTE DE RECEITAS. Se a Fiscalização constatou duas irregularidades não simultâneas no mesmo ano-calendário - interposição fraudulenta e excedente de receitas - para as quais a sanção é a mesma - a exclusão do SIMPLES - era seu dever aplicar a lei vigente na data em que ocorreu a primeira infração, no caso, a interposição fraudulenta, excluindo a pessoa jurídica do mencionado regime retroativamente ao mês da ocorrência da citada irregularidade, conforme artigo 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Desde então, até o final do mesmo ano-calendário, a fiscalizada deveria ter sido submetida às normas de tributação aplicadas às demais pessoas jurídicas. A opção da Fiscalização pela exclusão em razão do excedente de receitas, só surtindo efeitos no ano-calendário subsequente, a teor do artigo 15, IV, da Lei nº 9.317/1996, reflete erro de direito, a afetar a validade do lançamento tributário que não considerou os efeitos da exclusão do SIMPLES desde o mês da interposição fraudulenta.
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CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. A atribuição de responsabilidade tributária, mediante termo do qual se dá ciência aos acusados, congênita ao lançamento tributário de ofício, potencializa o direito a ampla defesa, na medida em que faculta aos supostos responsáveis, no processo administrativo tributário, a oportunidade de conhecer, desde logo, os fatos da acusação e de opor argumentos contrários às alegações da Fazenda Pública. DESLEIXO DA FISCALIZAÇÃO. ALEGAÇÃO DE COLETA DE PROVAS DEFICIENTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Somente a impugnação inaugura a fase litigiosa do procedimento para a constituição dos créditos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, a teor do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. Antes disso remanesce uma fase inquisitorial em cujo bojo a Administração Tributária pode empreender diligências e realizar intimações e exames, tudo com o fito de apurar a regularidade fiscal do administrado, respeitando, é óbvio, os direitos fundamentais dos indivíduos. Por essa óptica, eventual falha do critério metodológico empregado no exame de fatos e na análise de dados pode comprometer as conclusões do trabalho, mas daí a rotular essa falha procedimental com a pecha do cerceamento da defesa há uma distância enorme. Nesse roldão, improcede a alegação de cerceamento de defesa, já que o recorrente pôde regularmente contestar a imputação de sujeição passiva em duas instâncias julgadoras administrativas ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 27 87 /2 01 0- 42 Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.362 2 DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS. O fato de inexistir pagamento antecipado de IRPJ e CSLL submete a contagem do prazo decadencial ao rigor do artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, I, CTN. INTERESSE ECONÔMICO. Não é o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação o sustentáculo da atribuição de responsabilidade tributária prevista no artigo 124, inciso I, do CTN, mas o interesse jurídico vinculado à situação configuradora do fato gerador. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, II, DO CTN. EXIGÊNCIA DE LEI ESPECÍFICA. O artigo 124, inciso II, do CTN apenas autoriza o legislador ordinário a estabelecer previsões normativas distintas daquela que já está consagrada no artigo 124, inciso I, do CTN. Em outras palavras, as referências ao artigo 124, inciso II, por si sós, não emprestam fundamento para a responsabilidade tributária de sócio, administrador ou gerente, por dívida tributária da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGOS 134, VII, E 135, III, DO CTN. ARTIGO 5º, V, DO DL nº 1.598/1977. SÓCIO, ADMINISTRADOR OU GERENTE. PROVA. A atribuição de responsabilidade tributária fundada nos artigos 134, VII, e 135, III, ambos do CTN, bem como no artigo 5º, V, do Decretolei nº 1.598/1977, exige, conforme o caso, prova da qualidade de sócio, administrador ou gerente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LEI Nº 9.317/1996. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. EXCEDENTE DE RECEITAS. Se a Fiscalização constatou duas irregularidades não simultâneas no mesmo anocalendário interposição fraudulenta e excedente de receitas para as quais a sanção é a mesma a exclusão do SIMPLES era seu dever aplicar a lei vigente na data em que ocorreu a primeira infração, no caso, a interposição fraudulenta, excluindo a pessoa jurídica do mencionado regime retroativamente ao mês da ocorrência da citada irregularidade, conforme artigo 15, V, da Lei nº 9.317/1996. Desde então, até o final do mesmo ano calendário, a fiscalizada deveria ter sido submetida às normas de tributação aplicadas às demais pessoas jurídicas. A opção da Fiscalização pela exclusão em razão do excedente de receitas, só surtindo efeitos no anocalendário subsequente, a teor do artigo 15, IV, da Lei nº 9.317/1996, reflete erro de direito, a afetar a validade do lançamento tributário que não considerou os efeitos da exclusão do SIMPLES desde o mês da interposição fraudulenta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.363 3 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos voluntários interpostos por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha, que votaram por negar provimento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira contra a atribuição de sujeição passiva às exigências de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP, COFINS e CONTRIBUIÇÃO PARA O INSS, lavradas em nome da pessoa jurídica Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda ME. Pela clareza do relatório da Turma recorrida, às fls. 3.206/3.211, reproduzoo para, em seguida, adotálo: "Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, do Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para a Seguridade Social INSS, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente a períodos de apuração compreendidos no ano calendário de 2005, no valor total de R$ 1.864.046,52, incluídos multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora. 2. No lançamento referente ao IRPJ SIMPLES (matriz; fls. 20/23), encontra se registrada a seguinte infração, ao final tipificada: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS”. 3. No minucioso Relatório de Fiscalização de fls. 70/119, as autoridades autuantes consignaram, entre outras informações concernentes ao procedimento fiscal: 3.1. Através da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, a contribuinte declarouse inativa no período fiscalizado (optante do regime simplificado desde 18/02/1999). Também não recolheu quaisquer tributos no mesmo período. No Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.364 4 entanto, movimentou recursos, em contascorrentes mantidas na Caixa Econômica Federal – CEF e no Bradesco S/A, no montante de R$ 6.556.968,16 (informação obtida por meio de Declarações de Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira – DCPMF); 3.2. Embora se encontre ativa no cadastro do CNPJ, a contribuinte autuada não foi localizada em seu endereço cadastral, situado na periferia do município de Escada/PE, onde há uma humilde residência, portanto absolutamente incompatível com uma empresa que faturou, no anocalendário da autuação, mais de R$ 6.500.000,00. O Termo de Intimação enviado a sua filial (também ativa no CNPJ), localizada na zona rural do município de Barreiros/PE, também retornou pelo fato de não haver sido procurado, nos Correios, pela contribuinte; 3.3. Os sócios cadastrais não foram localizados pela fiscalização (seus perfis não correspondem ao esperado para uma empresa com a movimentação financeira apresentada MANCAL); 3.4. A partir da análise dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras, foram constatados depósitos nas contascorrentes da contribuinte autuada no montante de R$ 6.176.328,88 (já diminuídas as transferências, baixas automáticas da poupança, reduções de saldo devedor, devoluções e estornos). Intimada a comprovar a origem dos referidos depósitos bancários, a contribuinte não se manifestou; 3.5. Aplicouse a multa de ofício de 150%, nos termos do art. 44, §1º, da Lei n.º 9.430, de 1996 (art. 71, §1º, da Lei n.º 4.502, de 1964). 4. Às fls. 64/69, encontramse anexados Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados em nome de JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA e ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELO NETO. 5. Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, impugnação ao lançamento (fls. 3041/3044), por meio da qual requer a sua anulação, sob alegação de que o AuditorFiscal promoveu, com efeitos a partir de 2006, a sua exclusão do Simples federal, ao fundamento de que obtivera receita bruta superior ao limite estabelecido para a permanência no regime. Afirma, no entanto, que, se fossem verdadeiras as alegações expostas pelo mesmo AuditorFiscal no Relatório de Fiscalização, a representação para a sua exclusão deveria ter sido fundada nos arts. 14, IV, e 15, V, da Lei n.º 9.317, de 1996, de modo que, embora o procedimento esteja todo calcado na interposição fraudulenta, o AuditorFiscal utilizou, como motivação, para fins de exclusão do Simples, a ultrapassagem da receita bruta. Se fosse utilizada a interposição fraudulenta, a exclusão se daria já a partir de 2005, caso em que a pessoa jurídica deveria ser tributada de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 6. No prazo legal, compareceu aos autos o responsável solidário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELO NETO, CPF n.º 831.388.11434, através da impugnação de fls. 3054/3070, na qual alega, depois de descrever os fatos: Nulidades 6.1. É nula a tentativa de a fiscalização imputarlhe a responsabilidade de que trata (sic) os autos, por absoluta falta de competência, conforme entende o atual Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (reproduz ementa); Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.365 5 6.2. À época dos fatos, dedicavase a produzir cana de açúcar em propriedade rural arrendada (fls. 2895/2903). Dedicouse, à exaustão, em busca de documentos que atendessem às exigências da auditoria, porém encontrou dificuldades, às vezes intransponíveis, em vista das inundações, episódio já conhecido, que ocorreram na região banhada pelo rio Una. No entanto, conseguiu reunir, junto a alguns fornecedores, documentos esclarecedores de sua atividade (como contrato de arrendamento rural, e seu distrato, firmado com a empresa INTERIORANA – SERVIÇOS E CONSTRUÇÃO LTDA, bem como relatório de informações para o imposto de renda tratando das operações realizadas, entre 2003 e 2005, com a mencionada empresa). Assim, foram apresentados, em 29/09/2010, novos documentos à fiscalização, os quais atestam a realização de sua atividade, entre os quais o Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento de Cana de Açúcar, por meio do qual beneficiava a cana de açúcar que fornecia juntamente com o seu parceiro empresarial JOSÉ LUIZ DE MENEZES. Em contrapartida, referida empresa lhe remunerava com sacas de açúcar (fls. 2932/2937 e 2939/2940), posteriormente repassadas, em grande parte, para os seus clientes e os do Sr. JOSÉ LUIZ DE MENEZES, entre os quais a empresa fiscalizada, conforme amostragem de notas fiscais que anexa (fls. 2942/2965), as quais totalizam R$ 86.400,00, valor compatível com os recursos que o favoreceram. Outros negócios foram celebrados, como, p. ex., com a USINA CUCAÚ, mas os documentos a eles relativos não foram localizados, em vista dos acontecimentos ocorridos na região, tendo sido apresentadas à fiscalização, através de expediente protocolado pelo Sr. JOSÉ LUIZ DE MENEZES, declarações de moagem da aludida empresa (fls. 2988/2989). Caso se entenda necessária, que seja realizada diligência nas empresas citadas, para confirmar o que se afirma; 6.3. Rotineiramente, a sua produção era vendida a diversas empresas produtoras de açúcar – usinas, que remuneravam o fornecimento da cana com o próprio açúcar, conforme notas fiscais em anexo (doc. 9). Tais rendimentos da atividade rural eram sempre declarados; 6.4. Por sua vez, o açúcar era vendido pelas próprias empresas industriais, com a sua anuência e com a anuência do Sr. JOSÉ LUIZ DE MENEZES, que se tornavam, quando não recebido o pagamento em dinheiro, credores dos compradores, a exemplo da MANCAL, o que se comprova com a juntada de notas fiscais emitidas em nome da UNA AÇÚCAR E ENERGIA em favor da MANCAL, com quem detinha créditos que se acumulavam e eram transferidos para os anos subsequentes (como o de 2005, quando recebeu créditos de períodos anteriores). Os valores que recebeu são compatíveis com seus créditos. Os documentos apresentados o foram por amostragem, em vista da inundação que acometeu a região; 6.5. Os valores devidos foram amortizados com a emissão de cheques, para pagamento de despesas ou investimentos seus. É o caso da quitação das prestações dos edifícios Saint Roman (R$ 30.024,00) e First Village (R$ 31.295,91), transferências bancárias em que foi favorecido (R$ 43.060,16), cheque (R$ 2.000,00) e pagamentos dos honorários advocatícios ao escritório Farias e Moreira Advogados Associados (R$ 40.006,53). Não há nada de errado no fato de que os cheques emitidos para pagamento de tais compromissos apresentemse em valores exatos, visto que, como credor da empresa autuada, solicitava que a emissão se realizasse dessa forma. Um mero acerto de contas e uma forma de evitar a CPMF. Referidos pagamentos somam R$ 106.480,07, apenas 1,63% do volume de saídas verificadas na conta da MANCAL; Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.366 6 6.6. Ressalta o AuditorFiscal a entrada de recursos da UNA FACTORING, empresa da qual era sócio, por intermédio de cheques endossados, os quais atingiram a importância de R$ 989.530,46. Neste caso, o percentual é próximo de 15%. 72% foram deixados de lado pela fiscalização, o que é muito limitado; 6.7. Em nenhum momento, a fiscalização logrou demonstrar a prática de atos de gerência de sua parte; 6.8. Dizse que a MANCAL não passa de uma empresa “laranja” e que sequer possuía inscrição estadual. No entanto, era regularmente cadastrada até o ano de 2004. Por outro lado, se a MANCAL se prestou ao papel de “laranja”, nenhuma responsabilidade tem com este fato; 6.9. As atividades da MANCAL eram exercidas eminentemente nos estabelecimentos do cliente ou utilizandose de um depósito. Apesar de afirmar que haveria uma filial na cidade de Barreiros/PE, a fiscalização não efetuou qualquer tentativa de intimála neste local nem visitou as suas dependências; 6.10. Os acórdãos administrativos ou judiciais trazidos ao processo sempre fazem referência a sóciogerente ou representante da empresa, posições que nunca foram as suas. Há de haver prova inequívoca da existência de poderes gerenciais, como também a prática de atos com excesso de poderes ou contra a lei (reproduz ementas de decisões do então Conselho de Contribuintes); 6.11. O AuditorFiscal tinha o dever de buscar de ofício a verdade a partir de uma análise profunda das contas bancárias da MANCAL, o que não se fez. Dessa análise, poderiam sair os nomes dos sócios da empresa ou daquelas aos quais se destinou a quase totalidade dos recursos. A falta de cumprimento desse dever, aliada ao fato de que os autos não trazem essas informações, impede que possa exercer plenamente o seu direito de defesa; Mérito 6.12. O AuditorFiscal promoveu, com efeitos a partir de 2006, a exclusão da empresa do Simples federal, ao fundamento de que obtivera receita bruta superior ao limite estabelecido para a permanência no regime. Afirma, no entanto, que, se fossem verdadeiras as alegações expostas pelo mesmo AuditorFiscal no Relatório de Fiscalização, a representação para a sua exclusão deveria ter sido fundada nos arts. 14, IV, e 15, V, da Lei n.º 9.317, de 1996, de modo que, embora o procedimento esteja todo calcado na interposição fraudulenta, o AuditorFiscal utilizou, para fins de exclusão do Simples, como motivação, a ultrapassagem da receita bruta. Fosse utilizada a interposição fraudulenta, a exclusão se daria já a partir de 2005, caso em que a pessoa jurídica deveria ser tributada de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso, o Auditor Fiscal deveria ter arbitrado o lucro; 6.13. Já transcorreu o prazo de cinco anos relativo aos meses de janeiro a setembro de 2005, devendose excluir da cobrança referidos períodos; 6.14. No auto de infração, o AuditorFiscal cobrou a multa de 50% prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, porém, no cálculo da exigência, utilizouse do percentual de 150%. 7. Após expor os motivos que o levam a requerer a realização de perícia contábil, para a qual indicou perito e apresentou quesitos a serem respondidos, e Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.367 7 repisar argumentos já expostos na peça de defesa, requer a nulidade do lançamento e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. 8. Também no prazo legal, compareceu aos autos o responsável solidário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, CPF n.º 149.503.91453, através da impugnação de fls. 3174/3182, na qual sustenta, depois da descrição dos fatos: Cerceamento do direito de defesa 8.1. Somente depois do lançamento é que teve acesso aos autos, quando constatou que 80% dos ingressos na conta bancária da empresa estão desprovidos de identificação dos depositantes. Como poderia exercer o seu direito de defesa sem ter acesso a tais informações? Embora tenha agora o seu direito de defesa assegurado, no momento que antecede o lançamento foram negadas informações que propiciassem uma visão do cenário que lhe era imposto, o que cerceou o seu direito de defesa; Inconsistência da imputação da responsabilidade tributária 8.2. À época dos fatos era procurador da MANCAL com poderes específicos para representála perante o Bradesco. A despeito de limitados os seus poderes, optou o AuditorFiscal por atribuirlhe a condição de gerente, o que não se demonstrou pelos documentos trazidos aos autos; 8.3. Não foram aprofundadas questões como quem são os interessados nas operações da empresa, os beneficiados, se existem sócios ocultos; 8.4. Tem rendimentos parcos e condizentes com a sua realidade financeira e patrimonial; Decadência 8.5. Já ocorreu a decadência relativamente aos ingressos ocorridos no período entre de janeiro e setembro de 2005; Dispositivo legal que fundamenta a exclusão do Simples 8.6. Ao mesmo tempo em que se faz a exclusão do Simples com fundamento no excesso de receitas, tanto no Relatório Fiscal quanto no Termo de Sujeição Passiva Solidária atribuiuse a responsabilidade com base na interposição fraudulenta; 8.7. A representação para a sua exclusão deveria ter sido fundada nos arts. 14, IV, e 15, V, da Lei n.º 9.317, de 1996, de modo que, fosse utilizada a interposição fraudulenta, a exclusão se daria já a partir de 2005, caso em que a pessoa jurídica deveria ser tributada de acordo com as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; Fato gerador e base de cálculo do INSS 8.8. O fato gerador da contribuição para o INSS incide sobre a folha de salários e demais rendimentos e a contribuição do empregado. Equivocouse o AuditorFiscal ao utilizarse da receita bruta, sendo evidente o erro no fato gerador e na base de cálculo, o que torna nulo o lançamento; Mérito Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.368 8 8.9. O AuditorFiscal levantou a existência de depósitos bancários com origem não confirmada. Constatou que a importância de R$ 100.000,00 beneficiou o Sr. ROBERTO BRITO para o pagamento de seus compromissos; 8.10. Sempre se reportou à Sra. VERA LÚCIA BARBOSA, sócia majoritária da empresa e administradora, que, naquele ano, estava procurando honrar compromissos antigos da empresa. Para corroborar essa assertiva, junta declaração do então procurador da empresa no ano de 1999, o Sr. AGNELO APARECIDO SEGURA, para evidenciar que a administração estava a cargo da Sra. VERA LÚCIA; 8.11. Dos valores movimentados pela empresa não obteve qualquer proveito. Constatada a ausência de identificação da maior parte dos depósitos/saídas das contascorrentes da empresa, não se justifica a sua responsabilização; 8.12. A tributação com base nos depósitos bancários agride o CTN (reproduz escólios doutrinários e ementas de decisões do então Conselho de Contribuintes). O extinto Tribunal Federal de Recursos considerou ilegítimo o lançamento com base apenas em depósitos bancários; 8.13. O AuditorFiscal não produziu provas da omissão de receitas; 8.14. A tributação da contribuição para o Simples deveria ter como base a folha de pagamentos. 9. Ao final, requer a nulidade do lançamento ou, no mérito a sua improcedência.Requer, ainda, a exclusão de sua responsabilidade. Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, notadamente intimação à CEF e ao Bradesco, para que informem os depositantes e os beneficiários dos recursos movimentados nas contas bancárias da empresa. 10. Através da petição de fl. 3198, o Sr. ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELO NETO requer, em complemento a sua impugnação, a juntada de fluxograma de entradas e saídas de recursos financeiros movimentados pela MANCAL em 2005." Decisão de primeira instância, às fls. 3.205/3.218, assim ementada: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.369 9 Anocalendário: 2005 PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para a constituição de crédito tributário, quando não há pagamento antecipado de tributo, é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Em havendo pagamento, o prazo extinguese após cinco anos, a partir da data do fato gerador, conforme o § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ATO PRATICADO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO DE FATO. INTELIGÊNCIA DO ART. 135, III, DO CTN. Responde pelos créditos tributários os sócios de fato da pessoa jurídica quando tenham praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. PRELIMINAR DE NULIDADE. Não se cogita da nulidade do auto de infração quando, além de formalmente perfeito, for induvidosa a competência da autoridade autuante, bem como em nada malferido o direito de defesa do contribuinte." Este processo foi inserido em pauta para julgamento do recurso voluntário interposto por Roberto Brito Bezerra de Melo Neto. Na sessão de 11/03/2014, a Turma deliberou no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1301000.192, sob a relatoria do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, escorado nos seguintes argumentos: "[...] Às fls. 3.210/3.2231, consta a decisão exarada em primeira instância. Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.370 10 Às fls. 3.224, foi anexada a intimação da Delegacia da Receita Federal em Recife, para a contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME), relativa à ciência do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Às fls. 3.230/3.248, consta RECURSO VOLUNTÁRIO, recepcionado em 20 de dezembro de 2012, interposto por ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, um dos indicados como sujeito passivo solidário. Às fls. 2.271, consta AVISO DE RECEBIMENTO, relativo à intimação de fls. 3.224, encaminhada à MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME. No referido documento resta assinalada a legenda AUSENTE, como motivo para a não entrega do documento. Diante de tal quadro, entendendo que o processo não se encontra em condições de ser apreciado, conduzo meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem adote as seguintes providências: i) esclareça se, em razão da ausência de ciência da contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME) pela via postal, foram adotadas as providências previstas no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (intimação por edital); ii) caso a contribuinte autuada tenha sido intimada por edital, anexar a cópia do documento correspondente, no qual deverá constar as datas de afixação e desafixação (caso a contribuinte não tenha sido intimada, providências nesse sentido deverão ser adotadas); iii) anexar o aviso de recebimento relativo à ciência, por parte do responsável tributário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, da decisão exarada em primeira instância; iv) anexar a intimação e comprovante de ciência, por parte do responsável tributário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, relativos à decisão exarada em primeira instância (caso o citado responsável tributário não tenha sido intimado, providências nesse sentido deverão ser adotadas)." Posteriormente, o processo foi novamente inserido em pauta para julgamento. Na sessão de 03/02/2015, a Turma deliberou no sentido de também converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1301000.246, ainda sob a relatoria do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, escorado nos seguintes argumentos: "Como visto, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, haja vista a existência de questões pendentes relacionadas às pessoas incluídas no pólo passivo da obrigação tributária formalizada. Por meio da Resolução nº 1301000.192, esta Primeira Turma Ordinária requisitou à unidade administrativa de origem as seguintes informações: i) esclarecesse se, em razão da ausência de ciência da contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME) pela via postal, haviam sido adotadas as providências previstas no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (intimação por edital); Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.371 11 ii) caso a contribuinte autuada tivesse sido intimada por edital, anexasse a cópia do documento correspondente, no qual deveria constar as datas de afixação e desafixação (caso a contribuinte não tivesse sido intimada, providências nesse sentido deveriam ser adotadas); iii) anexasse o aviso de recebimento relativo à ciência, por parte do responsável tributário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, da decisão exarada em primeira instância; iv) anexasse a intimação e o comprovante de ciência, por parte do responsável tributário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, relativos à decisão exarada em primeira instância (caso o citado responsável tributário não tivesse sido intimado, providências nesse sentido deveriam ser adotadas). Em atendimento, a Agência da Receita Federal em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, limitouse a informar que; a) o contribuinte foi intimado do Acórdão da Impugnação em 02/10/2012 e o AR foi devolvido conforme Páginas 3224 a 3271; e b) antes da emissão do Edital, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 20/12/2012, conforme Páginas 3.230 a 3.269, sendo esta a data utilizada para Ciência e tempestividade. A princípio, revelamse absolutamente equivocadas as informações prestadas pela Agência da Receita Federal. Ademais, indagações veiculadas pela Resolução antes mencionada sequer foram tangenciadas. Com efeito, temos que: 1. de fato, por meio da intimação nº 035/2012 (fls. 3.224), buscouse cientificar a pessoa jurídica fiscalizada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA) acerca do resultado do julgamento em primeira instância, porém, o Aviso de Recebimento correspondente, juntado ao processo às fls. 3.271, indica que tal providência não logrou êxito, vez que consta assinalada no citado documento a expressão MUDOUSE; e 2. o Recurso Voluntário de fls. 3.230/3.269 não guarda relação com a intimação de fls. 3.224, cabendo registrar que, nele, resta consignado pelo Sr. ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO: ...o Recorrente não foi ainda regularmente intimado do Acórdão nº 1138.146 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife. Teve conhecimento do seu teor apenas no dia 21/11/2012, quando do comparecimento ao Serviço de Atendimento ao Contribuinte – CAC – onde obteve cópia do processo. Cabe esclarecer que, sob pena de nulidade de eventual pronunciamento por parte desta segunda instância julgadora, é essencial que a unidade administrativa responsável pelos procedimentos de ciência às pessoas incluídas no pólo da obrigação tributária formalizada por meio dos presentes autos (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA.; ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO; e JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA) preste, efetivamente, as informações e, se for o caso, adote as providências requisitadas por meio da já citada Resolução nº 1301000.192. Assim, conduzo meu voto no sentido de, mais uma vez, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade administrativa de origem adote as providências anteriormente requeridas, quais sejam: Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.372 12 i) esclareça se, em razão da ausência de ciência da contribuinte autuada (MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA – ME) pela via postal, foram adotadas as providências previstas no parágrafo 1º do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 (intimação por edital); ii) caso a contribuinte autuada tenha sido intimada por edital, anexar a cópia do documento correspondente, no qual deverá constar as datas de afixação e desafixação (caso a contribuinte não tenha sido intimada, providências nesse sentido deverão ser adotadas); iii) anexar o aviso de recebimento relativo à ciência, por parte do responsável tributário ROBERTO BRITO BEZERRA DE MELLO NETO, da decisão exarada em primeira instância; iv) anexar a intimação e o comprovante de ciência por parte do responsável tributário JOÃO BOSCO LINS DE OLIVEIRA, relativos à decisão exarada em primeira instância (caso o citado responsável tributário não tenha sido intimado, providências nesse sentido deverão ser adotadas)." Em Despacho de fls. 3.358/3.359, a autoridade preparadora expôs sobre as falhas acima mencionadas, quando também retratou o cumprimento da diligência determinada pela Resolução nº 1301000.246, verbis: "Contra o sujeito passivo foram lavrados os Autos de Infrações de folha 20 à 61. Além disso, foram declarados como solidários as pessoas físicas João Bosco Lins de Oliveira, CPF 149.503.91453 e Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, CPF 831.388.11434, vide folha 63 à 69. A ciência do referido Auto foi efetuada por Edital em 29/10/2010, vide folha 3035. O sujeito passivo bem como os responsáveis solidários apresentaram, isoladamente, impugnações tempestivas aos Autos de Infrações, conforme folhas 3041 à 3044, 3054 à 3070 e 3174 à 3182. Por meio do acórdão nº 1138.146, a 4º Turma da DRJ/REC julgou todas as 3 impugnações improcedentes, vide folha 3210 à 3223. O processo foi remetido a esta unidade preparadora para realização da ciência de julgamento. Ocorre que foi enviada intimação para ciência somente ao sujeito passivo, vide folha 3224 à 3228. Além disso, a correspondência também retornou dos correios com a informação de ausência em 3 tentativas, vide folha 3271. Até aquele momento não constava dos autos a ciência do Acórdão de Impugnação, também não constava qualquer pedido de vistas ou solicitação de cópia do processo. Apesar disso, o responsável solidário Roberto Brito Bezerra de Mello Neto apresentou Recurso Voluntário ao acórdão de Impugnação anexando cópia do acórdão e cópia da intimação de ciência, a qual havia sido devolvida pelos correios, vide folha 3230 à 3248. (grifei) Portanto, inferese que ao menos o responsável solidário Roberto Brito Bezerra de Mello Neto tomou ciência de alguma forma. Neste caso, pelas práticas reiteradamente observadas por esta unidade preparadora, considerou Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.373 13 se a data da ciência como a data em que o Recurso Voluntário foi apresentando. Mas esta prática somente poderia ter sido aplicada ao responsável solidário Roberto Brito Bezerra de Mello Neto. (grifei) Restava ainda cientificar o sujeito passivo e o responsável solidário João Bosco Lins de Oliveira. Porém, equivocadamente, o processo foi remetido ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário, conforme despacho de folha 3272. O órgão julgador em um primeiro momento sobrestou o julgamento, vide resolução nº 1301000.136 de folha 3273 à 3286. No entanto, por meio da resolução nº 1301000.192 de folha 3287 à 3296, a 1ª Turma da 3ª câmara do CARF converteu o julgamento em diligência para esclarecimentos quanto as ciências referentes ao Acórdão de Impugnação que deixaram de ser efetuadas. Em resposta à resolução nº 1301000.192, a chefia da ARF/CSA/PE, por meio do despacho de folha 3302, informou que a intimação enviada pelos correios restou improfícua e que considerou a ciência do julgamento como a data da apresentação do Recurso voluntário. Assim, ainda sem entender o problema, esta unidade preparadora remeteu os autos novamente ao CARF para julgamento. Por meio da Resolução nº 1301000.246 de folha 3304 à 3313, a 1ª Turma da 3ª câmara do CARF novamente converteu o julgamento em diligência para comprovar as ciências referentes ao Acórdão de Impugnação. Desta vez, foram elaboradas a Intimação 001/2015, de folha 3316, para ciência ao responsável solidário Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, com recebimento em 02/04/2015, vide AR de folha 3324, e a intimação 002/2015, de folha 3317, para ciência ao responsável solidário João Bosco Lins de Oliveira com recebimento em 06/04/2015, vide AR de folha 3352. (grifei) Entretanto, em desconformidade com o Decreto 70.235/72, em vez de ser efetuada intimação por edital ao Sujeito passivo, esta unidade preparadora enviou intimação aos atuais sócios, vide folhas 3318 e 3319, sendo que as correspondências foram devolvidas pelos correios, vide folhas 3325 e 3356. O responsável solidário João Bosco Lins de Oliveira apresentou Recurso Voluntário tempestivo, em 30/04/2015, vide folha 3338 à 3345. (grifei) Assim o processo me foi distribuído. Verificado que o sujeito passivo não havia sido cientificado, elaborei o Edital Eletrônico de folha 3355, com ciência em 15/06/2016. Solicitei a juntada do envelope (AR devolvido) de folha 3356. Lavrei o Termo de Perempção contra o sujeito passivo conforme folha 3357. (grifei) Não foi lavrado Termo de Perempção contra o Responsável Solidário Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, pois o mesmo apresentou Recurso Voluntário antes mesmo da ciência, conforme descrito anteriormente. Diante do exposto, encerro a diligência encaminhando o presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, para apreciação dos Recursos Voluntários de folhas 3230 à 3248 e 3338 à 3345." Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.374 14 Com efeito, consta Termo de Perempção à fl. 3.357, em nome de Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda ME. Já mencionado que Roberto Brito Bezerra de Mello Neto interpôs recurso voluntário contra a imputação da responsabilidade tributária, às fls. 3.230/3.269, com entrada na repartição preparadora no dia 20/12/2012. Na oportunidade, alegou que fora cientificado do Termo de Sujeição Passiva e de Responsabilidade Tributária quando compareceu ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC, em 21/11/2012, e que preferiu anteciparse à regular intimação do órgão fiscal para entregar o recurso voluntário, mediante o qual, como já antecipado, discorreu sobre a incompetência da Receita Federal para imputar a responsabilidade tributária, ressaltando que tal atribuição é da Procuradoria da Fazenda Nacional. Mais além, trouxe ao debate tese defensiva com a pretensão de encontrar suporte para afirmar a ausência de fundamentação legal, na imputação de responsabilidade; cerceamento do direito de defesa (pleiteando a realização de novas diligências); exclusão irregular do regime simplificado (SIMPLES); caducidade do direito de constituir créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro de 2005; e indicação equivocada do percentual da multa de ofício aplicada. Ao final, suplicou pelo reconhecimento da nulidade do auto de infração, da decisão recorrida e do Termo de Sujeição Passiva e de Responsabilidade Tributária, requerendo diligências, e o afastamento da multa de 150%. Ao seu turno, João Bosco Lins de Oliveira foi cientificado no dia 06/04/2015, à fl. 3.352, e interpôs o recurso voluntário no dia 30/04/2002, conforme fls. 3.338/3.349. Na oportunidade, alegou cerceamento do direito de defesa com negativa de acesso aos autos, inconsistência da autuação por carência de prova de ato de gerência, decadência, erro na identificação do fato gerador e da base de cálculo da obrigação tributária, ausência de demonstração do beneficiário da movimentação bancária, carência de prova da omissão de receitas (com extensão ao PIS/PASEP, à CSLL, à COFINS e à contribuição para o INSS) e inexistência de ordem judicial para quebra do sigilo bancário. Ao final, requereu a anulação dos lançamentos tributários, "afastandose o uso do sistema de tributação do SIMPLES, ao invés daquele do lucro arbitrado", e a exclusão da responsabilidade do signatário. É relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A pessoa jurídica Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda ME não interpôs recurso voluntário contra a decisão de primeira instância, que se tornou definitiva, com base no artigo 42, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, tendo em conta o não exercício do direito de recorrer ao CARF para desafiar o acórdão prolatado pela autoridade julgadora da instância a quo. Desse modo, os resultados dos julgamentos dos recursos voluntários interpostos por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira não interferirão no crédito tributário que se consolidou em nome da pessoa jurídica Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda ME, a partir da definitividade da decisão da DRJ, no julgamento da impugnação apresentada pela referida autuada. Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.375 15 Registro que os recursos interpostos por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira reúnem os requisitos de recorribilidade. Deles conheço. Primeiramente, o recurso interposto por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, o qual destaca: usurpação de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional; decadência; cerceamento do direito de defesa (pleiteando a realização de novas diligências); ausência de fundamentação legal, na imputação de responsabilidade; exclusão irregular do regime simplificado (SIMPLES); caducidade do direito de constituir créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro de 2005; indicação equivocada do percentual da multa de ofício aplicada. De acordo com a Fiscalização, no local do domicílio fiscal da pessoa jurídica fiscalizada, situado no município de Escada/PE, existe uma modesta residência, onde deveria funcionar, ou ter funcionado, a sede da pessoa jurídica fiscalizada, que movimentara mais de R$ 6.500.000,00, em 2005. Segundo o contrato social, o objeto social da pessoa jurídica é a prestação de serviços de montagem, desmontagem, reparos e reformas de unidades agroindustriais, não obstante tenha registrado o CNAE de comércio atacadista de açúcar. Esse contrato descreve que os sócios são Vera Lúcia Barbosa e José Reis da Silva. De acordo com os dados das bases da Receita Federal, Vera Lúcia tem o mesmo domicílio que a Mancal. No entanto, uma vizinha disse, depois de indagada, que a pessoa que mora naquele endereço não se chama Vera. Na ocasião, a Fiscalização também se dirigiu ao domicílio do outro sócio, José Reis da Silva. Essa diligência mostrouse sem êxito, pois o endereço constante dos cadastros fiscais não foi localizado pelos agentes, o que corrobora e reforça a informação de que "não existe a rua indicada nesta cidade", prestada pelos Correios em envelope devolvido à Receita Federal. O Termo de Intimação enviado à filial da fiscalizada (também ativa no CNPJ), localizada na zona rural do município de Barreiros/PE, também retornou pelo fato de não haver sido procurado, nos Correios. Em 16/09/2009, a autoridade fiscal afixou, no quadro de avisos da DRF/Recife/PE, o Edital n° 212/2009, cientificando a pessoa jurídica do Termo de Início de Procedimento Fiscal. Em Relatório de Fiscalização, a autoridade fiscal esclareceu que a ação fiscal decorrera da incompatibilidade entre a movimentação financeira da fiscalizada, em 2005, informada pela Caixa Econômica Federal (CEF) e Bradesco por meio das respectivas Declarações de Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira DCPMF, e a Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.376 16 Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2006, apresentada à Receita Federal do Brasil. O quadro abaixo expõe a incompatibilidade apurada pela Fiscalização: Quadro 1: Movimentação Financeira (DCPMF) X Declaração de Inatividade (Valores em R$) Mês Movimentação Financeira (DCPMF) Declaração Jan/05 440.271,24 Fev/05 454.481,59 Mar/05 568.124,86 Abr/05 298.789,08 Mai/05 388.531,16 Jun/05 543.887,51 Jul/05 502.111,16 Inativa Ago/05 721.580,80 Set/05 656.881,88 Out/05 638.830,50 Nov/05 802.095,94 Dez/05 541.382,44 Total 6.556.968,16 0,00 Depois de devidamente intimado, Bradesco enviou à Fiscalização, em 01/12/2009, dados das fichas cadastrais, extratos bancários, em papel e em meio magnético, das contas correntes da agência 3208 de números 95.0513 e 99.1775, cópia de instrumento de procuração na qual figurava, como procurador da fiscalizada, em 2005, João Bosco Lins de Oliveira, com poderes para praticar vários atos, inclusive assinar e endossar cheques, sozinho ou em conjunto com a sócia gerente (Vera Lúcia Barbosa) (fl. 78 do Relatório de Fiscalização). Posteriormente, em 28/12/2010, o mesmo banco remeteu à Fiscalização comprovantes de depósitos e transferências efetuadas. Em 08/12/2009, a CEF enviou à Fiscalização, em papel, os extratos da conta corrente n° 2768 (agência 2124), e, em meio magnético, comprovantes de depósitos em cheques e dinheiro, assim como as cópias microfilmadas dos cheques depositados na referida conta. Constatouse que a maior parte desses cheques, emitidos por terceiros, foi nominal à pessoa jurídica Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, cujos sócios são Roberto Brito Bezerra de Mello Neto (administrador) e José Luiz de Menezes. Observase que a quase a totalidade dos títulos analisados contém, em seus versos, endossos assinados por João Bosco, comprovando o vínculo deste com a citada factoring. O sócio Roberto Brito declarou à Fiscalização que João Bosco já figurou como procurador da factoring. Com efeito, a Fiscalização pôde verificar, a partir das cópias microfilmadas dos cheques emitidos pela fiscalizada, fornecidas pelas citadas instituições bancárias, que o procurador João Bosco foi o responsável pela emissão de todos os cheques da Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda, apreciados no curso da referida fiscalização. Em suma o aludido procurador tanto emitiu os cheques da fiscalizada quanto endossou, em nome da Una Factoring, cheques de terceiros nominais a esta, que foram depositados em conta corrente da fiscalizada. O quadro seguinte apresenta os depósitos mensais apurados nas contas correntes anteriormente descritas, diminuídos das devoluções de cheques e estornos de valores creditados. Nas colunas de depósitos apurados, não foram consideradas as transferências entre contas de mesma titularidade, as baixas automáticas de poupança e as reduções de saldo Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.377 17 devedor em razão de não representarem ingressos de receita da atividade para o contribuinte fiscalizado: Quadro 2: Depósitos Bancários Considerados nas Contas Correntes da Empresa Fiscalizada (Valores em R$) 1) Cheques depositados em contas movimentadas pela fiscalizada Dos valores de depósitos apurados acima, descortinouse que R$ 1.520.057,16 são provenientes de cheques emitidos por terceiros, dos quais R$ 989.530,46 foram depositados na conta corrente n° 2768 na CEF. A seguir, algumas cópias microfilmadas desses cheques para ilustrar o fato apurado (exame das assinaturas que os endossam): 1.A) Cheques nominais à Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda (amostragem exame das assinaturas nos endossos): 1.A.1) cheque nominal à factoring, emitido em 06/06/2005, endossado por João Bosco e depositado na conta corrente n° 2768 da CEF: 1.A.2) cheque nominal à factoring, emitido em 10/06/2005, endossado por João Bosco e depositado na conta corrente n° 2768 da CEF. Merece menção o fato de que o emitente do título, Newton Ferrão de Albuquerque, foi o responsável pelos preenchimentos das declarações de pessoa jurídica da empresa fiscalizada e da factoring, referente ao ano calendário de 2005, além de constar como testemunha, em seus contratos de constituição: Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.378 18 1.A.3) cheque emitido por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, emitido em 11/01/2005, nominal à factoring, endossado por João Bosco e depositado na conta corrente n° 2768 da CEF: 1.B) Cheque nominal à fiscalizada: 1.B.1) constatouse que, da totalidade dos cheques examinados pela Fiscalização, depositados na conta corrente n° 2768, apenas um foi nominal à fiscalizada, emitido por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, em 06/05/2005, no valor de R$ 164,03. 2) Cheques emitidos pela fiscalizada A Fiscalização requisitou ao Bradesco e à CEF, em fevereiro de 2010, cópias microfilmadas de cheques, selecionados por amostragem em razão do elevado número de lançamentos, emitidos pela fiscalizada em 2005. Uma vez examinados os documentos fornecidos pelos bancos, a Fiscalização reparou que todos os cheques foram assinados pela mesma pessoa. Com o intuito de saber se tais assinaturas eram de autoria do procurador da fiscalizada, intimouse João Bosco Lins de Oliveira a comparecer à DRF/Recife/PE para prestar informações de interesse da ação fiscal inaugurada para investigar a Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. O intimado, comparecendo à repartição fiscal em 22/04/2010, declarou, em síntese que ". . tinha uma procuração específica apenas para assinar cheques para fazer pagamentos gerais da empresa . . .". Ademais, na mesma oportunidade, o intimado atestou que era ele quem figurava como outorgado na procuração e que eram dele as assinaturas apostas nos cheques emitidos pela fiscalizada, cujas cópias microfilmadas estão em posse da Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.379 19 Fiscalização e que seguem anexas ao processo de lançamento tributário decorrente deste procedimento fiscal. Abaixo, demonstrase que parte desses cheques foi utilizada para pagamento de despesas de Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda e de seu sócio administrador Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, valendo lembrar que a Fiscalização ainda se certificou de que houve emissão de cheques nominais aos sócios da referida factoring. Nessa toada, aludese às emissões de cheques aos condomínios habitacionais fechados dos edifícios Saint Romain (Gabriel Bacelar Construções Ltda) e First's Village (Modesto Incorporação e Construção Ltda), mediante os quais, com o reforço das justificativas e documentos fornecidos pelas precitadas construtoras, descobriuse que os recursos da fiscalizada eram utilizados pelo sócio da citada factoring, Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, e por sua irmã, Mariza Morato Bezerra de Mello, para pagamento de prestações de unidades imobiliárias por eles adquiridas. Também se verificou a emissão de cheques nominais ao escritório de serviços advocatícios Farias e Moreira Advogados Associados, que, de acordo com a declaração de seus sócios e com os documentos comprobatórios exibidos, foram recebidos pelo escritório para pagamento por serviços prestados à empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda.. Constatouse também a emissão de um cheque nominal à Construtora Pernambuco, que, segundo declaração de seu sócio, fora dado para pagamento de parcela do preço do apartamento adquirido por Alessandro Christian (advogado e sócio do escritório Farias e Moreira Advogados Associados). Em depoimento à Fiscalização, Alessandro alegou que este cheque teria sido recebido por ele em razão de sua participação em trabalhos realizados pelo referido escritório. Adiante, os fatos acima mencionados são revelados com maiores detalhes: 2.A) Cheques nominais ao condomínio do edifício Saint Romain (Gabriel Bacelar Construções Ltda.) A Fiscalização descobriu que a fiscalizada emitiu três cheques, sendo um da CEF e dois do Bradesco, no valor total de R$ 30.024,00, assinados por João Bosco e nominais ao condomínio do edifício Saint Romain (construído pela Gabriel Bacelar Construções Ltda). Para saber quem era o beneficiário desses recursos oriundos da fiscalizada, intimouse a construtora a entregar à Fiscalização os documentos que comprovassem a operação imobiliária. Em resposta, a intimada forneceu cópias de extratos de recebimento, referente à cobrança de títulos emitidos pela CEF, cópias de extratos de pagamento, cópias de instrumentos particulares de inscrição e adesão para a constituição de condomínio habitacional fechado, cópia de instrumento particular de cessão de direitos sobre bem imóvel e cópia de escritura pública de compra e venda de imóvel que apontam Roberto Brito e sua irmã, Mariza Morato, como as pessoas que utilizaram os recursos da fiscalizada para pagar prestações dos apartamentos 1801 e 1802, respectivamente, por eles adquiridos junto ao condomínio do edifício Saint Romain. A esse respeito, realçase que os valores dos cheques correspondem exatamente aos valores das prestações dos apartamentos. Por isso, e também por serem nominais ao condomínio, concluiu se que foram intencionalmente emitidos para pagar as preditas prestações. Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.380 20 2.B) Cheques nominais ao condomínio do edifício First's Village (Modesto Incorporação e Construção Ltda.) A Fiscalização descobriu que a fiscalizada emitiu sete cheques, sendo três da CEF e quatro do Bradesco, no valor total de R$ 31.295,91, assinados por João Bosco Lins de Oliveira e nominais ao condomínio do edifício First's Village. Depois de devidamente intimado, o condomínio enviou à Fiscalização documentos que comprovaram a operação imobiliária e identificaram o beneficiário dos pagamentos. Tais documentos, fornecidos ao condomínio pela construtora Modesto Incorporação e Construção Ltda, são cópias dos recibos e do instrumento particular de cessão de direitos de prometido adquirente, os quais apontam Roberto Brito como o beneficiário dos recursos transferidos para pagamento de prestações do apartamento 801, por ele adquirido junto ao condomínio do edifício First's Village, referente aos meses de janeiro, maio, julho, novembro e dezembro de 2005. Observase que os valores dos cheques correspondem exatamente aos valores das prestações dos apartamentos. Por isso, e também por serem nominais ao condomínio, concluise que foram intencionalmente emitidos para esse fim. Favorecido Dados dos Cheques Banco Agência Conta Corrente N° Cheque Data Valor Condomínio do Edifício Firsfs Village (Modesto Incorporação e Construção Ltda.) Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900740 31/01/2005 4.111,66 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900849 12/05/2005 4.182,73 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900903 16/07/2005 4.534,84 Bradesco S/A 3208 95051 001406 04/11/2005 4.645,10 Bradesco S/A 3208 95051 001309 18/11/2005 4.618,85 Bradesco S/A 3208 95051 001310 09/12/2005 4.613,05 Bradesco S/A 3208 95051 001311 23/12/2005 4.589,68 Total 31.295,91 Favorecido Dados dos Cheques Banco Agência N° Cheque Data Valor Condomínio do Edifício Saint Romain (GB Gabriel Bacelar Construções Ltda.) Caixa Econômica S/A 2124 900886 05/07/2005 9.748,00 Bradesco S/A 3208 1205 05/10/2005 10.138,00 Bradesco S/A 3208 1100 05/09/2005 10.138,00 Total 30.024,00 Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.381 21 2.C) Cheques nominais ao Escritório Farias e Moreira Advogados Associados A Fiscalização descobriu seis cheques emitidos pela empresa fiscalizada, todos da CEF, no valor total de R$ 40.006,53, nominais ao escritório de advocacia Farias e Moreira Advogados Associados. Depois de devidamente intimado, o escritório de advocacia apresentou documentos hábeis e idôneos que justificaram o recebimento dos cheques emitidos pela empresa fiscalizada. A tal propósito, compareceram à DRF, em 05/08/2010, os sócios Taney Queiroz e Farias e Alessandro Christian da Costa Silva, que exibiram cópia do contrato de prestação de serviços advocatícios n° 580, celebrado entre o escritório Farias e Moreira Advogados Associados e Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, em 2005. Consultas ao sítio do Tribunal de Justiça de Pernambuco TJPE na internet, comprovam a efetiva prestação de serviços advocatícios à factoring. Além disso, os sócios citados também entregaram cópia do contrato de prestação de serviços advocatícios n° 581, celebrado entre o escritório e Roberto Brito. Na ocasião, a Fiscalização tomou por termo as seguintes declarações dos referidos advogados: "que não conhecem a empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda e que o Escritório Farias e Moreira Advogados Associados não prestou qualquer serviço para ela. Declararam que os valores constantes nos cheques emitidos por aquela empresa, nominais ao Escritório Farias e Moreira Advogados Associados, foram recebidos da empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, CNPJ n° 04.635.556/000105, para pagamento de serviços advocatícios prestados pelo escritório de advocacia, conforme cópia de contrato fornecido neste ato. Que o escritório também prestou serviços advocatícios para o sócio da Una Factoring, Sr. Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, na mesma época, conforme cópia do contrato também foi fornecida neste ato." Posteriormente, os sócios enviaram à Fiscalização cópias das notas fiscais de números 164, 166, 167, 170, 168, 171, 172, 190, 191, 196, 204, 208, 402, 403, 409, 425 e 426, relativas aos serviços prestados à factoring em decorrência do contrato n° 580. Favorecido ■ Dados dos Cheques Banco Agência Conta Corrente N° Cheque Data Valor Farias e Moreira Advogados Associados Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900680 31/01/2005 10.000,00 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900681 12/05/2005 10.000,00 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900682 26/07/2005 10.000,00 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900731 18/11/2005 4.490,68 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900867 09/12/2005 3.242,45 Caixa Econômica S/A 2124 030002768 900912 23/12/2005 2.273,40 Total 40.006,53 2.D) Cheque nominal à construtora Pernambuco Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.382 22 A Fiscalização descobriu a emissão de um cheque da fiscalizada, de sua conta na CEF, no valor de R$ 10.000,00, assinado por João Bosco Lins de Oliveira, nominal à Construtora Pernambuco Empreendimentos Ltda. Depois de devidamente intimada, a construtora apresentou documentos hábeis e idôneos que justificaram o recebimento do referido título, informando que fora utilizado por Alessandro Christian da Costa Silva para pagamento de duas prestações intercaladas, vencíveis em 25/06/2006 e 25/06/2008, referentes ao apartamento 2601 do edifício Acácias Prince. Nesse escopo, juntou recibo de depósito na conta da Pernambuco Empreendimentos Ltda e instrumento particular de promessa de compra e venda que indica Alessandro Christian como promitente comprador. Em razão desse fato, intimouse Alessandro Christian a prestar esclarecimentos acerca da utilização de recursos da fiscalizada para pagamento de unidade imobiliária por ele adquirida. Comparecendo à DRF em 05/08/2010, acompanhado de Taney Queiroz, (sócio administrador do escritório de advocacia Taney Queiroz e Farias, sociedade na qual também participa), apresentou contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado com a empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, em 2005, e prestou a seguinte informação: "que o cheque foi recebido a título de participação de trabalhos prestados no escritório de advocacia e utilizado para pagamento das intercaladas acima citadas.” Na oportunidade, o intimado prestou também esclarecimentos sobre os cheques emitidos pela fiscalizada e recebidos pelo referido escritório de advocacia, conforme o já explicado no item anterior. Em face do declarado, concluiuse que esse cheque, nominal à Pernambuco Construtora Empreendimentos Ltda, também decorrera de serviços advocatícios prestados pelo escritório a Una Factoring e Fomento Mercantil, ou ao seu sócio, Roberto Brito Bezerra de Mello Neto. 2.E) Cheques nominais aos sócios de Una Factoring e Fomento Mercantil (Roberto Bezerra de Mello Neto e José Luiz de Menezes) Favorecidos (Sócios da Factoring) Dados dos Cheques Banco Agência Conta Corrente N° Cheque Data Valor Roberto B. Bezerra de Mello Neto Bradesco S/A 3208 95051 1185 20/09/2005 2.000,00 José Luiz de Menezes Bradesco S/A 3208 95051 1210 06/10/2005 4.510,93 José Luiz de Menezes Bradesco S/A 3208 95051 1252 17/10/2005 3.505,10 2.F) Transferências eletrônicas efetuadas A fiscalizada transferiu eletronicamente, em 2005, recursos de sua conta corrente no Bradesco para terceiros, no valor total de R$ 175.807,67. No exame do extrato bancário, constatouse que, além dos sócios de Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, outras pessoas jurídicas também receberam parte desses recursos. A Fiscalização pôde identificar algumas delas, empreendendo diligências. Contudo, os Correios só obtiveram êxito na entrega do Termo de Diligência Fiscal a apenas uma delas. Abaixo, seguem a resposta da pessoa jurídica intimada e as transferências aos sócios da factoring. 2.F.1) Transferência eletrônica para a pessoa jurídica Albuquerque Maranhão Empreendimentos Ltda Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.383 23 Quando do exame do extrato bancário da conta corrente n° 95.0513 (Bradesco/Ag. 3208), a Fiscalização certificouse de que a fiscalizada transferira eletronicamente R$ 8.567,14 para a pessoa jurídica Albuquerque Maranhão Empreendimentos Ltda, a qual, depois de devidamente intimada, apresentou cópia do Termo Aditivo n° 1141, afora extrato bancário, relação de títulos e nota promissória. Na ocasião, prestou ainda os seguintes esclarecimentos: “1 Nunca tivemos qualquer tipo de relação e desconhecemos totalmente a empresa MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA, como também seus possíveis sócios e administradores. 2 No início do mês de setembro do ano de 2005, a empresa ALBUQUERQUE MARANHÃO EMPREENDIMENTOS LTDA, necessitando de numerário solicitou à empresa UNA FACTORING E FOMENTO MERCANTIL LTDA. REGISTRO ANFAC N° 2381/02, o desconto de uma nota promissória (doc. 03) no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), com vencimento para 30/12/2005, emitida pelo senhor Carlos Henrique Lemos Dantas CPF/MF n° 196.462.32434. 3 A operação foi aceita e realizada, conforme se vê no (doc. 01) Termo Aditivo nº 1141 de 08/09/2005, onde consta o valor líquido de R$ 8.567,14 (oito mil quinhentos e sessenta e sete reais e quatorze centavos) a ser depositada em conta da Caixa Econômica Federal em nome da empresa ALBUQUERQUE MARANHÃO EMPREENDIMENTOS LTDA. 4 Conforme se vê na (doc. 02) cópia do extrato da CEF, foi realmente creditada a importância acordada, sendo que até esta data não sabíamos ter sido o TED realizado por outra empresa, sem ser a UNA FACTORING. 5 Reiteramos, mais uma vez, desconhecermos e nunca ter havido qualquer tipo de relação com a empresa MANCAL MONTAGEM E CALDEIRARIA LTDA, e sim com a empresa UNA FACTORING E FOMENTO MERCANTIL LTDA.” Importante registrar que João Bosco Lins de Oliveira é quem assina o Termo Aditivo n° 1141, em nome da Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda. 2.F.2) Transferências eletrônicas para os sócios de Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda A partir do referido extrato bancário, a Fiscalização deparouse com transferências eletrônicas disponíveis TED em favor dos sócios da factoring, no valor total de R$ 52.529,16, conforme demonstrado abaixo: TED Bradesco Ag. 3208 Cc 95051 Favorecidos (Sócios da Factoring) Data Valor Roberto B. Bezerra de Mello Neto 12/09/2005 11.781,60 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 19/09/2005 8.283,92 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 26/09/2005 7.530,00 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 30/09/2005 5.000,00 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 03/10/2005 5.000,00 Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.384 24 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 21/10/2005 5.564,64 Total Sócio 1 43.160,16 José Luiz de Menezes 29/08/2005 9.369,00 Total Sócio 2 9.369,00 Total 52.529,16 3) Inexistência de pagamentos, parcelamentos ou compensações efetuadas. Em consonância com todo o exposto, a Fiscalização concluiu que a pessoa jurídica fiscalizada foi usada para a prática de evasão fiscal. Isso porque, declarandose inativa em 2005, ocultou o conhecimento, por parte da Fazenda Nacional, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, decorrentes da realização de suas atividades em 2005, “a partir da compra e venda de açúcar e da prestação de serviços de manutenção em usinas conforme declaração prestada pelo procurador João Bosco”. Acrescentese a isso que tal pessoa jurídica, malgrado optante pelo regime simplificado em 18/02/99, não efetuou qualquer recolhimento, parcelamento ou compensação de tributos federais cujos fatos geradores tenham ocorrido no ano fiscalizado de 2005. 4) Termos de Esclarecimento 4.A) Procurador da fiscalizada, João Bosco Lins de Oliveira Uma vez que a fiscalizada e seus sócios não foram encontrados, intimouse o procurador João Bosco Lins de Oliveira a comparecer à DRF para prestar esclarecimentos de interesse da ação fiscal sobre Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. Tomandoos por termo, em 22/04/2010, tais são as informações por ele apresentadas: “Perguntado ao depoente se conhece ou já ouviu falar da empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda., respondeu que prestou serviço à empresa na área comercial, sem vínculo empregatício e sem contrato de prestação de serviço, realizando informalmente vendas de açúcar para a empresa, produto este adquirido por ela para revenda. Informou também que já figurou, em alguns momentos, como procurador da empresa, e que atualmente não figura mais. Informou que na época tinha vínculo empregatício com outra empresa mas que não lembra precisamente qual (Usinas Santo Inácio, Central Barreiros, Santo André e Fazenda Manguinhos); Perguntado quais as pessoas da empresa com quem manteve contato na época, respondeu que foi com a sócia Vera Lúcia, mas que conhecia também o sócio José Reis; Perguntado se tinha conhecimento se a empresa ainda estava em funcionamento, respondeu que não tinha conhecimento, pois já faz bastante tempo desde o último contato e que não saberia dizer como localizar atualmente os sócios. Informou que era em Barreiros o depósito de açúcar da empresa, sendo em Escada a sede (escritório) onde ficavam os sócios; Perguntado se em algum momento chegou a assinar cheques para a empresa, respondeu que sim, pois tinha uma procuração específica apenas para assinar cheques para fazer pagamentos de despesas gerais da empresa, que também mais duas ou três pessoas da empresa, além dos sócios, assinavam. Que mesmo efetuando tais pagamentos não desempenhava a administração da empresa. Observa que as procurações eram renovadas a cada período determinado. Perguntado se o depoente reconhecia a procuração de posse desta fiscalização como sendo ele o outorgado, respondeu que sim. Perguntado se o depoente reconhecia as assinaturas apostas nos cheques dos bancos Bradesco S/A e Caixa Econômica, de posse desta fiscalização, como sendo suas, respondeu que sim.” Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.385 25 Diz a Fiscalização que, além de haver assinado os cheques emitidos pela fiscalizada, João Bosco também endossou cheques e assinou termo aditivo de contrato em nome da Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda. Os cheques endossados, examinados pela Fiscalização, com exceção dos estornados, significavam ingressos de recursos para a Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda, porquanto depositados em contas correntes movimentadas pela pessoa jurídica em 2005. Outro detalhe que aponta o vínculo de João Bosco com a referida factoring e com seus sócios, Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e José Luiz de Menezes, reside no fato de ter sido testemunha em alteração de contrato social da factoring, registrada na Junta Comercial do Estado de Pernambuco JUCEPE sob o n° 20040544532, em 15/03/2004. Em pesquisa ao Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS, pelo link "Consulta Vínculos Empregatícios do Trabalhador", apurouse que João Bosco Lins de Oliveira manteve, em 2005, vínculo empregatício com o empregador José Luiz de Menezes, sócio da Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda.. A função por ele desempenhada, correspondente ao CBO (Código Brasileiro de Ocupação) n° 1.423, está relacionada à gerência comercial, de marketing ou de comunicação. 4.B) Sócios de Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda. 4.B.1) Roberto Brito Bezerra de Mello Neto Para a Fiscalização, os fatos apurados evidenciam que Roberto Brito Bezerra de Mello Neto era um dos favorecidos, direta e indiretamente, com os recursos financeiros da fiscalizada, pois deles se serviu para pagamento de despesas pessoais ou da pessoa jurídica Una Factoring, da qual é sócio administrador. Por esse motivo, foi intimado a comparecer à DRF para prestar os esclarecimentos necessários à continuação do procedimento instaurado em nome de Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. Em atendimento à intimação, Roberto Brito compareceu à repartição fiscal em 23/08/2010, onde foram colhidas as seguintes informações, após lhe serem apresentados os documentos em posse da Fiscalização, nos quais figura como beneficiário direto ou indireto dos recursos financeiros da fiscalizada: “Perguntado ao declarante qual o motivo de ele dispor de recursos oriundos da empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. para pagamento de parcelas de unidades imobiliárias de sua propriedade, respondeu que estes cheques foram emitidos pela empresa Mancal em favor do declarante para pagamentos relativos às vendas de açúcar acima informado; Perguntado ao declarante qual o motivo da empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda. utilizar cheques da empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda para pagamentos de serviços advocatícios por ela contratados, respondeu que também decorria da venda de açúcar para a referida empresa. Perguntado ao declarante se confirma a informação obtida no sistema CNPJ deste órgão e na JUCEPE (Contrato Social) onde consta como sócio administrador da empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda., CNPJ n° 04.635.556/000105 desde a sua constituição, em 19/06/2001, respondeu que sim. Perguntado ao declarante se a factoring manteve em 2005 alguma relação comercial, jurídica ou de qualquer outra natureza, com a empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda., respondeu que não tinha lembrança se houve alguma operação de fomento ou de outra natureza; Perguntado ao declarante o que teria motivado essas transferências financeiras em seu favor (referência às transferências eletrônicas Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.386 26 realizadas), respondeu que também decorreram da venda de açúcar para a referida empresa. Perguntado ao declarante se conhece o Sr. João Bosco Lins de Oliveira e se ele possui ou possuiu em 2005 algum vínculo com a empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, respondeu que prestou algum tipo de serviço: capitação (sic) de cliente, serviços operacionais e acha também que ele assinava cheques de sua empresa Una Factoring, que chegou a ser procurador da factoring, mas não lembra se isso foi em 2005; Apresentados, no momento, ao declarante, cópias microfilmadas de cheques emitidos em 2005 por terceiros, nominais à factoring, endossados por João Bosco e depositados em conta corrente da empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. Perguntado ao declarante o que teria motivado o endosso de cheques nominais a Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda., pelo Sr. João Bosco Lins de Oliveira, para depósito em contas correntes da empresa Mancal Respondeu que não se lembra mas vai fornecer, também até o dia 03/09/2010, os documentos que respaldam a operação.” Em 13/09/2010, Roberto Brito apresentou à Fiscalização cópia de instrumento particular de cessão de contrato de arrendamento rural, lavrado em 2003, no qual consta como cessionário de 430 hectares das propriedades rurais denominadas Engenho Cotegi e Engenho Conceição, localizadas na zona rural do Município de Escada/PE, objetivando o cultivo de canadeaçúcar. Juntou ainda cópia de instrumento particular de distrato do referido contrato, celebrado em 20/10/2008. Em 29/09/2010 apresentouse à DRF o procurador de Roberto Brito, Bruno Batista, que forneceu os seguintes documentos: cópia de Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento de canadeaçúcar e Outros Pactos junto à Una Açúcar e Energia Ltda; demonstrativos dessa empresa para fins de apuração da moagem das canas fornecidas por Roberto Brito e José Luiz Menezes; declarações de Una Açúcar dos quantitativos de canade açúcar fornecidos por Roberto Brito e por José Luiz de Menezes; cópias de notas fiscais de venda de açúcar desta empresa para a Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda e para outros compradores; procurações de Roberto Brito e José Luiz de Menezes outorgando, poderes para Bruno Batista representálos perante a Receita Federal do Brasil. Os documentos apresentados (doc. 21) foram examinados, donde se convergiu para o entendimento de que comprovam apenas que Roberto Brito figurou como cessionário em contrato de arrendamento de terras no Município de Escada em 2005; que, juntamente com José Luiz de Menezes, celebrou contrato de fornecimento de canadeaçúcar com a empresa Una Açúcar e Energia Ltda; que essa empresa emitiu notas fiscais de venda de açúcar para terceiros, entre eles, a empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. Ressaltese que as notas fiscais não trazem quaisquer correspondências de valores e datas com os cheques da Mancal utilizados por Roberto Brito para pagamento de suas prestações imobiliárias. Sendo assim, não restou comprovado que os cheques da fiscalizada, nominais ao condomínio do edifício Saint Romain, ao condomínio do edifício First’s Village e ao escritório de advocacia Farias e Moreira Advogados Associados, decorreram da venda de açúcar, adquirido por Roberto Brito à empresa fiscalizada, conforme o que fora por ele declarado. Relevante registrar que os valores dos cheques nominais aos condomínios correspondem exatamente aos valores das prestações dos apartamentos adquiridos, a denotar Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.387 27 que foram emitidos para este fim e não como repasse em comercialização de açúcar, conforme expusera o declarante. 4.B.2) José Luiz de Menezes Em razão de se constatar que José Luiz de Menezes recebera, em 2005, recursos da fiscalizada mediante transferências eletrônicas e cheques nominais, e considerando que ele era sócio de Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, a Fiscalização decidiu intimálo a comparecer à DRF para prestar informações necessárias à continuidade do procedimento fiscal instaurado em nome de Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda. De acordo com o aviso de recebimento dos Correios, José Luiz de Menezes tomou ciência da intimação em 25/08/2010, deixando de atendêla, entretanto, já que não compareceu nem justificou sua ausência. Em consequência, a Fiscalização lavrou, então, a reintimação de 13/09/2010, dessa feita ressaltando que os agentes fiscais dispunham de documentos que mostravam que fora beneficiado com recursos da fiscalizada. Outra vez desatendeu à Fiscalização, não obstante o recebimento da reintimação em 15/09/2010. Em 01/10/2010, compareceu à DRF o procurador de José Luiz de Menezes, Bruno Batista Bezerra de Menezes, apresentando instrumento particular de procuração e declaração de que José Luiz fora parceiro comercial de Roberto Brito em 2005. Assim, realizara venda de canadeaçúcar para Una Açúcar e Energia Ltda, que a beneficiava e efetuava o pagamento em sacas de açúcar. Declarou também que o açúcar recebido era repassado aos seus clientes e que era remunerado mediante cheques da própria beneficiadora ou, diretamente, pelos clientes/compradores, dentre eles a fiscalizada. Agora, retornando às questões formuladas por Roberto Brito: Usurpação de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional: trata se de argumento não submetido à instância a quo. Assim, tratase de matéria não impugnada, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972. A despeito disso, o tema reclama que se dê o devido destaque à circunstância segundo a qual a atribuição da responsabilidade tributária mediante termo, do qual se dá ciência aos supostos responsáveis, potencializa o direito a ampla defesa, na medida em que faculta aos acusados, no processo administrativo tributário, a oportunidade de conhecer, desde logo, os fatos da acusação e de opor argumentos contrários às alegações da Fazenda Pública. Consoante o inciso LV do artigo 5º da Carta Magna, o processo administrativo é uma garantia constitucional, um direito instrumental que viabiliza a participação democrática do administrado na construção de uma decisão justa. A colaboração do administrado, na construção da decisão que o afeta, pressupõe o direito ao contraditório, uma garantia que irrompe, no plano da existência jurídica, junto com o fato desencadeador da formação do processo, daí avançando à fase instrutória, ou “instrução contraditória”, nas palavras de Lafayette Pondé, em lembranças de Odete Medauar1. Isso porque, nos tempos atuais de um substancial pluralismo político, ao longo dos quais sobrepujouse o espírito de uma democracia meramente formal de investidura2, o próprio governado, agora sob os influxos das preocupações de maximizar as vivências cotidianas do Estado Democrático, em ordem a 1 Odete Medauar. A processualidade no processo administrativo. Ed. Revista dos Tribunais, 1993, p. 102. 2 As instituições democráticas não se limitam às intervenções eleitorias. Medauar (ob. cit, p. 85), recordando os ingleses Smith e Brazier, ressalta que a natureza democrática da Constituição pode ser testada pela "real oportunidade que o processo de decisão oferece, aos membos da população envolvidos pela decisão do processo." Fl. 3387DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.388 28 concretizar os anseios jurídicopolíticos inscritos na Carta Republicana3, deve4 ser convocado a participar da decisão individual que o interessa, materializandose a democracia conglobante na qual se conjugam a democracia formal e a substantiva democracia de funcionamento, afinal se o ideal democrático contempla a visão do “governo do povo para o povo”, a sua colaboração na decisão individual é um modo de exercício desse poder.5 Por isso, impende lembrar das palavras do relator da instância a quo, ao sintetizar que “a indicação dos responsáveis solidários na fase administrativa atende, ademais, às garantias constitucionais dos contribuintes, que podem, assim, participar da formação do título executivo a ser executado pela Fazenda Pública. Respeitamse, como é manifesto, os princípios da ampla defesa e do contraditório, consectários do devido processo legal.” Nesse sentido, assim que formulada a exigência do crédito tributário, com o lançamento de ofício, o autuante tem o dever de facultar, àquele a quem atribuir responsabilidade, o conhecimento dos fundamentos que supostamente justificaram a imputação. Portanto, a atribuição da responsabilidade tributária, mediante termo do qual se dá ciência ao acusado, congênita ao lançamento tributário de ofício, é uma manifestação de respeito dos auditoresfiscais em relação ao administrado, já que este, dessa forma, tornase o mais cedo possível cientificado dos motivos de fato e de direito que embasam as exigências pelas quais poderá ser chamado a responder, com vistas à efetivação de sua participação, pela via do contencioso administrativo, na construção da decisão administrativa que se refletirá sobre sua esfera jurídica. Assim, objetivase garantir a plena realização do contraditório, em ordem a traduzir reverência à cidadania. Decadência: é preciso salientar que os tributos exigidos nos autos de infração ora contestados são sujeitos à sistemática do lançamento por homologação. Isso porque, nos termos do artigo 150 do CTN, a lei atribui ao sujeito passivo da obrigação tributária o dever de antecipar o pagamento de tais exações, sem o prévio exame da autoridade administrativa. Desse modo, já considerando que o IRPJ, a CSLL, o PIS/PASEP, a COFINS e a contribuição para o INSS são submetidos à disciplina do lançamento por homologação, discutese se estariam sujeitos ao prazo decadencial refletido no § 4º do artigo 150 do CTN ou no artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Consoante o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consagrado na decisão proferida no julgamento do Resp nº 973.733, submetido ao procedimento dos recursos repetitivos previsto no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Vale dizer que, havendo previsão legal que obrigue a antecipação do tributo, deverseá aplicar a regra que dimana do artigo 173, inciso I, do CTN, caso inexista pagamento antecipado. Por outro lado, incidirá a regra que ressai do § 4º do artigo 150 do CTN, verificandose o adiantamento de tributo cuja antecipação, sem a anterior anuência da 3 CR/88: "Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:...." 4 Odete Medauar, ob. cit. p.85: "Se o vínculo entre o processo e a democracia já vinha sendo ressaltado pela doutrina constitucionalista, os administrativistas dedicados ao estudo do processo não deixaram de correlacionálo à democracia, como uma das searas mais fecundas à efetividade desta." 5 Medauar, ob. cit. p. 84/85. Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.389 29 autoridade fiscal, decorrer de previsão legal. Todavia, se restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN (Súmula CARF nº 72) No caso em julgamento, examinamse os fatos ocorridos em 2005, sabendo se que a fiscalizada não recolheu quaisquer tributos ao longo desse período. Ainda que se discuta, no presente, a existência de suporte fático e jurídico para a multa qualificada de 150%, só o fato de inexistir pagamento antecipado submete a contagem do prazo decadencial ao rigor do artigo 173, inciso I, do CTN. Assim, a contagem do lapso decadencial para o caso em apreço se inicia em 01/01/2007. Diante disso, tendo em conta que o lançamento foi efetuado em 2010, não há que se falar na ocorrência da caducidade cujo reconhecimento se pleiteia. Cerceamento do direito de defesa (pleiteando a realização de novas diligências): já adiantado no item anterior que a autoridade fiscal e as autoridades julgadoras devem estar atentas ao dever de facultar ao imputado a ampla defesa. No entanto, a recorrente se mostra inconformada com o que lhe parece desleixo da Fiscalização, ante a necessidade de realizar diligências que foram negligenciadas no curso da ação fiscal. Com esse norte, relata que a Fiscalização não se interessou pelo fato de que 72,63% dos recursos que ingressaram na conta corrente da Mancal foram movimentados pela “Agência Farol”, localizada em Maceió – Alagoas. E, quanto às saídas, 74,65% o foram mediante cheques, embora a Fiscalização tenha analisado apenas o percentual de 10,32%. Desse modo, sustenta o não aprofundamento da fiscalização, no tocante à maior parte dos recursos movimentados. Nada disso, entretanto, reflete cerceamento do direito de defesa, porquanto somente a impugnação inaugura a fase litigiosa do procedimento para a constituição dos créditos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, a teor do artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. Antes disso remanesce uma fase inquisitorial em cujo bojo a Administração Tributária pode empreender diligências e realizar intimações e exames, tudo com o fito de apurar a regularidade fiscal do administrado, respeitando, é óbvio, os direitos fundamentais dos indivíduos. Por essa óptica, eventual falha do critério metodológico empregado no exame de fatos e na análise de dados pode comprometer as conclusões do trabalho, mas daí a rotular essa falha procedimental com a pecha do cerceamento da defesa há uma distância enorme. Nesse roldão, improcede a alegação de cerceamento de defesa, já que o recorrente pôde regularmente contestar a imputação de sujeição passiva em duas instâncias julgadoras administrativas. O pleito em prol de novas diligências também se revela desnecessário, como será explicado adiante, malgrado a exposição dos seguintes números que o recorrente alega ter obtido, por meio de perícia que contratara: a) do total das entradas nas contas bancárias, o montante de R$ 4.830.918, 87 (72%) referese a transferências da agencia Farol de Maceió, do Bradesco; b) constam dos autos, relativos a entradas, 738 cheques analisados, e não 777 cheques, como descreve a Fiscalização; c) a quase totalidade das transferência não contém identificação dos depositantes; Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.390 30 d) a Fiscalização não analisou 86% dos cheques emitidos (saídas); e) 90% dos cheques emitidos são nominais ao Bradesco; f) os valores recebidos pelo recorrente – R$ 106.480,07, constituem um percentual irrisório de 1,63% A perícia requisitada permitiria, segundo informa o recorrente, descortinar os nomes dos sócios ou daqueles para os quais se destinaram o grosso dos recursos saídos da fiscalizada, uma vez que o fundamento da peça acusatória se restringe, única e exclusivamente, ao fato de haver recebido recursos da precitada pessoa jurídica. Frente ao exposto e a teor de sua remissão ao pedido formulado na impugnação, considera que está patente a necessidade de diligência para que se apurem os depositantes e beneficiários da maior parte dos recursos da fiscalizada. Anoto que o recorrente quer realçar as proporções implícitas aos números encontrados no trabalho pericial por ele contratado e a falha do critério metodológico empregado pela Fiscalização, o que supostamente levaria o julgador à convicção de que as conclusões dos autuantes carecem do apoio da certeza sobre os fatos que embasaram a responsabilização tributária. Porém, aqui cabe a seguinte pergunta: quais são os fatos que embasaram a responsabilização do recorrente? São os seguintes: 1) a CEF enviou à Fiscalização, em papel, os extratos da conta corrente n° 2768 (agência 2124), e, em meio magnético, comprovantes de depósitos em cheques e dinheiro, assim como as cópias microfilmadas dos cheques depositados na referida conta. Constatouse que a maior parte desses cheques, emitidos por terceiros, foi nominal à pessoa jurídica Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, cujos sócios são Roberto Brito Bezerra de Mello Neto (administrador) e José Luiz de Menezes; 2) a Fiscalização descobriu que a fiscalizada emitiu três cheques, sendo um da CEF e dois do Bradesco, no valor total de R$ 30.024,00, assinados por João Bosco e nominais ao condomínio do edifício Saint Romain (construído pela Gabriel Bacelar Construções Ltda). Documentos fornecidos pela construtora (cópias de extratos de recebimento, referente à cobrança de títulos emitidos pela CEF, cópias de extratos de pagamento, cópias de instrumentos particulares de inscrição e adesão para a constituição de condomínio habitacional fechado, cópia de instrumento particular de cessão de direitos sobre bem imóvel e cópia de escritura pública de compra e venda de imóvel) apontam Roberto Brito e sua irmã, Mariza Morato, como as pessoas que utilizaram os recursos da fiscalizada para pagar prestações dos apartamentos 1801 e 1802, respectivamente, por eles adquiridos junto ao condomínio do edifício Saint Romain. Os valores dos cheques correspondem exatamente aos valores das prestações dos apartamentos. Por isso, e também por serem nominais ao condomínio, concluiuse que foram intencionalmente emitidos para pagar as preditas prestações; 3) a Fiscalização descobriu que a fiscalizada emitiu sete cheques, sendo três da CEF e quatro do Bradesco, no valor total de R$ 31.295,91, assinados por João Bosco Lins de Oliveira e nominais ao condomínio do edifício First's Village. O condomínio enviou à Fiscalização documentos (cópias dos recibos e do instrumento particular de cessão de direitos de prometido adquirente) que apontam Roberto Brito como o beneficiário dos recursos transferidos para pagamento de prestações do apartamento 801, por ele adquirido junto ao condomínio do edifício First's Village, referente aos meses de janeiro, maio, julho, novembro e Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.391 31 dezembro de 2005. Os valores dos cheques correspondem exatamente aos valores das prestações dos apartamentos. Por isso, e também por serem nominais ao condomínio, conclui se que foram intencionalmente emitidos para esse fim; 4) a Fiscalização descobriu a emissão de seis cheques pela empresa fiscalizada, todos da CEF, no valor total de R$ 40.006,53, nominais ao escritório de advocacia Farias e Moreira Advogados Associados, que apresentou documentos hábeis e idôneos que justificaram o recebimento dos cheques emitidos pela empresa fiscalizada. A tal propósito, compareceram à DRF, em 05/08/2010, os sócios Taney Queiroz e Farias e Alessandro Christian da Costa Silva, que exibiram cópia do contrato de prestação de serviços advocatícios n° 580, celebrado entre o escritório Farias e Moreira Advogados Associados e Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, em 2005. Além disso, declararam, por termo, “que não conhecem a empresa Mancal Montagem e Caldeiraria Ltda e que o Escritório Farias e Moreira Advogados Associados não prestou qualquer serviço para ela. Declararam que os valores constantes nos cheques emitidos por aquela empresa, nominais ao Escritório Farias e Moreira Advogados Associados, foram recebidos da empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, CNPJ n° 04.635.556/000105, para pagamento de serviços advocatícios prestados pelo escritório de advocacia, conforme cópia de contrato fornecido neste ato. Que o escritório também prestou serviços advocatícios para o sócio da Una Factoring, Sr. Roberto Brito Bezerra de Mello Neto, na mesma época, conforme cópia do contrato também foi fornecida neste ato." 5) a Fiscalização descobriu a emissão de um cheque da fiscalizada, de sua conta na CEF, no valor de R$ 10.000,00, assinado por João Bosco Lins de Oliveira, nominal à Construtora Pernambuco Empreendimentos Ltda, que apresentou documentos hábeis e idôneos que justificaram o recebimento do referido título, informando que fora utilizado por Alessandro Christian da Costa Silva para pagamento de duas prestações intercaladas, vencíveis em 25/06/2006 e 25/06/2008, referentes ao apartamento 2601 do edifício Acácias Prince. Por sua vez, Alessandro Christian apresentou contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado com a empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda, em 2005, e informou "que o cheque foi recebido a título de participação de trabalhos prestados no escritório de advocacia e utilizado para pagamento das intercaladas acima citadas.” 6) a Fiscalização descobriu que a fiscalizada transferira eletronicamente R$ 8.567,14 para a pessoa jurídica Albuquerque Maranhão Empreendimentos Ltda, a qual, depois de devidamente intimada, esclareceu que, em setembro de 2005, necessitando de numerário, solicitou à empresa Una Factoring e Fomento Mercantil Ltda o desconto de uma nota promissória no valor de R$ 10.000,00, com vencimento para 30/12/2005. A operação foi aceita e realizada, conforme Termo Aditivo nº 1141 de 08/09/2005, onde consta o valor líquido de R$ 8.567,14 a ser depositado em conta da CEF em nome de Albuquerque Maranhão Empreendimentos Ltda, via transferência eletrônica emitida pela fiscalizada. 7) a Fiscalização deparouse com transferências eletrônicas disponíveis TED em favor dos sócios da factoring, no valor total de R$ 52.529,16, conforme demonstrado abaixo, sendo R$ 43.160,16 para o recorrente: Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.392 32 Em sua defesa, perante tais fatos, o recorrente traz os argumentos abaixo: a) que, à época dos fatos, dedicavase à produção de cana deaçúcar em terreno arrendado; b) que se dedicou exaustivamente à busca de documentário que atendesse às exigências da auditoria, enfrentando grandes dificuldades, às vezes intransponíveis, pois a região fora atingida por uma devastadora inundação, fato que é de conhecimento público; c) porém, conseguiu coligir documentos esclarecedores de sua atividade com o auxílio de parceiros, fornecedores e compradores, podendo, assim, comprovar que arrendara terras, conforme contrato com a Interiorana – Serviços e Construção Ltda; d) nesse material probatório incluise o Instrumento Particular de Contrato de Fornecimento de Cana de Açúcar e Outros Pactos junto à Una Açúcar e Energia Ltda, que beneficiava a canadeaçúcar por ele fornecida, em conjunto com seu parceiro José Luiz de Menezes; e) em contrapartida, Una Açúcar e Energia lhe remunerava com sacas de açúcar; f) parte desse açúcar recebido era por ele mesmo negociado com a fiscalizada, conforme amostragem de notas fiscais às fls. 2.942/2.943; g) outros negócios semelhantes foram celebrados com outros parceiros comerciais, mas, em decorrência dos TED Bradesco Ag. 3208 Cc 95051 Favorecidos (Sócios da Factoring) Data Valor Roberto B. Bezerra de Mello Neto 12/09/2005 11.781,60 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 19/09/2005 8.283,92 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 26/09/2005 7.530,00 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 30/09/2005 5.000,00 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 03/10/2005 5.000,00 Roberto B. Bezerra de Mello Neto 21/10/2005 5.564,64 Total Sócio 1 43.160,16 José Luiz de Menezes 29/08/2005 9.369,00 Total Sócio 2 9.369,00 Total 52.529,16 Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.393 33 acontecimentos na região, não foi possível recuperar tais documentos contábeis e fiscais; h) rotineiramente, sua produção era vendida a vista ou a prazo, a diversas empresas produtoras de açúcar, que freqüentemente o remuneravam com o próprio açúcar; i) por sua vez, costumavase repassar o açúcar, de que era credor junto às usinas, diretamente às empresas industriais, com anuência do recorrente. Digase que essa situação é o caso da Mancal, que recebia açúcar diretamente da Una Açúcar e Energia, como provam as notas fiscais anexas; j) os valores dos créditos devidos foram amortizados pela Mancal com a emissão de cheques para o pagamento de despesas ou investimentos do recorrente, às vezes com o valor exato da dívida a ser paga; k) esses pagamentos somam R$ 156.486,60, o que representa 2% do volume de saídas da conta bancária da Mancal; l) em momento algum a Fiscalização comprovou a prática de atos de gestão; m) diversamente da alegação da Fiscalização, a Mancal tem registro estadual. Se essa empresa se prestou ao papel de “laranja”, nenhuma responsabilidade tem o recorrente em relação a esse comportamento delituoso; n) que a empresa Mancal existe de fato e de direito O termo de sujeição passiva e responsabilidade tributária, às 63/69, assenta a responsabilidade tributária do recorrente com base nos artigos 124, incisos I e II; 128; 134, inciso VII; 135, inciso III, todos do CTN. Já no Relatório Fiscal, a Fiscalização acrescenta o artigo 5º, inciso V, do Decretolei nº 1.598/1977, por dissolução irregular da sociedade. Tais dispositivos, juntos, inadequadamente reúnem responsabilidade por solidariedade, responsabilidade subsidiária e responsabilidade pessoal. O objetivo do termo de sujeição passiva é atribuir responsabilidade tributária a uma pessoa distinta da pessoa jurídica fiscalizada. A infração detectada não é causa de responsabilidade solidária fundada no artigo 124, inciso I, do CTN, pois não se pode dizer que o recorrente e a fiscalizada mantinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. A jurisprudência do STJ, alicerçandose em prodigiosa doutrina, registra importante decisão que serve de guia para o presente julgamento (REsp 884845 / SC, rel. Ministro Luiz Fux, DJ 05/02/2009): “1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.394 34 pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço." 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." (grifei) 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. (grifei) 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) (grifei) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. (grifei) 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, Dje 15/12/2008). (grifei) Fl. 3394DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.395 35 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. (grifei) 12. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” Como se vê, não é o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal o sustentáculo da atribuição de responsabilidade tributária prevista no artigo 124, inciso I, do CTN, mas o interesse jurídico vinculado à situação configuradora do fato gerador. Nesse sentido, as transferências eletrônicas de recursos depositados em contas bancárias da fiscalizada e os cheques emitidos dessas contas para Roberto Brito, embora traduzam proveito econômico do recorrente, evidenciam, junto com outras provas acostadas aos autos, que Mancal transferira a Roberto Brito recursos financeiros da Una Factoring. Assim, os autos sugerem a existência de vínculo decorrente do interesse jurídico de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN, na situação configuradora do possível ilícito tributário praticado pela factoring com a autuação de Roberto Brito, jamais com a atuação de Roberto Brito na fiscalizada, que fora utilizada para ocultação de recursos desviados por Una Factoring. Vale ainda lembrar que não há um indício de que o recorrente tenha contribuído para a omissão de receitas próprias da Mancal. Em tais circunstâncias, não procede a atribuição da responsabilidade tributária com base no artigo 124, inciso I, do CTN, como também improcede a responsabilização do recorrente com base no artigo 124, inciso II, do mesmo Código. Isso porque tal dispositivo apenas autoriza o legislador ordinário a estabelecer previsões normativas distintas daquela que já está consagrada no artigo 124, inciso I, do CTN. Em outras palavras, as referências ao artigo 124, inciso II, por si sós, não emprestam fundamento para a responsabilidade tributária de sócio, administrador ou gerente, por dívida tributária da pessoa jurídica. Ademais, é preciso assinalar que os autos não demonstram que o imputado tenha exercido gestão de pessoal ou ato de direção dos negócios empresarias da Mancal, determinandolhe os rumos para a geração de receitas e/ou a assunção de custos e despesas. Salientese, pois, que os elementos fáticos trazidos ao debate são insuficientes para consolidar a convicção de que o recorrente era sócio, administrador ou gerente. Os fatos que se avultam dos documentos e depoimentos reunidos aos autos denotam, como já se adiantou, que Una Factoring desviou suas receitas para as contas bancárias da fiscalizada, de onde saiu – o que é fato comprovado o numerário para pagamento de despesas e investimentos de Una Factoring e de seu sócio, Roberto Brito, o que não é suporte para a conclusão de que Roberto Brito é sócio da fiscalizada. Falta, pois, correlação lógica entre a premissa e a conclusão mencionadas. Essa perspectiva que aponta a carência de prova da qualidade de sócio ou administrador da fiscalizada afasta a incidência dos artigos 134, inciso VII; 135, inciso III, ambos do CTN; e artigo 5º, inciso V, do Decretolei nº 1.598/1977. Além disso, impende ressaltar, também reiterando o que já se destacou em linha anteriores, agora para fins de aplicação do artigo 134, Fl. 3395DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.396 36 inciso VII6, do CTN, que inexistem evidências empíricas de que o recorrente tenha dado causa à omissão de receitas (por ato omissivo ou comissivo), e mais particularmente, que tenha dado causa à omissão de receitas na liquidação da sociedade. Da mesma sorte, não há evidências empíricas de que, para fins de aplicação do artigo 135, inciso III7, do CTN, o recorrente (que é pessoa física) agiu com infração à lei, suprimindo as receitas ora em litígio da sujeição à lei tributária, na pessoa da fiscalizada. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário de Roberto Brito. Prosseguindo. Ausência de fundamentação legal, na imputação de responsabilidade: diz o recorrente que a Mancal era uma das empresas com as quais mantinha laços comerciais, vendendolhe o açúcar que recebia das usinas, em contrapartida ao fornecimento de canade açúcar. Assim, tornouse credor da Mancal, que emitia cheques para pagamento de suas despesas ou investimentos, às vezes em valores exatamente iguais aos valores dos compromissos que assumira. Dessa forma, também evitava a CPMF. Na oportunidade, reitera a falta de comprovação de atos de gestão e que a importância de R$ 156.486,60 que recebera é muito pequena, em comparação com o montante que fora movimentado pela fiscalizada, superior a 6,5 milhões. Por isso, segundo ele, mostrase necessário descobrir os nomes daqueles que receberam o restante daqueles recursos. Consigno a desnecessidade de novas diligências para a descoberta daqueles que teriam recebido o restante dos recursos, tendo em vista as finalidades do presente apelo. Pode ser que a Fazenda Nacional inicie novas investigações para redirecionar a cobrança do crédito tributário constituído nestes autos, mas, para a apreciação do recurso voluntário interposto por Roberto Brito, basta a falta de prova de que atuava como sócio, administrador ou gerente da fiscalizada, o que implica rejeição à aplicação dos artigos 134, inciso VII, e 135, inciso III, do CTN, bem como do artigo 5º, inciso V, do Decretolei nº 1.598/1977. Também reitero a ausência de provas de que o recorrente tenha agido em contrariedade à lei, ou que tenha, por ação ou omissão, dado causa à omissão de receitas da fiscalizada. Exclusão irregular do regime simplificado (SIMPLES): de acordo com o recorrente, tomandose a conclusão da Fiscalização no sentido de que teria havido interposição fraudulenta de pessoas, daí se segue que a exclusão do regime do SIMPLES só poderia estar embasada no artigo 14, inciso IV, da Lei nº 9.317/1996, o que conduziria o Fisco a considerar os efeitos da exclusão já no mês da ocorrência de sua causa, conforme artigo 15, inciso V, da citada Lei nº 9.317/1996. Nessas circunstâncias, a exclusão do SIMPLES deveria ter ocorrido no ano de 2005, o que inclinaria a fiscalizada a se sujeitar, nesse mesmo ano, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Em consonância com essa linha de raciocínio, caberia à Fiscalização arbitrar o lucro da fiscalizada, referentemente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. No entanto, a Fiscalização optou por fundamentar a exclusão do SIMPLES no excesso de receitas, fato que a conduziu a considerar os efeitos da exclusão somente no ano de 2006. Tal perspectiva acena para a realidade de uma tributação mais gravosa, em prejuízo da fiscalizada. 6 Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. 7 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 3396DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.397 37 A DRJ assim manifestou seu entendimento, a respeito do assunto: “E a razão é simples: no caso ora exame, encontramse configurados, como é inequívoco nos autos, mais de um fato hábil a ensejar a exclusão do regime simplificado – a ultrapassagem do limite estabelecido para a receita bruta e a interposição fraudulenta de pessoas –, de sorte que as autoridades autuantes poderiam fundamentar a exclusão em qualquer dessas hipóteses, pois estava, pelo legislador, duplamente autorizado a fazêlo. 16. Digase mais: a opção de fundamentar a exclusão, pela objetividade que lhe é inerente, no fato de a contribuinte autuada ter auferido receita bruta acima do limite legal foi, a nosso sentir, a mais adequada, haja vista que um eventual e definitivo afastamento da responsabilidade solidária pelos órgãos que compõem o contencioso administrativo, em face da descaracterização da interposição fraudulenta de pessoas, não acarretaria, como conseqüência inarredável, a nulidade do lançamento (forma de apuração diversa da adotada pelo optante do regime simplificado).” Peço vênia para divergir. A Fiscalização constatou duas irregularidades para as quais a sanção é a mesma: a exclusão do regime do SIMPLES. Todavia, tais irregularidades não ocorreram simultaneamente. Uma delas – a interposição fraudulenta – já existia ao menos desde o primeiro dia do ano do anocalendário de 2005. A outra – o excedente de receita – surgiu apenas após a transcurso de um certo tempo ao longo do qual as receitas diariamente obtidas se acumularam até ultrapassar determinado limite. O agente fiscal não dispõe de discricionariedade para escolher se aplica ou não aplica a lei. Quando não está presente no momento da infração, deve se pautar de uma forma retrospectiva para agir como se presenciasse a ocorrência da infração, aplicando a lei que, no tempo do cometimento da irregularidade, estivesse em vigor, exceto se viesse a surgir, após a prática da infração, lei penal mais branda para aquela falta. Portanto, no caso concreto, deveria o agente fiscal fazer incidir o artigo 14, inciso IV, da Lei nº 9.317/1996 retroativamente ao primeiro dia do ano de 2005, sancionando a fiscalizada em razão da interposição fraudulenta. Consequência disso é que a fiscalizada estaria excluída do SIMPLES já a partir de janeiro de 2005, a teor do artigo 15, inciso V, da Lei nº 9.317/1996. Desde então, até o final de 2005, a Mancal deveria ter sido submetida às normas de tributação aplicadas às demais pessoas jurídicas. Em face do que se expôs, Mancal teria saído exitosa, se houvesse manejado recurso voluntário para desafiar o lançamento tributário, contestandoo com base nos mesmos argumentos agora apreciados, trazidos pelo recorrente em sua insurgência fundada no equívoco da sujeição da fiscalizada às normas tributárias do SIMPLES que definem a apuração de valores. Sendo assim, o auto de infração seria anulado e o recorrente, por reflexo, estaria livre da imputação de responsável passivo. Contudo, a inexistência de recurso voluntário interposto pela fiscalizada não pode obstar que se declarem, a favor do recorrente, os efeitos da questão prejudicial a ser solucionada no julgamento do recurso voluntário do suposto sujeito passivo: a validade do lançamento tributário, contestado com base no fato de ter sido aplicada a legislação do SIMPLES para o cálculo do crédito tributário. A solução da referida questão prejudicial é aquela que proclama a invalidade do lançamento tributário, por erro de direito no cálculo do tributo devido, o que confronta com o artigo 142 do CTN. Fl. 3397DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.398 38 Também por esse motivo, proponho o provimento do recurso voluntário interposto por Roberto Brito. Deixo de apreciar a questão relativa à indicação do percentual da multa de ofício aplicada, por desnecessária. No passo seguinte, o recurso voluntário de João Bosco Lins de Oliveira. No presente apelo, manifesta: 1) cerceamento de defesa negativa de acesso aos autos: era procurador da fiscalizada, com fins específicos da movimentação bancária, precisamente para a conta no Bradesco; não detinha poderes de gerência; não podia prestar esclarecimentos, durante o período fiscalizatório, sobre o ingresso de valores na conta bancária da recorrente, pois não lhe foi dado acesso aos documentos dos autos; depois da autuação, percebeu que 80% dos ingressos nas contas bancárias da fiscalizada estão desprovidos da identificação dos depositantes, o que obstruiu a ampla defesa; por isso, esse procedimento fiscal é flagrantemente arbitrário, cerceandolhe o direito de defesa. 2) da inconsistente imputação de responsabilidade tributária: era procurador da Moncal à época dos fatos, com poderes específicos para representação perante o Bradesco; a Fiscalização não comprovou que teria praticado atos de gerência; 3) da decadência, enquadramento incorreto ou exclusão do Simples: ocorrência da decadência em relação aos meses de janeiro a setembro de 2005; a referência à interposta pessoa determina a exclusão do SIMPLES com base no artigo 14, inciso V, da Lei nº 9.317/1996, gerando efeitos para o mês seguinte ao da ocorrência dos fatos que justificaram a exclusão; a fiscalizada deveria ser autuada para exigência do crédito tributário apurado com base nas normas jurídicas aplicadas às demais pessoas jurídicas; 4) erro na identificação do fato gerador e da base de cálculo da contribuição para o INSS; 5) ausência de ordem judicial para a quebra de sigilo bancário; Fl. 3398DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.399 39 sempre se reportou à Sra. Vera Lúcia Barbosa, sócia majoritária da fiscalizada; não obteve qualquer proveito com os recursos movimentados nas contas correntes da fiscalizada; a Fiscalização deveria investigar os depositantes e os beneficiários dos depósitos nas contas correntes da Fiscalizada, até porque a maior parte da movimentação bancária provém de uma agência Farol do Bradesco, em Alagoas; a tributação com base em depósitos bancários agride a Constituição; a Fiscalização não produziu provas capazes de demonstrar a ocorrência da omissão de receitas; não houve acréscimo ao patrimônio da autuada; descabido utilizar ingressos em conta corrente como base de calculo das contribuições exigidas neste processo; ausência de autorização judicial para quebra de sigilo bancário. Descreve o Relatório Fiscal que João Bosco de Oliveira, enquanto representante da fiscalizada em 2005, praticou, com poderes amplos para movimentar contas correntes na CEF e no Bradesco, diversos atos necessários ao seu funcionamento, uma vez que foi o responsável pela emissão de todos os cheques examinados pela Fiscalização e realizou “informalmente” a venda de açúcar para a Mancal. Ademais, João Bosco também figurou como procurador de Una Factoring e como testemunha em contrato social da Mancal. Consta ainda que, em 2005, era empregado do sócio da factoring José Luiz de Menezes. As pessoas jurídicas precedentemente listadas recorriam aos serviços do mesmo contador: Newton Ferrão de Albuquerque, que foi o responsável pelo preenchimento de suas declarações de pessoa jurídica. A maioria dos cheques depositados ao longo de 2005 em conta corrente movimentada pela fiscalizada junto à CEF e ao Bradesco foi nominal à Una Factoring. Recursos da fiscalizada foram transferidos pela cliente da Una Factoring por força da operação de desconto de nota promissória. Quem assinou o termo aditivo do contrato de fomento mercantil em nome da factoring foi João Bosco. A Fiscalização considera evidente o vínculo entre Mancal e Una Factoring, assim como a influência de João Bosco nos atos e negócios praticados e nos recursos movimentados em 2005. Remeto ao julgamento do recurso de Roberto Brito, no que diz respeito às questões alusivas ao cerceamento do direito de defesa e à decadência, as questões aqui suscitadas sobre esses mesmos temas, dandoas por superadas, pelas mesmas razões lá relacionadas. Fl. 3399DF CARF MF Processo nº 10480.722787/201042 Acórdão n.º 1301002.269 S1C3T1 Fl. 3.400 40 Não vejo comprovação de que João Bosco tenha exercido qualquer ato que evidencie a qualidade de sócio, administrador ou gerente da Mancal. Os poderes amplos para movimentar conta bancária e vender açúcar da fiscalizada podem ser exercidos por um mero procurador devidamente habilitado, ainda que não seja sócio ou diretor. No mais, os autos não traduzem que o imputado tenha exercido gestão de pessoal ou ato de direção dos negócios empresarias da Mancal, determinandolhe os rumos para a geração de receitas e/ou a assunção de custos e despesas. No mesmo passo, também não considero comprovado que João Bosco Lins de Oliveira tenha dado causa à omissão de receitas (por ato omissivo ou comissivo), para fins de aplicação do artigo 134, inciso VII, do CTN, e, mais especificamente, que tenha dado causa à omissão de receitas, na liquidação da sociedade. Ainda nesse tom, não há evidências empíricas de que, nos termos do artigo 135, inciso III, do mesmo Código, o recorrente (que é pessoa física) agiu com infração à lei, suprimindo as receitas ora em litígio da sujeição à lei tributária, na pessoa da fiscalizada. Ademais, de modo semelhante ao que fora exposto em relação a Roberto Brito, a exclusão irregular do regime simplificado (SIMPLES), igualmente suscitada por João Bosco, é causa de invalidade do lançamento, por erro de direito, porquanto em confronto com o artigo 142 do CTN. Em consequência, devese prover o recurso voluntário interposto pelo indigitado imputado. CONCLUSÃO. Propõese o provimento dos recursos voluntários interpostos por Roberto Brito Bezerra de Mello Neto e João Bosco Lins de Oliveira. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator Fl. 3400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002062/2002-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da rejeição da aplicação de dispositivo regulamentador de adesão a parcelamento.
PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA. LIMITES.
A competência para decidir sobre parcelamento de débitos é da Receita Federal do Brasil, não cabendo ao CARF questionar os procedimentos adotados, mormente quando a própria Unidade de Origem apartou os débitos parcelados, para seguimento da cobrança em outro processo, mantendo nestes autos apenas a parte objeto do Recurso Especial.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
A recusa de entrega de extratos bancários, registrada por meio de diversos requerimentos do Contribuinte, bem como pela busca da tutela do Poder Judiciário, não caracteriza infração a merecer o agravamento da penalidade, visto que não se tratou de mero descumprimento de intimação e sim de irresignação quanto a suposta quebra de sigilo bancário, o que de resto foi solucionado com a requisição direta à instituição financeira.
Numero da decisão: 9202-005.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte. Por maioria de votos, acordam em acolhê-los com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior (relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que acolheram os embargos, sem efeitos infringentes. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da rejeição da aplicação de dispositivo regulamentador de adesão a parcelamento. PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA. LIMITES. A competência para decidir sobre parcelamento de débitos é da Receita Federal do Brasil, não cabendo ao CARF questionar os procedimentos adotados, mormente quando a própria Unidade de Origem apartou os débitos parcelados, para seguimento da cobrança em outro processo, mantendo nestes autos apenas a parte objeto do Recurso Especial. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A recusa de entrega de extratos bancários, registrada por meio de diversos requerimentos do Contribuinte, bem como pela busca da tutela do Poder Judiciário, não caracteriza infração a merecer o agravamento da penalidade, visto que não se tratou de mero descumprimento de intimação e sim de irresignação quanto a suposta quebra de sigilo bancário, o que de resto foi solucionado com a requisição direta à instituição financeira.
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OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da rejeição da aplicação de dispositivo regulamentador de adesão a parcelamento. PARCELAMENTO. COMPETÊNCIA. LIMITES. A competência para decidir sobre parcelamento de débitos é da Receita Federal do Brasil, não cabendo ao CARF questionar os procedimentos adotados, mormente quando a própria Unidade de Origem apartou os débitos parcelados, para seguimento da cobrança em outro processo, mantendo nestes autos apenas a parte objeto do Recurso Especial. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A recusa de entrega de extratos bancários, registrada por meio de diversos requerimentos do Contribuinte, bem como pela busca da tutela do Poder Judiciário, não caracteriza infração a merecer o agravamento da penalidade, visto que não se tratou de mero descumprimento de intimação e sim de irresignação quanto a suposta quebra de sigilo bancário, o que de resto foi solucionado com a requisição direta à instituição financeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte. Por maioria de votos, acordam em acolhê los com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 20 62 /2 00 2- 18 Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.123 2 vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior (relator) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que acolheram os embargos, sem efeitos infringentes. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa do contribuinte, com fulcro no previsto no art. 65, §1o, inciso II, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09 de junho de 2015. Referese o embargante ao Acórdão nº 9.202003.944, deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 14 de abril de 2016, onde, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para declarar a definitividade do crédito em litígio em face da desistência pela opção do contribuinte pelo parcelamento da Lei no. 11.941, de 27 de maio de 2009. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei no. 11.941, de 2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para declarar a definitividade do crédito em litígio em face da desistência pela opção do contribuinte pelo Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.124 3 parcelamento da Lei no. 11.941/2009. Votou pelas conclusões a Conselheira Patricia da Silva. Após breve exposição do iter processual e da fundamentação adotada pelo voto condutor do Acórdão embargado, alega o embargante: a) Que o Acórdão restou omisso quanto à manifestação anterior do contribuinte acerca do montante que fora efetivamente incluído no parcelamento da Lei n°. 11.941, de 2009, o que revela que o decisum foi fundamentado em premissa nitidamente equivocada; b) Ressalta que a manifestação do contribuinte cujos trechos foram reproduzidos pelo relator e apresentada no início de 2014, na verdade, não trata de desistência, consolidação ou renúncia, mas sim de uma etapa posterior do parcelamento da Lei no. 11.941, de 2009, ou seja, uma manifestação no sentido de que o quantum que fora incluído no parcelamento já teria sido quitado através de pagamentos em antecipação por parte do contribuinte, e este quantum, embora substancial, não seria total. Ressalta que a referida manifestação, ainda que também não seja o documento que apontou o quantum incluído no parcelamento, demonstra a premissa equivocada utilizada pelo embargado, em se considerar que houve renúncia total ou inclusão do montante integral cobrado pela presente autuação, pois a menção é sempre "parcial, desmembrado". Entende que a omissão principal do presente Acórdão reside em não ter sido apreciado o petitório do contribuinte que trata a respeito da Consolidação do Parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009 e desistência no que tange aos direitos que se fundaram a ação, constantes de notificação de efl. 1889 e seguintes petitórios de efls. 1891 a 1905. Assim, alega que no petitório não analisado pelo Acórdão Embargado, mais precisamente à efl. 1898, consta uma tabela que demonstra a omissão do acórdão quanto à desistência parcial e à petição de consolidação, uma vez que ali se aponta a inclusão da multa até o percentual de 75%, não comportando o agravamento de 37,5%. Cita que os valores constantes da referida consolidação (abrangendo a multa somente até o percentual de 75%) já se encontram quitadas. Assim, entende como necessário que se sane a referida omissão, com a devida análise da manifestação de 2011 , que por sua vez efetivamente indicou o que se pretendia parcelar. Requereu, desta forma, que os presentes Embargos de Declaração fossem conhecidos e providos para sanar a omissão quanto à apreciação da manifestação do contribuinte e demais documentos do ano de 2011, no sentido da adesão parcial ao parcelamento da Lei no 11.941, de 2009 e desistência parcial a direito de discussão, tendo por consequência a exoneração do agravamento da multa, na forma determinada pelo Acórdão n° 2201001.810, proferido pela então 1a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 18 de setembro de 2012. Os embargos, na forma de despacho de admissibilidade foram admitidos para que se sanasse omissão no recorrido no que tange à fundamentação da rejeição da desistência parcial do contribuinte, à luz do disposto nos arts. 13, §§ 4o. e 5o. da Portaria PGFN/RFB no. 06, de 2009, ou seja, a fim de que seja devidamente fundamentada a rejeição da desistência Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.125 4 parcial de alegações quanto aos débitos que permanecem em litígio, formulada pelo contribuinte consoante elementos de efls. 1889, 1891 a 1905 e 1956/1957. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicialmente, de se reproduzir o teor do Acórdão embargado acerca da rejeição da desistência parcial do contribuinte, verbis: "(...) Destarte, com fulcro no art. 13, da Portaria PGFN/RFB no. 06, de 22 de julho de 2009, que regulamentou o parcelamento em questão e, ainda, consoante o disposto no art. 78, § 3o. do Anexo II ao Regimento Interno deste CARF aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015, resta caracterizada a desistência do sujeito passivo da presente discussão administrativa e a renúncia a qualquer direito sobre o qual se fundou o provimento parcial a quo, inclusive quanto à parcela que permanece em litígio (redução do percentual de multa incidente sobre o principal parcelado, ou seja, a caracterização ou não do agravamento), verbis: Portaria PGFN/RFB no. 06/2009 Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativo ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (grifos não presentes no original). (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) RICARF Art. 78. (...) (...) Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.126 5 § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, com base no acima disposto, de se declarar a definitividade do crédito tributário relativo à parcela que permanece em litígio (diferença de 37,5% sobre os valores de principal remanescentes, ainda não exonerados, conforme muito bem demonstrado por demonstrativo de efls. 2045/2046) devendo os débitos do contribuinte ainda não exonerados, obedecer exatamente os critérios adotados pela autoridade lançadora, tanto quanto ao cálculo de principal devido como das multas (estas últimas que permaneciam ainda em litígio antes da mencionada desistência/renúncia), sem prejuízo de eventuais benefícios posteriormente aplicáveis por conta da norma regulamentadora do parcelamento em questão. (...) Verificase, assim, ter o Acórdão embargado concluído que a parcela decorrente do percentual agravado da multa fora incluída no âmbito do parcelamento em questão, enquanto alega o contribuinte ter ocorrido desistência somente parcial do litígio administrativo, não abrangendo o referido agravamento. Devese, assim, de forma a sanear omissão reconhecida no exame de admissibilidade dos presentes embargos, analisar a argumentação do contribuinte à luz do disposto nos arts. 13, §§4o. e 5o. da Portaria PGFN/RFB no. 06, de 2009. Reproduzse a seguir os parágrafos em questão, juntamente com os demais dispositivos do mesmo artigo e, ainda, dispositivos de interesse, constantes dos arts. 12 e 29 da mesma Portaria, a fim de se promover o deslinde da questão, verbis: Art. 12. Os requerimentos de adesão aos parcelamentos de que trata esta Portaria ou ao pagamento à vista com utilização de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL, na forma do art. 28, deverão ser protocolados exclusivamente nos sítios da PGFN ou da RFB na Internet, conforme o caso, a partir do dia 17 de agosto de 2009 até as 20 (vinte) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, ressalvado o disposto no art. 29.(grifei) § 1º Os débitos a serem parcelados junto à PGFN ou à RFB deverão ser indicados pelo sujeito passivo no momento da consolidação do parcelamento. (...) § 5º Não produzirão efeitos os requerimentos formalizados que não se enquadrem nas condições regulamentadas nesta Portaria. § 6º O requerimento de adesão ao parcelamento: Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.127 6 I implicará confissão irrevogável e irretratável dos débitos abrangidos pelo parcelamento em nome do sujeito passivo, na condição de contribuinte ou responsável, configurará confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC) e sujeitará o requerente à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Portaria; e II implicará expresso consentimento do sujeito passivo, nos termos do § 5ºdo art. 23 do Decreto nº70.235, de 6 de março de 1972, quanto à implementação, pela RFB, de endereço eletrônico para envio de comunicações ao seu domicílio tributário, com prova de recebimento. (...) Seção II Dos Débitos com Exigibilidade Suspensa Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) (...) § 3º A desistência de impugnação ou recurso administrativos deverá ser efetuada mediante petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento ou ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o caso, devidamente protocolada na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, no prazo previsto no caput, na forma do Anexo I. § 4º Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial, se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos na ação judicial ou no processo administrativo. § 5º Havendo desistência parcial de ações judiciais, o sujeito passivo deverá apresentar, nas unidades da PGFN ou da RFB, conforme o órgão responsável pela administração do débito, 2ª (segunda) via da correspondente petição de desistência, no prazo previsto no caput, e discriminar com exatidão os períodos de apuração e os débitos objeto da desistência parcial. (...) Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.128 7 Art. 29. A pessoa física responsabilizada pelo não pagamento ou não recolhimento de tributos devidos pela pessoa jurídica poderá efetuar, nos mesmos termos e condições previstos nesta Portaria, em relação à totalidade ou à parte determinada dos débitos: I pagamento à vista; ou II parcelamento, desde que com anuência da pessoa jurídica. Entendo que a melhor interpretação dos dispositivos supra é que, no caso da pessoa física, a fim de que houvesse a desistência parcial do contribuinte em relação a quaisquer débitos, inclusive no caso de impugnação ou recurso administrativo, deveria ter sido encaminhada petição ao Delegado da Delegacia de Julgamento ou ao Presidente deste CARF, até o dia 31/12/2009, onde houvesse clara distinção entre os débitos objeto de desistência e aqueles para os quais se pretendia manter a discussão. Tal medida, em meu entendimento, buscava evitar que o contribuinte se aproveitasse do fato da consolidação dos débitos só se dar em momento muito posterior ao da opção, de forma a que pudesse, simultaneamente, manter a discussão de débitos na esfera administrativa e, posteriormente, caso derrotado nesta seara, alegar estarem inclusos os referidos débitos no parcelamento. No caso em questão, analisandose os elementos de efls. 1889/1890, 1891 a 1905 e 1956/1957, verifico que não há provas suficientes de que o contribuinte tenha formalizado sua desistência parcial na forma e prazo acima estabelecidos (o próprio contribuinte cita, sem, porém, anexar qualquer prova formal nos autos, que tal formalização teria se dado em 01/03/2010 vide efl. 1891, daí, inclusive a necessidade de solicitação de esclarecimentos por parte da arrecadação, de efls. 1889/1890) e, assim, violou o requisito estabelecido pela referida Portaria. Daí, de se rejeitar a aplicação da desistência parcial ao caso em questão, uma vez que o sujeito passivo não realizou a devida prova nos autos acerca da alegada desistência parcial, realizada de forma tempestiva. Ainda a propósito, entendo que o desmembramento para fins de cobrança, realizado pela autoridade preparadora consoante efl. 1905, nada infirma acerca do montante em litígio, limitandose, em meu entendimento, a considerar como passível de cobrança o montante não litigado, que o contribuinte aqui alega como quitado. Assim, voto por acolher os embargos, sanando a omissão quanto à fundamentação da rejeição da desistência parcial do contribuinte na forma acima, sem efeitos infringentes. Ad argumentandum tantum, caso reste vencido quanto ao posicionamento acima, passo à análise de conhecimento e mérito acerca do agravamento, objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional (efls. 1920 a 1935). Quanto ao conhecimento, ainda concordando integralmente com o exame de admissibilidade de efls. 1944 a 1950, entendo como devidamente caracterizada a divergência interpretativa e, portanto, continuo a conhecer do Recurso. Passo, assim, à análise de mérito. Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.129 8 Em análise, o art. 44, § 2o., inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, em sua redação vigente à época do lançamento, verbis: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; (...) Como já tive oportunidade de me manifestar, em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo, com a devida vênia a posicionamentos diversos (que vinculam a caracterização do agravamento à existência ou não de possibilidade de obtenção pela Fiscalização dos elementos de interesse objeto de intimação e/ou à inexistência de prejuízo à referida Fiscalização), que a correta aplicação do dispositivo acima é no sentido de que sempre que restar comprovado o nãoatendimento de múltiplas intimações por parte do contribuinte, uma vez realizadas as citadas intimações consoante o permissivo legal para tal, de se aplicar a multa agravada de 112,5%. Entendo que a intenção do legislador, ao editar o referido dispositivo, foi o de reforçar o poder da autoridade fiscalizadora, no sentido de evitar que intimações sejam simplesmente "ignoradas", violandose, assim, o dever de colaboração do contribuinte para com o Fisco, sem que tal fato conduzisse a sanção. Em meu entendimento, independe a referida sanção do fato da Fiscalização, anteriormente ou posteriormente à prática da conduta expressamente descrita no dispositivo acima (no caso, em seu §2o., não prestar esclarecimentos no prazo marcado pela intimação), ter acesso aos elementos de interesse, seja por meios próprios, através de instrumentos alternativos instituídos pelo legislador tributário (tais como o RMF), seja por posterior entrega voluntária do contribuinte. Ou seja, entendo que, uma vez caracterizada, no curso da ação fiscal, a conduta prevista pelo dispositivo, qual seja, de não prestação de esclarecimentos no prazo hábil, de se aplicar a penalidade. Assim, portanto, alinhome à interpretação propugnada pela Fazenda Nacional recorrente e pelos paradigmas colacionados aos autos. Enxergo mesmo, no dispositivo tributário em comento, semelhanças com a formulação comumente empregada pelo legislador penal para a definição de tipos omissivos Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.130 9 próprios, onde a prática da conduta (por definição, necessariamente volitiva) leva imediatamente à cominação de sanção, de forma que também é de se admitir, in casu, o afastamento da aplicação da referida penalidade tributária, caso se vislumbre ocorrência de motivo de força maior (com o consequente afastamento da conduta), afastandose, nesta hipótese, a caracterização de omissão na prestação de esclarecimentos dentro do prazo, o que não é o caso dos presentes autos, tendo aqui o contribuinte, durante todo o procedimento fiscal se atido a alegações acerca da legalidade de obtenção destes elementos por parte da Receita Federal (sigilo bancário), inadmitidas administrativa e judicialmente. Feita tal digressão, verifico, através da correta descrição constante do Termo de Verificação Fiscal à efls. 24 e ss. e, ainda, ao compulsar os autos, que, no caso em questão, ficou devidamente caracterizada a não prestação de esclarecimentos por parte do autuado em diversos momentos, no curso da ação fiscal, sem que se possa cogitar de força maior. O autuado notadamente quedou inerte quanto ao fornecimento de quaisquer esclarecimentos ou justificativas para o não atendimento dos termos de efls. 210, 212/213 e ao Termo Final de Intimação de efls. 664 a 687, não havendo, assim, a meu ver, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, que se falar em possibilidade de mitigação de aplicação do dispositivo que rege o agravamento, in casu. Assim, caso vencido quanto ao posicionamento de não acolhimento da pleiteada desistência parcial, voto no sentido de acolher e prover os embargos, para, agora com efeitos infringentes, dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecido, para a multa aplicável ao feito, o percentual agravado de 112,5%, tal como lançado, sem que se considere o mesmo incluído no âmbito do parcelamento sob análise. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange à delimitação da lide, tendo em vista a adesão do Contribuinte a parcelamento, o que efetivamente caracteriza desistência do recurso. Entretanto, no presente caso, o parcelamento foi parcial, o que demanda a verificação acerca dos créditos tributários que ainda podem ser objeto de julgamento no CARF. De plano, esclareçase que a adesão, bem como a concessão de parcelamento de débitos tributários é matéria de competência da Receita Federal do Brasil, portanto não cabe a este Conselho manifestarse. Nesse passo, verificase que a própria Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP especifica o parcelamento e a sua delimitação, conforme informação de fls. 1.851, que assim registra: "O presente processo encontravase sob julgamento do Recurso Voluntário, com diligência solicitada. Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.131 10 Após o atendimento dessa diligência, pelo SEFIS, com documentação às fls. 1.194 a 1.805 e Relatório Final às fls. 1.806 a 1.812, seguiuse à ciência e à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte às fls. 1.815 a 1.837, ainda seus pedidos de Desistência Parcial ao Recurso Voluntário, conforme fls. 1.839 à 1.847. Esse Pedido de Desistência Parcial foi quanto aos créditos tributários listados conforme planilha às fls. 1.840, repetida às fls. 1.845, para os quais informou opção pelo Parcelamento sob a Lei 11.941/2009; Sendo assim, em conformidade com o Manual de Processos, foi necessário apartar tais créditos tributários, formalizando para recebêlos em transferência, novo processo sob n° 10865.000772/201196. Feito o desmembramento, proponho a devolução do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (código 01151690)." (grifei) Assim, constatase que a própria DRF em Limeira/SP apartou os créditos objeto do parcelamento parcial e alocouos no processo nº 10865.000772/201196, para seguimento da cobrança, mantendo no presente processo (original) a parte dos débitos não parcelada, conforme Demonstrativo de Débito de fls. 2.061. Como se pode confirmar, não foi incluída no parcelamento a parte relativa ao agravamento da multa (37,5% do valor do imposto), justamente o objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Ora, não há como sustentar que a própria DRF, a quem compete decidir sobre parcelamento, teria adotado todos os procedimentos acima, inclusive o desmembramento do crédito tributário, para que a parte não parcelada pudesse seguir o seu curso no CARF, sem que o parcelamento houvesse sido legitimado. E ainda que assim fosse, a responsabilidade seria da DRF, ou seja, não caberia ao CARF passar em revista os procedimentos de parcelamento, não sendo razoável a adoção de todas as providências acima descritas, esperandose que este Conselho sobre elas se manifestasse, ou induzindo esse Colegiado a erro. Assim, no entender desta Conselheira, conforme as informações da DRF em Limeira/SP, a matéria objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional agravamento da multa de ofício não se encontra sob parcelamento, portanto não há óbice ao seu julgamento, inclusive quanto ao mérito. Adentrando ao mérito do Recurso Especial, temse que o agravamento da penalidade, no presente caso, diz respeito à não apresentação dos extratos bancários, matéria que, ao tempo da autuação, encontravase questionada junto ao Poder Judiciário, ainda sem decisão definitiva, que inclusive teria repercussão geral. Nesse passo, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 21 a 31) mostra que não se tratou de mero desatendimento às intimações da Fiscalização o que no entender desta Conselheira ensejaria efetivamente a multa agravada mas sim de irresignação quanto ao conteúdo das intimações, o que de fato constituía, à época, uma linha de defesa, no sentido de rechaçar suposta quebra de sigilo bancário. Ressaltese que o Contribuinte, além de apresentar vários requerimentos, chegou a buscar a tutela do Poder Judiciário, o que demonstra que não se tratou de mero descumprimento. Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10865.002062/200218 Acórdão n.º 9202005.208 CSRFT2 Fl. 2.132 11 Nesse contexto, a decisão recorrida, da lavra do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, revelase irretocável: "Ora, embora o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 se refira ao não atendimento da intimação para prestar esclarecimento como situação definidora da hipótese de agravamento da multa de ofício, devese levar em conta o contexto e o efeito dessa omissão. No caso, como se viu acima, a intimação não atendida era para apresentas extratos bancários e informações sobre a movimentação financeira, quando há lei prevendo procedimentos específico. Inclusive com restrições, para a requisição dessas informações por parte do Fisco diretamente às instituições financeiras. Refirome à Lei Complementar nº 105, de 2001. Assim, não se pode dizer que o não atendimento à intimação neste caso tenha sido uma afronta ou que tenha causado embaraço à ação fiscal. Logo, não se justifica o agravamento da multa de ofício. Concluo, pois pelo desagravamento da multa de ofício." Diante do exposto, conheço e acolho os Embargos de Declaração para, dandolhes efeitos infringentes, alterar a decisão anterior e negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2132DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904946/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/06/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/06/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904946/201272 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.506 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2017 Matéria DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/06/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 46 /2 01 2- 72 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.904946/201272 Acórdão n.º 3301003.506 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.960. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.904946/201272 Acórdão n.º 3301003.506 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.904946/201272 Acórdão n.º 3301003.506 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10865.904946/201272 Acórdão n.º 3301003.506 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10865.904946/201272 Acórdão n.º 3301003.506 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10865.904946/201272 Acórdão n.º 3301003.506 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 156DF CARF MF
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