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Numero do processo: 10120.000964/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO –
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal
sejam julgadas em conjunto
MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL –
JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE
Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que
levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da
Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar,
executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à
fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições
sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento
oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte
CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO –
ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato
de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se
durante a
fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo
e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da
espécie
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório
Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a
origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA
DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE
Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da
empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva
lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se
formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode
se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com
comprovação de recebimento
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE
ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado
pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica
nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão
demonstrando as razões de sua convicção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2008 REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO – AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal sejam julgadas em conjunto MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado
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A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestarse durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara Fl. 239DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000964/201025 Acórdão n.º 2402002.652 S2C4T2 Fl. 231 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 107/114), os fatos geradores das contribuições lançadas são os valores pagos a segurados empregados apurados nas folhas de pagamento apresentadas pela autuada. A auditoria fiscal informa que ao confrontar as remunerações constantes das folhas de pagamento com aquelas declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, verificou que os fatos geradores das contribuições ora lançadas não haviam sido informados em GFIP pela autuada, o que configuraria, em tese, o crime descrito no art. 337A, incisos I e III do DecretoLei nº 2.848/1940, Código Penal, razão pela qual foi encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente. É informado que em obediência ao art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional que trata da retroatividade benigna na lei superveniente, no que tange ao cálculo da multa, foi feita comparação entre as multas aplicadas anteriormente à Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009 e às aplicadas após a edição deste diploma legal. Para o cálculo da multa, a auditoria fiscal efetuou a soma da multa de mora prevista no art. 35, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 8.212/1991 (24%) e da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de não informação dos fatos geradores em GFIP prevista no § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/1991. Esse total foi então confrontado com a multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 somada à multa por infração prevista no art. 32A, inciso II, da Lei nº 8.22/1991. Da análise efetuada, a auditoria fiscal concluir que a multa mais benéfica ao sujeito passivo seria aquela calculada de acordo com a legislação anterior, ou seja, a vigente à época dos fatos geradores. A autuada teve ciência do lançamento em 01/03/2010 e apresentou defesa (fls. 132/151) onde solicita julgamento conjunto de diversos autos de infração, sob o argumento de que os relatórios que acompanhariam os mesmos, trariam a descrição do mesmo fato gerador ou de fatos geradores semelhantes e interrelacionados. Tece considerações a respeito da conduta da empresa e informa que além da ação fiscal sofrida, ainda estaria enfrentando ação judicial com o objetivo de garantir a moralidade na administração da empresa em razão de práticas criminosas de um de seus sócios com poder de gerência. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Questiona a abertura do procedimento fiscal, a qual teria coincidido com questões policiais e judiciais enfrentadas pela empresa o que teria levado a transparecer que a motivação para a ação fiscal seria estas questões. Apresenta suas suspeitas de que as causas para o levantamento se prendeu a denúncias contidas nas ações judiciais. No entanto, entende que tais motivos não poderiam ser considerados para tal mister. Argumenta que sempre atendeu a auditoria fiscal de forma célere e que após longa ação fiscal foi surpreendida com várias autuações sem que tivesse havido qualquer discussão prévia da matéria. Considera que a autoridade fiscal incorreu em vários equívocos. Apresenta considerações doutrinárias sobre o lançamento e invoca princípios dentre os quais o da audiência do interessado, a fim de se respeitar o direito ao contraditório. Alega que a identificação do fato gerador descrito no relatório fiscal não guarda coerência com as normativas do órgão. Manifesta seu inconformismo pelo fato de auditoria da Receita Federal do Brasil ter aplicado um procedimento de avaliação da base tributável por aferição indireta quando a contabilidade e as declarações feitas refletem a realidade dos atos praticados ela empresa. Entende que houve duplicidade de lançamentos. Menciona outros princípios que entende aplicáveis à situação e considera que o lançamento seria nulo pela ausência de descrição clara e precisa dos fatos geradores. Irresignase pelo fato da atividade fiscal não ter sido exercida nas dependências da empresa, situação em que considera que a interpretação dada aos relatórios e informações, por parte da auditoria fiscal, seria completamente diferente. Solicita que lhe seja facultada a apresentação de documentos e informações complementares mesmo após o vencimento do prazo legal tendo em vista a não disponibilização de cópia de documentos integrantes da autuação solicitadas. Solicita ainda que os autos sejam encaminhados em diligência para saneamento dos erros apontados, bem como solicita a realização de perícia. Pelo Acórdão nº 0341.026 (fls. 185/194), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 199/218) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000964/201025 Acórdão n.º 2402002.652 S2C4T2 Fl. 232 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto à solicitação da recorrente de julgamento em conjunto de diversas autuações, vale dizer que não existe previsão legal que obrigue a tal procedimento. No entanto, cabe esclarecer que o presente recurso é um dos derradeiros a serem julgados. Além disso, tratandose o auto em questão de contribuições patronais incidentes sobre valores apurados em folha de pagamento, não me parece haver qualquer vinculação do presente julgamento aos demais. A recorrente considera que o que motivou o início da ação fiscal teriam sido questões policiais e judiciais enfrentadas pela recorrente à época. Entende que tais questões não poderiam levar à instauração do procedimento fiscal. Cumpre dizer que não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à decisão de se instaurar um procedimento fiscal frente a este contribuinte. Valendose da competência legal prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil decidir o momento oportuno para iniciar uma ação fiscal, uma vez que tal dispositivo determina que compete ao citado órgão planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 da mesma lei das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Da leitura do recurso apresentado verificase que a recorrente apresenta vários argumentos que não são pertinentes aos presentes autos, sobretudo seu inconformismo quanto a uma suposta utilização de aferição indireta para apuração da base de cálculo. Cumpre esclarecer que as bases de cálculo do lançamento em questão não foram apuradas por aferição indireta. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento referese às contribuições da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, cujos fatos geradores foram retirados das folhas de pagamento elaborada pela própria recorrente, os quais, a auditoria fiscal informa, não foram declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Claro, portanto, o equívoco da recorrente ao mencionar que a auditoria fiscal teria se utilizado de informações contidas em reclamatórias trabalhistas ocorridas fora do período do lançamento para apurar a base de cálculo. De igual forma, não merece acolhida a alegação de que a auditoria fiscal teria efetuado lançamento da contribuição dos segurados com base na suposição de que estas não teriam sido arrecadadas dos segurados. Como já argüido, a contribuição dos segurados não é objeto do presente lançamento. A recorrente manifesta seu inconformismo por ter sido autuada no final da ação fiscal sem que lhe tivesse sido oportunizado inteirarse como também manifestarse a respeito dos trabalhos da auditoria fiscal que resultou nos lançamentos. O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de defesa. O trabalho da auditoria fiscal junto ao contribuinte para apurar eventuais contribuições não recolhidas ou descumprimento de obrigações acessórias se dá na chamada fase oficiosa do lançamento. A fase oficiosa se encerra com o efetivo lançamento e, a partir de então, iniciase a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação. O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender, haja vista a ausência de lançamento. A recorrente alega que a auditoria fiscal não teria precisado a ocorrência que ensejou o nascimento da obrigação tributária e que a descrição do fato gerador não guardaria semelhança com a base tributável. Considera, também, que a auditoria fiscal não logrou provar a existência do fato gerador Notase o caráter meramente protelatório da alegação. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições patronais, cujos fatos geradores foram apurados em folhas de pagamento fornecidas pela própria recorrente. Além disso, toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da notificação. Quanto à alegação de que teria ocorrido multiplicidade de lançamento sobre uma mesma base tributável, vale dizer que a decisão recorrida já tratou tal questão, esclarecendo que o alegado não ocorreu, conforme trecho abaixo transcrito: Não procede a alegação de que houve uma diversidade de lançamentos sobre a mesma base tributável com relação aos Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000964/201025 Acórdão n.º 2402002.652 S2C4T2 Fl. 233 7 autos de infração: 37.257.4084, 37.257.4092, 37.257.4106, relativo ao período de 01/2005 a 11/2008; 37.257.4050, 37.257.4068 e 37.257.4076 relativo às competências 12/2008 e 13º de 1998. Os lançamentos não foram feitos com base na diferença entre o valor recolhido e o arbitrado, mas conforme planilhas e detalhamento feitos no relatório fiscal. Os lançamentos foram desmembrados com relação aos períodos de 01/2005 a 11/2008 e 12/2008 e 13º de 2008, em razão da multa a ser aplicada de acordo com a legislação vigente nos referidos períodos. Quanto a este auto de infração e o auto de DEBCAD nº 37.229.0334, tratase de fatos geradores distintos, decorrentes da verificação de folhas de pagamento e GFIPs. Este auto de infração referese às contribuições devidas pela empresa e GILRAT, enquanto que o auto de infração DEBCAD nº 37.229.0337 é relativo às contribuições devidas pelos segurados. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de os trabalhos de auditoria terem sido efetuados fora do estabelecimento da empresa, uma vez que considera que se assim não tivesse ocorrido as conclusões da auditoria fiscal poderiam ser diferentes. Tal alegação não merece melhor sorte. Não há qualquer obrigatoriedade em que os trabalhos de auditoria fiscal ocorram no estabelecimento do sujeito passivo. Asseverese que esta matéria é, inclusive, objeto de súmula emitida pelo CARF, especificamente, a Súmula nº 06, aprovada pela Portaria CARF nº 49/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 07/12/2010, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. A recorrente alega que a decisão recorrida foi homologatória onde reafirmou os procedimentos utilizados pelo auditor fiscal para o cálculo dos tributos lançados, sem, contudo, contraditar as diversas alegações e ilegalidades feitas na defesa. A decisão recorrida não merece reparo. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” Por fim, a recorrente solicita que os autos sejam baixados em diligência para saneamento dos vícios apontados, bem como a realização de perícia contábil. Não se verifica qualquer necessidade de saneamento. Os argumentos apresentados pela recorrente não demonstram a existência de vícios que ensejassem a necessidade de diligência para o seu saneamento. Quanto à perícia, sua necessidade para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000964/201025 Acórdão n.º 2402002.652 S2C4T2 Fl. 234 9 No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável, o que não se verifica. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Nada mais havendo a ser enfrentado e diante do exposto. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10374.000018/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 74 .0 00 01 8/ 20 10 -0 5 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10374.000018/201005 Resolução nº 1402000.196 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de auto de infração (fls. 11/15) que exige do interessado multa isolada no valor de R$ 18.046.672,44. 2 Segundo o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 04/06 e a descrição dos fatos do auto de infração, a autuação assim se fundamentou: 2.1 A autuação teve origem em representação fiscal para lançamento de multa isolada prevista no art. 18, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, conforme proposta em pareceres Seort. 2.2 Tais pareceres concluíram por considerar “não declaradas” uma série de PER/DComp apresentadas pelo interessado, haja vista que se valiam de suposto crédito oriundo de “Obrigações de Reaparelhamento Econômico”, instituídas pela Lei nº 1.474, de 1951, as quais, segundo avaliou a autoridade, não têm natureza tributária, não foram arrecadadas mediante Darf e não eram administradas pela Receita Federal. 2.3 Alerta a autoridade que a multa teve como base de cálculo o valor dos débitos indevidamente compensados, conforme estipula o art. 18, §2º, da Lei nº 10.833, de 2003, sendo que a alíquota aplicável foi de 75%, de acordo com o inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996. 2.4 Apensos a este se encontram os processos de representação 15555.000073/200604 e 10735.720004/200913, os quais foram criados sob fundamento nos Pareceres Seort nºs. 199/2006 e 719/2008, proferidos nos autos do processo 10735.720058/200636. 2.5 Eis como se apresentam, resumidamente, os demonstrativos apresentados pela fiscalização para fins de cálculo da multa isolada: (...) 2.6 Nesse contexto, a fiscalização apurou o seguinte valor de multa: R$ 18.046.672,43 (75% do total dos débitos compensados R$ 24.062.229,91 x 0,75). 3. O interessado, por meio da peça de fls. 20/21, impugnou a exigência alegando o que se segue: DOS FATOS E DO DIREITO: (...) 2 A multa aplicada apresentase no importe de 75% sobre o total do débito indevidamente compensado, na forma do inciso I do caput do art. 44 da lei 9430/96. 3 Cumpre ressaltar que os valores principais, decorrentes da desconsideração da compensação, encontramse em cobrança no processo de numero 15555.000022/200917, sob inscrição na PGFN de número 70 3 09 00007648 (ANEXO I). 4 Primeiramente, contudo, em relação às respectivas multas aplicadas, urge pontuar que a requerente, antes da data da lavratura do auto de infração, em 21/10/2010, efetuou o protocolo da desistência dos DCOMP'S arrolados, em 9 de setembro de 2008, não merecendo prosperar, portanto, qualquer sanção a respeito (ANEXO II). Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10374.000018/201005 Resolução nº 1402000.196 S1C4T2 Fl. 4 3 5 Uma vez estabelecido tal fato, importante se faz a observação de que os respectivos valores foram quitados mediante DARF pago em 30/11/2009, na qual a requerente se utilizou das benesses da MP 470, e que se encontra pendente de consolidação (ANEXO III) [fls. 47]. 6 Dessa forma, não obstante o indeferimento da compensação, tais valores foram quitados em data anterior ao lançamento das referidas multas, não merecendo prosperar o lançamento das mesmas, vez que a quitação dos valores principais ocorrera em 30/11/2009, conforme informado, enquanto o respectivo Auto de infração fora lavrado em 21/10/2010. 4. O interessado, ao fim, pede o cancelamento do lançamento. Sua impugnação veio acompanhada dos documentos de fls. 20/60. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1238.923 considerando improcedente a impugnação e mantendo o lançamento na integralidade. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005, 2006 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO INEXISTENTE. Mantémse a multa isolada se não elididos os fatos que lhe deram causa. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. DESISTÊNCIA. PAGAMENTO DO DÉBITO. MULTA ISOLADA DEVIDA. O pagamento de débitos relativos à compensação não declarada não elide a multa isolada. Devidamente cientificado, o contribuinte recorre a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Especificamente no que se refere aos pedidos de desistência das Dcomps esclarece que protocolizou solicitação nesse sentido em 07/12/2006, data anterior à prolação dos despachos decisórios que não homologaram as compensações em questão. É o Relatório. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10374.000018/201005 Resolução nº 1402000.196 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Nas razões de decidir, o acórdão recorrido manifestouse sob dois aspectos principais. Um deles, no entendimento de que a quitação dos débitos exigíveis pela não homologação da compensação – não elidiria a imposição da multa nos moldes em que procedeu a autoridade lançadora. Nesse ponto, não há situação fática a ser dirimida pois a realização dos pagamentos não foi colocado em discussão. O outro aspecto referese ao(s) pedido(s) de desistência das Dcomps. De acordo com a legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 600/2005), a desistência só poderá ser deferida se caso a Dcomp esteja pendente de decisão administrativa na data da apresentação do pedido. Na impugnação, o sujeito passivo apresentou vários pedidos de desistência concernentes às Dcomps sob exame datados de 09/09/2008, quando já havia sido notificado do despacho decisório que aprovou o Parecer Seort nº 199/2006, de ciência em 28/06/2007. Essa decisão englobou quase todas as Dcomps exceto a registrada sob o n° 38410.86966.061106.1.3.047264. Com base nessa informação, a primeira instância julgadora entendeu que houve desobediência à legislação. No recurso voluntário, o sujeito passivo apresentou novos dados alegando que havia protocolizado um pedido de desistência em 09/12/2006 referente a todas as Dcomps, pedido esse que não havia sido processado pela autoridade administrativa. Foi apresentado a cópia de um documento que demonstraria o alegado. Pelo exame do referido constatase que trata efetivamente de pedido de desistência com menção às Dcomps em tela. Entretanto, três circunstâncias são dignas de realce: O documento só foi apresentado no recurso voluntário e a suposta data em que teria sido protocolizado (07/12/2006) sequer foi suscitada na impugnação; A data de protocolo não está totalmente legível dificultando a confirmação; e: O carimbo de protocolo não segue o padrão daquele registrado nos pedidos formalizados em 09/12/2008. É claro que tais circunstâncias não seriam, por si só, suficientes para que o documento seja considerado inidôneo. Por outro lado, tendo em vista que no entendimento deste relator a confirmação da data de formalização do pedido de desistência é fundamental para o deslinde da questão sob julgamento meu voto é no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que os autos sejam encaminhados à unidade de jurisdição do CAC/Méier/RJ a fim de que sejam respondidas as seguintes questões: Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10374.000018/201005 Resolução nº 1402000.196 S1C4T2 Fl. 6 5 1. A petição (cópia anexada ao recurso voluntário) supostamente datada de 07/12/2006 pela qual o sujeito passivo apresenta desistência de várias Dcomps nela relacionadas foi efetivamente recebida no CAC/Méier/RJ? 2. Em caso positivo, qual a data de protocolização do documento? 3. Ainda em caso positivo quanto ao primeiro item, qual foi o tratamento administrativo dado ao pedido? Respondido os quesitos, com os esclarecimentos que a Unidade entender necessários, o sujeito passivo deverá ser cientificado das respostas com prazo para manifestação e, posteriormente os autos devem retornar para julgamento. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721302/2011-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO.
Constatada omissão de rendimentos do trabalho, o contribuinte contra ela não se omite, mas pede a oportunidade para a retificação da DIRPF. Incabível.
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS NÃO DEDUZIDAS NA DIRPF.
Esta Turma tem pela impossibilidade de apresentação de declaração retificadora, para admitir a inclusão de deduções comprovadas e não originalmente pleiteadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 10/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. Constatada omissão de rendimentos do trabalho, o contribuinte contra ela não se omite, mas pede a oportunidade para a retificação da DIRPF. Incabível. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS NÃO DEDUZIDAS NA DIRPF. Esta Turma tem pela impossibilidade de apresentação de declaração retificadora, para admitir a inclusão de deduções comprovadas e não originalmente pleiteadas. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. Constatada omissão de rendimentos do trabalho, o contribuinte contra ela não se omite, mas pede a oportunidade para a retificação da DIRPF. Incabível. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS NÃO DEDUZIDAS NA DIRPF. Esta Turma tem pela impossibilidade de apresentação de declaração retificadora, para admitir a inclusão de deduções comprovadas e não originalmente pleiteadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 13 02 /2 01 1- 17 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 10/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci De Assis Junior, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 e ss., que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2009, exercício 2010, em razão das seguinte suposta infração: omissão de rendimentos do trabalho. Cientificado da autuação, apresentou a impugnação de fls. 02, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: que a declaração foi apresentada sem informações, para não perderse o prazo, devido ao atraso do envio ao contribuinte dos comprovantes de rendimentos pagos, pelas fontes pagadoras; que no período apto à retificação esteve impossibilitado, por motivos de saúde, de fazêlo, apresentando requerimento para que lhe seja concedida a oportunidade de retificação. Em julgamento a 1a Turma da DRJ/FOR, em sessão de 30/05/2012, manteve o lançamento, aos fundamentos de que não impugna o contribuinte a omissão de rendimentos que lhe é imputada, constituindo todo o lançamento em matéria não impugnada; que a DRJ não tem competência para apreciação de pedidos de retificação. Intimado (fl.5455), apresentou recurso voluntário a fl.57, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e requerendo se acolham deduções de dependentes, de despesas médicas e de educação de dependente. É o relatório Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10320.721302/201117 Acórdão n.º 2802002.327 S2TE02 Fl. 73 3 Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, o recurso foi remetido por via postal, postado em 17/01/2011 (fl.45), contra decisão de que foi intimado o contribuinte em 02/12/10 (fl.35), sendo manifestamente intempestivo. Esta Turma não tem admitido a retificação da declaração, para incluir deduções não pleiteadas a tempo. A retificação, após a autuação, para inclusão de rendimentos omitidos, não é admitida quer pela lei, quer pela jurisprudência desta Turma. Isto posto, nego provimento ao recurso, mantendose o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 11/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000431/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005
NULIDADE DO PROCEDIMENTO - INEXISTÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO DE PERDA DA ISENÇÃO
Não há como arguir nulidade pela não emissão de ato declaratório de extinção da isenção, quando a entidade não é isenta perante a Previdência social. O direito a isenção conforme preceitua o art. 55 da lei 8212/91, pressupõe o deferimento do pedido de isenção.
DECLARAÇÃO DE ILICITUDE DE PROVAS EM PROCEDIMENTO DE BUSCA E APREENSÃO - CONTAMINAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS POSTERIORES - INAPLICABILIDADE
Não importa nulidade o lançamento que se baseia em documentos e provas obtidos regularmente durante procedimento fiscal, mesmo que tenham anteriormente sido apurados em crédito cuja licitude de sua obtenção tenha sido questionada judicialmente.
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
É nulo, por vício material, o lançamento, cujo Relatório Fiscal descreve de forma insuficiente os fatos geradores que motivaram a lavratura.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Não se pode alegar direito adquirido para deixar de efetivar as contribuições patronais, considerando inclusive nunca ter a empresa requerido junto ao INSS isenção de contribuições previdenciárias.
ISENÇÃO - DISCUSSÃO JUDICIAL. - AÇÃO DECLARATÓRIA - RENÚNCIA A INSTÃNCIA ADMINSTRATIVA - NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
A existência de ação judicial acerca do direito a isenção não impede o conhecimento administrativo do recurso em relação aos argumentos não suscitados na esfera recursal.
DIREITO ADQUIRIDO - DECRETO 1.572/77 - EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL
O direito adquirido a isenção tem como pressuposto a Certificado de Entidade Filantrópica e o Reconhecimento como de utilidade pública Federal até a data do Decreto 1.572, não servindo apenas o reconhecimento com de utilidade pública federal para atribuir direito adquirido a entidades.
Numero da decisão: 2401-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso. II) Na parte conhecida, por maioria de votos, excluir do lançamento por vício material, o levantamento "vantagem a dirigente". Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que anulava o referido levantamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso. II) Na parte conhecida, por maioria de votos, excluir do lançamento por vício material, o levantamento "vantagem a dirigente". Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que anulava o referido levantamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Alegar que os fatos geradores foram obtidos por meios ilícitos, quando os mesmos foram apurados em GFIP e FOPAG, não merece guarida, face as informações serem emanadas do próprio contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS Cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. ENTIDADE ISENTA AUSÊNCIA DE PEDIDO FORMAL PERANTE O INSS DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO CONSTANTE DO ART. 55 DA LEI 8212/91 O descumprimento das exigências legais quanto a condição de entidade isenta, retira o direito a isenção de contribuições previdenciárias patronais. Não se pode alegar direito adquirido para deixar de efetivar as contribuições patronais, considerando inclusive nunca ter a empresa requerido junto ao INSS isenção de contribuições previdenciárias. ISENÇÃO DISCUSSÃO JUDICIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA RENÚNCIA A INSTÃNCIA ADMINSTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 31 /2 00 9- 09 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A existência de ação judicial acerca do direito a isenção não impede o conhecimento administrativo do recurso em relação aos argumentos não suscitados na esfera recursal. DIREITO ADQUIRIDO DECRETO 1.572/77 EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL O direito adquirido a isenção tem como pressuposto a Certificado de Entidade Filantrópica e o Reconhecimento como de utilidade pública Federal até a data do Decreto 1.572, não servindo apenas o reconhecimento com de utilidade pública federal para atribuir direito adquirido a entidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005 NULIDADE DO PROCEDIMENTO INEXISTÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO DE PERDA DA ISENÇÃO Não há como arguir nulidade pela não emissão de ato declaratório de extinção da isenção, quando a entidade não é isenta perante a Previdência social. O direito a isenção conforme preceitua o art. 55 da lei 8212/91, pressupõe o deferimento do pedido de isenção. DECLARAÇÃO DE ILICITUDE DE PROVAS EM PROCEDIMENTO DE BUSCA E APREENSÃO CONTAMINAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS POSTERIORES INAPLICABILIDADE Não importa nulidade o lançamento que se baseia em documentos e provas obtidos regularmente durante procedimento fiscal, mesmo que tenham anteriormente sido apurados em crédito cuja licitude de sua obtenção tenha sido questionada judicialmente. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento, cujo Relatório Fiscal descreve de forma insuficiente os fatos geradores que motivaram a lavratura. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso. II) Na parte conhecida, por maioria de votos, excluir do lançamento por vício material, o levantamento "vantagem a dirigente". Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que anulava o referido levantamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.230.0090, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros., no período de 01/2005 a 02/2005, apurados sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados apurados em GFIP. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 20 a 22, a empresa fiscalizada se auto enquadra como isenta de contribuições previdenciárias e protocolizou em 30/10/97, junto ao Instituto Nacional do Seguro Social —INSS, pedido de isenção da cota patronal que recebeu o n. 4727/97. O Pedido em questão foi protocolizado em Brasilia, dirigido diretamente ao presidente do INSS. O Instituto Nacional do Seguro Social — INSS indeferiu em 30/08/00 o pedido de isenção da quota patronal pleiteado pela empresa, fato que lhe foi comunicado pela Gerência Executiva/Ribeirão Preto, através do oficio 21.431/494/00 de 15/09/00. Consta ainda do referido relatório que em 04/10/00 a empresa interpôs recurso e após as contrarazões da Gerência Executiva/Ribeirão Preto o processo foi encaminhado a Câmara de Julgamento/CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social que, através do Acórdão 02/03265/2000, conheceu do recurso e lhe deu provimento. A Gerência Executiva/RP interpôs pedido de revisão do Acórdão, sendo que em 14/05/01 o processo foi reencaminhado a 2 Câmara de Julgamento para que o pedido de revisão fosse apreciado onde, através do Acórdão 2051/2003, conheceu do pedido de revisão solicitado pelo INSS, no mérito deulhe provimento e anulou o Acórdão 02103265/2000, restabelecendo o ato administrativo que indeferiu o pedido de isenção. O fato em questão foi comunicado à empresa, pela Gerência Executiva de Ribeirão Preto, através do oficio 21.431/426 de 18/09/03, encaminhado por AR e recepcionado pela interessada em 22/09/03. Por fim, do Acórdão 2051/03 a empresa pediu revisão, que lhe foi negada através do Acórdão n° 1508/04 de 25/08/04, proferido pela r Câmara de Julgamento portanto, conclui o auditor em seu relatório que a Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP não é isenta de contribuições previdenciárias. Os fatos geradores apurados no pressente AI são as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados informados na categoria 01 e aos contribuintes individuais informados na categoria 13 nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações h Previdência Social — GFIP entregues antes do inicio do procedimento fiscal, e constantes dos Bancos de Dados Corporativos, sendo as Ultimas GFIPs informadas para as competências 01/2005 e 02/2005: Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 28/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/01/2010. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 26 a 58. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 83 e seguintes. Foi anexada sentença em ação judicial referente ação anulatória, Processo n. 2009.61.02.0058541, fl. 754 a 812 Fl. 771DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 4 5 Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido para declarar a nulidade da NFLD n2 35.806.9076 e anular o respectivo lançamento e crédito tributário. Em razão da sucumbência; condeno a União a pagar as custas em restituição, os honorários advocaticios ao patrono da autora, que fixo em 10% (dez por cento), e multa por litigância de máfé em 1% (um por cento), devera ser revertido em favor da autora, ambos incidentes sobre o valor da causa. Os valores serão atualizados desde a data da distribuição da ação quanta aos honorários e multa e desde a data do recolhimento quanto as custas, segundo os indices do manual de cálculos do Conselho da Justiça Federal para as a95es condenatárias. Extingo o processo com julgamento do mérito , na forma do artigo 269, I, do CPC. O processo foi convertido em diligência pela DRJ, fl. 815 a 845, pra que fossem prestados esclarecimentos, com vistas a propiciar a adequada análise do processo de débito decorrente do AI e ensejar atributo de liquidez e certeza a uma futura execução fiscal. Devidamente cientificado o recorrente manifestouse, fl. 848 a 864, requerendo, em preliminar, a reunião de todos os procedimentos administrativos vinculados ao MPFF n° 08.1.09.002009 001023, para efeitos de uniformidade no julgamento. No mérito, reitera o pedido anterior para que seja invalidado o lançamento consubstanciado no Auto de Infração n° 37.230.0081, por estar integralmente baseado em provas ilícitas e nas incongruências apontadas. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente em parte o lançamento, tendo excluído parte dos valores apurados à título de “Vantagens a dirigentes” fls. 928 a 933. Segue ementa do acordão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005 ENTIDADE _BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. AÇÃO JUDICIAL RENÚNCIA .AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial,_ or qualquer Modalidade processual, antes .ou_ depois do lançamento, que tenha , objeto idêntico, pedido sobre o_ qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, limitandose o julgamento administrativo à matéria diferenciada contida na impugnação. ILICITUDE DAS PROVAS. NÃO OCORRÊNCIA. A declaração judicial de ilicitude da Fusc a e apreensão destinada obtenção der documentos fiscais cia empresa não enseja a contaminação do lançamento quando a ocorrência do fato gerador e respectiva base de cálculo restarem demonstrados por meios lícitos com fundamento em documentos obtidos legalmente pela fiscalização. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato imponível para amparar o exercício do direito e dever de lançar. Ao sujeito passivo cabe apresentar as provas que sustentem as alterações ou extinções do credito tributário, lançado que pretender com suas alegações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 1. Tratase de empresa imune ao recolhimento das contribuições previdênciárias (cota patronal) por estar certificada pelo Conselho Nacional de_ Assistência Social —.CNAS e ter obtido a sua condição de entidade assistencial no regime, jurídico anterior ao da Lei n°8.212/91, o que a dispensa do ato administrativo de concessão. 2. Nesse sentido, argumenta ter obtido a condição de entidade beneficente de assistência social Sob a vigência da Lei no 3.577/59 e do Decretolei n° 1.572/77; enquadrandose no artigo 240 da Instrução Normativa RFB n° 971/09. Menciona a Medida Provisória n° 446 alegando que, obstante tenha a mesma sido rejeitada, os efeitos produzidos na sua vigência permanecem validas não interferindo rios efeitos decorrentes da obtenção do certificado, já que não foi editado decreto legislativo. 3. A fim de demonstrar a validade dos certificados emitidos pelo CNAS, menciona a existência de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal, bem como a ação popular proposta pela servidora do INSS Maria Bernadete Lima dos Santos, em • face da AERP, ambas com o objetivo de anular o certificado de entidade beneficente de , assistência social. 4. Aduz que a regulamentação da imunidade é matéria reservada à lei complementar por força do artigo 146, II da Constituição Federal e, na ausência de lei complementar especifica, a matéria deve ser tratada artigo 14 do Código Tributário Nacional. Diante da disposição do §10 d6 artigo 14 mencionado' a imunidade não se pede, mas se goza, pois somente e possível suspender o que é usufruído. Entende, assim, que o lançamento ora discutido não poderia ser realizado sem que a administração tivesse antes suspendido a imunidade tributária da impugnante. 5. Alega que a ilação fiscal quanto as supostas vantagens financeiras dos dirigentes da AFRP, identificadas pela sigla VD, decorre do uso de provas declaradas ilícitas pelo Superior Tribunal de Justiça conforme decisão da Egrégia turma do STJ, no julgamento de RHC n° 16.414SP. 6. Que o efeitos dos lançamentos vinculados as s NFLD 35.502.6635 e 35.502.6686 se encontram suspensos por Ordem judicial decorrente dos processos n°: 2009.61.020100909 e 2009.61.02.0058541 e que o lançamento aqui discutido é um acinte a autoridade julgadora responsável pelas decisões contidas nos processos mencionados, visto que o gozo da imunidade da AERP restou assegurado enquanto não fosse lavrado ato de suspensão, nos termos do §1 ° do artigo 14 do Código Tributário Nacional. 7. Afirma a existência de incongruências no lançamento 8. Que o lançamento tem como premissa a assunção de dividas da AERP com instituições financeiras pela empresa Brasil Grande S/A. Contudo, o reconhecimento da Fl. 773DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 5 7 Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP somente foi possível em razão da assunção de diversas dividas da mantenedora (AERP) por terceiros, consoante i se infere da leitura do Parecer n° 802/82 emitido por Comissão Especial do Conselho Federal de Educação. 9. Além, disso, afirma que os documentos relativos d. assunção de dividas da AERP pela Brasil Grande S/A são oriundos da busca e apreensão declarada ilicita pelo STJ. 10. Menciona, ainda, que a Receita Federal de Ribeirão Preto autuou o sócio Evandro Alberto de Oliveira Bonini (espólio) processo n° 15956.000567/200749, considerando rendimento tributáveis por equiparação a aluguéis as despesas' com a execução da obra relacionada ao Centro Clinico Electro Bonini; no mesmo processo, considerou simulação a locação de imóveis recebidos em usufruto pela Fundação, exigindo IRPF sobre o valor mencionado. Afirma, portanto, que se o rendimento é de 'aluguel ou oriundo de capital, como mencionado 'naquele processo, não poderia ser equiparado a remuneração de trabalho. 11. Questiona, ainda, porque a fiscalização não equiparou a suposta vantagem econômica a distribuição de lucros, que é isenta do pagamento do imposto pelo beneficiário. 12. Que o valorrelativo a conta de mútuo não se refere a remuneração de contribuinte, individual, Mas mera atualização de divida com a empresa Brasil Grande S/A. E não consta no relatório fiscal nenhum dado indicativo da transferência de dinheiro da Brasil Grande para os sócios. 13. Entende, assim, ser improcedente a Presente autuação. 14. Requer, assim, ó provimento da impugnação apresentada para efeitos de invalidação do lançamento consubstanciado no auto de infração n° 37230.0081. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Voto Vencido Conselheiro Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 304. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Ao apreciarmos o longo arrazoado do recorrente, identificamos que a base de seu recursa fundase em três frentes. 1) A nulidade do lançamento posto a condição de imune da entidade; 2) As bases de cálculo foram obtidas por meio ilícitos; 3) Existe incongruência no lançamento, uma vez que a fiscalização atribuiu caráter econômico a entidade, mas não admite como argumentos para exclusão da base de cálculo, que os valores teriam sido distribuídos como forma de participação nos lucros. Digase que ditas ilações foram obtidas pelo pedidos finais, descritos em seu recurso. Contudo, passemos a seguir a apreciar ditos pontos, de forma profícua, separando cada um dos tópicos, observando a vasta argumentação trazida pelo recorrente. NULIDADE PELA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA E NECESSÁRIA EMISSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. Primeiramente quanto a aludida necessária emissão de Ato Declaratório de Exclusão da condição de imune (isenta), não confiro razão ao recorrente. Sem ainda, adentrar a questão da concomitância de ação judicial, devese observar, no caso concreto, que o relatório fiscal, após a indicação do fato gerador, deixa claro os motivos pelos quais procedeu o auditor ao lançamento da contribuição patronal da entidade, desconsiderando sua declaração em GFIP da condição de isenta. Senão vejamos trecho do relatório, já mencionado, inclusive no relatório deste acordão: Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 72 a 79 a empresa fiscalizada se auto enquadra como isenta de contribuições previdenciárias e protocolizou em 30/10/97, junto ao Instituto Nacional do Seguro Social —INSS, pedido de isenção da cota patronal que recebeu o n. 4727/97. O Pedido em questão foi protocolizado em Brasilia, dirigido diretamente ao presidente do INSS. O Instituto Nacional do Seguro Social — INSS indeferiu em 30/08/00 o pedido de isenção da quota patronal pleiteado pela empresa, fato que lhe foi comunicado pela Gerência Executiva/Ribeirão Preto, através do oficio 21.431/494/00 de 15/09/00. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 6 9 Consta ainda do referido relatório que em 04/10/00 a empresa interpôs recurso e após as contrarazões da Gerência Executiva/Ribeirão Preto o processo foi encaminhado a Câmara de Julgamento/CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social que, através do Acórdão 02/03265/2000, conheceu do recurso e lhe deu provimento. A Gerência Executiva/RP interpôs pedido de revisão do Acórdão, sendo que em 14/05/01 o processo foi reencaminhado a 2 Câmara de Julgamento para que o pedido de revisão fosse apreciado onde, através do Acórdão 2051/2003, conheceu do pedido de revisão solicitado pelo INSS, no mérito deulhe provimento e anulou o Acórdão 02103265/2000, restabelecendo o ato administrativo que indeferiu o pedido de isenção. O fato em questão foi comunicado à empresa, pela Gerência Executiva de Ribeirão Preto, através do oficio 21.431/426 de 18/09/03, encaminhado por AR e recepcionado pela interessada em 22/09/03. Por fim, do Acórdão 2051/03 a empresa pediu revisão, que lhe foi negada através do Acórdão n° 1508/04 de 25/08/04, proferido pela r Câmara de Julgamento portanto, conclui o auditor em seu relatório que a Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP não é isenta de contribuições previdenciárias. Ou seja, não há o vicio pretendido pelo recorrente, de necessário ato declaratório, uma vez, que perante a Previdência Social, foi realizado o devido processo de enquadramento da condição de isenta, que nasceu com o Pedido de Isenção da mesma, protocolado junto ao INSS em 1997(conforme transcrito acima), tendo ocorrido o trânsito em julgado daquele processo em 25/08/2004, com a apreciação de todos os recursos cabíveis. Assim, não nos compete a reapreciação da condição de isenta no presente processo, posto que no período ora lançado, perante a previdência social, a entidade não detinha a condição de entidade isenta. Entendo que naquele processo, competiria ao recorrente a apresentação dos documentos capazes de atestar o cumprimento da legislação, bem como ao INSS a indicação dos requisitos não cumpridos, ensejando a negativa, perante a previdência social da condição de isenta. Isto posto, o lançamento encontrase, quanto a este primeiro ponto, correto e devidamente fundamentado, conforme descrito no relatório fiscal. Não há de se exigir ato declaratório de exclusão, quando perante a fiscalização não existia enquadramento como isenta. Apenas para rebater outro ponto trazido pelo recorrente, de que correto estaria o procedimento adotado pela Receita Federal, antes da unificação dos fiscos, que procedeu ao Ato de Exclusão da condição de isenta, para proceder ao lançamento; entendo, tratarse de situação distinta. No que entendi da análise do PROCESSO xxxx E IRPJ), x (APURAÇÃO DE COFINS, a entidade vinha perante a receita entregando suas declarações como imune, porém restou constatado o descumprimento de preceito legal, razão porque procedeu aquele órgão a emissão do referido ato e cobrança simultânea das contribuições devidas. Ademais, salvo melhor juízo, a legislação quanto a imunidade/isenção dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal (antes do processo de unificação) eram totalmente distintos, desvinculados, seguindo rito e legislação próprios. Por isso,, também não acato dito argumento para fundamentar a necessária exigência de ato de exclusão. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Aqui, aproveitando a referência ao lançamento (feito em outro tópico) de contribuições de Imposto de renda, afasto, também o argumento do recorrente, que as bases ora lançadas, também o foram como rendimento oriundos de locação. Nesse sentido, houve manifestação da autoridade julgadora, sendo que nenhum fato novo fora trazido pelo recorrente para rebater o ponto refutado na decisão de primeira instância, qual seja, recebimento de remuneração por meio de aluguéis. Esclareceu o julgador, que no lançamento em questão, estão sendo lançadas contribuições patronais, sobre ganhos indiretos dos dirigentes, enquadrandose no conceito de salário de contribuição. No âmbito da DRF foi lançado o imposto de renda pessoa física, ou seja, tratase da mesma base, mas com destinação diversa. INEXISTÊNCIA DE INCONGRUÊNCIAS, . Cumpre ressaltar a inexistência de incongruências no presente lançamento fiscal, como pretende demonstrar a impugnante. Inicialmente convém ressaltar que não serão apreciados os. argumentos ' atinentes as inconsistências :no lançamento como , vantagem a dirigentes das verbas decorrentes da assunção de divida' da autuada pela empresa Brasil _Grande S/A, uma vez terem sido as , mesmas excluídas da presente autuação., No que tange aos valores pagos a título de locação de imóvel a Fundação Fernando Lee; pretende a . autuada, demonstrar a existência de incongruência diante da existência do processo administrativo n° 15956.000567/200749, lavrado em nome de, Evandro Alberto de Oliveira Bonini; no qual a fiscalização da Receita Federal procedeu' ao lançamento do imposto de renda pessoa física por considerar simulação a locação de imóveis recebidos em, usufruto pela Fundação para a AERP. Sobre o tema importante ressaltar que o presente auto de infração, destinase a constituição do crédito tributário devido 'Pela_ 'pessoa jurídica, enquanto, o processo mencionado pela defesa é destinado à constituição de crédito tributário da pessoa física. ainda que referentes à mesma remuneração: , Não se vislumbra, dessa forma, qualquer incongruência entre Os procedimentos fiscais mencionado. Além disso, não merece acolhimento a alegação do contribuinte .acerca da possibilidade de conferir tratamento ‘de distribuição de lucros as verbas ora consideradas como vantagens a dirigentes, já que a distribuição de lucros configura faculdade concedida à empresa (excluída desse conceito), por expressa previsão legal a entidade sem fins lucrativos para estabelecimento de participação dos, trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como incentivo a produtividade, sujeito, portanto, a imposição de metas; entre outras. .regras especificas previstas na Lei 10.101não identificadas no caso em tela. Assim, no entender dessa relatora não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Fisco, haja vista o relatório fiscal indicar precisamente o motivo do não enquadramento no código FPAS 639, e por conseguinte lançar as contribuições devidas. O procedimento adotado, por entender que a partir da negativa do pedido de isenção, não há de se falar em direito a isenção, salvo demonstrado pelo recorrente novo direito a isenção, o que não foi o caso, conforme descrito pelo próprio auditor em seu relatório. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 7 11 Por fim, não acato o argumento de que a decisão proferida pela DRJ tenha ido de encontro com a Decisão proferida no MS, ferindo o disposto na Lei 9.784/99; nem tampouco acato o argumento, que no mínimo deverseia suspender o julgamento até decisão final da apelação civil. Todo o rito para realização do procedimento fiscal e constituição do crédito foi devidamente realizado, tendo o auditor demonstrado, por meio de seu relatório, todos os fundamentos fáticos e jurídicos para lançamento. Não obteve o recorrente qualquer medida judicial capaz de impedir a realização do lançamento, e até que o alegado processo transite em julgado, não se pode falar em direito absoluto ao exercício da condição de imune em relação a contribuições prevdeciárias. QUANTO AO ALEGADO DIREITO ADQUIRIDO E QUESTIONAMENTO SOBRE A IMUNIDADE PRETENDIDA. Não fosse apenas o fato, de que o direito a isenção foi apreciado em processo próprio (quando do ingresso do pedido e apreciação pelo INSS e CRPS), para absternos de apreciar novamnte todos os pontos trazidos pelo recorrente quanto a sua condição de imune nos termos do art. 14 do CTN, art. 195 da CF/88, ou mesmo direito adquirido antes do Decreto 1572/1977, devemos considerar, principalmente o fato da existência de ação declaratória da condição de imune, interposta pelo recorrente perante a justiça, com base nos mesmos fundamentos (Processo 2005.34.00.0277017). Nesse sentido, entendo acertado o posicionamento do julgador de primeira instância, que deixou de apreciar os argumentos do impugnante, que no mérito coincidem com o os argumentos do processo judicial para declaração da condição de isenta. Transcrevo trecho da decisão: Posteriormente, em , 2005, a autuada , ajuizou ação ordinária junto a Subseção Judiciária do Distrito _Federal — DF„ sob n° 2005.34.00.0277017, requerendo o reconhecimento da imunidade tributaria e a declaração da inexistência de relação jurídica que. autorize o INSS a exigir as contribuições da empresa (quota patronal), aquelas destinadas ao SAT e aos terceiros. Entre os argumentos apresentados menciona a aplicação do artigo 14 do Código Tributário Nacional em detrimento do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, por se tratar de. Lei Complementar, a regulamentar o disposto no artigo 195, §7 da Constituição Federal. Em, primeira instância„ o pedido formulado pela autora foi julgado improcedente; contudo o, em sede de apelação junto ao TRF da 1° Região, foi dado provimento , ao recurso interposto, reconhecendo o direito da autora à imunidade pretendida. O processo encontrase atualmente junto ao TR17 da 1Regido aguardando julgamento 'dos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional, conforme consulta ao sitio do/TRF da 1 Região Destaco, apenas para esclarecimento que em 15/01/2013, o processo encontrase para exame de admissibilidade, considerando os recursos especial e extraordinários Fl. 778DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 interpostos pela Fazenda Nacional. (Fonte: http://www.trf1.jus.br/Processos/ProcessosTRF/ctrf1proc/ctrf1proc.php?proc=2005340002770 17.) Assim, seguindo orientação de súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que, ao publicar a súmula nº. 1 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes, assim dispõe: SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Isto posto, deixo de apreciar o direito a referida imunidade, posto que os argumentos apresentados neste recurso quanto a condição de imune, coincidem com a “causa de pedir”, objeto da ação declaratória mencionada acima, importando em relação a mesma matéria renúncia ao contencioso administrativo. DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 3.577/59 Outro ponto que argumenta o recorrente, é que obteve a condição de entidade de assistência social sob a vigência da lei 3.577, de 4 de julho de 1959, por conseguinte desnecessário o reconhecimento, para as instituições já reconhecidas anteriormente ao regime da lei 8212/91 Quanto a este ponto, entendo que também razão não lhe assiste: Conforme apreciamos acima, perante a Administração Tributária, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme destacado acima. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. (NOTESE NO QUE ENTENDO NÃO FOI OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL) Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; Fl. 779DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 8 13 b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Assim, embora alegue ter sido considerada de utilidade pública federal pelo Decerto 94.230/87, com processo junto ao MJ que data de 1968, não entendo que “seja possível afirmar que a recorrente adquiriu o direito à isenção das contribuições previdenciárias na vigência do regime jurídico anterior a lei 8212/91”, como a mesma trouxe em seu recurso (fls. 1003). Conforme transcrito acima, para ser detentora do direito adquirido a isenção antes do Decreto 1572/77, a entidade devia comprovar dois requisitos, Ser reconhecida de utilidade pública federal e possuir o certificado de fins filantrópicos. Notese que as fls. 1005, o próprio recorrente destaca que obteve o registro e o certificado no ano de 1997, por meio da resolução 156/77. Assim, afasto também a pretensão de possuir direito adquirido. DA EMISSÃO DO CERTIFICADO COMO SUFICIENTE PARA CONDIÇÃO DE IMUNE. Para refutar o argumento de que o simples fato de possuir certificado já qualifica a condição de isenta da entidade, entendo necessário distinguir o papel de cada órgão em relação ao reconhecimento da isenção. O CNAS possui a competência para expedição do Certificado e do Registro, um dos pressupostos para que o INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) reconheça o direito à isenção, pelo menos até a edição da lei 12.101/09. Nesse sentido dispõe o Parecer n ° 2.272/2000: EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, para Fl. 780DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições. Corroborando a competência do INSS (atual Secretaria da Receita Federal do Brasil) segue ementa do Parecer CJ/MPS n ° 3.093/2003, aprovado pelo Ministro da Previdência Social, que também aborda a matéria: EMENTA. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 195, § 7º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991. ÓRGÃO COMPETENTE PARA A CONCESSÃO E PARA O CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS. 1. Ao INSS compete julgar os pedidos de concessão de isenção das contribuições para a seguridade social, prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, e regulamentada pelo art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 2. Compete ao INSS cancelar, a qualquer momento, a isenção das entidades que não estejam cumprindo os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, ainda que possuam CEBAS em vigor. 3. A competência do INSS para conceder, fiscalizar e cancelar a isenção das contribuições para a seguridade social, com fundamento nos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, existe desde a publicação deste diploma legal no Diário Oficial da União. Dessa forma, mesmo que se atenda ao argumento do recorrente, que por estar previsto na Constituição, tratarseia de imunidade (o que está em discussão no âmbito judiciário), fato é, que não logrou êxito o recorrente, em demonstrar o cumprimento de um requisito básico, qual seja, ter pedido de isenção deferido. Ao contrário do que entende, o Certificado é apenas um dos requisitos, não valendo isoladamente para garantir a condição de imune, pretendida pelo recorrente. EFEITOS DA MP 446 Quanto aos efeitos da MP 446 no presente lançamento, entendo desnecessária a apreciação da questão, posto que não foi a obtenção, ou mesmo renovação, existência do certificado que serviu como motivo para o lançamento. DA APLICAÇÃO DA LEI 12.101/2009. Contudo, entendo que exista ou ponto que merece ser enfrentado, conforme trazido pelo recorrente. Os efeitos da aplicação da lei 12.101/2009, ao caso concreto, considerando que quando da lavratura do AI, a referida lei já se encontrava em vigor. Nesse sentido, importante visualizar a competência distinta de cada um dos órgãos envolvidos no processo de enquadramento (como mencionado acima) de uma entidade como isenta, para que ao fim se determine a legitimidade ou não do lançamento de contribuição da parcela patronal de contribuições previdenciárias. A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por Fl. 781DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 9 15 exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas, indicando no relatório fiscal os motivos do seu não enquadramento. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Com base no mesmo raciocínio, não entendo que a publicação da lei 12.101/2009, tenha afastado dita exigência em relação a períodos anteriores a sua entrada em vigor. Portanto, até 29/11/2009, era legalmente exigível o pedido de isenção, cabendo à. Secretaria da Receita Federal do Brasil (anteriormente ao INSS) verificar o cumprimento dos requisitos exigidos em lei e o devido enquadramento da entidade para fins de isenção de contribuições previdenciárias, reconhecendo ou não o direito, sujeitandose, ainda, a entidade à verificação periódica da manutenção desses requisitos, da qual poderia resultar em cancelamento do beneficio. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 Assim, destacou o auditor que não demonstrou o recorrente ter ingressado com novo pedido de isenção, após a emissão o indeferimento do pedido formulado em 1997, assim, como já mencionado na decisão de primeira instância. Assim, por falta de prova do cumprimento de condição indispensável, não há que se falar em isenção ou imunidade até 29/11/2009. Entendo que os efeitos da lei 12.101/2009, e por consequência, as regras ali contidas, não possuem efeito retroativo, valendo até a sua entrada em vigor, as regras dispostas no art. 55 da lei 8.212, com o texto até então em vigor . Já a partir de 30/11/2009, a isenção/imunidade em relação as contribuições previdenciárias passou a ser regulamentada pela Lei 12.101, de 2009. Assim, a partir da dita lei é que o usufruto da isenção não mais depende de requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (ou INSS), bastando a posse do certificado emitido pelo órgão do Ministério da respectiva área de atuação e o cumprimento dos requisitos elencados no seu art. 29 abaixo descritos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capitulo II fará jus isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; Fl. 783DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 10 17 VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar n 2 123, de 14 de dezembro de 2006. Notese que de acordo com o art. 31 da mesma lei, o direito à isenção poderá ser exercido a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, mas não podemos falar que dita previsão afastaria as exigências legais vigentes até a alteração legislativa. Art. 31. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Todavia, identificamos que o lançamento em questão envolve apenas competências anteriores a publicação da lei 12.101, razão porque correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar contribuições previdenciárias correspondente a parcela patronal. QUANTO AS TENTATIVAS DE AFASTAR O DIREITO A IMUNIDADE DO RECORRENTE. Alega o recorrente, que participa do PROUNI, instituído pelo governo Federal, nos termos da lei 11.096/2005, a qual qualifica a instituição participante como sendo entidade de assistência social., bem como por disponibilizar atendimento da população via SUS, atende o comando do § 5º do art. 55 da lei 8212/91. Tanto é verdade que o MPF, mediante Ação Civil Pública, tenta tornar a recorrente contribuinte da seguridade social. Da mesma forma existe ação popular, proposta por servidora do INSS, com o objetivo de anular o certificado de entidade beneficente de assistência social. Assim, entende que os certificados emitidos pelo CNAS devem ter alguma valia, pois caso contrário as ações em referência seriam desnecessárias. Neste ponto, acredito ser desnecessário o aprofundamento da questão. Não identifiquei nos autos , a desqualificação do Certificado da entidade, por parte da autoridade fiscal. Não foi esse o objeto do lançamento, mas a ausência de formal pedido de isenção perante aquele órgão. Que o Certificado é de fundamental importância para qualificação da condição de entidade beneficente de assistência social, acredito que ninguém tem dúvida. O fato de terceiros (seja o MPF ou mesmo um cidadão ter ingressado com ação popular, não foram os elementos determinantes do lançamento, razão porque não entendo necessário tecer maiores considerações sobre o tema. QUANTO A OBTENÇÃO DA BASE DE CÁLCULO POR MEIOS ILÍCITOS Quanto ao fato gerador também não há de se acatar qualquer argumento de nulidade do lançamento, considerando que a autoridade fiscal identificou devidamente o fato gerador no documento fiscal. Notese, conforme já amplamente rebatido na decisão de primeira instância, que o lançamento foi apurado em 3 levantamentos; dois deles referentes a empregados e contribuintes individuais, foram considerados, tendo por base valores declarados em GFIP, razão porque de pronto afasto os argumentos de que foram obtidos de forma ilícita. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 Em relação a estes dois levantamentos, não apresentou o recorrente, argumentos de erro em GFIP, ou mesmo documentos que comprovassem que a base de cálculo era indevida. Quanto ao levantamento Vantagem a Dirigente, esse sim, merece ser melhor esclarecido ao recorrente, considerando a alegação acerca do alcance da decisão que determinou a inclusão de documentos obtidos por meio do inquérito e por conseguinte do termo de busca e apreensão. Ao observamos os termos da sentença nos autos do processo Recurso em Habeas Corpus n. 16.414 SP, transcrita abaixo, observamos que naqueles autos decidiu: Crimes contra ordem tributária (lei 8.137/90. Lançamento definitivo do crédito (condição objetva de punibilidade). Busca e apreensão (prova ilícita). 1. Nos crimes contra a ordem tributária, a propositura da ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório, pressupõe haja decisão final sobre o credito tributário, o qual se torna exigível somente após o lançamento definitivo. 2. Notícia não há, no caso, de decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário. 3. É necessário, antes, que o procedimento seja unicamente administrativo fiscal, evitandose, com isso, que expedientes próprios da investigação criminal sejam indevidamente usados para a definição de créditos tributários. 4. No caso, se não se podia e,de fato, ainda não se pode, instaurar ação penal, então não foram lícitas a busca e apreensão. 5. Recurso ordinário provido a fim de se determinar sejam devolvidas as coisas se natureza tributária apreendidas em virtude da busca e apreensão. A apuração no presente lançamento deuse por meio dos documentos solicitados e entregas a fiscalização, durante o procedimento fiscal, razão porque não acolho a nulidade pretendida Como observou a autoridade julgadora, a decisão judicial obtida de que os documentos apreendidos e que consubstanciaram lançamento anterior, deveriam ser devolvidos e não poderiam servir naqueles autos, como fundamento para o lançamento, não torna dito documentos imprestáveis. Não vislumbro qualquer nulidade, quando, em procedimento posterior, devidamente respaldado por MPF, vier a autoridade fiscal a solicitar documentos anteriormente objeto de apreensão, ou mesmo requerer registros contábeis cuja indicação de correlação com fatos geradores de contribuições previdenciárias, tenha partido de estudos e análises realizados em procedimento realizado em conjunto com a polícia federal. Compete a empresa, guardar e apresentar ao fisco, quando solicitado, todos os documentos pertinentes ao fiel cumprimento da legislação previdenciária. Não é porque foi declarado irregular um procedimento pelo judiciário, que todos os demais legitímos procedimentos fiscais, consubstanciados em documentos registrados e contabilizados pela empresa em relação ao mesmo período estarão viciados. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 11 19 Por outro lado, compete a autoridade fiscal, a indicação no relatório fiscal, de todos os fatos e fundamentos para constituição do crédito. Ao ler o item 4.2.1 do relatório fiscal, assim, descreveu a autoridade fiscal: Em busca das justificativas para a existência da despesa com mútuo, foram encontradas as explicações e motivos constantes em nossos arquivos relativamente à ações fiscais anteriores desenvolvidas neste contribuinte para o mesmo fato gerador: Segue o auditor transcrevendo os elementos fáticos que o levaram a enquadrar o contrato de mútuo, bem como o pagamento de aluguéis pela AERP para a Fundação Fernando Lee, como vantagem aos seus dirigentes. Notese que a fl. 78, o auditor termina a transcrição com “(...)”., o que não venho a concordar. O lançamento anterior foi alvo de ação judicial, justamente porque as constatações ali obtidas, nasceram, de um processo de busca e apreensão. Não estou aqui concordando com a irregularidade do procedimento, considerando inclusive, que dita conclusão passou a esfera judiciária, mas entendo que o lançamento ora sob análise, para encontrarse “limpo”, sem o manto da alegada “ilicitude”, de trazer em seu bojo todos os esclarecimentos e fundamentos fáticos e jurídicos para sua constituição. Entendo que não se desincumbiu a autoridade fiscal desse fato, ao transcrever parte do relatório anterior, que justamente, está sendo atacado por obtenção de provas ilícitas. Até podemos considerar, que a “conclusão do auditor”, que determinados pagamentos eram na verdade salário indireto, tivessem nascido, das considerações e documentos apreciados durante o procedimento de busca e apreensão, no qual os fiscos trabalhando em conjunto tiveram acesso a documentos e situações que embasaram a realização de procedimentos posteriores. Contudo, ditas narrativas, deveriam ser destacadas no relatório fiscal, como elementos novos, amarrados a fatos e documentos encontrados no decorrer da presente ação fiscal. Assim, entendo que deva ser excluída do lançamento a verba VANTAGEM AOS DIRIGENTES, uma vez que no relatório fiscal, não restou evidenciado, os elementos para caracterizar a verba como salário de contribuição. Apenas para esclarecer, entendo que a ausência de descrição devida do fato gerador, consiste em vício na constituição do lançamento, razão porque deve ser declarado vício formal no lançamento, quanto a rubrica, vantagem a dirigentes. Por fim, entendo que não há de se apreciar a alegação de que considerando a imputação fiscal de caráter econômico a entidade, poderiam os valores serem considerados como distribuição de lucros. Não é esse o objeto do lançamento, não trouxe o auditor qualquer fundamentação nesse sentido. Caso, fosse enveredar para esse raciocínio, trazido no recurso, poderia entender que o recorrente assumi que os seus dirigentes recebem remuneração indireta (o que afastaria a alegação de entidade isenta), contudo, tais valores poderiam ser enquadrados na exclusão da base de cálculo enquanto participação nos lucros. Dito raciocínio não se amolda ao caso em questão, posto que os fundamentos para o lançamento são diversos. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de primeira instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para na parte conhecida DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir do lançamento por vício formal, o levantamento “vantagem a dirigente”. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15956.000431/200909 Acórdão n.º 2401002.865 S2C4T1 Fl. 12 21 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Do voto da Ilustre Relatora depreendese que a mesma declarava a exclusão do levantamento “vantagem a dirigente” em razão de deficiente descrição dos fatos geradores, entendendo que a mácula do lançamento era de natureza formal. Não concordo, data vênia, com a Relatora quanto à natureza da invalidade do lançamento. Inicialmente, peço licença para tratar apressadamente dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois discorrer sobre as consequências jurídicas advindas de vícios em cada um dessas partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, integrando sua própria estrutura. A sua normatividade situase no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. b) Pressupostos: são as formalidades que, malgrado não integrem a estrutura do lançamento, são imprescindíveis para a formação do ato, a exemplo de cientificação do início do procedimento fiscal, intimação para apresentação de documentos, cumprimento de normas internas de Administração Tributária que interferem no cálculo dos consectários legais do crédito, equívoco na citação dos fundamentos legais, etc. c) Condições: são providências que dão eficácia ao ato de lançamento, que sucedem a realização do mesmos, como é o caso da notificação ao sujeito passivo. Tenho entendido que os vícios situados nos pressupostos e condições do lançamento acarretam em declaração de vício formal do mesmo ou no seu saneamento, caso possível. Nessas situações, o ato pode ser refeito, sem alteração nos seus aspectos substanciais, posto que a falha localizase em elemento exterior ao lançamento. Ao contrário, quando a mácula situase nos requisitos do lançamento, devese fulminálo por vício material, quando a autoridade julgadora esteja convencida de que Fl. 788DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 efetivamente ocorreu o fato gerador, todavia, houve falha na sua descrição, no cálculo do tributo ou na identificação do sujeito passivo. Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o convencimento da ocorrência do fato gerador, posto que o mesmo não resta suficientemente demonstrado pela Autoridade Fiscal, há de se declarar a improcedência do lançamento. Votemos ao caso concreto. No meu sentir, foi afetado diretamente um requisito do lançamento, provocado pela descrição insuficiente dos motivos que levaram o fisco a considerar não recolhidas as contribuições exigidas sobre o item “remuneração a dirigente”, posto que não restaram evidenciados os elementos para caracterizar a verba como salário de contribuição. Vêse que, embora vislumbrese a ocorrência dos pagamentos, o fisco não conseguiu demonstrar a contento a incidência de contribuição sobre os mesmos. Assim, tomando como referência os aspectos teóricos acima apresentados, posicionome pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia, não por vício formal, mas por vício material. Conclusão Voto pela exclusão do levantamento “remuneração a dirigente”, por vício material. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 789DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 14367.000285/2008-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT.
Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT.
ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado.
MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Ivacir Julio de Souza Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 85 /2 00 8- 08 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Ivacir Julio de Souza – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000285/200808 Acórdão n.º 2403001.505 S2C4T3 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD n. 37.196.2080), emitido em 30/09/2008, cuja notificação ocorreu em 03/10/2008 (fl. 01), lavrado em face da INCAN – INDÚSTRIA E CONSTRUÇÃO DA AMAZÔNIA, no valor de R$ 17.673,19 (dezessete mil, seiscentos e setenta e três reais e dezenove centavos), referente as contribuições de Terceiros, destinadas às entidades/fundos: SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, lançada com a rubrica: “15Terceiros”. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 29/34, o crédito em tela tem como fato gerador o pagamento de remuneração pela Recorrente aos seus empregados. Constituise nos seguintes levantamentos não declarados em GFIP: Para o estabelecimento com CNPJ n. 01.474.425/000103, foram lavrados os seguintes levantamentos: 1RC – RESCISÕES; CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG; CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS. Para a obra matrícula CEI n. 38.840.00414/77, foram lavrados os seguintes levantamentos: 1RC – RESCISÕES; 2RC – RESCISÕES DIF VERBAS REMUN; DPF – FOLHA DE PAGAMENTO; TER – CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. A Fiscalição compreendeu as competências entre 01/2004 a 12/2004. Conforme registro de fl. 68, o processo foi apensado ao Proc. n. 14367.000283/200819. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 71/82, acompanhada de cópias do Contrato Social/Alterações; Cartão do CNPJ e dos documentos de identificação do representante legal da Recorrente, nas fls. 83/159, com os seguintes argumentos, após resumir a autuação, em suma: CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG: A Recorrente sustenta que estava inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, desde 2001, assim como demonstrado no anexo, razão pela qual deve ser anulado o lançamento. CTS – CONTAB REMUN SÓCIOS: A Recorrente alega que a conta contábil “C/C Sócios”, cujo significado é “conta corrente dos sócios”, na verdade é uma conta de antecipação de lucros, razão pela qual não incide contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 1o, “j” da Lei n. 8.212/91. Discorre acerca de equívocos formais na sua contabilidade, para concluir que em relação ao quantum, a contabilidade está correta, fato reconhecido, inclusive, nos Autos de Infrações DEBCAD ns. 37.196.2064, 37.196.2072 e 37.196.2080. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Alega, outrossim, que as remunerações dos sócios estão lançadas na conta contábil “Prolabore”. Nesse diapasão, a Fiscalização optou pela verdade formal, em face da verdade material. Por fim, alega que o saldo final no exercício da 2004 era de R$ 155.953,07, conforme “Quadro 2 – Valores lançados na conta C/C Sócios” e transferidos como custo para apuração do resultado do exercício do relatório fiscal e o lucro real apurado na “Ficha 09 – Demonstração do Lucro Real”, que foi de R$ 208.688,55, demonstrandose a verdadeira natureza dos lançamentos, pois, explicitaria a existência de lucros a serem distribuídos. CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS: Em relação a este levantamento, a Recorrente impugna a conta “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.7.02.052, que se trata de antecipação de salário a ser abatido no fechamento da folha de salários, sendo que a fiscalização, em face do saldo da conta ter sido transferido para a conta de apuração do resultado, tornoua fato gerador da contribuição previdenciária, o que caracterizaria bis in idem, tendo em vista que seus valores estão inclusos na conta própria para registros de salários, sendo assim, nulos de pleno direito os créditos fiscais apurados com base em seus valores. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio da 5a Turma da DRJ/BEL, prolatou o Acórdão n° 0115.703, de fls. 163/169, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 10 do Decreto 70.235/1972, c/c o art. 142 do CTN. DAS PROVAS. Efetuado o lançamento, o momento oportuno para apresentação das provas documentais é com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 173/179, com os seguintes argumentos, em síntese: A Recorrente contesta o Acórdão ao argumento de que teve cerceado o seu direito da ampla defesa e do contraditório, em face do não atendimento ao princípio da verdade material. Traz os incisos LIV e LV do art. 5o da Constituição Federal. Traz doutrinas e jurisprudência para embasar o alegado. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000285/200808 Acórdão n.º 2403001.505 S2C4T3 Fl. 64 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 171 e 173, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE CNPJ N. 01.474.425/000103: 1RC – RESCISÕES; MATRÍCULA CEI N. 38.840.00414/77: 1RC – RESCISÕES; 2RC – RESCISÕES DIF VERBAS REMUN; DPF – FOLHA DE PAGAMENTO; TER – CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS Ressaltese que não houve impugnações específicas no que tange à multa aplicada em decorrência das discriminações acima. Diante disso, presumemse aceitas as imputações constantes no Auto de Infração objeto da lide, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR NÃO ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A Recorrente entende que teve cerceado o seu direito à ampla defesa. Apesar de dispender grandes esforços para conceituar o princípio da verdade material, não trouxe fatos, direito ou provas concretas para invalidar o Acórdão da DRJ. Como exemplo do vazio das alegações da Recorrente temos o último parágrafo da fl. 178, onde impugna o Acórdão da DRJ, que vedou a juntada de novos documentos. Ocorre que, como a Recorrente não trouxe nenhum documento após a Impugnação, logo, não teve nenhum documento indeferido de fato. Por essas razões, não há como prosperar o pleito da Recorrente em cerceamento do direito de defesa. DO MÉRITO CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento em pecúnia fornecido aos empregados, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Apesar de alegar estar inscrita no PAT, a Recorrente não comprovou o alegado. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:“nas ações judiciais que visem Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000285/200808 Acórdão n.º 2403001.505 S2C4T3 Fl. 65 7 obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Ademais, a Jurisprudência também pacificou entendimento no sentido de que não incide contribuição previdenciária em relação ao valetransporte pago em pecúnia. Sendo, inclusive, matéria prevista na Súmula n. 60 de 08 de dezembro de 2011 da Advocacia Geral da União, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Nesse diapasão, levandose em consideração o porte da Recorrente, temse que os valores pagos a título de alimentação foram razoáveis, assim como se constata na planilha constante na fl. 46 elaborada pela Fiscalização. Razão pela qual, no que tange se refere ao alimento pago em pecúnia, deve o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente. CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS A Fiscalização verificou a existência das seguintes contas: “Salário (custos)” – cód. 1.8.1.02.007; “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.1.02.052; “Diarista” – cód. 1.8.1.02.058. Com base na movimentação das contas, concluiu que se tratam de remunerações de segurados empregados. Em sede de Impugnação, a Recorrente apenas justifica a conta “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.1.02.052; para, mais uma vez alegar que a sua contabilidade padece de vícios formais e a Fiscalização deveria buscar a verdade material, assim como a inclusão dessa conta na base de cálculo da contribuição previdenciária caracterizaria um bis in idem. A Recorrente, por sua vez, não comprovou o bis in idem, por esse motivo, deve o lançamento ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000285/200808 Acórdão n.º 2403001.505 S2C4T3 Fl. 66 9 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Redator Designado Designado para redigir o voto vencedor, exponho as razões de divergir: Sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76, a Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento pago em pecúnia aos empregados. Destacando que não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia em valores razoáveis, mesmo que não esteja inscrita no PAT, o I. Relator entendeu de conceder provimento à Recorrente para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação. Exposto o entendimento supra, ouso divergir com suporte consolidado em vasta jurisprudência no âmbito deste Conselho bem como também nos julgados do Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça em que observa que I. Ministros das referidas Cortes têm avalizado a divergência que ora patrocino: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária ,Acórdão nº 20600317 do Processo 35410000223200712 , 12/12/2007 : “ (...) PREVIDENCIÁRIO SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO INSCRIÇÃO NO PAT AUSÊNCIA BASE DE INCIDÊNCIA. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de ajuda alimentação fornecidos sem a competente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea "c" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. ” ( grifos de minha autoria) Tribunal Superior do Trabalho. 3ª Turma Acórdão do processo Nº RR 16240037.2008.5.15.0066, 16/02/2011: “ RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO FORNECIDO POR TERCEIRO. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO DA EXCEÇÃO PREVISTA NA OJ 133 DA SBDI1/TST. O auxílio alimentação fornecido em razão do contrato de trabalho, ainda que por terceira pessoa, no caso a FAEPA, sem notícia de inscrição do real empregador no PAT, tem natureza salarial, nos termos da Súmula 241/TST. Quanto à OJ 133 da SBDI1/TST, dada a sua natureza excepcional, deve ser interpretada restritivamente. Logo, exclui a Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 natureza salarial do auxílio alimentação apenas se o empregador estiver inscrito no PAT, o que não é a hipótese dos autos. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. ” ( grifos de minha autoria) Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma , AgRg no Ag 730362 / PR , 15/08/2006 Relator(a) Min. Denise Arruda: “ Ementa AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. ACORDOS TRABALHISTAS. INSCRIÇÃO NO PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. IRRELEVÂNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 7º, XXVI, DA CONSTITUIÇÃO. 1. Não incorre em omissão, contradição ou obscuridade o acórdão que, mesmo sem se ter pronunciado sobre todos os temas trazidos pelas partes, manifestouse de maneira precisa e concisa sobre aqueles relevantes e aptos à formação da convicção do órgão julgador, resolvendo de modo integral o litígio. 2. As parcelas referentes ao auxílioalimentação pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. O fato de a referida verba ter sido adimplida de uma só vez, quando da celebração de acordo trabalhista, não lhe retira o caráter remuneratório. 4. A alegação de suposta violação de dispositivos constitucionais extrapola a competência atribuída a este Superior Tribunal de Justiça, a teor do disposto no art. 105, III, da Constituição Federal. 5. Agravo regimental desprovido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux e Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000285/200808 Acórdão n.º 2403001.505 S2C4T3 Fl. 67 11 Teori Albino Zavascki votaram com a Sra. Ministra Relatora. Ausente, ocasionalmente, o Sr. Ministro José Delgado.” CONCLUSÃO Face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10314.000413/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 06/01/2004 a 28/07/2006
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
O lançamento tributário relativo à acusação de interposição fraudulenta constitui litisconsórcio necessário entre o importador de direito e aquele apontado pela fiscalização como o importador real. Havendo a intimação de um dos corresponsáveis indicados no auto de infração, dentro do prazo legal, encerra-se o prazo decadêncial.
RECURSO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CUMULATIVA DAS MULTAS PREVISTAS NO ARTIGO 23, § 3º, DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976 E ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007.
A aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.48/07 não autoriza, per si, o afastamento da responsabilidade do importador pela multa substitutiva prevista no parágrafo terceiro do artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/76.
Recurso de Ofício provido e Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-000.826
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento integral ao recurso de ofício, para afastar a decadência, votando pela conclusão Wilson Sampaio Sahade Filho e Paulo Sérgio Celani e para decidir que as multas são absolutamente independentes e sem qualquer sobreposição, decidindo anular a decisão de primeira instância para que seja proferida outra para analisar todos os demais argumentos. Quanto ao recurso voluntário, por maioria, o mesmo não foi conhecido por estar prejudicado, vencido o relator neste particular, redatora designada Conselheira Judith Amaral Marcondes Armando.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 06/01/2004 a 28/07/2006 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O lançamento tributário relativo à acusação de interposição fraudulenta constitui litisconsórcio necessário entre o importador de direito e aquele apontado pela fiscalização como o importador real. Havendo a intimação de um dos coresponsáveis indicados no auto de infração, dentro do prazo legal, encerrase o prazo decadencial. RECURSO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO CUMULATIVA DAS MULTAS PREVISTAS NO ARTIGO 23, § 3º, DO DECRETOLEI Nº 1.455/1976 E ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007. A aplicação da multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.48/07 não autoriza, per si, o afastamento da responsabilidade do importador pela multa substitutiva prevista no parágrafo terceiro do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/76. Recurso de Ofício provido e Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento integral ao recurso de ofício, para afastar a decadência, votando pela conclusão Wilson Sampaio Sahade Filho e Paulo Sérgio Celani e para decidir que as multas são absolutamente independentes e sem qualquer sobreposição, decidindo anular a decisão de primeira instância para que seja proferida outra para analisar todos os demais argumentos. Quanto ao recurso voluntário, por maioria, o mesmo não foi conhecido por estar prejudicado, vencido o relator neste particular, redatora designada Conselheira Judith Amaral Marcondes Armando. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIM Presidente. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO – Redatora Designada. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudino, Paulo Sérgio Celani (Suplente) e Wilson Sampaio Sahade Filho (Suplente). Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional e fizeram sustentação oral o procurador da PGFN Dr.Rodrigo de Maledo e Burgos e o advogado Dr. Hamilton Dias de Souza. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Contra a interessada Huawei do Brasil foi lançada a multa por conversão da pena de perdimento, capitulada no artigo 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, em face das infrações “mercadoria estrangeira possuída a qualquer título com falsificação ou adulteração de documentos” e “interposição fraudulenta na importação, mediante ocultação do real adquirente” (fl. 10). As autoridades aduaneiras fundamentam o lançamento no relatório de fls. 1067 — “descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is)”. Em síntese, os auditoresfiscais aduzem que a autuada (Huawei do Brasil) realizou importações por intermédio da empresa Sab Company, atualmente Server Company. Tais importações por conta e ordem da Huawei do Brasil não foram assim declaradas pela Sab Company, caracterizando simulação e ocultação do real adquirente. Intimada em 10/1/2007, a interessada apresentou impugnação em 8/2/2007, juntada às fls. 1.969 e ss. Alega, em síntese: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.059 3 Dedicase à fabricação e comercialização de componentes de telecomunicações e informática. É estabelecimento industrial e contribuinte do imposto sobre produtos industrializados. Contratou a Sab Company a fim de viabilizar suas importações, pois a impugnante não possuía habilitação (“Radar”), a qual foilhe negada pela Receita Federal (cita fls. 6410 e ss., v. 31). As importações eram realizadas pela Sab Company por conta própria, pois empregava recursos próprios e o fechamento de câmbio era sua responsabilidade. Após a vigência da Lei nº 11.281/06 a relação entre as empresas passou a ser a de “importação por encomenda”. Questiona trecho do relatório fiscal (fls. 30 e 31) no qual a fiscalização afirma que a Sab Company empresta dinheiro à Huawei do Brasil que, por sua vez, adianta os recursos para a importação. A fiscalização se contradiz e não prova que os recursos empregados pertenciam à Huawei do Brasil. Todas as mercadorias importadas e compradas pela impugnante foram utilizadas como insumos em seu processo industrial. Conseqüentemente, houve o pagamento do imposto sobre produtos industrializados na saída, o que afasta a imputação de prejuízo ao Erário em face da sonegação do imposto. Afastase a tese fiscal de que o motivo da suposta simulação seria evitar que a impugnante fosse equiparada a industrial, evitando a incidência do imposto sobre produtos industrializados nas revendas. Cita documentos anexos 3 a 9 (fls. 1839, v. 10, a 6408, v. 31). Diferencia as importações “por conta e ordem de terceiro” e “por conta própria”. Aduz que na segunda o importador adquire mercadorias do exterior, em seu nome, responsabilizandose pelo câmbio, e as revende no mercado interno. Há dois contratos de compra e venda, um entre o fornecedor estrangeiro e o importador e outro entre o importador e o adquirente na transação interna. O fato de a pessoa jurídica importadora, em determinados casos, ter a expectativa de saber quem será o comprador das mercadorias no Brasil não alterava, antes da Lei nº 11.281/06, a natureza jurídica da “importação por conta própria”. Havendo descumprimento por parte do promissário comprador, a importadora tem a livre disponibilidade do bem, podendo comercializálo com outros sujeitos pelo preço e condições que lhe convém. A Lei nº 11.281/06 estabeleceu distinção entre a “importação por conta e ordem” e a “importação por encomenda”. Na segunda, o encomendante contrata a importadora para que esta, com recursos próprios, efetue a aquisição e importação de mercadorias e, posteriormente, as revenda ao encomendante. Essa disciplina normativa, conferindo efeitos fiscais semelhantes Fl. 424DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 aos aplicáveis às importações por conta própria, corrobora as práticas adotadas pela impugnante. Antes da lei 11.281/06, não era juridicamente relevante saber se havia ou não a encomenda. O fundamental era saber por conta de quem os produtos estrangeiros estavam sendo adquiridos. Conclui que, antes e depois da lei 11.281/06, as importações eram por conta da Sab Company, que com recursos próprios adquiria as mercadorias. Não era mera prestação de serviços. A importação por conta e ordem de terceiros só se caracteriza se o importador não utilizar recursos próprios para realizar a importação. As disposições do contrato entre Huawei do Brasil e Sab Company não autorizam que se o considere como mera prestação de serviços e importação por conta e ordem de terceiros. A Lei nº 11.281/06, ao reconhecer a “importação por encomenda”, autoriza que uma empresa contrate uma importadora para que esta, com seus próprios recursos, efetue a aquisição e importação de mercadorias e, posteriormente, as revenda ao encomendante, em moldes previamente definidos. Os documentos apreendidos pela fiscalização são insuficientes para caracterizar as importações como por conta e ordem de terceiros. Não merecem valor as afirmações do representante da empresa, Sr. Itamar Felipe Cassiano (fl. 1713). Tais indícios não são suficientes para caracterizar a importação como por conta e ordem de terceiros. Cita acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes (fl. 1714). Para a caracterização da importação por conta e ordem são necessários: (i) contrato de prestação de serviços, (ii) pagamento de comissão e (iii) registro contábil que demonstre que o importador não é proprietário da mercadoria. A própria Fazenda reconhece a impossibilidade de a impugnante ter adquirido as mercadorias por importação por conta e ordem pois no processo 10814.003958/200554 foi indeferida sua habilitação para o Siscomex. Após a edição da lei 11.281/06, a Sab Company e a Huawei do Brasil enviaram documentos à Receita Federal para caracterização da importação por encomenda. Tais documentos não foram levados em consideração pela fiscalização, que lavrou o auto de infração até julho de 2006, quando já tinham sido realizados todos os atos necessários para o registro da importação por encomenda. Desde abril de 2006 as importações eram por encomenda O princípio da legalidade implica reconhecer a licitude dos negócios jurídicos de direito privado não vedados pelo direito. Aduz que a elisão fiscal não é evasão pois naquele caso não há incidência da norma jurídica tributária. No caso concreto nem elisão nem evasão ocorreu pois o imposto sobre produtos industrializados foi recolhido (doc. 9 – fls. 6387 e ss. v. 31). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.060 5 Discorre sobre o conceito de simulação. Alega que negócio jurídico lícito não é susceptível de desconsideração pela autoridade administrativa. Apenas operações que ocultem a realidade configuram simulação. Para que haja simulação é necessário (i) conluio entre as partes, (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio declarado e (iii) intenção de lograr o Fisco (fl. 1727). Tais características não estão presentes nas importações da Sab Company e não houve prejuízo ao Erário. Não há fraude, simulação nem conluio sem dolo — intenção de obter o resultado ou de assumir o risco de produzilo. O dolo e a culpa não se presumem. Cita acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes. Não houve no presente caso qualquer conduta dolosa. Os agentes fiscais não comprovaram ilicitude praticada pela Huawei do Brasil nem pela Sab Company. Cita acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes. Cita também decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O fato de as mercadorias não transitarem fisicamente pelo estabelecimento do importador não autoriza a conclusão de que a operação é simulada, por não ser requisito para a efetivação do negócio jurídico. Esclarece sobre o Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap), o qual proporciona benefícios tributários no âmbito da tributação estadual (ICMS). Apesar de a Sab Company possuir prejuízo operacional, obtém lucro financeiro em função dos benefícios tributários conferidos pelo Fundap. O Fundap é válido e vigente, devendo ser respeitado por todos, inclusive pelas pessoas políticas. A União não possui legitimidade para questionálo. São totalmente irrelevantes as considerações feitas pela autoridade fiscal sobre os benefícios auferidos pela Sab Company em razão do Fundap. O Supremo Tribunal Federal (STF) entende ser imprescindível que a legislação discipline as condutas de modo razoável e proporcional. O princípio do nãoconfisco aplicase não apenas aos tributos. A multa aplicada é desproporcional e confiscatória, devendo ser cancelado o auto de infração. Cita decisões do STF. A fiscalização equivocouse sobre o sujeito passivo, que é a importadora Sab Company. Protesta pela produção de provas, especialmente a pericial, a fim de comprovar a natureza industrial das atividades desenvolvidas pela Huawei do Brasil e o recolhimento de tributos por parte da Sab Company. Formula quesitos às fls. 1751 e 1752. Requer o cancelamento do crédito tributário. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Acolhida pela repartição de origem a impugnação em relação à tempestividade e aos aspectos formais, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento, com 31 volumes e 6.435 fls. O lançamento foi julgado procedente por esta DRJ, que prolatou o acórdão 1719.606, de 14/8/2007 (fls. 6.4386.455). A interessada apresentou recurso voluntário ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. O julgamento foi feito pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que exarou o acórdão 310200.217, de 20/5/2009 (fls. 6.7496.752), mediante o qual foi anulado o processo. O Carf entendeu que o intuito da autoridade fiscal foi incluir no pólo passivo, além da Huawei, também a Sab Company. Assim, decidiu pela anulação do processo e determinou à fiscalização que intimasse a Sab SP Trading Company S/A a integrar o pólo passivo (fl. 6.752, verso). A fiscalização intimou a empresa Server Company Comércio Internacional S/A (fl. 6.764), em 30/12/2009. Server Company apresentou impugnação em 29/1/2009, juntada às fls. 6.770 e ss. Alega, em síntese: A impugnante não deveria figurar no pólo passivo pois, segundo a ótica da fiscalização, a Huawei do Brasil seria a única a obter vantagem da suposta sonegação de tributos internos. Já foi autuada com base nas mesmas operações e penalizada, ainda que impropriamente, com multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas (processo 12466.002861/200719, artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 – fls. 6.9066.932). Não pode a fiscalização apenar a impugnante com 100% do valor aduaneiro, mas restringirse à multa de 10% do valor da operação supostamente acobertada (artigo 33 da Lei nº 11.488/2007). Não há dúvida de que o presente auto de infração possui o mesmo propósito do auto citado acima. A administração criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). A Portaria nº 1.265/1999 estabeleceu que os procedimentos fiscais somente seriam instaurados mediante ordem específica de autoridade hierarquicamente superior. Essa portaria foi substituída por outros atos, sendo o mais recente a Portaria nº 4.328/2005. A exigência também foi veiculada pelo Decreto nº 6.104/2007, vigente quando da lavratura dos autos de infração em pauta. Cita doutrina (fls. 6.776 e 6.778) segundo a qual a irregularidade no MPF configura vício de procedimento que acarreta a invalidade do lançamento. A impugnante não recebeu MPF e não consta qualquer ciência prévia para a impugnante da instauração ou do início de Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.061 7 procedimento fiscal contra ela que pudesse resultar em lançamento válido de crédito tributário. A impugnante apenas recebeu, em 30/12/2009, a intimação nº 253/2009, para ficar ciente do auto de infração e integrar o pólo passivo. Tal intimação não contém todos os requisitos formais do MPF, nem pode substituílo. No MPF e no auto de infração correspondente não consta o nome da impugnante, mas apenas o da empresa Huawei do Brasil, o que configura gravíssima violação aos direitos dos contribuintes. O MPF é condição necessária e obrigatória à validade do lançamento. Cita decisão administrativa (fl. 6.778). Alega decadência e prescrição do lançamento. O auto de infração recomposto encontrase esteado em fatos ocorridos há mais de 5 anos, operandose a decadência ou prescrição do lançamento. A fiscalização empresta conotação de que a impugnante favoreceuse de incentivo financeiro questionável ou ilegítimo. Defende o Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (Fundap) e sua idoneidade. A fiscalização afirma que a operação teria sido simulada pelo fato das mercadorias não terem chegado a entrar fisicamente na empresa Sab, o que constitui absurdo. A fiscalização deixou de reconhecer toda a documentação fiscal e contábil de ambas empresas. A autuação reportase a declaração de pessoa da Huawei não dotada de conhecimento jurídico para explanar de forma precisa as operações da impugnante e da Huawei no Brasil. Querer que um funcionário entenda a fundo os conceitos de importação vigentes no Brasil é fugir da realidade. A fiscalização pratica ilações impróprias e presunções que não se sustentam. A fiscalização se equivoca na interpretação das normas. Não existe proibição de que numa operação por conta própria o adquirente final, ou seja, a empresa que se comprometeu a comprar da importadora, tenha algum contato com o exportador. O contrato firmado entre as partes (Sab e Huawei) não vedava o contato da Huawei com o exportador. É um direito da Huawei optar por operação de compra e venda, já que a impugnante assumiu a obrigação de pagar os custos da importação para depois cobrálas de sua cliente Huawei. Isto não seria possível se fosse importação por conta e ordem de terceiro. Não ocorreu adiantamento de valores à importadora, sendo esta uma característica da importação por conta e ordem de terceiros. A fiscalização não pode restringir a liberdade existente no contrato Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 firmado entre as partes que se deu de acordo com os dispositivos legais. A Lei nº 11.281/2006 veio a normatizar a operação de “compra e venda para encomendante predeterminado” e não proíbe que o clientecomprador da mercadoria importada mantenha contato com o exportador. A fiscalização não comprovou a ocultação do sujeito passivo. A importação e venda das mercadorias encontramse devidamente registradas na contabilidade de ambas as empresas. As operações foram contabilmente e fisicamente registradas no estoque da impugnante e vendidas no mercado interno à Huawei do Brasil, com emissão de nota fiscal. A alegação da fiscalização de que as mercadorias nem chegaram a entrar fisicamente na empresa não é verdadeira. As mercadorias foram armazenadas em armazém contratado pela impugnante. A legislação estadual permite que se deposite as mercadorias em empresa autorizada a operar como Armazém Geral (Decreto nº 1.102/2003). A fiscalização alega que a impugnante vendeu as mercadorias à Huawei pelo custo de aquisição, com prejuízo. O lucro de uma empresa fundapeana é oriundo do próprio benefício do Fundap. Contesta a utilização de uma proposta da empresa Huawei dirigida à empresa Telecomunicações de São Paulo S/A como prova da suposta irregularidade praticada. A fiscalização não comprova a carta ter sido objeto de algum negócio concluído. A carta não implica que a proposta tenha sido adotada para as demais operações de revenda da Huawei ou que se refere a importações e vendas efetuadas pela impugnante. Deveria ter sido verificado pela fiscalização na contabilidade da Huawei se ocorreu o que se propôs quanto ao IPI. A presunção da fiscalização quanto à finalidade da Huawei de evitar a incidência de IPI é descabida., tendo em vista que a mesma é um estabelecimento industrial e deve debitar o IPI sobre vendas, apurando o saldo credor/devedor do mês de competência. Requer realização de diligência para confirmar o recolhimento de IPI (ou lançamentos em livro próprio) referentes às vendas da Huawei a terceiros. As operações da impugnante foram realizadas por conta própria, de acordo com os seguintes procedimentos: as importações foram realizadas em nome da impugnante; a documentação e os contratos de câmbio estão em nome da mesma; os tributos foram pagos com recursos da impugnante e não houve qualquer adiantamento da Huawei; as DI foram registradas e as mercadorias passaram a integrar o estoque físico e contábil da impugnante; em momento posterior as mercadorias foram vendidas à Huawei com recolhimento dos tributos devidos; inexistiu adiantamento de valores por parte da Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.062 9 Huawei; inexiste vedação legal a que a compradora de mercadorias e o exportador tenham contatos. Conclui que a importação ocorreu “por conta própria”. Na “importação por conta e ordem de terceiros” a mercadoria é transferida diretamente para o adquirente e este é quem suporta todos os custos e despesas da operação de importação, devendo inclusive remunerar a importadora pelos serviços prestados. Nada disto aconteceu nas importações em questão. A impugnante preenche todos os requisitos previstos no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 7/2002 para a caracterização de importadora como adquirente de mercadoria (artigo 2º). Portanto estas importações são consideradas como “por conta própria”. Cita acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 6.797 e 6.798). A pena de perdimento somente pode ser aplicada se cabalmente demonstrada pela fiscalização a existência de fraude ou simulação. Não foi alegado pela fiscalização que tivesse ocorrido erro quanto à quantidade e valor das mercadorias, preço subfaturado, descumprimento de cota de importação, ou qualquer outro ato que justificasse a existência de dano ao erário. Somente com a Lei n.º 11.281/2006 passou o encomendante a ter obrigações que justificam sua indicação prévia às autoridades fiscais. Não havia, à época dos fatos, a obrigação legal de indicação prévia do promissário comprador (encomendante), o que retira o substrato fáticojurídico do auto de infração. Defende os princípios da tipicidade fechada (não há previsão legal para as presunções da fiscalização) e da proporcionalidade (a multa é absurdamente superior ao suposto IPI não recolhido). Não pode a impugnante responder por ato que não era da sua responsabilidade, ainda que considera que a Huawei do Brasil não cometeu qualquer irregularidade. Houve incidência de IPI, que foi recolhido pela impugnante. Não se pode considerar que a impugnante deva responder pelo não recolhimento de IPI como se tivesse praticado a infração de “falta de recolhimento”. Os tributos de obrigação da impugnante foram quitados. O auto de infração é improcedente pois descreve como fato ensejador da autuação uma infração que não corresponde à realidade, um fato que não foi praticado pela impugnante. A Huawei do Brasil foi intimada em 8/2/2010 e não se manifestou. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 06/01/2004 a 28/07/2006 INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem. Conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, consubstanciando fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Procedente a imputação contra o real adquirente (DL 1.455/1976, artigo 23, V). IMPORTADOR. SUJEIÇÃO PASSIVA. O que diferencia as infrações tipificadas no artigo 23, V, do DL 1.455/1976 e no artigo 33 da Lei 11.488/2007 é o fato de que a prevista na lei 11.488 tem como agente apenas o importador ou exportador ostensivo, ao passo que a do DL 1.455 destinase a punir o sujeito oculto, o verdadeiro responsável pela operação. Com o advento do artigo 33 da Lei 11.488/2007 deixou de ser imputável ao importador ou exportador ostensivo, em co autoria, a infração do artigo 23, V, do DL 1.455/1976. Pelo mesmo motivo, não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da lei 11.488. Tal conseqüência é fruto do princípio do “non bis in idem” o qual, no direito aduaneiro, está albergado nos artigos 99 e 100 do DL 37/1966. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável a esse terceiro (DL 1.455/1976, artigo 23, V). Ao interveniente ostensivo, aquele em cujo nome é realizada a operação (“cede o nome”), é aplicável a multa de 10% do valor da operação (lei 11.488/2007, artigo 33, caput). O parágrafo único do artigo 33 constitui norma explicativa destinada a afastar a imputação de inidoneidade da empresa que meramente “cede o nome”. Se, além de “ceder o nome”, a empresa não comprovar a origem do capital empregado no comércio exterior, resta presumida sua inidoneidade, a ensejar a inaptidão de sua inscrição no CNPJ, por força da presunção estampada no artigo 81, § 1º, da Lei 9.430/1996. Aplicável aos fatos imputados, à época da lavratura do auto de infração, a multa por conversão da pena de perdimento ao Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.063 11 importador. Entretanto, aplicase o artigo 33 da Lei 11.488/2007 retroativamente, nos termos do artigo 106, II, “c”, do CTN. O lançamento contra o importador foi efetuado após a vigência da Lei 11.488/2007. Acolhese a exclusão do importador do pólo passivo. Impugnação improcedente. Crédito mantido. A Huawei, restando inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Consigna que o cerne da questão está em saber se, havendo comprador predeterminado para mercadorias importadas com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, caracterizase a figura da importação por conta e ordem. Pois somente em caso afirmativo seria procedente a acusação fiscal. Do contrário, não haveria a obrigação da Server Company de indicar a Huawei na DI, pois inaplicável a Instrução Normativa nº 225/2002, tida pelas autoridades fiscais como violada no caso concreto. Alega que o art. 11, caput, e §3º, da Lei nº 11.281/2006 veicula norma de caráter declaratório, no sentido de que não se considera por conta e ordem a importação realizada com recursos do importador, ainda que o encomendante da mercadoria tenha participado da transação relativa à aquisição dos produtos no exterior. Diz que houve interpretação autêntica do ordenamento pelo legislador, ao esclarecer que não se confunde a importação por conta e ordem com a importação por encomenda, visando dirimir controvérsias entre os importadores e a Receita Federal, como se verifica das justificativas apresentadas pelo Congresso Nacional para a edição dos dispositivos legais citados. Somente com o advento da Instrução Normativa SRF nº 634/2006, passou a exigirse a prévia vinculação do importador com o encomendante e a indicação deste na DI. Prossegue a recorrente afirmando que as importações em questão foram custeadas pela Server Company, como declarado por esta. As autoridades fiscais não fizeram prova em contrário, como determina a Instrução Normativa SRF nº 228/2002. A alegação da decisão recorrida de que a importadora foi ressarcida ao final da operação confirma que os recursos empregados na operação de comércio exterior eram da Server Company, pois os custos incorridos pelo importador devem sempre compor o preço dos bens, independentemente de haver ou não alguém interessado na aquisição da mercadoria. Transcreve entendimento doutrinário, jurisprudencial e administrativo no sentido de que a importação com recursos do importador tem, para este, os mesmos efeitos de uma importação por conta própria. Afirma, por isso, ser improcedente a alegação da decisão recorrida de que a encomenda seria uma espécie de importação por conta e ordem. Conclui que não houve infração à Instrução Normativa SRF nº 225/2002. Quanto à Instrução Normativa SRF nº 634/2006, alega a Recorrente que esse ato normativo não foi invocado pelas autoridades fiscais e que não poderia o órgão julgador Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 inovar o lançamento. O ato normativo tem por objeto as importações por encomenda, não se aplicando às importações por conta e ordem, que as autoridades fiscais entenderam caracterizada no caso concreto e que são reguladas pela Instrução Normativa SRF nº 225/2002. Além disso, a Receita Federal foi comunicada da vinculação entre as empresas logo após editada a Lei nº 11.281/2006 (fls. 6.410/6.411), a despeito de não ter sido indicada essa circunstância nas DI´s. Isso não foi feito porque ainda não teria sido obtido o registro cabível no SISCOMEX. De outro lado, sustenta a Recorrente que a multa substitutiva do perdimento é de caráter material, só podendo ser aplicada quando a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação for obtida mediante o emprego de fraude ou simulação e desde que a infração produza efetivo dano ao Erário. Cita decisões judiciais e administrativas. Afirma que não houve intenção de ocultar o negócio praticado ou o real adquirente da mercadoria. Inexiste fraude ou simulação. O que há é divergência entre Fisco e contribuinte na interpretação da natureza jurídica do contrato que ampara a operação. Não há negócio escondido. Toda a documentação pertinente foi entregue à Fiscalização. Foram necessárias duas alterações legislativas para esclarecer o assunto. Havia dúvida razoável, o que afasta o eventual dolo. Ademais, os indícios coligidos aos autos pela Fiscalização seriam imprestáveis. A única presunção admitida por lei para caracterizar uma importação por conta e ordem é a titularidade dos recursos, que, no caso, eram da Server Company. A legislação admite que a importadora atue como intermediária, tanto na prestação de serviços, quanto na compra e venda, conforme consta do site da Receita Federal. Nessas situações, é normal que as empresas se comuniquem e troquem informações comerciais, contábeis e fiscais para o adequado cumprimento de suas obrigações legais, incluindo a prestação de informações às autoridades competentes. Nada impede que o encomendante realize contatos com o exportador A importação de mercadorias estrangeiras provenientes de empresas ligadas ao encomendante não torna a importação por conta e ordem. A Lei nº 11.281/2006 determina a aplicação da legislação de preços de transferência nas importações por encomenda, reconhecendo implicitamente a possibilidade de o encomendante e o exportador serem partes relacionadas. A Server Company auferiu lucro na operação, em razão dos benefícios do FUNDAP. E arcou com os riscos do negócio, pois teria prejuízo se a Huawei do Brasil não honrasse seus compromissos contratuais. Salienta que a acusação de falsificação ou alteração de documentos está atrelada à acusação de simulação de operação de compra e venda e que tal infração não seria suficiente, por si só, para ensejar a pena de perdimento. O que justifica a pena é a falsificação de documentos e não a falsidade ideológica, caracterizada pela inserção de dados falsos em documento verdadeiro. Cita jurisprudência. Ainda, alega a recorrente que não houve dano ao Erário. Consta da acusação fiscal que a Huawei do Brasil teria sido ocultada para evitar o pagamento do IPI, tendo em vista que o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem é equiparado a industrial, nos termos da Lei nº 10.637/2002. Entretanto, tratase de estabelecimento industrial (fls. 3.215 e ss.), sujeito ao recolhimento do IPI independentemente de equiparação. O IPI foi Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.064 13 pago na saída das mercadorias, conforme comprovantes juntados aos autos (fls. 6.599/6.748). Não foi demonstrado qualquer ato concreto lesivo ao Erário. As importações foram submetidas a despacho aduaneiro e as operações foram contabilizadas pelas empresas envolvidas. Eventual falha foi de natureza formal. Por fim, aborda a questão da legitimidade passiva para responder pela multa. Sustenta que a infração descrita no auto de infração somente poderia ser praticada pela importadora, a quem incumbe preencher a DI. Não há responsabilidade solidária, por falta de previsão legal. O art. 124 do CTN não se aplica ao caso, pois não foi invocado pelas autoridades fiscais e a multa substitutiva aplicada não tem natureza tributária. O art. 95 do Decretolei nº 37/1966 igualmente não se aplica, porque a infração está capitulada no Decreto lei nº 1.455/1976 (art. 23, V). Acrescenta que o art. 100 do Decretolei nº 37/1966 exige vinculação entre a atuação do sujeito e o ilícito. Caberia à importadora, assim, responder isoladamente pela infração no preenchimento da DI, até porque tem expertise nesse tipo de operação. Ademais, a responsabilidade solidária imputada à Huawei do Brasil teria ficado prejudicada com a exclusão da principal obrigada, a Server Company, do pólo passivo. A função garantidora do responsável solidário teria perdido o sentido. Quando menos, deveria ser limitada a responsabilidade da recorrente à parcela remanescente do débito, em razão da exclusão da responsabilidade da importadora, por lei superveniente, por aplicação analógica do art. 277 do Código Civil e do art. 125, II, do CTN. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário e de ofício, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Quanto à exclusão de responsabilidade tributária efetuada na decisão recorrida e que ensejou o recurso oficial, entendo ter sido incorreta aquela decisão, merecendo reforma integral. Senão vejamos: Primeiramente, parece a este relator juridicamente impossível entender o argumento desenvolvido de ocorrência de decadência do direito de lançar da União Federal em face somente de um dos coresponsáveis. Decadência: ou há do direito como um todo, ou não existe. No presente caso, no meu humilde entender, não existe. A decisão proferida anteriormente por este Conselho não determinou, como quer fazer crer a decisão ora recorrida, novo lançamento, mas simples correção do processo administrativo contencioso, para a garantia do direito de defesa do contribuinte e a legalidade do procedimento em si. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Não há na decisão anterior, também relatada por este Conselheiro, qualquer menção que autorize o entendimento defendido pela decisão recorrida. A intimação do coresponsável em procedimento administrativo que apura a interposição fraudulenta é medida essencial, sob pena de nulidade do procedimento inteiro, por força da aplicação dos artigos 47 e 214 do CPC, verbis: Art. 47 Há litisconsórcio necessário, quando, por disposição de lei ou pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme para todas as partes; caso em que a eficácia da sentença dependerá da citação de todos os litisconsortes no processo. Art. 214 Para a validade do processo é indispensável a citação inicial do réu. Sanado o vício, não há de se falar em decadência, até mesmo porque, o lançamento se aperfeiçoou com a regular intimação da Huawei dentro do prazo legal. Observe se que não houve omissão no lançamento da obrigação tributária quanto à coresponsabilidade (que poderia gerar, em tese, a decadência), somente ocorreu na presente demanda a omissão quanto à necessária intimação do coresponsável. Por outro lado, determinar a exclusão da responsabilidade da Server pela alegada aplicação de multa relativa à cessão de nome, conforme previsto no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, é confundir duas infração absolutamente independentes, sendo certo que a aplicação daquela penalidade não seria motivo suficiente para afastar a responsabilidade as Server com relação aos créditos exigidos nestes autos. Ademais e ainda que assim não fosse, não estou convencido, com os elementos trazidos aos autos, que a multa apontada pela Server referese às operações em exame nos presentes autos, nem consigo vislumbrar como o colegiado recorrido chegou a esta conclusão com os elementos constantes dos autos, pois não verifico neste processo qualquer prova desta dupla aplicação de penalidade. Ressalto que o ônus da prova neste sentido era do contribuinte que não foi capaz de desincumbirse da obrigação de provar sua alegação. Deste modo, VOTO por dar integral provimento ao recurso de ofício e determinar a anulação da decisão de primeira instância, com o intuito de afastar qualquer eventual alegação de supressão de instância e prejuízo ao direito de defesa da Server, para que outra seja proferida analisando integralmente os demais argumentos trazidos pelas impugnantes. Julgado o recurso de ofício, levanto a necessidade de conhecimento do recurso voluntário, com base no disposto no parágrafo terceiro do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, verbis: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.000413/200799 Acórdão n.º 3201000.826 S3C2T1 Fl. 7.065 15 Pois entendo que havendo a possibilidade de julgamento de mérito favorável ao contribuinte é obrigação deste Colegiado julgar o mérito daquele recurso, sendolhe vedado pronunciar a nulidade ou mandar repetir o ato, como decidido acima, se for possível decidir o mérito a favor do sujeito passivo. Tal determinação, expressamente prevista no comando legal acima transcrito, decorre dos princípios da finalidade e da eficiência administrativa e celeridade processual, previstos no artigo 2º da Lei nº 9.784/99, no inciso II do artigo 125 do CPC e no inciso LXXVIII do artigo 5º da Constituição Federal. Entendo que julgar prejudicado o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte neste cenário é negar vigência à regra insculpida no parágrafo 3º do artigo 59 acima transcrito, portanto, VOTO, por conhecer do recurso voluntário. Como fui vencido neste particular pela douta maioria deste Colegiado, deixo de examinar o mérito do referido recurso voluntário. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator VOTO VENCEDOR Com todas as vênias devidas, meu entendimento difere do apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator. Ao dar provimento ao Recurso de ofício entendo que toda a matéria deve ser novamente enfrentada pela Delegacia de Julgamento, considerando os argumentos que poderão vir a ser apresentados pela empresa solidária. Objetivando preservar o direito de defesa das partes passivas entendo que se deve aguardar os argumentos do solidário que não foi cientificado tempestivamente, evitando se que fique prejudicado o julgamento desta lide apenas com fundamento no recurso voluntário de uma das partes. Assim, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO – Redatora Designada Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDE S ARMAN, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13502.000589/2003-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 18/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. - PRINCÍPIO DO “TEMPUS REGIT ACTUM”. VERIFICAÇÃO DO PRESSUPOSTO EM FACE DO DIREITO APLICÁVEL. A lei aplicável, em matéria de compensação tributária, será aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos, pois neste momento é que surge efetivamente o direito à compensação, de acordo com os cânones traçados pelo Direito Privado a tal instituto, que devem ser respeitados pela lei tributária.
IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL DAS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA SE CONSIDERADA NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. No regime previsto nas Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e 226/2002, e no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação decorrente da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, não havia previsão para se considerar não declarada a compensação com créditos de terceiros. Esta surgiu apenas com a alteração do § 12 do art. 74, pela Medida Provisória nº 219/2004, convertida na Lei nº 11.051/2004. A legislação vigente no momento do encontro de contas limitava-se a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação (IN SRF nº 226/2002, revogada pela IN SRF nº 460/2004). A Lei nº 11.051/2004 aplica-se apenas às compensações pretendidas após o início da vigente da alteração legislativa. Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005 (itens 88, 90 e “c.4”). Tendo a autoridade prosseguido com o processo administrativo fiscal nos termos da lei de regência recebeu o pedido de compensação como "declaração de compensação” sujeita aos efeitos próprios, inclusive da homologação tácita. O protocolo de declaração em 18/06/2003. Intimação do despacho decisório em 23/10/2008. Homologação tácita reconhecida.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3801-000.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão em diligência para o exame da regular constituição do crédito tributário, vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes (Relator). No mérito, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso para considerar homologadas tacitamente as compensações objeto do processo. Vencido também no mérito o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP nº 182.632. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Flávio de Castro Pontes
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PRINCÍPIO DO “TEMPUS REGIT ACTUM”. VERIFICAÇÃO DO PRESSUPOSTO EM FACE DO DIREITO APLICÁVEL. A lei aplicável, em matéria de compensação tributária, será aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos, pois neste momento é que surge efetivamente o direito à compensação, de acordo com os cânones traçados pelo Direito Privado a tal instituto, que devem ser respeitados pela lei tributária. IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL DAS ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA SE CONSIDERADA NÃO DECLARADA A COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. No regime previsto nas Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e 226/2002, e no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação decorrente da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, não havia previsão para se considerar não declarada a compensação com créditos de terceiros. Esta surgiu apenas com a alteração do § 12 do art. 74, pela Medida Provisória nº 219/2004, convertida na Lei nº 11.051/2004. A legislação vigente no momento do encontro de contas limitavase a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação (IN SRF nº 226/2002, revogada pela IN SRF nº 460/2004). A Lei nº 11.051/2004 aplicase apenas às compensações pretendidas após o início da vigente da alteração legislativa. Parecer PGFN/CDA/CAD nº 1.499/2005 (itens 88, 90 e “c.4”). Tendo a autoridade prosseguido com o processo administrativo fiscal nos termos da lei de regência recebeu o pedido de compensação como Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 2 “declaração de compensação” sujeita aos efeitos próprios, inclusive da homologação tácita. O protocolo de declaração em 18/06/2003. Intimação do despacho decisório em 23/10/2008. Homologação tácita reconhecida. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a proposta de conversão em diligência para o exame da regular constituição do crédito tributário, vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes (Relator). No mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso para considerar homologadas tacitamente as compensações objeto do processo. Vencido também no mérito o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Ricardo Alexandre Hidalgo Pace OAB/SP nº 182.632. Designado o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl para redigir o voto vencedor (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) SIDNEY EDUARDO STAHL Redator designado. EDITADO EM: 22/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Sérgio Celani. Ausente justificadamente a Conselheira Daniela Ribeiro de Gusmão. Declarouse impedida a Conselheira Andréa Medrado Darzé. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 143 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O estabelecimento acima qualificado apresentou, em 18/06/2003, o formulário correspondente à Declaração de Compensação (fls. 01) e, às fls. 02 o documento intitulado “Créditos decorrentes de decisão judicial”, com o objetivo de compensar débitos apontados às fls. 01, no valor total de R$ 194.146,07, com créditos de terceiros, pertencentes à empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o no 42.147.496/000170. O referido crédito da Nitriflex S A Indústria e Comércio decorreria do Mandado de Segurança no 99.00.605420, da 4a Vara Federal de São João de Meriti/RJ, sem informação relativa ao trânsito em julgado da decisão favorável, bem como inexistindo, nos autos, qualquer documento de cessão desse crédito ao requerente. A interessada anexou às fls.15/23 cópias de peças da Apelação em Mandado de Segurança no 40852 e dos Embargos de Declaração em Embargos de Declaração na Apelação em Mandado de Segurança no 40852, Processo no 2001.02.01.0352326, do Tribunal Regional Federal da 2a Região, no Rio de Janeiro/RJ. Tais documentos revelam a existência de decisão judicial, contra a União Federal/Fazenda Nacional, autorizando o estabelecimento Nitriflex S A Indústria e Comércio a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal, da Instrução Normativa SRF no 41, de 2000, a qual se contrapunha ao direito do referido estabelecimento, de compensar créditos do IPI, reconhecidos em ação judicial, com débitos de terceiros. O Parecer Seort nº 286, de 2008 e respectivo Despacho Decisório (fls. 29/32) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, concluíram em síntese que: ... manifestouse a douta Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu – PSFN/NIU que, ao solucionar consulta formulada por esta delegacia, defendeu que a nova regra contida no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, ...tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender à autoridade da coisa julgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. ... quando o Mandado de Segurança ... foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 4 terceiro, embora a Instrução Normativa SRF nº 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Sendo assim, somente os pedidos de compensação formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória nº 66/02 ... estariam amparados pelo MS... e, desta forma, somente naqueles pedidos é que poderiam ser utilizados crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S A ... A DRF/Nova IguaçuRJ continua sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: ... quando ajuizado o MS 2001.51100010250, vigorava a IN SRF nº 41/00, cujo artigo 1º vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo certo que a Lei nº 9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, daí a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN nº 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/2002 ... ... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorerrem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fáticajurídica é diversa. A Lei nº 9.43096 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ...Assim, a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PSFN para “não homologar as compensações formalizadas nos processos nºs 13502.000507./200313, 13502.000589/200398 e 13502.000471/200360 ...”. O Despacho Decisório de fls. 32, aprovou integralmente o parecer e determinou fossem adotadas as providências propostas. Pelo requerimento de fls. 37/38 e arrazoado de fls. 39/64, instruído com os documentos de fls. 65/79, o interessado manifestou inconformidade, alegando em síntese que: O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 144 5 crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2ª Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito à plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97 Desta forma, entende o interessado que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei no 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta o requerente que também foi proposto o Mandado de Segurança no 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF no 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz, ainda, que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2a Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente de decisão judicial, em causa. A reclamante se utilizou do princípio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, trazida pela Lei nº 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. Prossegue em seu documento asseverando que: Restou demonstrado ... que, por força do princípio constitucional da irretroatividade das leis, a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros) só produz efeitos com relação a fatos geradores de créditos ocorridos posteriormente à sua entrada em vigor (na pior das hipóteses em 29/08/2002, quando entrou em vigor a MP 66/02), pelo que não pode afetar o crédito de lPl compensado pela recorrente, eis que decorrente de fatos ocorridos entre 08/88 e 07/98. Por derradeiro, transcreve ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : É inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 6 tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realizacão da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. Pede a reforma da decisão com a consequente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados. A DRJ em Juiz de Fora (MG) não homologou a compensação, fls. 81 a 87, nos termos da ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1o de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1o de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente àquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 93 a 111, instruído com os documentos de fls. 112 a 140. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, especialmente colacionou vasta doutrina e jurisprudência sobre o princípio da irretroatividade da lei. Acrescentou basicamente que: a DRJ se equivoca na medida em que a coisa julgada produzida no MS n.° 98.00166580 não só reconheceu o direito de crédito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS n° 2001.51.10.0010250 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF n° 41/00, e até então inexistente o Fisco não atentou para o fato de o crédito do IPI ter sido reconhecido como eficácia do princípio da nãocumulatividade; a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 entrou em vigor 01/10/2002, no que só pode afetar créditos desde então gerados. E mesmo que se empreste vigor à MP 66/02, somente créditos gerados a partir de 29/08/2002 poderiam ser afetados pela novel regra; a E. Corte Superior (STJ), legítima intérprete da legislação infraconstitucional, fixou o entendimento que o regime jurídico da compensação, em razão das sucessivas mudanças implementadas, fixase pela data do ajuizamento da ação; Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 145 7 O MS 98.00166580 foi impetrado em 21/07/98, pelo que sujeitase o crédito de IPI lá pleiteado ao regime jurídico de compensação vigente à época da impetração (seguindo o entendimento do E. STJ), qual seja aquele previsto no art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97, que permitia a cessão do crédito para terceiro; a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é impeditiva da compensação. Isto porque, quem gerencia a utilização do crédito é o Fisco e não a recorrente. E ainda que assim não fosse, a recorrente deveria ter sido intimada para demonstrar a existência do saldo credor, o que não ocorreu. Por fim, a interessada requereu que fosse acolhido e provido seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 8 Voto Vencido Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente ao exame do mérito, devese analisar a regularidade da constituição do crédito tributário, isto é, se os débitos foram declarados por meio da apresentação de Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) ou constituídos por meio de lançamento de ofício. Vale lembrar, inicialmente, que a partir da edição da Instrução Normativa nº 14/2000 as pessoas jurídicas passaram a confessar os tributos devidos apenas na DCTF, ressaltando, por oportuno, que a declaração de compensação somente passou a ser confissão de dívida a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003, publicada em 31/10/2003, que foi convertida na Lei nº 10.833/2003. Do exame do processo administrativo, verificase que não há notícia de que os débitos objeto da declaração de Compensação, fl. 01, foram declarados em DCTFs e muito menos constituídos de ofício. A propósito, consta no caso em discussão que a autoridade administrativa, a partir dos dados da Declaração de Compensação apresentada em 18/06/2003, simplesmente cadastrou os débitos em um sistema informatizado de controle (Profisc), conforme despacho de fls. 28 e extrato de processo (sistema Profisc) de fls. 24. Convém ressaltar que a autoridade administrativa não colacionou ao processo como elementos de prova as respectivas DCTFs, presumindose, assim, que os débitos não foram regularmente declarados. É preciso insistir no fato de que a Declaração de Compensação não se constituía em meio próprio para confissão de dívida. Destarte, com relação aos aludidos pedidos não são aplicáveis as disposições contidas no Decretolei nº 2.124/1984, artigo 5º, in verbis: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º. O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º. Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscritos em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de outubro de 1983.” (grifouse). Tenhase presente que a Declaração de Compensação não formalizava o cumprimento de qualquer obrigação acessória. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 146 9 Assim, caso fique comprovado que os débitos não foram constituídos regularmente, no caso vertente operaria a decadência, uma vez que o Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que o prazo para apuração e cobrança de todas as contribuições de Seguridade Social deve guardar observância às disposições do CTN, que estipulam o lapso de 5 (cinco) anos para a prescrição e decadência nos termos da Súmula Vinculante nº 8, de maneira que eventuais débitos não declarados referentes aos períodos de apuração em discussão não mais poderão ser objeto de lançamento de ofício. Em remate, embora os débitos estivessem corretamente informados na Declaração de Compensação, a administração fazendária não poderia cobrálos administrativamente sem verificar a sua regular constituição. Outrossim, segundo consta na manifestação de inconformidade, fl. 43, a Fazenda Nacional ajuizou uma ação rescisória, autos nº 2003.02.01.0056758, com o escopo de desconstituir a coisa julgada no Mandado de Segurança nº 98.00166580. Da análise dos elementos comprobatórios deste processo administrativo, constatase que não há notícias do andamento processual da ação rescisória, em especial se a decisão judicial rescindenda continua tendo eficácia. Desta forma, é essencial verificar o andamento processual da ação rescisória, autos nº 2003.02.01.0056758. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) informe o andamento processual da ação rescisória, autos nº 2003.02.01.0056758, com a juntada das principais decisões judiciais; b) verifique se os débitos constantes da Declaração de Compensação, fl. 01, foram regularmente declarados em DCTFs. Em caso positivo juntar cópias das DCTFs e informar a situação dos débitos; c) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 10 Voto Vencedor SIDNEY EDUARDO STAHL Redator designado. Em que pese o entendimento do Relator, ouso dele divergir. É certo que em um, e somente um processo administrativo de lançamento pode a autoridade proceder o lançamento, e que se não o fez nesse processo não poderia têlo feito em outro em relação dos tributos compensados nesse processo, tendo efetivamente decaído o seu direito. Entretanto, tenho que, antes de ingressar no exame das matérias ventiladas na petição recursal, cumpre apreciar a ocorrência de homologação tácita da compensação. O pedido que está em discussão é o pedido de compensação protocolizado pela Recorrente em 18 de junho de 2003. Na data do encontro de créditos e débitos objeto do presente processo, ou seja a data do protocolo do pedido o 74 da Lei nº 9.430/1996 apresentava a seguinte redação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 147 11 § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Notase, portanto, que não havia previsão legal, no momento do encontro de contas, para que a compensação fosse considerada não declarada ou para que tivesse quaisquer outra modalidade senão a de tomála como Declaração de Compensação. A rigor, na época, a legislação tributária (IN SRF nº 226/2002, revogada pela IN SRF nº 460/2004) limitavase a prever o indeferimento liminar do pedido de compensação: Art. 1º Será liminarmente indeferido: (…) II o pedido ou a declaração de compensação cujo direito creditório alegado tenha por base: (…) c) crédito de terceiros, cujo pedido ou declaração tenha sido protocolizado a partir de 10 de abril de 2000. A jurisprudência desse Conselho e do Superior Tribunal de Justiça fixam a data do encontro de contas como o marco juridicamente relevante para fins de aplicação intertemporal das regras de compensação (1º CC. Recurso Voluntário 158.483. PAF nº 13851.000099/200593; 1º CC. 2ª C. Recurso Voluntário 136.257. PAF nº 10980.006685/200316; 1ª CC. Recurso Voluntário nº 158.533. PAF nº 16327.001377/2004 75). Nessa linha, cf. o seguinte julgado: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE”. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. PRECEDENTES. 1. O processamento da compensação subordinase à legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual “pedido de compensação” ou “declaração de compensação” com fundamento em legislação superveniente. Precedente: EREsp 488.992/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Seção, DJU de 07.06.04. 2. Em conseqüência, o marco a ser considerado na definição das normas aplicáveis na regência do “recurso de inconformidade” é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, o que, na hipótese, deuse em 15 de fevereiro de 2001 e 14 de março de 2001. 3. A “manifestação de inconformidade” foi prevista, pela primeira vez, como meio impugnativo da decisão que não homologa a compensação, na Instrução Normativa SRF 210, de 30 de setembro de 2002, passando a ser normatizada legalmente a partir da Lei 10.833/03 conversão da MP 135/03 (cf. REsp 781.990/RJ, Rel. Min. Denise Arruda). 4. A Primeira Seção, ao julgar o EREsp 850.332/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, examinando a matéria à luz da redação original Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 12 do art. 74 da Lei 9.430/96, portanto, sem as alterações estabelecidas pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04, concluiu que o pedido de compensação e o recurso interposto contra o seu indeferimento suspendem a exigibilidade do crédito tributário, já que a situação enquadrase na hipótese do art. 151, III, do CTN. Precedentes. 5. Ressaltese que, neste âmbito judicial, não há emissão de juízo de valor quanto à própria validade da compensação efetuada, mas, tão somente, no que tange à aplicação da jurisprudência do Tribunal em relação aos efeitos em que devem ser recebidas as impugnações apresentadas na esfera administrativa anteriormente à Lei 10.833/03 (conversão da MP 135/03). 6. Embargos de divergência providos. (STJ. 1ª S. EREsp 977083/RJ. Rel. Min. CASTRO MEIRA. DJe 10/05/2010.) E não poderia ser diferente considerando que diante de uma situação de normalidade, ou seja, tendo em vista exação válida perante o ordenamento jurídico, a lei aplicável, em matéria de compensação tributária, será aquela vigente na data do encontro de créditos e débitos, pois neste momento é que surge efetivamente o direito à compensação, de acordo com os cânones traçados pelo Direito Privado a tal instituto, que devem ser respeitados pela lei tributária, ex vi do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Assim aponta Aliomar Baleeiro1: “... o sujeito passivo só poderá contrapor seu crédito ao crédito tributário, como direito subjetivo seu, nas condições e sob as garantias que a lei fixar. Fora disso, quando a lei o permite, se aceitar as condições específicas que a autoridade investida de poder discricionário, nos limites legais, para fixálas, estipular, julgando da conveniência e da oportunidade de aceitar ou recusar o encontro dos débitos” A compensação é um benefício concedido pela lei nos limites dos artigos 170 e 170A do Código Tributário Nacional e da Lei 9.430/1996. Vale ainda a transcrição, por elucidativo, do seguinte excerto da obra supracitada de Aliomar Baleeiro2, cujos destaques são nossos: “... o delineamento legislativo completo da compensação pode ser diferente, em aspectos acessórios ou complementares, em ramos jurídicos distintos, adaptandose às funções peculiares que cumpre o instituto em cada setor do Direito. As condições e as garantias da compensação, criadas pelo legislador tributário, podem ser peculiares e singulares. É que, no Direito Tributário, sendo imperativos os princípios da segurança jurídica, da indisponibilidade dos bens públicos e da moralidade administrativa, o direito à compensação é e deve ser modelado na lei, que lhe dita os pressupostos e requisitos essenciais. Como se sabe, o princípio da legalidade é rigoroso e extensão nesse campo jurídico. A compensação autorizada em lei é a espécie ordinária de compensação vigorante no Direito Tributário, em que a extensão, a oportunidade e as condições à compensação 1 Aliomar Baleeiro, in Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2000, pág. 898. 2 Op. cit., págs. 899/900 e 902. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 148 13 podem ser modeladas pelo legislador de forma não coincidente com as regras aplicáveis ao Direito Privado. (...) ... os créditos dos contribuintes têm origem em títulos diversos e são, invariavelmente, atributários. Quer no Direito Civil, quer no Direito Tributário, a compensação é um encontro de dívidas recíprocas que integram obrigações jurídicas distintas, originárias de títulos diferentes. Somente a Fazenda Pública tem créditos tributários; créditos de outra natureza (financeiros, administrativos, etc.) tem o contribuinte. Não apenas a diversidade de títulos, mas também a reciprocidade de dívidas entre credor e devedor, a homogeneidade ou fungibilidade, a certeza e a liquidez são requisitos essenciais à compensação. Evidentemente, em qualquer caso, a certeza e a liquidez (que podem ser representados pela presença simples de critérios para tornar líquido ou condição de liquidação) são imprescindíveis à extinção das obrigações envolvidas. A peculiaridade está em que, no Direito Tributário, sendo a compensação legal a forma ordinária de compensação, tem o legislador discricionariedade para determinar que (a) ela se restrinja a certos setores, a certos tributos (da mesma espécie, por exemplo), como dispõe a Lei nº 8.383/91; (b) mas possa se estender a todos os tributos de espécies diferentes (Lei 9.430/96); (c) a certeza e a liquidez sejam apuradas pelo próprio sujeito passivo tributário (Lei 8.383/91), desencadeando uma extinção 'provisória' do crédito, sob condição resolutória de homologação posterior, tácita ou expressa dos atos por ele efetuados; (d) ou sejam a certeza e a liquidez apuradas e controladas pela Fazenda Pública (Lei 9.430/96), mediante solicitação do sujeito passivo, desencadeando uma extinção definitiva do crédito; (e) abranja a compensação os créditos vincendos dos contribuintes, desde que sejam definidos os critérios para a sua liquidação e respeitados os limites do parágrafo único do art. 170, do CTN.” Leandro Paulsen3 ressalta ainda que: O artigo 170 dá ampla liberdade ao legislador para que estabeleça as condições e a forma como se dará a compensação. O estabelecimento de limites é válido. Se o contribuinte tiver interesse em efetuar a compensação conforme a autorização legal, o fará; caso contrário, pode optar pela repetição do indébito tributário. Ademais, impende considerar que a compensação é modo de extinção do crédito tributário e que deve observar a legislação vigente quando se pretende realizar o acerto entre créditos e débitos. Assim, independentemente da data do indébito ou da sua 3 In Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado e ESMAFE – Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul, 8ª ed., Porto Alegre, 2006, pág. 1.251 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 14 razão, a compensação deveria observar os limites vigentes quando da sua realização. Conseqüentemente, o contribuinte, optante da restituição via compensação tributária, submetese aos limites erigidos nas Leis, cuja aplicação deve obedecer, na normalidade, o marco temporal da “data do encontro dos créditos e débitos”. A compensação em foco, portanto, não pode seguir outro caminho, senão o de ser considerada declarada para todos os efeitos legais. Por outro lado, somente para confrontar a idéia, tenho que o inicio dos efeitos pretendidos pela Lei nº 11.051/2004 que determinou fossem consideradas nãodeclaradas as compensações que tinham como lastro creditório as hipóteses discriminadas de forma exaustiva somente poderiam se operar após a entrada em vigor da referida Lei, não retroativamente. Significa dizer que, a partir da entrada em vigor da lei citada, as petições protocolizadas como Dcomp não seriam consideradas declarações de compensação caso o crédito oferecido estivesse vinculado aos eventos arrolados nos parágrafos 3º e 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o que traria a reboque a possibilidade de exigência imediata dos débitos nelas consignados. No presente caso, se há despacho de nãohomologação, e se tal condição jurídica não lhe foi extirpada, o documento de extinção de débitos via compensação terá forçosamente de ser reconhecido como uma Dcomp. Juridicamente outro caminho não se mostra legitimo. Tanto foi esse o entendimento que a declaração de compensação em discussão seguiu o rito do PAF e sabemos que, se não fosse tomada como declaração de compensação, não teria tido esse encaminhamento e simplesmente seria considerada não homologada. O que de fato ocorreu no presente feito é que todo procedimento se deu pela égide e regulamentação da IN 21/97 que autorizava as compensações tributárias com débitos de terceiros nos termos do seu artigo 15, tendo, desse modo, o “pedido de compensação”, convertido em “declaração de compensação” a despeito do tempo real do protocolo do mesmo. Aliás, a decisão da DRJ, manifestouse acerca da compensação em questão, diante da vedação estabelecida pela IN SRF nº 41/00, e também pela superveniência da Lei 10.637/02, que alterou a redação do artigo 74 da Lei 9.430/96, cujas incidências foram devidamente afastadas pela decisão no Mandado de Segurança 2001.51.10.0010250. Complementarmente, tenho que os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei são direitos fundamentais do cidadão em face do Poder Público (Constituição Federal, artigo 5o, caput) e a ordem constitucional não veda a aplicação retroativa da lei, mas apenas a irretroatividade em prejuízo do direito adquirido, da coisa julgada e do ato jurídico perfeito (inciso, XXXVI). Não cabe a invocação dessa garantia constitucional por parte do Estado, porque este não é titular de direitos individuais, mas de competência para instituir normas jurídicas ou para expedir atos administrativos em consonância com as regras jurídicas vigentes. Se estas foram alteradas, não se afigura juridicamente viável o recurso ao princípio do direito adquirido por parte de agente administrativo inconformado com o teor das novas disposições normativas, notadamente quando editadas pelo mesmo ente federativo. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 149 15 Ademais, vale lembrar que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime autocompensação, que – ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) – é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. Foi realizada, dentro desse escopo de uniformização, um “corte” temporal, em função do qual todos os pedidos compensação apresentados à luz da legislação pretérita foram convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, ou seja, com efeito retroativo, na forma do § 4o, incluído pelo art. 49 da Lei no 10.637/2002: Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Essa particularidade foi prevista no art. 73 da IN SRF no 460/2004, consoante entendimento exarado na Solicitação de Consulta Interna no 01/2006: Art. 73. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 57, 62 e 64, a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Solicitação de Consulta Interna no 01/2006 EMENTA : Pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Prazo de cinco anos para homologação tácita da compensação. Inexistência de homologação tácita para pedidos de compensação não convertidos em declaração de compensação. Obrigatoriedade de exame do pedido de restituição. Cabimento de manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Fl. 15DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL 16 Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Nesse sentido, cabe registrar o seguinte acórdão da 2a Turma Ordinária, 3a Câmara, da 3a Seção, no julgamento do Recurso Voluntário no 501.809, da lavra do eminente Conselheiro Alexandre Gomes: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Lei 9.430/96, art. 74, § 4o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. DCOMP. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Lei 9.430/96, art. 74, § 5o. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação (Dcomp), que não seja objeto de despacho decisório proferido, e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contado da data de seu protocolo4. Nesse contexto, se o legislador tributário determinou a aplicação do prazo de cinco anos de forma retroativa – a todos as compensações apresentadas na vigência da legislação pretérita, que foram convertidas em declaração de compensação –, não faz o menor sentido, dentro de uma interpretação sistemática e teleológica, afastar a aplicação do prazo de cinco anos apenas para as declarações protocolizadas entre 01/10/2002 e 30/10/2003. Sequer há previsão legal para essa interpretação, porque as instruções normativas que disciplinam o tema, inclusive a IN SRF no 460/2004, determinaram a aplicação do prazo de cinco anos a todas as declarações de compensação, irrestritamente e sem exceção: Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (…) § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Ora, se a legislação não diferencia, não cabe ao intérprete fazêlo, sobretudo quando o resultado dessa exegese conduz a uma conclusão incompatível com o primado da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. 4 Acórdão 330200.841 – 3a Câmara / 2a Turma Ordinária. Sessão de 28 de fevereiro de 2011. PAF 10909.002842/0063. Relator Conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 13502.000589/200398 Acórdão n.º 380100.986 S3TE01 Fl. 150 17 Ante o exposto, considerando que o protocolo de declaração se deu em 18/06/2003 e intimação do despacho decisório, em 23/10/2008, entendese que houve homologação tácita da declaração de compensação. Desta feita, voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 17DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NAIARA WILKE DE SIQUEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905798/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 79 8/ 20 08 -1 9 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905798/200819 Resolução nº 3401000.721 S3C4T1 Fl. 102 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação protocolado pela contribuinte CCV Comercial Curitibana de Veículos S/A no valor de R$ 2179,74, relativo ao PIS apurado no mês de novembro de 2003. A DRF/Curitiba exarou Despacho Decisório, no qual consta que fora localizado o pagamento supracitado, mas que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual a compensação não foi homologada. Cientificada, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração nov/13, teria efetuado mais de um recolhimento a título de PIS, no valores de R$ 17.867,61 e R$ 2.589,83, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 20.457,44, sendo esse valor originalmente indicado em sua DCTF. Recalculou a contribuição devida, em face da redução a zero por cento da alíquota de PIS incidente sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485/2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria de R$ 18.277,70, o que também informou em DCTF, DIPJ e DACON retificadoras; dessa forma, estaria demonstrado o pagamento a maior que utilizou para a compensação em tela. Em 9.2.2011, a 3ª Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, pois a modificação da DCTF não pode ser admitida para alterar o Despacho Decisório, cuja ciência pela interessada se deu antes da transmissão da declaração retificadora. Além disso, a compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos ou vincendos está condicionada à comprovação de certeza e liquidez do respectivo indébito. A contribuinte foi cientificada da decisão em 18.2.2011 e, em 21.3.2011, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando, em linhas gerais, que a não homologação da compensação se fundamentou em questões meramente formais, sem levar em conta a realidade fática que circunscreve o presente processo. No mais, repisou os argumentos expostos em sua Manifestação de Inconformidade. Por fim, a contribuinte requer o provimento de seu Recurso Voluntário, anulandose o acórdão recorrido, a fim de que seja realizada diligência para que a comprovação da existência do crédito pleiteado. Caso a decisão não seja anulada, com baixa em diligência ou não, pede a reforma da decisão, de forma que seja reconhecido o direito creditório da contribuinte. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905798/200819 Resolução nº 3401000.721 S3C4T1 Fl. 103 3 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de dívida, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905798/200819 Resolução nº 3401000.721 S3C4T1 Fl. 104 4 (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante a falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e, existindo pagamento a maior, deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.901140/2010-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3801-001.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso.
Declarou-se impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator.
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PRODUTOS FLORESTAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso. Declarouse impedido o Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira por ter participado do julgamento em primeira instância (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Presidente, Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer De Oliveira, Paulo Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 11 40 /2 01 0- 65 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl,, Relator. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.901140/201065 Acórdão n.º 3801001.821 S3TE01 Fl. 58 3 Relatório Tratase de pedido de compensação de COFINS que foi nãohomologada conforme despacho decisório de fls. sob o argumento de inexistência de crédito. Inconformada com a nãohomologação a Recorrente apresentou manifestação de Inconformidade alegando em síntese que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de PIS e COFINS, conforme disposição da Lei n° 9.718, de 1998, constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento (utilizouse de base de cálculo errônea) e documentos que teriam sido apresentados no decorrer do presente processo. Em suma, recolheu ao Erário valores superiores aos efetivamente devidos. Contesta o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela Lei referida e afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, tendo por fundamento o disposto no art. 3º, § 2, inciso III, da Lei n° 9.718, de 1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Discorre longamente acerca da inconstitucionalidade da contribuição, e alega também que as receitas transferidas a outras pessoas jurídicas devem ser excluídas nos termos do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A DRJ de Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente com base na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/07/2001 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento de direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO VIA DECL ARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROV AÇÃO. Nos termos do art. 170 do CTN, é fundamental a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do devido encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 59DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Não concordando com a decisão da DRJ a Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário no qual aponta como fundamentos para que a compensação seja homologada que: (i) que a Recorrente não concorda com o procedimento de prévia habilitação dos créditos judiciais por entendêlo completamente contrário às normas legais norteadoras da compensação administrativa; (ii) que a Recorrente carece de uma ordem judicial para que possa efetuar a compensação portanto fez a compensação sponte propria; e, (iii) que “tem direito líquido e certo de compensar o montante indevidamente recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos inconstitucional 2445 e 2449, com parcelas vincendas das mesmas contribuições”. É o relatório, Fl. 60DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11020.901140/201065 Acórdão n.º 3801001.821 S3TE01 Fl. 59 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado no relatório supra os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e no presente Recurso Voluntário são distintos. Enquanto na peça vestibular a contribuinte alega que seu direito creditório advém de pagamento feito a maior decorrente da ampliação da base de cálculo da COFINS decorrente do disposto do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, no presente recurso alega que o seu crédito decorre do valor recolhido a título de PIS decorrentes dos Decretos 2.445/1988 e 2449/1988. Em que pesem todas as argumentações apontadas pela Recorrente em suas razões recursais o interessado inova, e agora apresente novo argumento para substanciar seu crédito. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações e desses novos documentos deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Os textos legais acima colacionados são muito claros. A fase litigiosa somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas e são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio. Conforme disse o Presidente americano Abraham Lincoln “nunca devemos mudar de cavalo no meio do rio”. Sendo matérias distintas, a da primeira e da presente instância, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10983.912724/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72.
Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento.
ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracteriza-se como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício.
Numero da decisão: 1102-000.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
Assinado digitalmente
SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICAÇÃO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida 3ª TURMA DRJ/FNS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: NULIDADE. OBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. ART. 59, DO DECRETO N.° 70.235/72. Observados o contraditório, a ampla defesa e não configurada hipótese do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não pode ser anulado lançamento. ESTIMATIVAS. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago a título de estimativa mensal do IRPJ caracterizase como mera antecipação do tributo e só pode ser utilizado para compor o saldo apurado no final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 27 24 /2 00 9- 81 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé (presidente em exercício), Silvana Rescigno Guerra Barretto, Leonardo de Andrade Couto, Plínio Rodrigues Lima e Marcos Vinícius Barros Otoni. Ausente momentaneamente Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido sob o fundamento de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ – codigo 2362 – para compensação do mesmo tributo, indeferido com base no entendimento de que apenas suscetível de compensação o saldo do IRPJ ou CSLL apurado no final do exercício. Inconformada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, que o Despacho Decisório não teria questionado a legitimidade do crédito, mas indeferido o PER/DCOMP com base em alegações genéricas que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa. Destacou que estimativas seriam passíveis de compensação, consoante interpretação dos arts. 73 e 74, da Lei n. 9.430/96 e do art. 170, do CTN e que não teria sido questionada a liquidez e certeza do direito creditório que alega possuir, além de defender que os créditos teriam sido utilizados após o término do exercício e não haveria vedação legal para o procedimento adotado antes da edição da Medida Provisória n. 449/08. Por fim, a Recorrente transcreveu julgado oriundo do Tribunal Regional Federal da 4ª Região para pugnar pelo cancelamento do Despacho Decisório e homologação da compensação efetuada. A DRJ de Florianópolis manteve o indeferimento, por entender teria o Despacho Decisório fundamentado de forma clara os motivos que levaram à decisão, asseverando, ainda, que deveriam ser computadas as estimativas recolhidas na composição do saldo de IRPJ do período, consoante art. 10, da IN SRF n. 600/05. Em resposta ao entendimento de que não haveria vedação legal ao procedimento adotado, transcreveu os artigos 170, do CTN; 66, da Lei n. 8.383/91; 74, da Lei n. 9.430/96 e art. 10, da IN SRF n. 460/04, acrescentando que referida IN teria sido revogada pela IN SRF n 600/05 que não teria alterado o procedimento compensatório no que tange ao ponto alvo de discussão. Ao final, acrescentou a autoridade julgadora que o pagamento indevido ou a maior de estimativas, cuja natureza não seria de tributo, não se sujeitaria às normas de compensação de tributos e que a situação em análise não poderia ser confundida com a hipótese de utilização de créditos para compensação de débitos de estimativas. Intimada do acórdão, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário ora analisado repetindo as razões postas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO Processo nº 10983.912724/200981 Acórdão n.º 1102000.567 S1C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Preliminarmente, defende a Recorrente estaria o Despacho Decisório baseado em alegações genéricas, que dificultariam a ciência dos reais motivos da negativa, em que pese constar expressamente na decisão que “foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” A Recorrente, portanto, teve ciência dos fatos que ensejaram o indeferimento de forma clara, foi respeitado o direito à ampla defesa e ao contraditório, inexistindo prejuízo para a parte ou qualquer outra hipótese de nulidade elencada no rol do art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, melhor sorte não tem a Recorrente, porquanto tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a título de estimativa – que consistem em meras antecipações dos tributos porventura devidos ao final do exercício – formalizados após o término do exercício, quando já deveria, ao menos em tese, terem sido apurados os tributos devidos no exercício ou o saldo negativo. Defende a Recorrente que a legislação federal reconheceria o direito à compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pelo mesmo órgão, deixando de observar que o direito creditório suscitado referese a estimativas (antecipações) que poderiam não ter sido recolhidas mediante balancetes de suspensão ou redução, consoante faculta do art. 230, do RIR/99. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO 4 Além de postular restituição de mera antecipação, ao invés de saldo negativo, a Recorrente não colacionou aos autos qualquer prova capaz de evidenciar que o valor do crédito declarado representaria o saldo ou base negativa dos tributos, limitandose a defender genericamente seu direito à compensação. Em adição ao equívoco de requerer a restituição de estimativas, a Recorrente defende e invoca julgados do Judiciário que reconhecem o direito de compensação de créditos tributários com estimativas futuras, hipótese flagrantemente distinta da ora apreciada, haja vista que a MP 449/2008 tentou impedir a compensação do saldo negativo com débitos de estimativas, empecilho não apresentado pela DRJ. Consoante registrado pela DRJ, a IN SRF n.º 460/2004 já expressava o claro entendimento de que os valores recolhidos a título de estimativas mensais apenas podem ser utilizados ao final do período em que houve o pagamento indevido, para dedução do IRPJ ou da CSLL devidos, ou para compor o saldo negativo dos mesmos tributos e a IN SRF n.º 600/005, vigente à época dos pedidos ora analisados, manteve o mesmo entendimento. Diversa é a hipótese em que o contribuinte apura de forma equivocada o valor da estimativa e recolhe mais do que o exigido pela legislação, contudo, não é a hipótese em exame. Por fim, transcrevo a seguir ementas que convergem com o entendimento ora exposto, verbis: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2003 IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS IMPOSSIBILIDADE Supostos créditos originados do recolhimento de estimativas não são passíveis de compensação, à luz da legislação vigente. Somente para o saldo negativo apurado ao final do período é que se admitiria tal possibilidade. COMPENSAÇÃO CERTEZA E LIQUIDEZ Somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, a teor do art. 170 do CTN. Não há liquidez e certeza em créditos ainda sob discussão administrativa, em outro processo. COMPENSAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO APURADO EM OUTRO PROCESSO O direito creditório apurado em outro processo deve lá ser discutido.” (Acórdão 10516803, Processo Administrativo n.º 16327.000435/200362, 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Data: 05/12/07) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDA CSLLEXERCÍCIO: 2002CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE.OS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE ESTIMATIVA DEVEM SER LEVADOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL, SENDO POSSÍVEL AO CONTRIBUINTE, VERIFICANDO O PAGAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR AO DEVIDO NO EXERCÍCIO DE APURAÇÃO, PUGNAR PELA RESTITUIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. OS RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA NÃO SÃO, POR SI SÓ, PASSÍVEIS DE RESTITUIÇÃO.RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” (Acórdão 180500035, Processo Administrativo n.º 10380.001787/200312, 5ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF, Data: 21/10/08) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO Processo nº 10983.912724/200981 Acórdão n.º 1102000.567 S1C1T2 Fl. 4 5 Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relatora Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por SILVANA RESCIG NO GUERRA BARRETTO
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