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Numero do processo: 17546.000181/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta informe acerca da existência de recolhimentos sobre a folha de pagamentos para todas as competências que seriam abrangidas pela decadência nos períodos de 01/2001 a 05/2001.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta informe acerca da existência de recolhimentos sobre a folha de pagamentos para todas as competências que seriam abrangidas pela decadência nos períodos de 01/2001 a 05/2001. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, por meio da qual se exige Contribuição destinada ao FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 75 46 .0 00 18 1/ 20 07 -9 4 Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.710 2 laborativa e de terceiros (Incra, salárioeducação, Sesi, Senai e Sebrae). Conforme o Relatório Fiscal, foram exigidas inicialmente Contribuições Previdenciárias sobre valores pagos ou creditados aos segurados trabalhadores empregados a título de Abono Emergencial e/ou Especial, indenização de férias e de aposentadoria, reembolso dos valores pagos na aquisição de medicamentos e auxíliocreche. As contribuições foram apuradas com base na análise das Folhas de Pagamento, Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, Contrato de Prestação de Serviços com a empresa PBMS do Brasil S/A e notas fiscais emitidas pela prestadora, Política Interna para Aquisição de Medicamentos EPharma e respectiva planilha de pagamento. Em sessão plenária de 21/10/2010, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230101.706 (efls. 1.650 a 1.670), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento parcial antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. NULIDADE AFERIÇÃO INDIRETA Não prestando o contribuinte as declarações, esclarecimentos ou documentos a que está obrigando, ou sendo esses omissos ou não merecedores de fé, cabe a autoridade fiscal, nos termos do artigo 148 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional e artigo 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 aferir indiretamente o tributo. ABONO. NATUREZA JURÍD1CA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO. Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando desvinculados do salário; por sua própria natureza ou por determinação do acordo coletivo, desfrutam da isenção prevista no art. 28, §90, alínea "e", item 7. INDENIZAÇÕES DE FERIAS E DE APOSENTADORIA No caso concreto, os valores previstos nas Convenções Coletivas têm por função proteger o empregado contra a dispensa arbitraria ou sem justa causa, seja por conta do retorno das suas ferias, a fim de que não seja surpreendido, seja em razão de idade mais adiantada, a qual o Mercado de trabalho, como fato notório, aponta maior índice de rejeição para a reinclusão desse trabalhador. Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.711 3 Esses valores, nesse sentido, possuem nítida natureza indenizatória, pois têm por objetivo reparar o trabalhador que, em situações sabidamente delicadas, seja surpreendido como uma dispensa sem justa causa. AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS No caso dos autos, a sistemática adotada pela recorrente se assemelha muito ao sistema de reembolso, pois, na prática, o trabalhador empregado esta sendo beneficiado, pelo empregador, quando da aquisição de medicamentos, sendo a única diferença o fato de não transitar pela sua conta valores reembolsados pela empresa. Na prática, os resultados são semelhantes, pois tanto faz o empregado pagar 100 por um dado medicamento e buscar, junto ao empregador, o reembolso de 80% (oitenta por cento), custeando 20, como comprálo, diretamente junto rede conveniada, e custear os mesmos 20, uma vez que o medicamento já contará com o desconto de 80% (oitenta por cento). AUXÍLIOCRECHE Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de auxílio creche. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte” A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. Em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4° do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. No mérito: a) com relação aos valores de indenização de férias e de aposentadoria e auxíliocreche, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso; b) com relação ao abono emergencial, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Bernadete de Oliveira Barros que negavam provimento; c) com relação ao abono especial, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério que davam provimento; d) com relação ao SAT, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.712 4 Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério que davam provimento; e) com relação ao reembolso de medicamentos, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes e Adriano Gonzáles Silvério que davam provimento. Resultado final do julgamento: provimento parcial ao recurso pela decadência de parte do período e ainda para exclusão das parcelas acima discriminadas nas alíneas "a" e "b". Designado o Conselheiro Mauro Jose Silva para redigir o voto vencedor com relação as matérias constantes das alíneas "c", "d" e "e"." O processo foi recebido na PGFN em 03/05/2011 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 608), e em 02/06/2011, o Procurador da Fazenda Nacional foi intimado (fls. 607). Nesta mesma data a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 1.671 a 1.673 (Relação de Movimentação de fls. 609), o que motivou a prolação do Acórdão de Embargos nº 2301002.594, de 08/02/2012 (efls. 1.424 a 1.436), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado no voto vencedor. ABONO. NATUREZA JURÍDICA QUE EXIGE SEJA PARCELA QUE SUBSTITUI PARCIALMENTE UM REAJUSTE SALARIAL. ISENÇÃO PARA OS CASOS EM QUE FOR DESVINCULADO DO SALÁRIO. Os abonos são pagamentos feitos ao empregado que substituem, em parte, o reajuste salarial. Estando vinculados ao salário não desfrutam da isenção prevista no art. 28, §9º, alínea “e”, item 7. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DO SAT E DO RAT É legítimo o estabelecimento, por Decreto, do grau de risco, com base na atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. UTILIDADE DE NATUREZA REMUNERATÓRIA QUE NÃO DESFRUTA DE ISENÇÃO. Existe isenção para o reembolso de medicamentos, hipótese distinta do fornecimento de medicamentos, uma vez que na primeira o empregado suporta inicialmente a despesa para, posteriormente, ressarcirse do dispêndio, o que não ocorre na segunda. Embargos Acolhidos" A decisão foi assim resumida: Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.713 5 "Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em negar provimento ao recurso, para rerratificar a decisão, de modo a corrigir as omissões do voto vencedor, quanto ao abono especial, ao SAT e ao reembolso de medicamentos, nos termos do voto do Relator." O processo foi novamente recebido na PGFN em 24/07/2012 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 619), e em 06/09/2012, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial de efls.1.437 a 1.454 (Relação de Movimentação de fls. 620). O apelo está fundamentado nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir as seguintes matérias: decadência; e incidência de Contribuições Previdenciárias sobre Abono Emergencial. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 113/2013, de 25/03/2013 (efls. 1.455 a 1.461). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta os seguintes argumentos: Relativamente à decadência é consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de ofício de eventuais diferenças; concluise, pois, que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, § 4º, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; noutro passo, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do artigo 173, I, do CTN; esta concepção, aliás, encontrase cristalizada no Enunciado n.º 219 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não havendo antecipação de pagamento, o direito de constituir o crédito previdenciário extinguese decorridos cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que ocorreu o fato gerador”; no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo, tendo em vista que não individualizou o fato gerador e não efetuou o recolhimento antecipado da contribuição em comento; nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.714 6 reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN; em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva; ressaltese que não há que se falar em recolhimento das Contribuições Previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial deste de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN; este raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. afirmar que o recolhimento de contribuição incidente sobre outros fatos implica pagamento parcial do tributo devido em face do exigido nos presentes autos afronta a própria natureza das coisas, inserindose situações fáticas absolutamente diversas sob o mesmo rótulo; no caso em apreço, os valores inseridos no lançamento fiscal não foram reconhecidos pelo contribuinte, tampouco adimplidos parcialmente, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN. Relativamente ao Abono Emergencial a despeito da expressão "abono" nem sempre ser empregada em seu sentido técnico, como ocorre no caso do art. 144, da CLT, onde o legislador utiliza o termo para se referir à parcela suplementar de férias, paga em decorrência de previsão em regulamento empresarial, acordo ou convenção coletiva de trabalho, é incontroversa a natureza salarial da verba, uma vez que se trata de valor pago em decorrência do contrato de trabalho (onerosidade); os tribunais trabalhistas não deixam dúvida quanto à integração do abono ao salário do empregado, para todos os efeitos legais (cita doutrina de Amauri Mascaro Nascimento); os abonos se enquadram perfeitamente no conceito jurídico de salário, pois nada mais são que uma contraprestação paga pelo empregador, em decorrência do esforço físico ou mental despendido a seu favor pelo empregado; mesmo que a norma legal criadora do abono declare que este não tem natureza jurídica salarial ou o exclua do salário do empregado que o recebe, tal exclusão é uma impropriedade, não podendo ser validada, já que uma norma legal esparsa não pode contrariar as linhas mestras do sistema onde está inserida, no caso, a legislação trabalhista, consubstanciada pela CLT; a Consolidação das Leis do Trabalho contém o artigo 457 que fixa, com clareza, a natureza jurídica salarial dos abonos; Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.715 7 mesmo que, por hipótese, fosse admitido o caráter eventual da parcela, tal circunstância não teria o condão de eliminar a sua integração ao salário, porquanto esta restrição não foi estipulada pelo legislador; o § lº, do art. 457, da CLT expressamente diz que "integram o salário [...]abonos pagos pelo empregador", sem qualquer condicionamento; ainda que pago uma única vez, integrará o salário do empregado no mês de ocorrência, logo sobre o valor acrescido incidirão todos os encargos sociais legalmente previstos, inclusive Contribuição Previdenciária. Ao final, a Fazenda Nacional requer o provimento do recurso, para que se aplique o art. 173, I, do CTN para a contagem da decadência, bem como que se restaure o lançamento quanto ao abono emergencial. Cientificada dos Acórdãos nºs 230101.706 e 2301002.594, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 15/05/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 648), a Contribuinte, em 27/05/2013, ofereceu as Contrarrazões de e fls. 1.605 a 1.616 e interpôs o Recurso Especial de efls. 1.544 a 1.570. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte argumenta: Da inadimissibilidade do Recurso Especial antes de mais nada, mister frisarse que o Recurso Especial interposto não deveria sequer ter sido admitido, na medida em que, resumidamente, deixou de preencher os respectivos requisitos; o Recurso Especial explorou apenas a divergência de entendimento entre o acórdão recorrido e os apontados como paradigmas, mas deixou de cumprir o § 3°, do artigo 67, do Regimento Interno do CARF, eis que não demonstrou a existência do prequestionamento da matéria, com a precisa indicação dos temas nas peças processuais constantes dos autos; especificamente a respeito do Abono Emergencial, a recorrente citou ementa de aresto supostamente paradigma, mas não trouxe aos autos cópia do acórdão ou mesmo da documentação do caso paradigma, impossibilitando que se verifique a real similitude dos casos; com efeito, a simples menção da nomenclatura "abono emergencial" na ementa de acórdão não implica em se assumir que se trata da mesma verba, decorrente dos mesmos fatos, eis que sem a análise do conjunto probatório do caso paradigma nunca se poderá afirmar, com segurança, que os fatos analisados no paradigma foram os mesmos dos analisados nos presentes autos, para se dizer que houve decisão conflitante; do mesmo modo que a contribuinte denominou outro abono de Abono Especial, poderia a empresa autuada no aresto paradigma ter nomeado de Abono Emergencial uma verba de recomposição salarial, que difere completamente do discutido nesses autos em relação ao Abono Emergencial. Da decadência Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.716 8 em relação à questão da decadência, o Recurso Especial merece ser rejeitado liminarmente, na medida em que a Câmara Superior já analisou o tema anteriormente, no processo administrativo n° 36216.003366/200737, tendo proferido o Acórdão n° 9202 001.419; como se vê, em caso idêntico ao presente, em que se alega o não recolhimento de contribuições sobre benefícios indiretos/verbas com nomenclaturas diversas do saláriobase normal dos empregados, a Câmara Superior já decidiu que é aplicável o artigo 150, §4°, do CTN, na medida em que a antecipação do tributo deve ser considerada em relação a qualquer recolhimento feito parcialmente, inclusive sobre o referido saláriobase; aliás, pueril o argumento exposto no Recurso Especial, no sentido de que não havia pagamento a ser homologado, em razão de a empresa não ter considerado a verba lançada como integrante do saláriodecontribuição; ora, é incontroverso e pode ser observado nos sistemas da Previdência Social, que nesses meses a empresa lançou fatos geradores em seus documentos declaratórios e nas guias de pagamento (GPS), pois não pagou aos empregados apenas os abonos ou subsídios de medicamentos, de modo que houve o pagamento de tributo declarado em GFIP e GRS (sobre o efetivo salário e demais verbas salariais dos empregados) e cabia à autoridade homologar o valor informado e recolhido, o que não ocorreu, acarretando a extinção do pretenso crédito tributário após cinco anos do fato gerador; ora, se tais benefícios eram mesmo parte do salário, deveriam ter sido informados juntamente com as demais verbas salariais declaradas pela empresa e, tendo havido declaração e recolhimento parcial de contribuições, também houve a homologação do lançamento, iniciandose a decadência no mês seguinte ao do fato gerador; portanto, o entendimento manifestado no recurso especial se aplicaria apenas se a empresa não tivesse recolhido nenhum valor a título de contribuição previdenciária, como se não tivesse pago nenhuma verba salarial aos empregados, o que definitivamente não é o caso dos autos. Do Abono Emergencial efetivamente, o Recurso Especial trata o Abono Emergencial como se seu "fato gerador" fosse o mesmo de abonos rotineiramente previstos em convenção coletiva, aliás, do mesmo modo que debatido o Abono Especial, também objeto da autuação em questão; ocorre que o Abono Emergencial, como bem observado pelo acórdão recorrido, não se refere a abono pago em época de database, para recompor salário ou mesmo substituir aumento salarial; como relatado e decidido pelo acórdão recorrido, o Abono Emergencial em questão foi estipulado em Acordo Coletivo por mera liberalidade, como algo eventual, sem qualquer relação com database ou popularmente falando, com o dissídio anual dos empregados; e, conforme transcrito pela própria fiscalização no relatório fiscal, o ganho eventual não está sujeito à incidência de Contribuições Previdenciárias, conforme preceitua o art. 28, § 9º, "e", "7", da Lei nº 8.212, de 1991; Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.717 9 no caso, o ganho dos empregados foi indiscutivelmente eventual, pois o pagamento deste abono foi feito pela empresa apenas em agosto de 2003; com efeito, esses valores somente poderiam ser considerados como verba salarial se tivessem sido pagos com habitualidade aos empregados, nos exatos termos da atual redação do art. 201, § 11, da CF de 1988; portanto, diante da natureza eventual do abono e da manifesta desvinculação do salário, é totalmente nula a NFLD neste tópico. Ao final, a Contribuinte requer seja negado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, se assim não se entender, que lhe seja negado provimento. No que tange ao Recurso Especial da Contribuinte, este visava rediscutir duas questões: incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de "auxílio medicamento"; e revisão, de ofício, da aplicação do voto de qualidade. Embora às fls. 1.630 a 1.635 constasse um "Despacho de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte", este se referia a outro sujeito passivo, estranho ao presente processo, além de tratar de matéria também estranha ao apelo interposto pela empresa ora Recorrente. O processo foi encaminhado à PGFN em 21/10/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.636) e, em 26/10/2015, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 1.637 a 1.643 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.644), pedindo a manutenção da decisão recorrida. Em 03/11/2016, o processo foi devolvido à Secam, para saneamento, uma vez que não constavam dos autos o Acórdão de Recurso Voluntário nº 230101.706, de 21/10/2010, tampouco os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional (Despacho de Saneamento de fls. 1.645/1.646), o que foi atendido por meio dos despachos de fls 1.647 em diante. Retornado o processo à Instância Especial, o julgamento foi convertido em diligência à Câmara recorrida, para desentranhamento do despacho de admissibilidade de Recurso Especial de efls. 1.630 a 1.635, anexado indevidamente, e elaboração de Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo, conforme Resolução nº 9202 000.101, de 25/04/2017 (efls. 1.676 a 1.681). Ao Recurso Especial da Contribuinte foi dado seguimento parcial, conforme Despacho de Admissibilidade de 14/06/2017 (efls. 1.685 a 1.695), admitindose apenas a rediscussão da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de "auxílio medicamento". Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos: Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.718 10 no mérito, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, sob o fundamento de que o pagamento efetuado pelo empregado diretamente ao estabelecimento farmacêutico, já com os descontos decorrentes do auxílio fornecido pelo ora recorrente, descaracterizaria a natureza indenizatória da verba, pelo simples fato de não existir um efetivo reembolso; a essência da norma é o custeio parcial pelo empregador, de forma que os empregados do contribuinte tenham uma redução na aquisição dos medicamentos, nos exatos termos do artigo 28, § 9º, "q", da Lei n] 8.212, de 1991; é evidente que esse benefício não compõe o saláriodecontribuição; realmente, como se vê da descrição da autuação no relatório fiscal, a empresa, para facilitar a vida dos empregados, alterou sua política de reembolso de despesas com medicamentos, celebrando contrato de prestação de serviços com empresa que possui rede credenciada de farmácias; de acordo com a nova política da empresa (cópia anexada aos autos administrativos), o empregado não mais necessitava desembolsar 100% do valor dos medicamentos, para só então solicitar reembolso à empresa, procedimento esse muitas vezes demorado, em prejuízo do empregado; com a nova política implantada pela recorrente, o empregado pode se dirigir diretamente a uma farmácia conveniada, onde, mediante apresentação de receita médica, pode obter os medicamentos pagando neste ato apenas 20% do valor, e a empresa contratada (fornecedora do medicamento), por sua vez, cobrará da Motorola o pagamento dos 80% restantes do valor dos medicamentos; a forma da concessão do benefício não pode alterar sua substância; não se pode perder de vista que o legislador pretendeu estimular que os empregadores pagassem os medicamentos necessários a todos os seus empregados, exercendo o papel que deveria ser exercido pela Administração Pública, em benefício de quem realmente precisa de assistência médica gratuita; jamais foi intenção do legislador impor uma forma rígida de concessão de um benefício eminentemente assistencial, como por exemplo, impor a obrigatoriedade de um sistema de reembolso; é realmente estarrecedora a posição da fiscalização, que faz vistas grossas à eficaz política assistencial de medicamentos da empresa, como se pretendesse por um fim a ela, pois é exatamente o que irá ocorrer se a empresa for obrigada a efetuar recolhimento de Contribuições Previdenciárias sobre as referidas verbas; de outro lado, não bastasse a expressa previsão legal acerca da natureza não salarial do pagamento de medicamentos (Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, alínea "q"), há que se observar, ainda, que o pagamento dessas despesas sequer se caracteriza como benefício habitual que pudesse ser considerado como parte integrante do salário; assim, evidente o equívoco cometido pela fiscalização, o que também está refletido na jurisprudência pacífica de nossas cortes sobre a matéria, consoante arestos que abaixo se transcreve: Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.719 11 "TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO. CONTRIBUIÇÃO PARA O F.G.T.S. SOBRE DESPESAS CONTABILIZADAS A TÍTULO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA, REFEIÇÕES, E LANCHES. IDENTIFICADO CARÁTER ONEROSO DAS PRESTAÇÕES, NÃO PODEM SER CONSIDERADAS PARCELAS DE CUNHO SALARIAL. INDEVIDA INCIDÊNCIA DE F.G.T.S. SENTENÇA REFORMADA. "In casu" constatase o caráter oneroso no fornecimento das refeições e da assistência médica mediante afirmação do próprio fiscal no relatório por este subscrito. Essa onerosidade impede que se considere as utilidades retroreferidas como salário "in natura". Indevida, portanto, a incidência de contribuição para o F.G.T.S. calculada sobre esses valores. Apelo da C.E.F. e remessa impróvidos. Apelo da empresa provido." (TRF PRIMEIRA REGIÃO, Processo: 199738000301994 UF: MG, QUARTA TURMA, DJ DATA: 09/03/2001 PAGINA: 381, JUIZ HÍLTON QUEIROZ) "PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. ASSISTÊNCIA MÉDICA PAGA PARCIALMENTE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ART. 3o, INCISO I, LEI N° 7.787/89. SALÁRIO IN NATURA. NÃO CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA HABITUALIDADE. 1. "À vista do disposto no artigo 195, inciso I, da Carta Magna, a contribuição que incide sobre a folha de salários não pode incluir na sua hipótese tributária parcelas que não integram o conceito de salário conforme disciplinado pela Consolidação das Leis do Trabalho (CTN, art. 110)." (AC 1998.01.00.0354250/GO, 2a Turma Suplementar, Relator Juiz LEÃO APARECIDO ALVES, DJ 27/06/2002). 2. Somente os "ganhos habituais" que tenham natureza jurídica salarial ou remuneratória podem ser incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária. 3. " Inadmissível considerar a assistência médica como salário in natura, eis que o beneficio concedido aos empregados da empresa não pode ser tomado como rotineiro ou habitual, "considerandose que o trabalhador pode, durante todo o período de trabalho na empresa, não vir a necessitar da referida assistência", sem se olvidar de não ser obrigado a utilizar a benesse oferecida, podendo fazer tratamentos de saúde por outros meios, tais como particulares ou como adepto de planos médicos." (AC 95.01.008029/MG, 2a Turma Suplementar, Relator Juiz LIN DOVAL MARQUES DE BRITO, DJ 29/10/2001). 4. Apelação impróvida." (DJ DATA: 18/06/2003 PAGINA: 168 Origem: TRF PRIMEIRA REGIÃO, Processo: 199401286361, SEGUNDA TURMA SUPLEMENTAR, Data da decisão: 27/05/2003 Documento: TRF100150658) "FISCAL PREVIDENCIÁRIO ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR E ODONTOLÓGICA PRESTADA PELA EMPRESA A SEUS EMPREGADOS CARÁTER EXTRAREMUNERATORIO DO Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.720 12 BENEFICIO, VEZ QUE NÃO CARACTERIZADA A HABITUALIDADE, DESCABENDO A INCIDENCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE AS PARCELAS PAGAS PELO EMPREGADOR A ESSE TITULO. RECURSO DE APELAÇÃO IMPRÓVIDO." (TRF PRIMEIRA REGIÃO, Processo: 198901003619 UF: MG, QUARTA TURMA, DJ DATA: 23/04/1990, JUIZ MURAT VALADARES) (grifos da recorrente) seguindo a mesma linha de raciocínio traçada em alguns dos julgados transcritos acima, não se pode perder de vista que o Plano de Aquisição de Medicamentos disponibilizado pela Contribuinte é em parte custeado pelos empregados; portanto, não se tratando de benefício gratuito, não se pode cogitar em apontar lhe natureza salarial, pois se o empregado participa de seu custeio não se trata obviamente de contraprestação pelo serviço prestado (definição de salário conforme entendimento do E. Supremo Tribunal Federal); é importante acrescentar que a Lei nº 10.243, de 2001, acrescentou ao artigo 458 da CLT o § 2º, que dispõe de forma categórica o seguinte: " § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde;" como se vê, a própria legislação trabalhista já reconheceu o caráter assistencial de assistência médica conferida a empregados (o que se aplica também aos medicamentos), desvinculandoa do salário para todos os fins de direito. Ao final, a Contribuinte requer seja admitido e provido o Recurso Especial. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 20/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.696), a Fazenda Nacional ofereceu, em 07/07/2017 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.700), as Contrarrazões de efls. 1.697 a 1.699, com os seguintes argumentos: conforme bem salientado na decisão recorrida, a isenção que existe para o reembolso de despesas com medicamentos na alínea "q", do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, não se aplica à situação em discussão nestes autos (fornecimento de medicamentos); no reembolso, o empregado suporta inicialmente, com seu salário, o dispêndio para, posteriormente, ressarcirse, o que não ocorre no fornecimento direto; a referida norma isentiva trata do reembolso, devendo ser interpretada restritivamente; nesse sentido, vejamse as previsões dos art. 150, § 6º, da Constituição, e 111, do CTN: Art. 150. Omissis Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.721 13 (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no artigo 155, § 2º, XII, g.; (...) Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. A Fazenda Nacional pretende rever a decadência e a exclusão, do saláriode contribuição, do Abono Emergencial, enquanto que a Contribuinte visa rever a tributação dos valores pagos a título de "auxíliomedicamento". Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este é tempestivo, restando perquirir se atente aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, alegando, em síntese, que a Fazenda Nacional: não teria cumprido o § 3º, do art. 67, do Anexo II, do Ricarf, uma vez que não teria demonstrado a existência de prequestionamento, com a precisa indicação dos temas nas peças processuais; não teria demonstrado que a verba chamada de Abono Emergencial no paradigma corresponderia ao Abono Emergencial tratado no acórdão recorrido. Relativamente ao primeiro argumento, esclareçase que a demonstração de prequestionamento, exigida no dispositivo regimental invocado, não é aplicável à Fazenda Nacional, mas tãosomente aos Recursos Especiais interpostos pelo Contribuinte. Confirase: "Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.722 14 divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais." (grifei) No que tange ao segundo argumento, embora a Fazenda Nacional efetivamente tenha se limitado a transcrever a ementa do paradigma Acórdão nº 2402001.767 o trecho por ela colacionado logra demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, já que vaza entendimento no sentido da manutenção da tributação sobre os abonos cuja isenção não foi contemplada na legislação, como é o caso do Abono Emergencial tratado no acórdão recorrido. Confirase a ementa do paradigma, na parte em que trata dos abonos: "ABONOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A TERCEIROS. As rubricas pagas pela empresa sob a denominação de Abono CCT e Abono Emergencial integram o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais destinadas a Terceiros, eis que são verbas de natureza salarial e não se incluem nas hipóteses de isenção contempladas na legislação." (grifei) Ademais, compulsandose o inteiro teor do paradigma, não se verifica qualquer característica que autorize a conclusão de que estarseia tratando de verba substancialmente diversa do abono objeto do acórdão recorrido. Confirase o voto do paradigma: “ABONO CCT e ABONO EMERGENCIAL "A impugnante alega que os abonos, como acordados nas Convenções Coletivas de Trabalho de 2003/2004 e 2004/2005, referentes às suas filiais do Rio de Janeiro (abono CCT) e de Porto Alegre (abono emergencial), referemse a gratificações liberalmente pactuadas entre o Sindicato dos empregadores e dos empregados. São regras convencionais estabelecidas às quais se subsume em decorrência de disposição constitucional, sendo os mesmos de natureza jurídica indenizatória e não salarial. Tratase, em ambos os casos, de vantagem paga aos empregados, em decorrência de ajuste expresso, portanto, não há que se falar em eventualidade. O ajuste expresso ocorreu através de Convenção Coletiva, tornando o pagamento, revestido de certeza, normal e habitual, observandose ainda, que consta do referido instrumento, a periodicidade com que será efetuado: Abono CCT – pagamento em duas parcelas (setembro/2003 e março/2004; setembro/2004 e março/2005) e Abono Emergencial (08/2004), de acordo com as Convenções Coletivas de fls. 390 a 416. Como nenhuma das parcelas referese ao Abono de Retorno de Férias previsto no artigo 28, § 9°, “e”, item 6 da Lei n° 8.212/91, é descabido e desnecessário verificar se o valor pago extrapola 20 dias do salário do empregado. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.723 15 Ademais, diferentemente das alegações da impugnante, a previsão em acordo coletivo não serve para elidir a incidência da contribuição, porque as cláusulas constantes em Convenção ou Acordo não podem sobreporse a preceitos de ordem Pública. Conforme já dito anteriormente, os acordos e convenções têm caráter normativo entre as partes, desde que não afetem ou alterem a lei. Assim, conforme se depreende do Relatório Fiscal e pelas próprias alegações da empresa, os pagamentos realizados sob as rubricas de Abono CCT e Abono Emergencial pela impugnante, não previstos em Lei, não enquadramse em nenhuma das hipóteses excludentes do salário de contribuição dispostas no artigo 28, § 9° da Lei 8.212/91. Portanto, afastada a hipótese de exclusão da base de incidência de contribuição previdenciária, os Abonos pagos pela empresa integram o saláriodecontribuição nos termos do inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91 e do inciso I do artigo 214 do RPS.” Assim, tal como no caso do acórdão recorrido, o Abono Emergencial tratado no paradigma foi previsto por meio de acordo/convenção coletiva e pago em uma determinada data, portanto não foi especificado qualquer aspecto que diferenciasse essas verbas, de sorte que as situações fáticas guardam a necessária similaridade. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Quanto à primeira matéria, tratase da decadência. No acórdão recorrido, mediante a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, foi declarada a decadência até o período de apuração de maio de 2001. A Fazenda Nacional, por sua vez, pleiteia a aplicação do art. 173, inciso I, do mesmo Código. Sobre o tema, a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às Contribuições Previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.724 16 seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 17546.000181/200794 Resolução nº 9202000.179 CSRFT2 Fl. 1.725 17 Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. No presente caso, a autuação se referiu a Abonos Emergencial e Especial, indenização de férias e de aposentadoria, reembolso de valores pagos na aquisição de medicamentos e auxíliocreche, de sorte que é aplicável a Súmula CARF nº 99: "Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração)." No presente caso, embora o lançamento envolva exclusivamente rubricas de salário indireto, passíveis de exclusão pela decadência à luz do art. 150, § 4º, do CTN, em consonância com a Súmula CARF nº 99, é necessária a comprovação de recolhimento antecipado. Nesse passo, no TEAF de fls. 104 estão relacionadas outras NFLD, lavradas para o mesmo período (Debcads nºs 358479681, 358479690, 358479665 e 358479630). Ademais, o Relatório Fiscal não permite concluir que o sujeito passivo, para todas as competências em discussão, tenha efetuado recolhimentos sobre a folha de pagamentos. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta informe acerca da existência de recolhimentos sobre a folha de pagamentos para todas as competências que seriam abrangidas pelo pela decadência (01/2001 a 05/2001). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907108/2011-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.991
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 08 /2 01 1- 49 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.113. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.907108/201149 Acórdão n.º 3302004.991 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.910085/2012-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO.
A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento.
Numero da decisão: 3002-000.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO JÁ UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. A utilização do mesmo crédito em Declaração de Compensação posterior à formalização de Pedido de Restituição, materializa a desistência deste último pelo contribuinte, dando azo ao seu indeferimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 00 85 /2 01 2- 66 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11020.910085/201266 Acórdão n.º 3002000.040 S3C0T2 Fl. 108 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto por Aleplast Embalagens Plásticas Ltda ao acórdão de nº 1446.798, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO, em sessão de 19.11.2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/12/2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A utilização de crédito requerido em pedido de restituição, em posterior apresentação de declaração de compensação, implica no indeferimento do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem, o contribuinte apresentou, em 15.07.2010, Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER de nº 25270.03646.150710.1.2.042331, objetivando a restituição, em dinheiro, de valor recolhido a maior a título de COFINS do período de apuração de dezembro/2005, no montante de R$8.437,83. Apenas cinco dias mais tarde, em 20.07.2010, transmitiu Declaração de Compensação DCOMP de nº 11262.82615.200710.1.3.048991, utilizando o mesmo crédito decorrente de valor recolhido a maior, de COFINS relativa ao mês de dezembro/2005, no mesmo montante, de R$8.437,83, para compensação com débito de IPI relativo ao mês de junho/2010. Recebeu, em 02.01.2013, Despacho Decisório comunicando o Indeferimento do Pedido de Restituição de nº 25270.03646.150710.1.2.042331, em razão de o crédito já ter sido totalmente utilizado na compensação por ele mesmo declarada na DCOMP nº 11262.82615.200710.1.3.048991. Em 25.01.2013 foi apresentada Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: a) A empresa foi notificada por realizar Compensação de Crédito via Perdcomp (sic), no entanto, realizou todos os procedimentos para viabilizar o crédito, como alterações na DACON e retificações na DCTF; b) Efetuou uma revisão completa e retroativa das últimas 60 (sessenta) apurações de COFINS (junho/2005 a maio/2010), tendo sido identificadas 4 contas contábeis cujos valores gerariam créditos da contribuição, não aproveitados à época do recolhimento, originando os pagamentos a maior. Apresentou os números, nomes e razões contábeis das contas cujos créditos deixaram de ser computados à época da apuração, bem como cópias da DACON e DCTF retificadas, cópia do DARF de pagamento, além de cópias de outros documentos e planilhas; Ao final, requereu fosse acolhida a manifestação de inconformidade diante da demonstração da insubsistência e improcedência do Indeferimento de seu pleito. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.910085/201266 Acórdão n.º 3002000.040 S3C0T2 Fl. 109 3 A DRJ/RPO informou, no voto constante do acórdão combatido, ter verificado que o indeferimento da restituição não tratou do mérito dos créditos da não cumulatividade utilizados pela interessada, mas simplesmente da indisponibilidade de saldo indicado no PER/DCOMP. A DRJ/RPO constatou ainda que o crédito do Pedido de Restituição é exatamente o mesmo da Declaração de Compensação, tendo sido indicado como origem do crédito da DCOMP, o número do PER enviado anteriormente. Sustentou ainda a DRJ/RPO que as Instruções Normativas que tratam da restituição e compensação prevêem que, no caso de pedido de restituição não indeferido, a contribuinte pode se utilizar do crédito nele requerido para compensação de seus débitos, tendo sido exatamente o que ocorreu no presente caso, vez que antes da análise do pedido de restituição o contribuinte se utilizou do mesmo crédito para compensação com débito de outro tributo por ele devido, não havendo saldo disponível para devolução ao manifestante. Cientificado do conteúdo do acórdão em 10.12.2013, e não se conformando com o auto de infração (sic) e a decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08.01.2014, confirmando ter utilizado o crédito por pagamento a maior da COFINS do mês de dezembro/2005 para compensar débitos de IPI referentes ao período de apuração de junho/2010. Voltou a anexar os documentos que, segundo ele, comprovam seu direito creditório. Ao fim, requer o contribuinte seja acolhido o Recurso Voluntário, cancelandose o débito fiscal reclamado. (sic) É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O contribuinte ratificou, no Recurso Voluntário, que o crédito pedido em restituição por meio do PER nº 25270.03646.150710.1.2.042331 foi utilizado para compensar débitos de IPI do período de apuração de junho/2010, por meio da DCOMP nº 11262.82615.200710.1.3.048991. (fl. 62) Assim, resta devidamente comprovado que o recorrente não faz jus ao ressarcimento em dinheiro, haja vista o mesmo crédito ter sido utilizado em DCOMP transmitida posteriormente à formalização do PER em discussão, materializando a desistência deste último pelo contribuinte, na forma da regulamentação vigente. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11020.910085/201266 Acórdão n.º 3002000.040 S3C0T2 Fl. 110 4 Diante do exposto, e levando em conta as provas e alegações produzidas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000385/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de erro material na ementa da decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção da ementa.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a existência de erro material na ementa da decisão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção da ementa. Embargos Acolhidos
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score : 1.0
Numero do processo: 10700.000003/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/01/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Numero da decisão: 9202-006.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1997 a 30/01/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do lançamento, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 0. 00 00 03 /2 00 7- 94 Fl. 428DF CARF MF 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 35.791.1580, consolidado em 21/12/2005, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 96.508,54 (noventa e seis mil, quinhentos e oito reais e cinqüenta e quatro centavos), abrangendo o período 04/1997 a 02/2005, decorrente de contribuições devidas ao INSS e destinadas à Seguridade Social, correspondentes às partes da Empresa, financiamento das prestações por acidente do trabalho SAT (para competências até 06/97), financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para competências a partir de 07/97) e de contribuições devidas a Outras Entidades, especificamente ao Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA), uma vez que a empresa mantêm convênio com o FNDE. O Discriminativo Analítico do Débito DAD demonstra os valores apurados, os valores recolhidos e as diferenças devidas. O Discriminativo Sintético do Débito DSD apresenta, para cada competência, os valores devidos originários, o valor da multa, os juros aplicados e os valores finais devidos. O Relatório de Lançamentos apresenta os valores apropriados dos lançamentos considerados pela fiscalização, organizados por levantamento, estabelecimento, competência e item. A autuada apresentou impugnação, tendo a Secretaria da Receita Previdenciária RJ Sul/RJ julgado o lançamento procedente em parte, mantendo, em parte, o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/10/2010, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403000.213 (fls. 4/10 – vol II), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência das competências até 02/2000, inclusive, com base no art. 150, §4º do CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. NO MÈRITO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte.Vencidos na questão de multa de mora os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Núbia Moreira Barros Mazza”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/01/2005 Decadência dos períodos de 04/97, 05/98, 08/98, 10/98, 12/98, 02/00 por força da Súmula Vinculante nº 08 do STF. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10700.000003/200794 Acórdão n.º 9202006.609 CSRFT2 Fl. 3 3 Não há cerceamento do direito de defesa quando o procedimento observou completamente o devido processo legal e gerou oportunidades para a parte se manifestar e de realizar as provas necessárias. Exclusão da coresponsabilidade dos diretores e presidentes pela falta de demonstração de atos praticados com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III do CTN. O CARF não é competente para se pronunciar sobre matéria constitucional em lei tributária, logo não pode se pronunciar acerca da inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Cabível a aplicação da taxa SELIC em juros moratórios por inteligência das Súmulas 3 e 4 do CARF.Recálculo da multa para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 22/02/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 06/04/2011, Recurso Especial (fls. 14/25 – vol II). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 275/2011, da 4ª Câmara, de 20/05/2011 (fls. 40/44 – vol II). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2403000.213, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 14/07/2011, o contribuinte apresentou documento (fls. 49/52 – vol II) onde argumenta o seguinte: · que o acórdão recorrido reconheceu a decadência das competências até 02/2000, inclusive, bem como determinou o recálculo da multa de mora, de acordo com o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; · que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial pugnando pela inaplicabilidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, vez que em seu lugar deveria ser aplicado o comando inserto no art. 35A, da mesma lei, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009; · e que havia liquidado as competências de janeiro de 2003 a fevereiro de 2005 (parte do débito que não decaiu), com os benefícios trazidos pela Lei nº 11.941/2009, que excluem 100% da multa devida; e que, portanto, o debate tornouse inócuo. É o relatório. Fl. 430DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 294. Havendo questionamento acerca do conhecimento do Resp da Fazenda pela ausência de préquestionamento, passo a apreciar a questão. Em relação ao conhecimento do processo, o contribuinte alega: § que o acórdão recorrido reconheceu a decadência das competências até 02/2000, inclusive, bem como determinou o recálculo da multa de mora, de acordo com o art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; § que a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial pugnando pela inaplicabilidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, vez que em seu lugar deveria ser aplicado o comando inserto no art. 35A, da mesma lei, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009; § e que havia liquidado as competências de janeiro de 2003 a fevereiro de 2005 (parte do débito que não decaiu), com os benefícios trazidos pela Lei nº 11.941/2009, que excluem 100% da multa devida; e que, portanto, o debate tornouse inócuo. Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda que estaria extinto o crédito seja pela decadência, seja pela adesão a lei 11.941/2009, certo é que, embora não haja recurso da PGFN acerca da decadência aferida com base no art. 150, §4º do CTN, contudo, ao excluir do lançamento o período de 04/1997 a 02/2000, não há que se falar em manutenção da multa da obrigação principal em relação a essas competências. Contudo, ressalto que se estivéssemos falando de julgamento da obrigação acessória de informação em GFIP , meu entendimento seria diverso, já que não há de se confundir obrigação principal (recolhimento do tributo), com a acessória, por exemplo de informar em GFIP. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10700.000003/200794 Acórdão n.º 9202006.609 CSRFT2 Fl. 4 5 Contudo, tratandose de recurso da Fazenda Nacional, mas tendo o contribuinte indicado a adesão ao parcelamento da lei 11.941/2009, NÃO HÁ MAIS LITÍGIO A SER APRECIADO, uma vez, que a adesão a parcelamento enseja a renuncia as instâncias administrativas. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, assim destaca o sujeito passivo em sede de contrarrazões: " e que havia liquidado as competências de janeiro de 2003 a fevereiro de 2005 (parte do débito que não decaiu), com os benefícios trazidos pela Lei nº 11.941/2009, que excluem 100% da multa devida; e que, portanto, o debate tornouse inócuo." Contudo, após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde traz a argumentação acima, devido a sua adesão à Lei nº 11.941/2009, pela opção da totalidade dos débitos. Contudo, entendo que isso não impede o recálculo do débito, ainda mais porque enseja renúncia de todas as alegações de direito sobre as quais se funda, conforme disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343, de 09/06/2015. senão vejamos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado com pedido de parcelamento do Fl. 432DF CARF MF 6 débito. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário em face da desistência do recurso pelo parcelamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 433DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726898/2009-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros:Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 98 /2 00 9- 66 Fl. 154DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros:Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2102002.614, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 1ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 143.485,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 70 e ss., julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 80/117, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 121/129, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF N 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.726898/200966 Acórdão n.º 9202006.397 CSRFT2 Fl. 155 3 A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Às fls. 132/139, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual para fins de incidência de IRPF. De um lado, o acórdão recorrido entendeu que sobre a diferença de remuneração diferenças de URV paga não incide o Imposto de Renda Pessoa Física em razão de uma interpretação extensiva de decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou isenta tais verbas pagas aos membros da magistratura federal. De outro os vv. acórdãos paradigmas, em sentido diametralmente oposto, consideraram que sobre os abonos variáveis – também diferença de remuneração pagos incide Imposto de Renda Pessoa Física, haja vista a vedação à extensão com base em analogia em sede de incidência tributária. Às fls. 143/145, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à natureza da verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual. Intimado à fl. 148, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Fl. 156DF CARF MF 4 Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 143.485,48, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba de abono variável recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual para fins de incidência de IRPF. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.726898/200966 Acórdão n.º 9202006.397 CSRFT2 Fl. 156 5 a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se Fl. 158DF CARF MF 6 seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.726898/200966 Acórdão n.º 9202006.397 CSRFT2 Fl. 157 7 Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Fl. 160DF CARF MF 8 Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10580.726898/200966 Acórdão n.º 9202006.397 CSRFT2 Fl. 158 9 Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao mérito do pleito do Recurso Especial da Contribuinte, quanto à natureza das verbas recebidas sob análise. a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no Fl. 162DF CARF MF 10 que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 22. b) Da Resolução n.° 245 do STF O recorrido traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10580.726898/200966 Acórdão n.º 9202006.397 CSRFT2 Fl. 159 11 A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 164DF CARF MF 12 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a autuada), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 22, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela autuada, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 22 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, ressaltandose a necessidade de retorno do feito ao Colegiado a quo, para fins de apreciação das demais matérias constantes do Recurso Voluntário não enfrentadas, a partir da conclusão, aqui revertida, acerca da natureza indenizatória da verba em questão. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721719/2014-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, vencido o Cons. Renato Vieira de Ávila, converter o julgamento em diligência, para as seguintes providências: (1) Elaboração de quadro demonstrativo com a vinculação de todas as declarações de importação, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saídas (vendas) e todos os recebimentos, relativos à pessoa jurídica PALLADIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 10.677.628/0001-80), no período setembro/2012 a junho/2013 as informações mínimas são: nº da DI, data de desembaraço e valor em R$; nº da nota fiscal de entrada, data de emissão e valor; nº da nota fiscal de saída, data de emissão e valor; e, data e valor dos respectivos recebimentos (as alegações de recebimentos referentes a operações que extrapolem esse período devem ser confirmadas e incluídas na planilha); (2) Confirmar se todas essas operações (entradas, vendas e recebimentos) estão devidamente registradas na contabilidade do recorrente; (3) Informar como essas vendas foram realizadas, se a vista ou a prazo, e se todos os valores creditados por PALLADIO estão contabilizados como recebimento de vendas; (4) Informar se o recorrente, na data de fechamento dos contratos de câmbio, na instituição financeira respectiva, possuía disponibilidade financeira suficiente para sua liquidação, se desconsiderados os créditos efetuados por PALLADIO; (5) Informar se os empréstimos alegados pelo recorrente, como origem dos recursos, seriam suficientes à liquidação dos contratos de câmbio, se desconsiderados os créditos realizados por PALLADIO; (6) Elaborar relatório circunstanciado com as averiguações realizadas, constatações feitas, além de outras observações que reputar necessárias; (7) Abrir vista deste relatório ao recorrente, para, querendo, sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, vencido o Cons. Renato Vieira de Ávila, converter o julgamento em diligência, para as seguintes providências: (1) Elaboração de quadro demonstrativo com a vinculação de todas as declarações de importação, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saídas (vendas) e todos os recebimentos, relativos à pessoa jurídica PALLADIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 10.677.628/0001-80), no período setembro/2012 a junho/2013 as informações mínimas são: nº da DI, data de desembaraço e valor em R$; nº da nota fiscal de entrada, data de emissão e valor; nº da nota fiscal de saída, data de emissão e valor; e, data e valor dos respectivos recebimentos (as alegações de recebimentos referentes a operações que extrapolem esse período devem ser confirmadas e incluídas na planilha); (2) Confirmar se todas essas operações (entradas, vendas e recebimentos) estão devidamente registradas na contabilidade do recorrente; (3) Informar como essas vendas foram realizadas, se a vista ou a prazo, e se todos os valores creditados por PALLADIO estão contabilizados como recebimento de vendas; (4) Informar se o recorrente, na data de fechamento dos contratos de câmbio, na instituição financeira respectiva, possuía disponibilidade financeira suficiente para sua liquidação, se desconsiderados os créditos efetuados por PALLADIO; (5) Informar se os empréstimos alegados pelo recorrente, como origem dos recursos, seriam suficientes à liquidação dos contratos de câmbio, se desconsiderados os créditos realizados por PALLADIO; (6) Elaborar relatório circunstanciado com as averiguações realizadas, constatações feitas, além de outras observações que reputar necessárias; (7) Abrir vista deste relatório ao recorrente, para, querendo, sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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EXP. HENRIK HORTIFRUTIGRAJEIROS LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, vencido o Cons. Renato Vieira de Ávila, converter o julgamento em diligência, para as seguintes providências: (1) Elaboração de quadro demonstrativo com a vinculação de todas as declarações de importação, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saídas (vendas) e todos os recebimentos, relativos à pessoa jurídica PALLADIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 10.677.628/000180), no período setembro/2012 a junho/2013 – as informações mínimas são: nº da DI, data de desembaraço e valor em R$; nº da nota fiscal de entrada, data de emissão e valor; nº da nota fiscal de saída, data de emissão e valor; e, data e valor dos respectivos recebimentos (as alegações de recebimentos referentes a operações que extrapolem esse período devem ser confirmadas e incluídas na planilha); (2) Confirmar se todas essas operações (entradas, vendas e recebimentos) estão devidamente registradas na contabilidade do recorrente; (3) Informar como essas vendas foram realizadas, se a vista ou a prazo, e se todos os valores creditados por PALLADIO estão contabilizados como recebimento de vendas; (4) Informar se o recorrente, na data de fechamento dos contratos de câmbio, na instituição financeira respectiva, possuía disponibilidade financeira suficiente para sua liquidação, se desconsiderados os créditos efetuados por PALLADIO; (5) Informar se os empréstimos alegados pelo recorrente, como origem dos recursos, seriam suficientes à liquidação dos contratos de câmbio, se desconsiderados os créditos realizados por PALLADIO; (6) Elaborar relatório circunstanciado com as averiguações realizadas, constatações feitas, além de outras observações que reputar necessárias; (7) Abrir vista deste relatório ao recorrente, para, querendo, sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Rosaldo Trevisan – Presidente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 45 .7 21 71 9/ 20 14 -8 5Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 3 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência da multa prevista no art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada, em razão da interposição fraudulenta em operações de importação por conta e ordem entre as pessoas jurídicas PRÓSPERA TRADING IMP. EXPORTAÇÃO LTDA. (importadora), IMP. EXP. HENRIK HORTIFRUTIGRANJEIROS LTDA. (importadora por conta e ordem) e PALLADIO IMP. EXPORTAÇÃO LTDA. (importador oculto). Descreve a fiscalização que, nas declarações que arrola, restou evidenciada a interposição fraudulenta devido à proximidade das datas de entradas e saídas dos produtos importados, reduzido número de empregados registrados (apenas um), vendas direcionadas a um único cliente (PALLADIO), pequena margem de lucro e não haver correspondência entre os valores creditados em conta corrente e as notas fiscais de vendas, revelando a movimentação financeira, ainda, que, próximo das datas de fechamento de câmbio, havia remessas financeiras não devidamente esclarecidas entre PALLADIO e HENRIK, o que configuraria antecipação de numerário para realização das importações a caracterizar a interposição fraudulenta. A análise de movimentação financeira foi realizada de forma apartada, por declaração de importação. Houve imputação de responsabilidade tributária solidária entre as empresas envolvidas nas operações, com fulcro no art. 95 do DL 37/66 e art. 124 do Código Tributário Nacional, consoante Termos de Sujeição Passiva (efls. 182/185). Em impugnação, o autuado alegou que possui capacidade econômica e operacional para realização de seu objeto social e instalações para armazenagem de produtos; que prova a integralização do capital social; que as transações autuadas estão amparadas em empréstimos bancários, inclusive renegociação de dívidas; que os valores recebidos de PALLADIO correspondem a vendas anteriores e não aportes de recursos, tudo devidamente contabilizado; que mantinha um sistema de “contacorrente” com PALLADIO para recebimento dos valores referentes às vendas, ora apresentando saldos devedores, ora credores, não havendo uma vinculação por documento fiscal, o que justificaria o descompasso apontado pela fiscalização; que o controle não era realizado por operação, mas pelo saldo; que as remessas indicadas como antecipação de recursos eram posteriores à negociação e embarque dos produtos no exterior; que o lançamento se baseia em presunções; que o art. 23 do DL 1.455/76 comporta duas formas de interposição – comprovada e presumida –, mas a fiscalização não indicou qual a modalidade imputada; e, que não caberia a cumulação da multa Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 4 3 equivalente ao valor aduaneiro e a aplicação da multa de pela cessão de nome/documentário fiscal (10%), já aplicada em outro processo. O responsável tributário PALLADIO sustentou realizar uma compra de mercadoria importada no mercado interno; que não atuou como provedor de recursos do autuado; que não houve antecipação de valores específicos para fechamento de câmbio, mas acertos de “saldos devedores”; que não foi observado pela fiscalização que devia valores ao autuado por vendas a prazo, reafirmando o controle do sistema de contacorrente existente; que os supostos suprimentos de caixa não correspondem exatamente aos valores de fechamento de câmbio e foram efetuados em datas distintas; que não há outros elementos nos autos que comprometam a legitimidade das operações; que não negociou previamente com o autuado ou com os fornecedores estrangeiros a importação dos produtos; e, que o caso não se amolda à SCI Cosit nº 09/2014. O responsável solidário PRÓSPERA não apresentou impugnação. A DRJ Florianópolis/SC, em decisão majoritária, manteve o lançamento: “IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, bem como a interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento ou com a multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, assim como o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Devidamente cientificados, PALLADIO não apresentou recurso voluntário e HENRIK, autuado, defendeu a improcedência do lançamento, fundado em presunções e indícios, por aplicação do art. 112 do CTN; que deve prevalecer a exegese do voto vencido; que não foi observado o “devido processo legal tributárioaduaneiro”, ao extrapolar os parâmetros do MPF; que houve alargamento do conceito de interposição fraudulenta por presunção, para além da comprovação da origem e disponibilidade dos recursos empregados na operação de comércio exterior; que não é vedado receber adiantamentos de clientes, pagamentos à medida que se promovam as vendas ou importação destinada a vendas não ajustadas, mas prováveis; que não há fraude ou simulação nessas operações; que a interposição exige a prova inequívoca do intuito fraudulento, citando jurisprudência administrativa; que os empréstimos bancários provariam a capacidade financeira para fechamento dos câmbios questionados pela fiscalização; e, por fim, rebate as alegações do voto vencedor, pleiteando a prevalência do voto vencido, ambos da decisão de primeiro grau. É o relatório. Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário interposto preenche os requisitos para sua admissibilidade, pelo que, dele conheço. A peça recursal tem como “fundamento” o confronto entre as razões do voto vencido e vencedor, ambos da decisão de primeira instância, ora recorrida, pugnando o recorrente pela preponderância daquele primeiro (vencido). Consoante o voto vencido, a acusação fiscal asseverou que a autuada recebera recursos do adquirente oculto (PALLADIO) para fechamento de câmbios nas importações que relacionou, amparando essa conclusão nas diferenças entre o recebimento das vendas, nessas DIs, e as notas fiscais respectivas e o recebimento de valores, em tese, vinculados a vendas anteriores, mas coincidentemente próximos das datas de liquidação do câmbio, assim avaliando as informações acostadas pela fiscalização e pelos recorrentes: Com relação à auditoria das duas primeiras DIs, os autuantes asseveraram que ‘de plano, constatase pelos dados planilhados que as duas empresas prestaram informações divergentes relativamente à maioria das provisões de recursos realizadas pela PALLADIO para a HENRIK, no que tange ao pagamento pela suposta aquisição das mercadorias importadas através das DIs analisadas no presente tópico” (fl. 153). E, assim, concluíram: ‘em face das relevantes discrepâncias evidenciadas na planilha, que a Fiscalização não pode se pautar pelas informações prestadas pelas intervenientes despida dos devidos cuidados. Há que se procurar, destarte, a efetiva provisão de recursos que suportou as operações de importação de que trata este item’. A impugnante PALLADIO, de sua parte, relacionou, para cada uma das notas fiscais emitidas pela HENRIK a seu favor, as transferências bancárias efetuadas para quitálas, em parcelas, conforme quadro constante à fl. 1.221. Asseverou, neste ponto, que ‘o pagamento era feito com base em saldo devedor, podendo ocorrer em alguns momentos baixas diferentes, sistema conta corrente, as notas acima mencionadas foram pagas exatamente como informado’. E acrescentou, ‘o fato de ter sido dado baixa diferente ao que a fornecedora fez em sua contabilidade nada diz, pois havia saldo devedor para ser pago pela IMPUGNANTE’. Também quanto a este ponto a impugnante HENRIK demonstrou em sua peça a alocação dos pagamentos recebidos pelas transferências efetuadas pela PALLADIO, conforme quadros de fls. 733/734. Informou que ‘como se trabalhava com conta corrente os depósitos eram alocados conforme recebimento, podendo ocorrer divergências quanto as alocações realizadas Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 6 5 pela Impugnante e seu cliente Palladio, assim o que valia na relação comercial era o saldo devedor que existia’. Prosseguiu asseverando que, ‘quando da informação dada, foi em um período de final de ano onde o escritório de contabilidade estava em férias coletiva (sic), assim sendo se extraiu os dados diretamente da conta corrente e informações que a empresa possuía, ocorrendo portanto tal equívoco’. Com relação à auditoria das demais DIs, os autuantes afirmaram que ambas as empresas, quando intimadas, informaram pagamentos de forma idêntica, não havendo, portanto, quaisquer divergências de alocação dos pagamentos às respectivas notas fiscais emitidas pela HENRIK em favor da PALLADIO. De qualquer sorte, prosseguiram asseverando que, ‘como já mencionado no tópico anterior, onde foram identificadas relevantes discrepâncias entre informações prestadas pela HENRIK e pela PALLADIO, a Fiscalização não pode se pautar pelas informações prestadas pelas intervenientes despida dos devidos cuidados. Assim, fezse necessário procurar identificar a efetiva provisão de recursos que suportou a operação de importação de que trata este item’ (fl. 158). (...) Bom, ao aprofundar a investigação, procurando identificar a efetiva provisão de recursos que suportou as operações de importação, a fiscalização constatou, para as demais DIs, as seguintes ‘falta de justificativas’ (em resposta às intimações) para os valores transferidos pela PALLADIO, que teriam sido utilizados para quitar os contratos de câmbio das DIs auditadas (...) Os autuantes concluíram, assim, que a diferença não justificada foi utilizada para quitar (ainda que parcialmente, ou até mais que suficientemente) os contratos de câmbio relativos às DIs auditadas. Tais conclusões parecem ter partido da premissa de que as informações prestadas pelas intimadas, que deram conta do pagamento posterior das notas fiscais emitidas pela HENRIK em favor da PALLADIO (relativas às DIs auditadas), não deveriam ser consideradas simplesmente em razão das divergências de informações havidas em relação às primeiras duas DIs. E, com base nesta conclusão, consideraram que todas as importações ocorreram com a ocultação do real adquirente (no caso, a empresa PALLADIO), que proveu (ainda que parcialmente ou mais que suficientemente) os recursos necessários ao financiamento das operações.” (destaques no original) Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 7 6 A partir dessas observações, o voto vencido concluiu que a fiscalização utilizou critérios distintos para construir sua tese, como segue: “Assiste razão à impugnante HENRIK quanto ao protesto pela utilização de diferentes critérios das autoridades fiscais para extraírem suas conclusões a partir das informações obtidas das empresas intimadas. Com efeito, não é aceitável que a auditoria decida descartar informações prestadas pelas intimadas, mesmo que convergentes, simplesmente porquanto as primeiras informações não convergiram. Muito menos para o fim de, a partir destas conclusões, considerar que todos os valores das importações auditadas foram financiados com recursos previamente aportados pela empresa considerada oculta nas operações, muito embora tenha aceitado justificativas para parte das transferências bancárias auditadas. Segundo se observa nas informações trazidas pelas impugnantes, as faltas de justificativas alegadas pela fiscalização referemse a alocações de pagamentos de outras notas fiscais, relativas a outras DIs, que não foram objeto da autuação. Com efeito, isto pode ser comprovado nas cópias destas notas fiscais acostadas aos autos pela impugnante PALLADIO (fls. 1.304/1.336).” (destacado) O último parágrafo transcrito traz uma observação importante, pois, compulsando as notas fiscais de efls. 1.304/1.336, constatei que há, de fato, documentos que se vinculam a outras declarações de importação registradas no mesmo período ou pouco antes (p.e., doc. efls. 1.310/1.312, 1.314/1.315, 1.318, 1.321/1.329), e que não foram objeto de autuação, o que leva a crer que a fiscalização selecionou apenas aquelas que, a seu juízo, apresentaram discrepâncias em relação à origem e disponibilidade financeira para sua realização. Todavia, como o contribuinte alega que os valores creditados em seu favor, por PALLADIO, correspondem a parcelas dessas outras vendas a ele destinadas, cujas DIs não estão relacionadas no processo, há alguma verossimilhança em sua alegação, se considerado que a autuação não abrange a integralidade das declarações no período. Se por um lado assiste alguma razão à fiscalização, que, aliado a outros elementos de convergência, não viu esclarecido pontualmente a motivação dos créditos recebidos pelo autuado, por outro, o argumento que estes valores se atrelam a outras operações com o mesmo cliente não pode ser ignorada, sem um aprofundamento da investigação. Nesse ponto, com todo o respeito, peca o voto vencido, por entender que não é papel do órgão julgador verificar a correta apropriação dos pagamentos, e também o voto vencedor, que entende desnecessária essa vinculação financeira e se contenta apenas com os demais indícios. Ora, a comprovação, ou a demonstração da não comprovação, da origem dos valores utilizados nas operações utilizados, se não é condição sine qua non para a configuração Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 8 7 da interposição fraudulenta, é prova de suma importância. Demais disso, se não compete ao julgador administrativo, no caso destes autos, promover a apropriação dos pagamentos, é seu dever esclarecer os fatos controversos, dispondo, para tanto, do instituto da diligência, que se destina justamente a essas situações. Retomando a linha de raciocínio deste voto, é necessário que se promova a vinculação de todos os pagamentos realizados às respectivas notas fiscais de venda, abrangendo todas as declarações de importação do período. Além do que, deve ser averiguada como essas vendas foram contabilizadas, se a vista ou a prazo, bem assim, se todos os recebimentos estão registrados nos Livros Diário e Razão, nas datas correspondentes. Outra questão que deve ser examinada é se o recorrente, na data de liquidação do câmbio, na instituição financeira respectiva, possuía disponibilidade financeira suficiente, se não computados os créditos realizados por PALLADIO, tendo em conta, ainda, que o recorrente sustenta a existência de diversos empréstimos que suportariam o fechamento desses contratos de câmbio. Em síntese, sem esse trabalho não é possível afirmar, com segurança, se assiste razão à fiscalização ou ao recorrente, motivo pelo qual proponho a conversão do julgamento em diligência para as seguintes providências: 1. Elaboração de quadro demonstrativo com a vinculação de todas as declarações de importação, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saídas (vendas) e todos os recebimentos, relativos à pessoa jurídica PALLADIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 10.677.628/000180), no período setembro/2012 a junho/2013 – as informações mínimas são: nº da DI, data de desembaraço e valor em R$; nº da nota fiscal de entrada, data de emissão e valor; nº da nota fiscal de saída, data de emissão e valor; e, data e valor dos respectivos recebimentos (as alegações de recebimentos referentes a operações que extrapolem esse período devem ser confirmadas e incluídas na planilha); 2. Confirmar se todas essas operações (entradas, vendas e recebimentos) estão devidamente registradas na contabilidade do recorrente; 3. Informar como essas vendas foram realizadas, se a vista ou a prazo, e se todos os valores creditados por PALLADIO estão contabilizados como recebimento de vendas; 4. Informar se o recorrente, na data de fechamento dos contratos de câmbio, na instituição financeira respectiva, possuía disponibilidade financeira suficiente para sua liquidação, se desconsiderados os créditos efetuados por PALLADIO; 5. Informar se os empréstimos alegados pelo recorrente, como origem dos recursos, seriam suficientes à liquidação dos contratos de câmbio, se desconsiderados os créditos realizados por PALLADIO; 6. Elaborar relatório circunstanciado com as averiguações realizadas, constatações feitas, além de outras observações que reputar necessárias; Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10945.721719/201485 Resolução nº 3401001.371 S3C4T1 Fl. 9 8 7. Abrir vista deste relatório ao recorrente, para, querendo, sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Encerrado o prazo, com ou sem manifestação do sujeito passivo, encaminhar os autos para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 1423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000122/2007-79
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS.
Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontra-se dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros contábeis efetuados em contas patrimoniais deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99.
Numero da decisão: 9101-003.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontra-se dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros contábeis efetuados em contas patrimoniais deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) André Mendes Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontrase dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros contábeis efetuados em contas patrimoniais deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 22 /2 00 7- 79 Fl. 6496DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.497 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) André Mendes Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS quanto ao anoscalendário de 2002 e 2003, quanto a “valores recebidos da empresa estrangeira controladora com dupla função: de reembolso e de subvenção para custeio ou operação” (Autos de Infração às fls. 2.253/2.280, volume 11) Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2.228/2.254, volume 11) A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJs 2003 e 2004 110 (referentes aos anoscalendário 2002 e 2003) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizada através da conta denominada "SEDCO FOREX INTERNATIONAL", na qual era registrada a contrapartida das transferências de numerário de banco no exterior para conta bancária da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, no Brasil, no Banco Boston por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS. Ora, se a empresa controlada reconhecidamente prestou serviços para a controladora, e recebeu remuneração com a qual afirma haver correspondência com os citados serviços — manutenção das embarcações de propriedade da controladora —, por definição ocorreu percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo da tributação desse faturamento como fato gerador da tributação das contribuições PIS e COFINS, não importando a classificação contábil e fiscal ou a denominação que a empresa controlada pretenda atribuir ao que registra como "transferência de numerário". Digase mais ainda, tais ingressos correspondem na verdade a repatriação de receitas, restabelecendose através de reembolsos parte do lucro que Fl. 6497DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.498 3 deveria harmonizarse com o contrato assinado pela empresa controlada e a PETROBRAS. Sendo assim, e considerando que não há compromisso formal assumido pela controladora com relação aos pagamentos (reembolsos), cumpre reconhecer as receitas e faturamentos nas datas dos efetivos pagamentos/transferências, tanto para a interpretação que lhes atribua caráter de pagamento quanto para a que lhe atribua caráter de subvenção para custeio. A irregularidade contábil cometida pela empresa controlada quanto à omissão na escrita contábil e fiscal dos reembolsos efetuados pela controladora como recuperação de custos, e quanto à falta de reconhecimento destas receitas, contextualiza se nos textos normativos da Resolução CFC nº 750/93, Art. 1.9, §§ 1º e 2º, e Art. 9º, § 3 º, inciso I e IV, transcritos a seguir: (...) A ocultação do resultado tributável real, nos anoscalendário 2002 e 2003, mediante o artificio de utilização de dois contratos nos quais foram estabelecidos preços que resultariam resultados contábeis e fiscais negativos, relativamente à empresa controlada, só foi possível porque não havia condições de independência entre as empresas que permitissem à controlada estabelecer de acordo com seus interesses os preços contratuais adequados, ou mesmo estabelecer compromissos comerciais com a controladora a respeito dos valores a receber correspondentes aos serviços prestados para manutenção das embarcações da controladora. Houve, ao contrário, preponderância dos interesses da controladora nas atividades econômicas da controlada, decorrente da influência significativa da empresa controladora na gestão da’, empresa controlada, dada a condição de dependência que as caracteriza como partes relacionadas. A operação que separou em dois contratos assinados, um pela controlada e outro pela controladora (parte relacionada), estabelecendo condições que acarretam prejuízos seqüenciais para a empresa controlada, sediada no Brasil, dissimulou o resultado operacional desta última, e permitiu a evasão tributária ora flagrada. No sentido de promover a segregação contábil de resultados de transações que não são efetuadas em condições semelhantes àquelas que ocorrem entre partes não relacionadas, atribuindo acertadamente a cada parte relacionada o seu resultado contábil, foi elaborada pela Comissão de Valores Mobiliários a Deliberação CVM n.g 26/86, abaixo: (...) Conseqüentemente, as demonstrações financeiras que observam a deliberação CVM n.2 26/86, transcrita, visam anular as discrepâncias ocasionadas pelas transações com partes relacionadas, restabelecendo os resultados reais contábeis via consolidação das demonstrações financeiras. Como, obviamente, não se pode sujeitar a empresa estrangeira â exigência da CVM e a apresentação de documentos de interesse fiscal, fica prejudicada a análise consolidada. Entretanto, as características de transações entre partes relacionadas foram detectadas e são inquestionáveis. Fl. 6498DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.499 4 As receitas foram reconhecidas realizadas no ato dos reembolsos, uma vez que, conforme já dito, os pagamentos (transferências bancarias para a conta "46" – Banco Safra) não se concretizaram à vista das prestações dos serviços pela controlada, nem tampouco há qualquer compromisso formal de pagamento — devido as circunstâncias de interdependência entre as empresas, à margem do interesse e da livre vontade que predominam em operações contratadas entre empresas em geral. Assim, as receitas foram reconhecias nas datas dos pagamentos, sem oposição ao Principio da Realização de Receita, a que se refere a Deliberação CVM n. 9 29/86, item 5.3 de seu anexo: (...) De outra forma também se observa o cuidado legal acerca dos ingressos de valores recebidos por uma empresa com o objetivo de recuperação de custos ou subvenções para custeio ou operação, já que no caso da empresa fiscalizada os reembolsos transferidos da controladora têm natureza dupla. Como já exposto, tais reembolsos propuseramse simultaneamente a remunerar a empresa sediada no Brasil — controlada — via devolução de custos e despesas dos serviços prestados por esta última, e a subvencionar a continuidade de sua operação, para que fosse possível ser perpetuada a evasão fiscal praticada. 0 caráter tributável dos valores utilizados com esta finalidade submetemse ao alcance dos textos legais a seguir. (...) VII Decreto n.2 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99): Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais; II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutiveis; (g.n.). IX Parecer Normativo CST n2 112, de 29 de dezembro de 1978: ""As SUBVENÇÕES, em principio, serão, todas elas, computadas na determinação do lucro liquido: as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, como parcelas do resultado nãooperacional. As primeiras integram sempre o resultado do exercício e devem ser contabilizadas como tal; as últimas, se efetivamente aplicadas em investimentos, podem ser registradas como reserva de capital, e, neste caso, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva." (grifos nossos). Fl. 6499DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.500 5 O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 2.286/2.323, volume 12), que foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, (fls. 5.850/5.863, volume 29): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: PEDIDOS DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. A perícia se reserva A elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização e, nem tampouco, a realização de diligencia, quando o processo contiver os elementos necessários a formação da livre convicção do julgador. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. PROCEDÊNCIA. A transferência de recursos por parte de empresa domiciliada no exterior A autuada, sediada no Brasil, interligadas por contrato de prestação de serviços a terceiro subdivididos entre as duas pessoas jurídicas, possui a conotação de recuperação de custos. Esta constatação decorre do fato de que a interessada deixou de comprovar que as despesas, decorrentes do contrato, foram feitas por conta e ordem da empresa sediada no exterior, e que não teriam computadas na apuração do prejuízo. Assim, correta 6 a interpretação de que as receitas têm a finalidade de remunerar os serviços de manutenção nas embarcações da empresa sediada no exterior, prestados pela autuada, assim como de subvenção dos custos e despesas arcados pela própria. Logo, considerando a legislação em regência, devereriam ser adicionados ao lucro real. AUMENTO DE CAPITAL Devese exonerar da base de cálculo do lançamento as remessas do exterior que foram utilizadas para o aumento de capital, devidamente comprovado. CSLL REFLEXO COMPENSAÇÃO DA BASE NEGATIVA Devese retificar o lançamento da CSLL para considerar a redução da base de cálculo negativa do próprio período. PIS COFINS CSLL Por serem lançamentos decorrentes das infrações apuradas, consideradas parcialmente procedentes, exonerandose a parcela excluída. Lançamento Procedente em Parte Fl. 6500DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.501 6 O processo foi remetido ao CARF, por força de recurso de ofício, como também pela interposição de recurso voluntário (fls. fls. 5.882/5.924, volume 29). Este recurso foi contraarrazoado pela Procuradoria (fls. 5.930). Em prosseguimento, em 09/01/2009, o contribuinte apresentou nos autos Carta elaborada pela Ernst & Young, na qual consta informação que “os valores recebidos do exterior pela TSF e despendidos por conta e ordem das empresas ligadas, residentes no exterior, transitaram adequadamente pelas contas correntes (“intercompanies”), não afetando o resultado (receitas / despesas) da TSF” (fls. 5.957). A Procuradoria, intimada a se pronunciar sobre tal documento, questionou a juntada de documento após a impugnação e reiterou as contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 5.972). O então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção determinou a redistribuição do processo à Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, diante de conexão com o processo nº 15521.000126/200595, que havia sido sorteado para sua relatoria (fls. 5.973/5.974). Diante da apresentação de guias e pagamento (DARFs), a Turma Ordinária decidiu baixar os autos em diligência, para que a unidade de origem verificasse recolhimentos no sistema SINAL (fls. 5994). A Receita Federal constatou que houve pagamentos de PIS e COFINS nos períodos de janeiro a agosto de 2002 (fls. 6209) Nesse contexto, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara decidiu negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para reconhecer a decadência quanto ao PIS e a COFINS, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 AJUSTES AO LUCRO REAL COMPROVAÇÃO O lançamento tem origem na falta de adição, ao lucro real, de subvenções correntes para custeio ou operação ou de recuperações ou devoluções de custos. Se a contribuinte não comprovou que os valores recebidos constituíram, conforme alega, reembolso de despesas por ela incorridas em nome de terceiros, deve ser mantido o lançamento. PIS COFINS DECADÊNCIA Aplicamse ao PIS e à Cofins as regras de decadência previstas no Código Tributário Nacional para os tributos em geral Em 22/11/2016, os autos foram remetidos à Procuradoria (fls. 6262), que informou não apresentaria recurso especial (fls. 6263). O contribuinte, intimado em 28/12/2016 (fls. 6275), opôs embargos de declaração em 29/12/2016, que foram rejeitados pelo Presidente da Turma (fls. 6313). O contribuinte foi intimado desta decisão em 23/03/2017 (fls. 6.323), interpondo recurso especial em 24/03/2017 (fls. 6324/6.381). Alega divergência na Fl. 6501DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.502 7 interpretação da lei tributária de reembolso de despesas, indicando como paradigmas os acórdãos: (i) 11030201105, no qual se decidiu: “se os gastos foram em benefícios das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio”; (ii) 1402001.439, do qual se extrai: “o fato da lei brasileira prever tributação de forma diferenciada às empresas estrangeiras, proprietárias de embarcações objeto de contrato de afretamento com a Petrobrás, ou a circunstância de a Petrobrás limitar o valor pago às empresa de perfuração de poços, subsidiárias da proprietária das embarcações afretadas, não pode ser utilizado como elemento subjetivo para supor conluio entre as empresas contratantes, em especial quando a contratação se dá por força de licitação pública” O contribuinte Recorrente ainda alega que haveria nulidade no acórdão recorrido, (i) por desconsiderar prova nos autos, trazendo precedentes do CARF para reforçar suas alegações (240100572, 2202002223 e 3101001.369); (ii) pela presunção de omissão de receita. O recurso especial foi parcialmente admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), conforme decisão às fls. 6450/6473, destacandose trecho a seguir. a) Subvenções Correntes Para Custeio ou Operação ou de Recuperações ou Devoluções De Custos (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que a ausência de lançamentos contábeis do ingresso dessas diferenças nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras ou nas contas de capital social, permite tratálas como recursos de subvenções para custeio não reconhecidas como receitas. Os valores tidos como despesas da proprietária da plataforma e que eram satisfeitas pela recorrente e depois reembolsadas por aquela, tratamse de reembolsos de despesas feitas pela proprietária da plataforma petrolífera. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, qual seja, art. 12 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 ("Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, (...) b) Nulidade Pela Desconsideração das Provas dos Autos Ocorrendo a Preterição ao Direito de Defesa, pela Apresentação do Laudo (...) Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados não se revelam discordantes, não demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, pois as provas apresentadas Fl. 6502DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.503 8 nos presentes autos foram analisadas, em especial o laudo, em conformidade com o art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. c) Nulidade pela Presunção Utilizada Para a Manutenção dos Lançamentos O Sujeito Passivo procura demonstrar que a decisão recorrida acaba por criar verdadeira presunção/ficção para buscar a todo custo fundamento para a manutenção do auto de infração lavrado contra a Recorrente que nem sequer tinha ingerência sobre os termos da avença prevista em edital. Verificase que essa matéria não deve ser admitida, haja vista que foi oposta com absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF. Portanto, não restou demonstrada qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, DOU SEGUIMENTO EM PARTE ao presente recurso especial do Sujeito Passivo, a saber: I) existe a divergência jurisprudencial indicada em relação ao seguinte item: a) Subvenções Correntes Para Custeio ou Operação ou de Recuperações ou Devoluções De Custos; II) não existem as divergências jurisprudenciais indicadas em relação aos seguintes itens: b) Nulidade Pela Desconsideração das Provas dos Autos Ocorrendo a Preterição ao Direito de Defesa, pela Apresentação do Laudo; e c) Nulidade pela Presunção Utilizada Para a Manutenção dos Lançamentos. (...) O processo foi remetido à Procuradoria em 11/04/2017, que apresentou contrarrazões ao recurso especial em 26/04/2017. Alega, em síntese, que a) Não deveria ser conhecido o recurso especial, pois o contribuinte não teria demonstrado de forma objetiva a legislação interpretada de forma divergente, como exige o artigo 67, §1º, do RICARF (Portaria MF 343/2015); b) No mérito, pleitea seja mantida a decisão recorrida, reiterando contrarrazões ao recurso voluntário. O contribuinte foi intimado do despacho que admitiu em parte seu recurso especial, em 02/05/2017 (fls. 6.490), sem que tenha interposto agravo. É o relatório. Fl. 6503DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.504 9 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Preliminarmente: Conexão Como mencionado em relatório supra, há certidão no processo reconhecendo a conexão do presente processo com o processo nº 15521.000126/200595 (fls. 5.973/5.974). Neste processo, de 2005, houve conversão do julgamento em diligência (em 29/07/2009), para conferirse se os custos tratados nos autos influenciaram as contas de resultado e para que a fiscalização segregasse os custos de valores de subvenção para investimento. Com a mudança de composição da Turma, o processo foi sorteado ao Conselheiro João Otávio Opperman Thome. A Turma concluiu por dar provimento ao recurso voluntário (julgamento concluído em 24/03/2015). Este processo, finalmente, foi julgado por esta Turma da CSRF, sob relatoria do Conselheiro Luis Flavio Neto. O recurso especial da Procuradoria foi conhecido em parte, apenas quanto à qualificação dos recursos provenientes do exterior. Neste tema, foi dado provimento ao recurso especial da Procuradoria, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 CONDIÇÕES RECURSAIS. NÃO ADMISSÃO PARCIAL DO RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA. Não deve ser admitido recurso especial quando a decisão recorrida está assentada em mais de um fundamento suficiente e autônomo, mas o recurso não abrange todos eles. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontrase dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros na conta de obrigação deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a Fl. 6504DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.505 10 empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99. (acórdão nº 9101002.741) Com relação ao presente processo administrativo (final 200779), foi sorteado ao exConselheiro Marcos Shigeo Takata, portanto, sem observância do despacho que reconhecia conexão entre os processos. A Turma converteu o julgamento em diligência e, posteriormente, o processo foi sorteado a outro Relator, Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes. Diante disso entendo necessário esclarecimento sobre a conexão, reconhecida por despacho do Presidente de Câmara, nos termos do Regimento Interno do CARF. Com efeito, o atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) define conexão, como também a vinculação de processos, nos seguintes termos: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do Fl. 6505DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.506 11 processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. A despeito da existência de decisão nos autos pela existência de conexão, como já julgado o processo de 2005, afasto a reunião de processos, como também a competência do Conselheiro Luis Flavio Neto, por força do §2º, in fine, do artigo 7º, acima colacionado. Conhecimento: Recurso Especial do Contribuinte A Procuradoria questiona o conhecimento do recurso especial, nos termos do artigo 67, §1º do RICARF (Portaria MF nº 343/2015) sustentando que o contribuinte não teria demonstrado “de forma objetiva, a legislação que está sendo interpretada distintamente pelos paradigmas apresentados” (trecho das contrarrazões, fls. 6477). Em seu recurso especial, o contribuinte destaca a divergência na interpretação da lei tributária, tendo negritado trechos de ambos os acórdãos para destacar o artigo 1º, I, da Lei nº 9481/97, verbis: Não obstante o cotejo dos trechos acima relatados já baste pra claramente demonstrar a similitude fática entre o acórdão recorrido e o primeiro paradigma, a Recorrente pede vênia para apresentar o quadrocomparativo abaixo que, esmiuçando os relatórios e razões de voto, tanto do acórdão recorrido quanto do referido paradigma, não deixam margem de dúvidas quanto à identidade fática e o dissenso jurisprudencial entre eles: A Impossibilidade de considerar, na base de cálculo do IRPJ, CSL, PIS e Cofins, os recursos recebidos pela Recorrente do exterior à título de “reembolso de despesas” Acórdão nº 1401001730 (Acórdão Recorrido) Acórdão nº 1103001.105 (paradigma doc. 01 anexo) Órgão Julgador 1ª Turma Ordinária da 4ª 3ª Turma Ordinária da 1ª Fl. 6506DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.507 12 Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Identidade Fática (..) Trecho Elucidativo para o Dissídio São firmados contratos com empresas estrangeiras para serviços de prospecção. Essas empresas criam empresas brasileiras. Na fase de contratação com a Petrobras, são celebrados dois contratos: um para afretamento, outro para a prestação de serviços. É o contrato de afretamento que recebe a maior parte dos valores (geralmente em torno de 90%). Com isso a empresa estrangeira consegue escoar a maior parte do valor do contrato sem a retenção na fonte do IRPJ em face da previsão legal da alíquota zero para o afretamento de embarcações (lei 9.481/97, art. 1º, inciso I). Desse modo, o que ocorreu foi a celebração de dois contratos com o objetivo de escoar para o exterior a maior parte do valor obtido, de modo a enquadrar a quase totalidade do valor dos dois contratos sob a alíquota zero, o que de acordo com o artigo 1º, I, da Lei nº 9.481/97, é permitido no caso de afretamento de embarcações. O mesmo quadro é verificado quando o contribuinte identifica a divergência com o segundo acórdão paradigma (1402001.439). Pois bem. Analisando as razões do contribuinte, é inteligível qual a similitude entre os casos e a divergência na interpretação da lei, notadamente o artigo 1º, I, da Lei nº 9.481/97. Por tal razão, entendo preenchido o requisito de demonstração da lei interpretada de forma distinta, como prescreve o artigo 67, §1º, do atual RICARF. Adotando as razões do Presidente de Câmara quanto à tempestividade e demonstração da divergência na interpretação da lei tributária, além de identificar nas razões recursais a lei interpretada pelos acórdãos recorrido e paradigmas, conheço do recurso especial quanto ao tema (Subvenções Correntes para Custeio ou Operações ou de Recuperações ou Devoluções de Custos). Mérito A razão central para os lançamentos tributários que originaram o presente processo é a artificialidade vislumbrada na assinatura de dois contratos com a Petrobrás, um assinado pela controladora (contrato de afretamento de embarcações) e um pela controlada (outros serviços), “estabelecendo condições que acarretam prejuízos seqüenciais para a empresa controlada, sediada no Brasil” (...) “Assim, uma mesma prestação de serviços é seccionada em duas com o propósito de escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que dessa maneira é possível enquadrar quase que a totalidade do valor Fl. 6507DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.508 13 (...) sob o alcance da alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei nº 9.481/97). (trecho do Termo de Verificação Fiscal). No entendimento do auditor fiscal autuante os supostos reembolsos da controladora (no exterior) para a controlada no Brasil – relativos aos custos com manutenção das embarcações objeto de afretamento que seriam receita desta última, tendo por finalidade remunerar a empresa sediada no Brasil e subvencionar a continuidade de sua operação. O contribuinte, ao longo do processo administrativo, sustentou que a divisão em dois contratos é exigência do Edital de Licitação da Petrobrás (Cláusula 2.7 do Edital 187.8.002.017, doc. 4 anexo à impugnação), que teria definido a estrutura dos contratos e respectivas remunerações. Sustenta, ainda, que a Sedco Forex International Serviços S.A. (contratada pela Petrobrás – serviços de afretamento) não seria controladora da Transocean Seco Forex Brasil Ltda. Com efeito, o Edital de Concorrência Internacional nº 101.0.015956 prevê a existência de dois contratos, sendo um de afretamento e outro de prestação de serviços, definindo o percentual do preço de pagamento de cada um dos contratos: 1.6. Como resultado da licitação, a PETROBRAS celebrará 2(dois) contratos, quais sejam, um de afretamento e outro de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover". Os preços propostos, mediante o preenchimento das Planilhas de Pregos Unitários, constantes do ADENDO V, estarão limitados a 85% (oitenta e cinco por cento) em dólares norteamericanos (relativos ao Contrato de Afretamento), sendo o restante pago em moeda corrente nacional (relativo ao Contrato de Prestação de Serviços). (fls. 2708, volume 13) Em sentido similar, o Convite Internacional nº 187.8.002.017 estabelece que: 2.7 — As taxas diárias de operação, Ref. 101 das Planilhas de Preços Unitários, deverão ser cotadas observandose o "split" de 90% (noventa por cento) a ser pago em dólares norte americanos, no caso do Contrato de Afretamento da Unidade e de 10% (dez por cento), no caso do Contrato de Prestação de Serviços. (fls. 2472, volume 12) Os editais, portanto, definiram os preços de cada um dos contratos, sem a existência de margem de alteração pelo contribuinte. Os editais de licitação ainda afastam a suposta artificialidade na operação, afinal, as empresas foram contratadas – por meio de dois contratos distintos – por exigência da Petrobrás, por licitação regular. O artigo 1º, I, da Lei nº 9.481/1997, em redação vigente ao tempo dos fatos destes autos, reduzia a zero a alíquota do IRFOnte quanto ao afretamento: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) Fl. 6508DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.509 14 I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; Assim, não vislumbro, a priori, qualquer artificialidade na contratação procedida pela Petrobrás, por licitação regular, com o gozo da redução da alíquota do IRFOnte na forma legal. Lembro que o reembolso era feito pela SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A., que não era controladora direta da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL entre 2002 e 2003. Assim, equivocado o lançamento tributário quando menciona tal controle pela SEDCO FOREX INTERNATIONAL, verbis: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJs 2003 e 2004 110 (referentes aos anoscalendário 2002 e 2003) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizada através da conta denominada "SEDCO FOREX INTERNATIONAL", na qual era registrada a contrapartida das transferências de numerário de banco no exterior para conta bancária da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, no Brasil, no Banco Boston por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS. Com efeito, o conceito de controle está delineado na Lei nº 6.404/1964, nos termos seguintes: Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. A identificação de pessoa jurídica como controlador, portanto, depende do preenchimento dos dois requisitos tratados pelas alíneas "a" e "b", não sendo possível vislumbrar figura de "controlador" quando não houver titularidade dos direitos do sócio e poder de eleger a maioria dos administradores da companhia (como refere a alínea "a"). Fl. 6509DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.510 15 No caso dos autos, tratandose de autuação quanto aos anos de 2002 e 2003, vale analisar os documentos sociais da empresa então recebedora dos reembolsos (TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA.), para verificar quem seriam seus sócios e, ainda, um possível controlador. O contribuinte alegou em sua defesa inicial: Inicialmente, as empresas TOUHY CORP e INKERI INC., eram únicas sóciasquotistas da empresa SEDCOFOREX DO BRASIL LTDA., possuindo, respectivamente, 9.694.929 (nove milhões, seiscentas e noventa e quatro mil, novecentas e vinte e nove) quotas e 01 (uma) quota do capital social. Através da realização da Primeira Alteração Contratual as quotas pertencentes As empresas TOUHY CORP e INKERI INC. foram totalmente cedidas e transferidas para as empresas SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC. e SEDCOFOREX HOLDINGS LTD., de forma que a primeira passou a ser detentora de 9.694.929 (nove milhões, seiscentas e noventa e quatro mil, novecentas e vinte e nove) quotas e a segunda passou a ser detentora de 01 (uma) quota. Tempos depois, através da realização da Terceira Alteração Contratual, as sóciasquotistas resolveram alterar a denominação da sociedade, que passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA. Por sua vez, através da Oitava Alteração Social a sociaquotista SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC. vendeu e transferiu 01 (uma) de suas quotas ao Sr. PAUL ARTHUR KING, de forma que a empresa SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC. passou a ser a detentora de 9.694.928 (nove milhões seiscentas e noventa e quatro mil e novecentas e vinte e oito) quotas; a empresa SEDCOFOREX HOLDINGS LTD. continuou a ser detentora de 01 (uma) quota; e o Sr. PAUL ARTHUR KING passou a ser o detentor de 01 (uma) quota. Já na nona alteração no contrato social da empresa, que deve ser destacada para demonstrar a inexistência de qualquer vinculo de controle por parte da empresa estrangeira sobre a Impugnante, a SEDCOFOREX HOLDINGS LTD. vende e transfere sua única quota à empresa SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC. (se retirando, portanto, da sociedade), de forma que os únicos sóciosquotistas da Impugnante passaram a ser a empresa SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC. e o Sr. PAUL ARTHUR KING. Por fim, na última alteração no contrato social da empresa, a 12ª alteração, na qual inclusive se aprovou a incorporação da empresa pela ora Impugnante, o Sr. PAUL ARTHUR KING cedeu e transferiu a sua única quota em favor de SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., se retirando da sociedade, que portanto passou a ter apenas esta como sócioquotista, muito embora, tenha sido incorporada pela ora Impugnante. Fl. 6510DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.511 16 Dessa forma, por tudo o que foi exposto, não resta dúvida de que a empresa SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A. (empresa estrangeira que figura nos contratos de afretamento celebrados com a PETROBRAS, bem como nos contratos de câmbio através dos quais remete recursos à Impugnante para o pagamento de despesas que serão feitas pela lmpugnante por conta e ordem da própria empresa estrangeira) EM MOMENTO ALGUM FOI CONTROLADORA DIRETA OU INDIRETAMENTE DA ORA IMPUGNANTE: a semelhança entre os nomes confundiu de forma sobranceira a ilustre Fiscalização, já que a quotista da sociedade incorporada era a SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC., esta com sede no Panamá, e não a SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A. (empresa estrangeira que figura nos contratos de afretamento celebrados com PETROBRAS, bem como nos contratos de câmbio através dos quais remete recursos Impugnante). Nesse sentido, são os seguintes documentos sociais relevantes da TRANSOCEAN SEDCO FOREX, apresentados à fiscalização: 1) Alteração contratual da TRANSOCEAN SEDCO FOREX (fls. 18/32), de 02/05/2002, apresentado à fiscalização, constando como sócios: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) b. SEDCOFOREX HOLDINGS LTD. (Ilhas Virgens Britânicas) 2) Alteração Contratual da mesma pessoa jurídica, datada de 02/10/2002 (fls. 34/50), na qual é admitido novo sócio, pessoa física. Assim, a partir de então são sócios do contribuinte: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) b. PAUL ARTHUR KING (pessoa física, residente nos Estados Unidos); c. SEDCOFOREX HOLDINGS LTD. (Ilhas Virgens Britânicas) 3) Alteração Contratual, datada de 12/06/2003 (fls. 52/76), na qual retirase da sociedade da SedcoForex Holdings Ltd, constando a partir de então como sócios: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) b. PAUL ARTHUR KING (pessoa física, residente nos Estados Unidos); 4) Alteração Contratual, datada de 18/08/2003 (fls. 78/100), permanecendo com a mesma composição societária: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá); Fl. 6511DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.512 17 b. PAUL ARTHUR KING (pessoa física, residente nos Estados Unidos); Assim, os únicos sócios do contribuinte no período fiscalizado (2002 e 2003) forma: SEDCOFOREX HOLDINGS LTD (Ilhas Virgens Britânicas); SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) e PAUL ARTHUR KING (pessoa física). Efetivamente, não consta nos autos que a SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A. tenha sido sequer sócia (quanto mais controladora) do contribuinte. Consta, aliás, do Termo de Verificação Fiscal,que: “a ÚNICA sócia cotista da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, é a empresa estrangeira SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC., com sede no PANAMÁ” (fls. 2230). É, portanto, incontroverso que a SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A. não foi sócia do contribuinte no período fiscalizado. E portanto não poderia ser identificada como controladora. Consta também do Termo de Verificação Fiscal: São partes integrantes do presente Auto de Infração, os Anexos I e ll descritos nas alíneas "e" e "f" retromencionadas. Esses anexos demonstram, de forma analítica, os valores, discriminados mês a mês (BASES DE CALCULO DO IRPJ, CSSL, PIS E COFINS), que a "SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S/A" remeteu do exterior para a conta da fiscalizada visando fazer frente aos custos e despesas lançados na contabilidade da fiscalizada, conforme demonstrado no Livro Razão As fls. 1102 a 1197 do Volume VI; As fls. 1200 a 1398 do Volume VII; As fls. 1401 a 1599 do Volume VIII; As fls. 1602 a 1784 do Volume IX e As fls. 1787 a 1939 do Volume X. Portanto, os reembolsos vislumbrados pelo Auditor Fiscal autuante foram feitos pela SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S/A, que não era sócia, como tampouco controladora do contribuinte. Sucessivamente, adoto as pertinentes colocações do exConselheiro Marcos Shigueo Takata em julgamento de processo do mesmo contribuinte (Processo nº 15521.000300/200761, acórdão nº 1103001.105): Não houve por parte do autuante, nenhuma indicação de que os valores recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam maiores do que os valores das despesas dessas, a justificar que parte de tais valores foram por prestação dos serviços à Petrobras e parte por prestação de serviços às “controladoras” da recorrente. Tampouco houve indicação, muito menos discriminação, de quais valores seriam os de preço de serviços prestados à Petrobras, encobertos no preço de afretamento da SedcoForex International Services S.A., e quais seriam os de remuneração de atividade da recorrente para suas “controladoras”. Posto isso tudo, não se sustenta a conclusão de que os valores de transferência de recursos das “controladoras” da recorrente para esta são preço de prestação de serviços da recorrente às suas “controladoras”. Fl. 6512DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.513 18 E o mais importante. Não se sustenta a conclusão de que tais valores sejam preço de prestação de serviços pela recorrente à Petrobras (encobertos no preço dos afretamentos das empresas estrangeiras contratadas), pois já se viu que ficou incomprovada a artificialidade de preços praticados com a contratante. O motivo central resultou derruído, ante a imposição determinada pelos editais de licitação. Esclareço que o processo acima citado (15521.000300/200761) foi recentemente sorteado para minha relatoria e incluído em pauta para julgamento nesta sessão. No entanto, identificado pequeno equívoco procedimental, o processo foi retirado de pauta para saneamento. Lembro, também, que a matéria foi analisada por esta Turma da CSRF, em julgamento realizado em 04 de abril de 2017, sendo o acórdão de relatoria do Conselheiro Luís Flávio Neto (Processo Administrativo nº 15521.000126/200595, acórdão nº 9101002.741). À ocasião, acompanhei o relator em suas razões para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Destaco voto do Conselheiro Luís Flávio Neto naquele acórdão a respeito do tema: Fazse necessário, então, distinguir essas duas espécies do gênero “entradas”: os “ingressos” e as “receitas”. (...) Por “receitas”, entendemse apenas as entradas definitivas (ou mesmo o direito de receber tais entradas). Os “ingressos provisórios” não compõem o gênero “receitas”, já que não trazem qualquer incremento ao patrimônio da entidadecanal. Tais ingressos provisórios, embora possam vir a ser contabilizados em seu ativo circulante, têm como desdobramento imediato um compromisso em seu passivo circulante, qual seja, o repasse de tais valores aos seus verdadeiros destinatários. Não havendo direito da entidadecanal ao valor destinado aos repasses, o seu ingresso provisório não deve afetar em nada o seu resultado e, portanto, não representa signo presuntivo de riqueza em relação a esta. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, em convergência com as normas internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards IFRS), dedica especial atenção às receitas de intermediação, a fim de distinguilas dos valores recebidos para repasse aos fornecedores dos serviços intermediados. O Pronunciamento Técnico CPC 30, define que “receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”. A demonstração de resultados da entidade somente pode apresentar como receita a entrada decorrente da atividade empresarial própria e que resulte em aumento do seu próprio patrimônio líquido. O pronunciamento contábil (CPC 30) elucida que quantias cobradas por conta de terceiros (como tributos sobre vendas, sobre bens e serviços e sobre valor adicionado) não trazem Fl. 6513DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.514 19 benefícios econômicos para a entidade e, por isso, “não resultam em aumento do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita”. Tratandose de relação de agenciamento, “os ingressos brutos de benefícios econômicos provenientes das operações efetuadas pelo agente, em nome do operador, não resultam em aumentos do patrimônio líquido do agente, uma vez que sua receita corresponde tão somente à comissão combinada entre as partes”. Há também pronunciamento do CPC para pequenas e médias empresas (“Pronunciamento Técnico PME”), que traz igual conceito para “receita”, distinguindoa dos ingressos provisórios e reafirmando que, “no relacionamento como uma agência, a entidade deve incluir na receita somente o valor de sua comissão. Os valores recebidos em nome do titular não são considerados como receita da entidade”. Assim, conforme os padrões internacionais de contabilidade ora adotados no Brasil, tais ingressos provisórios recebidos para repasse não representam um signo de riqueza ao intermediador, que não sofre mutação de seu patrimônio líquido; o patrimônio líquido afetado pertence, isto sim, ao fornecedor daquilo que está sendo intermediado. Interessa ter claro, ainda, as duas faces do princípio da capacidade contributiva. Sob o seu aspecto objetivo, é prérequisito para a eleição da hipótese de incidência tributária, tratese de impostos ou de contribuições. (...) No caso sob julgamento, quando o ingresso provisório transita pela contabilidade da entidadecanal, temse uma entrada de caixa desdobrada em uma obrigação no passivo desta, sem afetar o seu resultado. Podese concluir, então, que a contabilização levada a termo pelo contribuinte, como bem ressaltado pela decisão recorrida, foi realizada adequadamente. Da mesma forma, também é correto concluir que há ausência de capacidade contributiva objetiva, já que o ingresso provisório de valores destinados ao repasse de afretamento não reflete probabilidade de riqueza para a empresa. Capacidade contributiva haveria na hipótese da recorrida haver acordado com as aludidas empresas estrangeiras remuneração pelo referido ônus assumido. Nessa hipótese, haveria entrada definitiva de receitas atinentes à sua remuneração, inconfundíveis com os ingressos provisórios recebidos a título de reembolso das despesas de interesse das empresas residentes no exterior. Não identifico, contudo, tal circunstância nos presentes autos. Pelas razões expostas e adotando também as razões do exConselheiro Marcos Shigueo Takata e do Conselheiro Luís Flávio Neto, acima reproduzidas, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Fl. 6514DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.515 20 Conclusão Diante de tais razões, voto pelo conhecimento e provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes Moura, Redator Designado. Não obstante o substancioso voto o I. conselheira, peço vênia para discordar em relação ao mérito. A matéria devolvida consiste em analisar como se deve qualificar os recursos provenientes do exterior objeto da autuação fiscal: são ingressos não tributáveis (reembolso de despesas) ou receitas tributáveis (recuperação de custos, art. 392, inciso II do RIR/99 1)? A princípio, vale discorrer sobre o contexto em que se deu a autuação fiscal, bem delineado pelo Termo de Verificação Fiscal TVF. A situação apresentada aos autos trata de dois contratos, celebrados entre a Petrobrás, a recorrente e a sua controladora, empresa sediada no exterior. Um contrato dispõe sobre prestação de serviços entre a recorrente e a Petrobrás, que trata de atividades como prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover, dentre outros, excetuandose o serviço de afretamento. O outro contrato, celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás, dispõe sobre o afretamento. Somandose os valores dos dois contratos, noventa por cento do montante referese ao contrato de afretamento celebrado entre a controladora do exterior e a Petrobrás, sendo que as receitas de afretamento são albergadas por alíquota zero prevista no art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997. Os outros dez por cento correspondem ao contrato entre a recorrente e a Petrobrás, por prestação de serviços submetida à tributação regular. Transcrevo excerto do TVF que ilustra com clareza a situação: Dispensando atenção maior nos exames, e graças a informes obtidos de ações fiscais já desenvolvidas em outras empresas da 1 Vide Decreto nº 3000. de 26 de março de 1999. Subseção V Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: (...) II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); (...) Fl. 6515DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.516 21 região de MacaéRJ, pôde ser flagrado o mecanismo que explica a permanência em operação no Brasil de empresas econômica e financeiramente "deficitárias". Decompondo a situação fática real, podese ter uma visão analítica da simulação de prejuízos praticada, mediante atribuição forçada de prejuízos a empresa sediada no Brasil, contra resultados positivos auferidos por empresa ligada no exterior, de cujas receitas (da empresa estrangeira) não há sequer retenção de tributos e contribuições pela fonte pagadora (PETROBRAS): A) Há o interesse de empresa estrangeira em prestar serviços de prospecção, perfuração, avaliação, completação e "workover", para a PETROBRAS, em território Brasileiro; b) É criada uma empresa no Brasil cujo controle acionário ou de cotas pertence à empresa estrangeira; c) Na fase de elaboração do contrato de prestação dos serviços que interessam à PETROBRAS, são feitos dois contratos distintos, um com a empresa estrangeira, controladora, especifico para o afretamento de embarcações, e outro com a empresa criada no Brasil, controlada, e que alcança efetivamente a prestação dos serviços de que necessita a PETROBRAS, excetuado o afretamento; d) O contrato de afretamento envolve os grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados em conformidade com o item "c", anterior, enquanto o contrato firmado com a empresa sediada no Brasil, controlada, prevê pagamentos da ordem de 10% da soma dos dois contratos; e) Assim, uma mesma prestação de serviços é seccionada em duas com o propósito de escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que dessa maneira é possível enquadrar quase que a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a controladora e com a controlada) sob o alcance de alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei n.2 9.481/97, art. 1.2 , inciso I); f) Como a título de custo para a PETROBRAS importa o valor global dos serviços e a sua efetiva execução, sendo indiferente como será registrado na contabilidade das contratadas os lucros ou prejuízos, essa não interfere nem apresenta obstáculos, ao que tudo indica, à formatação contratual dupla citada no item "c"; g) E, uma vez criada artificialmente uma enorme defasagem entre os valores dos serviços a serem prestados e o afretamento da embarcação, cumpre à controladora no exterior reembolsar sua controlada no Brasil, para efeito de custeio operacional e não operacional pois de outra forma esta última não sobreviveria sem o apelo à falência ou concordata o que é feito através de transferências bancárias de contas no exterior para contas em bancos no Brasil, com registro contábil em contas de obrigações sob os títulos "Transocean Offshore Deepwater", código "9219", e "Transocean Offshore Limited", código "9225"no caso da escrita fiscal da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, para que a controlada possa manterse regularmente em atividade; h) Dessa forma, fechase o ciclo, já que os rendimentos da empresa com sede no Brasil que realmente trazem correspondência com os serviços prestados de perfuração, avaliação, completação e "workover", e que são indevidamente inseridos no valor do contrato de afretamento celebrado com a empresa estrangeira, retornam Fl. 6516DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.517 22 para a empresa sediada no Brasil, controlada, por meio destas transferências bancárias (item "g"), cuja finalidade alcança, inclusive, remunerar serviços de manutenção muitas vezes executados pela controlada nas embarcações de propriedade da controladora afretadas; i) Outra situação revelada é a característica de reembolso dos valores transferidos do exterior para contas de empresas controladas no Brasil, pois que a controlada arca com os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertence à empresa controladora, remetente das transferências bancárias. Concluindo, da presente fiscalizada, vultosos valores (cerca de U$ 128 milhões de dólares por ano), saem do Pais para pagamento de afretamentos de embarcações sem imposto retido na fonte, por força de aliquota zero legalmente aplicável aos afretamentos, enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no Pais consignados na escrita contábil e fiscal de empresas que sempre dão prejuízo, da mesma forma implicando em nenhum recolhimento a titulo de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e em recolhimento reduzido de PIS e COFINS, incidentes sobre o faturamento. Isso é realizado mediante fluxo triangular do rendimento (empresa contratante, PETROBRAS, empresa controladora, no exterior, e empresa sediada no Brasil, controlada) que visa ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional. Na sequência, a autoridade autuante apresenta quadro demonstrativo, refletindo o resultado do arranjo empreendido pelo grupo societário. A guisa de maior visualização dos prejuízos consecutivos x reembolsos, foi elaborado o quadro abaixo, com os valores envolvidos no caso da empresa fiscalizada para os anos sob ação fiscal, a saber, anoscalendário 2002 e 2003:: ANO BASE (I) RECEITAS (II) CUSTOS E DESPESAS (III) LUCRO REAL (PREJUÍZO) (IV) REEMBOLSOS 2002 26.670.583,38 44.761.278,22 (18.090.694,84) 61.682.430,97 2003 21.527.290,12 33.807.077,37 (12.279.787,25) 73.696.572,00 A Contribuinte informou que havia celebrado uma “parceria” ou “aliança informal” com a sua controladora, no sentido de prestar suporte às operações da controladora no território nacional. E, nesse sentido, os “reembolsos” corresponderiam à despesas incorridas pela recorrente para dar suporte aos serviços prestados em favor da controladora. Ou seja, as remessas do exterior recebidas da controladora seriam reembolsos de despesas. Fl. 6517DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.518 23 São os fatos. A princípio, cumpre esclarecer que um lançamento contábil de remessas oriundas do exterior, atendendo aos princípios basilares da contabilidade, deveria ser de débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado. Ou seja, a situação tratada no caso em tela, no qual a contabilização a crédito ocorreu em contas patrimoniais, constituise em lançamento atípico. Caso os fatos alegados pela recorrente pudessem conduzir a uma outra realidade, qual seja, de que seriam efetivamente de reembolsos de despesas, o que justificaria a contrapartida do débito em conta de ativo a crédito em contas patrimoniais, deveriam ser lastreados por elementos hábeis para comprovar a escrituração. Apenas transcrição do registro contábil como "TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIO" não se mostra eficaz, por si só, para comprovar a materialidade dos ingressos na condição de reembolsos de despesas. No caso concreto, caberia à recorrente, diante da contabilização atípica das remessas do exterior, lastrear a sua escrituração com elementos de provas hábeis e idôneos, conforme art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (Grifei) Mero contrato informal celebrado com a sua controladora não é suficiente para fundamentar o registro contábil efetuado pela Contribuinte das remessas de divisas do exterior. Tratase de liberalidade que não pode ser oponível ao Fisco. Transcrevo excertos do TVF: As receitas foram reconhecidas realizadas no ato dos reembolsos, uma vez que, conforme já dito, os pagamentos (transferências bancarias para a conta "46" – Banco Safra) não se concretizaram à vista das prestações dos serviços pela controlada, nem tampouco há qualquer compromisso formal de pagamento — devido as circunstâncias de interdependência entre as empresas, à margem do interesse e da livre vontade que predominam em operações contratadas entre empresas em geral. (...) Sendo assim, e considerando que não há compromisso formal assumido pela controladora com relação aos pagamentos (reembolsos), cumpre reconhecer as receitas e faturamentos nas datas dos efetivos pagamentos/transferências, tanto para a interpretação que lhes atribua caráter de pagamento quanto para a que lhe atribua caráter de subvenção para custeio. (Grifos originais) Fl. 6518DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.519 24 Sequer houve preocupação da empresa em segregar as despesas que foram incorridas por ela daquelas supostamente originadas do suporte dado à sua controladora. Não há como identificar quais despesas foram oriundas dos serviços prestados a título de prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover (decorrente do contrato celebrado entre a recorrente e a Petrobrás) e daquelas derivadas do afretamento (referentes ao contrato celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás). Ora, se o motivo dos alegados “reembolsos” seria precisamente as despesas incorridas em favor de sua controladora, mostrase inadmissível e inexplicável o procedimento da recorrente em optar por não segregar as suas despesas daquelas incorridas em favor da empresa no exterior. Nesse contexto, mostrase preciso o TVF: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJs 2003 e 2004 (referentes aos anoscalendário 2002 e 2003) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizada através da conta denominada "SEDCO FOREX INTERNATIONAL", na qual era registrada a contrapartida das transferências de numerário de banco no exterior para conta bancária da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, no Brasil, no Banco Boston por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS. Ora, se a empresa controlada reconhecidamente prestou serviços para a controladora, e recebeu remuneração com a qual afirma haver correspondência com os citados serviços — manutenção das embarcações de propriedade da controladora —, por definição ocorreu percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo da tributação desse faturamento como fato gerador da tributação das contribuições PIS e COFINS, não importando a classificação contábil e fiscal ou a denominação que a empresa controlada pretenda atribuir ao que registra como "transferência de numerário". Digase mais ainda, tais ingressos correspondem na verdade a repatriação de receitas, restabelecendose através de reembolsos parte do lucro que deveria harmonizarse com o contrato assinado pela empresa controlada e a PETROBRAS. Sendo assim, e considerando que não ha compromisso formal assumido pela controladora com relação aos pagamentos (reembolsos), cumpre reconhecer as receitas e faturamentos nas datas dos efetivos pagamentos/transferências, tanto para a interpretação que lhes atribua caráter de pagamento quanto para a que lhe atribua caráter de subvenção para custeio. A irregularidade contábil cometida pela empresa controlada quanto à omissão na escrita contábil e fiscal dos reembolsos efetuados pela controladora como recuperação de custos, e quanto à falta de reconhecimento destas receitas, contextualiza se nos textos normativos da Resolução CFC n.º 750/93, Art. 1º, Fl. 6519DF CARF MF Processo nº 15521.000122/200779 Acórdão n.º 9101003.377 CSRFT1 Fl. 6.520 25 §§ 1º e 2º, e Art. 9º, § 3º, inciso I e IV, transcritos a seguir: (Grifos originais) Dessa maneira, entendo não haver reparos ao entendimento da autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes Moura Fl. 6520DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.900027/2008-53
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009 Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.734
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 1998, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1998, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 91DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório VIACAO AGUIA BRANCA S A com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de declaração de compensação eletrônica PER/DCOMP nº 06910.31151.170904.1.3.032430 (fls.20/24), transmitida em 17/09/2004, por meio da qual o interessado alega possuir crédito relativo ao saldo negativo de contribuição social sobre o lucro líquido, apurado no ano calendário de 1998, a ser compensado com o débito indicado. 2. A DRF/VITÓRIA/ES, por meio do despacho decisório de fl. 12, proferido em 07/03/2008, cuja ciência ao interessado foi dada em 17/03/2008 (fl.26), não homologou a compensação visto que na data da transmissão do PER/DCOMP já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo, em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão e de apuração do saldo negativo. 3. Irresignado, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/04, acompanhada dos documentos de fls. 01/11, alegando, em síntese, o que segue: entendimento concebido pelo Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça tribunais é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados da homologação tácita; à época em que o PER/DCOMP foi apresentado não havia dúvida de que o prazo para compensação de tributos sujeitos ao lançamento de homologação era de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador; portanto, o termo final para se pleitear a restituição do saldo credor apurado em 31/12/1998 somente ocorreria em 2008, ou seja, pouco mais de quatro anos da data da efetiva apresentação do pedido de compensação à Secretaria da Receita Federal; tal posicionamento somente se modificou com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, que somente entrou em vigor em 09/06/2005; se não admitidos os argumentos anteriores, devese observar que o início de contagem do prazo decadencial, para ser reconhecido o direito à restituição ou compensação dos recolhimentos efetuados a título de CSLL pelo regime de Fl. 92DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 3 tributação com base no lucro real anual, é o exercício subseqüente à entrega da declaração de ajuste anual (DIPJ), conforme art. 1º da Lei nº 9.065/1995 e art. 5º da IN 600/2005; existe decisão recente do Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de que somente a partir de 30 de abril do ano calendário subsequente ao do recolhimento o contribuinte tem o direito de pleitear a repetição de indébito advindo dos recolhimentos a maior efetuados por estimativa (acórdão nº 144.098, de 23/02/2006); o PER/DCOMP foi transmitido em 17/09/2004, portanto dentro do prazo prescricional estabelecido pela norma de regência, uma vez que seu término, numa concepção extremamente objetiva ocorreria em 30/04/2005, ou numa melhor análise doutrinária, em 31/12/2008, porém considerando os entendimentos do Conselho de Contribuintes em 30/04/2009; os princípios da razoabilidade e da motivação não foram observados na decisão proferida, que carece de fundamentação lógica e racional. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO DE CSLL. APURAÇÃO ANUAL. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL PRAZO QUINQUENAL. O saldo negativo de CSLL, na hipótese de apuração anual, pode ser objeto de restituição ou compensação no decurso de prazo de cinco anos, contados a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Versa o presente processo de reconhecimento de direito creditório relativo ao anocalendário de 1998 e homologação de pedidos de compensação. Consoante relatado, verificase que, tanto a DRF quando a DRJ entenderam que o prazo para pleitear o direito creditório seria de 5 anos da apuração. Este Colegiado tem manifestado entendimento diverso quanto ao tema em questão, prazo para pleitear o reconhecimento de direito creditório relativo ao Saldo Negativo de Recolhimentos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (SNRIRPJ) e Contribuicao Social sobre o Lucro Liquido (SNRCSLL). Citesse nesse sentido o Acórdão no. 140200604 de 30/06/2011, cuja ementa e voto condutor, da lavra do ilustre conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, elucidam. Ementa SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Voto A Câmara Superior nos últimos 3 anos, havia sedimentado o entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear a restituição extinguese mesmo após 5 anos, contados do pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme decido no acórdão nº 016000, proferido em 12/08/2008. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o seguinte julgado. Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real Fl. 94DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 5 anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347 (ementa e fundamentos a seguir transcritos): Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados d operíodo que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. [...] Voto (...) Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL afloram quando o valor das antecipações desses tributos – retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa superaram o valor apurado a partir do lucro real(IRPJ) ou lucro liquido ajustado, respectivamente. Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social a partir do anocalendário de 1997. Lei 9.430 de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 6 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. pela análise da sistemática de apuração, recolhimento e compensação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e Contribuição Social – Lucro Real a partir do anocalendário de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que não há prazo para o contribuinte pleitear a restituição do chamado saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e CSLL, devidamente apurado e apurado. Isso porque a lei estabeleceu um contacorrente. Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto de Fl. 96DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 7 renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. § 1º A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento. § 2º O valor retido, correspondente a cada tributo ou contribuição, será levado a crédito da respectiva conta da receita da União. § 3º O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada contribuição social somente poderá ser compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição. § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado. § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago. § 7º O valor da contribuição para a seguridade social COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. § 8º O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago. Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 93 de 24.12.1997 Apuração Anual do Lucro Real Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º do art. 2º será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o lucro real, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º. §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das leis comerciais. §2º Considerase lucro real o lucro líquido do períodobase, ajustado pelas adições prescritas e pelas exclusões ou compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda . §3º Observado o disposto no §4º do art. 2º, para efeito de determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: a) dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente; Fl. 97DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 8 b) dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10, pago mensalmente; e) do imposto de renda da pessoa jurídica pago indevidamente em períodos anteriores, ainda que compensado no decurso do anocalendário com o imposto de renda devido, apurado com base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10. §4º Para efeito de determinação dos incentivos fiscais de dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente despendidos pela pessoa jurídica. (...) Art. 49. Aplicamse à contribuição social sobre o lucro líquido as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, observadas as alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996. IN SRF 210/02 IN Instrução Normativa SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL SRF nº 210 de 30.09.2002 Restituição Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Parágrafo único. A SRF poderá promover a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. (...) Art. 6º Os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: Fl. 98DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 9 I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração. Constatase que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada mês o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur. O contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa, mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de regência, sendo que essa declaração deve ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frisese que o contribuinte do IRPF não tem a faculdade de compensar espontaneamente o imposto apurado nos anos seguintes, mesmo que tenham apresentado a declaração de ajuste. Aliás, é vedada qualquer tipo de compensação, devendo o contribuinte aguardar a restituição pela RFB. Registrese que, da mesma forma que o contribuinte pode pleitear hoje a restituição de saldos nos quais estão incluídos valores gerados há 10 dez ou 15 anos, a Fazenda Pública pode fiscalizar a formação desses saldos. Não se trata, evidentemente, de auditoria do lucro liquido ou lucro real apurado pelo contribuinte, cujo prazo continua sendo contado na forma do art. 150 c/c 173 do CTN, e sim da efetividade dos recolhimentos, IRFonte, transposição de saldos de um período para outro, compensações (inclusive com outros tributos), enfim: a própria formação do saldo. O art. 264 do RIR/1999 preceitua que a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes; ou seja: o direito creditório pleiteado pelo contribuinte deve ser declarado líquido e certo pela autoridade administrativa e, para tanto, ela pode e deve investigar a origem do alegado crédito, qualquer que seja o tempo decorrido, e cabe ao contribuinte manter em boa ordem a documentação pertinente, enquanto não prescritas eventuais ações relativas ao crédito em questão. Tal situação se verifica no presente caso. (os grifos são do original) Fl. 99DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10783.900027/200853 Acórdão n.º 140200.734 S1C4T2 Fl. 0 10 Portanto, cumpre afastar a decadência para o aproveitamento do SNRCSLL do anocalendário de 1998. Todavia, há que ser verificada pela Unidade de origem a efetividade e a disponibilidade do aludido crédito mediante novo despacho decisório. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para aproveitamento do direito creditório relativo ao SNRCSLL do anocalendário de 1998, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar sua procedência e disponibilidade, bem como apreciar a DCOMP pleiteada com o aludido crédito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 100DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 11050.003145/2004-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 19/04/1999, 12/11/1999, 02/12/1999, 22/08/2000, 16/05/2000, 24/01/2001, 20/06/2001, 12/07/2002, 28/08/2003, 04/11/2003, 13/07/2004
LANÇAMENTO POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revele-se igualmente indevido.
Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência.
Numero da decisão: 9303-006.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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CONTENCIOSO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. ENQUADRAMENTO EM CÓDIGO NOVO. IMPORTADOR. INFRAÇÃO POR CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA. IMPUTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para exclusão ou relevação da pena de multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria nos casos em que a contribuinte classifica incorretamente o produto, mesmo que o enquadramento determinado pela Fiscalização Federal no auto de infração revelese igualmente indevido. Se a autuação expõe os fundamentos para rejeição da classificação escolhida pelo importador e a ele foi concedido direito a ampla defesa, também não há que se falar em vício na formalização da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 31 45 /2 00 4- 25 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 380200.148, de 01/02/2010 (efolhas 299 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 19/04/1999, 12/ll/1999, 02/12/1999, 22/08/2000, 16/05/2000, 24/01/2001, 20/06/2001, 12/07/2002, 28/08/2003, 04/11/2003, 13/07/2004 IMPORTAÇÃO .DE MERCADORIAS. CLASSIFICAÇÃO NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM) INCORRETA PELO IMPORTADOR. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA No ART. 84, I, DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.158 35/2001. IMPOSSIBILIDADE NO CASO CONCRETO; RECURSO PROVIDO PARA ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. No acórdão recorrido, a DRJ cancelou todos os tributos lançados, mantendo apenas a multa do Art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001, por entender que a recorrente classificou incorretamente, na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a mercadoria que importou. No caso em foco, tanto a importadora, quanto a fiscalização equivocaramse na classificação da mercadoria, empregando ambos códigos distintos da NCM. O tema somente restou esclarecido a partir das provas realizadas, inclusive laudos técnicos, quando foi possível promover o adequado enquadramento num outro código. Ausente, portanto, deliberada Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 4 3 intenção de fraudar ou impor prejuízo ao Fisco. Ademais, consoante revelam os documentos encartados nos autos (fls. 68 e ss.), houve descrição detalhada e completa da mercadoria, tomando possível a identificação sem margem de dúvidas. Presentes o comportamento transparente e de boafé da importadora, inclusive com recolhimento do tributo devido na importação, a multa do Art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 deve ser afastada, nesta hipótese. Recurso voluntário a que se dá provimento. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 308 e segs) diz respeito à incidência da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro da mercadoria, prevista no art. 84 da MP n.° 215835/2001, mesmo quando não esteja presente ou não se comprove a ocorrência de dolo ou máfé1. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 344 e segs. Contrarrazões da contribuinte às efolhas 352 e segs. Pede que se negue provimento ao recurso especial. É o Relatório. 1 Embora no RE discutase a manutenção da multa quando a classificação escolhida no auto de infração também está equivocada, a divergência jurisprudencial está centrada na ausência/presença de dolo. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Não há reparos a fazer em relação ao exame de admissibilidade do recurso especial. O prazo para interposição foi observado. Dele tomo conhecimento. Mérito Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 5 4 Os autos dão conta de que a decisão de primeira instância manteve a autuação apenas na fração correspondente à multa por erro de classificação fiscal, prevista no art. 84 da MP n.° 215835/2001, no percentual de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria importada. A decisão recorrida, por seu turno, exonerou também essa multa. É contra essa exoneração que a Fazenda recorre. As demais penalidades originalmente impostas, assim como a diferença de tributos foram consideradas improcedentes pela DRJ. Uma vez que o Fisco tenha classificado incorretamente a mercadoria no auto de infração, ainda que incontroverso o erro de mesma natureza cometido pelo importador, todas as exigências escoradas na NCM indicada no auto foram consideradas insubsistentes. Até aí, nenhuma novidade. A jurisprudência administrativa é quase uníssona em relação aos efeitos da decisão que, no seu bojo, rejeita a classificação escolhida pela Fiscalização. Quando se chega a essa conclusão, a exigência é considerada improcedente como um todo, ainda que a classificação adotada pela contribuinte também esteja equivocada. De fato, para a NCM que emerge do julgamento há circunstâncias desconhecidas: outra alíquota (talvez ad valorem, talvez específica), outro tratamento administrativo, necessidade de novos esclarecimento técnicos sobre o produto etc. A adequação a essas novas circunstâncias exigiria que todo o procedimento fiscal fosse revisto, o que equivaleria a um novo lançamento, medida que, como se sabe, não foi contemplada pela legislação tributária. Por essa razão, inevitavelmente, a pretensão veiculada nos autos termina sendo abandonada. Contudo, essa máxima não pode ser instantaneamente aplicada quando o assunto envolve a multa decorrente do erro de classificação fiscal em si. Diferentemente da exigência vinculada à diferença de tributos, à multa por declaração inexata/falta de pagamento e à multa por infração ao controle administrativo das importações, todas associadas e dependentes do tratamento tarifário concedido a determinada NCM, a infração por erro de classificação não é afetada quando o enquadramento escolhido pelo Fisco também se revela equivocado. Tratase de uma infração dissociada de quaisquer exigências e particularidades tributárias e/ou administrativas a que se subsumem as operações com mercadorias classificadas em determinado código tarifário. Noutro giro, releva também destacar que a infração de que aqui se trata, tal como tipificada no art. 84 da MP n.° 215835/2001, não comporta controvérsia em face dos Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 6 5 efeitos do ato de que resulta ou de outros aspectos com viés subjetivo. Com a devida vênia aos que pensam de forma diferente, não vejo propósito na discussão travada nos autos acerca da intenção do agente, da extensão dos efeitos do ato ou da presença ou não da máfé comprovada ou demonstrada nos atos praticados pelo infrator. A infração por erro de classificação fiscal, tal como é próprio das infrações de natureza tributária, é objetiva. Como se sabe, à presença do elemento volitivo nos atos infracionais são atribuídas consequências próprias. Via de regra, o dolo dá ensejo ao agravamento da multa exigida; não está associado à circunstância material da infração. Com base nessas premissas, afastase, desde logo, a interpretação que sugere a exclusão da pena perante a ausência de intenção do agente ou de efeitos lesivos do ato. Do ponto de vista estritamente legal, quaisquer destas circunstâncias carecem de conteúdo normativo que lhes conceda efeito jurídico. Conforme disposto na norma legal infracional, a materialidade da infração encontrase na conduta; no erro de classificação fiscal. A priori, uma vez que isso ocorra, nenhuma das circunstâncias acima descritas tem o condão de relevar a pena que decorre do ato de classificar indevidamente a mercadoria. E esse pressuposto aplicase, igualmente, às situações nas quais a classificação escolhida pelo Fisco revelase equivocada. A norma geral e abstrata se materializa na ação do contribuinte que classifica indevidamente a mercadoria. Não há pena prevista para o Erário nem mitigação decorrente de uma escolha também indevida. Tampouco há disposição normativa que exclua a penalidade em face de tal ocorrência. Isto posto, resta examinar a possibilidade de que a imprecisão de que se trata resulte em prejuízo da integridade do auto de infração em si. Ao indicar classificação tarifária equivocada, é possível que a acusação padeça de uma precariedade insuperável na fundamentação que lhe é exigida, do que resultaria todo o procedimento eivado de vício material. A esse respeito, encontrase à efolha 12, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração, a explicação da Autoridade autuante para desclassificação da mercadoria importada. O texto da posição 3823 é bem claro referindose a “ÁCIDOS GRAXOS (GORDOS*) MONOCARBOXÍLICOS INDUSTRIAIS”. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 7 6 Segundo o laudo laboratorial (fls 146 a 149), em resposta ao quesito 1 (fl. 146 e 147) “Tratase de ácidos graxos (gordos) monocarboxilicos industriais?", a resposta conclusiva para o produto OLEO IM3 foi “Não se trata de Ácidos Graxos (Gordos) Monocarboxilicos Industriais, Óleos Ácidos de Refinação, Álcoois Graxos (Gordos) Industriais. Tratase de Solução Aquosa de Éster Graxo Sulfatado, um Outro Aniõnico, um Agente Orgânico de Superfície” e a resposta conclusiva do laudo para o produto OLEO IM2/AB foi “Nâo se trata de Ácidos Graxos (Gordos) Monocarboxilicos Industriais, Óleos Ácidos de Refinação, Álcoois Graxos (Gordos) Industriais. Tratase de Solução Aquosa de Éster Graxo Sulfatado, um Outro Aniônico, um Agente Orgânico de Superfície". Logo, ambos produtos tratamse de produtos idênticos, pois a conclusão do laudo laboratorial foi a mesma e ambos produtos não são produtos que se classificam nesta posição. O caso dos autos é exemplar. A toda evidência, há razões suficientes e autônomas para que se chegue à conclusão de que o importador incorreu em erro na escolha da classificação tarifária da mercadoria. Tratase de uma decisão que encerra em si mesma sua motivação, independe da classificação escolhida pelo Fisco. Ainda que esta seja incorreta, as razões e os fundamentos que levaram à rejeição da classificação escolhida pelo importador subsistirão e foram satisfatoriamente explicitadas no auto. Ao administrado foi concedido o direito de contraditálas. E que se diga que, de fato, a simples escolha de determinada classificação tarifária em detrimento de outra tem relevante potencial lesivo e pode ser evitada à luz de elementos de convicção relativamente superficiais. Isso pode ser observado, com alguma frequência, no caso de importação de mercadorias passíveis de serem classificadas no conhecido Capítulo 29 da TEC. Vejase o exemplo a seguir. No ano de 2001, por meio da Resolução Camex nº 42/20012, a Câmara de Comércio Exterior, supostamente por razões de cunho econômico, decidiu reduzir a zero a 2 RESOLUÇÃO CAMEX Nº 42, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2001 DOU 29/12/2001 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 8 7 alíquota do imposto de importação incidente sobre cerca de 360 (trezentos e sessenta) códigos tarifários compreendidos no Capítulo 29. Investigar a regularidade na escolha desse capítulo, normalmente, não exige mais do que uma informação elementar acerca da composição química da mercadoria: se trata se de um composto de constituição química definida ou não. Já classificar com precisão um produto químico pode demandar demoradas pesquisas bibliográficas e exames laboratoriais. Isso significa que a simples constatação de erro na opção pelo Capítulo 29, independentemente da classificação tarifária a que o produto deveria ser submetido, garante ao Fisco a condição de coibir a opção do administrado por enquadramento com tratamento tarifário beneficiado, ao qual ele sabia ou deveria saber que não tinha direito. Assim, considerando todo o exposto, não vislumbro nenhum argumento que conduza à decisão de excluir a pena imposta à contribuinte; seja em face das alegações associadas à ausência de qualificação do ato, dos efeitos dele decorrentes, da falta de fundamentação ou mesmo da preterição ao direito de defesa. A contestação, a meu ver, carece de motivação real e de base legal. O PRESIDENTE DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3º do art. 6º do Decreto no 3.981, de 24 de outubro de 2001, e tendo em vista as Decisões nos 67/00 e 06/01, do Conselho do Mercado Comum (CMC), e Resoluções nos 11/01, 12/01, 29/01, 30/01, 32/01, 45/01, 46/01, 48/01 e 57/01, do Grupo Mercado Comum (GMC), do MERCOSUL, e as emendas à Nomenclatura do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, RESOLVE, ad referendum da Câmara: (...) Art. 3º Ficam reduzidas a zero por cento, até 31 de agosto de 2002, as alíquotas do Imposto de Importação das mercadorias descritas nos códigos relacionados no Anexo V a esta Resolução, gravados na TEC com o símbolo “§”. (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 08, DOU 31/03/2003) (Prorrogada pelo art. 1º da Resolução Camex nº 19, DOU 01/07/2003) (...) Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11050.003145/200425 Acórdão n.º 9303006.474 CSRFT3 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 382DF CARF MF
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