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Numero do processo: 10283.902809/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.177
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 09 /2 01 2- 44 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902809/201244 Acórdão n.º 3302004.177 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.020. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902809/201244 Acórdão n.º 3302004.177 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902809/201244 Acórdão n.º 3302004.177 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902809/201244 Acórdão n.º 3302004.177 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902809/201244 Acórdão n.º 3302004.177 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902809/201244 Acórdão n.º 3302004.177 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001519/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação.
PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação
Numero da decisão: 2301-005.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos embargos opostos para sanar a contradição entre a fundamentação do voto condutor e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator dos embargos.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação. PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação. PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos embargos opostos para sanar a contradição entre a fundamentação do voto condutor e a parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator dos embargos. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 15 19 /2 00 9- 83 Fl. 433DF CARF MF 2 Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal. Relatório O relatório da decisão de primeira instância oferece uma boa síntese dos principais pontos discutidos no lançamento de ofício, merecendo ser transcrito a seguir: Tratase de crédito tributário lançado pela fiscalização AI DEBCAD 37.224.3967 pertinente às contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, tendo sido o presente lançamento lavrado em substituição àqueles feito através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 35.442.2774, anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme Acórdão n° 001326/2005, prolatado pela 2a CAJ Câmara de Julgamento, em 23/05/2005, sob a alegação de vício formal, acarretado pela omissão, no anexo relativo aos Fundamentos Legais do Débito, do dispositivo legal que autoriza o arbitramento das contribuições previdenciárias através de aferição indireta. 2. O valor do presente lançamento é de R$ 142.451,70, consolidado em 17/09/2009. 3. De acordo com o relatório fiscal, de fls. 22/27, a apuração deuse com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de serviços de construção civil pela empresa CERISA – CONSTRUÇÕES E ENGENHARIA LTDA, CNPJ 34.145.029/000183, uma vez que a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados, incluídas em notas fiscais e/ou faturas correspondentes aos serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária. 4. Explica o autuante que, utilizando a prerrogativa contida nos parágrafos 3o e 6o do artigo 33 da lei n° 8.212/91, arbitrou a base de cálculo das contribuições lançadas, a partir do valor das Notas Fiscais emitidas pela prestadora, adotandose o percentual de 40% determinado pela Instrução Normativa n° 03/2005. 5. Esclarece também o Auditor Fiscal que, por se tratar de lançamento substitutivo de contribuições lançadas em procedimento fiscal anterior, foram considerados todos os documentos apresentados tanto no decorrer da ação fiscal, como Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2301005.035 S2C3T1 Fl. 434 3 no curso do procedimento administrativo de julgamento, tendo sido já consideradas as retificações anteriormente feitas durante o julgamento administrativo do processo anulado. 6. Informa também o Auditor Fiscal que foi aplicada a alíquota mínima sobre os saláriosdecontribuição apurados. Em primeira instância, a DRJ/Rio de Janeiro julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente a exigência fiscal. A ementa do julgado encontrase assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CONSTRUÇÃO CIVIL. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda, não comportando benefício de ordem. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito de qualquer um dos devedores solidários, inteligência do art. 30, VI da Lei 8.212/1991. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. A não apresentação de documentos solicitados pela fiscalização e necessários à verificação do fato gerador enseja o lançamento arbitrado pela técnica da aferição indireta, com fulcro no art. 33, § 3º da Lei 8212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede recursal, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Sessão do CARF, sob a relatoria do Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo responsável solidário, a fim de reconhecer a nulidade do lançamento, por vício material. A ementa do acórdão nº 2403002.883, de 19/01/2015, encontrase redigida nos seguintes termos (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita Fl. 435DF CARF MF 4 presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos de declaração em face do acórdão que julgou o recurso voluntário, afirmando existir contradição e omissão a serem sanadas. Em 01/01/2016, foi proferido despacho de admissibilidade pelo presidente da turma, aparentemente inadmitindo os embargos da Fazenda Nacional e admitindo os embargos opostos pelo conselho relator original Ivacir Júlio de Souza, em face da existência de contradição na parte dispositiva do acórdão, que teria dado provimento parcial ao recurso voluntário sem colacionar voto vencedor. Em 13/03/2017, novo despacho de admissibilidade foi proferido pelo presidente da turma, em virtude inconsistências levantadas por este relator entre o acórdão embargado, o recurso de embargos de declaração e o despacho de admissibilidade anteriormente proferido, que culminaram com o não conhecimento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional e o conhecimento dos embargos opostos de ofício pelo eminente conselheiro relator original Ivacir Júlio de Souza, para sanar a contradição acima apontada. É o relatório Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Em vista da matéria admitida para julgamento, os presentes embargos versam somente sobre a contradição apontada pelo conselho relator original Ivacir Júlio de Souza na parte dispositiva do acórdão, que teria dado provimento parcial ao recurso voluntário sem colacionar voto vencedor. Realmente, constato a referida contradição entre o voto condutor (que reconheceu vício material no lançamento) e a parte dispositiva do acórdão (que deu provimento parcial ao recurso voluntário). Diante desse cenário, duas possíveis soluções afloram: (a) ou a parte dispositiva do julgado está correta, tendo a turma, por maioria de votos, dado parcial provimento ao recurso voluntário, restando o relator vencido em parte; (b) ou a parte dispositiva do julgado está incorreta, tendo a turma, por maioria de votos, dado integral provimento ao recurso voluntário. Fl. 436DF CARF MF Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2301005.035 S2C3T1 Fl. 435 5 Os elementos constantes dos autos apontam, a meu ver, para a alternativa (b). Com efeito, a “ratio decidendi” do voto do ilustre conselheiro relator do acórdão embargado fundamentouse no descumprimento dos requisitos legais pela fiscalização que autorizariam o direcionamento da cobrança para a responsável solidária TELEMAR NORTE LESTE S/A e o arbitramento da base de cálculo pelo método da aferição indireta, nos termos do art. 33, §6º da Lei nº 8.212/91, da Ordem de Serviço INSS/DAF nº 185, de 31/03/1998 e da Portaria MPS/SRP/DEFIS n° 02, de 05/02/2007. O direcionamento da cobrança exigiria das autoridades fiscais a realização de auditoria prévia na própria contribuinte, a prestadora de serviços CERISA CONSTRUÇÕES E ENGENHARIA LTDA., o que não ocorreu na espécie. Tratase de uma questão de nulidade material, que abrangeria todo o lançamento e que não teria como ser parcialmente provida. Os seguintes trechos extraídos do acórdão embargado corroboram tal afirmação: Cabe ressaltar que embora a autoridade autuante tenha registrado que o lançamento por aferição indireta teve fulcro, também, no 6° do artigo 33 da Lei Na 8.212/91, colacionou apenas o comando previsto no 3°. Aduz que na forma do preceituado no § 6º a aferição indireta é procedimento previsto para hipótese de no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento. Na leitura do Relatório Fiscal não se encontra registro desconsiderando a contabilidade ou a autenticidade de qualquer outro documento que tenha tido acesso., verbis: "§ 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário " (...) Salvo melhor aferição, no sobredito acórdão não há registro algum de que a contratada tenha sido fiscalizada com ou sem exame da contabilidade no período anulado. Tivesse havido ou não a fiscalização, mesmos nos dias presentes, nos sistemas conteria registros possíveis de serem copiados e colacionados nos autos para efeito de provas. (...) Se o vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que o conteúdo do ato estará eivado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação. Fl. 437DF CARF MF 6 Tal conclusão é ainda corroborada por um evento externo. Tratase do julgamento do recurso voluntário interposto por esta mesma responsável solidária (Telemar Norte Leste S/A), ocorrido nos autos do processo administrativo conexo nº 12898.001513/200914 (DEBCAD 37.224.3908), cujo lançamento de ofício teve origem no mesmo procedimento de fiscalização. Por meio do acórdão nº 2403002.888, de 20/01/2015 (mesmo dia do julgamento do acórdão ora embargado), a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Sessão do CARF, também sob a relatoria do Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, ao analisar fatos semelhantes, deu provimento integral ao recurso voluntário interposto pelo responsável solidário, reconhecendo se a nulidade do lançamento, por vício material. Confirase a ementa desse julgado (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/12/1998 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL.LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos opostos pelo eminente conselheiro relator original Ivacir Júlio de Souza, para sanar a contradição entre a fundamentação do voto condutor e a parte dispositiva do acórdão embargado e, diante disso, promovo a adequação, com efeitos modificativos, da conclusão do julgado, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 PREVIDENCIÁRIO. VERDADE MATERIAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É um princípio específico do processo administrativo. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 12898.001519/200983 Acórdão n.º 2301005.035 S2C3T1 Fl. 436 7 A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Se o lançamento contiver vício estiver instalado na produção, em sua dinâmica, com defeito na composição, mediante explícita presunção e ausência de provas, ônus do sujeito ativo, ensejará a nulidade dado que maculado de vício material comprometedor do crédito e da sua motivação Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005382/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração a empresa deixar de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art. 32, III da Lei nº. 8.212/91 combinado com os art. 225, III do Decreto 3.048/99.
RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE.
Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada.
Numero da decisão: 2401-004.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa deixar de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art. 32, III da Lei nº. 8.212/91 combinado com os art. 225, III do Decreto 3.048/99. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração a empresa deixar de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art. 32, III da Lei nº. 8.212/91 combinado com os art. 225, III do Decreto 3.048/99. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 82 /2 00 9- 32 Fl. 83DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 19515.005382/200932 Acórdão n.º 2401004.854 S2C4T1 Fl. 84 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 68/75) interposto em face do Acórdão nº. 1626.633 (fls. 54/60) que julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/11/2009 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. Constitui infração a empresa deixar de prestar ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Art. 32, III da Lei nº. 8.212/91 combinado com os art. 225, III do Decreto 3.048/99. RELEVAÇÃO DA MULTA. INAPLICABILIDADE. Com o advento do Decreto n° 6.727, de 12 de janeiro de 2009, restou revogado o artigo 291 do Decreto 3.048/99 que, enquanto vigente, possibilitava a atenuação ou relevação das multas aplicadas, conforme o caso, não havendo, pois, a partir de então, qualquer possibilidade de ser afastada. Mesmo para as infrações ocorridas durante a vigência do art. 291 do Decreto 3.048/99 não há espaço para se cogitar acerca da correção da falta em se tratando de conduta instantânea, a ser observada ou inadimplida durante a fiscalização, não se fazendo possível qualquer espécie de saneamento ou correção. O presente processo decorre do crédito tributário lançado em face da recorrente, por meio do DEBCAD nº. 37.248.5979. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 21, teria a recorrente infringido o artigo 32, III, da Lei nº. 8.212/91, com redação da MP 449/08, convertida na Lei nº. 11.941/2009, combinado com o art. 225, III, do Decreto 3.048/99, por deixar de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, solicitados através de Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, em especial ao Termo de Intimação nº. 06 (fl. 17) no qual constou a solicitação para que fossem prestados esclarecimentos sobre os motivos de não inclusão na GFIP dos contribuintes individuais constantes da DIRF exercício 2004, constando, expressamente, que "os esclarecimentos solicitados deverão ser feitos por escrito, devidamente assinados, acompanhados, quando for o caso, da respectiva documentação, nos termos do REFISC de fls. 20. Fl. 85DF CARF MF 4 A multa aplicada está prevista nos arts. 92 e 102 da Lei 8.212/91; no artigo 283, inciso II , " B " e art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, multa esta atualizada nos termos da Portaria Interministerial de MPS n° 48, de 12/02/2009, aplicada em seu valor mínimo de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), pertinente à infração verificada sem agravantes, fls. 22 e 23. Apresentada a impugnação (fls. 34/41), esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão reproduzido acima. Intimada do referido acórdão em 28/02/2011 (fl. 65), apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário (fls. 68/75) em 21/03/2011, alegando, em síntese: a) Ausência de motivo para aplicação da multa, os esclarecimentos solicitados pela fiscalização não se faziam necessários, posto que irrelevantes para a realização da auditoria fiscal; b) Relevação da multa, por força do art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99, que exige a correção da infração no prazo para apresentação de defesa, ser primária e não contar circunstância agravante. O presente processo administrativo e seus 7 apensos foram incluídos em pauta de julgamento do dia 16 de abril de 2014, quando todos foram convertidos em diligência, por meio de resoluções específicas para cada processo, a fim de que fossem prestadas as seguintes explicações (as mesmas em todos os processos): Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo baixem à Delegacia de Origem, com todos os seus 07 (sete) apensos, para que a fiscalização informe se as GFIP´s juntadas às fls. 62/76 do processo 19515.005379/2009 19: (i) se relacionam ao presente lançamento; (ii) se o pagamento dos valores de cada uma delas fora devidamente recepcionado e consta no sistema da SRFB; (iii) se tais pagamentos se referem ao crédito tributário objeto do presente lançamento ou em qualquer dos outros objeto dos processos apensados a este Auto de Infração; (iv) se tais pagamentos foram aproveitados no presente lançamento ou em qualquer outro dos lançamentos constantes dos processos apensados; (v) Se tais GFIP´s foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal, tendo sido ou não consideradas na oportunidade da realização do lançamento; (vi) Se tais GFIp´s apresentam a informação acerca de valores pagos à contribuintes individuais cujas remunerações foram omitidas em GFIP e folha de pagamentos relativamente a todos os processos apensados ao presente Auto de Infração; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 19515.005382/200932 Acórdão n.º 2401004.854 S2C4T1 Fl. 85 5 Em resposta à Resolução nº. 2401000.361 (fls. 110/113) do presente processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, emitiu a Informação Fiscal de fls. 176/177 do PAF 19515.005375/200931, apresentando as seguintes conclusões aos questionamentos desta turma julgadora: Assim, retornaram os autos a este e. Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Da não inclusão em GFIP dos contribuintes individuais O presente auto de infração fundamentase no art. 32, III da Lei nº. 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [..] III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Como se vê, a infração prevista na legislação se dá com a falta de informações e/ou esclarecimentos solicitados pela fiscalização, independentemente do descumprimento de quaisquer obrigações principais. Nesse passo, impertinentes as razões apresentadas pela recorrente. Seja quanto a ausência de prejudicialidade para a exigência da obrigação principal, posto se tratarem de lançamentos distintos e independentes, seja pela alegada informação de irrelevância das informações. Em qualquer das hipóteses alegadas, materializada está a conduta prevista no dispositivo acima e aplicável a multa por descumprimento de obrigação acessória, como no presente caso. Razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário no tópico específico. Do pedido de relevação da multa Pugna a recorrente pela aplicação do disposto no art. 291, § 1º, do Decreto 3.048/99: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. O presente auto de infração data de 25/11/2009, ao passo que a redação o referido artigo fora revogado pelo Decreto 6.727/2009, datado de 12 de janeiro. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 19515.005382/200932 Acórdão n.º 2401004.854 S2C4T1 Fl. 86 7 O que pleiteia a recorrente é a aplicação de um dispositivo legal revogado, sob o fundamento de que o lançamento deve regerse pela lei vigente à época dos fatos geradores. Ora, regerse o lançamento pela lei vigente à época dos fatos geradores não implica na aplicação de lei revogada quanto à benefícios de redução/relevação da multa. O dispositivo legal suscitado pela recorrente estava revogado no momento da lavratura do auto de infração, razão pela qual não há qualquer fundamento legal que justifique a sua aplicação. Ainda, destaquese ser absolutamente inaplicáveis ao presente caso os mencionados artigos 144 e 106 do CTN, apresentados pela Recorrente em seu recurso voluntário. Assim, afasto o pedido de relevação da multa por ausência de fundamento legal. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000383/00-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
CONVERSÃO DE PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS PRÓPRIOS COM DÉBITOS DE TERCEIROS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INEXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA.
É pacífico o entendimento nesta Turma de que, uma vez não existindo a conversão dos pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros em declaração de compensação, também não é possível a homologação tácita pelo decurso do prazo legal de 5 anos (previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96), devendo subsistir, portanto, a glosa fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. É pacífico o entendimento nesta Turma de que, uma vez não existindo a conversão dos pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros em declaração de compensação, também não é possível a homologação tácita pelo decurso do prazo legal de 5 anos (previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96), devendo subsistir, portanto, a glosa fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 83 /0 0- 74 Fl. 1568DF CARF MF 2 Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.569 3 Relatório Adoto a seguir, integralmente, o relatório da DRJ/SPOI, acórdão nº 1616.306 (fls. 1.2661.290), julgado em 08 de fevereiro de 2008. "Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 493/502, em que foram apreciados o Pedido de Restituição de Saldo Negativo — SN de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL relativo ao anocalendário — AC de 1997 e o Pedido de Compensação de débitos próprios, ao qual foram juntados os seguintes processos (fls. 240242): a) de Pedidos de Compensação: PAF no 16327.000386/0062, anexado em 29/02/2000, PAF no 16327.000385/0008, em 14/06/2002, com débitos da "Fibra D.T.V.M. Ltda." (atual: "Fibra Asset Management D.T.V.M. Ltda") — CNPJ n° 30.711.501/000147 e PAF n° 16327.000415/0069, em 14/02/2002, com débitos da "Fibra Leasing S/A Arrendamento Mercantil" — CNPJ n° 71.590.598/000117, que foi incorporada em 01/12/2005 pela "Fibra Asset Management D.T.V.M. Ltda" — CNPJ n° 30.711.501/000147; b) de Pedidos de Restituição e de Pedidos de Compensação: PAF n° 16327.000384/00 37, em 02/02/2006 de SN CSLL — AC 1998, com débitos próprios e PAF n° 16327.001703/200100, em 20/03/2007, de SN CSLL — AC 2000 e de IRPJ — AC 2000, também com débitos próprios e c) de Representação sobre Inscrição na divida Ativa da União: PAF n° 16327.001914/200487 em 08/02/2006, da "Fibra Leasing S/A Arrendamento Mercantil" — CNPJ n° 71.590.598/000117, incorporada em 01/12/2005 pela "Fibra Asset Management D.T.V.M. Ltda" — CNPJ n°30.711.501/000147 2. A Auditora Fiscal designada para analisar o processo, parte sua análise da CSLL a pagar apurada na DIPJ relativa ao anocalendário de 1996, ponderando que a ação judicial pertinente ao Mandado de Segurança n° 96.00140472, em que se contesta a aplicação das aliquotas de 30% da EC n° 10/96 e de 18% da Lei n°9.249/1995 e em que se requer a aplicação da aliquota de 8% para a CSLL, não alcançaria a aliquota da CSLL para os anos de 1997 e 1998, que foi determinada por legislação editada posteriormente A proposição da ação judicial. Em decorrência, para o anocalendário de 1997 o saldo negativo da CSLL seria de R$ 1.534.884,59, exatamente como apurado na estimativa do mês de dezembro (fl. 270). Consignou, também, que antes de se proceder As compensações pretendidas no presente processo, haveria de se abater as estimativas compensadas em períodos posteriores para a formação dos SN CSLL AC 1998 (fls. 323, 327/330) e AC 2000 (fls. 471/472) e do SN IRPJ (fls. 379/379), como declarado em DCTF e como consta nos demonstrativos apresentados As fls. 03, 138, 200/206 e A fl. 57 do PAF 16327.000384/0037 (as estimativas de IRPJ constam no PAF 16327.000383/0074 — fls. 72, 94, 125 e 243). Conclui que o SN CSLL — AC 1997 restante é de R$ 363.201,81 (fls. 282/286). Fl. 1570DF CARF MF 4 2.1. A partir de então explicita a ordem em que os créditos devem ser liquidados até o limite do crédito estabelecido, na forma da legislação de regência (fls. 496), passando a analisar a formação do SN CSLL — AC 1998 (fls. 496/497), do SN CSLL — AC 2000 (fl. 498) e do SN IRPJ — AC 2000 (fls. 498/499). Discorre também (As fls. 199/500) sobre o PAF n° 16327.001914/200487, de interesse de Fibra Leasing S/A Arrendamento Mercantil — CNPJ n° 71.590.598/000117, pertinente A cobrança de débitos e que fora apensado ao presente, apontando que os dez débitos restantes no citado processo estão contidos no PAF n° 16327.000415/0069, também apenso ao presente. 2.2. A autoridade competente para apreciar e deliberar a respeito da pretendida compensação decidiu, nos seguintes termos: "(..) APROVO a proposição apresentada pela Divisão de Orientação e Análise Tributária e DECIDO: 1. registrar no P.A.F. n° 16327.000383/0074, através do sistema Profisc, a homologação da compensação dos débitos de estimativa declarados em DCTF como usados na formação dos SN CSLL AC 1998 e AC 2000 e do SN IRPJ — AC 2000, com o direito creditório de R$ 1.534.884,59, relativo ao SN CSLL — AC1997, com registro no Sief/Fiscel do correspondente n° de P.A.F. (fis. 282286); 2. homologar a compensação dos demais débitos aglutinados nos P.A.F. n° 16327.000383/0074, P.A. F. n° 16327.000385/0008 da 'Fibra D.T.V.M Ltda." e P.A.F. n° 16327.000415/0069 da 'Fibra Leasing SM. Arrendamento Mercantil', com saldo restante do SN CSLL — AC 1997 (R$ 363.201,81) e promover a cobrança dos débitos restantes (fls. 287300); 3. registrar no P.A.F. 16327.000384/0037, através do sistema Profisc, a homologação da compensação da estimativa de CSLL relativa a Margo/2000, com o direito creditório reconhecido no total de R$ 1.058.627,80, relativo ao SN CSLL — AC 1998, com registro no Sief7Fiscel do correspondente n° de P.A.F. (fls. 332334); 4. homologar a compensação dos demais débitos aglutinados no P.A.F. n° 16327.000384/0037, com o saldo restante do SN CSLL — AC 1998 (R$ 1.000.636,19) e promover a cobrança dos débitos restantes, se houver (fls. 335362); 5. registrar no sistema Profisc, todos os débitos de estimativa de CSLL — AC 1998 declarados em DIPJ e/ou DCTF como suspensos (R$ 497.488,25), com registro no SiefFiscel do correspondente n° de P.A.F. Ns. 323, 489492) e promover sua cobrança, por falta de suporte em ação judicial para suspensão de exigibilidade; 6. homologar a compensação dos débitos de IOF e CPMF registrados no P.A.F. n°16327.001703/200100 com o direito creditório reconhecido de R$ 466.809,88, relativo ao SN CSLL — AC 2000 Ns. 474479) e promover a cobrança dos débitos restantes Ns. 475); 7. registrar no P.A.F. n°16327.001703/200100, através do sistema Profisc, a homologação da compensação dos débitos de IRRF relativos ao AC 2001, declarados em DCTF como liquidados através de "Outras compensações e deduções" (fls. 409463) com o SN IRPJ — AC 2000, até o limite do direito Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.570 5 creditório reconhecido de R$ 3.067.148,53, com registro no Sief/Fiscel do correspondente n° de P.A.E, e promover a cobrança dos débitos restantes (IL 415); 8. dar ciência deste Despacho Decisório ao contribuinte (incluindo os demonstrativos às fls. 282300, 332362, 409463, 474479 e 489492) e tomar as demais providências dele decorrentes." 3. A contribuinte foi cientificada a respeito do teor do despacho supracitado em 29/08/2007, conforme AR A fl. 508. 4. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 509 a 519), protocolizada em 28/09/2007, a interessada, por intermédio de seus advogados e procuradores (fls. 521/525), defende, preliminarmente a homologação tácita das compensações, com fulcro nos artigos 74, § 1°, § 4° (acrescentados pela Lei n° 10.637/2002) e § 5° (acrescentado pela Lei n° 10.833/2003), da Lei n° 9.430/1996. Defende que todos os Pedidos de Compensação objeto do presente processo por terem sido protocolados perante a SRF no ano de 2001, e porque se encontravam pendentes de apreciação quando da edição da Lei n° 10.637/2002, deveriam ser considerados Declaração de Compensação. Por sua vez o prazo para a homologação da compensação declarada ficou estabelecido em cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação. Neste diapasão, conclui que as compensações em relevo foram tacitamente homologadas, vez que decorrido prazo superior a 5 anos, contados da data do protocolo dos pedidos, sem que a autoridade administrativa tivesse se manifestado. 4.1. Quanto ao mérito, inicia sua argumentação defendendo a vigência de causa suspensiva da exigibilidade da CSLL para os anoscalendário de 1997/1998, comentado os efeitos da ação judicial, discordando, assim, do entendimento da autoridade administrativa que proferiu o despacho decisório, no sentido de que a medida judicial concedida nos autos do Mandado de Segurança no 96.00140472, que autorizou o recolhimento da CSLL A aliquota de 8%, não se estende aos anoscalendário posteriores a 1996, tendo em vista a alteração da legislação que disciplinou o recolhimento do tributo após o ajuizamento da demanda. 4.1.1. Expõe a impugnante que o pedido principal da ação foi no sentido de assegurar ao Recorrente o direito de recolher a CSLL a mesma alíquota aplicável às demais empresas tendo em vista o principio da isonomia, ficando, a titulo subsidiário, o pedido para que a exigência da aliquota majorada fosse, quando menos, afastada no período de 1 de janeiro a 7 de junho de 1996, em respeito aos princípios da irretroatividade e da anterioridade nonagesimal. 4.1.2. Informa a impugnante que, ao julgar o recurso de apelação interposto pela Fazenda Nacional, o E. Tribunal Regional Federal da 3" Regido deu parcial provimento ao apelo tãosomente para acolher o pedido subsidiário da ação, mantendo a exigência da CSLL à aliquota de 30% a partir de 7 de junho de 1996, consoante previsto na EC n° 10/96 (doc. n° 04), por entender legitima a exigência de contribuição social coin alíquotas diferenciadas em razão da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, no caso, instituição financeira. Acrescentou que, com a revogação parcial da r. sentença de primeiro grau, efetuou o depósito judicial dos valores em discussão em relação aos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998, o que deixaria evidente que o objeto da demanda não estaria restrito ao ano de 1996, estendendose aos anoscalendário de 1997 e 1998. Fl. 1572DF CARF MF 6 4.1.3 Fez, ainda, notar que os recursos especial e extraordinário interpostos pelo Recorrente em face do v. acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região (docs. res 8 e 9), hoje pendentes de julgamento, tratam especificamente da questão relativa a inconstitucionalidade da instituição de aliquotas diferenciadas da CSLL, motivo pelo qual não há que se restringir o objeto da lide apenas para o ano de 1996, uma vez que o Recorrente não combateu a lei vigente F2 época do ajuizamento da demanda, mas sim os fundamentos utilizados pelo legislador infraconstitucional para a caracterização de referido Wiscrimen' de cobrança. 4.2. Para reforçar o argumento de que o objeto do mandado de Segurança n° 96.00140472 abrange também os exercícios de 1997 e 1998, menciona a lavratura de auto de infração pertinente à CSLL devida no anocalendário de 1997 em que se reconheceu expressamente a vigência da causa suspensiva da exigibilidade da cobrança, o qual deu origem ao processo administrativo n° 16327.004194/200240 que se encontra no Conselho de Contribuintes para apreciação de recursos voluntário. 4.2.1. Reclama que seria um total contrasenso a possibilidade de a Administração Pública, de um lado, reconhecer a vigência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário no momento da autuação e, por outro lado, decidir de modo absolutamente diverso ao analisar a composição do saldo negativo da CSLL nos anoscalendários de 1997 e 1998 e as compensações dai decorrentes. Conclui tornarse impositiva a imediata baixa da cobrança dos débitos gerados em razão do não reconhecimento de referida causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. 4.3. A impugnante defende também a improcedência da exigência dos débitos de IRRF e CPMF P.A. n° 16327.001703/200100, argüindo que: a autoridade fiscal que apreciou os pedidos deixou de homologar parte das compensações de IRRF e CPMF pleiteadas no bojo do Processo Administrativo n° 16327.001703/200100, todos com apuração em setembro de 2001, por entender que o saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2000 não seria suficiente para a cobertura dos débitos declarados em DCTF e tal entendimento estaria equivocado; a maioria desses valores realmente foi objeto de compensação com o saldo negativo de IRPJ apurado pelo recorrente no anocalendário de 2000, no valor total de R$ 3.067.148,53, composto pelos R$ 848.837,58 de estimativa mais R$ 2.218.310.95 de IRRF, como inclusive fora mencionado pela digna autoridade julgadora a 'quo'; a comprovação desse fato é feita através da juntada de planilha demonstrativa dos valores objeto de compensação no Processo n° 16327.001703/200100, que aponta, em destaque colorido, o débito de CPMF, no valor de R$ 3.022,03, e os débitos de IRRF, nos valores de R$ 1.887,93, R$ 3.638,18 (doc. no 12, final da segunda página); o débito de IRRF remanescente, no valor de R$ 5.823,37, é fruto de equivoco da autoridade fiscal julgadora que considerou a existência de uma diferença de R$ 14.519,34, nos débitos com vencimento em maio/2001 «is. 499). Dita diferença resultado do montante que foi compensado pelo Recorrente com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor de R$ 117.507,04, e o valor de R$ 132.026,38 devido no mês de Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.571 7 maio/2001, conforme apontado pelo fiscal a fls. 439 do demonstrativo analítico de compensação; o saldo de R$ 14.519,34 é composto por duas compensações, a saber, R$ 13.672,77 compensados com saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1998 e R$ 846,57 compensados com saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999, conforme consta, também em destaque, nos demonstrativos anexados à presente defesa (docs. 13 e 14); a fiscalização apurou uma diferença de R$ 5.825,37, que se considerada a inexistência do resíduo de R$ 14.519,34, restaria cancelada pela suficiência do saldo credor." Passo, agora, a complementar este relatório. O relatório acima colacionado, como dito no inicialmente, integra o acórdão nº 16 16.306, deferiu em parte a solicitação da interessada quando de sua Manifestação de Inconformidade (fls.1.0241.044). Mais especificadamente, os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, decidiram não conhecer da impugnação em relação às compensações informadas em DCTF e, no mérito, reconhecer apenas a homologação tácita das compensações relativas aos Pedidos de Compensação (considerados Declarações de Compensação) à folha 75 do Processo Administrativo nº 16327.001703/2001 00 e às folhas 87,88,93,98,99,101 e 102 do Processo Administrativo nº 16327.000383/0074 e, por maioria de votos, não reconhecer a ocorrência de homologação tácita em relação aos Pedidos de Compensação de crédito com débito de terceiros. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. 0 prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação com créditos de terceiros. As compensações pleiteadas nesses pedidos não estão sujeitas à homologação tácita e devem ser deferidas ou indeferidas pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Fl. 1574DF CARF MF 8 CSLL. ALÍQUOTA. AÇÃO JUDICIAL ALTERAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO. A alteração do estado de direito, pelo surgimento de nova legislação posteriormente A data de protocolização de pedido judicial, impede que o provimento judicial obtido surta efeito sobre fatos geradores ocorridos na vigência da legislação superveniente. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. A compensação de débitos pressupõe a liquidez e certeza do crédito tributário contra a Fazenda Publica. Se o exato valor do direito credit6rio está a depender de deferimento de demanda judicial, não pode ser considerado liquido e certo quanto A parte controversa. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.3161.354) em 13 de maio de 2008, pleiteando: 1. preliminarmente, a homologação integral das compensações, ou seja, mesmo aquelas relacionadas a créditos de terceiros. 2. no mérito, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, posto que segundo a fiscalizada o objeto do Mandado de Segurança nº 96.00140472 abrange os exercícios de 1997 e 1998,e não apenas o de 1996 (itens 2843). 3. que o artigo 170A, do CTN só pode ser aplicado para créditos posteriores á edição da LC nº 104/2001 (itens 4447). 4. do item 48 até o 63, a contribuinte aduz que não é válida a decisão da turma a quo em não apreciar as razões de mérito que justificam a legitimidade das compensações de IRRF objeto de cobrança. É o relatório. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.572 9 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Embora não haja menção expressa da existência do recurso de ofício, houve homologação parcial das compensações declaradas, de tal forma que o considero interposto, razão pela qual, deles conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de restituição, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios e de terceiros, de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1997, DIPJ 98. Com o apensamento de outros processos administrativos ao feito, acresceuse os saldos negativos de CSLL do anocalendário 98, DIPJ 99 e saldos negativos de CSLL e IRPJ do anocalendário 2000, DIPJ 2001. A questão controvertida cingese à alíquota a ser aplicada para a apuração da CSLL devida nos anocalendários em questão, uma vez que o contribuinte ingressou com mandado de segurança, tombado sob nº 96.00140472, no qual obteve liminar, confirmada em sentença, que seria de 8%. Posteriormente, o E. TRF/3 reformou parcialmente a decisão, reconhecendo que a alíquota aplicável seria de 18% entre 01.01.96 e 06.06.96 e de 30% a partir de 07.06.96. A DRF, no despacho de fls. 418 e seguintes, à vista da liminar e sentença, lavrou auto de infração (fls. 426 e seguintes) para prevenir a decadência em relação à diferença de 8% determinada pela decisão judicial e 18%, determinada pela Lei 9.316/96, o que de fato ocorreu, exclusivamente para o ano de 1997. Há despacho decisório da DRF a partir da fl. 992 e seguintes, no qual a DRF tomou a decisão no sentido de que para os anos de 1997 e 1998 seguiria a alíquota de 18%, determinada pelos arts. 2º e 3º, da Lei 9.316/96, à vista do disposto no inciso III, do art. 72, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, observando, ainda, a alíquota de 8% da MP 1807/99 e o adicional de 4%, determinado pela mesma MP, bem como o disposto na MP 1858 10/99, que reduziu o adicional para 1% a partir de 01.02.2000, sob o fundamento que as alterações legislativas, posteriores à propositura do mandado de segurança, não eram objeto deste. Quanto aos recolhimentos realizados por estimativa, bem como retenções na fonte, foram os mesmos confirmados pela DRF, de tal forma que a apuração do saldo negativo de CSLL definitivo só dependia do trânsito em julgado da ação judicial nº 96.00140472 ajuizada pelo contribuinte. Contudo, na data do despacho decisório de fls. 992 e seguintes, ainda não havia o trânsito em julgado, razão pela qual a decisão administrativa pautouse na legislação vigente, como descrito mais acima. Feitos os cálculos, a DRF reconheceu créditos de saldo negativo de CSLL, AC 1997, no importe de R$ 363.201,81, no AC 1998 no importe de R$ 1.000.636,19, no AC Fl. 1576DF CARF MF 10 2000 no importe de R$ 466.809,88 e saldo negativo de IRPJ, no AC 2000, no importe de R$ 3.067.148,53. Em conclusão, às fls. 1006 e seguintes, a DRF apontou as compensações que foram realizadas e homologadas, esclarecendo que os débitos restantes seriam objeto de cobrança, a qual foi materializada na Carta Cobrança nº 133/2007 de fls. 1014 a 1018. Cientificada do despacho decisório em 29.08.2007, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 28.09.2007, a qual, analisada e julgada pela DRJ de São Paulo, resultou no v. acórdão de fls. 1266 a 1294, cuja ementa já foi transcrita anteriormente. Cientificada, então, do v. acórdão da DRJ de São Paulo em 11.04.2008, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13.05.2008. Esse detalhamento é necessário para que os pontos trazidos pelo contribuinte, em seu recurso voluntário, possam ser entendidos e julgados de forma clara, em atenção à legislação aplicável ao caso concreto. Passo a detalhar os motivos desta decisão a partir do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Da Homologação Tácita Das Compensações De acordo com o contribuinte, em seu recurso voluntário, ocorreu a “homologação tácita das compensações em relevo, considerando o decurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a data do protocolo dos pedidos de compensação e a sua respectiva análise pela autoridade fiscal, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96”, pois, “todos os Pedidos de Compensação de que se trata foram protocolados perante a Secretaria da Receita Federal até o ano de 2001”. Prossegue o contribuinte: “a Lei 10.637/02, em vigor desde o dia 1º de outubro de 2002, acrescentou também o § 4º à Lei 9.430/96, prevendo que ‘[o]s pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo’ ”, ressaltando que o “§ 5º da Lei nº 9430/96, acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, dispõe que ‘[o] prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação’. Conclui que foi intimado do despacho decisório de fls. 992 e seguintes em 29.08.2007 em face de protocolos de Pedidos de Compensação protocolados até o ano de 2001, de tal forma que “as compensações em relevo foram tacitamente homologadas”, acrescentando decisões deste E. Conselho para corroborar o seu entendimento. A DRJ, em seu acórdão de fls., reconhece a homologação tácita dos pedidos de compensação apresentados pelo contribuinte nos quais utiliza os seus créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL e IRPJ com débitos próprios, tendo em vista a conversão dos pedidos de compensação em declarações de compensação, mas nega esse efeito para as compensações feitas com débitos de terceiros, no caso, débitos da FIBRA DTVM e da FIBRA LEASING, fundamentando esse entendimento no caput do art. 74, da Lei 9.430/96, a seguir transcrito em sua versão original: Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.573 11 Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Na época, o disposto no art. 74, da Lei 9.430/96 estava regulamentado pela IN SRF 21/97, a qual, em seu artigo 15, admitia a compensação de créditos a ser restituídos ou ressarcidos de um contribuinte com os débitos de outro, o que só foi modificado com a edição da IN SRF 41, de 07.04.2000, que revogou essa possibilidade: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. (Obs.: todo o artigo 15 e seus parágrafos, acima transcritos, foram revogados pela IN SRF 41, de 07.04.2000) O art. 74, mais acima transcrito, foi alterado pela MP 66, convertida na Lei 10.637/02, bem como pela MP 135, convertida na Lei 10.833/03, as quais acrescentaram os §§ 4º e 5º ao citado artigo 74, abaixo transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios Fl. 1578DF CARF MF 12 relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Os argumentos dispostos pelo contribuinte em seu recurso voluntário, ao ver deste Julgador, estão devidamente amparados na legislação de regência. Mas, esta Turma, no julgamento do processo administrativo nº 13811.001684/9798, em sessão de 05.04.2016, formalizou o acórdão nº 1402002.151, de lavra do eminente Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, no qual firmou o entendimento, à unanimidade, de que a restrição do caput do art. 74 – “débitos próprios” – deve ser considerada na aplicação do § 4º do mesmo artigo, de tal forma que os pedidos de compensação pendentes na época, no qual se buscava compensar créditos de um contribuinte com débitos de outro, não foram abrangidos pela norma e, desta forma, não foram convertidos em declaração de compensação. Consequentemente, também não estão sujeitos ao prazo previsto no § 5º, do mesmo artigo, para fins de contagem de prazo para a homologação tácita. Ressaltase que esse entendimento foi embasado em precedente jurisprudencial do E. Superior Tribunal de Justiça, REsp 1.100.483/AL, de lavra do Exmo. Ministro Castro Meira: [...] Sabese que a legislação disciplinadora do instituto da compensação evoluiu substancialmente a partir da edição da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em especial com a introdução no ordenamento jurídico da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, e das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (conversão da MP 66, de 29.08.02), 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (conversão da MP 135, de 30.10.03) e 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que alteraram e incluíram dispositivos naquela lei ordinária. Diante desse quadro evolutivo, as Turmas de Direito Público deste Superior Tribunal entenderam que o processamento da compensação se rege pela legislação vigente no momento do encontro de contas, sendo vedada a apreciação de eventual pedido de compensação ou declaração de compensação com fundamento em legislação superveniente. Tal entendimento encontra ressalva apenas no §4º do art. 74 da Lei 9.430/96, já que os "pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa", ao tempo do início da vigência da Lei 10.637/02, "serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo". Todavia, deverão ser observadas todas as demais Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.574 13 condições estabelecidas no citado artigo, incluindose as restrições previstas nos §§3º, 12 e 13. Na hipótese vertente, o marco a ser considerado na definição das normas aplicáveis na regência da "manifestação de inconformidade" da recorrente é a data em que protocolizado o pedido de compensação de crédito com débito de terceiros, que se deu em 30 de dezembro 1998. Portanto, ficam afastadas, de logo, às inovações legislativas trazidas pelas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04. Também não seria possível a sua conversão em declaração de compensação DCOMP, nos termos do mencionado §4º, em razão de os créditos, com os quais a empresa busca compensar os seus débitos, ser de terceira pessoa e decorrente de decisão judicial não transitada em julgado. Isso porque o caput do art. 74 da lei em exame (nos termos da redação dada pela Lei 10.637/02) fala, expressamente, em créditos "judiciais com trânsito em julgado", que poderão ser utilizados pelo sujeito passivo "na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão [SRF, hoje RFB]". Acrescentese que, nos termos do §12, II, alíneas "a" e "d" (introduzidos pela Lei 11.051/04), considerase não declarada a compensação nos casos em que o crédito "seja de terceiro" e "seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado". [...] Desta forma, não existindo a conversão dos pedidos de compensação de créditos próprios com débitos de terceiros, no caso, FIBRA DTVM e FIBRA LEASING, em declaração de compensação, também não é possível a consequente homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, devendo ser mantida incólume a decisão recorrida neste ponto. Mérito Dos Efeitos Da Ação Judicial Para O AnoCalendário De 1997 / 1998 Ainda que se tenha concluído pela homologação tácita também dos pedidos de compensação com débitos de terceiro, transformados em declaração de compensação a teor do § 4º, do art. 74, da Lei 9.430/96, pelo decurso do prazo de cinco anos entre o seu protocolo e o despacho decisório da autoridade administrativa competente para a sua análise (§ 5, do art. 74º, da mesma Lei), é importante esclarecer, adicionalmente, o entendimento deste Conselho quanto aos efeitos da ação judicial nº 96.00140472 sobre o presente processo administrativo, uma vez que o recurso voluntário foi interposto antes do trânsito em julgado da referida demanda. Em verdade, equivocase o contribuinte ao entender que a sentença que o autorizou a recolher a CSLL à alíquota de 8% possa produzir efeitos na apuração da CSLL em Fl. 1580DF CARF MF 14 1997 e 1998, uma vez que essa sentença foi reformada por acórdão exarado pelo E. TRF/3ª Região, no qual ficou expresso que a alíquota aplicável é de 18%, no período de 01.01.96 a 06.06.96 e, a partir de 07.06.96, de 30%. A interpretação da DRF, ao aplicar a legislação posterior no caso concreto, desconsiderando o quanto decidido de forma clara pelo E. TRF/3ª Região, em verdade, se mostra mais favorável ao contribuinte, pois se a DRF aplicasse a alíquota de 30% para a apuração da CSLL, a partir de 07.06.96, como determinado judicialmente, não haveria os saldos negativos de CSLL apurados no AC 1997 e AC 1998 nos montantes reconhecidos e, possivelmente, interferiria no saldo negativo de CSLL do AC 2000, notadamente porque o contribuinte desistiu de seus recursos ao STJ e STF para aderir ao parcelamento da Lei 11.941/09 e, na desistência, como já foi mais acima transcrito, renunciou ao direito em que se fundava a ação, de tal forma que, mesmo as decisões judiciais exaradas poderiam ser questionadas se aplicadas ao caso concreto. A aplicabilidade do art. 170A ao caso concreto, outro ponto levantado pelo contribuinte, deve ser afastada, ainda que não interfira no resultado prático do julgamento. De fato, o art. 170A não poderia ser aplicado retroativamente, uma vez que as compensações, em verdade, já tinham sido realizadas, estando em discussão, apenas, as alíquotas que deveriam ser aplicadas para a apuração da CSLL devida pelo contribuinte a partir de 1996. Por fim, o contribuinte esclareceu que fez depósitos judiciais vinculados à ação judicial nº 96.00140472. Compulsando os andamentos processuais da referida demanda, observase que os valores depositados já foram parcialmente convertidos em renda e o saldo levantado pelo contribuinte, não se justificando mais tratar do tema no âmbito deste processo administrativo. Da Improcedência Dos Débitos De IRRF Esse tema não foi objeto de análise pela DRJ, por ocasião do julgamento da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, sob o argumento de que as compensações vinculadas não foram objeto de pedidos de compensação / declaração de compensação. No entanto, o contribuinte teve reconhecido saldo negativo de IRPJ pela DRF em seu despacho decisório de fls. 992 e seguintes, vinculado ao processo administrativo nº 16327.001703/200100, e, de fato, a partir das fls. 836 a 932, ocorreu a compensação de vários créditos do contribuinte sem que fossem objeto de pedido de compensação, restando valores devidos exclusivamente pela falta de crédito para todos os débitos apresentados. A diferença apontada como devida pela DRF e não apreciada pela DRJ, de fato, decorre da competência de maio/2001 e, nas planilhas de fls. 1254 e 1258, há o esclarecimento que o valor devido, na ocasião, foi compensado com créditos oriundos de mais de uma fonte, as quais não estão vinculadas aos créditos analisados neste processo administrativo. Essa diferença em maio/2001 refletiuse na falta de créditos para as compensações de IRRF da competência de novembro/2011, conforme demonstrativo de fl. 834. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16327.000383/0074 Acórdão n.º 1402002.510 S1C4T2 Fl. 1.575 15 Por não ser possível aferir, nas informações existentes no processo, os créditos de saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, utilizados pelo contribuinte para as compensações demonstradas nas planilhas de fls. 1254 e 1258, bem como em razão da DRJ não ter, por ocasião do julgamento de 1ª instância, adentrado nessa questão, fica prejudicada a análise do recurso voluntário do contribuinte nesse específico ponto. Ante o exposto, mantenho a decisão exarada pela DRJ de São Paulo, reconhecendo que os pedidos de compensação de créditos do contribuinte com débitos de terceiros (FIBRA DTVM e FIBRA LEASING) não foram convertidos em declaração de compensação pelo § 4º, do art. 74, da Lei 9.430/96, não se aplicando, por conseguinte, a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 5º, do mesmo art. 74. Deixo de conhecer o tema das compensações de IRRF defendidas pelo contribuinte em seu recurso voluntário em razão das mesmas não terem sido objeto de análise pela r. decisão recorrida e por não existir, no bojo do processo administrativo, demonstração da existência de créditos de saldo negativo de IRPJ de outros anos, utilizados na compensação de valores devidos pelo contribuinte em maio/2001, conforme planilhas de fls. 1254 e 1258. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1582DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000605/2008-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
De acordo com a Súmula CARF no. 89, e Súmula AGU no. 60 e em conformidade com a jurisprudência emanada do Supremo Tribunal Federal os valores concedidos aos segurados a título de Vale Transporte, ainda quando pagos em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória.
Numero da decisão: 9202-005.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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NATUREZA INDENIZATÓRIA. De acordo com a Súmula CARF no. 89, e Súmula AGU no. 60 e em conformidade com a jurisprudência emanada do Supremo Tribunal Federal os valores concedidos aos segurados a título de Vale Transporte, ainda quando pagos em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 06 05 /2 00 8- 17 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 406 2 Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.117, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 27 de outubro de 2011 (efls. 324 a 345). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual, quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal Fl. 406DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 407 3 desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Enviados em 03/01/2012 os autos à Fazenda Nacional para ciência (efl. 1122 do Processo apenso 18088.000604/201158), a PGFN apresentou, em 10/02/2012 (efl. 1158 do Processo apenso 18088.000604/201158), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 408 4 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 347 a 362 e anexos). Após pugnar pela tempestividade do pleito e pela similitude fática entre recorrido e paradigmas, alega a Fazenda Nacional divergência passível de apreciação por esta Turma em duas diferentes matérias, a saber: a) Desconto inferior a 6% no valor pago a título de valetransporte: Alega, a recorrente divergência em relação ao decidido, em 02/12/2008, pela 5a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 20501.382, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 20501.382 Contribuições Sociais Previdenciárias. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/09/2001 a 30/06/2005. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. O valetransporte, quando concedido em desacordo com a legislação que rege sua concessão, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Decisão: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Edgar Silva Vidal. Em linhas gerais, argumenta a contribuinte em sua demanda quanto a esta primeira matéria que: a.1) a única previsão expressa em lei para exclusão da verba valetransporte da base de cálculo para fins de incidência de contribuição previdenciária, é a alínea “f” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de junho de 1991. Para estar excluída da base de cálculo é imprescindível que a parcela recebida pelos trabalhadores esteja de acordo com a legislação específica e não apenas com a lei que rege a matéria; a.2) Interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, inciso I. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, só não haverá integração se houver a devida observância da legislação correlata, qual seja, Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985 e Decreto nº 95.247, de 17 de novembro de 1987. No caso sob debate, o recorrente pagou tal verba sem efetuar o desconto de 6% (seis por cento), no molde previsto pela legislação, o que implica no malferimento das disposições do art. 9º do Decreto nº 95.247, de 1987; a.3) Ou seja, entende a recorrente que a verba auxíliotransporte paga em desacordo com a legislação possui inegável natureza remuneratória. Ao deixar de gastar com tal utilidade, o trabalhador obteve um ganho indireto. Esse ganho ingressou na expectativa dos Fl. 408DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 409 5 segurados empregados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à empresa recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho; a.4) Como se verifica na última parte do inciso I do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, as convenções ou acordos coletivos de trabalhos ou até mesmo as sentenças normativas podem prever a inclusão de parcelas no conceito do saláriodecontribuição. Assim, sequer o fato de ser previsto em acordo ou dissídio coletivo, pode desnaturar a natureza da verba, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Mesmo porque, se assim o fosse, acordos ou convenções coletivas poderiam alterar a legislação previdenciária, fazendo o papel de leis isentivas, o que é vedado nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição de 1988; a.5) Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme analisado acima, deve o acórdão ora recorrido ser reformado e persistir o lançamento. b) Quanto ao vale transporte pago em pecúnia: Alega, inicialmente, a recorrente divergência em relação ao decidido, em 1, pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara desta 2a. Seção, no Acórdão no. 240200.956, de ementa e decisão a seguir transcritas: Acórdão 240200.956 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/03/2006 CNAE. MATÉRIA ARGÜIDA APENAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. Não argüida em impugnação, a matéria aduzida em sede de recurso, o colegiado não pode dela tomar conhecimento em razão da preclusão, nos termos do art. 17 do Dec. 70.235/72. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito desta Corte Administrativa afastar a aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. AJUDA DE CUSTO. PAGA MENSALMENTE. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o SaláriodeContribuição a ajuda de custo paga sem os requisitos previstos no art. 28, § 9°, "g", da Lei 8.212/1991. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 410 6 AUXÍLIO TRANSPORTE EM PECÚNIA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA. A contribuição previdenciária sobre parcela paga a título de ValeTransporte é devida se não forem observadas as disposições da lei n° 7.418/85 e do Decreto n° 95.427/87. SAT. INCIDÊNCIA PREVISTA EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que é constitucional a contribuição destinada ao SAT/RAT. A contribuição destinada ao SAT/RAT foi lançada em conformidade com a legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Decisão: por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Adicionalmente, quanto à matéria, ressalta que: b.1) A decisão do Supremo Tribunal Federal trazida como fundamento pelo acórdão hostilizado RE (478.410/SP) foi proferida no julgamento de Recurso Extraordinário, cujos efeitos são, portanto, restritos aos litigantes interpartes. Não se trata de decisão veiculada em Súmula Vinculante ou de decisão proferida nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil, o que, por sua vez, autorizaria a aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Logo, verificase que não há efeitos vinculantes daquela decisão proferida pelo STF, nos autos do RE nº 478.410/SP. Registrese aliás que, reforçando todo esse escorço acima realizado, o Superior Tribunal de Justiça mesmo após proferido o referido julgado pelo STF, julgou em sentido diametralmente oposto; b.2) A Lei nº 7.418, de 1985, em seu art. 2º da Lei estabelece que o vale transporte, desde que concedido nas condições e limites definidos na própria Lei nº 7.418, de 1985, não teria natureza salarial, nem se incorporaria à remuneração para quaisquer efeitos, não constituindo base de incidência de contribuição previdenciária. A regra acima citada foi posteriormente confirmada pelo art. 28, §9º, alínea “f” da Lei nº 8.212/91, que, todavia, previu que o mero descumprimento à legislação própria ensejaria a inclusão da parcela recebida a título de valetransporte no cálculo do saláriode contribuição, para fins de incidência da contribuição previdenciária; b.3) A própria Lei nº 7.418, de 1985, que instituiu o valetransporte, estabeleceu alguns limites e condições a serem respeitados pelo empregador, como, por exemplo, a necessidade de fornecimento in natura (art. 4º, caput) e a necessária participação de empregador e empregado no custo do fornecimento dos vales (art. 4º, parágrafo único); b.4) Esclarecer que a ratio legis subjacente ao dispositivo em enfoque é justamente impedir que o empregador destaque, ou aumente de maneira desarrazoada, dos salários de seus empregados determinadas parcelas pagas em dinheiro, mas lhes atribuindo o nomen iuris de “ValeTransporte”, com o único propósito de excluir tais valores da base de cálculo da contribuição previdenciária e de outros encargos sociais, em manifesta fraude à lei tributária e à Constituição Republicana. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 411 7 b.5) Destarte, observase que o art. 5º do Decreto nº 95.247, de 1987, ao explicitar que o pagamento do benefício não poderia se dar em dinheiro, mas sim in natura, não desbordou dos lindes normativos da lei que visou regulamentar, mas tão somente estabeleceu, a contrario sensu, o que já estava previsto no próprio art. 4º da Lei nº 7.418, de 1985. Analisando a legislação infraconstitucional pertinente à matéria, ressaltese que o Superior Tribunal de Justiça consagrou jurisprudência absolutamente pacificada naquela Corte, no sentido de que “quando o pagamento do benefício (Ajuda Transporte e ValeTransporte) ocorre em dinheiro, de forma habitual, como na hipótese dos autos, esse passa a integrar a remuneração do trabalhador, não havendo legislação que ampare a isenção da contribuição previdenciária” (STJ, REsp nº 770.132/SP). Salienta que o próprio Supremo Tribunal Federal já sumulou, a propósito, que “as gratificações habituais, inclusive a de natal, consideramse tacitamente convencionadas, integrando o salário” (Súmula 207/STF). Assim, requer que seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que excluiu do lançamento os valores pagos a título de valetransporte. O recurso foi regularmente admitido, consoante despachos de efls. 382 a 385. Encaminhados os autos à contribuinte para fins de ciência, ocorrida em 26/09/13 (efl. 387), esta apresentou contrarrazões de efl. 390 a 397, onde : a) Ressalta a necessidade de aplicação do decidido no RE 478.410/SP, com fulcro no art. 62, I do RICARF, bem como a existência da Súmula CARF no. 25 (sic) e avocatória ministerial; b) No mérito, entende que se o empregador desconta menos, desta circunstância não decorre, ipso facto, que a diferença representa ganho do empregado suscetível de incidência da contribuição previdenciária. Quando o legislador reportase ao percentual de 6%, foi, unicamente, para esclarecer que o valor que exceder este limite será suportado pelo empregador. Não determinou que se deverá descontar do empregado este percentual, mas dispôs unicamente que o valor que exceder será suportado pelo empregador. Assim, entende que não deve o recurso especial ser admitido. Contudo, se assim não se entender, não pode ser acolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator 1. CONHECIMENTO Inicialmente, creio que, previamente à análise de mérito, deva ser levado em consideração o teor do art. 67, §12, inciso III do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. RICARF Fl. 411DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 412 8 Art. 67 (...) (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. A propósito, de se ressaltar entender este Colegiado que a aplicação do referido dispositivo, em sede de conhecimento, se limita ao momento de análise de admissibilidade, não abrangendo o posterior momento de apreciação do conhecimento em Plenário, onde, todavia, se deve levar o teor da Súmula obrigatoriamente em conta quando da apreciação do mérito do feito. Daí, ainda que quando da análise de admissibilidade (04/07/13), já houvesse sido editada a Súmula CARF no. 89, aprovada em 10/12/2012, esta deve ser levada em conta a esta altura, por esta Turma, quando da análise de mérito do feito. Adicionalmente, em se tratando tanto a possibilidade do pagamento em pecúnia como a violação ao percentual mínimo estabelecido pelo art. 9o. do Decreto nº 95.247, de 1987, ambas, de assuntos vinculados à referida aplicação, à qual, notese, se encontram vinculados também os Acórdãos paradigmas colacionados aos autos, não se vê óbice ao conhecimento do Recurso decorrente do dispositivo regimental mencionado, repetindo, optandose por enfrentar a alegação da violação de Súmula trazida pelo contribuinte em sede de contrarrazões quando da análise de mérito. Quanto ao RE 478.410/SP, de se aceder a seu efeito meramente interpartes sem que tenha sido decidido em sede de Repercussão Geral, como bem levantado pela Fazenda Nacional. Destarte, uma vez enfrentadas as alegadas violações levantadas em sede de contrarrazões, faço notar que os demais requisitos de admissibilidade encontramse obedecidos pelo pleito fazendário e, assim, voto por conhecer do Recurso Especial. Passo, assim, à análise de mérito. 2. MÉRITO Reza a Súmula CARF no. 89, de 10/12/12: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Entendo que, diante do teor da Súmula, a incidência da contribuição previdenciária dependeria de demonstração robusta do ônus do deslocamento (de/para o serviço) ter sido não do segurado, mas sim do contribuinte empregador, uma vez que na forma da Súmula, passa a se poder admitir, por exemplo, a não incidência mesmo no caso de inexistência de qualquer desconto em folha, com os valores até 6% da remuneração sendo Fl. 412DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 413 9 disponibilizados ao contribuinte em pecúnia, desde este faça jus a despesas de transporte com tais valores adicionais recebidos. No caso em questão, notese, a acusação da autoridade fiscal se limita a estabelecer que o diferencial de 2% objeto de lançamento não foi descontado dos segurados (notese que foi concluído, mas não foi explicitamente demonstrado que foi o empregador autuado que suportou o ônus deste montante), tendo sido, assim, tal diferencial sido considerado salário de contribuição, verbis (vide efl. 169): " (...) 79 Conforme pré anotado o contribuinte desconta somente o percentual de 4% do vencimento de seus laboradores, além disso inexiste qualquer previsão acerca da matéria nos acordos/convenções coletivas apresentados a esta auditoria, portanto a diferença entre o percentual preconizado nos ditames legais (6%) e o ônus arcado pelo beneficiário (4%) constitui salário de contribuição. (...) 82 Conferido por amostragem o percentual de desconto aplicado, confirmouse a aplicação dos 4%, por isso a auditoria com base nos montantes descontados dos segurados realizou o cálculo dos 2% restantes, para atingimento dos 6% preconizados na norma legal, cujo ônus foi arcado pelo contribuinte e considerado salário. (...)" O que entendo, a partir da Súmula supra, é que até mesmo a totalidade dos 6%, legalmente estabelecidos como ônus máximo dos segurados, poderia ter sido disponibilizada em pecúnia aos beneficiários, sem desconto em folha, sem que se pudesse cogitar da incidência das contribuições em tela, a menos que a autoridade fiscal trouxesse aos autos provas/indícios capazes de demonstrar que houve, na verdade, efetivo recebimento de remuneração, dentro deste percentual máximo de ônus suportável pelos beneficiários, desnaturado assim seu caráter indenizatório. Ou seja, a propósito, de se concluir que a Súmula CARF no. 89 referida: a) não estabelece restrições quanto ao percentual mínimo de desconto junto aos empregados até o limite de 6% , percentual que a meu ver, representa, em linha com a argumentação do contribuinte, o teto do ônus a ser suportado pelo beneficiário mediante desconto ou não e não percentual mandatório de desconto, este último facultativo (conforme se depreende claramente da autorização contida no parágrafo único do referido art. 9o. do Decreto no. 95.247, de 1987); b) Assim, permitido o pagamento em pecúnia do benefício em questão sem incidência das contribuições previdenciárias, em linha com o entendimento adotado pelo STF no RE 478.510/SP, é de se concluir pela não incidência de contribuições previdenciárias sobre os 2% aqui objeto de litígio, os quais, notese, poderiam, in casu, ter sido pagos em pecúnia e Fl. 413DF CARF MF Processo nº 18088.000605/200817 Acórdão n.º 9202005.387 CSRFT2 Fl. 414 10 de forma direta aos empregados, sem que se pudesse cogitar de sua tributação, caso os custos de deslocamento tivessem sido efetivamente desembolsados pelo beneficiário (caracterizando assim sua natureza indenizatória e não remuneratória), hipótese não devidamente refutada pela autoridade fiscal. Na mesma linha, a Advocacia Geral da União – AGU já havia, anteriormente editado a Súmula nº 60, de 08/12/2011, aqui aplicada em plena linha com o permissivo contido art. 26A, §6o., II, "b", do Decreto no. 70.235 de 06 de março de 1972, e que, em meu entendimento, ajuda a compreender o correto entendimento da posteriormente editada Súmula CARF no. 89, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba.(grifei) Assim, a partir da edição das Súmula CARFs e AGU citadas, a mera inexistência de desconto nas remunerações dos segurados, em percentual diferente, aquém dos 6% legalmente citados, não é suficiente para que se conclua acerca da incidência das contribuições previdenciárias, tal como se admitiu no Acórdão paradigma, uma vez, repitase, permitido, na forma das Súmulas, o recebimento em pecúnia para que os segurados, posteriormente, fizessem frente às suas despesas de transporte. Daí entender este Conselheiro que a tributação aqui baseada somente na existência de desconto em percentual diferente dos 6%, mesmo quando acompanhada, no paradigma, de rejeição do caráter indenizatório da verba não poderia, à luz da Súmula CARF no. 89, subsistir e, assim, voto, por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão: Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional . É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 414DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.720018/2012-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
CONDIÇÕES RECURSAIS. NÃO ADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL.
Não deve ser admitido recurso especial quando a decisão recorrida está assentada em mais de uma matéria suficiente e autônoma para o afastamento do auto de infração, mas o recurso não abrange a todas.
Numero da decisão: 9101-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinatura digital)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CONDIÇÕES RECURSAIS. NÃO ADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. Não deve ser admitido recurso especial quando a decisão recorrida está assentada em mais de uma matéria suficiente e autônoma para o afastamento do auto de infração, mas o recurso não abrange a todas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Rafael Vidal de Araújo e Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinatura digital) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 00 18 /2 01 2- 13 Fl. 4456DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é recorrida Drasdril Sociedade de Perfurações Ltda. (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1402 001.439 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial coloca em questão se os repasses de controladora no exterior para controlada no Brasil devem ser consideradas como subvenções correntes, ou se devem ser qualificadas de reembolso por serviços prestados. O acórdão recorrido assim apresenta os fatos presentes neste caso: " A fiscalizada, constituída no Brasil, funciona como uma representação das empresas estrangeiras contratadas da PETROBRÁS (fl. 1905); Que frente à PETROBRÁS existe solidariedade pelas obrigações contratadas entre a empresa estrangeira, que celebrou o contrato de afretamento, e a empresa brasileira que celebrou o contrato de perfuração (fl. 1905); Que gerentes estrangeiros da empresa estrangeira, que controlam e chefiam as atividades desempenhadas nas plataformas, de forma indistintas, dão ordens tanto aos funcionários da empresa estrangeira quanto aos da empresa brasileira, inclusive desta recebem remuneração, pagas no mais das vezes por disponibilização de residências e carros de luxo (fl. 1905); Que "A destinação de apenas 10% do total contratado para remunerar os serviços prestados não é suficiente para a obtenção de um resultado favorável, quando confrontado com os custos suportados por ela, acarretando os constantes e sucessivos prejuízos fiscais declarados, e então, para a garantia de sua sobrevivência, lhe restara, outrossim, os sucessivos ‘socorros financeiros’ efetuados pelas empresas estrangeiras a ela ligadas, através de sucessivos aportes de recursos, que são contabilizados como ‘reembolso de despesas’ ou ‘aumentos de capital’, e são necessários para que a mesma não venha a sucumbir no mercado em que atua evitando assim que os seus resultados negativos acabem sendo refletidos nos seus compromissos assumidos com terceiros e funcionários, através da sua desonra. Esses suprimentos de numerários são realizados através de transferências bancarias do exterior e são lançadas em sua contabilidade da forma como mencionada a seguir, permitindo que os referidos recursos ingressem nas suas contas bancárias também livres de qualquer tributação." (fl. 1908); Que os contratos acima firmados prevendo 90% aos custos de afretamento e 10% para perfuração se prestam ao escoamento da maior parte dos recursos para o exterior, sem recolhimento do IRRF, tendo em vista da previsão de alíquota zero prevista no art. 1ª, I, da Lei nº 9.481, de 1997 (fl. 1908/1909); Que a fiscalizada utilizase das disponibilidades depositadas no Banco Itaú (conta intercompanhia) para liquidar de forma antecipada os custos das empresas estrangeiras, sendo que até 30/9/2007 sequer havia contrato entre a empresa estrangeira e a brasileira prevendo tal obrigação e que após a data aqui referida foi celebrado contrato sem cláusula penitencial sem quaisquer controles, por parte da empresa estrangeira, do que é liquidado por designação custos/despesas (fl. 1911); Quanto à conta corrente designada sob o n° 1.I2.12.0053.0002 CO.53 GASTOS M.S.DRILLING, destaca a autoridade fiscal que ela hospeda desde os pagamentos de custos/despesas incorridos pelas empresas DIAMOND OFFSHORE DRILLING NETHERLAND, DIAMOND OFFSHORE DRILLING UK e DIAMOND OFFSHORE DRILLING INC (ODECO exprimindo despesas concernentes a outras plataformas de outras empresas), Fl. 4457DF CARF MF Processo nº 19395.720018/201213 Acórdão n.º 9101002.895 CSRFT1 Fl. 4.457 3 mas também as operações próprias da empresa auditada incorridas por força de contrato com a sociedade anônima Petrobrás, e outras nem sempre completamente distinguíveis. Contempla, ainda, créditos sob a forma de reembolsos possibilitados pela sua controladora Diamond Offshore International Limited (vide ordem de pagamento recebida do exterior e que compõe o conjunto de ficha de lançamento diário Journal voucher . (ver contas fls. 2101/2109 e 2122/2469) fl. 1912; No que se refere à conta denominada de Manutenção de Plataformas diz a fiscalização que em seu bojo encerra subcontas de custos/despesas, precipuamente sob os signos de numeração inicial 3.70.10 a 3.76.40 reúnem, ora conta denotativa de custos/despesas especificamente da fiscalizada, ora enfeixam custos/despesas, assim identificados, das empresas estrangeiras, portanto abrigados na conta corrente intercompanhia. Deduzse não haver distinção contábil para os custos/despesas incorridos desse jaez. Tal fato, além de trazer cm sua essência uma confusão patrimonial exemplar (o que contraria o princípio da independência das sociedades jurídicas, ou o princípio da entidade, e o art. 50 do Código Civil Brasileiro), carreia de grande incerteza o que poderá ser avaliado como custo/despesa de uma ou de outra, ficando, pois, ao talante das empresas os seus reconhecimentos e os seus reembolsos (vide resposta dos subitens 01.2 e 01.4.2, às fls. 4 e 5, ao que fora indagado no nosso Termo Fiscal n° 09, lavrado em 31/10/2011) fl. 1915. Após fazer comentários acerca das contas contábeis da recorrida, a fiscalização destaca que "há uma balbúrdia patrimonial, ferindo de morte princípios fundamentais de contabilidade, a exemplo do que consagra o da uniformidade ou da consistência, se sucede com o reconhecimento de determinados custos/despesas da fiscalizada, mas que, segundo a sua natureza e destinação a par de seus montantes talhados de indedutíveis, como sói já relatado nos itens precedentes, são lançados a débito da conta corrente intercompanhia como se obrigações fossem das empresas estrangeiras contratadas pela Petrobrás" fl. 1920. Que não altera a natureza da análise e das conclusões aqui assentadas, cunhadas de mixórdia ou de confusão patrimonial, o fato de a auditada, a partir de 01/10/2007, por força dos pactos contratuais ajustados com as empresas estrangeiras coligadas, acordar que, dos custos administrativos, 90% seriam repassados a estas coligadas, acrescidos de 15% designados de taxa de administração fl. 1921. É solar a conclusão de que esta conta corrente que caracteriza este subtítulo se constitui no grande caixa refletido no espelho da sociedade ora sob exame, onde os reembolsos, significando o retorno financeiro do que lhe fora subtraído por manobras contratuais, após os seus trânsitos pela conta do Banco Itaú S/A, naquela se alojaram e se confluíram, provocando um encontro de contas viabilizado pelos lançamentos devedores oriundos dos custos/despesas agasalhados pela conta corrente aqui denominada de intercompanhia. Similarmente é manifesto que os reembolsos não se acham atrelados aos custos/despesas integrantes da aludida conta contábil. Seguem os seus precípuos desígnios de fomentar liquidez à fiscalizada fl. 1923. Neste sentido, o Fisco tem se posicionado de forma a coibir eventual prática de empresas que intentam manipular as somas recebidas pela prestação de serviços, ao aumentarem valores a título de reembolso de despesas e diminuindo os correspondentes tributáveis fl. 1923. Diante do desenho posto, podese afirmar, com segurança, que todas as prestações recebidas como forma escamoteada de reembolso de custos/despesas hão de ser consideradas como receita bruta, e serem devidamente adicionadas Fl. 4458DF CARF MF 4 ao lucro líquido na apuração do lucro real, e conseqüentemente tributadas pela legislação do Imposto de Renda fl. 1923." A 15ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do acórdão n. 12049.092, julgou a impugnação administrativa (efls. 4.285 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. No âmbito do processo administartivo fiscal, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade do auto de infração, se o fiscal autuante observa os procedimentos previstos na legislação tributária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de realização de diligência, quando os autos encontramse adequadamente instruídos, com os elementos necessários para que o julgador forme sua convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, em que o contribuinte antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário contase, em regra, da data de ocorrência do fato gerador, conforme dispõe o artigo 150, § 4º, do CTN. Inexistindo, todavia, o pagamento antecipado, não há que se falar em lançamento por homologação. Neste caso, o prazo decadencial deve ser contado segundo a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. Comprovado que a escrituração contábil da empresa possui vícios e deficiências que a tornam imprestável para determinação do lucro real, não é cabível o lançamento por esta forma de apuração, devendo ser promovido o arbitramento do lucro (art. 530, inciso II, alínea “b”, do RIR/99). IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Em matéria de omissão de receitas, portanto, cabe à Fiscalização realizar as investigações necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário. Incomprovados os fatos imputados ao contribuinte, o lançamento não pode subsistir. IRPJ. GLOSA DE CUSTOS/DESPESAS. Constatada a necessidade de arbitramento do lucro, descabe falar em glosa de custos e/ou despesas, procedimento que só faz sentido na sistemática de apuração do lucro real. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. O que ficou decidido em relação ao lançamento do IRPJ aplicase, também, às contribuições dele decorrentes – PIS, COFINS e CSLL –, uma vez que não haja argumentos diferenciados a ensejar conclusão diversa. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 4459DF CARF MF Processo nº 19395.720018/201213 Acórdão n.º 9101002.895 CSRFT1 Fl. 4.458 5 Nesse seguir, o processo foi encaminhado ao CARF para julgamento do recurso de ofício. A Turma a quo, por unanimidade dos votos, negou provimento ao recurso de ofício para manter a decisão da DRJ no sentido de afastar a glosa das despesas e a acusação de omissão de receitas (efls. 4353 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. O lançamento fundado em suposta omissão de receita requer prova da existência de tais receitas e o não oferecimento destas à tributação. O fato de a lei brasileira prever tributação de forma diferenciada às empresas estrangeiras, proprietárias de embarcação objeto de contrato de afretamento com a Petrobrás, ou a circunstância de a Petrobrás limitar o valor pago às empresas de perfuração de poços, subsidiárias das proprietárias das embarcações afretadas, não pode ser utilizado como elemento subjetivo para supor conluio entre as empresas contratantes, em especial quando a contratação se dá por força de licitação pública. GLOSA DE DESPESAS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO. Nos casos de glosa de despesas fazse necessário a sua individualização e a indicação do motivo da glosa. Não subsiste a autuação que considera a totalidade das despesas como indedutíveis, sem individualizalas. Recurso de Ofício Negado. A PFN interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à qualificação dos repasses realizados: se subvenções correntes, ou se reembolso por serviços prestados (efls. 4.366 e seg.) O contribuinte peticionou requerendo urgência na apreciação da admissibilidade do recurso especial, bem como apresentando sua oposição ao conhecimento deste, pois (a) o recurso da PFN pretenderia a revisão de provas; (b) o acórdão recorrido teria se baseado em mais do que uma matéria autônoma, mas o acórdão paradigma apenas se voltaria contra uma delas. O referido recurso especial foi integralmente admitido por despacho (efls. 4.395 e seg.). Em breve síntese, em seu recurso, a PFN alega que: “Segundo constatou a Fiscalização, a apuração de omissão de receita decorreu o fato de o contribuinte ter contabilizado grande parte das suas receitas advindas dos serviços de perfuração de poços prestados a PETROBRAS como reembolso de custos e despesas e como aumento de capital recebidos de suas coligadas estrangeiras. Tal conclusão resulta da análise dos controles de receitas e custos da autuada e da constatação que o contribuinte autuado e suas coligadas no exterior, em que pese formalmente contratadas pela PETROBRAS para serem remuneradas por diferentes serviços, na realidade prestaram uma só atividade e como se fossem uma só empresa contratada” (efls.4.371). “Assim, no caso em questão, independentemente do que dizem os contratos Firmados pelo contribuinte autuado e suas coligadas com a PETROBRAS, o que interessa à Receita Federal do Brasil é o fato de que o sujeito passivo omitiu em sua contabilidade receitas advindas de sua atividade. O objeto da autuação ora em debate é o fato de o sujeito passivo ter prestado serviços a uma empresa e não ter submetido à tributação os Fl. 4460DF CARF MF 6 valores decorrentes dessa atividade. O conteúdo dos contratos que embasaram a realização desses serviços não importa ao Fisco” (efls. 4.373). “Vêse, assim, a confusão patrimonial criada pelo contribuinte autuado com as suas coligadas estrangeiras. Quando da realização dos gastos devidos em razão da execução dos contratos com a PETROBRAS, não havia qualquer parâmetro para definição do real responsável pela despesa. Como será visto adiante, elas eram escrituradas conforme o interesse fiscal do contribuinte autuado e de suas coligadas” (efls. 4.378) “Mostrase, assim, que não há que se falar que os valores recebidos pelo contribuinte autuado de suas coligadas no exterior são receitas de exportação e que, por isso, são isentos do PIS e da COFINS. Como muito bem demonstrado pelo lançamento, tais valores foram recebidos em razão dos serviços prestados pelo contribuinte a PETROBRAS e vieram dos próprios cofres da estatal brasileira, sendo, portanto, inegavelmente tributados por aquelas contribuições” (efls. 4.383). Após o despacho de admissibilidade (efls. 4.418), o contribuinte foi cientificado para a apresentação de contrarrazões, mas não o fez (efls. 4.419). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. O acórdão recorrido apresenta matérias autônomas, quais sejam: natureza dos valores remetidos pela controladora estrangeira à empresa brasileira; necessidade de glosa individualizada das despesas; necessidade de arbitramento pela desqualificação ampla da contabilidade. Por sua vez, em seu recurso especial, a PFN deixa bem delimitado o tema de sua irresignação: "O cerne da questão posta em discussão está em saber a que titulo uma empresa no exterior controladora enviou recursos para a sua controlada no Brasil. Adotando entendimento diametralmente oposto ao desposado pelo acórdão ora recorrido a antiga primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes entendeu que devem ser adicionados ao lucro real os valores contabilizados como “reembolsos” quando da análise de sua natureza verificase serem tais transferências de recursos verdadeiras subvenções para custeio ou de recuperações de custos. Transcrevemos a seguir a ementa do Acórdão nº 10197.012 (...)". O único acórdão indicado como paradigma pela recorrente (acórdão nº 10197.012), em linha com toda a argumentação desenvolvida pelo recurso especial, trata apenas da questão relacionada à natureza dos valores remetidos à empresa brasileira. Ocorre que essa é apenas uma das matérias analisadas pelo acórdão recorrido, que adotou mais do que um fundamentos autônomos, restando o recurso especial interposto insubsistente: ainda que este Colegiado considere equivocada a qualificação atribuída pela Turma a quo aos valores recebidos pelo contribuinte, não foi devolvido a esta e. CSRF outras questões individualmente hábeis para o afastamento do auto de infração, como a necessidade de arbitramento dos lucros. Fl. 4461DF CARF MF Processo nº 19395.720018/201213 Acórdão n.º 9101002.895 CSRFT1 Fl. 4.459 7 Nenhuma utilidade haveria em decisão proferida por este Colegiado em face do recurso especial interposto, pois este não teria o condão de alterar outros fundamentos autônomos adotados pela decisão recorrida para o cancelamento do auto de infração. Notese que a necessidade de arbitramento dos lucros, não observada pela autoridade fiscal, tem sido fundamento para o cancelamento do auto de infração desde a decisão da DRJ, foi expressamente confirmada pela Turma a quo, mas nada consta sobre ela no recurso especial interposto. Nesse seguir, não há como admitir o recurso especial, tendo em vista a preclusão processual para a revisão de matérias autônomas, distintas entre si e adotadas pelo acórdão recorrido como individualmente suficientes para afastar o lançamento tributário. Tratase da hipótese equivalente à da Súmula n. 283 do e. STF, bem como da Súmula n. 126 do e. STJ: STF, Súmula 283 É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. STJ, Súmula 126 É inadimissível recurso especial quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e na parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Voto, portanto, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 4462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905562/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.784
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 62 /2 01 2- 05 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.301, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905562/201205 Acórdão n.º 3201002.784 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.723949/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES.
Verificada a existência de omissões no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados.
ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas da existência no lançamento de pagamentos de abono pecuniário de férias, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado.
APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28.
Nos termos da Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDORES VINCULADOS A OUTROS ENTES PÚBLICOS.
Não há que se falar em impossibilidade de cobrança da contribuição previdenciária ao RGPS, em razão de os servidores serem vinculados a outro ente público nem na existência de lançamento com base em indícios.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA DE VALORES PAGOS AOS SERVIDORES CEDIDOS. PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS NÃO IDENTIFICADAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo a contribuinte se desincumbindo deste ônus, deve ser mantido o lançamento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MÉDICOS PLANTONISTAS. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREENCHIMENTOS DOS REQUISITOS. INCIDÊNCIA.
São segurados obrigatórios da previdência social, como empregado, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTES DA PAZ. REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212, de 1991, entende-se por salário-de-contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-003.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202-003.444, de 14/06/2016, manter a decisão original.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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OMISSÕES. Verificada a existência de omissões no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados. ABONO DE FÉRIAS. CONCEITO. DISTINÇÃO DA GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. A conversão do período de 10 dias de férias em período laboral é denominado abono pela legislação trabalhista e não sofre incidência das contribuições previdenciárias em face de seu caráter indenizatório. A gratificação de férias, valor ajustado e pago quando do gozo de férias, acordado por meio de contrato de trabalho, individual ou coletivo, sofre incidência tributária em face do caráter de adicional de remuneração. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas da existência no lançamento de pagamentos de abono pecuniário de férias, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF Nº 28. Nos termos da Súmula CARF nº 28, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDORES VINCULADOS A OUTROS ENTES PÚBLICOS. Não há que se falar em impossibilidade de cobrança da contribuição previdenciária ao RGPS, em razão de os servidores serem vinculados a outro ente público nem na existência de lançamento com base em indícios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 39 49 /2 01 4- 81 Fl. 87809DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.810 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA DE VALORES PAGOS AOS SERVIDORES CEDIDOS. PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS NÃO IDENTIFICADAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo a contribuinte se desincumbindo deste ônus, deve ser mantido o lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MÉDICOS PLANTONISTAS. RELAÇÃO DE EMPREGO. PREENCHIMENTOS DOS REQUISITOS. INCIDÊNCIA. São segurados obrigatórios da previdência social, como empregado, aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AGENTES DA PAZ. REMUNERAÇÃO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212, de 1991, entendese por saláriode contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.444, de 14/06/2016, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 87810DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.811 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório A contribuinte interpôs Recursos Voluntários interpostos nos autos do processo nº 10384.723949/201481, em face do acórdão nº 0957.822, julgado pela 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente as impugnações apresentadas por ela. O acórdão conta com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/08/2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não há nulidade do ato quanto estão claramente descritos os motivos da autuação. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. Não sendo apresentados todos os documentos solicitados, é cabível a aferição indireta da contribuição devida, com a inversão do ônus da prova. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA 02 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SERVIDORES CEDIDOS FILIADOS A REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL DO CEDENTE. REMUNERAÇÃO A CARGO DO ÓRGÃO CESSIONÁRIO. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Alega a contribuinte que não devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a parte da remuneração a cargo do órgão cessionário, auferida por servidores cedidos, Fl. 87811DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.812 4 filiados a regime próprio de previdência do órgão de origem. Todavia, cabe ao interessado apresentar prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Inexiste nos autos prova de que os servidores cedidos sejam filiados a regime próprio. VERBA DE PRODUTIVIDADE. NATUREZA REMUNERATÓRIA. BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos a produtividade integram a remuneração dos segurados e compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária. ESTAGIÁRIOS. CONTRATAÇÃO EM DESACORDO COM A LEI. SEGURADO EMPREGADO. Os estagiários contratados em desacordo com a Lei nº 11.788, de 2008, devem ser considerados como segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de empregados. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória e a multa de ofício aplicada sobre o valor original da contribuição apurada se referem a fatos distintos e podem ser aplicadas na mesma ação fiscal. RECOLHIMENTOS ESPONTÂNEOS. APROPRIAÇÃO NA AÇÃO FISCAL. Os recolhimentos efetuados pelo contribuinte são apropriados, prioritariamente, às contribuições dos segurados, arrecadadas, mediante desconto de sua remuneração, e não repassadas à Previdência Social, excluídos os valores declarados em GFIP. Recurso Voluntário Negado Após o resultado do julgamento, a contribuinte opôs embargos de declaração. Estes foram opostos em face do acórdão nº 2202003.444, proferido em 14/06/2016, sendo a contribuinte cientificada em 03/01/2017 (AR – fl. 87.804), tendo oposto em 04/10/2016 (fl. 87.805), antes mesmo da ciência do aresto, os presentes embargos (fls. 87.794/87.802), com base no art. 65 da Portaria MF nº 343/2015. Alega que o acórdão proferido incorreu em vícios, a saber: III.1 PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA III.2 PRELIMINAR DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO III.3 DOS SERVIDORES CEDIDOS E FILIADOS A REGIME PRÓPRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, DA VERBA DE PRODUTIVIDADE E DOS ESTÁGIOS CONTRATADOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Fl. 87812DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.813 5 III.4 CONCOMITÂNCIA DE MULTAS. III.5 DOS OUTROS FUNDAMENTOS QUE O ACÓRDÃO DEIXOU DE APRECIAR. O despacho de admissibilidade proferido, de fls. 87.807/87.808, possui o seguinte teor: "Pois bem, quanto ao item “III.1”, não se verifica o alegado vício. Constatase, de antemão, que a Embargante, em seu Recurso Voluntário, fl. 87.453, alegou cerceamento do direito de defesa, já que a autuação "...desrespeita os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e da nulidade material da autuação". Por sua vez, o voto condutor do acórdão embargado rejeitou a preliminar sob o argumento de que “... não há cerceamento do direito de defesa quando estão explicitados todos os elementos do lançamento e quando o contribuinte tem preservado seu direito à apresentação de impugnação” (fl. 87.733). Embora alegue a Contribuinte que a autuação incluiu verbas de servidores vinculados ao RPPS, cedidos e prestadores de serviços com vínculo de natureza eventual, verificase que tais argumentos ultrapassaram a preliminar de cerceamento do direito de defesa, já que no mérito o Relator foi categórico ao afirmar à fl. 87.734 que "... a contribuinte não apresentou qualquer prova que os servidores cedidos a ela por outros órgãos estariam vinculados a Regime Próprio da Previdência social". No que tange ao item “III.2”, também não se constata o alegado vício. Em que pese alegar a Contribuinte que a fiscalização não observou que a motivação do pagamento aos servidores foram a título de compras de materiais e indenizações, constatase, novamente, que tais argumentos ultrapassaram a preliminar de nulidade por falta de motivação, mormente porque o Relator, acompanhado por todos os membros do Colegiado, entendeu à fl. 87.734 que "... não há nulidade quando estão claramente descritos os motivos da autuação. Se a motivação é contrária ao que entende a contribuinte, temse outra questão, uma discordância quanto a fundamentação embasada, mas nulidade, em si, não há". No que diz respeito ao “III.3”, entendo que não há omissão, já que as questões foram adequadamente tratadas no corpo do voto às fls. 87.734/87.735, bem como no dispositivo da ementa às fls. 87.712/87.713. No que toca ao item “III.4”, também não se constata qualquer vício, já que o acórdão afastou a concomitância das multas, consoante se observa da leitura do voto condutor à fl. 87.734, bem como do registro da ementa à fl. 87.713. Por omissão do julgado para dar ensejo a embargos de declaração, devese entender a falta de enfrentamento a ponto debatido pelo recorrente, de fato ou de direito, que não tenha sido decidido pelo relator. A questão de não adequação da Fl. 87813DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.814 6 decisão embargada à pretensão recursal não contamina o julgado, bem como não o torna suscetível de novo questionamento por essa via. Sobre o item “III.5”, entendo que assiste razão à Embargante. Compulsandose o Recurso Voluntário de fls. 87.453/87.707, verificase que a Contribuinte se insurge contra diversas questões; tais como: "abono de férias, sobre a inexistência de apropriação indébita previdenciária, sobre os servidores vinculados a outros entes públicos, do caráter indenizatório dos valores pagos aos servidores cedidos, sobre os médicos plantonistas, dos pagamentos a pessoas físicas não identificadas, sobre a validade da condição de bolsistas dos agentes da paz"; entretanto, o acórdão embargado silenciouse sobre tais matérias, restando, pois, caracterizada a omissão. Ante ao exposto, devese acolher parcialmente os Embargos de Declaração, submetendo os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar a omissão constante no item “III.5”. Ao Conselheiro Relator, para inclusão em pauta de julgamento." Portanto, a matéria admitida está limitada ao item III.5 dos embargos, cujo título foi apresentado na peça recursal como "dos outros fundamentos que o acórdão deixou de apreciar", vejamos: É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pretende a embargante que seja analisado o recurso voluntário no que tange a questões como (i) abono de férias; (ii) sobre a inexistência de apropriação indébita previdenciária, (iii) sobre os servidores vinculados a outros entes públicos, (iv) do caráter Fl. 87814DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.815 7 indenizatório dos valores pagos aos servidores cedidos, (v) sobre os médicos plantonistas, (vi) dos pagamentos a pessoas físicas não identificadas, (vii) sobre a validade da condição de bolsistas dos agentes da paz. Entende que o acórdão embargado silenciouse sobre tais matérias, restando, pois, caracterizada a omissão. De fato, o acórdão não tratou das matérias acima expostas. Merece destacar que os recursos voluntários apresentados, de fls. 86.405/87.707, representam mais de 1300 páginas, possuindo estes autos, no momento, 87808 páginas. O acórdão embargado, embora tenha 48 páginas, deixou de analisar algumas pontos relevantes da peça recursal. Portanto, de modo a sanar as omissões, passase a análise de cada um dos sete pontos suscitados na peça recursal, dentro do item III.5, cuja admissibilidade foi admitida: (i) abono de férias A contribuinte alegada o caráter indenizatório das verbas relativas ao abono de férias, diferencial de abono de férias e 1/12 de abono de férias. Conforme consta do Relatório Fiscal, a contribuinte, em resposta à intimação efetuada, informou tão somente que as rubricas 71ABONO DE FÉRIAS, 72DIF. ABONO DE FÉRIAS e 2621/12 ABONO DE FÉRIAS não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e que “a configuração referente à parametrização de todos os códigos das vantagens/rubricas da FMS, seguem as regras definidas na legislação previdenciária do IPMT”. Pela fragilidade dos esclarecimentos prestados, foi apurada a contribuição devida, tendo sido a remuneração relacionada, por trabalhador, nas colunas “BC NCE2” e “CSBC NCE2” das planilhas dos doc. 32 a 35 e do doc. 50.. Por oportuno, colaciono trecho do acórdão nº 2201003.416, de relatoria de Carlos Henrique de Oliveira, que bem tratou da incidência de contribuição previdenciária sbre abono de férias, vejamos: "[...] Na acepção que aqui nos interessa, abono deve ser entendido como o período de férias, que,por expressa vontade do trabalhador e havendo interesse do empregador, pode ser convertido em período de trabalho, mediante a percepção de uma verba abono de férias de nítida natureza indenizatória, posto que destinada a reparar a ofensa ao direito impetrada pelo empregador que anuiu, ou até solicitou, com o labor do empregado quando este se encontrava no gozo de seu direito de férias, típica situação de interrupção dos efeitos do contrato de emprego, posto que não há trabalho, mas remanesce o direito a percepção de salário. Outro não é o ensinamento da doutrina. Alice Monteiro de Barros (Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. LTR, pg. 832), Homero Batista Mateus da Silva (Curso de Direito do Trabalho Aplicado, Volume 2, Jornadas e Pausas, Ed. Elsevier. pag.322) e Arnaldo Sussekind (Curso de Direito do Trabalho, 3ª ed. Ed. Renovar, pg. 501) corroboram as afirmações. Fl. 87815DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.816 8 Assim, se torna perfeitamente lógico o comando celetista (artigos 143 e 144) e, por via de consequência, da Lei de Custeio da Previdência (artigo 28, § 9º, 'e', 6) quanto à não incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba. Esse é o abono de férias e esse é o motivo pelo qual não incidem contribuições sociais previdenciárias sobre tal verba. Simples assim: se o trabalhador, como se diz no linguajar próprio, 'vendeu' suas férias, recebeu como contrapartida um abono de férias, que segundo a lei não pode exceder 10 dias de trabalho, mas pode ser ajustado, por contrato coletivo em no máximo 20 dias. Do exposto, forçoso concluir que se não houver a comprovação, no caso concreto, que a verba paga a título de abono de férias correspondeu ao efetivo valor indenizado pelo trabalho prestado no período de gozo das férias do empregado, essa verba deve sofrer incidência da contribuição previdenciária." Portanto, necessária a prova de que a verba paga a título de abono de férias correspondeu ao efetivo valor indenizado pelo trabalho prestado no período de gozo das férias do empregado. Prova esta que a contribuinte não realiza. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas da existência no lançamento de pagamentos de abono pecuniário de férias, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado, conforme já decidiu este Conselho (acórdão nº 2201003.556, 04 de abril de 2017, Relator Daniel Melo Mendes Bezerra) Deste modo, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 333, inciso I, do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho necessário que a contribuinte apresente a documentação adequada e suficiente para provar a certeza e a liquidez de seu crédito. Neste sentido, temos jurisprudência sedimentada deste Conselho, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 87816DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.817 9 Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifouse) Isto posto, entendo por improcedente a alegação da contribuinte. ii) sobre a inexistência de apropriação indébita previdenciária O Relatório Fiscal acrescenta que a falta de recolhimento de contribuição destinada à Previdência Social, que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, configura, "em tese", o crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no art. 168A, I do Código Penal Brasileiro, e enseja a emissão de representação ao Ministério Público Federal. Da mesma forma, a falta de declaração de fato gerador de contribuição previdenciária em GFIP configura, “em tese”, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, previsto no art. 337A, I, do Código Penal, e enseja a emissão de representação ao Ministério Público Federal. No entanto, este Conselho não é competente para se pronunciar a respeito, conforme dispõe a Súmula CARF nº 28, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Deste modo, não conheço do pedido formulado, nos termos da referida Súmula. (iii) sobre os servidores vinculados a outros entes públicos Esclarecese que a remuneração dos servidores foi apurada individualmente, conforme consta do doc. 43, tendo sido verificada nos registros da conta 319011, na Folha de Pagamento dos Servidores, e nos documentos comprobatórios da despesa realizada, juntados nos doc. 75 a 77 do presente processo. Desta forma, não há que se falar em impossibilidade de cobrança da contribuição previdenciária ao RGPS, em razão de os servidores serem vinculados a outro ente público nem na existência de lançamento com base em indícios. Cabe o recolhimento da contribuição previdenciária a contribuinte, no caso. Também não há que se falar em ofensa aos princípios legais citados, visto que o lançamento observa devidamente a legislação pertinente. Improcedentes, portanto, os argumentos apresentados pela contribuinte. (iv) do caráter indenizatório dos valores pagos aos servidores cedidos Fl. 87817DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.818 10 O acórdão embargado tratou dos valores pagos aos servidores cedidos, porém por outro fundamento, vejamos: A recorrente sustenta que não pode integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias a parte da remuneração a cargo do órgão cessionário, auferida por servidores cedidos, filiados a regime próprio de previdência do órgão de origem. Todavia, consoante decidiu a DRJ de origem, a contribuinte não apresentou qualquer prova que os servidores cedidos a ela por outros órgãos estariam vinculados a Regime Próprio da Previdência social. Esta prova seguiu sem ser apresentada em recurso voluntário, não fazendo sequer menção a contribuinte para justificar a não juntada aos autos destes documentos. Assim, impossível compreender que os servidores cedidos estariam efetivamente filiados a Regime Próprio da Previdência social e não ao Regime Geral da Previdência social. Ressalvase que o ônus da prova seria da Recorrente, que não se desincumbiu de realizála adequadamente. Em razão disso, nego provimento ao recurso quanto a este pedido. Assim, deixouse de analisar o caráter indenizatório de valores pagos aos servidores cedidos, pois apreciado somente o argumento quando a estes estarem vinculados ao Regime Próprio da Previdência social. Não possui razão o contribuinte. Ocorre que a contribuição previdenciária incide, para o segurado empregado, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa, e para o segurado contribuinte individual, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, nos termos do art. 22, I e III da Lei nº 8.212. Ainda, importa referir que não há prova nos autos de que os valores pagos aos servidores cedidos possuam caráter indenizatório. Assim, deveria a contribuinte apresentar prova do que alega, de modo a dar suporte, por prova documental, aos seus argumentos. Meras alegações, desacompanhadas de provas, não serão suficientes para, no caso, alterar a natureza jurídica dos rendimentos pagos a servidores cedidos. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente Portanto, improcedente o pedido. Fl. 87818DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.819 11 (v) Sobre os médicos plantonistas A embargante destaca a eventualidade dos serviços prestados pelos médicos não cedidos pelo Estado, considerando os plantões realizados por meio de escala, em turnos de 12 horas consecutivas. Ocorre que a eventualidade não é caracterizada pela forma de prestação do serviço, por meio de escala, em turnos de 12 horas, mas pela relação do serviço prestado com as atividades normais da empresa. Isso porque o RPS assim dispõe: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; [...] § 4º Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa. É certo que a prestação de serviços médicos e de outros profissionais na área da saúde, em hospitais ou unidades de saúde, no caso, o HUT, está diretamente relacionada às suas atividades normais de atendimento aos pacientes. Assim, resta superado o argumento da eventualidade na prestação de serviços pelos médicos não filiados ao RPPS do Estado do Piauí, relacionados na planilha do doc. 40. Em relação à subordinação, devese esclarecer que os médicos plantonistas estão sujeitos às normas de funcionamento da unidade hospitalar, bem como à escala previamente determinada, estabelecidas pelos seus dirigentes, sob pena de impossibilidade de atendimento regular à população. Nesse sentido, o Parecer CFM nº. 19, de 12/11/93, considera que, se existir uma escala de plantão e se o cumprimento desta é obrigatório, está claramente configurada a relação trabalhista e ao médico é reconhecido o vínculo trabalhista. Ainda, vale observar que, na Folha de Pagamentos do HUT, juntada por amostragem, nas competências de 03/2011 a 07/2011 (doc. 95, fls. 83883/84057), os segurados têm apenas o registro da rubrica 091 “Plantões HUT”. Por outro lado, parte destes segurados, constantes da FP, está relacionada na planilha do doc. 40, que inclui os servidores não filiados ao RPPS do Estado, e a outra parte está relacionada na planilha do doc. 41, que inclui os servidores filiados ao referido regime próprio. Desta forma, verificase que o contribuinte não distinguiu, em sua Folha de Pagamentos, os pagamentos efetuados a segurados filiados e não filiados ao regime próprio de previdência estadual, embora tenha argüido a condição de contribuintes individuais apenas para os não filiados ao referido regime, o que corrobora o entendimento fiscal. Fl. 87819DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.820 12 A alegação de que o lançamento foi realizado por meio de arbitramento, com base em “meros indícios” levantados pela fiscalização não pode prosperar. Isso porque a remuneração paga pela FMS foi apurada individualmente, para cada trabalhador, através dos registros contábeis na conta 319011 e das Relações de Pagamentos Realizados pelo Banco do Brasil (RPRBB), conforme consta do doc. 41. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora embargante. Improcedentes, portanto, as alegações apresentadas. (vi) dos pagamentos a pessoas físicas não identificadas Devese observar, contudo, que estas autuações se referem apenas a contribuintes individuais, prestadores de serviço eventuais, identificados e não identificados pelo contribuinte, conforme resposta ao Termo de Intimação nº 3, já mencionada, tendo sido os dados apurados nos registros contábeis da FMS e na documentação comprobatória da despesa realizada, conforme consta do Relatório Fiscal, dos documentos juntados por amostragem nos doc. 60 e 61 e das planilhas constantes do doc. 48, em que estão identificados nominalmente os contribuintes individuais que prestaram serviços; do doc. 49, em que estão registrados os valores despendidos com os contribuintes individuais não identificados pelo contribuinte; e no doc. 50 do processo, que consolida os dados dos anteriores, às fls. 75447/75696 dos autos. Observase, ainda, que os valores apurados nos levantamentos EI, EL, SI e SL, foram considerados como base de cálculo pelo próprio contribuinte, o qual efetuou o desconto e a arrecadação da contribuição dos segurados, o que está discriminado, por competência e por segurado, nas colunas “BC CE” e “INSS” da planilha do doc. 48 (fls. 75447/75654). Por sua vez, os valores lançados nos levantamentos EJ, EM, SJ e SM, os quais não foram considerados como base de cálculo pelo contribuinte, também constam do doc. 48, sendo identificados nas colunas “BC NCE” e “CCI s/ BC NCE”, por competência e por trabalhador, havendo a descrição dos serviços prestados e a indicação dos documentos considerados na apuração, os quais integram, por amostragem, os doc. 60 e 61 do processo. A remuneração dos prestadores de serviço não identificados pelo contribuinte, o qual foi devidamente intimado para tanto, foi lançada nos levantamentos EK, EN, SK, SN, tendo sido apurada no elemento de despesa pública 339036 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoas Físicas, e relacionada na planilha do doc. 49 (fls. 75655/75660). Verificase, assim, que foram considerados nas autuações em tela apenas os pagamentos efetuados a prestadores de serviço eventuais, pessoas físicas. Considerando que a apuração dos valores lançados foi claramente explicitada nos autos, não há que se falar em cerceamento de defesa. Destacase também que foram observados os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório citados, não havendo que se falar em nulidade material da autuação, considerando, inclusive, os termos das impugnações apresentadas. Fl. 87820DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.821 13 Da mesma forma, não há que se falar em ilegalidades e inconstitucionalidades dos procedimentos fiscais efetuados, visto que a fiscalização agiu dentro dos ditames legais, conforme preceitua o art. 142 do CTN, Em relação aos pagamentos efetuados a pessoas físicas não identificadas, considerado como base de cálculo na autuação, devese explicitar o que segue. O art. 33, §3º da Lei nº 8.212, de 1991, assim dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Conforme explicitado no Relatório Fiscal, a fiscalização intimou o contribuinte, através do TIF nº 3, item IV, a apresentar os elementos comprobatórios que identificassem os prestadores de serviço pessoas físicas, beneficiários dos pagamentos realizados pela FMS, através das notas de empenho contabilizadas nos elementos de despesa 319011 – Vencimentos e Vantagens Fixas – Pessoal Civil e 339036 – Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física, relacionados no Anexo I do referido TIF. Em resposta, à fl. 76.046, a contribuinte informou, no item IV, que “não foi possível a identificação nominal dos prestadores de serviço relativo a alguns dos pagamentos relacionados no Anexo I do Termo nº 03”. Por sua vez, a contribuinte alega ser um ente público e que a não apresentação de um dos documentos solicitados não é suficiente para o se efetuar o lançamento por meio de arbitramento. Todavia, devese esclarecer que os órgãos e as entidades da administração pública são considerados empresa, nos termos do art. 15, I, da Lei nº 8.212, de 1991, e que a apresentação deficiente da documentação solicitada, no caso, a não apresentação de alguns documentos, autoriza o arbitramento da base de cálculo, nos termos do art. 33, §3º, acima transcrito, cabendo ao interessado a apresentação da prova em contrário, a qual não foi realizada. Portanto, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pela contribuinte, com fundamento no artigo 333 do CPC e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora embargante. Desta forma, não há que se falar em ofensa aos princípios citados, visto que a atuação fiscal tão somente agiu em consonância com os dispositivos acima mencionados e ao Fl. 87821DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.822 14 art. 142 do CTN. Além disso, a Súmula 02 do CARF impede a análise da matéria constitucional. Ainda, a ora embargante afirma ter o agente fiscal enquadrado, como segurado obrigatório do RGPS, com base em rubricas contábeis, prestadores de serviço pessoas físicas que fazem parte de Regime Próprio de Previdência Social de Teresina e ou foram cedidos pelo Governo do Estado do Piauí, os quais, por esta razão, devem ser excluídos da base de cálculo. O art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, assim dispõe: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: [...] V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme consta da documentação mencionada, utilizada na apuração da base de cálculo, os segurados foram enquadrados como contribuintes individuais, por se tratar de pessoas físicas que prestaram serviços de natureza eventual à FMS, conforme discriminado no doc. 48 dos autos. Desta forma, a presente autuação não trata de servidores públicos estaduais cedidos ao município. Ao contrário, parte deles é admitida como sendo de segurados obrigatórios do RGPS e outra parte foi registrada contabilmente como terceiros, prestadores de serviço pessoas físicas. Assim, não são pertinentes os argumentos relativos à vinculação ou não dos trabalhadores a regime próprio de previdência. Ademais, ainda que houvesse pertinência, os argumentos apresentados não foram devidamente comprovados pelo interessado. Portanto, improcedente o pedido. (vii) sobre a validade da condição de bolsistas dos agentes da paz Inicialmente, observase, conforme Relatório Fiscal, fls. 426, que, durante a ação fiscal, o contribuinte admitiu a condição dos “agentes da paz” como segurados obrigatórios do RGPS. Todavia, na impugnação apresentada, arguiu que o valor concedido mensalmente aos “agentes da paz” é um benefício de natureza assistencial, nos termos do Decreto nº11.079, de 2011. O referido Decreto Municipal nº11.079, de 24/02/2011, fls. 84650, regulamenta o programa “Agentes da Paz”, entre outras providencias: Fl. 87822DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.823 15 Art. 1º O Programa “Agentes da Paz”, instituído no âmbito municipal através do Decreto nº 6.034/2004 e alterado pelo Decreto nº 7.397/2007, tendo como objetivo a inserção de pessoas idosas, acima de 60 (sessenta anos), nas atividades de acolhimento e orientação a pessoas que buscam os serviços sócioassistenciais e de saúde, fica prorrogado a partir de 01.01.2011 até 31.12.2011, permitida a prorrogação, (...). Parágrafo único. As atividades dos "Agentes da Paz" serão desenvolvidas na rede sócioassistencial e de saúde do município de Teresina. Art. 2o O Programa "Agente da Paz" compreenderá o pagamento de 1 (uma) bolsa individual, mensal, no valor de RS 150,00 (cento e cinqüenta reais), a pessoas idosas, com mais de 60 (sessenta) anos, participantes dos Grupos de Convivência e/ou Centros, devidamente cadastradas, capacitadas e selecionadas pela Secretaria Municipal do Trabalho, Cidadania e de Assistência Social SEMTCAS. (...) Art. 5° Os recursos para o pagamento da bolsa, referida no art. 2o deste Decreto, são os provenientes das seguintes fontes: I do Fundo Municipal da Assistência Social, fonte 100 Tesouro Municipal; II do Fundo Municipal da Saúde fonte 100 Tesouro Municipal. Parágrafo único. O pagamento da bolsa ficará a cargo do Órgão em que o "Agente da Paz" estiver executando as atividades do Programa. De acordo com o Decreto acima, o pagamento da bolsa é devido às pessoas idosas selecionadas e capacitadas, em razão de sua participação nas atividades de acolhimento e orientação a pessoas que buscam os serviços sócioassistenciais e de saúde do Município. Conforme já citado anteriormente, de acordo com o art. 51 da IN RFB nº 971, de 2009, constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal, para a empresa, a prestação de serviços remunerados e, para o segurado, o exercício de atividade remunerada. É o caso. Ainda, conforme disposto no do art. 28, I, da Lei nº 8.212, de 1991, entende se por saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. O §9º do mesmo art. 28 relaciona as parcelas não integrantes do saláriode contribuição, dentre as quais não se inclui o pagamento de bolsas em decorrência da prestação de serviços, o qual, como visto, constitui fato gerador típico de contribuição previdenciária. Fl. 87823DF CARF MF Processo nº 10384.723949/201481 Acórdão n.º 2202003.904 S2C2T2 Fl. 87.824 16 A título de esclarecimento, cabe observar que a Lei nº 8.742, de 1993, a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), citada na impugnação, prevê, em seu art. 20, a concessão do benefício de prestação continuada, no valor de um salário mínimo mensal, à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem têla provida por sua família. Além deste benefício, a referida Lei prevê, em seu artigo 22, a concessão de benefícios eventuais aos cidadãos e famílias em virtude de nascimento, morte, situações de vulnerabilidade temporária e de calamidade pública. Ao contrário do afirmado pela embargante, verificase que a bolsa paga aos agentes da paz não se assemelha aos referidos benefícios assistenciais, concedidos independentemente da prestação de serviços pelos beneficiários. Quanto ao enquadramento dos segurados como empregados para o RGPS, devese observar que o Decreto nº 11.079, de 2011, prevê a seleção e a capacitação dos bolsistas, a cargo da Secretaria Municipal do Trabalho, procedimento tipicamente realizado para esta categoria de trabalhador. Por outro lado, não foi juntado nenhum outro documento que comprove a não subordinação e a eventualidade na prestação de serviço pelos referidos bolsistas, alegadas na impugnação. Desta forma, não prosperam os argumentos da contribuinte. Conclusão. Ante o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2202003.444, de 14/06/2016, manter a decisão original. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 87824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910851/2009-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/09/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.861
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/09/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 51 /2 00 9- 71 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11065.910851/200971 Acórdão n.º 9303004.861 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.155, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/09/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11065.910851/200971 Acórdão n.º 9303004.861 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11065.910851/200971 Acórdão n.º 9303004.861 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11065.910851/200971 Acórdão n.º 9303004.861 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.902902/2011-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.493
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 29 02 /2 01 1- 75 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10925.902902/201175 Acórdão n.º 3301003.493 S3C3T1 Fl. 3 2 indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.892. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10925.902902/201175 Acórdão n.º 3301003.493 S3C3T1 Fl. 4 3 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10925.902902/201175 Acórdão n.º 3301003.493 S3C3T1 Fl. 5 4 Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 64DF CARF MF
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