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Numero do processo: 10480.721480/2012-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão final no processo nº 10480.721441/2012-99, com o envio dos autos para a unidade de origem, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão final no processo nº 10480.721441/2012-99, com o envio dos autos para a unidade de origem, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.721480/201296 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3002000.008 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Data 16 de maio de 2018 Assunto RESSARCIMENTO IPI Recorrente EMBRASA EMBALAGENS MICRONDULADAS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a decisão final no processo nº 10480.721441/201299, com o envio dos autos para a unidade de origem, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI no valor de R$ 75.565,51, relativo ao 1º trimestre/2011 (fls. 2 a 52), cumulado com declaração de compensação desse crédito com débitos de PIS/Pasep do mesmo período no montante de R$ 59.091,05 (fls. 342 a 345). Para fins de apuração do direito ao crédito, a Delegacia da Receita Federal em Recife (DRF/Recife) abriu procedimento fiscal relativo ao período de apuração que se inicia no 2º trimestre/2008 e vai até o 1º trimestre/2011 – o contribuinte havia formalizado diversos pedidos de ressarcimento e de compensação, entre eles este que se analisa. Registrese que, intimado a apresentar informações, notas fiscais e o Livro Registro de Apuração do IPI, o contribuinte encaminhou os documentos que se encontram às fls. 62 a 331. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 21 48 0/ 20 12 -9 6 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10480.721480/201296 Resolução nº 3002000.008 S3C0T2 Fl. 3 2 Desse procedimento fiscal resultou um auto de infração e a decisão sobre os pedidos de ressarcimento/compensação. O auto de infração foi lavrado em decorrência da constatação de utilização indevida do instituto da suspensão (notas fiscais de saída sem o lançamento do IPI), alcançando o lançamento do crédito tributário o valor de R$ 409.927,53 – processo nº 10480.721441/2012 99 (fls. 396 a 419). Foi também determinada a reconstituição da escrita fiscal. O contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, que teve provimento parcial na Delegacia de Julgamento, com o cancelamento da exigência de IPI no valor de R$ 59.789,20, e seguiu para o Carf, para fins de julgamento do recurso voluntário, no qual se decidiu pela anulação da decisão de primeira instância por não haver se pronunciado sobre todas as matérias alegadas pela defesa – Acórdão nº 3201002.876. Em relação ao PER de que trata o presente processo, a fiscalização concluiu que o contribuinte não fazia jus à totalidade do que requereu como crédito (fls. 332 a 339). Em Despacho Decisório, a DRF/Recife acatou a conclusão da fiscalização, reconhecendo parcialmente o crédito no valor de R$ 46.370,95, homologou parcialmente a compensação de PIS/Pasep e determinou a cobrança dos débitos em aberto, no valor de R$ 13.118,27 (fls. 346 a 351). O contribuinte foi cientificado dessa decisão em maio/2012. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que parte do que havia sido compensado eram débitos parcelados ou que estavam com a exigibilidade suspensa, pois foram exigidos no auto de infração que foi impugnado; que não havia débito em aberto, pois a exigência de multa de mora era descabida, uma vez ter ocorrido a denúncia espontânea; e que o montante encontrado pela Fazenda decorria da utilização ilegal da imputação proporcional. Entendia que, se cancelada a multa moratória, os créditos seriam suficientes para quitar todos os débitos (fls. 363 a 369). Instruiu sua manifestação de inconformidade com identificação e contrato social, cópias dos documentos produzidos no procedimento fiscal relativos a este pedido, cópia do auto de infração citado e da impugnação (fls. 370 a 427). Em relação à manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) proferiu o Acórdão nº 1046.876 (fls. 432 a 435), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que os créditos de IPI destinamse prioritariamente à dedução dos débitos; que a IN RFB nº 900, de 2008, veda o ressarcimento a contribuinte que tenha processo administrativo ou judicial em curso cujo resultado possa alterar o valor a ser ressarcido; e que foi solicitada a compensação de débitos já vencidos, sobre os quais incidem acréscimos legais, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10480.721480/201296 Resolução nº 3002000.008 S3C0T2 Fl. 4 3 do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos já vencidos, cabível a imputação de multa e juros sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27/02/2014, conforme Aviso de Recebimento constante às fls. 445 e 446, e protocolizou seu recurso voluntário em 27/03/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada e carimbo aposto à página inicial do recurso voluntário às fl. 449 e 450. Em seu recurso voluntário a recorrente alega, preliminarmente, que deveria ser considerado o resultado final do julgamento do processo relativo ao auto de infração, para que não haja cobrança em duplicidade ou decisões divergentes e, em relação ao mérito, repisa os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, concluindo com o pedido para que se reconheça o direito creditório ou para que este processo seja sobrestado até definitivamente julgado o processo nº 10480.721441/201299 (fls. 450 a 472). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente apresenta questão prejudicial sobre a qual entendo que lhe cabe razão. Vejamos. A unidade de origem abriu a fiscalização de IPI em virtude dos diversos pedidos de ressarcimento do tributo. Concluiu pela utilização indevida da suspensão em algumas operações de saída de mercadoria, o que acarretou o lançamento do crédito tributário em auto de infração e a reconstituição da escrita fiscal no período fiscalizado. Com base nessa reconstituição, que teve como consequência diminuir o saldo credor acumulado no trimestrecalendário, foram decididos os pedidos de ressarcimento e as declarações de compensação. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10480.721480/201296 Resolução nº 3002000.008 S3C0T2 Fl. 5 4 Ocorre que, no julgamento em primeira instância do processo nº 10480. 721441/201299, que trata do auto de infração, foi dado provimento parcial para o contribuinte para anular uma pequena parte do lançamento. Tal diferença já afetou o saldo credor do contribuinte, não se sustentando na sua integralidade a reconstituição da escrita determinada pela fiscalização, uma vez que os débitos de IPI deverão ser diminuídos de acordo com os valores cancelados no julgamento de primeira instância. O processo do auto de infração veio ao Carf para julgamento, que determinou seu retorno para a DRJ para que se apreciasse as alegações da recorrente em sua integralidade, o que significa que até o momento o mérito não foi apreciado em segunda instância. Assim, estamos diante de uma indefinição quanto ao exato montante do saldo credor. Neste contexto, é necessário que se aguarde o julgamento em relação ao auto de infração, pois somente após a decisão definitiva acerca do débito de IPI que se poderá saber se há ou não crédito a ser ressarcido e em que extensão, bem como qual o montante passível de ser compensado. Temos neste caso uma situação curiosa visto que, do ponto de vista formal, o processo do auto de infração está vinculado ao processo de ressarcimento por decorrência. Todavia, do ponto de vista material, a decisão no presente processo é dependente da definição no processo decorrente. Quando presente essa relação de vinculação por decorrência, ainda que não formalizada no eProcesso, abrese a possibilidade de sobrestamento, conforme previsto no art. 6º, § 6º do Anexo II do Regimento Interno do Carf. Pelo exposto, voto por sobrestar o julgamento até a decisão final no processo nº 10480.721441/201299, com o envio dos autos para a unidade de origem, que deverá promover a juntada da decisão definitiva relativa ao auto de infração a estes autos e devolvêlos ao Carf para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720927/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS. FORNECEDORES. CONTAS DE RESULTADO.
Ainda que se repute, sob a égide do princípio da verdade material, que o destaque do desconto em nota fiscal é prescindível e que a bonificação perfaz de fato um desconto incondicional, é imprescindível que o impacto deste desconto seja vislumbrado na contabilidade, isto é, que seja reduzido tal valor do CMV (Custo da Mercadoria Vendida) ou mesmo que represente qualquer aumento no resultado, sob pena de incorrer-se em omissão de receitas.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO.
Deve prevalecer o princípio in dubio pro contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN, interpretando-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
Numero da decisão: 1201-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negava integral provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. RECEBIMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS. FORNECEDORES. CONTAS DE RESULTADO. Ainda que se repute, sob a égide do princípio da verdade material, que o destaque do desconto em nota fiscal é prescindível e que a bonificação perfaz de fato um desconto incondicional, é imprescindível que o impacto deste desconto seja vislumbrado na contabilidade, isto é, que seja reduzido tal valor do CMV (Custo da Mercadoria Vendida) ou mesmo que represente qualquer aumento no resultado, sob pena de incorrer-se em omissão de receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Deve prevalecer o princípio in dubio pro contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN, interpretando-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negava integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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RECEBIMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS. FORNECEDORES. CONTAS DE RESULTADO. Ainda que se repute, sob a égide do princípio da verdade material, que o destaque do desconto em nota fiscal é prescindível e que a bonificação perfaz de fato um desconto incondicional, é imprescindível que o impacto deste desconto seja vislumbrado na contabilidade, isto é, que seja reduzido tal valor do CMV (Custo da Mercadoria Vendida) ou mesmo que represente qualquer aumento no resultado, sob pena de incorrerse em omissão de receitas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Deve prevalecer o princípio in dubio pro contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN, interpretandose da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 09 27 /2 01 4- 18 Fl. 6516DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar que negava integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratamse de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário de 2009, no valor total de R$ 12.556.871,19 (doze milhões quinhentos e cinquenta e seis mil oitocentos e setenta e um reais e dezenove centavos). Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a prática de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de contabilização, como receitas, de recursos financeiros recebidos de fornecedores. Do Relatório Fiscal de fls. 34/44, destaco as seguintes constatações do agente fiscal, reproduzidas pela autoridade julgadora de primeira instância, que levaramno a proceder com o lançamento: “(...) Ao analisarmos a Escrituração Contábil Digital (SPED ECD) do anocalendário 2009, constatamos que o sujeito passivo não utilizou a conta 15674 () ABATIMENTOS S/COMPRAS ou VERBAS/DESCONTOS FORNECEDORES para registrar os recursos financeiros recebidos de fornecedores, diferentemente dos anoscalendário 2007 e 2010, conforme balancete do CMV à fl. 6.196. No entanto, constatamos que no anocalendário 2009 o sujeito passivo recebeu recursos financeiros dos fornecedores, conforme comprovam os extratos bancários do anocalendário 2009 da conta nº 65803 do Banco Bradesco apresentados pelo sujeito Fl. 6517DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 3 3 passivo, conforme fls. 2.321 a 2.351, e foram estranhamente registrados na contabilidade com o seguinte lançamento: Débito – 14309 BRADESCO C/C 65803 Crédito – 52 – CAIXA Os lançamentos citados efetuados pelo contribuinte são totalmente anômalos, sendo que a contabilização correta dos recursos financeiros recebidos de fornecedores seria creditar conta de resultado (Outras Receitas Operacionais) em contrapartida a débito da conta banco (Ativo). Com o procedimento contábil adotado pelo sujeito passivo excluiu indevidamente receitas operacionais da apuração do IRPJ, CSLL.... Vale ainda registrar que se utilizando do lançamento a Crédito na Conta Caixa e a Débito da Conta Banco para registrar os recursos financeiros recebidos de fornecedores, constatamos a existência de saldo credor na Conta Caixa durante todo o ano calendário 2009, impossível em uma escrituração regular, conforme Escrituração Contábil Digital apresentada pelo sujeito passivo, da qual extraímos o relatório às fls. 6.228 a 6.248. Do exposto, os valores recebidos dos fornecedores a título de “negociações comerciais” são receitas operacionais não contabilizadas pelo sujeito passivo, e diferentemente dos anos calendário 2007 e 2010, em que houve a contabilização em conta redutora do CMV sem influenciar na apuração do IRPJ e CSLL, no anocalendário 2009 haverá repercussão na apuração do IRPJ e da CSLL, pois neste caso não houve a redução na mesma proporção do Custo das Mercadorias Vendidas, sendo considerado como omissão de receitas o montante de R$ 12.552.904,16, conforme Razão da Conta Caixa às fls. 6.197 a 6.211.” Constatadas tais ocorrências o sujeito passivo foi provocado a apresentar justificativas e/ou documentos capazes de contrapor ao feito, ocasião em que restou silente. Em virtude da conduta adotada pelo sujeito passivo, cuja intenção era supostamente de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ao não contabilizar como receitas, as verbas/recursos financeiros recebidos de fornecedores, foi aplicada a multa qualificada, de 150%, prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Ainda, com fulcro no art. 135, inciso III do CTN, a fiscalização lavrou os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 47 e 48, em face dos responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, Senhores Osvando Silvestre de Oliveira e Valdemar Jorge Naben, tendo em vista que os mesmos, na condição de sóciosadministradores da fiscalizada, Fl. 6518DF CARF MF 4 teriam infringido a legislação vigente com o fim de furtarse ao recolhimento dos tributos federais devidos. Impugnação Cientificados dos referidos Termos de Sujeição Passiva Solidária, os responsáveis solidários não apresentaram qualquer impugnação. Já a contribuinte, A.S.E. DISTRIBUIÇÃO LTDA, irresignada, apresentou a impugnação de fls. 6331/6368, por meio da qual se defende, em síntese, com as seguintes razões apontadas pela 2ª Turma da DRJ/BSB: “Inicia asseverando que apresentou à Fiscalização todos os livros e documentos solicitados e que tem a convicção da legalidade do seu procedimento de apuração da base de cálculo dos referidos tributos. Segundo a Impugnante os valores recebidos dos fornecedores têm natureza de bonificação, sendo considerados como descontos incondicionais, portanto livres da incidência de contribuições. Discorre sobre o princípio da verdade material e sua aplicação no processo administrativo e afirma que o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. Faz abordagem sobre os princípios da legalidade e da ampla defesa e conclui, com base em jurisprudência e doutrina que cita, que os órgãos julgadores administrativos têm competência para conhecer de argumentos de inconstitucionalidade. Sustenta que a indedutibilidade do valor da CSLL, para efeito de determinação da base de cálculo do Imposto de Renda, e da sua própria base de cálculo, não representa o real acréscimo patrimonial auferido pela Impetrante. Discorre sobre o conceito de renda para sustentar que a não dedutibilidade da CSLL, para a formação da base de cálculo do imposto sobre a renda, não encontra respaldo no Texto Maior. Sustenta que o art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, em flagrante violação ao princípio da hierarquia das leis, promoveu o alargamento da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, pela indedutibilidade da despesa decorrente do próprio recolhimento da CSLL, pois é imprescindível, na espécie, a edição de lei complementar, em observância do art. 146, "a", da Constituição Federal. Assevera que é inconstitucional a aplicação da taxa Selic em débitos tributários, em razão de sua natureza jurídica (caráter remuneratório) e de ser fixada exclusivamente pelo Banco Central, seja como juros de mora, seja como índice de correção Fl. 6519DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 4 5 monetária. Ao final conclui que não incorreu em pratica de qualquer ato que pudesse ensejar o lançamento fiscal, pois, sequer deixou de emitir uma única nota fiscal e sua escrituração contempla todas as operações de vendas. Requer, assim: Seja expurgada da base de cálculo a CSLL e, consequentemente, determinando uma nova apuração sobre essas bases; caso o ilustre julgador entenda não acolher o contido no parágrafo anterior, seja determinado a exclusão do ICMS da receita bruta, a fim de apurar o efetivamente devido; seja excluída a SELIC na apuração dos valores pretendidos; seja afastada a multa nos moldes da fixada, diante da espontaneidade da impugnante na prestação de informações e da confiscatoriedade verificada. Protesta pela produção de todas as provas permitidas, bem como a realização de perícia para se apurar os valores retidos a titulo de substituição tributaria que devem ser deduzidos do quantum apurado.” Acórdão nº 0365.177 2ª Turma da DRJ/BSB A autoridade julgadora não acata a tese de que as bonificações recebidas teriam a natureza de descontos incondicionais, entendendo que a legislação de regência determina peremptoriamente que tais “descontos” quando concedidos devem constar da nota fiscal de venda não podendo depender de evento posterior à emissão desse documento, no caso em tela, a empresa compradora recebe valores significativos, em espécie, dos fornecedores desvinculados com a emissão da nota fiscal de venda. Ademais, reputouse que os valores recebidos só seriam bonificação se houvesse a comprovação de sua vinculação à compra das mercadorias para fins de rateio do custo de aquisição pela quantidade entregue pelo fornecedor e tivessem sido contabilizados corretamente. Contudo concluiuse que como a empresa os contabiliza diretamente em conta do ativo e não faz prova da vinculação inequívoca de tais recebimentos com a compra das mercadorias, tal tese não deveria prevalecer. No caso da não comprovação de que essas noticiadas “bonificações” estejam relacionadas com a aquisição das mercadorias, como entendeu ser o caso desses autos, estaria caracterizado que os valores recebidos em espécie têm a natureza de “outras receitas operacionais” sujeitos à tributação pelo IRPJ e da CSLL. Fl. 6520DF CARF MF 6 Constatouse não se tratar de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretenderia infirmar informações por ela própria prestadas, seria necessário que a dita pretensão estivesse calcada em provas documentais robustas. Assim, considerouse correta a exigência do IRPJ e da CSLL. Quanto a invocação de alguns princípios constitucionais pelo impugnante, decidiuse que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, qual seja o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais às normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Estaria fora de seu alcance, portanto, o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação, uma vez que o controle da constitucionalidade das normas seria de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, “a”, III da CF de 1988). Tal conclusão estendeuse a sustentação do impugnante de que o art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, teria violado o princípio da hierarquia das leis, ao promover o alargamento da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, pela indedutibilidade da despesa decorrente do próprio recolhimento da CSLL. Ademais, entendeuse que para ser dedutível, toda despesa precisa estar revestida dos atributos de liquidez e certeza. Ausente sua regular contabilização nos períodos respectivos e antes do julgamento definitivo da exigência relativa a CSLL, não se poderia concluir que estão presentes tais atributos. Entendeu ser a questão levantada pela impugnante a respeito da exclusão do ICMS da receita bruta, no caso concreto, puramente retórica, posto que a matéria tributária dos autos de infração se trata de omissão de receita, nada tendo a ver com a incidência do PIS/Cofins sobre o faturamento gerado pela receita de venda, na qual é incluído o ICMS embutido no preço da operação. Evidenciouse que em se tratando de receita omitida, por sua própria natureza, não cabe discussão sobre incidência de ICMS. Taxa Selic Quanto a taxa SELIC, invocou a autoridade julgadora o entendimento consolidado da Administração Tributária por meio da Súmula CARF nº 4. Multa Qualificada Constatouse que a impugnante limitouse a alegar que a cobrança da multa de ofício é exagerada, pois supera até o valor do imposto, e inconstitucional, pois ofenderia os Fl. 6521DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 5 7 princípios da capacidade contributiva, da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco. No que concerne à suposta violação aos citados princípios constitucionais, o seu exame já teria sido abordado em linhas pretéritas daquele voto, em que se consignou a impossibilidade de o julgador administrativo se manifestar sobre a constitucionalidade de lei, no caso, a referida lei que embasou o lançamento da multa de ofício. Por fim, coube ressaltar que a apontada decisão do STF, na mencionada ADIN 5551/600RJ, não tem aplicação no caso sob exame, pois a Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade de dispositivo da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que, por óbvio, não amparou a imposição da penalidade de que tratam os presentes autos. Produção de Provas Entendeuse que, no caso concreto, as provas sustentadoras dos argumentos da interessada deveriam ter sido apresentadas na impugnação. Diligência Tendo em vista que todas as matérias objeto da autuação poderiam ser contestadas mediante a comprovação por meio de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, o que não foi feito no caso em tela, considerouse prescindível tal medida para a solução da controvérsia, nos termos do que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993. Conclusão Diante de todo o exposto, votouse no sentido de: (1) julgar improcedente a impugnação apresentada pela pessoa jurídica A.S.E. DISTRIBUIÇÃO LTDA; (2) declarar definitivamente constituído o crédito tributário em face dos administradores Osvando Silvestre de Oliveira, CPF nº 159.535.48168 e Valdemar Jorge Naben, CPF nº 026.929.45115, na condição de responsáveis solidários. Recurso Voluntário O recurso apresentado reproduz de forma idêntica todos os pontos expostos na impugnação, já delineados em parte anterior deste relatório. Fl. 6522DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito A questão central desta demanda norteia os recursos financeiros recebidos a título de “negociações comerciais” pelo recorrente de seus fornecedores. A análise deve ser enviesada por duas vertentes: (i) pela verdade formal; e (ii) pela verdade material. Para os fins do primeiro viés destacado (i), inicialmente devese transparecer a definição de que os descontos incondicionais são considerados parcelas redutoras do preço de vendas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Em contrapartida, conforme delineado pelo ora recorrente, a bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido ao invés de redução no valor da venda. Desta forma, o valor da bonificação acaba por diminuir o custo unitário de cada produto recebido, de modo que o comprador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto. De fato, as bonificações, por si, não têm quaisquer condicionantes futuras para se materializar, mas devem causar impacto sobre o valor constante na nota fiscal. Com o desconto concedido, a tendência natural é que o montante a desembolsar seja reduzido. Superado este introito conceitual, devese afirmar que caso se mostre inequívoca o reflexo desta redução no valor da nota fiscal e, consequentemente, a contabilidade da entidade represente de forma fidedigna esta operação, não há como negar a caracterização de um desconto incondicional. Nos moldes ora delineados a incidência de IRPJ e CSLL resta comprometida, uma vez que esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. No entanto não há nos autos o elemento conectivo que liga os descontos à compra de mercadorias. O conjunto probatório disposto não apresenta qualquer comprovação Fl. 6523DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 6 9 inequívoca de que as bonificações impactaram no valor de mercadorias compradas e, assim, no custo das mercadorias vendidas. Os destaques nas notas fiscais não foram enxergados, assim como a contabilidade não reflete essa diferença negativa no custo unitário das mercadorias adquiridas. Sob o prisma essencialmente formal, é impossível equiparar tais bonificações a descontos incondicionais. Carecem dos fundamentos mais basilares e essenciais, ou seja, o seu valor não é conhecido através da escrituração comercial, não há como atribuila o caráter de operacional e tampouco respaldase através da escrituração contábil e fiscal, restando infrutífera a tentativa de sua quantificação. Ressaltese, não há nos autos qualquer lastro dos efetivos descontos concedidos, tornando árdua a tarefa de identificálos. O único resquício vislumbrado, a contabilização totalmente equivocada da suposta operação, debitando valores na conta “Banco” e creditando os mesmos valores na conta “Caixa”, evidencia a distorção relevante do fato contábil, trazendo à tona inveracidades acerca da realidade econômica do contribuinte, o que culmina, em última instância, na contaminação da arrecadação fiscal. O cenário não se altera quando alicerçamos a análise sob a imperatividade do princípio da verdade material (ii). Ainda que se repute que o destaque do desconto em nota fiscal é prescindível e que a bonificação perfaz de fato um desconto incondicional, é imprescindível que o impacto deste desconto seja vislumbrado na contabilidade, isto é, que seja reduzido tal valor do CMV (Custo da Mercadoria Vendida) ou mesmo que represente qualquer aumento no resultado. Ora, naturalmente o aumento da quantidade de mercadoria comprada, mantendo o valor desembolsado, representa queda no valor do CMV. Tal operação deve ser registrada em conta redutora do CMV na contabilidade. Ainda que não o seja, deve de alguma forma representar aumento do lucro, uma vez que os custos serão menores. E isso não ocorreu no caso concreto. O CMV se manteve intacto, bem como não fora sentido qualquer impacto no resultado. O recorrente representou tal operação através da movimentação de contas patrimoniais, esmiuçando fato contábil permutativo, vale dizer, sem qualquer impacto no Patrimônio Líquido. O modo como fora representada contabilmente tal operação caracterizou, de fato, patente omissão do contribuinte. A bem da verdade, primeiramente uma omissão quanto aos impactos negativos (em termos quantitativos) no CMV, o que reputoulhe um valor maior do que o realizável. E, posteriormente, quando efetivado o princípio da confrontação entre receitas e despesas, refletindo na desconsideração de receitas que deveriam ser tributadas, trazendo à tona a omissão de receitas exatamente no mesmo montante do valor não reduzido do CMV, relativo à suposta bonificação. A verdade material, neste caso, deve estar em total consonância com o princípio da capacidade contributiva. Ora, se a entidade obteve um desconto significa que não Fl. 6524DF CARF MF 10 terá seu patrimônio tão onerado financeiramente com os respectivos custos e, assim, por consequência lógica, terá maior capacidade para contribuir com a atividade estatal, proporcionalmente a sua condição econômica mais avantajada. Em outras palavras, a redução do CMV representaria um lucro mais dilatado, uma vez mantidas as receitas de venda. Tal signo de riqueza norteia a hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL e a entidade deve contribuir em conformidade com este aumento. A forma como fora construída toda a defesa, somado a defasagem de provas que comprovassem esta operação, evidenciam total afronta ao princípio da capacidade contributiva. Além, a realidade econômica do contribuinte não fora transparecida, de modo que restou prejudicado o financiamento da máquina estatal, ferindo de morte preceitos e diretrizes basilares do pátrio ordenamento jurídico. O modo como foi conduzida a fiscalização, de modo oposto, foi totalmente alicerçado por estes preceitos, a todo o custo buscandose o que realmente ocorreu, atendose a legislação pertinente, instigando o contribuinte a elucidar a verdade e, assim alagando os autos de validade na esfera máxima constitucional. Diante de todo o exposto, qualquer que seja o prisma lançado sob os autos não há como se cogitar a improcedência do lançamento, de modo que voto pela mantença da autuação. Inconstitucionalidade Inúmeros pontos da defesa do contribuinte acabam desaguando na análise da constitucionalidade das leis que regem as respectivas matérias arguidas. O texto legal aponta em sentido claro e evidente para uma direção e o recorrente desafia as suas imposições, atribuindo entendimento contraditório e diverso. É dizer, acatar as alegações do recorrente representaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de alguns dispositivos normativos em plena vigência e eficácia, trazendo a insegurança e instabilidade que comprometem o ordenamento jurídico como um todo. Dentre as questões trazidas pelo recorrente, destaquese, inicialmente, o pleito pela dedutibilidade de CSLL na base de cálculo do IRPJ e da própria contribuição. Ocorre que o art. 1º da Lei nº 9316/96 determina exatamente o contrário, ou seja, valida a indedutibilidade do valor da contribuição da base de cálculo dos aludidos tributos. A dicção legal do referido dispositivo é inequívoca neste sentido: “Art. 1º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. Parágrafo único. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo, registrados como custo ou despesa, deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo.” Fl. 6525DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 7 11 A interpretação literal deste artigo 1º reduz o alcance de todas e quaisquer outras modalidades de interpretação. Lançar outras interpretações que desafiem a letra da lei implicam necessariamente na decretação de inconstitucionalidade do quanto ali contido. Há uma negação explícita no dispositivo. Atribuir uma interpretação sistemática, por exemplo, que negue esta negação, tornandoa uma afirmação positiva, implica vergastar a essência originária e criadora do próprio artigo de lei. O recorrente faz exatamente isso. Mergulha na estrutura semântica da hipótese de incidência e da base de cálculo dos tributos e, procura, através de um olhar abrangente de todo o ordenamento jurídico, dar outra conotação ao artigo supramencionado. Ainda que seja completamente rica esta construção ideológica e a proposta seja de garantir total sincronia à pátria legislação, para que o conjunto legal se conecte de maneira harmônica, não cabe a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) se manifestar acerca da inconstitucionalidade da lei. Qualquer alegação que pugne pela dedutibilidade da CSLL chocase frontalmente com o art. 1º da Lei nº 9316/96 e, portanto, ameaça a constitucionalidade do dispositivo. Do mesmo modo se dá a discussão quanto à incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários. O recorrente pugna por sua inconstitucionalidade uma vez que o pagamento das referidas taxas de juro reside na verificação da impossibilidade de sua utilização como taxa de juros de mora, quando possui natureza remuneratória, não podendo ser utilizada para os fins pretendidos. Ato contínuo, pleiteia a substituição da taxa referencial pelo INPC, índice mais benéfico ao devedor. Ocorre que aqui também a lei impõe assertiva diametralmente oposta ao entendimento exarado pelo recorrente. O art. 13 da lei 9065/95 e o art. 554 do Decreto nº 7212/10 positivam a incidência da taxa Selic sobre os juros de mora, senão vejamos: “Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente.” “Art. 554. Sobre os débitos do imposto, a que se refere o art. 552 incidirão juros de mora calculados à taxa referencial do SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do prazo até o último dia do mês anterior ao do recolhimento e de um por cento no mês de recolhimento” Sob o respaldo da lei se apóia este Conselho, que inclusive já editou Súmula neste sentido: Fl. 6526DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto a este ponto, então, não deve se pronunciar este julgador, restringindose a aplicação do quanto disposto na legislação. Também sob este racional deve ser observada a alegação do recorrente de que a multa incidente teria caráter confiscatório e, ante à nulidade insanável, deveria ser anulado o lançamento. Ora, a aplicação da multa qualificada fora calcada com fundamento no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Os percentuais ali definidos podem atingir patamares exorbitantes, mas são decorrentes de ações ou omissões do contribuinte que deveras comprometem o financiamento do Estado e a própria atuação do Poder Público no sentido de concretizar as diretrizes constitucionais mais básicas. Desafiar tal sistemática e, além, frear de qualquer forma esta contraprestação punitiva significa colocar em xeque a constitucionalidade destes dispositivos legais. De outro modo, invocar a ofensa a princípio de ordem constitucional significa adentrar na validade da norma perante todo o ordenamento jurídico. Acatar tal alegação, por fim, significaria negar o quanto ali disposto e decretar, mais uma vez, a inconstitucionalidade do texto legal. Discordar da aplicabilidade do artigo à concretude do caso é uma coisa (matéria que será analisada em parte imediatamente posterior deste voto). Outra coisa é atingir diretamente o que ali está previsto, sem sequer levarse em conta o caso concreto, no afã de invalidar a plenitude de seus efeitos erga omnes. Esta segunda situação não alcança atuação deste Conselho. Também quanto a este ponto resta silente o presente julgador, trazendo à tona apenas o quanto disposto em leis constitucionalmente válidas. Diante de todo exposto, concluise que não é competência do CARF, como órgão da Administração Pública, se manifestar acerca da inconstitucionalidade da lei, respeitando o princípio da separação dos poderes e garantindo a ordem e organização da autuação estatal. Inclusive há entendimento sumulado e consolidado no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. As alegações do recorrente, portanto, não atingem o lançamento, que resta totalmente procedente até este ponto. Fl. 6527DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 8 13 Multa Qualificada Conforme já adiantado anteriormente a multa fora aplicada nos ditames do art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Entendeu a fiscalização que a conduta do recorrente se deu no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ao não contabilizar como receitas, as verbas/recursos financeiros recebidos de fornecedores. Deste modo restou caracterizada a patente sonegação fiscal, hipótese ensejadora da qualificação da multa, prevista no art. 71 da Lei nº 4502/64. Ressaltese, no entanto, que tal punição deve perpassar a comprovação de um comportamento indubitavelmente doloso por parte do contribuinte. Ainda que de fato o conhecimento do fato gerador tenha sido ofuscado, deve a fiscalização demonstrar de forma cabal e através de provas robustas que esta era realmente a intenção do agente. Ocorre que os autos não trazem um conjunto probatório hábil e idôneo, apto a patentear o dolo na conduta do recorrente. O principal e único fato sob o qual se apoiou a fiscalização para a aplicação da multa fora que no anocalendário de 2009 o sujeito passivo utilizouse de lançamentos anômalos para contabilizar os recursos financeiros recebidos dos fornecedores, creditandose a conta Caixa e debitando a conta Bancos, inclusive, com tal procedimento, constatandose saldos credores na Conta Caixa durante todo o anocalendário 2009. Aditouse o detalhe de que a conduta adotada pelo sujeito passivo de não contabilizar como receitas, os valores recebidos de fornecedores, vinha sendo executada de forma reiterada, tendo sido verificada no procedimento fiscal anterior referente ao anocalendário 2007, e ainda no anocalendário 2010. Fl. 6528DF CARF MF 14 Deste fato duas conclusões são possíveis, sendo que ambas devem ser atingidas por meio de presunções: a primeira, enviesada pela máfé do contribuinte, indicando que a anomalia do fato contábil reflete a intenção dolosa do contribuinte de ocultar a ocorrência do fato gerador (a presunção atingida pela fiscalização); e a segunda, respaldada pela boafé do agente, em que os erros na contabilização são fruto da imperícia, da falta de técnica ou de um simples lapso por parte da entidade. É cediço que a máfé não se presume, ou seja, a mera suposição de que as distorções contábeis seriam fruto de uma premeditada intenção de escapar da tributação não seria suficiente para atestar o dolo do agente. Por outro lado, a boafé pode ser presumida, ou seja, pode o julgador reputar que por mais relevante que seja a distorção, esta não fora realizada partindo de uma conduta dolosa do contribuinte, mas apenas do desconhecimento dos padrões contábeis ordinariamente utilizados. De fato, o equívoco na contabilização das bonificações recebidas fora o único motivo ensejador da aplicação da multa qualificada. Daí, no entanto, até atingirse o dolo, o caminho que se percorre é repleto de subjetividades, ausentes quaisquer objetividades materializadas por meio de provas ou documentos. Há total insegurança jurídica quanto a este ponto nos autos, o conjunto probatório e as alegações contraditórias das partes instalam um cenário de integral dúvida. Não que o caminho oposto também não gere incertezas, mas aqui deve prevalecer o entendimento amplamente defendido por este julgador concernente a aplicação do princípio in dubio pro contribuinte, corolário do princípio da boafé objetiva. Tratase da aplicação do art. 112 do CTN como fundamento expresso da ratio decidendi que versa sobre a desqualificação da multa. Eis a redação do supracitado dispositivo legal: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” A dúvida – seja quanto aos fatos, quanto ao sujeito ou quanto ao conteúdo normativo – resultará sempre em um dilema de subsunção. E desta forma vem sendo encarado o tema no CARF, centrada principalmente na ausência de elementos fáticos autorizadores da multa qualificada e do dolo do agente: “(...) num significativo número de casos, o conteúdo normativo desse enunciado é aplicado sem a identificação expressa do seu fundamento legal no âmbito do direito tributário. Fl. 6529DF CARF MF Processo nº 13116.720927/201418 Acórdão n.º 1201002.096 S1C2T1 Fl. 9 15 Em outras palavras, seu conteúdo teleológico (norma de julgamento que direciona o juiz a decidir em favor do contribuinte no caso de dúvida) não é olvidado nessas situações; uma vez que, em sendo constatada a carência de elementos probatórios que evidenciem o intuito fraudulento, as decisões do CARF são sempre pela desqualificação da multa. (...)” (“Repertório Analítico de Jurisprudência do CARF”, Edição Fundação Getúlio Vargas SP/ Escola de Direito e Editora Max Limonad) Do racional ora declinado, segue a transcrição de ementa do Acórdão nº 2403002.988, de 12 de Março de 2015: MULTA QUALIFICADA. MANUTENÇÃO. Na forma dos incisos I, II e IV do art. 112 do Código Tributário Nacional, interpreta se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Neste sentido, diante da completa dúvida quanto à ocorrência de sonegação e quanto a conduta dolosa do contribuinte, afasto a qualificação da multa, mantendo intacta apenas a multa de ofício em 75%. Creditamento de PIS/Cofins e Exclusão do ICMS Foge da alçada desta turma julgadora, dada a delimitação do lançamento tributário, que restringese a cobrança de IRPJ e CSLL, qualquer manifestação acerca da possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre as mercadorias recebidas em bonificação, até porque não há qualquer efeito deste crédito sobre o montante a pagar concretizado por meio do lançamento. O mesmo raciocínio se aplica ao pleito da recorrente pugnando pela determinação da exclusão do ICMS da receita bruta, considerando, primeiramente, que o recorrente em nenhum momento de seu recurso adentra a matéria e pormenoriza as nuances de seu pedido e, ainda, que não é de competência deste Conselho enfrentar a matéria. Produção de Provas e Perícia A perícia solicitada pelo recorrente é incabível se levado em conta que o objeto da autuação são os tributos incidentes sobre a renda, quais sejam, o IRPJ e a CSLL. Fl. 6530DF CARF MF 16 Veja, o pleito do recorrente é no sentido de apurar e deduzir os valores já retidos à título de substituição tributária. Ora, o eventual atingimento destes valores em nada influi na matéria aqui discutida. Da mesma forma manteriamse intactos os tributos a pagar, o lançamento e o crédito tributário. Tal informação é totalmente prescindível para a resolução da lide. Desta forma voto por negar o pedido de perícia. Já a produção de provas poderia ocorrer a qualquer momento e a cargo do recorrente, sob a égide do consagrado princípio da verdade material. Este poderia ter oportunamente apresentado as provas juntamente com sua impugnação ou até mesmo acostadas ao recurso voluntário. Ocorre que o simples pleito de produção de provas sem a juntada efetiva de documentos capazes de validálo não faz sentido algum. O recorrente simplesmente invoca o seu direito ao contraditório e ampla defesa, mas sequer menciona os documentos que pretende juntar, ou a verdade que intenta elucidar com as inéditas provas. O recorrente teve inúmeras oportunidades de se manifestar e de apresentar quaisquer comprovações que respaldassem suas alegações, no entanto não o fez devidamente e não se mostrou apto a desnaturar o crédito tributário. Em alinho ao exposto voto por indeferir os requerimentos trazidos em sede de recurso voluntário. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, CONCEDERLHE PARCIAL PROVIMENTO, desqualificando a multa de ofício e reclassificandoa para o patamar de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 6531DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.924985/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.555
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 49 85 /2 01 6- 88 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10680.924985/201688 Acórdão n.º 3201003.555 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06058.699, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.924985/201688 Acórdão n.º 3201003.555 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721629/2011-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/09/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. ADIANTAMENTO DE RECURSOS. PRESUNÇÃO.
Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação presume a conduta delituosa, que é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas.
Numero da decisão: 9303-006.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/09/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. ADIANTAMENTO DE RECURSOS. PRESUNÇÃO. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação presume a conduta delituosa, que é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76. Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas.
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PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. ADIANTAMENTO DE RECURSOS. PRESUNÇÃO. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação presume a conduta delituosa, que é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. Descartada hipótese de aplicação do instituto da retroatividade benigna para penalidades distintas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 16 29 /2 01 1- 38 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3403002.649, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/09/2008 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 24/09/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 4 3 Constitui dano ao Erário a importação realizada por conta e ordem de terceiros com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. PRESUNÇÃO LEGAL. RECURSOS FINANCEIROS. A operação de comércio exterior realizada com a utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste para fins de atribuição de responsabilidade solidária.” Insatisfeita, Afil Importação Exportação e Comércio Ltda interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que manteve o crédito tributário referente à conversão em multa do valor aduaneiro das mercadorias DI 08/15049620, trazendo, entre outros, que: · A negociação foi feita diretamente pela AFIL, inexistindo qualquer participação de adquirentes que apenas compraram as mercadorias da importadora no mercado interno, conforme comprovam as Notas de Vendas acostadas aos autos; · Ainda que admita a existência de “adiantamentos”, fato é que eles são apenas a antecipação do pagamento de uma compra no mercado interno; · Tais documentos comprovam que foi a importadora Afil quem negociou diretamente com o exportador e foi responsável por todos os trâmites da importação; · O ônus da prova é de quem acusa e em nenhum momento a fiscalização apresentou qualquer prova de que as mercadorias teriam sido adquiridas no exterior para encomendante já determinada; · Em julgado na DRJ, a DRJ reconheceu em outro processo que a Afil era a real adquirente das mercadorias, haja vista a ausência de provas hábeis a caracterizar a ocorrência de interposição por conta e ordem: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 5 4 · O ônus da prova é de quem acusa e em nenhum momento a fiscalização apresentou qualquer prova de que as mercadorias teriam sido adquiridas no exterior para encomendante já determinada; · Nos presentes autos, a recorrente não sustenta a derrogação do art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/76, mas apenas almeja o reconhecimento de que, na qualidade de importadora que supostamente teria cedido seu nome, a pena aplicável que lhe seria exigida é a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei 11.488/07; · Ainda que se admitisse a prática de “interposição fraudulenta”, o lançamento deve ser julgado improcedente, haja vista que, nesta hipótese, aplicarseia o disposto na Lei 11.488/07 com a aplicação de multa de 10% aquele que supostamente teria “cedido seu nome” para ocultar o real sujeito passivo da obrigação tributária”. Requer, assim, o que segue: · Ausente a comprovação de fraude ou simulação, incumbência a cargo da autuação por se tratar de infração dolosa, não há como admitir aplicação à importadora da penalidade prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76; · A penalidade aplicável para a importadora que supostamente “cedeu seu nome” – sujeito passivo solidário – é a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei 11.488/07. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 6 5 Em Despacho às fls. 380/384, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo em relação às duas divergências suscitadas. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · A recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório, o que não é permitido. Na realidade, ela busca rediscutir as provas sobre a prática de fraude, apresentadas pelo Fisco; · A real adquirente das mercadorias era a empresa SMR, que utilizou a interposta pessoa AFIL para mascarar a operação; · O art. 33 da Lei n.º 11.488/2007 veio estabelecer que a conduta de ceder o nome em operações de comércio exterior para acobertamento dos reais intervenientes será punida com multa de 10% do valor da operação acobertada, restando a partir de então inaplicável, para essa mesma conduta, a pena de inaptidão do CNPJ. A sua significação é inequívoca: entrou em cena a penalidade pecuniária de multa em substituição à sanção tributário administrativa de inaptidão do CNPJ; · A interposição fraudulenta na importação gerava duas penalidades (pena de perdimento e inaptidão do CNPJ) e o art. 33 da Lei n. º 11.488/2007 está, expressamente, alterando apenas uma das penalidades, a inaptidão do CNPJ; · O art. 33 da Lei n. º 11.488/2007 não veio regrar a matéria veiculada no art. 23, V, §§ 1.º e 3.º, do DecretoLei n.º 1.455/76 (pena de perdimento), o que impõe a afirmação de que a nova multa de 10% sobre o valor da operação acobertada não tem a força de substituir a pena de perdimento de mercadoria, ou a multa que lhe é substitutiva, já existente. Em nenhum momento a novel legislação Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 7 6 fez referência à pena de perdimento da mercadoria, que se mantém incólume; · O Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), que regula a administração das atividades aduaneiras, a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior, espancou qualquer dúvida ao estabelecer expressamente a possibilidade da cumulação das penas em apreço, segundo a dicção do seu art. 727, caput, e § 3º. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora. Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que o recurso atende aos pressupostos de admissibilidade na parte já admitida, pois tempestivo e comprovada a divergência suscitada. O que concordo com o Despacho de admissibilidade do recurso em dar seguimento as duas matérias trazidas em recurso, quais sejam: · Necessidade ou não de comprovação de dolo específico de fraude para aplicação da pena prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76; · Aplicação ou não da multa de 100%, ao contrário da multa de 10% prevista no art. 33 da Lei 11.488/07, pela cessão de nome em operações de comércio exterior. Passadas tais considerações, passo a discorrer sobre a 1ª matéria trazida em recurso – qual seja, necessidade ou não de comprovação de dolo específico de fraude para aplicação da pena prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/76, in verbis (Grifos meus):. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 8 7 I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenha sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 404DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 9 8 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Parágrafo único. (Suprimido com a nova Redação da Lei nº 10.637,2002)” Vêse que o art. 23, § 3º, do DecretoLei 1.455/7, traz que se considera dano ao erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Ou seja, resta claro pelo referido dispositivo que para ser efetivamente constituída a infração, devese atestar que no evento houve fraude ou simulação. Caso contrário, não há como se caracterizar o dano. Para atestar, porém, importante lembrar ainda que o § 2º do mesmo artigo traz que “presumese” interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 10 9 Ademais, cabe trazer o art. 81 da Lei 9.430/96 – incluído pela Lei 11.941/09: “Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o Para fins do disposto no § 1o, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior darseá mediante, cumulativamente: (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o No caso de o remetente referido no inciso II do § 2o ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 4o O disposto nos §§ 2o e 3o aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o Poderá também ser declarada inapta a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que não for localizada no endereço informado ao CNPJ, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Fl. 406DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 11 10 Por meio desse dispositivo, vêse que a pessoa jurídica deve comprovar a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior. Caso contrário resta caracterizad a fraude e simulação. Traz ainda o art. 80 da MP 2.15835/01: “Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente.” Sendo assim, podendo a Receita Federal estabelecer requisitos e condições para atuação da pessoa jurídica importadora, houve a publicação das IN SRF 225/02 e da IN SRF 228/02. Tais IN´s trazem, entre outros (Grifos meus): · IN SRF 225/02: “Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 12 11 transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 13 12 apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); II ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros (art. 23, inciso V, do Decreto lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002). Parágrafo único. A aplicação da pena de que trata este artigo não elide a formalização da competente representação para fins penais, relativamente aos responsáveis, nos termos da legislação específica (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 e Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990). Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” · IN SRF 228/02 “Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 14 13 exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. § 2º No caso de importação realizada por conta e ordem de terceiro, conforme disciplinado na legislação específica, o controle de que trata o caput será realizado considerando as operações e a capacidade econômica e financeira do terceiro, adquirente da mercadoria. Art. 4º O procedimento especial será iniciado mediante intimação à empresa para, no prazo de 20 dias: I comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e II comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.” Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966.” Fl. 410DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 15 14 Cabe destacar que a IN SRF 228/02, traz que a prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneira. Depreendese dos dispositivos transcritos acima que para a efetiva caracterização da interposição, podese aplicar a presunção prevista no art. 23, V, § 2º do Decretolei 1.455/76. Não obstante devese verificar se o outro lado seria fragil frente aos documentos trazidos pelo sujeito passivo. Passadas tais considerações, retornando ao caso vertente, importante recordar o evento ora discutido – qual seja, de que, segundo a fiscalização, parte da declaração de importação DI nº 08/15049620 de 24/09/2008, de lentilhas provenientes do Canadá, registrada em nome de AFIL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, CNPJ: 04.293.326/000296, possuía como real adquirente a empresa SMR COMERCIO DE GENEROS ALIMENTICIOS LTDA, CNPJ: 06.215.108/000188. Depreendendose da análise dos autos do processo, concordo com o voto vencido constante do acórdão da DRJ – que peço licença para transcrever parte: “A presunção de interposição pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos, do art. 23, V, § 2º do Decretolei nº 1.455/76, é afastada pois em nenhum momento a fiscalização argüiu ou provou tal condição. O que a fiscalização aventou na fl. 10 do TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO foi a incapacidade dos sócios em relação à operação, e não a incapacidade econômica da empresa, que é o fator de fato relevante a ser verificado na interposição. Logo, restaria à fiscalização provar a interposição através de seus 2 elementos essenciais: O fluxo de recursos e o poder de decisão sobre o negócio. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 16 15 A importação por conta e ordem não recebe esse nome por acaso. A expressão “conta” está relacionada com a origem dos recursos da importação. Assim, o real adquirente é a pessoa jurídica que arca com os custos da importação. A expressão “ordem” determina quem realiza a compra de fato, quem escolhe o bem, negocia o preço e as condições de entrega. Essa é a empresa que deve figurar na fatura comercial, que nada mais é que o instrumento que documenta a compra realizada. Exemplificando: uma importadora que contrata um empréstimo no banco para realização de uma importação por ela negociada, importação em nome próprio, com recursos de terceiros. Seria tal hipótese caso de interposição? Não, pois o banco não determinou o negócio, o banco não fez a compra, o banco não teve qualquer poder de determinar as condições do negócio, ele apenas forneceu os recursos. Logo, não basta o fornecimento dos recursos, tem que haver prova de que o terceiro é o real adquirente dos bens. O valor total da DI era de R$ 145.193,62 (US$ 80.712,45). Observando os autos, percebese pelos documentos de fls. 18 e 19 que houve uma antecipação de pagamento dia 10/06/2008 no valor de R$ 12.030,00 e outra antecipação de pagamento dia 19/06/2008 no valor de R$ 56.955,00. A DI foi registrada em 24/09/2008, fl. 27. O mesmo documento de fls. 18 e 19 indica que no dia 24/10/2008 foi emitida nota fiscal de saída no valor de R$ 69.473,38. Com base unicamente nessas informações, poderíamos supor como a fiscalização, que a empresa SMR antecipou recursos para parte da importação amparada pela DI nº 08/15049620, e que nos termos do art. 5ª da IN SRF 225/2002 estaria caracterizada uma importação por conta e ordem de terceiros: “Art. 5º A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” Fl. 412DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 17 16 Ocorre que tal disposição é uma presunção, e como toda presunção pode ser afastada pelo restante do conjunto probatório do processo. Em primeiro lugar, devemos admitir que o disposto no art. 5º seja aplicável ao caso concreto em que o terceiro adquire apenas parte da mercadoria importada. Em outras palavras, devemos supor que existe mais de um real adquirente, ou seja, a fatura de fl. 33 é falsa, e dois ou mais adquirentes negociaram a compra conjunta das mercadorias importadas e combinaram a importação via AFIL. Alternativamente poderíamos supor que existe um adquirente oculto (SMR) e que a outra parte da carga é de fato uma importação própria da AFIL. Haveria ainda a hipótese de se imaginar que a SMR comprou a totalidade da mercadoria e está pagando a mercadoria de forma parcelada, sendo a AFIL financiadora da operação. Também possível a versão da impugnante AFIL de que apenas recebeu o pagamento antecipado de uma compra no mercado interno (sinal). Todas são situações que podem ter ocorrido de fato. Como saber qual a situação real no caso concreto? Como saber se houve interposição fraudulenta? A resposta é simples: encontrando o segundo elemento que caracterizaria a interposição, a prova de que SMR comprou, negociou, determinou de fato as condições da importação, a prova de que SMR é o importador de fato. Salvo melhor juízo, a alegação feita pela impugnante AFIL de antecipação de pagamentos (sinal) de uma mercadoria perecível, que já estava em vias de importação é de fato uma possibilidade real para afastar a presunção da fiscalização com base no citado art. 5º acima transcrito. O mesmo documento de fls. 18 e 19 é para a impugnante uma prova da venda no mercado interno com pagamento de sinal. Afastada a presunção, resta a prova da interposição. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 18 17 Voltando aos elementos caracterizadores da interposição antes expostos, o caso demanda a prova da negociação. Entendo que faltou ao conjunto probatório exatamente a prova de que AFIL não comprou os bens mas sim SMR. Prova de que a fatura de fl. 32 é falsa. Essa prova poderia surgir pelos mais variados meios. Encontrandose uma fatura indicando SMR como comprador. Encontrandose mensagens da negociação, cartas, emails, contratos, ligando SMR ao exportador no Canada. Encontrandose mensagens de SMR para AFIL com as condições prédeterminadas da importação (mercadoria, preço, INCOTERM, exportador, etc...). Encontrando o acerto financeiro entre SMR e AFIL explicitando que SMR proverá recursos já determinados para o fechamento de câmbio, pagamentos de impostos e demais despesas aduaneiras. Através de depoimentos de funcionários e administradores das pessoas envolvidas. Através de depoimentos dos despachantes aduaneiros. Através de provas obtidas junto ao exportador. Etc. Enfim, tal prova poderia surgir de infinitas formas e permitiria a este juízo efetuar a correta subsunção da realidade à norma tributária. O PAF (Decreto nº 70.235/72), que regula o processo administrativo fiscal, dispõe que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal (art. 10, incisos III e IV), bem como ser instruído com todos os “termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” (art. 9º, caput). É ônus da autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda — no caso presente, provas de que o importador era pessoa interposta. José Eduardo Carreira Alvim, preleciona (Teoria Geral do Processo, 8 ed. rev. ampl. at. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 262): Fl. 414DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 19 18 “A repartição do ônus da prova corre paralela com a repartição do ônus da afirmação (ou contestação) e do pedido, e se inspira num critério de igualdade entre as partes (entendida aquela igualdade no que é compatível com a diferente posição processual das duas partes). Como ao ônus de pedido (ônus da ação e da exceção) se coordena o ônus da afirmação, assim ao ônus da afirmação se coordena o ônus da prova. Quem faz valer a pretensão (o autor) tem o ônus de afirmar os fatos que lhe servem de fundamento: por esta afirmação, tem o ônus da prova da ação (em sentido amplo, compreendendo a pretensão e a ação stricto sensu). Igualmente, quem contesta a pretensão (réu), não se limita a negar a existência dos fatos deduzidos como fundamento dela (negativa pela qual não tem um ônus acessório e conseqüencial da contraprova), tem o ônus de afirmar outros fatos, que, sem excluir a existência deles, elidam a eficácia jurídica originária ou atual dos mesmos: por esta afirmativa tem um ônus próprio e autônomo de prova da exceção (em sentido amplo), ônus sempre subordinado e eventual, em relação àquele do autor, porquanto não entra em jogo senão depois que este foi cumprido.” (grifo meu) [...] Entendo que os elementos trazidos pela fiscalização não são suficientes para a caracterização da infração de interposição fraudulenta, sendo portanto improcedente a multa lançada contra a impugnante. Prejudicados os demais argumentos apresentados pela impugnante em face das conclusões acima. Do todo exposto, voto pela procedência da impugnação. Dessa forma, cancelase integralmente o crédito tributário constituído por este lançamento. ” Concordo, analisando os autos do processo, que não há como comprovar que a recorrente não é a real adquirente das mercadorias, o que., por conseguinte, nem há como se presumir a interposição fraudulenta, vez que: Fl. 415DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 20 19 · A negociação foi feita com a AFIL, sem qualquer participação doas adquirentes; · Os adquirentes somente compraram as mercadorias no mercado interno, conforme notas fiscais acostadas; · Os valores que a recorrente utilizou para fechamento do contrato de câmbio fechado em 20.8.08 referente a DI registrada em 24.9.08 – seriam recursos das vendas das mercadorias no mercado interno que foram pagas antecipadamente. Tratase de dinâmica de mercado observada pelas importadoras; · Os elementos apontados pela fiscalização não são suficientes para a caracterização da infração de interposição fraudulenta; · A recorrente, após intimada, demonstrou todos os fatos e documentos para comprovar que se tratar de importação por conta própria: · Não há a presunção da interposição fraudulenta; · O acórdão recorrido para se negar provimento utilizou a palavra trazida em recurso pela recorrente – qual seja, “ainda que se trate de adiantamento” e considerou que houve adiantamento para se fazer a importação daquelas mercadorias; não obstante, não foi isso que aconteceu, vez que a recorrente estava trazendo que é usual nesse ramo, vender produtos no mercado interno com antecipação de recursos para suprir eventual despesa e estratégia que tenham nas suas importações. Os comerciantes adotam tais práticas. Não há como se comprovar que o recurso dado pela venda das mercadorias no mercado interno equivale efetivamente e seria direcionado efetivamente para fazer a importação de determinadas mercadorias que, por sua vez, seriam entregues para quem “antecipou” o recurso; · A Fiscalização apenas trouxe que os sócios não teriam recursos para suprir as importações feitas pela empresa, mas Fl. 416DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 21 20 em nenhum momento trouxe a situação financeira da empresa. Atento que o capital integralizado não determina a situação financeira da empresa. Em vista de todo o exposto, entendo que assiste razão ao sujeito passivo – cabendo dar provimento ao seu recurso. Quanto à discussão acerca da aplicação da multa de 100% prevista no art. 33 da Lei 11.488/07 pela cessão de nome em operações de comércio exterior, entendo que restou prejudicada essa questão, vez que não houve cessão de nome ou importação por conta e ordem. Apenas importação por conta própria. Sendo assim, considerando meu entendimento em relação à primeira matéria, restou prejudicada a apreciação da segunda discussão. Isto posto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 417DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 22 21 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Peço vênia à i. Relatora do processo para expor as razões pelas quais divirjo da decisão que propunha à solução da lide. Discutese exigência de multa por infração prevista no artigo 689, inciso XXII, § 1º, do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 matriz legal Lei nº 10.637/02. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos Fl. 418DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 23 22 recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Como já tive a oportunidade de expressar em outras oportunidades, entendo que a conduta apenada está identificada no texto legal como de ocultação (i) do sujeito passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive, interposição fraudulenta de terceiros. A não comprovação da origem dos recursos empregados na atividade faz presumir a ocorrência da infração. Quanto a isso, abrese parênteses para esclarecer que o § 6º apenas introduziu uma presunção legal do ato ilícito. Não exsurge dele infração diferente da prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei 1.455/76 (redação do art. 59 do Lei 10.637/02). Em outras palavras, não há que se falar em "interposição presumida" e "interposição comprovada". A infração é uma só, os meios de comprovála são muitos. Importa fazer uma breve digressão histórica sobre o assunto. Antes mesmo que fosse instituída pena específica para interposição fraudulenta de terceiros, os efeitos tributários das operações praticadas nessa modalidade negocial começaram a ser disciplinados. Por força do disposto no art. 77 da Medida Provisória nº 2.15835/01, o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem de terceiro foi revestido da condição de responsável/solidário pelo imposto e pelas infrações praticadas. Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 24 23 Foi também equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. Outrossim, foramlhe aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins próprias do importador. Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Com fundamento no art. 80 da MP nº 2.15835/20011, a Secretaria da Receita Federal definiu requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. A Instrução Normativa 225/022 estabeleceu regras claras e rígidas para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela promovida em nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias importadas. 1 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. 2 "Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...)" Fl. 420DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 25 24 Foi dois meses depois da IN SRF 225/2002 que a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando pena específica para a interposição fraudulenta. Mais tarde, a Lei 10.833/20033 trouxe para o campo de incidência do imposto de importação a mercadoria objeto da pena de perdimento não localizada, consumida ou revendida. Em 20/02/2006, a Lei 11.281/2006 previu nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda4. A Instrução Normativa SRF nº 634/20065 definiu as regras a serem observadas neste tipo de operação. Como se vê, a opção pela importação por conta e ordem ou por encomenda traz relevantes requisitos e consequências: (i) obrigação de informar previamente à RFB a escolha dessa modalidade negocial, (ii) prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; 3 Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) 4 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 5 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Fl. 421DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 26 25 (iii) sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002; (iv) responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; (v) responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; (vi) sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; (vii) sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A toda evidência, se se pretende discutir a imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei, é preciso ficar claro que o debate não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Com base nisso, parecenos sempre despropositada a discussão acerca da qualificação do ato ou da extensão dos efeitos dele decorrentes. O regramento definido para operações com esta formatação deixa nítido a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. E, de fato, há muito as operações "triangulares" no âmbito do comércio exterior afetam decisivamente a condição da fiscalização tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos; assim como na indicação, com segurança, do enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de impostos e contribuições; na definição da base de cálculo desses gravames; na avaliação da pertinência da aplicação de preço de transferência; determinação do valor aduaneiro das transações etc. Pelo menos em tese, há inúmeras vantagens na prática de operações comércio exterior mediante a interposição ilícita de pessoas como: (i) burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; (ii) blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; (iii) quebra da cadeia do IPI; (iv) sonegação de PIS e Cofins relativamente ao real adquirente, (v) lavagem de Fl. 422DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 27 26 dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, (vi) aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Isoladamente, para cada uma dessas situações há normas jurídicas aptas a sancionar o ato ilícito; contudo, o mais das vezes, a demonstração da finalidade pretendida pelo infrator ou mesmo do dano efetivo é improvável ou mesmo impossível, até porque a modalidade negocial de que se trata é particularmente suscetível à orquestração de papeis. Foi por essa razão que as regras de conduta foram definidas com o rigor que se observa. O ponto de partida dessa regulamentação foi a interpretação que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu ao disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 que, como se sabe, especifica como contribuinte do imposto de importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional6. Conforme entendeu (Parecer PGFN CAT 1.316/01), o contribuinte do imposto é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importada, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência, os procedimentos fiscais levados a efeito no âmbito da RFB passaram a indicar, como importador, a pessoa informada como tal nas declarações de importação, mesmo que, na ótica de uns ou de outros, um terceiro fosse quem, verdadeiramente, "promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional". No mesmo esteio, criaramse instrumentos legais capazes de resguardar os interesses do Erário, por meio das equiparações e condições para as operações por conta e ordem e por encomenda. A falta de informação fidedigna, pelo potencial lesivo que representa, foi tratada como infração gravíssima, sujeita à pena de perdimento dos bens, por dano ao Erário. Cumpre mencionar que não há inovação na graduação da pena associada à conduta do agente. A observação das demais hipóteses de infração por dano ao Erário previstas na legislação aduaneira evidencia essa prática. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA 6 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 423DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 28 27 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 29 28 XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como é fácil perceber, grande parte das infrações identificadas como dano ao Erário tem pouca ou nenhuma relação direta com o efetivo prejuízo aos cofres públicos. São infrações de conduta, se não vejamos: mercadoria (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 30 29 O saudoso Ministro Teori Zavascki, quando ainda Ministro do Superior Tribunal de Justiça, proferiu relevante manifestação sobre o tema, em decisão tomada nos autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420): No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. (grifos meus) Percebese na conjugação dos verbos grifados no texto especial atenção ao dano potencial das circunstâncias descritas. Não há menção a prejuízo causado, mas ao risco que a conduta em si representa. Com base em todas as considerações precedentes, concluise que as regras de conduta definidas pelo Poder Público para a atuação de empresa importadora por conta e ordem ou por encomenda e a própria infração por interposição fraudulenta, que as integra, constituem elemento essencial de controle das operações de comércio exterior. Condicionar a imputação de pena à demonstração do efetivo prejuízo ou a demonstração do elemento volitivo subtrarlheia a própria essência instrumental, como meio apto a viabilizar o monitoramento fiscal dos atos praticados pelo particular. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 31 30 No caso concreto, pareceme não existirem dúvidas de que a empresa AFIF, importadora, recebeu recursos sob a forma de adiantamento da SMR, dita adquirente no mercado interno, em valor quase idêntico ao da importação objeto dos autos. A situação está bem resumida no relatório do acórdão recorrido. (...) que a soma dos valores creditados pela SMR como adiantamentos da importação acobertada pela DI 08/15049620 foi de R$ 68.985,80, valor praticamente suficiente para cobrir o valor da nota fiscal de saída emitida pela AFIL que foi de R$ 69.473,38. Os adiantamentos realizados por SMR foram feitos em 10/06/2008 e 19/06/2008, enquanto que a fatura comercial e o BL foram emitidos em 22/06/2008, o contrato de câmbio foi fechado em 20/08/2008 e o registro da DI foi feito em 24/09/2008, quedando patente que a SMR financiou parte da importação acobertada pela DI 08/15049620, sendo um dos reais adquirentes da mercadoria. Quanto a isso, concessa vênia, o argumento de que a recorrente lança mão, alegando que o valor adiantado tratavase, apenas, de um arras, é inverossímil. Não é possível que se admita um arras no valor quase integral da transação. Ainda mais, mesmo que isso fosse admitido, ainda assim estaria caracterizada a importação com um fim predeterminado. A Fiscalização Federal aponta ainda outras evidências. I. A incompatibilidade do volume de importações realizadas pela sociedade (naquela época) US$ 73.216.252,95 para com a capacidade econômica de seus sócios Rafael Fábio de Carvalho e Natali Maria de Carvalho; II. A empresa foi habilitada para operar no comércio exterior em 31/01/2003, apresentando, naquela data, um capital social integralizado de R$ 600.000,00. Entretanto, segundo dados extraídos das Declarações de Imposto de Renda de Pessoa Física DIRPF, os sócios não possuíam, naquela época, condições financeiras para a integralização do referido montante; Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 32 31 III. A AFIL, historicamente, realiza importações por conta própria e remete as mercadorias de forma direta a terceiros; IV. Diligências realizadas pela DRF em Campo Grande MS, onde a AFIL possui filial, demonstram que o barracão de alvenaria de aproximadamente 600 m2 não apresenta condições de armazenagem de mercadorias no montante importado (53.000 toneladas no período de junho a dezembro de 2007), o que demonstra que a mercadoria, depois de liberada, vai diretamente para a empresa real adquirente; A recorrente, em sede de recurso especial, esforçase em desconstituir a presunção de que o adiantamento de recursos faz com que a importação seja considerada por conta e ordem de terceiro. Para tanto, argumenta (i) que não utilizou o dinheiro adiantado pra pagar essa importação específica, (ii) que, em geral, gastou mais no período do que recebeu a título de adiantamento de clientes e (iii) que, como já se disse, tratavase de um arras. A alegação de que o adiantamento do valor quase integral dos recursos empregados na operação tratavase de um arras, como já se disse, não é verossímil. Por outro lado, afirmar que não utilizou o dinheiro adiantado nessa importação específica, é esforço inócuo. Como diz o jargão popular, dinheiro não tem carimbo. Não há maneiras de provar se determinado recurso foi utilizado para esse ou para aquele fim. De resto, o argumento de que teria gasto mais do que recebeu a título de adiantamentos no período não infirma a constatação de que o valor dessa importação específica foi adiantado pelo adquirente. Muito pelo contrário, a toda evidência, foi. E nem se diga que a IN SRF nº 225/02 estabelece que, na importação por conta e ordem, o conhecimento de carga deve estar consignado ao importador e a fatura emitida em nome do adquirente, o que, se não observado, afastaria a presunção de interposição fraudulenta. Por óbvio, a IN determina a maneira correta de agir em operações com esta conformação negocial. O fato disto não ter sido observado, longe está de fazer prova em favor do infrator. Finalmente, no que refere à retroatividade da penalidade instituída pela Lei nº 11.488/07, equivalente a multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 33 32 jurídica que cede o nome, como já tive oportunidade de afirmar em outras oportunidades, entendo que, a toda evidência, essa pena não revogou nem trouxe qualquer consequência para os casos em que é cabível a cominação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação introduzida pela Lei 10.637/02. A intenção do legislador, como me parece claro, jamais foi a de cominar penalidade mais branda a quaisquer das partes que se associam na prática de operação de importação ou exportação com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável. Desde logo, vêse que os bens jurídicos tutelados por uma e por outra medida coercitiva não guardam nenhuma identidade entre si. Embora as duas infrações possam decorrer de um mesmo evento, a multa pela cessão do nome destinase a coibir o uso abusivo da pessoa jurídica, apenando conduta à qual era antes imposta a “pena” de inaptidão do CNPJ, medida que violentava os mais elementares pressupostos da ação estatal de controle da atividade privada, agindo com força desproporcional, ao impedir o particular de exercer sua atividade profissional. Por seu turno, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada destinase a coibir o ingresso de mercadoria estrangeira em situação irregular no território nacional, quando o bem, sujeito à pena de perdimento, escapa ao controle aduaneiro e é internalizado. Não se vislumbra nenhuma razão plausível para que se prestigie a inusitada interpretação de que o legislador, ao instituir a nova penalidade, tivesse a intenção de reduzir a sanção ou redefinir os limites de sua sujeição passiva ou de responsabilidade das partes envolvidas na infração por dano ao Erário. Como é de sabença, as infrações compreendidas nesse conceito são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (artigo 23, § 1º, do DecretoLei 1.455/76). Completamente desarrazoado entender que, especifica e exclusivamente nos casos em que o dano ao Erário esteja associado à interposição fraudulenta de terceiros, a multa aplicável pela conversão da pena de perdimento deixe de ser equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias para converterse em inexpressivos dez por cento do valor da operação. Fosse essa a intenção do legislador e a primeira e obrigatória medida haveria de ser a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este conceito está associada a ideia de penalidade gravíssima, cuja sanção é o perdimento das mercadorias. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 34 33 No que se refere à sujeição passiva/responsabilidade pela infração, é de se perguntar: se o objetivo da legislação novel fosse, de fato, excluir a responsabilidade do importador pela infração de interposição fraudulenta, não seria suficiente que o texto da lei assim determinasse, de maneira clara e expressa? Por que supor que o legislador, nesse intento, escolheria meios tão transversais, criando uma nova multa, e sem fazer nenhuma ressalva às responsabilidades decorrentes da outra? Mas, até aqui, tratamse, apenas, de abstrações com razoável conteúdo subjetivo. O que investe a questão posta em contornos de caráter definitivo são as disposições normativas que regulamentam a matéria. Inicio pelo art. 33 da Lei 11.488/2007. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos acrescidos) O Regulamento Aduaneiro hoje vigente assim dispõe a respeito do assunto – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) Fl. 430DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 35 34 § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. É de clareza singular. A Lei trata do efeito imediato da aplicação da multa, qual seja, afastar a declaração de inaptidão da pessoa jurídica (art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A meu ver, já seria suficiente, uma vez que apenas essa consequência foi prevista para os casos de imposição da multa por cessão de nome. Mas o Decreto deu o passo seguinte. O parágrafo 3º do art. 727 confirma com todas as letras o entendimento de que a imposição de multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas7, afastando qualquer possibilidade de que prospere a interpretação de que aquela retroaja na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional. E orientam no mesmo sentido as demais disposições infralegais acerca do assunto. Até a promulgação da Lei nº 11.488/2007, a cessão do nome para o acobertamento do real beneficiário da operação trazia como consequência (i) a pena de perdimento da mercadoria ou conversão em multa e (ii) proposição de inaptidão do CNPJ (IN SRF 568/2005). O artigo 348, inciso III, da IN SRF 568/2005 dispunha sobre a inaptidão da 7 A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, de 11 de julho de 2007, também não destoa desse entendimento. Orienta pela aplicação cumulativa das duas penas nos casos em que constatada o que denomina interposição fraudulenta comprovada. "Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007." 8 Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 36 35 inscrição do CNPJ de entidade considerada inexistente de fato. O artigo 419, inciso III, considerava inexistente de fato a pessoa jurídica que "tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;". Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, foi publicada a IN RFB nº 748/2007, revogando a IN RFB 568/2005. O artigo 41 da nova IN suprimiu a hipótese de cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior, como causa de declaração da inexistência de fato da PJ. Ou seja, também os atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal confirmam que a penalidade prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi introduzida no ordenamento jurídico com propósito substituir a declaração de inaptidão pelo simples ato de ceder o nome. Todas as premissas até aqui adotadas e as conclusões a que remetem são, ainda, reforçadas pelo Parecer de encaminhamento do projeto de lei de Conversão da MP nº 351/2007 na Lei nº 11.488/2007, com a seguinte observação: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. 9 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 37 36 no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.” A derradeira conclusão é a de que o ato de ceder o nome com vistas ao acobertamento do real beneficiário acarreta duas infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos: o próprio erário e o controle aduaneiro como um todo, e a integridade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Enquanto o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 resguarda a higidez do CNPJ, coibindo seu uso indevido, em substituição da declaração de inaptidão, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 protege o Erário e o próprio controle aduaneiro. Finalmente, descartase a hipótese de violação do princípio non bisinidem. As disposições legais de que aqui tratamos foram, desde o início, concebidas à luz da interpretação dada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional às abstrações normativas presentes na legislação tributária que regulamenta as operações de comércio exterior. Foi com base no Parecer PGFN CAT 1.316/01 que forjaramse os instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas nas atividades irregulares, principalmente, o proprietário das mercadorias importadas de forma irregular. Como se sabe, o artigo 31 do DecretoLei nº 37/66, considera contribuinte do Imposto de Importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional10. Um dos pontos de partida de todo empreendimento que deu origem às alterações na legislação havidas ao longo do ano de 2001 foi a interpretação veiculada no Parecer PGFN CAT 1.316/01, segundo a qual o contribuinte do Imposto de Importação é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importada, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência da manifestação do Órgão, as autuações da Fiscalização Federal passaram, obrigatoriamente, a indicar, como importador, a pessoa informada com tal nas declarações de importação, mesmo que um terceiro fosse quem, verdadeiramente, promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional. 10 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 433DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 38 37 Por conta disso, nos casos de infração por interposição fraudulenta, o sujeito passivo da obrigação principal anotado no auto de infração será sempre a pessoa que registrou a declaração de importação, embora, o mais das vezes, pretendase alcançar o verdadeiro proprietário das mercadorias, que, por força da legislação superveniente ao Parecer supra citado, figura como solidário pelo imposto e, em regra geral, também pelas infrações cometidas. Portanto, ainda que pareçam duas penalidades decorrentes de um mesmo evento e exigidas de uma mesma pessoa jurídica, tratamse, na verdade, de uma multa (10%) destinada a apenar o importador e de outra (100%) destinada àquele que, informalmente, se costuma chamar o "verdadeiro importador", identificado nas disposições legais como sendo o adquirente por conta e ordem ou encomendante das mercadorias. Em decisão recente, datada de 21 de março de 2017, acórdão nº 9303 004.714, da relatoria da i. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, este Colegiado firmou entendimento de que não se aplica à hipótese a retroatividade benigna. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/08/2006 a 20/03/2007 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E O PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 11128.721629/201138 Acórdão n.º 9303006.509 CSRFT3 Fl. 39 38 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 435DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.101108/2007-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO.
Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-006.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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RESTITUIÇÃO. Recorrente HG INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 11 08 /2 00 7- 65 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11065.101108/200765 Acórdão n.º 9303006.598 CSRFT3 Fl. 338 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte HG INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA (fls. 125 a 329) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340200.949 (fls. 113 a 124) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 10/12/2010, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE DE ADOÇÃO. Nos termos do , §4º do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa dos Conselhos de Contribuintes por ele substituídos. NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA Nº 02. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". NORMAS TRIBUTÁRIAS. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE SALDO CREDOR DE ICMS. Por expressa disposição legal (art. 16 da Lei 11.945/2009) a cessão onerosa de crédito de ICMS decorrente de Fl. 338DF CARF MF Processo nº 11065.101108/200765 Acórdão n.º 9303006.598 CSRFT3 Fl. 339 3 exportações, autorizada pelo art. 25 da Lei Complementar 87/96, configura receita que deve ser incluída pelo detentor original do crédito na base de cálculo da contribuição devida na forma nãocumulativa até 31 de dezembro de 2008. A Recorrente alega divergência com relação à incidência da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo sobre as receitas decorrentes das transferências de créditos de ICMS a terceiros. Para comprovar o dissenso, trouxe como paradigmas decisões do antigo Conselho de Contribuintes, CARF e CSRF acórdãos 20312.274, 20403.556, 20312.276, 380100.430, 380300.348, 340300.143 e CSRF/0202.768, arregimentando como prioritários os de nºs 20403.556, 340300.143 e CSRF/0202.768. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho nº 3400 00.497, de 13/11/2013 (fls. 331 a 332), proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional deixou de apresentar contrarrazões (fl. 334). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia cingese à não inclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep e COFINS nãocumulativos. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11065.101108/200765 Acórdão n.º 9303006.598 CSRFT3 Fl. 340 4 A matéria restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, pela sistemática da repercussão geral, consoante art. 543B da Lei nº 5.869/1973 Código de Processo Civil vigente à época do julgado, declarando a inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos, dos valores de créditos de ICMS oriundos de exportação cedidos onerosamente a terceiros. O acórdão de relatoria da Ministra Rosa Weber recebeu a seguinte ementa: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11065.101108/200765 Acórdão n.º 9303006.598 CSRFT3 Fl. 341 5 recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recurso no âmbito do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11065.101108/200765 Acórdão n.º 9303006.598 CSRFT3 Fl. 342 6 c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001306/2004-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. CORREÇÃO.
Acolhem-se os embargos de declaração quando contraditórios os fundamentos do voto condutor e a motivação de glosas do lançamento de ofício. Caracteriza-se obscuridade a referência a documento com conteúdo diverso do fundamento do voto.
Numero da decisão: 2401-005.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a contradição e obscuridade apontadas, alterar a redação de trechos do voto e o dispositivo do acórdão para: "ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ricardo Paulo Rosa que negavam provimento".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. CORREÇÃO. Acolhemse os embargos de declaração quando contraditórios os fundamentos do voto condutor e a motivação de glosas do lançamento de ofício. Caracterizase obscuridade a referência a documento com conteúdo diverso do fundamento do voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 13 06 /2 00 4- 86 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10670.001306/200486 Acórdão n.º 2401005.434 S2C4T1 Fl. 282 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a contradição e obscuridade apontadas, alterar a redação de trechos do voto e o dispositivo do acórdão para: "ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ricardo Paulo Rosa que negavam provimento". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10670.001306/200486 Acórdão n.º 2401005.434 S2C4T1 Fl. 283 3 Relatório Cuidase de embargos de declaração em face do Acórdão 30239.369 da 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 261/271), cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL E INTERESSE ECOLÓGICO PARA A PROTEÇÃO DOS ECOSSISTEMAS. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, em tempo hábil. VERDADE MATERIAL. À luz dos documentos acostados aos autos não há como deixar de reconhecer a existência da ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Às fls. 279/280, consta despacho de admissibilidade dos embargos, nos seguintes termos: [...] De fato, estão presentes a contradição e a obscuridade indicadas. O lançamento não envolveu a glosa de área de preservação permanente, mas sim de área de utilização limitada. Assim, é contraditório o voto quando decide pelo restabelecimento da exclusão da área de utilização limitada e pela manutenção da glosa sobre a área de preservação permanente. Do mesmo modo, o voto afirma que se acatou a pretensão do recorrente de se aceitar o grau de utilização de 100% em virtude do estado de calamidade pública atestado por Decreto do Estado de Minas Gerais, apontando para a fl. 172 do processo. Entretanto, não se encontra essa informação na referida folha. Ao contrário, ali está o início da tabela de cálculo do imposto devido, que admite um grau de utilização de 30,7%. Diante do exposto, ACOLHO os embargos de declaração. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10670.001306/200486 Acórdão n.º 2401005.434 S2C4T1 Fl. 284 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Os presentes aclaratórios devem ser recepcionados no sentido de que sejam sanadas a contradição e a obscuridade apontadas no voto condutor do Acórdão nº 30239.369 da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, datado de 24 de abril de 2008. Diz a relatora no referido acórdão (fls. 271): "Vemos que resta para apreciação deste colegiado a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal, cujos respectivos atos declaratórios e averbações foram realizados a destempo". (grifo nosso) E mais ainda (fls. 271) que: "Comprovou ainda que há Decreto do Estado de Minas Gerais atestando o estado de calamidade pública que afetou a região onde está localizado o imóvel, o que implica aceitação de 100% como grau de utilização do imóvel, ainda que esta matéria já não esteja em julgamento posto que já foi acatada a pretensão do recorrente, conforme vemos nas fl. 172". (grifo nosso) São esses, portanto, os pontos, conforme destacados, que motivaram os embargos de declaração da representante da PFN. Primeiramente, em relação a área de preservação permanente, observase a seguinte fundamentação do Auto de Infração, conforme fls. 6 e 8. 001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO ITR/2001, em anexo, proveniente de glosas efetuadas na DITR/2001 de n° 06.37593.2900 ref ao imóvel registrado na Secretaria da Receita Federal sob o n° 3.204.3503. Foram glosados: As áreas de utilização limitada Art. 10, § 4° da IN/SRF 43/97, com redação dada pelo art. 1°, II da IN/SRF 67/97; Pastagem Art. 10 § 1°, inc. V, alínea b e § j ° da Lei 9.393/96, Art. 16, II, da IN/SRF 43/97, com redação dada pela IN/SRF 67/97; Valor VTN Art. 8°, § 2°, art. 10, § 1°, inc. I da lei 9.393/96; Valor das Benfeitorias, culturas, pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas Art. 10, inc. I da Lei 9.393/96; Grau de utilização Art. 10, § 1°, inc. VI da Lei 9.393/96; Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10670.001306/200486 Acórdão n.º 2401005.434 S2C4T1 Fl. 285 5 Valor do VTN tributável Art. 10, § 1° inc.III da Lei 9.393/96; Aliquota e cálculo do valor do imposto Art. 11, e anexo da Lei 9.393/96; Consoante acima, percebese que no lançamento não se tratou de glosa da área de preservação permanente, e, na realidade, somente ocorreu glosa da área de utilização limitada que em sede de recurso foi posteriormente restabelecida. Neste sentido, entendo que deve ser sanada a contradição no acórdão embargado para: 1) Na parte do dispositivo. Onde se lê : "ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim que davam provimento somente em relação a área de preservação permanente e Ricardo Paulo Rosa que negava provimento". Leiase : "ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ricardo Paulo Rosa que negavam provimento negava provimento". 2) no Voto. Onde se lê (fls 271): "Em homenagem ao Princípio da Verdade Material, e especialmente tendo em vista a existência de Decreto do Estado de Minas Gerais constatando a existência de calamidade pública que afetou a região, voto no sentido de restabelecer a área de utilização limitada declarada na DITR 2001, mantendo a glosa sobre a área de preservação permanente, por falta de ADA, obrigatório a partir de 2001, pelos efeitos da Lei 10.165, de 2000". Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10670.001306/200486 Acórdão n.º 2401005.434 S2C4T1 Fl. 286 6 Leiase: "Em homenagem ao Princípio da Verdade Material, e especialmente tendo em vista a existência de Decreto do Estado de Minas Gerais constatando a existência de calamidade pública que afetou a região, voto no sentido de restabelecer a área de utilização limitada declarada na DITR 2001." Quanto à obscuridade, alega a embargante que o acórdão incorreu em erro quando, ao citar o Decreto do Estado de Minas Gerais com o estado de calamidade pública, apontou o documentos de fls. 172. De fato, às 172 (numeração eprocesso) e 172 (numeração original), constam os fundamentos do voto do colegiado de 1ª instância. É certo que em outras folhas dos autos constam anexados Decretos do Estado de Minas Gerais bem assim Decretos e Portarias da União, reconhecendo o estado de calamidade pública. A exemplos dos documentos às fls. 203, 205, 206, 207, 250, 252, 254, 257. Portanto, entendo que os fundamentos do voto condutor devem ser modificados para sanar essa obscuridade, da seguinte forma: Onde se lê (fls. 271): "Comprovou ainda que há Decreto do Estado de Minas Gerais atestando o estado de calamidade pública que afetou a região onde está localizado o imóvel, o que implica aceitação de 100% como grau de utilização do imóvel, ainda que esta matéria já não esteja em julgamento posto que já foi acatada a pretensão do recorrente, conforme vemos nas fl. 172". Leiase: "Comprovou ainda que há Decreto do Estado de Minas Gerais atestando o estado de calamidade pública que afetou a região onde está localizado o imóvel, o que implica aceitação de 100% como grau de utilização do imóvel, ainda que esta matéria já não esteja em julgamento posto que já foi acatada a pretensão do recorrente". Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, a fim de que sejam sanadas a contradição e a obscuridade, nos termos dos fundamentos do voto. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900787/2008-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO.
O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
Numero da decisão: 9303-006.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Portaria 343/2015 e alterações.
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TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 87 /2 00 8- 91 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3803002.803, de 25 de abril de 2012 (efolhas 72 e segs), que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, situação que corresponde, inclusive, a pagamento efetuado fora do vencimento e dentro do prazo da apresentação da DCTF. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 4 3 A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 82 e segs) referese à exigência de multa de mora no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos a destempo sem prévia declaração em DCTF. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 98 e segs. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 102 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. A matéria em litígio não é novidade para este Colegiado. Pelo menos por meio dos acórdãos nºs 9303004.191, 9303003.489, 9303003.490, 9303003.364, 9303 003.220, 9303003.203 , 9303003.202, o assunto foi discutido e decidido no mérito. Como é de sabença, o Superior Tribunal de Justiça, na pessoa do então Ministro Teori Albino Zavascki, decidiu, nos autos do processo nº 2007/01428689, sobre a aplicação do instituto da denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação previamente declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, nos seguintes termos. EMENTA 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 5 4 por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. (REsp 962379 RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) Mais tarde, no REsp 1149022, da relatoria do Ministro Luiz Fux, ficou consignado o entendimento de que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do tributos sujeito a lançamento por homologação, acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a declaração. A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. Noutro giro, é translúcido o entendimento de que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte (item 7 da ementa a seguir transcrita). EMENTA 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 6 5 Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 7 6 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. (REsp 1149022 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de Repercussão Geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. Em acréscimo, destacase que, por força do disposto no art. 21 da Lei nº 12.844/2013, que deu nova redação ao art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, com base nas disposições do art. 2º, inciso VII, da Portaria PGFN Nº 502/2016, especifica em seu site uma relação de temas que não devem mais ser objeto de recurso. Dentre eles está elencado a denúncia espontânea, nos seguintes termos. 1.13 Denúncia espontânea a) Declaração parcial Diferença a maior Multa moratória REsp 1.149.022/SP (tema nº 385 de recursos repetitivos) Resumo: (i) A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente; e (ii) A denúncia espontânea exclui a multa moratória. Vide Atos Declaratórios nº 08/2011 e nº 04/2011. Ressaltase que ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ entendem, de maneira pacífica, que, ainda que se trate de tributo sujeito a lançamento por homologação, se o Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 8 7 crédito não foi previamente declarado pelo contribuinte, mas foi pago, podese configurar a denúncia espontânea, desde que ocorram as demais hipóteses do art. 138 do CTN (REsp 1155146/AM, AgRg nos EDcl no Ag 1009777/SP, AgRg no REsp 1046285/MG e AgRg no REsp 1046285/MG). Todavia, isso não afasta a tese firmada no tema nº 61 de recursos repetitivos (REsp's nº 962.379/RS e nº 886.462/RS), no sentido de que "Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral". Vide, ainda, a Súmula 360/STJ. I (grifos meus) Neste mesmo sentido, recente decisão tomada por meio do acórdão nº 9303 004.431, de 07 de dezembro de 2016, da relatoria do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/12/2003 a 31/07/2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 CTN. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. POSSIBILIDADE. A denúncia espontânea, em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo fiscal visando sua exigência. No caso concreto, é incontroverso que o pagamento do contribuinte não foi precedido de declaração, razão pela qual não está sujeito à incidência de multa moratória. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10950.900787/200891 Acórdão n.º 9303006.586 CSRFT3 Fl. 9 8 Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720086/2007-57
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.
Numero da decisão: 9303-006.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 421 a 426), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional contra o Acórdão 330101.315, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 413 a 419), sob a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 00 86 /2 00 7- 57 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10768.720086/200757 Acórdão n.º 9303006.525 CSRFT3 Fl. 472 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, ou qualquer outra medida judicial proposta pelo sindicato da categoria econômica, por substituição processual, não se encontra entre as hipóteses previstas em que deva ser reconhecida a renúncia à esfera administrativa, prevista no art. 1º, § 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979 e art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e art. 78, § 1º do Anexo II, do RICARF. Recurso Parcialmente Provido. No seu recurso, ao qual foi dado seguimento (fls. 434 a 436), a PGFN defende que não só as ações individuais, mas também as coletivas (como as propostas pelos sindicatos da categoria à qual pertence a interessada), geram concomitância, que importa renúncia às instâncias administrativas, a teor da Súmula CARF nº 1. Apresenta dois acórdãos paradigmas, sendo que transcrevo a ementa do primeiro (nº 30130.881, de 07/11/2003, do 3º Conselho de Contribuintes): PROCESSUAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. FEDERAÇÃO A QUE PERTENCE O AUTUADO. A fundamentação da defesa em decisão judicial prolatada em Mandado de Segurança Coletivo, impetrado por Sindicato a que está filiada, implica opção pela via judicial e renúncia à via administrativa, e impede o conhecimento do recurso. RECURSO NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 459 a 468), nas quais, inicialmente, pugna pelo não conhecimento do Recurso Especial, alegando, “Em apertada síntese”, que “a divergência jurisprudencial apontada NÃO foi devidamente comprovada e as situações descritas nos arestos não se amoldam perfeitamente à hipótese descrita nos autos”. No mérito, utilizandose da Constituição Federal, do Código de Processo Civil, de citações doutrinárias e até mesmo do Parecer Normativo Cosit nº 07/2014 (que trata da concomitância no âmbito do contencioso administrativo), conclui que “Por óbvio, o procedimento administrativo em tela e o Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo SINDICON não possuem identidade de partes ... não podendo, portanto, falar em concomitância ...”, pelo que o acórdão recorrido “não merece qualquer reparo, já que embasado na melhor doutrina e jurisprudência do Egrégio CARF, tendo ainda sólida fundamentação legal e constitucional ...”. É o Relatório. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10768.720086/200757 Acórdão n.º 9303006.525 CSRFT3 Fl. 473 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fiz questão de transcrever a ementa do primeiro acórdão paradigma trazido pela PGFN para demonstrar que o contribuinte absolutamente não tem razão ao dizer que não ficou demonstrada a divergência. A simples leitura das ementas dos acórdãos recorrido e paradigma deixa claríssima a interpretação diametralmente oposta para a mesma situação fática, até mesmo para quem não é familiarizado com o assunto, pelo que conheço do Recurso Especial. No mérito, esta questão está mais que pacificada no CARF, inclusive nesta mesma Turma da CSRF, o que retrato transcrevendo as ementas de um recente acórdão (em processo do mesmo contribuinte) da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF – à época presidida pelo ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, e de mais dois deste Colegiado: Acórdão nº: 3402004.614, de 26/09/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão nº: 9303005.189, de 18/05/2017 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão nº: 9303005.472, de 27/07/2017 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10768.720086/200757 Acórdão n.º 9303006.525 CSRFT3 Fl. 474 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Utilizome do voto condutor do douto Conselheiro Relator do acórdão cuja ementa foi por último transcrita, para consignar aqui não só a jurisprudência, mas também os argumentos com os quais comungo: “... a impetração de mandado de segurança coletivo não induz litispendência, de modo que, além de não obstar a entidade sindicalizada a ajuizar uma ação individual, também não a transforma em parte autora da ação coletiva. Hoje, esse entendimento, que era jurisprudencial, encontrase encartado na própria Lei nº 12.016, de 7/8/2009, que disciplina o Mandado de Segurança Individual e Coletivo. Confirase: Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva.” À vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13011.001132/2009-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece do recurso apresentado por preclusão processual na fase de impugnação, em análise preliminar de tempestividade.
MÉRITO NÃO EXAMINADO POR INTEMPESTIVIDADE. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
Numero da decisão: 2001-000.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso apresentado por preclusão processual na fase de impugnação, em análise preliminar de tempestividade. MÉRITO NÃO EXAMINADO POR INTEMPESTIVIDADE. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece do recurso apresentado por preclusão processual na fase de impugnação, em análise preliminar de tempestividade. MÉRITO NÃO EXAMINADO POR INTEMPESTIVIDADE. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira – Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 1. 00 11 32 /2 00 9- 18 Fl. 65DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Jose Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pela Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. Contudo, ocorreu preclusão processual. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 1.043,35, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2004, já considerada restituição feita no valor de R$ 2.212,36. O fundamento básico do lançamento, conforme consta do processo, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada e na situação temporal antecedente a utilização do benefício fiscal da isenção. Ocorre que a falta de apresentação da impugnação no prazo legal de 30 dias da comunicação do Lançamento constituiuse em elemento fundamental para não apreciação de mérito da lide. A constituição do acórdão recorrido aborda tão somente a questão da intempestividade na apresentação da defesa, não examinando o mérito da questão, nos seguintes termos: (...) Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 17/11/2008, a Notificação de Lançamento de fls. 23 a 27, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercício 2005, ano calendário 2004, que resultou em crédito total apurado no valor de R$ 2.327,50, sendo R$ 1.043,35 de IRPF Suplementar, R$ 782,51 de multa de ofício e R$ 501,64 de juros de mora (calculados até 11/2008). O não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos motivou o lançamento de ofício (fls .24 e 25): 1) Da dedução indevida de Previdência Oficial, no valor de R$ 3.794,02; e, 2) Da omissão de rendimentos, no valor de R$ 59.376,02, pagos pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais, CNPJ 17.217.332/000125. (...) A inventariante da contribuinte suscita, em preliminar, a tempestividade de sua peça impugnatória, alegando que foi indevidamente cientificada do lançamento por edital, tendo em vista que possuem, ela e a contribuinte, endereço fixo. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13011.001132/200918 Acórdão n.º 2001000.355 S2C0T1 Fl. 66 3 Assim, cabe analisar se a ciência do lançamento foi regular e se a impugnação foi, ou não, apresentada dentro do prazo legal, previsto no art. 15, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que assim estabeleceu: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) No presente caso a exigência fiscal foi encaminhada (fl. 37), em 14/11/2008, para Rua Coronel Jacinto nº 3839, apto 201 – Centro – Machado/MG. Tendo sido devolvida em 02/12/2008 para a Repartição Fazendária com a informação de“Devolvido – Ausente”. Da análise do sistema de cadastro da RFB, concluise que o endereço acima transcrito era o constante daquele cadastro à época do encaminhamento, via postal, da Notificação de Lançamento (fls. 42 a 44), tendo em vista que consta do cadastro desde, pelo menos, julho de 2005, data do processamento da DAA, exercício 2005, ano calendário 2004, até a presente data. É certo ainda, que apenas não logrando êxito em uma das formas de intimação preconizadas nos incisos I, II e III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, no caso foi utilizada a via postal (inciso II), a autoridade tributária, em cumprimento ao disposto no § 1º, caput, do mesmo dispositivo legal, pode utilizar o edital como instrumento para intimação do contribuinte, conforme novamente se transcreve: § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). Melhor dizendo, para a adoção da intimação por edital, basta que reste improfícuo um dos meios de intimação previstos na legislação de regência sobre a matéria. Assim, no caso em questão, a ciência do lançamento foi feita por edital, posto que tentativas de intimálo no domicílio por ele eleito, e constantes dos sistemas da RFB, não obtiveram êxito. Portanto, em 27/02/2009, foi publicado edital (fls. 38 e 39) intimando o contribuinte a efetuar o pagamento ou apresentar impugnação até 30 dias após a ciência do lançamento. Tendo esta, ocorrido em 14/03/2009 (15 dias após a publicação do edital), a impugnação deveria ter sido apresentada até 15/04/2009. (...) O que se pode concluir do artigo citado do Decreto no 70.235/1972 é que o prazo para a reclamação administrativa é fatal e peremptório, e, sendo assim, no presente caso, não há hesitação em se afirmar de que a impugnação se deu a destempo, visto que apresentada em 09/10/2009. Fl. 67DF CARF MF 4 (...) Isso quer dizer que quando não for superada a preliminar de tempestividade argüida ocorre preclusão processual, ficando impedido o julgador de apreciar as razões de mérito e de conhecer os documentos de defesa. Destarte, por não existirem irregularidades na intimação ao sujeito passivo e por ser a impugnação apresentada intempestiva, encaminho o voto no sentido de NÃO TOMAR CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO da Notificação de Lançamento de fls. 23 a 27. Ao final, conclui a decisão de piso pelo não conhecimento da impugnação para manter o crédito tributário na forma do Lançamento. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13011.001132/200918 Acórdão n.º 2001000.355 S2C0T1 Fl. 67 5 (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 69DF CARF MF 6 O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal e 30 (trinta) dias para interposição da impugnação já havia transcorrido na data em que foi protocolada a entrega da defesa em primeiro grau administrativo. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindose o do vencimento. Também é de considerar que os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo, no prazo máximo de 30 dias da notificação. De acordo com o art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de impugnação é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acontecido em relação ao trâmite regular da notificação do Lançamento que aconteceu em 27/02/2009, por edital (fls. 38 e 39), e a inventariante somente apresentou impugnação em 08/10/2009. Assim, como a impugnação foi apresentada a destempo não houve julgamento de mérito em primeira instância, salvo para apreciar preliminarmente e tão somente a questão da intempestividade. Desta forma, descabe o julgamento de mérito nesta fase processual, por descumprimento de regra fundamental por parte da Contribuinte, e por ausência de manifestação quanto ao mérito no julgamento de piso, o que torna inócuo o Recurso Voluntário, sob pena de supressão de instância. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade na fase de impugnação, nos termos do Acórdão vergastado. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.735559/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
AUTO DE INFRAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DILIGÊNCIA. PERDA DE OBJETO. AJUSTES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL E DIPJ RETIFICADORA.
Perde o objeto de autuação todo auto de infração cuja fundamentação legal, comprovada por meio de diligência, não se demonstre mais coadunada com a realidade dos fatos fiscalizados, principalmente quando os ajustes necessários na escrituração contábil e fiscal do contribuinte, bem como com a retificação de sua DIPJ não implicam em fundamento para autuação.
PRECLUSÃO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DURANTE O TRÂMITE PROCESSUAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
Pelo princípio da busca da verdade material, podem ser juntados documentos no curso do processo, inclusive após a apresentação de impugnação, principalmente quando não se configura prejuízo algum a nenhuma das partes, não sendo, portanto, aplicável o instituto da preclusão. Tanto a Fazenda Pública quanto o Contribuinte têm interesse na legalidade do ato.
Numero da decisão: 1402-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (presidente), Julio Lima Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Evandro Correa Dias. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DILIGÊNCIA. PERDA DE OBJETO. AJUSTES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL E DIPJ RETIFICADORA. Perde o objeto de autuação todo auto de infração cuja fundamentação legal, comprovada por meio de diligência, não se demonstre mais coadunada com a realidade dos fatos fiscalizados, principalmente quando os ajustes necessários na escrituração contábil e fiscal do contribuinte, bem como com a retificação de sua DIPJ não implicam em fundamento para autuação. PRECLUSÃO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DURANTE O TRÂMITE PROCESSUAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Pelo princípio da busca da verdade material, podem ser juntados documentos no curso do processo, inclusive após a apresentação de impugnação, principalmente quando não se configura prejuízo algum a nenhuma das partes, não sendo, portanto, aplicável o instituto da preclusão. Tanto a Fazenda Pública quanto o Contribuinte têm interesse na legalidade do ato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (presidente), Julio Lima Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Evandro Correa Dias. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2.445 1 2.444 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.735559/201226 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.960 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2018 Matéria IRPJ RECOLHIMENTO A MENOR Recorrente BRASTURINVEST INVESTIMENTOS TURÍSTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. DILIGÊNCIA. PERDA DE OBJETO. AJUSTES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL E DIPJ RETIFICADORA. Perde o objeto de autuação todo auto de infração cuja fundamentação legal, comprovada por meio de diligência, não se demonstre mais coadunada com a realidade dos fatos fiscalizados, principalmente quando os ajustes necessários na escrituração contábil e fiscal do contribuinte, bem como com a retificação de sua DIPJ não implicam em fundamento para autuação. PRECLUSÃO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DURANTE O TRÂMITE PROCESSUAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA BUSCA DA VERDADE MATERIAL. Pelo princípio da busca da verdade material, podem ser juntados documentos no curso do processo, inclusive após a apresentação de impugnação, principalmente quando não se configura prejuízo algum a nenhuma das partes, não sendo, portanto, aplicável o instituto da preclusão. Tanto a Fazenda Pública quanto o Contribuinte têm interesse na legalidade do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 55 59 /2 01 2- 26 Fl. 2445DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (presidente), Julio Lima Souza Martins, Caio Cesar Nader Quintella, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Evandro Correa Dias. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 12448.735559/201226 Acórdão n.º 1402002.960 S1C4T2 Fl. 2.446 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão nº 12057.153 , proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ1, em 24 de junho de 2013, complementandoo, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – DRF/RJ1, foram lavrados contra a Interessada os Autos de Infração de fls. 400/411, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ ............................... R$ 5.475.059,73 Multa proporcional (75%) ............................................................ R$ 4.106.294,79 Juros de mora (calculados até 30/10/2012) ..................................... R$ 944.447,80 TOTAL ....................................................................................... R$ 10.525.802,32 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL .................... R$ 1.905.948,27 Multa proporcional (75%) ............................................................ R$ 1.429.461,20 Juros de mora (calculados até 30/10/2012) ......................... ............ R$ 328.776,07 TOTAL ......................................................................................... R$ 3.664.185,54 Os fatos que motivaram a exigência fiscal, tanto em relação ao IRPJ quanto no tocante à CSLL, foram os seguintes: “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO Insuficiência de recolhimento e de apresentação da DCTF do imposto de renda devido, apurado pelo confronto dos dados declarados na DIPJ/2011 com os recolhimentos efetuados. Não consta dos sistemas desta SRF apresentação de DCTF dos valores declarados em DIPJ/2011 ou quaisquer informações que façam prova da extinção do crédito tributário ora devido. Regularmente intimado e reintimado a comprovar os recolhimentos, o contribuinte não logrou fazêlo em sua resposta de 07/11/2012. Nesta, alegou que cometeu erros de digitação na Ficha 09A, linhas 46 e 50. Junta balancetes, memória da DIPJ e a DIPJ/2011. Assim, foi solicitado por esta fiscalização os Livros Contábeis e documentos auxiliares em 12/11/2012, porém o contribuinte não os apresentou. Solicitou, entretanto, um prazo de 90 (noventa) dias para atendimento, o que não foi concedido por esta fiscalização. Esclareço que o prazo máximo de atendimento é de 20 (vinte) dias por força do § 3º do art. 835 do RIR/99; além disso, os livros e documentos solicitados referemse ao AnoCalendário Fl. 2447DF CARF MF 4 de 2010, que deveriam estar prontos, no máximo, em 2011; ressalto que o SPED, fiscal e contábil, e o FCONT também não foram entregues pela fiscalizada. (...)” Inconformada com a autuação, de que tomou ciência em 04/12/2012 (fl. 442), a Interessada apresentou, em 02/01/2013, duas impugnações — uma referente ao IRPJ (fls. 448/464) e outra relativa à CSLL (fls. 1278/1294) —, alegando, em resumo, que: “II – DOS FATOS (...) Durante a fiscalização, a Impugnante esclareceu que a diferença entre os valores declarados por meio da DIPJ/2011 e os valores efetivamente recolhidos se deu em razão de um equívoco no preenchimento da ficha 09A do documento, na linha 49 (‘Amortização de Deságio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL’). Isso porque a ora Impugnante deixou de registrar, como exclusão do lucro, na DIPJ/2011, o resultado por equivalência patrimonial gerado pelo aumento do Patrimônio Líquido das sociedades controladas pela ora Impugnante. Na ocasião, foram apresentados balancetes mensais, memória da DIPJ e o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), que claramente comprovam o alegado. Porém, o D. Fiscal Autuante, apesar de entender os esclarecimentos e ter em mãos documentos suficientes para corroborar o alegado, cingiuse a solicitar a apresentação de diversos outros documentos, conferindo apenas 3 (três) dias para tanto, tendo indeferido o pedido de prorrogação de prazo, conforme documento anexo [doc. fl. 725].Ato contínuo, pautado por manifesto cerceamento de defesa da ora Impugnante, o d. Fiscal Autuante procedeu ao Lançamento de Ofício do valor referente ao IRPJ supostamente devido sobre o Lucro Real (...). Este lançamento não merece prosperar, visto que os tributos devidos foram correta e regularmente pagos, não podendo mero equívoco no preenchimento da DIPJ — que inclusive já foi devidamente retificada — invalidar a correição do lançamento. É o que será demonstrado a seguir. III – DO DIREITO III.1 – Da regularidade e comprovação do pagamento dos tributos (...) A diferença entre os valores declarados e recolhidos se deve a um equívoco cometido pela ora Impugnante e já corrigido mediante DIPJ retificadora: deixou de declarar resultado por equivalência patrimonial decorrente de aumento do patrimônio líquido das sociedades por ela controladas. Este aumento do PL destas sociedades é passível de dedução, mas, por equívoco, deixou de constar da linha 49 da ficha 09A da DIPJ/2011. O valor desta amortização foi de R$ 23.802.113,80, que, subtraindo dos valores declarados, geram um lucro real a declarar de R$ 356.099,21 [fls. 1664/1701], o que, na verdade, gerou crédito por pagamento a maior de IRPJ. Para maior elucidação do ocorrido, segue abaixo descrição detalhada da apuração deste resultado por equivalência patrimonial. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 12448.735559/201226 Acórdão n.º 1402002.960 S1C4T2 Fl. 2.447 5 III.2 – Do resultado por equivalência patrimonial gerado por aumento no Patrimônio Líquido de sociedades controladas Em 01/03/2006, a sociedade Praia do Marceneiro Participações e Hotelaria Ltda (“PRAIA DO MARCENEIRO”) adquiriu, mediante trespasse de estabelecimento, a sociedade Hotel Porto do Sol São Paulo Ltda [fls. 728/839]. Por ocasião da celebração do referido contrato, o ativo imobilizado do HOTEL PORTO DO SOL, correspondente ao imóvel localizado à Rua Tutóia 77, Moema, Cidade e Estado de São Paulo, foi avaliado em R$ 14.529.853,55 – Anexo V do contrato [fls 812]. Em 2010, a PRAIA DO MARCENEIRO era controlada por duas sociedades, a Porto Paulista Investimentos e Participações Ltda. e a SP Invest Investimentos Turísticos Ltda (“SP INVEST”) – 5ª alteração do contrato social [fls. 649/673]. Em 08/11/2010, a ora Impugnante se tornou sucessora por incorporação societária da SP INVEST [fls. 477/492] e, via de conseqüência, se tornou detentora de 90% das quotas da PRAIA DO MARCENEIRO, que antes era de propriedade da sociedade incorporada – 6ª alteração do contrato social [fls. 621/672]. (...) Em razão da incorporação da SP INVEST, os bens desta sociedade foram submetidos a uma reavaliação patrimonial, mediante laudo pericial, que apurou um Acervo Líquido de valor de marcado desta sociedade em R$ 14.631.793,00 – Anexo à Ata de Assembléia de 01/02/2010 [fls. 493/501]. Já em 27/12/2010, o imóvel localizado à Rua Tutóia 77, Moema, Cidade e Estado de São Paulo foi submetido a um novo Laudo de Reavaliação, tendo em vista a defasagem de valor apurado e a permissão normativa da Interpretação Técnica do ICPC 10 [fls. 1116/1128], proferido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (...) Referido laudo de reavaliação constatou um aumento substancial no valor do imóvel do hotel, em razão da notória elevadíssima valorização imobiliária, somada às perspectivas hoteleiras com os futuros eventos esportivos de grande porte que ocorrerão na cidade de São Paulo. O laudo de reavaliação em anexo comprova a elevação de valor de R$ 14.529.853,55 para R$ 39.739.000,00 (trinta e nove milhões, setecentos e trinta e nove mil reais), conforme documento anexo [fls. 1129/1226]. Em decorrência do aumento significativo na avaliação do patrimônio líquido da PRAIA DO MARCENEIRO, que constituiu uma reserva de reavaliação (denominada Reserva de Mais Valia na contabilidade de Impugnante/Controladora), a Impugnante, então detentora de 90% das quotas e controladora daquela sociedade, obteve um aumento significativo do valor de seu investimento, mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado, da percentagem da participação da ora Impugnante no capital da controlada, por meio do método da equivalência patrimonial, claramente identificado no Balancete Consolidado de 12/2010, nas contas 348.910.203 e 348.910.204 [fl. 1252]; Em resumo: a perda do resultado por equivalência patrimonial foi devidamente registrada como adição ao lucro real na DIPJ/2011 original (linha 14 da Ficha 09A), porém, por um mero equívoco de preenchimento, a contrapartida, ou seja, o ganho do resultado por equivalência patrimonial não foi discriminado na linha 49 da Ficha 09A. (...) Fl. 2449DF CARF MF 6 III.3 – Da não tributação do resultado por equivalência patrimonial A equivalência patrimonial, nos termos do parágrafo único do art. 1º da Instrução Normativa da CVM nº 247/96, corresponde ao valor do investimento registrado mediante a aplicação da percentagem de participação no capital social sobre o patrimônio líquido da coligada, sua equiparada ou controlada. (...) Simplificando, a reavaliação dos ativos da PRAIA DO MARCENEIRO gerou um aumento em seu patrimônio líquido, que contabilmente foram declarados como débitos em sua conta de Ativos de Edifício e Terreno, e crédito em sua Reserva de Mais Valia (reserva de reavaliação). Este crédito gerou um resultado por equivalência patrimonial na contabilidade da ora Impugnante, na proporção de sua participação societária à época. Ademais, a jurisprudência do CARF também já se manifestou no sentido de que a Reserva de Reavaliação apurada pela Controladora por equivalência patrimonial não deve ser tributada, conforme o julgado abaixo: ‘RESERVA DE REAVALIAÇÃO – CONTROLADORA – EQUIVALÊNCA PATRIMONIAL – USO PARA AUMENTO DO CAPITAL SOCIAL – AUSÊNCIA DE FATO GERADOR DO IRPJ/CSLL – A Reserva de Reavaliação apurada na controladora, por equivalência patrimonial, não deve ser tributada (acrescida ao Lucro Real) quando utilizada para aumento do Capital Social, se constituída como contrapartida de aumento de valor de imóveis constantes do Ativo Permanente da sociedade controlada que efetuar a reavaliação de seus bens. A respectiva reserva de reavaliação somente será computada em conta de resultado ou na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer a efetiva realização do bem reavaliado, como determina o art. 4º da Lei nº 9.959/2000. Recurso Voluntário parcialmente provido’. (1º CC / 1ª Câmara / Acórdão 10196.784 em 30/05/2008) (g. n.) Por sua vez, os arts. 387 a 390 do Decreto 3.000/99 (RIR) também deixam claro deixam claro o direito da ora Impugnante em excluir a contrapartida de aumento do patrimônio pela equivalência patrimonial da apuração do lucro real (...) (...) Dessa forma, é absolutamente inegável o direito da ora Impugnante, no sentido de não ser tributada pelo IRPJ ou CSLL na contrapartida de aumento de valor do patrimônio liquido de suas investidas, gerado pelo método de equivalência patrimonial. III.4 – Do erro de preenchimento da DIPJ Como visto, a Impugnante detém o direito de deduzir da apuração de seu lucro real, na linha ‘amortização de deságio’, o valor referente ao aumento de seus investimentos em função da elevação do patrimônio líquido de suas sociedades controladas. Porém, por um equívoco no preenchimento da DIPJ/2011 (mais especificamente na linha 49 da ficha 09A), esta exclusão na linha ‘amortização de deságio’ não foi declarada, o que gerou a divergência entre o valor declarado do IRPJ e o valor devido e pago desse tributo. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 12448.735559/201226 Acórdão n.º 1402002.960 S1C4T2 Fl. 2.448 7 Porém, toda a documentação apresentada durante a fiscalização e novamente apresentada nesta impugnação — sobretudo a DIPJ retificadora, demonstrando a correição do pagamento dos tributos — atestam o direito da Impugnante e, pelo princípio da verdade material, devem ser considerados e acatados nesta esfera administrativa para ao final ter reconhecido o direito de dedução da contrapartida do aumento do PL de suas controladas, gerado pela equivalência patrimonial e, via de conseqüência, a correição no recolhimento dos tributos, restando, portanto, improcedente o presente lançamento. (...) IV – DO PEDIDO Por todo o exposto, vem requerer a V.Sa. que se digne julgar totalmente improcedente o presente lançamento (...) Visando à demonstração cabal do direito da Impugnante, vem na forma do art. 35 e seguintes do Decreto 7.574/2011, requerer a realização de perícia contábil, indicando para tanto como assistente técnico (...), bem como vem apresentar seus quesitos, conforme se lê no rol anexo. Quesitos para Perícia Contábil 1) De acordo com a documentação acostada à presente impugnação, explique como foi apurada a base de cálculo do IRPJ e da CSLL? 2) O valor oferecido à tributação está em conformidade com os registros contábeis regularmente escriturados? 3) Quais contas contábeis que possuem tratamento fiscal diferente do regime contábil no plano de contas da empresa? 4) Os valores escriturados na contabilidade totalizam os declarados na DIPJ? 5) O IRPJ e a CSLL foram recolhidos respeitando a carga tributária exigida pela legislação federal? 6) Entende que os valores recolhidos a título de IRPJ e de CSLL são suficientes para extinguir o crédito tributário referente ao período constante no auto de infração? 7) Queira informar tudo o que mais entender necessário ao deslinde da questão em debate. (...)” Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A decisão de primeira instância foi julgada improcedente, que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 2451DF CARF MF 8 Anocalendário: 2012 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não tendo sido verificada nenhuma irregularidade quantos aos prazos concedidos pela autoridade fiscal para que o contribuinte atendesse aos pedidos de esclarecimentos e apresentasse os livros e documentos de sua contabilidade, rejeitase a argüição de nulidade. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE. Estando os autos instruídos com os elementos necessários e suficientes para o deslinde da controvérsia, indeferese o pedido de realização de perícia. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a insuficiência de recolhimento do imposto de renda apurado na DIPJ, e não logrando o contribuinte demonstrar o erro cometido no preenchimento da declaração, reputase correto o lançamento da diferença não recolhida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a insuficiência de recolhimento da CSLL apurada na DIPJ, e não logrando o contribuinte demonstrar o erro cometido no preenchimento da declaração, reputase correto o lançamento da diferença não recolhida. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional foi intimada para manifestarse quanto aos novos documentos carreados pela recorrente (efl 2358). Em resposta (efls 23602362), a PGFN entendeu cabível a preclusão temporal, com base no artigo art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, pedindo pelo desentranhamento dos documentos juntados e pelo desprovimento do Recurso Voluntário. Dessa decisão colegiada, o recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls 21602184), renovando os argumentos versados na impugnação. Além disso, no ano seguinte à interposição do referido Recurso (nov/2014), apresentou a retificadora da DIPJ 2011. A análise do Recurso Voluntário resultou na conversão do julgamento em diligência, para que: "a) seja o presente processo encaminhado à Delegacia da Receita Federal de origem para se seja verificado se os valores declarados na DIPJ retificadora (anexo ao requerimento de fls 2269 2356) correspondem aos registros Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 12448.735559/201226 Acórdão n.º 1402002.960 S1C4T2 Fl. 2.449 9 contábeis da empresa e possuem respaldo nos demais documentos fiscais da empresa; b) seja elaborado pela Delegacia de origem relatório circunstanciado da diligência realizada, incluindo o que entender relevante e necessário para o esclarecimento dos fatos, especialmente em relação às informações constantes na tabela abaixo: c) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora cientificar o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011." Ato contínuo, o Relatório de Diligência Fiscal (efls. 24152420) concluiu o seguinte: "1 O contribuinte cometeu diversos erros tanto no preenchimento da DIPJ original quanto da DIPJ retificadora. 2 Os valores escriturados nas contas 348910203 Resultado de Equiv. Patrimonial (Perda) e 348910204 Resultado de Equiv. Patrimonial (Ganho), razão em anexo, divergem dos valores declarados na DIPJ retificadora. Contudo, conforme explicação do próprio contribuinte no item 17 acima, e nosso entendimento, este fato não ocasionou nenhuma diferença para fins tributários. 3 Conforme relatado pelo contribuinte e confirmado na análise de sua ECD, a exclusão informada na DIPJ retificadora, linha 49 da Ficha 09A (Amortização de Deságio nas Aquisições de Investimentos Avaliados p/PL), Fl. 2453DF CARF MF 10 deveria ter sido feita na linha 48 da Ficha 09ª (Ajustes por Aumento Valor de Invest. Aval. p/ PL). O fato de haver sido informada na linha seguinte deveu se a erro de preenchimento. 4 O contribuinte apresentou uma tabela (página anterior) com os valores declarados na DIPJ original, na DIPJ retificadora e com os valores realmente corretos. Concordamos com os valores constantes da tabela apresentada." Ao manifestarse sobre a diligência (efls. 24282429), a contribuinte reiterou o seu pedido inicial, entendendo que a Fiscalização concordou com os valores apresentados pela contribuinte e que os meros erros cometidos pela contribuinte em suas declarações, à época de seu preenchimento, não ocasionaram nenhuma diferença para fins tributários. Requereu, finalmente, o cancelamento in totum do auto de infração originário. Registrese, por fim, no tocante ao trâmite processual que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN, bem como não há Recurso de Ofício a ser analisado. É o relatório. Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 12448.735559/201226 Acórdão n.º 1402002.960 S1C4T2 Fl. 2.450 11 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte, em decorrência de ação fiscal, foi autuado por insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL no anocalendário 2010, em razão dos valores informados em DCTF serem diferentes dos valores declarados posteriormente na DIPJ 2011. Intimado e reintimado a comprovar os recolhimentos, o contribuinte não logrou fazêlo, redundando na autuação. Apresentada impugnação, a DRJ manteve os créditos tributários constituídos, sob o fundamento de que o contribuinte, em sua defesa, não logrou demonstrar o erro cometido no preenchimento da declaração, de tal forma que reputouse correto o lançamento da diferença não recolhida. Em recurso voluntário, o contribuinte repisou seus argumentos, declarando que, de fato, preencheu equivocadamente a DIPJ 2011. Em novembro/2014, posteriormente à apresentação do Recurso Voluntário, o contribuinte apresentou uma DIPJ retificadora e, em petição de p. 2269 a 2271 e anexos até p. 2356, apresentou quadro comparando os valores informados em DIPJ 2011 original e retificadora. Nesta manifestação, o contribuinte esclarece que o “ganho de equivalência” registrado indevidamente em DIPJ é composto por dois valores: R$ 18.796.894,42 (mais valia reflexa decorrente de reavaliação de imóvel da controlada) e R$ 5.005.219,38 (resultado positivo em participações societárias). Este Julgador, através da Resolução de p. 2370 a 2381, acatou a DIPJ retificadora apresentada pelo contribuinte em face do Princípio da Busca da Verdade Material, regente do processo administrativo tributário e, por consequência, concluiuse que o valor de R$ 18.796.894,42 (mais valia reflexa decorrente de reavaliação de imóvel da controlada), por sua característica (ganho de equivalência patrimonial), não gera qualquer reflexo na apuração do IRPJ e CSLL a pagar. Contudo, em relação ao valor de R$ 5.005.219,38 (resultado positivo em participações societárias), restavam inconsistências na DIPJ retificadora, notadamente em razão do referido valor estar registrado na Ficha 09A, Linha 49 (Amortização de Deságio nas Aquisições de Investimentos Avaliados pelo PL). Considerando, na ocasião, que a decisão fundamentavase em DIPJ retificadora, juntada posteriormente ao processo, e que era necessária a certeza da integridade e do suporte da declaração extemporaneamente apresentada pelo contribuinte, propus que o julgamento fosse convertido em diligência para que a DRF de origem pudesse confirmar se os valores declarados na DIPJ retificadora correspondiam aos registros contábeis da empresa e se possuíam respaldo nos demais documentos fiscais da empresa. Com o retorno dos autos a este Julgador, passase a analisar o Relatório de Diligência de p. 2415 a 2423 à luz dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte às p. 2395 a 2414. Fl. 2455DF CARF MF 12 De se observar, inicialmente, que à p. 2398 o contribuinte salienta que também há equívocos nas declarações feitas na DIPJ retificadora, cometidos pela empresa, apresentando os valores corretos e os fundamentos para os ajustes em questão, salientando, ao final, que mesmo com a mudança nesses valores, nenhum seria tributado para fins de IRPJ e CSLL. O contribuinte esclareceu, adicionalmente, na p. 2399, que “quando da entrega do SPED contábil, os valores de Receita e Despesa de Equivalência Patrimonial foram respectivamente de R$ 22.876.845,86 e R$ 3.674.960,99, tendo como resultado líquido o valor de R$ 19.201.884,87”, o qual, segundo o contribuinte, é o mesmo em relação ao declarado na DIPJ retificadora (diferença imaterial de R$ 1,95), não ocasionando, portanto, diferença para fins tributários. Ato contínuo, respondendo aos quesitos propostos em Resolução, o contribuinte curvase e admite que a exclusão feita na Linha 49 da Ficha 09A deveria ter sido registrada na Linha 48 e, em relação ao segundo quesito, que o resultado positivo de equivalência patrimonial foi escriturado na conta 348.910.204 – Resultado de Equiv. Patrimonial (Ganho), totalizando R$ 22.876.845,86 (informação SPED Contábil), apresentando quadro, na p. 2401, com as informações corretas a serem consideradas. A i. fiscal responsável pelo Termo de Diligência de p. 2415 a 2423, especificamente na p. 2420, esclarece que, com fundamento nos documentos que acompanham o referido Termo: Ou seja, o “ganho de equivalência patrimonial”, por expressa previsão legal (art. 23, DL 1.598/77 e art. 2º, § 1º, letra c, item 4, da Lei 7.689/88), não interfere na apuração Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 12448.735559/201226 Acórdão n.º 1402002.960 S1C4T2 Fl. 2.451 13 do IRPJ e CSLL, de tal forma que, por não ocasionar qualquer diferença para fins tributários, não deve ser considerado como justificativa para a autuação em análise, como já se tinha decidido por ocasião da Resolução de p. 2370 a 2381. Por outro lado, o erro no preenchimento da DIPJ, registrandose uma exclusão na linha 49 ao invés da linha 48, da Ficha 09A, também não fundamenta a autuação. Por fim, tendo em consideração que os números e comprovantes apresentados pelo contribuinte na petição de p. 2395 a 2414 foram confirmados pela fiscalização no Termo de Diligência (item 4), perde substância o Auto de Infração. Finalmente, quanto ao pedido de preclusão, formulado pela PGFN, em razão da juntada de documentos no curso do processo após a apresentação de impugnação, observo que este colegiado tem sido rigoroso com relação a aplicação da legislação processual (Dec. 70.235/72), contudo tem o mesmo rigor para a aplicação da legislação material e a busca da verdade. Com todo o respeito à ilustre e sempre atenta PGFN, não vejo qual o interesse que a Procuradoria poderia ter em fazer prevalecer auto de infração lavrado contra erro formal que não causou nenhum prejuízo ao fisco, ainda mais após o reconhecimento desta neutralidade, pela própria Receita Federal em sede de diligência. Pelo exposto, julgo procedente o recurso voluntário interposto, para afastar integralmente os créditos tributários constituídos a título de IRPJ e CSLL nos presentes autos de infração. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 2457DF CARF MF
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