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Numero do processo: 10983.908854/2012-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 3001-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2011 a 30/04/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
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COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 54 /2 01 2- 15 Fl. 87DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 041990993 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 24216.77121.150312.1.7.048009, enviada em 15/03/2012, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 7.751,14. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, tendo sido homologado parcialmente a compensação. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 7.751,14de principal, R$ 1.550,22 de multa e R$ 641,79correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente apresentou argumentos no sentido de reconstruir a sinopse histórica dos fatos. Pagamento a maior Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10983.908854/201215 Acórdão n.º 3001000.140 S3C0T1 Fl. 88 3 Em maio de 2011, teria efetuado pagamento de COFINS, no valor de R$ 43.786,31, enquanto, na verdade, deveria ter recolhido valor menor. DACON Retificadora Isto posto, ou seja, de sua percepção pelo pagamento a maior, apresentou, em dezembro de 201,1 DACON retificadora, na qual apurou COFINS, no valor de R$ 32.042,20. Dcomp Posteriormente, no mese de janeiro e março, manuseou Per/Dcomp 25716.10176.259112.1.3.047552, 24216.77121.150312.1.7.048009 e 37254.94928.220312.1.3.044603, na intenção de compensar referido pagamento a maior. Documentos anexados Anexou, nesta manifestação de inconformidade, extrato da DCTF, Despacho Decisório e DACON. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1450.769 11ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração abril de 2011, no valor de R$ R$ 7.751,14, transmitido através do PER/Dcomp nº 24216.77121.150312.1.7.048009. A DRF Florianópolis não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 7, proferido em 03/01/2013, já que Fl. 89DF CARF MF 4 pagamento indicado na Dcomp teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 24/01/2013 (fl. 8), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, para argumentar que o crédito seria decorrente de recolhimento a maior da contribuição. Alegou que teria declarado em Dacon e DCTF valor maior do que o débito devido, e que, posteriormente, teria efetuado a correção, restando saldo de pagamento disponível. Concluiu para solicitar a homologação do PER/Dcomp nº 24216.77121.150312.1.7.048009. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja: O argumento da interessada limitouse a suposto erro no preenchimento de DCTF, o qual, uma vez sanado, demonstraria o indébito alegado na Declaração de Compensação. Ocorre que a mera retificação da DCTF não pode ser aceita como prova, já que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. No presente, o interessado limitouse a alegar que a retificação da DCTF faria surgir saldo de pagamento disponível, sem apresentar qualquer documentação que lastreasse tal argumento. Recurso Voluntário Em sua peça de defesa, a recorrente apresenta o cabimento e tempestividade, refazendo, a seguir, o quadro histórico já apresentado na manifestação de inconformidade. Dando continuidade, põe em elenco suas razões para a reforma da decisão de primeiro piso. Dacon Retificadora A recorrente julga suficiente a apresentação de DACON retificadora para comprovar a correta apuração da base de cálculo da Cofins, e a cabal demonstração do pagamento a maior efetuado. Dcomp A recorrente refaz os fatos pelo quais apresentou Dcomp requerendo a homologação da compensação declarada. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10983.908854/201215 Acórdão n.º 3001000.140 S3C0T1 Fl. 89 5 Documentos Anexados A recorrente, em sede recursal, juntou cópia dos DARF pagas a maior, DCTF original e retificadora, Dacon retificada e original, Dcomp e cópia do Razão. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A Recorrente, segundo consta no Termo de Ciência de Abertura de Mensagem, mediante o respectivo DTE, tomou ciência do acórdão que julgou sua Manifestação de Inconformidade em 30 de setembro de 2014. O Recurso Voluntário foi protocolizado em 27 de outubro de 2014. Tempestivo, portanto, o Recurso Voluntário. Em decorrência, dele tomo conhecimento. Mérito Tratase de processo administrativo cuja origem deuse em Dcomp com decisão desfavorável em sede de despacho decisório. Ao ver negado seu direito ao crédito reclamado, a recorrente expôs suas razões no sentido de firmar entendimento pelo qual deteria legitimidade para reivindicar a quantia em razão de pagamento a maior. A comprovação deste pagamento a maior, deuse pela tentativa de apontar a devida sincronicidade entre as declarações acessórias as quais encontrase submetida, em especial a DACON e Dcomp. E, conforme visto, em sede de manifestação de inconformidade, buscou sustentar a legitimidade de seu crédito a que foi rechaçado por 2 motivos: desrespeito às formalidades da IN 900/08, para fins de cancelamento da primeira Dcomp; e, a utilização do crédito apontado na Dcomp e pagamento DARF. Nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, remonta faticamente o ocorrido, com o protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. Após a breve consolidação dos fatos, temse que o cerne deste processo é a capacidade probatória dos documentos, anexados a estes eautos, para comprovar a existência do pagamento a maior e possibilitar o deferimento do pedido feito em Recurso Voluntário, voltado ao reconhecimento da compensação declarada na Dcomp. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 91DF CARF MF 6 Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10983.908854/201215 Acórdão n.º 3001000.140 S3C0T1 Fl. 90 7 vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, Fl. 93DF CARF MF 8 inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, além de intempestivos os documentos trazidos no Recurso Voluntário, seriam, caso apreciados, insuficientes para a comprovação do crédito. Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10983.908854/201215 Acórdão n.º 3001000.140 S3C0T1 Fl. 91 9 Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Fl. 95DF CARF MF 10 Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10983.908854/201215 Acórdão n.º 3001000.140 S3C0T1 Fl. 92 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probatória. Momento para apresentação da prova A Recorrente juntou ao seu Recurso Voluntário, a destempo portanto, documentos acima listados, não devendo ser apreciados devido à preclusão, conforme os entendimentos adiante listados. Parto do entendimento que o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 é claro e suficiente em seu regramento quanto ao momento de apresentação das provas. Não deixando margem para juntadas posteriores à manifestação de inconformidade. Acórdão: 3202001.185 Fl. 97DF CARF MF 12 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. 3802002.108–2ªTurma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade o despacho decisório exarado por autoridade competente e devidamente fundamentado. O momento oportuno para apresentação de esclarecimentos pelo contribuinte é o da manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, restando afastada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 98DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.908239/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 82 39 /2 01 1- 89 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.240, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.240, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 05/11/2013 via ARECF de efls. 63 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 65 a 74), conforme protocolo de efl. 65, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10805.908239/201189 Acórdão n.º 1401002.264 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.722229/2017-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos não mencionados na autuação.
PENSÃO JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO LEGAL. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente RENE BRITO DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos não mencionados na autuação. PENSÃO JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 22 29 /2 01 7- 11 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10530.722229/201711 Acórdão n.º 2002000.042 S2C0T2 Fl. 116 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10530.722229/201711 Acórdão n.º 2002000.042 S2C0T2 Fl. 117 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/19), alegando que faz jus a deduzir o valor declarado e indicando a juntada de documentação emitida por sua fonte pagadora. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) negou provimento à Impugnação (fls. 83/87), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Mantémse a glosa da parcela dedução a título de pensão alimentícia judicial, haja visto se referir a rendimentos com exigibilidade suspensa, os quais não estão sujeitos ao ajuste anual do IRPF por dependerem de decisão judicial. Cientificado dessa decisão em 10/8/2017 (fl.111), o contribuinte formalizou, em 11/9/2017 (fl.112), Recurso Voluntário (fls. 89/110), no qual apresenta as seguintes alegações: o valor declarado teria sido descontado direto em folha de pagamento, exatamente como noticia a DIRF apresentada por sua fonte pagadora. o anexo II da IN RFB nº 1.522, de 2014, então vigente, informaria que somente o rendimento e o IR com exigibilidade suspensa devem ser informados no campo 7 do comprovante de rendimentos, inexistindo ressalva quanto à pensão paga sobre esse rendimento. os valores declarados estariam em consonância com aqueles pagos e corroborados pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, bem como com a legislação de regência. não poderia ser prejudicado pela existência de questionamento acerca da tributação de alguns rendimentos. Ao final, indica documentação comprobatória juntada ao seu recurso, requer o acolhimento do seu recurso e cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10530.722229/201711 Acórdão n.º 2002000.042 S2C0T2 Fl. 118 4 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.35). É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10530.722229/201711 Acórdão n.º 2002000.042 S2C0T2 Fl. 119 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia judicial. As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, no tocante à dedução de pensão alimentícia assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10530.722229/201711 Acórdão n.º 2002000.042 S2C0T2 Fl. 120 6 base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. Na autuação, a Autoridade Fiscal consigna que procedeu à glosa parcial do valor declarado pelo contribuinte em função das informações prestadas à RFB pela fonte pagadora por meio da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fl.34). Em sua impugnação, o contribuinte juntou o comprovante de rendimentos de fl.6, registrando o valor por ele declarado (fl.24). A DRJ/JFA considerou improcedente a impugnação, consignando: Logo, na verdade o que ocorreu foi que o contribuinte teve valores de rendimentos recebidos, da referida fonte pagadora, com exigibilidade suspensa, que não se sujeitam ao ajuste anual do IRPF, por estarem sob a submissão de decisão judicial, e da mesma forma, os descontos incididos sobre eles. Registrese que os valores descontados sob o 13º salário, também, não estão sujeitos ao ajuste anual, pois tais rendimentos são tributados exclusivamente na fonte. A transcrita Dirf é clara no sentido de esclarecer que sob os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual do IRPF/2014 foram descontados valores a título de pensão alimentícia, durante o ano calendário de 2013, no total de R$37.041,74, conforme abaixo discriminado, valor este que deverá ser o aqui acatado para fins de dedução àquele título. Sob o código 0561, pensão alimentícia no valor de R$3.019,87; Sob o código 3533, pensão alimentícia no valor de R$11.107,62; Sob o código 3540, pensão alimentícia no valor de R$22.914,25; Portanto, nada há a reparar no feito fiscal. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o sujeito passivo defende a dedutibilidade do valor da pensão incidente sobre rendimentos com exigibilidade suspensa, citando em sua defesa a IN RFB nº 1.522, de 2014, que trata do preenchimento do comprovante de rendimentos, e argumentando que os valores foram comprovadamente pagos. Cumpre observar que a autuação não apontou como justificativa para a glosa a indedutibilidade da pensão incidente sobre rendimentos com exigibilidade suspensa, indicando, como já apontado acima, apenas a informação em DIRF da fonte pagadora (fl.34). Tal argumento foi trazido pela autoridade julgadora de primeira instância, após análise das informações da DIRF (fls. 85/86). Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10530.722229/201711 Acórdão n.º 2002000.042 S2C0T2 Fl. 121 7 Entendo que, ao assim proceder, a DRJ modificou a motivação do lançamento. A razão apontada pela decisão de piso para manutenção da glosa não foi cogitada na autuação, incorrendo a decisão em nítido prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido, seguem decisões deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRO GRAU. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação. (Acórdão nº2202004.103, de 9/8/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO. Não é admissível que o julgamento de primeira instância fundamente a manutenção da glosa de despesas médicas por motivos de fato e de direito não mencionados na autuação, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa. (Acórdão nº 2402005.705, de 15/3/2017) Em face da autuação, o contribuinte juntou o comprovante de rendimentos de fl.6, o qual já fora apresentado por ele no curso da ação fiscal (fl. 45) e que ratifica o valor por ele declarado. Diante das informações dissonantes entre DIRF e comprovante, caberia a autoridade fiscal diligenciar junto à fonte pagadora para buscar esclarecimentos ou, entendendo não ser dedutível a pensão incidente sobre rendimentos com exigibilidade suspensa, consignar tal motivação na autuação. Dessa forma, tendo o contribuinte apresentado documentação hábil a atestar o valor declarado, a glosa da pensão deve ser cancelada. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.000269/2006-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido.
Numero da decisão: 1402-000.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 161 2 Relatório SERVI SAN Vigilância e Transporte de Valores Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Fortaleza/CE, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado no auto de infração de multa exigida isoladamente sobre valores devidos de IRPJ por estimativa (fls. 02/08), no valor global de R$259.254,51, referente aos fatos geradores ocorridos nas seguintes datas: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003 e 31/05/2003. A infração designada pelo auditor fiscal diz respeito a falta de recolhimento das estimativas de IRPJ. Para a determinação dos valores autuados, a autoridade fiscal aduziu a planilha de fl. 08. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 108/119) contra o lançamento, em 24/02/2006, com as seguintes alegações: A requerente ao entregar as suas declarações de ajustes relativo ao ano calendário de 2003, onde ficou demonstrado com os dados financeiros, que a autuada nada mais tem a recolher a titulo de IRPJ, ao contrário, tem direito a restituição ou a compensação do que foi pago em excesso, antes de qualquer procedimento fiscal, comprova que houve a denuncia espontânea. Portanto, não há que se falar em aplicação de multa de oficio isolada por falta ou insuficiência de recolhimento por estimativa após o término do anocalendário em que ocorreram os fatos geradores e entregue a respectiva declaração. Temse de considerar, no caso vertente, o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, ao dizer que a denúncia espontânea da infração exclui a responsabilidade do sujeito passivo da respectiva obrigação. No caso da presente autuação houve o pagamento integral do 1RPJ efetivamente devido, antes de qualquer ação fiscal, impedindo assim a aplicação de penalidade a requerente. Muito especialmente em se tratando de penalidade proporcional ao próprio IRPJ, que não pode subsistir depois do pagamento integral e espontâneo deste. O objeto do presente litígio está no fato de que a requerente não concorda com a aplicação da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ por estimativa mensal, multa essa aplicada após o término do anocalendário em que ocorreram os fatos geradores, mesmo porque os valores recolhidos e compensados nos anoscalendário em referencia superam os valores efetivamente devidos. Da análise dos arts. 2° e 44, inciso II e § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, do artigo 35 e seus §§ 1° e 2°, da Lei n° 8.981/95 (com a nova redação dada ao § 2° pelo artigo I° da Lei n° 9.065/95), e do artigo 37, da Lei n° 8.981/95, chegase à conclusão que a exigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre diferenças do IRPJ não recolhidos mensalmente, somente faria sentido se operado no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da Fl. 174DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 162 3 irregularidade praticada pela requerente (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultasse prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, do IRPJ devido maior do que o recolhido/compensado por estimativa no decorrer do anocalendário. No caso dos autos, a requerente apresentou ao autor do procedimento fiscal os balancetes acumulados para efeito de suspensão dos recolhimentos mensais, transcreveu no livro diário, elaborou o livro de apuração do lucro real dos períodos em que houve autuação, onde ficou demonstrado que o IRPJ calculado sobre o lucro acumulado do período em curso, é menor do que aquele efetivamente pago ou compensado por estimativa até a mesma data. Este fato está comprovado conforme o levantamento realizado pela própria autoridade administrativa, onde fica demonstrado que os valores recolhidos ou compensados no decorrer do período, superam aqueles efetivamente devidos ao final de cada anocalendário fiscalizado. Assim, não há que se falar em falta de recolhimento por estimativa do IRPJ para efeito de aplicação da multa isolada. Contudo, a autoridade autuante ao levantar seu demonstrativo de cálculo de multa regulamentar, se valeu de valores pagos ou a compensar pelo contribuinte, valores os quais suficientes para cobrir seus débitos. Esse fato, quando constatado após o encerramento do anocalendário, não pode ensejar a aplicação de multa isolada por falta de recolhimento, quando o imposto devido apurado no período em curso ou no final do período, é inferior ao efetivamente recolhido ou compensado por estimativa no decorrer do mesmo anocalendário. Ocorreu que, encerrado o anocalendário, a requerente elaborou balanço patrimonial, a demonstração do resultado do exercício, bem como a demonstração do lucro real/base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, onde o cálculo do IRPJ, referente aos anoscalendário auditados, resultaram IRPJ efetivamente devido bastante inferior ao que estimara no período, conforme demonstrado linhas atrás. Ou seja, com o levantamento do balanço anual em 31/12/02, em 31/12/03 e 31/12/04 onde ficou demonstrado que "... o valor acumulado já pago/compensado excede o valor do imposto e da CSLL calculada com base no lucro real do período em curso" (art. 35 da Lei n° 8.981/95), período em curso, nesta vertente, entendido como o anocalendário 2003, eis que já encerrado. Com base nas referidas demonstrações financeiras a requerente apresentou as suas declarações de rendimentos, bem antes de qualquer ação fiscal, as quais foram auditadas no período de 18/04/2005 e 25/01/2006, ocasião em que o fisco pediu e examinou todos os livros comerciais e fiscais da autuada, onde detectou a insuficiência de recolhimento por estimativa no curso do anocalendário de 2003, insuficiência de recolhimento inexistente, quando calculado o IRPJ com base na planilha de cálculo de multa regulamentar de autoria da própria autoridade administrativa. Assim, senhor julgador, as declarações de rendimentos apresentadas, nas quais não foram identificadas nenhuma irregularidade, representa de fato um encontro de contas entre o fisco e o sujeito passivo da obrigação tributária, ocasião em que restou evidenciada a ocorrência do fato gerador e a exata quantificação da base de cálculo, bem como do montante do tributo efetivamente devido nos indigitados anoscalendário. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 163 4 Desse modo, não pode prosperar a presente autuação, tendo em vista que o agente do fisco concluiu a ação fiscal contra a requerente, após encerrado o período de apuração do IRPJ, cujo o montante devido já havia sido quantificado exatamente, ficando evidenciado que a irregularidade praticada pela requerente, no curso dos anoscalendário, não resultou nenhum prejuízo ao fisco, pelo contrário, a autuada que se viu privada ao longo dos anoscalendário de substancial montante de recursos financeiros colocados à disposição do fisco a titulo de recolhimento mensal por estimativa no próprio período e, em períodos anteriores, alçandose em credora do fisco, conforme demonstrado em suas declarações de rendimentos acostada nos autos. As teses aqui defendidas, afirmativas da improcedência do auto de infração de que se cuida, já foram consagradas pela jurisprudência administrativa. [ADUZIU DECISÕES ADMINISTRATIVAS] No caso vertente a requerente apresentou toda a escrita contábil e fiscal, inclusive os balancetes, onde esta demonstrado que o IRPJ pago/compensado supera o efetivamente devido, calculado com base nos balancetes acumulados, mesmo assim a requerente foi autuada por falta de recolhimento por estimativa, o que revela a improcedência da presente autuação. Como se vê, a exigência da multa ora impugnada expressa uma inadmissível rebeldia da Administração Tributária ao entendimento reiterado dos órgãos de julgamento administrativo, cuja jurisprudência na verdade consagra a tese ora sustentada pela impugnante, que tem apoio na melhor doutrina e corresponde, em última análise, à única forma de interpretar a legislação atinente à espécie sem colocála em conflito com o Código Tributário Nacional, e com a Constituição Federal. A exigência da multa prevista no art. 44, ,§ 1°, da Lei n° 9.430/96, mesmo tendo sido integralmente pago o IRPJ devido, além de violar os dispositivos do Código Tributário Nacional, como admitido pela jurisprudência administrativa, afronta flagrantemente os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, assim como do não confisco, pondose em contraste com a Constituição Federal. Em conclusão, senhor julgador, não pode prosperar a presente autuação, tendo em vista que as declarações de rendimentos foram apresentadas tempestivamente, revelandose improcedente a aplicação da multa sobre as eventuais diferenças apuradas após o encerramento do período de apuração, quando ficou comprovado que o imposto recolhido ou compensado no período superou, largamente, a efetivamente devida no final do anocalendário. É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 08 19.491 (fls. 128132v) de 06/12/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MULTA ISOLADA. CABIMENTO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. AUSÊNCIA DE BALANCETE DE SUSPENSÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECLARAÇÃO DAS ESTIMATIVAS EM DCTF. PREJUÍZO FISCAL NO ANO CALENDÁRIO. IRRELEVÂNCIA. Quando o contribuinte não recolhe a antecipação de IRPJ calculada por estimativa, nem Fl. 176DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 164 5 apresenta balanço ou balancete que demonstre claramente a suspensão ou a redução de pagamento do imposto devido por estimativa, por meio de apuração do lucro real de janeiro até o mês em questão, aplicase à pessoa jurídica a multa de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente. sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha declarado em DCTF tais estimativas ou que na apuração anual correspondente se obtenha base de cálculo negativa. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PERCENTUAL MENOR. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado. quando lhe comine multa pecuni ária menor decorrente de diminuição de percentual aplicável que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. Aplicase a multa isolada sobre o valor declarado e não pago relativo antecipação mensal, por estimativa, de tributo anual, devido ao fato dessas antecipações possuírem um caráter especial, merecedor de regramento próprio, que é aquele contido no artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996. Dessa forma, não há cabimento, para abolir a referida multa isolada , na aplicação retroativa do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que restringiu a eficácia do artigo 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 2001. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao órgão administrativo de julgamento a discussão de constitucionalidade de lei, que está devidamente fundamentando o lançamento tributário, salvo quando ela já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, quando haja autorização em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, quando haja autorização em súmula da AdvocaciaGeral da União ou quando haja autorização em parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 03/01/2011 (A.R. de fl. 137), a interessada interpôs recurso voluntário em 28/01/2011 (fls. 138157) onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 165 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Verificase, de início, que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2º, referido no inciso IV do § 1º do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei nº 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 daquela Lei, com as alterações da Lei nº 9.065/95, consubstancia hipótese em que a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 166 7 “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Nesse sentido, destaco trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105141498, Processo n° 13629.000292/200304, Acórdão CSRF/0105.838, in verbis: “As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 167 8 da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. (in MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44). Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos. (in Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22). Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada “sobre a totalidade ou diferença de tributo”. Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1º, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 168 9 O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, Fl. 181DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 169 10 desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. (in Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277). Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária Fl. 182DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 170 11 para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. No caso presente, em relação ao anocalendário de 1998 a 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao imposto de renda não recolhido ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir.” Portanto, a multa somente pode ser aplicada após o encerramento do ano calendário, estando rigorosamente de acordo com a lei; ou seja, desde que não se apresente concomitante com a multa proporcional de oficio sobre o tributo devido e que, evidentemente, seja apurado saldo de tributo a pagar no final do período de apuração. Este Colegiado possui entendimento sedimentado nessa linha. Faço referência, além do já citado, ao acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo. MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. No presente caso, o contribuinte apresentou a declaração de IRPJ pelo lucro real para o período (relativa ao anocalendário de 2003) onde foi apurado tributo devido após o encerramento do exercício, porém a menor do que o recolhido pelas estimativas, não havendo, conseqüentemente, IRPJ a recolher para o período, conforme se depreende da leitura da ficha 12A da DIPJ/2004, reproduzida a seguir. __ IRPJ,IRPJCONS,CONSULTA ( CONSULTA DECLARACOES IRPJ )_______________________ 17/01/2012 15:33 CONSULTA DECLARACAO DIPJ/2004 CNPJ: 12.066.015/000131 L.REAL AC 2003 RF 03 DECL. 1293943 DV 48 PAG: 01 / 02 FICHA 12A CALCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL PJ EM GERAL APURACAO ANUAL VALOR IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A ALIQUOTA DE 15% 596.562,47 02.A ALIQUOTA DE 6% 0,00 03.ADICIONAL 373.708,31 DEDUCOES 04.()OPERACOES DE CARATER CULTURAL E ARTISTICO 0,00 05.()PROGRAMA DE ALIMENTACAO DO TRABALHADOR 0,00 06.()DESENVOLV. TECNOLOGICO INDUSTRIAL / AGROPECUARIO 0,00 07.()ATIVIDADE AUDIOVISUAL 0,00 08.()FUNDOS DOS DIREITOS DA CRIANCA E DO ADOLESCENTE 0,00 09.()ISENCAO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS DE TRANSPORTE 0,00 10.()ISENCAO E REDUCAO DO IMPOSTO 0,00 11.()REDUCAO POR REINVESTIMENTO 0,00 12.()IMP. PAGO NO EXTER.S/LUC.,REND.E GANHOS DE CAP. 0,00 13.()IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 0,00 14.()IMP.DE RENDA RET.NA FONTE POR ORGAO PUB. FEDERAL 0,00 15.()I.R.RET.NA FONTE POR ENTIDADES DA ADM.PUB.FEDERAL 0,00 16.()IMP.PG INCID.SOBRE GANHOS NO MERC. RENDA VARIAVEL 0,00 17.()IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 2.388.397,55 18.()PARCEL.FORMALIZADO DE IR SOBRE BASE CALC.ESTIMADA 0,00 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.418.126,77 20.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR DE SCP 0,00 21.I.R. S/ DIF. ENTRE O CUSTO ORCADO E O CUSTO EFETIVO 0,00 22.I.R. POSTERGADO DE PERIODOS DE APURACAO ANTERIORES 0,00 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10384.000269/200686 Acórdão n.º 140200.865 S1C4T2 Fl. 171 12 Assim, tendo sido verificado que o não houve IRPJ a recolher (após as deduções) no final dos períodos de apuração, e que o lançamento ocorreu após o encerramento do período e análise, não há que se falar em exigência da multa de ofício isolada por falta de recolhimentos de estimativas mensais. Por todo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Sala das Sessões, em 17 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10315.001005/2010-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENÉFICA NÃO ALEGADA.
Em não tendo sido arguída pelo autuado a necessidade de aplicação de legislação mais benéfica ao contribuinte, superveniente ao lançamento, em sede de penalidade, operou-se a preclusão administrativa. Não se está, neste caso, diante de matéria de ordem pública, mas sim, em seara de direitos patrimoniais disponíveis.
Numero da decisão: 9202-006.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para reconhecer a preclusão da discussão sobre a multa, mantendo-se o lançamento tal como efetuado. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para reconhecer a preclusão da discussão sobre a multa, mantendo-se o lançamento tal como efetuado. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA NÃO ALEGADA. Em não tendo sido arguída pelo autuado a necessidade de aplicação de legislação mais benéfica ao contribuinte, superveniente ao lançamento, em sede de penalidade, operouse a preclusão administrativa. Não se está, neste caso, diante de matéria de ordem pública, mas sim, em seara de direitos patrimoniais disponíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para reconhecer a preclusão da discussão sobre a multa, mantendose o lançamento tal como efetuado. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 05 /2 01 0- 40 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 427 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2302001.314, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 29 de setembro de 2011 (efls. 319 a 325). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIO FISCAL MOTIVADO. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal. O relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos bem como a forma para se apurar o quantum devido Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITIVA. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitiva, logo não há contraditório na formalização do lançamento. O contraditório é conferido somente após a cientificação do contribuinte acerca do lançamento efetuado. Da mesma forma que o contraditório no direito penal é conferido somente durante a ação penal e não durante o inquérito policial. No presente caso, foi conferida ciência ao contribuinte de todos os atos lavrados pelo órgão fazendário. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REGIME JURÍDICO A SER APLICADO. ALTERAÇÕES DA MEDIDA PROVISÓRIA N 449 DE 2008. O novo regime surgido com a Medida Provisória n 449 (aplicação da multa de 75%) é mais gravoso. Desse modo para as competências anteriores a dezembro de 2008 (entrada em vigor da MP n 449) deve ser aplicada a multa prevista no art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período. Para o período posterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449, para os valores não declarados em GFIP há que se aplicar a multa de 75% para todo o período (prevista no art. 44 da Lei 9.430). Decisão: Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 428 3 do art. 35 da Lei n 8.212 de 1991, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n 449 de 2008. Inicialmente, intentou a Fazenda Nacional embargos de declaração contra o referido decisum (efls. 328 a 335), que restaram rejeitados na forma de despacho de efls. 338/339. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 02/08/2012 (efl. 340) para fins de ciência da rejeição dos embargos, sua Procuradoria apresenta, em 07/08/2012 (efl. 412), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 341 a 363 e anexos). São duas as matérias objeto de questionamento pela Recorrente: a) Preclusão administrativa do tema de retroatividade benéfica da multa: Defende a Fazenda Nacional que a retroatividade benéfica não poderia ser observada pela autoridade julgadora, uma vez que teria ocorrido a preclusão pelo fato do contribuinte não ter se insurgido contra a multa aplicada através do lançamento, nem em sede de impugnação nem em sede de Recurso Voluntário. Teria sido ultrapassado o âmbito da litigiosidade definido pela impugnação do contribuição do contribuinte, restando violado o art. 17 do Decreto no. 70.235, de 05 de maio de 1972, ressaltando a recorrente a necessidade de aplicação subsidiária dos arts. 108, 302 e 460 do CPC e defendendo a existência de julgamento extra petita pelo Acórdão recorrido. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 29/09/2009, no Acórdão 130100.214, de lavra da 1a. Turma Ordinária da Câmara da 3a. Câmara da 1o. Seção deste CARF, e, ainda, em relação ao decidido, em 05/07/2012, no Acórdão 910100.540, de lavra da 1a. Turma desta CSRF, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 130100.214 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCUMPRIMENTO DO ART. 142 DO CTN. INOCORRÊNCIA Eventuais erros na apuração da matéria tributável e na aplicação da penalidade, se existentes, devem ser tratados como mérito, e não são causa de nulidade dos lançamentos. ESCRITA CONTÁBIL REFEITA APÓS O LANÇAMENTO.DESCABIMENTO. Não cabe o refazimento da escrita contábil, após o lançamento, para incluir receitas e despesas não originalmente contabilizadas. Não se há de invalidar o lançamento por eventos que decorreram de culpa exclusiva da autuada. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 429 4 DETERMINAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL APROVEITAMENTO DE CUSTOS E DESPESAS NÃO CONTABILIZADAS. Incabível dedução de custos e despesas do valor da omissão de receitas apurada pela fiscalização, quando a autuada não demonstra a vinculação desses gastos coma receita omitida, nem tampouco que eles já Mio teriam sido aproveitados naapuração do resultado do exercício. MULTA QUALIFICADA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento,por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para contagem do prazo dcadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme art.173, I, do CTN. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Garcia Feres (Suplente Convocado), que dava provimento parcial para reduzir a multa de oficio ao percentual de 75% e o Conselheiro Valmir Sandri que, alem de votar pela redução da multa, acolheu a decadência para o PIS e a Cotins em relação aos fatos geradores ocorridos até agosto de 2002, inclusive, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acórdão 910100.540 CSSLExercício: 2003 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, ante a não Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 430 5 comprovação de divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma, forçoso o não conhecimento do recurso pautado no inciso II do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.Recurso Especial do Procurador Provido. Decisão: pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos temros do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Karen Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho e Susy Gomes Hoffmarm. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Alega a recorrente que: a) não se trata de aplicar a retroatividade benigna, pois não houve a superveniência de qualquer diploma legislativo no decorrer do procedimento administrativo. Cuidase, na decisão recorrida, em verdade, de reformar o trabalho da auditoria fiscal, sem qualquer insurgência expressa e específica por parte do autuado, tendo em vista que o Fisco, ao efetuar o lançamento, já levou em consideração as disposições da MP nº 449, de 2008 para aplicação da multa. Não se aplica ao caso o disposto no art. 106 do CTN, pois não se trata de aplicar a fatos passados legislação nova, cujo advento ocorreu no decorrer do procedimento fiscal. Ademais, inaplicável o inciso II, do art. 106 do CTN que reclama para sua incidência “ato não definitivamente julgado” e como ocorreu a preclusão da matéria em face da falta de impugnação, sequer se instaurou a fase litigiosa do procedimento, sendo definitiva sua exigência; b) Tal matéria relativa à multa imposta, destaquese mais uma vez, não foi ventilada de forma explícita e específica, na impugnação do sujeito passivo, conforme se observa pelo teor da peça de fls. 286/291. Em conseqüência, não se instaurou litígio em relação à matéria. A falta de impugnação da matéria também fica evidente no recurso voluntário; c) Defende que se operou, no caso, a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nos dispositivos citados, estáse a indicar que o Processo Administrativo Fiscal seguirá os mesmos princípios adotados pelo Código de Processo Civil, dentre eles, o do ônus da impugnação específica dos fatos e da sanção processual pela inércia do interessado no momento adequado (preclusão); d) Assim, houve um julgamento extra petita, uma vez que julgadores do Colegiado a quo analisaram argumentos que estão fora de alcance neste processo administrativo, tendo em vista que não foram objeto de questionamento específico e de pleito expresso pelo interessado, no momento processual oportuno. Requer, assim, a nulidade do acórdão no ponto em que se pronuncia sobre matéria alcançada pela preclusão, que não foi objeto de insurgência pelo sujeito passivo, devendo ser decretada a definitividade da multa tal qual lançada. b) Retroatividade benéfica da multa: Alegase, no pleito, ainda, divergência em relação ao decidido em 04/02/2009, no Acórdão 20601.782, de lavra da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, de ementa e decisão a seguir transcritas: Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 431 6 Acórdão 20601.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) Antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 432 7 com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. a.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. a.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. Cita ainda que tal sistemática encontrase respaldada pelo disposto na Instrução Normativo RFB no. 1027, de 22/04/2010; b) Assim, quanto aos fatos geradores ocorridos antes do advento da MP nº 449/2008, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada instrução normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Para o período posterior à entrada em vigor da MP nº 449/2008, devese aplicar o art. 35A da Lei nº 8.212/91, na esteira do que ficou assentado no Relatório Fiscal (item 4, alínea “e”). Nesse contexto e considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa nº 1.027/2010, conforme se vê pelo teor do Relatório Fiscal, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. Requer, assim, quanto à matéria, que, caso superada a preliminar de preclusão levantada, seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido de forma que o lançamento seja mantido em sua integralidade, prevalecendo a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, tudo em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa nº 1.027, de 2010. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 414 a 419. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 433 8 Cientificada em 20/05/2015 (efl. 422), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Quanto à preclusão administrativa citada, entendo assistir razão à recorrente. Entendo que, uma vez tendo sido aplicada a multa em sede de lançamento consoante o arcabouço normativo vigente desde a época da ocorrência do fato gerador até o momento de lançamento, a superveniência de legislação mais benéfica quanto à penalidade aplicada não se trata mais de matéria de ordem pública, mas sim de matéria vinculada a direito patrimonial disponível do contribuinte, que, destarte, necessariamente deve ser alegada no momento processual oportuno (desde que não se tratando de ato definitivamente julgado), sob pena de preclusão. Em linha com tal entendimento, também é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 658.715/RS, em caso análogo ao presente, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ICMS. MULTA. APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM SEDE DE APELAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. I É o autor que fixa, na petição inicial, os limites da lide, sendo que o julgador fica adstrito ao pedido, juntamente com a causa de pedir, sendolhe vedado decidir aquém (citra ou infra petita), fora (extra petita) ou além (ultra petita) do que foi pedido, nos termos do artigo 460 do CPC. II Se o julgador de primeiro grau fica adstrito ao pedido, também é vedado ao Tribunal, em sede de apelação, decidir fora dos limites da lide recursal. Embora a apelação seja o recurso de maior âmbito de devolutividade, há limites do mérito do recurso, que fica restrito às questões suscitadas e discutidas no primeiro grau de jurisdição. III No caso em debate, ao Tribunal de origem era defeso conhecer da matéria relativa à aplicação da lei tributária mais benéfica, levantada somente em grau de recurso, suprimindo um grau de jurisdição, por não se tratar de questão de ordem pública, mas de direito patrimonial disponível. (grifei) IV Somente seria possível o reconhecimento da aplicação da lei tributária mais benéfica, em segundo grau de jurisdição, se o autor tivesse formulado um pedido genérico de redução da multa Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10315.001005/201040 Acórdão n.º 9202006.468 CSRFT2 Fl. 434 9 na inicial dos embargos de devedor, ou, ao menos, suscitado a questão antes do julgamento de primeira instância. V Recurso especial provido. Ali, o Ministro Relator, em feito análogo, é bastante claro em esposar o entendimento também aqui defendido, verbis: (...) Somente em sede de apelação, o autor, inovando a lide, pleiteou a aplicação retroativa da lei mais benéfica. Ressaltese que a Lei nº 10.932/97 foi editada em data anterior ao julgamento de primeira instância, proferido em 14/08/2000. Entendo que ao Tribunal de origem era defeso conhecer da matéria levantada somente em grau de recurso, suprimindo um grau de jurisdição, por não se tratar de questão de ordem pública, mas de direito patrimonial disponível.(grifei) Assim, conheço da preliminar levantada pela Procuradoria e dou provimento ao pleito fazendário para, com fulcro no art. 17 do Decreto no. 70.235, de 1972, reconhecer a preclusão administrativa relativa à matéria de retroatividade benéfica da multa, visto que não questionada nem na impugnação de efls. 286 a 291 e nem no Recurso Voluntário de efls. 308 a 313, e, assim, para declarar a definitividade da multa tal como lançada e mantida pelo Acórdão da autoridade julgadora de 1a. instância, de efls. 296 a 302. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 434DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.003738/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 09/07/2007 a 27/08/2008
RECLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Placas de processamento gráfico para computadores, consideradas como unidades da posição 84.71, classificam-se no código NCM 8471.80.00.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3401-004.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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IMP. EXP. S/A e OUTRO ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 09/07/2007 a 27/08/2008 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Placas de processamento gráfico para computadores, consideradas como “unidades” da posição 84.71, classificamse no código NCM 8471.80.00. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 37 38 /2 01 0- 39 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 358 2 Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração, lavrados em 08/10/2010 (fls.1 2/69), para exigência de créditos tributários relativos às diferenças de recolhimentos dos Imposto de Importação II (R$ 1.218.167,06); Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Importação (R$ 1.433.791,58); PIS/PASEP Importação (R$ 9.875,95) e COFINS Importação (R$ 45.488,98), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, referente à reclassificação fiscal de operações de comércio exterior, na importação de placas de vídeo (ou adaptador gráfico de vídeo ou processador gráfico), envolvendo Declarações de Importarão DI do período de 09/07/2007 a 31/10/2008, conforme DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) do Auto de Infração. A exigência foi cientificada aos sujeitos passivos solidários: LOGISTIC NETWORK TECHNOLOGY COM. IMP. EXP. S/A, em 29/10/2010, (AR à fl. 140); e MYATECH INDUSTRIA COMERCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, em 09/11/2010, (AR à fl. 141). Nos quadros DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS) dos Autos de Infração, às fls. 13/14, 26/27, 38/39 e 50/51, restou consignado que: foi procedida a revisão das Declarações de Importarão DI registradas em outra NCM que não 8473.30.49 de 09/07/2007 até 27/08/2008 e 8471.80.00 a partir de 28/08/2008 até 31/10/2008, recalculando os tributos devidos em cada caso. NCM II IPI PIS/PASEP COFINS 8473.30.49 16% 15% 1,65% 7,60% 8473.30.43 0% 2% 1,65% 7,60% 8471.80.00 12% 15% 1,65% 7,60% Após considerações quanto às diversas interpretações ao longo do tempo, sobre outras classificações admitidas por algumas Soluções de Consulta 2 e de Divergência, a acusação fiscal cita que a IN RFB nº 740, de 02/05/2007, cria efeitos "inter partes", bem como limita seus efeitos temporais, concluindo por reclassificar as mercadorias, objeto das importações, para NCM 8473.30.49 de 09/07/2007 até 27/08/2008 entendendo admitida como correta, conforme orientação da COANA; e para NCM 8471.80.00 a partir de 28/08/2008 até 31/10/2008 em razão da publicação da IN RFB nº 873 3, entendendo, a partir de então, somente permitirse essa classificação para placas de vídeo ou adaptador gráfico de vídeo ou ainda processador gráfico. Cientificadas do Auto de Infração, LOGISTIC NETWORK TECHNOLOGY COM. IMP. EXP. S/A, em 29/10/2010, (AR à fl. 140), e MYATECH INDUSTRIA COMERCIO E SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, em 09/11/2010, (AR à fl. 141), apresentaram respectivas impugnações, em 25/11/2010 (fls. 143/188) e 08/12/2010 (fls. 226/282), nas quais alegam, em síntese emprestada da decisão recorrida: 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. 2 Solução de Consulta n° 210, de 08/08/2008, da DIANA 9ª RF, admitia a NCM 8473.30.43. 3 INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB Nº 873, DE 26 DE AGOSTO DE 2008 (DOU de 28/08/2008) Aprova o texto dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) e adota decisões correspondentes. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 359 3 "Informam que placas de vídeo são itens de hardware responsáveis pela geração das imagens que são exibidas na tela do computador, videogames, smartphones, etc. A GPU (Graphics Processing Unit Unidade de Processamento Gráfico), também chamada de chip gráfico, tratase do componente mais importante de uma placa de vídeo, responsável pela execução de cálculos e rotinas que resultam nas imagens exibidas no monitor de vídeo do computador. Aduz que as GPU não são meras unidades de processamento, devendo, assim, estar enquadradas na NCM 8473.30.43, porque não são máquinas automáticas; não são leitores magnéticos; não têm funcionalidades sozinhas, ou seja, como placas gráficas que são, precisam de um computador para poder funcionar. A própria descrição da NCM 8473.30 menciona que as partes e acessórios das máquinas da posição 84.71, estariam ligados à NCM 8473. Além disto, como descrito no texto do código eleito, além de também utilizar um microprocessador, está acoplado com um dissipador de calor. Defende que as GPU são partes e acessórios de máquinas de processamento principal, as quais são um conjunto de elementos e componentes distintos que se denominam microcomputadores, da posição 8471. E, apesar de possuir um processador na composição da placa gráfica, bem como haver chips de memória, não possui qualquer utilidade de forma isolada. Estas placas aceleradoras de processamento de vídeo servem para acelerarem o processamento gráfico, otimizando as informações processadas pelo processador central e por vários componentes da placa mãe, a qual está conectada. Alega que o Parecer 8471.80/2 da OMA, constante na coletânea de Pareceres internalizada no Brasil pela IN RFB nº 873/08, não contempla as placas gráficas porque estas não são dotadas de placas de áudio, nem é utilizada para transportar dados externos para o microcomputador armazenar e tratar tais dados. Afirma que em caso de dúvida deveria ser aplicada a classificação mais benéfica ao contribuinte. Argui que realizou suas operações de importação observando os critérios jurídicos veiculados pelo Fisco com a publicação da Solução de Consulta n° 210 da DIANA da 9ª. Região Fiscal, datada de 08/08/2008, que determinava a classificação na NCM 8473.30.43 (placas de microprocessamento com dispositivo de dissipação de calor) para o material, pois tratava de item correspondente aos ora autuados. Assim, a retroatividade de alteração de critério jurídico ofende ao Código Tributário Nacional e ao princípio da segurança jurídica, surpreendendo o contribuinte de boafé. Aduz que o teor da IN RFB nº 873 não inova entendimentos, sendo mera repetição da IN nº 615 de 2006, portanto, anterior à solução de Consulta n° 210, não havendo que se falar em ato normativo superveniente. Ressalta que o art. 14 do CTN apenas prevê hipóteses de revisão de lançamento em caso de culpa, omissão, dolo ou fraude do contribuinte ou de terceiro que tenha acarretado em erro da Administração Tributária, o que inexistiu neste caso. E, caso se admitisse como correto o novo posicionamento adotado pela Administração Tributária na posição 84.71 , este apenas poderia ser exigido a partir da publicação da Solução de Divergência n° 06, ou seja, a partir de 20/07/09, sendo válida apenas para eventos futuros. Aduz que se está diante de nulidade insanável já que aperfeiçoado o denominado erro de direito. Afirma que tanto a IN RFB 873 de 28/08/08, quanto a Solução de Divergência n° 6 de 20/07/2009 (que reformou a Solução de Consulta n° 210), baseiamse em material diverso, com características de funcionalidade diferenciadas, para admitir Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 360 4 a NCM 8471.80.00. Alega ser absurdo construir uma similaridade entre as referidas placas conversora de sinal, de funcionalidade complementar, e as placas de vídeo que viabilizam a operacionalidade do computador. Frisa que o procedimento de consulta não possui efeitos normativos, produzindo efeitos apenas entre os integrantes da relação jurídica. Nesse sentido, não poderia o Fisco lavrar autuação a esta contribuinte que não participou da relação jurídica abarcada pelo processo de Consulta, ainda que esta tenha espontaneamente optado por seguir a orientação veiculada. Alega que, para classificar as placas de vídeo, devese observar o disposto na Instrução Normativa RFB n° 807, de 11 de janeiro de 2008, que aprovou o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadoria, Anexo Único, Seção XVI (Nota 2 da Seção). As placas não podem ser consideradas como uma unidade funcional, pois não possuem funcionalidade autônoma, dependendo da ação da CPU, e mais do que fazendo parte intrínseca do sistema, viabilizam a geração de imagens à tela do computador. Esta posição se alicerça ao se analisar as Notas referentes ao Capítulo 84 do SH, pois as placas de vídeo importadas não se apresentam em gabinete próprio ou invólucro, não são próprias para formação de um sistema, não constituem uma unidade autônoma funcional. São, outrossim, parte da Unidade de Processamento Principal, realizando parte de suas atribuições no concernente ao processamento de vídeo e aceleração gráficas. Frisa que é ao conjunto todo de elementos que se dá a denominação de Unidade Funcional, classificável na posição 84.71. Aduz que, conforme o disposto nas Notas da posição 8471, as placas de vídeo são partes da máquina de processamento e que nenhuma das suas subposições apresenta qualquer similaridade com o material ora analisado. Em contrapartida, a posição 8473, guarda estreita consonância com as placas de vídeo, quando analisadas de forma de composição de conjunto constitutivo de unidade de processamento de dados, pois se assemelham às placasmãe e às placas de memória que, embora processem e armazenem dados, são partes de máquinas da posição 8471, mas não se confundem com unidades autônomas. Insurgese contra à imposição da multa, pois apesar de não ter o condão normativo de vincular terceiros, caso prevaleça a conclusão de que estava adstrito ao entendimento da Solução de Consulta n° 210, os efeitos da presente classificação só teriam validade a partir da data de 20/09/2009, data da publicação da Solução de Divergência n° 06. Assim, estando a classificação anterior correta, não há que se falar em penalidade. E, caso mantida sua aplicação, considerando o percentual de 75% como abusivo e confiscatório, e dado que toda a problemática surge em razão de alteração de critério jurídico pela própria Administração Tributária, requer, alternativamente, sua redução a 20%, teto existente para a multa de mora. Requer seja considerado insubsistente o Auto de Infração impugnado, bem como requer a juntada ulterior de provas, inclusive com apresentação de quesitos para realização de eventual perícia e diligência fiscal." (grifei) A decisão de primeira instância, proferida em 19/04/2013 (fls. 297/312) é pela procedência em parte da impugnação, para excluir todos os tributos e penalidades lançadas relativas aos fatos geradores referentes às DI registradas no período de 09/07/2007 a 18/08/2008, objeto de reclassificação fiscal para NCM 8473.30.49. Acordou a DRJ: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 361 5 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 09/07/2007 a 31/10/2008 REVISÃO ADUANEIRA. A Fazenda Nacional tem o direito de efetuar a revisão aduaneira no período de 5 (cinco) anos a contar do registro da Declaração de Importação. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação da multa de ofício pela falta de pagamento dos impostos na data prevista na forma da legislação de regência, objeto de lançamento fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não houve apresentação de recurso voluntário, tendo sido o crédito mantido (R$ 637.057,45 e acréscimos legais) pelo referido Acórdão, transferido para o processo nº 10909.721928/201384, conforme Termo de Transferência (fls. 320/321), para prosseguimento na cobrança. Por força de recurso necessário, o crédito exonerado (R$ 2.070.266,12 e acréscimos legais), nos termos do art. 34, do PAF Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e Portaria MF nº 03/08, revogada pela Portaria MF nº 63/174 foi submetido à apreciação do CARF. É o relatório. 4 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Cuidase de recurso de ofício, onde o valor desonerado supera o de alçada, atendendo os requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 362 6 Vejamos os fundamentos da decisão recorrida, responsáveis pela exoneração de parcela do crédito tributário e objeto do presente reexame necessário: "Assim, o produto sob análise incluise na posição 8471, nos termos do texto da referida posição e das Notas Explicativas acima transcritas, completandose a classificação no código NCM 8471.80.00 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados, por não existirem desdobramentos regionais, da Tarifa Externa Comum/TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 43/2006, publicada no DOU de 26/12/2006. Procedentes, portanto, os lançamentos dos tributos exigidos para as DI registradas em 23/10/2008 e 31/10/2008. Sendo devida a exigência dos tributos, tornase cabível também a multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. (...) Entretanto, tem razão a impugnante quando argui que não houve mudanças no ordenamento legal que justificassem as divergências de entendimento exaradas pelo fisco. Esta mercadoria deveria ser classificada no código acima NCM 8471.80.00 – em todo o período objeto da presente autuação, não podendo o lançamento ser motivado por Solução de Consulta que o contribuinte não fez parte. Assim, devem ser excluídos todos os tributos e penalidades lançadas relativas aos fatos geradores referentes às DI registradas no período de 09/07/2007 a 18/08/2008, para o qual o fisco promoveu a reclassificação fiscal no indevido código NCM/TEC 8473.30.49. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário apurado, para excluir todos os tributos e penalidades lançadas relativas aos fatos geradores referentes às DI registradas no período de 09/07/2007 a 18/08/2008." Quanto às razões apontadas, nessa ordem, pela decisão recorrida de oficio : (i) mercadoria deveria ser classificada no código NCM 8471.80.00, em todo o período objeto da presente autuação; (ii) não poderia o lançamento ser motivado por Solução de Consulta que o contribuinte não fez parte; e (iii) o fisco promoveu a reclassificação fiscal no indevido código NCM 8473.30.49; passo a avaliálas. A respeito de não poder o lançamento ser motivado por Solução de Consulta que o contribuinte não fez parte, não entendi que isso tenha ocorrido quanto à parcela exonerada pela decisão recorrida: fatos geradores referentes às DI registradas no período de 09/07/2007 a 18/08/2008, por reclassificação fiscal no código NCM 8473.30.49. Acontece que para a reclassificação no código NCM 8473.30.49, a acusação fiscal simplesmente afirma: "Admitiase como correta a NCM 8473.30.49 conforme orientação da COANA", não apontando a fonte da citada orientação e não mais fazendo referência à essa classificação fiscal nos fundamentos da acusação, simplesmente, ao final, concluindo ter procedido a revisão das DI registradas em outra NCM que não 8473.30.49 até 27/08/2008, em razão da publicação da IN RFB nº 873, em 28/08/2008, passando a reger a matéria. Pelo contrário, a acusação fiscal é no sentido de não poder o contribuinte, no período de 09/07/2007 a 18/08/2008, valerse da Solução de Consulta DIANA 9ªRF n° 210, de Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 363 7 08/08/2008, que admitia a NCM 8473.30.43, exatamente por não ter feito parte; por ter sido reformulada pela Solução de Divergência n° 6, de 20/07/2009; e posteriormente adequada pela Solução de Consulta DIANA 9ª RF n° 413, de 28/04/2010; todas alinhandose à IN RFB nº 873/2008, indicando como correta uma outra classificação: NCM 8471.80.00. A respeito do fisco ter promovido a reclassificação fiscal no indevido código NCM 8473.30.49, devendo a mercadoria ter sido classificada no código NCM 8471.80.00, em todo o período objeto da presente autuação, concluiu a decisão recorrida que o que se classifica na posição 84.73, como “parte” de uma máquina da posição 84.71, são aqueles artigos que, embora destinados a uma máquina de processamento de dados, não possam ser considerados como sendo “unidades” da posição 84.71. 84.71 Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas noutras posições. 8471.80.00 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados 84.73 Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas ou aparelhos das posições 84.69 a 84.72. 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71 8473.30.4 Circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montados 8473.30.43 Placas de micro processamento, mesmo com dispositivo de dissipação de calor 8473.30.49 Outros Vejamos os fundamentos da decisão recorrida nesse ponto: "Tratase de placa de vídeo, também chamada de adaptador de vídeo ou aceleradora gráfica, que, grosso modo, serve para enviar sinais do computador para o monitor que os transforma em imagens. Esta placa de processamento gráfico para computadores é formada, normalmente, de uma placa de circuito impresso com microprocessador gráfico (GPU) e demais componentes elétricos e eletrônicos montados, com interface e conversor digital/analógico, além de memória própria. No caso específico, ainda, apresentase acoplada com um dissipador de calor. Portanto, resolvese a primeira incongruência, porque a placa de vídeo aqui tratada não se confunde com um de seus componentes – o GPU – como pretende a impugnante. Logo, é incorreta a classificação adotada no código NCM 8473.30.43 placas de micro processamento com dispositivo de dissipação de calor. Este código seria utilizado caso o microprocessador fosse conectado diretamente na placamãe (placa onboard), que é uma solução bem mais simples e não utiliza uma memória dedicada, como nas placas offboard. (...) Desta forma, o que se classifica na posição 84.73, como “parte” de uma máquina da posição 84.71, são aqueles artigos que, embora destinados a Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10909.003738/201039 Acórdão n.º 3401004.334 S3C4T1 Fl. 364 8 uma máquina de processamento de dados, não possam ser considerados como sendo “unidades” da posição 84.71, tal como ocorre com as “partes” intrínsecas da unidade central de processamento, como, por exemplo, a placamãe, os módulos de memória e as placas de micro processamento, destinadas ao processamento central da máquina automática de processamento de dados. Assim, o produto sob análise incluise na posição 8471, nos termos do texto da referida posição e das Notas Explicativas acima transcritas, completandose a classificação no código NCM 8471.80.00 Outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados, por não existirem desdobramentos regionais, da Tarifa Externa Comum/TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 43/2006, publicada no DOU de 26/12/2006." Compondo as placas de processamento gráfico para computadores: de um circuito impresso com microprocessador gráfico (GPU) e demais componentes elétricos e eletrônicos montados, com interface e conversor digital/analógico, além de memória própria, ainda, acoplado com um dissipador de calor, são perfeitamente consideradas como sendo “unidades” da posição 84.71, sendo reservada a posição 84.73, as “parte” de uma máquina da posição 84.71, infra detalhadas na composição da unidade de processamento em análise. Assim, ratificando a decisão recorrida e utilizando dos mesmos critérios de classificação fiscal de mercadorias, nela descritos às fls. 303/310, voto por negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão a quo pelos seus próprios fundamentos, no sentido do fisco ter promovido a reclassificação fiscal no indevido código NCM 8473.30.49, devendo a mercadoria ter sido classificada no código NCM 8471.80.00, em todo o período objeto da presente autuação. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720472/2010-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DE DESPESA COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA. SNCSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO.
Configurada a decadência, com a consequente homologação tácita do pedido de compensação, não há como convalidar a adição de receita à base de cálculo da CSLL para rever a apuração do crédito declarado para compensação, nem, tampouco, considerar glosa de despesas dedutíveis na verificação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1402-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao saldo negativo no ano-calendário de 2007 no montante de R$ 19.896.716,56; homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza, que votou por negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-16T23:28:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2018-03-16T23:28:16Z; dcterms:modified: 2018-03-16T23:28:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2018-03-16T23:28:16Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-16T23:28:16Z; meta:save-date: 2018-03-16T23:28:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-16T23:28:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6.859 1 6.858 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720472/201097 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.850 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO Recorrente RECOFARMA INDUSTRIA DO AMAZONAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. DEDUTIBILIDADE DE DESPESA COM PUBLICIDADE E PROPAGANDA. SNCSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. Configurada a decadência, com a consequente homologação tácita do pedido de compensação, não há como convalidar a adição de receita à base de cálculo da CSLL para rever a apuração do crédito declarado para compensação, nem, tampouco, considerar glosa de despesas dedutíveis na verificação da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao saldo negativo no anocalendário de 2007 no montante de R$ 19.896.716,56; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Souza, que votou por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 72 /2 01 0- 97 Fl. 6859DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias. Fl. 6860DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.860 3 Relatório Versa o presente processo sobre PER/DCOMP (fl.5/28) onde o contribuinte indica crédito saldo negativo CSLL referente ao anocalendário 2007 no montante de R$ 19.896.716,56 para compensar débitos próprios. Os PER/DCOMP estão relacionados a seguir: Por intermédio do Parecer SEORT/DRF/MNS Nº 532 e respectivo Despacho Decisório de 29/09/2011 (fl.38/46), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, por conseguinte, resultaram não homologadas. Como fundamento para não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem alegou que “...NÃO foi confirmada a BASE NEGATIVA da CSLL relativa ao anocalendário de 2007, no valor de R$ 19.896.716,56 (dezenove milhões, oitocentos e noventa e seis mil, setecentos e dezesseis reais e cinqüenta e seis centavos).” Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 29/09/2011 (fl.46), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 31/10/2011 (fl.59/61), via procuradores, alegando: Fl. 6861DF CARF MF 4 Fl. 6862DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.861 5 O processo administrativo em questão foi baixado em diligência via Despacho DRJ/BEL nº 17 de 06/02/2012 (fl.90/92) para as seguintes providências por parte da unidade de origem: A unidade de origem proferiu o Relatório de Diligência designado “Parecer SEORT/DRF/MNS nº 00413/2015” (fl.3341/3360) e “Despacho Decisório” de 08/06/2015 (fl.3361/3363), não reconhecendo o direito creditório nos seguintes termos: Fl. 6863DF CARF MF 6 Acerca das Despesas de Propaganda e Publicidade, o Relatório de Diligência assim diz: Fl. 6864DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.862 7 Fl. 6865DF CARF MF 8 Fl. 6866DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.863 9 Tendo tomado ciência do “Parecer SEORT/DRF/MNS nº 00413/2015” e respectivo “Despacho Decisório” em 24/08/2015 (fl.3369), o contribuinte apresentou manifestação (fl.3373/3391), via procuradores (fl.3392/3406), alegando sinteticamente que: 1) A dedutibilidade das despesas operacionais com propaganda e publicidade se deu nos exatos limites da legislação; 2) Existe impossibilidade de glosa, via Despacho Decisório em sede de compensação, de despesas operacionais informadas na DIPJ; 3) Muito embora o lançamento seja um ato privativo da autoridade administrativa, nos termos do art.142 do CTN, as próprias normas que regem a modalidade de lançamento por homologação (CTN, art.150) atribuem ao sujeito passivo a obrigação de verificar a ocorrência do fato gerador, o cálculo do tributo devido e sua natureza e até mesmo possíveis penalidades que lhe possam ser aplicadas; 4) Como a homologação consiste num ato de chancela da Administração, é intuitivo que referida providência recais exclusivamente sobre a atividade material realizada pelo contribuinte em substituição à autoridade fiscal (o lançamento em si), e não sobre o pagamento ou compensação do tributo; 5) Após o decurso de prazo de 5 anos previsto no art.150, §4º, do CTN, a Administração não pode mais recalcular as bases do IRPJ e da CSLL apuradas e declaradas pelo contribuinte via DIPJ; 6) A DIPJ referente ao anocalendário 2007 está tacitamente homologada; Fl. 6867DF CARF MF 10 7) Homologada tacitamente a DIPJ, a tarefa da DRF, neste momento, está restrita ao exame dos pressupostos formais das DCOMP`s e confrontação dos valores declarados como devidos na DIPJ com os valores retidos, pagos e compensados; 8) Não se está a negar a possibilidade de a autoridade fiscal rever o saldo negativo usado pela contribuinte nas compensações (embora existam vozes no CARF que até isso defendem), mas sim que essa revisão deve partir das bases de cálculo já declaradas na DIPJ, não se podendo, a esta altura, glosar despesas operacionais informadas naquela declaração, pois as despesas não são tratadas diretamente nas DCOMP`s; 9) Em recente decisão, datada de 05/02/2015, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, por ocasião do julgamento do recurso voluntário apresentado nos autos do processo nº 13896.000930/200323, expôs tese idêntica à presente, tendo iniciado seu voto da seguinte forma; 10) O voto foi então concluído da seguinte maneira Fl. 6868DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.864 11 11) Embora o Despacho Decisório não tenha se fundado na suposta divergência de números entre a DIPJ e os seus livros contábeis, a contribuinte não pode se furtar a demonstrar a total impropriedade das acusações feitas pela autoridade fiscal; 12) Segundo a autoridade fiscal, os gastos com publicidade lançados nas rubricas 821000000, 825000000, 8256000000 e 827000000, de acordo com o balancete, somariam R$ 1.788.677.458,50, enquanto o valor declarado na DIPJ seria de apenas R$ 1.196.885.645,75, uma diferença de R$ 591.791.812,75; 13) Não há divergência de números. O que ocorreu foi que o fiscal computou apenas os lançamentos a débito no balancete, deixando de considerar os lançamentos a crédito. O valor declarado na DIPJ a título de despesa de publicidade corresponde ao resultado da diferença entre esses dois lançamentos; 14) Por exemplo, o valor lançado a débito na rubrica 825000000 foi de R$ 1.479.504.659,35. Entretanto, na mesma rubrica registrouse a crédito R$ 506.525.028,52. Assim, o resultado final dessa conta foi somente de R$ 972.979.630,83; 15) O mesmo vale para as supostas diferenças a título de receitas de vendas e revendas no mercado interno e compras de insumos: a prevalecer os números apontados pelo Fiscal, as despesas seriam majoradas em cerca de R$ 13 milhões em relação ao que constou da DIPJ; 16) Acerca das despesas com propaganda e publicidade, o Despacho Decisório admite a possibilidade, em tese, da sua dedução. Restringese a alegar que os Fl. 6869DF CARF MF 12 produtos objeto dessa despesa não guardariam relação direta com a atividade explorada pela contribuinte; 17) A contribuinte faz parte de um conglomerado de empresas denominado “Sistema Cocacola”, que é composto, basicamente, pela CocaCola Indústria Ltda (CCIL), com sede no Rio de janeiro e única subsidiária de The CocaCola Company (estrangeira), e que, por sua vez, também tem a sua subsidiária, a empresa Recofarma Indústria do Amazonas, produtora e vendedora dos concentrados aos fabricantes de refrigerantes, que possuem dedicação exclusiva aos produtos da marca “CocaCola”; 18) Os concentrados, fabricados pela impugnante, são vendidos a empresas ditas fabricantes/engarrafadoras – a quem, por contrato, a Companhia (CCIL) concede o direito ao uso de suas marcas – para fabricação final dos refrigerantes e à sua negociação, dentro de um determinado território, prévia e contratualmente estabelecido; 19) Em contrapartida, os fabricantes/engarrafadores têm dedicação exclusiva à fabricação e negociação dos produtos CocaCola; 20) Os concentrados fabricados pela impugnante, se não utilizados para a composição do refrigerante (produto final) da marca “CocaCola”, tornamse completamente imprestáveis para consumo, do que já se pode concluir, numa análise intuitiva, que eles não possuem, sozinhos, nenhum apelo comercial. Sequer podem ser vendidos a terceiros pelos fabricantes/engarrafadores; 21) Como a contribuinte faz parte de um grupo de empresas que, em caráter de exclusividade, produz o refrigerante em duas etapas (concentrado e elaboração da bebida), é certo concluir que ela poderá deduzir os custos com a propaganda do produto final, pois este é mesmo o único anúncio que pode ser contratado (o do refrigerante). E é evidente que o incremento na venda do refrigerante tem reflexo direto na venda do concentrado; 22) Havendo nítida interação mercadológica entre a companhia estrangeira, a sua única subsidiária brasileira (CCIL), sua subsidiária em Manaus (impugnante) e os fabricantes exclusivos e précontratados, temse a necessária justificativa para que se proceda a uma divisão de custos e despesas, visando sempre ao crescimento do “negócio comum” entre essas sociedades; 23) A contribuinte reproduz alguns trechos/cláusulas do “contratomodelo” que ela mantém com os fabricantes do refrigerante, para que o argumento não fique sem uma prova concreta; Fl. 6870DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.865 13 Fl. 6871DF CARF MF 14 24) O acordo também prevê que esses fabricantes não podem atuar em outros mercados, contratar com terceiros ou mesmo fazer qualquer concorrência à bebida por eles produzida; Fl. 6872DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.866 15 25) À luz dessas limitações, os engarrafadores ainda são responsáveis em parte pela divulgação e promoção do produto final, cujo concentrado é adquirido diretamente da impugnante; 26) Dessa forma, se a propaganda é “a difusão ou a vulgarização de alguma coisa pela soma de meios de publicidade utilizados pelo comerciante, para que divulgue ou torne vulgarizados ou conhecidos suas mercadorias ou produtos”, não há dúvidas de que ela deve ser feita somente sobre o produto acabado, sendo ilógico imaginar um anúncio a respeito de algo que não pode ser consumido; 27) Não existe concorrência entre as subsidiárias e os fabricantes/engarrafadores, o que, de certa forma, também inviabilizaria a publicidade do produto comercializado pela impugnante ; Fl. 6873DF CARF MF 16 28) A questão já foi analisada pelo CARF, tendo aquele Conselho decidido favoravelmente à dedutibilidade das despesas com propaganda e publicidade pela impugnante, mesmo ela não tendo fabricado diretamente o refrigerante objeto dos anúncios 29) Transcrevemos parte do voto proferido nos autos do processo nº 10283.003068/200245, referente a recurso voluntário oferecido pela RECOFARMA; Fl. 6874DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.867 17 Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Fl. 6875DF CARF MF 18 De acordo com a decisão a quo foi dada procedência parcial ao pedido da autuada, restando, portanto, não reconhecido o direito creditório (R$ 19.896.716,56 ), relativo ao SNCSLL, do ano calendário de 2007, não tendo sido acatado o pedido referente à homologação das compensações. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. PROPAGANDA E PUBLICIDADE. São dedutíveis as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, assim entendidas aquelas essenciais e usuais ou normais a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas às fontes produtoras de rendimentos. DESPESAS PROPAGANDA E PUBLICIDADE. RATEIO. GLOSA. Dada a ausência de informações concretas sobre os percentuais assumidos pelos participantes do rateio, inexistência de contrato escrito com a participação expressa da manifestante e comprovação dos efetivos pagamentos a título de reembolso, devese efetuar a glosa correspondente. DESPACHO DECISÓRIO. GLOSA. DESPESAS OPERACIONAIS. O prazo de cinco anos para a efetivação do lançamento não se aplica para fins de análise do direito creditório, dada a necessidade de se comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A análise do direito creditório prescinde da realização de diligência/perícia, não se valendo tal instrumento para suprir eventuais provas que deveriam ter sido trazidas pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade. DIFERENÇAS DE VALORES. COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Comprovadas as diferenças de valores e diante da falta de justificativa pelo interessado, os montantes que impactam o resultado do exercício devem ser adicionados ao lucro líquido. Inconformada, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (e fls. 3494 3520) a esta Colenda Turma, pedindo preliminarmente a anulação da decisão da DRJ e o despacho decisório da DRF, ante a impossibilidade de revisão do saldo negativo de 2007 sem lançamento fiscal próprio para essa finalidade e dentro do prazo decadencial. Todavia, a Recorrente pleiteia o provimento do recurso para reconhecer que a suposta divergência de números entre documentos fiscais e DIPJ não constituiu fundamento do despacho decisório, não podendo a DRJ adicionar a apontada diferença de faturamento ao lucro líquido, sob pena de violar o devido processo legal, caso a preliminar seja ultrapassada. Fl. 6876DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.868 19 Alega, ainda, de forma alternativa em seus pedidos, que se reconheça que ela teve o seu direito de defesa cerceado, uma vez que não teve acesso à íntegra do processo administrativo, o que impede que a decisão da DRJ de adição ao lucro líquido produza efeitos. Por fim, reivindica no caso de não provimento de nenhum dos pedidos acima expostos, que o provimento se dê pelo reconhecimento da não procedência das divergências apontadas pelo fiscal, sendo fruto de mero erro na interpretação de dados. Requer também o deferimento de prova pericial, para que seja demonstrada a regularidade das despesas de propaganda deduzidas ou, ao menos, para reconhecer que o lucro líquido da contribuinte não pode ser superior àquele já reconhecido no processo administrativo nº 10283.720410/201085, homologandose, por consequência, as DCOMPs finais 6501, 7805, 1706 e 4053. Registrese, ainda, no tocante ao trâmite processual que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 6877DF CARF MF 20 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de compensação de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2007, DIPJ 2008. O crédito tributário pleiteado, foi negado através do r. despacho decisório (p. 38/46). Apresentada a manifestação de inconformidade de p. 59/61, a DRJ determinou a baixa dos autos em diligência (p. 90/92) e, através de novo despacho decisório (p. 3361/3363), embasado no Parecer de p. 3341/3360, não foi reconhecido o crédito pleiteado pelo contribuinte. Apresentada nova manifestação de inconformidade (p. 3373/3391), a DRJ, através do v. acórdão de p. 3464/3489, reconheceu a dedutibilidade de despesas com publicidade e propaganda da contribuinte, mas glosou parte das referidas despesas correspondente à “Propagando Terceiros – Diversos”, no montante de R$ 835.521.948,55, restando uma despesa dedutível de R$ 361.363.697,20. Quanto à diferença de valores apontada pela fiscalização, notadamente à receita declarada em DIPJ2008 e o apurado de acordo com os arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte, determinou a adição da diferença verificada na apuração da CSLL, no importe de R$ 1.497.927,24. As demais diferenças não impactaram no resultado final, razão pela qual não foram consideradas nos recálculos feitos pela DRJ, que não apurou qualquer saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2007 e, consequentemente, mantendo a não homologação das compensações declaradas. O contribuinte, mediante recurso voluntário (p. 3494/3520), reitera a impossibilidade de glosa de despesas, via despacho decisório, em sede de compensação, alegando homologação tácita da DIPJ/2008 apresentada e a decadência pelo decurso do prazo de cinco anos (cita precedentes da 4ª Turma – Acórdão 1402001.776, de relatoria do i. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Acórdão 1402002.151, de relatoria do i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto). Ressalta, por fim, que decisão da mesma DRJ, no processo administrativo nº 10283.720410/201085, que trata do saldo negativo de IRPJ do mesmo período do saldo negativo de CSLL destes autos, validou grande parte das despesas dedutíveis constantes de seu balancete, não podendo se negar os efeitos daquela decisão sobre o presente caso. É relevante, de fato, que a partir de uma mesma DIPJ, no qual se apurou saldo negativo de IRPJ e de CSLL, para uma situação, no caso, o IRPJ, haja a concordância da autoridade fiscal quanto à dedutibilidade de despesas com publicidade e propaganda em sua totalidade (processo administrativo nº 10283.720410/201085) e, em relação à CSLL, essa dedutibilidade seja contestada (nestes autos). Por outro lado, naqueles autos não se questionou a receita oferecida à tributação; neste foi apontada divergência no valor oferecido em relação ao levantamento realizado nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte. Fl. 6878DF CARF MF Processo nº 10283.720472/201097 Acórdão n.º 1402002.850 S1C4T2 Fl. 6.869 21 O que se observa, em ambos os casos, é que a DIPJ 2008 apresentada pela Recorrente é a mesma em ambos os processos administrativos, assim como o Balancete produzido pela fiscalização – às p. 233/257 nestes autos e às p. 220/244 naquele. A divergência, ao ver deste Julgador, decorre exclusivamente do enfoque dado pelo fiscal responsável pela análise de cada processo na DRF de origem. Neste processo, partindo para a primeira divergência que se entende relevante, o i. fiscal produziu a planilha de p. 1417/2271, concluindo, ao final, que há uma diferença de R$ 1.497.927,24 de receita não oferecida à tributação na DIPJ 2008 por parte da contribuinte. De fato, os esclarecimentos prestados pelo contribuinte em seu recurso voluntário não justificam essa diferença e, numa primeira análise, caberia a adição desse valor na base de cálculo da CSLL para a apuração do valor devido e, consequentemente, do saldo negativo pleiteado pelo contribuinte através da PER/DCOMP de p. 5/28, nos moldes defendidos no v. acórdão recorrido. Essa diferença, contudo, não foi objeto do despacho decisório de p. 3361/3363, o qual não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte tendo em vista que “as despesas de propaganda e publicidade não guardam relacionamento direto com a atividade econômica desenvolvida pela empresa” (p. 3361), tendo sido exarado em junho/15. O acórdão da DRJ, por sua vez, foi exarado em sessão de junho/16. A DIPJ base deste processo administrativo foi transmitida pelo contribuinte em agosto/2009. Ou seja, há um prazo superior a cinco anos entre a data de entrega da DIPJ2008 por parte do contribuinte e as decisões que apontam uma diferença na receita tributável que, no entender da fiscalização, deveria ter sido oferecida à tributação. Esta Turma, em recente julgamento, no qual este Julgador esteve presente Acórdão 1402.002.151, sessão de 05 de abril de 2016, citado e transcrito, em excerto, pelo contribuinte em seu recurso voluntário, firmou o seguinte entendimento: A semelhança com o presente caso é direta: o pedido de compensação não tem o condão de reabrir prazo decadencial referente a alterações na base de cálculo de tributo Fl. 6879DF CARF MF 22 ou contribuição que se submetam ao prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Desta forma, decorrido o prazo decadencial, não pode mais a autoridade fiscal, em análise de pedido de compensação, adicionar receita à base de cálculo da CSLL para apurar o tributo devido e verificar a consistência do crédito pleiteado pelo contribuinte a título de saldo negativo de CSLL. Na mesma linha de raciocínio, a glosa de despesa dedutível por falta de comprovação (no caso, despesas rateadas) também não poderia interferir na verificação da certeza e liquidez do crédito trazido à compensação pelo contribuinte, decorrido o prazo decadencial para homologação tácita de tributo sujeito ao lançamento por homologação. No entanto, mais do que esse argumento, no presente caso já ocorreu outro julgamento, pela mesma DRJ de Belém, no qual as despesas dedutíveis com publicidade e propaganda, declaradas pelo contribuinte em DIPJ (p. 1342), no importe de R$ 1.196.885.645,75, foram consideradas totalmente dedutíveis para fins de apuração do IRPJ devido e consequente verificação dos créditos de saldo negativo de IRPJ pleiteados pelo contribuinte no processo administrativo nº 10283.720410/201085, não se justificando, neste julgamento, questionar a sua dedutibilidade, por uma questão de coerência e decorrência lógica. Ademais, o contribuinte, anexo ao seu recurso voluntário, apresentou os documentos de p. 3521 a 5717, nos quais se observa aditivos aos contratos de fabricação firmados, no qual as partes confirmam a coresponsabilidade nas medidas tendentes ao estímulo do incremento das vendas dos produtos e a obrigação da Recorrente em pagar um incentivo comercial pelo incremento de vendas, bem como planilhas de encontro de contas, na medida que as partes, entre si, são devedoras e credoras de valores, de acordo com esses instrumentos contratuais. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto para afastar a adição de receitas e glosa de despesas determinada no v. acórdão recorrido, reconhecendo integralmente os créditos de saldo negativo de CSLL anocalendário 2007, apurado na DIPJ 2008 e, consequentemente, homologando integralmente as compensações declaradas na forma das PER/DCOMP de p. 5/28. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 6880DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900800/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano calendário:2004
CSLL.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.745
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, aprecie a DCOMP levando em consideração o erro de preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.900800/200800 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.745 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria DCOMP ELETRONICO SALDO NEGATIVO DO CSLL Recorrente TUBESP TUBOS ESPIRAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 CSLL.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, aprecie a DCOMP levando em consideração o erro de preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 46DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13888.900800/200800 Acórdão n.º 140200.745 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TUBESP TUBOS ESPIRAIS LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao período de 02/2004. Por meio de despacho decisório, foi indeferido o pedido, e declarada não homologada a compensação, ante constatação de que o valor do alegado saldo negativo do imposto, informado em PER/DCOMP, diverge daquele informado em DIPJ, em relação ao mesmo período de apuração. Cientificada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese: a) que “conforme documentos em anexo (ficha da DIPJ), a empresa tem crédito suficiente para quitação do débito, no qual a Receita pode constatar facilmente por acesso a seus arquivos no processamento”; b) que “em nenhum momento a Receita deu a chance para a empresa retificar a PER/DCOMP em referência, o que poderia e pode sanar a questão facilmente”. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, por supostamente demonstrada a insubsistência do débito, e procedida a compensação de ofício ou dada nova oportunidade para apresentação de PER/DCOMP retificadora. A decisão recorrida está assim ementada: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para reexame de decisões sobre pedidos de restituição e compensação limitase à matéria objeto do pedido, apreciada pela autoridade competente, sob pena de supressão de instância processual administrativa. DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13888.900800/200800 Acórdão n.º 140200.745 S1C4T2 Fl. 0 3 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13888.900800/200800 Acórdão n.º 140200.745 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Verifiquei que nesta data está sendo julgado o recurso interposto pela contribuinte no processo 13888.900800/200800, conexo a este, cuja relatoria está a cargo do ilustre conselheiro Leonardo Henrique M. de Oliveira. Analisei os fundamentos do voto condutor apresentado naquela decisão, com os quais concordei, sendo assim, peço licença àquele Relator para transcrevelos e adotalos: “Consoante relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo de recolhimentos do IRPJ do ano de 2003, tendo o contribuinte informado na DCOMP que seria do ano de 2004. O pleito do contribuinte foi indeferido pela DRF de origem sob o fundamento de que o valor originalmente pleiteado nas DCOMP, relativo ao ano 2003 seria inexistente. O contribuinte apresentou então manifestação de inconformidade, alegando erro no preenchimento da DCOMP, sendo que o direito creditório seria do ajuste anual de 2002. Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância: Vale destacar que a possibilidade de retificação de informações prestadas na Declaração de Compensação, aventada pela recorrente, encontrase expressamente prevista na Instrução Normativa n.º 360, de 24 de setembro de 2003, e legislação posterior, nos termos seguintes: Art. 6º O Pedido Eletrônico de Restituição, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento e a Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.1 (ou versão anterior) e transmitidos à SRF poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP 1.1, desde que o pedido ou a declaração se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º. Verificase que o pleito da interessada tem por objeto compensação de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao período de 01/01/2004 a 31/01/2004, para quitação de débito(s) de IRPJestimativa, apurado(s) em 01/2004. Cabem aqui duas observações. Primeiramente, tendo a contribuinte optado, no anocalendário de 2004, por regime de apuração do IRPJ pelo lucro real anual, e considerando o regime legal de apuração do imposto, regulado pelo RIR/99, somente após o encerramento do ano calendário de 2003, em 31 de dezembro, estaria configurada a apuração de eventual saldo negativo (ou de imposto a pagar). Ha que se considerar que, na realidade, o alegado indébito referese a saldo negativo anual supostamente apurado ao final do anocalendário de 2004, e não no período de 01/01/2004 a 31/01/2004, como indicado em PER/DCOMP. Em segundo lugar, verificase que o(s) débito(s)cuja compensação se pleiteia refere(m)se a estimativa mensal do imposto, concernente Fl. 49DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13888.900800/200800 Acórdão n.º 140200.745 S1C4T2 Fl. 0 5 ao período de janeiro do mesmo anocalendário (2004). Por tratarse de mera antecipação do imposto, que integra a própria apuração do valor devido ao final do anocalendário, como acima demonstrado, resta evidente a impossibilidade lógica do pedido em exame, já que o alegado indébito (saldo negativo de IRPJa/c 2004) comporta, em sua apuração, o(s) débito(s) que se pretende compensar (IRPJ estimativa, 01/2004).. De outra parte, na peça impugnatória em exame, a interessada indica crédito distinto daquele informado em PER/DCOMP, supostamente apurado no ano calendário de 2003, conforme cópia de ficha de DIPJ juntada aos autos, o qual pretende seja considerado para compensação no presente processo. Resta assim evidenciado que o pleito da contribuinte, manifesto na defesa, não é outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que à evidência constitui inovação ao pedido inicial E, como novo pedido, não deve ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque tal pedido não fora previamente dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão. Se assim o fizesse, estaria a autoridade julgadora avocando uma competência que não lhe é atribuída regimentalmente, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em autocompensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. Peço vênia para discordar do entendimento do nobre Relator do Acórdão Recorrido. Isso porque não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de declaração. De fato, o artigo 6o. da Instrução Normativa No. 360/2003, acima transcrito vedaria a retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que Fl. 50DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 13888.900800/200800 Acórdão n.º 140200.745 S1C4T2 Fl. 0 6 seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). No caso do autos o erro no preenchimento é patente: não é crível que o contribuinte pretendesse compensar débitos de estimativas do IRPJ de janeiro de 2004, com saldo negativo de recolhimentos do mesmo tributo naquele periodo (fl. 16). Além disso, o contribuinte faz prova nos autos de que apurou saldo negativo de recolhimento do IRPJ no ajuste anual de 2003 (fl. 4) Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual seja o erro no preenchimento da declaração.” No presente processo, que versa sobre a CSLL a situação é idêntica, tendo a contribuinte incorrido em erro no preenchimento da DCOMP. A toda evidência sua intenção era compensar a estimativa devida em fevereiro/2004 com o saldo negativo do ajuste anual de 2003. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de origem, para que, mediante complementação do despacho decisório, aprecie a DCOMP levando em consideração o erro de preenchimento, adentrando no mérito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 51DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.906973/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES.
De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
Numero da decisão: 1401-002.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindo-se, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES Recorrente LAB HORMON LABORATÓRIO ESPECIALIZADO EM DOSAGENS HORMONAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DE PRESUNÇÃO. EQUIPARAÇÃO A SERVIÇOS HOSPITALARES. De acordo com a definição dada pelo STJ por meio do Recurso Repetitivo nº 217, são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 69 73 /2 00 9- 99 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), que, por meio do Acórdão 03054.200, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo de despacho decisório eletrônico (fl. 15), no qual a compensação realizada no Per/Dcomp nº 14397.98340.310107.1.3.046471, pela empresa acima identificada, não foi homologada por inexistência do crédito compensado, haja vista o pagamento relativo ao DARF ali discriminado, foi integralmente utilizado para quitar débito do IRPJ, PA 30/06/2001, não restando saldo disponível. A contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 17/09/2010 (AR fl. 18). Inconformada, por intermédio de seu procurador (Francisco Ferreira Neto), apresentou manifestação de inconformidade (fls. 21 a 27) em 19/10/2010, na qual transcreve os fatos, dispositivos da legislação tributária e escorandose em jurisprudenciais e manifestações doutrinárias, em síntese, argumenta o seguinte: vinha apurando normalmente o IRPJ e a CSLL com base no lucro presumido aplicando 32% sobre a receita bruta para as prestadoras de serviços em geral. Com a nova redação dada pela Lei n° 10.684/2003, alterou a alíquota de 12% para 32%, exceto para "serviços hospitalares", para a apuração da CSLL; após a edição da IN SRF n° 539/2005 e da resposta a Solução de Consulta (anexa), verificouse que havia pago a maior os tributos de Código 2089 e 2372, nos períodos de 30/10/2000 a 28/07/2005. Em 19/01/2006, formulou vários pedidos de restituição, um para cada pagamento indevido ou a maior. Se valendo da faculdade do contribuinte, ao invés de aguardar o depósito em conta bancária do valor a restituir optou pela compensação; a forma da apuração do IRPJ e da CSLL, nos períodos de 2000 em diante, foram externadas nas DCTF relativas à época, no entanto, como a IN/SRF e a Solução de consulta só foram dadas em 2005/2006, mas de conteúdo interpretativo e retroativo, as DCTF não mais condizem com a verdade dos fatos; com a edição da IN/SRF n° 539 de 25/04/2009, que deu nova redação ao artigo 27, da IN/SRF n° 480/2004, a interessada foi equiparada a "serviços hospitalares". Assim, começou a apurar o seu IRPJ e a CSLL pela alíquota de 8% e de 12%, respectivamente; os impostos e as contribuições já pagas foram recalculadas e se verificou pagamentos maior os tributos devidos. Assim, providenciou o Pedido de Restituição por meio do programa Per/DComp, devidamente informado em suas Declarações de compensação; uma vez que a IN/SRF n° 539/2005 atribuiu nova interpretação a lei em vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência da lei em questão; uma vez que já havia pago os respectivos DARF e lançado em DCTF o valor recolhido, bem como o valor apurado, segunda a legislação na época, o sistema da Receita Federal do Brasil não foi capaz de identificar o pagamento a maior; Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 4 3 para se verificar o pagamento a maior, a fiscalização deverá examinar a aplicação das novas alíquotas nas bases de cálculos já conhecidas pela RFB, onde se constatará que cada pedido de restituição realizado corresponde a um DARF pago à maior. Por ultrapassar o qüinqüênio, está impedida de prestar estas informações através de retificadora de DCTF; não bastasse toda a legislação que dá amparo legal para que procedesse a compensação com estes novos créditos apurados, resta ainda trazer à baila o Comunicado SEORT n° 831/2006, que dá ciência da SOLUÇÃO DE CONSULTA, elaborado especialmente pela interessada (anexo), no Processo Administrativo n° 10805.000720/200403; a resposta ofertada à consulta contém uma interpretação autorizada que garante a segurança jurídica da consultante. A própria solução apresentada orienta o contribuinte a proceder com o novo enquadramento e reconhece o pagamento a maior efetuado ao longo do tempo; o Ato de NãoHomologação deve ser anulado e a fiscalização deve oportunizar a interessada em prestar esclarecimentos quanto ao montante apurado, com os devidos documentos fiscais que podem ser livremente exigidos por intimação; a 1N/SRF nº 791, de 10/12/2007, revogou a redação dada pela IN/SRF nº 539/2005, do artigo 20, da IN/SRF nº 480/2004. Ocorre que a nova interpretação só surtirá efeito após 10.12.2007, enquanto os pedidos de restituição foram realizados antes da nova interpretação e na vigência da resposta a consulta; outro não é o entendimento do Conselho de Contribuintes que conclui assim, certo de ter demonstrado que mesmo diante de uma infinidade de normas tributárias que cercam a interessada, esta não procurou obter vantagem indevida ou se aproveitar do instituto da restituição e da compensação para se livrar de suas obrigações tributárias. Pelo contrário, formulou o pedido de consulta e só depois da orientação dada pela autoridade competente é que procedeu aos pedidos eletrônicos de restituição e as declarações de compensação. Por fim, requer seja conhecida e julgada procedente esta interposição, anulando a decisão administrativa que nãohomologou as compensações realizadas, restaurar e manter os efeitos da extinção do crédito tributário compensado. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 03054.200, de 22 de agosto de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da empresa, conforme a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para serem considerados serviços hospitalares, as atividades dos contribuintes que desejem usufruir do benefício legal de redução de alíquota, em face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração tributária, devem atender cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos normativos, devidamente comprovada mediante documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 5 4 Cientificada da decisão da DRJ na data de 04/11/2013 via ARECF de efls. 73 e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 04/12/2013 (efls. 83 a 92), conforme protocolo de efl. 83, repetindo basicamente os argumentos apresentados na impugnação, mas precipuamente atacando a decisão da DRJ nos seguintes pontos: É ausente, no v. acórdão, qualquer menção, ainda que de passagem, de que a recorrente não teria direito à aplicação dos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente para a determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por não atender aos requisitos exteriorizados. E nesse ponto, peca a decisão, que deixou de analisar concretamente o caso para apenas expor a legislação tributária de caráter geral. Noutras palavras, para exemplificar, é como negar um pedido à uma empresa sob o fundamento de que somente indústria pode formular tal pedido, sem se perguntar se a empresa é, ou não, indústria. Outrossim, a recorrente reproduz a ementa da DRJ, que indica que o fundamento para indeferir o direito creditório pautase na falta de apresentação de documento expedido pela vigilância sanitária estadual e municipal. E conclui com o seguinte: Nobres Julgadores, o direito creditório deve ser reconhecido exatamente pelos mesmos fundamentos que o negaram, e para comprovar, segundo restou consignado na decisão hostilizada, que o fato se subsume à norma, faz juntar os documentos expedidos pelos órgãos de vigilância sanitária, responsáveis pela fiscalização e controle de cada um dos estabelecimentos da recorrente. Assim, não havendo divergência quanto ao direito invocado e aplicado, a questão se resume à matéria de fato, cuja prova conduz à reforma da decisão combatida. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.246, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10805.902133/201091. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.246): O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No presente processo, devese avaliar se a atividade exercida pela empresa se enquadra no conceito de atividades hospitalares, para que possa tributar o IRPJ e a CSLL se servindo da base de presunção de tais atividades. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, convém reproduzir a legislação vigente à época dos fatos geradores apurados, incluídas suas alterações posteriores, aplicada às empresas que exercem atividades hospitalares (Lei nº 9.249/1995): IRPJ Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (Vide Lei nº 11.119, de 205) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... CSLL Art. 20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 7 6 jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014 (Vigência) Como se pode ver, a redação contemporânea à realização dos fatos geradores permitia que os serviços hospitalares poderiam se enquadrar nas alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) para o IRPJ e CSLL, respectivamente. É de se notar, também, que não havia nenhuma outra condição para tal enquadramento. Em resposta à consulta formulada por meio do processo administrativo nº 10805.000720/200403, a Receita Federal estabeleceu as seguintes condições para que a empresa pudesse se enquadrar nas atividades de serviços hospitalares. Veja as conclusões da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT/Nº 273, de 15 de agosto de 2006 (efls. 46 a 53): (início do trecho da conclusão da Solução de Consulta) 19. Diante do exposto e com base nos atos legais citados, solucionase presente consulta informando à consulente o seguinte: 19.1. à prestação de serviços hospitalares aplicamse os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para fins de determinação das bases de calculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sabre o Lucre Liquido, respectivamente; 19.2. serviços hospitalares são aqueles prestados por empresário ou sociedade empresaria que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; (destaquei) 19.3. não se consideram serviços hospitalares aqueles prestados exclusivamente pelos sócios da pessoa jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza cientifica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam o Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 8 7 concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a pessoa jurídica, prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido aplicarseá o percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. (destaquei) (término do trecho da conclusão da Solução de Consulta) Como visto, para que a empresa pudesse ter o direito ao enquadramento nas alíquotas de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), além de exercer uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela Resolução RDC nº 50, de 2002, entendeu a Receita Federal que também deveria possuir estrutura física condizente com o disposto no Item 3 da Parte II da retrocitada resolução, devidamente comprovada por licença sanitária estadual ou municipal. Independentemente das atividades exercidas pela recorrente, vejo que a licença sanitária municipal mais remota apresentada licença nº 0208/2003 remete aos idos de 2003 (10/06/2003), período posterior ao crédito aqui solicitado. Desta forma, se fosse seguir o que dispõe a solução de consulta, não haveria como atestar que, no período objeto dos créditos solicitados, a recorrente se enquadrava nas condições estabelecidas pela Receita Federal. Não obstante o entendimento exarado pela Receita Federal, todavia, não posso compartilhar com tal decisão. O STJ, por meio da resolução constante no Recurso Repetitivo nº 217, entendeu que a atividade hospitalar caracterizase tão somente pela prestação de serviços de atendimento à saúde, e independe do local de prestação, excluindose desta regra, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar, veja: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 1 Dentre forma, os serviços de diagnóstico, tratamento, internação, desenvolvidos nos hospitais ou (inclusive) fora deles, enquadramse como serviços hospitalares nos termos do art. 15, III, "a" e art. 20, ambos da Lei nº 9.249/1995. 1 extraído do seguinte endereço eletrônico: http://www.stj.jus.br/repetitivos/temas_repetitivos/pesquisa.jsp Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10805.906973/200999 Acórdão n.º 1401002.256 S1C4T1 Fl. 9 8 Como a alegação da Receita Federal e da DRJ para o indeferimento do crédito pleiteado pela empresa pautouse na falta de apresentação de licença sanitária contemporânea aos fatos geradores e, uma vez vencida tal proposição pelo STJ, concluo que a referida empresa se enquadra no conceito de serviços hospitalares, podendo usufruir das alíquotas de presunção de 8% (oito por cento) e de 12% (doze por cento), para o IRPJ e CSLL, respectivamente, razão pela qual proponho dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.940587/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 14/01/2005
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.875
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 14/01/2005 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 14/01/2005 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 05 87 /2 01 1- 48 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.940587/201148 Acórdão n.º 3302004.875 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.350. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.940587/201148 Acórdão n.º 3302004.875 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.940587/201148 Acórdão n.º 3302004.875 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.940587/201148 Acórdão n.º 3302004.875 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.940587/201148 Acórdão n.º 3302004.875 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 145DF CARF MF
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