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Numero do processo: 13819.001425/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990
CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI rege-se pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulá-lo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa.
Numero da decisão: 3302-005.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990 CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI rege-se pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulá-lo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa.
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PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulálo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 25 /2 00 9- 18 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, relativo ao período de apuração de janeiro 1984 a dezembro de 1990. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "Tratase de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI instituído pelo artigo 1° do DecretoLei nº 491/69, formulado em meio papel em 28/09/2009 (fls. 02/10), no valor corrigido de R$ 2.601.445.621,27, em face de exportações realizadas nos períodos de apuração de janeiro/1984 a dezembro/1990, A Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo indeferiu o pleito, mediante o Despacho Decisório de fls. 180/190, em razão do prazo prescricional de cinco anos para requerer o ressarcimento, contados a partir do embarque para as exportações, e porque o estímulo fiscal teria sido extinto em 30/06/1983. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 195/213, alegando que: em razão da natureza financeira do benefício fiscal, o prazo decadencial é de 20 anos, não estando sujeito à prescrição/decadência tributária de 5 anos; o créditoprêmio vigorou até 05/10/1990, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. O Acórdão 1462.510, da 2ª Turma da DRJ/JFA, Sessão de 26 de agosto de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1984 a 31/12/1990 CRÉDITOPRÊMIO. PRESCRIÇÃO. A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito de postulálo em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a do protocolo da requisição administrativa. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3402003.224, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, de onde, com a devida vênia, adotei as minhas razões de decidir. I Da vigência do créditoprêmio de IPI à luz dos precedente do STF e do STJ O presente processo tem por objeto o pedido de ressarcimento de crédito prêmio de IPI, que teria por base as exportações realizadas pela contribuinte recorrente n período de janeiro de 1984 a dezembro de 1990. Pois bem. Se estivéssemos diante da simples análise se faria jus a recorrente ao créditoprêmio do IPI, de pronto teríamos a apontar que a os períodos de novembro de 1990 e dezembro de 1990, não garantiriam o famigerado crédito, conforme o entendimento exarado sobre o assunto pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 577.3485/RS Repercussão geral). Entretanto, a matéria cingise na ocorrência ou não de ocorrência de decadência quanto a possibilidade de se requerer o crédito. Os períodos de apuração indicados pela recorrente são os de janeiro de 1984 a dezembro de 1990, sendo certo que o pedido de ressarcimento, carreado com documentos que demonstrariam o crédito, foi protocolado em 28/09/2009, ou seja, se contarmos do último período de apuração, lá se foram 19 anos aproximadamente. Assim, entendo que a decadência do direito de se realizar o requerimento de ressarcimento encontrase presente e, por expressa disposição regimental (art. 62, II, d, do RICARF), devo acatar o disposto no Recurso Especial 1.111.148 do STJ, prolatado sob o rito dos recursos repetitivos, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência.Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...). 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 5 4 Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/ RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13819.001425/200918 Acórdão n.º 3302005.690 S3C3T2 Fl. 6 5 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ; REsp 1111148/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 08/03/2010) (g.n.). Desta forma, considerando que esta presente a decadência quanto a possibilidade de se requerer o créditoprêmio indicados nos períodos de janeiro de 1984 a dezembro de 1990, nos termos das decisões dos E. Tribunais Superiores, não há outra saída senão reconhecer a improcedência do pleito da contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13146.000061/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a contradição existente entre a ementa e as demais partes do acórdão embargado.
Numero da decisão: 2401-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102-002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EMENTA Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a contradição existente entre a ementa e as demais partes do acórdão embargado.
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CONTRADIÇÃO. EMENTA Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a contradição existente entre a ementa e as demais partes do acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 14 6. 00 00 61 /2 00 6- 68 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13146.000061/200668 Acórdão n.º 2401005.558 S2C4T1 Fl. 103 2 Relatório Cuidase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, conforme fls. 97/98, contra o Acórdão nº 2102002.521, de 16/04/2013, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual está juntado às fls. 91/95. 2. Alega a embargante que o acórdão apresenta contradição entre a ementa, que negou provimento ao recurso voluntário, e o voto, o qual deu provimento ao recurso. 3. Os autos digitais foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 17/10/2014, que interpôs os embargos de declaração em 05/11/2014 (fls. 96 e 99). 4. Tendo em conta que os embargos foram opostos contra decisão de Turma extinta, assim como o redator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a sua admissibilidade foi analisada pelo Presidente da 2ª Seção, a qual o referido colegiado estava subordinado. 5. Recebidos os aclaratórios, determinouse a sua inclusão em pauta de julgamento, após novo sorteio de relatoria, com vistas à devida apreciação para saneamento do vício apontado pela Fazenda Nacional (fls. 100/101). É o relatório Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 6. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos declaratórios, passo à avaliação de mérito (art. 65, § 1º, e art. 66, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 1 7. Pois bem. O relator, conselheiro Rubens Maurício Carvalho, deu provimento ao recurso voluntário, o que foi acompanhado pela unanimidade do colegiado, segundo consta no resultado do julgamento. 7.1 Para melhor entendimento, reproduzo abaixo o resultado do julgamento e a conclusão do voto do relator, que mantém coerência com os fundamentos da sua decisão (fls. 91 e 94/95): 1 Tempestividade, conforme §§ 3º, 5º e 6º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13146.000061/200668 Acórdão n.º 2401005.558 S2C4T1 Fl. 104 3 (...) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator e Presidente em exercício (..) Voto (...) Assim, entendo que o recorrente fez a prova necessária, apresentando a homologação judicial de separação com a determinação do pagamento da pensão alimentícia e sendo os valores compatíveis considerandose as atualizações necessárias, correta a sua dedução na declaração de rendimentos apresentada pelo recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. 8. Por outro lado, de maneira contraditória, a redação da ementa do julgado nega provimento ao recurso voluntário (fls. 91): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Incabível para fins de dedução do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física a pensão alimentícia fixada em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, quando não comprovados, por meio de documentação hábil, os efetivos pagamentos. Recurso Voluntário Negado 9. Como se observa do julgado, há proposições inconciliáveis entre si no acórdão embargado, cujo saneamento deverá ocorrer através da alteração da redação da ementa, nos termos a seguir indicados, de tal modo a manter harmonia com o restante do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13146.000061/200668 Acórdão n.º 2401005.558 S2C4T1 Fl. 105 4 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Para fins de declaração anual de rendimentos, cabível a dedução de pensão alimentícia quando comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, a fixação da pensão em decisão judicial ou acordo homologado e os efetivos pagamentos pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos declaratórios e ACOLHO os aclaratórios, sem efeitos modificativos, para sanar a contradição no Acórdão nº 2102002.521, de 16/04/2013, mediante a retificação da sua ementa. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.001250/2007-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, restou comprovado nos autos que o contribuinte incorreu em falta e/ou insuficiência de recolhimento. A sanção cabível é a aplicação das multas
isoladas. Irrelevante por expressa disposição legal se o contribuinte veio a apurar base negativa do tributo ou mesmo se o tributo devido foi integralmente quitado, ao final do período de apuração anual.
Numero da decisão: 1301-000.405
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Waldir Veiga Rocha para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: Ricardo Luiz Leal de Melo
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10120.001250/2007-39 Recurso n° 165.097 Voluntário Acórdão n° 1301-00.405 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2010 Matéria Multas Isoladas Recorrente HYPERMARCAS INDUSTRIAL LTDA. Recorrida 2' TURMA/DRJ-BRASILIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, restou comprovado nos autos que o contribuinte incorreu em falta e/ou insuficiência de recolhimento. A sanção cabível é a aplicação das multas isoladas. Irrelevante por expressa disposição legal se o contribuinte veio a apurar base negativa do tributo ou mesmo se o tributo devido foi integralmente quitado, ao final do período de apuração anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Ricardo Luiz Leal de Melo (relator), Andre Ricardo Lemes da Silva e Valmir Sandri. Designado o Conselheiro Waldir Veiga Rocha para redigir o voto vencedor. Waldir Veiga Rocha Redator Designado i Processo ri° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórao n.° 1301-00.405 Fl. 2 EDITA : Oa L20)2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jackson da Silva Lucas, André Ricardo Lemes da Silva e Leonardo de Andrade Couto. Relatório HYPERMARCAS INDUSTRIAL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com parte do Acórdão n° 03-21.608, de 20 de julho de 2007, da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasilia/DF, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata-se de autuação de IRPJ e CSLL decorrente de glosas de despesas com a contratação da empresa Incentive House para a administração de um programa de incentivo ao batimento de metas e estimulo à produtividade por meio de premiação via o fornecimento de cartões de débito Flexcard. Tais despesas foram consideradas pela Fiscalização como desnecessárias e com o único intuito de evitar o pagamento de IRRF e Contribuição Previdencidria, assim como de reduzir o IRPJ e CSLL devida. Por conta disso, a multa de oficio foi agravada. Ademais, houve a imposição de multas isoladas pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL. Intimada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação alegando basicamente o que segue 1. Preliminarmente — nulidade da autuação por cerceamento de defesa tendo em vista (i) o inadequado o enquadramento legal das infrações, bem como (ii) a insegurança jurídica por tipificação deficiente; e 2. No mérito — (i) as glosas de despesas não foram devidamente motivadas, (ii) o Fisco não pode interferir na administração do negócio, (iii) a multa isolada é descabida já que os tributos devidos já haviam sido recolhidos á. época da autuação, assim como (iv) o agravamento de multa não merece prosperar pois não houve intenção de fraude uma vez que todos os atos foram escriturados. A 2 Turma da DRJ em Brasilia/DF analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 03-21.608, de 20 de julho de 2007 (fls. 462/478), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA - IRPJ • Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRPJ E CSLL. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. ENQUADRAMENTO LEGAL INCOMPLETO DA INFRAÇÃO. REJEIÇÃO DA PRELIMINAR - 0 auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que RAI2' 2 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 3 implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a impugnante revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. IRPJ E CSLL. PAGAMENTO DE COMISSÕES A EMPRESA CONTRATADA PARA GERIR PROGRAMA DE PREMIO PRODUTIVIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO, POR PARTE DO FISCO, DA DESNECESSIDADE DA DESPESA. AFASTAMENTO DA GLOSA. 0 Ato Administrativo de Lançamento requer seja produzida a prova da ocorrência de fato que, inequivocadamente, se subsuma à hipótese descrita na norma jurídica. A fundamentação da glosa de custos ou despesas operacionais realizadas c contabilmente apropriadas pelo sujeito passivo há de ser acompanhada de elemento probatório, produzido pela fiscalização, de que os gastos suportados não são necessários à atividade da empresa ou à. manutenção da fonte produtora dos rendimentos. MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E DA CSLL SOBRE BASE DE CALCULO ESTIMADA. A falta de pagamento do 1RPJ e da CSLL, devidos por estimativa mensal, enseja a aplicação de multa isolada, conforme prevista na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte. Ciente da decisão de primeira instância em 20/11/2007, por meio de seu patrono à fl. 504, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 506. No recurso interposto (fls. 506/522), a recorrente reitera, mais ou menos corn as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação no que tange às multas isoladas. o Relatório. Voto Vencido Conselheiro RICARDO LUIZ LEAL DE MELO, Relator 0 recurso é tempestivo e dele conheço. Encerrado o período de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter razão de ser, urna vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real, revelando-se improcedentes as multas isoladas. Neste sentido transcrevo abaixo acórdão desta Corte. Número do Recurso: 156076 Camara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 13839.001168/2006-25 3 Processo n° 10120.001250/2007-39 S I-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 4 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: LAFARGE ROOFING BRASIL LTDA. Recorrida/Interessado: 2 TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Data da Sessão: 24/05/2007 Relator: Antonio Carlos Guidoni Filho Decisão: Acórdão 103-23036 Resultado: DPM - DAR PROVIMENTO POR MAIORIA Texto da Decisão: Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes que o provia ern parte para reduzir a multa isolada para 50% (cinquenta por cento). A contribuinte foi defendida pelo Dr. Leonardo Mussi da Silva, inscrição OAB/RJ no 069.691. A Fazenda Nacional foi defendida por seu procurador Dr. Sérgio de Moura. Ementa: IRPJ e CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Conforme precedentes desta E. Camara (v.g., Recurso 124.946), a exigência da multa de lançamento de oficio isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calenddrio, de tributo devido a maior do que o recolhido por estimativa. Recurso voluntário provido para afastar a incidência de multa isolada, ante os prejuízos informados em DIPJ pela Recorrente. Publicado no D.O.U. no 230 de 30/11/2007. Ou seja, encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponivel, bem como pelo malferimento do principio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o IRPJ e a CSL nos anos acima citados, conforme se depreende dos demonstrativos de apuração efetuado pela fiscalização, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o fim dos exercícios objetos da autuação, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto efetivamente devido, porquanto, impossível coexistir na ocasião do lançamento duas bases de cálculo para uma mesma exação. Deixo de analisar o recurso de oficio, pois a decisão de primeira instancia foi retificada, por meio da decisão de fls. 491/492, tornando sem efeito a indicação ou menção nela contida quanto a reexame necessário, uma vez que o crédito tributário exonerado ficou bem abaixo do limite de alçada. 4 Por odo o exposto, voto por dar • o im-nts as recurso voluntário. ICARDO L ME 0 — Relator ÇA) Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 5 5 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 6 Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa no que toca as multas exigidas isoladamente. Embora a matéria seja polémica, comportando interpretações divergentes, o entendimento do Colegiado foi de que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. E o que se extrai dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Lei n°8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano-calendário. § 2 0 0 Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. (Redação dada pela Lei n° 9.065, de 1995) § 3° 0 pagamento mensal, relativo ao me' s de janeiro do ano- calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei n° 9.065, de 1995) § 4° 0 Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei n° 9.065, de 1995) Lei n° 9.430/1996: 6 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 7 Art.1° A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1 0 e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1 o 0 imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da aliquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a KS 20.000,00 (vinte mil reais)ficard sujeita incidência de adicional de imposto de renda a aliquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1° e 2° do artigo anterior. §4° Para efeito de determinação do saldo de imposto apagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4° do art. 3° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II -dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III -do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV -do imposto de renda pago na forma deste artigo. 1...1 Art.28.Aplicam-se à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5° a 14, 17 a 24, 26, 55e 71, desta Lei. 7 Processo n° 10120.001250/2007-39 S 1 -C3TI Acórdão n.° 1301-00.405 Fl. 8 A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente A. obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, em sua redação A. época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11-cento e cinqüenta por cento, nos caws de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e,73_da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I -juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; IV -isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano- calendário correspondente; Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea "b". Eis a redação atual do art. 44 da Lei n° 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei V 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Çii 8 Processo n° 10120.001250/2007-39 SI-C3T1 Acórddo n.° 1301-00.405 FL 9 b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (incluída pela Lei n° 11.488, de 2007) No caso em tela, a fiscalização constatou a falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, conforme demonstrativos acostados aos autos. Deve, então, a contribuinte se sujeitar A penalidade que lhe é exigida mediante este processo. Irrelevante se ao final do período de apuração veio a apurar base de cálculo negativa do tributo, como se infere da disposição expressa do texto legal acima transcrito, ou, ainda, se o tributo devido foi integralmente quitado ao final do período de apuração. Para fins da multa isolada, deve ser considerado o montante apurado em cada balanço/balancete de suspensão/redução ou, ainda, com base na receita bruta e acréscimos, e a sanção é aplicável diante do descumprimento do dever de antecipar o tributo, nos montantes determinados em lei. Pelo exposto, a decisão do colegiado é por negar provimento ao recurso voluntário. Waldir Veiga Rocha S- ator Designado P),) 9
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660392/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.793
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 92 /2 01 2- 06 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660392/201206 Acórdão n.º 3401004.793 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720365/2011-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO.
Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por onze meses do ano-calendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.
Numero da decisão: 9101-003.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por onze meses do ano-calendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Ad Hoc (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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OMISSÃO DE RECEITAS. Recorrente C. H. M. DE OLIVEIRA CALÇADOS EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. CONDUTA DOLOSA. COMPROVAÇÃO. Havendo a omissão de receitas sido levada a efeito pelo sujeito passivo por onze meses do anocalendário (recorrência), em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância), e dadas as demais circunstâncias do caso, não há como se admitir que a infração possa ter sido fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Ad Hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 03 65 /2 01 1- 76 Fl. 616DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 614 2 (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Inicialmente esclareço que fui nomeada redatora ad hoc para formalização de acórdão relatado pela Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pela Relatora em sessão de julgamento: nTratamse de autos de infração (Efls. 03 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, relativos a 31.01.2007, decorrente da acusação fiscal de (i) omissão de receitas relacionada à diferença entre depósitos bancários e valores declarados na Declaração Anual Simplificada e (ii) insuficiência de valores recolhidos em função da mudança de faixa de incidência do SIMPLES com a alteração de alíquota, acrescidos de multa qualificada de 150%, porque se considerou reiterada a conduta que se repetiu dentro do ano de 2007. Também em função do que foi imputado como prática reiterada, ao lado fato de que o livrocaixa apresentado não registraria toda a movimentação financeira da empresa, foi formalizada Representação Fiscal para fins Penais sob o n. 15983.720368/201118 e proposta a exclusão da empresa do SIMPLES, o que pode ser melhor detalhado com a síntese do Termo de Verificação Fiscal (Efls. 37 ss.) procedida pelo relatório da decisão de primeira instância: “(…) Sustenta a fiscalização: 1) emissão de Termo de Início de Fiscalização encaminhado ao contribuinte em 25/03/2010; intimando o mesmo a apresentar livros e documentos de sua escrita contábil e fiscal; que, em 07/04/2010, a empresa, em atendimento parcial ao Termo de Início de Fiscalização, apresentou cópias da Declaração de Firma Individual e dos Requerimentos de Empresário; cópias dos comprovantes de retiradas de pro labore; e cópias dos extratos da conta corrente da empresa junto ao banco Itaú S/A, solicitando prazo adicional para apresentação dos demais documentos e livros exigidos; 2) em 19/04/2010, encaminhamento ao contribuinte de Termo de Reintimação Fiscal, reintimandoo a apresentar os livros e documentos que deixaram de serem apresentados, em relação ao Termo de Início de Fiscalização; ciência postal em 26/04/2010; em 11/05/2010, o contribuinte apresentou cópias dos Fl. 617DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 615 3 extratos da conta corrente da empresa junto ao banco Santander S/A e os livros: Caixa n° 08; Razão analítico anual n° 08; Razão analítico mensal n° 08; Registro de Entradas n° 08; e Registro de Saídas n° 08; 3) em 20/07/2011, encaminhamento ao contribuinte de Termo de Intimação Fiscal, intimando a empresa a apresentar esclarecimentos, mediante a apresentação de documentos, acerca da origem de valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósitos ou de investimentos, tendo sido estes relacionados em anexos do referido termo; ciência, pela via postal, em 28/07/2011; 4) em face da fiscalização ter constatado erros de informações nos anexos do termo encaminhado ao sujeito passivo em 20/07/2011, encaminhou ao mesmo, em 23/08/2011, Termo de Reintimação Fiscal, onde a empresa foi, novamente, instada a apresentar esclarecimentos, mediante a apresentação de documentos, acerca da origem de valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósitos ou de investimentos, tendo sido estes relacionados em anexos do referido termo; ciência, pela via postal, em 26/08/2011; em 09/09/2011, o contribuinte solicitou mais 20 dias de prazo para apresentar esclarecimentos, por escrito, e documentos comprobatórios às exigências do Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 23/08/2011. 5) em 29/09/2011, o contribuinte, em atendimento ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 23/08/2011, apresentou esclarecimentos, acompanhado de cópia de contrato de empréstimo firmado junto ao Banco Itaú S/A, a fim de justificar a origem do valor de R$ 450.000,00, creditado, em 27/09/2007, em sua conta corrente junto à referida instituição financeira, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer outros esclarecimentos; 6) do cotejo entre os lançamentos correspondentes às entradas nos livros caixas apresentados (com correspondentes lançamentos de receitas de revendas de mercadorias nos livros razões analíticos e registros de saídas) e os decorrentes de créditos/depósitos efetuados nas contas correntes bancárias do contribuinte fiscalizado, verificouse substancial diferença a maior destes em relação àqueles; que, em razão disso, o contribuinte foi intimado a esclarecer, mediante a apresentação de documentos comprobatórios, a origem dos valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósito ou de investimentos; que o contribuinte esclareceu, mediante a apresentação de documento comprobatório, o crédito, no da 29/07/2007, no valor de R$ 450.000,00 junto ao banco Itaú S/A, como decorrente de empréstimo junto à referida instituição financeira; que, em relação aos demais depósitos e/ou créditos efetuados, não foram apresentados esclarecimentos e/ou documentos esclarecedores de suas origens; 7) que foi efetuada a conciliação bancária, onde foram expurgados esses R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), relativos ao empréstimo comprovado, bem assim, estornos, depósitos de mesma titularidade e outros créditos, em que não houve incidência tributária; que, após efetuada a conciliação, sobraram ainda créditos e/ou depósitos, nas contas correntes bancárias da empresa, que somados, totalizaram R$ 3.279.817,60; 8) que restou observado que, nos livros razões analíticos apresentados pela fiscalizada, poucas foram as contas que receberam lançamentos no ano de 2007, ou seja, que tiveram alguma movimentação contábil no período; que, entre essas contas, estão as únicas contas que receberam as contrapartidas dos lançamentos devedores efetuados na conta "CAIXA", representativos de entradas de recursos, a saber: a conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS" e a conta "VENDA DE MERCADORIAS"; que nesses Fl. 618DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 616 4 livros não há registros de contas representativas de movimentação junto a bancos; que, portanto, o contribuinte optou pelo registro de toda sua movimentação financeira na conta “CAIXA”; 9) que os suprimentos de numerários, lançados na conta "CAIXA", oriundos de lançamentos credores na conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS", totalizaram no ano R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais), sendo este montante compatível com os R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), lançados em 29/07/2007, na conta corrente da fiscalizada junto ao banco Itaú S/A; que os demais suprimentos de numerários, lançados a débito na conta "CAIXA", tiveram como contrapartidas receitas de revenda de mercadorias, ou seja, foram efetuados lançamentos credores na conta "VENDA DE MERCADORIAS", cujo montante foi de R$ 1.485.062,51, enquanto que, no livro registros de saídas, foram assentadas receitas, cuja soma no ano foi de R$ 1.505.603,13; 10) que a vultosa diferença entre o montante anual de créditos/depósitos apurados em conta corrente bancária (R$ 3.279.817,60) e o lançado na escrita contábil da empresa, como decorrente de revenda de mercadorias (R$ 1.485.062,51), demonstra que não foi escriturada, no livrocaixa, toda a movimentação financeira da empresa, relativamente ao período sob fiscalização; que o contribuinte transmitiu à Receita Federal do Brasil RFB Declarações Anuais Simplificadas, referente ao anocalendário de 2007, onde foram informadas receitas que totalizaram, no período, R$ 1.505.603,13, sendo R$ 272.109,16, referente aos meses de janeiro a junho de 2007; e R$ 1.233.493,97, referente ao período de julho a dezembro de 2007, em virtude de opção, pelo contribuinte, no período de janeiro a junho de 2007, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, nos termos da Lei 9.317/96; e, a partir de 01/07/2007, pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, Lei Complementar n° 123/06; 11) que, com exceção do mês de dezembro, em todos os demais meses do ano de 2007, foram apuradas omissões de receitas, ou seja, infração à legislação tributária; que este comportamento habitual, frequente e repetido em omitir receitas por parte do contribuinte, consubstanciouse em costume e, consequentemente, em prática reiterada à legislação tributária; que, pelo fato de a empresa ter incidido em prática reiterada de infração à legislação tributária e de que o livrocaixa apresentado não permite identificar toda a movimentação financeira da fiscalizada, inclusive bancária, foram propostas, através de representações específicas, que a mesma fosse excluída de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com fundamento no artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/96 (processo n° 15983.720366/201111), e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional; com fundamento no artigo 29, incisos Vê VIII, da Lei Complementar n.° 123/2006 (processo n° 15983.720367/201165); com efeitos a partir de 01/02/2007 (inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/96) e 01/07/2007 (§ Io do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006), respectivamente; 12) que foram apuradas as seguintes infrações: a) Omissão de receita Depósitos bancários não escriturados; e b) Insuficiência de recolhimento, essa verificada em função da mudança de faixa de incidência do SIMPLES quando se constatou que a receita mensal omitida somada à receita declarada implicaria na Fl. 619DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 617 5 mudança de alíquota; 13) que os créditos tributários apurados em procedimentos de lançamento de ofício estão sujeitos às multas previstas no art. 44 da Lei 9.430/96 (art. 957 do Decreto 3.000/99 RIR/ 99); que tendo em vista que os lançamentos dos impostos e contribuições foram efetuados em decorrência de omissões de receitas apuradas, nos termos acima descritos, restando, pois, devidamente caracterizada a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar a ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e com isso eximirse dos pagamentos dos impostos e contribuições devidos, restou aplicada a multa de ofício no percentual de 150%, conforme § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, combinado com o art. 71 da Lei n° 4.502/64, no que se refere à tipificação da conduta dolosa; 14) que o conceito de dolo encontrase no inciso I do art. 18 do Código Penal; que, no caso dos autos, a qualificação da multa de ofício justificase pela vontade explícita do sujeito passivo em impedir que o fisco tomasse conhecimento da existência dos valores tributáveis, no decorrer do anocalendário de 2007; que ficou devidamente demonstrada, na ação fiscal, a existência de expressiva soma de depósitos e/ou créditos em contas correntes bancárias, sem origens justificadas, que foram considerados como omissões de receitas e, conseqüentemente, deixaram de ser oferecidos à tributação pela empresa fiscalizada; 15) que está devidamente caracterizada a conduta deliberada do contribuinte fiscalizado em ocultar do conhecimento do fisco parcela significativa de suas receitas mensais, obstando o fisco de ter informações acerca da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e, com isso, eximirse, evitar ou diferir pagamentos de impostos e contribuições devidos; que a manutenção, sob controle paralelo, de fatos econômicos não devidamente contabilizados, levada a efeito por uma conduta reiterada, no transcorrer de quase todo o ano calendário de 2007, compõe um quadro no qual revela o intuito doloso do contribuinte, haja vista a existência de uma atitude com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições; (…)” Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação (Efls. 391 ss.) sustentando que (i) a sua seleção para a fiscalização não teria observado as determinações das Portarias SRF n. 500/95 e 3.007/02, (ii) seriam nulos os lançamentos tributários realizados em face (ii.a) do cerceamento do seu direito de defesa, (ii.b) porque a receita bruta apontada em janeiro de 2007 pela fiscalização corresponderia a vendas tributadas nos últimos meses de 2006, caracterizando o erro na apuração da base de cálculo, (ii.c) em face da utilização de prova ilegítima, diante da impossibilidade de quebra de sigilo bancário e (iii) a aplicação indevida da multa qualifiada de 150%. Diante do trabalho detalhado de relato da decisão de primeira instância, também vale transcrever a síntese realizada sobre as alegações da contribuinte: “DA INVALIDADE DA AÇÃO FISCAL POR INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NAS PORTARIAS N°S 500/95 E 3.007/02, DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL Fl. 620DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 618 6 1) transcreve as Portarias RFB n° 500/95 e nº 3.007/02; que a atividade administrativa de fiscalização exige, em face dos princípios constitucionais da isonomia, da impessoalidade e da imparcialidade, que seja ela dirigida uniformemente aos administrados, devendo ser cumprido rigorosamente o programa de fiscalização, sob pena de, revelando perseguição ou favorecimento, nele incluir contribuintes que não se enquadram nos parâmetros escolhidos, ou dele excluir pessoas que neles se enquadram, respectivamente; que em nenhum momento foi indicado pela fiscalização as razões, ou a origem da fiscalização procedida em relação ao sujeito passivo, restando caracterizados o mero capricho, a perseguição, a animosidade ou puro interesse político; que ocorreu completa inobservância das disposições constantes da Portaria n° 3.007/02; cita artigo doutrinário; DA NULIDADE DOS LANÇAMENTOS TRIBUTÁRIOS EFETUADOS POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. 2) que a fiscalização encaminhou envelope ao sujeito passivo em 14/10/2011 e recebido em 17/10/2011, com um conjunto de documentos, quais sejam: cópia do Termo de Verificação Fiscal, Auto de Infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples; Contribuição Para o PIS/PASEP Simples; Contribuição Para Financiamento da Seguridade Social Simples; Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido Simples e Contribuição Para Seguridade Social INSS – Simples, todos acompanhados dos respectivos demonstrativos de multa e juros de mora, demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta, demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas e termo de encerramento; que, contudo, não foi encaminhada a relação dos depósitos ou créditos que, somados, levaram aos valores tributados, de modo que pudesse identificarlhes a origem, vendose, assim, o contribuinte, completamente cerceado no seu direito de defesa, já que não tem a menor idéia em que se baseou a autoridade administrativa para tributálo; que nenhuma cópia das provas em que dizem estar apoiada a autuação lhe foi fornecida, de modo a permitirlhe verificar a efetiva base de cálculo tributada, cuja falta, em face da sua flagrante importância, cerceou por completo o seu direito de defesa, caracterizando a nulidade de que trata o artigo 12, inciso II do Decreto n° 7.574/11; 3) que, se a impugnante não possuía os extratos bancários em que se fundamenta a autuação, ainda que os tivesse reiteradamente solicitado às aludidas instituições financeiras, o certo é que não os obteve em tempo hábil; que cabe à autoridade administrativa fornecer ao administrado cópias de todos os elementos de prova que derem esteio à exigência (documentos, termos das verificações, resultados de diligências e comprovantes indispensáveis à formação da convicção do julgador); 4) que, para que o contribuinte possa avalizar a licitude na obtenção das provas anexadas ao processo, cumpre seja cientificado da forma como foram obtidos, pela autoridade administrativa, os mencionados extratos bancários, fatos esses que também não foram levados ao conhecimento da impugnante no momento da autuação, porque não lhe foram encaminhadas cópias dessas requisições e subseqüentes respostas, o que o impediu de analisar a licitude dos comprovantes; 5) que a prova de requisição e de seu atendimento pela instituição financeira deve estar obrigatoriamente documentada nos autos; transcreve decisões administrativas; que a ausência de tais elementos implica cerceamento de defesa; que resta caracterizado o cerceamento de defesa previsto no artigo 12, II, do Decreto n° 7.574/11, e no artigo 5º , incisos LIV e LV, da Constituição Fl. 621DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 619 7 Federal de 1988; cita doutrina e decisões administrativas em favor da tese; DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO. POR INCIDIR SOBRE RECEITA BRUTA NÃO AUFERIDA NO MÊS DE JANEIRO DE 2007 6) que, considerando os termos do artigo 334 do Código de Processo Civil, não dependem de prova os fatos notórios, sendo do conhecimento geral que o comércio de calçados no varejo implica, necessariamente, a venda a prazo, geralmente em 06 (seis) parcelas, mediante cheque prédatado, cartão de crédito ou débito, circunstância essa pública e notória, que dispensa o impugnante de provála, e considerando que registra as vendas que efetua com base no regime de competência, isto é, em face das vendas realizadas no mês (independentemente do respectivo recebimento), resta evidente que os valores depositados em suas contascorrentes, no mês de Janeiro/2007, correspondem ao recebimento, na sua maior parte, de vendas realizadas em meses anteriores; que a exigência de tributos com errônea base de cálculo acarreta a nulidade dos autos de infração lavrados; 7) que consoante consta do anexo “extrato para simples conferência", verifica se que parte das vendas realizadas em Dezembro/2006, mediante cartão de crédito, no montante de R$ 205.168,94. foram creditadas pelo Banco ITAÚ, no importe de R$ 194.910.49, apenas em Janeiro/2007; que, por extrato anexo à impugnação, constatase que, em Dezembro/2006, foram efetuadas, via cartão de débito, vendas no importe de R$ 49.871.30, tendo sido creditado em sua contacorrente, no mesmo banco, em Janeiro/2007, o montante de R$ 48.367.02; que a fiscalização, ao apurar como base de cálculo dos tributos exigidos os depósitos bancários realizados, em Janeiro/2007, nas contascorrentes da impugnante, esqueceuse, de que tais valores tinham origem em vendas realizadas em Dezembro/2006, o que acarreta a nulidade da autuação efetivada; DA IMPOSSIBILIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO DO IMPUGNANTE SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. DA PROVA ILEGAL. 8) que, conforme jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, o sigilo bancário é espécie de direito à privacidade, consagrado pelo artigo 5º , incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988; que é certo que, ainda que diretamente derivado do texto constitucional, não é um direito absoluto, eis que encontra limites no interesse público da obtenção da prova (princípios da proporcionalidade ou razoabilidade); que, contudo, também é certo que, com o advento da Lei Complementar n° 105/01, não restou afastada a necessidade da prévia autorização judicial para a quebra do sigilo bancário do contribuinte; transcreve excertos do ato normativo complementar; que a quebra do sigilo bancário somente pode partir do Poder Judiciário; cita julgado; 9) que a utilização dos extratos bancários do impugnante resta caracterizada como prova ilícita, porque derivados de ilegal quebra do seu sigilo bancário, insuscetível, portanto, de permitir a constituição de crédito tributário válido; cita doutrina e julgados; cita o artigo 5º, inciso LVI da Constituição Federal de 1988, o artigo 30 da Lei nº 9.784/99, o artigo 24, § único, do Decreto n° 7.574/11 e decisão administrativa; DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA DE 150%. 10) cita a Lei n° 9.430/96, artigo 44; que é requisito essencial à validade do lançamento tributário onde sejam aplicadas multas por fraude, que esta fique cabalmente provada, já que a fraude, como crime, não se presume; cita várias decisões administrativas e decisão judicial; cita trecho do Termo de Verificação Fiscal; que, ainda que a fiscalização tenha arguido, no item 34, para caracterizar a existência do dolo no comportamento do impugnante, a teoria da Fl. 622DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 620 8 vontade, deixou de demonstrar a ‘vontade explícita do sujeito passivo em impedir que o fisco tomasse conhecimento da existência de valores tributáveis’, que não ficou comprovado o ‘evidente intuito de fraude’, sendolhe imputada a pura responsabilidade objetiva; 11) que, se tivesse ocorrido, efetivamente, a omissão de receita, isto é, o pagamento de tributos com base em faturamento inferior ao obtido, tal fato, na medida em que a fiscalização deixou de apontar os elementos demonstrativos da intenção do impugnante em induzir em erro o Fisco, poderia ser atribuído à desconsideração, por parte do contador, de todas as receitas auferidas, ou seja, a erro atribuível ao responsável pela contabilidade; cita decisão administrativa; cita o verbete sumular nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, bem assim, a súmula nº 25 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.” Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o acórdão n. 0537.924 (Efls. 434 ss.), mantendo integralmente o lançamento em questão, pelas razões resumidas na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2007 LANÇAMENTO. PLANEJAMENTO FISCAL. IRRELEVÂNCIA. É irrelevante ao lançamento fiscal, quanto à sua validade, a atividade de planejamento administrativo efetuada pelos órgãos da Administração Fazendária. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DOCUMENTOS ENVIADOS AO CONTRIBUINTE E DOCUMENTOS POR ELE TITULARIZADOS. Não configura hipótese de nulidade o não envio, ao sujeito passivo, de documentos e informações por ele mesmo prestadas e/ou constantes de documentos por ele mesmo titularizados, mantidos em sua guarda. PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO PELO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No âmbito do procedimento fiscal, não configura indevida violação do sigilo bancário do contribuinte o regular atendimento por parte deste em relação às intimações fiscais formalizadas, não havendo hipótese de nulidade. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS BANCÁRIOS. Configura presunção de omissão de receita a não comprovação idônea da origem de depósitos/créditos mantidos pelo contribuinte em conta bancária junto a instituição financeira. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na formação da base de cálculo, ocorrendo a presunção legal de omissão de receita, descabe falarse no regime de competência, adotandose como momento de auferimento da receita presumidamente omitida, a competência na qual houve o crédito, pela instituição financeira, do ingresso financeiro. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. A conduta de não declarar a receita bruta ao Fisco configura a figura típica da sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Fl. 623DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 621 9 Crédito Tributário Mantido” Em face de referida decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 458 ss.) basicamente na mesma linha apresentada em sua impugnação administrativa, acrescentando tópico a respeito da incompetência da DRJ Campinas para o julgamento, uma vez que não abrange o seu domicílio fiscal e não poderia ter havido a delegação realizada pela DRJ de São Paulo. Do julgamento do recurso pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção resultou o acórdão n. 1801002.051 (Efls. 489 ss.), em que se manteve o lançamento. Leiase a sua ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO (DRJ) A competência, territorial e por matéria, das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) foi estabelecida pela Portaria RFB nº 1.916, de 13 de outubro de 2010, em conformidade com o preconizado nos incisos XV e XXVII do art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 04 de março de 2009 e o disposto no Art. 25, I do Decreto 70.235/1972, considerando a redação que lhe foi imprimida pela Lei nº 11.941, de 2009. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES FISCAIS. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO À INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTOS FISCALIZATÓRIOS. A atividade de planejamento das ações fiscais, ato interna corporis, não é obstativa à instauração de procedimentos fiscalizatórios, desde que haja emissão de MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) pela autoridade competente. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. REGIME DE COMPETÊNCIA. Na formação da base de cálculo, ocorrendo a presunção legal de omissão de receita, descabe falarse no regime de competência, adotandose como momento de auferimento da receita presumidamente omitida, a competência na qual houve o crédito, pela instituição financeira, do ingresso financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca que deram provimento em parte para exonerar a multa de ofício aplicada na forma qualificada. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator.” Fl. 624DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 622 10 Contra o referido acórdão, primeiramente a contribuinte opôs embargos de declaração (Efls. 507 ss.) visando fosse sanada contradição e erro manifesto quanto ao reconhecimento da copetência da DRJ/Campinas para julgamento do recurso voluntário, que foram rejeitados por despacho às Efls. 528 ss. Adiante, a contribuinte interpôs então recurso especial (Efls. 538 ss.), pretendendo fosse desqualificada a multa aplicada no percentual de 150% diante da inexistência da prova do intuito fraudulento, para o que apresentou os acórdãos n. 9101 001.851 e n. 10808591 como paradigmas da divergência. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 598 ss.) e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Efls. 604 ss.). Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora ad hoc Conforme exposto no relatório supra, fui designada redatora ad hoc para formalizar o presente acórdão, utilizando relatório e voto apresentados pela Relatora em sessão de julgamento. Nestes termos, o conteúdo do voto a seguir transcrito corresponde ao voto proferido pela Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio: CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 623 11 Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, consideramse preenchidos tais requisitos, com a presença de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas apresentados, de modo que se VOTA POR CONHECER o recurso especial contribuinte. MÉRITO De acordo com a análise de conhecimento procedida, devolvese ao julgamento desta instância o pedido de redução da multa qualificada, sustentada pela recorrente com base na ausência de prova do intuito fraudulento. Objetivamente, anúise com a desqualificação da multa uma vez que, debruçandose sobre o Termo de Verificação Fiscal, apenas se recohece a presença de elementos sufientes a caracterizar a presunção da omissão de receitas, mas não a prova necessária ao agravamento, que precisa demonstrar cabalmente o intuito do sujeito de praticar uma das condutas descrritas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n. 4502/64. Isso porque sustenta a qualificação no fato de haver “vultosa diferença entre o montante anual de créditos/depósitos apurados em conta corrente bancária (R$ 3.279.817,60) e o lançado na escrita contábil da empresa, como decorrente de revenda de mercadorias (R$ 1.485.062,51), demonstra que não foi escriturada, no livro caixa, toda a movimentação financeira da empresa, relativamente ao período sob fiscalização”. Pessoalmente, acredito não bastarem alegações de que não se ofereceu à tributação parte dos valores entendidos devidos ou que todas as movimentações não foram declaradas; me sensibiliza, menos ainda, pelo contrário, até me surpreende, a alegação de fraude com base na conduta reiterada ocorrida durante alguns meses dentro do período de um ano, e também me é relevante o fato de o contribuinte ter respondido a diversas intimações, apresentando documentos e informações à fiscalização, infirmando o seu intuito de ocultar. De todo modo, revelase bastante significativa a inferência de, no caso concreto, a qualificação ter partido de elementos que levam tão somente à presunção da omissão de receitas, mas não a uma efetiva causa de agravamento, razão pela qual penso ser o caso de aplicação das Súmulas 14 e 25 do CARF, transcritas as seguir: Fl. 626DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 624 12 “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Por essas razões, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso da contribuinte. É o que se reproduz do voto da Relatora original. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 627DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 625 13 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator designado. Segue a síntese do trabalho da Fiscalização: "DEMONSTRATIVO O AS INFRAÇÕES APURADAS 13. Conforme informado acima, a empresa foi intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrita contábil e fiscal, referente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007, bem como os extratos bancários de suas contas correntes, de depósitos e/ou investimentos. 14. Em atendimento aos nossos termos, a empresa apresentou: livro caixa; livros razões analíticos; livro registros de saídas, com assentamentos do período de 01/01/2007 a 31/12/2007; e cópias extratos de suas contas correntes mantidos junto aos bancos Itaú S/A e Santander S/A. 15. Do cotejo entre os lançamentos correspondentes às entradas nos livros caixas apresentados (com correspondentes lançamentos de receitas de revendas de mercadorias nos livros razões analíticos e registros de saídas) e os decorrentes de créditos/depósitos efetuados nas contas correntes bancárias da empresa fiscalizada, verificouse substancial diferença a maior destes em relação àqueles. Em razão disso, a empresa foi intimada a esclarecer, mediante a apresentação de documentos comprobatórios, a origem dos valores creditados e/ou depositados em suas contas bancárias, de depósito ou de investimentos. 16. Em atendimento ao nosso termo, a empresa esclareceu, mediante a apresentação de documento comprobatório, o crédito, no da 29/07/2007, no valor de R$ 450.000,00 (quatrocentos mil reais) junto ao banco Itaú S/A, como decorrente de empréstimo junto à referida instituição financeira. Em relação aos demais depósitos e/ou créditos efetuados, não foram apresentados esclarecimentos e/ou documentos esclarecedores de suas origens. 17. Foi efetuada a conciliação bancária, onde foram expurgados esses R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), relativos ao empréstimo acima citado, estornos, depósitos de mesma titularidade e outros créditos, em qud não houve incidência tributária. Depois de efetuada a conciliação, sobraram ainda crédids e/ou depósitos, nas contas correntes bancárias da empresa, que somados, totalizaram R$ 3.279.817,60 (três milhões, duzentos e setenta e nove mil, oitocentos e dezessete reais e sessenta centavos). 18. Observamos que, nos livros razões analíticos apresentados pela fiscalizada, poucas foram as contas que receberam lançamentos no ano de 2007, ou seja, que tiveram alguma movimentação contábil no período. Entre essas contas, estão as únicas contas que receberam as contrapartidas dos lançamentos devedores efetuados na conta "CAIXA", representativos de entradas de recursos, a saber: a conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS" e a conta "VENDA DE MERCADORIAS". Nesses livros, não há registros de contas representativas de movimentação junto a bancos. 19. Portanto, a empresa optou que toda sua movimentação financeira fosse registrada na conta "CAIXA". Fl. 628DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 626 14 20. Os suprimentos de numerários, lançados na conta "CAIXA", oriundos de lançamentos credores na conta "EMPRÉSTIMOS & FINANCIAMENTOS", totalizaram no ano R$ 480.000,00 (quatrocentos e oitenta mil reais). Esse montante é compatível com os R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), lançados em 29/07/2007, na conta corrente da fiscalizada junto ao banco Itaú S/A. 21. Os demais suprimentos de numerários, lançados a débito na conta "CAIXA", tiveram como contrapartidas receitas de revenda de mercadorias, ou seja, foram efetuados lançamentos credores na conta "VENDA DE MERCADORIAS", cujo montante foi de R$ 1.485.062,51 (um milhão, quatrocentos e oitenta e cinco mil, sessenta e dois reais e cinqüenta e um centavos). Enquanto que, no livro registros de saídas, foram assentadas receitas, cuja soma no ano foi de R$ 1.505.603,13 (um milhão, quinhentos e cinqüenta e cinco mil, seiscentos e três reais e treze centavos). 22. A vultosa diferença entre o montante anual de créditos/depósitos apurados em conta corrente bancária (R$ 3.279.817,60) e o lançado na escrita contábil da empresa, como decorrente de revenda de mercadorias (R$ 1.485.062,51), demonstra que não foi escriturada, no livrocaixa, toda a movimentação financeira da empresa, relativamente ao período sob fiscalização. 23. Por sua vez a empresa, transmitiu à Receita Federal do Brasil RFB Declarações Anuais Simplificadas, referente ao anocalendário de 2007, onde foram informadas receitas que totalizaram, no período, R$ 1.505.603,13 (um milhão, quinhentos e cinco mil, seiscentos e três reais e treze centavos), sendo R$ 272.109,16 (duzentos e setenta e dois mil, cento e nove reais e dezesseis centavos), referente aos meses de janeiro a junho de 2007; e R$ 1.233.493,97 (um milhão, duzentos e trinta e três mil, quatrocentos e noventa e três reais e noventa e sete centavos), referente ao período de julho a dezembro de 2007. Isso porque a empresa optou, no período de janeiro a junho de 2007, pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal, nos termos da Lei 9.317/96; e, a partir de 01/07/2007, optou pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, Lei Complementar n° 123/06. 24. As diferenças apuradas positivas entre os valores mensais de depósitos/créditos em contas correntes bancárias e os declarados pela empresa nas Declarações Anuais Simplificadas, transmitidas pela empresa à R.F.B, constituem omissões de receitas da empresa, cujos valores encontram se detalhados na planilha a seguir: MÊS RECEITAS INFORMADAS EM DECLAÇÃO SIMPLIFICADA DEPÓSITOS/CRÉDITOS APURADOS EM EXTRATOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE JAN 34.805,12 467.279,61 432.474,49 FEV 56.766,48 268.211,13 211.444,65 MAR 38.998,12 200.029,20 161.031,08 ABR 33.291,90 178.096,66 144.804,76 MAI 58.056,62 165.234,53 107.177,91 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 627 15 JUN 50.190,92 159.795,00 109.604,08 JUL 53.156,15 212.593,02 159.436,87 AGO 69.895,50 279.410,96 209.515,46 SET 98.986,72 225.489,84 126.503,12 OUT 203.087,60 344.667,16 141.579,56 NOV 237.417,00 286.051,91 48.634,91 DEZ 570.951,00 492.958,58 0,00 TOTAL 1.505.603,13 3.279.817,60 1.774.214,47 25. Verificase, pois, que, com exceção do mês de dezembro, em todos os demais meses do ano de 2007, foram apuradas omissões de receitas, ou seja, infração à legislação tributária. 26. Esse comportamento habitual, freqüente e repetido em omitir receitas por parte da fiscalizada, consubstanciouse em costume e, conseqüentemente, em prática reiterada à legislação tributária. 27. Pelo fato de a empresa ter incidido em prática reiterada de infração à legislação tributária e de que o livrocaixa apresentado não permite identificar toda a movimentação financeira da fiscalizada, inclusive bancária, foram propostas, através de representações específicas, que a mesma fosse excluída de ofício do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com fundamento no artigo 14, inciso V, da Lei 9.317/96 (processo n.° 15983.720366/201111); e do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional; com fundamento no artigo 29, incisos Vê VIII, da Lei Complementar n.° 123/2006 (processo n.° 15983.720367/201165); com efeitos a partir de 01/02/2007 (inciso V do artigo 15 da Lei 9.317/96) e 01/07/2007 (§ Io do artigo 29 da Lei Complementar n.° 123/2006), respectivamente. 28. Do exposto acima foram apuradas as seguintes infrações: a) Omissão de receita Depósitos bancários não escriturados; e b) Insuficiência de recolhimento, essa verificada em função da mudança de faixa de incidência do SIMPLES quando se constatou que a receita mensal omitida somada à receita declarada implicaria na mudança de alíquota. 29. Os valores considerados, os cálculos realizados, e os créditos apurados e constituídos encontramse especificados nos autos de infração de IRPj, CSLL, PIS e COFINS, nos Demonstrativos Apuração e em planilhas. [...] 31. Tendo em vista que os lançamentos dos impostos e contribuições foram efetuados em decorrência de omissões de receitas apuradas, nos termos acima descritos, restando, pois, devidamente caracterizada a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar a ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e com isso eximirse dos pagamentos dos impostos e contribuições devidos, aplicamos a multa de ofício de 150%. 32. A multa de ofício de 150% foi aplicada em função da ocorrência, no plano fático, do previsto na hipótese normativa do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. 33. De se destacar, o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, no que se refere à tipificação da conduta dolosa, que assim dispõem: Fl. 630DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 628 16 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou crédito tributário correspondente." [...] 35. No caso que se apresenta, a qualificação da multa de ofício justificase pela vontade explícita do sujeito passivo em impedir que o fisco tomasse conhecimento da existência de valores tributáveis, no decorrer do anocalendário de 2007. Conforme se verificou, quando da apuração das infrações acima relatadas, ficou devidamente demonstrada, nesta ação fiscal, a existência de expressiva soma de depósitos e/ou créditos em contas correntes bancárias, sem origens justificadas, que foram considerados como omissões de receitas e, conseqüentemente, deixaram de ser oferecidos à tributação pela empresa fiscalizada. 36. Diante das apurações e dos fatos descritos, entendemos que está devidamente caracterizada a conduta deliberada da empresa fiscalizada em ocultar do conhecimento do fisco parcela significativa de suas receitas mensais, ou seja, obstar o fisco de ter informações acerca da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias e, com isso, eximirse, evitar ou diferir pagamentos de impostos e contribuições devidos. Por conta disso, aplicamos a multa de ofício de 150%, nesta fiscalização, sobre os valores apurados de impostos e de contribuições que tiverem como base as omissões receitas apuradas. 37. A manutenção, sob controle paralelo, de fatos econômicos não devidamente contabilizados, levada a efeito por uma conduta reiterada, no transcorrer de quase todo o anocalendário de 2007, compõe um quadro no qual revela o intuito doloso da contribuinte, haja vista a existência de uma atitude com o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições." 38. Dessa forma, tanto do ponto de vista do direito quanto do ponto de vista das circunstâncias de fato constatadas nesta fiscalização, mostrase justificável a imposição da multa qualificada de 150%." Assim exposta a acusação, intentase apurar se tal descrição fática tem suporte probatório suficiente para sustentar a imputação de prática de sonegação para além da mera presunção, tendo em conta que a ilustre Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não anteviu força bastante, nos elementos reunidos nos autos, para superar o caráter simplesmente presuntivo da conclusão fiscal. Nessa ordem de ideias, se o que levou a Fisco a inferir a existência de omissão de receitas derivouse de uma presunção determinada pela lei, parece desarrazoado afirmar que a mesma omissão decorrera de conduta dolosa. Mas, como se pretende mostrar, os fatos colhidos nos autos revelam, sim, que houve omissão dolosa de receitas tributáveis. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 629 17 Convém enfatizar, antes de tudo, que vigora o sistema de persuasão racional, no ordenamento jurídico atual. Nesse sistema, com frequência se questiona se as provas disponíveis, valoradas racionalmente, são suficientes para lastrear uma determinada proposição sobre fatos. Esse patamar de suficiência pode ser fixado de diversos modos, a exemplo daquele que funda a acusação "para além de qualquer dúvida razoável." O que se pode chamar de valoração se refere ao grau de apoio que os elementos de prova acostados proporcionam para os fatos da causa. Tratandose de uma valoração que se assume como livre e, ao mesmo tempo, racional, o julgador põese avaliar, no primeiro momento, as relações de corroboração ou de confirmação entre as evidências carreadas aos autos e as afirmações sobre os fatos do caso que é o objeto do processo, escorandose, para tanto, nos conhecimentos cientificos e nas generalizações empíricas comumente aceitas (máximas da experiência). Vale anotar que o grau de corroboração se expressa como indução probabilística, que não chega a demonstrar a verdade de uma hipótese, mas que pode confirmá la como resultado de uma explicação razoável, sem negar a possibilidade de outras hipóteses factuais. Por isso, costumase dizer que os juízos sobre fatos em um processo se dão em condições de incerteza, que é própria do raciocínio indutivo, em geral, mesmo para o campo das hipóteses científicas ou históricas. A valoração consiste na individualização das provas que corroboram as proposições sobre os fatos do caso e na identificação dos fatores que incidem, com maior ou menor força probatória, como a credibilidade do elemento de prova, seu caráter de prova direta ou indireta, a validade do fundamento empírico das generalizações em que se baseiam as inferências probatórias, e outros. Sabendose que, diante da forma indutiva do raciocínio probatório, as provas, como já dito, podem não demonstrar a verdade das proposições fáticas que são objeto do processo, mas apenas corroborálas, em maior ou menor medida, impõese, num segundo momento, estabelecer se o grau de corroboração que essas provas aportam às proposições fáticas é suficiente para considerálas provadas. No sistema de livre valoração, a questão do grau de convicção necessário para se admitir a ocorrência de um fato suscita discussões sobre o que se pode considerar suficientemente provado. Ou seja, o termo "suficiente" traduz que o convencimento ao qual se deve chegar não é absoluto, pois, embora se saiba que não se pode descartar por completo que as coisas tenham acontecido de outro modo, também não se desconhece que não é possível reconstruir todos os detalhes dos fatos que se passaram. Por isso, não se pode pretender que o aparato probatório tenha a aptidão de fornecer a "certeza absoluta" acerca dos fatos investigados. Isso porque do raciocínio indutivo empreendido pelo julgador podem ser obtidas, quando muito, respostas prováveis, jamais conclusões absolutamente certas, tanto em razão das limitações de acesso a uma verdade totalmente cognoscível quanto em função das limitações do sujeito que quer conhecêla. Já que não se pode contar sempre com provas diretas, o direito propicia as provas indiretas, as quais, associadas umas às outras ou mesmo isoladas, podem levar ao fato que se quer provar. As provas indiciárias conduzem a fatos secundários por meio de inferências baseadas em conhecimentos anteriores à investigação, informações já sabidas de antemão. A passagem de fatos secundários, irrelevantes ao Direito, para o fato principal se dá por força das máximas da experiência, regras que obedecem à estrutura "se A, normalmente B". O vocábulo "normalmente" implica reconhecer que "nem sempre" as coisas se passam do modo suposto, isto é, há exceções. Para os fins deste voto, são agrupadas entre as máximas da experiência as Fl. 632DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 630 18 ideias correntes que advêm do senso comum e aquelas que são oriundas das descobertas das ciências, já incorporadas ao patrimônio antropológico e cultural. Contudo, como já assinalado, as máximas suportam exceções, motivo por que se requer certa prudência para seu emprego, cabendo verificar se é o caso de incidência regular da regra ou se a situação deve ser ressalvada para fora da regularidade habitual. Claro que há generalizações mais ou menos prováveis, a depender da base empírica que lhe dá suporte e de sua regularidade: quanto maior a regularidade, num espectro mais amplo de casos, maior também a probabilidade. Ultrapassada a valoração racional dos elementos de prova coligidos, ingressa se na fase decisória, propriamente dita. Agora, o julgador está apto para decidir sobre dado litígio, já inteirado das especificades fáticas do caso, podendo chegar às conclusões cabíveis por meio da avaliação das provas. Até então pôde anotar quais enunciados fáticos trazidos pelas partes guardam maior ou menor probabilidade de correspondência com a realidade, discernindoos daqueles que resultavam do intento de lhe persuadir sem o suporte fático pertinente. Assim, aplicando operações indutivas, assomalhe a hipótese mais provável. O resultado da valoração da prova que se obtenha nada significa, por si só, a respeito da decisão a ser tomada. Para tal mister, requerse a intermediação de algum standard de prova com aptidão bastante para fixar o grau de probabilidade necessário para se considerar provada uma hipótese, concedendolhe, ao cabo, os efeitos jurídicos previstos nos ordenamento jurídico. Tratandose de litígios no âmbito do direito penal, não se pode admitir decisão que não tenha afastado todas as dúvidas razoáveis Desse modo, chegado o momento da decisão, o julgador deverá aplicar o standard de acordo com o qual o acusado deve ser absolvido, enquanto existirem dúvidas razoáveis sobre a ilicitude de sua conduta. Essa mesma linha de exigência "para além de qualquer dúvida razoável" pode e deve ser estendida à comprovação do dolo, no que toca à qualificação da sanção, em processo administrativo fiscal, como garantia do fiscalizado. Essa Turma tem adotado os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e da reiteração/recorrência (repetição ao longo do tempo) para se chegar ao convencimento da intenção de agir "para além de qualquer dúvida razoável", como explica o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no acórdão nº 9101003.477: "Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão)." Fl. 633DF CARF MF Processo nº 15983.720365/201176 Acórdão n.º 9101003.435 CSRFT1 Fl. 631 19 Reparese que os créditos/depósitos mensais em conta bancária, sem origem justificada, superaram, em muito, as receitas mensalmente declaradas, em onze dos doze meses do anocalendário de 2007. No global, o total anual desses créditos/depósitos é superior ao dobro do total anual das receitas declaradas, afora o fato de que a pessoa jurídica era optante pelo regime do SIMPLES. Como realçou a Fiscalização, restou comprovada a conduta deliberada de ocultar do conhecimento do Fisco parcela significativa das receitas mensalmente auferidas, assim obstando o acesso, por parte da Administração Tributária, às informações sobre os aspectos materiais dos fatos geradores, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, tudo de tal modo a se subsumir ao tipo legal dos incisos I e II do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%, estipulada pelo artgo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Como se pode ver, a planilha elaborada pelo agente fiscal fornece informações com aptidão suficiente a superar as Súmulas CARF nº 14 e 25, pois os dados coligidos da movimentação financeira visà vis as receitas declaradas evidenciam relevância e reiteração consistentes com o dolo de ocultar do Fisco a percepção de significativa parcela de receitas tributáveis. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900022/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Conforme consta no relatório constante no acórdão da DRJ, a interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 02 2/ 20 08 -3 5 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10480.900022/200835 Resolução nº 1401000.575 S1C4T1 Fl. 3 2 responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 824,03, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2º trimestre do anocalendário 1999. Através do despacho emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal no Recife – DRF/Recife identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argúi que a falha nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. A DRJ, por meio do Acórdão 1130.648, de 04 de agosto de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Cientificada da decisão da DRJ na data de 02/05/2011, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 11/05/2011, repetindo os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.900022/200835 Resolução nº 1401000.575 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401 000.570, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.900013/200844, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.570): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não obstante o posicionamento da delegacia de julgamento, entendo que há relevantes indícios de que a recorrente possui o crédito pleiteado. Na DIPJ retificadora, que foi entregue antes do procedimento fiscal, a empresa informou o recolhimento de tributos e apuração de saldo negativo no final do anocalendário. Esta retificação se deveu em razão da falta de informação sobre imposto de renda retido na fonte e também sobre o valor de 1/3 da Cofins que teria sido utilizado para compensar a CSLL a pagar. Assim, em busca da verdade material, supero as razões da DRJ para analisar o crédito ora pleiteado. Com relação ao IRPJ, a empresa alega que possui créditos que tiveram origem em imposto de renda retido na fonte. Alega que a receita federal poderia verificar em sua base de dados que os valores foram efetivamente recolhidos. Junta uma planilha que informa os créditos decorrentes do IRRF e anexa notasfiscais de sua emissão no período abrangido pelo crédito pleiteado. Na análise das notasfiscais de serviços prestados pela recorrente, não vejo retenção na fonte sobre o imposto de renda incidente sobre a operação. Entretanto, na planilha que trata do valor do IR na fonte, do período de apuração alcançado pelo pedido de compensação que ora se discute, há, por exemplo, informação de retenção de IR por instituições financeiras e seguradoras. Quanto à análise do crédito da CSLL, o direito à compensação da CSLL com o pagamento de 1/3 da Cofins surgiu em decorrência do aumento da alíquota da Cofins, a partir do anocalendário de 1999, veja a redação da Lei 9.718/1998: Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10480.900022/200835 Resolução nº 1401000.575 S1C4T1 Fl. 5 4 apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4º A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Na DIPJ retificadora, há informações sobre Cofins a pagar durante o período abrangido pelo crédito de CSLL pleiteado. Ou seja, há fortes indícios do direito creditório da recorrente. Por outro lado, é de perceber que o caso ainda requer uma análise mais aprofundada sobre o suposto direito creditório. E esta análise deve ser feita pela autoridade fiscal, pois dispõe dos instrumentos necessários para tal mister. Diante disso, partindo da premissa de que a falta de retificação da DCTF não pode impedir a análise do direito creditório da ora recorrente, sugiro baixar o processo em diligência para que a Unidade de Origem verifique o que segue: 1) Verificar se o valor de IRRF utilizado para apuração do IRPJ no período em questão consta na DIRF ou, caso não conste, intimar a empresa a apresentar os Informes de Rendimentos ou outro documento comprobatório que comprovem o valor de IRRF. 2) Confirmar a tributação do valor dos rendimentos sujeitos à retenção de IR na fonte. Observo que a recorrente informou na DIPJ retificadora que apurou os tributos em seguimento ao regime de caixa. Logo, smj, há de haver coincidência temporal entre o reconhecimento da tributação e a retenção do IRRF. 3) Confirmar o pagamento de 1/3 da Cofins. 4) Verificar se o valor de 1/3 da Cofins, utilizado para quitar a CSLL devida, corresponde somente ao período objeto de restituição. 5) Se possível, verificar se efetivamente a recorrente optou por compensar 1/3 da Cofins com a CSLL do período. 6) Concluída a diligência, preparar Informação Fiscal com o resultado da diligência, que necessariamente deverá conter o crédito que poderá ser compensado, intimando a empresa para que se manifeste sobre o Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.900022/200835 Resolução nº 1401000.575 S1C4T1 Fl. 6 5 teor da Informação Fiscal, caso queira, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. 7) Após, favor retornar este processo ao CARF para seguimento de seu julgamento. É como voto! Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000388/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.000329/200827, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação da antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 38 8/ 20 08 -0 3 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13502.000388/200803 Resolução nº 2401000.658 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório, constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mãodeoba base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1º e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13502.000388/200803 Resolução nº 2401000.658 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.000329/200827, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Rayd Santana Ferreira, digno Relator da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13502.000388/200803 Resolução nº 2401000.658 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira, Relator. " Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000300/2007-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
CONHECIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROCURADORIA.
Não há norma expressa, no RICARF, que imponha a exigência de prequestionamento à Procuradoria. A despeito disso, deve haver preenchimento dos demais requisitos legais e regimentais.
ADMISSIBILIDADE. FLUXO TRIANGULAR DE RECEITAS.
O art. 67, Anexo II do RICARF determina que o recurso deve demonstrar interpretação divergência da legislação tributária dada por outra decisão paradigma. A operação de interpretação passa tanto pela "qualificação" do fato, quanto pela consequente identificação da norma jurídica aplicável do fato interpretado. Situação no qual a decisão recorrida qualifica os fatos de uma maneira e a decisão paradigma qualifica os mesmos fatos em outro sentido tem por consequência aplicações divergentes da norma tributável, materializando a interpretação divergente prevista pelo regimento interno.
PRECLUSÃO. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º E §5º.
Não se aplicam os efeitos da preclusão se as provas analisadas pelo Colegiado sequer são responsáveis pelo fundamento principal desta decisão.
Além disso, é legítima a juntada análise pelos julgadores dos laudos que corroborem as provas dos autos, nos termos do artigo 29, do Decreto 70.235/1972.
REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS.
Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontra-se dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros contábeis efetuados em contas patrimoniais deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99.
RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PIS E COFINS. LANÇAMENTO ANUAL.
Não é possível a retificação de lançamento para ajustar o momento do fato gerador e base de cálculo.
NULIDADE MATERIAL. PIS E COFINS. LANÇAMENTO ANUAL.
A nulidade pelo lançamento, equivocado quanto à base de cálculo e momento do fato gerador, tem natureza material.
Numero da decisão: 9101-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial em relação aos temas fluxo triangular dos recursos, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram desse tema. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer das demais matérias, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Votou, também pelas conclusões, em relação à nulidade da decisão do Presidente de Câmara e ao prequestionamento, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Por maioria de votos, acordam em não conhecer da matéria relativa à análise da aplicação do art. 112 do CTN, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram da matéria. No mérito, (i) em relação à preclusão, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento; (ii) em relação ao fluxo triangular dos recursos, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (iii) em relação à possibilidade de retificação do lançamento, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento; (iv) em relação à nulidade por vício formal, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros não apresentaram as declarações de voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do §7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CONHECIMENTO. PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROCURADORIA. Não há norma expressa, no RICARF, que imponha a exigência de prequestionamento à Procuradoria. A despeito disso, deve haver preenchimento dos demais requisitos legais e regimentais. ADMISSIBILIDADE. FLUXO TRIANGULAR DE RECEITAS. O art. 67, Anexo II do RICARF determina que o recurso deve demonstrar interpretação divergência da legislação tributária dada por outra decisão paradigma. A operação de interpretação passa tanto pela "qualificação" do fato, quanto pela consequente identificação da norma jurídica aplicável do fato interpretado. Situação no qual a decisão recorrida qualifica os fatos de uma maneira e a decisão paradigma qualifica os mesmos fatos em outro sentido tem por consequência aplicações divergentes da norma tributável, materializando a interpretação divergente prevista pelo regimento interno. PRECLUSÃO. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º E §5º. Não se aplicam os efeitos da preclusão se as provas analisadas pelo Colegiado sequer são responsáveis pelo fundamento principal desta decisão. Além disso, é legítima a juntada análise pelos julgadores dos laudos que corroborem as provas dos autos, nos termos do artigo 29, do Decreto 70.235/1972. REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 00 /2 00 7- 61 Fl. 6019DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.020 2 despesas encontrase dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros contábeis efetuados em contas patrimoniais deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PIS E COFINS. LANÇAMENTO ANUAL. Não é possível a retificação de lançamento para ajustar o momento do fato gerador e base de cálculo. NULIDADE MATERIAL. PIS E COFINS. LANÇAMENTO ANUAL. A nulidade pelo lançamento, equivocado quanto à base de cálculo e momento do fato gerador, tem natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial em relação aos temas fluxo triangular dos recursos, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram desse tema. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer das demais matérias, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Votou, também pelas conclusões, em relação à nulidade da decisão do Presidente de Câmara e ao prequestionamento, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Por maioria de votos, acordam em não conhecer da matéria relativa à análise da aplicação do art. 112 do CTN, suscitada pelo patrono do sujeito passivo em sede de sustentação oral, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que conheceram da matéria. No mérito, (i) em relação à preclusão, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento; (ii) em relação ao fluxo triangular dos recursos, por voto de qualidade, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento; (iii) em relação à possibilidade de retificação do lançamento, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que lhe deu provimento; (iv) em relação à nulidade por vício formal, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Luís Flávio Neto e Rafael Vidal de Araújo. Entretanto, findo o prazo regimental, os Conselheiros não apresentaram as declarações de voto, que devem ser tidas como não formuladas, nos termos do §7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Fl. 6020DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.021 3 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração de: IRPJ, CSLL, PIS e COFINS pela falta de contabilização da recuperação de custos, quanto aos fatos ocorridos em 31/12/2002, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004 e 31/12/2004, com imposição de multa de 75% (fls. 1.112 a 1.137, volume 6). O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 1.175/1.225, volume 7 – pdf 3), que foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 5.639/5.657, volume 28): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O Mandado de Procedimento Fiscal é mera formalidade administrativa ligada à autorização e ao controle da execução dos procedimentos de fiscalização. A eventual existência de falhas em seu cumprimento não dá causa à nulidade do lançamento. PEDIDOS DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de Fl. 6021DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.022 4 questão controversa, não se justificando a sua realização e, nem tampouco, a realização de diligência, quando o processo contiver os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. PROCEDÊNCIA. A transferência de recursos por parte de empresas domiciliadas no exterior à autuada, sediada no Brasil, interligadas por contrato de prestação de serviços a terceiro, subdivididos entre as duas pessoas jurídicas, possui a conotação de recuperação de custos. Esta constatação decorre do fato de que a interessada deixou de comprovar que as despesas, decorrentes do contrato de afretamento, foram feitas por conta e ordem das empresas sediadas no exterior, e que não foram computadas na apuração do prejuízo. Assim, correta é a interpretação de que as receitas têm a fmalidade de remunerar os serviços de manutenção nas embarcações da empresa sediada no exterior, prestados pela autuada, já que esta atividade consta no seu contrato social, assim como de subvenção dos custos e despesas arcados pela própria. Logo, considerando a legislação em regência, estas remessas devem ser adicionados ao lucro real. AUMENTO DE CAPITAL Devese exonerar da base de cálculo do lançamento as remessas do exterior que foram utilizadas para o aumento de capital, devidamente comprovado. INCORPORAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO – Devese apurar o imposto de renda devido correspondente ao período de apuração compreendido entre janeiro até o mês da incorporação, e outro que corresponde ao período restante do ano. Logo, exoneramse da base de cálculo do imposto de renda, apurado apenas no final do ano, os valores relativos aos períodos anteriores da incorporação. CSLL REFLEXO COMPENSAÇÃO DA BASE NEGATIVA Devese retificar o lançamento da CSLL para refletir as alterações efetuadas no lançamento principal, já que dele decorre, assim como compensar a Base de Cálculo Negativa apurada no período. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO MENSAL. INOBSERVÂNCIA PELA FISCALIZAÇÃO. APURAÇÃO TRIMESTRAL. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. O lançamento de ofício deve obedecer ao período apuração dos tributos. Uma vez que os dispositivos legais determinam que o Pis (art. 2° da Lei n° 9.715/1998) e a Cofms (art. 2° da Lei Complementar n° 70/1991) sejam apurados mensalmente, e considerando que a fiscalização, sem previsão legal, apurou as Fl. 6022DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.023 5 bases de cálculo e as contribuições devidas de Pis e Cofins na forma trimestral, devese cancelar os autos de infração de Pis e de Cofms, por erro no período de apuração. Lançamento Procedente em Parte. Em síntese, a DRJ reduziu o lançamento de IRPJ e CSLL, julgando improcedente quanto ao ano de 2003. Ademais, julgou improcedente os lançamentos de COFINS e PIS, diante de equívoco no período de apuração, pois deveria ser mensal. Os autos foram remetidos ao CARF, tanto por força de recurso de ofício, quanto pela interposição de recurso voluntário pelo contribuinte. A 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara decidiu por rejeitar preliminares, negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINARES DE NULIDADE O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPFF e se concluiu com o segundo MPFF. O fato de se ter emitido novo MPFF, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPFF e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela. DECADÊNCIA CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007 O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o anocalendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência. PIS, COFINS LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material. IRPJ, CSLL TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003 Fl. 6023DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.024 6 A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003 Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas. FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS 1 Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante. 2 Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio. Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constatase a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente. CSLL FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004 Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do anocalendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases Fl. 6024DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.025 7 negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõemse suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 24/03/2015 (fls. 5862), que opôs embargos de declaração em 22/04/2015, alegando omissão a respeito do artigo 16, §4º e §5º, do Decreto nº 70.235/1972 e contradição, pois o vício identificado pelo acórdão embargado, segundo a embargante, seria formal. Em 30/04/2015, o contribuinte solicitou cópia dos embargos de declaração da Procuradoria (fls. 5870) Estes embargos foram acolhidos em parte, para suprir omissão, sem efeitos infringentes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO FUNDAMENTO PARA APRECIAÇÃO DE PROVA EXTEMPORÂNEA Uma vez omissa a decisão por não apresentar o fundamento normativo atinente à apreciação de prova apresentada para além do prazo recursal, deve ser complementada com o referido fundamento, no caso, o art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 23/01/2017 (fls. 5.901), sendo interposto recurso especial em 15/02/2017 (fls. 5.902). Neste recurso, a Procuradoria sustenta divergência quanto aos seguintes temas: (i) Fluxo triangular de recursos – preço por prestação de serviços – subvenções para custeio, indicando como paradigma o acórdão nº 1101 00.246, no qual se decidiu que "Se a contribuinte não comprovou que os valores recebidos constituíram reembolso de despesas por ela incorridas em nome de terceiros, deve ser mantido o lançamento. " (ii) Preclusão, nos termos do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, identificandose os acórdãos paradigmas nº: (ii.a) 3403002.213, do qual se destaca: “A análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. (...) Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação”; (ii.b) 3403002.156, verbis: “Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. (...) A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado”; Fl. 6025DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.026 8 (iii) A possibilidade de retificação do lançamento, constando como paradigma o acórdão nº 130200.163, extraindose desta decisão que “O fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores as que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente”; (iv) Nulidade por vício formal, matéria tratada pelos seguintes acórdãos indicados como paradigmas: (iv.a) 230201020, do qual se destaca: “O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a determinação da exigência (art. 10, inciso V do Decreto n º 70.235).”; (ii.b) 30131.801, constando deste acórdão que: “O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação específica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vício formal”. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), conforme despacho às fls. 5.923/5.941, destacandose trecho a seguir. a) Fluxo Triangular de Recursos Preço Por Prestação de Serviços Subvenções Para Custeio Recuperações de Custos Deduzidos (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que em se tratando de recuperação de custos é legítima a tributação de IRPJ e da CSLL dada a ausência de comprovação de que os valores recebidos de empresa vinculada no exterior seriam reembolso de despesas pagas por conta e ordem de terceiros, mormente em virtude das notas fiscais/faturas terem sido emitidas contra a empresa brasileira. (...) O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que restou comprovado que os valores recebidos do exterior eram para custear despesas com a atividades relacionadas ao contrato assumido pela controladora e que tais valores não transitaram Fl. 6026DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.027 9 pelo resultado da recorrente, e por essa razão não havia como existir tributação de IRPJ e CSLL. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. b) Preclusão (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal e ainda que a análise de documento que já estava disponível quando da interposição da manifestação de inconformidade, apresentado pelo postulante somente em sede de recurso voluntário, implica supressão de instância. (...) Os acórdãos recorridos, por seu turno, vêm considerar que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Todas as provas devem ser apreciadas pelas duas instâncias em respeito ao efeito devolutivo dos recursos, ao devido processo legal e à competência e autoridade do julgador de primeiro grau. Ora, o efeito devolutivo não amarra o julgador de primeiro grau às provas, mas sim ao pedido e à causa de pedir. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. c) Possibilidade de Retificação do Lançamento (...) Examinando o acórdão paradigma verificase que traz o entendimento de que o fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores as que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente. (...) Os acórdãos recorridos, por seu turno, vêm considerar que não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando Fl. 6027DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.028 10 plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN. d) Nulidade por Vício Formal (...) Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a determinação da exigência, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos arts. 10, 11 e 59, do Decreto 70.235, de 1972, autorizam a declaração de nulidade desse lançamento por vício formal. (...) Os acórdãos recorridos, por seu turno, vêm considerar que não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial pela PGFN (...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo, II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela PGFN, admitindo a rediscussão das matérias: (a) Fluxo Triangular de Recursos Preço Por Prestação de Serviços Subvenções Para Custeio Recuperações de Custos Deduzidos, (b) Preclusão, (c) Possibilidade de Retificação do Lançamento e (d) Nulidade por Vício Formal. O contribuinte foi intimado em 05/04/2017 quanto ao recurso especial, devidamente admitido (fls. 5945), apresentando contrarrazões ao recurso em 04/04/2017. Alega, em síntese: (i) Que a decisão que admitiu o recurso especial seria nula, pois não menciona qual a legislação tributária interpretada e não teria fundamentação suficiente, requisito para admissibilidade do recurso especial na forma do artigo 67, §1º, do RICARF. Menciona o manual de admissibilidade de recurso especial; (ii) O recurso não deveria ser conhecido por falta de cumprimento dos requisitos regimentais, notadamente demonstração da legislação tributária interpretada de forma divergente, prequestionamento e demonstração analítica da divergência, como exigiria o artigo 67, §1º, §5º e § 8º; (iii) A respeito da primeira matéria (fluxo triangular de recursos), o contribuinte Recorrido sustenta que haveria convergência de interpretação da lei tributária, considerando que a interpretação distinta entre os acórdãos recorrido e paradigma se daria por conta das provas dos autos (art. 392, RIR/1999); Fl. 6028DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.029 11 (iv) o contribuinte alega que presta serviços, por meio do regime REPETRO, com embarcações afretadas diretamente pelas concessionárias sob Regime de Admissão temporária. Para tanto, firma contratos de afretamento com empresas domiciliadas no exterior, direta ou indiretamente, sem cobertura cambial. Além disso, estas empresas contratam serviços de sondagens, perfurações, avaliações, complementação e “workover”, segundo orientações do programa de perfuração definido pela concessionária. Seriam duas contratações distintas, como obrigariam editais de concorrências públicas. Menciona a Regulamentação do Repetro e a Solução de Consulta COSIT nº 225/2014, tratando da bipartição dos contratos de afretamento; (v) haveria prova robusta de que os valores incorridos em benefício das empresas sediadas no exterior não transitaram nas contas de resultado do contribuinte, confirmada por laudos contábeis. Com relação a esta parte da autuação, teria sido afastada a tributação com fulcro no artigo 392, do RIR/1999. Ademais, a Turma a quo teria mantido em parte o lançamento considerando que valores recebidos seriam subvenção para custeio; (vi) os laudos acostados aos autos não acrescentaram prova aos autos, sendo apenas forma de corroborar a prova existente desde a fiscalização; (vii) não poderia ser refeita a autuação fiscal, por falta de competência para tanto, como também por força do artigo 146, do Código Tributário Nacional. O contribuinte pede, assim, seja negado provimento ao recurso especial. Ademais, extraise dos autos certidão de que “não houve ciência formal do contribuinte quanto ao acórdão dos embargos apresentados pela Procuradoria, fls. 5893 a 5900”. Nesse contexto, foi determinada a intimação do contribuinte (fls. 6002), devidamente efetuada em 29/01/2018 (fls. 6016). O contribuinte não apresentou qualquer manifestação após esta intimação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento: O recurso é tempestivo, passo, assim, a analisar as condições de conhecimento contestadas pelo Recorrido: (i) nulidade da decisão do Presidente de Câmara (ii) prequestionamento (iii) referência objetiva à lei interpretada (iv) demonstração analítica da divergência. Fl. 6029DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.030 12 (v) Convergência na primeira matéria (fluxo triangular) diante das provas dos autos 1. Nulidade da Decisão do Presidente de Câmara O contribuinte questiona a decisão do Presidente de Turma, sustentando a sua nulidade. No entanto, não compete a esta Turma da CSRF avaliar os exatos fundamentos da decisão do Presidente de Câmara para eventual declaração de nulidade. Rejeito o pedido do contribuinte de declaração de nulidade desta decisão. A despeito disso, esclareço que esta Turma pode reapreciar as condições de conhecimento do recurso, o que será procedido inclusive com a análise dos demais fundamentos do Recorrido sobre a admissibilidade do recurso especial. 2. Prequestionamento O RICARF (Portaria nº 343/2015) não é expresso para a exigência de prequestionamento quanto à Procuradoria da Fazenda Nacional, a despeito da expressa exigência quanto aos contribuintes, verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. A despeito da omissão do RICARF em referir tal exigência quanto à Procuradoria, não cabe recurso especial para inovação do quanto decidido ao longo do processo. A restrição pode ser tecnicamente denominada prequestionamento – como o RICARF procede quanto ao contribuinte – mas pode também ser vislumbrada com relação à demonstração analítica da divergência na interpretação da lei tributária. A esse respeito, prescreve o artigo 67, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Fl. 6030DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.031 13 Com efeito, a efetiva demonstração da divergência só é possível em razões do recurso especial, como exige o RICARF (Portaria MF 343/2015), se houver pronunciamento da Turma prolatora do acórdão recorrido a respeito do tema objeto do recurso especial. Diante do RICARF, portanto, rejeito o pedido para não conhecimento do recurso por falta de prequestionamento, mas analisarei a divergência na interpretação da lei tributária em seguida. 3. Referência objetiva à lei interpretada O contribuinte questiona o conhecimento do recurso especial, nos termos do artigo 67, §1º do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), por não ter sido identificada a legislação interpretada de forma divergente de forma objetiva. Em seu recurso especial, a Procuradoria destaca a divergência na interpretação da lei tributária: O acórdão recorrido manifestou o entendimento no sentido de que, comprovado que os valores recebidos do exterior eram para custear despesas com a atividades relacionadas ao contrato assumido pela controladora e que tais valores não transitaram pelo resultado da recorrente, não havia como existir tributação de IRPJ e CSLL. Vejamos: O autuante tratou, alternativamente, como subvenções para custeio, as transferências do exterior das empresas estrangeiras que ele tratou como controladora da recorrente para esta, como suporte para a pretensão fiscal. De tudo o que já foi deduzido, com a exceção que será feita adiante, vêse que, a rigor, não há como se falar de subvenção para custeio. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em proveito das empresas estrangeiras, mesmo que eles tenham transitado por conta de resultado (como despesas) da recorrente, para se falar de subvenções para custeio, os valores transferidos para a recorrente teriam de ser maiores que os referidos gastos. Noutras palavras, se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio: só o que ultrapassar aqueles gastos seriam representativos de subvenções para custeio da recorrente. Ora, não se demonstrou, tampouco se indicou, que tenha havido transferências de valor superior às despesas imputáveis às empresas estrangeiras; também ficou incomprovada a artificialidade ou manipulação de preços dos afretamentos feitos pelas empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras e dos serviços prestados a essa pela recorrente. Fl. 6031DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.032 14 Daí não se poder cogitar de subvenções para custeio, na alternativa alvitrada pelo autuante, com a exceção de que tratarei adiante. (Destaque nosso) Em sentido contrário, analisando caso idêntico e da mesma contribuinte, manifestouse a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, conforme se extrai da ementa do acórdão paradigma nº 110100.246: Ementa: IRPJ — AJUSTES AO LUCRO REAL — COMPROVAÇÃO — O lançamento tem origem na falta de adição, ao lucro real, de subvenções correntes para custeio ou operação ou de recuperações ou devoluções de custos. Se a contribuinte não comprovou que os valores recebidos constituíram reembolso de despesas por ela incorridas em nome de terceiros, deve ser mantido o lançamento. PIS E COFINS — RECEITAS DO EXTERIOR — ISENÇÃO — São isentas da COFINS e PIS as receitas decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliado no exterior, no ano calendário 2001. Confirase, por oportuno, trecho do voto condutor do acórdão paradigma nº 110100.246, que defende a legitimidade da tributação pelo IRPJ/CSLL na mesma autuação do acórdão recorrido: “O lançamento em questão teve por base a falta de adição ao lucro real das subvenções correntes para custeio ou operação; e as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, prevista no art. 392 do Decreto n" 3.000/99, acima transcrito. Dessa maneira, para que o lançamento fosse desconstituído, caberia à contribuinte comprovar, de maneira inequívoca, que os valores recebidos constituíram, de fato, reembolso de despesas incorridas pela contribuinte em nome de terceiros. (...) Em ambas as hipóteses, discutiuse a mesma autuação contra a mesma contribuinte, diferenciandose apenas pelo ano calendário. No acórdão paradigma, prevaleceu o entendimento de que se tratava de caso de recuperação de custos com tributação de IRPJ/CSLL; na decisão recorrida, ao contrário, defenderam que se encaixava como reembolso de despesas, o que afastava a cobrança dos citados tributos. Analisando as razões da Procuradoria, é inteligível qual a similitude entre os casos e a divergência na interpretação do artigo 392, do RIR,. Por tal razão, entendo preenchido o requisito de demonstração da lei interpretada de forma distinta, como prescreve o artigo 67, §1º, do atual RICARF, lembrando que a interpretação adotada – como em julgamentos precedentes – não é rigorosa no atendimento a este requisito. Lembro, ainda, que o próprio contribuinte reconhece a interpretação do artigo 392 ao mencionar a convergência na interpretação da lei tributária (fls. 5966), o que evidencia a legislação ora tratada. Fl. 6032DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.033 15 Diante disso, rejeito o pedido do contribuinte de não conhecimento pela suposta falta da identificação da legislação tributária. 4. Demonstração analítica da divergência O contribuinte ainda sustenta que o recurso especial não deveria ser conhecido pela insuficiência na demonstração da divergência. Destaco trecho das contrarrazões a esse respeito: Como se percebe da leitura do Recurso Especial interposto pela ora Recorrente, o mesmo se limita a fazer mera transcrição de ementas, descumprindo por absoluto a exigência expressa nos dispositivos mencionados acima, deixando de realizar confronto analítico entre o acórdão recorrido e os supostos acórdãos paradigmas, a ensejar, por si só, o não conhecimento do Recurso Especial ora combatido também sob este aspecto. (fls. 5971) A alegação do contribuinte referese a todos os temas do recurso especial, sendo mais enfática quanto ao tema fluxo triangular (primeiro). Analiso a seguir a demonstração da divergência quanto ao fluxo triangular de recursos, adotando, quanto aos demais temas, as razões do despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente de Câmara. Fluxo Triangular: Neste ponto, a Procuradoria sustenta a divergência na interpretação da lei tributária da forma seguinte: A exação de IRPJ/CSLL teve como motivo a constatação de falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação nos anoscalendário de 2002 a 2004. A caracterização da natureza jurídica de recuperação de custos decorreu da constatação de que a contribuinte prestou serviços à Petrobras, recebendo subsídios do exterior, a título de recuperação de custos e subvenção para operação. O acórdão recorrido manifestou o entendimento no sentido de que, comprovado que os valores recebidos do exterior eram para custear despesas com a atividades relacionadas ao contrato assumido pela controladora e que tais valores não transitaram pelo resultado da recorrente, não havia como existir tributação de IRPJ e CSLL. Vejamos: (...) Em sentido contrário, analisando caso idêntico e da mesma contribuinte, manifestouse a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, conforme se extrai da ementa do acórdão paradigma nº 110100.246: (...) Fl. 6033DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.034 16 Confirase, por oportuno, trecho do voto condutor do acórdão paradigma nº 110100.246, que defende a legitimidade da tributação pelo IRPJ/CSLL na mesma autuação do acórdão recorrido: (...) Em ambas as hipóteses, discutiuse a mesma autuação contra a mesma contribuinte, diferenciandose apenas pelo ano calendário. No acórdão paradigma, prevaleceu o entendimento de que se tratava de caso de recuperação de custos com tributação de IRPJ/CSLL; na decisão recorrida, ao contrário, defenderam que se encaixava como reembolso de despesas, o que afastava a cobrança dos citados tributos. Diante do exposto, devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial, merece ser conhecido o recurso especial. (sublinhados originais) A reprodução do sintético arrazoado do recurso é feita para demonstrar que, efetivamente, não foi cumprido o dever de demonstração da divergência, na forma exigida pelo RICARF (Portaria MF 343/2015). Afinal, pela leitura dos parágrafos acima (únicos para a demonstração analítica da divergência quanto ao fluxo triangular) não é possível vislumbrar a similitude entre os casos e as razões pelas quais houve – se o caso – divergência na interpretação da lei tributária. Acrescento que sequer é fundamento principal do acórdão recorrido o fato identificado pelo Recorrente para elaborar o cotejo acima citado, verbis: “os valores recebidos do exterior eram para custear despesas com a atividades relacionadas ao contrato assumido pela controladora”. Com efeito, o voto condutor do acórdão recorrido é no sentido da insubsistência do auto de infração pela fragilidade do seu fundamento principal, uma vez que não haveria “artificialidade na determinação dos preços de afretamento de embarcações pela SedcoForex International Services S.A., e de prestação de serviços pela recorrente” (trecho do voto). Além disso, foi também relevante para a maioria do Colegiado – que acompanhou o relator – o fato das contratadas no exterior não serem sócios e tampouco controladoras do contribuinte. Notese que é o inverso do que consta nas razões da Procuradoria (que se refere ao “contrato assumido pela controladora” ao descrever as razões do acórdão recorrido). Colaciono trechos do voto do exConselheiro Relator, Marcos Shigeo Takata: Como se viu do relatório, o motivo central da autuação se funda no suposto fluxo triangular de recursos entre a recorrente, a empresa no exterior prestadora do afretamento de embarcações, e a contratante, a Petrobras. A recorrente e a empresa no exterior, que seria sua controladora, firmaram dois contratos com a Petrobras: um de afretamento de embarcações, e outro, de prestação de serviços de interesse da Petrobras, excetuado o de afretamento. Segundo o autuante, a recorrente e a empresa no exterior, por ser sua controladora, atribuíram com artificialidade os preços que ambas praticariam à contratante, a Petrobras, de modo que a maior parte do preço global ajustado com a contratante fosse Fl. 6034DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.035 17 imputável à controladora da recorrente no exterior – no caso, cerca de 90% do preço global. Dessa forma, a maior parte do preço global ficou com a empresa no exterior, sem a incidência de IR no Brasil, por aplicação da hipótese de alíquota zero do art. 1º, I, da Lei 9.481/97. A parcela residual do preço, atribuída à recorrente, não apresentava suficiência para que ela apresentasse lucros. O fluxo triangular artificialmente criado pela recorrente e sua controladora, a empresa no exterior, se completava, conforme o autuante, pelas remessas de recursos feitas pela empresa no exterior para a recorrente, a título de reembolso a essa de despesas antecipadas pela recorrente pertencentes à empresa no exterior. O autuante identificou nos recursos remetidos pela empresa no exterior à recorrente o preço de prestação de serviços por essa à aquela, dissimulado sob o rótulo de reembolsos. A recorrente alega que a empresa no exterior, prestadora do afretamento de embarcações à Petrobras, não é sua controladora. Mais, a empresa no exterior, sobre não ser controladora da recorrente, não possui nenhuma participação em seu capital social, tampouco alguma ingerência em sua atividade social. O que houve foi confusão cometida pelo autuante devido à parecença de denominação da empresa no exterior e da controladora da recorrente. Acentua também que a definição dos preços de afretamento de embarcações e da prestação de serviços, ambos à Petrobras, foi preestabelecida pela contratante, nos editais de licitação, sobre o que, portanto, as contratadas nenhum ingerência tiveram. Ou seja, não houve manipulação de preços por parte da recorrente e da empresa no exterior, pois foram estabelecidos em edital de licitação da contratante, a Petrobras. Do exame da documentação acostada aos autos, constato o seguinte. (...) Nada há nos autos que indique que as empresas no exterior, contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações, R&B FalconDrilling (International & Deepwater) Inc., Transocean Holdings Inc., Falcon Drillinig Co. Inc., Falcon Atlantic Ltd., Transocean UK Limited, Sedco Forex International Services S.A., sejam sócias da recorrente nos períodos autuados. Ou seja, nada há nos autos que indique que as ora citadas empresas contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações sejam sócias da recorrente, e, pois, controladoras da recorrente ao tempo dos períodos autuados – diversamente ao exposto no TVF, conforme transcrição feita acima. (...) O que se vê é que, ainda que não se possa dizer que as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras tenham sido sócias e controladoras da recorrente nos períodos autuados, cuidase de empresas do mesmo grupo econômico. Fl. 6035DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.036 18 Nesse passo, reputo curial acentuar o seguinte. Análise atenta do TVF permite concluir que o motivo central da autuação repousa sobre o estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. Nesse motivo central, a artificialidade dos preços se põe entre os praticados entre a Petrobras, contratante, com as contratadas empresas estrangeiras, controladoras da recorrente, segundo o TVF, e os praticados entre a Petrobras, contratante, com a contratada recorrente, controlada das empresas estrangeiras, conforme o TVF. E, dessa artificialidade dos preços, emerge a parte do preço (receita omitida autuada) pela prestação de serviços pela recorrente à contratante Petrobrás: ela é representada pelos recursos transferidos pelas controladoras estrangeiras da recorrente para esta. . (...) Os editais em questão deixam claro que não havia margem para aumentar o preço de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou “workover” em relação ao preço global que envolvia tais serviços e o afretamento de embarcações (naviossonda, navios semisubmersíveis, unidades de perfuração). Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre os participantes do certame e a Petrobras. Disso tudo, a conclusão extraível é a de que não houve artificialidade na determinação dos preços de afretamento de embarcações pela SedcoForex International Services S.A., e de prestação de serviços pela recorrente, ambos contratados pela Petrobras. Resta, pois, derruído o motivo central da autuação, qual seja, o de estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. E continua o Relator analisando o tema, embora tenha deixado bastante claro que o motivo central da autuação fiscal não se sustentava: Em que pese o motivo central da autuação analisado, e a conclusão dele decorrente, o autuante registrou que as transferências em comentário podem constituir, alternativamente, subvenção para custeio ou recuperações de custos deduzidos, em favor da recorrente (fls. 1147, 1153 a 1155, TVF e fls. 1106, 1115, 1124 e 1128, instrumentos específicos dos autos de infração). (...) (grifo nosso) O trecho do voto iniciado com o parágrafo supra, que entendo expressamente obter dictum¸ é que consta nas razões da Procuradoria para demonstração da divergência da lei tributária. Fl. 6036DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.037 19 Assim, além da insuficiência na demonstração da divergência, entendo que há fundamento autônomo do acórdão recorrido, não enfrentados à ocasião da demonstração da divergência em recurso especial. O fundamento inatacado e que é suficientes para a manutenção da decisão recorrida impede o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Nesse sentido, são os Enunciados da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal: Súmula 283, do STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos êles. Súmula 126, do STJ É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário. Até porque o fundamento inatacado do acórdão recorrido não só é suficiente à manutenção daquela decisão, como é o principal fundamento da decisão recorrida. E, portanto, só é possível a reforma do acórdão recorrido se este fundamento tivesse sido tratado em razões de recurso especial, o que não ocorreu no presente caso. Concluo, portanto, pelo não conhecimento do recurso especial. 5. Convergência na interpretação Por fim, o contribuinte questiona o conhecimento do recurso especial pela alegada convergência na interpretação da lei tributária, pois “a alegada divergência entre eles se dá apenas pelas conclusões decorrentes das provas dos autos”. Entretanto, não há provas distintas nos casos, mas valoração das provas existentes. E a despeito das provas serem similares, os Colegiados concluíram de forma distinta. Até porque o fundamento do acórdão recorrido não foram as provas tratadas em trecho reproduzido nas contrarrazões. Rejeito, assim, o pedido de reconhecimento de convergência na interpretação da lei tributária. 6. Conclusão do Conhecimento Portanto, voto por não conhecer da matéria fluxo triangular dos recursos, julgando prejudicada o tema preclusão, relacionado ao primeiro. E conheço do recurso especial quanto à possibilidade de retificação do lançamento e quanto à nulidade por vício formal, adotando as razões do Presidente de Câmara quanto a estas matérias. Fl. 6037DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.038 20 Mérito: Como conhecido o recurso especial integralmente, lembro que há quatro matérias a serem apreciadas: (i) Fluxo triangular dos recursos; (ii) Preclusão; (iii) A possibilidade de retificação de lançamento; (iv) Nulidade por vício formal. 1. Preclusão Analisarei primeiramente o tema Preclusão, considerando que pode ter alguma influência na solução do tema fluxo triangular de recursos. Consta do relatório do acórdão recorrido: Tratase de petição interposta pela recorrente em 7/4/2014,em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, requereu a juntada dos anexos laudos elaborados pela conceituada empresa de auditoria independente Ernst & Young, e afirmou que esses demonstram o desacerto dos presentes autos de infração. (...) Acentuou que a empresa Ernst & Young, por meio da análise da documentação contábil e fiscal da recorrente, concluiu que os valores autuados correspondem, para a recorrente, mero ressarcimento de despesas incorridas pelas empresas estrangeiras no Brasil, e que essas despesas não transitaram pelas contas de resultado da recorrente. Nesse contexto, decidiu a Turma a quo, conforme voto do relator: Na impugnação, a recorrente carreou aos autos documento da Ernst & Young, que atestaria não terem sido reconhecidos como despesas os gastos feitos em favor das empresas estrangeiras Transocean Offshore Ltd., Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., Sedco Forex International. Inc., e Transocean UK Ltd. Porém, tratase de mera carta, na qual é dito tais gastos em favor dessas empresas estrangeiras não transitaram por conta de resultado (despesa) da recorrente, mas registrados em contas correntes ativas, e que o trabalho da Ernst & Young ainda se encontra em andamento (fl. 5592).(fls. 5847) Posteriormente, em 7/4/14, a recorrente juntou aos autos laudos da Ernst & Young, em que constam as contas patrimoniais relativas às empresas estrangeiras acima descritas (fls. 5765 a 5777). Fl. 6038DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.039 21 Um dos laudos se refere aos registros contábeis dos valores recebidos das empresas estrangeiras e dos valores utilizados para pagamentos em favor das empresas estrangeiras, no período de 2002 e de janeiro a setembro de 2003. Ainda, tal laudo se refere aos registros contábeis feitos pela Transocean Sedco Forex do Brasil Ltda., incorporada pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente) em 30/9/03, não se tendo verificado valores inferiores a R$ 1.000,00. Referido laudo conclui que os valores gastos em favor das empresas estrangeiras não transitaram por conta de resultado (despesa) da recorrente, assim como os valores recebidos do exterior não transitaram por conta de resultado (receita). Os gastos tiveram como contrapartida o débito em conta do ativo, e os valores recebidos tiveram como contrapartida o crédito em conta do passivo. Assim, os lançamentos contábeis em questão se deram da seguinte forma exemplificativa. (...) O outro laudo da Ernst & Young trata dos procedimentos contábeis adotados pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente), de 2002 a 2004, quanto aos registros dos gastos feitos em favor das empresas estrangeiras: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc, Transocean UK Ltd., Transocean Offshore International Ltd., Transocean Offshore Ltd., Sedco Forex International Services S.A. e Sedco Forex International. Inc. Foram selecionados lançamentos contábeis de dispêndios de valores superiores a R$ 50.000,00. (...) Daí não se poder cogitar de subvenções para custeio, na alternativa alvitrada pelo autuante, com a exceção de que tratarei adiante. Outra alternativa descrita pelo autuante é a de que se verse sobre recuperações de custos –as recuperações de custos deduzidos e as subvenções para custeio são reconhecíveis como receita operacional tributável, para fins de IRPJ, nos termos do art. 392 do RIR/99. Se os gastos que beneficiaram as empresas estrangeiras tratadas como controladora da recorrente tivessem sido reconhecidos como despesas dessa, o autuante as teria glosado. Em nenhum momento disse o autuante que houve indevida apropriação de despesas pela recorrente. O Relator, aparentemente, admitiu os laudos juntados posteriormente ao recurso voluntário, mas não houve pronunciamento expresso da Turma a quo a respeito do artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. A Procuradoria apresentou embargos de declaração, pleiteando a manifestação do Colegiado sobre o artigo 16, §4º e §5º, do Decreto nº 70.235/1972. Estes embargos foram acolhidos pela Turma a quo, para sanar omissão, sem efeitos infringentes. Consta do voto condutor: Fl. 6039DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.040 22 Pela leitura do voto, o resultado do julgamento não seria diverso ainda que o julgador não tivesse conhecido os referidos laudos. Vejamos a seguinte parte do voto condutor que vem logo a seguir da análise dos laudos, mas que a eles não faz referência: (...) Ou seja, as conclusões do laudo foram usadas como reforço pelo julgado e transcrita por comodidade. Todavia, a sua conclusão não seria diversa caso não tivesse tomado conhecimento acerca dos laudos. Afinal, o laudo citado na decisão se refere à análise da escrituração do recorrente, cujas conclusões puderam ser obtidas por outras formas, segundo o próprios entendimento manifestado no voto. Ademais, ainda que considerássemos o laudo como elemento essencial para o desfecho do julgamento, não podemos perder de vista o que dispõe o art. 29 do mesmo documento normativo citado pela d. Procuradoria, ou seja, o Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Ora, o julgador poderia, com base no referido dispositivo, determinar a realização de diligência para verificar a contabilidade do contribuinte. Nesse caso, o contribuinte teria oportunidade para juntar laudo com o fito de contraditar as conclusões da autoridade fiscal. Na verdade, o julgador poderia ainda determinar a realização de diligência para que a autoridade fiscal intimar o contribuinte para a apresentação de laudo por parte do contribuinte. Enfim, o referido artigo concede uma ampla faculdade ao julgador, que não é restringida pelos demais dispositivos do Decreto nº 70.235/72. O art. 16, §§4º e 5º do Decreto nº 70.235/72 impõe uma obrigação para o impugnante/recorrente, não uma obrigação para o julgador. (...) Dessarte, a única omissão que poderíamos considerar diz respeito ao julgador não ter feito referência expressa ao art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Nesse ponto, acolho os embargos para suprimir a referida omissão, mas sem efeitos infringentes. Entendo que o acórdão em embargos de declaração não merece reparos. Com efeito, a razão central de decidir do voto condutor do acórdão recorrido não foram os laudos e, por isso, não haveria qualquer influência a suposta preclusão. O tema foi enfrentado em preliminar de conhecimento, onde explicitei que a principal razão do voto vencedor do acórdão recorrido foi a insubsistência do lançamento, que teria se fundamentado na artificialidade nos preços contratados com a Petrobrás, como também em serem as empresas estrangeiras controladoras do contribuinte. Acrescento que a interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou Fl. 6040DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.041 23 direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa, notadamente à luz do artigo 29, mencionado pelo trecho do acórdão em julgamento dos embargos de declaração. Não menos relevantes são as disposições da 9.784/1999, que trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Fl. 6041DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.042 24 Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à preclusão. 2. Fluxo Triangular de Recursos : Esta Turma, em reunião de fevereiro de 2018, julgou processo do contribuinte tratando do tema, decidindo pela manutenção do lançamento (acórdão nº 9101 003.377). À ocasião, esta Relatora foi vencida para então julgar improcedente o lançamento, sendo redator do voto prevalecente o Conselheiro André Mendes de Moura. Adoto as razões do voto que proferi no acórdão 9101003.377, para negar provimento ao recurso da Procuradoria, além do voto do exConselheiro Marcos Takata, relator e vencedor no caso do acórdão recorrido nos presentes autos. Esta Turma, em reunião de fevereiro de 2018, julgou processo do contribuinte tratando do tema, decidindo pela manutenção do lançamento (acórdão nº 9101 Fl. 6042DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.043 25 003.377). À ocasião, esta Relatora foi vencida para então julgar improcedente o lançamento, sendo redator do voto prevalecente o Conselheiro André Mendes de Moura. Adoto as razões do voto que proferi no acórdão 9101003.377, para negar provimento ao recurso da Procuradoria, além do voto do exConselheiro Marcos Takata, relator e vencedor no caso do acórdão recorrido nos presentes autos. É o teor do voto que proferi no acórdão 9101003377: A razão central para os lançamentos tributários que originaram o presente processo é a artificialidade vislumbrada na assinatura de dois contratos com a Petrobrás, um assinado pela controladora (contrato de afretamento de embarcações) e um pela controlada (outros serviços), “estabelecendo condições que acarretam prejuízos seqüenciais para a empresa controlada, sediada no Brasil” (...) “Assim, uma mesma prestação de serviços é seccionada em duas com o propósito de escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que dessa maneira é possível enquadrar quase que a totalidade do valor (...) sob o alcance da alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei nº 9.481/97). (trecho do Termo de Verificação Fiscal). No entendimento do auditor fiscal autuante os supostos reembolsos da controladora (no exterior) para a controlada no Brasil – relativos aos custos com manutenção das embarcações objeto de afretamento que seriam receita desta última, tendo por finalidade remunerar a empresa sediada no Brasil e subvencionar a continuidade de sua operação. O contribuinte, ao longo do processo administrativo, sustentou que a divisão em dois contratos é exigência do Edital de Licitação da Petrobrás (Cláusula 2.7 do Edital 187.8.002.017, doc. 4 anexo à impugnação), que teria definido a estrutura dos contratos e respectivas remunerações. Sustenta, ainda, que a Sedco Forex International Serviços S.A. (contratada pela Petrobrás – serviços de afretamento) não seria controladora da Transocean Seco Forex Brasil Ltda. Com efeito, o Edital de Concorrência Internacional nº 101.0.015956 prevê a existência de dois contratos, sendo um de afretamento e outro de prestação de serviços, definindo o percentual do preço de pagamento de cada um dos contratos: 1.6. Como resultado da licitação, a PETROBRAS celebrará 2(dois) contratos, quais sejam, um de afretamento e outro de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover". Os preços propostos, mediante o preenchimento das Planilhas de Pregos Unitários, constantes do ADENDO V, estarão limitados a 85% (oitenta e cinco por cento) em dólares norteamericanos (relativos ao Contrato de Afretamento), sendo o restante pago em moeda corrente nacional (relativo ao Contrato de Prestação de Serviços). (fls. 2708, volume 13) Fl. 6043DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.044 26 Em sentido similar, o Convite Internacional nº 187.8.002.017 estabelece que: 2.7 — As taxas diárias de operação, Ref. 101 das Planilhas de Preços Unitários, deverão ser cotadas observandose o "split" de 90% (noventa por cento) a ser pago em dólares norteamericanos, no caso do Contrato de Afretamento da Unidade e de 10% (dez por cento), no caso do Contrato de Prestação de Serviços. (fls. 2472, volume 12) Os editais, portanto, definiram os preços de cada um dos contratos, sem a existência de margem de alteração pelo contribuinte. Os editais de licitação ainda afastam a suposta artificialidade na operação, afinal, as empresas foram contratadas – por meio de dois contratos distintos – por exigência da Petrobrás, por licitação regular. O artigo 1º, I, da Lei nº 9.481/1997, em redação vigente ao tempo dos fatos destes autos, reduzia a zero a alíquota do IRFOnte quanto ao afretamento: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; Assim, não vislumbro, a priori, qualquer artificialidade na contratação procedida pela Petrobrás, por licitação regular, com o gozo da redução da alíquota do IRFOnte na forma legal. Lembro que o reembolso era feito pela SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A., que não era controladora direta da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL entre 2002 e 2003. Assim, equivocado o lançamento tributário quando menciona tal controle pela SEDCO FOREX INTERNATIONAL, verbis: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJs 2003 e 2004 110 (referentes aos anoscalendário 2002 e 2003) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizada através da conta denominada "SEDCO FOREX INTERNATIONAL", na qual era registrada a contrapartida das transferências de numerário de banco no exterior para conta bancária da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, no Brasil, no Banco Boston por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com Fl. 6044DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.045 27 manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS. Com efeito, o conceito de controle está delineado na Lei nº 6.404/1964, nos termos seguintes: Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. A identificação de pessoa jurídica como controlador, portanto, depende do preenchimento dos dois requisitos tratados pelas alíneas "a" e "b", não sendo possível vislumbrar figura de "controlador" quando não houver titularidade dos direitos do sócio e poder de eleger a maioria dos administradores da companhia (como refere a alínea "a"). No caso dos autos, tratandose de autuação quanto aos anos de 2002 e 2003, vale analisar os documentos sociais da empresa então recebedora dos reembolsos (TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA.), para verificar quem seriam seus sócios e, ainda, um possível controlador. O contribuinte alegou em sua defesa inicial: (...) Nesse sentido, são os seguintes documentos sociais relevantes da TRANSOCEAN SEDCO FOREX, apresentados à fiscalização: 1) Alteração contratual da TRANSOCEAN SEDCO FOREX (fls. 18/32), de 02/05/2002, apresentado à fiscalização, constando como sócios: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) b. SEDCOFOREX HOLDINGS LTD. (Ilhas Virgens Britânicas) 2) Alteração Contratual da mesma pessoa jurídica, datada de 02/10/2002 (fls. 34/50), na qual é admitido novo sócio, pessoa física. Assim, a partir de então são sócios do contribuinte: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) Fl. 6045DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.046 28 b. PAUL ARTHUR KING (pessoa física, residente nos Estados Unidos); c. SEDCOFOREX HOLDINGS LTD. (Ilhas Virgens Britânicas) 3) Alteração Contratual, datada de 12/06/2003 (fls. 52/76), na qual retirase da sociedade da SedcoForex Holdings Ltd, constando a partir de então como sócios: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) b. PAUL ARTHUR KING (pessoa física, residente nos Estados Unidos); 4) Alteração Contratual, datada de 18/08/2003 (fls. 78/100), permanecendo com a mesma composição societária: a. SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá); b. PAUL ARTHUR KING (pessoa física, residente nos Estados Unidos); Assim, os únicos sócios do contribuinte no período fiscalizado (2002 e 2003) forma: SEDCOFOREX HOLDINGS LTD (Ilhas Virgens Britânicas); SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. (Panamá) e PAUL ARTHUR KING (pessoa física). Efetivamente, não consta nos autos que a SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A. tenha sido sequer sócia (quanto mais controladora) do contribuinte. Consta, aliás, do Termo de Verificação Fiscal,que: “a ÚNICA sócia cotista da TRANSOCEAN SEDCO FOREX BRASIL LTDA, é a empresa estrangeira SEDCOFOREX INTERNATIONAL INC., com sede no PANAMÁ” (fls. 2230). É, portanto, incontroverso que a SEDCOFOREX INTERNATIONAL SERVICES S.A. não foi sócia do contribuinte no período fiscalizado. E portanto não poderia ser identificada como controladora. Consta também do Termo de Verificação Fiscal: São partes integrantes do presente Auto de Infração, os Anexos I e ll descritos nas alíneas "e" e "f" retromencionadas. Esses anexos demonstram, de forma analítica, os valores, discriminados mês a mês (BASES DE CALCULO DO IRPJ, CSSL, PIS E COFINS), que a "SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S/A" remeteu do exterior para a conta da fiscalizada visando fazer frente aos custos e despesas lançados na contabilidade da fiscalizada, conforme demonstrado no Livro Razão As fls. 1102 a 1197 do Volume VI; As fls. 1200 a 1398 do Volume VII; As fls. 1401 a 1599 do Volume VIII; As fls. 1602 a 1784 do Volume IX e As fls. 1787 a 1939 do Volume X. Portanto, os reembolsos vislumbrados pelo Auditor Fiscal autuante foram feitos pela SEDCO FOREX INTERNATIONAL SERVICES S/A, que não era sócia, como tampouco controladora do contribuinte. Fl. 6046DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.047 29 Sucessivamente, adoto as pertinentes colocações do ex Conselheiro Marcos Shigueo Takata em julgamento de processo do mesmo contribuinte (Processo nº 15521.000300/200761, acórdão nº 1103001.105): Não houve por parte do autuante, nenhuma indicação de que os valores recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam maiores do que os valores das despesas dessas, a justificar que parte de tais valores foram por prestação dos serviços à Petrobras e parte por prestação de serviços às “controladoras” da recorrente. Tampouco houve indicação, muito menos discriminação, de quais valores seriam os de preço de serviços prestados à Petrobras, encobertos no preço de afretamento da Sedco Forex International Services S.A., e quais seriam os de remuneração de atividade da recorrente para suas “controladoras”. Posto isso tudo, não se sustenta a conclusão de que os valores de transferência de recursos das “controladoras” da recorrente para esta são preço de prestação de serviços da recorrente às suas “controladoras”. E o mais importante. Não se sustenta a conclusão de que tais valores sejam preço de prestação de serviços pela recorrente à Petrobras (encobertos no preço dos afretamentos das empresas estrangeiras contratadas), pois já se viu que ficou incomprovada a artificialidade de preços praticados com a contratante. O motivo central resultou derruído, ante a imposição determinada pelos editais de licitação. Esclareço que o processo acima citado (15521.000300/200761) foi recentemente sorteado para minha relatoria e incluído em pauta para julgamento nesta sessão. No entanto, identificado pequeno equívoco procedimental, o processo foi retirado de pauta para saneamento. Lembro, também, que a matéria foi analisada por esta Turma da CSRF, em julgamento realizado em 04 de abril de 2017, sendo o acórdão de relatoria do Conselheiro Luís Flávio Neto (Processo Administrativo nº 15521.000126/200595, acórdão nº 9101 002.741). À ocasião, acompanhei o relator em suas razões para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Destaco voto do Conselheiro Luís Flávio Neto naquele acórdão a respeito do tema: Fazse necessário, então, distinguir essas duas espécies do gênero “entradas”: os “ingressos” e as “receitas”. (...) Por “receitas”, entendemse apenas as entradas definitivas (ou mesmo o direito de receber tais entradas). Os “ingressos provisórios” não compõem o gênero “receitas”, já que não trazem qualquer incremento ao patrimônio da entidade canal. Tais ingressos provisórios, embora possam vir a ser contabilizados em seu ativo circulante, têm como Fl. 6047DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.048 30 desdobramento imediato um compromisso em seu passivo circulante, qual seja, o repasse de tais valores aos seus verdadeiros destinatários. Não havendo direito da entidade canal ao valor destinado aos repasses, o seu ingresso provisório não deve afetar em nada o seu resultado e, portanto, não representa signo presuntivo de riqueza em relação a esta. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, em convergência com as normas internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards IFRS), dedica especial atenção às receitas de intermediação, a fim de distinguilas dos valores recebidos para repasse aos fornecedores dos serviços intermediados. O Pronunciamento Técnico CPC 30, define que “receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”. A demonstração de resultados da entidade somente pode apresentar como receita a entrada decorrente da atividade empresarial própria e que resulte em aumento do seu próprio patrimônio líquido. O pronunciamento contábil (CPC 30) elucida que quantias cobradas por conta de terceiros (como tributos sobre vendas, sobre bens e serviços e sobre valor adicionado) não trazem benefícios econômicos para a entidade e, por isso, “não resultam em aumento do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita”. Tratandose de relação de agenciamento, “os ingressos brutos de benefícios econômicos provenientes das operações efetuadas pelo agente, em nome do operador, não resultam em aumentos do patrimônio líquido do agente, uma vez que sua receita corresponde tão somente à comissão combinada entre as partes”. Há também pronunciamento do CPC para pequenas e médias empresas (“Pronunciamento Técnico PME”), que traz igual conceito para “receita”, distinguindoa dos ingressos provisórios e reafirmando que, “no relacionamento como uma agência, a entidade deve incluir na receita somente o valor de sua comissão. Os valores recebidos em nome do titular não são considerados como receita da entidade”. Assim, conforme os padrões internacionais de contabilidade ora adotados no Brasil, tais ingressos provisórios recebidos para repasse não representam um signo de riqueza ao intermediador, que não sofre mutação de seu patrimônio líquido; o patrimônio líquido afetado pertence, isto sim, ao fornecedor daquilo que está sendo intermediado. Interessa ter claro, ainda, as duas faces do princípio da capacidade contributiva. Sob o seu aspecto objetivo, é pré requisito para a eleição da hipótese de incidência tributária, tratese de impostos ou de contribuições. (...) Fl. 6048DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.049 31 No caso sob julgamento, quando o ingresso provisório transita pela contabilidade da entidadecanal, temse uma entrada de caixa desdobrada em uma obrigação no passivo desta, sem afetar o seu resultado. Podese concluir, então, que a contabilização levada a termo pelo contribuinte, como bem ressaltado pela decisão recorrida, foi realizada adequadamente. Da mesma forma, também é correto concluir que há ausência de capacidade contributiva objetiva, já que o ingresso provisório de valores destinados ao repasse de afretamento não reflete probabilidade de riqueza para a empresa. Capacidade contributiva haveria na hipótese da recorrida haver acordado com as aludidas empresas estrangeiras remuneração pelo referido ônus assumido. Nessa hipótese, haveria entrada definitiva de receitas atinentes à sua remuneração, inconfundíveis com os ingressos provisórios recebidos a título de reembolso das despesas de interesse das empresas residentes no exterior. Não identifico, contudo, tal circunstância nos presentes autos. Pelas razões expostas e adotando também as razões do ex Conselheiro Marcos Shigueo Takata e do Conselheiro Luís Flávio Neto, acima reproduzidas, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto ao fluxo triangular de recursos. 3. A possibilidade de retificação de lançamento O acórdão recorrido julgou o tema da forma seguinte: Nos instrumentos específicos dos autos de infração de PIS e de Cofins – fls. 1124 a 1126, 1127 a 1130 noto que as exigência se deram sob fatos geradores anuais para 2002 e 2003, e sob fatos geradores trimestrais para 2004 (daí ter me referido à apuração trimestral de IRPJ e de CSL para o anocalendário de 2004). O vício substancial que inquina os lançamentos de PIS e de Cofins é claro. Como já tive oportunidade de dizer, por ex., no voto do Acórdão nº 1103000.940, da sessão de 9/10/13, no que fui acompanhado pelos pares por unanimidade, não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. A Procuradoria sustenta em seu recurso especial que os lançamentos de PIS e COFINS poderiam ser retificados para correção do equívoco pelas autoridades julgadoras: Fl. 6049DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.050 32 O acórdão recorrido manteve o cancelamento da exigência de PIS e Cofins em função do lançamento ter sido formalizado com apuração anual/trimestral e, não mensal. (...) Diante de casos semelhantes, ou seja, de exigências de PIS e Cofins não formalizadas com apuração mensal, acórdãos, recorrido e paradigma, apresentaram soluções divergentes. Enquanto o primeiro cancelou a cobrança. O segundo manteve o lançamento, autorizando a retificação do erro pela autoridade julgadora. Esta Turma da CSRF julgou o tema em precedente similar (acórdão nº 9101.003.227, processo nº 10280.004913/200491), embora tratando de IRPJ. Naquela oportunidade decidise pela impossibilidade de correção do lançamento. Adoto, nesse sentido, a fundamentação do Conselheiro Luís Flávio Neto: Quanto ao mérito do recurso, o voto vencedor do acórdão recorrido apresentou os seguintes fundamentos, in verbis (efls. 1030 e seg.): Compulsando os autos, verificase às fls. 27 do processo, que a autoridade fiscal procedeu ao lanca̧mento do IRPJ e da CSLL com base no lucro real trimestral. Porém, pela cópia da DIPJ juntada aos autos (fls. 394), verificase que a opção do contribuinte foi pelo lucro real anual.(...) Pelo visto, constatase a ocorren̂cia de evidente equívoco na identificação do fato gerador, com conseqüências diretas na determinação do crédito tributário, resultando em descumprimento do comando do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe, no seu capta: Ocorre que o erro em questão diz respeito a elementos fundamentais da regramatriz de incidência tributária. Além do vício no critério temporal (antecedente normativo), que diz respeito ao momento da ocorrência do fato gerador, há também vício no critério material (antecedente normativo), que diz respeito ao próprio conceito da renda e do lucro que devem ser tributados, o qual deve ser refletido pela base de cálculo do tributo (consequente normativo), o qual, no caso concreto, acabou por delimitar uma grandeza equivocada, diversa daquela a que deveria o lançamento tributário deveria se ater para mensurar o “lucro anual”, a “renda anual”. Caso seja mantida a decisão recorrida, a “renda” e o “lucro”, que deveriam ser identificados como grandezas auferidas em um único bloco ao longo de todo o ano de 1999, restariam conceitualmente alterarados, tornandose grandezas confinadas, à revelia de lei, ao quarto trimestre do ano de 1999. Há, portanto, vício na própria motivação do ato administrativo para o lançamento do quarto trimestre de 1999. Não há como “convalidar” ou sanar as irregularidades quanto ao quarto Fl. 6050DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.051 33 trimestre porque elas contaminam a essência de todo o lançamento. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à possibilidade de retificação de lançamento. 4. Nulidade por vício formal Finalmente, a Procuradoria sustenta em seu recurso especial a divergência na interpretação da lei tributária para requerer seja reconhecido que o vício quanto ao lançamento de PIS e COFINS é formal. O tema foi julgado da forma seguinte pelo acórdão recorrido, ao apreciar recurso de ofício (fls. 5854): Passo a apreciar a questão do PIS e da Cofins. Vejo que, segundo a DIPJ/05, carreada aos autos pelo autuante (fls. 119 a 196), a recorrente apurou no anocalendário de 2004 IRPJ e CSL trimestralmente – fichas 4A, 6A, 9A, 12 e 17. Nos instrumentos específicos dos autos de infração de PIS e de Cofins – fls. 1124 a 1126, 1127 a 1130 noto que as exigência se deram sob fatos geradores anuais para 2002 e 2003, e sob fatos geradores trimestrais para 2004 (daí ter me referido à apuração trimestral de IRPJ e de CSL para o anocalendário de 2004). O vício substancial que inquina os lançamentos de PIS e de Cofins é claro. Como já tive oportunidade de dizer, por ex., no voto do Acórdão nº 1103000.940, da sessão de 9/10/13, no que fui acompanhado pelos pares por unanimidade, não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Irreparável o decidido pelo órgão julgador de origem. Dessa forma, sobre a questão de PIS e de Cofins, nego provimento ao recurso. Lembro que a Procuradoria apresentou embargos de declaração, requerendo manifestação do Colegiado a quo sobre a natureza da nulidade reconhecida, pleiteando fosse reconhecido tratarse de vício formal, verbis: Ademais, convém registrar que a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF também negou provimento ao recurso de ofício para cancelar o auto de infração de PIS e Cofins, em virtude de vício no método de apuração dos valores cobrados. Data venia, essa parte do julgado incorreu em contradição, pois o argumento ligado a vício na metodologia aplicada para a Fl. 6051DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.052 34 determinação do tributo, ou seja, a violação do art. 142 do CTN, do art. 10, V do Decreto nº 70.235, etc enseja a nulidade por vício formal do lançamento e não, o seu cancelamento por vício material. A contradição neste ponto foi rejeitada pelo Colegiado a quo, ao julgar referidos embargos de declaração: Ou seja, o fundamento para a exoneração corresponde a erro de aplicação do regime jurídico de apuração das referidas contribuições e não a uma falha na forma de veicular a constituição do crédito tributário. A se prosperar o entendimento da d. Procuradoria, todas as exonerações tributárias deveriam ser enquadradas na condição de vício formal, o que não se pode acatar. Entendo que o vício do lançamento é efetivamente material, pela aplicação do da aplicação do artigo 142, do CTN e aos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235/1972. Dispõe o artigo 142, do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Destaco, ainda, a redação dos artigos 10 e artigo 59, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 6052DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.053 35 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sobreleva considerar, ainda, que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso de ofício. Assim, a Turma a quo interpretou que se tratava de nulidade material do lançamento, tanto que consta do voto do relator originário que "O vício substancial que inquina os lançamentos de PIS e de Cofins é claro.". Ademais, em julgamento dos embargos de declaração a Turma pronunciouse sobre não ser o caso de vício formal, verbis: Ou seja, o fundamento para a exoneração corresponde a erro de aplicação do regime jurídico de apuração das referidas contribuições e não a uma falha na forma de veicular a constituição do crédito tributário. A se prosperar o entendimento da d. Procuradoria, todas as exonerações tributárias deveriam ser enquadradas na condição de vício formal, o que não se pode acatar. Lembro que a nulidade por vício formal é tratada pela Lei nº 4.717/1965, que regula a ação popular, conforme artigo 2º, alínea b e Parágrafo único, alínea b.: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: (...) b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; Apenas na hipótese de “omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato” é possível se reconhecer nulidade por vício formal. Em sentido similar, decidiu esta Turma da Câmara Superior nos autos do processo nº 10280.005071/200721, sob relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Fl. 6053DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.054 36 Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. No caso destes autos não há qualquer indício de nulidade formal no lançamento. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto ao pedido para reconhecimento de vício formal. Conclusões Diante disso, voto por não conhecer o recurso especial quanto ao fluxo triangular de recursos, tanto pela insuficiência de demonstração da divergência pelo Recorrente, quanto pela falta de impugnação específica ao fundamento principal do acórdão recorrido. Julgo, assim, prejudicada a análise quanto à preclusão, relacionada ao primeiro tema. E conheço quanto aos dois outros temas (retificação de lançamento e nulidade formal). No mérito, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto aos 4 (quatro) temas, mantendo o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado Não obstante o substancioso voto da I. Relatora, peço vênia para discordar em relação ao conhecimento e mérito da matéria " fluxo triangular dos recursos". Passo ao exame. Em relação à admissibilidade, entendo que o paradigma apresentado pela PGFN é preciso ao demonstrar a divergência da interpretação da legislação tributária. Fl. 6054DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.055 37 No julgamento dos presentes autos, na Câmara Baixa, participei do Colegiado1, ocasião em que manifestei minha discordância com o voto do relator em relação ao recurso voluntário, que foi vencedor na oportunidade. A Declaração de Voto por mim elaborada apresenta o contexto da presente autuação: A situação apresentada aos autos trata de dois contratos, celebrados entre a Petrobrás, a recorrente e a sua controladora, empresa sediada no exterior. Um contrato dispõe sobre prestação de serviços entre a recorrente e a Petrobrás, que trata de atividades como prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover, dentre outros, excetuandose o serviço de afretamento. O outro contrato, celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás, dispõe sobre o afretamento. Somandose os valores dos dois contratos, noventa por cento do montante referese ao contrato de afretamento celebrado entre a controladora do exterior e a Petrobrás, sendo que as receitas de afretamento são albergadas por alíquota zero prevista no art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997. Os outros dez por cento correspondem ao contrato entre a recorrente e a Petrobrás, por prestação de serviços submetida à tributação regular. Diante de prejuízos sucessivos apurados pela recorrente (ordem de 14,5 milhões em 2002, 14,3 milhões em 2003 e 58,2 milhões em 2004), e de “reembolsos” recebidos da controladora no exterior sem contabilização em contas de resultado (na ordem de 59,2 milhões em 2002, 116,6 milhões em 2003 e 216,9 milhões em 2004) foi intimada pela autoridade fiscal a prestar esclarecimentos. A recorrente informou que havia celebrado uma “parceria” ou “aliança informal” com a sua controladora, no sentido de prestar suporte às operações da controladora no território nacional. E, nesse sentido, os “reembolsos” corresponderiam à despesas incorridas pela recorrente para dar suporte aos serviços prestados em favor da controladora. Ou seja, as remessas do exterior recebidas da controladora seriam reembolsos de despesas. São os fatos. (...) Por isso, mostrase preciso o Termo de Verificação Fiscal: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJ's 2003 à 2005 (referentes aos anoscalendário 2002 à 2004) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação 1 Na ocasião do julgamento na Câmara Baixa, eu não fui o relator. Nesse sentido, vale registrar que minha participação no presente julgamento não tem nenhum óbice regimental, vez que o RICARF estabelece impedimento apenas no caso em que o participante do colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais tenha sido o relator da decisão na instância a quo (RICARF, Anexo II, art. 42, § 3º). Fl. 6055DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.056 38 de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater Drilling", "Transocean Offshore Limited", e "Sedco Forex Ind. Inc.", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem dessas pessoas jurídicas ligadas, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS). (...) Importante ressaltar que os valores ora tributados, oriundos de transferências de numerário com o intuito de Recuperação de Custos e/ou Subvenções para custeio ou operação, conforme descrito no presente item não foram oferecidos à tributação, haja vista não terem sido as remessas de "reembolsos" incluídas no Resultado do Exercício, por terem as mesmas sido contabilizadas basicamente em contas de obrigações da TRANSOCEAN BRASIL(p.e, TRANSOCEAN OFFSHORE, TRANSOCEAN DEEPWATER DRILLING, SEDCO FOREX INTL. INC.) ou de patrimônio líquido(capital a integralizar).(grifos originais) Vale transcrever excerto do voto condutor do Acórdão nº 10100.246, paradigma apresentado: O lançamento em questão teve por base a falta de adição ao lucro real das subvenções correntes para custeio ou operação; e as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, prevista no art. 392 do Decreto nº 3.000/99, acima transcrito. Dessa maneira, para que o lançamento fosse desconstituído, caberia à contribuinte comprovar, de maneira inequívoca, que os valores recebidos constituíram, de fato, reembolso de despesas incorridas pela contribuinte em nome de terceiros. Da análise da documentação constante nos autos, observase que houve transferências de numerário da empresa do exterior para a contribuinte, tendo sido os respectivos valores lançados a crédito, no Livro Razão, na conta Banco Boston. Contudo, a contribuinte não comprovou a destinação de tais recursos nem os valores que efetivamente saíram de suas contas. Na tentativa de justificar a origem dos valores recebidos, a contribuinte apresentou Laudo Pericial, às fls. 1986/1992, acompanhado de notas fiscais/faturas que teriam sido pagas pela contribuinte em nome da empresa estrangeira. Ocorre que as despesas relacionadas, supostamente pagas por conta e ordem da empresa estrangeira, foram faturadas todas em nome da própria contribuinte. Esclareçase que, ainda que tenha havido a transferência de numerário entre as empresas vinculadas, tal fato não tem o condão de alterar a natureza jurídica da relação negocial Fl. 6056DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.057 39 ocorrida entre a contribuinte e a beneficiária dos serviços. Se a nota fiscal/fatura foi emitida contra a empresa brasileira, é esta, em termos fiscais, a devedora, restando afastada qualquer justificativa de que seria uma operação por ordem e conta da empresa estrangeira (a operação "por conta e ordem" somente estaria caracterizada se a NF tivesse sido emitida contra a empresa estrangeira, ainda que paga pela contribuinte). Assim, mesmo que não houvesse (i) ligação entre as pessoas jurídicas em questão ou (ii) qualquer menção ao Contrato Administrativo e à forma acordada; ainda assim, caberia à contribuinte comprovar a origem, destinação e natureza jurídica dos valores recebidos do exterior. A caracterização da natureza jurídica de recuperação de custos decorreu da constatação de que a contribuinte prestou serviços à Petrobras, recebendo subsídios do exterior, a título de recuperação de custos e subvenção para operação. Por todo exposto, diante da ausência de comprovação de que os valores recebidos de empresa vinculada no exterior seriam reembolso de despesas pagas por conta e ordem de terceiros, mormente em virtude das notas fiscais/faturas terem sido emitidas contra a empresa brasileira, entendo que deve ser mantido o lançamento em relação a esta matéria. Os presentes autos e o paradigma compartilham precisamente a mesma situação fática. E o que se observa é que a interpretação da legislação tributária conferida pela decisão recorrida é divergente da apresentada pelo paradigma. Compreendo que o acórdão paradigma nº 10196.724 mostrouse apto para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária prevista no art. 67, Anexo II do RICARF. A operação de interpretação passa tanto pela "qualificação" do fato, operação concretizada na premissa menor, quanto pela consequente identificação da norma jurídica decorrente do fato interpretado, procedimento no escopo da premissa maior, nos termos da construção proposta por KARL ENGISCH 2. Não há que se falar em "fundamento autônomo". Pelo contrário, entendeu a decisão recorrida, ao qualificar os fatos, que a autoridade fiscal determinou como "motivo central" da autuação a artificialidade dos preços praticados entre a contratante e as contratadas empresas estrangeiras, e que o "motivo alternativo" seria que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente seriam subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. E, no que concerne ao "motivo central", não estaria devidamente demonstrado na autuação fiscal. Assim, partindo de tal premissa, foi conduzido o voto da decisão recorrida. Diante da mesma situação, a decisão paradigma, na operação de interpretação, entendeu por uma outra qualificação do fato, no sentido de que não haveria que 2 Adotase o modelo previsto por ENGISCH para o operação de subsunção, entendendose premissa menor como o fato a ser qualificado e a premissa maior a norma jurídica. Ver: ENGISCH, Karl. Introdução ao Pensamento Jurídico. Calouste Gulbenkian: Lisboa, 2001 Fl. 6057DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.058 40 se falar em "motivo central" e "motivo alternativo". Pelo contrário, a motivação posta pela autuação visualizou todo o contexto de operações de maneira integrada, um único universo. E sob tal perspectiva, no escopo da premissa maior, interpretou a legislação tributária de maneira divergente da decisão recorrida. Diante de duas situações fáticas idênticas, partindo da contestação de triangulação empreendida pelas empresas, e por consequência a ausência de demonstração probatória da natureza dos recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente, as decisões recorrida e paradigma apresentaram entendimentos divergentes em relação à interpretação da legislação tributária. Nesse sentido, voto para conhecer do recurso especial da PGFN em relação à matéria "fluxo triangular de receitas". No que concerne ao mérito, cumpre dizer que situações idênticas aos presentes autos já foram objeto de apreciação recente pelo presente Colegiado, em decisões proferidas nos Acórdãos nº 9101003.377 (sessão de 05/02/20180) e 9101002.741 (sessão de 04/04/2017), no qual foram mantidas as autuações fiscais 3, cujas ementas, não por acaso, compartilham da mesma ementa: REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontrase dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros na conta de obrigação deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99 E a situação dos presentes autos não difere da posta nos precedentes citados. A matéria devolvida consiste em analisar como se deve qualificar os recursos provenientes do exterior objeto da autuação fiscal: são ingressos não tributáveis (reembolso de despesas) ou receitas tributáveis (recuperação de custos, art. 392, inciso II do RIR/99 4)? 3 Ambos os casos as decisões foram proferidas por voto de qualidade no mérito. 4 Vide Decreto nº 3000. de 26 de março de 1999. Subseção V Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: (...) II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); (...) Fl. 6058DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.059 41 Nesse contexto, cabe apreciar os lançamentos contábeis de remessas oriundas do exterior, que caso atendessem aos princípios basilares da contabilidade, deveriam ter sido realizadas a débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado. E na situação tratada no caso em tela, a contabilização a crédito ocorreu em contas patrimoniais, constituise em lançamento atípico. Caso os fatos alegados pela recorrente pudessem conduzir a uma outra realidade, qual seja, de que seriam efetivamente de reembolsos de despesas, o que justificaria a contrapartida do débito em conta de ativo a crédito em contas patrimoniais, deveriam ser lastreados por elementos hábeis para comprovar a escrituração. Apenas transcrição do registro contábil como "TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIO" não se mostra eficaz, por si só, para comprovar a materialidade dos ingressos na condição de reembolsos de despesas. No caso concreto, caberia à recorrente, diante da contabilização atípica das remessas do exterior, lastrear a sua escrituração com elementos de provas hábeis e idôneos, conforme art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (Grifei) Mero contrato informal celebrado com a sua controladora não é suficiente para fundamentar o registro contábil efetuado pela Contribuinte das remessas de divisas do exterior. Tratase de liberalidade que não pode ser oponível ao Fisco. Sequer houve preocupação da recorrente em segregar as despesas que foram incorridas por ela daquelas supostamente originadas do suporte dado à sua controladora. Não há como identificar quais despesas foram oriundas dos serviços prestados a título de prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover (decorrente do contrato celebrado entre a recorrente e a Petrobrás) e daquelas derivadas do afretamento (referentes ao contrato celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás). Ora, se o motivo dos alegados “reembolsos” (repitase, na ordem de 59,2 milhões em 2002, 116,6 milhões em 2003 e 216,9 milhões em 2004) seria precisamente as despesas incorridas em favor de sua controladora, mostrase inadmissível e inexplicável o procedimento da recorrente em optar por não segregar as suas despesas daquelas incorridas em favor da empresa no exterior. Registrese que a contabilização atípica da recorrente é fato incontroverso, inclusive confirmado por laudo de empresa especializada apresentado pela própria defesa. Por isso, vale transcrever novamente excerto do Termo de Verificação Fiscal, cirúrgico: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJ's 2003 à 2005 (referentes aos anoscalendário 2002 à 2004) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação Fl. 6059DF CARF MF Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 9101003.497 CSRFT1 Fl. 6.060 42 de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater Drilling", "Transocean Offshore Limited", e "Sedco Forex Ind. Inc.", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem dessas pessoas jurídicas ligadas, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS). (...) Importante ressaltar que os valores ora tributados, oriundos de transferências de numerário com o intuito de Recuperação de Custos e/ou Subvenções para custeio ou operação, conforme descrito no presente item não foram oferecidos à tributação, haja vista não terem sido as remessas de "reembolsos" incluídas no Resultado do Exercício, por terem as mesmas sido contabilizadas basicamente em contas de obrigações da TRANSOCEAN BRASIL(p.e, TRANSOCEAN OFFSHORE, TRANSOCEAN DEEPWATER DRILLING, SEDCO FOREX INTL. INC.) ou de patrimônio líquido(capital a integralizar).(grifos originais) Portanto, no caso concreto, caberia à Contribuinte, diante da contabilização atípica das remessas do exterior, lastrear a sua escrituração com elementos de provas hábeis e idôneos, conforme art. 923 do RIR/99, o que não ocorreu. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da PGFN em relação à matéria "fluxo triangular de receitas". (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 6060DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720908/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA
Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04.
SALÁRIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE
No entanto, no caso nos autos se trata de situação em que o referido auxílio foi atribuído aos segurados em espécie, razão pela qual está em desacordo ao estabelecido legislação que rege a matéria. Assim, referida verba integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária.
DESCONTO DA BASE DE CÁLCULO
O Contribuinte afirma que os valores denominados Restituição, código 5318, constituem descontos do que foi recebido indevidamente, e, portanto, não constituem salário de contribuição.
O Recorrente apenas apresentou meras alegações, sem demonstrar através da produção de provas eficazes e suficientes, o combate dos fatos afirmados pelo lançamento fiscal, razão porque deve ser mantida a autuação.
ALÍQUOTA GILRAT. DIFERENÇA EXIGIDA
O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas tem como atividade preponderante Administração Pública Geral, com CNAE 8411- 6/00, que se sujeita ao grau de risco 2, com alíquota GILRAT a 2%, devendo ser mantido o lançamento nos termos em que formulados.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
Numero da decisão: 2401-005.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial para que fosse excluído do lançamento os valores relativos ao terço constitucional de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrálos ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. SALÁRIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE No entanto, no caso nos autos se trata de situação em que o referido auxílio foi atribuído aos segurados em espécie, razão pela qual está em desacordo ao estabelecido legislação que rege a matéria. Assim, referida verba integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o saláriodecontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. DESCONTO DA BASE DE CÁLCULO O Contribuinte afirma que os valores denominados “Restituição”, código 5318, constituem descontos do que foi recebido indevidamente, e, portanto, não constituem salário de contribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 09 08 /2 01 4- 71 Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 3 2 O Recorrente apenas apresentou meras alegações, sem demonstrar através da produção de provas eficazes e suficientes, o combate dos fatos afirmados pelo lançamento fiscal, razão porque deve ser mantida a autuação. ALÍQUOTA GILRAT. DIFERENÇA EXIGIDA O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas tem como atividade preponderante Administração Pública Geral, com CNAE 8411 6/00, que se sujeita ao grau de risco 2, com alíquota GILRAT a 2%, devendo ser mantido o lançamento nos termos em que formulados. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial para que fosse excluído do lançamento os valores relativos ao terço constitucional de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido no AI DEBCAD nº 51.054.5572, conforme ementa do Acórdão nº 1673.450 (fls. 976/1007): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ÓRGÃOS PÚBLICOS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA. EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresas em relação aos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. DIFERENÇAS DECORRENTES DA CONCILIAÇÃO FOLHAS DE PAGAMENTO X GFIP´S. BASE DE CÁLCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatandose a declaração a menor em GFIP, de fatos geradores e contribuições, apurados através das Folhas de Pagamento, cabe à auditoria fiscal efetuar o lançamento do crédito tributário correspondente às diferenças. OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. SERVIDOR CONTRATADO TEMPORARIAMENTE. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20. RGPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA. Após a publicação da Emenda Constitucional nº 20, em 16/12/1998, os servidores estaduais ocupantes, exclusivamente, de cargos em comissão, declarados em lei de livre nomeação e exoneração, bem como os servidores contratados por tempo determinado, passaram a estar obrigatoriamente vinculados ao RGPS, na categoria de segurados empregados. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado e contribuinte individual, a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. VERBA REMUNERATÓRIA. O auxílio alimentação pago em pecúnia integra o saláriode contribuição, independentemente de estar ou não o órgão Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 5 4 público inscrito no PAT. Entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). ÓRGÃO PÚBLICO. ALÍQUOTA DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (GILRAT). ENQUADRAMENTO. DIFERENÇA. Para fins de determinação do grau de risco e da alíquota a ser utilizada no cálculo da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), o órgão da Administração Pública Direta, com inscrição própria no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), deve verificar a atividade preponderante exercida, assim considerada a que ocupa o maior número de segurados empregados. É devida a cobrança da diferença de alíquota da contribuição para o GILRAT, no caso de erro no enquadramento. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELO SEGURADO EMPREGADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. LIMITE MÁXIMO. LANÇAMENTO INOBSERVÂNCIA. RETIFICAÇÃO. Impõese a retificação do lançamento quando constatado que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições devidas pelos segurados empregados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de dois Autos de Infração, lavrados em 16/07/2014: 1. DEBCAD nº 51.054.5564, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações de segurados empregados vinculados ao Regime Geral da Previdência Social RGPS (Comissionados e Temporários), não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, bem como diferenças de contribuições para o GILRAT, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados declaradas em GFIP, no total de R$ 9.775.263,17 (nove milhões, setecentos e setenta e cinco mil e duzentos e sessenta e três reais e dezessete centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período de 01/2010 a 13/2010 (fls. 32/51); 2. DEBCAD nº 51.054.5572, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte dos segurados empregados vinculados ao Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 6 5 Regime Geral da Previdência Social – RGPS (Temporários), não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 2.752.052,40 (dois milhões, setecentos e cinquenta e dois mil e cinquenta e dois reais e quarenta centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período de 01/2010 a 13/2010 (fls. 52/60). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 64/80): 1. Foram analisadas as Folhas de Pagamento e as Notas de Empenhos e toda a documentação apresentada pelo Tribunal de Contas do Estado do Amazonas TCE; 2. Foi elaborada planilha com o total das remunerações pagas e/ou creditadas aos servidores efetivos, estáveis, temporários e comissionados; 3. Foram excluídos dos levantamentos: a. As remunerações dos Servidores Detentores de Cargos Efetivos e Estáveis que são vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado do Amazonas o AMAZONPREV; b. As remunerações dos Servidores Comissionados e Temporários que são vinculados ao Regime Geral de Previdência Social INSS, que haviam sido declarados em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, antes do início da ação fiscal; c. As remunerações dos Servidores Efetivos, Estáveis, Aposentados e Pensionistas, considerados como vinculados ao Regime Geral da Previdência Social INSS; 4. Foram confrontados os Resumos das Folhas de Pagamento e as Planilha das Remunerações pagas e/ou creditadas aos Servidores Comissionados e Temporários com as Remunerações destes servidores Declaradas em GFIP, e apurouse que: a. Em todas as competências as remunerações recebidas por esses Servidores foram superiores as remunerações informadas pelo Contribuinte nas GFIP's, existindo, portanto, Servidores e Remunerações que deixaram de ser declaradas, assim como, não foram efetuados os recolhimentos das Contribuições Previdenciárias incidentes; b. Apenas os Servidores Comissionados lotados no grupo "053 030 Servidores Ativos Comissionados" foram declarados em GFIP, existindo apenas pequenas diferenças de base de cálculo que o Contribuinte deixou de incluílas para efeitos de cálculo das Contribuições Previdenciárias Devidas; Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 7 6 5. Foi constatada a existência de Servidores que não possuem vínculo efetivo com o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas, mas foram contratados sob a égide do Regime Jurídico dos Servidores admitidos em caráter Temporário, conforme previsto no art. 37, inciso IX da Constituição Federal de 1988; 6. Tais Servidores, sem vínculo efetivo com o TCE/AM, sofreram desconto das Contribuições Previdenciárias em favor do Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas – AMAZONPREV, de acordo com a legislação daquele órgão, quando deveria ter sido efetuado ao INSS; 7. Para esses Servidores a Fiscalização arbitrou, pela alíquota mínima, os valores correspondentes à parte dos segurados, 8% sobre seus Salários de Contribuição, cabendo ao Contribuinte responder e arcar com os recolhimentos que deixaram de ser efetuados em favor do INSS; 8. O Contribuinte declarou as GFIP´s do período de 01/2010 a 12/2010 e 13/2010 com informação incorreta referente à alíquota do GILRAT. A contribuição foi calculada e recolhida com alíquota de 1% quando o correto para os Órgãos da Administração Pública em Geral é 2%, nos termos do Decreto n° 6.042, de 12/02/2007 (DOU de 12/2/2007) que alterou as alíquotas do anexo V, do Decreto n° 3.048/99; 9. Foram verificadas diferenças de remunerações aos segurados empregados (Comissionados e Temporários), pagas e/ou creditadas em dinheiro (Pecúnia), referentes ao "Salário Alimentação”; 10. Apesar do Contribuinte não estar regularmente inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, na Contabilidade consta registrado o pagamento de "Salário Alimentação" aos seus servidores, por meio de uma Folha de Pagamento específica com crédito dos valores nas contas corrente dos Servidores; 11. Foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais, em virtude de provável sonegação de contribuição previdenciária, tipificado no artigo 337A do Código Penal – DecretoLei nº 2848/1940, na redação da Lei nº 9983/2000. Em 29/07/2014 o sujeito passivo tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (fls. 32 e 52) e, em 29/08/2014, tempestivamente, apresentou suas impugnações de fls. 345 a 356, instruída com os documentos às fls. 357 a 430, ao AI DEBCAD nº 51.054.5572, e de fls. 434 a 451, instruída com os documentos às fls. 452 a 538, ao AI DEBCAD nº 51.054.5564. Foi determinada pela DRJ a realização de diligência para que fosse observado o teto do salário de contribuição quando da apuração das contribuições da parte dos segurados Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 8 7 temporários Levantamento TP, AIOP DEBCAD 51.054.5572 (fls. 849/853), razão pela qual foram retificados os valores do lançamento (fls. 860/866). Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/SPO para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1673.450, em 09/06/2016 a 14ª Turma, considerou as impugnações procedentes em parte, retificando o Levantamento TP, AIOP DEBCAD 51.054.5572, conforme demonstrado nos itens 9.64, 9.65 e 9.66 (fls. 1005/1006). Não houve Recurso de Ofício em razão do valor exonerado não ultrapassar o limite de alçada, em conformidade com o artigo 70 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011 combinado com o artigo 1º da Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 3, de 03/01/2008, vigente à época. Em 08/07/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 1011) e, em 10/08/2016, interpôs seu Recurso VoluntáriO de fls. 1013 a 1030 onde: 1. Esclarece acerca da tempestividade do Recurso apresentado (fl. 1013); 2. Faz um breve resumo dos fatos e da decisão recorrida (fls. 1014/); 3. Argumenta sobre: a. A exclusão de parcelas da remuneração como base de cálculo salário alimentação, adicional de 1/3 de férias e desconto dos comissionados (fls. 1015/1021); b. A exclusão de servidores como segurados do RGPS (fls. 1021/1026); c. A adequação da alíquota GILRAT de acordo com as atividades desenvolvidas pelo Tribunal de Contas (fls. 1027/1029); d. A necessidade de diligência (fls. 1029/1030). Conclui o RV requerendo ao Órgão Julgador, em observância aos argumentos e razões de fato e de direito expostos: 1. O conhecimento do Recurso Voluntário apresentado; 2. A baixa dos autos em diligência para que seja verificado o ponto relativo aos servidores admitidos antes da CF/88; 3. A procedência do RV para o efeito de reformar do lançamento. É o relatório. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Dos Segurados empregados temporários Assevera o Recorrente que os servidores contratados sob a égide da Lei nº 1.674, de 10 de dezembro de 1984, que tiveram suas funções transformadas em cargo, (conforme ficou estabelecido no art. 1o da Lei Estadual n° 2.624/2000) não são segurados obrigatórios do regime geral de Previdência Social, pois são filiados ao regime próprio de previdência do Estado do Amazonas. Afirma ainda que existem servidores alcançados pelo art. 19 do ADCT. Inicialmente, mister se faz esclarecer que a publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, trouxe profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 10 9 Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: "Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Destarte, assevera o Recorrente que as funções exercidas pelos servidores admitidos em caráter temporário corresponderiam às atribuições próprias de servidores em cargos efetivos e que muitos servidores seriam alcançados pela estabilidade excepcional do art. 19 do ADCT, cuja transcrição segue: Art. 19. Os servidores públicos civis da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não tenham sido admitidos na forma regulada no art. 37, da Constituição, são considerados estáveis no serviço público. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 11 10 Nesse ponto, cabe destacar que o Parecer MPS/CJ nº 3.333, publicado no Diário Oficial da União de 29.10.2004, ao interpretar a abrangência do Parecer nº GM 030/02, da Advocacia Geral da União, assim concluiu quanto àqueles que estão albergados pelo RPPS: i) aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição da República aos servidores que, por força do disposto no art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, foram considerados estáveis no serviço público, desde que submetidos a regime estatutário; ii) aplicase o regime de previdência previsto no caput do art. 40 da Constituição Federal aos servidores não estabilizados por não cumprirem o interregno de 05 (cinco) anos previsto no caput do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, desde que a natureza das atribuições dos cargos ou funções ocupados seja permanente e estejam submetidos a regime estatutário; iii) aplicase a exegese literal do art. 40 da Constituição da República aos servidores admitidos no serviço público após a promulgação da Constituição de 1988, somente sendo aplicável o regime previdenciário próprio previsto no caput do citado artigo aos servidores nomeados para cargo de provimento efetivo. De acordo com o explicitado no Relatório Fiscal, da documentação analisada do TCE, foi montada planilha com o total das remunerações pagas e/ou creditadas aos servidores efetivos, estáveis, temporários e comissionados, excluindo dos levantamentos as remunerações dos servidores detentores de cargos efetivos e estáveis vinculados ao RPPS, bem como as remunerações dos servidores comissionados e temporários vinculados ao RGPS, declarados em GFIP antes do início da ação fiscal. No Relatório Fiscal da Diligência, consta a retificação do lançamento referente ao o Levantamento TP, AIOP DEBCAD 51.054.5572 (fl. 1006). Nesse contexto, pelo conjunto probatório adunado aos autos, constatase que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, não foram alcançados pelo art. 19 do ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos estabelecido no referido artigo para enquadrálos ao RPPS, além de não ter sido comprovada a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e de não estarem submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. Destarte, a alteração das funções em cargos operada com o advento Lei nº 2.624, de 2000, não descaracterizou a natureza temporária das atribuições dos servidores que, por esta razão, continuaram vinculados ao RGPS. Assim, deve ser mantido o lançamento nos termos em que efetivados. Salário alimentação fornecida aos trabalhadores O Recorrente se insurge contra a exigência de contribuição previdenciária sobre “salário alimentação” realizado em pecúnia. Os valores foram obtidos através de folhas de pagamento específicas da referida rubrica e o seu pagamento foi efetuado em espécie, com crédito dos valores em conta corrente dos servidores. Com efeito, é pacífica a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o auxílio alimentação fornecido in natura pelo empregador, mesmo que não comprovada a inscrição da empresa no PAT, não possui natureza salarial, razão pela qual não está sujeita à incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 12 11 Da mesma forma, esse é o entendimento que se extrai do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, com vistas a subsidiar emissão de Ato Declaratório da PGFN, assim ementado: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. No entanto, no caso nos autos, se trata de situação em que o referido auxílio foi atribuído aos segurados em pecúnia, razão pela qual está em desacordo ao estabelecido legislação que rege a matéria. Assim, referida verba integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão porque indefiro o pleito recursal. Da Gratificação de 1/3 de férias A Recorrente se insurge contra a exigência da contribuição relativa ao adicional do terço constitucional de férias. A base de cálculo do lançamento foi obtida através das folhas de pagamento em que constam, de forma especificada, o adicional de 1/3 de férias, consoante se infere dos documentos adunados aos autos e exemplificado na decisão de piso no seguinte trecho: 9.51. Por exemplo, competência fevereiro de 2010 (fl. 87) Base de Cálculo = (Abono Compensatório + Cargo Comissão + Salário Maternidade + Diferença de Salário + Gratif Representação + Adicional 1/3 Férias + Dif. Adic. 1/3 Férias + Grat. Comis. Perm. CPL + Grat. Comiss. Transit. ) – (Faltas + Saídas Antecipadas) = (188.500,00 + 169.000,00 + 6.000,00 + 22.566,70 + 169.000,00 + 15.833,35 + 1.166,66 + 2.000,00 + 2.516,68) – (2.233,33 + 844,36) = R$ 573.505,70. 9.52. Por exemplo, competência agosto de 2010 (fl. 101) Base de Cálculo = (Cargo Comissão + Salário Maternidade + Diferença de Salário + Gratif Representação + Devolução de Faltas + Adicional 1/3 Férias + Grat. Comissão Perm. CONGOV) – (Faltas + Atrasos + Saídas Antecipadas + Saída s/ Autorização) = (225.250,00 + 13.500,00 + 1.650,00 + 225.250,00 + 153,32 + 3.833,33 + 2.500,00) – (3.233,33 + 161,12 + 916,72 +150,00 ) = R$ 467.675,48. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp 1.230.957 decidido em sede de recurso repetitivo, firmou entendimento no sentido de que não incide a contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, sobre o aviso prévio indenizado ou sobre os primeiros 15 dias de afastamento que antecedem o auxíliodoença. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 13 12 Posteriormente, o STF consolidou o entendimento, no RE 565.160, publicado em 23 de agosto de 2017, no sentido de que essa matéria possuía natureza infraconstitucional, razão pela qual deveria prevalecer o entendimento firmado no âmbito do STJ. Destarte, em virtude do que dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ no rito dos artigos 543B e 543C do CPC, senão vejamos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, no cálculo do tributo devido, deve ser excluída da base de cálculo os pagamentos efetuados a título de adicional do terço constitucional de férias. Exclusão dos descontos da base de cálculo Assevera o Recorrente que os valores denominados “Restituição”, código 5318, constituem descontos do que foi recebido indevidamente, e, portanto, não constituem salário de contribuição. Ocorre que o sujeito passivo apenas apresentou meras alegações, sem demonstrar, através da produção de provas eficazes e suficientes, o combate dos fatos afirmados pelo lançamento fiscal capaz de justificar a sua insubsistência. Trago excerto da decisão proferida pela DRJ que acrescento às razões de decidir: 9.53. Ressaltese que o Impugnante não comprovou, aqui, haver qualquer erro material a respeito, limitandose a afirmar que a rubrica Restituição, código 5318, corresponde a valores recebidos indevidamente. 9.54. Ao alegar fato modificativo ou extintivo, o ônus da prova é do Contribuinte. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. 9.55. Neste sentido, manifestase com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184 185: "As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguramse e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 14 13 (...) A parte que não produz prova , convincentemente, dos fatos alegados se sujeita às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar." Assim, rejeito as razões aduzidas no Recurso Voluntário. Alíquota GILRAT O Recorrente se insurge contra a aplicação da alíquota de 2% para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), pois afirma que as atividades desempenhadas pelos segurados do regime geral, contratados pelo TCE, são essencialmente burocráticas, de baixo risco, portanto, melhor enquadradas no grau de risco leve, alíquota de 1%. Ocorre que os órgãos da Administração Pública, categoria na qual se insere o Recorrente, tiveram a alíquota GILRAT alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio), consoante preceitua o Decreto 6.042, de 12/02/2007 que, em seu artigo 2º, modificou o Anexo V do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 6/05/1999. O Anexo V – Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas Redação dada pelo Decreto 6042/2007), assim dispõe: 8411600 Administração Pública em Geral 2% Conforme se verifica no Relatório Fiscal, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas tem como atividade preponderante Administração Pública Geral, com CNAE 8411 6/00, que se sujeita ao grau de risco 2, com alíquota GILRAT a 2%. Referido código CNAE número 8411600 (ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA EM GERAL) foi informado pelo contribuinte que classificou o CNAE em suas declarações mensais por intermédio das GFIP´s do período de 01/2010 a 13/2010. No caso em tela, para o ano de 2010 o GILRAT ajustado (GILRAT x FAP) é de 2%, tendo em vista que o FAP do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas é 1,00 conforme telas do GFIP WEB, Anexo III (fls. 111 e seguintes). Assim, entendo como correto o procedimento fiscal, razão porque mantenho o lançamento nesses termos. Pedido de perícia A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, não se verifica a necessidade de perícia, razão porque rejeito o pleito do contribuinte. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 15 14 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir dos lançamentos o terço constitucional de férias. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia à I. Relatora para divergir do seu voto, especificamente quanto ao adicional do terço constitucional de férias. Assim como o pagamento do período de férias usufruídas pelo trabalhador, o respectivo acréscimo de um terço no montante devido, com base no inciso XVII do art. 7º da Carta Política de 1988, é destinado a retribuir o trabalho, integrando a remuneração e o salário decontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. A respeito da base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado, prescreve a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 16 15 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Não há dúvidas que a definição da base imponível pela lei ordinária é abrangente, não ficando limitada aos valores pagos em decorrência do trabalho efetivamente prestado (contraprestação), mas sim ao conceito de remuneração como retribuição pelo trabalho, que justifica a incidência da tributação, inclusive, nas hipóteses de parcelas recebidas quando do afastamento por férias, descanso semanal, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato do trabalho. De mais a mais, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não incluiu no rol das exclusões do saláriodecontribuição a parcela recebida pelo trabalhador a título do adicional do terço de férias. Tanto é assim que o § 4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, faz expressa alusão à incidência da contribuição previdenciária. Confirase: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. (...) É certo, por outro lado, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência consolidada no sentido da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias gozadas, dada a sua natureza indenizatória/compensatória, segundo o que foi decidido no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Ocorre que houve o sobrestamento dos efeitos da decisão, devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) nº 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10283.720908/201471 Acórdão n.º 2401005.604 S2C4T1 Fl. 17 16 Com efeito, o REsp nº 1.230.957/RS foi sobrestado pelo Tema 163/STF, conforme decisão da VicePresidência do STJ, em 25/07/2015 (Tema/Repetitivo 479). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, foi reputada constitucional, reconhecida a existência de repercussão geral no RE nº 1.072.485/PR, que está pendente de julgamento (Tema 985/STF). Como se observa, a questão em apreço foi elevada ao nível constitucional, não havendo decisão definitiva, devendose aguardar a deliberação da mais alta Corte deste país, de maneira tal que não se impõe a vinculação dos conselheiros ao decidido no REsp nº 1.230.957/RS, tendo em conta a redação do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas alterações posteriores: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaquei) Dessa feita, ao integrarem os conceitos de remuneração e o saláriode contribuição do trabalhador, os pagamentos efetuados a título de adicional do terço constitucional de férias devem ser mantidos na base de cálculo da contribuição previdenciária do lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002972/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
INTIMAÇÃO. NULIDADE.
Correta intimação ao contribuinte por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário indicado pelo contribuinte, pois está prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e pela Lei n° 11.196, de 2005.
ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO.
Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão.
ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE.
Descabe a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, se não se identifica preterição do direito de defesa.
ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO.
Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Tendo sido os depósitos/créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras, relacionados de forma individualizada, na intimação, descabe a arguição de cerceamento de defesa.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
DILIGÊNCIA. INJUSTIFICADA.
Cabe negar o pedido de diligência cujo escopo é o de transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte.
INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES.
Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972.
PARCELAMENTO REFIS LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO.
Não há na Lei nº 11.941, de 2009, previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada.
LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
EXTRATOS BANCÁRIOS. COERÇÃO.
Descabe a acusação de coerção na obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, mediante intimação ao contribuinte que, ato contínuo, os entregou.
CRÉDITOS. MÚTUOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE . COMPROVAÇÃO.
As alegações de mútuos recebidos de outra empresa e de não exclusão de transferências entre contas da titularidade da Autuada, deve vir acompanhada de documentos a comprovar o alegado.
PRESUNÇÃO LEGAL.ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. REGIME DE RECONHECIMENTO DA RECEITA OMITIDA
O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira.
AUTUAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO.
A autuação se dá no regime de apuração do lucro, pelo qual o contribuinte realizou a opção.
SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE.
A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data.
PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO
Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas; aa mesma forma, não há evidência e apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MULTA DE OFÍCIO 75%. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Numero da decisão: 1201-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, se não se identifica preterição do direito de defesa. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo sido os depósitos/créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras, relacionados de forma individualizada, na intimação, descabe a arguição de cerceamento de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DILIGÊNCIA. INJUSTIFICADA. Cabe negar o pedido de diligência cujo escopo é o de transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte. INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972. PARCELAMENTO REFIS LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO. Não há na Lei nº 11.941, de 2009, previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. EXTRATOS BANCÁRIOS. COERÇÃO. Descabe a acusação de coerção na obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, mediante intimação ao contribuinte que, ato contínuo, os entregou. CRÉDITOS. MÚTUOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE . COMPROVAÇÃO. As alegações de mútuos recebidos de outra empresa e de não exclusão de transferências entre contas da titularidade da Autuada, deve vir acompanhada de documentos a comprovar o alegado. PRESUNÇÃO LEGAL.ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. REGIME DE RECONHECIMENTO DA RECEITA OMITIDA O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. AUTUAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO. A autuação se dá no regime de apuração do lucro, pelo qual o contribuinte realizou a opção. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportar-se à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas; aa mesma forma, não há evidência e apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO 75%. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
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NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. INTIMAÇÃO. NULIDADE. Correta intimação ao contribuinte por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário indicado pelo contribuinte, pois está prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e pela Lei n° 11.196, de 2005. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. NULIDADE. Descabe a arguição de nulidade de decisão de primeira instância, se não se identifica preterição do direito de defesa. ACÓRDÃO 1ª INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. Descabe a acusação de inovação de instância pela decisão de piso, que reconheceu a compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 72 /2 01 0- 47 Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 3 2 cálculo negativa da CSLL, isto é, reduziu as exigência, e os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo sido os depósitos/créditos recebidos em contas mantidas em instituições financeiras, relacionados de forma individualizada, na intimação, descabe a arguição de cerceamento de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. DILIGÊNCIA. INJUSTIFICADA. Cabe negar o pedido de diligência cujo escopo é o de transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte. INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972. PARCELAMENTO REFIS LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO. Não há na Lei nº 11.941, de 2009, previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. EXTRATOS BANCÁRIOS. COERÇÃO. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 4 3 Descabe a acusação de coerção na obtenção dos extratos bancários pela fiscalização, mediante intimação ao contribuinte que, ato contínuo, os entregou. CRÉDITOS. MÚTUOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE . COMPROVAÇÃO. As alegações de mútuos recebidos de outra empresa e de não exclusão de transferências entre contas da titularidade da Autuada, deve vir acompanhada de documentos a comprovar o alegado. PRESUNÇÃO LEGAL.ART. 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. REGIME DE RECONHECIMENTO DA RECEITA OMITIDA O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. AUTUAÇÃO. REGIME DE APURAÇÃO. A autuação se dá no regime de apuração do lucro, pelo qual o contribuinte realizou a opção. SÚMULA 182 DO TFR. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO COM LANÇAMENTOS RELATIVOS A FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. A Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não serve como parâmetro para decisões a serem proferidas em lançamentos fundados em lei editada após aquela data. PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas; aa mesma forma, não há evidência e apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO 75%. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora e Presidente em Exercício. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 5 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 545/573, relativos ao anocalendário 2006, no regime do lucro real anual, que exigem: R$2.727.347,48 de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, relativo a: 001 Omissão de Receitas, Depósitos bancários não contabilizados; R$ 990.485,09 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, reflexo da mesma infração; R$836.409,57 de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, reflexa, incidência nãocumulativa; R$181.588,86 de Contribuição para o PIS, reflexa, incidência nãocumulativa. Todas infrações foram apenadas com multa de ofício de 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF, págs. 574/580. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnações específicas para cada auto de infração, págs. 590/640, 708/763, 778/883 e 851/903, julgadas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP DRJ/SP1, que proferiu o Acórdão nº 1630.235, de 15 de março de 2011, págs. 934/984, julgando a impugnação procedente em parte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendario: 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INOBSERVANCIA DE PRINCÍPIOS E NORMAS CORRELATAS E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade dos lançamentos quando estiverem revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita consonância com as normas de regência, bem assim verificado que o sujeito passivo obteve a ciência de seus termos e assegurado o pleno exercício da faculdade de interposição da peça impugnatória, cujo teor, por sinal, associa questões que visam refutar o mérito da controvérsia, revelando sua absoluta cognição quanto à congruência dos aspectos que nortearam a caracterização das infrações c dos fundamentos legais expressos nos autos de infração. PRELIMINAR. NULIDADE. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. LICITUDE DO PROCEDIMENTO REALIZADO COM BASE EM EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO CONTRIBUINTE. Subsistindo procedimento de fiscalização legalmente instaurado perante o sujeito passivo, o acesso às movimentações financeiras requisitadas pela autoridade fiscal competente não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário e Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 6 5 constituemse cm provas lícitas para demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária, tornando descabida a alegação de nulidade do lançamento dele decorrente. PRELIMINAR. CIENCIA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. INEXISTENCIA DE ORDEM DE PREFERENCIA ENTRE OS MEIOS DE INTIMAÇÃO FIRMADOS PESSOALMENTE OU POR VIA POSTAL. É válida a ciência dos autos de infração quando realizada através de postagem dos respectivos lançamentos ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, tendo em vista que inexiste ordem de preferência entre os meios de intimação firmados pessoalmente ou por via postal. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA NÃO DECLARADA. PRESUNÇÃO LEGAL APURADA COM FULCRO EM EXTRATOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DE PROVA. E legítima a autuação formulada mediante aplicação da presunção legal de omissão de receita fixada pelo dispositivo legal previsto no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, sobretudo, nas circunstâncias em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não apresente prova em contrário, apoiado por meio de documentação hábil e idônea, que vise esclarecer a origem dos valores de recursos financeiros creditados e/ou depositados em conta de depósito ou de investimento de sua titularidade. MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA EM FISCALIZAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA DA CSLL. A base imponível apurada em procedimento de fiscalização deve ser previamente compensada com o saldo acumulado de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL com observância do limite de 30% do valor tributável ajustado no períodobase, consoante disciplinado nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/COFINS/CSLL A decisão pertinente ao lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) deve nortear as inferências correlatas aos autos de infração decorrentes, tendo em vista que provem elementos de prova idênticos. impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, discutidas e relatados os autos, ACORDAM os membros da T Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação interposta pelo sujeito passivo, mantendose parcialmente os lançamentos constituídos a título de IRPJ e da CSLL e. integralmente, os Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 7 6 demais créditos tributários, nos termos do relatório e voto, que fazem parte do presente julgado. 3. Os valores exonerados totalizaram R$426.438,40 de IRPJ, CSLL e multas de ofício, portanto, não ensejaram recurso de ofício. 4. A Autuada tomou ciência em 07/04/2011, pág. 994, e apresentou recurso voluntário tempestivo em 05/05/2011, págs. 995/1.062. 5. Diz que a decisão recorrida, não apresentou razões suficientes para afastar a fragilidade da autuação, baseada unicamente em dados de extratos bancários, sem qualquer outro indicio de omissão de receita. 6. Reclama de inovação de instância que a decisão de 1a instância manteve parte da exigência, introduzindo alterações nos valores e critérios lançados a titulo de IRPJ e CSLL inicialmente, limitandose a intimar o contribuinte para recolher o valor retificado, ou interpor recurso, sem sequer apresentar novo discriminativo do débito nos moldes previsto na legislação vigente (art. 10 e 11 do Decreto 70.235/72). O lançamento retificado em virtude de impugnação do contribuinte, deverá preencher todos os requisitos iniciais, inclusive novo demonstrativo de débito, constando o valor originário, termo inicial de atualização, dispositivo legal de multa, e principalmente devolvendo o prazo inicial para pagamento com redução de multa ou nova impugnação, e não ser procedido a retificação e julgamento no mesmo ato, limitando o impetrante ao recurso para 2a instância; 7. Descreve os fatos que originaram a autuação fiscal que optou por se basear única e exclusivamente nos extratos bancários para presumir omissão de receitas, apesar de estar de posse de toda documentação fiscal e contábil da empresa. 8. Argui cerceamento de defesa e nulidade de intimação (postal, injustificada), pois "não consta nenhum pedido de esclarecimento objetivo realizado ao contribuinte."; "não consta nenhum indício de omissão de receita apurada ma escrita fiscal ou em diligência ao domicilio fiscal do contribuinte."; foi solicitada a comprovação de 365 dias, em um prazo ínfimo; a autuação foi encaminhada pelo correio, em 27/09/2010, sem qualquer justificativa e em desrespeito ao contribuinte; que a devolução dos livros e documentos contábeis fiscais da autuada se deu somente em 06/10/2010 e só a partir de então, poderia exercer a ampla defesa; o pedido de perícia que formulou foi indeferido, cerceando sua defesa; o fisco prefere manter o cerceamento em vez de conceder novo prazo para que apresente provas documentais e a prova pericial requerida; o fisco não aponta o que é crédito fundado em notas fiscais e faturamento examinado, e crédito não identificado (que é tarefa do fisco), forçando o contribuinte a provar todos os créditos (2.400 lançamentos); os créditos das factoring identificados no histórico dos extratos em poder do fisco não foram transcritos no anexo fielmente e também não foi fornecido cópia para justificação, o contribuinte não possui nem é obrigado a possuir em meio magnético copia de extratos bancários. 9. No mérito, acusa ilegitimidade do lançamento fiscal, invocando a Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos TFR e RESP 238.356/CE do Superior Tribunal de Justiça STJ, art. 43 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; que presumir sonegação não é admitido pela jurisprudência. Cita autores e decisões Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 8 7 administrativas; que a mera transcrição de depósitos em conta corrente não pode ser suficiente para descaracterizar a escrita e livros fiscais e contábeis; que o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, em nada favorece as razões da autuação, que continua baseada única e exclusivamente em presunção, posto que ausente comprovação de utilização dos recursos, ou disponibilidade da renda. 10. Assevera que apresentou prova lícita e que o fisco nada encontrou de irregular: Em cumprimento a intimação, foram disponibilizado ao Sr. Agente fiscal, todos os livros e documentos fiscais exigidos pela legislação fiscal e contábil., registro de entrada, saída , apuração, livro diário, razão, inventario, LALUR , além de cópia de notas fiscais, além de lançamentos contábeis por meio magnético , entregues em 30/10/2009, ou seja quase 1 ano antes da autuação. Presumese que da analise desses elementos, que poderíamos chamar de PROVA LICITA, não houve qualquer indicio de irregularidade que indicasse eventual OMISSÃO DE RECEITA, ou pelo menos o fisco nada declinou sobre os mesmos. 11. Assevera que: Não precisa muito esforço, para concluir que OMISSÃO DE RECEITA seria VENDA SEM NOTA FISCAL, porém na atividade do contribuinte, e pelo tipo de produto comercializado e seu destino, tal pratica é inexistente. As usinas não compram sem nota fiscal, o consumidor final não compra sucata, não há como transportar, inclusive para outros Estados a quantidade de sucata que seria necessária para fazer face a PRESUNÇÃO de um faturamento anual de quase R$ 20.000.000,00. Basta olhar nos extratos que a maioria dos créditos relacionados reportase a factoring, que também não compram sucatas.! 12. Acusa que a autuação se baseia em prova ilícita, extratos bancários entregues coercitivamente, caracterizando forma oblíqua de quebra de sigilo bancários Mas tais extratos não são e nunca foram DOCUMENTO FISCAL e estaria protegido pelo sigilo, seja ele bancário ou fiscal, e não poderia ser exigido pelo fisco nos moldes REALIZADOS de forma IMPOSITIVA E SEM JUSTIFICATIVA., de forma que obtida forçosamente é CONSIDERADA PROVA ILÍCITA. 13. Que a Lei Complementar nº 105, de 2001, art. 6º autorizou a quebra de sigilo bancários desde que "tais exames sejam considerados indispensáveis", mas, tal dispositivo foi ignorado: Presumir a ilicitude ou a desproporcionalidade da movimentação financeira, sem um nexo de causalidade configura uma indevida e injustificada quebra de sigilo de dados, visto que para ela ser considerada justificável deverá vir precedido de um Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 9 8 motivo justificado e fundamentado, quando da INTIMAÇÃO EXPEDIDA pelo agente fiscal Sem essa demonstração de graves indícios, tal exigência de EXTRATOS BANCÁRIOS ao contribuinte ou diretamente a instituição financeira é abusiva. No caso em exame verificase a ausência de um justo motivo para possibilitar a quebra do sigilo bancário/fiscal do contribuinte, até porque dispunha dos meios legais e documentos para verificar eventual omissão de receita. 14. Argui a inexigibilidade e iliquidez dos valores apurados e nulidade do lançamento. que negou vigência também ao art. 142, do CTN, dado que o auto se resume na transcrição de todos os créditos encontrados com "C" nos extratos; que, além de não estarem individualizados os valores, não demonstrou o fisco quais transferências foram de fato excluídas ou mantidas; que há créditos de revenda de mercadoria, empréstimos, devolução de cheques sem fundos; o relatório não exprime exatamente as informações do extrato, induzindo a defesa ao erro (transcreve exemplo à pág. 1.036) e que tais recursos originários de factoring identificados nos extratos somam R$4.000.000,00, sem contar com os depósitos em cheques Unibanco, Safra e Sudameris depositados no Bradesco, em 11/01/2006 02/02/2006, oriundos de outras contas da mesma titularidade, que constam do extrato como isentos de CPMF, ou seja, os extratos por si mesmos, explicam a origem desses créditos. A presunção no caso é de empréstimo e não venda de mercadoria, pois a factoring não compra sucata; Por essas razoes foram apresentados comprovante de transferências para esses beneficiários e embora tratase de lançamentos de débitos, justificam os CRÉDITOS REALIZADOS anteriormente na contacorrente, que é fruto de empréstimos e não de faturamento. 15. E aduz: Obviamente, que ao juntar o documento de transferência à debito, pretendia o contribuinte demonstrar que estava pagando/devolvendo empréstimos obtidos junto a FACTORING mencionadas nos documentos apresentados. Os documentos relativos aos CRÉDITOS são documentos que as factoring somente elas detém , pois foram elas quem fizeram os depósitos na conta corrente da Cofer. No caso não poderia ser exigido tal comprovante da Cofer, o comprovante do crédito está com as factoring. O simples fato de não ser depósito de cliente, adquirente de mercadoria comercializada pelo contribuinte, por si só já afasta presunção de omissão de receita, para ceder lugar a presunção de prejuízos e dificuldades financeiras, diante de inúmeros empréstimos. Se a empresa tivesse VENDENDO mais que o declarado, certamente não estaria com tantos prejuízos acumulados. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 10 9 16. Como o autuante identificou R$19.806.637,64 de créditos bancários e a empresa declarou R$8.801.247,64 de receita na DIPJ, foi objeto da autuação o montante de R$11.005.390,00, como omissão de receita; e reclama que: Os valores apurados na ação fiscal nada mais são que a totalidade dos créditos em conta corrente, que presumese esteja incluído também o valor declarado, portanto não poderíamos SOMAR e sim deduzir os valores declarados dos valores apurados como crédito em contacorrente, para apurar a diferença a ser tributada. 17. Mesmo que se admitisse que os créditos fossem de fato vendas de mercadoria, ou omissão de receitas, a apuração feita que foi informada como pelo regime de competência, quando, na verdade, o fato gerador imposto foi pelo regime de caixa; por isso o critério de apuração está errado. 18. Tampouco o fisco analisou os R$3.019.757,36 de Prejuízos Fiscais Acumulados, que deveriam ser computados na apuração do valor tributável. 19. Sobre as exigências reflexas de PIS e Cofins, reclama que a exigibilidade destas sequer foi objeto de análise em primeira instância; afirma que não são devidas sobre os produtos comercializados pelo contribuinte, conforme o art. 47 e 48 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que a incidência de PIS e Cofins está suspensa desde 03/2006, no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel, ou cartão, de vidro, de ferro e aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, das posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02, e 80.02 da TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da TIPI, para pessoa jurídica que apure IR com base no Lucro Real, assim como a utilização do crédito nas aquisições destes e afirma: A suspensão da INCIDÊNCIA ARGUIDA é matéria de direito e independe de prova, e a OMISSÃO NO JULGAMENTO implica em reconhecer a NULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA 20. E: Portanto improcedente o lançamento face a previsão de não incidência retro mencionada., não havendo provas a serem produzidas, já que todas notas fiscais foram apresentadas a fiscalização, que não APLICOU A LEI AO CASO CONCRETO . 21. Aduz que, se comprovada de fato eventual base tributável, o lucro presumido seria 8% da base apontada na autuação, portanto, menos gravoso ao contribuinte. 22. Ainda sobre a Cofins, aponta discussão no Judiciário e decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, RE nº 240.785, por maioria, pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. 23. Diz que se aplica ao caso, pois a exigência fiscal é sobre faturamento ou receita bruta presumida onde se encontra embutido o ICMS. 24. Sobre a exigência de PIS, que o STF, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1°do art. 3° da Lei nº 9.718, de 1998, no julgamento dos REs 357950, 390840, 358273 e 346084, o Plenário decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1°do artigo 3° da Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 11 10 norma; conseqüentemente, receita bruta ou faturamento é o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa; no caso, a empresa só revende sucata, que não é fato gerador nem de PIS, nem de Cofins. 25. Requer prova pericial, pois o Fisco não se desincumbiu do ônus de provar adequadamente os fatos que alega. Só assim, o contribuinte poderá exercer seu direito de ampla defesa; que seu pedido com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, foi negado, e aponta que foi improcedente a negativa, porque: 1 o fisco não apontou analiticamente quais créditos deveriam ser comprovados; 2produzir prova demanda tempo e o prazo foi exíguo; 3 a prova documental foi obstada pela retenção dos documentos; 4 a diligência pleiteada demanda profissional especializado; 5 o montante dito de omissão se distancia tanto da realidade pelo montante que dificilmente poderia ser omitido, tornando razoável que a prova seja produzida; 6 princípios constitucionais da ampla defesa e verdade material devem prevalecer. 26. Reclama que, houvesse o Fisco concluído o trabalho no prazo legal (iniciado em 09/2009, deveria se encerrar em 60 dias, prorrogáveis por mais 60, isto é 120 dias, no entanto, demorou 1 ano) poderia o litigante ter obtido o parcelamento Refis da Crise, da Lei nº 11.941, de 2009, nos valores apurados; mas, nessas condições, optou pelo parcelamento somente em 11/2009, que vem pagando; mas que, só depois dessa adesão é que o fisco apresentoulhe a presente autuação fiscal, retirandolhe não só a espontaneidade no caso de evetuais diferenças, como também o direito de obter os descontos legais. 27. Tendo sido prejudicado pelo excesso de exação, requer o direito de se valer da consolidação retroativa no Refis. 28. Reclama que, no caso, em que o principal não tem respaldo para ser mantido, a multa aplicada configura confisco tributário vedado pela Constituição de 1988 (art. 150 IV); se não foi desclassificada a escrita fiscal, nem os lançamentos na DIPJ e DCTF, na realidade, o fisco procedeu a uma revisão do lançamento já realizado e quaisquer diferenças só podem ser objeto de multa de mora até 20%. 29. Quanto aos juros de mora, que Lei n° 9.065, de 1995, além de ferir o art. 161 do CTN, a utilização da taxa SELIC para cálculos de juros em débitos tributários fere o art. 193, § 3º da CF, além de diversos princípios constitucionais insculpidos na Carta Magna, ficando impugnada sua aplicação que deve ser limitada a 1% ao mês. 30. Reclama que a DRJ indeferiu o pedido de intimação na pessoa do representante legal do contribuinte, e que as razoes apresentadas, e os dispositivos legais invocados estão longe de implicar em inadmissibilidade de intimação de advogados. E reitera a petição e fornece o domicílio do representante legal. 31. Protesta pela devolução de prazo em sua integridade, diante da retificação ou complementação/correção dos dados constante da autuação. 32. É o relatório. Voto Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 12 11 Conselheira Eva Maria Los Relatora 1 Nulidade. Auto de Infração. 33. A Autuada pleiteia a nulidade dos autos devido a inexigibilidade e iliquidez dos valores apurados e que o lançamento negou vigência também ao art. 142, do CTN, dado que o auto se resume na transcrição de todos os créditos encontrados com "C" nos extratos; que, além de não estarem individualizados os valores, não demonstrou o fisco quais transferências foram de fato excluídas ou mantidas. 34. Tais fatos não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulo tal ato. 35. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 36. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 37. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 38. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. 39. E os argumentos listados serão analisados no mérito do lançamento fiscal. 1.1 CERCEAMENTO DE DEFESA 40. Tendo sido o lançamento fiscal com base legal em presunção legal, descabe a reclamação de que teria havido cerceamento no direito de defesa do contribuinte porque "não consta nenhum pedido de esclarecimento objetivo realizado ao contribuinte."; "não consta nenhum indício de omissão de receita apurada na escrita fiscal ou em diligência ao domicilio fiscal do contribuinte."; foi solicitada a comprovação de 365 dias, em um prazo ínfimo; Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 13 12 41. Verificase no processo que a fiscalização foi iniciada com a intimação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, requerendo livros contábeis e fiscais e extratos bancários, além dos documentos sociais; a fiscalização em análise dos extratos bancários, identificou um montante de créditos recebidos nas contas bancárias do contribuinte, no total R$(19.806.637,64+1.186.773,84)20.993.411,48, que não correspondiam aos valores contabilizados, nem receita declarada. 42. Tais créditos forma listados individualizadamente, no Termo de Intimação de págs. 422/474, cientificado ao litigante em 03/06/2010. 43. Em 12/07/2010, a intimação foi repetida, págs. 475/515. 44. Em 12/08/2010, a Recorrente protocolou pedido de prorrogação de prazo para a entrega dos documentos requeridos no Termo de Início, ao argumento de que a empresa se encontrava sob fiscalização estadual e parte da documentação se encontrava em poder do fiscal; em seguida, em 31/08/2010, consta listagem de entrega de Contrato de Mútuo, Alienação Fiduciária de Imóvel vinculado a este; carta de Solicitação de Fomento; Cartas requerendo transferências entre contas correntes, e transferências via DOC e TED e respectivos comprovantes; cópías de notas fiscais da Cofer de saída, de 08 a 12/2006, págs. 517/544. 45. O Autuante relatou que: Analisada a documentação acima, consideramos o Contrato de Mutuo com o Banco Tricury, com alienação fiduciária de Imóvel como garantia e fizemos no mês de maio de 2006 a subtração, no valor tributável, do montante de R$ 1.185.226,07, conforme quadro I, abaixo. Os demais documentos, com exceção das notas fiscais, estão anexados a este e não foram considerados para abatimento da base tributável por se tratar de transferências a debito nas contas bancarias da empresa Cofer Resíduos Industriais Ltda. Para os demais Créditos/depósitos, o contribuinte não se manifestou e, desta forma, são objeto de tributação por presunção de omissão de receita àqueles valores depositados em contascorrentes bancárias sem a devida comprovação de sua origem e, assim os valores tributáveis, individualizados, encontramse no anexo ao Termo de Intimção lavrado em 12/07/2010. 46. Esclareceu ainda o Autuante: Os valores individualizados são aqueles discriminados no Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12/07/2010, sobre os quais não houve manifestação do contribuinte, e encontramse relacionados em seu anexo. Destes valores já foram excluídos os decorrentes de transferências entre contascorrentes de mesma titularidade, estornos de lançamento, de CPMF e de tarifas bancárias, devoluções de cheques compensados, empréstimos bancários e etc. 47. À pág. 578, o Autuante relacionou os valores dos créditos bancários, da receita declarada e omissão detectada, mês a mês e o total do ano 2010; o valor total dos Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 14 13 créditos/depósitos cuja origem não foi esclarecida totalizou R$19.806.637,64, depois de excluído os R$1.186.773,84 comprovados; como a litigante havia oferecido à tributação a receita de R$8.801.247,64, restou não comprovado o montante de R$11.005.390,00, autuados como omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 1.2 NULIDADE DE INTIMAÇÃO 48. Argui ainda nulidade de intimação da autuação, encaminhada pelo correio, em 27/09/2010, sem qualquer justificativa e em desrespeito ao contribuinte. 49. No que tange à intimação ser encaminhada pelo correio, tratase de cumprimento de determinação legal, o que foi claramente explicado no Acórdão DRJ: No tocante às alegações do contribuinte relacionadas à existência de vício formal nos autos de infração ante a falta da realização de ciência pessoal do impugnante, cumpre esclarecer que a intimação, por via postai, com prova de recebimento no domicílio tributário indicado pelo contribuinte, está prevista no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, alterada redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997 e pela Lei n° 11.196, de 2005: (...) Assim sendo, de acordo com o diploma legal, depreendese que a intimação por via postal não está sujeita a ordem de preferência em relação à intimação pessoal e ocorrerá com a prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, caracterizandose devidamente cientificado na data do recebimento do ato administrativo ou, se a data for omitida, quinze dias após a entrega da intimação à agência postal telegráfica. 50. Portanto, regular a intimação. 51. Reclama que a devolução dos livros e documentos contábeis fiscais da autuada se deu somente em 06/10/2010 (nove dias depois da ciência) e só a partir de então, poderia exercer a ampla defesa. 52. Ora, a documentação que entregou foi objeto de análise pela fiscalização, que excluiu os valores documentados; o espaço de tempo entre a primeira intimação para justificar os créditos em 03/06/2010 e a ciência em 27/09/2010, são 3 meses e 24 dias e ainda os 30 menos 9 dias após a devolução dos livros contábeis e fiscais e documentos, para impugnar o lançamento. 53. Mesmo assim, reclama de falta de prazo. 54. Cabe destacar que apresentou documentos na impugnação, analisados pela DRJ, porém nenhum documento junto com o recurso voluntário, mesmo tendo decorrido o lapso de 8 meses entre a ciência dos autos em 27/09/2010 e a apresentação do recurso em 05/05/2011. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 15 14 2 Nulidade. Acórdão DRJ/SP1. 55. A nulidade do Acórdão DRJ/SP1 é arguida, porque não teria se pronunciado sobre a não exigibilidade de PIS e Cofins que não são devidas sobre os produtos comercializados pelo contribuinte, conforme o art. 47 e 48 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, estando incidência de PIS e Cofins suspensa desde 03/2006; sendo matéria de direito e independe de prova, tal omissão no julgamento implicaria em reconhecer a nulidade da decisão proferida. 56. A DRJ/SP1 tomou conhecimento dos argumentos expostos, porém os avaliou como sendo genéricos, carecendo de provas de que a receita omitida autuada fosse proveniente da atividade de comercialização de sucatas, objeto da legislação citada. 57. Em outras palavras, que não há prova de qual atividade gerou os recursos creditados nas contas da Autuada, cuja origem, esta não logrou comprovar como valores submetidos à tributação, não tributáveis ou isentos, nem se eram receitas omitidas de vendas de sucatas. 58. Por isso a DRJ não acatou o argumentos de que as omissões se referem a revenda de sucatas, que se submete a legislação específica, em se tratando de PIS e Cofins. 59. Não se caracterizou cerceamento do direito de defesa a ensejar nulidade da decisão. 2.1 INOVAÇÃO DE INSTÂNCIA. 60. Reclama que 1ª instância introduziu alterações nos valores e critérios dos lançamentos de IRPJ e CSLL e por isso, deveria apresentar novo discriminativo do débitos, novo demonstrativo, constando o valor originário, termo inicial de atualização, dispositivo legal de multa, e principalmente devolvendo o prazo inicial para pagamento em sua integridade com redução de multa ou nova impugnação, diante da retificação ou complementação/correção dos dados constante da autuação. 61. Não esclarece a Recorrente de qual dispositivo legal obteve tal informação; a simples leitura do Acórdão de 1ª instância evidencia que a alteração no lançamento original introduzida se refere ao reconhecimento da compensação do prejuízo do período base, bem como a compensação até o limite de 30% do lucro apurado, dos prejuízos acumulados em períodos anteriores; e analogamente, em relação à base de cálculo negativa da CSLL; em outras palavras as exigências fora reduzidas porque a impugnação foi julgada procedente em parte; os valores resultantes estão demonstrados no próprio Acórdão. 62. Quanto à devolução de prazo, foilhe facultado o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência do Acórdão de 1ª instância, em conformidade com a legislação que rege o processo administrativofiscal. 63. Quanto à devolução do prazo inicial para pagamento com redução de multa e nova impugnação, não há previsão legal. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 16 15 3 Mérito. 3.1 AUTUAÇÃO BASEADA EXCLUSIVAMENTE EM EXTRATOS BANCÁRIOS, OBTIDOS DO CONTRIBUINTE, DE FORMA COERCITIVA. 64. A litigante, no termo de Início de Fiscalização, foi intimada a apresentar os extratos se suas contas bancárias, e as entregou. 65. Onde está a coerção? 66. Destacase que o Acórdão DRJ/SP1, no título II DA QUEBRA DO SIGILI BANCÁRIO (...), às págs. 952/956, dissertou extensamente sobre a autorização legal para a RFB de obter, eventualmente, a documentação bancária diretamente junto a instituição financeira, no caso de negativa pelo contribuinte. 3.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO ESCLARECIDA. 67. A exigência tem como fundamento a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 68. Esclareçase que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários como tais considerados, mas sim a omissão de receitas ou rendimentos que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. 69. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção legal juris tantum, que autoriza a caracterização de omissão de receita. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus da prova. 70. Primeiramente, vejase o que determina a legislação pertinente, Lei nº 9.430, de 1996: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (...) I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (Grifouse.) 71. Convém deixar claro que o autuante explicou no TVF que as transferências de recursos entre contas do mesmo titular foram excluídas dos depósitos bancários considerados Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 17 16 na autuação, assim como empréstimos tomados, depósitos estornados e cheques devolvidos (pág. 145). 72. É oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. 73. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.) ” 74. À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 75. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.º 8.021, de1990: foi promulgada a já transcrita Lei n.º 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. 76. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 77. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 18 17 3.3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 78. Reclama a litigante que o fisco, ao intimála dos créditos/depósitos recebidos nas contas bancárias, não aponta o que é crédito fundado em notas fiscais e faturamento examinado, e crédito não identificado (que é tarefa do fisco), forçando o contribuinte a provar todos os créditos (2.400 lançamentos). 79. Cabe aduzir a seguinte explanação sobre a presunção legal já descrita: via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 80. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 81. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 82. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 83. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 84. Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 19 18 Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, portam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem ‘há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência’. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendolhe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico. (Grifouse) 85. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 20 19 incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 86. Temse que os depósitos recebidos não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 87. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 88. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 3.3.1 Pedido de Perícia. 89. Reclama que o pedido de perícia que formulou foi indeferido, cerceando sua defesa; que o fisco prefere manter o cerceamento em vez de conceder novo prazo para que apresente provas documentais e a prova pericial requerida. 90. A DRJ negou o pedido porque, em primeiro, não preencheu os requisitos do art. 16, IV, 18 e 28 do Decreto nº 70.237, de 1972, e: Quanto à matéria, impende registrar que a realização de diligência pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, absolutamente necessário para a destrinça dos fatos, o que não é o caso dos presentes autos, tendo cm vista que cabe ao próprio sujeito passivo o ônus probante vinculado à instauração da fase litigiosa do procedimento, carreando aos autos as provas inequívocas hábeis e idôneas que fundamentem suas questões preliminares c de mérito contextualizadas na peça impugnatôria, sobretudo, diante das particularidades correlatas ao enquadramento legal do lançamento, cuja omissão de receita encontra fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. atribuindo ao sujeito passivo a inversão do ônus probandi. No que tange à produção de provas, por sinal, a diligência somente se justifica quando as evidências do fato não podem ou não cabem serem produzidas por uma das partes. Em outras palavras, os instrumentos estipulados pelo diploma específico não se prestam a buscar a produção de conjunto probatório cujo Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 21 20 encargo seja do próprio impugnante, respeitada a observância das formalidades e prazos delimitados pelos ditames legais. 91. Esta relatora concorda em que o pedido visa transferir à Administração Tributária o ônus probatório que é neste caso, encargo do contribuinte, devendo o pedido ser negado. 3.3.2 Súmula 182 do TRF. REsp nº 238.356/CE, art. 43 do CTN 92. A respeito da Súmula nº 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos TFR, citada pelo litigante, referese a momento histórico distinto, no qual não era possível formularse uma presunção legal com base em depósitos bancários; por conseguinte, não abrange o caso em comento, que tem por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cuja legalidade e constitucionalidade não consta tenham sido objeto de decisão judicial erga omnes, nem que tivessem sido judicialmente questionadas pelo interessado, levandose ainda em conta que, em face das disposições do art. 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação vigente na data da ocorrência do fato gerador. 93. REsp nº 238.356/CE , tratase de decisão em 12/09/2000, do STJ , com efeitos intrapartes, sem repercussão geral. 94. Já o art. 43 do CTN, trata do IR e, entre outras definições estipula no§ 2º que: § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) 95. Portanto, de fato, aplicável ao presente caso. 3.3.3 Valores dos créditos não individualizados. 96. Os créditos nas contas bancárias da litigante foram listados individualizadamente, no Termo de Intimação de págs. 422/474, portanto, improcede a reclamação. 3.4 CRÉDITOS DE FACTORING. 97. Reclama a litigante que os créditos das factoring, identificados no histórico dos extratos em poder do fisco, não foram transcritos no anexo da intimação, fielmente, e também não foi fornecido cópia para justificação, que o contribuinte não possui nem é obrigado a possuir em meio magnético copia de extratos bancários. 98. Na verdade, tendo sido a documentação devolvida ao contribuinte, não há o que reclamar nesse sentido, 8 meses depois! 99. No que tange a créditos provenientes de empresas factoring, reclama que ao fazer a transcrição dos créditos do extrato, para o anexo, omitiramse históricos constantes dos extratos, que demonstravam claramente a origem dos créditos com nome das factoring que realizaram os depósitos; dia que "Exemplo disso, são os créditos realizados pela factoring, que foram todos tributados, como se fosse receita. notase nos extratos bancários que consta a origem do crédito, e na relação apresentada pelo fisco foi omitida." Ex.: anexo ao termo de intimação Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 22 21 BANCO AGENCIA CONTA DATA HISTÓRICO DOCUMENTO VALOR 237 03131 697990 03/01/2006 TED TRANF ELET. DISPON 7628617 32027,32 237 03131 697990 03/01/2006 TED TRANF ELET. DISPON 7639441 33.830,77 No extrato consta : 03/01/06 TED TRANSF ELET DISPON REMET DANTRY FF MERC 7628617 32.027,32 03/06/06 TED TRANSF ELET DISPON REMET DBF FOMENTO COMERCIAL LTDA TRANSPORTE 7639441 33830,77 100. Também em relação a essa reclamação, tendo sido a documentação devolvida ao contribuinte, não há o que reclamar nesse sentido, 8 meses depois! 101. Diz que, iguais esses lançamentos, existem inúmeros outros, onde os recursos são originários de FACTORING identificado no próprio extrato, tais como, • DANTRY F F MERCANTIL • DBF FOMENTO COMERCIAL LTDA DUMAC FACTORING • TEMPO FACTORING LTDA Esses descontos somam quase R$ 4,000.000,00 isso sem contar DEPÓSITOS EM CHEQUE que são oriundos das outras contas da mesma titularidade, onde no extrato consta inclusive ISENTO DE CPMF. Ou seja , os extratos por si só se justificam, além do que esses valores já demonstram a iliquidez, incerteza e inexigibilidade do frágil crédito tributário constituído irregularmente. A presunção no caso é de empréstimo e não venda de mercadoria, pois a factoring não compra sucata: (...) Por essas razoes foram apresentados comprovante de transferências para esses beneficiários e embora tratase de lançamentos de débitos, justificam os CRÉDITOS REALIZADOS anteriormente na contacorrente, que é fruto de empréstimos e não de faturamento. Veja que o sr. Agente fiscal desconsiderou totalmente esses créditos como sendo de factoring e tributou normalmente, consignando no termo de verificação fiscal: " Os demais documentos, com exceção das notas fiscais, estão anexados a este e não foram considerados para abatimento da base tributável por se tratar de transferência a débitos nas contas bancarias da empresa Cofer Resíduos industriais Itda." Obviamente, que ao juntar o documento de transferência à debito, pretendia o contribuinte demonstrar que estava pagando/devolvendo empréstimos obtidos junto a FACTORING mencionadas nos documentos apresentados. Os documentos relativos aos CRÉDITOS são documentos que as factoring somente elas detém, pois foram elas quem fizeram os depósitos na conta corrente da cofer. Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 23 22 102. Analisamse pois os elementos de prova da litigante, a seguir. 103. Durante a fiscalização apresentou os que listou à pág. 517 e os anexou nas páginas seguintes: a. o contrato de mútuo e alienação fiduciária de imóvel, já foram acatados pela fiscalização, antes da lavratura dos autos; b. Copias de cartas (assinadas) dirigidas ao Banco do Brasil solicitando transferências de valores para, e os correspondentes comprovantes de transferência bancári, da Cofer para Dumac Factoring e Tempo Factoring: i. Carta (não assinada) dirigida à Dumac Factoring solicitando um fomento, no valor de R$8.807,85, datada de 18/12/2006 c. Cartas dirigidas ao Banco do Brasil solicitando transferências de valores para, e comprovantes de transferência bancária, da Cofer para Reciclo Industrial e Sifco S/A. 104. Argumenta que esta claro que foram tributados empréstimos obtidos junto as factoring, até porque como dito acima, constam dos extratos os nomes das factoring depositantes e que, para dirimir dúvidas relacionamos em anexo, todos os credito na conta da Cofer, oriundo de crédito obtido em factoring com data valor e nome desta. (ANEXO) 105. Com a impugnação, apresentou demonstrativo de pág. 655, intitulado "créditos em conta corrente oriundos das factoring identificadas no próprio extrato e ou desconto empréstimos (garantia de duplicatas/cheques)"; lista as factoring: DBF Fomento Comercial Ltda, Dantry FF Mercantil, Dumac Factoring Ltda, Tempo Factoring Ltda, Grupo B&M Fomento e lista uma amostragem de depósitos no ano 2006, de depósitos recebidos, em que o nome da respectiva factoring está identificado, no total de R$3.777.319,32. 106. Contudo, não apresentou contratos que esclarecessem os termos desses empréstimos e forma de quitação, justificando que a documentação está com a factoring e não com a Autuada e que os depósitos cujos comprovantes anexa, justificam os créditos de empréstimos, porém sem apresentar a correlação entre estes e aqueles, ou seja, a documentação apresentada não é suficiente para convencer o julgador; deveria apresentar os contratos e as contas correntes contábeis demonstrativas, junto com os documentos bancários; se tinha relacionamento com as factoring, tinha possibilidade de acesso à documentação, sendo que houve tempo suficiente para tanto, ao apresentar o recurso, se não tivesse sido possível apresentar durante a fiscalização e com a impugnação. 107. Cabe ainda destacar que empresas de factoring não são instituições financeiras, que captam recursos e os repassam; intermediação financeira é prerrogativa das instituições financeiras, conforme Resolução nº 2.144, de 1995, do Banco Central do Brasil. 108. A Lei nº 9.545, de 1964 define as instituições financeiras: Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 24 23 próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. 109. O art. 15, II, d, da Lei nº, define a atividade de factoring: d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). 110. fonte: http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entendaoquee factoring,7b1a5415e6433410VgnVCM1000003b74010aRCRD Factoring (fomento mercantil ou comercial) é uma atividade comercial caracterizada pela aquisição de direitos creditórios, por um valor à vista e mediante taxas de juros e de serviços, de contas a receber a prazo. Ela possibilita liquidez financeira imediata para micro e pequenas empresas, e não deve ser confundida com a operação praticada pelos bancos. 111. Assim, qualquer operação que não seja voltada a empresas, que inclua empréstimos ou que configure serviços realizados por instituições financeiras não constitui o campo de atuação do fomento mercantil (factoring). 112. Por isso, créditos recebidos de factoring são interpretados como relativos a recursos provenientes da venda com deságio de títulos a receber da empresa. 113. Acessando o site na internet da Tempo Factoring, constam três tipos de serviços que presta: Compra de recebíveis A Antecipação de Recebíveis é uma linha de crédito semelhante ao tradicional desconto de duplicatas oferecido por todos os bancos. O principal diferencial é a velocidade e a objetividade. A factoring não exige dos clientes a compra de seguros e outros produtos que não é de interesse naquele momento. Após a remessa dos títulos por internet; os valores são liberados diretamente na conta corrente da suaempresa em aproximadamente 2 (duas) horas. Fomento de MatériaPrima No Fomento de matériaprima, a Tempo Factoring compra à vista a matéria prima e paga todos os insumos necessários à fabricação de seus produtos. Após a fabricação destes produtos, o nosso cliente nos entrega as duplicatas geradas pela venda dos produtos para a quitação dos valores fomentados. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 25 24 Quitamos o valor adiantado e reembolsamos ao nosso cliente o restante do valor da venda. Tratase de um produto ideal para que a sua empresa tenha capacidade de negociar os melhores preços com seus fornecedores, e então adquirir seus insumos a preços de à vista, aumentando sua capacidade mercadológica e financeira. OBS : Produto para clientes especiais operando há mais de 1 ( hum ) ano e sujeito a análise do nosso comitê de crédito. Serviço de Tesouraria O Serviço de tesouraria é uma ferramenta para gerenciamento do contas a pagar e a receber dos nossos clientes. Além de antecipar seus recebíveis; a Tempo Factoring pode prestar assessoria creditícia e financeira. Após antecipar seus recebíveis; fazemos o pagamento de todos os seus compromissos diários, tais como pagamento à fornecedores, guias de impostos, folha de pagamento salarial, etc. Com este serviço, nossos clientes passam a se dedicar ao aspectos mais importante de sua empresa, a venda. A Tempo Factoring passa a administrar toda a tesouraria da empresa, eliminando as preocupações com cobrança, contas à pagar, contas a receber, etc, dando ao empresário a oportunidade de cuidar de assuntos onde seu envolvimento é indispensável. Tratase de um produto sob medida para empresas enxutas que querem diminuir despesas com pessoal administrativo. 114. Aduz que: Não bastasse, houve transferências para a empresa RECICLO que é de titularidade também do sócio da Cofer, e que por algumas ocasiões socorreu a empresa com empréstimos, e posterior transferência em pagamento a esses empréstimos, motivo pela qual consta comprovante de transferência à debito juntado. 115. No parágrafo supra, alega que recebeu mútuos de outra empresa também neste caso, faltaram documentos a comprovar o alegado: contrato de mútuo, contas correntes contábeis, respaldadas por documentos, recolhimento de IOF, comprovação de pagamento de juros à outra parte. 116. Com relação à empresa Sifco S/A, não constam esclarecimentos. 117. Também juntou com a impugnação, pág. 697/706, listagem de créditos em c/c, e correspondentes Notas Fiscais, informando o nº da NF e histórico; no que se refere às notas fiscais, como o Autuante excluiu dos depósitos bancários o valor das receitas informadas em DIPJ, concluise que esta listagem faz parte do valor declarado e o respectivo valor já foi excluído da autuação. 118. Nenhum documento foi anexado com o recurso voluntário. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 26 25 3.5 CRÉDITOS DE TRANSFERÊNCIAS INTER CONTAS DE MESMA TITULARIDADE, DEPOSITADOS VIA CHEQUES. 119. Diz que os extratos por si só se justificam, os cheques oriundos do Unibanco, Safra e Sudameris da mesma titularidade, que foram DEPOSITADOS no Bradesco (para cobrir saldo devedor) relacionados em 11/01/2006 02/02/2006 dentro outros, que estão sendo tributados com se renda fosse. 120. Na intimação que recebeu para justificar créditos/depósitos recebidos, págs. 422/474, não se identificam históricos de depósitos de cheques de titularidade da própria autuada; e esta não especifica quais seriam os correspondentes depósitos, para que possam ser verificados. 121. Consta do Termo de Verificação Fiscal a afirmativa do Autuante: Os valores individualizados são aqueles discriminados no Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 12/07/2010, sobre os quais não houve manifestação do contribuinte, e encontramse relacionados em seu anexo. Destes valores já foram excluídos os decorrentes de transferências entre contascorrentes de mesma titularidade, estornos de lançamento, de CPMF e de tarifas bancárias, devoluções de cheques compensados, empréstimos bancários e etc. 3.6 MONTANTE APURADO DE OMISSÃO DE RECEITA 122. Reclama que os valores apurados na ação fiscal nada mais são que a totalidade dos créditos em conta corrente, que presumese esteja incluído também o valor declarado, portanto não poderíamos SOMAR e sim deduzir os valores declarados dos valores apurados como crédito em contacorrente, para apurar a diferença a ser tributada. 123. Verificase que foi exatamente isso que o Fiscal fez: à pág. 578, o Autuante relacionou os valores dos créditos bancários, da receita declarada e omissão detectada, mês a mês e o total do ano 2010; o valor total dos créditos/depósitos cuja origem não foi esclarecida totalizou R$19.806.637,64, depois de excluído os R$1.186.773,84 comprovados; como a litigante havia oferecido à tributação a receita de R$8.801.247,64, restou não comprovado o montante de R$11.005.390,00, autuados como omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. 3.7 ERRO DE APURAÇÃO. OPÇÃO PELO REGIME DE COMPETÊNCIA. 124. Reclama que a autuação, baseada nos depósitos/créditos recebidos, reconheceu as receitas pelo regime de caixa, isto é, nas datas em que tais créditos ingressaram, mas que a empresa havia feito a opção pelo regime de competência, o que inclusive, foi reconhecido pelo autuante. 125. Descabida a reclamação dado que a base legal da autuação, já transcrita, mas que se repete aqui, assim determina: Depósitos Bancários Art.42. (...) Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 27 26 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. (Grifouse.) 3.8 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ACUMULADOS, NA APURAÇÃO. 126. Verificase que o Acórdão DRJ/SP1, deu provimento em parte à impugnação, ao reconhecer a compensação de prejuízo do próprio periodo e até 30% dos lucros dos prejuízos acumulados e base de cálculo negativa da CSLL, nos seguintes termos: Preambularmente, vale ressaltar que, diversamente daquilo que assevera em sua defesa, o montante equivalente a R$ 3.019.757,36 (três milhões, dezenove mil, setecentos e cinqüenta e sete reais e trinta e seis centavos), observado os dados retratados na Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) atinente ao Exercício 2007 Ano Calendário 2006 (ND 15.41687) evidenciase que tal valor representa a importância correspondente ao PREJUÍZO CONTÁBIL ACUMULADO demonstrado no patrimônio líquido apurado no encerramento do balanço patrimonial daquele ano base. Por sinal, compete elucidar que o prejuízo fiscal compensável representa o valor apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR, consoante define o art. 509 do RIR/99. No caso do IRPJ, observadose o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais, extraído do Sistema SAPLI, constatase, na verdade, que a empresa apresenta um saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores no valor de RS 793.576,63 e um valor de prejuízo fiscal operacional do próprio períodobase na quantia de R$ 27.868,40, totalizando um prejuízo fiscal acumulado no anocalendário de 2006, no importe de R$ 821.445,03 (fls. 883/884). Por sua vez, no que concerne à CSLL, tomando por referência as informações constantes do Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL, também extraído do Sistema SAPLI, certifica se que a sociedade dispõe de um saldo de base negativa da CSLL acumulada de períodos anteriores no valor de R$ 397.885.59 e um valor de base negativa da CSLL do próprio períodobase na quantia de R$ 27.868,40, perfazendo um montante de Base de Cálculo Negativa da CSLL acumulado no anocalendário de 2006. no importe de R$ 425.753,99 (fls. 885/886). 127. E efetuou a recomposição de acordo. 3.9 PIS/COFINS, SUCATAS, SUSPENSÃO. EXCLUSÃO ICMS DA BASE DE CÁLCULO 128. Aponta a legislação relativa a PIS e Cofins, para a atividade operacional que desempenha e advoga que não se aplicam a exigências de PIS e Cofins sobre as receitas da sua atividade. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 28 27 129. A presente autuação se deu em face de valores que a empresa recebeu em suas contas bancárias, cuja origem não foi esclarecida. 130. Se tais valores tivessem sido identificados como receitas da atividade mantidas à margem da contabilidade e não declaradas, a capitulação legal da infração não teria sido o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, não teria sido omissão de receitas por presunção legal. 131. Receitas não identificadas não podem se subsumir a legislação específica sobre comércio de sucatas. 132. Da mesma forma, não há evidência, apenas se poderia presumir que tais receitas omitidas foram tributadas pelo ICMS. 133. No que tange a esta última questão, temse que a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, RE nº 240.785, que decidiu por maioria, pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, teve efeitos intra partes; e recentemente o pronunciamento definitivo no RE 574.706, ocorrido na sessão de 15.03.2017, tem repercussão geral reconhecida, porém ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração, nos quais pretende a rediscussão de todo o mérito decidido, inclusive com eventual efeito infringente, e a modulação temporal dos efeitos, com a atribuição dali para a frente. 3.10 APURAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO. 134. A autuação foi corretamente efetuada no regime do lucro real anual, conforme a opção do contribuinte e determinação legal. 3.11 PARCELAMENTO REFIS DA CRISE, LEI Nº 11.941, DE 2009. REABERTURA DE PRAZO PARA OPÇÃO. 135. Não havia na Lei nº 11.941, de 2009, qualquer previsão legal para que empresa sob fiscalização, por ocasião do encerramento do prazo para contratar o parcelamento, fosse beneficiada com abertura de prazo extra para poder parcelar o valor da autuação fiscal cientificada após o prazo de encerramento. 136. Tampouco pode a autuada responsabilizar ou exigir da Administração Tributária que paute seu cronograma de trabalho de fiscalização por estes prazos. 3.12 MULTA DE OFÍCIO. 75% CONFISCO. REDUÇÃO A 20%. 137. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 138. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 29 28 administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 139. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. 140. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 141. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CAREF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 3.13 INTIMAÇÕES AOS PROCURADORES. 142. Reclama que a DRJ indeferiu o pedido de intimação na pessoa do representante legal do contribuinte, e que as razoes apresentadas, e os dispositivos legais invocados estão longe de implicar em inadmissibilidade de intimação de advogados. E reitera a petição e fornece o domicílio do representante legal. 143. Não há previsão legal para que intimações sejam remetidas a representantes legais do contribuinte; determina o Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo§ 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 19515.002972/201047 Acórdão n.º 1201002.330 S1C2T1 Fl. 30 29 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. . § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. 144. Evidente, portanto, que intimações serão sempre dirigidas ao sujeito passivo, no seu domicílio tributário, constante do seu cadastro; não há previsão para envio a procuradores, mesmo porque o contribuinte poderá desconstituílos a qualquer momento e constituir outros. 4 Conclusão. Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1124DF CARF MF
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