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Numero do processo: 10940.900307/2006-40
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
Numero da decisão: 1002-000.294
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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A. CASTRO GREIDANUS SERVIÇOS AGRÍCOLAS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indeferese o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 03 07 /2 00 6- 40 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 35 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 32) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 23/29), proferida em sessão de 05 de fevereiro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0620.905, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 02) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 01947.98945.271003.1.3.040126, transmitido em 27/10/2003, e não homologou a compensação declarada, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO . DECADÊNCIA. A apresentação depois de decorrido o prazo decadencial de Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, a qual deveria substituir a Declaração Anual Simplificada, em face da a contribuinte ter sido excluída do beneficio, impede a apreciação do pleito de compensação. Compensação não Homologada Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de pedido de PER/DCOMP N.º 01947.98945.271003.1.3.040126, protocolizado em 27/10/2003, no valor de R$ 1.202,75, atinentes ao período de apuração 30/06/2002, com valores supostamente apurados pelo Lucro Presumido, relativos ao anocalendário de 2002, em decorrência de a interessada ter sido excluída da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. Instruindo o pedido consta cópia de DARFSimples (código de receita 6106) de fl. 8. A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do despacho decisório de fls. 02, tomou a seguinte decisão Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.202,75. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 36 3 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte foi cientificada em 04/08/2008 (AR de fl. 13), e apresentou, em 21/08/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 01, onde esclarece que ao ser excluída do Simples, efetuou levantamento do valor total dos débitos pelo lucro presumido e recolheu as diferenças devidas, compensando com os valores já recolhidos sob o código 6106, por meio de PER/DCOMP, razão pela qual entende que o pleito deve ser deferido. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/06/2002 6106 R$ 1.394,32 23/07/2002 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1278305231 R$ 1.394,32 DB: cód 6106 PA 01/06/2002 R$ 1.394,32 Valor Total R$ 1.394,32 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a não homologação da compensação. A decisão recorrida não acolheu o pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, quando já presente a decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Assim, tendo sido excluída do Simples a contribuinte tinha a obrigação de retificar a declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples. (...) Ocorre que tal providência não foi adotada e a interessada se limitou a pedir a compensação dos valores recolhidos sob a sistemática do Simples, com parcelas decorrentes de apuração de seu resultado pelo Lucro Presumido, sem proceder a entrega da declaração referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido. Conforme consta dos documentos acostados ao processo, tal iniciativa só foi adotada depois que a contribuinte tomou conhecimento da não homologação do pleito, ou seja, a declaração retificadora foi apresentada, apenas, em 13/08/2008. Cabe também ressaltar que ela não apresentou as DCTF do ano calendário de 2002, conforme tela do sistema SIEF. Assim, quando da análise dos pedidos de PER/DCOMP, a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada entregue à época própria e cujos valores já haviam sido quitados por DARF específico. Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 37 4 Para estabelecer se a entrega da declaração retificadora obedeceu ao prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, importa analisar em qual modalidade de lançamento o Simples está inserido, ou seja, se ela constitui lançamento por declaração ou por homologação. (...) No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n.º 437.546. Neste caso há que se reconhecer que a administração tributária, depois de efetuar a exclusão da interessada, deixou fluir o prazo decadencial sem adotar medidas concretas, visando o efetivo cumprimento da norma, em relação ao anocalendário de 2002, razão pela qual entendo que o pleito da interessada é inócuo. A inércia da autoridade fiscal e a intempestividade da ação do contribuinte contribuíram para que só se tomasse conhecimento da situação irregular da interessada, com relação ao anocalendário de 2002, depois de já decorrido o prazo decadencial. Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (específico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. Indeferido o pleito, a contribuinte foi cientificada em 04/08/2008. Só então, providenciou a apresentação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido, conforme tela de fl. 19, que foi recepcionada em 13/08/2008. Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 38 5 das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) quando da transmissão das PER/DCOMP a interessada deixou de apresentar a competente Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido que daria suporte a apreciação do pleito, portanto, quando da apreciação do pedido o que a autoridade fiscal constatou foi a existência de uma Declaração Anual Simplificada, cujos débitos haviam sido extintos pelos DARF que a interessada pretende utilizar para abater débitos do Lucro Presumido; ii) as PER/DCOMP apresentadas em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto terem sido transmitidas antes da vigência das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003; iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de dívida; iv) quando da recepção das PER/DCOMP não se procedeu ao lançamento dos valores nelas informados com vistas a preserválos do instituto da decadência já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação obedece ao disposto no § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, qual seja, cinco anos a contar da data fato gerador; v) a apresentação intempestiva da Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, ocorrida depois de a contribuinte ter tomado ciência do indeferimento ao pedido de compensação é inócua pois, em se tratando de empresa que era do Simples, os fatos geradores do anocalendário de 2002 já foram atingidos pela decadência, sendo improcedente; e vi) finalmente, deve ser declarada improcedente qualquer tentativa de a autoridade fiscal vir a exigir algum valor por ventura remanescente. Conclusão do Voto Isso posto, voto por não acolher a reclamação contra o indeferimento do pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, protocolizado em 27/10/2003, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, em face da decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002, e por manter a não homologação das compensações declaradas. No recurso voluntário, o contribuinte alega que a decisão vergastada não acatou o PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte na qual se compensavam valores anteriormente recolhidos na modalidade do Simples com valores devidos no lucro presumido. Diz que, após ter realizado os cálculos pelo lucro presumido, recolheuse os valores devidos em espécie, compensandose os valores anteriormente recolhidos na sistemática do Simples. Sustenta que o Conselho de Contribuintes em decisão unânime já reconheceu que os valores recolhidos na sistemática do Simples obrigatoriamente devem ser compensados com os tributos devidos pelo regime do lucro presumido (Acórdão n.º 10323414, Diário Oficial da União, Seção 1, de 3 de setembro de 2008, página 28). Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 39 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/02/2009, sextafeira, efls. 30/31, e protocolo em 11/03/2009, efl. 32), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito observo que assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 40 7 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento, em Despacho Decisório (DD), de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto, supostamente, não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da suposta situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da suposta utilização integral do valor recolhido, de modo que não restaria saldo residual para restituição. Ocorre que, é equivocado afirmar que houve a utilização integral do DARF em quitação de definitivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), pois o recolhimento se processou no código 6106 (Simples) para apuração de tributação no Regime Especial, no entanto o contribuinte foi excluído do Simples e, exatamente, por isso, gerou o pedido compensação, objetivando aproveitar os pagamentos no código 6106 para integralizar o que era devido a partir da apuração dos novos valores tributáveis com base no lucro presumido (vide PER/DCOMP efls. 4/8). Tanto é que a DRJ reconheceu esta problemática, reconhecendo que não houve utilização integral do DARF em efetivo e definitivo crédito tributário, porém, pasmem, ao meu ver criando novo impasse, modificou o critério jurídico da decisão do despacho decisório, que era pela inexistência de saldo do DARF, para afirmar que, na verdade, tinhase uma questão de decadência. De qualquer sorte, aplico o § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com suas alterações, para não decretar a nulidade. Ora, a não homologação do PER/DCOMP teve por critério jurídico a inexistência de saldo do DARF; a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada do Simples entregue à época própria e cujos valores foram quitados com o DARF. Reconhece a DRJ que, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106, os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, face a não transmissão da declaração retificadora (Declaração Anual pelo Lucro Presumido). Logo, resta evidente que a DRJ reconhece que este critério jurídico é equivocado e não subsiste, porém, em contraponto à vedação do art. 146 do CTN, a primeira instância sustenta alegada decadência do direito de restituição (outro critério jurídico para não homologar a compensação). Deveras, a DRJ informa que o sujeito passivo foi excluído do Simples e, neste diapasão, fundamenta que ele estaria obrigado a retificar a sua declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples, sendo que, neste contexto, o sujeito passivo não teria tomado a providência a tempo e modo, assim Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 41 8 incidindo na decadência para os recolhimentos no código 6106 (código do Simples), de forma que não poderia haver a compensação, pois, com a entrega da declaração retificadora, referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido, apenas em 13/08/2008, estarseia diante da decadência para fatos geradores do anocalendário 2002. Não me parece razoável concordar com a mudança do critério jurídico, de toda sorte, é bom anotar que a DRJ vai mais além e, apesar de não ter homologado a compensação, a primeira instância consigna que os PER/DCOMP apresentados em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto que foram transmitidos antes da vigência das alterações que o caracterizaram como tal, também atesta que não se transmitiu DCTF, que também caracterizaria uma eventual confissão de dívida, e, por fim, informa que não se procedeu ao lançamento dos valores informados no PER/DCOMP com vistas a preserválos do instituto da decadência do lançamento de ofício (relativo as diferenças) já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação, obedece ao disposto no § 4.º do art. 150 do CTN, concluindo que é improcedente qualquer tentativa da autoridade fiscal exigir algum valor porventura remanescente no PER/DCOMP não homologado. Portanto, a DRJ reconhece a decadência do contribuinte e reconhece, de igual modo, a decadência da Administração Tributária, mas no dispositivo, na conclusão do voto, fala só na decadência do contribuinte. De mais a mais, observo o disposto na Súmula CARF n.º 76, a qual enuncia que: "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 180301.000, de 2/8/2011, 910101.037, de 27/6/2011, 910100.949, de 29/3/2011, 1402 00.017, de 28/7/2009, 10517.110, de 26/6/2008. Além disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Vejase. O objeto em comento é PER/DCOMP com créditos lastreados em DARF, com Código 6106 (Simples), no qual se utiliza o crédito para compensar recolhimento do lucro presumido para período de apuração originalmente do Simples, que foi recalculado por força da exclusão do regime especial. Neste diapasão, a conclusão é uma só, qual seja, não há óbice ao aproveitamento de pagamentos realizados com o código 6106 (Simples), quando for utilizado o crédito para compensar tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime adotado justamente em razão da exclusão do Simples. Isto porque, de acordo com a Súmula CARF n.º 76, nem mesmo seria preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento deveria ser realizado por simplória dedução, logo,neste contexto, não teríamos as decadências. Se foi a própria Administração Tributária quem excluiu o sujeito passivo do Simples, não se pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão ou, ainda, alegar decadência do direito a restituição. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 42 9 Por fim, repitase, novamente, que a DRJ afirma que não se pode cobrar o contribuinte, sob o argumento de que decaiu o direito de constituição, não tendo o PER/DCOMP do caso concreto força de confissão de dívida, face à época em que transmitido, enfrentando, inclusive, o óbice de outro enunciado sumular, qual seja, a Súmula CARF n.º 52 ("Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício."). Entendo, pois, que devese resolver o caso em favor do contribuinte como melhor medida ao litígio tributário. Considerando o esposado, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, reformando integralmente a decisão recorrida para homologar o PER/DCOMP. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator designado. Peço vênia para discordar do voto proferido pelo Ilustre conselheiro Leonam que dava provimento à declaração de compensação, por acreditar não haver crédito tributário apto a ser compensado nos presentes autos, o que conduziria à não homologação do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, porém, com fundamento diverso do consignado no Despacho Decisório que não homologou a referida compensação. Explico a seguir. Primeiramente, revisitando os fatos processuais, constato, às efls. 3, que a compensação declarada não foi homologada, conforme indicado no excerto abaixo: Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 43 10 O PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte apresentava as seguintes características (efls. 09/10): Como se observa, o PER/DCOMP pretendeu compensar débitos do Simples Federal do período de apuração de 30/06/2002 (código 6106) com débitos de COFINS (código 2172) e IRPJ (código 2089) do anocalendário de 2002 decorrentes de apuração pelo regime de Lucro Presumido. Observase, ainda, que o indeferimento do PER/DCOMP foi calcado na constatação de que o pagamento de R$ 1.394,32 já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do Simples Federal, constando, inclusive, DARF de recolhimento nos autos comprovando o fato (efls. 09). Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 44 11 Para continuidade da análise, convém tecer alguns comentários acerca do instituto da compensação. É cediço que a compensação tributária é instituto jurídico previsto em lei e forma de extinção de crédito tributário, o qual opera pelo encontro de contas relativas a créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Logo, para que seja possível aferir a escorreição do ato administrativo que não homologou a declaração de compensação perpetrada no Despacho Decisório, penso ser necessário, primeiramente, reconhecer ou não a higidez de seus elementos componentes, quais sejam, o débito e o crédito dela constantes. Nessa trilha, verifico que, com relação ao crédito (pagamento indevido), o Despacho Decisório de não homologação da compensação teve como fundamento a não caracterização do recolhimento de R$ 1.394,32 como direito creditório do contribuinte, eis que o autor do Despacho Decisório entendeu que o referido recolhimento estava indisponível, em razão de ter sido alocado a débitos de tributos apurados no regime do Simples Federal do ano calendário de 2002. A relatora do Acórdão de Impugnação pronunciouse sobre essa matéria, entendendo que foi equivocada a conclusão da autoridade administrativa que considerou não disponível o recolhimento de R$ 1.394,32 para fins de compensação, conforme excerto abaixo: Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (especifico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. De fato, assiste razão à relatora do Acórdão de Impugnação, eis que a Declaração do Simples do anocalendário de 2002 não poderia ter sido considerada no Despacho Decisório que não homologou a compensação porque deixou de ter validade jurídica, em razão da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (efls. 16), tanto assim que foi posteriormente cancelada (efls. 19). O fato de o recolhimento de R$ 1.394,32 ter sido alocado a um crédito tributário que deixou de existir caracterizou o pagamento indevido a partir do cancelamento da declaração do Simples do anocalendário de 2002, gerando um crédito líquido, certo e apto a compor declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, na forma do artigo 165 do CTN1. 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 45 12 Com base nesse breve relato, reconheço a legitimidade do crédito pleiteado no PER/DCOMP no valor de R$ 1.394,32. Quanto ao débito (crédito tributário), vejo que no PER/DCOMP apresentado constou a informação de apuração de tributos para o anocalendário de 2002 no regime do Lucro Presumido. Compulsando os autos constato que a Declaração do Simples do ano calendário de 2002, que foi cancelada em virtude da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002, foi substituída pela declaração no regime do Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 para aquele mesmo período DIPJ/2003 a qual encontravase na situação cadastral "liberada". Dos fatos até aqui relatados e diante de uma análise perfunctória, poderseia concluir pela higidez do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte e, conseqüentemente, por sua homologação, porquanto a DIPJ/2003 pelo lucro presumido encontravase liberada para o ano de 2002 e porque o recolhimento feito a título de Simples sob código 6106 ficou disponível para compensação a partir do cancelamento da Declaração do Simples do anocalendário de 2002. Ocorre que a aplicação do instituto da compensação exige, além do reconhecimento de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte, a existência de crédito tributário a liquidar. É o que diz o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse sentido, constato que a DIPJ/2003 não tinha caráter constitutivo de crédito tributário à época dos fatos, e o entendimento pacificado, tanto na Administração Tributária quanto na Jurisprudência, é que somente os saldos a pagar de tributos declarados em DCTF é que poderiam ser inscritos em Dívida Ativa da União. O art. 1º da IN SRF nº 77/98 caminha nesse sentido: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 46 13 Dívida Ativa da União. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000) Constato, ainda, que os débitos informados na DIPJ/2003 não foram constituídos por meio de DCTF, eis que as informações constantes do processo indicam que não houve entrega da DCTF pelo contribuinte nesse período. Vejase trecho extraído do Acórdão de Impugnação nesse sentido: Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) (...) (...) iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de divida; (...) Considerando que a DIPJ possuía apenas caráter informativo e que não houve lançamento em DCTF do débito declarado no PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, aplicarseia ao caso em questão o art. 23 da IN SRF nº 210/2002 (grifos nossos): Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em resumo, chegase à conclusão de que o débito constante da PER/DCOMP no valor de R$ 1.394,32 deveria, à época dos fatos, ter sido constituído por meio de lançamento de ofício; a uma, porque referido débito não foi lançado por DCTF e, a duas, porque, inobstante constar no PER/DCOMP transmitido em 27/10/2003 a confissão do débito de R$ 1.394,32, os efeitos de confissão de dívida só foram atribuídos às declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, conforme bem pontuado no Acórdão de Impugnação (in verbis): Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 47 14 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Constato não haver nos autos qualquer documento indicando que os débitos informados no PER/DCOMP foram constituídos por meio de auto de infração na forma do artigo 23 da IN SRF nº 210/2002. Assim, por qualquer ângulo de análise e à luz da legislação regente da matéria e dos documentos constantes do processo, podese afirmar que o débito constante do PER/DCOMP debatido neste processo não foi constituído nem por DCTF, nem por DCOMP e nem por auto de infração, o que nos leva à corroborar a conclusão externada no Acórdão de Impugnação abaixo transcrita, segundo a qual operouse a decadência do direito de lançamento da referida obrigação tributária, em razão de tratarse de lançamento por homologação e por ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data de ocorrência do fato gerador do tributo (in verbis): No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no Ultimo dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (Ultimo dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n° 437.546. Portanto, considerando que os débitos fiscais apurados na DIPJ/2003 e informados no PER/DCOMP não foram objeto de lançamento e, portanto, não possuíam a qualificação jurídica de crédito tributário tal qual exigido pelo artigo 170 do CTN, correta foi a negativa de homologação da declaração de compensação pela autoridade administrativa, sendo, porém, equivocado o fundamento utilizado no Despacho Decisório de não homologação, porque a invalidade da compensação caracterizouse não pela ausência de crédito líquido e certo, mas por inexistência de débito compensável, evidenciada pela falta de constituição do pretenso crédito tributário decorrente dos débitos fiscais informados na DIPJ/2003. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10940.900307/200640 Acórdão n.º 1002000.294 S1C0T2 Fl. 48 15 Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.921412/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte.
Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado.
Numero da decisão: 3002-000.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte. Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrente TEKINOX MANUTENÇÃO E MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório que se encontra devidamente fundamentado. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O deferimento do pedido de ressarcimento está condicionado à comprovação da certeza e liquidez do respectivo crédito tributário alegado, cujo ônus é do contribuinte. Não tendo o contribuinte de desincumbido do seu ônus probatório no caso concreto analisado, correta a decisão recorrida que indeferiu o pedido apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 14 12 /2 00 9- 11 Fl. 129DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 95 dos autos: Inicialmente, cabe esclarecer que, em razão deste processo administrativo ter sido digitalizado e materializado na forma eletrônica, todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo digital. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta por Tekinox Manutenção e Montagens Industriais Ltda, CNPJ 57.521.825/000179, em contrariedade ao indeferimento integral do ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 11010.71537.030609.1.5.012049, referente ao saldo credor de IPI apurado no 1º trimestre de 2007, no montante de R$ 15.254,40 (quinze mil, duzentos e cinquenta e quatro reais, quarenta centavos). De acordo com o despacho decisório (fl. 11), o valor pleiteado não foi reconhecido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Cientificada da decisão em 05/11/2009, a interessada manifestou a sua inconformidade em 24/11/2009. Em síntese, a sua defesa se resumiu aos seguintes termos: I – DOS FATOS A matéria debatida se funda especificamente em pedido de PER/DCOMP, por manter os créditos em sua escrita fiscal, oriundos na Lei 9.779/99. A fazenda não reconheceu os créditos, no entanto, é mister que a origem dos créditos estão devidamente comprovados, conforme documentos anexo (sic), dando suporte à totalidade do pedido. II – DAS PROVAS O Contribuinte apresenta os documentos que suportaram os seu pedido, quais sejam: • Cópias do Livro Registro de Apuração do IPI. • Cópias da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Além da documentação relatada, juntada às fls. 12/58, o contribuinte também juntou com sua manifestação de inconformidade (fls. 02/03): i) cartão de CNPJ (fl. 4); ii) atos de constituição e representação da Empresa (fls. 05/10); iii) Despacho decisório (fl. 11 e 85); iv) PER/DCOMP (fls. 59/84); v) demonstrativo de créditos e débitos (fls.86/88). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 130 3 Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada, não integrando, assim, o objeto da lide. PRODUÇÃO DE PROVA. RAZÕES DA CONTESTAÇÃO. Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Dessarte, não cabe à autoridade julgadora de primeiro grau, diante do conjunto de documentos apresentados na impugnação, demonstrar que cada um deles possibilita comprovar o que a defesa pretende, ainda mais se nem ao menos há alguma alegação específica do que se pretende. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O acórdão da primeira instância (fls. 94/97) fundamentouse, assim, na ausência de indicação específica das discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório e na ausência de correlação, na defesa, de seu conteúdo com os documentos apresentados. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 07/12/2012 (vide Termo de ciência por decurso de prazo à fl. 100 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/12/12, Recurso Voluntário (fls. 102/116). Em seu recurso, o recorrente alega que: i) houve cerceamento de defesa por falta de fundamentação do despacho decisório; ii) tem o direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 Lei 9.779/99; iii) obedeceu aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Em seus pedidos, requereu, preliminarmente, o cancelamento da decisão de primeira instância, por inobservância do artigo 19 da IN 600/05. No mérito, a homologação do crédito pretendido. Alternativamente, pediu a devolução do processo à primeira instância, para fiscalização da documentação referente ao crédito e realização, ou não, de sua homologação, sob pena de cerceamento de defesa. Nesta oportunidade, reapresentou a documentação de representação da empresa (fls. 117/126). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 131DF CARF MF 4 Consoante acima narrado, constou do despacho decisório que o pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte fora indeferido em face da constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento demonstrado era inferior ao valor pleiteado e de que houve utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sua defesa, o contribuinte alegou, de forma genérica, que possuiria direito ao ressarcimento da integralidade do crédito tributário alegado, tendo anexado, nesta oportunidade, livro de apuração do IPI, no intuito de comprovar o alegado. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, visto que a defesa apresentada não teria indicado, de forma específica, as discordâncias da manifestante acerca do despacho decisório, nem a correlação eventualmente existente entre o seu conteúdo e os documentos apresentados. Em seu recurso voluntário, então, o contribuinte alegou, resumidamente que: i) teria havido cerceamento do seu direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório; ii) teria direito de requerer o ressarcimento do saldo credor, conforme o artigo 11 lei 9.779/99; iii) teria obedecido aos ditames da IN SRF 600/05; iv) a autoridade administrativa não requereu outros documentos comprobatórios, simplesmente não homologou os créditos, sem fundamentação e eletronicamente; v) sobre a afirmação do acórdão de não ter o contribuinte justificado sua discordância e os documentos apresentados, afirma que juntou o livro de apuração do IPI para comprovar a existência de crédito. Quanto a tais argumentos, entendo que não assiste razão ao contribuinte, consoante restará devidamente analisado em sucessivo. No que tange ao argumento preliminar disposto no item i) acima, é fácil constatar que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, com a indicação das razões que levaram ao indeferimento do pleito, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Quanto à alegação disposta no item ii), de fato, é certo que o contribuinte possui o direito de requerer o ressarcimento de saldo credor que eventualmente entende fazer jus, o que não lhe foi vetado. Porém, da mesma forma que lhe é garantido o direito de petição, é dever da administração pública indeferilo quando constatar a inconsistência do pedido apresentado. E foi justamente o que ocorreu no caso vertente. No que concerne ao item iii), penso que a mera alegação de que teria obedecido aos ditames da IN 600/05 não possui o condão de afastar a fundamentação constante do despacho decisório no sentido de que o crédito já teria sido utilizado em períodos subsequentes. Competia ao contribuinte requerente comprovar o direito creditório pleiteado, o que inocorreu. Quanto ao item iv), entendo que, no momento do despacho decisório, a fiscalização não está obrigada a exigir documentação comprobatória do contribuinte, podendo este ser proferido tanto manualmente quanto eletronicamente, quando constatada a inconsistência do pleito apresentado conforme dados constantes do sistema da Receita Federal do Brasil. E é justamente por essa razão que se admite que o contribuinte inicie a fase de contraditório por meio de apresentação de manifestação de inconformidade, oportunidade em que deverá trazer aos autos, para fins de julgamento, não apenas os argumentos de defesa, como também a documentação comprobatória do seu direito creditório pleiteado. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 131 5 Sobre este assunto, trazse à colação esclarecimento quanto ao procedimento adotado no caso de análise eletrônica de PER/DCOMP, constante do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: 14. Como o caso em tela tem como peculiaridade a análise eletrônica do PER/DCOMP, convém descrever sucintamente como ela ocorre. 14.1. Primeiramente, o sujeito passivo transmite o PER/DCOMP informando os créditos aos quais julga ter direito e confessando os débitos. 14.2. Via de regra, objetivando dar maior celeridade ao processo, a análise deste PER/DCOMP é feita eletronicamente, de forma automática, mediante “batimento” das informações contidas no PER/DCOMP com os dados dos sistemas da RFB, inclusive os declarados em DCTF. 14.3. Após a análise preliminar do PER/DCOMP, encontrada alguma inconsistência entre essas informações, é dada ao sujeito passivo a oportunidade de verificar as informações prestadas à RFB e corrigilas, se for o caso – tratase do serviço denominado Autorregularização. De acordo com a Nota Corec nº 30, de 2013, o acompanhamento do processamento eletrônico do PER/DCOMP motivou a disponibilização desse serviço, tendo em vista a observação de que uma parte das decisões proferidas de forma automática, e posteriormente levada ao contencioso, era decorrente de erros cometidos pelos contribuintes no preenchimento do próprio PER/DCOMP ou das declarações que embasavam as informações nele contidas. 14.4. Com a disponibilização do serviço de Autorregularização, dáse ao contribuinte, nos casos por ela contemplados, a possibilidade de, previamente à emissão do despacho decisório, tomar conhecimento da análise completa do direito creditório, que pode ser por ele consultada pelo eCAC durante o prazo improrrogável concedido para autorregularização (45 dias a partir da data de envio da mensagem para sua caixa postal). 14.5. A partir dessa análise preliminar, caso se identifiquem erros nas informações prestadas no PER/DCOMP ou em outras declarações (como a DCTF), o contribuinte terá oportunidade de corrigilos pela sua retificação ou, ainda, pelo cancelamento do PER/DCOMP. 14.6. Findo o prazo concedido para autorregularização, a análise automática do direito creditório será novamente realizada, considerando os elementos atualizados que a embasam. Mantidos o reconhecimento parcial ou não reconhecimento do direito creditório ou constatada a insuficiência para homologação da compensação, será emitido despacho decisório. 14.7. Caso não seja detectada nenhuma inconsistência ou esta tenha sido sanada por ocasião da autorregularização, o sistema homologa automaticamente o PER/DCOMP. 14.8. A análise eletrônica do PER/DCOMP equivale àquela executada manualmente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do sujeito passivo; inclusive o despacho decisório emitido eletronicamente apresenta a assinatura eletrônica do titular da DRF. 14.9. Com isso, o despacho decisório, sendo eletrônico ou não, é conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório e finaliza a etapa de análise do processo de reconhecimento do crédito fiscal do sujeito passivo, de competência da DRF de sua jurisdição. Fl. 133DF CARF MF 6 15. Caso o contribuinte não tenha seu pedido deferido ou a compensação integralmente homologada, está garantido seu direito de manifestar inconformidade sob o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com esteio no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 1996. Na hipótese de discordância da análise preliminar acima referida, concluindo o sujeito passivo ser incabível a retificação de declarações ou o cancelamento do PER/DCOMP no prazo a ele conferido para autorregularização, é por ocasião da manifestação de inconformidade que deve apresentar justificativas ou documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Ademais, é válido destacar que o art. 19 da IN 600/05 confere à autoridade fiscal a faculdade de, caso entendam necessário, requerer a produção de provas complementares para fins de julgamento da demanda. Notese que o referido dispositivo legal possui em sua redação o verbo "poderá". Ocorre que, no presente caso, diante da completa inexistência de argumentos de combate ao teor do despacho decisório proferido, por falha do próprio contribuinte, não houve como a DRJ sequer identificar qual a matéria objeto de defesa, tendo concluído pela desnecessidade de produção de novas provas. Ao assim proceder, entendo que tampouco cerceou o direito de defesa do contribuinte, visto que a realização de diligência para este fim é apenas uma faculdade, a depender da avaliação acerca da sua necessidade. Por fim, no que compete ao item (v), penso que a mera juntada do livro de apuração de IPI, sem que seja feita qualquer conciliação entre a documentação apresentada com os fatos que pretende o contribuinte comprovar, ou mesmo com os fatos indicados no despacho decisório que pretende combater, não surte os efeitos pretendidos pelo recorrente. Da leitura da peça recursal apresentada, verificase que o contribuinte insiste na mesma falha já constante da sua manifestação de inconformidade, limitandose a repisar que teria direito à integralidade do direito creditório alegado, contudo, não tendo se insurgido de forma específica acerca das razões constantes do despacho decisório, em especial no que tange à afirmativa de que já teria utilizado o saldo credor em períodos subsequentes. Ainda que a documentação acostada aos autos fosse apta a comprovar a integralidade do saldo credor alegado pelo contribuinte, é certo que este determinado crédito poderia ter sido utilizado pelo contribuinte posteriormente, o que sequer foi refutado pelo contribuinte nos presentes autos. Nesse contexto, concordo com a fundamentação constante da decisão da DRJ no sentido de que o contribuinte não trouxe aos autos elementos suficientes a se contrapor ao conteúdo do despacho decisório. Até porque, é cediço que o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de ressarcimento e/ou compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de ressarcimento) quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10830.921412/200911 Acórdão n.º 3002000.281 S3C0T2 Fl. 132 7 Sobre o assunto, trazse à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." Nessa mesma linha de raciocínio, reproduzse a ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Da conclusão Diante das razões acima expostas, voto no sentido de rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.946804/2012-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.284
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRECLUSÃO. MATÉRIAS NÃO CONSTANTES NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 68 04 /2 01 2- 94 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 115 2 A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 57/64) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 45/49), proferida em sessão de 13 de janeiro de 2015, consubstanciada no Acórdão n.º 0365.571, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/12) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/07/2012 (efl. 34), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 33951.42518.290208.1.3.040020, transmitido em 20/02/2008, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 116 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 SIMPLES FEDERAL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Simples Federal tem como base para recolhimento a receita bruta mensal, podendo ser deduzidas somente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos, vedada qualquer outra exclusão. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) de n.º 33951.42518.290208.1.3.040020, transmitida eletronicamente em 29/02/2008, com base em créditos relativos ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 03/07/2012, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 34), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 7.365,96. Cientificado dessa decisão em 12/07/2012, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 10/08/2012, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 12, acrescida de documentação anexa, alegando, em síntese que: a) a discussão referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins é uma discussão entabulada pelos contribuintes há muitos anos; b) a exclusão da base se cálculo do PIS/Cofins se impunha pois o seu valor não é abrangido pelo conceito de faturamento, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 117 4 sendo o ICMS receita do Erário Estadual; nenhum agente econômico fatura o imposto, mas apenas as mercadorias ou serviços; c) após a decisão prolatada nos autos do Recurso Especial n.º 240.785, a base de cálculo do PIS/Cofins não poderia englobar receita ou faturamento de terceiros, sob pena de desvirtuar a estrutura de arrecadação dos impostos, entendimento que é compartilhado com alguns doutrinadores; d) por força dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal, foi realizado o trabalho de recuperação dos valores indevidamente pagos, utilizando os instrumentos legais postos à disposição do contribuinte; e) a aplicação de nova legislação viola os princípios da segurança jurídica e da não surpresa do contribuinte, uma vez que este já estava preparado para realizar a compensação como sempre fez, sendo, portanto, inconstitucional a modificação da regra no meio do jogo; f) o art. 74, § 3.º, inciso IX, da Lei n.º 9.430, de 1996, incluído pela MP 449, de 2008, pode e deve ser questionado perante o Poder Judiciário; g) os pressupostos trazidos pela IN 900/2008 não podem ser de tal ordem a inviabilizar o direito dos beneficiados com o afastamento do instituto da compensação previsto na Constituição Federal. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/01/2007 6106 R$ 4.414,50 16/02/2007 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3377676441 R$ 4.414,50 DB: cód 6106 PA 31/01/2007 R$ 4.414,50 Valor Total R$ 4.414,50 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: No caso em concreto, a opção em ser tributado pelo Simples Federal foi exercida pela contribuinte. O Simples é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 118 5 criado pela Lei n.º 9.317, de 1996, e alterações posteriores, estabelecido em cumprimento ao que determina o art. 179 da Constituição Federal de 1988. É uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta mensalmente auferida. As ME e as EPP inscritas no Simples Federal não poderão gozar de nenhum outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido, além daqueles expressamente previstos na legislação específica, inclusive em relação a substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 5.º da Lei n.º 9.317/96 estabelece que a apuração do montante mensalmente devido será determinado mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta mensal auferida pela pessoa jurídica, conforme transcrição a seguir. Art. 5.º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais (...) Ainda, nos termos do § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317, de 1996, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Portanto, se a previsão legal determinou que o percentual seria aplicado sobre a receita bruta mensal, não cabe a interpretação de que a incidência se daria sobre a receita líquida, considerando a exclusão dos impostos incidentes sobre a receita bruta, tais como: ICMS, PIS, Cofins e ISS. Por fim, os precedentes jurisprudenciais dos citados órgãos de julgamento coletivo, invocados pela interessada, aplicamse ao caso em concreto, não se enquadrando ao caso em exame. Dessa forma, não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a Administração Tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do Código Tributário Nacional. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão proferida pela autoridade administrativa. No recurso voluntário, o contribuinte inova e apresenta argumentos diversos da manifestação de inconformidade. Nesta a discussão dos créditos devese a discussão, levantada pelo contribuinte, referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Acerca desta temática a DRJ se manifestou e afastou o alegado crédito por entender que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo, logo não reconhecia o crédito. No recurso, inovando nos debates, o contribuinte agora alega que o tema a ser discutido é uma suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação no valor de R$ 7.365,96, que não foi homologado por inexistir o crédito, enquanto o próprio pedido de reconhecimento do créditos seria num montante menor. Alega que o pedido de compensação Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 119 6 contém erro de fato. Haveria equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2008, mas não poderia cancelar o PER/DCOMP, pois já havia despacho decisório de indeferimento da compensação. Sustenta, outrossim, em inovação, que é uma escola estando sujeita ao ISS e não ao ICMS. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 10/11/2015, terçafeira, efls. 50/51, e protocolo em 09/12/2015, efl. 56), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto as matérias não apresentadas na manifestação de inconformidade e discutidas no recurso voluntário, quais sejam, as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, sob argumento de que o pedido de compensação contém erro de fato, havendo equívoco entre o declarado em 2007 e a PER/DCOMP de 2008, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS. Vejase, o suposto erro no preenchimento do pedido de compensação não foi relatado na manifestação de inconformidade, logo após a intimação do teor do despacho decisório, sendo uma inovação alegada no recurso voluntário. Por outro lado, não compete a segunda instância administrativa o procedimento de cancelamento ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitada aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte, que, no mínimo, deveria ter procedido com a retificação, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica constitutiva. Eventual erro de fato, neste momento e após despacho decisório, deve ser, inicialmente, objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 120 7 A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 121 8 Logo, conheço apenas parcialmente o Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Na manifestação de inconformidade o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 122 9 maior), porém não lhe assiste razão, até porque no recurso voluntário o contribuinte diz que sequer é contribuinte do ICMS, sendo contribuinte do ISS. Além disto, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem efetivar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS (ou do ISS) da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS, no entanto o debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS ou do ISS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere as alegações de suposta confissão equivocada do débito principal declarado para compensação, bem como a sujeição ao ISS e não ao ICMS, e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.946804/201294 Acórdão n.º 1002000.284 S1C0T2 Fl. 123 10 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.903217/2008-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido.
Numero da decisão: 1001-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição, tal qual a compensação, pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF antes da apreciação do pleito na DRF, não fez com que se materializasse junto à Administração Tributária o valor que alega ter recolhido a maior, cujo montante pretendia ver reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 32 17 /2 00 8- 43 Fl. 327DF CARF MF 2 Tratase nestes autos de processo principal de um grupo de cinco autos vinculados. Neste apreciouse Declaração de Compensação (efls. 56/60), de 21/11/2006, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (IRPJ PA: 30/06/2002, R$ 16.943,59). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 781192024 (efl. 53), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Declaração de Compensação. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada pela DRJ Ribeirão Preto. Assim dispôs o relatório da decisão recorrida (efls. 243/247): EMPREENDIMENTOS S.A. contribuinte requerente), com fulcro no art. 15 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), apresenta manifestação de inconformidade ao despacho que indeferiu o pleito consubstanciado nos processos abaixo relacionados: Número do Processo Tributo 13896903220200867 CSLL 13896903219200832 CSLL 13896903221200810 IRPJ 13896903218200898 IRPJ 13896903217200843 IRPJ Tais processos estão sendo juntados por “apensação”, considerando principal o de nº 13896903217200843, visando otimizar os procedimentos processuais e lavratura de atos relativos a todos eles, haja vista tratarse do mesmo contribuinte e mesma materia em litigio. Tratamse pedidos de reconhecimento de direito creditório, formalizados mediante “Pedidos de Ressarcimento ou Restituição Eletrônicos – Declaração de Compensação” – PERDCOMP juntados aos autos dos aludidos processos. Em todos os pedidos a contribuinte registra que se trata de recolhimento indevido ou a maior, a exemplo da PERDCOMP de fls. 38 e seguintes do “processo principal” transmitida em 21/11/2006 que se refere ao recolhimento do IRPJ relativo ao período de apuração de junho/2002. Consoante despachos decisórios da DRF de Origem, a exemplo de fls. 31 do “processo principal”, proferido em 12/8/2008, todos os pleitos foram indeferidos em face da apuração da inexistência do crédito, ou seja, os pagamentos que se alega foram realizados a maior já se encontravam alocados a débitos declarados e confessados pelo próprio contribuinte. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestações de inconformidade, tal qual às fls. 2 e seguintes do processo principal, alegando que equivocouse na apuração do IRPJ/CSLL devidos, daí o recolhimento a maior. Todavia deixou de apresentar as DCTF retificadoras, ensejando o indeferimento, falha corrigida após a ciência do despacho decisório. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13896.903217/200843 Acórdão n.º 1001000.613 S1C0T1 Fl. 328 3 Ao final requer seja acolhida a DCTF Retificadora, bem com reconhecido o direito creditório pleiteado nos aludidos processos anexando memória de cálculo dos valores que entende fazer jus, alem das declarações retificadas. É o relatório.” A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 14 48.035 5ª Turma da DRJ/RPO, efl. 243/247). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o recorrente não retificou a DCTF que constituiu o débito alegadamente pago a maior e não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não poderia ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Cientificada em 22/06/2015 (efl. 254), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 20/07/2015 (efl. 283), repetindo os argumentos levados à primeira instância e alegando, em resumo, que a autoridade julgadora administrativa deve promover a busca da verdade material, sem ficar adstrita aos aspectos de cunho formal, e que na oportunidade anexa documentos de forma a comprovar o alegado crédito. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado em PERDCOMP e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. A DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Desta forma, e em consonância ao prescrito no art. 147, § 1° do CTN, preliminarmente cabe fixar ser necessário a retificação da DCTF para o sujeito passivo ter direito a um crédito que ele confessou em DCTF, como é o caso analisado nos presentes autos, além da necessária comprovação do erro que motivaria tal retificação. Isso porque os débitos tributários confessados na DCTF decorrem do lançamento por homologação (art. 150, do CTN) dos tributos federais citados no art. 6º da IN RFB nº 1.110, de 2010. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Fl. 329DF CARF MF 4 Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. A legislação aplicável à restituição e à compensação prescreve que a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas a posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Mas cabe ao contribuinte comprovar de maneira inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Assim, adiro às razões da decisão de primeira instância e à conclusão que se aplica a todos os processos apensos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001668/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
RECEITAS OMITIDAS.
Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. Inconsistências em suas declarações, que foram comprovadas por informações bancárias e de terceiros. Sem a devida informação fiscal que comprove a tributação, caracteriza-se como receita omitida.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANUTENÇÃO.
De se manter a responsabilidade tributária quando verificada a participação da pessoa, que obteve proveito econômico na ação fraudulenta praticada.
Numero da decisão: 1301-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 RECEITAS OMITIDAS. Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. Inconsistências em suas declarações, que foram comprovadas por informações bancárias e de terceiros. Sem a devida informação fiscal que comprove a tributação, caracteriza-se como receita omitida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANUTENÇÃO. De se manter a responsabilidade tributária quando verificada a participação da pessoa, que obteve proveito econômico na ação fraudulenta praticada.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 RECEITAS OMITIDAS. Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. Inconsistências em suas declarações, que foram comprovadas por informações bancárias e de terceiros. Sem a devida informação fiscal que comprove a tributação, caracterizase como receita omitida. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANUTENÇÃO. De se manter a responsabilidade tributária quando verificada a participação da pessoa, que obteve proveito econômico na ação fraudulenta praticada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 68 /2 00 9- 54 Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.545 2 Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório EUCALIPTUS INDÚSTRIA COMÉRCIO DE CARVÃO E MADEIRA E SERVIÇOS FLORESTAIS LTDA. ME, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1 (fls. 1510 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte e manteve o lançamento de SIMPLES, referente ao anocalendário de 2005, o valor total de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) —Simples no valor de R$15.836,54, de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) — Simples no valor de R$15.836,54, de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) — Simples no valor de R$25.563,90, de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — Simples no valor de R$51.127,82, de Contribuição para a Seguridade Social — INSS — Simples no valor de R$107.164,77, totalizando R$666.686,30, decorrente de omissão de receitas em razão de diferença entre o declarado para o Fisco Federal com informações prestadas por terceiros, com imputação de multa qualificada e juros de mora. Houve a emissão de Termo de Sujeição Passiva. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foi a omissão de receitas, que não foram escrituradas. Em decorrência do desenvolvimento do programa de trabalho associado à operação fiscal CRUZAMENTO CLIENTES X FORNECEDORES, e do Mandado de PROCEDIMENTO FISCAL, auditouse a empresa no período de 01/01/2005 a 31/12/2005, onde se verificou que a contribuinte apresentou Declaração SIMPLES sem informação de valores de receitas, todos os campos zerados. Já os clientes da fiscalizada informaram em suas declarações elevadas compras realizadas na empresa Eucaliptus, revelando plena atividade comercial, e auferimento de renda. Foi constatada também a intervenção de terceira pessoa, alheia ao quadro societário da empresa, mas que se beneficiou das operações realizadas. Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.546 3 Intimada a apresentar documentos fiscais, houve o retorno de que a empresa havia se mudado, intimouse então os sócios, Sra. Nilzeth Pinheiro Flores, e Sra. Marquires Aguiar de Oliveira, que retornou como desconhecido. A Sra Nilzeth apresentou algumas documentações e prestou esclarecimentos. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 1501/1.504, que aduziu os seguintes argumentos: reconhece apenas os fatos geradores referentes as operações de venda das notas fiscais da planilha 1; nunca praticou as operações apresentadas nas planilhas 2 e 3; não reconhece a veracidade da procuração para o Sr. Antonio Lucio Caliman; "possivelmente pode ter ocorrido apenas o empréstimo de uma nota fiscal ou no máximo duas a terceiros"; a multa deve ser reduzida. Requer o arquivamento dos Autos e provar o alegado. Antonio Lucio Caliman, arrolado como sujeito passivo solidário (fl. 1.482), cientificado em 21/12/2009 (fl. 1.487), apresentou, em 08/01/2010, a impugnação de fls. 1.490/1.495. Alega, em síntese, que: não há, nos Autos, prova de que o lançamento tenha sido efetuado por fiscais no gozo de suas funções; nunca efetuou transações comerciais em nome da empresa Eucaliptus, nem fez parte desta. Requer sua exclusão do pólo passivo e a mitigação das penalidades. Protesta por todos os meios de prova. Em julgamento realizado em 30 de agosto de 2013, a 3ª Turma da DRJ/FOR, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0826.491 assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.547 4 RECEITAS OMITIDAS. Constatada a omissão de receitas, é cabível lançamento. MULTA DE OFÍCIO. Mantémse a multa de 150%, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Apenas o responsável solidário apresentou recurso voluntário às fls. 1521 e ss, onde requer sua exclusão do pólo passivo, já que nunca fez parte da empresa. Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 23/02/2018. É o relatório. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.548 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado SIMPLES, relativo ao anocalendário de 2005, totalizando o crédito tributário de R$666.686,30, incluindo multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada por edital, às fls. 1519, no dia 15/07/2010, e não apresentou recurso voluntário, já o responsável tributário Sr. Antonio Lucio Caliman, foi intimado em 02/08/2010 (AR de fl. 1.520), e apresentou em 16/08/2010, recurso voluntário, juntado às fls. 1.521 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A ação fiscal identificou omissão de receitas em razão de receitas não escrituradas em 2005, que se baseou em inconsistências entre as informações prestadas pelo contribuinte na sua DIPJ com as informações prestadas por terceiros. A sua Declaração foi apresentada toda com valores de receitas zerados, ou seja, sem o auferimento de receitas em 2005. Já os clientes da empresa informaram elevadas compras da empresa, o que revelou a plena atividade comercial e a geração de receitas no período. Ademais, foi contatada a utilização de terceiras pessoas no quadro societário da empresa, que se beneficiou das operações realizadas, gerando a responsabilização tributária do Sr. Antonio Lucio Caliman e a qualificação da multa. A própria fiscalizada apresentou no curso da fiscalização o talonário de notas fiscais de saída, o que também foi confirmado através dos seus clientes. A fiscalização identificou por fim, a existência de um bloco paralelo e/ou notas fiscais "calçadas" em que eram emitidas notas fiscais relativas às vendas realizadas para a Siderúrgica Ibiraçu Ltda em operações próprias ou como empréstimos para acobertarem operações do Sr. Antonio Lucio Caliman, a quem foi atribuída a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124, I e 135, III, do CTN. A fiscalização identificou que o Sr. Antonio era representante, contato , procurador e recebedor de valores da empresa junto a uma das clientes, e quem fazia os descontos na "boca do caixa", utilizouse também da empresa em proveito próprio, quando admitiu que usava as notas fiscais da empresa para acobertar operações de vendas de carvão que lhe pertencia, assim, em que pese não pertencer aos quadros societários da empresa, manteve com ela vinculação econômica. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 15586.001668/200954 Acórdão n.º 1301003.164 S1C3T1 Fl. 1.549 6 O recurso apresentado pelo responsável solidário se resume a uma folha, sem que se tragam provas ou esclarecimentos acerca da sua participação no esquema fraudulento. Assim, de se manter o lançamento e sua responsabilidade tributária. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário do Sr. Antonio Lucio Caliman e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1549DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.907152/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 960; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.907152/201163 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.655 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de maio de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA SPEI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 07 15 2/ 20 11 -6 3 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.907152/201163 Resolução nº 3301000.655 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.907152/201163 Resolução nº 3301000.655 S3C3T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.907152/201163 Resolução nº 3301000.655 S3C3T1 Fl. 5 4 converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725495/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.969
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/04/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 54 95 /2 01 2- 22 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.440, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725495/201222 Acórdão n.º 3201003.969 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000309/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.871
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN - Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2006 NÃOCUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 09 /2 00 9- 45 Fl. 390DF CARF MF 2 o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 391 3 Cuidase de Recurso Voluntário (fls.350 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma, DRJ/POA, que não reconheceu direito creditório da contribuinte, pelos quais pretendeu a compensação de valores credores de COFINS nãocumulativa vinculados à receita do mercado externo (1º trimestre de 2006), com débitos administrados pela RFB. Do Lançamento Foi emitido Despacho Decisório (fls 94 e seguintes) por meio do qual reconheceuse parcialmente o direito creditório da COFINS nãocumulativa vinculada à receita de exportação, sendo, por consequência, homologadas as Declarações de Compensação até o limite do crédito, conforme termos do despacho destacados abaixo: Concluímos pelo Deferimento Parcial do PER no 27389.13510.090307.1.1.094330 que trata de crédito de Cofins Exportação apurado de forma nãocumulativa por Syngenta Proteção de Cultivos Ltda., CNPJ: 60.744.463/000190 e, em consequência, pela Homologação das Declarações de Compensação até o limite desse crédito, conforme tabela ao final. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, em 27.10.2010 (fl 95), e interpôs impugnação, em 26.11.2010 (fls. 102 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM Fl. 392DF CARF MF 4 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 392 5 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. Fl. 394DF CARF MF 6 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1046.556, exarado pela 2ª Turma, da DRJ/POA, em 26.09.2013, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 20.11.2013 (fl. 348) , através do qual não foi reconhecido o crédito tributário pleiteado nos seguintes termos: Fl. 395DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 393 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência/perícia posto na peça contestatória. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da COFINS nãocumulativa é a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídas as receitas decorrentes de saídas isentas da contribuição, sujeitas à alíquota zero e as receitas decorrentes da venda de bens do ativo imobilizado REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito da nãocumulatividade, na receita bruta total devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas de vendas do ativo permanente. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 396DF CARF MF 8 As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: 1. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RATEIO PROPORCIONAL (...) Em conformidade com o inciso II do § 2º, aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta de cada espécie de receita e a receita bruta total, auferidas em cada mês, devendo ser consideradas as receitas de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. A legislação aplicável determina, na hipótese de que a contribuinte aufira receitas de exportação e de outras fontes, que seja feito um rateio proporcional com o objetivo de definir os créditos relacionados a uma e outra origem. Por outro lado, o § 2º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, estabeleceu que a base de cálculo da COFINS nãocumulativa é o valor do faturamento, conforme definido no caput, ou seja, a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Já o § 3º do artigo mencionado dispôs que não devem integrar a base de cálculo da contribuição, as receitas relacionadas nos respectivos incisos deste parágrafo. Nestas se incluem aquelas que são isentas ou não alcançadas pela incidência ou sujeitas a alíquota zero (receitas financeiras), bem como as nãooperacionais, decorrentes da venda do ativo permanente. Pertinente referir que à época de ocorrência dos fatos, o ativo imobilizado fazia parte do ativo permanente (art. 178 da Lei nº 6.404, de 1976 – o art. 37 da Lei nº 11.941, de 2009, alterou aquela disposição, sendo que o subgrupo do ativo permanente foi inserido no grupo do ativo não circulante, Fl. 397DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 394 9 passando a ser substituído pelos subgrupos de investimentos, imobilizado e intangível). Ademais, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, trata de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não fazendo referência à possibilidade de apuração de créditos decorrentes de receitas financeiras ou de venda de bens componentes do ativo imobilizado. Assim, ao contrário do que entende a manifestante, as receitas decorrentes de vendas realizadas com isenção, alíquota zero, não alcançadas pela incidência, de bens do ativo permanente e as receitas financeiras, por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento da COFINS, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e nem o da receita bruta total, auferidas em cada mês, utilizados na determinação do percentual a ser aplicado no método do rateio proporcional para fins de aproveitamento de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. Correto, portanto, o entendimento da Fiscalização. 2. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS 2.1 ILEGALIDADE DE NORMA A propósito da IN SRF nº 247, de 2002 (no caso da COFINS deveria ser IN SRF nº 404, de 2004), registra a contribuinte questão de ilegalidade, eis que teria ela extrapolado sua função de instrumentalizar e operacionalizar a matéria versada na lei de regência. Destaquese que o art. 7º da Portaria MF nº 341, de 2011 (disciplina a constituição das Turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento), determina a vinculação do julgador de primeira instância à legislação, assim como às normas regulamentares, inclusive, a entendimentos da RFB expressos em atos normativos: Art. 7º São deveres do julgador: (...) III observar o devido processo legal, zelando pela rápida solução do litígio; IV cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade. Fl. 398DF CARF MF 10 Além disso, a autoridade administrativa não possui competência para se manifestar sobre questões de legalidade de normas, atribuição reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. 2.2 CONCEITUAÇÃO DE INSUMOS O desconto de créditos, na sistemática da nãocumulatividade da COFINS, está basicamente regrado pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que trata sobre quais créditos poderão ser descontados: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.845, de 3 de julho de 2002, pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. (Redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004) No caso da COFINS, essas previsões legais foram tratadas pela IN SRF nº 404, de 2004, que dispôs: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 395 11 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Por sua vez, o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 4, de 03/04/2007 (art. 2º), esclareceu que somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e de serviços aplicados ou consumidos diretamente na prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para apuração do valor devido. Como se vê, a legislação é suficiente para dar uma definição do termo insumo. Os dispositivos normativos citados mostram que o legislador adotou para fins de utilização do crédito nãocumulativo, o critério de listar taxativamente os bens e os serviços capazes de gerar crédito. Portanto, o termo insumo não pode ser considerado todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, aquele que seja aplicado ou consumido diretamente na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviço. 2.3 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. EXCLUSÃO PELA FISCALIZAÇÃO. MATERIAIS DE EMBALAGEM. MATERIAIS DE LIMPEZA Neste item a Fiscalização informou que a contribuinte se creditou de valores não relacionados a insumos, tais como embalagens para transporte, material de etiquetagem, material de consumo, material de limpeza, etc. Nas fls. 177 a 1841 do processo nº 16349.000355/200944 consta extensa relação intitulada Bens utilizados como insumos EXCLUÍDOS pela Fiscalização, onde restam demonstrados os produtos não considerados, pelo Fisco, na apuração dos créditos. Notese que daquela relação não constam as chamadas embalagens de apresentação, que geram direito a creditamento relativo as suas aquisições. 2.3.1 MATERIAIS DE EMBALAGEM Analisada a relação citada, em conjunto com o despacho/Despacho Decisório, podese depreender que a Fiscalização considerou créditos advindos de insumos, excluindo, basicamente, materiais de embalagem utilizados para transporte. Fl. 400DF CARF MF 12 Por sua vez, a contribuinte alega que a totalidade dos materiais de embalagem que o Fisco considerou como sendo para mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final, servindo para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Como já registrado, a IN SRF nº 404, de 2004, ao explicitar o que se deve ter por insumo para os fins colimados pela Lei nº 10.833, de 2003, assim dispôs: Art. 8º (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (não grifado no original) Segundo esta IN, para que o bem seja considerado insumo à fabricação, deve ele enquadrarse em uma das quatro situações: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Além disso, não deve estar incluído no ativo imobilizado. É certo que, dentre os insumos destinados à fabricação restariam incluídos os materiais de embalagens, conforme afirma art. 8º, § 4º, inciso I, a, da IN SRF nº 404, de 2004. No entanto, a questão deve ser analisada com mais profundidade. De acordo com o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, podem ser descontados créditos em relação aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Mas, em que pese a precitada IN incluir os materiais de embalagem entre os insumos, não pode ser perdido de vista que, para serem considerados insumos, esses materiais de embalagem devem ser utilizados durante o processo de fabricação do produto. A adição de embalagem depois de o produto estar fabricado, por óbvio, não é considerada mais na fabricação. Melhor esclarecendo, o material de embalagem somente dará direito a crédito se a embalagem estiver incorporada ao produto. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 396 13 Ainda que se trate de tributos diferentes, cabe mencionar os arts. 4º e 6º do Regulamento do IPI – RIPI/2010 (Decreto nº 7.212, de 2010), que excluem da modalidade de industrialização de acondicionamento a colocação de embalagens para transporte, e também estabelecem critérios para diferenciar as embalagens para transporte das embalagens que se incorporam ao produto (embalagens de apresentação): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único); (...) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou (...) Embalagens de Transporte e de Apresentação Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I do caput, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. § 2º Não se aplica o disposto no inciso II do caput aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do Fl. 402DF CARF MF 14 rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e de atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. (sem grifo no original) Como se vê, a legislação do IPI diferencia de forma clara as embalagens de apresentação das embalagens para transporte. Merece ser citado também excerto do voto da Desembargadora Federal relatora Vivian Josete Pantaleão Caminha, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança AMS nº 200572000058808 pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que discorre sobre as diferenças entre esses tipos de embalagens: “Há, portanto, nítida diferenciação entre as embalagens "que entram em contato direto com o produto" e as meras "caixas para acondicionamento", para fins de transporte. As primeiras integram o produto, seguem com ele quando de sua comercialização, conferemlhe características, forma, são responsáveis por sua identificação. De modo algum podese dizer o mesmo das caixas ou engradados que transportam quantidades daquele produto, constituído pela matéria em si e pelo invólucro que a contém. Por óbvio, as garrafas que contêm o refrigerante não se enquadram na mesma categoria do engradado em que são transportadas, na linha do raciocínio até aqui apresentado, e que traduz o apelo das impetrantes. (...) Não nos é possível ignorar, portanto, a dessemelhança entre a embalagem do produto, em sentido estrito, e os invólucros maiores, destinados a conter unidades daquele produto em seu acondicionamento para armazenamento e transporte. Estes não integram o produto, e não devem integrar a base de cálculo do IPI sobre ele incidente (pub. DE 15.05.2007).” (original sem grifo) Não há como negar que a embalagem que envolverá os produtos fabricados não tem a intenção de valorizar o produto ou de ser incorporada a este. Tratase, sim, de embalagem para transporte, que não vai compor o produto fabricado. Na esteira dos argumentos mencionados, tais materiais não podem ser considerados insumos à fabricação, não dando, por consequência, direito a crédito. Ademais, a relação/planilha apresentada pela contribuinte (a partir da fl. 279 deste processo) em nada esclarece/comprova acerca daquilo que chama embalagens primárias ou embalagens do produto. No caso, relacionar diversos tipos de materiais pretensamente utilizados na produção de bens não tem o condão de modificar o entendimento posto pela Fiscalização, donde entendese correta a glosa promovida pela DRF de origem. 2.3.2 MATERIAIS DE LIMPEZA Alega a contribuinte que materiais de limpeza que utilizou e que foram glosados pela Fiscalização, para fins de apuração de créditos, são produtos utilizados na higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos que elabora, bem como no tratamento da água utilizada em caldeira de produção. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 397 15 No entanto, somente os materiais de limpeza aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na limpeza do parque produtivo, o qual é considerado despesa operacional. No caso em análise, a contribuinte manifestouse genericamente, fazendo alusão também, a posicionamento administrativo (SC nº 13, de 2010). Notese que não é ela parte em tal Consulta. Apresentou, ainda, relação/planilha de produtos (por tipo de material a partir da fl. 279) onde considerou alguns materiais de limpeza (bem como diversos materiais de embalagem, rotulagem, adesivos, combustíveis etc). Dentre os produtos relacionados como materiais de limpeza consta Barrica de Fibra 570x82 que tem a descrição de Produto intermediário utilizado para limpeza das tubulações da caldeira (fl. 281). Sobre tal produto cabe assinalar (exemplificativamente): a) este produto não consta da relação intitulada Bens utilizados como insumos EXCLUÍDOS pela Fiscalização (antes citada). Nesta consta Barrica Fibra 37x60, com datas de entrada em 11/01/2006, 16/01/2006, 18/01/2006, 19/01/2006 e 24/03/2006. Entendeu a Fiscalização que tal produto não se enquadrava no conceito de insumos, sendo utilizado com a finalidade de transporte; b) examinado o site do fabricante (vendeu os produtos à contribuinte), verificase que tal Barrica é, em verdade, um tambor de fibra homologado para transporte terrestre e incineração de produtos perigosos. Portanto, fica claro que a relação/planilha apresentada pela contribuinte não serve para desqualificar as glosas impostas pela Fiscalização, donde nada deve ser refeito quanto a este item. 3. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUÉIS DE EQUIPAMENTOS E MÁQUINAS No que tange às despesas com aluguéis de equipamentos e máquinas, a Fiscalização produziu relação chamada Aluguel de equipamentos e máquinas locados de PJ excluídos pela Fiscalização (fls. 191 a 193 do processo nº 16349.000355/200944). Desta consta basicamente, para fins de apuração de créditos, glosa de despesas com luz e locação de máquina de café expresso. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte concorda com as glosas relativas à energia elétrica (nada manifesta de forma direta e objetiva a propósito do aluguel de máquinas de café expresso), registrando que as despesas com energia elétrica foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Entende que a situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal que cometeu no preenchimento do DACON, não se prestando tal argumento como suficiente para a glosa dos créditos que pretendeu. Quanto a este item cabe registrar que as despesas com energia elétrica não devem ser computadas na rubrica aqui tratada, eis que possuem rubrica própria no DACON. Para ter direito a eventuais créditos decorrentes com despesas de energia elétrica, a empresa deveria observar as limitações impostas pela legislação, demonstrar o crédito em DACON e comproválo por meio de sua contabilidade, sem Fl. 404DF CARF MF 16 o que não é possível a concessão do pretenso direito creditório. Observese que a utilização de créditos apurados na sistemática da nãocumulatividade, deverá ser estabelecida pela contribuinte por meio de DACON, não cabendo à autoridade tributária, em sede de contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo de créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo demonstrativo. Ademais, conforme tabela anexada na fl. 69 deste processo, todas as despesas decorrentes de energia elétrica informadas em DACONs pela contribuinte (no período em análise) foram aceitas pela Fiscalização, donde entendese correta a glosa que perpetrou. 4. COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS NA IMPORTAÇÃO DE INSUMOS/PRODUTOS PARA REVENDA. CRÉDITOS SOBRE MATÉRIA PRIMA ALÍQUOTA ZERO O direito a crédito estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação a bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País, como estabelecem de forma expressa os mandamentos do § 3º, incisos I e II, daquele artigo. Disso decorre que tratandose de mercadoria adquirida de pessoa jurídica não domiciliada no País, os dispositivos mencionados não permitem a apuração de créditos em relação ao seu custo de aquisição. A inexistência de possibilidade legal de apuração de créditos na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, em relação ao custo de aquisição de bens adquiridos de pessoa jurídica não domiciliada no País, em nada obsta a apuração de créditos da contribuição na forma da Lei nº 10.865, de 2004, desde que cumpridas as demais disposições previstas nessa norma. No entanto, tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. No que tange à COFINSImportação, cujo fundamento constitucional encontrase no inciso IV do art. 195, da CF, incluído pela EC nº 42, de 2003, temos que a Lei nº 10.865, de 2004, foi a instituidora dessa contribuição, sendo que seu art. 15 prevê o direito a crédito somente aos contribuintes que estiverem sujeitos ao regime de apuração nãocumulativo da contribuição, conforme previsto na Lei nº 10.833, de 2003: (...) Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 398 17 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. (o grifo não consta do original) Examinada a sistemática de apuração de créditos da COFINS Importação, é possível extrairse um conjunto de regramentos que devem ser observados: a) os créditos de COFINSImportação só podem ser aproveitados pelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração da COFINS na sistemática nãocumulativa; b) o direito de crédito em relação à COFINSImportação restringese às hipóteses listadas nos incisos I a V do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004; c) tratandose de bens importados adquiridos para insumo/revenda, só há direito à apuração de crédito de COFINSImportação, não havendo a possibilidade, em relação a eles, de que se apure créditos de COFINS incidentes sobre a receita bruta, por expressa vedação contida no inciso I do § 3º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; d) o crédito da COFINSImportação será utilizado para desconto do valor apurado de COFINS nãocumulativa (apuração normal). Importante mencionar, também, que um mesmo dispêndio não pode gerar crédito duplamente: um na forma da Lei nº 10.865, de 2004, e outro na forma da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que Fl. 406DF CARF MF 18 ou se está numa operação de importação ou numa operação doméstica. Por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, limita o direito a crédito de COFINS incidentes sobre a receita exclusivamente em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. No caso concreto, a Fiscalização indicou que a empresa se creditou indevidamente de valores pagos de COFINSImportação (bem como de PIS Importação) na aquisição, no mercado externo, de produtos beneficiados pela redução à alíquota zero (defensivos agrícolas classificados na posição 38.08 da NCM; matériasprimas utilizadas na produção de defensivos agrícolas classificados na posição 38.08 da NCM), e ainda de produtos não enquadrados no conceito de insumo (partes de bombas, partes de centrifugas, aparelhos para filtrar ou depurar, espectrômetros de massa etc). Observese que a Fiscalização anexou demonstrativo onde indicou relação de produtos que estavam nesta condição (fls. 195 a 196 do processo nº 16349.000355/200944). A contribuinte, por sua vez, trouxe aos autos apenas relação/planilha contendo informações sobre produtos importados que seriam utilizados como insumos ou para revenda, não se depreendendo dela qualquer relação específica com seu uso em produtos que estariam sujeitos à alíquota de COFINS nãocumulativa diferente de zero. Examinada a relação/planilha trazida pela empresa, verificase não restar comprovados, de forma clara e objetiva, os argumentos propostos, devendo ser consideradas, também, as razões de julgamento contidas no item Ônus da Prova, a seguir neste Voto. Importa ainda registrar que esta observação também é válida quanto ao item da manifestação de inconformidade onde a contribuinte faz referência à apuração de créditos sobre aquisições de matéria prima à alíquota zero. Entendese, pois, que nada deve ser alterado em relação ao disposto no despacho/Despacho Decisório quanto a estes temas. 5. ÔNUS DA PROVA Da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. No caso em tela, tratase de processo administrativo em que se discute a existência de direito de crédito utilizado por contribuinte, mediante os meios legalmente previstos. No que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de ofício, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; ao contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende do § 1º do art. 38 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que determina que os autos de infração/notificações de lançamento deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência. Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de ofício: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao impugnante, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Entretanto, nos casos de utilização de direito creditório pelos contribuintes o quadro resta modificado. Quando a situação posta se refere a desconto, restituição, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 399 19 compensação ou ressarcimento de créditos, é atribuição deles a demonstração da efetiva existência do direito pretendido. O CPC, aplicável subsidiariamente ao Decreto citado, estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo do seu direito (art. 333). Assim, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do direito pretendido pelos contribuintes; ausentes os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido/declaração fica inarredavelmente prejudicado. Nesse sentido, a IN RFB no 1.300, de 2012, que rege atualmente os processos de restituição/compensação/ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: (...) Portanto, em entendendo a autoridade fiscal que os documentos/informações produzidas pelos contribuintes durante o procedimento fiscal não se mostram bastantes e suficientes para demonstrar, de forma inequívoca, o crédito pretendido, ou percebendo inexistente o crédito, em razão de que as operações demonstradas pela interessada não são enquadráveis nas hipóteses de creditamento legalmente previstas, cabe a ela negar o direito, total ou parcialmente, explicitando claramente sua motivação. Neste caso, cabe aos contribuintes, em defesa do crédito pretendido, provar o teor das alegações contrapostas aos argumentos da autoridade fiscal para não acatar, total ou parcialmente, o alegado crédito. Importante é que, não basta aos contribuintes apenas alegar sem provar; não basta, simplesmente vir aos autos discordando do entendimento do fiscal, afirmando possuir o direito ao crédito. Os contribuintes devem ser capazes de comprovar cabalmente o direito alegado, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Salientese, ainda, que no âmbito de um procedimento fiscal de análise de direito creditório, todas as declarações, informações, documentos e registros contábeis elaborados pelos contribuintes somente fazem prova a seu favor perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, se calcados em documentos fiscais, hábeis e idôneos. No caso em tela, entendese que a contribuinte não conduziu aos autos elementos necessários à comprovação de suas alegações, limitandose, basicamente, a apontar a existência dos pretendidos créditos, apresentando planilhas/relações de produtos, cópias de DACONs e de folders/bulas/rótulos. Ocorre que a referida comprovação está, no mais das vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros. Também é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for necessária para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Fl. 408DF CARF MF 20 No mais, não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de ofício, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valerse das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Dessa forma, também pelo exposto no item de que se trata, entendese que nada deve ser alterado no despacho/Despacho Decisório de origem. (...) Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, dentre os quais destacamse: A. Créditos a Descontar na Importação B. Créditos Decorrentes das Aquisições de Insumo Fl. 409DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 400 21 (...) Fl. 410DF CARF MF 22 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 401 23 C. Contato Direto dos Produtos Glossados ao Produto Final (...) Fl. 412DF CARF MF 24 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 402 25 D. Materiais de Embalagem Fl. 414DF CARF MF 26 (...) Fl. 415DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 403 27 (...) Fl. 416DF CARF MF 28 (...) (i) Materiais de Limpeza E. Das Provas trazidas aos Autos e seu Conteúdo Probatório Fl. 417DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 404 29 (...) F. Créditos sobre Matéria Prima – Alíquota zero Fl. 418DF CARF MF 30 G. Despesas com aluguéis – Equívoco de Preenchimento da DACON (...) H. Rateio Proporcional Fl. 419DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 405 31 Fl. 420DF CARF MF 32 I. VI Das Provas Trazidas aos Autos e seu Conteúdo Probatório (...) Fl. 421DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 406 33 Voto Conselheiro TIAGO GUERRA MACHADO Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a nãocumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: Fl. 422DF CARF MF 34 § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Fl. 423DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 407 35 Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais não cumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 424DF CARF MF 36 V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 408 37 Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 426DF CARF MF 38 adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a nãocumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da Fl. 427DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 409 39 COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 428DF CARF MF 40 aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16349.000309/200945 Acórdão n.º 3401004.871 S3C4T1 Fl. 410 41 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Fl. 430DF CARF MF 42 Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e nãocumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. TIAGO GUERRA MACHADO Relator Fl. 431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000997/2002-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001.
A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo.
DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. CONVALIDAÇÃO.
As compensações de débitos tributários, informadas em DCTF, realizadas com amparo no art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e em decisão judicial, devem ser convalidadas pela autoridade administrativa, até o montante dos indébitos apurados, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado e disponível para repetição/compensação.
Numero da decisão: 9303-006.859
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, nos termos do artigo 62 do RICARF, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões relativas ao direito creditório alegado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170-A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. CONVALIDAÇÃO. As compensações de débitos tributários, informadas em DCTF, realizadas com amparo no art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e em decisão judicial, devem ser convalidadas pela autoridade administrativa, até o montante dos indébitos apurados, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado e disponível para repetição/compensação.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art.170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo. DÉBITOS. TRIBUTÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO. DCTF. DECISÃO JUDICIAL. CONVALIDAÇÃO. As compensações de débitos tributários, informadas em DCTF, realizadas com amparo no art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e em decisão judicial, devem ser convalidadas pela autoridade administrativa, até o montante dos indébitos apurados, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado e disponível para repetição/compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, nos termos do artigo 62 do RICARF, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões relativas ao direito creditório alegado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 09 97 /2 00 2- 06 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10909.000997/200206 Acórdão n.º 9303006.859 CSRFT3 Fl. 173 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.675, de 14/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, conforme ementa transcrita abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento." No Recurso Especial, o contribuinte alegou, em síntese, que efetuou a compensação dos débitos lançados e exigidos, com amparo na Lei nº 8.383/1991, art. 66, com créditos do PIS, decorrentes de pagamentos indevidos com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Alegou ainda que interpôs ação judicial, processo nº 97.20044993, visando à repetição/compensação daqueles pagamentos com débitos do próprio PIS e que a sentença de primeiro lhe foi favorável; assim, o disposto no CTN, art. 170A, não pode ser aplicado de forma retroativa, mas apenas para os pagamentos indevidos realizados depois de sua publicação, em 11 de janeiro de 2001. Por meio do Despacho às fls. 162/164, o Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção deu seguimento ao recurso especial do Contribuinte. Intimada do acórdão recorrido e do despacho de admissibilidade do recurso do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, defendendo a manutenção da decisão recorrida, alegando, em síntese, que a norma do art. 170A do CTN é de cunho processual, devendo ser aplicada a todos os processos administrativos já iniciados. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10909.000997/200206 Acórdão n.º 9303006.859 CSRFT3 Fl. 174 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta instância especial, restringese à convalidação da compensação dos débitos lançados e exigidos que foi efetuada pelo contribuinte, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/1991 e com amparo na Ação Judicial nº 97.20044993. O contribuinte efetuou a compensação dos débitos, objetos do lançamento em discussão, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/1991, e a informou na DCTF entregue a RFB em 14/04/1998, na qual informou também o número da ação judicial (97.20044993), conforme consta do auto de infração às fls. 17/24. A Lei nº 8.383/1991 assim dispunha quanto à compensação: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. [...].” Além disso, o contribuinte interpôs Ação Declaratória, cumulada com Ação Ordinária de Compensação, processo nº 97.20044993, visando o reconhecimento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como a compensação dos valores pagos a maior, nos termos desses decretos, em relação aos valores devidos com base nas LCs nºs 7/1970 e 17/1975, devidamente corrigidos monetariamente, com débitos tributários vencidos/vincendos. A sentença de primeiro grau, copia às fls. 32/41, foilhe favorável e autorizou a compensação dos recolhimentos dos valores recolhidos a maior com débitos do próprio PIS. A decisão judicial transitou em julgado na data de 17/06/2003. Quanto à realização de compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débitos tributários vencidos, ambos da mesma espécie, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou sobre o tema, na sistemática dos recursos repetitivos, conforme disposição do art. 543C do Código de Processo Civil, ao julgar o recurso especial nº 1164452/MG, em 25/08/2010, cuja ementa segue transcrita: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10909.000997/200206 Acórdão n.º 9303006.859 CSRFT3 Fl. 175 4 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) (grifouse) Assim, por força do disposto no art. 62, § 2º, do RICARF, deve ser adotada para o presente caso, a mesma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o rito ao art. 543C do CPC, no julgamento do REsp nº 1.164.452, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar os débitos do PIS, objetos do lançamento em discussão, com créditos financeiros decorrentes dos pagamentos a maior da mesma contribuição, em relação aos valores devidos nos termos das LCs nºs 7/1970 e 17/1975. Como, em momento algum dos autos, foi demonstrada a certeza e liquidez dos créditos (indébitos) financeiros reclamados pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa deverá apurar os valores mensais e seu montante, de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, inclusive, com relação à atualização monetária, verificar o valor disponível para repetição/compensação, convalidando a compensação dos débitos, objetos do lançamento em discussão, exigindose possíveis parcelas/saldos remanescentes. À luz do exposto, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para afastar a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial, nos termos do artigo 62 do RICARF, com retorno a unidade de origem para análise das demais questões relativas ao direito creditório alegado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723885/2015-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Ação Fiscal realizada no estabelecimento 96.198.239/000430 da empresa VIP INDUSTRIA E COMERCIO DE CAIXAS E PAPELAO ONDULADO LTDA, com o objetivo de verificar a incompatibilidade existente entre os valores do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurados pela autoridade fiscal através das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) e os débitos declarados pelo contribuinte na DCTF (Relatório Fiscal às fls. 127 a 139). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 23 88 5/ 20 15 -7 5 Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11065.723885/201575 Resolução nº 3402001.382 S3C4T2 Fl. 294 2 A Ação Fiscal resultou na lavratura de Auto de Infração pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS, para cobrança de crédito tributário referente a diferença de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício majorada e juros moratórios. A autorização para abertura de procedimento fiscal em outra jurisdição foi autorizada pelo CoordenadorGeral de Fiscalização através da Ordem de Serviço Cofis n.36, de 01/04/2015 (fls.49). A recorrente foi autuada em face da infração capitulada no artigo 24, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), e nos arts. 181, 183, 186, §§ 2º e 3º, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, 383, 459, 460, 477, e parágrafo único, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), pela suposta falta de declaração e recolhimento dos saldos devedores de IPI, apurados nas saídas de produtos industrializados, nos anos de 2011 e 2012 (Auto de Infração às fls. 115 a 126). A autoridade fiscal alega que foram apuradas divergências entre os débitos declarados à Fazenda e os valores levantados através de notas fiscais eletrônicas (NFe), as quais foram reiteradamente apontadas para a contribuinte, que optou por não apresentar qualquer elemento probatório que lhe fosse favorável. Foram lavrados os seguintes termos de intimação, com a informação da diferença apurada pela autoridade fiscal, sem resposta satisfatória do contribuinte: TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N° 01 (fls. 5 a 9); TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 02 (fls. 23 a 26); TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 03 (fls. 30 a 31); TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 04 (fls. 44 a 46); e TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 05 (fls. 57 a 59). A fiscalização, diante da negativa da contribuinte em apresentar o livro RAIPI e demais respostas solicitadas para averiguar as divergências no âmbito do IPI, apurou os saldos do imposto conforme dados das notas fiscais eletrônicas (NFe) encontradas no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital Sped, e demonstrado no Relatório Fiscal (fls.134 a 136). Cientificada da lavratura do Auto de Infração, a ora recorrente apresentou sua impugnação, contestando o lançamento efetuado com as seguintes alegações (Impugnação às fls. 148 a 204): (i) vício material, pela ausência de motivação do Auto de Infração, pela dificuldade na execução de procedimento fiscal em jurisdição distinta, pela reapuração e não arbitramento de valores devidos, e pela ausência de demonstração do procedimento utilizado e composição do montante autuado; (ii) irregularidade na apuração da base de cálculo do IPI, divergentes dos critérios determinados pela legislação; (iii) não ocorrência de embaraço à fiscalização em Novo Hamburgo; e (iv) ilegalidade das multas impostas A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em sessão de julgamento ocorrida em 13 de maio de 2016, considerou improcedente a impugnação apresentada, com a lavratura do Acórdão 0959.691, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fl. 212): Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11065.723885/201575 Resolução nº 3402001.382 S3C4T2 Fl. 295 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. Constatada a validade do TDPF por meio do código de acesso fornecido ao contribuinte, cumpre ao intimado fornecer as informações exigidas pelo Fisco sob pena de agravamento da pena básica por inadimplemento do imposto, nos termos do §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INADIMPLEMENTO. CONFRONTO ENTRE NOTAS FISCAIS E DCTF. LEGITIMIDADE ASSEGURADA. Legítimo, para apuração do imposto devido e possíveis inadimplementos, o procedimento de confronto comparativo entre as notas fiscais registradas no ambiente SPED e as DCTFs transmitidas pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 10/06/2016 (AR à fl. 231) e, não concordando com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou em 01/07/2016 (Termo de Solicitação de juntada à fl. 233), Recurso Voluntário, alegando, em síntese o que segue (fls. 234 a 278): (i) Em preliminar, a decadência; (ii) no mérito, vício material, pela ausência de motivação do Auto de Infração, pela dificuldade na execução de procedimento fiscal em jurisdição distinta, pela reapuração e não arbitramento de valores devidos, e pela ausência de demonstração do procedimento utilizado e composição do montante autuado; (iii) irregularidade na apuração da base de cálculo do IPI, divergentes dos critérios determinados pela legislação; (iv) não ocorrência de embaraço à fiscalização em Novo Hamburgo; e (v) ilegalidade das multas impostas O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11065.723885/201575 Resolução nº 3402001.382 S3C4T2 Fl. 296 4 Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A recorrente alega, no tópico II.2. “Da formação da base de cálculo do IPI: dos critérios determinados pela legislação”, irregularidade na apuração da base de cálculo do IPI, divergentes dos critérios determinados pela legislação, especialmente quanto a não consideração dos créditos do imposto relativos às entradas. Assim alega a recorrente: “Portanto, ao levar em conta para a apuração do IPI com base apenas nas NFe, o Auditor Fiscal deixou de considerar os créditos do referido imposto, possíveis e permitidos pela legislação, o que altera substancialmente a base de cálculo a qual o Auditor Fiscal chegou. [...] Além disso, e ainda pertinente ao aludido artigo 226 do RIPI, o Auditor Fiscal deixou de considera o imposto recolhido na nacionalização do insumo importado, onde a legislação assegura aos contribuintes o direito de creditar se do imposto pago no desembaraço aduaneiro.” Consta do Relatório Fiscal a seguinte informação: “Diante da negativa da contribuinte em apresentar o livro RAIPI e demais respostas solicitadas para averiguar as vultosas divergências no âmbito do IPI, coube à Fiscalização apurar os saldos do imposto conforme dados das notas fiscais eletrônicas (NFe) encontradas no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital Sped. A partir das notas emitidas pela fiscalizada e por empresas fornecedoras desta, foi possível apurar os seguintes saldos: ” Consta também no Relatório Fiscal a seguinte informação (fls.128 e 129): Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11065.723885/201575 Resolução nº 3402001.382 S3C4T2 Fl. 297 5 O valor das saídas encontrase discriminado na planilha às fls.85 a 102. Entretanto, não identificamos a base de cálculo e a fonte dos valores das entradas, que totalizaram R$10.285.190,60 conforme tabela 3.1 do Relatório Fiscal. Os valores das entradas da referida tabela também são divergentes daquele apresentado na Tabela 04 do mesmo relatório. Dessa forma, com base nos documentos acostados no processo não é possível aferir os valores das entradas de IPI no período e apurar a veracidade da alegação da Recorrente quanto a não consideração dos créditos relativos a entradas e aqueles pagos no desembaraço aduaneiro. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora apresente demonstrativo individualizado para cada estabelecimento, discriminando a fonte dos valores considerados na coluna “b” da Tabela 3.1 do Relatório Fiscal (fls. 134 a 135) por período de apuração, manifestandose se foram considerados no demonstrativo os créditos decorrentes de entradas do mercado interno, do desembaraço aduaneiro e das devoluções de vendas. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 297DF CARF MF
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