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6109194 #
Numero do processo: 10630.720185/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 Prazos. Intempestividade. Não se toma conhecimento de recurso interposto após o prazo de trinta dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-01.085
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, face à sua intempestividade.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro

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VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     2 A DRF­Governador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório,  no qual reconhece o direito creditório no valor de R$ 2.119,37  (fls. 239 e seguintes);  A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 268 e  seguintes), na qual, inicialmente apresenta a si própria, fala do  cooperativismo,  dos  créditos  e  da  não­cumulatividade  da  contribuição, para depois alegar que:  a)  as  leis  que  instituíram  a  não­cumulatividade  das  contribuições, não definiram o que são insumos, todavia a RFB  disciplinou  ilegalmente  sobre  eles,  ao  fixar  uma  interpretação  restritiva ao termo;  b)  o  crédito  presumido  sabre  estoque  de  abertura  calculado  com  base  em  uma  alíquota  menor  que  a  prevista  na  saída,  contraria as normas legais, a jurisprudência do Poder Judiciário  e provoca enriquecimento sem causa da União;  c)  nem todas as notas fiscais requisitadas foram apresentadas,  pois  precisam  ser  reordenadas  e  o  tempo  deferido  não  foi  suficiente  para  tanto.  Por  isso  solicita  prazo  de  90  dias  para  apresentar tais documentos;  Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado  no  voto  condutor,  decidiu  o  órgão  recorrido  pelo  indeferimento  do  pedido  de  compensação,  conforme se observa na ementa abaixo transcrita:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2005  PROVA DOCUMENTAL  A  prova  documental  deve  ser  apresentada  juntamente  com  a  manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão.  INSUMOS  O  conceito  de  insumos  para  fins  de  crédito  de  PIS/Pasep  e  COFINS  é  o  previsto  no  §  5º  do  artigo  66  da  Instrução  Normativa SRF 247/2002.  CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA  As alíquotas aplicáveis ao estoque de abertura das cooperativas  agropecuárias  são,  0,65%  para  o  crédito  de  PIS/Pasep  e  3%  para o da COFINS.  Solicitação Indeferida  Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais  uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações  manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa.  Em  face  do  encerramento  do  mandato  do  Conselheiro  Luciano  Pontes  de  Maya Gomes, relator do feito, bem assim de que, até o presente momento, não foi formalizado  o acórdão, me autodesignei para essa tarefa.  Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10630.720185/2006­11  Acórdão n.º 3102­001.085  S3­C1T2  Fl. 456          3 É o Relatório.  Voto             Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Ad Hoc  Penso que o recurso não pode ser conhecido.  De  fato,  conforme  Aviso  de  Recebimento  ­  AR  à  fl.  379,  a  recorrente  foi  intimada da decisão recorrida em 25 de fevereiro de 2009, quarta­feira.  Como é cediço, o prazo para interposição do recurso está previsto no art. 33,  que deverá ser computado nos termos do art. 5º do Decreto no 70.235/72, a seguir transcritos:  Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo­se na sua contagem  o dia do início e incluindo­se o do vencimento.  Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de  expediente  normal  no  órgão  em que  corra  o  processo  ou  deva  ser praticado o ato.  (...)  Art. 33 ­ Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.”  Assim  sendo,  considerando  que,  em  face  do  carnaval,  o  primeiro  dia  de  funcionamento  regular  do  órgão  preparador  foi  a  quinta­feira  26/02,  a  data  limite  para  apresentação do recurso voluntário seria o dia 30 de março de 2009, segunda­feira.   Ocorre que a recorrente só apresentou o presente recurso no dia 02 de abril de  2009, conforme protocolo à fl. 380.   De se acrescentar, finalmente, que a perempção foi consignada no despacho à  fl. 430, lavrado pela repartição de origem.  Sendo o recurso extemporâneo, voto no sentido de não conhecê­lo.  Sala das Sessões, em 7 de julho de 2011  Luis Marcelo Guerra de Castro                            Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO     4     Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 2/08/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO

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6008895 #
Numero do processo: 16327.720701/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Joselaine Boeira Zatorre e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Para efeitos de síntese e identificar a questão na qual se centra o maior debate nestes autos, pode se dizer que o tema está em saber se o contribuinte adquiriu uma empresa com ágio ou um direito de exploração pelo prazo de 20 anos (fl. 1347). No mais conforme auto de infração de fls. 1366, notificado à recorrente em 02/07/2013, foram identificadas as seguintes infrações: 001 - Ganho de capital auferidos em devolução do patrimônio social de entidade isenta, com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 97.714,32; 002 - Inobservância do regime de escrituração postergação de receitas, com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 348.733,26; 003 - Ajustes do lucro líquido do exercício (despesas com brindes não adicionadas ao lucro líquido), com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 1.891.683,13; 004 - Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real (ágio), com fatos geradores em 31/12/2008; 31/12/2009; 31/12/2010 e 31/12/2011, multa de 75% e valores tributáveis, respectivamente, de R$ 3.754.030,46; R$ 4.173.777,35; R$ 3.931.238,24 e R$ 8.151.665,65. 005 - Multa isolada por falta de recolhimento das estimativas (multa concomitante com a multa de ofício, nos valores indicados à fl. 1369. I. Dos fundamentos da autuação Foram elaborados três Termos de Verificação Fiscal (TVF 01, TVF 02 e TVF 03), mediante os quais a autoridade autuante relatou as infrações e bases tributáveis apuradas, conforme a seguir sintetizado: 1. Termo de Verificação Fiscal nº 01 - ÁGIO (fls. 1312/1351) Em 18/12/2007, foi celebrado Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças e seus anexos entre o Banco IBI S/A - Banco Múltiplo, atual Bradescard, (Compradora), a SHV (Vendedora) e o Makro (Interveniente Anuente). O contrato abrange os seguintes anexos: (i) Contrato de Parceria Negocial, Administração e Exploração Conjunta de Cartões de Crédito e Demais Serviços Financeiros, celebrado entre o Bradescard e o Makro; (ii) Composição e Regulamento do Comitê Estratégico da Parceria entre o Banco IBI S.A. - Banco Múltiplo e o Makro Atacadista S.A.; e (iii) Acordo Operacional (Parceria entre o Banco IBI S:A. - Banco Múltiplo e o Makro Atacadista S.A. Quanto a esta operação, em 31/12/2007 o Bradescard registrou em sua contabilidade a aquisição da Gopic pelo valor de R$ 214.973.000,00, que foi ratificado pelo laudo de avaliação econômico financeiro da Gopic, elaborado em 18/02/2008 com base no método de fluxo de caixa descontado. A fiscalização concluiu que, na realidade, a Gopic foi adquirida pelo Bradescard para que este pudesse explorar a base de clientes e a rede de lojas do Makro pelo prazo de 20 (vinte) anos, estando o Bradescard disposto a pagar, além do valor pactuado, prêmios de performance pelo aumento da base de clientes e por abertura de lojas. Assim, segundo destacado pela fiscalização no penúltimo parágrafo da fl. 1345, os valores efetivamente pagos pelo Bradescard poderiam ser amortizados pelo prazo contratual de 20 (vinte) anos. Em 04/01/2008 foi efetuado o 1o Desembolso do Bradescard para a SHV, no valor de R$ 56 milhões, que foram assim distribuídos: Pagamento à Vista R$ 30.000.000,00 Prêmio Adicional à Vista R$ 18.000.000,00 Prêmio Adicional pela Abertura de 8 Lojas R$ 8.000.000,00 Em 10/06/2008, a incorporação da Gopic foi aprovada em Ata da Assembléia Geral Extraordinária do Bradescard. Em 30/06/2008, o Bradescard passou a contabilizar a amortização do ágio de R$ 213.940.514,44, a razão de 1/20, ou seja, pelo valor mensal de R$ 1.782.837,62. (fl. 1.322) (....) Em 10/07/08, 26/08/08, 03/11/08 e 08/12/08, foram efetuados quatro desembolsos (3o ao 6o desembolso) referentes ao Prêmio Adicional pela abertura de 6 (seis) Lojas e sua correção monetária, os quais somaram R$ 6.000,00 + R$ 302.697,27. … Ao analisar os fatos destacou a autoridade fiscal (fl. 1.338): 1 - a essência econômica do ágio atribuído à rentabilidade futura da Gopic era um intangível baseado na exploração de um fundo de comércio. 2 - o que realmente motivou o Bradescard a comprar a Gopic foi o direito de exploração, de forma exclusiva por 20 (vinte) anos, do negócio de serviços financeiros no âmbito da rede de lojas do Makro, envolvendo não só a exploração da base de clientes como a utilização da rede de lojas como correspondentes não bancários, para a venda não só de cartões, mas também de quaisquer outros produtos financeiros, previdenciários ou securitários. 3 - a despeito de o contribuinte ter apresentado um laudo de avaliação econômico-financeira atribuindo ao ágio o valor de R$ 213 milhões baseado em uma expectativa de rentabilidade futura, todos os contratos assinados e documentos publicados deixam claro que o Bradescard estava efetivamente interessado em estabelecer uma parceria negocial com o Makro para explorar a sua rede de lojas pelo prazo de vinte anos e pela qual efetivamente desembolsou o montante principal de R$ 90 milhões. 4 - assim, o valor pago por esta parceria poderia ser efetivamente amortizado a título de recuperação de capital aplicado, de acordo com o preconizado nos artigos 324 a 327 do RIR/99: 5 - os juros pagos sobre os valores devidos do Prêmio Adicional pela Abertura de Lojas e os juros recebidos sobre os valores pagos antecipadamente do Prêmio Adicional à Vista devem ser tratados como despesas financeiras e receitas financeiras atreladas ao direito de exploração e devem receber o tratamento especificado na Solução de Divergência n° 45/08 da COSIT. Com base nos artigos 121 e 125 do Código Civil e o inciso II do artigo 116 combinado com o inciso I do artigo 117 do Código tributário Nacional, os pagamentos do Prêmio Adicional à Vista foram desconsiderados porque não implementadas as condições (metas mínimas de performance) a que estavam sujeitos. No TVF nº 001 ainda se encontra descrita as razões da aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas, não pagas em 2009 e 2010. 2. Termo de Verificação Fiscal nº 02 - Despesas com brindes (fls. 1352/1358) O contribuinte foi intimado a apresentar contrato de prestação de serviços, demonstrativo de valores pagos e comprovação dos pagamentos relativos a lançamentos efetuados no razão com características de despesas com brindes. Analisada a documentação e os esclarecimentos apresentados, constatou que os produtos adquiridos da Avon Cosméticos, Hollywood Movie Magic, Coteminas, Nadir Figueiredo e Cacau Show tratavam-se de brindes oferecidos a clientes. Constatado que os pagamentos às empresas discriminadas foram efetuados pela compra de brindes, foi adicionado na apuração do lucro real o valor de R$ 1.891.683,13, conforme determina o artigo 249, inciso VIII do RIR/99 3. Termo de Verificação Fiscal nº 03 (fls. 1359/1364) Não comprovado o valor de aquisição dos títulos patrimoniais da CETIP Associação, foi atribuído aos mesmos custo de aquisição zero e tributada a totalidade do capital recebido em devolução no momento da desmutualização da CETIP. Em 01/07/2008 ocorreu o processo de desmutualização em que 01 (um) título patrimonial da CETIP foi convertido em 406.650 ações da CETIP S/A. Estas ações foram recebidas pelo valor de R$ 446.474,58 e o custo de aquisição do título foi considerado nulo para efeitos tributários. A diferença entre o valor das ações recebidas e o custo de aquisição do título patrimonial, que resultou no montante de R$ 446.474,58 representa a base de cálculo prevista no artigo 17 da Lei n° 9.532/97. II. Dos fundamentos da impugnação Além da extinção do crédito pela decadência e de nulidade por erro no enquadramento legal, a recorrente destacou as seguintes questões em sua impugnação: - A aquisição da Gopic pela requerente não consistiu em “compra de um direito”, tal como classificado pela autoridade fiscal, pois (i) foi praticada entre partes não relacionadas; (ii) resultou na transferência da totalidade dos direitos e obrigações da Gopic à Requerente; e (iii) teve o pagamento efetivo de um preço justo, em condições de mercado, com apuração de ganho de capital da sociedade vendedora e a retenção do imposto sobre a renda pela Requerente. - Sustenta a recorrente que na autoridade fiscal: (i) buscou enquadrar a aquisição de participação da Gopic, seguida de sua incorporação pela Requerente, nos artigos 324 a 327 do RIR/99, nos termos dos quais considera que o valor efetivamente pago pela Requerente seria "o preço pago pela aquisição de um mero direito de exploração", amortizável no prazo de 20 anos (e não no prazo de 10 anos); e (ii) considerou que apenas uma parte dos valores efetivamente pagos pela Requerente à SHV Interholding AG ("SHV"), pela aquisição da Gopic, seria amortizável. Nesse particular, a D. Fiscalização considera pagamentos no valor de R$ 83.810.708,32, que divergem dos R$ 125.184.215,74 efetivamente pagos pela Requerente. Ainda, segundo a recorrente: - A SHV vendeu a Gopic (detentora dos direitos de exploração das atividades financeiras na rede de lojas do Makro e com potencial de crescimento e geração de receita operacional) à Requerente, que assumiu todos os seus direitos e obrigações, inclusive os decorrentes do Convênio firmado com o Makro; (...) - Legalmente obrigada a seguir os termos do artigo 385 do RIR/99, a Requerente contabilizou ágio no valor de R$ 213.940.514,44, correspondente à diferença entre: (i) o "custo de aquisição" avaliado em R$ 214.973.000,00; e (ii) o patrimônio líquido da Gopic, avaliado em R$ 1.032.485,56. - Os valores contabilizados encontram suporte no Laudo de Avaliação elaborado pela empresa independente e notoriamente especializada nesse tipo de avaliação, KPMG Corporate Finance Ltda. ("KPMG" - fls. 505 a 544), datado de 18.2.2008, o qual confirma expressamente o fundamento econômico do ágio apurado pela Requerente em relação à Gopic, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado. - Quando da incorporação da Gopic ao patrimônio da Requerente, o ágio registrado nessa sociedade foi convertido em ativo diferido na Requerente, amortizável para fins fiscais nos exatos termos do artigo 7°, inciso III, e artigo 8o da Lei 9.532/97, reproduzido no artigo 386, inciso III, do RIR/99, tendo em vista que esse ágio tinha como justificativa econômica a expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida. - A utilização da Gopic teve razões empresariais decisivas para o fechamento do negócio (viabilização da Parceria comercial entre Requerente e Makro). Por isso, são incabíveis quaisquer alegações no sentido de que a estrutura adotada representaria "uma simples busca por um benefício fiscal". - A diferença entre o valor do ágio pago nos anos de 2008 a 2011 calculado pela fiscalização (R$ 83.810.708,32) e o valor correto, calculado pela requerente (R$ 125.184.215,72), resulta de cinco pontos de divergência: 1. os valores contabilmente classificados como “patrimônio líquido”, de R$ 1.032.485,56 (março/2008) e sua correção monetária, de R$ 27.819,09 (janeiro/2008), correspondem na verdade a parcela do preço pago pela Requerente à SHV pela aquisição da Gopic, tendo o valor servido de base para apuração e recolhimento do IRF e do IOF aos cofres públicos (fls. 814, 829 a 833 destes autos); 2. a D. Fiscalização não computou o pagamento realizado pela Requerente, no valor de R$ 20.000.000,00 (março/2008), referente à segunda parcela do "Pagamento à Vista" (pagamento efetuado quando da emissão do primeiro cartão); 3. a D. Fiscalização não computou em seus cálculos o pagamento relacionado ao "Prêmio Adicional à Vista", no valor de R$ 12.000.000,00 (março/2008), pelo fato de ter sido devolvido. Em virtude das devoluções, a Requerente constituiu uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado e tributados anualmente, dentro do prazo do contrato. Dessa forma, como os valores das devoluções são efetivamente tributados, são estes os efeitos fiscais da amortização do "ágio pago" em relação à parcela posteriormente devolvida; 4. a D. Fiscalização computou em seus cálculos, como receitas financeiras da Requerente, as devoluções de valores referentes a "Prêmio Adicional à Vista" e "Prêmio por Abertura de Lojas", nos valores de R$ 628.087,57 (dezembro/2009), R$ 898.809,58 (novembro/2010) e R$ 8.692.517,00 (fevereiro/2011). Com relação também a esse ponto, a Requerente reitera que constituiu uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado (e tributados) anualmente, no prazo de duração do contrato, neutralizando os efeitos fiscais de sua inclusão no ágio amortizável. Se mantido o entendimento da D. Fiscalização, a baixa desses montantes para a conta de resultado vai gerar uma tributação em duplicidade, razão pela qual os números da Requerente devem prevalecer. 5. a D. Fiscalização considera em seus cálculos, como despesa financeira incorrida em fevereiro/2011, o valor de R$ 2.542.203,60, enquanto a Requerente considera o valor de R$ 2.718.365,00. Conforme resposta ao Termo de Fiscalização apresentada em 29.4.2013 (fls. 1251), a Requerente reitera que as divergências apontadas estão relacionadas a valores de IRF e IOF lançados em período posterior como despesas (neutralizando assim os efeitos fiscais do lançamento). Prossegue a recorrente destacando: - No caso em tela, o ágio em questão foi gerado de acordo com a aplicação expressa das regras fiscais em vigor, nos exatos termos do artigo 20 do Decreto-lei 1.598/77, dos artigos 7° e 8° da Lei 9.532/97, e artigos 385 e 386 do RIR/99. - Não cabe à D. Fiscalização, pretender lançar quaisquer dúvidas sobre a sua legitimidade do ágio, sobretudo com base em premissas equivocadas como as que motivaram o Auto de Infração impugnado; - O Laudo de Avaliação comprova que o ágio foi fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do novo investimento, calculado com base na projeção do seu fluxo de caixa descontado; - A razão da utilização da Gopic foi tornar possível a própria Parceria da qual resultou a expansão de negócios originalmente idealizada pelo Grupo Makro. Além disso, a operação estava sujeita à fiscalização do BACEN que, em momento algum, questionou a sua validade. Fica claro, portanto, que havia motivos relevantes e não-tributários para a aquisição da Gopic (e sua posterior incorporação) pela Requerente - Conforme casos precedentes julgados a favor do contribuinte pelo CARF,a amortização do ágio, com fulcro no artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/97, deve atender a três premissas básicas: (i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, Inclusive o ágio; (ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; e (iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; - o ágio pago preenche as três premissas básicas mencionadas, a saber: (a) a Requerente efetivamente desembolsou o preço de aquisição das quotas da Gopic (vide fls. 782 a 825, 829 a 838, 845 a 870, 873 a 1072, 1094 a 1177, 1259 e 1260); (b) a transação foi realizada entre partes independentes; e (c) a justificativa do fundamento econômico do ágio estava baseado em Laudo de Avaliação preparado por empresa especializada (além do que, no presente caso, a operação esteve sujeita à fiscalização do BACEN, que em momento algum questionou a sua validade); - a causa do negócio jurídico discutido no presente processo administrativo foi a aquisição, pela Requerente, da totalidade das quotas da Gopic. A amortização fiscal decorrente desse negócio jurídico no prazo de 10 anos (e não 20, como pretende a D. Fiscalização) é consequência lícita, prevista expressamente na legislação em vigor. No que diz respeito ao quanto consta no Termo de Verificação Fiscal nº 2, sustenta a recorrente: - que o auto de infração, em relação à glosa de despesas com a aquisição de produtos considerados como brindes incorridas em períodos anteriores a julho de 2008, mostra-se decaído, nos termos do 150, § 4o, do CTN. - Os produtos as despesas glosadas não se referem a "brindes", estando relacionadas, na verdade, com prêmios utilizados em campanhas de incentivo promovidas pela Requerente, como contrapartida pela aquisição de produtos e serviços (cartões, seguros, etc), razão pela qual não podem ser considerados como meras liberalidades e, sim, efetivas despesas operacionais: - Com relação a glosa de despesas com MTM, por ter optado pela quitação dos referidos débitos, requer o reconhecimento de sua extinção, nos termos do artigo 156, I, do CTN. Quanto as questões relacionadas ao Termo de Verificação Fiscal nº 3, sustenta a recorrente: - É inaplicável o artigo 17 da Lei inº 9.532/97 ao presente caso, vez que a mera substituição de títulos patrimoniais da CETIP por ações da CETIP S.A. não gerou qualquer acréscimo patrimonial a justificar a incidência dos tributos em questão. - De acordo com a Solução de Consulta 7/02, proferida pela COSIT, a simples transformação de uma associação civil sem fins lucrativos em sociedade com fins lucrativos não enseja a incidência tributária, sendo inaplicável o artigo 17 da Lei 9.532/97 no caso da transformação em questão. Disso resulta que o IRPJ e a CSL não incidem na chamada desmutualização, mas apenas quando as ações recebidas forem alienadas. - O artigo 17 da Lei 9.532/97 alude a uma hipótese de "devolução de patrimônio", que não ocorreu no caso. Mesmo que tal "devolução" tivesse ocorrido, a Portaria MF nº 785/77 é expressa ao determinar que os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das associações, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constituem receita, por isso podem ser excluídos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL. No que se refere às multas e juros, sustenta a recorrente: - A redução da multa de ofício de 75%, que se afigura desproporcional à suposta infração cometida pela Requerente; - A multa isolada de 50% deve ser imediatamente cancelada porque (i) decorrente dos mesmos supostos fatos geradores que motivaram a lavratura deste Auto de Infração; (ii) incabível sua aplicação após o encerramento do ano-calendário e (iii) incabível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, pelos princípios da consunção e da proporcionalidade. - Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada; - A taxa SELIC não pode ser utilizada sobre os valores lançados de ofício. O julgamento da DRJ pode ser sintetizado por meio da seguinte ementa: AQUISIÇÃO DE BEM. ÁGIO. Dispêndios efetuados pela aquisição de um direito de exploração não configuram pagamento de ágio e, portanto, não podem receber o tratamento fiscal conferido à amortização de ágio pago na aquisição de investimento. DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O reconhecimento contábil de um valor amortizável não representa manifestação de fato tributário imponível. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, no caso em tela, a cada dedução das despesas de amortização. IRPJ. DESPESAS COM PRÊMIOS OFERECIDOS GRATUITAMENTE A TÍTULO PROMOCIONAL. INDEDUTIBILIDADE. A partir do ano-calendário de 1996, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, as despesas com brindes (art. 13, VII, da Lei nº 9.249/1995), aí compreendidos quaisquer prêmios oferecidos gratuitamente, com finalidade promocional. DESMUTUALIZAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Sujeita-se à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO PAGAS E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa proporcional calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou declaração inexata, não se confunde com a multa isolada calculada sobre a base estimada ao longo do ano-calendário e que deixou de ser paga. ... Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do aludido acórdão em 10/1/2014 (sexta-feira), fl. 1618, a parte interessada ingressou em 10/2/2014 (segunda-feira) com o recurso de fls. 1620-1718, no qual repisa as alegações articuladas quando da impugnação, contesta os fundamentos da decisão recorrida e requer a insubsistência do lançamento, devendo ser apreciado cada um dos podidos indicados nos itens 336 a 344 do recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 646-683 propugnando pelo não provimento do recurso voluntário. É o relatório.
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedida a Conselheira Cristiane Silva Costa. Participou do julgamento a Conselheira Joselaine Boeira Zatorre. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Joselaine Boeira Zatorre e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Para efeitos de síntese e identificar a questão na qual se centra o maior debate nestes autos, pode se dizer que o tema está em saber se o contribuinte adquiriu uma empresa com ágio ou um direito de exploração pelo prazo de 20 anos (fl. 1347). No mais conforme auto de infração de fls. 1366, notificado à recorrente em 02/07/2013, foram identificadas as seguintes infrações: 001 - Ganho de capital auferidos em devolução do patrimônio social de entidade isenta, com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 97.714,32; 002 - Inobservância do regime de escrituração postergação de receitas, com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 348.733,26; 003 - Ajustes do lucro líquido do exercício (despesas com brindes não adicionadas ao lucro líquido), com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 1.891.683,13; 004 - Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real (ágio), com fatos geradores em 31/12/2008; 31/12/2009; 31/12/2010 e 31/12/2011, multa de 75% e valores tributáveis, respectivamente, de R$ 3.754.030,46; R$ 4.173.777,35; R$ 3.931.238,24 e R$ 8.151.665,65. 005 - Multa isolada por falta de recolhimento das estimativas (multa concomitante com a multa de ofício, nos valores indicados à fl. 1369. I. Dos fundamentos da autuação Foram elaborados três Termos de Verificação Fiscal (TVF 01, TVF 02 e TVF 03), mediante os quais a autoridade autuante relatou as infrações e bases tributáveis apuradas, conforme a seguir sintetizado: 1. Termo de Verificação Fiscal nº 01 - ÁGIO (fls. 1312/1351) Em 18/12/2007, foi celebrado Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças e seus anexos entre o Banco IBI S/A - Banco Múltiplo, atual Bradescard, (Compradora), a SHV (Vendedora) e o Makro (Interveniente Anuente). O contrato abrange os seguintes anexos: (i) Contrato de Parceria Negocial, Administração e Exploração Conjunta de Cartões de Crédito e Demais Serviços Financeiros, celebrado entre o Bradescard e o Makro; (ii) Composição e Regulamento do Comitê Estratégico da Parceria entre o Banco IBI S.A. - Banco Múltiplo e o Makro Atacadista S.A.; e (iii) Acordo Operacional (Parceria entre o Banco IBI S:A. - Banco Múltiplo e o Makro Atacadista S.A. Quanto a esta operação, em 31/12/2007 o Bradescard registrou em sua contabilidade a aquisição da Gopic pelo valor de R$ 214.973.000,00, que foi ratificado pelo laudo de avaliação econômico financeiro da Gopic, elaborado em 18/02/2008 com base no método de fluxo de caixa descontado. A fiscalização concluiu que, na realidade, a Gopic foi adquirida pelo Bradescard para que este pudesse explorar a base de clientes e a rede de lojas do Makro pelo prazo de 20 (vinte) anos, estando o Bradescard disposto a pagar, além do valor pactuado, prêmios de performance pelo aumento da base de clientes e por abertura de lojas. Assim, segundo destacado pela fiscalização no penúltimo parágrafo da fl. 1345, os valores efetivamente pagos pelo Bradescard poderiam ser amortizados pelo prazo contratual de 20 (vinte) anos. Em 04/01/2008 foi efetuado o 1o Desembolso do Bradescard para a SHV, no valor de R$ 56 milhões, que foram assim distribuídos: Pagamento à Vista R$ 30.000.000,00 Prêmio Adicional à Vista R$ 18.000.000,00 Prêmio Adicional pela Abertura de 8 Lojas R$ 8.000.000,00 Em 10/06/2008, a incorporação da Gopic foi aprovada em Ata da Assembléia Geral Extraordinária do Bradescard. Em 30/06/2008, o Bradescard passou a contabilizar a amortização do ágio de R$ 213.940.514,44, a razão de 1/20, ou seja, pelo valor mensal de R$ 1.782.837,62. (fl. 1.322) (....) Em 10/07/08, 26/08/08, 03/11/08 e 08/12/08, foram efetuados quatro desembolsos (3o ao 6o desembolso) referentes ao Prêmio Adicional pela abertura de 6 (seis) Lojas e sua correção monetária, os quais somaram R$ 6.000,00 + R$ 302.697,27. … Ao analisar os fatos destacou a autoridade fiscal (fl. 1.338): 1 - a essência econômica do ágio atribuído à rentabilidade futura da Gopic era um intangível baseado na exploração de um fundo de comércio. 2 - o que realmente motivou o Bradescard a comprar a Gopic foi o direito de exploração, de forma exclusiva por 20 (vinte) anos, do negócio de serviços financeiros no âmbito da rede de lojas do Makro, envolvendo não só a exploração da base de clientes como a utilização da rede de lojas como correspondentes não bancários, para a venda não só de cartões, mas também de quaisquer outros produtos financeiros, previdenciários ou securitários. 3 - a despeito de o contribuinte ter apresentado um laudo de avaliação econômico-financeira atribuindo ao ágio o valor de R$ 213 milhões baseado em uma expectativa de rentabilidade futura, todos os contratos assinados e documentos publicados deixam claro que o Bradescard estava efetivamente interessado em estabelecer uma parceria negocial com o Makro para explorar a sua rede de lojas pelo prazo de vinte anos e pela qual efetivamente desembolsou o montante principal de R$ 90 milhões. 4 - assim, o valor pago por esta parceria poderia ser efetivamente amortizado a título de recuperação de capital aplicado, de acordo com o preconizado nos artigos 324 a 327 do RIR/99: 5 - os juros pagos sobre os valores devidos do Prêmio Adicional pela Abertura de Lojas e os juros recebidos sobre os valores pagos antecipadamente do Prêmio Adicional à Vista devem ser tratados como despesas financeiras e receitas financeiras atreladas ao direito de exploração e devem receber o tratamento especificado na Solução de Divergência n° 45/08 da COSIT. Com base nos artigos 121 e 125 do Código Civil e o inciso II do artigo 116 combinado com o inciso I do artigo 117 do Código tributário Nacional, os pagamentos do Prêmio Adicional à Vista foram desconsiderados porque não implementadas as condições (metas mínimas de performance) a que estavam sujeitos. No TVF nº 001 ainda se encontra descrita as razões da aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas, não pagas em 2009 e 2010. 2. Termo de Verificação Fiscal nº 02 - Despesas com brindes (fls. 1352/1358) O contribuinte foi intimado a apresentar contrato de prestação de serviços, demonstrativo de valores pagos e comprovação dos pagamentos relativos a lançamentos efetuados no razão com características de despesas com brindes. Analisada a documentação e os esclarecimentos apresentados, constatou que os produtos adquiridos da Avon Cosméticos, Hollywood Movie Magic, Coteminas, Nadir Figueiredo e Cacau Show tratavam-se de brindes oferecidos a clientes. Constatado que os pagamentos às empresas discriminadas foram efetuados pela compra de brindes, foi adicionado na apuração do lucro real o valor de R$ 1.891.683,13, conforme determina o artigo 249, inciso VIII do RIR/99 3. Termo de Verificação Fiscal nº 03 (fls. 1359/1364) Não comprovado o valor de aquisição dos títulos patrimoniais da CETIP Associação, foi atribuído aos mesmos custo de aquisição zero e tributada a totalidade do capital recebido em devolução no momento da desmutualização da CETIP. Em 01/07/2008 ocorreu o processo de desmutualização em que 01 (um) título patrimonial da CETIP foi convertido em 406.650 ações da CETIP S/A. Estas ações foram recebidas pelo valor de R$ 446.474,58 e o custo de aquisição do título foi considerado nulo para efeitos tributários. A diferença entre o valor das ações recebidas e o custo de aquisição do título patrimonial, que resultou no montante de R$ 446.474,58 representa a base de cálculo prevista no artigo 17 da Lei n° 9.532/97. II. Dos fundamentos da impugnação Além da extinção do crédito pela decadência e de nulidade por erro no enquadramento legal, a recorrente destacou as seguintes questões em sua impugnação: - A aquisição da Gopic pela requerente não consistiu em “compra de um direito”, tal como classificado pela autoridade fiscal, pois (i) foi praticada entre partes não relacionadas; (ii) resultou na transferência da totalidade dos direitos e obrigações da Gopic à Requerente; e (iii) teve o pagamento efetivo de um preço justo, em condições de mercado, com apuração de ganho de capital da sociedade vendedora e a retenção do imposto sobre a renda pela Requerente. - Sustenta a recorrente que na autoridade fiscal: (i) buscou enquadrar a aquisição de participação da Gopic, seguida de sua incorporação pela Requerente, nos artigos 324 a 327 do RIR/99, nos termos dos quais considera que o valor efetivamente pago pela Requerente seria "o preço pago pela aquisição de um mero direito de exploração", amortizável no prazo de 20 anos (e não no prazo de 10 anos); e (ii) considerou que apenas uma parte dos valores efetivamente pagos pela Requerente à SHV Interholding AG ("SHV"), pela aquisição da Gopic, seria amortizável. Nesse particular, a D. Fiscalização considera pagamentos no valor de R$ 83.810.708,32, que divergem dos R$ 125.184.215,74 efetivamente pagos pela Requerente. Ainda, segundo a recorrente: - A SHV vendeu a Gopic (detentora dos direitos de exploração das atividades financeiras na rede de lojas do Makro e com potencial de crescimento e geração de receita operacional) à Requerente, que assumiu todos os seus direitos e obrigações, inclusive os decorrentes do Convênio firmado com o Makro; (...) - Legalmente obrigada a seguir os termos do artigo 385 do RIR/99, a Requerente contabilizou ágio no valor de R$ 213.940.514,44, correspondente à diferença entre: (i) o "custo de aquisição" avaliado em R$ 214.973.000,00; e (ii) o patrimônio líquido da Gopic, avaliado em R$ 1.032.485,56. - Os valores contabilizados encontram suporte no Laudo de Avaliação elaborado pela empresa independente e notoriamente especializada nesse tipo de avaliação, KPMG Corporate Finance Ltda. ("KPMG" - fls. 505 a 544), datado de 18.2.2008, o qual confirma expressamente o fundamento econômico do ágio apurado pela Requerente em relação à Gopic, com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado. - Quando da incorporação da Gopic ao patrimônio da Requerente, o ágio registrado nessa sociedade foi convertido em ativo diferido na Requerente, amortizável para fins fiscais nos exatos termos do artigo 7°, inciso III, e artigo 8o da Lei 9.532/97, reproduzido no artigo 386, inciso III, do RIR/99, tendo em vista que esse ágio tinha como justificativa econômica a expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida. - A utilização da Gopic teve razões empresariais decisivas para o fechamento do negócio (viabilização da Parceria comercial entre Requerente e Makro). Por isso, são incabíveis quaisquer alegações no sentido de que a estrutura adotada representaria "uma simples busca por um benefício fiscal". - A diferença entre o valor do ágio pago nos anos de 2008 a 2011 calculado pela fiscalização (R$ 83.810.708,32) e o valor correto, calculado pela requerente (R$ 125.184.215,72), resulta de cinco pontos de divergência: 1. os valores contabilmente classificados como “patrimônio líquido”, de R$ 1.032.485,56 (março/2008) e sua correção monetária, de R$ 27.819,09 (janeiro/2008), correspondem na verdade a parcela do preço pago pela Requerente à SHV pela aquisição da Gopic, tendo o valor servido de base para apuração e recolhimento do IRF e do IOF aos cofres públicos (fls. 814, 829 a 833 destes autos); 2. a D. Fiscalização não computou o pagamento realizado pela Requerente, no valor de R$ 20.000.000,00 (março/2008), referente à segunda parcela do "Pagamento à Vista" (pagamento efetuado quando da emissão do primeiro cartão); 3. a D. Fiscalização não computou em seus cálculos o pagamento relacionado ao "Prêmio Adicional à Vista", no valor de R$ 12.000.000,00 (março/2008), pelo fato de ter sido devolvido. Em virtude das devoluções, a Requerente constituiu uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado e tributados anualmente, dentro do prazo do contrato. Dessa forma, como os valores das devoluções são efetivamente tributados, são estes os efeitos fiscais da amortização do "ágio pago" em relação à parcela posteriormente devolvida; 4. a D. Fiscalização computou em seus cálculos, como receitas financeiras da Requerente, as devoluções de valores referentes a "Prêmio Adicional à Vista" e "Prêmio por Abertura de Lojas", nos valores de R$ 628.087,57 (dezembro/2009), R$ 898.809,58 (novembro/2010) e R$ 8.692.517,00 (fevereiro/2011). Com relação também a esse ponto, a Requerente reitera que constituiu uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado (e tributados) anualmente, no prazo de duração do contrato, neutralizando os efeitos fiscais de sua inclusão no ágio amortizável. Se mantido o entendimento da D. Fiscalização, a baixa desses montantes para a conta de resultado vai gerar uma tributação em duplicidade, razão pela qual os números da Requerente devem prevalecer. 5. a D. Fiscalização considera em seus cálculos, como despesa financeira incorrida em fevereiro/2011, o valor de R$ 2.542.203,60, enquanto a Requerente considera o valor de R$ 2.718.365,00. Conforme resposta ao Termo de Fiscalização apresentada em 29.4.2013 (fls. 1251), a Requerente reitera que as divergências apontadas estão relacionadas a valores de IRF e IOF lançados em período posterior como despesas (neutralizando assim os efeitos fiscais do lançamento). Prossegue a recorrente destacando: - No caso em tela, o ágio em questão foi gerado de acordo com a aplicação expressa das regras fiscais em vigor, nos exatos termos do artigo 20 do Decreto-lei 1.598/77, dos artigos 7° e 8° da Lei 9.532/97, e artigos 385 e 386 do RIR/99. - Não cabe à D. Fiscalização, pretender lançar quaisquer dúvidas sobre a sua legitimidade do ágio, sobretudo com base em premissas equivocadas como as que motivaram o Auto de Infração impugnado; - O Laudo de Avaliação comprova que o ágio foi fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do novo investimento, calculado com base na projeção do seu fluxo de caixa descontado; - A razão da utilização da Gopic foi tornar possível a própria Parceria da qual resultou a expansão de negócios originalmente idealizada pelo Grupo Makro. Além disso, a operação estava sujeita à fiscalização do BACEN que, em momento algum, questionou a sua validade. Fica claro, portanto, que havia motivos relevantes e não-tributários para a aquisição da Gopic (e sua posterior incorporação) pela Requerente - Conforme casos precedentes julgados a favor do contribuinte pelo CARF,a amortização do ágio, com fulcro no artigo 7º, III, da Lei nº 9.532/97, deve atender a três premissas básicas: (i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, Inclusive o ágio; (ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; e (iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; - o ágio pago preenche as três premissas básicas mencionadas, a saber: (a) a Requerente efetivamente desembolsou o preço de aquisição das quotas da Gopic (vide fls. 782 a 825, 829 a 838, 845 a 870, 873 a 1072, 1094 a 1177, 1259 e 1260); (b) a transação foi realizada entre partes independentes; e (c) a justificativa do fundamento econômico do ágio estava baseado em Laudo de Avaliação preparado por empresa especializada (além do que, no presente caso, a operação esteve sujeita à fiscalização do BACEN, que em momento algum questionou a sua validade); - a causa do negócio jurídico discutido no presente processo administrativo foi a aquisição, pela Requerente, da totalidade das quotas da Gopic. A amortização fiscal decorrente desse negócio jurídico no prazo de 10 anos (e não 20, como pretende a D. Fiscalização) é consequência lícita, prevista expressamente na legislação em vigor. No que diz respeito ao quanto consta no Termo de Verificação Fiscal nº 2, sustenta a recorrente: - que o auto de infração, em relação à glosa de despesas com a aquisição de produtos considerados como brindes incorridas em períodos anteriores a julho de 2008, mostra-se decaído, nos termos do 150, § 4o, do CTN. - Os produtos as despesas glosadas não se referem a "brindes", estando relacionadas, na verdade, com prêmios utilizados em campanhas de incentivo promovidas pela Requerente, como contrapartida pela aquisição de produtos e serviços (cartões, seguros, etc), razão pela qual não podem ser considerados como meras liberalidades e, sim, efetivas despesas operacionais: - Com relação a glosa de despesas com MTM, por ter optado pela quitação dos referidos débitos, requer o reconhecimento de sua extinção, nos termos do artigo 156, I, do CTN. Quanto as questões relacionadas ao Termo de Verificação Fiscal nº 3, sustenta a recorrente: - É inaplicável o artigo 17 da Lei inº 9.532/97 ao presente caso, vez que a mera substituição de títulos patrimoniais da CETIP por ações da CETIP S.A. não gerou qualquer acréscimo patrimonial a justificar a incidência dos tributos em questão. - De acordo com a Solução de Consulta 7/02, proferida pela COSIT, a simples transformação de uma associação civil sem fins lucrativos em sociedade com fins lucrativos não enseja a incidência tributária, sendo inaplicável o artigo 17 da Lei 9.532/97 no caso da transformação em questão. Disso resulta que o IRPJ e a CSL não incidem na chamada desmutualização, mas apenas quando as ações recebidas forem alienadas. - O artigo 17 da Lei 9.532/97 alude a uma hipótese de "devolução de patrimônio", que não ocorreu no caso. Mesmo que tal "devolução" tivesse ocorrido, a Portaria MF nº 785/77 é expressa ao determinar que os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das associações, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constituem receita, por isso podem ser excluídos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSL. No que se refere às multas e juros, sustenta a recorrente: - A redução da multa de ofício de 75%, que se afigura desproporcional à suposta infração cometida pela Requerente; - A multa isolada de 50% deve ser imediatamente cancelada porque (i) decorrente dos mesmos supostos fatos geradores que motivaram a lavratura deste Auto de Infração; (ii) incabível sua aplicação após o encerramento do ano-calendário e (iii) incabível a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, pelos princípios da consunção e da proporcionalidade. - Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de oficio aplicada; - A taxa SELIC não pode ser utilizada sobre os valores lançados de ofício. O julgamento da DRJ pode ser sintetizado por meio da seguinte ementa: AQUISIÇÃO DE BEM. ÁGIO. Dispêndios efetuados pela aquisição de um direito de exploração não configuram pagamento de ágio e, portanto, não podem receber o tratamento fiscal conferido à amortização de ágio pago na aquisição de investimento. DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O reconhecimento contábil de um valor amortizável não representa manifestação de fato tributário imponível. A obrigação tributária e, conseqüentemente, o início do prazo para o Fisco constituir o crédito tributário através do lançamento, surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, no caso em tela, a cada dedução das despesas de amortização. IRPJ. DESPESAS COM PRÊMIOS OFERECIDOS GRATUITAMENTE A TÍTULO PROMOCIONAL. INDEDUTIBILIDADE. A partir do ano-calendário de 1996, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, as despesas com brindes (art. 13, VII, da Lei nº 9.249/1995), aí compreendidos quaisquer prêmios oferecidos gratuitamente, com finalidade promocional. DESMUTUALIZAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Sujeita-se à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO PAGAS E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa proporcional calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou declaração inexata, não se confunde com a multa isolada calculada sobre a base estimada ao longo do ano-calendário e que deixou de ser paga. ... Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do aludido acórdão em 10/1/2014 (sexta-feira), fl. 1618, a parte interessada ingressou em 10/2/2014 (segunda-feira) com o recurso de fls. 1620-1718, no qual repisa as alegações articuladas quando da impugnação, contesta os fundamentos da decisão recorrida e requer a insubsistência do lançamento, devendo ser apreciado cada um dos podidos indicados nos itens 336 a 344 do recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões de fls. 646-683 propugnando pelo não provimento do recurso voluntário. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 3          2 Relatório  Para efeitos de síntese e  identificar a questão na qual se centra o maior debate  nestes autos, pode se dizer que o tema está em saber se o contribuinte adquiriu uma empresa  com ágio ou um direito de exploração pelo prazo de 20 anos (fl. 1347).  No  mais  conforme  auto  de  infração  de  fls.  1366,  notificado  à  recorrente  em  02/07/2013, foram identificadas as seguintes infrações:  001 ­ Ganho de capital auferidos em devolução do patrimônio social de entidade  isenta, com fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 97.714,32;  002 ­ Inobservância do regime de escrituração postergação de receitas, com  fato gerador em 31/12/2008, multa de 75% e valor tributável de R$ 348.733,26;  003  ­  Ajustes  do  lucro  líquido  do  exercício  (despesas  com  brindes  não  adicionadas  ao  lucro  líquido),  com  fato  gerador  em  31/12/2008,  multa  de  75%  e  valor  tributável de R$ 1.891.683,13;  004  ­ Exclusões/compensações  não  autorizadas  na  apuração  do  lucro  real  (ágio),  com  fatos  geradores  em 31/12/2008; 31/12/2009; 31/12/2010 e 31/12/2011, multa de  75%  e  valores  tributáveis,  respectivamente,  de  R$  3.754.030,46;  R$  4.173.777,35;  R$  3.931.238,24 e R$ 8.151.665,65.  005  ­  Multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  (multa  concomitante com a multa de ofício, nos valores indicados à fl. 1369.  I. Dos fundamentos da autuação   Foram elaborados  três Termos de Verificação Fiscal  (TVF 01, TVF 02 e TVF  03), mediante os quais a autoridade autuante relatou as infrações e bases tributáveis apuradas,  conforme a seguir sintetizado:  1. Termo de Verificação Fiscal nº 01 ­ ÁGIO (fls. 1312/1351)  Em 18/12/2007, foi celebrado Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas  e  Outras  Avenças  e  seus  anexos  entre  o  Banco  IBI  S/A  ­  Banco  Múltiplo,  atual  Bradescard,  (Compradora), a SHV (Vendedora) e o Makro (Interveniente Anuente). O contrato abrange os seguintes  anexos: (i) Contrato de Parceria Negocial, Administração e Exploração Conjunta de Cartões de Crédito  e  Demais  Serviços  Financeiros,  celebrado  entre  o  Bradescard  e  o  Makro;  (ii)  Composição  e  Regulamento do Comitê Estratégico da Parceria entre o Banco IBI S.A.  ­ Banco Múltiplo e o Makro  Atacadista  S.A.;  e  (iii) Acordo Operacional  (Parceria  entre  o  Banco  IBI  S:A.  ­  Banco Múltiplo  e  o  Makro Atacadista S.A.  Quanto  a  esta  operação,  em  31/12/2007  o  Bradescard  registrou  em  sua  contabilidade a aquisição da Gopic pelo valor de R$ 214.973.000,00, que foi ratificado pelo laudo  de avaliação econômico financeiro da Gopic, elaborado em 18/02/2008 com base no método de fluxo  de caixa descontado1.                                                              1  Na  parte  do  laudo  definida  como  “Introdução  e  Objetivo”,  consta  que  o  Banco  IBI  solicitou  à  KPMG  uma  avaliação econômico­financeira da Gopic, com base nas projeções financeiras elaboradas pelo Contratante, a fim  Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 4          3 A fiscalização concluiu que, na realidade, a Gopic foi adquirida pelo Bradescard para  que este pudesse explorar a base de clientes e a rede de lojas do Makro pelo prazo de 20 (vinte) anos,  estando o Bradescard disposto a pagar, além do valor pactuado, prêmios de performance pelo aumento  da base de clientes e por abertura de lojas.  Assim,  segundo  destacado  pela  fiscalização  no  penúltimo  parágrafo  da  fl.  1345,  os  valores  efetivamente  pagos  pelo  Bradescard  poderiam  ser  amortizados  pelo  prazo  contratual  de  20  (vinte) anos.  Em 04/01/2008 foi efetuado o 1o Desembolso do Bradescard para a SHV, no valor de  R$ 56 milhões, que foram assim distribuídos:  Pagamento à Vista  R$ 30.000.000,00  Prêmio Adicional à Vista  R$ 18.000.000,00  Prêmio Adicional pela Abertura de 8 Lojas  R$ 8.000.000,00  Em  10/06/2008,  a  incorporação  da Gopic  foi  aprovada  em Ata  da Assembléia Geral  Extraordinária do Bradescard.  Em  30/06/2008,  o  Bradescard  passou  a  contabilizar  a  amortização  do  ágio  de  R$  213.940.514,44, a razão de 1/20, ou seja, pelo valor mensal de R$ 1.782.837,62. (fl. 1.322)  (....)  Em  10/07/08,  26/08/08,  03/11/08  e  08/12/08,  foram  efetuados  quatro  desembolsos  (3o  ao  6o  desembolso)  referentes  ao  Prêmio  Adicional  pela  abertura  de  6  (seis)  Lojas e sua correção monetária, os quais somaram R$ 6.000,00 + R$ 302.697,27.  …  Ao analisar os fatos destacou a autoridade fiscal (fl. 1.338):  1  ­  a  essência  econômica  do  ágio  atribuído  à  rentabilidade  futura  da  Gopic  era  um  intangível baseado na exploração de um fundo de comércio.  2  ­  o  que  realmente  motivou  o  Bradescard  a  comprar  a  Gopic  foi  o  direito  de  exploração, de  forma exclusiva por 20  (vinte) anos, do negócio de  serviços  financeiros no âmbito da  rede de lojas do Makro, envolvendo não só a exploração da base de clientes como a utilização da rede  de lojas como correspondentes não bancários, para a venda não só de cartões, mas também de quaisquer  outros produtos financeiros, previdenciários ou securitários.  3  ­  a  despeito  de  o  contribuinte  ter  apresentado  um  laudo  de  avaliação  econômico­ financeira atribuindo ao ágio o valor de R$ 213 milhões baseado em uma expectativa de rentabilidade  futura,  todos  os  contratos  assinados  e  documentos  publicados  deixam  claro  que  o Bradescard  estava  efetivamente interessado em estabelecer uma parceria negocial com o Makro para explorar a sua rede  de lojas pelo prazo de vinte anos e pela qual efetivamente desembolsou o montante principal de R$ 90  milhões.  4 ­ assim, o valor pago por esta parceria poderia ser efetivamente amortizado a título de  recuperação de capital aplicado, de acordo com o preconizado nos artigos 324 a 327 do RIR/99:  5 ­ os juros pagos sobre os valores devidos do Prêmio Adicional pela Abertura de Lojas  e os juros  recebidos  sobre os valores pagos antecipadamente do Prêmio Adicional à Vista devem ser                                                                                                                                                                                           de identificar que parcela do “ágio pago” poderia ser amortizada para fins fiscais com base na rentabilidade futura  projetada da Gopic.  Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 5          4 tratados  como  despesas  financeiras  e  receitas  financeiras  atreladas  ao  direito  de  exploração  e  devem  receber o tratamento especificado na Solução de Divergência n° 45/08 da COSIT.  Com base nos artigos 121 e 125 do Código Civil e o inciso II do artigo 116 combinado  com o inciso I do artigo 117 do Código tributário Nacional, os pagamentos do Prêmio Adicional à Vista  foram desconsiderados porque não implementadas as condições (metas mínimas de performance) a que  estavam sujeitos.  No  TVF  nº  001  ainda  se  encontra  descrita  as  razões  da  aplicação  da  multa  isolada pela falta de recolhimento das estimativas, não pagas em 2009 e 2010.   2. Termo de Verificação Fiscal nº 02 ­ Despesas com brindes (fls. 1352/1358)  O  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  contrato  de  prestação  de  serviços,  demonstrativo  de  valores  pagos  e  comprovação  dos  pagamentos  relativos  a  lançamentos  efetuados no razão com características de despesas com brindes.  Analisada a documentação e os esclarecimentos apresentados, constatou que os  produtos  adquiridos  da  Avon  Cosméticos,  Hollywood  Movie  Magic,  Coteminas,  Nadir  Figueiredo e Cacau Show tratavam­se de brindes oferecidos a clientes.  Constatado que os pagamentos às empresas discriminadas foram efetuados pela  compra  de  brindes,  foi  adicionado  na  apuração  do  lucro  real  o  valor  de  R$  1.891.683,13,  conforme determina o artigo 249, inciso VIII do RIR/99  3. Termo de Verificação Fiscal nº 03 (fls. 1359/1364)  Não  comprovado  o  valor  de  aquisição  dos  títulos  patrimoniais  da  CETIP  Associação,  foi  atribuído  aos  mesmos  custo  de  aquisição  zero  e  tributada  a  totalidade  do  capital recebido em devolução no momento da desmutualização da CETIP.  Em 01/07/2008 ocorreu o processo de desmutualização em que 01  (um)  título  patrimonial  da  CETIP  foi  convertido  em  406.650  ações  da  CETIP  S/A.  Estas  ações  foram  recebidas pelo valor de R$ 446.474,58 e o  custo de  aquisição do  título  foi  considerado nulo  para efeitos tributários.  A diferença entre o valor das  ações  recebidas  e  o  custo de aquisição do  título  patrimonial, que resultou no montante de R$ 446.474,58 representa a base de cálculo prevista  no artigo 17 da Lei n° 9.532/97.  II. Dos fundamentos da impugnação  Além  da  extinção  do  crédito  pela  decadência  e  de  nulidade  por  erro  no  enquadramento legal, a recorrente destacou as seguintes questões em sua impugnação:  ­  A  aquisição  da  Gopic  pela  requerente  não  consistiu  em  “compra  de  um  direito”,  tal  como  classificado  pela  autoridade  fiscal,  pois  (i)  foi  praticada  entre  partes  não  relacionadas;  (ii)  resultou na  transferência da totalidade dos direitos e obrigações da Gopic à  Requerente; e (iii) teve o pagamento efetivo de um preço justo, em condições de mercado, com  apuração de ganho de capital da sociedade vendedora e a  retenção do  imposto sobre a  renda  pela Requerente.  Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 6          5 ­ Sustenta a recorrente que na autoridade fiscal: (i) buscou enquadrar a aquisição  de participação da Gopic, seguida de sua incorporação pela Requerente, nos artigos 324 a 327  do  RIR/99,  nos  termos  dos  quais  considera  que  o  valor  efetivamente  pago  pela  Requerente  seria "o preço pago pela aquisição de um mero direito de exploração", amortizável no prazo de  20  anos  (e  não  no  prazo  de  10  anos);  e  (ii)  considerou  que  apenas  uma  parte  dos  valores  efetivamente  pagos  pela  Requerente  à  SHV  Interholding  AG  ("SHV"),  pela  aquisição  da  Gopic, seria amortizável. Nesse particular, a D. Fiscalização considera pagamentos no valor de  R$ 83.810.708,32, que divergem dos R$ 125.184.215,74 efetivamente pagos pela Requerente.  Ainda, segundo a recorrente:  ­ A SHV vendeu a Gopic  (detentora dos direitos de  exploração das  atividades  financeiras  na  rede  de  lojas  do Makro  e  com  potencial  de  crescimento  e  geração  de  receita  operacional)  à  Requerente,  que  assumiu  todos  os  seus  direitos  e  obrigações,  inclusive  os  decorrentes do Convênio firmado com o Makro;  (...)   ­ Legalmente obrigada a seguir os termos do artigo 385 do RIR/99, a Requerente  contabilizou ágio no valor de R$ 213.940.514,44, correspondente à diferença entre: (i) o "custo  de aquisição" avaliado em R$ 214.973.000,00; e (ii) o patrimônio líquido da Gopic, avaliado  em R$ 1.032.485,56.  ­ Os valores contabilizados encontram suporte no Laudo de Avaliação elaborado  pela  empresa  independente  e  notoriamente  especializada  nesse  tipo  de  avaliação,  KPMG  Corporate  Finance  Ltda.  ("KPMG"  ­  fls.  505  a  544),  datado  de  18.2.2008,  o  qual  confirma  expressamente o fundamento econômico do ágio apurado pela Requerente em relação à Gopic,  com base em suas projeções de fluxo de caixa descontado.  ­  Quando  da  incorporação  da  Gopic  ao  patrimônio  da  Requerente,  o  ágio  registrado  nessa  sociedade  foi  convertido  em  ativo  diferido  na Requerente,  amortizável  para  fins fiscais nos exatos termos do artigo 7°, inciso III, e artigo 8o da Lei 9.532/97, reproduzido  no  artigo  386,  inciso  III,  do  RIR/99,  tendo  em  vista  que  esse  ágio  tinha  como  justificativa  econômica a expectativa de rentabilidade futura da sociedade adquirida.  ­ A utilização da Gopic teve razões empresariais decisivas para o fechamento do  negócio  (viabilização  da  Parceria  comercial  entre  Requerente  e  Makro).  Por  isso,  são  incabíveis  quaisquer  alegações  no  sentido  de  que  a  estrutura  adotada  representaria  "uma  simples busca por um benefício fiscal".  ­ A diferença entre o valor do ágio pago nos anos de 2008 a 2011 calculado pela  fiscalização  (R$  83.810.708,32)  e  o  valor  correto,  calculado  pela  requerente  (R$  125.184.215,72), resulta de cinco pontos de divergência:  1.  os  valores  contabilmente  classificados  como  “patrimônio  líquido”,  de  R$  1.032.485,56  (março/2008)  e  sua  correção  monetária,  de  R$  27.819,09  (janeiro/2008),  correspondem na verdade a parcela do preço pago pela Requerente à SHV pela aquisição da  Gopic, tendo o valor servido de base para apuração e recolhimento do IRF e do IOF aos cofres  públicos (fls. 814, 829 a 833 destes autos);  Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 7          6 2. a D. Fiscalização não computou o pagamento realizado pela Requerente, no  valor de R$ 20.000.000,00 (março/2008), referente à segunda parcela do "Pagamento à Vista"  (pagamento efetuado quando da emissão do primeiro cartão);  3. a D. Fiscalização não computou em seus cálculos o pagamento relacionado ao  "Prêmio Adicional à Vista", no valor de R$ 12.000.000,00 (março/2008), pelo fato de ter sido  devolvido.  Em  virtude  das  devoluções,  a  Requerente  constituiu  uma  conta  de  passivo  cujos  valores  são  baixados  para  resultado  e  tributados  anualmente,  dentro  do  prazo  do  contrato.  Dessa forma, como os valores das devoluções são efetivamente tributados, são estes os efeitos  fiscais da amortização do "ágio pago" em relação à parcela posteriormente devolvida;  4.  a D. Fiscalização  computou  em  seus  cálculos,  como  receitas  financeiras  da  Requerente,  as devoluções de valores  referentes  a "Prêmio Adicional à Vista" e  "Prêmio por  Abertura  de  Lojas",  nos  valores  de  R$  628.087,57  (dezembro/2009),  R$  898.809,58  (novembro/2010)  e  R$  8.692.517,00  (fevereiro/2011).  Com  relação  também  a  esse  ponto,  a  Requerente  reitera  que  constituiu  uma  conta  de  passivo  cujos  valores  são  baixados  para  resultado (e tributados) anualmente, no prazo de duração do contrato, neutralizando os efeitos  fiscais de sua inclusão no ágio amortizável. Se mantido o entendimento da D. Fiscalização, a  baixa  desses montantes  para  a  conta  de  resultado  vai  gerar  uma  tributação  em  duplicidade,  razão pela qual os números da Requerente devem prevalecer.  5.  a  D.  Fiscalização  considera  em  seus  cálculos,  como  despesa  financeira  incorrida em fevereiro/2011, o valor de R$ 2.542.203,60, enquanto a Requerente considera o  valor  de  R$  2.718.365,00.  Conforme  resposta  ao  Termo  de  Fiscalização  apresentada  em  29.4.2013 (fls. 1251), a Requerente reitera que as divergências apontadas estão relacionadas a  valores de  IRF  e  IOF  lançados  em período posterior  como despesas  (neutralizando assim os  efeitos fiscais do lançamento).   Prossegue a recorrente destacando:  ­  No  caso  em  tela,  o  ágio  em  questão  foi  gerado  de  acordo  com  a  aplicação  expressa das regras  fiscais em vigor, nos exatos termos do artigo 20 do Decreto­lei 1.598/77,  dos artigos 7° e 8° da Lei 9.532/97, e artigos 385 e 386 do RIR/99.   ­  Não  cabe  à D.  Fiscalização,  pretender  lançar  quaisquer  dúvidas  sobre  a  sua  legitimidade do ágio, sobretudo com base em premissas equivocadas como as que motivaram o  Auto de Infração impugnado;  ­ O Laudo de Avaliação comprova que o ágio foi fundamentado na expectativa  de rentabilidade futura do novo investimento, calculado com base na projeção do seu fluxo de  caixa descontado;  ­ A razão da utilização da Gopic foi  tornar possível a própria Parceria da qual  resultou  a  expansão  de  negócios  originalmente  idealizada  pelo Grupo Makro. Além disso,  a  operação estava sujeita à fiscalização do BACEN que, em momento algum, questionou a sua  validade. Fica claro, portanto, que havia motivos relevantes e não­tributários para a aquisição  da Gopic (e sua posterior incorporação) pela Requerente  ­  Conforme  casos  precedentes  julgados  a  favor  do  contribuinte  pelo  CARF,a  amortização  do  ágio,  com  fulcro  no  artigo  7º,  III,  da  Lei  nº  9.532/97,  deve  atender  a  três  premissas básicas: (i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, Inclusive o ágio; (ii) a  Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 8          7 realização das operações originais entre partes não ligadas; e (iii) seja demonstrada a lisura na  avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura;  ­  o  ágio  pago  preenche  as  três  premissas  básicas mencionadas,  a  saber:  (a)  a  Requerente efetivamente desembolsou o preço de aquisição das quotas da Gopic (vide fls. 782  a  825,  829  a  838,  845  a  870,  873  a  1072,  1094  a  1177,  1259  e  1260);  (b)  a  transação  foi  realizada  entre  partes  independentes;  e  (c)  a  justificativa  do  fundamento  econômico  do  ágio  estava baseado em Laudo de Avaliação preparado por empresa especializada (além do que, no  presente  caso,  a  operação  esteve  sujeita  à  fiscalização  do BACEN,  que  em momento  algum  questionou a sua validade);  ­ a causa do negócio jurídico discutido no presente processo administrativo foi a  aquisição, pela Requerente, da totalidade das quotas da Gopic. A amortização fiscal decorrente  desse  negócio  jurídico  no  prazo  de  10  anos  (e  não  20,  como  pretende  a D.  Fiscalização)  é  consequência lícita, prevista expressamente na legislação em vigor.  No  que  diz  respeito  ao  quanto  consta  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  nº  2,  sustenta a recorrente:  ­  que  o  auto  de  infração,  em  relação  à  glosa  de  despesas  com  a  aquisição  de  produtos considerados como brindes incorridas em períodos anteriores a julho de 2008, mostra­ se decaído, nos termos do 150, § 4o, do CTN.  ­  Os  produtos  as  despesas  glosadas  não  se  referem  a  "brindes",  estando  relacionadas, na verdade, com prêmios utilizados em campanhas de incentivo promovidas pela  Requerente, como contrapartida pela aquisição de produtos e serviços (cartões, seguros, etc),  razão pela qual não podem ser considerados como meras liberalidades e, sim, efetivas despesas  operacionais:  ­ Com relação a glosa de despesas com MTM, por ter optado pela quitação dos  referidos  débitos,  requer  o  reconhecimento  de  sua  extinção,  nos  termos  do  artigo  156,  I,  do  CTN.  Quanto as questões relacionadas ao Termo de Verificação Fiscal nº 3, sustenta a  recorrente:  ­ É inaplicável o artigo 17 da Lei inº 9.532/97 ao presente caso, vez que a mera  substituição  de  títulos  patrimoniais  da CETIP  por  ações  da CETIP S.A.  não  gerou  qualquer  acréscimo patrimonial a justificar a incidência dos tributos em questão.  ­ De acordo com a Solução de Consulta 7/02, proferida pela COSIT, a simples  transformação de uma associação  civil  sem  fins  lucrativos  em sociedade  com  fins  lucrativos  não  enseja  a  incidência  tributária,  sendo  inaplicável  o  artigo  17  da  Lei  9.532/97  no  caso  da  transformação  em  questão.  Disso  resulta  que  o  IRPJ  e  a  CSL  não  incidem  na  chamada  desmutualização, mas apenas quando as ações recebidas forem alienadas.  ­  O  artigo  17  da  Lei  9.532/97  alude  a  uma  hipótese  de  "devolução  de  patrimônio", que não ocorreu no caso. Mesmo que tal "devolução" tivesse ocorrido, a Portaria  MF  nº  785/77  é  expressa  ao  determinar  que  os  acréscimos  do  valor  nominal  dos  títulos  patrimoniais  das  associações,  em  decorrência  de  alteração  do  seu  patrimônio  social,  não  Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 9          8 constituem receita, por isso podem ser excluídos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da  CSL.  No que se refere às multas e juros, sustenta a recorrente:  ­ A redução da multa de ofício de 75%, que se afigura desproporcional à suposta  infração cometida pela Requerente;  ­  A  multa  isolada  de  50%  deve  ser  imediatamente  cancelada  porque  (i)  decorrente  dos  mesmos  supostos  fatos  geradores  que  motivaram  a  lavratura  deste  Auto  de  Infração; (ii) incabível sua aplicação após o encerramento do ano­calendário e (iii) incabível a  aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício, pelos princípios da consunção  e da proporcionalidade.  ­ Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor  da multa de oficio aplicada;  ­ A taxa SELIC não pode ser utilizada sobre os valores lançados de ofício.  O julgamento da DRJ pode ser sintetizado por meio da seguinte ementa:  AQUISIÇÃO  DE  BEM.  ÁGIO.  Dispêndios  efetuados  pela  aquisição  de  um  direito  de  exploração  não  configuram  pagamento  de  ágio  e,  portanto,  não  podem  receber  o  tratamento  fiscal conferido à amortização de ágio pago na aquisição de investimento.  DECADÊNCIA.  AMORTIZAÇÃO.  O  reconhecimento  contábil  de  um  valor  amortizável  não  representa  manifestação  de  fato  tributário  imponível.  A  obrigação  tributária  e,  conseqüentemente,  o  início  do  prazo  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  através  do  lançamento, surgem apenas com a ocorrência do fato gerador, no caso em tela, a cada dedução  das despesas de amortização.   IRPJ.  DESPESAS  COM  PRÊMIOS  OFERECIDOS  GRATUITAMENTE  A  TÍTULO  PROMOCIONAL.  INDEDUTIBILIDADE.  A  partir  do  ano­calendário  de  1996,  são  indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, as despesas com brindes (art. 13, VII, da Lei  nº  9.249/1995),  aí  compreendidos  quaisquer  prêmios  oferecidos  gratuitamente,  com  finalidade  promocional.   DESMUTUALIZAÇÃO. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO DE ASSOCIAÇÃO. SUJEIÇÃO  À TRIBUTAÇÃO. AVALIAÇÃO PELO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Sujeita­se à incidência do  imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor  dos bens e direitos recebidos de instituição isenta a título de devolução de patrimônio, e o valor  em  dinheiro  ou  o  valor  dos  bens  e  direitos  que  houver  entregue  para  a  formação  do  referido  patrimônio.  MULTA  ISOLADA  SOBRE  ESTIMATIVAS  NÃO  PAGAS  E  MULTA  PROPORCIONAL.  APLICAÇÃO. A materialidade da multa proporcional calculada sobre a totalidade ou diferença  de  tributo  ou  contribuição,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  declaração  inexata,  não  se  confunde com a multa isolada calculada sobre a base estimada ao longo do ano­calendário e que  deixou de ser paga.  ...  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Cientificada  do  aludido  acórdão  em  10/1/2014  (sexta­feira),  fl.  1618,  a  parte  interessada ingressou em 10/2/2014 (segunda­feira) com o recurso de fls. 1620­1718, no qual  repisa  as  alegações  articuladas  quando  da  impugnação,  contesta  os  fundamentos  da  decisão  Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 10          9 recorrida e requer a insubsistência do lançamento, devendo ser apreciado cada um dos podidos  indicados nos itens 336 a 344 do recurso.  A Procuradoria da Fazenda Nacional  apresentou contrarrazões de  fls.  646­683  propugnando pelo não provimento do recurso voluntário.   É o relatório.  Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 11          10   VOTO  Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA ­ Relator.  O  recurso  é  tempestivo,  está  devidamente  fundamentado,  foi  interposto  pela  parte interessada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos  de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito.  Inicio o exame da questão pelas preliminares por se tratarem, se acolhidas, em  prejudiciais aos julgamento do mérito.  i)  Preliminar  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância  A  recorrente  traz  preliminar de nulidade da decisão de 1a. instância pelo fato de o julgamento ter sido realizado  com  apenas  3  julgadores,  sendo  que  a  Portaria MF  341,  de  2011,  estabelece  que  as  turmas  devem ser formadas por 5 julgadores.  Rejeito a preliminar, tendo em vista que a citada portaria estabelece em seu art.  4o. § 6o. que o quorum mínimo para realização de sessão de julgamento é de 3 (três) julgadores,  dispondo  inclusive  sobre  a  possibilidade  de  designação  de  julgador  “ad  hoc”  para garantir  a  realização da sessão, tal qual ocorreu no presente caso.  ii)  Preliminar  de  decadência  quanto  a  glosa  de  Amortização  de  Ágio Aduz  a  recorrente  que  o  ágio  em  discussão  foi  originado  a  partir  da  efetiva  aquisição  das  ações  da  Gopic  que  ocorreu  em  18.12.2007,  conforme  atesta  o  Instrumento  Particular  de  Compra  e  Venda  de  Quotas  e  Outras  Avenças  ("Instrumento  de  Compra  e  Venda"),  assinado  pela  Recorrente, pela SHV Interholding SG. ("SHV") e pela Makro (fls. 619 a 629). Assim, quando  do lançamento já havia decorrido mais de cinco anos.  Também rejeito a preliminar de decadência por entender que o marco inicial do  prazo  decadencial  é  quando  a  "despesa  considerada  indedutível"  foi  lançada  para  efeitos  de  reduzir o valor do tributo a pagar e não a data em que foi gerada. Neste sentido cito o seguinte  precedente deste colegiado:  AUDITORIA  FISCAL.  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  ATINGIDO  PELA  DECADÊNCIA  PARA  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  VERIFICAÇÃO  DE  FATOS,  OPERAÇÕES,  REGISTROS  E  ELEMENTOS  PATRIMONIAIS  COM  REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode  verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente  escriturados  ou  não,  em  períodos  de  apuração  atingidos  pela  decadência,  em  face  de  comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos  não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimita­se pelos seus próprios fins, pois, os  ajustes  decorrentes  desse  procedimento  não  podem  implicar  em  alterações  nos  resultados  tributáveis  daqueles  períodos  decaídos,  mas  sim  nos  posteriores.  Em  relação  a  situações  jurídicas,  definitivamente  constituídas,  o  Código  Tributário  Nacional  estabelece  que  a  contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações  tributárias, porventura delas  inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do  correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado. (Ac 1402­000.766 de 19/10/2011).  Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 12          11 Considerando que a periodicidade de apuração do lucro real é anual, o primeiro  fato gerador da glosa de despesas  indedutíveis contabilizadas a  título de amortização de ágio  ocorreu em 31/12/2008.   No ano­calendário de 2008 a recorrente apurou imposto a pagar e base negativa  de  contribuição, mostrando­se  aplicável  ao  IRPJ  o  artigo  150,  §4º  do  CTN,  exaurindo­se  o  prazo decadencial em 31/12/2013. O auto de infração foi notificado em 02/07/2013, portanto,  antes de decorrido o prazo decadencial.  iii) Preliminar de nulidade em face do o enquadramento Legal do lançamento A  Recorrente repisa a alegação de que o auto deve ser cancelado por afronta aos artigos 10 e 11  do Decreto  70.235/72,  tendo  em  vista  que  a  fiscalização  teria  se  equivocado  na  capitulação  legal de sua autuação ao não mencionar os artigos 385 ou 386 do RIR/99, ou ainda os artigos  7° e 8o da Lei 9.532/97, que teriam relação com os fatos comentados no Termo de Verificação  n° 1.   Ocorre que, tal qual asseverado na decisão recorrida, o Fisco não só questionou  a amortização realizada pela impugnante, mas a própria contabilização do ágio pois, segundo  seu entendimento, “o bem adquirido pela controladora da fiscalizada consistiu em um direito  de exploração e não em um investimento”.  Rejeito também esta última preliminar.  DO MÉRITO NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA FISCAL  A  principal  matéria  em  litígio  trata  da  glosa  de  amortização  do  ágio  efetivamente  pago  na  aquisição de investimento (empresa Gopic) que, conforme relatado, a Fiscalização reclassificou  como sendo compra de um direito e não de uma empresa.  Além da apreciação das matérias de direito atinentes ao mérito dessa glosa, faz  necessário superar questões de fato relacionada ao valor efetivamente pago pelo investimento  que foi objeto da amortização.  Conforme quadro de fl. 34 do TVF, a Bradescard teria pago à SHV o total de R$  83.810.708,32.  Por  sua  vez,  na  peça  impugnatória  a  contribuinte  alegou  que  o  valor  efetivamente pago foi no montante de R$ 125.184.215,72.   Na decisão de 1a. instância foram refutadas as alegações da contribuinte quanto  ao valor efetivamente pago, pelos os seguintes fundamentos (verbis):  (...)  Do cálculo dos pagamentos.  A impugnante contesta os cálculos efetuados pela fiscalização para apuração dos  pagamentos  realizados  por  conta  da  aquisição  da  Gopic,  os  quais  serviram  de  base  para  o  cálculo dos valores que poderiam ser amortizados pelo contribuinte.  Abaixo,  reproduzo  a  tabela  atribuída  pela  impugnante  aos  cálculos  da  fiscalização:  Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 13          12   Valor Devido  Receita  Financeira  Despesa   Financeira  Ágio Pago    30.000.000,00      30.000.000,00  Jan/08  8.000.000,00  ­34.486,81    7.965.513,19    18.000.000,00    ­  18.000.000,00  mar/08  ­      ­    ­        ­    ­        ­    ­        ­  jul/08  2.000.000,00    84.269,68  2.084.269,68  ago/08  1.000.000,00     49.809,18  1.049.809,18  nov/08  2.000.000,00     107.093,72  2.107.093,72  dez/08  1.000.000,00     61.524,66  1.061.524,66  jan/09  2.000.000,00     127.113,76  2.127.113,76  jul/09  2.000.000,00     182.530,96  2.182.530,96  ago/09  2.000.000,00     188.265,06  2.188.265,06  dez/09  4.000.000,00  ­628.037,57  399.490,98  3.771.453,41  nov/10  3.000.000,00  ­898.809,58  416.096,28  2.517.286,70  fev/11  15.000.000,00  ­8.962.517,00  2.542.203,60  8.755.848,00  Total  40.000.000,00      83.810.708,32    Cinco  pontos  de  divergência  são  apontados  pela  impugnante  para  justificar  a  diferença  entre  o  montante  apurado  pela  fiscalização  (R$  83.810.708,32)  e  o  montante  considerado pela empresa (R$ 125.184.215,72), os quais são a seguir examinados:  1º ponto de divergência A autuada sustenta que devem ser considerados como  ágio pago os valores contabilmente classificados como patrimônio líquido”, de R$ 1.032.485,56  (março/2008). e sua correção monetária, de R$ 27.819,09 (janeiro/2008).  "De fato,  de  acordo com o  tratamento  fiscal  pretendido pela contribuinte,  o valor  relativo ao PL da Gopic e sua correção monetária,  ainda que efetivamente pagos,  jamais poderiam ser considerados ágio, uma vez que o ágio é definido justamente  pela  diferença  entre  o  custo  de  aquisição  do  investimento  e  o  valor  do  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  nos  termos  do  artigo  385  do  RIR/99."  Admitido  que  os  pagamentos  previstos  no  contrato  celebrado  entre  a  impugnante e a SHV poderiam ser amortizados nos termos dos artigos 324 a 327 do RIR/99,  caberia à impugnante demonstrar que os pagamentos efetuados estavam previstos no contrato,  a  fim  de  que  os mesmos  possam  ser  considerados  como  aplicação  de  recursos  destinados  à  formação do resultado de mais de um período de apuração.  Ocorre  que  a  impugnante  não  logrou  demonstrar  que  os  lançamentos  identificados  como PL  e  respectiva  correção monetária  integrariam qualquer  das  parcelas  de  composição do preço máximo de aquisição da Gopic, as quais foram discriminadas no contrato  de aquisição analisado nos autos (“Pagamento à Vista”, “Prêmio Adicional à Vista”, “Parcela  Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 14          13 Condicionada”  e  “Prêmio  Adicional  pela  Abertura  de  Lojas”),  afigurando­se  correta  a  desconsideração  dos  referidos  valores  na  amortização  fiscal,  seja  aquela  pretendida  pela  impugnante, nos termos do artigo 386 do RIR/99, seja aquela admitida pela fiscalização, nos  termos dos artigos 324 a 327 do RIR/99.  2º ponto de divergência   A impugnante acusa a fiscalização de não ter computado a segunda parcela, no  valor  de R$ R$  20.000.000,00  (março/2008),  relativa  ao  “Pagamento  à Vista”,  efetuado  quando  da  emissão do primeiro cartão.  "No entanto, constata­se que o montante “pago” em março/2008, de R$ 18.000.000,00, que  consta  da  tabela  de  cálculo  atribuída  à  fiscalização,  equivale  a  essa  parcela  de  R$  20.000,000,00  (do  “Pagamento  à  Vista”)  subtraída  dos  R$  2.000.000,00  devolvidos  no  mesmo  mês  de  março  por  conta  da  não  abertura  de  duas  das  oito  lojas  que  ensejaram  o  pagamento de R$ 8.000.000,00 em janeiro/2008."  Não  há  dúvidas  de  que  a  impugnante  não  percebeu  que  esse  valor  de  R$  18.000.000,00 seria relativo a um pagamento de R$ 20.000.000,00 e a uma devolução de R$  2.000.000,00  e,  assim,  concluiu,  equivocadamente,  que  esse  valor  seria  relativo  a  uma  das  parcelas  do  “Prêmio  Adicional  à  Vista”,  cujas  parcelas  pagas  (de  R$  18.000.000,00  e  R$  12.000.000,00), de fato, não foram consideradas pela fiscalização por terem sido integralmente  devolvidas.  Assim,  resta demonstrado que o pagamento de R$ 20.000.000,00 efetuado em  março/2008,  relativo  a  parte  do  “Pagamento  à  Vista”,  foi  computado  pela  fiscalização  para  apurar o total amortizável de R$ 83.810.708,32.  3º ponto de divergência   Insurge­se  contra  o  fato  de  não  ter  a  fiscalização  computado  o  pagamento  relacionado  ao  “Prêmio Adicional  à Vista”  no  valor  de R$ 12.000.000,00  (março/2008),  em  razão de ter sido devolvido.  À vista dos esclarecimentos dados ao ponto de divergência anterior, observa­se  que a fiscalização deixou de computar não apenas o pagamento de R$ 12.000.000,00 apontado  pela  impugnante,  como  também  o  pagamento  de  R$  18.000.000,00,  ambos  relacionados  ao  “Prêmio Adicional à Vista”.  Sobre  a  alegação  de  que  as  devoluções  dos  referidos  valores  seriam  baixados  para  resultado  e  tributados,  cumpre  observar  que  tal  procedimento,  além  de  não  ter  sido  demonstrado  pela  impugnante,  não  teria  o  condão  de  justificar  ou  neutralizar  os  indevidos  benefícios fiscais da amortização da parcela posteriormente devolvida.  Com efeito, conforme ressaltado pela autoridade fiscal, enquanto não verificada  a  condição  suspensiva  atribuída  aos  pagamentos  em  comento,  não  poderia  a  impugnante  computá­los para fins de amortização, à luz dos artigos 116, inciso II, combinado com o artigo  117, inciso I, do CTN, que assim dispõem:  "Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera­se ocorrido  o fato . gerador e existentes os seus efeitos:  Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 15          14 II  ­  tratando­se de  situação  jurídica,  desde o momento  em que  esteja  definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável."  "Art.  117.  Para  os  efeitos  do  inciso  II  do  artigo  anterior  e  salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  os  atos  ou  negócios  jurídicos  condicionais reputam­se perfeitos e acabados:  I ­ sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento;"  O  Bradescard  pagou  antecipadamente  à  SHV  valores  atrelados  a  um  evento  futuro  e  incerto,  que  seria  um  aumento  de  faturamento  das  compras  com  cartões  realizados  pelos clientes do Makro. Caso este aumento não se concretizasse, tais pagamentos deveriam ser  devolvidos  pela  SHV,  como  de  fato  foram,  corrigidos  monetariamente,  nas  datas  de  31/12/2009,  30/11/2010  e  25/02/2011,  em  face  dos  resultados  dos  testes  de  “impairment”  realizados em 28/02/2009, 31/12/2009 e 31/12/2010.  Assim, mostra­se correto o critério aplicado pela fiscalização, que implicou não  computar os pagamentos efetivados que  foram posteriormente devolvidos em virtude do não  implemento da condição a eles atribuída.  4º ponto de divergência   A  impugnante  sustenta  que  a  correção  das  devoluções  de  valores  referentes  a  "Prêmio Adicional à Vista" e  "Prêmio por Abertura de Lojas" não poderiam ser computados  como “receitas financeiras”, diminuindo o valor do ágio amortizável, sob o argumento de que  teria constituído uma conta de passivo cujos valores seriam baixados para resultado e, assim,  oferecidos à tributação.  O  argumento  da  defesa  aponta  para  uma  suposta  postergação  de  tributos  a  período  posterior  em  que  efetivamente  tivesse  a  contribuinte  recolhido  imposto  a  maior,  hipótese  que,  entretanto,  não  foi  demonstrada  pela  impugnante,  o  que  impossibilita  o  seu  acolhimento.  Além de não demonstrar a alegada neutralização mediante outros  lançamentos,  cabe  notar  que  o  mesmo  tratamento  foi  dado  às  correções  dos  pagamentos  relacionados  ao  “Prêmio  Adicional  por  Abertura  de  Lojas”  que,  consideradas  como  despesas  financeiras,  aumentaram o valor amortizável calculado pela fiscalização.  Na realidade, os valores considerados a título de receitas financeiras e despesas  financeiras correspondem a valores efetivamente devolvidos ou efetivamente pagos, devendo  ambos ser computados na apuração do montante amortizável para fins fiscais, que deve refletir  o efetivo sacrifício da empresa na aquisição do bem.  Esse  tratamento  ainda  encontra  respaldo,  tal  como consignado pela  autoridade  fiscal, na Solução de Divergência n° 45/08 da COSIT, que estabelece que "As pessoas jurídicas  tributadas  com base no  lucro  real  devem  registrar no  ativo diferido o  saldo  líquido negativo  entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido  subgrupo.  Sendo  positiva,  tal  diferença  diminuirá  o  total  das  despesas  pré­operacionais  registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício."  Assim,  os  valores  correspondentes  a  correção  das  devoluções  de  pagamentos  foram corretamente computados como “receitas financeiras” pela fiscalização.  Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 16          15 5º ponto de divergência   A  impugnante  requer  que  seja  considerada  como  despesa  financeira  incorrida  em  fevereiro/2011  o  valor  de R$  2.718.365,00,  sob  a  afirmativa  de  que  a  fiscalização  teria  considerado  apenas R$ 2.542.203,60.  Contudo, constata­se que a  fiscalização computou em seu cálculo o valor apresentado  pela  impugnante,  de  R$  2.718.365,00,  como  despesa  financeira  incorrida  em  fevereiro/2011,  afigurando­se equivocada e carente de interesse a alegação da impugnante.  (...)  No recurso voluntário a  recorrente  rebate um a um os fundamentos da decisão  recorrida,  reafirmando  que  os  valores  efetivamente  pagos  nos  anos  de  2008  a  2011  são  os  contidos na tabela abaixo:     A  seguir,  o  recurso  voluntário  apresenta  as  seguintes  justificativas  para  essas  divergências de valores:  “(...)  (i)  O  primeiro:  a  D.  Fiscalização  não  computa  em  seus  cálculos  a  despesa  financeira  de  R$  27.819,09  (janeiro/2008),  para  fins  de  consideração  do  pagamento  efetuado  pela  Recorrente.  Da  mesma  forma,  não  computa  o  pagamento no valor de R$ 1.032.485,56 (março/2008).  99. Diferente do que sustenta a Fiscalização e a D. Autoridade Julgadora, tais  valores correspondem efetivamente à parcela do preço pago pela Recorrente à  SHV pela aquisição da Gopic. Com efeito, ao contrário do que se alega na r.  decisão  recorrida,  houve  efetiva  saída  de  caixa  e  fechamento  de  contrato  de  câmbio, tendo o valor servido de base para apuração e recolhimento do IRF e  do  IOF  aos  cofres  públicos  (fls.  814,  829  a  833  destes  autos).  Portanto,  tais  Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 17          16 valores devem necessariamente compor o preço da aquisição da participação  da Gopic.  (ii) o segundo: a D. Fiscalização não computou do pagamento realizado pela  Recorrente,  no  valor  de R$ 20.000.000,00  (março/2008),  referente  à  segunda  parcela do  "Pagamento à Vista"  (pagamento  efetuado quando da emissão do  primeiro cartão).  100. Diferente do que sustenta a r. decisão recorrida, o valor foi efetivamente  pago em 5.3.2008 (vide fls. 815, 821 e 1099), o que não é questionado pela D.  Fiscalização, e não devolvido, já que a cláusula do Instrumento de Compra e  Venda  não  condiciona  essa  parcela  de  pagamento  a  qualquer  condição  suspensiva. Por  essa  razão,  é  totalmente  improcedente  a  exclusão  pretendida  pela D. Fiscalização.  (iii) o terceiro: a D. Fiscalização não computou em seus cálculos o pagamento  relacionado  ao  "Prêmio  Adicional  à  Vista",  no  valor  de  R$  12.000.000,00  (março/2008).  101. No caso, o pagamento  foi efetivamente realizado (também em 5.3.2008 ­  vide  fls.  815,  821  e  1099),  o  que  não  é  questionado  pela  D.  Fiscalização.  Contudo,  pelo  fato  de  ter  sido  devolvido  (pelo  não  cumprimento  de  metas  contratuais), a D, Fiscalização e a D. Autoridade Julgadora consideram que tal  pagamento  deveria  ser  desconsiderado,  nos  termos  dos  artigos  121  e  125  do  Código Civil, combinados com os artigos 116 e 117 do CTN (segundo os quais  a  validade  do  negócio  jurídico  estaria  condicionada  ocorrência  da  cláusula  suspensiva).  102.  ­  Contudo  ,  no  Instrumento  de  Compra  e  Venda,  o  pagamento  não  é  condicionado a qualquer condição suspensiva, apenas a sua devolução. Desse  modo  nenhum  dos  dispositivos  utilizados  pela  D.  Fiscalização  poderia  ser  aplicado  no  intuito  de  desconsiderar  o  efetivo  pagamento  dessa  parcela  de  preço  (em  março/2008),  razão  pela  qual  o  valor  não  poderia  ter  sido  desconsiderado ia composição do montante pago pela aquisição da Gopic pela  Recorrente.  103.  Importante  ressaltar  que,  em  virtude  das  devoluções,  a  Recorrente  constituiu uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado (e  tributados ­ doe. n° 8 da I m p u g n a ç ã o ) anualmente, dentro do prazo do  contrato.  Dessa  forma,  como  os  valores  das  devoluções  são  efetivamente  tributados,  são  neutros  os  efeitos  fiscais  da  amortização  do  "ágio  pago"  em  relação à parcela posteriormente devolvida.  (iv)  o  quarto:  a  D.  Fiscalização  computa  em  seus  cálculos,  como  receitas  financeiras  da  Recorrente,  as  devoluções  de  valores  referentes  a  "Prêmio  Adicional  à  Vista"  e  "Prêmio  por  Abertura  de  Lojas",  nos  valores  de  R$  628.087,57  (dezembro/2009),  R$  898.809,58  (novembro/2010)  e  R$  8.692.517,00 (fevereiro/2011).  104.  Com  relação  também  a  esse  ponto,  a  Recorrente  reitera  que  constituiu  uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado (e tributados)  anualmente,  no  prazo  de  duração  do  contrato.  Dessa  forma,  o  fato  de  a  Recorrente não ter considerado os valores e questão como receitas financeiras  é neutro para fins fiscais.  Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 18          17 105.  Vale  notar,  ainda,  que  os  valores  indicados  pela  D.  Fiscalização  como  receita  financeira não consideram a correção monetária das devoluções, cujo  montante consta da conta de passivo a ser amortizada no prazo do contrato.  Dessa  forma,  se mantido  o  entendimento  da D.  Fiscalização  e  da  r.  decisão  recorrida, a baixa desses montantes para a conta de resultado vai gerar uma  tributação em duplicidade,  razão  pela  qual os  números  da Recorrente devem  prevalecer.  (v)  o  quinto:  a  D.  Fiscalização  considera  em  seus  cálculos,  como  despesa  financeira incorrida em fevereiro/2011, o valor de R$ 2.542.203,60, enquanto a  Recorrente considera o valor de R$ 2.718.365,00. Conforme resposta ao Termo  de Fiscalização apresentada em 29.4.2013 (fls. 1251), a Recorrente reitera que  as divergências apontadas estão relacionadas a valores de IRF e IOF lançados  em período posterior como despesas (neutralizando assim os efeitos fiscais do  lançamento). Em decorrência disso, a manutenção dos valores na tabela da D.  Fiscalização  gera  um  excesso  de  receita  financeira,  em  decorrência  do  qual  resulta  diminuição  indevida  do  montante  de  "ágio  pago"  considerado  pela  Recorrente .  106.  Como  síntese  dos  pontos  acima,  tem­se  que  os  valores  indicados  pela  Recorrente  são  corretos  e  merecem  prevalecer,  de  modo  que  deve  ser.considerado  como  valor  pago pela  aquisição da Gopic  o montante de R$  125.184.215,72,  e  não  apenas  os  R$  83.810.708,32  indicados  pela  D.  Fiscalização e mantidos pela r. decisão recorrida.  (...)”Faz necessário escoimar quaisquer dúvidas quanto ao valor efetivamente  pago,  mediante  diligência  fiscal  para  confirmar  a  efetiva  contabilização  de  receitas  alegadas  pela  recorrente.  Isso  porque,  na  eventual  hipótese  de  provimento  do  recurso  no  mérito  (nessa  parte),  o  valor  glosado  a  ser  restabelecida é o efetivamente pago ao alienante.  Em  análise  preliminar,  verifica­se  que  a  contribuinte  trouxe  aos  autos  provas  documentais de suas alegações, a exemplo do pagamento de relacionado ao "Prêmio Adicional  à Vista",  no valor de R$ 12.000.000,00  (março/2008)...  efetivamente  realizado;  (também em  5.3.2008  ­ vide  fls.  815, 821 e 1099)...” Diante da  relevância dos  valores,  é  recomendável  a  confirmação da veracidade dos mesmos mediante diligência fiscal.  Assim,  proponho  seja  convertido  o  julgamento  em  diligência  para  que  a  Fiscalização verifique  e  se manifeste quanto  aos 5  (cinco) pontos de divergência  em  relação  aos  valores  pagos  pela  aquisição,  conforme  acima  transcrito,  em  especial  as  afirmações  constantes nos itens 4 e 5, onde a recorrente alega hipótese de dupla tributação caso mantido o  entendimento da douta autoridade fiscal.  ISSO POSTO,  voto  no  sentido  de  converter o  julgamento  em diligência  para  que  a  Fiscalização  verifique  e  se manifeste  quanto  aos  5  (cinco)  pontos  de  divergência  em  relação aos valores pagos pela aquisição, conforme acima transcrito, em especial em relação as  afirmações constantes nos itens 42 e 53, transcritas em notas de rodapé, onde a recorrente alega  hipótese de dupla tributação caso mantido o entendimento da douta autoridade fiscal.                                                              2  "4.  a D. Fiscalização  computou em  seus  cálculos,  como  receitas  financeiras  da Requerente,  as devoluções  de  valores referentes a "Prêmio Adicional à Vista" e "Prêmio por Abertura de Lojas", nos valores de R$ 628.087,57  (dezembro/2009), R$ 898.809,58  (novembro/2010) e R$ 8.692.517,00  (fevereiro/2011). Com relação  também a  esse ponto, a Requerente reitera que constituiu uma conta de passivo cujos valores são baixados para resultado (e  Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.720701/2013­49  Resolução nº  1402­000.308  S1­C4T2  Fl. 19          18 Ao  final  dos  trabalhos,  deverá  ser  lavrado  relatório  consubstanciado,  cientificando­se a contribuinte para manifestar­se no prazo de 30 dias, caso deseje.     (assinado digitalmente)  Moises Giacomelli Nunes da Silva                                                                                                                                                                                               tributados) anualmente, no prazo de duração do contrato, neutralizando os efeitos fiscais de sua inclusão no ágio  amortizável. Se mantido o entendimento da D. Fiscalização, a baixa desses montantes para a conta de resultado  vai gerar uma tributação em duplicidade, razão pela qual os números da Requerente devem prevalecer."    3 "5. a D. Fiscalização considera em seus cálculos, como despesa financeira incorrida em fevereiro/2011, o valor  de R$ 2.542.203,60, enquanto a Requerente considera o valor de R$ 2.718.365,00. Conforme resposta ao Termo  de Fiscalização apresentada em 29.4.2013  (fls. 1251),  a Requerente  reitera que as divergências apontadas estão  relacionadas a valores de IRF e IOF lançados em período posterior como despesas (neutralizando assim os efeitos  fiscais do lançamento)."  Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 02/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/05/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 13888.004943/2010-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. .LANÇAMENTO. LEI VIGENTE. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional- CTN. PREVIDENCIÁRIO. .MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO. .RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O inciso II, “c” do art.106, do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando até 11/2008 o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009. Ressalte-se que são critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. .LANÇAMENTO. LEI VIGENTE. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada , eis que assim resta determinado na previsão do art. 144 do Código tributário Nacional- CTN. PREVIDENCIÁRIO. .MULTA DE MORA. Na forma da redação dada ao art. 35 da Lei n° 8.212/91 pela Lei n 11.941, de 2009, às obrigações inadimplidas anteriores às alterações então introduzidas, seriam acrescidas de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO. .RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. O inciso II, “c” do art.106, do Código Tributário Nacional - CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada nos incisos I, II e III do art. 35 anterior a nova redação dada pela Lei n 11.941, sendo mais benéfico o novo comando, o cálculo da multa de mora há que se submeter ao preceituado último. Recurso Voluntário Provido em Parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando até 11/2008 o recálculo da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a 20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009. Ressalte-se que são critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso, determinando até 11/2008 o recálculo da multa de mora nos termos do art.  61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e estabelece multa de 0,33% ao dia limitada a  20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009.  Ressalte­se  que  são  critérios  desta  data  que  devem  ser  observados  quando  da  ocasião  do  pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.  CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI ­ Presidente.     IVACIR JÚLIO DE SOUZA  ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees  Stringari , Marcelo Magalhaes Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragao Elvas, Ivacir Julio de  Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Analisado  o  Relatório  de  Primeira  Instância,  o  confrontei  com  os  autos  e  tendo  corroborado  seu  conteúdo,  com  grifos  e  destaques  de minha  autoria,  o  transcrevo  na  íntegra:   “Trata­se  de  crédito  tributário  constituído  pela  fiscalização  contra  o  sujeito  passivo  acima  identificado  (DEBCAD  nº  37.281.2996),  consolidado  em  08/11/2010,  no  valor  de  R$  16.668,57,  referente  às  contribuições  destinadas  à  Seguridade  Social,  correspondente  a  parte  devida  pelos  segurados  (com  desconto).  Os  fatos  geradores  das  contribuições  lançadas  foram  as  remunerações  pagas/creditadas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  no  período  de  01/2006  a  12/2009,  apuradas  em  folhas  de  pagamentos.  Outros  fatos  geradores  foram  verificados  em  livros  contábeis,  como pagamento  ao  sócio  administrador  a  título  de  retirada  pró labore.  Os  lançamentos foram feitos nas competências dos  respectivos  lançamentos  contábeis em conta de despesa, verificados em contabilidade da empresa e foram considerados  como salário de contribuição os valores integrais lançados na contabilidade a título de retirada  pró­labore ao sócio administrador.  O sujeito passivo apresentou  impugnação,  acompanhada de documentos, na  qual alega e requer, em suma, o seguinte:  DA IMPUGNAÇÃO ­ ( Destaque de minha autoria)  O  sujeito  passivo  apresentou  impugnação,  acompanhada  de  documentos, na qual alega e requer, em suma, o seguinte:  O Relatório Fiscal é extremamente sintético, não indica sequer o  órgão  que  está  emitindo  o  Auto  de  Infração,  cita  apenas  o  Ministério da Fazenda e Secretaria da Receita Federal o Brasil.  Não  consta  sequer  a  Delegacia  Jurisdicionante  ou  outra  qualquer  autorizada  pela  Superintendência  Estadual.  Assim,  o  lançamento já começa nulo de pleno direito.  O Relatório Fiscal também não aponta sequer os levantamentos  e  códigos.  Não  aponta  os  valores  informados  em  GFIP  e  a  diferença apurada em GFIP em relação à folha de pagamento. (  ARGUMENTOS  SUPERADOS  E  NÃO  REITERADOS  EM  GRAU DE RECURSO)  Foi  aplicada  multa  de  75%,  retroativa,  pela  não  inclusão  de  fatos  geradores  em  GFIP,  multa  essa  estabelecida  apenas  em  dezembro/2008,  pela  Medida  Provisória  409/2008,  sem  se  comprovar que a mesma seria mais benéfica ao contribuinte, nos  termos do artigo 106 do CTN.   Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     4 Levantamentos    AU, W11  e W2  –  Contribuinte  Individual,  Pessoa  Física,  com  base  em  valores  supostamente  informados  em  escrituração  contábil.  Ocorre  que  não  existe  pagamento  de  autônomos.  Os  valores  informados  em  DIRF  dizem  respeito  a  pagamento  de  alugueis,  com  incidência  apenas  de  IRPF  na  fonte,  não  se  tratando de serviços prestados.    Levantamentos    CB, W4 e W31 – Cesta Básica e Vale Refeição. O contribuinte  fez sua inclusão no PAT antes do início da ação fiscal. Ademais,  tratase  de  benefício  social  de  aplicação  obrigatória,  constante  de Acordo Coletivo de Trabalho devidamente homologado junto  ao Ministério do Trabalho. Transcreve trecho de decisão do TST  sobre  o  tema.  ARGUMENTOS  SUPERADOS  E  NÃO  REITERADOS EM GRAU DE RECURSO    No Relatório Fiscal não é apontado a qual rubrica se refere as  diferenças de salário de contribuição apuradas pela autoridade  fiscal.  O  Relatório  Fiscal  aponta  apenas  o  valor  correto  do  salário de contribuição apurado na ação fiscal, o valor devido à  Previdência  Social,  deduzindo  os  valores  retidos  e  recolhidos  antes  do  inicio  do  procedimento  fiscal,  procedendo  ao  arbitramento  do  salário  de  contribuição  com  base  nos  valores  informados em RAIS.  O Auditor arbitrou o salário de contribuição através da suposta  massa salarial contábil, sem deduzir dela as verbas rescisórias.  E mesmo  que  o  valor  houvesse  sido  arbitrado,  o  arbitramento  estaria  incorreto,  pois  nos  valores  de  salário  de  contribuição  lançados  foram  incluídas  as  remunerações  decorrentes  da  primeira  e  segunda parcela do décimo  terceiro  salário. Ocorre  que  foram  incluídos  os  adiantamentos  de  décimo  terceiro  salário,  exigidos  nas  competências  do  adiantamento  e  não  na  competência  própria,  quando  foram  recolhidas  as  exações,  as  quais não foram incluídas no resumo do salário de contribuição,  porquanto  não  constituem  remuneração  fora  da  competência  gratificação  natalina,  nos  termos  do  artigo  22,  I  do  Lei  nº  8.212/91.  A  fiscalização  de  contribuições  previdenciárias  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  seus  auditores,  não  tem  legitimidade  para  arbitrar,  nessas  circunstâncias,  eventual  crédito relativo aos pagamentos efetuados pelo impugnante.  A tributação com base em presunção somente é cabível quando  expressamente  prevista  em  lei.  Diante  de  eventuais  indícios  de  omissão  de  remuneração,  a  fiscalização  deve  aprofundar  os  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 4          5 trabalhos  fiscais de modo a comprovar ou não a ocorrência da  irregularidade.  A  fiscalização  procedeu  ao  arbitramento  de  contribuições  previdenciárias,  procedendo  a  uma  aferição  indireta  com  base  nos  valores  supostamente  existentes  e  contabilizados,  sem  apurar as parcelas que não compõem o salário de contribuição.   O  contrato  de  concessão ajustado  apenas mascara a  realidade  contratual,  com  as  empresas  de  transporte  sendo  apenas  prestadoras  de  serviço,  não  tendo  efetivamente  concessão  de  serviços de transportes da Cidade de Rio Claro. O Contrato não  atende o disposto na Lei nº 8.666/2003.  A  administração  Pública  responde  solidariamente  com  o  contratado  pelos  encargos  previdenciários  resultantes  da  execução  do  contrato,  nos  termos  do  artigo  31  da  Lei  nº  8.212/91.  O  contrato  existente  não  é  de  concessão  e  sim  prestação  de  serviços,  sendo  responsabilidade  do  tomador  de  serviços  proceder  à  retenção  de  11%  incidente  sobre  a  nota  fiscal  de  prestação  de  serviços,  recolhendo  os  valores  em  favor  das  prestadoras.   O  auditor  fiscal  deixou  de  apropriar  como  crédito  da  impugnante valores que deveriam ter sido retidos pelo tomador  de serviços.  Com o advento da MP 449, convertida na Lei nº 11941/2009, as  sobras  de  retenção  deverão  ser  alocadas  em  todos  os  estabelecimentos,  sendo  que  os  valores  não  utilizados  deverão  ser considerados para as competências seguintes. Este saldo em  favor da impugnante foi devidamente informado em GFIP.  O  auditor  deveria  proceder  à  emissão  do  auto  de  infração  apenas  com  lançamento  de  glosa  de  compensação,  pois  não  considerou  os  créditos  que  a  impugnante  tem  direito.  Ao  proceder o  lançamento com arbitramento de contribuições com  base  em  outros  elementos  que  não  a  folha  de  pagamento,  sem  considerar  as  GFIP  com  indicação  da  compensação,  ocorre  majoração indevida da multa, que é limitada a 20% nos casos de  glosa de compensação, até a vigência da MP 449/2008.  Os  encargos  moratórios  aplicados  caracterizam  verdadeiro  confisco. A multa deve ser reduzida do percentual de 30% para  razoáveis 2%, sob pena de violação do princípio constitucional  da vedação do confisco.  A impugnante tem direito à redução da multa de mora em 50%,  prevista  para  os  casos  da  contribuição  ter  sido  declarada  em  GFIP, uma vez que ela não pode ser prejudicada pela alteração  da legislação em momento posterior a ocorrência da infração.   É indevida a indicação dos sócios e procuradores da impugnante  como  responsáveis  solidários,  conforme  consta  da  Relação  de  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     6 CoResponsáveis,  anexo  da  NFLD.  A  responsabilização  deles  somente poderia se dar nos casos previstos nos artigo 134 e 135  doCódigo  Tributário  Nacional,  os  quais  não  ocorreram  na  hipótese presente.  O artigo  13  da Lei  nº  8.620/93,  que  previa  a  responsabilidade  solidária dos sócios pelos débitos junto à Seguridade Social, foi  revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.  Requer a consideração das GFIP substituídas por GFIP emitidas  com base em decisão judicial.  Requer  a  desconsideração  do  arbitramento  com  base  nas  despesas  de  pessoal  escrituradas  sem  o  reconhecimento  das  parcelas  não  remuneratórias,  pois  todos  os  fatos  geradores  foram declarados em GFIP.   Requer o reconhecimento do direito da impugnante proceder a  compensação  de  créditos  decorrentes  da  aplicação  de  11%  sobre  o  valor  do  faturamento,  cujo  recolhimento  é  de  responsabilidade da tomadora de serviços. Esse crédito deve ser  concedido  a  impugnante  independentemente  de  constar  em  GFIP, tendo em vista o entendimento da PGFN.  Requer  o julgamento em conjunto dos lançamentos, ante a existência de  conexão entre eles.  É o relatório. ”    DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA    Após analisar aos argumentos da então Impugnante, na forma do registro de  fls.88  e  seguintes,  a  9ª Turma da Delegacia  de  Julgamento  da Receita Federal  do Brasil  em  Ribeirão Preto (SP) ­ DRJ/RPO, em 04 de abril de 2012, exarou o Acórdão n° 14­37.200, e,  por unanimidade de otos,  julgour  improcedente  a  impugnação, mantendo o  crédito  tributário  exigido.  DO RECURSO  Irresignada,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  de  fls.  99  onde,  excetuando  os  levantamentos  CB, W4  e W31  –  Cesta  Básica  e  Vale  Refeição  e  as  argüições  sobre Relatório  de Co­responsáveis,  reiterou  as  alegações  que  fizera  em  instancia “ad quod ”.  É o Relatório.  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Ivacir Júlio de Souza ­ Relator    DA TEMPESTIVIDADE    Conforme  registros  de  protocolo  de  fls.  99  e  telas  de  fls.  114,  o  recurso  é  tempestivo.  Aduz  que  reúne  os  pressuposto  de  admissibilidade.  Portanto,  dele  tomo  conhecimento.  Às fls. 04, no Relatório denominado como ­ DD ­ DISCRIMINATIVO DO  DÉBITO, registraram­se todos os levantamentos utilizados na ação fiscal:     LEV: CB ­ CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO ­ ( EXCLUÍDO)  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 01 /2006 a 10/2008    LEV: W31 ­ CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO ­ ( EXCLUÍDO)  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 07/2006 a 11/2008    LEV: W4 ­ CESTA BÁSICA VALE REFEIÇÃO ­ (EXCLUÍDO)  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 12/2008 a 12/2009   Consolidado em: 08/11/2010      CRÉDITOS MANTIDOS      LEV: AU ­ SERVIÇO PESSOA FÍSICA  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 10/2006 a 12/2007     LEV: DAL ­ Diferença de Ac. Legais  Classificação:  Período de Apuração:  Período do Débito: 04/2008 a 05/2010     LEV: FP ­ FOLHA DE PAGAMENTO  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 01/2006 a 10/2008     Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     8 LEV: PL­ PAGAMENTOS DE PRO LABORE  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009  Período do Débito: 01/2006 a 10/2008     LEV: W11 ­ SERVIÇO PESSOA FÍSICA  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009  Período do Débito: 07/2006 a 03/2007     LEV: W2 ­ SERVIÇO PESSOA FÍSICA  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 02/2009 a 07/2009     LEV: W51 ­ FOLHA DE PAGAMENTO  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009  Período do Débito: 06/2006 a 11/2008     LEV: W6 ­ FOLHA DE PAGAMENTO  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01 /2006 a 12/2009  Período do Débito: 12/2008 a 12/2009     LEV: W71 ­ PAGAMENTOS DE PRO LABORE  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 06/2006 a 11/2008     LEV: W8 ­ PAGAMENTOS DE PRO LABORE  Classificação: Não declarado em GFIP  Período de Apuração: 01/2006 a 12/2009  Período do Débito: 12/2008 a 12/2009      DA CONDUÇÃO DO VOTO A QUO    Enfrentando  as  alegações  da  Impugnante,  referindo­se  aos  levantamentos  abaixo destacados,  todos NÃO DECLARADOS EM GFIP, o  Julgador  a  quo manifestou  seu  entendimento na forma abaixo transcrita:  Levantamentos AU, W11 e W2 – Contribuinte Individual  A  impugnante  aduz  que  não  houve  pagamentos  a  autônomos,  sendo que os pagamentos a pessoas físicas informados em DIRF  são  relativos  a  alugueis,  com  incidência  apenas  de  IRPF  na  fonte.   O argumento não procede.  De  acordo  com  o Relatório Fiscal,  consta  da  contabilidade  da  empresa  (conta  40.9073)  que  os  pagamentos  a  pessoas  físicas  foram efetuados a título de prestação de serviços.  Por  sua  vez,  a  impugnante  não  comprovou  nos  autos  a  sua  alegação.  Arbitramento  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 6          9   A  impugnante  aduz  que  a  autoridade  lançadora  arbitrou  o  salário  de  contribuição  através  da  suposta  massa  salarial  contábil.  O argumento não procede.  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  as  remunerações  pagas/creditadas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  foram  apuradas  diretamente  nas  folhas  de  pagamentos  e  nos  livros  contábeis  da  empresa,  tendo  sido  considerados  como  base  de  cálculo  os  valores  lançados  em  contabilidade  como  retirada  prólabore  e  como  pagamentos  a  pessoa física.  Eventual existência de arbitramento das remunerações pagas a  título de fornecimento de vale­refeição e cesta­básica não será  apreciada, uma vez que o crédito  tributário relativo ao auxílio­ alimentação  in  natura  está  sendo  excluído  do  presente  lançamento.  A  impugnante  aduz  ainda que  não  foram  deduzidas  as  verbas  rescisórias,  nem  as  parcelas  que  não  integram  o  salário  de  contribuição constantes do artigo 28, item 9º da Lei nº 8.212/91,  e  que  foram  incluídos  os  adiantamentos  de  décimo  terceiro  salário nas competências do adiantamento e não na competência  própria.  Os  argumentos  não  devem  ser  acatados,  uma  vez  que  a  impugnante  não  comprovou  quais  parcelas,  indicando  a  competência e o valor a elas  relativo, não deveriam integrar o  salário de contribuição para fins de apuração das contribuições  lançadas, o que não ocorreu.  Sem prejuízo disso, tem­se que as contribuições incidentes sobre  as parcelas do 13º salário pago em razão de rescisão de contrato  de  trabalho,  conforme  informado  nas  folhas  de  pagamentos  juntadas  aos  autos,  são  devidas  na  competência  referente  a  rescisão.  Retenção 11%  A  impugnante  aduz  que  o  auditor  fiscal  deixou  de  apropriar  como crédito valores que deveriam ter sido retidos pelo tomador  de serviços, e que esse crédito deve ser concedido a impugnante  independentemente de constar em GFIP.  O argumento não procede.  As  normas  que  dispõem  sobre  a  compensação  de  valores  referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão  de mão­de­obra e na empreitada estão previstas no artigo 48 da  Instrução Normativa RFB nº 900/2008, cujo caput e incisos I e II  (na redação vigente à época), transcrevese abaixo:  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     10 Art. 48. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção  no  ato  da  quitação  da  nota  fiscal,  da  fatura  ou  do  recibo  de  prestação de serviços, poderá compensar o valor retido quando  do  recolhimento das  contribuições previdenciárias,  inclusive as  devidas em decorrência do décimo terceiro salário, desde que a  retenção esteja:  I declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal,  da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e II destacada  na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços  ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor.  Assim,  para  que  a  empresa  prestadora  de  serviço  possa  compensar  o  valor  correspondente  à  retenção  devida  nos  serviços  prestados  através  de  cessão  de  mão  de  obra  ou  empreitada,  é necessário que  ela  efetivamente  tenha  sofrido  a  retenção e que essa retenção tenha sido declarada em GFIP, o  que não ocorreu na hipótese alegada pela impugnante.  Por  outro  lado,  consta  do  Relatório  Fiscal  que  foram  utilizados/apropriados como crédito do contribuinte, no presente  Auto de  Infração, os  créditos decorrentes de  retenções  sofridas  pelo  contribuinte,  destacadas em notas  fiscais de prestações de  serviços,  conforme  detalhados  nos  anexos  "DD Discriminativo  do  Débito",  "RDA  Relatório  de  Documentos  Apresentados”  e  "RADA  Relatório  de  Apropriação  de  Documentos  Apresentados”.  Multa de mora. Redução em 50%.  A impugnante aduz haver direito à redução da multa de mora em  50%,  cabível  nos  casos  de  as  contribuições  terem  sido  declaradas em GFIP, uma vez que ela não pode ser prejudicada  pela alteração da legislação em momento posterior a ocorrência  da infração.  O argumento não procede  A redução em 50% da multa de mora, quando as contribuições  forem declaradas em GFIP, consta do artigo 35, §4º da Lei nº  8.212/91, que assim dispõe:  § 4° Na hipótese de as  contribuições  terem sido declaradas no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta  por  cento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  1  De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal,  a  empresa  não  foi  beneficiada  com a redução da multa de mora para as contribuições lançadas  porque  deixou  de  declarar  tais  contribuições  em GFIP, motivo  da  lavratura  do  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  DEBCAD nº 37.281.3011.”    DAS REITERADAS ALEGAÇÕES EM GRAU DE RECURSO    Rebatendo  os  argumentos  do  Acórdão,  a  Recorrente  reitera  em  parte  as  alegações colacionadas em sede de impugnação:  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 7          11 Sem apresentar elementos probantes produziu argumentos genéricos.Ao contrário, às  fls 52,  nos itens 4 e 4.1 do Relatório Fiscal, a autoridade autuante é efetiva e registra de onde obteve  os fatos geradores que constituíram os créditos tributários, verbis:  “  4.  O  fato  gerador  ocorreu  com  o  pagamento/crédito  dos  valores lançados em folhas de pagamentos a títulos de salários e  ordenados aos seus empregados e contribuintes  individuais que  prestaram serviços à empresa durante o período fiscalizado.  4.1  ­  Outros  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias  foram  verificados  nos  livros  contábeis,  como  pagamento  ao  sócio  administrador  a  título  de  retirada  pró  labore  (conta  n°  33.204­6),  pagamentos  a  pessoa  física,  a  título  de  prestação  de  serviço  (  conta  n°  40.907­3)  e  também  o  fornecimento  de  Cestas  Básicas  (contas­  50.045­3  e  50.047­0)  e  Vale­Refeição  (contas  ­  40.647­3  e  50.047­0)  em  desacordo  com  a  legislação  vigente, visto o contribuinte não ter efetuado sua adesão ao  Programa  de  Alimentação  ao  Trabalhador  ­  PAT,  instituído pela Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, para o  período citado acima e  conforme  informação obtida  junto  ao  órgão  do  Ministério  do  Trabalho  para  o  período  de  01/2006 a 12/2009.”  Em razão de tudo que foi encimado, NÃO DOU PROVIMENTO ao alegado.    DA MULTA APLICADA    Conforme fls. 01, a empresa sofreu multa de ofício e de mora quando autuada  sobre fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 12/2009.    “ Valor atualizado: 9221,26  Juros: 2.014,06  Multa de ofício: : 4.735,51  Multa de mora: 697,74  Total: 16.668,57”  A  instância  a  quo,  enfrentando  a  questão,  motivou  sua  a  decisão  com  registros  colacionados  em processo distinto. Com grifos de minha  autoria,    transcrevo  sua  manifestação tal qual o abaixo transcrito:    “Multa aplicada  A  impugnante  aduz  que  a  autoridade  lançadora  não  demonstrou ser mais benéfica ao contribuinte a multa de 75%,  aplicada retroativamente, nos  termos do artigo 106 do CTN. O  argumento não procede.  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     12 No  processo  nº  13888.004947/2010­83,  apensado  a  este  por  conexão,  do  qual  o  contribuinte  foi  devidamente  notificado,  tendo  inclusive  apresentado  impugnação,  a  autoridade  lançadora  demonstrou,  no  Relatório  Fiscal  e  anexos,  a  comparação  entre  as  multas  previstas  na  legislação  anterior  (multa do artigo 32, §5º da Lei nº 8.212/91 e multa moratória de  24%  do  artigo  35,  II  da  Lei  nº  8.212/91)  e  aquela  de  75%  estabelecida  pela  legislação  vigente  (MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009),  para  fins  de  aplicação  da  penalidade  mais benéfica ao sujeito passivo Por outro lado, e considerando  que a multa de mora, pela  sua natureza, é definida conforme a  fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é  realizado,  a  análise  do  valor  das  multas  para  verificação  e  aplicação daquela que for mais benéfica ao sujeito passivo, sem  prejuízo  da  comparação  já  efetuada  quando  da  lavratura  do  presente  Auto  de  Infração,  será  realizada  novamente  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento  (artigo  2º,  §4º  da  Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009).”  Embora  o  acima,  na  forma  do  Acórdão  de  n°  14­37.204,  de  relatoria  do  mesmo  julgador  do  processo  em  tela,  a  matéria  tratada  no  sobredito  processo  nº  13888.004947/2010­83 é diversa do presente tendo em vista que o crédito tributária daquela  autuação fora constituído por descumprimento de obrigação acessória , verbis:    “DESCRIÇÃO  SUMÁRIA  DA  INFRAÇÃO  E  DISPOSITIVO  LEGAL INFRINGIDO  Apresentar  a  empresa  o  documento  a  que  se  refere  a  Lei  n.  8.212,  de  24.07.91,  art.  32,  Inciso  IV  e  parágrafo  3.,  acrescentados  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97,  com  dados  não  correspondentes aos  fatos geradores de  todas as contribuições  previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91,  art.  32,  IV  e  parágrafo  5.,  também  acrescentado  pela  Lei  n.  9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4.,  do  Regulamento  da  Previdência  Social  ­  RPS,  aprovado  pelo  Decreto n. 3.048, de 06.05.99.  DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA  Lei  n.  8.212,  de  24.07.91, art.  32,  parágrafo  5.,  acrescentados  pela  Lei  n.  9.528,  de  10.12.97  e  Regulamento  da  Previdência  Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art.  284,  inciso  I  I  (com a  redação dada pelo Decreto  n.  4.729,  de  09.06.03) e art. 373.”  Ressalte­se  que  por  ocasião  do  encerramento  da  ação  fiscal,  17/11/2010,  o  sobredito dispositivo legal , Lei n°. 8.212, de 24.07.91, art. 32, parágrafo 5, embora vigente á  época  dos  fatos  geradores  que motivaram  a  autuação,  já  houvera  sido  revogado  pela  Lei  n°  11.941, de 2009 verbis:     “§  5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  sujeitará o  infrator  à pena  administrativa  correspondente  à multa  de  cem por  cento  do  valor  devido  relativo  à  contribuição  não  declarada,  limitada  aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97).   (Revogado  pela  Medida  Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)”  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 8          13     Na  forma  supra,  os  argumentos  desenvolvidos  naquela  condução  do  voto,  além de não comportar multa de mora e de ofício não alcançam, por impossível, o processo em  análise. Abaixo se transcreve parte daquele relatório aquo:   “Trata­se  de  Auto  de  Infração  (DEBCAD  n°  37.281.3011),  no  valor de R$ 139.599,50,  lavrado em 08/11/2010, em razão de a  empresa  apresentar  as  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social GFIP, relativas às competências 01/2006 a 12/2009, com  omissão  de  remunerações  pagas  a  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  infringindo  assim  o  disposto  no  art.  32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91.”    DOS LANÇAMENTOS    Conforme  preceitua  o  art.  9  do  Decreto  70.235/72,  a  exigência  do  crédito  tributário  será  formalizada  em  autos  de  infração  ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito,  verbis:  “Art.  9o  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou  notificações  de  lançamento,  distintos  para  cada  tributo  ou  penalidade,  os  quais  deverão  estar  instruídos  com  todos  os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação  do  ilícito.  (  Redação  dada  pela  Lei n 11.941, ed 2009). ”    No  mesmo  diapasão,  compete  a  autoridade  autuante  propor  a  penalidade  cabível  e  calcular  o montante  do  tributo  devido,  em  obediência  ao  comando  do  art.  142  do  Código Tributário Nacional­CTN , verbis:    “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Face  ao  até  aqui  descrito,  não  se  vislumbra  apoio  na  legislação  para  aproveitamento de instrução de autos distintos exceto nos casos de prova emprestada que ainda  assim requer severo cumprimento de específicas formalidades , que não é o caso em comento.    Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     14 No  item  11  do  Relatório  Fiscal  a  autoridade  fiscal  registrou  que:“A  fundamentação  legal  para  o  fato  gerador  das  contribuições  objeto  deste AI  enquadra­se  na  legislação vigente à época de sua ocorrência ..” verbis:    “11.  A  fundamentação  legal  para  o  fato  gerador  das  contribuições objeto deste AI enquadra­se na legislação vigente  à  época  de  sua  ocorrência  e  está  descrita  com  detalhes  no  documento  anexo  ao  AI  intitulado  "Fundamentos  Legais  do  Débito ­ FLD".  O sobredito relatório de fundamentos legais – FLD , encontra­se colacionado  às  fls,  30  em  cujo  item  601.09  constam  relacionadas  competências  10/2006  e  07/2008  que  estariam  sendo  penalizadas  com multa  de  mora  com  fulcro  no  art.35  ,  I,  II,  e  III  da  Lei  8.212/91, verbis:  “Fundamentos Legais dos Acréscimos Legais  601 ­ ACRÉSCIMOS LEGAIS ­ MULTA  601.09 ­ Competências : 10/2006 e 07/2008 , Lei n. 8.212,  de 24.07.91, art. 35,1, II, III (com a redação dada pela Lei  n. 9.876, de 26.11.99); ”  No  mesmo  relatório  de  fundamentos  legais  em  comento,  para as competências 06/2006 a 09/2006, 11/2006, 01/2007  a  04/2007,10/2007,  11/2008  a  13/2009  excetuadas  do  rol  supra, aplicaram­se o disposto no art. 35­A da mesma Lei  n° 8.212/91:  701  ­  FALTA  DE  PAGAMENTO,  FALTA  DE  DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA  701.01  ­ Competências  : 02/2009 e 13/2009, Lei n. 8.212,  de 24.07.91, 35­A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei  n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449  de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009.  Art. 35­A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às  contribuições referidas no art. 35, aplica­se o disposto no  art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 75% ­ falta de pagamento,  de declaração e nos de declaração  inexata  ­ Lei 9430/96,  art. 44, inciso I:   Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  serão  aplicadas as seguintes multas:  I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou  diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta de declaração e nos  de declaração inexata;’  Analisado  os  autos,  de  fato,  não  se  verificam  planilhas  de  cálculo  em  que  efetivamente se demonstre que as multas aplicadas pelo percentual de 75% tenham beneficiado  o sujeito passivo nas competências 06/2006 a 09/2006, 11/2006, 01/2007 a 04/2007, 10/2007,  11/2008, ademais, considerando que na forma do art. 144 do CTN, o lançamento reporta­se à  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 9          15 data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, somente seria  de ser aplicada a penalidade prevista no art. 35­A a partir da edição da MP 449 , de 04.12.2008,  convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009.  Neste  sentido,  tendo  em vista  que  o  lançamento  é  omisso  na  definição  dos  parâmetros definidores da aplicação da sanção, DOU PROVIMENTO ao que fora alegado pelo  contribuinte pra que sejam refeitos os cálculos da multa aplicada.  Conforme registrado alhures a  Recorrente fora notificada em 17/11/2010 em  razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 01/2006  a 12/2009.   Aduz que na forma do registro de fls. 30, no Relatório Fundamentos Legais  do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os  parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91.  O artigo  supra  foi  alterado pela MP 449 de  ,  2008 consolidada pela Lei  n°  11.941/2009, determinando , tão­somente, que os débitos referentes a contribuições não pagas  nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61  da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada  a 20%:  “Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de multa  de mora  e  juros  de mora, nos  termos do art.  61 da Lei no  9.430, de 27 de dezembro de  1996  (Redação  dada  pela  Lei  11.491,  2009)”(grifos  do  relator)   Lei 9.430/96:  “  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir  de 1º de  janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento, por dia de atraso.    § 1º  A  multa  de  que  trata  este  artigo  será  calculada  a  partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento.    § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a  vinte por cento.  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA     16   § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se refere o §3° do  art.  5°,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716,  de 1998)”  Não há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo  das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas.   A  planilha  supra  haveria  que  permitir  confrontar  os  valores  calculados  na  forma  do  revogado  artigo  e  respectivos  incisos,  35,  I,  II,  II  da  Lei  n°8.212/91  com  a  nova  redação no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no  9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia,  limitada a 20%  conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 :   “  Art.  35.  Os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  a,  b  e  c  do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  das  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação,  serão  acrescidos  de multa  de mora  e  juros  de mora, nos  termos do art.  61 da Lei no  9.430, de 27 de dezembro de  1996. ( grifos de minha autoria)  MULTA MAIS BENÉFICA   O  artigo  106,  II,  “c”  do  Código  Tributário  Nacional­CTN  determina  a  aplicação retroativa da lei quando, tratando­se de ato não definitivamente julgado, lhe comine  penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da  retroatividade benigna.  Assim, impõe­se, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei  9.430/96  de modo que  comparando o  resultado  com  o  valor  da multa  aplicada  com base na  redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica.    “ Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:   I  ­  em  qualquer  caso,  quando  seja  expressamente  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade  à  infração dos dispositivos interpretados;    II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:   a) quando deixe de defini­lo como infração;   b)  quando  deixe  de  tratá­lo  como  contrário  a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento e não  tenha  implicado em  falta de pagamento  de tributo;   c)  quando  lhe  comine  penalidade  menos  severa  que  a  prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.”  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 13888.004943/2010­03  Acórdão n.º 2403­002.629  S2­C4T3  Fl. 10          17 Pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição se observará  quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da  Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009:  “Art.  2°  No  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento  do  débito  pelo  contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão  retificados,  para  fins  de  aplicação  da  penalidade mais  benéfica,  nos  termos  da  alínea  "c"  do  inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 ­ Código Tributário Nacional ­  CTN.”  CONCLUSÃO      Conheço  do  recurso  para  NO  MÉRITO  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL determinando que o recálculo da multa de mora se proceda nos termos do art. 61 da  Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que  estabelece multa de 0,33% ao dia  limitada a  20%, conforme o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 incluído pela Lei n °11.941/2009.  Ressalte­se  que  são  critérios  desta  data  que  devem  ser  observados  quando  da  ocasião  do  pagamento.    É como voto.    Ivacir Júlio de Souza  ­ Relator                                Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA

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5951801 #
Numero do processo: 11080.930214/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.151
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 1          1             S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.930214/2009­22  Recurso nº  889.506  Despacho nº  3302­00.151  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  11 de agosto de 2011  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  CERAN COMPANHIA ENERGÉTICA RIO DAS ANTAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.  (Assinado digitalmente)  Walber José da Silva ­ Presidente.   (Assinado digitalmente)  Alan Fialho Gandra ­ Relator.  EDITADO EM: 19/08/2011  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Walber  José  da  Silva,  José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e  Gileno Gurjão Barreto.  Relatório  A  empresa  CERAN  Companhia  Energética  Rio  das  Antas  transmitiu,  em  23/12/2008, o PER/DCOMP n°. 18320.03586.231208.1.3.04­0035 (fls. 01 e ss.), pretendendo  compensar  débitos  próprios  de  tributos  administrados  pela  Receita  Federal  com  crédito  de  COFINS.  A DRF, através de Despacho Decisório (fls. 07), não homologou a compensação  sob a  fundamentação de  inexistência de crédito para  realização desta operação. A ciência do  despacho decisório deu­se em 20/10/2009 (AR às fls. 08).     Fl. 349DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.930214/2009­22  Despacho n.º 3302­00.151  S3­C3T2  Fl. 2          2 Irresignada,  a  Recorrente  apresentou,  em  16/11/2009,  Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  13)  contra  referida  decisão,  afirmando,  em  suma,  que  faz  jus  a  compensação em questão eis que, com a apresentação, em 10/11/2009, da DCTF retificadora  (fls.  09  e  ss.),  referente  ao  2º  semestre/2005,  o  valor  do  crédito  original  da  PER/DCOMP  tornou­se disponível para compensação dos débitos informados.  O colegiado de primeira instância, por unanimidade de votos, negou provimento  a manifestação de  inconformidade, mantendo  integralmente  a decisão prolatada pela unidade  de origem, sob o fundamento de que a DCTF retificadora ter sido apresentada em 10/11/2009,  após  o  despacho  decisório  e  visto  que,  até  aquele  momento  processual,  a  empresa  apenas  menciona a existência de erro em sua DCTF sem indicar sua origem ou mesmo juntar qualquer  prova que confirme o novo valor indicado.  O acórdão da decisão de primeira instância tem a seguinte ementa:  “DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.  A  restituição  e/ou  compensação  de  indébito  fiscal  com  créditos  tributários está condicionada à comprovação da certeza e  liquidez do  respectivo indébito.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido”.  Cientificada do acórdão, a interessada insurge­se contra seus termos interpondo  recurso voluntário  a  este Eg. Conselho. Em síntese,  sustenta que  a decisão de primeiro  grau  deve  ser  reformada,  declarando­se  a  homologação  da  compensação  em  baila,  visto  que  na  apreciação da compensação levou­se em consideração tão somente o que estava informado na  DCTF, sem considerar o informado no DACON retificador (apresentado em 11/08/2008, antes,  portanto,  da  emissão  do  Despacho  Decisório,  que  ocorreu  em  07/10/2009),  juntando  vasta  documentação.  Sucessivamente,  aduz  a  necessidade  de  diligência  e,  também,  a  nulidade  da  decisão de primeira instância por preterição do direito de defesa, visto que não foi determinada  a realização de diligência.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Relator, Alan Fialho Gandra  O presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de  admissibilidade, dele tomo conhecimento.  Como se verifica do relatório acima o presente processo  trata de compensação  declarada, cujo crédito utilizado teria sido efetuado a maior no período de apuração 10/2005.  Com  o Recurso Voluntário  vieram  aos  autos  diversos  documentos  fiscais  que  podem comprovar a veracidade das afirmações apresentadas pela Recorrente em seu recurso, e  Fl. 350DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11080.930214/2009­22  Despacho n.º 3302­00.151  S3­C3T2  Fl. 3          3 a partir de uma análise inicial, constatou­se que a diferença entre o valor recolhido inicialmente  e o valor que se entende devido decorreria de utilização de créditos de aquisição de insumos  que não haviam sido considerados inicialmente.  Pelo  exposto  e  em  respeito  ao  princípio  da  Verdade  Material,  norteador  do  processo administrativo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição  de origem para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas e dos  alegados créditos lançados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, intimando­ o  se  necessário,  para  apresentar  informações  e  documentos  complementares.  Do  resultado  desta diligência deve ser o Recorrente intimado para se manifestar.  Alan Fialho Gandra – Relator  (Assinado digitalmente)  Fl. 351DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 20/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 19/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA

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5959973 #
Numero do processo: 10875.002889/2003-85
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA. Há obscuridade a ser sanada quando detecta-se que a decisão tratou de COFINS, mas o auto de infração e o Recurso Voluntário versam sobre PIS.
Numero da decisão: 3801-004.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em colher os embargos de declaração nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1648; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 11          1 10  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10875.002889/2003­85  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  3801­004.929  –  1ª Turma Especial   Sessão de  28 de janeiro de 2015  Matéria  Contribuição para o PIS/PASEP  Recorrente  BRASIMPAR INDUSTRIA METALURGICA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 1998  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OCORRÊNCIA.  Há obscuridade a ser sanada quando detecta­se que a decisão tratou de COFINS, mas o auto  de infração e o Recurso Voluntário versam sobre PIS.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em colher os  embargos de declaração nos termos do voto da Relatora.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel ­ Relatora.    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani,  Cassio  Schappo,  Marcos  Antônio  Borges,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  (Relatora), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 28 89 /2 00 3- 85 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL     2 Relatório  Trata­se  de  Embargos  de Declaração  opostos  pelo  contribuinte  em  face  do  Acórdão  3801003.013,  julgado  por  esta  Primeira  Turma  Especial,  o  qual  entendeu  pela  manutenção  da  exigência  do  crédito  tributário  em  face  da  Embargante,  relativamente  à  COFINS, referente ao ano­calendário de 1998 . Transcreva­se sua ementa:  Assunto:  Normas  de  Administração  Tributária  Ano­calendário:  1998 DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO.   Mantém­se  a  tributação  relativamente  aos  débitos  declarados  cujos pagamentos não foram comprovados.  Recurso Voluntário Negado  Alega  a  Embargante  a  existência  de  obscuridade,  em  face  de  o  auto  de  infração e o Recurso Voluntário versarem sobre o PIS, e a decisão tratar de COFINS.  Requer, assim, o conhecimento e o provimento do presente recurso para que  seja sanada a obscuridade apontada.  É o relatório.    Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora  Apreciando os Embargos, vejo que, de fato, existe a obscuridade apontada no  Acórdão 3801003.013, julgado por esta Primeira Turma Especial. Realmente, a decisão analisa  o auto de infração como se este tratasse de COFINS, muito embora o processo refira­se a Auto  de  Infração eletrônico decorrente de auditoria  interna da DCTF/1998,  indicativo de saldo em  aberto de PIS no valor originário total de R$ 1.955,23, à conta de "pagamento não localizado",  acrescido de juros e multa de oficio.   Entretanto, não obstante o erro material apontado pela Embargante, o teor da  decisão em nada merece ser alterado.  A exigência fiscal decorreu da revisão interna da DCTF 98, a partir da qual  não  foram  localizados  os  pagamentos  correspondentes  a  débitos  de  PIS  efetivamente  declarados.   A Embargante chegou a demonstrar que o valor originalmente lançado estava  equivocado, através da juntada de comprovante de pagamento do PIS, o qual foi considerando  para  fins  de  abatimento  do  crédito  tributário  lançado  em  revisão  de  ofício  do  lançamento,  perpetrada pela  autoridade  fiscal. Entretanto,  o  valor  recolhido  não  foi  suficiente  para  quitar  integralmente o débito declarado em DCTF.   Assim,  apenas  o  saldo  a  pagar  apontado  na DCTF  foi  encaminhado para  a  dívida ativa e exigido por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10875.002889/2003­85  Acórdão n.º 3801­004.929  S3­TE01  Fl. 12          3 e multa de ofício, conforme determinava a Medida Provisória n°2.158­35, de 24 de agosto de  2001.  Caso  a  Embargante  não  concordasse  com  essa  cobrança,  que  decorreu  da  DCTF por  ele  próprio  fornecida  à Receita Federal  do Brasil,  caberia  a  ele  então  evidenciar,  utilizando­se de todos os meios de prova cabíveis, ser esta indevida. Isso não ocorreu no caso  presente.  Assim, acolho os Embargos de Declaração para sanar a obscuridade apontada  pelo Embargante, devendo­se considerar que trata­se de débito de PIS no valor originário total  de R$ 1.955,23,  e não de débito de COFINS. Tendo essa parte  sanada, outrossim,  a decisão  deve ser mantida em seu conteúdo, sentido de negar provimento ao recurso voluntário.   Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel  ­  Relator                               Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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6073953 #
Numero do processo: 15165.721119/2011-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.315
Decisão: Relatório
Nome do relator: Não se aplica

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 15165.721119/2011­75  Resolução nº  3802­000.315  S3­TE02  Fl. 112          2 entendimento fazendário, alargar a base de cálculo das contribuições aqui questionadas, pois a  base de cálculo do PIS/COFINS da importação será tão somente o valor aduaneiro, conforme  definido  na  Constituição  Federal  e  (iii)  à  juntada  de  leis,  tratados  e  julgamentos  do  Poder  Judiciário em favor a tese apresentada.  Mérito da Resolução  A  primeira  questão  que  deve  ser  posta  em  análise  é  a  possibilidade  de  afastamento da aplicação de lei pelos Órgãos de Julgamento Administrativos nas hipóteses em  que  o  Supremo  Tribunal  Federal  declarar  de  forma  inequívoca  e  definitiva  a  inconstitucionalidade de lei (artigo 77 da lei nº 9.430/1996 ­ artigo 1º do Decreto nº 2.346/1997  – artigo 59 do Decreto 7.574/2011).  E,  nesse  sentido,  o  Plenário  da  Corte  Suprema  declarou  inconstitucional  a  inclusão  de  ICMS,  bem  como  do  PIS/Pasep  e  da Cofins  na  base  de  cálculo  dessas mesmas  contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. A regra ora em comento  está contida na segunda parte do inciso I do artigo 7º da Lei n. 10.865/2004.  Conforme se extrai do RE 559937, os Ministros do Supremo Tribunal Federal  destacaram que a norma extrapolou os limites previstos no artigo 149, § 2º, inciso III, letra “a”  da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional 33/2001, que prevê  o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais.  Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a  inconstitucionalidade  do  dispositivo  acima  indicado,  já  que  a  simples  leitura  das  normas  contidas  no  artigo  7º  da  Lei  n.  10.865/04  já  permite  constatar  que  a  base  de  cálculo  das  contribuições sociais sobre a importação de bens e serviços extrapolou o aspecto quantitativo  da  incidência delimitado na Constituição Federal, ao acrescer ao valor aduaneiro o valor dos  tributos incidentes, inclusive o das próprias contribuições.  No  que  concerne  ao  pedido  de  restituição,  bem  como  o  da  homologação  tributária,  algumas  informações  ainda  se  fazem  necessária  para  conclusão  do  julgamento. E,  nesse sentido, converto em diligência o julgamento para a Unidade de origem:  (i)  informar  qual  o  regime  de  tributação  adotado  pelo  sujeito  passivo à época (lucro real ou lucro presumido);  (ii)  considerando  exclusivamente  as  Dis,  objeto  dos  autos,  segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria  ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por  suspensão; e  (iii)  calcular  o  montante  do  PIS  e  da  COFINS  sobre  o  valor  aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda.    (assinado digitalmente)  Cláudio Augusto Gonçalves Pereira ­ Relator  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 15165.721119/2011­75  Resolução nº  3802­000.315  S3­TE02  Fl. 113          3     Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA

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Numero do processo: 10925.000366/2008-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3102-000.099
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO

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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. --C 4 ~,------ . ce o -Guerra de Castro - Presidente José Fernandes do Nascimento - Relator EDITADO EM: 01/03/201,0 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopés Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. Relatório Trata-se de cobrança de crédito tributário, formalizado por meio do Auto de Infração de fls. 1.248/1.301, lavrado em nome da pessoa jurídica Empacotadora de Alimentos Santo Expedito Ltda, que será doravante denominada autuada, no qual foi exigido multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras importadas, discriminadas nas Declarações de Importação (DI) relacionadas no Demonstrativo de fls. 1.222/1.247, sucedânea da pena perdimento que se tornou inaplicável em face da impossibilidade de apreensão das ditas mercadorias, por não terem sido localizadas ou dadas a consumo (comercializadas), com Processo n° 10925.000366/2008-76 S3-C1T2 Resolução n.° 3102-00.099 Fl. 1.694 fundamento no inciso V, combinado com o disposto nos §§ 1° e 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 2002. No presente procedimento fiscal, as autoridades fiscais também apuraram que a real adquirente das referidas mercadorias era a pessoa jurídica Pink Alimentos do Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob 17.238.718/0001-13, daqui em diante denominada de responsável solidária. Por força dessa circunstância, a responsável solidária foi foimalmente integrada ao pólo passivo da obrigação tributário objeto da presente autuação, mediante a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 019/2008 (fls. 1.220/1.221), do qual foi cientificada em 10/03/2008 (fl. 1.368). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 1.250/1.299, foram relatados os fatos que motivaram a presente autuação. Em 05/03/2008, a interessada autuada foi cientificada do presente procedimento fiscal, pessoalmente, mediante aposição de sua assinatura no corpo do próprio Auto de Infração (fl. 1.248), e por via posta (fls. 1.361 e 1.691). Inconformada, apresentou a peça impugnatória de fls. 1.374/1.420. Por sua vez„ a responsável solidária foi cientificada do citado Auto de Infração, por via postal (fl. 1.369), em 07/03/2.008. Irresignada, apresentou a impugnação de fls. 1.305/1.333. Por intermédio do despacho de fl. 1.627, a autoridade preparadora enviou os presentes autos à DRJ — Florianópolis/SC, onde foi proferido o Acórdão n° 07-14.065 (fls. 1.628/1.640), mantendo a exigência do crédito tributário em sua totalidade. Em 09/10/2008, a autuada foi cientificada, por via postal (fl. 1.646). Inconformada, interpôs o Recurso de fls. 1.647/1.685. Não consta dos autos a ciência da responsável solidária. É o Relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Compulsando os autos constatei que a pessoa jurídica Pink Alimentos do Brasil Ltda., não foi cientificada do Acórdão n° 07-14.065 (fls. 1.628/1.640). Por integrar o pólo passivo da obrigação tributária objeto do presente procedimento fiscal, entendo que o cumprimento dessa foimalidade é imprescindível para o prosseguimento do julgamento hígido da presente controvérsia, haja vista que inobservância dessa formalidade implicaria grave prejuízo ao direito de defesa da responsável solidária. Cabe esclarecer que a responsável solidária foi devidamente cientificada do presente Auto de Infração, ofertou impugnação (fls. 1.305/1.333), que foi admitida e conhecida pela Turma julgadora de primeira instância, logo, como participou regulaimente da fase inicial do presente contraditório, deve ser também cientificado do citado Acórdão. Face ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, devendo retornar os presentes autos à Unidade preparadora, para seja devidamente, -\ Processo n° 10925.000366/2008-76 S3-C1T2 Resolução n.° 3102-00.099 Fl. 1.695 INTIMADA a responsável solidária do inteiro teor do Acórdão de fls. 1.628/1.640, na forma estabelecida no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações posteriores. Saneada a dita formalidade processual, com ou sem apresentação de recurso voluntário pela intimada, retornem-se os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento da presente controvérsia. ( -----------José_Eernandes do Nascimento • 40IP,

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Numero do processo: 10675.002316/2001-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2001 IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI . BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ. Recurso do contribuinte provido.
Numero da decisão: 9303-003.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Maria Teresa Martínez López - Relatora. EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Maria Teresa Martínez López - Relatora. EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 5          1 4  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10675.002316/2001­46  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­003.183  –  3ª Turma   Sessão de  26 de novembro de 2014  Matéria  IPI ­ PF­ base de calculo  Recorrente  FRIGORÍFICO MATABOI S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2001  IPI.CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES  AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI  . BASE  DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. APLICAÇÃO  DO  ARTIGO  62­A  DO  RICARF.  MATÉRIA  JULGADA  NA  SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.   Nos  termos  do  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros  no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de  fórmula  estabelecida  pela  lei,  a  qual  considera  que  é  possível  ter  havido  sucessivas  incidências  das  duas  contribuições,  mas  que,  por  se  tratar  de  presunção “juris et de jure”, não exige nem admite prova ou contraprova de  incidências  ou  não  incidências,  seja  pelo  fisco,  seja  pelo  contribuinte.  Os  valores  correspondentes  às  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  de  não  contribuintes  do  PIS  e  da  COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do  crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer  distinção nos casos em que a lei não o fez. Precedentes do STJ.  Recurso do contribuinte provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 23 16 /2 00 1- 46 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     2   Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.     Maria Teresa Martínez López ­ Relatora.      EDITADO EM: 13/02/2015  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres,  Nanci  Gama,  Júlio  César  Alves  Ramos  (Substituto  convocado),  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Fabiola  Cassiano  Keramidas  (Substituta convocada) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Maria Teresa  Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente o Conselheiro  Rodrigo Cardozo Miranda.      Relatório      Trata­se de recuso especial de divergência, interposto pela contribuinte contra  Acórdão n° 203­13.733, cuja ementa está assim redigida:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/07/2001 a 31/10/2001  CRÉDITO  PRESUMIDO.  LEI  N°  9.363/96.  BASE  DE  CÁLCULO.  AQUISIÇÃO DE INSUMOS JUNTO A PESSOAS FÍSICAS. EXCLUSÃO.  O  valor  da  matéria  prima,  do  produto  intermediário  e  do  material  de  embalagem  adquiridos  de  pessoas  físicas  ou  de  pessoas  jurídicas  não  contribuintes  do  PIS  e  da  Cofins  não  integra  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido do IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  ENERGIA  ELÉTRICA.  ÓLEO  COMBUSTÍVEL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. SÚMULA  N° 12.  Não  integram  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  da  Lei  n°  9.363,  de  1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são '  consumidos  em  contato  direto  com  o  produto,  não  se  enquadrando  nos  conceitos  de  matéria­prima  ou  'produto  intermediário.  Súmula  n°  12,  do  Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007.  Recurso Voluntário Negado.  Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10675.002316/2001­46  Acórdão n.º 9303­003.183  CSRF­T3  Fl. 6          3   Por meio do Despacho nº 239­ 4.a Câmara, sob o entendimento de terem sido  observados  todos  os  requisitos  legais,  foi  dado  seguimento  ao  recurso  interposto  quanto  a  divergência suscitada pertinente à possibilidade de se incluírem na base de cálculo do crédito  presumido do IPI as aquisições de pessoas físicas.   Contrarrazões apresentadas pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional, onde  pede a manutenção do acórdão recorrido.   É o relatório.  Voto             Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ    Presentes os pressupostos  legais para admissibilidade do recurso, dele  tomo  conhecimento. O acórdão  recorrido entende que não pode ser  incluído na base de calculo de  credito presumido de IPI as aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de  embalagem  adquiridos  de  não  contribuintes  do  PIS  e  da  COFINS,  enquanto  o  acórdão  paradigma  entende  ser  possível,  restando,  assim,  demonstrada  a  divergência  jurisprudencial  necessária para seguimento do recurso especial interposto.  Muito  embora  o  assunto  já  se  encontre  pacificado  no  âmbito  desta  Eg.  Câmara  Superior,  conforme  jurisprudência  trazida  pela  interessada,  pertinentes  são  as  conclusões  do  respeitável  doutrinador Ricardo Mariz  de Oliveira  em  trabalho  divulgado  em  2000, quando o assunto era ainda polêmico.1 Para melhor clareza, peço vênia para reproduzir  as suas conclusões como se minhas fossem:  VII  ­  CONCLUSÃO:  AS  AQUISIÇÕES  NÃO  TRIBUTADAS  INTEGRAM O CÁLCULO DO  INCENTIVO,  SENDO  ILEGAIS  AS  INSTRUÇÕES  NORMATIVAS  FAZENDÁRIAS  EM  CONTRÁRIO De  tudo se conclui que as aquisições de  insumos  que não tenham sofrido a incidência da contribuição ao PIS e da  COFINS também integram a determinação da base de cálculo do  crédito presumido a que alude a Lei nº. 9363/96.  Isto porque, e em síntese:  ­  a  expressão  legal  “contribuições  incidentes”  não  pode  ser  vinculada  a  cada  operação  de  aquisição  de  insumos,  pois  tal  vinculação  não  faz  qualquer  sentido  lógico,  além  de  impor  condição  ­  a  incidência  sobre  cada  aquisição,  isoladamente  considerada ­ de realização impossível, porque as contribuições  não  incidem  na  base  de  5,37%,  que  é  a  porcentagem  para                                                              1 Em 20/06/200, sob o título: Crédito presumido de ipi para ressarcimento de PIS e COFINS ­ direito ao  cálculo sobre aquisições de insumos não tributadas.      Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     4 cálculo  do  crédito  presumido  segundo  a  respectiva  fórmula  legal;  ­ seja pela literalidade da norma do art. 1o da Lei nº 9363, seja  por  sua  consideração  em  conjunto  com  os  demais  dispositivos  dessa mesma lei, especialmente com os que estatuem a fórmula  de  cálculo  do  crédito  presumido,  verifica­se  que  a  alusão  ao  ressarcimento  das  contribuições  incidentes  somente  pode  ser  referida  a  todas  as  incidências  que  possivelmente  tenham  ocorrido  em  qualquer  anterior  etapa  do  ciclo  econômico  do  produto exportado e dos seus insumos;  ­  o  incentivo  corresponde  a  um  crédito  que  é  presumido,  cujo  valor  deflui  de  fórmula  estabelecida  pela  lei,  a  qual  considera  que  é  possível  ter  havido  sucessivas  incidências  das  duas  contribuições, mas que, por se  tratar de presunção “juris et de  jure”,  não  exige  nem  admite  prova  ou  contraprova  de  incidências  ou  não  incidências,  seja  pelo  fisco,  seja  pelo  contribuinte;  ­  a  fórmula  legal  de  cálculo  do  incentivo manda  considerar  o  valor  total  das  aquisições  de  insumos,  sem  distinção  entre  as  tributadas e as não tributadas;  ­ o crédito presumido é uma subvenção que visa incrementar as  exportações  brasileiras,  e  não  se  confunde  com  restituição  de  contribuições,  não  havendo,  assim,  razão  para  exigir  a  incidência de contribuições para que uma aquisição de insumos  seja integrada ao respectivo cálculo;  ­  o  ressarcimento  do  crédito  presumido,  em moeda  corrente,  é  uma  forma  alternativa  de  pagamento  da  subvenção,  sendo  que  ressarcimento  significa  provimento  do  incentivo,  em  cobertura  de  parte  das  despesas  de  custeio,  e  não  restituição  de  contribuições,  também por  isto sendo irrelevante  ter ou não ter  havido  incidência  sobre  cada  aquisição  de  insumos,  isoladamente considerada;  ­  a  prova  da  incidência  e  dos  recolhimentos  sobre  cada  aquisição de  insumos era exigida pela  legislação anterior, mas  foi  tacitamente  revogada,  não,  podendo,  pois,  ser  feita  na  vigência da nova lei, revogadora da anterior;  ­ o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei,  é  referente  às  possíveis  incidências  das  contribuições  em  todas  as etapas anteriores à aquisição dos insumos e à exportação, as  quais integram o custo do produto exportado;  ­  tudo  isto  é  confirmado  pelas  regras  de  hermenêutica,  que  excluem  a  interpretação  pela  literalidade  da  norma  legal  e  a  consideração  de  apenas  um  dispositivo  isolado  das  demais  normas  da  mesma  lei  e  do  ordenamento  jurídico,  que  exigem  resultado  derivado  da  interpretação  que  seja  coerente  com  os  objetivos  da  lei,  que  excluem  resultado  ilógico  e  de  realização  impossível,  e  que  requerem o  emprego de  todos  os métodos de  exegese, notadamente o sistemático, o teleológico e o histórico;  ­  não  obstante, mesmo a  letra  da  lei  comporta  perfeitamente  a  interpretação  no  sentido  de  que  não  é  necessária  a  incidência  Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 10675.002316/2001­46  Acórdão n.º 9303­003.183  CSRF­T3  Fl. 7          5 sobre  a  aquisição  de  insumos,  propriamente  dita,  referindo­se,  antes,  às  possíveis  incidências  em  quaisquer  outras  operações  que  tenham  onerado  as  aquisições  dos  insumos  e  o  custo  do  produto exportado.  Em  vista  disso  tudo,  conclui­se  de  modo  inarredável  que  carecem  de  base  legal  o  parágrafo  2o  do  art.  2o  da  Instrução  Normativa  SRF  nº.  23/97  (que  limita  o  crédito  às  aquisições  feitas à pessoas jurídicas e que tenham sido tributadas) e o art.  2o  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  103/97  (que  exclui  as  aquisições feitas à cooperativas).  Na  verdade,  o  crédito  presumido  de  IPI,  por  ser  presumido,  independe  do  valor que efetivamente  tenha sido  recolhido a  título daquelas contribuições  sobre as diversas  fases de elaboração do produto vendido. Mesmo o  inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e  COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer  a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta,  juris et de  jure. A dimensão  real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do benefício.  Da posição atual do STJ  Por  fim,  noticia­se  que  a  matéria,  conforme  jurisprudência  do  Egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça,  já  se  encontra  pacificada  2.  O  Tribunal  vem,  repetidamente,  entendido que o crédito presumido de IPI,  instituído pela Lei 9.363/96, (v. Lei nº 10.276/01)  não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa  SRF  23/97,  ato  normativo  secundário,  que  não  pode  inovar  no  ordenamento  jurídico,  subordinando­se  aos  limites do texto legal. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que  extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do  crédito  presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente  aos  produtos  oriundos  de  atividade  rural) de matéria­prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP  e pela COFINS (RESP 993164, Min. Luiz Fux).  O Regimento  Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente  pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62­ A:  Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002;                                                              2 Matérias Julgadas pelo STJ no Regime do art. 543­C e Resolução STJ nº 08/08  Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO     6 b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar n° 73, de 1993; ou  c)  parecer  do  Advogado­Geral  da  União  aprovado  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar n° 73, de 1993.  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  (...)  Verifica­se, assim, que a decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em  caráter de definitividade, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos  no âmbito do CARF.  CONCLUSÃO:  Em  face  ao  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pela  contribuinte,  de  forma  a  integrar  a  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  do  IPI  o  valor  referente  ao  crédito  relativo  aos  insumos  adquiridos  de  pessoas  físicas.  Sala das Sessões, em 26 de novembro de 2014    MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ                                Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO

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Numero do processo: 10715.001480/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 11/08/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARTS. 122 E 142 DO CTN. A motivação que legitima a aplicação de penalidade, por descumprimento de obrigação acessória, deve circunstanciar a condição do sujeito passivo, demonstrando que se trata da pessoa efetivamente obrigada ao cumprimento. Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 2; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1755; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 56          1 55  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10715.001480/2010­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.666  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de março de 2015  Matéria  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Recorrente  RCM SERVIÇOS AUXILIARES DE TRANSPORTE AÉREO LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 11/08/2006  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.  IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.  ARTS. 122 E 142 DO CTN.  A motivação que legitima a aplicação de penalidade, por descumprimento de  obrigação  acessória,  deve  circunstanciar  a  condição  do  sujeito  passivo,  demonstrando que se trata da pessoa efetivamente obrigada ao cumprimento.  Recurso provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso.  (assinatura digital)  Antonio Carlos Atulim ­ Presidente  (assinatura digital)  Ivan Allegretti ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim, Jorge Freire, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e  Ivan Allegretti.  Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração  que  constatou  a  falta  de  cumprimento  de  obrigação acessória, aplicando a penalidade cabível, baseado na seguinte motivação:     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 14 80 /2 01 0- 11 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM     2 No exercício das  funções de Auditor Fiscal da Receita Federal  do  Brasil,  conforme  dispõe  o  art.  147,  do  Decreto­Lei  37/66,  regulamentado pelo art. 203, inciso VI, da Portaria MF n.º 125,  de 4 de março de 2009, com vistas à verificação do cumprimento  da  obrigação  acessória  disposta  no  art  37,  da  IN/SRF  n.º  28/1994,  alterado  pelo  art.  1º,  da  IN/SRF  nº  510/2005,  foram  apurados  registros  de  dados  de  embarque  intempestivos,  referentes  aos  transportes  internacionais  realizados  em  Agosto  de  2006  no  Aeroporto  Internacional  do  Rio  de  Janeiro­ ALF/GIG.  Considera­se intempestivo o registro dos dados de embarque nos  despachos  de  exportação  com prazo  superior  aos  2  (dois)  dias  concedidos  ao  transportador  responsável,  contados  a  partir  da  realização  do  embarque,  assim  considerado  a  data  do  vôo,  de  acordo com o art. 39, inciso II, da IN/SRF n.º 28/1994.  Face à  inobservância pela empresa de  transporte  internacional  supra  qualificada  de  prestar  as  informações  sobre  a  carga  transportada  no  devido  prazo,  lavra­se  o  presente  Auto  de  Infração  para  exigir  a  multa  que  trata  o  art.  107,  inciso  IV,  alínea "e", do Decreto­Lei n. 2 37/66, com nova redação do art.  77,  da  Lei  nº  10.833/2003,  aplicada  para  cada  veiculo  identificado  pelo  respectivo  vôo,  que  transportou  as  cargas  amparadas  pelas  Declarações  de  Exportação­DEs  objeto  da  presente apuração, constantes no quadro em anexo.  O auto de infração é acompanhado da seguinte planilha:    O  contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.  13/20),  na  qual  alega  sua  ilegitimidade para figurar como sujeito passivo da penalidade.  Argumenta que a multa em questão, prevista no art. 107, IV, “e”, do Decreto­ Lei 37/66 apenas se aplica à empresa de transporte internacionou ou ao agente de carga, sendo  que a impugnante não é nem uma coisa nem outra, frisano que ela não realizou nem agenciou o  vôo em que foram transportadas as mercadorias a que se referem as declarações de exportação.  Explica  que  o  objeto  que  consta  de  seu  Contrato  Social  restringe­se  a  “prestação de serviços auxiliares de transporte aéreo, de acordo com as normas do Ministério  da  Aeronáutica  em  vigor”,  devendo­se  ter  em  conta  que  as  Portarias  do  Departamento  de  Aviação  Civil  que  tratam  sobre  a  “EXECUÇÃO  DE  SERVIÇOS  AUXILIARES  DE  TRANSPORTE AÉREO” assim classificam “todos os serviços de apoio prestados a aeronaves  em terra, inclusive os desenvolvidos nos terminais e outras áreas dos aeroportos, os quais se  tornem necessários à operação de tais aeronaves” (art. 1º da Portaria 467/GM5).  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10715.001480/2010­11  Acórdão n.º 3403­003.666  S3­C4T3  Fl. 57          3 Esclarece, ademais, que “por prestar apoio à companhias aéreas na chegada  e saída de vôos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, a impugnante representava­as  perante  as  autoridades  públicas  de  imigração,  de  alfândega,  de  vigilância  sanitária  e  de  agricultura”, mas que o fato de representar  tais empresas perante a autoridade aduaneira não  transforma  a  impugnante  em  empresa  de  transporte  internacional,  nem  em  agente  de  carga,  visto  que  apenas  pode  ser  assim  classificado  aquele  agente  que  seja  assim  reconhecido  e  autorizado pelo Departamento de Aviação Civil, o que não é o seu caso  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC  (DRJ), por meio do Acórdão nº 07­26.383, de 21 de outubro de 2011 (fls. 34/36) entendeu pela  manutenção do lançamento, pelos seguintes fundamentos:  A  rigor,  o  impugnante  não  nega  que,  ao  prestar  tais  serviços,  representa  o  transportador  estrangeiro,  inclusive  emitindo  conhecimentos de embarque e, fazendo­lhe as vezes, informando  no Siscomex os dados relativos h. mercadoria exportada.  Ora,  o  representante,  no  Pais,  do  transportador  estrangeiro,  como  é  o  caso  do  impugnante,  é  inclusive  expressamente  designado responsável solidário pelo pagamento do  imposto de  importação  nos  casos  em  que  se  opera  a  transfere ncia  de  responsabilidade pelo pagamento desse  imposto, nos  termos do  inciso II do parágrafo único do art. 32 do Decreto­Lei n.° 37, de  1966,  com  redação  dada pela Medida Provisória  n.°  2.158­35,  de  2001.  Da  mesma  forma,  a  responsabilidade  de  quem  representa  o  transportador,  desincumbindo­se  do  cumprimento  das obrigações acessórias que  lhe são próprias,  é expressa nos  termos  do  inciso  I  do  art.  95  do mesmo  diploma  legal,  já  que  respondem pela  infração, conjunta ou isoladamente, quem quer  que, de qualquer forma, concorra para a sua prática.  Com  efeito,  não  bastasse  o  fato  de  o  preceito  legal  veiculado  pelo inciso I do art. 95 do mencionado DL não emprestar relevo  A forma pela qual o agente infrator concorre para a prática da  infração,  a  meu  sentir,  tampouco  o  fato  de  ser  mandatário  do  transportador  estrangeiro  socorre  o  impugnante,  eis  que  o  representante  tem  o  dever  de  lealdade  para  com  o  seu  representado, o que significa abster­se de praticar quantos atos,  comissivos  ou  omissivos,  possam prejudicá­los. Neste  contexto,  os  atos  praticados  no  exercício  regular  do  mandato,  A  toda  evide ncia, não incluem aqueles praticados com infração A lei,  caso em que, a responsabilidade e ́até pessoal ao agente infrator,  por  força  do  disposto  no  inciso  II  do  art.  135  do  Código  Tributário Nacional (...)  O  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  43/47)  alegando  que  nunca  emitiu  conhecimentos de embarque,  limitando  sua atuação  à  realizar o  registro no Siscomex  das informações e dados relativos à mercadoria, tal como repassadas pelo transportador, alem  de que, não se reveste da qualidade de agente de carga. No mais, reitera os mesmos argumentos  de sua impugnação.  É o relatório.  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM     4 Voto             Conselheiro Ivan Allegretti, Relator  O recurso voluntário foi protocolado em 05/04/2012 (fl. 43), dentro do prazo  de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu em 15/03/2012 (fl. 40).  Por  ser  tempestivo  e  conter  fundamentos  de  reforma  do  acórdão  da  DRJ,  tomo conhecimento do recurso.  O recorrente sustenta que não se enquadra na qualidade de sujeito passivo da  obrigação tributária acessória prevista no art. 107, IV, do Decreto­Lei nº 37/66 e no art. 37 do  Regulamento Aduaneiro – sobre os quais se sustenta a penalidade ora discutida.  O art. 107, IV, “e”, do Decreto­Lei nº 37/66 tem a seguinte redação:  Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  (Redação dada  pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)   IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº  10.833, de 29.12.2003)  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga;  O art. 37 do Regulamento Aduaneiro, por sua vez, prevê o seguinte:  Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados  pertinentes  ao  embarque  da  mercadoria,  com  base  nos  documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da  data  da  realização  do  embarque.    (Redação  dada  pelo(a)  Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005)  §  1º  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional, por via rodoviária,  fluvial ou  lacustre, o registro  de  dados  do  embarque,  no  Siscomex,  será  de  responsabilidade  do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes  da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da  SRF de despacho.    (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa  SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005)  § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o  prazo  de  sete  dias  para  o  registro  no  sistema  dos  dados  mencionados  no  caput  deste  artigo.    (Incluído(a)  pelo(a)  Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005)  Verifico  que  o  texto  do  Decreto­Lei  descreve  com  precisão  que  o  sujeito  passivo  da  obrigação  acessória  em  questão  são  exclusivamente  a  empresa  de  transporte  internacional  (inclusive a prestadora de serviços de transporte  internacional expresso porta­a­ porta) e o agente de carga.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10715.001480/2010­11  Acórdão n.º 3403­003.666  S3­C4T3  Fl. 58          5 Quanto à figura do “agente de carga”, não assiste razão ao Recorrente no que  pretende fazer crer que tal denominação seria exclusiva de pessoas jurídicas credenciadas pelo  DAC sob este título.  Isto porque dispõe o art. 37 do DL nº 37/66, com a redação dada pela Lei nº  10.833/2003, que “O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do  importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide  cargas  e  preste  serviços  conexos,  e  o  operador  portuário,  também  devem  prestar  as  informações sobre as operações que executem e respectivas cargas”.  Assim,  são  alcançados  pela  obrigação  de  prestar  informação  não  apenas  o  transportador, mas também qualquer pessoa que contrate o transporte em nome do importador  ou exportador.  Ocorre  que  no  presente  caso  concreto  o  lançamento  fiscal  não  demonstrou  que o Recorrente se qualificaria como sujeito passivo da obrigação acessória, seja na qualidade  de empresa de  transporte,  seja porque as circunstâncias de  fato o colocariam na condição de  agente de carga, conforme o conceito legal acima exposto.  Aliás,  para  ser  mais  preciso,  a  motivação  do  lançamento  fiscal  erra  ao  descrever  que  se  estaria  diante  da  “inobservância  pela  empresa  de  transporte  internacional  supra  qualificada  de  prestar  as  informações  sobre  a  carga  transportada  no  devido  prazo”,  pois  basta  conferir  o Contrato Social  do Recorrente  para  se  ter  a  certeza  de  que não  se  está  diante de uma empresa de transporte internacional.  Ora,  o  art.  142  do  CTN  atribui  à  autoridade  administrativa  o  dever  de  constituir o crédito  tributário, exigindo, dentre outros  requisito para a constituição do crédito  tributário e a aplicação da penalidade cabível, a tarefa de “identificar o sujeito passivo”.  Vale lembrar que o art. 122 do mesmo Código explicita que “Sujeito passivo  da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto”.  Assim,  a  exigência  de  identificação  do  sujeito  passivo  implica  em  que  a  autoridade  deve  apresentar  na  motivação  do  lançamento  as  circunstância  fáticas  que  demonstrem que o autuado reveste­se da qualidade de sujeito passivo da obrigação  tributária  principal ou acessória.  Verifico, no entanto, em tudo quanto consta dos autos, que isto não aconteceu  no presente caso: a descrição do lançamento erra ao referir­se à Recorrente como empresa de  transporte  internacional – pois não é –, e não há qualquer demonstração ou descrição para o  efeito de sua qualificação como agente de carga.  Entendo, pois, que não houve a motivação que seria minimamente necessária  e  indispensável  para  legitimar  o  autuado  como  sujeito  passiva  da  obrigação  acessória  em  questão.  Voto  pelo  provimento  do  recurso,  reconhecendo  a  improcedência  do  lançamento em razão da falta de motivação que legitime a condição do autuado como sujeito  passivo da obrigação tributária acessória.    (assinatura digital)  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM     6 Ivan Allegretti                                Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM

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Numero do processo: 13005.000494/2005-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 9303-000.007
Decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da 3ª T. da CSRF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, transcrevo o relatório da DRJ em Santa Maria/RS, ipsis literis: ‘A contribuinte supra identificada teve reconhecido em parte o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins decorrente de exportações, referente ao primeiro trimestre de 2005. Do valor requerido de R$ 3.582.455,31, foi reconhecido o valor de R$ 606.825,99 e homologada a compensação desse crédito reconhecido com os débitos informados nas Declarações de Compensação - Dcomp analisadas neste processo, até o limite do crédito reconhecido. De acordo com o descrito no Termo de Verificação Fiscal que se encontra às fls. 178 a 182, a fiscalização constatou que o crédito referente a operações no mercado externo informado no pedido de ressarcimento (R$ 2.946.336,98) é superior ao valor que consta na Dacon para o mesmo mês (R$ 81.603,70), sendo adotado para o cálculo do crédito passível de ressarcimento/compensação o valor da Dacon, tendo em vista que os créditos de períodos anteriores foram objeto de pedido de ressarcimento/compensação anteriormente apresentado, que se encontra no processo n° 13005.000067/2004-84. Ainda de acordo com o mencionado termo, a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição a receita decorrente de cessão de créditos do ICMS, o que determinou o recálculo da proporção entre os créditos decorrentes de operações no mercado interno e no mercado externo. O Despacho Decisório DRF/SCS, de 14 de fevereiro de 2007, que se encontra à fl. 183, concordou com o resultado da fiscalização, descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 178 a 182, e resolveu reconhecer o direito ao crédito de Cofins no valor apontado pela fiscalização, homologando a compensação pleiteada até o limite dos créditos reconhecidos. Inconformada com o mencionado despacho, a contribuinte apresentou a manifestação que se encontra às fls. 267 a 279, alegando, em síntese, que: - A não-inclusão, na base de cálculo da Cofins, de montante relativo à transferência, por cessão a terceiro, de saldo credor de ICMS acumulado na exportação de mercadorias é procedimento correto, conforme jurisprudência judicial e administrativa que mencionou. - No momento em que registra os créditos sobre as entradas, que posteriormente serão passíveis de transferência, a contribuinte o faz em uma conta contábil do seu ativo. Isso significa que tais créditos passam a fazer parte do seu patrimônio no momento em que o corre a compra dos componentes da mercadoria exportada. - Assim sendo, é evidente que a fiscalização pretendeu lançar Cofins sobre o patrimônio da contribuinte, e não sobre qualquer tipo de receita ou faturamento, pois os valores que se pretendeu tributar não decorreram de uma operação que represente uma venda de mercadorias ou uma prestação de serviços que ocasionasse a percepção, pela contribuinte, de valores que ingressarão em seus cofres. - Ao transferir esse crédito de ICMS em conta-corrente fiscal para um terceiro, a contribuinte não estará auferindo qualquer receita, mas, simplesmente promovendo uma cessão de crédito em pagamento de um passivo. Requereu a contribuinte que seja julgada procedente a impugnação e o pedido de ressarcimento. A tempestividade da manifestação de inconformidade foi atestada à fl. 321.’ A DRJ em Santa Maria/RS indeferiu o pleito da contribuinte, em decisão assim ementada: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos de ICMS configura receita que deve ser incluída na base de cálculo da Cofins. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário reiterando os termos de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁlCULO. Não devem ser incluídos na base de cálculo da Cofins os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros, visto que tal operação não configura receita, mas simplesmente mutação patrimonial. Recurso Provido. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 349/361, no qual se insurge contra o acórdão que julgou não incidir Cofins sobre receitas decorrentes de cessão de créditos de ICMS. O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 368. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 370/375).
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral (REs 634.981/RS e 606.107/RG), em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente Substituto da 3ª T. da CSRF (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Valmar Fonseca de Menezes (Presidente Substituto). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida: Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, transcrevo o relatório da DRJ em Santa Maria/RS, ipsis literis: ‘A contribuinte supra identificada teve reconhecido em parte o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins decorrente de exportações, referente ao primeiro trimestre de 2005. Do valor requerido de R$ 3.582.455,31, foi reconhecido o valor de R$ 606.825,99 e homologada a compensação desse crédito reconhecido com os débitos informados nas Declarações de Compensação - Dcomp analisadas neste processo, até o limite do crédito reconhecido. De acordo com o descrito no Termo de Verificação Fiscal que se encontra às fls. 178 a 182, a fiscalização constatou que o crédito referente a operações no mercado externo informado no pedido de ressarcimento (R$ 2.946.336,98) é superior ao valor que consta na Dacon para o mesmo mês (R$ 81.603,70), sendo adotado para o cálculo do crédito passível de ressarcimento/compensação o valor da Dacon, tendo em vista que os créditos de períodos anteriores foram objeto de pedido de ressarcimento/compensação anteriormente apresentado, que se encontra no processo n° 13005.000067/2004-84. Ainda de acordo com o mencionado termo, a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição a receita decorrente de cessão de créditos do ICMS, o que determinou o recálculo da proporção entre os créditos decorrentes de operações no mercado interno e no mercado externo. O Despacho Decisório DRF/SCS, de 14 de fevereiro de 2007, que se encontra à fl. 183, concordou com o resultado da fiscalização, descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 178 a 182, e resolveu reconhecer o direito ao crédito de Cofins no valor apontado pela fiscalização, homologando a compensação pleiteada até o limite dos créditos reconhecidos. Inconformada com o mencionado despacho, a contribuinte apresentou a manifestação que se encontra às fls. 267 a 279, alegando, em síntese, que: - A não-inclusão, na base de cálculo da Cofins, de montante relativo à transferência, por cessão a terceiro, de saldo credor de ICMS acumulado na exportação de mercadorias é procedimento correto, conforme jurisprudência judicial e administrativa que mencionou. - No momento em que registra os créditos sobre as entradas, que posteriormente serão passíveis de transferência, a contribuinte o faz em uma conta contábil do seu ativo. Isso significa que tais créditos passam a fazer parte do seu patrimônio no momento em que o corre a compra dos componentes da mercadoria exportada. - Assim sendo, é evidente que a fiscalização pretendeu lançar Cofins sobre o patrimônio da contribuinte, e não sobre qualquer tipo de receita ou faturamento, pois os valores que se pretendeu tributar não decorreram de uma operação que represente uma venda de mercadorias ou uma prestação de serviços que ocasionasse a percepção, pela contribuinte, de valores que ingressarão em seus cofres. - Ao transferir esse crédito de ICMS em conta-corrente fiscal para um terceiro, a contribuinte não estará auferindo qualquer receita, mas, simplesmente promovendo uma cessão de crédito em pagamento de um passivo. Requereu a contribuinte que seja julgada procedente a impugnação e o pedido de ressarcimento. A tempestividade da manifestação de inconformidade foi atestada à fl. 321.’ A DRJ em Santa Maria/RS indeferiu o pleito da contribuinte, em decisão assim ementada: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de créditos de ICMS configura receita que deve ser incluída na base de cálculo da Cofins. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário reiterando os termos de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁlCULO. Não devem ser incluídos na base de cálculo da Cofins os valores referentes à cessão de créditos de ICMS a terceiros, visto que tal operação não configura receita, mas simplesmente mutação patrimonial. Recurso Provido. Irresignada com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial às fls. 349/361, no qual se insurge contra o acórdão que julgou não incidir Cofins sobre receitas decorrentes de cessão de créditos de ICMS. O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 368. A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 370/375).

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000494/2005­47  Resolução nº  9303­000.007  CSRF­T3  Fl. 403          2  Por  descrever  os  fatos  do  processo  de  maneira  adequada  adoto,  com  adendos  e  pequenas  modificações para maior clareza, o Relatório da decisão recorrida:  Por  bem  retratar  os  fatos  objeto  do  presente  litígio,  transcrevo  o  relatório da DRJ em Santa Maria/RS, ipsis literis:  ‘A contribuinte supra identificada teve reconhecido em parte o direito  ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade  Social  ­  Cofins  decorrente  de  exportações,  referente  ao  primeiro trimestre de 2005.  Do valor requerido de R$ 3.582.455,31, foi reconhecido o valor de R$  606.825,99  e  homologada  a  compensação  desse  crédito  reconhecido  com os débitos informados nas Declarações de Compensação ­ Dcomp  analisadas neste processo, até o limite do crédito reconhecido.  De  acordo  com  o  descrito  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  se  encontra  às  fls.  178  a  182,  a  fiscalização  constatou  que  o  crédito  referente  a  operações  no  mercado  externo  informado  no  pedido  de  ressarcimento  (R$  2.946.336,98)  é  superior  ao  valor  que  consta  na  Dacon  para  o  mesmo  mês  (R$  81.603,70),  sendo  adotado  para  o  cálculo do crédito passível  de  ressarcimento/compensação o  valor da  Dacon,  tendo  em  vista  que  os  créditos  de  períodos  anteriores  foram  objeto  de  pedido  de  ressarcimento/compensação  anteriormente  apresentado, que se encontra no processo n° 13005.000067/2004­84.  Ainda de acordo com o mencionado termo, a contribuinte não incluiu  na base de cálculo da contribuição a receita decorrente de cessão de  créditos do ICMS, o que determinou o recálculo da proporção entre os  créditos  decorrentes  de  operações  no mercado  interno  e  no mercado  externo.  O Despacho Decisório DRF/SCS, de 14 de  fevereiro de 2007, que  se  encontra à fl. 183, concordou com o resultado da fiscalização, descrito  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  fls.  178  a  182,  e  resolveu  reconhecer  o  direito  ao  crédito  de  Cofins  no  valor  apontado  pela  fiscalização,  homologando  a  compensação  pleiteada  até  o  limite  dos  créditos reconhecidos.  Inconformada com o mencionado despacho, a contribuinte apresentou  a manifestação que se encontra às fls. 267 a 279, alegando, em síntese,  que:  ­ A não­inclusão, na base de cálculo da Cofins, de montante relativo à  transferência,  por  cessão  a  terceiro,  de  saldo  credor  de  ICMS  acumulado  na  exportação  de  mercadorias  é  procedimento  correto,  conforme jurisprudência judicial e administrativa que mencionou.  ­  No  momento  em  que  registra  os  créditos  sobre  as  entradas,  que  posteriormente  serão  passíveis  de  transferência,  a  contribuinte  o  faz  em  uma  conta  contábil  do  seu  ativo.  Isso  significa  que  tais  créditos  passam a fazer parte do seu patrimônio no momento em que o corre a  compra dos componentes da mercadoria exportada.  ­ Assim  sendo,  é  evidente que  a  fiscalização pretendeu  lançar Cofins  sobre  o  patrimônio  da  contribuinte,  e  não  sobre  qualquer  tipo  de  Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000494/2005­47  Resolução nº  9303­000.007  CSRF­T3  Fl. 404          3  receita ou  faturamento, pois os valores que se pretendeu  tributar não  decorreram  de  uma  operação  que  represente  uma  venda  de  mercadorias  ou  uma  prestação  de  serviços  que  ocasionasse  a  percepção,  pela  contribuinte,  de  valores  que  ingressarão  em  seus  cofres.  ­ Ao transferir esse crédito de ICMS em conta­corrente fiscal para um  terceiro,  a  contribuinte  não  estará  auferindo  qualquer  receita,  mas,  simplesmente promovendo uma cessão de crédito em pagamento de um  passivo.  Requereu a contribuinte que seja julgada procedente a impugnação e o  pedido de ressarcimento.  A tempestividade da manifestação de inconformidade foi atestada à fl.  321.’  A  DRJ  em  Santa  Maria/RS  indeferiu  o  pleito  da  contribuinte,  em  decisão assim ementada:  BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DE ICMS.  A cessão de créditos de ICMS configura receita que deve ser incluída  na base de cálculo da Cofins.  Solicitação Indeferida  Irresignada  com  a  decisão  de  Primeira  Instância,  a  contribuinte  interpôs  o  presente  Recurso  Voluntário  reiterando  os  termos  de  sua  Manifestação de Inconformidade.  É o Relatório.  A ementa do julgado recorrido foi consubstanciada nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005   COFINS.  CESSÃO  DE  CRÉDITOS  DE  ICMS.  NÃO  INCLUSÃO  NA  BASE DE CÁlCULO.  Não  devem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  da  Cofins  os  valores  referentes  à  cessão  de  créditos  de  ICMS  a  terceiros,  visto  que  tal  operação  não  configura  receita,  mas  simplesmente  mutação  patrimonial.  Recurso Provido.  Irresignada  com a decisão,  a Fazenda Nacional  apresentou  recurso  especial  às  fls. 349/361, no qual se insurge contra o acórdão que julgou não incidir Cofins sobre receitas  decorrentes de cessão de créditos de ICMS.  O recurso foi admitido pelo presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento  do CARF, por meio de despacho às fls. 368.  Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000494/2005­47  Resolução nº  9303­000.007  CSRF­T3  Fl. 405          4  A contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 370/375).  Voto  Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão ­ Relator  A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, refere­se à incidência da  Cofins sobre receitas decorrentes de cessão de créditos de ICMS.  De considerar que no RE 634.981/RS, julgado em: 07/05/2012, o Relator Min.  Joaquim  Barbosa  decidiu  que,  tendo  sido  reconhecida  a  repercussão  geral  do  tema  no  RE  606.107­RG (rel. min. Ellen Gracie, DJe de 20.08.2010), deve ser observado o disposto no art.  543­B e parágrafos do Código de Processo Civil, nos seguintes termos:  DECISÃO  : O Plenário  do  Supremo Tribunal Federal,  apreciando o  RE 540.410­QO, rel. min. Cezar Peluso, acolheu questão de ordem no  sentido de “determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos  extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem,  para os fins do art. 543­B do CPC” (Informativo 516, de 27.08.2008).  Decidiu­se, então, que o disposto no art. 543­B do Código de Processo  Civil  também  se  aplica  aos  recursos  interpostos  de  acórdãos  publicados  antes  de  03  de  maio  de  2007  cujo  conteúdo  verse  sobre  tema em que a repercussão geral tenha sido reconhecida.  No  presente  feito,  o  recurso  extraordinário  versa  sobre  tema  (Tema  283)  em  que  a  repercussão  geral  já  foi  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  no  julgamento  do RE  606.107­RG  (rel.  min.  Ellen  Gracie, DJe de 20.08.2010), assim ementado:   “RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  VALORES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  CRÉDITOS  DE  ICMS  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  PIS  E  DA  COFINS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA.  1. A questão de os valores correspondentes à transferência de créditos  de ICMS integrarem ou não a base de cálculo das contribuições PIS e  COFINS  não­cumulativas  apresenta  relevância  tanto  jurídica  como  econômica.  2. A matéria envolve a análise do conceito de receita, base econômica  das contribuições, dizendo respeito, pois, à competência tributária.  3.  As  contribuições  em  questão  são  das  que  apresentam  mais  expressiva arrecadação e há milhares de ações em tramitação a exigir  uma definição quanto ao ponto.  4. Repercussão geral reconhecida.”  Do exposto, nos  termos do art. 328 do RISTF (na redação dada pela  Emenda  Regimental  21/2007),  determino  a  devolução  dos  presentes  autos  ao Tribunal  de  origem,  para  que  seja  observado o  disposto  no  art. 543­B e parágrafos do Código de Processo Civil.  Publique­se.  Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 13005.000494/2005­47  Resolução nº  9303­000.007  CSRF­T3  Fl. 406          5  Brasília, 7 de maio de 2012.  Ministro JOAQUIM BARBOSA ­Relator.1  Pelo exposto, levando em conta art. 62­A, § 2º, do RICARF, e a Portaria CARF  nº 01, de 03 de janeiro de 2012, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a  inclusão  na base  de  cálculo  da Cofins  os  valores  referentes  à  cessão  de  créditos  de  ICMS a  terceiros.  Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é  que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento.   Marcos Aurélio Pereira Valadão                                                                1  Informação  disponível  no  sítio  do  STF:  http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=634981&classe=RE&origem =AP&recurso=0&tipoJulgamento=M)  Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES

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