Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10855.902407/2014-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 31/12/2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DO DÉBITO
Não é matéria do processo administrativo fiscal o julgamento acerca da exigibilidade do valor do débito que resultou da compensação não homologada.
Numero da decisão: 3301-006.175
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DO DÉBITO Não é matéria do processo administrativo fiscal o julgamento acerca da exigibilidade do valor do débito que resultou da compensação não homologada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10855.902407/2014-80
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6032580
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3301-006.175
nome_arquivo_s : Decisao_10855902407201480.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10855902407201480_6032580.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7820806
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122129367040
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-02T19:34:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-02T19:34:20Z; Last-Modified: 2019-07-02T19:34:20Z; dcterms:modified: 2019-07-02T19:34:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-02T19:34:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-02T19:34:20Z; meta:save-date: 2019-07-02T19:34:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-02T19:34:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-02T19:34:20Z; created: 2019-07-02T19:34:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-07-02T19:34:20Z; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-02T19:34:20Z | Conteúdo => S3-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.902407/2014-80 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-006.175 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Recorrente HAITIAN HUAYUAN SOUTH AMERICA COMERCIO DE MAQUINAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. COBRANÇA DO DÉBITO Não é matéria do processo administrativo fiscal o julgamento acerca da exigibilidade do valor do débito que resultou da compensação não homologada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de trata de Declaração de Compensação transmitida eletronicamente por meio de PER/DCOMP, com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, decorrente de recolhimento com Darf efetuado a maior. Após processamento eletrônico foi emitido Despacho Decisório, onde restou consignado que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP indicado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 24 07 /2 01 4- 80 Fl. 97DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.175 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.902407/2014-80 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde alega que o PER/DCOMP de que se cuida teria sido transmitido por erro de fato, e que a compensação pleiteada não teria sido declarada em nenhuma DCTF. Requer, outrossim, o cancelamento do PER/DCOMP e da cobrança decorrente da não homologação dos débitos apontado na referida declaração. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, concluindo que o pedido de cancelamento da DCOMP deve ser gerado a partir do Programa PER/DCOMP e somente será deferido caso a compensação se encontre pendente de decisão administrativa. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que novamente pleiteia o cancelamento da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em questão, posto que foi emitida com erro, do que teria resultado, portando, a dupla confissão da mesma dívida. No anexo, apresenta cópia de tela extraída do sítio virtual da RFB, que demonstra a liquidação de débito da COFINS relativo ao mesmo período de apuração tratado na referida declaração. Requer, ainda, o cancelamento da cobrança decorrente da não homologação do débito que alega ter sido confessado em duplicidade. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.162, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10855.902394/2014-49, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.162): Cuida o presente do Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP n° 14441.70962.190514.1.3.04-9984, em razão de ter sido identificado débito com o qual o crédito utilizado fora liquidado (fl. 7). Sobre a legitimidade do crédito, nenhum argumento foi trazido pela recorrente. Limitou-se a pleitear o cancelamento da PER/DCOMP e da cobrança do débito que restou em aberto em função da não homologação do PER/DCOMP. Alegou que já o débito havia sido lançado por meio de DCTF e pago. De acordo com os §§ 9°, 10 e 11 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, o contribuinte poderá insurgir-se contra a não homologação de compensação, apresentando manifestação de Fl. 98DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.175 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.902407/2014-80 inconformidade e, se for o caso, recurso ao CARF. As respectivas peças processuais deverão ser processadas, seguindo o rito do processo administrativo fiscal previsto no Decreto n° 70.235/72. Portanto, os julgamentos nas instâncias administrativas circunscrevem-se à legitimidade do crédito e ao direito de utilizá-lo para fins de compensação, não abrangendo, portanto, a exigibilidade do débito que deixou de ser liquidado, em razão da não homologação do PER/DCOMP. Isto posto, voto por não conhecer do recurso voluntário, em razão de o mesmo trazer pleito que está fora do escopo de julgamento deste colegiado. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006501/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Os rendimentos omitidos são tributados mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que demonstram que há renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
Numero da decisão: 2201-005.124
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Os rendimentos omitidos são tributados mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que demonstram que há renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10283.006501/2005-47
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020614
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.124
nome_arquivo_s : Decisao_10283006501200547.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10283006501200547_6020614.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7782495
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122132512768
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-11T16:57:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-11T16:57:49Z; Last-Modified: 2019-06-11T16:57:49Z; dcterms:modified: 2019-06-11T16:57:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-11T16:57:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-11T16:57:49Z; meta:save-date: 2019-06-11T16:57:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-11T16:57:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-11T16:57:49Z; created: 2019-06-11T16:57:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-06-11T16:57:49Z; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-11T16:57:49Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10283.006501/2005-47 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.124 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Recorrente ANDREW WHITTAKER Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2001 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Os rendimentos omitidos são tributados mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que demonstram que há renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 598/608, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), de fls. 578/584, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, exercício 2001, decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 65 01 /2 00 5- 47 Fl. 613DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.124 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.006501/2005-47 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente aos exercícios 2001, anos- calendário de 2000, por AFRF da DRF/Manaus/AM. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2005, conforme Termo de Ciência de fl. 112. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) O motivo da autuação foi o acréscimo patrimonial a descoberto, conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal integrantes do Auto de Infração, fls.112/117. Da Impugnação O Contribuinte apresentou sua Impugnação de fls. 123/140, alegando o seguinte: É sócio da empresa Birding Brasil Turismo Ltda, intermediando pacotes turísticos entre operadores de turismo no exterior e operadoras e hotéis no território nacional; Não contabilizou e declarou os valores na empresa à época, somente agora adotando tal procedimento, com a efetivação dos registros contábeis e retificação da declaração de rendimentos da pessoa jurídica. Apresentou uma relação de empresas com as quais afirma manter contratos na área do turismo, e suas respectivas remessas de valores do exterior; Como não foi autorizada a abertura de conta bancária em Miami em nome de nossa empresa os recursos foram depositados na conta pessoal do impugnante; Os referidos valores remetidos foram utilizados para o pagamento de operadoras e hotéis brasileiros; Apresenta em seguida uma relação de destinações que teria dado aos valores recebidos do exterior, em cujos comprovantes de pagamentos estaria o nome da pessoa jurídica; Pede pela improcedência do Auto de Infração Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 30): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Tributam-se, mensalmente, como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos Fl. 614DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.124 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.006501/2005-47 rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, apresentou o recurso voluntário de fls. 598/609, limitando-se a reafirmar o alegado em sede de impugnação e, adicionalmente, informar que retificou declarações de IRPF, IRPJ da empresa da qual alega ser sócio e que após o cálculo do imposto devido, optou pela adesão ao Parcelamento REFIS, que teria sido deferido e que estaria pagando pontualmente as DARF's. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Alega que retificou declarações de IRPF, IRPJ da empresa da qual alega ser sócio e que após o cálculo do imposto devido, optou pela adesão ao Parcelamento REFIS, que teria sido deferido e que estaria pagando pontualmente as DARF's, sem comprovar por meio de documentos. No caso em questão o Recorrente confessa ter cometido as infrações objeto de discussão nos presentes autos, restando evidenciado o Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Diante da confissão de que houve acréscimo patrimonial a descoberto, poderia ter provado, de forma documental tudo o que mencionou em sede de impugnação, até mesmo em sede de Recurso Voluntário. Sequer há juntada de documentos que evidenciem que das retificações há imposto a pagar, muito menos se o parcelamento entabulado de fato foi pago. O Processo Administrativo Tributário é do tipo que comporta a produção de provas iuris tantum, ou seja, a fim de ilidir a acusação, o contribuinte autuado deve produzir todos os elementos de prova possíveis a fim de comprovar tudo aquilo que alega, sob pena de tomar-se o que consta nos autos, como verdade absoluta para aquele processo. É da prática processual que o ônus da prova incumbe ao autor, sobre fato constitutivo de seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, nos termos do que dispõe o artigo 373, do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 615DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.124 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.006501/2005-47 Logo tudo aquilo que foi alegado pelo Recorrente deveria vir acompanhado de prova a fim de demonstrar que os fatos ocorreram da forma como alegou. Sendo assim, diante da carência de prova a comprovar de forma cabal que não houve acréscimo patrimonial a descoberto, deve ser mantida a cobrança referente aos presentes autos. Conclusão Em razão do exposto, voto por negar provimento, ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.910651/2016-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2012
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.
É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
Numero da decisão: 3402-006.627
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2012 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.910651/2016-59
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6022496
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.627
nome_arquivo_s : Decisao_11080910651201659.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080910651201659_6022496.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7792295
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122153484288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.910651/201659 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402006.627 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2019 Matéria Intempestividade Recorrente UGHINI S A INDUSTRIA E COMERCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2012 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 06 51 /2 01 6- 59 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que, por unanimidade de votos, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) Ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não comportando julgamento de primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Outros Valores Controlados Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, e refutando a intempestividade reconhecida pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.618, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.910642/201668. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.618): "Conforme relatado, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ por ser intempestiva: ciência do Despacho Decisório em 16/06/2016; apresentação da Manifestação de Inconformidade em 25/07/2016. A Recorrente repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade quanto à tempestividade. Por não ter apresentado nenhum fato novo em seu recurso e por concordar com seus fundamentos, quanto à tempestividade da manifestação de inconformidade, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos na decisão recorrida, o que faço nos segunite termos: Preliminar de Tempestividade da Manifestação de Inconformidade Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 4 3 Como relatado acima, o manifestante protocolou requerimento à DRJ em Porto Alegre/RS (fls. 19/21), em 25/07/16, com pedido de tempestividade para a sua Manifestação de Inconformidade. No requerimento, alega que teria tentado protocolar a sua Manifestação de Inconformidade por duas ocasiões [15/07/16 (fl. 18) e 18/07/16 (fl. 17)], transmitindo os seus arquivos de forma eletrônica, através do Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), utilizandose, para tanto, do certificado digital do DiretorPresidente e representante legal perante a Receita Federal do Brasil, Sr. ALÉCIO LANGARO UGHINI. Porém, nas duas tentativas de envio de sua documentação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não teria reconhecido o referido protocolo, sob alegação de que “o usuário não possui permissão para realizar solicitação de juntada de documentos para esse processo/ciência”, conforme os termos das correspondências (emails) recebidos pelo representante legal. Com isso, o manifestante somente veio a protocolar a sua Manifestação de Inconformidade em 25/07/16 (fl. 38), quando deveria têlo feito até a data limite para essa entrega determinada pela legislação tributária, em 18/07/16, ou seja, até 30 dias após a ciência do Despacho Decisório que ocorreu em 16/06/16. Aduz que considera ilegal essa restrição, pois ALÉCIO LANGARO UGHINI é o diretorpresidente da empresa eleito pelo Conselho de Administração; que não há normativos expedidos pela RFB com qualquer restrição do representante legal não poder transmitir tais arquivos digitais; que o Programa de Solicitação de Juntada de Documentos (PGS), meio competente para a realização de protocolo em processos digitais, teria confirmado a realização do protocolo da Manifestação de Inconformidade do processo; que o programa não teria emitido qualquer recibo na ocasião do protocolo, mas o email que o representante legal recebeu constata que o mesmo foi realizado; que é inaceitável a negativa do protocolo informado pelo correio de mensagens do eCAC se, no momento da juntada do documento por meio do Programa competente para tanto, da própria Receita Federal, este programa admitiu e confirmou o protocolo da defesa em nome do representante legal da empresa; que as inconsistências nos sistemas utilizados pela RFB não podem impedir o direito constitucional do contribuinte de defenderse na esfera administrativa; e, assim, requer o reconhecimento e a análise de sua Manifestação de Inconformidade, que alega ter sido protocolada tempestivamente. As alegações do manifestante não merecem prosperar. O art. 2º do Decreto Nº 70.235, de 06 de março de 1972 (DOU de 07 de março de 1972) (Processo Administrativo Fiscal – PAF) determina: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 5 4 CAPÍTULO I Do Processo Fiscal SEÇÃO I Dos Atos e Termos Processuais Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) (Grifei e sublinhei.) Portanto, cabe a administração tributária, por expressa delegação legal, disciplinar a transmissão de atos e termos processuais em formato digital. Os arts. 1º, 2º e 3º da Portaria SRF Nº 259, de 13 de março de 2006, dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, da seguinte forma: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (e processo). (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (Incluído(a) pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) Art. 2º A impugnação, o recurso e os demais atos e termos processuais produzidos eletronicamente deverão ser assinados mediante utilização de certificado digital emitido no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICPBrasil) e serão enviados à RFB por meio do Centro Virtual de Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 6 5 Atendimento ao Contribuinte (eCAC), disponível na Internet, no endereço http://www.receita.fazenda.gov. br. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 1º A comprovação do envio dos documentos darseá de forma eletrônica, mediante recibo. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 2º O teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo. § 3º A utilização de meio eletrônico desobrigará o sujeito passivo de protocolar os documentos em papel na RFB (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 4º Os meios de prova que não puderem ser apresentados em forma eletrônica serão protocolados em unidade da RFB. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 5º Os comprovantes originais de deduções, os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 3º A impugnação, o recurso e os documentos que os instruem serão protocolados de forma eletrônica, considerando se como data de protocolo a data e hora de recebimento dos dados pelo eCAC. § 1º O recebimento pelo eCAC será efetuado das 8 às 20 horas, horário de Brasília. § 2º Para efeito do disposto no caput e no § 1º, o horário estará sincronizado em conformidade com o disposto na Resolução nº 16, de 10 de junho de 2002, do Comitê Gestor da ICPBrasil. § 3º A tempestividade da impugnação ou do recurso será aferida pela data e hora referida no caput. Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 7 6 § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pelo(a) Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009) § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. (Grifei e sublinhei.) Como se constata da leitura do dispositivo legal acima, existem regras específicas e rígidas para a transmissão de atos e termos processuais em forma eletrônica, que devem ser de conhecimento e respeito obrigatórios pelo sujeito passivo que dela queira se utilizar, a fim de que haja a garantia que apenas ele (o sujeito passivo), ou seu representante legal nomeado, possam encaminhar documentos ao processo na forma eletrônica, a fim de manter a integridade, a autenticidade, a interoperabilidade e a confidencialidade dos mesmos. Por sua vez, o teor e a integridade dos arquivos enviados, bem assim a observância dos prazos, é de inteira responsabilidade do sujeito passivo (determinação expressa contida no § 2º do art. 2º da Portaria SRF Nº 259/06 acima transcrito). O contribuinte tem, ainda, a possibilidade de comparecer pessoalmente a uma unidade da RFB e entregar os documentos de prova no caso da impossibilidade de fazêlo por meio eletrônico (§4º do art. 2º da mesma Portaria), desde que o faça dentro dos prazos legais de entrega dos documentos, o que é de sua inteira responsabilidade como já mencionado acima. Essas determinações estão também previstas, no âmbito do Ministério da Fazenda, através da Portaria MF Nº 527, de 09 de novembro de 2010 (DOU de 10 de novembro de 2010), especialmente no que se refere a responsabilidade dos interessados pelo teor e a integridade dos arquivos entregues, assim como na observância dos prazos (§ 5º do seu art. 2º). Isso significa que se o sujeito passivo pretende transmitir uma impugnação ou recurso, ele deve conhecer perfeitamente todas as regras que envolvem esse tipo de serviço, sob pena de perder os prazos estipulados na legislação tributária para a entrega desses documentos, como aconteceu no presente caso. O fato de o sistema eletrônico ter aceito os arquivos enviados por ALÉCIO LANGARO UGHINI, nas datas constantes dos e mails enviados pelo CAC, garante apenas que o direito constitucional de petição do contribuinte foi respeitado pela RFB, mas não implica na garantia da integridade e o do teor dos arquivos transmitidos, e muito menos que a pessoa que os transmitiu (física ou jurídica) tem autorização para juntar os Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 8 7 documentos nele contidos em um determinado processo digital, o que é analisado pela fiscalização após receber essa documentação. O art. 3º do CAPÍTULO I (DA SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS POR MEIO DO PGS) da Instrução Normativa RFB Nº 1.412, de 22 de novembro de 2013 (DOU de 25 de novembro de 2013, que dispõe sobre a transmissão e a entrega de documentos digitais, determina ainda que: Art. 3° A solicitação de juntada de documentos digitais, nos termos previstos no caput do art. 2º, ocorrerá mediante transmissão de arquivo digital por meio do PGS disponível no sítio da RFB na Internet, no endereço http://idg.receita.fazenda.gov.br, com assinatura digital válida. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 1º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a processo digital, ocorrerá somente na hipótese de o interessado estar com a opção de domicílio tributário eletrônico (DTE) ativa, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 664, de 21 de julho de 2006. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) § 2º A solicitação de juntada de documentos na forma do caput, a dossiê digital de atendimento, poderá ser feita somente com o uso de assinatura digital válida. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Parágrafo único. Somente o interessado, em nome de quem houver sido formado o processo digital ou o dossiê digital de atendimento, ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal eCAC”, com opção “processos digitais”, poderá solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1608, de 18 de janeiro de 2016) Resta claro, pela leitura do dispositivo legal acima, que somente o interessado [aquele que está descrito no item “1” do Despacho Decisório (fl. 29)], ou seja, no presente caso, somente a pessoa jurídica denominada UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), em nome de quem foi formado o presente processo digital (e não a pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI – CPF 004.705.97020), ou o seu procurador habilitado mediante “Procuração para o Portal e CAC”, com opção “processos digitais”, poderiam solicitar a juntada de documentos por meio do PGS (Programa Gerador de Solicitação de Juntada de Documentos) (a pessoa jurídica pode transmitir diretamente documentos com a utilização do eCNPJ). Por oportuno, verifiquei nas informações do presente processo, constantes nos Sistemas Informatizados da RFB (Sistema e Processo), que foi outorgada à CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ (CPF 945.551.33072) a representação da pessoa jurídica UGHINI para o presente processo, com vigência de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 9 8 07/04/16 a 07/04/18 e, portanto, esse procurador também poderia solicitar a juntada de documentos por meio do PGS. Portanto, como o presente processo digital não foi formado em nome da pessoa física de ALÉCIO LANGARO UGHINI (CPF 004.705.97020), mas sim da pessoa jurídica UGHINI S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO (CNPJ 97.577.209/000154), que é o interessado no processo, nem àquele consta como procurador com opção de “processos digitais” para incluir documentos eletronicamente no presente processo (mas sim CAMILO DE OLIVEIRA LEIPNITZ), correto o procedimento da fiscalização que negou a pretensão de juntada de documentos na pessoa física de ALÉCIO UGHINI [este deveria ter utilizado o e CNPJ da empresa UGHINI S. A. (interessado) para inclusão de documentos no presente processo, na forma eletrônica]. Com isso, o impugnante, que teria até o dia 18/07/16 para juntar sua Manifestação de Inconformidade no processo, somente veio a fazêlo em 25/07/16, restando, portanto, intempestiva a sua impugnação. Ao contrário do que argumenta o impugnante, não há nenhuma inconsistência, portanto, nos sistemas utilizados pela RFB na movimentação de processos digitais, mas sim regras específicas que devem ser rigorosamente observadas pelo contribuinte que pretende solicitar a juntada de documentos de forma eletrônica, utilizando a rede mundial de computadores (INTERNET). Como determinado pela legislação tributária, é do contribuinte a responsabilidade pelo teor e conteúdo dos arquivos transmitidos, e também do cumprimento dos prazos legais de apresentação de tais arquivos. Por fim, cabe ressaltar que a análise da tempestividade é fundamental para a garantia do princípio da isonomia (em relação aos contribuintes que envidam seus esforços para o cumprimento de suas obrigações nos prazos legalmente estabelecidos) e da segurança jurídica (princípio constitucional republicano basilar em um Estado Democrático de Direito). Quanto aos demais argumentos trazidos no Recurso Voluntário, deixo de apreciálos por ter ocorrido a preclusão do direito do contribuinte, devido ao não conhecimento da Manifestação de Inconformidade pela DRJ. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negolhe provimento. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11080.910651/201659 Acórdão n.º 3402006.627 S3C4T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905332/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2009
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Numero da decisão: 3302-007.180
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10875.905332/2012-99
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6020966
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-007.180
nome_arquivo_s : Decisao_10875905332201299.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10875905332201299_6020966.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
dt_sessao_tdt : Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
id : 7787337
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:47:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122156630016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1233; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.905332/201299 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302007.180 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2009 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente Substituto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 53 32 /2 01 2- 99 Fl. 101DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP), transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF indicado. Após análise do pedido foi proferido Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, sob a justificativa de que o pagamento apontado teria sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação.: Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, arguindo essencialmente que o Despacho Decisório combatido estaria eivado de vícios insanáveis, os quais ensejariam sua nulidade. Discorreu sobre cada um deles. Após análise e julgamento da referida manifestação, a Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, julgoua improcedente e decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensação pleiteada. Irresignada, a empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega que o direito à ampla defesa não é algo que possa ser tratado de forma simples ou sintética, como explicitamente afirma o faz, o voto sob análise. A ampla defesa constitui um direito Constitucional (art. 52, LV da Carta Magna) do contribuinte, que deve ser garantido, inclusive no procedimento administrativo fiscal, da forma mais abrangente possível, principalmente pela Administração Pública. Deste modo, não se pode deixar de negar que a forma sintética com o que foi tratado o direito da Recorrente implica a nulidade do despacho decisório em questão, conforme o art. 59, inciso II, do Decreto n2 70.235/1972, uma vez que impede que a contribuinte tenha uma visão clara dos motivos pelos quais seu crédito fora declarado inexistente. Ressalta sua contrariedade quanto ao fato de não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição/compensação, como manda o art. 65 da Instrução Normativa da SRF n° 900/2008. Acrescenta que o art. 65 da referida Instrução Normativa estabelece que "a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito". Argumenta que estarseia diante de um "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte. Ora, quando não houver inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito. Por outro lado, se houver inconsistências no pedido, a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito à tal verificação. Observa que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10875.905332/201299 Acórdão n.º 3302007.180 S3C3T2 Fl. 3 3 Nesse trilhar, aduz ser ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Sugere, contudo, que momento oportuno para a comprovação do crédito seria o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, conforme estabelecido pela a própria Receita Federal no art. 65 da IN 900/2008, não havendo razão para negarse tal oportunidade ao contribuinte. Acrescenta que se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. Conclui a contribuinte que, à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, declarandose a nulidade do procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302007.178, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10875.905330/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302007.178): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, v ia Aviso de Recebimento, em 10 de abril de 2014, quintafeira, às e folhas 65. A empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, em 09 de maio de 2010, conforme e folhas 68. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. O processamento do PERDCOMP n. 26339.44713.220811.1.3.049802, uma vez que o DARF Fl. 103DF CARF MF 4 utilizado como crédito na compensação não foi integralmente utilizado. Passase à análise. Tomase por esteio o artigo 74 da Lei 9.430, de 27.12.1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VII o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10875.905332/201299 Acórdão n.º 3302007.180 S3C3T2 Fl. 4 5 VIII os valores de quotas de saláriofamília e salário maternidade; e IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobrea Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; O PER/DCOMP formaliza o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública. A entrega do PER/DCOMP implementa a compensação tributária, tendo por efeito imediato a extinção do débito, ainda que sob ulterior condição resolutória. Cabe ao Sujeito Passivo fornecer informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos, permanecendo com a Autoridade Tributária o poder/dever de validar a operação realizada. No caso que se aprecia, o Contribuinte transmitiu o PER/DCOMP com o fim de extinguir débito com suposto crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior, apontando um DARF como origem desse crédito. O núcleo do presente litígio é verificar se o Contribuinte possuía ou não o direito creditório pleiteado. É alegado no Recurso Voluntário, efolhas 71: Senhores Conselheiros, estamos na frente, aqui, de um verdadeiro "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte. Ora, quando não houverem inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito, agora, se Fl. 105DF CARF MF 6 houverem inconsistências no pedido, então a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito. Podemos ver, ainda, que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados pelo mesmo, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Ele segue neste sentido, à fls. 7: (...) Devemos deixar claro que, sim, é ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Agora, se a própria Receita Federal estipula, no art. 65 da IN 900/2008, momento oportuno para a comprovação do crédito, qual seja, o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, por que negar tal oportunidade ao contribuinte? Isto é, por que não dar oportunidade para o contribuinte provar o crédito antes da emissão do despacho decisório? Em nome da celeridade da Fiscalização? Ora, nobres Conselheiros, todos sabemos da gama de obrigações do contribuinte para com o Fisco, e das facilidades que este ultimo tem em termos de fiscalização e cruzamento de dados, tudo em prol da cobrança tributária. Não pode, portanto, o Fisco também passar por cima de suas próprias estipulações em prol do mesmo fim. Portanto, se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim se manifesta às folhas 07: Consoante o §1° do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pela contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é menor que o DARF recolhido e apontado como origem do crédito. Nada mais foi trazido aos autos, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10875.905332/201299 Acórdão n.º 3302007.180 S3C3T2 Fl. 5 7 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria à interessada crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Absolutamente adequada a posição esposada no Acórdão de Manifestação de Inconformidade. O crédito tributário declarado pela recorrente em DCTF é líquido e certo, razão pela qual deve ser homologada a compensação realizada por meio da PER/DCOMP, sob pena de enriquecimento ilícito da União, vez que está cobrando valores já compensados pela empresa. A comprovação do erro de informação é tarefa que cabe exclusivamente ao Interessado, por meio da apresentação de documentos hábeis e idôneos. A conclusão é a mesma se analisarmos a questão sob o aspecto puramente processual. O Decreto 70.235/1972, que também se aplica a esse tipo de Contencioso, dispõe no seu art. 16, § 4°, que as provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Já o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999 RIR/99 (DecretoLei 1.598/1977, art. 9°, § 1°) estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, no presente caso, caberia ao Contribuinte a apresentação dos elementos de prova (cópias de Livros e Documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF Original, que embasou o Despacho Decisório em referência. Com efeito, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da Defesa. Assim, como não foi corroborado o direito creditório do Manifestante, de conformidade com a Legislação aplicável ao assunto apreciado, e portanto não foi comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse o débito pleiteado pela Empresa, pois o valor do crédito solicitado foi alocado para cobrir apenas o débito indicado no DARF citado, conforme Fl. 107DF CARF MF 8 demonstrado, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. O ônus do contribuinte é comprovar o direito levado à DCTF, ou pelo menos sua verossimilhança. Na ausência dessa, tomase por esteio voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem se que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitando se a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10875.905332/201299 Acórdão n.º 3302007.180 S3C3T2 Fl. 6 9 de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13881.720150/2011-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA.
Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal.
Numero da decisão: 2002-001.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13881.720150/2011-78
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029196
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-001.250
nome_arquivo_s : Decisao_13881720150201178.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13881720150201178_6029196.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
id : 7815124
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122178650112
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-05T18:19:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-05T18:19:46Z; Last-Modified: 2019-07-05T18:19:46Z; dcterms:modified: 2019-07-05T18:19:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-05T18:19:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-05T18:19:46Z; meta:save-date: 2019-07-05T18:19:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-05T18:19:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-05T18:19:46Z; created: 2019-07-05T18:19:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-07-05T18:19:46Z; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-05T18:19:46Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13881.720150/2011-78 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-001.250 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de junho de 2019 Recorrente OSWALDO INACIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. Diligência que apurou correto o lançamento após detida análise do extrato analítico de contribuições. Mantida a acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 37/40) contra decisão de primeira instância (fls. 28/31), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Foi lavrado o auto de infração por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89, e ainda da PROCURADORIA GERAL DO ESTADO. Inconformado com o auto de infração, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 01 50 /2 01 1- 78 Fl. 105DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.250 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720150/2011-78 a) não houve omissão de rendimentos, posto que o contribuinte lançou o valor considerado omitido na notificação no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, por estar isento de tributação, com amparo na Lei 7.713/88, apontada na declaração de imposto de renda, cuja matéria foi apreciada pelo STJ; b) as normas legais referidas e jurisprudência apresentada determinam que para quem se aposentou antes de 01/01/96 não incidirá imposto de renda sobre o benefício de complementação da aposentadoria mesmo após a vigência da Lei 9.250/1995, em razão do ato jurídico perfeito, como o impugnante aposentou-se em 15/12/1996, o imposto de renda sobre o deve ser calculado proporcionalmente; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação e manteve o crédito tributário. Inconformado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, adicionalmente que não foi aplicado ao caso concreto a jurisprudência firmada sobre a questão e que a multa não deve ser aplicada ao contribuinte de boa-fé. Em 22/05/2018 (fls. 44/47), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que o contribuinte junte extrato analítico das contribuições de todo o período para análise, por parte da RFB, de quais parcelas estariam isentas, encontrando-se a proporcionalidade pretendida, em relação aos valores recebidos da Pessoa Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89. Determina-se, ainda, que em sendo apresentado o extrato analítico, que a RFB se manifeste sobre o extrato e se pronuncie se o contribuinte já se aproveitou do crédito. Em 31/01/2019 (fls. 79/88), o julgamento do recurso foi convertido em diligência para que seja dada ciência ao contribuinte do pronunciamento da RFB de fls. 75/81, bem com seja aberto prazo legal para manifestação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário, aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 04/11/2014 (fl. 36); Recurso Voluntário protocolado em 03/12/2014 (fl. 37), assinado pelo próprio contribuinte. Em julgamento primeiro (fls.44/47), no qual se estabeleceu o direito a ser aplicado, resolveu-se baixar os autos em diligência para que o contribuinte juntasse extrato analítico das contribuições de todo o período, em relação aos valores recebidos da Pessoa Fl. 106DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.250 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720150/2011-78 Jurídica - Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social REFER, CNPJ 30.277.685/0001-89, o que foi feito às fls. 57/62. Após a juntada do extrato, a RFB se manifestou sobre o extrato e se pronunciou dizendo que “... considerando-se o entendimento de que o contribuinte faria jus a reduções correspondentes ao total de contribuições de janeiro de 1989 a dezembro de 1995, o resultado do exercício 2004 passaria de imposto a pagar de R$ 2.201,65 para imposto a restituir de R$ 781,73 e o resultado do exercício 2006 passaria de imposto a pagar de R$ 3.051,79 para imposto a pagar de R$ 2.769,86. Os demais exercícios permaneceriam inalterados” (fl. 75), tendo instruído seu relatório com os demonstrativos de fls. 76/81. Dado o retorno da diligência, onde se vê que para o ano calendário 2009, em discussão na presente demanda, não se alterou o resultado apurado, é de rigor a manutenção da acusação fiscal. Registro, por relevante, que a manifestação do contribuinte de fls. 95/97, repete as razões do recurso e requer novamente a aplicação de regra de três simples para se encontrar a proporcionalidade de isenção pretendida, o que já foi rechaçado pela decisão de fls. 44/47, que anotou ser incorreta tal aplicação, pois, estar-se-ia incluindo no cálculo as parcelas que foram pagas pela empregadora, e sobre essas não há isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito nego provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009278/2004-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS INOMINADOS. INTEGRAÇÃO DE VOTO. NÃO CABIMENTO.
Descabe a integração de voto a partir de embargos inominados, previstos no art. 66 do Anexo II do Ricarf, os quais se limitam a "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão", uma vez ultrapassado o prazo para embargos de declaração, nos termos do art. 67 do Anexo II do Ricarf.
Numero da decisão: 9101-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos Inominados, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que não conheceram dos embargos. Acordam, ainda, por maioria de votos, em acolher parcialmente os Embargos Inominados, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que acolheram integralmente. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201905
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 EMBARGOS INOMINADOS. INTEGRAÇÃO DE VOTO. NÃO CABIMENTO. Descabe a integração de voto a partir de embargos inominados, previstos no art. 66 do Anexo II do Ricarf, os quais se limitam a "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão", uma vez ultrapassado o prazo para embargos de declaração, nos termos do art. 67 do Anexo II do Ricarf.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10680.009278/2004-26
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6024329
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-004.170
nome_arquivo_s : Decisao_10680009278200426.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER
nome_arquivo_pdf_s : 10680009278200426_6024329.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos Inominados, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que não conheceram dos embargos. Acordam, ainda, por maioria de votos, em acolher parcialmente os Embargos Inominados, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que acolheram integralmente. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora
dt_sessao_tdt : Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
id : 7801353
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122189135872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.138 1 1.137 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.009278/200426 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9101004.170 – 1ª Turma Sessão de 8 de maio de 2019 Matéria DECADÊNCIA. EMBARGOS. Embargante BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S.A. BDMG Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 EMBARGOS INOMINADOS. INTEGRAÇÃO DE VOTO. NÃO CABIMENTO. Descabe a integração de voto a partir de embargos inominados, previstos no art. 66 do Anexo II do Ricarf, os quais se limitam a "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão", uma vez ultrapassado o prazo para embargos de declaração, nos termos do art. 67 do Anexo II do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer os Embargos Inominados, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado, que não conheceram dos embargos. Acordam, ainda, por maioria de votos, em acolher parcialmente os Embargos Inominados, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), que acolheram integralmente. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 92 78 /2 00 4- 26 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.139 2 Relatório Tratase de embargos inominados apresentados pelo contribuinte BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS BDMG, sob a forma de requerimento (juntado ao eprocesso como "arquivo não paginável", termo de juntada à efl. 1008), em face do Acórdão nº 9101001.543, de 22/01/2013, por meio do qual o colegiado julgou o recurso especial da PFN, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, na hipótese de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em consonância com o inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.140 3 Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). EXCLUSÃO INDEVIDA DE RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, dar provimento à arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator) e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto quanto à preliminar o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à reversão de contingência passiva e dar provimento em parte, com retorno à câmara de origem, para exame das matérias não alcançadas pela decadência. Dessa decisão o contribuinte foi intimado e não apresentou embargos (e fls.846848). Posteriormente, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em sessão de 09 de agosto de 2016, decidiu sobre a matéria remanescente, através do acórdão nº 1401001.677, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ATIVO FISCAL DIFERIDO. CONSTITUIÇÃO E REVERSÃO. A constituição do ativo fiscal diferido, decorrente de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores à sua constituição, deve ter como contrapartida o patrimônio líquido e não pode ensejar efeito fiscal, de acordo com a Solução de Consulta SRRF/9ªRF/DISIT nº 21, de 01 de fevereiro de 2001. Incorreta a interpretação de que, se a empresa ofereceu à tributação do IRPJ a contrapartida do ativo fiscal diferido decorrente da base de cálculo negativa da CSLL, tem o direito de extrair do lucro real no período em que foi feita a reversão, por falta de base legal. Mormente, quando a contrapartida da constituição do ativo fiscal diferido apenas reduziu o prejuízo fiscal apurado. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.141 4 Cientificado, o contribuinte embargou essa decisão (efls.892897), pleiteando, inclusive, a correção do erro material contido no “Demonstrativo do Débito – Intimação nº 598/2017”, nos termos do art. 66 do RICARF. Alegou que como a questão da decadência com relação ao anocalendário de 1997 já está definida, na eventualidade de ser mantida a cobrança de 1998 nos termos do acórdão embargado, requerse a correção do “Demonstrativo do Débito – Intimação nº 598/2017”, para excluir os valores de 1997, reconhecidamente decaídos, conforme os termos constantes do Acórdão nº 9101001.543, de 21.01.2013, efls. 818840. Os embargos foram rejeitados monocraticamente, conforme despacho de admissibilidade de efls.906916. Na sequência, o contribuinte apresentou petição dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil (e fls. 919 a 921) pleiteando a exclusão da cobrança dos débitos de 1997, visto que conforme a decisão do CARF no acórdão de recurso especial datado de 21/01/2013, estaria supostamente reconhecida a decadência desses valores. A petição foi indeferida conforme despacho de efls.931. Cientificado do despacho que rejeitou os embargos, o contribuinte apresentou recurso especial (efls.938 e ss.), ao qual foi negado seguimento pelo despacho de admissibilidade defls.976 e ss. Após, o contribuinte apresentou nova petição (efls.981 e ss.) e agravo (e fls.1000 e ss.), os quais foram analisados pelo despacho de admissibilidade de efls. 1109 e ss., em 15/01/2018, em que a Presidente da CSRF rejeitou o agravo e admitiu o recebimento da referida petição como embargos inominados opostos em face do Acórdão nº 9101001.543, nos seguintes termos: Constatase que a situação descrita pelo requerente se amolda àquela prevista no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes, verbis: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Com efeito, a situação descrita revela a plausibilidade de que, no ato de integração de voto vencido, voto vencedor e redação da parte dispositiva do Acórdão nº 9101001.543, algum lapso Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.142 5 tenha sido cometido, conduzindo a um erro material capaz de impactar a correta interpretação e aplicação do quanto decidido, em especial quanto ao alcance do provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Por tais razões, o requerimento apresentado deve ser recebido como embargos inominados opostos em face do Acórdão nº 9101001.543. Ainda, demonstrada a plausibilidade das alegações do embargante, os embargos devem ser admitidos e levados a julgamento perante a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos regimentais. Os autos foram, então, sorteados a esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Os embargos inominados foram admitidos pela Presidente da CSRF que determinou o julgamento perante a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a partir da previsão contida no art. 66 do Anexo II da Portaria MF Nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Assim, conheço dos embargos nos termos do despacho de admissibilidade de efls. 1109 e ss. Mérito A síntese da questão ficou bem delimitada no referido despacho de admissibilidade, que esclareceu que o requerente/embargante apontou uma imprecisão no acórdão nº 9101001.543 (efls. 818/840), no que se refere à decadência para os fatos geradores ocorridos no anocalendário 1997, o que teria levado a Unidade Preparadora, encarregada da execução do julgado, a exigirlhe débitos referentes a esse período, os quais entende que teriam sido afastados pela referida decisão, em face de decadência. Deduziuse, das alegações do requerente/embargante que, no ato de integração de voto vencido, voto vencedor e redação da parte dispositiva do Acórdão nº 9101 001.543, poderia ter sido cometido algum lapso. Antes da análise do referido julgado, contudo, importa destacar os fatos relevantes constantes dos autos. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.143 6 Consta auto de infração (fls.8 e ss. do vol.1) a caracterização das seguintes infrações: 001 — EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO: O contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real do anobase de 1998 no valor de R$ 45.050.281,37, em virtude da exclusão do valor referente a 'Contribuição Social sobre o Lucro', exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um valor que está sendo revertido do ativo e não uma efetiva despesa do contribuinte, tudo conforme explicado no item '4 — Da escrituração do Ativo fiscal Diferido' do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19 a 29. 002 — EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BINF 1990: O contribuinte produziu reduções indevidas do Lucro Real nos anosbase de 1997, 1998 e 1999, em virtude de estar excluindo a diferença IPC/BINF90 em desacordo com a legislação do tema (Lei 8.200/91, com alterações do art. 11 da Lei 8.682/93) e com o disposto na sentença exarada pelo Sr. Juiz da 12°. Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, que lhe permitiu excluir a diferença IPC/BTNF90 da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL de uma única vez no exercício de 1995, ano base 1994. Tudo conforme explicado no item 3 — Da ação judicial acerca da diferença IPC/BTNF 1990' do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19 a 29. 003 — EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'REVERSÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE CSLL TRIBUTADO EM 1997: O contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real do anobase de 1998 no valor de R$ 2.140.144,75, em virtude da exclusão do valor referente a 'Reversão de Crédito Tributário de CSLL tributado em 1997, exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um valor que está sendo revertido do ativo e não é uma efetiva despesa do contribuinte, tudo conforme explicado no item '4 — Da escrituração do Ativo fiscal Diferido' do Termo de Verificação Fiscal de fls. 19 a 29. 004 — EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'RECEITA PELA REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA': O contribuinte produziu uma redução indevida do Lucro Real do anobase de 1999 no valor de R$ 10.968.459,45, em virtude da exclusão do valor referente a Receita pela Reversão de Contingência passiva', exclusão esta não autorizada pela legislação do imposto de renda, visto ser um que está sendo revertido do ativo e não é uma efetiva despesa do contribuinte, tudo conforme explicado no item '5 — Da Receita de reversão de contingências' do Termo de Verificação Fiscal de fis. 19 a 29." No Termo de Verificação Fiscal ainda constou: Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.144 7 6— DAS DECLARAÇÕES DE IRPJ E CSLL O contribuinte retificou sua declaração de imposto de renda da pessoa jurídica relativa ao anobase 1997 em 18/10/1999. Na retificadora alterou o valor das exclusões na apuração do lucro real e a base de cálculo da CSLL e deixou de lançar a compensação integral do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL, conforme foi originariamente declarada na MN, que teve 'como suporte a ação judicial n° 95.00139103/MG. Assim, foi na data da retificadora que a Receita Federal tomou conhecimento das exclusões efetuadas pelo contribuinte na apuração do lucro real e da CSLL e pode efetuar o lançamento das exclusões não admitidas. Em 26/06/2004 o contribuinte retificou a declaração relativa ao anobase de 1998, alterou na declaração retificadora o valor das exclusões, visto ter excluído da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL o valor referente aos juros de Notas do Tesouro Nacional —NTN da série A3, emitidas na forma autorizada pela MP 1.53847 e contendo as características do art. 70, §2°, do Decreto n" 3.859/2001. A isenção de imposto de renda consta da Le. 10.179/2001 e art. 777 do RIR/99. Assim apesar do contribuinte estar sob procedimento de ofício ao retificar a declaração e esta, abada, não ter sido processada pela Receita Federal, iremos considerar esta declaração retificadora quando do lançamento de ofício. Em síntese, a autuação (efls. 10 e segs.) se deu para exigência de IRPJ diante de quatro diferentes infrações apuradas pelo Fisco. As infrações 001 e 003 alcançaram exclusivamente fatos geradores ocorridos em 31/12/1998. A infração 004 alcançou exclusivamente fatos geradores ocorridos em 31/12/1999. A infração 002 alcançou fatos geradores ocorridos em 30/06/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999. A impugnação do contribuinte foi parcialmente acatada pela Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte, com redução do crédito tributário, assim: "EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO'. EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'REVERSÃO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE CSLL TRIBUTADO EM 1997'. EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'RECEITA PELA REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA'. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do períodobase somente os valores cuja dedução seja expressamente autorizada pelo Regulamento do Imposto de Renda e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do períodobase; bem como os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.145 8 lucro líquido que, de acordo com o Regulamento do imposto de renda, não sejam computados no lucro real. EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BT7VF 1990. Em qualquer hipótese, o saldo devedor da correção monetária complementar, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença IPC/BTNE poderá ser deduzido na determinação do lucro real em seis anos calendário, a partir de 1993, à razão de 25% em 1993 e 15% ao ano, de 1994 a 1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura pela contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento. Lançamento Procedente em parte. A decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte afastou a arguição de decadência do contribuinte sob o argumento de que "somente na data da entrega da declaração retificadora [do ano de 1997], que ocorreu em outubro de 1999, a SRF tomou conhecimento das inauditas exclusões efetuadas pelo contribuinte na apuração do lucro real e da CSLL." Quanto ao mérito, assim decidiu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento: "Em face do exposto, VOTO no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o lançamento para: 1. em relação as matérias dos itens '001', '003' e '004' do Auto de Infração: 1.1. Manter integralmente as exigências fiscais, no valor de R$ 9.862.533,38 (nove milhões, oitocentos e sessenta e dois mil, quinhentos e trinta e três reais e trinta e oito centavos), com os acréscimos legais; 2. em relação a matéria do item '002' do Auto de Infração: 2.1. Reduzir a exigência do IRPJ para R$ 3.417.611,76 (três milhões, quatrocentos e dezessete mil, seiscentos e vinte e um reais e setenta e seis centavos), com os acréscimos legais; 2.2. Declarar definitiva a exigência, nos termos do item 'a' do ADN CST te. 03, de 1996, no aspecto referente à matéria que foi levada à discussão do Poder Judiciário, qual seja a dedução integral da diferença IPC/BTNF de 1990 sem o óbice determinado pela Lei nº. 8.200, de 1991; excetuados os demais Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.146 9 aspectos atinentes à incorreção material do lançamento, exigência de multa de oficio e juros de mora." (grifouse) Nas razões de recurso voluntário o contribuinte sustentou: (i) decadência do direito de lançar em relação aos créditos dos exercícios de 1997 e 1998; (ii) ilegitimidade do lançamento no que concerne à exclusão do saldo devedor da diferença IPC/BTNF; (iii) legalidade da exclusão da resultado da "Receita pela Reversão de Contingência Passiva" e do crédito tributário de CSLL sobre Bases de Cálculo Negativas de anos anteriores. Aqui destaco que, para os períodos de apuração de 1997 e 1998 (objeto de recurso voluntário quanto à alegação de decadência) foram apontadas as infrações descritas nos itens 1, 2 e 3 do auto de infração. Após o trâmite processual regular, foram a julgamento os recursos de ofício e voluntário em face da decisão de primeira instância, que foram objeto de decisão do então 1º Conselho de Contribuintes, mediante o Acórdão nº 10709.377 (efls. 529 e segs.). Entre outros aspectos, aquele Colegiado reconheceu a decadência para os fatos geradores ocorridos em 30/06/1997 e 31/12/1998. Confirase sua ementa integral: IRPJ. DECADÊNCIA. ART. 150, § 4°., DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. LANÇAMENTO FORMALIZADO APÓS A FLUÊNCIA DO LUSTRO DECADENCIAL. Formalizado o lançamento de oficio em 29/07/2004, não poderia a Receita Federal, validamente, constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 30/06/1997 e 31/12/1998. O fato de ter a Recorrente, apresentado declaração retificadora não interfere na contagem do prazo de decadência, prazo este que, diante de regra expressa (insculpida no art. 150, § 4º, do CTN), iniciase quando se reputa ocorrido o fato imponível. Os prazos de decadência não estão sujeitos a interrupção ou suspensão. EXCLUSÃO INDEVIDA DE 'RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA'. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissivel que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o 'mérito' do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que toma inócua a discussão administrativa. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.147 10 EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF 1990. É de se afastar imposição de dedução integral dos valores de correção monetária IPC/BTNF no anocalendário de 1994, sendo obrigatória a observância do escalonamento previsto na Lei n o. 8.200/1991, que discriminou, em cada anocalendário, as deduções possíveis. [grifouse] Assim, através do Acórdão nº 10709.377 (efls. 529 e segs.), o Colegiado a quo decidiu: (1) conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento, declarando a decadência do direito de a Receita Federal constituir crédito tributário em desfavor da Recorrente nos exercícios de 1997 e 1998 (art. 150, § 4°, do CTN), bem como para cancelar o lançamento quanto à exclusão da reversão de reservas de contingência do procedimento de apuração do resultado do exercício e (2) conhecer do recurso de oficio para negarlhe provimento. No voto condutor, o relator destacou a matéria a ser apreciada no mérito: "acolhida a preliminar, conheço o mérito em relação à exclusão indevida de 'receita de reversão de contingência passiva' — fato gerador ocorrido em 31/12/1999 —, e, igualmente, em relação à exclusão da diferença IPC/BTNF 1990". Logo, a autuação referente à exclusão da diferença IPC/BTNF 1990 (mérito), no período remanescente (AC 1999), foi enfrentada, tendo sido mantida a decisão de primeira instância, a partir dos seguintes fundamentos: Quanto à questão do abatimento das diferenças de correção monetária IPC/BTNF, a análise a ser realizada por este Conselho se bifurca para fins de (i) determinação da legitimidade ou ilegitimidade da dedução (objeto do recurso voluntário) e (ii) aferir a correção dos ajustes efetuados pela autoridade julgadora (objeto do recurso de oficio). Em relação a esse tópico o recurso voluntário não pode ser conhecido em face da concomitância de ação judicial com o mesmo objeto (Mandado de Segurança no. 1997.01.00.0216781). É matéria de súmula o entendimento no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o 'mérito' do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que toma inócua a discussão administrativa. No caso, sendo o objeto deste processo administrativo idêntico ao do processo judicial manejado pela Recorrente, caracterizada está a inviabilidade da discussão da questão em sede administrativa. Em síntese, a partir dessa decisão concluise que restaram: (i) Infrações 1 e 3 – exclusões CSLL: integralmente canceladas por envolverem fatos ocorridos no ano de 1998 e, portanto, alcançados pela decadência; (ii) Infração 2 – diferenças IPC/BTN90: mantida a decisão de 1ª instância, ou seja, a exigência de valores sub judice, acrescidos de juros e multa, em relação ao anocalendário 1999, uma vez que os anos de 1997 e 1998 foram alcançados pela decadência; (iii) Infração 4 – receita de reversão de contigência passiva: cancelada no mérito. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.148 11 Sobreveio, então, recurso especial da Fazenda Nacional sobre essa matéria (entre outras), com fundamento no art.7°, I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ou seja, contra decisão nãounânime de Câmara, quando contrária à lei ou à evidência da prova, apontando (fls. do vol.2): [... ] Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamento do dia 12.08.2009, ao analisar o Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, na sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543C do CPC), definiu que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos contados áo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do tributo. [...] Não havendo, pois, o que homologar, o procedimento exigível é o do lançamento de oficio, observado o prazo do artigo 173 do CTN, e não o do artigo 150 do mesmo Diploma Legal. É de se destacar que somente na data da entrega da declaração de rendimentos retificadora, o que se deu em 1999, foi que a Receita Federal tomou conhecimento das indevidas exclusões efetuadas pelo contribuinte na apuração do lucro real e da CSLL. Aplicandose, então a teoria da actio nata, é fácil concluir que somente nesta data é que surgiu para a Fazenda o direito de lançar os valores indevidamente excluídos. Logo, foi a partir de 01/01/2000 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) que começou a correr o prazo decadencial para a Fazenda efetuar o lançamento, não havendo, pois, que se falar em decadência da exação, devendo ser mantido o lançamento referente aos períodos de 1997 e 1998. O recurso foi admitido e levado à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que prolatou, então, o Acórdão nº 9101001.543 (efls. 818/840), sobre o qual recaem os presentes embargos inominados. Cumpre a esta turma analisar o referido acórdão a fim de perquirir eventual irregularidade. Consta da ata publicada referente à sessão do dia 22 de janeiro de 2013: Relator: JOSÉ RICARDO DA SILVA Processo: 10680.009278/200426 Recorrente: FAZENDA NACIONAL e Recorrida: BANCO DE DESENVOLVIMENTO DE MINAS GERAIS S/A BDMG Decisão: Por maioria de votos, dado provimento à arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Jose Ricardo da Silva, relator. Designado para redigir o voto quanto à preliminar o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. 2) No mérito, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso, quanto à reversão de contingência passiva e dado provimento em parte, com retorno à câmara de origem, para exame das matérias não alcançadas pela decadência. Fez Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.149 12 sustentação oral o advogado Francisco de Almeida OAB/MG n°94.400. Acórdão n° 9101001.543 A seguir, são transcritos a parte dispositiva, a ementa e alguns excertos dessa decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA NACIONAL CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DO PRAZO Na inexistência de pagamento antecipado ou nos casos em que for caracterizado o evidente intuito de fraude, a contagem dos cinco anos deve ser a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em conformidade com o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Somente ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do Código Tributário Nacional. Assim, a contagem do prazo decadencial de cinco anos, na hipótese de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, em consonância com o inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.150 13 EXCLUSÃO INDEVIDA DE RECEITA DE REVERSÃO DE CONTINGÊNCIA PASSIVA. TRIBUTAÇÃO ANTERIOR. ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO. Não é admissível que um crédito de natureza estritamente contábil seja tributado na sua constituição e novamente tributado no momento de sua reversão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) por maioria de votos, dar provimento à arguição de decadência. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva (Relator) e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto quanto à preliminar o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. 2) No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, quanto à reversão de contingência passiva e dar provimento em parte, com retorno à câmara de origem, para exame das matérias não alcançadas pela decadência. Naquela decisão ocorreu a necessidade de formalização ad hoc do voto vencido, onde restou consignado: Voto vencido: [...] Informo que, na condição de Redator Ad Hoc, estritamente transcrevo as razões expostas pelo relator original da decisão. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do Conselheiro José Ricardo da Silva na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Destarte, adoto como base a minuta de acórdão inicialmente apresentada quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em janeiro de 2013, para formalizar o voto do relator. [...] Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.151 14 Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança de Imposto de Renda pessoa Jurídica ocorridos nos anoscalendário de 1997 e 1998, correspondente aos exercícios de 1998 e 1999, respectivamente. Os fatos geradores questionados ocorreram em 30/06/1997 e 31/12/1998. É importante observar , que no que diz respeito ao ano calendário de 1997, o direito de a Fazenda nacional constituir o crédito está decadente por ambas as teses adotadas pelo Superior Tribunal de Justiça. Ou seja, tanto faz se existe pagamento antecipado ou não, já que tanto pelo art. 150, § 4º como pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional o direito de constituir o crédito tributário já se exauriu. Pelo art. 150, § 4º, o prazo fatal ocorreu em 30/06/2002. Pelo art. 173, I, o prazo fatal ocorreu em 31/12/2003. A ciência do lançamento ocorreu 29/07/2004, posterior ao prazo fatal. No que diz respeito ao ano calendário de 1998,[...] Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/01/2000, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/1998. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que não houve pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2004, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 29/07/2004, não está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado para o anocalendário de 1998. Assim sendo, considero que em relação à exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, sem pagamento antecipado, aplicase a regra geral de decadência enunciada no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, tendo a Fazenda o prazo de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para constituir o crédito tributário. [...] Nestas condições, entendo que se faz necessário adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial do Procurador para declarar que o anocalendário de 1998 não foi alcançado pelo prazo decadencial, determinando o retorno dos autos à Câmara Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.152 15 recorrida para apreciação das demais matérias recursais relativo ao anocalendário de 1998. Ao final, conclui sobre o mérito: Assim sendo, correta a decisão recorrida, não merecendo nenhum reparo nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nestas condições, entendo que se faz necessário adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial do Procurador para declarar que o anocalendário de 1998 não foi alcançado pelo prazo decadencial, determinando o retorno dos autos à Câmara recorrida para apreciação das demais matérias recursais relativo ao anocalendário de 1998. (grifouse) Por seu turno, o voto vencedor em relação à preliminar, foi formalizado e assinado digitalmente pelo próprio redator designado, que então consignou: Voto vencedor [...] minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101 000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, [...]. [...] Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: [...] Diante do exposto, e da inexistência de pagamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com retorno à Câmara a quo para análise das demais questões. É importante esclarecer que, no âmbito do CARF, a formalização do acórdão segue o padrão do sistema em que, quando há voto vencedor, ainda que parcialmente, o voto original passa a ser registrado como "voto vencido". Inexiste a opção de "voto vencido parcialmente". Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.153 16 Tendo isso em mente, cabe analisar se o voto vencedor substituiu totalmente o voto vencido ou apenas parcialmente, no que o voto, embora descrito como "voto vencido", restaria parcialmente mantido. No caso dos autos, a conclusão é fácil, uma vez que se trata de análise de questão preliminar (decadência), como ficou bem destacado no resultado do julgamento. Assim, tratase de voto vencido parcialmente (apenas quanto à preliminar), ainda que isso não tenha ficado tão evidenciado quando da formalização. Houve uma divergência entre o resultado registrado para o julgamento e o resultado do voto vencido "ad hoc" em relação à preliminar de decadência: este teria se dado de forma parcial, enquanto o resultado registrava que o relator (e outro conselheiro) teriam ficado vencidos (integralmente), ou seja, o relator original do voto "vencido" negou provimento ao recurso da PFN, mantendo, assim, o que restara decidido no acórdão recorrido (decadência de 1997 e 1998). Já o voto vencedor, formalizado pelo redator designado, registrou o provimento integral ao recurso da PFN. Vale lembrar que o quê a Fazenda Nacional pleiteava era o afastamento da decadência para os anoscalendário 1997 e 1998. A fundamentação apresentada pelo voto vencedor (que coincide com a fundamentação do voto vencido ad hoc) não restou suficientemente clara para afastar a decadência em relação ao anocalendário 1997, ainda que efetuando a contagem pelo prazo do art. 173, I, do CTN, uma vez que a autuação ocorreu em 2004. Há, no caso, um outro fundamento, considerado válido pela autoridade fiscal e pela DRJ e rechaçado pela turma ordinária que julgou o recurso voluntário pela primeira vez (no acórdão nº 10709377), qual seja, a apresentação de declaração (DIPJ do AC 1997) retificadora em 1999. Considerando essa informação estaria, em tese, afastada a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 1997 e condizente com o resultado registrado na ata de julgamento (pelo provimento integral ao recurso da PFN quanto à matéria decadência). Considerando que todos os conselheiros, no momento do julgamento do acórdão nº 9101001543, em 21/01/2013, estavam vinculados ao quanto decidido pelo STJ no Resp nº 973.733, por força do art. 62A do Anexo II do Ricarf aprovado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, podese concluir que o único fundamento pelo qual o relator e o outro conselheiro não teriam dado provimento ao recurso da PFN, em função da interpretação vinculante, seria a divergência em relação à outra fundamentação (da actio nata em relação à DIPJ retificadora entregue em 1999). Assim, para justificar o provimento ao recurso especial da PFN no tocante à preliminar de decadência, de forma integral, consoante registrado em ata de julgamento, caberia ler a fundamentação do voto vencedor considerando essa questão da actio nata. Ocorre que, nesse caso, descabe a integração do voto a partir de embargos inominados, previstos no art. 66 do Anexo II do Ricarf, os quais se limitam a "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão", uma vez que foi ultrapassado o prazo para embargos de declaração, nos termos do art. 67 do Anexo II do Ricarf, pois o contribuinte, embora intimado do acórdão (efls.846848), não os apresentou. De outro lado, verificase que, embora na decisão tenha sido registrado "dar provimento à arguição de decadência", nenhuma decadência foi arguída, pois se tratava de recurso especial da Fazenda Nacional. Consta da parte final do voto vencedor que "Diante do Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.154 17 exposto, e da inexistência de pagamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com retorno à Câmara a quo para análise das demais questões." Nesse caso, logicamente, "dar provimento ao recurso" da Fazenda Nacional significa "afastar a decadência". Por se tratar de mero erro material, cabe ajuste a partir dos presentes embargos inominados, sem nenhum prejuízo a qualquer das partes. Quanto ao mérito da questão referente à parte do lançamento mantida pela DRJ e objeto de recurso voluntário do contribuinte no tocante ao item 2 do auto de infração, cabe esclarecer que tal parcela havia sido objeto de cancelamento preliminar por decadência (em relação aos anos calendário 1997 e 1998), o que foi revertido pela CSRF, como se viu anteriormente. Contudo, no mérito, a parte mantida pela DRJ em relação ao item 2 do auto de infração, após os ajustes que restaram definitivos pelo não provimento do recurso de ofício, já havia sido objeto de decisão pelo acórdão que analisou o recurso voluntário apresentado (AC 10709377), para reconhecer a decadência parcial em relação aos períodos de 1997 e 1998, mas mantendo a autuação em relação ao ano de 1999: PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que a existência de ação judicial pela qual discute o contribuinte o 'mérito' do lançamento importa em renúncia à instância administrativa, posto que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, o que toma inócua a discussão administrativa. EXCLUSÃO INDEVIDA DE SALDO DEVEDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF 1990. É de se afastar imposição de dedução integral dos valores de correção monetária IPC/BTNF no anocalendário de 1994, sendo obrigatória a observância do escalonamento previsto na Lei n o. 8.200/1991, que discriminou, em cada anocalendário, as deduções possíveis. Assim, compreendese que, mesmo diante do provimento integral do recurso especial da Fazenda Nacional pela CSRF, essa matéria não teria que ser apreciada pela turma a quo novamente. Por fim, considerandose que os embargos inominados foram admitidos para verificação de eventual lapso cometido “no ato de integração de voto vencido, voto vencedor e redação da parte dispositiva do Acórdão nº 9101001.543", o único erro material passível de correção por essa estreita via, como demonstrado, é o ajuste na parte dispositiva do acórdão, em consonância com o voto vencedor para, onde se lê "dar provimento à arguição de decadência", leiase "dar provimento para afastar a decadência", uma vez que se trata de recurso especial da Fazenda Nacional. Em face do exposto, conheço e dou provimento parcial aos embargos inominados do contribuinte para retificar a decisão registrada no acórdão nº 9101001.543, Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.155 18 determinando onde se lê "dar provimento à arguição de decadência", leiase "dar provimento para afastar a decadência". (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Declaração de Voto Conselheira Livia De Carli Germano No presente caso divergi da Relatora por entender, com a devida vênia, que os embargos mereceriam acolhida. Passo a declarar meu voto. Conforme relatado, o acórdão embargado (9101001.543, de 22/01/2013), proferido por esta 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, analisou recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida por turma ordinária deste CARF que acolheu a preliminar de decadência dos fatos geradores ocorridos em 31/06/1997 e 31/12/1998. No caso, o relator original do acórdão embargado restou vencido quanto à decadência, de modo que foi designado outro Conselheiro para a redigir o voto vencedor. Analisando o conteúdo dos votos vencedor e vencido constantes do acórdão 9101001.543, temos o seguinte: Voto vencido no acórdão embargado: dá provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional por entender que o ano de 1998 não foi alcançado pela decadência, mantendo a decadência para 1997. Em sua fundamentação, o relator afirma seguir a contagem do prazo decadencial adotada pelo STJ nos autos do Recurso Especial 973.733 SC, decidido na sistemática de recursos repetitivos, e, em síntese, observa que (a) para 1997 a decadência ocorreu, tanto por aplicação do artigo 150, par. 4o, do CTN, seja pelo artigo 173, I, e (b) para 1998 conclui que não se operou a decadência eis que, considerando a ausência de pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial segue o artigo 173, I do CTN, devendo ser adotado como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado. Destaco os seguintes trecho deste voto: É importante observar , que no que diz respeito ao ano calendário de 1997, o direito de a Fazenda nacional constituir o crédito está decadente por ambas as teses adotadas pelo Superior Tribunal de Justiça. Ou seja, tanto faz se existe pagamento antecipado ou não, já que tanto pelo art. 150, § 4º Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.156 19 como pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional o direito de constituir o crédito tributário já se exauriu. Pelo art. 150, § 4º, o prazo fatal ocorreu em 30/06/2002. Pelo art. 173, I, o prazo fatal ocorreu em 31/12/2003. A ciência do lançamento ocorreu 29/07/2004, posterior ao prazo fatal. (...) No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que não houve recolhimento antecipado de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, como restou consignado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica. Notase às fls. 41, que o ajuste pelo lucro real, no anocalendário de 1998, não houve nenhum recolhimento do imposto (apuração de IRPJ = zero). Necessário se observar, que apesar do contribuinte ter compensado base negativa de imposto de renda de pessoa jurídica, nada foi recolhido a título deste imposto. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/01/2000, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/1998. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que não houve pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2004, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 29/07/2004, não está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado para o anocalendário de 1998. Voto vencedor no acórdão embargado: o redator designado cita a jurisprudência do STJ e o Recurso Especial nº. 973.733SC adotandoos como razões de decidir. Afirma que sua posição passou a ser a da aplicação do artigo 173, I, do CTN nos casos em que não tenha havido pagamento antecipado e passa a tratar do termo inicial de tal contagem (se seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador ou o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado) para, então, afirmar que adota a posição do STJ (firmada nos EDcl nos EDcl no AgRg no Recurso Especial nº 674.497/PR), de que o termo inicial do prazo previsto no artigo 173, I, do CTN é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser realizado. Em seguida, afirma: Diante do exposto, e da inexistência de pagamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com retorno à Câmara a quo para análise das demais questões. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.157 20 Como se percebe, a fundamentação apresentada pelo voto vencedor, em essência, coincide com a fundamentação do voto vencido, sendo de se concluir que não restou clara a razão pela qual o relator original foi vencido na sessão de julgamento. Tal falha poderia ter sido sanada por meio da apresentação de embargos de declaração (por qualquer das partes), todavia isso não ocorreu. Não obstante, é fato que existe uma incompatibilidade entre o conteúdo do voto vencedor (que não traz fundamento para excluir a decadência para o ano de 1997) e o dispositivo da decisão (que se refere a um provimento total do recurso da Fazenda Nacional). Daí porque a irresignação do contribuinte acabou por ser devolvida à apreciação desta 1a Turma da CSRF sob a única via processual então possível: a dos "embargos inominados". O artigo 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, estabelece que os embargos inominados são um recurso sem prazo específico e que, por isso mesmo, sua cognição é restrita, sendo dedicado apenas a sanar "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão". Assim, é importante pontuar que, de fato, não estamos diante de um caso típico de embargos inominados, visto que não há, no acórdão embargado, propriamente um lapso manifesto ou algum erro de escrita ou de cálculo. Sem embargo, também não se pode negar que por meio do presente processo administrativo o contribuinte busca se defender da cobrança de um tributo e a fundamentação para a manutenção de tal cobrança inexiste, já que a decisão desta 1a Turma da CSRF que manteve o auto de infração relativo ao anocalendário de 1997 não diz a razão pela qual não teria ocorrido a decadência para tal período de apuração. Ante tal circunstância, e considerando o poderdever da Administração de anular seus próprios atos quando eivados de vício de legalidade (artigo 53 da Lei 9.784/1999), compreendo que seria o caso de se suscitar, de ofício, a preliminar de nulidade da decisão embargada no que diz respeito ao anocalendário de 1997, por ausência de fundamentação (motivação). Conforme expressei em meu voto no acórdão 9101004.144, as decisões deste CARF são atos administrativos e, portanto, os elementos dessa natureza de ato devem estar presentes para que se possam considerar tais atos como existentes, devendo ainda esses elementos se revestirem de seus respectivos atributos para que o ato administrativo seja considerado então válido. Dito de forma breve, os elementos do ato administrativo são: o agente/sujeito (quem o realiza), a forma (como é realizado), a finalidade (para que é realizado), o objeto (o que contém) e o motivo (por que é realizado). Os atributos, por sua vez, são: a capacidade (agente competente), a licitude da forma (forma prevista em lei ou não proibida), o atendimento ao interesse público como finalidade, o objeto lícito, possível e determinado ou determinável, bem como a subsunção do fato à norma quanto ao motivo. Ainda sobre o motivo, a doutrina costuma conceituálo como as situações de fato (o acontecimento) e de direito (a norma) que geram a necessidade da Administração em Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.158 21 praticar o ato administrativo, ressaltando que não se deve confundir motivo com motivação, que é a demonstração dos motivos, isto é, a justificativa da existência dos pressupostos de fato. Sobre o tema, José dos Santos Carvalho Filho leciona: A despeito da divergência que grassa entre alguns autores a propósito dos conceitos de motivo e motivação, temse firmado a orientação que os distingue e pelo qual são eles configurados como institutos autônomos. Motivo, como vimos, é a situação de fato (alguns denominam de ‘circunstâncias de fato’) por meio da qual é deflagrada a manifestação de vontade da Administração, já a motivação, como bem sintetiza CRETELLA JR., ‘é a justificativa do pronunciamento tomado’, o que ocorre mais usualmente em atos cuja resolução ou decisão é precedida, no texto, dos fundamentos que conduziram à prática do ato. Em outras palavras: a motivação exprime de modo expresso e textual todas as situações de fato que levaram o agente à manifestação da vontade. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010, p. 125) Neste sentido, no âmbito do processo administrativo fiscal, o Decreto 70.235/1972 exige fundamentação das decisões, assim dispondo: Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Também os artigos 2º e 50 da Lei 9.784/1999 a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e é aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (nos termos de seu artigo 69) obrigam à motivação, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando os atos administrativos decidirem recursos administrativos. Vejase (grifamos): Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.159 22 Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; (...) Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. No caso, como visto, o acórdão embargado não contém os fundamentos pelos quais não foi reconhecida a decadência para o anocalendário de 1997, havendo assim lacuna de fundamentação. Diante de decisão não fundamentada, concluo que tal ato administrativo carece de um de seus elementos de validade, qual seja, a motivação, e, neste sentido, o acórdão 9101001.543, de 22/01/2013 é nulo quanto à decisão relativa ao anocalendário de 1997. Seria o caso, portanto, de esta CSRF reconhecer tal nulidade e então passar à análise sobre se, com relação ao anocalendário de 1997, o lançamento decaiu ou não. Neste passo, registro também que, quando da devolução dos autos à turma ordinária deste CARF (para que esta se manifestasse sobre as demais questões cuja análise havia sido prejudicada em razão do reconhecimento da decadência), esta analisou e julgou, por meio do acórdão 1401001.677, apenas e tão somente o anocalendário de 1998. Disso decorre que, em termos processuais, sequer existe decisão deste CARF quanto às questões supostamente não alcançadas pela decadência relacionadas ao ano calendário de 1997. Vale pontuar, ademais, que mesmo que, em termos lógicos, seja possível aplicar ao auto de infração relativo a 1997 o resultado do julgamento do acórdão 1401001.677 (que analisou apenas o auto de infração referente a 1998), juridicamente é necessário uma Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 10680.009278/200426 Acórdão n.º 9101004.170 CSRFT1 Fl. 1.160 23 decisão específica para o auto de infração relativo a 1997, pois só então a Fazenda terá uma base, um título final, para a cobrança dos respectivos tributos. Em síntese, nos presentes autos temos a peculiar situação em que o contribuinte (i) não sabe a razão pela qual o lançamento relativo ao ano de 1997 não estaria decaído; e (ii) não obteve uma decisão final administrativa específica para o ano de 1997 sobre as questões supostamente não alcançadas pela decadência. São estas as razões pelas quais, respeitosamente, divergi da Relatora, compreendendo que seria o caso de esta 1a Turma da CSRF acolher os presentes embargos para, primeiramente, reconhecer a ausência de fundamentação (e portanto a nulidade) do acórdão 9101001.543 quanto ao anocalendário de 1997 para, então, decidir, na presente sessão, se o ano de 1997 estaria ou não decaído, e então, se fosse o caso (isto é, apenas se a decisão fosse pela manutenção do lançamento referente a 1997), os autos deveriam ser retornados à turma ordinária para análise das questões não alcançadas pela decadência relativas a tal anocalendário. Apenas assim compreendo que seria possível afirmar sobre a existência de uma decisão fundamentada relativa ao auto de infração lavrado para a cobrança do tributo referente a 1997, tal como ocorreu com o ano de 1998. É a declaração. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.014578/2006-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. ACORDO. DISCRIMINAÇÃO DE VERBAS. TRIBUTAÇÃO. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS
O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório.
Numero da decisão: 2201-005.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o caráter isentivo das verbas recebidas a título de aviso prévio e férias indenizadas.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201907
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. ACORDO. DISCRIMINAÇÃO DE VERBAS. TRIBUTAÇÃO. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10980.014578/2006-12
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6037140
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-005.252
nome_arquivo_s : Decisao_10980014578200612.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 10980014578200612_6037140.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o caráter isentivo das verbas recebidas a título de aviso prévio e férias indenizadas. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
id : 7830810
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:49:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122218496000
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-16T18:27:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-16T18:27:47Z; Last-Modified: 2019-07-16T18:27:47Z; dcterms:modified: 2019-07-16T18:27:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-16T18:27:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-16T18:27:47Z; meta:save-date: 2019-07-16T18:27:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-16T18:27:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-16T18:27:47Z; created: 2019-07-16T18:27:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-07-16T18:27:47Z; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-16T18:27:47Z | Conteúdo => S2-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.014578/2006-12 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-005.252 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2019 Recorrente JOSE ALFREDO BITTENCOURT Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA. ACORDO. DISCRIMINAÇÃO DE VERBAS. TRIBUTAÇÃO. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o caráter isentivo das verbas recebidas a título de aviso prévio e férias indenizadas. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 45 78 /2 00 6- 12 Fl. 62DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 1- Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (e-fls. 22/26) por sua precisão e as folhas dos documentos indicados no presente são referentes ao e-fls (documentos digitalizados). “Por meio de auto de infração, (fls. 05/11), apurou-se o imposto suplementar de R$ 20.431,33, a multa de ofício de R$ 15.323,49 e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração de rendimentos correspondente ao exercício 2002, ano-calendário 2001. A revisão foi efetuada com fundamento nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871, 926 e 992, todos do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (fl. 06). A autuação, por sua vez, foi fundamentada nos arts. 1°a 30 e 6° da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 1° a 3° da Lei 8.134, de 27 de dezembro de 1990, arts. 1°, 3°, 50, 6°, 11 e' 32 da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 21 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997, Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999, e arts. 43 e 44 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR11999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, (fl. 07), e procedeu à seguinte alteração (fls. 06 e 14): - rendimentos tributáveis, de R$ 169.071,51 para R$ 243.775,51; O contribuinte apresentou, em 27/12/2006, por meio de representante (procuração à fl. 03), a impugnação de fls. 01/02, considerada tempestiva pela Unidade de origem (fl. 18). Após transcrever a parte do auto de infração que descreve a infração, alega que "a declaração do imposto de renda de 2001/2002 foi preenchida segundo as verbas discriminadas no acordo trabalhista firmado nos autos RT-38778/96, acordo esse que foi homologado pelo MM Juízo da 5 0 Vara to Trabalho de Curitiba, em 01/02/2002, como consta à fl. 577 daqueles autos, documentos esses que já foram fornecidos à essa DRF e através dos quais foi lavrado o auto de infração". Acrescenta que em razão da "aludida sentença judicial homologatória, entende o contribuinte, com o devido respeito, que o procedimento administrativo em questão não pode suplantar aquela decisão judicial, pena de ofensa à coisa julgada". 02- A impugnação do contribuinte foi julgada improcedente de acordo com decisão da DRJ abaixo ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 AÇÃO TRABALHISTA. ACORDO. DISCRIMINAÇÃO DE VERBAS. TRIBUTAÇÃO. Na ação trabalhista, a discriminação de verbas feita de forma consensual 'pelas partes, mediante acordo, não amparada em cálculos periciais oficiais, é inoponível à Fazenda Pública, para fins de reconhecimento de isenção do imposto de renda. Lançamento Procedente Fl. 63DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 03 – Houve a interposição de recurso voluntário pelo contribuinte às e-fls. 30/33 e documentos às fls. 34/60, sendo o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, Relator. 04 – Conheço do recurso por estarem presentes as condições de admissibilidade. 05 – O lançamento do crédito tributário tem por motivação o seguinte, de acordo com o e-fls 10 respectivamente identificado abaixo: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OU FÍSICA, DECORRENTES DE TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO HSBC NA RT 38778/96 NO VALOR DE R$ 280.000,00. OS VALORES A TÍTULO DE REFLEXO DE HORAS EXTRAS E EQUIVALÊNCIA SALARIAL EM AV. PRÉVIO INDENIZADO NA CONCILIAÇÃO AP 2278/01 NÃO FORAM OBJETO DA PETIÇÃO INICIAL, EM RAZÃO DA SOLICITAÇÃO DE DEMISSÃO DO CONTRIBUINTE; E REFLEXOS EM FERIAS INDENIZADAS POR TRATAR-SE DE FÉRIAS! GOZADAS, SÃO TODOS TRIBUTÁVEIS.; ISENTA-SE O FGTS NO VLR DE R$ 20.160^00 E DEDUZ-SE OS HONOR ADVOC R$ 38.976.00 (42/280*259.840,00) PROPORÇÃO A PARTE TRIBUTÁVEL. TOTAL TRIBUTÁVEL R$ 220.864,00. ENQUADRAMENTO LEGAL: ARTS. 1 A 3 E ART. 6 DA LEI 7.713/88; ARTS. 1 A3 DA LEI 8.134/90; ARTS. 1, 3, 5, 6, 11 E 32 DA LEI 9.250/95; ART.21 DA LEI 9.532/97; LEI 9.887/99; ARTS. 43 E 44 DO DECRETO 3.000/99 -RIR/1999. 06 – O contribuinte alega que não houve omissão de rendimentos e que todos os valores relativos ao acordo trabalhista foram declarados de acordo com informe de rendimentos encaminhado pela fonte pagadora juntando aos autos do recurso cópia da petição de acordo fls. 34/36, cópia do cálculo de liquidação de fls. 37 da justiça do trabalho de Curitiba, sentença trabalhista (fls. 38/45) e petição inicial da reclamatória (fls. 46/53), bem como o informe de rendimentos da fonte (HSBC) fls. 54 e recibo de honorários dos advogados (fls.58) e DIRF da fonte pagadora Fls. 60 e indica uma matéria de decadência. 07 – A DRJ fundamentou sua decisão no seguinte sentido, desqualificando o que foi estabelecido no acordo trabalhista: Fl. 64DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 “No caso em análise, o contribuinte propôs ação trabalhista para haver o pagamento de diferenças salariais. Não há dúvida de que as verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista têm caráter salarial, pois constituem, na verdade, falta de pagamento e correção ou recomposição dos ganhos pelos índices oficiais. (omissis).... Conforme se verifica, as indenizações isentas são as decorrentes de acidente de trabalho e aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho -1 C.L.T. . Decreto-lei n.° 5 452, ,de 1° de maio de 1943, mais especificamente nos arts. 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9° da Lei n.° 7.238, de 29 de outubro de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei n.° 5.107, de 13 de setembro de 1966, alterada pela Lei n.° 8.036, de 11 de maio de 1990. Quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de indenizações, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos arts. 111 e 176 do CTN. Dai resulta que todos os rendimentos, abstraindo-se sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções de que tratam os incisos que compõem o transcrito art. 6°, consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, (RIR/1999), no seu artigo 39. Assim, não é o interesse ou o acordo das partes que tornará o rendimento isento ou tributável. As verbas devem ser determinadas de acordo com a legislação trabalhista, e, a partir dai, verificar a sua adequação às hipóteses de isenção' previstas na legislação tributária. No caso, os litigantes, mediante acordo, e fizeram discriminação de verbas independentemente dos parâmetros contidos na legislação quanto às suas naturezas. Porquanto seja uma faculdade que as partes possam exercer na esfera da Justiça do Trabalho, nenhuma vinculação dela advém para a Administração Tributária. Assim, a especificação de reflexo de horas extras e equivalência salarial em aviso prévio indenizado, feita pelo impugnante e o seu ex-empregador no acordo trabalhista, mas que não fizeram parte das verbas que foram pedidas na inicial, não são acatáveis para fins de reconhecimento de isenção. Aliás, tais verbas não seriam devidas, por se tratar de pedido de demissão e por isso não foram solicitadas na ação trabalhista.” 08 – Vou iniciar pela matéria de decadência alegada pelo contribuinte, em que se alega o seguinte: Conforme parecer desse E.Conselho de Contribuintes, o prazo para cobrança por lançamento do IRPF, extingue-se em 5 anos contados da data da constituição do credito tributário e do lançamento. Conforme O Art. 901 do CTN, a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 anos, contados da data de sua constituição definitiva (lei S.172, de 1966, art 174). Grifo nosso Portanto ao observarmos os prazos entre o exercício da declaração 2002 e o ano em que o contribuinte foi notificado já decorreu o prazo prescricional, 2008, ou seja, 6 anos. Fl. 65DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 Assim também se considerarmos o ano-calendário da declaração 2001 para 2008, já decorreram 7 anos. 09 – No caso em questão, apesar de não ter sido a matéria debatida em primeiro grau, entendo que por ser matéria de ordem pública, pode ser analisada a qualquer momento, inclusive de ofício, portanto a conheço, contudo em seu mérito a desprovejo pois não houve a alegada decadência. 10 – Estamos tratando de lançamento de IRPF do ano-calendário de 2001, havendo retenção na fonte pagadora e portanto, isso atrai os efeitos do art. 150, § 4º do CTN (a teor da Súmula CARF 123) e não há qualquer tipo de alegação por parte da autoridade fiscal de fraude, simulação ou dolo no lançamento, para fins de eventual aplicação da contagem do lustro decadencial do art. 173 do CTN, com intimação do contribuinte do auto de infração no dia 04/12/06 (fls. 21), logo, mesmo com a contagem iniciando-se no ano de 2002 o lustro decadencial estaria ultimado em 2006, portanto, não houve a decadência alegada. Afasto a preliminar. 11 – No mérito, entendo que deve ser dado provimento ao recurso, explico. 12 – A autoridade fiscal entendeu que os valores relativos ao valor de R$ 91.480,00 declarados como isentos pelo contribuinte em sua declaração são passíveis de tributação, de acordo com o estabelecido no cálculo às fls. 10 do auto de infração se notarmos os valores indicados pelo contribuinte em seu recurso como de verbas indenizatórias a saber: 13 – A fiscalização entendeu que os valores de R$ 38.640,00, R$ 30.800,00 e R$ 22.400,00 num total de R$ 91.840,00 e que foram declarados como rendimentos isentos e não tributáveis pelo contribuinte, a teor do que foi consignado na petição de acordo e informe de rendimentos teriam que entrar no cálculo da declaração como rendimento tributável, uma vez que em tese tais verbas não teriam entrado na petição inicial do contribuinte quando da Fl. 66DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 distribuição da reclamatória, bastando checar o cálculo de fls. 10 do lançamento, sem grifos no original: OS VALORES A TITULO DE REFLEXO DE HORAS EXTRAS E EQUIVALENCIA SALARIAL EM AV PRÉVIO INDENIZADO NA CONCILIAÇÃO AP 2278/01 NÃO FORAM OBJETO DA PETIÇÃO INICIAL, EM RAZÃO DA SOLICITAÇÃO DE DEMISSÃO DO CONTRIBUINTE; E REFLEXOS EM FERIAS INDENIZADAS POR TRATAR-SE DE FÉRIAS GOZADAS, SÃO TODOS TRIBUTÁVEIS. ISENTA-SE O FGTS NO VLR DE R$ 20.160,00 E DEDUZ-SE - OS HONOR ADVOC R$ 38.976,00 (42/280*259.840,00) PROPORÇÃO A PARTE TRIBUTÁVEL. TOTAL TRIBUTÁVEL R$ 220.864,00. 14 – Portanto, os valores indicados no item 13 acima do voto de R$ 91.480,00, foram somados aos valores de R$ 168,000,00 considerados como tributáveis no acordo trabalhista entabulado num total de R$ 259.480,00 e dessa forma excluindo o valor de FGTS de R$ 20.160,00 (de forma equivocada, diga-se de passagem, pois o valor do FGTS foi de R$ 22.400,00, mas isso será objeto de decisão mais à frente) efetuou o cálculo da dedução proporcional dos honorários advocatícios pagos pelo contribuinte, apurando uma nova base de cálculo de R$ 220.864,00. 15 – A DRJ por sua vez entendeu que não cabe no acordo trabalhista estipular verbas indenizatórias a não ser aquelas que são indicadas em Lei, em síntese essa a fundamentação para julgar improcedente a defesa do contribuinte, contudo, entendo equivocada. 16 – Analisando os documentos juntados às fls. 34/60 no qual recebo na forma do art. 16,§ 4º, “c” do Decreto 70.235/72, uma vez que chegaram a ser apresentados à fiscalização, contudo, não foram reproduzidos nos autos do lançamento e o contribuinte os juntou para contrapor o quanto alegado pela decisão de piso, entendo que deve ser dado provimento ao recurso pois houve a comprovação detalhada pelo contribuinte e inclusive o mais importante da discriminação das verbas acordadas e homologadas pela Justiça do Trabalho do Paraná. 17 – É fato incontroverso que houve a homologação, tanto que a fiscalização utilizou tais documentos para fins de autuação e inclusive reconheceu verbas de cunho isentivo do IRPF tal como o FGTS pagos e a DRJ sequer questiona tal fato e existe cálculo de liquidação discriminado às fls. 37 tendo por origem o Poder Judiciário local que efetuou o acordo, além dos informes de rendimentos da fonte pagadora (fls. 54) que traduzem o que foi entabulado pelas partes. 18 – Ao contrário do quanto decidido, essa turma (em acórdão de minha relatoria) e outras do CARF nessa Seção, já se debruçaram a respeito do tema sobre a validade e legitimidade dos acordos trabalhistas quando discriminadas as verbas de cunho salarial (tributáveis) e/ou indenizatórios em juízo trabalhista, pedindo vênia para a transcrição das ementas dos 2201-003.842 julgado em 10/08/2017 e Ac 2401-005.207 julgado em 17/01/2018: Fl. 67DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. VALORES RECEBIDOS DE ACORDO EM AÇÃO TRABALHISTA. DISCRIMINAÇÃO DAS VERBAS O ônus da prova de discriminar a natureza das verbas (se indenizatórias ou remuneratórias com caráter salarial) em ação trabalhista é do contribuinte. Havendo prova quanto a discriminação das verbas e sua homologação judicial, deve ser excluído do lançamento o valor das verbas de caráter indenizatório. RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE. A decisão da DRJ considerou como comprovada a isenção do rendimento e por lapso não considerou na decisão de piso. Reconhecido esse fato em sede recursal a fim de se evitar percalços ao contribuinte quando da execução da decisão pela unidade preparadora. Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 COMPOSIÇÃO AMIGÁVEL. ACORDO TRABALHISTA. EFEITOS. Quando a reclamatória trabalhista finda em acordo conciliatório homologado pela Justiça do Trabalho, a base de cálculo tributável é aferida segundo a natureza das parcelas que compuseram discriminadamente o acordo homologado. 19 – Quanto ao Ac. 2401-005.207 acima identificado da lavra do I. Conselheiro Cleberson Alex Friess, indico (sem grifo no original) como razões de decidir os fundamentos de seu voto para considerar como válido os termos do acordo homologado de fls. 34/37, verbis: “Quando a reclamatória trabalhista finda em acordo conciliatório homologado pela Justiça Obreira, o ajuste celebrado entre as partes é dotado de força executiva e substitui, salvo observações no próprio ato, a sentença proferida no juízo de conhecimento. A base de cálculo tributável do imposto de renda é aferida segundo a natureza das parcelas que compuseram discriminadamente o acordo homologado.” 20 – Portanto, pouco importa o que constou ou não na petição inicial da reclamatória trabalhista pois o que importa foi o título que originou o pagamento do rendimento, que no caso foi o acordo estabelecido na Justiça, cabendo verificar agora se houve a discriminação das verbas no referido acordo entabulado entre as partes na Justiça do Trabalho e sua natureza. Na petição de acordo às fls. 35 constam os seguintes valores assim discriminados: Fl. 68DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 1. Os reclamados pagam ao autor, no ato de assinatura da presente (que serve como recibo de entrega do documento bancário), o valor líquido de R$240.166,00 (duzentos e quarenta mil, cento e sessenta e seis reais), através de cheque nominativo ao reclamante, sacado contra o HSBC BANK BRASIL S.A, conforme demonstrativo de haveres e dos valores devidos a título de INSS e IRRF, ora anexado, que fica fazendo parte integrante desta peça. Valor Bruto do acordo no importe de R$280.000,00 (-) INSS, parte do reclamante Recolhido pelo teto (-)IRRF R$39.834,00 Valor Líquido pago no importe de R$240.166,00 2. A vista do exposto e acordado o reclamante outorga plena, geral,^ irrestrita e irrevogável quitação do processo, assim como do contrato de trabalho extinto, para nada mais exigir seja a que título for em juízo ou fora dele. (...)omissis 6. As partes declaram que do valor pago ao reclamante, R$38,630,00 refere-se a Reflexos de Horas Extras em Aviso Prévio Indenizado. R$30.800,00, a Reflexos de Equiparação Salarial em Aviso Prévio indenizado; R$ 22.400,00 referem-se a FGTS e R$20.160,00 a Reflexos de Equiparação Salarial e Horas Extras em Férias Indenizadas (parcela indenizatória com incidência IRF), a título de verbas indenizatórias: e R$100.800,00 referente a diferenças de Horas Extras e R$67.200,00 referente a Equiparação Salarial, a titulo de verbas salariais. 21 – Verifica-se que houve a discriminação das verbas como indenizatórias conforme informado pelo contribuinte em sua peça recursal de acordo com a petição de acordo da reclamação trabalhista, considerados no cálculo de liquidação de sentença elaborada pela própria Secretaria da Vara do Trabalho de Curitiba (fls. 34) como de natureza indenizatória e o valor é confirmado no que consta no informe de rendimentos da fonte pagadora às fls. 54. 22 – Tais valores ficaram constando como reflexos do principal, no caso, o aviso prévio e férias indenizadas 1 a teor do art. 6º, V da Lei 7.713/88 não incidem o IRPF. 23 – Vale destacar inclusive que o cálculo efetuado pela fiscalização está equivocado pois, apesar de ter utilizado os termos do acordo para efetuar o lançamento daquilo que entendeu como rendimento tributável, ao desconsiderar o valor do FGTS, o desconsiderou de forma equivocada utilizando o valor de R$ 20.160,00 ao invés do valor de R$ 22.400,00 (que realmente constou como verba de FGTS) havendo erro no cálculo para maior do tributo. Contudo, ambos os valores devem ser excluídos da tributação. 1 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: V - a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Fl. 69DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.252 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.014578/2006-12 24 – Além de considerar de forma equivocada o valor de R$ 20.160,00 sendo como de FGTS, mesmo que efetuasse de forma correta o cálculo, deveria excluir tanto esse valor da base de cálculo, pois de acordo com os termos do acordo e o cálculo da Justiça do Trabalho essa parcela constou no acordo com incidência do IRF conforme quadro 2 de fls. 37, e portanto, já tributada quando do recolhimento do IRRF pela empresa reclamada no valor de R$ 39.834,00, cabendo o ônus à fiscalização de indicar no caso a sua não tributação, o que não ocorreu. 25 – Portanto, o valor de R$ 91.840,00 utilizados pela fiscalização requalificando tais rendimentos como tributáveis, de acordo com o estabelecido pela Justiça do Trabalho foram devidamente discriminados como de cunho indenizatório a teor da legislação indicada acima e portanto, deve ser dado provimento ao recurso para cancelar o lançamento, além da multa de ofício, na medida em que aplicável ao caso os termos da Súmula CARF nº 73 que diz: “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.” 26 – Deve ser efetuado o recálculo da dedução proporcional dos honorários advocatícios utilizados pelo contribuinte em sua declaração de acordo com os termos do voto que consideraram os rendimentos de R$ 91.840,00 como isentos. Conclusão 27 - Diante do exposto, conheço e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso nos termos da fundamentação. (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917073/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2301-005.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: Wesley Rocha
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15374.917073/2009-16
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023843
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2301-005.318
nome_arquivo_s : Decisao_15374917073200916.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Wesley Rocha
nome_arquivo_pdf_s : 15374917073200916_6023843.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7798402
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122231078912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.307 1 1.306 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917073/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.318 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria Compensação Recorrente CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Nos pedidos de compensação, para apreciar os créditos contidos na DCOMP carece competência ao CARF para analisar a matéria posta em julgamento, quando essa tiver origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão de autoridade administrativa, que pode se dar a qualquer tempo nos termos do disposto no art. 147, § 2º, do CTN. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ante a sua incompetência, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 73 /2 00 9- 16 Fl. 1307DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL, que questiona decisão de primeira instância que ratificou o Despacho Decisório, do qual não homologou o procedimento de compensação de crédito da contribuinte (PER/DCOMP), em especial a diferença apurada por ela quando do recolhimento do IRPF, nos planos de previdência privada complementar de que administra. Nesse sentido, conforme se observa da fundamentação de indeferimento dos pedidos feitos, temse em linha geral a seguinte decisão: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, nesse ou nas demais demandas em que figuram como a mesma parte interessada, a qual foi determinada a relatoria de todos os processos a este mesmo Conselheiro, a ocorrência dos fatos no processo relatado referente às situações ocasionadas, consiste no seguinte: i) a interessada tem por objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar; ii) as situações encontradas quando do processamento ora requerido foram: a) um de seus milhares de participantes deixou de informar que estava na condição de residente no exterior; b) um de seus milhares de participantes faleceu; c) um de seus milhares de participantes foi acometido por alguma moléstia grave que possui condição de isenção; d) ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF, que teria sido retificada, e em outros casos não foi possível a retificação. Alguns desses erros ocorreram também por retenções indevidas realizadas sobre a Folha de Pagamentos da ora Manifestante no período de apuração de cada processo; ou, e) devolução de "reserva poupança" de alguns participantes; iii) nos casos de informações prestadas decorrentes de erro na indicação e/ou informações dos seus assistidos, a recorrente afirmou que para sanar o equívoco e regularizar a situação do seu assistido, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561; iv) em alguns casos, de janeiro de 2002 a janeiro 2005, a gerência da recorrente responsável pelo pagamento dos benefícios aos assistidos efetuava a compensação "por dentro" do imposto de renda pago a maior, sem comunicar tal fato à gerência responsável pelo envio das obrigações tributárias acessórias, o que geravam erros nas informações prestadas ao Fisco. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 15374.917073/200916 Acórdão n.º 2301005.318 S2C3T1 Fl. 1.308 3 v) a contribuinte reconhece que deixou de apresentar DCTF retificadora em alguns casos, porque estava sob fiscalização; e em outros, informa que retificou a DCTF a tempo, dentro do prazo legal, uma vez estaria em condições legais para o procedimento; vi) alega também que em virtude de erro, a confissão pode ser revogada. Entretanto, o despacho denegatório de homologação e a decisão de primeira instância teve como razão de indeferimento a constatação da inexistência do crédito. Irresignada, a recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a r. decisão, aduzindo, entre os fatos já alegados na manifestação de primeiro grau, que houve equívoco no preenchimento da DCTF e que possui o direito a compensar aquilo que foi recolhido a maior, juntando diversos documentos em fase recursal, bem como antes também do próprio recurso, a exemplo de DARFs com os códigos que entendeu correto e que comprovariam o recolhimento do imposto gerado, bem como cópia dos espelhos de contracheques dos assistidos que originaram as compensações, certidões de óbitos, laudos médicos oficias comprovando as moléstias graves acometida por seus assistidos, documentos que comprovam o deferimento da isenção de imposto de renda para seus participantes, dentre outros, além de planilhas discriminadas com os valores pagos e deduzidos do IR. A recorrente pede o reconhecimento do seu direito com fundamento no princípio do formalismo moderado e na busca da verdade material, uma vez que a maioria dos documentos foram acostados ao feito na fase recursal ou posterior à decisão da DRJ, alegando que: "esteve impossibilitada de juntálos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, haja visto que estava sob fiscalização e recebeu diversos despachos decisórios simultaneamente. Dessa forma, devido ao número excessivo de processos recebidos na mesma data, os prazos legais para apresentação das defesas não permitiu à Recorrente juntar todas as provas necessárias em tempo hábil". Pede a procedência do recurso, e a extinção do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo, portanto dele o conheço. Assim, passo a analisar o mérito. Tratase de possível imposto de renda recolhido a maior, e que teria gerado um crédito à Contribuinte. Diante das constatações de alguns equívocos na DCTF e no que de fato ocorreu, houve pedido via PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso/Declaração de Compensação) para compensação dos créditos recolhidos a maior, processados em períodos de 2005 e seguintes, relativo ao apurado em ano calendário de 2001 e seguintes. A sistemática da compensação de débitos tributários no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de Fl. 1309DF CARF MF 4 agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Até a vigência da Lei 10.637/2002, as compensações deveriam ser realizadas por meio de "pedidos de compensação", e que suspendia a exigibilidade do crédito tributário que se pretendia compensar. Diante das alterações legislativas, as compensações tiveram como procedimento adotado por meio de "declarações de compensação" (DCOMP), e que se fossem homologados extinguiam o créditos objetos da declaração de compensação. Do contrário, na hipótese de compensação não homologada os débitos seriam cobrados por meio das informações prestadas em DCOMP. No presente caso, temse um despacho decisório que não homologou a possibilidade de compensação de créditos da recorrente, assim transcrito: "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A referida não homologação foi confirmada pela decisão de primeira instância, mencionando que não houve comprovação por parte da contribuinte de suas alegações, e que em alguns decisões foi relatado o seguinte:: "O interessado não comprova o erro contido na DCTF. Alega que um de seus milhares de participantes, deixou de informar que estava na condição de residente no exterior, teria falecido ou constava com alguma moléstia grave, e que, para sanar o equivoco e regularizar a situação dos seus assistidos, efetuou recolhimento no código 0473 e, simultaneamente, PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, juntando a planilha no processo. No entanto, não há nos Autos elementos que permitam aferir que o DARF discriminado no PER/DCOMP contenha o montante discriminado na referida planilha, na coluna código 0561 (crédito informado no PER/DCOMP). Na "Consulta Declarações — Beneficiário — Declarações", não consta que o interessado (CNPJ 33.754.482/000124) tenha efetuado retenção para os beneficiários" (Cabe mencionar que este relator transcreveu parte das decisões, com o intuito de discriminar de forma ampla os diversos processos que constam para essa mesma relatoria com a mesma circunstâncias e documentos juntados, bem como decisões semelhantes, tendo diferentes valores e uma das situações já citadas acima no relatório). Por outro lado, temse as alegações da recorrente com a juntada de diversos documentos posteriores à decisão de primeira instância que poderiam comprovar o crédito gerado, com o recolhimento do IR devido por meio de DARF código 0473, no valor sobre o período citado de cada fato gerador e ano calendário, e simultaneamente realizou a declaração de compensação — PER/DCOMP relativa ao crédito oriundo dos recolhimentos efetuados indevidamente com o código 0561, na tentativa de sanar os equívocos ocorridos, dos quais não seriam mais possíveis fazer por meio de retificação da DCTF, uma vez que já estaria em situação de auditoria, o que pelas normas da própria Receita impediria a correção por meio desse procedimento, quando da diferença apurada entre as alíquotas de recolhimento do IR, e que por este motivo realizou a compensação dos valores que foram recolhidos indevidamente. Somase a isso, a juntada de certidões de óbito e de laudos médicos oficiais comprovando moléstias graves que apontam as isenções, planilhas e contra cheques de pagamentos realizados. Ainda, aduz a contribuinte que ocorreu uma série de erros entre os setores responsáveis da recorrente, ocasionando uma série de equivocas nas declarações da DCTF. Segundo a recorrente os motivos dos pagamentos a maior realizados seria fácil de ser explicado, uma vez que as informações fiscais prestadas em DCTF foram alteradas a pedido dos seus assistidos, que informaram em DIRF dados diferentes na época dos fatos geradores. Os procedimentos foram efetivamente corrigidos para seus assistidos, mas por outro lado, criou uma divergência nas informações da Recorrente. Com a identificação de crédito a maior produzido, diante de erros identificados requereu a compensação, e a partir daí passou a Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 15374.917073/200916 Acórdão n.º 2301005.318 S2C3T1 Fl. 1.309 5 estar em constante fiscalização, conseguindo retificar algumas DCTFs que não estariam sob auditoria, o que não ocorreu em outro período por já estar sob a égide da fiscalização, mas que mesmo assim não teria comprovado os créditos em razão da falta de tempo hábil. Como já dito, a recorrente, em sede recursal juntou diversos documentos que dão indícios suficientemente fortes do possível crédito gerado, mas que ainda carece de integral convicção. Porém, apesar de todas as alegações da recorrente, verificase que o CARF não é competente para analisar a matéria trazida a esse Tribunal Administrativo. Isso porque não há litígio em questão nos termos do PAF. Nesse sentido, se os alegados créditos constantes da DCOMP tiveram como origem a retificação das DCTF para reduzir o valor declarado, devese aplicar o que consta no art. 147, do CTN. Assim, os documentos apresentados que, em tese, comprovam a ocorrência de erro de fato na informação, e tendo em conta que não se trata de lançamento, devem ser analisados pela autoridade revisora, nos termos do § 2º, do artigo citado, in verbis: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela". Assim, carece competência ao CARF para apreciar os créditos contidos na DCOMP, se estes tiveram origem nos erros de fato sanáveis e apuráveis por revisão, que, aliás, pode se dar a qualquer tempo. CONCLUSÃO Ante à incompetência do colegiado, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1311DF CARF MF 6 Fl. 1312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919096/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2001
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
No caso concreto não se trata de simples erro formal. Caso as alegações da Recorrente fossem verídicas (não comprovou), estar-se-ia diante de um verdadeiro erro material em toda a apuração do exercício, que não pode ser sanada e acatada pelo Fisco sem provas cabais da existência do crédito alegado.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-003.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. No caso concreto não se trata de simples erro formal. Caso as alegações da Recorrente fossem verídicas (não comprovou), estar-se-ia diante de um verdadeiro erro material em toda a apuração do exercício, que não pode ser sanada e acatada pelo Fisco sem provas cabais da existência do crédito alegado. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.919096/2009-13
anomes_publicacao_s : 201907
conteudo_id_s : 6029125
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.562
nome_arquivo_s : Decisao_10880919096200913.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DANIEL RIBEIRO SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880919096200913_6029125.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7814781
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122255196160
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-02T00:39:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-02T00:39:28Z; Last-Modified: 2019-07-02T00:39:28Z; dcterms:modified: 2019-07-02T00:39:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-02T00:39:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-02T00:39:28Z; meta:save-date: 2019-07-02T00:39:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-02T00:39:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-02T00:39:28Z; created: 2019-07-02T00:39:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2019-07-02T00:39:28Z; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-02T00:39:28Z | Conteúdo => S1-C 4T1 Ministério da Economia CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.919096/2009-13 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401-003.562 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2019 Recorrente CANARIAS CORRETORA DE SEGUROS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. No caso concreto não se trata de simples erro formal. Caso as alegações da Recorrente fossem verídicas (não comprovou), estar-se-ia diante de um verdadeiro erro material em toda a apuração do exercício, que não pode ser sanada e acatada pelo Fisco sem provas cabais da existência do crédito alegado. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 90 96 /2 00 9- 13 Fl. 234DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente Convocada), Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação eletrônica PER/DCOMP — n° 35687.28849.261206.1.7.04-0314, cuja análise da DIORT/DERAT/SPO resultou na sua não homologação. Da fundamentação do despacho decisório (fl. 03 — Quadro 3), consta o seguinte: "Limite do crédito analisado, corresponde ao valor do crédito original na data da transmissão informado no PER/DCOMP: 326.670,32 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informadas no PER/DCOMP”. A Interessada foi intimada dessa decisão em 28/04/2009 (fl. 06), tendo apresentado manifestação de inconformidade às fls. 07/14, em 15/05/2009, encaminhada à Delegacia de Julgamento, pelo Órgão preparador (DERAT-SP/DIORT/ECRER) (fl. 41). O teor da defesa apresentada é o seguinte, em síntese: Na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF (doc.03), entregue em 08/05/2002, via internet, ,foi declarado o débito apurado a título de CSLL, referentemente ao ano-calendário de 2001, o montante de 128.835,00. O débito declarado em DCTF foi devidamente recolhido (página 13 da DCTF). Contudo, ao contrário do informado na DCTF, o valor efetivamente apurado pelo Requerente, foi de RS 97.197,40, conforme declarado na retificadora apresentada, em 04/05/2009 (doc. 04). O recolhimento a maior de CSLL (referente a 2001) foi utilizado em compensação com CSLL referente ao período de outubro de 2002, como comprova a cópia do Recibo de entrega da Declaração de Compensação anexada aos autos (doc. 05). Fl. 235DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 A compensação não foi homologada, pois a Requerente só retificou a DCTF após o envio da DCOMP, permanecendo a informação equivocada doS sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB. Ora, diante da incontestável existência do recolhimento indevido a maior, não pode prevalecer o despacho decisório que não homologou a compensação realizada pela Requerente, pois, conforme se verifica de forma cristalina, comprovada está a exigência do crédito tributário, motivo pelo qual a compensação realizada é legítima (art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional — CTN, art. 34 do In.sirução Normativa n° 900/2008, art. 66 da Lei 8.383/1991 e art. 74 da Lei n°9.430/1996,). Ademais, apenas para não deixar margem para qualquer questionamento pela Requerida, em que pese a declaração retificadora ter sido efetivada apenas após a entrega da PER/DCOMP, a mesma produz seus efeitos legais, pois foi realizada antes das hipóteses previstas no § 2", do artigo 11 da Instrução Normativa n° 786/2007, conforme já inclusive decidido pelo Conselho de Contribuintes (Acórdão 107-05815/, de 07/12/1999). Em 03 de Junho de 2011, foram juntados os documentos de fls. 33/90, que consiste em petição, datada de 13 de Maio de 2011, de complementação das informações da Manifestação de Inconformidade, apresentada anteriormente e acima resumida. O Acórdão (16-32.516 – 3ª Turma da DRJ/SP) ora Recorrido trouxe a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo fiscal que trata de não homologação de declaração de compensação, o contribuinte tem, como regra geral, o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido a compensação com os débitos declarados em DCOMP. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA .Ano- calendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INDÉBITO. ALEGAÇÃO. NÃO RETIFICAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não tendo o contribuinte apresentado prova inequívoca de erro de fato no preenchimento de DCTF, a qual não foi retificado dentro do prazo estabelecido na legislação, não se acata a alegação de recolhimento maior que o devido, haja vista que prevalece a confissão de dívida em DCTF do tributo ou contribuição que foi regularmente pago. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 236DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 Às fls. 103 dos autos, o interessado apresenta Recurso Voluntário contra a decisão vergastada. Trazendo em síntese as seguintes razões: Diz que “se revela a conexão nítida entre o presente processo (10880.919.096/2009-13) e os processos administrativos 10880.930.625-2009-30 e 10880.930.624/2009-95, em especial por tratarem da homologação do mesmo crédito (R$327.603,40), razão pela qual a Recorrente requer o julgamento deste recurso voluntário em conjunto aos recursos voluntários apresentados nos autos dos processos 10880.930.625-2009-30 e 10880.930.624/2009-95”. Esclarece que “os valores pagos indevidamente ou a maior, somente deverão ser informados pelo contribuinte em DCTF no mês em que for efetuada sua compensação. Nessa ocasião, o contribuinte deve vincular o crédito alegado aos dados do DARF que comprovam o recolhimento a maior e aos dados do PER/DCOMP que demonstram a compensação realizada para pagamento do débito naquele mês”. E que, consoante entendimento do Fisco, a DCTF retificadora fora enviada fora do prazo regular, já que passados mais de 5 anos do exercício seguinte ao qual se refere a DCTF original. Em assim sendo, a 3ª Turma da DRJ/SP1 não aceitou a retificação levada A cabo pela Recorrente, mantendo em seu sistema a informação declarada na DCTF enviada em 08.05.2002, que, como dito, erroneamente informou o crédito no 1° trimestre de 2002, fazendo parecer que o mesmo havia sido compensado naquele trimestre”. A DCTF retificadora referente ao 4° trimestre de 2002, enviada em 11.05.2005, ao declarar os pagamentos dos débitos de CSLL estimativa (outubro, novembro e dezembro) realizados via DARF com créditos de pagamento indevido, informou corretamente o DARF com pagamento a maior. Contudo, manteve erroneamente como valor do principal (valor do saldo de recolhimento a maior) o valor total de R$ 244.531,65 e não R$ 126.000,00, como devido”. Ressalta que “como a Receita Federal considerou compensado o crédito com o débito informado na DCTF enviada em 08.05.2002, Às compensações declaradas para o 4° trimestre de 2002 e indicadas nos PER/DCOMP's em questão não foram homologadas”. Assim, requereu “o conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para que a decisão a quo seja reformada, com a consequente homologação das compensações efetuadas”. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 237DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 O direito à compensação, restituição ou ressarcimento, existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostra-se fundamental para a efetivação daqueles institutos. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Tal crédito também é objeto dos PER/DCOMPs analisados nos PAFs 10880.930.625-2009-30 e 10880.930.624/2009-95. Quanto ao pedido preliminar de conexão, entendo não ser o caso. De toda forma, como o julgamento dos 03 processos ocorrerá nessa mesma sessão, o referido pedido resta prejudicado. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a restituição pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de IRPJ, tendo sido emitido, eletronicamente, o Despacho Decisório cuja decisão afirmou inexistir crédito disponível para restituição. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustenta, em síntese: ERROS DE PREENCHIMENTO NOS PER/DCOMP'S (1) O PER/DCOMP originário (também chamado "PER/DCOMP mãe") n°. 35421.68767.060505.1.3.04-9031 errou ao informar o valor do DARF de pagamento indevido ou a maior, pois informou como valor original do crédito inicial e como valor principal do DARF o montante de R$ 327.603,40 (Doc. 4). Entretanto, como visto, o crédito nesse montante corresponde a dois DARF's diferentes (Doc. 9), razão pela qual deveriam ter sido informados e aproveitados os valores de cada um dos DARF's separadamente, em PER/DCOMP's distintas, possibilitando a identificação do pagamento realizado nos sistemas da Receita Federal. Em vista do exposto a Requerente retificou àquela declaração de compensação através do PER/DCOMP ora discutido (35687.28849.261206.1.7.04-0314) (Doc. 3). Verifique-se que o PER/DCOMP retificador, ao invés de modificar o PER/DCOMP mãe informando corretamente o crédito oriundo dos dois DARF's, apontou, apenas, o crédito no valor de R$ 326.670,32. Vide novamente a tabela que demonstra a ordem das compensações efetuadas: Fl. 238DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 Por sua vez, os PER/DCOMP's 17764.97411.110505.1.3.04-1118 e 32430.65800.110505.1.3.04-2305 mantiveram os erros do PER/DCOMP mãe, informando o valor de R$ 327.603,40 como valor original do crédito inicial. Além disso, informaram sua vinculação ao PER/DCOMP mãe que continha os erros supramencionados e não havia, A época, sido retificado. Nesse contexto, a Receita Federal não conseguiu confirmar o crédito (de R$ 327.603,40) compensado pela Recorrente nos PER/DCOMP's em questão. ERROS DE PREENCHIMENTO NA DCTF (1.) Erroneamente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF") enviada em 08.05.2002, referente ao 1° trimestre de 2002, informou um débito de IRPJ no montante de R$ 326.670,31 conquanto não deveria ter declarado valores pagos indevidamente (Doc. 12). Não é demais esclarecer que os valores pagos indevidamente ou a maior, somente deverão ser informados pelo contribuinte em DCTF no mês em que for efetuada sua compensação. Nessa ocasião, o contribuinte deve vincular o crédito alegado aos dados do DARF que comprovam o recolhimento a maior e aos dados do PER/DCOMP que demonstram a compensação realizada para pagamento do débito naquele mês. (2.) Em vista do exposto, a Recorrente enviou, em 04.05.2009, uma DCTF retificadora, referente ao 1° trimestre de 2002. Contudo, a DCTF retificadora errou novamente informando um crédito/débito de IRPJ, só que, dessa vez, disse que o valor do crédito/débito de IRPJ era de R$ 212.947,67 (Doc. 13). Aqui, é necessário esclarecer que, consoante entendimento do Fisco, a DCTF retificadora fora enviada fora do prazo regular, já que passados mais de 5 anos do exercício seguinte ao qual se refere a DCTF original Em assim sendo, a 3a Turma da DRJ/SP1 não aceitou a retificação levada A cabo pela Recorrente, mantendo em seu sistema a informação declarada na DCTF enviada em 08.05.2002, que, como dito, erroneamente informou o crédito no 1o. trimestre de 2002, fazendo parecer que o mesmo havia sido compensado naquele trimestre. Não por outra razão, quando a Receita Federal avaliou os PER/DCOMP's em questão, pensou que o crédito utilizado nos mesmos (R$ 327.603,40), já havia sido utilizado para outro pagamento, conforme fez parecer a DCTF enviada em 08.05.2002. (3.) A DCTF original referente ao 4° trimestre de 2002, enviada em 11.02.2003, equivocadamente informou que os débitos de IRPJ estimativa dos meses de outubro, novembro e dezembro (informadas nos PER/DCOMP's em discussão) foram pagos via compensação com crédito oriundo de Saldo Negativo de IRPJ de 2001. (Doc. 14) (4.) A DCTF retificadora referente ao 40 trimestre de 2002, enviada em 11.05.2005, ao declarar os pagamentos dos débitos de IRPJ estimativa (outubro, novembro e dezembro) realizados via DARF com créditos de pagamento indevido, informou erroneamente os DARF's pagos a maior, indicando como valor do principal (valor do saldo de recolhimento a maior) o valor total de R$ 327.603,40. Contudo, o correto seria informar os DARF's Fl. 239DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 separadamente, sendo, como visto, um no valor de R$ 933,08 e o outro no valor de R$ 326.670,32 (Doc. 15). Ressalte-se novamente que, como a Receita Federal considerou compensado o crédito com o débito informado na DCTF enviada em 08.05.2002, as compensações declaradas para o 4° trimestre de 2002 e indicadas nos PER/DCOMP's em questão não foram homologadas. Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos para comprovar o direito creditório alegado, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo entendeu que a simples alegação de existência de crédito, desacompanhada de documentos probatórios, não é suficiente para afastar o despacho decisório então combatido. Entendeu ainda que não tendo o contribuinte apresentado prova inequívoca de erro de fato no preenchimento de DCTF, a qual não foi retificado dentro do prazo estabelecido na legislação, não se acata a alegação de recolhimento maior que o devido, haja vista que prevalece a confissão de dívida em DCTF do tributo ou contribuição que foi regularmente pago. Analisando os autos, observa-se que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), nem tampouco em sede de recurso voluntário, documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado ou comprovar que seu débito era menor do que aquele originalmente declarado de modo a resultar em crédito por pagamento a maior , restringindo-se tão somente a alegar que houveram uma série de erros na DCTF original e nos PER/DCOMPs. De fato, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente tão só alegações. Faz-se necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Especialmente em um caso como esse, em que diversos foram os alegados erros do contribuinte, seja em DCTF seja nos PER/DCOMPs. E ainda, em se tratando de supostos pagamentos indevidos ao longo do ano de 2001, e diante de retificações de DCTFs ocorridas vários anos após o suposto pagamento indevido. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: Fl. 240DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente eximiu-se do ônus de produzir provas cabais para sustentar suas alegações. Não há, junto ao recurso voluntário, documentos conclusivos para demonstrar a certeza e liquidez dos pretensos créditos de IRPJ, originados, segundo a recorrente, de retenções por fontes pagadoras e pagamentos de estimativas, bem como da inexist~encia de IRPJ a pagar no referido exercício. Com efeito, a recorrente não apresentou escrituração contábil-fiscal, com documentos que a lastreie, e sem os registros contábeis, não há como confrontar os valores devidos de IRPJ informados nas DCTFs original e retificadora, de maneira a verificar a existência e liquidez de eventuais créditos por pagamento indevido. Fl. 241DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.562 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919096/2009-13 Ademais, também não vejo como caso de diligência primeiro porque sequer foi deferia, segundo porque o Recorrente teve tempo mais do que suficiente para trazer a documentação fiscal-contábil que amparasse o suposto crédito. Diga-se ainda, que no presente caso não estamos diante de meros erros formais como defendido pela Recorrente, mas sim de verdadeiro erro material na apuração dos tributos no exercício, o que acarretou em uma série de retificações tanto de DIPJ quanto de DCTF. Assim, mais do que nunca o contribuinte teria que comprovar de forma cabal a existência do crédito, vez que já havia confessado débito anteriormente. Diante do exposto, considerando a ausência de documentos hábeis e idôneos para demonstrar a ocorrência do pagamento a maior alegado, entendo que a decisão recorrida deve prevalecer. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000241/2005-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-008.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201906
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Recurso especial do Procurador provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13016.000241/2005-44
anomes_publicacao_s : 201906
conteudo_id_s : 6023368
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-008.741
nome_arquivo_s : Decisao_13016000241200544.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13016000241200544_6023368.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7794941
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:48:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713052122276167680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000241/200544 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.741 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2019 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado METALÚRGICA SIMONAGGIO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 02 41 /2 00 5- 44 Fl. 15162DF CARF MF Processo nº 13016.000241/200544 Acórdão n.º 9303008.741 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Procurador (fls. 15060/15065), admitido pelo despacho de fls. 15113/15114, contra o Acórdão 3401002.146 (fls. 15050/15058), de 26/02/2013, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005 APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito creditório de valores referentes a PIS nãocumulativa tem como objetivo incentivar a indústria nacional exportadora, por esta razão é aplicável se o produto industrializado for efetivamente exportado. Em seu especial, alega a Fazenda ser irrelevante a comprovação ou não da exportação das mercadorias em análise, uma vez que teria sido descumprido a legislação em fase anterior, qual seja, a remessa daquelas para venda com fim específico de exportação. Reportase ao Decreto 4.524/2002, que regulamentou as contribuições nãocumulativas, cujo art. 45, § 1º, estatuiu que somente pode ser "venda com fim específico de exportação" aquelas cujos produto sejam remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora". Por tal, pede o provimento do recurso "de modo a denegar o direito creditório pleiteado pela recorrida". Em contrarrazões (fls. 15120/15131), pede o contribuinte o não conhecimento do recurso, e, caso conhecido, seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator CONHECIMENTO Embora o fato de que o aresto paradigma 3801000.944 tenha sido modificado pelos embargos no acórdão 3801001.788, este datado de 20/03/2013, somente em 18/04/2013 (PA 11020.000249/201083 fl. 737) é que o mesmo foi encaminhado pelo CARF paras as "providências cabíveis". Como a interposição do recurso fazendário deuse em 17/04/2013, entendo que o referido paradigma é perfeitamente válido. Nada obstante, o outro paradigma, de nº 20180690, é expresso quanto à divergência de interpretação sobre o tema. Vejase sua ementa, que já basta: (...) Ementa: VENDAS A EMPRESAS EXPORTADORAS. Fl. 15163DF CARF MF Processo nº 13016.000241/200544 Acórdão n.º 9303008.741 CSRFT3 Fl. 4 3 ISENÇÃO. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Somente se consideram vendas com o fim específico de exportação aquelas em que as mercadorias sejam encaminhadas diretamente à exportação, por conta e ordem do exportador, ou a recinto alfandegado. (...)’ Deveras, conheço do especial fazendário. MÉRITO Quanto ao mérito, a matéria não é nova. Regra a hipótese o art. 45 do Decreto 4.524/2002, que por sua vez faz menção à Lei 9.532: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) VIII de vendas realizadas pelo produtor vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Assim, o legislador adotou como condição onerosa para o gozo da isenção que os produtos exportados sejam "remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora." Essa discussão, se houve efetivamente a exportação ou não, veio a ser dirimida com a edição da Lei 9.532/1997, cujo § 2º do art. 39, que embasa o referido art. 45 do Decreto 4.524/2002, suso transcrito, estatui: § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Fl. 15164DF CARF MF Processo nº 13016.000241/200544 Acórdão n.º 9303008.741 CSRFT3 Fl. 5 4 Consoante o CTN, art. 111, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Portanto, a benesse fiscal veiculada pelas Leis nºs 10.637 e 10.833, reguladas pelo Decreto nº 4.524/2002, art. 45, deve ser interpretada nos estritos limites fixados pelo CTN, sob pena de ser contra legem. Dessarte, deve ser reformado o recorrido. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda e doulhe provimento, desta forma revigorando os termos da decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 15165DF CARF MF Processo nº 13016.000241/200544 Acórdão n.º 9303008.741 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 15166DF CARF MF
score : 1.0
