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Numero do processo: 10880.915968/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/1999
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.415
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/1999 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 68 /2 00 8- 93 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.994, proferido pela 2ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte suscitou divergência quanto ao reconhecimento da isenção/imunidade do PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM). Alegou, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por força do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, e § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.409, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915902/200801, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.409): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 4 3 Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 5 4 VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 6 5 vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 7 6 Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 8 7 A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 9 8 Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 10 9 conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 11 10 evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10880.915968/200893 Acórdão n.º 9303006.415 CSRFT3 Fl. 12 11 Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720085/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.628
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a PGFN tome ciência de petição acostada pela recorrente após o processo ser pautado para as sessões de maio/2018, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a PGFN tome ciência de petição acostada pela recorrente após o processo ser pautado para as sessões de maio/2018, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 08 5/ 20 15 -1 5 Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.339 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SPO em sessão de 20 de abril de 2016, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco (fls. 2434/2462). Também se apreciam 12 (doze) recursos voluntários individuais interpostos pelos sujeitos passivos solidários arrolados pelo Fisco, sendo 10 pessoas físicas e 2 pessoas jurídicas, cuja imputação foi ratificada pela decisão recorrida: Nome CPF/CNPJ Termo (fls.) Carlos Seabra Suarez 071.161.95572 1565 Afonso Arnaldo Junqueira Prata 341.483.96600 1565 Sergio Augusto Najar 087.105.97549 1565 Jorge Goldenstein 196.708.34520 1565 Marcus Vinicius de Magalhães Matos 514.073.61600 1566 Lauro Augusto Oliveira Cruvinel Borges 301.512.52653 1566 Mauricio de Lana 045.092.50649 1566 Renato Nogueira da Silva 072.302.90678 1566 Marco Antonio Pimenta Ferreira 129.973.31668 1566 Ismar Godinho Pereira 727.070.03891 1567 BNY Mellon Serv.Finan.DTVM S/A 02.201.501/000161 1567 Banco Modal S/A 30.723.886/000162 1567 Os autos compõemse de extenso e detalhado TVF (fls. 1628/1645), igualmente extensa e detalhada impugnação (fls. 1739/1797), além das outras impugnações individuais dos responsáveis tributários, Acórdão a quo (fls. 2434/2462), recurso voluntário da recorrente (fls. 2506/2575 – 71 laudas), doze recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários (240 folhas – 20 laudas por recurso), contrarrazões da PGFN (fls. 2959/2974), além de “arquivos não pagináveis” com 94 folhas e volumoso “parecer jurídico” (fls. 3015/3125 – 110 páginas) juntado às vésperas da sessão de julho/2017 desta Turma Ordinária, já com o processo pautado para julgamento, acrescido de centenas de documentos, o que, antecipadamente, mostra a profundidade da lide, tudo convergindo para se verificar se os lançamentos realizados pela Fiscalização e as responsabilizações imputadas de “solidariedade” teriam substância. DA ACUSAÇÃO FISCAL (TVF – fls. 1628/1645) Adoto, por bem resumir os fatos e a acusação imputada, inclusive de responsabilização solidária, o relatório do acórdão a quo: “ A contribuinte transferiu as ações da MULTIVIAS para pessoas físicas e fundos de participação em investimentos além de valorizar as referidas participações com o intuito de aumentar o custo do investimento e assim reduzir o pagamento do imposto de renda pela redução do ganho de capital; Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.340 3 Pelo Livro de Registro de Ações ficou constatada a transferência das ações da MULTIVIAS para as pessoas físicas e fundos de investimentos a data de 24/06/2010; Houve a intenção da contribuinte de fugir à tributação como pessoa jurídica para ser tributado como pessoa física; A forma praticada pela contribuinte para a transferência das ações da MULTIVIAS , foi a redução do capital da ESTRADA com a devolução de capital executada através de ações da MULTIVIAS pelo valor contábil (logo sem auferimento de ganho de capital) e ato contínuo a venda das ações da MULTIVIAS para a CPC; Com os movimentos societários o imposto de renda (15%) a CSLL (9%) que incide sobre o ganho de capital na pessoa jurídica se transformou somente em IR (15%) sobre o ganho de capital das pessoas físicas e nenhum imposto de renda sobre o ganho de capital dos fundos de investimentos em participações, logo, um planejamento tributário abusivo para redução ilícita do valor tributável; Em 25/08/2010, foi consumada a negociação de compra da MULTIVIAS e neste documento não consta ESTRADA SP em nenhum momento, pois no período entre maio e junho a participação foi desmembrada; O interesse da CPC na MULTIVIAS deriva no desejo de controle da SP VIAS, cuja sócia, a MULTIVIAS, detinha uma participação de 26,55%. A CPC acabou por adquirir o restante de participação de outras sócias, passando a deter 100% da SPVIAS; A suposta transferência de ações da MULTIVIAS para pessoas físicas e fundos de investimentos evidenciase pelo fato de a MULTIVIAS pertencer à fiscalizada (ESTRADAS) cuja ação de transferir, via devolução de capital da ESTRADAS, consumado com transferência das ações da MULTIVIAS, não passou de um bem arquitetado para economizar tributos; O objetivo da operação era de reduzir a tributação sobre o ganho de capital, ao invés de calcular tributos a 34% (IRPJ + CSLL) no caso de pessoa jurídica, optou por transferir as ações para pessoa física onde a tributação seria de 15% (IRRF); A transferência de ações para fundos de investimentos em participação que quando as ações são negociadas fora do mercado da bolsa, sem intermediação somente será tributado pelo IR no momento do resgate pelo cotista (art.14, §1º da IN RFB nº 1.022/2010); É de se consignar que todos o novos sócios são efetivamente sócios da ESTRADA SP, mas não eram sócios da MULTIVIAS e a transferência das ações da MULTIVIAS somente ocorreu depois de fechado a negociação e pouco antes da celebração do contrato de compra e venda; Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.341 4 A negociação vinha de anos anteriores e somente começou a ficar mais concreto a partir de 04/12/2009 até o desfecho ocorrido em 25/08/2010, logo houve tempo para dar caráter de uma transação normal, para ocultar o ilícito e abusivo planejamento tributário; Em decorrência dos fatos ora expostos foi aplicada a multa qualificada de 150% bem como a lavratura de Termos de Responsabilidade Tributária de todos os envolvidos na transação ora averiguada no curso da fiscalização”. DAS IMPUGNAÇÕES Procedidas as ciências respectivas, autuada (recorrente) e os doze sujeitos passivos solidários listados pelo Fisco interpuseram impugnações individualizadas, sendo de se destacar que, em relação ao mérito, o aduzido foi registrado na peça impugnatória da contribuinte. Mencionadas impugnações constam às fls. fls.1.680/1.689, 1.704/1.713, 1.727/1.736, 1.739/1.797, 1.870/1.881, 1.928/1.937, 1.959/1.970, 1.985/1.994, 1.997/2.006, 2.018/2.029, 2.131/2.140, 2170/2.179, 2.214/2.222 e, por estarem claramente sintetizadas na relatoria da decisão contestada, aqui as reproduzo: “· No presente caso há a ausência de compromisso do alienante em alienar o bem negociado e do adquirente de pagar o preço contratado, não se podendo falar em compra e venda e de seus efeitos decorrentes. As negociações ocorridas no passado não acarretaram em efetivo compromisso de alienação; · Quanto à cláusula do contrato que previa a atualização dos valores contratados com base no CDI a partir de março de 2010 não passa de apenas mera recomposição de valores defasados pelo tempo não se constituindo de qualquer avença referente à negociação das referidas participações da MULTIVIAS na SPVIAS. Portanto, não houve qualquer tentativa de alienação firmada antes da celebração do contrato; · A alienação jamais poderia ser considerada a partir de março de 2010 tendo em vista que vigia a cláusula suspensiva do contrato (a mera tratativa preliminar não detém força vinculativa – art.462 do NCC); · Ausente o compromisso do alienante em alienar o bem negociado e do adquirente de pagar o preço, não há que se falar em compra e venda ainda que instrumentalizada por contrato preliminar. A formalização de interesse não é capaz de caracterizar contrato preliminar, pois nenhuma das partes poderia exigir a celebração do contrato definitivo; · Os vendedores celebraram o contrato em nome próprio, não podendo este de forma vincular terceiros como a impugnante, pois os alienantes assumiram direitos e obrigações em caráter pessoal e intransferível, não sendo possível confundir a figura dos vendedores com a autuada; · O efeito do presente contrato não possui o condão de vincular a impugnante, pois esta não participou do negócio; Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.342 5 · A alienação das ações da MULTIVIAS ocorreu apenas em 22/10/2010 no fechamento do negócio após a satisfação das condições avençadas pelas partes contratantes; · Tendo a CPC se comprometido a adquirir o percentual de 73,44% das ações de SPVIAS apenas em 03/08/2010, é evidente que a alienação das ações de MULTIVIAS jamais poderia produzir seus efeitos a partir de março de 2010 como diz a Fiscalização; · As receitas decorrentes de negócios acertados sob condição suspensiva somente integram a base de cálculo do IR e da CSLL com o implemento do evento condicionante da eficácia do negócio; · É legítima a redução de capital da impugnante com a entrega de bens e direitos a seus sócios e acionistas a título de devolução de capital (art.22 da Lei nº 9.249/95). Não há a obrigatoriedade de motivo negocial para a transferência de citados bens e direitos; · No que se refere à procuração, esta não foi outorgada na qualidade de acionista, pois todos os vendedores participaram da assembléia, não havendo qualquer razão para se questionar a outorga de poderes de representação por parte da impugnante; · As participações indiretas dos vendedores referemse ao capital social de SPVIAS e não da MULTIVIAS. Os vendedores eram acionistas diretos da MULTIVIAS e foram as ações da MULTIVIAS, e não da SPVIAS, objeto de alienação. Portanto, a impugnante jamais poderia ter alienado as ações da MULTIVIAS, pois sequer era a titular das ações alienadas; · O depósito do sinal pela alienação das ações não ocorreu em 25/03/2010, e, sim, em 25/08/2010, cujo montante somente foi liberado na data de fechamento do negócio (doc.06); · Inexistindo falsidade, inexatidão ou omissão, a conduta da contribuinte, ainda que configure fraude à lei, não enseja a aplicação da multa qualificada de 150%; · O auto de infração é nulo, pois a alienação foi efetuada em 22/10/2010 e sendo a contribuinte optante pelo lucro presumido o fato gerador deveria ser referente ao período encerrado em 31/12/2010; · Como os efeitos da alienação dos ativos ocorreu a partir de 18/03/2010 (PA encerrado em 31/03/2010) o direito de o Fisco efetuar o lançamento tributário terseia encerrado em 09/09/2015, tendo, portanto decaído o crédito tributário ora apurado; · O montante recolhido a título de IRPF dos sócios/vendedores das ações deveria ser compensado com o crédito tributário apurado nestes autos; · Das parcelas acertadas pela alienação ao total de 5, todas sob condição suspensiva, apenas duas delas foram, de fato, pagas, Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.343 6 devendo as três remanescentes ser descontadas por não ter havido disponibilidade jurídica ou econômica destes valores; · Descabem juros sobre as multas de ofício; · DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: (Afonso Arnaldo Junqueira Prata, Carlos Seabra Soares, Ismar Godinho Pereira, Jorge Goldenstein, Lauro Augusto oliveira Crunivel Borges, Marco Antônio Pimenta Ferreira, Marcus Vinicius de Magalhães Matos, Maurício de Lana, BNY Mellon Serviços Financeiros DTVM, Renato Nogueira Silva, Sergio Augusto Najar, Banco MODAL S/A); · O fato de os acionistas participarem indiretamente dos resultados da sociedade (lucros da empresa) não caracteriza o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal capaz de atribuirlhe responsabilidade solidária como quer a Fiscalização (art.124, I, do CTN); · Não se caracteriza no presente caso o interesse jurídico comum, ou seja, a participação direta na negociação dos acionistas com a empresa ESTRADAS na alienação das ações; · No caso dos Fundos FIP houve a atuação apenas na condição de representante, mera administradora de um fundo de investimento, nunca em nome próprio não cabendo a aplicação do art.124, II, do CTN; · No caso do Banco MODAL a participação na empresa autuada somente ocorreu em 29/12/2014, ou seja, mais de 4 anos depois das operações ora em discussão; · Não se aplica o art.135, III, do CTN no presente caso, pois o responsabilizado não praticou nenhum ato em nome da ESTRADAS vinculado às operações em discussão nem se utilizou de excesso de poderes ou qualquer forma prevista em lei que pudesse responsabilizálo pessoalmente pelos créditos tributários ora exigidos”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2434/2462) Submetidos os autos à apreciação da 1ª Turma da DRJ/Curitiba, os lançamentos foram mantidos em sua integralidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. GANHO DE CAPITAL Constituise omissão de receitas quando a contribuinte não informa na DIPJ as receitas auferidas com a atividade operacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.344 7 Crédito Tributário Mantido O voto condutor do aresto recorrido, depois de afastar a nulidade levantada pela defesa e descartar as arguições de cerceamento de defesa e decadência, pontuou no mérito: “De acordo com a Fiscalização, a contribuinte transferiu as ações da MULTIVIAS para pessoas físicas e fundos de participação em investimentos além de valorizar as referidas participações com o intuito de aumentar o custo do investimento e assim reduzir o pagamento do imposto de renda pela redução do ganho de capital. O art.521 do RIR/99 estabelece que os ganhos de capital devem ser acrescidos à base de cálculo do IR: (...) A receita omitida em razão de não tributação dos ganhos de capital deve ser aferida e acrescida para a apuração do imposto a pagar (art.528 do RIR/99): (...) No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente as operações societárias ficando evidente pela análise documental que houve a economia tributária via planejamento tributário. A contribuinte defende que não houve nenhuma negociação preliminar que caracterizasse a compra e venda de ações da participação da MULTIVIAS na SPVIAS antes da celebração do contrato definitivo. A atualização dos valores contratados com base no CDI a partir de março de 2010 representa apenas mera recomposição de valores sem valor negocial. Portanto, não é correto considerar os efeitos do contrato a partir de 03/2010 em virtude da cláusula suspensiva contida no contrato. Pelo levantamento efetuado pela Fiscalização, com base na documentação apresentada pela contribuinte, foi observado que na data de 24/06/2010 foi efetuada a transferência das ações da MULTIVIAS da ESTRADAS SP para as pessoas físicas e fundos de investimentos em participações. Ademais, comprovouse, por meio do Livro Registro de Ações, que o objetivo de redução de tributação foi realizada entre o inicio das negociações (12/2009), a definição da do preço da aquisição (18/03/2010) e a concretização do negócio com a assinatura do contrato de compra e venda (25/08/2010). O Novo Código Civil trata do contrato preliminar e estabelece que a avença deve conter todos os requisitos essenciais do contrato a ser celebrado. (...) Após a conclusão do contrato preliminar qualquer das partes pode exigir a celebração do contrato definitivo. Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.345 8 (...) Portanto, os efeitos do contrato já valem a partir de sua celebração e no caso específico a definição do preço do negócio da aquisição representa o início da negociação, pois é um dos elementos essenciais de qualquer contrato oneroso. Assim, em estipulado o objeto do negócio (compra e venda de participação societária) e o preço, o avençado pelas partes já possui eficácia para fins jurídicos obrigacionais mesmo se tratando de ajustes preliminares (art.463 do NCC). A alegação da contribuinte de que o ajuste do preço efetuado em março de 2010 não possuir natureza vinculativa não pode ser aceita, pois nesta etapa já foi iniciado os efeitos do negócio jurídico. A inclusão de cláusula suspensiva como defesa para a postergação de possíveis efeitos jurídicos pode ser incluída em acordos contratuais, no entanto, as convenções particulares que prejudiquem os interesses da Fazenda Pública não possuem validade em razão do interesse público. Segundo a contribuinte, os vendedores celebraram o contrato em nome próprio assumindo direitos e obrigações em caráter pessoal e intransferível, portanto, o avençado pelas partes (alienação em 22/10/2010) não possui o condão de vincular a impugnante, pois esta não participou do negócio. As participações indiretas dos vendedores referemse ao capital social de SPVIAS e não da MULTIVIAS. Os vendedores eram acionistas diretos da MULTIVIAS e foram as ações da MULTIVIAS, e não da SPVIAS, objeto de alienação. Portanto, a impugnante jamais poderia ter alienado as ações da MULTIVIAS, pois sequer era a titular das ações alienadas; Referido argumento não merece prosperar, pois, como já mencionado, pelos registros observados no livro mencionado ficou claramente identificada a data de 24/06/2010 como sendo realizada a transferência das ações da MULTIVIAS da ESTRADAS SP para as pessoas físicas e fundos de investimentos em participações. Segundo a Fiscalização, esta é a prova definitiva do objetivo de redução de tributação, pois foi realizada entre o início das negociações (12/2009), a definição do preço da aquisição (18/03/2010) e a concretização do negócio com a assinatura do contrato de compra e venda (25/08/2010). O que houve no presente caso foi apenas uma transferência de titularidade das ações da impugnante para terceiros, pessoas físicas e fundos de investimentos, com o intuito venda da participação para outra pessoa jurídica e, conseqüentemente fugir da tributação como pessoa jurídica. O levantamento fiscal, com base na análise da documentação apresentada nos autos, constatou que a contribuinte (ESTRADAS) então única sócia da MULTIVIAS teve seu capital reduzido, tendo como contrapartida a devolução através do repasse das ações da MULTIVIAS (atas societárias de 21/05/10 e 24/06/10) para os sócios pessoas físicas e fundos de investimentos em participações Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.346 9 (NOVOS SOCIOS). No período, ora mencionado, materializouse a evasão tributária, considerando que a negociação já tinha sido efetivada com a CPC, somente restando a celebração do contrato de compra e venda e a transferência das ações da MULTIVIAS para os “novos sócios” ocorrida em 14/06/10. Conclui a autoridade fiscal que “Por fim o planejamento alcançou o objetivo deliberado quando no mesmo anocalendário as pessoas físicas e o fundo de investimentos em participações venderam (o que já havia sido vendido) para a CPC. Com esses movimentos societários o imposto de renda (15%) e a contribuição social (9%) que incide sobre o ganho de capital na pessoa jurídica se transformou somente em imposto de renda (15%) sobre o ganho de capital das pessoas físicas e nenhum imposto de renda sobre o ganho de capital dos fundos de investimentos em participações, logo, um planejamento tributário abusivo para redução ilícita do valor tributável.” Pela cronologia dos fatos, em 25/08/2010 foi consumada a negociação de compra da MULTIVIAS e neste documento não constava a ESTRADA SP em nenhum momento, já que no período entre maio e junho a participação foi desmembrada. Ressalta a autoridade fiscal que o interesse da CPC na MULTIVIAS, derivou exclusivamente no desejo de controle da RODOVIAS INTEGRADAS DO OESTE S/A, conhecida como SP VIAS (CNPJ 03.497.792/0001 40) empresa está que tinha como sócio, a MULTIVIAS, entre outros, cuja participação era de 26,55%. A CPC acabou por adquirir o restante de participação de outras sócias, passando a deter 100% da SPVIAS. Referidos artifícios empregados pela interessada, com o fim de afastarse do pagamentos de tributos devidos, não possuem validade para a Fazenda Pública em razão do interesse público (art.123 do CTN): (...) O pagamento dos tributos devidos em razão do ganho de capital deve ser efetuado por quem, de fato, deu origem ao fato gerador da obrigação tributária, que no caso presente é a autuada. Portanto, as receitas decorrentes de negócios acertados entre as partes devem integrar a base de cálculo do IR e da CSLL. É legítima a redução de capital da impugnante com a entrega de bens e direitos a seus sócios e acionistas a título de devolução de capital (art.22 da Lei nº 9.249/95) desde que não viole a ordem jurídica e não prejudique os interesses da Fazenda Nacional. Defende a contribuinte que o depósito do sinal pela alienação das ações não ocorreu em 25/03/2010, e, sim, em 25/08/2010, cujo montante somente foi liberado na data de fechamento do negócio (doc.06). De acordo com o levantamento feito pela Fiscalização no mapa chamado de “PLANILHA DE PREÇOS” que vem a ser o anexo IV Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.347 10 do termo de fechamento do contrato, mencionou claramente que o sinal no valor de R$ 35.653.795,26 foi depositado na conta dos “novos sócios” em 25 de março de 2010, ou seja quando os registros apontavam que o sócio da MULTIVIAS era de fato e de direito a própria ESTRADAS SP. Os valores recebidos como sinal, contingenciados e pagamento bruto constam do documento arrolados no processo (planilha de pagamentos da CPC) assim como a comprovação do valor do patrimônio líquido (balanço 31/08/10) (anexo VI). Os documentos de fls. 1.838/1.841 constituemse apenas de extratos de transferências bancárias, os quais não comprovam estarem relacionadas à operação objeto de análise do presente processo. A interessada alega que das parcelas acertadas pela alienação, ao total de 5, todas sob condição suspensiva, apenas duas delas foram, de fato, pagas, devendo as três remanescentes serem descontadas por não terem havido disponibilidade jurídica ou econômica destes valores. Referido argumento não está comprovada nos autos por meio de documentação comprobatória razão pela qual não merece guarida. Para a contribuinte os montantes recolhidos a título de IRPF dos sócios/vendedores das ações deveriam ser compensados com o crédito tributário apurado nestes autos. A compensação tributária prevista no inciso II do art.156 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), é uma modalidade de extinção do crédito tributário. A contribuinte, com direito a crédito líquido e certo, em conformidade com o art.170 do CTN, poderia, mediante requerimento dirigido à autoridade fiscal, pleitear a restituição do valor do indébito tributário ou efetuar a compensação com débitos vencidos ou vincendos para com a Fazenda Pública. Tal posicionamento encontrase pacificado no âmbito administrativo conforme Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/05: “Como visto, esta modalidade de extinção do crédito tributário tem aplicação restrita aos casos expressamente previstos em lei. Segundo o mandamento transcrito, a lei pode autorizar a utilização de créditos do próprio sujeito passivo contra a Fazenda Pública para quitação de seus débitos tributários. Ou seja, no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda Pública ele pode optar por compensar esse valor, desde que isso seja permitido em ato legal, não contrário ao CTN.” Portanto, o processo de compensação deverá obedecer aos estritos dizeres previstos no CTN, respeitandose os requisitos específicos previstos para a sua efetivação, sobretudo no que se refere à existência do indébito tributário. A jurisprudência acata esse entendimento em que se exige a apuração prévia da liquidez e certeza do crédito em homenagem ao devido processo legal. Leandro Paulsen em seu Livro Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.348 11 Jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, Porto Alegre, 2.000. pág.579: “Tributário. Compensação. Art.66 da Lei nº 8.383/91. Inexistência de Crédito Líquido e Certo Apurado. 1. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido pelo art.66, da Lei nº 8.83/91, exige que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, homenageandose devido processo legal”. Ademais, para a validade da compensação deveria a contribuinte apresentar PER//DCOMP à RFB com todo o detalhamento do crédito tributário e das compensações, às quais pretender efetuar na declaração. A IN RFB nº 1.300/2012 que em seu art.41, §1º diz: (...) No presente caso, deve salientar que o IRRF, decorrente da operação de alienação de ações efetuada pela pessoa física à pessoa jurídica, deve ser pleiteada pela própria pessoa física, pois este valor desembolsado não pertence à contribuinte (pessoa jurídica). Portanto, a compensação requerida pela contribuinte não é possível neste Auto de Infração. Pelo exposto, constatouse a omissão de receitas pela não tributação dos ganhos de capital auferidos devendo ser mantido o Auto de Infração, conforme proposto pela autoridade fiscal”. Quanto à qualificação da multa de ofício (150%), o aresto combatido entendeu presentes os motivos que levaram à sua exasperação, aduzindo que “a contribuinte é obrigada a cumprir a obrigação tributária como qualquer pessoa jurídica quando se apurar tributo devido, o não cumprimento da legislação tributária enseja a aplicação da multa qualificada”. Mais, que, “a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, não prevê nenhuma exceção à aplicação da penalidade”, e que, “no presente caso, a multa qualificada foi aplicada por ter sido constatado pela fiscalização além da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, a incidência das hipóteses previstas na Lei nº 4.502/64 [art. 72], sendo o montante da penalidade aplicada sobre o valor apurado dos tributos, nos termos do artigo 44, I, §1º da Lei nº 9.430/96”, concluindo que, “constatada a subsunção ao texto legal, em razão do inadimplemento da obrigação em seus respectivos vencimentos, correta a exigência acrescida da devida multa de ofício qualificada”. Finalmente, enfrentou a questão dos juros sobre a multa de ofício, entendendoos devidos; sobre a jurisprudência acostada pela impugnante assentou que, “nos termos do art. 4º do Decreto nº 2.346, de 10/10/1997, a extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio, e, ainda assim, desde que seja editado ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido”; a respeito das doze imputações de solidariedade, analisou as respectivas peças de defesa e decidiu pela mantença no pólo passivo da lide dos sujeitos passivos arrolados e sobre a CSLL destacou que o decidido em relação ao IRPJ a ela se aplica e concluiu pela “procedência do lançamento e pela manutenção do crédito tributário lançado neste PAF”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA RECORRENTE (fls. 1922/1989) Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.349 12 Cientificada do R. decisum em 09/05/2016 (fls. 2491), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 02/06/2016 (fls. 2506/2575), no qual rebate incisivamente as colocações e conclusões da decisão recorrida e basicamente ratifica o que havia aduzido na impugnação inaugural, reforçando sua posição, pontuando: Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.350 13 E arremata, neste ponto, ter a decisão recorrida entendido que “antes mesmo da operação de redução de capital e transferência das ações de MULTIVIAS para os VENDEDORES (em 14.06.2010) já haveria um acordo entre as partes para a venda de tais ações” (RV – fls. 2512), e que, para o Acórdão combatido a alegada “evasão tributária teria se materializado em razão de a redução de capital da RECORRENTE ter sido realizada entre o início das negociações (12/2009), a definição do preço de aquisição (18/03/2010) e a concretização do negócio de compra e venda (25/08/2010)”, não se questionando “a validade da realização de operações de redução de capital para restituição de bens a sócios e posterior venda desses bens pelos mesmos” (ibidem – fls. 2515). A partir daí, discorre longamente sobre conceitos relativos à matéria, traz doutrina e jurisprudência, apregoa a nulidade do procedimento fiscal, rebate as alegações do Fisco de que o “sinal” relativo ao negócio teria sido depositado em 25/03/2010, sendo correto 25/08/2010, como atestam documentos (TED) acostados aos autos, que até 22.10.2010, data de fechamento do Contrato, “jamais se poderia dizer que a compra e venda contratada era definitiva”, que em março de 2010 havia apenas “um interesse de CPC na aquisição das ações de MULTIVIAS,manifestado em correspondência datada de 2009. Nada além disso”. Reproduz trechos do Contrato firmado com a CPC pelos doze sujeitos passivos solidários listados pelo Fisco e que, no entender da recorrente seriam os verdadeiros vendedores das ações. Assenta mais doutrina, jurisprudência, reportase à figura dos contratos segundo a ótica da legislação cível, aponta sua congruência e observância com a legislação tributária, aduz que o artigo 22, da Lei nº 9.249/1995 permite a devolução do capital a seus proprietários pelo valor contábil. Reproduz inúmeros julgados do CARF neste sentido, assevera que o fato do acordo entre comprador e vendedores prever cláusula de correção do valor pela variação pro rata da CDI a partir de março de 2010 não significa que a alienação já estaria acordada deste o dia 18 daquele mês e que este aspecto (de correção de valores) seria irrelevante, posto que o contrato “foi celebrado sob condições suspensivas” (RV – fls. 2525). Diz mais, que os vendedores e não ela, recorrente, “celebraram o CONTRATO em nome próprio, não podendo este de forma alguma vincular terceiros”, não sendo lógico nem possível a Fiscalização e a decisão recorrida atribuírem a ela, recorrente, efeitos de uma relação contratual estabelecida por terceiros, sem a sua participação ou mesmo interveniência. Passa, sequencialmente, a buscar demonstrar que o contrato firmado entre vendedores e a CPC tinha condição suspensiva e que sua implementação definitiva dependia de eventos futuros e cumprimento de requisitos e cláusulas rígidas e específicas por parte dos contratantes, sob pena de ser inexistente para todos os efeitos (RV – fls. 2529): Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.351 14 . E continua a recorrente (RV – fls. 2531) dizendo ser “irrefutável, portanto, que, até mesmo na data de celebração do CONTRATO (frisese, quando a titularidade das ações de MULTIVIAS já pertencia aos VENDEDORES), a alienação das ações não era definitiva e somente ocorreria em um momento futuro e incerto”; que tal operação “somente veio a ser fechada meses depois (em 22.10.2010), após terem sido implementadas todas as condições (suspensivas) estipuladas pelas partes”, e que, “caso as referidas condições não tivessem sido devidamente implementadas, a alienação das ações de MULTIVIAS simplesmente não teria ocorrido” (destaques no original). Continuando com seu raciocínio argumenta (RV – fls. 2532): Realça, na mesma linha, restar “evidente, portanto, que a alienação das ações de MULTIVIAS, e os efeitos próprios dela decorrentes, apenas se consumaram em 22.10.2010, nada Data do Fechamento”, momento em que os alienantes passaram, então, “a fazer jus ao recebimento do Preço de Compra”. Disserta longamente sobre a aplicação do artigo 22, da Lei nº 9.249, de 1995 ao caso concreto (redução de capital e devolução aos acionistas pelo valor contábil), traz farta jurisprudência e doutrina que acredita lhe aproveitar, diz não terem sido apenas aspectos tributários que levaram à redução do capital, batese contra a qualificação da multa por entender não presentes os pressupostos para sua exasperação, aduz que, a se considerar, como fez o Fisco, que em 18/03/2010 já sido acordada a alienação das ações, os lançamentos estariam decaídos (regime trimestral – 31/03/2010 – vencimento prazo decadencial – 31/03/2015 ciência 09/09/2015) e, na continuidade, passa a tratar de “nulidade” em função do que nominou de “erro material na identificação do momento da ocorrência do fato gerador” (RV – fls. 2568). Finaliza requerendo a nulidade do lançamento “por erro na identificação do fato gerador do IRPJ e da CSLL exigidos” (RV – fls. 2570). Já em conclusões destaca o recolhimento do IR sobre ganhos de capital pelos alienantes pessoas físicas à alíquota de 15%, argumentando que o Fisco, ao pretender cobrar o mesmo tributo (da recorrente) à alíquota de 34% resvalaria em “patente bis in idem”. Finalmente, sustenta a impossibilidade de incidência de juros sobre as multa de ofício e requer o provimento do RV. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.352 15 Os doze sujeitos passivos solidários eleitos pelo Fisco (e mantidos no pólo passivo da lide pela decisão recorrida) acostaram recursos voluntários individualizados em relação à sujeição imputada e, quanto ao mérito, reportamse ao aduzido pela recorrente ESTRADAS SP PARTICIPAÇÕES S/A. Os recursos voluntários estão assim alinhados nos autos: Nome CPF/CNPJ Termo (fls.) RV fls. Carlos Seabra Suarez 071.161.95572 1565 2927/2942 Afonso Arnaldo Junqueira Prata 341.483.96600 1565 2847/2865 Sergio Augusto Najar 087.105.97549 1565 2886/2904 Jorge Goldenstein 196.708.34520 1565 2770/2788 Marcus Vinicius de Magalhães Matos 514.073.61600 1566 2866/2885 Lauro Augusto Oliveira Cruvinel Borges 301.512.52653 1566 2789/2808 Mauricio de Lana 045.092.50649 1566 2905/2923 Renato Nogueira da Silva 072.302.90678 1566 2809/2827 Marco Antonio Pimenta Ferreira 129.973.31668 1566 2751/2766 Ismar Godinho Pereira 727.070.03891 1567 2828/2846 BNY Mellon Serv.Finan.DTVM S/A 02.201.501/000161 1567 2611/2629 Banco Modal S/A 30.723.886/000162 1567 2685/2703 De modo geral os recursos voluntários trazem as mesmas argumentações, requerendo a descaracterização das imputações realizadas e a exclusão do pólo passivo. No caso das duas pessoas jurídicas citadas, discorrese também acerca dos “Fundos de Investimentos em Participações” e, especificamente em relação ao Banco Modal S/A diz a defesa que “a posição de administrador do FIPI somente foi assumida em 29.12.2014, mais de 4 anos depois das operações ora em discussão” (RV – fls. 2690). DAS CONTRARRAZÕES DA PGFN (fls. 2959/2974) A Procuradoria da Fazenda acostou contrarrazões ao recurso voluntário das recorrentes posicionandose em apoio ao trabalho fiscal e ratificando a decisão recorrida, valendo destacar excertos da peça juntada, que resumem a posição fazendária: “11. Como se observa do breve relatório do caso, estamos diante de autuação referente a ganhos de capital decorrentes da venda de ações da Multivias Participações e Empreendimentos S.A (Multivias) para a compradora Companhia de Participações em Concessões S.A. (CPC), que deveria ter sido apurado pela fiscalizada – Estradas SP Participações S/A (Estradas), e não pelas pessoas físicas e fundos de participação em investimentos sócios de Estradas. 12. Nos termos do que se encontra descrito no Relatório Fiscal, temos que Estradas e CPC vinham, desde o ano de 2006, realizando contatos relativamente à alienação da participação detida indiretamente1 por Estradas no capital social de Rodovia Integrada do Oeste S.A. (SPVIAS). 13. Em dezembro de 2009, tais tratativas ganharam efetiva concretude, tendose iniciado a negociação que redundou na aquisição por CPC Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.353 16 das ações representativas do capital social de Multivias e, por consequência, da participação que esta detinha em SPVIAS. (...) 15. Diante da cronologia dos eventos apontados, a fiscalização concluiu que o aumento do capital social em Estradas, seguido de sua quase imediata devolução mediante transferências das ações da Multivias foi uma manobra engendrada pela autuada para pagar menos tributos. 16. Com razão a autoridade fiscal lançadora. 17. Antes de iniciar propriamente a análise do planejamento tributário levado a efeito, mostrase importante deixar muito claro que a legalidade do lançamento deve ser apurada a partir do exame do campo de incidência da norma tributária, para que se chegue à conclusão sobre a subsunção ou não do fato aos ditames legais. 18. No exercício de seu poderdever de realizar o lançamento, o Fisco tem o papel de conferir se a operação praticada pelo contribuinte, de fato, está abrangida no escopo da lei, pouco importando se, por meio de eventuais construções artificiais, ausentes de substrato econômico ou de propósito negocial, o contribuinte buscou se afastar da mera literalidade do texto legal com vistas a se afastar também da tributação. 19. É imprescindível, portanto, que a autoridade administrativa realize a interpretação da legislação tributária, no intuito de auferir o alcance da lei. O texto escrito é apenas o ponto de partida do intérprete, que deverá atribuir valores aos símbolos e construir o sentido da norma. Para tanto, deverá utilizar como critério não só o conteúdo de cada palavra do suporte físico (interpretação literal), mas também o contexto histórico ou jurídico, a finalidade da lei (interpretação teleológica), a construção da norma perante o ordenamento (método sistêmico), etc. 20. A norma tributária deverá, outrossim, ser construída a partir dos princípios informadores do sistema, tais como o da capacidade contributiva e o da isonomia. 21. Como outro lado dessa mesma moeda, temse que a liberdade do planejamento tributário deve ser compatibilizada com a capacidade contributiva, solidariedade social e a isonomia. Ainda que os atos praticados pelos particulares estejam “formalmente” de acordo com a lei, caso o objetivo seja “escapar” da tributação ou mascarar a prática do fato gerador, caberá à autoridade impedir o efeito fiscal almejado pela parte e realizar a incidência da norma respectiva, garantindo a isonomia daqueles que estão na mesma situação. 22. Conforme relatado acima, a fiscalização verificou a ocorrência de planejamento tributário e reorganização societária objetivando unicamente a redução no pagamento de tributos por ganho de capital na alienação de participação social detida na Multivias. Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.354 17 23. Não há dúvidas de que é licito ao contribuinte procurar a tributação mais favorecida para os seus negócios, utilizando os recursos legais disponíveis. Contudo, não podem ser aceitas pelo Fisco as operações com evidente intuito de evasão fiscal, ou seja, operações sem qualquer propósito negocial, fraudulentas ou simuladas. 24. Esta é exatamente a situação dos presentes autos, quando se percebe que não havia razões para a aumento de capital realizado, seguido de sua quase imediata diminuição via entrega aos sócios dos ativos que já estavam negociados previamente com a CPC, quais sejam as ações da Multivias. 25. No afã de defender o indefensável, a autuada alega a legalidade de suas operações vistas de forma individual, mais precisamente a devolução de capital aos sócios pelo seu valor contábil de acordo com o artigo 22 da Lei nº 9.249/1995. Segundo sua óptica, não teria havido qualquer ilegalidade, mas sim a adoção de um caminho legalmente possível e que deu ensejo a uma menor tributação (opção fiscal). (...) 27. Referida norma, sob o argumento de que as operações de redução de capital dispensam qualquer propósito ou motivação contratual, corriqueiramente é suscitada como fundamento legal a justificar situações como a que se põe a julgamento no presente processo. O artigo 22 da Lei 9.249/95, contudo, apesar de não trazer em suas disposições a exigência de motivos que justifiquem as devoluções de capital realizadas, tampouco pode ser interpretado como uma norma legitimadora de operações feitas claramente com o intuito de lesar o fisco. 28. Como se retira do caput do art. 22, o dispositivo em comento tem por objetivo pura e simplesmente possibilitar que os bens e direito entregues como devolução de participação no capital social sejam avaliados a valor contábil ou de mercado. Nada além disso. 29. Acontece que não foi isso, em rigor, o que se verificou no presente caso. Diante do contexto fático delineado pela fiscalização, não é possível falar que tenha de fato havido uma mera devolução de participação aos sócios. 30. Como bem observado pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o Auto de Infração, a companhia recorrente tinha uma série de reservas que poderiam, já em maio de 2010, ter sido distribuídas aos sócios via dividendos, mas não o fez. Optou por capitalizar tais reservas para, em menos de um mês, reduzir esse mesmo capital praticamente no mesmo valor do aumento realizado e, assim, poder justificar a transferência das ações da Multivias para seus acionistas. 31. A artificialidade das medidas tomadas é patente. Nenhum dos eventos societários mencionados possuía verdadeiro propósito negocial, mas pura e simplesmente o intuito de colocar o bem negociado pela pessoa jurídica Estradas na propriedade das pessoas Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.355 18 físicas e, assim, escapar da tributação que seria devida pela verdadeira alienante da participação societária. 32. Essas operações em sequência – aumento de capital e subsequente redução mediante devolução de ações, seguida de sua venda pelas pessoas físicas – não foi uma operação natural, regida por interesses econômicos legítimos, mas sim um estratagema para que o ganho de capital se desse nas pessoas físicas. 33. Assim, se vê que a justificativa para a redução de capital não se sustenta, evidenciando a inexistência de outro propósito negocial nesse ato societário que não fosse escapar à tributação na pessoa jurídica. 34. O que a contribuinte Estradas desejou transparecer com a arquitetura societária realizada foi que as pessoas físicas, tendo recebido participações societárias da Multivias em virtude de redução de capital da Estradas, resolveram vendêlas à CPC, quando em verdade, a negociação sempre se deu com Estradas e envolvia objeto de propriedade pertencente a Estradas. 35. As contraprovas trazidas pela recorrente não são suficientes para infirmar as conclusões que emergem desses fatos. 36. A alegação de que seria essencial que as ações da Multivias fossem vendidas à CPC pelas pessoas físicas, para que estas respondessem com seu patrimônio pessoal por atos e fatos de gestão da empresa se mostra vazia de conteúdo e não apresenta correlação necessária entre a causa e o efeito. 37. O mero fato de as pessoas físicas constarem em contrato como vendedoras das ações da Multivias não lhes implica a responsabilidade pelos atos de gestão da sociedade antes da transmissão. Tal responsabilidade pode advir de duas origens: da sua condição de administradores da sociedade antes da transferência ou da assunção expressa de tal responsabilidade em contrato com a compradora, a qual poderia perfeitamente constar em cláusula de um eventual contrato firmado entre as pessoas jurídicas. 38. O fato de as pessoas físicas serem meras acionistas ou constarem como vendedores das ações não implica, por si, essa atribuição de responsabilidade, seja na esfera tributária, seja na esfera civil ou trabalhista. 39. Diante de tudo o quanto exposto, mostramse absolutamente sem justificativa tanto a redução do capital social realizada quanto a suposta imprescindibilidade de que a venda ocorresse por meio das pessoas físicas para resguardar a compradora de responsabilidades. 40. Em outras palavras, não há propósito negocial legítimo, ou fundamento econômico, na redução de capital promovida mediante devolução das ações da Multivias. Essas operações em sequência – aumento de capital, redução de capital, devolução das ações da Multivias às pessoas físicas, vendas das pessoas físicas à CPC – foram utilizadas como supedâneo da alienação, para a CPC, da participação societária que a pessoa jurídica Estradas detinha na Multivias. Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.356 19 41. O verdadeiro negócio jurídico subjacente à sequência de atos encetada é a compra e venda de ações entre a autuada e a CPC, negociada pela pessoa jurídica vendedora desde o final de 2009. Está correta, portanto, a autuação que imputou o ganho de capital à pessoa jurídica vendedora dos ativos. 42. No presente caso, em vez de realizar a alienação direta das ações à interessada, a recorrente buscou atingir esse objetivo por caminhos tortuosos, por meio de um planejamento tributário que incluía, nos procedimentos, uma reorganização societária que visava reduzir a carga tributária incidente sobre o ganho de capital obtido com a alienação das ações. 43. Como já mencionado, é direito legítimo da contribuinte, garantido constitucionalmente, organizar e reorganizar seus negócios para buscar a economia de tributos, decorrente do princípio da autonomia da vontade e da liberdade de contratar, cabendo sempre notar, entretanto, a obrigatoriedade da existência de negócios efetivos, reais, subjacentes a esta reorganização. 44. Não se discute a existência do direito de autoorganização negocial, mas também não se pode negar que esse direito encontra limites, que o seu exercício não é irrestrito. Como já ficou decidido nesse Conselho, “O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário” (Acórdão 10421675). 45. No caso, a conduta da autuada caracterizou ilícito tributário, pois todos os atos que foram praticados numa sequência de poucos meses tiveram o único intuito de retirar a tributação do ganho de capital da pessoa jurídica detentora do controle acionário alienado e deixálo nas pessoas físicas e FIP’s. 46. Por outro lado, tendo sido verificada a prática dolosa de atos jurídicos sem propósito negocial com a única finalidade de subtrair a tributação devida, mediante declarações de vontade simuladas não condizentes com a verdadeira vontade das partes, sob o desígnio de ocultar os sujeitos passivos legítimos do ganho de capital, é devido também o agravamento da multa de ofício, nos termos dos artigos 44, §1º, da Lei 9.430/96 e 71 a 73 da Lei 4.502/64”. Conclui rebatendo os reclamos da recorrente de que teria havido decadência em 31/03/2015, sustenta a permanência no pólo passivo dos sujeitos passivos solidários com fulcro no artigo 124, do CTN, e pontua ser cabível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Em 18/07/2017, a recorrente juntou “Parecer Jurídico” elaborado pelo Professor Heleno Taveira Torres, titular do Departamento de Direito Econômico, Financeiro e Tributário da Faculdade de Direito da USP, contendo 110 páginas (fls. 3015/3125), no qual o catedrático reforça os argumentos da defesa e expõe, longamente, sua percepção e entendimento sobre o tema em discussão, referenciandose à doutrina e jurisprudência pertinentes. Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.357 20 É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.358 21 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator Todos os treze Recursos Voluntários são tempestivos, os demandantes estão com suas representações corretamente formalizadas e os demais pressupostos para suas admissibilidades foram atendidos, pelo que os recebo e deles conheço. São suscitadas duas preliminares, 1. de decadência; 2. de nulidade por deslocamento do fato gerador. Quanto ao mérito, a discussão centrase em aferir: i) se o ganho de capital advindo da alienação das ações da MULTIVIAS a favor de CPC deveria ser tributado nas pessoas físicas ou jurídicas de seus sócios e que, formalmente e de direito, as venderam à referida compradora, como entendido pela contribuinte e responsáveis solidários; ou, ii) se mencionada alienação foi, de fato, feita pela recorrente, Estradas SP Participações S/A, como quer o Fisco, por entender maculada a operação anterior de redução do seu capital e devolução, a valor contábil, a seus acionistas (no caso, os alienantes citados no item precedente) o que levaria à descaracterização da referida operação, impondo a tributação na pessoa jurídica da recorrente. Estes autos já foram submetidos a apreciação anterior desta Turma e convertido em diligência em razão da juntada pela recorrente, às vésperas de ter sido pautado para julgamento em 2017, de extenso parecer elaborado por catedráticos da Universidade de São Paulo, o que levou este Relator a propor referida diligência de modo a permitir à PGFN parte no processo manifestarse a respeito, posto que, como dito, acostado extemporaneamente. Cientificada, a Fazenda Nacional colacionou petição tratando de rebater os argumentos expendidos pelo parecer retro, manifestação contra a qual a recorrente novamente veio aos autos para contraporse. Com isso, os autos estavam devidamente instruídos para que seu julgamento se realizasse, motivo pelo qual este Relator o pautou para as sessões de maio/2018. Todavia, mais uma vez às vésperas da data marcada para o julgamento (sessão de 15/05/2018, 09:00 horas), a recorrente voltou a proceder à juntada de petição (fls. 3283/3285 em 04/05/2018) que, por sua relevância e matéria nela aduzida, entendo, novamente, deva a Procuradoria da Fazenda Nacional ser cientificada para que, querendo, se manifeste. Assim, voto no sentido de CONVERTER o julgamento do recurso em nova diligência para que o processo seja encaminhado à PGFN, a fim de que aquele Órgão seja cientificado e, querendo, se manifeste, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre o teor da petição Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 16561.720085/201515 Resolução nº 1402000.628 S1C4T2 Fl. 3.359 22 juntada pela recorrente em 04/05/2018 (fls. 3283/3285), após o processo ter sido incluído em pauta. Transcorrido o prazo citado, com ou sem manifestação da Fazenda Pública, o processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul para prosseguimento de seu julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 3382DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001777/2009-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 77 /2 00 9- 66 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 174DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19515.001777/200966 Acórdão n.º 9202006.808 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.900695/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 69 5/ 20 08 -0 8 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 71 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.764 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇAO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária (...) o fato de a Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 72 3 contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 73 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 74 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 75 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 76 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 77 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 78 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900695/200808 Resolução nº 3001000.099 S3C0T1 Fl. 79 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 23034.034124/2004-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/06/2002
CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. RECOLHIMENTO. IRREGULARIDADES. DIVERGÊNCIAS. PROGRAMA RAI. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA.
É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao Salário-Educação, não ilididas pela Recorrente com conjunto probatório suficiente a afastar a exação, ainda que parcialmente.
Numero da decisão: 2402-006.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 30/06/2002 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. RECOLHIMENTO. IRREGULARIDADES. DIVERGÊNCIAS. PROGRAMA RAI. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao Salário-Educação, não ilididas pela Recorrente com conjunto probatório suficiente a afastar a exação, ainda que parcialmente.
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DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 30/06/2002 CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. RECOLHIMENTO. IRREGULARIDADES. DIVERGÊNCIAS. PROGRAMA RAI. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE DÉBITO. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento consignado em Notificação de Recolhimento de Débito com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, não ilididas pela Recorrente com conjunto probatório suficiente a afastar a exação, ainda que parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 03 41 24 /2 00 4- 39 Fl. 417DF CARF MF Processo nº 23034.034124/200439 Acórdão n.º 2402006.301 S2C4T2 Fl. 102 2 Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 148/168 em face de decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 140/144 que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pelo contribuinte em epígrafe (efls. 68/83), mantendo, destarte, o crédito tributário referente ao não recolhimento do salário educação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito n. 1205/2004 emitida em 04/11/2004 no valor total de R$ 183.504,04 (efl. 64) com fulcro em divergências junto ao Sistema de Manutenção de Ensino (SME) entre os valores deduzidos e o número efetivo de alunos indicados e efetivamente indenizados no programa Relação de Alunos Indenizados (RAI), conforme Demonstrativo de Divergência (efls. 52/59), decorrendo irregularidades nos recolhimentos referentes ao SalárioEducação, consoante o disposto na legislação aplicável, especificamente em relação aos períodos de apuração (P.A) 01/07/1998 a 30/06/2002. A Recorrente foi cientificada da NRD n. 1205/2004 (efl. 23) em 02/07/2001 (efl. 25) e apresentou, em 10/11/2004, a impugnação de efls. 68/83 em 30/11/2004 alegando, em apertada síntese, que os novos arquivos relativos às deduções efetivadas nos recolhimentos da contribuição social do SalárioEducação devem ser processados e os comprovantes de arrecadação direta ser notificados. A impugnação de efls. 68/83 foi indeferida nos termos da decisão da lavra do Ilmo. Presidente do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 140/144, havendo dela a Recorrente sido cientificada em 27/03/2006 (efl. 180), e, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, em 24/04/2006 (efls. 148/168), repisando os mesmos argumentos suscitados na impugnação de efls. 68/83. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 148/168) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 148/168 guerreia contra a decisão do Ilmo. Sr. Presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) efls. 140/144 que decidiu pelo indeferimento da defesa apresentada pela Recorrente e manteve o crédito tributário referente ao não recolhimento do salárioeducação consignado na Notificação para Recolhimento de Débito n. 1205/2004 (efl. 64). No mérito, em face dos argumentos apresentados pela Recorrente na peça recursal de efls. 148/168, que não aduz novas razões de defesa, e considerando os termos do Fl. 418DF CARF MF Processo nº 23034.034124/200439 Acórdão n.º 2402006.301 S2C4T2 Fl. 103 3 art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF, entendo suficiente e elucidativo o pronunciamento da decisão recorrida, verbis: Com relação ao questionamento da empresa concernente aos alunos cadastrados na modalidade Indenização de Dependentes, por oportuno, cumprenos expor os fundamentos a seguir desenvolvidos com base no parecer 168/2005 da douta Procuradoria Federal. Inicialmente, citamos o disposto no art. 5°, da Instrução n.° 01, de 23 de dezembro de 1996 do FNDE, o qual determina que: Art 5° A atualização do cadastro dos alunos será procedida, nos prazo que vierem a ser fixado e de conformidade com as orientações gue, para esse fim, forem fomecidas da seguinte forma: [...] II da modalidade Indenização de Dependente, por intermédio de disquete específico ou, na impossibilidade de utilização deste, do formulário Relação de Alunos Indenizados RAI, que serão encaminhados pelo FNDE. O que observa do comando acima é que a norma remeteu a posterior regulamentação o prazo para a atualização do cadastro dos alunos beneficiários. Contudo, com o advento da Instrução N.” 01, de 15 de dezembro de 1998, as empresas passaram a ter a obrigação de realizar a atualização do cadastro todo o semestre, conforme dispõe o art. 5°, inciso Il, verbis: II da modalidade Indenização de Dependente, mediante envio de disquete específico ou transmissão eletrônica de atualização semestral do cadastro no Sistema RAI distribuído pelo FNDE em janeiro de 1998, o qual, se necessário, poderá ser obtido no setor competente da Autarquia. Já na resolução n.° 3, de 18 de dezembro de 2000, e resoluções posteriores, além de haver a previsão de que a atualização deveria ser semestral, houve a determinação de que a mesma deveria ocorrer, obrigatoriamente, até 31 de julho para os dados relativos ao 1° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre. Desta forma, o que se infere das assertivas acima é que a partir de 1999, momento em que a questão foi integralmente regulada, tomouse obrigatória a atualização semestral dos alunos beneficiários, tomandose necessária a glosa de todas as deduções efetivadas nos semestres em que não houve a atualização do cadastro nos prazos previamente estabelecidos. Importante salientar que as sobreditas resoluções, têm como fundamento de validade a Lei n.° 9.424/96 e o Decreto n.° 3.142/99, que dispõem sobre a contribuição social do SalárioEducação, portanto, apresentando os pressupostos legais que fundamentam e justificam a sua edição, estando apta a produzir todos os efeitos jurídicos a que se propõe. Destarte, concluímos que, à luz da análise efetuada na explanação contida na defesa, a empresa não enviou os arquivos referentes ao povoamento da RAI em tempo hábil, o que a descredencia à consecução do abatimento das deduções efetivadas entre o l.° semestre/98 ao l.° semestre de 2002, devendo assim, ser mantidos todos os valores que foram notificados. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 23034.034124/200439 Acórdão n.º 2402006.301 S2C4T2 Fl. 104 4 Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 148/168), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955526/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 55 26 /2 00 8- 80 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.955526/200880 Acórdão n.º 1301003.151 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.721445/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os Embargos de Declaração são o instrumento processual próprio para o saneamento de omissões nos julgados.
MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência.
SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO.
A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação.
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
Numero da decisão: 1301-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, acolher os embargos do contribuinte para sanar omissão apontada apontada, e, por maioria de votos, dar-lhe provimento para cancelar a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Nelso Kichel que votaram por manter a exigência dessas penalidades. Os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o voto do relator por suas conclusões, sendo o entendimento desses conselheiros agregados ao voto condutor do aresto; (ii) por unanimidade de votos, acolher os embargos dos coobrigados para sanar omissão no acórdão embargado e excluí-los do polo passivo da obrigação tributária.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os Embargos de Declaração são o instrumento processual próprio para o saneamento de omissões nos julgados. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendo-se como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
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OMISSÃO. Os Embargos de Declaração são o instrumento processual próprio para o saneamento de omissões nos julgados. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada é cabível nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, mas não pode ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício, aplicável aos casos de falta de pagamento do imposto, apurado de forma incorreta pelo contribuinte, no final do período base de incidência. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, exige a demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 14 45 /2 01 3- 97 Fl. 5372DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, acolher os embargos do contribuinte para sanar omissão apontada apontada, e, por maioria de votos, darlhe provimento para cancelar a exigência das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Nelso Kichel que votaram por manter a exigência dessas penalidades. Os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o voto do relator por suas conclusões, sendo o entendimento desses conselheiros agregados ao voto condutor do aresto; (ii) por unanimidade de votos, acolher os embargos dos coobrigados para sanar omissão no acórdão embargado e excluílos do polo passivo da obrigação tributária. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referentes aos anos calendários de 2007, 2008 e 2009, por meio dos quais foram glosadas amortizações de ágios derivados de operações de reestruturação societária da Contribuinte em questão. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3209 3222) exige o recolhimento de R$ 39.331.240,08 de imposto, R$ 58.996.860,12 a título de multa de ofício de 150%, prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 22.458.138,09 de juros de mora, além de 44.577.058,75 de multa isolada. O lançamento fiscal decorreu das seguintes infrações: I) glosa do encargo com amortização indevida de ágio interno, escriturada na conta 23050000.0000 – Amortização Ágio e declarada nas linhas 20 ou 21 da Ficha 05A das DIPJ’s 2008, 2009 e 2010, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202) e detalhado na planilha Anexo 01 (fls. 32033204), com infração ao disposto nos arts. 3º e 13, III, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e arts. 247, 249, I, 251, 299, 324, § 2º, 325, 385 e 386 do RIR de 1999. II) multa de ofício isolada sobre a diferença de estimativa de IRPJ calculada sobre o encargo com amortização do ágio interno, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 31823202) e detalhado na planilha Anexo 02 Fl. 5373DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 3 3 (fls. 32053207), com infração ao disposto nos arts. 222 e 843 do RIR de 1999, art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007 (convertida na Lei nº 11.488, de 2007). O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 32233236) exige o recolhimento de R$ 19.549.974,76 de contribuição, R$ 29.324.962,14 a título de multa de lançamento de ofício de 150% e R$ 11.163.035,59 de juros de mora, além de R$ 10.565.540,68 de multa exigida isoladamente. As infrações constatadas pelo lançamento são as mesmas do lançamento de IRPJ. O Relatório Fiscal (fls. 31823202) glosou os valores que entendeu não amortizáveis em razão da inexistência de ágio legítimo, ausência de fundamento econômico do ágio, utilização de empresa veículo e não caracterização de despesa dedutível. Ademais, imputou responsabilizada solidária com fundamento nos arts. 124, I e 135, III do CTN aos seguintes sujeitos: Alcoa Inversiones España S.L. (CNPJ nº 05.808.206/000166), cuja razão social anterior era Alcoa Transformación S.L.: controladora da Alcoa Alumínio por ocasião da apuração do ágio interno de R$ 1.551.585.298,70 constituído sobre o patrimônio líquido da interessada, na integralização do aumento do capital da empresa veículo RSAM Participações Ltda., em 31/12/2003, mediante entrega de 6.002.851 ações ordinárias e 724 ações preferenciais da contribuinte; o valor desse ágio acabou integrando o acervo vertido para a interessada por ocasião da incorporação reversa ocorrida em 23/07/2004, quando passou a ser amortizado à razão de 1/60 ao mês;. Eduardo Sampaio Dória (CPF nº 149.048.60896): representante da Alcoa Inversiones España S.L., Alcoa Brazil Holdings Company e Alcoa do Brasil Indústria e Comércio Ltda.; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 3243 3244 e 32533254) Carlos Eduardo Mahfuz (CPF nº 029.768.28814): representante da Alcoa Brasil Holdings Company, Alcoa do Brasil Indústria e Comércio Ltda., Alcoa Inversiones España S.L. e Companhia Geral de Minas; também foi diretor da fiscalizada (até 2005) e da RSAM Participações Ltda.; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32513252) João Luiz Serafim da Silva (CPF nº 002.619.82826) representante da Alcoa Luxembourg S.A.R.L., diretor da interessada e membro do Conselho de Administração da interessada; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32473248) Marcelo de Arruda Barros Rangel (CPF nº 063.855.03860) representante da Alcoa Transformación e Companhia Geral de Minas e diretor da RSAM Participações; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32493250) Adjarma Azevedo (CPF nº 047.186.07868): presidente da fiscalizada em 2003 e membro do seu Conselho de Administração de 2002 a 2004, tendo sido nomeado para compor o Conselho Consultivo da companhia em 14/04/2004; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32453246) Josmar Verillo (CPF nº 392.513.30891): presidente da fiscalizada em 2003 e 2004 e membro do seu Conselho de Administração; é representante da Companhia Geral de Minas na administração da RSAM Participações; Fl. 5374DF CARF MF 4 Franklin Lee Feder (CPF nº 668.181.50810): presidente da fiscalizada desde janeiro/2005; foi cientificado por via postal em 20/12/2013 (fls. 32413242). O fundamento da imputação de responsabilidade solidária foi assim exposto pela fiscalização: “De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal ficou comprovada a existência de um planejamento tributário indevido, por parte do grupo ALCOA, utilizando algumas PJ para criação e amortização de um ágio ilegal. Houve a demonstração de que essas pessoas, vinculadas ao grupo ALCOA, se reuniram em conluio para a prática das referidas infrações tributárias. As decisões do grupo ALCOA foram manifestadas mediante representantes, procuradores e também dos diretores das pessoas jurídicas brasileiras. Essas pessoas físicas é que conceberam e executaram o planejamento tributário indevido, provavelmente receberam muito bem por isso. Podemos ver nas cópias das atas de reunião dos acionistas, da diretoria e nas alterações dos atos constitutivos, que sempre houve unanimidade nas decisões lavradas naqueles instrumentos que estão assinados por todos. Ou seja, não há qualquer voto divergente, seja na reunião da diretoria ou do conselho de administração, demonstrando que continuamente houve assentimento de todos nos atos praticados. É obrigação legal da fiscalização, ao lavrar um auto de infração, efetuar a correta identificação do sujeito passivo que será o contribuinte, como também daqueles que por expressa disposição legal sejam considerados responsáveis pelos fatos constatados. A diretoria constitui o órgão executivo de uma SA. Compete à diretoria a representação da sociedade e a prática de todos os atos necessários ao funcionamento regular dos negócios empresariais da companhia, observando as orientações do Conselho de Administração e dos acionistas. O mesmo ocorre em relação às sociedades LTDA, obedecendose os respectivos contratos sociais. Da mesma forma, os representantes do grupo ALCOA internacional também atuaram na concepção e execução do esquema, que sabiam indevido e ilegal. Essas pessoas além de participarem da articulação da operação, praticaram os atos societários e comerciais necessários para sua execução, desde a geração do ágio indevido, como do seu aproveitamento igualmente ilegal. Como gestores executivos, tiveram o pleno domínio de todos os fatos necessários para que esse benefício indevido fosse aproveitado pela fiscalizada, com os decorrentes efeitos tributários de redução ilegal do IRPJ e CSLL. Portanto, ficou demonstrado que há nexo de causalidade entre a participação dos diretores e representantes e a geração e aproveitamento desse ágio ilegal, que levou ao grave prejuízo para os cofres públicos que foi descrito no Relatório de Auditoria Fiscal. Dessa forma, ao autuarmos o contribuinte ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ 23.637.697/000101, atribuímos a responsabilidade solidária passiva pelo crédito tributário devido, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), em face de restarem caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, porquanto realizaram, em nome das pessoas jurídicas envolvidas, todos os atos que possibilitaram a amortização do ágio indevido, conforme descrito no relatório.” Fl. 5375DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 4 5 Cientificado, o Contribuinte apresentou tempestiva Impugnação aduzindo os seguintes fundamentos para o cancelamento total ou parcial da autuação: I) há nulidade do procedimento fiscal em face: (i) de o procedimento fiscal alcançar períodobase já fiscalizado, cuja fiscalização considerou válidas as amortizações; (ii) da impossibilidade de serem conferidos os cálculos que acarretaram os lançamento fiscais; (iii) de não cumprirem as normas constitucionais e legais relativas à motivação e fundamentação dos atos administrativos;. II) ocorreu a decadência do direito de lançar o IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2007 a 2009;. o ágio existiu e foi regularmente amortizado pela impugnante em observâncias das restrições legais aplicáveis; III) na eventual hipótese de não acolhimentos dos pleitos anteriores, a multa agravada deve ser reduzida por não ter havido infração praticada dolosamente, além de haver nulidades no respectivo lançamento, por falta de provas das circunstâncias legais em que ela caberia e por insuficiente fundamentação legal;. IV) não cabe a incidência de juros sobre as correspondentes multas;. a multa isolada deve ser cancelada por não poder incidir concomitantemente com a multa de lançamento “ex offício”; V) devem ser excluídas as sujeições passivas das pessoas arroladas como solidárias, por não ser o caso de solidariedade e por não ter havido atos das mesmas passíveis de enquadramento na hipótese legal de responsabilidade. Os responsáveis também apresentaram tempestivas Impugnações, insurgindo se contra a imputação de responsabilidade. A DRJ julgou improcedentes as impugnações apresentadas, mantendo também a responsabilidade tributária imputada. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 3733/3845) repisando as razões de sua impugnação. Do mesmo modo, a PGFN apresentou contrarrazões defendendo a validade do lançamento. Em composição parcialmente distinta deste Colegiado, o Recurso Voluntário foi julgado parcialmente procedente, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Roberto Silva Junior; e (ii) por maioria de votos, na parte conhecida, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2007 e reduzir a multa de ofício para 75%, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha que negavam provimento. No que se refere à exigência atinente à amortização de ágio, a decisão foi unânime no sentido de negar provimento, sendo que os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto acompanharam o relator pelas conclusões. No que se refere à exigência de juros sobre multa de ofício, a decisão foi por maioria de votos no sentido de negar provimento, ficando vencidos, nessa parte, os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Milene de Araújo Macedo. Fl. 5376DF CARF MF 6 Diante do resultado, o Contribuinte principal opôs Embargos de Declaração aduzindo que o colegiado se omitiu quanto à questão da inexigibilidade da multa isolada cobrada no processo (fls. 4075/4091). Em seguida, os responsáveis tributários apresentaram Embargos de Declaração (fls. 4196/4210) informando que não foram notificados da decisão da DRJ, requerem que seja sanada a omissão quanto à análise dos argumentos relacionados à responsabilidade tributária. Ciente da petição apresentada pelos responsáveis, o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto exarou despacho de saneamento (fls. 5043/5048) determinando a intimação de todos os responsáveis para que aduzam suas razões, retornando o processo ao Colegiado para julgamento dos argumentos aduzidos e dos Embargos opostos. Os responsáveis apresentaram "Recurso Voluntário" de fls. 5075/5019 atacando exclusivamente a questão da responsabilidade solidária. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte principal são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos. Os responsáveis tributários, por sua vez, após sua notificação, apresentaram "Recurso Voluntário" (fls. 5075/5019) questionando exclusivamente a parcela do Recurso do Contribuinte principal que não foi conhecida relativamente à responsabilidade tributária imputada. Verificase de pronto que esta petição não tem qualquer impacto potencial ou efetivo sobre a matéria que foi conhecida e julgada, não havendo, portanto, razão para a reforma do Acórdão nº 1301.002.279, mas somente para a sua complementação através do julgamento da matéria que até então não havia sido conhecida nesta instância de julgamento. Desse modo, entendo por adequado receber o "Recurso Voluntário" dos responsáveis como Embargos de Declaração, para sanar a omissão quanto à análise dos argumentos acerca da responsabilidade tributária, e nesses termos reconheço a sua tempestividade e o atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecidos pelo Colegiado. Através do Acórdão nº 1301.002.279 o Colegiado decidiu: (i) não conhecer dos argumentos atinentes à responsabilidade tributária; (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência para o anocalendário 2007 e reduzir a multa de ofício para 75%; (iii) negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à exigência atinente à amortização de ágio e (iv) negar provimento ao recurso voluntário no que se refere à exigência de juros sobre multa de ofício. I) Embargos de Declaração do Contribuinte Fl. 5377DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 5 7 Compulsando o anexo 02 do relatório fiscal (fls. 3205/3206) verifico que foi lançada a multa isolada de 50% em relação às estimativas de IRPJ referentes aos anos de 2007 e 2008, sem prejuízo do lançamento da multa de ofício qualificada sobre o saldo positivo de IRPJ dos anos de 2007, 2008 e 2009 gerados após a glosa da amortização do ágio gerado na operação societária da Embargante. Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte possui tópico específico sobre o “Descabimento da aplicação da multa isolada”, no qual argumenta que em relação ao período base de 2007 é francamente descabida a exigência de multa isolada em face de possuir origem no mesmo dispositivo de lei (art. 44 da Lei nº 9430) e na mesma infração sobre a qual foi aplicada a multa de ofício qualificada; o pagamento do tributo se dá em duas diferentes etapas, a primeira em caráter provisório e antecipatório, e a segunda quando se apura o ajuste final, de caráter definitivo; logo, o não pagamento do tributo, quando ocorre, constituise em uma única conduta, e não em duas, passíveis de dupla penalização; para que fosse cabível a incidência das duas multas seria necessário que a lei determinasse expressamente, nos incisos I e II do caput, que a exigência das respectivas multas se daria sem prejuízo da cobrança daquela prevista no inciso IV do § 1º. Além disso, aduz que após o encerramento do períodobase não cabe mais a exigência das antecipações que tenham deixado de ser recolhidas no mês próprio, porque seu valor desde então já integra o valor do tributo devido ao final do período e apurado na respectiva DIPJ e, em consequência, também não é mais possível a cobrança da multa que seria devida sobre a falta de insuficiência de recolhimento da sua mera antecipação; outro não será o entendimento se for analisar a questão sob o prisma do princípio da consumação, segundo o qual a infração mais grave absorve aquela mais leve, sendo a pena decorrente daquela suficiente para também punir esta última e excluir uma penalização específica a esta; em relação ao períodobase de 2008. Pugna, também, pela aplicação da Súmula CARF nº 105. Pois bem, de pronto constato que a decisão embargada não se manifestou de forma alguma sobre o cabimento ou não da multa isolada que foi imputada. Em razão disso, podemos concluir haver, sim, omissão no julgado. Havendo cobrança simultânea de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (em razão da glosa do ágio amortizado) e multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, deve ser mantida apenas a multa de ofício. Este é o teor literal da Súmula CARF nº 105, verbis: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Adianto que entendo ainda ser aplicável a Súmula CARF nº 105, a despeito do dispositivo mencionado em seu texto ter sido alterado pela Lei nº 11.488/2007, cuja validade abarca os fatos geradores do presente feito. Por razões de clareza e transparência na motivação, explano meus fundamentos. Fl. 5378DF CARF MF 8 A aplicação de qualquer súmula, mormente à luz do novel CPC/2015, deve se dar em atenção à racionalidade tópicoproblemática que orienta a sua adequada compreensão, tanto que os dispositivos relativos à motivação das decisões dá um tratamento peculiar a elas: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. É dizer, a súmula tem seu conteúdo normativo determinado não pelo seu texto sumular, mas pelas fundamentos determinantes que lhe são subjacentes, que deverão ser, efetivamente, o "fiel da balança" de sua aplicação. Assim, compulsando os precedentes que deram origem à Súmula CARF nº 105, entendeu a jurisprudência dominante que não poderiam ser exigidas concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício, em razão da absorção daquela por esta princípio da consunção ou absorção, típico do Direito Penal, para os casos em que condutas que lesem determinado bem são punidas por tipos penais distintos. Senão vejamos o Acórdão CSRF nº 9101001.261: É dizer, o fundamento da súmula é o fato da infração que dá causa à multa isolada ser menos gravosa que o fato que justifica a multa de ofício, razão pela qual esta absorve aquela. O que define a conduta lesiva ao bem tutelado pela regra penal é exatamente a Fl. 5379DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 6 9 hipótese de incidência dela (lembrando que uma regra jurídica possui hipótese e consequência jurídica), estando sujeita a uma penalidade, estabelecida em sua prescrição. Pois bem, a lei nº 11.488/2007 alterou a Lei nº 9.430/96, em relação aos dispositivos sucessivamente apresentados: Lei nº 9.430/96 art. 44 (...) §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Lei nº 11.488/2007 Art. 44. (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela leitura do dispositivo, podemos verificar que a Lei nº 11.488/07 trouxe algumas inovação: I) estendeu a hipótese de multa pros casos de rendimentos auferidos por pessoa física, de fonte pagadora no exterior, que não tenham sido tributados no país da fonte; II) em relação à hipótese existente, reduziu o valor da multa para 50%. Como se vê, em relação à hipótese de falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, não houve alteração da fattispecie punitiva é dizer, a conduta típica permaneceu a mesma, apenas com alteração da sanção aplicada. Ou seja, os fundamentos para a aplicação do princípio da consunção motivo determinante da Súmula CARF nº 105 permanecem presente, haja vista que as condutas ofensivas continuam as mesmas (com a ressalva do acréscimo do art. 44, II, "a" da Lei nº 9.430/96), com alteração apenas na prescrição penal estabelecida pela legislação. As condutas indicadas nas duas normas infracionais continuam sendo uma meio de execução da outra, sem que qualquer alteração nesse ponto tenha decorrido da nova redação legal. Fl. 5380DF CARF MF 10 Isso decorre da diferença entre texto legal e norma jurídica, evidenciada no Direito Positivo pelo art. 13, §2º da Lei Complementar nº 95/98, que autoriza o reconhecimento de que a norma infracional pré e póslei 11.488/2007 possuem hipóteses de incidência que se superpõem, a despeito da alteração da numeração e posição dos dispositivos. Em razão disso, não entendo ter havido modificação de circunstâncias fáticas ou jurídicas que se afastem dos motivos determinantes da Súmula CARF nº 105, de modo que ela permanece aplicável a casos após a edição da Lei nº 11.488/2007. Entretanto, durante o julgamento, fui acompanhado pela maioria dos julgadores pelas conclusões, razão pela qual deve constar expressamente o fundamento prevalecente na Turma, conforme art. 63, §8º do RICARF. O entendimento prevalecente está conforme o voto vencedor no Acórdão CARF nº 1301002.736, proferido pelo Ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas, reproduzido abaixo: A multa isolada aplicada tem como origem as diferenças entre as base de cálculo mensais apuradas pela recorrente e pela fiscalização, e decorre das glosas efetuadas em procedimento de fiscalização, que constatou entre outras infrações, deduções indevidas de despesas/custos na apuração do lucro real do período. Não decorre do não recolhimento de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual. Penso que as discussões relacionadas à aplicação da multa isolada devem levar em conta o motivo que levou a autoridade fiscal a aplicála, pois ela não se destina a punir casos de omissão de receita, deduções indevidas de despesas, exclusões não autorizadas ou falta de adição ao lucro líquido. Nessas infrações, deve ser aplicada apenas a multa de ofício, ao contrário do que ocorre na hipótese do não recolhimento (total ou parcial) de estimativas mensais apuradas e declaradas pelo contribuinte optante do lucro real anual, onde se aplica a denominada multa isolada. Isso porque, no meu sentir, a multa isolada foi instituída para punir apenas os contribuintes que, tendo optado pelo lucro real anual para cálculo do IRPJ e da CSLL, deixavam de recolher as estimativas mensais. É que encerrado o ano base, já não é juridicamente possível exigir as estimativas, vez que elas possuem natureza de antecipação do tributo a ser apurado no final do período. Assim, encerrado o período, o Fisco só pode exigir o valor devido e não as antecipações. Vale dizer, as estimativas só podem ser exigidas no curso do respectivo período de apuração. Assim, para que a norma que determina o recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa seja imperativa, e não reduzida a mera recomendação, instituiuse a multa isolada, com o propósito específico de punir o descumprimento da norma que impõe a estes contribuintes o recolhimento mensal por estimativa. Por isso, a aplicação da referida multa isolada deve limitarse apenas ao caso em que foi concebida. Aplicála a casos de glosas de despesas efetuadas em procedimento de fiscalização, como é a hipótese dos presentes autos, é uma forma de exacerbar a penalidade sem previsão legal. Ademais, existe entendimento de que a aplicação da multa de ofício afastaria, pelo princípio da consunção, a multa isolada. O E STJ tem decisões nesse sentido, das quais é exemplo a decisão proferida no REsp nº 1.496.354/PR. (...) Assim, ao abrigo do princípio da consunção, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem Fl. 5381DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 7 11 jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Logo, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa do que o ilícito principal. É o que os penalistas, à propósito, denominam de "princípio da consunção". Desse modo, voto por reconhecer a omissão em relação à análise da multa isolada relativo ao anocalendário de 2007 e 2008, para sanála, dando provimento ao pleito do contribuinte para manter apenas a multa de ofício sobre os débitos tributários do período. II) Embargos de Declaração dos Responsáveis Os fundamentos da imputação de responsabilidade passiva são aduzidos em fls. 3198 e seguintes, no relatório fiscal, e se baseia no fato de que "essas pessoas se reuniram em conluio para a prática das referidas infrações tributárias", e que "todos os representantes do grupo ALCOA internacional atuaram na concepção e execução do esquema". Além disso, afirmou o fiscal que: Após tal afirmação, conclui que a responsabilidade solidária passiva decorreria dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, "em face de restarem caracterizados interesse comum e infração de lei na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, porquanto realizaram, em nome das pessoas jurídicas envolvidas, todos os atos que possibilitaram a amortização do ágio indevido". Em razão dos Embargantes terem sido intimados após a publicação do Acórdão que não conheceu a matéria relativa à responsabilidade tributária, a apresentação tempestiva de seu "recurso", recebido aqui como Embargos de Declaração, torna evidente a omissão da decisão quanto a esta questão. Passo a sanear tal omissão, portanto. Um ponto relevante é a necessidade de congruência da motivação da decisão, tanto interna para não cair em contradição quanto externa guardando referibilidade com os fatos do processo, que por força do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99 se impõe. Nessa linha, o relator anterior deste processo já proferira voto meritório analisando a questão da responsabilidade tributária no presente caso, alinhado com as premissas assentadas majoritariamente pelo Colegiado, mas que acabou vencido quanto ao conhecimento da matéria. Com fulcro no mesmo art. 50, §1º da Lei 9784/99, reproduzo as assunções do Conselheiro Marcos Paulo Caseiro, às quais adiro expressamente: Fl. 5382DF CARF MF 12 Os Termos de Declaração de Sujeição Solidária foram lavrados em nome de Alcoa Inversiones España S.L., Eduardo Sampaio Dória, Carlos Eduardo Mahfuz, João Luiz Serafim da Silva, Marcelo de Arruda Barros, Rangel, Adjarma Azevedo, Josmar Verillo e Franklin Lee Feder, os quais foram vinculados ao cumprimento da obrigação tributária imposta, sob o manto dos artigos 124 I e 135, III do CTN. O art. 124 do CTN1 atribui a responsabilidade solidária para aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo ou aqueles expressamente designados por lei. Por sua vez, o art. 135, do mesmo diploma legal é aplicável aos representes, diretores ou gerentes das pessoas jurídicas envolvidas. Conforme os termos de Verificação fiscal (fls. 19/20), foi aplicado o art. 124, I a todos administradores dos negócios das empresas envolvidas que tiveram participação ativa no planejamento tributário, de forma a praticar todos os atos societários e comerciais necessários para sua execução, culminando no aproveitamento indevido do ágio. Por sua vez também aplicou o art. 135, III aos representantes, diretores e gerentes das empresas envolvidas, por terem sidos os responsáveis por praticar atos com infração de lei e excesso de poderes à medida que criaram condições artificiais para justificar a amortização indevida do ágio, mediante as sucessivas operações societárias realizadas. Entendo que tais argumentos não devem prosperar. Primeiramente, com relação ao citado art. 124, I, não houve a caracterização do interesse comum ao fato gerador, pois sua acepção é jurídica, pressupondo uma relação jurídica de duas ou mais pessoas configurando como contribuintes, isto é, somente aqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Com efeito, não se reputa razoável a imputação da responsabilidade tributária por apenas terem participado, como administradores, nas práticas societárias que originou a infração fiscal. Tal entendimento é corroborado por este Colegiado, o qual já teve a oportunidade de se manifestar sobre a questão, conforme ementa a seguir: SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. Não me parece suficiente a imputação realizada, de disporem as pessoas físicas de poderes gerenciais, suficiente a desencadear a solidarização levada a efeito. A Fiscalização não comprovou, aliás, nem mesmo argumentou, qual seria o preciso interesse na situação que constituiu o fato gerador (regra do 124, I), nem mesmo qual a relação direta e pessoal com tal situação (regra do 121).(Ac. 1301001.400, Seção em 12/02/2014) Por sua vez, quanto ao art. 135, III do mesmo dispositivo legal, somente pode ocorrer a responsabilização pessoal dos sócios quando estes agem com excesso de poderes ou infração de lei ou ainda de contrato social. No Relatório não há, pois, qualquer comprovação das condutas supostamente dolosas praticadas pelo responsável solidário, sendo descritas somente as infrações realizadas pelas pessoas jurídicas e transcritos os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. Fl. 5383DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 8 13 Entendo que a hipótese de responsabilização tributária preceituada pelo artigo em comento pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente essa conduta. Logo, para efeito de atribuição da responsabilidade contida em tal artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Corroborando este entendimento, temse decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1101728/SP sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do antigo CPC): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (grifei) Nessa esteira, entendo que os atos societários praticados pelos sócios não são capazes de atrair a incidência do art. 135 do CTN. Diante o exposto, entendo que deve ser excluída a responsabilidade de todas as pessoas citadas, pois não restou justificada e comprovada a responsabilidade tributária, conforme os dispositivos legais que embasaram a responsabilização. A despeito do abalizado do voto do Conselheiro Marcos Caseiro, calha fazer considerações adicionais sobre a imputação de responsabilidade realizada. Em primeiro lugar, o art. 124, I do CTN exige um "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" não qualquer interesse, mas um interesse na realização da conduta descrita em uma hipótese de incidência tributária. Nesse sentido é a jurisprudência do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS. ALEGAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL CONTRA Fl. 5384DF CARF MF 14 EMPRESAS CONSTITUÍDAS APÓS O FATO GERADOR DO TRIBUTO DE OUTRA EMPRESA, DITA INTEGRANTE DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. AGRAVOS REGIMENTAIS A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A teor do art. 124, I do CTN e de acordo com a doutrina justributarista nacional mais autorizada, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas, aliás não demonstradas, neste caso. Precedente: AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 16.12.2013. 2. Da mesma forma, ainda que se admita que as empresas integram grupo econômico, não se tem isso como bastante para fundar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma delas, ao ponto de se exigir seu adimplemento por qualquer delas. Precedentes: AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, 1T, DJe 27.3.2015; AgRg no REsp. 1.433.631/PE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 13.3.2015. 3. Agravos Regimentais da FAZENDA NACIONAL e LEMOS DANOVA ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA ME a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1535048/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 21/09/2015) A noção de interesse comum não deve ser em sentido econômico, como pretende a fiscalização, pois o próprio dispositivo trata de traçar os contornos de juridicidade desse interesse qualificado. A solidariedade do art. 124, I do CTN, como bem sintetiza Augusto Fantozzi, é um meio de reconexão dos efeitos tributários da realização de um fato gerador plurisubjetivo (fattispecie tributarie plurisoggettive) (La Solidarietà nel Diritto Tributario. Torino: UTET, 1968, p. 40 e seguintes), usual nos tributos cuja hipótese de incidência envolva um negócio jurídico, com interesses coincidentes na sua realização e, portanto, realização do fato gerador. Quando se está tratando de tributos como o IRPJ e CSLL, via de regra não há como reconduzir um interesse comum na realização do fato gerador, pois este é uma situação fática pertinente exclusivamente ao contribuinte, salvo casos que envolvam simulações caso contrário seria necessário imputar a solidariedade a todas as pessoas que, em operações de compra e venda, por exemplo, contribuíram para a formação do Lucro Real do exercício. O que pretende a fiscalização é apontar uma coparticipação dolosa dos responsáveis na formação da despesa amortizável de ágio, utilizada para a compensação do tributo devido. Ora, aí mesmo já há acintosa contradição, pois o art. 124, I do CTN exige interesse comum na realização do fato gerador, e a conduta indicada diz respeito à base de cálculo, o que já evidencia a incompatibilidade do raciocínio perpetrado pela fiscalização. Quanto ao art. 135 do CTN, tampouco procede a autuação. Vejamos seu texto: Fl. 5385DF CARF MF Processo nº 13656.721445/201397 Acórdão n.º 1301003.227 S1C3T1 Fl. 9 15 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Antes de qualquer coisa, é preciso que se comprove o dolo das condutas dos sujeitos responsabilizados, o que já foi devidamente afastado pelo Colegiado, ao afastar a qualificação da multa de ofício no Acórdão embargado. Todos os atos indicados na fundamentação estavam revestidos de validade formal e material, não se enquadrando como dolo, fraude ou simulação. Em rigor, a operação inteira foi plenamente eficaz, restando sua eficácia afastada apenas perante o Fisco, em razão da ausência de propósito negocial apontado na julgamento embargado. É preciso, ademais, que se demonstre que os atos realizados foram anormais, extrapolando dos poderes atribuídos aos gestores por meio dos estatutos, contrato social ou da lei, delimitando assim também precisamente quem será o responsável. Se os atos realizados foram feitos dentro dos poderes de cada um, não há justificativa para a aplicação do art. 135 do CTN. É o que decidiu o CARF no Acórdão 1402002.687, de relatoria do Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, assim ementado: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM NÃO DEMONSTRADO. IMPROCEDÊNCIA. A caracterização da solidariedade obrigacional prevista no inciso I, do art. 124, do CTN, prescinde da demonstração do interesse comum de natureza jurídica, e não apenas econômica, entendendose como tal aquele que recaia sobre a realização do fato que tem a capacidade de gerar a tributação. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, seja de direito ou de fato, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Não havendo qualquer prova nesse sentido, não vislumbro no presente caso os requisitos de responsabilização com base no art. 124, I, tampouco com base no art. 135 do CTN. Desse modo, voto por reconhecer a omissão para sanála, afastando a responsabilidade tributária de todos os responsáveis. Fl. 5386DF CARF MF 16 III) Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento integral aos Embargos de Declaração do Contribuinte Principal e aos Embargos de Declaração dos responsáveis para: a) reconhecer a omissão em relação à análise da multa isolada relativo ao anocalendário de 2007 e 2008, para sanála, dando provimento ao pleito do contribuinte para manter apenas a multa de ofício sobre os débitos tributários do período. b) reconhecer a omissão quanto à análise da questão da responsabilidade de terceiros para sanála, afastando a responsabilidade tributária de todos os responsáveis. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 5387DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904809/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PREV SAÚDE NÚCLEO DE PREVENÇÃO DA SAÚDE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera óbice que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 48 09 /2 01 2- 17 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Os autos do processo tratam do pedido de repetição de indébito tributário. Nesta instância recursal, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ/Recife (3ª Turma) que julgara Manifestação de Inconformidade improcedente. Na sessão de 23/02/2018, esta Turma afastou o óbice que, até então, impedia a análise de mérito da lide e converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1301003.563 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que transcrevo a parte dispositiva e voto condutor do Relator, in verbis: (...) Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (...) Voto (...) As decisões, até agora proferidas nos autos, não enfrentaram o mérito da lide, se a contribuinte, de fato, teve receitas da atividade hospitalar, qual o percentual das receitas da atividade hospitalar (caso auferiu receitas de atividades outras, diversas da atividade hospitalar) e se realmente ocorreu o erro de fato na apuração e pagamento da exação fiscal no regime do lucro presumido, quanto ao (s) período (s) objeto (s) do PER. O Despacho decisório, simplesmente, denegou o pleito, pois o valor do pagamento, restou alocado, consumido, inteiramente, pelo débito confessado na DCTF, do mesmo período de apuração. Já a decisão recorrida, além desse fundamento citado, entendeu que a contribuinte não comprovou que exercera atividade de serviço hospitalar, no período considerado, à luz da legislação de regência. A legislação tributária federal de regência de apuração do lucro presumido e pagamento dos tributos (IRPJ e CSLL), quanto à atividade serviços hospitalares estabeleceu condições, critérios, que devem ser observados pelos contribuintes para fazer jus à apuração e pagamento desses tributos com coeficientes reduzidos de presunção do lucro (Lei nº 9.249/1995, arts. 15 e 20; IN SRF nºs 306/2003, ADI 18/2003, IN SRF 480/2004, IN RFB 791/2007, ADI RFB 19/2007, Lei 11.727/08 e IN RFB 1.234/2012), ou seja, necessidade de comprovar: Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 5 4 a) serviço de natureza hospitalar, nos termos da legislação da ANVISA; b) estrutura material/física e de pessoal; c) forma de exploração/organização da atividade. Entretanto, esses requisitos ou condições estabelecidos na legislação tributária citada, estão mitigados no seu rigor, na sua aplicação, conforme atual entendimento do STJ, ou seja: (...). A contribuinte juntou, apenas, algumas cópias de notas fiscais de prestação de serviços hospitalares, cópias de instrumentos de contratos de prestação de serviços quanto ao PA em que teria efetuado pagamento indevido ou a maior do IRPJ e da CSLL, o que é insuficiente para formação da convicção do julgador de que suas receitas no período teriam decorrido somente de prestação de serviço hospitalar, para fazer jus à tratamento tributário diferenciado, coeficientes de reduzidos de presunção do lucro. (...) Por todas essas razões, entendo que nesta Sessão de Julgamento não há condições de julgar a lide, pois, como demonstrado, as provas carreadas aos autos são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto ao mérito. Há necessidade de instrução processual complementar, em observância dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. Sendo assim voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos unidade de origem da RFB, no caso à Fiscalização da DRF/Belém, para: intimar a contribuinte a fazer a comprovação das receitas escrituradas decorrentes da atividade de prestação serviço hospitalar quanto ao (s) trimestre (s) objeto (s) dos autos, em que teria ocorrido pagamento indevido ou a maior do IRPJ e/ou CSLL, excluídas as receitas de consultas médicas e de atividades ou prestação de serviços não relacionadas à promoção da saúde humana, consoante entendimento atual do STJ Acórdão do REsp 1.116.399/BA, da 1ª Seção do STJ, Recurso submetido ao regime previsto no art. 543C do CPC, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Sessão de Julgamento de 28/10/2009, já transcrito anteriormente; determinar, em relação à receita total escriturada no (s) trimestre (s) considerado (s) (faturamento), qual o percentual que corresponde à receita efetiva de prestação de serviço hospitalar; determinar o valor do crédito do IRPJ e/ou da CSLL, caso exista pagamento indevido ou maior no (s) trimestre (s) considerado (s) objeto (s) dos autos, e informar se o valor do crédito apurado (original), se está disponível ou não para restituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 6 5 Encerrados os trabalhos de diligência fiscal, a Fiscalização deverá produzir relatório circunstanciado, com demonstrativos, e conclusivo, apresentando os resultados, e do qual a contribuinte deverá ser intimada, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar nos autos, caso queira. Transcorrido referido prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, que retornem os autos a este CARF para julgamento da lide. (...) Entretanto, o Presidente do próprio Colegiado apresentou Embargos de Declaração ao que restara decidido, conforme Despacho nº s/nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24/04/2018, que transcrevo , in verbis: (...) No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. (...) É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.183, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10280.904791/2012 45, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.183): "Conheço dos Embargos de Declaração, pois tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade. Conforme já relatado, a Resolução desta Turma, ao afastar os óbices que até então impediram análise de mérito da lide pelas decisões anteriores neste processo, deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo, em tese, da contribuinte ao direito de recurso, na hipótese de não reconhecimento ou reconhecimento parcial do direito creditório no mérito pela decisão que seria proferida após o retorno dos autos contendo o relatório resultado da diligência. Por isso, dos Embargos de Declaração manejados pelo Presidente desta própria Turma. De fato, na Resolução embargada o colegiado entendeu por bem superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superados os óbices, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa da contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o encaminhamento mais adequado, no caso, deve ser: "dar provimento parcial ao recurso voluntário (afastar os óbices) e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para analisar o mérito do crédito pleiteado" e, assim, ficam restabelecidas as instâncias de julgamento de que trata o Decreto nº 70.235/72. Cabe à unidade de origem, DRF/Belém, analisar o mérito do crédito pleiteado. Portanto, voto para acolher os embargos com efeitos infringentes." Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10280.904809/201217 Acórdão n.º 1301003.198 S1C3T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão na decisão embargada, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 204DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.009703/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE-CALENDÁRIO.
Em outro processo, foram acolhidos os embargos de declaração para retificar o acordão embargado, com efeitos infringentes de modo a propiciar estorno de valores.
Numero da decisão: 3302-005.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Em outro processo, foram acolhidos os embargos de declaração “para retificar o acordão embargado, com efeitos infringentes” de modo a propiciar estorno de valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 97 03 /2 00 2- 54 Fl. 336DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fl. 01) no valor de R$ 132.129,49, cujo crédito é oriundo de ressarcimento de IPI (fl. 02), com fundamento na Lei n° 9.779/99, relativo ao 3° trimestre de 2002. A Recorrente apresentou, em 06.11.2002, Pedido de Ressarcimento cumulado com Pedido de Compensação, ainda em formulário, de débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Com base na informação fiscal de fls. 51/53, a Delegacia da Receita Federal em Campinas proferiu o Despacho Decisório de fl. 64/65, no qual deferiu parcialmente o valor de R$ 9.059,26 e glosou R$ 123.070,22, homologando parcialmente as compensações pleiteadas. Segundo consta, a contribuinte deu saída a produtos de sua fabricação com classificação fiscal equivocada, e com falta de lançamento do imposto. Conseqüentemente, foi lançado o imposto e reconstituída a escrita fiscal, resultando em redução do saldo credor ao final do trimestre calendário, razão pela qual foi deferido parcialmente o valor solicitado. O Despacho Decisório proferido pela DRF em Campinas se baseou em dados obtidos em procedimento de fiscalização de IPI iniciado para averiguar os anos de 2001 a 2005, e concluído em 15 de dezembro de 2006, mediante a lavratura do Auto de Infração, que deu origem ao Processo Administrativo n° 10830.006632/200661, com exigência de IPI, juros moratórios e multas referentes aos anos de 2002 a 2005; No Auto de Infração lavrado, o AuditorFiscal refez a escrituração fiscal da Recorrente, atribuindo à sua linha de suplementos vitamínicos classificação fiscal diversa daquela considerada pela contribuinte. Com a reconstituição da escrita fiscal da autuada, ultimada no lançamento do IPI materializado com ó Auto de Infração controlado no processo administrativo n° 10830.006632/200661, a DRF Campinas concluiu pela inexistência do crédito do IPI pleiteado. A classificação fiscal imposta pela fiscalização, referente ao código 2202.90.00 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, relativa aos repositores energéticos e hidroeletrolíticos, ensejou a redução do saldo credor pleiteado pela Recorrente, posto que as saídas de produtos classificados na referida posição são tributadas com base em valores fixos de IPI, ao passo que a classificação fiscal adotada pela contribuinte (código 2106.90.30), referente aos suplementos vitamínicos, prevê saídas tributadas mediante aplicação de alíquota correspondente a 0% (zero por cento). O saldo credor da Recorrente, oriundo de aquisições de insumos e acumulados em razão das saídas tributadas com alíquota igual a 0%, foi utilizado pela fiscalização para então amortizar as saídas consideradas tributadas em função da nova classificação fiscal atribuída à linha de suplementos vitamínicos fabricados pela Recorrente. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 77/88. Em 20 de dezembro de 2007, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), através do Acórdão n° 1418.050, por unanimidade de votos, deferiu parcialmente a solicitação, reconhecendo o direito creditório de R$ 11.473,62. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10830.009703/200254 Acórdão n.º 3302005.577 S3C3T2 Fl. 337 3 Em virtude da nova reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, considerando os valores lançados no auto de infração, e retificando os equívocos da fiscalização, obtevese um saldo disponível para ressarcimento de IPI em 30/09/2002 de R$ 20.532,88. Como a DRF/Campinas já deferiu parcialmente o valor de R$ 9.059,26, devese deferir a diferença de R$ 11.473,62. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, ao decidir o presente processo, informa que julgou concomitantemente o Processo n° 10830.006632/200661, referente ao Auto de infração, atestando a vinculação entre ambos. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 24/11/2010 (folhas 241), via Aviso de Recebimento. Em 21/12/2010, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 222 a 240. Foi alegado: ü A arguição de que o mérito desse processo de ressarcimento/compensação é dependente e vinculado ao Processo n° 10830.006632/200661, resultante do Auto de Infração de IPI lavrado contra a autuada; ü A arguição de ausência de certeza e liquidez do montante do crédito parcialmente reconhecido pela DRJRibeirão Preto; ü A arguição referente ao IPI calculado sob pauta: diferenças em função de capacidade de embalagem não prevista; ü A arguição referente à créditos por mercadorias devolvida; ü A arguição sobre reflexos do equivocado calculo do ano de 2001; ü A arguição de que a DRJ em Ribeirão Preto—SP reconheceu o acerto da classificação fiscal 2106.90.30 no processo n° 10830.002310/200643; ü A arguição referente à suspensão da exigibilidade dos débitos indicados nas compensações declaradas pela Recorrente. DO PEDIDO Demonstrada a improcedência do indeferimento do Pedido de Ressarcimento de IPI, a Recorrente requer seja restabelecido seu direito integral ao crédito de IPI pleiteado, bem como sejam homologadas as compensações declaradas nestes autos. Requer, ainda, que seja reconhecido e incluído o saldo credor apurado em 31.12.2001 e não considerado pela fiscalização na reconstituição da escrita fiscal de 2002, o que redundará em saldo credor maior no trimestre sob exame. Ademais, reitera o pedido de julgamento deste processo em conjunto com o litígio instaurado no Processo n° 10830.006632/200661 (principal), referente ao Auto de Fl. 338DF CARF MF 4 Infração lavrado, tendo em vista que a resolução daquele litígio implicará diretamente na apuração do saldo credor de IPI pleiteado e compensado nestes autos. Em 31 de agosto de 2011, a Recorrente, empresa KORBACH VOLLET ALIMENTOS LTDA, apresenta DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito em relação apenas às Compensações declaradas. Portanto, o pleito da Recorrente ficou restringido ao direito creditório pleiteado através do Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI. Em 14 de fevereiro de 2012, a 3ª Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF, através da Resolução nº 380300.148, baixou os autos em diligência à unidade fiscal de jurisdição sobre o recorrente, para que lá se adotem as seguintes providências: a) Aguardese a decisão definitiva a ser proferida nos processos 10830.002310/200643 e 10830.006632/200661(há notícias de que os mesmo já foram julgados, em 01/09/2011 e em 02/02/2011, por meio dos acórdãos n° 3102001.184 e 3102000.888, respectivamente); b) À luz dessas decisões, certifiquese o saldo credor disponível para ressarcimento mediante compensação com o(s) débito(s), objeto da(s) declaração(ões) de compensação do presente processo, em parecer conclusivo, e; c) Devolvase o processo a este Conselho, para julgamento do recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Relator Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 24 de novembro de 2010, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 21 de dezembro de 2010. Da controvérsia. Tratase de Declaração de Compensação no valor de R$ 132.129,49, cujo crédito é oriundo de ressarcimento de IPI. A Recorrente apresentou, em 06.11.2002, Pedido de Ressarcimento cumulado com Pedido de Compensação, ainda em formulário, de débitos de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10830.009703/200254 Acórdão n.º 3302005.577 S3C3T2 Fl. 338 5 Em virtude de DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO interposto, renunciando a quaisquer alegações de direito em relação às Compensações declaradas, o pleito da Recorrente ficou restringido ao direito creditório pleiteado através do Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI. Do Mérito Tomase como marco inicial para o deslinde da controvérsia a resposta fornecida pela autoridade preparadora à Resolução nº 380300.148, de 14 de fevereiro de 2012, via INFORMAÇÃO FISCAL, às folhas 304 e 305 do processo digital. Foi informado que: Ø Em 01/09/2011 e 29/01/2013, foram proferidas decisões definitivas nos processos n.° 10830.002310/200643 e 10830.006632/200661 Acórdãos n.° 3102011.184 e 3102001.711, respectivamente, pela 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara. da 3a Seção de Julgamento.; Ø No Acórdão proferido no processo n.° 10830.002310/200643 foi dado “integral provimento ao Recurso Voluntário para afastar a exigência expressa no Auto de Infração controvertido”; Ø Em 09/04/2014 a Sra. Procuradora Representante da Fazenda Nacional tomou ciência do Acórdão 3102001.84 documentos às fls. 289/303; Ø No processo 10830.006632/200661 foram acolhidos os embargos de declaração “para retificar o acordão embargado, com efeitos infringentes” cópia do Acórdão às fls. 276/288. Assim, estando os processos referentes aos autos de infração do período de 2001 a 2005 encerrados, com decisões favoráveis ao contribuinte, transcrevese abaixo os valores consignados no livro Registro de Apuração do IPI, conforme Informação Fiscal elaborada pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Campinas, em 11/11/2006 documento às folhas 49/56. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento total ao Recurso da Contribuinte. Fl. 340DF CARF MF 6 É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 12196.001467/2009-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial.
Numero da decisão: 9202-006.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência quando há aplicabilidade de decisão de cunho obrigatório emanada da Suprema Corte, na decisão recorrida, mas o acórdão paradigma, por ser de momento anterior, não se manifesta acerca da aplicação da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 14 67 /2 00 9- 52 Fl. 180DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2801003.959 proferido pela 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 10 de fevereiro de 2015, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 131: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício:2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA FONTE. O recebimento de rendimentos decorrentes de ação judicial trabalhista, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extinguese, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual e a responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos. IMPOSTO SOBRE A RENDA PESSOA FÍSICA IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. Em se tratando de rendimentos auferidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência de ação judicial, a tributação deve levar em consideração o regime de competência, e não o regime de caixa. Recurso Voluntário Provido Foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 66/70, no valor de R$ 23.722,08, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2006. A fiscalização verificou que houve omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 79.527,10. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 2 e seguintes. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 86 e seguintes. O julgamento do Recurso Voluntário foi sobrestado, por meio da Resolução 2102.000.119. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12196.001467/200952 Acórdão n.º 9202006.859 CSRFT2 Fl. 3 3 Após, em decorrência da análise do referido Recurso interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2801.003.959, foi dado provimento ao recurso, fls. 131 e seguintes. Em seguida, com a ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 138 a 143, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 152 a 154, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão referente ao recálculo (RRA). No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. A contribuinte apresentou contrarrazões aduzindo, em síntese, que: a) o Recurso Especial não deve ser conhecido, pois o acórdão recorrido está embasado na atual decisão dominante do STF, havendo prejuízo à ampla defesa e ao contraditório do Contribuinte a alegação nova da Fazenda; b) deve ser mantida a decisão recorrida. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Aduz a contribuinte, em síntese, o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda, considerando que o acórdão recorrido está em consonância com o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Fl. 182DF CARF MF 4 Por razão distinta da suscitada, de fato, não deve ser conhecido o presente recurso, pois a decisão vergastada utilizou como fundamento de decidir o REsp n.º 783.724/RS e o RE n.º 614.406, na interpretação do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, sendo que a decisão paradigma não tratou da aplicação das referidas decisões, razão pela qual não se mostra possível vislumbrar que, caso aplicada a decisão do STF e do STJ, a Turma se posicionaria da maneira ocorrida. Portanto, o acórdão paradigma não serve de parâmetro para a presente análise (aplicação da norma oriunda da decisão proferida nos autos do RE n.º 614.406). Diante do exposto, em razão da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
