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Numero do processo: 10830.914989/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.250
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o Impugnante alegou que não era contribuinte da Cofins, tratandose de uma cooperativa, nos termos dos artigos 3º e 4º da Lei nº 5.764/71, que somente praticava atos com cooperados. Argumentou que sua atividade era a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, de modo que todos seus atos eram cooperativos, isentos da Cofins. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 14 98 9/ 20 12 -6 3 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.914989/201263 Resolução nº 3201001.250 S3C2T1 Fl. 173 2 Concluiu, pleiteando o reconhecimento da ineficácia do despacho decisório e do direito creditório e, por conseguinte, a homologação da compensação. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na constatação de que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da Lei Complementar n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, tendo sido revogada expressamente, a partir de novembro de 1999, pela Medida Provisória (MP) nº 1.858 6, de 1999, passando as cooperativas, a partir de então, a apurar a base de cálculo da contribuição da mesma forma das demais pessoas jurídicas. Destacou o órgão julgador de primeira instância que os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente eram passíveis de restituição/compensação se os indébitos reunissem as características de liquidez e certeza. Cientificado da decisão, o contribuinte pleiteou o provimento do Recurso Voluntário, interposto de forma hábil e tempestiva, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, arguindo o seguinte: a) possui direito ao crédito pleiteado em respeito ao princípio da verdade material; b) o acórdão recorrido é insubsistente, pois a Administração deveria ter investigado com maior afinco a origem do crédito indicado, não se limitando unicamente à alegação de ausência de crédito; c) a prova de que o mero argumento de vinculação à obrigação confessada em DCTF não é suficiente para a negativa do direito creditório é que somente com a decisão recorrida que os fundamentos de direto foram aduzidos, ao arrepio do contraditório e da ampla defesa, extrapolandose os limites da lide que foram demarcados pelo indeferimento no despacho decisório; d) no acórdão proferido pela DRJ, não foi consignada nenhuma objeção ao fato de se tratar de uma cooperativa, cujos atos cooperativos não sofrem a incidência da Cofins; e) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas e os artigos 3°, 4º e 5º da Lei n° 5.764/1971 trazem, respectivamente, a definição de sociedade cooperativa, as suas características e a possibilidade de adoção de objeto de qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; f) a discussão travada nos autos não diz respeito à isenção da Cofins, mas à não incidência da contribuição sobre os atos cooperativos, estes preceituados pelo art. 79 da Lei n° 5764/1971; g) no caso em apreço, há o exercício de coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados, decorrendo das contribuições desses mesmos cooperados todos os valores nela ingressados, valores esses destinados à contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, todos eles diretamente ligados à sua atividade. h) a matéria está submetida à Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal (RE 672215). Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.914989/201263 Resolução nº 3201001.250 S3C2T1 Fl. 174 3 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.249, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10830.914988/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.249): Depreendese do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.914989/201263 Resolução nº 3201001.250 S3C2T1 Fl. 175 4 Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Os fatos que ensejaram a conversão em diligência do julgamento do processo paradigma também se encontram presentes nestes autos, justificando, por conseguinte, a aplicação da mesma decisão a este processo. Portanto, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem intime o Recorrente para, no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresente (i) os cálculos e (ii) outros documentos porventura ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado e se ele é suficiente para a extinção do débito existente, tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que tome conhecimento dos procedimentos realizados pela repartição de origem, inclusive do relatório a ser elaborado pela Fiscalização, e se manifeste, a seu critério, acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902692/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE.
Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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PERDCOMP Recorrente JOSÉ MARIA DOS SANTOS TRANSPORTADORA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. INCONSISTÊNCIAS DO PEDIDO. NULIDADE INEXISTENTE. Diante da certeza de que o despacho decisório de não homologação da compensação explicita de maneira fundamentada os motivos pelos quais o crédito pleiteado foi considerado inexistente, não assiste razão à Recorrente a respeito da alegação de sua nulidade. Também não acarreta nulidade a dispensa de intimação para a comprovação do crédito quando não há nenhuma dúvida quanto à sua falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 92 /2 01 3- 86 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13851.902692/201386 Acórdão n.º 1401002.470 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte pretende compensar débito de sua titularidade com crédito de IRPJ, recolhido via DARF em 14/01/2013, no valor de R$ 3.735,69. Analisando o pedido, a Autoridade Administrativa que jurisdiciona a Recorrente não homologou a compensação pretendida ante a constatação de que o pagamento indicado teria sido integralmente utilizado para a quitação de outros débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para a compensação pretendida. Irresignado com o indeferimento do PER/DCOMP, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ, tendo a Delegacia de Julgamento assim se pronunciado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade, apresentou Recurso Voluntário onde, em apertada síntese, argui o seguinte: 1) Reitera a arguição de nulidade do despacho decisório haja vista a forma sintética como foi tratado o direito da Recorrente, o que o estaria impedindo de ter uma visão clara do porque o seu crédito fora declarado inexistente. Fundamenta suas alegações no disposto no art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72; 2) Entende que deveria, obrigatoriamente, ter sido intimado previamente à edição do despacho decisório para que tivesse oportunidade de comprovar a existência do crédito pleiteado, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13851.902692/201386 Acórdão n.º 1401002.470 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.457, de 13.04.2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.902677/201338, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.457): O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. A peça recursal limitase a reclamar a nulidade do despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada. Nenhuma arguição de mérito, principalmente em relação à existência do crédito declarado, foi trazida pelo recurso. E, como veremos adiante, as alegações de que o despacho decisório incorreria em nulidade são totalmente descabidas. O primeiro ponto, relativo à falta de motivação/fundamentação, que teria impedido a Contribuinte de "ter uma visão clara" do porque o seu crédito fora declarado inexistente foi assim tratado no acórdão recorrido: O despacho não deixa dúvida quanto à sua motivação: o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação; o fundamento legal é, entre outros, o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996. O caput do referido artigo diz que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Isso significa que, se o sujeito passivo não apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, não poderá fazer compensação. Portanto, a inexistência do crédito utilizado no PER/DCOMP é fundamento de fato legítimo e suficiente para a não homologação. O despacho decisório explicita de maneira fundamentada, como se concluiu pela inexistência do crédito utilizado. Lá consta que o Darf apresentado como origem do crédito foi utilizado para pagamento de tributo declarado. Entre as informações nele apresentadas, estão o valor original do débito declarado, seu período de apuração e o código do tributo. Demonstrase, assim, que o despacho traz, de forma explícita, a motivação da não homologação. A exposição é clara e exaustiva, não havendo preterição do direito de defesa. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13851.902692/201386 Acórdão n.º 1401002.470 S1C4T1 Fl. 5 4 A análise da motivação é questão de mérito. Sua eventual improcedência não é motivo de nulidade e não afeta o estabelecimento da relação jurídica processual. Perfeita a análise empreendida pela DRJ. Os motivos pelos quais o despacho decisório declarou a inexistência do crédito estão muito bem delineados. Vejam abaixo uma fotografia do próprio despacho decisório que evidencia o dito pelo acórdão: Aliás, a própria decisão recorrida traz uma informação, não contestada pela Contribuinte no Recurso Voluntário, de que o mesmo DARF tido como origem do crédito teria sido utilizado em outras 19 (dezenove) PER/DCOMP, além desta. Vejam: Ainda que o DARF utilizado constituísse pagamento indevido, não seria suficiente para fazer frente a tantas compensações com ele pretendidas. O mesmo DARF, no valor de R$ 11.411,75, foi utilizado em 20 PER/DCOMP para compensar débitos que somam R$93.176,36, conforme abaixo discriminado: Então, resta claramente demonstrado que a Contribuinte sabia exatamente o que estava fazendo, bem assim do porque o alegado crédito seria inexistente. Também muito bem explicado o porque de a Contribuinte limitarse a aventar a nulidade do despacho decisório, ao invés de tentar demonstrar a existência do crédito. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13851.902692/201386 Acórdão n.º 1401002.470 S1C4T1 Fl. 6 5 O segundo ponto levantado pela Recorrente trata da pretensa obrigatoriedade de a Autoridade Administrativa intimála, previamente à edição do despacho decisório, para que comprovasse a existência do crédito pleiteado, diante da inconsistência apontada, conforme o disposto no art. 65, da Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Curioso, neste ponto, é que quando da manifestação de inconformidade, a norma citada fora a Instrução Normativa SRF nº 1.300/2012, e não a IN SRF nº 900/2008. Ocorre que a IN SRF nº 900/2008 foi totalmente revogada pela IN SRF nº 1.300/2012, esta sim, passível de citação pelo Recurso Voluntário, eis que vigente à época da transmissão da PER/DCOMP. Fato é que a IN SRF nº 1.300/2012 reproduziu em seu art. 74 a redação contida no art. 65 da IN SRF nº 900/2008, utilizada pela Recorrente. Abaixo colaciono o referido dispositivo: IN SRF nº 1.300/2012 Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Quer nos fazer crer a Recorrente que a expressão "poderá", grifada no texto, constituirseia em um poderdever da Administração de intimar o contribuinte quando, durante a análise de pedidos como este que estamos apreciando, houver sido verificada, em suas próprias palavras, "uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte". Aqui, claramente, estamos diante de uma tentativa de inversão do alcance do dispositivo colacionado. Tal norma nada mais é do que uma garantia posta ao Fisco de somente conceder a restituição/ressarcimento/compensação quando estiver seguro quanto a liquidez e certeza do crédito apresentado pelo Contribuinte. Em havendo dúvida por parte do Fisco em relação ao crédito apresentado, o referido dispositivo lhe permite condicionar o pagamento/compensação à sua efetiva comprovação, seja pela apresentação "de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos", seja pela determinação de "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso em apreço, não houve dúvida nenhuma da parte do Fisco ao não homologar a compensação, eis que patente a inexistência do crédito pleiteado, ante à sua total utilização para a quitação de outros débitos que não aqueles apontados na PER/DCOMP sob análise. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13851.902692/201386 Acórdão n.º 1401002.470 S1C4T1 Fl. 7 6 Não se trata, portanto, de uma obrigação, mas tão somente de uma faculdade posta à disposição da Autoridade Administrativa para garantir a correção no deferimento dos pleitos dos Contribuintes. Portanto, também neste ponto, rechaço as alegações da Recorrente. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.722114/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCESSUAL - NULIDADE - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL
Seja por força dos preceitos do art. 142 do CTN, seja com espeque no princípio da verdade material (consentâneo lógico do princípio da legalidade), compete à Autoridade Lançadora exaurir a matéria de fato a fim de verificar (apurar efetiva e concretamente) a ocorrência do fato gerador da exação; eventuais constatações de irregularidades na escrita contábil por meio do programa "Contágil" não é suficiente para substanciar o auto de infração.
Numero da decisão: 1302-002.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 21 14 /2 01 1- 63 Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.120 2 Relatório Cuida o feito de autos de infração lavrados pela Autoridade Fiscal a fim de exigir do contribuinte, COOP Cooperativa de Consumo , créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL, além de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, devidos no ano calendário de 2007. No caso, como bem descrito no acórdão recorrido, as infrações apontadas pelo TVF teriam origem em glosas de despesas operacionais identificadas pelo programa "Contágil", utilizado pela RFB para auditagem de livros e documentos contábeis do contribuinte. De forma bastante sintética, o citado sistema teria apontado inconsistências no registro das citadas despesas, mormente pelo descasamento entre os lançamentos de créditos em tais contas e o débito (contrapartida) nas contas de "Caixa", "Bancos" ou "Fornecedores". Pelo que foi relatado, tais inconsistências se davam porque algumas das despesas resultavam lançamentos em contas de contrapartida diversas, contas estas não identificadas pelo programa "Contágil" supra referido. Apontadas as inconsistências acima, a D. Fiscalização encerrou o trabalho investigativo, intimando, tão só, o contribuinte para apresentar esclarecimentos sobre tais inconsistências. Não satisfeito com as explicações do recorrente, lavrou os autos de infração ora polemizados. O contribuinte apresentou a sua impugnação administrativa premendo, de antemão, pela conversão do julgado em diligência a fim de que houvesse um aprofundamento das investigações uma vez que a extensa documentação apresentada demonstraria a absoluta regularidade da sua escrituração contábil, requerendo, outrossim, a realização de perícia. No mérito, além de discorrer sobre a COOP e sua posição no mercado, defendeu a total e absoluta improcedência dos lançamentos, apresentando, inclusive, exemplos sobre a correção de sua escrituração e criticando, mais vez, a autuação fiscal e a falta de análise de todos os documentos disponibilizados à D. Auditoria asseverando, dentre outros argumentos, que o lançamento teria se calcado apenas em presunções não autorizadas pela legislação. Passo seguinte, teceu considerações sobre o ato cooperado e, após apresentar números que demonstrariam que apenas 8% de suas receitas decorreriam de atividades de venda à não cooperados, pediu, sucessivamente, a exclusão do percentual de 92% do valor do imposto, da CSLL e da multa isolada. Ao se manifestar sobre a impugnação, num primeiro momento, a 4ª Turma da DRJ de Campinas, através de voto muito bem fundamentado, houve por bem converter aquele julgado em diligência para melhor esclarecer as dúvidas suscitadas pela própria fiscalização, consignando, in casu, os seguintes quesitos: Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.121 3 1) a apresentação de todos os documentos para isso necessários, especialmente cópias das notas fiscais relativas ao fornecimento de bens, mercadorias ou serviços (ou documentos equivalentes) e do Livro Razão onde constem os lançamentos a crédito (pelo fornecimento) e a débito (pelo pagamento) das contas de “Fornecedores”, cujas contrapartidas foram realizadas a “débito” das despesas ora glosadas, de modo a comprovar (ou não) que estas tenham EFETIVAMENTE incorridas; 2) Meramente a título de exemplo (sem embargo da exigência e juntada de outras contas do Livro Razão como “ISS Retido a Recolher”, “PIS/COFINS Retidos a Recolher”, etc., devem ser requisitadas e juntadas aos autos, cópias das seguintes contas do passivo (Fornecedores ou semelhantes), cujos nomes foram extraídos aleatoriamente das listagens do “Contágil” e dos documentos juntados pela defesa): a) Octopus Comunicações Ltda. – CNPJ nº 50.185.198/000101 b) TW Serviços de Alimentação Ltda. – CNPJ nº 07.634.008/0001/59 c) Equipe Frio Com.Import. e Serv. Ltda. – CNPJ nº 05.097.516/000110 d) Amissil Manutenção Industrial Ltda. – CNPJ nº 04.922.011/000180 e) Port Empresarial Serviços Gerais Ltda. – CNPJ nº 01.942.992/000139 f) Poliforte Terceirização Mão Obra Ltda. – CNPJ nº 06.254.562/000148 g) Karina H. Queiroz – ME – CNPJ nº 07.819.241/000106 h) Unyterse Cons. Em RH e Gestão de Terceirização Ltda. – CNPJ nº 01.003.488/000173 i) Brilho Limpeza Indl. e Serviços Ltda. – CNPJ nº 00.649.158/000197 j) Verzani e Sandrini Ltda. – CNPJ nº 57.559.387/000138 k) Gerty Eletrônica Ltda. – ME – CNPJ nº 57.219.461/000177 l) Stamptec Confecções e Comércio Ltda. – EPP – CNPJ nº 00.786.125/000199 m) Neuza Silveira da Silva – ME – CNPJ nº 00.149.734/000137 n) Moleque Com. de Armarinhos Ltda. – CNPJ nº 07.602.256/000118 o) Serviflex Assist. Técn. De Cadeiras e Poltronas Ltda. – CNPJ nº 57.010.829/000192 Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.122 4 p) Eco Ambiental Transportes de Resíduos Ltda. – CNJ nº 05.909.408/000102 q) Pedro Carlos Dias dos Santos ME – CNPJ nº 06.246.160/0001/00 r) Tecnovarejo Consultoria, Projetos e Obras Ltda. – CNPJ nº 07.725.611/00146 s) Umberto Mendes Adv. Associados – CNPJ nº 00.752.989/000190 t) Polar Emp. de Saneamento Ambiental Ltda. – CNPJ nº 96.687.520/000193 u) Transportadora Grande ABC Ltda. – CNPJ nº 44.381.184/000152 v) Opção Gráfica e Editoria Ltda. – CNPJ nº 08.551.747/0001 40 w) Rede TV Abc Ltda. – CNPJ nº 05.401.031/000178 x) M P e Rossi Editoração de Arte Ltda. – ME – CNPJ nº 03.046.163/000101 y) Majesty Sports Com. de Mat. Esport. e Prest. de Serv. Ltda. – CNPJ nº 05.651.783/000197 z) Peppers and Rogers Group do Brasil Ltda. – CNPJ nº 03.450.052/000158 aa) Projeção Serviços de Filmagem de Eventos Ltda. – ME – CNPJ nº 08.049.618/000158 bb) Edimilton de Souza Teles ME – CNPJ nº 39.019.120/000176 3) Dentro do mesmo procedimento de diligência ora determinado, o Agente Fiscal diligenciador deverá realizar “CIRCULARIZAÇÃO” junto aos mencionados fornecedores da autuada, impondo que apresentem a listagem completa dos fornecimentos por eles feitos à contribuinte em 2007, contendo o respectivo nº da nota fiscal (ou documento equivalente), data de emissão e o valor correspondente, além da data pertinente ao recebimento da referida nota fiscal e a forma com que foi feito (se mediante crédito bancário, em dinheiro, cheque, etc), inclusive declinando eventuais fatores excepcionais, como devoluções, notas de créditos, descontos concedidos, bonificações, não concretização do fornecimento, etc. Em resposta a resolução acima tratada, após várias intimações endereçadas tanto ao contribuinte como à diversos fornecedores (circularização), colhidos diversos documentos, a Auditoria Fiscal apresentou termo de encerramento de diligência em que consignou a seguinte conclusão: Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.123 5 Efetuadas circularizações em terceiros a fim de atestar as regularidades das operações efetuadas com a diligência, mediante verificação física de documentos apresentados. Verificação dos documentos, informações, livros contábeis e fiscais, arquivos magnéticos apresentados pela empresa e pelos terceiros referentes as tomadas de despesa do ano calendário 2007 a fim de atestar a regularidade das operações. foi analisado, verificado atestado e comprovado nas dependências da empresa e junto aos terceiros as correspondências entre documentos e lançamentos apresentados ambos e constatado a regularidade das operações efetuadas. A luz das conclusões acima reproduzidas, a, agora, 13ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto decidiu por acolher, na íntegra, as razões de impugnação do contribuinte, julgando, ao fim, improcedentes os lançamentos ora polemizados. Como o valor do crédito exonerado, no caso, ultrapassou o montante fixado na, então vigente, Portaria de nº 3/08 do Ministério da Fazenda, recorreu, de ofício, a este Conselho. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O valor exonerado pela decisão primerva alçou a monta de R$ 8.435.827,59, valor este que ultrapassa o limite preconizado pela Portaria MF 63/2017, art. 1º, estando, pois, preenchidos os pressupostos do art. 34, I, do Decreto 70.235/72 e, também, da Súmula 103 deste CARF. Por tais razões, conheço do recurso de ofício. I Pressuposto jurídico de validade do ato de lançamento. Já adianto que, pelo que foi consignado pela Autoridade Fiscal no relatório de diligência, seriam desnecessárias maiores ilações; foi comprovado e demonstrado que as despesas registradas pela recorrida efetivamente se concretizaram, havendo, ou não, qualquer tipo de irregularidade na escrita contábil (irregularidade, digase, se existente, eminentemente formal). Nada obstante, me permitam fazer um consideração de inegável importância e, inclusive, com muita propriedade, apontada pelo D. Relator do acórdão da Resolução prolatado pela DRJ de Campinas: o lançamento não pode, pena de nulidade, se embasar em simples presunção (não decorrente de lei), sem que seja exaurida toda a matéria de prova cabível e acessível à D. Fiscalização. Não é este o momento para longas discussões sobre o lançamento tributário, mas é preciso aqui lembrar alguns axiomas a respeito do tema. Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.124 6 Fato gerador, diz o art. 114 do CTN, é a “situação descrita na lei como necessária e suficiente” ao surgimento da obrigação tributária. “Necessária” porque se não ocorrer, no mundo real, o fato que corresponda à previsão legal, a obrigação tributária não nasce; “suficiente” porque basta que tal fato ocorra para que a obrigação surja. De outro turno, o lançamento, diz o art. 142 do CTN, é o ato estritamente vinculado através do qual a Administração Tributária “verifica a ocorrência do fato gerador”; verificar, que tem raiz remota no latim “veritas” (verdade) e próxima no também verbo “verificare” significa: 1. PROVAR A VERDADE de; 2. Investigar a verdade de. 3. Comprovar a exatidão de; confirmar, corroborar.1 Alberto Xavier, em sua monumental obra “Do Lançamento – Teoria Geral do Procedimento e do Processo Tributário” (Forense, 1998, pp. 145 e ss.), bem explicita o que ora se expõe: Porque no procedimento administrativo de lançamento se tende à averiguação da verdade material quanto ao objeto do processo – indispensável para a aplicação da lei de imposto – nele não se coloca, em rigor, um problema de repartição do ônus da prova como critério de juízo sobre o fato incerto. (...) É hoje concepção dominante que não pode falarse em um ônus da prova do Fisco, nem em sentido material, nem em sentido formal. Com efeito (...), a averiguação da verdade material não é objeto de um simples ônus, mas de um dever jurídico. Tratase, portanto, de um verdadeiro encargo da prova ou dever de investigação (...). Na ordem jurídica brasileira não pode duvidarse da solução a dar ao problema em causa: o respeito pela propriedade privada, consagrado constitucionalmente, e que em matéria tributária se reflete no princípio de uma rígida ilegalidade, revela por si só que em caso de incerteza sobre a aplicação da lei fiscal são mais fortes as razões de salvaguarda do patrimônio dos particulares do que as que conduzem a seu sacrifício (in dubio pro libertate). A doutrina tributarista é praticamente unânime neste sentido: Considerando os princípios da tipicidade cerrada e da legalidade, somente se pode cogitar da existência do fato gerador da obrigação tributária quando ocorridos os aspectos previstos na norma de incidência, uma vez que as relações jurídicas devem pautarse pelos critérios da segurança jurídica e certeza, não se aceitando lançamentos tributários louvados em singelas presunções, ficções e indícios (José Eduardo Soares de Melo, Curso de Direito Tributário, Ed. Dialética). Também a jurisprudência é pacífica: 1 Novo Dicionário Básico da Língua Portuguesa Folha /Aurélio, p. 670. Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.125 7 Indevido é o lançamento fundado exclusivamente em presunções extraídas da documentação contábil da empresa, que não podem, de acordo com a lei, estabelecer fatos geradores de tributos incompatíveis com a realidade (TRF5ª Região, Ac n. 501.379, DJU 30/11/90, p. 29.020). No mesmo sentido, rejeitando a possibilidade de lançamento com base em indícios e presunções: TFR – Ac n. 37.074SP e 115.477RS; TRF da 4a Região – Ac. 89.04.1911564PR; TRF da 5a Região – Ac. 91.05.10381; TRF da 2a Região – AMS 89.02.11970; TRF da 3a Região – Ac 89.03.05181; TRF da 1a Região – Ac. 92.01.2345. À mesma conclusão se chega se partirmos do campo do Direito Administrativo para a análise do problema. Sendo o lançamento um ato administrativo por excelência, submetese aos princípios constitucionais inerentes a todo e qualquer procedimento desta natureza, dentre os quais o princípio da verdade material, vertente do princípio maior da legalidade e de sua face mais estrita, a tipicidade. Vejase, a respeito, as inatacáveis lições do mestre Celso Antônio Bandeira de Mello: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Héctor Jorge Escola. Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial (...). O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo com a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com que efetivamente é (...). Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento, pois, se esta fosse postergada, seria impossível atender à autêntica legalidade na criação do interesse público (Curso de Direito Administrativo, Malheiros, 1997, p. 328). Notem, no caso em testilha, que a Fiscalização fundamentou, faticamente, a autuação apenas e tão somente numa pretensa (e não comprovada) incongruência "formal" na escrita contábil do contribuinte, a partir da qual presumiu a não comprovação de despesas registradas pela recorrida, sem, em qualquer momento, sequer solicitar à cooperativa a Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.126 8 apresentação das respectivas notas fiscais (documento que, efetivamente, permite quando menos identificar as características da prestação de serviços ou da circulação de mercadorias). Como bem pontuado pela DRJ, não obstante válido, importante e muito eficiente, o programa "Contágil" é, tão só, uma ferramenta disponibilizada à fiscalização para "auxiliála" na investigação do fato; não é, e não pode ser, o ponto final do procedimento de auditagem mas, pelo contrário, o ponto de partida... Destaco, neste passo, a seguinte assertiva constante do acórdão recorrido em que, com felicidade impar, o D. Relator demonstra os pressupostos de validade do ato de lançamento: Significa dizer que, excetuados casos específicos de presunção legal, quando se inverte o ônus da prova, que passa a ser dos contribuintes (p. ex. nas hipóteses de depósitos bancários de origem não comprovada – art. 42, da Lei nº 9.430/1996), não se pode aceitar que, findo o trabalho de auditoria digital realizado pelo “Contágil”, intimese a fiscalizada a justificar as divergências encontradas nos lançamentos contábeis e, a partir daí, não esclarecidas ou esclarecidas insatisfatoriamente tais diferenças, se perpetre lançamentos de ofício por possíveis despesas não comprovadas ou que se configurem indedutíveis, somente porque as contrapartidas supostamente não se realizaram contra as clássicas contas de Caixa, Bancos ou Fornecedores, sem que o Fisco avance ou se aprofunde nas investigações e na busca das provas das possíveis irregularidades. O problema, a meu sentir, é que, uma vez assentadas as premissas supra, inclusive as conclusões constantes do trecho do voto condutor do acórdão da DRJ acima transcrito, a consequência lógica e legalmente admissível seria, ab initio, a anulação do ato de lançamento, porque eivado, no seu surgimento, de vício insanável. Entendo, pois, no caso, não caberia a diligência determinada pela instância a quo, porque o trabalho realizado pela D. Auditoria não foi exaustivo, não permitindo, então, a perquirição de toda a matéria fática necessária e suficiente à verificação do fatotipo dos tributos (art. 114 do CTN). Em linhas gerais, não vejo reparos a fazer na decisão recorrida; acredito que as conclusões obtidas apenas quando do retorno da diligência solicitada já seriam, desde logo, observadas ante a inegável nulidade do ato de lançamento, mormente por desrespeito aos primados da legalidade e verdade material, além da desobediência à regra encartada no art. 142 do CTN. II Conclusões. A luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 10805.722114/201163 Acórdão n.º 1302002.705 S1C3T2 Fl. 4.127 9 Fl. 4127DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904170/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 41 70 /2 00 9- 77 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas É o relatório. . Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 4º trimestre de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 9 8 atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 10 9 § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10530.904170/200977 Acórdão n.º 1201002.042 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726390/2016-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 90 /2 01 6- 91 Fl. 82DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: Ante o exposto, examinando os documentos que constam dos autos, em especial os de fls. 17 (cópia à fl. 40), 41 a 44 e 54, verificase que o único laudo que atende todos os requisitos estabelecidos na legislação acima mencionada é o de fls. 43, emitido pela Unidade MédicoPericial Previdenciária UMPP, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em 23/3/2016, e assinado pelo médico José França dos Santos, CRM 17113, matrícula 108319.8. Ocorre que tal laudo referese à moléstia (CID 10 C67), que somente foi diagnosticada em 2015, não amparando a pretensão da contribuinte para o ano calendário em lide (2011). Quanto ao laudo de fl. 40, além de não trazer o nº de registro no Órgão Público do profissional responsável pela emissão, não preenchendo os requisitos legais, no campo destinado a: “Exposição das observações, estudos, exames efetuados e registro das conclusões” há expressa informação de que a paciente encontrase em remissão da moléstia que havia sido evidenciada em exame anátomopatológico datado de 12/2001 (cópia do exame à fl. 41). Não consta dos autos laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial atestando que a interessada poderia ser considerada portadora de moléstia grave enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988, no anocalendário 2011 praticamente dez anos após o exame anátomopatológico de fl. 41 período superior ao prazo de validade habitualmente atribuído aos laudos periciais de diagnósticos de neoplasias (cinco anos). Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, são os seguintes: Apresentamos abaixo documentos e algumas passagens do Recurso Voluntário apresentados pelo contribuinte: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.726390/201691 Acórdão n.º 2001000.274 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 84DF CARF MF 4 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.726390/201691 Acórdão n.º 2001000.274 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A contribuinte apresentou 2 laudos médicos oficiais: do serviço médico da Prefeitura de Porto Alegre e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O Laudo médico de 2015, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, comprova a doença grave e que o início da doença, neoplasia grave, ocorreu em 2001. Além disso, não tendo sido fixado prazo de validade ou controle pelos laudos, e considerando que a mesma patologia em 2015 foi novamente constatada, há indicação clara da continuidade da doença.O laudo do serviço médico da Prefeitura de Porto Alegre, não menciona o início da doença (existe campo no laudo, mas o médico não o preencheu), no entanto o laudo pericial do Hospital de Clínicas é claro quanto a este aspecto, estabelecendo o início da doença em 2001. Fl. 86DF CARF MF 6 Pelo conjunto das provas apresentado entendo comprovada a doença grave desde 2001. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916308/2011-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 08 /2 01 1- 02 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916308/201102 Acórdão n.º 9303006.434 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.932, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916308/201102 Acórdão n.º 9303006.434 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916308/201102 Acórdão n.º 9303006.434 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13971.916308/201102 Acórdão n.º 9303006.434 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900981/2013-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PRODUÇÃO DE PROVAS. DILAÇÃO.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DILAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na defesa, salvo quando comprovado fato superveniente. O pedido de dilação de prazo para a produção de provas no recurso voluntário não tem fundamento e deve ser indeferido. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do indébito tributário são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, constitui fundamento legítimo para a não homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 09 81 /2 01 3- 19 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13502.900981/201319 Acórdão n.º 1201002.005 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu declaração de compensação (DCOMP), objetivando compensar crédito de CSLL com débito tributário de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, a compensação não foi homologada em razão da constatação de insuficiência de crédito, uma vez que o valor informado já teria sido alocado a débito confessado em DCTF. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que possui direito a compensação, tendo em vista que o crédito oriundo de pagamento a maior já havia sido desvinculado da DCTF do período que gerou o indébito. A manifestação em questão foi julgada improcedente pela DRJ, por entender que o contribuinte não comprovou a liquidez e certeza do alegado direito creditório. Cientificada da decisão, a empresa interpôs Recurso Voluntário, requerendo a prorrogação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, III, do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.001, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13502.900993/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.001): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. De acordo com o despacho decisório, e na linha do que decidiu a DRJ, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar débitos lançados em DCTF, não havendo, portanto, pagamento a maior ou indevido passível de compensação. Já a empresa sustenta na defesa que o referido crédito já estaria "desvinculado" da DCTF, mas não apresenta qualquer prova nesse sentido. No recurso voluntário, alega não ter certeza da Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13502.900981/201319 Acórdão n.º 1201002.005 S1C2T1 Fl. 4 3 origem do direito creditório, razão pela qual requer expressamente a dilação de prazo para fazer essa comprovação. Ora, em se tratando de compensação, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme interpretase do 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Nesse caso concreto, a própria Recorrente expressamente diz que não cumpriu com este ônus, razão pela qual é evidente a não comprovação do direito creditório analisado. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF, conforme atestam as ementas dos julgados abaixo, admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, o que não ocorreu. “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383.. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). À falta, então, da demonstração cabal e comprovação do crédito informado na DCOMP analisada, correta a não homologação da compensação. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13502.900981/201319 Acórdão n.º 1201002.005 S1C2T1 Fl. 5 4 Cumpre observar, ainda, que no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de provas documentais deve ser feita, como regra, na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. A juntada de “novos documentos” aos autos é medida excepcional e permitida nas situações contempladas nos dispositivos citados, não havendo autorização legal que permita conceder pedido de dilação probatória tal como formulado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903044/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da voto da relatora. Vencida a conselheira Gisele Barra Bossa que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP com demonstrativo de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, de CSLL, referente ao período de apuração de fevereiro de 2007. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando sua decisão na alocação integral do pagamento a outros débitos, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que diante da não homologação, foi verificado que a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 03 04 4/ 20 13 -1 1 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10120.903044/201311 Resolução nº 1201000.340 S1C2T1 Fl. 3 2 empresa cometeu erro material ao declarar na DCTF um débito fictício, solicitando que seja, assim, processada e homologada a PER/DCOMP inicialmente apresentada, uma vez que, a empresa não deve ser apenada por esse equívoco formal que não desnatura a compensação realizada. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento em primeira instância e, por unanimidade de votos, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente face à ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação. A DRJ/RPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: A não homologação da compensação decorreu da inexistência do crédito utilizado, pois o valor recolhido correspondeu ao débito expresso na DCTF que se achava ativa na data em que o despacho decisório foi emitido. Estando o pagamento integralmente alocado, não havia saldo disponível para suportar a extinção do crédito tributário pretendida pelo contribuinte. A partir da ciência do contribuinte do despacho decisório que negou a compensação requerida, deixa de existir a espontaneidade e a retificação da DCTF somente será válida caso esteja acompanhada de elementos de prova suficientes para o convencimento da autoridade fiscal quanto ao erro praticado no documento retificado, conforme disposto no artigo 9º, §§ 1º e 2º, da Instrução Normativa RFB nº 974/2009. De acordo com o §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caberia ao contribuinte não só a juntada das declarações retificadoras, mas também a apresentação de outros elementos, tais como cópias de livros contábeis e fiscais com os lançamentos dos valores apropriados na apuração, capazes de demonstrar o propalado erro cometido no preenchimento da declaração original. Ao invés disso, o contribuinte limitouse a indicar o erro cometido na DCTF com base no balancete, o que não é suficiente para a comprovação do alegado erro praticado pelo sujeito passivo. Cientificada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) houve recolhimento a maior de CSLL referente ao mês de fevereiro de 2007; (ii) o erro no preenchimento da DCTF acabou por refletirse no valor a maior constante do DARF; (iii) a partir da análise da DIPJ, LALUR e balancete de verificação é possível observar o valor do CSLL apurado no mês de fevereiro de 2007. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10120.903044/201311 Resolução nº 1201000.340 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.339, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10120.903043/201369, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, do período de apuração de abril de 2007 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL do período de apuração de fevereiro de 2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.339), adequandoa ao caso concreto: "[...] Conforme visto, a recorrente trouxe aos autos documentação robusta no que tange à apuração do IRPJ devido no mês em referência. No entanto, [...], há que se proceder à verificação quanto à liquidez e certeza do crédito, no que se refere aos demais períodos não incluídos nos presentes autos, considerandose, mutatis mutandis, o contido nas conclusões do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no § 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10120.903044/201311 Resolução nº 1201000.340 S1C2T1 Fl. 5 4 Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; b) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do anocalendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.901363/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA.
Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal.
Numero da decisão: 1201-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO EM DILIGÊNCIA. Cabe a homologação da compensação quando o direito creditório restar comprovado por meio de diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 13 63 /2 00 9- 26 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13984.901363/200926 Acórdão n.º 1201002.058 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente transmitiu DCOMP, pleiteando a compensação de créditos de tributos recolhidos no SIMPLES com determinados débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de insuficiência de saldo credor. A contribuinte, então, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que houve retificação da DSPJ em face de ter adotados alíquotas superiores a devida em 50%. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, uma vez que entendeu que o referido crédito não teria sido comprovado. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, instruído com documentação que, no seu entender, definitivamente comprovaria o direito creditório. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, pois, segundo o I. Relator, os esclarecimentos e documentos juntados pelo contribuinte deveriam ser confrontados com os sistemas da fiscalização. Em atendimento à diligência, a autoridade fiscal se manifestou por meio de Relatório Fiscal específico, do qual a contribuinte não foi chamada a se manifestar. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201 002.057, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13984.901377/200940, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento a maior de SIMPLES no AC 2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.057): "O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13984.901363/200926 Acórdão n.º 1201002.058 S1C2T1 Fl. 4 3 A presente discussão diz respeito à legitimidade ou não de créditos de tributos supostamente recolhidos a maior no âmbito do SIMPLES no AC de [...]. Por ocasião da diligência que foi determinada pelo CARF, o relatório fiscal atesta a legitimidade do direito creditório, merecendo destaque a seguinte passagem: Consultando o histórico do CNPJ quanto ao porte, constatase que a empresa estava enquadrada como microempresa nos anos 2004 e 2005, tendo alterado o enquadramento para empresa de pequeno porte a partir do ano 2006: [...] O CNAE que consta nas Declarações Simplificadas apresentadas é 64114/02 Atividades do Correio Nacional executadas por franchising. Consultando as declarações relativas aos anos de 2003 a 2005, verificase a evolução do faturamento da seguinte forma: EVOLUÇÃO DO FATURAMENTO ano receita auferida 2003 42.484,37 2004 112.927,51 2005 132.270,87 Portanto, possível o enquadramento como microempresa nos anos 2004 e 2005. LEGISLAÇÃO As franqueadas dos Correios passaram a poder optar pelo Simples com a publicação da Lei 10.684/2003, que alterou a Lei 10.034/2000. A Lei 10.684/2003 determinava ainda que essas empresas estariam sujeitas aos percentuais majorados em 50%. A IN SRF 355/2003 dispunha, à época, sobre o Simples nos seguintes termos: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas, de agências terceirizadas de correios e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13984.901363/200926 Acórdão n.º 1201002.058 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês.(...)" (grifouse) Com o advento da Lei 10.833/2003, que também alterou a Lei 10.034/2000, as franqueadas dos Correios deixaram de estar sujeitas aos percentuais majorados em 50% e a instrução normativa acima passou a vigorar com o seguinte teor: "PERCENTUAIS DIFERENCIADOS Art. 8° No caso de estabelecimentos de ensino fundamental, de centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga, de agências lotéricas e de pessoas jurídicas que aufiram receita bruta acumulada decorrente da prestação de serviços em montante igual ou superior a 30% (trinta por cento) da receita bruta total acumulada, inscritas no Simples na condição de microempresas, o valor devido mensalmente será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF n° 391, de 30 de janeiro de 2004) I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento); II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 6% (seis por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 7,5% (sete inteiros e cinco décimos por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês. (...) § 6° O disposto no caput também se aplica às agências terceirizadas de correios no período de 31 de maio a 30 de novembro de 2003." Portanto, as franqueadas dos Correios estiveram sujeitas a percentuais diferenciados, majorados em 50%, no período de 31/05 a 30/11/2013 e, para os períodos posteriores, sujeitaram se às alíquotas normais. ALÍQUOTAS APLICÁVEIS NO CASO CONCRETO Estes processos tratam de Simples dos anos 2004 e 2005, portanto, os valores devem ser apurados com alíquotas normais, aplicáveis às microempresas, previstas no art. 7° da instrução normativa: "Das Microempresas Optantes pelo Simples Percentuais aplicáveis Art. 7° O valor devido mensalmente pelas microempresas, inscritas no Simples nessa condição, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais): 3% (três por cento); Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13984.901363/200926 Acórdão n.º 1201002.058 S1C2T1 Fl. 6 5 II de R$ 60.000,01 (sessenta mil reais e um centavo) a R$ 90.000,00 (noventa mil reais): 4% (quatro por cento); III de R$ 90.000,01 (noventa mil reais e um centavo) a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais): 5% (cinco por cento). § 1° O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês." O contribuinte foi intimado a apresentar os Livros Contábeis e as notas fiscais relativas aos anos 2004 e 2005. Com base na documentação apresentada, foram confeccionadas as planilhas abaixo, que contêm a receita, a receita acumulada e a alíquota de Simples aplicável a cada período de apuração. ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2004 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/04 7.316,75 7.316,75 3% 02/04 7.595,37 14.912,12 3% 03/04 9.473,60 24.385,72 3% 04/04 8.594,39 32.980,11 3% 05/04 8.407,44 41.387,55 3% 06/04 9.510,98 50.898,53 3% 07/04 9.075,25 59.973,78 3% 08/04 9.195,16 69.168,94 4% 09/04 8.809,84 77.978,78 4% 10/04 9.485,46 87.464,24 4% 11/04 11.169,36 98.633,60 5% 12/04 13.293,91 111.927,51 5% ALMIR RODRIGUES ‐ Simples ‐ 2005 MÊS RECEITA RECEITA ALÍQUOTA ACUMULADA 01/05 10.119,01 10.119,01 3% 02/05 10.524,11 20.643,12 3% 03/05 12.160,20 32.803,32 3% 04/05 12.089,40 44.892,72 3% 05/05 10.857,54 55.750,26 3% 06/05 10.745,30 66.495,56 4% 07/05 10.087,06 76.582,62 4% 08/05 11.123,58 87.706,20 4% 09/05 10.096,33 97.802,53 5% 10/05 10.633,29 108.435,82 5% 11/05 10.996,57 119.432,39 5% 12/05* 12.838,48 132.270,87 567,61 5% 12.270,87 5,4% Analisando os pagamentos, observase que foram feitos considerando percentuais diferenciados (alíquotas majoradas em 50%). Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13984.901363/200926 Acórdão n.º 1201002.058 S1C2T1 Fl. 7 6 Como se percebe, restou demonstrado pela diligência que o contribuinte utilizou alíquota superior a devida (em 50%), razão pela qual o crédito ora pleiteado é líquido e certo. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722393/2014-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/10/2010, 01/12/2010 a 30/04/2011, 01/06/2011 a 31/07/2011, 01/09/2011 a 30/11/2011
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE - CRÉDITOS - FORMA DE UTILIZAÇÃO
Os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa de apuração da COFINS, poderão ser utilizados pelo contribuinte na apuração da contribuição devida, nos termos em que autorizado pelas normas aplicáveis.
DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO - UTILIZAÇÃO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO - A utilização de direito de crédito líquido e certo, decorrente de pagamento indevido, para fins de compensação deve ser informada à RFB exclusivamente pelo contribuinte, por meio da competente DCOMP, estando a compensação de ofício limitada às hipóteses previstas nos atos normativos aplicáveis pela Administração Tributária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITOS. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
ATO ADMINISTRATIVO - VINCULAÇÃO ÀS NORMAS APLICÁVEIS - Os atos administrativos devem obedecer aos atos legais e normativos aplicáveis à matéria em análise, em razão do princípio da vinculação.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/10/2010, 01/12/2010 a 30/04/2011, 01/06/2011 a 31/07/2011, 01/09/2011 a 30/11/2011
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de Diligência suscitada pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para identificar o valor do crédito para fins de apuração dos valores autuados, acompanhado pelas Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne; e no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso Voluntário no limite do crédito existente. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/10/2010, 01/12/2010 a 30/04/2011, 01/06/2011 a 31/07/2011, 01/09/2011 a 30/11/2011 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE - CRÉDITOS - FORMA DE UTILIZAÇÃO Os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa de apuração da COFINS, poderão ser utilizados pelo contribuinte na apuração da contribuição devida, nos termos em que autorizado pelas normas aplicáveis. DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO - UTILIZAÇÃO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO - A utilização de direito de crédito líquido e certo, decorrente de pagamento indevido, para fins de compensação deve ser informada à RFB exclusivamente pelo contribuinte, por meio da competente DCOMP, estando a compensação de ofício limitada às hipóteses previstas nos atos normativos aplicáveis pela Administração Tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITOS. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. ATO ADMINISTRATIVO - VINCULAÇÃO ÀS NORMAS APLICÁVEIS - Os atos administrativos devem obedecer aos atos legais e normativos aplicáveis à matéria em análise, em razão do princípio da vinculação. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/10/2010, 01/12/2010 a 30/04/2011, 01/06/2011 a 31/07/2011, 01/09/2011 a 30/11/2011 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de Diligência suscitada pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para identificar o valor do crédito para fins de apuração dos valores autuados, acompanhado pelas Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne; e no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso Voluntário no limite do crédito existente. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire).
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NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITOS FORMA DE UTILIZAÇÃO Os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa de apuração da COFINS, poderão ser utilizados pelo contribuinte na apuração da contribuição devida, nos termos em que autorizado pelas normas aplicáveis. DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO UTILIZAÇÃO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO A utilização de direito de crédito líquido e certo, decorrente de pagamento indevido, para fins de compensação deve ser informada à RFB exclusivamente pelo contribuinte, por meio da competente DCOMP, estando a compensação de ofício limitada às hipóteses previstas nos atos normativos aplicáveis pela Administração Tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITOS. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. ATO ADMINISTRATIVO VINCULAÇÃO ÀS NORMAS APLICÁVEIS Os atos administrativos devem obedecer aos atos legais e normativos aplicáveis à matéria em análise, em razão do princípio da vinculação. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 23 93 /2 01 4- 84 Fl. 249DF CARF MF 2 Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/10/2010, 01/12/2010 a 30/04/2011, 01/06/2011 a 31/07/2011, 01/09/2011 a 30/11/2011 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de Diligência suscitada pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro para identificar o valor do crédito para fins de apuração dos valores autuados, acompanhado pelas Conselheiras Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne; e no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Maysa de Sá Pittondo Deligne, que davam provimento ao Recurso Voluntário no limite do crédito existente. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a empresa HAVAN LOJAS DE DEPARTAMENTOS LTDA., relativo à insuficiência de recolhimento da COFINS (incidência não cumulativa), abrangendo os períodos de apuração 01/10 a 02/2010, 04/10, 07/10 a 08/10, 10/10, 12/10 a 04/11, 06/11 a 07/11 e 09/11 a 11/11 (fls. 115 a 120), no valor total de R$ 1.907.450,12, com multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 08/2014, sendo R$ 925.422,79 correspondentes à contribuição. Também foi lavrado auto para exigência do PIS (não cumulativo), para os mesmos períodos de apuração, com os mesmos acréscimos, totalizando R$ 414.117,46, sendo R$ 200.914,14 correspondentes à contribuição (fls. 122 a 127). Por bem narrar os fatos e com a devida clareza, valhome do relatório da decisão recorrida, vazada nos seguintes termos (fls. 214/225): "(...) No Relatório Fiscal de fls. 130 a 139, a autoridade fiscal informa, em resumo, que: · A primeira inconsistência verificada pela auditoria surgiu do batimento entre os DACON e as DCTF apresentados pela Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 250 3 empresa, constatandose divergência entre os valores apurados no DACON relativo ao PA 11/11 e aqueles declarados em DCTF; · O contribuinte informou que a divergência foi causada por erro no preenchimento do DACON, reconhecendo como devido o valor informado na DCTF; · Sendo a DCTF instrumento de declaração de débitos, a contribuição ali confessada deve ser considerada pela auditoria, e para que o DACON reflita a mesma apuração da DCTF, foi oportunizada ao contribuinte a apresentação de DACON retificador relativo àquele PA; · O contribuinte apresentou DACON retificadores, sendo os valores de PIS e Cofins nele apurados convergentes com aqueles declarados na DCTF. Assim, o procedimento fiscal foi lastreado nos DACON relacionados, consultados nos sistemas da RFB; · Nos DACON apresentados, verificase que o contribuinte distribuiu suas receitas de acordo com a seguinte classificação: receitas de vendas de bens e serviços tributadas pelas contribuições, demais receitas tributadas, receita tributada à alíquota zero e receita tributada à alíquota zero (revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica); · O somatório das receitas é condizente com os valores informados nas respectivas DIPJ; · Os significativos valores informados como receitas tributadas à alíquota zero foram objeto de verificação pela auditoria, tendo o contribuinte informado tratarse de receitas financeiras, além de receitas provenientes da venda de bens de informática, beneficiados pelo PID (Lei nº 11.196/2005); · As verificações preliminares demonstraram que as planilhas utilizadas pelo contribuinte para apurar as receitas tributadas à alíquota zero continham inconsistências e critérios equivocados, sendo necessário o ajuste dos valores declarados; · Questionada sobre tais receitas, a autuada reconheceu a existência de erros em seus DACON, afirmando que “creditamos alguns valores indevidamente e também em alguns meses algum valor a menor”; · A empresa apresentou planilhas contendo informações sobre as receitas financeiras – “Vendas com acréscimos financeiros 20102011”, e sobre as receitas vinculadas ao PID – “Pis computadores 2010 até 2011”, sendo essas as únicas informações prestadas pelo sujeito passivo em atendimento à intimação encaminhada pela Fiscalização; · Tais informações permitiram confeccionar a tabela anexa, que faz o confronto entre as informações constantes do DACON e o detalhamento das receitas consideradas sujeitas à alíquota zero pelo contribuinte; Fl. 251DF CARF MF 4 · Os valores positivos da última coluna demonstram que, nestes meses, o contribuinte informou no DACON receitas sujeitas à alíquota zero em valores superiores ao que conseguiu demonstrar. Nos demais meses houve o inverso, a empresa deixou de informar ou informou valores insuficientes destas receitas, já que, com base em seus critérios, vendeu mercadorias e auferiu receitas financeiras em valores superiores aos declarados; · Assim, de fato houve equívoco no preenchimento do DACON, confirmando a informação prestada pela empresa no curso do procedimento fiscal; · A tabela mencionada não é suficiente para demonstrar o correto valor das receitas sujeitas à alíquota zero auferidas pelo contribuinte, pois as informações por ele prestadas relativas a mercadorias de informática se basearam em interpretação equivocada do art. 28 da Lei nº 11.196/2005; · Conforme informações prestadas na planilha apresentada pela empresa, as mercadorias que estariam sujeitas à alíquota zero podem ser agrupadas nas seguintes classificações fiscais: 8471.30.12 e 8471.30.19 (notebooks, de fato sujeitos à alíquota zero – inc. II), 8471.50.10 (computadores também contemplados com a alíquota zero – inc. III), 8471.41.90, 8471.60.52 e 8471.60.53; · Quanto à posição 8471.41.90, abrange os tablets, beneficiados pelo PID na Lei nº 12.507/2011, que alterou a Lei nº 11.196/2005 (inc. IV). Porém, tal dispositivo só passou a produzir efeitos para os fatos geradores posteriores a 04/04/2012, já que sua regulamentação se deu pelo Decreto nº 7.715/2012, publicado naquela data; · Assim, no período fiscalizado, os computadores denominados tablets estavam sujeitos às alíquotas normais do PIS e da Cofins; · Quanto às posições 8471.60.52 e 8471.60.53, se referem a teclados e mouses, respectivamente e, apesar de estarem expressamente citadas no inc. IV do art. 28, tais mercadorias só se beneficiam da redução de alíquota quando vendidas em conjunto com unidades de processamento digital, conforme texto do inciso e Decreto nº 5.602/2005; · Além disso, o contribuinte informou nestas classificações mercadorias diversas de teclados e mouses, tais como “guitarras” e “volantes” para jogos eletrônicos, não sujeitos à alíquota zero; · Assim, foram elaborados os anexos 01 e 02, detalhando as receitas de vendas de tablets e das mercadorias classificadas pelo contribuinte nas posições 8471.60.52 e 8471.60.53; · Em virtude do preenchimento incorreto da linha 04 das Fichas 07A e 17A dos DACON, o contribuinte recolheu em determinados meses valores a menor das contribuições, já que informou valores de receitas tributadas à alíquota zero maiores que os efetivamente auferidos; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 251 5 · A Tabela 4 demonstra os totais mensais de receitas que deixaram de ser tributadas pelas contribuições. Em alguns períodos o contribuinte informou valores inferiores ao correto de receitas sujeitas à alíquota zero. Assim, nestes meses os valores recolhidos das contribuições foram superiores aos efetivamente devidos, ao menos em virtude do erro apontado; · Não há previsão legal para que a Fiscalização, no curso da ação fiscal, promova a compensação de ofício dos débitos levantados das contribuições com créditos referentes a outros períodos de apuração, conforme art. 74 da Lei nº 9.430/96; · A única possibilidade de compensação de ofício estava prevista, à época dos fatos geradores, na IN/RFB nº 900/2008, tratandose da compensação promovida pela autoridade administrativa antes de proceder à restituição (ou ao ressarcimento) de tributos ou contribuições, se o contribuinte possuir débitos perante a Fazenda Nacional; · Mesmo a IN/RFB nº 1.300/2012, atualmente vigente, também disciplina o assunto no mesmo sentido, não abrindo outra possibilidade de compensação de ofício; · Concluise que as compensações efetuadas de ofício, em procedimento de auditoria, se restringem aos créditos pertencentes ao período de apuração objeto de lançamento de ofício, não havendo previsão legal para a compensação de créditos de outros períodos, que devem ser objeto de pedido de restituição ou compensação por iniciativa do contribuinte; · Assim, foram lavrados autos de infração para exigência das contribuições devidas sobre os valores acima, destacandose que o objeto de análise da presente auditoria se restringiu, exclusivamente, aos valores informados nas linhas 04 das Ficha 07A e 17A dos DACON. Após tomar ciência da autuação em 14/08/2014 (fls. 159/160), a empresa autuada, inconformada, apresentou tempestivamente a impugnação anexada às fls. 165 a 180 em 15/09/2014, com as alegações abaixo resumidas: · O agente fiscal ignorou os valores recolhidos indevidamente, bem como os créditos resultantes das aquisições dos produtos e decidiu autuar os valores recolhidos a menor, alegando que não existe previsão legal para realizar a compensação de ofício; · Tal procedimento não procede, pois a Fiscalização não averiguou de forma adequada a apuração das contribuições e os débitos exigidos, devendo ser cancelado e/ou reduzidos do valor autuado os créditos resultantes dos recolhimentos a maior e também os créditos decorrentes das entradas dos produtos adquiridos, em cumprimento à regra da não cumulatividade; · A partir da introdução do § 12 no art. 195 da Constituição, a não cumulatividade tornouse regra de estatura constitucional, Fl. 253DF CARF MF 6 cabendo ao legislador apenas definir os setores da atividade econômica sujeitos a tal regra; · A Constituição não contém expressões inúteis ou desprovidas de significado, e a regra constitucional da não cumulatividade impõe a eliminação do efeito “cascata” ou cumulativo, que vai desde a produção até o consumo; · Tal regra pode ser bem compreendida a partir do exame dos arts. 153 e 155 da Constituição, que dispõem sobre o IPI e o ICMS, respectivamente; · Em relação ao PIS e à Cofins, ao contrário do ICMS e do IPI, o constituinte não estabeleceu qual seria a técnica de não cumulatividade a ser adotada, mas estabeleceu que deveria ser não cumulativa para os setores eleitos pelo legislador ordinário; · Para o IPI e o ICMS o constituinte determinou que a técnica a ser observada seria a de “imposto contra imposto”. No caso do PIS e da Cofins, a Constituição não impôs ao legislador a adoção de técnica específica, determinando apenas que será não cumulativo; · Tal fato não significa que o legislador estaria livre para dispor sobre a não cumulatividade destas contribuições, sendo preciso levar em conta a materialidade de seu fato gerador e a eliminação do efeito “cascata”; · As Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 estabeleceram os setores econômicos que estariam submetidos à não cumulatividade, indicando também o método a ser utilizado; · Na exposição de motivos da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/03, vêse que o legislador elegeu a técnica da não cumulatividade pelo método indireto subtrativo, ou seja, de “base contra base”; · Basicamente, este método serviu bem para a eliminação do efeito “cascata”, conforme dispõem os arts. 3º das feridas Leis; · Discorrese acerca das diversas possibilidades de créditos previstos nas citadas Leis, gerados em razão da atividade da empresa; · A legislação veda o direito ao crédito sobre a aquisição para revenda de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas – regime monofásico (art. 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); · No caso concreto, se os produtos adquiridos pela impugnante não estavam sujeitos à alíquota zero, como afirmado pelo agente fiscal, a legislação citada assegura o direito de crédito sobre os produtos adquiridos em razão da regra constitucional da não cumulatividade; · Da mesma forma, os recolhimentos a maior precisam ser abatidos dos débitos constituídos, evitando o recolhimento em duplicidade das contribuições e a oneração indevida do patrimônio da autuada; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 252 7 · Era dever da autoridade fiscal ter promovido apuração dos créditos resultantes das aquisições dos produtos e também ter procedido o desconto dos créditos decorrentes dos pagamentos feitos a maior com os débitos constituídos, em cumprimento à regra constitucional da não cumulatividade; · Assim, requer o cancelamento do auto e/ou sua redução para abater os créditos decorrentes das aquisições dos produtos e também os créditos relativos aos pagamentos feitos a maior; · É evidente que a empresa incorreu em erro ao apurar as contribuições, sendo tais equívocos facilmente identificados pelo fiscal; · Contudo, o fiscal ignorou os créditos resultantes dos equívocos e optou por exigir somente os débitos, sob a justificativa de que não existe previsão legal para sua dedução/compensação, ressalvando a hipótese de restituição quando é efetuada a compensação de ofício; · Tal interpretação não se amolda ao caso concreto, pois, tendo a empresa realizado pagamento indevido, tem direito ao aproveitamento do indébito, se formular pedido de restituição estes serão utilizados para abater os créditos futuramente; · Assim, a conclusão da autoridade fiscal não deve prosperar, devendo prevalecer a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto de informações não afasta o direito de crédito da empresa, a ser utilizado em procedimento compensatório; · A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário e está disciplinada pela Lei nº 9.430/96, da qual se conclui que o contribuinte, para proceder à compensação, deve apresentar declaração em que constem informações relativas aos créditos e débitos objeto do encontro de contas; · O fato de o crédito ter sido levantado pela autoridade fiscal não afasta seu dever de utilizar tais créditos para abater débitos eventualmente devidos, pois o Direito Tributário é pautado pelo princípio da verdade material; · Havendo consentimento do contribuinte, não existe vedação para tal procedimento, pois este entendimento vai ao encontro dos interesses de ambas as partes e também possui previsão legal na IN/RFB nº 1.300/2012 (arts. 61 e 62); · O art. 165 do CTN não condiciona o direito à compensação/restituição a requisitos meramente formais; · O que interessa é verificar se houve ou não o pagamento indevido ou a maior. O pagamento a maior está comprovado pelo próprio relatório fiscal e pela documentação acostada aos autos, sendo possível constatar qual é o montante recolhido pela impugnante; Fl. 255DF CARF MF 8 · O CARF tem decidido que, comprovado o direito creditório, devem ser superados eventuais obstáculos impeditivos ao aproveitamento do crédito pago indevidamente, conforme decisão citada; · Também o art. 147 do CTN prevê que determinados equívocos meramente formais, verificáveis pela autoridade administrativa, possam ser corrigidos de ofício; · A jurisprudência do CARF preza pela verdade material em prejuízo dos rigores burocráticos, conforme decisão citada; · Citase também jurisprudência judicial; · A pretensão do Fisco contraria o princípio da razoabilidade dos atos administrativos, na medida em que não se afigura razoável que à impugnante seja negado o crédito reconhecido pela autoridade fiscal, decorrente de pagamento a maior e da própria legislação que assegura a regra da não cumulatividade; · Caso seja autorizado o abatimento dos créditos com os débitos contestados, a empresa será punida, pois terá de pagar o tributo cuja compensação está negada com juros e multa e estará impedida de aproveitar seu crédito (líquido e certo) mediante nova compensação, pois decorrido o prazo prescricional para tanto; O indeferimento seria justificável apenas se a impugnante não tivesse direito ao crédito de PIS e Cofins, ou ainda tivesse compensado valores superiores a seu crédito, o que não é o caso. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ no Rio de Janeiro (RJ) nº 1275.718, de 06/05/2015, abaixo transcrito (fl. 214): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 28/02/2010, 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010, 01/10/2010 a 31/10/2010, 01/12/2010 a 30/04/2011, 01/06/2011 a 31/07/2011, 01/09/2011 a 30/11/2011 NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITOS UTILIZAÇÃO Os créditos decorrentes da sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS poderão ser utilizados pelo contribuinte na apuração da contribuição devida, nos termos em que autorizado pelas normas aplicáveis. DIREITO DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO UTILIZAÇÃO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO A utilização de direito de crédito líquido e certo, decorrente de pagamento indevido, para fins de compensação deve ser informada à RFB exclusivamente pelo contribuinte, por meio da competente Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 253 9 DCOMP, estando a compensação de ofício limitada às hipóteses previstas nos atos normativos aplicáveis. ATO ADMINISTRATIVO VINCULAÇÃO ÀS NORMAS APLICÁVEIS Os atos administrativos devem obedecer aos atos legais e normativos aplicáveis à matéria em análise, em razão do princípio da vinculação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 13/05/2015, a Recorrente foi devidamente cientificada por meio dos Correios AR (fl. 228) e não resignada com a decisão, a empresa em 29/05/2015 (fl. 230), interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 230/245) o qual em suma, alega as seguintes razões: dos créditos resultantes da sistemática não cumulativa da contribuição ao PIS e da Cofins: as conclusões alcançadas pelo acórdão recorrido não merecem prosperar, haja vista que a Fiscalização simplesmente ignorou os valores recolhidos indevidamente pela contribuinte, bem como os créditos resultantes das aquisições dos produtos e decidiu autuar os valores recolhidos a menor, sob o pressuposto de que não existe previsão legal para realizar a compensação de ofício entre os débitos e créditos; a fiscalização não averiguou de forma adequada a apuração das contribuições do PIS e COFINS e os débitos exigidos, motivo pelo qual deve ser prontamente ao menos deduzido do valor autuado os créditos resultantes dos recolhimentos a maior e também os créditos decorrentes das entradas dos produtos adquiridos, em cumprimento a regra da não cumulatividade das contribuições; no caso concreto, se os produtos adquiridos pela recorrente não estavam sujeitos a alíquota zero (tal como afirmado pela fiscalização) a legislação assegura o direito de crédito sobre os produtos adquiridos em razão da regra constitucional da não cumulatividade; da mesma forma, os recolhimentos efetuados à maior precisam ser abatidos dos débitos constituídos, evitando assim o recolhimento em duplicidade dessas contribuições; da observância ao princípio da verdade material: De acordo com as informações fiscais apresentadas no relatório fiscal, é evidente que a empresa incorreu em erro ao apurar os valores devidos a título de PIS e COFINS, sendo tais equívocos facilmente identificados pela fiscalização. Sendo assim, a conclusão adotada pela autoridade fiscal não merece prosperar, devendo prevalecer a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto de informações não afasta o direito de crédito da empresa recorrente a ser utilizado em procedimento compensatório. Cita precedentes do CARF. da ofensa ao princípio da razoabilidade: a pretensão da Fazenda Nacional contraria até mesmo ao princípio da razoabilidade dos atos administrativos, na medida em que não se afigura razoável que seja negado o crédito reconhecido pela autoridade fiscal que são créditos decorrentes de pagamento a maior e da própria legislação federal que assegura a regra da não cumulativa. Fl. 257DF CARF MF 10 Por fim, requer o cancelamento dos Autos de Infração aqui combatidos, sendo igualmente julgado totalmente insubsistente à luz dos fundamentos fáticos e jurídicos narrados nesse recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Objeto da lide Trata o processo de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, relativo à insuficiência de recolhimento do PIS e da COFINS (incidência não cumulativa), abrangendo os períodos de apuração 01/10 a 02/2010, 04/10, 07/10 a 08/10, 10/10, 12/10 a 04/11, 06/11 a 07/11 e 09/11 a 11/11. A Recorrente por não concordar com os lançamentos efetuados pelo Fisco, apresentou impugnação defendendo em síntese, que teria direito aos créditos resultantes da sistemática não cumulativa da contribuição ao PIS e da COFINS, bem como que deveria ser observado o princípio da verdade material, haja vista que os créditos apurados com alíquota zero deveriam ser aproveitados. Contudo, conforme acórdão da DRJ/RJ decidiu negar provimento à impugnação. 3. Dos Autos de Infração (PIS e COFINS) A Recorrente alega em seu recurso que os argumentos utilizados pelo Fisco para lavrar os Autos de Infração não deve prosperar, "(...) uma vez que a fiscalização não averiguou de forma adequada a apuração das contribuições do PIS e COFINS e os débitos exigidos, motivo pelo qual deve ser prontamente cancelado e/ou ao menos deduzido do valor autuado os créditos resultantes dos recolhimentos a maior e também os créditos decorrentes das entradas dos produtos adquiridos, em cumprimento a regra da não cumulatividade das contribuições". Pois bem. Ressaltase que no recurso voluntário a própria Recorrente reconhece a ocorrência de erro na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos relativos aos períodos fiscalizados e não contesta a apuração realizada pela fiscalização, quanto à base de cálculo das contribuições. Vejase trecho do recurso à fl. 239: "(...) De acordo com as informações fiscais apresentadas no relatório fiscal, é evidente que a empresa incorreu em erro ao apurar os valores devidos a título de PIS e COFINS, sendo tais equívocos facilmente identificados pelo agente fiscal". (Grifei) No entanto, podese verificar que a Recorrente apresenta basicamente duas questões relativas à apuração dos valores exigidos nos lançamentos em análise: (i) que a fiscalização não teria reconhecido o direito de crédito relativo a produtos adquiridos pela empresa não sujeitos à alíquota zero; e Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 254 11 (ii) que o Fisco deveria ter efetuado de ofício a compensação entre os valores recolhidos acima do apurado nos lançamentos e aqueles constituídos nos autos de infração. Dos créditos relativos a produtos adquiridos não sujeitos à alíquota zero Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) é possível afirmar que era dever da autoridade fiscal ter promovido apuração dos créditos resultantes das aquisições dos produtos, e também ter procedido o desconto dos créditos decorrentes dos pagamentos realizados a maior com os débitos constituídos, em cumprimento a regra constitucional da não cumulatividade. "(...) Contudo, o agente fiscal ignorou os créditos resultantes dos equívocos e optou por exigir somente os débitos de PIS e COFINS, sob a justificativa de que não existe previsão legal para deduzir os créditos e/ ou compensar o débito constituídos por iniciativa do Fisco, ressalvado somente a hipótese de restituição quando é efetuada a compensação de ofício". Como bem aventado pela Recorrente em seu recurso, os artigos 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõem acerca da apuração dos créditos no regime não cumulativo das contribuições: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) Por outro lado, verificase no Relatório Fiscal de fls. 130/139, onde a fiscalização detalha que a Recorrente incluiu nas linhas 4 das Fichas 07A e 17A do DACON (Cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS regime nãocumulativo), onde classificaou Receita Tributada à Alíquota Zero, receitas decorrentes da venda de mercadorias sobre as quais efetivamente caberia a incidência das contribuições. Observase que tais conclusões não são contestadas pela Recorrente. No entanto, alega em seu recurso que, estando a receita de venda de tais mercadorias sujeita à tributação pelo PIS e pela COFINS, a aquisição de tais produtos para revenda deveria gerar crédito na apuração, o que não foi observado pelo Fisco. Informa o Fisco no seu Relatório Fiscal, que os significativos valores informados a título de receitas tributadas à alíquota zero foram objeto de verificação pela auditoria, sendo que no curso do procedimento a Recorrente informou tratarse de receitas financeiras, além de receitas provenientes da venda de bens de informática, beneficiados pelo Programa de Inclusão Digital, conforme Lei nº 11.196 de 2005. Neste contexto, a fim de se efetuar a análise para perquirir a correta apuração dos valores das receitas sujeitas à alíquota zero, a fiscalização elaborou questionamentos à empresa, tais como "apresentar memória de cálculo dos valores informados na linha 04 das Ficha 07A e 17A e contemplar mercadorias não enquadradas no artigo 28 da Lei 11.196/2005, indicar a correspondente base legal que reduza a zero a alíquota do PIS e da COFINS", bem como outros itens integrantes do Termo de Intimação Fiscal nº 12 (fls 107/108). Fl. 259DF CARF MF 12 No encaminhamento das informações solicitadas, a Recorrente já reconheceu a existência de erros em seus DACON, afirmando textualmente que “creditamos alguns valores indevidamente e também em alguns meses algum valor a menor”. Em atendimento aos quesitos formulados, apresentou planilhas eletrônicas, contemplando as seguintes informações: (i) as Receitas Financeiras (planilha denominada “Vendas com acréscimos financeiros 20102011.xlsx” contém os totais mensais, para cada filial da contribuinte, dos valores auferidos com acréscimos financeiros sobre as vendas, que, de fato, são sujeitos à alíquota zero, conforme Decreto 5.442/2005) e (ii) as Receitas Vinculadas ao Programa de Inclusão Digital. Apresentou ainda a planilha denominada “Pis computadores 2010 até 2011.xlsx”, que contém as informações relativas às mercadorias vendidas pela empresa, que, em sua ótica, estão sujeitas à alíquota zero. Com relação as mercadorias de informática indevidamente consideradas como sujeitas à alíquota zero, consta dos autos que com base nas informações e planilhas apresentadas, o Fisco elaborou a consolidação dos dados nos demonstrativos denominados de Anexo e Tabela, disposto no Relatório Fiscal (fl. 137), sendo eles: Anexo 01: Detalhamento das vendas de “tablets” indevidamente considerados como sujeitos à alíquota zero; Anexo 02: Detalhamento das vendas de mercadorias classificadas pela contribuinte nas posições 8471.60.52 e 8471.60.53, indevidamente consideradas como sujeitas à alíquota zero, e Tabela 3: Demonstração dos totais mensais de mercadorias de informática efetivamente sujeitas à alíquota zero para apuração do PIS e COFINS. Quanto as receitas que deixaram de ser tributadas pelo PIS e COFINS, em virtude do preenchimento incorreto da linha 04 das Ficha 07A e 17A dos DACON, informa o Fisco que a Recorrente recolheu em determinados meses valores a menor das contribuições sob análise, já que informou valores de receitas tributadas a alíquota zero maiores que os efetivamente auferidos. Na Tabela 4, elabora um demonstrativo dos valores das receitas classificadas erroneamente, com base nas constatações e análises elaboradas pela fiscalização (fl. 138). Verificase que no caso sob exame, o procedimento fiscal teve por objeto apenas a análise das receitas auferidas pela empresa, não tendo sido efetuada qualquer análise relativamente à apuração dos créditos. Ou seja, na metodologia aplicada nos lançamentos efetuados, a fiscalização analisou apenas a divergência entre os valores de PIS e de COFINS apurados no DACON e o que foi efetivamente declarados em DCTF. A partir da constatação de tais divergências, analisouse as receitas informadas pela empresa no DACON, solicitando informações e documentos à Recorrente e, a partir daí, efetuando os lançamentos em decorrência das incorreções verificadas nas bases de cálculo respectivas, qual seja, a não inclusão de receitas tributáveis. Como é cediço, a apuração de créditos e sua conseqüente utilização para desconto na apuração da contribuição devida é uma faculdade do contribuinte, que poderá, ou não, beneficiarse da previsão legal, em relação à totalidade dos créditos, ou parcialmente. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 255 13 No presente caso, ocorreu que as receitas tributáveis foram indevidamente informadas no DACON na condição de sujeitas à alíquota zero, a princípio, os valores correspondentes à aquisição dos bens para revenda não teriam sido incluídos, pelo contribuinte, na apuração de seus créditos. Da validade do Lançamento Vejase que o fato de a fiscalização ter verificado apenas a base de cálculo das contribuições, sem efetuar qualquer alteração na apuração dos créditos informados pela empresa não afeta a validade dos lançamentos em análise, uma vez que o objeto da ação fiscal foi a verificação dos valores efetivamente devidos pelo sujeito passivo, no período fiscalizado, comparandoos com aqueles recolhidos/declarados, constituindose de ofício as diferenças, considerando a obrigatoriedade do recolhimento definido em lei. Da busca pela verdade material Quanto ao argumento da recorrente que "(...)Sendo assim, a conclusão adotada pela autoridade fiscal não merece prosperar, devendo prevalecer a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto de informações não afasta o direito de crédito da empresa recorrente a ser utilizado em procedimento compensatório". Ora, de fato o preenchimento equivocado em suas declarações (DIPJ, DACON, DCOMP, DCTF), não afasta o direito de crédito de que eventualmente disponha os contribuintes, conforme conclui corretamente a jurisprudência deste CARF e que foi citada pela Recorrente. No entanto, como veremos mais adiante, tal direito deve ser utilizado para fins de compensação exclusivamente pela empresa, não havendo qualquer impedimento à apresentação de DCOMP para este fim, desde que respeitado o prazo decadencial. E mais. Nessas circunstâncias, buscando a verdade dos fatos, não haveria qualquer impedimento a que fossem considerados os créditos em questão na apuração realizada nos lançamentos, alterandose a exigência deles decorrente. No entanto, para que tal procedimento fosse deferido em sede de impugnação ou agora da análise do recurso voluntário, caberia à Recorrente demonstrar e comprovar sua pertinência, por meio dos correspondentes documentos fiscais e contábeis relativos às aquisições para revenda dos produtos incluídos durante a fiscalização. A Recorrente não traz aos autos qualquer demonstração ou comprovação documental dos valores que compuseram as bases de cálculo dos créditos informados no DACON. A importância das provas, se dá pelo fato de a desconsideração da alíquota zero efetuada pela Fiscalização na tributação das receitas de vendas, não tem por conseqüência direta a consideração dos créditos decorrentes das aquisições dos respectivos equipamentos, uma vez que a aquisição não ocorre necessariamente no mesmo período de apuração em que se dá a venda. Assim, restaria à Recorrente demonstrar e comprovar documentalmente que os dois fatos, aquisição e venda, se deram no mesmo período de apuração, e que o crédito correspondente não foi utilizado em períodos diversos, para o fim de aproveitamento dos créditos dentro do mesmo período (mês de apuração). E ressaltase também que analisandose o Relatório de Fiscalização que consta do processo, observase que a autoridade autuante detalhou todos os procedimentos fiscais adotados durante a fiscalização. A observação do procedimento adotado pela Fl. 261DF CARF MF 14 Fiscalização mostra as intimações e pedidos de esclarecimentos. A Recorrente não apresentou nos autos os documentos e as informações necessárias à comprovação dos alegados créditos. Vejo que a fiscalização atuou de forma diligente e dentro dos procedimentos legais. A recorrente, apesar de todo o tempo decorrido, não apresentou os documento ou esclarecimentos necessários durante o trabalho de fiscalização ou mesmo quando apresentou a impugnação ou no recurso voluntário. A comprovação dos créditos alegados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, a Recorrente alega a existência dos créditos tributário, sem apresentar provas a comprovar as suas alegações. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o Autos de Infração, muito menos, obrigar o Fisco que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Da compensação de Ofício Aduz a Recorrente que "(...) As conclusões alcançadas pelo acórdão recorrido não merecem prosperar, haja vista que o agente fiscal simplesmente ignorou os valores recolhidos indevidamente pela contribuinte, bem como os créditos resultantes das aquisições dos produtos e decidiu autuar os valores recolhidos a menor, sob o pressuposto de que não existe previsão legal para realizar a compensação de ofício dos débitos e créditos". A fiscalização consignou no Relatório Fiscal que "conforme se verifica na Tabela 04 (fl. 138), em alguns períodos de apuração a contribuinte informou valores inferiores aos corretos de receitas sujeitas à alíquota zero, na citada linha 04 do DACON. Por conseqüência, nestes meses os valores recolhidos das contribuições foram superiores ao efetivamente devidos, ao menos em virtude do erro apontado. Assim, naturalmente surge o questionamento sobre a possibilidade ou não do aproveitamento destes créditos no presente procedimento de ofício, para compensação com os valores declarados a menor nos demais meses, em virtude da infração apontada". Não existe previsão legal para que a fiscalização, no curso da ação fiscal, promova a compensação, de ofício, dos débitos levantados de PIS e COFINS, com os créditos do contribuinte referentes a outros períodos de apuração. O artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, trata da compensação por iniciativa do sujeito passivo, da mesma forma que o artigo 66, da Lei nº 8.383, de 1991, com alterações introduzidas pela Lei nº 9.069/95. E arremata o Fisco informando que "a única possibilidade de compensação de ofício estava prevista, à época dos fatos geradores, na IN RFB nº 900, de 2008. Conforme tal normativa, tratase da compensação promovida pela autoridade administrativa antes de proceder à restituição (ou ao ressarcimento) de tributos ou contribuições administrados pela RFB, se o contribuinte possuir débitos perante a Fazenda Nacional". Mesmo a IN RFB nº 1.300, de 2012, atualmente vigente e que trata das normas de compensação, também disciplina o assunto no mesmo sentido, não abrindo outra possibilidade de compensação de ofício. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 256 15 Ou seja, a fiscalização conclui que, analisandose exclusivamente o erro apontado nestes períodos, a Recorrente teria recolhido valores das contribuições para o PIS e COFINS maiores que o devido e não foi efetuada compensação de ofício em razão da ausência de previsão legal para tanto, tendo em vista as normas que dispõem atualmente sobre a questão. E prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) Contudo, o agente fiscal ignorou os créditos resultantes dos equívocos e optou por exigir somente os débitos de PIS e COFINS, sob a justificativa de que não existe previsão legal para deduzir os créditos e/ ou compensar o débito constituídos por iniciativa do Fisco, ressalvado somente a hipótese de restituição quando é efetuada a compensação de ofício". Não assiste razão a Recorrente. As compensações efetuadas de ofício, em procedimento de auditoria, se restringem exclusivamente aos créditos porventura existentes pertencentes ao período de apuração objeto de lançamento de ofício, não havendo previsão legal para a compensação de créditos de outros períodos, que devem ser objeto de pedido de restituição ou compensação (via o programa PER/DCOMP) por iniciativa do contribuinte nos termos da legislação pertinente à matéria. Vejase: Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Portanto, a partir da alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, promovida pela MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, a compensação somente poderá ser efetuada por iniciativa do contribuinte, exclusivamente por meio da apresentação da Declaração de Compensação DCOMP. Conforme citado pela Recorrente, a IN/RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente a matéria, estabelece em seus artigos 61 e 62, que a restituição de tributo será efetuada somente após verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo. Assim, as hipóteses que autorizam a compensação de ofício estão previstas unicamente após a apresentação, pelo sujeito passivo, de pedido de restituição PER. Concluindo, não existe atualmente, nas normas que regem o procedimento de compensação, previsão para que a autoridade fiscal realize compensação de ofício no curso de procedimento fiscal. Da ofensa ao princípio da razoabilidade Aduz a Recorrente que: "(...) Não fosse pelo que até aqui restou exposto, temse que a pretensão da União (Fazenda Nacional) contraria até mesmo ao princípio da Fl. 263DF CARF MF 16 razoabilidade dos atos administrativos, na medida em que não se afigura razoável queà recorrente seja negado o crédito reconhecido pela autoridade fiscal que, ao fim cao cabo, são créditos decorrentes de pagamento a maior e da própria legislação federal que assegura a regra da não cumulativa". Por fim, quanto à alegada ofensa ao princípio da razoabilidade, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal encontrase limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na manifestação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Em outras palavras, a autoridade administrativa está vinculada às leis e atos normativos, não sendo possível a aplicação de qualquer princípio de forma a contrariar as determinações e limitações contidas em tais normas. No caso específico da compensação de ofício, como visto acima, sua aplicação está limitada pelas normas transcritas, mas, ao contrário do que afirma a Recorrente, de forma alguma a opção pela compensação lhe foi negada, não havendo qualquer empecilho, além do prazo decadencial, à apresentação de DCOMP pela empresa. Cumpre ainda observar que a Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Cabe ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste Conselho prevê em seu 1artigo 62 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no § 1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4 Dispositivo Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13971.722393/201484 Acórdão n.º 3402005.104 S3C4T2 Fl. 257 17 Em face de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento mantendose, portanto, hígida a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 265DF CARF MF
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