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Numero do processo: 11060.901155/2009-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.491
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem para que se profira nova decisão, nos termos da Súmula CARF n° 84. (assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 11 55 /2 00 9- 13 Fl. 77DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem para que se profira nova decisão, nos termos da Súmula CARF n° 84. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 59 à 66) interposto contra o Acórdão n° 1811.813, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (efls. 48 à 53), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de compensação proposto pelo Contribuinte: Saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.940,76 transmitida em 31/08/2005 por intermédio da DCOMP n° 05236.02819.310805.1.3.818, a qual utilizou do aludido saldo negativo de 31/03/2005 para compensar débitos de estimativa de IRPJ, tocante à apuração de julho de 2005. Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: Trata o presente processo de Declaração de Compensação efetuada por intermédio do PER/DCOMP no 05236.02819.310805.1.3.8184, transmitido em 31/08/2005 (fls. 13), onde o Contribuinte compensou débito de IRPJ, período de apuração julho de 2005, informando um crédito de R$1.940,76, referente à parcela do recolhimento efetuado em 31/03/2005 a título de estimativa mensal de IRPJ — código 2362 (fl. 02). Em 25/03/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 04, não reconhecendo o crédito pleiteado e não homologando a compensação declarada, em razão de que o crédito informado se refere a pagamento de estimativa mensal de IRPJ, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo desse tributo. Inconformado com o referido despacho decisório, o Contribuinte, por intermédio de seu procurador, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 0915 e os documentos de fls. 1634, com as seguintes alegações: Inicialmente, esclarece que o valor anual do imposto 6 apurado pela integração gradativa dos resultados parciais mensais que são ordenados para o efeito de promover a antecipação dos recolhimentos que, ao final do período de apuração, poderá ou Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 78 3 não ser devido. A renda, como pressuposto constitucional de incidência, é um acréscimo de direitos patrimoniais que ocorrem durante o ano base. No caso de prejuízo anual, haverá um decréscimo de patrimônio, o que veda constitucionalmente a possibilidade de haver incidência tributária. Considerando a hipótese de que os recolhimentos antecipados viessem a não representar o pagamento de tributo ao cabo do exercício, a legislação previu que os valores que fossem antecipados (art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996), poderiam ser compensados com qualquer outro tributo devido a Unido. Assim, a partir desse dispositivo legal, utilizou seus créditos relativos a IRPJ e CSLL apurados por balancetes e pagos antecipadamente, para pagar tributo devido. Somente após a publicação da Medida Provisória n° 449, de 2008, art. 29, foi criada a limitação do direito de compensação previsto no caput do art. 74 de Lei no 9.430, de 1996. Os saldos negativos de IRPJ e da CSLL não decorreram de pagamentos a maior efetuados por erro ou liberalidade, mas sim, de recolhimentos mensais antecipados e apurados por estimativas determinados pelo art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, sujeitando o Contribuinte ao controle fiscal. Ao mesmo tempo, tinha a garantia de compensar o valor antecipado com qualquer tributo administrado pela RFB, na medida em que ao final do exercício viesse a apurar o IRPJ e a CSLL em valor menor do que o pago. Tratase, portanto, de uma forma de restituição rápida e promovida pelo próprio Contribuinte tendo o direito de aproveitar. Na medida em que o imposto de renda e a contribuição social apurados foram inferiores aos recolhimentos antecipados, restou saldo negativo, que seria compensado com aos valores devidos, procedimento esse que foi vedado pelo art. 29, da Medida Provisória n° 449, de 2008. Essa vedação é absolutamente inconstitucional, uma vez que usurpou o direito de compensação, configurando violação de um direito adquirido, garantido pelo art. 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal. Violou, ainda, a vedação do reconhecimento do efeito retroativo de qualquer lei nos termos do art. 5°, inciso XL, da Constituição Federal e do art. 106 do CTN. Todo o tributo recolhido de forma antecipada e que não venha ser devido deve ser imediatamente devolvido, uma vez que a Constituição Federal somente permite a tributação a partir de eventos efetivamente ocorridos, sendo duvidosa a possibilidade, sob o ponto de vista constitucional, a existência de antecipação do tributo por conta de uma possibilidade de lucros futuros. Sem dúvida, está caracterizado um ato coator que ofende o direito liquido e certo do Contribuinte recolher e saldar os seus compromissos tributários segundo os ditames da Constituição Federal e da Lei. Além disso, como está caracterizado o pagamento indevido de imposto, a RFB, na medida que impeça a compensação, está violando o art. 165, inciso I, do CTN. Sobre o Fl. 79DF CARF MF 4 assunto, cita decisão do TRF da 4a Regido e do Superior Tributal de Justiça. Assim, uma vez que créditos atingidos pela limitação da MP foram apurados em um momento anterior à vigência desta limitação, não há como glosar a compensação realizada, podendo utilizarse do crédito formado pelas antecipações efetuadas antes da vigência da referida MP para extinguir débitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Finalizando, requer que "seja o valor glosado tido como indevido e se reconheça a extinção do crédito apurado em razão da compensação realizada pelt: requerente, sob pena de aplicação retroativa dos efeitos de Medida Provisória ao direito adquirido da contribuinte efetuar tal aproveitamento a luz da lei vigente." Por seu turno, o mérito da indigitada Decisão de piso restou consubstanciado nos seguintes termos: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Como está explicitado no Parecer, o motivo pelo qual não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e a conseqüente não homologação da compensação declarada, foi porque o crédito informado se refere a pagamento de estimativa mensal de IRPJ, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo desse tributo. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte discorda desse entendimento, alegando que tem direito ao crédito pleiteado, eis que a legislação não proíbe que a estimativa recolhida durante o anocalendário possa ser passível de restituição/compensação, antes mesmo do encerramento do exercício, irk podendo a legislação posterior retroagir sob pena de violação a princípios constitucionais. Inicialmente, em relação aos argumentos efetuados em torno da ilegalidade de leis e de violação a princípios constitucionais (direito adquirido, retroatividade), cabe esclarecer que são questões que não podem ser analisadas pelo julgador da esfera administrativa. Essa análise foge a alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações as normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tãosomente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme 5. lei, sem emitir juízo da legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Os órgãos administrativos de julgamento estão obrigados a cumprir os atos normativos expedidos pelos órgãos superiores, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 79 5 conforme determina a Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, em seu art. 7°: "O julgador deve observar o disposto no art 116, 111 da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos ". O principio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parag. único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. E inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Sobre a matéria, o Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já pacificou esse entendimento por meio da Sumula n° 2, cujo teor é o seguinte: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria." Esclareçase, que no caso, não foi com base na Medida Provisória n° 449, de 2008, que não foi reconhecido o crédito pleiteado, não ocorrendo a alegada retroatividade. Pelas razões acima expostas, não há como acatar as ponderações feitas pelo Contribuinte, devendo ser afastado da análise dessa autoridade administrativa quaisquer argumentações que versem sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legais e de ofensa a princípios constitucionais. Quanto A jurisprudência judicial trazida A colação pelo Contribuinte para fundamentar seus pontos de vista, esclareça se que não sendo parte nos litígios objetos das sentenças citadas, não pode o Contribuinte usufruir dos efeitos nelas contidas. Por outro lado, constatase que o Contribuinte, no ano calendário de 2005, adotou a forma de tributação corn base no lucro real anual, estando, portanto, obrigado a recolher o imposto de renda e a contribuição social mensalmente, determinado sobre a base de cálculo estimada. Analisando a declaração de compensação, a Ficha 11 da DIPJ/2006 —Calculo do imposto de renda mensal por estimativa de fevereiro de 2005 (fl. 3738) e o pagamento a titulo de estimativa de imposto de renda (código 2362 — 1RPJ — estimativa mensal) referente ao mês de fevereiro de 2005 (fl. 36), constatase que o pedido do Contribuinte se refere a diferença desse imposto recolhido a maior (255.791,00 — 253.850,24 = 1.940,76). Fl. 81DF CARF MF 6 Desse modo, constatado que se trata de pagamento de estimativa mensal de IRPJ recolhido a maior, cabe verificar se o referido valor pode ser restituído/compensado diretamente ou não. Segundo a legislação pertinente, não se caracteriza indébito o recolhimento mensal de estimativa, mesmo a maior, antes que se proceda ao encerramento do período de apuração. Para efeito de determinado do saldo de imposto ou contribuição a pagar ou a compensar no encerramento do período, o Contribuinte pode deduzir os valores das estimativas recolhidas. Se os recolhimentos foram maiores que o imposto devido ou contribuição devida, apurase saldo negativo, que é passível de restituição e/ou compensação a partir de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração (art. 5° da IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004). Os valores pagos a titulo de imposto de renda e de contribuição social por estimativas não traduzem a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quando efetuadas nos exatos termos dispostos na lei, são consideradas antecipações do imposto devido e da contribuição devida no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito A restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito do Contribuinte no período (saldo negativo). A estimativa mensal não pode ser considerada como indébito tributário, não retornando A disponibilidade os pagamentos ou créditos a ela vinculados. Concluiuse, portanto, que as estimativas contribui para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL. 0 saldo negativo desse imposto e dessa contribuição, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as estimativas recolhidas durante o período. Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda e/ou da contribuição social a cada período, após integrar o saldo do imposto e/ou a contribuição devida sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN, no art. 74, parágrafo 3° da Lei 9.430, de 1996 e na Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, art. 10, a seguir transcrito, que A. época da formalização do pedido do Contribuinte estabelecia os parâmetros para a efetivação da restituição/compensação, determinava que mesmo os pagamentos indevidos ou maiores do que o devido a titulo de estimativa de IRPJ não poderiam ser restituídos diretamente, sendo utilizados na dedução do IRPJ devido no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo desse imposto: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 80 7 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, cumprindo o disposto nessa instrução normativa e no art. 7° da Portaria MF n° 58, de 2006, que determina que o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, o crédito pleiteado pelo Contribuinte não pode ser reconhecido, e conseqüentemente, a compensação declarada não deve ser homologada. Isso posto, voto pela manutenção do Despacho Decisório de fl. 04. O Recurso Voluntário, em sua essência, reitera os argumentos expostos na exordial defensiva. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, assiste razão ao Recorrente quanto à viabilidade de análise de sua compensação, tendo em vista o teor da Súmula CARF n° 84. Da compensação Fl. 83DF CARF MF 8 Quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Notase que o caso versando teve seu cerne em definir se pode a estimativa recolhida durante o anocalendário ser passível de compensação, antes mesmo do encerramento do respectivo exercício. O Acórdão a quo, com inegável competência e esmero, entendeu pela impossibilidade dessa operação compensatória, razão pela qual o Contribuinte persistiu em seu pleito agora em sede recursal. Nessa senda, a decisão de piso foi lastreada no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. Contudo, o CARF tem como superada a intelecção firmada no i. Acórdão da DRJ, de modo que se colmatou no verbete sumular de n.º 84, no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." Dito enunciado foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ademais, a presente Turma Extraordinária já firmou unânime entendimento em semelhante sentido, pelo que transcrevo o precedente do Acórdão n° 1002.000.397, sessão de 13 de setembro de 2018, Rel. Cons. Leonam Rocha de Medeiros, o qual utilizo desde já como elemento de fundamentação do presente decisum: (...) Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 81 9 entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 85DF CARF MF 10 Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/ 9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 82 11 COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a Coordenação Geral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de Fl. 87DF CARF MF 12 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Sabese que, para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. E. nesse espeque, o Recorrente logrou êxito desde a primeira instância em adimplir com as provas necessárias. Noutro giro, não poderia a presente Turma Extraordinária proceder desde já com a compensação pretendida, pois isso representaria inegável supressão de instância, razão pela qual devem os presentes autos retornarem à Unidade de Origem para que se proceda com a análise do efetivo acerto do pleito efetuado na DCOMP. Das arguições de constitucionalidade e legalidade Por fim, a suposta violação constitucional conduziria ao desiderato da inconstitucionalidade reflexa da norma cotejada, o que acarreta a incidência da Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso porque não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade ou cotejo constitucional. Logo, não há que se argüir nessa instância a suposta violação de princípios quando da estrita aplicação e observância da norma infraconstitucional pela Administração Pública. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 83 13 Dispositivo Ante o exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.933286/2008-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.04-2870 (e-fls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizando-se o crédito na forma própria para saldo negativo.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.042870 (efls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizandose o crédito na forma própria para saldo negativo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 405/429) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 33 28 6/ 20 08 -6 2 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 436 2 pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 385/395), proferida em sessão de 07 de junho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1631.925, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP I (DRJ/SP1), que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 23/45) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/09/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 27053.17084.250604.1.3.042870 (efls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, afirmando, outrossim, não restar crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP a partir do DARF informado pelo contribuinte cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/08/2001 PER/DCOMP. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fl. 01 [efl. 03], pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório fundado em pagamento a maior de CSLL, código 2484, recolhido em 31/08/2001, no valor de R$ 9.077,25 e, consequentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.042870, uma vez verificado que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório em 03/10/2008, a contribuinte apresentou peça recursal (fls. 11/12) [efls. 23/45] em 03/11/2008, alegando, em síntese, que: ao invés de formular o pedido de compensação pelo total do saldo negativo apurado na DIPJ 2002, anocalendário de 2001, a requerente, por erro material de preenchimento do PER/DCOMP, indicou como origem do crédito os pagamentos recolhidos por estimativa, os quais foram computados na apuração do referido saldo negativo; comprovada a existência do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL mediante a documentação apresentada, deve ser reconhecida a compensação desse crédito com débitos próprios da requerente, não podendo um erro de preenchimento, por si só, invalidar o direito de se recuperar os saldos negativos apurados ao final do período; manifesta sua disposição e prontidão no atendimento à realização de eventuais diligências que a autoridade julgadora entender necessárias; Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 437 3 requer o julgamento em conjunto com os demais processos conexos, pelo que a solução poderá ser uniforme: 10880.915538/2008 71, 10880.915539/200816, 10880.915540/200841, 10880.933285/200818, 10880.933286/200862, 10880.933287/2008 15, 10880933288/200851 e 10880.943937/200822. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.921,76, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/07/2001 2484 R$ 9.077,25 31/08/2001 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 0543694999 R$ 9.077,25 DB: cód 2484 PA 31/07/2001 R$ 9.077,25 Valor Total R$ 9.077,25 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2008 Principal: R$ 2.648,95 Multa: R$ 529,79 Juros: R$ 1.598,37 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae do voto vencedor: A contribuinte contesta a decisão proferida pela DERAT no Despacho Decisório, alegando erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP. Em que pesem as claras e sólidas argumentações da d. Relatora, ouso dela discordar quanto à possibilidade de se analisar o PER/DCOMP admitindo como origem do crédito o saldo credor do anocalendário de 2001, em vez do pagamento por estimativa, informado pela contribuinte. Para a solução do litígio convém reproduzir, inicialmente, a legislação que regulamentou a compensação de tributos. O artigo 74 da Lei n.º 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis ns.º 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõe, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3.º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1.º: (...) Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 438 4 V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (...) Da norma acima reproduzida é possível concluir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Com efeito, por um lado corre contra a Administração o prazo de homologação, que, uma vez decorrido, impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente; de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão da informação quanto à origem do crédito e de seu montante, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Assim, o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP não pode ser admitido, eis que a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma declaração de compensação de débitos não homologados, o que não é permitido pela legislação. Além disso, deve ser observado o disposto nos artigos 56 da IN SRF n.º 460/2004 e 57 da IN SRF n.º 600/2005, que admitem a retificação do PER/DCOMP apenas quando o mesmo ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. No tocante a jurisprudência colacionada pela interessada, cumpre observar que ela não vincula esta Delegacia de Julgamento. Quanto ao pedido de diligência para a produção de novas provas, este deve ser indeferido, pois, independentemente de a contribuinte possuir ou não saldo credor a seu favor, como a controvérsia, no presente caso, referese apenas a questões de direito, já analisadas, inexiste o direito creditório da contribuinte, nas condições do PER/DCOMP em análise. Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Acrescenta, ainda, os argumentos no sentido de que: a) “(...) tendo a Relatora vencida, reconhecido a EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DECORRENTE DO SALDO NEGATIVO DA CSLL, buscado tão somente com erro de preenchimento do pedido, a solução mais justa, mais razoável e também [sic] a que respeita todos os princípios norteadores da administração, é a de que o crédito pode, e deve ser deferido”; b) “(...) muito embora seja até pouco recomendável a forma utilizada pelo ora recorrente para buscar os créditos, provado, como provado esta, que de fato houve ao final do período saldos negativos de CSLL em montante suficiente para acobertar as compensações, não poderá ser negado o direito pelo fato do contribuinte preencher a Per/Dcomp com a Darf daquilo que se tornou indevido dos pagamentos feitos durante o ano na apuração do IRPJ e CSLL com recolhimento por estimativa”. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 439 5 VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (intimação em 15/07/2011, efls. 397/398, e protocolo recursal em 12/08/2011, efl. 405), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, no qual constou indicação de crédito tendo por natureza suposto "pagamento indevido ou a maior", a Administração Tributária, em Despacho Decisório (DD), não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido havia sido utilizado integralmente em débito próprio do sujeito passivo. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 440 6 Por sua vez, o contribuinte destaca que, ao final do exercício, apurou saldo negativo, sendo erro de preenchimento a indicação de pagamento a maior. O recolhimento do referido DARF foi por estimativa mensal em forma de antecipação face ao regime escolhido. O voto vencido (efls. 389/391), ao seu turno, informa que, efetivamente, a contribuinte, conforme DIPJ 2002 original, ND n.º 0926438, apresentada tempestivamente em 28/06/2002, apurou saldo negativo de CSLL, bem como atestou que estão confirmados os pagamentos de estimativas no sistema SIEFPagamento (efls. 379/381), esclarecendo, ainda, que esse saldo negativo não foi objeto de compensação ou de restituição em outro PER/DCOMP, conforme pesquisa ao Sistema SIEF Brasil PER/DCOMP (fl. 383), de modo que haveria possibilidade de restituir o direito creditório vindicado. Sendo assim, a despeito da tese vencedora na DRJ, em homenagem a verdade material, há que se superar o equívoco cometido pelo contribuinte para analisar manualmente o PER/DCOMP deste processo como fundado em crédito de saldo negativo de CSLL. Contudo, para que se análise o pedido como se corretamente formulado sobre o saldo negativo de CSLL e não sobre a estimativa que o integrou e é o objeto da lide, há que se baixar o processo em diligência para confirmar se o direito creditório ainda está disponível. Compreendase, de toda sorte, que um crédito que tem por natureza jurídica "pagamento indevido ou a maior" tem o seu valor corrigido desde o mês seguinte ao indébito, que se verifica na data da efetivação do pagamento indevido ou a maior, enquanto isso se o crédito tem por natureza jurídica "saldo negativo" a correção monetária se dá a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, os momentos para a atualização do crédito são bem distintos, pois as naturezas jurídicas são diversas, os efeitos jurídicos são distintos. Por conseguinte, doravante, o tratamento da atualização monetária do direito creditório vindicado deverá ser com base no saldo negativo. No caso dos autos, ao meu ver, a primeira instância, ainda que em voto de divergência, demonstrou ciência da possibilidade do direito creditório. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.042870 (efls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizandose o crédito na forma própria para saldo negativo. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 441 7 Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13805.009841/98-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida na decisão recorrida vergastada, mantém-se o indeferimento da restituição do ILL, por inexistência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO.
Juntada posterior de documentos no recurso voluntário, não comprovação dos requisitos do art. 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não conhecimento dos documentos.
Numero da decisão: 2201-004.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida na decisão recorrida vergastada, mantém-se o indeferimento da restituição do ILL, por inexistência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Juntada posterior de documentos no recurso voluntário, não comprovação dos requisitos do art. 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não conhecimento dos documentos.
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RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida na decisão recorrida vergastada, mantémse o indeferimento da restituição do ILL, por inexistência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Juntada posterior de documentos no recurso voluntário, não comprovação dos requisitos do art. 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não conhecimento dos documentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 98 41 /9 8- 82 Fl. 996DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 895/908 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Tratase de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte acima identificado em face do indeferimento do pedido de restituição de valores recolhidos, nos anos de 1990 a 1993, a título de imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido ILL, com fulcro no art. 35 da Lei n.º 7.713/1988, parcialmente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, e cuja execução foi suspensa, no tocante à expressão “o acionista” contida no precitado dispositivo, pela Resolução do Senado Federal nº 82, de 1996. O crédito, no montante de R$ 1.481.656,19 indicado no Pedido de Restituição de fl. 03, tem como origem 31 (trinta e um) DARF(s) recolhidos nos anos de 1990 a 1993, em nome da requerente e das empresas incorporadas (Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda), como segue: O pedido em tela foi analisado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 997 3 Administração Tributária em São Paulo que emitiu o Despacho Decisório de fls. 246 a 248, pelo qual, indeferiu o pedido de restituição, protocolizado em 09/09/1998, sob o fundamento de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, conforme o disposto no Ato Declaratório SRF n.º 96, de 26.11.1999. Contra tal decisão foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 253 a 259, na qual a interessada alegava com base em duas teses que não estaria decaído o direito de o impugnante pleitear a repetição do indébito: a uma, por conta do entendimento no sentido de que o prazo qüinqüenal para a contagem da decadência, iniciarseia na data da publicação do acórdão do STF, que declara a inconstitucionalidade da exação tributária, ou ainda, na data da publicação da resolução senatorial que suspenda a execução de lei declarada inconstitucional , sendo, neste caso, irrelevante o período em que os valores foram indevidamente recolhidos; e a duas, por força da tese segundo a qual, encartandose o ILL na sistemática do lançamento por homologação, a contagem do referido prazo iniciarseia somente a partir da homologação (expressa ou tácita) do pagamento antecipado. A referida manifestação de inconformidade foi objeto de julgamento por esta turma, que prolatou o Acórdão nº 009, de 19.10.2001, pelo qual foi mantido o despacho decisório então atacado. Inconformada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 288 a 296, julgado pela 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, afastou a decadência do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição e determinou a remessa dos autos à repartição de origem para análise do mérito do pedido (fls. 512 a 528). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 530 a 537), que, por maioria de votos negou provimento ao recurso e ratificou o teor do Acórdão prolatado na instância precedente (fls. 572 a 585). Diante da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a DERAT/DIORT elaborou o Relatório Diligencial de fls. 850 a 859, no qual analisa o mérito e indefere o Pedido de Restituição de fl. 03, pelos motivos a seguir relacionados: DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELA ITAUSA EMPREENDIMENTOS S/A O peticionante não tem poderes para solicitar a restituição do ILL cujo ônus foi da Itausa Investimentos Itaú S.A., CNPJ 61.532.644/000115 e INTRAG PART Administração e Participações Ltda, CNPJ 52.637.139/000144, e , mesmo intimado, não apresentou comprovante contábil de distribuição de lucros de 01/01/1992 a 09/09/1998. Fl. 998DF CARF MF 4 Verificouse, ainda, pequena distribuição de lucros no período de 01/01/1990 a 31/12/1991, logo deve ser indeferida a restituição do ILL recolhido pelo próprio peticionante nos anos calendário de 1989 a 1991 por não atender ao art.166 do CTN e tendo em vista o art.39 da lei nº 9.784/1999. DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELAS SOCIEDADES LIMITADAS INCORPORADAS O peticionante não tem poderes para solicitar a restituição do ILL cujo ônus foi da INTRAG PART Administração e Participações Ltda, CNPJ 52.637.139/000144 (0,20% do ILL da Torre Nova; 0,06% da Morumbi Square; 0,20% da Pedra Preta, e 0,20% da Barão da Torre), e , mesmo intimado, não apresentou a base legal e/ou judicial que comprove que não houve a disponibilização econômica relativa aos lucros apurados (em relação à Pedra Preta sequer apresentou o(s) contrato(s) social(is)), logo devem ser indeferidos os Pedidos de Restituição de ILL de: Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 61.914.172/000165, PAs de 10/11/1989 a 31/12/1989, de 01/01/1990 a 31/07/1990 e de 01/08/1990 a 31/12/1990; Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 64.841.786/000152, PAs anocal. 1991 e de 01/01/1992 a 31/07/1992; Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 59.499.533/000102, PA anocal. 1989, e Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 64.943.715/000160, PAs de 23/11/1990 a 31/12/1990, anocal. 1991 e de 01/01/1992 a 30/09/1992, por :não atender ao art.166 do CTN relativamente à parcela do sócio INTRAG; a disponibilização dos lucros ao final do período de apuração (art.43 do CTN) conforme cláusulas 5a e 5.1 dos contratos sociais para os sócios das empresas incorporadas Torre Nova, Morumbi Square e Barão da Torre, e falta de atendimento à intimação (art.39 da lei nº 9.784/ 1999) para a incorporada Pedra Preta. Cientificada do relatório em tela, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 863 a 867), objeto do presente julgamento, como segue: "Inicialmente cumpre informar que com relação ao item 2 do Relatório de Diligências que não houve outras compensações além daquelas informadas, conforme analisado pelo Fiscal. Com relação ao item 3.4 cumpre informar que a Impugnante apresentou a comprovação da destinação dos lucros apurados nos períodos de apuração de 1989, 1990 e 1991 e como não houve a disponibilização econômica, conforme atestado em declaração juntada aos autos não havia a necessidade para se juntar demonstrativos de Imposto retido na fonte ou motivação para sua retenção até 09/09/1998. Além do mais a Impugnante comprovou ter assumido o encargo financeiro pelas retenções de ILL (conforme planilha trazidas nos autos e declaração de seu gerente de contabilidade). Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 998 5 Caso seja necessário deverá a autoridade notificar às empresas Intrag Part Administração e Participações Ltda e Itaúsa Investimentos Itaú S.A. Para que apresentem nos autos a comprovação de que sofreram efetivamente seu ônus, de que não solicitaram ou utilizaram em compensações tais créditos, em homenagem ao princípio da verdade material. Insta salientar que conforme diligências realizadas pelo D. Fiscal o mesmo não localizou qualquer indício de utilização do crédito pleiteado nos presentes autos. Com relação a verificação do fiscal quanto à ocorrência de pequena distribuição de lucro o mesmo não deve prosperar, pois conforme se comprova das através de aprovação de balanço juntadas em petição de 17/10/2011 não houve a disponibilização dos lucros, sendo os mesmos capitalizados, conforme demonstrativo de mutação do patrimônio líquido, também juntado na petição supramencionada. Ainda com relação as Sociedades Limitadas (Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda denominada Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda desde 14/08/1992, Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda; Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre de Pedra Empreendimentos Imobiliários Ltda. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros, o que é o caso, pois "o exercício social terminará em 31 de dezembro de cada ano. Ao final de cada exercício será levantado balanço geral e os lucros apurados terão o destino que os sóciocotistas determinarem. O que não caracteriza a distribuição automática dos lucros, o que torna o pagamento do ILL inconstitucional e passível de restituição, conforme entendimento sedimentado do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL RESTITUIÇÃO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Egrégio. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, o contrato social da recorrente cita que os lucros líquidos poderão ser distribuídos entre os sócios, portanto não há a hipótese de distribuição automática de lucros ao final do período base. Fl. 1000DF CARF MF 6 Recurso voluntário provido (145396, processo 10882.001431/200158; Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes; Relatora Janaina Mesquita Lourenço de Souza; Data da Sessão 08/10/2008)" (grifamos) Diante do exposto, requer seja julgada totalmente procedente a presente Impugnação para que seja reconhecido integralmente habilitado o direito creditório da ora impugnante.” 2 – A decisão da DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Não se aplica à restituição do indébito de ILL a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional” O recolhimento efetuado com fulcro no art. 35 da Lei nº 7.713/1988 é passível de restituição nos casos em que a sociedade por ações comprove que o mesmo não foi utilizado na forma do artigo 36 do referido diploma legal. O mesmo se aplica à sociedade por quotas de responsabilidade limitada cujo contrato social não prevê a disponibilidade imediata do lucro. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 911/916. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – O único questionamento no presente caso é o fato do V. Acórdão da DRJ ter indeferido o pedido de restituição do ILL em favor do contribuinte em decorrência de: Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 999 7 No tocante à sociedade Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, não consta dos autos qualquer documento (Ata das Assembléias e/ou Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido) que comprove a destinação do lucro apurado. Destarte a restituição do ILL incidente sobre o lucro da Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, deve ser indeferida por falta de comprovação da sua destinação. 6 Por sua vez o contribuinte em suas razões recursais se manifesta no seguinte sentido: "No entanto, em que pese a 5a Turma da DRJ/SP1 ter reconhecido, em quase sua totalidade o direito creditório da Recorrente, a mesma não reconheceu os créditos da empresa incorporada Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda., por entender, equivocadamente, que não teria havido a comprovação do referido direito creditório da mesma. Porém, tal decisão merece ser reformada, pois, conforme a Recorrente já demonstrou em sua Manifestação de Inconformidade, e reafirmará que a empresa Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. também é legítima detentora do crédito em discussão. a) Erro de fato no envio da DIPJ de 30/12/1991 Inicialmente, cumpre destacar que a ora Recorrente em atendimento à determinação do D. Fiscal juntou declaração (doc. 02 da Manifestação de Inconformidade) onde informou, sob as penas da lei, que se equivocou ao apresentarem 30/12/1991 a DIPJ retificadora do período base de 01/01/1989 a 31/12/1989 no CNPJ 61.914.172/000165 (Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda .), sendo o correto o CNPJ 59.499.533/000102, então da Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda ., por simples erro de fato, face à incorporação da segunda pela primeira em 03/04/1990. Assim, os julgadores da 5a Turma da DRJ/SP1 deveriam considerar em sua análise a DIPJ retificadora como sendo da empresa Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. e não como sendo da empresa Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda. omissis c) Da não disponibilização do lucro pela Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. Fl. 1002DF CARF MF 8 Da mesma forma que a Recorrente comprovou que não houve a distribuição de lucros no período de 1989 a 1991 das outras empresas limitadas, sucedidas pela Recorrente, quais sejam: Torre Nova; Morumbi Square e; Barão da Torre, que tiveram seus créditos reconhecidos pelo acórdão recorrido, também deve ser deferido o direito creditório da Pedra Preta, pois foi comprovado pelos docs. 19 (DIPJ's `vide item "a" do presente recurso) e 20 (balanços patrimoniais), ambos da Manifestação de Inconformidade, que o lucro líquido era vertido para a reserva de lucros, e não distribuídos aos sócios. Para melhor verificação, Eméritos Julgadores, juntase em apartado neste recurso as cópias das DIPJ's (doc.03) e dos balanços patrimoniais (doc.04 da empresa Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. No mais, ainda que tivesse havido distribuição de lucro, a competência para se requerer a restituição permaneceria na empresa Recorrente, tendo em vista a sucessão societária da Pedra Preta e, ainda, a exigência compulsória do recolhimento do ILL e do AIRE, sendo que a alíqota do ILL incidente sobre o lucro era de 8% sobre o valor encontrado, faziam com que os valores fossem integralmente vertidos ao pagamento do ILL e não distribuídos aos sócios. 7 Contudo, verificando o Relatório de Diligência DIORT de fls. 850/859 datado de 09/02/2012 em cumprimento a resposta do recorrente após ter afastado a questão da decadência junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes, na época, vemos as seguintes pontuações da fiscalização quanto a essa parte do pleito do contribuinte, verbis: 4. Em resposta datada de 17/10/2011 fls.(706/841), o contribuinte responde parcialmente e apresenta: 4.2 Quanto a confessar, nos termos da lei, que errou ao apresentar em 30/12/1991 a DIRPJ retificadora do períodobase 01/01/1989 a 31/12/1989 no CNPJ 61.914.172/000165 (então Torre Nova), sendo o correto o CNPJ 59.499.533/000102 (Pedra Preta) às fls.145/157 (159/171 digital) ou, se for o caso, apresentar a DIRPJ correta e juntar ao processo o(s)Contrato(s) Social(is) da empresa Pedra Preta até a sua incorporação pela Torre Nova – apenas apresentou os contratos sociais de constituição da Torre de Pedra Empreendimentos Imobiliários Ltda (e não da Pedra Preta, fls.707 item 2 e 720/727 – doc 5) e da incorporação da Pedra Preta pela Torre Nova (fls.707 item 2 e 728/733 – doc 6), além da DIRPJ da Torre Nova do PA 10/11//1989 a 31/12/1989 entregue em 31/07/1990 (fls.707 item 2 e fls.734/743), que já constava no processo (fls.111/119). Omissis 8. Da análise dos contratos sociais apresentados, apurei os seguintes sócios para os PAs em pauta: 8.4 Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, PA ano cal.1989 : o peticionante não apresentou o contrato social e possíveis alterações (ver 4.4), sendo que no contrato de sua Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 1000 9 incorporação pela Torre Nova (fls.728/733) e na DIRPJ de fls.159/171, constam como sócios o peticionante, 99,80% e a INTRAG PART Administração e Participações Ltda, CNPJ 52.637.139/000144, 0,20%; Omissis 13.3 Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda: PA ano cal.1989. Intimado a confessar, nos termos da lei, que errou ao apresentar em 30/12/1991 a DIRPJ retificadora do períodobase 01/01/1989 a 31/12/1989 no CNPJ 61.914.172/000165 (então Torre Nova), sendo o correto o CNPJ 59.499.533/000102 (Pedra Preta) às fls.145/157 (159/171 digital) ou, se for o caso, apresentar a DIRPJ correta e juntar ao processo o(s) Contrato(s) Social(is) da empresa Pedra Preta até a sua incorporação pela Torre Nova – apenas apresentou os contratos sociais de constituição da Torre de Pedra Empreendimentos Imobiliários Ltda (e não da Pedra Preta, fls.707 item 2 e 720/727 – doc 5) e da incorporação da Pedra Preta pela Torre Nova (fls.707 item 2 e 728/733 – doc 6), sendo que neste não consta a forma de distribuição de lucros. 8 A análise do caso pela DRJ foi fundamentada da seguinte forma: Destarte, a requerente tem legitimidade para pleitear a restituição do ILL indevidamente recolhido. Pois bem, no caso os recolhimentos objeto do pedido de restituição foram efetuados em nome da requerente (S/A) e das empresas incorporadas (Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda). Ao contrário do que afirma o AFRFB que analisou o mérito do crédito solicitado, os contratos sociais das sociedades Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda não prevêem a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Omissis A fim de atender a Resolução nº 1022.102 da 2ª Câmara do 1º CC (fls. 311 a 315) a interessada carreou aos autos o Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido das empresas Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda (fl. 322), Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda (fl. 365) e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda (fls. 389 a 391), acompanhados do contrato social e alterações ocorridas até a extinção da sociedade por incorporação. Fl. 1004DF CARF MF 10 Não consta dos documentos em tela que o lucro auferido pelas empresas em comento tenha sido distribuído aos sócios cotistas. Assim o ILL recolhido em nome das sociedades Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda, Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda é passível de restituição/compensação. No tocante à sociedade Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, não consta dos autos qualquer documento (Ata das Assembléias e/ou Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido) que comprove a destinação do lucro apurado. Destarte a restituição do ILL incidente sobre o lucro da Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, deve ser indeferida por falta de comprovação da sua destinação. 9 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou em diligência da fiscalização, após ter assegurado ao contribuinte o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época, e que no caso, o julgador de piso considerou diversos pontos em favor do recorrente. 10 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos, (que comprovariam a veracidade das razões recursais), o foram analisadas quando da diligência fiscal e durante o julgamento do caso em primeiro grau que constatou a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 11 Tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 1001 11 inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre Fl. 1006DF CARF MF 12 si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. 12 Portanto, por tais razões não conheço da juntada dos documentos de fls. 940/993 em vista de não demonstração de nenhum dos requisitos do art. 16 § 4° do Decreto 70.235/72 e no mérito nego provimento ao recurso. Conclusão 13 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito Negolhe provimento, mantendo a decisão de primeiro grau por seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1007DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.723237/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
(assinado digitalmente)
DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
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RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 32 37 /2 01 2- 31 Fl. 279DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD nº: 51.014.9910, referente à contribuição prevista no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91 para a competência 11/2009. Os recolhimentos efetuados pela empresa de forma espontânea (GPS) não se referem às contribuições apuradas neste crédito, visto que a empresa não informa estas contribuições em GFIP e discute judicialmente a sua procedência, realizando, ainda, o depósito destas contribuições em juízo. Além do mais, as contribuições recolhidas em GPS são compatíveis com as bases declaradas em GFIP. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança Preventivo, processo nº 2000.81.00.0099450 (atualmente em tramitação no Tribunal Regional Federal da 5ª Região Fiscal – TRF), com pedido de liminar em 15/5/2000, tendo sido concedida a segurança liminarmente, em 2/6/2000. Contudo, no julgamento do mérito em 30/7/2001, foi negada a segurança, cassandose a liminar inicialmente deferida. O autuado apresentou, ainda, Embargos de Declaração, em relação ao qual foi negado o provimento no dia 17/10/2003 e interpôs apelação, em 9/2/2006, que também não teve decisão em seu favor. O sujeito passivo ingressou então, com Recurso Especial – REsp no STJ e Recurso Extraordinário – RE no STF, tendo sido, ambos, inaadmitidos em 24/8/2006. Contudo, em 2/6/2009 foi reconhecido, pelo STF, a repercussão geral da controvérsia objeto da lide, motivo pelo qual o processo restou sobrestado, estando pendente de decisão definitiva. Assim, o crédito não estaria com exigibilidade suspensa, pois a sentença foi favorável à Fazenda Nacional e o recurso em Mandado de Segurança não possui efeito suspensivo. O contribuinte realizou depósitos judiciais da contribuição discutida em Juízo em relação a algumas competências. Contudo, em relação às competências consideradas na autuação não foram realizados os depósitos em montante integral conforme consta do REFISC, e diante dessas circunstâncias a fiscalização entendeu que não houve suspensão da exigibilidade do crédito, conforme o que dispõe o CTN, artigo 151, inciso II. A penalidade aplicada considerou as modificações levadas e efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as GFIP referentes às competências até 11/2008 tendo efetuado o comparativo das multas aplicáveis antes e após as modificações introduzidas com referida MP, com vistas a aplicar a multa mais favorável ao contribuinte, em atenção ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II (conforme quadro à fl. 9). Concluiuse, conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal, que a multa menos severa ao contribuinte, nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008, é a apurada de acordo com a legislação antes das modificações MP nº 449/2008. Assim, de acordo com as informações do relatório fiscal, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 169.797,60, calculada de acordo com a Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º, combinado com Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10380.723237/201231 Acórdão n.º 2402006.759 S2C4T2 Fl. 280 3 Relatório com o detalhamento dos depósitos judiciais/extrajudiciais realizados, que contém dentre outras informações a data de realização do depósito, a competência a que se refere e o valor depositado (fl. 12). Cópia das Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais relativos à competência 09/2008 e 11/2008 (fls. 13/14). O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 21/3/2012, conforme assinatura à fl. 3 e apresentou impugnação (fls. 129/144) no dia 20/4/2012, conforme carimbo de protocolo à fl. 129. Alegou que os depósitos impediriam o lançamento, que o tributo cobrado é ilegal, apresentando questões relacionadas as discussões judiciais relatadas. Acórdão recorrido, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e o recurso voluntário interposto articulando essencialmente os mesmos argumentos já registrados por ordem da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Tratase de lançamento por descumprimento de obrigações acessórias CFL68, eis que a Recorrente deixou de declarar em GFIP nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008. Ocorre que a obrigação previdenciária principal estava lastreada no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência do dispositivo à época dos fatos e por ausência de comprovação de realização, nos autos da ação judicial, de deposito do montante integral do devido relativo as competências em foco. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição Fl. 281DF CARF MF 4 previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A inconstitucionalidade foi declarada sem modulação dos efeitos, com tal premissa seus efeitos retroagem a origem, não subsistindo obrigação alguma tendo por base norma retirada do ordenamento jurídico, o que, neste caso abrange as obrigações principais e seus reflexos, razão pela qual votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10380.723237/201231 Acórdão n.º 2402006.759 S2C4T2 Fl. 281 5 Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito darlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903844/2013-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1001-000.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 78 1 77 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.903844/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.892 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente VALNI TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 38 44 /2 01 3- 18 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/15, de n. 33897.01904.230410.1.3.046021, de 23/04/2010, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (PA 30/09/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 057844021 de 02/08/2013 (efl. 08), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0374.893 4ª Turma da DRJ/BSB, efls. 37/42). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança do débito confessado na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, o seguinte: Teria postulado a compensação após constatar divergência entre o valor de IRPJ informado em DIPJ e DCTF; Os documentos não estariam mais disponíveis, pois o procedimento adotado pela contabilidade da empresa seguiria os ditames do artigo 195 do CTN; A declaração de compensação teria ocorrido em 2010 e apenas três anos após teria sido emitido o despacho decisório, o que estaria em desacordo com o artigo 49 da Lei nº 9.784/99, bem como no disposto no artigo 24 da Lei nº 11.457/07. É o relatório. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito e rebateu as questões de direito postas sobre a guarda de documentos e prazo para emissão do despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/06/2017 (efl. 48) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 05/07/2017 (efl. 50), em que afirma que já anexou os documentos comprobatórios (DARF) de seu crédito e reclama que o processo administrativo deve seguir o due process of Law e o contraditório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário verificar na decisão de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10830.903844/201318 Acórdão n.º 1001000.892 S1C0T1 Fl. 79 3 análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que nem para esta segunda instância o recorrente pretende trazer os documentos contábeis que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é o indeferimento do pleito. Por fim, haveria nulidade (art. 59, II do Decreto 70235/72) se tivesse havido preterição do direito de defesa na fase processual, ou seja, após instaurado o litígio (fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária). A respeito há que se ressaltar que não vislumbramos caracterizada a hipótese de nulidade por preterição do direito de defesa porque as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão os argumentos de defesa. Pelo exposto, voto por em rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 80DF CARF MF 4 Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690784/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu, em síntese, o apensamento de outros 22 processos correlacionados (mesma origem e fundamento do crédito), a conversão do julgamento em diligência e/ou perícia técnica (verdade material) e a homologação da compensação, alegando (i) ausência de intimação prévia à análise da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 78 4/ 20 09 -9 6 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 3 2 declaração de compensação, (ii) a ocorrência de erros materiais em suas declarações (CFOP) e (iii) tributação indevida de receitas decorrentes de operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (não incidência das contribuições) e empresas comerciais fabricantes (erro na aplicação de alíquotas). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação do crédito pleiteado, e indeferiu o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação ou a realização de perícia/diligência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de piso, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.979, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.690781/200952, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.979): O Recurso Voluntário interposto diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1632.897 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário objetiva reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 4 3 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo tem como questão central a discussão acerca de pedido de ressarcimento e compensação (PER/DCOMP) no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O Contribuinte alega que fez recolhimento indevido por intermédio de DARF e requer com o ressarcimento desse crédito a quitação de débitos. O entendimento da administração administrativa fiscal foi no sentido de não homologar a compensação por constatar que inexiste crédito declarado pelo Contribuinte. Diante de 22 (vinte e dois) PER/DCOMP, com o mesmo direito creditório discutido, instauraramse vinte e dois processos administrativos que possuem a seguinte numeração: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7/200927. No primeiro ponto do Recurso Voluntário o Contribuinte requer, como já o fez quando da interposição da Manifestação de Inconformidade, a conversão do julgamento em diligência para que fosse apensado todos os processos administrativos acima relacionados. Constatase que o presente processo, na condição de processo paradigma, contempla outros 11 (onze) processos com a seguinte numeração: 10880.690782/200905, 10880.690783/200941, 10880.690784/200996, 10880.690785/200931, 10880.690787/200920, 10880.690788/200974, 10880.690789/200919, 10880.690790/200943, 10880.690792/200932, 10880.690793/200987 e 10880.690794/200921. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 5 4 Entendo necessária a juntada ao presente processo paradigma dos processos nºs 10880.690786/200985, 10880.690796/200911, 10880.690797/200965, , 10880.690798/200918, 10880.690791/200998, 10880.690795/200976, 10880.690799/200954 para que sejam julgados conjuntamente. Saliento que os processos nºs 10880.915257/200908, 10880.925615/2009 82 e 10880.925616/200927 já foram julgados nos acórdãos nºs 3802001.986, 3802001.987 e 3802001.997, respectivamente, em que se negou provimento ao recurso do Contribuinte. Alega também o Contribuinte, que cometeu erro na apuração de débitos de PIS e COFINS, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, pois incluiu nas receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta) e (ii) a empresas comerciais fabricantes. No primeiro caso, o Contribuinte alega que informou erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas notas fiscais de saída a rubrica 5101 – “venda de produção do estabelecimento”, sendo que o correto, no seu entendimento, seria a rubrica 5501 – “remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação”. Esse alegado equívoco resultou na incidência da tributação sobre as receitas, sendo que nas operações de exportação indireta não incidiria PIS e COFINS, de acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, com isso, passou a deter crédito objeto de PER/DCOMP. No segundo caso, o direito creditório decorre das vendas efetuadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, empresas comerciais fabricantes, com alíquotas comuns de 1,65% e 7,6% de PIS e COFINS respectivamente e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8% que se aplicam às vendas para empresas comerciais atacadistas ou varejistas de acordo com o que dispõe o art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/2002. Sustenta ainda o Contribuinte, que demonstrou o alegado por intermédio de planilhas sintéticas e analíticas acostadas aos autos e requer, em nome da verdade material, a conversão do julgamento em diligência ou designação de perícia técnica, com a devida indicação da perita contadora Sra. Sônia Regina Senhorini Rodrigues, para que se possa apurar o equívoco cometido, bem como, a existência do crédito. Assim consta do recurso (fls. 611 e seguintes): Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 7 6 (...) (...) (...) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 8 7 Considerando o princípio da verdade material, o Contribuinte requer em seu recurso que se promova diligência que contemple os seguintes quesitos: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 9 8 Com este pedido de diligência formulado pelo Contribuinte, e lembrando do pedido acerca da reunião dos demais processos, cabe salientar que no Processo nº 10880.690796/200911, processo principal, bem como em mais 8 processos, foi convertido o julgamento em diligência. Com isso considerado voto, por converter o julgamento em diligência para que a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne o presente processo (nº 10880.690781/200952), bem como os processos nºs. 10880.690.786/200985, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, ao CARF, distribuídos ao presente conselheiro relator prevento, para que sejam julgados em conjunto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 10 9 b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne ao CARF o presente processo (nº 10880.690.784/200996), bem como os processos nºs. 10880.690781/200952, 10880.690.786/200985, 10880.690.783/2009 41, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690782/200905, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, para que sejam julgados em conjunto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721143/2012-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA.
O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91.
O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual.
Numero da decisão: 9202-007.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA. O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
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PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA. O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 43 /2 01 2- 17 Fl. 4207DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD 37.327.2928, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, a cargo da empresa, destinadas ao financiamento da Seguridade Social, no período de 01/2008 a 12/2008. No relatório fiscal de fls. 60/69 a fiscalização informou, em síntese, que: apurou, através da análise das DIRF, folhas de pagamento e GFIP que o contribuinte não incluiu na base de cálculo das contribuições, as remunerações pagas a determinados mediante intimação, solicitou ao contribuinte que prestasse esclarecimentos acerca da natureza dos pagamentos realizados, bem como da razão para não declararem em GFIP, nem incluírem na base de cálculo da contribuição previdenciária, obtendo como resposta a explicação de que os serviços médicos e odontológicos eram prestados diretamente ao beneficiário, sendo apenas um agente pagador dos profissionais credenciados. Quanto aos demais prestadores de serviços não apresentou qualquer explicação para a falta de declaração em GFIP e inclusão na base de cálculo; os serviços prestados pelos profissionais da área da saúde para a empresa consistem na vantagem remuneratória oferecida aos beneficiários e revertida em prol da contratante, através da mão de obra de melhor qualidade, mais satisfeita e produtiva; através da análise do Manual de Operação da AMS é possível concluir que a empresa não é meramente um agente pagador por conta e ordem de seus beneficiários, mas a gestora do plano de saúde; a prestação de serviços médicos obviamente sempre terá como destinatário final a pessoa, mas não significa que não possa ser prestado à pessoa jurídica, ou tornaria letra morta a previsão legal do artigo 22, III da Lei 8.212/91; os valores pagos foram contabilizados como despesas operacionais dedutíveis e houve retenção de IRRF dos profissionais que prestaram os serviços, o que contradiz a informação de que não recebeu a prestação dos serviços. No caso de terem sido prestados aos beneficiários, deveria ter contabilizado as despesas como remuneração dos empregados e descontado destes o IRRF; Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 3 3 em relação aos prestadores de serviço não pertencentes à área da saúde a empresa, embora intimada, não apresentou qualquer consideração; relacionou nos anexos 2 e 3 os prestadores de serviços, com base nas informações prestadas pela empresa em resposta aos TIF 2, 3 e 4; realizou a comparação das multas para aplicar a mais benéfica, considerando as alterações decorrentes da MP 449/08, de maneira que aplicou multa de ofício no percentual de 75 % na competência 12/2008 e o percentual de 24% nas demais competências, conforme explicitado no relatório fiscal. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 09/12/2015, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003.967 (fls. 3.930/3.937), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PLANO DE SAÚDE. MÉDICOS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, mormente quando a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações, inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Assim, o vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a contratante dos serviços e secundariamente com o empregado, beneficiário. ALEGAÇÃO DE VÍCIO NO LANÇAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO OU DEMONSTRAÇÃO. Fl. 4209DF CARF MF 4 A teor do que dispõe o artigo 16, III do Decreto 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sendo assim, não é admissível a argumentação genérica, sem que a recorrente aponte, sequer, um caso, ou apresente uma prova do que está alegando. Recurso Voluntário Negado Cientificado em 29/03/2016, o contribuinte opôs, em 04/04/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 4.001/4.008) que foram rejeitados pelo Despacho nº 2401033, de 26/04/2016, da 1ª TO da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 4.053/4.054) e pelo Despacho de Saneamento s/nº, da 4ª Câmara, de 15/06/2016 (fls. 4.063/4.065). O sujeito passivo foi cientificado da decisão denegatória dos embargos opostos, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) em 06/06/2016 (fls. 4.061), e apresentou tempestivamente, em 20/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada às fls. 4.066), Recurso Especial (fls. 4.067 a 4.097). Registrase, por oportuno, que existe despacho da Demac/RJ (fls. 4.179) informando que após ciência do despacho de admissibilidade dos embargos opostos, houve saneamento do referido despacho, para correção de vício formal, tendo o contribuinte tomado ciência (fls. 4.176) do novo despacho, em 24/06/2016, e não apresentado outro Recurso Especial. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 14/02/2017 (fls. 4.180/4.188), considerados os acordos nsº 9202002.246 e 2402004.873. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91. Da não ocorrência do fato gerador. · Argumenta que ao analisar a norma legal utilizada (Lei nª 8.212/91, art. 22) pelo agente fiscal para imputar o auto de infração à recorrente, verificase a preocupação do legislador pátrio ao definir claramente qual a hipótese de incidência tributária, designando a imposição da contribuição previdenciária quando efetivamente ocorrer o fato gerador e o seu real sujeito passivo. · Diz que a questão semântica é essencial para a obtenção do critério material da regramatriz de incidência, que consiste no verbo “prestar”, acrescido do complemento “serviços”, não sendo correta qualquer interpretação que inclua como sujeito passivo aquele que não tenha recebido aludidos serviços; e somente ocorrendo o fato previsto na norma é que esta incidirá sobre ele, produzindo efeitos jurídicos e impondo ao sujeito passivo a obrigação de recolher o tributo. Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 4 5 · Alega que se existe essa definição legal, não pode a Administração Tributária fugir desse princípio (o da legalidade), sendo vedado à fiscalização estender o alcance que o texto legal consigna, alterando o sujeito passivo por interpretar os dispositivos legais em dissonância com a amplitude que possuem, com o único fito de fazer recair a exação sobre quem a ei não definiu como responsável. · Afirma ser necessário, então, apurar a existência de casualidade jurídica entre o evento ocorrido e a norma, o que irá consubstanciar o fato tributário, quando somente a partir de então passará a existir a obrigação tributária; e sendo assim, não pode a exação ter alcance distinto daquilo expressamente previsto, mostrandose evidente, então, que a Recorrente não é a efetiva tomadora de serviços médicos, clínicos e odontológicos, pois os serviços foram (e são) prestados diretamente aos seus empregados, aposentados e pensionistas, beneficiários da AMS. · Acrescenta que o fato da recorrente manter um benefício trabalhista não basta para ela ser equiparada àquela a quem os serviços são efetivamente prestados, sendo vedado pelo art. 110 do CTN mudar conceitos do direito privado, verbis: “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” · Verifica que a hipótese de incidência tributária, adotandose como parâmetro a Lei nº 8.212/91 para elaborar a regramatriz, tem como critério material o núcleo da descrição fática (“prestar” + “serviços”); como critério espacial, considerando que o tributo é de competência da União, que o mesmo está delimitado em todo o território nacional; e como critério temporal, o mês de competência em que os contribuintes individuais prestarem seus serviços (antecedente); como critério pessoal, os sujeitos ativo (União Federal) e passivo (“o empregador, a empresa ou entidade a ela equiparada”), conforme definido na CF/88, art. 195, I, a quem os “segurados contribuintes individuais prestam serviços; como critérios quantitativos, a base de cálculo, que é a grandeza correspondente aos serviços prestados, e alíquota de 15% ou 20% sobre tais remunerações (consequente); e dai conclui que a recorrente não participa de qualquer etapa ou mantém relação, sequer, de dever instrumental (Obrigação acessória), pois não é ela, PETROBRÁS, que recebe os serviços prestados. Da Lei dos Planos de Saúde – Lei nº 9.656/98. Do efetivo tomador de serviços. Traz os arts. 196, 197 e 199 da CF/88 que dispôs que: Fl. 4211DF CARF MF 6 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197. São de relevância pública as ações de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. · Alega que a obrigação de prestar serviços de saúde incube ao Estado, ainda que esse serviço seja prestado pela iniciativa privada de forma complementar assim como a recorrente, através da AMS, de forma supletiva, substitui o Estado na prestação desses serviços; e que assim, então, surgiu a necessidade de regular esse segmento e foi editada a Lei nº 9.656/98, posteriormente alterada pela MP 2.17744, de 24 de agosto de 2001, que estipulou as definições legais e traçou as diretrizes do setor. · Argumenta que para efeitos de abrangência das coberturas contratuais, a referida Lei equiparou as denominadas autogestões de saúde às operadoras de seguros privados de assistência à saúde, consoante o disposto no art. 1º, verbis: Art. 1º. Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos ou seguros privados de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: I – Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não da rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; II – Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; · Salienta que a Lei dos Planos de Saúde definiu expressamente por conta e ordem de quem são tomados esses serviços, o que impede a fiscalização do INSS de ampliar a interpretação, de acordo com o art. 110 do CTN e afirma que, ou ocorre o fato previsto hipoteticamente no antecedente e, nesse caso, subsumese ela à norma positivada que Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 5 7 lhe faz incidir os respectivos efeitos, ou, como no presente caso, em que os serviços não lhe são prestados, não há fato gerador a irradiar efeitos sobre a hipótese. · Diz que não se sustenta o argumento levantado pelo Fisco de que é a recorrente que realiza os pagamentos aos profissionais, clínicas etc, pois ao contrário da legislação do imposto de renda, que obriga ao recolhimento aquele que paga os honorários, na condição de substituto tributário, não existe na legislação previdenciária norma nesse sentido. · Conclui que não havendo descrição legislativa hipotética para esse tipo de serviço, se estará diante apenas de um evento, sem qualquer consequência jurídica, por não haver subsunção do fato à norma, o que afasta a obrigatoriedade tanto de reter, quanto de recolher/pagar o tributo. Dos procedimentos administrativos adotados pela recorrente em relação à questão do credenciamento e da contabilização dos pagamentos realizados. · Afirma que, ao contrário do que consta nos autos, a recorrente não é beneficiária dos serviços prestados pelos diversos prestadores de serviços de saúde que atuam no âmbito da AMS, sendo que a PETROBRÁS apenas disponibiliza as informações sobre a existência dos profissionais, clínicas, hospitais etc, dentro de determinadas regiões, para que, a critério dos beneficiários, estes possam recorrer àqueles; ou seja, o credenciamento em questão é mero procedimento administrativo, necessário para atingir a satisfação dos beneficiários, bem como para a melhor operacionalização do sistema. · Alega que são três as formas com que os profissionais, hospitais, clínicas etc podem se tornar “integrantes da rede credenciada”, de acordo com o inciso I, art. 1º, da Lei nº 9.656/98, que são credenciamento (modo pela qual a recorrente optou), contratação e referência; e que no credenciamento, acontece uma “habilitação” do prestador de saúde, pessoa física ou jurídica, que, dada suas qualificações, obtém uma “credencial” tornandoo apto a atender aos beneficiários da AMS. · Argumenta que, não obstante as regras legais até aqui expostas, que afastam a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais lançadas, por conta da desvinculação da base legal ao conceito de autônomo/contribuinte individual, verificase também que o §9º, inciso XVI, art. 214, do Decreto nº 3.048/99, prevê a não incidência da contribuição, verbis: Art. 214. (...) Parágrafo 9º. Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 4213DF CARF MF 8 (...) XVI – o valor à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. · Registra, ainda, a forma como a recorrente lança os registros contábeis dos pagamentos efetuados aos profissionais, hospitais, clínicas etc corroborando a afirmação de que eles são feitos a conta e ordem dos beneficiários da AMS: são lançados na rubrica “despesas de pessoal/encargos sociais e trabalhistas – AMS Empregados”, o que não deixa dúvida quanto a nãoincidência da Contribuição Previdenciária, por força expressa de lei, como se denota no disposto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuários ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) §2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão considerados como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; Dos demais prestadores de serviço. · Afirma que no que concerne aos prestadores de serviços declarados no Anexo 3 da DIRF, sob o código 0588, a autuação também merece ser declarada insubsistente, uma vez que a recorrente apurou que pelo menos 603 prestadores de serviços apontados no AI tiveram seus pagamentos devidamente declarados na GFIP, e que, além disso, vários prestadores de serviço que tiveram valores divergentes entre os declarados em DIRF e GFIP são, na verdade, transportadores autônomos, circunstância que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do §4º, do art. 201, do Decreto nº 3.048/99 · Por fim, traz inúmeras jurisprudências dos Tribunais sobre a questão assentando que não incide contribuição previdenciária sobre os valores atinentes a planos de saúde concedidos aos empregados. O processo, então, foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 16/03/2017, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 6 9 A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 22/03/2017, contrarrazões (fls. 4.189/4.199). · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional observa que a Constituição Federal (CF/88) dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 4º c/c art. 195, inc. I: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; · Salienta que, segundo a norma constitucional supra, a contribuição do empregador incide não somente sobre folha de salários, mas também sobre os demais rendimentos pagos a qualquer título à pessoa física que lhe preste serviço. · Cita também a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, regulou o disposto na Carta Magna, determinando que são contribuintes individuais as pessoas prestadoras de serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; bem como que a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 12, inc. V, “g” c/c art. 22, inc. III. · Ressalta que, no caso em exame, a autuada atua na qualidade de operadora de programa de assistência à saúde, na modalidade de autogestão, conforme Manual de Operação da AMS1, e efetua pagamentos a profissionais da área de saúde, enquadrados como contribuintes individuais, quando ocorre atendimento a seus beneficiários. · Lembra que a AMS se trata de ente sem personalidade jurídica, conforme art. 34 da Lei 9.656/98 ("Art. 34. As entidades que executam outras atividades além das abrangidas por esta Lei deverão, na forma e prazo definidos pela ANS, constituir pessoas jurídicas independentes, com ou sem fins lucrativos, especificamente para operar planos privados de assistência à saúde, na forma da legislação em vigor e em especial desta Lei e de seus regulamentos. Parágrafo único. A obrigatoriedade prevista neste artigo não alcança as operadoras que atuem Fl. 4215DF CARF MF 10 exclusivamente em atividades relacionadas ao setor de saúde e às operadoras enquadradas no segmento de autogestão patrocinada, na forma disciplinada pela ANS”). · Afirma que os referidos profissionais são previamente selecionados pela empresa operadora, que os credencia através de procedimento por ela definido e os remunera, na forma estabelecida pela empresa no Manual de Operação da AMS apresentado pela recorrente, que disciplina a prestação de serviço no âmbito da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS). · Afirma que, ainda que o médico preste, do ponto de vista material, serviço ao cliente, e, portanto, ao beneficiário da operadora do plano assistencial, ele está, simultaneamente, do ponto de vista jurídico, prestando um serviço à empresa operadora, na medida em que sem o trabalho por ele realizado não pode a mesma desincumbirse da obrigação assumida; e assim, os serviços prestados pelos profissionais credenciados assumem papel fundamental, condicionando à própria existência ou funcionamento regular do sistema privado de assistência à saúde, criado e operado pela recorrente, não podendo ser tida como “terceiro”. · Conclui que o médico e o odontólogo prestam, sim, serviço à empresa, qual seja, de disponibilizar atendimento médico/odontológico aos seus clientes; e tanto é assim, que assinam contrato de convênio ou credenciamento, e o serviço (de atendimento), posteriormente prestado ao beneficiado, é remunerado conforme a tabela previamente estipulada pelo plano de saúde ou pela seguradora, e não pelo médico (como ocorreria se o serviço fosse prestado diretamente ao paciente, sem a cobertura de um plano de saúde). · Acrescenta ainda que, se o segurado, em determinado período, deixe de pagar o valor para o programa de assistência à saúde, a obrigação da empresa com o médico, de lhe remunerar pelo atendimento já prestado ao segurado, subsiste; e mais, caso o médico não receba sua remuneração, ele não irá cobrála do paciente, mas da seguradora/operacionalizadora do plano de saúde. Ressalta que, se realmente houvesse intermediação no caso, não deveria o segurado pagar qualquer valor nos meses em que não usufruísse do plano de saúde, pois não haveria intermediação nesses meses, o que, todavia, não corresponde à lógica das empresas operadoras de planos de saúde, que lidam com a álea e cobram mensalmente as prestações de seus segurados – sob pena de estes ficarem desamparados da cobertura securitária – independentemente da efetiva utilização do plano em um dado mês3. · Finalmente, ressalta que discussão semelhante à travada no presente feito já foi objeto de solução de controvérsia envolvendo o Banco Central do Brasil (Bacen) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), culminando com a elaboração do Parecer AGU/SRG nº 01/08, sem força vinculativa, mas que se adota também como fundamentação, do qual se extrai o seguinte: Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 7 11 “38. Com efeito, a primeira observação a ser produzida deve estar vinculada à regra legal a ser observada para aferir a caracterização, ou não, da obrigação tributária. 39. Na redação originária do art. 22, da Lei nº 8.212/91, já havia a previsão de pagamento de contribuição previdenciária – cota patronal –, por parte de pessoa jurídica – empresa –, diante da remuneração auferida por trabalhadores autônomos que lhe prestassem serviço: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei nº 9.317, de 1996) I 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos que lhe prestem serviços; 40. Com as alterações normativas, houve detalhamento da disciplina, já imposta e a elevação da correspondente alíquota, de quinze para vinte por cento, esta diante do advento da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. 41. Atualmente, a regra contempla os seguintes termos – com a redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99: ‘Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços’; 42. A incidência da mencionada disciplina ao Banco Central do Brasil decorre da configuração da condição de empresa, para os termos fiscais, responsável pelo pagamento dos trabalhadores autônomos que lhe prestam serviço decorrentes de estarem credenciados para o atendimento de saúde vinculado ao PASBC. 43. Não é possível sustentar o argumento de que ocorre indevida aplicação do art. 108, do Código Tributário Nacional, pois não se está a interpretar para exigência de tributo não previsto em lei: a uma, a contribuição previdenciária cogitada detém previsão legal; a duas, a aplicabilidade ao Banco Central está no fato de que é este a pessoa jurídica que promove o pagamento da remuneração dos trabalhadores autônomos que atendem as necessidades do PASBC, conceituado como ‘empresa’, por estrita previsão legal – art. 15, da Lei nº 8212/91 e não por interpretação ampliativa da legislação de regência”. (destaques lançados) · Em relação ao que alegou a recorrente de que sua tese fora acatada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, conforme Acórdão 9202002.246, na Sessão de Agosto de 2012, que declarou a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as Fl. 4217DF CARF MF 12 remunerações pagas aos contribuintes individuais – profissionais da área médica e odontológica, tendo como contribuinte também a PETROBRÁS, afirma que não foi verdadeiramente submetida à CSRF a questão de mérito acerca da incidência das contribuições, mas tão somente firmado que o citado Parecer AGU SRG 01/08 não possui força vinculativa, pois não foi aprovado pelo Presidente da República. · Diz que, como o único fundamento para a maioria do Colegiado a quo para manter o lançamento fiscal foi o Parecer AGU/SRG nº 01/2008, pela crença de seu efeito vinculante, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso da PETROBRÁS, tendo em vista o efeito não vinculante do citado parecer, prevalecendo conclusão pela improcedência do lançamento da maioria do colegiado a quo. · Conclui, assim, que a questão de mérito, qual seja, incidência das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pela prestação de serviços médicos e odontológicos por contribuinte individuais não foi analisada pela CSRF e, mesmo na inexistência do dito parecer da AGU, o lançamento fiscal se encontra respaldado pela Lei n° 8212/91. Traz também várias jurisprudências no sentido de que incide sim a contribuição previdenciária discutida no caso. É o relatório. Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Contribuinte Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 4180. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de contribuições previdenciárias em relação aos pagamentos feitos pela recorrente a médicos e odontológicos na qualidade de contribuintes individuais. No relatório fiscal de fls. 60/69 a fiscalização informou, em síntese, que: apurou, através da análise das DIRF, folhas de pagamento e GFIP que o contribuinte não incluiu na base de cálculo das contribuições, as remunerações pagas a determinados mediante intimação, solicitou ao contribuinte que prestasse esclarecimentos acerca da natureza dos pagamentos realizados, bem como da razão para não declararem em GFIP, nem incluírem na base de cálculo da contribuição previdenciária, obtendo como resposta a explicação de que os serviços médicos e odontológicos eram prestados diretamente ao beneficiário, sendo apenas um agente pagador dos profissionais credenciados. Quanto aos demais prestadores de serviços não apresentou qualquer explicação para a falta de declaração em GFIP e inclusão na base de cálculo; os serviços prestados pelos profissionais da área da saúde para a empresa consistem na vantagem remuneratória oferecida aos beneficiários e revertida em prol da contratante, através da mão de obra de melhor qualidade, mais satisfeita e produtiva; através da análise do Manual de Operação da AMS é possível concluir que a empresa não é meramente um agente pagador por conta e ordem de seus beneficiários, mas a gestora do plano de saúde; a prestação de serviços médicos obviamente sempre terá como destinatário final a pessoa, mas não significa que não possa ser prestado à pessoa jurídica, ou tornaria letra morta a previsão legal do artigo 22, III da Lei 8.212/91; os valores pagos foram contabilizados como despesas operacionais dedutíveis e houve retenção de IRRF dos profissionais que prestaram os serviços, o que contradiz a informação de que não recebeu a prestação dos Fl. 4219DF CARF MF 14 serviços. No caso de terem sido prestados aos beneficiários, deveria ter contabilizado as despesas como remuneração dos empregados e descontado destes o IRRF; em relação aos prestadores de serviço não pertencentes à área da saúde a empresa, embora intimada, não apresentou qualquer consideração; relacionou nos anexos 2 e 3 os prestadores de serviços, com base nas informações prestadas pela empresa em resposta aos TIF 2, 3 e 4; Por outro lado, apresentou o recorrente argumentos no sentido de inexistir prestação de serviços a PJ, mas apenas aos beneficiários diretamente, não devendo perdurar a incidência de contribuições previdenciárias, primeiro pela inexistência de prestação de serviços ou mesmo que estaria suprindo direcionamento constitucional de assegurar direito a saúde a todos. Contudo, não vejo como acatar seus argumentos de forma a desconstituir o lançamento, tendo em vista a expressa subssunção dos fatos narrados a norma previdenciária que determina a exigência de contribuições face a contratação de contribuintes individuais. Aliás, foi essa mesma linha de raciocínio a adotado pelo acórdão recorrido, ao qual concordo com os fundamentos, inclusive adotando como razões de decidir. AMS. Assistência Multidisciplinar de Saúde da Petrobrás. Aduz a recorrente que os pagamentos realizados aos profissionais de saúde credenciados na AMS –Assistência Multidisciplinar de Saúde da Petrobrás, feitos em decorrência de diversos e sucessivos Acordos Coletivos de Trabalho, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, pois os serviços, prestados exclusivamente aos beneficiários e reais tomadores dos serviços (empregados e seus dependentes), são escolhidos sem interferência da recorrente, não existindo, portanto, qualquer vínculo jurídico entre a Petrobrás e os profissionais de saúde. A recorrente apenas viabiliza e operacionaliza o sistema, fazendo as intermediações necessárias. Diferentemente do que alega, entendemos que o pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91, pois os serviços foram prestados por segurados contribuintes individuais à recorrente. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. No caso, a recorrente credencia e remunera prestadores em benefício de seus trabalhadores. Estes, ao serem atendidos por quaisquer dos prestadores credenciados, beneficiamse de um serviço contratado, ofertado e remunerado pela recorrente. Há sim uma relação jurídica entre os prestadores e a recorrente. Ou Fl. 4220DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 9 15 não há acordo de vontade que gere direitos e obrigações recíprocos? A recorrente alega que apenas disponibiliza as informações sobre a existência dos profissionais, clínicas, hospitais, etc., dentro de determinadas regiões, para que, a critério dos beneficiários, estes possam recorrer àqueles. Assim, o credenciamento em questão seria mero procedimento administrativo. Ocorre que, como destacado pela autoridade fiscal, a recorrente não realiza mero cadastramento de profissionais, clínicas e hospitais, menos ainda, é simples agente pagador por conta e ordem de terceiros. O Manual de Operações da AMS demonstra que toda a estrutura normativa e operacional é gerida pela recorrente, que detém total controle e poder decisório quanto aos profissionais e hospitais que serão ou não credenciados, ou descredenciados, a qualquer tempo, à revelia da vontade dos empregados. Outrossim, a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações em meio papel ou eletrônico, no portal da AMS http://tissweb.petrobras.com.br/tissweb/manual/manual_credenc iado.pdf), inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Ora, a mera atividade de credenciamento de prestadores e de repasse de pagamento não se coaduna com o arcabouço normativo e operacional, nem com este nível de ingerência na fruição dos serviços, menos ainda com a alegada autonomia dos beneficiários. Como destacado na decisão a quo: 12. Não se pode concordar com a tese de inexistência de relação jurídica contratual com os profissionais de saúde credenciados, pois ela surge no momento em que os profissionais e a Impugnante manifestam suas vontades, os primeiros, no sentido de prestarem atendimento na área da saúde (solicitando cadastramento), a segunda, no sentido de aceitar a prestação do serviço (admitindo o cadastramento). Os profissionais de saúde filiaramse ao programa da AMS, gerido pela Impugnante, PETROBRAS, e se submeteram às regras e valores por esta estabelecidos, independentemente de quem seja o beneficiário. 13. O vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a Impugnante e secundariamente com o empregado, beneficiário. O profissional não diz que presta serviços para este ou aquele beneficiário, ele diz que é credenciado e presta serviços para a PETROBRAS, e exige desta, administrativa ou judicialmente os seus haveres. O vínculo com o beneficiário, diferentemente da Impugnante, encontrase no campo da responsabilidade civil, decorrente da sua atuação como promotor de saúde. Quanto à afirmação de que o pagamento dos serviços ocorreu por conta e ordem de terceiros, neste caso, os empregados, que, Fl. 4221DF CARF MF 16 supostamente, seriam os contratantes, cumpre ressaltar que o ACT 2007/2009, na cláusula 44ª, estabeleceu que o custeio das despesas com o programa AMS seria realizado com a participação financeira da recorrente na proporção de 70% dos gastos e 30% pelos beneficiários. Ademais, a própria recorrente contabilizou a sua participação como despesa operacional dedutível, o que evidencia que os pagamentos ocorreram por conta própria, ou seja, na condição de contratante dos serviços prestados. Os precedentes trazidos pela recorrente tratam da hipótese em que as operadoras de planos repassam valores aos profissionais médicos pelos serviços prestados aos seus clientes. No caso em tela, não se trata de mero repasse de valores, mas de pagamento por conta própria, em função dos serviços prestados pelos profissionais de saúde à recorrente, que, inclusive, transitaram por conta de resultado. Caso fossem meros repasses, transitariam em conta patrimonial transitória, exclusivamente para operacionalizar a intermediação e remessa de numerários do tomador para o prestador, o que, de fato, não ocorreu. Aponta ainda a recorrente que lançamento referente a período anterior, sobre o mesmo fato gerador, foi julgado improcedente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (processo n° 35301.003300/200634). É preciso ressaltar, todavia, que a recorrente juntou apenas a certidão de julgamento do Recurso Especial, mas que da análise do acórdão constatase que os Conselheiros não adentraram na análise da matéria, apenas concordando que o Parecer AGU/SRG01/ 2008 não vinculava toda a Administração Pública por não ter sido aprovado pela Presidência da República (§ 1° do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93), constando da própria ementa que “com relação ao mérito, embora a posição da maioria do Colegiado a quo tenha sido no sentido da improcedência do lançamento, mantevese a exigência exclusivamente em função do caráter vinculante do Parecer AGU/SRG n° 01/2008”, sendo que, “afastada tal premissa, adotada de forma equivocada, deve prevalecer a conclusão inicial, ou seja, a notificação fiscal de lançamento de débito é improcedente”. Ou seja, a Câmara Superior não adentrou na análise da incidência ou não de contribuições previdenciárias em casos como o presente. Demais prestadores. Alega a recorrente que dentre os prestadores identificados na DIRF e incluídos no lançamento, pelo menos 603 foram declarados em GFIP e vários outros são transportadores autônomos, o que ensejaria a redução da base de cálculo. A autoridade fiscal esclareceu que a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos acerca dos pagamentos realizados aos prestadores de serviços e, na ocasião, nada mencionou acerca dessas alegações. Em sua peça recursal, restringise a afirmar, sem qualquer comprovação, que parte dos contribuintes individuais já estavam declarados nas GFIP e vários outros eram transportadores. Não há nos autos sequer a especificação de quais deles deveriam ser retirados do lançamento ou mesmo a base de cálculo que deveria ser retificada. Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 10 17 A teor do que dispõe o artigo 16, III do Decreto 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sendo assim, não é admissível a argumentação genérica, sem que a recorrente aponte, sequer, um caso, ou apresente uma prova do que está alegando, de forma que se deve manter o lançamento inalterado, também, nesta questão. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Assim, como apreciado pelo acórdão recorrido a situação ora sob análise, embora tenham sido apresentados diversos argumentos pode ser resumida a possibilidade de incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos pela recorrente a médicos e odontólogos. Vejamos os dispositivos que fundamentam o lançamento: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Conforme trazido no relatório fiscal, não há dúvida que os pagamentos foram efetuados pela recorrente, tendo inclusive os valores sido lançados como despesa em sua contabilidade e efetivado o correspondente IR, tendo sido a DIRF(código 0588) o instrumento que ensejou a identificação de pagamentos a trabalho sem vínculo de emprego e ensejou a solicitação de esclarecimentos. Ao contrário da interpretação adotada pelo sujeito passivo não vejo qualquer possibilidade de afastar a tributação, tendo em vista que resta demonstrado no presente caso, por meio do relatório fiscal a organização, credendiamento, pagamento dos profissionais postos a disposição dos seus empregados e colaboradores. Assim, como já explicitado no acórdão recorrido, o que ensejou o lançamento das contribuições previdenciárias, não foi a prestação de serviço diretamente a Petrobrás, mas o pagamento por parte desta a profissionais da área de saúde para pessoas a ela vinculados na condição de empregados ou colaboradores. Não há como considerar mera intermediação de pagamento, posto que o gerenciamento dos credenciadores dentre outras normas de modalidade de auto gestora acabam por ensejar elo entre a recorrente e os médicos credenciados. Aliás essas questões encontramse descritas no relatório fiscal em relação a criação do Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS. NO termos do documento que define a estrutura de funcionamento do Programa AMS o Ao Órgão Normativo da AMS (RH/CO) cabe a gestão corporativa e a elaboração de políticas, diretrizes e normas do Programa, bem como o controle e auditoria das ações dos órgãos executores. De igual forma fica clara a gestão por parte da recorrente quando assim delimita: I CONDIÇÕES GERAIS PARA CREDENCIAMENTO 1.1 OS credenciamentos deverão ser processados levandose em conta que as características e condições da comunidade, bem como a clientela potencial, é que determinarão o número, Fl. 4223DF CARF MF 18 especialidade e outros aspectos relativos ao quadro de credenciados. 1.2 A inscrição dos profissionais e instituições e o respecitivo credenciamento poderão ser processados a qualquer época do ano, através dos órdãos credenciadores da AMS, levandose em conta as necessidades locais. 1.3 OS descredenciamentos poderão ser realizados quando for conveniente para a Companhia a qualquer tempo, levandose em consideração a legislação em vigor. Identificando o pagamento aos profissionais autônomos pagos por meio da Petrobrás, qual outro enquadramento poderseia vislumbrar sendo o pagamento efetuado pela autuada. OU seja, existe vínculo de prestação de serviços a beneficiários da autuada, pagos por ela, situações que se subssume a incidência de contribuição previdenciária na qualidade de contribuinte individual. Notese que não se pode argumentar o fato de que nos termos da legislação trabalhista (art. 458, §2º da CLT) o fornecimento de assistência médica não integra a remuneração, ou que o próprio decreto 3.048/99 (art. 214, §9º) exclui o valor da assistência médica do conceito de salário de contribuição. Na verdade, tratamse de contribuições distintas e fatos geradores distintos: No lançamento o fato gerador lançado é o pagamento a profissionais contribuintes individuais que restaram serviços aos beneficiários da autuada, enquanto que as duas normas citadas no parágrafo anterior descrevem a exclusão da base de cálculo do benefício fornecido, ou seja, a exclusão do valor do plano de saúde, reembolso de medicamentos do conceito de salário de contribuição dos beneficiários. TRatamse de fatos geradores distintos, sendo que em relação ao benefício concedido aos empregados não existe qualquer lançamento ora em discusão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte, por entender não existir qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido. Conclusão Face o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 4224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002184/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, para excluir, por decadência, o valor relativo ao período de apuração junho/2005, mantendose o restante do crédito tributário lançado. Versa o processo sobre auto de infração lavrado em 26/07/2010 para a exigência da contribuição ao PIS/Pasep, juros de mora e multa de ofício, no valor total de R$ 586.657,64, consolidado até 30/06/2010, relativamente aos períodos de apuração de junho de 2005 a abril de 2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 18 4/ 20 10 -4 1 Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 969 2 Consta no Relatório Fiscal que: (...) Depreendese, portanto, que as cooperativas em geral somente poderão excluir da base de cálculo de incidência do PIS/PASEP e da COFINS, as receitas previstas nos incisos I, II, III e IX do art. 3.° da IN SRF n.° 145/99 citada anteriormente, não lhes sendo acessíveis as exclusões previstas no art.15 da MP 2.15835/2001, pois se referem às cooperativas de produção. Por outro lado, a mesma Medida Provisória (2.15835/99), no seu art. 2.°, ao dar nova redação ao art.3.° da Lei n.° 9.718/99, incluiu o parágrafo nono a saber : " § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (NR)" Assim, de acordo com o estabelecido em seu art. 92, a citada Medida Provisória entrou em vigor na data de sua publicação produzindo efeitos, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de dezembro de 2001, relativamente ao disposto no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Nas planilhas apresentadas pela fiscalizada constatamos que na determinação da base de cálculo do PIS foram excluídos os custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora (hospitais, clinicas médicas, laboratórios, etc). As exclusões especificas da base de cálculo da contribuição para o PIS das operadoras de pianos de assistência à saúde são: coresponsabilidades cedidas, parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas e valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. (Art. 3°, parágrafo 9º, da Lei 9.178/98, com redação dada pela MP n° 2.15835/2001) (...) As importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades representam as quantias recebidas pela empresa, oriundas da outra operadora, a quem caberia a responsabilidade pelos eventos que se transferiram (atendimentos médicos, hospitalares, etc) para ressarcir a empresa por aqueles desembolsos. A fiscalizada só pode realizar a dedução do valor pago que corresponder a atendimentos a associados de outra operadora. Pelo exposto, concluímos que as deduções específicas da receita bruta das operadoras de planos de assistência à saúde, para determinação da base de cálculo do PIS, não abrangem os custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora. A contribuição incide sobre o faturamento auferido, e não sobre o resultado (sobras). (...) Inconformada, a interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese: a) decadência parcial; b) os atos praticados estariam no escopo da perseguição dos objetivos da cooperativa, não cabendo se falar em atos não cooperados quando, por exemplo, paga hospitais ou laboratórios; c) possibilidade de exclusão dos valores pagos aos profissionais e empresas de saúde pelos exames, consultas e serviços hospitalares prestados aos pacientes associados a seu próprio plano, e não somente os desembolsos relacionados a eventos de associados de outros planos de saúde em decorrência de coobrigação assumida; e d) a especificidade da operação de planos de saúde exige ajustes nas bases de cálculo das contribuições lançadas de forma a se Fl. 969DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 970 3 tributar somente o que se configurar como efetivo faturamento, ou seja, a comissão ou taxa de administração. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, somente no que concerne à decadência parcial, sob os seguintes fundamentos principais: Quanto à decadência, aplicase ao presente caso a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Como a ciência do auto de infração se deu em 27/07/2010 (fl. 5), o período de julho/2005 foi alcançado pela decadência. A partir de novembro de 1999, a base cálculo das contribuições de PIS/Cofins passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. As deduções especificamente destinadas às operadoras de plano de assistência à saúde não autorizam a exclusão dos custos decorrentes do atendimento a seus usuários, como despesas hospitalares, honorários médicos, custos com exames, etc, para fins de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Cientificada dessa decisão em 10/05/2013, a interessada interpôs recurso voluntário em 11/06/2013, repisando as alegações da impugnação, sob o seguinte pedido: Diante do exposto, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso, sem prejuízo do êxito parcial já obtido na decisão recorrida, e declarandose a improcedência do auto de infração de PIS, ante:: (i) a definição jurídicoeconômica de operadora de planos de saúde da Recorrente, reconhecendose a possibilidade de se proceder a necessários ajustes na base de cálculo daquelas contribuições, de forma a se colher somente o que se configurar efetiva receita (comissão/taxa de administração), destacandose a previsão contida no §9º do art. 3o da Lei n.° 9.178/98, com redação dada pelo artigo 2° da MP n.° 2.15835/01, deduzindo se todos os custos assistenciais repassados a terceiros médicos, hospitais etc., tanto no atendimento de usuários próprios quanto de usuários de outras operadoras atendidos dentro da área de atuação da Recorrente (não deduzidos nos autos de infração); e (ii) a não incidência tributária que respalda os atos cooperativos das sociedades cooperativas (artigos 79, 87 e 111 da Lei n.° 5.764/71), e na extensão em que postulado no presente recurso voluntário (atendimento médico e pela rede credenciada, integralidade das sobras dentre outros); e (iii) impossibilidade de composição da base de cálculo do PIS e da COFINS com ingressos estranhos ao conceito de faturamento/receita operacional (juros de aplicações financeiras, decorrentes de inadimplência, multas, aluguéis, rendimentos e participações societárias e demais receitas não operacionais); (iv) a ausência de previsão legal para a incidência da SELIC sobre a multa de ofício, limitandose a legislação a exigila sobre o tributo e sobre a multa de ofício nas hipóteses de auto de infração sem tributo. (v) a nulidade e improcedência do auto de infração, tendo em vista o caráter confiscatório da multa de ofício exigida. Requerse ainda, a realização da perícia/diligência acima requerida, sob pena de afronta aos direitos ao contraditório e à ampla defesa. É o relatório. Voto Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 971 4 Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme noticiado nos autos, acerca da tributação do PIS/Pasep, a interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.38.01.0052540, no qual discute a não incidência da contribuição sobre a prática de ato cooperativo, sem que tenha havido qualquer decisão judicial que lhe seja favorável; bem como propôs a Ação Ordinária nº 2008.38.00.0021688, a qual objetiva o ajuste da base de cálculo aplicável às operadoras de planos de saúde, tendo a interessada obtido decisão de primeira instância favorável em parte, somente para o período de novembro de 99 até a produção dos efeitos do artigo 2° da atual MP 2.15835/2001, para a exigência de PIS somente sobre a taxa de administração, deduzidos os repasses especificados1. Dessa forma, para os períodos de apuração sob análise no recurso voluntário, de julho/2005 a abril/2010, não consta nos autos nenhuma medida judicial favorável à recorrente relativamente à exigência de PIS/Pasep. Não obstante isso, foi informado no Relatório Fiscal que a interessada efetuou depósitos judiciais nos autos do referido mandado de segurança, mas que não contemplam a totalidade da contribuição devida no período autuado, conforme demonstrado em planilha, razão pela qual foram lavrados dois autos de infração: um com a exigibilidade do crédito tributário suspensa em face desses depósitos (processo nº 10640.002183/201004) e outro com a exigência da contribuição, multa de ofício e juros de mora e sem a suspensão de exigibilidade (processo nº 10640.002184/201041, ora sob análise). 1 Processo n° : 2008.38.00.0021688 Classe : 1.100 — Ação Ordinária Tributária Autor(es) : UNIMED Muriaé Cooperativa de Trabalho Médico Ltda Réu(s) : União Federal Sentença Tratase de ação ordinária, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela, ajuizada por Unimed Muriaé Cooperativa de Trabalho Médico Ltda, devidamente qualificada na inicial, contra a União Federal, por meio da qual a Autora pretende provimento judicial que declare "V.3.1) o direito da Autora de se sujeitar, enquanto operadora de planos de saúde, e até a produção dos efeitos do art. 2° da atual MP n. 2.15835/2001, à exigência do PIS incidente somente sobre a sua taxa de administração/comissão [entradas/ingressos abatidos os repasses — pagamentos (por conta e ordem — aos profissionais da saúde, sejam associados ou não, credenciados (hospitais, laboratórios, clinicas, transporte de pacientes, medicamentos e demais eventos), outras operadoras (interceimbio) e ressarcimento ao SUS, bem como os valores mantidos em provisões técnicas, reconhecendo, em decorrência disso, a insubsistência do PTA nº 13639.000628/200221, com a declaração de nulidade do lançamento fiscal, ou no que seja recalculado o seu valor, de forma a se aferir o que representa efetiva receita tributável da Autora, com o proporcional decote na base de cálculo do tributo exigido. (...) (...) Nessas razões, Julgo procedente em parte o pedido autoral para declarar o direito da Autora de se sujeitar, enquanto operadora de planos de assistência saúde, desde novembro de 1999 e ate a produção dos efeitos do artigo 2° da atual MP 2.158 35/2001, à exigência do PIS incidente somente sobre a sua taxa de administração/comissão, [entradas/ingressos deduzidos os repasses — pagamentos por conta e ordem — aos profissionais da saúde, associados ou não, credenciados (hospitais, laboratórios, clínicas, transporte de pacientes, medicamentos e demais eventos), outras operadoras (intercâmbio) e ressarcimento ao SUS, bem como os valores mantidos em provisões técnicas, assim como para determinar à Ré que recalcule o valor do lançamento fiscal consubstanciado no PTA no. 13639.000628/200221, de modo a se aferir o que representa a efetiva receita tributável, nos termos em que aqui reconhecido. (...) Fl. 971DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 972 5 De todo modo, antes do julgamento do recurso voluntário, é importante que se conheça o inteiro teor das petições iniciais das duas ações judiciais para se aferir com maior segurança a eventual concomitância, ainda que parcial, com o presente processo; bem como que seja trazido aos autos a situação atual dos referidos processos judiciais para, se for o caso, aplicação da coisa julgada. Ademais, o presente lançamento demanda a intervenção da autoridade fiscal para adequálo às interpretações supervenientes acerca da matéria, como abaixo será esclarecido. Nos últimos anos ocorreram importantes alterações na interpretação das normas relativas à tributação do PIS/Pasep e Cofins, em especial, sobre as operadoras de planos de assistência à saúde, dentre as quais se destacam: i) Foi declarada a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido2 (vide Acórdãos nºs 9303007.041 e 3301004.666 3). ii) No Recurso Extraordinário (RE) nº 599.362, transitado em julgado em julgado em 25/11/2016, em sede de repercussão geral (Tema nº 323 Incidência do PIS sobre 2 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 3 Acórdão nº 9303007.041–3ª Turma, de 10 de julho de 2018 Relator: Andrada Márcio Canuto Natal (...) PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO. STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão que considerou constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98 e declarou a inconstitucionalidade de seu § 1º estabeleceu que apenas o faturamento mensal da sociedade empresária, representado pela receita bruta advinda das atividades típicas da pessoa jurídica, integram a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. (...) Acórdão nº 3301004.666 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de maio de 2018 Recorrente UNIMED ITABIRA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Relatora: Semíramis de Oliveira Duro (...) BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. PLANO DE SAÚDE. ART. 3º, §1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Os valores recebidos dos clientes dos planos de saúde operados pela Cooperativa correspondem a seu faturamento pela prestação de serviços e integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, ou seja, o faturamento é a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde). Isso porque, as cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral,a qual advém de não associados. Com o reconhecimento pelo STF, com efeitos ex tunc, da inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/1998, através do RE n° 585.235/MG (repercussão geral), deve ser afastada a tributação das receitas financeiras e receitas nãooperacionais. (...) Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 973 6 os atos cooperativos próprios), o STF firmou a seguinte tese: "A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP". iii) No RE nº 598.085, que transitou em julgado em 27/10/2017, também sob repercussão geral (Tema nº 177 Revogação, por medida provisória, da isenção da contribuição para o PIS e para a COFINS concedida às sociedades cooperativas), o STF firmou a tese de que: "São legítimas as alterações introduzidas pela Medida Provisória 1.858/1999, no que revogou a isenção da COFINS e da contribuição para o PIS concedidas às sociedades cooperativas". iv) No art. 3º da Lei nº 9.718/98, foram introduzidos os §§ 9ºA e 9ºB, de caráter expressamente interpretativo (vide Acórdãos nºs 9303006.773, 3402004.337 e 3402 005.3354), nos seguintes termos: 4 Acórdão nº 9303006.773 3ª Turma, de 16 de maio de 2018 Interessado: UNIMED UBERABA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. Relatora: Érika Costa Camargos Autran ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 SOBRAS. DEDUÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições sociais as sobras até o limite destinado à formação dos fundos, de reserva e FATES, com base nos atos cooperativos, nos termos estatuídos no art. 1º, § 2º da Lei nº 10.676/2003. As operadoras de planos de assistência à saúde podem deduzir da base de cálculo da Contribuição para a COFINS e do Programa de Integração Social PIS/PASEP, as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários, por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, bem como aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, em conformidade com o preceptivo do art. 3º, § 9ºA da Lei nº 9.718/98, introduzido, em caráter interpretativo, pela Lei nº 12.873/2013. (...) Acórdão nº 3402004.337– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de julho de 2017 Relatora: Maysa de Sá Pittondo Deligne Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9ºA, art. 3º da Lei 9.718/98.Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE.Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo. Recurso de Ofício Negado. Acórdão nº 3402005.3354ª Câmara / 2ª Turma, de 20 de junho de 2018 Recorrente UNIMED ENCOSTA DA SERRA/RS SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS DE SAÚDE LTDA. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 974 7 Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) §9oNa determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Icoresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IIa parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IIIo valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) [negrito] No presente caso, concluiu a fiscalização autuante que "as deduções específicas da receita bruta das operadoras de planos de assistência à saúde, para determinação da base de cálculo do PIS, não abrangem os custos referentes aos atendimentos realizados aos próprios associados da operadora", ou seja, a seu ver, a UNIMED só poderia realizar a dedução do valor pago que correspondesse a atendimentos a associados de outra operadora. Esse entendimento pode não estar em consonância com a norma interpretativa acima, mesmo porque foi veiculada após a lavratura do auto de infração. Pelo que se depreende do teor do Relatório Fiscal, parece também que se considerou no lançamento sob análise, como base de cálculo das contribuições, a totalidade das receitas auferidas, nos termos do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, posteriormente declarado inconstitucional. Dessa forma, tendo em vista a obrigatoriedade de reprodução nos julgamentos do CARF do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015; bem como a retroatividade benigna da norma interpretativa (art. 106, I do CTN); e resguardando eventual julgamento posterior nesse sentido por este Colegiado, entendo que Relator: Pedro Sousa Bispo (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. CUSTOS. ABATIMENTOS LEGAIS Nos termos do § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, nos custos de utilização pelos beneficiários do plano, incluemse os despendidos com seus próprios beneficiários e com os beneficiários de outras operadoras atendidos a título de transferência de responsabilidade. (...) Recurso Voluntário Provido Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 975 8 deve ser solicitada à fiscalização que aparte do lançamento eventuais parcelas que não se coadunem com a interpretação dada pelos §§ 9ºA e 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718/98 ou com a declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Por fim, com relação à questão das sobras líquidas, assim decidiu a DRJ: No tocante à exclusão das sobras líquidas (art. 32, inciso VI, do Decreto n.º 4.524/2002 c/c o art. 36 da MP n.º 66/2002), o art. 1º da MP n.º 101/2002, convertida na Lei n.º 10.676/2003, introduziu as seguintes alterações: Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2º Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados à formação dos Fundos nele previstos. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n.º 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” (Grifei). Dessa forma, no que tange às sobras líquidas para as cooperativas médicas, a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Acontece que tais valores não estão evidenciados nos autos. A defendente limitouse a pedir a referida exclusão, sem contudo destacar quais seriam os valores destinados aos fundos acima (que seriam os dedutíveis). Assim, não se pode amparar a reclamação da interessada. De outra parte, alega a recorrente que teria direito a dedução das sobras, requerendo a exclusão de tais valores do auto de infração, seja sob a perspectiva do ajuste da base de cálculo de operadora de planos de saúde (repasse), ou seja na perspectiva do ato cooperativo (produção de cooperados), ressaltando que tais montantes estariam demonstrados nos autos, nestes termos: Tais montantes estão demonstrados nas planilhas apresentadas por ocasião da Impugnação, bem como nas atas de Assembléia anexadas e balancetes. Com relação especificamente às sobras destinadas ao FATES e ao Fundo de Reserva, a despeito de se entender que as deduções não se limitam a estes fundos, a Delegacia não observou aqueles documentos, todos juntados por ocasião da Impugnação. Destaquese estes valores estão registrados nas contas. 2.713200000001 (FATES) e 2713100000001 (Fundo de Reserva) dos balancetes. Dessa forma, também nessa questão das sobras, é prudente solicitar a análise da autoridade fiscal dos documentos mencionados no Recurso Voluntário a fim de verificar se assiste o direito à dedução pleiteado e, em caso afirmativo, em que medida. Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem adote as seguintes providências: Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10640.002184/201041 Resolução nº 3402001.471 S3C4T2 Fl. 976 9 a) Junte aos autos a cópia integral das petições iniciais do Mandado de Segurança nº 2002.38.01.0052540 e da Ação Ordinária nº 2008.38.00.0021688, bem com a Certidão de Objeto e pé demonstrando a situação atual de tais ações judiciais; b) Em demonstrativo detalhado, segregue do lançamento as parcelas que se façam necessárias em face da interpretação introduzida pelos §§ 9ºA e 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718/98, bem como da declaração de inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. c) No que concerne às sobras líquidas da cooperativa, verifique a habilidade dos documentos mencionados no Recurso Voluntário para comprovar o eventual direito da recorrente à dedução pleiteada e, em caso afirmativo, em que medida. d) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, especificando, se for o caso, as exonerações do lançamento que se fariam necessárias em face dos entendimentos acima, de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF; e e) Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 976DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.722422/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado.
INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE.
Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1302-003.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.762 1 2.761 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.722422/201581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.227 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria IRPJ DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente ALESAT COMBUSTIVEIS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, em consequência, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos de relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 24 22 /2 01 5- 81 Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.763 2 Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em relação ao Acórdão nº 06 54.344, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/Curitiba), de 4 de abril de 2016 (fls. 2.498 a 2.574), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo, conforme ementa a seguir: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento ausente qualquer transgressão alguma ao devido processo legal. PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da geração do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. EMPRESA VEÍCULO. OPERAÇÕES SOCIETÁRIA ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. TRANSAÇÃO ENTRE PARTES ASSOCIADAS EM JOINT VENTURE. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização pela interessada do ágio questionado, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, apurado pela empresa veículo sobre o seu próprio patrimônio líquido da interessada, mediante operações Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.764 3 societárias estruturadas em sequência envolvendo partes vinculadas, pois não é possível reconhecer maisvalia de investimento quando originado de transação de pessoas jurídicas vinculadas, haja vista a ausência de substância econômica e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. ÁGIO INTERNO APURADO SOB JUSTIFICATIVA DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. CRIAÇÃO DE CONDIÇÕES ARTIFICIAIS PARA JUSTIFICAR A APURAÇÃO DO ÁGIO INTERNO PELA EMPRESA VEÍCULO. Independentemente das razões e dos propósitos almejados com a reorganização societária do grupo econômico, é inegável que as operações societárias estruturadas em sequência, com utilização de empresa veículo, em questão de meses, criaram condições artificiais para justificar a apuração do ágio impugnado, com finalidade de gerar ganhos indevidos de natureza tributária; a liberdade de autoorganização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, pois o ágio amortizável de que trata o art. 7º, III, da Lei nº 9.532, de 1997, é aquele em que houve um efetivo dispêndio ou ônus assumido por terceiro em um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as partes. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS Dada a correção da glosa do ágio artificial promovida pela Autoridade Fiscal a quo, resta evidente que os prejuízos fiscais (no total de R$ 3.526.666,34, em 2011, e deR$ 4.875.720,89, em 2012) foram indevidamente compensados pela contribuinte. MODIFICAÇÕES DA NORMA JURÍDICA TRIBUTÁRIA RETIRAM EFICÁCIA DA DECSIÃO TRANSITADA EM JULGADO FAVORÁVEL À CONTRIBUINTE. Acolhese a argumentação da fiscalização de que as modificações posteriores introduzidas por diversas leis na legislação que instituiu a CSLL retiram a eficácia da decisão com trânsito em julgado anteriomente favorável a contribuinte haja vista que constitui o crédito tributário com base em norma de incidência distinta que não deve ser confundida com lei que a veicula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PERDAS EM OPERAÇÕES DAY TRADE. A legitimidade do lançamento relativo ao IRPJ, quanto à glosa de prejuízos de operações daytrade não se estende, por Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.765 4 tributação reflexa, à CSLL, pois não há previsão legal expressa para sua inclusão na base de cálculo da contribuição." O presente processo é fruto de procedimento fiscal realizado junto à Recorrente, resultando na lavratura de autos de infração relativos ao IRPJ e CSLL, anos calendários de 2010 a 2012, com base nas seguintes infrações: (i) Falta de adição de despesas indedutível na apuração do IRPJ (amortização de ágio) (ii) Compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral (iii) Multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada (iv) Falta de declaração e pagamento da CSLL (v) Multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada Para todas as infrações, foi aplicada a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Em apertada síntese, o lançamento relativo ao IRPJ decorreu de reorganização societária, descrita no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 32 a 57, do seguinte modo: "II.1.a.2 Do Acordo Firmado entre Acionistas Satélite (Sat) e Acionistas Ale Combustíveis (Ale) 27. Em 30/03/2006 empresas ligadas à Satélite Distribuidora de Petróleo S.A, CNPJ 70.052.352/000176 e à Ale Combustíveis S.A, CNPJ 23.314.594/000100, efetuaram acordo, denominado “Acordo de Associação”, visando a exploração compartilhada de atividades empresariais relativas a combustíveis, na proporção de 50% para cada uma dessas duas empresas. 28. Esclarecemos que a Ale Combustíveis S.A, de CNPJ 23.314.594/000100, é a empresa objeto desta Fiscalização, cuja razão social atual é Alesat Combustíveis S.A. 29. O “Acordo de Associação” foi realizado pelas seguintes partes e intervenientes: a) De um lado, empresas ligadas à interveniente Satélite Distribuidora de Petróleo S.A, CNPJ 70.052.352/000176, aqui denominada “Satélite” ou “Sat”; a.1) TAS Participações S.A, CNPJ 07.901.744/000126, aqui denominada TAS Participações ou Veículo SAT; a.2) SAT Holding S.A, CNPJ 05.969.901/000100, e DBVA SAT Holdings Administração e Participações Ltda. Aqui Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.766 5 denominada a primeira de SAT Holding e a segunda de DBVA SAT, e em conjunto de “Acionistas SAT”; b) Do outro lado, empresas ligadas à interveniente Ale Combustíveis S.A, CNPJ 23.314.594/000100, aqui denominada de “Ale” ou “Alesat”: b.1) Ale Participações Societárias Ltda., CNPJ 07.816.657/000170, aqui denominada de “Veículo Ale” ou Ale Participações; b.2) ISA participações S.A, CNPJ 01.513.782/000125, Samor Administração e Participações S.A, Garan participações Ltda, CNPPJ 01.524.562/000105, Metminas Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 01.513.698/000101, JM Participações S.A, CNPJ 01.530.077/000136, e Vivan Moraes e Filho Participações Ltda, aqui denominadas em conjunto de “Acionistas Ale” 30. Nos “Considerando” do “Acordo de Associação”, entre as empresas Satélite Distribuidora de Petróleo S.A (Sat) e Ale Combustíveis S.A (Ale), ficou estabelecido que: a) Itens (i) e (ii) Os ramos de atuação de ambas as empresas são assemelhados; b) Item (iii) Com exceção de 07 ações detidas por membros do Conselho de Administração, os “Acionistas Sat” são titulares de 100% das ações representativas do Capital Social da Satélite (Sat); c) Item (iv) Os “Acionistas Sat” são titulares de 100% das ações representativas do Capital Social da TAS Participações S/A (veículo SAT); d) Item (v) Os “Acionistas Ale” são titulares de 100% das ações representativas do Capital Social da Ale Participações Societárias Ltda. (Veículo Ale); e) Item (vi) Com exceção de 46.370 ações detidas por membros do Conselho de Administração, a “Ale Participações Societárias Ltda. (Veículo Ale) é titular de 100% das ações representativas do Capital Social da Ale Combustíveis (Ale). 31. Para tanto, nesse “Acordo de Associação”, ficou estabelecido: a) Item (2.1) Que devido à diferença entre os valores econômicos intrínsecos atribuídos à Ale Combustíveis (R$ 278.573.000,00) e à Satélite (R$ 203.973.000,00), para que cada veículo possa deter 50% do capital da Ale Combustíveis (Ale) da qual a Satélite será subsidiária integral após as operações é necessário equalizar os valores econômicos através da reestruturação das duas empresas; Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.767 6 b) Item (3.2) Que a Ale Combustíveis (Ale) deverá ser uma subsidiária integral do Ale Participações Societárias Ltda (Veículo Ale); c) Item (3.3) Que “Acionistas Sat” farão subscrição de capital da “Companhia Sat Participações” (Cia Sat) no valor da equalização dos valores econômicos; d) Item (6.1) Que a “Cia Sat” deverá ser titular do total das ações da Satélite (Sat). e) Item (6.1) – Que a totalidade do capital da “Cia Sat” deverá ser detida pelo “Veiculo Sat”, que por sua vez terá a totalidade do seu capital detida pela SAT Holding e Pela DBVA SAT, na proporção de 64% e 36%, respectivamente; f) Item (6.3) – Que “Cia Sat” incorporará a totalidade das ações de emissão da Ale; g) Item (7.1) – Que a “Cia Sat” na sequência será incorporada pela Ale; h) Item (7.3) – Que a Ale incorpore sua subsidiária integral, a Satélite. 32. Em resumo, e no que mais interessa à presente Fiscalização, observamos que as empresas envolvidas acordaram: a) que a “Cia Sat” (detentora de 100% das ações da Satélite) promova a incorporação de ações da Ale Combustíveis (Ale); b) que, na sequência, a “Cia Sat” agora a controladora da Ale, seja incorporada por sua controlada – a Ale Combustíveis S/A (Ale); c) por fim, que Ale Combustíveis (Ale), incorpore a sua subsidiária integral, a Satélite, atingindo neste momento o objetivo final do “Acordo de Associação”. II.1.a.3 Das reorganizações societárias 33. Do exame das Atas das AGE das empresas envolvidas, verificamos a realização de várias reorganizações societárias entre 03/07/2006 e 12/01/2007 em cumprimento ao “Acordo de Associação” de 30/03/2006, até a incorporação da Satélite pela Ale Combustíveis (Ale). 34. Para esta Fiscalização, tomamos como início, a data de 23/03/2006, quando houve a constituição da Companhia Sat Participações (Cia Sat) pelas empresas Sat Holding e TAS Participações, as quais subscreveram a totalidade do Capital Social da nova empresa no valor de R$ 1.000,00; cujo objeto era de “participação no capital social de outras sociedades”. 35. Em 30/03/2006 foi firmado o “Acordo de Associação”, no qual a Satélite e Ale Combustíveis (Ale) figuram como Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.768 7 intervenientes, para explorarem econômica e empresarialmente suas atividades de forma compartilhada (Como acima já relatado, verificamos que esse acordo tem como objetivo a incorporação da Satélite pela Ale Combustíveis (Ale)). 36. Em 01/06/2006, a “Cia Sat” aumentou, em R$ 20.581.760,00, seu Capital Social, que era de R$ 1.000,00. O aumento foi subscrito e integralizado pela empresa “Sat Holding” mediante conferência à “Cia Sat” de créditos de titularidade da subscritora. 37. Na data de 08/06/2006 (às 09h00), a “Cia Sat” aumentou seu Capital Social em R$ 7.075.131,00 com integralização feita pelas empresas “Sat Holding” e “DBVA” em que ambas conferem a “Cia Sat” ações da Satélite de que eram titulares 38. Nesse mesmo dia (08/06/2006), às 09h30, a “Cia Sat” aumentou seu capital em R$ 11.798.900,00, sendo a sua integralização feita pela DBVA mediante a compensação de créditos detidos pela subscritora contra a Companhia. 39. Em 09/06/2006 a “Cia Sat” realizou outro aumento de capital, dessa vez no montante de R$ 15.752.326,00 com integralização feita pela empresa “TAS Participações”, que confere a “Cia Sat” ações da Satélite de que era titular. 40. Em resumo, todas essas reorganizações foram feitas para tornar a “Cia Sat” titular de todas as ações da Satélite (tal como acertado no “Acordo de Associação” acima já mencionado). 41. Em 03/07/2006, a Cia Sat (Companhia Sat Participações, CNPJ 07.933.395/000124), em operação de incorporação de ações com a “Veiculo Ale” (Ale Participações Ltda., CNPJ 07.816.657/000170), tornouse titular de todas as ações da empresa Ale (Ale Combustíveis S/A CNPJ 23.314.594/0001 00), passando essa última empresa de subsidiária integral da segunda (Veículo Ale) para subsidiária integral da primeira (Cia Sat): (...) 42. Como se vê, da leitura do Protocolo de Justificação de Incorporação de Ações, o conjunto de operações realizadas pelas empresas resulta na fusão das atividades de distribuição de combustíveis – conforme foi estabelecido no “Acordo de Associação”; e não a aquisição de uma pela outra." Como resultado das operações acima e desdobramentos posteriores, a Recorrente passou a registrar ágio decorrente de aquisição de participação societária na Cia Sat (conta 13040204 Ágio por Rentabilidade Futura Cia Sat), amortizado em 120 meses, na proporção de R$ 1.959.937,07 ao mês. O RAF, assim, descreve o surgimento do referido ágio: "II.1.a.4 Da criação do ágio e do seu ingresso no patrimônio da “Alesat” Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.769 8 43. Nesse conjunto de operações, o ágio foi criado na incorporação de ações da Ale pela Cia Sat, que ocorreu da seguinte forma: a) O Capital da Cia Sat, que era de R$ 55.209.117,00, foi aumentado em R$ 55.209.117,00, passando a ser de R$ 110.418.234,00; b) A empresa “Veículo Ale” (Ale Participações Societárias Ltda.) subscreveu todas as ações, sendo o capital integralizado com a transferência de 100% das ações da Ale (Ale Combustíveis S/A), de titularidade daquela empresa, para a Cia Sat. 44. O valor patrimonial da Ale Combustíveis S/A (Ale) era de R$ 6.080.551,34, no entanto, para avaliar seu preço de mercado, seria necessária a contratação de empresa especializada. 45. Conforme consta na Ata da AGE da “Cia Sat” (Companhia Sat Participações S/A), de 03/07/2006 (em seu item 6 – Deliberações), a empresa “AVALIAR AVALIAÇOES E ASSESSORIA LTDA” foi nomeada como responsável pela elaboração dos laudos das duas empresas (Cia Sat e Ale). De acordo com a referida ata, os laudos foram elaborados e arquivados na sede da Cia Sat (Companhia Sat Participações S.A.). 46. Em fiscalização anterior, determinada pelo MPF nº 04001002102.00049, que resultou em lavratura de auto de infração formalizado por meio do processo administrativo nº 10469.723360/201362, foi apresentado Laudo de Avaliação da Ale (Ale (Ale Combustíveis S/A), que foi avaliada em R$ 313.597.000,00. Esse valor, descontados os dividendos de 2006 e as cisões ocorridas, resultou num montante de R$ 241.273.000,00. 47. Naquela oportunidade, a Fiscalizada informou não existir laudo de avaliação da “Cia Sat” de que trata a Ata da AGE da Cia Sat de 03/07/2006. 48. No entanto, mesmo não existindo laudo valorando as ações emitidas pela Cia Sat, como afirmou a Fiscalizada, quando do “lançamento dessas ações”, foi constituída uma Reserva de Capital – Ágio em Ações, no valor de R$ 186.063.883,00 da seguinte forma. Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.770 9 Valor (R$ Descrição 235.192.448,66 Ágio da Ale Combustíveis (Ale) 6.080.551,34 Patrimônio líquido da Ale combustíveis (Ale) Total 241.273.000,00 Valor de Avaliação da Ale Combustíveis (Ale) 55.209.117,00 Valor do aumento de Capital Social na Cia Sat 186.063.883,00 Reserva de Capital Ágio na emissão de Ações Total 241.273.000,00 Valor incorporado ao patrimônio da Cia Sat 49. É oportuno salientar, e o “Acordo de Associação” entre as partes envolvidas ratifica, que não houve aquisição, isto é, compra e venda. Ou seja, não existiu pagamento, e sim uma permuta de ações, devidamente planejada, para que as empresas se fundissem, permanecendo os mesmos sócios de ambas. 50. Acrescentese o fato de que as novas ações emitidas pela Cia Sat não possuem qualquer avaliação que ateste (respalde) o seu valor de mercado, o qual serviu de base para a constituição da Reserva de Capital denominada de Ágio na Emissão de Ações. 51. Apesar de existir uma referência a essa avaliação na Ata da AGE da Cia Sat de 03/07/2006, a Fiscalizada esclareceu que tal documento inexiste: (...) 52. Ou seja, não existe um laudo a amparar a entrega pela Ale Participações das ações da Ale Combustíveis, avaliadas por 241.273.000,00, em troca de ações da Cia Sat no valor de R$ 55.209.117,00. 53. Mas, a sucessão dos fatos transcorreu com Cia Sat aumentando seu Capital Social, o qual era de R$ 55.209.117,00, em igual montante, passando esse a totalizar R$ 110.418.234,00, com subscrição pela Ale Participações Societárias, com integralização mediante entrega das ações da Ale Combustíveis (Ale), da qual era titular. 54. Com isso, a Cia Sat passou a ter em seu Ativo Permanente um investimento em “Ale Combustíveis” de R$ 6.080.551,34 e um “Ágio em Ale Combustíveis” de R$ 235.192.448,66, assim como um aumento na sua conta de Capital Social de R$ 55.209.117,00 e na conta de Reserva de CapitalÁgio na Emissão de Ações de R$ 186.063.883,00. 55. Dando continuidade ao processo de reestruturação societária, a Ale Combustíveis (Ale), na qualidade de investida, incorporou, a valor de livros, em 24/07/2006 a sua (recente) controladora Cia Sat (em operação denominada “incorporação às avessas”) e passou a registrar em sua contabilidade o “Ágio Ale Combustíveis”, na conta 13040104 Ágio Rentabilidade Futura Cia Sat. 56. Destaquese que esse ágio, agora registrado na Ale Combustíveis (Ale) corresponde ao mesmo ágio originado de sua avaliação quando da operação anterior (aquisição pela Cia Sat), no montante de R$ 235.192.448,00 isto é, ágio de si mesma sobre o qual não houve pagamento, mas tão somente permuta de ações. Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.771 10 57. A Satélite, então subsidiária integral da Cia Sat, passou a pertencer a Ale Combustíveis na mesma condição. 58. Em 12/01/2007, a Ale Combustíveis (Ale) e a Satélite firmaram protocolo para que esta fosse incorporada por aquela. Com essa operação, as pactuantes atingiram o objetivo final do “Acordo de Associação”. 59. Finalmente, Em 25/04/2007, a Ale Combustíveis (Ale) alterou sua denominação para Alesat Combustíveis S/A, nome atual da empresa fiscalizada." A conclusão da autoridade fiscal, portanto, foi que as despesas de amortização do citado ágio seriam indedutíveis na apuração do IRPJ. Em primeiro lugar, apontou equívoco no cálculo do valor do ágio decorrente da operação: "66. O ágio ora tratado (de R$ 235.192.448,86) é aquele originado quando do lançamento das novas ações da Cia Sat no momento em que ela passou a ser controladora da Ale . Nesse momento, a Ale Participações entregou todas as ações da Ale, avaliadas em R$ 241.273.000,00, em troca de ações da Cia Sat, no valor de R$ 55.209.117,00 (como já anteriormente relatado não há laudo de avaliação das ações da Cia Sat). 67. Consta para a empresa Ale (Ale Combustíveis S.A futura Alesat) o laudo avaliandoa em R$ 241.273.000,00, mas o valor integralizado pela Ale Participações no aumento do Capital Social da Cia Sat foi de R$ 55.209.117,00. 68. Dessa maneira, não tem a AGE de 03/07/2006 da Cia Sat base para atribuir o valor de R$ 241.273.000,00 às ações emitidas para aumento do seu capital no valor de R$ 55.209.117,00. 69. Nesse ponto identificamos equívoco nos lançamentos contábeis efetuados pela Cia Sat por ocasião da operação de incorporações de ações. 70. O capital da Cia Sat foi aumentado em R$ 55.209.117,00, integralizado por ações da Ale correspondentes ao patrimônio líquido desta empresa no valor de R$ 6.080.551,34. O fato contábil que surge da operação é um aumento do patrimônio líquido (capital) e um aumento do ativo imobilizado (investimentos) no valor de R$ 55.209.117,00. 71. Considerando que as ações recebidas correspondem ao patrimônio líquido da Ale Combustíveis no valor de R$ 6.080.551,34, há um ágio no valor de R$ 49.128.565,66. Não há fato contábil que justifique o registro de ágio no valor de R$ 235.192.448,66. Eis que, as ações da Ale foram avaliadas ao valor de mercado por R$ 241.273.000,00, entretanto, essas ações foram entregues à Cia Sat em troca de ações dessa última pelo valor de R$ 55.209.117,00 e não de R$ 241.273.000,00. Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.772 11 72. Para uma amortização em 120 meses, o ágio de R$ 49.128.565,66 resulta num valor de R$ 409.404,71 por mês, ou seja, R$ 4.912.856,57 por ano; diferente dos R$ 1.959.937,07 por mês e de R$ 23.519.244,87 por ano, como está registrado pelo contribuinte." Além disso, considerou não ter havido aquisição de participação societária nas operações, de modo que não teriam sido atendidas as exigências do art. 386 do RIR/99, para a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ: "73. Ademais, temos que observar que, mesmo que as ações da Cia Sat fossem avaliadas pelos R$ 241.273.000,00 (como quis considerar a empresa), no conjunto das duas últimas operações realizadas incorporação das ações da Ale pela Cia Sat e a posterior incorporação desta empresa por aquela – não há a presença de participação societária adquirida com ágio, como é exigido pelo art. 386 do RIR/1999. (...) 76. Assim, o ato jurídico de aquisição exige que haja a transferência de titularidade do bem objeto do ato. Esse fato não ocorreu no conjunto de operações procedidas pela fiscalizada. Vejamos porque. 77. Na primeira operação, na incorporação de ações, a ações da Ale antes pertencentes à Ale Participações passaram a ser de propriedade da Cia Sat. Juridicamente podese dizer que houve uma operação de aquisição, pela qual a Cia Sat adquiriu a propriedade das ações da Ale, antes de propriedade da Ale Participações. No entanto, essa transferência de titularidade é apenas aparente. Por quê? 78. Primeiro, porque a incorporação de ações é uma operação regulada pelo art. 252 da Lei nº 6.404/1976, pela qual o antigo proprietário não perde completamente a titularidade das ações transacionadas. E, nesse caso, a Ale Participações deixou de ser titular das ações da Ale, sua anterior controlada, mas passou a ser titular de ações, representativas de 50% do capital da Cia Sat, a nova titular das ações da Ale; ou seja, não houve a desvinculação jurídica entre a Ale Participações e a Ale, pois, esta continua controlada ou coligada daquela. 79. Segundo, porque com a incorporação da Cia Sat pela Ale, a situação jurídica volta ao estado inicial, ou seja, a Ale Participações é proprietária de ações da Ale, sem modificação de quantidade ou de valores. 80. Desse modo, as ações para as quais houve reconhecimento contábil de ágio eram de titularidade da Ale Participações e assim continuaram. 81. Em suma: não houve transferência de titularidade dessas ações, portanto, não se pode dizer que no bojo dessas operações há ações adquiridas com ágio. Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.773 12 82. Conforme se verifica no regramento acima, é claro que o requisito da dedutibilidade está condicionado ao fato da pessoa jurídica que está absorvendo o patrimônio de outra, possua, nessa outra, participação societária adquirida com ágio. 83. No presente caso, não se pode admitir como efetiva a ocorrência de aquisição de investimento com ágio na operação, pois não houve efetivo pagamento/assunção dívida. O ágio ora tratado é meramente escritural, não havendo qualquer pagamento, distorcendo por completo a figura desse instituto. 84. A Reorganização Societária realizada consistiu numa série de procedimentos que construiu uma situação contábil de aproveitamento (indevido) do benefício fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99." Deste modo, foi lavrado o auto de infração com a adição dos valores referentes à amortização do referido ágio ao lucro líquido. Em adição, como decorrência da constatação anterior e do fato de a Recorrente apurar o IRPJ com base no lucro real anual, foi apurada a ausência de recolhimentos por estimativa em diversos meses dos anoscalendários auditados, resultando na exigência da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430, de 1996. Finalmente, como resultado da infração apurada, o prejuízo fiscal registrado pela Recorrente em relação ao anocalendário de 2010, no valor de R$ 2.741.610,41, passou a representar um lucro real de R$ 20.777.634,45. Como o Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal (Sapli) não registrava nenhum saldo de prejuízos fiscais acumulados em 31/12/2009, foi lavrado auto de infração pela compensação indevida de prejuízos nos anoscalendários de 2011 e 2012, nos montantes, respectivamente, de R$ 3.526.666,34 e R$ 4.875.720,89. Em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a autuação decorreu da ausência de declaração e pagamento por parte da Recorrente, que se julgava albergada por decisões judiciais proferidas nas seguintes ações judiciais: a) Ação Ordinária nº 89.00013068 (000278332.1989.4.01.3800), da 7ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais (MG); b) Recurso Especial nº 1.118.893 MG (2009/00111359) c) Apelação Cível nº 2007.01.99.0269513 (002765583.2007.4.01.9199) do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, processo originário nº 0000.27.06.0928895/MG. De acordo com a análise realizada no RAF, contudo, a partir das conclusões exaradas nos Pareceres PGFN/CRJ nº 492/2011 e nº 975/2011, não haveria decisão judicial que amparasse a prática da Recorrente nos anoscalendários de 2011 e 2012, posto que posteriores ao trânsito em julgado da decisão proferida na ADI nº 152/DF. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.774 13 Assim, foram constituídos os valores relativos à CSLL relativa aos anos calendários auditados, com o reflexo da indedutibilidade da despesa com amortização do ágio já tratado. Foi constituída, ainda, a multa isolada em relação aos meses em que não houve o recolhimento da CSLL por estimativa, de modo semelhante ao que ocorreu para o IRPJ. Na Impugnação de fls. 2.315 a 2.402, a Recorrente principia descrevendo as operações ocorridas, no que não diverge do RAF. Contesta o lançamento, porém, com os seguintes argumentos: (i) decadência do direito de o Fisco questionar a formação do ágio, uma vez que a incorporação de ações ocorreu em 2006 e as amortizações foram iniciadas em agosto daquele ano; (ii) a separação entre custo avaliado por equivalência patrimonial e o ágio ou deságio não é uma opção do contribuinte, mas uma determinação do art. 20, §1º, e art. 21 do DecretoLei nº 1.598, de 1977; (iii) é "irrelevante o título jurídico pelo qual o investimento tenha sido adquirido, podendo a aquisição ter ocorrido por qualquer ato ou negócio jurídico" e a contraprestação da aquisição corresponder a um pagamento em dinheiro ou a outra qualquer obrigação da adquirente; (iv) o ágio em discussão seria real, tendo decorrido de efetiva aquisição de participação societária, verificada entre partes independentes, além de estar devidamente registrado e lastreado em documentação necessária e suficiente, para evidenciar seu fundamento econômico, consistente em expectativa de rentabilidade futura; (v) nulidade em relação à impossibilidade de dedutibilidade de ágio decorrente de incorporação de ações, posto que a acusação não teria embasamento legal; (vi) a incorporação de ações implicaria a aquisição de participação societária, sendolhe aplicável a legislação relativa à dedutibilidade do ágio, uma vez que esta não restringe a modalidade de aquisição; (vii) a aquisição de que tratam os autos teria sido real, com a formação de uma nova empresa; (viii) a incorporação de ações, apesar de não ser uma permuta, teria os mesmos efeitos desta, forma de aquisição/alienação de investimento que seria reconhecida pelo Fisco; (ix) a incorporação de ações não seria uma permuta, pois a transferência de titularidade se daria com valor estipulado diverso do custo do bem; a contraprestação teria um preço equivalente ao valor atribuído às ações quando do aumento de capital da companhia incorporadora; na permuta, os bem permutados já existiam, ao passo que na incorporação de ações somente existiam as ações incorporadas; e, na incorporação de ações, haveria a sub rogação real legal; Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.775 14 (x) "ainda que se pudesse equiparar a incorporação de ações à permuta, esta também seria modalidade de alienação e, como consequência, de aquisição de investimento", de modo que aplicável o regime de amortização fiscal do ágio; (xi) a alegação de ausência de efetivo pagamento não invalidaria a apuração do ágio, posto que qualquer aquisição geraria ágio, e não apenas as decorrentes de compra e venda com o pagamento de preço em dinheiro; (xii) não haveria ágio "em si mesma", pois o ágio adviria de operações praticadas entre partes não relacionadas e o art. 8º da Lei nº 9.532, de 1997, considera válida a incorporação reversa; (xiii) a pessoa jurídica incorporadora era "empresa operacional, que detinha todos os requisitos materiais para incorporar a outra", de modo que a incorporação praticada efetivamente não mereceria qualquer censura; (xiv) em consonância com o art. 252 da Lei nº 6.404, de 1.976, o custo de aquisição não corresponderia "ao preço de emissão das novas ações (R$ 241.273.000,00), mas, sim, ao valor efetivamente registrado como aumento de capital (R$ 55.209.117,00), devendo ser desprezado o valor de R$ 186.083.883,00, registrado em reserva de capital"; (xv) "nas ações sem valor nominal, o preço de emissão das ações pode ser fixado de acordo com a realidade do mercado, sendo que novas ações podem ser emitidas pela companhia por preço superior ou inferior às emissões anteriores", sendo que parte do preço de emissão das ações que ultrapassar a importância destinada à formação do capital será registrada em reserva de capital, por força do art 182. §1º, alínea "a", da Lei nº 6.404, de 1976; (xvi) o valor de R$ 241.273.000,00 é o valor de mercado da ALE Combustíveis constante em laudo de avaliação juntado aos autos e não questionado pela fiscalização; (xvi) a ausência do laudo de avaliação das novas ações emitidas pela Cia SAT não interfere no valor do custo de aquisição do investimento, que seria "mera decorrência do preço de emissão das ações"; (xvii) a lei fiscal não condicionaria "a apuração do custo de aquisição à obtenção de qualquer laudo ou trabalho técnico, estando o custo apenas sujeito à prova de sua efetividade, o que se dá por todos os meios de prova admitidos em direito"; (xviii) não haveria fundamento para sustentar que o valor das ações emitidas pela Cia SAT seria R$ 55.209.117,00, quando estas não possuíam valor nominal; (xix) a Lei nº 6.404, de 1976, não "exige laudo para a avaliação das ações da empresa incorporadora, exigindoo apenas para a empresa incorporada"; (xx) no caso tratado não havia acionistas minoritários, de modo que a avaliação das empresas, na forma do art. 264 da referida Lei, seria desnecessária; (xxi) o saldo de prejuízos fiscais acumulado constante da parte B dos Lalur relativos aos anos de 2010, 2011 e 2012 seria suficiente para as compensações realizadas, ainda que se considere as adições referentes à amortização do ágio; Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.776 15 (xxii) haveria erro na determinação da matéria tributável em relação ao lançamento da CSLL, posto que a autoridade fiscal teria aplicado a alíquota de tal contribuição ao valor do lucro real, base de cálculo do IRPJ; (xxiii) apenas quando haja norma específica, as adições e exclusões relativas à base de cálculo do IRPJ não podem ser aplicadas por analogia à CSLL; (xxiv) as despesas financeiras com operações "daytrade" não são indedutíveis para a apuração da base de cálculo da CSLL; (xxv) por conta dos referidos erros, haveria nulidade do lançamento; (xxvi) a superveniência das Leis nº 7.856, de 1989, 8.034, de 1990, 8.212, de 1991, e Lei Complementar nº 70, de 1991, não ten o condão de afastar a decisão judicial com trânsito em julgado favorável à Recorrente, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp nº 1.118.893/MG); (xxvii) a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região na Apelação Cível nº 2007.01.99.0269513, aplicou o precedente do STJ e atestou que o julgamento posterior do Supremo Tribunal Federal na ADI nº 15/DF não afasta a coisa julgada; (xxviii) os precedentes do CARF confirmam a tese da Recorrente; (xxix) as orientações dos Pareceres PGFN/CJF nº 492 e 975 são incompatíveis com o sistema constitucional brasileiro e representam uma afronta à coisa julgada; (xxx) haveria vício na autuação da CSLL (violação ao art. 146 do CTN), por mudança em critério jurídico, uma vez que, em fiscalização anterior, teria sido respeitada a coisa julgada em favor da Recorrente; (xxxi) inaplicabilidade da multa de ofício ao lançamento referente à CSLL, posto que a impugnante agiu em observância a decisão judicial com trânsito em julgado, conforme art. 76, inciso II, alínea "a" da Lei nº 4.502, de 1964; (xxxii) descabimento da multa isolada relativa às estimativas mensais não recolhidas, após o término do período de apuração e em concomitância com a multa de ofício; (xxxiii) não incidência dos juros sobre a multa de ofício. A DRJ/Curitiba proferiu, então, o Acórdão ora recorrido (fls. 2.498 a 2.574), no qual: a) rejeitou a alegação de nulidade por ausência de fundamentação legal dos autos de infração, uma vez que todos os requisitos formais invocados pela Impugnante teriam sido rigorosamente obedecidos pela autoridade fiscal; b) afastou a alegação de decadência do direito de o Fisco questionar a formação do ágio, posto que "a contagem do prazo decadencial de cinco anos somente começou quanto a contribuinte passou a amortizar o ágio em tela"; Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.777 16 c) considerou que os grupos ALE e SAT formavam, a partir do Acordo firmado em 30/03/2006, um grupo de fato; d) julgou inexistir justificativa econômica para que o capital de Cia Sat fosse elevado de R$ 1.000,00 para R$ 55.209.117,00, servindo o artifício para a geração do excedente contabilizado como Reserva de Ágio, o qual teria sido aproveitado pela ALE Combustíveis S/A, constituindo "ágio de si mesma"; e) reputou procedente, portanto o lançamento fiscal, pois não se poderia "admitir a redução do resultado tributável em decorrência da amortização de ágio artificial", o qual "não decorreu de uma expectativa de rentabilidade futura apurada no momento da fusão acordada", mas de uma reavaliação do patrimônio de uma das partes, transmitida para a interessada mediante uma troca de papéis, sem ônus algum para as partes; f) sustentou que o surgimento do ágio dedutível exige a ocorrência de negociação entre partes independentes e que in casu "não houve a avaliação independente do patrimômio da Cia SAT, elemento essencial para a determinação do ágio", valendo as conclusões do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 da Comissão de Valores Mobiliários – CVM; g) apontou que o ágio "representa, portanto, uma antecipação paga por um fluxo de rentabilidade futura que antes não se possuía, mas nas negociações entre ALE e SAT não se verifica essa relação de substituição patrimonial, pois o controle comum já estava previamente decidido, e, desse modo, a rentabilidade seria de qualquer forma reconhecida em suas demonstrações por meio de futura equivalência patrimonial"; h) afastou a alegação de que as conclusões do referido OfícioCircular não se aplicariam ao caso, por ser posterior aos fatos discutidos, pois ele faz referências a situações anteriores à sua publicação; i) rejeitou a aplicação da jurisprudência administrativa citada pela Impugnante, por não possuir caráter normativo, na forma do art 100 do CTN; j) assinalou que, para a dedutibilidade do ágio ser admitida, é imprescindível que "a pessoa jurídica que incorporou a sociedade adquirida, ou foi por ela incorporada, seja a que de fato suportou o ônus do ágio na aquisição da participação societária", o que não teria ocorrido na hipótese dos autos; k) argumentou que "o ágio deve ser conceituado como a diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial do investimento", não havendo distinção entre o conceito contábil e tributário; l) em relação à compensação indevida de prejuízos fiscais, apontou divergência entre o saldo acumulado registrado pelo sujeito passivo e aquele constante do Sapli, pelo que conclui pela procedência da autuação; m) no que tange à CSLL, considerou que as legislações posteriores que modificaram a Lei nº 7.689, de 1998, alteraram a norma de incidência da CSLL, de modo a afastar o alcance da coisa julgada favorável à Impugnante; Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.778 17 n) julgou procedente a Impugnação, no tocante à ausência de previsão legal para a inclusão da glosa de prejuízos das operações "daytrade" na base de cálculo da CSLL, no anocalendário de 2011; o) rejeitou a alegação de mudança de critério jurídico, em relação à CSLL, por entender que a constatação de infrações à legislação tributária ocorridas em períodos posteriores aos já auditados, com base em novo fundamento jurídico, não ofende o art. 146 do CTN; p) por fim, manteve a aplicação da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, por se tratar de penalidade distinta da multa de ofício incidente sobre o saldo apurado no encerramento de cada anocalendário. Intimado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou o Recurso Voluntário de fls. 2.588 a 2.662, por meio do qual argui, inicialmente, a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, em decorrência de inovação no julgamento, referente à alegação de operação intragrupo, de utilização de princípios contábeis e da prevalência da substância econômica sobre a forma jurídica e de que o ágio amortizado não decorreu de uma expectativa de rentabilidade futura. Repete a alegação de decadência do direito de o Fisco contestar a amortização do ágio após cinco anos de sua formação. Rebate as fundamentações do Acórdão da DRJ, sustentando que: (i) o ágio amortizado não se confunde com o valor registrado em conta de reserva de capital a título de "ágio de subscrição de ações". Após repetir o já trazido na Impugnação, para detalhar o ágio amortizado, afirma que o ágio na emissão de ações, "diferentemente do ágio na aquisição de investimentos, surge quando a subscrição de capital compreende montante superior ao valor nominal ou ao valor destinado à formação do capital social, no caso de ações sem valor nominal"; (ii) a operação não ocorreu entre partes relacionadas, mas se tratou de uma reorganização societária envolvendo grupos distintos; (iii) o OfícioCircular CVM nº 01/2007 não tem aplicação, posto que o ágio fiscal não se confunde com o ágio contábil; (iv) o princípio da primazia da substância econômica sobre a forma jurídica "somente pode produzir efeitos quando o legislador tributário tiver utilizado um conceito contábil como ponte de intermediação entre o sistema jurídico e a economia"; (v) não havia na legislação vigente à época dos fatos de que tratam os autos, vedação à apuração de ágio entre partes relacionadas, o que só veio a ocorrer após a edição da Medida Provisória nº 627, de 2013. Repete, então, os argumentos já trazidos na Impugnação, acerca da amortização do ágio e das demais matérias. Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.779 18 O processo foi distribuído, por sorteio, ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, que se declarou impedido à fl. 2.760, de modo que, mediante novo sorteio, foi redistribuído a este Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 05 de maio de 2016 (fl. 2.585), tendo apresentado Recurso Voluntário em 06 de junho de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, uma vez que o último dia do referido prazo (04/05) foi um sábado. O Recurso é assinado física e digitalmente por Procuradores, devidamente constituídos conforme fls. 2.663 a 2.694. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Antes da apreciação do Recurso, cabe suscitar, de ofício, a nulidade parcial da decisão de primeira instância, posto que deixou de analisar uma das matérias contidas na Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. É que, embora a Recorrente não tenha dedicado tópico específico da sua Impugnação para defender a impossibilidade da aplicação de juros sobre as multas de ofício aplicadas, a leitura da parte final da peça impugnatória revela que o sujeito apresentou alegações em relação a esta matéria: "Mas, ainda na hipótese de ser mantida a exigência fiscal, inclusive as multas, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre o valores das penalidades, pois a lei somente prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Realmente, o art. 61, "caput" e parágrafo 3ª , da Lei nº 9.430, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" (grifo da impugnante), sendo que os parágrafo 1º e 2º tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidência de juros sobre elas. Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.780 19 Ora, em decorrência do art. 3º do CTN, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é indisputado na doutrina e na jurisprudência. Diante disso, não cabe a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430, que não previu a incidência de juros sobre as multas, mas apenas sobre o valor do principal de tributos e contribuições. (...) A comparação entre os dispositivos citados demonstra que a lei determina a cobrança de juros apenas sobre a multa isolada, que se constitui em crédito tributário principal, e não a determina sobre o valor da multa calculada proporcionalmente ao principal do tributo devido, pois é este que constitui o crédito tributário principal." O Acórdão recorrido, contudo, é totalmente silente em relação a tal matéria. A omissão do julgador caracteriza a hipótese de nulidade prevista no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, "preterição do direito de defesa", pois, ao mesmo tempo, não analisa as razões recursais trazidas pelo autuado e não lhe possibilita ter o tema analisado pela segunda instância do contencioso. Destaquese que a matéria é reiterada no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, nos mesmos termos trazidos na Impugnação, de modo que a manifestação desta Turma, diante da omissão da autoridade a quo, constituiria supressão de instância. Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma, repetidamente, tem decidido pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), e Acórdãos nº 1302002.562 (sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018), nº 1302002.267 (sessão de 13 de março de 2018) e 1302003.035 (sessão de julgamento de 17 de agosto de 2018), todos da relatoria deste Conselheiro. No caso sob apreciação, porém, conforme preliminar sustentada pela Recorrente, o Acórdão recorrido padece de outra nulidade, esta a macular todo o julgamento realizado. É que a autoridade fiscal, conforme bem sintetizado pela Recorrente, fundamentou a glosa da amortização do ágio, nos seguintes aspectos: "1 não se pode falar em ágio gerado em operação de incorporação de ações, uma vez que não há efetivo pagamento, mas simples troca de papéis; e 2 não houve transferência de titularidade do investimento, visto que a Ale Participações deixou de ser titular das ações da Ale Combustíveis, mas passou a ser titular de ações representativas de 50% do capital da Cia Sat, nova titular das ações da Ale." Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.781 20 Entretanto, os julgadores a quo, ao apreciarem a Impugnação, fundamentaram a decisão em argumentos distintos para a manutenção do lançamento, quais sejam: (i) que os grupos ALE e SAT formavam, a partir do Acordo firmado em 30/03/2006, um grupo de fato, de modo que a operação que resultou no surgimento do ágio amortizado foi realizada intragrupo, o que impediria a sua dedutibilidade ; (ii) que não haveria distinção entre o conceito contábil e tributário de ágio, fazendo a utilização de princípios contábeis e da prevalência da essência das transações sobre os aspectos formais; (iii) que o ágio amortizado não decorreu de uma expectativa de rentabilidade futura apurada no momento da fusão acordada, mas de uma reavaliação do patrimônio de uma das partes. É sabida a impossibilidade de que os critérios utilizados no lançamento sejam alterados pelas autoridades julgadoras, uma vez que tal conduta atentaria contra a segurança jurídica e violaria o direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado aos contribuintes. É que, no momento da constituição do crédito tributário, são fixados, pela autoridade responsável pelo lançamento, as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais o ato administrativo é praticado. É em relação a tais fundamentos que o autuado vai construir a sua defesa, a qual será submetida às instâncias do contencioso administrativo. Tornase, portanto, inadmissível que, no momento do julgamento, seja introduzido novo fundamento jurídico, totalmente alheio aos autos e ignorado, até então, pelo litigante, que não teve a oportunidade de a ele se contrapor. A inovação operada no Acórdão recorrido conduz à constatação da ocorrência da nulidade de que trata o já referido art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. De fato, a manutenção da glosa da dedutibilidade da amortização do ágio sob fundamentação totalmente diversa daquela utilizada no lançamento, constitui cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, ocasionando a nulidade do Acórdão da DRJ. O procedimento encontra abrigo na jurisprudência do CARF, conforme o seguinte julgado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 10469.722422/201581 Acórdão n.º 1302003.227 S1C3T2 Fl. 2.782 21 atuação das autoridades julgadoras." (Acórdão nº 1201001.557 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, sessão de 14 de fevereiro de 2017, Relator Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado) E, inclusive, desta Turma Julgadora, conforme Acórdão nº 1302002.267, sessão de 13 de março de 2018, de relatoria deste Conselheiro e ementa de mesmo teor do Acórdão acima. 3. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, determinando, então, o retorno dos autos à DRJ/Curitiba, para que seja realizado novo julgamento, atendose aos critérios jurídicos utilizados no lançamento, e analisando todas as matérias suscitadas na peça impugnatória. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 2782DF CARF MF
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Numero do processo: 16027.000365/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A fruição do beneficio fiscal decorrente de estabelecimentos instalados na área da extinta SUDAM dar-se-á a partir da data em que a pessoa jurídica apresenta pleito nos termos do art. 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional n. 2091/07.
Numero da decisão: 1402-003.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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A fruição do beneficio fiscal decorrente de estabelecimentos instalados na área da extinta SUDAM darseá a partir da data em que a pessoa jurídica apresenta pleito nos termos do art. 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional n. 2091/07. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Ausentes momentaneamente os conselheiros Edgar Bragança Bazhuni e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplentes Convocados). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 00 03 65 /2 01 0- 56 Fl. 286DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, decidiu julgar improcedente a Manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Ante o minucioso relatório da r. DRJ adotoo em sua integralidade, complementando ao fim com o que entender necessário: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório de fls. 92 a 96 que homologou em parte o PER/DCOMP nº 22844.80171.171208.1.3.040011, transmitido com o objetivo de compensar débito(s) próprio(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2430, no valor original na data de transmissão de R$ 1.831.652,53, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 29/02/2008. A DCOMP em tela, foi analisada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba que emitiu o Despacho Decisório em comento, pelo qual o crédito indicado foi reconhecido em parte. A autoridade administrativa relata que o contribuinte deduziu do imposto apurado o montante de R$ 1.689.250,14 decorrente de incentivos fiscais incidente sobre projetos aprovados na área da SUDAM. Cita que o Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ protocolado na DRF/SOROCABA em 14/07/2008, não foi apreciado. Entende, que em face do disposto nos parágrafos 1º e 2º do artigo 60 da IN SRF nº 267 de 23/12/2002, somente a partir de 12/11/2008, o contribuinte poderia usufruir do beneficio fiscal em comento. Conclui que é incabível a aplicação do incentivo no anocalendário de 2007. A glosa em comento implicou na alteração do saldo de IRPJ a apagar de R$ 76.365.566,76 para R$ 78.054.816,90, de forma que o credito disponível para compensação foi reduzido a R$ 125.509,89. Cientificado em 04/02/2011, o contribuinte por meio de seu procurador, impugnou o despacho decisório em 09/03/2011, manifestando a sua inconformidade às fls. 148 a 152, alegando em apertada síntese que segundo o disposto no artigo 8º, parágrafo 10 do Decreto nº 64.214/1969, bem como no § 1º do artigo 80 da IN SRF nº 267/2007: A fruição do benefício fiscal darseá a partir da data em que a pessoa jurídica apresentar ao órgão competente do MI requerimento solicitando a declaração de que satisfaz as condições estabelecidas para o gozo do favor fiscal. Conclui que a fruição do beneficio se dá com o Protocolo do Projeto datado de 03/05/2007 que anexa às fl. 154. Após analisar os autos, assim decidiu a r. DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A fruição do beneficio fiscal decorrente de estabelecimentos instalados na área da extinta SUDAM, após 25/08/2000, darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo pelo órgão competente do Ministério da Integração Social, quando o mesmo for emitido após o ultimo dia útil do mês de março. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16027.000365/201056 Acórdão n.º 1402003.412 S1C4T2 Fl. 1.112 3 A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que aduz o cerceamento do direito de defesa, haja vista a simples citação do dispositivo legal sem a indicação precisa de sua correlação com o fato objeto de indeferimento do direito creditório. Afirma que é inconteste o direito a redução do IRPJ. A controvérsia cingese ao momento em que a Recorrente poderia se aproveitar do incentivo. De um lado a Administração Pública apresenta o prazo previsto no art. 60, § 1º da IN 267/2002 enquanto a Recorrente apregoa a aplicação do art.18 da Portaria DO Ministério da Integração Nacional nº 2091/2007. Sustenta eu o art. 84 da IN SRF 267/02 somente se aplica a novos empreendimentos protocolizados a partir de 2000, enquanto no caso não se está diante de um novo empreendimento, já que este existiria desde 1993, o que seria comprovado inclusive a partir dos documentos apresentados ao Ministério da Integração Nacional, como por exemplo, o pedido de manutenção de empreendimento de fls 154. Segue afirmando que afastado o art. 60, §§ 1º e 2º pelo acórdão da DRJ, somente seria possível seguir as diretrizes prescritas nos arts. 17 e 18 da Portaria Ministerial nº 2091/07, o que lhe permitiria fruir do benefício já em 2007. Afirma ainda que não existiriam condições para convalidação do benefício nos termos do art. 178 do CTN. Cita jurisprudência do e. STJ. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO A controvérsia cingese ao momento em que se verifica a fruição do benefício fiscal de redução do IRPJ de empreendimento localizado na SUDAM. A autuação pautouse na premissa de que o empreendimento verificouse a partir de 2006, pois o empreendimento está vinculado a um CNPJ que foi aberto em 24.05.2006, aplicável, portanto, o disposto no art. 84 da IN SRF 267/02: Art. 84. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado após 24 de agosto de 2000, para instalação de empreendimentos enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto, inclusive adicional, pelo prazo de até dez anos, incidente sobre os resultados adicionais por eles criados, calculado com base no lucro da exploração. § 1º A fruição do benefício fiscal referido no caput darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo órgão competente do MI até o último dia útil do mês de março do ano calendário subseqüente ao do início de operação. § 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1º, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. § 3º O prazo de fruição do benefício fiscal é igual ao período compreendido entre o ano de início de fruição e 31 de dezembro de 2013, não podendo exceder a dez anos. § 4º O laudo a que se referem os §§ 1º e 2º será expedido em conformidade com normas estabelecidas pelo MI. A Recorrente de sua parte entende que o empreendimento existe desde 1993, não se aplicando referido dispositivo a contenda, referido CNPJ apenas refletiria a incorporação do estabelecimento pela Recorrente. De minha parte, entendo que a incorporação deve ser neutra em relação à determinação dos efeitos para aproveitamento do benefício em questão. Este entendimento pode ser extraído a partir do disposto no art. 85, § 6º da IN SRF 267/02: Art. 85. As pessoas jurídicas que tiverem projetos aprovados ou protocolizados até 14 de novembro de 1997, na extinta Sudam, relativamente a modernização, ampliação ou diversificação de empreendimentos industriais ou agrícolas na área de sua atuação, ficarão isentas do imposto, inclusive adicional, calculado sobre os resultados adicionais por eles criados, pelo prazo de até dez anos a contar do período de Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16027.000365/201056 Acórdão n.º 1402003.412 S1C4T2 Fl. 1.113 5 apuração em que o projeto de modernização, ampliação ou diversificação entrar em fase de operação, segundo laudo constitutivo expedido pelo órgão competente do MI. § 1º O benefício de que trata o caput aplicase também às pessoas jurídicas que tenham modernizado, ampliado ou diversificado empreendimento industrial ou agrícola na área de atuação da extinta Sudam até 31 de dezembro de 1997. § 2º Somente serão contemplados com a isenção prevista neste artigo, as pessoas jurídicas cujos projetos de modernização, ampliação ou diversificação acarretarem, pelo menos, cinqüenta por cento de aumento da capacidade real instalada do respectivo empreendimento, compreendida toda a unidade produtora. § 3º O órgão competente do MI expedirá laudo técnico atestando a equivalência percentual do acréscimo da capacidade instalada. § 4º A isenção concedida para projetos de modernização, ampliação ou diversificação não atribui ou amplia benefícios a resultados correspondentes à produção anterior. § 5º A fruição da isenção fica condicionada à observância, pela empresa beneficiária, dos dispositivos da legislação trabalhista e social e das normas de proteção e controle do meio ambiente, podendo o órgão competente do MI, a qualquer tempo, verificar o cumprimento do disposto neste parágrafo. § 6º Para os efeitos do benefício de que trata este artigo, não se considera como modernização, ampliação ou diversificação, a simples alteração da razão ou denominação social, a transformação, a incorporação ou a fusão de empresas existentes. Adotando esta premissa, pareceme que não se aplica a espécie o disposto no art. 84 da mesma IN. Em relação ao disposto nos arts. 17 e 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional nº 2.091/07, a própria Portaria aponta como fundamento de validade o art. 8º do Decreto nº 64.214/1969. Não podendo a autoridade administrativa fazer juízo de validade da referida Portaria, sob risco de usurpação de competência. Isto posto, entendo que assiste razão a Recorrente. O início da fruição do benefício se dá a partir da data em que a pessoa jurídica apresenta pleito a SUDAM nos termos do art. 18 da Portaria do Ministério da Integração Nacional n. 2091/07. Fl. 290DF CARF MF 6 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela reforma do r. Acórdão recorrido para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
