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Numero do processo: 13851.902319/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA.
É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo.
AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES.
A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal.
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PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. AQUISIÇÃO DE INSUMO DE EMPREA INSCRITA NO SIMPLES. A aquisição de insumo de empresa inscrita no SIMPLES não permite o aproveitamento de crédito de IPI mesmo que destacado na Nota Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 23 19 /2 01 0- 82 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado, referente ao 3º Trimestre de 2008, com concomitante Declaração de Homologação de Tributos Federais através de PER/DCOMP nº 17516.22984.311008.1.1.016483. A DRF de Araraquara proferiu Despacho Decisório Eletrônico de fls. 144, com a seguinte fundamentação: Analisadas as Informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificado, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 110.721,17 Valor do crédito reconhecido: R$ 110.688,89 0 valor do crédito reconhecido foi Inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Ocorrência de glosa de créditos considerados Indevidos. Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é Inferior ao valor pleiteado. O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17516.22984.311008.1.1.016483. Discordando do Despacho emitido pela unidade de origem a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, dizendo que o crédito considerado indevido é de empresa emitente de nota fiscal optante do SIMPLESP, "oriundo da Compra de Atacadista não Equiparado a Industrial (Art. 165 do RIPI/2002). Nesta situação, o industrial adquire de um não contribuinte do IPI que não o destaca, no documento "fiscal; contudo, a legislação permite o crédito de 50% do imposto que seria devido. Solicita a Homologação Integral da compensação declarada. A 2ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito ao crédito da parcela que foi glosada, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau (efls.167), repisando as razões de sua Inconformidade e que deve ser respeitado o princípio constitucional da não cumulatividade. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 4 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Está em discussão nesses autos a glosa de crédito de IPI correspondente ao valor de R$ 32,28 referente aquisição de produto fornecido por empresa inscrita no SIMPLES, através de uma única Nota Fiscal conforme relação de fls. 146. A Recorrente não conseguiu em suas intervenções no processo, comprovar que sua fornecedora e emitente da Nota Fiscal em questão, não estava enquadrada no SIMPLES na época da operação realizada. Permaneceu apenas no campo das alegações, aduzindo questões de direito que nada contribui para superar a decisão do fisco. É vedado a empresa do SIMPLES transferir crédito de IPI, através de operação de venda com destaque do imposto, nos termos da Lei nº 9.317/96, art. 5º, §5º, “verbis”: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Por dedução lógica, se a empresa inscrita no SIMPLES não pode transferir crédito relativo ao IPI, a empresa adquirente está impedida de registrar crédito de IPI resultante de aquisições de tais empresas. Correta a decisão recorrida que ratificou integralmente os termos do despacho decisório, não merecendo nenhum reparo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13851.902319/201082 Acórdão n.º 3401005.417 S3C4T1 Fl. 5 4 Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904427/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 27 /2 00 9- 43 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904427/200943 Acórdão n.º 1302003.146 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.720140/2014-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92.
A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontra-se tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001.
Numero da decisão: 2402-006.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. PROCEDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. PREVISÃO LEGAL. NÃO REPERCUSSÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1°. DA LEI 8.540/92. A declaração de inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 não repercute na cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontrase tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 40 /2 01 4- 89 Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.751 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 1676/1694) em face do Acórdão n. 12 87.365 13ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO (efls. 1654/1664) que julgou improcedente a impugnação (efls. 1599/1620) e manteve o lançamento constituído em 06/11/2014 (efl. 1595) e consignado nos Autos de Infração de Obrigações Principais (AIOP): a) DEBCAD n. 51.056.2043 lavrado em 03/11/2014 valor total de R$ 5.262.817,78 (efls. 03/08); e b) DEBCAD n. 51.056.2051 lavrado em 03/11/2014 valor total de R$ 501.220,72 (efls. 09/14) P.A 01/01/2011 a 31/12/2011 com fulcro nas contribuições patronais devidas à Seguridade Social, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), bem como contribuições devidas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção do produtor pessoa física, e devidas pelo sujeito passivo, por subrogação, na qualidade de adquirente da produção rural, não declarados em GFIP. Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 1599/1620) em 05/12/2014 (efl. 1598), julgada improcedente pela DRJ/RJO, nos termos do Acórdão n. 1287.365 (1654/1664), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL REALIZADA POR PESSOA FÍSICA EMPREGADORA. SUBROGAÇÃO NA EMPRESA ADQUIRENTE. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A propositura de ação judicial antes ou depois do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante ao objeto coincidente entre os processos administrativo e judicial, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO SENAR. SUBROGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A ação judicial proposta pelo sujeito passivo não tem por objeto a discussão da contribuição devida ao SENAR por subrogação, razão pela qual sua apreciação no processo administrativo fiscal constitui matéria diferenciada não abrangida pelos efeitos da renúncia. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade. REQUERIMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Sujeitase a indeferimento o pedido de produção de provas considerado prescindível à instrução processual. Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.752 3 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. IMPOSSIBILIDADE. Dada a existência de determinação legal expressa no sentido de que as intimações sejam endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio profissional do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do teor do Acórdão n. 1287.365 (1654/1664) em 28/04/2017 (e fls. 1672/1673), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 1676/1694) na data de 22/05/2017 (efl. 1674), esgrimindo os mesmos argumentos da impugnação (efls. 1599/1620), sintetizadas a seguir: i) Discorre sobre a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição social do empregador rural pessoa física, incidente sobre o resultado da comercialização da produção, já reconhecida e declarada pelo Supremo Tribunal Federal, no RE 363.852, enfatizando ainda que a criação de nova exação demanda a edição de lei complementar; ii) Considera que a Lei 10.256/2001 não supriu a inconstitucionalidade reconhecida pelo STF; iii) Acerca da contribuição ao SENAR, reconhece sua natureza jurídica distinta da contribuição do FUNRURAL, prevista no art. 25, da Lei nº 8.212/91, mas a considera igualmente inconstitucional; iv) Afirma que a validade da norma que institui a contribuição destinada ao SENAR somente poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o empregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural. Logo, retiradas do ordenamento jurídico as norma inseridas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, inexistirá sujeição passiva à referida obrigação tributária, vez que a base de cálculo foi declarada inconstitucional, não havendo sobre o que incidir o tributo; v) Defende que a contribuição ao SENAR não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários, conforme o disposto no art. 240 da CF/88 c/c art. 62 do ADCT. Além disso, a própria Lei 8.315/91 cria e faz incidir o tributo sobre a folha de salários das pessoas jurídicas e não dos empregados contratados por pessoas físicas, de sorte que ainda que houvesse lei autorizando a cobrança sobre o faturamento, a pessoa física não seria alcançada pela cobrança; vi) Requer, por fim, sejam deferidas todas as provas em direito admitidas, especialmente a conversão em diligência, perícias e prova testemunhal. É informado nos autos (efls. 1709/1745 e 1748/1749) que a Recorrente ajuizou ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 data de autuação: 07/03/2017 com objeto idêntico a uma das matérias enfrentadas no Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), qual seja, o afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária nos moldes do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001 (FUNRURAL). Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.753 4 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. De plano, resta caracterizada a concomitância de instâncias (administrativa e judicial), vez que a Recorrente ajuizou ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 data de autuação: 07/03/2017 com objeto idêntico a uma das matérias enfrentadas no Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), qual seja, o afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária nos moldes do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001 (FUNRURAL), conforme denunciado nos documentos de efls. 1709/1745 e 1748/1749. Assim, não será objeto de apreciação a infração tipificada por não recolhimento das contribuições patronais devidas à Seguridade Social (contribuição do segurado especial sobre a produção rural e do adquirente pessoa jurídica) e das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), por sub rogação art. 25 da Lei n. 8.212/1991 consignada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.056.2043 (efls. 03/08), atraindo, destarte, o enunciado de Súmula CARF n. 1, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifos originais) De observar, entretanto, que a decisão recorrida já havia acusado a concomitância de instâncias administrativa e judicial com fulcro em outra ação judicial ajuizada pela Recorrente, na espécie, mandado de segurança autuado em 14/04/2010 sob n. 000194393.2010.4.03.6107 com o objetivo de afastar, por inconstitucionalidade, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física prevista no art. 25, I e II, da Lei n. 8.212/1991, que é idêntico ao objeto da impugnação (efls. 1599/1620) em face da infração tipificada no lançamento abrigado no DEBCAD n. 51.056.2043 (efls. 03/08): Conforme análise dos autos, e confirmado no sítio eletrônico da Justiça Federal, o contribuinte em epígrafe impetrou mandado de segurança, protocolado em 14/04/2010, sob o n° 000194393.2010.4.03.6107 e distribuído à 2ª Vara Federal de Araçatuba/SP, cujo objeto consiste no afastamento, por inconstitucionalidade, da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, prevista no art. 25, I e II da Lei 8.212/91. Salientese que foi confirmada pelo magistrado a tutela de urgência e julgado procedente o pedido em favor do contribuinte, em primeira instância. Todavia, tal decisão foi reformada pelo TRF3ª Região, em 31/01/2012, que reconheceu a exação legalmente exigível a partir da edição da Lei nº 10.256/01. Em nova consulta processual, foi possível constatar que tal decisão desfavorável ao contribuinte já transitou em julgado, tendo em vista que o processo judicial já se encontra baixado definitivamente, desde 29/04/2015, e arquivado, em 07/05/2015. Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.754 5 Considerando que o lançamento preventivo da decadência pressupõe vigência e eficácia de decisão judicial favorável ao contribuinte suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, resta evidenciado que com a conclusão da fase processual no âmbito administrativo inexistem atualmente quaisquer óbices ao prosseguimento de sua cobrança regular. Por outro lado, segundo dispõe o art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91 e o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto, desde que a ação proposta tenha idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo. [...] Neste sentido, observase que a referida demanda não abrange em seu objeto as contribuições devidas ao SENAR, cujo fundamento legal é inteiramente distinto e reside no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997, na redação dada pelo art. 3º, da Lei nº 10.256, de 2001. Considerando que os limites objetivos da demanda são fixados pelo pedido formulado na ação ajuizada e informado pela respectiva causa de pedir, não há como estender os efeitos da renúncia ao contencioso a tributo não questionado na ação proposta. Assim, embora se reconheça a renúncia ao processo administrativo fiscal em relação à matéria arguída em demanda ajuizada pelo sujeito passivo – no caso em exame, a legalidade das contribuições previdenciárias a cargo do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, previstas no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.212/91 , observamos que a peça impugnatória contém matéria diferenciada em relação ao objeto questionado em juízo. Assim sendo, fica garantido o direito à discussão do crédito lançado no que tange à insurgência da impugnante contra a exigência das contribuições destinadas ao SENAR, bem como as exceções processuais de conversão do julgamento em diligência, pedido de perícia, produção de prova testemunhal e intimação do advogado em seu domicílio profissional. É dizer, o presente litígio encontrase delimitado pelo mandado de segurança autuado em 14/04/2010 sob n. 000194393.2010.4.03.6107, denunciado na decisão recorrida, bem assim pela ação ordinária n. 955565.2017.4.01.3400 autuada em 07/03/2017, informada nos documentos de efls. 1709/1745 e 1748/1749. Assim, remanesce no litígio apenas a infração tipificada por não recolhimento da contribuição devida ao SENAR sobre a comercialização da produção rural segurado especial, por subrogação, período de apuração (P.A) 01/01/2011 a 31/12/2011, consignada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.056.2051 (efls. 09/14). Nessa perspectiva, o Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), não obstante ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, é passível de conhecimento parcial, vez que a lide se restringe à matéria tratada no Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n. 51.056.2051 (efls. 09/14). Ao enfrentar as alegações da impugnante em face da contribuição devida ao SENAR, a decisão recorrida assim se posicionou: Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.755 6 A pretensão deduzida no mandado de segurança ajuizado pela empresa diz respeito tão somente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural realizada pela pessoa física empregadora, não abrangendo a contribuição destinada ao SENAR, prevista no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 1997, na redação dada pelo art. 3º, da Lei nº 10.256, de 2001. Todavia, as alegações aduzidas pela defendente, no que concerne à resistência por ela oposta à exação em comento, dizem respeito exclusivamente a aspectos constitucionais do tributo. Neste passo, cumpre esclarecer que somente ao Poder Judiciário é dado exercer o controle concentrado ou difuso, de caráter repressivo, da constitucionalidade das leis. Revelase, assim, inadequada a postulação de matéria dessa natureza na esfera administrativa, estando tal vedação atualmente prevista no Decreto nº 70.235/1972, que trata do processo administrativo fiscal, em seu art. 26A, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A questão já foi, inclusive, objeto de súmula em instância administrativa superior, no caso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, editada através da Portaria CARF de nº 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, inferese do disposto nos Incisos IV e V do art. 7 da Portaria MF nº 341/2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que ao julgador é vedado negar vigência às normas que compõem o ordenamento jurídico pátrio. Considerando que os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores; considerando, ainda, que tais preceitos não tiveram sua invalidade reconhecida por decisão de tribunal superior, dotada de eficácia erga omnes, nem por qualquer outro juízo ou tribunal, em processo no qual a Interessada figure como parte, rejeito a pretensão deduzida. Outrossim, o STF já se manifestou pela inconstitucionalidade da contribuição previdenciária que tenha como fato gerador a receita bruta da comercialização da produção rural realizada por pessoa física empregadora (RE n.° 363.852/MG), sendo que essa decisão não abrangeu os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001 nem abrangeu a contribuição destinada a outras Entidades e Fundos, no caso a contribuição social destinada ao SENAR. Dessa forma, após a entrada em vigor da Lei 10.256/2001, que é o caso dos autos, não há declaração de inconstitucionalidade pelo STF acerca da contribuição social destinada ao SENAR, mantendose os valores lançados.(grifos originais) Noutro giro, na peça recursal de efls. 1676/1694, a Recorrente, no que diz respeito à contribuição devida ao SENAR, desenvolve o seguinte raciocínio: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.756 7 A contribuição devida ao SENAR é acessória ao FUNRURAL e, por isso, segue a mesma sorte da principal que, como já dito supra, é inconstitucional. Nesse prumo, por ser indevido o FUNRURAL sobre a receita, a contribuição de terceiro SENAR também o será. É que embora a declaração de inconstitucionalidade debatida supra não tenha se pronunciado quanto à disposição contida no art. 2º da Lei n.º 8.540/1992, que trata da base do SENAR, não restam dúvidas que tal exação é igualmente inconstitucional. Com efeito, o artigo 2.º da Lei nº 8.212/91 reportase à pessoa física de que trata alínea “a” do inciso V do artigo 12 da mesma lei, como sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, o produtorempregador rural. Portanto, a validade da norma contribuição destinada ao SENAR somente poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o produtorempregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural. Inobstante ao fato de que a contribuição destinada ao SENAR não é uma contribuição previdenciária, é preciso estar atento ao fato de que a eleição do sujeito passivo da contribuição destinada à referida entidade se deu por norma declarada inconstitucional. De sorte que, retirada do ordenamento jurídico, as normas inseridas pelo art. 1.º da Lei 8.540/1992, inexistirá sujeição passiva à referida obrigação tributária, vez que a base de cálculo foi declarada inconstitucional, não havendo sobre o que incidir o tributo. Em não sendo este o entendimento deste Douto Julgador, o que se admite somente para fins de argumentação, impende consignar que o SENAR não possui autorização Constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários, senão vejamos o art. 240 da CF/88 c/c art. 62 do ADCT. “Art. 240 Ficam ressalvadas do disposto no Art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. (...) Art. 62 A lei criará o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) nos moldes da legislação relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC), sem prejuízo das atribuições dos órgãos públicos que atuam na área.” A legislação que criou o tributo, na forma da autorização constitucional, assim procede: Lei nº 8.315/1991: Art. 3º Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.757 8 b) agropecuárias; Duas ilações muito simples decorrem do apanhado legislativo exposto supra, quais sejam, a primeira é que a Constituição autoriza criar a contribuição sobre a folha de salários e não sobre a receita bruta, e a segunda é que a própria lei que cria o tributo o faz incidir sobre a folha de salário dos empregados das pessoas jurídicas e não daqueles contratados por pessoas físicas como é o caso em tela. Em prosseguimento, ainda que houvesse lei autorizando a cobrança sobre faturamento, a pessoa física não seria atingida pela cobrança, já que somente pode incidir sobre pessoas jurídicas, como dito na própria lei. Ademais, no julgamento do RE 363.8521, o Ministro Eros Grau, em seu VotoVista, levantou questão relevante no sentido de que inexiste base de cálculo para incidência do tributo cobrado, nos seguintes termos: “22. A Lei n.º 8.212/91 não determina, no entanto, o fato gerador da obrigação tributária. Este elemento da regra matriz de incidência está descrito em textos normativos emanados do Poder Executivo, o que não se pode admitir visto que excede os limites da função regulamentar que lhe fora conferida pela lei. 23. Os arts. 241 a 244 da Instrução Normativa MSP/SRP n. 3, de 14 de julho de 2005, definem o fato gerador da contribuição: "Art. 241. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural: I de produtor rural pessoa física e de segurado especial realizada diretamente com:" a) adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado o disposto no art. 245; c) consumidor pessoa física, no varejo; d) adquirente pessoa física, nãoprodutor rural, para venda no varejo a consumidor pessoa física; e) Outro produtor rural pessoa física; f) outro segurado especial; II de produtor rural pessoa jurídica, exceto daquele que, além da atividade rural, exerce atividade econômica autônoma do ramo comercial, industrial ou de serviços, observado o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 250 ; III realizada pelo produtor rural pessoa física ou pelo segurado especial com empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; IV própria e da adquirida de terceiros, industrializada ou não, pela agroindústria, exceto a de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e a de avicultura, a partir de 1º de novembro de 2001." Parágrafo único. O recebimento de produção agropecuária oriunda de outro país, ainda que o remetente seja o próprio destinatário do produto, não configura fato gerador de contribuições sociais. [transcrevese os demais dispositivos da IN] [...] 24. Em matéria tributária – e dessa matéria cuidase nestes autos – a legalidade prevalece em termos absolutos. Não há espaço, no que concerne à obrigação tributária principal, para o exercício, pelo Poder Executivo, de qualquer parcela de função regulamentar. Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.758 9 25. Nenhum dos preceitos da Lei n. 8.212/91 autoriza ou poderia autorizar o Poder Executivo a determinar, por ato seu, no exercício de função de regulamentar, o fato gerador da contribuição social. O Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 97, III e 114, que somente a lei pode fixar o fato gerador de tributo. 26. Daí porque se torna impossível a exigência do tributo dos empregadores rurais pessoas físicas [...]” A ausência de fato gerador previsto em lei, por si só é suficiente a afastar a exação, sob pena de ferir de morte preceitos cogentes previstos nos Artigos 97, III e 114 do Código Tributário Nacional, os quais preceituam que somente a lei pode fixar o fato gerador de tributo. Pelo exposto, refutase também a cobrança do SENAR, por absoluta falta de amparo legal.(grifos originais) Pois bem. Na espécie, a matéria controvertida é de extrema relevância jurídica, dada a sua complexidade, alcance dos seus efeitos e diferentes interpretações que suscita. De plano, é de se observar que a contribuição devida ao SENAR destinase ao financiamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n. 8.315/1991, em cumprimento ao art. 62 do ADCT da CF/88, e regulamentado pelo Decreto n. 566, de 10 de junho de 1992, e tem como objetivo organizar, administrar e executar, em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, é obrigatória, e tem natureza jurídica, base de cálculo e finalidades totalmente distintas da contribuição ao FUNRURAL, esta declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 363.852/MG e do RE 596.177/RS, que lhe conferiu repercussão geral. Ou seja, é absolutamente improcedente qualquer ilação de que aquela seja acessória desta, vez que incomunicáveis. É dizer: qualquer ilação de que a contribuição ao SENAR seja acessória da contribuição ao FUNRURAL, estando assim a esta atrelada, é absolutamente improcedente. Entretanto, para uma melhor contextualização da presente lide, impõese a apreciação dos eventos jurídicos que a norteiam, vez que nela repercutem diretamente. É o que passo a fazer. O RE 363.852/SC declarou a inconstitucionalidade do art. 1°. da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII; 25, I e II; e 30, IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, venha a instituir a contribuição. Posteriormente, o RE 596.177/RS, submetido ao regime da repercussão geral, reafirmou a inconstitucionalidade declarada no RE 363.852/SC. Por sua vez, o Senado Federal aprovou a Resolução n. 15/2017 suspendendo, nos termos do art. 52, X, da CF/88, a execução do inciso VII do art. 12 da Lei n. 8.212/91, e a execução do art. 1°. da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII; 25, I e II; e Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.759 10 30, IV, da Lei n. 8.212/91, todos com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo STF nos autos do RE 363.852/MG. Prima facie, a Resolução n. 15/2017 induz a um entendimento mais amplo que a declaração de inconstitucionalidade consignada no RE 363.852/MG e no RE 596.177/RS, no sentido de alcançar a contribuição do segurado especial e a contribuição do empregador rural pessoa física restabelecida com fundamento na Lei n. 10.256/2001, conforme reclama a Recorrente. Na sua argumentação, a Recorrente reconhece que o RE 363.852/SC não se pronunciou sobre o art. 2°. da Lei n. 8.540/92, que trata exatamente da base de cálculo da contribuição da pessoa física para o SENAR, mas conclui que é igualmente inconstitucional, sob a alegação de que a referida contribuição só poderia subsistir se fosse válida a norma que elege o produtorempregador rural como contribuinte da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização da produção rural, vez que o retrocitado dispositivo legal reportase à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 da Lei n. 8.212/91 como sujeito passivo da obrigação tributária, ou seja, o produtorempregador rural. Lei n. 8.540/1992: Art. 2° A contribuição da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Parágrafo único. As disposições contidas no inciso I do art. 3° da Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplicam à pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. É dizer, de forma transversa, a Recorrente busca impingir a pecha de inconstitucionalidade a dispositivo legal assim não declarado pelo próprio STF, estendendo o alcance do RE 363.852/SC, reafirmado pelo RE 596.177/RS, ao art. 2°. da Lei n. 8.540/92. Convenhamos, tal entendimento não parece razoável. De se observar que a matéria apreciada no âmbito do RE 363.852/SC diz respeito a dispositivos da Lei n. 8.212/91 com redações dadas por leis anteriores à Emenda Constitucional n. 20/98, que deu nova redação ao art. 195, § 8°., da CF/88 estabelecendo que o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização de sua produção. É dizer, o RE 363.852/SC e o RE 596.177/RS não dizem respeito à Lei n. 10.256/2001, que veio a vigorar após a promulgação da Emenda Constitucional n. 20/98. Nesse sentido, é bastante esclarecedor o Parecer PGFN/CRJ/ n. 1447/2017, verbis: Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.760 11 35. Para que se possa identificar o conteúdo sobre o qual incide a Resolução nº 15, de 2015, é indispensável perquirir acerca do exato alcance da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no tocante à contribuição social do empregador rural pessoa física. 36. De início, a matéria foi apreciada no RE nº 363.852/MG, ocasião em que restou assentado o seguinte: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. (...) 37. Cabe transcrever, ainda, a ementa do acórdão citado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010). 38. Posteriormente, a questão foi novamente examinada pelo STF no julgamento do RE nº 596.177/RS, desta vez sob o regime da repercussão geral, no qual a Corte reiterou a orientação no sentido da inconstitucionalidade da contribuição social do empregador rural pessoa física. Eis a ementa do julgado: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.761 12 da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. 39. Contra esse último acórdão foram opostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional, os quais restaram parcialmente acolhidos pela Excelsa Corte para fins de exclusão da referência à suposta inconstitucionalidade material da contribuição do produtor rural empregador, já que tal fundamento desbordava dos limites da matéria submetida a julgamento em repercussão geral. Naquela oportunidade, o Plenário consignou expressamente não ter sido objeto de deliberação a constitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, diploma que, após a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, reinstituiu a contribuição social do empregador rural pessoa física na Lei nº 8.212, de 1991. Confirase a ementa do acórdão em comento: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador” (fl. 260). II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. 40. Do exame dos julgados em questão, verificase que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540, de 1992 (que deu nova redação aos arts. 12, V, 25, I e II e 30, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 1997), por vício exclusivamente formal e apenas no tocante à cobrança da contribuição social do empregador rural pessoa física. [...] 42. Além do reconhecimento do vício na seara estritamente formal, temse que a eiva de inconstitucionalidade declarada pelo STF não recaiu sobre os citados dispositivos legais quando disciplinam a tributação do segurado especial, mantendose, em relação a esse sujeito passivo, a incidência do tributo sobre alíquota e base de cálculo previstas nos incisos I e II do art. 25 da Lei 8.212, de 1991 (mesmo no período que antecede a Lei nº 10.256, de 2001). Registrese que a discussão quanto à constitucionalidade da contribuição social do segurado especial é objeto do Recurso Extraordinário nº 761.263/CS (sic) (tema 723 de repercussão geral12), ainda não julgado pela Corte Suprema. (grifos originais) Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.762 13 Noutro giro, a i. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira apud i. Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, no voto condutor do Acórdão n. 9202006.991 2ª. Turma CSRF Sessão de 20/06/2018 elucida os efeitos do RE n. 363.852/MG, em apreço, verbis: Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. [...] Ainda acerca da matéria em tela, conclui a ilustre Conselheira: Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos.(sic) a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.763 14 inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontrase também legitimada.(sic) Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Especificamente em relação ao período posterior ao advento da Lei n. 10.256/2001, o RE 718.874/RS, sumarizado na ementa abaixo, é esclarecedor: Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (grifei) No mesmo diapasão, o RE n. 585.684/RS: Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.764 15 No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011). (grifei) Nessa perspectiva, não restam dúvidas de que com a entrada em vigor da Lei n. 10.256/2001, editada sob o manto constitucional inaugurado pela Emenda Constitucional n. 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n. 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n. 10.256/2001. Destarte, concluo pela improcedência da alegação da Recorrente no sentido de que a retirada do ordenamento jurídico das normas inseridas pelo art. 1°. da Lei n. 8.540/1992 implicou prejuízo à cobrança da contribuição devida ao SENAR, vez que a base de cálculo do referido tributo é constitucional e encontrase tipificada no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001. Outrossim, a alegação da Recorrente de que a contribuição ao SENAR não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base de cálculo que não seja a folha de salários não merece prosperar, vez que o art. 240 da CF/88, ao ressalvar do disposto no art. 195 as contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, é taxativo ao delimitar tal ressalva às atuais contribuições, ou seja, existentes na data da promulgação do texto constitucional, excluindose, portanto, as que foram posteriormente instituídas. É nesse sentido a doutrina de Leandro Paulsen (Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. In: Machado, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários ICET, 2003), verbis: O art. 240, por delimitação constante expressamente do seu próprio texto, como já frisado, aplicase às então 'atuais contribuições', já elencadas, de modo que não alcança as contribuições posteriormente criadas, quais sejam: o SENAR, SEBRAE, SEST, SENAT e SESCOOP. [...](grifei) Nesse contexto, a previsão do art. 62 do ADCT diz respeito tãosomente à identificação do SENAR com o formato organizacional e operacional do SENAI e SENAC. De qualquer sorte, ainda que restasse alguma sombra de inconstitucionalidade sobre a definição da base de cálculo da contribuição ao SENAR diversa da folha de salários, conforme prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91; art. 2º. da Lei n. 8.540/92; e no art. 6°. da Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, tal discussão é Fl. 1764DF CARF MF Processo nº 15868.720140/201489 Acórdão n.º 2402006.697 S2C4T2 Fl. 1.765 16 incabível em sede administrativa, vez que falece competência ao CARF para pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário (efls. 1676/1694), para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1765DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901333/2008-65
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-001.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 13 33 /2 00 8- 65 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 26/29, de n. 20341.06441.040304.1.3.040013, de 04/03/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos referente a DARF com as seguintes características: de IRPJ 0220 (1° trimestre de 2003), recolhimento em 30/06/2003, no valor principal de R$ 16.462,19. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 757727792 (efl. 04), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0225.312 4ª Turma da DRJ/BHE, efls. 53/57). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Em 16/05/2008, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, da qual se reproduz o trecho que se segue: De conformidade com a DIPJ12004 —Ano Calendário12003, foi apurado Imposto de Renda no 1° Trimestre de 2003 no valor de R$ 32.290,13 (trinta e dois mil, duzentos e noventa reais e treze centavos) entregue em 1710612004, recibo de n° 267.837 (xérox anexo) e DCTF do 3° trimestre de 2003 entregue em 11/11/2003 (xérox anexo). Por erro do funcionário que trabalhava naquela ocasião foram pagos DARFS com valores superiores aos devidos. • DARFS I. RENDA PAGOS 30/04/2003 R$16. 462,19 (xérox anexo) 30/05/2003 R$16.628,81 (xérox anexo) 30/06/2003 R$16.951.12 (xérox anexo) TOTAL R$ 50.040,12 VALOR CORRETO DO I. DE RENDA R$ 32.290,13 VALOR PAGO R$ 50.040,12 CRÉDITO A NOSSO FAVOR R$ 7.749, 99 Utilizamos este crédito conforme PERDICOMP. 1.2 entregue em 0410312004 de n° 203410644104030413040013 (xérox anexo) no valor de R$ 5.698,81 (o erro foi lançar na pág. 3 o Darf com vencimento em 3010512003). O correto seria o DARF de 3010612003. VALOR DO CRÉDITO R$ 12.896, 76 Valor da compensação utilizada R$ 5.698.81 Crédito a nosso favor R$ 7.197, 95 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.901333/200865 Acórdão n.º 1001001.016 S1C0T1 Fl. 80 3 A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito. Cientificada da decisão de primeira instância em 31/05/2010 (efl. 63) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 30/06/2010 (efl. 64), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade, requer junção de processos conexos, requer a apreciação das provas juntadas nos autos e protesta pelo afastamento de eventual "prescrição intercorrente". Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Este processo está sendo apreciado em conjunto com os processos 10680.901310/200851 e 106809013681200802, tendose em vista tratarem dos mesmos elementos de prova. Tratase de compensação declarada e não homologada porque o pagamento no valor total de R$ 16.462,19 — e do qual decorreria o crédito objeto da declaração de compensação — foi utilizado para quitar débito, declarado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), referente à 2ª quota do IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas) apurado no 1° trimestre de 2003. Conforme já resumido no acórdão recorrido, a recorrente indicou em DCTF retificadora relativa ao 1° trimestre de 2003, entregue em 11/11/2003, o valor de R$ 32.290,13 a título de débito apurado de IRPJ (1° trimestre de 2003), a ser pago em três cotas. Mas, nessa mesma data, também retificou a DCTF relativa ao 2° trimestre de 2003, indicando, dessa vez, a título de débitos correspondentes às quotas do IRPJ apurado, não o valor total de R$ 32.290,13, mas sim o valor total de R$ 49.386,57. Verificase ainda que tais valores a título de quotas (no total de R$ 49.386,57) foram mantidos nas DCTF retificadoras entregues em 27/03/2008 e 02/09/2008. Ou seja, em 24/04/2008, data da prolatação do Despacho Decisório 757727792 (efl. 04), prevalecia como valor confessado, para efeitos fiscais (DCTF), o total de R$ 49.386,57 de IRPJ para o 1° trimestre de 2003. Eventual retificação deste valor em DCTF, se não impedida pela decadência tributária, deveria estar acompanhada de documentos fiscais e contábeis conforme defendido a seguir. E tal comprovação não se deu nestes autos quando da apresentação do primeiro recurso (à DRJ). Cumpre lembrar, conforme já asseverado na Súmula CARF nº 92, que a DIPJ, desde a sua instituição não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário comprovar à autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 81DF CARF MF 4 Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (mesmo quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efl. 02) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta segunda instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DRJ. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.901333/200865 Acórdão n.º 1001001.016 S1C0T1 Fl. 81 5 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, Fl. 83DF CARF MF 6 salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Por fim cabe ressaltar o que já está sumulado (Súmula CARF nº 11), de que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mas tal instituto não se confunde com a vigente previsão legal do art. 16 do Decreto 70.235/72. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 84DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903144/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2001
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2001 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 44 /2 00 9- 70 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903144/200970 Acórdão n.º 3301005.402 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.403, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903144/200970 Acórdão n.º 3301005.402 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903144/200970 Acórdão n.º 3301005.402 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903144/200970 Acórdão n.º 3301005.402 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903144/200970 Acórdão n.º 3301005.402 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.903144/200970 Acórdão n.º 3301005.402 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.908239/2008-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITOS BÁSICOS. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Nos termos do REsp. 1.035.847/RS, é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ilegítima do Fisco ao seu aproveitamento. Ausente a hipótese de oposição nos presentes autos em que fora pleiteada a incidência da taxa SELIC.
REMISSÃO. ART. 14 DA MP No 449/08 CONVERTIDA NA LEI No 11.941/2009. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449/08 era que os débitos em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Incabível cogitar em remissão tendo em vista o não atendimento de qualquer das condições.
Para aplicação do benefício é necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos sejam alcançados pelo marco temporal do vencimento. As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para a análise da aplicação de remissões definidas em lei.
PRESCRIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. IMPROCEDÊNCIA
O início da contagem do prazo prescricional somente ocorre após a ciência do contribuinte do resultado do recurso administrativo. Improcedentes as alegações de prescrição.
Numero da decisão: 3001-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITOS BÁSICOS. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Nos termos do REsp. 1.035.847/RS, é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ilegítima do Fisco ao seu aproveitamento. Ausente a hipótese de oposição nos presentes autos em que fora pleiteada a incidência da taxa SELIC. REMISSÃO. ART. 14 DA MP No 449/08 CONVERTIDA NA LEI No 11.941/2009. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449/08 era que os débitos em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Incabível cogitar em remissão tendo em vista o não atendimento de qualquer das condições. Para aplicação do benefício é necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos sejam alcançados pelo marco temporal do vencimento. As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para a análise da aplicação de remissões definidas em lei. PRESCRIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. IMPROCEDÊNCIA O início da contagem do prazo prescricional somente ocorre após a ciência do contribuinte do resultado do recurso administrativo. Improcedentes as alegações de prescrição.
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Nos termos do REsp. 1.035.847/RS, é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ilegítima do Fisco ao seu aproveitamento. Ausente a hipótese de oposição nos presentes autos em que fora pleiteada a incidência da taxa SELIC. REMISSÃO. ART. 14 DA MP No 449/08 CONVERTIDA NA LEI No 11.941/2009. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. MATÉRIA ESTRANHA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449/08 era que os débitos em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Incabível cogitar em remissão tendo em vista o não atendimento de qualquer das condições. Para aplicação do benefício é necessário que o sujeito passivo comprove que os débitos sejam alcançados pelo marco temporal do vencimento. As Turmas de Julgamento do CARF não têm competência para a análise da aplicação de remissões definidas em lei. PRESCRIÇÃO. CONTAGEM DE PRAZO. IMPROCEDÊNCIA O início da contagem do prazo prescricional somente ocorre após a ciência do contribuinte do resultado do recurso administrativo. Improcedentes as alegações de prescrição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 82 39 /2 00 8- 89 Fl. 80DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação com saldo credor de IPI no 4º Trimestre de 2003, tendo por base o art. 11 da Lei nº 9.779/99, no valor total de R$8.436,56 por meio das DCOMPs 11629.77233.291004.1.3.013798 e 13477.85327.110805.1.3.018261. A DRF de Vitória/ES, em apreciação ao pleito da contribuinte, proferiu Despacho Decisório Eletrônico (efls. 12) homologando parcialmente a compensação declarada tendo em vista que o valor do crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados na PER/DCOMP em virtude de os débitos declarados se encontrarem vencidos. Com isso, a fiscalização efetuou o ajuste do referido valor com cobrança de multa de mora e juros de mora. Não satisfeita com a resposta do fisco, a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que (i) com a demora do fisco em reconhecer o Crédito Presumido do IPI do contribuinte (após 4 anos de sua solicitação), seria justo a atualização do crédito com correção monetária pela taxa Selic; (ii) que todo o saldo devedor seria amortizado se ocorresse a atualização monetária do crédito pela taxa Selic, restando, ainda, saldo credor; (iii) que a jurisprudência tem reconhecido o direito à correção monetária diante da demora do Fisco em reconhecer o crédito; (iv) caso se entenda pela impossibilidade da correção do crédito, afirma que não poderia prosperar a cobrança, uma vez que o art. 14 da MP no 449/08 concede remissão a débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). A DRJ de Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, convalidando integralmente a homologação parcial consubstanciada no despacho decisório, conforme Acórdão no 0935.942 a seguir transcrito: Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.908239/200889 Acórdão n.º 3001000.580 S3C0T1 Fl. 81 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. PROCEDÊNCIA. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar comprovado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento apurados ao fim do trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Passível de Ressarcimento) foi utilizada para abater débitos informados no RAIPI/PGD, não se mantendo, pois, na escrita, até o período imediatamente anterior ao da transmissão da DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. ACRÉSCIMOS MORATORIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação, sobre os débitos vencidos, na data do encontro de contas (data de valoração) incidem multa de mora de 0,33% ao dia, limitada a 20%, e juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. A falta de consignação dos acréscimos moratórios na DCOMP implicará a nãohomologação parcial da compensação e a exigência do tributo objeto da compensação não homologada com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando, em síntese, dois pontos: (i) atualização do crédito com correção monetária pela taxa Selic; (ii) caso seja negada a correção do crédito, requer a aplicação do art. 14 da MP no 449/08 que concede remissão a débitos de valor igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Adicionalmente alega um terceiro ponto, qual seja, (iii) ter ocorrido a prescrição tendo em vista que decorreu mais de 5 anos após a data da apresentação da declaração de compensação dos débitos. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Fl. 82DF CARF MF 4 Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão objeto da presente demanda versa sobre a possibilidade de efetuar a correção monetária do crédito objeto do pedido de ressarcimento por intermédio da taxa Selic. Inicialmente cabe destacar que a Recorrente pleiteou a compensação de débitos de COFINS no valor principal de R$4.269,50 e 4.167,06 vencidos em 14/11/2003 e 12/11/2004, cujos pedidos de compensação ocorreram somente em 29/10/2004 e 11/08/2005, respectivamente, datas em que foram transmitidas as Declarações de Compensação. Podese afirmar que tal fato é incontroverso visto que a própria recorrente confirma que os débitos estavam vencidos. Portanto, inevitavelmente cabe a aplicação da multa de mora e juros de mora sobre os referidos débitos. A DRF Vitória reconheceu a integralidade do crédito pleiteado pela Recorrente. Entretanto, observando a mora por parte da Recorrente, apurou o valor do débito de COFINS acrescido de multa de mora e juros de mora, ocasionando uma diferença a pagar na qual não foi acobertada com o valor constante do crédito reconhecido. O argumento da Recorrente diante desta situação cingese na possibilidade de atualização monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido pela administração pública após decorrido o lapso temporal de 48 (quarenta e oito) meses. Segundo a Recorrente, esta atualização seria suficiente para cobrir o débito corrigido e que ainda restaria um saldo credor a seu favor. Cumpre, então, analisar a possibilidade jurídica da atualização dos créditos de ressarcimento de IPI nas circunstâncias em tela. A presente matéria foi objeto de análise por parte do Superior Tribunal de Justiça no REsp. no 1.035.847/RS, julgado na sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC, nos seguintes termos abaixo reproduzidos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. “1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.908239/200889 Acórdão n.º 3001000.580 S3C0T1 Fl. 82 5 demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. [...] Portanto, ficou decidido pelo STJ que não cabe correção monetária dos créditos escriturais de IPI. Entretanto, ocorrendo oposição administrativa ou normativa para utilização destes créditos, haveria uma descaracterização destes como escritural e, por conseguinte, poderia ocorrer a correção monetária. Retornando ao presente caso concreto, evidenciase que o ente estatal reconheceu a integralidade do crédito pleiteado pela Recorrente, o que descaracteriza a oposição ilegítima por parte da administração pública. Portanto, não há que se falar em aplicação da taxa Selic para atualização de créditos oriundos pedidos de ressarcimento de IPI por ausência de previsão legal. Destaquese que este entendimento tem prevalecido nos julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme o recente Acórdão de no 9303007.336 decidido em sessão realizada em 15/08/2018, in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS VIA IMPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Somente geram direito ao crédito presumido de IPI os insumos adquiridos no mercado interno. Disposição expressa do art. 1º da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. FRETE. POSSIBILIDADE. Incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte. CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária Fl. 84DF CARF MF 6 com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. (grifo da reprodução) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. (grifo da reprodução) Analisemos, então, o questionamento da Requerente no que se refere a remissão dos débitos objeto da presente demanda por força do art. 14 da MP no 449/08, convertida na Lei no 11.941/09. Vejamos o que dispõe a citada norma: “Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais)” Fica claro que, extraindose da letra da lei, somente houve remissão dos débitos vencidos há cinco anos ou mais em 31 de dezembro de 2007, ou seja, vencidos até 31 de dezembro de 2002. O débito objeto da presente análise teve seu marco temporal de vencimentos ocorridos em 14/11/2003 e 12/11/2004, portanto posteriores a data estabelecida na mencionada MP e, por conseguinte, excluído da norma de remissão. Há de se destacar que a situação de fato não se subsume ao disposto na lei. Outro sim, entendo ser correto o entendimento esposado na decisão de piso, na qual defende que a presente matéria de remissão é atinente a cobrança e, portanto, não pode ser objeto de análise por intermédio de recurso administrativo. Sendo da unidade da Receita Federal que circunscriciona o contribuinte a competência para análise de sua aplicação. Por fim, a Recorrente alega ter havido prescrição dos débitos, tendo em vista que a simples declaração de compensação não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Afirma que os fatos geradores dos débitos ocorreram nos meses de 11/2003 e 11/2004, cujos vencimentos se deram em 12/2003 e 12/2004, respectivamente. Nos termos do art. 74 da Lei no 9.730/96, as compensações declaradas extinguem o débito do contribuinte. Entretanto, tais declarações encontramse sujeitas a ulterior homologação na qual os valores informados pelo contribuinte serão analisados pela autoridade administrativa competente dentro do período de 5 (cinco) anos da data da transmissão das respectivas DCOMPs (art. 74, §5º). A Recorrente efetuou a transmissão da Declaração de Compensação em 29/10/2004, data de início do prazo de 5 (cinco) para que a autoridade fiscal homologue as informações declaradas. Considerando que a fazenda pública não homologou as declarações Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.908239/200889 Acórdão n.º 3001000.580 S3C0T1 Fl. 83 7 dos débitos de COFINS por meio do Despacho Decisório emitido em 07/11/2008, verificase ter procedido a análise dentro do prazo legal. A Recorrente alega ter ocorrido a prescrição. Improcedentes seus argumentos. O prazo prescricional tem início com a data da intimação da não homologação da compensação nos termos do art. 74, §7º, caracterizada com a emissão do Despacho Decisório. Entretanto, com a apresentação tempestiva dos recursos administrativos interpostos pela recorrente, a administração pública fica impossibilitada de efetuar a cobrança dos créditos tributários nos termos do §8º do citado artigo e, por conseguinte, o prazo prescricional somente terá início a partir da ciência da decisão final dos recursos, o que ainda não ocorreu até o presente julgamento. Diante do exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720059/2017-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016
IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO.
Não deve ser conhecida a parte do recurso voluntário que traz matéria objeto de discussão judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é cabível a qualificação da multa de ofício, quando não restar provada a ocorrência de dolo ou fraude.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Para que seja atribuída a solidariedade passiva do art. 135 do CTN, há que se provar que o contribuinte agiu de forma dolosa ou cometeu fraude, o que não se verifica nos presentes autos
Numero da decisão: 3301-005.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não conhecer do recurso quanto ao mérito em razão da concomitância. Por maioria de votos, em cancelar a qualificação da multa e afastar a sujeição passiva, vencido o Conselheiro Ari Vendramini (Relator), que manteve a qualificação e a sujeição passiva. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira
assinado digitalmente
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
assinado digitalmente
ARI VENDRAMINI - Relator.
assinado digitalmente
MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vedndramini (Relator). Ausência justificada da Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. Não deve ser conhecida a parte do recurso voluntário que traz matéria objeto de discussão judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a qualificação da multa de ofício, quando não restar provada a ocorrência de dolo ou fraude. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Para que seja atribuída a solidariedade passiva do art. 135 do CTN, há que se provar que o contribuinte agiu de forma dolosa ou cometeu fraude, o que não se verifica nos presentes autos
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-07T03:08:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-07T03:08:44Z; Last-Modified: 2018-12-07T03:08:44Z; dcterms:modified: 2018-12-07T03:08:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:247fe619-eeb1-45bb-bd0d-f85895062568; Last-Save-Date: 2018-12-07T03:08:44Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-07T03:08:44Z; meta:save-date: 2018-12-07T03:08:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-07T03:08:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-07T03:08:44Z; created: 2018-12-07T03:08:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; Creation-Date: 2018-12-07T03:08:44Z; pdf:charsPerPage: 2080; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-07T03:08:44Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.141 1 1.140 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720059/201758 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.356 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria Imposto sobre Produtos Industrializados Recorrente METAFILM EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. Não deve ser conhecida a parte do recurso voluntário que traz matéria objeto de discussão judicial. Aplicação da Súmula CARF nº 1. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a qualificação da multa de ofício, quando não restar provada a ocorrência de dolo ou fraude. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Para que seja atribuída a solidariedade passiva do art. 135 do CTN, há que se provar que o contribuinte agiu de forma dolosa ou cometeu fraude, o que não se verifica nos presentes autos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não conhecer do recurso quanto ao mérito em razão da concomitância. Por maioria de votos, em cancelar a qualificação da multa e afastar a sujeição passiva, vencido o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 00 59 /2 01 7- 58 Fl. 1141DF CARF MF 2 Conselheiro Ari Vendramini (Relator), que manteve a qualificação e a sujeição passiva. Designado para o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira assinado digitalmente WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. assinado digitalmente ARI VENDRAMINI Relator. assinado digitalmente MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vedndramini (Relator). Ausência justificada da Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório 1. Tratam os presentes autos de recurso voluntário interposto contra o decidido no Acórdão DRJ/Salvador nº 15043.010, exarado pela 4ª Turma daquele órgão julgador. 2. Adoto os dizeres do bem redigido relatório do citado Acórdão DRJ/SDR: 1. Cuida o presente processo de 02 (dois) Autos de Infração lavrados contra METAFILM EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA, cuja ciência se deu em 15/02/2017, de forma pessoal, bem como de Termo de Sujeição Passiva lavrado contra JOÃO PAULO PEREIRA PINHEIRO (responsável solidário), cuja ciência também se deu em 15/02/2017, de forma pessoal. 2. O crédito tributário constituído se refere ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor de R$ 9.733.949,43, e a Multas Regulamentares, no valor de R$ 917.781,12, para o Período de Apuração de 01/01/2012 a 31/05/2016. 3. Acostado aos autos encontrase o Relatório Fiscal, parte integrante e indissociável dos referidos Autos de Infração. Nele, registrou a Autoridade Tributária os fatos apurados, bem como as irregularidades encontradas, no exercício de sua competência legal, conferida pelo disposto na alínea “a” do inciso I do art. 6º da Lei n.º 10.593/2002. Eis o que consta, em síntese, no referido Relatório Fiscal: 2 – CONSTATAÇÕES Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.142 3 2.1 – CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS DO IPI => O sujeito passivo creditouse indevidamente do IPI, sem o devido amparo legal, relativamente às aquisições de bens para o ativo imobilizado – CFOP 3.551 (que não permite o registro de crédito do IPI) constantes da “Relação das Notas Fiscais de Entrada com Crédito Indevido do IPI Aquisição para o Imobilizado” (em anexo). 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA: 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. 2.2.2 – Em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou a correspondência (datada de 24/06/2016 em anexo) onde afirma que “3 A empresa não possui crédito de IPI com respaldado em Processo Judicial anterior” e “4 – Em atendimento aos itens 4, 5 e 5.1.1 solicitamos uma prorrogação de prazo por mais 30 dias...” 2.2.3 – Ainda em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou nova correspondência (datada de 01/08/2016 em anexo) onde declara, contrariamente à correspondência anterior, o seguinte => “3 Resposta ao quesito número 3: A Fiscalizada possui processo judicial nº 5000434 23.2016.4.03.6110, que tramita na 2ª Vara Federal da Comarca de Sorocaba/SP, onde postula o reconhecimento de seu direito líquido e certo em proceder o lançamento do crédito....incluindo a energia elétrica... A certidão narratória, embora requerida, ainda não disponibilizada à Fiscalizada, sendo que será apresentada à Fiscalização assim que possível”. 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3ª Região – Pje –Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 2.2.5 – Não obstante, através do Termo nº 05 (reintimação – em anexo) o sujeito passivo foi novamente intimado para apresentar a “Certidão de Objeto e Pé / Certidão Narratória”, relativamente ao citado processo judicial, sendo que o mesmo não se manifestou a respeito até o encerramento desta fiscalização. 2.2.6 – Consultando, então, novamente os arquivos públicos da Justiça Federal, esta fiscalização encontrou a sentença proferida em 30/08/2016 (em anexo) para o citado processo, conforme publicação no “Diário Oficial – Judicial I – Interior e MS – Tribunal Regional Federal da 3 Região (TRF3) de 08 de Setembro de 2016 (páginas 317 / 319)” onde conclui “Ante o exposto, DENEGO A SEGURANÇA e Fl. 1143DF CARF MF 4 JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO...” 2.2.5 – Ficou evidenciado, então, que o sujeito passivo efetivamente praticou fraude fiscal mediante o artifício doloso de registrar créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal – RAIPI com o único e inequívoco propósito de reduzir o montante do imposto devido (o valor do saldo devedor do IPI a recolher), o que caracteriza a circunstância qualificativa prevista no art. 68, § 2º e no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que dizem: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica... § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 2.3 – SALDOS DEVEDORES DO IPI NÃO DECLARADOS OU DECLARADOS A MENOR EM DCTF E NÃO RECOLHIDOS OU RECOLHIDOS A MENOR => Em consequência das irregularidades expostas no item anterior, os sujeito passivo apresentou as “DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais” proposital e inequivocadamente com valores de débito / recolhimentos de IPI inferiores aos corretos e devidos saldos devedores, conforme “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos”, em anexo. 3 – CONCLUSÃO 3.1 – PROCESSO DIGITAL nº 10865720.060/201782 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.1 – Créditos Básicos Indevidos do IPI” foi lavrado o devido Auto de Infração no montante original de R$ 668.240,27. 3.2 – PROCESSO DIGITAL nº 10865720.059/201758 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.2 – Outros Créditos Indevidos – Energia Elétrica” e no item “2.3 Saldos Devedores de IPI Não Declarados ou Declarados a menor em DCTF e Não Recolhidos ou Recolhidos a Menor” foram adotadas as seguintes providências fiscais, respectivamente: 3.2.1 – Foi lavrado o devido Auto de Infração no montante original de R$3.491.929,45, cuja multa foi aumentada em 100% (passando para 150%) em decorrência da circunstância qualificada citada no item 2.2.5, conforme dispõe o Art. 80, caput e § 6º inciso II da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07, que diz: “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo... será: II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. 3.2.2 – Foi lavrado o devido Auto de Infração da multa regulamentar no valor de R$ 917.781,11 relativamente aos erros nas informações Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.143 5 prestadas em DCTF (decorrente dos saldos devedores não declarados ou declarados a menor), conforme planilha “Composição do Valor da Multa por erros nas informações prestadas em DCTF Entregue – Anexo do Auto de Infração” (em anexo). 3.2.3 – Foi lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária (atribuída a responsabilidade solidária ao sócio administrador), em razão do não recolhimento do imposto nos respectivos prazos legais, constantes do Auto de Infração representado pelos citado Processo Digital nº 10865720.059/201758, conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI / 2010), que diz: “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). 4. Cientificado dos 02 (dois) Autos de Infração, do Relatório Fiscal, e do Termo de Sujeição Passiva, o contribuinte pessoa jurídica apresentou Impugnação nos seguintes termos: II DO DIREITO I RAZÕES PARA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO I.I Preliminar: Nulidade do Procedimento Fiscal. Ausência de Prorrogação Válida e Tempestiva. O Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, que deu origem ao Auto de Infração a que se refere o presente Processo Administrativo, tem por data inicial o dia 11/05/2016, conforme se observa do documento anexo, e deveria ter sido concluído no prazo de cento e vinte dias, nos termos como determina atualmente a Portaria RFB nº 1.687/2014 (art. 11), pois se cuida de Procedimento Fiscal de Fiscalização. (...) Assim, o prazo de validade do procedimento se encerrou no dia 06/09/2016, oportunidade em que o TDPF em questão deveria ter sido concluído, observado o que estabelece o art. 12 da Portaria SRF nº 1.687/2014. Ou seja, a partir de 07/09/2016 o prazo de validade do MPF já estava extinto, como visto acima, uma vez que a Fazenda Nacional em nenhum momento notificou a Impugnante sobre a prorrogação do ato fiscalizatório, nos termos como prevê o §1º do art. 11 da Portaria RFB 1.687/2014 e tampouco a data em que foi ocorrida tal prorrogação. (...) Registrese, ainda, que havendo necessidade de prorrogação de prazo de validade do procedimento fiscal, o art. 9º, da Portaria RFB 1.687/2014 é claro ao afirmar que esta se dará por meio de simples registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação deveria ficar disponível no Próprio TDPF. Entretanto, o TDPF sequer alude a data de prorrogação do procedimento para demonstrar se esta se deu de forma tempestividade ou quando já extinto o mandado. Tampouco as intimações recebidas pela Autuada e juntadas no presente feito trazem qualquer informação desse gênero. Fl. 1145DF CARF MF 6 (...) No TDPF 08.1.12.002016002337 a que se relaciona o auto de infração que ora se impugna, a única alteração constante no quadro referido no parágrafo anterior é datado de 16/01/2017. Ou seja, mais de QUATRO MESES após encerrado o prazo de execução do TDPF. (...) Ante o exposto, por ter ocorrido prorrogação irregular e intempestiva do TDPF há violação ao art. 11,”I”, da Portaria SRF nº 1.687/2014, motivo pelo qual requer a Impugnante que seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscal objeto do TDPF nº 08.1.12.002016002337 e, consequentemente, do auto de infração e do respectivo lançamento fiscal. I.II Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de Defesa e ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ausência de fundamentação sobre os créditos foram considerados indevidos. Cálculos distintos e não interligados entre si. Ausência de fundamentação. Incompatibilidade entre o auto de infração e o relatório fiscal. Lançamento incompreensível. Conforme Relatório que compõe o Auto de Infração, a autoridade fazendária alega que a Impugnante teria registrado de forma dolosa créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal –RAIPI com o propósito de reduzir o montante do imposto devido. Primeiramente, Excelência, há de se salientar que o Auto de Infração carece de fundamentação clara e específica. No item 2.2 do relatório juntado às fls. 02/07, que se relaciona com o presente Processo Administrativo, intitulado “outros créditos indevidos – energia elétrica”, não há qualquer explanação ou fundamentação sobre porque os créditos foram considerados indevidos pela fiscalização. Sequer há referência sobre quais créditos foram considerados indevidos. No curso da Ação Fiscal, enquanto ainda amparada por Termo de Procedimento Fiscal válido, a Autuada havia sido questionada sobre os créditos escriturados como “Outros Créditos” em Livro de Apuração de IPI, oportunidade em que referiu tratavamse de créditos oriundos de aquisição de insumos utilizados no processo produtivo da fiscalizada, nos termos como lhe dá direito o art. 153, IV, § 3º, II, da Constituição Federal (Resposta ao quesito número 4, fl. 129 dos autos), tendo sido apresentado nos quesitos anteriores planilha detalhando a forma de utilização dos créditos. Ainda assim, sem qualquer fundamentação no Relatório Fiscal ou no Auto de Infração, os créditos escriturados foram glosados pela fiscalização. Em verdade, sequer é possível observar se apenas os créditos escriturados pela Fiscalizada como “Outros Créditos” foram glosados, uma vez que as planilhas que compõe o auto são completamente incompreensíveis. (...) Em relação ao processo administrativo , todavia, ao quantificar a pena de multa aplicada, o fiscalizador destacou apenas existência de créditos indevidos, que acarretariam em erro nas informações prestadas em DCTF, sem, contudo, trazer qualquer explicação sobre o motivo da não aceitação dos créditos escriturados, de acordo com as respostas concedidas pela Fiscalizada durante o processo de fiscalização. Além do que, as tabelas de cálculo que compõe os Autos de Infração são completamente incompreensíveis entre si. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.144 7 Às fls. 12/13 são trazidos valores que seriam devidos pela Autuada a título de falta de recolhimento de tributo (IPI), decorrente da utilização de crédito indevido. O relatório fiscal, item 3.2.2 (fl. 04 dos autos), refere que, sobre esse valor seria aplicada multa de 150%, em virtude de suposta fraude ocorrida pela Autuada. Contudo, o Auto de Infração à fls. 14 apresenta tabela onde refere a aplicação de multas calculadas ora sobre o percentual de 150%, ora sobre o percentual de 75%, sem que tenha sido realizada qualquer explicação ou critério de imposição de multas distintas pela fiscalização ou, ao menos, fundamentação sobre do quê decorreriam as multas de 75%. (...) O mesmo ocorre à fl. 16 e às fls. 19/23. À fl. 18, o Agente Autuador apresenta mais uma tabela, esta com o valor da diferença de do imposto a cobrar. Embora referente ao mesmo período, os valores apresentados são completamente distintos daqueles apresentados às tabelas de 12/13, 14 e 16 Vale referir que absolutamente nenhuma das tabelas apresentam valores que guardam relação com os valores escriturados como “Outros Créditos”. Muito menos aqueles que foram descritos às fls. 129/131 (resposta ao quesito de número 5), como créditos oriundos de aquisição de insumos. Dessa feita, seria essencial que o fiscal referisse de que forma chegou aos valores apontados no auto. Já às fls. 24/25, há nova tabela, essa com o que parece ser o valor definitivo do auto de infração, mas mais uma vez a coluna “Imposto” apresenta numerais diversos 12/13, 14, 16 e 18. De igual forma, o agente fiscal apresenta no mesmo auto de infração três Planilhas de Reconstituição de Escrita de IPI do mesmo período, mas completamente distintas entre si, a primeira às fls. 27/30, a segunda às fls. 31/34 e a terceira às fls. 35/38. Tais planilhas sequer parecem ter relação com o presente feito. Ademais, em relação às diversas (e também incompreensíveis) tabelas trazidas pela fiscalização para justificar a penalidade havida por apresentação de DCTFs com erro, as mesmas incluem, inclusive, débitos referentes ao ano de 2016. Contudo, o TDPFF que deu origem à ação fiscal determinava que a fiscalização deveria ser realizada apenas entre os anos de 2012 e 2015. Ademais, conforme item 2.3 do relatório fiscal (fl. 03), os erros de escrituração das DCTFs seriam decorrentes dos créditos fiscais escriturados, supostamente, de forma indevida pela autuada. No entanto, nos termos da fiscalização, tais créditos foram apostados como escriturados indevidamente somente até 12/2015, não havendo qualquer lançamento referente ao ano de 2016. (...) Ademais, o Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento, apresentado às fls. 53/55, traz uma esdrúxula tabela de lançamentos tributários, onde há por duas vezes referência ao presente processo administrativo, sendo que em uma das tabelas há referência à uma infração no valor de R$ 917.781,12, que se referiria a um tributo nomeado “MULDI” (desconhecido no ordenamento brasileiro), sobre o qual não há qualquer explicação no referido documento. Ao que tudo indica, o agente autuador confeccionou dois autos de infração, com a mesma numeração, dentro do mesmo processo administrativo. Fl. 1147DF CARF MF 8 Ou seja, uma verdadeira miscelânea, que compromete a compreensão da autuação. (...) Desta feita, ante tudo que foi exposto, tendo em vista que o Auto de Infração foi formado sem a presença de requisitos mínimos de motivação e compreensão dos autos de infração, requer a Impugnante seja reconhecida sua nulidade. Subsidiariamente, caso não seja deferido o pedido retro (o que não se espera,mas se cogita por mera questão de cautela processual), requer seja o feito remetido à unidade de origem para que o Fiscal responsável fundamente sua decisão sobre considerar como indevidos os créditos apurados pela autuada, bem como para que teça explanação suficientemente capaz de tornar inteligível cada uma das tabelas que acompanham o auto de infração, bem como sobre o critério adotado para aplicação de multas na ordem de 75% e 150%. Posteriormente, requer seja concedido prazo para manifestação e complementação da defesa ora apresentada. I.III. Preliminar: Nulidade do Auto de Infração. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco. Como pode ser verificado nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração, a empresa Metafilm Embalagens Plasticas LTDA, hoje Impugnante, e também parte de seus clientes, foram intimados para apresentar informações da contabilidade e informações relacionadas às atividades comerciais da empresa. Estes documentos foram entregues ao Fisco através de Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – Recibo de Entrega de Documentos Digitais ou mesmo por meio físico. Sendo que outros documentos produzidos pela própria fiscalização são referidos no auto, mas foram juntados apenas em parte ao processo. Embora utilizados pela Fiscalização, tais documentos foram omitidos dolosamente do procedimento administrativo, o que causa enormes prejuízos à Impugnante tendo em vista que seus dados são comparados com informações e documentos advindos de outras empresas, dados estes que a Impugnante desconhece e que não foram juntados no processo. Tais documentos fazem parte do conjunto probatório apresentado ao Fisco, mas foram unilateralmente descartados do procedimento por ele. Estes documentos fazem parte do conjunto probatório que a Impugnante tem suas finanças devidamente contabilizadas e não há qualquer tomada irregular de crédito de IPI, pois a tese trazida no Relatório Fiscal estaria seriamente comprometida. Houve omissão de informações pelo Agente Autuador, que analisou os documentos apresentados e manipulou as informações para que o relatório fiscal conduzisse a uma conclusão errônea sobre a situação da Recorrente, motivo pelo qual maculado estão os Autos de Infração lançados pelo Sr. Auditor e, por isso, devem ser declarados nulos. Os documentos foram apresentados, analisados e utilizados durante a investigação e não foram juntados pelo Fisco. Houve falha grave no procedimento administrativo, tornando o processo nulo. II RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL. II.I. Da legitimidade dos créditos utilizados pela autuada. Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.145 9 A autoridade fiscal em seu relatório do Auto de Infração referiu que a empresa Autuada teria apurado “Outros Créditos” de forma indevida, o que teria motivado o lançamento realizado. Conforme referido nos tópicos anteriores, faltou a fiscalização com seu dever público de expor os motivos que a levaram a glosar os créditos lançados, o que prejudica sobremaneira o exercício do direito de defesa da Contribuinte. A Administração preferiu por não juntar nenhuma fundamentação jurídica para justificar as glosas de crédito de IPI, ainda que a Contribuinte os tenha devidamente justificado e comprovado durante a ação fiscal (vide documentos de fls. 127/197). Sendo assim, não havendo subsídio jurídico para sustentar a apostada irregularidade narrada na peça fiscal, em respeito ao que determina o artigo 5º LVII, da Constituição Federal, deve ser presumida a inocência da Autuada. (...) Ante a ausência de fundamentação dos autos de infração, a Contribuinte contesta, por negativa geral, o lançamento operado pela Autoridade Fiscal, bem como, nos termos como já procedidos durante a ação fiscal, e passa a defender a legitimidade dos créditos de IPI utilizados. Conforme referido quando da resposta ao questionamento realizado já na abertura da ação fiscal, a Autuada referiu expressamente que os créditos de IPI classificados como “OutrosCréditos” tratamse de créditos oriundos de aquisição de insumos utilizados no processo produtivo da Fiscalizada. Conforme discriminado na tabela produzida pela Autuada, os valores creditados se referiram à compra de energia elétrica por estabelecimento industrial,utilizada para industrialização de seus produtos finais onerados pelo IPI, sendo lícito e válido, portanto, à Contribuinte a escrituração de referidos créditos nos respectivos Livros de Apuração do imposto em questão. A energia elétrica é considerada, pois, insumo apto a gerar créditos do IPI. (...) Não há dúvida que a energia elétrica é fundamental no processo de fabricação de materiais plásticos e, embora não se integrando a esse produto final, é indispensável nas várias etapas de industrialização do bem que será depois posto à saída para aquisição. Assim, a energia elétrica, consumida na industrialização do produto que vai ser vendido, e, assim, não integra o ativo permanente da empresa, enquadrase no conceito de produtos intermediários, para fim de crédito do IPI e, também, para fim de crédito presumido do IPI, competindo tão somente à autoridade administrativa a maneira como será realizado o aproveitamento de tal crédito. (...) Ou seja, o direito ao creditamento do IPI, por ocasião da aquisição de energia elétrica para industrialização de seus produtos, merece prosperar. Conforme já referido acima, a matéria restou analisada pela Primeira Seção do Tribunal Superior, por ocasião do julgamento do ERESP 899485/RS, de relatoria do e Ministro Humberto Martins, publicado no DJ de 15/09/2008, no sentido de que tem direito ao creditamento de ICMS o contribuinte que comprovar ter utilizado a energia elétrica "no processo de industrialização". Fl. 1149DF CARF MF 10 (...) II.II. Da Inexistência de Fraude ou Simulação. Inocorrência de ato doloso tendente à diminuição de tributo. Princípio do Direito de Ação. No caso em tela não houve qualquer conduta ilícita do Contribuinte, que utilizou de meios lícitos em todas suas condutas. Em continuação à sua prática constante de tecer alegações sem qualquer subsídio probatório ou explicação minimamente razoável, o Agente Fiscal sustenta que a Autuada teria utilizado créditos inexistentes ou indevidos de IPI, com o único propósito de reduzir o montante do imposto devido. Não procede, contudo, tal alegação. A autuada jamais provocou qualquer redução dolosa de tributo, mediante escrituração indevida de tributos. (...) Ademais, o que se cogita da leitura dos itens 2.2.2 a 2.2.5 (do Relatório Fiscal) é que o ato doloso que configuraria fraude, de acordo com a tese fiscal, seria o ajuizamento de ação judicial no curso da fiscalização. Repitase, a motivação da configuração de fraude está sendo presumida, uma vez que não descrita no Auto de Infração ou no relatório fiscal (o que prejudica diretamente o exercício de defesa da contribuinte). Pois bem, fraude alguma pode ser constatada a partir do ajuizamento de qualquer ação. Qualquer pessoa, seja ela natural ou fícta (jurídica) que sentirse ameaçada ou tiver lesado direito seu, pode e deve recorrer ao Poder Judiciário para dele obter a cessação dessa ameaça ou a restituição ao status quo ante e, se impossível esta hipótese, que lhe seja prestada uma tutela jurisdicional garantindolhe a reparação quanto ao prejuízo suportado. (...) A empresa foi suficientemente clara ao referir que NÃO possui crédito de IPI com respaldo em processo judicial. Tal assertiva JAMAIS foi modificada pela Autuada. O que ocorreu, conforme consta à fl. 129/130 foi que a Contribuinte informou à fiscalização que havia ajuizado ação, onde POSTULA o reconhecimento de seu direito em proceder com escrituração de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica. (...) A utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica pela Autuada ocorreu durante longos anos, estando pautada em diversos precedentes jurisprudenciais, conforme acima explicitados. No entanto, o ajuizamento da ação se deu após a Autuada entrar em contato com seu escritório de advocacia, no decorrer da ação fiscal que deu origem à presente autuação, momento em que foi informada sobre precedentes contrários ao posicionamento que vinha utilizando na empresa. Por entender que os créditos são legítimos, exigiu, então, a Contribuinte o ajuizamento da ação também em seu nome, a fim de ver declaro como possível a utilização de referidos créditos. (... ) II.III. Da Impossibilidade de cumulação de penalidade decorrente do mesmo ato. Impossibilidade da aplicação da multa por eventuais erros em DCTFs. Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.146 11 Ainda que seja mantido lançamento fiscal, no sentido de que sejam reconhecidos como indevidos os créditos escriturados pela Autuada (o que não se espera, mas se cogita por questão de cautela processual), a multa aplicada em decorrência dos erros constantes em DCTF não poderá ser mantida, sob pena de penalizar duplamente o contribuinte pela imputação de penalidade da mesma natureza e relacionadas ao descumprimento da mesma obrigação principal. (...) III. DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE – INAPLICABILIDADE DE MULTA EM DOBRO. No caso sob análise é inaplicável a imposição de multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), pois não existe qualquer prova de dolo na conduta da Impugnante. Muito pelo contrário, tanto não havia intuito de fraude que a própria autuada refere expressamente não haver processo que substancie sua escrituração de crédito. Ao analisar os autos verificase que não existe prova contundente contra o Impugnante. Muito pelo contrário, sequer há fundamentação concisa acerca da ocorrência de fraude. O artigo 112 do Código Tributário Nacional determina que a lei tributária que impõe penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao Contribuinte. (...) Sendo assim, o lançamento fiscal deve ser modificado, no sentido de excluir a multa aplicada pelo Sr. Auditor Fiscal. Da mesma forma, ante a não configuração de fraude, não há se falar em responsabilidade do sóciogerente. IV DAS DEDUÇÕES NECESSÁRIAS EM CASO DE DESPROVIMENTO DO RECURSO IV.I. Aproveitamento dos Tributos Pagos a maior Pela Impugnante Caso sejam superados todos os argumentos já trazidos pela Impugnante e considerada existente a dívida constante do auto de Infração, é necessário que sejam abatidos os valores já pagos pela Impugnante a maior e que devem ser utilizados para compensação de outros impostos administrados pela União. A Impugnante promoveu pagamentos indevidos de tributos administrados pela Fazenda Nacional, do qual o montante do crédito deve ser compensado para abatimento do debito referido no lançamento. (...) IV.II. Da Não Incidência da Contribuição Social Previdenciária Patronal Sobre Parcelas Indenizatórias As contribuições sociais, de natureza previdenciária, são devidas pelo empregador, pela empresa e pela entidade a ela equiparada, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, como dispõe a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 195, inciso I, alínea “a”, in verbis: (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, necessário que, em vista da inconstitucionalidade da incidência da Fl. 1151DF CARF MF 12 contribuição previdenciária patronal sobre as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, inclusive os valores pagos pelo empregador ao empregado durante os 15 (quinze) primeiros dias que antecedem à concessão dos auxílios doença ou acidente, tais valores pagos indevidamente pela Impugnante nos últimos 5 anos devem ser utilizados para compensação dos valores referidos no Lançamento Fiscal. Da mesma forma, essencial fazse a declaração de não incidência da contribuição previdenciária patronal sobre o adicional de um terço (1/3) de férias, sobre o abono de férias e utilização dos valores pagos indevidamente pela Impugnante para compensação do débito referido no lançamento fiscal. IV.III. Da necessária exclusão do ICMS da Base de Cálculo do PIS e da Cofins (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, é necessário que seja declarada a ilegalidade da inclusão do ICMS na base de Cálculo do PIS e da Cofins, bem como reconhecido o direito da empresa Impugnante a promover a compensação dos tributos (PIS e COFINS), pagos a maior, com os valores referidos no Lançamento Fiscal . IV.IV. Da não incidência de IPI na operação de revenda de produto importado (...) Ante ao exposto, em caso de procedência do Auto de Infração, Imperioso se faz, portanto, seja reconhecida a não incidência do IPI saídas dos produtos importados acabados do estabelecimento da Impugnante, devendo os valores recolhidos indevidamente serem utilizados para compensação dos valores referidos no lançamento fiscal. V – DA IMPOSSIBILIDADE DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS V.I – Ilícito penal. Fraude. Inocorrência. Impossibilidade de constatação mediante prova produzida pelo próprio contribuinte. Do Relatório Fiscal, depreendese que o Auditor entendeu que o aproveitamento de crédito pela empresa Metafilm Emabalagens Plásticas se deu de forma irregular, o que acarretaria em fraude à legislação tributária, o que teria dado ensejo à Representação Fiscal para Fins Penais, da qual a Autuada ainda não restou cientificada. (...) Dessa forma, diante de tudo que foi exposto, não pode se constatar a ocorrência de sonegação ou de qualquer crime contra ordem tributária no caso vertente, e, ainda que se pudesse, tal constatação teria sido depreendida através de provas produzidas irregularmente, uma vez que foram obrigatoriamente produzidas pelo próprio contribuinte. Sendo assim, requer a recorrente que seja declarada por este conselho a não constatação de crime contra ordem tributária e, por consequência, a impossibilidade de representação fiscal para fins penais e de consequente comunicação ao Ministério Público Federal. (grifos do Acórdão DRJ/SDR) 3. A impugnação foi considerada procedente em parte, para cancelar a multa regulamentar por apresentação com inexatidões da DCTF, por capitulação indevida, existindo dispositivo específico para tal irregularidade, conforme Ementa do Acórdão : Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.147 13 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do Auto de Infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura o cerceamento do direito de defesa se todos os elementos de prova utilizados no procedimento foram juntados aos autos, notadamente quando o contribuinte demonstra conhecer a imputação que lhe é feita e o direito ao contraditório se encontra plenamente assegurado. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 MULTA REGULAMENTAR POR APRESENTAÇÃO DE DCTF CONTENDO INEXATIDÕES. Aplicase, no caso de DCTF apresentada com incorreções ou omissões, a multa isolada prevista no inciso IV do art. 7º da Lei nº 10.426/2002, por ser específica para a declaração, e não a multa prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, aplicada genericamente para os casos onde não haja sanção prevista. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima, de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não se caracteriza como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/05/2016 FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. POSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) se provada nos autos a conduta dolosa de fraude tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4. Inconformada, a impugnante apresentou Recurso Voluntário contra o teor do Acórdão DRJ/SDR, onde repisa os itens I DOS FATOS, II DO DIREITO I RAZÕES PARA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO I. I PRELIMINAR Nulidade do Procedimento Fiscal. Ausência de Prorrogação Válida e Tempestiva I.II PRELIMINAR Nulidade do Auto de Infração. Cerceamento de Defesa e ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Ausência de fundamentação sobre os créditos foram considerados indevidos. Cálculos distintos e não interligados entre si. Ausência de fundamentação. Incompatibilidade entre o auto de infração e o relatório fiscal. Lançamento incompreensível. Fl. 1153DF CARF MF 14 I.III PRELIMINAR Nulidade do Auto de Infração. Omissão Dolosa de Documentos pelo Fisco . II RAZÕES PARA A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL II.I Da legitimidade dos créditos utilizados pela autuada. Da necessidade de prova pericial. II.II Da inexistência de fraude ou simulação. Inocorrência de ato doloso tendente á diminuição do tributo III DA INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE DE MULTA EM DOBRO IV DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA V CONSIDERAÇÕES FINAIS E REQUERIMENTOS 1º. a autoridade administrativa apresentou relatório dúbio e com ausência de documentos indispensáveis para a formação do lançamento fiscal; 2º. O TDPF teve sua vigência encerrada muito antes de sua conclusão pelo Agente Fiscal, uma vez que foi prorrogado de forma totalmente intempestiva (mais de 4 meses!); 3º. O fiscal deixou de levar em consideração o que estabelecem os artigos 2º e 50, I , da Lei n.º 9.784 /1999; 4º. O Sr. Fiscal não promoveu qualquer motivação capaz de explicar o motivo pelo qual deixou de considerar os créditos escriturados pela Autuada; 5º. existem inúmeras ilegalidades e nulidades no procedimento administrativo; 6º. o Fisco omitiu parte dos documentos levantados durante o TDPF, não os colocando à disposição do autuado; 7º. a Recorrente nunca teve qualquer conduta dolosa visando redução ilegal de tributos; 8º. foi lícito o aproveitamento de créditos de IPI promovido pela Recorrente; 9º. A energia elétrica é utilizada diretamente no processo produtivo da Recorrente, sendo que essa se coloca à disposição, inclusive, para a realização de perícia; 10º. não há qualquer indício ou prova nos autos de dolo da autuada ou de seus administradores quando da escrituração do aproveitamento do crédito de IPI; 11º. Não há qualquer motivação para a inclusão da sujeição passiva do administrador da Contribuinte. Requer : a) seja acolhido o presente recurso para o fim de ver declarado nulo o Auto de Infração nº 10865720.059/201758, e o próprio procedimento administrativo (eis que concluído quando já encerrado o TDPF que a originou), conforme argumentos lançados no recurso; b) alternativamente, que o julgamento seja convertido em diligências para que o Agente Fiscal responsável preste aclaramento sobre as planilhas que acompanharam o Auto de Infração, bem como que seja produzida prova pericial junto à unidade produtiva da Autuada, a fim de se comprovar que a energia elétrica é consumida e faz parte do processo de transformação da matériaprima no produto final da Autuada; Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.148 15 c) alternativamente, não sendo esse o entendimento dos julgadores, que seja declarada nulo o Processo Administrativo, cancelandose as exigências fiscais ora reclamadas; d) que seja reconhecida a inexistência de fraude ou crime contra a ordem tributária, bem como a impossibilidade de sua constatação; e) na remota hipótese de ser mantida a condenação da Contribuinte a arcar com tributos, que seja afastada a multa qualificada aplicada pelo Sr. Fiscal; f) que seja excluída a responsabilidade solidária do administrador da empresa. Requer, ainda, a intimação dos Representantes da Autuada da data de julgamento para comparecimento pessoal e sustentação oral por si, ou através de seus procuradores. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro ARI VENDRAMINI 5. Presentes os requisitos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido.. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Apesar de o ilustre Julgador da DRJ já ter muito bem elucidado os pontos de inconformismo apresentados pela recorrente, voltemos a eles, na tentativa de aclarar os conhecimentos da recorrente. 8. Tratemos em um único tópico das questões preliminares reapresentadas pela recorrente e, como já dissemos, muito bem esclarecidas pelo Acórdão DRJ . 9. PRELIMINARES 9.1. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE PRORROGAÇÃO VÁLIDA E TEMPESTIVA. alega a recorrente, em síntese, que o TDPF não seria válido, pois, descumprindo as regras impostas pela Portaria RFB nº 1.687/2014, teve prazo de validade de 11/05/2016 a 06/09/2016 e a única alteração constante no quadro específico para alterações é data da de 16/01/207, mais de quatro anos do término do prazo. 9.2. Completamente enganada a recorrente, se se desse ao trabalho de analisar cuidadosamente o TDPF teria reparado no quadro "DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES" "validade de prorrogação" os termos " prorrogado até 04 de janeiro de 2017" e 'prorrogado até 04 de maio de 2017"", portanto, tendo tomado ciência da autuação em 15/02/2017, não existe a irregularidade apontada. 9.3 Quanto á alteração citada, o Acórdão DRJ muito bem esclareceu : A alteração datada de 16/01/2017 se refere à inclusão do período de Fl. 1155DF CARF MF 16 01/2016 a 05/2016 no âmbito do procedimento fiscal, e não a qualquer das duas prorrogações,como pode ser facilmente identificado no corpo do TDPF. Logo, totalmente descabida a alegação de ter ocorrido prorrogação irregular e intempestiva do TDPF. 9.4 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E DEVIDO PROCESSO LEGAL e NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFWSA E DEVIDO PROCESSO LEGAL.AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO SOBRE OS CRÉDITOS FORAM CONSIDERADO INDEVIDOS. CÁLCULOS DISTINTOS E NÃO INTERLIGADOS ENTRE SI.. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.INCOMPATIBILIDADE ENTRE O AUTO DE INFRAÇÃO E O RELATÓRIO FISCAL. LANÇAMENTO INCOMPREENSÍVEL. 9.5. Alega, novamente, a recorrente, como já o fez na sua impugnação que o Auto de Infração carece de fundamentação clara e específica. Afirma que no item 2.2 do Relatório Fiscal, intitulado “outros créditos indevidos – energia elétrica”, não há qualquer explanação ou fundamentação sobre porque os créditos foram considerados indevidos pela fiscalização e que a Autoridade Tributária destacou apenas a existência de créditos indevidos sem, contudo, trazer qualquer explicação sobre o motivo da não aceitação dos mesmos. Não seria possível sequer observar se apenas os créditos escriturados pela Fiscalizada como “Outros Créditos” foram glosados, uma vez que as planilhas e as tabelas de cálculo que compõem o auto são completamente incompreensíveis. 9.6. O julgador da DRJ, pacientemente elucidou as dúvidas levantandas pela recorrente,entretanto, como se denota, a recorrente ainda não compreendendo tais ensinamentos, volta aos mesmos questionamentos. 9.7 Por muito bem redigidos os esclarecimentos feitos pelo ilustre julgador da DRJ, adoto seus dizeres : 15. Entretanto, ao verificar os documentos anexados ao processo pela Autoridade Tributária, verificase que tais alegações não são procedentes. Em primeiro lugar, quanto aos fundamentos para os créditos serem considerados indevidos, observase que estes estão perfeitamente descritos no Relatório Fiscal, conforme se conclui da leitura dos seguintes trechos: 2 – CONSTATAÇÕES 2.1 – CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS DO IPI => O sujeito passivo creditouse indevidamente do IPI, sem o devido amparo legal, relativamente às aquisições de bens para o ativo imobilizado – CFOP 3.551 (que não permite o registro de crédito do IPI) constantes da “Relação das Notas Fiscais de Entrada com Crédito Indevido do IPI Aquisição para o Imobilizado” (em anexo) 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA: 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal /Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.149 17 (...) 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3ª Região – Pje –Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 16. O fiscalizado se creditou do IPI destacado nas aquisições de bens para o ativo imobilizado com o CFOP 3.551, que não permite o registro de crédito do IPI. Além disso, se creditou de valores que foram escriturados no Livro RAIPI a título de “Outros Créditos”. Foi intimado a esclarecer a origem destes “Outros Créditos”, mas não apresentou os esclarecimentos solicitados. A Autoridade Tributária, ao auditar os documentos do contribuinte, identificou que se tratava de creditamento do IPI sobre o consumo de energia elétrica, desprovido de qualquer amparo legal. 17. Dessas constatações identificadas pelo AuditorFiscal resta perfeitamente compreensível que tais glosas se deram por conta do registro de créditos não permitidos pela legislação. 18. Ora, tais informações são plenamente suficientes para que o contribuinte possa produzir sua defesa, combatendo as afirmações do Autuante. Poderia tentar comprovar que os valores glosados não se referiam a bens incorporados ao ativo imobilizado; ou foram, mas existe dispositivo legal que permite o registro de crédito; ou, ainda, que a rubrica “Outros Créditos” não se refere a energia elétrica; ou que, mesmo se referindo, haveria amparo legal para o creditamento. 19. Em resumo: o Impugnante teve, sim, pleno acesso aos motivos das glosas dos créditos, e dispunha de meios para exercer seu direito ao Contraditório e à Ampla Defesa, lançando mão dos argumentos que bem entender. Vale ressaltar inclusive que discorreu extensamente sobre o a questão do creditamento do IPI incidente sobre energia elétrica, conforme se verifica dos seguintes trechos de sua Impugnação: Conforme discriminado na tabela produzida pela Autuada, os valores creditados se referiram à compra de energia elétrica por estabelecimento industrial, utilizada para industrialização de seus produtos finais onerados pelo IPI, sendo lícito e válido, portanto, à Contribuinte a escrituração de referidos créditos nos respectivos Livros de Apuração do imposto em questão. A energia elétrica é considerada, pois, insumo apto a gerar créditos do IPI. (...) Não há dúvida que a energia elétrica é fundamental no processo de fabricação de materiais plásticos e, embora não se integrando a esse produto final, é indispensável nas várias etapas de industrialização do bem que será depois posto à saída para aquisição. Assim, a energia elétrica, consumida na industrialização do produto que vai ser vendido, e, assim, não integra o ativo permanente da empresa, enquadrase no conceito de produtos intermediários, para fim de crédito do IPI e, também, para fim de crédito presumido do IPI, Fl. 1157DF CARF MF 18 competindo tão somente à autoridade administrativa a maneira como será realizado o aproveitamento de tal crédito. 20. Como se percebe, o Impugnante tinha pleno conhecimento sobre a irregularidade da qual que está sendo acusado, bem como produziu argumentos em sua defesa, se opondo às afirmações da Autoridade Fiscalizadora. 21. A alegação do Impugnante de que as planilhas e as tabelas de cálculo que compõem o Auto de Infração são completamente incompreensíveis também não pode ser aceita. Analisando a planilha intitulada “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos”, às fls. 68 e 69 do presente processo, citada no item 2.3 do Relatório Fiscal, observase que existem 02 colunas específicas para identificar quais créditos foram considerados indevidos: Coluna “Glosa de Créditos_1”: identifica os valores escriturados no RAIPI referentes a credito de IPI sobre Energia Elétrica, no total de R$ 3.491.929,45; Coluna “Glosa de Créditos_2”: identifica os valores escriturados no RAIPI referentes a credito de IPI sobre bens adquiridos para o ativo imobilizado, no total de R$ 668.240,27. 22. Verificase que os valores totais dessas duas colunas correspondem exatamente aos valores lançados nos 02 (dois) Autos de Infração, à fl. 08 do presente processo (10865720.059/201758) e à fl. 08 do processo 10865 720.060/201782, respectivamente, a título de imposto. 23. Cotejando o citado Demonstrativo com o Livro RAIPI, verificase que todos os valores listados naquele estão devidamente escriturados neste. Analisando a coluna “Glosa de Créditos_1”, cuja infração é o objeto do presente processo, constatase que o valor de R$228.873,14 glosado em Março/2013, encontrase registrado no RAIPI, cuja cópia está anexada à fl. 93 deste processo. Já o valor de R$ 85.453,64 glosado em Abril/2013, encontrase registrado no RAIPI, cuja cópia está anexada à fl. 94 deste processo; e assim sucessivamente. 24. Os mesmos valores do Demonstrativo encontramse transcritos no Auto de Infração, às fls. 12 e 13, onde se descreve a infração cometida, e às fls. 14 e 16, onde são estabelecidos os percentuais das multas de ofício respectivas a cada infração. 25. O demonstrativo do Auto de Infração à fl. 18 apenas indica as diferenças entre os saldos encontrados após a reconstituição da escrita fiscal e os saldos constantes no livro RAIPI, exatamente como indicado na planilha “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos”. Os demonstrativos do Auto de Infração às fls. 19 a 22, por sua vez, apenas detalham a composição de cada uma dessas diferenças, indicando de onde surgiram os saldos devedores. 26. O demonstrativo do Auto de Infração às fls. 27 a 30 apenas reproduz os dados do próprio contribuinte, constantes de sua escrita fiscal (Livro RAIPI), como claramente indicado no texto. Já às fls. 35 a 38 está o “Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal”, reproduzindo os mesmos dados da planilha “IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos” e com os mesmos saldos obtidos. 27. Como se verifica, todas as planilhas e demonstrativos estão interligados e são coerentes entre si, apresentando exatamente os mesmos valores e saldos, todos originados da própria escrita fiscal do contribuinte. A reconstituição de sua escrita não representou nada além da simples exclusão (glosa) dos valores registrados a crédito sem o devido respaldo da legislação de regência. 28. Vale ressaltar que a alegação do Impugnante de que as planilhas, demonstrativos e tabelas do processo seriam incompreensíveis entre si é feita de forma genérica, sem apontar uma única informação que esteja em uma destas tabelas e que seja incoerente com a informação constante em outra tabela ou no próprio Livro RAIPI. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.150 19 9.8 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DOLOSA DE DOCUMENTOS PELO FISCO. 9.9 Alega de forma ofensiva e pouco ética, a recorrente : Como pode ser verificado nos termos do Relatório Fiscal do Auto de Infração a empresa Metafilm Embalagens Plasticas LTDA, hoje recorrente, e também parte de seus clientes, foram intimados para apresentar informações da contabilidade e informações relacionadas às atividades comerciais da empresa. Estes documentos foram entregues ao Fisco através de Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – Recibo de Entrega de Documentos Digitais ou mesmo por meio físico. Sendo que outros documentos produzidos pela própria fiscalização são referidos no auto, mas foram juntados apenas em parte ao processo. Embora utilizados pela Fiscalização, tais documentos foram omitidos dolosamente do procedimento administrativo, o que causa enormes prejuízos à Impugnante tendo em vista que seus dados são comparados com informações e documentos advindos de outras empresas, dados estes que a Impugnante desconhece e que não foram juntados no processo. Tais documentos fazem parte do conjunto probatório apresentado ao Fisco, mas foram unilateralmente descartados do procedimento por ele. Estes documentos fazem parte do conjunto probatório que a Impugnante tem suas finanças devidamente contabilizadas e não há qualquer tomada irregular de crédito de IPI, pois a tese trazida no Relatório Fiscal estaria seriamente comprometida. Houve omissão de informações pelo Agente Autuador, que analisou os documentos apresentados e manipulou as informações para que o relatório fiscal conduzisse a uma conclusão errônea sobre a situação da Recorrente, motivo pelo qual maculado estão os Autos de Infração lançados pelo Sr. Auditor e, por isso, devem ser declarados nulos. Os documentos foram apresentados, analisados e utilizados durante a investigação e não foram juntados pelo Fisco e nem disponibilizados para vista para a Autuada em sua completude. Houve falha grave no procedimento administrativo, tornando o processo nulo. ( grifos nossos) 9.10 O julgador da DRJ assim comentou tais acusações : O Impugnante, mais uma vez, formula alegações genéricas, sem indicar especificamente quais documentos foram utilizados pela fiscalização, mas não foram juntados ao processo. Além disso, faz acusações graves quanto ao procedimento adotado pelo Fl. 1159DF CARF MF 20 AuditorFiscal, acusandoo de ter, intencionalmente, omitido documentos do processo, bem como de ter manipulado informações para poder obter fundamentos para as autuações. 50. Tais afirmações, entretanto, demonstram a total falta de argumentos do Impugnante, pois, da análise dos autos, verificase que todos os documentos utilizados pelo AuditorFiscal encontramse juntados ao processo. Com efeito, os únicos documentos necessários para o presente processo são o Livro de Apuração do IPI, onde estão escriturados os créditos indevidos de energia elétrica (às fls. 79 a 126); as DCTFs, demonstrando as inexatidões referentes à apuração dos saldos devedores de IPI (às fls. 211 a 969); e o processo judicial referente ao Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte após o início da ação fiscal, demonstrando a prática de fraude contra o Fisco Federal (às fls. 73 a 78). 51. Como se vê, tais documentos, além de constarem do processo administrativo, estando plenamente acessíveis ao contribuinte desde a data em que tomou ciência dos Autos de Infração, são documentos produzidos por ele próprio, uma vez que escriturou o Livro RAIPI, transmitiu as DCTFs para a Receita Federal, e impetrou o Mandado de Segurança na Justiça Federal. 52. Portanto, completamente descabida qualquer alegação de que a conduta da Autoridade Fiscalizadora se deu com o objetivo intencional de omitir provas, causandolhe prejuízos, e muito menos de que desconhece os documentos utilizados. 9.11. Ás fls. 54 dos autos digitais encontramos o seguintes dizeres da autoridade fiscal : Recibo e Ciência do Sujeito Passivo / Representante O sujeito passivo tomou ciência do encerramento do procedimento fiscal, juntamente dos demais citados anexos, mediante “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” (gerado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais), com todos os documentos de lançamento (Auto de Infração e documentos complementares que instruem o processo), em mídia digital não regravável (CD/DVD). Ás fls. 57 : Desta forma, fica o sujeito passivo por responsabilidade tributária supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata os documentos de lançamento abaixo identificados, relativamente aos tributos e períodos das infrações neles discriminados: Processo Documento Tributo Crédito Tributário 10865720.059/201758 Auto de Infração IPI R$ 9.733.949,43 10865720.059/201758 Auto de Infração MULDI R$ 917.781,12 Total do Crédito Tributário R$ 10.651.730,55 A autenticidade do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal poderá ser verificada, utilizandose o programa Consulta Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet (www.receita.fazenda.gov.br), onde deverão ser informados o número do CNPJ ou CPF, conforme o caso, e o código de acesso constante neste termo. Para surtir os efeitos legais, lavrei e assinei digitalmente o presente termo. AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil Nome Matrícula Assinatura SERGIO LUIZ MAGRI 00881269 Recibo e Ciência do Sujeito Passivo / Representante O sujeito passivo por responsabilidade tributária supramencionado tomou ciência deste Termo, mediante “Recibo de Entrega de Arquivos Digitais” Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.151 21 (gerado pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais), com todos os documentos de lançamento (Auto de Infração e documentos complementares que instruem o processo), em mídia digital não regravável (CD/DVD). Ás fls.970/971 : Fl. 1161DF CARF MF 22 Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.152 23 9.12. Diante destes termos assinados por representante da recorrente, as acusações feitas pela recorrente se tornam levianas e desrespeitosas, sujeitas até a apreciação judicial. Fl. 1163DF CARF MF 24 9.13 Se haviam documentos faltantes, este era o momento de notificar a autoridade fiscal e não, como fez a recorrente, atestar o recebimento dos arquivos e documentos. 9.14 Não merecem tanto espaço e tantas linhas as acusações apresentadas, mas a ofensa a autoridade fiscal, sem fundamento e, mormente, sem especificação de quais documentos foram entregues e não devolvidos, tornam a acusação vazia e a falta de provas a tornam totalmente desprovida de seriedade, MERECENDO, NA REALIDADE, UMA RETRATAÇÃO POR PARTE DA RECORRENTE PERANTE A AUTORIDADE FISCAL.. 9.15 Por todo o exposto, REJEITO AS PRELIMINARES DE NULIDADE, e NEGO PROVIMENTO AO RECURSO NESTES TÓPICOS. 10. NO MÉRITO 10.1 IDENTIDADE ENTRE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO DO MÉRITO. 10.2 Em seu Relatório, a autoridade fiscal assim narra os fatos : 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA : 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal / Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. 2.2.2 – Em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou a correspondência (datada de 24/06/2016 em anexo) onde afirma que “3 A empresa não possui crédito de IPI com respaldado em Processo Judicial anterior” e “4 – Em atendimento aos itens 4, 5 e 5.1.1 solicitamos uma prorrogação de prazo por mais 30 dias...” 2.2.3 – Ainda em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou nova correspondência (datada de 01/08/2016 em anexo) onde declara, contrariamente à correspondência anterior, o seguinte => “3 Resposta ao quesito número 3: A Fiscalizada possui processo judicial nº 500043423.2016.4.03.6110, que tramita na 2ª Vara Federal da Comarca de Sorocaba/SP, onde postula o reconhecimento de seu direito líquido e certo em proceder o lançamento do crédito....incluindo a energia elétrica... A certidão narratória, embora requerida, ainda não disponibilizada à Fiscalizada, sendo que será apresentada à Fiscalização assim que possível”. 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3a. Região – Pje – Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.153 25 IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 2.2.5 – Não obstante, através do Termo nº 05 (reintimação – em anexo) o sujeito passivo foi novamente intimado para apresentar a “Certidão de Objeto e Pé / Certidão Narratória”, relativamente ao citado processo judicial, sendo que o mesmo não se manifestou a respeito até o encerramento desta fiscalização. 2.2.6 – Consultando, então, novamente os arquivos públicos da Justiça Federal, esta fiscalização encontrou a sentença proferida em 30/08/2016 (em anexo) para o citado processo, conforme publicação no “Diário Oficial – Judicial I – Interior e MS – Tribunal Regional Federal da 3 Região (TRF3) de 08 de Setembro de 2016 (páginas 317 / 319)” onde conclui “Ante o exposto, DENEGO A SEGURANÇA e JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO...” 10.3. Verificase, em pesquisa realizada no sítio do TRF3 – PESQUISA PROCESSUAL, que o processo judicial foi objeto de Apelação, e tomou o nº Ap 5000434 23.206.4.03.6110, e que os autos foram remetidos em grau de recurso para Tribunal Superior, na data de 09/10/2018. 10.4. Portanto, possuindo a recorrente ação judicial em andamento, que discute o mesmo objeto do processo administrativo em exame, ocorre a identidade dos objetos, caracterizando a concomitância entre os mesmos, o que leva este colegiado a não conhecer do recurso voluntário, nas suas razões de mérito, por força do disposto na Súmula CARF nº1, que assim estabelece : Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 10.5. Assim, diante da concomitância constatada. Não conheço do recurso, nas suas razões de mérito. 10.6. RAZÕES PARA A IMPROCEDENCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO E DO LANÇAMENTO FISCAL LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS UTILIZADOS PELA AUTUADA. DA NECESSIDADE DE PROVA PERICIAL Fl. 1165DF CARF MF 26 10.7 Defende a recorrente que os valores creditados se referiram à compra de energia elétrica utilizada para industrialização de seus produtos finais, sendo lícito e válido, portanto, a escrituração de referidos créditos nos Livros de Apuração do imposto em questão. A energia elétrica é considerada, em seu entendimento, insumo apto a gerar créditos do IPI, pois é fundamental no processo de fabricação de materiais plásticos e, embora não se integrando a esse produto final, enquadrase no conceito de produtos intermediários Cita jurisprudência deste CARF e de Tribunais Superiores. e ainda se coloca á disposição para produção de prova pericial técnica a fim de que se afira a incidência da energia elétrica nas matériasprimas consumidas para a obtenção dos produtos finais produzidos pela recorrente. 10.8. Se a recorrente fizesse uma mais acurada pesquisa, restaria convicta de que não lhe assiste razão. 10.9. Este CARF já pacificou o entendimento sobre o tema ao editar a Súmula CARF nº 19, de efeito vinculante por força da Portaria MF Nº 277/2018, assim redigida : Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. 10.10. Citamos posições recentes do STJ : REsp nº 1.240.587/SC , de 08/06/2018 Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.240.587 SC (2011/00438769) RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA RECORRENTE : BUETTNER S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ADVOGADO : SAMUEL GAERTNER EBERHARDT E OUTRO(S) SC017421 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O DECISÃO Vistos. Tratase de Recurso Especial interposto por BUETTNER S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, contra acórdão prolatado, pela 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, em julgamento de apelações e remessa oficial, assim ementado (fl. 293e): EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. INSUMOS. PRODUTOS PRIMÁRIOS (COOPERATIVA), ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ABRANGÊNCIA. IN/SRF Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.154 27 23/97 E 103/97. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E ENERGIA ELÉTRICA. ESTOQUES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Lei 9.363/96 não limitou o aproveitamento do crédito presumido ao industrial, nem o deferiu apenas aos produtos industrializados. 2. A IN/SRF 23/1997, por se tratar de norma hierarquicamente inferior, extrapolou os limites do art. 1º, da Lei n. 9.363/1996 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 3. No período anterior à Medida Provisória 2.202/01, não se incluem no cálculo do crédito presumido de IPI os valores referentes ao beneficiamento de insumos efetuado por terceiros, sob encomenda. 4. A energia elétrica, o óleo diesel, o gás natural e os lubrificantes não se equiparam a insumo ou matéria prima propriamente dita, que se incorpora no processo de transformação do qual resultará a mercadoria industrializada. Dessa forma, não há como admitir que gere crédito escritural. 5. Considerando que, durante o período compreendido entre 01.04.1999 e 31.12.1999, a eficácia da Lei 9.363/96 estava Documento: 84005306 Despacho / Decisão Site certificado DJe: 08/06/2018 Página 1 de 16 Superior Tribunal de Justiça suspensa, não houve a geração de crédito presumido na aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetuada nesse período, ainda que os produtos finais tenham sido comercializados em período posterior. 6. Honorários advocatícios mantidos nos termos fixados pelo MM. Juízo a quo, porquanto em conformidade com o art. 20, § 4º, do CPC. - REsp nº 1.049.305/PR , de 31/03/2011 Fl. 1167DF CARF MF 28 Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.049.305 PR (2008/00806984) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : COOPERATIVA AGRARIA AGROINDUSTRIAL ADVOGADO : SÔNIA MARIA ALBRECHT KRAEMER E OUTRO(S) RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO E OUTRO(S) CÍNTIA LACROIX FARINA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211 DO STJ. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE E IPI. CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E À COFINS. ARTS. 1º, 2º, §1º, E 3º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI N. 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. NECESSIDADE DE CONTATO FÍSICO COM O PRODUTO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAR CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA DO BENEFÍCIO QUE NÃO SOFRE MAJORAÇÃO EM RAZÃO DO AUMENTO DA ALÍQUOTA DE COFINS PELO ART. 8º, DA LEI N. 9.718/98. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada, não estando obrigada a Corte de Origem a emitir juízo de valor expresso a respeito de todas as teses e dispositivos legais invocados pelas partes. 2. Ausente o prequestionamento, incide o enunciado nº. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo". 3. A impossibilidade de aplicação do princípio da anterioridade ao IPI (art. 150, §1º, da CF/88), a permitir a imediata vigência do art. 12, da Medida Provisoria n. 2.15835, de 2001, que suspendeu o benefício intitulado crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é tema de ordem constitucional, devendo ser dirimido por meio de recurso próprio dirigido ao Supremo Tribunal Federal. 4. A energia elétrica, Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.155 29 o gás natural, os lubrificantes e o óleo diesel (combustíveis em geral) consumidos no processo produtivo, por não sofrerem ou provocarem ação direta mediante contato físico com o produto, não integram o conceito de "matériasprimas" ou "produtos intermediários" para efeito da legislação do IPI e, por conseguinte, para efeito da obtenção do crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, na forma do art. 1º, da Lei n. 9.363/96. Precedentes: AgRg no REsp 1000848 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 7.10.2010; AgRg no REsp 919628 / PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 10.8.2010; AgRg no REsp 913433 / ES, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 4.6.2009. 5. Precedente em sentido contrário: EDcl no REsp 993581 / RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 17.12.2009. 6. Inaplicabilidade dos EREsp. n. 899485/RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 13/08/2008, que admitiu o creditamento de ICMS pela energia elétrica, posto tratar de hipótese distinta já que a legislação do ICMS (art. 33, II, "b", da Lei Complementar n. 87/96) não exige o contato físico do insumo com o Documento: 14632772 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 31/03/2011 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça produto, mas apenas o consumo no processo de industrialização. 7. Precedente em sentido contrário: REsp 904082 / SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17.02.2009. 8. A alíquota do benefício fiscal instituído pelo art. 1º, da Lei n. 9.363/96 (crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS e à COFINS), prevista no art. 2º, §1º, da mesma lei, não sofre majoração em razão da elevação da alíquota da COFINS estatuída no art. 8º, da Lei n. 9.718/98. Precedentes: REsp. n. 988.329/PR, Primeira Turma, Rell. Min. José Delgado, DJ de 26.3.2008; REsp nº 1.088.959 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 14.12.2010. 9. Não existe supedâneo legal para a existência, antes Fl. 1169DF CARF MF 30 mesmo da Medida Provisória n. 674/94 (atual Lei n. 9.363/96), do direito ao crédito presumido de IPI para o ressarcimento das contribuições ao PIS e COFINS. 10. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. 10.11. A Secretaria da Receita Federal na Internet disponibilizou vários escçlarecimentos, como segue : www.igdg.receita.fazenda.gov.br ONDE ENCONTRO ´PERGUNTAS E RESPOSTAS DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS PERGUNTAS E RESPOSTAS DA PESSOA JURÍDICA 2018 IMPOSTO PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PERGUNTA Nª 017 Energia elétrica, combustíveis (gasolina, diesel etc), água e gás são considerados insumos para efeito de compor a base de cálculo do crédito presumido? RESPOSTA Somente a partir da MP nº 2.002, de 2001, posteriormente convertida na Lei nº 10.276, de 2001, é que foi admitida a inclusão dos valores relativos a combustíveis e energia elétrica, na base de cálculo do crédito presumido, desde que o contribuinte opte pela sistemática do regime alternativo e observe o disposto na IN SRF nº 420, de 2004, com alteração da IN SRF nº 441, de 2004. REFERÊNCIAS Veja ainda: Apuração do crédito presumido: Perguntas 007 a 009 e 014 a 016 deste Capítulo. Normativo: Lei nº 10.276, de 2001, art. 1º, § 1º; Decreto nº 7.212, de 2010, art. 243, § 1º; IN SRF nº 420. de 2004; e IN SRF nº 441, de 2004. 10.12. IN SRF nº 420/2004, alterada pela IN SRF nº 441/2004 alterada pela IN RFB nº 1.159/2011, da qual citamos o seu início : O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 15, inciso II, e no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, na Lei no 10.276, de Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.156 31 10 de setembro de 2001, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, na Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, e na Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, resolve: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, como ressarcimento relativo às Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos correspondentes a matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI), materiais de embalagem (ME), bem assim de energia elétrica e combustíveis, utilizados no processo industrial, e do valor correspondente à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto, poderá ser determinado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. DA OPÇÃO Art. 2º A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I todo o anocalendário; II o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Parágrafo único. Não será admitida a retificação da opção de que trata o caput. Art. 3º A opção será formalizada: I no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) correspondente ao último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso I do art. 2º; II no DCP correspondente ao primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso II do art. 2º. Fl. 1171DF CARF MF 32 Art. 4º A opção pelo regime alternativo de cálculo do crédito presumido implicará a observância dos seguintes procedimentos: I somente serão apropriados os valores relativos a combustíveis adquiridos e energia elétrica consumida no período abrangido pela opção, bem assim o valor relativo à prestação de serviços na industrialização por encomenda de produtos realizada no mesmo período; II remanescendo estoque final no último período de apuração de acordo com a sistemática anterior, referente a MP, PI e ME, este será considerado, pelo custo de aquisição, como estoque inicial do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo; III os valores de MP, PI e ME utilizados em produtos em elaboração e acabados mas não vendidos serão excluídos da base de cálculo do crédito presumido do último período de apuração anterior à opção e computados, pelo custo de aquisição, a partir do primeiro período de apuração correspondente à nova sistemática de cálculo. § 1º Se, da última apuração relativa à sistemática anterior, resultar valor: I positivo, este será considerado como crédito presumido do IPI, a ser aproveitado segundo o disposto no art. 22; II negativo, este será deduzido do crédito presumido relativo ao primeiro período de apuração na nova sistemática. § 2º Se, após a dedução a que se refere o inciso II do § 1º, ainda restar saldo negativo, o valor será deduzido do crédito relativo ao mês subseqüente e, assim, sucessivamente, até seu completo aproveitamento. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.157 33 I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. 10.13. Por todo o exposto, verificase que havia alternativa para a recorrernte, que não teria necessidade de utilizar créditos presumidos da energia elétrica indevidamente, apenas deveria verificar se tem direito ao seu creditamento, por um laudo técnico que atestasse que a energia elétrica está dentro do conceito de insumo que rege a legislação do IPI, ou seja, que esteja em contato direto como produto a ser fabricado. 10.14. Tratandose de um regime especial, a recorrente deveria verificar se atende aos requisitos impostos pela normatização da Secretaria da Receita Federal,, após a edição da MP 2.202/2001, convertida na Lei nº 10.276/2001, apresentar o DCP e creditarse dentro das normas do seu direito, se este existir. 10.15. Portanto, e por fim, corretas as observações expostas pelo julgador da DRJ : Correto o entendimento jurisprudencial. Observese que na TIPI – Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto nº 7.660, 23/12/2011, a energia elétrica está classificada na posição NCM 2716.00.00, com alíquota NT, ou seja, Não Tributável. Nas Notas Fiscais juntadas ao processo às fls. 135 a 197, apresentadas pelo próprio contribuinte em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal nº 02, também se verifica que não há destaque de IPI, mas apenas de ICMS, PIS e COFINS. 56. Sendo assim, resta totalmente incompreensível a tabela apresentada pelo contribuinte juntamente com as Notas Fiscais e juntada à fl. 134 do processo eletrônico. Nesta, o Impugnante identifica todos os valores de IPI creditados no Livro RAIPI (exceto o referente a Março/2013), demonstrando que foram obtidos a partir da incidência de uma suposta alíquota de IPI de 15% sobre o valor total da conta de energia elétrica. Porém, sendo a energia elétrica Não Tributável (NT) pelo IPI, e não estando estes valores destacados nas Notas Fiscais, não há como se saber sequer como o contribuinte obteve a referida alíquota. 57. Em relação ao crédito presumido, vejamos o que dispõe a Lei nº 9.363/96: Fl. 1173DF CARF MF 34 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições (...), incidentes sobre as respectivas aquisições,no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. 58. Da leitura da legislação que rege o crédito presumido de IPI concluise de imediato que o Impugnante não faz jus a este incentivo fiscal, pois em momento algum apresentou qualquer comprovação de exportações realizadas, não apresentou à Receita Federal qualquer DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido), nem muito menos apurou crédito presumido nos termos determinados pelo art. 2º da Lei nº 9.363/96. 59. Apesar disso, os créditos em discussão foram escriturados no Livro RAIPI como “crédito presumido”, no campo “Outros Créditos”, como no exemplo a seguir: (…) 60. Além disso, mesmo que o Impugnante fosse empresa exportadora e tivesse apurado os créditos nos termos estabelecidos pela lei, ainda assim não poderia apurálos sobre seu consumo de energia elétrica, por não se enquadrar no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizado na legislação do IPI, conforme decidido reiteradas vezes pelo STJ (ver item 54 deste Acórdão). 61. Portanto, corretas as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal. 10.16. Corretos, dessa forma, a autuação e o Acórdão DRJ, que não merecem reparos. 10.17. Desta forma, NEGO PROVIMENTO neste tópico. 11. DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE ATO DOLOSO TENDENTE A DIMINUIÇÃO DO TRIBUTO 11.1. Afirma a recorrente que jamais provocou qualquer redução dolosa de tributo, mediante escrituração indevida de tributos, e que fraude alguma pode ser constatada a partir do ajuizamento de qualquer ação. Sustenta que a empresa foi clara ao referir que não possui crédito de IPI com respaldo em processo judicial e que tal assertiva jamais foi modificada pela Autuada. Alega que a utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica pela Autuada ocorreu durante longos anos, estando pautada em diversos precedentes jurisprudenciais. No entanto, o ajuizamento da ação se deu após a Autuada entrar em contato com seu escritório de advocacia, no decorrer da ação fiscal que deu origem à presente autuação, momento em que foi informada sobre precedentes contrários ao posicionamento que vinha utilizando na empresa. 64. Assim, a empresa teria apenas informado à fiscalização que Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.158 35 havia ajuizado ação, onde postula o reconhecimento de seu direito em proceder com escrituração de créditos de IPI decorrentes da aquisição de energia elétrica. 11.2. O Acórdão DRJ mais uma vez se mostrou didático, aqui reproduzo seus dizeres, por não merecerem correções: As afirmações do Impugnante, entretanto, não encontram respaldo nos elementos de prova juntados ao processo pelo AuditorFiscal. As páginas do Livro RAIPI demonstram que, ao contrário do que afirma o contribuinte, houve sim redução de tributo mediante escrituração indevida de créditos. E por tudo quanto já fora exposto, a conclusão imediata é a de que o Impugnante tinha conhecimento que tal escrituração era indevida mas, mesmo assim, prosseguiu com a conduta delituosa. 66. Conforme demonstrado nos itens 54 e 55, a legislação não permite qualquer tipo de crédito de IPI sobre consumo de energia elétrica, exceto em casos específicos de empresas fabricantes de alumínio e algumas ligas metálicas especificas, nas quais a passagem da energia elétrica pelo próprio produto em fabricação é necessária. Nestes casos, porém, há o contato direto entre insumo e produto, conforme exigido pela legislação. 67. Não é caso do Impugnante, fabricante de embalagens plásticas, em que a energia elétrica é utilizada para o funcionamento de máquinas,iluminação de áreas, etc. Essa interpretação da legislação é pacífica tanto no âmbito administrativo (DRJ e CARF) quanto no âmbito judicial (STJ), já há muitos anos. Basta ver que o Informativo de Jurisprudência nº 258, da 1ª Turma do STJ, colacionado alhures, foi referente ao período de 29/08 a 02/09/2005, há quase 12 anos, portanto 68. Assim sendo, não é minimamente razoável imaginar que o Impugnante não soubesse que o crédito que estava escriturando era indevido. Sua alegação de que a utilização destes créditos ocorreu durante longos anos só evidencia a reiteração continuada de sua conduta delituosa. E a afirmação de que estaria pautada em diversos precedentes jurisprudenciais não é verdadeira, como já demonstrado ao longo deste voto, pois a posição pacífica no STJ é pela não admissão de tais créditos . 69. Da mesma forma, foge à razoabilidade a alegação do Impugnante de que, por coincidência, após iniciada a fiscalização, entrou em contato com seu escritório de advocacia e neste momento foi informada sobre precedentes contrários ao posicionamento que vinha utilizando, principalmente porque tais precedentes contrários sempre existiram, tanto no âmbito administrativo (onde a tese do contribuinte nunca foi aceita) quanto no âmbito judicial (onde desde 2005 o STJ firmou posicionamento contrário à tese do contribuinte). 70. Em nenhum momento houve a aceitação pacífica sobre a possibilidade de creditamento de IPI sobre consumo de energia elétrica, seja na modalidade de Crédito Básico (pelo simples fato de não haver incidência de IPI sobre energia elétrica) seja na forma de benefício fiscal através de Crédito Presumido (conforme Fl. 1175DF CARF MF 36 jurisprudência firmada pelo STJ). Além do mais, o cálculo realizado pelo Impugnante para obter o valor do crédito do IPI, como já destacado no item 56, não encontra previsão em nenhum dispositivo da legislação brasileira. 71. Sendo uma questão já bastante discutida, de amplo conhecimento de advogados, contadores, consultores e sociedades industriais, não é crível supor que o Impugnante não fizesse idéia de que o crédito que estava escriturando seria, no mínimo, controvertido. E é princípio basilar do Direito que a ninguém é dado alegar o desconhecimento da Lei como escusa para sua conduta. 72. Estivesse o contribuinte de boafé, acreditando que realmente teria o direito ao creditamento, deveria ter formulado um procedimento administrativo de Consulta no âmbito da Secretaria da Receita Federal, conforme previsto no art. 48 na Lei nº 9.430/96 e regulamentado na Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16/09/2013, para se certificar sobre seu direito ao crédito. 73. Se todos os contribuintes pudessem, livremente, realizar qualquer conduta no sentido de reduzir tributo de sua responsabilidade sob a alegação de sua própria crença na correção deste procedimento, a fiscalização de tributos restaria inviabilizada. Tal procedimento, evidentemente, não encontra guarida no Direito pátrio, que já disponibilizou como visto, meios para que o contribuinte possa expor sua interpretação sobre matéria tributária . 74. O AuditorFiscal autuante não considerou a existência de fraude apenas pelo fato do contribuinte ter impetrado Mandado de Segurança após o início do procedimento fiscal, como sustenta o Impugnante. Recorrer ao Poder Judiciário é direito de todos os contribuintes que não só podem, como devem certificar seu direito junto aos órgãos judiciais. 75. Sua conclusão se deu em virtude de todo o conjunto probatório levantado ao longo da fiscalização, como o Livro RAIPI, as Notas Fiscais, Respostas às Intimações, e, claro, o processo judicial em questão, que é apenas um dos vários indícios que, juntos, formam a convicção sobre a ocorrência de fraude, como a escrituração indevida de créditos inexistentes, os valores envolvidos, a reiteração da prática ao longo de todo o período da fiscalização, a própria ação judicial e, em especial, a matéria em si, pelo fato do desconhecimento sobre a ilicitude não ser escusável neste caso. Em suas palavras: 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA: (...) 2.2.5 – Ficou evidenciado, então, que o sujeito passivo efetivamente praticou fraude fiscal mediante o artifício doloso de registrar créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal – RAIPI, com o único e inequívoco propósito de reduzir o montante do imposto devido (o valor do saldo devedor do IPI a recolher), o que caracteriza a circunstância qualificativa prevista no art. 68, § 2º e no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que dizem: (grifo nosso) Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.159 37 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica... § 2º São circunstâncias qualifcativas a sonegação, a fraude e o conluio. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 11.3 INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE INAPLICABILIDADE DA MULTA EM DOBRO 11.4 Defende a recorrente que é inaplicável a imposição de multa agravada de 150%, pois não existe qualquer prova de dolo na sua conduta., alegando que tanto não havia intuito de fraude que ela própria refere expressamente não haver processo que substancie sua escrituração de crédito, e que o artigo 112 do Código Tributário Nacional determina que a lei tributária que impõe penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao Contribuinte Ainda sustenta que sempre acreditou estar agindo dentro da lei. Seria ônus do Fisco apresentar decisão fundamentada para afastar o aproveitamento de créditos pela Autuada. Da mesma forma, a prova de dolo é da Fiscalização, que se eximiu de produzila, sustentando suas teses em meras colagens de artigos de lei, sem em nenhum momento relacionálos com o caso concreto. 11.5 Mais uma vez, reproduzo as palavras do Acórdão DRJ, por irretocáveis : Observase que o Impugnante interpretou os fundamentos apresentados pela Autoridade Fiscal de forma equivocada. O fato de não haver processo que substancie sua escrituração de crédito não significa que não havia intuito de fraude. Ao contrário, se houvesse decisão judicial, mesmo provisória, que lhe garantisse o direito ao creditamento, não haveria de se falar em fraude . 79. As provas do dolo do contribuinte são claras e foram bem expostas pelo AuditorFiscal, que apresentou Livro RAIPI, escriturado pelo próprio contribuinte, com o registro de créditos sabidamente indevidos, pois o creditamento de IPI sobre consumo de energia elétrica já foi objeto de inúmeras decisões administrativas e judiciais, sendo que, tanto o CARF quanto a Corte responsável pela interpretação da legislação infraconstitucional, o STJ, já se posicionaram no sentido de não admitilo. 80. O art. 112 do Código Tributário Nacional realmente determina que a lei tributária que impõe penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao Contribuinte, mas não é qualquer dúvida que permite tal interpretação benigna. Há que ser uma dúvida razoável. Devese ter em mente, para a caracterização do dolo, que é impossível extrair da mente do contribuinte a sua real intenção em cada conduta. O dolo deve ser sempre aferido a partir das Fl. 1177DF CARF MF 38 circunstâncias que acompanham a situação sob análise. E, no presente caso, os indícios de dolo são muito fortes . 81. O AuditorFiscal apresentou os elementos de prova necessários, juntandoos ao processo, e redigiu suas conclusões de forma clara e concisa no Relatório Fiscal. Ao contrário do que tenta provar o Impugnante, não se limitou a “sustentar suas teses em meras colagens de artigos de lei, sem em nenhum momento relacionálos com o caso concreto”. 11.6 DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA O Termo de Sujeição Passiva foi lavrado com supedâneo no artig 28 do RIPI/2010, que dispõe : Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal 11.7. Quanto á aplicação dos artigos 128 e 135 do CTN, corretamente aplicados pois claramente agiu com excesso de poderes o dirigente da recorrente pelos motivos já amplamente expostos: o aproveitamento de crédito indevido do IPI, a redução do montante escriturado sem respaldo legal, a interposição de ação judicial no transcorrer da fiscalização com o claro intuito de se valer deste expediente para justificar a adoção das medidas anteriores, a utilização do crédito mesmo depois da sentença judicial denegatória e que extinguiu o processo judicial, a declaração em DCRTF de valores apagar menores que os devidos. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.160 39 II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 11,8, Desta forma, correto o Termo de Sujeição Passiva. Conclusão 12. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO para manter a autuação e o crédito tributário em sua integralidade. É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 1179DF CARF MF 40 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira redator designado Peço vênia ao i. relator, para divergir tão somente quanto à qualificação da multa de ofício e atribuição da responsabilidade solidária aos sócios. No mais, o voto é irretocável. Reproduzo trechos do "Relatório Fiscal" (fls. 2 a 6) e do "Auto de Infração" (fls. 8 a 57): "Relatório Fiscal (. . .) 2.2 – OUTROS CRÉDITOS INDEVIDOS – ENERGIA ELÉTRICA : 2.2.1 – Através do item 4 do Termo de Início de Ação Fiscal – Fiscalização (em anexo), o sujeito passivo foi intimado a apresentar declaração com as justificativas e informações detalhadas acerca dos valores escriturados como “Outros Créditos” em seu Livro Registro de Apuração de IPI (Sped Fiscal / Livro RAIPI). Em decorrência do sujeito passivo não ter apresentado os esclarecimentos solicitados, através do Termo de Reintimação Fiscal – Termo nº 02 (em anexo) foi o mesmo reintimado para apresentar os respectivos elementos. 2.2.2 – Em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou a correspondência (datada de 24/06/2016 em anexo) onde afirma que “3 A empresa não possui crédito de IPI com respaldado em Processo Judicial anterior” e “4 – Em atendimento aos itens 4, 5 e 5.1.1 solicitamos uma prorrogação de prazo por mais 30 dias...” 2.2.3 – Ainda em resposta ao citado Termo nº 02 (reintimação), o sujeito passivo apresentou nova correspondência (datada de 01/08/2016 em anexo) onde declara, contrariamente à correspondência anterior, o seguinte => “3 Resposta ao quesito número 3: A Fiscalizada possui processo judicial nº 500043423.2016.4.03.6110, que tramita na 2ª Vara Federal da Comarca de Sorocaba/SP, onde postula o reconhecimento de seu direito líquido e certo em proceder o lançamento do crédito....incluindo a energia elétrica... A certidão narratória, embora requerida, ainda não disponibilizada à Fiscalizada, sendo que será apresentada à Fiscalização assim que possível”. 2.2.4 – Entretanto, consultando os arquivos públicos da “Justiça Federal da 3a. Região – Pje – Processo Judicial Eletrônico – Consulta Processual” (em anexo) esta fiscalização constatou que o processo judicial acima citado pelo sujeito passivo tratase, na verdade, de Mandado de Segurança (impetrado somente em 01/08/2016, ou seja, bem posterior à citada reintimação fiscal) onde o mesmo postula, extemporaneamente, o reconhecimento do crédito de IPI sobre o consumo de energia elétrica já escriturado, porém indevidamente (por absoluta falta de amparo legal). 2.2.5 – Não obstante, através do Termo nº 05 (reintimação – em anexo) o sujeito passivo foi novamente intimado para apresentar a “Certidão de Objeto e Pé / Certidão Narratória”, relativamente ao citado processo judicial, sendo que o mesmo não se manifestou a respeito até o encerramento desta fiscalização. Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.161 41 2.2.6 – Consultando, então, novamente os arquivos públicos da Justiça Federal, esta fiscalização encontrou a sentença proferida em 30/08/2016 (em anexo) para o citado processo, conforme publicação no “Diário Oficial – Judicial I – Interior e MS – Tribunal Regional Federal da 3 Região (TRF3) de 08 de Setembro de 2016 (páginas 317 / 319)” onde conclui “Ante o exposto, DENEGO A SEGURANÇA e JULGO EXTINTO O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO...” 2.2.5 – Ficou evidenciado, então, que o sujeito passivo efetivamente praticou fraude fiscal mediante o artifício doloso de registrar créditos fiscais sabida e absolutamente inexistentes ou indevidos em livro exigido pela lei fiscal – RAIPI, com o único e inequívoco propósito de reduzir o montante do imposto devido (o valor do saldo devedor do IPI a recolher), o que caracteriza a circunstância qualificativa prevista no art. 68, § 2º e no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 (com a redação dada pelo Decretolei nº 34/1966), que dizem: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica... § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 2.3 – SALDOS DEVEDORES D O IPI NÃO DECLARADOS OU DECLARADOS A MENOR EM DCTF E NÃO RECOLHIDOS OU RECOLHIDOS A MENOR => Em consequência das irregularidades expostas no item anterior, os sujeito passivo apresentou as 'DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais' proposital e inequivocadamente com valores de débito / recolhimentos de IPI inferiores aos corretos e devidos saldos devedores, conforme 'IPI Demonstrativo dos Valores Declarados, Apurados, Não Declarados e Não Recolhidos', em anexo. (. . .) 3.2 – PROCESSO DIGITAL nº 10865720.059/201758 => Em decorrência das irregularidades apontadas no item “2.2 – Outros Créditos Indevidos – Energia Elétrica” e no item “2.3 Saldos Devedores de IPI Não Declarados ou Declarados a menor em DCTF e Não Recolhidos ou Recolhidos a Menor” foram adotadas as seguintes providências fiscais, respectivamente: 3.2.1– Foi lavrado o devido Auto de Infração no montante original de R$ 3.491.929,45, cuja multa foi aumentada em 100% (passando para 150%) em decorrência da circunstância qualificada citada no item 2.2.5, conforme dispõe o Art. 80, caput e § 6º inciso II da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07, que diz: 'Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto... § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo... será: II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei.' Fl. 1181DF CARF MF 42 3.2.2 – Foi lavrado o devido Auto de Infração da multa regulamentar no valor de R$ 917.781,11 relativamente aos erros nas informações prestadas em DCTF (decorrente dos saldos devedores não declarados ou declarados a menor), conforme planilha “Composição do Valor da Multa por erros nas informações prestadas em DCTF Entregue – Anexo do Auto de Infração” (em anexo) . 3.2.3 – Foi lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária (atribuída a responsabilidade solidária ao sócio administrador), em razão do não recolhimento do imposto nos respectivos prazos legais, constantes do Auto de Infração representado pelos citado Processo Digital nº 10865720.059/201758, conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI /2010), que diz: 'Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8o).' (. . .)" "Auto de Infração (. . .) DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS Conforme demonstrado no item “2.3 – Saldos Devedores do IPI Não Declarados ou Declarados a Menor em DCTF e Não Recolhidos ou Recolhidos a Menor, do Relatório Fiscal relativo a este Auto de Infração, o sujeito passivo recolheu a menor o IPI, relativamente aos de jul a out/2012, dez/2012 a abr/2014, jul a out/2014, jan a jul/2015 e de set a dez/2015. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66." (g.n.) O contribuinte ingressou em juízo para pleitear o direito ao registro de créditos de IPI sobre compras de energia elétrica, processo que ainda se encontra pendente de decisão. E, paralelamente, utilizou os créditos. Ao ser questionado pela fiscalização acerca dos créditos escriturados, informou qual era sua natureza e a existência de ação judicial. Tal conduta, definitivamente, não pode ser considerada como fraudulenta, nos termos do acima reproduzido art 72 da Lei n° 4.502/64. Tratase, simplesmente, da adoção de uma interpretação incorreta da legislação. Assim, é incabível a qualificação da multa de ofício, bem como a atribuição de responsabilidade tributária solidária aos sócios, com fulcro no art. 135 do CTN, uma vez que já restou pacificado que este requer que seja identificada alguma conduta dolosa ou fraudulenta, para que sejam incluídos os sócios no polo passivo da obrigação tributária. Sendo assim, voto por desqualificar a multa de ofício, que passa de 150% para 75%, e afastar a atribuição da responsabilidade tributária solidária dos sócios. É como voto. Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10865.720059/201758 Acórdão n.º 3301005.356 S3C3T1 Fl. 1.162 43 (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D'Oliveira Fl. 1183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720606/2013-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
1.0 = *:*
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ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 06 06 /2 01 3- 38 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1294.838 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 42/46), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 21/31), deixando "de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo", por considerar que o Agente Marítimo é o legitimo representante do transportador estrangeiro no País, ou seja, "alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva" portanto responde pela a infração, que deve ser mantida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003 e, por fim, não pode ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 56/66) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) "a violação ao art. 9º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, ante a ausência de elementos fundamentais à Recorrente no tocante a indicação das rubricas sobre as quais a fiscalização visualizou os atos infratores, posto que deixou de juntar auto de infração os documentos que comprovariam tais ocorrências" b) a "ausência de responsabilidade pela prestação das informações" alegando que "não agiu em nome próprio, mas na qualidade de mandatária (representante) internacional do agente de carga no exterior", c) que "não poderia ser autuada com base em legislação que ainda não tinha entrado em vigência" d) invocou o art. 112 do CTN, informando que "dúvida não existe quanto à inexistência de prática infratora" e, por fim, e) invocou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Alega o contribuinte em sua Impugnação (fls. 21/31) a "ausência de elementos fundamentais à Recorrente no tocante a indicação das rubricas sobre as quais a fiscalização visualizou os atos infratores, posto que deixou de juntar auto de infração os documentos que comprovariam tais ocorrências" violando assim, o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972 , ausência de responsabilidade, alegando que "não agiu em nome próprio, mas na qualidade de mandatária (representante) internacional do agente de carga", denúncia espontânea, que "não poderia ser autuada com base em legislação que ainda não tinha entrado em vigência", invocou o art. 112 do CTN, informando que "dúvida não existe quanto à inexistência de prática infratora" e, por fim, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Da leitura do voto proferido pela DRJ nos leva à conclusão de omissão sobre questões relevantes trazidas pela recorrente, quais sejam, a obrigatoriedade dos prazos contido na IN SRF nº 899/2008 a partir de 1º de abril de 2009 e sobre a aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte. Sendo assim, concluo que o Acórdão recorrido deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (grifado). Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.720965/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA.
O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE.
Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS.
A autoridade fiscal tem o poder-dever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS. A autoridade fiscal tem o poderdever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 09 65 /2 01 0- 68 Fl. 3666DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITALAR LTDA., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador BA (6ª Turma da DRJ/SDR), que julgou parcialmente procedente impugnação e manteve as demais disposições do crédito tributário lançado. Conforme relatório fiscal (fls. 19 e seguintes do eprocesso,) o Auto de Infração, identificado pelo DEBCAD nº 37.264.2012, lavrado em nome da empresa SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITAL LTDA, para a cobrança de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados devida no período de fevereiro de 2005 a maio de 2005, inclusive 13º de 2005, com valor atualizado de R$73.603,26 (setenta e três mil seiscentos e três reais e vinte e seis centavos), acrescido de juros, multa de mora. Fl. 3667DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 345 3 O relatório do Acórdão recorrido (fls. 3.573, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: "De acordo com o Relatório Fiscal, foram encontradas divergências de Base de Cálculo e desconto de segurados entre os resumos de folhas de pagamento apresentadas em meio papel confrontadas com os valores Declarados em GFIP. Anexa planilha Divergências FOPAG X GFIP, Anexo III – FOPAG X GFIP. O Relatório informa que foram encontrados ainda, pagamentos a contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos) nos Livro Razão 09 (pag. 89 e 112), 15 (pág. 138) e 17 (pág. 117), Conta 4.1.03.010.0001 003991 SERVIÇOS PRESTADOS PF, sem terem sidos oferecidos à tributação, sem constar em folha de pagamento e GFIP, bem como sem o respectivo desconto (Livro Razão 15 e 17) da "parte segurados", prevista na Lei obrigação acessória. A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei nº10.666/2003 foi calculada à alíquota de 11%. O Relatório fiscal informa que a empresa não possuía convênios com Outras Entidades, entretanto, face aos mandados de seguranças impetrados contra o INSS, vinha informando as GFIP's e recolhendo da seguinte forma: A empresa informou nas GFIP's competência 01/2005, 02/2005, 04/2005 a 11/2005, código de terceiros (0049 FNDE, SENAC e SESC), competências 03/2005 e 13/2005 , código de terceiros (113 FNDE, SENAC, SESC e SEBRAE) e competência 12/2005 código de terceiros (115 FNDE, SENAC, SESC , SEBRAE e INCRA). Tais diferenças foram cobradas em débito separado constituído nesta ação fiscal Foram considerados no procedimento fiscal, todos os pagamentos feitos em época própria através de GPS Guia da Previdência Social cód. 2100, 2119, 2631 e 2640. Foram considerados ainda os valores de compensação e dedução salário família e maternidade declarados em GFIP. Os créditos foram apropriados no levantamento FP FOPAG DECLARADA, PL PROLABORE DECLARADO e CT COOPERATIVA DE TRABALHO DECLARADA. As sobras de GPS por competência foram apropriadas nos demais levantamentos objeto da ação fiscal. O RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados demonstra todas as apropriações realizadas, inclusive as presentes em levantamento e competências de Valores Declarados em GFIP, não considerados neste débito. Foram aplicadas as seguintes alíquotas: 2,5% Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE): Art. 212 § 5° da Constituição Federal; Leis ns. 9.424, de 24/12/1996 e 9.766, de 18/12/1998, e Decreto n°. 3.142, de 16/08/1999, com a redação dada pelo Decreto n°. 4.943, de 30/12/2003, e Decreto n°. 6.003, de 28/12/2006; Fl. 3668DF CARF MF 4 0,2% Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA): Lei n°. 2.613, de 23/09/1955 e DecretosLeis ns. 1.146, de 31/12/1970 e 1.989, de 28/12/1982; Alíquota 1,0% Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC): DecretosLeis ns. 8.621 e 8.622, de 10/01/1946; Alíquota 1,5% Serviço Social do Comércio (SESC): DecretoLei n°. 9.853, de 13/09/1946 e Decreto n°. 60.466, de 14/03/1967; Alíquota 0,6% Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE): Decreto n°. 90.414, de 07/11/1984; Lei n°. 8.029, de 12/04/1990, com a redação dada pela Lei n°. 11.080, de 30/12/2004 e Decreto n°. 99.570, de 09/10/1990; O Relatório informa que a empresa enquadrase no FPAS 5150, Terceiros 115 e ainda CNAE Fiscal Código Nacional de Atividades Econômicas 7020400 e CNAE 7416.0, que não foram recolhidas em época própria, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. O crédito foi apurado através dos seguintes levantamentos: FN FOPAG NÃO DECLARADA, que corresponde aos valores pagos aos empregados, apurados a partir das folhas de pagamento, efetivamente apresentadas, não declarados em GFIP. CA CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO que corresponde à remuneração aferida por pessoas caracterizadas como segurados empregados, através da análise dos contratos de prestação de serviços por pessoa jurídica" (CONTRATADOS), onde se evidencia a utilização simulatória da roupagem da pessoa jurídica para encobrir prestação efetiva de serviços por uma específica pessoa física (sócio da empresa). Para justificar a caracterização de segurado empregado, o auditor explica que as provas sinalizam no sentido de que houve uma contratação, em verdade, da pessoa física de médicos, fisioterapeutas, dentistas, assessores e gestores, radiologistas, técnico de segurança do trabalho inclusive com pessoalidade. Diz que a constituição e contratação por intermédio da pessoa jurídica operouse unicamente com o intuito de fraudar a legislação trabalhista, tendo sido a contratação efetivada, em verdade, em virtude da pessoa física do prestador. Ressalta que a prestação pessoa jurídica tinha por certa a prestação dos serviços pela pessoa física. Tanto assim que, realizada a contratação, o nome dos sócios constavam nos Boletins de Medição dos serviços prestados, ora prestando plantões, recebendo produtividade médica, diárias, ficando de sobreaviso, substituindo outro profissional, autorizando pagamentos pela empresa, passagem de enfermaria, enfim atividades típicas de funcionários empregados. O Relatório transcreve cláusulas contratuais para demonstrar que a empresa contratante, SM Assessoria tinha ingerência direta na contratada. Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 346 5 CLÁUSULA TERCEIRA DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA São obrigações da CONTRATADA: c) fornecer relação nominal dos profissionais a serem utilizados na prestação dos serviços, indicando a especialidade e juntando o respectivo currículo; o) guardar sigilo absoluto inclusive através de seus sócios, empregados e prepostos, de toda e qualquer informação e/ou documento que tiver conhecimento em razão da execução do objeto do presente Contrato, sendo vedada a sua divulgação ou reprodução total ou parcial sob qualquer pretexto ou objetivo, sem a prévia autorização da CONTRATANTE; r) informar à CONTRATANTE, qualquer modificação na sua composição social Diz que isso acentua a necessidade que tinha, a CONTRATANTE, de que o prestador pessoa física e ele, pessoalmente, comparecesse para prestar o serviço. Afirma que o contrato era feito para que aquele determinado médico ou profissional, com aquela determinada qualificação, cumprisse, pessoalmente, o contrato firmado. Não poderia ele mandar outro médico ou profissional qualquer em seu lugar, à medida que precisava avaliar o curriculum antes. Para demonstrar a não eventualidade, fala da responsabilidade de comparecimento em determinado dia da semana para um plantão de 24 horas, prestação habitual de serviço. As notas fiscais demonstram que os contratados recebia, mensalmente, uma quantia equivalente ao trabalho prestado à contratante, ou seja, uma remuneração. Para demonstrar a subordinação argumenta que a CONTRATANTE administra hospitais na realização dos serviços médicos, administrativos e de enfermagem. Diz que a função do hospital é promover serviços de saúde e que no desempenhar dessa atividade , a empresa precisa de médicos e profissionais de saúde trabalhando. O auditor diz ter constatado não haver médicos com carteira assinada trabalhando para a contratante. Diz que os médicos ora são cooperativados ora são contratados através de pessoas jurídicas e que a noção de subordinação objetiva encaixase com perfeição à hipótese em exame. Argumenta que não se questiona, aqui, a sujeição à pessoa do empregado, mas que o hospital tinha ingerência sobre o modo como a sua atividade fim seria realizada, sobretudo porque nenhum daqueles prestadores era, em tese, seu empregado, todos seguiam o mesmo modus operandi para a consecução da atividade fim do contratante. Transcreve a Cláusula Terceira Das Obrigações da Contratada: São obrigações da CONTRATADA: i) cumprir e lazer cumprir por si, seus sócios, empregados c prepostos, os princípios éticos profissionais as normas e Fl. 3670DF CARF MF 6 procedimentos da CONTRATANTE, da SESAB e do SUS; Diz que sob essa ótica objetivista, não resta dúvida de que o CONTRATADO estava subordinado às ordens da CONTRATANTE, na forma de consecução do contrato firmado, quando teria de informar qualquer modificação no quadro societário da empresa. A subordinação, não estava ligada à pessoa do empregado, mas ao próprio objeto do contrato. Tanto assim, que a CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fosse seu empregado. Era necessário, então, que todos os prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. e, ainda, com exclusividade, conforme planilhas anexas com a relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração sequenciada para o CONTRATANTE. Transcreve o art. 442 da CLT e afirma que o contrato de trabalho é um contrato realidade, assim, caracterizada a existência dos requisitos da relação de emprego (subordinação, nãoeventualidade, pessoalidade e remuneração) restam nulos os atos praticados com o objetivo de desvirtuálo. Diz que a existência de contrato de sociedade, ou simples contrato de serviço, que mascaram essa realidade, podem ser ignorados sempre que a fiscalização disponha de elementos que comprovam a existência do contrato de trabalho. Afirma que as decisões judiciais da Justiça do Trabalho Tribunal Regional da 5ª. Região, referente a Reclamatórias Trabalhistas, nas quais a SM ASSESSORIA figura como reclamada e como reclamante figuram sócios pessoas físicas que simularam pessoas jurídicas, corroboram o exposto acima pois, as decisões diante do conjunto probatório, e com fundamentação detalhada nas linhas anteriores, aponta para a fraude à legislação trabalhista e, consequentemente, o reconhecimento da relação de emprego entre as partes. Reconhecem o vínculo empregatício e condenam a SM ASSESSORIA a pagar as parcelas decorrentes do vínculo e parcelas rescisórias, anexando cópia das decisões dos processos: 00068.2007.561.05.007, 00067.2007.561.05.002 e 00066.2007.561.05.008. Pelos motivos acima explicitados a fiscalização procedeu ao enquadramento como segurado empregado, tomando como base o art. 229 § 2º do Decreto 3.048/99 e aplicou a alíquota mínima com fundamento na Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de2009. A aferição foi feita conforme Lei nº. 8.212, de 24/07/1991, art. 33 e § 3°, 5° e 6° e Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999, arts. 233 e 235 e alterações posteriores. A discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bases de cálculo, a discriminação por rubricas, a origem do débito e competências das contribuições apuradas para estes levantamentos, bem como as alíquotas empregadas, bem como as deduções feitas constam no Relatório de Lançamentos RL e o Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 347 7 montante apurado por competência, bem como o montante para o período de lançamento do débito, inclusive com juros SELIC e multa constam no relatório Discriminativo do Débito DD, também anexo. Foram aplicadas a alíquota de 8%. A fim de instruir o processo administrativo junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) foram juntadas planilhas demonstrativas, com a relação das pessoas caracterizadas segurados empregados, contratos de prestação de serviços da CONTRATANTE, Notas fiscais de prestação de CONTRATADOS, movimento financeiro, boletim de medição de serviços de CONTRATADOS, documentos comprobatórios do Gestor da SM ASSESSORIA, cópias de processos de decisões da Justiça do Trabalho, que comprovam os fatos mencionados em cada levantamento. Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos acolhidos parcialmente, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 4.586 e seguintes do e processo, aduzindo o seguinte: Preliminarmente, a incompetência do agente fiscal para declarar a existência da relação de trabalho, que seria exclusiva da "justiça do trabalho". No mérito alega: a improcedência do auto de infração, em razão da não ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias sociais, uma vez que não haveria elementos caracterizadores para a caracterização de vinculo empregatícios, trazendo uma série de argumentos contrários à decisão de primeira instância quanto a aplicação da legislação previdenciária, e consequemente não haveria tributo a ser recolhido. erro na base de cálculo. aplicação da multa mais benéfica. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DA PRELIMINAR DA COMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL A recorrente alega incompetência do agente fiscal em caracterizar vínculos empregatícios, referente a prestadores de serviços que mantiveram relações jurídicas com a contribuinte. Fl. 3672DF CARF MF 8 Nesse tópico, a preliminar arguida de nulidade guarda relação em dispositivo específicos no PAF. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, a recorrente alega que o fiscal não seria competente para declarar a relação de vinculo empregatício em relação à seara trabalhista entre a recorrente e seus prestadores de serviços. Na realidade, o agente fiscal não declarou irregular o vinculo empregatício em relação ao direito trabalhista, mas sim perante a norma previdenciária entre as partes envolvidas, tendo em vista que descaracterizou uma operação jurídica que configura em si a possibilidade de incidência da norma tributária. Nesse sentido, o § 2°, do art. 229 do Decreto n° 3.048/1999, dispõe o seguinte: "§ 2o Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado". Com isso, o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991, assim descritas: "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 348 9 Portanto, sem razão a recorrente, uma vez que a fiscalização detém competência para analisar a situação fática jurídica de cada caso, baseada em provas e indícios, e determinar, conforme as normas vigentes, a relação de vínculo empregatício para fins de incidência tributária, e tão somente para esse fim, não havendo correlação com a esfera judicial, salvo se essa segunda determinar situação diversa do entendimento fiscal. DO MÉRITO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A presente autuação referese à fiscalização seletiva com o objetivo de analisar contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos), no período de 01/2005 a 12/2005. Com isso a autuação, que foi julgada parcialmente procedente, gira em torno de possível ocorrência de vínculo empregatício entre a recorrente e os prestadores de serviços, pessoas físicas revestidas por pessoas jurídicas, e estariam caracterizados com os elementos de vínculos impostos pela CLT: pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. Com visto acima o art. 12, inciso I, item "a", da Lei nº 8.212, de 1991, incide os seguintes requisitos para caracterizar para fins da legislação previdenciária, sendo aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Imperioso, portanto, o princípio da primazia da realidade. A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços firmados, asseverando que os serviços foram prestados pelas pessoas físicas com os requisitos característicos da relação e emprego. Cumpre esclarecer que, em seu recurso a recorrente aborda o tema partindo da premissa de que nem toda "atividade meio" teria a característica da "atividade fim". Para que seja analisado de forma adequada sua alegação, é importante reportar ao núcleo principal da atividade da empresa. Conforme se constata do contrato social da contribuinte (página. 3.424), na clausula 2ª: "a sociedade tem por objeto social a prestação de serviços de assessoria empresarial, gestão hospitalar, serviços médicos, bem como a promoção, administração, e desenvolvimento de entidades na área da saúde". Em seu recurso, a recorrente alega o seguinte: "57. Logo, alguns serviços, justamente por serem especializados, a exemplo dos serviços médicos, de enfermagem, de laboratório, radiologia e planejamento, foram contratados de empresas especializadas em cada ramo de atividade em razão do (art. 982"). Fl. 3674DF CARF MF 10 Com isso, constatase que a própria recorrente alega que os serviços contratados foram para justamente atuar conforme o próprio contrato social da empresa., ou seja: para a atividade fim da sociedade empresarial. Nesse sentido, analisando os contratos trazidos pela fiscalização podese concluir, sem dúvida alguma, que todos eles atendiam às "atividades fim" da empresa recorrente. Notase que, não foram juntados, pela fiscalização na autuação, contratos de atividade meio com a descrição acima, a exemplo de um serviço de copeiro, atendente, segurança (guarda), ou outra atividade que pudesse ser considerada "atividade meio" em relação ao objeto social da empresa autuada. Todos contratos celebrados e utilizados pelo fisco foram específicos na área da saúde para serviços médicos. Portanto, diferente do que argumenta o sujeito passivo, os contratos analisados possuem correlação direta com a situação de atividade fim da empresa recorrente. DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A par dos conceitos trazidos pela fiscalização ou pela recorrente, o que realmente importa é ter a caracterização dos elementos de sujeição e dependência pelos prestadores de serviço. Nesse contexto, quanto à subordinação, entendo não ter relevância predominante de qual é o melhor conceito jurídico adotado para definir o que vem a ser subordinação, tanto por quem acusa (fiscalização) quanto por quem se defende (contribuinte). O que, ao meu ver, é mais importante e necessário são as provas que possam formar a convicção do julgador ao presente caso e que vão caracterizar, aí sim, a subordinação pelas partes envolvidos no contrato pactuado e trazido aos autos. Nesse sentido, a fiscalização diz que (fls. 31 e seguintes): "Constatase nas ação fiscal que “não há médicos com carteira assinada trabalhando para a CONTRATANTE, ora são cooperativados ou contratados através de pessoas jurídicas”. (...) Tanto assim, repisese, que as CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fossem seu empregado. Era necessário, então, que todos estes prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. E ainda com exclusividade, conforme planilhas anexas com as relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração seqüenciada para o CONTRATANTE". Já a recorrente alega que: "76. Dessa forma, resta comprovado também que a simples padronização dos contratos de prestação de serviços não são suficientes para caracterizar o vínculo empregatício, e, portanto, não prospera a fundamentação de que "os contratos celebrados pela impugnante com as prestadoras são contratos padrões" para a caracterização de tal vínculo". Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 349 11 Nesse ponto, no quesito subordinação, compreendo que a recorrente não obrou afastar a acusação do fisco em seu recurso. De fato, somente a padronização do contrato não tem o condão de por si só configurar o vínculo empregatício, mas é um forte indício de que os profissionais que entravam no "setor médico", na qual prestavam serviços na atividade fim da empresa, eram consequente contratados por meio de pessoas jurídicas, e que deveriam reportar obediência à recorrente. Os contratos previam que os contratados deveriam informar lista com currículos para Isso porque, poderia sim a recorrente ter algum tipo de contrato terceirizado, mas o que chamou atenção do fisco foi que nenhum especialista na área médica era contratado por meio da CLT, podendo disfarçar a possível ocorrência do fato gerador do tributo. No que diz respeito à pessoalidade, o fisco constatou que todos, ou grande parte dos contratados, seriam executados pelos próprios sócios das pessoas jurídicas. Os que não foram considerados assim, tiveram afastadas da autuação a caracterização de vinculo empregatício. Nesse sentido, verifico que a recorrente não apontou outros elementos ou obrou afastar a acusação de que um profissional sozinho prestava serviço por meio da pessoa jurídica, e somente ele. Por exemplo, poderia a recorrente trazer ao feito notas fiscais de alguns prestadores de serviços para outras empresas que não a recorrente. Seria ao menos uma prova que pudesse afastar o quesito "exclusividade". Já quanto à onerosidade, ficou constatado que os serviços prestados diretamente pelas pessoas físicas eram remunerados de maneira mensal. Isso pode ser verificado nos contratos juntados pelo fisco, pois na sua grande maioria o período de pagamento era acertado em média por 12 (doze) meses, podendo ser renovado a critério das partes, mas que exigia que toda e troca de profissional fosse comunicado à contratante e que fosse submetido currículo de novo profissional á contratante. Fato esse que, além de configurar uma possível subordinação, exigia de forma indireta que as pessoas físicas que estivessem no contrato da pessoa jurídica fossem as únicas a prestarem os serviços, e que numa eventual substituição dessas pessoas a recorrente deveria ter ciência, não havendo liberdade dos contratados de direcionar ao serviço o profissional que fosse de sua preferência. Alias, não ficou sequer provado que haveriam outros profissionais direcionados aos serviços contratados pelas empresas jurídicas, constatandose que a onerosidade do labor realizado era direcionado à pessoa física de forma indireta. Não há também informações de distribuição de lucros dessas empresas para seus sócios, o que é mais uma prova do elemento onerosidade. A não eventualidade também foi objeto de debate nos autos. Nesse sentido o REFISC alega que: "decerto esse trabalho, com a responsabilidade de comparecimento especificamente em determinado dia da semana para um plantão de longas 24 horas, não pode ser considerado eventual. Tratase de prestação habitual de serviço, que, de tão óbvia, dispensa maiores ilações". Com isso, a não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser Fl. 3676DF CARF MF 12 observado o repasse financeiro as empresa contratadas de valores fixos (independente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo, com os pagamentos mensais. Isso, também, diz respeito aos contratos feitos junto às as empresas de medicina do trabalho, segurança do trabalho, assessorias e consultorias, que prestam serviços ao estabelecimento como empregados. A contribuinte somente alegou ocorrer visitas eventuais desses profissionais, o que não foi constatado pela fiscalização que apontou a permanência ou "circulação" desses de forma constante nas dependências da recorrente. Caberia então à recorrente fazer prova de que esse profissional seria contratado de forma eventual, por meio de algum tipo de contrato diferente do que foi juntado aos autos, a exemplo do Técnico em segurança do trabalho, que visa diminuir os riscos de acidente de trabalho, e que ao que se constou dos autos a contribuinte mantém esse profissional em seus quadros de trabalhadores para que seja atingindo o fim específico de sua atuação. Nesse sentido, a recorrente não obrou dizer para qual fim foi contratado esse profissional, somente alegou que "é absurdo enquadrar este como sendo seu empregado", para fins previdenciário. Ora, se a fiscalização lançou como sendo passível de tributação, o ônus de prova passou a ser do contribuinte, que deveria explicar o porque esse agente foi contratado, para que fim estava laborando na empresa contratante, e como ele atuava perante a sociedade autuada. Fato esse que não foi devidamente detalhado pela contribuinte, e, tampouco, provado. Já em relação às ações judiciais, onde se constatou de fato o vínculo empregatício, a recorrente para rebater a essa prova traz aos autos outra ação com numeração e partes diferentes das apontadas pela fiscalização, ajuizada, inclusive, por pessoa terceira pessoa contra terceirizada (constando no pólo passivo outra empresa e a própria autuada), em relação a mais uma empresa que intermediou a contratação da reclamante para laborar atividades nas dependências da recorrente, e que no meu entender não são suficientes não afasta as informações da fiscalização. Alias essa alegação também não foi afastada pela decisão a quo. Ficou claro que nas ações mencionadas pela fiscalização que houve sim vinculo empregatício para fins da interpretação previdenciária, e que esses constavam da relação das pessoas da autuação lançada. Não há decisão somente de primeira instância. Alias, a recorrente não obrou trazer cópia de alguma decisão contrária relativo aos processos mencionados pela fiscalização, mas sim de processo de outra situação ocasionada por vinculo empregatício de também empresa contratada pela recorrente para prestar serviços médicos. Só que esses não foram objetos da autuação. Portanto, mais uma vez não obrou comprovar por meio de provas idôneas que a fiscalização teria se equivocado na sua interpretação. Assim, o princípio da primazia da realidade se sobrepôs aos contratos pactuados, devendo ser mantida a autuação. QUANTO ÁS DIFERENÇAS DECLARADAS EM FOPAG A recorrente alega situação já analisada e excluída pela DRJ de origem, uma vez que o Auto de infração contém a cobrança de contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos, incidentes sobre FOPAG não declarada e Caracterização de segurado empregado. Analisando a decisão de primeira instância, essas verbas que foram lançadas a maior já foram devidamente corrigias pela decisão a quo. Portanto, não há o que se manifestar quanto ao referido pedido. Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 350 13 DA BASE DE CÁLCULO A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei 10666/2003 foi calculada à alíquota de 11%, referente às notas fiscais da prestação de serviço identificado. A quantia do percentual da base de cálculo, no direito tributário, é definido em lei, conforme determinação do art. 97, inciso IV, do CTN, e não por "ordem de serviço", como aduz a recorrente que gostaria de ver aplicada o limite total de 40% do pagamento realizado, e não sobre o valor bruto da nota fiscal referente aos serviços prestados. Portanto, não assiste razão a recorrente no que diz respeito ao tema da base de cálculo. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu: A nova Súmula CARF determina nº 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Com isso, o novo mandamento põe fim à discussão da multa e retroatividade benigna, sendo, portanto, aplicada ao presente caso. Fl. 3678DF CARF MF 14 CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por conhecer do recurso para não acolher as preliminares no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 3679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902399/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 99 /2 01 0- 00 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 3 2 complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10469.901675/201012, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas restantes. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que a legitimidade dos seus créditos decorre da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares (de 32% para 8%), e que a RFB, através do ADI 18/2003 estabeleceu que são considerados serviços hospitalares os prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde com determinadas características, dentre as quais: 1) a prestação de serviços pelos sócios e por outros profissionais que não compunham os quadros da sociedade; 2) os que não se refiram exclusivamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza eminentemente científica. Ademais, discorre acerca do art. 23 da IN 306/2003, que para fins de equiparação de alguns serviços às atividades hospitalares, para fins tributários, devem ser atendidas exigências tais como: a) a prestação direta de serviços de atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou várias atividades previstas em Portaria do Ministério da Saúde; b) o exercício de ações básicas de saúde, como o Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 4 3 primeiro atendimento, a prevenção de doenças, ações de educação, etc; c) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde como a triagem para atendimentos, o atendimento em si, inclusive de urgência, procedimentos de enfermagem, a observação do paciente, a execução de diagnósticos e terapêuticos (por 24 horas, se for o caso); d) realização de procedimentos cirúrgicos, como o desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes (externos e internos), dentre outras. Afirma também, que apenas não procedeu na retificação das DCTFs por impossibilidade técnica, já que o sistema da RFB não permitiu diante do prazo. O Acórdão recorrido entendeu não haver dúvidas de que as receitas provenientes de serviços hospitalares passou a incidir o percentual de presunção de 8%, excepcionandose tais receitas da regra geral de 32%, no entanto entendeu que diante da não apresentação de documentação por parte do contribuinte não seria possível concluir que de fato prestou tais serviços, assim, julgou a manifestação improcedente. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente reforça os argumentos já apresentados, defendendo que não há controvérsia acerca do crédito, sendo ele legítimo. Houve a constatação do erro formal, em razão da aplicação de percentual diverso na apuração do lucro estimado, requerendo o seu direito de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.458, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10469.901675/2010 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.458): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de radiologia, diagnósticos médicos por imagem, ultrassonografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15 § 1º inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será e: (...) III–trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 6 5 que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 7 6 partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 50DF CARF MF
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