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Numero do processo: 10880.978914/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 14 /2 01 2- 15 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.297, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.720408/2012-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN.
A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4.
Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais..
Numero da decisão: 2001-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 72 04 08 /2 01 2- 62 Fl. 75DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 60.444,05. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que em 2009, recebeu da CEF o montante de R$ 60.444,05, decorrente de ação de revisão de benefício previdenciário e cobrança de diferenças em atraso, em face do INSS, todavia, tais rendimentos não podem ser incluídos de uma única vez. Alega que de acordo com a jurisprudência pacífica do STJ, ao tributar tais rendimentos, o Fisco deve observar os valores recebidos mensalmente e não alocar em um único período todo o montante auferido acumuladamente. Acrescenta que mesmo que os rendimentos fossem tributados na forma que determina o STJ, os mesmos estariam alcançados pela decadência, nos termos do §4º, art. 150, do CTN e que do montante recebido, o valor de R$ 25.659,87, referese à despesa com honorários advocatícios. Assim, apenas devem integrar a base de cálculo o total de R$ 34.784,18. A DRJ São Paulo, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, pelos motivos expostos no acórdão, de forma detalhada e fundamentada. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa novamente nas mesmas questões levantadas na impugnação, levanta preliminares sem fundamentos e repete os mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Da decadência Preliminar Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13836.720408/201262 Acórdão n.º 2001000.712 S2C0T1 Fl. 3 3 Mais uma vez, em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa o tema da decadência, o qual fora amplamente explicado e colocado pelo órgão a quo. Pois bem. Repitamos o que muito bem frisou a DRJ São Paulo, já que o contribuinte insiste em repisar as mesmas razões. Em decorrência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos. Contudo, o art. 2º da Lei 8.134, de 27 de dezembro de 1990, introduziu a necessidade do ajuste anual. Ou seja, as normas de incidência do imposto de renda delineiam, atualmente, um sistema híbrido de tributação, em que o imposto é devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, porém são considerados mera antecipação da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, quando se completa o suporte fático da incidência. Ocorrendo omissão de rendimentos, e caracterizada inexatidão na Declaração de Ajuste Anual, o lançamento subsumese ao inciso V do artigo 149 do CTN, que determina o lançamento de ofício, ou mesmo a revisão de ofício de qualquer modalidade de lançamento. Como colocou a DRJ, a renda tributada pelo Fisco no presente lançamento, em princípio, fora omitida e, obviamente, com relação à mesma, não se verifica qualquer antecipação de pagamento de imposto por parte do contribuinte. Este fato permite concluir que não há qualquer procedimento, ou atividade mencionada no art. 150 do CTN pelo obrigado, nem o respectivo pagamento do tributo sobre a identificada renda omitida, que deva ser homologado. Com efeito, só se homologa – expressa ou tacitamente – aquilo que foi levado ao conhecimento da autoridade homologadora. Assim, em relação aos fatos tributáveis ocultados do Fisco, cujo imposto correspondente não tenha sido apurado nem pago pelo contribuinte, não realizou este a atividade de que trata o art. 150, § 1°, do CTN, ou seja, não realizou a atividade sobre a qual recairia a homologação. Portanto, não há como se falar em lançamento por homologação para renda omitida, não se aplicando o disposto no §4º do citado dispositivo, independentemente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. Como foi claramente e objetivamente explicitado pelo orgão a quo, o exercício em que o lançamento pode ser efetuado, no caso do imposto de renda das pessoas físicas, é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no ano calendário de 2009, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentação se deu em 30/04/2010. Portanto o lançamento da omissão de rendimentos só Fl. 77DF CARF MF 4 poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/2010, sendo 01/01/2011 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2016 o termo final. Como a ciência do Auto de Infração foi em 30/10/2012 (fl. 30), constatase que não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar relativo ao fato gerador em questão. Preliminar Da aplicação da decisão do STJ No que se refere a esta preliminar guerreada pelo contribuinte, entendo qe a análise se confunde com o mérito, o qual será, mais uma vez, abordado de forma clara e objetiva ao longo desta decisão. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial federal . Verificase, no entanto, através da leitura do relatório e do acórdão da DRJ, que o contribuinte não contesta o valor de rendimento omitido a ele imputado, mas sim a forma de tributação aplicada (ajuste anual). Na verdade também questiona a dedutibilidade dos honorários, ponto que será enfrentado também, mais uma vez, nesta decisão. A regra geral era de se levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Esta regra vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Esta opção de tributação de tabela progressiva deveria ser clara e só poderia ser exercida mediante cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Dessa forma, incabível realizar o cálculo nos moldes propostos pelo recorrente, restando correto o procedimento realizado pela fiscalização. Através de leitura das leis que regem a matéria, salientadas na decisão a quo, resta claro que a Lei se aplica aos fatos geradores posteriores à sua publicação, excepcionando se o ano calendário de 2010. Regulamentando o assunto, a RFB publicou a Instrução Normativa RFB n.º 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre a apuração e tributação de rendimentos recebidos acumuladamente de que trata o art. 12A da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13836.720408/201262 Acórdão n.º 2001000.712 S2C0T1 Fl. 4 5 Desta feita, fica claro que não pode ser aplicada ao caso, a tributação exclusiva na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no ano de 2009, uma vez que a alteração na forma de tributação se deu em 28/07/2010, não alcançando rendimentos recebidos acumuladamente anteriormente à publicação da MP 497, de 27/07/2010. Mérito Dos honorários advocatícios e do IRRF O recorrente sustenta que o valor correto que deveria integrar a base de cálculo seria R$ 34.784,18. Para tal, como se vê à fl. 08, o impugnante excluiu dos rendimentos recebidos da CEF (R$ 60.444,05), a quantia de R$ 25.659,87 referente aos honorários advocatícios. Quanto à dedução dos honorários advocatícios, o § único do art. 56 do Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999 (RIR) regulamenta a questão, permitindo a dedutibilidade. No entanto a declaração de Anis Sleiman deixa claro que recebeu, em 13/02/2009, diretamente da pessoa jurídica Caixa Econômica Federal – CEF, o valor bruto de R$ 25.659,87, referente aos honorários advocatícios contratuais que foram destacados judicialmente do valor da condenação que coube ao impugnante nos autos do processo 2001.61.04.0021251. Ademais, o recorrente informa ter recebido da CEF o valor de R$60.444,05. Mais uma vez repetese, se os honorários advocatícios foram pagos diretamente da CEF ao advogado, resta claro que não estavam inclusos nos R$ 60.444,05 pagos ao impugnante. Dessa forma, não é possível deduzilos da parcela recebida vez que desta já fora anteriormente descontada a quantia referente aos honorários advocatícios. A fiscalização já compensou o IRRF, no valor de R$ 1.813,32, como se vê à fl. 19. Da incidência de acréscimos moratórios sobre a multa de ofício O impugnante insurgese ainda contra a aplicação da taxa referencial SELIC, sobre a multa de ofício, alegando que a disposição do art. 61 da lei 9.430/96 não permite tal interpretação. Para ser muito breve neste ponto, hpá que se invocar o entendimento firmado e consolidado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual deve ser respeitado , inclusive para se manter a coerência e segurança jurídica acerca das decisões daa jurisprudência administrativa. Vejamos o que estabelece a Súmula nº 04 deste Egrégio Colegiado: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Fl. 79DF CARF MF 6 Portanto, não há que se prosperar o pleito repetitivo do contribuinte neste aspecto. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e no mérito CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726054/2017-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INOCORRÊNCIA
Não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento.
RRA. RECEBIMENTO EM PARCELAS.
No caso de RRA recebido em diversas parcelas, o número de meses total da ação deve ser proporcionalizado entre as parcelas em igual proporção do valor parcial recebido em cada uma delas.
Numero da decisão: 2401-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora). Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INOCORRÊNCIA Não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento. RRA. RECEBIMENTO EM PARCELAS. No caso de RRA recebido em diversas parcelas, o número de meses total da ação deve ser proporcionalizado entre as parcelas em igual proporção do valor parcial recebido em cada uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora). Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 54 /2 01 7- 25 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 191 2 (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB) que julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do relatório e voto do Acórdão nº 0377.363 de fls. 157 a 166. O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao Exercício 2015, anocalendário 2014 (fls. 142/152), lavrada em 19/06/2017, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante total de R$ 377.025,87, conforme descrito abaixo: · Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 185.983,56; · Multa de Ofício (75%), passível de redução: R$ 139.487,67; · Juros de Mora, calculados até 30/06/2017: R$ 51.554,64. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 144/147), a fiscalização afirma que da análise das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse: 1. Omissão de Rendimentos recebidos acumuladamente – Tributação exclusiva, no valor de R$ 298.496,59, sem retenção de imposto na fonte; 2. Que em fevereiro de 2014, o Contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 2.020.979,74, pagou de honorários advocatícios Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 192 3 R$ 404.195,95; cálculos contábeis de R$ 40.419,59, restando o valor tributável de R$ 1.576.364,20; 3. Em outubro de 2014, o Contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 226.316,07, pagou de honorários advocatícios R$ 45.263,21, de cálculos contábeis R$ 4.526,32, restando o valor tributável de R$ 176.526,54; 4. Alteração no número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente de 177, para 99, para os rendimentos recebidos em fevereiro de 2014 e de 177, para 11, para os rendimentos recebidos em outubro de 2014; Em 28/06/2017 o Contribuinte tomou ciência, via postal, da Notificação de Lançamento (AR fl. 153) e, em 26/07/2017, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 04 a 15, instruída com os documentos nas fls. 16 a 140. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0377.363, em 17/10/2017 a 3ª Turma, resolveu julgar procedente em parte a impugnação, para reduzir a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente para R$ 163.991,27 e alterar o número de meses relativo a RRA de 99, para 103 meses, nos cálculos do imposto relativo à primeira parcela de RRA e de 11, para 19 meses, nos cálculos do imposto relativo à segunda parcela de RRA, o que implicou na manutenção de imposto suplementar no valor de R$139.081,06, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros moratórios. Em 22/11/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 169) e, em 18/12/2017, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 172 a 184, com as seguintes razões de defesa: 1. O Autuado não é responsável tributário pelo imposto exigido relativo aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) que sujeitamse à tributação exclusiva na fonte que detém a responsabilidade de reter e recolher o imposto sobre a renda (Art. 45 do CTN, Art. 46 da Lei nº 8.541/92; Art. 19, inciso XXI, da Instrução Normativa da RFB nº 1.500/2014 e o Art. 24 desta mesma IN); 2. No curso do processo judicial trabalhista houveram vários levantamentos de valores, mas todos decorrentes da mesma condenação e do mesmo crédito trabalhista; 3. Em 17/11/2011 houve o primeiro levantamento, decorrente de valores incontroversos, onde foi deduzido e recolhido à título de IRRF o valor de R$ 93.685,83 em 26/04/2012 (fls. 28), fato este que a autuação deixou de informar; 4. A Justiça do Trabalho entendeu que o valor do IRRF recolhido no primeiro levantamento foi feito a maior, ensejando um crédito de R$ 51.835,32 para posterior abatimento, conforme cálculo da 15ª Vara do Trabalho realizado em 15/10/2013 (fl. 34) e reiterado no cálculo elaborado em 14/04/2014 (fl. 57); Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 193 4 5. Com relação ao valor recebido em 02/2014, o Contribuinte considerou como base de cálculo do imposto o valor de R$ 1.277.867,61 constante no cálculo da Justiça do Trabalho (fl. 69); 6. A autuação está equivocada ao considerar como base de cálculo do imposto de renda sobre o levantamento ocorrido em 02/2014 o valor de R$ 1.576.364,20; 7. Da mesma forma está equivocada a decisão da DRJ/BSB que determinou a integração do IRRF na base de cálculo, encontrando a quantia de R$ 1.441.858,88, uma vez que se trata de cálculo obtido em decisão judicial, sendo a base de cálculo o montante do próprio crédito excluídas as parcelas indenizatórias; 8. Nos levantamentos ocorridos em 02/2014 e 10/2014 o Contribuinte considerou como números de meses o total de 177 meses conforme informado também no cálculo da Justiça do Trabalho (fl. 74); 9. A condenação decorreu de verbas devidas desde fevereiro de 1996 e que não houve aplicação da prescrição quinquenal, razão pela qual não há qualquer justificativa para a autuação considerar o total de 110 meses; 10. Como se trata de crédito único, não existe qualquer justificativa para o procedimento de rateio da quantidade de meses entre os pagamentos realizados; 11. As informações lançadas pelo Contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual foram todas obtidas nos cálculos da Justiça do Trabalho, responsável legal pela apuração e recolhimento do IRRF, não podendo lhe ser imputada a responsabilidade tributária; 12. Segundo levantamento realizado pela Justiça do Trabalho, em 02/2014 foi recolhido a título de IRRF a importância de R$ 151.844,81, resultado do imposto devido em decorrência do RRA no valor de R$ 205.184,64 descontado o crédito de R$ 51.835,32 do primeiro levantamento; 13. Mesmo assim, demonstrando sua boafé, o Contribuinte procedeu espontaneamente a declaração do imposto devido em decorrência do RRA no total de R$ 205.184,64 através de Declaração Retificadora apresentada em 31/08/2015, onde apurou junto com os demais dados da declaração um imposto a recolher de R$ 47.708,28 pagos em 8 parcelas (DARFs – fls. 98/101); 14. A decisão da DRJ/BSB deixou de observar que houve recolhimento a maior do Imposto de Renda, já que o Contribuinte faz jus à isenção por força do Art. 6º, inciso I da IN RFB 1.500/2014; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 194 5 15. Procedeu apenas na forma e no limite delimitado pelo próprio Poder Judiciário e por essa razão não pode ser penalizado com a multa de 75%. Apresenta jurisprudências nesse sentido. Conclui seu Recurso requerendo seu provimento para, inicialmente, declarar a ausência de responsabilidade do Contribuinte pelo crédito tributário exigido e, alternativamente, que seja julgado improcedente a autuação diante do correto recolhimento do IRRF, não havendo diferenças a serem recolhidas. Por último, na possibilidade da manutenção da autuação, requer que sejam excluídas do crédito tributário a multa e os encargos moratórios. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Responsabilidade tributária O Recorrente assevera que a responsabilidade pelo imposto devido por rendimentos recebidos acumuladamente seria exclusivamente da fonte pagadora, razão porque pleiteia a sua ilegitimidade passiva. Na DIRPF do contribuinte acostada às fls. 102/111, verificase que os rendimentos recebidos acumuladamente foram declarados com opção de tributação exclusivamente na fonte, na forma do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, consoante redação à época dos fatos geradores. Com efeito, tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, concernentes a anoscalendário anteriores ao crédito ou recebimento, em regra, a tributação é exclusiva na fonte e a retenção é de responsabilidade da fonte pagadora, sendo que a inocorrência ou insuficiência na retenção tem como consequência a constituição do crédito tributário contra a fonte pagadora ou instituição financeira depositária do crédito. A exceção a essa regra ocorre no caso do contribuinte optar por integrar os rendimentos recebidos na base de cálculo anual do imposto de renda na DAA, em que a retenção efetuada pela fonte pagadora será considerada antecipação do imposto. Outra situação Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 195 6 é quando resta constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual. Pois bem. É inequívoca a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção e recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável (Parecer Normativo Cosit nº 1/2002), o que não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento em oferecêlo à tributação e proceder a sua informação. No presente caso, a autoridade administrativa autuante entendeu que ocorreu omissão de rendimentos. Nesse caso, caberia a autuação contra o beneficiário (Súmula CARF nº 12). Se ocorreu equívoco no lançamento, essa análise será procedida por ocasião do julgamento do mérito. Mérito Conforme se verifica no presente caso, os valores em questão tratam de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente com tributação exclusiva, no valor de R$298.496,59, sem retenção de imposto na fonte, decorrentes de processo judicial trabalhista recebidos pelo contribuinte a título de complementação de aposentadoria em face de entidade de previdência particular. De acordo com a Notificação de Lançamento, a omissão de rendimentos lavrada em 19/06/2017, se refere ao ano calendário 2014, exercício de 2015 (data da entrega da Declaração retificadora: 31/08/2015). A fiscalização procedeu a alteração no número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, proporcionalizando de acordo com o valor recebido. Ocorre que o contribuinte informou na sua DIRPF os valores de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda retido e a parcela isenta, de acordo com o que foi determinado pela Justiça do Trabalho à fl. 70 dos presentes autos. No que concerne ao montante da segunda parcela recebida pelo contribuinte, objeto do presente lançamento, a diferença existente entre o valor tributável encontrado pelo fiscal – R$ 1.576.364,20 (fl. 145) e o valor declarado pelo Recorrente na DIRPF – R$ 1.277.867,61 (fl. 132), a título de RRA, se refere a parcelas indenizatórias declaradas como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis no item 24 – Outros R$ 298.496,64 (fl. 131). Conforme se observa do lançamento, o fiscal exige a cobrança da diferença de R$ 298.496,64, sem explicitar porque as informações apresentadas pela Justiça para o cálculo do tributo devido estariam equivocadas e sem esclarecer as razões de considerar esse valor como parte do rendimento tributável recebido acumuladamente. Diante das informações contidas no documento apresentado pela Justiça do Trabalho de fl. 70, o que dá para presumir é que a diferença encontrada de R$ 298.496,64 é rendimento isento, conforme declarado pelo contribuinte, tendo em vista que não foi incluída na parcela tributável do cálculo efetuado pela Justiça, por não fazer parte do RRA. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 196 7 A decisão de piso deduziu que o contribuinte não inclui no montante recebido tributável o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$151.844,91, de modo que o valor tributável recebido na segunda parcela seria de R$1.441.858,88, reduzindo a omissão de rendimentos decorrentes de RRA de R$298.496,59, para R$163.991,27. No entanto, as informações prestadas pelo Recorrente são exatamente as constantes nas informações fornecidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (fls. 70/74), através da qual resta demonstrado que foi incluído no montante tributável o valor do imposto de renda retido na fonte, conforme se vê: Dessa forma, não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento. No que tange ao número de meses relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente, considerado indevidamente declarado pelo fiscal, de acordo com a descrição dos fatos da Notificação de Lançamento, foi justificado nos seguintes termos (fl. 146): Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse informação inexata do número de meses referentes a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, pelo titular e/ou dependentes, relativos à(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) Rateando, proporcionalmente, a quantidade de 110 meses, em função do valor bruto recebido, teremos, para os dois pagamentos, os respectivos números de 99 e 11 meses. Como se observa do texto destacado, a acusação fiscal motivou a alteração da quantidade de meses na informação inexata apresentada pelo contribuinte. Ocorre que os documentos adunados aos autos, em especial os de fls. 22/25, 55, 69, 74/78, demonstram que os documentos considerados insuficientes pela autoridade lançadora comprovam que corresponde a 177 o número dos meses a que se referem os rendimentos recebidos acumuladamente. Assim, diante dos documentos carreados aos autos, assiste razão ao Recorrente quando afirma ocorrida referida comprovação da quantidade de meses conforme apresentado em sua declaração. Dessa forma, entendo que a autoridade fiscal não fez a correta apuração do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, razão pela qual considero ser insubsistente o lançamento, devendo ser afastada a exigência nele contida. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 197 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para julgar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo da i. relatora in totum. Não obstante, fui designada para elaboração do voto vencedor somente no tocante ao número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente. Nesse sentido, o recorrente informa que a ação judicial objeto dos autos acarretou o levantamento de diversos valores. A teor da legislação aplicável, consignada na autuação e na decisão de piso, não se mostra correto o entendimento do sujeito passivo e da i. relatora, de aplicar a cada um dos levantamentos o número de meses total da ação. A legislação estabelece critério lógico de apuração do imposto devido sobre rendimentos recebidos acumuladamente em mais de um parcela, o qual deve ser observado pelos contribuintes. É o que dispõe o artigo 45 da IN RFB nº 1.500, de 2014: Art. 45. Para efeitos de apuração do imposto de que trata o art. 37, no caso de parcelas de RRA pagas: I em meses distintos, a quantidade de meses relativa a cada parcela será obtida pela multiplicação da quantidade de meses total pelo resultado da divisão entre o valor da parcela e a soma dos valores de todas as parcelas, arredondandose com uma casa decimal, se for o caso; II em um mesmo mês: a) ao valor da parcela atual será acrescentado o total dos valores das parcelas anteriores apurandose nova base de cálculo e o respectivo imposto; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 198 9 b) do imposto de que trata a alínea “a” será deduzido o total do imposto retido relativo às parcelas anteriores. Parágrafo único. O arredondamento do algarismo da casa decimal de que trata o inciso I do caput será efetuado levandose em consideração o algarismo relativo à 2ª (segunda) casa decimal, do modo a seguir: I menor que 5 (cinco), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; II maior que 5 (cinco), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e III igual a 5 (cinco), deverá ser analisada a 3ª (terceira) casa decimal, da seguinte maneira: a) quando o algarismo estiver compreendido entre 0 (zero) e 4 (quatro), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e b) quando o algarismo estiver compreendido entre 5 (cinco) e 9 (nove), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal. Portanto, nesse tocante, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se manter o procedimento de proporcionalizar os 177 meses entre os levantamentos efetuados pelo recorrente, cabendo levar em conta o cancelamento da omissão, decidido pela maioria deste Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002698/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Numero da decisão: 3201-004.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente ARCEL S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 26 98 /2 00 5- 00 Fl. 145DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, com origem nos períodos de apuração de fevereiro a setembro de 1999. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 08/06/2005, no valor de R$ 70.133,79, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o PIS, relativos aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a setembro de 1999, conforme DARF de fls.02/09. A DRF em Campinas emitiu o Despacho Decisório de fls. 28/32, indeferindo o pedido de restituição, sob a fundamentação de que: • estava extinto o direito de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/06/2000, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional, do Ato Declaratório SRF n° 96/99 e da Lei Complementar n° 118/2005; • não houve comprovação e demonstração inequívoca que os recolhimentos foram indevidos, pois a contribuinte não comprova os motivos que autorizam a julgar tais recolhimentos como passíveis de restituição. Cientificada desse despacho em 14/06/2007 (fl. 33), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 11/07/2007 (fls. 34/41), na qual alega, em síntese: • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • o art.3° da Lei Complementar n° 118/2005 não é norma interpretativa, pois inova a ordem jurídica em decorrência da interpretação firmada pelo STJ, podendo ser aplicada somente a débitos posteriores a sua vigência (08/06/2005); • os recolhimentos indevidos se originam das disposições contidas na Lei n° 9.718/98, as quais foram julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.002698/200500 Acórdão n.º 3201004.469 S3C2T1 Fl. 146 3 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CPS n.º 0521.215, de 22/02/2008 (fls. 110 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 119 e ss., cujas razões de defesa não serão relatadas em face do que exporá no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o prazo de extinção do direito de se pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, que, no entender consubstanciado na decisão recorrida, é de cinco anos contados do pagamento antecipado. No caso ora em exame, o PIS que se alega indevido referese aos períodos de apuração de fevereiro a novembro de 1999. E o pedido foi protocolado em 08/06/2005 (ver fl. 02). Ocorre, porém, que esta matéria encontrase hoje pacificada. Tendo a Recorrente protocolado o seu pedido antes de 09/06/2005 (apenas um dias antes!), o prazo prescricional aplicável ao caso é de dez a contar da ocorrência do fato gerador, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recurso repetitivos ((REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), e orientação encartada no Verbete de jurisprudência nº 91 do CARF: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, Fl. 147DF CARF MF 4 contado do fato gerador” (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000977/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016.
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25.
Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 77 /2 00 4- 91 Fl. 693DF CARF MF 2 As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25. Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 694 3 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 522/550 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Mediante Auto de Infração de fls. 15 a 19, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 14 e pelo Relatório da Atividade Fiscal de fls. 22 a 30, exigese do interessado o Imposto de Renda Pessoa Física de R$1.793.196,12, acrescido da multa de ofício de 150% e juros de mora. A fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, CEF e à Cooperativa de Crédito Rural Alto Uruguai Catarinense (Crediauc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 , em março de 2001 e maio de 2002, nos montantes de R$2.401.709,67, R$3.578.617,08, R$502.311,52, R$55.567,40 e R$45.900,00, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal foi instaurada mediante MPF n° 09.2.03.002003 003853 (v. fl. 1). Encerrado o trabalho fiscal, e concluindo as AFRF autuantes ter ocorrido, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o n° 10925.000978/200435, nos termos do disposto no art. I da Portaria SRF n° 2.752, de 11 de outubro de 2001, com as alterações introduzidas pela Portaria SRF n° 1.279, de 13/11/2002. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 364 a 405 , na qual expõe suas razões. Argúi, de início, que a autuação não merece prosperar "porque movimentação bancária nunca foi considerada fato gerador de imposto de renda, nem é válida qualquer presunção neste sentido, mesmo que esteja estabelecida em lei". Invocando o artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional, levanta a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/06/1999. Cita, em sua defesa, Acórdãos do Conselho de Contribuintes e do TRF 4 a Região e menciona tributaristas. Sob o título "Prova Ilícita Nulidade", argúi o contribuinte que a partir dos dados da CPMF, nos termos da Lei n° 10.174/01, a autoridade administrativa procedeu à quebra do seu sigilo bancário, c om base no art. 6 o da Lei Complementar n° 105/01, ato contra o qual impetrou mandado de segurança. Fl. 695DF CARF MF 4 Aduz que em primeira instância o pleito foi indeferido, porém o Tribunal Regional Federal da 4 a Região, na apelação n° 2003.72.03.001722 8 , em julgamento ocorrido no dia 25/05/2004, um mês antes da autuação fiscal, decidiu que a fiscalização não poderia utilizarse retroativamente do instrumento veiculado na Lei n° 10.174/01. Assim, conclui que o lançamento referente ao período de 01/01/1998 a 09/01/2001 é nulo, por embasarse em provas colhidas ilicitamente, contrariando o art. 3 0 da Lei n° 9.784/99, e por desrespeitar decisão judicial. Pede, caso não se reconheça a nulidade, que seja SUSPENSO o presente processo até decisão final no Poder Judiciário a respeito do assunto, caso contrário, estarseá em desacordo com o disposto no art. 2 o da Lei n° 9.784/99. Cita doutrina, Acórdãos do CC e do TRF/2a Região sobre prova ilícita. Sob o título "Irretroatividade da Lei Tributária", argúi, em síntese, que, independentemente da decisão judicial, é ilegal o lançamento, uma vez que os instrumentos fornecidos pela Lei n° 10.174/01 e Lei Complementar 105/01 não podem retroagir para alcançar fatos geradores anteriores à sua promulgação, devendo ser consideradas ilícitas as provas colhidas. Invoca, em defesa de sua argumentação, o art. 6 o da LICC, o art. 144 do CTN, cita Acórdãos do CC e julgado do TRF 4 a Região. Passando ao título "DO MÉRITO", o contribuinte argúi a ilegalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, por violar os artigos 4 3 , 110 e 148 do CTN, bem como o princípio consagrado na Lei n° 9.784/99 do due process of law e no inciso L IV do art. 5 o da Constituição Federal. No subirem "1.1) Violação do art. 43 e incisos do CTN", cita doutrina, acórdãos do Conselho de Contribuintes, julgados dos TRF das 2 a e 3 a Regiões, a Súmula 182 do extinto TFR, o Decreto 2.471, de 1988, art. 9 o , VII, e argumenta que: a doutrina e jurisprudência, ao interpretarem o art. 4 3 do CTN, entendem pacificamente que a mera disponibilidade financeira, correspondente ao ingresso de dinheiro no patrimônio particular, nem sempre constitui fato gerador do imposto; a presunção prevista no art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 determina a tributação dos depósitos bancários como se fossem acréscimos, o que na realidade não são; a presunção deveria estar embasada em indícios outros (sinais exteriores de riqueza, por exemplo), de modo a evidenciar o "fluxo tributável", até porque movimentação bancária nunca foi, nem será considerada fato gerador do imposto de renda; o próprio legislador ordinário j á manifestou entendimento favorável quanto ao fato do depósito bancário não representar renda ou provento, tanto que foi promulgado o art. 9o , VII, do Decretolei n° 2.471/88; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 695 5 consubstancia exigência esdrúxula a comprovação da origem de depósitos bancários com documentação, primeiro porque depósitos bancários sequer podem significar sinal presuntivo de renda ou provento, segundo porque não há qualquer obrigação legal do contribuinte pessoa física à escrituração contábil de sua movimentação bancária, terceiro porque é humanamente impossível a comprovação integral dos depósitos bancários pela passagem do tempo, quarto porque conduz o contribuinte à irremediável autuação, vez que retira quase por completo suas chances de provas, induzindoo, inclusive, à autoincriminação; assim, o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96, ao determinar a tributação de depósitos bancários pelo IRPF, como se fossem rendas ou proventos, com os quais reconhecidamente não se confunde, contraria o disposto no art. 4 3 e incisos do CTN. No subitem "1.2) Violação do art. 110 do CTN", discorre sobre presunção, citando Alfredo Augusto Becker e Leonardo Sperb de Paola, para concluir que a presunção legal estabelecido pelo art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois não há ligação entre o depósitos bancário e o rendimento omitido. Repisa que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Em linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo e só este tem a conotação de acréscimo patrimonial. Cita acórdão da CSRF. Diz que na área judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, fato confirmado pelo próprio legislador ao elaborar o art. 9 o , VII, do Decretolei 2.471/88, que cancelou todos os lançamentos fundados unicamente em depósitos bancários. Cita Acórdão do CC. Argumenta ainda que nem se pode dizer que depósitos bancários refletem sinais exteriores de riqueza, a ponto de justificar uma presunção. Cita doutrinadores e Ministro do STF. Aduz que, considerando que a doutrina, jurisprudência e legislação sempre entenderam que a movimentação bancária (depósitos) não é sinal presuntivo de riqueza, nem pode ser considerado fato gerador do imposto de renda, percebese que o art. 42 da Lei 9.430/96 não criou uma presunção, mas sim uma ficção, em total descompasso com o disposto no art. 110 do CTN. Cita ensinamento de Rubens Gomes de Souza sobre diferenças entre presunções e ficcções. No subitem "1.3) Ofensa ao Devido Processo Legal", argúi que o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 promove duas ofensas ao Due Process ofLaw. a primeira de ordem legislativa e a segunda de ordem prática. Fl. 697DF CARF MF 6 Argumenta que o instituto da presunção foi distorcido, tendo em vista a transformação de ficção em presunção, ao arrepio dos institutos consagrados pelo Direito consubstanciando conduta desarrazoada. Cita o Ministro Celso de Mello, do STF, sobre o due process oflaw. Invoca o art. 2 o da Lei n° 9.784/99 e, arguindo que o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 é norma irracional, desarrazoada, desproporcional, que distorce institutos jurídicos com o fim único de incrementar a arrecadação, diz que convém ao julgador deixar de aplicála, se assim não fizer, estarseá abonando uma ilegalidade flagrante, contrária ao CTN e ao próprio Direito. Aduz que sendo o art. 42 da Lei n° 9.430/96 norma manifestamente ilegal, o lançamento realizado com base na mesma é um ato nulo, devendo a administração proceder à sua anulação, com base nas Súmulas n°s 346 e 473 do STF. Caso pretenda manter a tributação por omissão de receitas, deve constituir prova capaz, em atenção ao due process of law. Cita, em sua defesa, acórdãos do I o CC sobre a prova a cargo da fiscalização. No item "2) Cálculo da Receita Omitida Interpretação do art. 42 da Lei n° 9.430/96", argúi que caso não sejam aceitas as considerações expostas acerca da ilegalidade do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96, mantendose firme o arbitramento da base de cálculo do IR, mesmo que ausentes os pressupostos do art. 148 do CTN, importante se faz, pelo menos, a correta interpretação da norma presuntiva, sem literalidades, mas sim embasada na sistemática do Direito. Cita ensinamento de Carlos Maximiliano sobre no que consiste o método sistemático de interpretação. Transcreve o art. 849 do RIR/99 e argúi que o mesmo somente "caracteriza" uma presunção de omissão de receitas, em momento algum disponibiliza critérios de determinação do valor da receita omitida. Cita comentário ao art. 287 do RIR/99 de Edmar Oliveira Andrade Filho. Aduz que a interpretação literal e crua do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 pode levar ao absurdo de se tributar todos os depósitos bancários, fato que geralmente eleva a autuação a montantes estratosféricos, completamente distorcidos da realidade, atentando contra o princípio do nãoconfisco. Assim, a norma deve ser interpretada em conjunto com outras aplicáveis à hipótese, em respeito à sistemática do ordenamento jurídico e à própria regra do art. 108, I, do CTN, que permite o emprego da analogia na ausência de disposição expressa. Cita ensinamento de Maria Helena Diniz sobre analogia. Argúi o contribuinte que é produtor rural, cuja receita bruta é constituída pelo montante das vendas dos seus produtos. Sua atividade básica é a comercialização de suínos. Pelo que se presume da conduta fiscal, as receitas omitidas, então, tiveram origem em vendas de suínos realizadas sem o recolhimento do imposto de renda sobre o lucro conseqüente. Conclui que, sendo as atividades dos produtores rurais muito semelhantes aos de uma firma individual, encontrase em Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 696 7 situação análoga às pessoas jurídicas, devendo a ele ser aplicado o disposto no art. 2 8 4 do RIR/99, dispositivo próprio para a definição do montante tributável em casos de omissão de receitas praticadas por pessoas jurídicas. Aduz que para se chegar a um rendimento tributável ajustado à realidade e em consonância com o art. 4 3 do CTN, convém à autoridade fiscal a interpretação sugerida, sem criar base de cálculo unicamente com supedâneo na movimentação bancária, a qual não passa de um "indício" e nada mais. Prossegue, arguindo que, da interpretação sistemática da legislação do imposto de renda, aplicandose princípios básicos de Direito, temse que a utilização do somatório dos depósitos bancários como base de cálculo do IR não encontra guarida no ordenamento jurídico, vez que o art. 8 4 9 do RIR/99 estabelece tãosomente uma hipótese de presunção amparada em um indício, encontrandose os critérios para determinação dos valores omitidos no art. 2 8 4 do RIR/99, analogicamente aplicado ao caso, com base no art. 108, I, do CTN e no próprio princípio da legalidade. No item "3) Receita e Renda: conceitos distintos", diz que caso não seja aceita a aplicação analógica do art. 2 8 4 do RIR/99, ainda assim não cabe ao fisco considerar o somatório dos depósitos bancários como base de cálculo do Imposto de Renda. Alega que o resultado financeiro proveniente da atividade rural denominase receita e que o conceito desta se distingue do de renda (ou lucro), e nem todos os recursos obtidos representam renda/lucro tributável. Aduz que considerando que o produtor rural aufere receitas provenientes de operações de circulação de mercadorias, como se pessoa jurídica fosse, devese buscar a tributação pelo imposto de renda tãosomente do lucro proveniente da atividade, o qual, por ser de difícil reconhecimento, presumese que seja correspondente ao percentual de 50% do montante total da receita omitida, conforme dispõe o § 6 o do art. 8 o do Decreto lei n° 1.648/78, e consagra a jurisprudência do STJ. Alega, ainda, que encontrandose a sua escritura em regular estado, tendo a autoridade fiscal aceitado o LivroCaixa, não há subsídios para proceder ao arbitramento da base de cálculo do IR, vez que tal conduta é contrária ao disposto no art. 148 do CTN, nem se justifica perante um sistema que prima pela uniformidade da justiça fiscal. Cita julgado do STJ. No item "4) A Origem dos Depósitos", o contribuinte argúi que é produtor rural, porém, nem sempre os seus rendimentos advém da compra e venda de seus próprios suínos. Por possuir vasto conhecimento sobre o assunto, em auxílio aos pequenos produtores rurais, faz as vezes de mediador na agilização de negócios entre terceiros. Como é pessoa de extrema confiança Fl. 699DF CARF MF 8 destes terceiros, além da intermediação, procede também ao transporte das mercadorias, e recebe os valores respectivos em sua própria conta bancária, dos quais retira pequena parcela a título de comissão, e repassa o restante ao produtor que vendeu os suínos. Assim, os depósitos bancários constatados nas contas do contribuinte são, em sua grande maioria, valores pertencentes a terceiros, que não ingressaram em seu patrimônio. Prossegue alegando que como a atividade de intermediação não se caracteriza como atividade rural não é escriturada em Livro Caixa, e assim tornase impossível a comprovação dos rendimentos, nem por outros documentos, vez que a emissão das notas respectivas sai em nome de terceiros. Reconhece o contribuinte que sua conduta não reflete legalidade, mas acha que pode ser empregada como prova para desconstituir a presunção, a qual taxa de desarrazoada, vez que exige tributo sobre rendimento inexistente, e caso haja o adimplemento, terá que sangrar seu patrimônio para arcar com a obrigação, ao arrepio do art. 150, IV da C F e em detrimento de sua capacidade protegida pelo § I o do art. 145 da CF. Fala que não tem capacidade para a criação de suínos em quantidade tal que possibilitasse vendas com os lucros presumidos pela fiscalização, fato que poderia ser atestado por um perícia. Assim, além da intermediação, outro tanto dos depósitos encontrados seriam referentes a "operações de descontos de títulos, financiamentos, empréstimos para capital de giro, transferências entre contas próprias, operações estas que, reconhecidamente, não serão totalmente comprovadas, até pela manifesta impossibilidade de tal ato, mas, mediante uma perícia contábil, certamente será comprovada a existência das mesmas, as quais não representam rendimento passível de tributação, e sim, ativos do contribuinte, bem como permitem a dúvida quanto à presunção apontada, e em caso de dúvida, aplicase o princípio do in dúbio pro contribuinte". E prossegue o impugnante: Inclusive, comprovarseá mediante documentos que a situação financeira do contribuinte não era boa, tanto que foi protestado várias vezes, bem como recorreu a financiamentos bancários para saldar seus débitos, fato que, por si só, já derruba a presunção de receitas omitidas. Neste contexto, necessárias se fazem duas perícias: a primeira para se conhecer da possibilidade do contribuinte ter produzido tudo que os depósitos bancários refletem; e a segunda para demonstrar a existência de operações não tributáveis, que supostamente foram consideradas como receitas tributáveis. Contesta, também, a multa aplicada, de 150%, pleiteando a sua redução para 75%, arguindo que a fraude não pode ser embasada tãosomente em uma presunção de omissão de receitas, sem qualquer prova substancial que confirme o seu Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 697 9 evidente intuito. Cita, em defesa de seu argumento, Acórdãos do Conselho de Contribuintes. a) seja acatada a preliminar de decadência, deduzindose do lançamento os valores referentes aos depósitos bancários realizados durante o ano de 1998 até o dia 2 4 de junho de 1999; b) seja acatada a preliminar de prova ilícita, seja pela decisão judicial favorável, seja pela própria interpretação da legislação tributária, deduzindose do lançamento os valores cujos fatos geradores supostamente ocorreram nos anos de 1998, 1999 e 2 0 0 0 até 09/0 1/2001; c) seja acatada a preliminar de irretroatividade das leis, deduzindose do lançamento os valores obtidos mediante a utilização dos instrumentos previstos na Lei n° 10.174/01 e Lei Complementar n° 105/01, de modo que a exigência fiscal continue, tãosomente, sobre os valores apurados após a data de 09/01/2001; f) alternativamente, que a base de cálculo do tributo supostamente devido seja obtida mediante o emprego do art. 2 8 4 do RIR/99; g) seja reduzida em 5 0% a base de cálculo empregada, seja a obtida pelo critério do art. 2 8 4 do RIR/99 ou a proveniente do somatório de todos os depósitos, conforme o disposto no § 6 o do art. 8 o do Decretolei n° 1.648/78; Requer, por fim, em síntese: d) no mérito, seja reconhecida a ilegalidade do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96; e) seja cancelado o auto de infração por embasarse em norma ilegal; h) a redução da multa para 75%; i) a produção de prova pericial, cujos profissionais e quesitos estão indicados às fls. 407 e 408 ; j ) a produção de prova testemunhal, cujas testemunhas estão arroladas à fl. 409; k) a produção de prova documental e prazo para juntada, dos documentos também arrolados à fl. 409. 2 – Com isso houve análise do caso pela DRJ que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 24/06/1999 Fl. 701DF CARF MF 10 Ementa: DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, devido no ajuste anual só decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de procedimento doloso. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. Não há nos autos decisão judicial favorável ao contribuinte que possa obstaculizar a ação da Fazenda Nacional. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESES DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O crédito tributário regularmente constituído tem sua exigibilidade suspensa nos casos expressamente previstos no artigo 151 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 09/01/2001 Ementa: IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 698 11 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. PERÍCIA. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas j á incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, jamais podendo ser estendidas à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a multa qualificada prevista na legislação de regência. Lançamento Procedente 3 – Seguiuse embargos de declaração da contribuinte às fls. 556/560 em face da decisão da DRJ que foi afastada e recurso voluntário do contribuinte às fls. 575/612 trazendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação com considerações a respeito da decisão de piso. Fl. 703DF CARF MF 12 4 – O processo foi distribuído para a 6ª Câmara do vetusto 1º Conselho de Contribuintes em que por decisão de 07/07/2005 a Turma entendeu por sobrestar o feito em decorrência de pendência judicial nos autos do Mandado de Segurança acima identificado com vistas a impedir a utilização pelo fisco de informações relacionadas com a administração da CPMF, retroatividade à publicação da Lei 10.174/2001. 5 – Às fls. 677/688 existem as decisões judiciais quanto ao presente caso proposto pela contribuinte em que ficou consignado a aplicação do Tema STF nº 225 “ a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.” . Portanto foi aplicada a decisão do STF pela Presidência do E. TRF4ª Região que negou seguimento ao recurso da contribuinte em 27/09/16. 6 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 7 –O recurso é tempestivo e portanto o conheço. 8 – Quanto as matérias indicadas nos itens “a” e “b” do recurso voluntário: as alegações quanto a necessidade de prova testemunhal, pericial e documental restam não conhecidas na medida em que ambas não foram objeto da impugnação e não tratadas na decisão de piso e por corresponder em inovação da matéria recursal em contrariedade ao disposto dos art. 16, III e IV do Decreto 70.235/72 que reza: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 699 13 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 9 – Logo, em vista das razões acima afasto tais apontamentos. 10 – Em relação à decadência e a multa de ofício irei analisar após o mérito. 11 – Como bem delineado no relatório a fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, CEF e à Cooperativa de Crédito Rural Alto Uruguai Catarinense (Crediauc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2 0 0 0 , em março de 2001 e maio de 2002, nos montantes de R$2.401.709,67, R$3.578.617,08, R$502.311,52, R$55.567,40 e R$45.900,00, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Logo estamos diante dos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. 12 – A matéria quanto a irretroatividade da Lei do item “d”, decisão judicial do item “e” e “f” prova ilícita, deixo de conhecêlas, posto que foram objeto, e tangenciam, os argumentos contidos no mandado de segurança impetrado pela contribuinte, já decidido na esfera judicial em que o STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. 13 – Quanto a aplicação dos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 o contribuinte insiste na discussão de sua inconstitucionalidade por mais que a decisão de piso tenha deixado claro que esse assunto foge à competência das autoridades administrativas de julgamento. 14 – Segue os termos do recurso nesse sentido: Argumentase no v. acórdão de I a instância que as alegações desenvolvidas pelo contribuinte acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das Fl. 705DF CARF MF 14 autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Porém, não se trata apenas da declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Que referido dispositivo é inconstitucional não se tenha dúvida. Cria uma ficção com a denominação de presunção ao instituir uma obrigação para o contribuinte contrária a todos os precedentes doutrinários, jurisprudenciais e legais que afirmam não serem os depósitos bancários indícios de rendimentos, nem sinais de riqueza. Não bastasse, obriga o contribuinte a se autoincriminar, pois dificilmente o mesmo terá sua movimentação bancária 100% documentada, e assim haverá lançamento com a conseqüente representação penal. É o confisco institucionalizado e o juízo de exceção instaurado. Considerando, assim, que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 representa uma ameaça aos institutos jurídicos, e às garantias constitucionais e legais conferidas aos contribuintes, o mínimo que se pede, e que se insere na competências das autoridades administrativas, é que a interpretação e aplicação do dispositivo legal esteja em sintonia com o ordenamento jurídico hierarquicamente superior, tão como atenda ao pensamento consolidado de que depósitos bancários não representam indícios de rendimentos omitidos. Não se pretende que a autoridade fiscal deixe de aplicar a lei, como chegou a comentar o julgador a quo, até porque é do conhecimento do recorrente que sua atividade é vinculada, mas sim, tão somente, que apliquea com olhos nos demais preceitos que compõem o ordenamento jurídico nacional. 15 – Ora, além de questionar a constitucionalidade da Lei, tangenciando o assunto apenas de forma genérica os argumentos trazidos pelo contribuinte em nada auxiliam para o deslinde da presente ação fiscal. 16 – O contribuinte não nega em nenhum momento que houve os depósitos em sua conta corrente, apenas traz razões argumentativas que na análise desse relator em nada auxilia para afastar a presunção legal contida nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 cujo ônus da prova é do contribuinte para elidila. 17 – As disposições do art. 42 da Lei 9.430/96 são claras no sentido de prever que a identificação de depósitos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, autoriza a Administração Tributária a constituir créditos tributários de Imposto de Renda, incidente sobre o valor total dos depósitos, configurada a presunção legal de omissão de rendimentos: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 700 15 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 18 Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, há de se ter em mente que o legislador, ao estabelecer a presunção de existência de receitas ou rendimentos omitidos a partir da apuração de depósitos de origem não identificada, oportuniza ao titular da conta em que encontrados os valores, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa. 19 Serve a presunção, assim, unicamente como técnica para aliviar o ônus probatório do fisco quanto à existência de receitas ou rendimentos omitidos, tornando praticável e garantindo a efetividade da legislação tributária, portanto, não há nenhuma ilegalidade quanto a questão arguida pelo recorrente em relação à não configuração de rendimento tributável. Portanto nada a prover nesse ponto. 20 – Quanto a argüição da nulidade do lançamento em decorrência da necessidade de mudança da base de cálculo tendo em vista a alegação de que o contribuinte não teve a oportunidade de provar a sua atividade rural, nada a prover tomando por razões de decidir os termos da decisão de piso que diz: Como se vê, o lançamento não é decorrente da simples transcrição dos extratos bancários, mas de criterioso e diligente trabalho investigativo efetuado pela autoridade fiscal, que intimou e reintimou a contribuinte a apresentar os extratos de suas contas bancárias e a documentação comprobatória da origem dos recursos depositados. À vista dos extratos de fls. 168 a 359, a autoridade fiscal apurou depósitos, nos anoscalendário 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, da ordem de R$2.401.709,67, R$3.645.362,52, R$503.911,52, R$62.271,90 e R$59.414,06, respectivamente, consolidados no demonstrativo de fl. 88. Encaminhou à contribuinte, juntamente com as planilhas de fls. 97 a 112, listando os créditos (depósitos), em cada mês e cada ano, em cada banco, através da Intimação Fiscal n° 88, de 12/03/2004 (v. fl. 87 e 8 8 ) , para a comprovação dos mesmos. A Fiscalização, mesmo sem que a contribuinte indicasse, tendo de um lado os valores das receitas da atividade rural escrituradas no livrocaixa em nome de seu marido e, de outro, os valores dos depósitos bancários em seu próprio nome, realizou cruzamento de dados e listou aqueles que eram coincidentes em data e valor, elaborando a planilha de fl. 37, na qual apurou depósitos com origem comprovada na atividade Fl. 707DF CARF MF 16 rural nos anocalendário 1999 e 2000, nos valores de R $ 6 6 . 7 4 5 , 4 4 e R$1.600,00, respectivamente. Como se pode inferir, o dispositivo legal que embasou o lançamento (Lei n° 9.430/1996), ao mesmo tempo em que define que a responsabilidade do fisco é tãosomente a de evidenciar a existência de depósitos bancários com origem não comprovada, determina que cabe ao contribuinte, para afastar a presunção, justificar, de forma minudente e individualizada, e por meio de documentos hábeis, os ingressos em suas contas bancárias. Ora, diante deste quadro legal, há que se reconhecer que a autoridade lançadora nada mais fez que subordinarse à lei: apenas aquilo que restou individualizadamente comprovado acabou acatado. É assim que a alegação da contribuinte de que valores incluídos em suas contas bancárias representariam quantias depois repassadas a terceiros, em razão da intermediação de negócios com suínos, não pode ser acatada pelo simples fato de que não está acompanhada de documentos que, de forma individualizada, identifique que depósito bancário está associado a que negócio em nome de terceiro. Tratase de meras alegações sem qualquer valor probante. Sem a prova específica, a presunção legal de omissão de rendimentos permanece incólume. Ressaltase que em se tratando de omissão de rendimentos, decorrente de depósitos bancários não justificados, o ônus da prova é do contribuinte. É necessário, portanto, que a impugnante apresente provas irrefutáveis que permita identificar o efetivo ingresso dos recursos a fim de serem excluídos do montante apurado. Dos créditos apurados foram descontados os correspondentes à atividade rural. A diferença, não comprovada pela contribuinte, após intimada e reintimada, com todo o empenho da autoridade fiscal, foi lançada, conforme determinação do art. 4 2 da Lei n° 9.430/1996. Ressaltese, por oportuno, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, regulador do processo administrativo fiscal, que dispõe: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (Grifos acrescidos) Esclareçase, por oportuno, que o fato das movimentações bancárias não gerarem acréscimo patrimonial na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte não significa que a omissão de rendimentos decorrente de depósitos sem origem comprovada não possa ser tributada. A variação patrimonial (§ I o do art. 3 o da Lei n° 7.713/1988) e os depósitos bancários (art. 42 da Lei n° Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 701 17 9.430/1996) são formas distintas de presunção de omissão de rendimentos e, portanto, não se confundem. Ressaltese, que o fato gerador e a base de cálculo do imposto de renda, como se viu, estão previstos em lei. A legislação vigente não prevê a tributação apenas da diferença entre o que o contribuinte recebeu durante o ano e tudo o que gastou, ou seja, apenas sobre as sobras. Se assim fosse, não pagaria imposto aquele que gastasse tudo o que percebesse, independente de valores. A impugnante equivocase, também, ao invocar o art. 148 do CTN, uma vez que não houve na ação fiscal em pauta arbitramento de valor ou preço de bens e direitos, mas sim apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação à Súmula 182 do extinto TFR, cabe esclarecer que se reporta a lançamentos efetuados com base em legislação anterior à Lei n° 9.430, de 1996, base legal do auto de infração ora analisado. Logo, não serve como parâmetro para balizar decisões a serem proferidas em face desta nova realidade jurídica. Sabendose que o principal objetivo do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 foi conferir base legal sólida para lançamentos alicerçados em depósitos bancários, não é possível equiparar lançamentos fundamentados nessa lei a outros anteriores a ela, e que foram invalidados exatamente pela inexistência da base legal que ela veio a outorgar. Cabe ressaltar, quanto ao art. 849 do RIR/1999, que tem por base o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ao contrário do alegado, determina claramente que a omissão de receita ou de rendimentos, determinada pelos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, com as exclusões previstas, é a própria base de cálculo do imposto. Equivocase a impugnante quando presume que a autoridade fiscal concluiu que os rendimentos omitidos provinham de sua atividade rural, ao contrário, a origem não foi comprovada por isso os depósitos foram lançados com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Quanto à alegação de que as atividades dos produtores rurais são semelhante à de firma individual, devendose lhe aplicar o art. 284 do RIR/99, que trata do arbitramento da receita por indícios de omissão na pessoa jurídica, cabe ressaltar, mais uma vez, que não houve nos presentes autos lançamento referente à atividade rural. A documentação referente a essa atividade foi integralmente aceita pela autoridade fiscal e considerada na declaração do marido da impugnante, conforme opção exercida pelo casal. A intermediação na venda de suínos entre terceiros, como bem sabe a impugnante, não é considerada atividade rural, e mesmo Fl. 709DF CARF MF 18 que comprovada a atividade, o que não foi, não equipara a contribuinte à pessoa jurídica. 21 – Pelo exposto acima, nada a prover. 22 – Quanto a multa de ofício qualificada e a decadência serão tratadas nesse momento. O contribuinte argui o afastamento da aplicação da multa de ofício qualificada por não estarem presentes os requisitos legais quanto a sua aplicação. 23 – Quanto a multa, entendo que cabe razão ao contribuinte, pois analisando os termos do relatório fiscal em que há a fundamentação para a qualificação da multa de ofício a autoridade lançadora assim discorre: 9. DAS PENALIDADES As penalidades aplicáveis estão previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O inciso II especifica em que circunstâncias seria aplicável a multa de 150%: "nos casos de evidente intuito de fraude". A respeito dessa matéria, a Lei n° 4.502, de 30/11/1964, mencionada no referido dispositivo, assim dispõe: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 702 19 Analisese, agora, o demonstrativo abaixo. Observase, de pronto, que a contribuinte, ao longo dos cinco anos examinados, omitiu de forma sistemática, ano após ano, mais de 75% de sua receita tributável, chegando a apresentar a expressiva omissão de 99,9% no ano de 1998. Apenas uma pequena parcela, que no cômputo geral representa apenas 0,7%, foi oferecida à tributação. Ao declarar como receita tributável somente parte de seus rendimentos, a contribuinte retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática desta omissão fez parte da rotina da contribuinte durante os anos examinados, o que evidencia que sua intenção sempre foi a de reduzir os tributos devidos. (...) omissis A conduta da contribuinte, evidenciada pelo demonstrativo acima, configura, em tese, intuito de fraude, não restando à Fiscalização outro caminho senão o de aplicar a multa qualificada de 150% sobre o tributo incidente, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. 24 – Verificase que o fundamento para a qualificação da multa foi a própria omissão do contribuinte, contudo, de acordo com os termos da Súmula CARF nº 25 descabe a qualificadora com base nesse fundamento, verbis: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Fl. 711DF CARF MF 20 25 – Portanto, com base na respectiva súmula, dou provimento ao recurso nesse tópico para afastar a qualificadora da multa e mantendo apenas a multa de ofício. 26 – Quanto a decadência, levanta a contribuinte a preliminar de decadência do prazo para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/06/1999, invocando o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 27 Afastando a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, seria aplicável os termos do art. 150§ 4º do CTN, contudo, verificando as DIRPF do exercício de 1999 ano calendário 1998 juntadas às fls. 46/49 não houve recolhimento de imposto a pagar e portanto, não podemos considerar que houve recolhimento antecipado na forma do § 4º do art. 150 do CTN. 28 – Nos demais anos às fls. 50/54 DIRPF 2000/1999 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 156,00, contudo não há comprovação de recolhimento e às fls. 55/58 DIRPF 2001/2000 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 72,12, contudo não há comprovação de recolhimento, e às fls. 59/62 DIRPF 2002/2001 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 72,12 e às fls. 63/68 DIRPF 2003/2002 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) sem valor de IR a pagar. 29 – No caso, não há comprovação de recolhimento do tributo, e mesmo que assim fosse, a contagem do prazo decadencial não seria mensal nesse caso a partir do fato gerador, mas apurada ao final do exercício, conforme interpretação da Súmula CARF nº 38, que assim diz: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). 30 – Pelo exposto, por mais que tenha ocorrido o afastamento do dolo, fraude ou simulação no presente caso, e mesmo com a aplicação do art. 150, § 4º do CTN vemos pela análise acima que o crédito do período anteriormente a 24/06/1999 arguido pela recorrente não se encontra decaído e portanto, afasto a decadência alegada. Conclusão Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 703 21 31 Diante do exposto, conheço do recurso para DARLHE parcial provimento apenas para excluir a qualificadora da multa de ofício aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720377/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 77 /2 01 0- 67 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 3 2 decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de não homologação da compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou a ocorrência de decadência e arguiu que a hipótese em que o crédito não poderia ser utilizado se restringiria àquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, hipótese essa não verificada no presente caso, razão pela qual o indeferimento era indevido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09055.806, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegou nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.364, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.720351/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.364): O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0955.793, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Preliminarmente o Contribuinte aduz pela nulidade da decisão por entender que a Manifestação de Inconformidade foi julgada em diversos Acórdãos, de mesmo teor, cada um referente a um processo administrativo, Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 4 3 violando o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como, o art. 59 do referido Decreto. O fato da Manifestação de Inconformidade contemplar treze processos administrativos e a autoridade administrativa ter proferido treze acórdãos sobre os PER/Dcomps, que estão sendo julgados a partir do presente processo na condição de paradigma, não implica em violação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que assim dispõe: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Assim considerado, nego provimento a preliminar por entender que não há nenhuma ofensa ao disposto no art. 31 citado e, com isso, não cabe a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 por preterição do direito de defesa como alegado pelo Contribuinte em seu recurso. O Contribuinte alega, ainda em preliminar, que como se trata de lançamento por homologação, ocorreu a decadência do direito da administração fiscal de recalcular as bases apuradas de acordo com o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim expressa (fls. 827 e 828): (...) Esta segunda preliminar foi bem enfrentada já na decisão ora recorrida e a cito como razões para decidir (fls. 810 e 811): A manifestante alega que “considerando que os fatos geradores dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação ocorreram nos anos de 2005 e 2006, o prazo decadencial para questionamento dessas apurações se encerrou em 2011, sendo vedado ao Fisco proceder, como fez, ao lançamento no ano de 2012, Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 5 4 buscando revolver as bases de créditos tributários gerados em 2005 e 2006. Assim, de rigor o reconhecimento da decadência dos tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado”. (grifei) Cumpre ressaltar que o presente processo trata da análise de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação transmitidos pela empresa, portanto, não há que se falar em decadência visto que nele não existe lançamento de crédito tributário. Os débitos que estão sendo cobrados, ou os tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado na fala da manifestante, são aqueles declarados pela empresa nas respectivas Dcomps, e assim são regulados pelos §§ 5º e 6º do art. 74 da Lei 9.430/96, cujo teor transcrevo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Portanto, como a decisão do Despacho decisório se deu antes de decorridos cinco anos da transmissão da Dcomp em questão, também não há que se falar em homologação tácita dos débitos nela declarados. Portanto, acerca desta preliminar, voto por negar provimento ao recurso. A questão de mérito diz respeito a possibilidade ou não de se apurar créditos no que tange ao PIS/COFINS referentes a despesas da atividade da recorrente, serviços prestados por terminais portuários, vinculadas à exportação de mercadorias. Neste sentido cito trecho do recurso para que se elucidem os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 830 e seguintes): (...) (...) Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 6 5 No que tange o mérito da questão, considero relevante trazer o entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido como forma de elucidar o entendimento da DRJ/JFA e que servem como razões para decidir (fls. 811 a 813): Como se vê no Relatório de Fiscalização que deu origem ao despacho decisório em análise, a autoridade fiscal analisou detalhadamente os créditos informados pela empresa no Dacon respectivo e apurou “créditos vinculados ao mercado interno MI, demonstrados no Anexo I, que decorreram dos custos e despesas necessárias à obtenção das receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, onde foi aplicado sobre os gastos comuns às receitas vinculadas ao mercado interno (Ml) e ao mercado externo (ME) o rateio proporcional descrito no item anterior”. Esses créditos não constam do PER analisado conforme esclarece o citado Relatório de Fiscalização: “Os saldos credores (vinculados ao mercado externo ME) utilizados nos pedidos de ressarcimento decorreram dos custos com serviços prestados pelas empresas TEAG Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá Ltda. e COSAN S/A Industria e Comércio, relativos a recepção, pesagem, análise, estocagem e carregamento do açúcar nos navios transportadores. Estes serviços estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, logo, não devem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições sociais por expressa vedação contida no art. 6º, § 4º e art. 15 da Lei n° 10.833/2003 e art. 21, § 2º da IN SRF n° 600/2005. Indevida, portanto, a utilização dos saldos nos referidos pedidos”. (grifei) Os citados arts. 6º e 15 da Lei n° 10.833/2003 estabelecem: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 7 6 Art. 6ºA COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2ºA pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3ºO disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9ºdo art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; A manifestante alega que “a hipótese em que o crédito não pode ser utilizado é aquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, sendo que a contribuinte não incorreu nessa hipótese, razão pela qual o indeferimento foi indevido”. A argumentação da empresa, carente de razoabilidade, não pode prosperar tendo em vista que o dispositivo legal é bastante claro ao afirmar que o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput. Que fim que está previsto nesse inciso? O fim específico de exportação. Ora, a empresa é comercial exportadora, nos termos DecretoLei n° 1.248/72 e os custos que deram origem aos supostos créditos, ora pleiteados, estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, como esclarece a autoridade fiscal. Assim, fica vedada a apuração e apropriação destes créditos pela empresa, como se constata da legislação acima transcrita. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela manutenção dos termos do Despacho Decisório. De fato, em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu recurso, entendo correto o processo de subsunção legal com a aplicação do disposto no art. 6º, inciso III e do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 845DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007553/2006-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL.
Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização.
No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização. No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 158 1 157 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.007553/200610 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.417 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI/ DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recorrente GRÁFICA A ÚNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização. No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 75 53 /2 00 6- 10 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 159 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do IPI, referente ao 2º trimestre de 2003, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade do imposto. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de "Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER" (fls. 01/20) de IPI, no valor de R$ 5.022,50, relativo ao 2° trimestre de 2003, transmitido em 14/01/2004, cujo crédito a contribuinte pretende compensar com débito da Cofins, conforme "Declaração de Compensação Eletrônica — DCOMP" às folhas 21/24, transmitida na mesma data. Encaminhado o processo para a realização de diligência, após anexação das folhas 25/73, o auditor apresentou suas conclusões no Termo de Informação Fiscal de folhas 74/88. Desta forma, foi proferido o Despacho Decisório de folha 91, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando a compensação. Em 24/01/2007 (Aviso de Recebimento — AR à folha 101), a contribuinte foi • cientificada do referido Despacho Decisório, apresentando em 22/02/2007 a Manifestação de Inconformidade de folhas 102/108, sendo essas as suas razões, em síntese: • Inicialmente, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos dos parágrafos 9° ao 11 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996; • A previsão legal para aplicação da taxa SELIC na compensação e restituição encontrase no § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, que em momento algum especifica que somente incidirá sobre a compensação de valores recolhidos indevidamente ou a maior; • A SELIC deve ser aplicada ante a demora da Receita Federal em apreciar o seu pedido de compensação, transcrevendo ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que entende corroborar seus argumentos. Em face da transferência de competência para julgamento prevista no anexo V da Portaria SRF n° 179, de 13 de fevereiro Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 160 3 de 2007, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento." Em seqüência, analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/01/2004 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento, por ausência de previsão legal. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 141/144), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando argumentos já apresentados. Posteriormente, em 09/03/2016, a recorrente apresentou petição (fl. 149/144) informando que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região teria proferido sentença favorável ao seu entendimento sobre o cabimento da correção pela taxa Selic no Mandato de Segurança nº 2001.83.00.0119305. Tal decisão, segundo a recorrente, teria sido mantida pelo Superior Tribunal de Justiça. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 161 4 A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao suposto direito à correção dos créditos escriturais de IPI pela taxa Selic, quando do seu pedido de ressarcimento. Com efeito, esta Turma já teve oportunidade de se pronunciar sobre o assunto em julgamento recentemente realizado em processo do mesmo contribuinte. Naquela oportunidade, o Acórdão 3002000.291, da lavra da I. Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/07/2004 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Nos termos da súmula 411 do STJ, é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Não é esta, contudo, a hipótese dos presentes autos, em que fora pleiteada a incidência da taxa SELIC desde a data de entrada do insumo até o momento da apresentação do processo. Como restou consignado no Acórdão citado, o Superior Tribunal de Justiça já manifestou entendimento no sentido de que não cabe a correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI por ausência de previsão legal, contudo, ocorrendo oposição estatal ilegítima à utilização desses créditos, nasce a necessidade da correção, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Tal tese jurídica foi esposada no julgamento do REsp 1.035. 847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 162 5 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Ademais, em decorrência da posição recorrentemente assentada naquela Corte Superior, foi editada a Súmula STJ nº 411, que possui a seguinte ementa: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Portanto, em se tratando de créditos escriturais de IPI, via de regra, não incide a correção monetária, contudo, existindo oposição ilegítima por parte do Estado à sua efetiva utilização pelo contribuinte, é devida a correção pela taxa Selic. No caso em tela, não se verifica tal oposição ilegítima por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em realidade, a ora recorrente pretendeu corrigir monetariamente seu crédito desde o momento da entrada dos insumos em seu estabelecimento, como se o Estado estivesse em mora desde sempre, isto é, o pleito se refere à correção monetária de créditos que somente se encontravam em sua escrituração contábil há época e, como já visto, por falta de previsão legal, não incide correção sobre créditos escriturais. A fim de se comprovar os limites da demanda, se transcreve excerto do Termo de Informação Fiscal (fl. 82): Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 163 6 "Antes de iniciar a demonstração da correta reconstituição da escrita fiscal do IPI, cabe destacar que o contribuinte indevidamente pleiteou em seus processos juros compensatórios, a título da taxa SELIC, como se tivesse havido restituição (nos casos de pagamento indevido ou a maior). O contribuinte, apesar de não ter se creditado de tais juros compensatórios na sua escrita fiscal, ao apresentar o processo incluiu tal acréscimo sobre o valor de cada crédito original, como se a Fazenda Nacional estivesse em mora com ele desde a data de entrada do insumo industrial." (grifo nosso) Dessa forma, impõese reconhecer indevida a correção pretendida e ratificar o Despacho Decisório da unidade de origem, assim como a decisão no Acórdão recorrido. Por fim, quanto ao noticiado posteriormente pela recorrente, a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região na ação mandamental nº 2001.83.00.0119305, não assiste razão à recorrente, pois o decisum daquela Corte em nada se opõe ao desenvolvimento lógicojurídico apresentado ao longo deste voto, como se comprova pelo trecho da respectiva ementa abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO, ISENTO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.779/99. BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A OPERAÇÕES ANTERIORES AO SEU ADVENTO E A SITUAÇÕES NÃO PREVISTAS EM SEUS DISPOSITIVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. RESSALVA DO ENTENDIMENTO PESSOAL DO RELATOR. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. (...) É devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériaprima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos. ......................................................................................................... (grifo nosso) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 164 7 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000481/00-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 01/06/1999
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF.
Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador.
Recurso especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-007.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.000481/0083 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.722 – 3ª Turma Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria PIS BASE DE CÁLCULO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAPRICHOSA TINTAS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 01/06/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador. Recurso especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 04 81 /0 0- 83 Fl. 928DF CARF MF Processo nº 15374.000481/0083 Acórdão n.º 9303007.722 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 888/893), admitido pelo despacho de fls. 896/898. Insurgese contra o Acórdão 3402004.188 (fls. 881/886), de 25/05/2017, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador. Recurso voluntário provido em parte. Em suma, o especial, nos termos do aresto paradigma 330100.191, entende que o lançamento, na parte provida, deve ser recalculado tendo como base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador sem correção monetária, e não ser cancelado, como restou decidido pelo aresto recorrido. Intimado do especial (fls. 901/903), o contribuinte quedouse silente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. O lançamento (fls. 556 e segs.), referente ao período de apuração 01/1995 a 06/1999, foi levado a efeito porque o contribuinte "não logrou comprovar na forma da legislação à época a que título foram efetuadas as exclusões da base de cálculo do PIS". Impugnado aquele, a DRJ RJ (fls. 651 e segs.), em 06/01/2005, manteve o mesmo sob o fundamento de que a contribuição para o PIS devida pelo comércio varejista de tinta (caso da autuada) devia ser apurada com base nos arts. 3º e 2º da MP nº 1.212/95 (de 03/96 até 02/96) e 3º da Lei 9.718, de 02/99 em diante, não se aplicando o regime de substituição tributária. Em recurso contra a decisão de piso, alegou a empresa que a fiscalização não tomou por base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, que a seu juízo mantevese incólume até a MP 1.215/95, passando então a ser o faturamento do próprio mês do fato gerador (fls. 708/709), colacionando jurisprudência nesse sentido. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 15374.000481/0083 Acórdão n.º 9303007.722 CSRFT3 Fl. 4 3 Em 03/09/2009, a então 4ª Turma do 2º CC (fls. 859/860) converteu o julgamento em diligência para que a unidade local da então RFB informasse "circunstanciadamente se a base de cálculo utilizada na exação foi o faturamento do mês do fato gerador ou aquele correspondente ao sexto mês anterior ao mês da ocorrência do fato gerador". A informação fiscal (fls. 875/876) assentou que "a base de cálculo utilizada no auto de infração se refere ao faturamento do mês do fato gerador", ocasião em que não levou a cabo qualquer retificação no lançamento. Em face de tal, o recorrido cancelou parcialmente o lançamento referente aos meses de 01/1995 a 02/1996, em julgamento do qual participei, e cuja decisão entendo que não merece reparos. O fato é que a decisão ao entender que o lançamento tomou como base imponível um valor contrário a legislação, que deveria ser o faturamento do sexto mês anterior sem correção monetária e não o do próprio mês do fato gerador, entendeu que o lançamento estava maculado e que no período referido deveria ser cancelado. Ora se a própria fiscalização reconheceu que o lançamento estava viciado em seu quantum debeatur, tendo, inclusive, oportunidade de retificálo quando da diligência, não vejo como o julgador possa substituir a fiscalização nesse mister. Se há vício deve ser sanado por quem tem competência para lançar e não por órgão julgadores. Demais disso, a r. decisão o fez com arrimo na Súmula 15 deste CARF, de natureza vinculante, cujo enunciado tem a seguinte dicção: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Em consequência, entendo que não merece reparos o recorrido. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 930DF CARF MF Processo nº 15374.000481/0083 Acórdão n.º 9303007.722 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901256/2016-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 12 56 /2 01 6- 87 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 3 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 37/46 dos autos: " DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 114601192, emitido eletronicamente em 10/05/2016, referente ao PER/DCOMP nº 21843.81950.271115.1.3.044010. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/12/2010, no valor de R$ 25.904,48. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: PRIMEIRA NULIDADE • O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 5.632,42 a título de multa. • A cobrança é improcedente por três razões: 1) não está prevista em Lei; 2) o valor cobrado está incorreto: q a multa está limitada a 20% do principal; q o principal é R$ 25.904,48; q 20 % de R$ 25.904,48 é igual a R$ 5.180,90, e não R$ 5.632,42;3) o despacho não traz a fundamentação legal da multa. 3) o despacho não traz a fundamentação legal da multa. SEGUNDA NULIDADE Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 4 3 O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 1.813,64 a título de juros § o termo inicial da contagem dos juros é a data da transmissão da DCOMP, 27/11/2015; § o termo final da contagem dos juros é da data do despacho decisório, 10/05/2016; § aplicandose a SELIC do referido período sobre o valor total de R$25.904,48, apurase juros em valor menor do que o exigido. MÉRITO • 1) O DARF estava disponível para ser compensado no sítio da própria Receita Federal. § Os sistemas de verificação impedem a transmissão da DCOMP quando o crédito não existe. § A DCOMP transmitida foi devidamente recepcionada. § Se a DCOMP transmitida foi aceita, o DARF estava disponível para compensação e o crédito é válido. • 2) O crédito decorre de pagamento a maior de COFINS. Isso se deu em virtude da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A exclusão do ICMS da base de cálculo é matéria analisada segundo o rito dos recursos repetitivos pelo STJ. • 3) O despacho deixou de indicar o dispositivo legal infringido. PEDIDO Diante do exposto, pedese posterior juntada de prova, anulação do despacho decisório e homologação do PER/DCOMP.". Resumindo, o contribuinte em 27/11/2015 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (21843.81950.271115.1.3.044010) (fls. 24/29) no valor de R$ 25.904,48. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 30). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 04/09) requerendo a nulidade do despacho decisório em virtude de vicio formal insanável um vez que "o próprio Despacho Decisório não traz em seu bojo o fundamento legal de tal exigência" bem como, a "suposta multa de mora ... traz valor a maior" ou seja, do valor de R$ 25.904,48 "vinte por cento disso dá o valor de R$ 5.180,89 e não o valor de R$ 5.632,42" prosseguiu argumentando que, "como o próprio Despacho Decisório de data de a 10 de maio de 2016, diz, a data inicial da contagem dos juros é a data de transmissão da DCOMP, novembro de 2015. A SELIC acumulada de novembro de 2015 a maio de 2016 é de 6,50%, conforme tabela da Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 5 4 Receita Federal que ora anexamos. Desta forma se pegarmos o principal R$ 25.904,48 e aplicarmos a SELIC do período, 6,50%, temos a quantia de R$ 1.683,79 e não a quantia do Despacho Decisório, que é de R$ 1.813,64." A DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº 0273.584 (fls. 37/46) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte e indeferiu o pedido de posterior juntada, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar as compensações do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 52/65) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa e, ainda, em razão da infringência ao art. 142 do CTN e b) "porque tratase de pagamento indevido de COFINS, uma vez que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a inclusão do ICMS base de cálculo da COFINS.". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, "in verbis": "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 6 5 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.)." Alega o contribuinte que "há, no presente caso, preterição do direito de defesa, ensejando a anulação do Despacho Decisório" tendo em vista que não lhe foi dado oportunidade de autoregularização na análise do PER/DCOMP. Não é esta, porém, a conclusão que eu chego na análise da presente demanda. Isso porque, é dever do contribuinte demonstrar qual a origem do recolhimento indevido para se valer da compensação. Entretanto, se houver discordância da análise preliminar disponibilizada e a retificação não for cabível, o contribuinte não deve, como resposta à oportunidade de autorregularização, apresentar justificativas ou documentos comprobatórios, devendo sim aguardar o recebimento do despacho decisório e, dentro do prazo legal, poderá, então, apresentar manifestação de inconformidade instruída com os documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Portanto inocorreu o alegado cerceamento de defesa eis que, ao contrário do que aduz, o contribuinte teve toda a oportunidade no curso do presente processo administrativo para demonstrar a origem, quantificação e liquidez e certeza do crédito restituendo, com as respectivas retificações nos autolançamentos anteriores, até agora não demonstrados. Já em relação à nulidade em razão da infringência ao art. 142 do CTN como alegado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, ou seja, afirmando que "desta forma vemos que, para que haja a legítima cobrança de tributos, é necessária a clara descrição dos fatos e da disposição legal infringida". Pois, bem, notese que no despacho decisório (fls. 30) a fiscalização foi explicita e dispôs de forma clara o enquadramento legal nos seguintes termos: "Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.". Sendo assim, entendo que não assiste razão as alegações feitas pelo contribuinte. Dessa forma, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados, ou seja, "o sujeito passivo vinculou ao débito declarado o DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado." e, ainda, por fim, "a apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 7 6 ciência do Despacho Decisório, também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior." Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Assim, embora não se ignore os efeitos da recente declaração de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS pelo STF (RE n. 574706) que, em tese podem aproveitar ao contribuinte, também não se pode ignorar que estes efeitos somente se viabilizam mediante a demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo cujo ônus incumbe ao contribuinte (art. 170 do CTN c/c art. 373, I do CPC), inocorrente no caso concreto Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 8 7 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001401/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 01 /2 00 6- 38 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16327.001401/200638 Acórdão n.º 1402003.532 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16327.001401/200638 Acórdão n.º 1402003.532 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 338DF CARF MF
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