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Numero do processo: 13888.903439/2015-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 39 /2 01 5- 94 Fl. 213DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903439/201594 Acórdão n.º 1302003.267 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 215DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.903439/201594 Acórdão n.º 1302003.267 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 217DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.903439/201594 Acórdão n.º 1302003.267 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 219DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.903439/201594 Acórdão n.º 1302003.267 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 221DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.903439/201594 Acórdão n.º 1302003.267 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 223DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
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Numero do processo: 13020.720169/2016-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informe se o responsável pela emissão do laudo se amolda ao inciso I do artigo 3º da IN RFB nº 988/2009.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO Recorrente CLAUDIO JOAO RECHE Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informe se o responsável pela emissão do laudo se amolda ao inciso I do artigo 3º da IN RFB nº 988/2009. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório A pessoa física interessada em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI na RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 20 .7 20 16 9/ 20 16 -6 9 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13020.720169/201669 Resolução nº 3302000.914 S3C3T2 Fl. 3 2 aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei n° 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 30/32, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Veranópolis RS indeferiu o pedido, tendo em vista que nos laudos apresentados, não há descrição de qualquer deficiência passível de enquadramento na legislação de regência Regularmente cientificada (fl. 43), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 36), por meio da qual alegou que a artrose de joelho (prótese total), em seu entendimento, conforme a legislação, tem direito à isenção do imposto. Em 5 de janeiro de 2017, através do Acórdão de Impugnação n° 1463.490, a 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Entendeu a Turma que: ü Como visto, a razão do indeferimento foi a falta de verossimilhança entre a deficiência apontada no laudo médico e aquelas arroladas na Lei n° 8.989, de 1995, art. 1°, IV e § 1°, alterada pela Lei n° 10.690, de 16 de junho de 2003. ü Em sede recurso, veio a interessada protestar contra o indeferimento de seu pleito, por entender que seu quadro de deficiências pode ser enquadrado nas hipóteses legais ensejadoras do favor fiscal pleiteado. ü A apreciação do pleito da interessada materializa atividade de natureza plenamente vinculada, isto é, conformase num ato administrativo da autoridade competente com total sujeição aos estritos dispositivos da legislação que rege a matéria sob análise, deles não se podendo, sob pena de responsabilidade, afastar, desviar, estender ou inovar. ü Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), art. 111 e seu inciso II, determina expressamente a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. E esta vinculação, por óbvio, também se aplica a esta autoridade julgadora. ü Portanto, atuando sob o império da lei, devem mesmo ser zelosas as autoridades administrativas, especialmente diante de casos de renúncia fiscal, porque agem em nome do difuso e indisponível interesse público. O Sr. CLAUDIO JOAO RECHE foi cientificado do Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 31/01/2017, via Aviso de Recebimento, folhas 57. O Sr. CLAUDIO JOAO RECHE ingressou com Recurso Voluntário em 22/02/2017, folhas 58 e 59. Foi alegado que: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13020.720169/201669 Resolução nº 3302000.914 S3C3T2 Fl. 4 3 ü Em razão ao indeferimento do pedido por esse órgão, manifesto minha discordância, por se tratar de deficiência física em membros inferiores, (prótese de joelho), conforme descrito no próprio laudo de avaliação fornecido pela receita, que diz resulta em dificuldade para o desempenho das funções, representando perda ou anormalidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano, ainda que de forma parcial. ü Tendo em vista, o direito de interposição, encaminho, novo laudo médico para análise do caso. O laudo médico é anexado às folhas 59. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 31 de janeiro de 2017, via Aviso de Recebimento, às folhas 57. O recurso voluntário foi apresentado em 22 de fevereiro de 2017, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. ü Comprovar a verossimilhança entre a deficiência apontada no laudo médico e aquelas arroladas na Lei n° 8.989, de 1995, art. 1°, IV e § 1°, alterada pela Lei n° 10.690, de 16 de junho de 2003. Passase à análise. Assim dispunha o artigo 3o da IN SRF 988/2009, vigente à época: CAPÍTULO II DOS REQUISITOS PARA HABILITAÇÃO AO BENEFÍCIO Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, formulário de requerimento, conforme modelo constante do Anexo I, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13020.720169/201669 Resolução nº 3302000.914 S3C3T2 Fl. 5 4 acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da RFB de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat): I Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS); Convém lembrar que o processo administrativo é regido pelo princípio inquisitivo. O princípio inquisitivo caracterizase pela liberdade da iniciativa conferida ao julgador, tanto na instauração da relação processual como no seu desenvolvimento, para que possa assim descobrir a verdade real dos fatos independente da partes e suas vontades. Humberto Theodoro Júnior enfatiza – Caracterizase o princípio inquisitivo pela liberdade da iniciativa conferida ao juiz, tanto na instauração da relação processual como no seu desenvolvimento. Por todos os meios a seu alcance, o julgador procura descobrir a verdade real, independentemente de iniciativa ou a colaboração das partes. (in THEODORO JÚNIOR, Humberto, Curso de Direito Processual Civil, volume I, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2001). Por isso, resolvese baixar os presentes autos em diligência para que a autoridade preparadora verifique se aquele que emitiu o Laudo de Avaliação se enquadra em uma das situações especificadas no inciso I, do artigo 3o da IN SRF 988/2009. Findada a instrução, INTIMESE a parte interessada para ser concedido prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, em atenção ao art. 28 da Lei No. 9.784/99 c/c art. 35, Parágrafo ùnico do Decreto 7.574/2011, em face do princípio do contraditório. Jorge Lima Abud Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.902770/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 77 0/ 20 08 -4 8 Fl. 1151DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.152 ___________ Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, em 14.08.2009, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a não homologação parcial da compensação referente a crédito do IPI. Os autos já foram objeto de análise por esse Conselho, que converteu o julgamento do recurso em Diligência, através da 1ª Turma Especial, da Terceira Seção, nos seguintes termos: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar se houve o pagamento em duplicidade dos valores afirmados; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Isto porque, conforme restou consignado no Recurso Voluntário e destacado no relatório e no voto condutor da Resolução, (...) Alega a recorrente que os créditos se, por um lado, teve os créditos por ela compensados reduzidos, por outro lado também teve, por ocasião da recomposição da apuração do IPI realizada no AI n° 15586.001512/200892, mantido intactos os débitos vinculados aos créditos não homologados. Agravase ao fato que a recorrente procedeu o pagamento do débito por meio do direito conferido na MP n° 470/09, do débito tributário que deixou de ser recolhido em função da utilização do crédito presumido de IPI. Assim, incluiu todos os débitos apurados no AI n° 15586.001512/2008 92 na anistia e desistiu da discussão administrativa. Conforme relatado, na decisão proferida pela DRJ/JFA, tornou imperativa a análise da dita duplicidade, assim determinando: "Na análise do auto de infração mencionado será verificada a ocorrência da mencionada duplicidade, sendo necessário que o julgamento dos pedidos de ressarcimento ocorra a priori" (fls. 425). Relata a Recorrente tal situação decorreu do fato de que o AI n° 15586.001512/200892 e a Manifestação de Inconformidade foram julgados em 28.08.2009, mas a Recorrente foi cientificada das decisões apenas em 18.01.2010, ou seja, quase quatro meses após a prolação dos acórdãos. Desconhecendo o teor das decisões, em 26.11.2009 a Recorrente desistiu da defesa apresentada no AI n° 15586.001512/200892 e quitou todos os débitos lançados. Relata ainda que em função das datas dos acontecimentos, o Fisco reconheceu a "duplicidade" no AI n° 15586.001512/200892 e não no presente processo. Notase do exposto, que a matéria exige esclarecimento, dado que houve quitação do débito, transcurso temporal diverso entre as manifestações e defesas, bem como permanece a dúvida sobre o procedimento fiscal de reconstituição da escrita fiscal, onde por um lado a Recorrente teve os créditos por ela compensados reduzidos e por outro lado, os débitos vinculados mantidos intacto. Desse modo, caberia questionar sobre o montante final do débito a ser considerado. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 10783.902770/200848 Resolução nº 3401001.583 S3C4T1 Fl. 1.153 3 Em cumprimento à diligência, a chefe da Equipe de Parcelamento proferiu despacho informando o seguinte: Os processos em referência foram encaminhados à DRF/BHE/SECAT/Eqpar para que seja esclarecido se no processo 11962.000397/200924 (MP 470/2009) estão consolidados os valores constantes do processo 15586.001512/200892. A análise do parcelamento previsto na MP 470/2009 ficou a cargo de um Grupo de Trabalho criado especificamente para essa finalidade, não tendo a Equipe de Parcelamento participado. No entanto, em consulta ao Despacho emitido por esse Grupo de Trabalho, verificouse que a decisão final relacionada ao pedido da empresa CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A depende da conclusão do julgamento do processo 15586.001512/200892 pelo CARF. Em consulta ao SIEF, nessa data, verificouse que esse processo ainda está em julgamento. Em relação ao processo 15586.001512/200892, o Despacho Decisório do GT MP 470/2009 definiu que: – Caso o CARF modifique o julgamento da DRJ e confirme que os débitos do processo 15586.001512/200892 são devidos, o contribuinte, por ter solicitado sua consolidação nos termos da MP 470/2009, disporá de 30 dias após a intimação de cobrança para recolher a diferença apurada (R$ 52.248,79, em 11/2009) corrigida pela SELIC acumulada até a data de pagamento (CENÁRIO 1 DA MEMÓRIA DE CÁLCULO) – Caso o CARF confirme a exoneração dos valores, ratificando assim a decisão da DRJ, o processo 15586.001512/200892 não entra na consolidação da MP 470/2009, por ter sido exonerado. Por outro lado, o processo 15586.001512/200892, com a adesão do contribuinte ao parcelamento criado pela Medida Provisória 470/2009, teve julgamento terminativo favorável à Fazenda Nacional, em razão da desistência do litígio pelo contribuinte, tal como restou ementado quando do julgamento do recurso da Procuradoria (Acórdão 9303005.292), em 22.06.2017: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/07/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. EFEITOS. O pedido de desistência total do sujeito passivo, formulado em qualquer etapa processual, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, implica a extinção ex tunc do litígio, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Após manifestação da Recorrente, em que sustenta que não haver mais dúvidas com relação à cobrança em duplicidade do tributo (auto de infração nº 15586.001512/200892 vs. Manifestações de inconformidade nº’s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892), e já quitado à vista em parcelamento, os autos retornaram ao CARF para seguir a julgamento; onde foi distribuído a mim para relatar. É o relatório. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 10783.902770/200848 Resolução nº 3401001.583 S3C4T1 Fl. 1.154 4 VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de forma que lhe tomo conhecimento. Do Mérito Tal como se verifica da leitura das conclusões do Grupo de Trabalho responsável pela consolidação manual dos débitos no âmbito da anistia da MP 470/09, foi confirmado que os débitos controlados pelo PTA nº 15586.001512/200892 foram incluídos na anistia. Como a Câmara Superior de Recursos Fiscais homologou a desistência da Recorrente naquele caso, quando do julgamento do Recurso Especial da Procuradoria, os débitos naquele processo são plenamente e devidos e, diante do parcelamento com liquidação à vista, foram tipo como pagos. Assim, tendo em vista a coincidência fática entre os aludidos pedidos de compensação (que originaram os PTA´s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892) que vieram a ser indeferidos pelas mesmas razões que o auto de infração consignado no PTA 15586.001512/200892 – concidência inclusive reconhecida pela próprio DRJ – há de se arrastar as conclusões e efeitos do processo de lançamento de ofício aos processos que versam sobre as compensações negadas. Desta feita, devese reconhecer que houve cobrança em duplicidade dos valores controlados pelo presente processo, em comparação aos valores lançados no PTA 15586.001512/200892 (Auto de Infração); valores estes que, em razão da decisão terminativa pela CSRF e da respectiva liquidação durante o programa de parcelamento, deverão ser conciliados e excluídos dos valores lançados por conta do despacho decisório. Todavia, tendo em vista o término do julgamento do PTA 15586.001512/2008 92 (Auto de Infração), e em virtude de a diligência não esclarecer efetivamente se os valores que ali foram quitados em função da anistia guardavam relação com os montantes discutidos na compensação. Pelo exposto, sugiro nova conversão em diligência para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 1154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012785/2006-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.012785/200617 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.771 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria ESTIMATIVA MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VALLOUREC MINERACAO LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplicase a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/200615, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 85 /2 00 6- 17 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10680.012785/200617 Acórdão n.º 9101003.771 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face de decisão recorrida, para devolver a apreciação da matéria "afastamento da multa isolada de estimativas mensais aplicada ao mesmo tempo que a multa de ofício", relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2002. Despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10508.000384/200615, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.762, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10508.000384/200615. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.762: (...) Quanto ao mérito, como já dito, a matéria devolvida, multa isolada por insuficiência de recolhimento estimativa mensal com imputação ao mesmo tempo que a multa de ofício, em ano calendário anterior a 2007, encontrase resolvida pela Súmula nº 105 do CARF: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (...) Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10680.012785/200617 Acórdão n.º 9101003.771 CSRFT1 Fl. 4 3 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000789/2004-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual.
MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2002-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para cancelar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 07 89 /2 00 4- 67 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10380.000789/200467 Acórdão n.º 2002000.514 S2C0T2 Fl. 78 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 13/20) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2000, onde se apurou: Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Pensão Alimentícia. Em vista da impugnação apresentada pela contribuinte (efls. 07/09), a 1ª Turma da DRJ/FOR julgou o lançamento procedente conforme decisão assim ementada (efls. 35/45): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os rendimentos pagos por anistiados politicos a terceiros, a titulo de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, não têm a natureza de rendimentos isentos. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO INCORRETA. A incorreta informação prestada pela pessoa jurídica incumbida de efetuar o pagamento da pensão alimentícia não exime o contribuinte da obrigação de tributar, na Declaração de Ajuste Anual, rendimentos para os quais não há expressa previsão legal de isenção, porquanto o contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. Cientificado do acórdão de impugnação em 24/10/2007 (efls. 53), a contribuinte ingressou com recurso voluntário em 21/11/2007 (efls. 55/63) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega que recebia, à época, pensão alimentícia de seu exconsorte, Sr. Elísio Ribeiro, tendo como órgão pagador o INSS, o qual costumeiramente remetia para sua residência o comprovante de rendimentos correspondente. Expõe que o comprovante anexado indica textualmente que se trata de aposentadoria de anistiado e que os rendimentos são isentos e não tributáveis, decorrentes de pensão, proventos ou reforma. Entende, portanto, que essa pensão não deve mais ser tributada, uma vez que o imposto já fora descontado na fonte. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10380.000789/200467 Acórdão n.º 2002000.514 S2C0T2 Fl. 79 3 Solicita a realização de perícia para que o INSS forneça os comprovantes de retenção na fonte e informa que nomeará um perito de sua confiança para acompanhar o perito oficial. Defende que, como já foi tributada na fonte, não poderia ser cobrada no ajuste da declaração, pois isso representaria um atentado ao princípio do bis in idem. Sustenta que não foi apreciada pelos julgadores de primeiro grau a regra de que os idosos acima de 65 anos têm direito a uma isenção adicional do Imposto de Renda, definida a cada ano pela Receita Federal. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cabe esclarecer à contribuinte que os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia estão sujeitos ao recolhimento mensal (carnêleão) e à tributação na Declaração de Ajuste Anual, independentemente de já terem sido tributados na fonte, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Dessa forma, apenas com a Declaração de Ajuste Anual o imposto se torna definitivo, podendo a autoridade administrativa aceitar os dados fornecidos pelo declarante ou, com base neles, exigir eventual diferença de tributo. Cumpre ressaltar que a Lei nº 8.134/90, ao atribuir à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda à medida que os rendimentos são percebidos, determinou que a apuração definitiva do tributo fosse efetuada na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. Tratase de fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração, em momentos distintos e com responsabilidades bem definidas. Em um primeiro momento ocorre a retenção e o recolhimento do imposto de renda, que é de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora. O tributo é calculado mensalmente à medida que os rendimentos são percebidos e consiste em mera antecipação do imposto efetivamente devido pelo contribuinte. Em um segundo momento procedese ao acerto definitivo do imposto, apurado anualmente na declaração de ajuste sob inteira responsabilidade do beneficiário dos rendimentos. Assim, equivocase a recorrente ao entender que a retenção de imposto de renda efetuada pela fonte pagadora a exime da responsabilidade de informar corretamente em sua Declaração de Ajuste Anual os rendimentos tributáveis dela recebidos. Quanto à isenção pleiteada, impõese observar que os valores pagos a anistiados políticos a título de indenização, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada, inclusive aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza, são, de fato, isentos do Imposto sobre a Renda, nos termos do art. 9º, parágrafo único, da Lei 10.559/02 e do Decreto 4.897/03. Não obstante, por falta de previsão legal, tal isenção não se estende ao beneficiário de pensão alimentícia paga através desses rendimentos, devendo ser Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10380.000789/200467 Acórdão n.º 2002000.514 S2C0T2 Fl. 80 4 mantida, portanto, a omissão apurada no lançamento. Vale lembrar que o art. 111 do CTN determina a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Por outro lado, diante do erro cometido pela fonte pagadora ao classificar os rendimentos como isentos/não tributáveis, deve ser cancelada a multa de ofício aplicada, conforme disposto na Súmula CARF nº 73 abaixo reproduzida: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Quanto à isenção para idosos acima de 65 anos, devese esclarecer à recorrente que esta só abrange os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, nos termos do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, não se aplicando, portanto, aos rendimentos recebidos à titulo de pensão alimentícia. Por fim, entendo que já constam dos autos todos os elementos necessários à solução do presente litígio, mostrandose desnecessária a realização da perícia solicitada pelo recorrente. Ademais, importa salientar que, de acordo com o art. 16 do Decreto 70.235/72, o pedido de perícia deve constar da impugnação apresentada pelo sujeito passivo e deve conter os motivos que a justifique e os quesitos referentes aos exames desejados, além do nome, do endereço e da qualificação profissional de seu perito, o que não se verifica no presente caso. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para cancelar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003448/2006-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 SUPOSTA RESTITUIÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A isenção aplicável aos proventos da aposentadoria ou pensão, recebidos por portadores de moléstia grave, requer a prova da condição de aposentado, em relação à fonte pagadora; bem como a prova da moléstia grave, atestada em laudo médico oficial que preencha todos os requisitos exigidos pela legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 34 48 /2 00 6- 83 Fl. 53DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio do qual formalizouse a cobrança da restituição indevida a devolver de R$ 1.488,43. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que é portadora de moléstia grave, estando isenta de imposto de renda desde janeiro de 2004, conforme documentos em anexo A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda desde janeiro de 2004, eis que o laudo estaria datado apenas em 2005, sem indicação de doença anterior. Portanto apenas parte do ano de 2005 estaria a contribuinte isenta. Ademais, entende que a cobrança da restituição indevida a devolver não pode prosperar, uma vez que a contribuinte, ao apresentar sua DIRPF simplificada original (fls.23/25), já ofereceu à tributação corretamente os rendimentos recebidos, inclusive, com a dedução do imposto de renda retido na fonte. Assim sendo, vota por considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento, para modificar a restituição indevida a devolver de R$ 1.488,43 (fl. 02) para saldo de imposto a restituir de R$ 2.369,15 (= R$ 3.857,58 R$ 1.488,43), com os devidos acréscimos legais. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação, no entanto junta documento emitido pela superintendência de saúde do serviço médico estadual, ratificando o quanto alegado pela contribuinte, ou seja, de que a moléstia grave, cegueira, restou comprovada desde janeiro de 2004.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito do direito a isenção por moléstia grave Consoante art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88A, a qual altera a legislação do imposto de renda e dá outras providência, são seguintes as hipóteses de isenção do imposto sobre a renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13706.003448/200683 Acórdão n.º 2001000.801 S2C0T1 Fl. 3 3 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaque nosso) Noutro giro, de acordo com os termos do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN, a legislação tributária que trata de isenção de imposto de renda deve ser interpretada literalmente. Senão vejamos: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Como se vê, pelos dispositivos transcritos, para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão ou ainda de complementação de aposentadoria e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, comprovada por laudo pericial emitido por médico integrante do Serviço Médico Oficial, inclusive devendo ser identificado no laudo, o n.º de registro do profissional no órgão público. Sustenta a DRJ que a contribuinte não teria direito a isenção no ano inteiro calendário de 2005 eis que o laudo foi datado de agosto de 2005 e não havia informação no mesmo de que a doença teria de manifestado anteriormente. Ocorre que em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte documento emitido pela secretaria de saúde municipal onde deixa claro que a servidora CELIA LEMOS NOGUEIRA, matrícula n°61.8868, é portadora de patologia elencada na Lei número 7.713/88 desde 21.01.2004 em consonância com os laudos e exames anexados ao prontuário. Merece trazer à baila apenas a título de reflexão jurídica, a importância do princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, Fl. 55DF CARF MF 4 oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se nos fatos e argumentos acima expostos, entendo que deve dado provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito a isenção do Imposto de Renda por ser a contribuinte portadora de moléstia grave comprovada desde janeiro de 2004. Salientese que deve ser feito o recálculo do imposto de renda a restituir considerando , além do que foi provido no órgão a quo, a isenção para todo o ano de 2005, tudo devidamente atualizado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para considerar a contribuinte como portadora de moléstia grave e por conseqüência, reconhecer a sua isenção para fins de imposto de renda desde janeiro de 2004. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13706.003448/200683 Acórdão n.º 2001000.801 S2C0T1 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913813/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1220; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.913813/201255 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.677 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente M.I. MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 3/ 20 12 -5 5 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.677 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.677 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.677 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720423/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO.
Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal.
Numero da decisão: 3401-005.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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DIREITO AO CRÉDITO. Devem ser reconhecidos os créditos vinculados ao óleo diesel, gasolina e propeno grau polímero cujo pagamento a maior restou comprovado por meio dos espelhos das notas fiscais, no montante reconhecido em diligência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 23 /2 00 7- 14 Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.430 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório, situado à fl. 111, proferido com base no Parecer Conclusivo nº 21/2010 situado às fls. 103 a 110, que não homologou pedido de restituição e compensação referente a pagamento a maior de Cofins, código de retenção 2172, referente ao período de apuração compreendido entre 01/11/2003 a 30/11/2003, no valor de R$ 104.746,38, com o qual pleiteia compensar débito também de Cofins, código 6840, referente ao período de apuração de agosto de 2005, com base nos seguintes fundamentos: a) O contribuinte retificou a DCTF alterando o valor da Cofins devida sob o código 2172 para o período em questão e incluindo a compensação com a CIDE. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ. Consta recolhimento de R$ 32.509.487,76 referente a este código. Foi formalizada Dcomp para compensação de Cofins paga a maior referente a este p.a., sob o código 6840, controlada no processo 10768.720173/200712; b) O processo foi encaminhado à DIPAC/DEFIC/RJO para realização de diligência visando esclarecer o efetivo valor da Cofins devida e verificar a procedência do valor da CIDE. O resultado consta do relatório às fls. 69/78; c) Em virtude de divergências entre o relatório deste processo e o do processo/ n° 10768.720173/200712 relativo à Cofins, código 6840 do mesmo período de apuração, houve uma revisão das diligências anteriores e exarado o relatório fiscal complementar às fls. 96/102; d) O relatório conclui que, após revisão das diligências, o valor a pagar, código 2172, foi retificado para R$ 84.208.925,40 e código 6840 para R$ 621.300.766,06. A dedução da CIDE admitida foi a informada pelo contribuinte em DCTF; e) No Parecer foram efetuados, ainda, alguns ajustes. A alteração relativa ao valor das "vendas canceladas e descontos incondicionais" não será acatada, posto que não se verificou a duplicidade de exclusão apontada no relatório fiscal; f) O valor declarado na linha 19 da ficha 26 A foi retificado em virtude da alteração no valor da receita de venda de GLP e uma vez que não serão consideradas as deduções indicadas pelo contribuinte referentes a "liminares impetradas", tanto para a receita da venda de gasolina quanto de óleo diesel, admitidas no relatório fiscal, posto que não há na legislação da Cofins qualquer autorização para efetuar tal exclusão. Havendo discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e, na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Assim sendo, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para incluir na base de cálculo da Cofins sujeita a Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.431 3 alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído, bem como para retificar o valor da receita de venda de GLP; g) A receita de exportação foi alterada para o valor declarado na planilha apresentada pelo contribuinte; h) A soma das receitas de venda e revenda no mercado interno foram alterados para os valores constantes da planilha do contribuinte; i) As receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero foram consideradas pelo valor informado no 2o relatório fiscal; j) O valor de "outras receitas" será o indicado no 2o relatório fiscal; k) O valor das vendas canceladas, descontos e devoluções de venda foi considerado pelo indicado na DIPJ, coincidente com a planilha de fl. 64; 1) A dedução referente à venda de produtos sujeitos à alíquotas diferenciadas foi considerada pelo valor líquido para evitar duplicidade de dedução; m) Após as retificações demonstradas em fls. 109 e considerando os pagamentos constantes do sistema SINAL 07, concluise que, ainda que se considere a parcela quitada por compensação como indicado em DCTF, não há que se falar em pagamento a maior, posto que os pagamentos e compensações não são suficientes para quitar o correspondente débito apurado, seja referente ao código 2172, seja referente ao código 6840" (seleção e grifos nossos). 2. A contribuinte apresentou, em 08/10/2010, manifestação de inconformidade, situada às fls. 117 a 130, na qual argumentou, em síntese, que: (i) no que tange à gasolina, não foram consideradas as deduções do produto 623 (gasolina de aviação), tributada à alíquota de 3% (art. 4o, incisos I c/c IV da Lei 9.718/98), assim como não foram consideradas as deduções de venda para empresas com liminares que garantem a suspensão da Cofins; (ii) no que tange ao Diesel, não foram consideradas as deduções de venda para empresas com liminares; (iii) no que tange ao GLP, não foi deduzido o valor relativo ao propano/butano; (iv) a liminar existente ampara a empresa no sentido de que ao vender o produto não possa fazer incidir sobre o preço o quantum relativo à COFINS, justamente por se discutir no bojo dessas ações se este tributo não seria devido; (v) a discussão judicial torna o fato gerador da COFINS em fato condicional, tendo em vista que a concretização do fato gerador está condicionada a uma decisão definitiva em âmbito judicial; (vi) as exportações e as receitas isentas ou sujeitas à alíquota zero estão de acordo com o parecer da Receita; (vii) como não houve desconformidade em relação às outras receitas, não há comentários a tecer; (viii) apresenta demonstrativo da Cofins a pagar; (ix) por fim, requer seja declarada legítima e homologada a compensação efetuada e protesta pela juntada posterior de documentos complementares necessários à presente defesa. Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.432 4 3. Em 23/02/2011, a 5ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) proferiu o Acórdão DRJ nº 1333.538, situado às fls. 208 a 220, de relatoria da AuditoraFiscal Andréa Paula de Morais Machado, que entendeu, por maioria de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, vencido o AuditorFiscal Nilson Galdino de Queiroz Júnior, que entendeu correta a inclusão dos valores registrados a título de outras receitas na base de cálculo da contribuição apurada. 4. A contribuinte, intimada via postal da decisão em 11/10/2011, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 231, interpôs, em 07/11/2011, em conformidade com o carimbo aposto à fl. 232, recurso voluntário, situado às fls. 232 a 243, no qual reiterou as razões de sua impugnação manifestação de inconformidade com relação a: (i) dedução da base de cálculo da COFINS relativa às vendas de combustíveis decorrentes de liminares judiciais (gasolina óleo diesel); (ii) não aplicação de alíquota geral relativa à COFINS sobre vendas de propeno grau polímero (produto 614), excluído da base de cálculo das vendas e GLP (alíquota específica) e (iii) exclusão da base de cálculo das vendas de gasolina de aviação da alíquota específica e aplicação de alíquota geral da COFINS. 5. Em sessão de 26/02/2007, foi proferida a Resolução CARF nº 3203 000.424, de redatoria do Conselheiro Domingos de Sá Filho, que houve por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade apurasse a base de cálculo por meio do exame dos documentos colecionados nos autos e diante da comprovação da existência de liminares relativas às vendas de gasolina e diesel para dela excluir as receitas provenientes da comercialização de (i) Gasolina de Aviação (exclusão da base de cálculo das vendas de gasolina – alíquota específica); (ii) produto 614 propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial; (iii) óleo diesel, tributação monofásica; e (iv) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). 6. Em 17/07/2017, a Equipe Fiscal 4 da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes da Superintendência Regional da 7ª Região Fiscal proferiu o relatório de diligência fiscal Diort/DemacRJO/SRRF07, situado às fls. 1.358 a 1.367, que concluiu restar "(...) pagamento a menor de Cofins 2172 relativo à competência de novembro de 2003, no valor de R$ 771.254,88". 7. A contribuinte, intimada em 09/08/2017, apresentou, em 08/09/2017, "contrarrazões" ao relatório fiscal, peça situada às fls. 4.754 a 4.758, ora recebida como manifestação sobre o resultado da diligência efetuada, na qual requereu o sobrestamento do presente feito até o ulterior julgamento definitivo do Processo Administrativo nº 10768.720173/200712, que discute Cofins, Código de Recolhimento 6840, ante a interferência relatada em diligência fiscal sobre a composição da base de cálculo da Cofins. É o Relatório. Voto Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.433 5 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. A questão devolvida ao conhecimento deste colegiado se volta à composição da base de cálculo e, mais especificamente, a respeito da inclusão ou não da (i) gasolina de aviação, (ii) propeno grau polímero, (iii) óleo diesel e (iv) vendas efetuadas para empresas detentoras de liminares (gasolina e diesel), tendo a decisão recorrida entendido que a falta de segregação contábil de tais valores impediria o atendimento do pleito recursal, seja quanto à sua exclusão da base calculada, seja quanto à aplicação das alíquotas específicas, o que motivou a baixa em diligência nos seguintes termos: A documentação acostadas pela Interessada a primeira vista parece suficiente a suprir ausência de segregação contábil e possibilitar análise quanto aplicação da alíquota correta ao produto comercializado. Em relação à gasolina de aviação foi incluída à base de cálculo por estar contabilizada em receita de gasolina sem o destaque de produto a sofrer incidência de alíquota diferenciada de 3%, cujo total incluída na conta de gasolina é de R$ 2.253.574,20. O produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, total de R$ 47.316.704,57 relativo às vendas foram incluído à base de cálculo, diante da documentação acostada deve ser apurado com base nos documentos fiscais. Sustentase que a comercialização de óleo diesel alcançada pela tributação monofásica decorre de ter sido adquirido da empresa REPAR, portanto, deveria compor a base de cálculo na determinação da contribuição devida pela Interessada, cujo valor informado é de R$ 3.344.957,45. Assim como, as vendas de mercadorias realizadas a empresas com liminar judicial no montante de R$ 40.997.672,70 e R$ 19.363.211,69, gasolina e diesel respectivamente, não pode ser considerado apropriação de crédito, mas sim receitas excluídas da base de cálculo. Deve ser juntado aos autos prova da existência, uma vez que a fiscalização em diligência acolheu os valores que restou não acatado pela Autoridade Fiscal, que afastou sobre o argumento de que não se pode utilizar crédito pendente de discussão judicial. De modo que vislumbro a necessidade de transformar o julgamento em diligência no sentido de apurar à base de cálculo por meio do exame dos documentos colecionados nos autos e Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.434 6 diante da comprovação da existência de liminares relativas às vendas de gasolina e diesel para excluir da base de cálculo as receitas provenientes da comercialização de: a) Gasolina de Aviação; b) produto 614 – propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, c) óleo diesel – tributação monofásica, d) vendas efetuadas para empresas detentora de liminares (gasolina e diesel). 10. O relatório de diligência realizado pela unidade de fato aponta para a existência de outro processo com base de cálculo correlata, nos seguintes termos: O processo 10768.720.173/200712, por sua vez, trata do aproveitamento de crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS, código de receita 6840, relativo ao mesmo período de apuração. Ambos os processos foram convertidos em diligência pelo CARF e, por apresentarem base de cálculo correlatas, foram tratados em conjunto nesta diligência. 11. Em primeiro lugar, quanto à (i) gasolina de aviação, a contribuinte apresentou seis notas fiscais de venda que, no entanto, estavam ilegíveis, sendo apenas possível ler o “Número de Controle do Formulário”, o que motivou a autoridade fiscal realizar a intimação para apresentar O contribuinte apresentou no processo correlato 24 (vinte e quatro) supostas notas fiscais de venda de gasolina de aviação cujo somatório dos valores totaliza R$ 7.219.158,60, o que, em tese, justificaria o valor da exclusão da base de cálculo da gasolina pleiteada por ele. Entretanto, os documentos apresentados como notas fiscais de gasolina de aviação não são documentos fiscais idôneos para comprovar a referida venda. Assemelhamse a telas de sistema ou espelhos de nota e possuem a seguinte inscrição “NÃO VALE COMO DOCUMENTO FISCAL”. Considerando o exposto, intimouse o contribuinte, no âmbito de ambos os processos, a apresentar documentos fiscais idôneos ORIGINAIS (ou cópias autenticadas) que comprovassem a venda de gasolina de aviação no mês de novembro de 2003. Em resposta à intimação, o contribuinte juntou ao presente processo apenas 6 (seis) notas fiscais de venda de gasolina de aviação, no valor de R$ 3.213.090,37, não sendo juntada nenhuma nota desse produto ao processo correlato. Segue a relação das notas de gasolina de aviação admitidas: Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.435 7 12. Assim, informa que "(...) deferiuse a exclusão dos R$ 3.213.090,37 referentes à gasolina de aviação". 13. Em segundo lugar, quanto ao (ii) Propeno Grau Polímero (NCM: 2901.22.00), reconheceu que o propeno deve ser excluído da BC do GLP, de acordo com o parágrafo único do art. 53 da IN SRF 247/2002, e esclarece que a O contribuinte apresentou no processo correlato 48 (quarenta e oito) supostas notas fiscais de venda de propeno cujo somatório dos valores totaliza R$ 8.693.460,44, o que, em tese, justificaria parcialmente o valor da exclusão da base de cálculo do GLP pleiteada por ele. Entretanto, os documentos apresentados como notas fiscais de propeno não são documentos fiscais idôneos para comprovar a referida venda. Assemelhamse a telas de sistema ou espelhos de nota e possuem a seguinte inscrição “NÃO VALE COMO DOCUMENTO FISCAL”. Considerando o exposto, intimouse o contribuinte, no âmbito de ambos os processos, a apresentar documentos fiscais idôneos ORIGINAIS (ou cópias autenticadas) que comprovassem a venda de propeno no mês de novembro de 2003. Em resposta às intimações, o contribuinte juntou ao presente processo 32 (trinta e duas) notas fiscais de venda de propeno e ao processo correlato outras 34 (trinta e quatro). No total, essas 66 (sessenta e seis) notas atingem a monta de R$ 13.884.444,71. Segue a relação das notas de propeno admitidas: (...). Em tempo: dos 48 (quarenta e oito) espelhos de nota de propeno apresentados no processo correlato, foram apresentadas as versões originais de 46 (quarenta e seis) notas. Só não foram apresentadas as originais das notas 132420 (R$ Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.436 8 158.925,80) e 132422 (R$ 431.847,72), as quais foram glosadas" (seleção e grifos nossos). 14. Assim, informa que "(...) deferiuse a exclusão dos R$ 13.884.444,71 que corresponde à soma dos valores das 66 notas fiscais apresentadas, referente ao Propeno Grau Polímero". 15. Em terceiro e quarto lugares, quanto ao (iii) óleo diesel e às (iv) exclusões referentes a liminares, a contribuinte foi intimada a apresentar informações completas sobre as exclusões referentes a “liminares” citadas nos autos, à fl. 69, nos montantes de R$ 1.440.900,00 (óleo diesel) e de R$ 3.967.160,84 (gasolina). Em resposta, a contribuinte apresentou documentos concernentes a ações judiciais, acrescentando uma planilha eletrônica na qual estão discriminados os documentos fiscais correspondentes a vendas sob liminar, com a indicação do número da ação judicial que embasou a respectiva venda. Seguem extratos da planilha apresentada pelo contribuinte: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.437 9 16. A unidade elaborou o quadro a seguir a fim de relacionar as ações judiciais e suas respectivas situações, obtidas por meio de pesquisa no site da Justiça Federal. Informa que, em que pese as liminares terem sido concedidas, nenhuma das ações prosperou: 17. Informa, ainda, a autoridade fiscal: "Entretanto, com o fim do regime da substituição tributária no ano 2000, a refinaria passa a atuar como contribuinte e não mais como substituto tributário. Assim, ainda que houvesse liminar a favor de determinadas distribuidoras, a refinaria não poderia simplesmente deixar de oferecer tais receitas à tributação, mas sim informar o montante de tributo sujeito à discussão judicial em DCTF, suspendendo assim sua exigibilidade, até o desfecho judicial da lide. Dada a incerteza e não liquidez do crédito em litígio, não poderia o contribuinte jamais utilizálo em uma declaração de compensação, à revelia dos art. 170 e 170A do CTN. É o que defende, inclusive, o DESEMBARGADOR FEDERAL ANTONIO IVAN ATHIÉ, Relator da Medida Cautelar 2002.02.01.0146834, in verbis: “Nos termos do artigo 242 do RI deste Tribunal, reconsidero, em parte, as decisões de folhas 280/281 e 366, para o fim de condicionar o cumprimento da liminar ao depósito judicial da exação questionada, sensível à alegação da agravante de que a autora não possui capital e bens suficientes para garantir eventual cobrança executiva. Dessa forma, doravante cada aquisição de combustível pela autora, com o efeito da liminar, deve ser precedida de regular depósito judicial vinculado a este feito, e seqüente comunicação à refinaria, por ofício. Oficiese com urgência à Petrobras, comunicandoa desta decisão.” Em tempo: não consta dos autos nenhum comprovante de depósito judicial da exação questionada. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 10768.720423/200714 Acórdão n.º 3401005.398 S3C4T1 Fl. 1.438 10 Pelas razões expostas, glosaramse as exclusões relativas à venda a liminaristas nos valores de R$ 1.440.900,00 (óleo díesel) e de R$ 3.967.160,84 (gasolina)" (seleção e grifos nossos). 18. Conclui, assim, que "(...) glosaramse as exclusões relativas à venda a liminaristas nos valores de R$ 1.440.900,00 (óleo díesel) e de R$ 3.967.160,84 (gasolina)". 19. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto unicamente para reconhecer os créditos vinculados às operações de vendas comprovadas, nos exatos e precisos termos do relatório de diligência fiscal. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1438DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903493/2012-57
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 41710.45624.310807.1.2.038485 em 31.08.2007, efls. 297317, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$37.782,11 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 2º trimestre do anocalendário de 2007, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 34 93 /2 01 2- 57 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 380 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 289, cientificado a Recorrente em 17.04.2012, efl. 322, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 51.300,99 [...] 53.431,22 CONFIRMADAS [...] 39.485,17 [...] 39.485,17 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1147.091, de 31.07.2014, efls. 341351: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL que não teve sua retenção na fonte comprovada. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensada se o contribuinte possuir comprovante hábil da retenção em seu nome. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 856,46 (oitocentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos), devendo, a unidade de origem, proceder à homologação da compensação até o limite do crédito ora reconhecido. Notificada em 24.12.2014, efl. 355, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.01.2015, efls. 357376, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 381 3 Relativamente aos fatos expõe que: DO MÉRITO A controvérsia cingese em torno dos comprovantes de retenção na fonte e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão). A fundamentação invocada pelo Fisco para as glosas consistiu na não confirmação da retenção na fonte de várias das parcelas de composição do crédito informadas pela recorrente nas PER/DCOMP. O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõese à possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meio de documentação outra, que não comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados, conforme modelo colacionado no acórdão. [...] A recorrente juntou na manifestação de inconformidade 19 comprovantes anuais de rendimentos e 240 notas fiscais, relativos aos tomadores de serviços e ao trimestre em apreço. Destes documentos (comprovantes anuais de rendimentos), o nobre fisco considerou tão somente os valores anteriormente não confirmados e os de valores iguais ou a maior que os declarados nas per/dcomps. Vale destacar que se trata de Contribuição Social sobre o lucro liquido retido na fonte pela tomadora do serviço, para posterior restituição/ressarcimento e/ou compensação na forma da lei. [...] Outro ainda, se dá pelo desencontro das informações praticadas pela prestadora de serviço (requerente) e a tomadora de serviços (cliente), ou seja, enquanto a requerente contabiliza e informa através da PER/DCOMP os valores retidos na fonte, com base na data da emissão das faturas REGIME DE COMPETÊNCIA, o tomador do serviço o faz na data do resgate da fatura, com base na data do pagamento das faturas, ou seja, pelo REGIME DE CAIXA. É fato também, que alguns comprovantes de rendimentos possuem inexatidões. E, estas são as principais razões pelas quais, a análise das parcelas de crédito, são parcialmente confirmadas e não confirmadas, a teor do que consta na tabela já juntada a estes autos. QUANTO AS INEXATIDÕES A falta de fornecimento do comprovante ou inexatidão no seu preenchimento é de inteira responsabilidade do tomador de serviços. In casu, depreendese das inúmeras notas fiscais juntadas, que a recorrente sofreu as devidas retenções na fonte, inclusive CSLL. Por outro lado, em alguns dos comprovantes de rendimentos pagos e/ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte, depreendese que a tomadora de serviços informou com inexatidão o imposto/contribuição devido. E, a Instrução Normativa número 119/2000 da RFB, determina que: a pessoa, jurídica que deixar de fornecer às pessoas jurídicas beneficiárias, até o último dia Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 382 4 útil do mês de fevereiro do ano calendário subseqüente, ou fornecer com inexatidão o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados a Pessoa Jurídica e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte ficara sujeita ao pagamento da multa de R$ 41,43 por documento. Por isto que se afirma que não é justo penalizar a prestadora de serviços (recorrente), que apenas cumpriu a lei, lançando o valor na per/dcomp, nos exatos parâmetros das retenções constantes nas notas ficais anexadas, de onde se extrai o imposto a ser retido na fonte e que deveria ter constado nos comprovantes de rendimentos. Desta forma, tratandose da CSLL retida na fonte antecipadamente pela tomadora do serviço, calculado sobre o valor das Notas de Prestação de Serviço, para ser restituído ou compensado com débitos posteriores, correta são os constantes nas notas fiscais anexadas. Ademais, fazendose um cotejamento percuciente entre as notas fiscais anexadas e alguns comprovantes: anuais de rendimentos pagos ou creditados, restam evidentes as inexatidões constantes nestes últimos documentos. [...] Portanto, a empresa de CNPJ/MF 04.041.993/002121 (PHILIP MORRIS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA), lançou no seu comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados o valor de R$120,42. A recorrente (prestadora de serviço) lançou na per/dcomp, o valor de R$180,63. Das notas fiscais anexadas, referente a esta empresa tomadora de serviços, extraise o valor retido na fonte de R$180,63 = (3 x R$60,21). Logo, evidente a inexatidão contida no documento apontado. [...] Por isto, afirmase que cabe somente a peticionaria, utilizar os créditos, pois já laborou, sofreu retenções, cumprindo com todos seus deveres como contribuinte perante o fisco. [...] Em suma, seja qual for a razão da inexatidão (Regime de Compensação ou Regime de Caixa; o fato de faturas emitidas em um dos três meses do trimestre e liquidadas em um dos três meses do trimestre seguinte; o erro na confecção e consignação dos comprovantes de rendimentos), o certo é que não pode a • prestadora dos serviços ser prejudicada por culpa de terceiro. Por estas razões, a recorrente fez a juntada das notas fiscais, de onde se extrai a devida retenção da CSLL. E, é através das notas fiscais e demais documentos contábeis (livro razão, etc), que restam comprovadas as totalidades das retenções incluídas nas per/dcomp's. [...] Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, por inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, bem como pelo já declinado na manifestação de inconformidade, Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 383 5 não limitar à utilização de outros documentos ou provas . que não. o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte.. E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro Razão, etc), fazendose uma análise percuciente, bem como, com o cotejamento destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas Excelências verão que o saldo de R$10.190,76 (R$11.047,22 R$856,46), deverá também ser reconhecido como direito creditório. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante ao todo exposto, a recorrente requer dignese Preclaro Julgador em julgar procedente o Recurso Voluntário para que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 384 6 suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 3. 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 385 7 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais4. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal5. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza6. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 386 8 apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente7. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período8. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de retenção conjunta da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, e pela remuneração de serviços profissionais referentes ao código de arrecadação nº 5952 a título de remuneração de serviços profissionais prestados por pessoa jurídica (art. 30, art. 31, art. 32, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004). O valor da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, código ser determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das seguintes alíquotas: a) 1% (um por cento), a título de CSLL; b) 3% (três por cento), a título de Cofins; e c) 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), a título de PIS/Pasep. Os valores retidos devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Os valores retidos podem ser deduzidos, pelo sujeito passivo, das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 7 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 387 9 Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 41710.45624.310807.1.2.038485 em 31.08.2007, efls. 297317 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, efl. 289, em 17.04.2012, efl. 322, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. O código 5952 está regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004, e versa sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep (art. 30 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Neste caso, o regime de tributação previsto é no sentido de que os valores retidos serão considerados como antecipação do que for devido pela pessoa jurídica que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições em separado, bem como podem ser deduzidos das contribuições devidas de mesma espécie, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004). Assim, o Per/DComp previsto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deve ter como direito creditório a identificação discriminada de cada contribuição (CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep), no caso em que a antecipação superar o valor devido. Na Análise das Parcelas de Crédito Contribuição Social Retida na Fonte, e fls. 290296, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 17288. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1147.091, de 31.07.2014, efls. 341351, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição/compensação, como se apresenta o presente pleito, fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 388 10 No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo da CSLL informado no PER/DCOMP, no valor de R$ 37.782,11, idêntico à DIPJ, foi formado em sua totalidade por retenções na fonte desse tributo, no código 59525, num montante de R$ 51.300,99, tendo sido confirmado, no procedimento eletrônico de investigação dos atributos do crédito, apenas, um total de R$ 39.485,17, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$ 11.815,82, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Nesse procedimento eletrônico de reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos sistemas da RFB, informações prestadas através das diversas declarações do contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias retenções (Sistemas Sinal 04, 1RPE e SIEF Pagamentos), procedimento cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e nos diversos sistemas envolvidos, além do atendimento às intimações, quando necessárias, no intuito de comprovar o pretendido direito. De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode prosperar por se tratar de CSLL retida na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante comprovação nos autos através de Cartas de Rendimentos Pagos e/ou creditados (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus deveres. Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...]. Vêse, portanto, que a compensação do imposto/contribuição na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. [...] Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente análise: Comprovantes de retenção, DIRF e DIPJ, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu normas para a sua apresentação, A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada pela matriz. (Art. 2º), entendimento este seguido pela IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, que revogou a primeira. Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de 2001): [...] Quanto ao comprovante de retenção, a Instrução Normativa SRF n.º 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...] Dessa forma, verificase que, no comprovante de retenção, deve constar, entre elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz, tanto da fonte pagadora quanto da que prestou o serviço. [...]. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 389 11 De acordo com a planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte, anexada a seguir, foram observadas, apenas, nas situações a seguir transcritas8, retenções de CSLL na fonte de fontes pagadoras informadas no PER/DCOMP que não foram consideradas no procedimento de análise do crédito do despacho decisório em litígio: [...] CNPJ VALOR NO PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO CARTA DE RENDIMENTO FL. DIFERENÇA A SER CONSIDERADA 04.041.933/002121 180,63 0,00 120,42 42 120,42 90.950.338/000288 368,10 0,00 366,04 206 366,04 92.660.604/000263 415,97 0,00 370,00 271 370,00 TOTAL 856,46 Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função do Princípio da Verdade Material, regulador do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), além dos próprios comandos ali existentes, dos quais destaco o art. 16, que a manifestação de inconformidade deverá vir acompanhada com os elementos de prova que possuir, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. [...] O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte que contesta. Prevalecendo, sempre, no processo administrativotributário, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argúi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo da relação jurídicotributária. Esclarecese, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da competência dos órgãos da RFB ligados ao julgamento (DRJ e CARF) qualquer referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do direito creditório (certeza e liquidez). Quanto à exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Logo, carecendo de certeza e liquidez a maior parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da CSLL cuja retenção na fonte não ficou comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art. 170 do CTN. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 856,46 (oitocentos e cinquenta e seis reais e quarenta e seis centavos). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11080.903493/201257 Acórdão n.º 1003000.299 S1C0T3 Fl. 390 12 os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 390DF CARF MF
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Numero do processo: 13637.000868/2008-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
COMPETÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPF.
Compete à Segunda Seção de Julgamento deste CARF processar e julgar recurso voluntário frente à decisão de primeira instância que verse sobre a aplicação da legislação referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física.
Numero da decisão: 3201-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando a competência do julgamento para a 2ª Seção de Julgamento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 112 1 111 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13637.000868/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201001.528 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPF Recorrente ELISETE APARECIDA SFREDO DOS SANTOS E REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 COMPETÊNCIA. RECURSO VOLUNTÁRIO. IRPF. Compete à Segunda Seção de Julgamento deste CARF processar e julgar recurso voluntário frente à decisão de primeira instância que verse sobre a aplicação da legislação referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando a competência do julgamento para a 2ª Seção de Julgamento, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente, momentaneamente, a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim. Relatório Tratase o presente processo de Notificação de Lançamento que comporta a exigência de R$ 6.338,75 a título de imposto de renda pessoa física – suplementar, com multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 7. 00 08 68 /2 00 8- 31 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13637.000868/200831 Acórdão n.º 3201001.528 S3C2T1 Fl. 113 2 de ofício de 75% e juros de mora. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2006. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de ofício e a incidência de juros de mora sobre a parcela do tributo não paga no vencimento, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Conforme se depreende do relatório deste voto, trata o presente processo de recurso voluntário frente à acórdão da DRJ/Juiz de Fora que julgou improcedente impugnação de lançamento tributário referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Observase que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, estabelece em seu artigo 3º, inciso I, que compete à Segunda Seção o julgamento de recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre IRPF: Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13637.000868/200831 Acórdão n.º 3201001.528 S3C2T1 Fl. 114 3 III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário e declino a competência do seu julgamento para a Segunda Seção de Julgamento. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 114DF CARF MF
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