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Numero do processo: 11065.100357/2007-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INEXISTÊNCIA.
Inexiste julgamento extra petita, pois o Colegiado apreciou o pedido veiculado pela Contribuinte desde a sua manifestação de inconformidade - homologação do pedido de ressarcimento -, aplicando-lhe o direito, ainda que por fundamentos diversos daqueles fornecidos em suas insurgências, tendo se baseado, inclusive, em fatos ligados à base do processo.
Numero da decisão: 9303-005.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Demes Brito (Relator) e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento, para que seja declarada a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos para o julgamento do mérito do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INEXISTÊNCIA. Inexiste julgamento extra petita, pois o Colegiado apreciou o pedido veiculado pela Contribuinte desde a sua manifestação de inconformidade homologação do pedido de ressarcimento , aplicandolhe o direito, ainda que por fundamentos diversos daqueles fornecidos em suas insurgências, tendo se baseado, inclusive, em fatos ligados à base do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Demes Brito (Relator) e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento, para que seja declarada a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos para o julgamento do mérito do recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 57 /2 00 7- 33 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 177 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à Conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial tempestivo, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em contrariedade à lei, ao amparo do artigo 4° da Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, contra Acórdão nº 20313.300, proferido pela 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, julgado em 05 de setembro de 2008, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, autorizando o ressarcimento de PIS, sem a glosa dos créditos em razão das transferências de ICMS a terceiros. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos da Cofins, incidência não cumulativa, decorrente de vendas no mercado externo e com amparo legal no art. 6° da Lei n° 10.833/2003. O órgão de origem reconheceu parcialmente o direito creditório, homologando as compensações declaradas pela empresa até o limite deste valor. A glosa corresponde aos valores de cessão de créditos de ICMS para terceiros, considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do PIS e Cofins nãocumulativos. Entendeu a autoridade fiscal que a cessão dos créditos equiparase a alienação de Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 178 3 direitos a título oneroso e origina receita tributável, a compor a base de cálculo da Cofins conforme o art. 1°, §§ 1° e 2° da Lei nº 10.833/2003. Na Manifestação de Inconformidade a requerente se insurgiu contra a glosa. Argumentou, em síntese, que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, afetando somente contas patrimoniais, não contas de resultado. A interpretação da DRF de origem estaria incorreta, por se utilizar de interpretação extensiva e considerar o pagamento de custo da aquisição de produtos aos fornecedores da requerente (para quem os valores dos créditos de ICMS são cedidos) como receita. Também argüiu que a interpretação contraria o espírito do art. 2° do ADI SRF n° 25/2003 — segundo o qual não incide PIS e Cofins sobre os valores recuperados a título de pagamento indevido , bem como a art. 53 da Lei n° 9.430/1996. A 2º Turma da DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, considerando que a cessão de direitos de ICMS gera uma nova receita, que pode ou não gerar lucro, sendo classificada, via de regra, como não operacional, que o contribuinte confundiu receita com lucro e que tal cessão não poderia ser recuperação de custos, visto o crédito de ICMS não compor o custo do produto. Em apoio à sua interpretação a DRJ mencionou a Solução de Consulta Interna n° 48, de 30/12/2004, no qual a COSIT corrobora o entendimento de que há incidência não somente de PIS e Cofins, mas também de IRPJ e da CSL, sobre os valores auferidos com a cessão de créditos de ICMS". O Recurso Voluntário, tempestivo, repisa as alegações da Manifestação de Inconformidade. Nada obstante, a 3º Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, deu provimento ao Recurso para reconhecer o crédito sem diminuição do débito relativo às cessões de ICMS. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 179 4 hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. Recurso provido. Não satisfeita com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, aduzindo o seguinte: "existem duas omissões no julgado, que não admitiu a glosa em pedido de ressarcimento da Contribuição submetida ao regime da nãocumulatividade, correspondente a débito apurado pelo órgão de origem. Segundo o julgamento, em tal hipótese carece seja efetuado lançamento de oficio, em vez de redução no valor a ressarcir.As duas omissões seriam decorrentes do seguinte, segundo os termos do presentes Embargos: "presença de compensação de ofício e não lançamento de oficio; ou,do contrário, necessidade de suspensão do pedido de ressarcimento até que se ultime o lançamento de oficio". Em seguida, os embargos foram rejeitados pelo Presidente da 4º Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "o contribuinte não questionou aspectos processuais da análise do pedido de ressarcimento, mirando toda sua argumentação contra o mérito da causa: se os créditos de ICMS compõem ou não a base de cálculo do PIS. Em momento algum, o contribuinte atacou a atividade do fisco: a de promover acertos na base de cálculo do tributo sem lançamento de oficio. Por conseguinte, precluso estava o direito de impugnar a atividade do fisco de proceder ou não ao lançamento de oficio.Não devia, desse modo, a Câmara a quo, em julgamento extra petita, discutir fatos não impugnados no processo. Desse modo, o juiz ou qualquer autoridade administrativa deve aterse ao pedido do autor, sendo extra petita o julgado além de tais limites. Portanto, como a antiga Terceira Câmara não enfrentou o objeto do recurso voluntário, ou seja, não apreciou se os créditos de ICMS compõem ou não a base de cálculo do PIS, terminou prolatando decisão nula, pois extra petita". O Recurso foi interposto com base em contrariedade à lei, ao amparo do artigo 4° da Portaria MF n°256,de 22/06/2009. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 152/153. A Contribuinte articulou suas contrarrazões, requerendo o improvimento do Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 180 5 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.987, de minha relatoria, que apesar de ter sido vencido, mantenho o mesmo entendimento, por se tratar da mesma matéria e Contribuinte, passa a fazer parte integrante deste voto. Vejamos: "Compulsando os autos, verifico que a glosa dos créditos referente aos valores da cessão de créditos de ICMS para terceiros, foram considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do Cofins nãocumulativos. A Autoridade fiscal entendeu que a cessão dos créditos equiparase a alienação de direitos classificados no ativo circulante, a compor a base de cálculo do PIS Faturamento, conforme o art. 1°, § 2°, da Lei n° 10.637/2002. Por outro lado, a extinta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário, em virtude da ausência do lançamento de oficio no momento da correção dos cálculos do ressarcimento de PIS, cujo pedido desconsiderou os •créditos de ICMS como receita. No entanto, a Contribuinte não questionou os fundamentos utilizados pela Autoridade lançadora quanto aos aspectos formais referente ao pedido de ressarcimento, pelo contrário, focalizou toda argumentação contra o mérito, ou seja, se a cessão de créditos de ICMS a terceiros compõe ou não a base de cálculo do PIS. Verificase que em nenhum momento, a Contribuinte impugnou o lançamento no sentido do fisco promover ajustes na base de cálculo do tributo sem o lançamento de ofício, portanto, precluso estava o direito de impugnar atividade do fisco de proceder ou não o lançamento de ofício. Neste sentido, penso que a turma a quo decidiu além dos limites da lide, especialmente em discutir fatos não impugnados no processo. Sem embargo, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, a matéria não impugnada está fora do litígio e o crédito tributário a ela relativo se torna consolidado; na ausência do litígio, a matéria não pode ser analisada em sede de recurso voluntário. Ou seja, tendo a Contribuinte impugnado apenas determinado item do lançamento, o julgador não está autorizado a dar provimento ao recurso voluntário por fundamento jurídico diverso. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 181 6 O contencioso administrativo, regido pelo Decreto Lei nº 70.235/72, assim como o novo codex de processo civil, impõe limites as fases processuais que devem ser observadas para o perfeito andamento do processo e adequado deslinde do litígio. A lide cravada esta delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pela Contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o fundamentam, lançados em sua impugnação e posteriormente em seu recurso voluntário. Nesta linha, recorro aos princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do Código Tributário Nacional CTN e artigo 4º da LICC, o qual podese citar o art. 141, do Novo Código de Processo Civil: “Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo lhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Deste modo, o citado dispositivo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido e da parte, como decorrente do princípio dispositivo. Portanto, o órgão julgador ao apreciar a legalidade do ato administrativo, deve decidir também de acordo com a matéria inserta na impugnação do autor e/ou recurso voluntário, conforme o caso. Nessa linha, imperioso destacar a inteligência do artigo 17, do Decreto nº 70.235/72, o qual dispõe que: "considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Finalmente, corroborando este entendimento, trago como precedente o acórdão nº 930301.705, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, voto da lavra do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual merece destaque: "Aqueles que navegam no direito subjetivo sabem ou deveriam saber que o mar processual é bravio e desafiador, quase sempre revolto e cheio de ondas e marolas que fazem, muitas vezes o barco perder o rumo. Isso faz com que muitos se percam e não consigam completar a travessia. Mas nem tudo está perdido, os instrumentos de navegação vêm, a cada dia, se aperfeiçoando, de tal sorte, que o barqueiro que os utilizar corretamente, nunca perderá o norte e, facilmente, chegará a um porto seguro. Saindo da linguagem figurada para a real, os instrumentos são os princípios gerais e específicos que norteiam a atividade jurisdicional e, por empréstimo, a “judicante” administrativa. Muitos desses princípios são universais, isso quer dizer que estão presente em todos, ou em quase todos, sistemas jurídicos mundiais. Na maioria das vezes, são eles incorporados à legislação processual e até mesmo à constitucional, tornandose, portanto, obrigatória sua observância. Nos países, como o Brasil, em que a atividade judicante é dissociada da inquisitória, um dos pilares da jurisdição é justamente o princípio da Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 182 7 iniciativa da parte, cuja origem remonta ao direito romano onde ao juiz era vedado proceder sem a devida provocação das partes. Predito princípio, versão moderna do ne procedat iudex ex officio; nemo iudex sine actore, foi consagrado no artigo 2º e, também, no 262, ambos do Código de Processo Civil Brasileiro. Nesse quadro, considero que a Contribuinte perdeu o direito de impugnar a atividade do Fisco lançar ou não de ofício, na base de cálculo do PIS, os créditos de ICMS alienados a terceiros, como inevitável efeito da preclusão e, por conseguinte, deixou a turma baixa de ter o poder de apreciar tais questões, em razão do princípio da adstrição do julgador ao pedido do autor. Ademais, a turma baixa não enfrentou o objeto do recurso voluntário, ou seja, não apreciou se os créditos de ICMS se compõe ou não a base de cálculo do PIS, simplesmente manifestouse da seguinte forma: "Independentemente do debate acerca da inclusão (ou não) do valor da cessão de créditos do ICMS na base de cálculo da Contribuição, o procedimento adotado pelo órgão de origem, que ao considerar tributável tal valor efetuou a glosa do valor a ressarcir, em vez de constituir o crédito_tributário, não pode prosperar. Dai caber a reversão da glosa, de modo a permitir o ressarcimento na integralidade sem óbice do lançamento que poderá ser efetuado, respeitado, evidentemente, o prazo decadencial". Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, para que seja declarada a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos para o julgamento do mérito do recurso. É como voto é como penso (assinado digitalmente). Demes Brito Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 183 8 Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao Relator, Ilustre Conselheiro Demes Brito, em sessão d e julgamento, a maioria dos julgadores desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recurs os Fiscais ousou divergir do seu entendimento para negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia suscitada no apelo especial interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento em contrariedade à dispositivo de lei, diz respeito à possibilidade ou não de o Colegiado conhecer de matéria não suscitada pela Contribuinte em suas insurgências no processo administrativo fiscal. Os presentes autos tratam, portanto, de questão idêntica àquela tratada no processo administrativo nº 11065.003793/200412, no qual também figurava como Sujeito Passivo a empresa HG INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA, cujo resultado de julgamento foi proferido por meio do Acórdão nº 9303004.987, conforme referido pelo Ilustre Relator, e que igualmente prevaleceu neste litígio. Por essa razão, adotamse como razões de decidir os mesmos fundamentos lançados no voto que refletiu a posição majoritária da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9303004.987, in verbis: [...] No caso em apreço, a Terceira Câmara do outrora Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20313.284 (fls. 83 a 87), deu provimento ao recurso voluntário com fundamento na incorreção do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal para glosa de créditos tributários e exigência da contribuição para o PIS/Pasep, entendendo a Turma julgadora ser necessário, para tanto, a lavratura de lançamento de ofício. Portanto, não adentrou à discussão de mérito da demanda, qual seja, a inclusão do valor da cessão de créditos de ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep, conforme arguido pelo Sujeito Passivo. A decisão recorrida embasouse, em síntese, na impossibilidade de ser efetuada a revisão da base de cálculo do PIS/Pasep, incluindo os valores de transferência de créditos de ICMS a terceiros, sem proceder a novo lançamento de ofício, mas tão somente realizando a glosa do valor a ressarcir. Por esta razão, determinou a reversão da glosa, para permitir o ressarcimento na integralidade sem óbice do lançamento que poderá ser efetuado, com respeito ao prazo decadencial. O acórdão de recurso voluntário fez, ainda, remissão à decisão proferida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, destacando os seguintes trechos, in verbis: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 184 9 [...] Neste sentido já decidiu esta Terceira Câmara, em vários julgamentos realizados nos meses de janeiro e fevereiro de 2007. Refirome, dentre outros, ao Acórdão n°20311760, Recurso Voluntário n° 134.005, unânime e relativo ao PIS. Como os fundamentos são idênticos, adoto o voto da lavra do ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho sobre a questão, transcrevendoo: Em outras palavras, a redução do valor a ser ressarcido ao contribuinte se deveu, não porque tivessem sido constatadas irregularidades materiais ou legais nos fundamentos do crédito, mas, sim, nos débitos da contribuição do PIS/Pasep Não Cumulativo de cada um dos períodos. Agiu o fisco, portanto, de forma similar aos procedimentos que adota quando trata, por exemplo, de "Pedidos de Ressarcimento de Créditos de IPI", fundados no artigo 11 da Lei n°9.779, de 1999, ou seja, diante de um crédito de IPI indevidamente pleiteado pela empresa, promove uma glosa no valor do crédito, diminuindo, conseqüentemente, a pretensão do contribuinte. Tal procedimento, entretanto, não se mostra adequado quando se depara com Pedidos de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep — Não Cumulativo quando o motivo da divergência levantada pelo fisco se encontra na parcela do débito do PIS/Pasep, como é o presente caso. Lembrese, neste ponto, que o valor do saldo do ressarcimento pleiteado péla empresa fora diminuído pela autoridade fiscal por entender que o valor do débito da contribuição devida ao PIS/Pasep, havia sido apurado a menor em decorrência da falta de inclusão de algumas rubricas na base de cálculo que a determinou (créditos de ICMS e crédito presumido de 'PI). Diante de um valor de débito do PIS/Pasep apurado a menor, o fisco, em vez de efetuar um lançamento de oficio na forma dos artigos 13, § 1;. 114, 115, 116, incisos I e II, 142, 144 e 149, todos do Crédito Tributário Nacional, combinados com os dispositivos pertinentes do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, apenas retificou o correspondente valor então declarado no Pedido de Ressarcimento para o valor que entendeu correto. Assim, até que haja alteração especifica nas regras para se apurar o valor dos ressarcimentos do PIS/Pasep Não Cumulativo, a constatação, pelo fisco, de irregularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor; jamais uni mero Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 185 10 acerto escriturai de saldos, conforme foi feito neste processo. Pelo exposto, dou provimento ao recurso para autorizar o ressarcimento solicitado, sem a glosa por conta das transferências de ICMS a terceiros. Em decorrência devem ser homologadas as compensações efetuadas no âmbito deste pedido de ressarcimento, até o limite do crédito reconhecido. [...] Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional alegou que: (a) a Contribuinte, em nenhum momento, insurgiuse contra a atividade do Fisco de efetuar acertos na base de cálculo do tributo sem lançamento de ofício, precluindo o direito de fazêlo; e (b) o julgado foi extra petita, pois não se ateve o julgado aos limites em que a lide foi proposta, afrontando os artigos 128, 302 e 460, todos do CPC/1973, e os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972. A pretensão recursal da Fazenda Nacional não merece prosperar, nos termos em que decidido pela maioria dos membros deste Colegiado, sendo designada esta Conselheira para redigir o voto vencedor. Depreendese dos autos existir um vício na origem do processo administrativo, consistente em equívoco da Fiscalização ao deixar de efetuar o lançamento de ofício da diferença relativa ao valor da contribuição para o PIS/Pasep, conforme determina o art. 142 do CTN, limitandose a glosar parte do montante objeto do pedido de ressarcimento. A ausência do lançamento de ofício para exigência do crédito tributário de PIS/Pasep constituise em verdadeira ofensa À pressuposto de desenvolvimento válido e regular do processo administrativo, qual seja, trazer a exigência fiscal para o mundo dos fatos por meio válido e regular de desenvolvimento do procedimento fiscalizatório e, posteriormente, do processo administrativo fiscal. Tendo em vista que o Código de Processo Civil aplicase de forma subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, pertinente a transcrição dos artigos 485, inciso IV e §3º e 507, ambos do Novo Código de Processo Civil, aprovado pela Lei nº 13.105/2015, in verbis: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: [...] IV verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; [...] Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 186 11 § 3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. [...] Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. Muito embora estabeleçam os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 os contornos em que a impugnação será proposta e, por conseguinte, a respectiva lide, a preclusão das matérias, dentre as quais os pressupostos de constituição válida e regular do processo, aplicase às partes do processo, e não ao julgador, que poderá revêlas antes de proferir decisão definitiva quanto ao mérito diante da importância do tema para o processo, por se tratarem de matérias de ordem pública. Além disso, o Colegiado, ao prolatar o acórdão, não é obrigado a pronunciarse sobre todos os argumentos aduzidos pelas partes, bastando que indique fundamento suficiente para a sua decisão. Inexiste julgamento extra petita, pois o Colegiado apreciou o pedido veiculado pela Contribuinte desde a sua manifestação de inconformidade homologação do pedido de ressarcimento , aplicandolhe o direito, ainda que por fundamentos diversos daqueles fornecidos em suas insurgências, tendo se baseado, inclusive, em fatos ligados à base do processo. Além disso, a adoção, pelo julgador, de fundamento legal diverso daquele suscitado pela parte, sem modificação da causa de pedir no caso, o reconhecimento do pedido de ressarcimento , não importa em decisão extra petita. Nesse sentido, posicionouse o Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Agravo de Instrumento nº 936.003/RS, com argumentos sintetizados na seguinte ementa: AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 515 DO CPC. FUNDAMENTO DIVERSO. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO TRIBUNAL. 1. Não se verifica a suscitada violação ao art. 515 do Código de Processo Civil, porquanto as questões submetidas ao Tribunal de origem foram suficiente e adequadamente delineadas, com abordagem integral do tema e fundamentação compatível. 2. Ademais, não importa julgamento extra petita, nem violação ao princípio do tantum devolutum quantum apellatum, a adoção, pelo juiz, de fundamento legal diverso do invocado pela parte, sem modificar a causa de Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 187 12 pedir. Aplicação do princípio jura novit curia (TURMA, julgado em 02/03/2010, DJe 15/03/2010)AgRg no Ag 751828/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ de 26.06.2006; AGRESP 617941/BA, 1ª T., Min. Luiz Fux, DJ de 25.10.2004). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 936.003/RS, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, QUARTA Na mesma linha, é o pronunciamento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag nº 751828/RS: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE DECIDE NOS LIMITES DO PEDIDO E DA MATÉRIA DEVOLVIDA AO TRIBUNAL. INEXISTÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA. APRECIAÇÃO DAS QUESTÕES DENTRO DOS PARÂMETROS DA LEGALIDADE E DO BOM SENSO. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que negou provimento a agravo de instrumento ao entendimento de que não ocorreu julgamento extra petita. 2. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que: “Em tendo sido a lide decidida nos limites em que foi proposta, não há falar em ocorrência de julgamento extra petita. Não se verifica alteração da causa de pedir quando se atribui ao fato qualificação jurídica diversa da originalmente atribuída. Da mihi factum, dabo tibi jus” (REsp 496814/PE, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, DJ 01/07/2005). “Decisão extra petita é aquela inaproveitável por conferir à parte providência diversa da almejada, como v.g., quando o acórdão confere pedido diverso ou baseia se em causa petendi não eleita. Com efeito, não há decisão extra petita quando o juiz examina o pedido e aplica o direito com fundamentos diversos dos fornecidos na petição inicial ou mesmo na apelação, desde que baseados em fatos ligados ao fatobase” (REsp 551959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 06/06/2005). 3. Inexiste julgamento extra petita quando a questão posta nos autos, referente ao acórdão a quo, foi devidamente apreciada e julgada dentro do que realmente pleiteado pelo autor. A motivação da decisão judicial deve guardar Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11065.100357/200733 Acórdão n.º 9303005.801 CSRFT3 Fl. 188 13 congruência com o pedido formulado na inicial, ainda que de forma concisa, de modo que o Juiz decida a lide nos limites em que foi proposta. 4. Decisão recorrida que apreciou a questão dentro dos parâmetros da legalidade e do bom senso, não incorrendo, assim, em mácula à legislação processual vigente. 5. O simples fato de o Tribunal a quo ter adequado a decisão por ele proferida não é motivo para se alegar julgamento extra petita. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 751.828/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2006, DJ 26/06/2006, p. 123) [...] Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 188DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.727516/2011-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Diante das especificidades das infrações enfrentadas pelos acórdãos e as quais levaram ao lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, deve-se concluir pela inexistência de similitude fática que permita a caracterização de divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-006.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ART. 67 DO RICARF. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Diante das especificidades das infrações enfrentadas pelos acórdãos e as quais levaram ao lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, devese concluir pela inexistência de similitude fática que permita a caracterização de divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 16 /2 01 1- 27 Fl. 331DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase lançamento que abrange o período de janeiro/2008 a dezembro/2008 e por meio da qual exigese multas por descumprimento de obrigações acessórias cujos fundamentos foram assim descritos no Relatório Fiscal de fls. 9 e seguintes: AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.012.1306 – CFL 30 5. Natureza: deixar de preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. 5.1 Descrição Sumária da Infração: a) Nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa não constaram os seguintes pagamentos realizados a segurados obrigatórios da previdência social: 1. Alimentação (provento); 2. Vale Transporte (provento). AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.012.1322 – CFL 34 6. Natureza: deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos no exercício de 2008. 6.1 Descrição Sumária da Infração a) Da análise da contabilidade da empresa foi possível identificar o registro de operações de aquisição de produção rural, cujos produtores são pessoas físicas, na conta código 2111010001 – Fornecedores Diversos, b) Nesta conta são registradas tanto as operações realizadas com pessoas jurídicas quanto físicas, indistintamente. Não apenas aquelas de aquisição de produtos rurais, mas também as transações para compra dos demais produtos para revenda pelo supermercado. c) A VIA PARK não contabilizou de forma segregada, em conta específica, as operações de aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, descumprindo a legislação previdenciária, o que motivou a emissão deste auto de infração. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10166.727516/201127 Acórdão n.º 9202006.321 CSRFT2 Fl. 331 3 d) Verificouse, também, que remunerações pagas a trabalhadores não foram contabilizadas em títulos próprios de forma discriminada, tendo sido contabilizadas em contas genéricas, tais como “Salários”. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.012.1349 CFL 59 7. Natureza: deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas por segurados que lhe prestaram serviços. 7.1 Descrição Sumária da Infração a) A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado à Previdência Social. O desconto da contribuição presumese feito oportuna e regularmente pela empresa, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pelo recolhimento das importâncias não descontadas ou descontadas em desacordo com a legislação. b) A VIA PARK não arrecadou mediante desconto, as contribuições dos segurados empregados referentes às seguintes rubricas levantadas por meio do Auto de Infração nº 37.344.174 6: _ Alimentação _ Vale Transporte pago em dinheiro; _ Premiação; _ Dissídio Retroativo; _ Outros Adicionais de Férias. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD N° 51.012.1233 CFL 78 8. Natureza: Apresentar a empresa a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, com incorreções ou omissões. Segundo destacado, na mesma ação fiscal foram lavradas ainda as seguintes autuações relativas a obrigação principal: Fl. 333DF CARF MF 4 Julgando a impugnação, a DRJ entendeu pela improcedência do lançamento referente ao DEBCAD 51.012.1306 (CFL 30), uma vez que a respectiva obrigação principal foi cancelada quando da apreciação do no seu respectivo processo. Contribuinte apresentou Recurso Voluntário o qual foi provido em parte pela 3ª Turma Especial desta Segunda Seção de Julgamento. O Colegiado afastou a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores pagos à título de auxílio transporte e determinou a aplicação da multa prevista no artigo 32A, I, da lei 8.212/91, caso mais benéfica. O acórdão nº 2803003.805 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. MULTA. APLICAÇÃO DA MAIS BENÉFICA. Podese aplicar a multa de forma retroativa se for mais benéfica ao contribuinte. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. NÃO ENFRENTAMENTO. Não apresentado a recorrente, efetivamente, recurso em face das demais verbas lançadas na autuação, não há o que ser provido, respeitandose, por consectário, o princípio tantum devolutum quantum appellatum. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10166.727516/201127 Acórdão n.º 9202006.321 CSRFT2 Fl. 332 5 Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cita como paradigma os acórdãos 2401002.453 e 920202.086. Cientificado o sujeito passivo apresentou contrarrazões pugnando manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Antes de entrarmos no mérito, são necessárias algumas ponderações quanto ao conhecimento do recurso interposto, isso porque, em que pese os fundamentos do exame de admissibilidade, não vislumbro similitude fática entre o acórdão recorrido e aqueles apontados como paradigmas. Explico. Conforme consta do relatório, tratase de lançamento para cobrança de multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, que após decisão da DRJ, se limitam a: 51.012.1322 CFL 34 deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos no exercício de 2008. 51.012.1349 CFL 59 deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas por segurados que lhe prestaram serviços. 51.012.1233 CFL 78 Apresentar a empresa a GFIP Guia do FGTS e Informações à Previdência Social, com incorreções ou omissões. Vale mencionar que as penalidades acima tiveram como embasamento legal violação aos seguintes dispositivos: art. 32, IV com redação dada pela Lei nº 11.941/09 (AI 78 Fl. 335DF CARF MF 6 aplicada por ser mais benéfica nos meses de 01 a 08/2008 e 10 a 12/2008), art. 32, II da Lei nº 8.212/91 (AI 34), art. 30, I, 'a' e art. 4º da Lei nº 10.666/03 (AI 59). Observamos, portanto, que salvo o AI 78 cujo cálculo já levou em consideração a retroatividade benigna e aplicou o art. 32A, as demais obrigações acessórias aqui discutidas são devidas independentemente da ocorrência de pagamento e consequente lançamento de ofício da obrigação principal. Destaco inclusive que inexistiu qualquer alteração dos dispositivos dos AI 34 e AI 59 em razão da MP 491/08 ou da Lei nº 11.941/09. Ocorre que embora o lançamento envolva mais de uma obrigação acessória, fato é que o acórdão recorrido não fez qualquer distinção, se limitando em afirmar que multas relativas a 'GFIP' (omissão ou declaração inexata) estariam sujeitas ao art. 32A da Lei nº 8.212/91, por ser mais benéfico ao contribuinte. Vale destacar que neste ponto o Colegiado a quo, como dito, compartilhou do mesmo entendimento aplicado no lançamento, conforme consta do item 08 do Relatório Fiscal. Pela pertinência transcrevo parte do voto do acórdão recorrido: Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. E após citar as diversas redações dos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91 e o do art. 61 da Lei nº 9.430/96 concluiu o Conselheiro Relator: Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10166.727516/201127 Acórdão n.º 9202006.321 CSRFT2 Fl. 333 7 No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. Desta decisão a Fazenda Nacional recorre pleiteando a aplicação da Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010 e cita trechos dos acórdãos paradigmas para justificar a divergência. Acórdão nº 2401002.453: “De acordo com o fisco, na fixação da multa de ofício, levouse em conta as alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2008. Assim, comparouse a multa aplicada com base no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 (dispositivo vigente na data da ocorrência dos fatos geradores), com a multa imposta em obediência ao art. 35A da mesma lei, aplicandose o valor mais favorável ao sujeito passivo. Fl. 337DF CARF MF 8 De acordo com o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, havendo lançamento de ofício do tributo, devese aplicar a multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996,(...) ... Suscita a empresa que lhe fosse aplicada a multa do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996, todavia esse dispositivo somente se aplica no caso de recolhimento espontâneo, no qual é aplicada a multa de mora e juros. Havendo lançamento das contribuições, exigese a multa de ofício prevista no art. 44, I, da mesma Lei. Assim, o fisco agiu com acerto ao comparar a multa do art. 35 com aquela prevista no art. 35A, ambos da Lei n.º 8.212/1991, não havendo reparos a serem feitos no levantamento quanto a esse aspecto. ... Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, já considerando, em razão das alterações legislativas advindas da MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, dispositivo mais benéfico ao sujeito passivo, conforme muito bem demonstrado no próprio relatório fiscal em que é apresentada planilha pormenorizada de aplicação da multa.” (grifo nosso) Acórdão nº 920202.086: “Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10166.727516/201127 Acórdão n.º 9202006.321 CSRFT2 Fl. 334 9 pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias.” (grifo nosso) Analisando as citações acima, percebemos que no que tange ao primeiro paradigma 2401002.453, temos um lançamento onde se exige multa de ofício pelo inadimplemento de obrigação principal, situação em que aquele colegiado entendeu que tal multa possui natureza distinta da multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/69. Neste cenário determinouse que a multa de ofício do antigo art. 35 fosse comparada com a multa de ofício trazida pela Lei nº 11.941/08. Definitivamente, este não é o nosso caso, já que não estamos diante de lançamento de multa de ofício por ausência de pagamento. No segundo paradigma 920202.086, onde se aplica a teoria da soma nos moldes da IN 1.027/10, temos um lançamento onde cobrase multa de ofício pelo descumprimento da obrigação principal e multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à GFIP cujo lançamento ocorreu antes da entrada em vigor da MP 491/08, o que justificou a lavratura de um AI 68 e a posterior aplicação do art. 106 do CTN. No presente caso, embora na mesma ação fiscal tenha sido lavrado autos de infração para cobrança da obrigação principal, estamos tratando de um lançamento realizado já na vigência da lei nova, e o qual se limita a cobrança de multas por descumprimento de obrigações instrumentais autônomas (AI 34 e AI 59), e multa decorrente de GFIP cujo cálculo já levou em consideração a redação modificada do art. 32 e 32A da Lei nº 8.212/91 (AI 78), não havendo espaço para se aplicar o entendimento adotado pelos acórdãos paradigmas. Assim, diante das especificidades que envolvem os lançamentos analisados podemos concluir pela inexistência de similitude fática que permita a caracterização da divergência jurisprudencial perseguida pela Fazenda Nacional. Diante de todo o exposto, não conheço do recurso especial. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 339DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.904568/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2006
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.745
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2006 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 68 /2 01 2- 56 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 0645.487, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904568/201256 Acórdão n.º 3402004.745 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.002472/2010-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 72 /2 01 0- 59 Fl. 308DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.256.8165, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 19/07/2010, no valor de R$ 186.132,70 (cento e oitenta e seis mil, cento e tinta e dois reais e setenta centavos), por infringir o disposto no art. 32, inciso IV, §5º, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº9.528, de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e §4º , do Decreto nº 3.048, de1999, por apresentar a empresa, na rede bancária, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, cuja base de cálculo foram as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada no período compreendido entre 04 a 07/2007 e 05 a 08/2008. De acordo com o Relatório Fiscal, com o advento da Medida Provisória nº 449, em vigor desde 04 de dezembro de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a multa pelo cometimento da infração apurada na presente autuação passou a ser regulada pelo art. 32A, assim em obediência ao art. 106, inciso II, do CTN. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/05/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301002.778 (fls. 242/248), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei nº 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2008 GFIP. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10920.002472/201059 Acórdão n.º 9202006.196 CSRFT2 Fl. 3 3 Constitui infração apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 13/03/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/03/2013, o presente Recurso Especial (fls.249/262). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 11/06/2015 (fls. 293/300). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (arts. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificado do Acórdão nº 2301002.778, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/02/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 293. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10920.002472/201059 Acórdão n.º 9202006.196 CSRFT2 Fl. 4 5 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 312DF CARF MF 6 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10920.002472/201059 Acórdão n.º 9202006.196 CSRFT2 Fl. 5 7 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 314DF CARF MF 8 ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10920.002472/201059 Acórdão n.º 9202006.196 CSRFT2 Fl. 6 9 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 316DF CARF MF 10 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 317DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720602/2011-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 10/01/2007 a 10/12/2007
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for em seu montante integral. Do contrário, não produz os efeitos que lhe seriam inerentes.
MULTA DE OFÍCIO. A incidência de multa de ofício de 75% está prevista na legislação vigente.
JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic
Numero da decisão: 3401-003.965
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por voto de qualidade, quanto à não incidência do juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (2) por unanimidade, quanto aos demais itens
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 10/01/2007 a 10/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for em seu montante integral. Do contrário, não produz os efeitos que lhe seriam inerentes. MULTA DE OFÍCIO. A incidência de multa de ofício de 75% está prevista na legislação vigente. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-10-03T19:21:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2017-10-03T19:21:35Z; Last-Modified: 2017-10-03T19:21:35Z; dcterms:modified: 2017-10-03T19:21:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-10-03T19:21:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-10-03T19:21:35Z; meta:save-date: 2017-10-03T19:21:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-10-03T19:21:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2017-10-03T19:21:35Z; created: 2017-10-03T19:21:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2017-10-03T19:21:35Z; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-10-03T19:21:35Z | Conteúdo => S3-C4T1 Fl. 946 1 945 S3-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720602/2011-72 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401-003.965 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto 2017 Matéria IPI Recorrente IPIRANGA ASFALTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 10/01/2007 a 10/12/2007 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for em seu montante integral. Do contrário, não produz os efeitos que lhe seriam inerentes. MULTA DE OFÍCIO. A incidência de multa de ofício de 75% está prevista na legislação vigente. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, da seguinte forma: (1) por voto de qualidade, quanto à não incidência do juros de mora sobre a multa de oficio, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (2) por unanimidade, quanto aos demais itens. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 947 2 FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Presidente. MARA CRISTINA SIFUENTES - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D´Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. O Conselheiro suplente Cleber Magalhães participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Rosaldo Trevisan. Relatório Trata-se de autuação lavrada contra a recorrente por aproveitamento de depósitos judiciais do Processo 2006.34.00.019250-4 a título de outros créditos na apuração mensal do IPI e que não foram declarados os débitos nas respectivas DCTF´s, no valor original de R$288.114,17, para os períodos de 01/2007 a 12/2007. Foi aplicada também a multa de 75% do art. 80 da Lei nº 4.502/64 e alterações, e cobrados juros de mora equivalente a taxa Selic, art. 61 da Lei nº 9.430/96. O enquadramento legal da autuação foi efetuado nos arts. 34, inciso II, 122, 127, 130, 199 e parágrafo único art. 200, inciso IV e art. 202, incisos II, II e V do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02). A empresa ajuizou em 21/06/2006 ação ordinária declaratória com pedido de antecipação de tutela para suspender a exigibilidade do IPI sobre as saídas de asfaltos em emulsão, bem como asfaltos modificados por polímeros e asfaltos oxidados. A tutela antecipada foi indeferida. O crédito tributário referente ao IPI em discussão judicial foi lançado para prevenir a decadência, tendo em conta que a exigibilidade encontra-se suspensa por força do art. 151, inciso II, do CTN. A empresa apresentou impugnação e em 21/06/2012 a DRJ Belém proferiu o acórdão nº 01-25.227, por unanimidade de votos, julgando procedente em parte a impugnação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2007 a 10/12/2007 PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A incidência de multa de ofício de 75% e exigência da taxa Selic como juros moratórios encontra supedâneo na legislação vigente, não possuindo a Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 948 3 autoridade administrativa atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CABIMENTO. LIMITES. É cabível a constituição do crédito tributário, por meio de lançamento de ofício e sem a incidência de multa punitiva, para prevenir os efeitos da decadência. Nesse sentido, não há óbice legal ao lançamento de ofício, para fins de controle administrativo, de crédito tributário objeto de depósito judicial, porém não confessado anteriormente pelo sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O depósito judicial somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for em seu montante integral. Do contrário, não produz os efeitos que lhe seriam inerentes. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MÉRITO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Após tentativa infrutífera de intimação por via postal a empresa foi notificada a tomar ciência da decisão por meio do Edital/DRF/MNS/Secat/Ecpaf/Faz/nº28/2012, afixado na DRF Manaus em 02/08/2012 e com ciência em 17/08/2012. Em 22/11/2012 o processo foi enviado para inscrição em dívida ativa da União por o interessado não ter apresentado recurso, nem pago os débitos ou solicitado parcelamento. Em 16/04/2013 a interessada apresenta a PFN em Manaus/AM pedido de revisão de débitos inscritos em dívida ativa da União por a PFN ter ajuizado execução fiscal nº 0002106-16.2013.401.3200, distribuída perante a 5ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Manaus/AM, instruída pela CDA nº 21.3.12.000015-04, originária do PTA nº 10283.720602/2011-72, no qual se exigem débitos de IPI incidentes sobre seus produtos asfálticos, no montante de R$745.094,40. Inicialmente a interessada alega à PFN que: os débitos encontram-se judicialmente depositados, estão em discussão na esfera administrativa, e nunca recebeu resposta quanto ao resultado da Impugnação apresentada. A PFN se manifesta às fls. 670 e 671, determinando o retorno dos autos à DRF Manaus para que a devedora seja devidamente intimada da decisão da DRJ Belém, por considerar que a intimação por edital tem caráter subsidiário, conforme art. 23, §1º do Decreto- Fl. 949DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 949 4 lei nº 70235/1972, somente se legitimando quando resultarem improfícuas a intimação pessoal, por via postal ou telegráfica e diante da constatação de que a intimação postal foi frustrada por falta de diligência da empresa responsável pela sua entrega: 1. O contribuinte apresentou pedido de revisão de débito inscrito em dívida visando ao cancelamento da inscrição nº 21.3.12.000015-04, sob o argumento de que parte dos débitos que a compõem estão garantidos por depósito em ação declaratória e de que não foi regularmente intimado no curso processo administrativo fiscal. 2. Quanto à existência de depósito judicial anterior à inscrição convém transcrever o que ficou decidido no acórdão nº 0125.227 3ª Turma da DRJ/BEL (fls. 591/607):“Finalmente, descendo aos contornos reais do caso concreto, tem se que os débitos de IPI escriturados pelo sujeito passivo (os quais correspondem exatamente aos valores lançados de ofício) e os depósitos judiciais efetuados mediante Documentos para Depósitos Judiciais – DJE (juntados aos autos e todos confirmados mediante consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil), são os que seguem registrados na tabela abaixo: PERÍODO DE APURAÇÃO DÉBITO IPI (R$) VALOR 01/2007 12.099,06 02/2007 38.993,19 03/2007 45.292,06 04/2007 28.561,04 05/2007 23.190,83 06/2007 13.087,40 07/2007 8.535,97 08/2007 21.123,99 09/2007 23.841,52 10/2007 21.221,08 11/2007 29.010,50 12/2007 23.157,53 Logo, apenas para os meses de janeiro, abril, maio, junho, agosto e dezembro, todos de 2007, é que os respectivos depósitos corresponderam ao montante integral do tributo efetivamente devido (conforme reconhecido na própria escrituração do contribuinte). Por decorrência, exclusivamente para tais períodos de apuração pode-se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência do depósito judicial do seu montante. Para estes meses de janeiro, abril, maio, junho, agosto e dezembro de 2007, embora não haja óbice legal ao lançamento de ofício (para fins de controle administrativo do crédito tributário objeto de depósito judicial, porém não confessado anteriormente pelo sujeito passivo), evidencia-se que a lavratura deverá efetivar-se sem a incidência de multa punitiva, também não havendo razão para que fluam juros de mora.” 3. Nota-se que, embora o acórdão permita o lançamento de todo o montante (para fins de controle administrativo do crédito tributário objeto de depósito judicial), o reconhecimento da suspensão de exigibilidade em razão de depósito integral impede Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 950 5 o prosseguimento da cobrança, com o envio para inscrição em dívida ativa da União e o consequente ajuizamento. 4. Portanto, as competências garantidas por depósito judicial não podem ser encaminhadas para inscrição em dívida ativa da União, devendo permanecer sob o controle administrativo da Receita Federal do Brasil até o trânsito em julgado da ação judicial, quando serão extintas, ou por decisão judicial ou por transformação dos valores depositados em pagamento definitivo. 5. Outra questão que merece análise diz respeito a validade da intimação por edital, diante das alegações trazidas pela requerente de que houve falha na intimação pela via postal. 6. No caso em apreço, a intimação pela via postal não foi entregue pelos correios, que registrou no aviso de recebimento de fls. 611/612 que a devolução deu-se por “número inexistente endereço insuficiente” 7. O endereço que consta na intimação (R SÃO JOSÉ, 533-A – BAIRRO DO ALEIXO) é idêntico ao que fora informado no aviso de cobrança emitido pela PGFN e entregue pelos correios, bem como com as demais correspondências recebidas pela empresa. 8. O registro fotográfico feito pela interessada (fls. 6/7 de seu pedido de revisão) demonstra que tanto o nome da empresa quanto o número do imóvel estão devidamente sinalizados, sendo realmente incompreensível porque a correspondência não foi entregue. 9. De fato, a intimação por edital tem caráter subsidiário, conforme art. 23, §1º do Decreto-lei nº 70235/1972, somente se legitimando quando resultarem improfícuas a intimação pessoal, por via postal ou telegráfica e diante da constatação de que a intimação postal foi frustrada por falta de diligência da empresa responsável pela sua entrega, é justa a reivindicação da requerente para que o processo retorne ao âmbito administrativo para saneamento. "A citação do devedor por edital só é admissível após o esgotamento de todos os meios possíveis à sua localização" (AgRg no REsp 1.044.953/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe 3/6/09) 10. Isto posto, determino à SECDAU o cancelamento da inscrição nº 21.3.12.000015-04 e retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus (SECAT) para que devedora seja devidamente intimada da decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/Belém e, após o trânsito em julgado, sejam apartados os débitos indicados acórdão nº 0125.227 3ª Turma da DRJ/BEL, sendo encaminhados para inscrição em dívida ativa da União apenas aqueles não garantidos integralmente por depósito judicial, em razão da suspensão da exigibilidade destes outros. 11. CONCLUSÃO: Determino a SECDAU a extinção da inscrição nº 21.3.12.000015-04, por cancelamento, e devolução destes autos a equipe GABINETE/SECAT/DRF/MNS/AM para Fl. 951DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 951 6 regularização da intimação da devedora e prosseguimento do feito. Manaus, 17 de abril de 2013 (grifos meus) Retornando os autos a DRF Manaus providenciou a ciência da interessada disponibilizando os documentos na caixa postal em 08/05/2013 e com a ciência efetivada em 23/05/2013, fl. 682. Em 07/05/2013 a interessada apresenta Recurso Voluntário, fls. 685 a 704, onde em síntese alega: 1. Não tomou ciência do acórdão da DRJ, sendo que a intimação foi efetuada por via postal com retorno do aviso do recebimento por erro no endereço e posteriormente por edital, sem esgotar as tentativas para a intimação postal ou pessoal; 2. No mérito informa que discute a imunidade dos produtos asfálticos em via judicial (processos judiciais nº 2006.34.00019250-4 e 31967- 34.2010.4.01.3400), e por cautela, caso não seja acatada a imunidade, solicita que se considerem todas as entradas de CAP (cimento asfáltico de petróleo NCM 2713.20.00), face o princípio da não cumulatividade do IPI, e que o recálculo poderá influenciar em parte a decisão da DRJ referente à integralidade dos depósitos judiciais; 3. Que a Petrobrás não efetuou o destaque do IPI nas notas fiscais de saída do produto CAP, o que não poderia impedir que a recorrente se creditasse do mesmo; 4. Apesar de ter efetuado os depósitos judiciais, a decisão de 1ª instância administrativa excluiu a multa de ofício e os juros de mora, mas deixou de fixar o quantum da multa de mora a ser aplicada sobre os valores devidos, e que a mesma deveria ser excluída; 5. Não é aplicável a exigência da multa de ofício de 75% em relação às diferenças não depositadas judicialmente, e tão pouco a exigência de juros sobre a multa de ofício; É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes I. Da tempestividade do recurso voluntário. Constam dos autos que a DRF Manaus encaminhou a intimação nº 117/2012, por via postal, à empresa “Stratura Asfaltos S.A”, nova denominação da empresa, localizada à Rua São José nº 533-A, Bairro do Aleixo, Manaus – AM, para que foi efetuada a ciência do acórdão da DRJ Belém, fls. 609 a 612. A correspondência não foi entregue pelo Correios, que informou no aviso de recebimento que a devolução ocorreu por “número inexistente/endereço insuficiente”. Ressalta-se que a empresa demonstrou funcionar normalmente no local do Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 952 7 endereçamento postal, anexando fotos e cópias de documentos diversos com entrega regular pelos Correios. Em seguida, por ter sido infrutífera a intimação por via postal, efetuada uma única vez, foi afixado em 02/08/2012 o Edital/DRF/MNS/SECAT/ECPAF/FAZ/Nº25/2012, nas dependências da DRF Manaus, constando no edital a data da ciência efetuada em 17/08/2012. Em 22/11/2012 o processo foi enviado para inscrição em dívida ativa da União por o interessado não ter apresentado recurso, nem pago os débitos ou solicitado parcelamento. A recorrente informa que tomou ciência da inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União, em 18/12/2012, quando ficou sabendo que sua impugnação havia sido julgada. Conforme decisão da PFN, a intimação por edital somente é válida se restarem infrutíferas a intimação por via postal e pessoal, sendo que não foi feita tentativa de intimação pessoal: De fato, a intimação por edital tem caráter subsidiário, conforme art. 23, §1º do Decreto-lei nº 70235/1972, somente se legitimando quando resultarem improfícuas a intimação pessoal, por via postal ou telegráfica e diante da constatação de que a intimação postal foi frustrada por falta de diligência da empresa responsável pela sua entrega, é justa a reivindicação da requerente para que o processo retorne ao âmbito administrativo para saneamento. "A citação do devedor por edital só é admissível após o esgotamento de todos os meios possíveis à sua localização" (AgRg no REsp 1.044.953/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJe 3/6/09) Seguindo decisão da PFN a DRF Manaus providenciou a ciência da interessada disponibilizando os documentos na caixa postal em 08/05/2013 e com a ciência efetivada em 23/05/2013, fl. 682. Também encaminhou os documentos por via postal. A interessada apresentou, antes da disponibilização dos documentos na caixa postal eletrônica, em 07/05/2013, Recurso Voluntário, fls. 685 a 704. Após todo o trâmite do processo administrativo, conclui-se que o presente recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade, arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, e, portanto, dele tomo conhecimento. II. Da concomitância das ações judiciais. A recorrente ajuizou os processos judiciais nºs 2006.34.00019250-4 e 31967- 34.2010.4.01.3400, para a matriz e filiais, onde discute a imunidade dos derivados de petróleo, e a exclusão da incidência do IPI. A ação foi ajuizada como Ação Ordinária Declaratória com Pedido de Antecipação de Tutela para suspender a exigibilidade do IPI sobre as saídas de asfaltos em emulsão, bem como asfaltos modificados por polímeros e asfaltos oxidados. Informa que é empresa dedicada a fabricação e distribuição de asfaltos em emulsão e outros produtos asfálticos utilizados em pavimentação, adquirindo produtos, Fl. 953DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 953 8 sobretudo da Petrobrás, tais como cimento asfáltico de petróleo (CAP) e asfalto diluído de petróleo (ADP), e que os seus produtos estão sendo tributados pela RFB nas NCMs 2713.20.00 e 2715.00.00. Os processos judiciais nºs 2006.34.00019250-4 e 31967-34.2010.4.01.3400 encontram-se desde 28/02/2013 e 10/12/2014, respectivamente, no TRF da 1ª Região para apreciação de recurso e contrarrazões. Ambos os processos obtiveram sentença desfavorável à tese da contribuinte, julgando improcedente o pedido, em primeira instância. A DRJ assim se pronunciou sobre o tema: O sujeito passivo pretende ver discutido o conceito de derivado de petróleo e o asfalto, bem como a alegada imunidade do bem produzido, além da necessidade de se considerar o crédito das entradas de CAP e o enquadramento do asfalto modificado (alíquota aplicável). Porém, o que o auto de infração fez foi limitar-se a lançar os próprios valores já escriturados pelo estabelecimento industrial, segundo os critérios então eleitos, ao passo que as matérias suscitadas correspondem ao próprio mérito das parcelas do crédito tributário submetidas à apreciação judicial (quanto à respectiva incidência tributária ou não). Neste passo, assinale-se que à Administração fica obstada a discussão do mérito de tais alegações, haja vista que o contribuinte, ao submeter a análise das mesmas ao poder judiciário, vinculou-se ao deslinde do feito a ser proferido pelo órgão judicante. É que o art. 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988 atribui ao poder judiciário o monopólio estatal de dizer o direito no caso concreto, em última palavra, infirmando a competência administrativa para decidir de modo diverso. Com efeito, nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n.º 3, de 14 de fevereiro de 1996, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia às instâncias administrativas quanto à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. Logo, a existência de ação judicial visando à confirmação de suas teses, como já referido, obsta a discussão do tema em sede administrativa, em face do princípio da inafastabilidade ou unicidade da jurisdição, o qual orienta nosso sistema. A opção pela via judicial, por qualquer modalidade de ação, antes ou concomitante à esfera administrativa, torna completamente estéril, pois, a discussão em âmbito não jurisdicional. A autuação ocorreu para prevenir a decadência, pois a recorrente aproveitou depósitos judiciais do Processo 2006.34.00.019250-4 a título de "Outros Créditos" na apuração mensal do IPI e deixou de declarar os débitos correspondentes nas respectivas DCTF´s. A autoridade fiscal reconstituiu a apuração do IPI apresentando planilha consolidada, com a diferença a recolher. Não há como apresentar entendimento diverso do já prolatado pela DRJ, já que a essência das ações judiciais é a discussão do cabimento ou não do crédito na apuração Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 954 9 mensal do IPI, e a lavratura do auto de infração ocorreu para prevenir a decadência. Por isso é de aplicação obrigatória a Súmula CARF nº 001: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste ponto nenhum reparo há a ser feito, pois, de fato as matérias em questão estão sob o crivo do Judiciário não cabendo qualquer manifestação sobre elas na esfera administrativa. III. Créditos nas aquisições efetuadas A recorrente solicita que alternativamente sejam considerados os créditos relativos às aquisições efetuadas, apesar de não constar nas Notas Fiscais de entrada o destaque do IPI, alegando que essa omissão do fornecedor não deve ser atribuída a ela. Perpassando rapidamente o tema, já que entendo que esta no escopo da ação judicial, esse tema vem sendo debatido já há algum tempo por esse tribunal administrativo e a posição dominante é que o direito de crédito subsiste aos erros formais quando houver a comprovação pelo estabelecimento recebedor. Vide Acórdão nº 3401-003.132, de 17 de março de 2016, unânime desse colegiado: Diante do resultado da diligência, pouco resta a discutir, além dos erros formais apontados, que não obstam o direito de crédito da recorrente, como vem entendendo este tribunal administrativo, inclusive nos precedentes apontados pela recorrente, como o Acórdão nº 20217.100 (unânime, proferido em 24 de maio de 2006), no qual, a nosso ver, é bem tratada a questão à luz da verdade material (como já informado na resolução de conversão em diligência): “IPI. RESSARCIMENTO. LEI N. 9.779/99. CRÉDITOS BÁSICOS RELATIVOS A INSUMOS RECEBIDOS EM TRANSFERÊNCIA. A informação do valor total dos produtos, do IPI e da nota fiscal no quadro da nota fiscal destinado aos Dados Adicionais Informações Complementares, aliada à comprovação do lançamento a débito no livro de apuração do remetente, autoriza o creditamento do imposto pelo estabelecimento recebedor dos insumos transferidos.” (grifo nosso) (Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan) Fl. 955DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 955 10 No caso, a recorrente apenas alega que se não for considerada a imunidade então o produto CAP (cimento asfáltico de petróleo) adquirido da Petrobrás estaria sujeito à incidência do IPI à alíquota de 4%, e que a Petrobrás não efetuou o destaque do IPI: Pontue-se que, para fins de amostragem, conforme Notas Fiscais anexadas à Impugnação, o CAP adquirido da Petrobrás, apesar de ser tributável a 4%, por algum motivo, que absolutamente não concerne aos interesses da Impugnante, não teve o IPI destacado da Nota Fiscal. Entretanto a recorrente somente apresenta alegações, não trazendo outras provas aos autos de que faz jus ao crédito, ou que foi onerada pelo pagamento desse imposto. Carece assim fundamentação e provas bastantes para que seja concedido o crédito, mesmo que alternativamente. Também, essa mesma matéria, para o mesmo contribuinte, foi objeto de deliberação desse colegiado no acórdão 3401-003.840, do conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que assim se pronunciou: Contra o argumento, da ora recorrente, de que o Fisco teria o dever de considerar, quando do cálculo do débito tributário, todas as entradas de CAP (cimento asfáltico de petróleo), alegando constar na TIPI como tributado a 4%, face ao princípio da não cumulatividade, esclareceu a decisão recorrida que estes produtos foram adquiridos sem o destaque de IPI e que o imposto não destacado nas notas fiscais de entrada não pode ser utilizado como crédito pela empresa. Insurge-se a recorrente, contra esse entendimento, resumindo sua contrariedade, in verbis: [...] Confunde-se a recorrente, ao afirmar que a decisão contestada fundou-se na ausência de recolhimento de quantia devida a título de imposto na operação antecedente. Não questiona-se o não recolhimento do imposto na operação antecedente. Questiona-se o não lançamento e destaque em nota fiscal, independente de pagamento. Constatou-se que os produtos foram adquiridos sem o destaque de IPI, em notas fiscais que não respaldam lançamentos de créditos escriturais nos livros fiscais ou reconhecimento de direito recuperável na escrita contábil, portanto, inexistente ou ficto o crédito pleiteado. Dentre os requisitos da legislação que rege a matéria, os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade (art. 190, do RIPI/2002 e art. 251, do RIPI/2010), não conferindo legitimidade aos créditos defendidos, notas fiscais de entrada sem imposto lançado destacado Assim, entendo incabível o Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 956 11 direito ao creditamento, sobre aquisições sem o devido destaque do imposto, não lançado destacado na nota fiscal que dá suporte à operação. IV. Depósitos judiciais parciais Quanto ao refazimento dos cálculos do depósito judicial a DRJ se pronunciou que para suspender a exigibilidade do crédito tributário o depósito judicial deve ser efetuado pelo montante integral, monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do tributo até a data do depósito: Ainda em caráter geral, em se tratando de depósito do montante integral do crédito tributário, nos termos do art. 4º do Decreto-- Lei nº 1.737/1979, deve ele ser efetuado pelo valor monetariamente atualizado do crédito, acrescido da multa e juros de mora cabíveis, calculados a partir da data do vencimento do tributo até a data do depósito. Assim, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário agrega-se o principal efeito decorrente do depósito, qual seja, exime o sujeito passivo, a partir da data em que é efetuado, do ônus da correção monetária e evita a fluência dos juros e multa de mora em que incorreria até a solução da lide. Por sua vez, como a conversão do depósito em renda é, nos termos do art. 156, VI, do CTN, modalidade de extinção do crédito tributário a qual opera efeitos ex tunc, retroagindo à data do depósito, evidencia-se que não há que se falar, em tal hipótese, em pagamento extemporâneo do crédito tributário, também resultando notória a inaplicabilidade da multa de ofício sobre créditos tributários lançados para prevenir a decadência, desde que presente todos os elementos normativos a que se vincula a hipótese. Registradas as premissas acima, constata-se, de logo, que o sujeito passivo alega que efetuou a entrega de DCTFs em data anterior à lavratura do auto de infração, o que por si só já obstaria o lançamento, bem como a incidência da multa de ofício. Invoca, pois, os efeitos da espontaneidade prevista no caput do art. 138 do CTN. Contudo, o Parágrafo único do art. 138 em questão é explícito ao estipular que “não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Por decorrência, como o lançamento em tela decorre de procedimento de fiscalização relacionado com a possível infração e muito anterior à sua própria lavratura (conforme consta da Representação Fiscal que acompanha o auto de infração), não incidiriam, em princípio, os efeitos do art. 138, também não se encontrando obstada, em tese, a formalização da exigência de ofício nos moldes em que efetuada. Invoca o sujeito passivo, ainda, o depósito do crédito tributário objeto de lançamento de ofício, com os efeitos que seriam inerentes (afastar a incidência de multa de ofício ou de mora e Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 957 12 evitar a fluência de juros). Note-se, porém, que conforme consta do art. 151, II, do CTN e assinala a própria impugnação, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário é o depósito do seu montante integral, já havendo o Superior Tribunal de Justiça, inclusive, explicitado desde 1994, o alcance e limites da disposição normativa, como se vê em sua Súmula nº 112: “Súmula nº 112 25/10/1994 DJ 03.11.1994 Depósito Suspensão do Crédito Tributário O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro.” (grifos meus) Compulsando os autos vê-se na tabela abaixo, que consta do acórdão DRJ e foi montada a partir das informações contidas nos sistemas da RFB e informações do contribuinte, nos meses fevereiro, março, julho, setembro, outubro e novembro de 2007 os depósitos foram inferiores aos valores devidos, por isso não estariam sujeitos à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Conforme art. 151, II, do CTN, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário é o depósito do seu montante integral: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: Fl. 958DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 958 13 ... II- o depósito do seu montante integral; E o STJ já se pronunciou a respeito por meio se súmula: Súmula nº 112 25/10/1994 DJ 03.11.1994 Depósito Suspensão do Crédito Tributário O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. Cabível, portanto, a cobrança do crédito não depositado judicialmente, já que o art. 151, inciso II do CTN dispõe sobre o depósito do montante integral, e no caso ocorreu o depósito só de parte do crédito. V. Multa de ofício e juros de mora A recorrente alega que não é cabível a incidência de multa de ofício de 75% e a cobrança de juros de mora com base na Taxa Selic e a multa aplicada sobre a multa de ofício. A DRJ também se pronunciou a respeito, no acórdão recorrido: Ocorre que, nos termos do enquadramento legal cabível (artigo 80 da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pela legislação superveniente, para a multa de ofício, e artigo 13 da Lei n.º 9.065, de 1995, e art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, para os juros de mora), os consectários legais em tela resultam de norma legal que autoriza sua incidência. Neste passo, o afastamento de tais normas somente poderia ocorrer se fosse declarada sua inconstitucionalidade e/ou sua ilegalidade. Contudo, tais argumentos não são oponíveis à instância julgadora administrativa, a qual se encontra totalmente vinculada aos ditames legais (artigo 116, III, da Lei n.º 8.112/1990). A esta autoridade, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia dos preceitos legais considerados, pelo sujeito passivo, mesmo que indiretamente, como inconstitucionais e/ou ilegais. Com efeito, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional, a autoridade fiscal encontra-se limitada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando impedida de ultrapassar tais restrições para examinar questões outras como as suscitadas na manifestação em exame. Cabe ao julgador administrativo simplesmente seguir a lei e obrigar seu cumprimento. Por oportuno, assinale-se que já era esta a disposição expressa constante do Parecer Normativo COSIT/SRF nº 329, de 1970: “Iterativamente tem esta Coordenação se manifestado no sentido de que a arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 959 14 sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.” Especificamente em relação à atualização monetária com base na Taxa Selic, ressalte-se que a legislação infraconstitucional que fundamenta a exigência dos juros de mora, no período considerado, atende rigorosamente ao preceituado no § 1.º do art. 161 do CTN, como segue: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.”. Constata-se, pois, que a única exigência para a fixação de juros de mora distintos do percentual de um por cento ao mês é a expressa previsão legal, requisito preenchido pelas leis retrocitadas. Ora, no caso concreto a exclusão da penalidade legal é impossível, pois conforme já discutido os depósitos judiciais não foram integrais, e a aplicação da sanção tem previsão legal, qual seja, o art. 80 da Lei nº 4.502/64. No que tange à exclusão dos juros de mora, a sua manutenção é de rigor, pois se trata de matéria sumulada no âmbito do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Quanto a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício entendo cabível conforme já pronunciamento, não unânime dessa turma. Acompanho que consta no acórdão nº 3201-002.826, de 27 de abril de 2017, no voto do conselheiro Winderley Morais Pereira nos seguintes termos: Por fim, reclara a Recorrente da exigência dos juros moratório sobre a multa de ofício, para esta matéria também não assiste razão ao recurso. Os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A pena pelo atraso no pagamento é resolvida pela multa de mora. O juro não possui caráter punitivo. Neste caminho a lição esclarecedora do Professo Paulo de Barros Carvalho. "Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem os retardatários ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da dívida se vai corrigindo, o que presume Fl. 960DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 960 15 manter-se constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionados à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional. “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” A multa de ofício é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento, a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento, não existindo nenhuma determinação legal para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há como separar a multa de ofício do total do crédito exigido. A matéria já foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão nº 9101001.350, na sessão do dia 15 de maio de 2012, de relatoria do i. Conselheiro Valmir Sandri. Quando foi decidido pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A ementa do citado acórdão ficou assim redigida. "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, ex-vi dos arts.29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002." Quanto a exigência de juros de mora utilizando taxa SELIC. Depreende-se da leitura do § 1º do art. 161 do CTN, que a cobrança de um por cento fica afastada no caso de lei dispuser de modo diverso. No caso em análise, a legislação trouxe novos valores de cobrança, em substituição àquele original, que vem a ser o art. 2º do Decreto-Lei 1.736/79, alterado pelo artigo 16 do Fl. 961DF CARF MF Processo nº 10283.720602/2011-72 Acórdão n.º 3401-003.965 S3-C4T1 Fl. 961 16 Decreto-Lei 2.323/87 com redação dada pelo artigo 6º do Decreto-Lei 2.33187 e art. 54 parágrafo 2º da Lei 8.383/91. Posteriormente, foi editado a Lei nº 9.065/95, que no seu art. 13, deixou claro a cobrança dos juros com utilização da taxa SELIC. "Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Confirmando o entendimento da procedência da utilização da taxa SELIC e a cobrança de juros de mora sobre os débitos com exigibilidade suspensa O CARF editou a súmulas nº 4, publicadas no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Portanto, a cobrança dos juros moratórios utilizando a taxa SELIC é matéria já sumulada e de aplicação obrigatória nos julgamentos deste colegiado. A base legal constante do Auto de Infração lista o art. 161 do CTN, o art. 13 da Lei nº 9.065/1995 e o art. 43, da Lei n 9.430/96. Todos de acordo com a norma vigente, não existindo nenhum reparo a fazer no Auto de Infração quanto a esta matéria. Por todo o exposto voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e no mérito por negar-lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes - Relatora Fl. 962DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720131/2011-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA.
Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratando-se de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA.
Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratando-se de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei.
IPI. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ.
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA.
No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utiliza-se a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido.
Numero da decisão: 1301-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável os seguintes valores: fevereiro de 2006 - R$ 114.796,85; maio de 2006 - R$ 733.469,43; outubro de 2006 - R$ 56.135,00; março de 2007 - R$ 200.000,00; maio de 2007 - R$ 135.000,00, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA. Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratandose de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. NATUREZA DO OBJETO. IMPROCEDÊNCIA. Não compete ao Fisco realizar diligência que tenha por objeto reunir documentos que, supostamente, serviria de suporte para comprovar operações bancárias realizadas pelo contribuinte. Sem que se faça juízo do valor probatório do documento a ser requisitado (FITA DETALHE DE CAIXA), é certo que, tratandose de créditos bancários, a documentação comprobatória das respectivas origens deve ser mantida em ordem e boa guarda, de modo a, se for o caso, impedir a aplicação da presunção prevista em lei. IPI. LANÇAMENTO REFLEXO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 01 31 /2 01 1- 92 Fl. 3276DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.277 2 Aplicase ao processo decorrente de IPI a mesma solução dada pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF ao processo principal de IRPJ. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, é devida, por decorrência, a exigência do IPI correspondente e dos respectivos consectários legais, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. ALÍQUOTA MAIS ELEVADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à consequente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, para a quantificação do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável os seguintes valores: fevereiro de 2006 R$ 114.796,85; maio de 2006 R$ 733.469,43; outubro de 2006 R$ 56.135,00; março de 2007 R$ 200.000,00; maio de 2007 R$ 135.000,00, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.278 3 Relatório DOMIMAR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância (Acórdão 1434.181) que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Tratase de exigência reflexa de IPI decorrente de lançamento de IRPJ em razão de suposta omissão de receitas com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) encontrase formalizada no processo 10950.720133/201181. Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi constatado falta de lançamento do imposto sobre produtos industrializados (IPI) caracterizada pela saída do estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal. Essas constatações decorreram de apuração de omissão de receitas, no lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) e reflexos, objeto do processo nº 10950.720133/201181. Consequentemente, foi lavrado o auto de infração de fls.595/600, para exigir o crédito tributário do IPI decorrente das receitas omitidas, legalmente consideradas como vendas sem emissão de notas fiscais, nos seguintes termos: Imposto: R$ 19.631.388,69 Juros de mora: R$ 7.863.459,08 Multa proporcional: R$ 14.723.541,44 Total do crédito tributário: R$ 43.594.210,29 Enquadramento legal: Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI/2010) – , arts. 1o, 2o, 3o, 4o, 8o, 25, II, 35, II, 181, 182, I e “b” e II e “c”, 186, §§ 1o, 2o, e 3o, 189, 190, II, 251, 252, 256, 259, 260, IV, 262, III, e 522, §§ 1o e 2o. Notificada do lançamento em 28/01/2011, conforme auto de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 28/02/2011, com a impugnação de fls.610/618, alegando, em suma, a impossibilidade de lançamento arbitrado exclusivamente com base em extratos bancários, conforme Súmula 82 do extinto Tribunal Federal de Recursos e jurisprudência administrativa; que o auditorfiscal ignorou as provas apresentadas para justificar os depósitos e créditos bancários; que as exigências devem ser revistas em função das provas constantes do processo; a inconstitucionalidade da utilização da taxa Selic como juros de mora. Fl. 3278DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.279 4 Requereu o cancelamento da exigência fiscal ou, caso não seja esse o entendimento, que seja recalculada a exigência para considerar e excluir da base de cálculo os valores comprovados e excluir a taxa Selic como juros de mora. A decisão recorrida julgou a impugnação improcedente, cujo teor do voto condutor aresto reproduzo a seguir: Tratase de analisar lançamento referente ao IPI, períodos de apuração ocorridos nos anoscalendário de 2006 e 2007, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Inicialmente, é curial transcrever o dispositivo do RIPI/2002 que já tratava da omissão de receitas, ou seja, o art. 522, principalmente no que pertine ao § 2º, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1º) como insumos (auditoria de produção ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem inexistente ou não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. Art. 522. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção e correspondente pagamento do imposto dos estabelecimentos industriais, o valor e a quantidade das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mão de obra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). § 1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. § 2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1o (grifei). Destarte, em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2º). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1º da norma regulamentar em comentário. Fl. 3279DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.280 5 No processo relativo ao IRPJ, conforme acórdão de fls. 660/675, considerouse improcedente a impugnação. Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, restou mantida a totalidade da exação com reflexo no campo do IPI. Nesse passo, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Aplicamse, da mesma forma, os argumentos daquele acórdão no que se refere à inconstitucionalidade da taxa Selic. O contribuinte foi cientificado da decisão em 04 de julho de 2011 (fl. 996), apresentando recurso voluntário em 29 de julho de 2011 (fls. 10021024). Além de reafirmar seus argumentos tecidos em sede de impugnação, a recorrente questiona a aplicação da alíquota de 20%, argumentando que o produto classificado na posição 9612.10.90 da TIPI não seria por ela fabricado, que o lançamento teria sido feito com base em informações contidas na DIPJ, não tendo sido analisada sua escrituração fiscal, que os produtos fabricados pela recorrente são tributados com alíquota 0 (zero). Aduz ainda que há outro auto de infração, controlado no processo 10950.005471/200975, que lhe exigiria IPI incidente na importação, no total de R$ 841.027,27 (valor do IPI cobrado), requerendo que o valor exigido naquele processo deva ser considerado na apuração de IPI questionado nos presentes autos. Anexou ainda a recorrente o aditivo de fls. 25692600 contendo documentos referentes a suposta comprovação de origem de depósitos oriundos de saques efetuados pela própria pessoa jurídica em outras contas correntes, justificando sua apresentação extemporânea em razão de somente ter obtido tais elementos após demanda judicial oposta em face do Banco do Brasil. É o relatório. Fl. 3280DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.281 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário apresentado é tempestivo e assinado por procurador devidamente habilitado. Preenchidos os demais pressupostos admissibilidade, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO 2.1 DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratandose de auto de infração reflexo, baseado nos mesmos elementos de prova, no que diz respeito ao mérito da exigência, e em especial quantificação da omissão de receita, há de se aplicar nos presentes autos o mesmo entendimento firmado no processo principal (Acórdão 1301001.437, referente ao recurso voluntário, e acórdãos 1301001.879 e 1301002.172 concernentes a embargos de declaração). Transcrevo os fundamentos desses votos: Acórdão 1301001.437 (recurso voluntário) Em conformidade com o Termo de Verificação do Procedimento Fiscal (fls. 569/577), foi imputada à contribuinte a prática de omissão de receitas, apurada a partir da constatação de créditos bancários sem comprovação da correspondente origem. A ação fiscal alcançou os anoscalendário de 2006 e de 2007, tendo sido formalizadas exigências relativas ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos. Tendo a contribuinte optado pela tributação com base no lucro presumido e na medida em que a receita bruta auferida no anocalendário de 2006 ultrapassou o limite para permanência, em 2007, no referido regime de tributação, a Fiscalização promoveu a apuração do imposto e da contribuição social sobre o lucro, para o citado ano calendário de 2007, com base no lucro arbitrado. Embora o Termo de Verificação em referência faça menção à formalização de exigência relativa ao Imposto sobre Produtos Industrializados, não identifico no presente processo auto de infração relativo ao tributo em questão. Apresentada impugnação, a Turma Julgadora de primeiro grau manteve na íntegra os lançamentos tributários efetivados. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário1. 1 Na medida em que a exigência relativa ao IPI não foi formalizada por meio do presente processo, não serão apreciados os argumentos relacionados ao citado tributo. Fl. 3281DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.282 7 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Alega a Recorrente que o trabalho da auditoria foi: “i) relacionar os depósitos bancários; ii) lavrar uma única intimação fiscal exigindo da autuada a comprovação da origem dos recursos; e iii) comparar a soma dos depósitos com os valores declarados pela contribuinte.” Diz que, procedendo dessa forma, a autoridade fiscal apurou bases de cálculo diferentes para cada tributo ou contribuição. Argumenta que o Termo de Verificação Fiscal não faz qualquer alusão a uma possível análise da sua escrituração contábil, a fim de apurar se as contas bancárias haviam sido contabilizadas ou não e para cruzar valores das contas não contabilizadas com os recursos da conta Caixa. Afirma que também não existe registro de que foram examinadas a sua escrituração fiscal e suas notas fiscais. Sustenta que, nesse caso, resta caracterizado o denominado “lançamento arbitrado exclusivamente com base apenas em extratos ou depósitos bancários”, objeto de manifestação pelo extinto Tribunal Federal de Recursos, que cristalizou sua jurisprudência no verbete da súmula nº 182. Diz que o lançamento fiscal, na forma como foi efetuado, também não está amparado no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, porque apresenta um defeito estrutural grave ao comparar a soma dos depósitos bancários com a receita declarada. Argumenta que a omissão de receita, se existente, teria de ser apurada pelo confronto entre a soma dos depósitos bancários e a soma de todos os recursos financeiros passíveis de serem depositados. Alega que, se tivesse examinado a contabilidade, o agente fiscal teria constatado que ela é contribuinte do IPI e, neste caso, o recebimento do valor de tal tributo lançado na nota fiscal de venda gera recurso para ser depositado, mas que não integra o valor da receita declarada. Para ela, outro fato que não foi levado em consideração no levantamento fiscal decorre das vendas a prazo, tendo em vista que são computadas como receita no mês de faturamento, mas só geram recursos depositáveis no mês de recebimento. Aduz que também compromete o levantamento fiscal o fato de o Auditor não ter considerado como recurso depositável os seguintes elementos: o saldo inicial de CAIXA; os recebimentos decorrentes de venda de bens do ativo imobilizado; os cheques depositados e devolvidos; e todos os recebimentos. Conforme Termo de Intimação de fls. 125/127, a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas correntes bancárias, momento em que lhe foi apresentado o denominado DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR. No referido Termo consta expresso que as transferências entre contas da mesma titularidade que foram detectadas não foram relacionadas. No DEMONSTRATIVO acima referenciado, anexado aos autos às fls. 130/460, os créditos bancários foram devidamente individualizados, respeitandose, assim, o disposto no parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Alegando dificuldades junto às instituições financeiras, a contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento (fls. 461). Prestando esclarecimentos acerca de outros itens do Termo de Intimação, a contribuinte fiscalizada, em nova resposta à Fiscalização, informou que, relativamente à comprovação da origem dos créditos bancários, estava providenciando o atendimento (fls. 462). Em documento recepcionado em 16 de novembro de 2010 (fls. 464/465), a contribuinte apresentou, para fins de comprovação da origem dos créditos bancários, planilhas e cópia de extratos. Alegando falta de interesse e de responsabilidade das instituições financeiras e um número muito grande de informações requisitadas, solicitou mais uma vez prorrogação do prazo para atendimento da intimação. Fl. 3282DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.283 8 Em 15 de dezembro de 2010, dando continuidade ao atendimento da intimação formalizada pela autoridade fiscal, a contribuinte apresentou novas planilhas e extratos (fls. 505/517). Às fls. 536 e 537/562, foram anexadas planilhas denominadas DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS JUSTIFICADOS que, supõese, resultaram da análise da documentação apresentada pela fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação. Embora, de fato, só conste dos autos uma única intimação exigindo a comprovação da origem dos créditos bancários, notase, com facilidade, que essa referida intimação provocou múltiplas respostas da Recorrente (fls. 461, 462, 464/465 e 505/517) inclusive com pedido de prorrogação do prazo para atendimento, tornando, assim, desnecessária a emissão de novas solicitações. Não identifico, portanto, qualquer prejuízo para a fiscalizada o fato de a autoridade autuante emitir uma única intimação para que ela comprovasse a origem dos depósitos bancários. No que diz respeito às considerações acerca da escrituração, a Recorrente foi intimada a apresentar os livros comerciais e fiscais (Diário, Caixa, Razão, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS e Registro de Inventário), conforme Termo de fls. 02/04, de 19 de março de 2010. Em correspondência datada de 30 de março de 2010, a contribuinte requereu prorrogação do prazo (fls. 90), o que foi atendido, conforme registro feito no corpo da própria correspondência. Em documento datado de 05 de abril de 2010, a Recorrente encaminhou à Fiscalização os seguintes Livros: Registro de Saídas, Diário e Registro de Apuração do ICMS (fls. 91). Nos anoscalendário submetidos ao procedimento fiscal (2006 e 2007), a contribuinte optou pela apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro presumido, o que lhe facultaria, ao invés de manter contabilidade completa, escriturar apenas o Livro Caixa. Entretanto, pelo que se pode depreender do atendimento feito em 05 de abril de 2010, embora não conste registro acerca da apresentação do Livro Razão, ela teria efetuado a escrituração completa de suas operações. Se, de fato, a Recorrente promoveu a escrituração completa de suas transações, ela deveria ter aportado ao autos documentos, inclusive contábeis, capazes de demonstrar, ainda que em parte, a insubsistência do levantamento feito pela autoridade autuante. A simples alegação de que não existe referência nos autos a uma possível análise da escrituração, a meu ver, não macula os apontamentos apresentados pela Fiscalização. Como já dito, a Fiscalização, ao intimar a Recorrente à comprovar a origem dos créditos bancários, cuidou de individualizálos e excluir as transferências entre contas de mesma titularidade e os créditos tidos como comprovados, atendendo, assim, as exigências impostas pela norma autorizadora da aplicação da presunção. Na tributação pelo lucro presumido (ou arbitrado), em que a base de cálculo dos tributos e contribuições tem por suporte a receita bruta, não me parece digno de reparo a apuração das exigências que resulta da comparação entre o que foi declarado a esse título e o que o foi considerado, com amparo na lei, como receita omitida. Desnecessárias, nesse caso, maiores investigações contábeis, especialmente na circunstância em que, intimada, a contribuinte sequer apresenta o Livro Razão e, Fl. 3283DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.284 9 ainda, não traz qualquer elemento para comprovar a inconsistência do levantamento feito pela autoridade fiscal. Equivocase a Recorrente ao fazer alusão à sumula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, eis que o entendimento ali esposado tomou por base a legislação vigente antes da edição da Lei nº 9.430, de 1996, que, em seu artigo 42, assim dispôs: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Tratase, pois, de presunção eleita pela lei que, como é cediço, tem o condão de inverter o ônus da prova, isto é, não comprovada a origem do crédito bancário, a Fiscalização está autorizada a considerar como receita omitida o montante correspondente, cabendo ao contribuinte reunir provas de que o crédito envolvido não é receita, ou, embora seja decorrente de receita, já foi tributado. A Recorrente alega que a Fiscalização apurou bases de cálculo distintas para cada tributo ou contribuição. Ora, tratandose de tributação com base no lucro presumido Fl. 3284DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.285 10 ou arbitrado, ao menos em relação ao IRPJ e à CSLL, as bases de cálculo são distintas, eis que submetidas a percentuais de presunção (ou de arbitramento) da mesma forma distintos. O que representaria erro seria a consideração de matérias tributáveis distintas, no caso, representadas pela receita tida como omitida. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, os depósitos de origem não comprovada tidos como receita omitida alcançaram os seguintes montantes: PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR 1º T – 2006 11.299.876,38 2º T – 2006 12.790.499,68 3º T – 2006 14.379.566,85 4º T – 2006 14.198.982,32 1º T – 20067 12.979.950,27 2º T – 2007 17.088.968,18 3º T – 2007 17.336.419,45 4º T – 2007 15.200.335,91 Tais montantes são exatamente os que constam dos autos de infração, fls. 580, 5822 (IRPJ) e 616 (CSLL), cabendo esclarecer que: a) relativamente ao PIS e à COFINS, na medida em que a receita declarada, que foi deduzida do montante de receita omitida, foi distinta da consignada para fins de IRPJ e CSLL, as bases de cálculo, da mesma forma, resultaram em valores distintos; e b) relativamente, ao anocalendário de 2007, tendo havido desconsideração da tributação pelo lucro presumido, a receita que serviu de suporte para a determinação do lucro arbitrado representou a soma do declarado com o que foi omitido. Pelo que foi exposto, resta claro que não podem ser acolhidos os argumentos da Recorrente no sentido de que deveriam ser confrontados os depósitos com a soma dos recursos financeiros; a exclusão de qualquer valor a título de IPI, de saldo de caixa, de vendas de imobilizado, de cheques devolvidos (que sequer não foram objeto de identificação) e recebimentos de qualquer espécie; bem como o fato (não comprovado) de que vendas foram supostamente efetuadas a prazo. COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS Insurgese a Recorrente contra o fato de o agente fiscal ter, segundo ela, ignorado as justificativas e as provas apresentadas para justificar os depósitos e créditos bancários. Argumenta que o Auditor Fiscal simplesmente rejeitou as justificativas e os comprovantes apresentados, consignando, ao lado de cada depósito ou crédito, a observação “não comprovado”. Diz que, no caso, restou violado o disposto no 2 Na indicação do valor tributável correspondente ao primeiro trimestre de 2007, consta o registro no auto de infração do montante de R$ 12.949.950,27, o que, considerada a descrição apresentada no Termo de Verificação Fiscal, representa um cômputo a menor, a favor da autuada, de R$ 30.000,00. No registro da receita omitida correspondente ao 1º trimestre de 2006, houve, também, cômputo a menor, nos autos de infração, a favor, portanto, da contribuinte, do montante de R$ 356,96 (constou, relativamente ao mês de fevereiro, o valor de R$ 3.332.168,75, quando, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, deveria ter sido considerado R$ 3.332.525,71). Fl. 3285DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.286 11 parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99. A título de exemplo, traz considerações acerca dos depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, afirmando que os recursos utilizados nessas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade, e que, em tal circunstância, o auditor tinha a obrigação de produzir prova concreta de que o cheque sacado teve destinação diferente daquela indicada por ela A questão acerca da apreciação, por parte da autoridade fiscal, da documentação apresentada no curso do procedimento fiscal, a meu ver, foi adequadamente tratada pelo ato decisório recorrido, eis que restou consignado no voto condutor correspondente: [...] 58. Na impugnação a contribuinte contesta o fato de a autoridade fiscal não ter acatado parte dos documentos comprobatórios que apresentou. Pois bem, os documentos apresentados, fls. 489504 e, posteriormente, fls. 506513 são comprovantes de resgate de aplicações, os quais foram integralmente acatados. Percebase nas planilhas de fls. 536548 que a quase totalidade das transferências havidas nas contas do Banco do Brasil 16.2884 e 116.2888 foram justificadas, restando sem comprovação apenas depósitos de cheques e alguns em dinheiro. Entre os valores não comprovados encontramse apenas três operações intituladas TED, o que afasta a alegação de que suas justificativas não teriam sido aceitas. Já as planilhas de fls. 549562 comprovam o volume de valores considerados como comprovados. 59. Outra coisa que o contribuinte solicita na peça de defesa é que sejam apreciados os documentos que intitula como sendo FITA DETALHE DO CAIXA, as quais se encontram às f1s.664680. 60. Eis o que alegou na impugnação: "Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 19/07/2006 consta a emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta n° 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta nº 16.2884, um de R$ 22.000,00 e outro de R$ 18.000,00, exatamente como consta nos extratos das respectivas contas." 61. Mais adiante, prossegue: “Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 31/07/2006 consta a emissão de dois cheques da conta n° 7.893X, no valor total de R$ 54.000,00, e que parte do recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta n° 16.288 4, um de R$ 28.300,00 e outro de R$ 20.095,00, da forma como aparece nos extratos bancários". Ressaltamos, que neste caso o Banco suprimiu da FITA DETALHE DO CAIXA os pagamentos que totalizaram R$ 5.605,00, alegando sigilo bancário porque no documento aparecia o nome de outras pessoas. A sessão foi encerrada com recebimento de R$ 54.000,00; pagamentos R$ 54.000,00 e saldo R$ 0,00.” 62. Tais alegações não merecem prosperar e explicase porque. Por primeiro como a própria defesa sustenta, os documentos intitulados FITA DETALHE DO CAIXA, juntados às fls. 664681, foram obtidos informalmente, posto que, segundo alega, o banco se recusou fornecer tais informações oficialmente, à desculpa do sigilo bancário (fl.637 dos autos). Por segundo, a peça de defesa menciona a conta corrente n° 7.893X, sem, no entanto, explicitar a qual banco nem a que agência pertence, fato que Fl. 3286DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.287 12 compromete a análise de qualquer razão de defesa apresentada. A interessada sustenta que desta conta teriam saído valores para suprir a conta corrente no 16.2884, também de sua titularidade, e mais, os documentos juntados aos autos não possuem qualquer assinatura ou identificação de quem os forneceu, sequer um carimbo ou ofício de encaminhamento. Muito menos a chancela do banco. 63. Contudo, num esforço para dar uma resposta aos questionamentos da impugnante, vamos admitir que a tal conta corrente no 7.893X pertence ao Banco do Brasil, mais especificamente da Agência 28681, já que esta informação consta da planilha de fls. 644663, montada pela contribuinte. 64. Assim, analisando a primeira alegação de que um cheque da conta no 7.893X da Ag. 28681, datado de 19/07/2006, comprovaria a origem de dois depósitos ocorridos na conta 16.2884, da mesma agência, não merece prosperar, uma vez que inexiste justificativa plausível para o banco desdobrar um único cheque que lhe é apresentado na boca do caixa, a fim de proceder a dois depósitos no mesmo dia, na mesma hora e para a mesma correntista. Outro detalhe que impede a consideração dos mencionados documentos é o fato de ali não constar o número do cheque objeto da operação, impedindo que se realize qualquer confrontação. Aliás, essa também foi a prática adotada pela defesa. Embora tente justificar alguns dos valores questionados ao argumento de que teriam origem em transferências, via cheques, efetuadas entre suas próprias contas, esquivase de fazer vinculação a um cheque específico nem traz cópia do documento que teria servido de base para a operação. 65. E mais, qual é a justificativa de emitir um cheque para suprir outra conta da contribuinte na mesma instituição e na mesma agência se a simples emissão de um TED ou mesmo de um DOC surte o mesmo efeito, sem a necessidade de a empresa "gastar" suas folhas de cheque? 66. Como a conta corrente n° 7.893X da Ag. 28681 não se encontra discriminada no item 23, questionouse a autoridade fiscal qual a razão ao que ele respondeu que: Essa é uma conta cuja movimentação (créditos) serve, apenas para transferência de valores entre as contas da impugnante, por isso não constou dos demonstrativos sendo que, os extratos encontram se nos anexos. 67. E complementou: Os débitos nestas contas e com créditos em outras contas da empresa com datas e valores coincidentes foram consideradas. As transferências em parcelas não foram consideradas por falta de documentos que identificassem a efetiva movimentação conforme alegado. No caso não há sigilo bancário, pois a fiscalizada teria que ter a posse dos documentos quitados e que deveriam estar escriturados nos livros. 68. Assim, ante todo o exposto voto por desconsiderar os documentos apresentados uma vez que os mesmos não preenchem os requisitos básicos para sua aceitação. Outras razões não foram apresentadas. Em primeiro lugar, rejeitase o argumento da Recorrente de que, no caso, seriam aplicáveis as disposições do parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99, vez que, aqui, não se trata de impugnação de esclarecimento prestado, mas, sim, de ausência de comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da origem de recursos que ingressaram nas contas bancárias da fiscalizada. Tratase, pois, de ausência de admissibilidade da prova, eis que, para os fins propostos (comprovação da origem dos créditos bancários), ela deveria vir acompanhada de documentos hábeis. Fl. 3287DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.288 13 Relativamente aos depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, esclarece a Recorrente que “os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade”. Para ela, “o auditor tinha a obrigação de produzir prova concreta de que o cheque sacado teve destinação diferente daquela indicada pela Recorrente, devendo, ainda, neste caso, justificar os motivos que levaram a concluir pelo não acolhimento do esclarecimento prestado e da prova apresentada.” Na linha do sustentado no ato recorrido, a Recorrente busca com tal argumentação transferir para a autoridade fiscal o dever de comprovação, isto é, alega e exige que a referida autoridade demonstre que o fato alegado não ocorreu. À evidência, tal pretensão não pode ser acolhida. Cabe frisar que a decisão recorrida declina de forma expressa as razões pelas quais não acolheu as explicações apresentadas em sede de impugnação (fitasdetalhe obtidas informalmente; ausência de indicação das contas bancárias envolvidas; impossibilidade de aferição em virtude de informações incompletas; falta de plausibilidade na realização das alegadas operações, entre outras). Entre outros documentos, a Recorrente aportou ao processo planilhas denominadas: ANEXO I – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 722/747); ANEXO II – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 8.1655 e AG. 03522 = CONTA 108.1659 (fls. 748/757); ANEXO III – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 9.6121 e AG. 03522 = CONTA 109.6125 (fls. 758/760); ANEXO IV – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 16.2884 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 761/775); ANEXO V – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO / BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 776/777); ANEXO VI – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO / BANCO DO BRASIL = AG. 03522 = CONTA 108.1659 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 778); cópia do que se supõe sejam fitasdetalhe e de extratos bancários (fls. 791/847); e planilhas demonstrativas dos DEPÓSITOS CHEQUE BB LIQUIDADO (fls. 848/859). Com o devido respeito, a documentação acima discriminada em nada colabora para confirmar a assertiva trazida na peça recursal. No caso, penso que a contribuinte deveria, ao menos, trazer ao processo pronunciamento de representante da instituição financeira explicando a operação referenciada na peça de defesa (DEPOSITO CHEQUE BB LIQUIDADO), acompanhado, ainda que por amostragem, de documentos relativos às transações que envolveram os valores movimentados. A simples apresentação de planilhas e extratos, à evidência, não constitui elemento hábil à comprovação pretendida. Fl. 3288DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.289 14 Em convergência com o decidido em primeira instância, descarto também a possibilidade de a Receita Federal, em substituição à fiscalizada, diligenciar junto ao Banco do Brasil em busca de comprovação para as alegações trazidas em sede de recurso. Penso não restar dúvida de que, no caso, a Recorrente já deveria estar de posse da referida documentação, de modo que lhe fosse possível apresentála em resposta à eventual ação fiscalizadora. Diante da absoluta falta de previsão legal, rejeito, também, o pedido de suspensão do julgamento referenciado na peça recursal. ERROS INCORRIDOS PELA FISCALIZAÇÃO A Recorrente assinala que foram identificados equívocos, por parte da autoridade fiscal, nos seguintes documentos: DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007; DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006; DEMONSTRATIVO DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS JUSTIFICADOS – PLANILHA Nº 02; DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO DOS CRÉDITOS EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007; DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2006; e DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2007. DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007: afirma a Recorrente que o Auditor Fiscal repetiu os valores das receitas declaradas informadas no demonstrativo do anocalendário de 2006. De fato, a autoridade fiscal, inadvertidamente, repetiu, na elaboração do demonstrativo relativo ao anocalendário de 2007, as receitas declaradas pela Recorrente no anocalendário de 2006, de modo que a matéria tributável correspondente deve ser ajustada na forma abaixo indicada. 1º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 15.421.450,64 15.421.450,64 RECEITA DECLARADA 2.048.255,61 4.012.749,71 CRÉDITOS COMPROVADOS 423.244,76 423.244,76 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 12.949.950,27 10.985.456,17 DIFERENÇA 1.964.494,10 2º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 19.666.538,58 19.666.538,58 Fl. 3289DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.290 15 RECEITA DECLARADA 1.266.426,01 4.618.430,15 CRÉDITOS COMPROVADOS 1.311.144,39 1.311.144,39 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 17.088.968,18 13.736.964,04 DIFERENÇA 3.352.004,14 3º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 21.711.623,94 21.711.623,94 RECEITA DECLARADA 1.822.745,62 4.900.472,93 CRÉDITOS COMPROVADOS 2.552.458,87 2.552.458,87 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 17.336.419,45 14.258.692,14 DIFERENÇA 3.077.727,31 4º TRIMESTRE DE 2007 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 19.484.610,14 19.484.610,14 RECEITA DECLARADA 1.463.842,03 5.134.180,63 CRÉDITOS COMPROVADOS 2.820.432,20 2.820.432,20 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 15.200.335,91 11.529.997,31 DIFERENÇA 3.670.338,60 DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006: assinala a Recorrente que o Auditor Fiscal incorreu em erro de soma na consolidação do valor tributável relativo ao terceiro trimestre de 2006. Merece acolhimento o pleito da Recorrente, eis que o valor apontado no demonstrativo não corresponde à soma algébrica dos valores nele discriminados. A matéria tributável deve ser ajustada na forma indicada no quadro abaixo. 3º TRIMESTRE DE 2006 ESPECIFICAÇÃO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO CORRETO CRÉDITOS A COMPROVAR 16.427.312,47 16.427.312,47 RECEITA DECLARADA 1.822.745,62 1.822.745,62 Fl. 3290DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.291 16 CRÉDITOS COMPROVADOS 1.589.426,94 1.589.426,94 MATÉRIA TRIBUTÁVEL 14.379.566,85 13.015.139,91 DIFERENÇA 1.364.426,94 DEMONSTRATIVO DOS DEPÓSITOS E CRÉDITOS JUSTIFICADOS – PLANILHA Nº 02: a) argumenta a Recorrente que o Auditor Fiscal cometeu erro na soma dos valores justificados no mês de outubro de 2006, relativamente ao Banco Bradesco, agência 3509, conta nº 252.9327. Correta a constatação feita pela Recorrente, devendo a matéria tributável relativa ao 4º trimestre de 2006 ser ajustada na forma indicado no quadro abaixo. DATA ESPECIFICAÇÃO MONTANTE APURADO PELA FISCALIZAÇÃO MONTANTE CORRETO 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 55.395,00 55.395,00 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 70,00 70,00 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 170,00 170,00 03/10/2006 VALOR EM DUPLICIDADE 500,00 500,00 11/10/2006 RESG TIT CAP 1.104,29 1.104,29 11/10/2006 RESG TIT CAP 1.104,29 1.104,29 SOMA 2.208,58 58.343,58 DIFERENÇA 56.135,00 b) afirma que, relativamente ao mês de fevereiro de 2006, houve intimação para comprovar um crédito de R$ 447.293,98, no dia vinte e três do referido mês, no Banco Bradesco, agência 3509, conta 253.8296; que o Auditor teria reconhecido que havia lançado indevidamente tal valor, porém, somente deduziu o valor de R$ 402.564,00, restando, assim, uma diferença de R$ 44.729,98; De fato, às fls. 552, consta da planilha relativa aos créditos justificados a informação de que o valor de R$ 447.293,98 foi lançado indevidamente, contudo, na indicação do total do mês, foi assinalado o montante de R$ 402.564,00, motivo pelo qual a matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2006 deve ser reduzida em R$ 44.729,98. DEMONSTRATIVO DE CONSOLIDAÇÃO DOS CRÉDITOS EM C/C NÃO COMPROVADOS – VALOR TRIBUTÁVEL DO IRPJ, relativo ao anocalendário de 2007: a Recorrente afirma que o Auditor Fiscal não incluiu o valor de R$ 135.000,00 que havia considerado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS JUSTIFICADOS, relativo ao Banco do Brasil, agências 28681, conta 8.1655, e 03522, conta 108.165 9. O pleito deve ser acolhido, eis que às fls. 547 consta demonstrativo indicando que o crédito total de R$ 135.000,00, em 02/05/2007, foi justificado, sem que fosse considerado na consolidação da matéria tributável (fls. 564). Fl. 3291DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.292 17 A matéria tributável relativa ao 2º trimestre de 2007 deve ser reduzida em R$ 135.000,00. DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2006: relativamente a esse demonstrativo, a Recorrente aponta os seguintes erros, in verbis: a) No mês de fevereiro de 2006, os depósitos relacionados na conta n° 16.2884 do Banco do Brasil somam R$ 1.391.557,05, mas foram consolidados pelo valor de R$ 1.394.557,05, restando, portanto, uma diferença de R$ 3.000,00 para ser considerada; b) No mês de fevereiro de 2006, os depósitos relacionados na conta n° 253.8296 do Banco Bradesco somam R$ 601.289,18, mas foram consolidados pelo valor de R$ 668.356,05, restando, portanto, uma diferença de R$ 67.066,87 para ser considerada; c) No mês de maio de 2006, os depósitos relacionados na conta n° 53.122 0 do Banco Itaú somam R$ 814.989,40, mas foram consolidados pelo valor de R$ 1.549.458,83, restando, portanto, uma diferença de R$ 734.469,43 para ser considerada. O DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS A COMPROVAR, fls. 133/verso, de fato, indica o montante de R$ 1.391.557,07, enquanto que na consolidação correspondente (fls.128) foi assinalado o valor de R$ 1.394.557,07, motivo pelo deve ser excluído da matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2006 o valor de R$ 3.000,00. A divergência apontada em relação ao Banco Bradesco, de igual forma, procede, eis que foi registrado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS A COMPROVAR de fls. 232/verso o valor de R$ 601.289,18, enquanto na consolidação, fls. 128, a autoridade fiscal consignou R$ 668.356,05, devendo, portanto, ser reduzida a matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2006 o montante de R$ 67.066,87. No que diz respeito aos depósitos relacionados na conta nº 53.1220 do Banco Itaú, contudo, não identifico a divergência apontada pela Recorrente, visto que na consolidação foi registrado o valor de R$ 1.548.458,83 (fls. 128), e não R$ 1.549.458, 83, como alegado, enquanto no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS EM C/C BANCÁRIA A COMPROVAR de fls. 382/verso foi apurado o montante de R$ 1.549.458,83. DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DOS CRÉDITOS EM C/C A COMPROVAR – APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁRIO – ANO 2007: alega a Recorrente que, “no mês de março de 2007, os depósitos relacionados na conta n° 53.1220 do Banco Itaú somam R$ 451.555,10, mas foram consolidados pelo valor de R$ 649.969,40, restando, portanto, uma diferença de R$ 198.414,30 para ser considerada”. Embora em montante distinto, também identifico divergência entre o montante consignado no DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS EM C/C BANCÁRIA A COMPROVAR de fls. 409 (R$ 649.969,40) e o que foi registrado na consolidação (R$ 849.969,40), razão pela qual a matéria tributável relativa ao 1º trimestre de 2007 deve ser reduzida em R$ 200.000,00. Acórdão 1301001.879 (embargos) Fl. 3292DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.293 18 Trata o presente de despacho emitido pela Delegacia da Receita Federal em Maringá, Paraná, acolhido como EMBARGOS DE DECLARAÇÃO por meio do despacho de fls. 2.782/2.783. Verificado que o acórdão nº 1301001.437, prolatado por esta Primeira Turma Ordinária na sessão realizada em 12 de março de 2014, não foi suficientemente claro ao discriminar a matéria tributável a ser excluída, dificultando ou até mesmo impossibilitando a execução da decisão por ele veiculada, esclarecendo inicialmente que o acórdão em referência diz respeito a totalidade dos tributos lançados (IRPJ e seus REFLEXOS CSLL, PIS e COFINS), passo a apontar, por tributo e por período, a referida matéria remanescente. 1º TRIMESTRE DE 2006: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 114.796,85 IRPJ/CSLL: R$ 114.796,85 (EXCLUSÃO DO 1º TRIMESTRE DE 2006) PIS/COFINS: R$ 114.796,85 (EXCLUSÃO DO MÊS DE FEVEREIRO DE 2006) 3º TRIMESTRE DE 2006: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 1.364.426,94 IRPJ/CSLL: R$ 1.364.426,94 (EXCLUSÃO DO 3º TRIMESTRE DE 2006) 4º TRIMESTRE DE 2006: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 56.135,00 IRPJ/CSLL: R$ 56.135,00 (EXCLUSÃO DO 4º TRIMESTRE DE 2006) PIS/COFINS: R$ 56.135,00 (EXCLUSÃO DO MÊS DE OUTUBRO DE 2006) 1º TRIMESTRE DE 2007: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 2.164.494,10 IRPJ/CSLL: R$ 2.164.494,10 (EXCLUSÃO DO 1º TRIMESTRE DE 2007) PIS/COFINS: R$ 200.000,00 (EXCLUSÃO DO MÊS DE MARÇO DE 2007) 2º TRIMESTRE DE 2007: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 3.487.004,14 IRPJ/CSLL: R$ 3.487.004,14 (EXCLUSÃO DO 2º TRIMESTRE DE 2007) PIS/COFINS: R$ 135.000,00 (EXCLUSÃO DO MÊS DE MAIO DE 2007) 3º TRIMESTRE DE 2007: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 3.077.727,31 IRPJ/CSLL: R$ 3.077.727,31 (EXCLUSÃO DO 3º TRIMESTRE DE 2007) 4º TRIMESTRE DE 2007: TOTAL A SER EXCLUÍDO = R$ 3.670.338,60 IRPJ/CSLL: R$ 3.670.338,60 (EXCLUSÃO DO 4º TRIMESTRE DE 2007) Acórdão 1301002.172 (embargos) Estes embargos já foram acolhidos “para fins de apreciação pela Turma Julgadora”, consoante despacho do então Presidente, à época, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, à fl. 3.408. Em 19/03/2010, a embargante tomou ciência das exigências formuladas pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 02/05 [numeração eletrônica, fls. 04/06], dentre as quais os Fl. 3293DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.294 19 extratos bancários das contas correntes, de poupança e de aplicações financeiras nas seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil; Caixa Econômica Federal; HSBC Bank Brasil — Banco Múltiplo; Cooperativa de Poupança e Crédito dos Pequenos Empresários, Microempresários e Microempreendores da Região de Maringá Sicoob Metropolitano, Banco Nossa Caixa, Banco Safra, Itaú Unibanco, Banco Bradesco, Banco do Estado de São Paulo — Banespa, Banco Santander, Banco ABN AMRO Real, Unibanco União de Bancos Brasileiros e Banco Itaú. Em 01/04/2010, à fl. 90 [numeração eletrônica, fl. 92], a embargante requereu prorogação de prazo por trinta dias, alegando dificuldades geradas pelas instituições financeiras. Prorrogação concedida conforme o solicitado. Em 27/04/2010, à fl. 108 [numeração eletrônica, fl. 110], solicitou nova prorrogação de prazo por mais 30 dias. Na mesma data, fez a entrega de extratos de contas bancárias descritas à fl. 110 [numeração eletrônica, fl. 112]. No dia 28/04/2010, lavrouse o Termo de Prorrogação de Prazo, concedendo 15 dias adicionais, à fl. 111 [numeração eletrônica, fl. 113]. Em 29/04/2010, a embargante entregou outra parte dos extratos bancários solicitados pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, conforme relação de fls. 112 [numeração eletrônica, fl. 114]. Em 07/05/2010, a embargante entregou extratos de outras contas, à fl. 113 [numeração eletrônica, fl. 115]. Em decorrência da falta de apresentação de alguns extratos bancários, foram emitidas Requisição de Informações Financeiras em nome do Banco do Brasil, Banco Santander, Nossa Caixa e Banco Itaú, de fis. 114 a 124 [numeração eletrônica, fls. 116/124]. Em 16/09/2010, às fls. 125/126 [numeração eletrônica, fls. 127/128], intimouse a embargante a “comprovar a origem dos recursos creditados (depósitos, transferências, etc...) em contas correntes bancárias em nome da fiscalizada, conforme demonstrativos às fls. 130/775 [numeração eletrônica]. Em 04/10/2010, a embargante solicitou prorrogação por 30 dias, alegando dificuldades geradas pelas instituições financeiras, à fl. 461 [numeração eletrônica, fl. 776]. Em 16/11/2010, a embargante entregou planilhas que comprovariam a origem de parte dos recursos creditados em contas bancárias, à fls. 464/465 [numeração eletrônica, fl. 779/780]. Na mesma data, solicitou nova prorrogação do prazo, por mais 30 dias, “em consequência do enorme volume de informações exigidas no Termo de Intimação Fiscal” e da “falta de interesse e de responsabilidade das instituições financeiras, em fornecer com rapidez os comprovantes exigidos pela Secretaria da Receita Federal [...].” Em 15/12/2010, a embargante fez a entrega do outros documentos referentes à movimentação bancária, à fl. 505 [numeração eletrônica, fl. 820]. Às fls. 537/564 [numeração eletrônica, fls. 853/864], Demonstrativos dos Créditos Justificados – Planilha nº 01”, com a relação dos depósitos cuja origem não restou comprovada, elaborada pela Fiscalização. Por fim, em 26/01/2011, apurouse omissão de receitas, caracterizada por créditos em contas correntes bancárias em nome da fiscalizada sem comprovação de suas origens, a teor do Fl. 3294DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.295 20 Termo de Verificação do Procedimento Fiscal às fls. 572/573 [numeração eletrônica, fls. 888/889]. Na impugnação às fls. 632/641 [numeração eletrônica, fls. 949/958], com entrada na repartição fiscal em 28/02/2011, expôs que os depósitos na contas correntes do Banco do Brasil, identificados como "DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO", não são nada mais que operações corriqueiras, “onde (sic) se emite um cheque que tem como beneficiária a própria emitente”. Ou seja, “este cheque é debitado na conta bancária como se fosse pago na boca do caixa e o dinheiro, que não chega sair do banco, é utilizado de imediato para fazer os pagamentos que o beneficiário do cheque indicar (duplicatas, depósitos em outras contas no Banco do Brasil daprópria beneficiária, etc.), podendo, inclusive, eventual saldo (troco) ser sacado para suprimento de caixa, encerrando assim a operação bancária.” Mais adiante, ainda na impugnação, salientou que utiliza com freqüência desse procedimento, concentrando assim vários pagamentos, depósitos e transferências bancárias em um único cheque. Neste caso, a origem dos recursos que deu suporte para os depósitos bancários é facilmente justificada e comprovada pelo extrato bancário da conta em que o cheque foi debitado (pago). A outra forma de comprovar é mais complicada porque, na maioria das vezes, o banco cria restrições para fornecer ao cliente cópia da "FICHA DETALHE DO CAIXA", onde fica registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento (operação). É exatamente este o caso da Impugnante, que solicitou cópias da FITA DETALHE DO CAIXA dessas operações, em caráter de urgência, conforme correspondência anexa, recepcionada pelo Banco do Brasil em 20/01/2011, mas que se recusa a entregar oficialmente as provas solicitadas alegando sigilo bancário.” (grifei) Já no arrremate, na peça impugnatória, a embargante mencionou que “a Receita Federal pode, se quiser, quebrar o sigilo bancário e obter as fitas de todas as operações, assim como fez para conseguir os extratos bancários que utilizaram para lavratura dos Autos de Infração impugnados.” (grifei) Antes disso, explicou que obteve cópias de algumas fitasdetalhe, após acalorados debates com o banco, que se recusava a fornecêlas. No julgamento da impugnação, precisamente na parte em que se apreciou a questão relacionadada à eficácia probatória das fitasdetalhe reunidas, assim se manifestou a relatora, às fls. 659/691 [numeração eletrônica, fls. 1011/1013]: “59. Outra coisa que o contribuinte solicita na peça de defesa é que sejam apreciados os documentos que intitula como sendo FITA DETALHE DO CAIXA, as quais se encontram às f1s.664 680. 60. Eis o que alegou na impugnação: "Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 19/07/2006 consta a emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta n° 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta n" 16.2884, um de R$ 22.000,00 e outro de R$ 18.000,00, exatamente como consta nos extratos das respectivas contas." 61. Mais adiante, prossegue: "Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 31/07/2006 consta a emissão de dois cheques da conta n° 7.893X, no valor total de R$ 54.000,00, e que parte do recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta n° 16.2884, um de R$ 28.300,00 e outro de R$ 20.095,00, da forma como aparece nos extratos bancários". Ressaltamos, que neste caso o Banco suprimiu da FITA DETALHE DO CAIXA os pagamentos que totalizaram R$ 5.605,00, alegando sigilo bancário porque no documento Fl. 3295DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.296 21 aparecia o nome de outras pessoas. A sessão foi encerrada com recebimento de R$ 54.000,00; pagamentos R$ 54.000,00 e saldo R$ 0,00. 62. Tais alegações não merecem prosperar e explicase porque (sic). Por primeiro como a própria defesa sustenta, os documentos intitulados FITA DETALHE DO CAIXA, juntados às fls. 664681, foram obtidos informalmente, posto que, segundo alega, o banco se recusou fornecer tais informações oficialmente, à desculpa do sigilo bancário (fl.637 IR dos autos). Por segundo, a peça de defesa menciona a conta corrente n° 7.893X, sem, no entanto, explicitar a qual banco nem a que agência pertence, fato que compromete a análise de qualquer razão de defesa apresentada. A interessada sustenta que desta conta teriam saído valores para suprir a conta corrente no 16.2884, também de sua titularidade, e mais, os documentos juntados aos autos não possuem qualquer assinatura ou identificação de quem os forneceu, sequer um carimbo ou ofício de encaminhamento. Muito menos a chancela do banco. 63. Contudo, num esforço para dar uma resposta aos questionamentos da impugnante, vamos admitir que a tal conta corrente no 7.893X pertence ao Banco do Brasil, mais especificamente da Agência 28681, já que esta informação consta da planilha de fls. 644663, montada pela contribuinte. 64. Assim, analisando a primeira alegação de que um cheque da conta no 7.893X da Ag. 28681, datado de 19/07/2006, comprovaria a origem de dois depósitos ocorridos na conta 16.2884, da mesma agência, não merece prosperar, uma vez que inexiste justificativa plausível para o banco desdobrar um único cheque que lhe é apresentado na boca do caixa, a fim de proceder a dois depósitos no mesmo dia, na mesma hora e para a mesma correnlista. Outro detalhe que impede a consideração dos mencionados documentos é o fato de ali não constar o número do cheque objeto da operação, impedindo que se realize qualquer confrontação. Aliás, essa também foi a prática adotada pela defesa. Embora tente justificar alguns dos valores questionados ao argumento de que teriam origem em transferências, via cheques, cfetuadas entre suas próprias contas, esquivasc de fazer vinculação a um cheque específico nem traz cópia do documento que teria servido de base para a operação. 65. E mais, qual é a justificativa de emitir um cheque para suprir outra conta da contribuinte na mesma instituição e na mesma agência se a simples emissão de um TED ou mesmo de um DOC surte o mesmo efeito, sem a necessidade de a empresa "gastar" suas folhas de cheque? 66. Como a conta corrente n° 7.893X da Ag. 28681 não se encontra discriminada no item 23, questionouse a autoridade fiscal qual a razão ao que ele respondeu que: Essa é uma conta cuja movimentação (créditos) serve, apenas para transferência de valores entre as contas da impugnante, por isso não constou dos demonstrativos sendo que os extratos encontramse nos anexos. 67. E complementou: Os débitos nestas contas e com créditos em outras contas da empresa com datas e valores coincidentes foram consideradas. As transferências em parcelas não foram consideradas por falta de documentos que identificassem a efetiva Fl. 3296DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.297 22 movimentação conforme alegado. No caso não há sigilo bancário, pois a fiscalizada teria que ter a posse dos documentos quitados e que deveriam estar escriturados nos livros. 68. Assim, ante todo o exposto voto por desconsiderar os documentos apresentados uma vez que os mesmos não preenchem os requisitos básicos para sua aceitação. Outras razões não foram apresentadas.” Vêse, pois, que, a relatora desconsiderou os documentos apresentados pela então impugnante, em consonância com as razões de decidir acima retratadas. Como já foi dito, em 31/05/2011, a embargante interpôs o recurso voluntário, quando, entre os temas discutidos, discorreu contra o acórdão da DRJ com os seguintes argumentos, às fls. 710/715 [numeração eletrônica, fls. 1.034/1.039]: “Conforme já foi dito anteriormente, em resposta à intimação fiscal lavrada durante a ação fiscal, a Recorrente esclareceu e comprovou através dos extratos bancários (mesma prova utilizada para a atuação) que os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade. Conforme consta dos Demonstrativos de Créditos Justificados de fls. 541 a 567, o Auditor Fiscal simplesmente rejeitou os esclarecimentos e as provas apresentadas, grafando ao lado da descrição de cada depósito a expressão: "não comprovado". Na impugnação, esclarecemos que se trata de uma operação bancária corriqueira, onde se emite um cheque que tem como beneficiária a própria emitente. Este cheque é debitado na conta bancária como se fosse pago na boca do caixa e o dinheiro, que não chega sair do banco, é utilizado de imediato para fazer os pagamentos que o beneficiário do cheque indicar (duplicatas, depósitos em outras contas da própria beneficiária, etc.), podendo, inclusive, eventual saldo (troco) ser sacado para suprimento de caixa, encerrando assim a operação bancária. Por questões de ordem interna, o Banco do Brasil costuma identificar os depósitos feitos nestas condições com o histórico "DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO". A recorrente utiliza com freqüência desse procedimento, concentrando assim vários pagamentos e transferências bancárias em um único cheque. Neste caso, a origem dos recursos que deu suporte para os depósitos bancários é facilmente justificada e comprovada pelo extrato bancário da conta em que o cheque foi debitado (pago), ou seja, com o mesmo extrato bancário que serviu de prova para autuação. Como o Auditor Fiscal não havia se pronunciado sobre os motivos que levaram a concluir pela rejeição dos esclarecimentos e das provas apresentadas durante a ação fiscal, e para que não ficasse nenhuma dúvida quanto à verdade material dos fatos, anexamos na peça impugnatória cópia de 17 (dezessete) FITA DETALHE DE CAIXA, para comprovar de outra forma (reforço da prova) o que já havíamos esclarecido e provado, que os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de nossa emissão sacados contra outra conta de nossa titularidade. Fl. 3297DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.298 23 Explicamos ainda, que houve resistência por parte do Banco do Brasil contra o fornecimento de cópia das "FITA DETALHE DO CAIXA", onde fica registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento (operação). A primeira solicitação de cópia das FITA DETALHE DO CAIXA foi feita, em caráter de urgência, conforme correspondência anexada à Impugnação, recepcionada pelo Banco do Brasil em 20/01/2011, que se recusou a entregar oficialmente as provas solicitadas alegando sigilo bancário. Depois de alguns debates acalorados e sob ameaça de recorrer ao Poder Judiciário, conseguimos negociar com o banco a entrega informal de cópia de algumas dessas fitas, que anexamos à Impugnação, para comprovar, também dessa forma, a efetividade e a legalidade das operações realizadas. Na FITA DETALHE DO CAIXA do dia 19/07/2006 consta a emissão do cheque no valor de R$ 40.000,00 da conta nº 7.893X, cujo recurso foi utilizado para fazer dois depósitos na conta nº 16.2884, um de R$ 22.000,00 e outro de R$ 18.000,00, exatamente como consta nos extratos das respectivas contas. Verificase ainda, que no encerramento da sessão de atendimento aparece totalizado: os recebimentos (REC: 40.000,00); os pagamentos (PAG: 40.000,00) e o saldo da sessão (SALDO SESSÃO: 0,00). Como visto, na FITA DETALHE DE CAIXA encontrase registrada a memória de cálculo de cada sessão de atendimento (operação). Através dela podese identificar perfeitamente o cheque utilizado e sua efetiva destinação . Por isso resolvemos fazer a solicitação ao Banco do Brasil a fim de espancar qualquer dúvida a respeito destas operações. Por fim, solicitamos que a Receita Federal quebrasse o sigilo bancário para obter as fitas de todas as operações, assim como fez para conseguir os extratos bancários que utilizaram para lavratura dos Autos de Infração impugnados. Como visto, houve um esforço muito grande da nossa parte no sentido de reforçar a prova do que já havíamos esclarecido e provado durante a ação fiscal. Entretanto, para nossa surpresa, parece que a Ilustre Relatora do Voto condutor do Acórdão contestado não entendeu muito bem essa questão, deixando transparecer em suas alegações (itens 62 a 72) uma clara falta de vontade para examinar as FITA DETALHE DE CAIXA anexadas à Impugnação, com muita luta e desgaste. A Ilustre Relatora também não entendeu muito bem o fato de que competia exclusivamente ao Auditor Fiscal o ônus de produzir a contraprova de que os cheques sacados tiveram destinação diferente daquelas indicadas pela Recorrente, em seus esclarecimentos prestados no decorrer da ação fiscal. Neste particular, a Relatora comete outro equivoco quando rejeitou a diligência requerida alegando que a contribuinte pretendia "deslocar para o Fisco a atribuição de ilidir o que fora presuntivamente apurado e por determinação legal a ela compete", uma vez que a diligência visava exclusivamente a busca da verdade material dos fatos ocorridos, para suprir uma Fl. 3298DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.299 24 deficiência do lançamento, em face do Auditor Fiscal não ter produzido a contraprova que exclusivamente a ele competia. o Entretanto, para que não haja dúvidas quanto ao nosso empenho em obter as FITA DETALHE DE CAIXA, anexamos a este Recurso, cópia dos seguintes expedientes: a) Cópia de nova correspondência recepcionada pelo Banco do Brasil em 1210412011 solicitando cópias das "Fita Detalhe de Caixa"; b) Cópia da resposta dada pelo Banco do Brasil em 13/05/2011 negando formalmente nossa solicitação em face do alegado sigilo bancário; c) Cópia da Petição Inicial da Ação Cautelar de Exibição de Documentos, protocolizada em 27/05/2011, na Vara Cível da Comarca de Maringá PR; d) Cópias das 17 Fita Detalhe de Caixa, apresentadas informalmente pelo Banco do Brasil, desta vez, acompanhadas dos respectivos extratos bancários. Ante o exposto, pedese e espera que sejam excluídos da tributação os valores dos depósitos identificados como CHEQUE BB LIQUIDADO, num total de R$ 4.593.014,68 e R$ 10.861.666,20, nos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente, relacionados nos Demonstrativos I e II, anexos deste Recurso. Se este não for o entendimento deste Colegiado, requeremos ainda: (i) a realização de diligência determinando que a Receita Federal obtenha as FITA DETALHE DE CAIXA iunto ao Banco do Brasil; ou, (ii) Alternativamente, a suspensão do julgamento deste processo até a decisão do processo judicial.” No julgamento do recurso voluntário, tais foram as palavras do ilustre relator, Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, às fls. 886/888 [numeração eletrônica, fls. 1.210 /1.212], ao tratar da eficácia probatória dos elementos juntados aos autos até a impugnação, consistentes nas chamadas fitasdetalhe: “Em primeiro lugar, rejeitase o argumento da Recorrente de que, no caso, seriam aplicáveis as disposições do parágrafo primeiro do art. 845 do RIR/99, vez que, aqui, não se trata de impugnação de esclarecimento prestado, mas, sim, de ausência de comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, da origem de recursos que ingressaram nas contas bancárias da fiscalizada. Tratase, pois, de ausência de admissibilidade da prova, eis que, para os fins propostos (comprovação da origem dos créditos bancários), ela deveria vir acompanhada de documentos hábeis. Relativamente aos depósitos identificados como DEPÓSITO CHEQUE BB LIQUIDADO, esclarece a Recorrente que “os recursos utilizados nestas operações tiveram como origem cheques de sua emissão sacados contra outra conta de sua titularidade”. Para ela, “o auditor tinha a obrigação de produzir prova concreta de que o cheque sacado teve destinação diferente daquela indicada pela Recorrente, devendo, ainda, neste caso, justificar os motivos que levaram a concluir pelo não acolhimento do esclarecimento prestado e da prova apresentada.” Na linha do sustentado no ato recorrido, a Recorrente busca com tal argumentação transferir para a autoridade fiscal o dever de Fl. 3299DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.300 25 comprovação, isto é, alega e exige que a referida autoridade demonstre que o fato alegado não ocorreu. À evidência, tal pretensão não pode ser acolhida. Cabe frisar que a decisão recorrida declina de forma expressa as razões pelas quais não acolheu as explicações apresentadas em sede de impugnação (fitasdetalhe obtidas informalmente; ausência de indicação das contas bancárias envolvidas; impossibilidade de aferição em virtude de informações incompletas; falta de plausibilidade na realização das alegadas operações, entre outras). Entre outros documentos, a Recorrente aportou ao processo planilhas denominadas: ANEXO I – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 722/747); ANEXO II – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 8.1655 e AG. 03522 = CONTA 108.1659 (fls. 748/757); ANEXO III – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 9.6121 e AG. 03522 = CONTA 109.6125 (fls. 758/760); ANEXO IV – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007/BANCO DO BRASIL = AG. 28681 = CONTA 16.2884 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 761/775); ANEXO V – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO/BANCO DO BRASIL = AG. 28681= CONTA 7.893X e AG. 03522 = CONTA 107.8933 (fls. 776/777); ANEXO VI – CHEQUES EMITIDOS DURANTE 2006 e 2007 = COMPLEMENTO/BANCO DO BRASIL = AG. 03522 = CONTA 108.1659 e AG. 03522 = CONTA 116.2888 (fls. 778); cópia do que se supõe sejam fitasdetalhe e de extratos bancários (fls.791/847); e planilhas demonstrativas dos DEPÓSITOS CHEQUE BB LIQUIDADO (fls. 848/859). Com o devido respeito, a documentação acima discriminada em nada colabora para confirmar a assertiva trazida na peça recursal. No caso, penso que a contribuinte deveria, ao menos, trazer ao processo pronunciamento de representante da instituição financeira explicando a operação referenciada na peça de defesa (DEPOSITO CHEQUE BB LIQUIDADO), acompanhado, ainda que por amostragem, de documentos relativos às transações que envolveram os valores movimentados. A simples apresentação de planilhas e extratos, à evidência, não constitui elemento hábil à comprovação pretendida. Fl. 3300DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.301 26 Em convergência com o decidido em primeira instância, descarto também a possibilidade de a Receita Federal, em substituição à fiscalizada, diligenciar junto ao Banco do Brasil em busca de comprovação para as alegações trazidas em sede de recurso. Penso não restar dúvida de que, no caso, a Recorrente já deveria estar de posse da referida documentação, de modo que lhe fosse possível apresentála em resposta à eventual ação fiscalizadora. Diante da absoluta falta de previsão legal, rejeito, também, o pedido de suspensão do julgamento referenciado na peça recursal. Não se pode negar que a decisão prolatada no âmbito da competência recursal, quando do julgamento do apelo contra a decisão de primeiro grau, nada mencionou sobre as peças juntadas pela embargante às fls. 2.686/3.362, mediante o aditivo de fls. 2.674/2.684. Com efeito, a Turma poderia e deveria fazêlo, diante da circunstância de que o ingresso do aditivo e seus anexos aos autos é anterior ao julgamento do recurso voluntário. Por outro lado, também é inegável que a juntada de todo o volume documental trazido à colação anexado ao aditivo ultrapassou o lapso temporal fixado no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: “Art. 16 .... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Não se deve admitir que a alegada demora para o fornecimento das fitasdetalhe, por parte da instituição financeira, seja motivo de força maior e, como tal, causa determinante da aceitação dos documentos anexados ao aditivo. Em primeiro lugar, impende pôr em foco que a perda de prazo para a juntada de provas documentais pode decorrer da negligência do recorrente que atue em desrespeito ao dever de guardar e preservar livros e demais documentos relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do que prescreve o artigo 264 do RIR/1999, verbis: "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º)." (grifei) Desde o momento em que a embargante julgou conveniente a adoção da alegada sistemática de emitir mais de um cheque para compor determinada soma a ser aplicada, em parte, no pagamento de dívidas e, em outra parte, no depósito do restante em outras contas correntes, cabialhe a atitude zelosa de guardar as provas indispensáveis à transferência de recursos financeiros, mormente diante do déficit de credibilidade que recai sobre a afirmativa da Fl. 3301DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.302 27 realização da prática aludida, como destacaram os relatores da DRJ, no julgamento da impugnação, e no CARF, no julgamento do recurso voluntário. Consoante o parágrafo único do artigo 393 do Código Civil em vigor, o evento de força maior verificase no fato necessário cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Fato necessário é aquele que, sendo inescapável a qualquer atitude diligente, dá causa à impossibilidade de cumprimento da obrigação. A apresentação intempestiva dos documentos anexados ao aditivo não tem como fato necessário a demora de resposta pelo banco, porque os efeitos da demora – a intempestividade – eram evitáveis, se a embargante tivesse sido diligente a partir do momento em que adotou as práticas que ela mesma qualificou como “operações corriqueiras”. Para tanto, bastaria conservar planilhas, demonstrativos e outros meios respaldados por documentos bancários para, (i) além de revelar o esquema que alega ter engendrado com o fim de transferir recursos entre contas de depósito, realizar pagamentos e efetuar saques de numerário, (ii) também comprovar a origem dos valores movimentados. Assim, já acolhidos os embargos, saneiase a omissão apontada nos acórdãos nº 1301001.437 e 1301001.879, decidindose no sentido de não se admitir a juntada dos documentos de fls. 2.686/3.362, anexados ao aditivo de fls. 2.674/2.684. Quanto ao erro de cálculo na soma dos depósitos relacionados à conta nº 53.1220 do Banco Itaú, cumpre reconhecer a procedência do pleito, porquanto o resultado correto é de R$ 814.989.40. Entretanto, é preciso considerar que o autuante inseriu na tabela de fl. 130 [numeração eletrônica] a importância de R$ 1.548.458,83, relativamente ao total do crédito a comprovar para o mês de maio/2016, malgrado tenha descrito à fl. 622 [numeração eletrônica] que tal importância atingira a cifra de R$ 1.549.458,83. Assim, impõese a justa redução da base de cálculo dos tributos abaixo, tendo em vista o cômputo do indevido acréscimo da diferença entre R$ 1.548.458,83 e R$ 814.989,40, que é igual a R$ 733.469,43. Portanto, as bases de cálculo do IRPJ e da CSSL, correspondentes ao segundo trimestre de 2006, devem ser ajustadas (ambas) ao valor de R$ 12.057.030,25. Por sua vez, as bases de cálculo do PIS/PASEP e COFINS, correspondentes ao maio de 2006, devem ser ajustadas (ambas) ao valor de R$ 3.880.442,37. Desse modo, deve prevalecer toda a fundamentação desses acórdãos, excluindose da base de cálculo lançada nos presentes autos os mesmos valores excluídos no julgamento do processo principal relativamente ao PIS e a Cofins, a saber: fevereiro de 2006: R$ 114.796,85 maio de 2006: R$ 733.469,43 (acórdão 1301002.172) outubro de 2006: R$ 56.135,00 março de 2007: R$ 200.000,00 maio de 2007: R$ 135.000,00 Há, contudo, argumentos de defesa específicos relativamente à exigência de IPI, e, entre eles, o pedido de que, se for mantida a exigência, seja possível a dedução de IPI devido na importação objeto de lançamento de ofício, controlado no processo 10950.005471/200975, no total de R$ 841.027,27 (valor do IPI cobrado). Fl. 3302DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.303 28 Questionase também a alíquota de 20% de IPI aplicada, argumentando que o produto classificado na posição 9612.10.90 da TIPI não seria por ela fabricado. Argumentase ainda que o produto classificado na posição 9612.10.90 da TIPI não seria por ela fabricado, que o lançamento teria sido feito com base em informações contidas na DIPJ, não tendo sido analisada sua escrituração fiscal, que os produtos fabricados pela recorrente seriam tributados com alíquota 0 (zero). Tais matérias, contudo, encontramse preclusas, pois não foram matérias deduzidas em sede de impugnação (fls. 926934). Isso porque, conforme determina o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A apreciação de tais matérias em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância e, eventualmente, cerceamento do direito de defesa da Fazenda Nacional que, em caso de provimento do recurso nesse ponto, teria suprimido seu direito ao duplo grau de jurisdição em relação às matérias. E mesmo que assim não fosse, os argumentos da recorrente não se sustentam, conforme se demonstra a seguir por mero amor ao debate. Aduz a recorrente que a autoridade fiscal lavrou o auto de infração sem exame de sua escrita fiscal, baseandose exclusivamente nas informações contidas em DIPJ. Em relação ao tema, não vejo qualquer problema, pois, de todo modo, houve reconstituição da escrita, mas baseandose nas informações prestadas pela própria recorrente em sua DIPJ. Houvesse alguma incorreção na apuração, deveria o contribuinte ter apresentado objetivamente, e não genericamente alegar vício de origem por refazerse a escrita com base nos valores consignados em declaração transmitida à RFB por ele mesmo. No que diz respeito a supostamente não fabricar o produto classificado na posição 9612.10.90 da TIPI, cuja alíquota aplicável à época dos fatos geradores era de 20%, cumpre esclarecer que a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar a relação de mercadorias de sua fabricação, bem como a classificação fiscal de cada um deles (fl. 126). Em resposta (fl. 776), a própria recorrente informou produzir tal produto, conforme reproduzido a seguir com os destaques contidos no original: Fl. 3303DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.304 29 Anexar algumas notas fiscais a fim de tentar demonstrar que não produzia tal mercadoria não seria o suficiente para tanto, havendo que se fazer essa prova de maneira insofismável ante à sua informação anterior de que industrializava tal produto, indicando, inclusive a classificação fiscal do produto. No que diz respeito à aplicação da maior alíquota de produtos industrializados e saídos do estabelecimento industrial do contribuinte, os argumentos de que havia produtos fabricados cuja alíquota aplicável era 0 (zero) não lhe socorre. A aplicação da alíquota de 20% sobre a omissão de receita apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada está um absoluta sintonia com o disposto no RIPI/2002 (vigente à época dos fatos geradores em questão), em seu art. 448 (§1º). Vejase sua redação: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos Fl. 3304DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.305 30 estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1ºApurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) §2ºApuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) (destaques na transcrição) Portanto, a autoridade fiscal, ao utilizar a maior alíquota dos produtos fabricados pelo contribuinte para determinar o IPI incidente sobre a receita omitida tão somente aplicou a literalidade de dispositivo regulamentar e legal que trata a matéria. Os argumentos atinentes à razoabilidade do critério, bem como outros afetos à constitucionalidade das normas em questão são matérias que fogem da competência desta Corte Administrativa, nos termos da Súmula CARF nº 23. Por fim, no que diz respeito ao IPI lançado de ofício em outro processo como crédito no presente, não haveria como a autoridade fiscal deduzir tal o valor exigido naqueles autos, até mesmo porque, se cancelada a exigência daquele processo, não haveria como se constituir a parcela de crédito então minorada. Caso o contribuinte venha a recolher o débito efetivamente pago referente à importação, exigido naqueles autos, deverá proceder ao ajuste de contas junto à unidade de origem. Desse modo, não há reparos a se fazer em relação ao mérito da exigência, reforçandose que esses últimos argumentos quanto à exigência de IPI poderiam até mesmo ser suprimidos deste voto em razão de se tratar de matérias não impugnadas, e portanto, definitivas no âmbito do processo administrativo fiscal. 3 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3305DF CARF MF Processo nº 10950.720131/201192 Acórdão n.º 1301002.692 S1C3T1 Fl. 3.306 31 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável os seguintes valores: fevereiro de 2006 R$ 114.796,85; maio de 2006 R$ 733.469,43; outubro de 2006 R$ 56.135,00; março de 2007 R$ 200.000,00; maio de 2007 R$ 135.000,00. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 3306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004635/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO. NULIDADES. INEXISTÊNCIA.
A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito e da penalidade aplicável; e não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. AQUISIÇÃO DE FUNDO OU ESTABELECIMENTO. CONTINUIDADE DA RESPECTIVA EXPLORAÇÃO.
Cabível a responsabilização tributária à luz do artigo 133 do CTN, quando o forte conteúdo probatório revela a existência de aquisição de fundo ou estabelecimento e a continuidade da respectiva exploração.
Numero da decisão: 2402-005.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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NULIDADES. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito e da penalidade aplicável; e não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. AQUISIÇÃO DE FUNDO OU ESTABELECIMENTO. CONTINUIDADE DA RESPECTIVA EXPLORAÇÃO. Cabível a responsabilização tributária à luz do artigo 133 do CTN, quando o forte conteúdo probatório revela a existência de aquisição de fundo ou estabelecimento e a continuidade da respectiva exploração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 46 35 /2 00 8- 54 Fl. 331DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou o presente Auto de Infração (AI) DEBCAD 37.172.0079, por ter a empresa deixado de recolher as contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas ao contribuinte individual Ronaldo Tavares da Silva. Segundo o relatório fiscal da infração, a auditoria fiscal teria constatado que a autuada, até a competência 03/2008, encontravase exercendo as atividades empresariais no endereço da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (RTS), utilizando a sua mesma infraestrutura, equipamentos e funcionários. Os fatos caracterizariam sucessão empresarial e a responsabilização tributária, nos termos do art. 133 do CTN e do art. 751 da IN SRP 3/05. Segue a descrição dos fatos constante do relatório fiscal: 8. [...] Iniciada a ação fiscal 0910300.2008.000539 em 08.02.2008 esta auditoria se dirigiu ao estabelecimento da RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, cadastrada nos sistemas informatizados, tanto da Receita Federal do Brasil, quanto da Previdência Social, como Av. Parigot de Souza 1864 Toledo PR. Neste local a fiscalização foi recebida pelo Sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. 9. Perguntado pela fiscalização, informou que no local encontravase funcionando a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA CNPJ 08.958.074/000147. Sobre o endereço onde estava operando a empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA e sobre o seu vínculo com as empresas, o Sr. RONALDO informou que a empresa RTS estava com as atividades encerradas e que não possuía vínculo com nenhuma das empresas. Informou que estava apenas prestando ajuda no local e, ainda, que o escritório ORCA CONTABILIDADE S/S LTDA, situado na Av. Parigot de Souza, 1986 sala 3 Toledo PR realizava a escrituração contábil das empresas. 10. Em seguida, na mesma data (08.02.2008) a auditoriafiscal dirigiuse ao já referenciado escritório contábil, tendo então dado ciência ao Termo de Início da Ação Fiscal TIAF a sra. NEURA GRANDI SAVARIS, contadora responsável pela área de pessoal do escritório, com prazo para atendimento da intimação em 12.02.2008. 11. A apresentação de documentos pelo escritório contábil, representando a RTS, foi efetuado parcialmente e de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal se limitava ao exercício de 2004. Fl. 333DF CARF MF 4 12. Iniciado o exame dos documentos básicos para uma auditoria fiscal nas contribuições sociais incidentes sobre pagamentos/créditos de remunerações a segurados, tais como folhas e recibos de pagamentos e de férias, rescisões de contrato de trabalho, livro de registro de empregados, guias de recolhimento do FGTS e da Previdência Social e os livros contábeis dos registros comerciais, dentre outros, esta auditoria observou que a quase totalidade destes documentos eram assinados pelo sr RONALDO TAVARES DA SILVA. 13. Tal constatação, relativamente aos documentos do exercício financeiro de 2004, indicava que o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA possuía um vínculo com a RTS mais amplo do que havia mencionado. Ademais, aplicavase ao caso concreto a hipótese da RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA POR SUCESSÃO da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, que continuou as atividades da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (art. 133, do Código Tributário Nacional e art. 751, da Instrução Normativa SRP 3/2005). Tais fatos motivaram esta auditoria a requerer a ampliação do período a ser examinado na RTS, bem como a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal a ser cumprido na empresa AMM. 14. Tendo sido providenciada a ampliação do período a ser examinado na empresa RTS, bem como a abertura do procedimento fiscalizatório na AMM, esta auditoriafiscal em 26.02.2008 dirigiu se ao estabelecimento, sendo recebida novamente pelo sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Na oportunidade foi dada ciência ao Termo de Início da Ação Fiscal da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, qualificandose o sr. RONALDO como gerente da empresa (vide cópia do TIAF). Contudo, se negou a cientificar o Termo da RTS COMÉRCIO DE PECAS LTDA. 15. A ciência ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativo a ampliação do período a ser examinado na RTS foi dada pela sra. NEIVA MARIA THEOBALD DA SILVA, contadora no escritório ORCA CONTABILIDADE S/S LTDA, em 26.02.2008. 16. Tendo sido cumpridas as Intimações cientificadas em 26.02.2008, ambas as empresas apresentaram os documentos/livros contábeis solicitados. 17. Ao examinar os documentos já mencionados no item 12 acima, esta auditoriafiscal pôde comprovar que o vínculo do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, com a empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA foi ininterrupto, contínuo e habitual, estabelecido desde a constituição da pessoa jurídica (de 2003 até 2007). Reforçando: a integralidade da documentação (ou quase) que necessitava da assinatura dos sócios era por ele firmada, inclusive os livros de registro de empregados e contábeis (vide cópia de farta e extensa documentação comprobatória). 18. Além dos fatos acima narrados, outros constatados por esta auditoria levaramna a concluir sobre a aplicação da hipótese de incidência do art. 14, IV, da Lei n e 9.317/96 ao caso concreto Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 4 5 (exclusão do SIMPLES por constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios). 19. A empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, até o exercício financeiro de 2006, não possuía em seus registros contábeis um ativo imobilizado (máquinas, equipamentos e imóvel) compatível com algumas das atividades exercidas, tais como a retifica de motores. Não possuía, também, escrituração de despesas com aluguel. 20. A empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA também não possuía os elementos comerciais/industriais citados na alínea anterior e mais grave, até a competência março de 2008, estava utilizando os funcionários registrados na RTS para gerir suas atividades econômicas. 21. Diante de tais constatações, a auditoriafiscal intimou ambos contribuintes a apresentar documentos e prestar, até 14.03.2008, as seguintes informações: a) esclarecimento por escrito sobre a propriedade do imóvel localizado na Av. Parigot de Souza, 1864 Toledo PR, juntamente com os documentos comprobatórios: registro imobiliário, contrato de locação ou comodato, dentre outros; b) esclarecimento por escrito sobre o endereço de funcionamento das atividades ou sobre o encerramento das atividades da empresa RTS; c) na hipótese de encerramento das atividades, esclarecimento por escrito sobre a transferência de máquinas/equipamentos e do ponto comercial para empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA CNPJ 08.958.074/000147. 22) As intimações foram assinadas pelo sr. RONALDO em 11.03.2008 (vide cópias), se qualificando como gerente, inclusive na empresa RTS. Em razão dessas intimações, esteve presente na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, no dia 13.03.2008, o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, qualificado como sóciogerente no contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. 23) Na ocasião, em razão das robustas provas que se apresentavam até aquele momento da constituição das pessoas jurídicas (RTS e AMM) por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios (respectivamente, art. 14, IV, da Lei ne 9.317/96 e art. 29, IV, da Lei Complementar n s 123/2006), a auditoriafiscal resolveu entrevistar o sr. ANTÔNIO MARCOS MONTEIRO, na presença dos auditores fiscais ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA matrícula 1286863 e ANTÔNIO CARLOS FIORI matrícula 1450704. O relatório decorrente da entrevista foi reduzido a um Termo de Constatação (cópia em anexo), cujo conteúdo transcrevemos: Fl. 335DF CARF MF 6 [...] 24) Deve ficar evidenciado que o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, sóciogerente constante do contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, somente confirmou verbalmente o que os documentos e os fatos já demonstravam, ou seja, que ele e outras pessoas foram utilizadas como interpostas pessoas para acobertar a constituição das pessoas jurídicas pelos verdadeiros sócios srs. RONALDO DA SILVA TAVARES e ROSALVO DA SILVA TAVARES. É muito provável que a interposição de pessoas na constituição das empresas decorreu em virtude da impossibilidade da opção pelos regimes de tributação diferenciada do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, pois vejamos as "coincidências": 25) Outro ponto a se ressaltar é que, apesar da tentativa do sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO em prorrogar o prazo das intimações assinadas em 11.03.2008, o prazo fixado pela auditoria fiscal (14.03.2008) correu "in albis", motivo que ensejou a lavratura de Auto de Infração Obrigação Acessória AIOA 37.172.0028. Somente em 23.04.2008 as Intimadas protocolizaram na Delegacia da Receita Federal em Cascavel correspondência justificando pontos relativos à intimação. Nesta correspondência demonstraram certa indignação pelo requerimento das informações fiscais e, pelo seu conteúdo, consideraram prestados os devidos esclarecimentos, sendo, ainda, anexadas cópias dos seguintes documentos: [...] 26) Deve ficar destacado que somente prestou informações a empresa AMM, esclarecendo situações que envolviam ambas as empresas, com quarenta dias de atraso. Ademais não foi informada sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. 27) Ocorre, também, que os reconhecimentos das firmas constantes das cópias dos contratos anexados na prestação das informações não foram confirmados pelo 6º Tabelionato Mônica Malucelli, situado na Rua Comendador Araújo, 143 Curitiba Paraná. Procurado pessoalmente, o escrevente cartorário Sr. HENRIQUE LEMES DOS SANTOS informou que a sua assinatura aposta no carimbo do cartório era falsa. A falsidade foi posteriormente confirmada expressamente por meio de ofício (cópia em anexo). 28) Diante da gravidade do fato, a auditoriafiscal intimou em 13.05.2008, na pessoa do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, a RTS a apresentar os originais dos citados contratos, bem como comprovar a propriedade das máquinas, equipamentos e ferramentas locadas pela sra. LILIAN TAVARES DA SILVA para a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. 29) O fato é que a empresa RTS deixou o prazo (15.05.2008) passar em "branco", sem cumprimento do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (cópia em anexo). 30) Desta forma, por apresentar cópia de documento com informações diversas da realidade (reconhecimento de firma Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 5 7 falsificada), a RTS incorreu na infração capitulada no art. 33, §§ 2º e 3º , da Lei n° 8.212/91 combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Tal conduta da Auditada ensejou a aplicação de multa com a agravante prevista no art. 290, II, do Decreto n° 3.048/99. Ademais, o fato caracteriza "em tese" crime de falsidade ideológica, razão pela qual foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais RFFP. 31) Paralelamente as provas acima citadas, outras evidências auxiliam na comprovação de que as empresas RTS e AMM foram constituídas por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios: a. as iniciais da empresa RTS coincidem com os nomes dos srs. RONALDO TAVARES DA SILVA e ROSALVO TAVARES DA SILVA; b. o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA foi nomeado procurador da RTS, possuindo amplos e ilimitados poderes para administrar a sociedade (vide cópia da procuração); c. nas quatro oportunidades em que esta auditoria esteve na Av. Parigot de Souza 1684 Toledo PR, sempre foi atendida pelo sr. RONALDO, em seu escritório no 1º andar (vide cópias dos TIAFs e TIADs). d. o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre assinou tanto as CTPS dos empregados, como os documentos relativos a administração de pessoal, bem como os livros de registro de empregados e livros comerciais (vide cópias de farta e extensa documentação); e. o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre agiu como preposto das empresas nas ações trabalhistas movidas contra as Auditadas (vide cópias de reclamatórias trabalhistas); f. a sra. ELIANE GRUNFELD sócia ingressante da 1º alteração de contrato social da RTS outorgou procurações em caráter irretratável para o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA efetuar a venda de imóveis em 2002 na cidade de Cascavel (vide cópias das procurações), demonstrando, desde data anterior a constituição da pessoa jurídica, possuírem estreitos vínculos de confiança; g. o sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA constituiu, ainda, outra empresa com as mesmas iniciais de seu nome, ou seja, Lanchonete RTS Ltda CNPJ 82.432.188/000101; h. a sra. LILIAN TAVARES DA SILVA sóciagerente ingressante da 1º alteração de contrato social da RTS outorgou procuração para seu pai o sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA efetuar a administração plena de todos os seus bens (vide cópia da procuração). i. na reclamatória trabalhista 00064200806809001 (cópia em anexo) movida por José Strelin contra as Auditadas, protocolada na Fl. 337DF CARF MF 8 Vara do Trabalho em Toledo em 17.01.2008 (data anterior ao início do procedimento fiscal), o empregado na petição inicial confirma: "As rés são geridas e administradas por um mesmo grupo econômico ou de pessoas. Ambas funcionam no mesmo edifício. O que as diferenciam são apenas o local de acesso e a placa de publicidade, sendo que para a primeira a entrada é pela Avenida Parigot de Souza e a segunda é pela rua México, que faz fundos com o edifício onde ambas estão instaladas. (...)" j . na reclamatória trabalhista 00334200806809004 (cópia em anexo), movida por Adelar de Almeida Bueno contra a RTS, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 27.02.2008, o empregado na petição inicial informa: "(...). No presente caso há prova inequívoca da demissão arbitrária do autor, através de documentos ora anexados e assinados pelo representante do empregador Sr. Ronaldo Tavares da Silva." No AI DEBCAD 37.172.0095, integrante do PAF 10935.004632/200811, ainda foi apurada a infração consistente na apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal: [...] até a versão 7.0 do SEFIP, a Previdência Social considerava todas as declarações prestadas pelo contribuinte em GFIPs, mesmo que este prestasse a informação por diversas vezes. Com o advento da versão 8.0 do SEFIP, a entrega de uma nova GFIP retifica as demais informações anteriormente prestadas, sendo válidas para a Previdência Social somente as informações constantes da última versão da GFIP. Efetuados estes esclarecimentos, resta informar que a sucedida, de junho até dezembro de 2007, realizou, dentro de uma mesma competência, diversas entregas de GFIPs, todas com a utilização das versões 8.0 e seguintes do SEFIP, de forma a recolher parcialmente o FGTS em atraso de um empregado. Assim procedendo, declarou as informações para Previdência Social apenas deste empregado com o FGTS em atraso, deixando de prestar as informações dos demais segurados por ela remunerados. A contribuinte apresentou sua impugnação tempestivamente (cujos fundamentos são idênticos aos do seu recurso voluntário), a qual foi julgada improcedente pela DRJ. Intimada da decisão em 20/08/2009 (fl. 289), através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/09/2009 (fls. 293 e seguintes), no qual reafirmou as seguintes teses de defesa: a) nulidade do acórdão recorrido diante da ausência de manifestação acerca da identidade de condutas imputadas pelo fisco neste auto de infração e no auto de infração 37.172.0036; Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 6 9 b) conclusão açodada e inverídica de sucessão empresarial e constituição por interposta pessoa; c) a recorrente é pessoa jurídica distinta da RTS, tendo objetos e quadros societários diferentes; d) a reclamatória trabalhista mencionada no relatório fiscal foi extinta em relação à recorrente; e) o funcionário em questão jamais pertenceu ao seu quadro de funcionários; f) a RTS não encerrou suas atividades e tampouco o fez de forma irregular; g) a entrevista feita pela auditoria consigna dados inverídicos e sem razoabilidade, além de não ter qualquer valor probatório; h) o documento da entrevista é apócrifo; i) a Recorrente não se encontra estabelecida no endereço para onde foram encaminhadas todas as intimações e correspondências fiscais, as quais foram recebidas por terceiro, estranho ao seu quadro social, de forma que as autuações seriam nulas; j) não há provas dos fatos imputados à recorrente e as autuações estão baseadas em ilações; k) a autoridade fiscal se limitou em indicar como motivos e fundamentos os artigos da Lei n° 8.212/91, os quais, de forma isolada, nada dizem; l) a recorrente não pode ser demandada por obrigações de terceiros e sempre declarou o que havia a declarar. Ao final, a recorrente pediu o cancelamento do Auto de Infração. O julgamento do recurso foi convertido em diligência, diante da conexão ou continência entre os lançamentos fiscais decorrentes da obrigação tributária principal (AIs 37.172.0087, 37.172.0036, 37.172.0044, 37.172.0052, 37.172.0060 e 37.172.0079) e o auto de infração 37.172.0095. Houve a prolatação de despacho de conexão e todos os Autos foram distribuídos a este Conselheiro. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade das autuações No requerimento final de seu recurso, o sujeito passivo pede a improcedência do auto de infração, afirmandoo por razões de mérito. Vejase: Em face de todo exposto, requer sejam recebidas as presentes razões, para ao final julgar improcedente o auto de infração em questão, pela esteira de argumentos despendidos, culminando com seu CANCELAMENTO INTEGRAL, POR SEUS PRÓPRIOS MÉRITOS [...]. Ocorre que, na fundamentação, o sujeito passivo defende a existência daquilo que chamou de nulidade das autuações e notificações. Preliminarmente, portanto, é necessário verificar se há nulidades. Nesse tocante, observase que a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; o Auto de Infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito e da penalidade aplicável; e não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório. Vejase que o Auto de Infração foi devidamente recepcionado, tanto que a recorrente apresentou sua impugnação de forma tempestiva, sendo equivocado afirmar que ela não se encontraria no endereço informado. Por outro lado, é amplamente sabido que somente há nulidade quando o descumprimento de uma regra legal ou infralegal cause prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. As eventuais formalidades constantes da legislação tributária não constituem um fim em si mesmas, mas sim representam um meio de assegurar o direito do devido processo legal. O contribuinte ou responsável tem todo o direito de saber os fatos contra si imputados e as provas nos quais ele se alicerçam. Todos os atos e termos devem ser lavrados por pessoa competente, e os despachos e as decisões devem ser devidamente fundamentados, e de forma alguma pode, por qualquer via, ser preterido o direito de defesa. Expressandose de outra forma, e apoiandose na inexcedível doutrina do professor Leandro Paulsen, "a nulidade não decorre propriamente do descumprimento do Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 7 11 requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente"1, já que as formalidades "não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa"2. Neste caso concreto, a recorrente fez alegações extremamente genéricas acerca do cerceamento do seu direito de defesa. Nem mesmo num patamar mínimo aceitável, ela precisou de que forma estaria caracterizado tal cerceamento. É óbvio que, a depender do grau de deficiência da instrução processual ou da decisão prolatada no processo administrativo, o sujeito passivo realmente não tem como fazer uma indicação mais detalhada, mas não é isso que ocorre neste caso. Pelo contrário, todos os atos foram devidamente fundamentados e foram assegurados todos os prazos para a apresentação de defesa e documentos. Finalmente, e quanto à não devolução dos livros contábeis, não há qualquer prova das alegações formuladas pela contribuinte. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa, rejeitandose, portanto, a preliminar de nulidade. 3 Da nulidade do acórdão recorrido Nesse ponto, a recorrente discorre sobre a nulidade do acórdão recorrido, diante da ausência de manifestação acerca da identidade de condutas imputadas pelo fisco neste auto de infração e no auto de infração 37.172.0032. Em outras palavras, a recorrente afirma que a presente autuação está exigindo as mesmas rubricas exigidas no auto de infração 37.172.0032, o que já havia suscitado em sede de impugnação, sem que a DRJ tenha enfrentado esse argumento. Analisandose a peça impugnatória, efetivamente se observa que o sujeito passivo vinha defendendo a existência de duplicidade de cobrança. Vejase excerto extraído da folha 33: Ocorre que uma análise detida do Processo Administrativo Auto de Infração n° 37.172.0036, dá conta de que a exata exação, inclusive com idênticos fundamentos legais, foram utilizadas neste feito, como se depreende da imputações lá lançadas, verbis: O acórdão recorrido, contudo, realmente não enfrentou esse argumento. Foram julgadas as teses atinentes à exclusão do simples nacional, à sucessão empresarial, à motivação do lançamento, ao prejuízo do direito de defesa, à instrução probatória e à devolução de documentos, mas não se vislumbra qualquer pronunciamento 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 133. 2 PAULSEN, Leandro. Obra citada, p. 133. Fl. 341DF CARF MF 12 acerca da duplicidade de cobrança, o que ensejaria a declaração de nulidade da decisão recorrida. Ocorre que, na dicção do § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". Como se verá no tópico seguinte, a decisão de mérito é favorável à recorrente, o que enseja a aplicação do dispositivo legal mencionado. 4 Da sucessão empresarial Questão de fundamental importância para a solução deste caso é (i) a existência ou não de sucessão de atividade empresarial por aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial; e (ii) a cessação da exploração do comércio pela empresa adquirida, uma vez que a acusação fiscal parte desse pressuposto e também porque a principal tese de defesa se sustenta nessa quadra. Iniciandose pela norma, o art. 133 do CTN prevê a existência de responsabilidade pelos tributos à pessoa que adquirir de outra, por qualquer título, fundo ou estabelecimento, e continuar a respectiva exploração, sendo essa responsabilidade integral, caso o alienante cesse as atividades. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Como se vê, o fato de a empresa dita sucessora ocupar o mesmo imóvel antes ocupado pela empresa dita sucedida não é suficiente para ensejar a responsabilidade de que trata o artigo. Deve haver a aquisição do fundo ou estabelecimento, compreendido como todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou sociedade empresária (art. 1142 do CC). Art. 1.142. Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. A distinção entre local e fundo ou estabelecimento não é sutil; e a sucessão por conta da alienação do estabelecimento ou fundo faz sentido porque eles constituem um ativo da empresa, aos quais se vinculam os tributos devidos até a data do ato. Conforme a doutrina do professor Ives Gandra da Silva Martins: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 8 13 [...] fundo de comércio não se confunde com ponto comercial. Fundo é a integralidade dos bens patrimoniais, inclusive os de natureza pessoal e de valor imaterial, e não apenas um local, para exploração de idênticas atividades, mas não da respectiva atividade. A expressão ... implica sempre um sentido de universalidade. A aquisição, portanto, apenas pode ser caracterizada como geradora de obrigações tributárias, quando a assunção do estabelecimento ... implicar a aquisição da universidade dos bens, do fundo de comércio, das marcas, da clientela específica do good will [...]3. Como reforço, vejase que a parte final do art. 133 restringe a responsabilidade do adquirente pelos tributos "relativos" ao fundo ou estabelecimento adquirido. Ainda que não contabilizados, o fundo ou estabelecimento são uma medida de grandeza da entidade, fazendo todo sentido responderem pelos tributos que lhes são correlatos. A doutrina de Luís Eduardo Schoueri está expressa nos seguintes termos: [...] a sucessão exige transferência de estabelecimento ou fundo de comércio. Se um mesmo imóvel, antes ocupado por uma empresa, é ocupado por outro, noutro ramo de atividade, não há que se falar em sucessão; se a nova empresa ocupa o mesmo imóvel e mantém o mesmo objeto, então é possível que se cogite de transferência de fundo de comércio, a ensejar a sucessão (matéria que deve ser verificada em cada caso) 4. A par da transferência do fundo ou estabelecimento, a norma ainda determina a continuidade da "respectiva exploração" como critério de aplicação da responsabilidade tributária, conforme se demonstrou na transcrição do dispositivo legal e na doutrina do professor Ives Gandra da Silva Martins. Neste caso concreto, contudo, sequer há identidade entre os objetos sociais de ambas as empresas, na medida em que a RTS era uma empresa de comércio de auto peças, ao passo que a AMM era uma retificadora de motores (vide denominação social de ambas as sociedades e contratos constitutivos de fls. 710/711 e 903/905). Logo, não há que se falar em continuidade da respectiva exploração. Ademais, a despeito de todos os indícios apurados em sede de fiscalização, como amplamente relatado acima, a autoridade também não demonstrou que a recorrente passou a se utilizar dos mesmos ativos tangíveis ou intangíveis que pertenciam à RTS, tais como máquinas, equipamentos, veículos, marcas, etc, tampouco que tenha explorado a mesma clientela. Não houve, ainda, prova da relação de continuidade entre a atividade anteriormente exercida pela RTS e a atividade da recorrente. 3 Citado por PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2008, p. 942. 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 611. Fl. 343DF CARF MF 14 Nesses termos, a autuação carece de provas da aquisição do fundo ou estabelecimento comercial. Isto é, muito embora haja provas a respeito (i) da constituição de empresas por interpostas pessoas; (ii) da utilização, pela AMM, de parte dos empregados registrados na RTS; e (iii) fortes indícios de falsificação de documentos, fatos estes de grande gravidade e que podem repercutir da esfera penal, entendese que a autoridade fiscal não demonstrou a subsunção dos fatos concretos à norma do art. 133 do CTN, principalmente diante da falta de comprovação da alienação do estabelecimento e da continuidade da respectiva exploração. Como dito, os objetos sociais de ambas as empresas eram distintos e a administração fazendária não conseguiu provar que a recorrente se utilizou dos mesmos ativos da pessoa jurídica dita sucedida. Sabese das dificuldades que a fiscalização tem em procedimentos de tal natureza, mas, por outro lado, não se pode perder de vista que tal procedimento tem um viés fortemente acusatório, cabendo à autoridade empreender todos os esforços para demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador e de todos os requisitos legais para a aplicação da norma de responsabilidade por sucessão. A norma de responsabilização, além de pressupor a ocorrência do fato gerador, tem requisitos específicos. Expressandose de outra forma, a extensão da relação jurídicotributária, que originariamente recaía sobre determinada pessoa, a um terceiro, requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à responsabilidade tributária. A responsabilidade pressupõe a regramatriz de incidência e a regramatriz de responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes/solidários e responsáveis). Por todos esses motivos, entendese que não há como se aplicar o art. 133 ao caso concreto, devendo ser dado provimento ao recurso, para cancelar a autuação e o lançamento. 5 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER do recurso voluntário, para REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Redator designado Designado para redigir o voto vencedor, passo a abordar as matérias apontadas nos itens 3 e 4 do voto do relator. Da nulidade do acórdão recorrido. Sustenta a recorrente que não teria havido manifestação acerca da identidade de condutas imputadas pelo fisco neste auto de infração e no auto de infração 37.172.0032. É dizer: alega que a presente autuação está exigindo as mesmas rubricas exigidas no auto de infração 37.172.0032, o que já havia suscitado em sede de impugnação, sem que a DRJ tivesse enfrentado esse argumento. Notese que referida alegação, tal como formulada, não demandará, para sua apreciação, qualquer manifestação de cunho decisório por parte de colegiado a ensejar eventual supressão de instância e violação ao duplo grau de jurisdição administrativa. Ao contrário, as considerações adiante, além de procurarem esclarecer a possível dúvida do recorrente, prestigiam os princípios, dentre outros, da eficiência, oficialidade e da celeridade processual. O presente feito, formalizado sob o nº 10935.004635/200854, trata, especificamente, do débito constituído de nº 37.172.0079, ao passo que os demais, como abaixo tabulados, de débitos com distintos fatos geradores e tipos tributários próprios. Vejase: PAF DÉBITO MATÉRIA PERÍODO 10935.004632/200811 37.172.0095 MULTA FATOS GERADORES NÃO DECLARADO EM GFIP 23/07/2007 10935.004634/200818 37.172.0087 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADOS EM GFIP 06/2007 a 12/2007 10935.004635/200854 37.172.0079 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE PATRONAL C.I. PAGTO A RONALDO T DA SILVA 07/2007 a 12/2007 10935.004636/200807 37.172.0060 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE SEGURADOS C.I. PAGTO A RONALDO T DA SILVA 07/2007 a 12/2007 10935.004637/200843 37.172.0052 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE PATRONAL 07/2007 a 12/2007 10935.004638/200898 37.172.0044 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL ENTIDADES CONVENIADAS TERCEIROS 07/2007 a 12/2007 10935.004640/200867 37.172.0036 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTE SEGURADOS EMPREGADOS NÃO DECLARADOS EM GFIP 07/2007 a 12/2007 10935.004631/200876 37.172.0109 MULTA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NÃO CONDIZENTES COM A REALIDADE 10935.004630/200821 37.172.0117 MULTA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS Nesse sentido, o resumo acima propõese, tão somente, seja esclarecida a dúvida manifestada pelo recorrente. Da sucessão empresarial Em que pese o muito bem fundamentado voto do relator, ouso a, neste ponto, discordar de sua conclusão. Ao artigo 133 do CTN, ao tratar da responsabilidade pela sucessão empresarial, assim dispõe: Fl. 345DF CARF MF 16 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; (...) O ponto sob análise resumese a determinar se houve, ou não, a efetiva aquisição do "fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional" e a continuidade da "respectiva exploração". Os fatos trazidos pela Fiscalização, ladeados aos elementos que constam dos autos, evidenciam que, a meu ver e sem sobras de dúvidas, a recorrente adquiriu o fundo de comércio da pessoa jurídica RTS, mantendo, inclusive, a exploração da mesma atividade empresarial. Vejamos: Iniciada a ação fiscal _0910300.2008.000539 em 08.02.2008 a auditoria se dirigiu ao estabelecimento da RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA, cadastrada nos sistemas informatizados, tanto da Receita Federal do Brasil, quanto da Previdência Social, como Av. Parigot de Souza 1864 Toledo PR. Neste local a fiscalização foi recebida pelo Sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Perguntado pela Fiscalização, informou que no local encontravase funcionando a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA CNPJ 08.958.074/000147. Sobre o endereço onde estava operando a empresa RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA e sobre o seu vínculo com as empresas, o Sr. RONALDO informou que a empresa RTS estava com as atividades encerradas e que não possuía vínculo com nenhuma das empresas. Informou que estava apenas prestando ajuda no local e, ainda, que o escritório ORCA CONTABILIDADE SIS LTDA, situado na Av. Parigot de Souza, 1986 sala 3 Toledo PR realizava a escrituração contábil das empresas. Em seguida, na mesma data (08.02.2008) a auditoriafiscal dirigiuse ao já referenciado escritório contábil, tendo então dado ciência ao Termo de Início da Ação Fiscal TIAF a sra. NEURA GRANDI SAVARIS, contadora responsável pela área de pessoal do escritório, com prazo para atendimento da intimação em 12.02.2008. A apresentação de documentos pelo escritório contábil, representando a RTS, foi efetuado parcialmente e de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal se limitava ao exercício de 2004. Iniciado o exame dos documentos básicos para uma auditoriafiscal nas contribuições sociais incidentes sobre pagamentos/créditos de remunerações a segurados, tais como folhas e recibos de pagamentos e de ferias, rescisões de contrato de trabalho, livro de registro de empregados, guias de recolhimento do FGTS e da Previdência Social e os livros contábeis dos registros comerciais, dentre outros, observouse que a quase totalidade destes documentos eram assinados pelo sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 10 17 Tal constatação, relativamente aos documentos do exercício financeiro de 2004, indicava que o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA possuía um vínculo com a RTS mais amplo do que havia mencionado. Ademais, aplicase ao caso concreto a hipótese da RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTARIA POR SUCESSAO, da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, que continuou as atividades da empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA (art. 133, do Código Tributário Nacional e art. 751, da Instrução Normativa SRP 3/2005). Tais fatos motivaram a Fiscalização a requerer a ampliação do período a ser examinado na RTS, bem como a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal a ser cumprido na empresa AMM. Tendo sido providenciada a ampliação do período a ser examinado na empresa RTS, bem como a abertura do procedimento fiscalizatório na AMM, a auditoriafiscal em 26.02.2008 dirigiuse ao estabelecimento, sendo recebida novamente pelo sr. RONALDO TAVARES DA SILVA. Na oportunidade foi dada ciência ao Termo de Inicio da Ação Fiscal da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA, SUCESSORA DE RTS COMÉRClO DE PEÇAS LTDA, qualificandose o sr. RONALDO como gerente da empresa (vide cópia do TIAF). Contudo, teria se negado a cientificar o Termo da RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA. A ciência ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, relativo a ampliação do período a ser examinado na RTS foi dada pela sra. NEIVA MARIA THEOBALD DA SILVA, contadora no escritório ORCA CONTABILIDADE S/S LTDA, em 26.02.2008. Tendo sido cumpridas as intimações cientificadas em 26.02.2008, ambas as empresas apresentaram os documentos/livros contábeis solicitados. Ao examinar os documentos já mencionados no item acima, a auditoriafiscal pode comprovar que o vínculo do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, com a empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA foi ininterrupto, contínuo e habitual, estabelecido desde a constituição da pessoa jurídica (de 2003 até 2007). Reforçando: a integralidade da documentação (ou quase) que necessitava da assinatura dos sócios era por ele firmada, inclusive os livros de registro de empregados e contábeis (vide cópia de farta e extensa documentação comprobatória). Além dos fatos acima narrados, outros constatados pela auditoria levaramna a concluir sobre a aplicação da hipótese de incidência do art. 14, IV, da Lei n° 9.317/96 ao caso concreto (exclusão do SIMPLES por constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios). A empresa RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, até o exercício financeiro de 2006, não possuía em seus registros contábeis um ativo imobilizado (maquinas, equipamentos e imóvel) compatível com algumas das atividades exercidas, tais como a retifica de motores. Não possuía, também, escrituração de despesas com aluguel. A empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA também não possuía os elementos comerciais/industriais citados no parágrafo anterior e mais grave, até a competência março de 2008, estava utilizando os funcionários registrados na RTS para gerir suas atividades econômicas. Fl. 347DF CARF MF 18 Diante de tais constatações, a auditoriafiscal intimou ambos contribuintes a apresentar documentos e prestar, ate 14.03.2008, as seguintes informações: a) esclarecimento por escrito sobre a propriedade do imóvel localizado na Av. Parigot de Souza, 1864 Toledo PR, juntamente com os documentos comprobatórios: registro imobiliário, contrato de locação ou comodato, dentre outros; b) esclarecimento por escrito sobre o endereço de funcionamento das atividades ou sobre o encerramento das atividades da empresa RTS; c) na hipótese de encerramento das atividades, esclarecimento por escrito sobre a transferência de maquinas/equipamentos e do ponto comercial para empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA CNPJ 08.958.074/000147. As intimações foram assinadas pelo sr. RONALDO em 11.03.2008 (vide cópias), se qualificando como gerente, inclusive na empresa RTS. Em razão dessas intimações, esteve presente na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel, no dia 13.03.2008, o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, qualificado como sóciogerente no contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA. Na ocasião, em razão das robustas provas que se apresentavam até aquele momento da constituição das pessoas jurídicas (RTS e AMM) por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios (respectivamente, art. 14, IV, da Lei n° 9.317/96 e art. 29, IV, da Lei Complementar n° 123/2006), a auditoriafiscal resolveu entrevistar o sr. ANTÔNIO MARCOS MONTEIRO, na presença dos auditores fiscais ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA matricula 1286863 e ANTÔNIO CARLOS FIORI matricula 1450704. O relatório decorrente da entrevista foi reduzido a um Termo de Constatação, cujo conteúdo segue transcrito a baixo: () II RELATÓRIO MARCOS ALBERTO SUSSUMU LOURENÇO, matricula SIAPE 2205369, na presença das testemunhas ANTÔNIO CARLOS FIORI matricula SIAPE 1450704 e ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA matrícula SIAPE 1286863, todos auditores fiscais da Receita Federal do Brasil, no dia 13 de março de 2008 as 16h e 30min, considerando o comparecimento do sóciogerente da empresa identificada na epígrafe nesta delegacia da Receita Federal do Brasil, Sr. ANTÔNIO MARCOS MONTEIRO, portador da carteira de 'identidade civil RG 5.281.6440 (SSP PR) e do CPF 809.023.91968, com o objetivo de protocolar pedido de prorrogação de prazo para apresentação de documentos, decorrente da intimação assinada em 11 de março de 2008 (cópia em anexo), procedeu a oitiva deste, visando esclarecer pontos relativos aos procedimentos fiscais 0910300.2008.00053 e 0910300.2008.00128, tendo ocorrido os seguintes fatos: a) Indagado sobre a data de inicio das atividades da empresa AMM que não se arriscaria a dizer a data, pois poderia fornecer uma informação incorreta; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 11 19 b) Indagado sobre sua experiência profissional relacionada com a atividade da empresa que já exerceu e exerce diversas atividades para muitas pessoas, dentre estas o sr. Rosalvo Tavares da Silva; c) Perguntado sobre o tipo de vínculo pessoal ou profissional com o sr. Rosalvo Tavares da Silva que há muito tempo conhece e trabalha para ele sem vínculo empregatício, realizando serviços gerais; d) Perguntado sobre como conheceu o sr. Ronaldo Tavares da Silva que o conheceu em razão de ser irmão do sr. Rosalvo Tavares da Silva; e) Indagado sobre a administração da AMM Retificadora de Motores Ltda que não administra a empresa; que é o sr. Ronaldo Tavares da Silva que efetivamente realiza a administração da empresa; que somente presta serviços gerais como motorista, mecânico e outros como entrega de documentos (similares a atividade de "office~boy" termo não utilizado pelo declarante); que ao necessitar de dinheiro para custear despesas requer a empresa AMM o pagamento pelos serviços realizados; que trabalha muito em diversas atividades e para diversos tomadores de serviço; f) Perguntado sobre ser o proprietário da empresa AMM Retificadora de Motores Ltda que seu nome consta dos documentos de constituição da empresa, mas de forma confusa relatou que seria o sr. Rosalvo Tavares da Silva o verdadeiro proprietário da empresa. Naquele momento da entrevista, o declarante se mostrou embaraçado e confuso, dizendo que estava realizando uma entrega no CEASA em Cascavel, quando recebeu uma ligação telefônica, onde o interlocutor lhe disse ser necessário entregar um documento na Receita Federal (o declarante não informou o nome do interlocutor). Apesar de ser portador e de ter assinado o documento acima referido, o declarante informou que não entendia a que este se prestava, perguntando se poderia deixar de prestar as informações requeridas pela auditoria fiscal. Considerando o estado psicológico de dúvidas que se abateu sobre o declarante, a Fiscalização informou que ele não estava obrigado a dar continuidade à entrevista. Aproveitando o momento, prestouse ao declarante algumas informações relativas ao procedimento fiscal, além das possíveis repercussões legais daí decorrentes. Nesse sentido, foram esclarecidos, em síntese, os seguintes pontos: que de acordo com o art. 133, do Código Tributário Nacional a empresa AMM Retificadora de Motores Ltda seria considerada sucessora da empresa RTS Comércio de Peças Ltda, devendo aquela assumir a responsabilidade pelos tributos devidos aos cofres públicos; que sucedida e sucessora se encontravam em débito com a Seguridade Social, inclusive de contribuições sociais objeto “em tese" dos crimes de “apropriação indébita previdenciária” e “sonegação"; Fl. 349DF CARF MF 20 que os administradores das sociedades poderiam vir a responder aos processos penais decorrentes de tais crimes; e que a constituição de uma empresa por “interposta pessoa" estaria capitulada como um procedimento ilegal. Dadas as explicações, a auditoriafiscal indagou se as informações prestadas estavam suficientemente claras para o declarante. Neste ponto o declarante, de forma titubeante, chegou a se expressar que seria, então, um “laranja” do sr. Rosalvo. A auditoria fiscal, então, explicoulhe que caso não fosse “de fato" sócio da empresa. este seria o nome comumente utilizado. O declarante, num lampejo de emoção, disse: que estava preparado para cumprir penalidades comunitárias alternativas, chegando a mencionar que “tinha entrado numa fria", que trabalhava muito somente para sobreviver; que se encontrava passando por dificuldades no relacionamento com sua esposa; que estava pensando, inclusive, em trabalhar no Paraguai, pais onde já havia vivido e trabalhado; e que a partir do momento em que havia tido recursos financeiros apreendidos durante o Plano Collor, havia se decepcionado com o governo brasileiro. Considerando o estado emocional do declarante; Considerando o pedido verbal do declarante para interromper a entrevista formal e para não assinar o termo circunstanciado; Considerando, ainda, que o declarante demonstrava não entender o real conteúdo e finalidade do documento que, portava para protocolo; A Fiscalização interrompeu, naquele momento, a entrevista para obtenção de esclarecimentos, bem como resolveu emitir este termo de constatação, visto que os fatos então narrados teriam ocorrido na presença das testemunhas arroladas adiante. Evidenciouse que o sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO, sóciogerente constante do contrato social da empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, somente confirmou verbalmente o que os documentos e os fatos já demonstravam, ou seja, que ele e outras pessoas foram utilizadas como interpostas pessoas para acobertar a constituição das pessoas jurídicas pelos verdadeiros sócios srs. RONALDO DA SILVA TAVARES e ROSALVO DA SILVA TAVARES. E muito provável que a interposição de pessoas na constituição das empresas decorreu em virtude da impossibilidade da opção pelos regimes de tributação diferenciada do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, pois vejamos as “coincidências": I a constituição da RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA ou da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA, pelos srs. RONALDO TAVARES DA SILVA e ROSALVO TAVARES DA SILVA, impossibilitaria a opção pelo sistema de tributação, respectivamente, do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, haja vista já serem sócios das seguintes empresas: Auto Posto Tavares Ltda CNPJ 00.797.920/000182, Fidelcino Santos & Cia Ltda CNPJ 00.219.670/000101, Jr Adminstração e Participações Ltda CNPJ 36.956.589/000143, O. Nunes & Tavares Ltda CNPJ 79.782.660/000121, Lanchonete RTS Ltda CNPJ 82.432.188/000101 e Rosalvo Tavares Da Silva 8. Cia Ltda CNPJ 72.566.953/000122 (vedações constantes do art. 9°,lX, Lei 9.317/96 e do art. 3°, §4°, IV, da Lei Complementar 123/2006); Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 12 21 II a mudança da opção do SIMPLES para o SIMPLES NACIONAL pela RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA, que poderia ser requerida no mês de julho de 2007 (data de constituição da AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA) não seria possível em razão da existência de débitos para com a Seguridade Social declarados em GFIP. Outro ponto a se ressaltar é que, apesar da tentativa do sr. ANTONIO MARCOS MONTEIRO em prorrogar o prazo das intimações assinadas em 11.03.2008, o prazo fixado pela auditoriafiscal (14.03.2008) correu “in albis", motivo que ensejou a lavratura de Auto de Infração Obrigação Acessória AIOA 37.172.0028. Somente em 23.04.2008 as intimadas protocolizaram na Delegacia da Receita Federal em Cascavel correspondência justificando pontos relativos à intimação. Nesta correspondência demonstraram certa indignação pelo requerimento das informações fiscais e, pelo seu conteúdo, consideraram prestados os devidos esclarecimentos, sendo, ainda, anexadas cópias dos seguintes documentos: a) certidão n° 5165, do 1° Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Toledo/PR relativa ao lote urbano n° 7, da quadra 623, situado no Jardim Novo Bandeirantes; b) instrumento particular de compromisso de comodato para uso de imóvel comercial firmado entre as empresas RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA e AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento das firmas na mesma data; c) instrumento particular de locação de maquinas e equipamentos firmado entre LILIAN TAVARES DA SILVA e AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA datado de 10 de julho de 2007 e com reconhecimento das firmas na mesma data. Deve ficar destacado que somente prestou informações a empresa AMM, esclarecendo situações que envolviam ambas as empresas, com quarenta dias de atraso. Ademais, näo foi informada sobre a continuidade ou não das atividades da empresa RTS COMERCIO DE PEÇAS LTDA. Ocorre, também, que os reconhecimentos das firmas constantes das cópias dos contratos anexados na prestação das informações não foram confirmados pelo 6° Tabelionato Mônica Malucelli, situado na Rua Comendador Araújo, 143 Curiti_ba Parana. Procurado pessoalmente, o escrevente cartorário Sr. HENRIQUE LEMES DOS SANTOS informou que a sua assinatura aposta no carimbo do cartório era falsa. A falsidade foi posteriormente confirmada expressamente por meio de ofício (cópia em anexo), Diante da gravidade do fato, a auditoriafiscal intimou em 13.05.2008, na pessoa do sr. RONALDO TAVARES DA SILVA, a RTS a apresentar os originais dos citados contratos, bem como comprovar a propriedade das máquinas, equipamentos e ferramentas locadas pela sra. LILIAN TAVARES DA SILVA para a empresa AMM RETIFICADORA DE MOTORES LTDA SUCESSORA DE RTS COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. Fl. 351DF CARF MF 22 O fato é que a empresa RTS deixou o prazo (15.05.2008) passar em "branco", em cumprimento do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (cópia em anexo). Paralelamente as provas acima citadas, outras evidências auxiliam na comprovação de que as empresas RTS e AMM foram constituídas por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios: I As iniciais da empresa RTS coincidem com os nomes dos srs. RONALDO TAVARES DA SILVA e ROSALVO TAVARES DA SILVA; II O sr. RONALDO TAVARES DA SILVA foi nomeado procurador da RTS, possuindo amplos e ilimitados poderes para administrar a sociedade (vide cópia da procuração); III Nas quatro oportunidades em que esta auditoria esteve na Av. Parigot de Souza 1684 Toledo PR, sempre foi atendida pelo sr. RONALDO, em seu escritório no 1° andar (vide cópias dos TIAFs e TlADs). IV O sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre assinou tanto as CTPS dos empregados, como os documentos relativos a administração de pessoal, bem como os livros de registro de empregados e livros comerciais (vide cópias de farta e extensa documentação); V O sr. RONALDO TAVARES DA SILVA sempre agiu como preposto das empresas nas ações trabalhistas movidas contra as Auditadas (vide cópias de reclamatórias trabalhistas); VI A sra. ELIANE GRUNFELD sócia ingressante da 1“ alteração de contrato social da RTS outorgou procurações em caráter irretratável para o sr. RONALDO TAVARES DA SILVA efetuar a venda de imóveis em 2002 na cidade de Cascavel (vide cópias das procurações), demonstrando, desde data anterior a constituição da pessoa jurídica, possuírem estreitos vínculos de confiança; VII O sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA constituiu, ainda, outra empresa com as mesmas iniciais de seu nome, ou seja, Lanchonete RTS Ltda CNPJ 82.432.188/000101; VIII A sra. LILIAN TAVARES DA SILVA sóciagerente ingressante da 1” alteração de contrato social da RTS outorgou procuração para seu pai o sr. ROSALVO TAVARES DA SILVA efetuar a administração plena de todos os seus bens (vide copia da procuração). IX Na reclamatória trabalhista 000642008068O9001 (copia em anexo) movida por José Slrelin contra as Auditadas, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 17.01.2008 (data anterior ao inicio do procedimento fiscal), o empregado na petição inicial confirma: “As rés são geridas e administradas por um mesmo grupo econômico ou de pessoas. Ambas funcionam no mesmo edifício. O que as diferenciam são apenas o local de acesso e a placa de publicidade, sendo que para a primeira a entrada é pela Avenida Parigot de Souza e a segunda é pela rua México, que faz fundos com o edifício onde ambas estão instaladas. (...)" Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10935.004635/200854 Acórdão n.º 2402005.988 S2C4T2 Fl. 13 23 X Na reclamatória trabalhista 003342008'O6809004 (cópia em anexo), movida por Adelar de Almeida Bueno contra a RTS, protocolada na Vara do Trabalho em Toledo em 27.02.2008, o empregado na petição inicial informa: “(...). No presente caso há prova inequívoca da demissão arbitrária do autor, através de documentos ora anexados e assinados pelo representante do empregador Sr. Ronaldo Tavares da Silva." No caso sob análise, a aparente, ou sob o ponto de vista formal, não identidade entre os objetos sociais de ambas as empresas, na medida em que a RTS seria uma empresa de comércio de auto peças, ao passo que a AMM, uma retificadora de motores, cede espaço ao forte conteúdo probatório que conduz à convicção de que a sucessora permaneceu exercendo o negócio da sucedida, seja pelo aproveitamento de parcela de seus funcionários, bem como de suas máquinas e equipamentos, seja pela "gerência" comum a cargo do Sr Ronaldo, seja ainda pelo o que constou na exordial da reclamatória trabalhista RT 56/2006, de 23.01.2006, no sentido de que o lá reclamante teria sido contratado para ocupar o cargo de montador de motor (motores em geral principalmente motores a diesel de caminhões, tratores, máquinas industriais, e outros) e que fazia também recuperação de motores velhos (desmontar, montar, lavar peças, fazer lubrificação, etc), atividades não compatíveis com as que se espera de um comércio e de auto peças. Somase às robustas evidências encimadas, a conduta reprovável dos gestores das empresas envolvidas que navegou desde a utilização de interposta pessoa à tentativa de aproveitamento de documento falso. Por todo o exposto, tenho que, neste caso, o reconhecimento da responsabilidade por sucessão é um imperativo. Nesse sentido, VOTO por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR LHE provimento. Mauricio Nogueira Righetti (assinado digitalmente) Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.720160/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 07/12/2007
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 07/12/2007 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em função da unidade de jurisdição. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Renato Vieira de Avila, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 01 60 /2 00 7- 71 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0832.087, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de Auto de Infração para constituição do crédito tributário no valor de [...], em decorrência de insuficiência de recolhimento da COFINS Importação no valor [...]; PIS/PASEP – Importação, no valor de [...], na importação através da DI 07/17104146, registrada em 07/12/2007 de 10 unidades de pneumáticos radiais para "DUMPERS" concebidos para serem utilizados fora de rodovias, com classificação na Tarifa Externa Comum sob o código 4011.63.10. Destaca a fiscalização: De acordo com petição em Mandado de Sentença n° 2007.38.01.006508 6, a interessada manifesta discordância com recolhimento forma (sic) da Lei n° 10.865/2004, questionando a base de cálculo das contribuições, onde alega ser incluído indevidamente no conceito de valor aduaneiro outras despesas impertinentes. Contudo, tomou a iniciativa de recolher através de DARF os valores com os quais concorda, depositando em juízo a parte controversa, conforme documentos anexados a este Auto. De acordo com o artigo 151, II do CTN, foi lavrado o presente Auto de Infração, cuja exigibilidade ficará suspensa até o julgamento do mérito da liminar. Às fls.23/26 consta decisão liminar em Mandado de Segurança referente ao processo n° 2007.38.01.0065086 da 3ª Vara da Justiça Federal Subseção Judiciária de Juiz de Fora – MG, cujos excertos do mandamus se transcreve a seguir, em síntese: Pelas razões expostas, defiro .a liminar requerida determinando que a autoridade coatora proceda ao desembaraço aduaneiro das mercadorias retidas no EADI — JUIZ DE FORA mencionadas à fl. 29/30 dos autos, sob a alegação de não pagamento de PIS/COFINS Importação, mediante depósito CE judicial da parte controversa e recolhimento ao fisco da parcela incontroversa. Os depósitos judiciais referentes à COFINS Importação no valor [...] e PIS/PASEP – Importação, no valor de [...], foram efetuados em 07/12/2007, conforme fl.27. Cientificado do auto de infração, conforme ciência pessoal em 18/12/2007, fl. 2, a interessada apresentou sua impugnação em 16/01/2008, fls. 32/35 e documentos em anexo, fls.36/71, aduzindo, em síntese. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10640.720160/200771 Acórdão n.º 3301004.089 S3C3T1 Fl. 106 3 Inicialmente ratifica a tempestividade da impugnação e prosseguindo, invoca o artigo 62 do Decreto nº 70.235, de 1972, ressaltando que existe liminar judicial suspendendo a exigibilidade do tributo, em razão de depósito integral do montante lançado, sendo que a ação discute no mérito, a incidência do PIS e da COFINS sobre a importação, inexistindo trânsito em julgado, conforme se infere do andamento processual do processo n° 2007.38.01.0065086 em curso perante a 3a Vara Federal da Subseção Judiciária de Juiz de Fora. Destarte, o presente processo administrativo resta prejudicado pela existência de ação judicial discutindo a matéria versada na presente autuação. Argui que em face dos depósitos judiciais, por força do art. 151, II e IV o crédito está com a exigibilidade suspensa, no entanto o lançamento do tributo ocorreu com encargos moratórios, os quais são indevidos, visto que a mora pressupõe atraso, fato que não houve, uma vez que houve o depósito tempestivo do valor integral dos tributos, fato incontroverso; Os depósitos judiciais foram efetuados nos autos do Mandado de Segurança, logo, a autuada está amparada em decisão judicial que convalidou a validade e eficácia dos depósitos judiciais. Assim, a exigência que ora se pretende lançar, acaso mantida constitui verdadeiro enriquecimento sem causa para o fisco, pois o montante do tributo foi depositado tempestivamente em juízo em conta com atualização monetária, sendo passível de imediata conversão em renda acaso seja o Fisco declarado vencedor do litígio. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/12/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela via judicial quanto à discussão acerca da inconstitucionalidade da inclusão de ICMS, bem como do PIS/PASEP e da COFINS na base de cálculo das referidas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens, importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Fl. 107DF CARF MF 4 Inconformada com o não conhecimento da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário, opõemse contra a constituição definitiva do crédito tributário e sua cobrança. Ao final, pede a reforma parcial do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10640.720160/200771 Acórdão n.º 3301004.089 S3C3T1 Fl. 107 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. No mandado de segurança, discute a recorrente a base de cálculo das contribuições, onde alega ter sido incluído indevidamente no conceito de valor aduaneiro outras despesas impertinentes. A recorrente afirma que, após a decisão recorrida: A recorrente quer ver reformado o acórdão recorrido, este que decide por " I) NÃO CONHECER DA IMPUGNAÇÃO, quanto à questão meritória visto que a matéria em litígio administrativo está submetida ao crivo do Poder Judiciário; e II) DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o crédito tributário lançado nos autos de infração [...] cabendo à autoridade responsável pela execução deste acórdão a observância do resultado da Ação Judicial quando de seu trânsito em julgado". E prossegue a recorrente: [...] Com relação às contribuições, decidiu o acórdão recorrido pela renúncia à discussão nas instâncias administrativas da matéria posta em ação judicial, amparando se no Parecer Normativo Cosit n.º 07, de 22/08/2014, e na Súmula CARF n° 1; com o que concordo. Reproduzo parte do dito acórdão: Excertos da Sentença, publicada em 10/11/2008, fls.24/26, abaixo parcialmente reproduzida delimita a matéria sob exame: Fl. 109DF CARF MF 6 [...] Pelo teor da decisão judicial acima reproduzida, podese então inferir que toda a matéria fática, juridicamente interpretada pela fiscalização, que ensejou a cobrança da COFINS Importação e PIS/PASEP – Importação, nos termos das disposições do art. 7º, I , da Lei 10.865/04, quanto à base de cálculo das referidas contribuições, vigente à época do fato gerador, foi submetida ao crivo do Poder Judiciário através do Mandado de Segurança vinculado ao processo n° 2007.38.01.0065086 da 3ª Vara da Justiça Federal Subseção Judiciária de Juiz de Fora MG, cujo objeto da referida ação, é o mesmo do qual se insurge o contribuinte na peça de defesa administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; [...] Tudo em consonância com o princípio da unicidade da jurisdição, este embasado no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Ressalto do referido Parecer Normativo Cosit o caráter de definitividade da renúncia às instâncias administrativas, como se depreeende dos enunciados abaixo: e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10640.720160/200771 Acórdão n.º 3301004.089 S3C3T1 Fl. 108 7 [...] i)é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; A referida Súmula, bem como as determinações e a inteligência do citado Parecer Normativo Cosit, fazem concluir que, tendo o contribuinte proposto ação judicial, com o mesmo objeto do auto de infração em pauta; renunciou ele às instâncias administrativas; e o fêz de forma definitiva; sendo incabível apreciação pelo órgão de julgamento administrativo da matéria coincidente; não havendo outra providência, a não ser, não conhecer do recurso voluntário. Sobre a questão de mérito, coincidente nas esferas administrativa e judicial, traz a recorrente decisão do STF no RE 559.937/RS, o que não afasta a dita renúncia de instâncias. Assim, por todo o exposto, não conheço do recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.692651/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado.
Numero da decisão: 1301-002.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.692651/2009-54 Acórdão n.º 1301-002.706 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.692651/2009-54 Acórdão n.º 1301-002.706 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.692651/2009-54 Acórdão n.º 1301-002.706 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.692651/2009-54 Acórdão n.º 1301-002.706 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 115DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 10480.012465/92-94
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2000
Ementa: ADUANEIRO. REDUÇÃO. CNPq.
Res. CPA 14-1034/86, prorrogada pela Resolução CPA n°14-1302/87, nos termos do art. 4° do Decreto-Lei 1.857/81.
Havendo o CNPq atestado em documento idôneo que, em se tratando de importação sem cobertura cambial, estava a beneficiária
dispensada da apresentação da via da GI, dado que a importação se
fizera nos termos do Projeto aprovado e na conformidade da
Resolução CPA n° 14-1034/86 prorrogada pela Res. 14-1302/87 e
nos termos do art. 4° do Decreto-Lei n° 1.857/8, é reconhecido o
direito do contribuinte ao beneficio fiscal pleiteado.
Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03-03.116
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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REDUÇÃO. CNPq. Res. CPA 14-1034/86, prorrogada pela Resolução CPA n°14- 1302/87, nos termos do art. 4° do Decreto-Lei 1.857/81. Havendo o CNPq atestado em documento idôneo que, em se tratando de importação sem cobertura cambial, estava a beneficiária dispensada da apresentação da via da GI, dado que a importação se fizera nos termos do Projeto aprovado e na conformidade da Resolução CPA n° 14-1034/86 prorrogada pela Res. 14-1302/87 e nos termos do art. 4° do Decreto-Lei n° 1.857/8, é reconhecido o direito do contribuinte ao beneficio fiscal pleiteado. Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. — ro SON PE td- 0'1' RODRIGUES PRESIDENT - / /457- A- HOLANDA COSTA RELATOR 71 FORMALIZADO EM: i 1 ki A NI ' n n 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLI Re ft PROCESSO N° : 10480.012465/92-94 ACÓRDÃO N° : . CSRF/03- 03 .116 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL SUJEITO PASSIVO : SISTEMAS AVANÇADOS DE TELEINFORMÁTICA S/A RELATÓRIO Retoma o presente processo, de diligência encaminhada ao CNPq, por intermédio da repartição de origem, nos termos do n° CSRF/03-0.046, de 6 de abril de 1.998, que leio em sessão. Trata-se da aplicação da aliquota zero constante da Resolução CPA 14-01034/86 para a mercadoria submetida a despacho com a DI 0020074/87 na IRF do Porto de Recife PE. O pleito do contribuinte fora denegado pelo fato do descumprimento da exigência do art. 2° inciso II da Resolução, a saber: atestação na guia de importação da não existência de similar nacional e declaração expressa do CNPq de que os bens se destinavam à pesquisa científica ou ao desenvolvimento tecnológico. A autoridade julgadora de primeira instância considerou cumprido o primeiro requisito (item I da Portaria) mas não o segundo requisito (item II), relativo à declaração do CNPq. A 2a Câmara do 3° CC, por sua vez, entendeu que, à vista do documento de fl. 94, a empresa não estava obrigada a encaminhar ao CNPq a guia de importação. A diligência determinada pela CSRF objetivou obter do CNPq esclarecimento a respeito da autenticidade do documento de fl. 94 e bem assim, se o contribuinte estava, no caso desta importação, dispensada da aprese~o da GI àquele órgão para obter a redução prevista na Resolução da CPA. A Delegacia de Julgamento em Recife encaminhou o processo, em 09/07/98, à IRF para cumprimento da Resolução. Encontrado sem andamento, em 18/02/2.000, a Senhora Inspetora oficiou ao CNPq (Oficio GAB/ALF/PRE n° 27/2.000, de 18 de fevereiro de 2.000). jr- 2 PROCESSO N° : 10480.012465/92-94 ACÓRDÃO N° : . CSRF/03-03.116 A resposta do CNPq consta do Of. CIMP/SAD n° 206/00 de 29 de fevereiro de 2.000 que transcrevo: "Em atenção ao OF. GAB/ALF/PRE N° 027/2000, respondemos a S° as indagações formuladas, na mesma sequência constante do referido expediente: a) atestamos a autenticidade do expediente que essa Inspetoria denominou "documento — Incentivos à Pesquisa e Desenvolvimento", esclarecendo que não se trata de um documento, mas sim de folheto explicativo de como pleitear os incentivos concedidos pelo CNPq àquela época; b) o financiamento externo a que se refere esse item dispensava da apresentação da via II da Guia de Importação e não da via III como é mencionado. Nos anos oitenta, o governo, como forma de restringir as importações, baixou a Resolução B. C. B. n° 767 condicionando que as importações com cobertura cambial deveriam ser pagas somente através de financiamento externo, com prazo mínimo de três anos. Essa mesma Resolução dispensava a obrigatoriedade dessa forma de pagamento quando as importações eram efetuadas diretamente por instituições cient(ficas, educacionais e de assistência social; c) para o reconhecimento o dos benefícios fiscais previstos no Decreto-Lei 1.857/81 e Resolução CPA 14/1302, o CNPq averbava as GIs, atestando que os bens ali descritos destinavam-se a projeto de pesquisa por ele aprovado, conforme pode se verificar nas cópias de GIs enviadas a este Conselho. As averbações eram apostas via II da guia de importação, por se tratar da via destinada à Secretaria da Receita Federal. No caso de financiamento externo, por se tratar de um benefício cambial, não havia a necessidade dessa averbação na via da GI destinada à Secretaria da Receita Federal, mas sim da expedição pelo CNPq do Certificado de Aprovação, o qual era apresentado à carteira de câmbio do banco operador, objetivando a despensa do financiamento, consoante o disposto no item II-"d", da Resolução B. C. B. n° 767/82 (importações efetuadas iretamente por instituições cientificas, educacionais e de assistência social). Atenciosamente Gerson Gaivão /Diretor de Administração." É o relatório. 3 PROCESSO N° : 10480.012465/92-94 ACÓRDÃO N° : . CSRF/03-03.116 VOTO CONSELHEIRO JOÃO HOLANDA COSTA, RELATOR A diligência serviu para dirimir toda dúvida quanto à falta da averbação do CNPq, na via da guia de importação, o que ocorria em se tratando de fmanciamento externo, mas sim era expedido o Certificado de Aprovação, documento juntado às fls. 20/52 com o qual o órgão público certifica que o projeto a que refere se o Processo CNPq n° SCl/028-R/86, foi aprovado para efeito de aplicação do beneficio do Decreto-lei 1.857/81, art. 40 e Res. CPA 14-1302/87. Desta forma, com base nas informações do CNPq, forçoso é reconhecer que, ao contrário do afirmado pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no seu recurso especial, a empresa não deixou de cumprir qualquer requisito indispensável para o gozo do beneficio fiscal pleiteado. Voto, por conseguinte, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala de Sessões, 14 de agosto de 2.000. JOA/7/(1 'ANDA COSTA 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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