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Numero do processo: 10865.001833/2005-94
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001,2002,2003, 2004
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N 29.
Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Não Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário ainda em litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001,2002,2003, 2004 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N 29. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido.
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DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N 29. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 33 /2 00 5- 94 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 881 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário ainda em litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 882 3 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/BEL (Fls. 513), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, por AFRF da DRF/Limeira/SP. A ciência do lançamento ocorreu em 03/10/2005, por procurador habilitado, conforme Termo de Ciência de fl. 483. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto 230.217,83 Juros de Mora (cálculo até 31/08/2005) 95.063,75 Multa Proporcional (passível de redução) 172.663,36 Total do Crédito Tributário 497.944,94 2. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração, fls.04/07 e Termo de Verificação Fiscal, fls. 13/25, o motivo da autuação foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. 3. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 03/11/2005, fls.484/485, alegando o seguinte: "01 Alegou o agente fiscal que o autuado, na folha de atuação foi relacionado um valor de R$ 3.000,00 em 30/09/2001, sem comprovação, porém o depósito no valor de R$ 380,00 foi esclarecido como recebimento de aluguel e pro labore conforme recibo comprobatórios Anexo 1, ano base 2001. 02 Os depósitos que foram fundamentados na Lei N°9.481 de 13/08/1997, a qual a fiscalização alegou que trata sobre o imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos ao exterior, dizendo portanto, sem qualquer vínculo ou força probatória da origem dos créditos bancários, venho então solicitar para reaver pois a Lei diz "Dispõe sobre a incidência de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, e DA OUTRAS PROVIDÊNCIAS", anos Base 2000, 2001, 2002 e 2003. 03 Em relação à venda do Sítio São Bento ao Sr. André Luis Amaral Cauduro, na busca da origem dos valores creditados de R$ 21.212,42, em 04/04/2002, de R$ 20.000,00, em 18/07/2000, e, de R$ 20.000,00, em 27/07/2002, num total de R$ 61.212,42, estou apresentado um contrato particular de compromisso de compra e venda, Anexo II, justificando estes valores e um recebimento em dinheiro no dia 20 de julho de 2002 no valor de R$ 3.787,58, que na soma total perfaz um valor de R$ 65.000,00, valor a qual foi registrada a escritura, com a presença do documento comprobatório da origem do dinheiro depositado Fl. 882DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 883 4 peço desconsiderar o valor autuado de R$ 65.000,00, ano base 2002. 04 — Os depósitos, portanto efetuados referente à venda da Destilaria Bellão & Schiavon Ltda, onde consta um crédito dia 18/02/2002 no valor de R$ 103.333.50, em minha conta corrente no Banco do Brasil e de acordo com contrato registrado na Jucesp deveria ser efetuado um deposito no valor de R$ 85.000,00 no dia 15/02/2002, por motivo do atraso do pagamento o comprador decidiu me adiantar parte da segunda parcela a vencer dia 04/03/2002, e se comprometeu a pagar o restante da segunda parcela junto à terceira, e não sendo do meu conhecimento da necessidade de alteração contratual acabou ficando o contrato sem nenhuma alteração vindo assim a ocorrer divergência de valores, diante do devido problema de atuação fiscal procurei os donos para solicitar uma alteração contratual, mas como não consegui a localização dos mesmos não houve possibilidade dessa alteração, sendo assim venho demonstrar pelo Anexo III, que as datas de recebimento são próximas, solicitando assim a revisão da atuação referente a este valor sendo que realmente foi efetuado a venda da empresa e ingressou tais recursos no caixa da pessoa física, ano base 2002. Este auto de infração acarretará um prejuízo insuportável e como não tenho condições de pagálo poderá levarme a ruína sou um pequeno agricultor de setenta e quatro anos concedo empregos e pago meus impostos em dia. Estou agonizado com esta injusta cobrança pois por desconhecimento de lei e para reduzir custos de escritório eu mesmo me aventurava, em fazer os meus próprios negócios bancários. Só não vê esta triste realidade quem não tem olhos para ver. Mediante o exposto, requer e espera, a autuada seja declarado improcedente o Auto de Infração, cancelada a exigência, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo, como medida de mais cristalina JUSTIÇA ". Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar a Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Cientificado em 20/10/2008 (Fls. 522), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2008(fls. 524 a 542), alegando basicamente que: (...) 2. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RENDA Fl. 883DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 884 5 Entende o recorrente que é nulo o lançamento pelos elementos em que se embasou, pois simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda tributável, e não constituem fato gerador do imposto de renda. De acordo com o artigo 1o. do DecretoLei 5.844, de 23/09/1943, são contribuintes do imposto de renda, as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil que tiverem renda líquida anual superior a Cr$ 12.000,00. Já o artigo 10°. do DecretoLei 5844/43, define que constituem rendimento bruto, em cada cédula, os ganhos derivados do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Depósitos bancários não configuram ganho de capital e nem do trabalho, e muito menos combinação de ambos. O lançamento de crédito tributário baseado em simples depósitos bancários poderia ocorrer se houvesse nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento, ou a utilização dos valores depositados como renda consumida. Não ocorreu, e em nenhum momento se demonstrou essa relação. Se o imposto de renda incide no momento em que se aufere renda, advinda de ganho de capital ou do trabalho, não é cabível cobrálo em momentos distintos desta situação. A Sra. Auditora utilizou unicamente os valores dos depósitos bancários para demonstrar e cobrar imposto de renda, senão vejamos alguns exemplo (...) Entre os períodos acima, os ocorridos até 30/09/2000 foram lançados após o período decadencial. O entendimento de que simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda é entendimento consagrado nas instâncias judiciais e administrativas.(...) (...) Concluise não haver qualquer elemento justificador da autuação sobre tais depósitos bancários, pois não sendo estes renda, não havendo qualquer nexo com fontes de renda omitidas, e não tendo ocorrido renda consumida superior aos rendimentos oferecidos a tributação, é de se cancelar o Al. 3. DECADÊNCIA O lançamento efetuado neste procedimento administrativo descreve que este contribuinte omitiu rendimentos durante o anobase de 2000, provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9430/96. Entendemos que tal lançamento é parcialmente nulo, pois entre outros motivos considera períodos já decaídos pela ocorrência de lapso temporal superior a cinco anos do fato gerador. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 885 6 O Imposto de Renda Pessoa Física é um tributo que se amolda a lançamento por homologação, ou seja, a legislação atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, calculando o tributo e o recolhendo, estando o lançamento nestes casos regulado pelo artigo 150 e parágrafos da Lei 5.172/66(CTN), e tem fato gerador mensal, nos termos das Leis 7.713/88 e 9430/96. Este entendimento de que o IRPF amoldase a lançamento por homologação está consolidado tanto no âmbito administrativo quanto no judicial.(...) (...) O parágrafo 4o. do artigo 150, do CTN dispõe que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o fisco tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para homologar o lançamento, e expirado este prazo, considerase homologado tacitamente o lançamento e definitivamente extinto o crédito, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Está claro que no caso discutido neste auto não houve a configuração de dolo, fraude ou simulação, nem mesmo no entendimento da Sra. Auditora, que se fosse este o entendimento, a Multa lançada não seria no percentual de 75%, e também haveria representação fiscal para fins penais. Como não houve majoração da Multa nem elaboração de representação fiscal para fins penais, nem qualquer outra configuração neste sentido, entendemos que a contagem decadencial é aquela prevista no artigo 150, § 4o. do CTN.(...) (...) Concluise que o período base ocorrido até Setembro/2000 está além do qüinqüênio legal para o lançamento tributário, visto que o lançamento notificado em 03/10/2005 ultrapassou o período decadencial, e em virtude deste fato devese cancelar o valor lançado relativo ao período superior aos cinco anos estabelecidos no artigo 150 caput e §§ 1o. e 4°., do Código Tributário Nacional. (...) 4. PERÍODO MENSAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DO IMPOSTO SOBRE RENDAS Além das irregularidades acima apontadas, a ilustre Auditora Fiscal deixou de observar outra disposição legal. Desde a edição da Lei 7.713/88 o imposto de renda das pessoas físicas tem seu período de apuração mensal, devendo ser apurado e tributado mês a mês eventuais omissões de rendimentos, para se ter atendido o estabelecido em lei. Não se seguiu tal regra, presumindose sem qualquer critério legal, como se todos os rendimentos tivessem sido omitidos no mês de Dezembro de cada anocalendário apurado, contrariando o Fl. 885DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 886 7 disposto no art.2° da Lei 7713/88 e o § 4° do art.42 da Lei 9.430/96, (...) (...) Como a autuação não observou estas determinações legais, deve a mesma ser cancelada, pois cada depósito glosado como não comprovado deveria ser considerado mês a mês, calculandose o imposto dentro do respectivo mês, utilizando a tabela mensal. 5 . OMISSÃO DE RENDIMENTOS CUJOS DEPÓSITOS SÃO INFERIORES A R$12.000,00 E CUJA SOMA ANUAL É MENOR QUE R$ 80.000,00 . Ainda que os demais quesitos para a lavratura do Auto de Infração estivessem preenchidos, o que se argumenta como ilustração, ainda assim o Auto de Infração deve ser anulado. (...) Após considerados os créditos de valores decaídos, bem como os que já foram comprovados e não aceitos, e os que serão comprovados em item a parte, o total dos depósitos não comprovados é menor ou igual a R$ 80.000,00, devendo serem anulados o valor lançado em tais anos. Portanto, o inciso II do parágrafo 3o . do art. 42, expressamente determina que não serão considerados tais depósitos, eis que a autuação é de uma pessoa física e ambos os requisitos de valor individual e total anual dos depósitos para sua desconsideração como omissão de rendimentos foram atendidos. Ante o exposto, é de cancelar os créditos tributários ora lançado nestas condições. 6. DEPÓSITOS COMPROVADOS A legislação embasadora da autuação, segundo a O recorrente já demonstrou perante a Auditora Fiscal, e também na impugnação para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a grande maioria da origem dos valores ora em discussão. Entretanto, para que não se alegue omissão deste recorrente, estamos anexando novamente boa parte da documentação, para consideração dos R Conselheiros desta Câmara julgadora se tais documentos não comprovam, nos termos do artigo 42 da Lei 9430/96 a origem dos recursos. Frisamos que nos anos objeto deste litígio, o recorrente se revestia da condição de produtor rural (condômino) e sócio da empresa Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., CNPJ 56.783.061/000127, além de ter recebido alguns rendimentos de aluguéis. Quanto a sociedade Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., o mesmo participava da mesma com o sócio Francisco Bellão, Fl. 886DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 887 8 CPF 071.551.82820, desde o dia 06/08/1968 até o dia 07/03/2002, conforme pode ser verificado na alteração contratual registrada na JUCESP nesta mesma data, e tempestivamente informada a Receita Federal, onde consta a saída dos sócios, pela venda do estabelecimento industrial citado. (...) 7. TAXA DE JUROS A incidência da Taxa SELIC desde o fato gerador do tributo sobre o débito exigido não encontra respaldo jurídico. (...) No caso em discussão neste auto, até a ciência do auto de infração não podem ser exigidos juros moratórios, em observância do art. 161 do CTN, devendo, na hipótese de manutenção do crédito, serem contados somente a partir da data de constituição do crédito tributário. 8. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer que seja julgado improcedente o lançamento, liberandose o Recorrente de qualquer pagamento ao Erário, sem prejuízo, se for o caso, dos demais pedidos alternativos, pois: a) Não sendo simples depósitos bancários configuradores de renda, nem do capital nem do trabalho, nem da combinação de ambos, não se prestam a incidência do imposto sobre a renda, conforme entendimento jurisprudencial citado; b) A Lei 7.713/88 e o art. 42, § 4° da Lei 9.430/96 estabelecem que o imposto de renda das pessoas físicas tem seu período de apuração mensal, devendo ser apurado mês a mês eventuais omissões de rendimentos, para se ter atendido o estabelecido em lei. Não se seguiu tal regra, presumindose sem qualquer critério legal, como se todos os rendimentos tivessem sido omitidos no mês de Dezembro de 1998; c) Os períodos lançados após os 5 anos do fato gerador mensal sejam cancelados pela ocorrência da decadência, conforme exposto; d) Sejam deduzidos dos valores autuados, todos os depósitos comprovados, seja no decorrer da fiscalização, ou após esta; e) A taxa de juros SELIC afronta o Código Tributário Nacional, e se mantido o lançamento, deve ser calculados somente após a constituição do crédito tributário, eis que até então inexistia crédito tributário; f) Nos anos em que o montante apurado como omissão é inferior a R$ 80.000,00 e nenhum depósito é maior que R$ 12.000,00, devendo ser desconsiderado para os fins de presunção de Fl. 887DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 888 9 omissão de receita, nos termos do § 3o inciso II do art. 42 da Lei 9430/96; g) Caso seja mantido o lançamento, ou parte dele, requerse que os valores justificados com o Livro Caixa sejam tributados corretamente, ou seja, pelo Anexo Rural. h) Pela consideração de todas as receitas declaradas da atividade rural, e das outras fontes auferidas por este interessado. Assim, reiterase os termos da impugnação, e requerse o cancelamento integral dos valores lançados dos exercícios 2001, 2003 e 2004, reformandose a decisão da instância primeira. Em 23/01/2013 (Fls. 855), aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, converter o julgamento em diligência, no sentido de retornar os autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informasse qual foi a parte do lançamento que o contribuinte confessou, parcelou e, conseqüentemente, que foi objeto de desistência parcial do recurso. Realizada a diligência, e tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do resultado da diligência (fls.875/877), voltou o processo para este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre – Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Restando em litígio as omissões referentes aos exercícios 2001, 2003 e 2004. Por oportuno, destaco que o contribuinte aderiu ao parcelamento disciplinado pela lei n 11.941/2009; incluindo em tal parcelamento parte do lançamento: Período de Apuração: 12/2000 valor parcelado: R$29.092,50. Período de Apuração: 12/2002 valor parcelado: R$137.555,72. Período de Apuração: 12/2003 valor parcelado: R$56.449,74. Deste modo, ante a desistência parcial do recurso, passo a analisar somente a parte que resta em litígio. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 889 10 Alega o recorrente que o simples depósito não configura renda, que a apuração do IRPF deve ser mensal, que deve ser reconhecida a decadência de parte do lançamento, que parte do lançamento se refere a depósitos inferiores a R$12.000,00 que somados não ultrapassam o valor de R$80.000,00, que parte dos depósitos restam comprovadas as origens, que a SELIC não é devida, e que seus rendimentos declarados devem ser deduzidos das bases de cálculos. Em sede de preliminar alega o recorrente que o lançamento deve ser notificado ao sujeito passivo dentro do período de cinco anos, contadose do último dia de cada mês em que o crédito é apurado. Acresce que até setembro de 2002, o direito de a Fazenda Pública lançar encontravase atingido pela decadência. No que pertine a nulidade do lançamento em razão da apuração do Imposto em 31 de dezembro de cada ano, e não de forma mensal, cumpre esclarecer que, no lançamento, os depósitos foram apurados mensalmente, com a definição do fato gerador em 31 de dezembro do ano base. Tal procedimento é acatado amplamente pelo CARF, conforme se verifica na Súmula CARF n 38, de aplicação obrigatória por este Conselheiro: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do Recorrente que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Dentro deste parâmetro, cabe analisar a decadência relativa ao ano calendário 2000; portanto, com fato gerador em 31/12/200 0. O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for Fl. 889DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 890 11 comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 890DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 891 12 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, o lançamento relativo ao ano calendário de 2000 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2005. Tendo sido notificado o contribuinte em 03 de outubro de 2005, o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não encontravase decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Razão pela qual entendo ultrapassada as preliminares argüidas. Passo a analisar o mérito da questão; ressaltando que, ante a desistência parcial do recurso, a análise se restringe apenas a parte do lançamento que resta em litígio. Alega o contribuinte a impossibilidade da autuação com base apenas em presunção de renda dos depósitos bancários do art. 42 da Lei 9.430/96. Entendo que tal matéria já encontrase pacificada no ambito do CARF; com o emprego da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 892 13 Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como denota o texto acima, o legislador estabeleceu, a partir da edição da Lei n° 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais. Ao impugnante cabia, portanto, refutar a presunção contida na lei, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário Deste modo, cabe ao Recorrente comprovar a origem dos depósitos que restaram não comprovados após a decisão da DRJ: ANO BASE 2000 BANCO DO BRASIL CC 22.4456 Mês Valor 15/02/2000 2.000,00 10/03/2000 2.000,00 28/04/2000 2.000,00 08/08/2000 2.000,00 22/08/2000 2.500,00 30/08/2000 4,.100,00 06/09/2000 2.000,00 15/09/2000 3.600,00 09/10/2000 2.000,00 07/12/2000 2.000,00 28/12/2000 4.000,00 TOTAL 28.200,00 HSBC CC 10200553191 Mês Valor 20/01/2000 2.000,00 05/06/2000 1.550,00 20/06/2000 2.000,00 05/07/2000 2.000,00 14/11/2000 2.000,00 21/12/2000 2.000,00 TOTAL 11.550,00 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 893 14 BANESPA CC 0355010015439 Mês Valor 02/06/2000 1.100,00 31/10/2000 68.000,00 TOTAL 69.100,00 __________________________________________ ANO BASE 2002 BANCO DO BRASIL CC 22.4456 Mês Valor 18/02/2002 103.333,50 05/03/2002 53.333,34 12/03/2002 2.668,00 11/04/2002 780,00 11/06/2002 127.766,89 10/07/2002 7.290,00 10/07/2002 210,00 20/08/2002 326,00 20/08/2002 890,90 22/08/2002 345,00 22/08/2002 336,00 30/08/2002 5.484,06 18/11/2002 2.436,28 18/11/2002 421,67 20/11/2002 1.367,60 20/11/2002 70,00 25/11/2002 2.000,00 25/11/2002 9.505,48 " 25/11/2002 270,00 25/11/2002 605,00 26/12/2002 2.600,00 322.039,72 POUPANÇA BANCO DO BRASIL CC 010.022.4458 16/05/02 1.970,00 TOTAL MAIO 1.970,00 HSBC CC 10200553191 Mês Valor 09/01/2002 1:620,00 07/02/2002 1.640,00 06/03/2002 1.820,00 04/04/2002 1.820,00 08/05/2002 1.800,00 DATA VALOR 04/04/02 4.500,00 12/04/02 220,00 15/04/02 3.112,69 26/04/02 1.062,00 TOTAL ABR. 8.894,69 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 894 15 07/06/2002 1.300,00 04/07/2002 1.300,00 TOTAL 11.300,00 BRADESCO CC52884 04/04/2002 20.000,00 04/04/2002 21.212,42 10/07/2002 2.000,00 10/07/2002 1.000,00 18/07/2002 20.000,00 25/07/2002* 20.000,00 14/08/2002 14,550,00 26/08/2002 7.350,00 10/09/2002 1.298,00 11/11/2002 1.092,72 02/12/2002 1.450,00 10/12/2002 1.654,50 1/12/2002 892,00 13/12/2002 1.980,00 16/12/2002 1.782,43 18/12/2002 312,80 18/12/2002 700,00 TOTAL 117.274,87 POUPANÇA BRADESCO CC 5.2884 Data Valor 04/09/02 40.000,00 06/09/02 805,00 07/10/02« 424,00 09/10/02 174,00 23/12/02 2.863,30 24/12/02 2.192,50 26/12/02 925,50 30/12/02 1.991,73 31/12/02 645,00 TOTAL 48.383,03 ______________________________________ ANO BASE 2003 BANCO DO BRASIL CC 22.4456 Mês Valor 10/01/2003 369,00 13/01/2003 5.480,00 13/01/2003 1.899,27 14/01/2003 540,00 15/01/2003 584,00 15/01/2003 80,00 20/01/2003 1.120,00 20/01/2003 1.512,50 20/01/2003 140,00 22/01/2003 700,00 17/02/2003 3.260,50 17/02/2003 195,00 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 895 16 17/02/2003 154,00 19/02/2003 691,51 12/11/2003 458,00 18/11/2003 2.000,00 19/12/2003 1.378,00 19/12/2003 125,00 TOTAL 20.686,78 HSBC CC 10200553191 Mês Valor 11/06/2003 600,00 BRADESCO CC52884 Mês Valor 07/01/2003 390,00 08/01/2003 70,33 16/01/2003 4.966,70 23/01/2003 183,00 27/01/2003 357,40 28/01/2003 10.970,38 30/01/2003 2.570,00 30/01/2003 786,00 06/02/2003 1.322,00 06/02/2003 240,00 14/02/2003 6.182,00 18/03/2003 126,00 18/03/2003 700,00 21/03/2003 652,80 03/04/2003 1.814,82 07/04/2003 2.551,00 11/04/2003 1.372,00 30/04/2003 1.030,00 02/05/2003 870,00 05/05/2003 3.414,82 07/05/2003 230,00 12/05/2003 4.573,37 12/05/2003 110,00 13/05/2003 4.000,40 15/05/2003 959,51 28/05/2003 896,00 30/05/2003 1.532,50 03/06/2003 253,56 05/06/2003 575,20 12/06/2003 2.839,43 18/06/2003 221,61 23/06/2003 175,00 30/06/2003 2.752,00 04/07/2003 867,00 08/07/2003 1.100,00 08/07/2003 530,00 18/07/2003 157,50 21/07/2003 230,50 21/07/2003 1.677,51 28/07/2003 192,30 04/08/2003 173,30 Fl. 895DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 896 17 08/08/2003 116,00 08/08/2003 2.951,63 11/08/2003 3.077,00 15/08/2003 1.688,00 20/08/2003 21,20 20/08/2003 156,00 22/08/2003 201,90 25/08/2003 139,20 25/08/2003 21,20 26/08/2003 1.122,60 28/08/2003 103,20 28/08/2003 73,00 01/09/2003 2.928,73 02/09/2003 93,00 11/09/2003 2.800,00 11/09/2003 1.100,00 12/09/2003 5.000,00 15/09/2003 1.516,80 06/10/2003 526,00 06/10/2003 20,00 16/10/2003 3.000,00 21/10/2003 1.991,32 30/10/2003 4.200,00 21/11/2003 1.816,14 28/11/2003 1.007,00 01/12/2003 1.790,35 05/12/2003 832,00 08/12/2003 550,00 10/12/2003 3.295,96 10/12/2003 286,50 11/12/2003 713,00 15/12/2003 2.796,68 16/12/2003 840,00 17/12/2003 440,18 22/12/2003 2.925,50 26/12/2003 1.119,97 TOTAL 115.876,00 POUPANÇA – BRADESCO CC 5.2884 Data Valor 02/01/03 70,33 06/01/03 454,00 05/02/03 821,36 10/02/03 3.376,00 12/02/03 892,30 18/02/03 700,00 21/02/03 280,00 24/02/03 803,77 10/03/03 4.547,17 17/03/03 3.981,50 20/03/03 540,00 01/04/03 4.000,00 17/04/03 3.261,44 14/04/03 1.790,00 16/05/03 573,50 23/05/03 2.074,00 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 897 18 13/06/03 3.500,00 16/06/03 1.741,50 11/07/03 3.409,86 14/07/03 18.550,00 30/07/03 4.500,00 31/07/03 819,51 17/10/03 6.720,00 24/10/03 2.700,00 10/11/03 1.731,00 13/11/03 3.323,37 18/11/03 234,00 18/11/03 2.500,00 10/11/03 1.957,00 20/11/03 800,00 18/12/03 3.124,50 30/12/03 821,75 TOTAL 84.457,20 Inicialmente, verifico que uma das contas que deram ensejo ao lançamento – conta corrente n° 10200553191, mantida no Banco HSBC não era de titularidade somente do recorrente, haja vista as cópias dos extratos fornecidos e juntados aos autos (fls. 77 e seguintes.), que demonstram a existência de outra titular – Anna Thereza Berto Schiavon. Entretanto, não consta de nenhum dos Termos de Intimação acostados aos autos a intimação da outra titular para que comprovasse a origem dos depósitos efetuados naquela conta, sendo certo que o recorrente foi o único intimado a fazêlo. A Súmula CARF nº 29, de aplicação obrigatória por seus Conselheiros, assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Assim, em relação à conta conjunta mantida no HSBC, o procedimento fiscal não está em consonância com as condições impostas pela legislação de regência. Portanto, devese excluir do lançamento os correspondentes créditos bancários no montante de R$ 11.550,00 no ano base 2000, R$11.300,00 no ano base 2002, e R$600,00 no ano base 2003. Também, verifico no que restou do lançamento, nos anos base 2000 e 2002, um rol de depósitos dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 nas Contas correntes do BANCO DO BRASIL CC 22.4456, da POUPANÇA BANCO DO BRASIL CC 010.022.4458, do BRADESCO CC52884, da POUPANÇA – BRADESCO CC 5.2884, e do BANESPA CC 0355010015439, como depósitos não comprovados, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, pois são inferiores a R$ 12.000,00 e não excedem R$ 80.000,00, dentro de cada anocalendário. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 897DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 898 19 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). ( Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97 ) Lei 9.481/97: Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , passam a ser de R$12.000,00 (doze mil reais) e R$80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Assim, considerando que os depósitos bancários das respectivas contas inferiores a R$ 12.000,00 não excedem R$ 80.000,00 nos anoscalendário 2000 e 2002, deve se proceder a exclusão dos correspondentes montantes de R$29.300,00 e de R$58.853,71. Argumenta ainda o recorrente que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos. (pág. 542 dos autos) Neste sentido, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que, de fato, não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Nas DIRPF’S sob exame (fls. 472 e seguintes dos autos), observase que foram declarados, a título de rendimentos no ano calendário 2000 o valor de R$ 148.673,13, no ano calendário 2002 o valor de R$281.610,50, e no ano calendário 2003 o valor de R$304.876,40. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 899 20 Assim, os valores declarados deveriam ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Digo deveriam em razão do ano calendário de 2003; no qual o valor declarado foi de R$304.876,40 e a autuação apurou depósitos não comprovados no valor de R$221.619,98. Ocorre que, em 26 de janeiro de 2010, o recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso; abrindo mão do seu direito de recorrer da autuação do valor de R$42.400,00, com relação ao ano base 2002, e R$8.800,00 com relação ao ano base 2003. Devendo, em razão desta desistência, ser mantida a autuação que se refere a tais débitos. Assim: A Com relação ao ano base 2000, excluindose o valor declarado da base de cálculo da omissão, nada mais restará. B Com relação ao ano base 2002, excluindose o valor declarado de R$281.610,59, restará ainda o valor de R$228.251,72 em depósitos de origens não comprovadas. C Com relação ao ano base 2003, mesmo excluindose o valor declarado, restará o lançamento no valor de R$8.800,00. Como se observa, resta ainda a omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas, no valor de R$228.251,72, no ano base de 2002. O Recorrente, por sua vez, alega que comprou tais depósitos através da venda das sua cotas na sociedade Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., pelo valor de R$400.000,00, e pela venda de duas partes de terra do Sítio São Bento. Deixo de apreciar as alegações de comprovação dos depósitos relativos às partes de terras do Sítio São Bento, em razão de tais valores constarem na DIRPF do ano calendário 2002, e já terem sido excluídos do lançamento. Quanto a venda das sua cotas na sociedade Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., argumenta o Recorrente, desde o procedimento fiscal, que os depósitos de R$103.333,50 em 18/02/2002, de R$20.000,00 em 04/04/2002, e de R$12.666,50 em 04/04/2002, são dela decorrentes. A DRJ assim se manifestou acerca desta alegação: O anexo III, fl.491, não guarda valor fiscal, pois tratase apenas de uma planilha que relaciona supostos valores referentes à Venda da Destilaria Bellão & Schiavon, mas que deveria estar acompanhada de outros documentos que asseverassem a Fl. 899DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 900 21 veracidade de seus dados, tais como o Contrato de Compra e Venda discriminando a operação e cópias dos cheques emitidos. O próprio contribuinte reconhece a divergência de valores entre o Contrato de Compra e Venda e o valor recebido de R$103.333,50, e que não conseguiu localizar os compradores para poder alterar o contrato. Ressaltese que, assim como já atestado pelo Termo de Verificação Fiscal, fl.15, permanece divergente em data e valor o depósito de R$103.333,50, citado pelo contribuinte, não podendo o impugnante beneficiarse de um fato oriundo de sua própria falta de acurácia na celebração do contrato de compra e venda. Se de fato o valor de R$103.333,50, seria uma conseqüência de um adiantamento da segunda parcela a vencer dia 04/03/2002, somado ao valor da primeira parcela em atraso de R$85.000,00, esta operação deveria ser comprovada com a apresentação de documentos bancários que explicitassem a figura do comprador transferindo tais numerários ao contribuinte, o que não consta do processo.(pág. 518 e 519 dos autos) Entendeu então a DRJ que os valores não correspondiam e, por isso, restava não comprovada a origem destes depósitos. Penso que tal procedimento não foi o correto; haja vista que, no meu entendimento, a venda das cotas, realizada dia 15 de fevereiro de 2002, devidamente registrada na Junta Comercial, por valor superior ao depositado, justifica plenamente as origens dos depósitos, notadamente o depósito de R$133.333,50 realizado dia 18 de fevereiro de 2002.(doc. pág. 73 dos autos) Ainda mais quando se observa que no registro da transação consta que o valor de R$250.000,00 já foi plenamente quitado e em moeda corrente. Observo ainda que a soma dos depósitos de R$103.333,50 em 18/02/2002, de R$20.000,00 em 04/04/2002, e de R$12.666,50 em 04/04/2002, totaliza R$136.000,00; valor correspondente a 34% do valor total das vendas das cotas (R$400.000,00), e que este, segundo a fiscalização, era o percentual pertencente ao recorrente. Por conseguinte, o valor de R$ 130.000,00 destes depósitos devem ser excluídos do lançamento referente ao ano base 2002. Por fim, pede o recorrente a não aplicação da taxa SELIC. A aplicação ou não da taxa SELIC já possuí entendimento consolidado neste Conselho. A Súmula CARF n°4, de aplicação obrigatória pelos conselheiros do CARF, assim estabelece: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 901 22 Sendo, portanto, correta a aplicação da taxa SELIC no lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 901DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11080.930668/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL.. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO.
Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazê-lo a título de saldo negativo.
Trata-se de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do ano-calendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-002.533
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRJ de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL.. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do ano calendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 06 68 /2 00 9- 01 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 149 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRJ de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 150 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 126/144 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efls. 118/120) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que, em 30/06/2009, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária retificadora nº 30249.77514.300609.1.7.044507 (efls. 95/99), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA maio/2009, data de vencimento 30/06/2009, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 109.897,58; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 109.897,58.. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 109.897,58 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl.106). Valor do crédito na data de transmissão:R$ 201.968,10 (valor original). Obs: O PER/DCOMP Inicial: 24379.56204.290509.1.3.049856 (processo nº 11080.929044/200933). Em 07/10/2009, a DRF/Porto Alegre, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 107, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 201.968,10. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 151 4 Diante da inexistência dio crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Obs: O recolhimento estaria consumido pelo respectivo débito do IRPJ – Estimativa Mensal do PA maio/2008 confessado na respectiva DCTF, inexistindo o crédito pleiteado na DCOMP; porém, a DCTF não consta dos autos. Ciente desse despacho decisório em 20/10/2009 por via postal AR (efl. 114), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 17/11/2009 (efls. 02/16), juntando ainda documentos (efls. 21/112), aduzindo, em resumo, que: incidiu em erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP ao indicar como origem do crédito valor relativo ao recolhimento do IRPJ – Estimativa Mensal do PA maio/2008 (antecipação do imposto), quando deveria ter utilizado o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008; juntou cópia da DIPJ 2009, anocalendário 2008, transmitida em 16/10/2009 (efls. 24/63), onde informou apuração: (...) Ficha 9A –Demonstração do Lucro Real 01. Lucro Líquido antes do IRPJ........................R$ 13.358.482,63 Exclusões: 65 () Dispêndios com Inovação Tecnológica (Lei n° 11.196/2005, art. 19) ....................................... R$ 2.152.011,22; 78. Lucro Real ..................................................R$12.577.604,36. (...) Ficha 11 – Cálculo do IRPJEstimativa Mensal: (somatório das estimativas mensais positivas R$ 4.013.789,26) (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 152 5 Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real: Deduções: 18. () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa ....R$ 4.013.789,26; 20. Imposto de Renda a Pagar.......................................(R$ 992.738,02). (...) que o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 decorreu das antecipações de pagamentos das estimativas mensais do imposto e do aproveitamento do benefício fiscal referente dispêndios realizados com inovação tecnológica (Lei nº 11.196/2005); que o mero erro material, quanto à origem do crédito pleiteado, não tem o condão prejudicar ou inviabilizar a compensação informada; que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento da parte.; que deve prevalecer a verdade material, pois o crédito é líquido e certo. A DRJ/Porto Alegre (5ª Turma), rejeitando a alegação de inexatidões materiais ou erro de fato no preenchimento da DCOMP, julgou a manifestação improcedente, conforme Acórdão de 10/05/2011 (efl. 118), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA. O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 153 6 Ciente dessa decisão em 31/12/2013 – na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. (efl. 124), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2014 (efls.126/144), buscando a reforma da decisão recorrida, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Preliminar de nulidade da decisão recorrida: que o acórdão recorrido não enfrentou, no mérito, a existência do crédito, a liquidez e certeza, pois apegouse a requisitos formais, rejeitando o argumento do erro material (erro de fato) no preenchimento da DCOMP, quanto à origem do crédito; que a situação dos autos é de erro material no preenchimento da DCOMP e deve prevalecer a verdade material, citando precedentes, julgados do CARF (AC. 1801001 295 e outros); que se faz necessária a declaração de nulidadde da decisão a quo, e retorno dos autos à Turma julgadora da 1ª instancia de julgamento, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado; 2) No mérito, caso não seja acolhida a preliminar suscitada a recorrente reiterou, em síntese, os argumentos já apresentados na 1ª instância de julgamento, e resumidos no relatório, no sentido que seja reconhecido o erro de fato no preenchimento da DCOMP, renhecido o crédito a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 e extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação declarada. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 154 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento de direito creditório atinente ao IRPJ que teria sido pago a maior, quanto ao anocalendário 2008. A decisão recorrida rejeitou o direito creditório, adotando a fundamentação do voto condutor e que transcrevo, no que pertinente (efls. 119/120), in verbis: (...) A contribuinte pretende obter homologação da compensação formulada, alegando erro material ao informar o tipo do crédito no PER/Dcomp. Diz que o crédito seria decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008 e não do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal. A manifestação de inconformidade revela, em verdade, a pretensão do contribuinte de substituir os créditos inexistentes utilizados no PER/DComp em questão por outro de natureza distinta. A possibilidade de retificar PER/Dcomp foi instituída originariamente pela Instrução Normativa 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais, (...): Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. (...) Os dispositivos citados foram reproduzidos nas instruções normativas SRF 600/05, RFB 900/08 e RFB 1.300/12. O erro alegado pela contribuinte não configura inexatidão material de preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é escusável. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 155 8 Pretenderse que o crédito inicialmente informado no PER/Dcomp como pagamento indevido seja considerado como saldo negativo é hipótese incabível que, se admitida, implicaria agressão à própria essência da compensação. Em verdade, estarseia realizando outra compensação, o que ensejaria efeitos jurídicos diferenciados, com reflexos no cálculo de juros moratórios e eventualmente na incidência de multa. O próprio programa PER/Dcomp impede a retificação do crédito da maneira pretendida. O procedimento recomendado seria o cancelamento do PER/Dcomp e a transmissão de outro. A retificação de crédito também está impedida no âmbito da manifestação de inconformidade. Sua análise desbordaria ao que foi objeto do despacho decisório e extrapolaria o litígio. (...) Nesta instância de julgamento, a recorrente busca a reforma da decisão recorrida: a) suscitando preliminar de nulidade da decisão a quo, pois o direito créditório pleiteado, relativo a pagamento a maior do IRPJ do anocalendário 2008, não pode ser rejeitado, afastado, negado, por via oblíqua, indireta, ou seja, sem análise do mérito, pela preponderância de formalismo da legislação infralegal em detrimento da verdade material; b) no mérito, caso não seja acatada a preliminar suscitada, que seja reconhecido o erro na informação quanto à identificação do direito creditório (erro de fato no preenchimento da DCOMP), reconhecido o crédito a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 e extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação declarada. Caracterizados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. Entendo que, no caso, diversamente do alegado pela recorrente, não há vício de nulidade no acórdão guerreado, pois a decisão atacada está motivada, fundamentada, não há caracterização de cerceamento do direito de defesa; porém, entendo que há equívoco na decisão a quo quanto ao óbice utilizado que implicou na não análise do mérito do crédito pleiteado. Ou seja: houve interpretação equivocada pela decisão recorrida quanto ao art. 57 da IN SRF 460/2004, fato que impediu a análise do mérito do crédito demandado, relativo ao anocalendário 2008. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caractrizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Senão vejamos, consta dos autos que a contribuinte: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 156 9 efetuou o pagamento/recolhimento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl.106); que transmitiu tempestivamente a DIPJ 2009, anocalendário 2008, em 16/10/2009 (efls. 24/63), computando no saldo negativo – declaração de ajuste anual o recolhimento/pagamento do IRPJ Estimativa Mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008, conforme demonstrativo abaixo: Recolhimentos do IRPJ – Estimativa Mensal – AC 2008 (Deduções na Ficha 12A): Jan/2008.......... 313.142,77 Fev/2008 ......... 313.124,46 Març/2008.........300.477,57 Abril/2008 ........521.692,94 Maio/2008.........594.978,74 Junho/2008........419.428,18 Julho/2008........7.45.358,15 Agosto/2008.......769.408,10 Set/2008...............36.178,36 TOTAL.............4.013.789,27 que, entretanto, antes da entrega/transmissão da citada DIPJ, transmitiu eletronicamente via internet em 30/06/2009, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária 30249.77514.300609.1.7.044507 (efls. 95/99), utilizando – como crédito –, de forma inadvertida, o valor relativo ao citado recolhimento (efls. 109/114); que tomou ciência do despacho decisório em 20/10/2009 (efl. 114), ou seja, a DIPJ foi transmitida antes da ciência do despacho decisório. que constatou o suscitado erro de fato na DCOMP (erro de informação quanto à origem do crédito pleiteado do anocalendário 2008) após a ciência do despacho decisório. Pois bem. Compulsando os autos, observando a linha do tempo quanto aos fatos citados, de plano salta aos olhos a existência de informação desencontrada, contradição entre a DIPJ e a DCOMP quanto ao pretenso direito creditório do AC 2008. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 157 10 A contribuinte prestou informação equivocada, errônea, com inexatidão material, na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado, pois é diversa da constante da DIPJ. Ou seja: deveria ter informado origem do crédito utilizado a título de saldo negativo do AC 2008, e não o valor recolhido a título de antecipação do imposto por estimativa mensal do PA maio/2008. Observese, ainda, que a DCOMP foi apresentada no anocalendário seguinte ao recolhimento da estimativa mensal, e não no próprio anocalendário do recolhimento da antecipação do imposto por estimativa mensal, configurando mais um argumento plausível pela caracterização do erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado, pois encerrado o anocalendário não há que se falar em restituição de pagamento de estimativa mensal, quando recolhida na forma da legislação de regência que é o caso, mas sim saldo negativo. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário 2008 (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário 2008 restou apurado pela cobtribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, no caso à DRJ/Porto Alegre, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 158 11 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice que impedira a decisão a quo de enfrentar o mérito do direito creditório a título de saldo negativo do imposto do anocalendário 2008, e determinar o retorno dos autos à DRJ/Porto Alegre para que enfrente, no mérito, a lide direito creditório a título de saldo negativo do imposto do anocalendário 2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10715.002498/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 98 /2 01 0- 22 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.002498/201022, contra o acórdão nº 0728.932, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 23 de maio de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 205.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 5 4 o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 130.000,00 para R$ 75.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 6 5 Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 133/168, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 Erro material na decisão de primeira instância, posto que estabeleceu multa regulamentar de R$75.000,00, ao invés de R$65.000,00 3 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 4 Aplicação do art. 654 quanto à revelação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 5 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a 13 voos, conforme fl. 166 do Recurso Voluntário e fl. 124/125 do acórdão de primeira instância, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$75.000,00, para R$65.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 8 7 por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 10 9 (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 11 10 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 12 11 da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10073.720271/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN)
NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE.
O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. A ausência de documento/planilha com o qual a autoridade fiscal apurou a base de cálculo, especificando os critério para a identificação da mesma, não pode ser considerado como valido. A ciência do auto de infração apenas se completa quanto todos os requisitos tenha sido disponibilizados ao contribuinte, sob pena de anulação do auto de infração por cerceamento do direito de defesa.
IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO.
Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos.
Acolher a preliminar de decadência
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, para excluir dos itens 001, 002 e 003 do Auto de Infração, os fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2006 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Remis Almeida Estol, OAB-RJ 45.196.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN) NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. A ausência de documento/planilha com o qual a autoridade fiscal apurou a base de cálculo, especificando os critério para a identificação da mesma, não pode ser considerado como valido. A ciência do auto de infração apenas se completa quanto todos os requisitos tenha sido disponibilizados ao contribuinte, sob pena de anulação do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos. Acolher a preliminar de decadência Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720271/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.995 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria IRF Recorrente SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN) NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. A ausência de documento/planilha com o qual a autoridade fiscal apurou a base de cálculo, especificando os critério para a identificação da mesma, não pode ser considerado como valido. A ciência do auto de infração apenas se completa quanto todos os requisitos tenha sido disponibilizados ao contribuinte, sob pena de anulação do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 02 71 /2 01 1- 46 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acolher a preliminar de decadência Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, para excluir dos itens 001, 002 e 003 do Auto de Infração, os fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2006 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Remis Almeida Estol, OABRJ 45.196. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do Contribuinte, SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO, foi lavrado contra a interessada o Auto de Infração de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF, referente aos anos calendário de 2006 e 2007, através do qual é exigido da interessada o imposto de renda retido na fonte IRRF, no valor de R$ 985.219,47 (fls. 250/265), acrescido da multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. A exação de IRRF teve como motivo a constatação de divergências entre os valores informados na DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) e o somatório dos pagamentos ou dos valores declarados nas DCTF, referentes ao IRRF sob os códigos 0561 (Rendimentos do Trabalho Assalariado), 3208 (IRRF – Aluguéis e Royalties pagos a Pessoa Física) e 5952 (Retenção Contribuições pagamento de PJ a PJ de direito privado CSLL/ COFINS/PIS). Segundo Termo de Verificação Fiscal, fls. 10/13, foram constatados os seguintes fatos: A autuada foi intimada por meio do Termo de Início da Fiscalização, emitido em 08/07/2008, a justificar as divergências apuradas nos códigos 0561, 3208 e 5952. face o não atendimento, em termo datado de 18/08/2009, com recebimento em 20/08/2009, a autuada foi cientificada deste fato, e passou se a trabalhar com informações disponíveis. em termo datado de 20/10/2010, constatou se que a autuada deixou de justificar o termo de início e constatação lavrados anteriormente, e apresentou DCTF retificadoras. em 26/10/2010, a autuada prestou a informação de que as retificações efetuadas foram decorrentes de erros encontrados nos dados apresentados originalmente; como a autuada se encontrava sob ação fiscal, os erros encontrados não desonera a fiscalização de proceder com os lançamentos dos valores omitidos. conforme planilha demonstrativa em anexo, nas DIRF e nas DCTF, a autuada deixou de declarar, pagar ou realizou pagamento em valor com insuficiência das retenções de imposto de renda, conforme valores apurados em DCTF entregues até 17/07/2009, início da ação fiscal. a coluna C do demonstrativo diz respeito a pagamentos declarados, decorrentes de trabalho assalariado ( IRRF – 0561). foram aproveitados pagamentos para o mês de janeiro, no valor de R$ 306,46, dois para o mês de fevereiro, nos valores de R$ 82,41 e 159,16. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 para os pagamentos de aluguéis, foram tomados por base para data de referência os constantes dos comprovantes apresentados. com relação ao mês de dezembro/2006, foram feitos dois pagamentos nos dias 07 e 29, não havendo pagamento no mês de janeiro de 2007; foram aproveitados pagamentos realizados antes da ação fiscal, em 12 de abril de 2006, com vencimentos em 10/02/2006, visto tratarem de fatos geradores de janeiro de 2006. em relação ao mês de fevereiro, foram aproveitados quatro pagamentos efetuados na mesma data, embora com vencimentos que não indicassem que seriam deste mês. em 11/05/2009, a autuada realizou pagamentos, mas sob procedimento fiscal, não sendo levados em conta, visto não se tratar de recolhimentos espontâneos. a autuada já teve autos de infração anteriores concernentes à retenção do imposto de renda retido na fonte. a atitude reiterada em relação a descontar valores de terceiros que são devidos à União e não repassá la, além da tipicidade, em tese, de sonegar informação de valores apurados pelo fisco, sabendo que é obrigação da entidade de apresentar DCTF, demonstrando exatamente o que se deve e pagálos, inclusive quanto ao tipo de tributo (IRRF), visto que os beneficiários, inclusive pessoas ligadas à entidade, abatem em suas declarações os impostos descontados, causando prejuízo à União, ensejando a qualificação da multa de ofício, conforme artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96. Enquadramento legal: 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 a 646 do RIR/99 c/c artigo 1º da Lei n° 9.887/99. Inconformada, a autuada ingressou com impugnação, em 29/03/2011, fls. 269/279, alegando: alega a tempestividade. Redução da Multa de Ofício * a autoridade lançadora tenta subsidiar a aplicação da penalidade qualificada com base numa exigência decorrente meramente de insuficiência de pagamento de IRRF por ter apresentado em alguns meses declarações inexatas. * constatados os equívocos, efetuou recolhimentos antes da lavratura do auto de infração, mas que foram desconsiderados. * a fraude deve ser afastado pois os valores foram declarados em DIRF. * não há caracterização de intuito doloso ou identificação de elementos e/ou negócios e atos jurídicos falsos, ilegítimos ou Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 4 5 fraudulentos, capazes de caracterizar a sonegação, fraude e conluio, isolada ou conjuntamente. * com base na redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, à época dos fatos, a vinculação da multa qualificada está restrita aos casos de evidente intuito de fraude, definidos no artigo 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. * houve alteração na redação do artigo 44 pela Lei nº 11.488/2007, tornando a sua aplicação mais abrangente, pois retirou a expressão “evidente intuito de fraude”. * assim, à época dos fatos , era necessária a conjugação de vários elementos – em todos estando a presença do dolo, má fé – para a imposição da multa qualificada. * o auto de infração não tipifica a suposta ação criminosa em um dos institutos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Decadência do Lançamento. * o IRRF é tributo sujeito ao lançamento por homologação. * a ciência ocorreu em 25/02/2011, concluindo se pela decadência dos fatos geradores até 25/02/2006, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Cumprimento da Obrigação / Recolhimento do IRRF * a autoridade não aproveitou os recolhimentos após o início da ação fiscal, e também não os efetuados à época dos fatos geradores, abaixo discriminados: PA Dt. Arrec. Valor R$ jan/06 11/01/2006 148,47 jan/06 11/01/2006 284,17 jan/06 17/01/2006 689,75 Total 1.122,39 PA Dt. Arrec. Valor R$ fev/06 08/02/2006 306,49 fev/06 10/03/2006 82,41 fev/06 10/03/2006 159,16 Total 548,06 continua na procura das demais guias e protesta juntada posterior de provas. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Durante a análise do presente lançamento, verificou se que não constava nos autos a planilha referenciada no Termo de Verificação Fiscal. Com fito de sanear, obteve se cópia desta planilha nos autos do processo de Representação Fiscal para Fins Penais, sendo a mesma acostada às fls. 356/358 do presente processo. Assim, deu se nova ciência à autuada da planilha, bem como concedido prazo de 30 (trinta) dias para, se querendo, aditar razões a sua impugnação. A ciência ocorreu em 24/01/2012, sendo que a autuada apresentou novas razões em 23/02/2012, fls. 362/364, aduzindo que: A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOI, na sessão de 29 de junho de 2011, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à impugnação referente ao auto de infração complementar ao presente lançamento, para afastar a qualificação da multa. assinala que o fundamento utilizado pela autoridade fiscal para qualificar a multa no auto de infração complementar é o mesmo do presente lançamento, uma vez que ambas decorrem da mesma ação fiscal. conclui pelo afastamento da multa de 150%, para fixar no patamar de 75%. como houve reabertura de prazo de impugnação, para dar ciência de documentos que só foram juntados aos autos após o encerramento da ação fiscal, evidenciando se a necessidade saneamento/aperfeiçoamento do procedimento fiscal, forçoso concluir esse ato saneador como um novo lançamento. portanto, houve a decadência dos lançamentos das competências até 31/12/2006, uma vez que a nova ciência se deu em 24/01/2012. quanto ao mérito, a autoridade lançadora apurou semanalmente os fatos geradores referentes aos meses de fevereiro a novembro/2007, em flagrante desrespeito à norma contida no Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac nº 99, de 29 de dezembro de 2011, que determina a periodicidade mensal do IRRF para os fatos geradores de janeiro a novembro de 2007. visto o erro na construção no lançamento, eivando o de vício insanável, impondo se o cancelamento integral do auto de infração. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO EFETUADO, mantendo a cobrança do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 985.219,47, com multa de ofício reduzida para 75%, e juros de mora nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2006, 2007 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 5 7 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Contudo, no lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Se não houver pagamento, já não será o caso de lançamento por homologação, mas sim de lançamento de ofício (art. 149 do CTN), situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Ementa: IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos. Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A aplicação da multa qualificada somente se admite quando o evidente intuito de fraude resta cabalmente comprovado nos autos. O dolo deve ser provado objetivamente por elementos seguros de prova que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência, sendo o ônus da autoridade fiscal que lavrou o auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007 Ementa: NOVA INTIMAÇÃO. PLANILHA COM OS CÁLCULOS Nova intimação para cientificar o contribuinte de planilha de cálculo constante e integrante do auto de infração, equivocadamente não encaminhada ao contribuinte juntamente com o lançamento, não tem o condão de alterar a data da ciência do mesmo para fins de verificar a ocorrência da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, desde que o lançamento detenha todos requisitos de validade, previstos no art. 142, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da decadência parcial do lançamento tendo em vista a ciência efetivamente só teria ocorrido no dia 24/01/2012, devendose excluir do lançamento os itens anteriores a 31/12/2006; Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 No mérito, no que diz respeito aos lançamentos com a rubrica "IRRF Aluguéis e Royalties Pagos à Pessoa Física", em consulta ao espelho do auto de infração, percebese que a autoridade lançadora apurou semanalmente os fatos geradores referentes aos meses de fevereiro a novembro/2007, em flagrante desrespeito à norma contida no Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac n°. 99, de 29 de dezembro de 2011 (Doe. 02), que determina a periodicidade mensal do Imposto de Renda Retido na Fonte para os fatos geradores de janeiro a novembro/2007. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF, Da Ciência do Auto de Infração Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos apontase inicialmente para a ciência do auto de infração foi em 25/02/2011 (fl. 251), pela ciência pessoal. Entretanto o recorrente indica que a plena ciência ocorreu no dia 24/01/2012, quando efetivamente ocorreu o pleno conhecimento do lançamento. O recorrente se sustenta especialmente nas razões elencadas no voto vencido do acórdão da DRJ: A primeira ciência do lançamento ocorreu em 25/02/2011. Entretanto, da análise dos documentos que constam nos autos, verificou se a ausência da planilha com os valores apurados, e que era referenciada no Termo de Verificação Fiscal. Assim, a mesma foi anexada aos autos e, por se tratar de elemento novo no processo, foi dada nova ciência à autuada. Entendo, portanto, que somente em 24/01/2012 o ato se tornou perfeito, e podendo produzir os seus efeitos. Ou seja, a autuada foi cientificada do auto de infração, com todos os elementos necessários, previstos no artigo 142 do CTN. Assim, somente após 24/01/2012 pode exercer com plenitude o seu direito de defesa e amplo contraditório. Neste contexto, por ser o julgamento atividade vinculada, considerando a data da ciência do lançamento em 24/01/2012, cumpre observar que houve decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário O relator responsável pelo voto vencedor do acórdão registra: Com efeito, o auto de infração verificou a ocorrência do fato gerador, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, e propôs a aplicação da penalidade cabível, sendo, por isso um ato administrativo perfeito e acabado. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Foi constatada a ausência no processo de tabela de cálculo referenciada no Termo de Verificação Fiscal, integrante do auto de infração, sendo cientificado o contribuinte do teor da mesma e oferecido prazo para aditamento a impugnação. A referida tabela consiste no memorial de cálculo dos valores lançados, cuja metodologia de sua confecção está mencionada no termo de que é anexo, e feita com base nas informações prestadas pelo contribuinte por meio de Declaração de Imposto de Renda na Fonte – DIRF, logo, embora facilite o entendimento do que foi lançado pela autoridade tributária, a existência da tabela de cálculos, de modo algum impedia o contribuinte de compreender o lançamento. Ademais, o contribuinte inequivocamente teve ciência da referida planilha em 03/03/2011, dentro do prazo de impugnação, encaminhada conjuntamente com o Auto de Infração complementar ao lançamento de que trata o presente processo, constante do processo nº 10073.720360/200192, às fls. 210 a 212. O referido auto complementar foi julgado por esta turma em sessão de 29 de junho de 2011, a qual deu provimento parcial a impugnação, e manteve em parte o crédito tributário exigido. A ausência no processo de uma tabela contendo valores, referenciada no texto do termo de verificação fiscal, levando se em conta que este documento menciona a metodologia de cálculo adotada para confecção daquele, e que o próprio auto de infração contém o resultado dos cálculos efetuados, não é capaz de alterar a natureza do lançamento, ou retirar a eficácia de sua intimação, tendo repercussões tão somente no tocante ao exercício do contraditório e da ampla defesa do autuado, sendo, por isso, vícío sanável pela juntada do documento ao processo, e reabertura de prazo para defesa, tal qual foi efetuado no presente caso. Assim, não há que se falar que a ciência do lançamento tenha ocorrido apenas com a ciência por parte do impugnante do inteiro teor da planilha, menos ainda que se trate de novo lançamento, em razão de revisão de ofício, posto que não há anulação do auto de infração, mas seu saneamento a fim de assegurar ao autuado o exercício de seu direito de defesa. Da análise do argumentos, curvome ao entendimento de que inobstante a razoabilidade dos argumentos, apresentados pelo relator responsável pelo voto condutor na DRJ, alguns pontos inviabilizam que se aceite a ciência plena em 25/02/2011. Primeiro, ao longo do Termo de Verificação Fiscal no auto de infração se faz referencia a um documento inexistente nos autos; A existência do referido documento no âmbito do processo do auto complementar não supre a sua ausência no processo do auto principal; A ausência da Tabela, dificulta a compreensão do que exatamente está sendo imputado ao recorrente, e consequentemente restringe a sua capacidade de defesa. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 7 11 O art. 9 do PAF (Decreto No. 70.235/72) indica que o autos de infração ou deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O art. 10 do PAF impõe que o auto de infração será lavrado com a descrição do fato e a determinação da exigência para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias. A descrição do fato e a determinação da exigência são requisitos necessários para a validade do auto de infração. O art. 59 do PAF prescreve com precisão que despachos e decisões realizados com preterição de direito de defesa são nulos. Nesse contexto, entendo que o auto de infração relativo ao processo em cotejo, só foi plenamente cientificado em 24/01/2012, acolher o argumento de que foi 25/02/2011, seria tolerar o cerceamento do direito de defesa no âmbito do processo administrativo tributário. Da Decadência Tendo em vista a data de ciência 24/01/2012, e que o multa de ofício foi desqualificada pela autoridade recorrida, reduzida a 75%, passase a verificar se no lançamento há períodos decadentes Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 8 13 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 9 15 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Conforme apontado pela relatora do acórdão da DRJ: Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 CÓDIGO 0561 Em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, fls. 410, foram confirmados recolhimentos para os fatos geradores de janeiro a setembro de 2006, que ocorrem no final de cada mês. Ou seja, o fato gerador do mês de setembro ocorre em 30/09/2006. Logo, aplicando a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador, para estes períodos, o direito para efetuar o lançamento já estava decaído no dia 24/01/2012. Não foi encontrado recolhimento para o mês de dezembro de 2006, devendo se aplicar a regra para contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, inciso I do CTN, a saber, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que a Administração poderia ter lançado. No caso, o primeiro dia do exercício seguinte seria em 01/01/2008, já que o lançamento já poderia ser efetuado durante o exercício de 2007. Portanto, o direito ao lançamento deste crédito tributário não estava decaído em 24/01/2012. CÓDIGO 3208 Não constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil recolhimentos sob o código 3208 para os fatos geradores a partir de março/2006. Cabe, portanto, a aplicação da regra prevista no artigo 173, inciso I do CTN. Para os fatos geradores de março a novembro de 2006, o primeiro dia do exercício seguinte seria em 01/01/2007, já que o lançamento já poderia ser efetuado durante o Ano calendário de 2006. Portanto, o direito ao lançamento destes créditos tributários estava decaído em 24/01/2012. Já para os demais períodos lançados, deve ser mantida a cobrança. CÓDIGO 5952 Não constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil recolhimentos sob o código 3208 para os fatos geradores a partir de janeiro/2006, a exceção do pagamento efetuado em 30/05/2007, relativo ao mês de abril/2007. Cabe, portanto, a aplicação da regra prevista no artigo 173, inciso I do CTN, para todos os fatos geradores lançados, exceto do mês de abril/2007. Entretanto, mesmo com a aplicação da regra prevista no artigo 150, §4º do CTN, não ocorreu o direito de constituir o crédito tributário do mês de abril de 2007. Para os fatos geradores de janeiro a novembro de 2006, o primeiro dia do exercício seguinte seria em 01/01/2007, já que o lançamento já poderia ser efetuado durante o ano calendário de 2006. Portanto, o direito ao lançamento destes créditos tributários estava decaído em 24/01/2012. Deste modo no que toca ao lançamento relativo ao código 0561 (Rendimentos do Trabalho Assalariado), mantém o lançamento de 31/12/2006, os demais estão decadentes Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 10 17 No que toca ao código 3208 (IRRF – Aluguéis e Royalties pagos a Pessoa Física) , reconhecese a decadência dos lançamentos anteriores a 07/12/2006. Relativamente ao código 5952 (Retenção Contribuições pagamento de PJ a PJ de direito privado CSLL/ COFINS/PIS), reconhecese a decadência dos lançamentos anteriores a 31/12/2006. Adotase em síntese o reconhecimento, expresso no voto vencido do acórdão da primeira instância: Mérito No que toca ao mérito o recorrente reitera os argumentos da impugnação quer para os lançamentos com a rubrica "IRRF Aluguéis e Royalties Pagos à Pessoa Física", em consulta ao espelho do auto de infração, percebese que a autoridade lançadora apurou semanalmente os fatos geradores referentes aos meses de fevereiro a novembro/2007, em flagrante desrespeito à norma contida no Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac n°. 99, de 29 de dezembro de 2011 (Doe. 02), que determina a periodicidade mensal do Imposto de Renda Retido na Fonte para os fatos geradores de janeiro a novembro/2007. Essa matéria foi enfrentada pela autoridade de primeira instância: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Se engana a autuada quando afirma que, segundo o Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac nº 99, de 29 de dezembro de 2011, estaria sendo definido que o fato gerador do IRRF seria mensal, maculando, portanto, o lançamento com fatos geradores semanais, pelos motivos a seguir. A definição dos elementos de um tributo é feita por lei, em respeito ao Princípio da Legalidade, previsto no artigo 97 do CTN, e não por ato do Poder Executivo, como é o caso de Ato Declaratório Executivo Codac. Logo, considerando que se trata de imposto de renda retido na fonte incidentes sobre pagamentos a pessoa física a título de rendimentos de aluguéis e royatlties – código 3208, o artigo 631 do RIR/99 dispõe que ocorre o fato gerador no momento do pagamento. Com base nos recibos acostados aos autos, fls. 155/201, o auditor fiscal lavrou o presente lançamento, tendo como fato gerador as datas dos pagamentos dos aluguéis. A título de esclarecimento, o citado Ato Declaratório Executivo Codac nº 99, de 29 de dezembro de 2011, disciplina como será o recolhimento do tributo, que é diferente da ocorrência do fato gerador. Assim, no caso do código 3208, para os meses de janeiro a novembro de 2007, o recolhimento de todos os fatos geradores ocorridos durante o mês ocorrerá mensalmente Uma vez que não identifico falha no arrazoado da DRJ, não vejo como dar respaldos aos argumentos do contribuinte. Ante ao exposto, voto por acolher a preliminar de decadência, para excluir do lançamento dos itens 1, 2 e 3 do auto de infração, os fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2012 e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13811.000667/2001-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.
REP Negado e REC Provido
Numero da decisão: 9303-002.880
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. REP Negado e REC Provido
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. REP Negado e REC Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 06 67 /2 00 1- 07 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recursos Especiais, interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, contra Acórdão proferido pela Segunda Câmara Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente a exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.000667/200107 Acórdão n.º 9303002.880 CSRFT3 Fl. 713 3 Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtorexportador. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. O acórdão nega o aproveitamento dos créditos referentes aos insumos adquiridos por pessoa física e cooperativas e afasta a aplicação da taxa selic. As controvérsias suscitadas pelo sujeito passivo se referem à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas e à incidência da taxa Selic sobre os ressarcimentos de créditos presumidos de IPI. Já a Fazenda Nacional recorre para reformar o acórdão que permitiu a inclusão do valor correspondente a exportação de produtos NT para fins de calculo do coeficiente a ser usado para obter o valor do crédito presumido. Ambas as partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Primeiramente trataremos do Recurso Especial Interposto pela Fazenda Nacional. O Procurador recorre para reformar o acórdão que permitiu a inclusão do valor correspondente a exportação de produtos NT para fins de calculo do coeficiente a ser usado para obter o valor do crédito presumido. Nesse ponto usarei o voto proferido pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, nesta CSRF, em recente julgamento, pela sua precisão e rigor técnico. Como dito, o objetivo da Fazenda Nacional é restaurar a metodologia de cálculo do incentivo praticada pela fiscalização em atendimento ao disposto no ato declaratório normativo 18/98 expedido pelo Coordenador de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Segundo ele, para apurar o percentual entre a receita de exportação e a operacional bruta, percentual esse que será aplicado sobre o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para chegarse à base de cálculo do incentivo, devese excluir da primeira – e apenas dela – a parcela que corresponde às vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas e não submetidas a qualquer operação de industrialização. Assim fazendo, obviamente, reduzse aquele percentual e em conseqüência o incentivo. A Câmara recorrida, reconhecendo a impropriedade de tratarse distintamente a mesma parcela, determinou que o cálculo se fizesse excluindoa também da receita operacional bruta. Na forma decidida, o critério deve ser único e entenderam os membros do colegiado que o melhor é a exclusão tanto no numerador quanto no denominador da fração. Defende a representação fazendária a inexistência de permissivo legal para dita exclusão, na medida em que a própria lei instituidora do incentivo determinou o recurso subsidiário à legislação do imposto sobre a renda para o estabelecimento do conceito de receita operacional bruta. E como se sabe, lá não se faz qualquer distinção entre as vendas, sejam elas de produtos fabricados ou meramente revendidos. Tenho entendimento firmado, há muito tempo, no sentido de que a parcela discutida integra ambas, tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso porque, se é verdadeiro o argumento fazendário quanto à ROB, ele se aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na legislação do imposto de renda, nem na legislação comercial, qualquer exclusão a ser feita, seja entre produtos fabricados e não fabricados ou qualquer outro. Receita de exportação é simplesmente aquela que resulta da venda de produtos ou serviços no mercado externo em nada interferindo a natureza do produto ou do serviço. Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para regular o incentivo, a Portaria 38/97 do Sr. Ministro da Fazenda. Vale dizer que somente o Ministro de Estado recebeu autorização legal para tal regulamentação (art. 6º da Lei 9.3630) carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da melhor forma a legislação ao manter a exclusão daquela parcela da receita de exportação e determinar que ela fosse excluída também da ROB. Deveria, ao contrário, mantêla na ROB – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela fosse igualmente computada na receita de exportação. Até porque essa fora a postulação do recurso. É importante destacar que essa determinação levaria a que o direito do contribuinte fosse ainda maior do que o que lhe acabou deferido pela decisão extra petita. Aplic=ala agora, no entanto, pareceme impossível dado que levaria à reformatio in pejus contra a recorrente. Repitase que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário.O que ele postula é que se determine apenas a inclusão na ROB, mantendose, ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao menor dos valores. A a isso, a meu ver, não se pode dar provimento. Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. Passemos agora ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.000667/200107 Acórdão n.º 9303002.880 CSRFT3 Fl. 714 5 Aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização do ressarcimento pela selic. A outra matéria devolvida ao Colegiado, agora pelo contribuinte, cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Em face do exposto, voto pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Rodrigo da Costa Possas Fl. 751DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16832.000282/2010-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.176
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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(assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 68 32 .0 00 28 2/ 20 10 -7 2 Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3.184 ___________ Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Multa Isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL (anocalendário 2006), no valor total original de R$ 3.831.166,84, com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.737/777 1). A ciência do contribuinte ocorreu em 30/4/10 (fl.777). Nos “Termos de Verificação Fiscal” (fls.725/736 e 770/771), consignouse, em resumo: acerca dos valores escriturados a débito nas contas “Despesa Preparação de Entrega” (R$167.810,08) e “Despesa Manutenção e Garantia” (R$128.803,26), o contribuinte, após intimado, não apresentou qualquer documentação comprobatória; quanto aos valores escriturados a débito na conta “Despesa Serviços Terceiros/Serviços Profissionais”, as notas fiscais descrevem genericamente serviços de assessoria em intermediação de venda, sem discriminação dos veículos vendidos (Riogov Serviços S/C Ltda – R$ 87.040,40; Rio Oeste Veículos Ltda – R$ 5.000,00); e serviços de assessoria junto a varas de execução e perante a Receita Federal (A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda – R$ 210.536,84). Também foram apresentados, juntamente com as respectivas notas fiscais, recibos de pagamento, com histórico “honorários” (Cláudio Luiz Lobo – R$24.657,85), e notas fiscais com a descrição genérica de serviços de advocacia (Lobo e Teixeira Advogados Associados – R$ 7.000,00); “Para dedução de serviços prestados por terceiros como despesa operacional, as faturas, notas fiscais e demais documentos fornecidos como elementos de prova devem identificar a natureza e o prestador do serviço e obedecer às demais disposições comerciais e fiscais sobre emissão de documentos, bem como estarem seus serviços compreendidos nos objetivos sociais da empresa prestadora. Somente são admitidas como operacionais as despesas com prestação de serviços quando efetivamente provada a sua realização, não bastando como elemento probante a apresentação de notas fiscais que nada especificam ou que apenas designam serviços de assessoria em intermediação de vendas, sem discriminar ou relacionar os veículos, e de honorários ou serviços de advocacia, com descrição vaga e insuficiente”; sobre os valores escriturados nas contas “Despesas de Amortização de Prédio Alugado” (R$208.387,90) e “Despesas de Amortização PréOperacionais” (R$500.083,82), não foi possível identificar, de forma individualizada, os bens, datas e valores de aquisição, e datas de entrada em operação; o contribuinte, conforme reconhecido no curso do procedimento fiscal, escriturou em duplicidade as seguintes despesas relativas a serviços prestados por A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda: R$ 25.000,00 (NF 513, de 10/4/06), R$ 28.137,31 (NF 524, de 26/6/06), R$ 41.924,59 (NF 525, de 10/7/06) e R$ 3.779,70 (NF 529, de 27/7/06); as despesas relativas à aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários (Casas Saara Comestíveis – R$ 6.277,64; Nutrimix Comestíveis Ltda – R$ 6.698,39) e a serviços de emplacamento de veículos (Carlos Augusto Raunhetti R$ 21.026,36; Lage Legalizações Ltda 1 A numeração referida no acórdão é a estabelecida eletronicamente pelo sistema eprocesso. Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.185 3 – R$ 122.428,72), ambos como cortesia, não podem ser deduzidas por caracterizarem mera liberalidade; a respeito dos valores escriturados nas contas “Despesas de Depreciação” (edifícios e instalações, móveis e equipamentos, móveis e utensílios, veículos e identificação – R$291.286,73), não foi possível identificar, de forma individualizada, os bens, datas e valores de aquisição, método adotado, datas de entrada em operação, baixas, acréscimos, reavaliações etc.; restou caracterizada a omissão de receitas, no montante de R$ 3.802.823,10, em razão da ausência de escrituração de parte dos valores recebidos a título de comissão da Ford Motor Company Brasil Ltda, conforme DIRF e circularização perante esta pessoa jurídica; sujeitase o contribuinte ao pagamento da multa isolada calculada sobre os valores das estimativas apuradas e não recolhidas no curso do anocalendário. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.826/834): DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de comprovadas com documentação hábil e idônea, correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e que esses bens ou serviços sejam necessários, normais e usuais na atividade da empresa. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. CESTAS DE NATAL. Os gastos com cestas de natal distribuídos em festas natalinas são indedutíveis do lucro liquido devido a falta dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS. Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a titulo de emplacarnento pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Os dispêndios com depreciação somente são admitidos se comprovados através de mapas e documentação de suporte. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Deve ser feito o lançamento de oficio das receitas que não foram incluídas o lucro liquido do período. CSLL, PIS, COFINS. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.186 4 renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. Devidamente cientificado em 22/4/13 (fl.3.106), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 22/5/13 (fls.3.110/3.127), em que alegou, em síntese: preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido por cerceamento a direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de diligência; e nulidade dos autos de infração relativos às multas isoladas, vez que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31/12/06, não sendo aplicável a alteração do art.44 da Lei nº 9.430/96, promovida pelo art.14 da Lei nº 11.488, de 15/6/07, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351, de 22/1/07; a comprovação das despesas com amortização e depreciação darseia com os documentos já acostados à impugnação (fls.35 e 121); as despesas com a aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários não poderiam ser glosadas, pois: (a) seu valor seria reduzido; (b) conteria alimentos; e (c) “...o intérprete não pode restringir onde o legislador não o fez, não se pode excluir do conceito ‘alimentação’ os alimentos natalinos, apenas porque estes últimos, por sua embalagem de apresentação, são popularmente conhecidos como ‘Cesta de Natal’”; as despesas com emplacamento de veículos, por estratégia de vendas, seriam assumidas pelos vendedores, sendo, portanto, dedutíveis; as multas isoladas seriam indevidas, seja pela impossibilidade de retroatividade da legislação de regência, ou mesmo por ter apurado saldo negativo de IRPJ (R$ 424.744,02) e CSLL a pagar de R$ 74.372,70 ao final do anocalendário 2006; no tocante à omissão de receitas, “...a Sra. Auditora Fiscal utilizouse, única e exclusivamente, dos valores constantes da DIRF entregue pela FORD à Secretaria da Receita Federal, sem a mínima precaução de cotejálos com os lançamentos contábeis da recorrente, e, depois, com os saldos finais das contas utilizados na elaboração de sua DIRPJ”. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conhecese do recurso voluntário. Em primeira instância, definiuse que determinadas glosas não foram impugnadas pelo sujeito passivo, que teria, inclusive, realizado os respectivos pagamentos: “Na impugnação, a interessada afirma, na fl.779, que não irá se insurgir contra os seguintes pontos do Auto de Infração: Glosa das despesas no valor de R$25.000,00, R$28.137,31, R$3.779,70 e R$41.924,59, por terem sido lançadas em duplicidade, no total de R$98.841,60; Glosa da amortização de prédio alugado, no valor de R$208.387,90 e; Glosa da amortização de despesas préoperacionais, no valor de R$ 500.083,32, no total de R$807.313,32. Afirma também que já fez os respectivos pagamentos.” Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.187 5 Naquele julgamento, a Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) cancelou as glosas das seguintes despesas, que totalizam R$ 328.271,19: “Preparação de Entrega – VR Ref Estorno de Revisão”: R$ 39.006,82; “Preparação de Entrega – VR Refte, 12058 Trec Auto”: R$ 128.803,26; “Manutenção e Garantia”: R$ 128.803,26; “Lobo e Teixeira Advogados Associados”: R$ 7.000,00; “Cláudio Luiz Lobo”: R$ 24.657,85. À exceção das despesas acima mencionadas, as demais glosas seriam passíveis de contestação pelo sujeito passivo em sede de recurso voluntário. Contudo, insurgiuse o Recorrente apenas quanto às despesas de amortização e depreciação, despesas com a aquisição de cestas de natal e despesas com emplacamentos de veículos. Logo, por consistirem em matéria preclusa, também não serão apreciadas as glosas das despesas com os serviços supostamente tomados de RIOGOV Serviços S/C Ltda, Rio Oeste Veículos Ltda e A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda. Da glosa de despesas de amortização e de depreciação Além das glosas com despesas de amortização de prédio alugado (R$208.387,90) e préoperacionais (R$500.083,82), objeto do item 1C do Termo de Verificação Fiscal TVF (“Despesas de Amortização”), não impugnadas pelo contribuinte, a fiscalização também não aceitou, por falta de comprovação, outros valores apropriados a título de depreciação, conforme item 5 do TVF: “[...] Em Termo de fls.38 foi a empresa intimada a relacionar os bens constantes de seu Imobilizado no ano de 2006. Em resposta de fls.40, o contribuinte informou que não foi possível discriminar os bens da empresa, apresentando copia das escrituras de dois imóveis (fls.379/388) e o Razão das contas (fls. 259/262). Assim sendo, foi a empresa intimada às fls.53/56 a prestar esclarecimentos sobre Despesas de Depreciação, informando a que se refere os valores depreciados e o tempo de depreciação, anexando documentação comprobatória e correspondente registro contábil que originou a despesa. Também foi solicitada a apresentar mapa de depreciação do ano, esclarecendo como são efetuados os lançamentos contábeis, e se há um controle dos valores a depreciar. A empresa esclareceu em resposta de fls.57, que ‘os documentos referentes as Despesas de Depreciação não foram encontrados’. Foi informado, também, que a conta 9374 6.1.2.20.04 IDENTIFICAÇÃO se refere a letreiros FORD. Em Termo de 26.03.2010 de fls.118/120, foi o contribuinte intimado a esclarecer como foram feitos os lançamentos contábeis nas contas de despesas de depreciação se, conforme informações da própria empresa, não há mapas de controle mensal dos bens do Imobilizado e Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.188 6 correspondentes depreciações, nem do registro contábil que originou a despesa. Em resposta de12.04.2010 às fls.121/124, a empresa apresentou mapas de fls.263/305 em que os valores da depreciação estão registrados de forma globalizada, sem discriminação individualizada dos bens e documentos de fls.306/378. ..... Apesar de intimado, o contribuinte não comprovou os valores apropriados como despesas a titulo de amortização e de depreciação, por meio de registros que permitissem identificar, de forma individualizada, os bens depreciados, datas e valores de aquisição, método de depreciação adotado, de entrada dos bens em operação, baixas, acréscimos, reavaliações, etc. Assim, de acordo com artigos 305 a 310 do RIR/99 e demais legislação vigente, foi procedida à glosa dos valores lançados nas contas que se seguem: Despesas de Depreciação de Edifícios e Instalações R$ 154.023,72 Despesas de Depreciação de Móveis e Equipamentos R$ 43.150,27 Despesas de Depreciação de Móveis e Utensílios R$ 46.511,49 Despesas de Depreciação de Veículos R$ 47.052,11 Despesas de Depreciação de Identificação R$ 549,14 [...]” A Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ) assim enfrentou a questão: “[...] Na impugnação a interessada informa que não apresentou os mapas de depreciação porque os tinha perdido, mas achou tais mapas e põe à disposição da SRFB. Nas fl.88 do Anexo VIII a 35 do Anexo IX, a interessada apresenta documento indicando a depreciação de alguns itens como equipamentos, móveis, contudo não apresenta documento relativo a compra destes bens. Atentese que tais documentos são necessários para que se possa avaliar se a depreciação foi calculada de modo correto e se o valor das despesas de depreciação foi corretamente apropriado no ano calendário em análise. Destaquese que os dados da contabilidade somente podem ser considerados como válidos se acompanhados da respectiva documentação, conforme dispõe o art 276 do RIR199. Ha que se esclarecer à interessada que não cabe a realização de diligência para verificação do restante dos registros de depreciação, posto que tal documentação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, conforme dispõe o §4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997.” Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.189 7 No recurso voluntário, por sua vez, a defesa essencialmente reiterou a necessidade de diligência: “[...] A Recorrente teve glosadas as despesas de Amortização e Depreciação levadas à despesa durante o ano calendário de 2006, tendo juntado à impugnação às fls.35 e 121, embora a glosa tenha sido mantida pelo Acórdão recorrido, porque, face ao volume de documentos a ser juntado, a Recorrente optou por solicitar Diligência Fiscal a sua sede, o que lhe foi negado, conforme já foi relatado anteriormente. 27. Repisese, em determinados casos, não existe qualquer possibilidade prática de se juntar ao processo certos documentos, que somente viriam a tumultuálo, reiterandose, por isso, a preliminar argüida”. Da análise dos documentos de fls.88/199 do Anexo VIII e fls.2/35 do Anexo IX, disponibilizados com a impugnação, é possível verificar que o contribuinte, ao contrário do que produziu durante o procedimento fiscal, quando apresentou valores globais a título de depreciação (fls.263/305), detinha controle individualizado a respeito da depreciação de determinados bens, com a indicação, inclusive, das datas de aquisição. Tal constatação já justifica o deferimento do pedido de diligência. A respeito da omissão de receitas, a DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), após apreciar a documentação acostada pelo contribuinte, assim concluiu: “Tal alegação somente poderia ser acatada se o contribuinte comprovasse que os R$10.267.733,06, ou pelo menos o valor de R$6.429.765,04 utilizado pela fiscalização, estaria inserido na receita total de R$ 181.487.814,75 inserta no balancete (fl.681), declarados na linha 3 (R$ 178.609.312,75) e na linha 4 (R$ 2.878.502,00) da ficha 6 A linha 3 da DIPJ/2007. Contudo, tal comprovação não foi feita.” No recurso voluntário, reiterouse a informação de que os valores recebidos da Ford Motor Company Brasil Ltda a título de comissão alcançaria, conforme documentação acostada à impugnação, o montante de R$10.267.733,06, superior aos R$6.433.785,04 informados pela fonte pagadora em DIRF. Pelo exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário federal, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto ao anocalendário 2006: a) intime o sujeito passivo a proceder à necessária correlação dos documentos de fls.88/199 do Anexo VIII e de fls.2/35 do Anexo IX (cópias do Sistema de Ativo Fixo) com as despesas de depreciação glosadas (“Edifícios e Instalações”, “Móveis e Equipamentos”, “Móveis e Utensílios”, “Veículos” e “Identificação”); e a apresentar a documentação relativa à aquisição dos bens, ao cálculo individualizado da depreciação e a outros elementos que permitiram apurála nos termos da legislação de regência; b) intime o sujeito passivo a demonstrar o oferecimento à tributação dos valores das comissões que afirma ter recebido da Ford Motor Company Brasil Ltda; Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.190 8 c) elabore relatório circunstanciado em que reste evidenciado, se for o caso, o quantum da depreciação passível de dedução e o valor da receita oferecida à tributação, relativa a comissões recebidas da Ford Motor Company Brasil Ltda; d) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 12898.000822/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. VÍCIOS DE NATUREZA MATERIAL.
A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Vícios constatados em elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento constituem vícios de natureza material.
Numero da decisão: 1401-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram cancelados por vício de natureza material.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. VÍCIOS DE NATUREZA MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Vícios constatados em elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento constituem vícios de natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram cancelados por vício de natureza material. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 08 22 /2 00 9- 69 Fl. 7518DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 91/102, lavrados pela DFI/Rio de Janeiro, para exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$14.702.796,10, e de CSLL, no valor de R$5.301.646,59, acrescidos de multa de 112,50% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$50.241.157,80 (fl. 4). A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade, deu provimento à impugnação, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 6633: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Nos termos da legislação de regência, houve apresentação de recurso de ofício, dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao julgar o aludido recurso de ofício, esta Turma, por unanimidade, negou provimento ao recuso de ofício, por meio do Acórdão 1401000.986, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Sem a precisa delimitação desses elementos, não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Devidamente cientificada desse Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou os presentes embargos declaratórios, alegando que nulidade é termo equívoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido. Fl. 7519DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 1401001.269 S1C4T1 Fl. 3 3 Em face da omissão apontada, requereu a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que essa e. Turma complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). É o relatório. Fl. 7520DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos presentes embargos de declaração. Consta expressamente da ementa do Acórdão embargado, fls. 7501: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Sem a precisa delimitação desses elementos, não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Ora, se vícios foram constatados em diversos elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento, resulta evidente que se está falando de vícios de natureza material. A Procuradoria da Fazenda Nacional requer a complementação do Acórdão embargado, simplesmente para esclarecer a natureza do vício que maculou o lançamento. Conclusão Diante do exposto, acolho os presentes embargos, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram anulados por vício material, consubstanciado na ausência de correta verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido e identificação do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 7521DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 1401001.269 S1C4T1 Fl. 4 5 Fl. 7522DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 18471.000606/2005-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/03/2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Verificada a existência de pagamento para o Cofins, aplica-se a esse período de apuração a regra do art. 150, § 4º, do CTN.
PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Comprovada a extinção do crédito tributário mediante pagamento ou compensação regularmente declarada antes do início do procedimento fiscal e homologada, tácita ou expressamente, cancela-se o lançamento de ofício.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre receitas financeiras e outras receitas.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Verificada a existência de pagamento para o Cofins, aplicase a esse período de apuração a regra do art. 150, § 4º, do CTN. PAGAMENTO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovada a extinção do crédito tributário mediante pagamento ou compensação regularmente declarada antes do início do procedimento fiscal e homologada, tácita ou expressamente, cancelase o lançamento de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre receitas financeiras e outras receitas. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 06 /2 00 5- 87 Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000606/200587 Acórdão n.º 3302002.880 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário (fls. 788 a 816) apresentado em 14 de setembro de 2007 contra o Acórdão nº 1316.468, de 28 de junho de 2007, da DRJ Rio de Janeiro II RJ (fls. 770 a 781), que, relativamente a auto de infração do Cofins, considerou procedente em parte o lançamento. A ementa do Acórdão, do qual foi dada ciência à Interessada em 15 de agosto de 2007, foi a seguinte: Assunto: Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 30/11/1999, 01/04/2000 a 30/04/2000, 01/08/2000 a 31/10/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/12/2001 a 31/12/2001, 01/11/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE. Não se verificando a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. PAGAMENTOS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovada a extinção do crédito tributário mediante pagamento integralizado dentro do prazo de vencimento do débito, cancelase o lançamento de ofício. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos comprovadores dos fatos que alega. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. As declarações de compensação entregues à SRF em data anterior à publicação da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000606/200587 Acórdão n.º 3302002.880 S3C3T2 Fl. 4 3 10.833, de 29/12/2003 não se constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. O auto de infração foi lavrado em 11 de maio de 2005 e referiuse aos períodos de julho a novembro de 1999, abril, agosto a outubro e dezembro de 2000, dezembro de 2001, novembro e dezembro de 2002, janeiro a março de 2003. Em relação à Cofins, a Fiscalização apurou diferenças não oferecidas à tributação decorrentes da Fiscalização do imposto de renda, conforme item 11 do termo de verificação (fl. 45), relativamente à “variação cambial ativa do item 20 ficha 06A constantes nas DIPJ/2002 e 2003”. Segundo a Fiscalização, não foi apresentada “documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, que justificassem a existência destes haveres no exterior (...)”. Ademais, foram apuradas diferenças “entre o valor escriturado e o declarado/pago” em procedimento de verificações obrigatórias, de acordo com o item 13 do já mencionado termo de verificação (fl. 46). A Primeira Instância considerou comprovada a extinção dos créditos tributários relativos aos períodos do ano de 1999 e improcedente a exigência relativa aos períodos de dezembro de 2001 e de 2002, por adoção de “mera presunção”. No recurso, alegou a Interessada que seria possível à autoridade julgadora administrativa afastar a aplicação dos dispositivos da Lei nº 9.718, de 1998, considerados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, passando a discorrer sobre a hipótese de incidência da contribuição. Mencionou acórdãos do STF e discorreu sobre a necessidade de os órgãos administrativos acolherem o entendimento do tribunal. Ainda citou pareceres normativos da Cosit e o Decreto nº 2.346, de 1997, além de acórdãos administrativos que trataram da apreciação de matéria constitucional, após manifestação definitiva do STF. Em relação ao período de apuração de novembro de 2000, alegou que teria protocolado processo de declaração de compensação anteriormente ao lançamento. Ressaltou que, embora a declaração de compensação não tivesse efeito de confissão de dívida à época, a Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 4º, determinava a extinção dos créditos tributários compensados, de forma que não seria possível o lançamento. Ademais, a Lei n. 10.833, de 2003, teria restringido a aplicação da multa de ofício, de forma que deveria ser aplicado o princípio da retroatividade benigna. No tocante aos períodos de abril, agosto a outubro e dezembro de 2000, a autuação seria nula, uma vez que os débitos já teriam sido recolhidos por compensação. Ressaltou que “as bases de cálculo declaradas pela Recorrente na DCTF e na DIPJ não correspondem àquelas utilizadas pela fiscalização”. Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000606/200587 Acórdão n.º 3302002.880 S3C3T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do dia 04/08/2008, a Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuinte resolveu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 20100.752, para as seguintes providências por parte da RFB: Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem para esta informar se as compensações dos débitos da Cofins dos meses de 11/2002, 01/2003, 02/2003 e 03/2003 (fls. 688, 746, 749/752, 755, 757, 760 e 762), foram homologadas (tácita ou expressamente) ou não, juntando cópia dos respectivos despachos decisórios (Processos nºs 10070.003121/200211, 10070.000112/200341, 10070.000240/200395 e 10070.001058/200351) e eventuais decisões da DRJ e do Conselho de Contribuintes. Realizado a diligência, foi constatado o seguinte: 1 Para o débito do PA 11/2002 o valor de R$ 259.548,97, originário do Auto de Infração do presente processo, foi compensado através de DCOMP em formulário, controlada no Processo nº 10070.003121/200211; 2 Para o débito do PA 01/2003 o valor de R$ 66.997,10, originário do Auto de Infração do presente processo, foi compensada através da DCOMP nº 2330886560.130803.1.3.011900, de 13/08/2003, baixada para tratamento manual no Processo nº 15374.725010/200845, que é vinculado ao PER nº 07029.74435.1308031.1.010881, de 13/08/2003, baixado para tratamento manual no Processo nº 10768.902318/200611, e que se encontravam pendentes de apreciação em 25/02/2011, data do Relatório da Diligência; 3 Para o débito do PA 02/2003 o valor de R$ 167.880,00, originário do Auto de Infração do presente processo, foi compensado através de DCOMP em formulário, controlada no Processo nº 10070.001058/200351; 4 Para o débito do PA 03/2003 o valor de R$ 120.599,93, originário do Auto de Infração do presente processo, foi compensado através de DCOMP em formulário, controlada no Processo nº 10070.001058/200351; Ciente do resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação para ratificar as informações prestadas pela autoridade que realizou a diligência e para alegar que o débito do PA 01/2003, no valor de R$ 66.997,10, compensado e declarado em DCOMP apresentada em 13/08/2003, está definitivamente extinto em face de ter sido homologado tacitamente, posto que até o dia 25/02/2011 o PER/DCOMP não havia sido apreciado pela Autoridade da RFB. Retornaram os autos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o Relatório do essencial. Voto Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000606/200587 Acórdão n.º 3302002.880 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele se conhece. O Recurso de Ofício também atende aos preceitos legais e dele se conhece. Quanto ao recurso de ofício, a primeira instância considerou ter havido tributação por presunção em relação aos períodos de dezembro de 2001 e de 2002. A conclusão da Fiscalização baseouse unicamente num raciocínio indutivo, demonstrado pelo seguinte trecho do acórdão de primeira instância: Na realidade, pelo que consta dos autos, não se pode precisar a receita mensal auferida que serviria de ponto de partida para a determinação da base de cálculo da COFINS, uma vez que a fiscalização considerou como base tributável a receita anual declarada decorrente de variações cambiais ativas, totalizando em um único mês os fatos geradores mensais ocorridos ao longo do ano. Entretanto, a presunção de que os fatos teriam ocorrido em relação ao último período de cada ano é procedimento de cautela e conservador que, na realidade, beneficia o contribuinte, pois seu efeito é apenas de postergar a data em que o fato gerador teria ocorrido. De outra banda, é incontroverso que o lançamento dos PA em comento (12/2001 e 12/2002) decorreu da inclusão na base de cálculo da exação, pela Fiscalização, de receitas financeiras incluídas na base de cálculo da Cofins pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98. Em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Dessa forma, tratandose de exigência baseada no do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, deve ser afastada a exigência sobre as receitas financeiras. Em relação aos pagamentos, comprovouse a extinção dos créditos tributários, de forma que o acórdão deve ser mantido em relação aos valores excluídos. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000606/200587 Acórdão n.º 3302002.880 S3C3T2 Fl. 7 6 Quanto à decadência, entende a recorrente que está decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário relativo ao fato gerador ocorrido em abril de 2000, nos termos do art. 150, § 4o do CTN. Com razão a recorrente. De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Quanto à contagem do prazo decadencial, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o art. 173, inciso I, e não o art. 150, § 4º, ambos do CTN. No presente caso, houve pagamento antecipado do PA 04/2000 e a ciência do lançamento ocorreu no dia 11/05/2005, conforme AR de fl. 200. Aplicase, portanto, a regra do art. 150, § 4o do CTN e, desta forma, está extinto por decadência o crédito tributário do período de apuração 04/2000. No tocante à nulidade do procedimento, a Interessada repete as alegações da impugnação, que foram competentemente afastadas pelo acórdão de primeira instância, ao demonstrar a inexistência de dificuldade para encontrar os demonstrativos e, ainda, o fato de que, para os períodos do ano de 2000, o levantamento ter sido efetuado de acordo com demonstrativo apresentado pelo representante legal da empresa. Ainda para os PA do ano 2000 as alegações da Recorrente, como bem disse a decisão recorrida, estão desacompanhadas de prova da composição da base de cálculo da Cofins para se confrontar com a apurada pelo Fisco, por isso devem ser rejeitadas. Quanto as alegações de ilegitimidade do lançamento relativo aos períodos de apuração 11/2002, 01/2003, 02/2003 e 03/2003 tem razão a Recorrente porque os referidos débitos foram extintos por compensação declarada antes do início do procedimento fiscal que levou à lavratura do auto de infração, conforme ficou bem demonstrado no Relatório da Diligência, inclusive quanto ao PA 01/2003, que consta de DCOMP apresentada em agosto de 2003 e não deveria ter sido objeto de lançamento de ofício antes da apreciação do direito creditório utilizado na compensação. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para, nesta parte, declarar improcedente o lançamento dos períodos de apuração 04/2000, 11/2002, 01/2003, 02/2003 e 03/2003. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.000606/200587 Acórdão n.º 3302002.880 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10880.979194/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar CONVERTER o julgamento em diligência, divergindo o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari que dava provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono da recorrente a Dra. Fernanda Rizzo Paes de Almeida (OAB/SP nº 271.385). Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
[assinado digitalmente]
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RESOLVEM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar CONVERTER o julgamento em diligência, divergindo o Conselheiro Paulo Reynaldo Becari que dava provimento ao recurso. Fez sustentação oral o patrono da recorrente a Dra. Fernanda Rizzo Paes de Almeida (OAB/SP nº 271.385). Integrou o Colegiado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. [assinado digitalmente] Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Versa o presente processo de recurso contra decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls.1337), apresentada contra o Despacho Decisório nº 040222310 (fl. 07), de 05/11/2012, que por vez (i) homologou parcialmente as compensações declaradas no PER/DCOMP nº05551.88132.250909.1.3.034336 e (ii) declarou não haver valor a ser restituído no PER/DCOMP nº 38032.80268.250909.1.2.033644. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 79 19 4/ 20 12 -1 3 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10880.979194/201213 Resolução nº 1101000.149 S1C1T1 Fl. 341 2 O demonstrativo de crédito se encontra no PER/DCOMP nº 38032.80268.250909.1.2.033644. A(s) compensação(ões) tem(êm) por crédito um saldo negativo de CSLL, PA 01/01/2007 a 30/11/2007, no valor de R$ 1.277.047,76, composto por estimativas compensadas. A decisão recorrida encontrase assim ementada: SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. As estimativas mensais da CSLL, objeto de compensação declarada e não homologada, não possuem a liquidez e certeza necessária para compor o saldo negativo da contribuição passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De acordo com a decisão recorrida o reconhecimento parcial do crédito foi motivado pela: • Homologação parcial da compensação da estimativa mensal de jan/2007, tratada no Per/Dcomp nº 14214.18997.220207.1.3.082454 (objeto do processo nº 12585.000013/200981). • Não homologação da compensação da estimativa mensal de mar/2007, tratada no Per/Dcomp nº 15800.46488.250407.1.3.096623 (objeto do processo nº 12585.000009/2009 12). A Recorrente pede o reconhecimento total dos créditos de estimativas jan/07 e mar/07, com base na falta de definitividade das decisões que homologaram parcialmente ou não homologaram as compensações das estimativas. Isto porque teria apresentado recursos contra estas decisões. A respeito do assunto, temse que a compensação efetuada na forma do art. 74 da Lei nº 9.430/96 só tem eficácia definitiva depois de homologada pela administração tributária. Havendo a recusa à homologação da compensação, o crédito tributário da fazenda permanece insatisfeito até que ocorra uma das modalidades extintivas do art. 156 do CTN. Assim, a unidade de origem não poderia aceitar os créditos de estimativas mensais não compensadas para compor a apuração do saldo negativo, pois não possuem a liquidez e certeza necessária para utilização no procedimento de compensação, na forma preconizada pelo caput do art. 170 do CTN. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Muito embora as decisões nos processos 12585.000013/200981e 12585.000009/200912 possam influenciar este julgamento, a decisão proferida no estado em que se encontra este processo não acarretará prejuízos a recorrente, pois esta poderá restituir ou compensar eventual indébito. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10880.979194/201213 Resolução nº 1101000.149 S1C1T1 Fl. 342 3 Quanto à apensação deste processo aos de nº 12585.000013/200981 e 12585.000009/200912, o procedimento é operacionalmente inviável, pois, como as espécies dos créditos são distintas, os julgamentos também ocorrerão em turmas de julgamentos distintas. Cientificada em 01/03/2014, por decurso de prazo (eCAC) a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 274 e seguintes, em 18/03/2014, em síntese, reiterando as alegações constantes de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais pertinentes, razão pela qual dele conheço. O pagamento indevido ou maior a título de estimativa é passível de restituição ou compensação, assunto esse já sumulado no âmbito deste colendo CARF, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Pois, conforme bem registrou o i. Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, no Acórdão nº 910100.406, da colenda 1ª T. da CSRF, o qual, fundamenta, inclusive a Súmula acima citada, “as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido”: Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento no que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN. Entretanto, como a homologação parcial da estimativa mensal de jan/2007, tratada no Per/Dcomp nº 14214.18997.220207.1.3.082454 seja objeto do processo nº 12585.000013/200981 e a não homologação da compensação da estimativa mensal de mar/2007, tratada no Per/Dcomp nº 15800.46488.250407.1.3.096623, objeto do processo nº 12585.000009/200912, não creio ser razoável indeferir o pleito da Recorrente para após a mesma requerer a restituição ou compensar o indébito, isto é, caso seja julgado procedente os recursos nos referidos processos. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que o processo seja devolvido à unidade de origem para que se aguarde o julgamento final dos processos nº 12585.000013/200981 (Per/Dcomp nº 14214.18997.220207.1.3.082454) e 12585.000009/200912 (Per/Dcomp nº 15800.46488.250407.1.3.096623), e posteriormente retornem os autos para prosseguimento do julgamento. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 10880.979194/201213 Resolução nº 1101000.149 S1C1T1 Fl. 343 4 Devendo ainda a DRF, informar o resultado final dos mencionados processos, se os créditos ali discutidos foram confirmados, bem como informar as demais informações que entender necessárias. Sala das Sessões, em 4 de fevereiro de 2015 [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 343DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
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Numero do processo: 10410.006339/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.149
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A,
§§1º e 2º do Regimento do CARF.
Nome do relator: Walter Reinaldo Falcão Lima
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Ewan Teles Aguiar, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 443/448), que reproduzo a seguir: “Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 0310, no qual é exigido o Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar, relativamente ao exercício 2005, anocalendário de 2004, no valor de R$ 6.649,86, o qual com os acréscimos legais (juros de mora e multa proporcional), perfazendo um crédito tributário apurado no valor de R$ 13.950,73. 2. A autoridade fiscal justificou o lançamento efetuado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 0407, da seguinte forma: Fl. 504DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 498 2 "001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos das Pessoas Jurídicas PREFEITURA MUNICIPAL DE MAUÁ (indenização trabalhista PROC. nº 4985/04 do Juízo da 1ª vara de Trabalho de Mauá), INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA DOS SERVIDORES DO ESTADO DE ALAGOAS PASEAL) e FUNDAÇÃO ASSISTENCIAL DOS SERVIDORES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA (decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício), conforme DIRF´s apresentadas pelas fontes pagadoras. 002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TÍTULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada e/ou FAPI, das fontes pagadoras BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A e UNIMED SEGURADORA S/A, conforme DIRF´s apresentadas pelas fontes pagadoras. 003 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE Efetuamos glosa de dedução com a dependente MARCELA CABRAL DE MENDONÇA CAVALCANTI, CPF. 052.516.83464, pleiteada indevidamente, em face da mesma declarar em separado (ND 04/108957788). 004 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas, pleiteadas indevidamente, referente às profissionais ROSEANE DE GOES DOURADO GOMES e LILIANA PINHEIRO DE ARAÚJO, assim como a parcela paga a UNIMED MACEIÓ referente à dependente MARCELA CABRAL DE MENDONÇA CAVALCANTI. 005 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVROCAIXA Dedução indevida da Base de Cálculo com despesas escrituradas em Livro caixa, pleiteadas indevidamente, conforme planilha em anexo, devidamente discriminada com as razões das glosas, parte integrante deste Auto de Infração. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 499 3 006 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO Redução indevida da Base de Cálculo com despesas de instrução, pleiteadas indevidamente, visto que a dependente MARCELA CABRAL DE MENDONÇA CAVALCANTI declara em separado (ND 04/108957788)." 3. Acompanhando ainda o auto de infração analisado o Demonstrativo de Apuração e o Demonstrativo de Multa e Juros de Mora (fls. 1114), Demonstrativo dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas (fl. 47 e 70), Demonstrativo dos Rendimentos Omitidos Recebidos de Pessoas Físicas (fl. 71) e Demonstrativo das Deduções não Utilizadas na Apuração da Base de Cálculo do CarnêLeão (fl. 72). 4. Devidamente cientificado da autuação em 06/11/2007, fl. 03, o contribuinte apresentou em 06/12/2007 a impugnação de fls. 160226, com as seguintes alegações, em síntese: 4.1. em relação à omissão de rendimentos da Prefeitura Municipal de Mauá informou que: 4.1.1. se referem a depósito judicial por conta de uma ação trabalhista iniciada em 1995, e que somente teve conhecimento do crédito em 2007, por intermédio da Receita Federal, pois constava tal informação em DIRF; 4.1.2. não teve acesso a estes rendimentos, posto que eles foram depositados em nome do Juízo da 1ª Vara do Trabalho de Mauá, juntando documentação referente ao depósito em conta do Banco do Brasil específica do Tribunal; 4.1.3. tentou, sem sucesso, obter informações junto ao Banco do Brasil, ao advogado que lhe assistiu na demanda (Waldemar Boyago), TRTAL, no intuito de efetuar o saque de tais recursos, argumentando que não é justo arcar com esse ônus, uma vez que não auferiu a renda; 4.2. sobre as glosas das deduções do LivroCaixa, discorreu sobre sua atividade de profissional na área médica, apresentando as seguintes justificativas em relação às despesas efetuadas: 4.2.1. revistas aduziu que servem para entretenimento dos pacientes na recepção enquanto aguardam o atendimento; 4.2.2. revelação de fotos informou que as fotos são coladas nos laudos médicos dos exames, os quais fazem parte do seu exercício profissional; 4.2.3. telefone celular discorreu sobre seu regime e jornada de trabalho, afirmando que das três linhas de celulares, uma é utilizada por ele próprio, outra permanece no consultório para contato com os pacientes e outra fica com a instrumentista para contatos em situações de emergências; Fl. 506DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 500 4 4.2.4. memória, teclado de computador, placa de rede apontou que estes itens não são bens de capital e que a suas compras se justificaram para reparos no computador, afirmando que a duração (vida útil) desses itens é incerta, mas que raramente ultrapassa um ano e que a garantia dada pelo fabricante é de 3 meses; 4.2.5. material hidráulico e de construção (torneira, mangueira, bóia para a caixa de água, flexão, sifão, válvula, cimento) são indispensáveis para a manutenção (pequenos reparos) e limpeza do consultório; 4.2.6. resistência para chuveiro, bateria e cabo a resistência para chuveiro servem para aquecimento de água para limpeza de material médico; as baterias (pilhas) são utilizadas em aparelhos (pequenas lanternas) para a realização de exames; e os cabos (RCA) servem para conectar o videocassete que é utilizado na leitura de exames enviados por outros médicos; 4.2.7. telefone Vésper tratase de linha prépaga e o comprovante de pagamento, emitido em casas lotéricas, não é nominal; 4.2.8. material para piscina afirma que é rejunte de azulejo o qual foi utilizado no banheiro do consultório (com infiltração na parede) para evitar crescimento de fungos e atendimento às normas da Vigilância Sanitária; 4.2.9. medicamentos aduz que mantém no seu consultório medicamentos diversos, os quais especifica, justificando que são utilizados em pequenos procedimentos cirúrgicos (material de consumo para o seu trabalho); 4.2.10. contribuição para o Conselho Regional de Medicina assevera que é necessário pagar a contribuição para o exercer a profissão; 4.2.11. Unimed Seguros aponta que o motivo da glosa foi a não comprovação desta despesa, alegando que o comprovante encaminhado à fiscalização anteriormente, provavelmente, extraviou, razão pela qual novamente o encaminha; (não justifica a razão deste dispêndio em relação ao seu ofício) 4.2.12. resma de papel, canetas, papel contato, pasta sanfonada, estojo, borracha, caderno justifica que são utilizados como material de escritório, de conservação e de limpeza; 4.2.13. sucos, fósforo, açúcar, biscoitos, torradas, polpa de frutas, leite, chocolate, adoçante, refrigerantes, cereais, café, copos, talheres e pratos descartáveis utilizados nas refeições/lanches do impugnante e/ou sua secretária, sendo que sua necessidade se justifica pela extensa jornada de trabalho que cumpre; 4.2.14. plano de saúde da secretária informa que o motivo da glosa foi a falta de comprovação do pagamento, mas assevera que é uma ajuda de custo ao plano de saúde de sua secretária, tendo sido juntado recibo assinado pela mesma no valor de R$ 90,00 e o demonstrativo da Unimed no valor mensal de R$ 84,24; Fl. 507DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 501 5 4.2.15. luminária de emergência, régua esférica e fita isolante argumenta que a luminária é utilizada quando ocorre falta de energia elétrica no consultório; e que a régua esférica e a fita isolante foram utilizadas na manutenção do equipamento; 4.2.16. camisetas tratase de complemento do uniforme da sua secretária, afirmando a mesma as utiliza para limpeza do seu material de trabalho; 4.2.17. papelaria afirmou que o motivo da glosa foi a sua não comprovação, e que novamente junta o comprovante; 4.2.18. garrafas se destinam ao acondicionamento de substâncias químicas utilizadas nos procedimentos (éter e anti séptico); 4.2.19. vela é utilizada, assim como a luminária, quando ocorre falta de energia elétrica no consultório; 4.2.20. cotonete utilizado em exames do ouvido; 4.2.21. material para lavar roupas (sabão, amaciante, corda de varal, prendedor de roupa) usados na lavagem de lençóis da maca, batas e campos operatórios de tecidos; 4.2.22. alimentos para cães informou que mantinha um animal para guarda, mas acata a exclusão efetuada pela fiscalização; 4.2.23. rolo de papel alumínio utilizado para envolver instrumental cirúrgico para esterilização; 4.2.24. lustras móveis usado na manutenção dos móveis de madeira (armários, maca etc.); 4.2.25. Sindicato dos taxistas justifica que utiliza taxistas para a entrega de produção médica aos convênios, asseverando que tal despesa é essencial para a percepção da receita, pois sem a entrega da produção médica não recebe pelos seus serviços; 4.2.26. garrafa térmica (botijão invicta) utilizada nas cirurgias de videolaparoscopia, afirmando que tal utensílio se estraga com 3 meses de uso (material de consumo); 4.2.27. açucareiro e copo de liquidificador por oferecer lanche com café, foi necessário adquirir um açucareiro e um copo de liquidificador; 4.2.28. itens de limpeza e higiene (papel higiênico, guardanapo, saco de lixo, detergente, sabonete, água sanitária) para uso pelos pacientes, higienização e limpeza dos banheiros, consultório e área de lavagem de materiais; 4.2.29. caixa de miçangas é utilizada para acondicionar diversos fios de sutura para os procedimentos cirúrgicos; 4.2.30. Jornada Alagoana de Cirurgia afirma que pagou o evento para que a sua instrumentadora Maria de Fátima Souza Ramos Fl. 508DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 502 6 tenha melhor resultado em seu trabalho, apontando instituições de saúde onde poderão ser obtidas informações sobre o vinculo do impugnante com esta profissional; 4.2.31. ovos de páscoa e chocolates declarou que é um gasto necessário para o exercício de sua profissão, pois os entrega aos profissionais que o auxiliam (secretárias, instrumentadoras etc.); 4.2.32. itens elétricos (conector, pinos) são para substituição das tomadas elétricas danificadas no consultório; 4.2.33. painel tratase de um mural utilizado para afixar avisos aos clientes. Por serem limpos com freqüência, deterioramse rapidamente (material de consumo); 4.2.24. combustível, hospedagem, serviço de hotel, alimentação despesas necessárias para sua participação no Congresso Médico em Recife (2425/abril/2004); 4.2.25. correios o motivo da glosa teria sido a não comprovação deste dispêndio, entretanto junta o comprovante e justifica que tal despesa se faz necessária para o exercício de sua profissão, tendo em vista o envio de correspondências para convênios, sociedades médicas, congressos médicos etc.; 4.2.26. supritudo, Maria Amélia Pereira, Polocar, filme para controle solar, taxa de serviço de hotel (out/2004) acata as glosas das despesas; 4.2.27. Preview Vídeo Digital afirma que o recibo juntado (contendo o nome da empresa, CNPJ e endereço) é documento idôneo para comprovar a despesa, a qual se refere a serviços de captura de imagens, necessárias para a confecção de laudos; 4.2.28. Transpal referese pagamento de valetransporte em benefício da secretária, pago a empresa autorizada para comercializá lo; 4.2.29. itens diversos de papelaria (caneta caixa de madeira) é uma caneta de melhor qualidade utilizada no consultório e no hospital, para marcação na pele do paciente; 4.2.30. caixa de som multimídia usado para ouvir CD de aulas e acompanhar seminários interativos na internet, fazendo parte de sua atualização médica, necessária para atender os pacientes, justificando que não são bens de capital, pois a sua duração é imprevisível (meses ou anos); 4.2.31. arranjo floral utilizado na decoração do consultório para mantêlo confortável, em benefício dos pacientes, sendo essencial para a percepção da receita e manutenção fonte produtora; 4.2.32. itens de decoração utilizados em virtude das festas juninas e natalinas (piscapisca, árvore e bolas de Natal); Fl. 509DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 503 7 4.2.33. Casa do Computador tratase de despesa comprovada pela nota fiscal de serviço (001350) referente a reparo e manutenção de informática (não especifica o que se refere) 4.2.34. tecido gurgurão utilizado na manutenção e reparo do revestimento das poltronas do consultório; 4.2.35. carga de lâmina (gillette) utilizado nos procedimentos cirúrgicos (raspagem de pelos); 4.2.36. Federação Brasileira de Gastroenterologia foi descrita por engano em agosto de 2004, quando deveria ter sido em junho do mesmo ano. Na verdade não foi motivo de glosa e sim assinalada para mudança do mês do lançamento; (verificar) 4.2.37. óculos de proteção e escova afirma que o óculos é item recomendado pela Vigilância Sanitária e pela Sociedade Brasileira de Hepatologia e que a escova destina a limpeza dos instrumentos cirúrgicos, antes de irem para a esterilização; 4.2.38. alimentação em congressos afirma que foi necessária a realização desta despesa durante o Congresso Médico no Rio de Janeiro 1521/agosto/2004; 4.2.39. imobilizador de tornozelo (Gonçalves Valois) justifica que é cirurgião e passa horas em pé e a compra do imobilizador se destina a dar estabilidade ao tornozelo e diminuir a dor para que possa realizar o ato cirúrgico; 4.2.40. veneno para cupim justificou a existência de cupins em um armário do consultório, que necessitaram ser debelados, tratandose de item de conservação do mobiliário; 4.2.41. Sindicato dos Médicos acredita que a glosa efetuada por engano nos meses de outubro e dezembro (R$ 28,72 e R$ 28,72), pois tal despesa, descontada em folha mensalmente, fora acatada como comprovada em relação aos demais meses do ano; 4.2.42. Riviera Turismo motivo da glosa foi ter sido relativo a hospedagem em apartamento duplo, entretanto justifica que se destina ao Congresso Médico no Recife em 1621/outubro/2004, apontando o número do cheque/banco/agência; 4.2.43. alimentação em congresso justificou que foi realizada esta despesa por conta da participação no Congresso Médico no Recife em 1621/outubro/2004; 4.2.44. lençol, toalhas, fronhas justifica que o lençol "king size" deveria estar em outra nota ou ter sido subtraído desta, mas argumenta que os lençóis/fronhas são para uso nos leitos e maca do consultório; a tolha é para ser utilizada para a higiene de sua secretária e o tapete é utilizado no banheiro do consultório; 4.2.45. locação de carro e despesas de táxi em São Paulo (SP) o carro foi alugado previamente e o serviço de táxi utilizado em virtude de participação em atividade científica (35/dezembro/2004) Fl. 510DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 504 8 4.2.46. refeição em congressos em virtude de sua participação em treinamento e seminário em São Paulo 3 5/dezembro/2004; 4.2.47. folha de pessoal concorda com a glosa de R$ 129,69, justificando provável erro de soma; 4.3. por fim, requer o deferimento parcial de sua impugnação.” A DRJ/RecifePE julgou a impugnação procedente em parte (fls. 442/458) para reduzir o total das despesas não dedutíveis com “Livro Caixa” de R$ 18.216,08 para R$ 18.146,89, nos termos da ementa transcrita a seguir: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA. FATO GERADOR. AQUISIÇÃO DA DISPONIBILIDADE JURÍDICA. Os valores são postos à disposição da pessoa física é fato gerador do imposto de renda, desde que sejam créditos líquidos e certos, reconhecidos como a ela pertencentes, mesmo sem os ter recebido efetivamente. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EFEITOS. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação (art. 73 do RIR/99). LIVRO CAIXA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. GLOSA. O contribuinte que receber rendimentos do trabalho nãoassalariado pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas escrituradas em LivroCaixa, desde que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário mantido em Parte.” Cientificado do acórdão de primeira instância em 27/10/09 (Aviso de Recepção de fls. 465), o interessado interpôs, em 26/11/09, o recurso de fls. 466/495, reiterando as alegações expostas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, uma das infrações em discussão versa sobre omissão de rendimentos no montante de R$ 3.004,50, decorrentes de ação de indenização trabalhista Fl. 511DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 505 9 (processo n° 4985/04), movida contra a Prefeitura Municipal de Mauá, de acordo com informação contida na descrição dos fatos do respectivo auto de infração (fls. 04). Compulsando os autos, verificase que se trata de caso em que o cálculo do imposto de renda incidente sobre tais rendimentos foi efetuado tomando por base o regime de caixa, nos termos do disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A constitucionalidade da regra estabelecida no dispositivo legal acima citado foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10410.006339/200726 Resolução n.º 2801000.149 S2TE01 Fl. 506 10 “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Diante do exposto acima voto por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 513DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 09/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
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