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Numero do processo: 13449.000057/2007-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF.
Numero da decisão: 1003-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 1001808 às fls. 1422, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$25.228,12 a título de multa de mora paga a menor, código 6094, em relação aos recolhimentos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) informados na Declaração de Débitos e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 44 9. 00 00 57 /2 00 7- 76 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 68 2 Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 2005201720318336 referente ao terceiro trimestre de 2004. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO APÓS O VENCIMENTO. COM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de Mora e/ou Juros de Mora parcial ou total), conforme Anexo IV DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR". em anexo. JUROS: ART 160 L 5172/66; ART 43 L 9430/96; ART 9 L 10426/02 . MULTA: ART 160 L 5172/66; ARTS 43 E 61 E PARS 1 E 2 L 9430/96; ART 9 E PAR UN L 10426/02. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1125.478, de 26.02.2009, efls. 2833: RECOLHIMENTO INTEMPESTIVO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. N/1ULTA DE MORA I Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e› contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil recolhidos a destempo, espontaneamente, devem ser acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de 0,33 % (trinta e três centésimos por cento), por dia de atraso, até o limite máximo de 20 % (vinte por cento), calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo. [...] DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXTENSÃO DOS SEUS EFEITOS. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE A exclusão dar responsabilidade operada pela denúncia espontânea (artigo 138 do CTN) cingese à aplicação de penalidade por infração à legislação tributária. A multa de mora tem natureza compensatória, não se confundindo, pois,i com a multa de oficio, esta sim revestida de caráter punitivo. Lançamento Procedente Notificada em 21.05.2009, efl. 36, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10.06.2009, efls. 3743, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação ao lançamento diz que: Entretanto, tal decisão merece ser reformada, peias razoes abaixo aduzidas. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 69 3 II DO DESCABIMENTO DA MULTA COBRADA Contudo, estabelece o art. 138 do CTN: [...] Mesmo que se entenda que a DCTF é forma de constituição do débito tributário e que uma vez declarado o débito em tal documento é excluída a possibilidade de denúncia espontânea, por força do parágrafo único do artigo 138 do CTN, não seria devida a multa no presente caso. Com efeito, mesmo dentro deste raciocínio, houve a denúncia espontânea, já que as diferenças recolhidas com atraso não foram declaradas nas DCTF originariamente apresentadas (docs. 01 e 02 da impugnação). Depois do envio da DCTF Original, a Recorrente apurou valor a pagar ainda não declarado. Providenciou então, o seu pagamento, com incidência dos juros devidos e, em DCTF Retificadora (docs. 03 e 04 da impugnação), enviada somente após o aludido pagamento. Este fato é incontroverso. Como se verifica pela cópia do DARF em anexo à impugnação anteriormente apresentada, o valor declarado na DCTF Retificadora foi inteiramente recolhido no prazo legal, com incidência de juros, qual seja, a CSLL com vencimento em 29/10/2004 e paga em 29/12/2004, no valor original de R$ 129.574,34 e juros de R$ 2.915,42 (doc. 05 da impugnação). Assim, tendo a Recorrente pago os valores exigidos antes de iniciado procedimento do Fisco para cobrar tais diferenças, antes também de DCTF Retificadora, houve denúncia espontânea, não cabendo a cobrança da multa exigida. Ora, o que a decisão recorrida entendeu é que o artigo 138 não excluiria a necessidade do pagamento da multa de mora; contudo, tal raciocínio é equivocado. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: São essas as razões pelas quais a Recorrente pede seja dado provimento ao presente recurso, para ser reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente a ação fiscal. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 70 4 A Recorrente discorda do lançamento ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. A Instrução Normativa RFB nº 45, de 05 de maio de 1998, que vigorava à época, previa: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos (art. 14, art. 15 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 71 5 Pertinente à denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, temse que exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tão somente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal2. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 3, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou 2 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 3 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=1149022&repetitivos=REPETITIVOS&&tipo_visualiz acao=RESUMO&b=ACOR>. Acesso em: 31 ago.2018. 4 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 72 6 de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a matéria, a Nota Técnica Cosit nº 19, de 12 de junho de 2012, prevê: A Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e a Coordenação Especial de Ressarcimento, Compensação e Restituição (Corec) enviaram a Nota Conjunta Codac/Corec nº 1, de 14 de março de 2012, à Coordenação Geral de Tributação (Cosit) para solicitar a revisão da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012. 2. A Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, teve por escopo orientar as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) acerca das consequências dos Atos Declaratórios da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nºs 4 e 8, de 20 de dezembro de 2011: ATO DECLARATÓRIO Nº 4, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 73 7 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional". JURISPRUDÊNCIA: REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki. ATO DECLARATÓRIO Nº 8, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 1 0.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010. 2.1. Os atos declaratórios s e embasaram nos Pareceres PGFN/CRJ nºs 2113/2011 e 2124/2011. Sua base legal foi o art. 19 da Lei nº 10.522, de 10 de outubro de 1997, com a redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004. A orientação às unidades da RFB decorreu da sua vinculação automática ao s atos do Ministro da Fazenda. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 74 8 2.2. Tendo em vista os mais diversos questionamentos acerca dos atos, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, objetivou responder os já formulados, principalmente na definição (não feita pela PGFN em seus atos e pareceres) das situações que podem ser definidas como denúncia espontânea e que a multa de mora não mais deve ser cobrada (Ato PGFN nº 4); e em quais situações a retificação da declaração por parte do sujeito passivo pode ser considerada denúncia espontânea (Ato PGFN nº 8). 3. A Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, nos seus arts. 18 e 19, teve por objetivo flexibilizar a atuação processual da PGFN nas matérias que dificilmente teria ganho de causa. Afinal, um processo judicial tributário no âmbito federal gera diversos custos. Além dos custos ao erário, o acúmulo de processos sem chance de ganho prejudica a todos os jurisdicionados, incluindo a própria Fazenda Pública, uma vez que processos com reais chances de sucesso ou execuções fiscais com probabilidade real de recuperação ficam com o seu andamento prejudicado. 3.1. O objetivo ainda é evitar a atuação contraditória da Administração Pública: se ela não vai mais defender determinada matéria em juízo, não faz mais sentido insistir em proceder de maneira contrária administrativamente. No caso do inciso II do art. 19, o ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda, quando aprovado pelo Ministro da Fazenda, já vincula a RFB. 4. A Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, foi feita em decorrência das diversas dúvidas que os atos da PGFN geraram, pois desde a publicação dos atos declaratórios, assinados pelo Ministro, a RFB já estava vinculada a eles. Alguns dos entendimentos da Nota devem ser revistos, bem como a interpretação dos atos da PGFN, a fim de se limitar aos precedentes que os embasaram. 4.1. Segundo o Ato Declaratório PGFN nº 8, de 2011, somente na situação em que o contribuinte declara a menor, paga integralmente o débito declarado e depois retifica a declaração para maior, quitando concomitantemente o débito, configura se a denúncia espontânea. 4.2. O ato da PGFN não trata das seguintes situações constantes da Nota Técnica nº 1, de 2012: contribuinte não apresenta declaração, mas paga o débito; contribuinte declara o débito a menor, não paga e posteriormente retifica a declaração pagando concomitantemente todo o débito e; o contribuinte não declara o débito em DCTF, porém efetua a compensação dele em Dcomp. Desse modo, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, deve ser considerada ocorrida a denúncia espontânea apenas na sua acepção primária de pagamento do débito concomitantemente a apresentação da declaração e na forma delimitada no próprio Ato Declaratório PGFN nº 8, de 2011, como descrito no item 4.1. 6. Em conseqüência, concluise: Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 75 9 a) pelo cancelamento da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012; b) que se considera ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: b1) quando o sujeito passivo confessa a infração, inclusive mediante a sua declaração em DCTF, e até este momento extingue a sua exigibilidade com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20 de dezembro de 2011; b2) quando o contribuinte declara a menor o valor que seria devido e paga integralmente o débito declarado, e depois retifica a declaração para maior, quitandoo, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 8, de 20 de dezembro de 2011; c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: c1) quando o sujeito passivo paga o débito, mas não apresenta declaração ou outro ato que dê conhecimento da infração confessada; c2) quando o sujeito passivo declara o débito a menor, mas não paga o valor declarado e posteriormente retifica a declaração, pagando concomitantemente todo o débito confessado; c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; c4) quando o sujeito passivo declara o débito, mas o paga a destempo; d) que os eventuais pedidos de revisão de lançamento, restituição e/ou compensação dos créditos já constituídos nas situações do item “b” acima devem ser analisados com base no entendimento exarado nos Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, de 2011. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Anexo IV do Auto de Infração o Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor, fl. 19: VALORES EM R$ CÓDIGO DE RECEITA INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA DE OFÍCIO/ISOLADA BASE DE CALC. VAL. DEVIDO NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PGTO DO AI (4) PERÍODO DE APURAÇÃO (5) DATA DE VENCIMENTO (6) DATA P/ PGTO DO AI (7) MULTA DE MORA PAGA A MENOR (8) JUROS DE MORA NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (9) PRINCIPAL RECOLHIDO PAGO E CONFIRMADO (10) 75% DO PRINCIPAL RECOLHIDO PAGO E CONFIRMADO (11) 6593223 2005201720318336 2362 6094 0107/2004 29/10/2004 30.03.2007 25.228,12 0,00 0,00 0,00 TOTAL 25.228,12 0,00 0,00 0,00 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13449.000057/200776 Acórdão n.º 1003000.278 S1C0T3 Fl. 76 10 Está registrado no Anexo IIb do Auto de Infração os Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento, fl. 18: VALORES EM R$ CÓDIGO DE RECEITA INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PGTO DO AI (4) PERÍODO DE APURAÇÃO (5) DATA DE VENCIMENTO (6) DATA DO PAGAMENTO (7) MULTA DE MORA PAGA A MENOR (8) JUROS DE MORA NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (9) 6593223 2005201720318336 2362 6094 0107/2004 29/10/2004 29/12/2004 25.228,12 0,00 TOTAL 25.228,12 0,00 Verificase que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 2005201720318336 referente ao terceiro trimestre de 2004 foi entregue em 12.01.2005. O pagamento foi efetuado em 29.12.2004. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.002081/2004-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/1999
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO.
O CARF não é competente para apreciar princípios constitucionais nem se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. PÓLO ATIVO.
Somente figuram no pólo ativo do Mandado de Segurança Coletivo os
filiados à entidade associativa impetrante que constem da relação que integra a petição inicial, nos termos do art, 2°-A da Lei n° 9 494, de 1997. Ausente desta relação, a contribuinte não pode reivindicar os efeitos da discussão ou da decisão judicial.
Numero da decisão: 1202-000.342
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias que envolvam princípios constitucionais e da matéria que não foi prequestionada e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida DRJ/BELO HORIZONTE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/1999 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. O CARF não é competente para apreciar princípios constitucionais nem se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. PÓLO ATIVO. Somente figuram no pólo ativo do Mandado de Segurança Coletivo os filiados à entidade associativa impetrante que constem da relação que integra a petição inicial, nos termos do art, 2°-A da Lei n° 9 494, de 1997. Ausente desta relação, a contribuinte não pode reivindicar os efeitos da discussão ou da decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias que envolvam princípios constitucionais e da matéria que não foi prequestionada e, quanto ao mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, e Loss° bo 44,1Wdente, 717. arlos Alberto E), assolo - Relatar, 1 EDITADO EM: ri 2 SEI 20 10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finam. Horta e Flávio Vilela Campos. ti • 2 Processo n° 19647 002081/2004-47 S1-C2T2 Acórdão n ° 1202-00342 Fl. 557 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado às folhas 02/07 para exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), na importância de R$ 269777,74, cumulado com multa de oficio, no percentual de 75%, e juros de mora. A fiscalização constatou que o contribuinte, ao mudar o regime de tributação, em 31/03/1999, de Lucro Real para Lucro Presumido, deveria realizar todo o lucro inflacionário acumulado em 31/12/1998. Cientificado do lançamento em 12/0.3/2004 (fl. 35), o contribuinte apresentou sua impugnação, em 12/04/2004, mediante arrazoado, de fls, 38 a 70, com as argumentações a seguir sintetizadas. a) a autuada se dedica ao ramo da construção e comercialização de imóveis, e está protegida pelo trânsito em julgado ocorrido em 18 de maio de 1999, no STF, da decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 93.0003603-5 impetrado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco - ADEMI/PE, da qual a autuada é filiada, desde 16 de agosto de 1994, e que considerou ilegal e indevida a correção monetária dos estoques imobiliários para fins de composição do chamado lucro inflacionário; b) que a exigência do IRPJ sobre esse lucro inflacionário seria derivada de um lucro irreal posto que, de um lado, não se enquadra nas hipóteses de incidência do imposto de renda e seus reflexos e, de outro, constitue um afronta aos princípios constitucionais da isonomia, do não confisco e da capacidade contributiva, o que torna o Auto de Infração nulo; e c) mesmo que houvesse fundamento legal para a exigência do imposto, grande parte do pretenso crédito cobrado seria inexigível, em razão da ocorrência da decadência e da compensação dos prejuízos fiscais apurados nos anos de 1991 e 1994. Na seqüência, foi emitido o Acórdão n° 02-19.116 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 280 a 291, com o seguinte ementário: Mandado de Segurança Coletivo. Abrangência. Somente estão abrangidos pela decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança Coletivo , os .filiados à associação impetrante que constem da relação que integra a inicial. Ausente desta relação, o contribuinte não pode reivindicar os efeitos- da discussão ou da decisão judicial Preliminar de Nulidade 1 4 3 Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos legais pertinentes à . formalização do lançamento. Arguição de Ilegalidade e Inconstitucionalidade. Incompetência das Instâncias Administrativas para Apreciação. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributaria vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados, Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado. Decadência. Devem ser excluídas do saldo do lucro inflacionário acumulado os valores das parcelas de realização mínima . já atingidas pela decadência.. Realização do Saldo de Lucro Inflacionário Acumulado. A pessoa jurídica que, até o ano-calendário anterior houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar à base de cálculo do imposto, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido, os saldos dos valores cuja tributação havia difèrido, controlados na parte "B" do LALUR. Lançamento Procedente em Parte Os principais fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido estão resumidos nos seguintes pontos: - em relação ao Mandado de Segurança Coletivo impetrado por entidade de classe - ADEMI/PE, transcrevo parte do voto que trata da matéria: "Alega que o Lucro Inflacionário da impugnante decorrente da correção monetária de seu estoque imobiliário e exigida pelo fisco federal é totalmente indevida e ilegal, estando certo que está albergada por decisão judicial com transito em julgado. Ocorre que conforme Declaração da ADEMI-PE a ora impugnante associou- se a entidade no dia 16 de agosto de 1994 (doc. 04 de fi. 87) e o Mandado de Segurança Coletivo (MSC) foi recebido na seção de distribuição em 29 de abril de 1993 (doc. 05 de ft 88). A Apelação no Mandado de Segurança Coletivo n° 93.0003686-1 contra a sentença de 1" instância . foi em 13 de maio de 1995 (doc. 6 de fls. 117/154). Vê-se, que na data da impetração do MSC n° 93.0003686-1, da sentença em 1" instância e na apelação ao MSC a autuada não era associada da referida entidade. (...) No caso especifico sob exame, a própria inicial compromete a tese da interessada, Assim é que dela consta o seguinte trecho, especialmente el. 89.: DOS FATOS -(. ,) Destarte está legitimada representar, neste mandamus, suas associadas constantes da relação anexa (doc. 04), por preencher os requisitos exigidos pelo art. 5o, LXX; 'b", da Constituição Federal, fato este corroborado pela AGE - Assembléia Geral Extraordinária realizada por suas referidas associadas, que expressamente autorizaram a IMPETRANTE a, em nome delas, agir neste mandannts, conforme faz prova cópia da ata respectiva (doc.. 5) Como visto, a interessada não estava incluída na relação de associados que acompanhou a inicial, não integrando, portanto, o universo dos abrangidos pela coisa julgada, nos termos da própria petição inicial." 4 Processo n° 9647.002081/200447 S1-C2112 Acórdão n 1202-00.342 Fl 558 - quanto à rejeição da nulidade do Auto de Infração, o acórdão recorrido fundamentou sua decisão no fato de que a autuação não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata da nulidade dos atos administrativos no âmbito do processo administrativo fiscal. - em relação à cobrança indevida da realização do lucro inflacionário, já que derivada da ilegal correção monetária do seu estoque imobiliário, entendeu o acórdão recorrido que essa tributação decorre de expressa disposição legal, a que a autoridade administrativa tributária está vinculada, não podendo deixar de aplicá-la. Além disso, não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição de inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, nos termos do art. 102 da CRFB/88, - embora sustente possuir prejuízos fiscais em montante suficiente a realização integral do saldo de lucro inflacionário acumulado não os comprova com documentos hábeis e idôneos. Além disso, não compete à Delegacia de Julgamento promover a recomposição dos valores apurados e informados nas declarações de rendimentos apresentadas pelo contribuinte. - quanto ao valor do saldo do lucro inflacionário, em 31/0.3/1999, reconheceu a DRI que, após a autuação, o próprio sistema que controla esse lucro (SAPLI), extrato de fls. 292 a 294, foi ajustado a fim de proceder à realização, ex officio, de parcelas mínimas do lucro, no período compreendido entre 01/01/1991 a 31/12/1998, em razão do transcurso do prazo decadencial, de acordo com a Solução de Consulta Interna n° 23, de 24 de agosto de 2004, remanescendo, um saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar no valor de R$ 279.218,34. Em conseqüência, fez os ajustes do imposto devido de acordo com o demonstrado no quadro abaixo. Quadro 1-Apuração do Imposto de Renda Devido Do Auto de Do Voto Infração Da D12,1 Fato Gerador 31/03/1999 31/03/1999 Valor Tributável 437.104,32 279.218,34 Imposto Devido Aliquota 15,00% 65.565,64 41.882,75 Imposto Adicional Aliquota de 10,00% 37.710,43 21.921,83 Total Imposto Devido 103.276,07 63.804,59 Multa de Ofício 77.457,05 47.853,44 Irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 301 a 323, alegando a inaplicabilidade do art. 2°-A, da Lei 9.494, de 1997 ao rito do Mandado de Segurança Coletivo, o caráter confiscatório da multa de oficio lançada e, quanto aos demais itens, repisa praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Deixa de se manifestar, entretanto, em relação à decadência reconhecida pela DRJ e à pretensa compensação do lucro inflacionário não realizado com os prejuízos fiscais que diz ter. Ao final, requer sejam aceitas as razões e provas apresentadas no recurso e que seja julgada improcedente a autuação É o Relatório. 6 Processo n° 19647 002081/2004-47 si-cm Acórdão n 1202-OG.342 Fl. 559 Voto Conselheiro Relator, Carlos Alberto Donassolo O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Dele tomo conhecimento. O presente processo trata de Auto de Infração do IRPJ lavrado para exigir o IRPJ apurado pelo lucro presumido, do 1° trimestre de 1999, pela não realização integral do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1998, no valor de R$ 4.37,104,32, ao proceder a mudança do regime de apuração desse imposto, de lucro real para lucro presumido. A controvérsia principal diz respeito em saber se o autuado encontra-se amparado por decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 93.0003603-5 impetrado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco - ADEMI/PE, cópias das decisões judiciais das fls. 401 a 405 e 407 a 411 O acórdão recorrido fundamentou sua decisão argumentando que referido Mandado de Segurança Coletivo foi impetrado em 29/04/1993 e que a autuada filiou-se à ADEMI-PE, em 16/08/1994, portanto, após a impetração da ação judicial, não podendo, por conseqüência, aproveitar-se dela. Embasa seu fundamento no art. r-A e seu parágrafo único da Lei n° 9,494, de 10 de setembro de 1997, incluído pela MB n° 1.798-1, de 1999, dispositivo que o recorrente entende inaplicável ao caso em razão da jurisprudência judicial que menciona. Inicialmente, cabe transcrever o art. 2"-A e seu parágrafo único, da Lei ri° 9.494, de 1997, na redação atual incluído pela MB n°2.180-35, de 2001: Art. 22--A. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória n°2.180-35, de 2001) Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e ,fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços. !Incluído pela Medida provisória n° 2.180-35, de 2001) (grifei) Da leitura do texto legal acima transcrito, verifica-se que nas ações de caráter coletivo, como é o caso do Mandado de Segurança Coletivo que aqui se trata, impõe-se como condição obrigatória para a propositura de ação contra a União da relação nominal dos seus associados e respectivos endereços, que deve acompanhar a petição inicial. /IN O exame da cópia da petição inicial do Mandado de Segurança em exame, de Es. 352 a 380, indica que o impetrante anexou relação das suas associadas a fim de cumprir as formalidades da lei, fls. 353. Entretanto, é incontroverso que o Mandado de Segurança Coletivo foi impetrado em 29/04/1993 e que a filiação da empresa autuada, à ADEMI-PE, somente ocorreu em 16/08/1994, fls. 414, portanto, após a impetração da ação judicial, o que me leva forçosamente a concluir que a recorrente não poderia fazer parte da relação nominal dos associados exigidos pelo citado dispositivo legal. Dessa forma, ao contrário do que defende, a empresa Vema Construções Ltda não pode se aproveitar da coisa julgada, porque não fazia parte do pólo ativo da lide quando da propositura da ação judicial. Nesse mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do MS 6.318/DF, Rel. Emin. Ministro Fernando Gonçalves, Terceira Seção, julgado em 25/08/1999, DJ 13/09/1999, p, 40, conforme se verifica na transcrição do seu ementário: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO, SINDICATO. SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL NECESSIDADE, INSTRUÇÃO. PETIÇÃO INICIAL RELAÇÃO NOMINAL. SINDICALIZADOS MP N"1.798-2 E REEDIÇÕES POSTERIORES LEI N" 9,494/97. ART I Nas ações coletivas propostas por entidade associativa, abrangidos os sindicatos, na defesa dos interesses e direitos de seus associados, contra órgãos da administração direta, autárquica e ,fiindacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, é necessária a instrução da petição inicial com a ata da assembléia que a autorizou e a relação nominal dos associados e indicação dos respectivos endereços, nos termos do art 2" da Lei n" 9.494/97, alterado pela Medida Provisól ia n" 1.798-2 e reedições posteriores. 2. Processo extinto Embora se reconheça a existência de entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em sentido contrário, este órgão de julgamento administrativo não tem competência para afastar a aplicação de dispositivo de lei, regularmente inserida no ordenamento jurídico e que se encontra em pleno vigor, esclarecendo-se que as decisões administrativas e judiciais trazidas no recurso somente valem entre as partes ali envolvidas, e aos casos nelas referidos, não podendo ser aplicadas ao caso em análise. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade. O dispositivo da lei, que exige a relação nominal dos associados na propositura das ações coletivas, seria anulado se negados seus efeitos pelo Tribunal Administrativo, a quem não cabe substituir o legislador nem usurpar de competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. Dessa forma, entendo que a recorrente não pode se aproveitar da coisa julgada nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 93,0003603-5 impetrado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco - ADEMI/PE, devendo ser mantida a decisão prolatada no acórdão recorrido. a Processo n" 19647 002081/2004-47 S1-C2T2 Acórdão n ° 1202-00342 Fl 560 Saliente-se, ainda, que a lavratura do Auto de Infração não constituiu nenhuma desobediência à ordem judicial, posto que em nenhuma das decisões judiciais referente à matéria houve manifestação do Poder Judiciário vedando a constituição do crédito tributário, O lançamento é atividade privativa da autoridade administrativa, vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 e seu parágrafo único do ci-N. Quanto à alegação da ilegalidade da incidência do IRPJ sobre as parcelas do lucro inflacionário apurado pelo contribuinte, por entender ser uma incidência sobre um lucro "irreal", cabe dizer que é incabível essa discussão, na esfera administrativa, da possível inaplicabilidade das normas regularmente inseridas no ordenamento jurídico, por ferir princípios constitucionais, como o da capacidade contributiva, da isonomia e do não confisco, tarefa privativa do Poder Judiciário, motivo pelo qual não deve se conhecer dessa matéria. Com efeito, a respeito de inconstitucionalidade de lei tributária, foi editada a Súmula CARF n° 2, aprovada nas sessões realizadas no dia 08 de dezembro de 2009, publicada no DOU de 22/12/2009, com o seguinte teor: Súmula CARFu s 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Também não há que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que não provada nenhuma violação das disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), Cabe também referir que a discussão das matérias relativas à decadência e da pretensa compensação com os seus prejuízos fiscais não foram trazidas para discussão no presente recurso voluntário, devendo esse assunto ser considerado definitivamente julgado, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235, de 03 de março de 1972 (PAF), Registre-se, por oportuno, que a própria DRJ fez os ajustes necessários no cálculo do imposto lançado ao excluir as parcelas mínimas de realização do lucro inflacionário, no período compreendido entre 01/01/1991 a 31/12/1998, em razão do transcurso do prazo decadencial, remanescendo, um saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar, no valor de R$ 279.218,34, conforme quadro da fl, 290. Por fim, quanto à inconstitucionalidade da multa de oficio aplicada, no percentual de 75%, em razão do seu caráter confiscatório, cabe dizer que essa matéria não foi trazida na peça impugnatória nem debatida no acórdão recorrido, motivo pelo qual não será conhecida no presente julgamento, por falta do necessário requisito do prequestionarnento. Em face do exposto, voto no sentido de que não se conheça das matérias que envolvam princípios constitucionais e da matéria que não foi prequestionada e, quanto ao mérito, que seja negado provimento ao recurso voluntário, ide Pc-nasso o 9
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Numero do processo: 10983.722368/2011-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 08/01/2007 a 29/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em alteração no critério jurídico quando, no auto de infração, considera-se ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de ter-se realizado com recursos de terceiros ou não.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/01/2007 a 29/06/2007
IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE/DESTINATÁRIO DA MERCADORIA. INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PREVISÃO LEGAL.
Por expressa previsão legal, respondem solidariamente pela infração cometida, o adquirente no mercado interno e o destinatário no mercado interno, nos casos de importação realizada por sua conta e ordem ou por encomenda.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 08/01/2007 a 29/06/2007
PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA.
Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 9303-007.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM VERSUS IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em alteração no critério jurídico quando, no auto de infração, considerase ter ocorrido uma importação por conta e ordem de terceiros e a decisão de primeira instância, uma importação por encomenda. A interposição fraudulenta de terceiros está associada à falsidade das informações prestadas pelo contribuinte/solidário à Secretaria da Receita Federal. Declarada como importação por conta própria, sobressai incontroverso que a operação não se processou nos moldes em que foi declarada, mas no interesse de outro, independentemente de terse realizado com recursos de terceiros ou não. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/01/2007 a 29/06/2007 IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. ADQUIRENTE/DESTINATÁRIO DA MERCADORIA. INFRAÇÃO. SOLIDARIEDADE. PREVISÃO LEGAL. Por expressa previsão legal, respondem solidariamente pela infração cometida, o adquirente no mercado interno e o destinatário no mercado interno, nos casos de importação realizada por sua conta e ordem ou por encomenda. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 08/01/2007 a 29/06/2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 23 68 /2 01 1- 21 Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 3 2 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. DANO AO ERÁRIO. PREJUÍZO EFETIVO. DEMONSTRAÇÃO. DESNECESSIDADE. INFRAÇÃO DE CONDUTA. Constitui infração por dano ao Erário a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação. A conduta é apenada com o perdimento das mercadorias, convertido em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A penalidade decorrente da infração por interposição fraudulenta coibe a conduta do administrado; não depende da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Votou pelas conclusões, quanto ao conhecimento, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Semíramis de Oliveira Duro (suplente convocada), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3402003.213, de 24 de agosto de 2016 (fls. 1794 1830 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que pelo voto de qualidade, negou provimento aos Recursos Voluntários. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração para imposição de multa isolada ao Contribuinte First S/A, por ocultação dos reais destinatários de mercadorias denominadas ”Preformas Pet” nas operações efetivadas no período de 08 de janeiro a 29 de junho de 2007. Em face da infração apontada no art. 23, V e parágrafos, do DecretoLei nº 1.455/1976, complementada por preceitos regulamentares, foi imputado ao Contribuinte First S/A, a penalidade no valor de R$ 4.054.954,88, equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, ante a impossibilidade de aplicação da pena de perdimento. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que o Contribuinte teve duas Declarações de Importação fiscalizadas em unidade de fronteira da Receita Federal do Brasil. No decorrer daquela fiscalização foram levantados indícios de que haveria a prática de ocultação dos reais adquirentes das mercadorias importadas pela interessada, pois as importações eram realizadas na modalidade “direta”. Foram tomados depoimentos dos intervenientes nas operações, transportador e despachante aduaneiro, bem como do próprio diretor da empresa. Também foram apreendidas mensagens eletrônicas que confirmaram as suspeitas iniciais. Assim, foi realizada fiscalização nas Declarações de Importação registradas pela interessada no período de 2007 a 2009. A descrição dos fatos do auto de infração foi assim resumida pela fiscalização em seu relatório fiscal: “Diante do relatado até aqui, podemos concluir que: Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 5 4 A FIRST S/A atuava como intermediária nas operações de importação de preformas PET, que são objeto desta fiscalização, ocorridas entre novembro de 2007 e junho de 2009. As preformas PET a serem importadas eram definidas, em quantidade e características, pelas empresas clientes da FIRST, no caso do presente auto, a empresa Uberlândia Refrescos. As empresas destinatárias das preformas PET mantinham contato direto com a empresa Cristalpet, inclusive definindo características das mercadorias a serem importadas. A empresa FIRST procurou ocultar da fiscalização, no decorrer tanto do procedimento especial de controle instaurado pela IRF/Santana do Livramento quanto no decorrer da presente fiscalização, que as preformas PET, por ela importadas, tinham destinatários predeterminados. A emissão de notas fiscais de venda para os reais adquirentes das preformas PET, antes mesmo da liberação das mercadorias pela alfândega, era uma prática recorrente da empresa, uma vez que os reais adquirentes já eram conhecidos pela FIRST antes mesmo da importação ocorrer. Os recursos utilizados nas operações de importação pertenciam, ao que tudo indica, à empresa FIRST S/A e eram reembolsados a ela, pelas reais adquirentes das mercadorias. A empresa FIRST S/A atuava como prestadora de serviços de importação para empresas que utilizavam preformas PET em seus processos produtivos, entre elas a Uberlândia Refrescos Ltda. Houve ocultação do real adquirente (comprador no exterior) das mercadorias importadas por meio das DI sob fiscalização. As operações realizadas pela FIRST, por suas características e, tendo em vista que a mercadoria a ser importada (quantidade, tipo, preço) era sempre definida, previamente, em negociação direta entre o adquirente das mercadorias (Uberlândia) e o exportador, se enquadram como importações por conta e ordem de terceiros.” Com relação às penalidades, assim, concluiu a fiscalização: Fl. 2129DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 6 5 “Diante de todo exposto no presente Relatório e nos documentos citados, concluise que: A empresa FIRST S/A efetuou diversas operações de importação de preformas PET (DI constantes na Tabela 1), onde declarava importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude. Neste auto, a empresa ocultada foi a Uberlândia Refrescos Ltda. Todas as operações de importação de preforma PET analisadas nesta fiscalização foram realizadas em nome da empresa Uberlândia Refrescos Ltda. A conduta da empresa FIRST S/A configura a prática de ato simulado, uma vez que o verdadeiro negócio jurídico realizado (prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiros) permaneceu oculto. Houve, em tese, utilização indevida de benefício fiscal relativo ao ICMS pelas empresas FIRST e Uberlândia Refrescos Ltda., o que configura fraude tributária. Restou demonstrado que a empresa FIRST S/A, mediante cessão de seu nome e seus documentos, importou preformas PET, na realidade, por conta e ordem da empresa Uberlândia Refrescos Ltda., sendo esta empresa acobertada das relações obrigacionais tributárias formadas. Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário das preformas PET importadas nas DI sob fiscalização (tabela 1), configurando a prática de OCULTAÇÃO DO REAL COMPRADOR E RESPONSÁVEL pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” Assim conclui a fiscalização: “Sendo assim e, tendo em vista que: 1. As mercadorias importadas não estavam mais na posse da importadora, uma vez que foram entregues às adquirentes; 2. As mercadorias foram importadas no período de julho de 2007 a agosto de 2009, para serem utilizadas no processo produtivo da adquirente; 3. Não haveria possibilidade de serem identificadas no estoque da adquirente (uma vez que incluída no estoque, não é possível diferenciar uma preforma PET importada numa data de outra importada numa outra Fl. 2130DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 7 6 ocasião, pelo fato de as mercadorias não terem uma identificação única e específica). Aplicase, então, a multa do art. 23, V, parágrafos 1° e 3° do DecretoLei 1455 de 1976. Resta esclarecer que, pela prática da infração descrita no artigo 23, inciso V, e parágrafos 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, respondem as empresas FIRST S/A e Uberlândia Refrescos Ltda., em virtude da responsabilidade estabelecida no DecretoLei nº 37, de 1966, com as alterações feitas pela Medida Provisória nº 2.158, de 2001. Finalmente, então diante dos elementos analisados acima, concluise que essa conduta dolosa resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, consubstanciando simulação para ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, caracterizando a ocorrência da infração descrita no art. 23 do DecretoLei n.º 1.455/76, além de restar comprovada a responsabilidade solidária da empresa Uberlândia Refrescos Ltda.” Cientificados do auto de infração, os Contribuintes First S/A e Uberlândia Refrescos Ltda. apresentaram suas respectivas impugnações. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgou improcedentes as impugnações apresentadas pelos Contribuintes. Irresignados com a decisão contrária aos seus pleitos, os Contribuintes First S/A e Uberlândia Refrescos Ltda. apresentaram seus recursos voluntários, o Colegiado pelo voto de qualidade, negou provimento aos recursos, conforme acórdão assim ementado, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/01/2007 a 29/06/2007 INFRAÇÃO ADUANEIRA. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A subsunção dos fatos à norma legal determina a caracterização da infração com consequente aplicação da penalidade prevista. Fl. 2131DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 8 7 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria importada caso tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida. INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. ARGUIÇÃO A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recursos Voluntários Negados. O Contribuinte First S/A interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1837 a 1852) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, por não ter sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Recurso Especial não foi admitido, conforme despacho de fls. 2098 a 2100. O Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda. opôs Embargos de Declaração às fls. 1896 a 1922, sendo que estes foram conhecidos e providos, a fim de que a Turma que o exarou o acórdão manifestasse, corrigindo e suprimindo, caso houvesse, as contradições e omissões (despacho às fls. 1930 e 1931). Em nova análise, a 2ª Turma da 4ª Câmara entendeu que o acórdão recorrido não possui os vícios de omissão, contradição ou obscuridade apontados pelo embargante, rejeitando os embargos (despacho de fls. 1937 a 1944). Fl. 2132DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 9 8 O Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda. também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1963 a 2021) em face do acordão recorrido negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à interpretação divergente da legislação tributária. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 3402002.275 e 3401003.248. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documentos de fls. 2024 a 2088. O Recurso Especial do Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda. foi admitido, conforme despacho de fls. 2101 a 2106, sob o argumento que a matéria discutida no acórdão recorrido e no acórdão paradigma são idênticas e que houve decisões divergentes proferidas pelo Colegiado. Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 2108 a 2113, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda. e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso interposto pelo Contribuinte Uberlândia Refrescos Ltda entendo que devo conhecêlo, eis que tempestivo e comprovada a divergência entre os arestos – acórdão recorrido e os indicados como paradigma. O que concordo com o exame de admissibilidade constante no despacho de fls. 2101 a 2106. Fl. 2133DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 10 9 Do mérito A discursão dos presentes autos se referem aos elementos necessários à caracterização de interposição fraudulenta. Depreendendose da análise dos autos do processo, entendo o que de fato o ocorreu foi importação por encomenda, e não por conta e ordem, bem como que há licitude dos recursos utilizados na importação – o que resta afastar qualquer caracterização de fraude, devendo ser cancelado o lançamento fiscal nela lastreado. Para melhor elucidar o meu entendimento, peço licença para transcrever o voto irretocável, voto vencedor do nobre ex conselheiro João Carlos Cassuli Jr, acórdão n.º 3402002.275: Para dar vasão a incumbência que me foi atribuída, relativa à redação do voto vencedor do julgamento ocorrido para estes autos, constato, inicialmente, que a contenda emerge da acusação fiscal de “interposição fraudulenta”, com fundamento no art. 23, inciso V, do DecretoLei n° 1.455/76, com as alterações trazidas pelo art. 59, da Lei n° 10.637/2002, e ainda, com imputação de responsabilidade solidária aos supostos reais adquirentes, que teriam sido fraudulentamente ocultados, com embasamento legal no art. 95, inciso V, do DecretoLei n° 37/66. Tais dispositivos, por constituíremse na “espinha dorsal” do ato administrativo e lhe conferirem a indispensável legalidade, merecem ser reproduzidos: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) – Grifouse. Fl. 2134DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 11 10 Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal parte da análise importações realizadas pelo contribuinte FIRST S.A., e que acabou lhe imputando as seguintes condutas: (a) Efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude; (b) As operações foram realizadas, de fato, em nome dos terceiros; (c) Praticou ato simulado, de venda no mercado interno, ocultando o verdadeiro negócio, que era a prestação de serviços de importação por conta e ordem de terceiro; (d) Utilizou indevidamente benefício fiscal de ICMS concedido pelo Estado de Santa Catarina; (e) Cedeu nome e documentos para os terceiros, reais importadores por conta e ordem, e que acobertaram relações obrigacionais de prestações de serviços e não de compra e venda; (f) “Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário [dos bens] nas DI sob fiscalização, configurando a prática de ocultação do real comprador e responsável pelas operações de importação, mediante fraude e simulação.” As condutas imputadas à FIRST justificaram a autuação pela prática de “interposição fraudulenta” de terceiros (art. 23, inciso V, do DL 1.455/76), e como as mercadorias já não mais existiam, na maioria dos casos houve a Fl. 2135DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 12 11 aplicação da pena de multa substitutiva da pena de perdimento, no percentual de 100% do valor aduaneiro da mercadoria. Tenho, porém, que alguns elementos iniciais, a guisa de premissas, devem ser perquiridos antes que se possa chumbar definitivamente o acerto ou desacerto do ato fiscal, ou a lisura ou o deslize da conduta do contribuinte, até porque aqui estamos cuidando de uma questão capital, de expropriação do patrimônio do particular em virtude de uma acusação de fraude e simulação, que deve, antes de mais nada, estar suportada em prova robusta e inquestionável, convenhamos. Está claro que o ato fiscal, ao imputar as condutas de ocultação do real adquirente a empresa FIRST S/A, desqualificou a “importação direta” para importação “por conta e ordem de terceiro”, e ao qualificar o ato como sendo “simulado”, foi textual em dizer que o ato simulado foi a compra no mercado externo com a subseqüente venda no mercado interno (da FIRST – importadora , para o terceiro real adquirente: ATO SIMULADO; para FIRST prestadora de serviços de importação por conta e ordem, para real adquirente, tomador de serviços e real importador: ATO DISSIMULADO). Daí porque é indispensável para que esteja presente o instituto da “simulação”, que tenha concretamente havido o negócio jurídico simulado, o qual foi claramente apontado, qual seja: prestação de serviços de “importação por conta e ordem”. Sabemos que em matéria de comércio exterior existem três modalidades de importação, a saber: direta, por encomenda, e por conta e ordem. Os ilustres Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em trabalho inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”, conceituam as três modalidades de importação, nos seguintes termos: “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, Fl. 2136DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 13 12 com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato Fl. 2137DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 14 13 entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)”1 Quanto a importação direta, não há dúvidas. Ela é a clássica, na qual o importador importa para si próprio ou para seu consumo ou revenda. Ele assume todos os riscos e procedimentos e usa ou revende o produto. Não há participação de terceiro. Nesse caso, é típico que ocorram dois fatos geradores dos diversos tributos, aqueles incidentes no desembaraço aduaneiro relativos a importação e os outros na operação de venda no mercado interno. Já no que diz respeito às outras duas modalidades, e agora buscando no próprio sítio na internet, vemos que a Receita Federal do Brasil distingue claramente as modalidades de importação “por encomenda” daquela “por conta e ordem”, de modo que, positivamente, são modalidades diversas, sendo que as mesmas se desigualam pelo fato de que, realmente, na modalidade “por encomenda”, o encomendante até pode escolher a mercadoria e mesmo participar de atos de negociação (conforme regra legal abaixo referenciada), mas há também duas operações, uma de importação, pelo importador, e outra de venda, deste para o encomendante, e nesse caso, Fl. 2138DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 15 14 quem assume todos os riscos da importação, tais como o pagamento do preço pela importação, riscos cambiais (oscilações etc.), é o importador e não o encomendante. Já na importação “por conta e ordem”, tratase de mera prestação de serviços, não havendo “operação de venda no mercado interno”, e quem assume o risco da operação é o ordenante, por conta de quem a operação se realiza. A análise dos emails que constam dos autos, dá conta de que os “supostos reais adquirentes” tiveram, uns mais e outros menos, algum conhecimento das negociações mantidas entre a FIRST e os exportadores sediados no exterior. Tal situação, a meu ver, caracteriza a hipótese do art. 11, §3°, da Lei n° 11.281/2006, pelo qual: “A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem .... participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior”. Esse preceito legal, em cotejo com a prova dos autos, colhida pela fiscalização, não firma a existência de importação “por conta e ordem”, mas antes afasta acusação de fraude ou simulação, firmando, a meu sentir, a certeza da existência, na pior (ou melhor) das hipóteses, de importação “por encomenda”. No que diz respeito ao benefício do ICMS no Estado de Santa Catarina, relendo a legislação que implementou o denominado “Pró Emprego” , não identifiquei nenhum condicionante que para usufruir do incentivo fiscal as importações devessem ser realizadas obrigatoriamente apenas por uma ou algumas dessas modalidades de importações (direta, por encomenda ou por conta e ordem); e, ainda, havia o benefício na revenda de mercadoria, mesmo para compradores fora do Estado, e não apenas para aqueles sediados em SC. Tais aspectos, no meu entendimento, acabam por retirar o possível interesse e até sentido lógico de se fraudar ou simular para ocultar o real adquirente, de modo que a questão do benefício do ICMS tornase Fl. 2139DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 16 15 fator irrelevante para o deslinde da causa e para sustentar a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário, porque não se presta para servir de “motivo” de eventual simulação ou fraude. Outro aspecto incontroverso dos autos que entendo relevante para a conclusão, é o fato de que sempre quem efetivou o pagamento pelas importações foi a FIRST S.A. (fechamento de câmbio), e, portanto foi ela que assumiu os riscos da operação de importação (oscilações cambiais), subsequentemente emitindo nota fiscal de venda do produto para os “supostos reais adquirentes”. O fato de tais “supostos reais adquirentes” saberem os produtos que iriam adquirir, denota que tal operação poderia ser da modalidade “por encomenda”, mas jamais que se enquadraria na modalidade que foi capitulada pela autoridade fiscal, que foi taxativa em dizer tratarse de operação “por conta e ordem“ (§3°, do art. 11, da Lei 11.281/06). Tal fator recebe destaque pelos ilustres Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, no já citado artigo, ao concluírem sua exposição sobre a modalidade de “importação por encomenda”, diferenciandoa da “por conta e ordem”, a saber: “Com efeito, cumpre desde já salientar que o artigo 12 da IN SRF 247/02 estabelece que, SE nas operações de importação houver utilização de recursos de terceiros, poderá ser presumida a operação ‘por conta e ordem de terceiros’ o que implicaria o suposto ilícito de interposição fraudulenta de terceiros.” – grifouse. Vejase que a operação de importação não pode ser por conta OU ordem. Deve ser por conta E ordem, de modo que o elemento pagamento é fundamental para qualificar essa espécie de importação, e sendo o pagamento feito pela importadora, com recursos próprios, a importação será ou direta ou por encomenda, não havendo espaço para a importação por conta e ordem. Não se poderia ter olvidado que os recursos sempre foram da Fl. 2140DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 17 16 FIRST S/A, e, portanto, a operação não seria por conta e ordem, mas quando muito “por encomenda”. Isto está claro inclusive na decisão da DRJ, que reconhece esse fato, mas relevam pelo fato de que, de todo modo, teria havido o fato “ocultação”. O mesmo se dá com a sentença prolatada pelo Excelentíssimo Magistrado Gaúcho, que concedeu parcialmente a segurança para algumas DI’s na fronteira daquele estado, que reconheceu textualmente tratarseia de operação de “importação por encomenda”. E esse reconhecimento (que estamos diante de uma operação “por encomenda” e não de uma importação “por conta e ordem”), no meu entendimento, se afigura fundamental para o deslinde da questão pelo fato de que, não basta a “ocultação pura e simples”, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76. O conceito de fraude, dado pelo artigo 72, da Lei 4.502/644, em cotejo aos fatos dos autos, deixa claro que aqui não se está diante da hipótese de fraude, pois que não se impediu ou retardou o fato gerador e nem se excluiu ou modificou suas características essenciais, pois que não se deixou de recolher os tributos nas operações. Portanto, como bem sustentado pelo fiscal autuante, se trataria de simulação, cujo ato simulado teria sido a importação direta, e o ato dissimulado teria sido a “prestação de serviços” inerente à importação por conta e ordem. Se, porém, a importação não se qualifica legalmente como “por conta e ordem”, como reconhece a própria DRJ e mesmo os diversos elementos dos autos, e quando muito se qualificaria como “por encomenda”, que na verdade gera uma venda no mercado interno – tal e qual foi retratado nos documentos fiscais (o que põe em questionamento inclusive a máfé que está ínsita na acusação fiscal) – não há como se extrair ou caracterizar a simulação. Até pode ter havido “ocultação”, mas não há “simulação”, pois Fl. 2141DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 18 17 que o ato dissimulado, que era a “prestação de serviços” inerentes a importação “por conta e ordem”, inexistente no caso. Não havendo simulação e nem fraude, não se preenche a hipótese legal do art. 23, V, do DecretoLei n° 1.455/76, e, consequentemente, não deve subsistir o lançamento em questão. De qualquer forma, ainda que viesse a ser superada esta situação, quanto a responsabilidade solidária, do mesmo modo e pelos mesmos motivos, também não há como persistir, pois que, nos termos do art. 95, V, do DecretoLei n° 37/66, reportasse especificamente à imputação de responsabilidade solidária em caso de importação por conta e ordem, e não para os casos de importação por encomenda, caso que aqui está incontroverso que é a hipótese que realmente se molda ao fatos ocorridos. Deste modo, mesmo que se resolva manter a autuação pelo fato de que houvesse ocultação, embora da pessoa do encomendante (o que seria inadmissível, pois que no meu ver estarseia alterando o fundamento jurídico e a capitulação legal do lançamento e o motivo do ato tido por dissimulado), ainda assim, não se poderia estender a responsabilidade solidária por analogia, pois sabidamente a solidariedade não se presume. No entanto, a análise de mérito, atinente à inexistência de ato dissimulado à fazer contraponto à simulação, e eu leva à inexistência de ato simulado, consequentemente, já são plenamente suficientes para que se conclua pela impossibilidade de manutenção do lançamento tributário, pois que não se consumou a hipótese legal que dá sustentação ao ato administrativo pertinente. Com efeito, com a vênia ao ilustre relator, acabo por divergir seu brilhante voto, e, consequentemente, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelandose a autuação, nos termos do que acima restou exposto. Fl. 2142DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 19 18 Como dito acima, a importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada em contrato firmado entre ambas as empresas (a importadora e a encomendante). Em resumo, o importador adquire a mercadoria no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante. Assim, para o importador contratado, a operação tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação por conta própria. Em última análise, embora exista a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é o importador que deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação e, de forma semelhante, e o encomendante que deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. A despeito de a fiscalização ter enquadrado as operações de importação realizadas pela First como importação por conta e ordem, há manifestação expressa no Relatório de Ação Fiscal de que os recursos financeiros utilizados pela importadora eram próprios. Ora, se é verdade que a First dispunha de recursos próprios para dar curso às operações de comércio exterior que foram objeto da autuação ora discutida, isso já seria suficiente para afastar o enquadramento da fiscalização, eis que, como visto, a importação por conta e ordem pressupõe que os recursos empregados nas operações dessa natureza tenham origem alheia ao importador. Quando os recursos pertencem ao próprio importador, ou a importação é direta ou é por encomenda. O fato de a First emitir notas fiscais de venda à Uberlândia Refrescos Ltda. antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas não tem qualquer relevância para fins de caracterização da importação por conta e ordem, se a própria fiscalização admitiu que os recursos eram da First. Fl. 2143DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 20 19 Cabe trazer que ainda que a First não tenha declarado as operações de importação de forma regular, considerando que tinha de antemão conhecimento de que as mercadorias importadas seriam vendidas à Uberlândia Refrescos Ltda, não confere a caracterização de fraude – mas apenas atesta que que descumpriu a obrigação de declarar as operações como importação por encomenda, nos termos do art. 11 da Lei 11.281/06 e da IN SRF nº 634/06: “Lei 11.281/06 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presume se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” “IN 634/06 Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 21 20 § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 22 21 Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.” In casu, resta, assim, claro estarmos diante de uma operação por encomenda. No que tange às operações alegadamente simuladas pela autoridade fazendária vendas realizadas entre a First e a Uberlândia Refrescos Ltda, temse que não devem ser consideradas simuladas, eis que as vendas declaradas inequivocamente foram realizadas. Sendo assim, depreendendose da análise dos fatos, não há como caracterizar a operação ora em discussão como fraude e simulação. O que, por conseguinte, entendo que se deve afastar a imputação da multa pecuniária prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e alterações posteriores, pois no presente caso, não houve fraude ou simulação. Ademais, de acordo com os dispositivos citados, vêse claro que a aplicação da penalidade está vinculada a comprovação de fraude ou simulação, devendose manter afastada qualquer presunção dessas intenções. Por fim cabe ainda discorrer que para a autoridade fazendária, a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, foi a Recorrido – que, por sua vez, segundo essa autoridade, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Não obstante, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão do fornecedora das mercadorias, a Recorrida é adquirente de boafé, realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Aqui, a intenção que motiva a empresa Uberlândia Refrescos Ltda, ao comprar as mercadorias da empresa FIRST S/A é econômicofinanceiro, uma vez que, Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 23 22 conforme constatado pela própria fiscalização, esta última empresa goza de benefícios fiscais de ICMS no Estado de Santa Catarina, benefício este que é conhecido como PRÓEMPREGO, capitulado na Lei Estadual nº 13.992/07. Referida questão, legitimidade ou não do benefício fiscal em comento, é um problema dos Estadomembros da Federação e que, no presente caso, não serve para prejudicar a Recorrente, mas sim para beneficiála, já que demonstra a real intenção das partes envolvidas nesta operação, que apresenta notória índole econômica e não fraudulenta. Logo, tenho para mim que as questões aqui postas afastam a intenção dolosa na prática de pretensa ocultação de real importador. Vêse que não houve nenhuma intenção de a Recorrida se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida gera a presunção de boafé do adquirente. Da Responsabilidade Continuando, tendo em vista que o recurso interposto pela Uberlândia Indústria e Comércio Ltda a trouxe a discussão acerca da responsabilidade solidária, passo a tratar dessa matéria. Pelas razões descritas anteriormente, já é possível afastar a discussão acerca da responsabilidade solidária. Mas, para melhor elucidar, ser condizente tal afastamento, é se de recordar que a autoridade fazendária trouxe a alegação de que teria havido interposição nas operações de importações, na medida em que todos os produtos acobertados pelas DI’s examinadas teriam sido direcionados para adquirentes predeterminados, dentre eles, a recorrente. Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 24 23 Para a autoridade fazendária, a adquirente das mercadorias importadas, objeto da DI, foi a recorrente – que, por sua vez, segundo essa autoridade, pretendia se manter acobertada nas importações em questão e, assim, se eximir das obrigações tributárias principais e acessórias, dentre elas a de se submeter a procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, bem como, de outra ponta, se beneficiar de incentivo fiscal estadual conferido pelo Estado de Santa Catarina. Não obstante, no caso vertente, a situação é diversa, pois, independentemente da conduta ou pretensão do fornecedora das mercadorias, a recorrente é adquirente de boafé. Realizou compras de mercadorias de empresa regularmente instalada no país, mediante nota fiscal – o que foi comprovado nos autos. Vêse que não houve nenhuma intenção de a recorrente se ocultar na operação, vez que mantinha comunicação constante, até mesmo formal, diretamente com a fornecedora. O que, tal ato, já se direcionaria para infirmar a sua boafé. Ora, a aquisição no mercado interno de mercadoria importada, mediante nota fiscal emitida por firma regularmente estabelecida, gera a presunção de boafé do adquirente. Sendo assim, considerando o mérito já tratado anteriormente, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Uberlândia Refrescos Ltda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Peço vênia à i. Relatora do processo para expor as razões pelas quais divirjo da decisão que propunha à solução da lide. Discutese exigência de multa por infração prevista no artigo 689, inciso XXII, § 1º, do Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759/09 matriz legal Lei nº 10.637/02. Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (...) § 6o Para os efeitos do inciso XXII, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, § 2o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). Como já tive a oportunidade de expressar em outras oportunidades, entendo que a conduta apenada está identificada no texto legal como ato de ocultação (i) do sujeito Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 26 25 passivo, (ii) do real vendedor, (iii) comprador ou (iv) de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive, interposição fraudulenta de terceiros. A não comprovação da origem dos recursos empregados na atividade faz presumir a ocorrência da infração. Quanto a isso, abrese parênteses para esclarecer que o § 6º apenas introduziu uma presunção legal do ato ilícito. Não exsurge dele infração diferente da prevista no inciso V do artigo 23 do Decretolei 1.455/76 (redação do art. 59 do Lei 10.637/02). Em outras palavras, não há que se falar em "interposição presumida" e "interposição comprovada". A infração é uma só, os meios de comprovála são muitos. Antes de adentrar ao caso concreto, importa fazer uma breve digressão histórica em torno do assunto. Ainda antes que fosse instituída pena específica para interposição fraudulenta de terceiros, os efeitos tributários das operações praticadas nessa modalidade negocial começaram a ser disciplinados. Por força do disposto no art. 77 da Medida Provisória nº 2.158 35/01, o adquirente da mercadoria importada por conta e ordem de terceiro foi revestido da condição de responsável/solidário pelo imposto e pelas infrações praticadas. Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário: (...) III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Foi também equiparado a estabelecimento industrial, tornandose contribuinte de direito do Imposto sobre Produtos Industrializados. Outrossim, foramlhe Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 27 26 aplicadas as normas de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins próprias do importador. Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Com fundamento no art. 80 da MP nº 2.15835/20011, a Secretaria da Receita Federal definiu requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro. A Instrução Normativa 225/022 estabeleceu regras claras e rígidas para consecução do negócio. Esclareceu que a operação por conta e ordem de terceiro era aquela promovida em nome da pessoa jurídica para mercadoria adquirida por outra, mediante contrato previamente firmado. As informações a respeito da operação deveriam, obrigatoriamente, retratar a realidade, sob pena de perdimento das mercadorias importadas. Foi dois meses depois da IN SRF 225/2002 que a Lei 10.637/02 alterou o artigo 23 do Decretolei 1.455/76, criando pena específica para a interposição fraudulenta. 1 Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. 2 "Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Entendese por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. (...) Art. 4º Sujeitarseá à aplicação de pena de perdimento a mercadoria importada na hipótese de: I inserção de informação que não traduza a realidade da operação, seja no contrato de prestação de serviços apresentado para efeito de habilitação, seja nos documentos de instrução da DI de que trata o art. 3º (art. 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966); (...)" Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 28 27 Mais tarde, a Lei 10.833/20033 trouxe para o campo de incidência do imposto de importação a mercadoria objeto da pena de perdimento não localizada, consumida ou revendida. Em 20/02/2006, a Lei 11.281/2006 previu nova modalidade de importação, denominada importação por encomenda4. A Instrução Normativa SRF nº 634/20065 definiu as regras a serem observadas neste tipo de operação. Como se vê, a opção pela importação por conta e ordem ou por encomenda traz relevantes requisitos e consequências: (i) obrigação de informar previamente à RFB a escolha dessa modalidade negocial, (ii) prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; (iii) sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002; (iv) responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; (v) responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às 3 Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 1º ........................................................................... ........................................................................... § 4º O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (...) III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida." (NR) 4 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1º deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) 5 Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 29 28 infrações aduaneiras; (vi) sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; (vii) sujeição ao pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A toda evidência, se se pretende discutir a imputabilidade da pena àquele que incorre na conduta especificada em lei, é preciso ficar claro que o debate não se encerra na prescrição geral e abstrata encontrada no inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro. Requer que todo o esforço normativo empreendido pelo poder público para coibir conduta lesiva ao interesse comum seja levado em consideração. A fim de alcançar o adquirente ou encomendante da mercadoria importada por sua conta e ordem, sujeitandoo às mesmas normas e condições próprias do importador, e evitar que o papel de cada interveniente fosse dissimulado, foram definidas regras inflexíveis para atuação das empresas prestadoras de serviço de importação e importadoras por encomenda. Com base nisso, parecenos sempre despropositada a discussão acerca da qualificação do ato ou da extensão dos efeitos dele decorrentes. O regramento definido para operações com esta formatação deixa nítido a intenção de coibir a forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo, sem a necessidade que se aponte o prejuízo causado ou que se comprove a presença do elemento volitivo nos atos praticados. E, de fato, há muito as operações "triangulares" no âmbito do comércio exterior afetam decisivamente a condição da fiscalização tributária na identificação da pessoa com capacidade contributiva para responder pelos tributos devidos; assim como na indicação, com segurança, do enquadramento da operação nas regras de incidência nãocumulativa de impostos e contribuições; na definição da base de cálculo desses gravames; na avaliação da pertinência da aplicação de preço de transferência; determinação do valor aduaneiro das transações etc. Pelo menos em tese, há inúmeras vantagens na prática de operações comércio exterior mediante a interposição ilícita de pessoas como: (i) burla aos controles da habilitação para operar no comércio exterior; (ii) blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; (iii) quebra da cadeia do IPI; (iv) sonegação de PIS e Cofins relativamente ao real adquirente, (v) lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, (vi) aproveitamento indevido de incentivos Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 30 29 fiscais do ICMS. Isoladamente, para cada uma dessas situações há normas jurídicas aptas a sancionar o ato ilícito; contudo, o mais das vezes, a demonstração da finalidade pretendida pelo infrator ou mesmo do dano efetivo é improvável ou mesmo impossível, até porque a modalidade negocial de que se trata é particularmente suscetível à orquestração de papeis. Foi por essa razão que as regras de conduta foram definidas com o rigor que se observa. O ponto de partida dessa regulamentação foi a interpretação que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deu ao disposto no artigo 31 do DecretoLei nº 37/66 que, como se sabe, especifica como contribuinte do imposto de importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional6. Conforme entendeu (Parecer PGFN CAT 1.316/01), o contribuinte do imposto é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importadas, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência, os procedimentos fiscais levados a efeito no âmbito da RFB passaram a indicar, como importador, a pessoa informada como tal nas declarações de importação, mesmo que, na ótica de uns ou de outros, um terceiro fosse quem, verdadeiramente, "promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional". No mesmo esteio, criaramse instrumentos legais capazes de resguardar os interesses do Erário, por meio das equiparações e condições para as operações por conta e ordem e por encomenda. A falta de informação fidedigna, pelo potencial lesivo que representa, foi tratada como infração gravíssima, sujeita à pena de perdimento dos bens, por dano ao Erário. Cumpre mencionar que não há inovação na graduação da pena associada à conduta do agente. A observação das demais hipóteses de infração por dano ao Erário previstas na legislação aduaneira evidencia essa prática. CAPÍTULO II DO PERDIMENTO DA MERCADORIA Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto 6 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 31 30 Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) II incluída em listas de sobressalentes e de provisões de bordo quando em desacordo, quantitativo ou qualitativo, com as necessidades do serviço, do custeio do veículo e da manutenção de sua tripulação e de seus passageiros; III oculta, a bordo do veículo ou na zona primária, qualquer que seja o processo utilizado; IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; V nacional ou nacionalizada, em grande quantidade ou de vultoso valor, encontrada na zona de vigilância aduaneira, em circunstâncias que tornem evidente destinarse a exportação clandestina; VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso VI, possuída a qualquer título ou para qualquer fim; VIII estrangeira, que apresente característica essencial falsificada ou adulterada, que impeça ou dificulte sua identificação, ainda que a falsificação ou a adulteração não influa no seu tratamento tributário ou cambial; (...) XI estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artifício doloso; XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 32 31 (...) XVII estrangeira, em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre que a conduzir for desviado de sua rota legal, sem motivo justificado; (...) XIX estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; XX importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa, na forma da legislação específica; XXI importada e que for considerada abandonada pelo decurso do prazo de permanência em recinto alfandegado, nas hipóteses referidas no art. 642; e XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Como é fácil perceber, grande parte das infrações identificadas como dano ao Erário tem pouca ou nenhuma relação direta com o efetivo prejuízo aos cofres públicos. São infrações de conduta, se não vejamos: mercadoria (i) Em listas de sobressalentes (...) quando em desacordo com as necessidades do serviço; (ii) oculta, a bordo do veículo; (iii) destinadas à exportação clandestina; (iv) quando o documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado; (v) em trânsito no território aduaneiro, quando o veículo terrestre (...) for desviado de sua rota legal (vi) estrangeira, atentatória à moral, aos bons costumes, à saúde ou à ordem públicas; (vii) importada ao desamparo de licença de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa (...) e outras. O saudoso Ministro Teori Zavascki, quando ainda Ministro do Superior Tribunal de Justiça, proferiu relevante manifestação sobre o tema, em decisão tomada nos autos do recurso especial nº 954.526 PR (2007/01166420): Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 33 32 No que diz respeito ao dano, destaco que a pena de perdimento, visa resguardar não apenas o interesse financeiro do Fisco, mas também regular as relações de comércio exterior e proteger a indústria nacional. Se o perdimento não prescinde da demonstração do dano para sua aplicação, não é menos verdade que, por vezes, o dano está caracterizado pela dificuldade imposta pela conduta do importador à fiscalização aduaneira, cuja incumbência é, por norma constitucional, da Receita Federal. Convém destacar, ainda, que, não embarcado o restante da mercadoria, poderia ela ser vendida no mercado interno, sem a incidência de tributos, propiciando riquíssimo ganho às apelantes. O dano ao erário, assim, seria inconteste, porque, com os benefícios fiscais (através da simulação de exportação), a apelante deixaria de recolher os tributos devidos (II, ICMS, dentre outros), fato que repercutiria na formação dos preços ao consumidor. (grifos meus) Percebese na conjugação dos verbos grifados no texto especial atenção ao dano potencial das circunstâncias descritas. Não há menção a prejuízo causado, mas ao risco que a conduta em si representa. Com base em todas as considerações precedentes, concluise que as regras de conduta definidas pelo Poder Público para a atuação de empresa importadora por conta e ordem ou por encomenda e a própria infração por interposição fraudulenta, que as integra, constituem elemento essencial de controle das operações de comércio exterior. Condicionar a imputação de pena à demonstração do efetivo prejuízo ou a demonstração do elemento volitivo subtrarlheia a própria essência instrumental, como meio apto a viabilizar o monitoramento fiscal dos atos praticados pelo particular. Feitas as considerações preambulares, passo ao exame do caso concreto. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância Não pode prosperar o argumento de que houve alteração de critério jurídico em decorrência da alegada revisão do enquadramento dos fatos apurados pelo Fisco, já por Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 34 33 ocasião da decisão de primeira instância, que considerou que a operação estaria melhor enquadrada como importação por encomenda e não importação por conta e ordem, como entenderam os AuditoresFiscais autuantes. Em consonância com os fundamentos até aqui declinados, demonstrase absolutamente irrelevante o fato de a simulação ter origem em operação realizada por encomenda de outro ou por conta e ordem daquele. De fato, o elemento nuclear da simulação encontrase na confrontação entre a operação declarada ao Fisco, que foi de importação por conta própria, e operação efetivamente levada a efeito pelo contribuinte, que, conforme demonstrado nos autos, não pode ser reconhecida como tal. É de interesse secundário o enquadramento das operações como tendo sido realizadas por encomenda ou por conta e ordem de terceiros. O que importa saber é se a conduta declarada pelo contribuinte é ou não condizente com aquilo que foi apurado e comprovado pela Fiscalização Federal. No caso concreto, não era. Disso decorre a prática de conduta passível de ser apenada pela aplicação do disposto na legislação retrocitada. Sob outra perspectiva, é possível dizer que a infração, por ocultação ou por interposição, nada tem a ver com o título sob o qual darseia a importação se tivesse sido corretamente declarada: se por encomenda ou por conta e ordem. A infração é declarar como sendo por conta própria, operação realizada por conta e ordem e/ou por encomenda de outro, ocultando, por interposição, a pessoa jurídica que estava por trás das transações. Preliminar de nulidade do auto de infração Também não socorre à autuada a preliminar de nulidade do auto de infração controvertido no processo. Como é de sabença, como regra geral, são nulas apenas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa ou lavradas por servidor incompetente. A reclamante protesta pela ausência de indicação do enquadramento legal que estabelece a solidariedade do encomendante. Ora, não há evidência de que isso tenha criado algum tipo de entrave ao pleno exercício da defesa. É de conhecimento geral que há previsão legal estabelecendo responsabilidade solidária também para encomendante, como evidenciado linhas acima. Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 35 34 Se os fatos narrados pelo Fisco permitem a clara compreensão dos eventos considerados como tendo sido praticados irregularmente, não será nem a releitura de seu enquadramento legal e muito menos a falta de indicação do dispositivo previsto em lei que acarretaria a nulidade do procedimento. Cabe ao contribuinte demonstrar que os fatos apurados pela Fiscalização Federal não aconteceram ou não foram praticados em detrimento da legislação tributária. O lapso do qual não se extrai consequência prática não importa em nulidade do auto de infração. Mérito No caso concreto, as evidências descritas no acórdão recorrido não deixam margem para dúvidas da importação de mercadorias, pela First, previamente destinadas à empresa Uberlândia Refrescos Ltda . Observese (efolhas 1.813 e segs). 1) O Fisco identificou a existência de emissão de Notas Fiscais, na mesma data de liberação das mercadorias pela Alfândega, configurando que as mercadorias importadas já estavam com a destinação para a Uberlândia Refrescos. Vejase trechos do RAF (fl. 20): "(...) Conforme demonstrado na Tabela 2.1, verificamos que o fato ocorrido com relação às datas de emissão das notas fiscais de saída e de entrada durante o procedimento especial de controle acima relatado, longe de ser um engano da empresa FIRST, é uma prática corrente da empresa. Os dados das citadas tabelas revelam que as notas de saída (venda) para as quatro empresas acima relacionadas eram emitidas, em regra, na mesma data da liberação das mercadorias na fronteira, sendo a emissão das notas de saída sempre em ato contínuo à emissão das notas fiscais de entrada. Ora, a empresa FIRST “vendia” as preformas PET antes mesmo de elas terem sido nacionalizadas e, portanto, estarem aptas a entrar em seu estoque. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 2.1 tinha como destinatário predeterminado a empresa Uberlândia Refrescos". 2) A Fiscalização identificou a ligação documental para amparar a logística da importação e transporte de mercadoria, vinculado as importações ao transporte e a emissão de documentos fiscais, conforme se verifica no trecho abaixo extraído do RAF (fl. 22): Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 36 35 "(...) O transporte das mercadorias era fracionado. A mercadoria era liberada em partes. Cada parte completava a carga de uma carreta e para cada parte era emitida uma nota fiscal de entrada e uma nota fiscal de saída. Cada nota fiscal de entrada emitida tem sua correspondente nota fiscal de saída, o que comprova o fato, relatado no item 5.2.6 abaixo, de que as notas fiscais de entrada e saída eram apenas trocadas, quando do transporte destas mercadorias até o destinatário final. Então, a cada nota fiscal de entrada corresponde uma nota fiscal de saída de mesma data de emissão que relaciona exatamente as mesmas mercadorias (mesma descrição e mesma quantidade). Isso pode ser constatado na Tabela 2.1 que relaciona, para cada processo de importação, o número das notas fiscais de entrada lado a lado com o número da correspondente nota de saída. Tais notas podem ser conferidas no arquivo DOCSUBERLANDIA, que contém os documentos emitidos para cada processo de importação, separados por processo (ou seja, DI, fatura comercial, notas fiscais de entrada, notas fiscais de saída). Para cada processo de importação foi feita vinculação, documento a documento. Eram emitidas para cada processo, uma nota fiscal de entrada global que relaciona todas as mercadorias daquele processo/DI e várias notas fiscais de entradas parciais emitidas para acompanhar os transportes parciais (transporte fracionado). A nota fiscal de entrada global traz todas as informações do processo (seu código IMPXXXXXX, o número da DI, o número da fatura comercial (invoice)) e cada nota fiscal de entrada parcial traz, em seu corpo, o número da nota global. Importante notar também que, para controle da FIRST e do real adquirente da mercadoria, no corpo da nota fiscal de saída, além do número identificador do processo ao qual pertenciam as mercadorias, consta o número da fatura de importação da mesma, emitida pelo exportador no exterior". 3) O Fisco demonstra com detalhes a vinculação entre as Declarações de Importação DI e as Notas Fiscais de Saída, comprovando a vinculação das importações a venda realizada à Uberlândia Refrescos Ltda, confirmando que as importações foram realizadas para serem entregues a Uberlândia (fls. 23/24 do RAF). Vejase: "(...) Da análise das informações contidas nas DI sob análise e nas notas fiscais de saída, observamos que há uma vinculação qualitativa e quantitativa entre as mercadorias de uma DI e mercadorias das notas fiscais de saída Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 37 36 respectivas, ou seja, uma DI que importou um número determinado de preformas PET terá toda essa quantidade de preformas vendida para um único destinatário por meio de uma ou mais notas fiscais de saída.Tabela 3 resume os dados referentes às importações realizadas extraídos do SISCOMEX (informações das DI), das Notas Fiscais de entrada e saída apresentadas pela empresa, da contabilidade (apresentada em meio magnético), e das informações dos pagamentos referentes às vendas dos produtos importados e dos contratos de câmbio, também apresentadas pela empresa. A Tabela 3 mostra as 16 operações realizadas pela FIRST no período de 01/01/2007 a 30/06/2007 como importador direto de garrafas PET, onde as mercadorias importadas foram destinadas à Uberlândia Refrescos. Cada importação realizada é destinada a apenas uma empresa (Uberlândia) em sua totalidade. Este fato é verificado comparando a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias constante de cada DI com a quantidade total e o tipo (descrição) das mercadorias nas notas fiscais de saída, sempre iguais, assim como destinadas a um único cliente. Esta vinculação entre quantidade de mercadorias de uma DI e suas notas fiscais de saída pode ser verificada na tabela 3, onde a vinculação entre DI e notas fiscais de vendas correspondentes (que deram saída às mercadorias importadas por meio desta DI) foi feita pelo número de controle interno da empresa FIRST (vide explicação do item 5.2.1), uma vez que esse número é sempre mencionado nas notas fiscais de entrada global e nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas por uma DI. Cada DI possui um código do tipo “IMPXXXXXX” e esse código é informado na nota fiscal de entrada global da citada DI e nas notas fiscais de saída de saída, sendo possível fazer uma perfeita vinculação entre quantidade de mercadoria importada por uma DI e sua venda nas notas fiscais de saída, observando que TODAS as mercadorias de uma DI são sempre destinadas a uma única empresa, no presente caso, Uberlândia Refrescos Ltda. O fato de as notas fiscais de saída serem emitidas, muitas vezes em sequência às notas fiscais de entrada (item 5.2.1) e na mesma quantidade e tipo (item 5.2.2) mostra que as mercadorias importadas tinham um destinatário prédeterminado. Além disso, a análise dos lançamentos contábeis da empresa, além do confronto Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 38 37 desses lançamentos com as informações referentes às importações extraídas das DI e das Notas Fiscais emitidas, mostram claramente a simulação realizada para ocultar os reais adquirentes das importações realizadas, e que a FIRST é apenas uma prestadora de serviços, um anteparo entre o exportador e o real adquirente".4 4) O Fisco apurou durante o procedimento que a empresa não apresentava estoques de "preformas PET" importadas, sendo os produtos enviados diretamente após o desembaraço aduaneiro para os seus reais adquirentes. O funcionamento do estoque da empresa foi detalhado no Relatório Fiscal à fl. 26: "(...) Ao analisar a contabilidade da empresa, notamos que não existe estoque de preformas PET na empresa FIRST, na realidade o saldo do estoque é muitas vezes credor, ou seja, toda mercadoria importada é imediatamente destinada a uma terceira empresa. As notas fiscais de entrada e saída das preformas PET emitidas em sequência já é um indicativo de que realmente não seria possível haver estoque dessas mercadorias na FIRST. Este fato foi questionado ao Senhor Natanael que, em declaração prestada à fiscalização (Termo Declaração Diretor) informou que “nunca aconteceu de a mercadoria importada não ter sido vendida e nem mesmo de ter permanecido em estoque por longo período”. Na verdade esse estoque não existe, já que as mercadorias importadas são entregues diretamente aos reais adquirentes. O gráfico Série Temporal de Saldos mostra a evolução do saldo contábil do estoque de garrafas PET (conta 1.1.03.01.017 MERCADORIAS IMPORTADAS GARRAFAS PET) no período de 01/01/2007 a 30/06/2007, período de registro das importações analisadas. Verificamos que o saldo apresenta picos lançamentos das notas fiscais de entradapara liberação das importações – e retorna a zero – lançamento das notas fiscais de saída. Como as notas fiscais de saída são muitas vezes emitidas ou contabilizadas antes das de entrada, o saldo da conta de estoque é em vários momentos credor, o que significa que o estoque seria negativo". 5) Os pagamentos referentes as mercadorias não guarda relação com as Notas Fiscais de Saída, mas com os processos de importação, conforme apuração dos registros financeiros na contabilidade da empresa First S/A, detalhados no RAF às fls. 27/28: Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 39 38 "(...) O primeiro ponto a destacar é que, diferente do que acontece em vendas reais, os valores e prazos dos pagamentos realizados pelos reais importadores à FIRST não tem relação com as notas fiscais de saída emitidas, e sim com datas e valores das importações. Começamos esta análise com o primeiro pagamento relacionado com cada DI, verificamos que o valor é sempre igual ao valor dos impostos pagos na importação, nos casos analisados PIS e COFINS já que as importações são originárias do MERCOSUL, e a alíquota do IPI é zero, e ocorre sempre sete dias após o registro da DI, ou em raros casos muito próximo disso. Tomando como exemplo a primeira DI da Tabela 3, a de número 07/00260514, vemos que a data de seu registro foi 08/01/2007 e os impostos recolhidos totalizaram R$ 185.143,95. Na seção da Tabela 3 referente aos pagamentos realizados confirmamos o pagamento do mesmo valor dos impostos que ocorreu 7 dias após o registro da DI. A regra observada quanto aos pagamentos é que existam mais dois pagamentos relacionados a cada importação e, eventualmente, um quarto pagamento de pequeno valor, algumas vezes, inclusive negativo, tipicamente referente a algum ajuste, provavelmente de câmbio. Usando ainda a mesma DI como exemplo verificamos que o terceiro pagamento ocorreu em 03/03/2007, três dias antes da liquidação do contrato de câmbio e um dia antes da contratação do câmbio, sendo o valor praticamente o mesmo da liquidação do contrato de câmbio. Esse terceiro pagamento ocorre aproximadamente 60 dias após o registro da DI, e sempre antes da liquidação do contrato de câmbio. O segundo pagamento ocorre aproximadamente 30 dias após o registro da DI e se valor equivale a aproximadamente 25% do valor CIF das mercadorias importadas". 4) Consta dos autos que a empresa First S/A foi intimada a apresentar mensagens (EMAILS) trocadas com seu transportador a empresa TORA. Em procedimento posterior, a Fiscalização realizou diligência na empresa TORA transportadora, que franqueou o acesso à correspondência eletrônica trocada entre a transportadora, a First e as empresas fabricantes de bebidas e a Cristalpet (Uruguai) empresa exportadora das preformas PET. Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 40 39 As operações de importação realizadas pela Recorrente a empresa Uberlândia Refrescos foram detalhadas no trabalho da auditoria aduaneira. A seguir, reproduzo, trechos (partes) extraído do Relatório Fiscal (RAF), que trata das apurações realizadas pela Fiscalização no que concerne a empresa Uberlândia Refrescos Ltda. (fls. 28/35): "(...) Em 12 de junho de 2009, o representante da empresa TORA prestou as seguintes declarações sobre as importações de preformas da FIRST (Termo Declaração Tora): “ que a empresa Tora realiza o transporte de preformas PET para a empresa FIRST nas importações efetuadas através de Santana do Livramento.” “ que a empresa Tora também é responsável pelo transporte doméstico das preformas PET nas operações de venda da empresa FIRST para os destinatários finais da mercadoria.” “ que o transporte das preformas, após o desembaraço, é realizado até o centro de distribuição da empresa FIRST, localizado em Palhoça – SC.” ” que as preformas importadas são descarregadas no centro de distribuição da empresa FIRST em Palhoça.” “ que não sabe quanto tempo as preformas PET importadas ficam depositadas no depósito da empresa FIRST.” Entre as correspondências comerciais (EMAILS), iremos citar algumas, a título de exemplo, para demonstrar a existência de destinatários predeterminados para as importações de preforma PET realizadas pela FIRST: 1) mensagem entre FIRST e transportadora TORA (Sandro – gerente), onde a primeira comunica à segunda empresa sobre um pedido extra da empresa Uberlândia e solicita ao exportador Cristalpet (Ignácio Severi é funcionário da empresa uruguaia Cristalpet) que confeccione faturas (invoices) somente após cronograma de carregamento da transportadora. Aqui está claro que a empresa Uberlândia é quem fez um pedido de preforma PETS à FIRST e esta repassa o pedido à exportadora Cristalpet (encaminhada dia 05/10/2007, às 10:36): “Boa tarde Sandro, Em anexo pedido extra da Uberlândia Refrescos. Por gentileza ajustar as quantidades para 48 caixas. Faça uma planilha/cronograma do seu jeito para colocar as informações da programação e passar para a First e Cristalpet confeccionar as faturas. Ignacio, confeccionar faturas somente depois que a transportadora enviar cronograma de carregamento. Aguardo, Obrigada” Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 41 40 Exemplo 2 (mensagem encaminhada no dia 22/10/2007, às 13:48): “Adjunto F.4607/08 da Cristalpet para “FIRST” (Uberlândia)”. Essa fatura nº 4607 é a fatura da DI 07/14623274 (IMP009378) e está relacionada às notas fiscais de saída nº 33,35,66,68,72,70,357 e 36 , todas as notas são destinadas à Uberlândia, caracterizando a predeterminação do destinatário. (…) 4) mensagem onde a transportadora Tora elenca exigências e informações dos importadores: Refresco Bandeirantes, Rebica e Uberlândia (encaminhada no dia 08/10/2007, às 12:33). Aqui está claro quem são os reais importadores ou responsáveis pelas importações de preforma PET para os intervenientes das operações de importação e também esclarece sobre a vinculação entre Refrescos Bandeirantes e Rebica. “Dados complementares que foram abordados em nossa visita e que serão fundamental para que nos firmemos nessa operação, cfe. Informações dos importadores. Enumeramos abaixo exigências e informações por importador, para que seja observado e seguido: Uberlândia Refrescos:1. A programação de carregamento desse cliente será passada até o dia dez de cada mês ao importador e a First. Devemos também estar atentos em Montevidéu). A programação está registrada pela data que o importador necessita da carga em Uberlândia.” 5) mensagem onde Wellington Lopes (comprador da empresa Uberlândia) repassa à FIRST um pedido de compra de preformas (encaminhada em 15/10/2007, às 16:46) com cópia para “Cr. I.Severi”, que é o Ignácio da empresa exportadora Cristalpet, ou seja, esse pedido não é para um “possível” estoque da empresa FIRST de preformas (que não possui estoque de preformas) mas sim um pedido para a Cristalpet, onde o real destinatário das preformas é a empresa Uberlândia e não a FIRST. (...)". Quanto a isso, acolho in totum as conclusões a que chegou o i. Relator do processo na instância recorrida, com base nas evidências demonstradas pela Fiscalização Federal. Como pode ser visto, estas mensagens revelam que as empresas Uberlândia e outras se comunicavam diretamente com o exportador, empresa Cristalpet (UY), repassando seus Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 42 41 cronogramas mensais de pedidos, pedidos extras, definindo as características, quantidade e gramatura das preformas PET; que a Cristalpet, no momento da emissão da fatura que instruía as DI, já sabia para quem se destinavam as preformas PET; que a FIRST, no máximo, repassava os pedidos dos clientes à Cristalpet, não sendo responsável em nenhum momento por definir as características das preformas PET a serem importadas; que a operação de transporte das preformas PET é considerada uma operação única, desde a liberação na fronteira até a entrega da mercadoria aos destinatários finais, reais adquirentes. Essas constatações, aliadas às declarações do transportador que esclarecem que o transporte das mercadorias era realizado diretamente do exterior até a destinatária final, apenas realizando a troca das notas fiscais depois de transposta a fronteira, corroboram a conclusão de que houve a ocultação das reais destinatárias das mercadorias. Confrontandose todos os elementos acima exposto, restou caracterizado, após a leitura das mensagens eletrônicas, de que houve SIMULAÇÃO nas operações de importação das mercadorias "preformas PET" pela First S/A, onde os reais adquirentes foram deliberadamente ocultados, ao registrar as DI como importação por conta própria da First. A forma como realizada a ocultação das reais destinatárias das mercadorias importadas também não deixa dúvida quanto ao cometimento de simulação, nos termos como definida no § 1º do art. 167 do (antigo) Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406/2002, in verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 43 42 I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. (destaquei). A simulação é ocultação de fato declarando a existência de outro que não corresponde a realidade. No caso em tela as operações foram declaradas como sendo realizadas para a empresa First, mas as provas trazidas aos autos deixa cristalino a existência de relaçãoentre a First e a real adquirente das mercadorias e que a First nunca teve interesse em importar para uso próprio ou para revenda no mercado, sempre operou a pedido da Uberlândia Refrescos, que determinava a quantidade de mercadorias e os produtos que desejavam fossem importados, conforme fartamente demonstrado nos autos. Resta inequívoco que as operações foram realizadas por ordem da Uberlândia Refrescos. A First S/A, sabia antes de iniciar a operação de importação quais os produtos seriam remetidos a que empresas, realizando um serviço simples de intermediação de operação. O procedimento correto a ser adotado, nos termos previstos na legislação aduaneira seria a declaração ao fisco que a operação seria ordem de terceiro, informando no Sistema SISCOMEX, nos termos definidos na IN SRF nº 225/2002. (…) Restou plenamente caracterizada a ocultação da real destinatária das mercadorias importadas, mediante simulação, haja vista a importadora saber, antes de proceder à importação, a quem se destinavam as mercadorias que iria importar, utilizandose de procedimentos dissimulatórios com o fim de Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 44 43 burlar o controle da fiscalização, pois as reais destinatárias das mercadorias não eram declaradas quando da importação. Pelo que se vê, a peça acusatória fiscal acabou lhe imputando as seguintes condutas: (a) que efetuou importações de proformas PET, declarando importar em nome próprio, ocultando os reais adquirentes das operações, mediante simulação e fraude; (b) as operações foram realizadas, de fato, em nome dos terceiros; (c) praticou ato simulado, de venda no mercado interno, ocultando o verdadeiro negócio, que era a prestação de serviços de importação por ordem de terceiro. Resumindo, concluise que a empresa FIRST S/A ocultou (acobertou) o verdadeiro destinatário [dos bens] nas DI sob fiscalização, configurando a prática de ocultação do real comprador e responsável pelas operações de importação, mediante fraude e simulação. Ciente a First que estava operando por encomenda deveria, em cumprimento a legislação, declarar ao Fisco a real condição da operação de importação. A ocultação da operação por encomenda configurou a simulação e aplicação das penalidades previstas no art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/76. Outrossim, em consonância com tudo o que até aqui foi exposto, também comungo da mesma opinião do i. Relator da instância a quo quando aborda a questão da origem dos recursos aplicados nas operações de importação, conforme a seguir se lê. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do Decreto Lei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 45 44 prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não está comprovada, presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 22 do Decreto Lei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225, de 2002. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela RFB, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. Finalmente, também não há como reconhecer o direito à exclusão da empresa do polo passivo, que, conforme a defesa, decorreria (i) da ausência de previsão legal que atribua solidariedade ao encomendante, (ii) da prática de atos de boafé, (iii) da ausência de subsunção dos fatos à normal e/ou (iv) por força do princípio in dubio pro reo. Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 10983.722368/201121 Acórdão n.º 9303007.449 CSRFT3 Fl. 46 45 Uma vez que haja expressa previsão legal determinando a responsabilização do sujeito passivo/solidário pelas operações praticadas na condição de encomendante, descarta se qualquer possibilidade de que lhe seja dispensada a exigência imposta nos autos. Aplicase ao caso o disposto no art. 95 do Decretolei 37/66, com redação introduzida pela Lei 11.281/2006, vigente à época dos fatos. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquedar forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.980215/2012-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2007
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1003-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2007 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 02 15 /2 01 2- 35 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10880.980215/201235 Acórdão n.º 1003000.314 S1C0T3 Fl. 275 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 256/258) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 11514.33428.261110.1.3.042000 (folhas 03/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que a contribuinte, após tomar ciência do referido despacho decisório, retificou a DCTF, reduzindo o valor do débito, sem juntar, no entanto, qualquer documentação comprobatória do valor correto do débito de CSLL que, retificado, geraria o crédito pleiteado no referido DARF. A recorrente, às folhas 265/272, alega, em síntese: I Que "de acordo com os documentos acostados aos presentes autos, é evidente o direito creditório da recorrente e, por consequência lógica, à compensação dos créditos de CSLL com os débito de IRPJ", "em que pese o argumento do julgador no sentido de que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório"; II Que "a DCTF retificadora cotejada em conjunto com os demais documentos apresentados pela recorrente comprovam, ao fim e ao cabo, o direito à compensação"; III Que "o próprio acórdão afirma que a retificação da DCTF reduzindo o valor do débito, torna disponível para restituição o valor do DARF"; IV Que "o argumento de que a retificadora está desacompanhada de documentação hábil suficiente para demonstrar o direito a compensação, não merece prosperar sob qualquer ângulo que se analise a presente demanda, pois a recorrente foi diligente ao juntar todos os documentos necessários para comprovar seu direito quando da apresentação da manifestação de inconformidade"; V Que "é de se concluir, pois, que a decisão ora rechaçada ignorou praticamente a íntegra da documentação colacionada e, consequentemente, a argumentação articulada, para baseada apenas na retificadora, decidir pela improcedência da manifestação de inconformidade"; VI Que deve ser buscada a verdade material dos fatos e, apesar de "toda a documentação e explicações necessárias já tenham sido disponibilizadas às doutas autoridades no curso do processo", e a documentação apresentada ser "suficientemente clara e eficiente para comprovar a existência de pagamento a maior realizado pela recorrente e utilizado como crédito na PER/DCOMP, sendo este líquido e certo", requer, caso se entenda necessário, "a conversão do julgamento em diligência, para verificação e constatação de todos os argumentos aqui destacados, com uma análise mais detalhada da documentação contábil e fiscal da recorrente". Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10880.980215/201235 Acórdão n.º 1003000.314 S1C0T3 Fl. 276 3 A documentação acostada aos autos pela contribuinte por ocasião da impugnação consistiu em cópias do despacho decisório recorrido, da DCOMP em questão, da DCTF retificadora, do DARF correspondente ao recolhimento, da DACON correspondente ao período e contrato social. Junto ao Recurso Voluntário, a recorrente não acostou qualquer documentação adicional. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. A recorrente argumenta como se tivesse acostado aos autos documentação contábil e fiscal comprobatória da veracidade da retificação efetuada em DCTF. No entanto, nada acostou aos autos além de cópias de declarações, que, por óbvio, nada provam. O requerimento da conversão do julgamento em diligência, caso se entenda necessário, não deve ser acolhido, já que, no desenrolar do presente processo administrativo, a contribuinte se utilizou do trabalho das instâncias julgadoras instituídas e teve as devidas oportunidades de acostar a documentação necessária aos autos, mas não o fez. O argumento de que "o próprio acórdão afirma que a retificação da DCTF reduzindo o valor do débito, torna disponível para restituição o valor do DARF" ignora a necessidade de dar respaldo legal ao procedimento operacional efetuado pela contribuinte e descrito no referido voto, que é exatamente o que se discute no presente processo. No mais, resta, ao concordar com as razões de decidir do acórdão de piso, transcrevêlas no que se considera relevante e adotandoas no presente voto: É plausível que o contribuinte possa retificar a DCTF a qualquer tempo, observado o prazo de cinco anos e respeitadas as condições impostas pela legislação. A retificação da declaração, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, independente de autorização pela autoridade administrativa. Ocorre que a simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poderdever de confirmálas. No caso em questão o contribuinte não juntou nenhuma documentação que comprove a veracidade do valor retificado do débito, que supostamente teria gerado o crédito pleiteado no referido DARF. Apenas retificou a DCTF. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10880.980215/201235 Acórdão n.º 1003000.314 S1C0T3 Fl. 277 4 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.900604/2016-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2013
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 06 04 /2 01 6- 10 Fl. 158DF CARF MF 2 Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O PER/DCOMP nº 33471.74793.250615.1.3.040171 (fls. 6670), emitido eletronicamente em 25/06/2015, foi transmitido com o objetivo de compensar débito de COFINS (Código de Receita: 586101), apurado em maio de 2015 com crédito de COFINS (Código de Receita 5856), decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/11/2013, no valor de R$95.007,60, assim discriminado: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.900604/201610 Acórdão n.º 3402005.721 S3C4T2 Fl. 159 3 O Despacho Decisório nº 112928285 (fls. 71) negou a homologação por considerar que o crédito informado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo remanescente para a compensação declarada, resultando na cobrança do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida e a maior, sendo que o despacho decisório impugnado deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como Fl. 160DF CARF MF 4 adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 0273.111 foi proferido com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a xistência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Foi emitida a DARF para recolhimento do crédito tributário no valor de R$ 80.908,57 (oitenta mil, novecentos e oito reais e cinquenta e sete centavos) (fls. 88). A Notificação DRF/CXL/Seort nº 092, de 1º de junho de 2017 (fls. 89) intimou a Contribuinte sobre o resultado dos Acórdãos proferidos pela DRJ/BHE sob os nºs 0273.111, 0273.112, 0273.113, 0273.114, 0273.115, 0273.116, 0273.117, 0273.118, 02 73.119, 0273.120, 0273.121, 0273.122, 0273.123, 0273.124, 0273.125, 0273.126, 02 73.127, 0273.128, 02 73.129, 0273.130, 0273.131, 0273.132, 0273.133, 0273.134, 02 73.135, 0273.136, 0273.137, 0273.138, 0273.139, 0273.140, 0273.141, 0273.142, 02 73.143, 0273.144, 0273.145, 0273.146, 0273.147, 0273.148, 0273.149, 0273.150, 02 73.151, 0273.152, 0273.153, 0273.154, 0273.155, 0273.156, 0273.157, 0273.158, 02 73.159, 0273.160, 0273.161, 0273.162, 0273.163, 0273.164, 0273.165, 0273.166, 02 73.167, 0273.168, 0273.169, 0273.170, 0273.171, 0273.172, 0273.173, 0273.174, 02 73.175, 0273.176, 0273.177, 0273.178, 0273.179, 0273.180, 0273.181, de 09/05/2017. A intimação da decisão de primeira instância foi recebida via postal em data de 13/06/2017 (terçafeira) (fls. 91), sendo o Recurso Voluntário de fls. 131154 interposto em data de 12/07/2017 (quartafeira) com os mesmos argumentos expostos em manifestação de inconformidade. Em síntese, entende a Recorrente que, para fundamentação e motivação da decisão administrativa, deve a Administração Pública verificar a utilização dos créditos apresentados para a quitação de outros débitos e buscar a origem efetiva de tais créditos. É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.900604/201610 Acórdão n.º 3402005.721 S3C4T2 Fl. 160 5 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Preliminares A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Fl. 162DF CARF MF 6 Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.900604/201610 Acórdão n.º 3402005.721 S3C4T2 Fl. 161 7 Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Do Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. Fl. 164DF CARF MF 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.900604/201610 Acórdão n.º 3402005.721 S3C4T2 Fl. 162 9 INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Recurso Voluntário Negado. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal Fl. 166DF CARF MF 10 do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa. Vejamos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.900604/201610 Acórdão n.º 3402005.721 S3C4T2 Fl. 163 11 A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913622/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 62 2/ 20 09 -2 7 Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10830.913622/200927 Resolução nº 3302000.840 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.913622/200927 Resolução nº 3302000.840 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10830.913622/200927 Resolução nº 3302000.840 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.001563/2005-56
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma.
Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
Numero da decisão: 1003-000.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, trata-se de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela Recorrente, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Ademais, tratase de questão objeto da Súmula CARF nº 49: "A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 15 63 /2 00 5- 56 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.001563/200556 Acórdão n.º 1003000.331 S1C0T3 Fl. 38 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1220.593 (DRJ/RJ OI, fls 21/25), que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração, fls. 04, relativo à multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ Isenta, relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, no valor de R$ 500,00, nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a DSPJ; porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA INTEMPESTIVA. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega de Declaração da pessoa jurídica quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que, diante das razões apresentadas pela interessada, justifiquem e permitam o afastamento da mesma. Lançamento Procedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às folhas 29/30, apresentou recurso voluntário destacando, em síntese: (i) não ter exercido atividade comercial durante período autuado, sendo, portanto, inativa; (ii) que “não apresentou a denúncia espontânea, por ter apresentado a DIPJ no prazo e na legalidade"; (iii) que não recebeu nenhum comunicado quanto à alteração do prazo de entrega da mencionada declarada (diferente do que tinha como regra nos anos anteriores); Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.001563/200556 Acórdão n.º 1003000.331 S1C0T3 Fl. 39 3 (iv) que não possui bens, computador, internet, funcionários e nem nunca possuiu,contando com favor de terceiros para apresentação das declarações à Secretaria da Receita Federal, e, por fim, requereu o cancelamento da multa por atraso na entrega da declaração em questão. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Ultrapassada essa questão, entendo que razão não assiste ao apelo da Recorrente, inicialmente, porque o prazo limite para entrega da Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, relativa ao exercício de 2004, anocalendário 2003, conforme consta do auto de infração de fls. 04, estava fixado em 31/05/2004, tendo a Recorrente apresentadoa extemporaneamente, em 21/06/2004, o que culmina, portanto, na aplicação da penalidade pecuniária questionada. Ora, ao contrário do afirmado pela Recorrente, sua inatividade durante todo o anocalendário de 2003 não afasta a obrigatoriedade de cumprimento da apresentação de declaração em questão, uma vez que não consta ter apresentado, no prazo legal, a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica DSPJ Inativa a que estaria sujeita nestas condições. Ademais, eventuais dificuldades do sujeito passivo na apresentação da declaração em questão, também não têm o condão de afastar a aplicação da penalidade aplicada, se o fato gerador ocorreu e sua quantificação se deu em conformidade com a legislação. Outrossim, não há qualquer obrigatoriedade de comunicação pessoal e direta aos contribuintes, acerca de alteração da legislação normativa, por parte da Receita Federal, como quis fazer parecer a Recorrente, bem como não cabe invocar o desconhecimento de lei ou ato normativo para justificar seu descumprimento, conforme prescreve o art. 3° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, in verbis: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece". Por fim, a Recorrente afirma que o instituto da denúncia espontânea alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração. Acerca da denúncia espontânea o Código Tributário Nacional prevê: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.001563/200556 Acórdão n.º 1003000.331 S1C0T3 Fl. 40 4 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Todavia, a cumpre esclarecer que esta é objeto da Súmula CARF nº 49, abaixo transcrita, com entendimento vinculante na administração tributária federal determinado pela Portaria MF nº 277, de 7 de junho de 2018: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 40DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000819/2004-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido recurso de ofício em que o valor exonerado esteja abaixo do limite de alçada, atualmente objeto da Portaria MF nº 63/2017. Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância."
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. VERDADE MATERIAL VERSUS LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO.
Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência das hipóteses de exceção no caso concreto.
DESPESAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE.
Os valores contabilizados a título de despesas somente serão considerados como dedutíveis se, além de cumpridos os requisitos legais específicos, forem suportados por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1401-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e afastar a arguição de decadência para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido recurso de ofício em que o valor exonerado esteja abaixo do limite de alçada, atualmente objeto da Portaria MF nº 63/2017. Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. VERDADE MATERIAL VERSUS LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência das hipóteses de exceção no caso concreto. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados a título de despesas somente serão considerados como dedutíveis se, além de cumpridos os requisitos legais específicos, forem suportados por documentação hábil e idônea.
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DESPESAS NÃO COMPROVADAS Recorrentes BANCO SAFISA S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido recurso de ofício em que o valor exonerado esteja abaixo do limite de alçada, atualmente objeto da Portaria MF nº 63/2017. Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIOS. VERDADE MATERIAL VERSUS LEGALIDADE. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO. Em regra, os fundamentos de defesa, assim como o pedido de diligência e as provas documentais, devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Como exceções temos os casos expressamente previstos na legislação (§ 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972), bem como as hipóteses em que o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, quer por tratar de matéria de ordem pública, quer por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista do princípio da vedação ao non liquet. Não ocorrência das hipóteses de exceção no caso concreto. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados a título de despesas somente serão considerados como dedutíveis se, além de cumpridos os requisitos legais específicos, forem suportados por documentação hábil e idônea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 08 19 /2 00 4- 66 Fl. 1792DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício e afastar a arguição de decadência para, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1999 a 2001, em razão da glosa de despesas consideradas não comprovadas, conforme relatado pela decisão recorrida: 1. Nas apurações dos lucros líquidos relativos aos encerramentos dos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, o Banco Sofisa S/A contabilizou, a titulo de Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.793 3 despesas de "Programas de Divulgação" — COSIF 8.1.7.42.00.2.4080, valores relativos a pagamentos às empresas "Alpha Propaganda" e "Intermark Editora". 1.1. Regularmente intimado a apresentar a documentação comprobatória da prestação dos serviços contratados e os comprovantes de pagamento das referidas despesas, a contribuinte não logrou êxito em comprovar os valores contabilizados, relativamente aos fornecedores acima listados, limitandose a apresentar relatórios impressos do seu sistema de contas a pagar, em que se encontram discriminados os valores pagos e as respectivas datas de pagamento. Não foram apresentadas as notas fiscais de prestação de serviço, tampouco a instituição apresentou elementos da efetiva prestação dos serviços. 1.2. Inexistindo os documentos de suporte das despesas de promoções e relações públicas, contabilizadas nos anos de 1999, 2000 e 2001, ou não tendo sido apresentadas à fiscalização, foram glosadas, por ausência de documentação pertinente, as deduções efetuadas na determinação do lucro real, na medida em que o lucro liquido do exercício não está, neste particular, atendendo as disposições da lei comercial, e, conseqüentemente, da legislação fiscal que rege a apuração do lucro real. 1.3. Além disso, as apurações da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido também foram afetadas pelas referidas deduções sem a competente documentação comprobatória, merecendo a glosa por parte da fiscalização, uma vez que, pelas razões anteriormente expostas, os resultados dos períodos não foram obtidos com observância da legislação comercial. 2. 0 lucro tributável apurado pela instituição no encerramento do anocalendário 2000 foi reduzido, relativamente à movimentação da conta de provisão de operações de crédito, no montante de R$5.586.299,01. 2.1. Em atendimento a Termo de Intimação, a contribuinte apresentou documentação pertinente As operações de crédito consideradas como perda dedutivel no anocalendário de 2000. 0 valor total das perdas comprovadas pela documentação entregue totalizou R$5.043.154,12. 2.2. Relativamente à parcela de R$543.144,89, que complementaria a dedução de R$5.586.299,01, a instituição limitouse a entregar listagem contendo os nomes dos clientes devedores, os valores devidos e as respectivas datas de baixa para prejuízo. 2.3. Considerando que a documentação apresentada pela contribuinte, reduzida em uma listagem, não se configura suficiente, face A legislação do imposto de renda, a comprovar a ocorrência das perdas deduzidas, temos que a parcela de R$543.144,89, referente diferença verificada entre o valor total da dedução das perdas e o total de perdas comprovadas, sujeitase h. glosa, por não comprovação. 3. O lucro tributável apurado pela instituição no encerramento do ano calendário 2001 foi reduzido, relativamente à movimentação da conta de provisão de operações de crédito, no montante de R$1.546.121,95. 3.1. Em atendimento a Termo de Intimação, a contribuinte apresentou documentação comprobat6ria pertinente as operações de crédito consideradas como perda dedutivel no decorrer do ano de 2001, totalizando R$1.122.177,02, relativos a perdas auferidas em operações nas carteiras de Adiantamento a Depositantes, Empréstimos e Títulos Descontados. Fl. 1794DF CARF MF 4 3.2. Relativamente à parcela de R$423.944,93, que complementaria a dedução de R$1.546.121,95, realizada no ano, não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios de sua ocorrência, estando esse montante, conseqüentemente, sujeito A. glosa por falta de comprovação documental. (...) O relatório da decisão recorrida assim descreve os argumentos da impugnação: DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.563/580, protocolizada em 20/07/2004, expondo, em síntese, que: 1. À CSLL devem ser aplicadas somente as normas atinentes aos tributos administrados pela SRF, não havendo que se falar em aplicabilidade do prazo decadencial de 10 anos, previsto no art.45 da Lei n° 8.212/91, uma vez que a ela e aos demais tributos arrecadados pela SRF, neste particular, devem ser aplicadas apenas as disposições do CTN. 1.1. Importa notar que a Lei n° 8.212/91 é uma lei ordinária, razão pela qual não tem o condão de alterar os dispositivos do CTN, lei materialmente complementar. 1.2. Sendo o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devem observar o disposto no §4° do art. 150 do CTN. Assim, a contar do fato gerador, a Fazenda Pública tem o prazo de 5 anos para homologar o lançamento. Tal prazo é decadencial, na medida em que o mesmo se refere ao exercício de um direito da Autoridade Fiscal, que é o de homologar o lançamento. 1.3. No caso especifico da presente exigência, contandose o prazo de 5 anos previsto no citado §4° do art.150 do CTN, os lançamentos relativos As operações compreendidas entre janeiro e maio de 1999 foram tacitamente homologados no respectivo período (janeiro a maio) de 2004, com a conseqüente extinção do crédito tributário. Assim, lançamento efetuado em 18 de junho de 2004 é parcialmente extemporâneo, não podendo prevalecer. 2. Quanto à documentação relacionada à comprovação das despesas de promoção e relações públicas, a mesma não logrou localizála em tempo hábil para impedir a presente autuação. 2.1. Tendo localizado, todavia, parte dos documentos comprobatórios do recolhimento dos valores ora exigidos, anexa à presente impugnação as cópias das Notas Fiscais a elas relacionadas (fls.640/757 e 1349/1408), bem como das revistas em que as propagandas foram efetuadas (fls.760/1010), que comprovam, desde já, o descabimento de parte da presente autuação, razão pela qual solicita a sua retificação, para o fim de excluir do montante tributável as despesas efetivamente comprovadas. 2.2. Conforme pode se depreender das Notas Fiscais ora anexadas, a impugnante deduziu da sua base de cálculo valor inferior Aquele efetivamente despendido no ano de 2000, sendo certo que tais comprovações devem embasar a exclusão do montante correspondente na presente autuação. 2.3. No que concerne à documentação não anexada, especialmente no que se refere ao ano de 2001, informa a impugnante que permanecerá em sua busca, razão pela qual protesta pela juntada dos demais documentos fiscais que venham Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.794 5 a comprovar a exatidão dos procedimentos adotados pela impugnante, que serão trazidos aos autos assim que localizados. 3. Tendo sido comprovadas as despesas ocorridas no ano de 1999, a parte da autuação referente à glosa de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa compensados deve ser recalculada, a fim de que, sendo reconhecidos os valores devidamente comprovados, seja reduzido também o montante exigido neste particular. 4. No item "perdas no recebimento de créditos", a impugnante demonstra, relativamente a cada um dos valores listados no Termo de Verificação, estarem corretos os procedimentos adotados. 4.1. No que concerne ao crédito no valor de R$1.202,51, tratase de adiantamento a depositante, efetuado pela impugnante à empresa Legend Ind. e Com. de Artigos para Vestuário, sendo inexistente qualquer titulo executivo que lhe permitisse a cobrança judicial do crédito. 4.1.1. Verificase do extrato de fls. 1011/1014 que o saldo devedor da conta desta empresa data de 02/01/98, tendo sido efetuada a sua contabilização como perda em junho de 2000, de forma que, nos termos do art. 9 0, §1°, II, "a" da Lei n° 9.430/96, tratandose de valor inferior a R$5.000,00, tal dedução deve ser reconhecida como correta. 4.2. Com relação ao crédito de R$5.869,60, a empresa devedora, Mangro Têxtil Ltda, teve sua falência decretada em 24/08/98, nos autos n° 495/9808, em trâmite perante a 23a Vara Cível do Foro Central da Capital, tendo a impugnante habilitado seu crédito em 24/11/98. 4.2.1. Ocorre que, a par da habilitação do crédito em comento, a impugnante procedeu à análise do cadastro dos intervenientes, constatando inexistirem bens suficientes satisfação do crédito, haja vista ter sido classificada como credora quirografária, tendo, portanto, contabilizado sua perda em junho de 2000. 4.2.2. A impugnante informa que deixa de anexar A presente os documentos comprobatórios de tais alegações, em razão de a greve dos servidores públicos estaduais do Poder Judiciário impedirlhe de obter as cópias necessárias à sua comprovação, mas se compromete a anexálas assim que possível. 4.2.3. Tratase de débito de valor superior a R$5.000,00 e inferior a R$30.000,00, vencido há mais de um ano, que, nos termos do art. 9°, §1°, II, "b", da Lei n° 9.430/96, dispensa sua cobrança judicial. 4.2.4. Em atendimento ao disposto no art. 9° da Lei n° 9.430/96, a dedução da perda foi efetuada posteriormente A. decretação da falência do devedor, de forma que deve ser também reconhecida a sua dedutibilidade. 4.3. No que concerne A. empresa Botteon Artefato de Papel Ltda., a impugnante informa haver promovido a Ação de Busca e Apreensão n° 465/98, a qual comprova terem ocorrido esforços para a obtenção dos valores a ela relacionados, devendo ser reconhecida a dedução efetuada pela impugnante. 4.4. No que diz respeito A. Cia de Calçados Semerdijan, cujo crédito montava R$15.942,76, tratase, igualmente aos casos da empresa Legend Inc. e Com. de Artigos para Vestuário, de crédito advindo de adiantamento a depositantes. Fl. 1796DF CARF MF 6 4.4.1. Porém, o casal de intervenientes veio a falecer, sucessivamente o marido e sua esposa, sendo que, por medida de economia e celeridade, a impugnante deixou de proceder à sua cobrança, já que a demora do processo contra o espólio dos devedores, aliado aos honorários advocaticios a serem despendidos para o seu acompanhamento, inviabilizaria a cobrança executiva de tal montante. 4.4.2. Ademais, tratase de débito de valor superior a R$5.000,00 e inferior a R$30.000,00, vencido há mais de um ano, o que, nos termos do art.9°, §1°, II, "b", da Lei n° 9.430/96, dispensa a sua cobrança judicial. 4.4.3. Assim sendo, a impugnante procedeu à dedução de tal montante como perda em novembro de 2000, devendo ser reconhecido como correto tal procedimento. 4.5. No que toca à empresa J.A. Moreto & CIA, cujo crédito montava R$240.378,01, tratase de dois contratos de abertura de crédito celebrados entre a empresa e a impugnante, um no valor de R$224.000,00, cujo saldo devedor montava R$217.067,74, com vencimento em 05/10/98 e outro no valor de R$500.000,00, com saldo devedor de R$11.433,86, com vencimento em 03/11/98. 4.5.1. Diante do não pagamento dos valores totais, a impugnante ajuizou a Ação de Execução contra devedor solvente n° 273/99, em trâmite perante a 4a Vara 01/el do Foro Regional de Santana/SP, a qual foi julgada improcedente, estando pendente de julgamento de recurso de apelação interposto pela impugnante (fls.1015/1099). 4.5.2. Assim, perfeitamente cumpridos os requisitos necessários à sua dedução, nos termos do art.9°, §1 0, II, "c", da Lei n° 9.430/96, mormente em razão do seu vencimento ter ocorrido em outubro e novembro de 1998 e a sua dedução ter sido operada em novembro de 2000. 4.6. Por fim, quanto as deduções relacionadas aos diversos CDCs, conforme se pode verificar do Relatório de Movimentação Contábil de fls. 963/998 e 1102/1229, foram devidamente deduzidas as despesas ocorridas, restando indevido o lançamento nesse ponto. 5. A suposta infração combatida seria referente somente A. postergação de imposto, uma vez que as perdas com créditos seriam corroboradas com o decorrer do tempo e, dessa forma, poderiam ser deduzidas, razão pela qual toda e qualquer autuação nesse sentido somente poderia ocorrer sob a forma de postergação de imposto. Em 5 de março de 2007 a DRJ em São Paulo SP julgou a impugnação parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. Na apuração anual, os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem em 31 de dezembro, termo de inicio do prazo decadencial. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas como despesas dedutiveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.795 7 comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. A autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente as infrações concretamente constatadas. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase apenas quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior, fato que deve ser comprovado, e não apenas alegado. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. INDEDUTIBILIDADE. Os valores contabilizados a titulo de despesas operacionais somente serão considerados como dedutiveis se for comprovada a efetividade da ocorrência das respectivas operações, sua necessidade às atividades da empresa, bem como forem suportados por documentação hábil e idônea. DEMAIS TRIBUTOS. CSLL. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente em Parte Cientificada em 2 de abril de 2007 (fl. 1482), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 2 de maio de 2007 (fl. 1.483), alegando, em síntese: (i) os fatos geradores relativos ao IRPJ e à CSLL ocorridos nos meses de janeiro a maio de 1999 foram tacitamente homologados no período de janeiro a maio de 2004, de forma que a lavratura do auto de infração em 18 de junho de 2003 é parcialmente extemporânea. (ii) pleiteia a aceitação dos documentos que anexa, por motivo de força maior, bem como em razão da necessidade de apreciação dos documentos juntados a qualquer tempo, afirmando que "esteve todos esses anos buscando os documentos que comprovassem a correção de seus atos, porém, conforme explicitado na Impugnação, alguns dos documentos não haviam, ainda, sido localizados, outros não puderam ser anexados em razão da greve dos servidores públicos do Poder Judiciário que, à época, impedia a Recorrente de obter cópia das ações judiciais ajuizadas no intuito de reaver seus créditos". Rebate, então, quanto a cada uma das despesas, as alegações do voto da DRJ, o que por razões de economia processual será tratado diretamente no voto. Recebi o processo em distribuição realizada em 19 de setembro de 2018. Fl. 1798DF CARF MF 8 Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recurso de Ofício O recurso de ofício não deve ser conhecido, já que o valor excluído está abaixo do limite de alçada. De fato, a Portaria MF nº 63/2017 estabelece que haverá recurso de ofício "sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Tal valor deve ser verificado no momento da apreciação do recurso, nos termos do enunciado da Súmula CARF 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." O demonstrativo de fls. 1.478, constante do acórdão recorrido, demonstra que o valor exonerado está abaixo do limite: Neste sentido, oriento meu voto para não conhecer do recurso de ofício. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Aduz a Recorrente, primeiramente, a decadência quanto ao lançamento dos tributos exigidos pois, não obstante tenha optado pela apuração anual, defende que os fatos geradores seriam mensais. Sem razão a Recorrente. Mesmo pela aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4o, do CTN, conforme pleiteia, no caso de opção pela apuração anual do IRPJ e CSLL os pagamentos de estimativas são, como o próprio nome diz, apenas estimativas, sendo necessário o ajuste anual, de forma que o fato gerador dos tributos ocorre em 31 de dezembro do anocalendário. Não merece reparos, portanto, a decisão recorrida neste ponto, que transcrevo e também adoto como razões de decidir, nos termos do artigo 57 do RICARF: Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.796 9 (...) Contudo, conforme consulta à DIPJ 2000 (fls.45), verificase que a impugnante, quanto ao anocalendário de 1999, optou pela apuração anual do IRPJ e da CSLL. Dessa forma, a apuração do lucro real é feita em 31 de dezembro, conforme previsto no parágrafo 3°, do art. 2°, da Lei n° 9.430/96, in verbis: Lei n° 9.430/96 Art. 1° A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Pagamento por Estimativa Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos SS 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3°A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. (...) Art. 28. Aplicamse ex apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro liquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1° a 3°, 5°a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Portanto, em decorrência da opção pela apuração anual, o lucro é apurado em 31 de dezembro, data em que se da o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Logo, verificase que não merece acolhida a alegação de decadência, pois a ciência da autuação ocorreu em 18/06/2004, antes, portanto, do prazo qüinqüenal. Quanto à comprovação das despesas, passo a tratar de cada uma delas conforme segue. Fl. 1800DF CARF MF 10 DESPESAS DE PROMOÇÃO E RELAÇÕES PÚBLICAS O acórdão recorrido considerou os documentos apresentados com a impugnação e observou que ainda restaram despesas não comprovadas nos montantes de R$100.000,00, no anocalendário de 1.999, e de R$145.000,00, no anocalendário de 2001. A Recorrente informa ter localizado mais uma parte dos documentos comprobatórios do recolhimento dos valores exigidos, anexando ao recurso as cópias das Notas Fiscais a eles relacionadas (Docs. 04 a 09). Pleiteia, assim, pela retificação do acórdão recorrido para o fim de excluir mais este montante tributável as despesas efetivamente comprovadas. Entendo que não é o caso de se aceitar os novos documentos apresentados no recurso voluntário, até porque não há sequer justificativa para a não apresentação com a impugnação. A busca pela verdade material não deve ser tão plena a ponto de se poder rechaçar a aplicação do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Sobre o assunto, observo que não existe princípio pleno, até porque naturalmente uns podem parecer contrários a outros em determinadas situações concretas. Além disso, as regras em vigor têm presunção de legalidade e constitucionalidade e, na medida do possível, devem ser aplicadas, fazendose uma interpretação da regra ao caso concreto que compatibilize os princípios norteadores do tema. É verdade que o processo administrativo é regido pela busca pela verdade material, mas esta não é ilimitada. Tanto é assim que a legislação que regula o processo administrativo fiscal (em especial o Decreto 70.235/1972) estabelece que os fundamentos de defesa – assim como o pedido de diligência e as provas documentais devem ser apresentados por ocasião da impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, em regra. Isso é assim exatamente porque é neste momento que se instaura o contraditório em um procedimento que, até então, era inquisitório. Portanto, é o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a sua impugnação/manifestação de inconformidade, de modo que, muito embora haja a busca pela verdade material, as questões não postas para discussão nesta ocasião, em regra, precluem. E digo em regra porque existem as hipóteses de exceção. Neste sentido, os incisos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 trazem expressamente algumas hipóteses em que provas podem ser apresentadas em momento processual diverso da impugnação, quais sejam: (i) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (ii) refirase a fato ou a direito superveniente; e/ou (iii) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Neste caso, cabe ao contribuinte demonstrar, em petição fundamentada, a ocorrência de uma dessas condições, nos termos do § 5º do mesmo dispositivo. Além das exceções expressas, existem as implícitas. Assim, outra exceção ocorre quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.797 11 matéria de ordem pública1, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet2. No caso, entendo que não restaram configuradas quaisquer das hipóteses de exceção acima descritas. PREJUÍZO FISCAL E DE BASE DE CALCULO NEGATIVA COMPENSADOS Em decorrência da não localização da documentação relacionada ao ano calendário 1999, a autoridade fiscal, partindo do pressuposto que tais valores não poderiam ter sido deduzidos das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, houve por bem readequálas desconsiderando as deduções procedidas pela Recorrente, o que gerou redução no prejuízo fiscal e na base de cálculo negativa acumulados. Em seu recurso, a Recorrente afirma que, tendo sido comprovadas as despesas ocorridas no ano de 1999, também essa parte da autuação deve ser recalculada, a fim de que, sendo reconhecidos os valores devidamente comprovados, seja reduzido também o montante exigido neste particular. No caso, porém, tendo em vista a não aceitação dos documentos apresentados extemporaneamente, conforme acima, fica prejudicada a análise desse argumento em favor da Recorrente. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS A Recorrente reitera estarem corretos os procedimentos adotados, por crédito, conforme abaixo: (i) crédito no valor de R$ 1.202,51: a Recorrente defende tratarse de adiantamento a depositante efetuado à empresa Legend Ind. e Com. de Artigos para Vestuário, sendo inexistente qualquer título executivo que lhe permitisse a cobrança judicial do crédito. Além disso, verificase do extrato anexo à impugnação que o saldo devedor da conta desta empresa data de 02 de janeiro de 1998, tendo a sua contabilização como perda sido efetuada em junho de 2000, de forma que, nos termos do artigo 9°, § 1°, II, "a" da Lei n.° 9.430/96, tratandose de valor inferior a R$ 5.000,00, tal dedução deve ser reconhecida como correta. 1 Costumase dizer que as matérias que o julgador deve conhecer de ofício são aquelas de ordem pública. É importante ressaltar, porém, que nem todas as matérias apreciáveis ex officio são necessariamente matérias de ordem pública, já que a lei processual, excepcionalmente, pode estabelecer que determinadas matérias de ordem privada sejam apreciadas de ofício. Neste sentido, Teresa Arruda Alvim Wambier explica: “Numa imagem matemática, dirseia que o conjunto de matérias examináveis de ofício é maior do que o das matérias de ordem pública. Portanto toda matéria de ordem pública é examinável de ofício, mas nem tudo o que pode ser examinado de ofício consiste em matéria de ordem pública” (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades do processo e da sentença. 4ª ed. São Paulo: RT, 1998, p. 137) 2De fato, se for para formar seu livre convencimento, o julgador pode conhecer de argumentos de fato ou de direito exofficio, desde que indique os motivos que levaram a tal decisão. Isso porque, em virtude do dever de decidir (proibição do non liquet), há o poderdever de aplicar ao caso a norma jurídica que o julgador entender mais pertinente, mesmo que não tenha sido suscitada pelas partes. Fl. 1802DF CARF MF 12 A decisão recorrida apontou, porém, que a contribuinte apenas apresentou uma cópia de extrato de contacorrente de tal cliente referente ao período de 01/10/97 a 02/01/98, sendo que tal documento não traz sequer qualquer menção ao valor de R$1.202,51 deduzido como perda. Logo, não é possível inferir, a partir dos elementos trazidos pela contribuinte, a ocorrência da perda no montante de R$1.202,51. Em seu recurso a contribuinte não traz qualquer contraponto a tal conclusão da decisão recorrida. Como caberia a ela demonstrar, tanto fática, por meio dos contratos e escrituração contábil, quanto numericamente, por meio de demonstrativos e planilhas, a perda eventualmente havida, o que não ocorreu no item em questão, mantémse a glosa. (ii) Créditos contra as empresas Mangro Têxtil, Botteon e Cia de Calçados Semerdijan crédito de R$ 5.869,60 contra Mangro Têxtil Ltda.: a Recorrente afirma que a devedora teve sua falência decretada em 24 de agosto de 1998, nos autos n.° 495/9808, em trâmite perante a 23a Vara Cível do Foro Central da Capital, tendo a Recorrente habilitado seu crédito em 24 de novembro de 1998. A par da habilitação do crédito em comento, a Recorrente procedeu à análise do cadastro dos intervenientes, constatando inexistirem bens suficientes à satisfação do crédito, haja vista ter sido classificada como credora quirografária, tendo, portanto, contabilizado sua perda em junho 2000, nos termos do art. 9o, §4o da Lei 9.430/1996. Ressalta, ainda, que tratase de débito de valor superior a R$ 5.000,00 e inferior a R$ 30.000,00, vencido há mais de um ano, o que, nos termos do artigo 9o, §1o , II, "h" da Lei n.° 9.430/1996, dispensaria, inclusive, a sua cobrança judicial. crédito de R$ 373.977,11 contra a empresa Botteon Artefato de Papel Ltda.: a Recorrente informa haver promovido Ação de Busca e Apreensão n.° 465/98 (Doc. 10), a qual comprovaria terem sido envidados todos os esforços para a obtenção dos valores a ela relacionados, devendo ser reconhecida a dedução efetuada. A empresa devedora teve sua falência decretada, o que, de inicio, já permitiria a dedução pretendida. crédito de R$ 15.942,76 contra a Cia de Calçados Semerdijan: a Recorrente afirma que, tal como no caso da empresa Legend Ind. e Com. de Artigos para Vestuário, trata se de crédito advindo de adiantamento a depositantes. Aqui, o casal de intervenientes veio a falecer, sucessivamente o marido e sua esposa, sendo que, por medida de economia e celeridade, a Recorrente deixou de proceder a sua cobrança, já que a demora do processo contra o espólio dos devedores, aliado aos honorários advocaticios a serem despendidos para o seu acompanhamento, inviabilizaria a cobrança executiva de tal montante. Ademais, tratase de débito de valor superior a R$ 5.000,00 e inferior a R$ 30.000,00, vencido há mais de um ano, o que, nos termos do artigo 9°, §1°, II, "h" da Lei n.° 9.430/1996, dispensa a sua cobrança judicial. Assim sendo, a Recorrente procedeu a dedução, como perda, de tal montante em novembro de 2000. A decisão recorrida manteve a glosa porque, não obstante as alegações acima, a contribuinte não demonstrou nos autos ter efetivamente apurado perdas no referido montante, uma vez que não foram trazidas por quaisquer prova documental que lhes conferisse sustentação. Em seu recurso, a Recorrente se limita a repetir os argumentos da impugnação, sem rebater as razões da decisão recorrida, razão porque devem ser mantidas as glosas. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.798 13 (iii) crédito de R$ 240.378,01 contra a empresa J.A. Moreto & Cia: a Recorrente afirma que tratase de dois contratos de abertura de crédito celebrados entre a empresa e a Recorrente, um no valor de R$ 224.000,00, cujo saldo devedor montava R$ 217.067,74, com vencimento em 05 de outubro de 1998 e outro no valor de R$ 500.000,00, com saldo devedor de R$ 11.433,86, com vencimento em 03 de novembro de 1998. Diante do não pagamento dos valores totais, a Recorrente ajuizou a Ação de Execução Contra Devedor Solvente n.° 273/99, em trâmite perante a 4a Vara Cível do Foro Regional de Santana/SP, a qual foi julgada improcedente, tendo sido negado provimento ao recurso interposto pela Recorrente (Doc. 11). Assim, perfeitamente cumpridos os requisitos necessários à sua dedução, nos termos do artigo 9°, §1o , II, letra "c" da Lei n.° 9.430/96, mormente em razão do seu vencimento ter ocorrido em outubro e novembro de 1998 e a sua dedução ter sido operada em novembro de 2000. A decisão recorrida afirma que a cópia da petição inicial da execução contra devedor solvente trazida com a impugnação apresenta, em 04/02/1999, um valor da causa de R$269.013,17, cujo demonstrativo de cálculos consta da planilha de fl. 1.064. Logo, não é possível inferir, a partir dos elementos trazidos pela contribuinte, a ocorrência da perda no montante de R$240.378,01 em 30/11/2000. Caberia à contribuinte demonstrar tanto fática, por meio dos contratos e escrituração contábil, quanto numericamente, por meio de demonstrativos e planilhas, a perda eventualmente havida, o que não ocorreu no item em questão, razão pela qual se mantém a glosa efetuada pela fiscalização (iv) deduções relacionadas aos diversos CDCs, no valor de R$53.417,06 em 31/11/2000: a Recorrente afirma que, conforme se pode verificar do Relatório de Movimentação Contábil anexado à impugnação, foram devidamente deduzidas as despesas ocorridas, restando indevido o lançamento também neste ponto. A legislação tributária (art. 9o da Lei 9.430/1996) prestigia a possibilidade de aproveitamento de perdas efetivamente percebidas. A decisão recorrida afirma que a contribuinte não demonstrou nos autos ter efetivamente apurado perdas no referido montante. Isso porque o dito "Relatório de Movimentação Contábil" na verdade é composto de cópias do Livro de Apuração do Lucro Real, referentes aos anoscalendário de 1999, 2.000 e 2.001, sendo que não é possível inferir, a partir dos lançamentos no LALUR, a ocorrência da perda supramencionada. Quanto à postergação, a decisão recorrida afirma não ser o caso porque, conforme esclarece o PN COSIT 2/1996, a postergação apenas ocorre quando há uma parcela do tributo que deveria ser paga num determinado períodobase, e esta é efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior (e anterior autuação). Afirma que a contribuinte não trouxe qualquer elemento probante de que os tributos correspondentes foram realmente pagos. A Recorrente se insurge contra a alegação da autoridade julgadora de que o pagamento do tributo posteriormente deveria ter sido comprovado para que a postergação possa ser reconhecida, afirmando que "não há como a Recorrente comprovar o pagamento posterior do tributo, já que tratase de dedução antecipada, ou seja, caso em que a Recorrente deduz tributo anteriormente ao prazo permitido, não havendo que se comprovar o oferecimento posterior do tributo". Afirma, ademais, que o único documento que pode comprovar que a dedução poderia ter sido efetuada em seu devido tempo é a Declaração de Informações Fl. 1804DF CARF MF 14 EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, que comprova ter havido apuração de IRPJ a pagar em anos posteriores, documentos estes disponíveis para a consulta nos sistemas da Administração Publica mas que, mesmo assim, pleiteia a sua juntada neste momento (Doc. 12). No caso, portanto, a Recorrente corrobora a conclusão da decisão recorrida de que não houve postergação (no sentido de pagamento espontâneo de tributo em período base posterior ao devido). Sendo esta a única ocasião em que se poderia pensar em cobrança apenas dos juros e multa correspondentes, oriento meu voto para manter as conclusões da decisão recorrida. PARCELA SUPOSTAMENTE NÃO COMPROVADA Quanto ao valor de R$ 423.944,93 mencionada na fl. 06 do Termo de Verificação: a Recorrente afirma que detinha, em 31/12/2000, na conta 1.6.9.00.00.8 — Provisões para Operações de Crédito, o montante de R$ 3.706.563,17, tendo adicionado, em contrapartida, à Parte B do LALUR, despesas indedutíveis no montante de R$ 4.230.880,30, ou seja, R$ 524.317,13 a mais. Defende que a referida adição a maior não pode ser tratada como valor jamais indedutível, já que nenhum lançamento relativo a Créditos Baixados a Prejuízo foi contabilizado no anocalendário de 2000, devendo tratarse de perda "ainda indedutível" (sic) por força da regra do artigo 9° da Lei n.° 9.430/96. E ainda que se trate de Crédito Baixado a Prejuízo em 1999, estariam sendo cumpridos os requisitos previstos na referida legislação. Com base no quadro acima, defende que foi excluído no LALUR o valor de R$ 423.944,96, inferior ao valor adicionado a maior em períodos anteriores, para ajuste entre o valor da provisão e o valor indedutível que deve continuar adicionado, restando, ainda, um valor a maior de R$ 100.372,25. Ressalta, ainda, que os valores mencionados constam do Termo de Verificação, restando inquestionável a sua apuração. Assim, conclui que o montante de R$ 423.944,93 foi glosado indevidamente, pois não se trata de valores indedutíveis, mas sim de valores que estavam adicionados a maior, tendo tal ajuste sido feito a fim de cumprir a boa prática contábil, ainda que em valor inferior ao necessário (Doc. 13). A decisão recorrida observou, quanto a tal parcela, que não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios de sua ocorrência. Para corroborar as alegações constantes de seu recurso voluntário a Recorrente traz no doc. 13 cópias de balancetes mensais de 6/2001 e 12/2001, que não esclarecem todo o arrazoado trazido em seu recurso (fls. 1.7351.738). Assim, considero que permanece não comprovada tal parcela, razão pela qual oriento meu voto para manter a glosa. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 16327.000819/200466 Acórdão n.º 1401003.048 S1C4T1 Fl. 1.799 15 Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, conhecer, afastar as argüições de decadência e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 1806DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720010/2017-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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RESSARCIMENTO Recorrente USINA ALTO ALEGRE S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 1º trimestre de 2014. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo do PER nº 21108.37389.150415.1.5.186115 (fls. 02 a 14), envolvendo crédito relativo à COFINS incidência não cumulativa, referente ao 1º trimestre de 2014, no total de R$ 937.566,84, transmitido em 15/04/2015. Trata ainda, das DCOMP's nºs 36081.14748.301116.1.3.181970 e 07302.28511.240217.1.3.180200 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 01 0/ 20 17 -7 9 Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.302 2 que citam aquele PER como possuidor das informações sobre o crédito (PER inicial). O Despacho Decisório nº 140/2017 SAORT/DRF/PPE (fls. 3.125/3.128) exarado pela Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP deferiu em parte o Pedido de Ressarcimento. No referido Despacho Decisório encontrase consignado, resumidamente, que: · O processo administrativo nº 10835.720014/201757 trata da verificação dos créditos de PIS e COFINS não cumulativos períodos 01/2013 a 06/2015, que resultou em Auto de Infração fls. 16/59, em decorrência da constituição indevida de créditos sobre dispêndios no cultivo de canadeaçúcar e transporte de mercadorias entre estabelecimentos; · Segundo o Relatório de Fiscalização daquele Auto de Infração, anexado às fls. 60 a 125, os créditos apurados indevidamente de COFINS não cumulativa, foram glosados de forma proporcional (rateio) às espécies de receitas (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno, crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno; crédito vinculado à receita de exportação); · Foi reconhecido o direito ao ressarcimento de R$ 661.610,76 a título de COFINS não cumulativa para o 1º trimestre de 2014 e homologadas as compensações. (...) Cientificada da decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3.139/3.146). Transcrevese abaixo os itens que sintetizam toda a argumentação: 1. Dos fundamentos do Despacho Decisório 1.2. Depreendese ... do Despacho que, em razão das glosas de créditos aproveitados de PIS e COFINS ..., processo administrativo n° 15940.720014/201757, o valor de COFINS mercado interno passível de ressarcimento, no PER/DCOMP nº 13763.32767.240315.1.1.191791, seria de apenas R$ 4.176.300,51. Por isso, não foi deferido o pedido de ressarcimento referente ao valor de R$ 2.535.869,11, objeto de glosa no citado procedimento fiscal. Apesar do deferimento parcial do pedido de ressarcimento, o crédito nele reconhecido seria suficiente para a compensação declarada pela Requerente, de modo que as declarações de compensação foram totalmente homologadas. 2. Das razões pelas quais o Despacho Decisório deve ser reformado 2.1. Conforme se demonstrará, é equivocado o deferimento parcial do pedido de ressarcimento ..., pautado nas glosas promovidas no procedimento fiscal n° 0810500.2016.00475, processo administrativo n°15940.720014/201757... a Requerente apresentou impugnação ao Auto de Infração lavrado .... Fl. 3319DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.303 3 Nos termos da impugnação apresentada, a Requerente defende a legalidade e regularidade dos créditos apurados e postula o cancelamento do auto de infração. Sucessivamente, ainda que mantidas as glosas, a Requerente sustenta que não poderá ser mantido o critério adotado pela Autoridade Fiscal para refazer a apuração das contribuições devidas e o saldo de crédito de PIS e COFINS. Com efeito, o deferimento do pedido de ressarcimento pressupõe a existência de saldos de contribuições superiores àquelas devidas pelo contribuinte, ou seja, a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor da Fazenda Nacional (Instrução Normativa n° 1060/2010, art. 5o; c.c. Instrução Normativa n° 1.300/2012, arts. 62 a 66). Diante disso, após o julgamento da impugnação ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, terseá uma das três situações: i) Se a impugnação for acolhida e o auto de infração ... for cancelado, não subsistirá a glosa ... Nessa hipótese, o pedido de ressarcimento PER/DComp nº 12163.42492.150415.1.5.199672 deverá ser integralmente deferimento; ii) Se for acolhida a tese sucessiva desenvolvida na impugnação, confirmandose as glosas de crédito e/ou os lançamentos por suposta omissão de receita, as apurações da contribuição para o PIS e da COFINS deverão ser refeitas, de modo a imputar os créditos apropriados primeiro para a compensação das contribuições devidas, e, depois, ajustar o pedido de ressarcimento, a depender do saldo remanescente dos créditos reconhecidos. Nessa hipótese, os créditos passíveis de deferimento no pedido de ressarcimento PER/DComp nº 13763.32767.240315.1.1.191791 também deverão ser ajustados, pois o saldo disponível para ressarcimento, provavelmente, será inferior ao ora deferido; iii) Se a impugnação ao auto de infração não for acolhida, aí sim, e somente assim, o Despacho Decisório ora atacado não será afetado. 2.2. Embora o mérito da defesa ao auto de infração ... processo administrativo n° 15940.720014/201757, deva ser apreciado naquele processo, por cautela, passase a tecer alguns esclarecimentos ... 2.2.1. Colhese do relatório de fiscalização que a Requerente teria cometido as seguintes infrações relativas à contribuição para o PIS e à COFINS: a) Nos períodos de apuração 04/2012, 04/2013 e 01/2014: não oferecimento à tributação de receitas decorrentes da baixa de dívidas de IPI, que teriam sido lançadas em conta do passivo e posteriormente baixadas, após perda do direito do fisco de cobrálas; b) No período de apuração 01/2013 a 06/2015: b.1) apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar, que não teriam sido direta e imediatamente utilizados na fabricação de açúcar e álcool, e, por isso, não poderiam ser entendidos como insumos; Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.304 4 b.2) apuração de créditos sobre despesas de transporte entre seus estabelecimentos de produtos acabados ou em elaboração, consistentes em i) industrialização efetuada para outra empresa; ii) remessa para industrialização por encomenda; iii) retorno de mercadoria utilizada na industrialização por encomenda; iv) transferência de material de uso ou consumo; e v) transferência de produção do estabelecimento; b.3) utilização dos créditos presumidos sobre compra de canade açúcar de pessoas físicas, em parte, nos pedidos de ressarcimento. 2.2.2. No que concerne ao item "a" acima, a Requerente esclareceu que o Auditor Fiscal partiu de premissa de que a baixa da provisão contábil de valores relativos ao IPI incidente na venda de açúcar, atingidos pela decadência, configuraria extinção de um passivo, sem o correspondente desaparecimento de um ativo e, por isso, deveria ser reconhecida como nova receita. A partir dessa proposição, o Agente Autuante afastou o tratamento contábil dado pela Requerente, transformando provisão em passivo. Ocorre que, mesmo que se admita a existência de passivo e a geração de receita em função da reversão da provisão, é forçoso reconhecer que aqueles valores provisionados correspondentes ao IPI não destacado já tinham sido oferecidos à tributação. É que todo o valor da venda do açúcar, inclusive aquele relativo ao IPI supostamente incidente, era oferecido à tributação do PIS e da COFINS, embora o mencionado imposto não compusesse a base de cálculo dessas contribuições. Portanto, como detalhadamente demonstrado na impugnação ao auto de infração, a receita composta pelo valor que corresponderia ao IPI (que não foi recolhido) sofreu a incidência do PIS e da COFINS, no momento da saída do açúcar, mesmo não integrando a base de cálculo das contribuições. Sendo assim, o lançamento lá combatido caracteriza bis in idem, o que leva à necessidade de seu cancelamento. 2.2.3. Em relação à apuração de créditos sobre aquisição de bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar (item b.1 acima), a Requerente demonstrou a insubsistência dos fundamentos adotados... Como demonstrado na impugnação, os fundamentos adotados na autuação, primeiro, desconsideram as peculiaridades do processo produtivo ..., segregando, indevidamente, a etapa agrícola da produção; depois, estão pautados na interpretação equivocada da legislação do PIS e COFINS, ao "conceituar" insumo de forma contrária à lei; por fim, a autuação está em desacordo com o entendimento recente e reiteradamente manifestado pelo ... (CARF), assim como do ... (STJ). Portanto, ... nem a glosa dos créditos apurados, nem tampouco o lançamento de débitos decorrentes dessa glosa, poderão ser mantidos. Fl. 3321DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.305 5 2.2.3. ... a Requerente demonstrou a insubsistência do fundamento, também amparado na legislação do IPI, para glosar créditos apurados sobre despesas de transporte entre os estabelecimentos da Requerente de produtos acabados ou em elaboração, além de material de uso ou consumo (item b.2 acima). Mais uma vez a posição do Auditor Fiscal se dissociou do entendimento adotado pelo CARF, que, reiteradamente, vem admitindo a apuração de créditos de PIS e COFINS na remessa de insumos de um estabelecimento a outro do mesmo contribuinte, de produtos em elaboração, assim como de produtos acabados. Além disso, mesmo que se entenda que a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre as despesas com transporte não pode ser admitida em todas as hipóteses consideradas pela Requerente, ainda assim a autuação não poderá ser integralmente mantida, porque, ao contrário do que relatado pelo Auditor Fiscal, a maior parte dos créditos apurados pela Requerente sob essa rubrica se refere, na realidade, ao frete utilizado na remessa para industrialização. E como observado, essa operação é expressamente prevista e disciplinada na legislação do ICMS (RICMS/SP. art. 401: RICMS/PR, art. 334), e também está expressamente prevista no Decreto nº 7.212/2010, que regulamenta o IPI. 2.2.4. No que toca à utilização dos créditos presumidos (item b.3 acima), a Requerente esclareceu que, ao apresentar o pedido de ressarcimento dos créditos..., deixou de distinguir os créditos presumidos apurados sobre a canadeaçúcar adquirida de pessoas físicas. Por isso, foi postulado o ressarcimento indevido de crédito presumido nas competências abril/2013 a julho/2013. ... os créditos apropriados pela Requerente eram significativamente superiores às contribuições devidas. Sendo assim, se procedente a impugnação ao auto de infração, os créditos presumidos excluídos do pedido de ressarcimento serão computados na compensação de contribuições devidas e os demais créditos que assim haviam sido computados integrarão o pedido de ressarcimento. Logo, com o cancelamento do auto de infração, o saldo de créditos passíveis de ressarcimento, ... não sofrerá alteração. 2.3. Portanto, a procedência da defesa ao auto de infração n° 0810500.2016.00475, ainda que parcial, implicará, necessariamente, na reforma do Despacho Decisório n° 108/2017... ... o julgamento desta manifestação de inconformidade deverá aguardar o julgamento da impugnação apresentada no processo administrativo n° 15940.720014/201757... É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora julgou improcedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0965.924, de 01/03/2018 (fls. 3223 e ss.), assim ementado: Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.306 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2012, 30/04/2013, 31/01/2014 BASE DE CÁLCULO. EXTINÇÃO DE PASSIVO. RECEITA. CARACTERIZAÇÃO. Constitui receita tributável na sistemática de apuração não cumulativa a receita decorrente da extinção de uma obrigação constante do Passivo sem a correspondente extinção de item do Ativo. O registro de obrigações tributárias no Passivo não constitui Provisão, na medida em que não há incerteza acerca da constituição, tempo ou dimensão do débito. Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 CRÉDITOS. INSUMOS. FABRICAÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. 1. No cálculo da Cofins nãocumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. 2. Bens e serviços empregados no cultivo de canadeaçúcar não se classificam como insumos na fabricação de açúcar e álcool, por se tratarem de processos produtivos diversos. As despesas com aqueles itens não geram direito à apuração de créditos na determinação da contribuição devida sobre as receitas auferidas com vendas de açúcar e álcool produzidos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da razoabilidade, do não confisco ou da capacidade contributiva, dentre outros, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2.A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência judicial colacionada não possui legalmente eficácia normativa, não se constituindo em norma geral de direito tributário se não atendidos nenhum dos requisitos previstos no § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. 4. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, salvo quando da existência de Súmula do CARF vinculando a administração tributária federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 3253 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já declinados em sua impugnação. Fl. 3323DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.307 7 O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto com os autos de infração dessas contribuições lavrados em decorrência da insuficiência de recolhimento. Contestado o lançamento, a DRJ manteveo na integralidade. Em síntese, foram as seguintes as infrações verificadas: a) não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das baixas das obrigações de IPI a pagar/recolher; b) créditos indevidos sobre gastos realizados no cultivo da canadeaçúcar; c) créditos indevidos sobre despesas de transporte de mercadorias entre estabelecimentos da Recorrente; d) crédito presumido indevido sobre a aquisição de canadeaçúcar de pessoas físicas para dedução das contribuições apuradas ao invés de utilizálos nos pedidos de ressarcimento. No respeitante à primeira matéria, alega a Recorrente que, em apreço ao princípio da prudência, fez uma mera transferência de receita (que, no período em que auferida, teria sido tributada pelo PIS/Cofins), não uma transferência de IPI (que não teria sido cobrado!), de uma conta contábil para uma conta de provisão deste imposto, em face da possibilidade de vir a ser cobrada pelo Fisco dos valores que deixaram de ser exigidos de seus clientes nas operações de venda que realizou. Para Recorrente, portanto, haveria, se mantida a autuação, a tributação da mesma receita duas vezes: quando do seu efetivo auferimento e quando da reversão da "provisão do IPI". É, com efeito, o que ocorreria, se os fatos se verificaram conforme descritos no recurso. Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora verifique: a) se em todos os meses em que houve a constituição da provisão do IPI a base de cálculo do PIS/Cofins informada no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon correspondia ao faturamento antes da contabilização desta provisão; b) se o total das receitas auferidas em cada um desses meses foi oferecido à tributação pelo PIS/Cofins. Por fim, a Recorrente deve ser intimada para que, se assim desejar, manifestese sobre o resultado da diligência. Após, retornem os autos a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto. Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 15940.720010/201779 Resolução nº 3201001.477 S3C2T1 Fl. 3.308 8 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001378/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Elizabeth Rodrigues Grinszpan.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Elizabeth Rodrigues Grinszpan. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1484; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 96 1 95 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001378/200724 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.440 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de fevereiro de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente Elizabeth Rodrigues Grinszpan Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Elizabeth Rodrigues Grinszpan. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 37 8/ 20 07 -2 4 Fl. 650DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fls. 390 a 403 dos anoscalendário 2001 e 2002 em virtude da apuração das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada; c) multas isoladas — falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. O enquadramento legal consta às fls. 392 a 394 e 402. A descrição das infrações está as fls. 392 e 393. 0 Termo de Verificação encontrase as fls. 379 a 389. O crédito tributário total alcançou a importância de R$ 487.735,12. Além do imposto foi cobrada multa qualificada, multa de oficio, multa isolada e juros de mora. Também foi elaborada representação fiscal para fins penais. Após cientificada do Auto de Infração em referência, em 19/10/07 (fl. 405), foi apresentada a impugnação de fls. 409 a 510, A Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro– DRJ/RJOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1322.740, de 11 de dezembro de 2008. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 98 3 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 652DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 99 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 653DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 100 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 654DF CARF MF Processo nº 18471.001378/200724 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.440 S2C2T2 Fl. 101 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 655DF CARF MF
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