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Numero do processo: 36624.014337/2006-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para informar a situação da NFLD 37.014.665-4, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAIA DROGASIL S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para informar a situação da NFLD 37.014.6654, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 24 .0 14 33 7/ 20 06 -1 6 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.014.6662, emitido em 30/10/2006, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 243.505,68 (duzentos e quarenta e três mil, quinhentos e cinco reais e sessenta e oito centavos), por infringência ao artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei 8.212/91, uma vez que a empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social, nas competências de 08/99 a 03/2003, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal, as omissões referemse a prêmios pagos, por meio de cartões eletrônicos, a segurados empregados que prestaram serviços à Notificada nas 25 competências: 08/1999,12/1999, 01/2000, 02/2000, 03/2000, 12/2000, 02/2001, 042001, 12/2001, 01/2002, 03/2002, 08/2002, 02/2003 e 03/2003. Tais remunerações foram apuradas pelo confronto dos valores nominais das Notas Fiscais de serviços emitidas pela empresa Incentive House S/A, CNPJ n° 00.416.126/000141, com os correspondentes registros contábeis efetivados na "ContaCorrente n° 4.11.29.01.00020 Propaganda e Publicidade: Matriz Outros meios". Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a multa aplicada foi a prevista no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso II, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no valor de R$ 243.505,68 (duzentos e quarenta e três mil, quinhentos e cinco reais e sessenta e oito centavos), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, a um multiplicador, obtido em função do número de empregados da empresa, sobre o valor mínimo previsto no art. 92. O cálculo da multa encontrase detalhado nos anexos de fls. 05/07. A autuada apresentou impugnação, tendo a Secretaria da Receita Previdenciária/Delegacia em São Paulo Oeste julgado a autuação procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 10/02/2011, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301001.823, com o seguinte resultado: “ Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para utilizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto da Relatora. II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial do I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Adriano González Silvério”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/03/2003 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Fl. 284DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 4 3 Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pela MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 24/08/2011, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs em 16/09/2011, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. ) alegando erro material/contradição ao reconhecer a decadência da autuação em relação à competência 12/2000, pois, com a aplicação do prazo previsto no art. 173, I, do CTN, a decadência somente afetaria os créditos tributários constituídos até 11/2000. Tais embargos foram rejeitados. O processo foi novamente encaminhado à Fazenda Nacional, em 07/01/2014, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, da rejeição dos embargos de declaração opostos por ela. A Fazenda Nacional interpôs, em 10/01/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) termo inicial do prazo decadencial – art. 173, I, do CTN; e b) retroatividade benigna obrigação acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 102/2014, da 3ª Câmara, de 12/02/2014. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 5 4 O recorrente traz como alegações, em relação ao item “a” – termo inicial do prazo decadencial – art. 173, I, do CTN, que a decisão recorrida aplicou de modo equivocado a aludida norma na contagem do prazo decadencial quanto ao fato gerador ocorrido em dezembro de 2000. Ressalta que tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão trazido como paradigma houve aplicação do art. 173, I, do CTN segundo tese firmada no Recurso Repetitivo nº 973.733 do STJ, de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010. Argumenta que o Colegiado a quo sustenta que o art. 62A do RICARF impõe a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ, o que afasta a aplicação do conteúdo expresso do art. 173, I, do CTN, segundo o qual o direito da Fazenda Pública constituir o credito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, prevalecendo a assertiva encontrada de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponível; e que o paradigma, acertadamente, preceitua que o acórdão do STJ deve ser devidamente interpretado, sobretudo considerandose a própria jurisprudência mansa e pacifica daquela Corte, mesmo em período posterior ao julgamento do Resp n° 973.733/SC, que determina a contagem da decadência regida pelo art. 173, I, do CTN, nos precisos termos de sua redação, isto e, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Salienta que, no presente caso, verificase que não há que se falar em decadência da competência de dezembro de 2000, porque a sua exigibilidade (vencimento) somente ocorreu a partir de 01/2001; por conseguinte, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi 1°/01/2002; já, o último dia da decadência quinquenal foi 31/12/2006; e, portanto, considerando que a ciência da autuação ocorrera em 06/11/2006, não há falar em decadência em relação à referida competência (12/2000). Requer, assim, a reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja restabelecida a cobrança da competência 12/2000, eis que não atingida pela decadência, tendo em conta o disposto no art. 173, I, do CTN, em consonância com o entendimento firmado pelo STJ em sede de recurso repetitivo. Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2301001.823, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 14/10/2015, o contribuinte interpôs, em 29/10/2015, portanto tempestivamente, Recurso Especial (fls. ) da parte do Acórdão que lhe foi desfavorável e contrarrazões (fls. ). Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 23/03/2016 (fls. ) e Despacho s/nº, da CSRF, (fls. ), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 6 5 Em suas contrarrazões, o contribuinte diz que a discussão trazida pela Recorrente diz respeito à aplicação de uma das seguintes normas jurídicas para cálculo da multa aplicada neste feito, ambas introduzidas pela Lei nº 11.941/2009: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo.” “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Argumenta que da simples análise das normas transcritas, fica claro que elas se aplicam a hipóteses absolutamente distintas, referindose o art. 32A ao descumprimento de obrigações acessórias e o art. 35A ao descumprimento de obrigação principal; e que nos presentes autos aplicase, sem dúvida, o art. 32A, visto que exigida multa pelo suposto descumprimento de obrigação acessória. Afirma que a aplicação do art. 35A ao presente caso implicaria verdadeiro bis in idem, já que a multa de ofício sobre a obrigação principal já é exigida na NFLD nº 37.014.6638. Ressalta que o objeto da Lei nº 11.941/2009 foi o de reduzir as absurdas e cumulativas penalidades no âmbito da contribuição previdenciária, especialmente aquelas previstas para obrigações acessórias e que a aplicação do art. 35A a essas obrigações acaba por fulminar qualquer redução, já que este dispositivo determina a exigência de pesada multa do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, apurada sobre o valor de eventual contribuição devida. Acrescenta que tal procedimento acabaria por determinar a perda de eficácia da própria norma, contrariando a vontade do legislador em benefício daquele órgão que foi efetivamente o alvo da legislação. Por fim, ressalta que a interpretação pleiteada pela Recorrente somente pode ser adotada, a despeito de sua ínsita falta de lógica, se ignorado mandamento expresso no art. 112 do Código Tributário Nacional: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. “ É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 168. Das Preliminares ao Mérito As questão objeto do recurso referemse, resumidamente, a regra para aferição da decadência quinquenal, bem como, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Contudo, por tratarse de AI de obrigação acessória AIOA, para atribuir certeza ao crédito, conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, qual seja: NFLD/DEBCAD 37.014.6654, contudo não foi possível identificar qual a situação do processo, nem mesmo identificamos o número a ele atribuído no sistema, para que pudéssemos pesquisar o andamento, o que prejudica a continuidade do presente lançamento. Dessa forma, deve a DRF prestar informações quanto ao andamento do referidos lançamento, identificando o número do processo atribuído a cada lançamento em relação ao DEBCAD, bem como os fatos geradores lançados e a existência de julgamentos, pedidos de parcelamento, ou qualquer outra informação que possibilite identificar a procedência dos lançamentos. Solicitase, caso exista outro lançamento, além do aqui identificado, a realização de planilha com as informações solicitadas, para que se possa decidir com clareza o resultado da multa aplicada em relação aos fatos geradores omissos. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRF preste informações acerca do andamento da obrigação principal que embasou a presente autuação, mais especificamente: NFLD/DEBCAD 37.014.6654. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.901137/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 11 37 /2 01 1- 69 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.046. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907295/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.099
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 29 5/ 20 12 -2 6 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 110 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 111 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 112 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 113 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679794/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/04/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.850
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 97 94 /2 00 9- 71 Fl. 99DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.094, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 101DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 103DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 105DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 107DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 109DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722139/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA.
O vínculo de solidariedade entre os contribuintes, consubstanciado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, é matéria definitiva nesta via administrativa.
PRESUNÇÃO LEGAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são receitas omitidas, sujeitas à incidência do IRPJ e reflexos.
Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Trata-se de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada.
No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 1401-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. O vínculo de solidariedade entre os contribuintes, consubstanciado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, é matéria definitiva nesta via administrativa. PRESUNÇÃO LEGAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são receitas omitidas, sujeitas à incidência do IRPJ e reflexos. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada. No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 21 39 /2 01 2- 64 Fl. 4109DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório 1. Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) que manteve parcialmente o crédito tributário decorrente de infrações a legislação tributária, em virtude da aplicação indevida do percentual para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL, ausência de inclusão na base de cálculo do IRPJ dos juros sobre o capital próprio, ausência de inclusão na base de cálculo do IRPJ de outras receitas, e pelas seguintes omissões de receitas (financeiras, não escrituradas e não declaradas, de prestação de serviços, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, na revenda de mercadorias para o exterior, escriturada e não declarada, de rendimentos e/ou ganhos líquidos de aplicação financeira de renda fixa ou de renda variável). 2. As infrações tributárias descritas acima se referem ao ano calendário de 2007, nos quais são exigidos da recorrente o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, e a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme valores descriminados nas tabelas abaixo: IRPJ VALOR DO CRÉDITO R$ 2.601.664,96 JUROS R$ 1.352.926,38 MULTA R$ 2.014.033,34 VALOR TOTAL R$ 5.968.624,68 CSLL Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.110 3 VALOR DO CRÉDITO R$ 828.355,37 JUROS R$ 431.313,97 MULTA R$ 643.867,52 VALOR TOTAL R$ 1.903.534,86 COFINS VALOR DO CRÉDITO R$ 197.721,97 JUROS R$ 106.759,06 MULTA R$ 170.478,57 VALOR TOTAL R$ 474.956,60 PIS/PASSEP VALOR DO CRÉDITO R$ 42.839,75 JUROS R$ 23.131,12 MULTA R$ 36.937,05 VALOR TOTAL R$ 102.907,92 2. Segundo informações constantes nos autos, a recorrente é uma empresa prestadora de serviços de engenharia de trânsito, “dedicandose especialmente aos serviços de sinalização viária, operação de radares fixos e móveis, fiscalização, utilizando exclusivamente os percentuais de 8% e 12% para apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, respectivamente”. 3. Inferese dos autos, que “no tocante à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a partir de extratos bancários fornecidos pelo contribuinte e assenhoreados pelo fisco via RMF, a fiscalização efetuou as exclusões dos créditos com origem comprovada, remanescendo montantes com origem não esclarecida, considerados como presunção de omissão de receita, na forma do art. 42 da Lei n 9.430/96”. 4. A despeito da multa de ofício aplicada, esta foi qualificada, na medida em que se vinculou aos “tributos provenientes das infrações de omissão de receitas financeiras, não escrituradas e não declaradas pelo sujeito passivo, nos importes de R$ 3.459,84, R$ 5.659,83, R$ 8.484,75 e R$ 10.780,17, nos 04 trimestres do anocalendário 2007, e da omissão de receitas de prestação de serviços, não escrituradas e não declaradas pelo sujeito passivo, Fl. 4111DF CARF MF 4 nos importes de R$ 225.000,00, R$225.000,00, R$ 225.000,00 e R$ 282.707,98, nos 04 trimestres do AC2007”. 5. Lavrouse termo de responsabilidade solidária em face do Sr. Izildo Marques de Oliveira, com a seguinte fundamentação: Infrações tributárias de ações comissivas e dolosas constituindose como sonegação fiscal e responsabilidade solidária nos termos do art. 135, inciso III do CTN. "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". 6. Cientificado da autuação fiscal em 17/09/2012 (fls. 3.828) o interessado apresentou Impugnação em 11/10/2012 (fls. 3.832/3.904), na qual alegou: i) DA NULIDADE: Alegou a nulidade do auto de infração, pois “a autoridade lançadora enviou por via postal os autos de infração, seus anexos e o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, recebidos em 14/09/2012, porém o fiscalizado não conseguiu vista do processo na DERAT São Paulo (SP), sob alegação de que o processo não se encontrava naquela unidade, sendo que a autoridade demorou excessivamente para liberar o processo, que chegou na DERAT somente em 02/10/2012, véspera da data fatal para apresentação da impugnação”; ii) DA APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA QUALIFICADA: Argumenta que “só poderia ter sido feita se constatada qualquer conduta concernente à falsidade material, falsidade ideológica ou desatendimento de intimações, o que não aconteceu, justificando, assim, a exoneração da qualificação da multa, por não se enquadrar como crime de sonegação fiscal, fraude e conluio, assim definidos na Lei nº 4.502/64”; iii) DA DECADÊNCIA: Requereu a declaração da “decadência dos créditos tributários dos meses de janeiro a agosto de 2007, considerando a lavratura da autuação em setembro de 2012, pela fluência do qüinqüênio decadencial, contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN”; iv) DA INAPTIDÃO: Afirma que a “declaração de inaptidão da empresa deve ser cancelada, pois, diferentemente do asseverado pela autoridade fiscal, o contribuinte se encontra estabelecido na Rua Eclisio Viviani, nº 165, 1º andar, Centro, Osasco”; v) DA APLICAÇÃO ILEGAL DO PERCENTUAL DE 32% NA DETERMINAÇÃO DA RECEITA LÍQUIDA: Alega que “a atividade exercida pela contribuinte se encontra no rol da construção civil por empreitada, pois presta serviços com emprego total de materiais conforme se pode verificar pelas notas fiscais juntadas, fazendo jus aos percentuais de presunção de 8% e 12% para cálculo do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL, respectivamente, em linha com o entendimento da RFB exarado em soluções de consultas”. E que, “o Fisco Federal aplicou ilegalmente o percentual de 32% (trinta e dois por cento) na determinação da receita liquida no regime de tributação lucro presumido, quando o certo seria o percentual de 8% (oito por cento) pela legislação tributária”; Fl. 4112DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.111 5 vi) DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA PELA SUPOSTA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA COM O FITO DE CARACTERIZAR A SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: Afirma que a fiscalização “esqueceuse de que os supostos depósitos bancários podem se constituir em valiosos indícios, mas não fazem prova de omissão de receita, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos, além de que, para amparar tal lançamento mister que se estabeleça um nexo causal entre cada deposito e a receita supostamente omitida"; vii) DO ÔNUS DA PROVA: Alega que o lançamento do crédito tributário foi alicerçado em mera presunção, meros indícios, sem provas concretas, com inversão indevida do ônus da prova, pois o contribuinte não admitiu, reconheceu ou confessou a alegação do fisco, outro lhe opondo fato impeditivo, modificativo ou extintivo, sendo que “uma autuação fiscal baseada em mera presunção é um procedimento execrado pelo Poder Judiciário, pelos julgadores administrativos e pela doutrina, que entendem prevalecer, no processo administrativo, o princípio da verdade real ou material, e nunca a verdade ficta ou presumida”; viii) REQUEREU o cancelamento dos autos de infração, bem como o arquivamento do processo administrativo fiscal. Pugnou pela juntada de documentos, realização de perícias, diligências, vistorias, etc. 7. O Acórdão ora Recorrido (1143.913 – 4ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. O sujeito passivo solidário não combateu o vínculo de solidariedade que o une em face da exação lançada. Dessa forma, forçoso reconhecer que o vínculo de solidariedade entre os contribuintes, consubstanciado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, é matéria definitiva nesta via administrativa. NULIDADE. RETARDO NA VISTA DO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. A mera alegação de demora na vista aos autos por culpa da repartição, quando o contribuinte assevera que recebeu pelos Correios os autos de infração, seus anexos e o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, é insuficiente para decretação de nulidade do lançamento. A uma porque o contribuinte recebeu as peças com as imputações, o que permitiria aparelhar sua defesa; a duas porque o contribuinte não demonstrou como tal retardo prejudicou sua defesa, pois não trouxe qualquer alegação ou documento e, principalmente, porque logrou apresentar sua impugnação diversos dias antes do prazo fatal. Nessa linha, ausente a demonstração de Fl. 4113DF CARF MF 6 como o pretenso retardo na vista aos autos prejudicou sua defesa, inviável acatar a presente nulidade, pois aqui se aplica o brocardo do pas de nullité sans grief (nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para o fiscalizado). MULTA QUALIFICADA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA NÃO CONTABILIZADA. CANCELAMENTO. Sob óptica da tributação, a contabilização, ou não, das receitas, desde que não ofertadas em ambos os casos à tributação, é um fenômeno de igual relevância, obviamente desde que não haja alguma conduta fraudulenta a tipificar a conduta do contribuinte, como, exemplificadamente, a emissão de nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, falsidade documental, falsidade ideológica, emissão de nota fiscal calçada, emissão de notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), omissão reiterada de receitas, em diversos anoscalendário, confissão de receitas, seguidamente, minoradas à Fazenda Federal em face daquelas confessadas ao fisco dos entes subnacionais, hipóteses estas que justificam a qualificação da multa de ofício. Porém, atentese, o contribuinte não incorreu em quaisquer dessas condutas qualificadas, mas simplesmente não contabilizou parcialmente receitas oriundas de um consórcio do qual fazia parte, auferidas em sua maior parte em um acordo judicial, que sequer são expressivas em face do total ofertado à tributação no anocalendário 2007, ou seja, plausível encarálas como uma simples omissão de receitas, a não justificar a qualificação da multa de ofício, na forma da Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO OU PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NO RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (JULGADO EM 12/08/2009, RELATOR O MINISTRO LUIZ FUX), QUE TEVE O ACÓRDÃO SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543C, DO CPC E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 (REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A partir do posicionamento do STJ no RESP nº 973.733, o CARF passou a adotar a mesma tese (precedentes: acórdãos CSRF nºs 9101001.417, 9202002.850 e 9303002.373), entendimento que deve ser seguido, por coerência, por esta primeira instância (Turma da DRJ), ou seja, não havendo pagamento ou no caso de fraude, dolo ou simulação, a regra decadencial está estampada no art. 173, I, do CTN; de outro vértice, havendo pagamento antecipado sem dolo, fraude ou simulação, seguese a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 4114DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.112 7 ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são receitas omitidas, sujeitas à incidência do IRPJ e reflexos. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 8. Isto porque, segundo entendimento da Turma, acerca da caracterização do instituto da decadência in casu, “considerando a ciência do lançamento em 14/09/2012 (fl.3.821), os fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o quinquênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados. Assim, permanecem hígidos, apenas, os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL do 3º e 4º trimestres de 2007 (aperfeiçoados os fatos geradores em 30/09/2007 e 31/12/2007) e da COFINS e do PIS/PASEP de setembro a dezembro de 2007”. 9. Afirmando que “sempre que a atividade de prestação de serviço de construção civil empregar unicamente mãodeobra, o percentual de presunção é de 32%; quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, o percentual de presunção é de 8%”; 10. Dessa forma, tendo em vista o julgamento procedente em parte da impugnação apresentada, restou decidido: 1. A redução da multa qualificada do percentual de 150% para 75% para: 2. O IRPJ do 3º trimestre de 2007 deve ser reduzido de R$ 629.199,58 (fl. 3.771) para R$ 337.789,18, com multa de ofício de 75%; Fl. 4115DF CARF MF 8 3. A CSLL do 3º trimestre de 2007 referente à APLICAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO deve ser reduzida de R$ 143.107,58 (fl. 3.754 c/c a fl. 3.923) para R$ 55.684,46, com multa de ofício de 75%. A CSLL devida das demais infrações (R$ 14.233,01 e R$ 45.493,58 – fl. 3.927 c/c a fl. 3.787) deve ser mantida inalterada, apenas reduzindo a multa qualificada da primeira importância para o percentual ordinário de 75%; 4. O IRPJ do 4º trimestre de 2007 deve ser reduzido de R$ 688.544,36 (fl. 3.773) para R$ 379.165,65, com multa de ofício de 75%; 5. A CSLL do 4º trimestre de 2007 referente à APLICAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO deve ser reduzida de R$ 184.948,57 (fl. 3.755 c/c 3.923) para R$ 92.134,96, com multa de ofício de 75%. A CSLL devida das demais infrações (R$ 9.112,21 e R$ 16.852,72 – fl. 3.927 c/c a fl. 3.789) deve ser mantida inalterada, apenas reduzindo a multa qualificada da primeira importância para o percentual ordinário de 75%. 6. O reconhecimento dos fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o quinquênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados; 7. A exclusão da infração nº 1 (aplicação indevida do percentual para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL) do relatório as receitas decorrentes da prestação de construção por empreitada, com emprego de materiais. 11. Houve interposição de Recurso de Ofício às fls. 3.9347 dos autos, tendo em vista que a exoneração do crédito tributário superou o valor de R$ 1.000.000,00. 12. Ciente da decisão do Acordão em 13/05/2014 (fls. 4.031), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 28/05/2014 (fls. 4.036/4.090), no qual alegou somente: i) DA INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA PELA SUPOSTA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA: Alega “que as quantias objeto da discussão, não se caracterizam como rendimento, sendo a autuação feita de forma arbitrária e ilegal” E que “a quebra do sigilo bancário é uma excepcionalidade frente ao atual ordenamento jurídico. Sendo, incontestável a posição do STF acerca da inviolabilidade do sigilo bancário sem autorização judicial”. Colaciona diversos julgados de alguns tribunais de justiça e do STF para corroborar a sua tese; ii) Informa que no caso dos autos, “há patente vício de procedimento que macula o crédito tributário dele decorrente, pois o princípio constitucional Fl. 4116DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.113 9 da legalidade tributária impõe a observância, tanto da lei tributária material. conformada com o texto constitucional, quanto da lei tributária de natureza processual para constituição do crédito tributário igualmente conformado com os dispositivos da Constituição Federal”. iii) DO ÔNUS DA PROVA: Aduz que “o ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir à contribuinte o dever de prova”. Salienta que “o princípio da verdade material é um dos mais importantes princípios do Direito Administrativo; reza tal princípio que no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade pura, os reais fatos ocorridos, independente de quaisquer formalidades ou ficções estabelecidas pela norma, mesmo que para tanto o agente administrativo use elementos alheios ao processo ou a ele trazidos de forma inusitada”. iv) Afirma ao final, que “o princípio da segurança jurídica é um vetor na busca pela justiça e prima pela observância de institutos consubstanciados, principalmente, no respeito aos direitos adquiridos, no devido processo legal, ensejando, desta maneira, imposição de limites e a segurança, propriamente dita, do cidadão ao depararse com as invalidações dos atos administrativos considerados ilegais ou inconstitucionais”; v) Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para reformar o acórdão recorrido, desobrigando a recorrente do recolhimento de quaisquer quantias, por ser injusta e indevida a pretensão do Fisco. 13. Verificase, portanto, que no Recurso Voluntário, tal qual na Impugnação, não há questionamentos quanto à responsabilidade solidária do sócio administrador, questão que ganhou definitividade na esfera administrativa. 14. Ademais, não há qualquer questionamento fático ou apresentação de nova prova. Ainda, sequer há impugnação específica à decisão recorrida, tão somente foram lançados argumentos genéricos e de direito, questionando a constitucionalidade do uso da movimentação bancária e questionamentos quanto ao ônus da prova. 15. Às fls. 4.107 dos autos Despacho de Encaminhamento ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. 16. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Fl. 4117DF CARF MF 10 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Passo a analisar o Recurso Voluntário. Inicialmente cumpre esclarecer que, desde a impugnação, e repetidos no Recurso, os fundamentos do contribuinte não enfrentam a matéria fática e de direito. Especialmente no Recurso Voluntário, o contribuinte se resume a apresentar razões genéricas quanto à inconstitucionalidade da "quebra de sigilo", defende que o ônus da prova é do Fisco e que o lançamento estaria viciado. Tratase, a meu ver, de argumentação meramente protelatória e desprovida de fundamento. O lançamento encontrase devidamente fundamentado, tanto no auto de infração, com o devido enquadramento legal, quanto na descrição das razões de fato e de direito da autuação. A ausência de comprovação da origem da movimentação fundamentou a presunção legal de omissão de receita, o que ficou claramente identificado no lançamento. No que se refere à alegação de nulidade do lançamento face a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, a qual analiso como preliminar, cumpre ressaltar que dispõe a Súmula CARF nº 2, a qual é de aplicação vinculante: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não cabe a este colegiado exercer qualquer função de controle de constitucionalidade com redução de texto. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, conforme dispositivo legal já transcrito. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada. No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.114 11 No mesmo sentido, entendo que nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida também deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere à manutenção da multa qualificada. Face o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Voluntário. No que se refere ao Recurso de Ofício, igualmente entendo que o mesmo não merece ser acolhido. A decisão recorrida deu parcial provimento à Impugnação para: 1. reduzir a multa qualificada do percentual de 150% para 75%; 2. • reconhecer que os fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados; 3. • excluir da infração nº 1 (aplicação indevida do percentual para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL) do relatório as receitas decorrentes da prestação de construção por empreitada, com emprego de materiais, como discriminado neste voto. Quanto à qualificação da multa, agiu bem a DRJ que fundamentou sua decisão na Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Isto porque, a qualificação de uma conduta tem que ter substrato em uma conduta que vá além da simples omissão de receitas à tributação, em regra com a presença de falsidade ideológica ou material, ou quando patente o evidente intuito de fraude, o que não ocorreu no caso vertente. O contribuinte deixou de ofertar parcela da sua receita à tributação da forma devida, fato que, por si só, não pode acarretar no agravamento da multa. Desta forma, assim como a DRJ, entendo restar ausente uma conduta dolosa ou fraudulenta, devendo ser mantida a decisão de desqualificar a multa de ofício dos tributos incidentes sobre as infrações nºs 2 e 3 descritas no relatório, passandoa para o percentual ordinário de 75% sobre os tributos lançados. No que se refere ao reconhecimento de decadência parcial do lançamento, também agiu bem a DRJ. Nos caso destes autos, restou comprovado através do sistema de controle de pagamento da RFB, que e há pagamento antecipado de IRPJ, CSLL, COFINS e Fl. 4119DF CARF MF 12 PIS/PASEP no curso do anocalendário 2007, devendo ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Desta forma, considerando a ciência do lançamento em 14/09/2012 (fl. 3.821), os fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados. Assim, permanecem hígidos, apenas, os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL do 3º e 4º trimestres de 2007 (aperfeiçoados os fatos geradores em 30/09/2007 e 31/12/2007) e da COFINS e do PIS/PASEP de setembro a dezembro de 2007. No que se refere ao s percentuais de presunção para cálculo da base de do IRPJ e CSLL, a DRJ firmou o entendimento de que sempre que a atividade de prestação de serviço de construção civil empregar unicamente mãodeobra, o percentual de presunção é de 32%; quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, o percentual de presunção é de 8%. Entendimento do qual coaduno e já manifestei em outros votos de minha Relatoria. A partir disso a DRJ fez uma análise minuciosa de todos os contratos objeto de fiscalização, glosando os serviços de construção civil do lançamento, e mantendo os demais, a exemplo da locação de radares e equipamentos. Como exemplo do minucioso trabalho desenvolvido na decisão recorrida, quanto ao Contrato firmado com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo – DER – Edital nº 003/2003CO, entendeu a DRJ que os serviços de sinalização viária com fornecimento de placas de sinalização de limite de velocidade/proibição de ultrapassagem/perigo/atenção, estacas, postes, pórticos, colunas, defensas, barreiras plásticas bicolor, cilindro canalizador de tráfego, baia para balizamento simples, sinalização horizontal são empreitada de construção civil, como reconhecido nas classificações da CNAE FISCAL, citada pela autoridade lançadora (fl. 3.697), com fornecimento de materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Segue aduzindo que não se pode aceitar o entendimento da autoridade autuante de que tais bens não se incorporam à obra, pois a remoção de diversos deles iria descaracterizar a própria estrada (como imaginar uma estrada sem placas de sinalização, pintura horizontal, postes, pórticos?). Tratase de empreitada de construção civil, fornecendo o empreiteiro os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo eles incorporados à obra. Já quanto aos serviços de locação e operação de equipamentos (notas fiscais nº de ordem 37 a 72, do Anexo I, do Termo de Verificação Fiscal), não se enquadram na conceituação de construção por empreitada, pois a locação de bens não é obra civil. Locação de bens é mera prestação de serviço, estando correto, no ponto, o trabalho fiscal. E seguiu assim quanto à análise dos demais contratos e editais. Razão pela qual entendo não haver reparo na decisão recorrida. Face ao exposto, voto pelo não provimento de ambos os Recursos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.115 13 Fl. 4121DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.721404/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários que impugnaram o auto de infração ou, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos os responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários que impugnaram o auto de infração ou, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos os responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Tratase de auto no valor total de R$ 5.634.631,03, para lançamento da multa de 100% do valor aduaneiro das operações de importação realizadas por meio das DI listadas as fls. 121/122, em razão de as mercadorias sujeitas a pena de perdimento, pela prática de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 21 40 4/ 20 14 -4 1 Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.716 2 interposição fraudulenta, terem sido consumidas ou revendidas ou não localizadas. Foram arrolados como solidários a MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio JOÃO CARLOS ANGELINI, e o sócio da POSONIC, YAN CHI FOR, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados as fls. 130 a 135. A auditoria fiscal traz as seguintes informações em seu relatório: Em 06/03/2012, compareceram na sede do estabelecimento matriz da empresa Momento Comércio e Representação Ltda. (SHCN, CL Quadra 213, Bloco B 22 Sala 217 – Asa Norte – Brasília – DF), com o objetivo de cientificar os responsáveis acerca do início dos procedimentos de fiscalização, sendo recebidos pelo Sr. João Carlos Angelini, sócio administrador da empresa, que franqueou o estabelecimento à fiscalização. Que da analise dos contratos celebrados e obtidos juntamente a Momento, verificou a existência de 06 grandes clientes, no período de 2008 a 2012, estando entre eles a Posonic do Brasil Ltda. Que os contratos têm datas anteriores às datas de registro das respectivas Declarações de Importação (DI) e os bens constantes destas DI são quase sempre repassados integralmente para cada um dos clientes previamente contratados, por meio de emissão de notas fiscais (NF) em datas bastante próximas ou até mesmo anteriores ao desembaraço da DI e, geralmente, com baixa agregação de valor, em concordância com o montante acordado nesses contratos. Que a empresa declara não possuir estoques e nem depósito físico para armazenamento das mercadorias. Que todas as DI da empresa Momento foram registradas como importações próprias, sem constar qualquer informação acerca de seus reais adquirentes, como estabelece a legislação aduaneira. Que diante dos fatos e documentos analisados, iniciouse fiscalização na empresa POSONIC, a qual não. Que a empresa Momento já havia firmado 26 contratos com a Posonic no período de abril de 2010 a junho de 2011, no valor total de R$ 11.161.077,94 (fl s. 41), previamente a sua habilitação na modalidade ordinário em 12/07/2011. Que a empresa POSONIC Security Systems Intl Ltd figura como exportador em algumas DI da empresa Momento que tiveram seus produtos repassados em seguida a POSONIC DO BRASIL. Detalha assim a fiscalização o seu quadro probatório, DI a DI, as fls. 43/106, a fim de demonstrar as operações de revenda de mercadorias da Momento para a POSONIC, os registros contábeis e os adiantamentos efetuados por esta última. Apresenta a fiscalização a legislação em que se fundamenta e informa a lista dos documentos e outros elementos de prova juntados aos autos (fls. 129). Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.717 3 A POSONIC pugna, apresentando elementos de ordem legal, doutrinária e jurisprudencial, alegando (fls 2.235/2.257): da impossibilidade jurídica de sua responsabilização principal na infração de interposição fraudulenta, pois não seria o importador; da inexistência de solidariedade do sócio; da inexistência de interposição decorrente de sua boa fé como adquirente das mercadorias; da não ocorrência de dano ao erário público, fraude ou simulação; da necessidade de comprovação do dano efetivo no caso de interposição fraudulenta; da aplicação ao caso em epígrafe exclusivamente da multa de 10% do art. 33 da lei nº 11.488/2007, aos invés da multa de 100% relativa ao perdimento. Apresenta ainda cópia de contrato assinado entre a POSONIC e a MOMENTO, de fornecimento de equipamentos similares aos importados por meio das DI deste auto, assinado em 04/01/2011. A MOMENTO e seu sócio JOÃO CARLOS ANGELINI pugnam apresentando elementos de ordem legal, doutrinária e jurisprudencial, alegando (fls 2.282/2.335): Em sede de preliminar pela insubsistência da lavratura do termo de sujeição passiva solidária, pela não aplicação da solidariedade do Código Tributário Nacional ao seu caso, pois os autos não tratam de tributos, mas de penalidade e pela aplicação ao caso em epígrafe exclusivamente da multa de 10% do art. 33 da lei nº 11.488/2007. Aduz que o sócio não pode ser responsabilizado, pois não há provas nos autos de que tenha praticado a infração ou contribuído para sua prática. No mérito apresenta argumentos que se resumem a defender sua tese, conforme exposto no item 38 da pugna (fls. 2.295) de que: Além disso, alega ausência de dolo nas operações realizadas, a regularidade da empresa e de seus negócios, sua capacidade econômicofinanceira, não sendo portanto “de fachada” e que foi verificada a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.718 4 Traz também à tona o contrato comercial, que cita como negócio jurídico regular e legal, celebrado entre a MOMENTO e a POSONIC para fornecimento de equipamentos. Alega a não comprovação da “interposição fraudulenta”, ou seja, ausência de materialidade de provas quanto a prática da infração. Alega ainda, não ocorrência de dano ao erário público, fraude ou simulação. Informa que o baixo valor agregado da revenda, alegado pela fiscalização, justificase diante do benefício fiscal relativo ao ICMS, conforme declaração sua as fls. 2.327. Apresenta planilha (fls. 2.329) pela qual pretende provar que a fiscalização não considerou os tributos incidentes no momento de alegar o baixo valor agregado da revenda. Atesta que foram celebrados os contratos anteriores as importações, contudo apresenta argumentos pelos quais pretende provar a sua legalidade e regularidade diante da legislação em vigor. Resume assim seus pedidos: ilegitimidade passiva na penalidade aplicada; inaplicabilidade da responsabilização prevista no CTN, por não se tratar de tributo; ausência de fundamentação ou motivação legal na autuação; e improcedência da autuação, por ausência da prática de “interposição fraudulenta” nas operações realizadas. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2635/2647), em que, por unanimidade de votos, as impugnações foram julgadas improcedentes, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/05/2010 a 22/07/2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, bem como a prática de interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.719 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 16/3/2015, a autuada POSONIC DO BRASIL LTDA. foi cientificada da decisão (fl. 2649). Inconformada, em 31/3/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 2665/2697, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os presentes recursos voluntários não se encontra em condições de ser julgado, pois, não há provas nos autos, de que todas as pessoas arroladas no polo passivo da autuação e que apresentaram impugnação foram cientificadas da decisão recorrida. Sabese que, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, conforme determina o art. 56, § 3º, do Decreto 7.574/2011, que segue transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. [...] Ainda no caso de pluralidade de sujeitos passivos, de modo geral, todos os impugnantes ou manifestantes deverão ser cientificados dos atos decisórios prolatados no processo, com abertura de prazo para cada um deles apresentar defesa, se esta for admitida, sob pena grave prejuízo ao direito de defesa. Quanto à necessidade/obrigatoriedade de ciência a todos os sujeitos passivos do resultado do julgamento de primeiro grau, embora não haja previsão expressa no referido Decreto, bem como no Decreto 70.235/1972, a leitura combinada dos arts. 311 e 332 deste último Decreto revela que uma das finalidades precípuas dessa providência é proporcionar ao sujeito passivo impugnante ou manifestante a oportunidade de apresentação perante este 1 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" 2 "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.720 6 Conselho, no prazo de trinta dias, de recurso voluntário contra a decisão que lhe tenha sido desfavorável. Assim, a falta de intimação ou ciência de um ou de alguns dos impugnantes ou manifestantes do resultado do julgamento de primeiro grau, configura grave irregularidade processual, com evidente prejuízo ao direito de defesa das pessoas impugnantes ou manifestantes não cientificadas, que, uma vez constatada, deve ser prontamente sanada, consoante expressa determinação do art. 60 do Decreto 70.235/1972, que segue transcrito: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso em tela, além da autuada POSONIC, impugnaram a exigência fiscal os responsáveis solidários: MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio, o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI. Entretanto, após compulsar os autos, este Relator não localizou os documentos comprobatórios das ciências do acórdão de primeira instância aos responsáveis solidários, MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio, o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI, que impugnaram a autuação. Por todo o exposto, para fim de sanar a referida irregularidade, com respaldo no art. 60 do Decreto 70.235/1972, votase pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio, o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos eles. Após, retornem os autos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2720DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.720087/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS.
O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
LANÇAMENTO. PROVA.
Aquiescendo as partes quanto à parcela de créditos comprovada, conforme trabalho fiscal em sede de diligência, acata-se seu resultado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Ausentes os pressupostos de dolo, a multa de ofício deve ser reduzida para 75%. Não cabe a apreciação do caráter confiscatório das multas legalmente previstas, nos termos da Súmula Carf nº 2.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS. O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO. PROVA. Aquiescendo as partes quanto à parcela de créditos comprovada, conforme trabalho fiscal em sede de diligência, acatase seu resultado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ausentes os pressupostos de dolo, a multa de ofício deve ser reduzida para 75%. Não cabe a apreciação do caráter confiscatório das multas legalmente previstas, nos termos da Súmula Carf nº 2. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 87 /2 01 2- 10 Fl. 1294DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) por falta/insuficiência das Contribuições para o PIS/Pasep, no valor de R$ 204.204,69, do período de 01/01/2008 a 31/10/2008, acrescido de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros de mora. Conforme o Termo de Verificação Fiscal constante dos autos, os valores inseridos nos DACON (Demonstrativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Cofins) referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2008, reduziram indevidamente a zero o valor da Cofins a recolher em 2008. Não obstante as intimações emitidas para a contribuinte em epígrafe, os seguintes créditos não foram comprovados através de documentos hábeis e idôneos: Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10932.720087/201210 Acórdão n.º 3201003.398 S3C2T1 Fl. 1.294 3 Desta forma, foram glosados os créditos não comprovados e inseridos no Dacondos períodos de apuração do ano de 2008 e tipificado o crime contra a ordem tributária, conforme inciso II do artigo 1º. da Lei nº. 8.137/90. A multa de ofício imposta foi a de 150%, descrito no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º. da Lei nº. 9.430/96. Na impugnação, a contribuinte alega ter atendido a todas as notificações que lhe foram encaminhadas, entregando todos os documentos solicitados, sem embaraço à fiscalização. Lista a série de documentos apresentados relativos ao ano de 2008, conforme as respectivas datas de apresentação (fls. 4/5 da Impugnação) e aduz trazer em anexo declaração da funcionária responsável pela entrega de documentos à fiscalização, atestando que todas as solicitações foram atendidas, sendo que, em algumas oportunidades, o recibo de entrega de documentos não foi protocolado. Na seqüência, remete às Leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003, em especial ao art. 3º., para salientar ser possível a alteração dos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, descontados em período pretérito, desde que não decorrido o prazo de cinco anos da ocorrência do fato que gerou o direito ao crédito. Remete à regra originada no art. 1º. do Decreto Federal nº. 30.910/32 e transcreve a Solução de Divergência COSIT nº. 21 de 22/08/2011 da RFB. Alega que o fenômeno da apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao PIS e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência. Sustenta que apurou créditos de PIS/Cofins que não foram objeto de desconto, conforme permitido pelo art. 3º. das Leis nº. 10637/2002 e 10833/2003, relativos a arrendamento mercantil, energia elétrica, importações, estoque de abertura (2003 e 2004) e máquinas importadas. No que tange à comprovação do crédito apurado, diz ter juntado aos autos os seguintes documentos, conforme os créditos: Arrendamento Mercantil – Planilha e Cópia do Livro Diário; Energia Elétrica: planilha e contas de energia elétrica de janeiro de 2003 a dezembro de 2007; Importações: Planilha e Cópia do Livro Diário e Notas Fiscais; Estoque de Abertura – 2003 e 2004; Planilha e Cópia do Livro Diário; Depreciação – 2004: Planilha e Cópia do Livro Diário; Máquinas Importadas: Planilha e Cópia das Notas Fiscais. Fl. 1296DF CARF MF 4 Ressalta que, na hipótese remota de manutenção do lançamento após os esclarecimentos e documentos anexados, que a mera falta de recolhimento de tributo quando o contribuinte possui a sua receita escriturada não configura dolo no intuito de suprimir tributo, impedindo que o fisco tome conhecimento do fato gerador tributável. Ainda, que a hipótese prevista no art. 44, II, da Lei nº. 9.430/96 deve ser interpretada restritivamente e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pelo fisco o dolo, instruído o processo com documentos que comprovem a acusação. Neste sentido, cita decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. Sustenta que, mesmo que afastado o dolo e reduzida a multa ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, II, da Lei nº. 9.430/96, esta multa isolada tem evidente caráter confiscatório, vedado pelo inciso IV, do art. 150 da Constituição Federal, em afronta às garantias dispostas no inciso XXII da Magna Carta. Cita jurisprudência dos tribunais e doutrina sobre o tema. Por fim, requer a anulação do auto de infração ou, alternativamente, a anulação da multa agravada de 150% ou mesmo sua redução, em vista da inexistência de dolo, fraude ou simulação. A DRJ/Florianópolis/SC – 4ª Turma, por meio do Acórdão 0732.216, de 9/08/2013, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 PROCESSO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL. LIMITES À COGNIÇÃO As provas passíveis de serem conhecidas na impugnação do sujeito passivo são aquelas destinadas a contraditar, de forma individualizada e específica, a análise já efetuada pelo fisco, pelo que não é lícito examinar, em sede de impugnação, os mesmos documentos ou outros que, sem razão justificável, a impugnante subtraiu à apreciação da autoridade fiscal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10932.720087/201210 Acórdão n.º 3201003.398 S3C2T1 Fl. 1.295 5 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A empresa, então, interpôs o Recurso Voluntário onde reitera as razões de defesa da Impugnação. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, porque não teria apreciado as provas, cerceando seu direito de defesa. Apela, ainda, ao princípio da verdade material. Em 27/11/2013 o processo foi julgado no Carf, que o converteu em diligência, para que : a) Apuremse os créditos a que faz jus o contribuinte, ora recorrente, com apoio na documentação acostada aos autos até o momento processual da impugnação (inclusive), ou outras mais que a autoridade diligenciante julgar conveniente intimar o autuado a apresentar; b) Repercutase essa apuração no lançamento ora sub judice, em parecer circunstanciado; c) Abrase o prazo regulamentar para que o autuado, querendo, se manifeste sobre esse parecer; d) Devolvase o processo a esta 3ªTO/4ªC/3ªS/CARF, para julgamento do RV. Às fls. 1.277 a 1.284 Consta o Relatório Fiscal de diligência, atestando a idoneidade das comprovações documentais trazidas na Impugnação, o que reduziu subtancialmente o lançamento. A empresa foi cientificada do relatório e não se manifestou. Fl. 1298DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência desta Turma e deve ser conhecido. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente pede a nulidade da decisão recorrida porque não teria apreciado as provas trazidas na impugnação, e com isso, cerceado seu direito de defesa. Com efeito, a decisão recorrida não enfrenta o mérito das provas documentais trazidas na impugnação, todavia, o faz pelo motivo de não reconhecer o direito a crédito extemporâneo, e porque a recorrente não teria especificado com detalhe cada prova a cada crédito, entendendo ser este ônus seu. Desse modo, segundo sua interpretação, a análise das provas seria prescindível. A necessidade de diligência ou perícia é matéria de apreciação do colegiado, nos termos dos arts. 18 e 29 do PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (ressaltei) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Se a decisão recorrida, no exercício do seu mister, entendeu que a análise das provas seria prescindível, a divergência dessa tese pode ser contestada em Recurso Voluntário, como matéria de mérito, mas não como preliminar de nulidade, porque não houve omissão da decisão recorrida, mas interpretação da legislação. Desse modo, afasto a preliminar argüida. Mérito 1 – Direito de aproveitamento de créditos extemporâneos As leis que tratam do ressarcimento/compensação de Pis e Cofins sempre se referem ao saldo credor acumulado no trimestre, por exemplo, art. 5º, §2º da Lei 10.637/20021 e art. 6º, §2º da Lei 10.833/20032, além do caput do art. 16 da Lei 11.116/20053. 1 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10932.720087/201210 Acórdão n.º 3201003.398 S3C2T1 Fl. 1.296 7 No entanto, não há, nesses dispositivos, qualquer vedação a que créditos extemporâneos, não utilizados no período de competência, possam ser apropriados em período posterior, compondo o saldo credor desse trimestre posterior. Com efeito, o §4º do artigo 3º das Leis 10/637/2002 e 10.833/20034 permite essa compreensão. Na expressão do §4º, não há limitação de trimestre. O que se entende dessa legislação é que o pedido de ressarcimento deve ser trimestral, o que veda o pedido mensal ou anual. Mas nada impede que, num determinado trimestre, seja apropriado crédito de período anterior não aproveitado. Tal circunstância não causa nenhum prejuízo à Fazenda, posto que não há atualização financeira do crédito aproveitado tardiamente. Para além das vedações materiais do crédito – sua natureza legal para fins de direito de creditamento e respectivas comprovações as vedações procedimentais para o crédito extemporâneo, são de que não sejam aproveitados em duplicidade, o que deve ser foco do trabalho fiscal, que se respeitem o prazo prescricional, e sejam formulados em PER/DCOMP. Observo que nem mesmo as instruções normativas da Receita Federal expressam a exigência de que o crédito extemporâneo deva ser objeto de PER/DCOMP do próprio período de competência. O comando do §9º da IN 600/2005, já transcrito, é de que o pedido se vincule ao saldo do trimestre, não vedando que o saldo do trimestre contenha créditos anteriores ao trimestre, não registrados por equívoco. O que vejo, nas exigências normativas, são de que o pedido seja trimestral, como é formatado o próprio programa gerador do PER/DCOMP. No mesmo sentido, cito precedentes do Carf: 3302002.674, 3403001.935, 3401001.577, e 9303004.562. 2 – Comprovação dos créditos Sem maiores considerações, tendo em vista que o relatório fiscal reconheceu as provas trazidas, e seu resultado foi cientificado ao contribuinte sem que ele se manifestasse, acato o resultado da diligência. 2 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 3 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 4 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 1300DF CARF MF 8 3 – Qualificação da multa de ofício A multa de ofício aplicada foi de 150%, porque o autuante entendeu não comprovados quaisquer dos créditos intimados, o que o induzia a acreditar que fossem fictícios. Não obstante, em sede de Impugnação foram trazidas provas documentais, que foram acatadas no relatório de diligência que as apreciou. Assim, entendo afastado o motivo que ensejou a consideração do dolo, razão pela qual afasto a qualificação da multa. Quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, ainda que em percentual normal de 75%, conforme alegado pela recorrente, não há como lhe dar razão, porque tal percentual é aplicado nos casos de erro, sem dolo, sempre que reste valor não recolhido. Assim, não cabe às turmas do Carf afastar a multa de ofício legalmente prevista, cf. art. 44 da Lei 9.430/96, por invocação de princípios constitucionais, nos termos da Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar o impedimento do aproveitamento de créditos extemporâneos; para permitir os créditos comprovados conforme o resultado da diligência fiscal e reduzir a multa de ofício para 75%. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901051/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 51 /2 01 2- 90 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901051/201290 Acórdão n.º 3301004.155 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.489. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901051/201290 Acórdão n.º 3301004.155 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901051/201290 Acórdão n.º 3301004.155 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720066/2016-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DEFESA. VÍCIO PROCESSUAL. SUPRIMENTO.
A apresentação espontânea do Recurso Voluntário pelos responsáveis solidários, não intimados do Acórdão de primeira instância, com demonstração de pleno conhecimento do teor daquela decisão, ausência de invocação de prejuízo e contendo exaustiva defesa, supre o vício processual.
NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE.
Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE.
Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1302-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher as preliminares de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DEFESA. VÍCIO PROCESSUAL. SUPRIMENTO. A apresentação espontânea do Recurso Voluntário pelos responsáveis solidários, não intimados do Acórdão de primeira instância, com demonstração de pleno conhecimento do teor daquela decisão, ausência de invocação de prejuízo e contendo exaustiva defesa, supre o vício processual. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
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AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DEFESA. VÍCIO PROCESSUAL. SUPRIMENTO. A apresentação espontânea do Recurso Voluntário pelos responsáveis solidários, não intimados do Acórdão de primeira instância, com demonstração de pleno conhecimento do teor daquela decisão, ausência de invocação de prejuízo e contendo exaustiva defesa, supre o vício processual. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher as preliminares de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 66 /2 01 6- 77 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 846 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 06 57.298, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 711 a 749), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. Nos termos do que dispõe o Processo Administrativo Fiscal, a juntada de documentos deverá ser feita por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior, salvo nos casos expressamente previstos no PAF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DECRETO N° 2.471/1988. NÃO APLICAÇÃO PARA FATOS POSTERIORES À EDIÇÃO DA LEI N ° 9.430/96. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 847 3 O comando do art. 9°, VII do Decretolei n° 2.471/1988, que afasta o imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei no 9.430/1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. DIRETOR. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, incisos II e III do CTN, ao mandatário e aos diretores, responsáveis pela administração e gerência, uma vez comprovado o cometimento de infração à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e o conluio, como definido em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. SUBSTITUIÇÃO POR MULTA DE 20%. IMPOSSIBILIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigível em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, descabendo a substituição por multa em patamar diverso (20%)." O lançamento de que tratam os presentes autos (fls. 03 a 43) foi realizado para exigência de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o PIS/Pasep, relativos ao anocalendário de 2011, importando no montante de R$ 15.819.541,82 (valores de juros de mora calculados até 05/2016). Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 848 4 O IRPJ foi apurado sobre o Lucro Arbitrado, tendo em vista que não foi apresentada a escrituração contábil e fiscal, conforme art. 530, inciso III, do CTN. Foram apuradas as infrações de omissão de receitas por presunção legal, referentes a depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada; e omissão de receitas não operacionais, relativas a ganho de capital na alienação de imóvel. Foi atribuída responsabilidade tributária pelos créditos constituídos, com base no art. 135, inciso II, do CTN a BENEDITO BENTO FILHO, que seria o sócioadministrador de fato da pessoa jurídica, e, com base no art. 135, inciso III, do CTN a RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO, sóciosadministradores de direito da pessoa jurídica. O lançamento de ofício foi realizado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme art. 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por se entender presentes as práticas de sonegação e conluio, conforme descritas pelos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Regularmente intimados, o sujeito passivo principal e os responsáveis tributários apresentaram Impugnação conjunta (fls. 565 a 596), por meio da qual: a) sustentam, preliminarmente, a nulidade dos Autos de Infração por cerceamento do direito de defesa, configurado na dificuldade imposta pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, no manejo e análise dos documentos que instruíram a fiscalização, tendo em vista o bloqueio da possibilidade de impressão dos arquivos, a ausência de digitalização dos documentos em um só arquivo e a ausência de numeração das folhas dos referidos documentos, que não foram organizados em ordem cronológica; b) na mesma preliminar, entendem violados, ainda, os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa e da Eficiência da Administração Pública; c) no mérito, alegam equívoco na autuação, ao se considerar o resultado da alienação de imóvel de propriedade da RIGS, destinado à venda, como receita não operacional, uma vez que esta pessoa jurídica tem por objeto social a compra e venda de imóveis, de modo que se trataria de receita operacional, integrante, portanto da receita bruta sujeita à apuração do IRPJ com base no Lucro Presumido; d) em relação à infração relativa a omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, argumentam que a autuação foi feita sem comprovação do "nexo causal entre cada depósito e o fato que represente referida omissão", baseada, portanto, apenas em extratos bancários, o que seria vedado pelo DecretoLei nº 2.471, de 1º de setembro de 1988, e pela Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos, conforme jurisprudência do CARF; e) em relação à mesma infração, alegam, ainda, que todos os depósitos estão devidamente comprovados, conforme Livros Diário e Razão referentes ao anocalendário de 2011; f) entendem indevida a responsabilização de BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, sustentando que esses dois últimos são, de fato, os sóciosadministradores da RIGS e que os valores pagos aos Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 849 5 primeiro responsável não constituem desfalque no patrimônio da pessoa jurídica, mas pagamento parcial de dívida desta com o Sr. BENEDITO, seu exsócio; g) afirmam, assim, não haver o dolo necessário à incidência do art. 135 do CTN; h) quanto à qualificação da multa de ofício, asseveram que não teria havido a obrigatória comprovação de dolo e da consumação da sonegação e conluio alegados, conforme exigida pelas Súmulas CARF Nº 14 e 25 e jurisprudência do CARF; i) por fim, alegam que a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% possui caráter confiscatório, violando os arts. 150, inciso IV, e 145, §1º, da Constituição Federal, este último relativo ao Princípio da Capacidade Contributiva. A decisão de primeira instância (fls. 711 a 749) entendeu não proceder a preliminar de cerceamento de direito de defesa, posto que o processo se encontra organizado em ordem cronológica, regularmente assinado e com a numeração das folhas. A par disso, a forma como estão apresentados os documentos, ao contrário do alegado, facilitam a procura e análise dos mesmos. Por fim, a defesa foi amplamente exercida pelos interessados, denotando total conhecimento das infrações apontadas. Quanto à infração relativa a omissão de receitas com ganho de capital, entenderam os julgadores correta a apuração do IRPJ sobre o Lucro Arbitrado e a consideração do resultado da alienação de imóvel como receita não operacional sujeita a ganho de capital, posto que a pessoa jurídica apresentou declaração de inatividade em relação ao anocalendário de 2011, não apresentou a sua escrituração contábil, não comprovou o exercício de qualquer atividade no referido período e, nem sequer, a sua efetiva existência. Em adição, o Livro Diário apresentado juntamente com a Impugnação não possui valor probatório, posto que não está devidamente registrado no órgão competente. No que diz respeito à infração de omissão de receitas relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, foi mantida a autuação, uma vez que "a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e reflexos não se deu pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei.", baseandose em presunção legal relativa de omissão de receitas. Quanto à mesma infração, entendeu a DRJ que, sendo a Lei nº 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, norma mais recente, prevalece sobre o DecretoLei nº 2.471, de 1988; e que a alegação de que os depósitos se referem a empréstimos recebidos de sócia e de procurador, meramente amparada em Livro Diário sem registro, mas desacompanhada de outros elementos comprobatórios não é suficiente para comprovar a origem dos recursos. A decisão recorrida manteve, ainda, a responsabilidade tributária atribuída a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, por considerar comprovada as infrações às Leis nº 8.864, de 1994, e 8.981, de 1995, na condição de mandatário e sócios, respectivamente, da pessoa jurídica autuada. Finalmente, foi mantida a multa qualificada de 150%, já que se considerou que as condutas adotadas pela contribuinte constituem, de fato, sonegação e conluio. A decisão Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 850 6 entendeu, ainda, inaplicável o conceito de confisco e de ofensa aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade em relação à aplicação da multa de ofício. A decisão foi aplicada aos autos de infração reflexos, por decorrência. Por meio de Recurso Voluntário conjunto (fls. 760 a 800), o sujeito passivo principal e os responsáveis: a) repetem a alegação preliminar de cerceamento do direito de defesa, nos termos constantes da Impugnação, acrescentando que a forma de leitura disponível para os contribuintes é diversa daquela disponível para os julgadores, e que a numeração das folhas do processo teria ocorrido após o protocolo da Impugnação; b) alegam, ainda, que, após a intimação da decisão da DRJ, não foi possível o acesso ao processo digital e que tal processo não estava disponível, no portal eCAC, aos responsáveis tributários; c) em relação à omissão de receitas não operacionais, afirmam ser arbitrário o posicionamento dos julgadores de primeira instância que não teriam acatado documentos trazidos junto com a Impugnação; d) quanto à referida infração, ainda, repetem os argumentos da Impugnação, adicionando que, conhecendo a atividade fim da empresa, e que o bem alienado se tratava de um imóvel, a autoridade fiscal teria ciência de que se tratava de uma receita operacional da empresa e não de ganho de capital; e) no que diz respeito à infração relacionada com depósitos de origem não comprovada, afirmam, mais uma vez, que os julgadores de primeira instância que não teriam acatado documentos trazidos junto com a Impugnação; f) no mais, repisam as alegações trazidas na Impugnação, somando apenas o argumento da desnecessidade de registro de contrato de mútuo no registro de títulos e documentos, desde que existente contrato escrito e que haja a contabilização da operação; g) também em relação à responsabilização das pessoas físicas, repetem o teor da Impugnação, apontando em adição apenas a suposta inovação de argumento da decisão de primeira instância que teria entendido haver infração à lei por ter havido omissão de ganho de capital, o que não seria verídico, pois, conforme alegação anterior, tratarseia de receita operacional da empresa; h) finalmente, quanto à aplicação da multa qualificada, limitamse a reproduzir o teor da peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 851 7 O sujeito passivo principal foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 07 de março de 2017 (fls. 750 e 757). Não consta do processo qualquer comprovação de intimação semelhante aos responsáveis tributários. Contudo, em 06 de abril de 2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 760 a 800, assinado conjuntamente por todos os sujeitos passivos arrolados nos autos de infração. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 814 a 821. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. A ausência de intimação aos responsáveis tributários, a princípio, constitui vício sanável que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que os responsáveis tributários não houvessem apresentado Recurso Voluntário, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. Não é que se constata nos autos, em que os sujeitos passivos apresentam Recurso Voluntário se defendendo de todos os pontos da autuação e demonstrando, à exaustão, conhecimento dos autos e do teor da decisão recorrida. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea do Recurso Voluntário por parte dos responsáveis tributários, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas de Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 852 8 nullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas." Isto posto, o Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da preliminar de nulidade Os Recorrentes invocam, desde a Impugnação, a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que haveria violação ao art. 22 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ao art. 5º do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que exigem que o processo seja organizado em ordem cronológica e tenha as suas folhas numeradas e rubricadas. A decisão de primeira instância entendeu não procederem as alegações, posto que o processo está, sim, organizado em ordem, regularmente assinado e com a numeração das folhas. No Recurso Voluntário, é alegado, então, que "o processo recebeu numeração de folhas somente após o protocolo da impugnação". E afirmado, inclusive, que os Recorrentes teriam o arquivo disponibilizado inicialmente no qual não consta qualquer numeração nas páginas. A afirmação dos Recorrentes é absurda. Todo documento junto ao sistema eletrônico eprocesso tem, automaticamente, as folhas numeradas, no momento da autenticação. Não existe a possibilidade de documento autenticado não estar numerado. Ademais, no eCAC, no momento de consulta aos documentos de um processo, os números das páginas são mostradas explicitamente ao lado dos documentos, conforme imagem a seguir. São igualmente improcedentes os demais argumentos suscitados pelos Recorrentes de dificuldade no manuseio dos arquivos, por bloqueio para impressão e por Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 853 9 organização fora da ordem cronológica. Os Recorrentes chegam a argumentar que a "forma de leitura dos documentos não está disponível para os contribuintes, apenas para os julgadores". Como atesta a imagem acima, os documentos são apresentados no eCAC exatamente na mesma ordem em que postos no sistema eprocesso (e não haveria qualquer razão para ser diferente). Além disso, há, no eCAC, botão específico para obtenção, em formato PDF, de cópia do documento selecionado, ou, ainda, cópia integral do processo. A partir do arquivo obtido, não existe qualquer óbice à impressão por parte do contribuinte. No caso do presente processo, a imagem constante do Acórdão recorrido atesta, cabalmente, que os autos estão organizados em ordem cronológica e de fácil consulta pelos que o manuseiam. Nas conclusões do seu Recurso Voluntário, os Recorrentes alegam que, após a intimação da decisão da DRJ, não foi possível o acesso ao processo digital, além de que tal processo não estava disponível, no portal eCAC, aos responsáveis tributários Os Recorrentes não trazem qualquer comprovação das alegações, de modo que as suas alegações poderiam ser rechaçadas de pronto. Contudo, há mais argumentos para não acatálas. Em primeiro lugar, o acesso ao processo por meio do eCAC é apenas uma das formas facultadas aos Recorrentes. Como é sabido, e explicitado no documento de fl. 92, porém, os sujeitos passivos tem pleno direito de vistas e obtenção de cópia integral do processo por meio do atendimento presencial em qualquer unidade da Receita Federal do Brasil. Assim, ainda que procedentes as alegações de impossibilidade de acesso aos autos, por meio do eCAC, o direito de defesa dos Recorrentes era plenamente assegurado por meio do atendimento presencial. Por fim, como bem destacado no citado Acórdão, "a defesa foi amplamente exercida pelos interessados, denotando um total conhecimento das infrações apontadas, conforme se verifica pelo teor da impugnação interposta". O mesmo se repete em relação ao Recurso Voluntário, de modo que não se vislumbra qualquer prejuízo aos Recorrentes caso, eventualmente, não tenha tido acesso aos autos eletronicamente (o que, repitase, não foi comprovado). Como já dito, não há nulidade processual sem a existência de prejuízo à parte. Revelase, portanto, plenamente acertada a decisão recorrida, ao não constatar qualquer hipótese de nulidade nos autos, de modo que deve ser rejeitada a preliminar suscitada pelos Recorrentes. 3. Da inovação no julgamento Antes de adentrar à apreciação do mérito da autuação, fazse necessário examinar questão preliminar trazida pelos Recorrentes em meio aos argumentos de defesa Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 854 10 contra a atribuição de responsabilidade solidária a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, posto que pode redundar na declaração de nulidade parcial do Acórdão recorrido. Ao alegar a improcedência da sobredita responsabilização, os Recorrentes repetem o teor da Impugnação, mas apontam, adicionalmente, suposta inovação de argumento da decisão de primeira instância uma vez que a fundamentação da autoridade fiscal para a responsabilização foi o fato de que o Sr. Benedito estaria desfalcando dolosamente o patrimônio da empresa e que o Sr. Ricardo e a Sra Gislaine simulavam ser sócios administradores. Já para a DRJ a infração a lei teria consistido na omissão do ganho de capital. O exame do Termo de Verificação Fiscal de fls. 44 a 91 permite a constatação de que a atribuição de responsabilidade tributária às referidas pessoas físicas foi fundamentada em dois momentos, quando da caracterização de cada uma das infrações imputadas aos sujeitos passivos. Primeiramente, no item II.1 daquele Termo, após relatar a infração referente à omissão de receitas referente a ganho de capital na alienação de imóvel, a autoridade fiscal passa a caracterizar a responsabilidade tributária de BENEDITO BENTO FILHO. Os fatos narrados são: a) o endereço cadastral da RIGIS seria o mesmo constante das Declarações de ajuste anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) relativas aos anoscalendários de 2003 a 2014 do Sr. BENEDITO; b) desde 1995, o Sr. BENEDITO seria procurador, com poderes ilimitados, da RIGIS; c) o Sr. BENEDITO seria, de fato, quem dirigia, administrava e tomava as decisões referentes à RIGIS; b) a conta bancária aberta em nome da RIGIS, em 2011, teria como única pessoa autorizada a movimentála o Sr. BENEDITO; e) poucos dias após a abertura da referida conta, a RIGIS teria vendido imóvel pelo valor de R$ 15.500.000,00 (quinze milhões e quinhentos mil reais), sendo parte do valor decorrente da operação (R$ 12.350.000,00) retirado da conta bancária pelo Sr. BENEDITO e parte (R$ 3.150.000,00) depositada em conta de titularidade deste; f) o Sr. BENEDITO seria, de fato, sócioadministrador da RIGIS e o real beneficiário da transação imobiliária. Assim, a autoridade fiscal enquadrou o Sr. BENEDITO na condição de mandatário da RIGIS e entendeu que este teria agido com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao Estatuto Social da pessoa jurídica, na medida em que "apropriouse dos recursos financeiros da alienação do imóvel, desfalcando dolosamente o patrimônio da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A", o que justificaria o enquadramento como responsável tributário pelos créditos decorrentes da infração em pauta, nos termos do art 135, inciso II, do CTN. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 855 11 No mesmo tópico, o responsável pelo procedimento fiscal caracterizou a responsabilidade tributária de RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO, apontando os seguintes fatos: a) as referidas pessoas físicas seriam os únicos acionistas e, reiteradamente, os diretores eleitos da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, a partir de 1992; b) com a transformação da pessoa jurídica para sociedade empresária de responsabilidade limitada, os referidos sujeitos passivos se tornaram os únicos sócios cotistas e únicos responsáveis pela administração da pessoa jurídica; c) RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO são filhos de BENEDITO BENTO FILHO; d) a RIGIS não possuiria qualquer atividade, por: não possuir ciclo operacional; não possuir registros de empregados em Guias de Recolhimento do FGTS e da Informações à Previdência Social (GFIP); ter endereço cadastral em imóvel desocupado (fato sobre o qual a pessoa jurídica e seus sócios, apesar de intimados, não se pronunciaram); ter apresentado Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica como inativa, em relação aos anos calendários de 2005, 2008 a 2011 e 2013; ter apresentado Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) sem qualquer valor de tributos e atividades operacionais, nãooperacionais, financeiras ou patrimoniais, em relação aos anoscalendários de 2004, 2006, 2007 e 1012; não ter apurado qualquer débito nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais de todos os trimestres de 2004, 2006 a 2009 e 2012; não ter apresentado Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) em todos os períodos desde 2003; não possuir escrituração contábil; e) RICARDO e GISLAINE seriam sóciosadministradores apenas formais, interpostas pessoas do Sr. BENEDITO. Deste modo, a autoridade fiscal entendeu que os Srs. RICARDO e GISLAINE teriam agido com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao Estatuto Social da pessoa jurídica, na medida em que simularam ser os sóciosadministradores da RIGIS, ocultaram a alienação de imóvel desta pessoa jurídica (tinham ciência da operação, mas apresentaram declaração de inatividade) perante Fisco, consequentemente, não ocorrendo o pagamento dos tributos e contribuições incidentes sobre o ganho de capital. Neste sentido, as referidas pessoas físicas foram arroladas como responsáveis tributários pelos créditos decorrentes da infração em pauta, nos termos do art 135, inciso III, do CTN. Por semelhante modo, no item II.2 do Termo de Verificação Fiscal, após relatar a infração referente à omissão de receitas relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade fiscal passa a caracterizar a responsabilidade tributária de BENEDITO BENTO FILHO. A imputação é realizada, também com base no art. 135, inciso II, do CTN, sob os seguintes fundamentos: "O BENEDITO BENTO FILHO agiu com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao estatuto social na época o Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 856 12 tipo societário era 'sociedade anônima fechada', daí mencionar se 'lei societária' e 'estatuto social' , em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, na medida em que, agindo formalmente como mandatário, desviou os valores de origem não comprovada da conta bancária da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, desfalcando dolosamente o patrimônio dela somente ele movimentava tal conta, inclusive transferiu parte dos valores para o HOTEL URUPEMA, do qual é sócio , com total poder de decisão procuração com poderes ilimitados , dissimulando, dessa forma, ser o verdadeiro sócioadministrador da entidade, sócio administrador de fato, consequentemente não ocorrendo o pagamento dos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas decorrentes dos depósitos de origem não comprovada." No mesmo tópico, o responsável pelo procedimento fiscal caracterizou a responsabilidade tributária de RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO, com base no art. 135, inciso III, do CTN, com a seguinte motivação: "O RICARDO ALVES BENTO e a GISLAINE JEANNE ALVES BENTO agiram com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao estatuto social na época o tipo societário era 'sociedade anônima fechada', daí mencionarse 'lei societária' e 'estatuto social' , em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, na medida em que simularam serem os sócios administradores da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A o BENEDITO BENTO FILHO era de fato o sócioadministrador , além da ocultação dos valores de origem não comprovada depositados na conta bancária da referida pessoa jurídica perante o fisco federal houve declaração de inatividade da referida pessoa jurídica em relação ao anocalendário 2011 por meio da representante legal GISLAINE JEANNE ALVES BENTO , consequentemente não ocorrendo o pagamento dos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada." Já na decisão de primeira instância (fls. 711 a 749), a atribuição de responsabilidade tributária a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO é caracterizada do seguinte modo: "172. Fica claro também que os mesmos cometeram as seguintes infrações às seguintes leis: • Falta de emissão de notas fiscais relativas às receitas omitidas e pela caracterização da omissão do ganho de capital: Lei nº 8.846/1994 Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. (...) Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 857 13 Art. 2º Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. • Não informação das receitas e do ganho de capital à Receita Federal do Brasil: Lei nº 8.981/1995 Art. 56. As pessoas jurídicas deverão apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no ano calendário anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...)" Entendo necessário o reconhecimento da procedência da alegação dos Recorrentes. A ocultação da alienação de imóvel de propriedade da RIGIS e dos valores de origem não comprovada foi um dos fundamentos utilizados, no lançamento, para a atribuição de responsabilidade tributária a GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, pelo que poderia se entender que, quanto a tal argumento, a autoridade julgadora de primeira instância teria apenas se aprofundado na motivação, ao citar o dispositivo da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que não haveria qualquer inovação de critério jurídico. Contudo, tal construção se revela mais difícil em relação ao novo argumento apresentado pelos julgadores, no que diz respeito à ausência de emissão de notas fiscais relativas às receitas omitidas, em descumprimento à Lei nº 8.846, de 1994. Tratase de conduta e dispositivo legal totalmente ausentes no lançamento tributário. Mais grave é constatar que a ocultação das receitas por parte das citadas pessoas físicas é apenas o argumento subsidiário da autoridade fiscal para a atribuição da responsabilidade, posto que o fundamento principal, caracterizado como excesso de poderes, com infração à lei societária e ao estatuto social, é a simulação da condição de sócios administradores, de modo contrário ao interesse da sociedade e em favor de BENEDITO BENTO FILHO. Ao realizar a análise da atribuição de responsabilidade de modo conjunto para as três pessoas físicas, a decisão a quo ignora completamente a tese principal utilizada pela autoridade fiscal: o desvio de recursos da pessoa jurídica pelo Sr. BENEDITO em proveito próprio. Na verdade, em relação a BENEDITO BENTO FILHO, este foi o único fundamento utilizado no lançamento para a configuração da responsabilidade tributária, de modo que, quanto a esta pessoa física, há total inovação de critérios na decisão da DRJ. É sabida a impossibilidade de que os critérios utilizados no lançamento sejam alterados pelas autoridades julgadoras, uma vez que tal conduta atentaria contra a segurança jurídica e violaria o direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado aos contribuintes. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 858 14 É que, no momento da constituição do crédito tributário, são fixados, pela autoridade responsável pelo lançamento, as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais o ato administrativo é praticado. É em relação a tais fundamentos que o autuado vai construir a sua defesa, a qual será submetida às instâncias do contencioso administrativo. Tornase, portanto, inadmissível que, no momento do julgamento, seja introduzido novo fundamento jurídico, totalmente alheio aos autos e ignorado, até então, pelo litigante, que não teve a oportunidade de a ele se contrapor. A inovação operada no Acórdão recorrido conduz à constatação da ocorrência da nulidade de que trata o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" (Destacouse) De fato, a manutenção da responsabilidade tributária das pessoas físicas sob fundamentação totalmente diversa daquela utilizada no lançamento, constitui cerceamento do direito de defesa dos sujeitos passivos, ocasionando a nulidade parcial do Acórdão da DRJ, em relação à apreciação da referida responsabilidade. O procedimento encontra abrigo na jurisprudência do CARF, conforme o seguinte julgado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras." (Acórdão nº 1201001.557 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 859 15 Julgamento, sessão de 14 de fevereiro de 2017, Relator Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado) 4. Da Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, mas declarar a nulidade parcial da decisão de primeira instância, exclusivamente, no que diz respeito à análise relativa à responsabilidade tributária atribuída a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, determinando, então, o retorno dos autos à DRJ/Curitiba, para nova apreciação da matéria, atendose aos critérios jurídicos utilizados no lançamento. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 859DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.900766/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarou-se impedido o Cons. Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarouse impedido o Cons. Tiago Guerra Machado. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 08151.50765.200710.1.7..043092, cujo fundamento foi a não comprovação documental da origem do crédito, consoante processo 10855.722095/201261. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 6/ 20 13 -1 8Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que, antes da emissão do despacho decisório eletrônico, no bojo do PA 10855.722095/201261, foi intimado a apresentar documentos que comprovassem a origem do crédito e que a autoridade fiscal, após exame da documentação entregue, concluiu que esse conjunto probatório não demonstrava a origem do pagamento indevido. Na seqüência, descreveu o equívoco verificado na apuração, sustentando que as retificações da DCTF e DACON foram efetuadas espontaneamente, antes da ciência do despacho decisório em comento, ostentando a mesma natureza da declaração original, de modo que a razão para a não homologação inexistiria. A DRJ Curitiba/PR julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada.” O recurso voluntário aduziu que foi promovida a revisão do cálculo do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, por errônea apropriação de créditos, o que resultou em valores recolhidos a menor e a maior, sendo essa a origem do indébito utilizado na compensação e que o julgador administrativo de primeiro grau, mesmo possuindo discricionariedade para solicitar a realização de diligência, preferiu julgar improcedente o recurso inaugural, sem qualquer averiguação. Foram detalhadas as modificações introduzidas na apuração das contribuições e anexado um vasto acervo documental, consistente, segundo descrito, nos resumos dos Livros Registro de Apuração de IPI e ICMS, CFOPs de cada operação, “rótulos de linha” e notas fiscais de entrada, extratos do Livro Razão, balancetes, demonstrativos, dentre outros documentos contábeis e fiscais. Por fim, discorreuse sobre o direito de crédito sobre serviços adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Consoante relatam recorrente e o julgador a quo, antes da expedição do despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação declarada, houve um procedimento de revisão do crédito indicado no PERDCOMP respectivo, ocorrido no PA 10855.722095/201261, tendo a autoridade fiscal, segundo consta, concluído pela sua improcedência, por ausência de comprovação. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 5 3 Nada obstante essa informação, também constante do despacho decisório eletrônico, não localizei esse PERDCOMP relacionado na representação do PA 10855.722095/201261, entretanto, admitirei como procedente essa indicação. Naqueles autos consta a Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1.912/2011, onde se determinou ao contribuinte que i) esclarecesse “o motivo que os recolhimentos da tabela anexa se tornaram indevidos” e ii) apresentasse “provas materiais para a justificativa” do item anterior. Em atendimento à requisição fiscal o contribuinte informou que, em 2008, alterou o método administrativo de apuração dos PIS/Pasep e Cofins e revisou os cálculos dos anos anteriores, promovendo a retificação das declarações correspondentes (DACON/DCTF), e, na mesma correspondência entregou “CD contendo a composição das DACON’s retificadoras referentes aos meses de fevereiro/2005, março/2006, maio/2006, dezembro/2006 e junho/2007” e cópia da Solução de Consulta nº 132/2009. Posteriormente, através da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 748/2012, a autoridade fiscal apresentou o seguinte questionamento: “Em face das informações prestadas por V Sa em 13/janeiro/2012, é necessário que sejam indicadas quais as classificações contábeis foram alteradas e comprovar que os reflexos destas alterações foram devidamente corrigidas, por exemplo, se foi reconhecido crédito de COFINS para partes e peças utilizadas na manutenção e funcionamento de máquinas de produção, em contrapartida, este mesmo valor deixou de figurar como “despesa”, assim ocasionou além da retificação da Dacon e da DCTF, a da DIPJ com o aumento da base de cálculo tributável.” Em 23/05/2012 o contribuinte respondeu que o valor do crédito a que se referia o ativo imobilizado fora contabilizado a débito das contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar), em contrapartida de crédito na rubrica 181021 (Ativo imobilizado); que não houve contabilização em contas de resultado a influenciar a DIPJ; que os créditos relativos a material de manutenção foram registrados a débito nas contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar) e crédito na rubrica 330002 (Despesas recuperadas); e, que em “relação aos anexos que demonstram valores contábeis, os mesmos foram contabilizados e oferecidos a tributação em 12/2009 no montante total do levantamento realizado, conforme demonstrativo no anexo 2”. Não existe qualquer outro despacho, intimação, correspondência, termo de verificação fiscal ou relatório nos autos, restringindose às manifestações acima listadas. Na seqüência, retornando ao presente processo, repitase, sem qualquer relatório ou termo de verificação fiscal, em 03/07/2013, foi emitido o despacho eletrônico ora combatido (efl. 07), que arrola o seguinte fundamento para não homologação da compensação: “A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 6 4 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho.” As informações complementares, por seu turno, trazem a seguinte observação: “Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA Observação: DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA NÃO COMPROVA ORIGEM DO PAGAMENTO INDEVIDO PROCESSO 10855.722095/201261.” Como se observa, não é possível saber quais verificações foram realizadas pela fiscalização, tampouco quais documentos não foram apresentados e eram necessários à comprovação/demonstração do direito creditório. Apensados à manifestação de inconformidade foram juntadas apenas cópias da PERDCOMP, DCTF e DACON. A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 7 5 crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome a crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolvem o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se esse crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 2084DF CARF MF
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