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Numero do processo: 10620.001143/2003-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF.
Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL.
Não comprovado que os rendimentos considerados omitidos são decorrentes de atividade rural, os mesmos devem ser submetidos à regra geral de tributação das pessoas físicas.
Demonstrado que os valores declarados como receita da atividade rural não se confundem com os depósitos de origem não comprovada, não há que se falar em exclusão dos valores informados em DIRPF da base de cálculo do tributo lançado.
Numero da decisão: 2201-004.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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PRESUNÇÃO LEGAL. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA. RECEITA DA ATIVIDADE RURAL. Não comprovado que os rendimentos considerados omitidos são decorrentes de atividade rural, os mesmos devem ser submetidos à regra geral de tributação das pessoas físicas. Demonstrado que os valores declarados como receita da atividade rural não se confundem com os depósitos de origem não comprovada, não há que se falar em exclusão dos valores informados em DIRPF da base de cálculo do tributo lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 11 43 /2 00 3- 46 Fl. 711DF CARF MF 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Trata o presente do Auto de Infração relativo a Imposto sobre a Renda da Pessoa Física IRPF, fl. 07 a 17, pelo qual a Autoridade Fiscal constituiu crédito tributário, consolidado em dezembro de 2003, no valor total de R$ 170.057,48. O procedimento fiscal alcançou os anos calendários de 1998 a 2000 e concluiu pela ocorrência de infração à legislação tributária em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Ciente da imputação fiscal em dezembro de 2003, inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 440 a 445, com a qual buscou demonstrar a improcedência do lançamento mediante análise, mês a mês, dos rendimentos considerados omitidos, cotejandoos com ingressos decorrentes de indenização recebida do DNER, venda de gado e leite de suas propriedades rurais, bem assim resgates de aplicações financeiras. Debruçada sobre os termos da impugnação, fl. 565 a 573, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente os argumentos do contribuinte, com destaque para os seguintes excertos, 572: (...) Registrese que, embora o interessado argumente que os valores depositados são originados de indenização judicial recebida do DNER, a fiscalização cuidou de considerar tais valores antes de efetuar o lançamento. Assim, observase que referidos valores já foram excluídos (fl. 9). Quanto à alegação de que a origem dos depósitos corresponde a receitas de venda de gado e leite das propriedades rurais do impugnante, essa não pode ser acatada, uma vez que veio desacompanhada de qualquer elemento que a corroborasse. Conforme esposado, os documentos anexados à impugnação, bem como os demais documentos constantes dos autos, não são, por si sós, suficientes para comprovar a origem dos depósitos, pois não há coincidência de data nem valores e o interessado não logrou apresentar nenhum documento que evidenciasse que os valores decorrentes das transações apontadas transitaram de fato pelas contas bancárias objeto do lançamento. Desse modo, não restou comprovada a origem dos depósitos, de sorte que descabe o argumento de que, em caso de apuração de qualquer valor, o tratamento a ser adotado é aquele previsto para a atividade rural. Ademais, a fiscalização também cuidou de excluir os valores comprovadamente derivados da atividade rural (fl. 9). Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 712 3 (...) Não obstante, com relação ao argumento de que o depósito, em 28/02/2000, no valor de R$ 81.461,03, na conta no 6.0631, do Banco do Brasil é decorrente de resgate da conta de poupança no 6.0633 também do Banco do Brasil, conforme extrato anexo, este merece ser acolhido, eis que os documentos às fls. 420, 439 e 440 comprovam a transferência. de numerário e também são coincidentes em datas e valores. Assim, cumpre excluir referido valor. Dessa forma, o imposto suplementar relativo ao exercício 2001, anocalendário 2000, é reduzido a R$ 9.878,18 [32.279,97 — (81.461,03 x 27,5%)] _ fl. 14. Em decorrência, o imposto suplementar global é reduzido à R$ 49.145,74 (21.394,49 + 17.873,07 + 9.878,18) _ fl. 15. Ciente do Acórdão da DRJ em 05 de outubro de 2006, conforme AR de fl. 577, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 588 a 595, no qual reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação, acrescentando, ainda, argumento de que os valores teriam sido informados como receita da atividade rural. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, os Membros da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes resolveram converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução de fl. 602 a 608, cuja finalidade pode ser resumida na emissão de intimações a terceiros para confirmar data, valor e natureza dos negócios que justificaram os respectivos pagamentos. Cumprida a diligência determinada, inclusive com ciência e manifestação do autuado, os autos retornaram a este Conselho, sendo novamente submetido ao Colegiado de 2ª Instância, que exarou o Acórdão de fl. 579 a 585 (notase erro na inclusão do Acórdão nos autos eletrônicos, já que assumiu numeração inferior à informada no momento da formalização do acórdão, apresentandose, portanto, fora de ordem, sem, contudo representar qualquer prejuízo à lide administrativa. Ademais, foi juntada cópia do Acórdão a partir de fl. 652, minimizandose ainda mais a questão da ordem das peças processuais). Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LEI 9.430, DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desobrigadas de escrituração, os recursos com origem comprovada servem para justificar os valores depositados ou creditados em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. Recurso Voluntário Provido Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional formalizou o Recurso Especial de f. 662 a 668, em particular por discordar da conclusão do Acórdão recorrido sobre a desnecessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas. O recurso em tela teve o seu seguimento deferido nos termos da Decisão de fl. 672/673. Fl. 713DF CARF MF 4 Ao ser cientificado da formalização do Recurso Especial, o autuado apresentou as contrarrazões de fl. 681 a 683, no qual pugnou pela manutenção da decisão recorrida Submetida ao crivo da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi exarado o Acórdão de fl. 692 a 705, que concluiu, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno à câmara a quo para análise das questões não apreciadas no recurso voluntário. Assim o voto condutor delimitou matéria e concluiu o mérito da lide: Faço notar, a propósito, que o lançamento sob análise abrangeu, consoante demonstrativos de efls. 11 a 16, um total de 9 (nove) depósitos considerados como de origem não comprovada pela autoridade autuante. Em sede de julgamento de 1ª instância, a autoridade julgadora considerou como devidamente comprovado o depósito datado de 28/02/2000, no valor de R$ 81.461,03 (vide efls. 565 a 573), permanecendo assim sob apreciação em sede de Recurso Voluntário os seguintes 8 (oito) depósitos, tidos como não comprovados e assim tributados consoante art. 42, da Lei no. 9.430, de 1996: (...) Ressalto, a propósito, que ainda que não tenha se discorrido no Recorrido acerca da comprovação do depósito no valor de R$ 13.496,40, de 15/03/1999 (nem mesmo acerca da sua possível exclusão por se tratar de depósito em conta conjunta), no entanto, se deu provimento integral ao Recurso Voluntário na instância ordinária. A partir de tal consideração, ou seja, que não se deu provimento por força de comprovação documental quanto ao referido depósito de R$ 13.496,40, ao notar também que a decisão recorrida não foi objeto de decisão integrativa por terem inexistido embargos e, ainda, ao verificar que se atém a argumentação da recorrente exclusivamente à divergência entre se poder ou não considerar comprovados depósitos para os quais não haja coincidência de datas e valores com a respectiva documentação comprobatória, considero objeto de trânsito em julgado administrativo a exclusão do valor do depósito em questão, a saber, no valor de R$ 13.496,40, datado de 15/03/1999. Passa assim o litígio no âmbito desta instância especial a estar composto da discussão acerca da comprovação ou não, para fins de elidir a aplicação do art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, dos seguintes depósitos: Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 713 5 (...)Assim, entendo que não há como se considerar os depósitos aqui em litígio restaram individualmente comprovados para fins de afastamento da presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996 e, destarte, me posiciono pela reforma do recorrido, de forma a que sejam considerados como não comprovados os seguintes créditos, objeto de tributação e que julgo serem aqueles que permanecem, a esta altura, sob litígio no âmbito desta CSRF: Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para considerar como não comprovados os depósitos acima resumidos, com retorno ao Colegiado a quo, a fim de que este se manifeste acerca das questões constantes do Recurso Voluntário que restaram não apreciadas, por prejudicadas, a saber: a) Tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta sem a devida intimação de todos os cotitulares; b) Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. Da Decisão acima, o contribuinte foi devidamente cientificado, conforme fl. 707/708. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Como bem destacado acima, o presente voto está restrito a avaliar, exclusivamente em relação aos depósitos abaixo listados, as questões que não foram tratadas no curso do primeiro julgamento levado a termo na Instância Ordinária deste Colegiado Administrativo, a saber: a) Tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta sem a devida intimação de todos os cotitulares; b) Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. Fl. 715DF CARF MF 6 Da tributação de créditos ocorridos em contacorrente conjunta Inicialmente, devese ressaltar que nem o Recurso Voluntário ou mesmo a impugnação apresentaram qualquer questionamento sobre a titularidade conjunta de contas de depósito, sendo a questão suscitada inicialmente no corpo da Resolução que converteu o julgamento em diligência, fl. 607. Posteriormente, a mesmo tema foi lembrado pelo Acórdão exarado da Câmara Superior de Recursos Fiscais que determinou que este Colegiado ordinário se manifestasse sobre a questão. Não obstante, há de se reconhecer o caráter de matéria de ordem pública que envolve o tema, já que o seu tratamento inadequado resulta em nulidade do lançamento fiscal, por vício material, por não ter observado integralmente os preceitos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). O lançamento em tela está lastreado na presunção legal disposta no art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 714 7 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Como se depreende da clareza do teor do § 6º do art. 42 da Lei 9.430/96, no caso de conta de depósito ou de investimento mantida em conjunto por titulares, que tenham apresentado declarações de rendimentos em separado, o valor dos rendimentos ou receitas deve ser imputado a cada titular, mediante divisão entre o total dos rendimentos e receitas pela quantidade de titulares da conta. Naturalmente, em sendo efetuada tal imputação, indispensável que todos os titulares sejam intimados a comprovar a origem dos valores em tela, sendo certo que, a comprovação efetuada por um afasta a presunção de omissão em relação a todos os demais. Sobre o tema, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Na planilha de depósitos ainda sob lide administrativa, é possível constatar que os de numero 1 e 3, efetivados em 1998, foram identificados na conta mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil sob o nº 01100.0448, cujos extratos constam dos autos a partir de fl. 132 e não deixam dúvidas de que se trata de conta bancária mantida em conjunto com a Sra. Maria do Carmo Fernandes Pereira Evangelista. Na DIRPF relativa ao exercício de 2009, fl. 18, não foi assinalado o campo destinado a informar que tal ajuste se deu em conjunto. Não há nos autos evidência de que tenha sido intimada a Sra. Maria do Carmo P. Evangelista. Fl. 717DF CARF MF 8 Cotejando a os itens 1 e 3 da planilha supra com os extratos de março e junho de 1998, fl. 137 e 141, respectivamente, resta evidente que os depósitos nos valores de R$ 20.690,00 e de R$ 35.616,00 foram integralmente submetidos à tributação no Auto de Infração ora sob análise. Desta forma, desnecessárias maiores considerações já que, caso a segunda titular da conta bancaria fosse intimada e comprovasse a origem de tais valores, nada teria sido lançado no procedimento fiscal em tela. Por outro lado, caso esta não tivesse logrado êxito em tal comprovação, o presente lançamento deveria ter considerado como omitida a proporção de 50% de cada depósito. Portanto, constatase que, exclusivamente em relação às omissões de rendimentos apuradas por depósitos bancários na conta mantida junto ao Banco Mercantil do Brasil, sob o nº 01100.0448, em conjunto com a Sra. Maria do Carmo P. Evangelista, nos valores de R$ 20.690,00 (24/03/1998) e R$ 35.616,00 (25/06/1998), o Agente Fiscal, no exercício de sua competência privativa, não se desincumbiu da obrigação de apurar corretamente o montante do tributo devido e identificar adequadamente o sujeito passivo, o que impõe o reconhecimento da improcedência da imputação, por não terem sido observados integralmente os preceitos do art. 142 da Lei 5.172/66 (CTN). Exclusão de receitas declaradas em DIRPF do montante objeto de tributação. Remanescendo em discussão apenas os depósitos 2, 4, 5, 6 e 7 da planilha supra, cuja procedência da imputação fiscal sobre tais montantes foi questionada no Recurso voluntário por duas razões básicas, por supostamente se referirem a venda de gado e por terem sido declaradas, total ou parcialmente, como receita da atividade rural. Em relação à alegação de se tratar de recursos proveniente da comercialização de gado, não há espaço para que retomemos a questão, já que a CSRF já analisou o seu mérito e entendeu que não procedem os argumentos recursais. Assim, resta tratarmos da alegação expressa na peça recursal de eventual declaração dos rendimentos em tela como receita da atividade rural, tema que não foi suscitado em sede de impugnação, resultando em inovação da lide no curso do julgamento de 2ª Instância. Importante destacar o que prevê o Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10620.001143/200346 Acórdão n.º 2201004.153 S2C2T1 Fl. 715 9 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Desta forma, analisar os argumentos de que os valores considerados omitidos foram informados em DIRPF como receita da atividade rural, por não terem sido expressamente contestados na impugnação, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade lançadora, o que, s.m.j., poderia macular o aqui decidido por vício de competência. Ainda assim, por mera simpatia ao debate, passase à análise das alegações recursais: Depósito de R$ 26.028,03 19/05/1998 O recorrente alega que teria recebido no período, em razão de venda de gado ao Frigorífico Níger e a Melquíades SanguinetteME, a importância total de R$ 20.034,00, valor este que teria sido declarado no mês de maio de 1998, o que resultaria em uma diferença ainda passível de tributação no valor de R$ 5.994,03. Ora, atender o pleito recursal seria, indiretamente, excluir integralmente a força decisória contida no Acórdão exarado pela CSRF, que entendeu que tais vendas não se prestam a comprovar a origem dos valores considerados omitidos. Assim, tratandose de recursos diversos, forçoso concluir que o valor declarado é relativo às vendas efetuadas e comprovadas, mas não se confunde com o montante considerado omitido no período. O mesmo raciocínio vale para os demais meses citados no Voluntário, razão pela qual entendo que não merecem acolhida as alegações formuladas, impondose o não provimento do recurso nesta tema. Por fim, merece destaque a alegação expressa na peça recursal de que a decisão recorrida teria desprezado a argumentação expendida na impugnação sobre o tratamento a ser dado à receita apurada pela fiscalização, que mereceria tratamento diferenciado por se tratar de receita de atividade rural. Ora, como já bem explicitado no Relatório e no presente Voto, os valores sobre os quais se assentou o lançamento fiscal não tiveram sua origem comprovada. Assim, não havendo efetiva demonstração de que sejam relativos à atividade rural, não há que se falar em tratamento diferenciado dispensado às receitas decorrentes da exploração da atividade rural, em particular no presente caso, em que resta inconteste que os valores de rendimentos recebidos pelo contribuinte, além de terem origem em atividade rural, são resultado de aplicações financeiras e de proventos de aposentadoria ou pensão. Nesta esteira, não se omitiu a decisão recorrida ao não se manifestar sobre o tratamento tributário diferenciado requerido pelo contribuinte, já que a manutenção da exigência nos termos formulados pelo autor do procedimento fiscal é uma consequência lógica da conclusão de que não houve comprovação da origem dos recursos. Fl. 719DF CARF MF 10 Assim, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida quanto à tributação dos rendimentos considerados omitidos nos termos da regra geral dos rendimentos de pessoa física (tabela progressiva na declaração de ajuste anual). Portanto, nego provimento ao Recurso neste tema. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expressos, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir de tributação os valores dos depósitos identificados na conta mantida no Banco Mercantil do Brasil, sob o nº 01100.0448, cuja titularidade é compartilhada com a Sra. Maria do Carmo Fernandes Pereira Evangelista. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722199/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010, 14/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. PAGAMENTO ANTES DA PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O pagamento efetuado após a ciência do termo de início do procedimento fiscal, porém antes da perda da espontaneidade quanto ao fato gerador fiscalizado, serve à redução do valor do imposto apurado pelo lançamento de ofício.
PRELIMINAR. BUSCA E APREENSÃO. ILICITUDE DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de demonstração pelo interessado de que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal foi obtido como produto de busca e apreensão considerada ilegal pelo Poder Judiciário não autoriza a decretação da nulidade do auto de infração.
PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
Sujeita-se à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. É improcedente, contudo, o lançamento fiscal que não demonstra, por meio da linguagem de prova, os pressupostos para a incidência da tributação extraordinária.
Numero da decisão: 2401-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Processo julgado em 8/3/18, às 9 horas.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PAGAMENTO ANTES DA PERDA DA ESPONTANEIDADE. O pagamento efetuado após a ciência do termo de início do procedimento fiscal, porém antes da perda da espontaneidade quanto ao fato gerador fiscalizado, serve à redução do valor do imposto apurado pelo lançamento de ofício. PRELIMINAR. BUSCA E APREENSÃO. ILICITUDE DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de demonstração pelo interessado de que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal foi obtido como produto de busca e apreensão considerada ilegal pelo Poder Judiciário não autoriza a decretação da nulidade do auto de infração. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. É improcedente, contudo, o lançamento fiscal que não demonstra, por meio da linguagem de prova, os pressupostos para a incidência da tributação extraordinária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 21 99 /2 01 1- 06 Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.076 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e negarlhe provimento. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. Processo julgado em 8/3/18, às 9 horas. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.077 3 Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário interpostos em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0245.408, de 19/06/2013, cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido (fls. 1.755/1.782): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010, 14/12/2010 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PROVA INDICIÁRIA. ADMISSIBILIDADE. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Sujeitase à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Nos lançamentos de ofício, a multa qualificada, no percentual de 150%, será aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, segundo caracterização feita em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. PAGAMENTO Na parte em que comprovado o efetivo pagamento da obrigação, antes do início da ação fiscal, cancelase o crédito tributário correspondente. Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.078 4 2. O lançamento fiscal foi feito em nome da empresa SBDE Sociedade Brasileira de Embalagens e Descartáveis Ltda, CNPJ 86.445.822/000100, atualmente denominada Copobrás S/A Indústria e Comércio de Embalagens. 3. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 1.234/1.246, que a autuação fiscal é composta do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), com data do fato gerador em 14/11/2006, 28/10/2010, 30/11/2010 e 14/12/2010, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) sobre base de cálculo reajustada, acrescido de juros de mora e da multa de ofício qualificada (150%). 3.1 O Auto de Infração, às fls. 1.249/1.253, foi lavrado com fulcro no art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, cujas disposições estão reproduzidas no art. 674 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 4. Pelo que consta da acusação fiscal, o procedimento de auditoria teve como motivação preliminar um relatório elaborado pela CoordenaçãoGeral de Pesquisa e Investigação da RFB (Copei), no contexto da Operação "Monte Éden" (fls. 886/1.229). 4.1 Segundo a documentação, foi identificado um esquema de remessa ilegal de recursos financeiros para o exterior pertencentes ao grupo catarinense "Schlickmann", com ulterior repatriação para o território brasileiro, sob aparente legalidade, mediante a utilização de uma empresa de fachada no Uruguai, chamada ORILANCO SOCIEDAD ANÓNIMA ("Orilanco"). 4.2 A Orilanco sociedade anônima financeira de investimento, com tratamento fiscal privilegiado na forma da legislação uruguaia, ingressou como sócia cotista minoritária em agosto de 2004 e, posteriormente, deixou o quadro societário da recorrente em agosto de 2010. 4.3 Afirma a fiscalização, entretanto, que a "Orilanco" não tinha existência de fato, seus representantes eram pessoas de confiança, ou "laranjas", ligadas ao grupo familiar "Schlickmann", e o fluxo financeiro era integralmente controlado pela própria pessoa jurídica autuada. 4.4 Os recursos remetidos indevidamente ao exterior retornaram ao país em forma de investimentos pela Orilanco às empresas do grupo, Incoplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda, Copobrás Indústria de Plásticos Ltda e Incoplast Embalagens Ltda, que foram posteriormente incorporadas pela Sociedade Brasileira de Descartáveis e Embalagens Ltda, ora recorrente. De acordo com o apurado pela investigação, com base nos dados sobre transferências de capitais estrangeiros registrados no Banco Central do Brasil (Bacen), o montante movimentado nas operações alcançou a cifra de US$ 7,6 milhões (sete milhões e seiscentos mil dólares americanos). 4.5 Ao final, em vista das provas colhidas, o agente fiscal concluiu que os pagamentos destinados à Orilanco, discriminados no Quadro abaixo, caracterizavam uma remessa da pessoa jurídica a beneficiário não identificado, em que a sociedade uruguaia representava somente uma aparência de destinatário. A autoridade tributária inferiu também que a causa de tais pagamentos era desconhecida, na medida em que não representavam remessas a título de investimento de capitais, tampouco resgates com essa mesma finalidade. Fl. 2078DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.079 5 Quadro Data Valor da remessa original (R$) Justificativa do fiscalizado 14/11/2006 186.546,46 Remessa de lucros 28/10/2010 3.500.000,00 30/11/2010 3.500.000,00 14/12/2010 3.000.000,00 Venda da participação da Orilanco, no valor de R$ 10.000.000,00, mediante pagamento em 3 parcelas 5. Sobre o imposto de renda calculado, a fiscalização fez incidir a multa qualificada no importe de 150%, por entender que restou caracterizado o evidente intuito de fraude, através de operações de movimentação de capitais estrangeiros, interposição de pessoas e empresas inexistentes de fato, ocultando o destinatário dos recursos e a natureza real dos pagamentos. 6. A pessoa jurídica autuada foi cientificada do lançamento em 11/11/2011 e impugnou, em 08/12/2011, a exigência fiscal (fls. 1.254 e 1.256/1.317). 7. Ao apreciar o litígio instaurado, a decisão de piso reconheceu o pagamento parcial do imposto de renda sobre o mesmo fato gerador, quando das remessas enviadas ao exterior, ainda que os recolhimentos tenham ocorrido sob a denominação de ganho de capital obtido com a venda de quotas societárias (fls. 1.576 e 1.754). 7.1 Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 8. Intimada por via postal da decisão do colegiado de primeira instância em 08/07/2013, às fls. 1.783/1.786, a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário no dia 06/08/2013 (fls. 1.798/1.854). 8.1 Em breve resumo, enumero os argumentos de fato e direito aduzidos pela recorrente contra o acórdão recorrido: (i) em preliminar, há nulidade do lançamento diante da ilicitude das provas, uma vez que a alegada inexistência da sociedade Orilanco sustentase inteiramente em documentos e informações da Operação "Monte Éden", colhidos por intermédio de diligência policial de busca e apreensão realizada no escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados; Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.080 6 (ii) há nulidade do lançamento por ter o agente fiscal presumido o fato gerador, que deve estar plenamente identificado segundo a linguagem competente, assumindo o caráter de suposições e/ou conjecturas as hipóteses levantadas pela autoridade fazendária; (iii) ainda em preliminar, também há nulidade do lançamento em decorrência da desconsideração da escrituração contábil regular do contribuinte pelo agente fiscal, sem a demonstração da inveracidade dos documentos que lastreiam os registros contábeis, assim como dos esclarecimentos que foram ofertados ao Fisco; (iv) no mérito, alega que as remessas de recursos destinaramse a beneficiário identificado, a companhia Orilanco, uma sociedade formal e materialmente existente, que efetivamente realizou negócios com a recorrente; (v) o Registro de Operação Financeira (ROF) no Bacen não implica, necessariamente, um efetivo ingresso de moeda estrangeira no país, eis que há diversas situações nas quais tal procedimento é realizado sem qualquer movimentação financeira concreta entre as partes envolvidas; (vi) a absoluta incompreensão a respeito das operações cambiais realizadas, tanto pela autoridade fiscal quanto pelos julgadores de primeira instância, acabou criando um cenário irreal e fantasioso, o que levou a crer na existência de operações financeiras em valores muitos superiores aos que efetivamente ocorreram, deixando transparecer, inclusive, que a liquidação de alguns desses empréstimos jamais teria acontecido; (vii) os demais aspectos que sustentam a autuação fiscal remanescem absolutamente frágeis; e (viii) não sendo cancelada a exigência fiscal, a multa qualificada deverá ser afastada, diante da ausência de dolo, sonegação, fraude ou conluio, os quais, como se sabe, não se presumem. 9. Por meio da Resolução nº 2401000.552, de 07/02/2017, o julgamento foi convertido em diligência, com a seguinte finalidade (fls. 2.028/2.034): (...)[para] a autoridade fiscal manifestarse, conclusivamente, a respeito da natureza e do volume de recursos das operações financeiras entre Connecticut Bank of Commerce (CBC), Hudson United Bank (HUB), "Orilanco" e a recorrente (e suas incorporadas), considerando especificamente os argumentos e documentos apresentados no recurso voluntário às fls. Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.081 7 1.827/1.839 e 1.880/2.015, em confronto com as alegações carreadas aos autos pela acusação fiscal. 10. A diligência foi cumprida, tendo a autoridade responsável manifestadose conforme fls. 2.037/2.041. 10.1 Em resumo, o agente fiscal designado procurou realçar os principais fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal e reduzir a importância do debate, motivado pelo recurso voluntário, a respeito do montante dos aportes de recursos financeiros destinado ao longo dos anos às empresas do grupo da recorrente. Defende a falta de conexão dos aportes com a exigência fiscal, que tem como fato gerador da obrigação tributária um momento posterior, quando da saída de recursos financeiros da recorrente com destino a uma empresa de fachada, a Orilanco, localizada no Uruguai. 11. Oportunizado o contraditório à recorrente, não consta manifestação sobre a diligência fiscal (fls. 2.042/2.046). 12. Por fim, anoto que vieram os autos sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.082 8 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Recurso de Ofício Juízo de Admissibilidade 13. O recurso de ofício, formalizado na própria decisão, foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dado que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 14. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 14.1 Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 15. Conforme decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, o valor excluído do imposto e da multa de ofício é superior ao montante mínimo de R$ 2.500.000,00 (fls. 1.781/1.782). 16. Logo, conheço do recurso de ofício. Mérito 17. O sujeito passivo tomou ciência do Termo de Início de Ação Fiscal em 16/09/2010, que indicou os anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 como períodos a serem auditados (fls. 03/06). 18. Apenas a partir do Termo de Intimação Fiscal nº 11, recebido pelo contribuinte em 05/07/2011, que a fiscalização, conforme item 11.10, intimou o contribuinte para comprovar a natureza e as circunstâncias dos pagamentos detectados na contabilidade como realizados à Companhia Orilanco, nos dias 28/10/2010, 30/11/2010 e 14/12/2010, totalizando a importância exata de R$ 10 milhões, a título de remessas enviadas para o exterior (fls. 125/130). Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.083 9 18.1 Até aquele momento, as intimações fiscais estavam direcionadas a outros tributos, período e/ou matérias relacionados às atividades do contribuinte. Por esse motivo, relativamente à matéria discutida no recurso de ofício, entendo que a perda da espontaneidade do sujeito passivo ocorreu somente a partir do dia 05/07/2011, com a ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 11. 19. Segundo a memória de cálculo apresentada, os pagamentos efetuados pela recorrente nos dias 28/10/2010, 30/11/2010 e 14/12/2010, num total de R$ 3.075.893,37, confirmados pelos sistemas informatizados, foram calculados com base na incidência da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) sobre o ganho de capital na operação de alienação das participações societárias situadas no Brasil por não residente com sede em país considerado de tributação favorecida, à época dos fatos (fls. 1.575/1.576 e 1.754). 20. Dessa feita, com acerto a decisão de piso que aceitou o imposto de renda recolhido espontaneamente pelo sujeito passivo para fins de dedução do montante do tributo calculado pelo agente lançador, independentemente da qualificação dada aos pagamentos pela empresa fiscalizada. Os valores recolhidos mantém conexão com os fatos geradores lançados, eis que referemse aos mesmos fatos jurídicos objeto do presente lançamento fiscal. 21. Cumpre, portanto, negar provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Juízo de Admissibilidade 22. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares Ilicitude das Provas 23. A operação denominada "Monte Éden", deflagrada em junho de 2005, consistiu em uma ação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Secretaria da Receita Federal contra a evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, tendo por alvo escritórios de advocacia que prestavam assessoria para abertura de empresas "offshores" e serviços de "blindagem patrimonial" em favor de seus clientes.1 24. A recorrente menciona o "Habeas Corpus" nº 149.008/PR, em que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) declarou imprestáveis os elementos de prova colhidos na busca e apreensão realizada no escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados, na Operação "Monte Éden", relativamente a investigados que não eram, inicialmente, objeto da ação policial. 1 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0107200502.htm Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.084 10 25. A despeito do conteúdo do relatório da Copei da RFB, às fls. 886/910, confeccionado a partir da Operação "Monte Éden", entendo que não há elementos contundentes, hábeis e suficientes para assegurar que as informações nele reproduzidas acerca da existência da sociedade "Orilanco", e seus laços com a recorrente, foram obtidas como produto da busca e apreensão levada a efeito no escritório de advocacia Oliveira Neves & Associados. 26. Ao contrário, pareceme que as informações são fruto de investigação própria do órgão fazendário, ainda que apoiada em dados e/ou informações fornecidos pela Polícia Federal. 27. Induzir, como tenta fazer o recurso voluntário, que o acervo probatório produzido pela acusação fiscal está escorado em documentos apreendidos pela Polícia Federal naquele escritório de advocacia, sendo imprestável como prova por violação da legislação pátria, é uma passo adiante e contaminado de incertezas. Não há indícios sérios e precisos no processo administrativo quanto às alegações ofertadas pelo sujeito passivo, tão somente conjecturas amparadas por meio de discurso genérico. 28. Desse feita, rejeito a preliminar quanto à ilicitude das provas suscitada pela recorrente. Presunção do Fato Gerador e Desclassificação da Escrituração Contábil 29. Examino em conjunto as alegações de impossibilidade de aplicação de presunção ao caso vertente, bem como a indevida desconsideração da prova préconstituída representada pela escrituração contábil do contribuinte, quando esteja respaldada por meio de documentação. 30. Pois bem. A linha de defesa do sujeito passivo confundese com o mérito da autuação fiscal. Não há impedimento para utilização das presunções simples ("hominis") para a criação de obrigações tributárias pela autoridade fiscal, garantida, evidentemente, a ampla defesa e o contraditório na fase contenciosa administrativa. Tal como as provas diretas, as provas indiretas igualmente conferem certeza jurídica bastante no âmbito tributário. 31. No decorrer de procedimento fiscalizatório, o agente fiscal identificou a presença de fatos conhecidos, e decidiu tomálos, segundo seu convencimento fundamentado, como indícios da existência de fato jurídico tributário relevante indiretamente conhecido, produzindo o enunciado presuntivo individual e concreto. 31.1 Resultado desse raciocínio lógico, a autoridade lançadora deduziu, a despeito da documentação e dos esclarecimentos apresentados pela empresa fiscalizada, que os pagamentos efetuados destinaramse a beneficiário não identificado, e que não havia comprovação da sua verdadeira causa, atraindo a aplicação da tributação extraordinária prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. Fl. 2084DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.085 11 32. A presunção em direito tributário admite prova em contrário, de modo que a inexistência dos fatos indiciários, a falta de causalidade jurídica entre fato indiciário e fato presumido ou mesmo a gravidade, precisão e concordância dos indícios2 são aspectos probatórios que devem ser apreciados e valorados pela autoridade julgadora na fase própria do exame do mérito. 33. Da mesma maneira, não encontra óbice jurídico a desconsideração pela autoridade fiscal da contabilidade regular do contribuinte como dotada de força probatória quando repute que não está corroborada por documentação hábil e idônea que lhe suporte a veracidade. 34. No caso sob análise, para o Fisco os elementos indiciários coletados a partir da investigação da Copei da RFB, assim como as provas identificadas durante a execução do procedimento fiscal, quando avaliados em conjunto, são suficientemente graves e convergentes para concluir pela inveracidade intelectual de documentos e esclarecimentos que dão respaldo à escrituração contábil. 35. Em uma e outra hipótese acima mencionada, o ato administrativo foi devidamente motivado pela autoridade fiscal, que trouxe aos autos segundo a sua livre convicção os elementos de prova que estariam aptos a corroborar, no caso concreto, a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 36. Quando da apreciação probatória, ao julgador administrativo caberá inferir, mediante raciocínio fundamentado, se os fatos afirmados pelo Fisco são dotados de força probante suficiente para manter o lançamento de ofício ou, em outra perspectiva, são insatisfatórios para assegurar os pressupostos que servem de suporte à exigência do crédito tributário. 37. Assim exposto, igualmente cabe rejeitar as demais alegações de nulidade do ato fiscal. Mérito 38. A conversão do julgamento em diligência fiscal, às fls. 2.028/2.034, foi estipulada com a intuito de obter da fiscalização esclarecimentos adicionais sobre a natureza e o volume de recursos das operações financeiras entre Connecticut Bank of Commerce (CBC), Hudson United Bank (HUB), Orilanco e as empresas do grupo da recorrente, levando em consideração que tanto o Termo de Verificação Fiscal quanto o acórdão recorrido indicavam a existência de movimentação de valores bastantes superiores aos documentos carreados no recurso voluntário (fls. 1.827/1.839 e 1.880/2.015). 39. No entanto, a autoridade tributária responsável pelo cumprimento da diligência fiscal esquivouse de confrontar os elementos de prova correlatos, conforme solicitado pelo colegiado. 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no direito tributário. 2ª ed., São Paulo : Editora Quartier Latin, 2005, pág. 139/141. Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.086 12 39.1 Segundo declarou, a imputação fiscal é restrita à incidência tributária na saída dos recursos da recorrente destinados à companhia Orilanco, e não à entrada de moeda estrangeira no País, cuja eventual legalidade dessas operações de ingresso nada mudaria com relação aos ilícitos tributários apurados quando da remessa de valores ao exterior (fls. 2.037/2.041). 40. Pois bem. A avaliação sobre a relevância de informações solicitadas por meio de diligência para fins de subsidiar a decisão em processo administrativo compete ao julgador, e não à autoridade fazendária incumbida de sua realização A função do agente público responsável pelo cumprimento da diligência é colaborar com o desenvolvimento do processo tributário, nos termos em que determinado pela instância administrativa, auxiliando a convicção do julgador quanto às matérias controvertidas (art. 36, § 3º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). 41. O relatório elaborado pela Copei da RFB, no contexto da Operação "Monte Éden", aborda com detalhes o volume de recursos que teria sido enviado ao Brasil, supostamente pertencentes ao grupo "Schlickmann", a partir de um mecanismo irregular de repatriação de valores outrora remetidos ao exterior à margem dos controles do sistema financeiro nacional, alcançando a cifra de US$ 8,6 milhões (fls. 886/1.229). 42. Por sua vez, os elementos colhidos na Operação "Monte Éden" integram o Termo de Verificação Fiscal, inclusive com a menção expressa pelo agente fazendário a respeito do envio pela Orilanco às empresas do grupo "Schlickmann" de um total de US$ 7,6 milhões (fls. 1.234/1.246). 42.1 Não há dúvidas que o volume e as circunstâncias da movimentação de capitais estrangeiros para as empresas do grupo mantêm íntima conexão com a motivação para o lançamento fiscal, ainda que não constitua o fundamento principal do ilícito tributário, tendo papel importante também como justificativa para a exarcebação do percentual da multa de oficio, dado o evidente intuito de fraude. Senão vejamos um trecho da acusação fiscal (fls. 1.240): (...) Mas as provas não param por aí. Conforme levantado pela operação MONTE EDEN, a ORILANCO “enviou para as empresas do grupo Schlickmann US$ 7,6 milhões, sendo US$ 3,6 milhões para a Incoplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda., US$ 2,0 milhões para a Copobras Industrial de Plásticos Ltda. e US$ 2,0 milhões para a Incoplast Embalagens Ltda”, todas incorporadas pela SBDE. E ainda que “o que se estranha, contudo, é o fato de ter financiado importações somente de empresas pertencentes a um único grupo econômico no Brasil – grupo com o qual mantém íntimas relações” (fl. 901). (...) 43. Na decisão de piso, o julgador de primeira instância, após a identificação das principais operações a partir da documentação que instrui os autos, afirma que houve transferência de recursos às empresas do grupo "Schlickmann" na expressiva quantia de US$ 15,2 milhões, o que significava um valor em aberto de US$ 11,4 milhões, sem qualquer garantia documental (fls. 1.776). Fl. 2086DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.087 13 (...) 31.1 Notese que a pretensa investidora uruguaia, credora da SBDE da importância de US$ 15.200.000,00, passa a compor o quadro societário da devedora mediante a subscrição da importância de US$ 3.800.000,00 (capital + reserva de ágio). Deixa a sociedade mediante o recebimento de US$ 5.847.414,36 sem qualquer litígio aparente. Absolutamente não é crível que uma empresa intitulada “investidora” não invista esforços para o recebimento dos US$11.400.000,00 restantes, sem qualquer garantia documental. (...) 44. Não só a acusação fiscal, como também a decisão de primeira instância, dão claro destaque às operações de remessas de dólares americanos à autuada e suas incorporadoras, por meio de empréstimos concedidos pelo Connecticut Bank of Commerce, posteriormente adquirido pelo Hudson United Bank, e pela investidora Orilanco, como forma de justificar a atuação da empresa uruguaia como pessoa interposta, nada mais do que um "braço" das sociedades brasileiras. 45. Contudo, nessa questão específica de entrada de dólares, as constatações partiram de uma interpretação equivocada dos dados extraídos do sítio na Internet do Banco Central do Brasil, por aparentemente ignorar que a existência de Registro de Operações Financeiras (ROF) não implica, necessariamente, em novo ingresso de valores oriundos do exterior, existindo diversas situações regulamentadas pela autarquia federal que envolvem a liquidação simbólica de contratos de câmbio, na qual o registro da operação de câmbio é obrigatório mesmo que não se tenha o fluxo real de recursos financeiros entre as partes contratantes. 46. As explicações fls. 1.827/1.839, acompanhadas das cópias dos documentos de fls. 1.880/2.015, são esclarecedoras e satisfatórias da relação existente entre cada uma das operações realizadas, evidenciando, ao menos sob a ótica dos registros cambiais, o ingresso de divisas no montante total de US$ 3,8 milhões, inicialmente através de crédito proveniente do Connecticut Bank of Commerce, adquirido depois pelo Hudson United Bank; posteriormente, com a assunção da dívida pela Orilanco; e, finalmente, com a conversão do montante em participação acionária na recorrente, na forma de investimento externo. 47. A falta de compreensão dos registros das operações de câmbio realizadas, atribuindo as autoridades fazendárias uma movimentação financeira de ingressos incompatível com os dados apresentados nos autos, não leva à necessária conclusão da improcedência do lançamento fiscal. No caso em apreço, é imprescindível avaliar os demais aspectos que sustentam a autuação fiscal. 48. Com efeito, o lançamento fiscal incide sobre as saídas de recursos financeiros da recorrente à Orilanco, notadamente por ocasião da retirada da empresa uruguaia do quadro de acionistas, mediante a alienação da sua participação societária, em que não teria ficado identificado o real beneficiário dos desembolsos realizados, nem comprovada a restituição a título de devolução de capital investido. Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.088 14 49. A partir do histórico das operações, recordo que as cópias dos documentos particulares que instruem este processo administrativo indicam que os empréstimos oriundos do Connecticut Bank of Commerce, sucedido por Hudson United Bank, datam dos anos de 2000 e 2001. 49.1 No ano de 2002, a Orilanco firmou protocolos de intenção com as empresas do grupo "Schlickmann" para a assunção da dívida contraída com a instituição financeira americana, propondo a quitação do crédito assumido através do efetivo pagamento ou da conversão em participação societária nas companhias brasileiras, na qualidade de empresa investidora (fls. 1.334/1.397). A admissão formal da Orilanco como sócia das empresas brasileiras ocorreu em agosto/2004 (fls. 247/269, 1.485/1.504 e 1.515/1.522). 49.2 Nos instrumentos particulares de mútuo e outras avenças, com efeitos exclusivamente entre as partes, que antecederam a entrada da companhia uruguaia como quotista no capital social das empresas brasileiras, a Orilanco declarou que procedeu, embora não contenha os autos algum documento comprobatório emitido pela própria instituição financeira, à quitação da dívida contraída inicialmente pelas empresas do grupo "Schlickmann" junto ao Hudson United Bank, sucessor do Connecticut Bank of Commerce (fls. 1.340/1.344, 1.356/1.360 e 1.372/1.376). 50. A exigência do imposto sobre a renda exclusivamente na fonte foi apurada nas remessas ao exterior efetuadas pela recorrente por não comprovação da identidade do beneficiário, nem da causa da operação, com tributação prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. 51. Uma das situações que justifica a incidência da tributação extraordinária é quando a fiscalização detecta o repasse de numerário a terceiro e, uma vez regulamente intimada, a fonte pagadora não presta informação sobre o efetivo beneficiário dos pagamentos e/ou da sua causa. Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.089 15 52. Ocorre que a empresa fiscalizada não permaneceu inerte, na medida em que indicou à fiscalização o beneficiário e a causa de pagamento, ou seja, remessas destinadas à companhia Orilanco a título de retorno pela venda da participação societária que a companhia uruguaia tinha nas empresas do grupo da recorrente, com fundamento em protocolos de intenções, alterações contratuais, registro de operações no Banco Central e escrituração contábil. 53. Por essa razão, no presente caso, recai sobre o Fisco, assim entendo, o ônus probatório de demonstrar, mediante provas diretas e/ou indiretas, que a Orilanco não passava de uma sociedade meramente de fachada interposta na operações com aparência de investimentos externos e que a causa dos pagamentos realizados, apesar da documentação apresentada, era desconhecida, porque diversa da remessa de capitais e resgate desses investimentos pela companhia estrangeira. 54. O conjunto fáticoprobatório carreado aos autos pelo agente lançador, no entanto, a despeito de reunir elementos relevantes para contextualização das operações ao longo do tempo, é insuficiente para assegurar a inexistência de fato da companhia Orilanco, assim como não é apto para o fim de corroborar a acusação fiscal de que o propósito da remessa de valores ao exterior configura qualquer outro menos a devolução de capital investido no país. 55. Não há como negar que o procedimento fiscal teve como impulso as investigações realizadas a partir da chamada Operação "Monte Éden" envolvendo a suspeita de remessa ilegal de moeda ao exterior e o posterior subterfúgio de repatriação desses recursos ao país, em forma de investimento externo em participação societária, por meio de companhias anônimas situadas em países com falta de transparência fiscal. 55.1 Para lograr êxito na comprovação de ilícitos dessa natureza e nível de sofisticação, é inevitável a busca por uma intensa cooperação internacional para a coleta de provas, sob pena de as autoridades públicas ficarem limitadas ao campo das conjecturas, carecendo de uma base de conexão contundente para fazer prevalecer os fatos que são alegados. 55.2 Diante disso, é inegável que a ausência de elementos nos autos que dão força à evasão de divisas e ao nascedouro ilícito do dinheiro acaba por atenuar a construção de uma realidade diversa para a origem e o destino dos capitais movimentados, bem como da natureza da operação efetivada com a Orilanco, hipótese a que chegou a decisão de piso a partir de uma falsa percepção dos registros das operações de câmbio. 56. O relatório elaborado pela Copei da RFB, no contexto da Operação "Monte Éden", o qual induziu a deflagração da auditoria fiscal no contribuinte e respaldou os motivos de fato do lançamento tributário, longe de constituirse em um documento de prova acabado, contém importantes indícios para fins de aprofundamento do processo investigativo da realidade das operações (fls. 886/1.229). 57. É inviável, como revela a instrução deste processo, que as provas indispensáveis à comprovação do alegado ilícito tributário estejam apoiadas, com a ressalva de um ou outro fato, exclusivamente no mencionado relatório da Copei da RFB, o qual muitas vezes está desacompanhado do adequado elemento concreto que dá suporte às conclusões da equipe responsável pela redação do documento. Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.090 16 58. Ao examinar os indícios trazidos pela fiscalização, percebese, desde logo, a existência de uma forte proximidade entre a Orilanco e as empresas do grupo "Schlickmann", visto que a companhia uruguaia manifestou o interesse em assumir uma dívida de US$ 3,8 milhões, junto a um banco situado nos Estados Unidos, recebendo como contrapartida investimentos em participações societárias em empresas de outro país sem preocupação com a realização de um estudo prévio a respeito da viabilidade do negócio, mediante estimativa dos riscos do investimento. Ao menos, nos autos, faltam elementos de prova da adoção de tais medidas preparatórias (fls. 1.237/1238 e 1.334/1.397). 58.1 Além do que o representante da Orilanco no Brasil, Sr. Marcos de Oliveira Mendes, previamente a sua designação como procurador, manteve uma relação profissional como advogado do grupo empresarial da família, e o diretor da Orilanco, a partir de 28/07/2005, Sr. Marco Rogério San Roman, representava o grupo empresarial da família "Schlickmann" antes da sua investidura pela assembleia de acionistas (fls. 896/899 e 1.238/1.240). 59. Todavia, tais fatos apontados não levam à conclusão de inexistência fática da Orilanco. Mesmo a eventual condição de extensão do grupo "Schlickmann", como pretende convencer a autoridade fazendária, não é de molde para justificação da tributação do imposto de renda com fundamento no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. 59.1 A Orilanco é uma "offshore" uruguaia, constituída na forma de Sociedade Financeira de Inversão (Safis), com objeto social na realização de negócios fora daquele país, garantido o sigilo dos investidores e das movimentações bancárias. O anonimato dos controladores é da essência desse tipo de sociedade, que inclusive impõe a aplicação de alíquotas mais altas, devidamente regulada na lei brasileira, nas remessas de dinheiro a tal espécie de companhia. 59.2 A falta de notícias a respeito de atividades da Orilanco no Brasil, salvo as operações em relação às empresas do grupo "Schlickmann", não descarta, como lembra a recorrente, que investimentos dentro do Uruguai ou em outros países do mundo tenha sido realizados. 59.3 Por sinal, palpável mesmo é o fato que a receita anual da recorrente, considerando as empresas do grupo envolvidas na operação, passou de cerca de R$ 335 milhões no ano de 2004, quando a Orilanco ingressou no capital social, para aproximadamente R$ 620 milhões no ano de 2010, momento da venda da participação acionária da Orilanco, o que demonstra coerência com a proposta de realização de investimento no grupo empresarial "Schlickmann" e a obtenção de ganho de capital pelo investidor (fls. 2.017/2.021). 60. Observo, ainda, que a autoridade lançadora atribui destacada importância ao vínculo de trabalho assalariado mantido pelo Sr. Marco Rogério San Roman com a Prefeitura do Município de Mauá (SP), no anocalendário de 2005, constatado a partir dos dados de retenção na fonte do imposto de renda, com alusão, inclusive, a que a situação representava uma prova cabal da utilização da pessoa física na condição de "laranja" da companhia uruguaia (fls. 1.231 e 1.239/1.240). Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.091 17 60.1 O dado colhido pela fiscalização não deixa de ser intrigante para fins de despertar uma possível continuidade do processo investigativo. Nada obstante, tem sua força axiológica como prova bastante prejudicada, tendo em conta o período das remunerações informadas pelo órgão público municipal, referente aos meses de janeiro a maio/2005, enquanto o Sr. Marco Rogério San Roman assumiu a presidência da Orilanco, segundo o próprio agente fiscal, a partir de 28/07/2005 (fls. 1.237). 61. Assinalo que a companhia uruguaia remeteu, por solicitação da empresa recorrente, uma vasta documentação com a finalidade de comprovar o seu regular funcionamento, tais como faturas de água, energia elétrica, condomínio e regularidade fiscal, corroborada por declaração de contador público independente (fls. 1.609/1.751). A própria natureza da atividade da Orilanco não lhe impõe a necessidade de grande estrutura física e humana para funcionamento. 62. Por sua vez, a fiscalização dá ênfase a criação da companhia uruguaia, constituída em 24/04/1998 com o assessoramento do escritório Rozemblum & Associados, localizado em Montevidéu, especializado em venda de sociedades anônimas uruguaias sem atividade, assim como sociedades "offshore" estrangeiras, ficando estabelecido o endereço desse escritório para a entrega de correspondências destinadas a Orilanco (fls. 270/299, 925/926 e 928/930). 62.1 O Fisco também sobreleva o primeiro endereço da Orilanco, o qual constou em Montevidéu no mesmo local que funcionava a empresa Olinec Uruguai, um escritório de assessoramento financeiro especializado em prestação de serviços "offshore", envolto, segundo apurado, em acusações de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal (fls. 893, 925/926 e 932/933). 63. Com a devida vênia, são todos fatos que têm sua importância, não discordo, porém reclamam certamente elementos adicionais de ligação para conferir o peso que o Fisco pretender lhes dar com vistas à contextualização das operações realizadas alguns anos depois pela Orilanco. 64. Acrescento, por fim, que a retirada da Orilanco da sociedade mantida com a recorrente efetivouse por meio da Vigésima Quinta Alteração e Consolidação do Contrato Social, em que se fixou o valor da operação de retorno do capital em R$ 10 milhões, divididos em três parcelas (fls. 582/600). 64.1 Datada de 10/08/2010, a alteração contratual foi protocolada, em 03/09/2010, na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, cujo registro foi efetivado pelo órgão em 22/09/2010, ao passo que a ação fiscal na recorrente teve início em 16/09/2010, quando o processo de arquivamento do ato já havia começado (fls. 03/06). 64.2 Na ocasião da saída da companhia uruguaia da sociedade brasileira, a recorrente recolheu, na condição de responsável tributário, o imposto de renda sobre os valores remetidos ao exterior no ano de 2010, como ganho de capital, utilizandose de uma alíquota mais severa de 25% sobre os pagamentos (fls. 1.575/1.576 e 1.754). Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 11516.722199/201106 Acórdão n.º 2401005.303 S2C4T1 Fl. 2.092 18 65. Em vista do exposto, entendo que a fiscalização não conseguiu demonstrar os pressupostos para aplicação da tributação extraordinária prevista no art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, sobre as remessas de valores à Orilanco, cabendo a exclusão do crédito tributário remanescente da decisão de primeira instância. 66. Deixo de apreciar as demais argumentos do recurso voluntário, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto por (i) CONHECER do recurso de ofício e NEGARLHE PROVIMENTO; e (ii) CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2092DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901009/2009-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. O MPF não é exigível em análise de Dcomp, só o sendo quando se tratar de ação fiscal. ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. O pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação antes do final do ano-calendário, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo de recolhimentos do período, a ser utilizado a partir de janeiro do ano-calendário seguinte. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.719
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. O MPF não é exigível em análise de Dcomp, só o sendo quando se tratar de ação fiscal. ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. O pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação antes do final do anocalendário, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo de recolhimentos do período, a ser utilizado a partir de janeiro do anocalendário seguinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10660.901009/200966 Acórdão n.º 140200.719 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório PASTIFICIO SANTA AMALIA S/A. com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: O interessado transmitiu a Dcomp nº 33923.19453.260906.1.3.046366, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido à IRPJ, efetuado em 31/01/2006; A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de impossibilidade de se usar o pagamento efetuado para fins de compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01 e seguintes), na qual alega, em síntese: a) a nulidade do lançamento em virtude de ausência de prévio Mandado de Procedimento Fiscal; b) a inexistência do crédito tributário pago por meio de DARF; c). a ausência da produção de provas pela fiscalização sobre a exigibilidade do valor pago em DARF; d) na contabilidade da empresa, está devidamente demonstrado que o valor pago na guia DARF, não encontra qualquer fundamento, portanto, é indevido, surgindo o direito do contribuinte de proceder sua compensação com quaisquer outros tributos administrados pela RFB; A decisão recorrida está assim ementada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. O MPF não é exigível em análise de Dcomp, só o sendo quando se tratar de ação fiscal. ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ, ainda que indevido, não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10660.901009/200966 Acórdão n.º 140200.719 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de pretensão do contribuinte de compensar recolhimentos de CSLL, efetuado por estimativa, antes do encerramento do anocalendário de 2005. De início registro que, tal qual asseverado na decisão recorrida, não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional, nos termos do artigo 26 A, do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, exceto quando houver declaração de inconstitucionalidade pelo STF de lei, tratado ou ato normativo, caso em que é permitido às autoridades administrativas afastar a sua aplicação, nos termos do Decreto n.º 2.346/97. Confirmando este posicionamento, já foram editadas Súmulas do Conselho de Contribuintes e do CARF, dispondo, in verbis: Súmula 1ºCC nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aduz o recorrente que (...) A recorrente em 31/01/2006 efetuou pagamento de DARF sob o código 2362 no valor de R$ 298.002,39, informando período de apuração 12/2005. Em decorrência deste pagamento ter sido realizado de forma INDEVIDA, em virtude da inexistência do respectivo fato gerador da obrigação tributária l , a recorrente procedeu a compensação do mesmo, entregando via sistema Internet, declaração de compensação, na qual informa o crédito decorrente deste pagamento indevido, para extinguir o débito referente ao mês de janeiro de 2005, no valor original de R$ 223.690,69. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, unidade Varginha, MG, não homologou declaração de compensação n° 339231945326090613046366, transmitida em 26/09/2006, na qual informa crédito decorrente de pagamento indevido. 2— DA DECISÃO DA DELEGACIA DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA MG Trata o caso de pagamento indevido de Tributo por estimativa mensal. A DRJ DE Juiz de Fora, em sua r. decisão, informa que em momento algum alegou que o pagamento realizado pela recorrente é devido. Disse ainda que poderia utilizar o pagamento efetuado nos moldes do artigo 10 da IN 600/2005. No julgamento o i. Julgador da DRJ, determinou a aplicação no caso em tela, do artigo 10 da IN/SRF 600/2005, que dispõe: Fl. 126DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10660.901009/200966 Acórdão n.º 140200.719 S1C4T2 Fl. 0 4 (...) Na aplicação do artigo 10 da IN /SRFB 600, somente é possível a compensação de pagamento indevido de CSLL e IRPJ ao final do período de apuração. (...) Desta forma a DRJ de Juiz de Fora manteve a não homologação da declaração de compensação realizada, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. DA REFORMA No período em que foi realizada a compensação com créditos decorrentes de débitos indevidamente pagos, não havia qualquer LEI que obrigasse o contribuinte a proceder a compensação somente ajuste anual. Assim, não havia qualquer LEI que proibisse a recorrente de proceder a compensação da forma que procedeu. Portanto, qualquer atitude da Fiscalização em glosar a compensação realizada pela recorrente naquele período, é nula de pleno direito, pois não possui suporte legal para tanto. A maior verdade, é que o fundamento de validade utilizado pelo Fisco para proceder a não homologação da declaração de compensação realizada pela recorrente é tão somente a IN SRF n° 600/2005. 0 Fisco não invoca em sua norma individual e concreta, qualquer LEI, como fundamento de validade do seu ato administrativo. 0 Principio da Legalidade Tributária, previsto no artigo 150 da Constituição Federal de 1988, deve ser observado: (...) Mais precisamente o § 3° do artigo 74 desta lei, nada dispõe a respeito sobre a obriqatoriedade de proceder o contribuinte de acordo com o artiqo 10 da IN 600/2005. Podese perceber que o conteúdo deste § é taxativo e não admite a extensão de qualquer interpretação pela IN 600/2005, "in verbis" (...) Assim, a Receita Federal do Brasil de Varginha deveria fundamentar sua decisão em lei, tudo em respeito ao principio da vinculabilidade 6 lei, pois o contribuinte somente está obrigado a praticar atos em nos moldes da lei, o que vem expresso na Constituição Federal, em seu art. 5°, II, que enuncia que "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM VIRTUDE DE AUSÊNCIA DE PREVIO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Alega a Receita Federal de Varginha que por não existir lançamento de oficio, não era obrigatório o Mandado de Procedimento Fiscal. A Declaração de Compensação entregue pela recorrente, traduz numa modalidade de lançamento tributário, denominado lançamento por homologação, ou mais especificadamente, auto lançamento ou autocompensação. Uma vez realizada este auto lançamento, surge o direito/ dever do Fisco em proceder a revisão deste lançamento através de atos fiscalizatórios, tudo no moldes do artigo 149 do CTN10 . Portanto, a não homologação da declaração de compensação realizada pelo Fisco é decorrente de um procedimento de revisão dos atos de autolançamento pelo contribuinte. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10660.901009/200966 Acórdão n.º 140200.719 S1C4T2 Fl. 0 5 Desta forma, a não homologação pelo Fisco, da autocompensação realizada pelo contribuinte, é uma espécie do gênero lançamento de oficio. Portanto, em sendo considerado um lançamento de oficio, evidente que obrigatório se torna a emissão de um MPF prévio pela Administração Fazendária sob pena de nulidade. (...) PEDIDO Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso para o fim de homologar a declaração de compensação apresentada pela recorrente em razão das exposições factuais e legais anteriormente expostas. (...) Com a devida vênia entendo que todos esses argumentos já foram adequadamente enfrentados na decisão recorrida, conforme fundamentos adiante transcritos: (...) Cumpre esclarecer que o presente processo trata de compensação não homologada, isto é, a empresa apresentou Declaração de Compensação, na qual aponta débitos a serem compensados com crédito que acredita ser detentora. A autoridade administrativa analisou o suposto crédito e concluiu que ele não existia, e por consequência, não homologou a compensação pleiteada. Não existiu lançamento de oficio (auto de infração). Os débitos que estão sendo cobrados são aqueles declarados pela empresa nas Dcomps, que nos termos do § 6º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, se constituem em confissão irretratável de dívida. Assim, não há que se falar em nulidade de lançamento por falta Mandado de Procedimento Fiscal, visto que, repito, não existiu lançamento de ofício. O citado mandado só é exigível quando uma empresa é submetida a ação fiscal, o que, no caso, não ocorreu. Na Dcomp nº 33923.19453.260906.1.3.046366 a manifestante declarou como crédito, pagamento de efetuado no código 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL).Com fulcro no parágrafo 14º, do artigo 74, da Lei 9.430/1996, que prevê que “a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação”, foi emitida a Instrução Normativa SRF nº 460/2004, cujo artigo 10 estabelece que “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período”. Tal Instrução Normativa foi revogada pela de nº 600/2005, que manteve a mesma disposição. Como se vê, se a empresa efetuou pagamento indevido relativo á estimativa de IRPJ (código 2362), ela deveria utilizar tal pagamento quando da apuração do IRPJ anual, seja para dedução do IRPJ devido ou na composição do respectivo saldo negativo. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10660.901009/200966 Acórdão n.º 140200.719 S1C4T2 Fl. 0 6 Assim, toda argumentação da empresa quanto “a inexistência do crédito tributário pago por meio de DARF” é inócua, visto que, em momento algum a autoridade administrativa afirmou que tal pagamento era devido. O que consta do Despacho Decisório (fl, 31) é exatamente o que se disse acima, ou seja, a manifestante poderia usar o pagamento efetuado como previsto na legislação de regência. (...) Frise que, no que tange ao aproveitamento dos recolhimentos a maior por estimativa, a base legal da Instrução Normativa SRF 600/2005 está no art. 6o da Lei 9.430/1996, que estabelece: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. Portanto, antes de encerrado o anocalendário, o contribuinte não poderia mesmo pleitear a compensação de recolhimentos por estimativa, por se tratar de antecipação do imposto devido ao final do período de apuração, devendo ser usado para dedução do tributo devido no ajuste anual ou na composição do saldo negativo de recolhimentos do período, a ser utilizado a partir de janeiro do anocalendário seguinte. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 129DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 10805.900749/2006-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
Não demonstradas as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de
rendimentos, de guarda obrigatória, torna-se impossível o reconhecimento de direito creditório além daquele apurado pelo confronto entre os valores retidos, constantes em DIRF das fontes pagadoras, e aquele relativo ao imposto a pagar, do período de apuração respectivo, registrado em declaração regularmente apresentada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o IRRF recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido.
Numero da decisão: 1402-000.621
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Não demonstradas as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de rendimentos, de guarda obrigatória, torna-se impossível o reconhecimento de direito creditório além daquele apurado pelo confronto entre os valores retidos, constantes em DIRF das fontes pagadoras, e aquele relativo ao imposto a pagar, do período de apuração respectivo, registrado em declaração regularmente apresentada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o IRRF recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Não demonstradas as retenções do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de rendimentos, de guarda obrigatória, tornase impossível o reconhecimento de direito creditório além daquele apurado pelo confronto entre os valores retidos, constantes em DIRF das fontes pagadoras, e aquele relativo ao imposto a pagar, do período de apuração respectivo, registrado em declaração regularmente apresentada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o IRRF recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Fl. 300DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 286 2 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Laboratório de Patologia Clínica Dr. Hélio Lima S/C Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ Campinas/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de declarações de compensação eletrônicas, transmitidas pelo programa PER/DCOMP e que tomaram os nº 04197.31996.301003.1.3.020995 e 07616.88803.270104.1.3.023400, pelas quais pleiteia a contribuinte em epígrafe o reconhecimento do direito creditório relativo a imposto de renda pessoa jurídica, do 3º trimestre do anocalendário de 2000, para utilização em compensação de débitos de períodos de apuração posteriores. Ao apreciar o pleito formulado, a DRF/Santo André, por seu Serviço de Orientação e Análise Tributária – SEORT, proferiu o despacho decisório de fls. 47/48, reconhecendo parcialmente o direito creditório, relativo a imposto de renda pessoa jurídica, do anocalendário de 2000, 3º trimestre, no importe de R$12.711,69, promovendose as compensações até o limite do valor deferido. Cientificada em 26/06/2008, conforme AR de fls. 58verso, da decisão dada às declarações de compensação, a contribuinte, por sua procuradora legalmente habilitada, interpôs, em 08/07/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 61/62, expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 3.1 – faz uma breve explanação de seu ramo de atividades e afirma que a quase totalidade de seu faturamento é para pessoas jurídicas, razão pela qual os pagamentos estão sujeitos à retenção de imposto de renda na fonte, à alíquota de 1,5%; 3.2 – informa, a seguir, que forneceu a relação das retenções na fonte, ocorridas nos anos de 1998 e 1999, indicando as fontes pagadoras e os respectivos CNPJ; 3.3 – prossegue, dizendo que “Considerando que valores expressivos não foram aceitos como crédito e a convicção que temos de que os impostos informados foram efetivamente retidos e recolhidos, manifestamos nossa inconformidade com o critério adotado pelo SEORT na apuração do IRRF objeto do pedido de compensação.”; 3.4 – esclarece que está anexando novamente a relação já referida e solicita a reconsideração da decisão, baseandose no fato de que a Receita Federal do Brasil tem condições de confirmar a efetiva retenção de imposto de renda, Fl. 301DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 287 3 independentemente do fornecimento, pela contribuinte, das declarações emitidas pelas fontes pagadoras; 3.5 – considerando que as informações solicitadas se referem a 1999 e 2000, há mais de oito anos, portanto, solicita prazo mais dilatado para comprovar as retenções de imposto efetuadas. Em 10/07/2008, a contribuinte endereçou ao Fisco o expediente de fls. 74, encaminhando cópias de Darf da fonte pagadora Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, recolhidos no anocalendário 2000, com a composição dos valores retidos dos prestadores de serviço. Junto à correspondência citada foi trazida também uma relação de pagamentos efetuados pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, à contribuinte, no anocalendário 2000.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 05 24.338 (fls. 148151v) de 04/12/2008, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da contribuinte. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A falta de apresentação dos informes de rendimentos, confirmando retenções de imposto na fonte, impossibilita o reconhecimento de direito creditório além daquele apurado pelo confronto entre os valores retidos, constantes em DIRF das fontes pagadoras, e aquele relativo ao imposto a pagar, do período de apuração respectivo, registrado em declaração regularmente apresentada.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 12/03/2009 (A.R. de fl. 152v), a interessada interpôs recurso voluntário em 13/04/2009 (fls. 153157) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, as declarações de compensação apresentadas pela contribuinte foram homologadas apenas parcialmente, até o limite do direito creditório reconhecido pela autoridade fiscal, no importe de R$12.711,69. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 288 4 Por concordar com seu teor, adoto como razões de decidir os argumentos apresentados na decisão de primeira instância, os quais peço vencia ao autor para reproduzilos conforme abaixo. Na manifestação de inconformidade interposta, afirma a requerente, de maneira genérica, que alguns valores expressivos não teriam sido considerados pela fiscalização, que poderia comprovar as quantias, independentemente de documentos comprobatórios, que teriam de ser exibidos pela contribuinte. Não tem razão a interessada. A análise procedida pela autoridade administrativa, que examinou a declaração de compensação, foi correta, com base nos valores inscritos em declaração de imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ), entregue pela contribuinte, além dos valores apurados em DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos. Vejase o que diz a autoridade fiscal, no despacho de fls. 47/48: “Analisando a linha 18 da Ficha 12 A da DIPJ do 3º trimestre do ano calendário de 2000, verificase que o interessado apurou um saldo negativo de IRPJ no montante de R$38.176,42, que resultou do fato de os valores de IRRF serem maiores que o imposto apurado no trimestre em questão. Analisando a Dcomp em estudo, verificase que o interessado informou como valor do saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2000, o valor relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte na importância de R$43.723,00,(linha 13 da ficha 12 A da DIPJ do 3º trimestre do ano calendário de 2000). É sabido que as retenções na fonte caracterizamse tão somente antecipações do imposto devido sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa no período. Em conseqüência, passível de restituição é o saldo negativo de IRPJ apurado no trimestre em questão que no caso em análise é o montante de R$38.176,42. Entretanto, o interessado intimado a apresentar as cópias de Informes de Rendimentos relativas aos 4 (quatro) trimestres do anocalendário de 2000, alegou não mais ter posse de tais documentos e limitouse a juntar a relação de notas fiscais emitidas durante o anocalendário de 1998 (fls. 38/46) com o valor da retenção na fonte. Para minimizar a situação descrita, os documentos de fls. 15/36 emitidos pelos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil serão considerados na análise do presente processo com relação aos valores das retenções na fonte informadas tendo em vista que os mesmos espelham os dados informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Os citados documentos confirmam em parte o valor do IRRF informado pelo interessado na linha 13 da Ficha 12 A da DIPJ do 3º trimestre anocalendário de 2000. O interessado informou o valor de R$43.723,00, e os documentos da RFB informam R$18.258,27 (fls. 15/36).” Cabe ainda esclarecer à contribuinte que, em se tratando de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF quando, ao final do período, se apura saldo negativo de IRPJ, o indébito resultante não se origina isoladamente dessas retenções, as quais poderão ser deduzidas no cálculo do imposto devido, respeitadas as hipóteses e limites legais. Em verdade, o valor passível de restituição é o montante do “saldo negativo” de IRPJ a pagar verificado ao final do período de apuração e não o Imposto de Fl. 303DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 289 5 Renda Retido na Fonte recolhido durante o período, que, na hipótese de ser dedutível na apuração anual, nada mais é que mera antecipação do imposto devido. É o que dispõe a legislação de regência ora reproduzida: Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 “Art. 40. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I – pago em quota única até o último dia do mês de janeiro do ano subseqüente, se positivo; II – compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de fevereiro do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior”. Posteriormente a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, deu nova redação ao artigo acima, mantendo, porém, o entendimento de que o saldo negativo somente pode ser utilizado em exercícios posteriores à sua apuração: “Art. 40. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I ... II – compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. No mesmo sentido, dispôs a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 7º Alternativamente ao disposto no art. 40, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, a pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou presumido poderá efetuar o pagamento do saldo do imposto devido, apurado em 31 de dezembro de 1996, em até quatro quotas mensais, iguais e sucessivas, devendo a primeira ser paga até o último dia útil do mês de março de 1997 e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes. § 3º Havendo saldo de imposto pago a maior, a pessoa jurídica poderá compensálo com o imposto devido, correspondente aos períodos de apuração subseqüentes, facultado o pedido de restituição. O tema também foi objeto de normatização, no âmbito da administração tributária, conforme se verifica do conteúdo do Ato Declaratório Normativo SRF nº 003, de 7 de janeiro de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de Fl. 304DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 290 6 apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Verificase assim que, ao menos desde 1995, a lei determina que somente é passível de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL registrado no final de cada período de apuração (ano–calendário ou trimestre civil). Portanto, caso existam recolhimentos a título de antecipação, dentre eles as estimativas mensais e o imposto retido na fonte, o efeito do indébito somente se verifica ao final do período de apuração, em uma destas duas situações: a) contribuintes que obtiveram como resultado final prejuízo fiscal, não apurando IRPJ ou CSLL devidos no exercício e b) embora tenham apurado lucro real e débitos de IRPJ e/ou CSLL, o valor devido desses tributos ao final do período é inferior à somatória dos recolhimentos por estimativa e/ou outras antecipações efetuadas durante o anocalendário. A dirimir possíveis dúvidas transcrevese, abaixo, o teor do artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, que dispõe: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (destaques acrescidos) A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, substituiu a IN SRF nº 460, de 2004, mas manteve em seu art. 10 a mesma redação da norma revogada, acima transcrita. Decorre das expressas disposições legais acima reproduzidas, que o indébito tributário oriundo das antecipações apenas se configura: (i) se os rendimentos correspondentes integrarem a base de cálculo do imposto (lucro real ou presumido); e (ii) se as retenções forem superiores ao imposto apurado como devido. Com base na legislação citada, o pedido de restituição da contribuinte, integrante da declaração de compensação, foi deferido apenas parcialmente, optando a autoridade fiscal por admitir se tratar de solicitação de indébito sob a forma de saldo negativo do IRPJ. Como já esclarecido pela fiscalização, a contribuinte anotou, nas declarações de compensação, os valores de R$979,04 e R$42.743,96, totalizando R$43.723,00, como saldo negativo de IRPJ (fls. 09 e 13), embasando seu pedido com a relação dos valores retidos pelas fontes pagadoras, discriminadas nos relatórios de fls. 03/07, integrantes da declaração de compensação. Na declaração de imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ), de fls. 14, na ficha 12 A, que promove o cálculo do imposto, foram anotados os seguintes valores: “IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL À alíquota de 15% ..................................................R$ 5.546,58 Fl. 305DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 291 7 13. Imposto de Renda Retido na Fonte....................R$43.723,00 18. Imposto de Renda a Pagar............................ – R$38.176,42” Como se percebe, o valor de R$43.723,00 (totalização das duas DCOMP), inserido nas declarações de compensação foi, de fato, indevido, por corresponder ao imposto retido na fonte e não ao saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, representado na linha 18, no importe de R$38.176,42. Como informa a autoridade administrativa, que examinou a declaração de compensação, a contribuinte foi intimada a comprovar os valores retidos na fonte, no importe de R$43.723,00, com a exibição dos competentes informes de rendimentos. No entanto, a interessada limitouse a apresentar uma relação de notas fiscais emitidas, com a respectiva retenção na fonte, que não produziram qualquer efeito, pois, além de notas fiscais não servirem de comprovantes da provável retenção na fonte, pois de emissão da própria contribuinte, ainda os documentos se referem ao anocalendário de 1998, enquanto que a pendência se relaciona ao 3º trimestre de 2000. Os relatórios de fls. 15/36 confirmam a retenção na fonte no importe de R$18.258,27, em contraposição ao valor declarado de R$43.723,00, total constante do anexo à declaração de compensação de fls. 03/07. Do confronto dos dois conjuntos de relatórios, podese constatar que diversas fontes pagadoras não constam como empresas que tivessem efetuado retenção de imposto na fonte, sendo necessária, portanto, a exibição dos competentes informes de rendimentos, para comprovação dos valores retidos, o que não foi feito pela contribuinte. Vejase o que prevê o RIR/99, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, a respeito do assunto: “Art. 942 – As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei Nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único – O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).” Como se vê, é obrigação da fonte pagadora o fornecimento do documento anual comprobatório da retenção do imposto de renda na fonte, competindo aos beneficiários a sua guarda e contabilização. Quanto aos documentos da Unimed ABC, juntados pela contribuinte, em aditamento à manifestação de inconformidade, não estão eles devidamente chancelados, nem assinados, o que lhes tira qualquer eficácia. As cópias dos Darf recolhidos podem ser comprovadas nos sistemas de controle da arrecadação da Receita Federal do Brasil, mas as relações que as Fl. 306DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10805.900749/200641 Acórdão n.º 140200.621 S1C4T2 Fl. 292 8 acompanham não se mostram confiáveis, posto que não contam com assinatura da Unimed ABC. Devese destacar, também, que se a contribuinte obteve tais documentos junto à fonte pagadora, deveria ter conseguido, também, o comprovante de rendimentos e retenção na fonte, correspondente aos valores recolhidos e respectivas relações de empresas beneficiadas. Por último, as relações de empresas, que acompanham os Darf recolhidos, informam um total de R$40.077,79 como retidos da contribuinte, enquanto que o relatório de fls. 15 denota a retenção da quantia de apenas R$74,23, com um diferença discrepante. Ressaltese que no relatório de fls. 04 a contribuinte aponta para uma retenção do valor de R$38.591,17, que teria sido feita pela Unimed ABC Cooperativa de Trabalho Médico, quantia divergente da constante em DIRF entregue por esta última empresa, como também dos documentos acostados aos autos pela interessada. Não comprovadas, portanto, as retenções do imposto de renda na fonte, com a exibição dos competentes comprovantes de pagamento de rendimentos, de guarda obrigatória, não há como se atender o pleito da contribuinte. Em face do exposto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 22/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 28/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10880.688794/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 162 1 161 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.688794/200961 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.213 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2018 Assunto COFINS Recorrente ERITEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em tela, emprego aqui o relatório formulado no bojo do acórdão n. 16.32.995, da lavra DRJ São Paulo (fls. 125/129), o que passo a fazer nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 79 4/ 20 09 -6 1 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.688794/200961 Resolução nº 3402001.213 S3C4T2 Fl. 163 2 2. A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 132/136, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.688794/200961 Resolução nº 3402001.213 S3C4T2 Fl. 164 3 3. É o relatório. Resolução 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.688794/200961 Resolução nº 3402001.213 S3C4T2 Fl. 165 4 (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 11. É a resolução. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721759/2013-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO - PROVA DOCUMENTAL -
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
Numero da decisão: 2002-000.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni, Fabia Marcilia Ferreira Campelo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO E/OU SEM VÍNCULO - PROVA DOCUMENTAL - RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montes - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni, Fabia Marcilia Ferreira Campelo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10865.001590/2004-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1996
IRPJ. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE SALDO NEGATIVO. Constatado que o pleito do contribuinte foi analisado com
sendo de restituição de IR-Fonte quando, em realidade, deveria ter sido manejado e analisado como do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ daquele ano calendário, por se tratar de IR-Fonte antecipação, cumpre determinar que nova análise seja procedida pela Unidade de Origem.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o reexame do despacho decisório pela Unidade de origem, partindo da premissa que se trata de pedido de reconhecimento de direito creditório do saldo negativo de recolhimento do IRPJ do ano-calendário de 1996, considerando o lucro real originalmente apurado pelo contribuinte, com os ajustes decorrentes do auto de infração de que trata o processo nº 10882.002223/2001-76, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:1996 IRPJ. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE SALDO NEGATIVO. Constatado que o pleito do contribuinte foi analisado com sendo de restituição de IR-Fonte quando, em realidade, deveria ter sido manejado e analisado como do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ daquele ano calendário, por se tratar de IR-Fonte antecipação, cumpre determinar que nova análise seja procedida pela Unidade de Origem. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO SOBRE SALDO NEGATIVO. Constatado que o pleito do contribuinte foi analisado com sendo de restituição de IRFonte quando, em realidade, deveria ter sido manejado e analisado como do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ daquele anocalendário, por se tratar de IRFonte antecipação, cumpre determinar que nova análise seja procedida pela Unidade de Origem. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o reexame do despacho decisório pela Unidade de origem, partindo da premissa que se trata de pedido de reconhecimento de direito creditório do saldo negativo de recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1996, considerando o lucro real originalmente apurado pelo contribuinte, com os ajustes decorrentes do auto de infração de que trata o processo nº 10882.002223/200176, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.001590/200411 Acórdão n.º 140200.482 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório TRW COMERCIO E PARTICIPACOES LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão PretoSP em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em 27/12/2001 a interessada aviou o pedido de fl. 02 visando a restituição do valor de R$ 69.203,20 relativo a Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) quando do recebimento de dividendos em abril de 1996, acompanhado de cópias das alterações do contrato social e da ata de reunião de quotistas que noticia sua diretoria, em cujo rol figura o subscritor do pedido. Apresentou, simultaneamente, pedido de compensação com débitos de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) concernentes aos períodos de abril a dezembro de 1996, os quais foram lançados pela Seção de Fiscalização da então Delegacia da Receita Federal em LimeiraSP no procedimento abrigado no processo administrativo fiscal nº 10882.002223/200176, e com débitos de IRPJ devidos pelo regime de estima mensal, afetos aos meses de janeiro a julho de 1997 e janeiro de 1998 a dezembro de 1999, como também, com débitos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), igualmente devidas pelo regime de estimativa, apuradas em julho de 1997 e abril de 1998, fls. 03/07. Em fevereiro de 2007 a autoridade fiscal exarou o despacho decisório de fls. 146/147 indeferindo o pedido de restituição, bem como não homologando as compensações declaradas, ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte na medida em que o valor retido pela fonte caracteriza antecipação do valor do imposto de renda devido no período e este sim, se negativo, poderia ser objeto de restituição ou utilizado para compensações. Regularmente cientificada, a interessada ingressou com a peça recursal de fls. 160/167, acompanhada dos documentos de fls. 168/205, solicitando a reforma do despacho decisório. Argumenta, em síntese, que no ano de 1996 não foi apurado lucro em decorrência da empresa não ter obtido receitas operacionais, embora tenha recebido os dividendos que ensejaram a retenção do imposto na fonte de Freios Varga S/A, da qual era acionista. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.001590/200411 Acórdão n.º 140200.482 S1C4T2 Fl. 3 3 Insinua que o entendimento da autoridade fiscal baseouse no fato de que naquele ano de 1996 a Fiscalização lançou imposto de renda, em decorrência da apuração de realização de lucro inflacionário, todavia deixou de considerar que o imposto de renda retido na fonte não foi levado em conta na apuração do crédito tributário. Realça que a exigência foi recolhida em 18/12/2003, de sorte que o imposto de renda devido no final do exercício é de valor zero, possibilitando, então, a restituição do quantum retido anteriormente na fonte. Informa, por fim, que os débitos de CSLL foram recolhidos em razão da necessidade de obtenção de certidão negativa, e que serão objeto de restituição e/ou compensação com tributos vincendos. A decisão recorrida está assim ementada: DIREITO CREDITÓRIO.Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO.O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. Solicitação indeferida Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, afirma que não tinha saldo de IRPJ a pagar do Anocalendário de 1996, logo, faz jus ao direito creditório pleiteado. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.001590/200411 Acórdão n.º 140200.482 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório sobre IRFonte, anocalendário1996, que foi indeferido pela DRF (fl. 146147) apenas por se tratar de antecipação do IRPJ devido no ajuste anual. A DRJ reconheceu que o pedido deveria ter sido tratado como do Saldo Negativo do IRPJ daquele ano, mas formou entendimento que não restou comprovado o direito creditório do contribuinte, pelos fundamentos a seguir transcritos. A tese da Recorrente poderia encontrar ressonância se tomada isoladamente, isto é, com o pagamento do IRPJ apurado pela fiscalização, cujo comprovante integra os autos à fl. 94, a situação da contribuinte retornou ao status originariamente constante em sua declaração de rendimentos, qual seja, aquele que dá conta da inexistência de lucros ou existência de prejuízos fiscais de pequena monta nos diversos períodos de apuração do ano de 1996, fls. 19/21. Assim, inexistente a base de cálculo, surgiria a possibilidade de restituição do saldo negativo de IRPJ, fruto da dedução do IRPJ de valor “zero” da quantia retida a título de IRRF, espelhando, no caso, idêntica cifra deste. Malgrado, tenho reiteradamente consignado entendimento de que na restituição de saldo negativo de IRPJ, ou compensação deste com outros tributos, ou com o próprio IRPJ, incumbe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos das estimativas, quando for o caso, ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, em face do artigo 37, § 3º, “c” da Lei nº 8.981, de 20/01/1995; 3ª) a apuração do quantum do indébito, fruto do confronto entre o valor do tributo apurado no final do período e as quantias antecipadas e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Tenho que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de IRPJ, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do prejuízo fiscal ou do tributo declarado no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e o informe de retenção apenas elementos da composição. Noutras palavras: por si só, não exprimem a figura do indébito fiscal. (...). No caso presente pretendese que o indébito se exteriorize tão somente com a comprovação da retenção na fonte e com os dados declarados na DIRPJ/97, os quais dão pela inexistência de lucros ou existência de prejuízos fiscais nos períodos. Não há, pois, lastro à pretensão. Registro meu entendimento, ainda, que o fato do Fisco ter levado a cabo procedimento fiscal contra a contribuinte não chancela a situação declarada na Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10865.001590/200411 Acórdão n.º 140200.482 S1C4T2 Fl. 5 5 DIRPJ, haja vista que se trata de procedimento de “malha”, metodologia simplificada que consistiu no ato de adicionar ao valor zero inserto na linha destinada ao lucro inflacionário realizado ( ficha 07, linha 09) o montante mínimo que deixou de ser reconhecido pela declarante. Noutras palavras: analisouse a declaração isoladamente, comparandoa com os dados de declarações de anos anteriores, sem exames dos livros fiscais e contábeis. Por todo exposto, porquanto não há comprovação da certeza e liquidez do crédito almejado, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade Já no recurso voluntário o contribuinte reafirma que não apurou lucro real tributável no ano de 1996, que sofreu autuação do IRPJ, mas efetuou o pagamento do tributo devido. Pela análise dos autos, verificase que cabe razão ao contribuinte em seu pleito, haja vista que a retenção em fonte está comprovada e o resultado tributável do ano calendário de 1996 não pode mais ser revisto pelo autoridade administrativa, em face do decurso do prazo decadencial para esse fim. Todavia, no despacho decisório da DRF o pleito não foi analisado com pedido de reconhecimento do direito creditório sobre o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ. Logo, não foram feitas as devidas análises, especialmente quanto a eventual compensação desse valor em períodos subseqüentes, inclusive pelo fato de o contribuinte ter sofrido auditoria fiscal naquele período, consoante processo 10882.002223/200176 (vide decisão DRJ à 196 e seguintes). Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o reexame do despacho decisório pela Unidade de origem, partindo da premissa que se trata de pedido de reconhecimento de direito creditório do saldo negativo de recolhimento do IRPJ do anocalendário de 1996, considerando o lucro real originalmente apurado pelo contribuinte, com os ajustes decorrentes do auto de infração de que trata o processo nº 10882.002223/200176. Registrese que, desse novo despacho decisório, se desfavorável, o contribuinte poderá, caso deseje, apresentar manifestação de inconformidade à DRJ no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 22/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 20/04/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900326/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/01/2006
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.208
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/01/2006 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 26 /2 01 2- 64 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900326/201264 Acórdão n.º 3301004.208 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.743. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900326/201264 Acórdão n.º 3301004.208 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10865.900326/201264 Acórdão n.º 3301004.208 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000188/2009-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 88 /2 00 9- 85 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 570 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403002.830, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 06 de novembro de 2014 (efls. 531 a 540). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 LUCRO DISTRIBUÍDO. NÃO INCIDÊNCIA. O lucro regularmente distribuído não se sujeita à tributação par a previdência social. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) determinar a exclusão dos valores referentes ao Levantamento "CLD Crédito Lucro Distribuído"; (ii) Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 09/01/2015 (efl. 541) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, em 20/02/2015 (e fl. 555), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 542 a 554). Fl. 570DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 571 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho, em 17/05/2012, no âmbito do Acórdão no. 2401002.453, e, ainda, em relação ao decidido por esta 2a. Turma desta Câmara Superior, em 24/04/2013, no âmbito do Acórdão no. 9202002.636, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 2401002.453 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2006 MPF. PRORROGAÇÃO. NECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL. INEXISTÊNCIA. Havendo prorrogação de MPF dentro do prazo de sua validade, não há o que se falar em substituição da autoridade fiscal. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INDEPENDENTEMENTE DE INSCRIÇÃO NO PAT. APLICAÇÃO EXCLUSIVAMENTE PARA AS PRESTAÇÕES IN NATURA. Independentemente de inscrição no PAT, não incidem contribuições sociais, desde que a empresa faça a prestação in natura. APURAÇÃO COM ESTEIO EM FOLHAS DE PAGAMENTO E RECIBOS. PRESUNÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. INOCORRÊNCIA. Não há o que se falar em presunção dos fatos geradores das contribuições lançadas quando a apuração fiscal se deu com base na documentação exibida pelo sujeito, principalmente em folhas e recibos de pagamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplicase a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de Fl. 571DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 572 4 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Acórdão 9202002.636 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Decisão: pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad (Relator), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 573 5 b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) no presente feito exigese contribuições previdenciárias referentes ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006, anteriores, portanto, à data de 30 de novembro de 2008, estabelecida pela Instrução Normativa nº 1.027, de 2010 como marco divisor para análise da multa cabível. Assim, deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada Instrução Normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Requer, assim, quanto à matéria, que seja conhecido e dado total provimento ao presente recurso, quanto às matérias, para reformar o acórdão recorrido, no ponto impugnado. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 557 a 561. Cientificada a autuada em 26/03/16 (efls. 565), esta quedou inerete quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de Fl. 573DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 574 6 admissibilidade. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e passo a sua análise de mérito. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que Fl. 574DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 575 7 correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 575DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 576 8 § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 576DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 577 9 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 577DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 578 10 reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos da redação nova do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, limitandose ao percentual máximo de 20%, previsto no art. 61 da Lei 9.430, de 1996. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada Fl. 578DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 579 11 pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Fl. 579DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 580 12 Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 581 13 (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 18088.000188/200985 Acórdão n.º 9202006.542 CSRFT2 Fl. 582 14 Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação acessória vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.004253/2001-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996,1997,1998
RESULTADOS DE ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei nº 10.865, de 2004. Súmula CARF nº 83.
Numero da decisão: 9101-003.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14751.000133/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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score : 1.0
