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Numero do processo: 19515.002710/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE BENS EM VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO.
Na integralização de capital de pessoas jurídicas, quando os bens e direitos forem transferidos por valor superior ao constante da declaração de bens da pessoa física, a diferença a maior será tributável como ganho de capital.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2201-005.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Fernanda Melo Leal e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. IRPF. GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE BENS EM VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. Na integralização de capital de pessoas jurídicas, quando os bens e direitos forem transferidos por valor superior ao constante da declaração de bens da pessoa física, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
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GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE BENS EM SOCIEDADE. Recorrente LUIZ EDUARDO DE VASCONCELOS BASSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. IRPF. GANHO DE CAPITAL. INTEGRALIZAÇÃO DE BENS EM VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. Na integralização de capital de pessoas jurídicas, quando os bens e direitos forem transferidos por valor superior ao constante da declaração de bens da pessoa física, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. IRPF. GANHO DE CAPITAL. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Fernanda Melo Leal e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 10 /2 00 4- 34 Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 231 2 Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 206/225 interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP de fls. 181/194 a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 39/43, lavrado em 29/11/2004, relativo ao anocalendário de 1999, com ciência do recorrente em 1º/12/2004, conforme AR de fl. 46. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado após omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, gerando crédito tributário no valor de R$ 224.262,80, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 36/38, a fiscalização identificou que o Contribuinte integralizou o capital social da empresa LUBAS CIRURGIA PLÁSTICA S/C LTDA., em 26/05/1999, mediante a entrega de bens. Os bens foram integralizados no capital social da empresa por valor superior ao apresentado na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do anocalendário 2000, conforme tabela elaborada pela fiscalização adiante reproduzida: Ademais, a autoridade fiscal argumentou o seguinte: “Na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do anocalendário de 1999, consta que os referidos bens foram integralizados ao Capital Social da empresa Lubas Cirurgia Plástica Ltda, sem a indicação de valor, o que permitiria inferir que o valor da integralização teria sido o indicado na Declaração de Bens, fato Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 232 3 que não ocorreu. Desta forma, os bens integralizados que totalizam na Declaração de Bens R$ 191.276,48, foram integralizados por R$ 749.999,00, conforme consta do Contrato Social da empresa, caracterizando um ganho de capital de R$ 558.722,52. Na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do anocalendário de 1999 o contribuinte não indicou na Declaração de Bens a sua participação no Capital Social da empresa, que era de R$ 749.999,00, impossibilitando desta forma ao fisco a apuração, naquela oportunidade, do "à citado Ganho de Capital. Na Declaração de ajuste anual de 2001, ano calendário de 2000, o contribuinte, também de forma incorreta, indicou a sua participação no Capital Social da empresa como de R$ 0,00 (zero) em 31/12/1999 e de R$ 999,00 em 31/12/2000.” Neste sentido, considerada a diferença entre o custo de aquisição, valor do bem indicado na declaração, e o valor realizado na integralização, a fiscalização apurou o ganho de capital objeto do lançamento em análise. Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 47/64 em 23/12/2004. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo II/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Cientificado do Auto de Infração em 01/12/2004 (fl. 45) o interessado apresentou em 23/12/2004, a impugnação de fls. 46 a 63, nos seguintes termos: Os valores cobrados do Impugnante além de se encontrarem atingidos pelo instituto de prescrição foram reajustados pela taxa SELIC, que em face da sua natureza remuneratória não poderia ser aplicada para essa finalidade. Decadência do débito. Preliminarmente salienta que os valores descritos no trabalho fiscal estão atingidos pelo instituto da decadência. Que o Imposto de Renda é tributo sujeito ao lançamento por homologação conforme prevê ao artigo 150 do Código Tributário Nacional e artigo 899 do RIRI/99. Ora, se a data da ocorrência do fato imponível para o presente caso se deu em 26 de maio de 1999 e a lavratura do auto de infração ocorreu apenas em 29 de novembro de 2004, os valores pretendidos pela fiscalização foram atingidos pela decadência, uma vez que já havia transcorrido o prazo de cinco anos sem manifestação do fisco. Neste diapasão vale ressaltar que o próprio artigo de lei no qual o digno auditor fiscal fundamentou sua autuação (artigo 117, §2° do RIR/99) prescreve que os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e serão tributados em separado. Assim, Fl. 232DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 233 4 se o fato ocorreu em 26/05/1999 e o Auto de Infração foi lavrado em 29/11/2004, resta claro que decaiu o direito da autoridade lançar o eventual crédito tributário. Neste sentido descreve ementas do Conselho de Contribuintes. Do fundamento legal utilizado pela fiscalização. Os fundamentos legais utilizados (§4° do art. 117 do RIR/99 e o Parecer Normativo CST n° 18 de 22/05/1981 foram aplicados de forma equivocada, vez que a fiscalização não se ateve para a prescrição contida no PN que serve de orientação para a interpretação do art.117 do RIR/99. Não existe nos fundamentos utilizados no trabalho fiscal validade para embasar que a integralização de capital tratada nesta impugnação importa em alienação. Dentro das definições de alienação do inciso II, do § 2% do artigo 1 0 do Decretolei n° 1.641/78 constante do PN 18/81, não se encontra "a integralização de capital de pessoa jurídica". Não há que se falar em analogia para criar imposição tributária. É de se lembrar que para todas as hipóteses da definição de alienação, ocorre a transferência e o exproprietário não mais terá qualquer benefício ou comunicação com o bem. Isto não ocorre na integralização de capital de pessoa jurídica com bens da pessoa física. Esta continuará em contato com os bens recebendo seus reflexos. A sociedade Lubas Cirurgia Plástica Ltda foi constituída com 749.999 quotas no valor de R$ 749.999,00 pelo sócio Luiz Eduardo Basso e com 1 quota no valor de R$ 1,00 pelo sócio Luiz Antonio Dotta. Assim, apesar da transferência de seus bens à pessoa jurídica, continua, ainda que de forma indireta, possuidor dos bens integralizados. Ora, se o impugnante continua sendo detentor dos mesmos bens que constavam em sua declaração de ajuste, não há que se falar em acréscimo patrimonial e ganho de capital com o conseqüente pagamento de imposto de renda. Descreve ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes. Descreve, neste sentido, o entendimento de tribunais sobre o assunto. Há que se considerar, ainda, que é o princípio do regime de caixa que governa a tributação da pessoa física. A pessoa física deve ser tributada à medida que receber a liquidez de sua renda e no caso em tela não existe o caixa, portanto, não há como exigir o tributo sem que haja caixa. Da redução do ganho de capital prevista no artigo 139 do RIR Ao ganho de capital na alienação de imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1988 deveria ser aplicado um percentual fixo de redução conforme estabelecido na tabela anexa ao art. 139 do RIR/99. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 234 5 Aplicando a redução, o ganho de capital de três imóveis descritos na impugnação fl. 58, passariam de R$ 217.653,52 para R$ 128.793,43. Assim, sem adentrar em outras questões, certo é que o valor apurado está errado e deve ser reduzido. Do custo de aquisição previsto no artigo 128 do RIR/99 A autoridade fiscal deixou também de embasar seu trabalho no caput e no parágrafo 9° do artigo 128 do RIR/99 e no artigo 7° da Instrução Normativa n° 84/2001 que trata do custo de aquisição do bem. Se o ilustre auditor tivesse utilizado a redução, o valor eventual do ganho de capital seria menor para o imóvel situado na Al. Lorena, 2042, adquirido em 01/10/1993 por CR$ 4.000.000,00, auto Mercedes Benz, placa DOC0002 adquirido em 12/89 e o auto BMW, placa DOC0001 adquirido em 09/92. Desta forma o imposto deve ser reduzido nos termos do artigo 128 do RIR/99 e no art. 7 0 da IN 84/2001. Da necessidade da correção monetária Não ocorreu a preocupação de se atualizar as quantias apuradas da declaração de ajuste para chegar a um valor real do ganho de capital. Não houve a correção monetária dos valores históricos que constavam da declaração. Contesta o antagonismo da aplicação de correção monetária do crédito tributário e a não aplicação da correção aos créditos do contribuinte. Para garantir a equidade das relações entre o Fisco e os contribuintes há que se garantir o direito da correção dos valores apurados na declaração do exercício de 2000, sob pena de afrontamento das normas principiológicas de nosso sistema. Dos Juros Selic Insurgese contra a aplicação dos juros SELIC para corrigir créditos da Fazenda. Os juros Selic visam recompor o patrimônio do credor ofendido pela mora do devedor, não podendo ser substituído por juros que visam remunerar o capital emprestado. O Supremo Tribunal Federal já julgou procedente a ação direta de inconstitucionalidade de parte dos dispositivos da Lei n° 8.177/91, que determinava a aplicação da Taxa Referencial como correção monetária. Do pedido Requer sejam acolhidas as razões expostas pelo requerente para fins de anular o Auto de Infração cancelandose a exigência fiscal formulada. Caso assim não entenda o d.julgador, seja Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 235 6 determinada a retificação do Auto de Infração para que seja recalculado o valor aplicandose os percentuais de redução previstos no artigo 139 e a correção prevista no artigo 128 do RIR/99 e no artigo 7° da IN 84/2001. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ em São Paulo II/SP julgou procedente em parte o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 181/194): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF o ANOCALENDÁRIO: 1999 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. Tendo havido recolhimento a menor do tributo, ensejando lançamento de ofício, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. GANHO DE CAPITAL NA INTEGRALIZAÇÃO DE BENS Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bens, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado sendo que, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital TAXA SELIC. A apuração do crédito tributário, incluindo a exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei. Tendo o lançamento observado estritamente o disposto na legislação pertinente, não cabem reparos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A impugnação foi julgada procedente em parte pois devidamente comprovado pelo RECORRENTE que, para os 3 bens imóveis por ele citados, fazia jus ao percentual de redução do ganho de capital previsto no art. 139 do RIR/99, que prevê a redução do ganho de capital na alienação de imóveis adquiridos até 31 de dezembro de 1988. Deste modo, foi alterado o cálculo para reduzir o ganho de capital dos imóveis (i) Conjunto 42, Box 74 e 103, adquiridos em julho de 1980; (ii) Box 76, adquirido em agosto de 1980; e (iii) Box 191, adquirido em junho de 1985. Com a procedência parcial da impugnação, o valor do ganho de capital foi reduzido de R$ 558.722,52 para R$ 469.862,43, Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 236 7 considerando a redução prevista no art. 139 do RIR/99. O imposto foi recalculado conforme a seguinte tabela: Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 29/10/2009, conforme Termo de Ciência de fl. 205, apresentou o recurso voluntário de fls. 206/225 em 19/11/2009. Em suas razões, os argumentos da impugnação aplicáveis a parte mantida do lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Da Decadência O RECORRENTE defende a aplicação da decadência, com fulcro no artigo 150 §4º, o CTN, a contar a partir da data da integralização do capital com bens, que ocorreu em 26/05/1999. Assim, requereu a extinção do crédito tributário, pois auferido o ganho de capital mediante integralização em 26/05/1999, o prazo decadencial teria termo final em 26/05/2004. Como o lançamento foi efetuado em 26/11/2004, no entender do RECORRENTE, estaria atingido pela decadência. No entanto, entendo que não assiste razão ao RECORRENTE. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 237 8 Primeiramente, para o bom emprego do instituto da decadência previsto no CTN é preciso verificar o dies a quo do prazo decadencial de 5 (cinco) anos aplicável ao caso: se é o estabelecido pelo art. 150, §4º ou pelo art. 173, I, ambos do CTN. Em 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 238 9 (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Portanto, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, CTN. Por ter sido sob a sistemática do art. 543C do antigo CPC, a decisão acima deve ser observada por este CARF, nos termos do art. 61, §2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso concreto, o imposto de renda lançado decorre de ganho de capital proveniente da alienação de bens por meio de integralização no capital social da empresa LUBAS CIRURGIA PLÁSTICA S/C LTDA., em 26/05/1999. No presente caso, o RECORRENTE não apurou o tributo devido em decorrência da operação, omitindo o ganho de capital obtido quando da apresentação de sua DIRPF do anocalendário de 1999. A Autoridade Autuante relata à fl. 37 do Termo de Verificação Fiscal que: “Na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do anocalendário de 1999, consta que os referidos bens foram integralizados ao Capital Social da empresa Lubas Cirurgia Plástica Ltda, sem a indicação de valor, o que permitiria inferir que o valor da Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 239 10 integralização teria sido o indicado na Declaração de Bens, fato que não ocorreu. Desta forma, os bens integralizados que totalizam na Declaração de Bens R$ 191.276,48, foram integralizados por R$ 749.999,00, conforme consta do Contrato Social da empresa, caracterizando um ganho de capital de R$ 558.722,52. Na Declaração de Ajuste Anual Simplificada do anocalendário de 1999 o contribuinte não indicou na Declaração de Bens a sua participação no Capital Social da empresa, que era de R$ 749.999,00, impossibilitando desta forma ao fisco a apuração, naquela oportunidade, do jà citado Ganho de Capital. Na Declaração de ajuste anual de 2001, ano calendário de 2000, o contribuinte, também de forma incorreta, indicou a sua participação no Capital Social da empresa como de R$ 0,00 (zero) em 31/12/1999 e de R$ 999,00 em 31/12/2000.” Mais adiante, à fl. 38, confirmou a ausência de apuração do ganho de capital e, consequentemente, do recolhimento do imposto incidente sobre a alienação: “Em face do contribuinte ter omitido em sua Declaração de Rendimentos do exercício 2000 – anocalendário de 1999 os valores pelos quais os bens foram subscritos no Capital da empresa Lubas Cirurgia Plástica Ltda e o mesmo não ter efetuado o recolhimento do imposto correspondente à alienação, para aplicação do prazo decadencial aplicase o disposto no artigo 173, I do CTN, a seguir citado.” Ou seja, o RECORRENTE não declarou qualquer ganho de capital em sua declaração de ajuste anual (fls. 05/06), razão pela qual não houve nenhum recolhimento, ainda que parcial, de imposto referente ao ganho de capital. O art. 132 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), vigente à época dos fatos, disciplinava que a integralização de bens em valor superior ao constante da declaração de bens do contribuinte acarreta a tributação da diferença a maior como ganho de capital. E este imposto deveria ser apurado e pago até o último dia útil do mês subsequente àquele em que foi auferido o ganho, nos termos do art. 852 do mesmo RIR/99. Apesar disso, não houve qualquer apuração por parte do RECORRENTE a título de ganho de capital no período sobre mencionada operação, razão pela qual não houve nenhum pagamento antecipado capaz de atrair a regra de contagem da decadência pelo art. 150, §4º do CTN. Sendo assim, no caso concreto, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é contado nos termos do art. 173, I, CTN, ou seja, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso dos autos, o fato gerador do imposto de renda decorrente do ganho de capital ocorreu em 26/05/1999. Aplicandose a regra estipulada pelo art. 173, I, do CTN (prazo contase do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado), o dies a quo do prazo decadencial do foi 1º/01/2001, o que autoriza o lançamento do crédito tributário até 1º/1/2006. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 240 11 Destacase que o prazo para envio da declaração de apuração do ganho de capital auferido no anocalendário 1999 foi o último dia útil de abril de 2000 (junto com a declaração de ajuste do imposto de renda). Assim, 2000 seria o ano em que o lançamento poderia ter sido efetuado pela Fazenda Pública, pois somente nesta época é que esta poderia ter conhecimento do fato gerador. Portanto, o primeiro dia do exercício subsequente ao que o lançamento poderia ter sido efetuado foi, invariavelmente, o dia 1º/1/2001, e não 1º/1/2000 como afirmou a decisão recorrida. Portanto, entendo que não estão extintos pela decadência quaisquer créditos objeto do presente lançamento, tendo em vista que o RECORRENTE tomou ciência do lançamento em 1º/12/2004 (fl. 46). MÉRITO Da fundamentação legal O RECORRENTE argumenta pela não incidência do ganho de capital na integralização de capital social mediante a entrega de bens por compreender que não haveria hipótese legal que autorizasse a tributação e que, portanto, a integralização de bens não poderia ser equiparada a alienação para fins de incidência do ganho de capital. Contudo, também neste ponto, não assiste razão ao RECORRENTE. Quanto à alegação de deficiência na fundamentação legal, cumpre transcrever os dispositivos que fundamentaram o auto de infração: Do ponto de vista contábil, tal operação tem natureza de integralização de capital mediante a entrega de bens. Tal hipótese de integralização de capital encontra respaldo no art. 23 da Lei nº 9.249/1995 (matriz legal do art. 132 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 241 12 § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. (grifouse) Da análise do dispositivo supracitado, notase que este se amolda perfeitamente ao vertente caso, em que o RECORRENTE realizou a integralização de capital social de empresa mediante a entrega de bens, por valor superior ao que consta em sua declaração de bens. Desta forma, percebese que o auto de infração decorre de expressa disposição legal. Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, não caberia a autoridade fiscalizadora a análise da legalidade do ganho de capital incidente sobre a integralização de bens por valor superior ao declarado, posto que a tributação desta diferença decorre de imposição direta a lei. Neste ponto, não há que se falar que, mesmo após a integralização, os bens permaneceram na posse do contribuinte, ainda que indiretamente, como este apontou em sua defesa. Ora, se o contribuinte faz uso destes bens, não o deveria fazer de forma pessoal, mas tãosomente para atender os propósitos e objetivos da PJ detentora do bem. É que, após a integralização, os bens passaram a ser, de fato e de direito, da empresa, não havendo argumento capaz de sustentar a tese de que os bens permaneceram com o sócio pessoa física em razão da posse indireta sobre eles. Tanto é verdade que o bem integralizado passa para a propriedade da PJ que o item 571 do Perguntas e Respostas IRPF 2019 aponta que eventual ganho de capital incidente sobre o bem integralizado deve ser apurado pela PJ e não pelo sócio pessoa física: 571 – A pessoa física que transferiu imóvel a pessoa jurídica, para integralização de capital, deve apurar ganho de capital quando a empresa aliena o bem? Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 242 13 Não, pois nesse caso é a empresa que, sendo proprietária do imóvel, deve apurar ganho de capital quando o aliena. Portanto, na transferência de bens ou direitos a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, a pessoa física (sócia) deve lançar, na declaração correspondente ao exercício em que efetuou a transferência, as ações ou quotas subscritas pelo valor pelos quais os bens ou direitos foram transferidos. Ou seja, ela irá “zerar” o bem ou direito integralizado e lançar as cotas correspondentes à referida integralização. Com isso, o bem integralizado passa a ser propriedade da PJ, ao passo que a pessoa física recebe a participação societária correspondente. Se a transferência dos bens ou direitos tiver sido efetuada por valor superior ao constante para estes na Declaração de Bens e Direitos, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. Se a transferência for por valor igual, não há ganho de capital a tributar. O RECORRENTE precisa ter em mente que, ao transferir os bens em valor superior ao constante em sua declaração, ele usufruiu de uma avaliação a valor de mercado dos bens, o que ocasionou a constituição da empresa com um capital social robusto de R$ 750.000,00. Se não fosse isso, o capital social da empresa seria de apenas R$ 191.277,48. Portanto, é nítido o proveito econômico conquistado pelo RECORRENTE com a integralização de seus bens em valor superior aos constantes para estes na Declaração de Bens e Direitos. Portanto, são insubsistentes as alegações de defesa do RECORRENTE. Da atualização do custo de aquisição Neste ponto, o RECORRENTE pleiteia a aplicação do art. 128 do RIR/99, na medida em que a autoridade fiscal teria deixado de observar a atualização do custo de aquisição relativo aos seguintes bens pagos/adquiridos até 31/12/1995: Contudo, apesar de correta a observação feita pelo RECORRENTE, entendo que a mesma não deve prosperar. Explico. O RIR/99 (vigente à época dos fatos) separa em subseções distintas as regras de apuração do custo de aquisição relativas a: (i) Bens ou Direitos Adquiridos até 31 de dezembro de 1991 (art. 125 a 127); (ii) Bens ou Direitos Adquiridos no Período de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995 (art. 128 a 130); e (iii) Bens Adquiridos após 31 de dezembro de 1995 (art. 131 a 135). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 243 14 Os arts. 6º, 7º e 8º da IN 94/2001 esclarecem a aplicação destas regras, conforme abaixo: Art. 6º O custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos ou as parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, avaliados pelo valor de mercado para essa data e informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1992, anocalendário de 1991, de acordo com o art. 96 da Lei No 8.383, de 1991, é esse valor, atualizado até 1º de janeiro de 1996. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput na hipótese de contribuinte desobrigado de apresentar a declaração do exercício de 1992, anocalendário de 1991, e seguintes. Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. Diferentemente da avaliação a valor de mercado, permitida para ser realizada pelos contribuintes na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1991 (faculdade do contribuinte a ser exercida somente naquela ocasião), a atualização dos valores pagos até 31/12/1995 decorre de norma legal a ser observada pela autoridade fiscal quando do cálculo do custo de aquisição relativo a bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital. Desta forma, independentemente de o RECORRENTE ter, ou não, efetuado a avaliação pelo valor de mercado para 31/12/1991 na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 1991, os bens ou direitos adquiridos (ou parcelas pagas) até 31/12/1995 devem sofrer a atualização conforme a tabela anexa à IN 94/2001. Feitos estes esclarecimentos, passase a analisar os bens apontados pelo RECORRENTE. De acordo com a escritura de compra e venda de fls. 103/104, o imóvel na Alameda Lorena, nº 2042, foi adquirido em 01/10/1993 pelo valor de CR$ 4.000.000,00. Assim, aplicando o índice previsto no anexo único da IN 94/2001 (91,5892), encontrase que o valor do referido bem atualizado a 31/12/1995 é exatamente R$ 43.673,27. Tendo em vista que o RECORRENTE valorou referido bem em R$ 43.672,55 na sua Declaração de Bens e Direitos (fl. 06), entendo que o custo de aquisição utilizado pela fiscalização foi correto. Quanto aos outros dois bens (automóvel Mercedes 1972, adquirido em 12/89; e automóvel BMW 1992, adquirido em 03/09/92), entendo que não devem prosperar as Fl. 243DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 244 15 alegações do RECORRENTE pois ele não apresentou nos autos qualquer documentação informando o valor pago pelos referidos bens na data de aquisição. Ou seja, não há como saber o valor efetivamente desembolsado pelo RECORRENTE para as aquisições dos veículos BMW e Mercedes, de modo que também não há como identificar se os valores constantes na declaração de bens já estão atualizados até 31/12/1995, tal qual ocorreu com o imóvel situado na Alameda Lorena, nº 2042. Por esta razão, entendo que os argumentos de defesa do RECORRENTE encontramse destituídos de provas que os fundamente. A fiscalização elaborou a apuração do ganho de capital de fls. 36/37 com base nas informações constantes na declaração de bens do RECORRENTE bem como em documentação encaminhada pelo próprio fiscalizado quando questionado o valor atribuído a cada bem integralizado na empresa LUBAS CIRURGIA PLASTICA (fl.35). Neste sentido, caberia ao RECORRENTE apresentar fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito de o Fisco efetuar o lançamento do crédito tributário. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, para se eximir do fato que lhe é imputado, o RECORRENTE deveria comprovar que a apuração do ganho de capital realizada pela autoridade fiscal estaria equivocada, apontando (e comprovando mediante documentação hábeis e idôneas) qual seria a correto custo de aquisição a ser utilizado. No entanto, nada disto foi realizado pelo RECORRENTE no presente caso. Sem esta comprovação por parte do RECORRENTE é legítimo concluir que os valores constantes da DIRPF 2000 (anocalendário 1999) já se encontravam atualizados, conforme apontou a DRJ de origem no acórdão recorrido. Portanto, não merece prosperar o argumento do RECORRENTE. Da necessidade de correção monetária Fl. 244DF CARF MF Processo nº 19515.002710/200434 Acórdão n.º 2201005.129 S2C2T1 Fl. 245 16 O RECORRENTE pleiteia, também, a correção monetária dos valores históricos que constavam na declaração de ajuste para se chegar a um valor real do ganho de capital. Contudo, conforme normas já acima indicadas, a atualização dos custos de aquisição somente foi permitida até 31/12/1995. O art. 131 do RIR/99 que possui como matriz legal o art. 17, inciso II, da Lei nº 9.249/95), dispõe expressamente que não há qualquer correção monetária em relação aos bens adquiridos após 31/12/1995: Art. 131. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995. Portanto, o pleito do RECORRENTE carece de fundamentação legal, razão pela qual deve ser improvido. Da Alegação de Inaplicabilidade da Taxa Selic O RECORRENTE alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731973/2015-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública.
Numero da decisão: 2002-000.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente LEO FREDI RIFFEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 19 73 /2 01 5- 52 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11080.731973/201552 Acórdão n.º 2002000.937 S2C0T2 Fl. 142 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 22/25), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.956,44 para saldo de imposto a pagar de R$14.085,33. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$36.832,32, consignando que o contribuinte teria lavrado escritura pública fixando o pagamento de pensão ao excônjuge em 13/6/2011, não fazendo jus à dedução dos valores pagos no ano 2010. Registra ainda que os documentos juntados não comprovariam o efetivo pagamento do valor declarado. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 4/11/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 4/12/2015, às fls. 2/20 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Apresentou os valores gerais despendidos, bem como já solicitou o desarquivamento do processo judicial que determinou o pagamento das despesas alimentícias da Sra. Maria Cristina G. Riffel, sua excompanheira. Paralelo ao processo judicial, o Impugnante e a Sra. Maria Cristina G.Riffel celebraram uma Escritura Pública, também apresentada anteriormente, no qual o Sr. Leo Fredi Riffel se compromete a pagar, a título de Pensão Alimentícia, o valor mensal de R$3.069,36, pelo período de 18/12/2001 até 23/12/2016. Cumprese destacar que o período de vigência descrito na Escritura Pública abrange o período determinado no processo judicial, e ainda amplia o prazo de pagamento. Muito embora a Escritura Pública ainda não esteja vinculada ao processo judicial, não pode simplesmente ser desqualificada. A Lei n° 9.250 de 1995 remete a dedutibilidade de pensão alimentícia paga com amparo em Escritura Pública. Diversos são os julgados do judiciário brasileiro nesse sentindo, todavia, a Nobre Auditora Fiscal tem entendimento contrário, indo de encontro com a legislação brasileira, os Tribunais Superiores e ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Detalhe de suma importância e desconsiderado pela fiscalização, o valor ora glosado na declaração do Impugnante foi devidamente oferecido a tributação na Declaração de Ajuste Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11080.731973/201552 Acórdão n.º 2002000.937 S2C0T2 Fl. 143 3 de Imposto de Renda da Pessoa Física da Sra. Maria Cristina G. Riffel. Nesse aspecto, estaria o Fisco se beneficiando pela glosa indevida da despesa de pensão alimentícia na declaração de ajuste do Impugnante e se beneficiando mais uma vez, quando tributa o mesmo valor consignado na declaração de ajuste da Sra. Maria Cristina G. Riffel. A pretendida glosa das despesas pagas pelo Impugnante a título de pensão alimentícia não deve prosperar, devendo ser extinta na sua totalidade. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 99/104): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou de Escritura Pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869/1973. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 23/9/2016 (fl. 108), o contribuinte, em 17/10/2016 (fl. 110), apresentou recurso voluntário, às fls. 110/137, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão recorrida deveria ser revista, visto que, a exemplo de outras tantas, apenas corroboraria o procedimento fiscal. paralelamente ao processo judicial, teria celebrado com seu excônjuge uma escritura pública, na qual teria se comprometido a pagar pensão alimentícia mensalmente de 18/12/2001 até 23/12/2016. o período consignando na escritura abrangeria o período determinado no processo judicial e ainda ampliaria o prazo de pagamento. ainda que não esteja vinculada ao processo judicial, o Fisco não poderia desqualificar a escritura judicial. a teor do artigo 733 do CPC e da legislação tributária (artigo 8º, inciso II, alínea f, da Lei nº 9.250, de 1995), seria válida a homologação do acordo de alimentos via escritura pública, independentemente, no seu entendimento, da homologação judicial. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11080.731973/201552 Acórdão n.º 2002000.937 S2C0T2 Fl. 144 4 ao desconsiderar o período de vigência consignado na escritura pública, com o argumento de que o instrumento foi lavrado após o início do prazo estipulado, o julgador estaria desqualificando o ato e desprezando o tabelião de notas que homologou e deu fé do assunto ali versado. estaria juntando novamente cópia dos documentos bancários, que demonstrariam os saques dos valores, bem como os recibos de pagamento. a beneficiária teria declarado esses rendimentos à RFB, não podendo prosperar o argumento da decisão recorrida de que seriam situações diversas, que não se confundiriam. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a dedução de pensão alimentícia, informada pelo sujeito passivo, no montante de R$36.832,32. A regra é que valores pagos a título de pensão alimentícia judicial podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. A autuação consigna que nem uma das condições teria sido atendida pelo contribuinte. Na apreciação da impugnação, a decisão recorrida manteve a glosa, nos seguintes termos: Compulsando os autos, especialmente a Escritura supracitada (fls. 83), acostada como ateste da obrigação, verificase que é meramente uma Declaração registrada em cartório, firmada em junho de 2011, objetivando manter válida uma suposta pensão alimentícia relativa a divórcio consensual, envolvendo o Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11080.731973/201552 Acórdão n.º 2002000.937 S2C0T2 Fl. 145 5 impugnante e a Sra. Maria Cristina Giacobbo Riffel, pelo período de 18/12/2001 até 23/12/2016. Como já se explicitou acima, não há amparo legal para a dedução com base nesse documento, pois este não atesta que, à época do eventual pagamento (anocalendário 2010), já estava obrigado à pensão com suporte em Acordo Homologado Judicialmente, em Decisão Judicial ou em Escritura Pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n.º 5.869/1973, documentos estes que deveriam existir, por óbvio, previamente. Registrese ainda que, até esta data de julgamento, não houve a apresentação dos Termos do Processo Judicial que supostamente determinou o pagamento de alimentos à Sra. Maria Cristina G. Riffel, com base na alegação do impugnante de que solicitou o seu desarquivamento ao Poder Judiciário. Assim, na falta de apresentação de documentação essencial requerida pela legislação tributária, subsiste a infração lavrada, integralmente. A propósito, apesar de a ausência documental supracitada já ser suficiente para a manutenção da glosa, cabe acrescentar que, compulsando os autos (fls. 0694), igualmente não atestou o impugnante a suposta transferência de recursos à alimentante. (destaques acrescidos) Do exame dos autos, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Isto porque, repisese, a pensão dedutível é aquela prevista em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). A escritura pública declaratória, datada de 13/6/2011 e anexa à fl. 11, não se presta a respaldar a dedução em tela. Tratase de documento que expressa somente a vontade dos declarantes, não se confundindo com a escritura pública resultante de separação consensual, a que faz referência a legislação tributária. Nesse tocante, o artigo 1.124A, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, assim dispunha: Art. 1.124A. A separação consensual e o divórcio consensual, não havendo filhos menores ou incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento. (Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). § 1º A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para o registro civil e o registro de imóveis. (Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11080.731973/201552 Acórdão n.º 2002000.937 S2C0T2 Fl. 146 6 § 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os contratantes estiverem assistidos por advogado comum ou advogados de cada um deles ou por defensor público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. (Redação dada pela Lei nº 11.965, de 2009) § 3º A escritura e demais atos notariais serão gratuitos àqueles que se declararem pobres sob as penas da lei. (Incluído pela Lei nº 11.441, de 2007). (destaques acrescidos) Atualmente, a matéria encontrase disciplinada nos artigos 731 e 773 da Lei nº 13.105, de 2015: Art. 731. A homologação do divórcio ou da separação consensuais, observados os requisitos legais, poderá ser requerida em petição assinada por ambos os cônjuges, da qual constarão: I as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens comuns; II as disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; III o acordo relativo à guarda dos filhos incapazes e ao regime de visitas; e IV o valor da contribuição para criar e educar os filhos. Parágrafo único. Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, farseá esta depois de homologado o divórcio, na forma estabelecida nos arts. 647 a 658. ... Art. 733. O divórcio consensual, a separação consensual e a extinção consensual de união estável, não havendo nascituro ou filhos incapazes e observados os requisitos legais, poderão ser realizados por escritura pública, da qual constarão as disposições de que trata o art. 731. § 1º A escritura não depende de homologação judicial e constitui título hábil para qualquer ato de registro, bem como para levantamento de importância depositada em instituições financeiras. § 2º O tabelião somente lavrará a escritura se os interessados estiverem assistidos por advogado ou por defensor público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. (destaques acrescidos) Portanto, a escritura pública juntada não se presta a respaldar a pensão declarada. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11080.731973/201552 Acórdão n.º 2002000.937 S2C0T2 Fl. 147 7 Acrescentese que os documentos juntados se mostram insuficientes a fazer prova quanto ao efetivo pagamento da pensão declarada. Os extratos bancários não identificam os destinatários dos pagamentos. Por seu turno, os recibos emitidos pela beneficiária não se revelam hábeis a respaldar a efetividade desses pagamentos, uma vez que se constituem em declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado (artigo 408 do CPC Lei nº 13.105, de 2015). Quanto à alegação de que a beneficiária teria declarado esses rendimentos à RFB, ainda que restasse confirmada, não alteraria esse julgamento, uma vez que a lide recai sobre os valores informados a título de pensão judicial pelo recorrente, que deixou de comprovar os requisitos para a dedução desses valores, não havendo que se falar em tributação indevida de seus rendimentos. Portanto, nenhum reparo a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902435/2014-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 35 /2 01 4- 74 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.543. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.902435/201474 Acórdão n.º 3401005.869 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964373/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do crédito a ser utilizado em compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não-homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do crédito a ser utilizado em compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 43 73 /2 00 9- 86 Fl. 125DF CARF MF 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP relativa a pagamento a maior de tributo, do qual o contribuinte pretendia a compensação com outros débitos perante a Fazenda Nacional. A Delegacia de Origem não homologou as compensações apresentadas em razão do valor recolhido em DARF estar integralmente alocado ao valor do débito informado em DCTF não existindo crédito a ser utilizado. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou impugnação alegando que por erro não realizou a retificação da DCTF, que foi apenas um erro de procedimento e que o valor da estimativa devida era menor do que a originalmente informada e que providenciou a retificação da DCTF em questão e da respectiva DIPJ. A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade tendo em vista que a retificação da DCTF foi realizada após a decisão pela DRF de origem, a DIPJ retificada apresentou valor zerado do imposto devido pela inclusão de retenções na fonte, que, entretanto, não tiveram os rendimentos respectivos levados à tributação. Além disso informa que a empresa não apresentou documentação comprobatória dos valores de apuração. Cientificado, o contribuinte apresenta recurso voluntário repisando os argumentos da impugnação e solicitando que seja considerada a verdade material no caso a fim de se lhe reconhecer o crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O problema a ser analisado no presente processo é recorrente em razão da não retificação das DCTFs quando a empresa requer créditos relativos a pagamentos a maior. Nos diversos processos que já analisei neste Conselho a respeito do assunto tenho me pronunciado pela imposição dos princípios da Verdade Material e da Informalidade como supedâneo das falhas de procedimento cometidas pelo contribuinte. Assim, nestes casos, verificado que o contribuinte apresenta os documentos comprobatórios de seu crédito e que estes demonstram a existência deste, temos nos pronunciado no sentido de reconhecer a possibilidade de apuração do crédito de acordo com os valores informados em outras declarações apresentadas pelo contribuinte que não somente a DCTF. Invariavelmente observo nestes casos que as decisões são simplistas e não chegam à análise da composição do crédito que o contribuinte alega fazer jus. No presente caso a realidade é diversa. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 15374.964373/200986 Acórdão n.º 1401003.366 S1C4T1 Fl. 126 3 A Delegacia de Origem negou o crédito em face da confissão em DCTF de débito igual ao recolhido. Na manifestação o contribuinte alega que o valor do tributo devido estava incorreto e apresenta o valor que considera correto e que retificou a DCTF e a DIPJ. Ocorre, no entanto, que nada mais foi apresentado em seu benefício. A Delegacia de Julgamento, em acurado trabalho, analisou a DIPJ retificadora e informou, em sua Decisão, que as retenções na fonte informadas na retificadora não estão confirmadas integralmente nos sistemas da RFB e os valores confirmados não chegam sequer a transformar o valor do imposto devido em pagamento a maior. Além disso informa que os rendimentos relativos às retenções na fonte não foram levados à tributação, razão pela qual não podem ser utilizados os créditos das retenções na fonte. Vemos que o contribuinte traz alegações de erro mas não apresenta nenhum suporte a estas alegações. Continua clamando pela verdade material sem apresentar, ao menos, as informações de apuração que levaram à inexistência do tributo a pagar, nem os registros contábeis que possam demonstrar a exatidão de suas informações e o erro de informação da DCTF ou o acerto das informações da DIPJ retificadora. Ora, como quer o contribuinte que prevaleça a verdade material se nem ao menos realiza qualquer esforço neste sentido. A verdade material não se obtém pelas simples retificações extemporâneas de declarações. Tem de se basear em provas da existência das retenções, da tributação dos rendimentos e da consequente inexistência do imposto devido que, confrontado com o pagamento realizado origina o crédito. Quanto a isso nada apresenta o contribuinte. Desta forma não há como se lhe reconhecer o direito ao crédito pleiteado, devendo ser mantidas as decisões de Piso e da Delegacia de Julgamento que corretamente analisaram o pedido e o negaram por falta de comprovação da existência do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recuso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900613/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 04/12/2002
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS.
O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007).
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO.
Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
Numero da decisão: 2201-004.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 04/12/2002 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciá-lo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900613/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.960 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 04/12/2002 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 5º da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo conselheiro (relator), para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 13 /2 00 8- 61 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 16327.900613/200861 Acórdão n.º 2201004.960 S2C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. "Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF, tendo em vista que se tratava de entidade de Educação Imune. Por tal razão, não deveria ter feito a retenção do IRRF da instituição que apresentou declaração informando que cumpria os requisitos para fruição da imunidade. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o entendimento de que não poderia apreciar o pedido de compensação, pois se encontrava pendente ação judicial perante o Supremo Tribunal Federal. Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário." Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.900498/200825, paradigma deste julgamento. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16327.900613/200861 Acórdão n.º 2201004.960 S2C2T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.950, de 12 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2201004.950 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, verificase que a decisão de primeira instância não entrou no mérito da questão, o que pode ocasionar a malfadada a supressão de instância. Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Para que a DRJ analise a regularidade da compensação realizada pela Recorrente, bem como sobre a existência do crédito, com a provas juntadas pelo contribuinte. Sendo assim, e considerando que a decisão de primeiro grau foi proferida levando em consideração a ADIn 18023 e que esta ação já foi julgada, declaro a nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida em seu lugar, analisando se a origem do crédito pleiteado, bem como o direito do contribuinte sobre o crédito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida." Fl. 82DF CARF MF Processo nº 16327.900613/200861 Acórdão n.º 2201004.960 S2C2T1 Fl. 5 4 Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento para cancelar a decisão recorrida para que outra seja proferida. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13873.000316/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IRPF GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS
A apresentação de documentos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços médicos, capazes de respaldar a efetividade dos valores declarados, silo suficientes para ratificar as informações constantes dos recibos quo
justificaram deduções com despesas médicas, sendo aptos a afastar a glosa empreendida pelo fisco .
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2101-000.895
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
provimento ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 20 260,00
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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Recurso Provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. At/OR DAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em provimento ao recurs° para restabelecer a deduçao de despesas médicas no valor de R$ 20 260,00 CA O MARCOS CA D1DO presidente -Ana Nc,.).4 OtimpiTi iinda Relatora -Editado em: 08,02..201 .1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ana Neyl.e °Unapt() Holanda, Caio Marcos Candido, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta dos Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allag(% Relatório) 0 auto de infração objeto do presente processo exige do sujeito passivo acima identificado, credito tributai io relativo ao impost() sobre a renda das pessoas fisicas (MPH, referente ao ano-calendario 2004, exercício 2005, no montante de R$ 478,29, acrescido de juros de mora e multa de oficio, por ter sido detectada dedução indevida de despesas médicas, no montante dc RS 20.260,00, com a aplicação dc multa de olicio à aliquota de 75% e enquadramento legal no artigo 11, a, e §§ e 3", da Lei n" 9,250, de 26/12/1995, artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n" 15, de 06/02/2001, e artigos 73, 80 e 83, 11. do Dect eto n°1000, de 26/03/1999, Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999. 2. Os fatos que motivaram a autuação foram os seguintes: i — glosa de despesas com fisioterapia, no total de R$ 4260,00; ii glosa de despesas odontológicas, no montante de R$ 16 000,00. 3 Cientificado do lançamento o sujeito passivo apresentou a impugnação de lis. 01 a 02. /-L Submetida a tide a julgamento, os membros da 10" Turma da Delegacia da Receita Federal do .Brasil de Julgamento em Silo Paulo-SP IT (SP) acordaram poi din o lançamento como procedente, resumindo seu entendimento na ementa a seguir transetita: Assunto . buposto .sobre a Renda de Pessoa - IRPF Exel - cicio 2005 I;Mento DESP.1 ,,S,1S GLOS4 .Maniido a glosa (lc despesos, visto que o direito c.i..sua dedu(5..o condicionado a comprovoy-io (105 requisilas previstos cm lei. .1.,(111( ,(1711(1110 OCMCilie 5 Cientificado aos 27/08/2009, o sujeito passivo, irresignado, interpos, tempestivamente, o wears() voluntario de U. 42 a 44, em que apresenta as seguintes consideraOes de defesa: 1 constant dos autos as copias das radiogralias identificadas e autenticadas pelo cirurgião dentista autor do procedimento, Dr.. Thyrso Castil .ho Filho; II - somente esta documentação, além de outras já anexadas em instancias anteriores, ja comprovam de forma inequívoca a realização dos serviços - .), 2 Proce:;s0 u I 3573 000310/2007-59 S2-C1 TI Ac6 -r<150 ri " 2101-00..895 ri 119 Ill - os pagamentos feitos ao cirurgido dentista, solicitei ao Banco Santander cá pia dos cheques utilizados :no pagamento, mesmo sabendo que varios deles rid° foram preenchidos de fOrma "nominal" ao profissional, no entanto, os valores e as datas mostram-se de acordo corn os valores e as datas por mim declarados, colaborando pora comprovar dc forma inequívoca o alegado; IV - quanto aos serviços de fisioterapia, prestados pela profissional locilene de Met() Alves, apresento as fichas dc controle do tratamento, e in forma que os pagamentos do tratom en to foram efetuados ora em dinheiro, ora coin cheques. 6 . Ao li mil , requer que, ante a. clarcza das provas expostas, sejam acolhidas as razOes do recurso, cancelando-se o debito fiscal reclamado.. Relatório. Voto Consetheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora 0 recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. 0 objeto do auto de infraçao de que trata o presente processo é a cobrança de imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF), em virtude de ter sido apurada dedução indevida coin despesas medicos, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas fisicas (Min), referente ao ano-ealendario 2004, exercício 2005, por ter sido detectada ded.u.ção indevida de despesas médicas, no montante de RS 20160,00, sob os seguintes motivos: i glosa. de despesas com fisioterapia, no total de R$ 4.260,00; ii — glosa de despesas odontologicas, no montante de R.$ 16.000,00.. Para contraditar a exaçab, o sujeito passivo aduziu aos autos os seguintes dOCUMentos: i — declaraçOo da realizaçao de serviços odontológicos, fornecido pelo profissional, coin a assunção de responsabilidade, indicando a colocaçao de 9 (nove ) implantes com as respectivas próteses, bem como, outros serviços protéticos efetuados nos denies vizinhos aos implantes especificando as datas dos pagamentos, com a indicação de que os valores recebidos estdo devidamente escriturados em livro Caixa, que coloca ii. disposição para qualquer ver ..... ficação (fl.. 7); — ficha de controle de atendimento da fisioterapeuta Joeilene de Melo Alves, fits. 16 a 19-verso, de que prestou, no período de março de 2003 a junho de 2004, serviços em reeducaçao postural global (RPG), com a indicação dos pagamentos efetuados. Diante de tais documentos, e privilegiando-se o princípio da verdade material e na esteira dos princípios da razoabilidade e finalidade, que regem o processo administrativo, entendo que a. recorrente logrou comprovar, por meio de documentos idôneos a deli vidade dos serviços medicos cujos pagamentos .forarn inadmitidos pelo rise°. :3 Forte no exposto e de tudo que dos autos consta, dou ptovimento ao tectuso vatuntario, pata testabeleeer as despesas médicas no valor de RS 20.260,00 . O voto. Sala das Sessões, eml dc dezembro de 2010 - na N y O 1rnploq.-.1olanc a 4
score : 1.0
Numero do processo: 13839.905376/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.512
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 76 /2 01 5- 96 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905376/201596 Acórdão n.º 3402006.512 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.517. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905376/201596 Acórdão n.º 3402006.512 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.905376/201596 Acórdão n.º 3402006.512 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13839.905376/201596 Acórdão n.º 3402006.512 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13839.905376/201596 Acórdão n.º 3402006.512 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13839.905376/201596 Acórdão n.º 3402006.512 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 67DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001182/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea.
CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DO FLUXO DE NUMERÁRIO.
É requisito de existência do contrato de mútuo, além da comprovação documental, o fluxo financeiro da moeda, comprovado pela efetiva transferência e devolução dos valores envolvidos.
Numero da decisão: 2201-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DO FLUXO DE NUMERÁRIO. É requisito de existência do contrato de mútuo, além da comprovação documental, o fluxo financeiro da moeda, comprovado pela efetiva transferência e devolução dos valores envolvidos.
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Recorrente JORGE AGUEDO DE JESUS PERES DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO DO FLUXO DE NUMERÁRIO. É requisito de existência do contrato de mútuo, além da comprovação documental, o fluxo financeiro da moeda, comprovado pela efetiva transferência e devolução dos valores envolvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 82 /2 00 7- 49 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 365 2 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 339/355, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP de fls. 319/330, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 279/285, lavrado em 14/5/2007, relativo ao ano calendário 2003, com ciência do RECORRENTE em 15/5/2007 conforme assinatura no próprio auto de infração (fls. 285). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto no valor total de R$ 462.584,06, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF acostado às fls. 275/278, a fiscalização entendeu que houve dispêndios e aplicações de recursos em montante superior aos rendimentos declarados e comprovados, em especial ante a evidência de: (i) sinal exterior de riqueza no mês de janeiro/2003, no valor de R$ 119.657,06, em decorrência da realização de gastos não respaldados por rendimentos tributáveis, não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte (art. 846, §1°, do RIR/99); e (ii) aumento patrimonial a descoberto no mês de dezembro/2003, no valor de R$ 652.864,01, em consequência de excesso de aplicações sobre origens não respaldado pelos mesmos rendimentos acima citados (art. 55, XIII, do RIR/99). Conforme Demonstrativo da Análise de Evolução Patrimonial de fls. 271/273, o sinal exterior de riqueza no mês de janeiro ocorreu, sobretudo, devido ao aumento do saldo credor de suas contas no decorrer do mês, em especial da conta Itaú que iniciou o mês com saldo credor de R$ 36.155,40 e no final do mês estava com saldo credor de R$ 115.987,01. Já a APD em dezembro decorreu, sobretudo, do mútuo concedido à empresa VAN MOORSEL ANDRADE & CIA LTDA no montante de R$ 2.050.000,00. Assim a DRJ resumiu a fiscalização (fl. 321): “Os valores mencionados no Demonstrativo foram extraídos da documentação apresentada pelo fiscalizado, quando da comprovação dos valores constantes de sua Declaração de Fl. 365DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 366 3 Imposto de Renda Pessoa Física ano base 2003 bem como das informações obtidas nos arquivos da Receita Federal do Brasil. No Demonstrativo foram adicionados gastos não incluídos na referida declaração, como também o gasto anual com cartões de crédito no valor de R$ 279.660,79, conforme extratos apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscalizatório. Em dívidas e ônus reais de sua declaração de bens do ano calendário de 2003, o contribuinte declarou o valor total de R$ 435.000,00 como empréstimos recebidos, sendo que intimado a comprovar o efetivo recebimento destes, o mesmo não se manifestou, sendo que desta forma, deixouse de incluir como recursos estes valores no Demonstrativo supramencionado. Apurouse “variação patrimonial a descoberto " no ano calendário sob fiscalização, nos meses de janeiro e dezembro, nos valores de R$ 119.657,06 e de R$ 652.864,0l respectivamente, conforme Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls. 266/268. Intimado a justificar os acréscimos patrimoniais a descoberto apurados pela fiscalização, o contribuinte não se manifestou Restou caracterizada e constatada variação patrimonial a descoberto, sendo que no mês de janeiro se evidencia sinal exterior de riqueza, em decorrência de realização de gastos não respaldados por rendimentos tributáveis, não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte, nos termosdo artigo 846, parágrafo 1°, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000/99, e no mês de dezembro ficou constatado o aumento do patrimônio a descoberto, em conseqüência de excesso de aplicações sobre origens, não respaldado, também, pelos rendimentos retro citados, de acordo com que estabelece os artigo 55s, inciso XIII e 807, ambos do mesmo regulamento anteriormente citado.” Da Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 289/307 em 19/06/2007. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ São Paulo II/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório Transcorrido o prazo regulamentar para apresentação de defesa ou pagamento do débito em epígrafe, o contribuinte apresentou manifestação tempestiva às fls. 283/301, juntando procuração com poderes específicos às fls. 14, documentos às fls. 302/310, alegando em síntese que: Não há razão para que a fiscalização tenha considerado um dos mútuos declarados pelo impugnante (aplicação de recursos) e tenha desconsiderado outros também declarados pelo Fl. 366DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 367 4 interessado (três mútuos passivos origem de recursos), mormente quando se verifica que este tratamento antiisonômico é desfavorável ao impugnante; Os mútuos passivos, mediante os quais o impugnante obteve recursos em 2003 foram declarados nas DIRPF 'S dos mutuantes e mutuário, estão amparados por contratos privados e não foram apresentados comprovantes das transações financeiras dos recursos envolvidos. Os mútuos ativos, mediante os quais o interessado aplicou recursos financeiros em 2003, foram declarados na DIRPF do impugnante e na DIRPJ do mutuário, estão amparados por contratos privados e não foram apresentados comprovantes das transações financeiras dos recursos envolvidos; O AFRFB conferiu a duas situações idênticas tratamentos distintos, em prejuízo do impugnante, uma vez que ao desconsiderar a origem e considerar a aplicação de recursos financeiros, sua evolução patrimonial ficou a descoberto. Tal atitude representa frontal ofensa ao princípio da razoabilidade, umbilicalmente conexo ao princípio constitucional da isonomia; A lei civil não exige forma especial para celebração dos contratos de mútuo. Inexiste lei ordinária estabelecendo que para fins tributários, só serão considerados válidos os mútuos realizados via transferência bancária, com relação aos quais o contribuinte tenha os comprovantes da transação financeira. Neste sentido, a atitude do AFRFB que exigiu comprovante da transferência bancária dos mútuos origem celebrados pelo impugnante é totalmente ilegal, motivo pelo qual, a origem destes recursos deve ser considerada no Demonstrativo de Variação Patrimonial; Se o impugnante tinha recursos. financeiros de R$ 820.000,00 disponíveis em 31/12/2002, conforme consta de sua DIRPF 2003, fato não contestado pela fiscalização, tais valores representam origem para o impugnante em janeiro de 2003, e não em dezembro de 2003 como considerado pela autoridade fiscal quando da elaboração do Demonstrativo de Variação Patrimonial; Requer que se a fiscalização desconsiderou os mútuos origem de recursos, deverá o auto de infração ser retificado para que se desconsiderem, também, os mútuos aplicação de recursos financeiros. Em pedido subsidiária, requer que o auto de infração seja retificado para que sejam considerados os mútuos origem no mês de janeiro de 2003, no valor de R$ 435.000,00, previstos nos itens 31, 32 e 33 do Demonstrativo de Variação Patrimonial, uma vez que a autoridade fiscal considerou mútuos aplicação celebrados com terceiros; É o relatório. Da Decisão da DRJ Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 368 5 Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo II/SP, julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 319/330). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2004 ACRÉSCIMO A PATRIMONIAL A DESCODERTO. ONUS DA PROVA. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte está sujeita à tributação. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte O ônus de provar as origens dos recursos que .justifiquem o acréscimo patrimonial. MÚTUO ENTRE PARTICULARES. ORIGEM DE VALORES PARA JUSTIFICAR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. INEXISTÊNCIA DE FORMALIDADE ESPECIAL NA LEI CIVIL. São indispensáveis para a aceitação de mútuo entre particulares a efetiva comprovação da transferência do numerário envolvido na operação, a capacidade financeira do mutuante, bem como a consignação do empréstimo nas Declarações Anuais de Ajuste do mutuante e mutuário. “ O fato de que a lei civil não exige forma especial para a celebração dos contratos de mútuos não é justificativa capaz de eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. A relação entre Fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei A forma convencionada entre as partes diz respeito somente a estas, bem como as consequências dela decorrentes. ESCRITURAÇAO CONTABIL. FORÇA PROBANTE. A contabilidade faz prova contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando escriturados sem qualquer vicio extrínseco ou intrínsecos, desde que confirmados por outros subsídios. Inteligência do artigo 226 do Código Civil. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquele objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 369 6 Inteligência do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988. Na ocasião, a autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que tinha razão o contribuinte no que diz respeito ao aproveitamento do valor em espécie de R$ 820.000,00 em janeiro e não em dezembro de 2003. Contudo, refez os cálculos do fluxo financeiro (conforme quadro à fl. 329, abaixo replicado) e demonstrou que o aproveitamento do referido valor em janeiro, apesar de cobrir o APD de R$ 119.657,06 naquele mês (sobrando saldo de R$ 700.342,94 para os meses subsequentes), não mudaria o lançamento, já que o mesmo valor não poderia ser seria aproveitado em dezembro (como fez a fiscalização) fazendo com que o APD neste mês passasse a ser de R$ 772.521,03 ao invés dos R$ 652.864,01 apurados inicialmente. Notase que a soma das infrações apuradas inicialmente em janeiro e dezembro corresponde quase que exatamente ao novo valor do APD apurado em dezembro, conforme cálculos da DRJ (R$ 119.657,06 + R$ 652.864,01 = R$ 772.521,07). Portanto, não houve retificação do valor do lançamento após a decisão da DRJ. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 31/8/2009, conforme AR de fl. 334, apresentou o recurso voluntário de fls. 339/355 em 30/9/2009. Em suas razões, reiterou os argumentos da impugnação, alegando a ilegalidade da autuação por desconsiderar como origens de recurso os 3 mútuos tomados em janeiro (mútuos passivos, nos valores de R$ 60.000,00, R$ 75.000,00 e R$ 300.000,00, Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 370 7 conforme tabela de fl. 341), mas considerar como aplicações os mútuos concedidos em fevereiro e dezembro (R$ 400.000,00 e R$ 2.050.000,00, conforme tabela de fl. 342). Além disso, reiterou o fato de a fiscalização “ter considerado, equivocadamente, que os recursos financeiros do Recorrente, disponíveis no Brasil em 31.12.2002, no valor total de R$ 820.000,00, conforme consta de sua declaração daquele ano, representaram origem de recursos no mês de dezembro de 2003, conforme se infere do item 30 do “demonstrativo de Variação Patrimonial” (...) e não no mês de janeiro de 2003, conforme seria correto considerar”. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Acréscimo Patrimonial a Descoberto Em síntese, defende o RECORRENTE que a fiscalização agiu de forma não isonômica ao desconsiderar os mútuos contraídos pelo RECORRENTE regularmente declarados em DIRF como origens, mas considerar os mútuos concedidos pelo RECORRENTE, também regularmente declarados em DIRF, como aplicações. Isso porque não há comprovação da efetiva transferência dos valores em nenhum dos mútuos, mas a fiscalização entendeu que o registro contábil pela VAN MOORSEN ANDRADE & CIA LTDA (PJ que recebeu os mútuos) era prova suficiente do empréstimo, contudo entendeu que a declaração em DIRF não seria suficiente. Ademais, o RECORRENTE questionou a manutenção da disponibilidade de R$ 820.000,00 no mês de dezembro/2003, posto que a própria DRJ reconheceu que ela deveria ser transferida para o mês de janeiro/2003. Pois bem, o lançamento foi realizado por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando os sinais exteriores de riqueza, a autoridade realizou o lançamento com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 371 8 XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos, com base no acréscimo patrimonial a descoberto, é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) No presente caso, a ausência de disponibilidade econômica se deu pela desconsideração dos empréstimos recebidos de Danielle Haydee, Jorge Aguedo Filho e Sionei Barbosa, no montante total de R$ 435.000,00. A jurisprudência do CARF entende que para ser comprovado o contrato de mútuo entre pessoas físicas são necessários cumprir alguns requisitos, quais sejam: (i) comprovante do efetivo ingresso do numerário no patrimônio do contribuinte; (ii) a informação da dívida deve constar nas declarações de rendimentos do mutuário e mutuante; (iii) demonstração de que o mutuário possuía recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo; e (iv) a devolução dos valores envolvidos. Neste sentido: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO NÃO JUSTIFICADO. A justificação para o empréstimo deve basearse em outros meios de prova, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores, não bastando a simples informação na Declaração de Ajuste.(Acórdão nº 2201002.723 09/12/2015) Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 372 9 MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A alegação de que foram recebidos recursos em empréstimo obtido de pessoa física deve ser acompanhada dos comprovantes do efetivo ingresso do numerário no património do contribuinte, além da informação da dívida nas declarações de rendimentos do mutuário e do mutuante e da demonstração de que este último possuia recursos próprios suficientes para respaldar o empréstimo. (Ac 1 061283 6 de 23/08/2002) EMPRÉSTIMO NÃO COMPROVADO – MÚTUO. empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. (Acórdão 10613763 de 05/12/2003) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 31/12/2011 (...) PRÓLABORE. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de contrato mútuo, que justifique o pagamento de valores pela empresa ao sócio controlador, deve ser comprovada pela efetiva transferência e devolução dos valores envolvidos. (Acórdão 2201003.413 de 07/02/2017) É preciso esclarecer, primeiramente, que um mútuo, para poder ser considerado como origem de recursos, deve preencher alguns requisitos. Além de ser necessário seu registro nas declarações de rendimentos do mutuante e do mutuário, é imprescindível que tanto a transferência como a devolução do numerário estejam cabalmente demonstradas, inclusive por representar valor significativo para ambas as partes. In casu, não constam nos autos nenhum documento que comprove que houve a efetiva transferência dos numerários. Na verdade, o RECORRENTE se limita a afirmar que a legislação civil não estabelece nenhuma formalidade para o contrato de mútuo entre pessoas físicas. Impende deixar assentado que a informalidade dos negócios não pode eximir o contribuinte de apresentar prova da efetividade das transações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigidas em razão da confiança entre as partes (um empréstimo sem nota promissória, por exemplo), mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública, já que a relação entre fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei. Logo, independentemente da razão que levou a ausência de formalidades no contrato de mútuo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente a elas; não exime o contribuinte de apresentar a prova de que o recebimento do dinheiro se referiu, efetivamente, a um mútuo e não pode ser oposta à Fazenda Pública. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 373 10 Assim, a fim de comprovar o mútuo, o contribuinte deve demonstrar o fluxo financeiro, ou seja, além do efetivo ingresso, a devolução do numerário ao mutuante. Sobre o tema, cito abaixo o trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no processo nº 11080.011496/200614, o qual utilizou como razões de decidir do presente caso: "Como sempre externalizo, em meus votos e verbalmente nas sessões, me filio àqueles para quem o contrato de mútuo em dinheiro, pela sua inerente falta de formalidade e infelizmente, inegável desvirtuamento de uso por muitos, exige que se comprove, como matéria de defesa, o fluxo de numerário. Isto é, o efetivo empréstimo e e devolução. Para mim, mesmo sendo um contrato jurídico válido, o mútuo de dinheiro atrai um ônus probatório mais custoso para quem dele se utiliza, justamente por ele se prestar muito facilmente à simulação e como dito, infelizmente, ser muito utilizado para tanto ou seja, o mútuo deve ser efetivamente comprovado pelo interessado, não bastando a mera apresentação de seu instrumento de constituição." O art. 586 do Código Civil prevê que o contrato de mútuo gera a obrigação de restituição da coisa: “Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.” Neste sentido, entendo que agiu corretamente a fiscalização ao desconsiderar os mútuos recebidos pelo RECORRENTE, posto que não consta em sua movimentação financeira, de fls. 97/167 e 173/200 nenhum ingresso em montante compatível com os valores declarados. Da alegação de tratamento antiisonômico De igual modo, entendo que não devem prevalecer as alegações do RECORRENTE acerca de suposto tratamento não isonômico em relação aos mútuos concedidos e aqueles contraídos pelo RECORRENTE. Explico. Na elaboração da planilha de fluxo financeiro do contribuinte, a autoridade lançadora elabora o fluxo mensal dos dispêndios e depois constrói o fluxo mensal das origens para verificar se o contribuinte possuía recursos suficientes para cobrir os dispêndios. O fluxo mensal dos dispêndios é elaborado com base em todas as aquisições de bens ou direitos declaradas pelo contribuinte. Assim, a autoridade lançadora não exerce juízo de valor sobre os dispêndios efetivamente declarados pelo contribuinte, afinal são bens e direitos que ele mesmo afirma possuir (a não ser que tenha ocorrido algum erro de fato, como um erro de digitação do valor de algum bem adquirido, por exemplo, hipótese em que a fiscalização permite a correção do dispêndio). Na planilha de dispêndios, a autoridade fiscal pode até imputar a realização de uma despesa por parte do contribuinte (a aquisição não declarada de um veículo, por exemplo – o que não foi o caso dos autos); contudo, não há Fl. 373DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 374 11 espaço para desconsiderar dispêndios efetivamente declarados pelo contribuinte (se não, como visto, em caso de erro material comprovado). Já na planilha de fluxo mensal das origens, a autoridade fiscal elabora todos os rendimentos declarados pelo contribuinte (tributáveis e não tributáveis). Aqui é dever de ofício da autoridade lançadora exercer juízo de valor sobre os rendimentos declarados. Ou seja, se o contribuinte afirmar que recebeu R$ X de rendimentos isentos ou a título de mútuo (como no caso dos autos), a autoridade lançadora pode solicitar provas a respeito da efetiva origem de tais valores. Em não havendo provas de que se trata de rendimento isento/não tributável, deve haver a exclusão de tal valor da planilha de fluxo mensal das origens. No que diz respeito aos rendimentos tributáveis declarados, a fiscalização os considera totalmente na planilha, afinal tais rendimentos já sofreram a tributação esperada. Portanto, como visto, não há o alegado tratamento antiisonômico apontado pelo RECORRENTE, pois ambas as planilhas de fluxo financeiro são feitas exclusivamente com base nos valores declarados pelo contribuinte, sendo que – regra geral – na planilha de origens a fiscalização pode apenas desconsiderar rendimentos declarados como não tributáveis para os quais não houve a comprovação da sua natureza, ao passo que na planilha de dispêndios a fiscalização pode apenas imputar gastos realizados mas não declarados pelo contribuinte (não há como desconsiderar uma despesa/aquisição expressamente declarada). Uma coisa é desconsideração das origens, outra é a imputação de aquisições. No lançamento através de fluxo financeiro para identificação de acréscimo patrimonial a descoberto, a fiscalização quer saber das origens que justificam as aquisições declaradas. Ou seja, a autoridade fiscal apenas retrata as aquisições declaradas pelo contribuinte, não imputa nada a ele, e pede para que sejam comprovadas as origens que acobertam tais aquisições. Não há espaço para a imputação de origens ou para desconsideração de gastos, a não ser mediante prova de erro quando da elaboração da declaração. Ainda sobre o tema, podese fazer um paralelo com a infração de omissão de rendimentos e os rendimentos declarados. É que no caso de o contribuinte declarar rendimentos tributáveis (e pagar tributos) a mais do que o efetivamente recebido, a autoridade fiscal simplesmente homologa o declarado pelo contribuinte, pois foi ele mesmo quem fez tal afirmação (afinal, ele pode ter recebido algum rendimento que não esteja nos sistemas de cruzamentos de dados da receita federal). Contudo, se o contribuinte omitir rendimentos, a autoridade fiscal pode – e deve – cobrar o imposto que deixou de ser recolhido quando comprovar a omissão. E este comportamento da autoridade fiscal não representa tratamento antiisonômico. Ou seja, não se pode esperar da fiscalização que esta questione o contribuinte se o vultuoso valor que declarou a título de rendimento tributável de fato corresponde à realidade, pois não teria identificado tal recebimento nos sistemas. O contribuinte é quem deve tomar a iniciativa para corrigir eventual falha em sua declaração e reaver o tributo pago a maior, nos termos da legislação específica. De igual modo, não pode a autoridade fiscal questionar um mútuo que o próprio RECORRENTE afirma ter feito, eis que informado tanto em sua declaração como também na escrita contábil da pessoa jurídica que recebeu os valores. Caso os valores não fossem os declarados, caberia ao RECORRENTE a demonstração do equívoco em sua declaração mediante a comprovação do erro material. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 19515.001182/200749 Acórdão n.º 2201005.083 S2C2T1 Fl. 375 12 Já os mútuos recebidos podem sim ser questionados, já que, como visto, tais valores podem representar rendimentos tributáveis recebidos disfarçadamente através de operações de empréstimos. Daí ser necessária a comprovação de que os valores recebidos efetivamente possuem natureza não tributável. Portanto, no presente caso, entendo que foi correto o comportamento da autoridade fiscal quando da elaboração das planilhas de fluxos das origens e das aplicações, não havendo que se falar em tratamento antiisonômico quanto aos mútuos recebidos e os concedidos. Da disponibilidade de R$ 820.000,00 no mês de dezembro/2003 Por fim, não há razão para analisar o pedido da RECORRENTE para que o montante de R$ 820.000,00 seja considerado como origens em janeiro/2003, pois, como exposto no relatório, a DRJ já acatou tal pedido, sendo que constatou que, mesmo após a alteração, o valor do APD permaneceu o mesmo, contudo totalmente concentrado no mês de dezembro/2003 (R$ 772.521,03). CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912640/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2010
PROVAS. COMPENSAÇÃO
De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo.
TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-006.799
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
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COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 26 40 /2 01 2- 94 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo feito inicialmente um resumo dos fatos. Em preliminar, discorre acerca da nulidade do Despacho Decisório, enfatizando a ausência de fundamentação, o desvio de finalidade e o prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal, tendo destacado que deve ser possibilitado ao manifestante a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material. Sustenta ainda a inaplicabilidade da multa aplicada em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade e tece considerações acerca da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e sobre a limitação dos juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional (CTN). Ao final, requer seja acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório em comento, com todos os seus consectários, inclusive cancelamento de qualquer cobrança que possa advir do citado despacho.. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02055.331. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual repisa os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.789, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912606/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.789): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Nulidade do despacho decisório. O recorrente reproduziu a preliminar de nulidade apresentada na manifestação de inconformidade, alegando vícios no despacho decisório capazes de macular sua existência e determinar sua nulidade. Como não há elemento novo sobre o tema no recurso voluntário, e me filio à decisão proferida pela instância a quo, peço vênia para utilizar a ratio decidendi da DRJ como se minha fosse, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, in verbis: O contribuinte tece considerações acerca da nulidade do despacho decisório pelos motivos circunstanciados na manifestação de inconformidade. Primeiramente cumpre observar que, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a manifestação de inconformidade e o recurso obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Decreto nº 70.235, de 1972, prevê as hipóteses de nulidade no processo administrativo: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] O despacho contestado não é nulo, pois não se configura nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito. O ato foi lavrado por autoridade competente – Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo – e não houve preterição do direito de defesa – é no processo administrativo que esse direito é exercido. Também não há exigência legal de intimação do contribuinte previamente à expedição do Despacho Decisório. É importante ressaltar que no referido despacho foi anotado que a fundamentação para o indeferimento do pedido de compensação reside no fato de o valor correspondente ao Darf indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte conforme consta do quadro – “utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP”. O enquadramento legal também foi devidamente especificado, contendo as normas do Código Tributário Nacional (CTN) e da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pertinentes às regras de restituição e compensação de tributos. Portanto, estando presentes os elementos que fundamentam o Despacho Decisório, não há que se cogitar de cerceamento do seu direito de defesa, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. Diante do quadro exposto, resta claro que o despacho decisório não contém vícios que possam ensejar sua nulidade. Tampouco, podese falar em cerceamento ao direito de defesa, pois os motivos determinantes que levaram ao indeferimento foram bem definidos, de tal forma que o próprio recorrente foi capaz de se insurgir contra eles. Sendo assim, nego provimento ao capítulo referente à nulidade do despacho decisório. Nulidade da decisão recorrida. O recorrente alega que a decisão recorrida carece de fundamentação, pois resumiuse a negar provimentos à manifestação de inconformidade em virtude de falta de comprovação pelo sujeito passivo de seu direito creditório. Pela alegação feita no recurso voluntário, resta evidente que houve a ratio decidendi no acórdão recorrido, qual seja: a falta de provas do direito creditório, pois o onus probandi, nos casos de pedido de restituição, é do sujeito passivo. Neste norte, não vejo motivos para que seja declarada a nulidade da decisão, pois a fundamentação foi clara e objetiva, de forma que afasto a nulidade suscitada. Restituição/Compensação. Ônus da prova. Alega o recorrente que utilizou créditos de Cofins, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 6 5 referente ao período de apuração 30/11/2007. Afirma, outrossim, que o ônus da prova cabe ao fisco e não ao sujeito passivo, uma vez que o processo administrativo pautase pela verdade material. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pelo recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Portanto, duas são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dê verossimilhança às alegações do recorrente, de que o crédito por ele utilizado na compensação não havia sido aproveitado para extinguir outro débito tributário. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 7 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para a autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 8 7 provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 9 8 Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixá los em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, o recorrente não apresentou um único documento, seja planilha, livros fiscais, que comprovasse ou, como dito, levantasse uma fumaça do bom direito. Não foi por falta de oportunidade, pois tanto no despacho decisório como na manifestação de inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Diante dos fatos, cabe a esse Colegiado apreciar o pedido de restituição/ compensação com as provas contidas nos autos. No caso, nenhuma. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para manter a decisão de piso sobre o tema. Multa de Mora. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 10 9 Afirma o recorrente que o percentual da multa de mora não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Ocorre que a multa de mora está prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Não consta na jurisprudência que o artigo tenha sido declarado inconstitucional pelo STF, nem que tenha sido revogado. Portanto, ele subsiste. Para afastar a aplicação do cânone legal citado, deve esse Colegiado declarar a inconstitucionalidade do artigo, algo vedado no nosso ordenamento jurídico. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na linha do entendimento exposto, nego provimento ao recurso quanto à possibilidade de afastar o art. 61 da Lei nº 9430/96, sob o fundamento de inconstitucionalidade. Taxa SELIC. Multa de Mora O recorrente alega que a correção do crédito tributário pela taxa SELIC é ilegal. Essa matéria já foi pacificada com a aprovação do enunciado de Súmula CARF nº 04, publicada no DOU de 22/12/2009: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.912640/201294 Acórdão n.º 3302006.799 S3C3T2 Fl. 11 10 Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Com base no enunciado de Súmula CARF nº 4, nego provimento a esse capítulo recursal. Por todo exposto, voto em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.001161/2011-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Reconhecida a neoplasia maligna, não se exige a demonstração da contemporaneidade de recidiva da enfermidade, para que o contribuinte faça jus à isenção de imposto de renda prevista no art. 6°, da lei 7.713/88.
Numero da decisão: 2002-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Reconhecida a neoplasia maligna, não se exige a demonstração da contemporaneidade de recidiva da enfermidade, para que o contribuinte faça jus à isenção de imposto de renda prevista no art. 6°, da lei 7.713/88.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.001161/201110 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.064 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente RAYMUNDA ANITA DE SAMPAIO WANDERLEY Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Reconhecida a neoplasia maligna, não se exige a demonstração da contemporaneidade de recidiva da enfermidade, para que o contribuinte faça jus à isenção de imposto de renda prevista no art. 6°, da lei 7.713/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 11 61 /2 01 1- 10 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11610.001161/201110 Acórdão n.º 2002001.064 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 63) contra decisão de primeira instância (fls. 53/57), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento de fl. 05, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2008, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 15.772,91 correspondente a imposto suplementar, multa de ofício e juros de mora. O lançamento teve origem na constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de pensão alimentícia na quantia de R$ 49.250,63. Em sua impugnação a contribuinte requer a retificação do lançamento alegando, em síntese, que os referidos rendimentos são isentos por se tratar de pensão alimentícia percebida por portadora de moléstia grave, contraída em 1993. Acrescenta que o valor correto recebido de seu exmarido foi R$ 37.086,09 conforme consta em seus extratos bancários. Junta às fls. 11/21 e 37/44 diversos documentos médicos para comprovação da doença. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento deverá comprovar ser portador de uma das patologias ali elencadas mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não serão considerados portadores de neoplasia maligna os examinados submetidos a tratamento cirúrgico, radioterápico e/ou quimioterápico, que, após cinco anos de acompanhamento clínico e laboratorial, não apresentarem evidência de atividade da neoplasia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. São tributáveis os valores percebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. Retificase o lançamento em face da comprovação de que o valor recebido foi menor que o lançado. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11610.001161/201110 Acórdão n.º 2002001.064 S2C0T2 Fl. 4 3 Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 15/06/2018 (fl. 60); Recurso Voluntário protocolado em 28/06/2018 (fl. 63), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas – Alugueis e Outros. Relata o Sr. AFRF, que: “Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ ********49.250,63, informados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob) pela(s) administradora(s) ou em outros documentos. Na apuração da omissão foi considerado o valor líquido do aluguel, já deduzido da comissão correspondente.” E complementa: “Pensão Alimentícia, não apresentou documentos comprobatórios – Processo judicial e sentença ou acordo e comprovantes de recebimento”. A r. decisão, julgou procedente em parte, apenas para retificar o valor recebido que foi menor do que o lançado. Assim se manifestando: Como se observa dos documentos médicos juntados aos autos, a contribuinte foi submetida a tratamento cirúrgico em 1993, não tendo sido apresentados documentos que atestassem evidências de atividade da doença após essa data. Assim, não há como considerar que a interessada ainda fosse portadora de neoplasia maligna no anocalendário de 2007. Por outro lado, quanto à alegação de que o montante recebido a título de pensão alimentícia não teria sido de R$ 49.250,63, assiste razão à interessada. Da análise do resultado do processamento da declaração de ajuste anual de seu exesposo, Benjamin Ítalo Augusto Ciavolih, CPF 466.142.65849, restou comprovado que o valor pago a título de pensão alimentícia foi de R$ 33.925,62. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio juntando documentos. A r. decisão primeira enfatiza que: “ Não serão consideradas portadores de neoplasia maligna os examinados submetidos a tratamento cirúrgico, radioterapêutico e/ou quimioterapeutico, que após cinco anos de acompanhamento clínico e laboratorial, não apresentarem evidência de atividade neoplasia”. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11610.001161/201110 Acórdão n.º 2002001.064 S2C0T2 Fl. 5 4 Carece de reparos a r. decisão de origem, senão vejamos: “Segundo a jurisprudência da corte superior, no caso de câncer, (para que o contribuinte faça jus à isenção prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei 7.713/88, não é necessário que apresente sinais de recidiva da doença, pois a finalidade do benefício é diminuir os sacrifícios físicos e psicológicos decorrentes da enfermidade, aliviando os encargos financeiros relativos ao acompanhamento médico e medicações ministradas”. Assim, faz jus a recorrente à isenção tributária em questão, eis que, conforme jurisprudência do STF, “o intuito é de também desonerar a renda dos portadores assintomáticos dessa doença, alcançandose, assim, o princípio da dignidade humana, tendo em vista a gravidade da moléstia de que foram acometidos”. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 109DF CARF MF
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