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Numero do processo: 10380.725059/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3301-000.210
Decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Anos-calendário: 2006, 2007
COFINS. DECORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO DE LUCRO. Fatos que deram suporte à autuação de IRPJ. Competência da 1ª Seção do CARF.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, em declinar para a Primeira Seção de Julgamento a competência para processar e julgar o presente Recurso Voluntário.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fábia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Anos-calendário: 2006, 2007 COFINS. DECORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO DE LUCRO. Fatos que deram suporte à autuação de IRPJ. Competência da 1ª Seção do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, em declinar para a Primeira Seção de Julgamento a competência para processar e julgar o presente Recurso Voluntário. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fábia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl.
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DECORRÊNCIA DE ARBITRAMENTO DE LUCRO. Fatos que deram suporte à autuação de IRPJ. Competência da 1ª Seção do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, em declinar para a Primeira Seção de Julgamento a competência para processar e julgar o presente Recurso Voluntário. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Fábia Regina Freitas e Sidney Eduardo Stahl. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 25 05 9/ 20 10 -1 1 Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.725059/201011 Resolução nº 3301000.210 S3C3T1 Fl. 1.206 2 RELATÓRIO Tratase Recurso Voluntário movido em face do acórdão nº 0822.044, de fls. 1133 a 1157, proferido pela e. 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, considerando improcedente a Impugnação, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anoscalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO DE LUCRO. A não apresentação dos Livros e Documentos da escrituração contábil, por ocasião da Fiscalização a Pessoa Jurídica, justifica o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas auferidas pela Empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário:2006, 2007 SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Na utilização de interposição de pessoa, o intuito do Declarante é o de inculcar a existência de um Titular de Direito, mencionado na Declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade dos verdadeiros Responsáveis pela Empresa Fiscalizada. SOLIDARIEDADE. SÓCIO DE FATO. Nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, são solidariamente obrigadas, revestindose, no caso do inciso I do dispositivo legal, da condição de Contribuinte; assim, uma vez constatado que pessoa não integrante do quadro societário é sócio de fato da pessoa jurídica, recai sobre ele a condição de devedor solidário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anoscalendário: 2006, 2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.725059/201011 Resolução nº 3301000.210 S3C3T1 Fl. 1.207 3 Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações de descabimento de Norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, não obstante posicionamentos de Ilustres Juristas, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no (artigo) art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nem nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/72, descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos que deram origem ao auto de infração, transcrevese, parcialmente, o Relatório elaborado por aquela DRJ: Auto de Infração/Descrição Sintetizada dos Fatos: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS: Lucro arbitrado no período de janeiro/2006 a dezembro/2007, tendo por base de cálculo a receita bruta conhecida a partir dos valores registrados na escrita fiscal e contábil da Empresa, através dos Livros de Apuração do ICMS e RAZÃO da Empresa, apresentados pela Fiscalizada, cujas cópias foram anexadas ao auto. Sobre as receitas objeto do presente arbitramento, não foram recolhidas, nem declaradas em DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais as contribuições da COFINS, nos meses discriminados nos autos, e por esta razão, as respectivas exigências foram também formalizadas no bojo do processo por decorrentes dos mesmos elementos de prova. Sobre os tributos e contribuições lançados "ex officio" resultantes da fiscalização, cabe a aplicação de multa qualificada de 150% de que trata o art. 44, II, da Lei 9.430/96, e alterações posteriores (art. 14 da MP 351/2007 e art. 14 da Lei 11.488/2007), em razão dos fatos circunstanciados no Termo de Constatação Fiscal, por onde se infere a ocorrência de evidente intuito de fraude perpetrado pelos Responsáveis pela Empresa Fiscalizada, caracterizada pela manutenção de escrita paralela e com a agravante da manutenção de interposição fraudulenta de terceiros a encobrir a identificação dos verdadeiros proprietários do Empreendimento Comercial Fiscalizado. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.725059/201011 Resolução nº 3301000.210 S3C3T1 Fl. 1.208 4 Termo de Constatação: DOS FATOS QUE DETERMINARAM A SELEÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA FISCALIZAÇÃO. Em 11/2007 foi encaminhado à Receita Federal parte do material apreendido nos autos do Inquérito Policial 820/2007SR/ DPF/CE (Operação Secos e Molhados), na forma como determinado pelo MM. Juiz Federal Ricardo Ribeiro Campos, nos autos do referido inquérito. Em consequência da análise da documentação encaminhada, a qual foi fotocopiada e triada, o Contribuinte foi selecionado para fiscalização do IRPJ e contribuições nos anoscalendário de 2006 e 2007. DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA. Dentre os documentos apreendidos arrecadados nos endereços da Rua Gov. Sampaio, 234 e 236, consta a existência de Mapas e Balanços Gerenciais Mensais da Empresa COLUMBUS SUGAR, que demonstram que o seu faturamento, na época, foi notoriamente superior aos valores constantes em sua escrita fiscal/comercial apresentada à Fiscalização, ou seja, a Empresa mantinha uma contabilidade paralela, indicando o que deveria ser o faturamento real por ela auferido nos anos fiscalizados, conforme se pode aferir nos demonstrativos e documentos anexados ao Auto de Infração, e que resultaram no demonstrativo de omissão de receitas da atividade, cujo resumo se apresenta a seguir: Considerando que a escrituração mantida pelo Contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude da existência de uma contabilidade paralela, cujos Balanços Mensais, objeto da apreensão policial relatada, demonstram a existência de faturamento notoriamente superior ao constante de sua escrita fiscal/contábil oficial apresentada à Fiscalização pelo Representante da Fiscalizada, em afronta ao preceituado pelo art. 251, parágrafo único, do Decreto 3.000/99 (RIR/99), cabe a imposição do regime de arbitramento para efeito do levantamento do lucro sujeito à tributação do IRPJ e CSLL, de conformidade com o art. 530, inciso II, do RIR/99, mediante a recomposição da receita bruta da Empresa, a partir dos dados colhidos dos Mapas e Balanços Mensais apreendidos pela Polícia Federal e dos demais registros de receita escriturados no Livro de Apuração do ICMS e no Livro Razão entregues à Fiscalização, conforme demonstrativo próprio, ressalvandose que sobre as receitas então apuradas cabe ainda a incidência das contribuições devidas ao PIS e COFINS, na forma da legislação pertinente, deduzindose do apurado a parte declarada em DCTF ou recolhida por parte da Fiscalizada. (grifamos) Sobre os tributos e contribuições lançados "exofficio" resultantes da Fiscalização, cabe a aplicação de multa qualificada de 150% de que trata o art. 44 da Lei 9.430/96, c/alteração da MP 351/07, tendo em vista o evidente intuito de fraude constatado no curso da Ação Fiscal, caracterizado pela manutenção de contabilidade paralela àquela submetida a registro na Junta Comercial e apresentada à Fiscalização da Receita Federal, agravada pela ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros a encobrir a identificação de quem realmente detinha os benefícios do resultado econômico da Fiscalizada e dispunham de seus recursos financeiros, ocultando consequentemente do conhecimento do Fisco a figura dos Responsáveis pelo cumprimento de suas obrigações tributárias. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.725059/201011 Resolução nº 3301000.210 S3C3T1 Fl. 1.209 5 É o Relatório VOTO Conselheira Mônica Elisa de Lima O Mandado de Procedimento Fiscal que deu início à fiscalização em foco tem o número 03.1.01.00.2010003351, englobando os tributos IRPJ, PIS e Cofins. O Auditor Fiscal entendeu por bem separar os lançamentos em processos administrativos diferentes; o que resultou em três numerações, quais sejam: 10380.725057/201021, mediante o qual apurouse o IRPJ e a CSLL; 10380.725058/201076, relativo ao PIS e 10380.725059/201011, para o lançamento da Cofins. Malgrado seu procedimento em apartar os autos, é induvidoso que todos derivam dos mesmos fatos jurídicos e decorrem do mesmo arbitramento de lucros que deu origem ao lançamento do IRPJ, conforme o Relatório Fiscal cujo trecho se grifou acima. Com efeito, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, determinou a especialização das Seções por matéria, cabendo à Primeira Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (artigo 2º, incisos I e II), bem como dos demais tributos e, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ (inciso IV, com alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Assim sendo, voto pelo encaminhamento dos autos à Primeira Seção de Julgamento para processar e julgar o Recurso Voluntário. Mônica Elisa de Lima Relatora Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13007.000299/2001-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
RESTITUIÇÃO - LOCALIZAÇÃO DE DOCUMENTO PELA FISCALIZAÇÃO - VERDADE MATERIAL - MORALIDADE.
A localização de documento representado por guia de recolhimento indevido dentro do período pleiteado pelo contribuinte em seu pedido de restituição atende fielmente à determinação contida no art. 37 da Lei 9784/99. O reconhecimento de ofício de pagamento indevido, porquanto apoiado em lei inválida, com base em documentos se encontram em posse da Administração Fazendária, é ato indissociável ao procedimento regido pela verdade material e moralidade administrativa.
PAGAMENTO INDEVIDO - RECONHECIMENTO DE OFÍCIO - ART. 6º DA IN 21/97 - INAPLICABILIDADE. AFRONTA À LEGALIDADE E À PROPORCIONALIDADE.
Resulta em afronta à legalidade formal e à proporcionalidade, a interpretação do art. 6º da IN 21/97 que culmina na vedação à restituição de valor identificado pela Fazenda como pagamento indevido, quando o valor que se pleiteia estiver incluso nos períodos indicados pelo contribuinte e os documentos comprovatórios exigidos pela Instrução Normativa (comprovante de recolhimento) tiveram sua finalidade suprida por diligência realizada pela Fazenda.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antônio Lopo Martinez que negavam provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Rafael Wagner, OAB/RS 48.127.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1989, 1990, 1991 RESTITUIÇÃO - LOCALIZAÇÃO DE DOCUMENTO PELA FISCALIZAÇÃO - VERDADE MATERIAL - MORALIDADE. A localização de documento representado por guia de recolhimento indevido dentro do período pleiteado pelo contribuinte em seu pedido de restituição atende fielmente à determinação contida no art. 37 da Lei 9784/99. O reconhecimento de ofício de pagamento indevido, porquanto apoiado em lei inválida, com base em documentos se encontram em posse da Administração Fazendária, é ato indissociável ao procedimento regido pela verdade material e moralidade administrativa. PAGAMENTO INDEVIDO - RECONHECIMENTO DE OFÍCIO - ART. 6º DA IN 21/97 - INAPLICABILIDADE. AFRONTA À LEGALIDADE E À PROPORCIONALIDADE. Resulta em afronta à legalidade formal e à proporcionalidade, a interpretação do art. 6º da IN 21/97 que culmina na vedação à restituição de valor identificado pela Fazenda como pagamento indevido, quando o valor que se pleiteia estiver incluso nos períodos indicados pelo contribuinte e os documentos comprovatórios exigidos pela Instrução Normativa (comprovante de recolhimento) tiveram sua finalidade suprida por diligência realizada pela Fazenda. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antônio Lopo Martinez que negavam provimento. Declarou-se impedido o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Rafael Wagner, OAB/RS 48.127. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt.
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A localização de documento representado por guia de recolhimento indevido dentro do período pleiteado pelo contribuinte em seu pedido de restituição atende fielmente à determinação contida no art. 37 da Lei 9784/99. O reconhecimento de ofício de pagamento indevido, porquanto apoiado em lei inválida, com base em documentos se encontram em posse da Administração Fazendária, é ato indissociável ao procedimento regido pela verdade material e moralidade administrativa. PAGAMENTO INDEVIDO RECONHECIMENTO DE OFÍCIO ART. 6º DA IN 21/97 INAPLICABILIDADE. AFRONTA À LEGALIDADE E À PROPORCIONALIDADE. Resulta em afronta à legalidade formal e à proporcionalidade, a interpretação do art. 6º da IN 21/97 que culmina na vedação à restituição de valor identificado pela Fazenda como pagamento indevido, quando o valor que se pleiteia estiver incluso nos períodos indicados pelo contribuinte e os documentos comprovatórios exigidos pela Instrução Normativa (comprovante de recolhimento) tiveram sua finalidade suprida por diligência realizada pela Fazenda. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antônio Lopo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 7. 00 02 99 /2 00 1- 73 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 Martinez que negavam provimento. Declarouse impedido o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Rafael Wagner, OAB/RS 48.127. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Lopo Martinez (Presidente), Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 799DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 799 3 Relatório 1 Solicitação de Restituição Em 21/11/01, a recorrente solicitou a restituição de valores recolhidos, supostamente, de forma indevida a título de Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL. O campo 2 do formulário delimitou o âmbito da pretensão da recorrente da seguinte forma (fl. 03 do e processo): Recolhimento indevido de ILL, face à declaração de inconstitucionalidade pelo STF do art. 35 da Lei nº 7.713/88 e à suspensão da sua execução pela Resolução do Senado nº 82/96, conforme razões em anexo. Nas razões em anexo ao formulário, a recorrente reiterou seu pedido, abaixo reproduzido (fl.14 do eprocesso): III DO PEDIDO Diante O exposto, requer: 1. o reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento indevido de ILL no período compreendido entre 1990 e 1992, relativo aos períodosbase 1989 a 1991; assim como, 2. a restituição dos valores indevidamente recolhidos, corrigidos monetariamente desde o recolhimento indevido, mediante a aplicação do BTN (até fevereiro/1991), do INPC (até dezembro/1991), da UFIR (até dezembro/1995) e da Taxa SELIC (a partir de janeiro/1996), com a inclusão dos expurgos inflacionários de abril de 1990 (44,80%), maio de 1990 (7,87%) e fevereiro de 1991 (21,86%). A partir das DARF’s que dispunha, elaborou a seguinte planilha: Ano base Data do pagamento Moeda à época Valor pago 1989 30/04/90 Cr$ 190.150.473,55 1990 29/04/91 Cr$ 499.766138,67 1990 30/04/91 Cr$ 1.514.721.020,18 1991 30/04/92 Cr$ 5.529.320.445,00 1991 27/05/92 Cr$ 1.098.012.539,00 1991 29/05/02 Cr$ 16.582.473,00 TOTAL 8.849.553.089,40 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 O Ministério da Fazenda exarou, em 09/06/03, parecer quanto ao pedido de compensação dos tributos pleiteado pela recorrente pugnando pelo indeferimento do pedido feito pela recorrente (fls. 8788). 2 Despacho Decisório A Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre – RS, em 17/06/03, através do Serviço de Orientação e Análise Tributária –, proferiu o Despacho Decisório (fl. 90), em que indeferiu o pedido de restituição/compensação e não homologou a compensação efetuada pela recorrente. A recorrente foi notificada do despacho decisório em 26/06/03. 3 Manifestação de Inconformidade Inconformada com o Despacho Decisório, a recorrente apresentou, em 17/07/03, manifestação de inconformidade (fls. 94107) alegando que: a) o Tribunal Pleno do STF, ao julgar o Recurso Extraordinária nº 172.058 1, declarou a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713/88, de modo que é indubitável a inconstitucionalidade e ilegalidade do art. 35 da Lei nº 7.713/88 com relação aos acionistas o que implica na inexigibilidade dos recolhimentos efetuados a título de ILL; b) o entendimento adotado no parecer homologado foi no sentido de que, nos termos do art. 165, I, e 168, I, do CTN, a contribuinte disporia de apenas 5 anos, após a realização do último pagamento, para postular a restituição do tributo. Contudo, a interpretação dada aos referidos dispositivos legais deve ser diversa daquela adotada à respeito da restituição do indébito; c) os recolhimentos de ILL somente passaram a ser indevido após a extensão dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade a todos. O “indébito” somente surgiu a partir da publicação da Resolução nº 82/96, desta forma, são contados 5 anos a partir da publicação da referida Resolução para a extinção do crédito tributário; d) no que tange ao ILL, o prazo para o ingresso do requerimento de restituição deve ser contado da republicação da Resolução nº 82/96, em 22/11/96. É plenamente aplicável à edição de normas regulamentares o disposto no DecretoLei nº 4657/42, pois trata da eficácia temporal dos dispositivos legais; e) o crédito deve ser corrigido a partir da data em que a recorrente não pode mais dispor dos valores, ou seja, a partir da data do recolhimento à União Federal. Quanto aos índices de correção monetária, deve ser aplicado o BTN até fevereiro de 1991, o INPC entre março 1991 e dezembro de 1991, a UFIR no período compreendido entre 1992 e 1995 e a Taxa Selic a partir de janeiro de 1996, com a inclusão dos expurgos inflacionários de abril de 1990 (44,80%), maio de 1990 (7,87%) e fevereiro de 1991 (21,86%), sendo a UFIR aplicada nos termos do art. 66, § 3º, da Lei nº 8.383/91. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 800 5 4 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A solicitação foi indeferida pela 1ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade (fls. 109 113). Os fundamentos foram os seguintes: a) a Administração não deve guardar respeito aos atos normativos de hierarquia superior, o que é especificadamente previsto, nos casos de julgamentos efetivados pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, na Portaria MF nº 258, de 24 de agosto de 2001, art. 7º e pelo art. 116, III, da Lei nº 8.112/90; b) o pedido de restituição 21/11/01 e os pagamentos foram efetivados entre 30/04/90 e 29/05/92. Com base no Ato Declaratório SRF nº 96, de 26/11/99, e no Parecer PGFN/CAT nº 1.538, deve ser considerado como termo inicial para a repetição do indébito a data da efetivação do pagamento, de modo que como decorreu, para cada um deles, mais de cinco anos para o pedido de restituição, descabe acolher o pleito da contribuinte. 5 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 15/12/13, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 116135) em 14/01/04, reiterando os argumentos trazidos na sua impugnação. 6 Declinação de Competência Em 20/10/04, A 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes declinou competência do julgamento em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 139144). 7 Da Solução de Consulta A recorrente anexou aos autos, em 09/05/05, a Solução de Consulta SRRF/10ª RF/DISIT Nº 86, de 31/03/04, que concluiu (i) pela imprescindibilidade de depósito recursal para fins de garantia de instância, se houver crédito tributário passível de ser cobrado; (ii) que a discussão do indeferimento de pedido de restituição não se caracteriza como exigência fiscal, sendo desnecessário garantilo no caso de recurso voluntário interposto perante o Conselho de Contribuinte; e (iii) que eventuais compensações não homologadas apenas ensejam a prestação da referida garantia, no caso do aludido recurso, se houver a entrega de declaração de compensação a partir de 31/10/03 (fls. 148150). 8 Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes A 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou parcialmente procedente o recurso voluntário da recorrente para afastar a decadência do direito de pleitear a restituição (fls. 153158). Os fundamentos foram os seguintes: a) nos casos de inconstitucionalidade declarada erga omnes, somente com a pecha fixada pelo STF (RE 141.3310) ou com a exclusão do ordenamento jurídico pelo Senado Federal de uma determinada norma que exigia tributo, exsurge no cenário jurídico o pagamento indevido, e consequentemente o direito de pleitear a devolução; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 b) a Resolução acerca do ILL é de 1996 e o pedido foi protocolado em 1998; ou seja, o pedido foi apresentado antes de 5 anos contados do nascimento do direito de fazêlo; c) o pedido de acréscimos legais, desde o pagamento indevido, não encontra respaldo em sua totalidade, visto que os acréscimos em restituição são aqueles determinados pela legislação, diferentemente de correção monetária que é apenas atualização de valores e não acréscimos a valores a serem restituído, apenas se admitindo os acréscimos legalmente previstos conforme as normas de restituição da SRF; d) a restituição/compensação deverá ser efetuada após a verificação da consistência dos valores, com os acréscimos legais para a restituição/compensação de tributos, após verificada eventuais compensações já efetuadas pela contribuinte. O Procurador da Fazenda foi intimado do acórdão em 02/05/06 (fl. 159). 9 Recurso Especial da Fazenda Nacional Em 15/05/06, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 160166) contra o referido acórdão. Apresentou os seguintes fundamentos: a) extinto o tributo pelo pagamento, ainda que indevido, cabe ao sujeito passivo requerer a sua restituição no prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, consoante disposto no art. 168 c/c art. 165 do CTN, independentemente de a suposta ilegitimidade da cobrança do tributo ser ou não reconhecida pelo STF b) o CTN jamais elegeu, como termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição, a data aventada pela Câmara a quo; Não dispôs que o prazo se iniciaria com a declaração de inconstitucionalidade da norma; c) a interpretação adotada pela Câmara a quo importa, simplesmente, em tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, o que causa, ao Poder Público, uma insegurança jurídica insuportável, pois não é possível saber se e quando o STF irá declarar inconstitucional uma norma que instituiu tributo. Isso significa que o termo inicial do prazo para a apresentação do pedido de restituição restaria indefinido, dependente de um pronunciamento do Tribunal, que pode nunca vir, ou que pode vir muitíssimo tempo depois da data em que os fatos ocorreram; A contribuinte, em 27/07/06, apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 171185). 10 Recurso Especial da Contribuinte Em 27/07/06, a contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 186218) contra o referido acórdão. Apresentou os seguintes fundamentos: a) a decisão da recorrida, ao negar o recurso quanto ao direito à integral correção monetária e à inclusão dos expurgos inflacionários, diverge das decisões da 1ª e 2ª Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da 7ª Câmara do Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 801 7 Primeiro Conselho de Contribuintes e da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que retratam que, em face dos princípios da legalidade, justiça, atuação conforme o direito, isonomia e moralidade administrativa, a restituição do indébito deve ser feita com a aplicação dos índices que mediram a real inflação do período, com a inclusão dos expurgos inflacionários; b) a correção monetária cumpre o importante papel de compensar a perda do valor da moeda frente à inflação, visando sobretudo expressar, em valores reais, os elementos de natureza primordial, através de parâmetros confiáveis que não se confundem com qualquer espécie de ganho, renda ou lucro; c) a corrosão do crédito tributário só pode ser sobrestada através da incidência da correção monetária plena que, por sua vez, deve levar em conta os expurgos oriundos dos sucessivos planos econômicos que, a pretexto de enfrentar a inflação, acabaram por excluir do sistema monetário o direito à reposição do real valor da moeda; d) o crédito indevidamente recolhido e não restituído pelo seu valor atualizado, traz nítida violação ao direito de propriedade da contribuinte, que se vê desapossado do quantum correspondente à correção monetária. A correção monetária do valor a ser restituído deve ser agilizada com base nos índices medidos por institutos idôneos, e não com base naqueles fornecidos e utilizados pelo governo, os quais não refletiriam a real inflação ocorrida no período; e) se à contribuinte é vedado adotar procedimentos que descaracterizem seu direito de crédito, de igual forma também falece à autoridade administrativa, fundada ou não em lei, estabelecer proibição ao exercício de correção e impor a utilização de uma norma que em nada reflete a inflação do período; f) a desconsideração dos efeitos inflacionários incidentes sobre o valor a ser restituído e, consequentemente, a imposição fiscal dela decorrente, mostrase juridicamente inválida, também por sua confrontação com o dispõem os arts. 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição; g) o procedimento imposto pela decisão recorrida, no sentido de inadmitir a correção monetária plena, com a inclusão dos expurgos inflacionários colide frontalmente com os princípios objeto de exame, sendo dissonante com a capacidade contributiva e visivelmente confiscatório. Tal exigência esbarra, pois, na inconstitucionalidade, por ultraje aos arts. 37, caput, 150, I, c/c o art. 146, III, 2º, 60, § 4º, III, e 25, caput, do ADCT, 145, § 1º, 150, IV; h) é inadmissível que os valores recolhidos indevidamente, em razão de dispositivos legais inconstitucionais, devam ser restituídos com a correção monetária definida pela fiscalização para atualizar seus créditos; i) é inconcebível que os valores a serem restituídos à contribuinte sejam corrigidos pelos índices estabelecidos pela Fazenda Nacional, pois sua adoção implica em ofensa ao direito de propriedade previsto no art. 5º, XXII e LVI, da Constituição, bem como do princípio da moralidade insculpido no art. 37 da Carta Magna, ensejando enriquecimento ilícito da própria Fazenda; Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 8 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 04/04/07 (fls. 356358). 11 Acórdão dos Recursos Especiais Em 05/08/08, a 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento aos recursos especiais interpostos (fls. 369381). Os fundamentos foram os seguintes: a) nos casos de norma declarada inconstitucional, mediante controle difuso de constitucionalidade, o prazo do art. 168 do CTN, que assegura um período de tempo de cinco anos para a contribuinte pedir a restituição, começa a fluir a partir do momento em que o Senado Federal, nos termos do art. 52, X, da CF, publica Resolução afastando do mundo jurídico os efeitos da norma declarada inconstitucional; b) no caso dos autos, tendo em vista que a Resolução nº 82/96, do Senado, por possuir erro quando publicada em 19/11/96, necessitou ser republicada em 21/11/96, para que pudesse produzir efeitos, tendo por norte o art. 1º, § 5º, da Lei de Introdução ao Código Civil que dispõe que as correções de texto de norma já em vigor consideramse lei nova, o prazo de cinco anos deve ser contado da publicação desta norma, isto é de 22/11/96, visto que a publicação feita em 19/11/96 não produziu eficácia jurídica, tanto isto é verdadeiro que se fez necessário nova publicação; c) os índices de correção monetária oficiais e legalmente reconhecidos, utilizados inclusive na cobrança do crédito tributário, são aqueles constantes da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8, de 27/06/97, utilizada pela Administração Tributária para atualizar as restituições. 12 Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional Insatisfeita com a decisão da 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário (fls. 384394), em 20/02/09, sustentando, em linhas gerais: a) a existência de divergência jurisprudencial; b) pelo exame dos arts. 150, § 4º, 165, I, 168, I, e 156, VII, todos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de dez anos, contados do fato gerador; c) não há nada que justifique ser considerada a data da publicação da Resolução nº 82 do Senado Federal o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do ILL. A Constituição, em seu art. 146, III, “b”, estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre prescrição e decadências tributárias. Dessa forma, o instrumento normativo a ser observado é o CTN, que fixou, indistintamente, o prazo de cinco anos para a decadência do direito de pedir restituição do tributo Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 802 9 indevido, independentemente da razão ou da situação em que se deu o pagamento; d) a decisão recorrida, além de abalar a segurança jurídica e o próprio interesse público, ainda fere o princípio da estrita legalidade que rege o sistema tributário nacional, posto que o CTN cuidou expressamente do prazo de extinção do direito de pleitear a restituição tributária, sendo certo que qualquer solução que não observe o disposto no art. 165 c/c o art. 168 do CTN, constituirá simples criação exegética, desprovida de qualquer amparo judicial ou legal; e) não há na lei qualquer autorização para se considerar um outro termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para a contribuinte, em detrimento do erário público; O apelo foi negado em 21/07/09 pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em sede de exame de admissibilidade (fls. 398400). A contribuinte apresentou contrarrazões em 13/05/09 (fls. 434436). 13 Encaminhamento à SEORT/DRF/POA/RS Em 19/03/10, os autos foram encaminhados à SEORT/DRF/POA/RS (fls. 440441), pelas razões abaixo transcritas: “Por outro lado, conforme descrito anteriormente, até então têmse conhecimento de que o contribuinte, que julgava ter mais de R$ 41 milhões, traz para o presente processo apenas R$ 1 milhão em débito para compensação (formulário de fl. 17). Em recente consulta realizada ao sistema SIEFPERDCOMP (datada de 17/03/2010), com parâmetro ‘Número processo adm. anterior', fl. 439, não houve o retorno de qualquer registro o que, em tese, afasta a possibilidade de existir aproveitamento de crédito via DCOMP eletrônica. Todavia, a considerar a data do pedido de restituição, há a possibilidade de o contribuinte ter protocolizado junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre declarações de compensação em papel, cujo crédito utilizado seja discutido no presente processo administrativo. 07. Ante o exposto, a fim de subsidiar a análise da demanda em tela, e tendo em vista a impossibilidade de verificação por meio dos sistemas eletrônicos da RFB, proponho: 07.1 – o encaminhamento dos autos ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre/RS (DRF/POA/Secat), para confirmação dos pagamentos efetuados pelo interessado por meio de DARF, conforme abaixo: Item Cód. Receita Dt. de Venc. Dt. Arrecadação Valor da original Valor Total DARF1 0764 30/04/1990 30/04/1990 190.150.473,55 190.150.473,55 DARF2 0764 30/04/1991 29/04/1991 499.766.138,67 499.766.138,67 DARF3 0764 30/04/1991 30/04/1991 1.514.721.020,18 1.514.721.020,18 DARF4 0764 30/04/1992 30/04/1992 5.529.320.445,00 5.529.320.445,00 DARF5 0764 29/05/1992 27/05/1992 1.098.012.539,00 1.098.012.539,00 DARF6 0764 29/05/1992 29/05/1992 16.582.473,00 16.582.473,00 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 10 07.2 – após atendimento ao subitem anterior, o encaminhamento dos autos ao Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/POA/Seort/RS), da DRF/Porto Alegre/RS, para manifestação, mediante consulta aos seus controles internos, quanto a existência de processos administrativos em papel que contenham declarações de compensação que apontem como crédito o Pedido de Restituição de supostos pagamentos indevidos a título de ILL, efetuados entre 1990 e 1992, requerido por meio do PAF n 13007.000299/200173.” 14 Confirmação de Pagamentos A fiscalização comprovou os pagamentos abaixo informados, mediante pesquisa os controles de pagamento da Secretaria da Receita Federal em microficha de arrecadação. Pagamento 1 Pagamento 2 Pagamento 3 Pagamento 4 Pagamento 5 Pagamento 6 Código da Receita 0764 0764 0764 0764 0764 0764 Data de Arrecadação 30/04/1990 29/04/1990 30/04/1991 30/04/1992 27/05/1992 29/05/1992 Data de Vencimento 30/04/1990 30/04/1990 30/04/1991 30/04/1992 29/05/1992 29/05/1992 Exercício 1990 1991 1991 1992 1992 1992 Período de Apuração 1989 1990 1990 1991 1991 1991 Valor Receita/ Principal 105.975.540,68 499.766.138,67 1.514.721.020,18 5.529.320.445,00 1.098.012.539,00 1.16.582.473,00 Valor da Multa Valor do Juros Valor Total 105.975.540,68 499.766.138,67 1.514.721.020,18 5.529.320.445,00 1.098.012.539,00 1.16.582.473,00 Banco/Agência 008/0187 294/0001 282/0024 104/0434 104/0434 001/3218 Arquivamento 00990308902 01260201304 00790306800 99110700483 99112900488 99110300999 BDA/ Sequencial 00131 00107 00101 00141 00102 00111 15 Intimação DRF/CCI/SEORT Nº 0786/2012 A contribuinte foi intimada, em 17/04/12, a apresentar esclarecimentos quanto à apuração e utilização do crédito incialmente requerido, evidenciando, mediante planilha e/ou documentação adicional, qual o valor do indébito inicial, quanto julgava este valor na data de cada declaração de compensação apresentadas, bem como a manifestarse quanto eventual utilização dos pagamentos tidos como indevidos em auto compensação previstas na Lei nº 8.393/91. Isto, pois, em relação ao crédito informado nas DCOMP, quanto a de nº 24987.56618.250211.1.3.048269, a contribuinte indica como “Valor Original do Crédito Inicial” o montante de R$ 15.748.623,96 e “Crédito Original na Data de Transmissão” o valor de R$ 15.345.917,77, o que indicava uma utilização da diferença entre tais valores, qual seja R$ 402.706,19 (fls. 551552). Em resposta, a contribuinte informou (fls. 678681 do eprocesso) que os critérios para atualização monetária do seu crédito foram aqueles definidos na decisão do então Conselho de Contribuintes, a saber, os valores indevidamente recolhidos foram atualizados Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 803 11 pela Norma de Execução conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 8 de 27/06/97 e, posteriormente, pela Taxa SELIC. 16 Informação da Agência da RFB em São Jerônimo Em atendimento à requisição da SEORT/DRF/POA/RS (fl. 534), a Agência da RFB em São Jerônimo localizou os processos abaixo transcritos que se encontravam no arquivo GRA/RS, e os quais continham os pagamentos apontados no processo nº 13007.000299/200173: Número do Processo Pagamento Data da Arrecadação 13007.000214/9212 R$ 499.766.138,67 R$ 1.514.721.020,18 29/04/91 30/04/91 13007.000139/9452 R$ 5.529.320.445,00 R$ 1.098.012.539,00 R$ 16.582.473,00 30/04/92 27/05/92 29/05/92 17 Parecer DRF/CCI/SAORT Nº: 067/2012 Foi lavrado Parecer pela Delegacia da SRFB em Camaçari (BA) (fls. 687693 do eprocesso) que concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório em favor da recorrente, no montante de R$ 17.460.945,01, e pela homologação da compensação dos débitos discriminados nas declarações de compensação listadas na tabela do parágrafo 04 Parecer. Os fundamentos foram os seguintes: a) a recorrente efetuou, entre 30/04/90 e 29/05/92, recolhimento a título de ILL, relativamente aos anoscalendários 1989, 1990 e 1991, em 06 DARF’s que em valores da moeda da época somaram Cr$ 8.848.553.089,40; b) os pagamentos que fundamentaram o pedido de restituição originalmente apresentado, foram os seguintes: Item Cód. de Receita Dt. de Venc. Dt. de Arrecadação Valor Pleiteado 1 0764 30/04/1990 30/04/1990 190.150.473,55 2 0764 30/04/1991 29/04/1991 499.766.138,67 3 0764 30/04/1991 30/04/1991 1.514.721.020,18 4 0764 30/04/1992 30/04/1992 5.529.320.445,00 5 0764 29/05/1992 27/05/1992 1.098.012.539,00 6 0764 29/05/1992 29/05/1992 16.582.473,00 Soma em moeda da época 8.48.553.089,40 c) conforme despacho emitido pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/Porto Alegre, foram confirmados os pagamentos listas nos itens 02 a 06, da tabela acima, porém não foi comprovado o recolhimento no valor de R$ 190.150.473,55. A DRF/Porto Alegre apontou, ainda, um recolhimento que possui características idênticas ao pagamento do item 01, da tabela, com exceção do valor, ou seja, foi identificado em pesquisas às microfichas um pagamento diferente daquele, com mesmo código de receita, período de apuração, data de vencimento, mas com o valor de Cr$ 105.975.40,68; Fl. 808DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 12 d) em relação ao recolhimento do item 01, não localizado pela Unidade da RFB competente, a contribuinte juntou aos autos cópia simples do DARF, cópia do “Registro de Perda de Documentos”, emitido pela Secretaria da Justiça e Segurança do Estado do Rio Grande do Sul, e a declaração do agente arrecadador, no caso o Unibanco, que atesta que a “empresa Copesul Companhia Petroquímica do Sul, CNPJ Nº 88.948.482/000192, efetuou o recolhimento, nesta instituição financeira, e, 30.04.90, do tributo com código de receita 0764, no valor de Cr$ 190.150.473,55, autenticação n.º 1058 de 30.04.90”; e) quanto ao critério de correção do crédito a ser restituído/compensado, conforme Acórdão nº 04.00.961, serão utilizados os índices aplicáveis pela RFB, aqueles previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR Nº 08/1997; f) em relação aos pagamentos que vão configurar o indébito tributário, serão considerados todos os pagamentos, inclusive o de Cr$ 190.150.473,55. Entretanto, não considerado o pagamento de Cr$ 105.975.540,68, por ser estranho ao pedido de restituição originalmente apresentado e pela impossibilidade de fazêlo após 21/11/01. Não caberia à Administração o aproveitamento do pagamento de Cr$ 105.975.540,68, para fins de composição do crédito (indébito tributário), uma vez que não presente no pedido de restituição original, tendo sido trazido à baila tão somente com a resposta à intimação, datada de 18/10/2012, sob pena de se proferir decisão extra petita; g) tanto no formulário de Pedido de Restituição, em que a interessada informou como valor da restituição o montante de R$ 41.756.364,02 e afirmou anexar 06 DARF’s que totalizariam Cr$ 8.848.553.089,40, quanto na petição, a contribuinte deixou evidente que o pedido de restituição se fundou em “DARFs em anexo (doc 03)”, que montam, em novembro de 2011, os mesmos R$ 41.756.364,02. A recorrente poderia ter incluído no seu pleito o pagamento no valor de Cr$ 105.975.540,68, pois este constava como lançamento no seu Livro Diário, mas como não o fez a tempo, não poderia mais fazêlo. Tal pagamento, ainda que pudesse ser configurado como indevido, não será considerado no cálculo do indébito; h) em relação as auto compensações, assim entendidas as utilizações dos pagamentos do ILL que a contribuinte promoveu para dedução de débitos da mesma espécie (no caso imposto de renda), no pedido original de restituição, elas não foram consideradas. Somente quando da apresentação das declarações de compensação eletrônicas, a recorrente confessou ter utilizado parte dos pagamentos nas compensações referenciadas nos processos administrativos n.º 13007.000214/9212 e 13007.000139/9452; i) as auto compensações se deram em dois momentos: (i) no processo administrativo nº 13007.000214/9212, em que a contribuinte apurou na sua DIRPJ, como débito do ILL do anocalendário 1990, 12.564.794,55 BTNF e recolheu, a esse título, o montante de 12.619.121,81 BTNF [soma dos pagamentos Cr$ 1.514.721.020,18 (9.479.121,81BTNF) e Cr$ 499.766.138,67(3.140.000,00 BTNF)]. Dessa forma, ficou caracterizado Fl. 809DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 804 13 o recolhimento a maior de ILL no valor de 54.327,26 BTNF, valor esse que foi utilizado nas auto compensações, devendo, portanto, ser excluído do crédito que se pretende utilizar no presente processo; (ii) a contribuinte apurou débito de ILL no valor de 4.514.834,22 UFIR e recolheu 4.709.089,20 UFIR [soma dos pagamentos Cr$ 5.529.320.445,00 (4.025.920,83 UFIR), Cr$ 1.098.012.539,00 (673.305,13 UFIR) e Cr$ 16.582.473,00 (9.863,24 UFIR)]. Igualmente neste caso, restou consignado o recolhimento a maior de ILL no valor de 194.254,98 UFIR, valor esse que foi utilizado nas auto compensações, devendo, portanto, ser excluído do crédito que se pretende utilizar no presente processo; j) para proceder à quantificação do indébito objeto do presente processo, elaborouse a planilha denominada atualização do crédito (fl. 686), cujo valor configurado como indevido a título do ILL é de 17.460.945,01, atualizado até 01/01/1996. Se aplicado a tal valor a taxa SELIC acumulada entre 01/01/1996 e a data do protocolo do pedido de restituição, 21/11/2001, qual seja, 125,91%, atingirseia o montante de R$ 39.446.020,87, razão pela qual estaria configurado como parcialmente reconhecido o crédito pleiteado pela contribuinte (R$ 41.756.364,02), apontado no formulário de fl. 03. 18 Manifestação de Inconformidade Em 18/12/12, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 713731) em decorrência da glosa efetivada no pedido de restituição, a qual afastou o aproveitamento de crédito tributário relativo ao ILL, indevidamente recolhido, em 30/04/90, no montante de Cr$ 105.975.540,68. Apresentou os seguintes argumentos: a) com a finalidade de afastar o pedido de restituição objeto do valor ora debatido, o Parecer recorrido aduz que o recolhimento realizado em 30/04/90, no montante de Cr$ 105.975.540,68, não fez parte do pedido de restituição manejado pela recorrente, embora o mesmo abrangesse, conforme referido pela própria Fiscalização no item “30” do Parecer, o reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento indevido do ILL no período compreendido entre 1990 e 1992, relativo aos períodos de 1989 a 1991; b) a legislação que à época permitia a restituição de tributos indevidamente recolhidos, não exigia que ao pedido fosse anexada a memória de cálculo dos valores requeridos, bem como o comprovante de recolhimento do imposto reclamado; c) a SRF extrapolou sua competência regulatória, pois “legislou” sobre a matéria de compensação/restituição, criando novas limitações para aplicação deste instituto, que por sua vez não estão previstas na legislação complementar e ordinária, que disciplinam o assunto, não restando dúvidas de que a Instrução Normativa nº 21/97 sofre de flagrante vício de legalidade, eis que, na forma do art. 99 do CTN, o conteúdo do alcance dos decretos (e outras normas complementares) restringese aos das leis em função das quais são expedidos; Fl. 810DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 14 d) o art. 6º da IN SRF nº 21/97, ao impor limitações ao direito conferido à contribuinte, de pedir a restituição e a compensação de tributos administrados pela RFB, afronta o princípio da hierarquia das normas, de modo que é evidentemente nula e inaplicável quanto aos seus dispositivos que extrapolam aquilo que permitido em lei, sendo que considerar o referido art. 6º legal, resultaria em uma visível afronta ao princípio da legalidade estrita (arts. 5º, II, 59, 60, § 4º, II, III IV, e 150, I, da CF); e) não só o corpo do pedido de restituição da recorrente refere que ela efetuou o recolhimento do ILL, instituído pelo art. 35 da Lei nº 7.713/88, no período compreendido entre 1990 e 1992, referente aos períodosbase 1898,1990 e 1991 (pedido de restituição, I, DOS FATOS), como também restou devidamente formalizado, ao final da petição, o reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento indevido do ILL; f) desde que comprovado o recolhimento glosado pela Delegacia da RFB em Camaçari (montante de Cr$ 105.975.540,68, recolhido em 30/04/90), não restam dúvidas quanto ao direito da recorrente; g) a existência do recolhimento indevido de ILL, no montante de Cr$ 105.975.540,68, recolhido em 30/04/90, foi primeiramente comprovada quando da apresentação dos documentos que instruíram o pedido de restituição manejado; anexado o Termo de Abertura e Enceramento do seu Livro Diário do ano de 1990, assim como a sua página 485, que comprova a existência de dois recolhimentos a título de ILL em 30/04/90, um primeiro no valor de Cr$ 105.975.540,68, e um segundo no montante de Cr$ 190.150.473,55; h) foram iniciados os procedimentos para verificar a efetividade dos recolhimentos do ILL realizados pela recorrente, quando então o processo foi enviado para a DRF/Porto Alegre, que confirmou o pagamento do valor ora controvertido, como resta claro no Parecer recorrido, o qual aduz que: “Digase que no trabalho de comprovação de pagamentos, a DRF/Porto Alegre aponta um recolhimento que possui características idênticas ao pagamento do item 01, da tabela, com exceção do valor. Ou seja, em verdade, foi identificado em pesquisas à microfichas um pagamento diferente daquele, com mesmo código de receita, período de apuração, data de vencimento, mas com o valor de Cr$ 105.975.540,68”; i) o Parecer contesta efetiva a glosa do valor de Cr$ 105.975.540,68, ao confirmar que o mesmo consta dos livros fiscais da recorrente, quando aduz “E mais, o contribuinte poderia ter incluído no seu pleito o pagamento do valor de Cr$ 105.975.540,68, uma vez que este constava como lançamento no se Livro Diário (vide fl. 82)”. Portanto, é a própria unidade da Receita Federal, responsável por jurisdicionar a recorrente à época dos fatos havidos, quem confere autenticidade ao recolhimento efetivado, não havendo o que se falar, portanto, sobre eventual ausência de comprovação quanto ao mesmo; j) consoante jurisprudência do CARF, quando a prova é produzida, ou como no caso ora analisado, confirmada pelo próprio órgão que analisa o pedido, não há o que se falar sobre a necessidade de recair o ônus da mesma sobre a contribuinte. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 805 15 k) havendo o reconhecimento, de parte da SRFB, do crédito tributário reclamado, não restam dúvidas, quanto a sua liquidez e certeza; l) o modo de agir da fiscalização, ao reconhecer a existência do recolhimento indevido do ILL em 30/04/90, no montante de Cr$ 105.975.540,68, mas, ao mesmo tempo, negar a restituição dos valores em razão de mera formalidade prevista em IN que encontrase eivada de flagrante ilegalidade, caracteriza verdadeira violação ao princípio da moralidade administrativa, ao qual a Administração Pública está vinculada; 19 Acórdão de Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ/SDR, em 22/05/13, julgou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente (fls. 763765). Os fundamentos foram os seguintes: a) o questionamento relativo à ilegalidade e constitucionalidade do art. 6º da IN SRF nº 21/97, que disciplinava a formalização dos pedidos de restituição referentes a indébito tributário, tratase de matéria reservada ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada na via administrativa; b) de acordo com o art. 6º da IN SRF nº 21/97, a restituição estava condicionada a requerimento da contribuinte, devidamente acompanhado dos comprovantes de pagamento ou recolhimento e de demonstrativo de cálculos. O pagamento em questão, no valor de Cr$ 105.975.540,68, efetuado em 30/04/90, não constou no pedido de restituição, nem foi acostado inicialmente aos autos com os DARF. Portanto, é certo que a restituição do referido pagamento não constou do pleito original; c) a restituição em questão somente foi requerida pela contribuinte por via transversa, em 18/10/12, ao incluir o citado pagamento no demonstrativo constante na resposta à intimação. Portanto, incabível a restituição pretendida, uma vez que requerida após o decurso do prazo decadencial já estabelecido por decisão administrativa de última instância. 20 Recurso Voluntário Notificada da decisão em 07/06/13, a recorrente, não satisfeita com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls. 774794) em 19/06/13, reiterando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 16 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Em diligência efetuada junto à DRF de Porto Alegre, foi identificado, em pesquisas às microfichas, outro pagamento indevido, além daqueles constantes nas DARFS apresentadas pela recorrente, com o mesmo código de receita (0764) e dentro do período compreendido pelo pedido de restituição (entre 1990 e 1992). Os dados de tal pagamento podem ser vislumbrados na primeira coluna da tabela abaixo: Pagamento 1 Pagamento 2 Pagamento 3 Pagamento 4 Pagamento 5 Pagamento 6 Código da Receita 0764 0764 0764 0764 0764 0764 Data de Arrecadação 30/04/1990 29/04/1990 30/04/1991 30/04/1992 27/05/1992 29/05/1992 Data de Vencimento 30/04/1990 30/04/1990 30/04/1991 30/04/1992 29/05/1992 29/05/1992 Exercício 1990 1991 1991 1992 1992 1992 Período de Apuração 1989 1990 1990 1991 1991 1991 Valor Receita/ Principal 105.975.540,68 499.766.138,67 1.514.721.020,18 5.529.320.445,00 1.098.012.539,00 1.16.582.473,00 Valor da Multa Valor do Juros Valor Total 105.975.540,68 499.766.138,67 1.514.721.020,18 5.529.320.445,00 1.098.012.539,00 1.16.582.473,00 Banco/Agência 008/0187 294/0001 282/0024 104/0434 104/0434 001/3218 Arquivamento 00990308902 01260201304 00790306800 99110700483 99112900488 99110300999 BDA/ Sequencial 00131 00107 00101 00141 00102 00111 A controvérsia ora analisada por ser sintetizada do seguinte modo: a) a decisão recorrida entende que, embora seja pagamento indevido no período compreendido entre 1990 e 19992, o valor de Cr$ 105.975.540,68, identificado pela Administração Fazendária em diligência, não pode ser restituído ao contribuinte, porquanto a respectiva DARF não foi referida no pedido de restituição; b) a recorrente, de sua vez, sustenta que o valor de Cr$ 105.975.540,68 diz respeito a pagamento indevido realizado no período de 1990 a 1992 e, como tal, deve ser restituído. Aduz que, uma vez comprovada e atestada, de ofício, a existência de pagamento indevido, a restituição não pode ser afastada. Entendo que assiste razão à recorrente. A um, porque a simples leitura atenta do formulário preenchido pela recorrente (campo 2) revela claramente o âmbito da sua pretensão (fl. 03 do eprocesso): Fl. 813DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 806 17 Recolhimento indevido de ILL, face à declaração de inconstitucionalidade pelo STF do art. 35 da Lei nº 7.713/88 e à suspensão da sua execução pela Resolução do Senado nº 82/96,conforme razões em anexo Nas razões em anexo ao formulário, a recorrente reiterou seu pedido, abaixo reproduzido (fl.14 do eprocesso): III DO PEDIDO Diante o exposto, requer: 1. o reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento indevido de ILL no período compreendido entre 1990 e 1992, relativo aos períodosbase 1989 a 1991; assim como, 2. a restituição dos valores indevidamente recolhidos, corrigidos monetariamente desde o recolhimento indevido, mediante a aplicação do BTN (até fevereiro/1991), do INPC (até dezembro/1991), da UFIR (até dezembro/1995) e da Taxa SELIC (a partir de janeiro/1996), com a inclusão dos expurgos inflacionários de abril de 1990 (44,80%), maio de 1990 (7,87%) e fevereiro de 1991 (21,86%). Não há que se falar, destarte, sequer em antinomia entre o formulário e o pedido, pois ambos convergem à mesma pretensão, sendo que o primeiro refere o segundo e o segundo esclarece o primeiro. A dois, porque a localização de documento representando por guia de recolhimento indevido, além das anexadas pelo contribuinte, dentro do período por ele pleiteado, atende fielmente à determinação contida no art. 37 da Lei 9784/99, abaixo reproduzido: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. É notório que os pagamentos indevidos realizados pelo contribuinte estão arquivados na Administração Fazendária, sendo sua comprovação de ofício parte indissociável de um procedimento regido pela verdade material, conforme precisos apontamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello e de Hely Lopes Meirelles, abaixo transcritos, que encontram aplicação didática ao caso em tela: Consiste em que a administração, ao invés de ficar adstrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado, como bem o diz Hector Jorge Escola. Nada imposta, pois que a parte aceite como verdadeiro algo que não é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a verdade substancial. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO 18 (MELLO, Celso Antonio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 28ª edição. São Paulo: Malheiros, 2011. p.306) O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a administração a valerse de qualquer prova que a autoridade julgadora ou processante tenha conhecimento, desde que a faça transladar para o processo. É a busca em contraste com a verdade material. Enquanto nos processo judiciais o Juiz deve cingirse às provas indicadas no devido tempo pelas partes, no processo administrativo a autoridade processante ou julgadora pode, até o julgamento final, conhecer de novas provas, ainda que produzidas em outro processo ou decorrentes de fatos supervenientes que comprovem as alegações em tela. (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 37ª edição. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p.581). A três, porque a diligência serve tanto para mitigar o direito subjetivo do contribuinte (glosando valores a serem restituídos, por exemplo) como para assegurar o pleno exercício do direito subjetivo ao indébito. Pensamento contrário faria tábula rasa da moralidade, estampada tanto no art. 37 da CF/88, como no art. 2º da Lei nº 9.784/99. Uma vez que a própria Administração reconhece o pagamento decorrente de lei inválida, se espera lisura e transparência da mesma, ou seja, que restitua o valor à recorrente, sob pena de enriquecimento sem causa, cuja vedação encontrase positivada no ordenamento jurídico brasileiro no art. 37 da Constituição Federal, como aponta Celso Bandeira de Mello (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. O princípio do enriquecimento sem causa em direito administrativo. Revista Eletrônica de Direito Administrativo Econômico – REDAE. Salvador, n. 5, fevabr. 2006). Embora configure enunciado dotado de alta densidade normativa e axiológica, a moralidade – expressamente ressaltada pelo art. 37, caput, da Constituição Federal – constitui inquestionável raiz constitucional que assegura o indébito tributário. Apesar da elasticidade semântica desse Princípio e da respectiva subjetividade (a atribuição do predicado moral ou imoral é fortemente influenciada pela ideologia), podese afirmar que há casos facilmente enquadrados na zona de claridade desse conceito (moralidade) e casos dele excluídos, situados na zona escura. Entre esses últimos, certamente está à conduta representada pela apropriação de parcela do patrimônio e riqueza dos contribuintes em desacordo com as regras do jogo (fixadas pela Constituição e pela legislação infraconstitucional), cumulada com a negativa de restabelecimento do status quo ante (realização do indébito), a partir de um argumento de autoridade estatal. A interpretação que, a partir do art. 6º da IN 21/97, resulta na vedação da restituição de valor identificado pela Fazenda como pagamento indevido, dentro do período objeto da restituição formulada pelo contribuinte, não pode subsistir. Seja porque significaria afronta à legalidade formal fixando requisito ao exercício de um direito não previsto nos comandos legais que lhe serviam de fundamento de validade (CTN arts. 168 e 170 e Lei nº 8.383/91, art. 66); seja porque materializa afronta à proporcionalidade, pois os documentos comprovatórios exigidos pela Instrução Normativa (comprovante de recolhimento) tiveram sua finalidade suprida pela diligência realizada pela Fazenda. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13007.000299/200173 Acórdão n.º 2202002.883 S2C2T2 Fl. 807 19 Ademais, saliento que não é correto afirmar que a contribuinte não requereu a restituição do valor “descoberto” pela fiscalização, pois o petitório do requerimento de restituição do ILL protocolado pela recorrente é claro ao requerer o reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento indevido de ILL no período compreendido entre 1990 e 1992, relativo aos períodosbase 1989 a 1991, que engloba o pagamento de Cr$ 105.975.540,68, conforme informação da própria fiscalização (fl. 11), de forma que a ausência de comprovante do pagamento do valor referido é suprida pela comprovação, por parte da fiscalização, do efetivo pagamento dos Cr$ 105.975.540,68. Descabe, assim, qualquer argumento no sentido de que o pedido de restituição referente ao montante de Cr$ 105.975.540,68 estaria abrangido pela decadência, pois feito quando da petição inicial do pedido de restituição, considerada tempestiva pela autoridade administrativa. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que seja reconhecido o direito de restituição do contribuinte do montante de Cr$ 105.975.540,68. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 816DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10120.002669/2008-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
O fato de o contribuinte ser portador de miocardiopatia isquêmica do coração não faz prova suficiente de que possui cardiopatia grave apta a ensejar a isenção do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, devendo haver indicação expressa acerca desta última condição em laudo médico oficial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. O fato de o contribuinte ser portador de miocardiopatia isquêmica do coração não faz prova suficiente de que possui cardiopatia grave apta a ensejar a isenção do imposto de renda nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, devendo haver indicação expressa acerca desta última condição em laudo médico oficial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 26 69 /2 00 8- 99 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (BSB) que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.439,56 relativo ao anocalendário 2005 (fls. 6/10). O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos no montante de R$ 55.295,23, sendo observado na respectiva descrição dos fatos: Contribuinte apresentou laudo médico emitido por junta médica datado de 01/10/2007. Portaria de aposentadoria datada de 19/02/1998. Diante dos fatos constatamos omissão de rendimentos. Em sede de impugnação (fls. 2/4), o notificado alegou que retificou a declaração primitiva para considerar isentos por moléstia grave os rendimentos de aposentadoria percebidos, argumentando que as informações médicas colhidas por médico da Agência de Administração do Estado de Goiás demonstram que, há pelo menos sete anos, o contribuinte, aposentado por invalidez, tem direito à isenção prevista na legislação do imposto de renda, juntando nesse sentido o documento de fl. 5. A DRJ/BSB manteve o lançamento (fls. 35/39), sob o entendimento de que a existência de miocardiopatia isquêmica referida pelo documento de fl. 5 não se consubstancia em moléstia grave. O contribuinte, interpôs o recurso voluntário em 4/12/2009 (fls. 45/46), retomando as razões da impugnação e aduzindo, em síntese que: o relatório da "Equipe do Coração" juntado com o recurso atesta que a miocardiopatia isquêmica está contida no conceito de cardiopatia grave (fl. 47); e que os auditores da Receita Federal de Goiás já reconheceram a isenção postulada no tocante aos décimosterceiros de 2003, 2004, 2005 e 2006 (fls. 49/51), conforme decisão que anexa, não se justificando a contradição. Às fls. 64/85 foram, posteriormente, juntados pelo recorrente outros documentos de cunho médico. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10120.002669/200899 Acórdão n.º 2802003.363 S2TE02 Fl. 122 3 com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 O recorrente é aposentado desde 19/2/1998, cingindose a controvérsia à comprovação da condição de portador de moléstia grave. O contribuinte juntou à fl. 5 documento denominado "Solicitação de Aposentadoria por Invalidez", datado de 13/7/2007, e emitido pela Gerência de Saúde e Segurança do Servidor da Agência de Administração do Estado de Goiás, no qual consta diagnóstico médico de que o contribuinte é portador de "Miocardiopatia Isquêmica — CID 10: I.250" há mais ou menos oito anos. No entanto, essa doença não se encontra no rol das moléstias discriminadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, o qual faz referência, isto sim, à condição de portador de cardiopatia grave. A respeito do tema, não vislumbro razões para dissentir do entendimento já consolidado nesta Turma no acórdão de nº 2802001.976 (j. 18/10/2012) e em outros do mesmo jaez, segundo o qual nem toda doença grave do coração é uma cardiopatia grave para efeitos legais. Do minucioso voto de lavra do Presidente deste Colegiado, Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso, colho as seguintes passagens: Tomese como exemplo a patologia infarto agudo do miocárdio que para o leigo e para o paciente é uma doença do coração grave, o que permitiria considerála uma cardiopatia grave. Possivelmente, um cardiologista clínico também a considere uma doença do coração grave, portanto uma cardiopatia grave sob um critério estritamente médico. A II Diretriz Brasileira de Cardiopatia Grave descreve os tópicos importantes que precisam ser valorados para que um infarto agudo do miocárdio forma aguda da cardiopatia isquêmica seja considerado uma cardiopatia grave. Isso evidencia que nem todo infarto agudo do miocárdio é uma cardiopatia grave. No mesmo sentido é a lição extraída do Consenso Nacional Sobre Cardiopatia Grave, com a participação de 40 cardiologistas, em Angra dos Reis, de 02 a 04 de Abril de 1993, no sentido de que as cardiopatias agudas, habitualmente rápidas em sua evolução, podem tornarse crônicas, passando ou não, a caracterizar uma cardiopatia grave, ou evoluir para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como Cardiopatia Grave, com todas as injunções legais. (Disponível em Acesso em 07 Out. 2010.) (...) No mesmo caminho é a orientação do cardiologista Dr. Reinaldo Mano, ao explicar que possuir uma doença cardíaca não significa obrigatoriamente que o paciente tenha uma cardiopatia grave na forma da lei, especialmente porque com o avanço da tecnologia, dos métodos diagnósticos e dos tratamentos, diversas condições cardiológicas antes reconhecidamente causadoras de morte e invalidez, hoje são passíveis de cura, assim, depende do cardiologista a emissão de laudos baseados em escalas objetivas, atualmente constantes de Diretrizes da SBC, tanto para evitar excessos em relação a aposentadorias e benefícios de portadores de cardiopatia, que já se encontram potencialmente tratadas e controladas, quanto para dar amparo a caracterização da cardiopatia grave (Anamnese Cardiológica Situação Laborativa do Paciente, de 13/11/2004, Disponível em Acessoem07Out.2010). No caso concreto deve ser sublinhado, ademais, que os documentos de fl. 47 (relatório da "Equipe do Coração") e de fls. 68/87 (exames e relatórios médicos diversos) são de lavra particular, não se traduzindo em laudo médico oficial nos termos requeridos pela legislação acima reproduzida. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10120.002669/200899 Acórdão n.º 2802003.363 S2TE02 Fl. 123 5 A outro giro, conquanto tenha sido reconhecida pela Delegacia da Receita Federal em Goiânia no bojo do processo nº 10120.000917/200867 o direito à isenção do imposto de renda retido na fonte sobre o 13º salário relativamente ao ano sob análise (fls. 49/51), tal decisão não é suficiente por si só para dar amparo ao pedido do contribuinte veiculado no presente litígio. Este Colegiado é Turma julgadora componente do CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão distinto da Receita Federal do Brasil no âmbito da estrutura do Ministério da Fazenda, não estando submetido na apreciação dos fatos em comento à decisão da precitada DRF, mas sim à legislação de regência, bem como a normas específicas tais como o RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Nesse sentido, é oportuno trazer à colação a Sumula CARF nº 63, aprovada pela Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 29/11/2010, de observância obrigatória para os membros deste Colegiado, na forma do art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10831.012730/2001-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
PERÍODO DE APURAÇÃO: 16/05/1994 a 08/05/1995
DRAWBACK. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
No regime do Drawback - Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório.
RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO.
Numero da decisão: 9303-003.141
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez López votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GEVISA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 16/05/1994 a 08/05/1995 DRAWBACK. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime do Drawback Suspensão o início do prazo para o lançamento é o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o término do regime concessivo, constante no respectivo ato concessório. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Especial. Os Conselheiros Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martinez López votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 01 27 30 /2 00 1- 13 Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Carlos Atulim (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Trata de Recurso Especial de divergência interposto pela PGFN contra o acórdão proferido pelo 3º Conselho de Contribuintes. Eis a ementa: Relator: João Luiz Fregonazzi Acórdão: 30134.594 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 16/05/1994 a 08/05/1995 DRAWBACK DECADÊNCIA A contagem do prazo decadencial para o regime aduaneiro especial denominado Drawback suspensão começa no primeiro dia do ano seguinte ao término do regime. Preliminar acolhida. DRAWBACK COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR. Compete à Receita Federal a aplicação do regime aduaneiro especial denominado drawback, a fiscalização dos tributos incidentes na importação, bem como a verificação do regular cumprimento, pelo importador, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. DRAWBACK PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. Em sede administrativa impera o princípio da livre convicção do julgador, podendo ser indeferidas as perícias diligências consideradas desnecessárias. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. No caso em tela, o Ato Concessório n° 005294/0639, de 25/04/1994, foi prorrogado até 22 de outubro de 1995, conforme aditivo ao referido ato concessório, cópia as fls. 295. A Fazenda Nacional recorreu da decisão registrando que o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente do regime de Drawback é consagrado no art. 173, inciso I do CTN, cuja contagem só pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador do benefício. Assim, a discussão que se trava no presente Recurso Especial interposto pela PGFN é saber qual o termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo decadência para a Fazenda Pública exercer o direito de exigir créditos tributários não pagos, com relação a benefícios vinculados ao regime aduaneiro de Drawback suspensão. No caso em tela, o Ato Concessório n° 005294/0639, de 25/04/1994, foi prorrogado até 22 de outubro de 1995, conforme aditivo ao referido ato concessório, cópia as fls. 295. Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10831.012730/200113 Acórdão n.º 9303003.141 CSRFT3 Fl. 996 3 É o relatório Voto O recurso da PGFN atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. A discussão que se trava no presente Recurso Especial interposto pela PGFN é saber qual o termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo dedecadência para a Fazenda Pública exercer o direito de exigir créditos tributários não pagos, com relação a benefícios vinculados ao regime aduaneiro de Drawback suspensão. O CTN preceitua duas formas para se contar o prazo decadencial, na primeira delas o termo de início deve coincidir com data de ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e, na segunda, o termo inicial é o 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda houver sido verificada a existência de dolo, fraude ou simulação, por parte do sujeito passivo. Nesse caso, não há que se falar em pagamento ou não. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e Fl. 4152DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Fl. 4153DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10831.012730/200113 Acórdão n.º 9303003.141 CSRFT3 Fl. 997 5 O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Feita a explanação conceitual, passemos agora a análise detalhada do caso in concreto. Estando claro que devemos aplicar ao caso o art. 173, I do CTN, posto não haver pagamento, ainda cabe uma discussão acerca do termo inicial em caso de drawback suspensão. Nos parece lógico que o prazo se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao Fl. 4154DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 que a fiscalização poderia efetuar o lançamento, já que não houve qualquer tipo de recolhimento, até porque os tributos se encontravam com a exibilidade suspensa.. Ora, o fisco somente pode agir (lançar) trinta dias depois do término do prazo suspensivo. É impossível, juridicamente falando, a autoridade fiscal efetuar um lançamento sem saber se ocorreu o fato gerador, ou seja, o descumprimento do regime. Tal fato fere a lógica jurídica mais elementar. Pelo texto legal do CTN podese depreender que houve uma condição suspensiva que é a concessão do regime. Ocorre o fato gerador quando se deixa de cumprir o regime, o que somente pode ser aferido após o término do regime. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II – tratandose da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I – sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II – sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Notas: teor dos artigos 121 e seguintes do Novo Código Civil Brasileiro, que tratam dessa questão das condições, como se segue: Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. Art. 123. Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados: I as condições física ou juridicamente impossíveis, quando suspensivas; II as condições ilícitas, ou de fazer coisa ilícita; Fl. 4155DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10831.012730/200113 Acórdão n.º 9303003.141 CSRFT3 Fl. 998 7 III as condições incompreensíveis ou contraditórias. Art. 124. Têmse por inexistentes as condições impossíveis, quando resolutivas, e as de não fazer coisa impossível. Art. 125. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. Art. 126. Se alguém dispuser de uma coisa sob condição suspensiva, e, pendente esta, fizer quanto àquela novas disposições, estas não terão valor, realizada a condição, se com ela forem incompatíveis. Art. 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. Art. 128. Sobrevindo a condição resolutiva, extinguese, para todos os efeitos, o direito a que ela se opõe; mas, se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica, a sua realização, salvo disposição em contrário, não tem eficácia quanto aos atos já praticados, desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boafé. O parecer Cosit nº 53/99, segue a mesma linha: “7.1 De conformidade com os arts. 1º e 23 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, regulamentados pelos arts. 86 e 87, inciso I, alínea “a”, do Regulamento Aduaneiro, o fato gerador do Imposto de Importação (II) é a entrada da mercadoria estrangeira no território nacional, considerandose ocorrido o fato gerador, para efeito de cálculo dos impostos, na data do registro da Declaração de Importação DI. Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de acordo com o art. 32, inciso I, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI), o fato gerador ocorre na data do desembaraço aduaneiro da mercadoria. 7.2 Segundo o art. 112 do RA matriz legal: art. 27 do Decreto lei nº 37, de 1966 , para fins de pagamento do II, a data do vencimento é a data do registro da DI, sendo que, no caso do IPI, nos termos do art.185, inciso I, do RIPI, o imposto deverá ser recolhido antes da saída do produto da repartição aduaneira que processar o despacho. 7.3 Em cumprimento ao disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento do imposto reportase à data da ocorrência do fato gerador, assim, inadimplido o compromisso de exportação, os acréscimos legais referentes ao II serão calculados a partir da data do registro da DI, e, para o IPI, a contagem de prazo, para fins dos acréscimos legais, terá como termo inicial a data do desembaraço aduaneiro das mercadorias. Fl. 4156DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 7.4 Quanto à contagem do prazo, para efeitos de decadência, observese que o Código Tributário Nacional, arts. 150, § 4º, e 173, fixa o prazo decadencial em cinco anos, e a doutrina, em geral, confirma, para todas as modalidades de lançamento a que esteja sujeito o tributo, variando contudo o termo inicial que se vincula à ciência da Fazenda Pública da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Portanto, com exceção da hipótese prevista no inciso II do art. 173 do CTN, o prazo qüinqüenal começará a fluir após o conhecimento, pelo fisco, da prática, pelo sujeito passivo, do fato imponível. 7.5 No drawback, modalidade suspensão, por ser um incentivo fiscal concedido sob condição resolutiva, não adimplido o compromisso de exportação, embora o fato gerador ocorra na data do registro da DI do respectivo despacho aduaneiro, o pagamento do crédito correspondente somente será exigido do beneficiário, após constada a sua inadimplência em relação ao compromisso de exportação assumido.(grifei). 7.6 Os créditos tributários exigíveis em decorrência de inadimplência do compromisso de exportação serão lançados somente após o vencimento do prazo para a exportação das mercadorias admitidas no regime de drawback, e não no momento do registro das DIs. E, de acordo com o art. 138 do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pelo art. 4º do Decretolei nº 2.472, de 1988, c/c o entendimento emanado do Parecer (Normativo) Cosit nº 9/1994, itens 9 e 10, se inadimplido o compromisso de exportar, o prazo decadencial no regime de drawback, modalidade suspensão, será contado a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da data do recebimento do Relatório (final) de Comprovação do Drawback, emitido pela Secex, que é órgão responsável pelo acompanhamento e a verificação do cumprimento do compromisso de exportação assumido pelo beneficiário do regime, ou seja, terá como termo inicial o 1º dia do ano seguinte ao do recebimento, pela SRF, do citado Relatório”.(grifei) A única questão trazida a apreciação deste colegiado é a decadência, mais precisamente, qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial. O acórdão recorrido considerou que a contagem do prazo decadencial para o regime aduaneiro especial denominado Drawback suspensão começa no primeiro dia do ano seguinte ao término do regime. Por sua vez, a fazenda Nacional requer o provimento do recurso especial por ela proposto, onde defende que o prazo inicial se dê a partir do "primeiro ano do exercício seguinte ao do recebimento do Relatório de Comprovação de Drawback, emitido pela SECEX e encaminhado SRF". No presente caso, o término do regime se deu no fim do prazo para exportação, que foi em 22 de outubro de 1995, já que, o Ato Concessório n° 005294/0639, de 25/04/1994, foi prorrogado até esta data, conforme aditivo ao referido ato concessório, cópia as fls. 295. Assim, a fazenda nacional poderia fazer o lançamento a partir de trinta dias após o fim do regime. Somente a partir daí ficaria configurada a inadimplência. Fl. 4157DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10831.012730/200113 Acórdão n.º 9303003.141 CSRFT3 Fl. 999 9 Com efeito, a contagem inicial, com base no art. 173, I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado, ou seja, 1º de janeiro de 1996, e a decadência se daria no dia 31 de dezembro de 2000. Como o auto de infração foi lavrado em 21 de dezembro de 2001, constatase que houve a decadência do direito do fisco de proceder ao lançamento. Dessa forma, nego provimento ao recurso da PGFN. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 4158DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 18050.003611/2008-45
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CORREÇÃO DA FALTA. AGRAVANTES. AUSÊNCIA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE.
O contribuinte tem direito à relevação da penalidade aplicada quando demonstrada a correção da falta dentro do prazo de impugnação, a inexistência de circunstâncias agravantes e houver o pedido de relevação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32-A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ewan Teles Aguiar - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: EWAN TELES AGUIAR
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AGRAVANTES. AUSÊNCIA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. O contribuinte tem direito à relevação da penalidade aplicada quando demonstrada a correção da falta dentro do prazo de impugnação, a inexistência de circunstâncias agravantes e houver o pedido de relevação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 36 11 /2 00 8- 45 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, para determinar o recálculo da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ewan Teles Aguiar Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003611/200845 Acórdão n.º 2403002.954 S2C4T3 Fl. 156 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – CATUSSABA HOTEL LTDA contra Acórdão nº 1531.869 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA , que julgou procedente a autuação. O que se discute no recurso em análise é o Auto de Infração identificado pelo DEBCAD nº 37.153.7118, lavrado por descumprimento de obrigação acessória, em nome da empresa acima identificada, em 16/06/2008, por infração aos dispositivos contidos no inciso IV e §§ 3º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, c/c o inciso IV e § 4º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 07 a 09), a empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP, no período de janeiro a dezembro de 2004, com informações não correspondentes à totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária. O relatório menciona que o contribuinte deixou de incluir em GFIP informações relativas às remunerações pagas a autônomo; pro labore pago aos diretores; e outras diferenças encontradas entre os valores das remunerações informados nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP. Estas remunerações foram apuradas e constam da Planilha de Cálculo da Multa (fls. 16), salários de contribuição não declarados em GFIP, em anexo ao Relatório Fiscal da Multa (fls.10 a 15). A planilha de fls. 68 a 77 relaciona, competência por competência, a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais que não foi declarada em GFIP. Informa, ainda, o Relatório Fiscal da Infração, que a empresa não realizou inscrição no PAT, por isso todo o gasto com alimentação do seu pessoal, no período da ação fiscal, foi considerado como base de cálculo da contribuição previdenciária e, portanto, saláriodecontribuição. Segundo o Autuante, estes valores deveriam ter sido declarados em GFIP como remuneração dos segurados empregados, somente a parcela in natura recebida de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, não é considerada como base da contribuição previdenciária. Estas remunerações foram apuradas separadamente das demais remunerações e constam da Planilha de Cálculo de Multa, salários de contribuição não declarados em GFIP, em anexo ao referido Relatório Fiscal da Multa, já mencionado. Constatado o não cumprimento da referida obrigação acessória, lavrouse o presente auto de infração. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa enuncia que a multa foi aplicada com base no artigo 284, inciso II e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, valor este atualizado através do que determina a Portaria MPS nº 77, de 11 de março de 2008, resultando no valor de R$ 150.586,80 (cento e cinqüenta mil, quinhentos e oitenta e seis reais e oitenta centavos). Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Conforme esse mesmo relatório, não houve ocorrência de circunstâncias agravantes, previstas no artigo 290 do RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 1999, nem a atenuante prevista no artigo 291 do mesmo Regulamento. O representante legal da empresa foi pessoalmente cientificado da autuação em 16/06/2008 (fl. 01), apresentando, tempestivamente, impugnação em que pede relevação da multa aplicada, aduzindo, em síntese, que corrigiu a falta pela não declaração do prólabore dos diretores, consoante demonstra documentação acostada no processo e contesta quanto à suposta falha em relação aos valores de alimentação dos empregados. Afirma que esta não existe, pois correta a empresa ao não fazer integrar o valor da alimentação fornecida aos empregados na base de cálculo das contribuições previdenciárias. A recorrente entende que não há razão para a autuação, uma vez que a própria Secretaria da Receita admite que o equívoco da omissão, não comprometeu o recolhimento exato das contribuições previdenciárias, logo, inexiste motivo para aplicação de qualquer multa contra a empresa. Cita e transcreve os arts 32, inciso IV da Lei nº 8212, de 1991, e 225, inciso IV do RPS, dispositivos estes que disciplinam a obrigatoriedade de a empresa informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio da GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, alegando que a simples leitura dos artigos transcritos evidencia que não houve descumprimento pela empresa do quanto preceituado. Considera a empresa absurda a aplicação de multa exorbitante pela simples falta de uma informação, se o próprio órgão fiscalizador afirma que tal erro não comprometeu a quantificação das contribuições previdenciárias. Por outro lado, argúi a Impugnante que promoveu a retificação das suas GFIP relativas às competências de janeiro a dezembro de 2004, com a correção dos dados que deixou de apresentar nas guias anteriores, dentro do prazo regulamentar, o que autoriza seja a multa relevada, nos termos do § 1º do art. 291 do Regulamento da Previdência Social – RPS, ressaltando que é primário e não existem circunstâncias agravantes. Prossegue, alegando que também é equivocada a multa aplicada no que concerne ao valor da alimentação fornecida aos empregados. Argumentando que a alimentação fornecida aos empregados no âmbito da empresa não integra a base de cálculo da cobrança de contribuição previdenciária, independentemente de inscrição no Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT. Argúi que não há qualquer irregularidade no fato da empresa não ter participado do PAT no ano de 2004, assim como inexiste qualquer ilicitude em não ter recolhido contribuição previdenciária sobre a alimentação fornecida aos seus empregados no referido exercício, visto que a alimentação fornecida pela empresa não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Diante do exposto, requer seja julgado IMPROCEDENTE, o Auto de Infração excluindo a multa de R$ 150.586,80 (Cento e cinqüenta mil quinhentos e oitenta e seis reais e oitenta centavos), pelos motivos acima aduzidos. Requer ainda a juntada de comprovantes de declaração das contribuições a recolher à previdência social e outras entidades e fundos por FPAS anexos. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003611/200845 Acórdão n.º 2403002.954 S2C4T3 Fl. 157 5 Quando do julgamento da impugnação pela DRJ Salvador/BA, foi excluída a parte relativa ao PAT, sendo mantida a multa pelo não atendimento da obrigação de declarar em GFIP, no tocante ao pro labore, conforme Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DECLARAÇÃO EM GUIAS DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL (GFIP). OMISSÃO DE FATO GERADOR. Constitui infração à legislação tributária apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO COM FUNDAMENTO EM JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03, de 2011. É revisto de ofício o crédito tributário relativo a auxílio alimentação, lançado sob o fundamento de falta de inscrição no PAT, em razão de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. O Ato Declaratório PGFN nº 03, de 2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílio alimentação pago in natura. CORREÇÃO DA FALTA. AGRAVANTES. AUSÊNCIA. RELEVAÇÃO DA PENALIDADE. O contribuinte tem direito à relevação da penalidade aplicada quando demonstrada a correção da falta dentro do prazo de impugnação, a inexistência de circunstâncias agravantes e houver o pedido de relevação. Intimada da Decisão e persistindo inconformada empresa autuada apresenta Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos trazidos quando de sua impugnação. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ewan Teles Aguiar , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Não há qualquer questão preliminar suscitada pela recorrente. QUANTO AO MÉRITO De acordo com o relatório fiscal, a autuação se deu por ter a empresa apresentado as GFIP das competências janeiro a dezembro de 2004 com informações não correspondentes à totalidade dos fatos geradores. Deixou de informar: as remunerações pagas a autônomo; pro labore pago aos diretores; e diferenças encontradas entre os valores das remunerações informados nas folhas de pagamento e os valores declarados em GFIP; e todo o valor gasto com alimentação do seu pessoal, no período da ação fiscal, que foi considerado como base de cálculo da contribuição previdenciária e, portanto, salário de contribuição. Devese ressaltar, que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, uma vez que à Administração Pública cabe tão somente dar aplicação aos comandos legais. Devese observar que, uma vez surgida a obrigação tributária, com a ocorrência do fato gerador, surge também para a Administração Tributária e seus agentes o dever de autuar, sob pena de responsabilidade funcional, conforme dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Assim, não há como atender a pretensão da recorrente no quanto à relevação da multa por absoluta ausência de previsão legal, visto que a recorrente APENAS retificou a competência 12/2004 e a relevação da multa já lhe fora concedida, quando do julgamento da DRJ, sendo portanto mantidas as multas referentes às competências de janeiro a novembro de 2004. CÁLCULO DA MULTA Contudo, no caso sob exame cabe o recálculo da multa com base no art. 32 A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18050.003611/200845 Acórdão n.º 2403002.954 S2C4T3 Fl. 158 7 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado:(...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso e no Mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, tão somente no que tange ao recálculo da multa. É como voto. Ewan Teles Aguiar Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/03/2 015 por EWAN TELES AGUIAR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000969/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO.
Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presume-se, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CONTRIBUINTE CONSTANDO COMO PAGADOR DA DESPESA NO RECIBO. DESNECESSIDADE DE INDICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. Constando o nome do contribuinte no recibo como pagador da despesa médica que deduziu na Declaração de Ajuste Anual, presumese, à míngua de indícios em sentido contrário, ser ele o beneficiário da prestação do serviço. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 09 69 /2 00 9- 21 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 5.494,36, relativo ao anocalendário 2005. A autuação decorreu da dedução indevida de despesas médicas no total de R$ 9.600,00, "por não se revestir das formalidades legais necessárias e exigidas" (fl. 8). Em sede de impugnação, a contribuinte alegou que “caso a Receita Federal tivesse analisado o documento apresentado pela IMPUGNANTE antes de simplesmente autuá la, teria verificado que o recibo de despesa médica (serviço psicológico) se revestia de todas as formalidades legais exigidas pelo art. 80 do Decreto nº 3.000, de 29.03.1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/99). Para que não haja qualquer dúvida quanto à veracidade de tais informações, a IMPUGNANTE anexa recibo original, assinado e com a firma reconhecida da Psicóloga Martha Lima do Amaral, no valor de R$ 9.600,00 ...” A instância de primeiro grau manteve a autuação, por entender, em resumo, que o recibo de fl. 9 não pode ser aceito para comprovação da dedução pleiteada, por nele não constar a identificação do beneficiário das sessões psicoterápicas. Inconformada, a notificada interpôs recurso voluntário em 13/7/2012, pedindo o cancelamento do auto baseada no entendimento de que o indigitado recibo atende às condições da legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das despesas médicas glosadas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com Fl. 50DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13706.000969/200921 Acórdão n.º 2802003.277 S2TE02 Fl. 50 3 hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) A contribuinte apresentou à fl. 9 recibo da profissional Martha Lima do Amaral, com firma reconhecida, no qual resta assim consignado: Eu, Martha Lima do Amaral, psicóloga, CPF 363 031 94753, CRP 7374, residente na Rua Prudente de Morais, 916 casa 2, Ipanema, Rio de Janeiro, recebi de Stella Sylvia Lima Pelágio, a importância de R$ 9.600,00 (nove mil e seiscentos reais) relativos a serviços profissionais prestados no ano de 2005 (atendimento psicoteripico — duas sessões semanais) sob diagnóstico de F 33 — CID 40. Segundo o teor desse documento,Stella Sylvia Lima Pelágio, a recorrente, foi a pessoa que pagou pelas prestações de serviços ali referidas. Ora, não trilha bom caminho a interpretação adotada pelo julgamento a quo, segundo a qual, além do nome da pessoa física que pagou pelo serviço, deveria necessariamente estar consignado o nome do beneficiário. De uma maneira geral, como é cediço, o recibo emitido pelos prestadores de serviço pessoa física é entregue para os pacientes assim que se dá o pagamento do tratamento ou consulta, sem fazer indicação em separado do beneficiário, até mesmo porque, na maioria das vezes, este se confunde com a própria pessoa que está realizando a quitação. Destarte, à míngua de evidências outras que assim o justifiquem, o nome constante como responsável pelo pagamento deve ser aceito e presumido como sendo o do beneficiário da prestação do serviço a que se refere o recibo, em respeito ao princípio da boa fé que deve reger as relações fiscocontribuinte. Nesse sentido, temse o entendimento da própria Receita Federal do Brasil sobre o tema, consoante espelha a Solução de Consulta Interna nº 23, de 30 de agosto de 2013 (Diário Oficial da União de 10/2/2014), da qual se reproduz a respectiva ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio Fl. 51DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. (grifei) Havendo sido a ausência de indicação do beneficiário no recibo o único fundamento para a manutenção da exigência, consoante asseverado pela instância recorrida, e tendo sido tal óbice superado, nos termos das razões supra, deve ser restabelecida a dedução de despesas médicas no montante de R$ 9.600,00, correspondente ao pagamento efetuado pela contribuinte a Stella Sylvia Lima Pelágio no decorrer do anocalendário 2005. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725894/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2302-000.349
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA.
O análise do presente Recurso Voluntário depende do deslinde do processo nº 11080.008592/2008-47, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples, conforme exposto pela Recorrente.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos processos administrativos, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fez sustentação oral: Jorge Andersen Corte Real CRA/RS 17.904
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O análise do presente Recurso Voluntário depende do deslinde do processo nº 11080.008592/2008-47, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples, conforme exposto pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos processos administrativos, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fez sustentação oral: Jorge Andersen Corte Real CRA/RS 17.904 Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1770; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.725894/201006 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.349 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de novembro de 2014 Assunto Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente ABS BRASIL SOLUCOES EM RELACIONAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O análise do presente Recurso Voluntário depende do deslinde do processo nº 11080.008592/200847, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples, conforme exposto pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos processos administrativos, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES. Fez sustentação oral: Jorge Andersen Corte Real CRA/RS 17.904 Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 25 89 4/ 20 10 -0 6 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725894/201006 Resolução nº 2302000.349 S2C3T2 Fl. 3 2 MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 37.314.5462, consolidado em 30/11/2010, em face da ABS BRASIL SOLUÇÕES EM RELACIONAMENTO LTDA., no valor de R$ 2.172.724,77 (dois milhões, cento e setenta e dois mil, setecentos e vinte e quatro reais e setenta e sete centavos), referente a Contribuições Previdenciárias, parte patronal, sobre remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais e Contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2006 a 13/2008. Segundo o relatório fiscal o contribuinte foi excluído do Simples Federal em 31/07/2008, com efeitos a partir de 01/01/2003, que não é optante pelo Simples Nacional e que nas competências 01/2006 a 13/2008 declarou em GFIP ser optante pelo Simples. E assim sendo, nas GFIPs entregues não restaram declaradas as contribuições da empresa incidentes sobre remuneração de empregados e contribuintes individuais. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2009 AI Debcad nº 37.314.5462 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. ALEGAÇÕES DE NULIDADE. OPÇÃO TÁCITA PELO SIMPLES NACIONAL. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. MULTA. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga à administração impulsionar o processo até sua decisão final, não havendo previsão normativa para sobrestamento de processo administrativo de determinação e exigência de crédito pelo fato de o procedimento de exclusão de empresa do SIMPLES Federal não ter ainda chegado a uma decisão definitiva. A ausência do local, da data e da hora da lavratura, remete às disposições do artigo 60 do PAF, em que as irregularidades, incorreções e omissões que não importam em nulidade serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. O contribuinte não demonstrou que prejuízo teria sofrido na sua defesa com a ausência dos requisitos formais apontados. A empresa excluída do Simples Federal está sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Uma vez excluída do Simples Federal a pessoa jurídica que voltar a reunir todos os requisitos exigidos na legislação somente poderá retornar ao sistema mediante opção expressa, de acordo com o determinado no art. 8º da Lei nº 9.317/1996. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725894/201006 Resolução nº 2302000.349 S2C3T2 Fl. 4 3 A opção tácita pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas dePequeno Porte Simples Nacional independe de manifestação da administração. Não ocorrendo a opção tácita (ou automática), o interessado deveria solicitar sua opção voluntária por meio da internet, no prazo estabelecido na legislação. Não restando comprovados recolhimentos desta empresa para o Simples Federal no período de 01/2006 a 06/2007, é inócuo qualquer pedido de compensação das contribuições previdenciárias englobadas nas guias do Simples Federal. Estando as penalidades aplicadas de acordo com a legislação que rege a matéria, não há alterações a fazer no lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que: O Lançamento é nulo, posto a ilegalidade da exclusão do Simples. E mais, tal Lançamento. está apoiado na pretensa exclusão do Simples formalizada no processo nº 11080.008592/200847 (Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 045, de 31/07/2008), em discussão administrativa, o que impede, ao menos antes do trânsito em julgado daquele processo, que se decida este.. É, portanto, necessário a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado daquele; O lançamento é nulo por cerceamento do direito de defesa. A pendência de decisão do Processo nº 11080.008592/200847 impõe a suspensão deste,e a não suspensão se apresenta como ofensa ao devido processo legal, posto que a decisão poderia ser apresentada como elemento de defesa.. De outra parte, diversas irregularidades formais no presente processo apontam para tal nulidade, pois infringe as disposições do art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, a nulidade decorre, ainda, do enquadramento legal informado no auto de infração Lei nº 8.212/1991, art. 32, parágrafo 5º já revogado pela Lei nº 11.941/2009. Além disso, incompreensível se apresente a descrição dos fatos, pois o auto de infração não permite à litigante inferir a razão que levou o fisco a exigir a multa em relação a determinados meses de 2006 e 2007, já que a exclusão é em 2008; Os débitos ora lançados são ilegais, posto que a empresa cumpriu com suas responsabilidades tributárias principais e acessórias ao adotar como tributação o Simples. Também, o fisco agiu como se a exclusão do Simples, no caso por supostas infrações à legislação em 2003, 2004 e 2005, produzisse efeitos por tempo indeterminado. Alega que as supostas infrações à legislação tributária, que culminaram no ADE, produziriam efeitos excludentes somente para aqueles anos, de modo que a partir de 2006 a empresa poderia ser tributada pelo Simples. Que seria inadmissível exigirse a reinclusão no Simples para os anos posteriores, uma vez que a exclusão, até a presente data sequer foi julgada no Primeiro Grau; O procedimento fiscal merece reparos por equivoco na quantificação dos valores das contribuições exigidas, inconteste é que há créditos a compensar, e, dessa forma, caso não se acolha a nulidade argüida, deve o processo retornar aos Auditores para que sejam demonstrados os recolhimentos e efetuadas as devidas compensações. As penalidades devem ser declaradas insubsistentes por ser imprópria a fundamentação legal e imprópria a quantificação das multas. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725894/201006 Resolução nº 2302000.349 S2C3T2 Fl. 5 4 Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da conversão em diligência Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de não ter a Recorrente recolhido as Contribuições Previdenciárias, parte patronal, sobre remuneração paga, devida ou creditada a segurados empregados e contribuintes individuais e Contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Alega a recorrente que o Lançamento, ora discutido, está apoiado na pretensa exclusão do Simples formalizada no processo nº 11080.008592/200847 (Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 045, de 31/07/2008), o qual se encontra em discussão administrativa, o que impede, ao menos antes do trânsito em julgado daquele processo, que se decida este. Em relação ao processo supra mencionado, verificouse, através dos sítio eletrônico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que esse, de fato, se apresenta pendente de julgamento, tendo a 2ª Turma, da 4ª Câmara, em sessão realizada na data de 06.11.2012, decidido, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte em diligência, para análise cuidadosa de novos documentos comprobatórios do direito que alega o contribuinte possuir.. Diante do exposto, e por entender que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia Turma, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se aguarde o deslinde do processo nº 11080.008592/200847, o qual está apoiado na formalização da pretensa exclusão do Simples. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso, e determino A CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que se aguarde o deslinde do processo nº 11080.008592/200847 (Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 045, de 31/07/2008), ante a possibilidade de sua decisão surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 11080.725894/201006 Resolução nº 2302000.349 S2C3T2 Fl. 6 5 É como voto. Sala das Sessões, em 04 de novembro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 8/02/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10925.000402/2003-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001
Ementa.
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ABRANGÊNCIA. SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS.
A entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-003.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial apresentado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ABRANGÊNCIA. SERVIÇOS CONTRAPRESTACIONAIS. A entidade beneficente de assistência social faz jus à isenção da Cofins, que abrange inclusive a receita oriunda de serviços contraprestacionais relacionados com o seu objeto social. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial apresentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 02 /2 00 3- 97 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório A turma julgadora de primeira instância assim descreveu os fatos: Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte MG. Informa o relatório da decisão recorrida que a interessada apresentou pedido de "restituição de valores retidos a título de Cofins, pelo Ministério da Saúde, por intermédio do Fundo Nacional de Saúde, incidente sobre os pagamentos efetuados pela prestação de serviços hospitalares, sob o argumento de tratarse entidade beneficente”. Informa, ainda, que "Tal solicitação foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, Despacho Decisório de fls. 62/65, sendo indeferida em razão de os serviços prestados possuírem caráter contraprestacional direto". Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade, na qual defendeu sua condição de imune por ser uma instituição beneficente de assistência social. Aduziu, ainda, segundo informa a decisão recorrida, que "O fato de não exercer suas atividades sob a forma exclusivamente gratuita, não interfere em seu caráter de instituição de assistência social, cujo entendimento já vem de longa data na Corte Suprema. Assim, diante da imunidade constitucional, é flagrante a inconstitucionalidade das leis ordinárias que buscam restringir o alcance da garantia constitucional". E mais, "Cita casos semelhantes decididos favoravelmente por várias Delegacias da Receita Federal e, ao finalizar, afirma que o seu direito encontrase previsto nas Instruções Normativas da própria SRF: IN Conjunta SRFSTNSFC nº 2, de 29/01/1997; IN Conjunta SRFSTNSFC n" 4, de 18/08/1997; e IN SRF/STN/SFC SRF n° 23, de 02/03/2001". Analisando os argumentos de defesa, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2001 Ementa: Entidade Beneficente de Assistência Social – Atividades Próprias. Após a edição da Lei nº 9.718, de 1998, a Cofins incide sobre as receitas não decorrentes das atividades próprias das entidades beneficentes de assistência social. Solicitação deferida em Parte". Intimada para conhecer da decisão em 26/09/2005, a interessada apresentou em 03/10/2005 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes manifestando a sua Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.000402/200397 Acórdão n.º 9303003.187 CSRFT3 Fl. 288 3 inconformidade com a parte do acórdão que lhe foi desfavorável, repisando os argumentos apresentados na primeira instância, e mais, que é entidade sem fins lucrativos, de assistência social voltada à prestação de serviço público na área da saúde. Defende sua condição de imune, conferida pela Constituição Federal nos arts. 150 e 195. O processo foi devidamente instruído com a documentação que demonstra seu caráter assistencial, de vez que o pedido foi deferido em parte, sendo negado, exclusivamente, em face da alteração normativa introduzida pela Lei n2 9.718/98, a qual o julgador entendeu haver limitado o direito à isenção somente quanto às receitas decorrentes de atividades próprias e que a autoridade tributária restringiu indevidamente o conceito do que sejam atividades próprias de uma entidade sem fins lucrativos. Alega cumprir todas as exigências legais para se enquadrar na condição de isenta. Reportase ao § 72 do art. 195 e art. 146, II, ambos da Constituição Federal, para alicerçar sua tese. E que, na ausência de lei complementar, os arts. 9º e 14 do Código Tributário Nacional — CTN supriram a necessidade de novas diretrizes legais. Discorre acerca do conceito de entidades sem fins lucrativos e a previsão constitucional da participação das mesmas, de forma complementar, do sistema único de saúde. Aduz que as ações de saúde estão previstas nos arts. 196, 197 e § 1º do art. 199 da Carta Magna, como sendo de assistência social e relevância pública. Cita precedente do Supremo Tribunal Federal e de outras unidades da Secretaria da Receita Federal que em casos semelhantes deferiram o pedido de restituição. Por fim, requer a reforma da decisão recorrida aplicandose a imunidade tributária constitucional com imediata restituição dos valores. Requer também a expedição da intimação aos procuradores. Julgando o feito, o colegiado de primeira instância indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgamento assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO TARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 ISENÇÃO. ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS. O Supremo Tribunal Federal definiu em Ação Direta de Inconstitucionalidade o conceito de receitas próprias das entidades filantrópicas e sem fins lucrativos. Recurso provido.. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Inconformada com a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão sob os seguintes argumentos: 1) a contribuinte não faz jus à isenção da Cofins, pois o conceito de receitas relativas às atividades próprias não envolve contraprestação financeira por serviço realizado. Essa é a única dicção possível do art. 13, III c/c art. 14, X, da MP nº 2.158 35/2001. É dizer: receitas contraprestacionais não são isentas, prevalecendo a disciplina na IN SRF ns. 247/2002; 2) saúde é conceito que, à luz da Constituição Federal não se confunde com assistência social. Logo, é de se inferir que serviços hospitalares remunerados não configuram assistência social e, nesse passo, não estão diretamente abarcados pelo art. 195, §7° da CF. Esse tipo de entidade, seja de saúde ou de educação, está, quando muito, abrangida pela isenção, isto se, logicamente, observar as demais exigências legislativas; 3) a r. decisão recorrida violou o art. 55 da Lei na. 8.212/91, bem como o paradigma que determina a sua aplicabilidade, haja vista que a contribuinte não atendeu a todos os requisitos esculpidos no dispositivo e que são necessários à fruição de imunidade. In casu, não foi apresentado o CEBAS, e nem tampouco foram obedecidos os incisos IV e V da citada norma, os quais determinam, respectivamente, a comprovação de que os diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não percebam remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título e, ainda, que se aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividade; 4) A decisão do Supremo Tribunal Federal na ADI nº. 20285 não influi no deslinde da controvérsia destes autos, valendo realçar que se trata de provimento acautelatório, que, além de tudo, não determinou a suspensão da eficácia dos dispositivos ora enfocados. O recurso foi admitido nos termos do despacho nº 3307.129, de 07 de junho de 2011. O sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e observa os demais requisitos de admissibilidade de forma que delo conheço e passo ao mérito. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.000402/200397 Acórdão n.º 9303003.187 CSRFT3 Fl. 289 5 A teor do relatado, a questão trazida no recurso especial diz respeito à análise da natureza jurídica das receitas obtidas pela entidade beneficente e o enquadramento como receitas próprias de sua atividade. Pela decisão recorrida, o sujeito passivo tem direito à restituição dos valores retidos da Cofins obtidos pela prestação de serviço. Já a PGFN alega que o caráter contraprestacional afasta a isenção da exação, o que acarretaria o indeferimento do pedido de restituição por falta de crédito. Assim, o que se discute neste recurso é se receitas com cunho contraprestacional podem ser consideradas como próprias da atividade. Cravada a lide, passo à análise. Esse tema foi enfrentado pelo conselheiro Odassi Guerzoni Filho, com sua costumeira didática, no Acórdão nº 20312738, de 18 de março de 2008, que peço vênia para transcrever e utilizálo como fundamento do voto, verbis: A alegação da recorrente para afastar toda a exigência é a de que estaria amparada pela imunidade prevista no artigo 195 da Constituição Federal, justamente por caracterizarse como entidade beneficente de assistência social. De outro lado, o fisco agarrase ao conceito trazido pelo parágrafo 2º do artigo 47 da IN SRF nº 247, de 21/11/2002, para esclarecer o alcance do disposto no inciso X do artigo 14 da MP 2.15835, de 2001, que dispõem: Art. 14 da MP 2.15835, de 2001: "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13". Art. 47 da IN SRF 247, de 2002: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais". Portanto, tirante a discussão envolvendo o alargamento da base de cálculo da Cofins, que envolve questões acerca da inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que será abordado logo mais adiante, a polêmica gira em torno da tributação ou não das receitas de prestação de serviços auferidas pela entidade, inequivocamente comprovado, uma entidade beneficente de assistência social. Como visto acima, a IN SRF 247, de 2002, explicita o significado da expressão "atividade própria" de modo a não deixar qualquer dúvida, ou seja, são somente as receitas derivadas das doações, contribuições, anuidades ou mensalidades, recebidas dos associados ou mantenedores, ainda assim, desde que sem o caráter contraprestacional direto. Assim, esse julgamento há que decidir se uma entidade beneficente de assistência social, mesmo atendendo a todos os quesitos do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, tem o manto da imunidade desvelado para fazer incidir a Cofins sobre as receitas de caráter contraprestacional. Antes, porém, trarei breves considerações acerca dos dispositivos constitucionais e infralegais que tratam do instituto da imunidade e da isenção, até porque, em suas considerações, a recorrente questiona a validade de lei ordinária tratar do assunto, em vez de lei complementar. Não obstante as diversas correntes doutrinárias e jurisprudenciais sobre o tema, entendo que a regulamentação do artigo 195, § 7º da Constituição Federal se deu por meio do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo esse que ainda padece de ser referendado pelo Supremo Tribunal Federal como tendo sido o adequado a dispor sobre limitações constitucionais ao poder de tributar, em detrimento de uma lei complementar. Registrese aqui que, no julgamento da liminar da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.0285, em que o Tribunal suspendeu os efeitos da alteração procedida pela Lei nº 9.732/98 no referido art. 55, o fez sob o pressuposto de inconstitucionalidade material. Os dispositivos da Lei nº 9.732/98 teriam estabelecido requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade”, nos dizeres da ementa que reproduzo abaixo: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.000402/200397 Acórdão n.º 9303003.187 CSRFT3 Fl. 290 7 o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao não conhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarseia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (STF, Medida Cautelar na ADI nº 2.028, Relator Min. Moreira Alves, julgamento em 11/11/1999, grifos meus). Posteriormente, no Mandado de Injunção nº 605/RJ, julgado em 30/08/2001, o Pleno do STF voltou a admitir a aplicabilidade do art. 55 da Lei no 8.212/91 como norma regulamentadora do § 7o do art. 195 da Constituição. Observese, no voto do Ministro Ilmar Galvão: Dispõe o § 7o do artigo 195 da Constituição Federal: “§ 7o São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Por sua vez, o art. 55 da Lei no 8.212/91, alterado pela Lei no 9.732/98, tem a seguinte redação: (...) Entende a impetrante que a referida lei, por ser ordinária, não poderia “regular o gozo de IMUNIDADES, que, devido ao direito subjetivo constituído, são limitações constitucionais ao poder de tributar”, a serem disciplinadas, no caso, por lei complementar, cuja inexistência justificaria, no seu entender, o exercício do benefício constitucional. O Supremo Tribunal Federal já teve oportunidade de apreciar a questão no julgamento do Mandado de Injunção no 609, relatado pelo Ministro Octavio Gallotti, e objeto de agravo regimental, assim ementado: Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.000402/200397 Acórdão n.º 9303003.187 CSRFT3 Fl. 291 9 “Isenção de contribuição das entidades beneficentes de assistência social para a seguridade social (art. 195, § 7o, da Constituição). Inadmissibilidade do mandado de injunção para tornar viável o exercício desse direito, por não se tratar da falta de norma regulamentadora, mas da argüição de inconstitucionalidade de normas já existentes, causa de pedir incompatível com o uso do instrumento processual previsto no art. 5o, LXXI, da Constituição.” Destacase do voto do eminente Relator a seguinte passagem, que se aplica integralmente à hipótese dos autos: “(...) Na suposta inconstitucionalidade de norma regulamentadora e não na sua falta – como exige a Constituição (art. 5o, LXXI) – reside a causa de pedir da presente ação, de todo incompatível com o pressuposto processual de admissibilidade do mandado de injunção.” Esse entendimento foi mantido no julgamento do Mandado de Injunção no 608, Relator Ministro Sepúlveda Pertence, mesmo depois de a Corte deferir medida cautelar, na ADI no 2.028, para suspender provisoriamente a eficácia de parte das disposições legais questionadas pela requerente. Ante o exposto, meu voto julga a impetrante carecedora da ação. Assim, poderemos seguir em frente já considerando a validade do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, porém, com algumas restrições. O artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991 traz os requisitos para que as entidades beneficentes de assistência social possam gozar da isenção da Cofins. São eles: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a criança, adolescentes, idosos e portadores de deficiência. (Para esse inciso, lembrar que sua aplicabilidade encontrase suspensa em face de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal na ADIN 2.0285, de 14/07/1999); IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Os seus parágrafos 3º e 5º definem o que se entende por entidade de assistência social beneficente, qual seja, aquela que preste Fl. 295DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 gratuitamente os benefícios e serviços a quem dela necessitar, e que ofereça e efetivamente preste os serviços ao Sistema Único de Saúde de pelo menos 65%, lembrando que, também por força da citada ADIN 2.0285, referidos dispositivos legais encontram se com sua aplicabilidade suspensa. A Lei nº 9.732 de 11.12.1998, estabelece, em seus artigos. 4º, 5º e 7º, transcritos abaixo, novas condições para a isenção das entidades da área da educação e da saúde. Contudo, a aplicabilidade destes artigos está, também, suspensa pela ADIN mencionada: "Art. 4º As entidades sem fins lucrativos educacionais e as que atendam ao Sistema Único de Saúde, mas não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, gozarão da isenção das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 1991, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a carentes e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial, desde que satisfaçam os requisitos referidos nos incisos I, II, IV e V do art. 55 da citada Lei, na forma do regulamento. Art. 5º O disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, na sua nova redação, e no art. 4º desta Lei terá aplicação a partir da competência abril de 1999. Art. 7º Fica cancelada, a partir de 1º de abril de 1999, toda e qualquer isenção concedida, em caráter geral ou especial, de contribuição para a Seguridade Social em desconformidade com art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, na sua nova redação, ou com o art. 4º desta Lei." Paralelamente a esses dispositivos, a MP 2.15835, de 2001, dispõe, em seu artigo 14 que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. Este, por sua vez, lista as entidades para as quais a regra de incidência do PIS/Pasep se dá sobre a folha de pagamento de salários, dentre as quais, no inciso III, as instituições de assistência social a que se refere o artigo 12 da Lei nº 9.532, de 1997, bem como, no inciso IV, as instituições de caráter filantrópico, recreativo e cultural. No artigo 17 há disposição expressa no sentido de que, para a fruição da isenção da Cofins de que gozam as entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, aplicamse as regras do artigo 55 da Lei n º 8.212, de 1991. E as instituições de assistência social a que se refere o ártico 12 da Lei nº 9.532, de 1997, são aquelas consideradas imunes para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição (imunidade específica para os impostos) quais sejam, a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Nesse mesmo artigo 12 da Lei nº 9.532, de 1997, no seu parágrafo 1º, consta que não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações Fl. 296DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10925.000402/200397 Acórdão n.º 9303003.187 CSRFT3 Fl. 292 11 financeiras de renda fixa ou de renda variável. E, no parágrafo 2º, estão listados os requisitos para o gozo da imunidade por parte dessas instituições, quais sejam: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. O parágrafo 3º desse artigo 12 define o que é uma entidade sem fins lucrativos, ou seja, aquela que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Feitas essas breves considerações sobre a legislação, parto para o enfrentamento da questão propriamente dita, que, como já visto alhures, trata da validade ou não da exigência da Cofins incidente sobre o montante das receitas de prestação de serviços.. Retornando aos autos, as receitas glosadas não foram as mesmas do processo acima citado. Mas isso não é relevante, pois a discussão não paira sobre as receitas propriamente ditas e sim sobre a possibilidade de se descaracterizar a receita como sendo própria da atividade, pelo cunho contraprestacional. O Estatuto Social da recorrente delimita as finalidades da instituição, como sendo prestação se assistência na área da saúde, visando o atendimento de enfermos carentes, da maternidade, da infância, bem como colaborar com os poderes públicos no sentidos de proteção à saúde e profilaxia das doenças. Como dito alhures, as receitas discutidas nestes autos são oriundas de prestação de serviço de saúde. Não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que ditas receitas são valores recebidos por prestação de serviço previsto no objeto da sociedade. Logo, estão isentas da Cofins. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Diante dos fundamentos jurídicos e legais apresentados, não vejo motivos para reformar o acórdão vergastado. Isto posto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres – Relator. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11850.000039/2008-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 02/07/2008
INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA FORMA E PRAZO DETERMINADOS PARA REGISTRO DE CARGA PROCEDENTE DO EXTERIOR NO SISTEMA MANTRA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para registro no Sistema Mantra de carga procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 126 1 125 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11850.000039/200806 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.304 – 1ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2015 Matéria MULTA REGULAMENTARAUTO DE INFRACAOOUTROS IMPOSTOS Recorrente LUFTHANSA CARGO A G Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2008 INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA FORMA E PRAZO DETERMINADOS PARA REGISTRO DE CARGA PROCEDENTE DO EXTERIOR NO SISTEMA MANTRA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O descumprimento da forma e prazo determinados na IN SRF n° 102/94 para registro no Sistema Mantra de carga procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 0. 00 00 39 /2 00 8- 06 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000039/200806 Acórdão n.º 3801005.304 S3TE01 Fl. 127 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre carga, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Conforme se depreende da leitura do Termo de Constatação Fiscal (fls. 06/07), em 30/05/2008, a companhia aérea informou no sistema Mantra a chegada de um volume no vôo GEC8270, amparado pelo Conhecimento Aéreo HAWB 020.8180.6211.3PA8799. Todavia, referido volume somente chegou no vôo GEC8270, em 03106/2008, desacompanhado de qualquer documentação. No intuito de regularizar a situação, em 04/06/2008 a transportadora solicitou a apropriação do volume vinculado a Documento Subsidiário de Identificação de Carga (DSIC) ao Conhecimento de Carga acima citado. Considerando, assim, que as informações sobre a carga discriminada foram prestadas em desacordo com as normas estabelecidas pela IN/SRF n° 102/94, a fiscalização aplicou a multa prevista pela alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n° 37, de 1966. Cientificada do lançamento em 22/07/2008, a contribuinte apresentou impugnação em 20/08/2008 (fls. 19/59), alegando em síntese que; a) como é sabido, no transporte aéreo intemacional de cargas, o agente de cargas, no exterior, é a pessoa responsável pela consolidação dos HAWB's num Conhecimento de Carga Máster e pela entrega à Companhia Aérea responsável pelo transporte dessas mercadorias, já devidamente acondicionadas nas embalagens, e de seus respectivos Conhecimentos de Carga; b) fica evidente, assim, que a Companhia Aérea de Transporte Intemacional informa à Receita Federal os dados das cargas que estão sendo transportadas, com base nas informações a ela passadas pelo Agente de Cargas no exterior; c) à Companhia Aérea, via de regra, não é possivel conferir se os volumes informados pelo Agente de Cargas como transportados naquele vôo, estão de fato dentre as embalagens entregues ao transportador; d) no caso em discussão, a impugnante cumpriu seu dever, a uma, quando informou no Sistema Mantra os dados da carga que seria transportada no primeiro vôo, como a ela informado Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000039/200806 Acórdão n.º 3801005.304 S3TE01 Fl. 128 3 pelo Agente de Cargas; e, a duas, quando, ao tomar ciência de que parte da carga de fato só veio no segundo vôo, tomou de forma diligente todas as providências no sentido de regularizar a situação da carga, entregando à Receita Federal todas as informações necessárias a esclarecer que, a carga que, segundo o Agente de Cargas, seria em sua totalidade transportada no primeiro vôo, de fato, foi enviada em parte no primeiro vôo e, o restante, no segundo vôo; e) logo, a impugnante não deve ser penalizada, justamente por ter prestado as informações sobre a carga, na medida em que solicitou sua apropriação para que fosse corrigido o erro de informação gerado pelo Agente de Cargas; Í) a situação relatada no auto de infração não implicou embaraço à fiscalização nem trouxe qualquer prejuizo ao Erário, visto que foram recolhidos todos os tributos devidos e a carga foi devidamente desembaraçada por AuditorFiscal; g) requer, assim, seja anulado o lançamento, mormente em face da desproporcionalidade e falta de razoabilidade na aplicação da multa, o que a toma injusta e inconstitucional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) julgou improcedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2008 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA. No caso de carga aérea procedente do exterior, constatado que o transportador não prestou as informações no sistema Mantra, na forma e no prazo previstos pela INSRF n° 102/94, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que: Houve inobservância aos princípios da legalidade, razoabilidade e da proporcionalidade quanto ao prazo estipulado e a aplicação de penalidade na razão de R$ 5.000,00 pela incorreção na informação de dados de chegada de volume; Da inexistência de dano ao erário e da aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o Relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000039/200806 Acórdão n.º 3801005.304 S3TE01 Fl. 129 4 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000039/200806 Acórdão n.º 3801005.304 S3TE01 Fl. 130 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta na IN SRF no. 102/94: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 102/94, norma complementar que trata dos procedimentos de controle aduaneiro de carga aérea procedente do exterior e de carga em trânsito pelo território aduaneiro., assim dispunha em seu art. 4º: Art. 4º A carga procedente do exterior será informada, no MANTRA, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador, mediante registro: I da identificação de cada carga e do veículo; II do tratamento imediato a ser dado à carga no aeroporto de chegada; III da localização da carga, quando for o caso, no aeroporto de chegada; IV do recinto alfandegado, no caso de armazenamento de carga; e V da indicação, quando for o caso, de que se trata de embarque total, parcial ou final. § 1º As informações sobre carga procedente do exterior serão apresentadas à unidade local da SRF que jurisdiciona o local de desembarque da carga. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000039/200806 Acórdão n.º 3801005.304 S3TE01 Fl. 131 6 § 2º As informações prestadas posteriormente à chegada efetiva de veículo transportador dependerão de validação pelo AFTN, exceto nos casos de que tratam o parágrafo seguinte e o art. 8º. § 3º As informações sobre carga poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: § 3º Os dados sobre carga já informada poderão ser complementadas através de terminal de computador ligado ao Sistema: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014) I até o registro de chegada do veículo transportador, nos casos em que tenham sido prestadas mediante transferência direta de arquivos de dados; e II até duas horas após o registro de chegada do veículo, nos casos em que tenham sido prestadas através de terminal de computador. § 4º Nos casos de embarque parcial, sua totalização deverá ocorrer dentro de quinze dias seguintes ao da chegada do primeiro embarque. (Grifado) O art. 4º da norma complementar retrocitada estabelece que a carga procedente do exterior deverá ser informada, no MANTRA, que é o sistema de controle informatizado de cargas, pelo transportador ou desconsolidador de carga, previamente à chegada do veículo transportador e os seus incisos de I a V de que forma deverá ser registrada. No caso em tela, conforme relatado, em 30/05/2008, a companhia aérea informou no sistema Mantra a chegada de um volume no vôo GEC8270, amparado pelo Conhecimento Aéreo HAWB 020.8180.6211.3PA8799. Todavia, referido volume somente chegou no vôo GEC8270, em 03106/2008, desacompanhado de qualquer documentação. O que houve é que o transportador ao registrar a carga no primeiro vôo não indicou que se tratava de um embarque parcial, o que gerou a divergência de peso e volumes. Tal informação poderia ser complementada conforme prevê o § 3º do art. 4º da IN SRF n° 102/94, nos prazos ali previstos, o que não ocorreu. Já o segundo vôo a referida carga chegou sem documentação, ensejando a emissão de documento subsidiário de identificação de carga DSIC pelo depositário, a teor do disposto no art. 7º da IN/SRF n° 102/94. Assim, se houve o descumprimento da forma e prazo determinado na referido preceito normativo para registro de carga procedente do exterior, indubitavelmente, consumou se a conduta infratora prevista determinada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decreto lei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11850.000039/200806 Acórdão n.º 3801005.304 S3TE01 Fl. 132 7 Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação a alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, o meu entendimento é de que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança às infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no MANTRA, sistema de controle informatizado de cargas, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, o que implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/03/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10305.001431/95-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS.
A comprovada existência de pagamentos feitos pela contribuinte atrai a aplicação da norma do art. 150, §4º, do CTN, contando-se da data do fato gerador o prazo decadencial de cinco anos relativo ao direito de o Fisco realizar o lançamento tributário.
Numero da decisão: 1103-001.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para dar provimento parcial ao recurso e excluir da exigência o crédito tributário relativo aos períodos de apuração até julho de 1990.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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EXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. A comprovada existência de pagamentos feitos pela contribuinte atrai a aplicação da norma do art. 150, §4º, do CTN, contandose da data do fato gerador o prazo decadencial de cinco anos relativo ao direito de o Fisco realizar o lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher a preliminar de decadência para dar provimento parcial ao recurso e excluir da exigência o crédito tributário relativo aos períodos de apuração até julho de 1990. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Joselaine Boeira Zatorre e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 30 5. 00 14 31 /9 5- 10 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10305.001431/9510 Acórdão n.º 1103001.109 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração de Finsocial (fls. 2)1 abrangendo fatos geradores de abril/1989 a março/1992 com multa de ofício de 50% relativamente aos períodos de apuração até junho de 1991 e de 100% para os subseqüentes. O trâmite processual se encontra bem resumido no despacho de fls. 932, da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac), nos seguintes termos: " (...) Diante da impugnação tempestiva ao AI pelo contribuinte, o processo foi encaminhado à DRJ/CURITIBA/PR para julgamento, que propugnou a Decisão nº 126, de 28/02/2001, anexada às folhas 164 a 186, indicando a procedência do lançamento. Após a regular ciência da Decisão supracitada, irresignado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, do qual sobreveio Acórdão nº 30235.790, de 15/10/2003, anexado às folhas 347 a 359, proferido pelo Terceiro Conselho de Contribuintes, negando provimento ao recurso em questão. Cientificado do Acórdão supracitado, novamente o sujeito passivo se insurgiu e apresentou Recurso Especial de Divergência de folhas 509/527 à Câmara Superior de Recursos Fiscais, que admitiu o recurso através do despacho nº 3020.029, de 30/05/2006, anexado à folha 665. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao RE do sujeito passivo. A CSRF proferiu, então, o Acórdão nº 0305.910, de 05/09/2008, anexado às folhas 775/778, anulando o Acórdão nº 30235.790 do 3º CC, determinando o retorno dos autos ao CARF para o exame do mérito do recurso voluntário nos termos do relatório e voto integrantes do julgado. Entretanto, antes que fosse proferido novo julgamento em sede de Recurso Voluntário no feito administrativo, o contribuinte preferiu aderir aos benefícios concedidos pela Lei 11.941/2009. Para tanto, mediante petição recepcionada em 25/02/2010 (folhas 790/793), o sujeito passivo apresentou desistência parcial tempestiva de forma expressa e irrevogável de quaisquer recursos administrativos e, cumulativamente, renunciando a quaisquer alegações de direito sobre os quais se funda o processo, nos termos fixados pelo art. 13, da Portaria Conjunta PGNF/RFB nº 006/2009 e no prazo estipulado pelo art. 2º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 013/2009." (Destaque acrescido) No referido Acórdão nº 302126.032/2008 (fls. 775), a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, por unanimidade, "anular o acórdão recorrido em razão da conexão com o processo relativo ao auto de infração do IRPJ", assim resumindo a decisão: "FINSOCIAL. COMPETÊNCIA. De acordo com o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes a matéria relativa ao Finsocial, quando essa exigência esteja 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 936DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10305.001431/9510 Acórdão n.º 1103001.109 S1C1T3 Fl. 4 3 lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração a dispositivos legais do Imposto sobre a Renda, compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes, e não a este Terceiro." A adesão da contribuinte ao parcelamento da Lei 11.941/2009 abrangeu o crédito tributário relativo aos períodos de apuração de agosto/1990 a março/1992, renunciando de forma irrevogável do direito de continuar a discutilo. Quanto à parcela mantida em litígio – períodos de apuração de abril/1989 a julho/1990 – requereu o reconhecimento da decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário com base na norma do art.150, §4º, do CTN, tendo em vista a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal "declarando inconstitucional os artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91, que trazia prazo majorado (dez anos) para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições sociais." (fls. 790). Assegurou: "No que diz respeito aos supostos débitos fiscais vinculados aos demais fatos geradores objeto do processo, isto é, relativos ao período delimitado entre Abril/1989 a Julho/1990, considerandose a data da ciência do Auto de Infração, ocorrida em 03.08.1995, é obrigatória a aplicação da Súmula Vinculante n° 8, do STF, na forma do artigo 103A, da Constituição Federal de 1988, devendo ser reconhecida a extinção do crédito tributário neste ponto, na forma do art. 156, V, do CTN." É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. Conforme relatado, os autos chegam para exame desta Turma após anulação do Acórdão nº 30235.790/2003 (fls. 347), da 2ª Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão nº 302126.032/2008 (fls. 775), da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo em vista a identificação de conexão a processo relativo a auto de infração do imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ), matéria cuja competência para julgamento em segunda instância era do então Primeiro Conselho de Contribuintes. Atualmente, compete às turmas da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho o julgamento de recurso relativo a exigência de Finsocial quando vinculada a exigência de IRPJ, segundo determina o art. 2º, IV, do Anexo II do Regimento Interno do Carf (Ricarf) aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, que assim dispõe: Art. 2°. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) Fl. 937DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10305.001431/9510 Acórdão n.º 1103001.109 S1C1T3 Fl. 5 4 IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;" Permanece em litígio nestes autos o crédito tributário não abrangido pelo parcelamento, correspondente aos períodos de apuração de abril/1989 a julho/1990. A parte renunciada e incluída no parcelamento foi transferida para o processo nº 16682.720811/2012 81 (fls. 920/921). A contribuinte suscitou preliminar de decadência de o Fisco constituir o crédito tributário correspondente aos fatos geradores anteriores a agosto de 1990, tendo em vista a ciência do auto de infração ocorrida em 03/08/1995. Sobre decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a tributos e contribuições sociais submetidas ao regime de lançamento por homologação, como no caso destes autos, penso que a matéria é regulada pelo comando do art. 150, § 4º, do CTN, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos. Apenas se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra do art. 173, I, do Código. Este foi o entendimento dominante até há pouco na jurisprudência administrativa, a exemplo do acórdão abaixo indicado: “LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. O Fisco dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), a do lançamento por homologação, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situação em que se aplica a regra do art. 173, I, do Código. Inexistência de pagamento ou descumprimento do dever de apresentar declarações não alteram o prazo decadencial nem o termo inicial da sua contagem. (Ac. 110300.326/2010)." Contudo, tal interpretação foi ultrapassada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a aquela corte, na ausência de pagamento incide o art.173, I, do CTN, iniciandose a contagem do quinqüênio decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Havendo pagamento, aplicase a norma do art. 150, §4º. Assim vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo do Acórdão 9302003.062, de 13/02/2014: "DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART.173, I, DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no Art. 173, I, do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em Fl. 938DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10305.001431/9510 Acórdão n.º 1103001.109 S1C1T3 Fl. 6 5 sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733." Conforme citado no julgado acima, a interpretação do STJ restou consolidada com o julgamento do REsp 973.733/SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, processado sob o rito do art. 543C do CPC, de recurso repetitivo. Tal entendimento deve ser reproduzido neste âmbito administrativo, segundo o art. 62A do Ricarf. No caso concreto, constatase a existência de pagamentos em todos os períodos de apuração integrantes do auto de infração, conforme o demonstrativo de apuração de fls. 6/12. A ausência de qualquer indicação da autoridade fiscal a respeito da ocorrência de dolo, fraude ou simulação e a comprovada existência de pagamentos atraem a aplicação da norma do art. 150, §4º, do CTN, contandose da data do fato gerador o prazo decadencial de cinco anos. Desse modo, está alcançado pela decadência o crédito tributário relativo aos fatos geradores até julho de 1990, tendo em vista a ciência do auto de infração em 03/08/1995. Conclusão Pelo exposto, submeto aos meus pares voto de acolhimento da preliminar de decadência para dar provimento parcial ao recurso e excluir da exigência o crédito tributário relativo aos períodos de apuração até julho de 1990. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 939DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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