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Numero do processo: 10830.722070/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO.
Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado.
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.
Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considerase não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 70 /2 01 4- 15 Fl. 1140DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). A contribuinte obteve sentença judicial declarando a sua imunidade tributária. Como o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevê que as pessoas jurídicas imunes continuam a apurar e recolher a contribuição pelo regime cumulativo, mas a requerente havia recolhido a contribuição de acordo com o regime não cumulativo, ela retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), adequando os débitos a esse regime e compensou a diferença recolhida a maior por meio das DComp ora analisadas. A DRF/CampinasSP, por meio do despacho decisório de fls. 421/423, considerou as compensações não declaradas porquanto entendeu que se tratava de crédito discutido judicialmente e a legislação de regência prevê que a compensação somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da ação, caso contrário será considerada não declarada. Não há previsão legal para apresentação de manifestação de inconformidade nos casos de despacho decisório que considera a compensação não declarada, tampouco para suspensão dos débitos objeto da compensação. No entanto, a contribuinte obteve judicialmente, conforme fls. 717/718, a suspensão da exigibilidade dos débito objeto da compensação, bem assim o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho decisório prolatado. Em sua manifestação de inconformidade, de fls. 432/440, a contribuinte alega, em resumo, que obteve na Justiça, em antecipação de tutela, o reconhecimento sua imunidade Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10830.722070/201415 Acórdão n.º 3302004.913 S3C3T2 Fl. 1.141 3 tributária recíproca, cuja apelação da União encontrase pendente de julgamento. Argumenta que o art. 8º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, bem assim o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevêem que as pessoas jurídicas imunes estão excepcionadas da apuração não cumulativa das contribuições sociais, assim foi obrigada a apurálas pelo regime cumulativo. No entanto, mesmo devendo apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo a partir de 25/02/2009, continuou a recolhêlos com base na sistemática não cumulativa até março de 2010. Desta forma, identificado o erro, a recorrente refez os cálculos desse período e “se utilizou das vias legais paras as respectivas compensações”. Alega que a compensação promovida foi por reflexo da declaração da imunidade tributária, não podendo se aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), pois não discute ou contesta a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp analisadas. E prossegue: De clareza ímpar o dispositivo que impede o aproveitamento de tributos que sejam alvos de discussão judicial por parte do contribuinte, ou seja, desde que o contribuinte questione a validade, existência, formação ou regularidade de algum tributo (no sentido estrito do termo, conforme definição já reconhecida), o mesmo não poderá ser alvo de aproveitamento/quitação através da sobreposição de créditos existentes a favor do contribuinte (indébito tributário), antes da definição de sua existência válida e o quantum devido, através do trânsito em julgado da respectiva sentença. Argumenta que “tributo” é sempre o valor devido pelo sujeito passivo ao Fisco e “crédito do sujeito passivo”, o valor devido por aquele a este, oriundo de recolhimentos indevidos. O indébito tributário, portanto, não é tributo nem receita do Estado, sendo mero ingresso de caixa, não sendo alcançado pela norma em comento. O termo tributo mantém maior rigidez nos arts. 170 a 174 do CTN, referindose sempre ao crédito do sujeito ativo. O crédito do sujeito passivo é sempre chamado de “crédito do sujeito passivo” para não ocorrer confusão. E conclui: Havendo, nesta seção, esta clara utilização do termo em sua concepção estrita, de uma análise sistemática, de enquadramento dos termos dentro do sistema normativo, verificamos que neste tópico, dos artigos 170 a 174, o termo Tributo não pode de modo algum ser confundido com os Créditos do Sujeito Passivo. O Artigo 170A encontrase inserido justamente neste ponto, necessitando respeitar esta regra implícita. Fl. 1142DF CARF MF 4 Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 968/972), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantido íntegro o questionado despacho decisório, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 CRÉDITO JUDICIAL. DECISÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação cujo crédito provém de decisão judicial não transitada em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. EXCEÇÃO. Não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que considerou a compensação não declarada, salvo em caso de determinação judicial em sentido contrário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 12/1/2015, a recorrente foi cientificada da referida decisão (fls. 975/978). Inconformada, em 10/2/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 999/1008, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase de manifestação de inconformidade. Em 24/11/2017, a recorrente protocolou a petição de fls. 1019/1020, em que comunicou a apresentação dos documentos de fls. 1060/1139 e requereu a manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que já se encontravam suspenso por determinação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, não trata de matéria da competência deste Colegiado, por falta de previsão legal, porém, dele tomase conhecimento, em cumprimento da determinação judicial exarada no Mandado de Segurança nº 0007477 82.2014.4.03.6105, impetrado pela recorrente perante 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP, que determinou aplicação do rito processual/recursal do Decreto 70.235/1972. Conforme bem delineado no relatório precedente, a controvérsia cingese ao direito ou não de a recorrente proceder a compensação do suposto indébito tributário decorrente da mudança do regime não cumulativo para regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, amparada por decisão judicial não transitada em julgada. Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 10830.722070/201415 Acórdão n.º 3302004.913 S3C3T2 Fl. 1.142 5 Para melhor compreensão do objeto lide, veja a seguir o resumo dos principais fatos que motivaram a recorrente a realizar o procedimento compensatório em apreço: Em 14 de novembro de 2008 o contribuinte ingressou com a ação ordinária n° 2008.61.05.0118663 (PAJ 12971.000226/200959), junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do art. 150, VI "a" da Constituição Federal. Em 03 de dezembro de 2008 foi indeferida a antecipação de tutela. Em 25 de fevereiro de 2009 o TRF3 deferiu parcialmente a antecipação de tutela, em sede de agravo de instrumento, para reconhecer a imunidade tributária da autora concernente aos impostos federais. Em 29 de março de 2010 o Juízo de 1ª instância julgou parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da autora, nos exatos termos do art. 150, VI, "a", da Constituição Federal. Em 26 de abril de 2010 julgou procedente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para manter a antecipação da tutela deferida pelo TRF3. O recurso de apelação da União foi recebido no efeito devolutivo e até a presente data encontrase no Tribunal Regional Federal da 3 a Região aguardando julgamento, conforme pesquisa no site do Tribunal. No entanto, ainda sem o trânsito em julgado da ação, o contribuinte retificou suas obrigações acessórias (conforme extratos da DCTF em anexo, em que alterou a apuração da COFINS da nãocumulatividade para a cumulatividade) e requereu administrativamente a repetição do indébito na forma de declarações de compensação. Por sua vez, considerando que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos que estão com a exigibilidade suspensa, em face da sentença não definitiva, foi efetuado o lançamento dos créditos tributários devidos, os quais são controlados pelo processo administrativo 10830.723884/201205 (lançamentos relativos a COFINS e PIS), dentre outros. De acordo com o despacho decisório em apreço, a autoridade da unidade de origem da Receita Federal do Brasil considerou não declarada as referidas compensações, com base no art. 170A1 do CTN, que veda a compensação de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e tendo em conta o disposto no art. 1 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Fl. 1144DF CARF MF 6 742, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996, que atribui a condição de não declarada a compensação de crédito objeto de decisão judicial sem trânsito em julgado. Por sua vez, no presente recurso voluntário, a recorrente alegou que a compensação por ela promovida fora reflexo da declaração da imunidade tributária prolatada no âmbito da Ação Ordinária n° 2008.61.05.0118663, logo, não poderia ser aplicada ao presente caso a vedação determinada no art. 170A do CTN, pois, na referida ação não estava em discussão a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp colacionadas aos autos. Acontece que, diferentemente do que alegou a recorrente, a leitura da petição inicial (fls. 172/196) revela que, por meio da referida ação, expressamente ela pleiteou que a União fosse condenada “a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizadas, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária [...]”. Dessa forma, o teor da citada peça processual confirma que a referida ação foi proposta com o objetivo não só de não recolher os impostos e contribuições federais, bem como obter o direito de ser restituída dos valores dos impostos e contribuições indevidos recolhidos. E o fato de a sentença judicial prolatada no âmbito da referida ação (fls. 260/262) ter assegurado o direito de a recorrente ser restituída das quantias pagas indevidamente e de não pagar as quantias futuras em relação apenas aos impostos federais, em razão da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), não tem o condão de afastar a discussão judicial em torno do pedido de restituição e não pagamento das contribuições sociais. Até a decisão final, com trânsito em julgado, tal matéria ainda se encontra sob crivo do Poder Judiciário, portanto, ainda pendente de julgamento na esfera judicial. No caso, embora o pedido de não pagamento e restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não tenha sido acatado na referida decisão judicial, com base no entendimento de que as pessoas jurídicas imunes estavam sujeitas ao regime cumulativo de apuração das citadas contribuições, a recorrente apresentou várias Declarações de Compensação (DComp), incluindo as encartadas nos presentes autos, em que utilizou como crédito a diferença a maior entre o valor apurado e recolhido pelo regime não cumulativo e o valor supostamente devido pelo regime cumulativo. Dessa forma, resta demonstrado que o indébito tributário objeto do procedimento compensatório em apreço, inequivocamente, encontravase, na data da apresentação das DComp, e ainda se encontra em discussão na esfera judicial, segundo noticiam os autos. E somente após o trânsito em julgado da derradeira decisão judicial é que se 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou [...] Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10830.722070/201415 Acórdão n.º 3302004.913 S3C3T2 Fl. 1.143 7 terá o desfecho definitivo para os pleitos de restituição formulados no âmbito do citado processo judicial. Dada essa circunstância, ao considerar não declarada as compensações em tela, o titular da unidade de origem da RFB decidiu em perfeita consonância com o disposto no art. 170A do CTN e em cumprimento ao que determina o art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Além disso, ainda que a recorrente não tivesse postulado em Juízo a restituição das referidas contribuições, o que se admite apenas por hipótese, indiretamente, a apuração do suposto indébito decorrente da mudança do regime apuração não cumulativo para regime cumulativo somente poderia ser feita após o do trânsito em julgado da decisão judicial final a ser prolatada no âmbito da citada ação ordinária. Dada essa condição, resta evidenciado que somente após proferida a decisão judicial final com trânsito em julgado, o eventual crédito apurado com base na adoção do novo regime apuração das contribuições ostentará os atributos da certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. E sem tais atributos, certamente, o suposto crédito não é passível de restituição e, por conseguinte, de compensação, consoante dispõe o caput do art. 74 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) grifos não originais Por todas essas razões, não merece reparo à decisão proferida no questionado despacho decisório, que considerou as compensações em apreço não declaradas, com respaldo no art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.901238/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DCOMP. LIVRO APÓS. LASTRO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS CREDORES APURADOS EM TRIMESTRES ANTERIORES AO DO PEDIDO.
Comprovado na escrituração do contribuinte a existência de lastro creditório suficiente para abatimento de débitos escriturais de IPI apurados em períodos subsequentes ao do pedido, e permanecendo intacto o saldo credor do trimestre solicitado, o direito creditório deve ser reconhecido em sua totalidade.
Recurso Voluntário Provido.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que negou provimento.
Assinatura Digital
WALDIR NAVARRO BEZERRA - Presidente Substituto.
Assinatura Digital
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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LIVRO APÓS. LASTRO CREDITÓRIO. UTILIZAÇÃO DE SALDOS CREDORES APURADOS EM TRIMESTRES ANTERIORES AO DO PEDIDO. Comprovado na escrituração do contribuinte a existência de lastro creditório suficiente para abatimento de débitos escriturais de IPI apurados em períodos subsequentes ao do pedido, e permanecendo intacto o saldo credor do trimestre solicitado, o direito creditório deve ser reconhecido em sua totalidade. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que negou provimento. Assinatura Digital WALDIR NAVARRO BEZERRA Presidente Substituto. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra(presidente substituto), Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 12 38 /2 01 1- 59 Fl. 562DF CARF MF 2 Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Marcos Roberto da Silva (suplente). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Em análise no presente processo o litígio decorrente do despacho decisório de fl. 510, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Ponta GrossaPR por meio do sistema SCC1 da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da análise das declarações de compensação (DCOMPs) em que a contribuinte interessada pretendeu utilizar o valor de R$1.036.113,58 do saldo credor do IPI apurado no ao final do 2º trimestre/2006 com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, informado na DCOMP retificadora nº 38855.62552.290410.1.7.016019 e no PER residual retificador nº 08995.15594.100510.1.5.016222, para compensação de débitos próprios. A análise do direito creditório – e das respectivas compensações nele lastreadas – encontrase assim consignado no despacho decisório eletrônico nº 930844005: "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima Identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$1.036.113,58 Valor do crédito reconhecido: R$480.331,93 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subseqüentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 05269.05125.180807.1.3.012331 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 1 SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensação que analisa o direito creditório pleiteado em ressarcimento (PER) ou como lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, operacionalizando tais compensações. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 563 3 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 08995.15594.100510.1.5.016222 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2011. Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto de análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu ‘Onde Encontro’, opção ‘PERDCOMP’, item ‘PER/DCOMPDespacho Decisório’. Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008." Os detalhamentos do despacho decisório concernentes ao direito creditório reconhecido em parte e às compensações parcialmente homologadas encontramse nos demonstrativos de fls. 511/527. Cientificada do despacho decisório pela via postal em 18/05/2011 (fl. 528), a interessada manifestou em 16/06/2011 a sua inconformidade de fls. 02/05, assim transcrita: Fl. 564DF CARF MF 4 Ato contínuo, a DRJJUIZ DE FORA (MG) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DCOMP. LIVRO APÓS. CONSUMO PARCIAL DO LASTRO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA. O consumo/utilização de parte saldo credor do IPI passível de ressarcimento apurado ao final de trimestre calendário no abatimento de débitos escriturais de períodos de apuração pertencentes a trimestres subsequentes implica o deferimento parcial do ressarcimento que lastreia as compensações declaradas e, consequentemente, a homologação também parcial destas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 564 5 Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa argumenta que nos cálculos para apuração do direito creditório constante no acórdão da DRJ teria ocorrido um equivoco pois foi utilizado um saldo credor inicial menor que o realmente existente, o que levou a uma redução do seu direito creditório reconhecido. Para tanto, apresentou planilha com os cálculos que julga corretos. É o relatório. Voto Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Depreendese que o ponto central da lide trata da discordância quanto ao valor do saldo credor apurado no 2º trimestre de 2006 utilizado pela DRJ para abater os débitos de IPI apurado em períodos posteriores até o período antecedente a entrega da Perdcomp (março/2007), como forma de se chegar ao montante a ser efetivamente ressarcido. Em suma, a DRJ entendeu que os referidos débitos deveriam ser abatidos do saldo credor de IPI ressarcível, enquanto o Contribuinte, em posição discordante, entende que os referidos débitos deveriam ser abatidos do montante total do saldo credor de IPI (saldo credor de IPI ressarcível + saldo credor de IPI não ressarcível). Para melhor compreensão dos fatos, transcrevese a seguir a planilha "A" de apuração do Saldo Credor de IPI do 2º trimestre/2006: Planilha "A": Saldo Credor de Período Anterior Saldo Credor Período de Apuração Não Ressarcível Ressarcí vel Total Créditos Não Ressarcí veis Ajustados Créditos Ressarcí veis Ajustados Débitos Ajustados Não Ressarcí vel Ressarcível Total Saldo Devedor PER/DCOMP (a) (b) (c) (d) = (b) +(c) (e) (f) (g) (h) (i) (j) = (h) + (i) (l) (m) 1ª qui, jul/2004 666.036,64 0,00 666.036,64 0,00 7.380,01 5.058,96 660.977,68 7.380,01 668.357,69 0,00 2ª qui, jul/2004 660.977,68 7.380,01 668.357,69 0,00 11.448,81 4.190,84 656.786,84 18.828,82 675.615,66 0,00 1ª qui, ago/2004 656.786,84 18.828,82 675.615,66 19,83 9.140,89 8.591,82 648.214,85 27.969,71 676.184,56 0,00 2ª qui, ago/2004 648.214,85 27.969,71 676.184,56 0,00 14.233,59 5.689,93 642.524,92 42.203,30 684.728,22 0,00 1ª qui, set/2004 642.524,92 42.203,30 684.728,22 0,00 7.917,03 1.877,20 640.647,72 50.120,33 690.768,05 0,00 2ª qui, set/2004 640.647,72 50.120,33 690.768,05 0,00 333.180,38 6.097,20 634.550,52 383.300,71 1.017.851,23 0,00 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 367.109,05 01476.48842.291004.1.3.014827 Fl. 566DF CARF MF 6 Saldo Credor de Período Anterior Saldo Credor SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 650.742,18 1ª qui, out/2004 650.742,18 0,00 650.742,18 0,00 0,00 0,00 650.742,18 0,00 650.742,18 0,00 01476.48842.291004.1.3.014827 2ª qui, out/2004 650.742,18 0,00 650.742,18 14,30 0,00 11.179,56 639.576,92 0,00 639.576,92 0,00 32755.84560.121104.1.3.016740 1ª qui, nov/2004 639.576,92 0,00 639.576,92 0,00 0,00 0,00 639.576,92 0,00 639.576,92 0,00 31831.98066.151204.1.3.013785 2ª qui, nov/2004 639.576,92 0,00 639.576,92 137,20 0,00 7.277,17 632.436,95 0,00 632.436,95 0,00 31831.98066.151204.1.3.013785 dez2004 632.436,95 0,00 632.436,95 0,00 0,00 6.793,94 625.643,01 0,00 625.643,01 0,00 30020.53953.110105.1.3.014118 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 625.643,01 jan05 625.643,01 0,00 625.643,01 0,00 21,00 11.268,06 614.374,95 21,00 614.395,95 0,00 fev05 614.374,95 21,00 614.395,95 0,00 127,77 9.007,92 605.367,03 148,77 605.515,80 0,00 mar05 605.367,03 148,77 605.515,80 0,00 848.128,55 16.230,52 589.136,51 848.277,32 1.437.413,83 0,00 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 508.330,27 26316.20066.290405.1.3.015013 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 929.083,56 abr05 929.083,56 0,00 929.083,56 31,38 0,00 8.652,60 920.462,34 0,00 920.462,34 0,00 02784.79976.130505.1.3.013706 mai05 920.462,34 0,00 920.462,34 946,92 0,00 18.220,80 903.188,46 0,00 903.188,46 0,00 00453.00457.150605.1.3.010609 jun05 903.188,46 0,00 903.188,46 1.971,25 0,00 13.263,24 891.896,47 0,00 891.896,47 0,00 30152.55172.150705.1.3.018434 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 891.896,47 jul05 891.896,47 0,00 891.896,47 0,00 0,00 4.203,86 887.692,61 0,00 887.692,61 0,00 29713.49738.170805.1.3.013219 ago05 887.692,61 0,00 887.692,61 609,56 0,00 17.542,48 870.759,69 0,00 870.759,69 0,00 11475.05870.160905.1.3.019911 set05 870.759,69 0,00 870.759,69 313,69 0,00 11.663,51 859.409,87 0,00 859.409,87 0,00 23038.74834.141005.1.3.015067 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 859.409,87 out05 859.409,87 0,00 859.409,87 516,67 0,00 11.075,17 848.851,37 0,00 848.851,37 0,00 07816.24106.141105.1.3.012750 nov05 848.851,37 0,00 848.851,37 0,00 0,00 14.261,56 834.589,81 0,00 834.589,81 0,00 40396.77861.151205.1.3.013510 dez05 834.589,81 0,00 834.589,81 0,00 0,00 13.254,86 821.334,95 0,00 821.334,95 0,00 15616.76408.130106.1.3.019896 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 821.334,95 jan06 821.334,95 0,00 821.334,95 0,00 0,00 17.429,08 803.905,87 0,00 803.905,87 0,00 18782.31364.140206.1.3.019609 fev06 803.905,87 0,00 803.905,87 0,00 0,00 12.428,04 791.477,83 0,00 791.477,83 0,00 33042.11052.150306.1.3.017726 mar06 791.477,83 0,00 791.477,83 0,00 0,00 15.298,78 776.179,05 0,00 776.179,05 0,00 13880.56606.120406.1.3.010171 VALOR RECONHECIDO/CERTIFICADO SCC NO TRIMESTRE 0,00 SALDO TRANSFERIDO PARA O TRIMESTRE SUBSEQUENTE 776.179,05 abr06 776.179,05 0,00 776.179,05 0,00 14,60 13.549,52 762.629,53 14,60 762.644,13 0,00 mai06 762.629,53 14,60 0,00 463,63 0,00 14.592,87 748.500,29 14,60 748.514,89 0,00 jun06 748.500,29 14,60 0,00 97,50 1.036.098,72 13.269,56 735.328,23 1.036.113,32 1.771.441,55 0,00 38855.62552.290410.1.7.016019 Cabe frisar que quanto aos valores apurados de saldo credor de IPI apurados na tabela acima não há mais controvérsia nos autos. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 565 7 Inicialmente, é oportuno reproduzir trecho do voto que explicita a diferenciação adotada no acórdão dos dois tipos de saldo credor apurados (ressarcível e o não ressarcível), in verbis: Sobre o "saldo de abertura" de determinado trimestre calendário, o valor a ser considerado pelo SCC decorre do processamento(s)/análise(s) efetuado(s) por tal sistema relativamente PER/DCOMP(s) de trimestre(s) de apuração anterior(es). Isso porque o processamento/análise dos PER/DCOMPs é levada a termo de forma ampla e encadeada, ou seja, todos os PER/DCOMP transmitidos são analisados não só quanto aos elementos pertencentes exclusivamente ao trimestre de referência, abrangendo também os elementos de ligação entre os trimestres (saldos de abertura e de fechamento). Sendo assim, a parcela do saldo credor do IPI apurado ao final de trimestres anteriores que foi, por meio da transmissão de PER/DCOMP pela interessada, solicitada em ressarcimento (em espécie) ou certificada pelo Fisco como lastro creditório efetivo de compensações declaradas, não poderá ser computada no trimestre de referência. E quanto à parcela remanescente do referido saldo credor, isto é, a parcela que não foi solicitada/certificada nos aludidos moldes, será transferida para o trimestre calendário seguinte como crédito não passível de ressarcimento, já que foi apurada não nesse trimestre seguinte, mas no anterior. Tal parcela corresponderá, então, ao valor de abertura desse trimestre seguinte e, por não ser passível de ressarcimento, somente poderá ser utilizada para abatimento de débitos escriturais do IPI consoante a sistemática constitucional da não cumulatividade que rege tal tributo. (grifo nosso) Como se vê no trecho do voto, o Julgador da DRJ considerou como saldo credor ressarcível aquele apurado no trimestre de apuração e como não ressarcível aquele saldo credor apurado acumulado em períodos anteriores ao trimestre de apuração e que não foi solicitado em ressarcimento e nem certificado pelo Fisco como lastro creditório. Em outro trecho do voto, o Julgador explica como chegou ao valor do crédito efetivamente ressarcível apurado, in verbis: Conforme o demonstrativo elaborado no presente voto, especificamente na linha "Mensal, Jun/2006", coluna "i" (intitulada "saldo credor ressarcível"), observase a apuração ao final do aludido 2º trimestre/2006 em questão de um saldo credor do IPI passível de ressarcimento no montante de R$1.036.113,32. Porém, como, para o 2º trimestre/2006 em questão, houve a transmissão de um pedido eletrônico de ressarcimento (PER) residual originalmente em 14/04/2007 (PER residual original nº 41394.63387.140407.1.1.010039), ocasião bem posterior ao encerramento do referido trimestre calendário (30/06/2006), devese perquirir se aquele valor de R$1.036.113,32, apurado como saldo credor do IPI passível de ressarcimento ao fim do Fl. 568DF CARF MF 8 citado 2º trimestre/2006, foi ou não utilizado/consumido, integral ou parcialmente, no abatimento(s) de débito(s) do imposto em período(s) de apuração posterior(es), computados até o mês de março/2007 (período de apuração mensal imediatamente anterior ao mês da transmissão do mencionado PER). Isso porque, se tiver havido tal utilização, somente a parcela remanescente, ou nada (no caso de utilização integral), poderá ser, no trimestre ora em questão (2º trimestre/2006), efetivamente ressarcível. Fazse a perquirição supramencionada por meio dos cálculos consignados na planilha "D" a seguir, referente ao "livro após" Percebese que o Julgador a quo partiu do saldo credor “ressarcível” apurado em junho/2006 para abater os débitos apurados em períodos posteriores até o período antecedente à apresentação da Perdcomp em 14/04/2007. O Contribuinte se insurge contra tal procedimento alegando que se deveria partir do saldo credor total (R$ 1.771.441,55), ou seja, do somatório do crédito “ressarcível” (R$ 1.036.113,32) e do “não ressarcível” (R$ 735.328,23). Para tanto, apresentou planilha com os seus cálculos demonstrando que o seu direito creditório deveria ter sido reconhecido integralmente. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10940.901238/201159 Acórdão n.º 3402004.891 S3C4T2 Fl. 566 9 Observase que com o saneamento do equívoco existente no acórdão recorrido, em nenhum momento o Menor Saldo Credor, coluna (g ) da Planilha "D" ficou abaixo do valor do pedido da recorrente, ou seja, o pedido da recorrente merece total provimento, reconhecendose, assim, seu direito ao crédito no montante de R$ 1.036.113,32 (um milhão, trinta e seis mil, cento e treze reais e trinta e dois centavos). Cabe razão à Recorrente em suas alegações, conforme a seguir explicitado. É incontroverso nos autos a existência de um saldo credor acumulado no valor de R$ 735.328,23 (coluna h da Planilha "A") originado de períodos anteriores e não pertencente ao período ora analisado, “não ressarcível”, segundo nomenclatura utlizada. Esse saldo credor seria suficiente para abater todos os débitos apurados de IPI após junho/2006 até março/2007, sem necessidade de utilizar o saldo credor IPI (R$ 1.036.113,32) apurado no 2ºtrimestre/2006 que foi objeto do pedido de ressarcimento ora analisado. O próprio julgador da DRJ em trecho do acórdão indica que esse saldo credor "não ressarcível" poderia ser utilizado para abater os débitos escriturais apurados de IPI, in verbis: Sendo assim, a parcela do saldo credor do IPI apurado ao final de trimestres anteriores que foi, por meio da transmissão de PER/DCOMP pela interessada, solicitada em ressarcimento (em espécie) ou certificada pelo Fisco como lastro creditório efetivo de compensações declaradas, não poderá ser computada no trimestre de referência. E quanto à parcela remanescente do referido saldo credor, isto é, a parcela que não foi solicitada/certificada nos aludidos moldes, será transferida para o trimestre calendário seguinte como crédito não passível de ressarcimento, já que foi apurada não nesse trimestre seguinte, mas no anterior. Tal parcela corresponderá, então, ao valor de abertura desse trimestre seguinte e, por não ser passível de ressarcimento, somente poderá ser utilizada para abatimento de débitos escriturais do IPI consoante a sistemática constitucional da não cumulatividade que rege tal tributo. Fl. 570DF CARF MF 10 (negrito nosso) Restando comprovado nos autos que a Recorrente possuía saldo credor de IPI de períodos anteriores em valor suficiente para abater os referidos débitos, o saldo credor de IPI apurado no 2º trimestre de 2006 no montante de R$ 1.036.113,32, objeto do pedido de ressarcimento ora analisado, permanece intacto na sua totalidade, devendo ser reconhecido o direito creditório do Contribuinte nesse montante. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator Fl. 571DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000931/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
CISÃO. ALTERAÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA.
A alteração do contrato social que aprova operação societária de cisão, por ser ato sujeito a análise pela Junta Comercial, não pode, antes do respectivo registro público, ser oposta a terceiros.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO.
E vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos tributários de terceiros.
Numero da decisão: 1201-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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ALTERAÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE REGISTRO NA JUNTA. A alteração do contrato social que aprova operação societária de cisão, por ser ato sujeito a análise pela Junta Comercial, não pode, antes do respectivo registro público, ser oposta a terceiros. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. E vedada a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos tributários de terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 09 31 /2 00 8- 45 Fl. 244DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório De acordo com o relato constante do Despacho Decisório (fls. 53/57): Tratase de processo administrativo formalizado para tratamento de Declarações de Compensação (DCOMP) transmitidas eletronicamente. A interessada transmitiu declarações de compensação para quitação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal de acordo com a tabela a seguir: Débito Compensado Período de Apuração Valor (R$) DCOMP IRPJ2089 1° Trimestre/2004 25.984,92 32309.77278.280404.1.3.547815 CSLL2372 1° Trimestre/2004 17.087,75 32309.77278.280404.1.3.547815 PIS8109 Abril/2004 4.411,84 26008.35871.130504.1.3.575514 Cofins 2172 Abril/2004 20.362,36 26008.35871.130504.1.3.575514 Cofins2172 Maio/2004 22.465,61 02871.10599.140604.1.3.570608 Como origem do crédito, informouse a ação judicial n° 97.00121038, tramitada na 6a Vara Federal de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, com trânsito em julgado em 05/11/2003. Nas DCOMP n° 32309.77278.280404.1.3.547815 e 26008.35871.130504.1.3.575514, informouse que o crédito era da empresa sucedida de CNPJ n° 80.858.202/000108, da qual a interessada teve origem por cisão parcial. Na DCOMP n° 02871.10599.140604.1.3.570608, o crédito foi informado como sendo da própria transmissora da declaração. Juntouse cópia de despachos/decisões exarados no Processo Administrativo de Acompanhamento Judicial (PAJ) n° 10980.010056/9717 (fls. 07/35), que trata da ação judicial informada como crédito nas compensações objeto deste processo. As referidas declarações não foram homologadas sob a alegação de tratarse de hipóteses não permitidas de compensações com créditos de terceiros. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 62/66), argumentando que o crédito seria legítimo e decorrente de sucessão em face da cisão parcial da empresa detentora da autorização judicial que reconheceu os créditos, com incorporação do patrimônio cindido pela Recorrente. Em Sessão de 23 de novembro de 2012, a DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por meio do Acórdão nº 07.30.213 (fls. 145/148), cuja ementa ora transcrevo: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10920.000931/200845 Acórdão n.º 1201001.986 S1C2T1 Fl. 3 3 PROVA. ALTERAÇÃO CONTRATUAL A alteração do contrato social, por ser ato sujeito a registro na junta comercial não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiros. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. E vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 154/159) por meio do qual reitera as alegações de defesa. O julgamento do recurso foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1801000.340 fls. 186/188, a qual determinou o retorno dos autos a unidade de origem para as seguintes providências: a) preliminarmente, a JUCESC seja oficiada a apresentar certidão comprobatória do registro da cisão parcial havida entre a empresa Hirt Ltda e a recorrente, bem como esclareça as datas dos registros de tais documentos 1a Alteração Contratual das Lojas Certo Móveis e Eletrodomésticos Ltda; Protocolo de Intenção de Cisão Parcial; Justificação dos Administradores e Laudo de Avaliação do Patrimônio a ser cindido (cópia às efls. 174 a 183); b) de posse dos documentos, se efetivamente foram submetidos a registro na JUCESC em época anterior à emissão dos Per/Dcomp, a autoridade fiscal deverá verificar se os créditos judiciais recebidos pela empresa Hirt Ltda não se exauriram de outra forma, ou em benefício dela própria ou foram utilizados por outra empresa terceira; isto é, deverá ser verificado se o crédito existe para atender o pleito da recorrente. c) da análise dos documentos enviados pela JUCESC e da conclusão sobre a existência do crédito e viabilidade para atender os Per/Dcomp emitidos pela recorrente, deverá a autoridade fiscal lavrar um Relatório e encaminhar à recorrente para ciência, facultandolhe prazo regulamentar para se manifestar a respeito, se assim o desejar. A autoridade fiscal responsável preparou, como resultado da diligência, o termo de informação fiscal de fls. 235/238, do qual a contribuinte, mesmo intimada (fls. 240/241), não se manifestou. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso é tempestivo e cumpre os requisitos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. A presente discussão diz respeito à legitimidade do direito ao crédito pela Recorrente, em razão da absorção do patrimônio cindido pela empresa Comercial Hirt Ltda., empresa esta que obteve êxito quanto ao reconhecimento de créditos após determinada discussão judicial. Em razão da diligência que foi requerida a fim de verificar os competentes registros oficiais da cisão, a Junta Comercial do Estado de Santa Catarina emitiu certidão que ora reproduzo: De acordo com a Certidão, verificase que a Recorrente, incorporadora do patrimônio cindido, ao registrar sua 1a alteração cadastral, aprovou a justificação dos administradores e o protocolo de intenção de cisão parcial da Comercial Hirt Ltda... Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10920.000931/200845 Acórdão n.º 1201001.986 S1C2T1 Fl. 4 5 A cisão, porém, que teria sido aprovada por meio da 27a alteração contratual da sucedida, não foi registrada na Jucesc até o dia 20/01/2017 (data da emissão da certidão). Nesse contexto, assim concluiu a decisão de piso: 3. Portanto, a Jucesc certificou que a 1a alteração contratual da empresa foi registrada em 04/03/1998. Em decorrência, foi aprovada a justificação e o protocolo de intenção de cisão. A Jucesc ainda informou que todos os atos da cisão parcial e da incorporação foram aprovados pelos sócios cotistas (27a alteração contratual da Lojas Certo). Porém, esta alteração contratual não foi registrada na Jucesc até 20 de janeiro de 2017. 4. A 1a (primeira) alteração contratual da empresa Lojas Certo Móveis e Eletrodomésticos Ltda. CNPJ 02.346.111/0001 80 versa sobre a aprovação da Justificação dos Administradores e o Protocolo de intenção de cisão parcial da empresa Comercial Hirt (efl. 174): 01. INCORPORAÇÃO DE PATRIMÔNIO CINDIDO: 01.1. Os sócioscotistas, através deste' instrumento, aprovam por unanimidade a JUSTIFICAÇÃO DOS ADMINISTRADORES e o PROTOCOLO DE INTENÇÃO DE CISÃO PARCIAL DA EMPRESA COMERCIAL HIRT LTDA, COM INCORPORAÇÃO DO PATRIMÔNIO CINDIDO PELA EMPRESA LOJAS CERTO MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA , 5. Foram aprovados os seguintes atos (efls. 174/175): a) Aprovação da Justificação dos Administradores e do Protocolo de Intenção de Cisão Parcial e de Incorporação; b) Indicação e aprovação dos peritos ENÉAS JEREMIAS DE QUEIROZ, brasileiro, casado, contador, inscrito no CRC/SC sob n° 013 257/09 e no CPF sob n° 019 648 95987, SILVIO LUIZ DE COSTA, brasiieiro. casado, contador, inscrito no CRC/SC sob n° 18 970/Ot e no CPF sob n° 347 883 79953 e MARLEI ROSA MANTOANI, brasileira, solteira, contadora, inscrita no CRC/SC sob n° 019 969/O0 e no CPF sob n° 732 948 29949, todos residentes e damjcíliados em VideiraSC; c) Aprovação do Laudo de Avaliação; d) Aprovação da processo de Cisão Parcial e da Incorporação 6. Porém, a certidão não deixa dúvida de que o ato de cisão parcial e incorporação, no tocante à Comercial Hirt Ltda (27a alteração contratual), não foi objeto de registro naquela Junta. Tal registro era necessário, da ausência deste registro, visto o disposto na Lei 8.934/95: "Art. 1° O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, subordinado às normas gerais prescritas nesta lei, será exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades: Fl. 248DF CARF MF 6 I dar garantia, publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos a registro na forma desta lei; II cadastrar as empresas nacionais e estrangeiras em funcionamento no País e manter atualizadas as informações pertinentes; (...) Art. 2° Os atos das firmas mercantis individuais e das sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins, independentemente de seu objeto, salvo as exceções previstas em lei. (...) Art. 32. O registro compreende: (... ) II O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; III a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. (... ) Art. 36. Os documentos referidos no inciso II do art. 32 deverão ser apresentados a arquivamento na junta, dentro de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. " 7. Importa notar que os atos de registro produzem seus efeitos nos termos do artigo 36 acima mencionado. 8. A ausência do registro da 27a alteração contratual da Comercial Hirt prejudica, salvo entendimento diverso do Carf, o cumprimento dos itens (b) e (c) da diligência solicitada na Resolução 1801000.340 (fl. 186), [...] Como se percebe, a falta de registro da 27a alteração contratual da empresa Comercial Hirt (titular dos créditos judiciais ora compensados), alteração esta que tratou Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10920.000931/200845 Acórdão n.º 1201001.986 S1C2T1 Fl. 5 7 justamente de aprovar a cisão pela empresa cindida, levou à autoridade fiscal responsável a se manifestar de forma desfavorável ao direito de compensação de tais créditos pela Recorrente. No entender da DRJ, o registro do ato na Junta pela empresa cindida é condição de validade e eficácia da cisão, nos termos do artigo 36 da lei 8.934/95. Assim, como não houve o registro competente, ineficaz a cisão perante terceiros. E se ineficaz a cisão aos olhos do público, os créditos não poderiam ter sido utilizados pela Recorrente, pois pertencentes a terceiros. Pois bem. De acordo com o texto constitucional (art. 22, XXV), é a União a pessoa política competente para legislar sobre registros públicos. No plano normativo, coube à Lei nº 8.934/94 (Lei de Registros Públicos de Empresas Mercantis) a missão de regulamentar os aspectos formais e legais que devem ser observados quando da apresentação de atos societários de empresas mercantis (atuais sociedades empresárias) a registro. A finalidade principal do registro de atos societários, segundo a lei, é garantir a publicidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos sujeitos a registro, entre sócios e perante terceiros, além de promover o cadastro de empresas nacionais e estrangeiras atuando no país e a proteção do nome empresarial. O registro público de atos empresariais é exercido enquanto função pública e, diante de sua autenticidade, validade e publicidade, busca conferir segurança jurídica não só as partes envolvidas, mas principalmente em relação a terceiros. A Lei de Registro de Empresas Mercantis determinou que os Serviços Públicos de Empresas Mercantis e Atividades Afins serão exercidos, em todo o território nacional, pelos seguintes órgãos: I o Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC), órgão central, com funções supervisora, orientadora, coordenadora e normativa, no plano técnico; e supletiva, no plano administrativo; e II as Juntas Comerciais, como órgãos locais, com funções executora e administradora dos serviços de registro. Convém frisar, por oportuno, que todo ato, documento ou instrumento submetido a arquivamento, deve ser objeto de exame pela Junta Comercial, a quem compete fazer um juízo de admissibilidade e conformidade. Havendo identificação de algum vício, a Junta possui poderes para indeferir o pleito ou devolvêlo para saneamento. E dentre os atos necessários a esse rito encontramse justamente os eventos societários de fusão, cisão ou incorporação, nos termos do artigo 41, verbis: Art. 41. Estão sujeitos ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, na forma desta lei: I o arquivamento: [...] b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão de empresas mercantis; Fl. 250DF CARF MF 8 Notase, assim, que a cisão constitui ato societário solene, dependendo do cumprimento de suas formalidades para produzir efeitos. No que diz respeito ao prazo para apresentação dos atos societários para registro, o artigo 36 da Lei de Registro de Empresas Mercantis, utilizado como fundamento para a não homologação das compensações, prescreve que é de 30 (trinta) dias a contar da data da lavratura do ato. Nesses termos, se o ato for apresentado a registro dentro deste prazo, haverá efeito retroativo do registro. Caso contrário, ou seja, caso o ato de cisão não for levado a registro dentro de 30 (trinta) dias, o ato somente terá eficácia a partir de seu registro. É justamente esta a situação do ato societário de cisão da empresa Comercial Hirt Ltda., aprovada por ocasião da lavratura da 27a alteração contratual, mas que, segundo atestou a Junta Comercial competente, não foi levado a registro ao menos até o dia 20 de janeiro de 2017. Ocorre, porém, que a vinculação solene e formal do registro da cisão na Junta é pressuposto de validade e eficácia do ato perante o público. Nesse ponto, o referido artigo 36 é categórico: fora desse prazo, o arquivamento só terá eficácia a partir do despacho que o conceder. Nesse sentido, aliás, o Novo Código Civil (de 2002), ao regulamentar os atos empresariais sujeitos a registro público, previu que o ato sujeito a registro não pode ser oponível a terceiros até a efetivação do seu respectivo registro (art. 1.1541). Feitas essas considerações, a minha opinião é a de que a ausência de comprovação do registro do ato que aprovou a cisão, representado pela 27a alteração contratual da empresa cindida Comercial Hirt Ltda., é causa de ineficácia da cisão perante terceiros, dentre eles o fisco. Conseqüentemente, as compensações pleiteadas pelo contribuinte restam prejudicadas em razão da ausência de titularidade do direito creditório. Ante o exposto NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli 1 Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades. Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.911024/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.189
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 02 4/ 20 09 -0 8 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.911024/200908 Resolução nº 3402001.189 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.911024/200908 Resolução nº 3402001.189 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.911024/200908 Resolução nº 3402001.189 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.001148/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
Numero da decisão: 3302-005.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se a rejeição dos embargos de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
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Interessado CARBONÍFERA METROPOLITANA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. REJEIÇÃO. Inexistindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõese a rejeição dos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Carbonífera Metropolitana S.A., ora embargante, face ao Acórdão 3803003.370, de 21/08/2012, por suposta omissão, contradição e obscuridade da decisão. O acórdão embargado possui a seguinte ementa e dispositivo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 48 /2 00 9- 14 Fl. 406DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, insumos são todos aqueles bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados no processo produtivo, ou que o viabilizem, e na prestação de serviços, sem os quais não se realizem ou se incorra na perda substancial de qualidade dos produtos ou dos serviços prestados. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. ADMISSIBILIDADES. Ensejam direito a crédito, enquanto insumos da atividade produtiva: i) os custos da recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido em Termo de Ajustamento de Conduta firmado perante o Ministério Público, condicionante do exercício da atividade produtiva; ii) os custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano, diretamente vinculados ao processo produtivo; e iii) as despesas de depreciação incidentes sobre bens usados adquiridos e destinados ao ativo imobilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, para reverter as glosas dos créditos decorrentes dos custos da recuperação ambiental inerentes aos compromissos assumidos no TAC, e dos custos dos serviços de retificação de motores diretamente vinculados ao processo produtivo do ora recorrente, desde que os bens retificados tenham vida útil inferior a 1 (um) ano, efetivamente comprovados nos autos; e, por maioria de votos, para admitir o creditamento das despesas de depreciação de bens adquiridos usados. Vencido o Relator. Designado para a redação do voto vencedor, quanto a esta matéria, o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. Segundo o entendimento da embargante, a decisão acima indicada estaria eivada de vícios que a levariam a omissão, contradição e obscuridade, conforme se depreende das efolhas 346 e seguintes do processo, conforme trecho abaixo colacionado: Consoante o objetivamente exposto na fundamentação e conclusão dispositiva dos votos decisórios proferidos, acolhido e assegurado o direito ao crédito, no regime de apuração não cumulativo das contribuições COFINS e PIS, em relação aos insumos assim entendidos e compreendidos como sendo os itens direta ou indiretamente vinculados e necessários ao processo produtivo como um todo (materiais e serviços em geral com tal precisa vinculação e indispensabilidade), como condição para o funcionamento da empresa e assim afetando e sendo responsável Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11516.001148/200914 Acórdão n.º 3302005.348 S3C3T2 Fl. 3 3 pela concreta geração e possibilidade de auferir as receitas sujeitas a tributação por tais mesmas contribuições sociais (...) Ocorre que (...) demais relevantes itens vinculados e intrínsecos a este processo produtivo e ensejador de decorrente receita da aqui embargante foram igualmente desconsiderados e assim indevidamente vedados, para fins de creditamento, como embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, etc; (...) também incluindo serviços e materiais de terraplenagem em decorrentes recuperações e conservações de natureza ambiental. Destarte impõese que também tais itens sejam especificamente considerados e declarados para fins de regular creditamento no regime de apuração não cumulativa das contribuições COFINS e PIS, sanando tal omissão no respeitável e colegiado decisum ora proferido, visto que, como afirmado pelo próprio e derradeiro acórdão proferido, insumo dedutível é todo aquele relacionado direta ou indiretamente com a produção do contribuinte e que afete as receitas tributadas pela contribuição social! Ademais, especificamente em relação aos gastos com mão de obra contratados e pagos com/a terceiras pessoas jurídicas igualmente contribuintes da COFINS e do PIS, considerando que as leis de regência expressamente vedam somente o creditamento de valores de mão de obra pagos a pessoa física e não a pessoa jurídica e ainda configurando os mesmos obrigações expressamente definidas em decisões judiciais homologatórias proferidas no âmbito da Justiça do Trabalho (de observância assim impositiva pelas empresas carboníferas como os TACs ambientais com o Ministério Público Federal), configura, com a máxima vênia, contradição e obscuridade, não acolher respectivo e postulado creditamento também sobre os valores de tais precisos itens igualmente direta ou indiretamente vinculados ao processo produtivo de forma notória e absoluta (iguais obrigações, de natureza trabalhista, impostas pelo Poder Público, como condição para o funcionamento da empresa, que geram significativas e correspondentes despesas, assim impositivas, necessárias e imprescindíveis a esse mesmo funcionamento e operação empresariais). Pede, pois, que especificamente se manifestem e esclareçam adicional e de maneira integrativa, acerca da contradição e obscuridade em tais termos fundamentada e arguida (...) Este imprescindível e obrigatório enfrentamento de tais expressamente alegados itens e argumentos e de seus supedâneos legais correspondentes restou, com a máxima vênia, ainda assim omitido e/ou não completa e claramente realizado, o que se faz impositivo seja ora formalizado pelos Eminentes Julgadores com e no pertinente acolhimento e julgamento dos presentes Embargos de Declaração. Fl. 408DF CARF MF 4 O exercício de admissibilidade do recurso se deu por meio do despacho de e folhas 400/404 ocorrendo de forma parcial, com o consequente encaminhamento desse para deliberação e julgamento dessa Turma, nos seguintes termos: Não obstante, entendo que houve omissão quanto à apreciação dos outros insumos. Explico. O acórdão de manifestação de inconformidade mantém as glosas efetuadas pela autoridade autuante segundo dois fundamentos: i) o conceito do termo “insumos” mais restrito que o considerado pelo contribuinte, e ii) a falta de provas quanto ao pertencimento de alguns insumos ao processo produtivo. No recurso voluntário o embargante suscita a questão do ônus da prova, argumentando que não lhe cabe a instrução probatória sobre a efetiva compra dos insumos e sobre sua vinculação com a produção (efolha 243 e seguintes). Reproduzo apenas o primeiro parágrafo dessa argumentação (efolha 243): Também já de início, com incisiva veemência, cumpre ora contestar observação/fundamento consignado neste acórdão de primeira instância, consistente na suposta assertiva de que os créditos controversos em questão não teriam sido materialmente comprovados pela empresa contribuinte, antes de todo o, demais, arguido. Todavia, o acórdão embargado não trata dessa questão. Com efeito, não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais não se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção. Por exemplo, os materiais elétricos, um dos insumos suscitados nos presentes embargos, podem pertencer ou não ao conceito de insumos que geram crédito, a depender de estarem efetivamente vinculados à produção. Portanto, entendo que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada omissão na decisão embargada. Determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Terceira Seção de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11516.001148/200914 Acórdão n.º 3302005.348 S3C3T2 Fl. 4 5 Os presentes Embargos de Declaração foram devidamente admitidos, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme acima descrito a embargante suscitou omissão, contradição e contrariedade do acórdão embargado e, segundo o nobre Conselheiro que recebeu o recurso para a análise dos requisitos de admissibilidade, teria havido omissão quanto a questão do ônus da prova e efetiva compra de insumos e sua vinculação ao processo produtivo. Para o Conselheiro "não há no acórdão embargado tratativa sobre insumos dos quais se poderia deduzir, apenas pela descrição contábil, se estariam albergados pela decisão, e que não foram provados como tais pelo contribuinte, isto é, que teriam sido efetivamente adquiridos e utilizados direta ou indiretamente na produção." E dessa forma entendeu "que o colegiado deva se manifestar acerca da prova da vinculação dos insumos glosados com o processo produtivo, e o respectivo ônus, considerando a importância desse tema para a liquidação da decisão." Não obstante, compulsando os autos não entendo tenha havido falta de provas, ou até mesmo que a fiscalização tenha deixado de analisar os documentos trazidos pela contribuinte embargante, explico. Do Despacho Decisório/Informação Fiscal encartado às fls. 173/183 do e processo, podemos verificar de forma clara que a fiscalização observou e analisou todos os documentos colacionados pela contribuinte, inclusive realizando inspeção in loco em uma das unidades da embargante, que teve por finalidade entender de forma exata a atividade da empresa para se ter por base qual tipo de material/prestação de serviços poderia ser considerado como insumo. Destaco trecho da informação fiscal, com inicio à fl. 181 do eprocesso: 4 Do Direito Creditório Em fiscalização realizada no estabelecimento do contribuinte verificouse que há um elevado número de insumos e serviços aplicados no processo de extração, beneficiamento e venda do carvão mineral. Impende informar que o processo produtivo de uma mineradora é totalmente diferente das demais empresas, pois nela as instalações para a extração do carvão são transferidas para dentro da mina, como máquinas, transformadores, cabos elétricos, luminárias, etc. Há também o apoio externo para o desenvolvimento das atividades lá dentro, como ventilador para inserir ar puro e exaustor para extrair ar contaminado. Para o desenvolvimento do trabalho de identificação dos insumos e serviços prestados na extração do carvão, que dão origem ao crédito do PIS e da COFINS, visitouse uma mina do contribuinte em plena atividade de extração. Com isso, podese visualizar de forma precisa todo o processo produtivo da empresa. A verificação fiscal dos documentos que deram origem ao crédito ora analisado, efetuada pelo método de amostragem, Fl. 410DF CARF MF 6 abrangeu o período de julho de 2004 a dezembro de 2007. Foram apreciadas as notas fiscais de entrada e as notas fiscais de saída, além das informações contidas nos registros contábeis fornecidos pela empresa, nos Pedidos de Ressarcimento PERDCOMP, fls. 01 a 04, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 05 a 58, e nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), fls. 81 a 130. Além desses, a empresa forneceu, em meio magnético, arquivo contendo todas as notas fiscais utilizadas como "Compras de Insumos" Ao analisar os arquivos magnéticos fornecidos pelo contribuinte constatouse que foram incluídos como crédito, na apuração do PIS, vários produtos e serviços que não se enquadram no conceito de insumos, conforme definido no art. 66 da Instrução Normativa — SRF no 247, de 21 de novembro de 2002. Tais produtos estão arrolados na planilha juntada às fls. 140 a 157, e foram excluídos quando do cálculo da referida contribuição. Destaquese que os insumos não considerados na apuração do PIS referemse a produtos e serviços que não estão ligados diretamente à produção (terraplenagem, turfas ambientais, análise da água, conserto de máquina de escrever, etc) e a produtos que não tem ligação alguma com a atividade da empresa (cartão de natal, bicicleta, camisas oficiais do Criciúma, boné para brinde, serviço hospitalar, etc). Há também a exclusão de alguns produtos baseado nos atos expedidos pela RFB, como é o caso das aquisições de bens usados — ex, aquisição de motores retificados. Segundo o I, § 30, art. 1° da IN SRF no 457/2004 é vedada a utilização de crédito decorrente da aquisição de bens usados. Outra exclusão diz respeito às instalações, máquinas ou motores novos que a empresa incluiu indevidamente no crédito de insumos, pois tais produtos estão sujeitos ao crédito de suas amortizações ou depreciações, conforme estabelece a legislação, e não do seu valor total quando da construção ou aquisição. Impende esclarecer, ainda, que os créditos decorrentes dos encargos de amortizações e depreciações que a empresa deixou de considerar na apuração das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos podem ser efetuadas dentro do prazo de 5(cinco) anos da construção ou amortização, conforme o caso. Nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte, fls. 137 a 139, verificouse que foram incluídos, no rol de créditos a serem descontados na apuração do PIS e da COFINS, serviços e produtos que não estavam relacionados nas "Compras de Insumos". Como esses "insumos" não estavam devidamente discriminados, intimouse a empresa a apresentar arquivo magnético contendo todas as informações necessárias à análise desses dados. Em atendimento à referida intimação, o contribuinte encaminhou arquivo contendo relação com nome completo do fornecedor e seu CNPJ, o no do documento, as datas de emissão e entrada, a discriminação de cada produto/serviço e seu valor. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 11516.001148/200914 Acórdão n.º 3302005.348 S3C3T2 Fl. 5 7 Apurouse que alguns desses dispêndios não podem ser considerados como crédito na apuração do PIS e da COFINS, como é o caso das comissões de vendas, da assessoria fiscal e contábil, dos diversos cursos, das despesas com alimentação dos trabalhadores, do transporte dos empregados, das despesas com vigilância e limpeza, dentre outros. Diante disso, emitiuse novas memórias de cálculo, considerando apenas os insumos que dão direito ao crédito das contribuições em análise. Nelas inseriuse, também, os faturamentos da empresa, fls. 160 a 162. Destaquese, ainda, que os pagamentos efetuados a empresa GR TERRAPLENAGEM LTDA, inseridos nas memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte,contêm valores que não fazem parte do conceito de insumo, conforme planilha de custo dos serviços, fls. 158 a 159, motivo pelo qual excluiuse tais valores nas novas memórias de cálculo, supra mencionadas. Por sua vez, o contribuinte incluiu em alguns meses no cômputo dos valores tributários, de forma indevida, as receitas financeiras. Tais valores foram extraídos dos cálculos das contribuições, conforme se verifica nessas novas memórias de cálculo. As fls.163, contém demonstrativo em que são apresentados o crédito de cada mês, o montante do trimestre, o valor solicitado de ressarcimento e o valor concedido. É importante ressaltar nesse momento que vários dos itens elencados no despacho parcialmente transcrito, já foram objeto de decisão, indicados inclusive quando da analise de admissão dos presentes Embargos de Declaração, havendo nesse momento deliberação somente sobre outros insumos que, a despeito de terem sido indicados pelo contribuinte, não foram objeto de análise do acórdão embargado. Assim, temos que o despacho decisório deve ser analisado conjuntamente com as planilhas de fls. 149 a 166 do eprocesso, onde podemos verificar de forma precisa quais itens indicados como insumo pela contribuinte embargante, foram objeto de glosa pela fiscalização. Analisando item a item de referidas planilhas, excluindo aqueles já tratados na decisão que não são objeto dos presentes embargos, podemos verificar que os eventuais créditos sobre insumo relacionados a embalagens de transporte e de comercialização de carvão mineral, canos/dutos para ingresso e saída de água das minas, fiação e material elétrico e demais estruturas de manutenção e conservação regulares e indispensáveis das minas, esteiras para ingresso e saída de material e produto dessas mesmas minas, não constam como itens glosados pela fiscalização, assim não haveria que se falar em impossibilidade de fruição dos créditos relacionados à aquisição desses itens, e, como consequência, não esta configurada a omissão alegada pela embargante. Dessa forma, entendo que não se trata de omissão, pois como podemos verificar dos autos do processo, em que pese não terem sido elevados à condição de "insumos", os produtos e materiais relacionados no parágrafo anterior, não foram, pelo menos é o que se depreende das planilhas trazidas pela fiscalização, objeto de glosa do crédito. Fl. 412DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por rejeitar os presentes embargos. É como voto. José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 413DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.722305/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS.
A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia.
Numero da decisão: 2401-005.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia.
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nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 133 1 132 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.722305/201522 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.372 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Recorrente ARTECOLA QUÍMICA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1992 a 31/10/1994 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. EMPREGADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa apenas não integra o salário de contribuição quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, que à época dos fatos geradores não existia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 05 /2 01 5- 22 Fl. 133DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 31.861.0230) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados PLR. O contribuinte impugnou o lançamento, alegando que o dispositivo constitucional que autoriza o pagamento da PLR é autoaplicável. Conforme decisão de fl. 12, julgouse procedente o lançamento. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou recurso, fls. 13/16, que contém, em síntese: Alega que a CR/88, art. 7º, XI, prevê que sobre os valores pagos a título de PLR não integram a remuneração do empregado e, portanto, não estão passíveis de contribuição previdenciária. Afirma que as normas não autoaplicáveis são exceção no sistema constitucional e que a norma válida vige a partir de sua publicação. Cita doutrina. Acrescenta que a dependência da aplicação da norma constitucional à edição de lei inferior põe em perigo a eficácia do direito outorgado ou da obrigação imposta. Requer seja desconstituído o lançamento, tendo em vista a impossibilidade jurídica de se praticar ou exigir a prática de ato contrário à constituição. O texto explicativo de fls. 122/131, apresenta a situação da seguinte forma: A empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento do crédito tributário em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/0001 30 – evento de incorporação posterior – vide tela em anexo) alega estar aguardando o julgamento do recurso (administrativo) por ela interposto, ainda lá no ano de 1995, contra a decisão da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS, que, indeferindo a impugnação apresentada pela referida empresa, concluiu pela procedência do lançamento [...]. Apenas a título de esclarecimento contextual, informase que são 09 (nove) NFLD’s, no total, na mesma situação, emitidas na mesma ação fiscal, cada uma delas vinculada a um estabelecimento específico da (mesma) empresa recorrente (CNPJ’s da matriz e respectivos estabelecimentos filiais) e todas elas referentes ao mesmo caso/assunto (incidência de contribuições previdenciárias sobre distribuição de lucros aos segurados empregados relativa a período anterior à regulamentação da matéria por norma infraconstitucional), contendo competências de 03/1992 a 10/1994 [...]. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11065.722305/201522 Acórdão n.º 2401005.372 S2C4T1 Fl. 134 3 Nos Sistemas (eletrônicos) da Dataprev, [...], consta o registro de que, em 21/05/1996, tal crédito tributário passou para a "Fase 517", que corresponderia à situação de "CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO SUBJUDICE". Esse registro corresponde (ou deveria corresponder) a uma informação no sentido de que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, [...] teria ingressado com uma ação judicial para discutir o referido lançamento de crédito tributário previdenciário. [...] Em função disso, pesquisouse junto à Seção Judiciária da Justiça Federal no Rio Grande do Sul e, também, junto a algumas comarcas da Justiça Estadual do Rio Grande do Sul (Novo Hamburgo e Campo Bom, já que o sujeito passivo em questão, ao menos seu estabelecimento matriz/centralizador, tem seu domicílio tributário/fiscal no Município de Campo Bom, RS) acerca da existência de eventual ação judicial relativa ao lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230, porém não se encontrou nenhuma ação judicial proposta pela referida pessoa jurídica visando à discussão (anulação, desconstituição, modificação etc.) do referido lançamento de crédito tributário previdenciário. A mencionada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230 referese à inclusão, no saláriode contribuição/base de cálculo das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a terceiros, dos valores distribuídos, pela recorrente, aos seus empregados, a título de participação deles nos lucros da empresa, relativos ao período de 03/1992 a 10/1994, ou seja, referente a período anterior à edição da Medida Provisória nº 794, de 30.12.94 e reedições posteriores (MP 1487, MP 1539 e MP 1619) e, obviamente anterior à MP 1.98277, de 23 de novembro de 2000 e da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento dos créditos tributários em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/0001 30), por sua vez, tem afirmado, de forma reiterada, que não ajuizou nenhuma ação para discutir o lançamento de crédito tributário constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230 porque, segundo ela, ainda está aguardando o julgamento administrativo do recurso (administrativo) por ela interposto, no ano de 1995 (ano de mil, novecentos e noventa e cinco), contra a decisão da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS, dirigido à Junta de Recurso da Previdência Social JRPS, em Porto Alegre, RS (que, à época, era o órgão competente para julgamento do mencionado recurso), porém que ainda não teve notícia quanto a eventual ocorrência do julgamento dele, que Fl. 135DF CARF MF 4 não recebeu nenhuma resposta acerca disso, que nunca foi cientificada de nenhuma decisão sobre eventual julgamento do referido recurso administrativo. [...] Apenas a título de esclarecimento, até para fins de contraste, convém referir que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), teve outros lançamentos de créditos tributários previdenciários lavrados contra si, pela Fiscalização do INSS, referente à mesma matéria, isto é, de contribuições previdenciárias e aquelas destinadas a terceiros decorrentes dos valores por ela distribuídos, a título de participação dos lucros, aos seus empregados, relativos a períodos anteriores à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal (inicialmente por meio da MP 794/94): tratase das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD’s nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, porém, todas essas NFLDs dizem respeito a períodos de apuração (competências) anteriores àquelas competências constantes na NFLD à que se refere o presente recurso administrativo. Essas NFLDs (31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490), contêm o período relativo às competências de 10/1991 a 02/1992, enquanto a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD nº 31.861.0230 abrange as competências 03/1992 a 10/1994, ou seja, esta última NFLD referese a períodos posteriores àqueloutras. Em relação às NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, de fato, constatouse que, especificamente (e tão somente) quanto a elas, a referida empresa ajuizou uma ação ordinária visando à anulação dos correspondentes lançamentos de crédito tributário: tratase da Ação Ordinária nº 92.00.185142/RS (Subseção Judiciária da Justiça Federal em Porto Alegre RS), tendo sequência no Recurso de Apelação/Reexame Necessário Cível nº 1999.04.01.0816521 (TRF4), passando pelo Recurso Especial REsp nº 445.791 (STJ) terminando no Recurso Extraordinário nº 393.764 (STF), onde o respectivo trânsito em julgado ocorreu em 06/03/2009, com a conclusão, pelo STF, pela incidência das alíquotas das contribuições previdenciárias (e aquelas destinadas terceiros) sobre os lucros distribuídos aos empregados pela referida empresa. Juntouse, em anexo, cópia de partes dessa ação apenas para identificar que ela se refere especificamente, restritamente e tão somente às NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490, onde se pode verificar que essa ação não abrange a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11065.722305/201522 Acórdão n.º 2401005.372 S2C4T1 Fl. 135 5 Não parece de todo irrazoável cogitarse que a existência – à época em andamento –da Ação Ordinária nº 92.00.185142/RS, proposta pela empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), quiçá, pudesse ter gerado a presunção, no âmbito administrativo –da, então, à época, Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social GRAF em Novo Hamburgo, RS –, de que essa ação, de alguma forma, por se referir ao mesmo assunto, ou seja, inclusão, na base de cálculo das contribuições previdenciárias, dos valores distribuídos aos segurados empregados, a título de participação deles nos lucros da empresa, pudesse ter abrangido também o lançamento de crédito previdenciário relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230 e que, em função disso, e, ainda, pelo princípio constitucional da unicidade de jurisdição, pudesse ter ocorrido a consequente presunção de definitividade da discussão no âmbito administrativo. [...] Já – diferentemente das NFLDs nº 31.537.3440, 31.537.3458, 31.537.3466, 31.537.3474, 31.537.3482 e 31.537.3490 –, em relação à (presente) Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230, conforme já se explicou acima, embora ela também diga respeito a crédito tributário previdenciário referente a incidências das alíquotas das contribuições previdenciárias e daquelas destinadas a terceiros sobre os valores entregues, pela empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento dos créditos tributários em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), aos seus empregados a título de participação (deles) nos lucros da referida pessoa jurídica, não se encontrou nenhuma ação judicial buscando a anulação, ou modificação ou desconstituição do correspondente lançamento de crédito tributário. [...] A inexistência de ação judicial visando à anulação ou desconstituição desse lançamento é um fato categoricamente afirmado pela própria empresa (sujeito passivo em tela), pois que, declara ela, repetidamente, ter optado por discutir o referido lançamento na via administrativa, porém que até hoje não recebeu nenhuma resposta acerca do recurso administrativo por ela interposto ainda lá no ano de 1995, conforme descrito acima. [...] Embora, nos Sistemas da Dataprev, o débito referente à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 31.861.0230 conste registrado na “fase 517 CREDITO PREVIDENCIARIO SUBJUDICE”, desde a data de “21/05/1996”, conforme já se esclareceu acima, não se encontrou nenhuma ação judicial proposta pelo respectivo Fl. 137DF CARF MF 6 sujeito passivo visando à anulação ou modificação do lançamento do correspondente crédito tributário previdenciário. [...] A referida empresa, inclusive, declarou em juízo, quando da impetração do mandado de segurança nº 5005416 76.2010.404.7108/RS (ajuizado com a exclusiva finalidade de obtenção de certificado de regularidade fiscal), no ano de 2010, na Subseção da Justiça Federal em Novo Hamburgo, RS, que o débito tributário previdenciário referente a essa NFLD não poderia ser óbice para obtenção de certificado de regularidade fiscal previdenciária, já que ele deveria estar com a exigibilidade suspensa por força do recurso administrativo interposto, ainda pendente de julgamento por parte da Administração Tributária Federal desde o ano de 1995. Juntaramse, em anexo, cópia da Sentença proferida no citado mandado de segurança nº 500541676.2010.404.7108/RS deferindo o pedido da empresa, da "capa" do referido mandado de segurança 5005416 76.2010.404.7108/RS, contendo a chave (394213033210), para acesso à integralidade do mencionado processo, no endereço https: //eproc.jfrs.jus.br/eprocV2/ > Consulta Pública > Justiça Comum/JEF (V2). [...] Considerandose que a empresa ARTECOLA INDÚSTRIAS QUÍMICAS LTDA, CNPJ 44.699.346/000103 (à época do lançamento do crédito tributário em questão, o CNPJ da matriz era 89.907.497/000130), aguarda um julgamento de seu recurso administrativo acima descrito, referente ao lançamento de crédito tributário relativo à Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 318610248 e, considerandose, ainda, que, atualmente, em face das alterações ocorridas na legislação, agora, é do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a competência legal e regimental para julgar recurso administrativo referente a contribuições previdenciárias devidas por pessoa jurídica, pedese que esse Órgão do Ministério da Fazenda dignese, enfim, proceder ao julgamento do mencionado recurso administrativo, por cuja decisão a recorrente afirma estar aguardando desde o ano de 1995, conforme acima descrito. Na denominada Ficha de Registro de Processo de Infração RPI da referida empresa junto ao exIAPAS/INSS, consta a anotação de que, de fato, ela apresentou Recursos Administrativos tempestivos insurgindose contra as decisões administrativas de 1º (primeiro) grau que julgou procedentes os respectivos lançamentos referentes às NFLD’s 318610175, 318610183, 318610191, 318610205, 318610213, 318610221, 31861023 0, 318610248 e 318610256, sendo que, em tal documento, porém, não consta que haja ocorrido julgamento deles nem que tenha sido dado uma resposta de eventual julgamento de tais recursos à referida empresa (ora recorrente). [...] É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11065.722305/201522 Acórdão n.º 2401005.372 S2C4T1 Fl. 136 7 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PLR Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. No caso da PLR, o art. 7o, XI da Constituição Federal de 1988, dispõe que: Art. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (grifo nosso) E ainda, de fato, o art. 28, § 9º, prevê hipóteses de não incidência de contribuições sociais sobre participação nos lucros e resultados: Art. 28. [...] Fl. 139DF CARF MF 8 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) [...] Vêse, portanto, que tais hipóteses de renúncia fiscal não são absolutas, mas sim condicionadas pelo próprio dispositivo legal que as prevê. No caso da PLR, a isenção apenas acontece se os pagamentos forem efetuados de acordo com a lei específica. À época dos fatos geradores apurados na NFLD em análise, não havia lei específica que tratasse da PLR. O próprio contribuinte ajuizou ação ordinária para que fossem anulados lançamentos contra ele efetuados, pelo mesmo motivo, mas em período anterior ao presente, que foi objeto de recurso extraordinário, tendo o STF, Relator Ministro Gilmar Mendes, julgado da seguinte forma: Nos termos do entendimento firmado por esta Corte no julgamento do Mandado de Injunção 102, Pleno, Redator para o acórdão Carlos Velloso DJ 25.10.02, é de se concluir que a regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, que implementou o direito dos trabalhadores na participação nos lucros da empresa. Desse modo, a participação nos lucros somente pode ser considerada "desvinculada da remuneração" (art. 7º, XI, da Constituição Federal) após a edição da citada Medida Provisória. Portanto, verificase ser possível a cobrança de contribuição previdenciária antes da regulamentação do dispositivo constitucional, pois integrava a remuneração. Nesse sentido, monocraticamente, o RE 351.506, Rel. Eros Grau, DJ 04.03.05. Assim, conheço e dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1ºA, do CPC) para reconhecer a exigência da contribuição previdenciária sobre a parcela paga a título de participação nos lucros da empresa no período anterior à edição da Medida Provisória nº 794, de 1994. [...] Referida MP 794 é de 29/12/94, logo, qualquer valor pago a título de PLR em período anterior a esta data, o que engloba o período do presente lançamento, é considerado remuneração e sobre tais valores deve ser apurada a contribuição previdenciária. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11065.722305/201522 Acórdão n.º 2401005.372 S2C4T1 Fl. 137 9 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000062/2006-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO.
Como há depósito do montante integral, excluem-se os juros de mora.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos relativos aos juros de mora.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Como há depósito do montante integral, excluem-se os juros de mora. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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JUROS DE MORA. EXCLUSÃO. Como há depósito do montante integral, excluemse os juros de mora. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos relativos aos juros de mora. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 00 62 /2 00 6- 44 Fl. 155DF CARF MF 2 Por bem transcrever os fatos e ser sintético, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ/Fortaleza, fls. 111/1121: Trata o presente processo de lançamentos de créditos tributários, formalizados em dois autos de infração, conforme discriminado a seguir: a) Auto de Infração de fls. 0207, através do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social incidente na Importação (COFINSImportação), no valor de R$ 345.678,55, acrescido de juros de mora; b) Auto de Infração de fls. 0812, por meio do qual foi constituído o crédito tributário relativo à Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação (PIS/PASEP Importação), no valor de R$ 75.048,64, acrescido de juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos, contida nos autos de infração, houve falta de recolhimento das referidas Contribuições, previstas na Lei nº 10.865/2004, incidentes na importação da mercadoria amparada pela Declaração de Importação (DI) de fls. 1418. A fiscalização relata que a exigibilidade dos créditos tributários está suspensa em face do depósito do montante integral, conforme processo nº 2004.38.00.0291643, da Justiça Federal, Seção Judiciária de Minas Gerais. Cientificada dos lançamentos em 04/05/2006, conforme Aviso de Recebimento de fls. 8081, a empresa insurgiuse contra a exigência, apresentando, em 12/05/2006, a impugnação de fls. 8384, acompanhada dos documentos de fls. 8592, na qual afirma que está apresentando a comprovação do recolhimento dos tributos, exigidos no Auto de Infração, ressaltando que o crédito tributário lançado está com a exigibilidade suspensa por depósito judicial, conforme art. 151, inciso II, do CTN. Aduz que o crédito tributário encontrase integralmente depositado na Caixa Econômica Federal, à ordem e à disposição da autoridade administrativa competente, não havendo diferenças a serem recolhidas, tendo em vista haver sido realizado na data do registro da Declaração de Importação, conforme documentos anexos à impugnação, datados de 11/04/2004. Por fim, requer o cancelamento dos Autos de Infração, com o consequente arquivamento do processo administrativo. A impugnação foi considerada improcedente, a ementa do acórdão é colacionado abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/10/2004 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11891.000062/200644 Acórdão n.º 3302005.153 S3C3T2 Fl. 3 3 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DIVERGÊNCIA PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do Princípio da Unidade de Jurisdição, a propositura de ação judicial contra a Fazenda Pública importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Em relação à referida matéria, o lançamento torna se definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. Havendo divergência parcial de objetos entre o processo administrativo e a ação judicial, é cabível o julgamento administrativo da lide unicamente no que concerne à matéria diferenciada. Nessa hipótese, havendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2004 DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. VALIDADE. O depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, porém, não importa nulidade do lançamento de ofício realizado pela autoridade fiscal, ficando assegurado ao sujeito passivo não ser iniciado qualquer procedimento executório antes do encerramento da lide em que se discute a existência do crédito tributário, ocasião em que o valor do depósito será devolvido ao depositante, acrescido de juros de mora, se a sentença lhe for favorável, ou transformado em pagamento definitivo, extinguindo o crédito tributário objeto do auto de infração, quando se tratar de decisão favorável à Fazenda Nacional. A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, pleiteando pelo cancelamento do auto de infração face à existência do depósito judicial do montante integral. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 08 de fevereiro de 2013, fls. 124, e o recurso foi protocolado em 08 de março de 2013, fls. 126. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Depósito judicial do montante integral Fl. 157DF CARF MF 4 A Recorrente insurgese contra os autos de infrações, pois entende que o depósito integral dos montantes equivale ao lançamento por homologação, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Do referido Tribunal, temse que: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1.O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11891.000062/200644 Acórdão n.º 3302005.153 S3C3T2 Fl. 4 5 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo iscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (grifos não constam no original) (STJ; REsp 1.140.956/SP; Relator: Ministro Luiz Fux; Data da sessão: 24.11.2010) No caso em análise, em consulta ao sítio eletrônico da Justiça Federal de Minas Gerais em relação aos autos de mandado de segurança, autos 2004.38.0291643, em trâmite na 8ª Vara Federal de Belo Horizonte, não há a informação de conversão do depósito em renda da União, assim, isso gera uma dúvida quanto à hipótese de ter ocorrido ou não levantamento dos valores por parte da contribuinte. Até poderseia aplicar o repetitivo em questão, mas, por uma questão de cautela, e já que não haverá qualquer tipo de prejuízo à Recorrente, pois quando houver a referida conversão, haverá o cancelamento do auto, deixase de aplicar o precedente do Superior Tribunal de Justiça. Contudo, deve ser observada a seguinte súmula CARF: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. No caso dos autos, ao analisar a DI 04/1028105, registrada em 13 de outubro de 2004, fls. 14 e seguintes, consta, na própria DI, o depósito judicial no mandado de segurança em questão. Fl. 159DF CARF MF 6 Assim, em conformidade com a Súmula CARF nº 05, devem ser afastados os juros de mora, quando existe o depósito do montante integral. Portanto, afastamse os juros de mora. 3. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, concedo provimento parcial para afastar os lançamentos relativos aos juros de mora. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901874/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 74 /2 01 2- 70 Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.026, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1896DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1898DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1899DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1900DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1901DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1902DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1903DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1904DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1905DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10680.901874/201270 Acórdão n.º 3201003.330 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1917DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720141/2013-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE DISPÊNDIO. INDEDUTIBILIDADE.
Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio gerado internamente ao grupo econômico sem que tenha havido dispêndio efetivo.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano-calendário correspondente, não havendo que se falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do ano-calendário.
Em observância ao princípio da non reformatio in pejus, no entanto, é mantida a decisão recorrida que adota solução menos onerosa à Contribuinte.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9101-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto ao ágio, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) quanto à desconsideração de valores a deduzir dos tributos pela fiscalização, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (iii) quanto à multa isolada, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento e (iv) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. A conselheira Cristiane Silva Costa manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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CONCOMITÂNCIA DE MULTAS. JUROS SOBRE MULTA Recorrente CA PROGRAMAS DE COMPUTADOR, PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE DISPÊNDIO. INDEDUTIBILIDADE. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio gerado internamente ao grupo econômico sem que tenha havido dispêndio efetivo. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no ano calendário correspondente, não havendo que se falar em impossibilidade de imposição da multa após o encerramento do anocalendário. Em observância ao princípio da non reformatio in pejus, no entanto, é mantida a decisão recorrida que adota solução menos onerosa à Contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 41 /2 01 3- 50 Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.460 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, (i) quanto ao ágio, por maioria de votos, acordam em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (ii) quanto à desconsideração de valores a deduzir dos tributos pela fiscalização, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento; (iii) quanto à multa isolada, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento e (iv) quanto aos juros de mora sobre multa de ofício, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. A conselheira Cristiane Silva Costa manifestou intenção de apresentar declaração de voto, porém não o fez até o encerramento do prazo regimental. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório C.A. PROGRAMAS DE COMPUTADOR, PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 2157, contra o acórdão nº 1401001.584, de 5 de abril de 2016 (efls. 2081), que deu parcial provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício de 150% para 75% e para cancelar as multas isoladas aplicadas nos períodos de 2008 a 2012, mas mantendo a diferença de multa isolada na parte em que sua base de cálculo exceder a base de cálculo da multa de ofício por ano calendário. Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.461 3 O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 2387, sendo ressalvado que os acórdãos n°s 1301001.297 e 301001.299 não foram admitidos como paradigmas (matéria I.1 Óbices legais para o registro e amortização do ágio). Interposto Agravo, a decisão em tela foi mantida (Despacho de efls. 2445). A Fazenda também apresentou Recurso Especial, o qual não foi admitido por ser intempestivo (Despacho de efls. 2140). Nas matérias objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 (...) ÁGIO INTERNO. ÁGIO DE SI MESMO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL NA CRIAÇÃO DA RECORRENTE. ARTIFICIALIDADE. Apesar de não ter havido configuração de empresa veículo, a Recorrente foi criada para gerar o ágio, pois a empresa incorporada por ela, ou mesmo a empresa uruguaia, poderia ter se tornado o tal Centro de Serviços Compartilhados. A criação da Recorrente no mesmo endereço da incorporada, com transferência de ativos, operações e funcionários desta para aquela, revela uma estratégia, sem propósito negocial, traçada para gerar a redução da tributação. (...) MULTAS ISOLADAS DE 50%. CONCOMITÂNCIA. PERÍODO APÓS A LEI Nº 11.488/2007. COMPARASE COM A MULTA DE OFÍCIO MULTIPLICADA POR 2/3. CANCELAMENTO ATÉ ESSE VALOR. Após a Lei nº 11.488/2007, a interpretação da Súmula nº 105 do CARF deve ser no sentido de cancelar as multas isoladas apenas quando as suas bases de cálculo sejam iguais ou menores às bases de cálculo das multas de ofício. Isso significa multiplicar a multa de ofício por 2/3 e verificar se o resultado é igual ou maior do que o valor da multa isolada. Caso o resultado seja menor do que o da multa isolada, a multa de ofício é que será cancelada ou, caso se prefira, será cancelada a multa isolada até o valor da multa de ofício multiplicado por 2/3, mantendose a exigência da diferença entre elas. (...) JUROS SOBRE MULTA. APLICABILIDADE. Após aplicada a multa, ela se torna débito do contribuinte perante a Receita Federal. Uma vez não paga no prazo, começam a correr juros sobre essa dívida. Portanto, os juros sobre multa devem ser aplicados. O recurso especial da Contribuinte contempla quatro matérias, conforme a seguir. Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.462 4 No tocante à primeira matéria (amortização de ágio interno) o único dos acórdãos paradigmas admitido conforme antes relatado foi o acórdão n° 1301001.224, do qual se transcreve a parte de interesse da ementa: Acórdão paradigma n° 1301001.224: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 (...) INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A efetivação da reorganização societária, mediante a utilização de empresa veículo, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. O “abuso de direito” pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros, não podendo ser invocada se a utilização da empresa veículo, exposta e aprovada pelo órgão regulador, teve por objetivo proteger direitos (os acionistas minoritários), e não violálos. Não se materializando excesso frente ao direito tributário, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo, nem frente ao direito societário, pois a utilização da empresa veículo deu se, exatamente, para a proteção dos acionistas minoritários, descabe considerar os atos praticados e glosar as amortizações do ágio. As alegações de mérito da Recorrente em relação a essa matéria, são, em síntese, as seguintes: a) no item "II.2. POSSIBILIDADE DE REGISTRO DE ÁGIO EM OPERAÇÃO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO PARA FINS TRIBUTÁRIOS" do recurso, a Contribuinte registra, inicialmente, que recebeu, como integralização de aumento de seu capital, investimentos que antes eram detidos por sua controladora, dentre eles o investimento na CA_PRO. E, em obediência à legislação aplicável, avaliou este investimento pelo valor do patrimônio líquido e desdobrou o custo da aquisição em investimento e ágio (conforme determina o Art. 20 do Decretolei 1.598/77). Também conforme determina a legislação, o registro do ágio teve como base laudo de avaliação do investimento na CA_PRO a valor justo de mercado contratado pela Recorrente e elaborado por empresa independente de reputação no mercado (fls. 236 a 271, e tradução juramentada às fls. 272 a 290), sendo o fundamento do ágio caracterizado como consequência da expectativa de rentabilidade futura da investida. Em que pese o acórdão recorrido tenha reconhecido a possibilidade de reconhecimento do ágio interno, estabeleceu como premissa à sua dedutibilidade a existência de propósito negocial das operações societárias que a ensejaram, em particular, o propósito negocial para constituição de uma nova sociedade para a consolidação dos investimentos da América do Sul e criação de um centro de serviços compartilhados; b) assevera que a conclusão acerca da necessidade de propósito negocial não decorre de previsão legal, como seria de se esperar em vista do princípio constitucional da Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.463 5 estrita legalidade que rege o Direito Tributário Brasileiro, mas veio sendo “criada” por meio da publicação de decisões administrativas que se pautaram em conceitos e princípios “importados” de outras jurisdições, bem como da aplicação imprudente das regras de contabilidade, o que certamente não pode ocorrer. Aqui aduz que para fins de determinar o regime de uma obrigação tributária, primeiro se deve recorrer à lei tributária, e, apenas quando esta se reportar à contabilidade ou permitir que o intérprete a ela recorra, é que se deve buscar suporte nas lições contábeis, sendo que "não é possível admitir o caminho inverso, ou seja, aquele que parte da contabilidade para (re)definir o que a lei tributária já definiu". E assim argumenta em relação: 34 Importante esclarecer que, ainda que o acórdão aduza que “o OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/07, caso fosse o único fundamento a suportar o entendimento do Auto de Infração e da DRJ, não poderia ser aplicado ao caso aqui em análise”, conclui pela necessidade de propósito negocial para a geração do ágio exclusivamente em razão das normas contábeis ao aferir que referido ofício “não determina a interpretação jurídica, mas ele revela que o entendimento contábil não vê substância em operações que geram ágio intragrupo”. 35 Conclui, assim, que “a única maneira de se evitar o abuso da forma e do valor do ágio é garantir a substância do negócio”. Não obstante, a norma tributária relevante para a análise das obrigações tributárias supostamente não cumpridas pela Recorrente é o Art. 7º, da Lei 9.532/97, caput e seu inciso III. Referido dispositivo tem a seguinte redação: (...) 36 Como se vê, o art. 7º, caput e inciso III não definem o conceito de ágio, mas apenas a hipótese em que sua amortização tributária é possível. Nada obstante, o dispositivo em comento faz referência expressa ao ágio apurado segundo o art. 20, do Decretolei 1.598/77. O art. 20 estava assim redigido: (...) 37 Percebese que o inciso II do art. 20 do Decretolei, ao qual remete o art. 7º, da Lei 9.532/97, estabelece um conceito simples, mas completo, do que se deve entender por ágio para fins de definir o regime jurídico da amortização permitida pelo citado art. 7º, e não faz qualquer ressalva sobre o tipo de transação, nem mesmo sobre as partes envolvidas, para que seu registro seja aceito. (...) 39 Muito embora seja um conceito simples, é completo e dispensa quaisquer estudos adicionais para o seu bom entendimento. Em outras palavras, não é necessário (e nem seria correto) recorrer à doutrina contábil para entender o que significa a “diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição”. (...) 41 Como se vê, não havia qualquer impedimento legal para que ele seja gerado em um investimento realizado entre partes relacionadas. Tampouco havia restrição legal contrária à apuração do ágio para os casos em que a contrapartida da aquisição do investimento seria a emissão de quotas de capital social da pessoa jurídica adquirente, e não o pagamento em dinheiro. (...) Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.464 6 42 É bem verdade que a contabilidade mais recentemente passou a considerar impossível a ocorrência de ágio em investimento realizado entre partes relacionadas. Ocorre que, além de não ser a posição contábil vigente à época em que as operações em debate foram implementadas, esta é apenas a posição da ciência contábil acerca do ágio. Estas limitações pertencem ao conceito técnico contábil de ágio, mas não ao conceito jurídicotributário previsto no art. 20 do Decretolei 1.598/77, que deve ser observado para reger a obrigação tributária ora discutida. 43 Por isto, os argumentos contábeis da D. Fiscalização e do acórdão recorrido, bem como os diplomas normativos contábeis por ela citados (Resolução CFC 1.110/2007, Ofícios Circulares CVM/SNC/SEP 01/2006 e CVM/SNC/SEP 01/2007 e Pronunciamento Técnico CPC nº 04/2008), não se aplicam para determinar a possibilidade de amortização fiscal do ágio – este assunto é regulado exclusivamente pela lei tributária. c) traz doutrina do Prof. Luís Eduardo Schoueri, em que conclui que "não há, do ponto de vista da legislação tributária, qualquer restrição ao lançamento do ágio interno e sua contabilização", importando ver, caso a caso, se a operação é simulada; d) afirma que tal interpretação encontra respaldo, ainda, na Lei Federal nº 12.973/2014, que vedou o registro do ágio entre partes relacionadas, observando que a referida legislação, além de alterar o art. 20 do Decretolei 1.598/77, trouxe novas disposições sobre a amortização do ágio, substituindo as do art. 7º da Lei 9.532/97. Nesse ponto, assim argumenta: 48 O dispositivo acima transcrito cuida da amortização do ágio, e não do seu registro. E se, para permitir a amortização do ágio, o legislador teve de separar situações em que a aquisição de participação societária ocorre entre partes dependentes das que ocorrem entre não dependentes, resta claro que a relação entre as partes (dependentes ou não) não interfere com a possibilidade do registro do ágio (i.e., do ágio legal, registrado nos termos do Decretolei 1.598/77). 49 Assim, foi apenas a partir da vigência da referida Medida Provisória 627/2013 que deixou de ser permitido, pelo ordenamento jurídicotributário brasileiro, a amortização do ágio gerado entre partes dependentes. 50 Esclareçase, ainda, que nos termos do art. 106, I, do CTN, somente a norma interpretativa detém efeitos retroativos e estas são restritas às hipóteses nas quais expressamente se declaram como tal – o que não é o caso da Medida Provisória nº 627/2013 ou da Lei nº 12.973/2014. 51 Antes de referida Medida Provisória, forçoso reconhecer que a legislação permitia tal amortização (notadamente o art. 7º da Lei 9.532/97, que não continha a restrição incluída no art. 21, acima transcrito). Não fosse essa a decorrência lógica, não seria necessária a publicação de dispositivo normativo para proibir algo que já estava proibido, ou não seria necessário “explicitar” algo que já estava implícito. e) no item "II.3. SUBSTÂNCIA E REALIDADE DA CONDUTA DA RECORRENTE" do recurso, a Contribuinte intenta "demonstrar a real existência e substância das operações realizadas pelo Grupo CA na América Latina (e não só no Brasil) e que, portanto, não existe qualquer vício (seja dolo, fraude ou simulação) que as macule". Principia afirmando que: Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.465 7 54 De acordo com a D. Fiscalização, a D. DRJ e a decisão a quo, a reestruturação do Grupo CA na América Latina não teria propósito negocial, uma vez que: (...) 55 Em suma pretendem a D. Fiscalização e o CARF, de forma surpreendente, opinar acerca da forma pela qual devem ser conduzidos os negócios da Recorrente e de seu grupo. Apesar de o acórdão registrar que não se trata de definir como a Recorrente deve desenvolver suas operações, verificase que os argumentos da DRF sobre a suposta desnecessidade de se criar uma nova empresa para a unificação dos negócios do Grupo CA na América Latina foram apenas repisados pela decisão a quo. Ou seja, ainda que negue, o CARF pretende se imiscuir em seara para a qual não tem competência e conhecimento, e ainda pior, sem qualquer fundamento legal ou argumento tendente a invalidar a reestruturação implementada pelo Grupo CA. f) na sequência, assevera que, embora seja irrelevante a existência de propósito negocial para a legitimidade do ágio, bastando apenas que as operações que o ensejaram não sejam simuladas, afirma que a Fiscalização não nega o propósito negocial ou econômico da consolidação dos investimentos detidos na América Latina e de um Centro de Serviços Compartilhados, opondose, na verdade, "à constituição de uma nova empresa (a Recorrente) para exercer estes papéis, sobretudo em razão de que já existia à época uma empresa do grupo no país, a CA_PRO". E registra que "nada obstante reconheça a substância e a realidade da constituição da Recorrente, o CARF adotou o entendimento de que este passo foi desnecessário para os designíos de instituição de uma Holding na América Latina e de um centro de serviços compartilhados" e que "na opinião do CARF estas atividades poderiam ter sido desenvolvidas diretamente pela CA_PRO ou pela CA_Uru"; g) passa então a descrever e justificar a reestruturação do Grupo CA na América Latina e no Brasil, bem como destacar fatos que demonstram "a efetiva operação da Recorrente como Centro de Serviços Compartilhados", conforme excertos da peça recursal a seguir reproduzidos: 59 Pois bem. Antes da reestruturação, os investimentos nas várias empresas do Grupo CA na América Latina eram controlados também pela CA_Ca, sem qualquer possibilidade dos lucros auferidos por tais sociedades passarem pelo Brasil e serem, portanto, aqui tributados. 60 Além disso, todas elas executavam diversas atividades de forma redundante, especialmente nos departamentos de cursos administrativos e técnicooperacionais, de controladoria, de tecnologia da informação, suporte técnico e treinamento, e de assessorias de gestão, tais como marketing e análise de risco. 61 O primeiro passo para a reestruturação do Grupo CA na América Latina, e não só no Brasil, foi transferir todas as demais empresas latinoamericanas sob controle da CA Uruguay S.A. (empresa Uruguaia do Grupo CA, denominada CA_URU no TVF). (...) 64 Posteriormente, a CA_Ca aumentou sua participação no capital da Recorrente e integralizou o aumento de capital com a contribuição de todas as quotas que detinha tanto na CA_PRO quanto na CA_URU. 65 Nesse passo, importante referir que, ao contrário do que a D. Fiscalização consigna no TVF (especificamente no item 26), tanto a contribuição da CA_PRO Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.466 8 quanto a da CA_URU foram realizadas a valor de mercado. Contudo, não houve desdobramento do valor do ágio em relação a CA_URU porque a diferença entre os valores justos de mercado das demais empresas do Grupo CA na América Latina (de acordo com os quais se deu a emissão de novas quotas do capital social da Recorrente) e os valores de patrimônio líquido não era significativa. 66 Após as contribuições dos investimentos da CA_URU e da CA_PRO para a Recorrente, o Grupo CA na América Latina restou estruturado da forma ilustrada no organograma de fls. 212, abaixo resumido: 67 O Grupo CA optou por criar referido Centro de Serviços Compartilhados no Brasil porque aqui é que se realizam suas principais operações na região da América Latina. 68 Antes mesmo da constituição da Recorrente, diversas medidas foram adotadas pelo Grupo CA como parte do projeto de criação do referido centro de serviços, dentre elas uma análise minuciosa das atividades desenvolvidas pelas pessoas que já trabalhavam para o Grupo CA no Brasil (por óbvio, na CA_PRO) e que poderiam ser aproveitadas na nova empresa. (...) 70 Com base nesta análise, o Grupo CA alocou alguns empregados da CA_PRO que julgou capazes de executar as tarefas de um Centro de Serviços Compartilhados para a ora Recorrente, a CA_PAR. Como foi objeto de análise durante o procedimento fiscal, a D. Fiscalização confirmou que, de fato, inúmeros empregados foram alocados da CA_PRO para a Recorrente, CA_PAR (vide item 35 do TVF). 71 Além das DIRFs analisadas pela D. Fiscalização no TVF, também a DIPJ 2008, ano calendário 2007, demonstra que a Recorrente de fato assumiu os encargos e obrigações correspondentes aos empregados que lhe foram transferidos. Na Ficha 05A (Despesas Operacionais), Linhas 02 (Ordenados, Salários, Gratif. E Outras Remun. a Empreg.), a Recorrente registrou despesas de R$ 10.431.230,33 e na Linha 05 (Encargos Sociais, inclusive FGTS), despesas no valor de R$ 4.289.949,18. 72 Como mencionado na Impugnação, o fato de a maior parte dos empregados da Recorrente terem vindo da CA_PRO, à vista do exposto, não implica qualquer vício nas operações adotadas pelo Grupo CA para reestruturar os seus negócios na América Latina, uma vez que reestruturados de fato, e não apenas “no papel”. 73 Não se poderia exigir que a Recorrente, simplesmente por ser uma empresa recémconstituída, buscasse no mercado todos os seus novos empregados, se poderia contratar profissionais com os quais já mantinha relação. Como exposto acima, a Recorrente não nega que se aproveitou da estrutura que já havia na CA_PRO. Nada obstante, a Recorrente assumiu devidamente todas as obrigações e encargos relacionados aos empregados que lhes foram transferidos. 74 A D. DRJ também omite (tal como o TVF) que, em razão da constituição e posterior prestação de serviços pela Recorrente, foi possível ao Grupo CA reduzir seus custos operacionais nas demais empresas da América Latina, com a descontinuação dos empregados alocados nos outros países que realizavam as atividades que passaram a ser prestadas pela Recorrente na condição de Centro de Serviços Compartilhado, em especial no departamento financeiro. Nesse ponto, Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.467 9 confirase a listagem de pessoal descontinuado nas subsidiárias latinoamericanas juntada com a impugnação (doc. 03 da impugnação). 75 Também deve ser ressaltado que a Recorrente comprovou que a ela foram alocados os ativos necessários para a execução do papel de Centro de Serviços Compartilhados – informação sobre a qual também se omitiram o TVF e a r. decisão recorrida. 76 A Recorrente tinha, além dos recursos humanos já comentados, também os recursos físicos necessários para a prestação dos serviços a que se propôs prestar para justificar sua constituição no âmbito do Grupo CA na América Latina. 77 Tal fato é evidenciado pela DIPJ 2008, juntada aos autos às fls. 1.094 a 1.127, na qual a Recorrente declarou, na Ficha 05A (Despesas Operacionais), Linha 16 (Aluguéis), as despesas com a locação do espaço por ela ocupado, qual seja, R$ 613.982,56. 78 Apesar de, de fato ter sido constituída no mesmo endereço da CA_PRO, a Recorrente assumiu o ônus que disso decorreu. Novamente, seria de todo fora de propósito obrigar que a Recorrente tivesse seu endereço sede em outro local que não adjacente ao da CA_PRO para somente assim provar a sua independência. Nada mais comum no mundo empresarial que empresas do mesmo grupo estejam localizadas no mesmo endereço. 79 Além de estabelecer um Centro de Serviços Compartilhados, a reestruturação na América Latina também tinha o objetivo de centralizar os investimentos do Grupo CA na América Latina, o que contribuiria para aprimorar a eficiência operacional e de controle sobre as empresas da região e, especialmente, possibilitaria às sociedades controladoras atender com maior facilidade as regras a que estão submetidas as empresas norteamericanas listas em bolsa (recrudescidas em razão do muito conhecido Sarbanes and Oxley Act, “SOX”, de 2002). 80 Durante todo o anocalendário de 2007, a Recorrente efetivamente operou tal como proposto no âmbito da reestruturação, prestou serviços às demais empresas do Grupo CA na América Latina e obteve rendimentos tributáveis com esta prestação de serviços, os quais ofereceu à tributação (inclusive ao Fisco Federal, tendo recolhido PIS e COFINS sobre tais rendimentos, como foi reconhecido durante o procedimento fiscal). 81 Para evidenciar a efetiva prestação de serviços, no curso do procedimento fiscal a Recorrente apresentou à D. Fiscalização cópias de registros do website da Prefeitura do Município de São Paulo em que foram registradas as notas fiscais emitidas no período (especificamente na resposta ao Termo de Intimação 02, fls. 515/526 dos autos), não tendo a D. Fiscalização em momento algum contestado a sua validade, razão pela qual se trata de fato incontroverso. 82 Além das notas fiscais acima mencionadas, também comprova a efetiva operação da Recorrente como Centro de Serviços Compartilhados a Demonstração de Resultados reportada na Ficha 06A da DIPJ 2008, referente ao anocalendário de 2007, em cuja Linha 05 (Receita de Prestação de Serviços – Mercados Interno e Externo) a Recorrente registrou a expressiva quantia de R$ 21.847.115,93. h) ao final a Recorrente assim combate as conclusões alcançadas pela Fiscalização e pelos órgãos julgadores administrativos de primeira e segunda instâncias: Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.468 10 83 O acórdão recorrido, por sua vez, ao tratar do montante oferecido à tributação em razão dos serviços prestados pelo Centro de Serviços Compartilhados, pretende, novamente sem autorização ou competência para tanto, questionar, não as operações como um todo, mas a falta de propósito para a criação da Recorrente. Em trecho do referido acórdão o I. Relator do acórdão recorrido conclui que a única razão para a constituição da Recorrente ter sido no Brasil era porque o grupo CA “esperava gerar um ganho gigantesco na dedução do ágio”. 84 Na opinião da D. Fiscalização e do CARF, os papéis de que a Recorrente foi incumbida na estrutura do Grupo CA na América Latina poderiam ter sido exercidos pela CA_PRO, de modo que não teria sido necessária a constituição da Recorrente. Ocorre que, ao seguir por esse caminho, a D. Fiscalização reconhece o propósito econômico e negocial da operação da Recorrente! 85 Ocorre, contudo, que a D. Fiscalização, a D. DRJ e o CARF não podem simplesmente dizer qual seria a melhor forma para que a Recorrente, e os particulares em geral, organizem seus negócios, caso contrário, caberia ao contribuinte sempre optar pela forma mais onerosa do ponto de vista fiscal. É exatamente por isso que tal atribuição não compete ao fisco, como, inclusive, restou definido no acórdão paradigmático nº 1401001.584 ao definir que a tomada de decisões “está na órbita exclusiva da decisão dos sócios”. 86 Portanto devem ser diferenciadas situações em que a D. Fiscalização justificadamente se opõe à forma como o contribuinte realiza os seus negócios porque nela identifica vícios (por exemplo, simulação) e traz provas de sua ocorrência, daquelas em que a D. Fiscalização simplesmente entende que o contribuinte deveria ter seguido um caminho diferente ou praticado determinado negócio de forma distinta da que efetivamente foi adotada para atingir seus objetivos negociais, como o fez no presente auto de infração, ainda que como resultado de tal negócio também tenha se buscado uma economia fiscal. 87 Não compete ao Fisco, pois, afirmar que, entre dois caminhos possíveis para chegar a um resultado, a Recorrente deveria ter optado pelo mais oneroso, mas lhe é permitido analisar todos os aspectos da conduta e das opções dos contribuintes de modo a verificar se de fato foram implementadas na realidade. 88 Muito embora não se possa negar que os efeitos tributários da amortização do ágio tenha sido relevantes para a Recorrente, a análise do contexto inteiro da reestruturação do Grupo CA na América Latina evidencia que a conduta da Recorrente não é simulada, ainda que tenha resultado em economia fiscal. Em relação à segunda matéria (desconsideração de valores a deduzir dos tributos pela Fiscalização) foram indicados como paradigmas os acórdãos a seguir, dos quais se transcreve a parte de interesse da ementa: Acórdão paradigma n° 1101001.210: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESCONSIDERAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A exigência de crédito tributário sem a dedução de antecipações verificadas no mesmo fato gerador não representa ausência de elemento essencial ao lançamento tributário e não enseja sua nulidade. Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.469 11 PERDAS INDEDUTÍVEIS OU ANTECIPADAS. ANTECIPAÇÕES SUPERIORES AO TRIBUTO DEVIDO. O auto de infração é o veículo para formalização de acusação fiscal, ainda que dela não resulte exigência de crédito tributário. Se o sujeito passivo informa em sua DIPJ antecipações em valor superior ao imposto espontaneamente apurado, somado ao apurado pela Fiscalização, a desconsideração daquelas deduções somente subsiste se devidamente justificada na acusação fiscal, ou se infirmadas por razões expostas ao sujeito passivo antes do decurso do prazo decadencial Acórdão paradigma n° 1102000.983: RECURSO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E MULTAS ISOLADAS. Comprovado que a autuação deixou de considerar todas as deduções a que o contribuinte tinha direito, correta a exclusão desses valores pela decisão recorrida. As alegações de mérito da Recorrente em relação a essa matéria, são, em síntese, as seguintes: a) desde a Impugnação demonstrou que a Fiscalização deixou de considerar, na apuração do IRPJ e da CSLL para todos os períodos abrangidos pela autuação, valores correspondentes à deduções permitidas pelo § 4º do art. 2º da Lei 9.430/1996, relativos a “operações de caráter cultural e artístico”, “programa de alimentação do trabalhador” (“PAT”), “imposto pago no exterior s/ lucros, rendimentos e ganhos de capital”, “IRRF”, “IRRF por órgãos, autarquias e fundações federais”, “imposto pago sobre ganhos no mercado de renda variável” e “imposto de renda mensal pago por estimativa”, bem como de “CSLL retida p/ órgãos, autarquias e fundações federais”, “CSLL retida por pessoas jurídicas de direito privado” e “CSLL mensal paga por estimativa”. Referidos valores não foram utilizados no cálculo do IRPJ e da CSLL devidos em razão da suposta infração discutida, como se pode observar da apuração dos valores exigidos consignada nos “Demonstrativos de Apuração – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real” e “Demonstrativos de Apuração – Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – Lucro Real” anexados ao auto de infração; b) assinalando que há campo de deduções no formulário padronizado pela Receita Federal do Brasil para lançamento de IRPJ e de CSLL, alega que, ao contrário do exposto na decisão recorrida, é necessário se realizar o cálculo com as deduções concernentes ao período, pois, como bem exposto no acórdão paradigmático, não seria viável a existência de saldo devedor e créditos relativos ao mesmo período, sendo necessária a reapuração do valor devido principalmente por conta dos reflexos entre principal, multa e juros; c) apresenta demonstrativos através dos quais busca demonstrar que, caso as deduções e compensações tivessem sido computadas na apuração dos valores exigidos na autuação, não haveria IRPJ/CSLL a exigir ou o valor a exigir seria muito inferior ao apurado pela Fiscalização; d) conclui asseverando que, caso se decida por afastar a possibilidade de dedução fiscal da amortização do ágio, a apuração dos valores exigidos seja corrigida para que sejam considerados os valores de deduções e compensações relacionados, que constavam das respectivas DIPJs. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.470 12 Em relação à terceira matéria (impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício) foram indicados com paradigmas os acórdãos a seguir, dos quais se transcreve a parte de interesse da ementa: Acórdão paradigma n° 2201002.868: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 (...) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO E MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96), quando em concomitância com a multa de oficio (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Acórdão paradigma n° 9101001.820: ASUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 40105838). As alegações de mérito da Recorrente em relação a essa matéria, são, em síntese, as seguintes: a) os pagamentos mensais realizados pelas pessoas jurídicas sujeitas ao “Lucro Real” configuram mera antecipação do ajuste, i.e. etapas preparatórias da apuração e do recolhimento a ser realizado ao final do anocalendário, aí residindo a identidade das condutas que geraram as multas de ofício e isolada. Por essas razões é que se aplica ao caso a lógica do princípio da consunção, de modo que a penalidade mais grave absorverá a menos grave, uma vez que o bem jurídico protegido pela multa proporcional (efetividade da arrecadação tributária) é mais relevante do que o bem protegido pela multa isolada (antecipação do tributo); b) com a alteração da Lei nº 9.430/96 pela MP 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, o legislador optou, na realidade, por não permitir a cumulação das multas, tendo a legislação sido alterada apenas para permitir a aplicação da penalidade mesmo quando o contribuinte apurasse prejuízo ou pagasse o tributo devido no momento da apuração final do IRPJ e da CSLL; Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.471 13 c) conclui no sentido de que é "incabível a cumulação das penalidades, ainda que da forma mais branda proposta pelo v. acórdão recorrido"; Finalmente no que respeita à quarta matéria (inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício) foi indicado com paradigma o acórdão n° 9101000.722, do qual se transcreve a parte de interesse da ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. As alegações de mérito da Recorrente em relação a essa matéria, são, em síntese, as seguintes: a) não há que se falar que, que a Lei nº 9.430/96 autorizaria a incidência de juros sobre a multa. Ela tão somente prevê a incidência dos juros de mora sobre o valor dos tributos, contribuições e multas isoladas, e não sobre as multas de ofício exigidas como acessório juntamente com o tributo exigido. Deste modo, admitirse uma interpretação extensiva do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, significaria extrapolar o campo de incidência de tais acréscimos, contrariando a clara intenção do legislador; b) o art. 43 da mesma Lei nº 9.430/1996 vem a reforçar a interpretação em questão, ao prever a incidência de juros de mora sobre as multas isoladas. Se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante do caput do art. 61 contemplasse também multas, não haveria necessidade alguma de previsão no parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência dos juros sobre a multa isolada, assim como a de ofício, já decorreria diretamente do artigo 61; c) à exceção da hipótese dos juros serem cobrados a fim de indenizar o credor pelo não pagamento do tributo no prazo estipulado, qualquer outra incidência de juros seria abusiva e arbitrária, por ausência e, digase, contrariedade ao pressuposto legal vigente (CTN, artigos 3º, 113, 139, parágrafo 1º, e 161 do CTN. Admitirse tal cobrança implicaria, inclusive, enriquecimento ilícito do Erário, o qual estaria aplicando a incidência dos juros de mora à obrigação principal e à multa de ofício. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, "para que as divergências jurisprudenciais apontadas sejam sanadas, reconhecendose a total improcedência do auto de infração em virtude do afastamento das glosas da D. Fiscalização às exclusões procedidas pela Recorrente relativas à amortização do ágio discutido no presente processo administrativo, tendo em vista a legitimidade das condutas demonstrada nos autos, e também da inexistência de óbices legais ao reconhecimento do ágio entre partes relacionadas". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 2456), nos exatos termos a seguir: A UNIÃO, por intermédio do Procurador da Fazenda Nacional ao final assinado, vem, respeitosamente, nos termos do art. 70 do Regimento Interno do CARF, requerer que os fundamentos do voto vencedor do acórdão recorrido, proferido pelo Eminente Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas, sejam utilizados como CONTRARRAZÕES AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo contribuinte, como se aqui estivessem transcritos, com o consequente desprovimento do apelo. Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.472 14 É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Amortização de ágio interno Trata o presente recurso especial de lançamento em que a Fiscalização a glosou da despesa de amortização de ágio gerado internamente a grupo econômico. Essa matéria vem sendo enfrentada por esta 1ª Turma da CSRF ao longo dos últimos dois anos, tendo o colegiado sistematicamente mantido as autuações fiscais. Citemse os acórdãos nºs 9101002.389, 9101002.390 e 9101002.391 (julgados de 13 de julho de 2016, de relatoria desta Conselheira, em que figuraram como autuadas empresas do Grupo Gerdau); nº 9101002.550 (julgado em 7 de fevereiro de 2017, de relatoria desta Conselheira, autuada CVI Refrigerantes); e nº 9101002.300 (julgado em 7 de abril de 2016, de relatoria do Conselheiro Rafael Vidal do Araújo, autuada Barigui Veículos Ltda.), cumprindo transcrever trechos das ementas dos dois últimos julgados citados: Acórdão nº 9101002.550: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. Acórdão nº 9101002.300: ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem qualquer lógica negocial, sem alteração do controle das sociedades envolvidas e sem qualquer desembolso constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.473 15 Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. Tratandose, pois, de tema já bastante discutido por esse Colegiado, pedese vênia para trazer elementos de outros votos desta Relatora, não sem antes bem delinear as operações de que decorreu o ágio cuja legalidade da dedução das despesas de amortizações na apuração do IRPJ e da CSLL aqui se discute. Como se vê no Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1640), a autuada CA PROGRAMAS DE COMPUTADOR, PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. (designada no TVF como CA_Par) deduziu despesas com amoritzação de ágio ao longo dos anoscalendário de 2008 a 2012 gerado internamente ao grupo Computer Associates CA em seqüência de operações que podem ser sintetizadas conforme a seguir: 1 CA_Ca (Computer Associates Canada Company, empresa sediada no Canadá) controla a CA_Pro (Computer Associates Programas de Computador Ltda., empresa sediada no Brasil) e a CA_Uru (Computer Associates Uruguay, empresa sediada no Uruguai), tendo participação de 99,99% em cada uma delas. CA_Ca, por usa vez, é controlada indiretamente pela CA_USA (Computer Associates International, empresa sediada nos Estados Unidos da América), controladora mundial do Grupo Computer Associates CA. 2 Em 07/11/2006 é constituída a CA_Par (Computer Associates Programas de Computador, Participações e Serviços Ltda., empresa sediada no Brasil, e ora Recorrente), também controlada pela CA_Ca, com participação de 99,99%. A estrutura societária do grupo após a constituição da CAPar é assim descrita graficamente no TVF: 3 Pouco depois, em 22/12/2006, a CA_Ca subscreve e integraliza de capital social na CA_Par utilizandose de suas participações na CA_Pro e na CA_Uru. Passa a CA Par, assim, a centralizar as participações detidas pelo Grupo CA na América Latina. Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.474 16 É nessa operação que surge o ágio, uma vez que o investimento da CA_Par na CA_Pro é avaliado a valor de mercado, em R$ 482.825.000,00, com ágio de R$ 373.336.132,00. 4 Em 19/11/2007, é alterado o objeto social da CA_Par, passando ela a exercer atividades de cunho inteiramente operacionais, e extremamente próximas as da sua controlada CA_Pro; 5 Pouco depois, em 31/01/2008, a CA_Par incorpora a CA_Pro e altera sua razão social para CA Programas de Computador, Participações e Serviços Ltda. E passa a amortizar o ágio contabilizado. Tal operação societária é assim ilustrada graficamente no TVF: Em defesa da legalidade do aproveitamento tributário do ágio, a Recorrente alega, por um lado, que a conclusão acerca da necessidade de propósito negocial alcançada no acórdão recorrido não decorre de previsão legal e que não havia (antes da edição da Lei nº 12.973, de 2014) restrição à contabilização de ágio interno. Por outro, afirma o propósito negocial perseguido com as operações levadas a cabo, qual seja de consolidar os investimentos do Grupo CA na América Latina na CA_Par e de nela operacionalizar um Centro de Serviços Compartilhados. E ataca a posição da Fiscalização (e da Turma recorrida) no sentido de que tal desiderato poderia ter sido alcançado na empresa préexistente CA_Pro, asseverando que "a D. DRJ e o CARF não podem simplesmente dizer qual seria a melhor forma para que a Recorrente, e os particulares em geral, organizem seus negócios, caso contrário, caberia ao contribuinte sempre optar pela forma mais onerosa do ponto de vista fiscal". Apreciando as razões trazidas pela Recorrente, entendo que não lhe assiste razão, uma vez que, como consignado nos julgados desta 1ª Turma da CSRF antes referidos, a Lei nº 9.532, de 1997, em seus artigos 7º e 8º, jamais pode ser interpretada como permissiva de dedutibilidade de uma despesa que foi “inventada”, inexistente. E aqui se chama a atenção que o que se classifica de “invenção” é incontroverso pois, em que pese a Recorrente argumentar pela legitimidade do ágio, em nenhum momento demonstrou que houve pagamento ou qualquer transferência de recursos relativa ao ágio que aproveitou. Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.475 17 Ora, o argumento de que antes da edição da Medida Provisória nº 627, de 2013 (convertida na Lei nº 12.973, de 2014), a legislação não vedava o ágio surgido de operações intragrupo, e, assim, o tratamento do ágio no limite do que dispõem os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, daria guarida a situações como a do presente processo improcede. Isso porque a lei em questão trata expressamente de participações adquiridas com ágio ou deságio e ágio, o que pressupõe um pagamento (ou que se arque com um dispêndio) maior do que um valor de contabilizado (como deságio pressupõe pagamento a menor), reforçandose ainda, quando o caput do art. 7º faz referência ao DecretoLei nº 1.598, de 1977, o qual, também de forma expressa, define o ágio como diferença entre custo de aquisição e o valor do PL ao tempo dessa aquisição: Lei nº 9.532, de 1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ......................................................................................................... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998). (negritei) Decretolei nº 1.598, de 1977 (redação vigente ao tempo dos fatos geradores): Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (negritei) Aliás, a definição de Custo de Aquisição trazida pelo Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações elaborado pela FIPECAFI (item 10.3.2.a, da 7ª ed., 2008), não deixa dúvidas: “a) CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição é o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital, ou ainda pela compra de ações de terceiros, quando a base do custo é o preço total pago. Vale lembrar que esse valor pago é reduzido dos valores recebidos a título de distribuição de lucros (dividendos), dentro do período de seis Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.476 18 meses após a aquisição das cotas ou ações da investida.” (Grifei) Ou seja, os valores a serem registrados como custo de aquisição, como preço pago, deve corresponder ao valor despendido, pago, nas transações com agentes externos, para obtenção do investimento. Ainda do referido Manual, 7ª ed., destaco todas as menções feitas a valor pago e aquisição de ações, no sentido de demonstrar o que a teoria contábil considera custo de aquisição e ágio: “11.7.1 – Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta.(...) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a)GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, às vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.477 19 compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas; a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.(...) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta específica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio CONTABILIZAÇÃO V – Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio líquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.478 20 Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B.” (Grifei) É bem verdade que no item 38.6.1.2, ao tratar da Incorporação Reversa com Ágio Interno, o referido Manual, ao analisar o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, aduz que o referido diploma legal admitia a reavaliação de participações societárias, quando da integralização de ações subscritas, com o diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL e concluem os autores da obra: “Questionase, desse modo, a racionalidade econômica do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, pelo lado do ente tributante, que permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de ‘sociedades veículos’, que surgem e são extintas em curso lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas ‘casca’, com finalidade meramente elisiva. Do ponto de vista tributário, à luz do art. 36, e dependendo da forma pela qual a operação é realizada, a Fazenda pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL e difere a tributação do ‘ganho de capital’ registrado pela companhia que subscreve e integraliza aumento de capital em ‘sociedade veículo’ ou de participação ‘casca’, a ser em seguida incorporada”. Com a devida vênia aos autores, é de se verificar que existe permissão legal, sim, de integralização de capital social com ações de outra empresa, que há permissão legal de Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.479 21 avaliação de investimentos em sociedades coligadas e controladas com o desdobramento do custo de aquisição em reavaliação; contudo, o que não há é autorização legal para, em virtude dessa integralização, lançar em contrapartida o desdobramento do custo como ágio, pois, em operações internas, sem que um terceiro se disponha a pagar uma maisvalia, não há ágio; a contrapartida é uma reavaliação de ativos. Vale, a propósito, trazer à baila o que registra o TVF acerca da impossibilidade de se reconhecer a dedutibilidade de um ágio a que não corresponde um custo incorrido: 59. O ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial daí, inclusive, a ausência de um desembolso que servisse para chancelar uma transação livre da qual emergisse o valor justo de um ativo negociado por partes independentes. Importante mencionar que um ativo intangível, como no caso em tela, muita embora possa gerar benefícios econômicos para uma dada entidade, tem o seu reconhecimento contábil impedido pelo fato de não existir um custo que possa ser confrontado com os benefícios gerados, não se permitindo, pois, a apuração dos lucros correspondentes à realidade econômica da empresa. 60. No caso sob exame, no qual tanto a CA_Par quanto a CA Pro eram controladas pela CA_Ca e sempre fizeram parte do mesmo Grupo Empresarial, não houve negociação, nem compra, nem venda, nem mercado livre e aberto. 61. Segundo o próprio Relatório Económicofinanceiro da CA_Pro21, utilizado pela CAPar para fundamentar o registro do valor total da CAPro (investimento + ágio), em suas "Considerações Gerais", trecho abaixo transcrito, a Ernest&Young deixa claro que o efetivo valor econômico ora avaliado no laudo, entendido como valor justo de mercado, não reflete seu preço de negociação, e só seria concretizado na relação entre um hipotético comprador disposto e capaz e um vendedor hipotético disposto e capaz, agindo em condições independentes e de igualdade em um mercado aberto e irrestrito: (...) 95. A fiscalizada, em que pese ter formalizado legalmente todos os atos praticados, fêlos objetivando unicamente economia tributária. Inexistiu negociação, já que se tratava de operações dos sócios com eles próprios. 96. O ágio foi constituído porque a sócia da fiscalizada, a CA_Ca, aceitou receber a totalidade das quotas da CA_Pro, que também era controlada da CA_Ca. com a "mais valia" de R$ 378.336.132,00 (trezentos e setenta e oito milhões, trezentos e trinta e seis mil, cento e trinta e dois reais). 97. Não houve, na constituição desse ágio, a participação de nenhum agente econômico estranho aos sócios da fiscalizada. No plano dos fatos, nenhuma riqueza nova foi agregada ou mudou de propriedade. Nenhum dos sócios, em razão do ágio criado, teve acréscimo de R$ 0,01 (um centavo) sequer ao seu patrimônio. Ninguém pagou nada a ninguém. Também não houve nenhuma circulação de riqueza nova ou de numerário em espécie. 98. Restou inequívoco que o ágio foi gerado artificialmente pela CA_Ca sobre a totalidade das quotas da CA_Pro, de sua propriedade, para integralização do capital social da CA_Par, cujas quotas também eram, repitase, de sua propriedade. Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.480 22 99. Após a incorporação da CA_Pro pela CA_Par, o ágio fictício foi trazido para o patrimônio desta última, a fiscalizada, que passou a amortizálo mensalmente, em sua escrita fiscal, a partir de fevereiro de 2008. 100. E de ressaltar que não houve nenhum desembolso efetivo de dinheiro na operação; apenas a criação de um ágio fictício, isto é, de uma despesa inexistente do ponto de vista contábil e fiscal, sem qualquer fundamento econômico, consequente à manipulação encadeada de lançamentos contábeis e fiscais feitos com o único propósito de, ao fim e ao cabo, pagar menos tributos. E é isso que os autores do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações confundem quando tratam do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, porque essa lei sequer fala em ágio. Assim, o que esse dispositivo tratava é da possibilidade de diferimento do ganho de capital, quando uma companhia A, que possui participação societária em B, resolve constituir C, subscrevendo capital com ações reavaliadas de B. Ocorre que essa reavaliação de B, quando as operações ocorrem dentro de um mesmo grupo, constitui, tão somente, uma reavaliação. A lei não autoriza que a contrapartida da reavaliação seja uma conta de ágio. Só existe ágio se um terceiro se dispõe a reconhecer esse sobrepreço e a pagar por ele. Sem onerosidade, descabe falar em maisvalia. E é nessa linha que os autores acabam concluindo às fls. 599 e 600 da 7ª edição: “Para admitirse o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, devese enxergála tecnicamente, abstraindo outras questões, similarmente a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social. Poderseia advogar que seu registro encontra amparo no fato de haver uma evidência persuasiva de sua substância econômica: um diploma legal que corrobora o seu surgimento. E ainda dentro dessa corrente de pensamento, seria admitido como critério de mensuração contábil inicial, por analogia, o mesmo dispensado a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social, qual seja, mensuração a valores de saída, utilizando o método do fluxo de benefícios futuros trazidos a valor presente, no limite de benefícios nominais projetados para dez anos. Por outro lado, haveria também como refutar o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, ao se enxergála tecnicamente como um intangível gerado internamente. Dentro do Arcabouço Conceitual Contábil em vigor, considerando a mensuração a valores de entrada, não se admite o reconhecimento de um ativo que não seja por seu custo de aquisição. Um intangível gerado internamente, como no caso em comento, embora gere benefícios econômicos inquestionáveis para uma dada entidade, tem o seu reconhecimento contábil obstado por uma simples razão: a ausência de custo para ser confrontado com benefícios gerados e permitir, com isso, a apuração de lucros consentâneos com a realidade econômica da entidade. (...) Só que, no caso desses créditos tributários derivados de operações societária entre empresas sob controle comum, não há, na essência, e também na figura das demonstrações consolidadas, qualquer desembolso que lhes dê suporte. Direitos obtidos sem custo, como direitos autorais, por exemplo, não são contabilizados; o goodwill (fundo de comércio) desenvolvido sem custo ou com custo diluído ao Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.481 23 longo de vários anos na forma de despesas já reconhecidas também não é contabilizado; patentes criadas pela empresa são registradas apenas pelo seu custo etc. Por que os direitos de pagar menos tributos futuros, advindos de operações com ausência de propósito negocial e permeadas por abuso de forma, seriam registrados? Essas seriam discussões no campo técnico e conceituai a serem travadas. Contudo, estimulando um pouco mais o debate, devese atentar para uma questão sobremaneira crucial para a Contabilidade. Do ponto de vista institucional e moral da profissão contábil, e por que não político, admitirse o registro do ativo fiscal implica estimular o surgimento de uma indústria do ágio? Assim, à parte possíveis controvérsias conceituais, o procedimento mais adequado, técnica e eticamente, é não se proceder ao reconhecimento do ativo fiscal diferido nessas operações."(Grifei) Por oportuno, trago ainda a versão do Manual de Contabilidade Societária, após as normas internacionais e os pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (edição de 2010, pág. 442), que reforça ainda mais o que entendiam os autores do Manual: "Considerando que na época não havia uma normatização contábil similar ao CPC 15, a consequência direta da prática desse tipo de incorporação (reversa) era a geração de um benefício fiscal bem como o reconhecimento contábil de um ágio gerado internamente (contra o qual, nós, os autores deste Manual, sempre nos insurgimos). Dessa forma, era fortemente criticada a racionalidade econômica do art. 36 da Lei ne 10.637/02, que permitia que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios (sob controle comum) criassem artificialmente ágios internamente por intermédio da constituição de "sociedades veículo", que surgem e são extintas em curto lapso de tempo, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Nesse sentido, vale lembrar que a CVM vedava fortemente esse tipo de prática (vide OfícioCircular CVM SNC/SEP nQ 01/2007), uma vez que a operação se realizava entre entidades sob controle comum e, portanto, careciam de substância econômica (nenhuma riqueza era gerada efetivamente em tais operações). Além disso, o ágio fundamentado em rentabilidade futura (goodwill) proveniente de combinações entre entidades sob controle comum era eliminado nas demonstrações consolidadas da controladora final, tornando inconsistente o reconhecimento desse tipo de ágio gerado internamente (na ótica do grupo econômico não houve geração de riqueza). Atualmente, o art. 36 da Lei na 10.637/02 foi revogado pela Lei na 11.196/05 (art. 133, inciso III), bem como com a entrada em vigor do CPC 15, para fins de publicação de demonstrações contábeis, não mais será possível reconhecer contabilmente um ágio gerado internamente em combinações de negócio envolvendo entidades sob controle comum." Convém observar que tudo isso foi escrito antes mesmo da MP nº 627, de 2013! Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.482 24 É importante também destacar que o próprio Conselho Federal de Contabilidade estabeleceu, por meio da Resolução nº CFC nº 750, de 1993, que as essências das transações devem prevalecer sobre a forma, e que a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser efetuada com base nos valores de entrada, considerandose como tais aqueles resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes, senão vejamos: Art. 1º. Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. § 1º. A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). § 2º. Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. (...) Art. 7º. Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único. Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.” (Grifei). O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 para aprovar a NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aplicável Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.483 25 aos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008, cujo item 120 determina expressamente: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, também repudiou o ágio interno por meio do CPC nº 04, aprovado em 2010, que, ao se manifestar sobre ativo intangível, dedicou os itens 48 a 50 para tratar do “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente”, deixando bastante claro que tal ágio sequer deve ser reconhecido como ativo: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo.(Grifei) Também em 2010, o Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução CFC nº 1.303, de 2010, aprovou a NBC TG 04, que tem como base o mencionado Pronunciamento Técnico CPC 04 já acima transcrito : Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.484 26 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade. (Grifei) Também a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 2007, no item 20.1.7 tratou o ágio interno nos seguintes termos: 20.1.7 “Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (Grifei) Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.485 27 Em 2011, inclusive, o Comitê quando aprova o CPC nº 15, que trata das demonstrações contábeis acerca da combinação de negócios e seus efeitos, deixa expresso que o Pronunciamento não alcança a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum: Objetivo 1. O objetivo deste Pronunciamento é aprimorar a relevância, a confiabilidade e a comparabilidade das informações que a entidade fornece em suas demonstrações contábeis acerca de combinação de negócios e sobre seus efeitos. Para esse fim, este Pronunciamento estabelece princípios e exigências da forma como o adquirente: (a) reconhece e mensura, em suas demonstrações contábeis, os ativos identificáveis adquiridos, os passivos assumidos e as participações societárias de não controladores na adquirida; (b) reconhece e mensura o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill adquirido) advindo da combinação de negócios ou o ganho proveniente de compra vantajosa;e (c) determina quais as informações que devem ser divulgadas para possibilitar que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a natureza e os efeitos financeiros da combinação de negócios. ........................................................................................................ Combinação de negócios de entidades sob controle comum – aplicação do item 2(c) B1. Este Pronunciamento não se aplica a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum. A combinação de negócios envolvendo entidades ou negócios sob controle comum é uma combinação de negócios em que todas as entidades ou negócios da combinação são controlados pela mesma parte ou partes, antes e depois da combinação de negócios, e esse controle não é transitório. B2. Um grupo de indivíduos deve ser considerado como controlador de uma entidade quando, pelo resultado de acordo contratual, eles coletivamente têm o poder para governar suas políticas financeiras e operacionais de forma a obter os benefícios de suas atividades. Portanto, uma combinação de negócios está fora do alcance deste Pronunciamento quando o mesmo grupo de indivíduos tem, pelo resultado de acordo contratual, o poder coletivo final para governar as políticas financeiras e operacionais de cada uma das entidades da combinação de forma a obter os benefícios de suas atividades, e esse poder coletivo final não é transitório. E não é só isso. Até o voto proferido no acórdão nº 110100.708 (o qual, aliás, foi reformado pelo já citado acórdão nº 9101002.388, de relatoria desta Conselheira), a jurisprudência do CARF também trilhava o mesmo caminho, isto é, o CARF não admitia a dedutibilidade da amortização de ágio surgido em operações internas ao grupo econômico, nem Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.486 28 com o uso de empresas veículos, conforme acórdãos nº 10196724, 10323.290, 10517.219, todos de decisões unânimes na matéria ágio. Por conseguinte, não se pode afirmar agora que o ágio interno só deixou de ser dedutível a partir da Lei nº 12.973, de 2014, ou melhor, da MP nº 627, de 2013, da qual referida lei resultou por conversão. Na verdade, a nova lei, ao dispor expressamente assim, nada mais fez do que explicitar que, por óbvio, ágio pressupõe sobrepreço pago por partes independentes, ou seja, a indedutibilidade do ágio interno para fins fiscais decorre do fato de ele não ser aceito sequer contabilmente. Aliás, é nesta linha que se verifica já na própria exposição de motivos da MP nº 637, de 2013, que ora colaciono: EM nº 00187/2013 MF Brasília, 7 de Novembro de 2013 Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Submeto à apreciação de Vossa Excelência a Medida Provisória que altera a legislação tributária federal e revoga o Regime Tributário de Transição RTT instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como dispõe sobre a tributação da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, com relação ao acréscimo patrimonial decorrente de participação em lucros auferidos no exterior por controladas e coligadas e de lucros auferidos por pessoa física residente no Brasil por intermédio de pessoa jurídica controlada no exterior; e dá outras providências. 1. A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades por Ações, modificando a base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. A Lei nº 11.941, de 2009, instituiu o RTT, de forma opcional, para os anoscalendário de 2008 e 2009, e, obrigatória, a partir do anocalendário de 2010. 2. O RTT tem como objetivo a neutralidade tributária das alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. O RTT define como base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP, e da COFINS os critérios contábeis estabelecidos na Lei nº 6.404, de 1976, com vigência em dezembro de 2007. Ou seja, a apuração desses tributos tem como base legal uma legislação societária já revogada. 3. Essa situação tem provocado inúmeros questionamentos, gerando insegurança jurídica e complexidade na administração dos tributos. Além disso, traz dificuldades para futuras alterações pontuais na base de cálculo dos tributos, pois a tributação tem como base uma legislação já revogada, o que motiva litígios administrativos e judiciais. 4. A presente Medida Provisória tem como objetivo a adequação da legislação tributária à legislação societária e às normas contábeis e, assim, extinguir o RTT e estabelecer uma nova forma de apuração do IRPJ e da CSLL, a partir de ajustes que Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.487 29 devem ser efetuados em livro fiscal. Além disso, traz as convergências necessárias para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) 15.9. O art. 20, com o intuito de alinhálo ao novo critério contábil de avaliação dos investimentos pela equivalência patrimonial, deixando expressa a sua aplicação a outras hipóteses além de investimentos em coligadas e controladas, e registrando separadamente o valor decorrente da avaliação ao valor justo dos ativos líquidos da investida (maisvalia) e a diferença decorrente de rentabilidade futura (goodwill). O § 3º determina que os valores registrados a título de maisvalia devem ser comprovados mediante laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deve ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos até o último dia útil do décimo terceiro mês subsequente ao da aquisição da participação. Outrossim, em consonância com as novas regras contábeis, foi estabelecida a tributação do ganho por compra vantajosa no período de apuração da alienação ou baixa do investimento; (...) Os arts. 19 e 20 dispõem sobre o tratamento tributário a ser dado à mais ou menosvalia que integrará o custo do bem que lhe deu causa na hipótese de fusão, incorporação ou cisão da empresa investida. Tendo em vista as mudanças nos critérios contábeis, a legislação tributária anterior revelouse superada, haja vista não tratar especificamente da mais ou menosvalia, daí a necessidade de inclusão desses dispositivos estabelecendo as condições em que os valores poderão integrar o custo do bem para fins tributários. Os referidos dispositivos devem ser analisados juntamente com o disposto nos arts. 35 a 37. 32. As novas regras contábeis trouxeram grandes alterações na contabilização das participações societárias avaliadas pelo valor do patrimônio líquido. Dentre as inovações introduzidas destacamse a alteração quanto à avaliação e ao tratamento contábil do novo ágio por expectativa de rentabilidade futura, também conhecido como goodwill. O art. 21 estabelece prazos e condições para a dedução do novo ágio por rentabilidade futura (goodwill) na hipótese de a empresa absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com goodwill, apurado segundo o disposto no inciso III do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Esclarece que a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes. (Grifei) É importante destacar que esse novo regramento contido na Lei nº 12.973/2014 é decorrente dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, e pelos pronunciamentos contábeis decorrentes. Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.488 30 No que diz respeito à questão de ágio, ocorreram mudanças significativas, como a nova definição de coligada (alteração do art. 243 da Lei nº 6.404/76), a alteração sobre o Método da Equivalência Patrimonial (art. 248 da Lei nº 6.404/79), além da edição de atos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC sobre o assunto (em especial, o CPC nº 18 – “Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto” e CPC nº 15 – “Combinação de Negócios”, acima já citado). De acordo com essa nova concepção contábil, o ágio (que passou a ser denominado de goodwill) é determinado como sendo o excedente pago, após os ativos líquidos da investida serem avaliados a “valor justo” (conceito que aliás é bem mais amplo do que “valor de mercado”). Em razão dessa alteração, o custo de aquisição do investimento passou a ser desdobrado em: a) valor do patrimônio líquido da investida; b) mais ou menos valia; e c) ágio por rentabilidade futura (goodwill). Por tudo isso, é de se perceber que não é possível se fazer uma associação exata entre a nova sistemática de identificação e apuração do ágio com a anterior. De forma que, o que era ágio antes, pode ser agora somente “mais valia”, mesmo que anteriormente tivesse sido identificado como decorrente de expectativa de rentabilidade futura. A possibilidade de se apurar uma “menos valia” também influi na existência ou não do ágio. Além disso, as situações em que o Método da Equivalência Patrimonial se torna obrigatório também foram alteradas, o que tem influência direta sobre a necessidade ou não de se determinar a existência de ágio. Portanto, é um grande equívoco de interpretação se utilizar das disposições contidas no art. 7º da Lei 9.532/1997, a partir do constante nos arts. 20 a 22 da Lei nº 12.973/2014, uma vez que disciplinam efeitos tributários de procedimentos contábeis totalmente distintos. Equivocada, também, a alegação de que sem as disposições da MP nº 627, de 2013, a dedutibilidade da amortização de ágio como o que aqui se trata estaria autorizada. Como se viu, a medida provisória em questão e a lei na qual foi convertida não alteram os efeitos tributários de procedimentos contábeis antes vigentes e que assim permanecem, mas conferem tratamento tributário a procedimentos contábeis advindos no bojo de nova concepção contábil, significativamente diferente da anterior. Isso não impede, no entanto, que, como se fez alhures, se diga que a nova lei explicita o óbvio, ou seja, que o ágio pressupõe sobrepreço pago por partes independentes. Não fossem apenas as diferenças antes mencionadas, o fato mais curioso ainda é que o próprio conceito de partes dependentes estabelecido pelo art. 25 da novel Lei nº 12.973, de 2014 é bem mais amplo do que o conceito de ágio interno: Art. 25. Para fins do disposto nos arts. 20 e 22, consideramse partes dependentes quando: I o adquirente e o alienante são controlados, direta ou indiretamente, pela mesma parte ou partes; II existir relação de controle entre o adquirente e o alienante; III o alienante for sócio, titular, conselheiro ou administrador da pessoa jurídica adquirente; IV o alienante for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro das pessoas relacionadas no inciso III; ou Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.489 31 V em decorrência de outras relações não descritas nos incisos I a IV, em que fique comprovada a dependência societária. Ou seja, não apenas as operações que envolvem duas pessoas jurídicas sob controle comum caracterizamse como partes dependentes: a nova lei incluiu as pessoas físicas, com situações, por exemplo, em que o alienante é parente ou afim até o terceiro grau do sócio acionista da empresa. Assim, passa a ser possível a existência de um ágio contábil (diferente do ágio interno), mas que ao teor da nova legislação, a sua dedutibilidade fica vedada. Por oportuno, é também equivocado o entendimento de quem concebe que existe um ágio fiscal e um ágio contábil, ou que a legislação societária permitiu algo diferente da contabilidade nesse aspecto. É que a legislação tributária, no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, trata do ágio apurado na aquisição de participações em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido nos seguintes termos (destaque acrescido): Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Essas disposições contidas no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 estão em perfeita sintonia com as normas contábeis contemporâneas à expedição do Decretolei nº 1.598/77, conforme se pode constatar no disposto na Instrução CVM nº 01 de 27 de abril de 1978, conforme destaco: (...) Desdobramento do custo de aquisição de investimento XX Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada ou em controlada deverá ser Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.490 32 desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: a) equivalência patrimonial baseada em balanço patrimonial ou em balancete de verificação levantado até, no máximo, sessenta dias antes da data da aquisição pela investidora ou pela controladora, consoante o disposto no Inciso XI b) ágio ou deságio na aquisição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. XXI o ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou: a) diferença para mais ou para menos entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil desses mesmos bens na coligada ou na controlada; b) diferença para mais ou para menos na expectativa de rentabilidade baseada em projeção do resultado de exercícios, futuros; c) fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. XXII O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil na coligada ou na controlada desses mesmos bens deverá ser amortizado na proporção em que for sendo realizado na coligada ou na controlada por depreciação, por amortização ou por exaustão dos bens, ou por baixa em decorrência de alienação ou de perecimento desses mesmos bens. XXIII O ágio ou o deságio decorrente da expectativa de rentabilidade deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento antes de haver terminado o prazo estabelecido para amortização. (...) Portanto, o ágio a que se refere a legislação fiscal é exatamente o mesmo tratado pela legislação societária, possuindo conteúdo puramente econômico/contábil. Concluindo, não se pode aceitar e validar nos autos ora em análise é que um Grupo Econômico, por meio de um laudo de reavaliação de ativos com base em rentabilidade futura, aumente o valor de seus ativos, crie o ágio e depois deduza a amortização desse ágio da base de cálculo do IRPJ e da CSLL sem ter, sequer, efetuado qualquer dispêndio sobre esse ágio. É inimaginável aceitar isso como uma mens legis! E se não é essa a “mens legis”, como dizer que o contribuinte agiu conforme a lei? Por essas razões, deve o lançamento de ofício ser mantido, negandose provimento ao recurso da Contribuinte. Desconsideração de valores a deduzir dos tributos pela Fiscalização Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.491 33 Nesse tema a Recorrente alega, em síntese, que a Fiscalização deixou de considerar, na apuração do IRPJ e da CSLL para todos os períodos abrangidos pela autuação, valores correspondentes à deduções permitidas pelo § 4º do art. 2º da Lei 9.430/1996, relativos a “operações de caráter cultural e artístico”, “programa de alimentação do trabalhador” (“PAT”), “imposto pago no exterior s/ lucros, rendimentos e ganhos de capital”, “IRRF”, “IRRF por órgãos, autarquias e fundações federais”, “imposto pago sobre ganhos no mercado de renda variável” e “imposto de renda mensal pago por estimativa”, bem como de “CSLL retida p/ órgãos, autarquias e fundações federais”, “CSLL retida por pessoas jurídicas de direito privado” e “CSLL mensal paga por estimativa”. E aduz que, caso as deduções e compensações tivessem sido computadas na apuração dos valores exigidos na autuação, não haveria IRPJ/CSLL a exigir ou o valor a exigir seria muito inferior ao apurado pela Fiscalização, requerendo que sejam considerados os valores de deduções e compensações relacionados, que constavam das respectivas DIPJs. Sem razão a Recorrente. Quando a Contribuinte apresentou as DIPJ relativas a cada um dos anos calendário compreendidos na autuação, apurou o lucro real e a base de cálculo da CSLL e, aplicando as alíquotas correspondentes, chegou ao montante de IRPJ e CSLL devido em cada um dos anoscalendários. Deduziu, então, desses montantes, as diversas deduções de IRPJ e CSLL que entendia cabíveis (IR e CSLL retidos na fonte, IR e CSLL mensais pagos por estimativas, operações de caráter cultural e artístico, etc.), chegando ao IR a pagar e à CSLL a pagar. No AC 2011, por exemplo, tanto o IRPJ a paga,r quanto a CSLL a pagar, corresponderam a zero. Já no AC 2012, o IRPJ a pagar foi de () R$ 12.997.782,86 e a CSLL a pagar foi de () R$ 2.625.078,27, tudo conforme as DIPJ que constam dos autos. Pois bem, quando a Fiscalização lavrou o auto de infração, apurou o montante excluído indevidamente pela Contribuinte das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL para cada AC (glosa das despesas de amortização de ágio), chegando às bases de cálculo ajustadas (pela Fiscalização) e à diferença (tributável) entre as bases ajustadas pela Fiscalização e aquelas apuradas pela Contribuinte em DIPJ. Na situação em que a BC apurada pela Contribuinte foi negativa (AC 2012), a base de cálculo ajustada restou inferior ao montante glosado e o IRPJ e a CSLL constituídos no auto de infração não foram apurados sobre o montante glosado mas sobre a base ajustada (ou seja, o prejuízo fiscal apurado em DIPJ foi compensado). Confirase o quadro que consta no TVF e o demonstrativo que consta no auto de infração, ambos referentes ao IRPJ: Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.492 34 Observese, no entanto, que se a base de cálculo negativa apurada (prejuízo) em DIPJ pela Contribuinte foi (e devia ser) considerada no cálculo do montante de tributo constituído no auto de infração, o mesmo não se pode dizer das deduções aqui em discussão, as quais são feitas sobre o montante de tributo apurado para se chegar ao saldo de tributo a pagar. Isso por um simples motivo: tais deduções já foram feitas nas DIPJ apresentadas pela Contribuinte e não foram objeto da ação fiscal. É o caso, por exemplo, dos antes assinalados saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados pela Contribuinte na sua DIPJ do AC 2012 [respectivamente de () R$ 12.997.782,86 e () R$ 2.625.078,27], saldos esses que são negativos por que o imposto apurado na DIPJ era zero (houve prejuízo no AC 2012, como antes destacado). Sobre esse imposto igual a zero houve deduções de Imposto Pago no Exterior, de IR Fonte, além de outras de deduções. É o que se vê a seguir: Ora, quando a Recorrente apresenta no presente recurso o quadro "IRPJ – período base 2012 – Reprocessamento da Ficha 12A da DIPJ 2013 Considerandose as deduções e compensações informadas na DIPJ e não contestadas pela D. Fiscalização", pretende que, do montante de IRPJ e CSLL apurado no auto de infração por conta da amortização indevida do ágio, se deduza mais uma vez as deduções que já foram feitas na Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.493 35 DIPJ pela Contribuinte, o que carece de lógica. Vale, a propósito, destacar as considerações feitas no acórdão da DRJ que julgou a impugnação da ora Recorrente a esse respeito: Cabe notar que o cálculo apresentado pela impugnante a fl. 1.820, em que seria “reprocessada” a Ficha 12A da DIPJ 2013, desconsidera o saldo negativo de imposto de renda a pagar apurado pela contribuinte nessa DIPJ, no valor de R$ 12.997.797,26. Na realidade, a impugnante entende que, ao invés de constituir de ofício o crédito tributário corresponde ao valor não oferecido à tributação, a autoridade fiscal deveria ter somente reduzido o crédito de saldo negativo de IRPJ e de CSLL apurado nas DIPJ no valor de $ 12.997.797,26, para R$ 5.187.659,27. Observese que tal saldo negativo de IRPJ do AC 2012 podia ter sido aproveitado em uma compensação posterior de tributos a pagar (como sói acontecer) quando da ação fiscal. E eventual compensação não é, por evidente, checada na ação fiscal. Tal hipótese não passou despercebida pelo acórdão recorrido. Confirase: Se havia, por outro lado, saldo negativo, eles foram utilizados nos respectivos anos posteriores. Caso não tenham sido utilizados, estão ainda acumulados para utilização e sendo paulatinamente atualizados. O campo "deduções" existente no Auto de Infração referese a eventuais deduções que possam estar sendo discutidas naquele lançamento. Há casos em que se tributa determinados valores, mas é preciso deduzir outros a eles ligados diretamente. Não é a situação aqui. Pelo todo exposto, negase provimento ao recurso especial também no que se refere ao presente tópico. Concomitância das multas isolada e de ofício Nessa matéria a Recorrente alega, em apertada síntese, que à imposição paralela da multa de ofício proporcional e da multa por falta de recolhimento das estimativas mensais se aplica o princípio da consunção e que com a alteração da Lei nº 9.430/96 pela MP 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, o legislador optou, na realidade, por não permitir a cumulação das multas, tendo a legislação sido alterada apenas para permitir a aplicação da penalidade mesmo quando o contribuinte apurasse prejuízo ou pagasse o tributo devido no momento da apuração final do IRPJ e da CSLL. Aduz, assim, que é "incabível a cumulação das penalidades, ainda que da forma mais branda proposta pelo v. acórdão recorrido". Esta 1ª Turma da CSRF tem decidido reiteradamente em sentido contrário, entendendo que não se aplica aqui o princípio da consunção e que a alteração legislativa promovida pela MP nº 351/2007, no art. 44, da Lei nº 9.430/1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável, bem como concluindo que a multa isolada pode ser aplicada mesmo após o encerramento do anocalendário. Peço vênia, portanto, para reproduzir excerto do já referido acórdão nº 9101 002.901, adotandose aqui as razões de decidir lá expressas: Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.494 36 Dito isso, temse que a lei determina que as pessoas jurídicas sujeitas à apuração do lucro real, apurem seus resultados trimestralmente. Como alternativa, facultou, o legislador, a possibilidade de a pessoa jurídica, obrigada ao lucro real, apurar seus resultados anualmente, desde que antecipe pagamentos mensais, a título de estimativa, que devem ser calculados com base na receita bruta mensal, ou com base em balanço/balancete de suspensão e/ou redução. Observese: Lei nº 9.430, de 1996 (redação original): Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Há aqueles que alegam que as alterações promovidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, não teriam afetado, substancialmente, a infração sujeita à aplicação da multa isolada, apenas reduzindo o seu percentual de cálculo e mantendo a vinculação da base imponível ao tributo devido no ajuste anual. Nesse sentido invocam a própria Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351, de 2007, limitouse a esclarecer que a alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnê leão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.495 37 prazo, sem o acréscimo da multa de mora. E, ainda que se entenda que a identidade de bases de cálculo foi superada pela nova redação do dispositivo legal, para essas pessoas subsistiria o fato de as duas penalidades decorrerem de falta de recolhimento de tributo, o que imporia o afastamento da penalidade menos gravosa. Ora, a vinculação entre os recolhimentos antecipados e a apuração do ajuste anual é inconteste, até porque a antecipação só é devida porque o sujeito passivo opta por postergar para o final do anocalendário a apuração dos tributos incidentes sobre o lucro. Contudo, a sistemática de apuração anual demanda uma punição diferenciada em face de infrações das quais resulta falta de recolhimento de tributo pois, na apuração anual, o fluxo de arrecadação da União está prejudicado desde o momento em que a estimativa é devida, e se a exigência do tributo com encargos ficar limitada ao devido por ocasião do ajuste anual, além de não se conseguir reparar todo o prejuízo experimentado à União, há um desestímulo à opção pela apuração trimestral do lucro tributável, hipótese na qual o sujeito passivo responderia pela infração com encargos desde o trimestre de sua ocorrência. Na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, esta penalidade foi prevista nos mesmos termos daquela aplicável ao tributo não recolhido no ajuste anual, ou seja, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, inclusive no mesmo percentual de 75%, e passível de agravamento ou qualificação se presentes as circunstâncias indicadas naquele dispositivo legal. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.496 38 V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) [...] A redação original do dispositivo legal resultou, assim, em punições equivalentes para a falta de recolhimento de estimativas e do ajuste anual. E, decidindo sobre este conflito, a jurisprudência administrativa posicionouse majoritariamente contra a subsistência da multa isolada, porque calculada a partir da mesma base de cálculo punida com a multa proporcional, e ainda no mesmo percentual desta. Frente a tais circunstâncias, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterado pela Medida Provisória nº 351, de 2007, para prever duas penalidades distintas: a primeira de 75% calculada sobre o imposto ou contribuição que deixasse de ser recolhido e declarado, e exigida conjuntamente com o principal (inciso I do art. 44), e a segunda de 50% calculada sobre o pagamento mensal que deixasse de ser efetuado, ainda que apurado prejuízo fiscal ou base negativa ao final do ano calendário, e exigida isoladamente (inciso II do art. 44). Além disso, as hipóteses de qualificação (§1º do art. 44) e agravamento (2º do art. 44) ficaram restritas à penalidade aplicável à falta de pagamento e declaração do imposto ou contribuição. Observese: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.497 39 As conseqüências desta alteração foram apropriadamente expostas pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no voto condutor do Acórdão nº 9101 002.251: Logo, tendo sido alterada a base de cálculo eleita pelo legislador para a multa isolada de totalidade ou diferença de tributo ou contribuição para valor do pagamento mensal, não há mais qualquer vínculo, ou dependência, da multa isolada com a apuração de tributo devido. Perfilhando o entendimento de que não se confunde a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição com o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, é vasta a jurisprudência desta CSRF, valendo mencionar dos últimos cinco anos, entre outros, os acórdãos nºs 910100577, de 18 de maio de 2010, 910100.685, de 31 de agosto de 2010, 910100.879, de 23 de fevereiro de 2011, nº 9101001.265, de 23 de novembro de 2011, nº 9101 001.336, de 26 de abril de 2012, nº 9101001.547, de 22 de janeiro de 2013, nº 9101001.771, de 16 de outubro de 2013, e nº 9101002.126, de 26 de fevereiro de 2015, todos assim ementados (destaquei): O artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Daí porque despropositada a decisão recorrida que, após reconhecer expressamente a modificação da redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007, e transcrever os mesmos dispositivos legais acima, abruptamente conclui no sentido de que (efls. 236): Portanto, cabe excluir a exigência da multa de ofício isolada concomitante à multa proporcional. Em despacho de admissibilidade de embargos de declaração por omissão, interpostos pela Fazenda Nacional contra aquela decisão, e rejeitados, foi dito o seguinte (efls. 247): Por fim, reafirmo a impossibilidade da aplicação cumulativa dessas multas. Isso porque é sabido que um dos fatores que levou à mudança da redação do citado art. 44 da Lei 9.430/1996 foram os julgados deste Conselho, sendo que à época da edição da Lei 11.488/2007 já predominava esse entendimento. Vejamos novamente a redação de parte [das] disposições do art. 44 da Lei 9.430/1996 alteradas/incluídas pela Lei 11.488/2007: [...]. Ora, o legislador tinha conhecimento da jurisprudência deste Conselho quanto à impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de oficio, além de outros entendimentos no sentido de que não poderia ser exigida se apurado prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, ou se o tributo tivesse sido integralmente pago no ajuste anual. Todavia, tratou apenas das duas últimas hipóteses na nova redação, ou seja, deixou de prever a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas. E não se diga que seria esquecimento, pois, logo a seguir, no Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.498 40 parágrafo § 1º, excetuou a cumulatividade de penalidades quando a ensejar a aplicação dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Bastava ter acrescentado mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996, estabelecendo expressamente essa hipótese, que aliás é a questão de maior incidência. Ao deixar de fazer isso, uma das conclusões factíveis é que essa cumulatividade é mesmo indevida. Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.499 41 Destaquese, ainda, que a penalidade agora prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430, de 1996, é exigida isoladamente e mesmo se não apurado lucro tributável ao final do anocalendário. A conduta reprimida, portanto, é a inobservância do dever de antecipar, mora que prejudica a União durante o período verificado entre data em que a estimativa deveria ser paga e o encerramento do anocalendário. A falta de recolhimento do tributo em si, que se perfaz a partir da ocorrência do fato gerador ao final do anocalendário, sujeitase a outra penalidade e a juros de mora incorridos apenas a partir de 1º de fevereiro do ano subseqüente1. Diferentes, portanto, são os bens jurídicos tutelados, e limitar a penalidade àquela aplicada em razão da falta de recolhimento do ajuste anual é um incentivo ao descumprimento do dever de antecipação ao qual o sujeito passivo voluntariamente se vinculou, ao optar pelas vantagens decorrentes da apuração do lucro tributável apenas ao final do anocalendário. E foi, justamente, a alteração legislativa acima que motivou a edição da referida Súmula CARF nº 105. Explico. O enunciado de súmula em referência foi aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 08 de dezembro de 2014. Antes, enunciado semelhante foi, por sucessivas vezes, rejeitado pelo Pleno da CSRF, e mesmo pela 1ª Turma da CSRF. Vejase, abaixo, os verbetes submetidos a votação de 2009 a 2014: PORTARIA Nº 97, DE 24 DE NOVEMBRO DE 20092 [...] ANEXO I I ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DO PLENO: [...] 12. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº : Até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência de antecipações não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado no ajuste anual. [...] PORTARIA Nº 27, DE 19 DE NOVEMBRO DE 20123 [...] ANEXO ÚNICO [...] II ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 1ª TURMA DA CSRF: 1 Neste sentido é o disposto no art. 6º, §1º c/c §2º da Lei nº 9.430, de 1996. 2 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 112, em 27 de novembro de 2009. 3 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 19, em 27 de novembro de 2012. Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.500 42 [...] 17. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] III ENUNCIADOS A SEREM SUBMETIDOS À APROVAÇÃO DA 2ª TURMA DA CSRF: [...] 22. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA nº: Até 21 de janeiro de 2007, descabe o lançamento de multa isolada em razão do não recolhimento do imposto de renda devido em carnêleão aplicada em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Acórdãos precedentes: 10422036, de 09/06/2006; 3401 00078, de 01/06/2009; 340100047, de 06/05/2009; 10423338, de 26/06/2008; 920200.699, de 13/04/2010; 920201.833, de 25/ 10/ 2011. [...] PORTARIA Nº 18, DE 20 DE NOVEMBRO DE 20134 [...] ANEXO I I Enunciados a serem submetidos ao Pleno da CSRF: [...] 9ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA Até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001261, de 22/11/11; 9101001203, de 22/11/11; 9101001238, de 21/11/11; 9101001307, de 24/04/12; 1402001.217, de 04/10/12; 110200748, de 09/05/12; 1803001263, de 10/04/12. [...] PORTARIA Nº 23, DE 21 DE NOVEMBRO DE 20145 4 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 71, de 27 de novembro de 2013. Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.501 43 [...] ANEXO I [...] II Enunciados a serem submetidos à 1ª Turma da CSRF: [...] 13ª. PROPOSTA DE ENUNCIADO DE SÚMULA A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Acórdãos Precedentes: 9101001.261, de 22/11/2011; 9101001.203, de 17/10/2011; 9101001.238, de 21/11/2011; 9101001.307, de 24/04/2012; 1402 001.217, de 04/10/2012; 110200.748, de 09/05/2012; 1803001.263, de 10/04/2012. [...] É de se destacar que os enunciados assim propostos de 2009 a 2013 exsurgem da jurisprudência firme, contrária à aplicação concomitante das penalidades antes da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007. Jurisprudência esta, aliás, que motivou a alteração legislativa. De outro lado, a discussão acerca dos lançamentos formalizados em razão de infrações cometidas a partir do novo contexto legislativo ainda não apresentava densidade suficiente para indicar qual entendimento deveria ser sumulado. Considerando tais circunstâncias, o Pleno da CSRF, e também a 1ª Turma da CSRF, rejeitou, por três vezes, nos anos de 2009, 2012 e 2013, o enunciado contrário à concomitância das penalidades até a vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007. As discussões nestas votações motivaram alterações posteriores com o objetivo de alcançar redação que fosse acolhida pela maioria qualificada, na forma regimental. Com a rejeição do enunciado de 2009, a primeira alteração consistiu na supressão da vigência da Medida Provisória nº 351, de 2007, substituindoa, como marco temporal, pela referência à data de sua publicação. Também foram separadas as hipóteses pertinentes ao IRPJ/CSLL e ao IRPF, submetendose à 1ª Turma e à 2ª Turma da CSRF os enunciados correspondentes. Seguindose nova rejeição em 2012, o enunciado de 2009 foi reiterado em 2013 e, mais uma vez, rejeitado. Este cenário deixou patente a imprestabilidade de enunciado distinguindo as ocorrências alcançadas a partir da expressão "até a vigência da Medida Provisória nº 351", de 2007, ou até a data de sua publicação. E isto porque a partir da redação proposta havia o risco de a súmula ser invocada para declarar o cabimento da exigência concomitante das penalidades a partir das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, apesar de a jurisprudência ainda não estar consolidada neste sentido. 5 Diário Oficial da União, Seção 1, p. 12, de 25 de novembro de 2014. Fl. 2502DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.502 44 Para afastar esta interpretação, o enunciado aprovado pela 1ª Turma da CSRF em 2014 foi redigido de forma direta, de modo a abarcar, apenas, a jurisprudência firme daquele Colegiado: a impossibilidade de cumulação, com a multa de ofício proporcional aplicada sobre os tributos devidos no ajuste anual, das multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas exigidas com fundamento na legislação antes de sua alteração pela Medida Provisória nº 351, de 2007. Omitiu se, intencionalmente, qualquer referência às situações verificadas depois da alteração legislativa em tela, em razão da qual a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas passou a estar prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", e não mais no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, sempre com vistas a atribuir os efeitos sumulares6 à parcela do litígio já pacificada. Assim, a Súmula CARF nº 105 tem aplicação, apenas, em face de multas lançadas com fundamento na redação original do art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, ou seja, tendo por referência infrações cometidas antes da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, publicada em 22 de janeiro de 2007, e ainda que a exigência tenha sido formalizada já com o percentual reduzido de 50%, dado que tal providência não decorre de nova fundamentação do lançamento, mas sim da retroatividade benigna prevista pelo art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. Neste sentido, vale observar que os precedentes indicados para aprovação da súmula reportamse, todos, a infrações cometidas antes de 2007: Acórdão nº 9101001.261: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 6 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010: [...] Anexo II [...] Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: [...] XXI negar, de ofício ou por proposta do relator, seguimento ao recurso que contrarie enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, em vigor, quando não houver outra matéria objeto do recurso; [...] Art. 53. A sessão de julgamento será pública, salvo decisão justificada da turma para exame de matéria sigilosa, facultada a presença das partes ou de seus procuradores. [...] § 4° Serão julgados em sessões não presenciais os recursos em processos de valor inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) ou, independentemente do valor, forem objeto de súmula ou resolução do CARF ou de decisões do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. [...] Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. [...] Fl. 2503DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.503 45 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 9101001.203: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Acórdão nº 9101001.238: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 [...] MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Acórdão nº 9101001.307: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 [...] MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem Fl. 2504DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.504 46 dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 1402001.217: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 [...] MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). [...] Acórdão nº 1102000.748: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: [...] LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. [...] Acórdão nº 1803001.263: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 [...] APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Fl. 2505DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.505 47 Frente a tais circunstâncias, ainda que precedentes da súmula veiculem fundamentos autorizadores do cancelamento de exigências formalizadas a partir da alteração promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, não são eles, propriamente, que vinculam o julgador administrativo, mas sim o enunciado da súmula, no qual está sintetizada a questão pacificada. Digo isso porque esses precedentes têm sido utilizados para se tentar aplicar outra tese no sentido de afastar a multa, qual seja a do princípio da consunção. Ora se o princípio da consunção fosse fundamento suficiente para inexigibilidade concomitante das multas em debate, o enunciado seria genérico, sem qualquer referência ao fundamento legal dos lançamentos alcançados. A citação expressa do texto legal prestase a firmar esta circunstância como razão de decidir relevante extraída dos paradigmas, cuja presença é essencial para aplicação das conseqüências do entendimento sumulado. Há quem argumente que o princípio da consunção veda a cumulação das penalidades. Sustentam os adeptos dessa tese que o não recolhimento da estimativa mensal seria etapa preparatória da infração cometida no ajuste anual e, em tais circunstâncias o princípio da consunção autorizaria a subsistência, apenas, da penalidade aplicada sobre o tributo devido ao final do anocalendário, prestigiando o bem jurídico mais relevante, no caso, a arrecadação tributária, em confronto com a antecipação de fluxo de caixa assegurada pelas estimativas. Ademais, como a base fática para imposição das penalidades seria a mesma, a exigência concomitante das multas representaria bis in idem, até porque, embora a lei tenha previsto ambas penalidades, não determinou a sua aplicação simultânea. E acrescentam que, em se tratando de matéria de penalidades, seria aplicável o art. 112 do CTN. Entretanto, com a devida vênia, discordo desse entendimento. Para tanto, aproveito me, inicialmente do voto proferido pela Conselheira Karem Jureidini Dias na condução do acórdão nº 9101001.135, para trazer sua abordagem conceitual acerca das sanções em matéria tributária: [...] A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 2506DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.506 48 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativoconstitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2507DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.507 49 A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: [...] A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer Fl. 2508DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.508 50 obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que trata se, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Frente a estas considerações, releva destacar que a penalidade em debate é exigida isoladamente, sem qualquer hipótese de agravamento ou qualificação e, embora seu cálculo tenha por referência a antecipação não realizada, sua exigência não se dá por falta de "pagamento de tributo", dado o fato gerador do tributo sequer ter ocorrido. De forma semelhante, outras penalidades reconhecidas como decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias são calculadas em razão do valor dos tributos devidos7 e exigidas de forma isolada. Sob esta ótica, o recolhimento de estimativas melhor se alinha ao conceito de obrigação acessória que à definição de obrigação principal, até porque a antecipação do recolhimento é, em verdade, um ônus imposto aos que voluntariamente optam pela apuração anual do lucro tributável, e a obrigação acessória, nos termos do art. 113, §2º do CTN, é medida prevista não só no interesse da fiscalização, mas também da arrecadação dos tributos. Vejase, aliás, que as manifestações do Superior Tribunal de Justiça acima citadas expressamente reconhecem este ônus como decorrente de uma opção, e distinguem a antecipação do pagamento do pagamento em si, isto para negar a aplicação de juros a partir de 7 Lei nº 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 2509DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.509 51 seu recolhimento no confronto com o tributo efetivamente devido ao final do ano calendário. É certo que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça já consolidou seu entendimento contrariamente à aplicação concomitante das penalidades em razão do princípio da consunção, conforme evidencia a ementa de julgado recente proferido no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.576.289/RS: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44, I E II, DA LEI 9.430/1996 (REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.488/2007). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES. 1. A Segunda Turma do STJ tem posição firmada pela impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996 (AgRg no REsp 1.499.389/PB, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2015; REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/3/2015). 2. Agravo Regimental não provido. Todavia, referidos julgados não são de observância obrigatória na forma do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Além disso, a interpretação de que a falta de recolhimento da antecipação mensal é infração abrangida pela falta de recolhimento do ajuste anual, sob o pressuposto da existência de dependência entre elas, sendo a primeira infração preparatória da segunda, desconsidera o prejuízo experimentado pela União com a mora subsistente em razão de o tributo devido no ajuste anual sofrer encargos somente a partir do encerramento do anocalendário. Favorece, assim, o sujeito passivo que se obrigou às antecipações para apurar o lucro tributável apenas ao final do anocalendário, conferindolhe significativa vantagem econômica em relação a outro sujeito passivo que, cometendo a mesma infração, mas optando pela regra geral de apuração trimestral dos lucros, suportaria, além do ônus da escrituração trimestral dos resultados, os encargos pela falta de recolhimento do tributo calculados desde o encerramento do período trimestral. Quanto à transposição do princípio da consunção para o Direito Tributário, vale a transcrição da oposição manifestada pelo Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior no voto condutor do acórdão nº 1302001.823: Da inviabilidade de aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.510 52 anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Oportuna, também, a citação da abordagem exposta em artigo publicado por Heraldo Garcia Vitta8: O Direito Penal é especial, contém princípios, critérios, fundamentos e normas particulares, próprios desse ramo jurídico; por isso, a rigor, as regras dele não podem ser estendidas além dos casos para os quais foram instituídas. De fato, não se aplica norma jurídica senão à ordem de coisas para a qual foi estabelecida; não se pode pôr de lado a natureza da lei, nem o ramo do Direito a que pertence a regra tomada por base do processo analógico.[15 Carlos Maximiliano, Hermenêutica e aplicação do direito, p.212] Na hipótese de concurso de crimes, o legislador escolheu critérios específicos, próprios desse ramo de Direito. Logo, não se justifica a analogia das normas do Direito Penal no tema concurso real de infrações administrativas. A ‘forma de sancionar’ é instituída pelo legislador, segundo critérios de conveniência/oportunidade, isto é, discricionariedade. Competelhe elaborar, ou não, regras a respeito da concorrência de infrações administrativas. No silêncio, ocorre cúmulo material. Aliás, no Direito Administrativo brasileiro, o legislador tem procurado determinar o cúmulo material de infrações, conforme se observa, por exemplo, no artigo 266, da Lei nº 9.503, de 23.12.1997 (Código de Trânsito Brasileiro), segundo o qual “quando o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações, serlheão aplicadas, cumulativamente, as respectivas penalidades”. Igualmente o artigo 72, §1º, da Lei 9.605, de 12.2.1998, que dispõe sobre sanções penais e administrativas derivadas de condutas lesivas ao meio ambiente: “Se o infrator cometer, simultaneamente, duas ou mais infrações [administrativas, pois o disposto está inserido no Capítulo VI – Da Infração Administrativa] serlheão aplicadas, cumulativamente, as sanções a elas cominadas”. E também o parágrafo único, do artigo 56, da Lei nº 8.078, de 11.9.1990, que regula a proteção do consumidor: “As sanções [administrativas] previstas neste artigo serão aplicadas pela autoridade administrativa, no âmbito de sua atribuição, podendo ser aplicadas cumulativamente, inclusive por medida cautelar antecedente ou incidente de procedimento administrativo”.[16 Evidentemente, se ocorrer, devido ao acúmulo de sanções, perante a hipótese concreta, pena exacerbada, mesmo quando observada imposição do mínimo legal, isto é, quando a autoridade administrativa tenha imposto cominação mínima, estabelecida na lei, ocorrerá invalidação do ato administrativo, devido ao princípio da proporcionalidade.] No Direito Penal são exemplos de aplicação do princípio da consunção a absorção da tentativa pela consumação, da lesão corporal pelo homicídio e da violação de 8 http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=2644 Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.511 53 domicílio pelo furto em residência. Característica destas ocorrências é a sua previsão em normas diferentes, ou seja, a punição concebida de forma autônoma, dada a possibilidade fática de o agente ter a intenção, apenas, de cometer o crime que figura como delitomeio ou delitofim. Já no caso em debate, a norma tributária prevê expressamente a aplicação das duas penalidades em face da conduta de sujeito passivo que motive lançamento de ofício, como bem observado pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão no já citado voto condutor do acórdão nº 9101002.251: [...] Ora, o legislador, no caso, fez mais do que faria se apenas acrescentasse “mais uma alínea no inciso II da nova redação do art. 44 da [Lei nº] 9.430/1996”. Na realidade, o que, na redação primeira, era apenas um inciso subordinado a um parágrafo do artigo (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), tornouse um inciso vinculado ao próprio caput do artigo (art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996), no mesmo patamar, portanto, do inciso então preexistente, que previa a multa de ofício. Vejase a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007 (sublinhei): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...]; Dessa forma, a norma legal, ao estatuir que “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas”, está a se referir, iniludivelmente, às duas multas em conjunto, e não mais em separado, como dava a entender a antiga redação do dispositivo. Nessas condições, não seria necessário que a norma previsse “a possibilidade de haver cumulatividade dessas multas”. Pelo contrário: seria necessário, sim se fosse esse o caso, que a norma excetuasse essa possibilidade, o que nela não foi feito. Por conseguinte, não há que se falar como pretendeu o sujeito passivo, por ocasião de seu recurso voluntário em “identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias”. Se é verdade que as duas normas sancionatórias, pelo critério pessoal, alcançam o mesmo contribuinte (sujeito passivo), não é verdade que o critério material (verbo + complemento) de uma e de outra se centre “no descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido”. O complemento do critério material de ambas é, agora, distinto: o da multa de ofício é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição; já o da multa isolada é o valor do pagamento mensal, apurado sob base estimada ao longo do ano, cuja materialidade, como visto anteriormente, não se confunde com aquela. (grifos do original) Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.512 54 A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, portanto, claramente fixou a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. Somente desconsiderandose todo o histórico de aplicação das penalidades previstas na redação original do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, seria possível interpretar que a redação alterada não determinou a aplicação simultânea das penalidades. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". Ademais, quando o legislador estipula na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente, claramente afirma a aplicação da penalidade mesmo se apurado lucro tributável e, por conseqüência, tributo devido sujeito à multa prevista no inciso I do seu art. 44. Acrescentese que não se pode falar, no caso, de bis in idem sob o pressuposto de que a imposição das penalidades teria a mesma base fática. Basta observar que as infrações ocorrem em diferentes momentos, o primeiro correspondente à apuração da estimativa com a finalidade de cumprir o requisito de antecipação do recolhimento imposto aos optantes pela apuração anual do lucro, e o segundo apenas na apuração do lucro tributável ao final do anocalendário. A análise, assim, não pode ficar limitada, por exemplo, à omissão de receitas ou ao registro de despesas indedutíveis, especialmente porque, para fins tributários, estas ocorrências devem, necessariamente, repercutir no cumprimento da obrigação acessória de antecipar ou na constituição, pelo sujeito passivo, da obrigação tributária principal. A base fática, portanto, é constituída pelo registro contábil ou fiscal, ou mesmo sua supressão, e pela repercussão conferida pelo sujeito passivo àquela ocorrência no cumprimento das obrigações tributárias. Como esta conduta se dá em momentos distintos e com finalidades distintas, duas penalidades são aplicáveis, sem se cogitar de bis in idem. Neste sentido, aliás, são as considerações do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior no voto condutor do Acórdão nº 1302001.823: Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. [...] Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.513 55 § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Tais circunstâncias são totalmente distintas das que ensejam a aplicação de multa moratória ou multa de ofício sobre tributo não recolhido. Nesta segunda hipótese, sim, a base fática é idêntica, porque a infração de não recolher o tributo no vencimento foi praticada e, para compensar a União o sujeito passivo poderá, caso não demande a atuação de um agente fiscal para constituição do crédito tributário por lançamento de ofício, sujeitarse a uma penalidade menor9. Se o recolhimento não for promovido depois do vencimento e o lançamento de ofício se fizer necessário, a multa de ofício fixada em maior percentual incorpora, por certo, a 9 Lei nº 9.430, de 1996, art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.514 56 reparação que antes poderia ser promovida pelo sujeito passivo sem a atuação de um Auditor Fiscal. Imprópria, portanto, a ampliação do conteúdo expresso no enunciado da súmula a partir do que consignado no voto condutor de alguns dos paradigmas. É importante repisar, assim, que as decisões acerca das infrações cometidas depois das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, não devem observância à Súmula CARF nº 105 e os Conselheiros têm plena liberdade de convicção. Somente a essência extraída dos paradigmas, integrada ao enunciado no caso, mediante expressa referência ao fundamento legal aplicável antes da edição da Medida Provisória nº 351, de 2007 (art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) , representa o entendimento acolhido pela 1ª Turma da CSRF a ser observado, obrigatoriamente, pelos integrantes da 1ª Seção de Julgamento. Nada além disso. De outro lado, releva ainda destacar que a aprovação de um enunciado não impõe ao julgador a sua aplicação cega. As circunstâncias do caso concreto devem ser analisadas e, caso identificado algum aspecto antes desconsiderado, é possível afastar a aplicação da súmula. Vejase, por exemplo, que o enunciado da Súmula CARF nº 105 é omisso acerca de outro ponto que permite interpretação favorável à manutenção parcial de exigências formalizadas ainda que com fundamento no art. 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste sentido é a declaração de voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão nº 1302001.753: A multa isolada teve em conta falta de recolhimento de estimativa de CSLL no valor de R$ 94.130,67, ao passo que a multa de ofício foi aplicada sobre a CSLL apurada no ajuste anual no valor de R$ 31.595,78. Discutese, no caso, a aplicação da Súmula CARF nº 105 de seguinte teor: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Os períodos de apuração autuados estariam alcançados pelo dispositivo legal apontado na Súmula CARF nº 105. Todavia, como evidenciam as bases de cálculo das penalidades, a concomitância se verificou apenas sobre parte da multa isolada exigida por falta de recolhimento da estimativa de CSLL devida em dezembro/2002. Importa, assim, avaliar se o entendimento sumulado determinaria a exoneração de toda a multa isolada aqui aplicada. A referência à exigência ao mesmo tempo das duas penalidades não possui uma única interpretação. É possível concluir, a partir do disposto, que não subsiste a multa isolada aplicada no mesmo lançamento em que formalizada a exigência do ajuste anual com acréscimo da multa de ofício proporcional, ou então que a multa isolada deve ser exonerada quando exigida em face de antecipação contida no ajuste anual que ensejou a exigência do principal e correspondente multa de ofício. Além disso, podese interpretar que deve subsistir apenas uma penalidade quando a causa de sua aplicação é a mesma. Os precedentes que orientaram a edição da Súmula CARF nº 105 auxiliam nesta interpretação. São eles: Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.515 57 [...] Observase nas ementas dos Acórdãos nº 9101001.261, 9101001.307 e 1803 001.263 a abordagem genérica da infração de falta de recolhimento de estimativas como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano, e que por esta razão é absorvida pela segunda infração, devendo subsistir apenas a punição aplicada sobre esta. Sob esta vertente interpretativa, qualquer multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas sucumbiria frente à exigência do ajuste anual com acréscimo de multa de ofício. Porém, os Acórdãos nº 9101001.203 e 9101001.238, reportamse à identidade entre a infração que, constatada pela Fiscalização, enseja a apuração da falta de recolhimento de estimativas e da falta de recolhimento do ajuste anual, assim como os Acórdãos nº 1402001.217 e 1102000.748 fazem referência a aplicação de penalidades sobre a mesma base, ou ao fato de a base de cálculo das multas isoladas estar contida na base de cálculo da multa de ofício. Tais referências permitem concluir que, para identificação da concomitância, deve ser avaliada a causa da aplicação da penalidade ou, ao menos, o seu reflexo na apuração do ajuste anual e nas bases estimativas. A adoção de tais referenciais para edição da Súmula CARF nº 105 evidencia que não se pretendeu atribuir um conteúdo único à concomitância, permitindo se a livre interpretação acerca de seu alcance. Considerando que, no presente caso, as infrações foram apuradas de forma independente estimativa não recolhida em razão de seu parcelamento parcial e ajuste anual não recolhido em razão da compensação de bases negativas acima do limite legal e assim resultaram em distintas bases para aplicação das penalidades, é válido concluir que não há concomitância em relação à multa isolada aplicada sobre a parcela de R$ 62.534,89 (= R$ 94.130,67 R$ 31.595,78), correspondente à estimativa de CSLL em dezembro/2002 que excede a falta de recolhimento apurada no ajuste anual. Divergência neste sentido, aliás, já estava consubstanciada antes da aprovação da súmula, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 120100.235, de lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: [...] O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 – R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Abaixo, segue a discriminação dos valores: Base estimada remanescente: R$ 3.826.453,79 Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.516 58 Estimativa remanescente (R$ 3.826.453,79 x 25%): R$ 956.613,45 Multa isolada mantida (R$ 956.613,45 x 50%): R$ 478.306,72 Multa isolada excluída (R$ 1.109.844,27 – R$ 478.306,72: R$ 631.537,55 [...] A observância do entendimento sumulado, portanto, pressupõe a identificação dos requisitos expressos no enunciado e a análise das circunstâncias do caso concreto, a fim de conferir eficácia à súmula, mas não aplicála a casos distintos. Assim, a referência expressa ao fundamento legal das exigências às quais se aplica o entendimento sumulado limita a sua abrangência, mas a adoção de expressões cujo significado não pode ser identificado a partir dos paradigmas da súmula confere liberdade interpretativa ao julgador. Como antes referido, no presente processo a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais foi exigida para fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo assim e diante do todo o exposto, não só não há falar na aplicação ao caso da Súmula CARF nº 105, como não se pode cogitar da impossibilidade de lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas após o encerramento do anocalendário. Como se viu, a multa de 50% prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e calculada sobre o pagamento mensal de antecipação de IRPJ e CSLL que deixe de ser efetuado penaliza o descumprimento do dever de antecipar o recolhimento de tais tributos e independe do resultado apurado ao final do ano calendário e da eventual aplicação de multa de ofício. Nessa condição, a multa isolada é devida ainda que se apure prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, conforme estabelece a alínea "b" do referido inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo que não haveria sentido em comando nesse sentido caso não se pudesse aplicar a multa após o encerramento do anocalendário, eis que antes de encerrado o ano sequer pode se determinar se houve ou não prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. No mesmo sentido do entendimento aqui manifestado citamse os seguintes acórdãos desta 1ª Turma da CSRF: 9101002.414 (de 17/08/2016), 9101002.438 (de 20/09/2016) e 9101002.510 (de 12/12/2016). Vêse, no entanto, que a Turma recorrida manifestou entendimento diverso desse que se sedimentou nesta 1ª Turma da CSRF. Deveras, no voto condutor do acórdão recorrido, o Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas se manifesta no sentido de que a partir da vigência da Lei nº 11.488, de 2007, a Súmula nº 105 do CARF deve ser interpretada "no sentido de cancelar as multas isoladas apenas quando as suas bases de cálculo sejam iguais ou menores às bases de cálculo das multas de ofício", conferindo "interpretação mais mediadora, mais justa para a matéria em questão, pois evita a aplicação concomitante de multas ao mesmo tempo em que evita a aplicação de sanções muito brandas quando o contribuinte deixa de recolher valores altos, o que poderia levar, inclusive, a uma perda de eficácia social da norma que impõe o Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.517 59 recolhimento da estimativa mensal". Confirase, além do texto da ementa, transcrita parcialmente ao início do relatório, o excerto a seguir do acórdão recorrido: No entendimento deste relator, no entanto, a partir da vigência da Lei nº 11.488/2007, quando o valor da(s) multa(s) isolada(s) superar o valor da multa de ofício, devese cancelar a multa de ofício e manter a isolada, ou seja, para evitar a concomitância, devese sempre absorver a multa cuja base de cálculo tem menor valor. Esse entendimento é um desdobramento da própria Súmula nº 105 do CARF, pois ele evita o problema de se afastar a multa isolada e se manter a multa de ofício quando aquela tinha valor muito maior do que essa. Assim, o contribuinte é sancionado de maneira muito branda, mesmo apesar de ter deixado de recolher altos valores a título de estimativa mensal. Outra maneira de se ver essa conclusão é manter sempre a multa de ofício, como determina a súmula, mas acrescêla da diferença entre ela (multiplicada por 2/3) e a multa isolada, quando esta última for maior. Essa parece ser a interpretação mais mediadora, mais justa para a matéria em questão, pois evita a aplicação concomitante de multas ao mesmo tempo em que evita a aplicação de sanções muito brandas quando o contribuinte deixa de recolher valores altos, o que poderia levar, inclusive, a uma perda de eficácia social da norma que impõe o recolhimento da estimativa mensal. Tratase de solução que, como assinala o Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas, é menos onerosa, mais branda, do que a cobrança concomitante das duas multas, referendada por esta 1ª Turma da CSRF. Vejase, por exemplo, a repercussão nos anos calendário de 2008 e 2011 como descrita no voto condutor do acórdão recorrido: No caso concreto em análise, um exemplo é o ano de 2008 para o IRPJ, quando a multa isolada foi de R$ 4.809.600,95, enquanto que a multa de ofício seria R$ 9.011.976,59 (base de cálculo) x 75% = R$ 6.758.982,44. Quando multiplicada por 2/3 (66,66%), a multa de ofício fica um pouco menor do que a multa isolada: R$ 4.505.988,29, devendo ser aplicada apenas a multa isolada ou, caso se prefira, o valor da multa de ofício e mais o valor da diferença entre as duas. Já no ano de 2011, por exemplo, o valor da multa isolada é de R$ 4.425.234,83, enquanto que a multa de ofício, se considerado o percentual de 75%, tem um valor de R$ 7.88.002,75. Quando multiplicada por 2/3 a multa de ofício, o resultado é R$ 5.254.668,50. Nesse contexto, o puro e simples restabelecimento da cobrança concomitante das duas multas aplicada no auto de infração implicaria reforma da decisão recorrida em prejuízo da Recorrente, o que violaria o princípio da non reformatio in pejus. Por essa razão, cumpre aqui negar provimento ao recurso da Contribuinte, mas manter, em homenagem ao princípio da non reformatio in pejus, a decisão da Turma recorrida de "cancelar as multas isoladas aplicadas nos períodos de 2008 a 2012, mas mantendo a diferença de multa isolada na parte em que sua base de cálculo exceder a base de cálculo da multa de ofício por ano calendário". Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.518 60 Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício No tema dos juros de mora sobre a multa de ofício, em julgado de 14/06/2016, esta Relatora proferiu voto no sentido de afirmar a incidência de juros sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros desta 1ª Turma da CSRF, conforme razões a seguir expendidas. O mesmo posicionamento foi subscrito pela Turma em julgados posteriores (citese, por exemplo, os acórdãos 9101002.501 e 9101002.510, ambos de 12/12/2016). A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase (sublinhei): Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, contrariamente àquilo que alega a Contribuinte, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.519 61 Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401 001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Com base no art. 161, caput, do CTN, a Contribuinte insiste na tese de que os juros devem incidir apenas sobre valor do tributo, e não sobre valor de multa de ofício. Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o art. 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o art. 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.520 62 qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.521 63 penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Argumentam alguns, de outra banda, que o art. 161, caput, do CTN, ao ressalvar a possibilidade de "imposição de penalidades cabíveis" evidenciaria que a referência a "crédito não integralmente pago no vencimento" diz respeito, apenas, ao tributo não recolhido. Cumpre, no entanto, esclarecer que tal ressalva revela, na verdade, que o artigo em tela prestase a permitir a aplicação de multas de caráter moratório em decorrência da impontualidade no pagamento do tributo. Logo, à luz do caput do art. 161 do CTN, não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.522 64 MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento."(grifo nosso) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Argumentase, ainda, que a previsão específica de incidência de juros de mora sobre multas isoladas contida no art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, seria desnecessária caso o art. 61, § 3º, da mesma lei incluísse as multas, uma vez que elas (multas isoladas) já representariam os "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" referidos pelo § 3º do art. 61 em tela. Cumpre observar, no entanto, que o art. 43 em questão trata da hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", cuja designação, por si só, já evidencia dúvida acerca de sua integração ao conceito de "débitos decorrentes de tributos e contribuições" e a consequente necessidade de disposição legal específica para determinar a aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas em tais circunstâncias, distintamente do que ocorre com as multas de ofício proporcionais, sempre exigidas em conjunto com os tributos ou contribuições não declarados e não recolhidos, em claro vínculo de decorrência. Aliás, como bem observa o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no voto condutor do Acórdão nº 9303004.407: Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 16561.720141/201350 Acórdão n.º 9101003.469 CSRFT1 Fl. 2.523 65 Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Também aqui, portanto, não deve ser acolhido o recurso da Contribuinte. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2524DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000080/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
SERVIÇOS DE MOVIMENTAÇÃO INTERNA. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO.
As despesas com "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa", de "materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", dão direito a crédito no conceito de serviços utilizados como insumo no processo produtivo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03).
CRÉDITOS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 01/05/2005. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
De acordo com a Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Desse modo, inviável o afastamento da vedação constante no art. 31 da Lei 10.865, de 30/04/2004, sendo legítima a glosa de créditos sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004.
RATEIO PROPORCIONAL DE DESPESAS VINCULADAS À EXPORTAÇÃO.
Cumpre ao Contribuinte demonstrar eventual equívoco no cálculo do rateio, quando o lançamento se baseia nos dados por ele mesmo informados.
SOBRESTAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Não há disposição normativa que autorize o sobrestamento de Recursos em razão de julgados pendentes no Supremo Tribunal Federal, sendo certo, ainda, inexistir qualquer determinação judicial nesse sentido.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA.
É incabível a realização de diligência quando inexistente dúvidas acerca do trabalho fiscal e das provas anexadas aos autos.
Numero da decisão: 3201-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa", de "materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", dão direito a crédito no conceito de serviços utilizados como insumo no processo produtivo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). CRÉDITOS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS ADQUIRIDOS ANTES DE 01/05/2005. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. De acordo com a Súmula CARF nº 2, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Desse modo, inviável o afastamento da vedação constante no art. 31 da Lei 10.865, de 30/04/2004, sendo legítima a glosa de créditos sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004. RATEIO PROPORCIONAL DE DESPESAS VINCULADAS À EXPORTAÇÃO. Cumpre ao Contribuinte demonstrar eventual equívoco no cálculo do rateio, quando o lançamento se baseia nos dados por ele mesmo informados. SOBRESTAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Não há disposição normativa que autorize o sobrestamento de Recursos em razão de julgados pendentes no Supremo Tribunal Federal, sendo certo, ainda, inexistir qualquer determinação judicial nesse sentido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 80 /2 00 9- 03 Fl. 2299DF CARF MF 2 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE PROVA. É incabível a realização de diligência quando inexistente dúvidas acerca do trabalho fiscal e das provas anexadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1268.754, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento e declaração de compensação envolvendo crédito relativo à COFINS exportação apurada no regime nãocumulativo, no período de 01/10/2005 a 31/12/2005, no montante de R$ 1.425.000,00. A Delegacia de origem proferiu o Despacho Decisório de fls. 2042/2059, reconhecendo parcialmente o direito creditório no valor de R$ 1.342.011,43 e homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. A autoridade fiscal registra, em síntese, que: a) Após a realização de testes de auditoria, sem identificação de distorções relevante ou vícios na documentação apresentada pelo sujeito passivo, opinamos pela manutenção do direito de crédito em relação aos seguintes itens: aquisição de bens para revenda, de bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos referentes a mão de obra de terceiros PJ, energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios, devolução de vendas e importações; b) Dentre as Notas Fiscais selecionadas relativas a serviços de transporte, constatamos que parte dos serviços referemse a “serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa”, conforme destacado no corpo das notas fiscais. A empresa TNT LOGISTICS LTDA era responsável por todos os serviços de Movimentação Interna da MABE, conforme Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.300 3 informação do contribuinte. Ressaltamos que não foi possível individualizar os tipos de produtos que foram transportados pela TNT; c) Tanto os serviços de transporte de movimentação interna (dentro da empresa) ou a transferência para outro estabelecimento ainda que da mesma empresa, não geram direito a crédito. Elaboramos a planilha de glosa dos créditos referentes a este serviço e anexamos no presente processo, conforme documento denominado “Planilha TNT”; d) Quando da realização dos nossos testes de auditoria nos encargos de depreciação do sujeito passivo, identificamos que o mesmo teve como prática usual tomar créditos de PIS e COFINS (ano base 2005) sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004 (conforme Planilha de Depreciação). Tais encargos não geram direito a crédito de PIS e COFINS e foram glosados, conforme demonstramos na “Planilha Glosa de Depreciação”, tendo sido considerado como data de aquisição dos bens a data da emissão da Nota Fiscal e não a data de movimentação dos bens; e) O sujeito passivo considerou como Receita de Exportação as Receitas decorrentes das emissões de notas fiscais das mercadorias destinadas à exportação, independentemente da sua efetiva exportação ou data de embarque. Os percentuais de exportação apresentados pelo sujeito passivo constam da planilha “Rateio de Exportação”; f) Consideramos como Receita de Exportação o efetivo embarque da mercadoria, conforme demonstrado na planilha “Novo Rateio de Exportação”; g) Após as análises feitas pela fiscalização foi apurado o crédito no montante de R$ 1.342.011,43. Devidamente cientificada em 09/08/2011 (fl. 2065), a contribuinte apresentou, em 08/09/2011, a Manifestação de Inconformidade anexada às fls. 2066/2089, na qual alegou, em síntese, que: a) Conforme se infere do art. 3o da Lei 10.637/2002, inciso II e IX e 10.833/2003 duas são as possibilidades de créditos de Cofins e PIS relativo a fretes: frete nas operações de venda e, apesar de não constar explicita, frete pago a pessoa jurídica domiciliada no país para o transporte de insumos necessários para a produção dos bens destinados a venda. Esta última situação foi abordada na Solução de Consulta 210/2009 pela 8a RF; b) Os produtos transportados internamente não foram sequer individualizados pelo agente fiscal. O fato é que devem ser considerados os créditos sob análise, pois oriundos de serviços de transporte de produtos necessários à produção das mercadorias destinadas à venda, tendo em vista que tais despesas compõem o custo do produto final; Fl. 2301DF CARF MF 4 c) A jurisprudência do CARF tem entendido que o conceito de insumo para fins de PIS e Cofins não se restringe à matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, mas abrange todas as atividades que compõem o custo do produto vendido; d) Assim, independente do material transportado internamente, os gastos com frete interno configuramse como insumo; e) A glosa de crédito oriundo de despesas com encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004 revelase ilegal, haja vista que a Lei 10.833/03 e 10.637/02 não condiciona o aproveitamento desse crédito a limite temporal; f) O art. 31 da Lei 10.865/2004, publicada posteriormente às Leis 10.833/03 e 10.637/02 não tem o condão de restringir os créditos em questão, porque a restrição padece de ilegalidade e inconstitucionalidade; g) Pelo princípio da igualdade ou isonomia tributária, a lei não pode discriminar contribuintes que se encontrem em situação jurídica equivalente; h) O art. 31 da Lei 10.865/2004 também acabou por incorrer em ofensa ao direito adquirido, à regra da irretroatividade da lei tributária e ao princípio da segurança jurídica; i) Todos os dados constantes do DACON referente ao ano calendário de 2005, a título de PIS e Cofins exportação referem se às exportações efetivamente realizadas pela impugnante; j) Por meio da decisão, não é permitida à impugnante conhecer, com o grau de detalhe necessário, as exatas divergências apuradas pela fiscalização em relação às exportações, o que inviabiliza seu pleno direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa; k) O vício material insanável impede a manutenção da glosa de créditos oriundos de receitas de exportação; l) Cita jurisprudência do CARF e do STJ em relação ao conceito de insumos; m) Protesta por todos os meios de prova admitidos, em homenagem ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, em especial a juntada de novos documentos relacionados aos créditos indevidamente glosados; n) Requer seja acolhida a manifestação de inconformidade a fim de reformar a decisão para deferir o pedido de ressarcimento e homologar a compensação, cancelandose eventual débito fiscal reclamado. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.301 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. PROVA. MOMENTO. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada no prazo do recurso, precluindose o direito de o recorrente fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, postulando pelo reconhecimento dos créditos oriundos de (i) despesas com frete interno; (ii) encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004; assim como postula pelo (iii) ajuste no rateio de despesas relativos às receita de exportação e pela (iv) ausência de preclusão para a juntada de documentos comprobatórios. Por fim, ainda requer (v) o sobrestamento do presente Recurso Voluntário até a decisão definitiva do STF quanto à constitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, ou, ainda (vi) que o feito seja baixado em diligência para maior detalhamento das glosas realizadas. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 2303DF CARF MF 6 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O recurso voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. (i) despesas com frete interno Dentre a análise dos "Serviços Utilizados como Insumos", especificamente no exame "Do Serviço de Transporte/Aquisição de serviço de Transporte", houve por bem a Fiscalização indeferir o direito ao crédito sobre os "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa". Conforme consta do Despacho Decisório, esta movimentação interna compreende "os serviços de movimentação de materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", não tendo sido feita a individualização pela Fiscalização. Assim se resume a glosa fiscal: Assim, tratase de movimentação interna, conforme descrição no “corpo” das Notas Fiscais, mas ressaltamos que não foi possível individualizar os tipos de produtos que foram transportados pela TNT. (...) No entanto, não podem ser descontadas como créditos, do PIS/PASEP e COFINS não cumulativos, as despesas com frete, realizadas por empresa comercial, referentes ao transporte interno de mercadorias entre depósito e lojas. (Dispositivos legais: Artigo 3º, incisos I e II, da Lei 10.637/2002; artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/2003; artigo 66, inciso I, “b2”, e § 5º, inciso II, da IN SRF nº 247/2002; artigo 8º, inciso I, “b2”, § 4º, inciso II e § 9º, inciso I da IN SRF nº 404/2004; artigo 2º do ADI SRF nº 4/2007; e Solução de Consulta DISIT 8 nº 344, de 05/10/2009). (fls. 2263/2264) (sem destaques no original) O Acórdão recorrido manteve a glosa dos créditos ao entendimento de que "as despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda." Ou seja, a autoridade lançadora entendeu que as operações de frete realizadas pela Recorrente (movimentação interna) não podem ser entendidas como "frete na operação de venda" (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03). Já o acórdão recorrido acrescentou que tais operações também não se enquadram no conceito de insumos, tal como "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.302 7 A Recorrente, em seu Recurso, defende a tese de que tais serviços chamados de frete de movimentação interna são enquadrados no conceito de insumos essenciais à sua atividade. A matéria em exame já foi objeto de decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais desse CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 (...) Recurso Especial da Contribuinte provido. (Acórdão 9303004.318, 3ª Turma CSRF, de 15 de setembro de 2016, Redatora designada Érika Costa Camargos Autran) Esta Turma Julgadora também já se posicionou nesse mesmo sentido, acatando o posicionamento da CSRF: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. O custo referente ao frete pago pelo transporte de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa integra a base de cálculo para o crédito previsto para a COFINS não cumulativos, sendo possível o seu creditamento. Fl. 2305DF CARF MF 8 (...) (Acórdão 3201003.210, 1ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, 3ª Seção, de 25 de outubro de 2017, Relator Leonardo Vinicius Toledo de Andrade) Assim, por entender que a movimentação de produtos (insumos, bens em elaboração e produtos acabados) entre setores produtivos distintos de um mesmo fabricante, até a sua disposição final para venda, ou seja, até o estabelecimento comercial, está intrinsecamente ligada ao processo produtivo, não vejo como negar direito a tais créditos. Não há como se conceber, dentro de um complexo industrial tal como os hoje existentes, que todas as etapas de fabricação e montagens de bens ocorram dentro de um mesmo espaço físico ou, até mesmo, dentre de um mesmo estabelecimento. Há, por exemplo, industrias que produzem suas próprias chapas de metal num estabelecimento distinto daquele onde esta chapa será recortada ou moldada para utilização no produto final. E isso se dá por diversos fatores, tais como a conveniência geográfica de instalação de tais estabelecimentos ou mesmo fatores negociais, econômicos ou gerenciais, como a opção de um industrial por adquirir determinado fornecedor e passar a produzir, por sua conta, a matéria prima anteriormente adquirida de terceiros. Ou seja, é irrazoável se admitir que, enquanto a mercadoria era adquirida de terceiro, o frete entre o estabelecimento que produzia a matéria prima e o estabelecimento industrial adquirente era considerado custo integrante da produção, e deixa de sêlo no momento em que, por exemplo, aquele fornecedor se incorpora ao estabelecimento outrora adquirente. E digo isso não para passar ao largo das disposições legais que descrevem os custos da produção de dão direito ao crédito no regime não cumulativo (incisos do art. 3º da Lei nº 10.833/03, mas sim por interpretar, de forma lógica e jamais de forma literal os incisos II e IX do referido dispositivo: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A mim me parece, de forma clara, que o inciso IX, ao afirmar, textualmente, que, nos casos dos incisos I e II, ou seja, nos casos de serviços utilizados como insumos, aqueles decorrentes de fretes na operação de venda darão direito ao crédito, não o fez de modo Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.303 9 o limitar o crédito sobre serviços de frete, mas, sim, de esclarecer que, inclusive o frente da operação de venda, dará direito ao crédito. Por óbvio, o que fez o legislador, por meio do inciso IX, foi clarear que o custo de produção (pressuposto a partir do qual se desenvolveu o conceito de insumo), abrange todos aqueles custos incorridos diretamente no processo produtivo, até a entrega ao consumidor. Ou seja, deixa claro que o encerramento do processo produtivo se dá com a entrega, atradição do bem produzido ao seu consumidor. Nesse sentido, oportuno transcrever o conceito de custo de produção extraído do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I – o custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; Assim, não há como se conceber que, por exemplo, o transporte da chapa de metal ao setor de corte ou moldagem, a sua posterior remessa ao setor de montagem, do bem em produção ao setor de pintura, do bem acabado ao setor de embalagem e, posteriormente, ao seu centro de distribuição, onde o produto estará pronto ao consumo final, não estejam inseridos no conceito global de processo produtivo, tal como utilizado pela legislação. Pelo exposto, voto no sentido de reconhecer o direito ao crédito sobre "serviços de movimentação interna, ou seja, dentro da própria empresa", tal como descrito pelo Despacho Decisório, "os serviços de movimentação de materiais, produtos em elaboração e produtos acabados", por enquadrálos no conceito de serviços utilizados como insumo no processo produtivo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03). (ii) encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004 A glosa em questão foi assim descrita pelo Despacho Decisório: Quando da realização dos nossos testes de auditoria, nos encargos de depreciação do sujeito passivo, identificamos que o mesmo teve como prática usual tomar créditos de PIS/PASEP e COFINS (ano base 2005) sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004 (Vide documento denominado Planilha de Depreciação). Tais encargos não geram direito a crédito de PIS/PASEP COFINS e foram glosados, conforme demonstramos na planilha de cálculo denominada “Planilha Glosa de Depreciação” que anexamos ao presente Processo. Importante: Nesta consideramos como data de aquisição dos bens a data da emissão da Nota Fiscal e não a data de movimentação dos bens. Fl. 2307DF CARF MF 10 (fl. 2267) Em seu Recurso, a Contribuinte apresenta razões atinentes à violação a normas constitucionais para ver resguardado seu direito à manutenção de tais créditos: Nesse aspecto, utilizo como razão de decidir o exposto no acórdão recorrido: Cumpre esclarecer, contudo, que tais questões não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois ao julgador é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional. Tal limitação decorre da disposição expressa do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que determina que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, bem como do princípio da legalidade, pelo qual devem se pautar todos os atos da Administração Pública. Portanto, não existe outro procedimento possível à autoridade fiscalizadora senão glosar os créditos apurados pelo contribuinte em desconformidade com a legislação aplicável, não cabendo à autoridade julgadora administrativa avaliar a constitucionalidade de tais dispositivos. Acrescento, ainda nesta seara, a redação da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, nesse aspecto, voto por negar provimento ao pleito de manutenção de créditos apropriados sobre encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, por expressa disposição legal. (iii) crédito presumido sobre o estoque de abertura É também objeto da lide o direito ao crédito presumido da COFINS sobre o Estoque de Abertura, assim definido pelo Despacho Decisório: Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.304 11 O sujeito passivo declarou e/ou consignou na DACON dos 1º trimestre/2005 – na Ficha de Apuração dos Créditos da Contribuição da COFINS Ficha 12 (linha 19), “Crédito Presumido relativo a Estoque de Abertura”, durante o período 01/2005 à 03/2005, totalizaram a quantia de R$ 109.899,71 conforme abaixo descrito: (...) Para apurar a veracidade deste crédito Intimamos o sujeito passivo: 1 – Para que apresentasse a composição dos estoques existentes quando da modificação do regime – de cumulativo para não – cumulativo; 2 – Para que apresentasse a base de cálculo do crédito presumido sobre estoque de abertura que suportou os valores lançados na DACON, e sua memória de cálculo para apropriação. 3 – Para que apresentasse, a composição detalhada do Saldo do Estoque de Abertura, com os valores das respectivas aquisições e dados dos Fornecedores (CNPJ, Nome, UF). Findo o prazo da Intimação o sujeito passivo não apresentou a documentação pertinente para justificar os créditos lançados na DACON como crédito presumido sobre estoque de abertura, alegando não possuir controle contábil de estoque que trouxesse essa posição. Relatou ainda que, por ter realizado migração de software contábil no período, suas informações ficaram prejudicadas. Diante do acima exposto, Intimamos o sujeito passivo para que elaborasse documento firmando essa impossibilidade de compor a base de cálculo dos créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre estoque de abertura. Em resposta, o mesmo elaborou o documento Intimado (Declaração) que anexamos ao presente Processo, denominado “Resposta – Estoque de Abertura”. Desta forma, opinamos pela impossibilidade de conceder o benefício do referido crédito. (fls. 2269/2270) Nesse aspecto, denotase que a matéria controvertida não é de direito, mas, sim, atinente à comprovação documental do direito postulado. E nesse sentido se fundamentou o acórdão recorrido: Assim, a natureza da relação processual própria dos processos de compensação atribui ao sujeito passivo o ônus de provar o crédito que pleiteia, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da pleiteante. Fl. 2309DF CARF MF 12 No caso em exame, a fim de verificar a autenticidade dos valores informados no DACON, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar a composição dos estoques existentes quando da modificação do regime – de cumulativo para nãocumulativo, a base de cálculo do crédito presumido sobre estoque de abertura e sua memória de cálculo e também a composição detalhada do Saldo do Estoque de Abertura, com os valores das respectivas aquisições e dados dos Fornecedores. A interessada não apresentou os elementos requisitados e declarou em fl. 2185 não ser possível detalhar o saldo de estoque de abertura do ano de 2005 com a apresentação dos valores das respectivas aquisições e dados dos fornecedores. Embora alegue em sua defesa ter havido dificuldade, em um primeiro momento, de localizar os documentos solicitados, também por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade nada foi acrescentado aos autos com a finalidade de comprovar os valores informados no DACON. Assim, diante da impossibilidade de comprovação dos créditos presumidos sobre o estoque de abertura nos valores pretendidos, deve ser mantida a glosa efetuada. Devo acrescentar, ao exposto, que tampouco em sede de Recurso Voluntário a Recorrente apresentou qualquer meio de prova tendente à comprovação do direito postulado. Outrossim, requer seja determinada a realização de "diligência a fim de que seja verificado pela Repartição de Origem, junto aos documentos já apresentados pela Recorrente e os constantes do sistema da Recorrente e da Receita Federal, a correção dos valores de abertura do estoque". Com a devida vênia ao requerimento formulado, tenho que o pleito da Recorrente é inócuo. Com efeito, o trabalho fiscal foi realizado com zelo e se apresenta bastante fundamentado, conforme se depreende do Despacho Decisório elaborado. Assim, tenho que a análise dos "documentos já apresentados pela Recorrente e os constantes do sistema da Recorrente e da Receita Federal" já foi levada a efeito pela Fiscalização, sendo certo que a Recorrente não logrou apresentar qualquer prova em contrário, seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em seu Recurso Voluntário. Observo que não se trata aqui de negar a aplicação do Princípio da Verdade Material, tampouco está a se falar em preclusão. É de conhecimento a veemente defesa que venho apresentando do mencionado Princípio da Verdade Material e da necessidade de se afastar a aplicação simplória da preclusão processual em sede de contencioso administrativo. Em meu entendimento, tais salvaguardas visam à proteção do princípio da legalidade estrita, segundo o qual o tributo só pode ser exigido com base em lei, devendose afastar qualquer tentativa de tributação pautada em erro ou presunção. Não obstante, é certo que a busca da verdade material deve estar pautada em, ao menos, indícios de provas acerca do direito defendido, e não em mera argumentação. E, na hipótese dos autos, tenho que a Recorrente não se desincumbiu desse ônus, sendo certo que foi instada a tanto desde o procedimento fiscalizatório e deveria, caso existente, ter apresentado tais provas ainda que em sede de Recurso Voluntário, visando a justificar a realização da diligência requerida. Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.305 13 Pelo exposto, nego provimento ao pedido de realização de diligência e, conseqüentemente, mantenho a glosa dos créditos apropriados sobre o estoque presumido de abertura, uma vez que inexistente qualquer indício probatório acerca de sua existência e/ou mensuração. (iii) ajuste no rateio de despesas relativos às receita de exportação Nesse tópico recursal a questão a ser debatida é, também exclusivamente de fato. Veja o exposto no Despacho Decisório: A2 – DACON X SISTEMA SISCOMEX Com vistas a validar a receita de exportação informada, comparamos os dados da DACON com os valores que extraímos do Sistema DW – Siscomex Exportação da Receita Federal. Inicialmente identificamos expressivas divergências entre os dados mencionados. Intimado, o sujeito passivo esclareceu que os dados do Sistema DW continham apenas os dados das exportações embarcadas em 2.005. Assim, concluímos que o sujeito passivo considerou como Receita de Exportação as Receitas decorrentes das emissões de notas fiscais das mercadorias destinadas à exportação, independentemente da sua efetiva exportação ou data de embarque. A3 – DA RECONSTITUIÇAO DAS RECEITAS DE EXPORTAÇAO O sujeito passivo utilizou o método da proporcionalidade das Receitas de Exportações para apurar os créditos sujeitos a ressarcimento. Assim os respectivos pedidos de ressarcimento efetuados foram baseados nos percentuais de exportação apresentados pelo sujeito passivo, conforme sumarizamos na planilha que denominamos “Rateio de Exportação”. Ocorre que consideramos como Receita de Exportação o efetivo embarque da mercadoria. Assim, reconstituímos a planilha anteriormente mencionada, conforme a planilha denominada “Novo Rateio de Exportação”. (fls. 2271/2272) Em seu recurso a Recorrente defende que tal divergência decorre apenas de um aspecto temporal, sendo que parte das exportações consideradas no momento do cálculo do rateio ocorreu em prazo superior ao considerado pela Fiscalização. Ou seja, afirma que, para fins de rateio, considerou a data em que incorridas as despesas vinculadas às exportações, e não a data em que estas exportações efetivamente ocorreram. Fl. 2311DF CARF MF 14 Ocorre que aqui, mais uma vez, como ressaltado pelo Acórdão recorrido, "Caberia ao contribuinte, portanto, apresentar seus argumentos de defesa e elementos de prova capazes de sustentar os valores mensais informados no DACON a título de receita de exportação, o que, contudo, não foi providenciado." Assim, pelos mesmo fundamentos já expostos no tópico precedente, também nego provimento ao Recurso quanto ao critério de rateio utilizado pela Fiscalização. (iv) ausência de preclusão para a juntada de documentos comprobatórios Nesse tópico de seu Recurso a Contribuinte alega não ser possível existir preclusão para juntada de documentos comprobatórios acerca de fundamentos inovadores trazidos em sede de acórdão, requerendo sejam apreciados os documentos já juntados em sede de Manifestação de Inconformidade. Com a devida vênia às razões recursais cujos fundamentos são de minha inteira concordância não é possível identificar quais seriam os fundamentos inovadores trazidos pelo acórdão recorrido e contra os quais se insurgiria, tampouco qual ou quais documentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade deixaram de ser analisados. Desse modo, por reputar genéricos os argumentos, entendo que nada há a prover quanto a este tópico. (v) sobrestamento do presente Recurso Voluntário até a decisão definitiva do STF quanto à constitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865/2004 Não há disposição normativa que autorize o sobrestamento de Recursos em razão de julgados pendentes no Supremo Tribunal Federal, sendo certo, ainda, inexistir qualquer determinação judicial nesse sentido. (vi) que o feito seja baixado em diligência para maior detalhamento das glosas realizadas. Consoante razões já expressas no presente voto, de forma individualizada para cada um dos grupos de glosas controvertidos, nego o pedido de realização de diligência. Por todo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO apenas para acatar o direito ao crédito sobre os serviços de movimentação interna, utilizados como insumo no processo produtivo Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 2312DF CARF MF Processo nº 12585.000080/200903 Acórdão n.º 3201003.306 S3C2T1 Fl. 2.306 15 Fl. 2313DF CARF MF
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