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Numero do processo: 10120.721570/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES.
Correto o lançamento de ofício, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação de bens comuns do casal, realizado em nome de um dos cônjuges, quando o contribuinte autuado tenha feito a opção, antes do início do procedimento fiscal, em apurar e tributar o total do ganho de capital da operação em seu nome.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO
As multas de ofício não se configuram débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições.
Deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 2401-005.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o Relator, que deu provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Andrea Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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SOCIEDADE CONJUGAL. ALIENAÇÃO DE BENS COMUNS. APURAÇÃO E TRIBUTAÇÃO EM NOME DE UM DOS CÔNJUGES. Correto o lançamento de ofício, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação de bens comuns do casal, realizado em nome de um dos cônjuges, quando o contribuinte autuado tenha feito a opção, antes do início do procedimento fiscal, em apurar e tributar o total do ganho de capital da operação em seu nome. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício não se configuram débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições. Deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 70 /2 01 2- 76 Fl. 203DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento parcial para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Vencidos o conselheiro Cleberson Alex Friess, que negou provimento, e o Relator, que deu provimento ao recurso voluntário. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Andrea Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório ANTONIO FERNANDO DE OLIVEIRA MAIA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0370.110/2015, às fls. 164/175, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao exercício 2009, conforme peça inaugural do feito, às fls. 121/129, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 14/02/2012 (AR efl. 131), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de sua participação societária na empresa MB Engenhara SPE 037 S.A., conforme o documento denominado DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DOS GANHOS DE CAPITAL, que faz parte do presente processo. Consoante "CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS" peça integrante destes autos firmado em 17/04/2008 pelas partes: de um lado, como compradora, a companhia Brascan Real Estate S/A e de outro lado como vendedores os sócios das pessoas jurídicas MB Engenharia S/A e MB Engenharia SPE 037 S/A: a) o sócio das duas pessoas jurídicas em referência, Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia vende, à sociedade compradora, 199.999 ações da primeira e 7.411.779 ações da segunda empresa citadas acima; b) na data do fechamento do negócio (17/04/2008) a compradora pagou ao alienante Antonio Fernando de Oliveira Maia a primeira parcela no importe de R$20. 000.000,00 (Vinte Milhões de Reais), sendo oitenta por cento deste valor relativo à compra das ações da MB Engenharia SPE 037 S/A e vinte por cento relativo à compra das ações da MB Engenharia S/A; c) foi estabelecido na cláusula 2.4 do contrato que a segunda parcela seria paga em 30/04/2011, em valor a ser conhecido em função de eventos futuros, conforme equação consignada naquele dispositivo contratual. Regularmente intimada por esta fiscalização, a companhia Brookfield Incorporações S/A, sucessora da Brascan Real State S/A, informou e documentou os pagamentos feitos no ano de 2011 ao Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia, no montante de Fl. 205DF CARF MF 4 R$140.075.537,00 (Cento e quarenta Milhões, Setenta e Cinco Mil, Quinhentos e Trinta e Sete Reais), relativos à segunda parcela prevista no contrato. Esta fiscalização emitiu o Demonstrativo de Apuração dos Ganhos de Capital relativo à alienação, pelo sujeito passivo, das ações da empresa MB Engenharia SPE 037 S/A, tendo sido apurado o Imposto sobre o Ganho de Capital de R$ 2.181.840,00 (Dois Milhões, Cento e Oitenta e Hum Mil, Oitocentos e Quarenta Reais) , que está sendo lançado de oficio com os acréscimos legais aplicáveis. O enquadramento legal encontrase à fl. 125. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado apresentou Recurso Voluntário, às efls. 182/192, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, pugnando pela nulidade do lançamento uma vez que o cônjuge meeiro não foi mencionado no MPF, tampouco intimado a justificar os supostos rendimentos omitidos. Afirma que a não inclusão do cônjuge no cômputo da ação fiscal, bem a sua não intimação para comprovar/justificar a suposta omissão, atingem a própria essência do lançamento, tornandoo nulo de pleno direito. Quanto ao mérito, alega ser o recorrente casado sob regime de comunhão de bens, sendo que ele e a cônjuge apresentam declaração de ajuste em separado, desta feita, como o ganho de capital decorre da venda de bem comum, a tributação deveria ter sido feita na proporção de 50% para cada um dos cônjuges. Esclarece não tratar de opção do fisco em tributar integralmente o ganho de capital em nome de qualquer dos cônjuges, mas sim ao contribuinte que, espontaneidade sua, pode optar pela tributação em separado, onde cada cônjuge apresenta sua própria declaração de rendimentos (como ocorreu no caso concreto), ou, de outro lado, integralmente em nome de qualquer dos cônjuges, apresentando uma única declaração, conforme § 2°, do art. 7°, do RIR. Insurgese também quanto a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que tal cobrança não deve prevalecer por ausência de previsão legal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a nulidade do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator BEM COMUM DECLARAÇÃO EM SEPARADO LANÇAMENTO EM UM DOS CÔNJUGES A tributação se deu integralmente em relação ao Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia, tendo seu cônjuge sido arrolada como responsável solidária, com base no art. 124, da Lei nº 5.172/66. Por sua vez o contribuinte alega ser o recorrente casado sob regime de comunhão de bens, sendo que ele e a cônjuge apresentam declaração de ajuste em separado, desta feita, como o ganho de capital decorre da venda de bem comum, a tributação deveria ter sido feita na proporção de 50% para cada um dos cônjuges. Esclarece não tratar de opção do fisco em tributar integralmente o ganho de capital em nome de qualquer dos cônjuges, mas sim ao contribuinte que, espontaneidade sua, pode optar pela tributação em separado, onde cada cônjuge apresenta sua própria declaração de rendimentos (como ocorreu no caso concreto), ou, de outro lado, integralmente em nome de qualquer dos cônjuges, apresentando uma única declaração, conforme § 2°, do art. 7°, do RIR. Primeiramente cabe esclarecer que, conforme relatado, a matéria em questão foi aduzida pelo contribuinte de maneira preliminar, no entanto, por se confundir com o mérito, será analisada nesta oportunidade. Feita essa ponderação, passamos ao enfretamento da demanda. Pois bem. O regime de comunhão parcial de bens importa a comunicação de todos os bens adquiridos na constância da sociedade conjugal, sendo que a propriedade e posse dos bens são comuns, ainda que seja adquirido em nome de um dos cônjuges apenas. Entendese que os bens adquiridos na constância da sociedade conjugal a título oneroso presumemse advindos do esforço comum do casal, sendo o patrimônio do casal composto por todos os bens móveis e imóveis comuns. O art. 1.660, do Código Civil Brasileiro (Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002), é claro quanto ao que é incluído no regime de comunhão parcial, destacandose, com relação ao caso que ora se aprecia, o inciso I, que se reproduz a seguir, in verbis: Art. 1.660. Entram na comunhão: I os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; Observase que essas determinações constantes no atual Código Civil já estavam previstas no Código anterior aprovado pela Lei n.º 3.071, de 1º de janeiro de 1916, segundo se verifica abaixo: Fl. 207DF CARF MF 6 Art. 271. Entram na comunhão: I – os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges; Verificado que a propriedade é comum, resta saber quem seria o sujeito passivo do imposto de renda incidente sobre ganhos de capital apurado na alienação das participações societárias. Em se tratando de contribuintes casados, a declaração de rendimentos pode ser apresentada em separado ou, opcionalmente, em conjunto. No caso de declaração em separado, cabe transcrever os art. 6° e 7° do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999): Art. 6° Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges.(grifo nosso) Art. 7° Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1o O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2o Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3o Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos, verificase que a regra geral para os rendimentos produzidos pelos bens comuns é a tributação de 50% em nome de cada um dos cônjuges (art. 6°, inciso II). Observase também, o parágrafo único do art. 6° permite, opcionalmente, que os rendimentos produzidos pelos bens comuns sejam tributados integralmente por um dos cônjuges. Mesmo o art. 4º, da IN SRF 15/2001, também citado pelo recorrente, traz esta ressalva em seu parágrafo único: Art. 4° Os rendimentos comuns produzidos por bens ou direitos, cuja propriedade seja em condomínio ou decorra do regime de casamento, são tributados da seguinte forma: (...) Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 5 7 II na propriedade em comunhão decorrente de sociedade conjugal, inclusive no caso de contribuinte separado de fato, a tributação, em nome de cada cônjuge, incide sobre cinqüenta por cento do total dos rendimentos comuns; (...) Parágrafo único. No caso do inciso II, os rendimentos são, opcionalmente, tributados pelo total, em nome de um dos cônjuges. Nesse aspecto, cabe destacar os esclarecimentos trazidos pelo sitio da Receita Federal, no perguntas e respostas Imposto de Renda da Pessoa Física, acerca da tributação do ganho de capital na alienação de bens comuns decorrentes do regime de casamento, in verbis: 590 Como devem ser consideradas as alienações efetuadas pelos cônjuges, para fins de tributação dos ganhos de capital? As transações efetuadas na constância da sociedade conjugal em regime de comunhão universal ou parcial de bens comuns têm o seguinte tratamento, para efeito de tributação: cada cônjuge deve considerar 50% do ganho de capital. Opcionalmente o total do ganho de capital pode ser tributado por um dos cônjuges, exceto quando se tratar de bens incomunicáveis, caso em que cada um deve tributar o valor que lhe cabe.(g.n.) Atenção: Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo. Apenas a tributação do ganho apurado é que deve ser feita na razão de 50% para cada cônjuge ou, opcionalmente, 100% em um dos cônjuges.(Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, art. 22)(grifamos) Conforme extraí dos dispositivos encimados, concluí que nas alienações de bens comuns, o ganho de capital será apurado em relação ao bem como um todo, devendo a tributação ser feita na razão de 50% para cada cônjuge. Cabendo ainda, a OPÇÃO, entenda se: por escolha/faculdade do contribuinte, a tributação de 100% em um dos cônjuges. No caso em concreto, a Sra. Telma Romão Maia apresentou a DIRPF 2009 (anocalendário de 2008). Por outro lado, na DIRPF 2009 do Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia foi informada a alienação Fazendo uma análise do lançamento fiscal, verificase que o ganho de capital apurado foi calculado sobre o valor total na venda da participação societária em questão. Seguindo na análise dos cálculos, constatase também que o Imposto de Renda lançado foi calculado sobre esse o valor da totalidade do ganho de capital. Portanto, assiste razão ao Recorrente ao dizer que o Auditor Fiscal não calculou o imposto na razão de 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge. Como a Declaração de Ajuste Anual é feita de forma separada, mesmo que no anocalendário em questão não tenha um dos cônjuges apresentado a DAA (obrigação acessória), da mesma forma não consta como dependente naquela apresentada, assim caberia a tributação do imposto de renda de apenas 50% (cinquenta por cento) sobre o ganho de capital Fl. 209DF CARF MF 8 da venda das ações pertencentes à sociedade conjugal na fração ideal equivalente a 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuge. Como se vê do lançamento, não foi aplicada a sistemática correta para a apuração do ganho de capital na alienação do bem do casal, em que foi perfectibilizado em nome de um dos sujeitos passivos, qual seja, o Sr. Antonio Fernando de Oliveira Maia, com a incidência do Imposto de Renda sobre a totalidade do montante apurado a título de ganho de capital, razão porque constatase nitidamente o equívoco da fiscalização na aplicação da base de cálculo tributável. Repiso, os fundamentos da autoridade fiscal e dos julgadores de primeira instância de que por ter declarado a alienação em sua DIRPF, teria o Sr. Antonio optado pela totalidade do ganho de capital, o que pelo exposto encimado, não traduz a realidade da melhor forma, uma vez que a entrega da Declaração tratase de obrigação acessória, não dando ensejo ao fundamento da Fazenda Nacional. Só a título de exemplo, o Sr. Antonio também poderia não ter entregue a Declaração para o ano em questão, e nesse caso, não caberia ao fiscal "escolher" em quem lançar, devendo observar os preceitos legais acima transcritos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a preliminar, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Peço vênia para manifestarme de forma divergente do voto do nobre julgador. Ganho de Capital Alienação de bens comuns Não há dúvidas que as participações societárias alienadas constituemse em bens comuns do Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia e da Srª Telma Romão Maia, casados sob o regime de comunhão parcial. Nas alienações de bens comuns, decorrentes do regime de casamento, o ganho de capital é apurado em relação ao bem como um todo, mediante tributação definitiva em separado dos rendimentos submetidos ao ajuste anual. Via de regra, a incidência do imposto de renda sobre o resultado positivo da alienação é feita na razão de 50% para cada cônjuge ou, por opção dos contribuintes, 100% em um dos cônjuges. Eis a redação do art. 6º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que veicula o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. O auto de infração corresponde à apuração do imposto de renda devido sobre o ganho de capital oriundo do recebimento da 1ª parcela do preço de alienação das ações das empresas MB Engenharia S/A e MB Engenharia SPE 037 S/A à companhia Brascan Residential Properties S/A, posteriormente denominada de Brookfield Incorporações S/A (fls. 121/127). Por meio do Contrato de Compra e Venda e Outras Avenças celebrado em 17/04/2008, efetivouse a alienação de um total de 399.998 ações da empresa MB Engenharia S/A e 14.823.558 ações da MB Engenharia SPE 037 S/A, observada a proporção de participação no capital social de cada vendedor (fls. 10/66). Tratouse de um negócio único e Fl. 211DF CARF MF 10 indissociável, cuja apuração do ganho de capital foi realizada à medida do recebimento das parcelas do preço ajustado entre as partes. O Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia, na condição de vendedor, preencheu o Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital no que tange à alienação das ações da empresa MB Engenharia S/A, apurando e tributando os respectivos rendimentos, na sua totalidade, exclusivamente em seu nome (fls. 112/119). À época, calculou um imposto de renda devido de R$ 542.880,00, tendo recolhido a quantia em 30/05/2008. Por outro lado, o recorrente deixou de apurar e tributar qualquer valor relativo ao ganho de capital no que diz respeito à alienação das ações da empresa MB Engenharia SPE 037 S/A, integrante do mesmo negócio. Tampouco sua esposa apurou e tributou o ganho de capital percebido (fls. 150/154). O lançamento de ofício do imposto de renda no importe de R$ 2.181.840,00, acrescido de juros de mora e multa de ofício, equivale exatamente à parcela do ganho de capital omitido. Como se observa dos elementos dos autos, o contribuinte, Sr. Antônio Fernando de Oliveira Maia, fez opção em apurar e tributar integralmente em seu nome o ganho de capital produzido pela alienação das ações detidas em comunhão de bens com o seu cônjuge. A incorreção na apuração e tributação do ganho de capital da operação, conforme descrito pela fiscalização, não significa que o recorrente pretendeu a imputação de apenas 50% do valor devido em seu nome. O lançamento de ofício nada mais é que uma revisão do procedimento efetuado pelo contribuinte, referindose à totalidade das participações societárias alienadas, devendo manter coerência com a própria opção realizada pelo sujeito passivo de apuração e tributação no percentual de 100%. Cumpre realçar ainda a distinção da situação em apreço daquela em que nenhum dos cônjuges procede à apuração espontânea do ganho de capital auferido na operação de alienação. Nesse último caso, em que não há escolha pela tributação de 100% do ganho de capital por um dos cônjuges, o lançamento quanto ao imposto incidente sobre a omissão do acréscimo patrimonial calculado pela autoridade tributária deve respeitar a razão de 50% para cada cônjuge. À vista do exposto, escorreito o lançamento de ofício realizado em nome de um dos cônjuges motivado pela omissão de ganho de capital na alienação de bens em comunhão resultante da sociedade conjugal, quando o contribuinte autuado, ora recorrente, efetivou a opção, antes do início do procedimento fiscal, em apurar e tributar o total do ganho de capital da operação em seu nome. Da não incidência dos juros sobre a multa de ofício Pleiteia o contribuinte a não incidência dos juros correspondentes à taxa SELIC sobre o montante devido a título de multa de ofício, no caso de não ser cancelado o lançamento. A exigência combatida no Recurso Voluntário tem como fundamento o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, que assim determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10120.721570/201276 Acórdão n.º 2401005.210 S2C4T1 Fl. 7 11 Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)(Grifamos). De acordo com o parágrafo 3º do artigo destacado, sobre os débitos a que se refere o caput incidirão juros de mora, sendo que os débitos são decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. As multas de ofício não se configuram débitos decorrentes de tributos, vez que são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas a falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal, e a falta de declaração e declaração inexata, o que enseja a aplicação da multa contida no artigo 44 da Lei nº. 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Dessa forma, a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 somente ocorre sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Acrescentese ainda que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional, do mesmo modo, não autoriza referida incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se destaca da norma: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 213DF CARF MF 12 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, entendo que assiste razão a recorrente, razão porque afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a incidência dos juros sobre a multa de ofício. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 214DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724031/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS MATERIAIS E CONTRADIÇÕES.
Acolhem-se os embargos declaratórios para corrigir os vícios apontados, sem atribuir-lhes efeitos modificativos, para o fim de sanar os erros materiais e contradição apontada.
Numero da decisão: 2401-005.140
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los em parte para o fim de sanar os erros materiais, além da contradição com relação ao momento da ocorrência do fato gerador, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/10/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS MATERIAIS E CONTRADIÇÕES. Acolhemse os embargos declaratórios para corrigir os vícios apontados, sem atribuirlhes efeitos modificativos, para o fim de sanar os erros materiais e contradição apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 31 /2 01 1- 88 Fl. 1642DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos em parte para o fim de sanar os erros materiais, além da contradição com relação ao momento da ocorrência do fato gerador, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo contribuinte em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401003.045 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em sessão do dia 18 de junho de 2013 (fls. 1016/1082), que possui a ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS NATUREZA SALARIAL DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO Em sua concepção original o stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime de opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo inicialmente caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso do contrato de trabalho. Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, qual seja, mera operação mercantil, seja, pela concessão de empréstimos, possibilidade de venda antecipada, troca de planos, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Na maneira como executado, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES; não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria alterado os planos existentes em 2006 e 2007, permitido empréstimos cuja quitação davase pela venda de ações cujo totalidade do direito ainda não havia se integralizado ou recebimento de participação em lucros e resultados, em relação a contribuintes individuais. Correto o procedimento fiscal que efetivou o lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da compra de ações.), considerando os vícios apontados pela autoridade fiscal. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Fl. 1644DF CARF MF 4 Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o UTILIDADES FORNECIDAS PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CONSTITUEM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O fato de o dispositivo legal previdenciário não ter detalhado expressamente o termo “utilidades”, como fazendo parte do salário de contribuição dos contribuintes individuais, não pode, por si só, ser o argumento para que as retribuições na forma de utilidades sejam afastadas como ganho indireto dessa categoria de trabalhadores. O texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. PLANOS ANTERIORES A 2004 AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL DOS FUNDAMENTOS PARA DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS. Partindo do pressuposto de que os planos de opções de compra de ações (Stock Options) possuem natureza mercantil. Cabe a autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar que houve desvirtuamento dos referidos planos, a ponto de que venham a ser desnaturados como decorrentes de uma operação mercantil e caracterizados como remuneração indireta. Não comungo do entendimento de que a ausência de demonstração do desvirtuamento dos planos de opções de compra de ações (Stock Options) tratese de mero vício formal, posto que caso a fiscalização não demonstre o efetivo desvirtuamento há de ser mantida a natureza mercantil dos referidos planos, que não se sujeitam à incidência de contribuições previdenciárias, o que acarreta a improcedência do lançamento. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente , a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Dessa forma, não há motivos para que os mesmos sejam excluídos do relatório de Vínculos ou Corresponsáveis. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 4 5 Alega o embargante a existência de erros materiais, omissões, contradições e obscuridades no Acórdão embargado, nos seguintes termos: 1. Erros Materiais na Ementa e Voto, relacionados a sua completude, sentido, troca de vocábulo e pertinência quanto à matéria aduzida; 2. Omissões quanto aos seguintes aspectos: (i) inconsistência da base de cálculo e dos valores considerados pela Fiscalização; (ii) aspectos que foram objeto de debate ao longo do julgamento, atinentes ao prejuízo sofrido por participantes dos programas de compra de opções de ações em razão da existência de cláusula de “Lock Up”; (iii) correta fundamentação da base de cálculo da contribuição previdenciária patronal sobre os pagamentos realizados a contribuintes individuais; (iv) ausência de fundamentação em relação aos programas anteriores a 2006; (v) permanência do risco mesmo com o cancelamento dos programas de 2007 e 2008. 3. Contradições quanto aos seguintes aspectos: (i) momento da ocorrência do fato gerador; (ii) evidente presença da onerosidade e risco mesmo diante de empréstimos; 4. Obscuridades relacionadas: (i) à natureza das opções de compra de ações; (ii) a interpretação da venda antecipada dos lotes incorporados e os riscos; (iii) indevida utilização do programa de 2010 como fundamento para a autuação fiscal; Em despacho de admissibilidade de fls. 1.211/1.219, datado de 15/09/2016, houve admissão parcial dos embargos declaratórios, no que tange aos itens 1 e 3, para inclusão em pauta de julgamento. Tendo em vista que a conselheira relatora originária não mais integra esta Turma julgadora, o processo foi redistribuído para a relatoria desta Conselheira. É o relatório. Fl. 1646DF CARF MF 6 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Pressupostos de Admissibilidade Os Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte atendem aos pressupostos de admissibilidade, por serem tempestivos, e por verificar a existência de erros materiais e contradições apontadas pelo embargante, da mesma forma em que admitidos no despacho de admissibilidade. Erros Materiais – Ementa e Voto a) a ementa está incompleta, “não sendo possível se extrair o exato sentido que o seu teor pretende transmitir”: PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. Acredito que, no momento em que houve a outorga da opção de ações aos beneficiários ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva opção das ações sobre o preço de exercício, valor inferior naquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Conforme demonstrado acima, houve o De fato a ementa encontrase incompleta e o seu saneamento é extraído da fl. 1055 do acórdão recorrido, devendo ser finalizada da seguinte forma: [...] Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra de ações.). b) erro quando da menção ao vocábulo “muito” quando “certamente o que se pretendeu expressar foi o termo ‘multa’”, conforme ementa a seguir transcrita: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente, a aplicação de juros sobre muito de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 5 7 Em saneamento do Acórdão embargado, passa a ementa a ter a seguinte redação: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO POSSIBILIDADE LEGAL Ao contrário do que entendeu o recorrente, a aplicação de juros sobre a multa de ofício é aplicável na medida que esta faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. c) no bojo do voto condutor contido no acórdão embargado (fl. 1.040), a Conselheira Relatora aludiu ao art. 128 da Lei das S.A., quando pretendeu referirse ao art. 168, “que efetivamente guarda pertinência com a matéria em debate”, conforme transcrito a seguir: Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opções pela Compra de Ações chamado de stock options, deuse na lei da SA em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Em saneamento ao Acórdão embargado, deve ser corrigido o trecho do voto constante à fl. 1040, para fazer constar o “art. 168” em substituição do “art. 128”, conforme a seguinte redação: Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opções pela Compra de Ações chamado de stock options, deuse na lei da SA em seu art. 168, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. d) no tópico que trata da exclusão dos corresponsáveis (fl. 1.059), o parágrafo foi redigido de forma incompleta, “não sendo possível se extrair o seu exato sentido”, de acordo com o trecho a seguir transcrito: Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito Para o saneamento do voto, de acordo com as razões extraídas à fl. 1.059, deve ser complementado o parágrafo acima destacado, passando a ter a seguinte redação: Entendo que a fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de Fl. 1648DF CARF MF 8 pensar e agir, e até onde conheço as decisões de administrar e gerir os empreendimentos partem de seus sócios e diretores. Dessa forma, entendo desnecessária a apreciação do questionamento, posto que a indicação dos sócios e diretores não é realizada em função de dolo, fraude ou mesmo simulação, razão porque não se aprecia a administração dos mesmos, mas, conforme descrito no art. 660, da IN 03/2005, constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal a relação de corresponsáveis que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo. Contradições a) contradição no acórdão embargado com relação ao momento da ocorrência do fato gerador: outorga ou exercício. Segundo o embargante, conquanto no Relatório Fiscal se depreende claramente que o momento da ocorrência do fato gerador considerado foi aquele em que os participantes dos programas exerceram as opções outorgadas, de maneira divergente, o Acórdão embargado registrou em diversas passagens momentos completamente distintos. Realmente, há contradição na decisão embargada. Ao tratar da matéria, embora tenha entendido como correto o momento da ocorrência do fato gerador considerado pela Fiscalização, em alguns trechos do voto indica que esse momento seria o da outorga. Conforme se extrai do Relatório Fiscal de lançamento, o momento da ocorrência do fato gerador é o do exercício da opção de compra das ações outorgadas. Dessa forma, nos termos em que ora esclarecidos, resta sanado o Acórdão embargado. b) contradição na decisão com ao afirmar que o pagamento das ações não era suportado pelos participantes dos programas em razão de empréstimo, ao mesmo tempo em que diz que os participantes deveriam pagar pelo empréstimo. Os Embargos de Declaração alegam contradição no Acórdão embargado, especificamente, quando asseverou que até mesmo o pagamento dos 10% iniciais para garantir a opção de compra de ações não era suportado pelo empregado, pois a empresa poderia conceder empréstimo para seus beneficiários, quando, ao mesmo tempo, admite que os participantes do programa deveriam pagar pelo empréstimo contraído. Ou seja, a contradição alegada é com relação a um dos programas referente ao ano de 2006 tratado às fls. 1042/1043. Destarte, o Acórdão embargado enfrentou a questão dos riscos dos demais programas, independentemente de ocorrer ou não o empréstimo, firmando entendimento pela ausência do risco em todos os planos, conforme se depreende das razões às fls. 1042/1052. No que tange à alegação específica dos embargos, o entendimento da Relatora originária, conforme se extrai do Acórdão embargado, é no sentido de que, mesmo existindo pagamento dos 10% iniciais para garantir a opção pela compra de ações, não se verificava o risco inerente a essa modalidade de transação, na medida em que a empresa poderia conceder empréstimos aos seus beneficiários, senão vejamos excerto da decisão: Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10980.724031/201188 Acórdão n.º 2401005.140 S2C4T1 Fl. 6 9 Ou seja, até mesmo o pagamento dos 10% iniciais referente a garantir a opção pela compra de ações não era suportando pelo empregado, pois a empresa poderia conceder empréstimo para seus beneficiários. Empréstimos esses, que eram quitados quando do recebimento de remuneração variável ou da venda antecipada do lote de ações incorporado parcialmente. Ou seja, o direito era adquirido, sem nem mesmo ter o trabalhador integralizado qualquer montante. Estamos falando de contribuintes individuais, digase, sem vínculo permanente com a empresas que fazem opção pela compra de ações, sem contrapartida imediata. Ou seja, onde está o risco inerente a essa modalidade de transação. Assim, com relação à alegada contradição, entendo que não restou configurada na decisão embargada. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios, para, na parte conhecida DARLHES PARCIAL PROVIMENTO para sanar os erros materiais e a contradição apontada, sem atribuirlhe efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1650DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.004186/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CRÉDITO BÁSICO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. UTILIZADOS E CONSUMIDOS DIRETAMENTE NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO.
Constituem-se produtos intermediários com direito ao crédito básico do IPI os materiais utilizados e consumidos, em prazo inferior a uma ano, em razão do contato direito com o produto em elaboração e que não se identificam como partes e peças de máquinas.
Legítimo o aproveitamento do crédito básico do IPI na aquisição e utilização de telas e feltros no processo produtivo de papel, conforme Laudo Técnico, que, objetivamente, identificou a natureza e finalidade dos materiais.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.314
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CRÉDITO BÁSICO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. UTILIZADOS E CONSUMIDOS DIRETAMENTE NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. Constituemse produtos intermediários com direito ao crédito básico do IPI os materiais utilizados e consumidos, em prazo inferior a uma ano, em razão do contato direito com o produto em elaboração e que não se identificam como partes e peças de máquinas. Legítimo o aproveitamento do crédito básico do IPI na aquisição e utilização de telas e feltros no processo produtivo de papel, conforme Laudo Técnico, que, objetivamente, identificou a natureza e finalidade dos materiais. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 41 86 /2 00 9- 26 Fl. 759DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Após interposição de recurso voluntário e a conversão de seu julgamento em diligência, no acórdão nº 3202000.090, sessão de 19/03/2013, para a elaboração de laudo técnico acerca da utilização de insumos no processo produtivo, a contribuinte requereu desistência parcial de seu recurso. Desse forma, este relato, e o julgamento, abrangerá tãosomente a matéria cuja parcela resta litigiosa. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 13/19, lavrado em 30/12/2009, com ciência da contribuinte na mesma data, totalizando o crédito tributário de R$ 19.888.674,70. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 16/19 e o relatório fiscal de lançamento de fls. 22/27, houve falta de recolhimento de IPI, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2007, em razão das seguintes infrações constatadas: (...) 2. A contribuinte se creditou indevidamente de IPI sobre aquisições de “telas” e “feltros”, materiais que não se enquadram no conceito de insumos. Como resultado, foi reconstituída a escrita fiscal e realizado o lançamento. Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 175/200, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: (...) 6. As telas e feltros se enquadram no conceito de insumo porque se consomem diretamente no processo produtivo, onde perdem suas qualidades físicas, pelo atrito constante e ininterrupto com o produto em fabricação; além disso, não compõe o ativo fixo, ante sua vida útil reduzida; juntou Laudo Técnico. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1428.301, sessão de 07/04/2010, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) Para que os materiais consumidos ou utilizados no processo de produção sejam caracterizados como matériaprima ou produto intermediário, fazse necessário o consumo, o desgaste ou a alteração do material, em função de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa. Entendase "consumo" como decorrência de um contato físico exercido pelo material sobre o produto em fabricação ou deste sobre aquele. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 554/557), no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O recurso foi submetido a apreciação de Turma deste CARF, já extinta, que na sessão de 19/03/2013 por entender subsistir dúvidas acerca da finalidade e utilização das "telas" e dos "feltros" no processo produtivo da empresa, decidiu converter o julgamento em diligência para a realização de perícia técnica a fim de esclarecer quesitos e manifestações das partes, como segue: 1º Identificar detalhadamente as “telas” e “feltros” objeto do litígio fiscal, informando suas características técnicas, modelo, fabricante, etc... 2º Qual a finalidade das “telas” e “feltros” no processo produtivo da Recorrente?Explicar e justificar. 3º Como as “telas” e os “feltros” são utilizados no processo produtivo da Recorrente? Explicar e justificar. 4º Os dois componentes (“telas” e “feltros”) integram o produto resultante do processo produtivo? Os dois componentes são consumidos no processo produtivo? Explicar e justificar. 5º Há contato físico dos dois componentes (“telas” e “feltros”) com o produto em fabricação? Explicar e justificar. 6º O que leva ao desgaste os dois componentes (“telas” e “feltros”) e qual o tempo para que isso ocorra durante o processo produtivo (vida útil média)? Explicar e justificar. 7º Juntar fotos e catálogos técnicos dos componentes. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Desta forma, a autoridade fiscal da DRFPIRACICABA (SP) deverá intimar a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestarse sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 5 4 O Instituto de Pesquisa Tecnológicas IPT elaborou o Relatório Técnico nº 133 857205, datado de 30/07/2013 e subscrito por diretora e por corpo técnico (químicas) que se encontra juntado a este processo às folhas 641/698. Da leitura do laudo se extrai as informações: a. A unidade industrial da Klabin fabrica 03 (três) tipos de papel utilizados na confecção de caixas (de papelão); b. As matériasprimas (MP) são todas do tipo "aparas" ou subprodutos de papel; c. O processo constitui de fases em que há espécies de tratamentos mecânicos e térmico das MP utilizandose de variadas técnicas; d. A MP (i) sofre desagregação em água para separar fibras resultando em uma polpa que possui impurezas, (ii) é depurada em processo mecânico resultando na fibra celulósica. Esta (iii) é então refinada na etapa de fibrilação, com o objetivo de dar resistência mecânica ao papel; e. A fibra é introduzida na máquina de papel onde é distribuída sobre telas para obter forma (folha), segue para a seção de prensa, que em contato com feltros ocorre a eliminação de água e, em seguida, secada e aquecida, por meio de telas secadoras. Por fim, a folha é enrolada em forma de bobina. O laudo forneceu respostas aos quesitos elaborados pelo CARF, as quais sintetizo para apontar o que importa ao deslinde do litígio: Quesito 1: Identificação das "telas" e feltros"? "... Cada um desses componentes tem função bem definida no processo de fabricação de papel (ver resposta do próximo item) ..." Quesito 2: Qual a finalidade das "telas" e feltros" no processo produtivo? "Na máquina de papel de mesa plana do tipo usado pela Klabin Piracicaba, há telas formadoras, telas secadoras e feltros. "As telas formadoras se encontram na seção de formação da máquina de papel e, mesmo em diferentes modelos, têm como finalidade: receber a suspensão de fibras celulósicas numa consistência de cerca de 1% e promover seu desaguamento formando a folha de papel no estado úmido. Os feltros se encontram na seção de prensas da máquina de papel e, mesmo em diferentes modelos, têm como finalidade: promover a remoção de grande parte da água presente na folha úmida. A telas secadoras se encontram na seção de secagem da máquina de papel e, mesmo em diferentes modelos, têm como finalidade: auxiliar o contato da folha de papel com o cilindro secador promovendo a secagem da folha." Quesito 3: Como as "telas" e feltros" são utilizadas no processo produtivo? Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 6 5 "... Nas telas formadoras, ocorrem drenagem da água contida na suspensão de fibras e formação da folha com dupla camada ... As telas formadoras (...) promover a formação de uma folha de boa qualidade e retenção de fibras e de outros materiais adicionados à suspensão de fibras. (...) "... No processo de prensagem a remoção de água ocorre quando a folha entre dois feltros é pressionada entre os rolos superior e inferior. No setor de prensas, os fatores principais que afetam a remoção da água da folha formada são: as características dos feltros (...) (...) As propriedades técnicas dos feltros que têm influência na formação do papel são gramatura. espessura; rigidez; resistência à tração; compressibilidade; permeabilidade: resistência ao fluxo; e rigidez. (...) A folha é mantida em contato íntimo com a superfície dos cilindros por meio de telas secadoras. A máquina de papel (...) possui quarenta e três cilindros secadores, reunidos em quatro grupos (...) sendo que cada grupo possuí uma tela secadora própria. As telas secadoras melhoram o contato entre a folha de papel e a superfície do secador (...). Entre as propriedades técnicas principais das telas secadoras, estão: permeabilidade; lisura condizente com o tipo de papel produzido: resistência para suportar as tensões aplicadas; superfície e espessura tais que favoreçam a transmissão de calor; estabilidade dimensional adequada composição e estrutura capaz de resistir às condições de calor, umidade e químicas de trabalho, por um período economicamente viável de uso." Quesito 4: As "telas" e feltros" integram o produto resultante? Entendendo "integrar" como "fazer parte", então, "telas" e " feltros" não integram o produto resultante do processo produtivo, ou seja, não estão incorporados ao papel fabricado pela Klabin Piracicaba Entendendo "consumir" como "usar até o desgaste total" então os componentes "telas" e " feltros" não são consumidos no processo de fabricação de papel da Klabin Piracicaba "Telas" e "feltros" são trocados de tempos em tempos porque perdem suas características funcionais, principalmente devido a deformações na trama, surgimento de obstruções, rasgos e furos e modificações de sua superfície, principalmente na direção transversal da máquina de papel" Quesito 5: Há contato físico das "telas" e feltros" com o produto em fabricação? Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 7 6 "Há contato físico direto das "telas" e "feltros" com o produto em fabricação." Quesito 6: O que leva ao desgaste de "telas" e feltros" e qual o tempo para que isso ocorra durante o processo produtivo (vida útil média)? "Com o tempo, as telas formadora e secadora e os feltros perdem suas características funcionais, o que leva à perda de produção e afeta a qualidade do papel fabricado. Exemplos de problemas que determinam o fim da vida útil desses componentes são deformação da trama, aparecimento de furos e/ou rasgos, entupimento devido a obstruções e modificação da superfície, principalmente direção transversal da máquina de papel. A título de ilustração (...) No Quadro 3, é mostrado o número de trocas de "telas" e feltros" efetuado pela Klabin Piracicaba nos últimos anos. O Relatório do IPT também atendeu aos questionamento adicionais elaborados pela unidade de origem responsável pelo cumprimento da diligência, formulados no Termo de Intimação (fls. 631/633): b1. Detalhar a etapa do processo de produção especificando os produtos obtidos, antes e depois de passar pelos dois componentes ("telas" e "feltros") Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 8 7 b2. Se os dois componentes ("telas" e '"feltros") são partes, peças e acessórios de máquinas, especificando o tipo de máquina e sua operação. "A máquina de papel é um equipamento que, juntamente com as telas formadoras, os feltros e as telas secadoras compõe um conjunto que possibilita a fabricação do papel. A falta de qualquer elemento desse conjunto inviabiliza a fabricação do papel. Há empresas especializadas na fabricação de máquina de papel e há empresas especializadas na fabricação de "telas" e "feltros, sendo elas normalmente independentes. Se for entendido "máquina de papel" como um equipamento, então, "telas" e "feltros não são parte da máquina (entendendo como parte um elemento ou porção da máquina), não são peça da máquina (entendendo como peça um pedaço de um todo indiviso da máquina) e não acessórios da máquina (entendendo como acessório algo que se acrescenta a uma coisa, mas não é fundamental). Se for entendido "máquina de papel" como um conjunto de elementos que permite a feitura de papel, então podese dizer que "telas" e "feltros" são parte da máquina de papel, pois fazem parte do conjunto de elementos que se integram no processo de fabricação do papel." A DRF em Piracicaba/SP pronunciouse acerca do Laudo do IPT por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 699/700) manifestandose, conforme excerto transcrito: (...) Analisando o Relatório apresentado, verificamos que foram atendidas as solicitações. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 9 8 Porém, a fiscalização mantém o seu entendimento que os materiais Telas e Feltros não se enquadram no conceito de Produtos Intermediários, conforme previsto no RIPI/2002, Art. 164, Inc I e no RIPI/2010, Art226. Inc I. Transcrevemos a seguir, parte, do Parecer Normativo CST n° 260, de 1971, que embora trate da questão de materiais refratários, espelha o pensamento sobre o caso: (...) A manifestação da recorrente encontrase às folhas 701/716, com excertos transcritos: (...) Das etapas do processo produtivo, simplificadas e relacionadas nos itens acima, cumpre destacar a 4a etapa, por ser o momento de utilização da máquina, denominada de "máquina de papel de mesa plana". Isso porque é justamente nessa 4a etapa, no âmbito da utilização da referida máquina, em que as "telas" e "feltros" são utilizados para a produção do papel. Conforme consta no item "d", essa 4a etapa é formada pelas seguintes fases: (i) formação, (ii) prensagem, e (iii) secagem. De acordo com o laudo analisado, a Requerente utiliza a "tela" do tipo "formadora" na fase (i), que possui a função de "formar a folha de papel no estado úmido"; o "feltro" na fase (ii), que possui a função de remover "grande parte da água presente na folha úmida"; e a "tela" do tipo "secadora" na fase (iii), que possui a função de "auxiliar o contato da folha de papel com o cilindro secador promovendo a secagem da folha". Ademais, o Laudo em questão atesta que as "telas" e "feltros" são substituídas ao longo do tempo em razão do desgaste sofrido Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 10 9 durante o processo produtivo e que a vida útil desses elementos não atinge 1 ano, prazo necessário para ativação. Cumpre ressaltar ainda que o Laudo apresenta a relação de respostas aos quesitos formulados e que revelamse suficientes para elucidas as dúvidas surgidas no âmbito do julgamento do PAF n° 13888.004186/200926. Por fim, o Laudo conclui que as "telas" e os "feltros" são "componentes que têm características funcionais no processo de fabricação de papel, portanto, são imprescindíveis. Eles devem ser trocados quando perdem essas características". Cabe, nesse momento, ressaltar que as "telas" e "feltros" são caracterizados como insumos do tipo produtos intermediários. Isso porque são utilizados no curso do processo produtivo e não compõem o material industrializado, como é o caso da matéria prima. Uma vez constatado que "telas" e "feltros" são produtos intermediários no contexto de produção de papel fabricado pela Requerente, passase a analisar, à luz estritamente do disposto no retro aludido Parecer Normativo CST n° 65/79, se esses insumos são passíveis de creditamento pelo IPI. A seguir argumenta a recorrente com base das respostas do laudo que todos os requisitos prescritos no Parecer Normativo CST nº 65/79 encontramse satisfeitos para que "telas" e "feltros" sejam considerados produtos intermediários consumidos no processo produtivo de obtenção de papel para fazer jus ao crédito básico do IPI nas aquisições, no tocante a: (i) não são itens do ativo imobilizado; (ii) estabelecem contato direto com o material produzido no processo; (iii) consomemse no processo produtivo; e (iv) não se caracterizam como parte ou peças de máquinas. Por fim, colacionada excertos de julgados do conselho de Contribuintes e do CARF com decisões favoráveis à concessão de crédito de IPI no tocante a insumos que se consomem ou se desgastam no processo produtivo. Manifestouse também a Fazenda Nacional por intermédio de sua Procuradoria que ao analisar as respostas do Laudo do IPT aos quesitos elaborados pelo CARF teceu suas considerações quanto às conclusões que se revelam desfavoráveis às pretensões da contribuinte: 1. Entende que a resposta ao quesito "4" foi taxativa no sentido de que " nem as telas nem os feltros se integram ao produto final e, tampouco, são consumidos no processo produtivo"; 2. O Laudo deixou de esclarecer qual é a causa do desgaste das telas e dos feltros, pois focaram apenas nas consequências do uso prolongado desses materiais; 3. O primeiro Laudo, trazido pelo contribuinte, informa ocorrer o contato físico com outros elementos do processo produtivo, mas não com os produtos em elaboração; Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 11 10 4. Depreende das informações acerca da forma de fabricação do papel, bem como da função desempenhada pelas telas e feltros que, efetivamente, constituemse partes e peças de máquinas; 5. Concluiu que as telas e feltros utilizados no processo produtivo da empresa autuada não podem ser considerados como insumos, estando correta a glosa efetuada pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade razão pela qual dele tomo conhecimento. A única matéria a ser decidida é o direito à apropriação do crédito do IPI das aquisições de "telas" e "feltros" utilizados no processo produtivo de obtenção de papel pela recorrente. Para a finalidade específica de delimitar as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem cujas aquisições são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito básico do IPI, impõese a observância de sua legislação, o art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/02 RIPI/02, cuja matriz legal é o art. 25 da Lei n° 4.502/1964, reproduzido: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; O direito ao crédito é conferido apenas às aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, explicitandose que matériaprima e produto intermediário são bens que se integram ao produto final e, também, bens que, embora não integrem esse produto, são consumidos no processo de industrialização, desde que não pertençam ao ativo permanente. Verificase, portanto, que o dispositivo legal, em sua primeira parte, alcança apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem e não quaisquer insumos. No caso em questão, os bens objeto do litígio não são matériaprima ou produto intermediário que integram o produto final, tampouco se trata de material de embalagem. Necessário então verificar se, na condição de matériaprima ou produto Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 12 11 intermediário, tais bens atendem a segunda parte do dispositivo (inciso I), quais sejam, preenchem três condições cumulativas, no processo de industrialização: a) sofrer desgaste ou dano; b) decorrer esse desgaste ou dano do contato direto com o produto em fabricação, que, no caso, é o papel (ainda que em forma primária submetida às transformações); e c) não seja parte ou peça de máquina integrante do ativo permanente. No laudo realizado pelo IPT, as telas e os feltros foram plenamente identificados quanto à natureza e descrição de suas finalidades no processo produtivo de elaboração do papel. Apontouse, objetivamente, a forma em que esses materiais entram em contato físico com o produto em elaboração, neles se desgastam e o tempo de duração (vida útil) até que se tornam emprestáveis ao processo. Conquanto em algumas passagens do relatório possa aparentar certa dubiedade nas assertivas ou respostas aos quesitos, em razão da utilização de termos técnicos sem o rigor da precisão semântica de sentido, normalmente atribuído pelo direito ou da própria legislação, entendo que em todo o contexto o Laudo mantevese claro, preciso, coerente e objetivo ao caracterizar individualmente os materiais e sua utilidade no processo produtivo da recorrente. Tenho por convencido que as respostas ao quesitos e demais informações inseridas no Relatório Técnico elaborado pelo IPT dão razão aos argumentos da recorrente de que lhe assiste o direito ao crédito de IPI nas aquisições de telas e feltros utilizados no processo produtivo de obtenção do papel. Em apertada síntese do processo produtivo e utilização de telas e feltros, compreendo que esses materiais participam desde o início da produção, pois a matériaprima, após as etapas de desagregação, depuração e fibrilação é introduzida na máquina de papel onde é disposta sobre telas para se obter a forma de folha de papel, e a seguir segue para a seção de prensa, que em contato com feltros ocorre a eliminação de água e o aquecimento por meio de telas secadoras. Verificase que, com efeito, as telas e feltros sofrem desgaste no processo de industrialização do papel e trabalham em contato direto com o produto em fabricação, podendo dizer, portanto, que esse desgaste decorre do contato direto com o papel em fabricação. Cumpre também ao requisito de não se tratar de peça ou parte de máquinas, vez que telas e feltros são independentes das máquinas, seja na fabricação ou na aquisição. O quadro (fl. 659) que informa o número de trocas das telas e feltros em mais de 3 (anos) é objetivo ao indicar que a duração dos materiais é seguramente inferior ao prazo de um ano. Conclusão Diante de todo o exposto, concernente à descrição do processo produtivo da recorrente, a utilização, o contato físico direito com o produto em elaboração, e o desgaste que Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13888.004186/200926 Acórdão n.º 3201003.314 S3C2T1 Fl. 13 12 se dá em prazo inferior a um ano, das telas e feltros, materiais esses que não se caracterizam como parte e peças de máquinas, podem ser apropriados como produtos intermediários com direito ao crédito básico do IPI na produção de papel. Portanto, voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 770DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900822/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Numero da decisão: 3301-004.237
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Jose Henrique Mauri - Presidente.
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Ari Vendramini.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Jose Henrique Mauri Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 08 22 /2 01 1- 41 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 73 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância (fl. 27 e seguintes): DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 941372690 emitido eletronicamente em 05/07/2011, referente ao PER/DCOMP nº 17051.10249.201107.1.3.048009. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$4.705,80, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 13/09/2002. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 28/07/2011, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 26/08/2011, alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescenta que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requer a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário. Ao final requer que seja dado provimento à presente manifestação de inconformidade para que: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 74 3 a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0251.123 2ª Turma da DRJ/BHEfoi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 60 e seguintes), em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 75 4 Voto O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de "quanto ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior." Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5º O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve amplas oportunidades. Assim, tal oportunidade encontrase precluída em razão de não terem sido apresentadas provas do crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. Conselheira Liziane Angelotti Meira Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13227.900822/201141 Acórdão n.º 3301004.237 S3C3T1 Fl. 76 5 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908399/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório. O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 100, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 39 9/ 20 11 -8 2 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 250 2 Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 038/039, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição nº 42463.61681.221205.1.2.040904 (fls. 002/004), protocolado em 22/12/2005, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 259,25. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 02/12/2011, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2011 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 20/01/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.908391/201116, nº 10850.908392/201161, nº 10850.908393/201113, nº 10850.908394/201150, nº 10850.908395/201102, nº 10850.908396/201149,nº 10850.908397/201193, nº 10850.908398/201138, nº 10850.908399/201182, nº 10850.908400/201179 e nº 10850.908401/201113, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 251 3 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 259,25, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 252 4 A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.". Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 253 5 Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Conforme se depreende dos autos, o despacho decisório verificou a escrita do contribuinte e concluiu pela não existência do crédito, a DRJ/SP, por sua vez, entendeu que o contribuinte não descreveu em seu pedido de restituição e compensação a origem do crédito, ou seja, em nenhum momento tratou da inconstitucionalidade do §1.º, Art. 3.º, da Lei 9718/98 e manteve o não reconhecimento do crédito. Segundo o contribuinte, em suas peças de defesa, este recolheu de forma indevida o Cofins, nos moldes que foram declarados inconstitucionais pelo STF. Isto seria suficiente para que a fiscalização reconhecesse o crédito. Contudo, não há nos autos qualquer análise da fiscalização com relação ao recolhimento do Cofins sob a base de cálculo declarada inconstitucional, razão pela qual a lide encontrase incompleta. O princípio da verdade material e a regra constitucional da legalidade impedem que este Conselho defira ou indefira recurso administrativo fiscal sem o amparo da materialidade, de modo que, se a alegação do contribuinte for materialmente verdadeira, este Conselho não pode permitir o não reconhecimento do crédito originado de tributo recolhido sob moldes inconstitucionais. É importante considerar neste voto a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), que tratam da inconstitucionalidade da alargada base de cálculo da COFINS, com parâmetro na receita bruta (receitas operacionais e não operacionais) e não no faturamento. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 254 6 Transcrevese trecho conclusivo do voto vencedor do Ministro Marco Aurélio no RE STF 346.084, que trata da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo asism como do conceito de faturamento, conforme segue: "Como, então, dizerse, a esta altura, que houve simples explicitação do que já previsto na Carta? É admitirse a vinda à balha de emenda constitucional sem conteúdo normativo. É admitirse que o legislador ordinário possa, até mesmo, modificar enfoque pacificado mediante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal , no que haja atuado, à luz das balizas constitucionais, como guardião da Lei Fundamental. Descabe, também, partir para o que seria a repristinação, a constitucionalização de diploma que, ao nascer, mostrouse em conflito com a Constituição Federal. Admitase a inconstitucionalidade progressiva. No entanto, a constitucionalidade posterior contraria a ordem natural das coisas. A hierarquia das fontes legais, a rigidez da Carta, a revelála documento supremo, conduz à necessidade de as leis hierarquicamente inferiores observaremna, sob pena de transmudála, com nefasta inversão de valores. Ou bem a lei surge no cenário jurídico em harmonia com a Constituição Federal, ou com ela conflita, e aí afigurase írrita, não sendo possível o aproveitamento, considerado texto constitucional posterior e que, portanto, à época não existia. Está consagra do que o vício da constitucionalidade há de ser assinalado em face dos parâmetros maiores, dos parâmetros da Lei Fundamental existentes no momento em que aperfeiçoado o ato normativo. A constitucionalidade de certo diploma legal deve se fazer presente de acordo com a ordem jurídica em vigor, da jurisprudência, não cabendo reverter a ordem natural das coisas. Daí a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Nessa parte, provejo o recurso extraordinário e com isso acolho o segundo pedido formulado na inicial, ou seja, para assentar como receita bruta ou faturamento o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. Deixo de acolher o pleito de compensação de valores, porque não compôs o pedido inicial." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo da COFINS, o conceito de receita bruta não tem mais valia. Foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: os autos sejam remetidos à unidade de origem para nova análise e apresentação de relatório que considere a escrita do contribuinte, o modo de recolhimento e a base de cálculo em confronto com a inconstitucionalidade mencionada. após, o contribuinte deve ser informado do conteúdo do relatório e intimado para apresentação de nova manifestação; A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Resolução nº 3201001.129 S3C2T1 Fl. 255 7 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726269/2009-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 69 /2 00 9- 36 Fl. 281DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2201002.762, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 135.363,15, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 76/81, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 84/120. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 134). Às fls. 135/141, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir a aplicação da multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 282 3 Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 144/152, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Natureza da verba recebida, se tributável ou não. Às fls. 154/156, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, NEGANDO SEGUIMENTO, tendo em vista que a decisão do acórdão recorrido lhe foi favorável, não vislumbrando qualquer utilidade no presente recurso. Tanto é assim que a ementa do paradigma, longe de demonstrar divergência jurisprudencial, encontrase em total sintonia com a do acórdão recorrido. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 276 e ss., que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Fl. 283DF CARF MF 4 O despacho foi mantido em sede de Reexame de Admissibilidade, à fl. 157. Na sequencia, a União manifestouse no sentido de não haver interesse em recorrer do acórdão, à fl. 159. Intimado à fl. 165, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 167/201, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Arguiu que a titularidade do imposto de renda de cobrança não é da Recorrida e sim do Estado da Bahia e, daí, a falta de legitimidade da União para figurar no polo ativo dessa relação jurídicotributária. 3. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 4. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 5. Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Recorrente apresentou acórdão paradigma reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora, em contrariedade ao decido no acórdão recorrido. 6. Não Incidência de Juros de Mora sobre o IR Cobrado. Arguiu que, caso seja decidido pela incidência do Imposto de Renda sobre Juros Moratórios, não deve incidir sobre aquele os juros de mora (tal qual foi excluída a multa de ofício), nos termos do art. 722 e conforme decisão juntada do Superior Tribunal de Justiça. Às fls. 248/256, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação à quarta e à quinta divergências arguidas: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e “Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios”. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 257/258., que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do despacho, o Contribuinte foi intimado à fl. 263. Às fls. 265 e ss., a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, sem preliminar, rebateu todas as matérias admitidas e requereu, em síntese, a negativa do Recurso. Vieram os autos conclusos para julgamento. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 283 5 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 135.363,15, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação as seguintes matérias: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e “Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios”. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua Fl. 285DF CARF MF 6 tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 284 7 Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Fl. 287DF CARF MF 8 Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 285 9 administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Fl. 289DF CARF MF 10 Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu neste sentido: "Os juros moratórios em questão não são destinados à recomposição de um dano emergente, mas sim à compensação por algo que se deixou de ganhar, em razão do atraso do pagamento da parcela principal. Têm, pois, natureza de indenização por lucros cessantes, ou seja, indenização com caráter de compensação. É, portanto, evidente o acréscimo patrimonial deles decorrente, já que não se destinam a reparar nenhum dano emergente, mas sim lucros cessantes. Dessa forma, constatado que os valores decorrentes da incidência dos juros moratórios se subsumem à hipótese descrita no artigo 43 do CTN (acréscimo patrimonial), não pode haver dúvidas a respeito da incidência do IR.” Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 286 11 Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório Fl. 291DF CARF MF 12 segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 287 13 quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória e também quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao mérito do pleito do Recurso Especial da Contribuinte, tanto no que diz respeito à natureza da verba recebida quanto à incidência sobre os juros moratórios aplicáveis ao montante devido. a) Quanto à natureza alegadamente indenizatória dos valores recebidos a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Fl. 293DF CARF MF 14 Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei Cdo Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 288 15 parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 07. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Fl. 295DF CARF MF 16 Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 289 17 b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 07 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto à matéria. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, Fl. 297DF CARF MF 18 individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez que entendo que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima não incidirá o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10580.726269/200936 Acórdão n.º 9202006.390 CSRFT2 Fl. 290 19 obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: b.1) Conforme já anteriormente delineado pelo Recorrido, que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas (matéria já objeto de trânsito em julgado administrativo); b.2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão, quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte também quanto a esta matéria. d) Conclusão Destarte, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.732154/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012
PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA.
Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE.
A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência.
VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO.
Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado.
Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
Numero da decisão: 2201-004.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações.
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APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto à matéria. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. ATUALIZAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS SEM EMISSÃO DE NOVAS AÇÕES. POSSIBILIDADE. A capitalização dos lucros, com ou sem a emissão de novas ações, implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento, nos termos previstos na legislação de regência. VALOR DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EXCLUSÃO. Com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista, de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato referido, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 21 54 /2 01 3- 17 Fl. 526DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório 1 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 460/473) por sua clareza e precisão: “Tratase de Auto de Infração de fls. 300 a 305 lavrado em nome do contribuinte acima identificado, relativo ao imposto de renda pessoa física, Ganho de Capital, período de apuração 02/2011, 04/2011, 07/2011, 01/2012, 07/2012, formalizando crédito tributário no montante de R$ 71.495,02, com acréscimo de juros e multa até 01/2014. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o presente referese à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores, conforme relatório fiscal em anexo. O Termo de Verificação Fiscal, fls 288/299, informa que o contribuinte mediante o Mandado de Segurança Preventivo objeto do processo nº 2011.51.01.0049315, pleiteou a concessão de segurança para que não fosse compelido a pagar imposto de renda sobre ganho de capital decorrente da alienação das ações ordinárias (incluindo as respectivas bonificações) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A. Argumentava na ação a existência Fl. 527DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 513 3 de direito adquirido à isenção em relação à venda da maior parte das ações prevista na alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76. A fiscalização enumera as informações obtidas no procedimento fiscal. Dos fatos apurados no procedimento fiscal: Da alienação – referese à venda da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A – Hospital Samaritano, em que o contribuinte constava como um dos alienante e tendo como adquirente a ESHO – Empresa de Serviços Hospitalares S.A. Da quantidade de ações adquiridas – de acordo com documentos e planilhas apresentadas, verificouse que o contribuinte adquiriu 77.765 ações da empresa, conforme planilha 01, fls 292. Do custo de aquisição das ações alienadas Custo de aquisição considerado pelo contribuinte – O procedimento utilizado pelo contribuinte foi tomar o valor declarado da DIRPF de 2009/anobase 2008 (R$ 66.100,25), acrescido de capitalização de lucros nos anos de 2009 e 2010 (R$ 56.375,54), perfazendo um total de R$ 122.475,79. Tal valor também corresponde à quantidade de ações possuídas pelo contribuinte à época da alienação multiplicada pelo valor de cada ação (1,5749), considerado o valor do capital social (R$ 28.014.841,05) da Clínica Médico Cirúrgica Botafogo S/A Hospital Samaritano e a quantidade de ações que o compunham (17.787.94), de acordo com a ata de assembléia geral ordinária e extraordinária em 28/04/2010. Custo de aquisição apurado pela fiscalização – a fiscalização demonstra a forma de apuração do custo de aquisição, observando os procedimentos do art. 126 do Decreto nº 3.000/99, inciso I e II, para as ações adquiridas antes de 1991. Entre os dois valores apurados possíveis, de R$ 11.437,79 e R$ 10.961,19 a fiscalização utilizou o maior valor como custo de ações, ou seja, R$ 11.437,79. Fl. 528DF CARF MF 4 Do valor de alienação – o valor estabelecido pelo contrato celebrado para a venda era R$ 786.927,36. O contribuinte considerou o valor de alienação R$ 797.022,70, correspondente aos R$ 786.927,36 do valor das ações acrescido de R$ 10.095,34, correspondente a honorários advocatícios. Do ganho de capital e do imposto devido Da apuração procedida pelo contribuinte – optou por apurar separadamente o ganho de capital obtido na alienação das ações que considerou abrangidas pela alínea “d”, do art 4º, do Decreto nº 1.510/76, do ganho obtido na alienação daquelas que considerou não abrangidas pela citada norma, proporcionalizandoo na razão demonstrada na Planilha 05, fls 297. Em seguida procedeu a apuração do ganho de capital e do imposto devido quando do recebimento de cada parcela, Planilha 06. Da apuração pela fiscalização – considerou o custo de aquisição de R$ 11.437,79. A fiscalização preencheu Demonstrativos de Apuração de Ganho de Capital, os quais demonstram tanto a base de cálculo quanto o imposto devido nos anos calendários 2011 e 2012, os quais estão anexos e integram o Termo de Verificação. Há de se fazer distinção entre as parcelas recebidas em 2011 e aquelas recebidas em 2012 e o respectivo ganho de capital incidente. O contribuinte apresentou anexo na DIRPF, exercício 2012, sobre o ganho de capital incidente para alienação das ações, para as parcelas recebidas em 2011. Dessa forma, apesar de o Contribuinte ter apurado o imposto de forma incorreta, declarando valores menores do que os devidos, conforme apuração da fiscalização, tais valores estão declarados e não foram objeto de lançamento de ofício neste auto de infração. Foram efetuados lançamentos apenas quanto às diferenças apuradas entre os cálculos do contribuinte e os da fiscalização, conforme planilha 07, fls 299. Com relação a 2012, não foi apresentado o anexo a DIRPF 2013 do ganho de capital na alienação das ações com a declaração do imposto devido sobre as parcelas recebidas naquele anocalendário. Os depósitos judiciais, sendo em valores inferiores ao montante integral do tributo, não suspendem a exigibilidade do crédito nem tampouco existe decisão judicial favorável ao Fl. 529DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 514 5 contribuinte, ou qualquer outra condição para a suspensão do crédito tributário, nos termos do art. 151 d o Código Tributário Nacional. A Planilha 07, fls 299, demonstra os valores apurados no procedimento fiscal correspondentes ao IR devido sobre esses ganhos de capital. Dessa forma, o imposto de renda apurado pela fiscalização foi o lançado através desse auto de infração, com cobrança das diferenças não declaradas para 2011, e integralmente para 2012. Da Impugnação Cientificado em 11/01/2014, fls 329, o contribuinte apresentou impugnação em 07/02/2014, fls 340/355, e documentos fls 356/450, alegando em síntese: Da tempestividade, dos fatos e do auto de infração. Da possibilidade de discussão, na via administrativa, de matérias não tratadas na via judicial – Cita jurisprudência e entende que o MS nº 2011.51.01.0049315 tem como objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o argumento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea “d”, do DL nº 1.510/76. Já na presente impugnação, o que está sendo questionado nos autos são os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações, e a exigência de valores já pagos e/ou depositados judicialmente (com aplicação de multa de ofício e cobrança de juros de mora). Assim, resta claro que o disposto na letra “b” do ADN COSIT nº 03/96 dá respaldo à apreciação na via administrativa da matéria que será tratada na presente impugnação. Dos erros cometidos pela fiscalização na determinação do custo de aquisição das ações – entende que a fiscalização cometeu um equivoco ao Fl. 530DF CARF MF 6 desconsiderar o custo de aquisição utilizado pelo impugnante para fins de apuração do ganho de capital, fixandoo em R$ 11.437,79. Informa que o valor de mercado das ações adquiridas antes de 31.12.1991 a ser considerado pra fins da determinação do seu custo de aquisição deveria ter sido aquele informado na declaração de bens do impugnante relativa ao exercício de 1992, anocalendário 1991, e não aquele constante da declaração relativa ao exercício de 1997. Que não há amparo legal para a fiscalização não tendo localizado em seus arquivos a DIRPF 1992, ter se utilizado da DIRPF relativa a período posterior (1997). Cita, com base no art. 37 da Lei nº 9.784/99, que a autoridade administrativa deve de ofício providenciar cópia de documentos referidos pelo contribuinte existente em seus arquivos. Ou seja, tendo em vista que a fiscalização não localizou em seus arquivos a DIRPF/1992 do impugnante, ela deveria ter adotado um dos critérios previsto no art. 126, II, do RIR, para se alcançar o valor do mercado das ações em 31.12.1991. Demonstra os cálculos para obter o valor de mercado em 31.12.1991, resultando o valor de R$ 7.545,94, e entende que na falta da DIRPF/1992, esse deveria ter sido o critério que deveria a fiscalização utilizar para apurar o valor de mercado. Assim, considerandose o valor de mercado de R$ 7.545,94 em 31.12.1991, acrescido do valor efetivo das compras de ações ocorridas posteriormente, chegase ao valor de R$ 15.128,59, e não o valor de R$ 11.437,79, apurado pela fiscalização. Destaca também que a fiscalização deixou de considerar no custo de aquisição das ações os valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridos nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, devidamente comprovadas por meio de documentação apresentada por petição protocolada em 25.07.2012. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 515 7 Menciona legislação e entende que há a possibilidade de incremento do custo de aquisição de ações em razão da capitalização de lucros e reservas ocorridos a partir de janeiro/1996 já foi objeto em Soluções de Consulta pela própria Receita Federal do Brasil (RFB), como segue. Cita trecho das Soluções de Consulta nºs 53, 54, 55, 56, 57, 58 de 08/05/2008. Têmse, portanto, que os valores das capitalizações realizadas pela Clínica, nos anos de 1996, 1997, 2009 e 2010, devem compor o custo de aquisição das ações alienadas pelo impugnante para fins de apuração de eventual imposto de renda sobre ganho de capital. Por fim, devese destacar que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo do ganho de capital deve ser de apenas R$ 786.927,36, e não de R$ 797.022,70. Conforme se depreende pelo Contrato de Compra e Venda das Ações (apresentado no curso da fiscalização e ora reapresentado – doc 02), o valor efetivo da venda das ações do Impugnante foi de R$ 786.927,36, sendo que o valor de R$ 10.095,34, corresponde a honorários advocatícios, pagos pelos compradores das ações. Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo Impugnante – declara que foi devidamente comprovado durante o curso da fiscalização, em relação ao percentual das parcelas recebidas no ano de 2012, que o impugnante efetuou o recolhimento de R$ 15.563,26 (R$ 7.781,63 relativos à parcela recebida em janeiro/2012 e R$ 7.781,63 relativos à parcela recebida em julho/2012). Da impossibilidade de exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores – acredita que deveria ter sido considerada suspensa a exigibilidade dos valores já depositados em juízo pelo impugnante, ainda que se entenda que tais valores não representam o montante integral, e sobre eles não poderia exigir multa de ofício e nem cobrar juros de mora. Devendo o lançamento Fl. 532DF CARF MF 8 dos valores depositados judicialmente serem efetuados apenas para prevenir decadência. Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Ainda que se entenda que o depósito dos débitos, mesmo que parcial não suspendem a exigibilidade do exato montante depositado e que, portanto, o seu lançamento somente se daria para prevenir a decadência, o que se admite apenas por argumentação, ainda assim não seria aplicável multa de ofício e juros de mora sobre tais valores. Cita jurisprudência. Pelo exposto, temse que auto deve ser cancelado, pois deveria ter sido lavrado apenas para prevenção da decadência, ou, no mínimo, parcialmente cancelado, afastandose a multa de ofício e os juros de mora sobre os valores relativos às parcelas recebidas no ano de 2012 e já depositados judicialmente antes de sua lavratura. Pede e espera pelo cancelamento do auto ou, senão, a retificação do valor nele lançado.” 2 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012 PROCESSO JUDICIAL NÃO CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA. Não ocorrendo concomitância entre o processo judicial e o administrativo sobre a mesma matéria, haverá decisão administrativa quanto ao mérito da questão, conhecendo da impugnação. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor de alienação das ações pelo Fl. 533DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 516 9 acionista pessoa física e o respectivo custo de aquisição, que não pode ser majorado sem o amparo legal. Verificado erro no cálculo da apuração do custo de aquisição, retificase o lançamento. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO A realização de depósito judicial parcial do crédito tributário considerado pelo Fisco não suspende sua exigibilidade, podendo o Fisco exigir o crédito em sua totalidade, bem como seus consectários legais. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001. ÔNUS DA PROVA. Havendo incongruência entre as informações declaradas à RFB e informadas pelo contribuinte, este deve apresentar documentos hábeis e inequívocos para refutar a base de cálculo do imposto de renda. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Iniciado o procedimento administrativo em desfavor do contribuinte, não mais espontânea será a denúncia eventualmente ofertada, resultando para o infrator as sanções decorrentes do descumprimento de sua obrigação. O pagamento efetuado, antes da lavratura da Notificação de Lançamento, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de desconstituir a exigência lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 534DF CARF MF 10 3 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 460/473, mantendo a mesma linha da defesa. E às fls. protocolizou petição informando sobre o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0049315. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – A matéria em debate é conhecida dessa Turma e foi apreciada nos AC. 2201003.890 e 2201003.891 j. em 13/09/2017 sendo Relatora a I. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz que hoje compõe a E. CSRF. 6 – Analisando os autos verificase que são matérias idênticas debatidas e julgadas anteriormente referente à omissão/apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsas de valores em que o contribuinte em 01/02/2011, vendeu a totalidade de suas ações do Capital Social da Clínica MédicoCirúrgica Botafogo SA Hospital Samaritano à Empresa de Serviços Hospitalares S.A. ESHO, de acordo com o contrato de compra e venda celebrado nesta data, fls. 361/394. 7 – A Fiscalização entende que o custo de aquisição das referidas cotas são de R$ 11.437,79 e o contribuinte de R$ 122.538,13. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 517 11 8 – De acordo com a autuação o objeto do presente lançamento é apenas em relação às parcelas recebidas de 10/01/2012 a 10/07/2012, sendo que as demais parcelas são objeto de outro PAF: Da inexistência de concomitância com a via judicial 9 – Quanto a matéria sobre a concomitância entre a via judicial e a administrativa me atenho às razões do bem fundamentado voto dos AC. 2201003.890 e 2201 003.891 j. em 13/09/2017 e os adoto como razão de decidir, com as ressalvas relativas aos fatos ora descritos nesses autos, verbis: “Cumpre destacar que o trâmite do Mandado de Segurança n.º 2011.51.01.0033903 impetrado pelo Recorrente, na 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro, com o objetivo de impedir a cobrança do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de parte das ações sob o fundamento de que tal ganho seria isento, por força do art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76, não obsta o conhecimento da matéria sob análise, considerando a distinção dos objetos discutidos. Assim, no autos do MS discutese o direito à isenção prevista no art. 4º, alínea "d", do DL n.º 1.510/76, já, no presente processo administrativo, o recorrente questiona os procedimentos adotados pela fiscalização para a apuração do ganho de capital relativo à venda das ações, que a levaram a determinar um custo de aquisição menor do que aquele por ele utilizado. Fl. 536DF CARF MF 12 Portanto, não se vislumbra a existência de concomitância apta a ensejar a aplicação do Enunciado de Súmula CARF n.º 1.” Do custo de aquisição das ações 10 – Em relação a essa parte do apelo o contribuinte requer que seja considerado como custo de aquisição das ações alienadas os valores relativos aos lucros capitalizados conforme indicado às fls. 491: 11 – Nesse caso, tomando as mesmas razões de decidir dos acórdãos indicados alhures a respeito da matéria: Fl. 537DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 518 13 "Como se verifica, da narrativa anterior, a situação fática é incontroversa nos autos, sendo relevante a discussão jurídica sobre a possibilidade da consideração da capitalização dos lucros no custo de aquisição das ações. Para melhor elucidar o tema, cito um exemplo exposto no Acórdão n.º 19515.720668/201166 abaixo transcrito: Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. O art. 10, § 1º, da Lei n.º 9.249, de 26 de dezembro de1995, acerca da matéria assim dispõe: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. § 1oNo caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados, a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 538DF CARF MF 14 Em seu art. 135, o Regulamento do Imposto de Renda reproduz o texto introduzido pela mencionada Lei: Custo de Participações Societárias Adquiridas com Incorporação de Lucros e Reservas Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). O caput do art. 169 da Lei n.º 6.404, de 15 de dezembro de 1976, destaca: Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. Como bem asseverou o recorrente, o custo de aquisição de ações, em razão da capitalização de lucros e reservas já foi objeto de Soluções de Consulta da Receita Federal do Brasil, conforme as ementas a seguir: Fl. 539DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 519 15 12 – Pelo exposto, dou provimento ao recurso nessa parte para, devendo ser procedida a consideração, no custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 10.083,43), 1997 (no valor de R$ 10.566,70), 2009 (no valor de R$ 24.107,15) e de 2010 (no valor de R$ 32.268,39) devidamente comprovadas por meio de documentação que acompanhou a petição apresentada em 25/07/2012 (planilha constante de fls. 103), tendo em vista que a capitalização dos lucros com ou sem emissão de novas ações implica, para o acionista, o benefício de aumento do custo fiscal de aquisição do investimento. Valor da alienação 13 – Em relação ao tema sobre o valor da alienação a ser considerado no ganho de capital, analisando o documento de fls. 361/449 verificase que deve ser excluído o valor de R$ valor de R$ 10.095,34 14 A decisão de piso assim tratou da questão: Fl. 540DF CARF MF 16 "A defesa também destaca que o efetivo valor de venda das ações a ser considerado no cálculo do ganho de capital deve ser de apenas R$ 12.054.393,50, e não de R$ 12.195.549,96, no qual estaria o valor de R$ 141.156,46, correspondente a honorários advocatícios, pagos diretamente pelos compradores das ações e descontados dos valores devidos ao impugnante. Apesar do contribuinte apresentar Contrato de Compra e Venda das Ações em sua impugnação, no qual consta o valor de venda de R$ 786.927,36, a fiscalização verificou que o contribuinte considerou como valor de alienação o valor de R$ 797.022,70. Observase que apesar da fiscalização ter aduzido que a diferença de valores seria relativa a honorários advocatícios, esta manteve a base de cálculo de R$ 786.927,36. Frisese que não há previsão legal para a dedução de honorários advocatícios para o valor de alienação, conforme § 4º do artigo 19 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, ressaltando que o contrato de prestação de serviços apresentado na impugnação referese expressamente a honorários advocatícios, não sendo possível aduzir existência de corretagem. Art. 19 . Considerase valor de alienação: I o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; (...) § 4º O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, é deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda a prazo, com diferimento da tributação, a dedução farseá sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem. A definição de contrato de corretagem é prevista no artigo 722 do Código Civil, no qual se estabelece que pelo contrato de corretagem, uma pessoa, independentemente de mandato, de prestação de serviços ou outra relação de dependência, obrigase a obter para outra um ou mais negócios, conforme instruções recebidas." 15 Ao contrário do entendimento exposto, com a análise do contrato de compra e venda anexo aos autos, resta claro o valor da alienação recebido por cada acionista (anexo A), de modo que, embora seja inconteste o pagamento de honorários para a realização do contrato, tal valor adjacente não integra o valor do bem alienado. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 520 17 16 Portanto, deve ser considerado para o cálculo do ganho de capital o valor efetivamente relativo a alienação das ações. É o que se extrai até mesmo da interpretação da Instrução Normativa mencionada pelo Acórdão recorrido, pois a finalidade da norma é excluir a parcela não integrante do valor do bem (valor da corretagem), quando suportado pelo alienante, do valor da alienação levado a efeito para o cálculo do ganho de capital. Decisão judicial 17 – Quanto à decisão judicial, pelo que foi verificado entendo que a mesma repercutirá nesse lançamento em relação a parte das ações em que estão isentas de acordo com o Dec. 1.510/76 e portanto nesse ponto em vista da decisão transitada em julgado, faço a mesma ressalva da DRJ no sentido da autoridade da DRF efetuar o recálculo do lançamento respeitando os termos da decisão judicial. Da impossibilidade do auto exigir valores já depositados judicialmente e de aplicar multa de ofício e cobrar juros de mora sobre esses mesmos valores. 18 – Nesse tópico, pela análise da planilha de nº 7 de fls. 299 do auto de infração, verifico que houve o lançamento apenas em relação a diferenças apuradas entre o declarado pelo contribuinte e o que foi lançado pela fiscalização, e portanto, nesse ponto nego provimento quanto a questão da multa de ofício e juros de mora. Da impossibilidade do auto exigir valores de IR já pagos pelo recorrente 19 – Nesse ponto a fiscalização alega o seguinte às fls. 298/299 do TVF: Fl. 542DF CARF MF 18 17 – Nesse ponto em relação aos lançamentos efetuados sobre as parcelas dos meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 entendo que o contribuinte tem razão. Através da petição de fls. 241/257 em 15/04/2013 junto com um memorial de valores bem antes do lançamento, foram entregues à fiscalização em cumprimento à intimação de fls. 232 contendo os DARF de fls. 249/250 com os valores que o contribuinte entendeu que estavam corretos relacionados às 4ª e 5ª parcelas. 18 – Entendo que a Fiscalização não poderia ter ignorado tal situação, por mais que não tenha ocorrido a entrega da apuração em sua DIRPF, pois foram efetuados nos códigos e datas corretas e foram identificados pelo contribuinte antes do lançamento à fiscalização. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 12448.732154/201317 Acórdão n.º 2201004.302 S2C2T1 Fl. 521 19 19 – Poderia a fiscalização da mesma forma que efetuou o lançamento sobre as diferenças que entende correta no ano de 2011 ter efetuado em relação a 2012. Portanto, dou provimento nesse ponto do recurso para que seja excluído do lançamento dos meses de 10/01/2012 e 10/07/2012 os valores recolhidos pelo contribuinte às fls. 249 e 250 no valor de R$ 7.781,63 cada no total de R$ 15.563,26. Conclusão 20 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer como custo de aquisição das ações, dos valores proporcionais relativos às capitalizações de lucros ocorridas nos anos de 1996 (no valor de R$ 10.083,43), 1997 (no valor de R$ 10.566,70), 2009 (no valor de R$ 24.107,15) e de 2010 (no valor de R$ 32.268,39); excluo o valor de R$ 10.095,34, correspondente a honorários advocatícios, excluir do lançamento o valor de R$ 15.563,26 relativo ao item 19 do voto e quanto ao processo judicial nº 2011.51.01.0049315 deverá a DRF de origem adotar as demais providências cabíveis para cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 544DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.001935/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2003, 2004
LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS ESPONTANEAMENTE DO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO. No lançamento de ofício, os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente dos mesmos períodos de apuração, devem ser deduzidos dos tributos apurados no próprio auto infração, inclusive na hipótes de arbitramento de lucros.
Recurso de ofício negado provimento.
Numero da decisão: 1402-000.655
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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AUTO DE INFRAÇÃO\ Recorrente PRIMEIRA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELÉM/PA Recorrida LABELPRESS INDUSTRIA E COMERCIO DA AMAZONIA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS ESPONTANEAMENTE DO MESMO PERÍODO DE APURAÇÃO. No lançamento de ofício, os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente dos mesmos períodos de apuração, devem ser deduzidos dos tributos apurados no próprio auto infração, inclusive na hipótese de arbitramento de lucros. Recurso de ofício negado provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A PRIMEIRA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELÉM/PA, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente o auto de infração lavrado contra LABELPRESS INDUSTRIA E COMERCIO DA AMAZONIA LTDA. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no montante de R$ 1.230.196,60. Fundamentouse a imputação na apuração de omissão de receita nos anoscalendário de 2003 e 2004 (fls. 18 e 19). A interessada foi cientificada dos autos de infração no dia 31 de março de 2006 (fl. 17). No dia 28 de abril de 2006 foi apresentada impugnação (fls. 247 a 250), cujo teor, em suma foi: (...) Requer a retificação dos valores lançados em decorrência da existência de recolhimentos pagos espontaneamente, conforme comprovantes anexados à peça impugnatória. A decisão recorrida está assim ementada: LUCRO ARBITRADO. DEDUÇÃO. Os valores do IRPJ e da CSLL recolhidos espontaneamente e no prazo de vencimento das obrigações deve ser reconhecido e deduzido do IRPJ e da CSLL apurados por meio do lucro arbitrado. O recurso de ofício foi inicialmente apreciado na sessão de 11/03/2009, tendo sido convertido em diligência conforme Resolução 140100.001, nos seguintes termos (f. 361): O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Verifico que não consta dos autos a manifestação explicita da Delegacia de origem sobre a alegada quitação dos valores objeto do lançamento guerreado. Necessário se faz que a autoridade fiscal ateste se os pagamentos constantes dos demonstrativos mencionados pela primeira instância não foram utilizados de outra forma pela contribuinte (a exemplo de retificação de DARF ou pedido de restituição) e que ateste, após realizar a correspondente imputação, que os valores recolhidos correspondem exatamente aos valores lançados. Não cabe a autoridade julgadora aferir imputação de recolhimentos e nem lhe é possível garantir que determinados valores não tenham sido já pleiteados pela contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 3 Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para a verificação mencionada, pela autoridade preparadora. . A diligência fiscal resultou na juntada dos documentos de fls. 362 e seguintes, sendo que o relatório fiscal de fl. 380 conclui: (...) presto as informações solicitadas; Preliminarmente, esclareço que os pagamentos em questão referemse somente ao tributo IRPJ e foram recolhidos antes da lavratura do Auto de Infração; A utilização dos pagamentos está constante ás fls. 371/374; Procedi á vinculação (imputação) dos pagamentos disponíveis aos respectivos CT's conforme fls. 375/379, restando conforme demonstrado à fl. 379 um saldo devedor remanescente. Tendo em vista que o ilustre conselheiro Valmar Menezes deixou de compor o CARF, o processo foi objeto de novo sorteio no mês de mar/2011. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso de ofício preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Vejamos os fundamentos da decisão recorrida: A fiscalização, muito embora tenha apurado a existência de DARF de recolhimento do IRPJ e da CSLL, simplesmente os ignorou sem declinar os motivos. Neste particular, sempre que o lucro do sujeito passivo é arbitrado, há que deduzir a parcela do imposto e da contribuição que foram recolhidos tempestivamente, independente do regime de tributação, tendo em vista que esse regime foi desconsiderado com o arbitramento do lucro. Este é o comando do artigo 540 do Decreto nº 3.000, de 1999: “Art. 540. Poderá ser deduzido do imposto apurado na forma deste Subtítulo o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, vedada qualquer dedução a título de incentivo fiscal (Lei nº 9.532, de 1997, art. 10)”. 7. Em vista do exposto, os DARF cujos recolhimentos foram confirmados (fls. 357 a 362) serão deduzidos dos valores lançados até o limite do valor devido, conforme tabela a seguir: Fato gerador/tributo Litígio Saldo 06/03IRPJ 5.349,89 0,00 09/03IRPJ 6.535,50 0,00 12/03IRPJ 9.361,00 0,00 06/04IRPJ 38.896,61 0,00 09/04IRPJ 68.263,46 0,00 12/04IRPJ 73.280,86 0,00 06/03 CSLL 4.262,87 0,00 09/03 CSLL 5.652,36 0,00 12/03 CSLL 11.138,26 0,00 06/04 CSLL 24.244,17 0,00 09/04 CSLL 33.418,56 0,00 12/04 CSLL 35.676,39 0,00 CONCLUSÃO. 8. De acordo com tudo o que consta nos autos e foi analisado, VOTO pela improcedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL. De início registro que, máxima data vênia, considero que, no presente caso, a diligência era desnecessária, isso porque os pagamentos em questão foram realizados por estimativa (antecipação) e se referem ao período fiscalizado. Logo, era dever da autoridade fiscal verificálos e considerálos na lavratura do auto de infração, nos termos do art. 540 do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10283.001935/200631 Acórdão n.º 140200.655 S1C4T2 Fl. 0 5 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Isso porque o auto de infração deve se dar sobre as diferenças não recolhidas, mormente no arbitramento de lucros. Caso a fiscalização constatasse que esses recolhimentos tivessem sido objeto de aproveitamento posterior de qualquer ordem, o correto seria lavrar auto de infração para exigir essas diferenças. A desconsideração dos valores porventura aproveitados posteriormente pelo contribuinte seria cabível se se tratasse de pedido de compensação. Repitase: os valores recolhidos espontaneamente, ora aproveitados, referemse às estimativa sobre receitas que foram objeto do lançamento de oficio (lucro arbitrado). No que tange a confirmação da efetividade dos pagamentos verificase que já havia sido realizada antes do julgamento em 1a. instância, conforme extratos de fls. 357 a 362, fato também asseverado na decisão recorrida. Em relação ao IRPJ constatasse que na diligência fiscal foi efetuado “imputação” de pagamento consoante demonstrativo de fl. 375, por exemplo. Isso implicou na incidência de juros e multa de mora. O correto era a simples alocação, tal qual realizou a decisão da DRJ, pois, eventuais diferenças de juros de mora e multa somente seriam devidas sobre as diferenças de tributos apurados, no próprio auto de infração. E mais: verificase que na diligência fiscal não foi considerado, tampouco verificado quaisquer dos pagamento de CSLL (recolhimentos por estimativa), que foram efetivamente confirmados (fls. 361 a 362). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, confirmando o cancelamento do auto de infração, sem prejuízo de a DRF de origem verificar se os valores recolhidos pelo contribuinte, por estimativa, foram objeto de aproveitamento em períodos posteriores, efetuando os procedimentos cabíveis. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/08/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727024/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015.
Numero da decisão: 2401-005.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhê-los, para sanar a omissão no Acórdão nº 2401-004.845, sem atribuir-lhes efeito modificativo, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 70 24 /2 01 2- 32 Fl. 2604DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos Embargos Declaratórios e, no mérito, acolhêlos, para sanar a omissão no Acórdão nº 2401 004.845, sem atribuirlhes efeito modificativo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10830.727024/201232 Acórdão n.º 2401005.285 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, às fls. 2.589/2.594, em face do Acórdão nº 2401004.845, contextualizado às fls. 2.575/2.587, de minha relatoria. Alega a embargante a existência de omissão no Acórdão embargado, uma vez que, em que pese a decisão de primeira instância ter exonerado parte do crédito lançado com base em dois pontos, ao julgar o Recurso de Ofício, a decisão embargada teria se omitido em relação a um desses pontos. Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho da Presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, o admitindo para sanar a omissão apontada, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 2.598/2.601). É o relatório. Fl. 2606DF CARF MF 4 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, passo ao exame do mérito (artigo 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), da parte admitida por meio de despacho da Presidente da Turma, Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, às fls. 2.598/2.601. 2. DO MÉRITO 2.1 Da omissão Cientificada da decisão, a PGFN opôs, tempestivamente, os Embargos de Declaração (fls. 2.589/2.594), apontando omissão no Acórdão nº 2401004.845, uma vez que, embora a decisão proferida pela primeira instância administrativa tenha retificado os Autos de Infração DEBCAD nº 37.365.1350 (levantamentos “CI” e “CI1”) e 37.388.8490 (levantamentos “CI” e “CI1”), matéria de Recurso de Ofício, sobre eles essa egrégia Turma não se pronunciou. Com razão a Embargante. Com efeito, o Auto de Infração DEBCAD nº 37.388.8490 – trata das contribuições devidas pelos segurados, não descontadas, incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais. De acordo com a Fiscalização, “Foi identificado nas contas ‘33903600 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física’ e ‘33903900 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Jurídica’ pagamento relativo a prestação de serviços de Contribuintes Individuais detalhados no Anexo IV, não declarados na GFIP e sem os recolhimentos das contribuições previdenciárias devidas nas competências 01/2008 a 12/2008 e lançadas nos códigos de levantamentos ‘CI’, ‘CI1’ e ‘CI2’ relativo a contribuição patronal e nos códigos de levantamentos ‘C1’, ‘C11’ e ‘C12’ a contribuição dos segurados calculados por esta fiscalização”. Segundo consta dos autos, parte das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores Contribuintes Individuais, no período abrangido pelas competências 01/2008 a 12/2008, foram apuradas com base nas notas fiscais de prestação de serviço e outros documentos comprobatórios apresentados pela empresa Embargada. De posse dessa documentação, a Fiscalização entendeu que “[...] vários dos contribuintes individuais relacionados no Anexo IV foram indevidamente considerados pelo sujeito passivo como ‘Empresário Individual’ Pessoa jurídica, pelo simples fato de possuírem inscrição no CNPJ. Tratase, no entanto de prestadores de serviço pessoa física, com inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis, situação ‘Não Habilitada’, ou sem inscrição, que Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 10830.727024/201232 Acórdão n.º 2401005.285 S2C4T1 Fl. 4 5 pudesse enquadrálos no conceito de ‘Empresários’, conforme definido no Código Civil – Lei 10.406, de 10/01/2002 artigos 966 e 967 [...]” fls. 40/41. Por sua vez, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, entendeu que “os sujeitos caracterizados pela fiscalização como contribuintes individuais, em verdade, se constituem em empresário individuais, não pessoas jurídicas, mas, não obstante isto, se submetem às regras da empresa, não havendo a configuração da modalidade do prestador de serviços autônomo”. Demais disso, os julgadores de primeira instância apontam ausência de irregularidade na prestação de serviços, e, em razão disso, identificaram que os serviços foram prestados na qualidade de empresários individuais. Confirase: “[...] Contudo, em que pese o exposto acima, os autos dão conta de um contexto diverso. Com efeito, os sujeitos caracterizados pela fiscalização como contribuintes individuais, em verdade, se constituem em empresário individuais, não pessoas jurídicas, mas, não obstante isto, se submetem às regras da empresa, não havendo a configuração da modalidade do prestador de serviços autônomo. Conforme Anexo IV juntado aos autos pela fiscalização, verificase que a grande maioria dos contribuintes individuais possuem inscrição no CNPJ e emitiram notas fiscais, traços característicos da atividade empresária. Por outro lado, a fiscalização informa que os referidos contribuintes estão em situação “não habilitado” junto ao Registro Público de Empresas Mercantis. No entanto, a fiscalização não demonstra esta situação, limitandose, apenas, a elencar, no Anexo IV, o número do empenho, o valor, o beneficiário, o CNPJ do mesmo e a nota fiscal relativa ao pagamento. Dessa forma, os autos carecem da demonstração da suposta irregularidade na prestação de serviços, de forma a manterse íntegra a conclusão no sentido de que os serviços foram prestados na qualidade de empresários individuais. Outrossim, os aspectos inerentes à regularidade fiscal e tributária dos contribuintes não interfere na verificação da sua qualidade como empresário. A vingar entendimento contrário estarseia diante da esdrúxula situação onde a situação fiscal comandaria a caracterização do sujeito de direito como empresário ou não, o que não se admite. [...]” (fl. 2.429) Com essas considerações, os julgadores a quo concluíram pelo parcial descabimento do lançamento levado a efeito em relação aos levantamentos CI e CI1. Pois bem. Compulsando os autos, não vislumbro razões de forma na decisão guerreada. Fl. 2608DF CARF MF 6 De proêmeio, destacase que Empresário é “quem desenvolve atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços” (art. 966, CC), e que Empresa é a atividade econômica organizada, praticada pelo Empresário. O grupo de pessoas com finalidade de obtenção de lucro é denominado Sociedade Empresária, instituto que se manifesta com a ‘congregação de capital e trabalho para o empreendimento de atividade empresarial’ (WILGES BRUSCATO, in Manual de Direito Empresarial Brasileiro, p. 164), conforme os parâmetros dados pelo artigo 981, do Código Civil, e nasce com o devido registro na Junta Comercial, seu ato constitutivo. Quando uma só pessoa se dispõe ao exercício da Empresa, manifestase a figura do Empresário Individual, aquele que age na prática de atividades empresárias sem o concurso de sócios. Percebemos, até aqui, dois sujeitos Empresários, quais sejam: i) a Sociedade Empresária, formada por sócios empreendedores (e não empresários); e ii) o Empresário Individual, o próprio. A diferença entre os tipos Empresários acima destacados, entretanto, não se encerra na quantidade de pessoas envolvidas na Empresa. A Sociedade Empresária, devidamente constituída e cadastrada na Junta Comercial, possui personalidade jurídica própria, sendo sujeito de direitos e obrigações perante terceiros. Disso, decorrem alguns efeitos, tais como “a individualização da sociedade, como sujeito único e distinto das pessoas de seus integrantes, possuindo patrimônio próprio (iniciado com o capital social), que não se confunde com o dos sócios, capacidade negocial e processual. Por isso, a sociedade passa a ser titular de direitos e pode assumir compromissos e obrigações, defendendo seus interesses em juízo e fora dele” (WILGES BRUSCATO, in Manual de Direito Empresarial Brasileiro, p. 9394). De maneira diversa, o Empresário Individual recebe tratamento jurídico peculiar. Em primeiro lugar, esclareçase que o Empresário Individual é sempre pessoa física, natural, e não se reveste da personalidade jurídica afeta às Sociedades, ainda que indispensável seu registro com CNPJ na Junta Comercial. Vale destacar, a propósito, que o registro de “empresário” não cria pessoa jurídica de direito privado e, portanto, não confere personalidade jurídica própria e distinta daquela já detida pela pessoa natural. O Decreto nº 3.000/99 (RIR), com melhor redação, textualmente explica (artigo 150) que a firma individual não é pessoa jurídica, mas apenas a ela se equipara. Ora, as “equiparadas” não são pessoas jurídicas, mas sim pessoas naturais equiparadas a pessoas jurídicas. Quem é equiparado não é igual. Logo, não há “pessoas jurídicas equiparadas”, e sim “pessoas físicas equiparadas a jurídicas”. A jurisprudência do STJ já fixou o entendimento de que "a empresa individual é mera ficção jurídica que permite à pessoa natural atuar no mercado com vantagens próprias da pessoa jurídica, sem que a titularidade implique distinção patrimonial entre o empresário individual e a pessoa natural titular da firma individual" (REsp 1.355.000/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 20/10/2016, DJe 10/11/2016) e de que "o empresário individual responde pelas obrigações adquiridas pela pessoa jurídica, de modo que não há distinção entre pessoa física e jurídica, para os fins de Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 10830.727024/201232 Acórdão n.º 2401005.285 S2C4T1 Fl. 5 7 direito, inclusive no tange ao patrimônio de ambos" (AREsp 508.190, Rel. Min. Marco Buzzi, Publicação em 4/5/2017). Ora, não há dúvidas de que a empresa individual foi criada para habilitar a pessoa natural a praticar atos do comércio, com vantagens do ponto de vista fiscal. Portanto, não se verifica a diferenciação própria das sociedades empresárias entre a pessoa jurídica e seus membros. Diante disso, a proteção patrimonial não lhe é estendida. O patrimônio do Empresário Individual é único, confundindose bens particulares e profissionais, de modo que os bens afetos ao desenvolvimento da Empresa se sujeitam à resolução de dívidas de natureza pessoal e vice versa, bens estritamente pessoais podem ser penhorados para garantir dívidas da firma. O registro “comercial” do Empresário Individual se presta para fins administrativos e tributários, de modo a facilitar o cadastro dos órgãos governamentais e as devidas cobranças fiscais. Não enseja em uma criação de ente novo, mas somente a atribuir novas condições à pessoa natural. Por fim, as divagações acerca da personalidade Empresário Individual se resumem a uma máxima: “O sujeito é um só: a empresa é exercida por ele, o nome empresarial o identifica, os bens são de sua titularidade” (WILGES BRUSCATO, in Manual de Direito Empresarial Brasileiro, p. 9394). No caso em análise, conforme bem registrado pela DRJ de origem, o Anexo IV juntado aos autos pela fiscalização, verificase que a grande maioria dos contribuintes individuais possuem inscrição no CNPJ e emitiram notas fiscais, traços característicos da atividade empresária. De outra banda, não há nos autos elementos que possam demonstrar a suposta irregularidade nos serviços prestados, de que as firmas individuais ali indicadas prestaram serviços na qualidade de contribuintes individuais. Por fim, esclareço que a lide foi solvida nos limites necessários e com a devida fundamentação, coerência e clareza, hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, merecendo ser confirmada pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Por conseguinte, as conclusões do colegiado de primeira instância nesse ponto devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Acolho os próprios fundamentos da decisão de piso como razões de decidir. Assim, constatado o lapso manifesto, voto no sentido de acolher os Embargos Declaratórios opostos em face do Acórdão nº 2401004.845, para sanar a omissão apontada, sem atribuir efeitos modificativos. 3. CONCLUSÃO: Fl. 2610DF CARF MF 8 Pelos motivos expendidos, voto por admitir, conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração, sem, contudo, atribuir efeito modificativo, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 2611DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902607/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 26 07 /2 00 9- 60 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10120.902607/200960 Acórdão n.º 3401004.048 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10120.902607/200960 Acórdão n.º 3401004.048 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
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