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Numero do processo: 10783.720617/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) do Rio de Janeiro/RJ, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de ressarcimento de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Para iniciar o relato do caso, por bem consolidar os fatos que ensejaram a atuação fiscal, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento lastreado em pretensos créditos oriundos da incidência nãocumulativa da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 20 61 7/ 20 12 -8 1 Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 334 2 contribuição para a COFINS, tal como estatuído na Lei 10.833/03, e posteriores alterações, relativo ao 4º trimestre de 2008. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 115, com base no Parecer Fiscal GAB903/ DRF/VIT/ES nº 2/2013 em fls. 109/114, decidindo reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações declaradas. Do referido Parecer cabe transcrever o seguinte trecho: “[...]STOCKL CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 2011.018224 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café utilizado como insumos, deduzidos contabilmente pela empresa com os valores devidos das contribuições não cumulativas para a COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de processo administrativo ou PER/DCOMP. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a STOCKL CAFÉ apropriouse de créditos integrais fíctos decorrentes da compra de café. STOCKL CAFÉ lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudo atacadistas – empresas laranjas para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais da COFINS na sistemática da nãocumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis. (...) Os créditos integrais, apropriados indevidamente nos livros contábeis da STOCKL CAFÉ, foram glosados e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Após a recomposição dos saldos, as diferenças da COFINS devidas foram lançados de ofício, além da multa isolada a ser aplicada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas, vinculadas a pedidos de ressarcimento de créditos da COFINS que não foram reconhecidos na sua integralidade. Importante frisar que a fiscalização ora encerrada decorre das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, que resultou na comunicação dos fatos apurados ao Ministério Público Federal em agosto de 2009. Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão. As provas e documentos produzidos nos curso dos trabalhos fiscais que constam do processo administrativo nº 10783.720897/201316, bem como o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão cientificados Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 335 3 simultaneamente à STOCKL CAFÉ, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. (...) Inconformada com o despacho decisório, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese o seguinte: 1. Preliminares 1.1. Requer seja o presente feito apensado aos processos relacionados, para julgamento conjunto; 1.2. A Contribuinte alega que não teve direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa. 1.3. Aduz, ainda, que o Parecer Fiscal se omite quanto à fundamentação das glosas de créditos integrais da COFINS referentes às aquisições de café de Cooperativas. 1.4. Assevera que, com exceção de uma breve referência da suspensão da incidência da COFINS nas aquisições de Cooperativas, feita na ementa do Parecer Fiscal, nada mais há no ato administrativo que subsidie a conclusão pela glosa dos créditos integrais e deferimento de créditos presumidos. 1.5. Conclui afirmando que diante da ausência de motivação, requisito obrigatório do ato administrativo, nos termos do art. 92, inciso X da Constituição, deve ser decretada a nulidade do Parecer Fiscal citado; 2. Mérito 2.1. Fornecedores Irregulares/pseudoatacadistas A manifestação de inconformidade, quanto ao mérito, pode ser sintetizada nas seguintes alegações: i) a boafé da Contribuinte é demonstrada pelo fato de que teve o zelo de fazer consultas ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; ii) os atos que declaram as empresas como "inapta", "baixada" ou "nula" ocorreram posteriormente às compras realizadas. A Contribuinte ainda alega que: iii) deve ser considerado o que dispõe o parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96; iv) há efetiva comprovação de que promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos; v) as aquisições de bens se deram por intermédio de fornecedora (pessoa jurídica) ativa no CNPJ Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, bem como no SINTEGRA; vi) toda a documentação acerca das operações de aquisição de mercadorias das empresas fornecedoras foi lançada na contabilidade da empresa, e devidamente analisada pela fiscalização, o que comprova que a Contribuinte agiu de boafé, de forma que as operações ocorreram de modo efetivo, o que invalida as alegações lançadas pela fiscalização federal, e; vii) não se pode exigir da Contribuinte que adote providências de caráter extraordinário, pois estas fogem à natureza comercial de suas operações, principalmente, em virtude das especificidades do setor café em grãos. 2.2. Compras de Cooperativas Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 336 4 A Autoridade Fiscal também glosou os créditos integrais sobre aquisições das cooperativas, pois entendeu supridos os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas destas empresas, conforme disposto na Lei n° 10.925/2004. A Contribuinte contesta o ponto, pois entende que o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas (as cooperativas) não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços. Argumenta que a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2ª etapa; pois somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas nessa etapa (2ª), mas ela, Contribuinte, atua na 3ª etapa. Diante deste contexto, foi negado provimento à impugnação, por julgamento datado de 9 de abril de 2015, pela DRJ São Paulo/SP, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. COOPERATIVA. REGIME DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. OBRIGATORIEDADE. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 337 5 Não padece de nulidade o despacho decisório ou o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Outrossim, traz argumentos sobre a nulidade do Acórdão da DRJ, que teria deixado de devidamente apreciar a suas preliminares de defesa, além de afirmar existir inovação nos argumentos utilizados pela DRJ para sustentar a desconsideração dos negócios jurídicos praticados. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Contudo, antes de adentrar na argumentação formalizada pela Recorrente, é preciso trazer questão prejudicial para o deslinde da controvérsia, qual seja, o presente Processo de n. 10783.720617/201281 (pedido de ressarcimento de COFINS, relativo ao quarto trimestre de 2009), possui relação de conexão com seis processos, sendo quatro decorrentes de outros pedidos de ressarcimento e dois autos de infração. Com efeito, no recurso da Contribuinte encontrase tópico preliminar ao mérito, no qual salienta que: Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 338 6 O Acórdão recorrido, sobre a questão da reunião de processos, fez constar que todos estavam sendo julgados na mesma sessão, datada 9 de abril de 2015, pela DRJ São Paulo/SP. Não há dúvida, dessarte, da relação de prejudicialidade entre este processo (pedido de ressarcimento) e os processos quatro demais referentes aos créditos (pedidos de ressarcimentos de outros trimestres de 2008 e 2009), bem como com os autos de infração em razão da não homologação das compensações e da cobrança de multa isolada (Processos n. 10783.720897/201316 e 10783.720898/201352) Consultando a situação dos seis processos citados no sítio eletrônico do CARF, temos o seguinte. Todos os processos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP, nos quais o direito creditório está sob julgamento, foram distribuídos para a minha relatoria, quais sejam: 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201. Com relação ao Processo n. 10783.720897/201316, tratase de auto de infração lavrados para a cobrança das contribuições PIS e Cofins não recolhidas, relativos ao 4ª trimestre de 2008 e todo o ano de 2009, decorrente da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios, sob apreciação nos cinco processos citado no parágrafo acima. Lá encontrase todo o arcabouço probatório utilizado para fundamentar todos os processos relacionados. Ocorre que este Processo (auto de infração) foi objeto da Resolução n. 3101000.408, no sentido de reconhecer a vinculação dos casos, determinando que restasse sobrestado aguardando o resultado definitivo dos Processos 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/2012 81 e 10783.720613/201201 (ressarcimentos), para a aplicação no julgamento do auto de infração. Entretanto, o relator que propôs tal resolução não se encontra mais no quadro de conselheiros do CARF, de modo que inevitavelmente o processo deverá ser objeto de redistribuição. Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 339 7 Quanto ao Processo n. 10783.720898/201352, lavrado para a exigência de multa isolada, ele encontrase ainda pendente de distribuição no CARF. Pois bem. Este Colegiado vem entendendo que o julgamento do auto de infração é prejudicial, vinculando os processos de ressarcimento dos mesmos períodos de apuração ao que nele for decidido. Nesse sentido cito os seguintes acórdãos 3402003.120, 3402003.121 e 3402003.122, em 23/06/2015, relatados pelo Conselheiro Jorge Freire e ementados nos seguintes termos: COMPENSAÇÃO VINCULAÇÃO AO LANÇAMENTO O destino da compensação vinculase ao decidido no processo cujo objeto é o lançamento do IPI que glosou os créditos que foram compensados refazendo a escrita do IPI e lançando eventual saldo devedor. Assim, invalidado o lançamento, que abarca o período de apuração do crédito compensado, por decisão do CARF, em decorrência restituise o crédito à escrita fiscal e homologase a compensação feita com arrimo naquele. Tal entendimento compatibilizase com o da Administração Tributária, pois vai ao encontro do que consigna a Portaria RFB n. 1668, de 29 de novembro de 2016 a qual "dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (RFB)". Vejase seu artigo 3º: Art. 3º Serão juntados por apensação os autos: I – do recurso hierárquico relativo à compensação considerada não declarada, do lançamento de ofício de crédito tributário e da multa isolada decorrentes da mesma DCOMP. II – de exclusão Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de exigência de crédito tributário relativo às infrações apuradas no Simples Nacional que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo da forma de pagamento simplificada; e de possíveis lançamentos de ofício de crédito tributário decorrente dessa exclusão do sujeito passivo em anoscalendário subsequentes que sejam constituídos contemporaneamente e pela mesma unidade administrativa; III – de indeferimento de pedido de ressarcimento ou da não homologação de DCOMP e do lançamento de ofício e da multa isolada deles decorrentes, conforme o caso; e IV de pedidos de restituição ou de ressarcimento e de Declarações de Compensação (DCOMP) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. Resolvendo o problema da distribuição e julgamento de processos que, embora conexos/decorrentes, não foram apensados na sua origem, o Regimento Interno do CARF assim dispõe: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 10783.720617/201281 Resolução nº 3402001.174 S3C4T2 Fl. 340 8 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. Portanto, com base nas citadas normas, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência para determinar que os processos que se encontram sem relator ou aguardando distribuição (10783.720897/201316 e 10783.720898/201352) sejam a mim enviados, para julgamento conjunto com os cinco processos decorrentes de pedido de ressarcimento que já se encontram sob minha relatoria. Ademais, o Processo n. 10783.720897/201316 deve passar a ser considerado como principal, e os Processos n. 10783.720898/201352, 10783.720614/201247, 10783.720615/201291, 10783.720616/201236, 10783.720617/201281 e 10783.720613/201201 devem ser a ele apensados. Feito isso, tendo em vista a prevenção desta Relatora, todos os processos retornem para que seja dado prosseguimento à apreciação do presente recurso voluntário e seu julgamento pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. É como voto. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 1342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000728/2005-82
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004
MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE.
A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF-Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009.
O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIF-Papel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004 MULTA REGULAMENTAR. DIF PAPEL IMUNE. A falta e/ou o atraso na apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune a tributo DIFPapel Imune, pela pessoa jurídica obrigada, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na Lei nº 11.945/2009. O órgão ad quem deve examinar a questão posta nos limites do pedido recursal e não pode piorar a situação do recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 28 /2 00 5- 82 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 239 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 340100.245, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte no sentido de reduzir a multa aplicada para R$ 15.000,00 por DIF não entregue. Transcrevo a ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2004 a 30/06/2004 A multa pela falta da entrega da DIFPapel imune incide uma única vez, sendo a autuação de R$ 15.000,00 por DIF não entregue. Recurso provido em parte. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que a multa pela falta da entrega da DIFPapel imune deveria ser calculada em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls.183 e 184. O sujeito passivo também interpôs Recurso Especial, cujo seguimento foi negado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 219 e 220), e confirmado em Reexame de Admissibilidade pelo Presidente Substituto da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 221 e 222), por falta de prequestionamento da matéria. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (despacho de admissibilidade às fls. 183 e 184). Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 240 3 A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIF Papel Imune, apresentando como paradigma o Acórdão 20218.446. Enquanto o acórdão recorrido entendeu pela aplicação da multa pela falta da entrega da DIFPapel imune com incidência única, no valor máximo de RS 15.000,00 por DIF não entregue, no acórdão paradigma foi mantida a multa aplicada pela fiscalização no valor total correspondente ao número de meses por atraso na entrega de cada declaração, tal como regulamentado pela legislação pertinente. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da quantificação da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 241 4 Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede o contribuinte, não são permitidas a este corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 242 5 No entanto, a Lei nº 11.945/2009, trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19515.000728/200582 Acórdão n.º 9303004.955 CSRFT3 Fl. 243 6 § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Entretanto, estamos diante de uma singularidade, pois a aplicação da nova legislação pioraria a situação do recorrente, ferindo de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus, visto que a interpretação dada ao art. 57, I, da MP nº 2.15835 de 2009, pelo acórdão vergastado, impõe uma multa de R$ 15.000,00 por DIF Papel Imune em atraso, enquanto a nova legislação prevê uma multa de até R$ 5.000,00 pelo mesmo fato. Resta evidente que a aplicação da nova legislação diminuiria o valor da multa. Diante do exposto, tendo em vista que a aplicação da nova legislação feriria o princípio citado, não há como modificar a base legal do auto de infração, mantendo a interpretação dada pelo acórdão reclamado. Portanto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000082/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS.
Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito.
Numero da decisão: 1301-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da senhora Cláudia Maria Teles, e negar provimentos aos demais recursos voluntários. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da senhora Cláudia Maria Teles, e negar provimentos aos demais recursos voluntários. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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INTERPOSTAS PESSOAS. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário da senhora Cláudia Maria Teles, e negar provimentos aos demais recursos voluntários. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 00 82 /2 00 9- 03 Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.220 2 Relatório DISTRIBUIDORA SOUSA GOMES LTDA E OUTROS, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 689 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente e manteve os lançamentos. Do Lançamento Segundo o Auto de Infração e Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 1/83, 84/97), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento de Imposto de Renda, Contribuição Social, PIS e COFINS no total de R$3.295.661,71, considerando juros e multa de ofício qualificada e agravada (225%) foram: (a) Omissão de receitas da revenda de mercadorias com emissão das respectivas notas fiscais, sem escrituração fiscal/contábil e declaração à Secretaria da Receita Federal do Brasil.Os valores decorrentes da omissão de receitas foram obtidos em decorrência de circularizações efetuadas junto aos compradores de mercadorias da fiscalizada e estão discriminados na PLANILHA DEMONSTRATIVA DE VENDAS — (b) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores apurados conforme Requisição sobre Movimentação Financeira (RMF) junto aos bancos nos quais a fiscalizada mantinha contascorrentes, cujos créditos foram conciliados, identificados e excluídos o os recebimentos e os créditos remanescentes foram objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 01 de 2810512009 para que a contribuinte comprovasse a origem dos valores creditados/depositados nestas contas. As planilhas anexadas a este Termo de Intimação são partes integrantes e indissociáveis deste Auto de Infração. Segundo o TVF, ainda, foram considerados como responsáveis tributários as seguintes pessoas: ROMEU COSTA TELLES, VINÍCIUS CESAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 668/672 e 674/677, que aduziu os seguintes argumentos: às fls. 668/672, de Cláudia Maria Teles, na qual (i) protesta pela nulidade do procedimento fiscal aduzindo que os depoimentos foram prestados sob pressão, sendo fruto de coação e intimidação moral, e ainda pela falta de transparência do Fisco na apuração dos fatos, uma vez que dois dos procuradores mencionados no Termo de Verificação Fiscal, apesar de movimentarem contas bancárias e emitir cheques em nome da fiscalizada não foram intimados para informar a origem dos valores apresentados nos Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.221 3 extratos bancários; (ii) sustenta que o lançamento tributário em nome da impugnante é improcedente, pois não possui capacidade para produzir o fato gerador tributário. às fls. 674/677, de Washington de Sousa e Vinícius Cezar Gomes Matias, na qual contestam a sujeição passiva como devedores solidários, sustentando a improcedência do lançamento fiscal porque (i) o Fisco nada provou nesse sentido; (ii) as declarações tomadas de Cláudia Maria Teles não podem ser consideradas como prova eis que arregimentadas mediante uso de coação psicológica; (iii) pessoas que efetivamente exerceram atos de administração não constaram do presente processo. Em julgamento realizado em 30 de novembro de 2011, a 1ª Turma da DRJ/JFA, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 0927 366, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE COAÇÃO. VÍCIO DE CONSENTIMENTO. Não havendo comprovação nos autos de que houve vício de consentimento, não procede a preliminar suscitada nesse sentido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTAS PESSOAS. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e jurídicas que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, deve a responsabilidade tributária recair sobre essas pessoas que se beneficiaram do ilícito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Claudia Maria Teles, na condição de sócia apresentou recurso voluntário às fls. 705 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Da Preliminar Nulidade do procedimento Fiscal Coação Moral e Intimidação; Da Preliminar Nulidade do procedimento Fiscal Falta de transparência do Fisco na apuração dos fatos Imparcialidade Afronta aos princípios Constitucionais do Devido Processo Legal e da Isonomia; Do mérito: Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.222 4 Da incapacidade para atuar como empresária Incapacidade para produzir fato gerador apto a ensejar responsabilidade pelo recolhimento do tributo; Os responsáveis Washington de Sousa e Vinícius César Gomes Matias apresentaram recurso voluntário em peça única, de fls. 712 e ss, onde alegam: Ausência do interesse comum. Recebi os autos, por sorteio, em 29/11/2017. É o relatório. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.223 5 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte, e os responsáveis solidários, ROMEU DA COSTA TELES, e VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, WASHINGTON DE SOUSA foram autuados para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tendo seu lucro arbitrado, relativos aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, totalizando o crédito tributário de R$3.295.661,71, incluindo multa de ofício qualificada e juros de mora. Eles foram cientificados do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimados ao recolhimento dos débitos em 10/12/2009, 14/12/2009 e 21/12/2009 (AR às fls. 700, 701, 702, 703 e 704), e apresentaram em 08/01/2010, recursos voluntários, juntados às fls. 705/711 (Claudia, na qualidade de sócia) e fls. 712/715 (Washington e Vinícius). No que tange ao Recurso Voluntário apresentado pela Sra. Claudia Maria Teles, em que pese ser sócia da empresa contribuinte, ressaltese que não foi arrolada como responsável tributária quando do lançamento, de tal forma que seu recurso não merece ser conhecido. Aqui, ressaltese que ROMEU DA COSTA TELES não apresentou impugnação, bem como não apresentou recurso voluntário, já tendo se tornado revel. Os demais recursos são tempestivos e atendem às demais formalidades legais, portanto deles conheço. Segundo o TVF, a contribuinte foi selecionada por constar em DIPJ de terceiros como tendo efetuado vendas a eles, possuindo movimentação financeira incompatível, e por ter informado valores superiores decorrentes de vendas à Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, já que na DIPJ constava como zero, nos anoscalendários de 2004 a 2006 e ter omitido em 2007, conforme abaixo: Em procedimento fiscal, verificouse que a empresa não operava no local indicado em seus cadastros junto à RFB. Houve a tentativa de intimação dos sócios da época da fiscalização, porém, sem êxito, eram devolvidos como "mudouse" ou "endereço inexistente". Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.224 6 Em diligência aos domicílios tributários das sócias, constatouse que no endereço da sócia CLÁUDIA MARIA TELES funciona atualmente a Câmara Municipal da cidade e no endereço da outra sócia MARIA GORETI TELES, o número não existe. Posteriormente localizadas em suas respectivas residências, elas foram ouvidas, termos de declaração às fls. 605/608, Claudia informou que foi procurada anos atrás por um tal de Luiz (posteriormente identificouse que um dos fuindadores da empresa era Luiz Carlos Vieira da Silva) para que assinasse documentos de empresas de ROMEU TELES, que lhe foi oferecido dinheiro em troca. Como precisavam de mais uma pessoa, chamou sua irmã, MARIA GORETI, e assinaram declarações/documentos em cartório e no escritório de WASHINGTON DE SOUSA (outro fundador da empresa). Declarou, ainda, que nunca fez declaração de DIPF, sempre entregou de isento. MARIA GORETI, por sua vez, declarou que sabe que é sócia da empresa pois assinou papéis a pedido da irmã, mas desconhece o teor delas, disse que trabalha como empregada doméstica. Conforme se apurou, diversos foram os sócios da empresa: Diversos procuradores também foram nomeados ao longo dos anos, MAURO ANTÔNIO DA COSTA TELES, sua esposa MARIA ISABEL ALVES LIMA, posteriormente, ROMEU DA COSTA TELES, e VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, WASHINGTON DE SOUSA conforme abaixo: Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.225 7 Assim, eles foram intimados a apresentar diversos documentos relacionados à empresa bem como apresentaram declarações. VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, foi um dos donos da empresa, até 12/06/2003, depois foi nomeado procurador, e disse que nunca se utilizou da procuração, porém, foi apurado que mesmo excluído do quadro societário, em 01/09/2006, assinou com WASHINGTON DE SOUSA, fiador, contrato de aluguel da sala que seria a sede da empresa. Já MAURO ANTÔNIO DA COSTA TELES, afirmou que foi apenas um preposto para comprar gados para a empresa e sem acesso a documentos. MARIA ISABEL ALVES LIMA, esposa de Mauro afirmou que foi procuradora da empresa a pedido de seu marido, que era preposto da empresa, e seria ele quem saberia "das coisas". A fiscalização apurou que entre os anos de 2004 e 2005, ambos exerceram os poderes lhes outorgados, emitindo diversos cheques, movimentando cerca de R$3.738.489,71 (45,44% do total da movimentação financeira do período). ROMEU DA COSTA TELES, afirmou que apesar de ser procurador da empresa não teve acesso aos documentos solicitados. A fiscalização constatou, porém, que ele foi o maior operador das contas bancárias, aparecendo como procurador em todas as contas mantidas pela empresa, emissor de cheques de altos valores e ter procurações com prazos de vigência indefinidos e com amplos poderes. WASHINGTON DE SOUSA, também informou não possuir a documentação solicitada. Segundo Maria Goreti, seria ele quem havia fornecido o local para assinatura dos Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.226 8 documentos, foi fiador e principal pagador das obrigações do contrato de locação da sala, além de sóciofundador da empresa. Todos eles foram intimados a esclarecer a origem dos valores creditados/depositados nas contascorrentes, bem como as vendas que foram informadas por terceiros. A maioria respondeu não possuir condições de informar os dados solicitados. Ou não responderam. Assim, procedeuse no lançamento tributário, conforme planilha, em que se demonstrou os depósitos nas contascorrentes cujas origens não foram comprovadas, excluídos aqueles identificados como recebimento pelas vendas efetuadas. Diante da não apresentação dos livros e documentos, o seu lucro foi arbitrado, aplicandose a alíquota de 9,6% sobre a receita bruta conhecida. Ademais, diante da real intenção fraudulenta, qualificouse a multa de ofício. Chegouse à conclusão também, de que CLAUDIA MARIA TELES e MARIA GORETTI TELES são pessoas interpostas fraudulentamente a fim de acobertarem as transações realizadas por ROMEU DA COSTA TELES, VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS, WASHINGTON DE SOUSA, que possuíam procurações com poderes amplos e gerais para administrar o estabelecimento, inclusive abrir, movimentar contas bancárias, tratar de negócios em repartições públicas e fiscais, de tal forma que os três foram responsabilizados solidariamente, nos termos do art. 124, I e 135, II e III do CTN. Aqui, ressaltese novamente que ROMEU DA COSTA TELES não apresentou impugnação. Os demais responsáveis solidários apresentaram impugnação, porém não contestaram o mérito. CLAUDIA MARIA TELES, na condição de sócia apresentou impugnação e recurso voluntário. Como já mencionado, não mereceu conhecimento suas razões. Aqui, ressaltese que o crédito tributário foi constituído em relação à empresa Distribuidora Sousa Gomes Ltda, na condição de contribuinte, conforme definido no parágrafo único do art. 121, inciso I, do CTN. Entretanto, conforme Termo de Constatação n° 01 (fl. 131), a empresa não opera no endereço constante no banco de dados da Receita Federal do Brasil, razão pela qual a fiscalização encaminhou o Auto de Infração para o endereço da sócia, contudo não a arrolou como responsável solidária, conforme se depreende do item " IV" do Termo de Verificação Fiscal. No mérito mais uma vez nada foi mencionado. Assim, mantémse o lançamento. Quanto aos responsáveis tributários VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA, apresentaram recurso voluntário em conjunto, alegando em síntese que não foi demonstrado o interesse comum, nos termos do art. 124, I do CTN, e que as Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.227 9 declarações obtidas de Claudia e Maria Goreti "ao que tudo indicam" foram obtidas mediante coação. Ora, conforme relatado acima, a fiscalização logrou êxito ao demonstrar que de fato Claudia e Maria Goreti se tratam de interpostas pessoas, "laranjas". Tratamse de pessoas simples, conforme a situação financeira demonstrada através de fotos, inclusive. Assim, o trabalho prosseguiu na persecução dos sócios de fato, chegando nas pessoas de ROMEU DA COSTA TELES, VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA, estes dois últimos, os sóciosfundadores, que se retiram da sociedade, transferindo as cotas às interpostas pessoas, porém mantémse na administração da empresa, como procuradores, com amplos e gerais poderes, movimentando as contas e emitindo cheques. Concluindose, por fim, que a interposição de pessoas teve o objetivo de se eximirem da cobrança dos tributos não recolhidos de forma dolosa. A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, constante do dispositivo que qualifica a multa de ofício, na Lei nº 9.430, de 1996, caracterizou: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Art . 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. § 1º Se idênticas as infrações e sujeitas à pena de multas fixas, previstas no art. 84, aplicase, no grau correspondente, a pena cominada a uma delas, aumentada de 10% (dez por cento) para cada repetição da falta, consideradas, em conjunto, as circunstâncias qualificativas e agravantes, como se de uma só infração se tratasse. (Vide DecretoLei nº 34, de 1966) (Grifou se.) Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10972.000082/200903 Acórdão n.º 1301002.849 S1C3T1 Fl. 1.228 10 Os valores ao final omitidos, ao longo de anos, estão abaixo demonstrados: Assim, de se manter a responsabilidade tributária dos três: ROMEU DA COSTA TELES, VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário apresentado pela Sra. Claudia Maria Teles, conhecer dos Recursos Voluntários apresentados por VINÍCIUS CEZAR GOMES MATIAS e WASHINGTON DE SOUSA, e no mérito NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19396.720018/2014-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
REEMBOLSO DE DESPESAS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO.
Os valores oriundos de reembolso de despesas, quando o seu pagamento for responsabilidade da própria pessoa jurídica reembolsada, devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, na acepção ampla atribuída pelo art. 1º da Lei nº 10.637/02.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-006.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Érika Costa Camargos Autran não votou quanto ao conhecimento e quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Valcir Gassen em sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO Recorrentes BRASDRIL SOCIEDADE DE PERFURAÇÕES LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 REEMBOLSO DE DESPESAS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. Os valores oriundos de reembolso de despesas, quando o seu pagamento for responsabilidade da própria pessoa jurídica reembolsada, devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, na acepção ampla atribuída pelo art. 1º da Lei nº 10.637/02. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Érika Costa Camargos Autran não votou quanto ao conhecimento e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 18 /2 01 4- 67 Fl. 3405DF CARF MF 2 quanto ao mérito do recurso, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Valcir Gassen em sessão anterior. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3401 003.035, de 25/01/2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 LANÇAMENTO/DECISÃO DRJ. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, os defeitos que inquinam o lançamento e a decisão administrativa são a lavratura ou expedição por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte, bem assim, a inobservância dos requisitos mínimos relacionados naquele diploma legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 REEMBOLSO DE DESPESAS/RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. Os valores oriundos de reembolso de despesas/recuperação de custos devem ser incluídos na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, por se qualificarem como receita, segundo a acepção ampla atribuída pelo art. 1º, in fine, da Lei nº 10.637/02. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2010 Fl. 3406DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.406 3 MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre o montante referente a multas, em lançamento de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Irresignada, a PFN suscita divergência quanto à incidência ou não dos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício à Taxa Selic. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 9101002.209 e 9303003.385. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 3214/3217. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 3314/3329). Também aviou recurso especial, por meio do qual insurgese contra a inclusão, na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, dos valores oriundos do exterior a título de reembolso de despesas e recuperação de custos. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 3402001.912. Negado seguimento ao recurso e agravada a decisão, o presidente deste Conselho reformoua, admitindo o apelo apenas quanto ao reembolso de despesas. Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 3314/3329). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Conforme demonstrado, os acórdãos recorrido e paradigmas adotaram entendimento divergente para a mesma matéria: a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. No mérito, como se sabe, a matéria é de apreciação frequente nesta Turma, que vem adotando a tese da incidência dos juros de mora sobre todo o crédito tributário lançado, de conseguinte abrangendo, também, a multa de ofício, conforme definido no Acórdão nº 9303002.400, de 15/08/2013, de relatoria do Conselheiro Joel Miyazaki, cujos fundamentos transcrevemos e adotamos como razão de decidir: A matéria trazida à apreciação deste colegiado restringese à incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. A decisão recorrida afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece prosperar, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, aí incluídos aqueles decorrentes de penalidades, senão vejamos. Fl. 3407DF CARF MF 4 A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente, conforme o § 1º do art. 113 do CTN. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória: § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Paralelamente, o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, indubitavelmente, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Conforme palavras do ilustre conselheiro Henrique Pinheiro Torres: “Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, o que se verá será, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. “ Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica é que a penalidade é crédito tributário. Passamos agora a verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. A norma geral, estabelecida no art. 161 do Código Tributário Nacional, dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 3408DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.407 5 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A par dessa norma geral, para não deixar margem à dúvida, o legislador ordinário, estabeleceu que os créditos decorrentes de penalidades que não forem pagos nos respectivos vencimentos estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que transcrevo abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em suma, temse que o crédito tributário, independentemente de se referir a tributo ou a penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse sentido, temse que incide juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Assim, é de se dar provimento ao recurso especial interposto pela PFN. Por seu turno, o recurso especial apresentado pela contribuinte foi admitido, em sede de agravo, apenas quanto à inclusão, na base de cálculo do PIS/Pasep não cumulativo, dos valores oriundos do exterior a título de reembolso de despesas decorrentes de contratos de manutenção e operação de embarcações utilizadas na exploração de petróleo. Para melhor elucidar a questão, passamos a reproduzir excertos do voto condutor do acórdão recorrido, na parte que se refere à matéria litigiosa (o voto vencedor tratou apenas da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício): Nessa toada, o cerne de debate recai na incidência do PIS/Pasep não cumulativo sobre os reembolsos de despesas/recuperação de custos, no caso vertente, consistentes na reposição, pelas afretadoras estrangeiras, dos valores despendidos pela autuada na manutenção e outros custos vinculados à operação das embarcações afretadas pelas concessionárias (Petrobrás e OGX) exploradoras de blocos petrolíferos, que na concepção do recorrente configurariam singelo ingresso de caixa, não caracterizável como “receita”. Fl. 3409DF CARF MF 6 Por conveniente, transcrevo o art. 1º da Lei nº 10.637/2002, que define a base de cálculo da contribuição: (omissis) Nessa toada, compõem a base de cálculo da contribuição, nas letras do preceptivo, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, o que revela a amplidão do conceito de receita almejado pela norma, encontrandose as exclusões taxativamente relacionadas no texto. Poderseia então afirmar que a pretensão do recorrente esbarraria na ausência de previsão legal, como decidido no Acórdão 330101.428, exarado em 24/04/2012, verbis: “Ao contrário do entendimento da recorrente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, não prevê a exclusão das receitas decorrentes de recuperação das despesas da base de cálculo da Cofins. Segundo este diploma legal, a base de cálculo desta contribuição é a receita total auferida pela pessoa jurídica com as exclusões expressamente elencadas, assim dispondo: (...) Conforme se verifica deste dispositivo legal, as receitas decorrentes de recuperação de despesas não estão elencadas dentro daquelas passíveis de exclusão da base de cálculo da Cofins.” De minha parte, entendo que o conceito de receita lá mencionado melhor se ajusta ao conceito normalmente admitido em contabilidade, consoante o qual se qualificaria como tal quaisquer valores recebidos e/ou a receber que aumentem os ativos ou reduzam os passivos, oriundos do exercício das atividades da pessoa jurídica, podendo ser citado como exemplos as receitas ativas com vendas, prestação de serviços, juros ativos, receitas com aluguéis, etc., e dentre os valores redutores das obrigações, os descontos obtidos e as variações cambiais ativas verificadas em contas passivas. Este é o conceito amplo de “receitas” adotado pelo International accouting Standards Board, através do Framework for the preparation and presentation of Financial Statements. No Brasil, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, por intermédio do Pronunciamento Técnico CPC 30, assim expõe o conceito de “receita”: (omissis) Nesta linha intelectiva, irrefragável reconhecer que os reembolsos de despesas e as recuperações de custos são considerados, no momento de sua percepção, receitas e, por conseqüência, submetemse à tributação pelo PIS/Pasep não cumulativo. (g.n.) Já o acórdão paradigma igualmente tratou do reembolso de despesas, residindo a dessemelhança apenas no fato de que este evento jurídicotributário envolvera pessoas jurídicas que compunham o mesmo grupo econômico: Fl. 3410DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.408 7 “No caso sob análise, a impugnante desenvolveu um sistema de apuração, custeamento e rateio de despesas que permite a alocação e recuperação dessas despesas junto às empresas do mesmo grupo econômico, sem a emissão de notas fiscais ou de notas de débito dos valores correspondentes. As despesas mencionadas são assumidas pela impugnante (empresa centralizadora), que contrata os empregados, os serviços e disponibiliza a estrutura material, compartilhando o uso destes com as demais empresas ligadas, prestandolhes, assim, um serviço. O rateio de custos foi formalizado por meio de Convênios de Rateio de Custos Comuns celebrados entre a impugnante e outras empresas do grupo, conforme modelo anexo à Circular Normativa Permanente HF26 (fls. 78 a 84). Esses convênios previam o rateio de custos relativos à estrutura material e de pessoal nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais (sistema de computadores) e recursos humanos. Às fls. 61 e 62 encontrase o detalhamento das atividades abrangidas pelos convênios de rateio de custos comuns.” (g.n.) A diferença, todavia, não inviabiliza, a nosso juízo, o conhecimento do recurso. Afinal, tratase da mesma matéria: reembolso de despesas. Antes de enfrentar o mérito, porém, e para melhor elucidar a questão que impõe decidirse, reproduzimos os seguintes parágrafos do Relatório de Fiscalização de fls. 33/60: Fl. 3411DF CARF MF 8 Fl. 3412DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.409 9 Como se vê, a Recorrente foi contratada pela PETROBRAS (e outra) para promover a importação de embarcações por esta afretadas a empresas sediadas no exterior, bem como as suas partes e peças, ferramentas e equipamentos de manutenção e, finalmente, para realizar a sua própria operação (serviços de perfuração, avaliação, complementação e/ou manutenção e intervenção em poços de petróleo e gás natural, localizados na plataforma continental brasileira, obtenção de licenças junto às autoridades marítimas, entre outras). Paralelamente, a Recorrente celebrou contratos comerciais com as mesmas empresas estrangeiras proprietárias das mesmas embarcações afretadas, contemplando a prestação de serviços administrativos de apoio às atividades de afretamento e o reembolso das despesas incorridas na contratação de fornecedores relacionados a tais afretamentos e com a aquisição de mercadorias destinadas à manutenção, ao reparo e à operação dessas embarcações. Assim, a operação é, por contrato firmado com a PETROBRAS, realizado pela Recorrente, mas algumas de suas despesas seriam posteriormente reembolsadas pelas empresas estrangeiras. A Recorrente, portanto, figura em posições contratuais distintas, cada qual contemplando direitos e obrigações: uma decorre do contrato firmado com a PETROBRAS; a outra, com as empresas estrangeiras, contemplando, neste último caso, o direito ao reembolso de despesas. A propósito do tema, e conforme o nosso entendimento, o chamado "reembolso de despesas", a depender do contexto em que instituído, deve ou não ser contabilizado pela empresa que o recebe como receita. Isso porque, quando a responsabilidade de determinadas despesas é da própria empresa que presta o serviço, a obrigação tributária pelo pagamento do PIS sobre os valores reembolsados – que decorre de lei –, não pode ser afastada sob o argumento de que caberia à parte contratante fazêlo (a parte que promoveu o seu reembolso, mediante simples relação contratual). A comprovação deste fato, obviamente, vai depender das provas carreadas aos autos, da natureza da própria despesa e da atividade realizada. Exemplifiquemos com o caso da prestação de serviços advocatícios. O pagamento das custas do processo não cabe ao escritório de advocacia, uma vez que estas são, como se sabe, responsabilidade do autor da demanda, conclusão que não se aplica, por exemplo, ao gasto com o combustível utilizado no veículo pertencente ao estagiário que irá acompanhar a tramitação do feito ajuizado. O mesmo sucede com a agência de turismo, cuja receita não corresponde ao preço da passagem aérea ou das diárias de hospedagem, mas apenas à comissão que aufere na intermediação entre a companhia aérea e a rede hoteleira e o seu cliente. Fl. 3413DF CARF MF 10 Aqui, contudo, a responsabilidade pelas despesas decorrentes do contrato firmado pela Recorrente com a PETROBRAS é, inequivocamente, como visto, dela própria, ainda que posteriormente tenham sido, na integralidade, reembolsadas pelas empresas estrangeiras proprietárias das embarcações. Esse é o motivo pelo qual tais valores deveriam ter sido oferecidos à tributação pelo PIS, uma vez que, no regime não cumulativo, o faturamento corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (arts. 1º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). E nem se diga que os valores assim recebidos equivaleriam a uma prestação de serviços ao exterior, como a própria Recorrente contabilmente reconheceu, tanto que os escriturou na condição de reembolso de despesas, não como prestação de serviços, motivo pelo qual é também absolutamente equivocado pretender lhes atribuir uma isenção sobre os valores reembolsados (isenção na prestação de serviços ao exterior; o art. 5º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003). Conforme destacado no voto condutor do acórdão recorrido, a fiscalização constatou que os valores reembolsados pelas afretadoras estrangeiras foram contabilizadas na conta denominada “Receitas de Custos Intercompanhia”. Muito embora tenham composto o lucro operacional da Recorrente, não integraram, nos mesmos períodos da autuação, a base de cálculo do PIS. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, doulhe provimento. E conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3414DF CARF MF Processo nº 19396.720018/201467 Acórdão n.º 9303006.228 CSRFT3 Fl. 3.410 11 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Pediuse vista dos presentes autos para análise da matéria relativa à inclusão dos valores relativos à recuperação de custos e despesas incorridos no contrato de afretamento na base de cálculo do PIS não cumulativo. Nos contratos de prestação de serviço, é comum haver o reembolso de despesas suportadas pela contratada para a execução da sua obrigação contratual. Para ser considerado legítimo e sem quaisquer incidências de tributos, é imprescindível que os valores reembolsados, por previsão legal ou contratual. sejam de titularidade da pessoa jurídica que contratou o serviço no caso a Petrobrás e tenham sido pagos pela contratada Brasdril. São gastos de terceiro, portanto, e não da própria contratada. Por outro lado, na hipótese de as quantias recebidas como reembolso de despesas serem atreladas ao próprio custo do serviço prestado estará configurada a receita, e por conseguinte a incidência do PIS nãocumulativo. No caso dos autos, conforme destacado pelo Ilustre Conselheiro Relator, a Petrobrás e Brasdril celebraram Contratos de Prestação de Serviços, em que a Brasdril comprometese a "realizar a importação das embarcações afretadas diretamente pela Petrobrás junto às empresas estrangeiras, bem como das partes, peças, ferramentas e equipamentos destinados à manutenção, ao reparo e à operação das referidas embarcações". Além disso, a Brasdril celebrou com as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobrás dois contratos: (1) um contrato de prestação de serviços, no qual se comprometeu a prestar serviços administrativos de apoio às atividades de afretamento e (2) outro contrato de reembolso de despesas, em que as Afretadoras se comprometeram a reembolsar à Brasdril pelas despesas incorridas na contratação de fornecedores relacionados ao objeto de afretamento, bem como na aquisição de mercadorias destinadas à manutenção, reparo e operação das embarcações. Tendo em vista que o afretamento era objeto do contrato entre a Brasdril e a Petrobrás, depreendese que as despesas, ainda que reembolsadas pelas afretadoras, eram inerentes à prestação do serviço, razão pela qual se incluem na base de cálculo do PIS. Por estas razões, acompanhouse o Relator com relação à negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte e, divergiuse, com relação ao recurso especial da Fazenda, para também negar provimento, por se entender pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 3415DF CARF MF
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Numero do processo: 16004.720383/2013-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SÃO J. DO R. PRETO 8ª R.F, para fins de: 1) disponibilizar nos autos o teor dos arquivos indicados às fls. 1976 a 1982; e 2) consolidar os valores da presente autuação, segregando-os por modalidade de apuração da base de cálculo, isto é, (i) VTM dos arts. 136 e 137 do RIPI/02 e (ii) arbitramento do art. 138 do mesmo RIPI..
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência junto à DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SÃO J. DO R. PRETO – 8ª R.F, para fins de: 1) disponibilizar nos autos o teor dos arquivos indicados às fls. 1976 a 1982; e 2) consolidar os valores da presente autuação, segregandoos por modalidade de apuração da base de cálculo, isto é, (i) VTM dos arts. 136 e 137 do RIPI/02 e (ii) arbitramento do art. 138 do mesmo RIPI.. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 38 3/ 20 13 -6 9 Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.403 2 1. Relatório: Por bem representar os fatos, adoto o relatório do Acórdão recorrido, até aquele ponto: 1.1 DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Tratase de auto de infração lavrado em 21/08/2013 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP (fl. 2.157 e seguintes), em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – nº 08128002012000259, para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 2.825.622,02, acrescido de juros de mora no valor de R$ 857.477,72, multas de ofício proporcional de R$ 4.238.433,06 e isolada de R$ 17.859,72 referente a IPI não lançado com cobertura de crédito, ambas no percentual de 150%, o que totalizou crédito tributário de R$ 7.939.392,52, na data da autuação. O crédito que está sendo exigido neste processo diz respeito ao estabelecimento matriz, CNPJ nº 61.082.426/000207, localizado na cidade de Barueri/SP. Foi apontado no auto de infração que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos tributados com inobservância do valor tributável mínimo entre estabelecimentos interdependentes. Fazem parte do auto de infração os demonstrativos do cálculo de juros de mora e multa de ofício, e devida fundamentação legal, bem como a planilha de reconstituição da escrita fiscal do IPI e o Termo de Descrição dos Fatos (TDF) de fls. 2064 a 2152, que a seguir será sintetizado. A empresa Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A, doravante designada “Cosmed”, é fabricante de medicamentos alopáticos para uso humano, cosméticos e produtos alimentícios (Código da Atividade Econômica CNAEFiscal n° 2121101), tributada sob a forma do Lucro Real – Anual, e tem por objeto uma vasta gama de produtos e serviços. A origem da empresa decorre das seguintes operações, no âmbito do grupo econômico Hypermarcas: outubro de 2008: Hypermarcas S/A, CNPJ nº 02.932.074/000191, doravante denominada “Hypermarcas”, adquiriu a empresa Niasi Indústria de Cosméticos Ltda., CNPJ 61.082.426/000126, bem como a comercial atacadista a ela vinculada – Aprov Comercio de Cosméticos Ltda., CNPJ 08.098.571/000112. A denominação social de Niasi foi alterada para Hypermed Industrial Ltda. Em dezembro de 2008, Aprov foi incorporada à Hypermarcas. 2009: Foi mudada a denominação social de Hypermed Industrial Ltda para Cosmed Industrial Ltda. e alterado o estabelecimento matriz para o CNPJ 61.082.426/000207, localizado em Barueri/SP. A seguir a empresa foi transformada em sociedade anônima, passando a denominarse Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A . Essa denominação foi alterada em 11/05/2009 para Hypermed Indústria Farmacêutica S.A. e novamente alterada para Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S/A, em 01/06/2009. Na seqüência, em 30 de junho de 2009, houve a cisão parcial da Hypermarcas , com incorporação do acervo cindido pela Cosmed, e, ato contínuo, a Hypermarcas incorporou a totalidade das ações ordinárias da Cosmed, que se tornou sua subsidiária integral. O acervo cindido, incorporado na Cosmed referese aos ativos relativos à fabricação de medicamentos e cosméticos, industrializados nas fábricas situadas nas cidades de São Paulo (estabelecimento Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.404 3 oriundo da aquisição, pela Hypermarcas, da empresa FARMASA – Laboratório Americano de Farmacoterapia S/A – CNPJ 61.150.819/000120, em dezembro de 2008) e Barueri (estabelecimento oriundo da aquisição, pela Hypermarcas, da empresa DM Farmacêutica Ltda – CNPJ 67.866.665/000153, em outubro de 2007). Relata o autuante que no 1º semestre de 2009, antes da transferência dos ativos industriais oriundos das empresas adquiridas e incorporadas pela Hypermarcas, a Cosmed industrializava os produtos anteriormente produzidos pela Niasi em Taboão da Serra/SP, sendo a quase totalidade das vendas feita à Aprov e à Hypermarcas e uma parte ínfima a terceiros, conforme demonstrativo a fl. 2069. A análise destas transações aponta que os preços praticados nas vendas da Cosmed às referidas empresas ligadas foram significativamente inferiores aos adotados nas vendas para os demais clientes (terceiros), conforme consolidado na planilha de fl. 2070 e seguintes. Referidos preços são também muito inferiores aos preços de revenda dos mesmos produtos praticadaos pela Hypermarcas com seus clientes, o que levou ao entendimento de que teriam sido feitas por valores subfaturados. No 2º semestre de 2009, após a transferência dos complexos industrias oriundos da incorporação da DM Farmacêutica e FARMASA para a Cosmed, a quase totalidade das vendas desta foram feitas à Hypermarcas, igualmente, em valores considerados subfaturados. O item 2 do TDF dá conta de que a autuada foi intimada a apresentar a composição dos preços de seus produtos, e que após reiteradas intimações, apresentou os custos de fabricação dos produtos industrializados pela matriz e filiais, sem informar os custos financeiros, de venda, administração e publicidade, o lucro normal e demais parcelas, individualizados por produto. Tais parcelas foram totalizadas por estabelecimento, enquanto as despesas operacionais, especialmente com propaganda e marketing foram concentradas na Hypermarcas, quando o correto seria a contabilização direta por meio de contabilidade integrada de custos ou indireta, utilizando critério objetivo de rateio. Também foram intimadas as empresas Aprov e Hypermarcas, bem como comerciais atacadistas, com vistas à verificação dos preços praticados em operações com a autuada, sendo realizadas as comparações que constam no TDF. Diante da circunstância de que os estabelecimentos envolvidos pertencem a empresas integrantes do mesmo grupo econômico, a fiscalização considerou que o remetente (interessado neste processo) e o destinatário dos produtos (Hypermarcas) mantêm relação de interdependência, em face do disposto no art. 520 do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002 (art. 612 do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010. De acordo com o art. 24 do RIPI/2002, a Cosmed é contribuinte do IPI, por ter industrializado referidos produtos. Não existe no Regulamento previsão de equiparação a industrial, da Hypermarcas. Assim, a tributação do IPI nas operações entre as empresas integrantes do grupo econômico está concentrada na indústria. Segundo o art. 136 do mesmo Regulamento, nas operações entre empresas interdependentes deve ser observado um valor mínimo tributável, o qual não pode ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. De acordo com o autuante, a inobservância do valor tributário mínimo também repercutiu no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, uma vez que os produtos farmacêuticos, de perfumaria, toucador ou higiene pessoal estão sujeitos à incidência concentrada/monofásica. Esse procedimento ainda teria possibilitado o aumento da margem de lucro da adquirente, caracterizando uma Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL) da Cosmed para a Hypermarcas, cujos efeitos, em relação ao IRPJ e CSLL teriam sido amenizados mediante a concentração de despesas Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.405 4 operacionais na controladora, além da realização de incorporações de companhias, adquiridas com ágio, a ser utilizado para reduzir o pagamento de tributos, o que consistiria em planejamento tributário ilícito. Em decorrência das conclusões desta ação fiscal, foram formalizados autos de infração para exigir os tributos PIS, COFINS, IRPJ, CSLL (processo administrativo 16004720.395/201393) e IPI (processos administrativos 16004.720383/201369 e 16004.720382/201314). Aponta a fiscalização que esse planejamento evidencia a inobservância dos princípios constitucionais da capacidade contributiva, isonomia, neutralidade da tributação em relação à competição e da solidariedade social, além de contrariar a lei, por ter sido praticado com atos ilícitos (abuso de direito) e de forma delituosa (crime contra a ordem tributária), caracterizando verdadeira evasão fiscal. O procedimento adotado pelo grupo empresarial e seus dirigentes teria resultado em modificação das características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas, estando caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação das penalidades impostas, consoante artigos art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996, e alterações da Lei 11.488/2007, bem como os arts. 71,72 e 73 da Lei 4.502/1964. 1.1.1 APURAÇÃO DO IPI DEVIDO PELO ESTABELECIMENTO FILIAL LOCALIZADO EM TABOÃO DA SERRA/SP De acordo com as notas fiscais de venda, no 1º semestre de 2009, período que antecede a transferência dos ativos industriais oriundos das empresas adquiridas e incorporadas pela Hypermarcas DM Farmacêutica e FARMASA, a quase totalidade das vendas da Cosmed foi feita à Aprov e à Hypermarcas, sendo que o preço dos produtos vendidos à Aprov equivale à cerca de 32% do preço que esta pratica nas vendas aos demais clientes (valor de mercado) e à cerca de 30% do preço dos produtos vendidos pela própria Cosmed a terceiros. Ou seja, os preços que esta pratica com terceiros é 324% superior ao transacionado com a Aprov. No 2º semestre de 2009 os complexos industriais oriundos das empresas DM Farmacêutica e FARMASA foram transferidos para a Cosmed, e quase que a totalidade das vendas da Cosmed foi feita à Hypermarcas. Da mesma forma que no semestre anterior, o preço dos produtos vendidos para a empresa ligada Hypermarcas equivale à cerca de 33% do preço que esta pratica no mercado atacadista e à cerca de 30% do preço dos produtos vendidos pela própria Cosmed a terceiros. Portanto, o valor que a Cosmed pratica em relação a terceiros é 329% maior do que o praticado com a Hypermarcas. A autuada foi intimada a detalhar o custo de fabricação dos produtos vendidos para a Aprov e Hypermarcas, porém as informações prestadas não refletiram os valores unitários praticados, nem os valores declarados em DIPJ. Também foi apontado pelo autuante que em relação ao segmento de medicamentos existem um preço mínimo de fábrica (PF – Preço de Fábrica), a ser praticado pelas empresas produtoras e importadoras ou distribuidoras e um Preço Máximo ao Consumidor (PMC), controlados pela Secretaria Executiva da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos – CMED. No presente caso, o PF não é o praticado pela Cosmed, mas sim pela Hypermarcas, conforme detalhado a fls. 1967 e amostragem no item 5.14 do TDF. Para fins de apuração do valor tributável mínimo a ser considerado nas operações entre a Cosmed e empresas interdependentes, nos termos do art. 136 do RIPI/2002, foi realizada pesquisa junto ao mercado atacadista da praça remetente (Taboão da Serra e Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.406 5 Barueri) com o objetivo de verificar o preço corrente de produtos com as mesmas características e especificidades dos produtos de referência elencados pela fiscalização, conforme detalhado no item 6 do TDF. Tendo em vista que parte dos produtos produzidos pela Cosmed não possuíam similares vendidos pelas atacadistas na praça do remetente, e que também não foi possível tomar como base de cálculo o custo de fabricação acrescido dos demais custos, apresentados pelo contribuinte, em relação a estes, o valor foi arbitrado de acordo com o art. 138 do RIPI/2002. Tendo em vista que os preços praticados pela Hypermarcas e Aprov representavam os preços de mercado, foram considerados como preço médio nos principais mercados nacionais. As alíquotas utilizadas foram as mesmas adotadas pela Cosmed nas notas fiscais de venda, exceto quanto aos produtos “preparações capilares (gel)” classificados pelo contribuinte no código 3307.2090 do Decreto nº 6.006/2006 Tabela de Incidência do IPI – TIPI/2007, então vigente, tributado com alíquota de 7%. Entende a fiscalização que a classificação correta seria no código 3305.9000 – outras preparações capilares, tributado à alíquota de 22%. A diferença entre o IPI apurado pela fiscalização e pelo contribuinte para os períodos de julho a dezembro de 2009 corresponde a R$ 1.698.754,51. Tal diferença repercute na escrita fiscal, motivando sua reconstituição até julho de 2011, tendo em vista que nesse mês foi apurado saldo devedor de IPI, conforme detalhado no item 7 do TDF. 1.1.2 APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA À vista do disposto nos artigos 153 e 154 da Lei 6.404/1976, bem como artigos 1.011 e 1.016 da Lei 10.406/2002 Código Civil Brasileiro, e nos art. 124, inc. I e 135 do CTN, foi imputada responsabilidade solidária tributária à Hypermarcas S.A. e aos senhores Márcio Roberto Marques dos Santos (CPF 189.273.21812), Regina Célia Barros Dias (CPF 522.822.52772), Juarez Ênio Dahmer (CPF 411.004.84000) diretores da Cosmed – senhores Cláudio Bergamo dos Santos (CPF 101.110.68843), Nelson José de Mello (CPF 130.110.22100), Martim Prado Mattos (CPF 221.793.328 07), Carlos Roberto Scorsi (CPF 030.408.15822), Alexandre Augusto Olivieri (CPF 157.441.60817) – diretores de Hypermarcas – e Sr. João Alves de Queiroz Filho, CPF 575.794.90820 (Principal acionista e Presidente do Conselho de Administração de Hypermarcas), conforme Termos de Sujeição Passiva que se encontram nos autos. Tendo em vista que o montante do crédito tributário sob responsabilidade do sujeito passivo ultrapassa trinta por cento do Total do Ativo declarado em 31/12/2012, foi formalizado Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (processo administrativo 16004.720403/201300), com fundamento nos arts. 64 e 64A da Lei 9.532/1997 e art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.171/2011 e alterações. Também foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, objeto do processo administrativo nº 16004.720402/201357. A empresa autuada e os sujeitos passivos solidários apresentaram impugnações tempestivas que serão a seguir sintetizadas. 1.2 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA COSMED 1.2.1 PRELIMINAR DE NULIDADE Aponta a nulidade do auto de infração, em síntese, pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário, à vista do art. 142 do CTN e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa pois não teriam sido juntadas as planilhas com as Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.407 6 memórias de cálculo que demonstrariam as vendas consideradas efetuadas abaixo do valor mínimo tributável, bem como a quantificação do valor lançado. Alega que vários trechos do TDF contém menção às planilhas juntadas aos autos, mas ao consultar as folhas referidas deparouse apenas com a relação destas, que não teriam sido juntadas ao processo, conforme demonstrativo que elabora a fl. 2.898, o mesmo ocorrendo com as notificações enviadas e respondidas por empresas atacadistas. Dessa forma, não seria possível identificar os valores que o agente fiscal considera corretos quando comparados com os praticados pela impugnante. Alega que a falta de motivação ou motivação insuficiente do lançamento acarreta sua nulidade. Considera que o Termo de Descrição dos Fatos não registra a efetiva busca pela verdade material, pois não haveria a comprovação dos elementos que justifiquem a desconsideraração dos preços praticados pela empresa, nem foi intimada para justificá los. Também não é possível verificar a correção do valor tributável mínimo indicado pelo agente fiscal, nem estariam demonstrados os critérios que levaram à escolha dos estabelecimentos atacadistas intimados, nem de que cobrem todo o mercado atacadista da praça da impugnante. Muitos deles, inclusive, não atuariam somente no mercado atacadista, ou localizamse em municípios diversos. Além disso, apenas parte dos estabelecimentos intimados teria respondido à fiscalização, e, ainda assim, não constariam no processo todas as planilhas apresentadas, do que se conclui que o auto de infração se basearia em afirmações e presunções, não amparadas na busca pela verdade material. Tanto que o fiscal utilizou informações relativas a outros tributos, presentes em DIPJ, ao invés de valerse das informações constantes nos documentos relativos ao IPI , como Notas Fiscais, por exemplo. Apesar de a auditoria ter durado aproximadamente 18 meses, o IPI não teria sido objeto de questionamentos específicos. Tal prova, emprestada, não poderia ser utilizada na instrução do caso em análise. Como será demonstrado a seguir, o alegado planejamento teria propósito negocial, não mantendo qualquer relação com o IPI. Resta também prejudicada a defesa da impugnante, diante do foco do TDF, que seriam questões relativas à apuração de receitas, despesas e lucros, matéria relevante para apuração dos demais tributos, mas não do IPI, cuja legislação prevê a hipótese de empresas interdependentes realizarem operações entre si, o que teria sido desconsiderado. Haveria, nesse caso, clara ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. 1.2.2 MÉRITO Alega inicialmente que a autuada Cosmed e Hypermarcas operam de forma independente, e nas transações entre elas devem ser observadas as disposições dos arts. 136 e 137 do RIPI/2002, cujo fundamento é o art. 15 da Lei 4.502/1964, no que tange ao valor tributável mínimo. Esclarece que os estabelecimentos da Cosmed industrializam medicamentos, cosméticos e produtos de higiene pessoal, ao passo que a Hypermarcas atua no ramos de revenda e distribuição de produtos de marcas de grande reconhecimento popular, que são de sua propriedade, industrializados por terceiros, inclusive estabelecimentos da Cosmed, havendo a transferência de titularidade de um produto sem marca, da impugnante para a Hypermarcas, que realizaria os esforços relativos à sua venda, inclusive atribuição da marca. Fl. 3953DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.408 7 O arbitramento para o valor de produtos que, no entender do agente fiscal, não teriam similares vendidos pelas atacadistas da praça remetente, com base no art. 138 do RIPI/2002, teria sido utilizado como medida sancionatória. Não estaria comprovado que os documentos e as informações prestadas pela autuada não merecem fé ou desvirtuam a realidade das operações efetuadas, tendo o agente fiscal extraído conclusões a partir da própria percepção de mercado, sem intimar a impugnante para efetuar as devidas comprovações. Cita doutrina e jurisprudência amparando seu posicionamento. Os custos de produção apurados pelo Agente Fiscal com base na DIPJ não corresponderiam à realidade, uma vez que foi disponibilizado o custo médio de produção, sem considerar as variações de inventário, as provisões de perdas prováveis, os descartes de materiais, entre outras variações de estoque que compõem o valor informado na Ficha 04A da DIPJ. Os valores de custos apresentados se refeririam exatamente ao valor discriminado na conta contábil 5110103 Custo de Venda Produtos Coligadas/Controladas do balanço da Impugnante, transmitido através do Sistema Público de Escrituração Digital Sped Contábil, que totaliza R$ 215.814.674,72 (duzentos e quinze milhões oitocentos e quatorze mil seiscentos e setenta e quatro reais e setenta e dois centavos), o qual não contempla as variações citadas, as quais incluem custo de produção própria e custo de produtos revendidos, R$ 247.440.260,71. Esse equívoco apontaria uma diferença inexistente de quase R$ 9 milhões, relativos a custos de revenda. Se a comparação considerasse a Linha 21 (Custo dos Produtos de Fabricação Própria Vendidos), seria verificada uma diferença de no máximo R$ 21 milhões, o que torna desproporcional e não razoável a adição de pelo R$ 350 milhões na base tributável do IPI, ou mais de 1500% (mil e quinhentos) por cento do valor da suposta diferença de custo levantado. A alegação de subfaturamento nas operações entre a impugnante e a Hypermarcas, não estaria amparada em qualquer elemento de prova, nem teria sido utilizado critério claro, razoável, e proporcional e previsto em lei para determinar o valor tributável correto. A documentação colocada à disposição da fiscalização permitiria apurar os valores das operações realizadas pela impugnante e, embora esta pudesse arbitrar apenas os custos das operações realizadas, optou por arbitrar o preço total de tais operações, considerando, para tanto, os valores médios praticados pela Hypermarcas nas vendas para terceiros, o que não tem previsão legal. Quanto aos produtos em relação aos quais foi aplicado o art. 136, inc I do RIPI/2002, também não teria sido observada a legislação de regência, nem se pode verificar a exatidão dos cálculos da fiscalização, pelos seguintes motivos: não é possível apurar se foram intimadas todas as empresas que comporiam o mercado atacadista da praça da impugnante, nem se os preços informados na resposta à intimação correspondem aos efetivamente praticados por elas, quais foram os períodos das vendas informadas, além de poderem estar incluídos neles o valor do ICMS, PIS e Cofins; os preços praticados pela própria Cosmed não foram computados no cálculo do preço médio, o que contraria o posicionamento firmado no Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, que transcreve, e cujo efeito seria vinculante; o cálculo da fiscalização se vale de informações prestadas por empresas localizadas em praças distintas daquela em que se localiza a impugnante, conforme relacionado no documento 05, anexo à impugnação. Além disso, algumas delas não atuam apenas no comércio atacadista, pelo que o critério de seleção pelo CNAE informado no cadastro CNPJ seria impróprio, pois muitas pessoas jurídicas possuem Fl. 3954DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.409 8 CNAE principal e CNAEs secundários, como demonstra com dados obtidos da JUCESP relativos às empresas intimadas pelo autuante. Ressalta que apenas parte das empresas intimadas teriam encaminhado respostas à fiscalização. Invoca o item 6.1 do Parecer Normativo CST n° 44/1981 e o Ato Declaratório Normativo CST n° 5/1982, que transcreve; não teriam sido consideradas as mercadorias perfeitamente individualizadas, existindo diferenças entre as marcas dos produtos comercializados pela impugnante e pelas empresas atacadistas, além de não ser possível verificar se detém a mesma qualidade; de acordo com os itens 5.2 e 5.7 do TDF foram considerados dados e informações relativas a um terceiro estabelecimento da Cosmed (antiga FARMASA), localizado em São Paulo, o qual além de situarse em praça diversa não mantém relação com o presente auto de infração. Quanto à classificação fiscal dos produtos “preparações capilares (gel)” argumenta que seriam breves e superficiais as razões apontadas pelo fisco, sendo nula e inválida a acusação de que a impugnante teria utilizado classificação fiscal incorreta, cabendo ao fisco o ônus de comprovar a incorreção alegada, à vista do art. 142 do CTN. Defende a classificação no código 3307.20.90 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sob o argumento de que referidos produtos consistem em desodorante capilar, por possuir em sua composição a substância denominada Triclosan, antibactericida que atua na pele (couro cabeludo) e não propriamente no cabelo, sendo responsável pelo efeito desodorisador, conforme laudos técnicos que anexa (doc. 06 – fls. 3.283/3.307). Informa que diante da alegação de que teria havido planejamento tributário, contratou elaboração de parecer econômico pela empresa LCA Consultores (doc. 07), acerca da caracterização dos setores de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ("HPPC") e de medicamentos, e sua estrutura organizacional à luz da teoria econômica e das experiências internacionais. Esclarece que o agente fiscal teria se equivocado ao deixar de levar em conta a atividade de terceirização que, seguindo padrão adotado mundialmente, viria sendo implementada pela indústria brasileira do setor desde a década de 50, como seria o caso das empresas que cita. Define terceirização como sendo “a prática das sociedades detentoras de marcas registradas (que desfrutam da credibilidade do mercado) em se concentrar nas suas atividades fins (objeto social) e repassar para "terceiros" aquelas atividades fabris e de produção (não essenciais), que podem ser delegadas com baixos custos e altos padrões de qualidade”. O mercado de produção sob encomenda, no qual atua a COSMED, tem oportunidades de lucro relacionadas, sobretudo, com redução de custos fixos e variáveis de produção enquanto o de comercialização, no qual atua a Hypermarcas, tem potencial de ganho relacionado com ferramentas de propaganda, marketing e distribuição. A terceirização de serviços para produção de bens do mercado de HPPC está regulamentada pela Resolução – RDC nº 176/06, da Anvisa, além de ser reconhecida formalmente pela legislação tributária, como no caso do da Lei 7.798/1989 e Regulamento do IPI, bem como o art. 464 do RIR/1999, que determina regras para as operações realizadas entre partes vinculadas, estabelecendo que o valor de venda não pode ser notoriamente inferior ao valor de mercado sob pena de se caracterizar a DDL. Discorre sobre o plano de negócios da Hypermarcas, iniciado pela aquisição da empresa Prátika Industrial Ltda., detentora da marca Assolan, em 2001, prosseguindo com a aquisição de diversas outras companhias até o ano de 2009, as quais Fl. 3955DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.410 9 encontravamse em estágios evolutivos de negócios diferentes, gerando desafios também diferentes quanto a sua gestão. A cisão dos parques fabris situados em Barueri e em São Paulo, que foram conferidos à Cosmed, representaria mais um passo em direção da terceirização, política do Grupo Hypermarcas préexistente ao período fiscalizado, e que continua em vigor até os dias atuais, adotada também frente a empresas não pertencentes ao grupo. A escolha pela segregação das unidades industriais teria ocorrido em função dos estabelecimentos envolvidos e não do tipo de tributação dos produtos, além da necessidade de os estabelecimentos industriais cindidos da Hypermarcas possuírem sinergia entre si e com a estrutura de produção da Impugnante. Também foi considerada a grande dificuldade que terceiristas autônomos tradicionais enfrentariam para absorver um aumento de demanda de forma tão abrupta, além dos aspectos regulatórios próprios dos produtos em questão. No caso de medicamentos, o registro do produto junto ao Ministério da Saúde deve obrigatoriamente pertencer ao produtor, mesmo que o nome fantasia do produto pertença a um terceiro. Por decorrência, para os medicamentos, a única forma de a Hypermarcas realizar seu plano de negócios de dedicarse exclusivamente à atividade comercial seria mediante terceirização junto a empresa do próprio grupo econômico. Tudo isso se refletiria em perda de produtividade e grande aumento de custo, afetando a competitividade da companhia, e gerando um risco real de desabastecimento do mercado. Atualmente, quase todos os parques fabris da Hypermarcas teriam sido transferidos à Cosmed. A evolução da terceirização da produção das mercadorias do portfólio da Hypermarcas pode ser verificada nas fichas 6A das DIPJ referentes aos períodos a partir de de 2008. A representatividade dos produtos terceirizados (revenda de mercadorias), estaria crescendo não só em valor absoluto, mas também na proporção com o total de receitas, passando de 24,8% no ano de 2008, para 84,4% na DIPJ referente ao segundo semestre de 2012. Assim, grande parte dos produtos comercializados não estariam incluídos no regime monofásico quanto às contribuições citadas, o mesmo se verificando em relação ao IPI, o que torna insubsistente a alegação de planejamento tributário. Ademais, de acordo com as DIPJ anexas, a Hypermarcas S/A viria apurando prejuízos fiscal ano após ano, não existindo economia no que se refere ao IRPJ e à CSLL, e caso as atividades da impugnante fossem consolidadas com as da controladora, não haveria saldo a pagar desses tributos. Ou seja, ao contrário do apontado pelo agente fiscal, a não segregação das atividades industrial e comercial geraria um benefício tributário. Ressalta que, contrariando o entendimento do AFRFB tal forma de concentração de despesas não seria dolosa. Contesta a análise comparativa dos índices de lucro bruto da impugnante com 62 outras pessoas jurídicas, alegando que pelas informações do TDF aparentemente referemse a somente um dos setores de atuação da Hypermarcas. Observa que, de acordo com o apontado, sua margem bruta seria muito próxima de sua principal concorrente, Provider (sendo inclusive um pouco maior). Também não se pode falar em subfaturamento, situação em que o valor registrado na contabilidade do contribuinte é inferior àquele praticado pelo mercado, presumindose que a diferença entre o valor efetivamente escriturado e àquele praticado pelo mercado foi mantida à margem da contabilidade. Os preços praticados nas vendas da impugnante para a Hypermarcas tem amparo legal, foram efetivos, reais e seriam compatíveis com os praticados no setor de HPPC e de medicamentos, além de serem suficientes para arcar com todos os custos incorridos pela impugnante na fabricação, não havendo de se falar qualquer conduta ilícita e abusiva. Fl. 3956DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.411 10 Haveria confusão no tópico 5.14 do TDF com respeito ao que foi intitulado "Preço Mínimo de Fábrica PF", pois o que é estabelecido pela CMED é o Preço Máximo de Fábrica e não ao contrário. De fato, a justificativa para esse tipo de controle, é proteger os consumidores sobre possíveis abusos praticados pelas distribuidoras de medicamentos. Ocorre que Hypermarcas S/A apenas pratica um preço próximo àquele fixado pela CMED nas operações em que realiza justamente porque detém a propriedade das marcas dos medicamentos que distribui. Como seria prática corrente nesse setor operações a indústria "terceirista" vende o medicamento para o detentor da marca sem esse valor agregado, para então ser vendido ao consumidor final respeitando o Preço Máximo de Fábrica. Por fim, embora as contribuições ao PIS e à COFINS não sejam objeto do presente auto de infração, argumenta que as opções fiscais de tratamento tributário para o regime monofásico seriam facultadas pelo ordenamento jurídico e colocadas à disposição dos contribuintes para que fossem seguidas, não existindo nenhum tipo de vedação legal à segregação de atividades pelos grupos econômicos atuantes nos mercados de HPPC e medicamentos, com o recolhimento dessas contribuições sob o regime monofásico pela unidade que fabrica os seus produtos vendidos e à alíquota zero na unidade que os comercializa. O fato de a Hypermarcas ter auferido vantagem com a estrutura societária implementada não justifica a imputação de suposto abuso de direito, e ainda que se considerasse a existência de planejamento tributário, o que se admite a título argumentativo, é certo que todos os limites impostos para a implementação deste "planejamento" teriam sido efetivamente cumpridos. Indevida Cobrança da "Multa Agravada" Ausência de "Fraude Penal" Não estaria comprovada qualquer prática dolosa pela Impugnante, não se caracterizando a fraude, sonegação ou conluio necessários à imposição da multa agravada no presente caso. Tanto é assim que a impugnante levou a registro todos os atos societários relacionados à operação; prestou todas as informações ao Fisco Federal, por meio das declarações e obrigações acessórias bem como apresentou todos os esclarecimentos requeridos pela Fiscalização, oferecendo todos os documentos necessários à investigação, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir seu trabalho. Também não se considera que a impugnante possa ter agido em conluio, pois em nenhum momento o agente fiscal fez alegação neste sentido, nem comprovou tal prática por parte da impugnante, o que por si só, já revela imprecisão na tipificação penal. Nesse caso, a interpretação da legislação tributária deve ser feita favoravelmente ao contribuinte, conforme estabelecido no artigo 112 do CTN. Em decorrência, a acusação fiscal seria desproporcional, evidenciando ofensa ao princípio da legalidade tributária, da razoabilidade e da utilidade. Aponta a ilegalidade da cobrança de juros com base na Taxa Selic sobre a multa de ofício, tendo em vista que o o artigo 13 da Lei 9.065/1995, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/1995, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Há que se ter presente a distinção do art. 113 do CTN. Finalizando, requer a declaração da nulidade do auto de infração, ou, alternativamente, quanto ao mérito, seja julgado totalmente improcedente, com o cancelamento da exigência formalizada. Fl. 3957DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.412 11 1.3 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR HYPERMARCAS Inicialmente aponta a nulidade do auto de infração pela ausência de liquidez e certeza do crédito tributário e ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa e pela falta de juntada das planilhas com as memórias de cálculo que fundamentaram as autuações. Não teria sido buscada a verdade material, estando o TDF baseado em presunções, sem que o agente fiscal tenha solicitado esclarecimentos da Cosmed a respeito da diferença de custo. Além disso, o auto de infração teria sido instruído com TDF produzido para outro auto de infração em que a Cosmed figura como autuada, não sendo possível verificar os fundamentos da exigência do IPI. Quanto ao mérito, contesta a alegação de fraude e abuso de direito. O mesmo modelo de negócio adotado pela Hypermarcas seria utilizado por empresas que atuam no mercado nacional e internacional, cujas vantagens e propósito negocial procura demonstrar com parecer da empresa LCA Consultores, anexo à impugnação. A transferência de ativos industriais de Hypermarcas para a Cosmed não teria finalidade de redução de carga tributária, mas sim de adequação à realidade mundial do seu ramo de atuação, sendo que em 2012 mais de 50% da receita da impugnante teria sido tributada com alíquota zero quanto ao IPI. Os preços praticados pela Cosmed estariam de acordo com os riscos e a operação que pratica – terceirização – sendo equivalentes aos praticados por outros terceiristas atuantes no mercado, inclusive com a própria Hypermarcas, como demonstra o citado laudo econômico, que aponta que 37% dos produtos acabados adquiridos pela Hypermarcas em 2009 foram terceirizados por empresas independentes. Contesta o arbitramento do valor tributável do IPI, desconsiderando os custos incorridos pela Cosmed e adotando preço que não seria o usual na praça do contribuinte e não representaria margem usual do mercado em que opera, além de a alegada inconsistência de custo representar, no máximo R$ 21 milhões e não os valores considerados pelo autuante, além de haver divergências quanto ao levantamento do preço de mercado na praça do remetente. Defende a classificação adotada pela empresa para o produto “preparações capilares (gel)” descolorante para cabelo”. Esclarece que o foco da impugnação é demonstrar a improcedência do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sendo que a discussão dos autos de infração está sendo feita na impugnação da Cosmed, que ratifica e reitera. Passa a contestar o Termo de Sujeição Passiva, conforme síntese a seguir. Nesse sentido, alega que o conceito de “interesse comum” presente no art. 124, I, do CTN não se prestaria para atribuir responsabilidade solidária à Hypermarcas, não se confundindo com o “interesse econômico” no resultado do fato gerador, conceito já rechaçado pela doutrina e jurisprudência, que considera que o mesmo teria uma dimensão jurídica. Na seqüência, repete os argumentos dos diretores da empresa, que serão a seguir relatados, ressaltando que o dispositivo em questão não se presta para atribuir responsabilidade solidária entre partes contrapostas de contratos de compra e venda, ainda que se considerasse que os preços praticados seriam inferiores aos de mercado. 1.4 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS DIRETORES DE HYPERMARCAS A impugnação de fl. 2.215 e seguintes, é assinada por representantes dos senhores CLÁUDIO BERGAMO DOS SANTOS, NELSON JOSÉ DE MELLO, MARTIM PRADO MATTOS, CARLOS ROBERTO SCORSI E ALEXANDRE AUGUSTO OLIVIERI. Fl. 3958DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.413 12 Alegam inicialmente que o lançamento seria improcedente, conforme demonstrado na defesa administrativa apresentada pela Cosmed, cujos termos reiteram e ratificam, e que optaram por apresentar defesa conjuntamente porque se encontram em situação análoga e possuem argumentos em comum, e que o foco desta é a demonstração da improcedência dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Solicitam que sejam consideradas as suas razões, a seguir sintetizadas, no caso de serem rejeitados os argumentos apresentados pela autuada. Seria indevida a utilização do art. 124, I, do CTN para atribuir responsabilidade tributária aos impugnantes, na condição de diretores de Hypermarcas, pelos autos de infração lavrados contra a Cosmed. A definição de interesse comum pretendida pelo agente fiscal seria equivocada e rejeitada pela doutrina e jurisprudência. Em sentido jurídico, só haveria interesse comum entre pessoas que realizam conjuntamente o fato gerador da obrigação tributária, todos assumindo a condição direta de contribuinte. Não se pode dizer que a Hypermarcas tenha participado efetivamente da ocorrência do fato gerador, o que só ocorreria se as duas empresas tivessem efetuado, conjuntamente, a venda de produtos para terceiros. Neste caso, não haveria que se falar em venda subfaturada ou distribuição disfarçada de lucros. A propósito, o termo “subfaturado” não teria sido utilizado em sentido técnico (emissão de fatura em valor inferior ao efetivamente praticado), o que caracterizaria simulação. Nesse sentido, observa que a doutrina citada pelo agente fiscal (artigo publicado na RDT n.° 4, de 1978) também não se refere à hipótese dos autos, pois não haveria qualquer situação de fraude. Mesmo que se admitisse, a título de argumentação, a existência de abuso de planejamento tributário, este não seria por meio de ato fraudulento ou simulatório. A existência de diretores em comum entre as duas empresas seria prática legal comumente verificada na maioria dos grupos societários e também não sustentaria a configuração de interesse em comum. Devese esclarecer, ainda, que o Sr. Martim Prado Mattos, diretor da Hypermarcas, só passou a ser Diretor da Cosmed em 30 de abril de 2013. Também não se pode presumir que esses diretores tenham sido economicamente beneficiados pela suposta falta de recolhimento de tributos. Poderia existir, quando muito, interesse meramente econômico entre as duas empresas, porém não se trataria de interesse comum na acepção jurídica. Devem também ser consideradas áreas de atuação específica de cada diretor, bem como as atribuições dos membros do Conselho de Administração, não sendo razoável pensar que todos são diretamente responsáveis pelo cumprimento das obrigações tributárias da empresa. Prosseguem citando doutrinadores como PAULO DE BARROS CARVALHO, JOSE JAYME DE MACEDO OLIVEIRA, SACHA CALMON NAVARRO COELHO, ANDRÉA M. DARZÉ, bem como jurisprudência do CARF e a "Súmula STJ n.° 430 O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." (DJe maio/2010). A responsabilidade dos diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado é regulada pelo art. 135, III, do CTN, cuja aplicação requer a demonstração, de forma individualizada, de infração à lei ou ao contrato social, praticada pessoalmente por esses agentes, o que não ocorreu no presente caso. Ainda assim, esse dispositivo legal só poderia ser usado para atribuir responsabilidade tributária, se fosse ao caso, aos diretores da autuada, e não aos de Hypermarcas, por débitos daquela. Logo, a interpretação dada pelo autuante desconsiderou a personalidade jurídica distinta das duas empresas. Fl. 3959DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.414 13 Citam ainda o art. 2º da Portaria PGFN 180/2010 e o item 11 do Parecer/PGFN/CRJ 1407/2013, no sentido de que o inadimplemento não tem o condão de ensejar responsabilização às pessoas elencadas no art. 135 do CTN. Além disso a Portaria RFB 2.284/2010 estabelece que nas hipóteses de lançamento com pluralidade de sujeitos passivos, os AFRFB deverão reunir provas para caracterização dos responsáveis, cujo vínculo de responsabilidade deverá estar caracterizado na autuação. Tal não teria ocorrido no presente caso, caracterizando inversão do ônus da prova e presunção de fraude, não admitidos no nosso ordenamento jurídico. Sustentam que também não seria aplicável o art. 1.016 do Código Civil Brasileiro, pois em matéria tributária prevalece a disposição específica do art. 135, III, do CTN, que tem status de lei complementar. Mesmo admitindo sua aplicação, a título de argumento, ainda assim, os impugnantes não poderiam ser responsabilizados porque não eram diretores da empresa autuada, nem ficou demonstrado que agiram com culpa no desempenho de suas funções. Da mesma forma, seria inaplicável o art. 117 da LSA, pois os impugnantes não são acionistas “controladores" da empresa Cosmed. Com respeito à desconsideração da personalidade jurídica com fundamento no art. 50 do CC salientam que referido dispositivo não pode ser aplicado em matéria tributária, pois não consiste em lei complementar a que alude o art. 146, III da Constituição Federal. Tal desconsideração só poderia ser determinada pelo juiz, não podendo ser realizada unilateralmente pelo Auditor Fiscal. Para chegar aos administradores da Hypermarcas por meio desse dispositivo, seria necessário primeiro desconsiderar a personalidade jurídica da própria Cosmed, para tratála como mero estabelecimento da Hypermarcas e, a seguir, desconsiderar também a personalidade jurídica da Hypermarcas. Ora, se ambas fossem tratadas como uma única empresa, seria impossível falar de DDL, que não pode existir entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica. Finalizam solicitando o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, e solicitam a produção de todo gênero de provas em direito admitidas. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO SR. JOÃO ALVES DE QUEIROZ FILHO – Presidente do Conselho de Administração de Hypermarcas Inicialmente, repete a alegação de nulidade e os argumentos quanto ao mérito elencados pela empresa Hypermarcas, acima relatados, que ratifica e reitera. Passa a contestar o Termo de Sujeição Passiva, conforme síntese a seguir. Alega que não foi apontado qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei e que não seria o acionista majoritário de Hypermarcas. A empresa Igarapava Participações S.A, da qual é acionista, é que sempre teria feito parte do bloco de controle da Hypermarcas e, mesmo assim, sem ser acionista majoritária, posto que mantinha, no final do ano de 2009, apenas 31% das ações com direito a voto. Além disso, não se pode confundir as competências do Presidente com as do próprio Conselho de Administração. Prossegue repetindo os argumentos apresentados pelos diretores da Hypermarcas, antes relatados, com respeito à aplicação do art. 124, I, do CTN e à existência de “interesse comum”. Quanto à aplicação do art. 135, III, do CTN, informa que jamais revestiu a condição legal de "diretor, gerente ou representante legal" a que se refere esse dispositivo. Teria desempenhado a função de Presidente do Conselho de Administração da Hypermàrcas, nos limites da competência deste, que é de fixar a orientação geral dos Fl. 3960DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.415 14 negócios da companhia, de acordo com o art. 142, inc. I da LSA. De qualquer forma, os membros do Conselho de Administração não estão contemplados no enunciado art. 135, III, do CTN, aos quais o legislador não atribuiu responsabilidade tributária. O cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias é de responsabilidade da área executiva, competindo exclusivamente ao diretor responsável pela área tributária. Ademais, as hipóteses de responsabilidade tributária estão expressamente previstas em lei, não cabendo a utilização de analogia para estendêlas a casos não previstos, por força do disposto no art. 108, § 1º do CTN. Esclarece que os diretores de Hypermarcas são eleitos pelo Conselho de Administração e não individualmente pelo impugnante. A responsabilidade dos sócios é tratada pelo art. 134 do CTN, enquanto que o art. 117 da LSA, que trata da responsabilidade do acionista controlador pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder, tem como objetivo a proteção do interesse dos acionistas minoritários, também não se prestando à imputação de responsabilidade em matéria tributária, por força do art. 146, III, da Constituição Federal. Finaliza solicitando o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária, e a produção de todo gênero de provas em direito admitidas. 1.5 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA SRA. REGINA CELIA BARROS DIAS – DIRETORA INDUSTRIAL DA COSMED Alega que o a atuação como diretora seria restrita ao campo regulatório da divisão de medicamentos da companhia, com vínculo regido através da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT – como comprovado pela cópia da Carteira de Trabalho em anexo. Assim não haveria fundamento jurídico para sua responsabilização, nos termos do art. 135, III do CTN, bem como do art. 117, da Lei nº 6.404/1976, pois a prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato só induz a responsabilidade de quem tenha administrado a companhia, pelo que a solidariedade não se expande aos meros diretores, sem poder de gestão. Salienta que, ao longo de 39 anos de atuação profissional não teria exercido outra atividade senão a de farmacêutica, dentre outras razões, por expresso impedimento legal. Discorre sobre Direito Sanitário, ramo autônomo do direito que tem fonte no art. 24, inc. XII da Constituição Federal e abrange diversas normas legais e infralegais com objetivo de preservar a saúde da população e mitigar riscos sanitários inerentes a certas atividades próprias das sociedades atuais, pautados pelo princípio da segurança sanitária, cujo objetivo é assegurar que referidas normas se concretizem. Esclarece que os medicamentos, as drogas, os insumos farmacêuticos e correlatos, definidos na Lei 5.991/1973, bem como os produtos de higiene, os cosméticos, perfumes, saneantes domissanitários, produtos destinados à correção estética e outros, sujeitamse às normas de vigilância sanitária instituídas pela Lei 6.360/1976, só podendo ser extraídos, produzidos, fabricados, transformados, sintetizados, purificados, fracionados, embalados e reembalados, importados, exportados, armazenados ou expedidos por empresas autorizadas pelo Ministério da Saúde, cujos estabelecimentos tenham sido inspecionados pelas unidades dos Estados ou Municípios em que se localizem. O art. 8º da mesma norma determina que nenhum estabelecimento que fabrique ou industrialize referidos produtos poderá funcionar sem a assistência e responsabilidade efetivas de técnico legalmente habilitado, sendo esse o fundamento das atividades da impugnante, de natureza eminentemente técnica. Destaca que não estaria atuando como administradora ou dirigente da empresa Cosmed, mas sim exercendo a profissão de farmacêutica, ainda que como Diretora Fl. 3961DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.416 15 Técnica, e, por decorrência, achavase submetida às regras do Conselho Federal de Farmácia, que impõem uma conduta estritamente vinculada com a sua área de atuação. Dentro de suas atribuições, no âmbito da legislação sanitária, jamais teria praticado atos que pudessem ser imputados como culposos ou dolosos, o mesmo não ocorrendo em área de seu completo desconhecimento, como a área fiscal. Sequer haveria, nas atas da empresa, registro de sua participação em atividades econômicas ou financeiras. Suas atividades se davam integralmente na área regulatória, em constante comunicação com os órgãos do Ministério da Saúde e da Vigilância Sanitária, como decorrência do disposto na Lei 6.360/1976, arts. 53 a 56. O termo Diretora Técnica ou Industrial seria comumente usado para todos aqueles farmacêuticos ligados à produção e assuntos regulatórios, no referido segmento industrial. Anexa cópias do Estatuto Social e Atas das Assembléias Gerais para comprovar suas alegações. Observa que na qualidade de diretora empregada da Cosmed estava vinculada ao poder da direção administrativa da companhia na prestação dos serviços inerentes à sua área de atuação, só respondendo solidariamente em caso de prejuízos causados em virtude do não cumprimento das normas a ela relativas. Invoca, nesse sentido, o art. 158 da Lei n° 6.404/76, que trata das responsabilidades dos administradores das sociedades anônimas, bem como jurisprudência judicial, no sentido de excluir a responsabilidade tributária de diretor técnico, à vista do art. 135, III do CTN. Finaliza solicitando a anulação do Termo de Sujeicão Passiva Solidária e o reconhecimento de sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo do auto de infração. 1.6 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELOS DIRETORES DA COSMED A impugnação de fl. 2.519 e seguintes, é assinada por representantes dos senhores JUAREZ ÊNIO DAHMER e MÁRCIO ROBERTO MARQUES DOS SANTOS, na qual reiteram e ratificam a defesa apresentada pela empresa autuada e com argumentos idênticos aos dos diretores de Hypermarcas, sustentam que seria indevida a sua responsabilização, solicitando o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva. 1.7 DA DECISÃO RECORRIDA A 2ª Turma da DRJ/POA, no acórdão n. 1049.865, de 30 de abril de 2014, Por unanimidade deliberou por exclui do polo passivo a Sra. Regina Célia Barros Dias, mantendo se, no mais, a autuação, com decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É descabida a alegação de nulidade por suposta preterição do direito de defesa, focalizando Auto de Infração devidamente motivado, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos pertinentes ao caso. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. SAÍDAS PARA ESTABELECIMENTO DE FIRMA INTERDEPENDENTE. INOBSERVÂNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É legítimo o lançamento de ofício de diferenças do IPI, apuradas em relação a saídas de produtos para firma com a qual o remetente mantém relação de interdependência, praticando preços muito inferiores aos de Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.417 16 mercado e sem incluir na base de cálculo do IPI todos os custos e demais elementos previstos na legislação como obrigatoriamente componentes do valor tributável mínimo. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. ERRO. LANÇAMENTO INSUFICIENTE DO IPI NAS NOTAS FISCAIS. Os produtos “gel fixador” e “gel desodorante fixador” para cabelo classificamse no código 3305.9000 da TIPI/2002, tributado com alíquota de 22%. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS. A existência de circunstâncias qualificativas previstas em lei justifica a exigência de multa de ofício no percentual de 150% do imposto que deixou de ser recolhido. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do IPI no prazo legal. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária à empresa integrante do mesmo grupo econômico da autuada, em vista do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária apurada. 1.8 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em sede de recurso voluntário, tanto o Sujeito Passivo principal, COSMED Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. quanto os responsáveis solidários Hypermarcas S/A, Márcio Roberto Marques dos Santos, Juarez Ênio Dahmer, Cláudio Bergamo dos Santos, Nelson José de Mello, Martim Prado Mattos, Carlos Roberto Scorsi, Alexandre Augusto Olivieri e João Alves de Queiroz Filho, compareceram aos autos, apresentando, na essência, os mesmos argumentos da Impugnação, no mais, contrapondose à decisão do colegiado primário. Memoriais foram entregues, na forma procedimental. Nos termos regimental, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência, do que se faz necessário, no momento. Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.418 17 2 Voto: Conselheiro José Henrique Mauri Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais pressupostos para sua interposição, deles tomo conhecimento. Tratase de lançamento "de Ofício" do IPI em razão de que, segundo a fiscalização, a Cosmed, ora Recorrente, Inobservou o Valor Tributável Mínimo, nas vendas para a empresa atacadista Hypermarcas, com quem matem relação de interdependência, nos termos do art. 136 e 137 do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02), com acréscimo de Multa proporcional de 75%, agravada para 150%, nos termos do art. 80, caput e § 6º, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488/07, conforme Auto de Infração de fls. 2153/2174. Consta ainda, no Termo de Descrição dos Fatos (TDF), fundamentos no sentido de que parcela dos produtos autuados tiveram a base de cálculo do IPI apurada com base em arbitramento, nos termos do art. 138 do RIPI/02. 2.1 QUESTÃO PRECEDENTE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Antes de adentrarmos na apreciação das peças recursais, há questão precedente que, se acolhida pelo colegiado, ensejará a conversão do julgamento em diligência, pelos motivos a seguir delineados. O Lançamento Tributário foi formalizado pelo regular Auto de Infração e isntruído pelos demais elementos cosntantes dos autos, especificamente, pelo Termo de Descrição dos Fatos (TDF), dele sendo parte integrante. No caso concreto, o TDF, fls. 2646/2732, foi originariamente elaborado para o detalhamento do resultado de procedimento fiscal levado a efeito junto à Recorrente, onde foram apuradas, pela fiscalização, irregularidades relativas ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI. Desse trabalho fiscal restou caracterizada, segundo a fiscalização, a infração denominada Distribuição Disfarçada de Lucros (DDL), em face de que a Recorrente teria praticado planejamento tributário abusivo, superfaturamento, abuso de direito e, por conseqüência, evasão tributária. Os excertos abaixo transcritos, trazidos do TDF, ilustra, em breve síntese, as conclusões da fiscalização, fruto do procedimento fiscal, como um todo. Excerto TDF, fls. 20912092 (26732674): Como vimos, o “planejamento tributário” levado a efeito pelo grupo Hypermarcas levou à redução/falta de recolhimento de tributos e contribuições (PIS, COFINS, IPI, IRPJ e CSLL), afetando, sobremaneira a livre concorrência no setor econômico de cosméticos e medicamentos. O “planejamento” afetou a neutralidade concorrencial nestes setores econômicos, já que a Hypermarcas começou a atuar em condições privilegiadas. Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.419 18 Isso implica que, a partir do Código Civil, abuso de direito configura indiscutivelmente ato ilícito e, portanto, neste caso não estaremos mais falando de planejamento e elisão tributária; pois teremos desgarrado para a evasão. Ou seja, desde a vigência do Código, abuso de direito implica evasão tributária; não é mais elisão, porque o comportamento estará apoiado em ato ilícito. E a licitude dos atos, conforme já visto, é requisito indispensável para existir verdadeiro planejamento. Portanto, não resta dúvidas de que o grupo Hypermarcas agiu de máfé, com o objetivo preponderante de reduzir sua carga tributária, mediante a redução da base de cálculo dos tributos e contribuições, conforme já relatado neste termo. Aliás, os dirigentes do grupo Hypermarcas, mediante um “planejamento tributário” abusivo implementado, modificaram as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas, incidindo no tipo legal capitulado no art. 72 da Lei n° 4.502 /64 (fraude). Continua a fiscalização, constatando que o Grupo Hypermarcas atuava com desvio de propósito negocial, nas transações entre empresas do grupo, especificamente nas vendas da Cosmed, braço industrial do grupo, para a Hypermarcas, braço comercial atacadista, emergindo ao final uma fraude penal, excerto TDF, fl. 2103 (2685): Conforme exaustivamente demonstrado ao longo deste termo, restou comprovado que os dirigentes do grupo Hypermarcas, mediante um “planejamento tributário” abusivo implementado, modificaram as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas. Portanto, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996. Conclui ainda a fiscalização que "Por todo o exposto, não restou dúvida que o “planejamento” desenvolvido pelo grupo Hypermarcas configurou ato ilícito (por abusivo), não restando outra alternativa à fiscalização senão neutralizar os seus efeitos", fl. 2131final (2713final). Por oportuno, registrese que, o presente processo cuida unicamente da apuração da base de cálculo e do valor devido do IPI. A apuração da base de cálculo do PIS/COFINS e do IRPJ/CSLL foram formalizados no processo 16004.720395/201393, 1 em tramitação no Carf em sede de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional . 1 Por meio do Acórdão 1402002.337, de 5 de outubro de 2016, a 2ª TO da 4ª Câmara da Primeira Seção deliberou o seguinte: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes à inconstitucionalidade. Na parte conhecida, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento aos recursos dos coobrigados para excluílos da relação jurídico tributária e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para: i) cancelar integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL, e, por decorrência, as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas; (ii) cancelar a parcela de crédito tributário relativa às vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica; (iii) restabelecer o direito aos créditos de PIS e Cofins incidentes sobre mão de obra temporária e análise laboratorial; e: (iv) reduzir a multa para 75%; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Por meio do Acórdão 1402002.337, de 5 de outubro de 2016, a 2ª TO da 4ª Câmara da Primeira Seção deliberou o seguinte: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nas questões atinentes à inconstitucionalidade. Na parte conhecida, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento aos recursos dos coobrigados para excluílos da relação jurídico tributária e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para: i) cancelar integralmente as exigências Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.420 19 Em relação ao IPI, no âmbito do TDF, além dos fundamentos originados da Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL), explicitados acima, a fiscalização também caracterizou a inobservância do Valor Mínimo Tributável (VTM) nas vendas efetuadas pela Cosmed, empresa industrial, e Hypermarcas, atacadista, posto que restou caracterizada a interdependência entre elas, nos termos do art. 136 e 137 do RIPI/02. Esses fundamentos, encontramse no item "6" do TDF, fls. 2132final e ss (2715final e ss). Eis as disposições dos artigos em comento: Decreto 4.544/2002 Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso I, e Decreto Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 5ª); II [...]III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 28); [...]§ 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. ...... Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; de IRPJ e de CSLL, e, por decorrência, as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas; (ii) cancelar a parcela de crédito tributário relativa às vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica; (iii) restabelecer o direito aos créditos de PIS e Cofins incidentes sobre mão de obra temporária e análise laboratorial; e: (iv) reduzir a multa para 75%; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.421 20 e II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. [Destaquei] Vêse que a regra do art. 136, I, do RIPI/2002, determina um valor mínimo de base de cálculo (VTM), com base no preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. No caso em apreço, a fiscalização, interpretando o conceito de "praça do remetente", para fins de identificar o preço no mercado atacadista da praça do remetente, nos termos do art. 136 do RIPI/02, entendeu tratarse (praça do remetente) de território limitado à cidade onde se encontra o remetente dos produtos vendidos, no caso, Cosmed em Taboão da Serra e em Barueri. Partindo dessa premissa a fiscalização conseguiu apurar o VTM de parte dos produtos vendidos pela Cosmed à Hypermarcas, isso porque parcela dos produtos era de fabricação e comercialização exclusiva entre as empresas interdependentes, que, no entender da fiscalização, encontravamse em praças distintas, portanto não existiria o preço do mercado atacadista, o que ensejaria a utilização do custo de fabricação com os acréscimos, nos termos do art. 137, do RIPI/02: "A partir da média ponderada mensal dos preços dos produtos revendidos pelas atacadistas (fl. 1976) foi possível a obtenção da base de cálculo do valor mínimo tributável (média ponderada de cada produto relativo ao mês precedente, ou na sua falta, a média correspondente ao mês imediatamente anterior). Contudo, apuramos que muitos produtos produzidos pela Cosmed e vendidos para a Hypermarcas por valores subfaturados, não possuíam similares vendidos pelas atacadistas na praça do remetente (Taboão e Barueri). Ou seja, solicitamos às atacadistas que informassem apenas o preço médio ponderado mensal dos produtos revendidos com as mesmas características e especificidades dos produtos produzidos pela Cosmed. O art. 137, supra, determina que inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, tomarseá por base de cálculo o custo de fabricação acrescido dos demais custos (financeiros, comerciais, administrativos, lucro etc.)." Ocorre que, ainda segundo a fiscalização, o custo do produto vendido (custos diretos e indiretos) é irreal, subfaturado, uma situação artificial criada pelo grupo econômico Hypermarcas apenas para reduzir a base de cálculo do IPI, PIS e COFINS, bem assim o custo de fabricação apresentado à fiscalização é totalmente incompatível com os custos informados em DIPJ. Concluiu o Auditor Fiscal "Ou seja, os custos de fabricação acrescidos dos demais custos não servem de base para fins de apuração do valor mínimo tributável". Pelas razões acima, em relação à parcela de produtos exclusivos, monopolizados, aplicouse o arbitramento previsto no art. 138 do RIPI/02, que assim dispõe: Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.422 21 Art. 138. Ressalvada a avaliação contraditória, decorrente de perícia, o Fisco poderá arbitrar o valor tributável ou qualquer dos seus elementos, quando forem omissos ou não merecerem fé os documentos expedidos pelas partes ou, tratandose de operação a título gratuito, quando inexistir ou for de difícil apuração o valor previsto no art. 133 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 17, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 148). § 1º .Salvo se for apurado o valor real da operação, nos casos em que este deva ser considerado, o arbitramento tomará por base, sempre que possível, o preço médio do produto no mercado do domicílio do contribuinte, ou, na sua falta, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador. [os destaques pertencem ao original, de autoria do Auditor Fiscal] Do suso exposto, depreendese que, em face de não se ter logrado êxito na identificação da "praça do remetente" para a totalidade dos produtos transacionados entre as empresas interdependentes Cosmed e Hypermarcas, a fiscalização acabou por segregar os produtos em dois blocos: (i) os produtos com apuração do VTM, nos termos do art. 136 e 137 do RIPI/02 e (ii) os de produção e comercialização exclusiva entre Cosmed e Hypermarcas, cujo preço a ser considerado como base de cálculo para fins de apuração do IPI foi arbitrado nos termos do art. 138, do mesmo RIPI. "Destarte, nos casos em que os produtos vendidos pela Cosmed à Hypermarcas não possuam um similar (com as mesmas características e especificidade) revendidos pelas atacadistas domiciliadas na praça do estabelecimento da Cosmed (remetente dos produtos), será arbitrada a base de cálculo, de forma a apurar o valor mínimo tributável com base no preço médio do produto, nos principais mercados nacionais, no trimestre civil mais próximo ao da ocorrência do fato gerador." A principal diferença entre os procedimentos (i) e (ii), VTM e arbitramento, é que enquanto para apuração do VTM, nos termos do art. 136 e 137, não há, necessariamente, fraude, tampouco descaracterização dos documentos fiscais ou das próprias transações comerciais, pois o VTM é oriundo da relação de interdependência, legal e legítima; o arbitramento, previsto no art. 138, está consubstanciado, no caso concreto, na constatação da DDL, reflexos portanto da autuação de IRPJ e CSLL, formalizada no processo nº 16004.720395/201393. São enquadramentos legais e fundamentos distintos, com regras, causas e efeitos igualmente distintos. Assim, a segregação promovida pela fiscalização [a nível de TDF] acaba por gerar análises específicas para cada um dos casos, VTM e arbitramento, razão pela qual há que se conhecer o resultado dessa segregação, quantificandose as parcelas dos tributos lançados atribuidas a cada modelo de apuração, sem as quais estaríamos decidindo por valores incertos, o que não se vislumbra como decisão adequada à espécie. Pelos títulos de conteúdo dos arquivos citados nos documentos de fls. 1976 a 1982, presumese que neles, ou em parte deles, se extraiam as planilhas contendo informações acerca dessas segregações realizadas pela fiscalização, contudo referidos arquivos não se encontram disponíveis no eprocesso, para consulta eletrônica, carecendo portanto de saneamento processual, nesse pormenor. Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 16004.720383/201369 Resolução nº 3301000.532 S3C3T1 Fl. 1.423 22 2.2 DISPOSITIVO Com essas considerações, entendo necessária a conversão do presente julgamento em diligência junto à Unidade de Origem, DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SÃO J. DO R. PRETO – 8ª R.F, para fins de: 1. disponibilizar nos autos o teor dos arquivos indicados às fls. 1976 a 1982 e 2. consolidar os valores da presente autuação, segregandoos por modalidade de apuração da base de cálculo, isto é, (i) VTM do art. 136 e 137 do RIPI/02 e (ii) arbitramento do art. 138 do mesmo RIPI. Após a realização da diligência, dêse ciência à Recorrente de seu resultado, facultandolhe apresentar manifestação no prazo regulamentar de trinta dias. É como voto. Conselheiro José Henrique Mauri Fl. 3969DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.720363/2012-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Volutário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Volutário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1659.039 da 1ª Turma da DRJ/SPO, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 72 03 63 /2 01 2- 31 Fl. 111DF CARF MF 2 exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, incisos V , da Lei Complementar nº 123, de 2006. Adicionalmente, e, também, por exploração econômica vedada, no âmbito do Simples Nacional, A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzido o voto: Voto 2. Tempestiva a insurgência. Conhecida. 3. De saída, já se anote que uma das razões pelas quais o pleito de ingresso no Simples Nacional foi recusado se apoiou na existência de débito com exigibilidade não suspensa em face da RFB (art. 17, inciso V, LC nº 123, de 2006), ponto esse não atacado pelo Interessado em sua defesa. Demais disso, extrato tirado dos sistemas eletrônicos dessa Secretaria em 27/03/2012 (fls. 24/25) dá conta da manutenção de tal situação para para os exatos tributos/competências anotados no disputado Termo de Indeferimento (isso, pelo menos, d’um ponto de vista qualitativo, certo que os valores correm diferentes, mas que, de toda forma, restam ainda ativos e inadimplidos). 4. Quanto à motivação remanescente (exploração de atividade econômica vedada no âmbito do Simples Nacional), em mais instruindo os autos, juntou a Delegacia de origem a consideração seguinte, à propósito da documentação juntada pelo Contribuinte: “[...] alega que a alteração contratual foi no prazo, mas no registro na JUCESP consta 03/02/2012, conforme cópia do contrato, portanto fora do prazo para a solução das pendências [...]” (fl. 29). 5. O prazo a que se refere aquela unidade da RFB é o estipulado no § 1º A, inciso I, do art. 7º da Resolução nº 04, de 30 de maio de 2007, expedida pelo Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009, com valência a partir de 24/03/2009 (conforme art. 9º dessa última): Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º. A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, atéseu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13886.720363/201231 Acórdão n.º 1001000.274 S1C0T1 Fl. 3 3 I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) 6. Ou seja, concretamente teria o Interessado até o último dia útil de janeiro/2012 para vencer as pendências antes citadas. Observação: todo Contribuinte que pleiteia o ingresso no regime privilegiado tem acesso, junto ao portal próprio na Internet, à funcionalidade “Acompanhamento de Opção pelo Simples Nacional”, por meio da qual, antes que emitido seja eventual Termo de Indeferimento, possa ele ter a oportunidade de regularizar eventual causa obstativa ao dito regime. 7. O documento juntado às fls. 05/07, que trata, entre outros, de alteração de objeto social, fora protocolado na Jucesp em 24/01/2012, conforme se aprecia em consulta ao sítio eletrônico daquela autarquia estadual (http://www.institucional.jucesp.sp.gov.br/consulta_de_pro cessosresultado.php, consulta feita em 27/05/2014). Disso, 03/02/2012 não é a data em que o Contribuinte levou à cabo, face à Jucesp, a alteração de seu objeto social, como quis crer a DRF de origem. Vide tela abaixo, em que pesquisado o protocolo 0.074.808/126 da Jucesp (aquele assinalado no documentos de fls. 05/07). Também, o “RECIBO” de fls. 08, por remuneração de serviço, guarda a chancela de recepção da Jucesp assim havida no dia 24/01/2012. 8. Portanto, a negativa lançada contra o Contribuinte no questionado Termo de Indeferimento foi vencida. Particularmente, deixaramse os objetos “Administração de cartões de crédito – CNAE 66134/00” e “Corretores e agentes de seguros, de planos de previdência complementar e de saúde – CNAE 6623/00” em favor de (fl. 05): 9. Pelo que se vê, a se dar fé ao tanto anotado no objeto social, ainda sim, continua presente a vedação que se lê na parte final art. 17, inciso XI, da LC nº 123, de 2006: “[...] de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios”, a se realizar, no mínimo, na porção “Recepção e encaminhamento de propostas de fornecimento de cartões de crédito [...]” do novo objeto social. 10. Posto isto, e tudo o mais que dos autos consta, este voto dá por Fl. 113DF CARF MF 4 IMPROCEDENTE O PEDIDO VEICULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator A recorrente apresentou o recurso voluntário em 07/08/2014, 31 dias após ter tomado conhecimento do acórdão, o que ocorreu em 07/07/2014, portanto, 31 dias após ciência, o que contraria o art. 33, do Decreto 70.235/75, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, o recurso é intempestivo e dele eu não conheço. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000926/2010-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 09 26 /2 01 0- 42 Fl. 117DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 16 a 20, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 38.733,12, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$10.651,61, mais juros e multa de oficio . O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 a 07, juntando diversos documentos para evidenciar a prestação do serviço, valor total pago, confirmando o endereço do estabelecimento do prestador e o beneficiário. Insurgese contra as glosas relativas à Unimed (R$ 1.293,12) e aos profissionais: Rafael Ferreira Belo – Fisioterapeuta (R$ 5.000,00), José Luiz Maida Jr – Neurologista (R$ 4.800,00) e Liliana Vieira da Rosa Maida (R$ 7.200,00). Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, que a exigência decorre de mera suposição de irregularidade. Ressalta que, visando dirimir as dúvidas quanto à idoneidade e certeza das despesas médicas, teve o necessário cuidado de obter de cada prestador de serviços médicos uma declaração ratificando a efetiva prestação dos serviços e do pagamento. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, mediante declaração ou novos recibos, reconhecem têlos prestados. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.000926/201042 Acórdão n.º 2001000.119 S2C0T1 Fl. 3 3 Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou diversos recibos dos pagamentos relativos aos supostos tratamentos de odontologia e fisioterapia, com declaração contendo endereço completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução a título de “despesas médicas” na declaração de rendimentos está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringe se aos pagamentos efetuados pelos contribuintes, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto Lei nº 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que os contribuintes podem ser instados a comproválas ou justificálas, deslocando o ônus probatório. Fl. 119DF CARF MF 4 A inversão legal do ônus da prova, do fisco para os contribuintes, transfere para esses a obrigação de comprovação e justificação das deduções; não o fazendo, sofrem as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Nesse contexto, verificando que as deduções são elevadas, cabe ao fisco,por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do Decreto Lei nº 5.844, de 1943. Em relação às despesas havidas com os profissionais Rafael Ferreira Belo – Fisioterapeuta (R$ 5.000,00), José Luiz Maida Jr – Neurologista (R$ 4.800,00) e Liliana Vieira da Rosa Maida odontóloga (R$ 7.200,00), o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento dos referidos gastos, conforme Termo de Intimação Fiscal à fl. 84/85. Em atendimento limitouse a ratificar o conteúdo da sua impugnação e de todos os documentos que a acompanharam, bem como da sua manifestação de 30/03/2012. Como se verifica, a discussão relativa à comprovação de efetivo pagamento é eminentemente relativa à análise da prova colacionada pelo impugnante, matéria em relação à qual à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972..... Nesse sentido, esclareçase que meros recibos e/ou declarações fornecidos pelos supostos prestadores de serviços, porquanto documentos expedidos de forma unilateral, não se prestam à comprovação inequívoca da ocorrência dos fatos neles descritos, sejam os pagamentos, sejam os serviços. Quando muito, podem instrumentalizar uma discussão de direito entre as partes, circunscrita a essa relação privada, efeito também dado pelo art. 320 do Código Civil, não tendo eficácia plena perante terceiros, mormente a Fazenda Pública e, ainda mais, quando se pretende, como no caso, modificar substancialmente a base de cálculo de tributo. Em contrapartida, a exigência de comprovação de efetivo pagamento tem justamente por finalidade a confirmação dos fatos por meio de outros elementos de prova, vale salientar, que sejam independentes de uma simples afirmação de suposta verdade. Portanto, revelase equivocado o entendimento de que os recibos e declarações seriam suficientes e hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Esta não é a correta interpretação do inciso III do § 2º do art. 8º da Lei 9.250, de 1995, base legal do art. 80, do RIR/1999. A indicação de que o recibo deve conter o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço referese apenas aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.000926/201042 Acórdão n.º 2001000.119 S2C0T1 Fl. 4 5 o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo dispositivo legal. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento, mormente quando não constitui prova de transferência de numerário relativo à efetiva prestação de serviço que permita a dedução a título de despesa médica. Assim, é de se manter a glosa das despesas médicas, no montante de R$ 17.000,00, relativas aos profissionais Rafael Ferreira Belo – Fisioterapeuta (R$ 5.000,00), José Luiz Maida Jr – Neurologista (R$ 4.800,00) e Liliana Vieira da Rosa Maida odontóloga (R$7.200,00), por falta de comprovação do efetivo desembolso. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas. Ademais, em sede de recurso, foram juntadas declarações dos profissionais, com todos os dados essenciais à comprovação da prestação dos serviços, corroborando a existência dos mesmos. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias Fl. 121DF CARF MF 6 e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação superficial do lançamento bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720693/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PIS/COFINS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Compete à 3ª Seção do CARF apreciar e julgar litígios administrativos sobre exigência da contribuição para o PIS e da Cofins, exceto quando reflexa do IRPJ, formalizada com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo processo fiscal.
Numero da decisão: 1201-001.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para julgamento do recurso em favor da 3ª Seção do CARF.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Compete à 3ª Seção do CARF apreciar e julgar litígios administrativos sobre exigência da contribuição para o PIS e da Cofins, exceto quando reflexa do IRPJ, formalizada com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo processo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para julgamento do recurso em favor da 3ª Seção do CARF. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 1636.018, exarado pela 7ª Turma da DRJ 1 em São Paulo. Conforme relatado em seu termo de verificação fiscal, a autoridade tributária acusa a contribuinte em epígrafe de não haver oferecido à tributação da contribuição para o PIS e da Cofins no ano de 2007: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 93 /2 01 1- 79 Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 1201001.360 S1C2T1 Fl. 3 2 a) os ganhos líquidos auferidos em razão da alienação das ações que possuía junto ao capital da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A.; b) os ganhos líquidos auferidos por seu sócio majoritário, fruto da alienação das ações da BM&F S.A., adquiridas da contribuinte por meio de planejamento tributário abusivo. Em relação a infração descrita no item "a", explica a autoridade que as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. compõem o ativo circulante da contribuinte, e não o seu ativo permanente, uma vez que no processo de desmutualização daquelas bolsas já estava contratualmente prevista a alienação dessas ações. E como o produto da alienação de bens do ativo circulante representa receita bruta, sobre esta incidem a contribuição para o PIS e a Cofins. No que concerne à infração descrita no item "b", retro, afirma o auditor que a alienação das ações da BM&F S.A. ao sócio majoritário, o Sr. Marcos de Souza Barros, teve como única finalidade evitar/reduzir a incidência dos tributos que seriam devidos ao Erário Público acaso a alienação daquelas ações na IPO da BM&F S.A. fosse realizada diretamente pela pessoa jurídica. Inconformada com a autuação a interessada propôs impugnação ao lançamento, a qual foi julgada improcedente pela DRJ de origem. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário alegando o seguinte: a) preliminarmente, a existência de decisão judicial transitada em julgado nos autos do mandado de segurança por ela impetrado, por meio da qual a Quarta Turma do TRF da 3ª Região, na esteira de julgados do STF, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e, por conseguinte, afirmou que o PIS/Cofins incide apenas sobre a receita auferida com a venda de mercadorias e com a prestação de serviços. E como a ora recorrente exerce a atividade de corretora de títulos e valores mobiliários, apenas as receitas de prestação de serviços de corretagem sofrem incidência daquelas contribuições, não incabível sua incidência sobre os ganhos obtidos com a alienação de ações de sua propriedade, ainda que classificadas no ativo circulante, como pretende a fiscalização; b) no mérito, afirma que não houve abuso de forma ou de direito quando da alienação das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. a seu acionista majoritário, o Sr. Marcos Souza Barros; c) que o parágrafo único do art. 116 do CTN é ineficaz enquanto não for publicada a lei ordinária que estabelecerá os procedimentos a serem observados na desconsideração dos atos ou negócios jurídicos praticados no âmbito de planejamento tributário abusivo. É, portanto, ilegal a desconsideração, promovida pela fiscalização, da alienação das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. ao acionista majoritário; d) não há que se falar em ganho “garantido” pelo acionista Marcos Souza Barros na aquisição das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. junto à ora recorrente. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 1201001.360 S1C2T1 Fl. 4 3 De pronto é importante esclarecer que o presente processo foi levado à apreciação desta Turma na mesma Sessão em que foi julgado o processo nº 16327.720692/201124, também de interesse de Corretora Souza Barros Cambio e Títulos S/A. Naquele processo, tal como nos presentes autos, apreciouse litígio referente à acusação de abusividade na alienação, ao sócio majoritário, das ações que a ora recorrente mantinha no capital da BM&F S.A. Lá, entretanto, o lançamento referiase ao IRPJ e à CSLL, enquanto aqui relacionamse à contribuição para o PIS e à Cofins. Sobre a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais o Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 315/2015, assim estabelece: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; (Grifamos) (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; (...) Nesse sentido, apesar de o lançamento do PIS/Cofins de que cuidam os presentes autos ter sido realizado (ao menos em relação a uma das acusações fiscais) com base nos mesmos elementos de prova a que se refere o lançamento do IRPJ e da CSLL, o fato é que por haver sido formalizado em processo distinto a competência para apreciação do litígio ora sob exame (PIS/Cofins) é da 3ª Seção deste Conselho, e não da 1ª. Pelo exposto, e com base nos aludidos art. 2º, IV, e art. 4º, I, ambos do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 315/2015, voto por declinar da competência para julgamento do presente processo em favor da 3ª Seção do CARF. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 723DF CARF MF Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 1201001.360 S1C2T1 Fl. 5 4 Fl. 724DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.907127/2008-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2005
CSLL .RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento das declarações de IRPJ, ainda que não tenha apresentado declarações retificadoras das DCTF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que, mediante complementação do despacho decisório, adentre-se no mérito, levando em consideração as declarações retificadoras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DIPJ. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento das declarações de IRPJ, ainda que não tenha apresentado declarações retificadoras das DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para que, mediante complementação do despacho decisório, adentrese no mérito, levando em consideração as declarações retificadoras, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 11020.907127/200803 Acórdão n.º 140200.739 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório VIDROSHOPPING INDUSTRIA DE VIDROS LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que confirmou o despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de origem e indeferiu seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Caxias do Sul, através do Despacho Decisório n° 795086290 (fl. 14), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$17.601,54 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 O interessado, cientificado em 17/10/2008 (fl. 66), apresentou, em 24/10/2008, manifestação de inconformidade (fl. 18). Nesta peça, alega, em síntese que houve erro no preenchimento da DIPJ, já retificada. À fl. 65, houve o encaminhamento para esta DRJ, em face da Portaria n° 2.132/2010. A decisão recorrida está assim ementada: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto condutor do aludido acórdão, extraise os seguintes fundamentos: (...) O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o Fl. 121DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 11020.907127/200803 Acórdão n.º 140200.739 S1C4T2 Fl. 0 3 declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP (tipo de crédito: saldo negativo) com as da DIPJ, não localizou o crédito pleiteado (na DIPJ constava saldo zero). Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que houve erro no preenchimento da DIPJ, já retificada. Apresenta DIPJ retificadora transmitida em 22/03/2007 (fl. 28). Conforme consulta de fls. 67/68, na DIPJ retificadora transmitida em 22/03/2007, que está ativa, consta saldo zero, como apontado no Despacho Decisório. Os recolhimentos antecipados (estimativas) e as retenções na fonte constituem antecipações. Somente após encerrado o período de apuração e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL, é que pode restar caracterizado direito líquido e certo, passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. O ato de verificação da certeza e liquidez do indébito tributário, relativo ao ' saldo negativo, em sede de análise, pela DRF de origem, da declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo, não está limitado aos valores das antecipações recolhidas no curso do ano calendário, podendo atingir, também, a verificação da regularidade da determinação da base de cálculo apurada pelo contribuinte. Cabe à DRF de origem a análise do crédito pleiteado e o pronunciamento inicial a respeito do deferimento, ou não, de pedidos de restituição/compensação (artigos 57 e 63 da Instrução Normativa RFB 900/2008). A ausência de informação na DIPJ, declaração própria para este fim, fez com que não houvesse a análise, pela DRF, de eventual saldo negativo (posto que não restou configurado o direito creditório pleiteado saldo negativo). Tratase, o julgamento pela DRJ, de uma instância revisional. A matéria a ser apreciada pela DRJ é tãosomente aquela resolvida pela decisão a quo e que foi atingida pelo recurso.^ Assim, sem a apuração, em tempo hábil, de saldo negativo, não há que se falar em constituição de direito creditório a tal título. O Despacho Decisorio deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 11020.907127/200803 Acórdão n.º 140200.739 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o litígio se formou em face de o direito creditorio não ter sido localizado pela autoridade tributaria. Aduz a recorrente que A empresa entregou DIPJ, com o saldo negativo da contribuição social zerado, mas a respectiva declaração foi retificada e enviada à Secretaria da Receita Federal, na data de 22/03/2007, conforme recibo e declaração já anexada no processo anterior, onde podemos constatar e verificar o referido crédito, no valor de R$ 17.601,54 (dezessete mil seiscentos e um reais, cinqüenta e quatro centavos). Mas, conforme parecer da l.a Turma da DRJ/RJ, o respectivo saldo continuava zerado na declaração. O contribuinte então enviou novamente a respectiva DIPJ referente o período 01/01/2005 a 31/12/2005, na data de 29/03/2011, e anexa ao processo cópia do recibo e declaração onde podemos constatar o respectivo saldo negativo conforme pagina 16, linha 54 da DIPJ.’ Especificamente quanto a esse ponto, entendo que não assiste razão a autoridade tributária (DRF de origem), tampouco aos nobres julgadores de 1a. instância. Isso porque o entendimento que tem prevalecido neste colegiado e no sentido de que não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de DIPJ. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 Fl. 123DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 11020.907127/200803 Acórdão n.º 140200.739 S1C4T2 Fl. 0 5 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). No caso do autos aduz a recorrente que apresentou DIPJ2006 retificadora em 22/03/2007, conforme recibo e declaração, à fl. 28, onde podemos constatar e verificar o referido crédito, no valor de R$ 17.601,54 (fl. 44). Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, considerando as declarações retificadoras, desde que comprovado o erro. Registre que nessa nova apreciação do mérito, a DRF deverá levar em consideração as alegações de fato e de direito, bem como os elementos de prova, trazidos aos auto no recurso voluntário. Outrossim, desse novo despacho decisório, se desfavorável, o contribuinte poderá, caso deseje, apresentar manifestação de inconformidade à DRJ no prazo de 30 dias. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie o pleito, levando em consideração as declarações retificadoras do IRPJ, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 124DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 10/ 11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954383/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/04/2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/04/2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 83 /2 00 8- 99 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.954383/200899 Acórdão n.º 3401004.149 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.761, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.954383/200899 Acórdão n.º 3401004.149 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.954383/200899 Acórdão n.º 3401004.149 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.954383/200899 Acórdão n.º 3401004.149 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
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