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Numero do processo: 10880.905272/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 72 /2 01 3- 16 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.779. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10880.905272/201316 Acórdão n.º 3201004.626 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 300DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000678/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO
Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9202-007.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720090/2013-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720090/2013-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓS GRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (relatora) e Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.720090/201314, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 78 /2 00 8- 12 Fl. 920DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 921 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, que visa rediscutir a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos feitos a título de auxílioeducação. Em despacho de admissibilidade o Presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso. Em suas razões, a Fazenda Nacional alega, em síntese, que a melhor exegese é a abraçada pelo acórdão paradigma, segundo o qual, tratandose de isenção, devese acolher a interpretação mais restritiva, excluindose da isenção as bolsas de nível superior. Cientificada do Recurso Especial e do Despacho de Admissibilidade, a Contribuinte em suas contrarrazões pugna pela manutenção incólume do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202007.029, de 24/07/2018, proferido no julgamento do processo 10283.720090/201314, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202007.029): Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso foi interposto tempestivamente e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, conforme se extrai do relatório fiscal à efl. 1.461, o lançamento alcança “pagamentos não declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP, aos segurados empregados, em reembolso de parte das Fl. 921DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 922 3 mensalidades de cursos de ensino superior, a título de auxílio educação.” A questão a ser decidida é se o reembolso pela empresa aos empregados, a título de auxílioeducação, de parte do valor das mensalidades de cursos de ensino superior frequentados por estes integram ou não o saláriodecontribuição. Registrese, de início, que, a teor do art. 28, da Lei n° 8.212/1991, integra o saláriodecontribuição do empregado e trabalhador avulso a totalidade das remunerações destinados a retribuir o trabalho, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Confirase: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sente. Embora esse conceito comporte exceções, é a própria Lei nº 8.212, de 1991, no mesmo art. 28, que define as parcelas passíveis de serem excluídas do conceito de saláriode contribuição. Sobre a matéria em discussão, o art. 28, § 9º, “t” da lei nº 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998, em vigor na data dos fatos, assim dispunha: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Como se vê, pela alínea ‘t’, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, não integram o saláriodecontribuição o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394/96, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em Fl. 922DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 923 4 substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. No caso presente, conforme consta do Relatório Fiscal, os valores informados a título de auxílioeducação correspondem a ressarcimentos de mensalidades de cursos de ensino superior. Portanto, de plano, não se enquadram na categoria de “planos educacionais que visem à educação básica”, assim definida pelo art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. Quanto a serem cursos de capacitação, a mesma Lei nº 9.394, de 1996, nos artigos 36A a 36D, com redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008, disciplina os ensino técnico de nível médio, e o art. 39, a educação profissional de nível superior. Confirase: Art. 36A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo, o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparálo para o exercício de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36B. A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I articulada com o ensino médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II subseqüente, em cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II as normas complementares dos respectivos sistemas de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 924 5 Art. 36C. A educação profissional técnica de nível médio articulada, prevista no inciso I do caput do art. 36B desta Lei, será desenvolvida de forma: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuandose matrícula única para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando, efetuandose matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) a) na mesma instituição de ensino, aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) b) em instituições de ensino distintas, aproveitandose as oportunidades educacionais disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 36D. Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento de estudos na educação superior.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica de nível médio, nas formas articulada concomitante e subseqüente, quando estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) § 1º Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2º A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 924DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 925 6 I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós graduação.(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3º Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008). Esses cursos de educação profissional e técnico de graduação e pósgraduação, referidos no art. 39, § 2º, III, da Lei nº 9.394, de 1996, não se confundem com os cursos superiores em geral, que estão disciplinados nos artigos 43 a 57 da mesma lei. Integram uma categoria à parte, segundo a própria lei, que os define como cursos especiais com conteúdo prático e direcionados para o conhecimento técnico especializado. E como se não bastasse isso, a alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, alem de exigir que se trate de curso de capacitação profissional, exigem que estes “sejam vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”, o que requer que os tais cursos sejam restritos a determinadas áreas, o que, em momento algum foi demonstrado. O acórdão recorrido, acolhendo alegação do Contribuinte, adotou como razão de decidir o fato de o art. nº 458, § 2º, II do DecretoLei nº 5.452, de 1.943 (CLT) excluir da definição de salários as utilidades concedidas pelo empregador relacionadas a educação. Eis o referido dispositivo: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) [...] § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 926 7 mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) De fato, é inequívoco que o referido dispositivo exclui os gastos com empregados no custeio de educação do conceito de salário. Porém, não exclui, e nem poderia fazêlo, do conceito de salário decontribuição. O art. 28, da Lei nº 8.212, ao definir as verbas que integram o saláriodecontribuição não restringiu estas ao conceito de salário. Ademais, como vimos, cuidou de delimitar os gastos com educação passíveis de serem excluídos do salário decontribuição. Assim, não há nenhuma contradição entre o art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 e o art. 458, § 2, II da CLT. Quanto às alegações do contribuinte de que a Constituição da República reconhece a educação como um direito de todos e dever do Estado, não vislumbro a relação entre este ponto e a matéria em discussão. Tratase aqui de definição das base de incidência das contribuições para o custeio da previdência social, também com status constitucional e definida em lei, que delimitou, de forma inequívoca, os gastos com educação dos empregados passíveis de serem excluídos do conceito de salário decontribuição. Nessas condições, os valores pagos aos empregados a título de ressarcimento de mensalidades de cursos superiores não preenchem os requisitos necessários para que sejam excluídos do conceito de saláriodecontribuição. Diante do exposto, CONHEÇO e DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL interposto pela FAZENDA NACIONAL. (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosar Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Peço licença ao ilustre conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosar para divergir do seu entendimento quanto a possibilidade de exclusão da tributação sobre Bolsas de estudo em nível superior, na forma como encontrase fundamentado no presente lançamento fiscal. Concessão de Bolsa de Estudo em Nível Superior aos Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos nível superior aos empregados, na forma como concedida e descrita no relatório fiscal da infração, fls. 120/128, constituírem, de forma objetiva, salário de contribuição, razão não confiro ao recorrente (PGFN). Fl. 926DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 927 8 Porém, antes mesmos de passar ao ponto que, no meu entender, ensejou a negativa de provimento ao recurso da Fazenda Nacional, passo a esclarecer como interpreto os dispositivos em relação ao fornecimento de educação aos empregados constituírem ou não salário de contribuição, bem como relacionar esse entendimento ao presente lançamento. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo ser possível a interpretação para que o benefício não constitua salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, a legislação pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 928 9 Assim, primeiramente, ao contrário do trazido no acórdão recorrido, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, mais especificamente o art. 458, §2º da CLT, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária que restringe a sua exclusão do conceito de salário de contribuição. O citado art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, realmente assim encontrase disposto: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/90, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente à lei 8212/91, o que autorizaria sua aplicação para definição da exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão não lhes assiste, pelos argumentos abaixo expostos: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 929 10 Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador nesse momento que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT. Porém, assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo. Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do salário de contribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considerar infração, determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 930 11 decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS EM DESCONFORMIDADE COM A LEI 8212/91, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparam se a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida a argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas "PARA" o trabalho, e como tal estariam excluídas do conceito de salário de contribuição. Na verdade, a acepção "para o trabalho" alcança utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, moradia quando condição indispensável para o desempenho profissional, dentre outros. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 931 12 Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, que muitas vezes não poderiam ter acesso com o simples salário pago pela instituição. Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair de tal ação, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, I e §9º. 't" da lei 8212/91. Enfrentadas as questões pertinentes a qual legislação e, por conseguinte, exigências legais devem ser atendidas para que a bolsa de estudos esteja excluída do conceito de salário de contribuição, vale ressaltar que discordo do voto do relator, especificamente, sobre a possibilidade de considerar a concessão de bolsa de estudos de nível superior, ou mesmo em nível de pós graduação como excluídos na previsão legal esculpida no art. 28, §9º, "t". senão vejamos novamente o texto legal: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Ao meu entender, quando o legislador descreve: "e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo", acabou por abrir a possibilidade de se interpretar que, os curso de graduação e pós graduação, quando considerados como forma de capacitação profissional, ou seja, desde que vinculados as atividade da empresa, podem estar abrangidos na regra de exclusão prevista na lei. Notese que, embora a fiscalização tenha descrito em seu relatório fiscal as exigências legais, focou a atribuição de caráter salarial apenas no fato de interpretar que o legislador não abarcou cursos de nível superior dentro da exigência legal. Vejamos o trecho que traduz tal conclusão: Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 932 13 Pelo exposto, resta demonstrado que a educação superior de que trata o Capítulo IV, arts. 43 a 57 da Lei n° 9.394, de 1996, em vista da clara identificação dos diversos níveis e modalidades de educação, bem como as características estabelecidas nesta Lei, não é tida como curso de capacitação e qualificação profissional, entendimento reforçado pela nova redação da Lei n° 9.394/96, promovida pela Lei n° 11.741/08, que apontou o que constitui educação profissional de nível superior, no Capítulo III, deixando de fora os demais cursos superiores então tratados no Capítulo IV. Nestas condições os gastos relativos a educação superior (graduação e pósgraduação) de que trata o Capítulo IV, Lei n° 9.394/96, dispendidos pelo sujeito passivo, estão fora do alcance da isenção prevista na alínea "t", § 9o, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991 e, portanto, integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a "qualquer título", conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n° 8.212, de 1991. Ou seja, no entender do auditor, os cursos de nível superior não estão abrangidos na exclusão legal. Ressaltese que, não identifiquei no relatório fiscal, qualquer descumprimento em relação a não correlação dos cursos com a atividade exercida pelo empregado, nem tampouco que não era estendido a todos. Seguindo essa mesma linha, o acórdão recorrido descreveu que o requisito de "ser extensível a todos" não restou descumprido, senão vejamos: "Ademais, verificase nos autos que a empresa forneceu aos seus colaboradores, no exercício de 2009, sem distinção, o programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pós graduação e MBA, visando proporcionar condições para que os profissionais por ela contratados pudessem ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação." Dessa forma, como a única imputação, por parte da autoridade fiscal, para não aplicação da exclusão prevista no art. 28, §9º, "t" à concessão de bolsas de nível superior no presente lançamento, foi tratarse de nível superior, não posso chancelar seu procedimento, já que não fez qualquer referência ao descumprimento da exigência "não extensível a totalidade de empregados", que no meu entender, encontravase perfeitamente vigente à época dos fatos geradores. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao restabelecimento do lançamento em relação às BOLSAS de ESTUDO . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19740.000678/200812 Acórdão n.º 9202007.094 CSRFT2 Fl. 933 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, Anexo II do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 933DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.723331/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.672
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .7 23 33 1/ 20 13 -9 7 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10850.723331/201397 Resolução nº 3401001.672 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10850.723331/201397 Resolução nº 3401001.672 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000477/2004-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 2202-004.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar conhecimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar conhecimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 04 77 /2 00 4- 33 Fl. 94DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0711.681, proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC (DRJ/FNS) que julgou parcialmente procedente o lançamento. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/FNS: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 8, integrado pelos documentos de fls. 9 a 13, pelo qual se exige o pagamento da importância de R$ 5.026,23, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2001, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 10, verificase que a autuação deuse em razão da omissão parcial dos valores recebidos da Fundação ELOS e declarados indevidamente como isentos e não tributáveis, no montante de R$ 23.359,02. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 7, requerendo, com base no art. 6º, inciso VII, alínea "b", da Lei n2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a isenção de um terço da complementação de aposentadoria recebida pela Fundação ELOS, que correspondente a parcela das contribuições feitas à referida fundação cujo ônus foi suportado pelo beneficiário. Aduz que o fato de a Fundação ELOS gozar de imunidade tributária não impede o reconhecimento da isenção da parcela de um terço da complementação de aposentadoria recebida pelo impugnante. Cita vasta jurisprudência sobre o tema, dentre elas, uma decisão de embargo à execução fiscal em que o embargante é o próprio impugnante, na qual o TRF da 4a Região negou provimento ao apelo da União, reconhecendo que o embargante "faz jus à isenção proporcionalmente ao montante recolhido ". A impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/FNS, tendo sido considerado como isento parte dos rendimentos recebidos da Fundação Elos, no valor de R$ 8.661,53. O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/FNS em 26/02/2008. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário, em 24/03/2008, alegando, em apertada síntese: concorda quanto à isenção de rendimentos recebidos da Fundação ELOS, no valor de R$ 8.661,53; discorda da aplicação da multa de ofício, a qual tem caráter punitivo, não tendo o mesmo agido com culpa ou intuito de fraude. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Relator Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11516.000477/200433 Acórdão n.º 2202004.871 S2C2T2 Fl. 96 3 O recurso é tempestivo. Da multa de ofício Compulsando autos, verificase que, em sede de impugnação (efls. 04/10), o contribuinte não discordou da aplicação da multa de ofício, tendo trazido à baila tal tema apenas em sede de recurso. Necessário destacar, entretanto, que argumentos aduzidos tão somente em sede de recurso voluntário não devem ser conhecidos, em respeito às normas que regem o processo administrativo fiscal. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir ao questionamento referido. Revelase, portanto, que a adução recursal em específico, não antes levantada no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecida, à míngua de amparo normativo para tanto. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000183/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2010
MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-006.115
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/01/2010 MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 01 83 /2 01 0- 75 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13002.000183/201075 Acórdão n.º 3402006.115 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando problemas com o provedor da internet, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 10042.132. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo alegando, em síntese, que a impugnação apresentada configurou forma de denúncia espontânea, sendo o tributo autodeclarado pela empresa antes de qualquer procedimento administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.109, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10840.000562/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.109): "Não obstante o Recurso Voluntário seja tempestivo, observese que os argumentos de mérito nele desenvolvidos não foram levados à análise da Delegacia de Julgamento, não merecendo ser conhecido. Com efeito, em seu Recurso Voluntário, sustenta a Recorrente, exclusivamente, a ocorrência de suposta denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN. Por sua vez, em sua impugnação, a empresa se ateve a afirmar o descabimento da multa em razão dos problemas incorridos no provedor da internet. Observase, portanto, que a Recorrente pretende que seja aqui analisada matéria que não foi objeto de Impugnação e que não foi analisada pela DRJ (denúncia espontânea). Assim, como a discussão travada no Recurso Voluntário se restringe à matérias que não foram trazidas em sede de Impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13002.000183/201075 Acórdão n.º 3402006.115 S3C4T2 Fl. 4 3 do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. Com isso, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este colegiado, delas não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 39DF CARF MF
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Numero do processo: 11843.000134/2007-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA. PERDCOMP COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO FEITA.
Ao contribuinte que não prova a origem do crédito da declaração de compensação deve ser aplicado o artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 que considera a declaração como não feita. Aplicação de multa isolada em 75% devida nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3003-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA. PERDCOMP COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO FEITA. Ao contribuinte que não prova a origem do crédito da declaração de compensação deve ser aplicado o artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 que considera a declaração como não feita. Aplicação de multa isolada em 75% devida nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. Recurso a que se nega provimento.
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PERDCOMP COM CRÉDITO DE TERCEIROS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO FEITA. Ao contribuinte que não prova a origem do crédito da declaração de compensação deve ser aplicado o artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 que considera a declaração como não feita. Aplicação de multa isolada em 75% devida nos termos do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Müller Nonato Cavalcanti Silva, Vinícius Guimarães e Márcio Robson Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 3. 00 01 34 /2 00 7- 18 Fl. 163DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DRJ/BSB) que tem por fim anulação do crédito tributário lançado às fls. 11/16, que constitui como exigível o crédito de R$ 26.482,21 representativo de multa isolada, fundada no artigo 18 da Lei 10.833/2003. O lançamento teve origem em Despacho Decisório no bojo de processo de Compensação, no qual foi constatado que a Declaração de Compensação indica créditos de terceiros. Por força no artigo 74, §12, inciso II, a da Lei 9.430/1996 a declaração de compensação que indica crédito de terceiros é considerada como não feita pela Fiscalização. Com espeque na lei em alusão foi aplicada multa isolada na monta de 75% do valor indicado da Declaração. Contra a decisão foi apresentada Impugnação, ante a lavratura do aludido Auto de Infração de fls. 11/16. A DRJ/BSB proferiu acórdão, cujo relatório, pela minúcia de detalhes, adotoo para posterior complementação: Tratase de auto de infração relativo à multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18, §4°, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, no valor de R$ 26.482,21 (fls. 11/14). No relatório fiscal a autoridade autuante assim relata (fls. 14): Tendo em vista a compensação indevida de débitos próprios com supostos créditos de terceiros, conforme declarado em PER/DCOMPs baixadas para controle manual no processo n° 11843.0000821200771, e de acordo com o Despacho Decisório DRF/PAL n'515107, de 24 de setembro de 2007 (cópia ás fls. 02107), que considerou as Declarações objetos do processo como não declaradas, lavramos multa isolada por compensação indevida de 75% sobre o valor total dos débitos cujas compensãções foram consideradas não declaradas. Cientificada do auto de infração por via postal em 05/12/2007 (fl. 17), a contribuinte apresentou a "defesa e manifestação de inconformidade" de fls. 19/28 em 20/12/2007, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: • Em 09/02/2000 pleiteou a restituição de valores recolhidos a título de PIS entre os períodos 01/07/1990 a 31/12/1994, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Lei n° 2.445 e 2.449, de 1988; • Não pode ser considerado para esse caso o prazo de cinco anos contados da data do pagamento para que se possa pleitear a restituição, haja vista que a publicação da Resolução do Senado Federal que suspendeu aqueles normativos foi publicada em 09/10/2005. Já existe decisão "desse Conselho" nesse sentido. Demais disso, o prazo dever ser considerado a partir da homologação tácita do lançamento; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11843.000134/200718 Acórdão n.º 3003000.042 S3C0T3 Fl. 83 3 • Entende que seu pedido de restituição de créditos de terceiros estaria abrangido pela exceção estabelecida no art. 30 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 2002; • Sobre a compensação tributária com créditos de terceiros, transcreve texto de autoria de Pedro Guilherme Modenese Casquet, que, em síntese, clama pela inconstitucionalidade do § 12 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, à vista do posicionamento em sentido contrário dos Tribunais, referido autor indica outros meios para que os contribuintes possam continuar compensando débitos próprios com créditos de terceiros (ofícios precatórios judiciais); • Seu processo foi formalizado em 09/02/2000, antes, portanto, da vigência da Instrução Normativa SRF n° 41, de 07 de abril de 2000, que não mais permitiu a transferência de créditos para pagamentos de terceiros. Assim, essa norma não pode ser aplicada retroativamente em seu prejuízo; • O novo número de processo consiste em duplicidade. O processo que deve ser considerado no caso é aquele inicial, no 12155.000008/0092, protocolado em 09/02/2000, da empresa MADEIRA DE EXPORTAÇÃO MADESILJE LTDA, e que foi transferido sues direitos creditórios para a empresa do mesmo grupo W R MAIA CARDOSO SERVIÇOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL, através do processo administrativo de restituição no 10280.004599/200447, PIS (Contribuição para Programa de Integração Social), protocolado em 02 de dezembro de 2004, ao qual as partes se reportam, tendo a CESSIONÁRIA plena ciência de seu conteúdo. Ao final, requer, em síntese, que: • Os autos sejam apreciados com base na legislação vigente à época em que foi formalizado o pedido de restituição; • Seja sua compensação "declarada normal"; • Seja analisado o processo de origem do crédito para verificar a legalidade do pedido de restituição/compensação do crédito de PIS; • Os pedidos desses autos sejam anexado aos processo original, pois de outra forma se caracteriza duplicidade de processos; • Seja extinta a multa isolada aplicada. Em Recurso Voluntário de fls. 56/69 argumenta pela nulidade do procedimento fiscal por vício de forma. Em suas razões recursais faz alusão às Leis 10.833/2002 e 9.430/1996 nas quais exigese, em casos de não homologação de Declaração de Compensação, a cientificação do Contribuinte oportunizandoo para regularização por meio de pagamento do crédito não homologado ou apresentação de Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias, que obedecerá o rito do Decreto 70.235/1972. Ainda alega nulidade na lavratura do Auto de Infração de fls. 11/16 por inexistir a descrição e enquadramento legal do fato que constitui o crédito tributário em Fl. 165DF CARF MF 4 exigência. Ainda, adverte pela falta de previsão legal para a multa aplicada, bem como a desproporcionalidade do percentual da multa isolada. Por fim, requer que sejam conhecidas as nulidade arguidas e, eventualmente, se superadas, que a multa isolada seja fixada na monta de 20% sobre o valor do crédito declarado. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relator. Por tempestivo e presentes os requisitos formais de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Da Preliminar de Nulidade Não podem prosperar as alegações de nulidade levantadas pela Recorrente. Em detida análise do procedimento fiscal é possível observar que a Recorrente fora cientificada, por via postal com AR, de todas as decisões proferidas, inclusive àquele que reconheceu que a Declaração de Compensação fazia alusão a créditos de terceiros. A decisão fundamentada da Autoridade Fazendária aponta, de forma muito perspicaz, que o nome empresarial nas Declarações de Compensações protocoladas pela Recorrente fazem alusão à empresa W R MAIA CARDOSO SERVIÇOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL CNPJ 83.671.685/000125, que não é controlada tampouco incorporada pela Recorrente. Fato que inevitavelmente leva a aplicação do artigo 74, §12, II, a da Lei 9.430/1996 levando a considerar como não feita a declaração que apropriase de créditos de terceiros. Como consequência, a Fiscalização aplicou o artigo 44, I da Lei 9.430/1996 , que estipula multa isolada na monta de 75%. Desta decisão o Contribuinte foi devidamente notificado conforme comprova a fl. 17 dos presentes autos. Ato contínuo, a Recorrente apresentou a sua defesa administrativa, que foi regularmente encaminhada para a DRJ/BSB e, ao analisar as razões de irresignação na defesa administrativa proferiu acórdão, que tem sido agora atacado pelo Recurso Voluntário em julgamento neste Conselho. Ante ao que se expõe, voto pela rejeição da preliminar de nulidade por inexistir qualquer ato de cerceamento de defesa ou violação à norma tributária vigente. Da Multa Isolada Percentual Embasamento Legal A Recorrente manifesta sua discordância quanto à multa punitiva aplicada, nos moldes do artigo 44, I da Lei 9.430/1996. A fixação do percentual de multa isolada, ou meramente multa por punição, guarda em si uma peculiaridade particularmente de delicada análise, porém ainda possível de ser apreciada. No que diz respeito a declaração que se apropria de créditos de terceiros, por império do artigo 74, §12, II, a da Lei 9.430/1996. Tratase de uma clara hipótese de ato administrativo vinculado. A Lei estabelece a hipótese e se houver subsunção no mundo fenomênico a multa nos percentuais legais é inarredável. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11843.000134/200718 Acórdão n.º 3003000.042 S3C0T3 Fl. 84 5 É de se lembrar que a multa prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/1996 não fere o primado do "não confisco" estampado no artigo 150, IV da Constituição da República. O Supremo Tribunal Federal, no RE 582.461/SP, apreciou a natureza confiscatória das multas punitivas e multas moratórias. O RE 582.461/SP, a que foi dada repercussão geral, o Ministro Relator Gilmar Mendes reconhece a natureza acessória da multa, mas julga como razoável a multa punitiva até o limite de 100%, segue curta transcrição do voto do Eminente Relator: Há, portanto, taxatividade legal para a aplicação da multa isolada no patamar de 75 por cento e, ainda, por império do art. 62, §2º do RICARF, julgamento com repercussão geral do STF consolidando multa punitiva até o limite de 100% como não aptas a ferir o princípio do nãoconfisco expresso no artigo 150, IV da Constituição da República. Há de se lembrar a gravidade da conduta irregular praticada pela Recorrente, pois a Lei dedica o inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996 para tratar de forma adequada da punição contra quem ela intente. À vista das alterações introduzidas pela Lei 10.833/2003, em especial no artigo 18 §4º, enxergo espaço para aplicação do artigo 106, II do Código Tributário Nacional, que transcrevo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Estáse perante um caso não definitivamente julgado e é regulado por legislação posterior. Portanto, com olhar técnico sobre a matéria, o caminho a ser adotado para fixação de multa isolada é, invariavelmente, Lei 10.833/2003 artigo 18, §4º que direciona ao artigo 44, I da Lei 9.430/1996, que mantêm a multa isolada no patamar de 75% do valor da declaração de compensação. Por todo o argumentado, conheço do Recurso Voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator Fl. 167DF CARF MF 6 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905950/2008-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/07/1999
Ementa:
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1999 a 30/07/1999 Ementa: EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/07/1999 Ementa: EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 50 /2 00 8- 76 Fl. 65DF CARF MF 2 receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11020.905950/200876 Acórdão n.º 3001000.625 S3C0T1 Fl. 3 3 do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Fl. 67DF CARF MF 4 Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11020.905950/200876 Acórdão n.º 3001000.625 S3C0T1 Fl. 4 5 editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio Fl. 69DF CARF MF 6 requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11020.905950/200876 Acórdão n.º 3001000.625 S3C0T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente SALVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 71DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.723918/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ISENÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO. CABIMENTO
Justificada a suspensão do gozo de isenção tributária no período fiscalizado, uma vez demonstrado que a contribuinte não possui escrituração de suas receitas e despesas, não manteve a guarda dos comprovantes das operações realizadas, que comprovem a natureza e origem de suas receitas e a efetividade de suas despesas, o que impede que se verifique se os seus recursos foram integralmente aplicados em seu objeto social e se não foram remunerados seus dirigentes sob qualquer forma. Completando este quadro fático, a interessada apresentou declaração de pessoa jurídica inativa no período em que comprovadamente auferiu receitas e ostentou grande movimentação financeira.
RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO
Uma vez suspenso o gozo da isenção no período de apuração, todas as receitas apuradas pela associação civil passam a compor a base de cálculo tributável. Alegações de que tais receitas não pertenceriam à associação, mas aos seus associados, desprovidas de elementos de comprovação não permitem afastar a sua tributação na pessoa jurídica. Com relação à base de cálculo apurada, restou comprovada a omissão de receitas de prestação de serviços, informada em DIRF e objeto de confirmação pela fonte pagadora, e caracterizada a presunção legal de omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que a recorrente não se desincumbiu de demonstrar e comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária.
ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. CABIMENTO.
Revela-se acertada a apuração, por parte da autoridade fiscal, do resultado tributável com base no lucro arbitrado, ante a ausência de escrituração contábil e da documentação que lhe daria suporte.
IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. CARACTERIZAÇÃO.
A apresentação de relação de beneficiários de pagamentos realizados por meio de débitos em conta bancária, sob a alegação genérica de que seriam associados da entidade, sem demonstrar e nem sequer fazer o cotejo de cada beneficiário à sua ficha de associado, não implica na sua identificação. Além disso a alegação de que a causa dos pagamentos seria a prestação dos serviços de agenciamento financeiros intermediados pela associação junto a bancos ou instituições financeiras, tendo por base o objeto social previsto em seus estatutos, uma vez desprovida da demonstração de quais serviços e a quem foram prestados, não se presta a invalidar a conclusão fiscal de que tais pagamentos, além de não estarem identificados os beneficiários, não tiveram sua causa comprovada.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INATIVA. INTUITO DE SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
A prestação de informação falsa ao Fisco, visando a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte ou da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais é situação que caracteriza a sonegação. Restando demonstrado que a apresentação de declaração como pessoa jurídica inativa não ocorreu por mero lapso ou desorganização administrativa, posto que prestada pela mesma pessoa responsável pela administração da pessoa jurídica aliada à magnitude da omissão de receitas apurada pela fiscalização, justifica a qualificação da multa de ofício sobre os tributos apurados sobre a omissão de receita.
MULTA QUALIFICADA. IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. CANCELAMENTO.
A não identificação dos beneficiários ou da causa dos pagamentos constitui-se no fato gerador do IRRF e não pode ao mesmo tempo justificar a qualificação da multa. Assim, à míngua de outros elementos que pudessem demonstrar que teria existido uma conduta dolosa específica da contribuinte, no sentido de subtrair a ocorrência do fato gerador do IRRF, a qualificação da multa de ofício deve ser cancelada, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Numero da decisão: 1302-003.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 ISENÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO. CABIMENTO Justificada a suspensão do gozo de isenção tributária no período fiscalizado, uma vez demonstrado que a contribuinte não possui escrituração de suas receitas e despesas, não manteve a guarda dos comprovantes das operações realizadas, que comprovem a natureza e origem de suas receitas e a efetividade de suas despesas, o que impede que se verifique se os seus recursos foram integralmente aplicados em seu objeto social e se não foram remunerados seus dirigentes sob qualquer forma. Completando este quadro fático, a interessada apresentou declaração de pessoa jurídica inativa no período em que comprovadamente auferiu receitas e ostentou grande movimentação financeira. RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO Uma vez suspenso o gozo da isenção no período de apuração, todas as receitas apuradas pela associação civil passam a compor a base de cálculo tributável. Alegações de que tais receitas não pertenceriam à associação, mas aos seus associados, desprovidas de elementos de comprovação não permitem afastar a sua tributação na pessoa jurídica. Com relação à base de cálculo apurada, restou comprovada a omissão de receitas de prestação de serviços, informada em DIRF e objeto de confirmação pela fonte pagadora, e caracterizada a presunção legal de omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que a recorrente não se desincumbiu de demonstrar e comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária. ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. CABIMENTO. Revela-se acertada a apuração, por parte da autoridade fiscal, do resultado tributável com base no lucro arbitrado, ante a ausência de escrituração contábil e da documentação que lhe daria suporte. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. CARACTERIZAÇÃO. A apresentação de relação de beneficiários de pagamentos realizados por meio de débitos em conta bancária, sob a alegação genérica de que seriam associados da entidade, sem demonstrar e nem sequer fazer o cotejo de cada beneficiário à sua ficha de associado, não implica na sua identificação. Além disso a alegação de que a causa dos pagamentos seria a prestação dos serviços de agenciamento financeiros intermediados pela associação junto a bancos ou instituições financeiras, tendo por base o objeto social previsto em seus estatutos, uma vez desprovida da demonstração de quais serviços e a quem foram prestados, não se presta a invalidar a conclusão fiscal de que tais pagamentos, além de não estarem identificados os beneficiários, não tiveram sua causa comprovada. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INATIVA. INTUITO DE SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A prestação de informação falsa ao Fisco, visando a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte ou da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais é situação que caracteriza a sonegação. Restando demonstrado que a apresentação de declaração como pessoa jurídica inativa não ocorreu por mero lapso ou desorganização administrativa, posto que prestada pela mesma pessoa responsável pela administração da pessoa jurídica aliada à magnitude da omissão de receitas apurada pela fiscalização, justifica a qualificação da multa de ofício sobre os tributos apurados sobre a omissão de receita. MULTA QUALIFICADA. IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. CANCELAMENTO. A não identificação dos beneficiários ou da causa dos pagamentos constitui-se no fato gerador do IRRF e não pode ao mesmo tempo justificar a qualificação da multa. Assim, à míngua de outros elementos que pudessem demonstrar que teria existido uma conduta dolosa específica da contribuinte, no sentido de subtrair a ocorrência do fato gerador do IRRF, a qualificação da multa de ofício deve ser cancelada, reduzindo-a ao percentual de 75%.
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ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO. CABIMENTO Justificada a suspensão do gozo de isenção tributária no período fiscalizado, uma vez demonstrado que a contribuinte não possui escrituração de suas receitas e despesas, não manteve a guarda dos comprovantes das operações realizadas, que comprovem a natureza e origem de suas receitas e a efetividade de suas despesas, o que impede que se verifique se os seus recursos foram integralmente aplicados em seu objeto social e se não foram remunerados seus dirigentes sob qualquer forma. Completando este quadro fático, a interessada apresentou declaração de pessoa jurídica inativa no período em que comprovadamente auferiu receitas e ostentou grande movimentação financeira. RECEITA OMITIDA. BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO Uma vez suspenso o gozo da isenção no período de apuração, todas as receitas apuradas pela associação civil passam a compor a base de cálculo tributável. Alegações de que tais receitas não pertenceriam à associação, mas aos seus associados, desprovidas de elementos de comprovação não permitem afastar a sua tributação na pessoa jurídica. Com relação à base de cálculo apurada, restou comprovada a omissão de receitas de prestação de serviços, informada em DIRF e objeto de confirmação pela fonte pagadora, e caracterizada a presunção legal de omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que a recorrente não se desincumbiu de demonstrar e comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária. ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 39 18 /2 01 2- 01 Fl. 5024DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.025 2 Revelase acertada a apuração, por parte da autoridade fiscal, do resultado tributável com base no lucro arbitrado, ante a ausência de escrituração contábil e da documentação que lhe daria suporte. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. CARACTERIZAÇÃO. A apresentação de relação de beneficiários de pagamentos realizados por meio de débitos em conta bancária, sob a alegação genérica de que seriam associados da entidade, sem demonstrar e nem sequer fazer o cotejo de cada beneficiário à sua ficha de associado, não implica na sua identificação. Além disso a alegação de que a causa dos pagamentos seria a prestação dos serviços de agenciamento financeiros intermediados pela associação junto a bancos ou instituições financeiras, tendo por base o objeto social previsto em seus estatutos, uma vez desprovida da demonstração de quais serviços e a quem foram prestados, não se presta a invalidar a conclusão fiscal de que tais pagamentos, além de não estarem identificados os beneficiários, não tiveram sua causa comprovada. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INATIVA. INTUITO DE SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A prestação de informação falsa ao Fisco, visando a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte ou da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais é situação que caracteriza a sonegação. Restando demonstrado que a apresentação de declaração como pessoa jurídica inativa não ocorreu por mero lapso ou desorganização administrativa, posto que prestada pela mesma pessoa responsável pela administração da pessoa jurídica aliada à magnitude da omissão de receitas apurada pela fiscalização, justifica a qualificação da multa de ofício sobre os tributos apurados sobre a omissão de receita. MULTA QUALIFICADA. IRRF SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. CANCELAMENTO. A não identificação dos beneficiários ou da causa dos pagamentos constitui se no fato gerador do IRRF e não pode ao mesmo tempo justificar a qualificação da multa. Assim, à míngua de outros elementos que pudessem demonstrar que teria existido uma conduta dolosa específica da contribuinte, no sentido de subtrair a ocorrência do fato gerador do IRRF, a qualificação da multa de ofício deve ser cancelada, reduzindoa ao percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Fl. 5025DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.026 3 Participaram do julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 5026DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.027 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1252.203, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RJ1, em 25 de janeiro de 2013, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, lançado contra a interessada, conforme se extrai da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, salvo se demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ENQUADRAMENTO LEGAL DE FRAUDE E SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Se a descrição dos fatos é clara e permite que o contribuinte entenda exatamente qual foi o ilícito praticado o equívoco na sua classificação pode ser suprido pelo julgador dandolhe a definição jurídica apropriada, mormente quando a penalidade é idêntica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PESSOA JURÍDICA. ASSOCIAÇÃO. PERSONALIDADE DIVERSA DA DOS MEMBROS QUE A CONSTITUEM. A pessoa jurídica é dotada de personalidade jurídica distinta da dos membros que a constituem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de receita valores creditados em conta corrente mantida junto a instituição financeira em relação aos quais o titular regularmente intimado não comprove sua origem. Fl. 5027DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.028 5 CRÉDITOS NA CONTA CORRENTE DE TITULARIDADE DA PESSOA JURÍDICA. ORIGEM EM CONTRATO.RECEITA PRÓPRIA. Os valores recebidos pela pessoa jurídica em função de serviços prestados estipulados em contrato são receitas auferidas por ela e não por seus associados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 VALORES PAGOS SEM IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO E COMPROVAÇÃO DA CAUSA. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento sobre base de cálculo considerada líquida de imposto, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado quando não comprovada a operação ou sua causa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 AUTOS DE INFRAÇÃO CORRELATOS. CSLL. PIS. COFINS Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outros tributos a mesma sorte terão os autos de infração correlatos observadas suas bases de cálculo e alíquotas próprias. O lançamento foi realizado a partir da constatação de que a contribuinte, organizada sob a forma de associação civil, constituída no ano de 2007, apresentou declaração de Pessoa Jurídica Inativa no anocalendário 2008, não obstante tenha auferido receitas de serviços prestados junto ao Banco Cruzeiro do Sul S/A, conforme informação extraída da DIRF pela fiscalização e, ainda, apresentado movimentação financeira em conta bancária junto ao Banco Real, no mesmo ano, superior a nove milhões e duzentos mil reais, o que contradiz a informação prestada na declaração apresentada ao Fisco. Intimada a apresentar a documentação contábil e fiscal, a interessada informou que "não efetuou a escrituração contábil, por não possuir em sua guarda os documentos para proceder a escrituração dentro do disposto nas normas contábeis" e "que não fazia emissão de nota fiscal ou nota de corretagem quando da prestação desses serviços, a cuja informação acrescenta não ter havido impressão de talonário de notas fiscais para a ABAF". A interessada confirmou a prestação de serviços de intermediação de negócios para o Banco Cruzeiro do Sul S/A, dos quais decorreram as receitas informadas na DIRF. A autoridade fiscal intimou a fiscalizada, ora recorrente. a comprovar as origens dos créditos bancários individualmente especificados e identificar os beneficiários, bem como comprovar as operações e respectivas causas, dos pagamentos efetuados e/ou Fl. 5028DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.029 6 recursos entregues constantes das operações de débitos bancários individualmente especificados. Em resposta, após ter pedido prorrogação e ser novamente intimada, a interessada informou que "não possui documentos em seus arquivos para comprovar as origens dos valores creditados nas contas bancárias de sua titularidade'" e acrescentou que "também não possui em seus arquivos documentos que possibilitem a comprovação das operações que motivaram os pagamentos referentes aos débitos bancários apontados pela fiscalização". Não obstante, a interessada anexou à resposta uma relação (229 a 559) de pessoas que seriam as beneficiárias dos pagamentos realizados pela ABAF no anocalendário 2008, com base em informações que teriam sido prestadas pelo Banco." Conforme bem sintetizado no acórdão recorrido, a autoridade fiscal, diante dos elementos apresentados, procedeu à notificação de suspensão da isenção, intimando a interessada a apresentar as alegações e provas necessárias para contrapor à constatações de que houve o descumprimento dos requisitos legais para o gozo da isenção conforme incisos do § 3º do artigo 174 do RIR/99 (falta de escrituração contábil; falta de conservação dos documentos que comprovem a origem de receitas e efetivação de despesas, bem como a realização de quaisquer operações que modifiquem a situação patrimonial; e falta de apresentação de declaração de rendimentos, pois apresentou declaração de inatividade para o anocalendário de 2008). Como não houve apresentação de alegações e provas contrárias ao constante da notificação fiscal foi publicado em 06/06/2012 ADE suspendendo a isenção (fls. 581), tendo sido uma cópia entregue à interessada. A autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do lucro da interessada, com base no art. 530, inc III do RIR/1999, tendo em vista a inexistência de escrituração contábil e fiscal e à não apresentação dos documentos relativos às operações realizadas pela interessada. O lucro arbitrado foi obtido por meio da aplicação do art. 519, §1°, III, alínea "b", do RIR/99 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 15, § 1o), que define um percentual de 32% de presunção de lucro sobre as receitas auferidas nas atividades de intermediação de negócios, acrescido de 20% em atendimento ao art. 532, do RIR/99 (Lei n°9.249, de 1995, art. 16), resultando em um percentual de 38,4 % a ser aplicado sobre as receitas omitidas). Foram apuradas receitas omitidas relativas a serviços prestados ao Banco Cruzeiro do Sul S/A e a depósitos bancários de origem não comprovada. Tendo em vistas à não identificação dos beneficiário e a não comprovação das operações e/ou sua causa, a fiscalização efetuou o lançamento do IRRF, com base no art. 61 da Lei nº 8981/1995 sobre todos os pagamentos identificados na conta corrente junto ao Banco Real. A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada no lançamento, por entender caracterizada a conduta dolosa da recorrente, ao apresentar declaração de pessoa jurídica inativa, não obstante a clara existência de atividade espelhada não apenas nas receitas informadas em DIRF, mas também da vultosa movimentação financeira experimentada, não sendo crível, segundo a fiscalização, que a informação prestada tenha sido fruto de mera desorganização interna da interessada. Fl. 5029DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.030 7 Entendeu a autoridade fiscal que existem "vestígios materiais suficientes para concluir que a conduta da ABAF em apresentar Declaração de Pessoa Jurídica Inativa teve como propósito enganar a Administração Tributária mediante prestação de declaração falsa para suprimir os tributos decorrentes da atividade empresarial exercida, o que caracteriza evidente intuito de fraude com a conseqüente qualificação da multa de ofício majorandoa para 150% conforme parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9430/96." Intimada, a interessada apresentou impugnação, na qual deduz as alegações que foram bem sintetizadas no acórdão recorrido, verbis: DA INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS E DA IMPOSSIBILIDADE DE SUJEIÇÃO DOS VALORES CREDITADOS NA CONTACORRENTE DA ABAF À INCIDÊNCIA DO IRPJ, CSLL, COFINS E PIS a) A impugnante é pessoa jurídica de direito privado, regularmente constituída na forma de associação civil, sem fins lucrativos, tendo por objeto social, na forma do estatuto social no ponto que interessa ao presente processo administrativo, manter acordos com bancos ou instituições financeiras para oferecer serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco, a serem prestados por terceiros a ela associados. b). O objetivo central da impugnante sempre foi congregar associados cuja atividade ordinária fosse o agenciamento financeiro isto é, o desempenho profissional dos serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e Intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco e, exatamente em função do tamanho e da força do grupo associativo formado em torno da ABAF, obter condições de remuneração mais vantajosas para a realização dos serviços de intermediação financeira, junto às entidades interessadas, do que aquelas que poderiam ser conseguidas por cada associado isoladamente. c) Com fundamento nesse desígnio, portanto, a impugnante sempre atuou mantendo dois tipos de relacionamento jurídico: c1) por um lado, com os associados, responsabilizavase a) pelas negociações com as entidades interessadas para o oferecimento de serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco, aproveitandose da rede formada pelos próprios associados para obter melhores condições de remuneração para estes; (b) cobrança dos comissionamentos das contratantes em vista dos serviços prestados pelos associados; e (c) recebimento e repasse aos associados dos valores correspondentes às comissões por intermediação financeira; (c2) por outro lado, com as entidades interessadas, responsabilizavase pelos serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco exatamente aqueles serviços prestados pelos associados a ela vinculados, mediante a contraprestação de comissão correspondente aos financiamentos e empréstimos concedidos por aquelas. d) Ao manter tais relacionamentos jurídicos, a impugnante, na condição de entidade associativa sem fins lucrativos, a par de cumprir parte dos objetivos que lhe são impostos estatutariamente, não agiu em benefício próprio, mas, sim, assumiu Fl. 5030DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.031 8 sempre a função de mera intermediária e a intermediação, na hipótese, não tinha como objeto a realização pela própria ABAF do agenciamento financeiro ou qualquer outro tipo de prestação de serviços remunerada, mas, sim, a mera atuação como entidade coletiva que contrata em nome dos representados e, também em nome destes, recebe quantias, repassandoas imediatamente aos mesmos representados na condição de efetivos titulares. e) Devese diferenciar, por essa razão, a inexistência de objetivo lucrativo por parte da associação, que correspondente à ausência de atuação desta com habitualidade em atividades de caráter econômico visando ao lucro, e a possível ocorrência de objetivo lucrativo dos associados ao participarem de uma pessoa jurídica com tal perfil, que representa a possibilidade de utilizaremse da estrutura associativa união de pessoas para a perseguição de fins comuns como facilitadora do fechamento de negócios e para obter benefícios no exercício de atividades econômicas próprias. f) A associação, portanto, embora não possa exercer atividades econômicas que visem ao lucro, pode servir de veículo para viabilizar o oferecimento organizado do conjunto de bens e serviços dos associados, inclusive aproveitando a estrutura associativa para Intermediar a obtenção de contratações vantajosas para estes, que desenvolverão pessoalmente as atividades de cunho econômico que lhe são próprias. g) Interpretandose o contexto fático em questão, temse que, ao contratar com as entidades interessadas, a impugnante, embora o fizesse em nome próprio, agia por delegação/ordem e em função de benefício de terceiros, os associados, que eram, por sua vez, aqueles que efetivamente detinham a expertise e realizavam o serviço contratado e que, não por outra razão, eram remunerados por ele. h) Portanto, conforme os associados fossem realizando as operações e os financiamentos e empréstimos fossem aceitos e fechados pelos contratantes, estes realizavam o pagamento das comissões para a Impugnante, que imediatamente os atribuía ao efetivo titular, realizando o repasse respectivo sem qualquer remuneração própria. i) Notese, nesse ponto, que a Intermediação efetuada pela Impugnante não tinha como objeto a realização do agenciamento financeiro ou qualquer outro tipo de prestação de serviços remunerada, até porque não tinha expertise e nem estrutura operacional para tal desiderato, mas, sim, a mera atuação como entidade coletiva que contrata por delegação/ordem e benefício dos representados e, também em nome destes, recebe quantias, repassandoas imediatamente aos mesmos representados na condição de efetivos titulares. j) Na própria FICHA DE ASSOCIADO (fls. 932 a 1460), documento que constitui juridicamente o ato de associação na ABAF, encontrase prevista tal circunstância, com o seguinte texto: "Eu, [nome/razão social do associado], CPF/CNPJ: [CPF ou CNPJ do associado], autorizo minha inclusão no quadro social da ABAF Associação Brasileira de Agentes Financeiros e autorizo que seja descontado a quantia de R$ 1,00 mensal a ser descontado automaticamente das comissões a receber junto a entidade da qual faço parte." Obviamente, "as comissões a receber junto à entidade da qual faço parte" refletem os pagamentos realizados pelos contratantes por ocasião da aceitação dos empréstimos e financiamentos que tais associados tenham agenciado e que haviam Fl. 5031DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.032 9 sido pagos à ABAF para repasse para os efetivos prestadores de serviço, exatamente os associados. k) Sendo assim, temse que a impugnante nunca atuou como prestadora de serviços às entidades financeiras, seja por não desenvolver atividades econômicas, seja por não ter interesse e estrutura física e operacional para tal desiderato, mas participou como pessoa jurídica interposta, entre tais organismos e os associados, com a intenção de potencializar os ganhos destes nas operações de agenciamento financeiro e garantir, com isso, o cumprimento dos fins para a qual foi criada. l) As quantias em questão, remuneratórias da prestação de serviços de agenciamento financeiro efetuadas pelos associados, apenas transitavam na conta corrente da impugnante, que delas não fazia qualquer proveito, já que tão logo identificava o efetivo associadotitular, as repassava para este, mediante transferência bancária, conforme comprova os extratos bancários em anexo (fls 1461 a 1710), disponibilizados pelo Banco SANTANDER, instituição na qual a impugnante mantinha contacorrente, que identificam e individualizam todos os beneficiários das transferências realizadas. m) Na hipótese tratada, o pagamento que a impugnante recebia e o pagamento que a seguir realizava não eram, em qualquer instante, efetivados a título próprio, mas, sim, a título alheio ou por ordem de terceiro. O primeiro correspondia à remuneração paga pelo banco ou instituição financeira pelo agenciamento financeiro e, embora se implementasse por intermédio da ABAF, tinha como único titular o efetivo prestador de serviços, o associado. O segundo representava o repasse dessa remuneração ao real titular da verba. n) Em função dessa dinâmica operacional, podese afirmar que os valores pagos pelos contratantes, creditados na contacorrente da impugnante, não eram da titularidade desta, não vindo, em momento algum, a integrar o patrimônio da entidade, e, por conta disso, não têm o condão de representar, juridicamente, receita própria (transcreve ensinamentos de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino e Aires Fernando Barreto); o) Inclusive, foi em razão dessa circunstância de inexistência de receita própria que a impugnante, relativamente ao anocalendário de 2008, interpretando erroneamente, porém sem qualquer dolo, a legislação tributária, apresentou Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa. p) Frisese, ainda, que a impossibilidade de considerar as referidas rubricas receita própria da Impugnante, a par de afastar a incidência do art. 42 da Lei n° 9.430/96, que trata da omissão de receitas, também cria obstáculo para a Incidência das normas de tributação do IRPJ , CSLL, COFINS e PIS, inviabilizando a aplicação dos arts. 530 e 532 do RIR/99; art. 20 da Lei nº 9.249/95 e art. 2º da Lei nº 9.718/98. DA INAPLICABILIDADE DO ART. 61, § Io, DA LEI No 8.981/95 E DA IMPOSSIBILIDADE DE SUJEIÇÃO DOS VALORES DEBITADOS NA CONTA CORRENTE DA ABAF À INCIDÊNCIA DO IRRF q) a causa dos débitos bancários são conhecidas e os beneficiários foram identificados e individualizados. r) Conforme já referido, ao contratar com as entidades interessadas em agenciamento financeiro, a impugnante, embora o fizesse em nome próprio, agia por delegação/ordem e em função de benefício de terceiros, os associados, que eram, por sua vez, aqueles que efetivamente realizavam o serviço contratado e que, não por Fl. 5032DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.033 10 outra razão, eram remunerados por ele, por meio exatamente dos débitos bancários identificados pela fiscalização. s) A causa dos débitos, portanto, é o repasse dos valores pagos pelos contratantes a título de comissão pela prestação de serviços de agenciamento financeiro por parte dos associados da impugnante. A circunstância de terem prestado os serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco, fez os associados credores do correspondente comissionamento, o qual, cobrado e recebido pela ABAF, na condição de entidade associativa sem fins lucrativos e sem atividade operacional de caráter econômico, era imediatamente repassado aos efetivos titulares de tais verbas os próprios associados que prestavam os serviços de agenciamento financeiro. t) Inclusive, cruzandose todas as FICHAS DE ASSOCIAÇÃO (fls. 932 a 1460) com os beneficiários identificados nos extratos bancários (fls 1461 a 1710), chegase à conclusão de que a Integralidade dos débitos tiveram como credores os associados da impugnante, confirmando e comprovando, em termos inquestionáveis, que há um nexo indissociável entre a causa do repasse {prestação de serviços de agenciamento financeiro peio associado sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante) e os beneficiários identificados {associados da ABAF que prestaram serviços de agenciamento financeiro sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante). Além disso, o referido cruzamento, ao ser ampliado e comparado com os créditos realizados, confirma e comprova que a diferença de tempo entre o crédito e a transferência a débito em favor do associado/beneficiário titular sempre foi significativamente reduzida, exatamente em função de impugnante atuar apenas como intermediária para a obtenção de uma contratação em condições mais vantajosas. DA AUSÊNCIA DO DEVER DE RETENÇÃO E DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DO IRRF u) Não sendo caso para a aplicação do art. 61, § Io, da Lei n° 8.981/95, cumpre examinar se seria hipótese de incidência dos arts. 620 e 651, do RIR, que estabelecem, respectivamente, o dever de a pessoa jurídica que paga rendimentos de prestação de serviços a pessoas físicas ou jurídicas fazer a retenção do IRRF. v) Conforme mencionado, ao assumir o perfil jurídico de mera intermediária dos próprios associados, servindo de veículo para o oferecimento dos serviços destes de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco para os contratantes, a impugnante recebia por delegação e ordem dos associados o pagamento das comissões correspondentes aos serviços prestados, atribuíaos ao efetivo associadotitular e, imediatamente, realizava o repasse respectivo sem qualquer remuneração própria. w) Não havia qualquer relação jurídica de prestação de serviços entre os associados e a impugnante, de sorte que as quantias que transitavam da conta bancária desta para a daqueles não tinham a natureza remuneratória ou de rendimento. x) Sendo assim, em função de os recursos que transitaram da contacorrente da impugnante para a dos associados não terem a natureza jurídica de pagamento de remuneração ou rendimento por prestação de serviços, mas mero repasse (pagamento a título alheio ou por conta de terceiro), não é caso para a aplicação da Fl. 5033DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.034 11 regra dos arts. 620 e 651, do RIR/99, já que apenas o pagamento de prestação de serviços pela própria tomadora ao prestador é que, na linha dos referidos dispositivos, dá origem ao dever de reter e recolher o IRRF. y) Vale destacar, nesse ponto, que não há norma jurídica válida que determine o dever de pessoas jurídicas que realizam repasses, isto é, pagamento a título alheio ou por conta de terceiro, que não são tomadoras de serviço dos beneficiários dos referidos recebimentos, efetuarem qualquer retenção e correspondente recolhimento a título de IRRF. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA POR INEXISTÊNCIA DE FRAUDE z) Examinandose os fatos arrolados pela Autoridade Fiscal, vêse que é desproporcional e irrazoável a interpretação positivada no auto de infração impugnado, no sentido de que, a partir dos fatos mencionados, "entende haver vestígios materiais suficientes para concluir que a conduta da ABAF em apresentar Declaração de Pessoa Jurídica Inativa teve como propósito enganar a Administração Tributária', e, por essa razão, aplica a multa qualificada. aa) A Autoridade Fiscal considerou ter havido, no caso tratado, a configuração da hipótese do art. 72 da Lei 4.502/64 que menciona a fraude. Na linha do referido dispositivo, fraude constituise em "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento." bb) Como mencionado, o fato de a impugnante receber por delegação e ordem dos associados o pagamento das comissões correspondentes aos serviços prestados por estes e realizar o repasse respectivo sem qualquer remuneração a título próprio, de sorte que as quantias em questão, remuneratórias da prestação de serviços de agenciamento financeiro efetuadas pelos associados, apenas transitavam na conta corrente da ABAF, que delas não fazia qualquer proveito, não as integrando em momento algum ao patrimônio, levoua a concluir que tais verbas não poderiam ser consideradas receitas próprias da entidade. E foi a partir dessa circunstância de inexistência de receita própria que fez a impugnante, relativamente ao ano calendário de 2008, interpretando erroneamente, porém sem qualquer dolo, a legislação tributária, apresentar Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa. cc) O equívoco formal, entretanto, gerado por imperícia técnica na interpretação da legislação, não pode, em face da razoabilidade, da proporcionalidade e da aplicação do art. 112 do CTN, ser transmudado em dolo sem fundamento consistente e comprovação efetiva e concreta de que a impugnante agiu com efetiva máfé. dd) A simples entrega de Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica Inativa, ainda que se considere o que, vale frisar, se continua questionando e se admite apenas para efeitos argumentativos ter havido omissão de receitas, não é causa suficiente para considerarse existente o dolo, como já decidiu em mais de uma oportunidade o CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS( Transcreve duas ementas) ee) Sendo assim, a interpretação desenvolvida no auto de infração para a aplicação da multa qualificada, segundo a qual a entrega da Declaração de Inatividade seria, por si só, causa para a existência de fraude, não subsiste ao exame Fl. 5034DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.035 12 da realidade dos fatos narrados e comprovados segundo a proporcionalidade, a razoabilidade e a interpretação benéfica do art. 112 do CTN. ff) Embora a comprovação da ausência de dolo sirva isoladamente para o afastamento da multa qualificada, cumpre referir que o caso tratado não se coaduna, igualmente, com qualquer uma das demais características de fraude, quais sejam o impedimento ou retardamento, total ou parcial, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal; e a exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal gg) o impedimento ou retardamento, total ou parcial, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, pressupõe que a atividade operacional seja reorganizada de modo a evitar ou procrastinar, por simulação, a ocorrência do fato gerador. Na hipótese dos autos, não apenas se acredita que efetivamente não houve o implemento do fato gerador do IRPJ, da CSLL, da COFINS e do PIS, pois não existiu receita própria, como também, ainda que se suponha ter havido o fato gerador, este não foi de qualquer forma objeto de impedimento ou retardamento. hh) Do mesmo modo, no que diz respeito à exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal temse que o objetivo é reduzir o montante do imposto devido ou evitar ou diferir o seu pagamento, o que equivale ao uso de subterfúgios evasivos para que a ocorrência do fato gerador não seja notada pela fiscalização. Na hipótese dos autos, isso efetivamente não ocorreu, pois, ainda que se abstraia a defesa de que não houve receita própria, a verdade é que a simples circunstância de todas as operações terem sido realizadas por meio bancário, com todos os controles existentes pela Receita Federal do Brasil e pelos demais órgãos públicos de fiscalização das instituições financeiras e das movimentações bancárias, cria a presunção absoluta, sem a possibilidade de qualquer refutação, de que nunca foi a intenção da Impugnante excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador. A contribuinte finaliza a impugnação requerendo a admissão desta e que lhe seja dado provimento para o fim de: 1) invalidar o auto de infração impugnado, no ponto que impõe a incidência do art. 42 da Lei n° 9.430/96 e a cobrança do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS sobre os créditos bancários realizados durante o anocalendário de 2008, reconhecendo a inexistência de omissão de receitas e, ainda, a inocorrência de efetivo auferimento de receitas próprias da ABAF que justificasse a incidência dos referidos tributos federais; 2) invalidar o auto de infração impugnado, no ponto que impõe a incidência do art. 61, § Io, da Lei n° 8.981/95 e a cobrança do IRRF sobre os lançamentos bancários a débito realizados durante o anocalendário de 2008, reconhecendo que há identificação da causa (prestação de serviços de agenciamento financeiro pelo associado sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante) e dos beneficiários (associados da ABAF que prestaram serviços de agenciamento financeiro sob o abrigo do contrato guarda chuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante), bem como não ser caso de incidência subsidiária dos arts. 620 e 651 do RIR, em virtude de os recursos que transitaram da contacorrente da ABAF para a dos beneficiários associados não terem a natureza jurídica de pagamento de remuneração ou rendimento por prestação de serviços cuja tomadora fosse a própria impugnante; 3) na hipótese de ser mantida, total ou parcialmente, as autuações mencionadas nos pedidos 1) e 2), supra, invalidar o auto de infração impugnado, no Fl. 5035DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.036 13 ponto que impõe a incidência do art. 44, § Io, da Lei n° 9.430/95 e a cobrança de multa agravada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), reconhecendo que não houve qualquer fraude que justificasse a imposição da referida sanção. 4) A impugnante protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, sobretudo apresentação de novos documentos. Intimada do acórdão recorrido em 18/09/2017 (Ar fls. 4962), a interessada apresentou recurso voluntário (fls. 4966/4998) em 16/10/2017 (Termo de solicitação de juntada, fls. 4964), no qual, em síntese, reitera as alegações trazidas na impugnação e refuta as conclusões do acórdão recorrido, por ter desconsiderados aspectos fundamentais dos fatos e dos direitos, destacandose, verbis: (i) em primeiro lugar, a autuação violou os arts. 530 e 532 do RIR, 20 da Lei nº 9.249/95 e 2º da Lei nº 9.718/98, que estabelecem, respectivamente, que se considera ocorrido o fato gerador do IRPJ – lucro arbitrado, da CSLL, da COFINS e do PIS, quando houver efetivo auferimento de receita própria, além do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois ao tomar os créditos bancários como omissão de receitas deixou de reconhecer que, pelas especificidades da atividade da recorrente, tais verbas, para efeitos jurídicotributários, não eram efetivas receitas próprias da ABAF, mas, sim, remunerações de terceiros, associados da própria recorrente, que apenas transitavam pela contacorrente da entidade associativa, não podendo, por isso, ser atribuídas à titularidade desta e tributadas; (ii) em segundo lugar, a autuação afrontou o art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95, que estabelece a incidência exclusiva do IRRF sobre os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cujas causas não foram comprovadas, porque há identificação da causa (prestação de serviços de agenciamento financeiro pelo associado sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o contratantemutuante) e os beneficiários são identificados (associados da ABAF que prestaram serviços de agenciamento financeiro sob o abrigo do contrato guarda chuva mantido pela ABAF com o contratantemutuante); (iii) por fim, em terceiro lugar, ainda que, para efeitos argumentativos, seja mantida, total ou parcialmente, a autuação mencionada nos itens (i) e/ou (ii), supra, o auto de infração não cumpriu a exigência do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/95, pois não houve qualquer comprovação concreta, na descrição dos fatos, de existência de efetiva fraude, para justificar a imposição da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Com base em tais alegações, ao final requer, verbis: (i) invalidar o auto de infração impugnado, no ponto que impõe a incidência do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e a cobrança do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS sobre os créditos bancários realizados durante o anocalendário de 2008, reconhecendo a inexistência de omissão de receitas e, ainda, a inocorrência de efetivo auferimento de receitas próprias da ABAF que justificasse a incidência dos referidos tributos federais; (ii) invalidar o auto de infração impugnado, no ponto que impõe a incidência do art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/95 e a cobrança do IRRF sobre os lançamentos bancários a débito realizados durante o anocalendário de 2008, reconhecendo que há identificação da causa (prestação de serviços de agenciamento financeiro pelo associado sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante) e dos beneficiários (associados da ABAF que prestaram serviços de agenciamento financeiro sob Fl. 5036DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.037 14 o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante), bem como não ser caso de incidência subsidiária dos arts. 620 e 651 do RIR, em virtude de os recursos que transitaram da contacorrente da ABAF para a dos beneficiários associados não terem a natureza jurídica de pagamento de remuneração ou rendimento por prestação de serviços cuja tomadora fosse a própria recorrente; (iii) na hipótese de ser mantida, total ou parcialmente, as autuações mencionadas nos pedidos (i) e (ii), supra, invalidar o auto de infração impugnado e a decisão recorrida, no ponto que impõe a incidência do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/95 e a cobrança de multa agravada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), reconhecendo que (a) a manutenção da multa qualificada é ilegal, pois a própria decisão recorrida reconheceu que inexistiu qualquer fraude, invalidando o fundamento legal a autuação levada a efeito, e não ser possível ao Órgão Julgador Administrativo, inovando o processo, alterar o fundamento jurídico da autuação e manter a multa qualificada por outra base jurídica; ou, subsidiariamente, (b) não houve qualquer sonegação que justifique a imposição da referida sanção. É o relatório. Fl. 5037DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.038 15 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, deve ser conhecido. A controvérsia em discussão decorre da constatação pela fiscalização que a contribuinte, ora recorrente, constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos no ano de 2007, embora tenha apresentado declaração de pessoa jurídica inativa no anocalendário 2008, auferiu receitas de prestação de serviços, informadas em DIRF pela fonte pagadora, e apresentou movimentação financeira em contas bancárias, com créditos identificados superiores a nove milhões de reais. Intimada a esclarecer as operações e apresentar a documentação contábil e fiscal relativa às suas atividades, a contribuinte informou não possuir nem escrituração contábil nem os documentos que serviriam ao registro das operações realizadas no ano de 2008. A fiscalizada, admitiu ter recebido valores relativos à prestação de serviços, objeto de contrato com o Banco Cruzeiro do Sul S/A, informadas na DIRF. Por outro lado, intimada a identificar a origem dos recursos creditados em sua conta bancária junto ao Banco Real no ano de 2008, informou não possuir os documentos em seus arquivos que pudessem comprovar a origem dos valores creditados na conta de sua titularidade. Com relação aos pagamentos referentes aos débitos identificados em sua conta corrente bancária, a recorrente também informou não possuir os documentos comprobatórios das operações, mas apresentou uma relação parcial das pessoas que seriam as beneficiárias dos pagamentos realizados pela ABAF no ano de 2008, e que seriam repasse de comissões a que fariam jus os associados decorrentes da prestação de serviços que teriam sido por ela contratados junto a terceiros. Diante dos fatos apurados, a fiscalização entendeu que a interessada descumpriu os requisitos para o gozo da isenção como associação sem fins lucrativos e promoveu a notificação da recorrente para apresentar suas alegações contra a proposta de suspensão do benefício no ano de 2008, não havendo manifestação da contribuinte, ora recorrente. Na sequência foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 109, de 30/05/2012, pela Delegada da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, publicada no DOU em 06/06/2012 (fls. 580/581), declarando suspenso o gozo, por parte da contribuinte, da isenção tributária prevista no art. 174 do RIR/1999 no anocalendário 2008. Em consequência a autoridade fiscal lavrou autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, apurando receitas omitidas de prestação de serviços e apurada em face de créditos bancários de origem não comprovada. Fl. 5038DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.039 16 Ante a ausência de escrituração contábil e da documentação de suporte, o lucro foi apurado com base em arbitramento, nos termos do art. 530, inc. III do RIR/1999. A fiscalização procedeu ainda ao lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, em face dos pagamentos identificados na conta bancaria da contribuinte. A recorrente alega que "a autuação violou os arts. 530 e 532 do RIR, 20 da Lei nº 9.249/95 e 2º da Lei nº 9.718/98, que estabelecem, respectivamente, que se considera ocorrido o fato gerador do IRPJ – lucro arbitrado, da CSLL, da COFINS e do PIS, quando houver efetivo auferimento de receita própria, além do art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois ao tomar os créditos bancários como omissão de receitas deixou de reconhecer que, pelas especificidades da atividade da recorrente, tais verbas, para efeitos jurídicotributários, não eram efetivas receitas próprias da ABAF, mas, sim, remunerações de terceiros, associados da própria recorrente, que apenas transitavam pela contacorrente da entidade associativa, não podendo, por isso, ser atribuídas à titularidade desta e tributadas". Ou seja, não haveria base de cálculo a ser tributada, uma vez que todos os valores ingressados na conta bancária da recorrente não lhe pertenceriam, mas sim ao conjunto de seus associados que seriam os reais prestadores dos serviços contratados pela associação em nome deles e, portanto, os reais detentores dos rendimentos representados pelos créditos identificados nas suas contas. A recorrente busca amparar suas alegações na natureza jurídica como foi constituída, ou seja, associação civil, sem fins lucrativos, e no seu objeto social que consistiria em manter acordos com bancos ou instituições financeiras para oferecer serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco, a serem prestados por terceiros a ela associados. Segundo relata, sua atuação consistiria, por um lado, com relação aos associados, em responsabilizarse pelas negociações com as entidades interessadas para o oferecimento de serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco, aproveitandose da rede formada pelos próprios associados para obter melhores condições de remuneração para estes; cobrança dos comissionamentos das contratantes em vista dos serviços prestados pelos associados; e recebimento e repasse aos associados dos valores correspondentes às comissões por intermediação financeira e, de outro, com relação às entidades interessadas, responsabilizarse pelos serviços de elaboração de cadastro, encaminhamento e intermediação de pedidos de financiamentos e empréstimos, análise de crédito e avaliação de risco exatamente aqueles serviços prestados pelos associados a ela vinculados, mediante a contraprestação de comissão correspondente aos financiamentos e empréstimos concedidos por aquelas. Alega que na condição de entidade associativa sem fins lucrativos, além de cumprir parte dos objetivos que lhe são impostos estatutariamente, não agiu em benefício próprio, mas, sim, assumiu sempre a função de mera intermediária e a intermediação, na hipótese, não tinha como objeto a realização por ela própria do agenciamento financeiro ou qualquer outro tipo de prestação de serviços remunerada, mas, resumia sua atuação como entidade coletiva que contrata em nome dos representados e, também em nome destes, recebe quantias, repassandoas imediatamente aos mesmos representados na condição de efetivos titulares. Fl. 5039DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.040 17 Com a devida vênia, a narrativa da recorrente quanto ao seu propósito de atuação, conquanto bem estruturada, padece do fato de não estar amparada por elementos concretos que possam corroborála. Ainda que verdadeira fosse toda a descrição feita pela recorrente quanto ao seu objeto e modus operandi, não há nenhum registro contábil e documental que a demonstre e comprove. O simples fato de ser constituída como associação civil sem fins lucrativos e ter como objeto as atividades acima descritas, não são suficientes, per si, para permitir o reconhecimento de que os recursos ingressados em suas contas decorram exatamente da atividade tal como descrita e assegurar o gozo do benefício isencional a que fazem jus as entidades associativas sem fins lucrativos. É que o gozo do benefício de isenção tributária está condicionado ao atendimento de diversos requisitos legais que deixaram de ser observados pela interessada. Com efeito, o art. 170, § 3º do RIR/1999, aplicável às entidades isentas por força do art. 174, § 3º do mesmo diploma, estabelece, verbis: Art. 170. [...] [...] § 3º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12, § 2º): I não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; II aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; III manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; IV conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; V apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; [...] No presente caso, a recorrente não manteve qualquer escrituração de suas receitas e despesas, nem tampouco conservou em boa ordem os documentos comprobatórios da origem de suas receitas e despesas e de suas demais operações. Além disso, apresentou declaração como pessoa jurídica inativa no ano 2008. Fl. 5040DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.041 18 Sem tais elementos não há sequer como aferir se cumpriu os dois primeiros requisitos, quais sejam, não remunerar seu dirigentes sob qualquer forma e aplicar integralmente os recursos na manutenção dos seu objetivos sociais. De fato, os únicos documentos que a recorrente trouxe ao autos foram uma relação, fornecidas pelo Banco Real, contendo milhares de pagamentos a diversos beneficiários que seriam seu associados (Doc 5 da impugnação fls. 1461 a 4538) e centenas de documentos denominados Fichas de Associados que autorizam a inclusão dos signatários nos seus quadros associativos (Doc 4 da impugnação fls. 932 a 1460). Embora afirme que todos os pagamentos indicados na relação foram feitos a seus associados, a recorrente não fez um liame entre cada um desses pagamentos e a ficha de associação. Ainda que haja coincidência entre o nome dos beneficiários e os constantes das fichas de associação, o fato concreto é que não foi apresentada, nem mesmo por amostragem, qualquer comprovação acerca da origem e natureza dos serviços prestados por cada um dos beneficiários e o respectivo pagamento. Além destes documentos, acerca das atividades da recorrente, encontrase nos autos apenas o Instrumento Particular de Subcontratação (fls. 28/45), firmado entre o Banco Cruzeiro do Sul S/A (contratante), Agiplan Serviços Financeiros Ltda (contratada) e ABAF (subcontratada), mediante o qual a recorrente foi subcontratada pela Agiplan para prestar serviços ao Banco Cruzeiro do Sul, em decorrência do contrato de prestação do serviço de correspondente bancário firmado por ela com o banco contratante em junho de 2006. De acordo com a clausula 26 do referido acordo, os serviços contratados são disciplinados pelas Resoluções nº 3.110, de 31/10/2003 e 3.156, de 17/12/2003 do Banco Central do Brasil Bacen. Estes atos do Bacen disciplinam a contratação por instituições financeiras, de empresas para a realização de serviços de correspondentes bancários. No referido contrato não há qualquer referência aos associados da recorrente como intervenientes prestadores dos serviços pactuados. Todos os direitos e obrigações estabelecidos em face da subcontratada estão expressamente vinculados à ABAF. Assim, o referido contrato apresentase como um instrumento voltado à prática de atos mercantis por parte da recorrente e não um instrumento de aproximação e negociação dos associados da ABAF com a parte interessada nos serviços que seriam por eles (associados) executados, no qual a ABAF agiria como mera intermediária perante a empresa contratante, como alega. De outra parte, compulsando os autos e examinando a resposta apresentada pela contribuinte (fls 221/228), na qual prestou informações acerca dos pagamentos efetuados e apresentou uma relação de parte deles que seriam vinculados a pagamentos aos seus associados como retribuição pelos serviços, verifico que valores significativos que não foram identificados, como por exemplo: 10/01/2008 R$ 30.000,00 não localizado 16/01/2008 R$ 21.000,00 não localizado 01/02/2008 RS 16.000,00 não localizado 08/02/2008 R$ 14.000,00 não localizado 15/02/2008 R$ 18.000,00 não localizado 25/02/2008 RS 10.000,00 não localizado 27/02/2008 R$ 35.000,00 não localizado 19/03/2008 R$ 22.000,00 não localizado Fl. 5041DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.042 19 02/04/2008 R$ 65.000,00 não localizado 18/04/2008 RS 100.000,00 não localizado 22/04/2008 R$ 56.000,00 não localizado 25/04/2008 R$ 20.000,00 não localizado 05/05/2008 RS 14.000,00 não localizado 05/05/2008 RS 40.000,00 não localizado 20/05/2008 R$ 60.000,00 não localizado 29/05/2008 R$ 40.000,00 não localizado 11/07/2008 RS 15.000,00 não localizado 22/07/2008 R$ 21.000,00 não localizado 19/12/2008 RS 10.000,00 não localizado Assim, diante dos elementos apresentados pela recorrente, seja durante a fiscalização, seja junto com sua impugnação, resta mais do que justificada a suspensão tributária prevista no art. 174 do RIR/1999 no anocalendário 2008, uma vez que a contribuinte não possui escrituração de suas receitas e despesas, não manteve a guarda dos comprovantes das operações realizadas, que comprovem a natureza e origem de suas receitas e a efetividade de suas despesas, o que impede que se verifique se os seus recursos foram integralmente aplicados em seu objeto social e se não foram remunerados seus dirigentes sob qualquer forma. Completando este quadro fático, a interessada apresentou declaração de pessoa jurídica inativa. Melhor sorte não encontra os argumentos da fiscalizada no que concerne a alegação de que estaria justificada a origem e aplicação dos recursos uma vez que estes teriam se originado dos contratos firmados com terceiros para a prestação dos serviços pelos seus associados e posteriormente cobrados e repassados aos associados e que, diante deste fato a recorrente não teria auferido receitas que pudessem ser submetidas à tributação. Ora, não há qualquer prova das alegações da recorrente nos autos, motivo pelo qual também se revela acertada a apuração, por parte da autoridade fiscal, do resultado tributável com base no lucro arbitrado, ante a ausência de escrituração contábil e da documentação que lhe daria suporte. Com relação à base de cálculo apurada pela autoridade fiscal, verificase que um pequena parte referese à omissão de receitas de prestação de serviços, informada em DIRF pelo Banco Cruzeiro do Sul S/A e objeto de confirmação pela fonte pagadora, com a apresentação de contrato e recibos. Por outro lado, resta caracterizada a presunção legal de omissão de receitas apurada com base em créditos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que a recorrente não se desincumbiu de demonstrar e comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta corrente bancária junto ao Banco Real. Por todo o exposto, deve ser mantido integralmente o lançamento de IRPJ apurado com base no lucro arbitrado, bem como os lançamentos reflexos relativos às contribuições sociais: CSLL, PIS e Cofins. Com relação ao lançamento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, nos termos do art. 61 da Lei .8981/1995, a recorrente alega que há que ser cancelado, mediante o reconhecimento de que há "identificação da causa (prestação de serviços de agenciamento financeiro pelo associado sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante) e dos beneficiários (associados da ABAF que prestaram serviços de agenciamento financeiro sob o abrigo do contrato guardachuva mantido pela ABAF com o banco ou instituição financeira mutuante" e que, também, não é o "caso de incidência subsidiária dos arts. 620 e 651 do RIR, em virtude de Fl. 5042DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.043 20 os recursos que transitaram da contacorrente da ABAF para a dos beneficiáriosassociados não terem a natureza jurídica de pagamento de remuneração ou rendimento por prestação de serviços cuja tomadora fosse a própria recorrente". Também neste tópico não tem razão a recorrente. Embora a recorrente tenha trazido aos autos uma extensa relação de pessoas físicas e jurídicas que seriam as beneficiárias de grande parte dos pagamentos apontados pela fiscalização como sem identificação do beneficiário e nem da sua causa, bem como juntado um conjunto de documentos que representariam a ficha de adesão dos chamados "benefíciários associados" ao seu quadro social, não demonstrou o liame entre cada pagamento ou crédito em favor de terceiros com operações que teriam sido praticadas por estes no âmbito das relações contratuais da qual seria mera intermediária. Ora, a recorrente não trouxe aos autos nenhum documento que pudesse esclarecer e comprovar a origem dos recursos ingressados em suas contas, bem como as operações que teriam dado causa aos pagamentos efetuados aos beneficiários. Ainda que se considerasse comprovado que todos os pagamentos teriam sido feitos aos seus associados, o que a recorrente alega de forma genérica, sem demonstrar e nem sequer fazer o cotejo de cada beneficiário à sua ficha de associado, não restou demonstrada a causa de cada um dos pagamentos. A simples alegação, também genérica, de que a causa destes seria a prestação dos serviços de agenciamento financeiros intermediados pela recorrente junto a bancos ou instituições financeiras, com base a apenas no que seria o objeto social da recorrente previsto em seus estatutos, desprovida da demonstração de quais serviços e a quem foram prestados, não se presta a invalidar a conclusão fiscal de que tais pagamentos, além de não estarem identificados, não tiveram sua causa comprovada. Neste contexto, é irrelevante se os pagamentos efetuados aos beneficiários, ainda que associados à recorrente, por sua natureza, estariam ou não sujeitos à incidência do IRRF, na forma prevista nos arts. 620 e 651 do RIR/1999, uma vez que não foi comprovada sua causa. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto à exigência de IRRF. Por fim, resta analisar as alegações recursais suscitadas contra a aplicação da multa qualificada. Aqui a recorrente alega que a manutenção da multa qualificada é ilegal, pois a própria decisão recorrida reconheceu que inexistiu qualquer fraude, invalidando o fundamento legal a autuação levada a efeito, e não ser possível ao Órgão Julgador Administrativo, inovando o processo, alterar o fundamento jurídico da autuação e manter a multa qualificada por outra base jurídica; ou, subsidiariamente e que não houve qualquer sonegação que justifique a imposição da referida sanção. A autoridade fiscal, assim descreveu os fatos no TVF, que levaram à conclusão quanto à necessidade de qualificação da multa, verbis: Fl. 5043DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.044 21 5 A Qualificação da Multa de Ofício Durante todo o anocalendário 2008, a ABAF movimentou mais de 9 milhões de reais em sua conta bancária (doc. 15A) e auferiu receitas operacionais com intermediação de negócios (docs. 10, 10A1 e 10A2), conforme demonstrado no gráfico a seguir: [...] gráfico omitido Entretanto, em 24/03/2009 a ABAF apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa (doe. 1 ND 4277027), Ex. 2009/AC 2008, declarando à Receita Federal do Brasil que permaneceu durante todo o período de 01/01/2008 a 31/12/2008 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. Intimada em 09/01/2012 (Termo de Intimação Fiscal N° 05 doc. 17) a justificar a divergência entre a contínua atividade operacional no anocalendário 2008 e a Declaração de Pessoa Jurídica Inativa para o mesmo período, a ABAF respondeu em 13/03/2012 (doc. 21) que "sofreu todas as consequências da falta de estrutura organizacional, fluxo de documentos e informações. Assim, se estabeleceu enorme dificuldade entre os membros da associação, a administração e os encarregados de prestar informações, inclusive as de ordem fiscal. Esta falta de sintonia por si só justifica a divergência nominada, em relação a Declaração de Inatividade e a informação do estabelecimento bancário citado". Não é crível que os "encarregados de prestar informações de ordem fiscal" em nome da ABAF apresentassem Declaração de Pessoa Jurídica Inativa por falta de "sintonia" com a administração da ABAF e, ainda que o fosse, não eximiria a responsabilidade dos administradores da pessoa jurídica pela declaração falsa, mormente porque o Presidente da ABAF, Sr. Rodrigo Leal Kalicheski, CPF 980.305.74053, constou da Declaração de Pessoa Jurídica Inativa não só como representante da pessoa jurídica, mas também como responsável pelo preenchimento da referida Declaração de Inatividade (doc. 1). O Sr. Rodrigo Leal Kalicheski, na qualidade de Presidente da ABAF, assinou em janeiro do anocalendário 2008 o contrato de prestação de serviços (doc. 10A1) entre a ABAF e o Banco Cruzeiro do Sul S/A, para intermediar a captação de pessoas interessadas em obter empréstimos junto ao referido Banco, conforme Parágrafo Primeiro do contrato em epígrafe: PARÁGRAFO PRIMEIRO Caberá à SUBCONTRATADA, para a realização dos serviços (a) prospectar e encaminhar clientela ao CRUZEIRO DO SUL; (grifo nosso) Não é razoável que durante todo o anocalendário 2008, a ABAF movimentasse, ininterruptamente, um montante de mais de 9 milhões de reais em conta bancária de sua titularidade, alegadamente com empréstimos concedidos pelo Banco Cruzeiro do Sul a terceiros, mas não guardasse um único documento que, ao menos, comprovasse a existência de um empréstimo repassado a terceiro. Menos plausível ainda é que em 24/03/2009 (cerca de 3 meses após intensa atividade), a apresentação de Declaração de Pessoa Jurídica Inativa (doc. 1) pela ABAF tenha sido causada por "falta de estrutura organizacional" (doc. 21). Fl. 5044DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.045 22 Em suma, a ABAF foi criada no 2o semestre de 2007 como uma associação sem fins lucrativos para defender interesses de seus associados, em janeiro de 2008 assinou contrato com o Banco Cruzeiro do Sul para prospectar terceiros (não associados) interessados em obter empréstimo junto ao Banco Cruzeiro do Sul, movimentou mais de 9 milhões de reais em conta bancária de sua titularidade durante todo o anocalendário 2008 sem manter qualquer documento sobre os alegados empréstimos e, por fim, declarou em 24/03/2009 à Receita Federal do Brasil que permaneceu durante todo o período de 01/01/2008 a 31/12/2008 sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial (Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa doc. 1). Ante o exposto, entendemos haver vestígios materiais suficientes para concluir que a conduta da ABAF em apresentar Declaração de Pessoa Jurídica Inativa teve como propósito enganar a Administração Tributária, mediante prestação de declaração falsa, para suprimir os tributos decorrentes da atividade empresarial exercida, o que caracteriza evidente intuito de fraude com a conseqüente qualificação da multa de ofício. Por essas razões, a fiscalização qualificou a multa de ofício, majorandoa para 150%, consoante à legislação de regência: Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § lº O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os cálculos das multas e dos juros de mora estão minuciosamente demonstrados no Auto de Infração e em seus capítulos denominados "DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA", do qual este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante e indissociável. A recorrente refuta a existência de fraude nas situações que ensejaram a ocorrência dos fatos geradores apurados, o que teria sido corroborado pelo acórdão recorrido, e ainda, que, sendo assim a qualificação da multa não poderia subsistir, sob pena de se alterar o fundamento legal do lançamento. Na descrição fática do TVF que justificou a imposição da multa qualificada, que a autoridade fiscal aponta a intenção deliberada da recorrente de suprimir tributos, mediante a apresentação de declaração falsa à administração tributária, escondendo sua real situação empresarial ao se declarar como pessoa jurídica inativa. A autoridade fiscal afasta, desde logo, a possibilidade de que tal prestação de declaração falsa ao Fisco, tenha decorrido de mera desorganização interna e descompasso entre a administração da associação e os responsáveis pela apresentação de declaração de rendas à Receita Federal, ao demonstrar que o Sr. Rodrigo Leal Kalicheski, presidente da ABAF no Fl. 5045DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.046 23 período, foi o responsável tanto por firmar o contrato junto ao Banco Cruzeiro do Sul S/A quanto pelo preenchimento e apresentação da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa à RFB. Diante dos fatos apresentados, concluiu a d. autoridade fiscal "haver vestígios materiais suficientes para concluir que a conduta da ABAF em apresentar Declaração de Pessoa Jurídica Inativa teve como propósito enganar a Administração Tributária, mediante prestação de declaração falsa, para suprimir os tributos decorrentes da atividade empresarial exercida, o que caracteriza evidente intuito de fraude com a conseqüente qualificação da multa de ofício". Em que pese a autoridade fiscal aponte que a conduta da recorrente caracterizaria o evidente intuito de fraude, 1expressão encontrada na redação anterior do art. 44, inc. II da Lei 9.430/1996, o faz de forma genérica para indicar a caracterização de uma das condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que justificam a qualificação da multa, verbis: Art. 44. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Não trata, nem descreve, tecnicamente, os fatos como fraude. De fato, o acórdão recorrido entendeu, equivocadamente ao meu ver, que a fiscalização teria qualificado a conduta da recorrente como fraude, mas, acertadamente, manteve a qualificação da multa por entender que os fatos descritos pela autoridade fiscal como caracterizadores da conduta ilícita que ensejaram a qualificação da multa, seriam mais relevantes que eventuais equívocos no enquadramento legal. Assim, não tem razão a recorrente quanto aponta a existência de alteração do fundamento legal do lançamento da multa qualificada, o que é vedado ao julgador. Com efeito, a prestação de informação falsa ao Fisco, visando a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária das condições pessoais do contribuinte ou da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais é situação que caracteriza a sonegação, conforme descrito no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. No presente caso, como bem demonstrou a d. autoridade fiscal, a declaração como pessoa jurídica inativa não ocorreu por mero lapso ou desorganização administrativa, posto que prestada pela mesma pessoa responsável pela administração da pessoa jurídica. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 5046DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.047 24 A magnitude da omissão de receitas apurada pela fiscalização, ainda que a maior parte decorra da presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, constatada a partir do fato de que a recorrente apresentou declaração falsa de inatividade, justifica a qualificação da multa de ofício sobre a apuração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Com relação lançamento do IRRF lançado sobre os pagamentos identificados ou sem causa, entendo que não existem elementos suficientes para justificar a imputação de multa qualificada. O acórdão recorrido aponta a conduta omissiva da interessada, de não entregar documentos que possibilitassem a comprovação das operações que deram ensejo aos valores debitados na conta corrente de titularidade da ABAF no anocalendário de 2008, como fundamento suficiente a justificar a qualificação da multa. Conclui que "esta seria também uma conduta dolosa da contribuinte necessária e subsidiária para ser coerente com a entrega de uma DIPJ indicando inatividade. Realmente, a ABAF não poderia reter IRRF sobre rendimentos recebidos por seus associados porque seria incompatível com um período informado como de inatividade!" Com a devida vênia, me parece que a não identificação dos beneficiários ou da causa dos pagamentos constituise no fato gerador do IRRF e não pode ao mesmo tempo justificar a qualificação da multa. Por outro lado, a afirmação de que a conduta de não reter o IRRF sobre os rendimentos pagos aos beneficiários seria conduta dolosa necessária e subsidiária por parte da contribuinte, que se coadunaria com a apresentação da DIPJ indicando inatividade, me parece mera especulação, sem elementos de aferição nos autos, na medida em que sequer se tem conhecimento quanto a real natureza das operações que ensejaram os pagamentos, sendo temerário afirmar se e como estariam sujeitos à retenção de IRRF. Assim, à míngua de outros elementos que pudessem demonstrar que teria existido uma conduta dolosa específica da contribuinte, no sentido de subtrair a ocorrência do fato gerador do IRRF, entendo que a qualificação da multa de ofício deve ser cancelada, reduzindoa ao percentual de 75%. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a qualificação da multa de ofício aplicada sobre o lançamento de IRRF. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 5047DF CARF MF Processo nº 12448.723918/201201 Acórdão n.º 1302003.278 S1C3T2 Fl. 5.048 25 Fl. 5048DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.904552/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.999631/2009-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/2005. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Verificada a legalidade o pleito de compensação da recorrente, afastando entendimento anterior pela sua vedação, devem ser materialmente analisadas a procedência e a quantificação do direito creditório pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário com base na súmula CARF nº 84 (Revisada) para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.999631/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 52 /2 00 9- 21 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10880.904552/200921 Acórdão n.º 1402003.667 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ a quo, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido de estimativas, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, o Per/Dcomp recebeu da Delegacia da Receita Federal DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o pagamento a maior de estimativa só pode ser utilizado ao final do período de apuração, conforme determinação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que não restariam dúvidas da existência do crédito em seu favor, decorrente de pagamento indevido de estimativa, e que o mesmo seria passível de repetição conforme o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, alega que a IN SRF nº 600/2005 foi revogada pela IN RFB nº 900/2008, que retirou o cerne do art. 10 da anterior IN. Da decisão da DRJ : A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação do Per/Dcomp objeto do presente processo. Para fundamentar sua decisão, alegou que a IN SRF nº 600/2005 foi editada para regulamentar o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, encontrando guarida a validade do art. 10 da IN. Ademais, com a edição da IN RFB nº 900/2008, não ocorre a retroatividade. No seu entender, normas de compensação são de direito material, válidas enquanto vigentes. No caso, o Per/Dcomp foi transmitido na vigência da IN SRF nº 600/2005, que seria a norma aplicável. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que repisa as mesmas alegações da sua manifestação de inconformidade. Em síntese, alega que tem o direito à compensação do pagamento indevido ou a maior de IRPJ e de CSLL pois a vedação do art. 10 da IN SRF nº 600/2005 não encontra respaldo no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10880.904552/200921 Acórdão n.º 1402003.667 S1C4T2 Fl. 4 3 Ademais, haveria aplicação retroativa da IN RFB nº 900/2008 que suprimiu a vedação do art. 10º da IN SRF nº 600/2005. Cita jurisprudência deste E. Carf a respeito do tema. Entende que a não homologação da compensação acarreta enriquecimento sem causa da Administração Pública, que manterá em seus cofres quantia a que não faz direito, o que atenta contra o princípio da moralidade administrativa e da vedação ao confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.659, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.999631/2009 10, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.659): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um Per/Dcomp, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido de estimativas, em que o Despacho Decisório denegou tal pleito por entender que somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ/CSLL devido ao final do período de apuração ou para compor saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, citando o enquadramento legal do art. 10 da IN SRF nº 600/2005. A recorrente, na sua manifestação de inconformidade, alega que a existência do direito creditório atende os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, e a IN SRF nº 600/2005 extrapolou quando o regulamentou. Ademais, a IN RFB nº 900/2008 revogou a IN SRF nº 600/2005, retirando o óbice do art. 10. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10880.904552/200921 Acórdão n.º 1402003.667 S1C4T2 Fl. 5 4 A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, citando que a IN SRF nº 600/2005 foi editada para regulamentar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o que lhe dá validade ao art. 10. Ademais, normas de compensação seriam de direito material, não retroagindo quando revogadas, como foi o caso da edição da IN RFB nº 900/2008. Em sede recursal, repisa os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade. Do mérito O tema em discussão é exclusivamente sobre a possibilidade legal da recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior, em contraponto ao então vigente art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Tal impedimento normativo foi utilizado para justificar a denegação da homologação no Despacho Decisório, bem como na decisão de primeiro grau administrativo, não ocorrendo nenhuma análise da materialidade do direito creditório ou da sua quantificação nos autos, embora a recorrente tenha trazido alguns documentos quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade. Tal matéria de âmbito jurídico sob apreço é tema há muito debatido neste E. Carf (e no seu predecessor, E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da súmula Carf nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa Como se observa da leitura da súmula acima transcrita, e ao encontro da forma que defende a recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Por conseguinte, o óbice imposto à recorrente, tanto no despacho decisório quanto na decisão da DRJ não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Cabe destacar que não há qualquer limitação temporal da aplicação da súmula Carf nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito envolvendo o pedido de compensação. Se não bastasse o exposto acima, robustecese tal situação com inúmeros precedentes desta 1ª Seção de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10880.904552/200921 Acórdão n.º 1402003.667 S1C4T2 Fl. 6 5 Julgamentos do Carf, que especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/2005, exemplificado pelo acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, sob a relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Desta forma, merece reforma o v. Acórdão (assim como o r. Despacho Decisório), vez que lícita e viável a postura procedimental da recorrente. Contudo, como já mencionado anteriormente, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do direito creditório em questão, decorrente do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa, em virtude do afastamento jurídico e sumário da regularidade da postura da recorrente. Desta forma, aceita a circunstância jurídica da compensação, necessário proceder à devida análise da materialidade do valor utilizado. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10880.904552/200921 Acórdão n.º 1402003.667 S1C4T2 Fl. 7 6 Todavia, tal análise não deve ser procedida por esta segunda instância administrativa, sob pena de supressão de instância, bem como do próprio direito de defesa da recorrente, devendo os autos serem remetidos à unidade local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindo novo Despacho Decisório, com o prosseguimento regular do processo, se necessário. Diante de todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, com base na súmula Carf nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser o processo encaminhado para a D. unidade local competente para nova análise do direito creditório pleiteado. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, com base na Súmula CARF nº 84 (revisada), para afastar a vedação da compensação pretendida pela recorrente e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para nova análise do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.002780/2003-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998
PIS. COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DOS INGRESSOS DECORRENTES DE ATOS COOPERADOS.
As operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais, caracterizam-se como atos cooperados e, por conseguinte, não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS. Entretanto, já em relação às operações realizadas entre a cooperativa e terceiros não associados, estas se constituem em atividade empresarial, devendo, portanto, serem tributadas por essas contribuições.
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. ERRO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
Alegações genéricas, desacompanhadas da documentação probatória do alegado, não são aptas a desconstituir o Auto de Infração lavrado para exigir tão-somente os débitos declarados pela própria contribuinte em DCTF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.515
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência formulada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO DOS INGRESSOS DECORRENTES DE ATOS COOPERADOS. As operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais, caracterizamse como atos cooperados e, por conseguinte, não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS. Entretanto, já em relação às operações realizadas entre a cooperativa e terceiros não associados, estas se constituem em atividade empresarial, devendo, portanto, serem tributadas por essas contribuições. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. ERRO. POSSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Alegações genéricas, desacompanhadas da documentação probatória do alegado, não são aptas a desconstituir o Auto de Infração lavrado para exigir tãosomente os débitos declarados pela própria contribuinte em DCTF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência formulada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 80 /2 00 3- 45 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 228 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1420.205 da DRJ/RPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte os valores dos débitos de PIS declarados, contudo, não pagos, acrescidos dos encargos moratórios. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente de Auto de Infração lavrado contra o interessado decorrente de auditoria interna realizada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais —DCTF — do 1° trimestre de 1998, exigindo crédito tributário referente à contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e respectivas cominações legais no montante de R$ 6.525,69, sendo R$2.351,59 de contribuição, R$ 2.410,41 de juros de mora calculados até 30/06/2003, e R$1.763,69 de multa proporcional passível de redução. Cientificada do lançamento, inconformada, a interessada o impugnou, alegando, em síntese, que, por se tratar de sociedade cooperativa, está isenta da contribuição para o PIS nos termos da Lei n° 5.764, de 1971. Discordou também da exigência dos juros de mora à taxa Selic, sob o argumento de esta taxa, por ter natureza remuneratória, não pode ser aplicada na cobrança de crédito tributário pago, defendendo a aplicação da taxa moratória de 1,0 % ao mês Já em relação multa defendeu a aplicação do Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 229 3 percentual de 20,0 % sob o argumento de que os débitos ora exigidos foram informados na respectiva DCTF. Expendeu, ainda, As fls. 04/13, extenso arrazoado sobre ato cooperativo e sua abrangência, faturamento e sua abrangência e nãoincidência, concluindo, respectivamente, que a interessada pratica somente atos cooperativos sobre os quais não incide a contribuição para o PIS, que as operações realizadas por ela não constituem faturamento e que não há fato gerador que implique incidência de tributo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento — DRJ em Ribeirão Preto, através do Acórdão n° 14 15.749, de 7 de maio de 2007, fls. 75 a 79, julgou o lançamento procedente em parte nos termos do voto do relator, a saber: Em face do exposto e de tudo mais que dos autos consta, voto pela procedência parcial do lançamento, excluindo do seu montante a multa no lançamento de oficio, no valor de R$ 1.763,69 (um mil setecentos e sessenta e três reais e sessenta e nove centavos), mantendo o crédito tributário remanescente, no valor total de R$ 4.762,00 (quatro mil setecentos e sessenta e dois reais), sendo R$ 2.351,59 de contribuição e R$ 2.410,41 de juros de mora, calculados até 30/06/2003. Encaminhado para ciência ao interessado, a Agente da Receita Federal do Brasil em Batatais apresenta embargo de declaração, fl. 50, para esclarecimento sobre a incidência da multa de mora sobre débitos não pagos no vencimento, uma vez que a multa de oficio foi excluída na decisão." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO) julgou a Impugnação parcialmente procedente, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/03/1998 DCTF. AUDITORIA INTERNA. DÉBITOS DECLARADOS. PAGAMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, declarada na respectiva DCTF, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 230 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1998 a 31/03/1998 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO. Aplicase retroativamente aos atos e fatos pretéritos não definitivamente julgados as normas legais que beneficiam o sujeito passivo, excluindose a multa no lançamento de oficio do crédito Tributário constituído em face da nãoconfirmação dos pagamentos informados em DCTF's. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre débitos tributários não pagos nos prazos da legislação especifica. JUROS DE MORA. SELIC. A exigência de juros de mora com base na Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional .Lançamento Procedente em Parte Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (182/220), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando fatos e argumentos jurídicos já expostos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão posta nos autos cingese na autuação fiscal por ter a ora recorrente declarado regularmente débitos de PIS, referentes ao primeiro trimestre de 1998, porém, não tendo realizado o pagamento de tais débitos. O fato foi constatado em procedimento de auditoria interna, o que levou à lavratura do Auto de Infração correspondente. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 231 5 A contribuinte é uma sociedade cooperativa e, em decorrência disso, trouxe a principal alegação, em suas peças recursais, de que os atos cooperados não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS. Quanto a essa matéria, tanto a jurisprudência judicial como a administrativa já pacificaram o entendimento no mesmo sentido alegado pela ora recorrente. Nessa esteira, transcrevese voto do Ilustre Conselheiro André Henrique Lemos, proferido no julgamento do Acórdão nº 3401003.817 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 27 de junho de 2017, que bem demonstra a cognição majoritária sobre o tema: "Em meio a este arcabouço, temse como missão primeira decidir se em atos cooperativos praticados pela Recorrente em prol de seus associados ou seja, em atos cooperativos próprios, típicos (numa relação interna entre a Cooperativa e seus associados, repetese), geraria receita ou mero ingresso passível de tributação ou não do PIS e da COFINS. Em segundo, se a Lei 11.051/2004 tem aplicação retroativa. E, por fim, em terceiro, e alternativamente, se seriam dedutíveis das bases de cálculo do PIS e da COFINS, as despesas de captação (custo de captação dos recursos). Tentando decifrar o assunto, se começará a analisar as fontes normativas sobre as sociedades cooperativas, passando pelas decisões judiciais (STJ e STF) e administrativas (CARF); o mesmo método se fará com o chamado ato cooperativo, e ao final, se analisará a presente casuística, qual seja, uma Cooperativa de Crédito. I. DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO As sociedades cooperativas são reguladas pela Lei 5.764/71, recepcionada pela Constituição Federal com força de lei complementar, havendo incentivo à criação de sociedades cooperativas, nos termos dos artigos 5o, XVIII, 146, III, "c", 170 e 174, § 2°: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVIII a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 232 6 Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Como é de sabido as sociedades cooperativas possuem forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil não sujeitas à falência e são constituídas para prestar serviços aos seus associados, como preceitua o artigo 4o da Lei 5.764/71. Tais sociedades são formadas por grupos de pessoas com o intuito de cooperar entre si, visando o proveito comum e sem fins lucrativos (artigo 3o da Lei 5.764/71), cujas sobras voltam, direta ou indiretamente para quem gerou a fonte de receita. Portanto, com estas brevíssimas considerações, percebese a singularidade desta espécie de sociedade, o que a diferencia, digase de passagem, das sociedades comerciais, por exemplo. II. DO ATO COOPERATIVO. A DIFERENÇA ENTRE ESTE E UMA ATIVIDADE EMPRESARIAL E SUAS CONSEQÜÊNCIAS PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS O conceito de ato cooperativo, por seu turno, encontra arrimo no artigo 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vêse que o chamado ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, ou seja, atos "típicos", "diretos","internos", conforme dicção do caput do artigo 79 acima, estes, não implicando operação e mercado, leiase, ato de mercancia, assim entendido, uma mudança de titularidade de um bem (material ou imaterial) a um terceiro não associado, de acordo com a exegese do parágrafo único, do mesmo dispositivo legal. Entrementes, esta disposição não é isentiva, mas declaratória da nãoincidência, como, precisamente, nos ensina o professor Renato Lopes Becho, in RDDT 41/85. Deste modo, se a Cooperativa presta um serviço para si mesma, ou melhor dizendo, para seus associados, não há se falar em Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 233 7 faturamento1 ou receita típica para fins de incidência do PIS e da COFINS. Haverá prestação de serviços quando houver uma obrigação de fazer, um facere para um terceiro neste caso, um terceiro tomador dos serviços, não associado da cooperativa, que, no caso, não há, repetese. A Lei 5.764/71 esclarece que ato praticado por cooperativos a terceiros não associados é renda tributável: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Por outro lado, a Resolução CFC 920/2001, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10 Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas Entidades Cooperativas NBC T 10.8, merecendo destaques: 10.8.1.2 – Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificamse de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.4 – A movimentação econômicofinanceira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, é definida contabilmente como ingressos e dispêndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato nãocooperativo é definida como receitas, custos e despesas. Já o Poder Judiciário, por seu turno, seja pelo STJ (AgRg no Ag 1.418.104/MG, DJe 14/09/2015; EDcl no REsp. 1.382.587/ES, DJe 04/08/2015; AgRg no AREsp. 674.512/SP, DJe 18/05/2015; REsp. 600.458/MG, DJe 17/04/2015), seja por meio do STF (RE Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 234 8 598.085/RJ; RE 599.362/RJ, estes julgados no mérito de repercussão geral, temas 177 e 323, respectivamente), entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. De acordo com o artigo 62, § 2° do RICARF2, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF e de repetitivos pelo STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto, seguem as ementas dos RE 598.085/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime) e 599.362/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime), respectivamente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.15835. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 235 9 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 236 10 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 237 11 Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 238 12 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Cumpre informar ainda, no toada do artigo 62, § 2° do RICARF, citado acima, duas decisões do E. STJ, ambas de 2016, as quais, em sede de recurso representativo de controvérsia, também se manifestaram sobre o tema: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS.APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 239 13 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Diante disso, reduzindose o raciocínio à simplicidade, temse o ponto de corte: ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 240 14 ato cooperativo, é uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições." (grifos no original) Dessa forma, as operações realizadas entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais, caracterizamse como atos cooperados e, por conseguinte, não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS. Entretanto, já em relação às operações realizadas entre a cooperativa e terceiros não associados, estas se constituem em atividade empresarial, devendo, portanto, serem tributadas por essas contribuições. Ultrapassada essa matéria, voltemos ao caso específico do presente processo. O Auto de Infração lavrado nos autos, a princípio, não se destina a exigir da contribuinte o pagamento do PIS calculado sobre atos cooperados eventualmente realizados, mas, ao contrário, se pretende cobrar os valores declarados em DCTF por ela mesma. Logo, considerandose que a própria recorrente já possuía o entendimento de que sobre atos cooperados não eram devidas as contribuições, as informações prestadas sobre os débitos devidos somente poderiam se relacionar a atividades não cooperadas, isto é, sujeitas à incidência das contribuições. Por oportuno, lembremos que a DCTF foi instituída através do DecretoLei nº 2.124/1984 e que, na época dos fatos dos autos, ano de 1998, prevalecia o entendimento de que os valores declarados pelos contribuintes, caso não fossem pagos, deveriam ser objeto de lançamento para poderem ser exigidos. Com o transcurso do tempo, ocorreram evoluções legislativas, doutrinárias e jurisprudências que levaram à situação atual, ou seja, a desnecessidade de constituição de tais créditos tributários, pois estes já se encontram constituídos através da própria confissão de dívida do contribuinte. Assim, a meu sentir, a origem do débito cobrado em ambas as situações é a mesma, a própria declaração da contribuinte. Por isso, embora a contribuinte possa, eventualmente, errar as informações prestadas à Receita, também em ambos os casos, ela deve fazer prova da ocorrência de tal erro. Aliás, tal fato já tinha sido explorado pelo voto condutor do Acórdão recorrido: "Também, em sua impugnação, em momento algum, demonstrou ou carreou aos autos documentos provando que aqueles débitos foram apurados e declarados incorretamente e que originaram de receitas de atos cooperativos. Apenas alegou que somente pratica atos cooperativos sem, contudo, provar tal alegação. Dessa forma, não ha que se falar em isenção da Cofins em relação aos débitos declarados e nãopagos e ora exigidos, assim como não há que se falar que operações com não cooperados não constituem faturamento e, portanto, não haveria incidência tributária por ausência de fato gerador. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10840.002780/200345 Acórdão n.º 3002000.515 S3C0T2 Fl. 241 15 Tendo a própria interessada, apurado e declarado a contribuição, objeto do lançamento contestado, não cabe mais o julgamento de sua procedência ou não. O cancelamento ou a revisão do lançamento somente seria possível se tivesse demonstrado que errou no preenchimento da DCTF e tivesse apresentado uma retificadora. Contudo, em momento algum alegou isto." (grifo nosso) De fato, mesmo tomando conhecimento dessa razão de decidir do Acórdão recorrido, em seu Voluntário, a contribuinte não carreou nenhum documento, que comprovasse que os débitos declarados por ela não se referiam a atos negociais não cooperados. Assim, ao optar por apenas ratificar sua argumentação sobre a não incidência das contribuições sobre atos cooperados, argumento que não se refuta agora, assim como não o foi no Acórdão recorrido, ao invés de trazer aos autos as provas necessárias, forçoso é admitir que a recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar seu erro no preenchimento da DCTF e, conseqüentemente, da improcedência do crédito tributário lançado. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 241DF CARF MF
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