Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10380.906784/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.592
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10380.906784/2009-54
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5953551
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.592
nome_arquivo_s : Decisao_10380906784200954.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10380906784200954_5953551.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7580915
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417200033792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.906784/200954 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.592 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de agosto de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO VALOR INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente B. M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 06 78 4/ 20 09 -5 4 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º semestre de 2005. Em 28/05/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 4 3 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 5 4 endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 6 5 indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10380.906784/200954 Resolução nº 1201000.592 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000380/2008-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11686.000380/2008-01
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5967920
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.838
nome_arquivo_s : Decisao_11686000380200801.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 11686000380200801_5967920.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal- Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
id : 7629436
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417239879680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11686.000380/200801 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.838 – 3ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria COFINS INSUMOS Recorrentes FAZENDA NACIONAL YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 80 /2 00 8- 01 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201000.753, de 11 de agosto de 2011 (fls. 130 a 140 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; e por maioria de votos negou provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). A discussão dos presentes autos tem origem no Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa, em relação a créditos da contribuição referentes ao 2º trimestre de 2007, em decorrência da venda no mercado interno com alíquota zero, com base no disposto no artigo 16 da Lei n° 11.116/2005, no valor de R$ 3.744.920,59. Nos despacho decisório exarado foi reconhecido parcialmente o direito creditório em favor do Contribuinte, no valor de R$ 3.259.361,98, restando indeferido um saldo no valor de R$ 485.558,61. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa. O interessado discorda da glosa parcial, alegando não ter realizado alienação onerosa de créditos de ICMS a terceiros, conforme afirma a fiscalização, a quem incumbiria o Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 4 3 ônus de provar tal alegação. Considera que exigir de sua parte prova em contrário seria inviável, pois se trataria de prova negativa. Esclarece que a empresa seria titular de incentivo fiscal, outorgado pelo estado do Rio Grande do Sul, que consistiria em um desconto dos valores devidos a título de crédito presumido de ICMS na ordem de 75% sobre o valor incidente nas saídas interestaduais de fertilizantes, conforme documento que anexou a sua manifestação. Conclui, então, que a questão aqui seria diferente da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Afirma, ao final, que tal crédito presumido não seria um ativo e nem constituiria receita, renda ou faturamento a ensejar a incidência das contribuições. Não se conforma, também, com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência entre matriz e filiais ou entre filiais, pois entende tratar se de etapa essencial â atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do pais. Para embasar seus argumentos, o manifestante discorre sobre as dimensões continentais do Brasil, cita diversos municípios nos quais possui filiais e comenta sobre a importância que o agronegócio teria para o país, além disso, considera que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes conforme calculado e pensamento diverso esbarraria em inconstitucionalidade. Cita e transcreve soluções de consulta proferidas pela SRFB que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o art. 30 da Lei nº 10.833/03. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso no tocante a não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; e por maioria de votos negou provimento ao recurso quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany), conforme acórdão assim ementado in verbis: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/2007 a 30/06/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da COFINS, nãocumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF Nº. 02. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 154 a 162) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao reconhecer a não incidência da COFINS sobre as receitas referentes aos os créditos presumidos de ICMS. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos de números 20179.596 e 280300.087. A comprovação dos julgados firmouse pela juntada de cópias de inteiro teor dos acórdãos paradigmas, documento de fls.154 a 162. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 6 5 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme os despachos de fls. 165 a 168, sob o argumento que pelo confronto das ementas do acórdão recorrido e das ementas dos acórdãos paradigmas ficou evidenciada a divergência suscitada pela Fazenda Nacional. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls.216 a 225, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 176 a 196) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte foi em razão da decisão recorrida ter afastado as despesas relativas a fretes intercompany da base de cálculo dos créditos da Cofins. O recorrente sustenta que teria direito aos referidos créditos em qualquer circunstância, seja sobre fretes de produtos acabados, seja de matérias primas. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 330100.424 e 320200.226. A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão nº3202 00.226, documento de fls. 201 a 2015, bem como, pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 237 a 240. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 242 a 254, em que manifestou pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório em síntese. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora DO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Entendo que o Recurso Especial da Fazenda não deve ser conhecido pelos seguintes fatos: Analisando o processo, verificase que a autoridade fiscal concluiu que a Contribuinte teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios. Em manifestação de inconformidade, a Contribuinte alegou não ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. O acordão recorrido assim decidiu: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 8 7 A priori, devemos entender qual é a natureza do crédito presumido do ICMS. O Fisco Estadual concede o crédito presumido sobre operações de comercialização interestadual de produtos (fertilizantes), na forma de um incentivo fiscal, para estimular o setor (vide Termo de Acordo – fls. 57/ss – cláusula primeira: concessão de crédito presumido no montante de 75% o do ICMS sobre o valor do imposto incidente sobre as saídas interestaduais de fertilizantes de produção própria). Este crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. Destaquese que, efetivamente, não restou comprovado nos autos a transferência dos citados créditos de ICMS a terceiros, como argumentou a Recorrente. A fiscalização afirma que “o contribuinte efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros” (fls. 18) sem, entretanto, apresentar qualquer elemento probante que comprovasse esta afirmação. O ônus da prova cabe às partes, nos termos do que dispõe o artigo 333 do CPC, verbis: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 9 8 As partes devem desincumbirse de provar os fatos que alegam. Ao autor cabe provar os fatos constitutivos de seu direito, no caso, o Fisco alegou que o crédito presumido foi transferido à terceiro, mas não provou; ao réu, cabe provar os fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito que o autor assevera ter, entretanto, não cabe à Recorrente, por sua vez, fazer prova de fato que alega não existir, uma vez que não há como fazer prova de fato inexistente (prova negativa). Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS a terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos a terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizasse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. A nãocumulatividade é uma técnica que tem por objeto evitar o "efeito cascata" da incidência de alguns tributos (como é o caso do ICMS), permitindose, em cada uma das etapas do processo produtivo, a dedução do imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias e/ou matériasprimas necessárias a sua industrialização. (...) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 10 9 Entendo que os “créditos presumidos do ICMS”, por se tratarem de mero incentivo fiscal que servirão de meio de pagamento de ICMS a recolher, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto, estão fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. Veja que não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não s instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária/ obrigação tributária). Houve uma economia no pagamento de ICMS, uma mera redução de custos de impostos a pagar pela compensação do crédito presumido, e não o auferimento de receitas. Verificase que há dois fundamentos no acordão Recorrido: 1 Ele entente que crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. 2 Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS a terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos a terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizasse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento Fl. 268DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 11 10 para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. Diante disto, a Fazenda deveria juntar paradigma que tratem do mesmo assunto. Mas não o fez. Os acórdãos paradigmas juntados pela Fazenda Nacional, 20179.596 e 280300.087 tiveram os seguintes fatos: No acordão paradigma n.º 20179.596 somente a ementa do processo consta a matéria, senão vejamos: COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. A partir de 01/02/1999, os créditos presumidos do ICMS integram a base de cálculo da Cofins. Trechos do voto: Quanto à alegação de que as diferenças exigidas pela Fiscalização para o ano de 1998 correspondem a valores transferidos à chamada "Divisão Itaipu", seguimento autoral decorrente, a análise da documentação carreada aos autos não socorre a recorrente. De efeito, exame da documentação comprobatória da base de cálculo â contribuição em espécie (planilha de fl. 180) demonstra que os valores apurados estão em consonância com os balancetes mensais comidos nos autos. Ademais disso, como bem registrou a insigne DRJ, a análise das planilhas de fis184 e 185 relativas ao ano de 1998 evidencia que foram deduzidos da base de cálculo da contribuição em espécie valores referentes a "transferências segmentos fonográfico para fonomecânica", que coincidem com os valores de receitas de serviços cód. 3.5.1.03 "arrecadação fonomecânica internacional Odeon" da planilha de fl. 180. De tudo resulta que inexistem nos autos elementos que embasem o alegado pela recorrente, ou seja, que as indigitadas Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 12 11 diferenças decorrem de transferências contábeis e não da omissão de receitas que deveriam integrar a base de cálculo da contribuição em espécie. Ao analisar o inteiro teor do acordão, o voto sequer tratou do credito presumido de ICMS (subvenção governamental), ou seja, crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado ou de cessão de créditos a terceiros e os fatos ali narrados são totalmente diversos do aqui tratado. No acordão paradigma n.º 280300.087 tratam de crédito presumido de IPI e de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, os fatos são totalmente diversos do acordão Recorrido. Nem sequer trata (subvenção governamental), ou seja, crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado ou de cessão de créditos a terceiros. Trechos do voto: “A base de cálculo da contribuição, como demonstrou saber o recorrente, está positivada nos arts. 2° e 3" da Lei n° 9.71 8, de 1998, abaixo transcrito para maior clareza: (...) A partir da edição da Lei n.º 9.718, de 1998, a tributação da contribuição adotou base universal, incidindo, regra geral, sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, "....sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas' . (art. 3 0, § in fine). Ora, se a regra geral é a tributação em bases universais, o rol das exclusões admitidas na base de cálculo, constante do § 2° do art. 3", acima transcrito, deve ser entendido como de numerus clausus. Não constando desse rol, o crédito presumido do IPI deve ser computado na base de cálculo da contribuição, no mês em que a receita a ele correspondente for auferida, ou seja, no mês em que ocorrer a exportação ou a venda para sociedade comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Raciocínio idêntico deve ser feito em relação ao valor da indenização de seguro, que também não se inclui entre as exclusões autorizadas.” Fl. 270DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 13 12 Analisando os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido verificase que estamos tratando de fatos totalmente diversos. Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento. Diante do exposto não conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 265 a 268. O acórdão recorrido decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da Cofins decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany), sob o fundamento de que se tratam de fretes não vinculados à operações de venda. Por sua vez, o primeiro acórdão paradigma (330100.424) firma entendimento diverso em relação à mesma matéria, decide que as despesas com o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica gera direito a crédito, desde que estejam estes bens em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. Ou seja, Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 14 13 entendeu que existe o direito creditório mesmo que se trate de fretes desvinculados das operações de venda. Com essas considerações, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial da Contribuinte. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, porém discordo de suas conclusões quanto ao conhecimento do recurso especial do contribuinte. O recurso especial é tempestivo, mas não deve ser conhecido por não ter cumprido com o requisito atinente à comprovação do dissídio jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Em seu recurso, o contribuinte apresentou dois acórdãos paradigmas que supostamente teriam dado interpretação divergente da legislação tributária. Ocorre que eles não apresentam semelhanças fáticas com o acórdão recorrido. Para que o recurso especial seja conhecido, necessário se faz, que os acórdãos paradigmas tenham debruçado sobre fatos Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 16 15 semelhantes e tenham aplicado soluções jurídicas distintas em seu desfecho. Portanto, é sabido que o recurso especial de divergência não se presta para reapreciar os elementos de prova trazidos ao processo. Na verdade, nunca se desprezam os elementos de prova, mas eles servem somente para aferir o contexto da divergência interpretativa. Passemos então a analisar o acórdão recorrido em contraponto com os acórdãos paradigmas apresentados. A matéria trazida pelo contribuinte em seu recurso especial referese à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, no regime da não cumulatividade, sobre fretes no transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa. O acórdão recorrido negou provimento ao seu recurso voluntário nos seguintes termos: 2. Negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). O acórdão recorrido entendeu que tais fretes não decorrem da operação de venda, cujo crédito está previsto no inc. IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Portanto, concluiu que não existe previsão legal para a apropriação dos créditos. Por sua vez os acórdãos paradigmas apontados tratam de situação diversa, qual seja, a possibilidade de aproveitamento de créditos sobre fretes no transporte de insumos e de produtos em elaboração entre estabelecimentos da empresa. O seguinte trecho do voto do acórdão paradigma deixa evidente que os créditos que foram acatados são somente os decorrentes do transporte de insumos e produtos em elaboração entre os estabelecimentos, tendo sido glosados os créditos decorrentes da transferência de produtos acabados. (...) Portanto, hão de ser considerados os créditos oriundos de fretes sobre transferências de matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre parceiros integrados (criadores de aves e suínos) e as filiais do contribuinte, os quais compõe o custo de produção do produto final, nos termos do art.3°, II, das Leis IV 10.637/02, e n° 10,833/03, o que não se confunde com atividades de transporte do produto acabado entre quaisquer estabelecimentos. (..) Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11686.000380/200801 Acórdão n.º 9303007.838 CSRFT3 Fl. 17 16 Portanto, os contextos fáticos são totalmente diferentes e não se prestam para comprovar a divergência jurisprudencial. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso especial impetrado pelo contribuinte. Assinado digitalmente Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.010442/2008-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/10/2008
COMPENSAÇÃO.
Deixa-se de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica - DCOMP.
Numero da decisão: 1001-000.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/10/2008 COMPENSAÇÃO. Deixa-se de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica - DCOMP.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11610.010442/2008-68
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946090
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-000.925
nome_arquivo_s : Decisao_11610010442200868.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDUARDO MORGADO RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 11610010442200868_5946090.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7562006
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417244073984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1165; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.010442/200868 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.925 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria Compensação Recorrente FLAVIO SILVA DE GUIMARAES SOUTO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/10/2008 COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 04 42 /2 00 8- 68 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 188 a 202) interposto contra o Acórdão nº 1541.288 (revisando acordão nº 37868), proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (fls. 163 a 167), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/10/2008 COMPENSAÇÃO. Deixase de homologar a compensação quando inexiste o crédito objeto da Declaração de Compensação eletrônica DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido " Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase de “Solicitação de Pedido de Compensação e Restituição” apresentada em 08/08/2008 pelo interessado às folhas 01/05, na qual pretende compensar créditos do Simples Federal apurados nos anos base de 2004, 2005, 2006 e 2007 com os débitos referentes às competências 07/2007, 08/2007 e 09/2007 do Simples Nacional. O contribuinte também pretende compensar parte do crédito com os débitos do Simples Federal referentes às competências 04/2004, 01/2007, 02/2007 e 06/2007, por meio do Per/Dcomp nº 20471.97615.290508.1.3.048963 (fls. 10/17). Por fim, ao final das compensações pretendidas, afirma fazer jus à restituição de um crédito no valor de R$93.193,14. Posteriormente, em 09/01/2012 foi apresentado Pedido de Restituição retificador, anexado às folhas 46/53. Nos termos do Despacho Decisório às folhas 87/92, proferido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo/SP, a retificação do Pedido de Restituição foi considerada “não admitida”; o Pedido de Restituição, “não formulado”; as compensações relativas ao pedido de compensação, “não declaradas”; e a compensação referente à Declaração de Compensação gerada eletronicamente, “não homologada”. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 4 3 1. Em 08/08/2008, elaborou pedido de restituição de valores recolhidos a maior dos tributos federais abrangidos pelo Simples, em decorrência da aplicação equivocada de alíquota, e diante da possibilidade de retificação do mencionado pedido, conforme previsto na legislação que versa sobre a matéria, em 06/01/2012 apresentou pedido de restituição retificador, mas em que pese a clareza do seu direito, a DERAT/SP proferiu despacho decisório não admitindo a retificação, considerando não formulado o pedido de restituição e não declaradas as compensações informadas, bem como não homologando o PER/DCOMP nº 07153.85481.011008.1.3.047854; 2. Havendo previsão legal acerca da possibilidade de restituição de valores pagos indevidamente ou a maior, a RFB exerceu sua competência para disciplinar a matéria, por meio das Instruções Normativas nº 600/2005 e nº 900/2008, vigentes à época do pedido de restituição e do pedido retificador, respectivamente; 3. Da análise dos referidos atos normativos, em momento algum constatase a restrição trazida pelo despacho decisório, ou seja, não há que se falar na impossibilidade de se retificar pedido de restituição apresentado em formulário quando esse deveria ter sido gerado pelo programa PER/DCOMP; 4. Logo, se a retificação foi feita atendendo aos requisitos necessários quando da sua formulação, in casu, em consonância com o quanto disposto sobre as retificações na IN nº 900/2008, de rigor o reconhecimento da sua admissibilidade, e entender de outra forma significaria a prevalência de um formalismo absurdo e descabido à legalidade, configurandose o enriquecimento sem causa por parte do erário; 5. Transcreve ementas de julgado do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em igual sentido, deferindo a restituição de importância superior àquela requerida pelo contribuinte, pois foi constatada a existência de crédito, que, se não fosse restituído, restaria caracterizado o enriquecimento ilícito por parte do Erário, caso semelhante ao presente, onde a existência do crédito é evidente e não foi contestada pela fiscalização, que se apegou a um formalismo descabido para não admitir a retificação efetuada em conformidade com os ditames da IN nº 900/2008; 6. Na mesma linha, o 3º Conselho de Contribuintes concluiu que falhas formais cometidas no encaminhamento do pedido de restituição não devem impedir o reconhecimento do direito à restituição; 7. De acordo com o § 12 do artigo 3º da IN RFB nº 900/2008, em vigor no momento da apresentação do pedido retificador, os pedidos de restituição abrangidos pelo Simples devem ser formalizados por meio de formulário denominado “Pedido de Restituição”; 8. Outra exigência para a admissibilidade do pedido retificador era a ausência de decisão administrativa na data da sua apresentação, conforme o disposto no artigo 77 da IN RFB nº 900/2008; 9. Assim, tais requisitos e os procedimentos foram observados pela requerente na formalização do seu pedido retificador, donde se conclui foi feito com atenção às regras que disciplinam esse procedimento, Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 5 4 demonstrando ser imperiosa a sua admissão, pois o mesmo substituiu na integralidade o pedido originário; 10. É cediço que a retificação de declaração de tributos tem a mesma natureza da declaração originária, conforme o disposto no art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001, convertida na Lei nº 10.274, de 10 de setembro de 2001; 11. A Receita Federal exerceu sua competência para estabelecer as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração, através da Instrução Normativa SRF nº 166/1999, que em seu artigo 2º, § 2º, incisos I e II, determinou que as declarações retificadoras terão a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, sendo pacífica a jurisprudência nesse sentido; 12. Mutatis mutandis, este entendimento é aplicável aos pedidos de restituição retificadores, tanto é que a própria IN RFB nº 900/2008, ao dispor sobre as retificações em seu artigo 80, traz a determinação de que, admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, sendo de 05 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação efetuada pelo contribuinte, contado da declaração retificadora; 13. Portanto, verificase que a RFB optou por aplicar o entendimento de que o pedido retificador substitui o pedido originário, tanto que para fins de contagem do prazo para homologação da declaração de compensação considerase o termo a quo a data do pedido retificador, descartandose por completo o pedido originário; 14. Desta forma, resta claro e evidente que o pedido retificador apresentado pela requente substituiu por completo o pedido originário, e por ter cumprido todos os requisitos de admissibilidade estipulados na Instrução Normativa nº 900/2008, pela incontestável existência dos créditos pleiteados e pela proibição de enriquecimento ilícito por parte da Fazenda Nacional, a referida retificação deveria ter sido admitida, com a consequente restituição dos valores recolhidos indevidamente; 15. A requerente, como optante do Simples, recolheu de forma unificada e mensalmente os seus tributos federais, aplicando sobre a base de cálculo uma alíquota única, prevista em lei, mas ocorre que, com relação às competências 03/2004, 12/2004, 04/2005, 12/2005, 03/2007, 04/2007, 05/2007, devido à aplicação de alíquota equivocada, houve recolhimento a maior, o que ensejou o pedido de restituição. ”. Em 12/12/2014 esta mesma turma exarou o Acórdão nº 1537.868 dando parcial provimento à Manifestação de Inconformidade da Contribuinte nos seguintes termos: "Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, reconhecer o crédito objeto do Per/Dcomp nº 20471.97615.290508.1.3.048963 no valor Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 6 5 original de R$5.330,89 e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado." Contudo, após exarado o acórdão supracitado, chegou ao conhecimento da Turma de Julgamento responsável que o crédito tratado já havia sido analisado em outro processo administrativo, assim, optaram aqueles julgadores por exarar novo acórdão retificando o anterior, conforme colaciono: "(...) No Acórdão DRJ/SDR nº 37.868/2014 foi reconhecido o direito creditório parcial no valor original de R$5.330,89, objeto da DCOMP nº 20471.97615.290508.1.3.048963, considerandose que a declaração de compensação traz em si mesma um pedido de restituição no exato valor do débito a compensar. Porém, a referida DCOMP já fora tratada eletronicamente no processo nº 10880.981909/201117, tendo sido reconhecido integralmente o crédito no valor de R$6.162,78. Logo, nos termos do que prevê o artigo 27 da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, atendidos os pressupostos de admissibilidade e uma vez que a contribuinte não foi cientificada do Acórdão DRJ/SDR nº 37.868/2014, tomo o despacho de encaminhamento à folha 171 como oposição de embargos, e deles tomo conhecimento. (...)" Desta feita, o acórdão ora Recorrido foi lavrado nos seguintes termos: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, retificar o Acórdão DRJ/SDR nº 37.868/2014, considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologar a compensação declarada na DCOMP nº 07153.85481.011008.1.3.047854, nos termos do relatório e voto, que passam a integrar o presente julgado. Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise nos exatos mesmos termos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 7 6 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) No Despacho Decisório DERAT/SP às folhas 87/92 a retificação do Pedido de Restituição foi considerada “não admitida”; o Pedido de Restituição, “não formulado”; e as compensações relativas ao pedido de compensação, “não declaradas”. Essas são matérias contra as quais não cabe a apresentação de Manifestação de Inconformidade, nos termos do que prevê o § 8º do art. 66 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Ressaltese, contudo, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário cujas compensações foram consideradas “não declaradas”, por força de sentença prolatada nos autos da Execução Fiscal nº 005587069.2012.4.03.6182, ao acolher a exceção de pré executividade apresentada pela interessada, conforme consulta ao sítio da Seção Judiciária de São Paulo do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cujo trecho a seguir transcrevo: (...) Como apontado na decisão de fls. 157, o excipiente fez prova de que apresentou manifestação de inconformidade (fls. 120/32) tempestivamente (fls. 118 e 120) contra a decisão (fls. 111/16) que havia indeferido o seu pedido de restituição/compensação.(...) É certo, pois, que, ao tempo da propositura da execução (27/11/2012), quiçá do próprio ato de inscrição em dívida ativa (19/10/2012), o crédito tributário estampado no correspondente título executivo encontravase com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional (CTN), diante da pendência de decisão administrativa nos autos do processo nº 11610.010442/200868, prolatada, como demonstrado, em 12/12/2014.(...) Uma vez que no caso dos autos há prova de que o crédito tributário era inexigível à época do ajuizamento do processo executivo porque estava sob os efeitos do inciso III, do artigo 151 do CTN, forçoso reconhecer que a cobrança foi promovida indevidamente e que, consequentemente, o título executivo se mostra nulo. Isso posto, acolho a exceção de préexecutividade para reconhecer a inexigibilidade do crédito tributário constante da certidão de dívida ativa nº 80.4.12.03775393.(...) Ainda naquele Despacho Decisório, a Unidade de origem da RFB considerou “não homologada” a compensação referente à DCOMP nº 07153.85481.011008.1.3.047854 (fls. 71/74), matéria contra a qual é cabível a apresentação da Manifestação de Inconformidade. Vejase trecho do Despacho Decisório DERAT/SP (fls.87/92): 12. Quanto à Declaração de Compensação eletrônica da tabela I, a extinção dos débitos mediante compensação requer a existência de créditos líquidos e certos do contribuinte contra à Fazenda Pública (Lei nº 5.172/66 – CTN, arts. 156, II, 170), o que não se verifica no presente caso, uma vez que o pedido de restituição Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11610.010442/200868 Acórdão n.º 1001000.925 S1C0T1 Fl. 8 7 formulado em desacordo com a legislação, ao qual está vinculada a Declaração de Compensação gerada eletronicamente, é considerado não formulado e, como consequência, a compensação NÃO É HOMOLOGADA. Neste particular, inexiste reparo a se fazer no Despacho Decisório ora em litígio, pois deixase de homologar a compensação quando inexistente o crédito objeto da DCOMP. No presente caso, o Pedido de Restituição foi considerado como “não formulado”. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908435/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10166.908435/2009-10
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5962315
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.752
nome_arquivo_s : Decisao_10166908435200910.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10166908435200910_5962315.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
id : 7612005
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417280774144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 57 1 56 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.908435/200910 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.752 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto IPI Recorrente SCHIPPER CONSULTORIA INTERNACIONAL COMÉRCIO E INDÚSTRIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso em discussão, emprego como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Juiz de Fora/MG quando da lavratura do acórdão n. 0936.799 (fls. 35/43), o que passo a fazer nos seguintes termos: Em análise no presente processo a DCOMP n° 05905.65557.150205.1.3.046399, transmitida pela contribuinte retro identificada em 15/02/2005, por meio da qual pretendeu a extinção de débito do IPI sob código 5123 no montante originário de R$3.029,39 do mês de novembro/2004, tendo como lastro para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 08 43 5/ 20 09 -1 0 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10166.908435/200910 Resolução nº 3402001.752 S3C4T2 Fl. 58 2 credito decorrente de pagamento indevido/a maior do IPI, no mesmo valor originário do crédito, recolhido por DARF (código 1097) em 29/11/2004. A análise da DCOMP do interessado se deu por via eletrônica, da qual resultou o despacho decisório de fl. 06, que reconheceu o crédito informado na DCOMP, mas homologou em parte a compensação declarada, fundamentando que o crédito reconhecido era insuficiente para quitar a integralidade do débito confessado na DCOMP. (...). O detalhamento relativo ao direito creditório reconhecido no despacho decisório acima se encontra na fl. 29. Cientificado do despacho decisório supra em 18/06/2009 (conforme consulta ao sistema Sucop Imagem — fl. 26), a interessada manifestou em 17/07/2009 sua inconformidade de fls. 02/05 nos termos transcritos abaixo: (...). 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, conforme se observa da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 29/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. Os débitos declarados em DCOMP revestemse, nos termos da legislação tributária, do status jurídico de "débitos confessados" pelo sujeito passivo, ficando a parcela não compensada apta 6. cobrança executiva (§ 6° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Tal status jurídico de confissão de divida para os débitos declarados na DCOMP não possui caráter exclusivamente formal, assumido também uma conotação material, já que: 1) o débito declarado/confessado na DCOMP traduzse de imediato em crédito tributário da Unido dotado da presunção legal de certeza, liquidez, validade e eficácia, ficando, assim que transmitida a DCOMP e em razão da compensação nela declarada, extinto sob condição resolutória nos termos do § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 (incluido pelo art. 17 da Lei n° 10.637, de 2002); it) a DCOMP se conforma em titulo executivo extrajudicial relativamente aos débitos nela declarados/confessados e cuja compensação não foi homologada. O crédito tributário da Unido decorrente da confissão de divida declarada em DCOMP regularmente transmitida só tem a presunção legal de veracidade afastada pelo sujeito passivo transmitente se ele realizar a contento os procedimentos determinados na legislação de regência, dentre eles o cancelamento de DCOMP antes de ter tomado ciência do despacho decisório que apreciou a compensação declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10166.908435/200910 Resolução nº 3402001.752 S3C4T2 Fl. 59 3 Data do Fato Gerador: 29/11/2004 DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. Desconsiderase o pedido de realização de diligência que se revelam prescindíveis ao deslinde e solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, a recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 48/52, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 5. Conforme se observa do recurso voluntário interposto, bem como da manifestação de inconformidade e, em especial, dos documentos com ela acostados (fls. 22/27), o presente caso se resume a discussão quanto a erro formal promovido pelo contribuinte quanto ao procedimento para a recuperação de valores supostamente pagos a maior por parte do contribuinte. Tal equívoco, por seu turno, é bem explicitado pela decisão recorrida nas seguintes passagens do voto: (...). No mérito, verificase que a interessada pretende, em síntese, que o débito originário do IPI de codificação 5123, referente ao período de apuração mensal novembro/2004, cuja data de vencimento foi 15/12/2004 (conforme estabelecido pela agenda tributária indicada no Anexo do Ato Declaratório Normativo n° 97, de 24 de novembro de 20042), assim declarado/confessado na DCOMP n° 05905.65557.150205.1.3.046399 transmitida em 15/02/2005, seja extinto integralmente com crédito seu decorrente de pagamento indevido do IPI de codificação 1097 realizado por DARF em 29/11/2004 no mesmo valor originário. A pretensão acima se funda na simples alegação da reclamante de que o IPI de código 1097 recolhido em 29/11/2004 era, na verdade, exatamente aquele de código 5123 que se visava extinguir na DCOMP, tendo ela apenas errado na identificação do tributo quando preenchera o DARF, bem no instrumento utilizado para correção desse erro: transmissão de DCOMP em vez de REDARF. (...). Por pertinente, vale destacar que, se o intento da interessada era corrigir informações constantes do DARF pelo qual recolhera o IPI de código 1097 em 29/11/2004, o procedimento correto que ela deveria ter tomado era protocolar perante a Receita Federal um REDARF com indicação das correções pretendidas no recolhimento efetuado, e, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10166.908435/200910 Resolução nº 3402001.752 S3C4T2 Fl. 60 4 ainda, antes da emissão do despacho decisório de fl. 06, ter cancelado a DCOMP transmitida. Mas nada disso foi efetuado pela interessada, tornandose preclusos os exercícios dos direitos a correções via REDARF ou a cancelamento da DCOMP transmitida. (...). 6. Da análise dos documentos acostados nos autos e, ainda, conforme constatado pela própria decisão recorrida, o que aconteceu aqui foi um erro no preenchimento da sua DCOMP decorrente da inexistência de emissão de um REDARF por parte do contribuinte, o qual teria por escopo ajustar os códigos de recolhimento do IPI pago em 29/11/2004. 7. Diante deste cenário fático e levando em consideração o princípio do formalismo moderado, resolvo baixar o presente caso em diligência para que, diante dos documentos já acostados nos autos e de outros que possam vir a ser solicitados junto ao contribuinte: (i) a unidade preparadora esclareça se o DARF de fls. 22 materialmente se refere ao IPI de código 5123, ou seja, se o preenchimento do código 1097 de fato foi um erro formal do contribuinte. 8. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, (ii) o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 8. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10508.720659/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA.
Não procede a tese de nulidade do auto lavrado quando constatada a improcedência das alegações apresentadas pelo contribuinte, que defendiam a nulidade do lançamento praticado, e quando verificada a sua regularidade (auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária).
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreou-se em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras.
NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste.
MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NOS ARTS. 68 e 71 A 73 DA LEI Nº 4.502/64. NECESSIDADE DE NEXO CAUSAL E CORRELAÇÃO COM A INFRAÇÃO APURADA. AFASTAMENTO.
A simples afirmação no termo de verificação fiscal, genérica e abstrata, de que os fatos apurados se amoldam às hipóteses dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 não dá ensejo à qualificação da multa de ofício. Deve se proceder à demonstração específica de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, estabelecendo o nexo causal entre a sua prática e as infrações tributárias apuradas ou mesmo de que tais posturas ilícitas permitiram a sua ocorrência (elemento sine qua non).
TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL.
Aplica-se ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possui os mesmos elementos de prova.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS LARANJAS. COMPROVAÇÃO DA GERÊNCIA E ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA PELOS SÓCIOS DE FATO.
Verificada a existência de interpostas pessoas (laranjas) e comprovados os verdadeiros sócios administradores da empresa, deve ser mantida a estes a responsabilidade pelo crédito tributário constituído.
Numero da decisão: 1402-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e manter a imputação de glosa de despesas; por maioria de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a a 75%, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e o Conselheiro Evandro Correa Dias, que mantinham a exasperação. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA. Não procede a tese de nulidade do auto lavrado quando constatada a improcedência das alegações apresentadas pelo contribuinte, que defendiam a nulidade do lançamento praticado, e quando verificada a sua regularidade (auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária). NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreou-se em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras. NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NOS ARTS. 68 e 71 A 73 DA LEI Nº 4.502/64. NECESSIDADE DE NEXO CAUSAL E CORRELAÇÃO COM A INFRAÇÃO APURADA. AFASTAMENTO. A simples afirmação no termo de verificação fiscal, genérica e abstrata, de que os fatos apurados se amoldam às hipóteses dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 não dá ensejo à qualificação da multa de ofício. Deve se proceder à demonstração específica de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, estabelecendo o nexo causal entre a sua prática e as infrações tributárias apuradas ou mesmo de que tais posturas ilícitas permitiram a sua ocorrência (elemento sine qua non). TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. Aplica-se ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possui os mesmos elementos de prova. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS LARANJAS. COMPROVAÇÃO DA GERÊNCIA E ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA PELOS SÓCIOS DE FATO. Verificada a existência de interpostas pessoas (laranjas) e comprovados os verdadeiros sócios administradores da empresa, deve ser mantida a estes a responsabilidade pelo crédito tributário constituído.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10508.720659/2013-51
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958522
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.613
nome_arquivo_s : Decisao_10508720659201351.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10508720659201351_5958522.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e manter a imputação de glosa de despesas; por maioria de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a a 75%, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e o Conselheiro Evandro Correa Dias, que mantinham a exasperação. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7594677
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417295454208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6.875 1 6.874 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10508.720659/201351 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.613 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente DALNORDE COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. INOCORRÊNCIA. Não procede a tese de nulidade do auto lavrado quando constatada a improcedência das alegações apresentadas pelo contribuinte, que defendiam a nulidade do lançamento praticado, e quando verificada a sua regularidade (auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária). NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO PROCESSUAL E BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Improcedente a alegação de quebra de sigilo processual e bancário do contribuinte quando se verifica que o contribuinte foi regularmente intimado de todos os termos no curso do procedimento fiscal e a autuação lastreouse em elementos fornecidos pelo próprio contribuinte e que não foram retirados de documentos fornecidos por instituições financeiras. NULIDADE, FALTA DE INTIMAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA, CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Improcedente a argüição de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente representado por mandatário, o qual tem ciência de todos os termos do procedimento fiscal e quando o contribuinte apresenta sua impugnação também de forma regular, através de advogado, que exerce plenamente a sua defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 06 59 /2 01 3- 51 Fl. 6875DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.876 2 O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA OCORRÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS NOS ARTS. 68 e 71 A 73 DA LEI Nº 4.502/64. NECESSIDADE DE NEXO CAUSAL E CORRELAÇÃO COM A INFRAÇÃO APURADA. AFASTAMENTO. A simples afirmação no termo de verificação fiscal, genérica e abstrata, de que os fatos apurados se amoldam às hipóteses dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 não dá ensejo à qualificação da multa de ofício. Deve se proceder à demonstração específica de ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, estabelecendo o nexo causal entre a sua prática e as infrações tributárias apuradas ou mesmo de que tais posturas ilícitas permitiram a sua ocorrência (elemento sine qua non). TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possui os mesmos elementos de prova. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS “LARANJAS”. COMPROVAÇÃO DA GERÊNCIA E ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA PELOS SÓCIOS DE FATO. Verificada a existência de interpostas pessoas (“laranjas”) e comprovados os verdadeiros sócios administradores da empresa, deve ser mantida a estes a responsabilidade pelo crédito tributário constituído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e manter a imputação de glosa de despesas; por maioria de votos, afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa a 75%, vencidos o Relator Leonardo Luis Pagano Gonçalves e o Conselheiro Evandro Correa Dias, que mantinham a exasperação. Designado para redigir o voto vencedor deste item o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fl. 6876DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.877 3 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de julgamento de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão da DRJ que julgou improcedente a defesa da Recorrente. Resumo dos fatos: A Autoridade Lançadora começou a analise da documentação na base de dados com informações de notas fiscais baixadas do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, informadas pelo Contribuinte, no período de 2008 a 2010. Essa coleta foi feita por meio de acesso, regulado por convênio entre a Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia. No ano de 2009, a análise ficou prejudicada, pois não havia informações de todos os meses do ano. Em 2008 e 2010, as informações foram coletadas para posterior batimento com as informações contidas nos livros contábeis e fiscais. Através da análise das informações entregues pelo Contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, em Declaração e Apuração Mensal do ICMS DMA, constatouse que as informações contidas na DMA e no Sintegra eram completamente divergentes. Em seguida, narra a Autoridade Fiscal que analisou as demais informações contidas nos Livros Razão e Diário do ano de 2008 e das informações contidas na Escrituração Contábil Digital ECD, relativas aos anosbase 2009 e 2010. Novamente, foi constatada uma total divergência das informações, contidas nas diversas bases, declarações, livros e ECDs. São apresentadas tabelas com as divergências encontradas (fl. 6587). A Autoridade Fiscal ressaltou que os arquivos magnéticos não foram entregues pelo Contribuinte; os Livros de Entrada, Saída e Apuração de ICMS foram entregues parcialmente, o que impossibilitou a utilização das informações na apuração da base de cálculo dos tributos objetos da fiscalização. Lembrou que os arquivos de notas fiscais no formato do Sintegra, foram inicialmente, embora validados, entregues com senha; após, foram entregues sem validação e contendo algumas poucas informações de compras nos anos de 2009 e 2010, além de os valores serem totalmente diferentes dos arquivos no formato Sintegra entregues à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. (À fl. 6588, é apresentada tabela com os valores.) Assim, a Autoridade Lançadora, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, utilizou as informações contidas nos Livros Diário e Razão, para o ano Fl. 6877DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.878 4 base de 2008; e na Escrituração Contábil Digital ECD, para os anosbase 2009 e 2010. Também foi utilizada a base de dados com informações de notas fiscais baixadas do sistema Sintegra, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, informadas pelo Contribuinte, além das declarações: Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Federais DACON. Em relação as compras e vendas, o Contribuinte foi intimado a apresentar justificativas para as diferenças encontradas entre as compras e as receitas de vendas de mercadorias escrituradas nos livros Razão, Diário e balancetes dos Livros Diário, anos calendário 2008 a 2010, com as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal em DIPJ, DCTF e DACON. Como as justificativas solicitadas pela Fiscalização não foram apresentadas pela Recorrente, os valores apurados conforme livros Razão, Diário e balancetes dos Livros Diário, foram utilizados na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (tabela fl. 6589 dos autos). Desta forma, foram glosadas as despesas/custos que foram considerados não comprovados pela Fiscalização. Vejamos as despesas que foram glosadas: Intimado, o Contribuinte comprovou parte das despesas questionadas em termo de intimação. As despesas não comprovadas foram glosadas, conforme tabelas de fls. 6590 a 6592. 25. Na tabela de fls. 6593 a 6594, consta relação de lançamentos aceitos pela Fiscalização a título de juros financeiros. Os demais, com esse título, por não terem sido comprovados, foram glosados. 26. Nas tabelas de fl. 6594, estão os valores de frete glosados pela Fiscalização. 27. Com relação às doações efetuadas à “Creche Meira”, a Autoridade Fiscal apresentou na tabela de fl. 6596 os valores aceitos e aqueles que foram glosados por estarem acima do limite estabelecido pela legislação fiscal. A Fiscalização também reuniu informações para chegar aos reais proprietários da empresa. As informações são as seguintes: Em seguida, a Autoridade Fiscal reúne informações, acerca das pessoas físicas Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias, que levam à conclusão de que são os reais proprietários da Fl. 6878DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.879 5 empresa. De forma resumida, são os seguintes os fatos que levam à citada conclusão: – pesquisas efetuadas no site www.supermercadosmeira.com.br, inclusive entrevista prestada por Herbert Moreira Dias; – no contrato social apresentado, constam sócios que passaram pela empresa cadastrados como auxiliar de escritório, trabalhadores de serviços administrativos, pintor de obra, empregada doméstica, dentre outros. – sócios da empresa “laranjas” (empregados de outras empresas do “Grupo Meira”); – salário de contribuição dos diversos sócios da empresa em média pouco superior ao salário mínimo vigente na época; – fichas cadastrais da pessoa jurídica em instituições financeiras, procurações assinadas pelos sócios (“Luciana e Larissa”, sobrinhas de Herbert; outros sócios), outorgando poderes a terceiros para movimentar as contascorrentes da empresa, dando amplos poderes às pessoas físicas Herbert Moreira Dias, CPF n°: 163.914.54515, e Valdeana Meira Souto e Dias, CPF n° 426.972.12515, inclusive para representálas perante qualquer órgão público e instituições financeiras; – as procurações feitas pelos sócios que entravam no quadro societário da empresa apontam fortes indícios da utilização de interpostas pessoas, visando a encobrir a identidade dos reais proprietários da empresa, Herbert e Valdeana, que apesar de não aparecerem como sócios da empresa, tinham amplos poderes para transacionar em nome dela, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização financeira do crédito tributário devido; – a empresa está sediada no mesmo endereço (ou em endereços próximos de outras empresas do Grupo), com o mesmo objeto social; – a sede da empresa Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda ME se localizava na Rua Uruguaiana, n° 898. Nesse mesmo endereço, conforme Termo de Constatação, funciona atualmente o depósito da filial da empresa Dalnorde, CNPJ 04.259.757/000317, localizada nesta mesma rua no n° 220; – apesar dos estabelecimentos terem números diferentes, tratase do mesmo imóvel comercial; – a composição do quadro societário do Contribuinte, com base em informações constantes do Cadastro CNPJ, CNIS, e das DIPJ anoscalendário 2008 a 2010, em comparação com os sócios das outras empresas do grupo (Comercial de Estivas Matos Ltda, Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda – ME) demonstra o revezamento dos sócios nas empresas do grupo; Fl. 6879DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.880 6 29. Dos fatos acima resumidos, a Fiscalização concluiu não restar dúvidas de que Herbert e Valdeana, desde o início, são os verdadeiros sócios da empresa fiscalizada, sócios de fato, que possuíam amplos poderes para dirigir, controlar e administrar, da forma que bem entendessem, as sociedades do Grupo. Foram também coletados dados junto a Polícia Federal que comprovam que a Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto são os reais proprietários da Recorrente. E por fim, Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto foram considerados sujeitos passivos responsáveis solidários do crédito tributário nos termos do artigo 124, inciso I do CTN e no artigo 135, incisos II e III do CTN. Também foi aplicado multa qualificada fundamentada nos seguintes termos. Para a Autoridade Lançadora, restaram caracterizados o evidente intuito de fraude e a prática reiterada de sonegação fiscal, conforme definido nos arts. 68, 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 30 de novembro de 1964, pelo que foi aplicada a multa prevista no art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430/96. A DRJ manteve integralmente a autuação. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando as mesmas alegações da impugnação. Importante ressaltar que os responsáveis solidários não interpuseram Recurso Voluntário face o v .acórdão recorrido, apenas apresentando um tópico no Recurso Voluntário da empresa autuada sobre a impossibilidade de responsabilizálos solidariamente, eis que não restou comprovado nos autos que a empresa Recorrente pertencia a um grupo econômico. É o relatório. Fl. 6880DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.881 7 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares: Em preliminar, a Recorrente alega ter ocorrido nulidade dos autos de infração por erro na identificação do sujeito passivo, eis que o Auto de Infração foi lavrado face Dalnorde Supermercado e Distribuidora de Alimentos LTDA., sendo que a razão social da empresa é Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Tal alegação não procede, pois conforme pode se verificar o Auto de Infração foi lavrado face a empresa correta, a Dalnorde Comérico Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Um documento que comprova que a autuação foi corretamente lavrada é a Procuração lavrada no Cartório de Tabelionato e Protestos de IbicaraíBA, outorgada pela “sócia” da firma Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda, Larissa Dias Matos, para Joadison Silva dos Santos, concedendolhe poderes especiais para representar a outorgante, entre outros órgãos, junto à Secretaria da Receita Federal. Assim, entendo que o Auto de Infração foi lavrado face a empresa correta (sujeito passivo correto), com a razão social Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda. Desta forma, rejeito a preliminar da Recorrente de nulidade do Auto de Infração por erro na indicação do sujeito passivo. Ademais, pode se verificar que o auto de infração contém todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e o simples cotejamento dos autos de infração lavrados com cada requisito enumerado pelo dispositivo acima indicado não permite duvidar de obediência plena às determinações legais, inclusive no que se refere à descrição dos fatos. Da mesma forma, não se verifica ofensa ao art. 5º, LV, CF/88, pois houve ciência do auto de infração e oportunidade para o contraditório e a ampla defesa, bem como não se detecta violação aos art. 3º e 142 do CTN, pois, há indiscutível base legal nos Autos de Infração para o lançamento de ofício e para exigência de multa. Fl. 6881DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.882 8 Para concluir, os Autos de Infração foram lavrados por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), e não resta alternativa senão rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas. Da preliminar relativa a utilização de informações protegidas por sigilo bancário sem autorização judicial. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do Fl. 6882DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.883 9 princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Sendo assim, mesmo que a ação judicial da Recorrente se encontre aguardando o julgamento de Recurso Extraordinário, o C. Supremo Tribunal de Federal já decidiu sobra a matéria pela sistemática de repercussão geral, entendendo ser legitimo e constitucional o art. 6º da Lei Complementar 105/01, eis que segundo a Corte Suprema não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada. Da falta de intimação dos sócios da empresa: Fl. 6883DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.884 10 Tal alegação não procede. A Recorrente apresentou procuração elegendo como seu procurador o Sr. Joadison Silva dos Santos, concedendolhe poderes especiais para representar a outorgante, inclusive junto à Secretaria da Receita Federal. Assim, como a própria pessoa que a Recorrente desejava que tivesse sido intimada como seu procurador para representála no procedimento fiscal, bem como para tomar ciência do auto de infração e demais documentos, o que torna sem sentido agora defender a falta de intimação dos seus “sócios”. Ademais, no presente caso, os sócios foram intimados por edital para apresentar Recurso. De resto, adoto a fundamentação do v. acórdão recorrido para motivar meu voto em relação a este ponto. 104. A Impugnante propugnou pela nulidade do procedimento fiscal pela falta de intimação dos sócios da empresa contribuinte. 105. Argumentou que o legislador não pode eleger responsáveis de forma aleatória, sob pena de acarretar uma insegurança jurídica. No presente procedimento fiscal, não houve qualquer intimação dos sócios do Contribuinte para que se manifestassem acerca do seu teor. Para a Impugnante, a Fiscalização deveria ter incluído os sócios da empresa, mas, ao contrário, direcionaram para terceiros, fundado em um julgamento antecipado lastreado em informações não conclusivas. 106. No item “Erro na Identificação do Sujeito Passivo”, destacamos que a “sócia” da empresa (Larissa Dias Matos) outorgou Procuração para Joadison Silva dos Santos, concedendolhe poderes especiais para representar a outorgante, entre outros órgãos, junto à Secretaria da Receita Federal. Ora, a própria pessoa que a Impugnante desejava que tivesse sido intimada elegeu o seu procurador para representála no procedimento fiscal bem como para tomar ciência do auto de infração e demais documentos, o que torna sem sentido agora defender a falta de intimação dos seus “sócios”. 107. Portanto, o Contribuinte foi representado em todo o procedimento fiscal por seu procurador, indicado pelo próprio “sócio” da empresa. Uma vez que o contribuinte esteja legalmente representado por um procurador, não há norma que imponha, no curso de um procedimento fiscal, a intimação dos sócios. Nesses casos, o Contribuinte teve, através de seu mandatário, conhecimento de tudo o que ocorria na fiscalização, não Fl. 6884DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.885 11 havendo qualquer motivo para supor o contrário. Foi ele regularmente intimado de todos os termos do processo, teve deles plena ciência e oportunidade para apresentar documentos, provas, explicações e justificativas. 108. Além disso, a defesa foi regularmente apresentada pelo Contribuinte ora Impugnante após a autuação, ou seja, os “sócios” foram defendidos através da peça impugnatória. 109. Quanto ao “direcionamento para terceiros”, essa questão está relacionada com a responsabilidade tributária, que será discutida adiante. 110. Dessa forma, também descabida esta alegação de nulidade proposta pela Impugnante. Desta forma, rejeito a alegação da Recorrente de que teria ocorrido a nulidade do procedimento fiscal, devido a falta de intimação dos sócios da empresa Recorrente. Passo a analisar a alegação quanto ao não cumprimento do prazo para execução e encerramento dos trabalhos fiscais (auditoria fiscal): Esta matéria já foi analisada varias vezes por este D. Colegiado, restando sedimentado a jurisprudência de que o prazo para a auditoria fiscal pode ser renovado varias vezes. A título exemplificativo, segue a ementa de um julgado no qual esta C. Turma decidiu sobre tal matéria: [...] Para complementar a fundamentação do meu voto e tendo em vista que o Recurso Voluntário não apresentou novas alegações em relação as feitas na impugnação, adoto os argumentos do v. acórdão recorrido. 111. Como última nulidade do procedimento administrativo fiscal, a Impugnante alegou o não cumprimento do prazo para execução e encerramento dos trabalhos após a citação do Contribuinte. 112. Defendeu a Impugnante que a Fiscalização não respeitou os prazos para o encerramento ou prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Como o procedimento fiscal ultrapassou o prazo legal de 120 dias, a Impugnante requereu a sua nulidade por decurso do prazo. 113. Os argumentos relativos ao Mandado de Procedimento Fiscal são improcedentes. Fl. 6885DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.886 12 114. O MPF – Mandado de Procedimento Fiscal é antes de tudo um instrumento instituído com a missão de propiciar à Administração Fiscal Federal o planejamento, o controle e a gerência das atividades de fiscalização. O MPF foi criado pela Portaria SRF nº 1.265/99 e posteriormente regulado pelo Decreto nº 3.724/01 do Presidente da República, o qual tratou da regulamentação do sigilo bancário. 115. As competências dos Auditores Fiscais estão estabelecidas em lei e não podem ser alteradas por dispositivos infralegais como os acima mencionados. O art. 142 do Código Tributário Nacional conferiu expressamente à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, de acordo com o art. 7º da Lei nº 2.354/1954, e com o Decreto nº 2.225/1985, é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. 116. Por essa linha de raciocínio, mesmo a falta do MPF não acarreta nulidade do lançamento realizado, até por que o Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, não exige a emissão de MPF. Segundo o artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972 basta ato de ofício emitido por servidor competente e cientificado ao sujeito passivo para que o procedimento fiscal tenha início: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. [...] 117. Devese destacar, ainda, que o regramento acerca do Mandado de Procedimento Fiscal não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que estão submetidos os agentes fiscais tributários. A obrigatoriedade da prática do lançamento tributário pela autoridade lançadora encontrase estatuída no art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional do agente, caso constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária. 118. O Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual CARF, tem entendido a questão da mesma maneira, ou seja, que o MPF constitui instrumento de mero controle Fl. 6886DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.887 13 administrativo, e que eventuais irregularidades em sua emissão ou utilização não têm o condão de macular o auto de infração. Vejamos as seguintes ementas extraídas do citado Tribunal Administrativo: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. (Ac. 1º CC nº 10706820, sessão de 16/10/2002, Relator Luiz Martins Valero) NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Ac. 1º CC nº 10807079, Sessão de 22/08/2002, Relator Luiz Alberto Cava Maceira) 119. Em determinados casos, o MPF sequer é exigido, conforme disposto no § 3º do artigo 2º do Decreto nº 3.724/2001, com a redação dada pelo artigo 1º do Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007: §3o O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Fl. 6887DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.888 14 (meu destaque.) 120. Em resumo, não se verifica qualquer vício ou ilegalidade no procedimento fiscal e tampouco no lançamento praticado que levasse à nulidade da autuação. Desta forma, voto por rejeitar as preliminares dos Autos de Infração. Mérito: Em relação ao mérito, não resta dúvida de que a infração restou devidamente comprovada, bem como que a Recorrente não trouxe nenhuma prova aos autos para afastar a acusação de glosa de despesas. As provas dos autos nos levam a conclusão de que as infrações de fato ocorreram. Quanto a alegação de que seria indevido o arbitramento, também nego provimento, eis que o Auto de Infração não arbitrou o lucro, mas a exigência foi feita pelo lucro real. Quanto as demais alegações de que a fiscalização deixou de verificar e deduzir da base tributável as despesas de manutenção e investimento da atividade da Recorrente, realizadas no anocalendário da 2008. Tal alegação não procede, eis que a Recorrente não apresentou documentos para comprovar tais despesas alegadas. Ademais, as alegações feitas pela Recorrente são concernentes a PIS/COFINS, matéria que está sendo tratada em outro processo de numero 10508.720.658/201315, não podendo ser analisadas nos autos deste processo. Assim, pode se extrair dos autos, que a infração não foi baseada em meros indícios como alega a Recorrente, mas está lastreada com conteúdo probatório robusto a ponto de não deixar dúvida de que a irregularidade tributária realmente ocorreu. Caberia a Recorrente apresentar nos autos argumentos e provas para afastar a acusação, entretanto não se desincumbiu de tal obrigação, motivo pelo qual não resta alternativa senão manter os Autos de Infração. Da multa qualificada: Em relação a multa qualificada, adoto os argumentos do v. acórdão recorrido. Importante ressaltar, que foram constatadas no TVF, a simulação das operações por meio de utilização de empresas interpostas, sendo que as pessoas físicas Sr. Fl. 6888DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.889 15 Herbert Moreira Dias e de Valdeana Meira Souto e Dias eram os proprietários de fato das empresa que participaram das operações que ocasionaram a glosa de despesas. A Fiscalização também se utilizou de provas emprestadas obtidas junto a Policia Federal, encontrou procurações outorgadas pelo responsáveis solidários aos laranjas, comunicação entre Shauana e Luciana Oliveira, para a realização de um depósito autorizado por Beto (Herbert Moreira Dias), que se tratava de autorização feita por ele, Herbert Moreira, referente a depósitos mensais automáticos nas contas correntes de Mariene Moreira Dias e Larissa Dias Matos, com referência ao pagamento do FGTS. Foram encontrados bens de propriedade de Herbert Moreira Dias registrados em nome de terceiros, dentre outras provas que não deixam dúvida da intenção de reduzir de forma irregular a carga tributária. Desta forma, entendo que restou comprovado nos autos a hipótese prevista no artigo 44, parágrafo primeiro da Lei 9.430/96, devendo ser mantida a multa qualificada no importe de 150%. De resto colaciono os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar meu voto. DO NÃO CABIMENTO DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 128. Defendeu a Impugnante que como a Autoridade Fiscal utilizouse de lastro probatório nulo, por vício de ilegalidade, restou prejudicada a sustentação da referida qualificadora da multa prevista no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, devendo ser aplicado o percentual de 75% no presente caso. 129. Não possui razão a Impugnante. Há nos autos do presente processo administrativo fiscal elementos suficientes que justificam e legitimam a aplicação da multa qualificada. 130. De forma sintética, os seguintes fatos implicam na qualificação da multa aplicada: – diferenças de valores apurados nas diversas declarações apresentadas e livros escriturados pelo Contribuinte; – As informações obtidas nas “fontes públicas”, resumidas no Relatório Fiscal”, que ligam as pessoas físicas Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias à empresa fiscalizada (assim como com outras empresas); – “laranjas” integrando o quadro societário da empresa (empregada doméstica, pintor de obra, sobrinha e filha das pessoas citadas, etc); – existência de procurações outorgadas pelos “sócios laranjas” à Herbert e Valdeana, concedendolhes amplos poderes de representação, inclusive perante órgãos públicos e instituições financeiras; – provas colhidas pela Polícia Federal (já relatadas de forma sintética), as quais reproduzimos abaixo: Fl. 6889DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.890 16 – utilização de duas razões sociais por loja; – criação das pessoas jurídicas interpostas, com o fito de não pagar os tributos devidos; – agenda apreendida com escritos diversos, relativos ao ano de 2008, a partir da qual verificamse anotações de códigos para cada loja do grupo empresarial investigado, além de relações com os valores associados às empresas do grupo; – dos referidos documentos, podese atestar a referência específica à empresa Contribuinte, bem como a comprovação de sua administração por Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto e Dias; – comunicação entre Shauana e Luciana Oliveira, para a realização de um depósito autorizado por Beto (Herbert Moreira Dias), que se tratava de autorização feita por ele, Herbert Moreira, referente a depósitos mensais automáticos nas contas correntes de Mariene Moreira Dias e Larissa Dias Matos, com referência ao pagamento do FGTS. – verificase que a gerência da empresa era exercida pelo Sr. Herbert Moreira Dias, na medida em que o mesmo era quem autorizava a realização dos referidos depósitos, de modo que as pessoas que constavam do Contrato Social eram pessoas interpostas; – a apreensão dos documentos (Auto de Apreensão n° 63/2012) foi efetuada na Rua Uruguaiana, 896, Malhado, Ilhéus/BA, que é o endereço da sede das empresas Comercial de Estivas Matos Ltda e Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda, bem como o do depósito de uma das filiais da empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; – bens de propriedade de Herbert Moreira Dias registrados em nome de terceiros; – Herbert Moreira Dias encontrase cadastrado na Previdência Social como empregado da Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; gravações de vídeo com funcionário da empresa indicam ser ele o proprietário do estabelecimento; – entre os documentos apreendidos, encontrase a Carteira de Trabalho (CTPS) de Herbert Moreira Dias, na qual consta como último registro a gerência da empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; – a empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda tem como sócia Shauana Souza Dias, filha de Herbert Moreira Dias. Também são sócias Larissa Dias Matos e Luciana Dias Matos, ambas sobrinhas de Herbert Moreira Dias, fatos que denotam a formação de grupo familiar, com pessoas interpostas, mas com o controle e a direção da empresa Fl. 6890DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.891 17 exercidos de fato pelos seus reais proprietários, Herbert e Valdeana; – diversas procurações, inclusive com poderes de gestão, foram outorgadas pelos sócios interpostos do Contribuinte para Herbert Moreira Dias e Valdeana Meira Souto, seus reais proprietários; – documentos contendo orientações e comandos tais como “abrir empresa em nome de Breno e Shauana”, “Cecília fazer contabilidade paralela conf. Informações do programa mostrando a realidade dos impostos estaduais e federais”, “Dr. Ricardo embargar os débitos”, “ver uma empresa que compre as bebidas em nome dela e ela repasse com nota da BA p/ MEIRA”, “Jéferson, verificar com Ricardo sobre conseguir notas com ICMS/CHEIO”; – documento apreendido, do qual consta a relação de empresas do grupo Meira, com os respectivos CNPJs e contas correntes, demonstram que a empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda é utilizada de forma fictícia para explorar a Rede de Supermercados Meira; – agenda apreendida de cor azulmarinho (Auto de Apreensão nº 65/2012) permite concluir, através da análise do seu conteúdo, que a administração de todas as lojas da Rede de Supermercados Meira é centralizada na pessoa de Herbert Moreira Dias; – de outra agenda apreendida, que seria de propriedade de Shauana Souza Dias, há um discriminativo das razões sociais utilizadas para a exploração da Rede de Supermercados Meira e das procurações outorgadas pelas pessoas físicas interpostas; das anotações dessa agenda, extraemse informações referentes as três empresas do Grupo Meira, quais sejam, Comercial de Estivas Matos Ltda, Comercial de Gêneros Alimentícios Shauana Ltda e Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda; – do Item 54 do Auto de Apreensão n° 65/2012, consta a referência de diversas procurações particulares e públicas em que há transferência de poderes entre as pessoas referidas na fiscalização, existindo preponderância na outorga de poderes para gerir as diversas pessoas jurídicas ao Sr. Herbert Moreira Dias; – do Item 58 do Auto de Apreensão n° 65/2012, consta a informação de que fora apreendida uma relação de telefones, na qual figura o Sr. Herbert como diretor; – ainda do Auto de Apreensão n° 66/2012, consta informação de que foram apreendidas 04 cópias de contrato de parceria comercial, firmados pela empresa Dalnorde Comércio Importação e Exportação de Alimentos Ltda com diversas empresas, sendo que em todos os referidos contratos constam o logotipo dos “Supermercados Meira”; Fl. 6891DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.892 18 – foram apreendidas 02 (duas) cópias de solicitação de patrocínio para evento recreativo/cultural, sendo que ambas foram direcionadas ao Sr. Herbert Moreira Dias, o que evidencia ser ele o proprietário e diretor das empresas da Rede de Supermercados Meira. 131. Do conjunto dos fatos acima descritos, bem como de todo o enredo que consta dos autos do presente processo administrativo fiscal, entendo que a multa de ofício foi corretamente aplicada 132. As multas punitivas encontramse previstas no art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme texto legal abaixo transcrito: [...] 133. Portanto, o comportamento do Contribuinte conforme demonstrado nos autos enquadrase na norma legal cujo texto acima transcrevemos, o qual prescreve a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Desta forma voto por manter a multa, qualificada. Da não participação da empresa contribuinte em grupo econômico: Tais alegações não merecem ser acolhidas, eis que o lançamento se referem apenas a grupo de despesas analisadas a partir da escrituração da própria contribuinte. Em relação a imputação de responsabilidade solidária as pessoas físicas Sr. Herbert Moreira Dias e de Valdeana Meira Souto e Dias, deixo de analisalas eis que os responsáveis solidários não interpuseram recurso, embora devidamente cientificados, subsistindo o que decido pela DRJ. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.893 19 Voto Vencedor Caio Cesar Nader Quintella Redator Designado Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pela I. Conselheiro Relator, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, em seu fundamentado e robusto voto, exclusiva e especificamente em relação à manutenção da qualificação da multa de ofício, na monta de 150%. Nesse sentido, analisando a Autuação e seus fundamentos, primeiro verifica se que no item do TVF referente especificamente a tal agravamento sancionatório, a Autoridade Fiscal não específica as condutas e os atos concretamente ocorridos e apurados que amoldaramse às previsões dos arts. 68 e 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Confirase: Assim, de um ponto de vista técnico e formal, tal justificativa apresentase extremamente vaga, abstrata e genérica, simplesmente afirmando que teriam restado caracterizadas tais circunstâncias que permitem à Administração Tributária dobrar a pena aplicada. Registrese aqui que, indiscutivelmente, tal remissão genérica tem impacto na defesa do Contribuinte, que não pode vislumbrar uma precisa delimitação dos fatos que se referem diretamente a tal elemento acusatório do lançamento de ofício. Não obstante e mais importante, analisando o restante dos termos do TVF verificase que, de fato, consta lá a descrições de circunstâncias que até poderiam se revestir como típicas de simulação ou fraude. Fl. 6893DF CARF MF Processo nº 10508.720659/201351 Acórdão n.º 1402003.613 S1C4T2 Fl. 6.894 20 Contudo, não há demonstração de vinculação de tais atos e práticas com as infrações de dedução indevida de custos e despesas que motivaram a exação tributária em tela. Ainda que tenha se identificado fortes indícios de confusão patrimonial e mencionase a suposta utilização de terceiros para figurarem como titulares das pessoas jurídicas do Grupo, não existe qualquer esforço para estabelecer uma conexão de tais fatos com a infração tributária apurada de deduzir indevidamente custos e despesas da apuração do Lucro Real. E tratandose de ferramenta punitiva do Estado, compondo o ius puniendi (ainda que formalmente contidas no sistema jurídico tributário), o estabelecimento do nexo causal entre a conduta e a sanção aplicável é indispensável para sua validade, não podendo prevalecer apontamentos genéricos sobre a ocorrência das hipóteses legais. Entendese que é necessária a demonstração de que tais supostas simulações e fraudes perpetradas dolosamente colaboraram para a ocorrência da infração ou foram elemento prévio ou simultâneo que permitiu a sua ocorrência (elemento sine qua non). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo seu percentual para 75%. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 6894DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.913706/2006-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA.
Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
Numero da decisão: 1001-001.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo-fiscal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.913706/2006-22
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5961086
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.065
nome_arquivo_s : Decisao_10880913706200622.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
nome_arquivo_pdf_s : 10880913706200622_5961086.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
id : 7605142
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417308037120
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-01-23T19:35:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-01-23T19:35:24Z; Last-Modified: 2019-01-23T19:35:24Z; dcterms:modified: 2019-01-23T19:35:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-01-23T19:35:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-01-23T19:35:24Z; meta:save-date: 2019-01-23T19:35:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-01-23T19:35:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-01-23T19:35:24Z; created: 2019-01-23T19:35:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-01-23T19:35:24Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-01-23T19:35:24Z | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 112 1 111 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.913706/200622 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.065 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 16 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente NUTRISPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VESTUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. OCORRÊNCIA. Os contornos da lide administrativa são definidos pela impugnação ou manifestação de inconformidade, oportunidade em que todas as razões de fato e de direito em que se funda a defesa devem deduzidas, em observância ao princípio da eventualidade, sob pena de se considerar não impugnada a matéria não expressamente contestada, configurando a preclusão consumativa, conforme previsto nos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 37 06 /2 00 6- 22 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.913706/200622 Acórdão n.º 1001001.065 S1C0T1 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 88/100) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 1633.618, de 06/09/2011, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), efls. 74/76, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza e completa o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) NUTRISPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VESTUÁRIOS LTDA., apresenta manifestação de inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT (fls. 30 a 37) que não homologou as PER/DCOMP apresentadas pela contribuinte, relativas ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. 2 Ao analisar o direito creditório declarado, o auditor fiscal verificou que a contribuinte recolheu em DARF, relativamente às estimativas devidas durante o anocalendário de 2000, o valor total de R$ 141.492,32 , que foram declaradas em DCTF, mas os valores declarados como estimativas na DIPJ/2001, não conferem com esses valores. Uma vez que apenas a DCTF é considerada confissão de dívida e o valores declarados em DCTF, conferem com os valores recolhidos em DARF, foram esses os valores considerados na análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000. 3 Relativamente ao IRRF do período, o sistema SIEF/DIRF (fls. 17/20), informou valor de retenção de R$ 5.016,65, cujas receitas foram devidamente oferecidas à tributação. 4 Não houve compensações sem processo, declaradas nas DCTF do período. 5 Assim o valor apurado do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000 foi de R$ 24.036,94. 6 O auditor fiscal constatou que esse saldo negativo foi inteiramente consumido em compensações sem processo de estimativas de IRPJ do ano calendário seguinte, 2001, conforme cálculo do sistema SAPO (28 a 29), não restando qualquer saldo passível que ser aproveitado na presente PER/DCOMP. 7 Cientificada em 17/06/2008, conforme AR de fls. 38/verso, a contribuinte apresentou, em 17/07/2008, manifestação de inconformidade de fls. 39 a 40, onde alega que teria efetuado compensações sem processo de estimativas, e apresenta um demonstrativo com os valores que alega ter compensado, requerendo Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.913706/200622 Acórdão n.º 1001001.065 S1C0T1 Fl. 114 3 também que seja acolhida a manifestação de inconformidade e cancelado o débito fiscal reclamado. A DRJ considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ COMPENSAÇÕES SEM PROCESSO Não é suficiente para comprovar o crédito pretendido, a alegação que teria efetuado compensações de estimativas de IRPJ sem processo com saldos de períodos anteriores, se a contribuinte não declara essas compensações em DCTF e não apresenta qualquer comprovação do que afirma. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão de primeira instância em 22/11/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 87, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo aposto à efl. 88. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Quanto ao valor da lide nesta segunda instância administrativa, temse que a empresa em epígrafe solicita, por meio do PER/DCOMP nº 07788.12235.180603.1.3.021012 (efls. 2/6), a compensação de débitos no valor total de R$ 61.294,22, com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000. Após a análise do pedido, a DRF homologou as compensações até o valor de "R$ 24.036,94, (...) sendo que sobre tal(tais) valor(es) incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos dos artigos 52 e 53 da IN/SRF n° 600/05". Neste sentido, tendo em vista que o valor em litígio não ultrapassa o limite de alçada das turmas extraordinárias, conforme estabelece o art. 23B do RICARF, entendo que o presente recurso deve ser julgado por esta turma. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.913706/200622 Acórdão n.º 1001001.065 S1C0T1 Fl. 115 4 No recurso interposto, a recorrente repete todos os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que na verdade acumulou crédito de R$ 167.032,44, conforme a DIPJ apresentada (anexa novamente as Fichas 20A e 13A efls. 57/58) e DARFs (efls. 53/56) e repete quadro demonstrativo dos valores. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados no aresto de primeira instância e, por concordar com todos os seus termos, peço vênia para transcrever, a seguir, o voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. 10 Observase no presente processo que, embora a reclamante alegue ter efetuado compensações sem processo de estimativas de IRPJ do anocalendário de 2000, no valor total de R$ 167.032,44, conforme demonstrativo que apresenta às fls. 40, não apresentou qualquer comprovação do que alega. 11 Além disso, não declarou, sequer, as supostas compensações nas DCTF do período, impossibilitando qualquer análise do que alega. 12 A documentação apresentada junto à manifestação de inconformidade, tampouco serve para esclarecer ou comprovar suas alegações, impondose a conclusão que a reclamante limitouse a alegar sem embasar seus argumentos em documentação cabível. 13 Desse modo, indeferese as argumentações da contribuinte mantendo se, na integra, o decidido no despacho contestado. 14 Assim sendo, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. Afirma, agora, no recurso voluntário que "preencheu indevidamente campo do PER/DCOMP [criado em 03/06/2003 (fls. 15)], bem como de forma inadequada preencheu as DCTFs (fls. 23 —27)" e que "tudo foi realizado em conformidade com a orientação "do funcionário da Receita Federal do Brasil em São Paulo ....", Tratase de argumentos novos, não apresentados pela defesa em sede de manifestação de inconformidade, o que não é admissível no processo contencioso administrativo, implicando a ocorrência da preclusão consumativa. Nos termos dos arts. 16, III e 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativofiscal, todos os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa deverão ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnadas as matérias não expressamente contestadas. No caso dos autos, a discussão administrativa foi delineada pela manifestação de inconformidade, restando rechaçadas quaisquer outras teses defensivas eventualmente não expostas, por aplicação do princípio eventualidade, ressalva feita ao direito ou fato supervenientes, o que não é a hipótese. Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.721971/2017-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11040.721971/2017-93
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5966540
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-001.059
nome_arquivo_s : Decisao_11040721971201793.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 11040721971201793_5966540.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7627407
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417332154368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11040.721971/201793 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.059 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria IRPF: PENSÃO ALIMENTICIA Recorrente HERO ALFAYA JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 19 71 /2 01 7- 93 Fl. 152DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016, anocalendário de 2015. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo, por falta de comprovação, a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública (R$ 18.912,00) e dedução indevida de despesas Médicas (R$ 24.000,69). O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que o pagamento da pensão decorre de determinação judicial, quando do divórcio consensual com sua ex esposa junta documentação para comprovar o quanto alegado. Quanto às despesas médicas, junta toda documentação que foi solicitada e presta todas as informações a fim de tentar esclarecer e evidenciar a efetividade delas. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que: quanto à pensão, no anocalendário 2015, objeto deste lançamento fiscal, o contribuinte não mais possuía obrigação de pagar pensão alimentícia à sua exesposa, mas tão somente a seu filho, Victor Hugo Alfaya. No entanto, o contribuinte declarou o pagamento de pensão alimentícia à sua exesposa. Ademais, seu filho consta como seu dependente na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2016 anocalendário 2015 – (fls. 67/73), razão pela qual os valores de pensão alimentícia porventura a ele destinados não poderiam ser deduzidos da base de cálculo do alimentante, ora recorrente. Quanto às despesas médicas, manifestou a DRJ que entende que são procedentes, ou seja, podem ser consideradas como dedutíveis, exceto o valor de R$ 319,68, pago a Unimed Pelotas, referente à beneficiária Carla Maria dos Santos Alfaya, que não é dependente do contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte afirma que preencheu a declaração de forma equivocada, por desconhecimento, e pede que retifique para que exclua o seu filho como dependente e mantenha apenas o valor da pensão paga ao mesmo, pois seria menos custoso. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11040.721971/201793 Acórdão n.º 2001000.059 S2C0T1 Fl. 3 3 Merece trazer a baila logo de início o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento o Recorrente argumenta que preencheu de forma equivocada a declaração anual, pois não sabia que não deveria colocar o seu filho como dependente e alimentando ao mesmo tempo. É importante destacar, no entanto, que o principio de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza possui uma aplicabilidade geral, em qualquer seara do Direito, não sendo restrito à determinada área em específico. Em uma definição bem singela, podese dizer que o princípio "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza" referese a questão de que nenhuma pessoa pode fazer algo Fl. 154DF CARF MF 4 incorreto e/ou em desacordo com as normas legais e depois alegar tal conduta em proveito próprio. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Neste diapasão, verificando os argumentos claros e objetivos trazidos pela decisão a quo, além do principio acima aventado, de que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e ser mantida a glosa das despesas com pensão alimentícia pelos motivos exposados. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11040.721971/201793 Acórdão n.º 2001000.059 S2C0T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa da despesa com pensão alimentícia, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720145/2015-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. ERRO SOBRE A COMPETÊNCIA E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
O lançamento de ofício é nulo, quando houver erro sobre o período de apuração (critério temporal) e a matéria tributável (critério material).
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS.
O procedimento fiscal sobre omissão de receita, necessariamente, exige a intimação prévia do contribuinte, a fim de que esclareça os fatos lhe imputados, mediante documentação hábil e idônea.
REGIME DE COMPETÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO.
A eventual inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, identificada através de diligência instaurada durante o contencioso fiscal, não possibilita o saneamento do lançamento de ofício, modificando seu critério jurídico.
Numero da decisão: 1201-002.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que dava parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 NULIDADE. ERRO SOBRE A COMPETÊNCIA E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O lançamento de ofício é nulo, quando houver erro sobre o período de apuração (critério temporal) e a matéria tributável (critério material). OMISSÃO DE RECEITA. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS. O procedimento fiscal sobre omissão de receita, necessariamente, exige a intimação prévia do contribuinte, a fim de que esclareça os fatos lhe imputados, mediante documentação hábil e idônea. REGIME DE COMPETÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A eventual inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, identificada através de diligência instaurada durante o contencioso fiscal, não possibilita o saneamento do lançamento de ofício, modificando seu critério jurídico.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16095.720145/2015-43
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5946067
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.643
nome_arquivo_s : Decisao_16095720145201543.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAFAEL GASPARELLO LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 16095720145201543_5946067.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que dava parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7561983
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417336348672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1735; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 26.425 1 26.424 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720145/201543 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201002.643 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2018 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes PURATOS BRASIL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. ERRO SOBRE A COMPETÊNCIA E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O lançamento de ofício é nulo, quando houver erro sobre o período de apuração (critério temporal) e a matéria tributável (critério material). OMISSÃO DE RECEITA. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS. O procedimento fiscal sobre omissão de receita, necessariamente, exige a intimação prévia do contribuinte, a fim de que esclareça os fatos lhe imputados, mediante documentação hábil e idônea. REGIME DE COMPETÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A eventual inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, identificada através de diligência instaurada durante o contencioso fiscal, não possibilita o saneamento do lançamento de ofício, modificando seu critério jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que dava parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 45 /2 01 5- 43 Fl. 26425DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação administrativa, conforme se extrai da ementa do acórdão nº 1157.164: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS. Considerase omissão de receitas o valor correspondente à diferença entre o montante das receitas apuradas com base nas NFe e o valor das receitas contabilizadas e declaradas em DIPJ. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Uma vez comprovada a ocorrência de inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, o montante do tributo postergado deve excluído do apurado no lançamento. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO NA DIPJ E O CONFESSADO EM DCTF. NEGAÇÃO GERAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não é admitida no processo administrativo tributário federal a negação geral. A alegação deve estar acompanhada das razões que conduziram à mesma. Matéria não impugnada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicamse ao lançamento de CSLL, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Fl. 26426DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.426 3 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO NA DIPJ E O CONFESSADO EM DCTF. NEGAÇÃO GERAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não é admitida no processo administrativo tributário federal a negação geral. A alegação deve estar acompanhada das razões que conduziram à mesma. Matéria não impugnada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), consubstanciados nos autos de infração às fls. 166 a 214, referentes ao anocalendário 2011, com crédito tributário total de R$ 28.640.669,52, assim distribuído: 2. Consoante consta dos autos de infração, a autoridade fiscal apurou as seguintes irregularidades: (i) omissão de receita sujeita ao IRPJ e à CSLL; (ii) insuficiência de declaração/recolhimento do PIS e da Cofins; e (iii) insuficiência de declaração/recolhimento do IRPJ e da CSLL. 3. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (às fls. 157 a 165), parte integrante dos autos de infração, consta que: 3.1. o contribuinte entregou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) como optante pelo lucro real, bem assim entregou Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) apurando as contribuições pelo regime nãocumulativo; 3.2. foi determinada a receita tributável de IRPJ e de CSLL para o ano 2011 a partir das notas fiscais eletrônicas (Nfe) de saída, com a exclusão das remessas de mercadorias, dos cancelamentos e devoluções de vendas, dos descontos incondicionais concedidos e dos impostos incidentes sobre Fl. 26427DF CARF MF 4 vendas, IPI e ICMS por substituição tributária. Para o PIS e a Cofins foram excluídas, adicionalmente, exportações e vendas para Zona Franca de Manaus. O valor da receita bruta apurada com base na Nfe foi confrontado com o constante da escrituração contábil digital, tendo sido observados valores semelhantes; 3.3. constatouse divergência entre os valores das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL apuradas com base nas Nfe e os valores declarados em DIPJ, a qual foi lançada como omissão de receitas: 3.4. constataramse também diferenças entre os valores apurados de IRPJ e de CSLL na DIPJ e os declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), sendo lançada como insuficiência de declaração/recolhimento; Fl. 26428DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.427 5 3.5. Apuraramse divergências de base de cálculo de PIS e Cofins nos meses de janeiro a novembro ao confrontar os montantes apurados com base nas Nfe e os declarados em Dacon. Confrontando a Cofins e o PIS calculados com bases nessas bases de cálculo e os confessados em DCTF, constataramse diferenças que foram lançadas como insuficiência de declaração/recolhimento: Fl. 26429DF CARF MF 6 4. Cientificado dos lançamentos por via postal em 12/12/2015, conforme cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 217, em 12/01/2016 o contribuinte apresentou a impugnação às fls. 222 a 236, instruída com os documentos às fls. 237 a 26112, onde argumentou, em síntese, o que segue: 4.1. no seu sistema gerencial as receitas oriundas da venda de seus produtos são reconhecidas e contabilizadas em quatro contas, a saber: 4.2. as receitas são registradas nessas contas diminuídas dos impostos não cumulativos (ICMSst e IPI), bem como das devoluções de vendas canceladas. No caso de vendas em que há destaque de frete, os respectivos valores são contabilizados nas contas 3112 e 3312 acima indicadas. Assim, para verificar a totalidade de receitas necessitase somar as quatro rubricas referidas. No ano 2011, juntas elas perfizeram o montante de R$ 149.924.606,64, que ao se comparar com o valor apurado pela fiscalização, qual seja, R$ 149.954.641,43, chegase a uma diferença de apenas R$ 30.035,00, bem diferente dos R$ 14.518.295,00 constantes do lançamento; 4.3. em análise da DIPJ, verificase que os valores de receitas informados na Linha 03 da Ficha 06A, em cada trimestre, quando somados perfazem um total de R$ 135.436.345,42, que é exatamente o valor constante da conta 31110000 (Vendas – Terceiras partes). Portanto, resta entender onde foram informados os valores das contas 31120000, 33110000 e 33120000; 4.4. em realidade, houve um equívoco na forma em que esses valores foram informados, pois foram inseridos na DIPJ em sua Ficha 04A (apuração do custo de mercadoria vendida) como redutores do custo da mercadoria vendida. Ao reduzir o custo, tais valores produziram o mesmo efeito que seria sentido se corretamente declarados na Ficha 06A. Assim, o que houve foi um mero erro de preenchimento da declaração, estando os valores informados na DIPJ condizentes com sua contabilidade; 4.5. concluise que há apenas uma diferença irrisória de cerca de R$ 30.000,00 entre as receitas apuradas pela fiscalização e as calculadas pelo contribuinte, tendo havido apenas erro de preenchimento da DIPJ; 4.6. relativamente ao PIS e à Cofins, a autoridade fiscal realizou os cálculos das contribuições sujeitas ao regime nãocumulativo de forma cumulativa, vez que não considerou o creditamento de insumos a que o contribuinte fazia jus nos termos das Leis nºs Fl. 26430DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.428 7 10.637, de 1001, e 10.833, de 2002, ainda que o Dacon transmitido não tenha trazido informações quanto aos créditos. O fato de ter sido ignorada a norma que rege o cálculo desses tributos, fazendo a apuração de forma simplista, implica na nulidade dos lançamentos. A autoridade fiscal tinha acesso ao Sped contábil do contribuinte e, portanto, poderia ter procedido ao lançamento correto. Em momento algum o contribuinte foi intimado sobre a extensão da fiscalização para o PIS e a Cofins, e em nenhum momento foi intimado a se manifestar para apresentar esclarecimento que poderiam ter elidido tais lançamentos. Junta Dacons devidamente retificados, comprovando que os valores declarados, pagos e constantes das DCTFs são os mesmos. Ressalta que entregou originariamente em branco seus Dacons por estar passando por mudanças em seus sistemas, mas não pode ser penalizada por tal motivo, devendo ser respeitada a correta apuração dos tributos. O direito creditório existente não pode ser afastado em virtude de erro no preenchimento dos demonstrativos; 4.8. ante o exposto não há crédito tributário a ser constituído e, por conseguinte, não há que se falar em qualquer tipo de penalidade. 4.9. requer o provimento da impugnação, o deferimento de perícia para análise dos documentos apresentados, a juntada de DVDROM contendo os arquivos eletrônicos informados na impugnação, protesta pela juntada de quaisquer documentos complementares e produção de provas para auxiliar o julgamento. 5. Posteriormente, em 05/02/2016, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto –SP para apreciação da impugnação, com pronunciamento pela sua tempestividade (fls. 26115 e 26126). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 17/03/2016 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 26130). 6. Em decorrência da análise dos lançamentos e das razões de defesa do contribuinte, foram feitas as considerações abaixo por este julgador no Despacho nº 3.845 (fls. 26.131 a 26.137), de 04/05/2016, que converteu o julgamento em diligência: "7. A partir da denominada (pelo contribuinte) "planilha de apuração preparada para o preenchimento da DIPJ 2012", apresentada às fls. 22789 a 22792, comparada com a DIPJ 2012 às fls. 55 a 153, elaborei o demonstrativo abaixo, com base no qual, é possível fazer as seguintes considerações: Fl. 26431DF CARF MF 8 7.1 em se confirmando que as receitas oriundas de vendas de seus produtos eram escrituradas em quatro contas, quais sejam, 31110000 (vendas –terceiras partes), 31120000 (transportes refaturados para terceiros), 33110000 (vendas intercompany) e 33120000 (transportes refaturados para intercompany), conforme alegado pelo contribuinte, e que a planilha antes referida corresponde à escrituração, restaria demonstrado que foi tributada no ano 2011 na DIPJ a receita total de R$ 149.924.606,64, muito próxima do valor apurado pela autoridade fiscal com base nas notas fiscais eletrônicas. Isto porque se confirmaria o registro das receitas lançadas nas rubricas 3112000, 3311000 e 3312000 como redutoras do custo dos produtos vendidos na DIPJ; 7.3. em que pese o preenchimento da declaração na forma como efetuado ser equivocado, o fato de considerar receitas como conta redutora do custo dos produtos vendidos gera no ano o mesmo resultado tributável de IRPJ e de CSLL que seria alcançado com o registro correto das receitas na Ficha 06. 8. Contudo, diante da ausência de informações nos autos quanto às Nfe consideradas nos lançamentos e dos respectivos arquivos digitais de levantamento e apuração elaborados pela autoridade fiscal, bem assim dos registros contábeis do contribuinte (também em arquivo digital), tal verificação se torna impossível de ser feita por este julgador. 9. Outra questão a ser observada é o fato de que a autoridade fiscal lançou Cofins e PIS pelo regime nãocumulativo sem qualquer dedução relativa aos créditos previstos na legislação respectiva. 10. Uma vez que o contribuinte não foi intimado a demonstrar e comprovar a existência de créditos passíveis de dedução, há que se considerar que a autoridade se baseou exclusivamente no fato dos Dacons estarem zerados para os meses de janeiro a novembro de 2011. 11. Entendo que ao apurar a receita tributável a partir das Notas Fiscais Eletrônicas (Nfe) do Sistema Público de Escrituração Fl. 26432DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.429 9 Digital (SPED), a autoridade poderia, ou melhor, a meu ver deveria ter intimado o contribuinte a apresentar os créditos porventura existentes a que fazia jus, em respeito ao regime não cumulativo. 12. Em anexo à impugnação o contribuinte apresentou Dacons retificadores, porém não é possível a este julgador verificar se as informações correspondem à realidade contábil do contribuinte. 13. Por fim, é devido considerar que os autos de infração de Cofins e de PIS foram indevidamente formalizados no mesmo processo dos lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL. Consoante o disposto no art. 1º, I, alíneas "a" e "b" da Portaria RFB nº 666, de 2008, os autos de infração de PIS e Cofins somente acompanham o auto de IRPJ quando forem reflexos (decorrentes) deste, o que não é o caso. Não sendo decorrentes, deve ser formalizado um processo específico para os autos de PIS e Cofins. 13.1. Tal metodologia de formalização de processo foi mantida para o caso em interesse na Portaria RFB nº 354, de 2016, em seu art. 2º, I, alíneas "b" e "e"." 7. No referido despacho foram solicitadas à autoridade fiscal autuante as providências abaixo listadas. Além disso, foi determinada a ciência do resultado da diligência ao contribuinte, sendo assegurado prazo de trinta dias para manifestação: 7.1. verificar se as receitas decorrentes das notas fiscais eletrônicas levantadas pela autoridade fiscal foram escrituradas nas contas 31110000 (vendas –terceiras partes), 31120000 (transportes refaturados para terceiros), 33110000 (vendas intercompany) e 33120000 (transportes refaturados para intercompany), conforme alegado pelo contribuinte; e, por conseguinte, se efetivamente os montantes relativos às três últimas contas de receita foram considerados na DIPJ como valores redutores do custo de produtos vendidos. Após, refazer os cálculos do IRPJ e da CSLL com base nas constatações feitas; 7.2. confirmar os valores dos créditos apontados pelo contribuinte nos Dacons retificadores e, após, refazer os cálculos das contribuições que deixaram de ser confessadas em DCTF; 7.3. apartar os autos de infração de PIS e Cofins para processo específico, que deverá ser instruído com os mesmos demais documentos de instrução do processo de IRPJ, inclusive o presente despacho de diligência; 7.4. elaborar dois relatórios conclusivos, separadamente para IRPJ/CSLL e para PIS/Cofins, com as devidas planilhas de apuração conforme o caso. Cada relatório deverá integrar o processo respectivo. Fl. 26433DF CARF MF 10 8. Em razão da diligência foram anexados os documentos às fls. 26.141 a 26.326. O relatório da diligência, intitulado "Despacho de Conclusão de Diligência", foi juntado às fls. 26.145 a 26.152, e devidamente cientificado ao contribuinte via caixa postal eletrônica em 25/04/2017 conforme documentos às fls. 26.341 a 26.344, o qual não contestou o as considerações feita pela autoridade fiscal. Além disso, em cumprimento à determinação desta DRJ/REC, os autos foram apartados para transferir os lançamentos de PIS e Cofins, bem assim a documentação correspondente, para o processo nº 16095.720089/201717. 9. Devido ao apartamento dos autos, estão resumidas a seguir apenas as considerações da autoridade fiscal relativas à parte da diligência concernente aos lançamentos de IRPJ e da CSLL, que permanecem sendo objeto do presente processo: 9.1. As contas 31110000 (Vendas Terceiras Partes); 31120000 (Transportes Refaturados para Terceiras Partes), 33110000 (Vendas Intercompany) e 33120000 (Transportes Refaturados para Intercompany) não foram localizadas na escrituração contábil, mas com base nesta mesma escrituração pôdese concluir que: 9.1.1. Os valores das receitas estão distribuídos nas contas: (i) 31010101 (Receita Bruta da Venda de Produtos), aí englobados os valores apurados com vendas terceiras partes e vendas intercompany; (ii) 31010102 (Receita de Faturamento com Transportes), que engloba valores decorrentes de transportes refaturados para terceiras partes e transportes refaturados para intercompany; 9.1.2. O faturamento apurado pela empresa abrange: (i) vendas terceiras parte; (ii) vendas intercompany; (iii) transportes refaturados para terceiras partes; e (iv) transportes refaturados para intercompany; 9.2. A empresa erroneamente utilizou os valores apurados com transportes refaturados para terceiras partes e intercompany, e com vendas intercompany como redutores do Custo dos Produtos vendidos (CPV), e não como faturamento normal. Este procedimento não acarretou alteração nos valores do IRPJ e da CSLL, porém ocasionaram uma falsa constatação de omissão de receitas. Assim, restou comprovado que o contribuinte considerou um receita bruta total de R$ 149.924.606,64, havendo uma divergência de R$ 30.034,79 conforme abaixo: Fl. 26434DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.430 11 9.3. Acontece que o contribuinte informou valores superiores aos extraídos das NFe para os 1º, 3º e 4º trimestres, e inferior para o 2º trimestre. A soma dessas divergências totaliza R$ 30.034,79. Devido cobrar a diferença apurada de R$ 30.034,79 no 2º trimestre, mês em que houve omissão de receitas (DIPJ < NFe): 9.4. Vale destacar que os lançamentos referentes à insuficiência e declaração/recolhimentos permanecem inalterados. 10. Em 13/06/2017 os autos retornaram a esta DRJ/REC para dar prosseguimento ao julgamento (fl. 26.350). A contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação administrativa e concluindo que o resultado da diligência inviabiliza a exigência do crédito tributário remanescente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerando o valor exonerado pelo acórdão recorrido, efetivou a remessa necessária do recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Fl. 26435DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de setembro de 2017, "O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00", sendo assim, existindo esse requisito de admissibilidade e conhecimento do Recurso de Ofício. Frise se que o Recurso de Ofício se limita à exoneração do crédito tributário, reduzido após diligência, resultando no seguinte demonstrativo: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento opinou pela parcial procedência do lançamento de ofício, conforme o acórdão recorrido, in litteris: 12. A impugnação é tempestiva e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecida. 13. De início é devido esclarecer que os lançamentos relativos ao PIS e à Cofins foram transferidos para o processo nº 16095.720089/201717, haja vista o disposto no art. 1º, I, alíneas "a" e "b" da Portaria RFB nº 666, de 2008, que determina que os autos de infração de PIS e Cofins somente acompanham o auto de IRPJ quando forem reflexos (decorrentes) deste; o que não é o caso. Em função disto, as razões de defesa apresentadas pelo contribuinte relativas a tais tributos serão apreciadas no referido processo. 14. Quanto aos lançamentos de IRPJ e de CSLL, que permaneceram no presente processo, estes decorreram das infrações abaixo indicadas conforme consta dos autos de infração e do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais: Fl. 26436DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.431 13 14.1. Omissão de receitas foi apurada diferença entre a receita tributável determinada a partir das NFe e aquela informada na DIPJ. Esta matéria foi expressamente impugnada, tendo sido objeto de investigação mais aprofundada em diligência; 14.2. Insuficiência de declaração/recolhimento foi apurada diferença entre o montante de tributo apurado na DIPJ e aquele declarado em DCTF. Tal matéria não foi expressamente impugnada, havendo ao final da impugnação apenas uma menção genérica de não haver crédito tributário a ser constituído: 15. É devido ressaltar que a apresentação das razões de discordância um dos requisitos da impugnação (art. 16, III do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993), não sendo admitida no processo administrativo tributário federal a negação geral. Em vista disso, há que se considerar que a segunda infração, insuficiência de declaração/recolhimento, é matéria não contestada e, por conseguinte não impugnada nos termos do art. 17 do referido decreto, com redação da Lei nº 9.532, de 1997. Cabe à unidade preparadora providenciar a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada segundo o disposto no art. 21, §1º do mencionado decreto, com redação da Lei nº 8.748, de 1993: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Art. 21. (...) § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. 16. Quanto à primeira infração, relativa à omissão de receitas apurada em decorrência de verificação de diferença entre a Fl. 26437DF CARF MF 14 receita tributável determinada com base nas NFe e aquela informada na DIPJ, o contribuinte argumentou que informou equivocadamente na DIPJ os valores referentes às receitas com transportes refaturados para terceiras partes e intercompany, e com vendas intercompany como redutores do CPV, mas que tal procedimento não ocasionou redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 17. Segundo ele, somandose o valor das vendas para terceiras partes, corretamente declarado como receita bruta na DIPJ, com as receitas declaradas como redutoras do CPV, a receita bruta total tributada foi de R$ 149.924.606,64, havendo uma divergência anual em relação às receitas apuradas com base nas NFe (R$ 149.954.641,43) de apenas R$ 30.034,79 e não de R$ 14.518.295,00 conforme considerado nos lançamentos. Além disso, indicou em quais contas contábeis tais valores estavam registrados: 31110000 (Vendas 11 Terceiras Partes); 31120000 (Transportes Refaturados para Terceiras Partes), 33110000 (Vendas Intercompany) e 33120000 (Transportes Refaturados para Intercompany). 18. Em se confirmando o alegado pelo contribuinte, restaria demonstrado que foi tributada no ano 2011 na DIPJ a receita total de R$ 149.924.606,64, já que o preenchimento da declaração na forma como efetuado (considerar receitas como conta redutora do CPV), apesar de incorreto, gera no ano o mesmo resultado tributável de IRPJ e de CSLL que seria alcançado com o registro correto das receitas na Ficha 06. 19. Todavia, diante da ausência de informações nos autos quanto às Nfe consideradas nos lançamentos e dos respectivos arquivos digitais de levantamento e apuração elaborados pela autoridade fiscal, bem assim dos registros contábeis do contribuinte (também em arquivo digital), tal verificação se tornou impossível de ser feita por este julgador, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. 20. A autoridade fiscal que realizou a diligência não encontrou as contas contábeis mencionadas, mas informou que os valores das receitas de vendas de produtos a terceiras partes e intercompany estavam registrados na conta 31010101 (Receita Bruta a Venda de Produtos) e que os valores das receitas de transportes refaturados para terceiras partes e para intercompany estavam contabilizados na conta 31010102. Além disso, confirmou que as receitas de vendas a intercompany e de transportes refaturados foram declaradas como redutoras do CPV, bem assim que tal procedimento não acarretou alteração nos valores do IRPJ e da CSLL. Reconheceu, pois, que o contribuinte tributou uma receita bruta de R$ 149.924.606,64, havendo uma divergência no ano de apenas R$ 30.034,79 conforme alegado pelo contribuinte, e devidamente demonstrado na planilha e cálculos abaixo: Fl. 26438DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.432 15 21. Acontece que o contribuinte apurou lucro real trimestral, sendo necessário calcular o montante da receita omitida trimestralmente e não simplesmente considerar somente a diferença anual de R$ 30.034,79, conforme sugeriu a autoridade fiscal como valor a ser mantido a título de omissão de receitas. Não se pode apurar a omissão anual e após atribuir tal omissão a um trimestre específico. 22. Consoante planilhas abaixo, extraídas do relatório da diligência, o contribuinte informou na DIPJ valores superiores aos extraídos das NFe para os 1º, 3º e 4º trimestres, e inferior para o 2º trimestre. Ou seja, apenas no 2º trimestre o contribuinte deixou de submeter receitas à tributação (omitiu), e para os demais trimestres, tributou montante superior ao apurado com base nas NFe. Por óbvio, a soma das divergências trimestrais totaliza R$ 30.034,79, que corresponde à diferença anual antes mencionada. 23. A princípio caberia manter integralmente os tributos incidentes sobre a omissão de R$ 840.070,25 apurada para o 2º trimestre. Por outro lado, não se pode desconsiderar o fato de que, ao tributar mais receitas no 3º e 4º trimestres, podemos estar diante de uma postergação, com pagamento em atraso de parte do tributo devido. Além disso, em relação ao 1º trimestre, a tributação de mais receita do que seria devida ensejaria Fl. 26439DF CARF MF 16 considerar que o contribuinte antecipou parte dos tributos devidos do 2º trimestre. 24. Todavia, para que tais situações (postergação e antecipação) possam ter ocorrido, é necessário que as receitas declaradas a maior nos 1º, 3º e 4º trimestres correspondam às notas fiscais que deixaram de ser declaradas no 2º trimestre, ou seja, que tenha havido um erro quanto ao período de apropriação (inobservância do regime de competência). 25. Tal constatação poderia ser feita a partir da identificação das NFe consideradas pela autoridade fiscal nos lançamentos e a visualização dos seus registros na escrituração do contribuinte. Contudo os registros contábeis e as notas fiscais levantadas pela autoridade fiscal (ou, ao menos, os seus números) não foram juntados aos autos, inviabilizando tal medida. 26. Não obstante isso, é devido atentar para o fato de que no despacho de diligência foi determinado no parágrafo 14.1 que a autoridade fiscal verificasse se as receitas decorrentes das NFe levantadas por ela estavam escrituradas nas contas mencionadas pelo contribuinte. Em que pese não ter encontrado as contas, a autoridade fiscal afirmou que os valores estavam distribuídos em outras duas contas, confirmando integralmente o montante de receita bruta defendido pelo contribuinte e, por conseguinte, reconhecendo a não contabilização apenas R$ 30.034,79 no ano. Salvo melhor juízo, tal resposta indica que das NFe identificadas pela autoridade fiscal, apenas parte delas não foram contabilizadas, ou seja, que os valores declarados a maior em três trimestres correspondem a notas não declaradas no 2º trimestre, permanecendo não contabilizada/declarada apenas a parcela de R$ 30.034,79 das NFe. 27. Tal conclusão resta corroborada quando se atenta para a proposição da autoridade fiscal de manter a tributação apenas sobre R$ 30.034,79. Ora, se ele tivesse verificado que os valores a maior escriturados/declarados nos 1º, 3º e 4º trimestres não correspondiam às notas fiscais por ele identificadas, certamente teria proposto a manutenção da exigência sobre valor tributável superior, qual seja, toda a diferença apurada no 2º trimestre (R$ 840.070,25); o que não ocorreu como visto. 28. Assim, resta considerar que pode ter havido tanto antecipação (1º trim.) como postergação (3º e 4º trim.) de parte do tributo que seria devido no 2º trimestre. É o que se passa a apurar. 29. Em relação ao primeiro trimestre observase na planilha fiscal que o contribuinte considerou receita a maior no montante de R$ 392.350,26. Todavia, a partir da cópia da DIPJ às fls. 55 a 153 verificase que foram apurados prejuízo fiscal e base negativa de CSLL de R$ 599.809,69, ou seja, não foram apurados IRPJ e CSLL a pagar no período. Em vista disso, não há que se falar em antecipação da tributação da receita, vez que a sua consideração neste trimestre não acarretou pagamento dos tributos devidos. Fl. 26440DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.433 17 30. Em relação aos 3º e 4º trimestres, para determinar se houve postergação deve ser levado em conta o disposto no art. 273 do RIR de 1999, in verbis: Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º. O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). (grifouse) 31. Sobre o assunto, o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 1996, em seu subitem 6.2, esclareceu que o fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa: 6. O § 5º, transcrito no item 5, determina que a inexatidão de que se trata, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto, diferença de imposto, inclusive adicional, correção monetária e multa se dela resultar postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. Fl. 26441DF CARF MF 18 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. (...) 7. O § 6º, transcrito no item 5, determina que o lançamento deve ser feito pelo valor líquido do imposto e da contribuição social, depois de compensados os valores a que o contribuinte tiver direito em decorrência do disposto no § 4º. Por isso, após efetuados os procedimentos referidos no subitem 5.3, somente será passível de inclusão no lançamento a diferença negativa de imposto e contribuição social que resultar após a compensação de todo o valor pago a maior, no períodobase de de término da postergação, com base no lucro real mensal ou na forma dos arts. 27 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com o valor pago a menor no períodobase de início da postergação”. (grifouse) 32. Então, interpretandose o disposto nas referidas normas, concluise pela adoção das providências abaixo elencadas para apurar se houve ou não postergação de tributo em decorrência da inobservância do regime de competência das receitas aqui tratadas: 32.1. exclusão, do lucro real apurado nos 3º e 4º trimestres, das receitas declaradas indevidamente nestes períodos, e determinar o valor dos tributos que seriam devidos exclusivamente sobre as receitas que competiam a tais períodos; 32.2. subtração, dos tributos apurados na DIPJ nos 3º e 4º trimestres, dos valores apurados no tópico anterior, a fim de verificar se houve pagamento a maior; 32.3. tendo havido pagamento a maior (postergação), determinar o valor postergado por meio de imputação proporcional entre principal, multa de mora (20%, pois atraso superior a 60 dias) e juros de mora [este determinado pela aplicação da Selic a partir de agosto de 2011 (vencimento do 2º trimestre) até o mês anterior ao do vencimento do 3º trimestre (setembro) ou do 4º trimestre (dezembro), mais um por cento para o mês do vencimento (outubro/2011 e janeiro/2012, respectivamente]; 32.4. do valor do tributo apurado com base na receita bruta considerada omitida no 2º trimestre após a diligência (R$ 840.070,25), excluir a parcela do principal do tributo postergado. 33. Cabe destacar que o art. 273 do RIR/99, com redação do DecretoLei nº 1.598, de 1977, estabelece a ocorrência de postergação quando houver pagamento(s) do tributo devido em período(s) posterior(es). O parecer faz menção a pagamento efetivo e espontâneo. Fl. 26442DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.434 19 34. Entendo, todavia, que a confissão em DCTF do valor apurado na DIPJ pode ser considerado como pagamento para fins de análise da postergação, vez que o débito confessado é passível de inscrição em dívida ativa caso não haja o efetivo recolhimento espontaneamente (conforme art. 8º, §1º da IN RFB nº 1.110, de 2010 e alterações posteriores, vigente à época dos fatos). 35. Não fosse assim, na hipótese de o valor confessado em DCTF não ter sido recolhido, a situação não se enquadraria em postergação, acarretando o lançamento do tributo sobre a receita no período da omissão, e também a cobrança do montante do tributo correspondente confessado em DCTF em período posterior, exigindose, assim, os tributos sobre a mesma base de cálculo em duplicidade. 35. Portanto, para fins de análise da efetividade da postergação, será considerado pago o tributo quando confessado em DCTF. 36. Em função deste entendimento é devido ressaltar que a autoridade fiscal verificou que no 3º trimestre o contribuinte confessou IRPJ e CSLL em montantes inferiores aos apurados na DIPJ, o que ensejaria considerar não ocorrido o pagamento do tributo, afastando a postergação se seu valor fosse inferior ou igual à diferença que deixou de ser confessada. Contudo, esta diferença foi objeto de lançamento como insuficiência de declaração/recolhimento, o qual não foi impugnado, sendo crédito tributário definitivo e passível de cobrança imediata. Assim, a fim de evitar dupla exigência sobre o mesmo valor tributável, será considerado novamente ter havido "pagamento" para fins de caracterização de postergação. 37. Feitas as considerações acima, foi elaborado o demonstrativo abaixo para apurar se houve postergação de receita para o 3º e o 4º trimestres e quais os montantes dos tributos porventura postergados: Fl. 26443DF CARF MF 20 38. Como dito, estes tributos postergados para o 3º e 4º trimestres de 2011 serão excluídos o montante dos tributos apurados sobre a omissão de receita verificada para o 2º trimestre após a diligência. Os tributos lançados para os 1º, 3º e 4º trimestres devem ser exonerados conforme proposição presente no relatório de diligência, haja vista ter sido verificado não ter ocorrido omissão de receitas para tais períodos. 39. Devido, então, refazer os cálculos dos tributos lançados conforme abaixo, adequandoos ao entendimento deste voto: 40. No que se refere pleito de juntada de quaisquer documentos complementares e produção de provas para auxiliar o julgamento, tratase de direito assegurado ao contribuinte, atendidos os requisitos estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972, o qual não foi exercido. Não obstante isso, salientase que as alegações apresentadas pelo contribuinte na impugnação foram objeto de diligência, a qual foi conclusiva pelo seu cabimento. 41. VOTO, pois, pela procedência parcial dos lançamentos de IRPJ e de CSLL conforme demonstrado acima (parágrafo 39), mantidos os juros de mora e a multa de ofício incidentes. Atentar para o fato de que o crédito tributário decorrente da matéria "Insuficiência de Declaração/Recolhimento" é definitiva, vez que considerada não impugnada por falta de contestação expressa. A unidade preparadora deverá providenciar a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada em cumprimento ao disposto no art. 21, §1º do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993. Fl. 26444DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.435 21 Em Recurso Voluntário, a contribuinte diverge do acórdão recorrido, em síntese, aduzindo a inexigibilidade do lançamento de ofício, pois: "i) na apuração dos tributos com base no lucro trimestral não foi observada a correta apuração da base de cálculo; ii) a suposta matéria confessada foi objeto de lançamento de oficio, com a efetiva apuração do tributo devido demonstrando a incoerência entre DCTF e DIPJ; e iii) ainda que pudesse prosperar a tese da confissão via DCTF, a autoridade perderia o prazo para efetuar essas cobranças, visto que não dependia de processo administrativo para esse fim." O montante indicado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) foi encaminhando para cobrança, mediante da representação nº 278/2017 (processo administrativo nº 10875.722516/201720), pois, que segundo o acórdão recorrido "Tal matéria não foi expressamente impugnada, havendo ao final da impugnação apenas uma menção genérica de não haver crédito tributário a ser constituído", De acordo com a Recorrente, não existia valor devido para o período de apuração, consoante o resultado da diligência e sua exposição no Recurso Voluntário: 6. Ora, o auto inteiro versa sobre a apuração do IRPJ e CSLL, no item ii.B da impugnação, há farta matéria demonstrando equívoco no preenchimento da DIPJ e que consequente afeta à DCTF e, portanto, existe matéria farta e específica, e não genérica, demonstrando a correta apuração dos tributos. Ao final se conclui que não havia imposto para o período e por fim se conclui que havia imposto por confissão? Veja, não existe imposto devido pela apuração do i. Julgador. E não é por omissão de receita é por ausência de base mesmo: 07. As fls. 26.365 o Julgador conclui pela existência de prejuízo fiscal no 1º, 3° e 4°, como pode então decidir diferentemente do apurado apenas por simples declaração, já alegada e provada nos autos equivocada, e precoce der à simples cobrança. Proceder dessa forma é dar dois pesos e duas medidas a um mesmo fato: Fl. 26445DF CARF MF 22 Adicionalmente, a Recorrente expõe que uma vez apurado prejuízo fiscal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), proporcionaria a redução do valor devido nos próximos trimestres: 13. Segundo a autoridade Julgadora às fls. 26.366, no 1° Trimestre de 2011, foram apurados prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no montante de R$ 599.809,69. 14. Porém na apuração do 2° Trimestre de 2011 não foi utilizado o prejuízo acumulado na dedução de 30% da base de cálculo, vejase: O acórdão recorrido presumiu que existiu uma postergação da receita, eventualmente, infringindo o regime de competência, modificando o critério do lançamento de ofício, como se infere adiante: 27. Tal conclusão resta corroborada quando se atenta para a proposição da autoridade fiscal de manter a tributação apenas sobre R$ 30.034,79. Ora, se ele tivesse verificado que os valores a maior escriturados/declarados nos 1º, 3º e 4º trimestres não correspondiam às notas fiscais por ele identificadas, certamente teria proposto a manutenção da exigência sobre valor tributável superior, qual seja, toda a diferença apurada no 2º trimestre (R$ 840.070,25); o que não ocorreu como visto. 28. Assim, resta considerar que pode ter havido tanto antecipação (1º trim.) como postergação (3º e 4º trim.) de parte do tributo que seria devido no 2º trimestre. É o que se passa a apurar. Entretanto, avalio que não é saneável tal constituição do crédito tributário, eis que a imputação originária era de omissão de receitas sobre notas fiscais não escrituradas, sendo assim, imprescindível a observância de cada período de apuração, in casu, trimestral, garantindo a amortização do prejuízo fiscal (IRPJ) e da base negativa (CSLL). A suposta postergação de receitas pressupõe um novo lançamento de ofício, fundamentado em outro critério jurídico, apurando "a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita" e, por fim, exigindo somente "a diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa" (artigo 273 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999). Finalmente, eventual diferença no 2º trimestre, equivalente a R$ 840.070,25, quanto à receita omitida de nota fiscal não escriturada, ocasionaria o respectivo lançamento de ofício. Contudo, inadmissível essa "reformatio in pejus", evidenciando a improcedência do crédito tributário, adstringindose ao seu critério temporal (apuração trimestral). A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), embora constitua instrumento de confissão de dívida, não impede sua revisão através do procedimento Fl. 26446DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.436 23 administrativo fiscal, sobretudo, quando há diligência promovida pela própria Receita Federal do Brasil, esclarecendo sua incorreção material. O lançamento de ofício consiste no "procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.", como disciplina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. O presente lançamento não determinou com exatidão a matéria tributável e tampouco calculou o montante do tributo devido, quando na apuração de omissão de receitas. Manoel Antonio Gadelha Dias, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, leciona que o vício substancial compreende a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. [...] Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346. Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Não obstante, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 26447DF CARF MF 24 Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 26448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722745/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA EXISTÊNCIA DA RETENÇÃO.
Somente é compensável o IRRF se comprovada a respectiva existência da retenção mediante documentos hábeis e idôneos.
NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual.
ACORDO ENTRE PARTICULARES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO.
Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 2202-004.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(assinado digitalmente)
RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA EXISTÊNCIA DA RETENÇÃO. Somente é compensável o IRRF se comprovada a respectiva existência da retenção mediante documentos hábeis e idôneos. NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual. ACORDO ENTRE PARTICULARES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10480.722745/2010-10
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5967448
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2202-004.937
nome_arquivo_s : Decisao_10480722745201010.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 10480722745201010_5967448.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente. (assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7629306
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417352077312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 84 1 83 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.722745/201010 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.937 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA Recorrente FRANCISCO GOMES DA SILVA NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA EXISTÊNCIA DA RETENÇÃO. Somente é compensável o IRRF se comprovada a respectiva existência da retenção mediante documentos hábeis e idôneos. NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual. ACORDO ENTRE PARTICULARES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 27 45 /2 01 0- 10 Fl. 84DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. (assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 40/46), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 47/80), interposto contra o Acórdão 1151.213 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE – DRJ/REC (efls. 27/32), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Notificação de Lançamento, relativa ao ano calendário 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário total no valor de R$ 45.451,59, sendo R$ 29.378,58 referentes a Imposto de Renda da Pessoa Física e o restante referente a multa de ofício e juros de mora, calculados até agosto de 2010. 2. O lançamento deuse conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento (efl. 17), em procedimento de revisão de declaração, onde se verifica que foi constatada dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na fonte IRRF, no valor de R$ 30.373,96, tendo em vista, segundo texto da Notificação transcrito, "...que o contribuinte não apresentou Planilhas de Cálculo Judicial referentes às causas trabalhistas Processos (70001199212206001) e 0063199112206006, como também, não apresentou comprovação do recolhimento do imposto através de DARF, e ainda, como não consta informação das fontes pagadoras referentes à retenção de imposto, através da DIRF, procedemos à glosa do imposto por falta de comprovação: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Itapissuma, Itamaracá CNPJ 11.547.882/000126 IRRF de R$ 10.064,93. Usina São José CNPJ 10.362.820/000187 IRRF de R$ 20.309,03". 3. Após ser devidamente cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, onde alega, em síntese: que deve ser retificada a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte do Sindicato, para que este seja cobrado do imposto a ele incumbido por sentença judicial trabalhista; que nunca prestou trabalho para a Usina; esta apenas foi pólo passivo de ações trabalhistas onde o impugnante foi patrono; que os valores presentes na Declaração de Ajuste Anual DAA são relativos a acordo judicial firmado entre ele, advogado empregado, e o sindicato, empregador, decorrente de lide trabalhista; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 85 3 e que no citado acordo constou que os rendimentos acordados do impugnante seriam recebidos líquidos e o Sindicato arcaria com o IRRF e o INSS além desse valor acordado, sem retenção; pediu prorrogação de prazo até que o Sindicato acatasse decisão judicial e comprovasse o recolhimento dos DARF devidos, senão seria para ele impossível cumprir a obrigação de comprovar o recolhimento; por fim, requer que seja julgada procedente sua impugnação. 4. Já o voto prolatado pela 1ª Turma da DRJ/REC no Acórdão aduz, em sua essência: Voto 3. A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos (...) Portanto, dela deve se tomar conhecimento. (...) 6. Conforme legislação acima mencionada, constatase que é permitido deduzir, do imposto apurado, o valor do imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, quando o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, (...) 7. (...). 8. O interessado teve oportunidade, à luz do art. 15 do Decreto nº 70.235/72, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento, no entanto, não o fez. 9. Verificase da DIRPF/2007, apresentada pelo contribuinte que o mesmo exerce a ocupação de Advogado. Ressaltase que as glosas foram decorrentes das informações prestadas em sua declaração de ajuste anual, conforme transcrição. Presumese que o contribuinte tinha em seu poder documentos que deram origem as tais informações. (...) 10. Às fls. 14, consta o Termo de Intimação Fiscal para comprovação dos valores informados em sua declaração de ajuste anual, tais como: " Comprovante de todos os Rendimentos recebidos pelo contribuinte e/ou seus dependentes no anocalendário. Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente, planilha das verbas, contendo os cálculos deliquidação de sentença, atualização de cálculos, Guia de Levantamento, DARF do Recolhimento do IRRF, e Recibos dos Honorários Advocatícios e/ou Periciais. Contrato de Administração de aluguel e Comprovantes de Recebimentos com Taxa de Administração discriminada. Contrato(s) de Locação e Comprovação de propriedade do bem locado em conjunto ou em condomínio. Carteira de trabalho, contrato de prestação de serviço, termo de rescisão de contrato de trabalho,contracheques mensais ou recibos de pagamento." 10.1 Quando da apresentação da impugnação, o contribuinte também deixou de apresentar documentos que comprovassem as informações prestadas em sua DIRPF/2007. De conformidade com os termos de sua impugnação e de acordo com as informações de sua DIRPF, o contribuinte é advogado trabalhista. 11. No que tange à natureza dos rendimentos recebidos pelo contribuinte, verificase, de pronto, que os valores pagos pelo Fl. 86DF CARF MF 4 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Itapissuma e Usina São José, presumese, não possuem natureza de indenizações trabalhistas (como o aviso prévio indenizado, por exemplo). Pois, não qualquer prova (sic), que não era e nunca manteve vinculo empregatício com as pessoas jurídicas acima mencionadas. 12. Em pesquisa aos Sistema da Receita Federal, constata se que no anocalendário de 2007, exercício de 2008, o contribuinte foi intimado para apresentar documentos dos valores informados em nome do Sindicato Trabalhadores Rurais de Igarassu e Itapessuma e Sindicato dos Trabalhadores Cabo de Santo Agostinho, tendo naquela ocasião apresentados documentos, de ações trabalhistas de diversos empregados. Entretanto, no presente processo o contribuinte não anexou qualquer documento referente aos valores informados em sua declaração de ajuste anual, em nome do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Itapessuma e Usina São José. 13. Assim sendo, caberia ao contribuinte apresentar os acórdãos emitidos pela Justiça do Trabalho, em favor dos empregados de quem era patrono, para comprobação dos valores recebidos a títulos de honorários das ações trabalhistas e se houve retenção de imposto de renda retido na fonte. 13.1 Presumese que ao elaborar a declaração de ajuste anual, tenha em mãos documentos hábeis e idôneos para comprovar tais informações, se por ventura sua declaração visse (sic) ser selecionada por parâmetros estabelecidos pela Administração Tributária. Observase que no presente caso o contribuinte teve duas oportunidades de comprobação de tais dados, quando do recebimento da Intimação Fiscal e ao formalizar o presente processo e no entanto, deixou de fazer. Assim sendo, VOTO pela improcedência da impugnação para MANTER na integra a Notificação de Lançamento, do IRPF/2007. 5. Por ocasião do Recurso apresentado em 09/12/2015, em contraposição à Decisão de Primeira Instância, cientificada em 09/11/2015 (efl. 37), o recorrente sustenta em seus argumentos,em síntese, que: na impugnação informou que o contador responsável pela sua Declaração de Ajuste Anual DAA havia lançado equivocadamente como uma das fontes pagadoras a Usina São José S/A (IRRF de R$ 20.309,03); tais valores foram pagos no ano de 2006 pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itapissuma, Igarassú e Itamaracá, e que recursos oriundos de demandas contra a Usina São José S/A foram sempre recebidos pelo referido Sindicato e repassados aos advogados responsáveis; valores que deveriam ser espontaneamente revertidos ao recorrente pelo referido Sindicato de quem era empregado (Doc.03), relativos à parte variável de sua remuneração, ensejaram uma demanda trabalhista, culminando em Acordo Judicial cuja cópia foi encaminhada em cumprimento à anterior Intimação, e que, em suas palavras, "estranhamente não anexada aos Autos do processo pela notificante"; no curso da fiscalização apresentou toda a documentação, mas não poderia apresentar algo que não existia ou a ele não fora informado: o recolhimento efetuado pelo responsável tributário dos valores retidos; apresentou o acordo trabalhista (Doc. 04), mas nada teria sido juntado na referida notificação; a não apresentação dos cálculos trabalhistas é irrelevante, vez que não se discute a natureza dos recursos, fato esse não objeto de contestação; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 86 5 a DRJ/REC ignorou as razões trazidas pelo ora recorrente, argüindo a ausência de provas, quando essas foram apresentadas no curso da fiscalização (Docs. 05 e 06), e não juntadas à notificação pelo agente preparador/ notificante; a fiscalização deixou de observar formalidades inerentes à constituição do crédito tributário, conforme previstas no art. 142 do CTN (transcreve o dispositivo citado e grifa "ocorrência do fato gerador" e "identificar o sujeito passivo"); a fiscalização também se encontra em desacordo com os dispositivos do Decreto 7.574/2011, em especial os arts. 24, 25 e 30, sobre provas e formalização de autos, que transcreve, grifando todo o artigo 25 ("Os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito"); não imaginava que o julgador de 1a. Instância não teria acesso aos documentos, fato descoberto no fornecimento do processo digitalizado em novembro de 2015; uma vez que a autuação do processo ocorreu em 08/10/2010, não poderia imaginar a falha da administração fazendária ao não anexar os documentos anteriormente apresentados; tal situação torna nulo o lançamento por preterição ao direito de defesa do contribuinte, conforme o Art. 12, da lei 7574/2011, transcrito e grifado o inciso II; ocorreu erro na identificação do sujeito passivo da relação tributária (Transcreve arts 717 e 722 do RIR/99, grifando que a fonte pagadora deve reter e recolher o imposto); os arts. 24, 25 e 30 do Decreto 7.574/2011 determinam que a exigência fiscal deve estar instruída das provas indispensáveis à comprovação do ilícito, que não ocorreu, já que falta de recolhimento é de responsabilidade da fonte pagadora; sem provas de ilicitude, carece de base legal o lançamento fiscal; a cobrança foi efetuada por não ter apresentado comprovação do recolhimento do IRPF, mas a fonte pagadora é que não forneceu tal documento; os dispositivos dados como por ele infringidos, art. 12, V, Lei 9250/95 e artigos 7o., § 1º, e 87 do RIR, descrevem que o ilícito tributário é da fonte pagadora, não cumpridora do acordo judicial, que previa a responsabilidade do Sindicato pelo pagamento; a ele cabia oferecer os valores brutos e assim o fez; e que com a falha no preparo do lançamento, com ausência dos elementos apresentados no curso da fiscalização, com o erro na identificação do sujeito passivo, sem descumprimento de dispositivos legais pelo contribuinte, descabe que dele se exija o pagamento dos valores não recolhidos pela fonte retentora, da qual esses valores devem ser exigidos. 6. Requer, por fim, a declaração da improcedência da ação fiscal, pela nulidade do procedimento de notificação e do preparo do processo, e tornando nulos os atos posteriores, reformando a decisão recorrida. 7. Juntamente com seu Recurso, o contribuinte apresenta cópias dos seguintes documentos, da forma como por ele numerados: DOC 1: sua Carteira de Identidade de Advogado, efl. 47; DOC 2: peças do presente processo (Acórdão, extrato do processo, cobrança, aviso de recebimento), efls. 49/60; DOC 3: sua Carteira de Trabalho, efls. 61/62; DOC 4: Termo de Conciliação e Extrato de Movimentação do Processo Trabalhista 700010046.1992.5.06.0122, efls 63/75; DOC 5: Recibo de Entrega de Documentos no 25710 protocolado junto à DRF Recife em 22/07/2008, referente ao Exercício 2006, efls 76; Fl. 88DF CARF MF 6 DOC 6: Recibo de Entrega de Documentos no 26477 protocolado junto à DRF Recife em 08/08/2008, referente ao Exercício 2006, efls 77; e DOC sem número: cópia de petição dirigida ao Delegado da RFB em Recife/PE, dando cumprimento à intimação 2007/604221495121027, apresentado documentos especificados relativos ao exercício 2007, assinada em 21/07/2008, sem protocolo, efls 78/80. 8. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator 9. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 10. Em princípio, ressaltese que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, cf. Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16, § 4º, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no. 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no. 9.532/97) (grifei) 11. Ainda de início, ressaltese que, uma vez notificado do lançamento, o sujeito passivo não pode mais pretender retificar sua DAA, cf. Artigo 147, § 1º. do CTN Lei nº 5.172/66: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 12. Isto posto, recordese que o lançamento deuse devido a pretensão de compensação de valores de Imposto de Renda Retido na fonte IRRF, declarados pelo próprio Recursante, no valor de R$ 30.373,96 (Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 87 7 Itapissuma, Itamaracá, CNPJ 11.547.882/000126 IRRF de R$ 10.064,93. Usina São José, CNPJ 10.362.820/000187 IRRF de R$ 20.309,03). 13. Os referenciados DOC 3 e DOC 4, apresentados apenas em sede recursal, realmente demonstram a vinculação empregatícia do Recursante com o Sindicato. E o DOC 04, o Acordo Judicial, esclarece que os pagamentos efetuados são referentes a honorários devidos ao Recorrente. O recebimento dos rendimentos tributáveis não é controverso na presente lide. 14. Deve ser destacado que o descumprimento de acordo entre particulares não exime o pagamento de tributos pelos responsáveis, e muito menos a imputação de responsabilidade do cumprimento da obrigação pelo outro envolvido nesse acordo eximiria, conforme artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (grifei) 15. Se realmente não haveria como o agora Recursante apresentar o DARF do recolhimento efetuado pelo responsável tributário, o Sindicato, pois este não lhe forneceu, ou não efetuou Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, existiriam outras formas subsidiárias de comprovar a retenção do imposto, como através de todos os documentos enumerados na intimação inicial. 16. E neste escopo, principalmente a apresentação da planilha de cálculos trabalhistas, à qual o recursante atribui irrelevância, poderia na verdade ser substancial, uma vez que, embora não se discuta a natureza dos recursos, os valores correspondentes de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF poderiam estar nela destacados. 17. Nos termos do Art. 15 do Decreto 70.235/72, anteriormente já transcrito, a impugnação formalizada deverá estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ainda no mesmo decreto, mais especificamente no art. 16, está disposto que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, com as provas que possuir. O interessado teve oportunidade, à luz dos artigos citados, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a contrapor os dados utilizados na efetivação do lançamento. 18. Não se encontram nos autos as provas que o Recursante alega ter apresentado após a primeira intimação. E ele também não (re)apresentou tais provas em sua impugnação. Sustenta o recorrente que havia entregue a documentação comprobatória e que nem a fiscalização, nem a autoridade preparadora, , nem a notificante, as juntou ao processo, caracterizando falha por parte da administração pública. 19.As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar. Pretendendo comprovar a anterior entrega de documentos, anexa nesta sede recursal as guias de protocolo de documentos DOC 5 e DOC 6 (efls. 66 e 67), mas tais guias são concernentes à apresentação de documentos relativos ao exercício 2006, diverso do exercício da presente lide. 20. Da mesma fora, o DOC sem número, efls. 78/80, é cópia de petição que intentou apresentar à DRF, documentos relativos ao exercício 2007. Mas, além de não apresentar protocolo em seu corpo, pretendeu dar cumprimento à intimação Fl. 90DF CARF MF 8 2007/604221495121027 . A Notificação de Lançamento em pauta é a de no. 2007/604451257764140. 21. Portanto, é fundada a decisão da DRJ/REC de julgar improcedente a impugnação por falta de provas, uma vez que as mesmas não constam nos autos. E não há que se falar em cerceamento de defesa, uma vez que documentos ausentes no processo têm sua análise impossibilitada. Os prazos previstos no Processo Administrativo Fiscal para a apresentação de seus argumentos e documentos pertinentes foram rigorosamente respeitados. 22. Quanto à retenção do imposto pela fonte pagadora, esta se dá na forma do art. 45, § único do Código Tributário Nacional: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.(grifei) 23. Já a dedução do IRRF do Imposto de Renda da Pessoa Física apurado na Declaração de Ajuste Anual DAA fundamentase no inciso V, do Artigo 12 da Lei 9.250/95, abaixo destacado: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo;(grifei) 24. Analisando a Notificação de Lançamento em sua página introdutória, verificase que foi lançado Imposto de Renda da Pessoa Física, e não Imposto de Renda Retido na Fonte. E notase que a descrição dos fatos da autuação não é a falta de recolhimento do IRRF, mas sim é a glosa da compensação por falta de comprovação de que o imposto tenha sido efetivamente retido. 25. Eivado de razão está o interessado quanto à responsabilidade única e exclusiva da fonte pagadora pelo recolhimento do IRRF. O recorrente não pode realmente ser responsabilizado por tal falta de recolhimento. Mas por outro lado, também não pode pretender compensar o Imposto a Pagar calculado em sua Declaração de Ajuste Anual com um valor de IRRF sem comprovação de retenção, e está sendo cobrado do Imposto de Renda da Pessoa Física, do qual é o sujeito passivo. 26. Esclarecendo em valores, não está sendo cobrado do contribuinte o valor do IRRF não retido (R$ 30.373,96), mas sim o Imposto de Renda da Pessoa Física devido no anocalendário 2006 (R$ 45.451,59), calculado através da tabela progressiva vigente, sobre o total de seus rendimentos tributáveis por ele mesmo declarados, com as deduções cabíveis e sem a compensação indevida do IRRF erroneamente informado na DAA original. 27. Enriquecedora é a citação dos artigos 941 e 943 do então vigente Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: Art. 941. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, deverão fornecer à pessoa física beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).(Grifei) (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 88 9 Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(grifei) 28. O Recursante não pode pretender a compensação de valores de IRRF em sua DAA de 2006, uma vez que não foi apresentado nenhum comprovante da efetiva retenção do valor pretendido, nem na forma descrita nos artigos acima, nem em qualquer outra forma suplementar que suprisse sua ausência. 29. Uma vez que na Notificação de Lançamento exigese então Imposto de Renda da Pessoa Física de quem auferiu a renda, e não Imposto de Renda Retido na Fonte, não há exigência de tributo cuja responsabilidade pelo recolhimento não seja do recorrente, o fato gerador ocorreu, e todas as formalidades prescritas no caput do art. 142 do CTN foram observadas. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 30. Não há que se falar em nulidade, porquanto todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, foram observados quando da lavratura da Notificação de Lançamento. E o artigo 59 do mesmo Decreto enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento. Transcrevemse a seguir, os dois artigos citados: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 92DF CARF MF 10 31. Por outro lado, quaisquer outras irregularidades, incorreções, e omissões cometidas na Notificação de lançamento não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do PAF). 32. No presente caso, tais vícios inexistem, pois o agente autuante é competente para efetuar o lançamento fiscal e a infração imputada foi adequadamente descrita e fundamentada, de modo que permitiu ao autuado o mais amplo direito de defesa e o exercício pleno do contraditório, direito este, exercido tanto na impugnação quanto no recurso ora analisado. 33. Da análise da Notificação de Lançamento, constatase que ela demonstra com clareza as infrações imputadas, com a devida indicação do enquadramento legal da matéria apurada. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a Notificação contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, e certamente não fere o princípio da legalidade. 34. Além disso, a Notificação de Lançamento está devidamente instruída com as provas necessárias, sob as formalidades cabíveis, uma vez que foi lavrada com base nas informações presentes na DAA do próprio contribuinte (com base no caput do Artigo 147 do CTN, já citado), onde também se constatou o ilícito tributário pelo sujeito passivo. 35. Não há nulidade da Notificação de Lançamento, não está sendo ferido o princípio da legalidade nem nenhum outro princípio constitucional, e não ocorreu cerceamento de defesa, e foram respeitados os princípios gerais de direito tributário e administrativo. 36. Dessa forma, deve ser mantida a Decisão da DRJ/REC no sentido de procedência do lançamento. CONCLUSÃO 37. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado Digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.910843/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA.
A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular.
A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.910652/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10783.910843/2009-56
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5954457
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.066
nome_arquivo_s : Decisao_10783910843200956.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10783910843200956_5954457.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.910652/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7583998
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051417419186176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.910843/200956 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.066 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente GARRA ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.910652/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 08 43 /2 00 9- 56 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão de 1ª instância, proferida pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo excertos dos termos e fundamentos da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório [...]que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." O interessado, cientificado em [...], apresentou, em [...], manifestação de inconformidade [...]. Nesta peça, alega, em síntese, que: até outubro de 2003, recolheu a Contribuição Social sobre o Lucro Presumido utilizando o percentual de 12%; por cautela, a partir de novembro de 2003, alterou o percentual para 32%; a partir da MP nº 252/2005, voltou a utilizar o percentual de 12%, tendo acumulado crédito de pagamento a maior, conforme tabela, que foi utilizado para a quitação de tributos; a Receita Federal está exigindo multa para pagamento dentro do prazo; a DCTF foi transmitida em data anterior ao pedido de compensação, motivo pelo qual não foi encontrado o crédito; a DCTF foi retificada em 11/08/2009. É o relatório. Voto Tempestiva a manifestação de inconformidade, dela conheço. A teor do art. 170 do Código Tributário Naciona CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 4 3 liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual consta informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados." O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Os débitos objeto de compensação não homologada devem ser exigidos com os acréscimos de multa e de juros de mora, por Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 5 4 expressa determinação legal (art. 38 da Instrução Normativa RFB 900/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/1996). O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. É o meu voto. Julgadora Maria de Lourde Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentando tabelas com os valores que entende devidos e compensados de vários tributos, diferenças entre os valores recolhidos (origem do eventual crédito), créditos e débitos atualizados, além de tabela comparativa processos de cobrança com a utilização de multa e juros de mora, tudo isto para arrematar com a mesma conclusão da impugnação apresentada: Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.061, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.910652/2009 94, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.061): "Tanto o Despacho Decisório quanto o acórdão proferido pela DRJ estão, considerando as informações do PER/DCOMP, corretos em suas decisões, uma vez que não houve a indicação precisa de eventual pagamento indevido, no caso de CSLL. De se dizer que processos desta natureza (PER/DCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 6 5 sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. No caso em questão, a Recorrente, alertada pelo decidido no Despacho Decisório que indeferiu seu pleito, apresentou uma DCTF retificadora onde ali repousariam, então, os valores que entende como devidos. A instância de piso não aceitou tal retificação: A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Em situações desta natureza, onde apenas o crédito pleiteado fora informado de maneira equivocada no PER/DCOMP, entendo que se pode aceitar a DCTF retificadora apresentada após o Despacho Decisório, mas, ressaltese, tratandose de uma situação pontual, onde, de plano, poderseia aferir a existência do direito creditório da Requerente. Mas não é o caso dos autos. De se mostrar. A Recorrente afirmou em sua Impugnação que sua forma de tributação era o lucro presumido, onde o IRPJ é apurado por trimestre, entretanto, "por opção do seu setor financeiro, recolhe antecipadamente ao final de cada mês", procedimento incorreto, pois vedada a apuração e o pagamento mensal do tributo devido (art.516 do RIR/99), aí incluída a CSLL. A Recorrente afirmou que recolhia, até outubro de 2003, a CSLL utilizando como base de cálculo o percentual de 12% da receita bruta e a partir daí até setembro de 2005, utilizou a base de cálculo da CSLL no percentual de 32%, por força do art.22 da Lei 10.684/2003, quando, então, voltou a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 7 6 utilizar o percentual de 12%, agora em face da Medida Provisória nº 252/2005. Em seu entendimento teria recolhido a maior a CSLL relativa ao período compreendido entre novembro de 2003 a setembro de 2005, entretanto, não apresenta e nem fundamenta suas razões de existência do eventual direito creditório alegado em seu recurso. Pelo exposto, já seria o suficiente para lhe negar seu pleito, mas ainda há outros entraves que impedem ou permitam reconhecer qualquer sinal do eventual crédito nos moldes em que aventado pela Recorrente. Base de Cálculo da CSLL Lei 9.250/1995 Art.20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário. Em 2003, houve alteração do artigo supra, que teria motivado (?) a Recorrente ao recolhimento da CSLL utilizando o percentual de 32% como base de cálculo: Base de Cálculo da CSLL Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 Art.22. O art.20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do parágrafo 1º do art.15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. De se ver o dispositivo supra citado, que excepcionou a utilização de percentual de 32%: Lei 9.250/1995 (art.15 com redação anterior à dada pela Lei 12.973/14) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 8 7 Art.15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts.30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 2005. Parágrafo 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de : [...] III. trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (redação anterior a Lei nº 11.727, de 2008) [...] A Recorrente nem sabe dizer porque passou a utilizar o percentual de 32% na base de cálculo da CSLL. Seu Contrato Social nos dá uma pista, somente isto, desta mudança, pois ali consta em seu objeto social (cláusula terceira, Volume V1) a exploração das seguintes atividades: Se a Recorrente se utilizar de construção civil por empreitada, por exemplo, devese observar a aplicação dos materiais envolvidos, ou seja, se fornecidos pelo empreiteiro, fica sujeito ao percentual de 8% na apuração da base de cálculo do IRPJ, enquadrandose no caput do art.15 da Lei 9.249/95 e assim, o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL é de 12%. Serviços de desenho técnico especializados de arquitetura e engenharia, me parece que enquadramse em prestação de serviços em geral, passíveis, portanto, de utilização do percentual de 32% na base de cálculo da CSLL, mas, enfim, nada foi demonstrado pela Recorrente, que possui o exercício, pelo menos consta em seu Contrato Social, de mais de uma atividade, o que pode levar à utilização de percentuais diferentes da base de cálculo da CSLL: 32% sobre a receita bruta da atividade enquadrada no inciso III do parágrafo 1º do art.15 da Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 9 8 Lei 9.249/95 e de 12% sobre a receita bruta das demais atividades. Além desta ausência de fundamentação da razão de pedir, não há nos autos uma nota fiscal sequer que demonstrasse a natureza das atividades exercidas pela Recorrente. Diz a Recorrente ainda, em seu recurso voluntário, que, a partir de setembro de 2005, com a edição da Medida Provisória nº 252/2005, "voltamos a utilizar o percentual de 12% aplicado no cálculo da CSLL." A Medida Provisória nº 252, de 15 de junho de 2005 perdeu sua eficácia, tendo seu prazo de vigência encerrado em 13 de outubro de 2005, conforme Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 38, de 2005. Posteriormente foi editada uma nova MP, agora de nº 255, de 1° de julho de 2005, convertida na Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 que, naquilo que possa ter alguma alusão ao afirmado pela Recorrente seria o seguinte: Lei 11.196/2005 Capítulo VII DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Art.34. Os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.15. ........................................................................................ .................................................................................. Parágrafo 4º. O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato." "Art.20. ......................................................................................... Parágrafo 1º. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4º (quarto) trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (tres) primeiros trimestres. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 10 9 Parágrafo 2º. O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o parágrafo 4º do art.15 desta Lei." Depreendese da mencionada Lei que o percentual de 8% também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que "explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato", valendo o mesmo para fins de cálculo da CSLL. Nada mais do que isto, ficando sem sentido a afirmação da Recorrente, a seguir reproduzida: Por qualquer ângulo que se analise o pleito da Recorrente, verificase que não há um indício sequer de que a Recorrente possua o alegado crédito de CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
