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Numero do processo: 16682.720381/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.533
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheirosPaulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheirosPaulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. RELATÓRIO Por bem deduzir todos os termos do mencionado Processo Administrativo Fiscal, reproduzo o relatório do Acórdão da DRJ, vejamos: Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento nº 25081.57680.060511.1.1.100485, no valor de R$ 55.829.129,89, e de Declarações de Compensação a ele vinculadas, com crédito de PIS não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 38 1/ 20 12 -0 5 Fl. 6803DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.763 2 cumulativo vinculado à receita não tributada no mercado interno, relativo ao 4º trimestre de 2009. No Despacho Decisório, a autoridade fiscal informa, dentre outras coisas, que: “(...) 3 FUNDAMENTAÇÃO LEGAL QUANTO AO PERCENTUAL DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS (...) 5 AUDITORIA: O trabalho de auditoria consistiu, basicamente, na verificação dos percentuais apurados pela fiscalizada e utilizados nas DACON; contabilização das receitas que redundaram nos percentuais apurados; contabilização das bases de cálculo dos créditos nas Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON; obtenção de listagem de todas as notas fiscais que totalizaram as Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON e verificação, por amostragem, das notas fiscais listadas que serviram de base à apuração dos créditos não cumulativos de PIS a fim de podermos ter certeza da liquidez dos créditos pleiteados. Para as avaliações acima discriminadas, lavramos o Termo de Início de Fiscalização que foi recebido na data de 27/04/2012, Em virtude das dificuldades em se obter dados suficientes e necessários à análise do pedido do contribuinte, lavramos cinco Termos de Intimação (Anexo 03) e, aos 20/12/2012, lavramos ainda um Termo de Constatação que informou à fiscalizada que as análises se processariam com base nos documentos apresentados até aquele momento (Anexo 04). Registrese que, aos 27/12/2012, após o prazo estipulado no referido Termo de Constatação, a fiscalizada ainda apresentou arquivos magnéticos contendo cópias de inúmeras notas fiscais a fim de que fossem utilizadas na presente auditoria. Esses arquivos também foram utilizados na presente auditoria. Em oito meses de trabalhos, foram inúmeros os pedidos do prazo por parte da fiscalizada e há Mesmo assim, a documentação solicitada não foi apresentada em sua totalidade e se mostrou insuficiente à constatação de certeza e liquidez dos créditos pleiteados, como veremos mais adiante. Em vista da relevância do assunto aqui em análise não resta dúvida de que a documentação que embasou o preenchimento das DCTF; DACON e da PERDCOMP deveria estar à disposição da fiscalização para uma simples conferência de valores. Isso foi ressaltado no Termo de Constatação apresentado. Considerando a legislação de regência, as informações e documentos disponíveis que foram trazidos em resposta às intimações, somados aos dados constantes nos sistemas da RFB, realizase a seguir à análise dos créditos da contribuição para o PIS não cumulativo. As análises da documentação apresentada e as conclusões obtidas serão explanadas passo a passo. Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.764 3 O contribuinte apresentou planilha demonstrando como foram obtidos os percentuais de rateio para os meses em análise (Anexo 05). Notese no quadro superior da referida planilha que, do total das receitas auferidas, mais de 90% correspondem a operações de revenda de mercadorias. Em suma, os percentuais das receitas não cumulativas, apurados pela fiscalizada no trimestre foram os seguintes: (...) 6 ANÁLISE DOS CRÉDITOS (...) As intimações enviadas à fiscalizada visaram, entre outras solicitações, vislumbrar a contabilização de cada um dos montantes acima nos respectivos balancetes da empresa, entretanto, apenas os fretes foram comprovados via balancetes. Todos os demais itens foram conciliados através de relatórios de TI (Tecnologia da Informação), amparados por listagens de notas fiscais referentes a cada rubrica/ Linha das Fichas 06 das DACON. Da análise das notas fiscais verificamos que os créditos da fiscalizada originamse primordialmente da revenda de produtos derivados do petróleo. A fiscalizada aufere créditos também na produção e venda de óleos lubrificantes e graxas. A conciliação dos dados de TI x Notas Fiscais pode ser analisada através do Anexo 07. Solicitamos ainda, via amostragem, cópias de notas fiscais para que dessem suporte aos dados apresentados e, certeza da veracidade das bases de cálculo declaradas nas linhas das DACON (vide Termo de Intimação 05). O quantitativo de notas gira em torno de trinta mil notas/mês e a amostragem solicitada visou a que se obtivesse valores máximos em função do menor volume de notas, ou seja, priorizamos os maiores valores transacionados. Passaremos agora à análise dos itens que auferiram bases de cálculo relevantes de crédito à fiscalizada. (...) 6.1 BENS PARA REVENDA MERCADO INTERNO (...) No que tange aos créditos referentes a aquisições de Bens para Revenda, como já afirmado, a fiscalizada não acostou os montantes acima devidamente contabilizados através de balancetes. A fim de comproválos nos apresentou as bases mensais extraídas de relatórios de TI, acompanhados e fulcrados em listagens específicas de notas fiscais que dão sustentação aos montantes extraídos. Tais montantes são os que seguem abaixo. (...) As listagens de notas fiscais apresentadas, como já informado, somam exatamente os valores dos relatórios de TI discriminados na planilha acima. Fl. 6805DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.765 4 As diferenças dos Anexos de conciliação (Anexo 07) ocorridas entre os Bens de Revenda e os Insumos, matematicamente, se anulam. Essas diferenças ocorridas entre os totais das Notas Fiscais, nestas parcelas, não afetam a auditoria visto que os montantes declarados nas DACON é que serão considerados em nossas análises. Com base na listagem de notas apresentadas, como já informado, elaboramos uma amostragem para que a fiscalizada nos fornecesse cópias (Anexo 08). Poucas foram as cópias de notas apresentadas referentes ao trimestre (Anexo 08). Em não se comprovando a amostragem solicitada, reconheceremos, apenas, o montante das notas que foram comprovadas como sendo passível de creditamento. (...) 6.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Pela legislação vigente, geram créditos na sistemática do PIS não cumulativo, somente os insumos consumidos no processo produtivo. Por oportuno, reproduzse a seguir o §4° do art. 8º da Instrução Normativa SRF n° 404, de 2004: (...) Ressaltamos ainda que, em sintonia com as decisões exaradas pelo CARF, somente deve ser considerado insumo, para fins de creditamento, aquilo que seja inerente ao processo de produção do bem destinado à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorra uma receita tributada. Então, apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens, dos quais decorra o auferimento de uma receita, é que podem ser considerados insumos. Há que existir uma inerência direta entre os dispêndios ocorridos e os processos produtivos e serviços prestados para que se configure direito ao crédito. No presente caso a fiscalizada praticou preponderantemente operações de revenda de mercadorias e, em muito menor proporção, venda de produtos e exportação de mercadorias. Assim sendo, os insumos com direito a crédito devem ter correlação direta com essas operações e nada mais. Foram estas operações que geraram as respectivas receitas e os rateios. Da análise da listagem de notas fiscais apresentadas, de plano, glosamos aquelas que se referem a Operações de Offshore e produtos submarinos posto que as operações de prospecção e exploração de petróleo nada têm a ver com as operações geradoras de crédito do presente caso. Essas notas serão, de plano, desconsideradas/glosadas (Anexo 09). Solicitamos, também por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto aos Bens para Revenda, a apresentação de cópias de notas Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.766 5 fiscais de insumos consumidos nos procedimentos de vendas e fabricação. As notas de insumos que foram solicitadas encontramse no Anexo 10. Em que pesem as glosas acima apontadas, a fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais da amostragem que lhe foi solicitada via intimação. Quanto ao mês de outubro, a sua amostragem foi cumprida, entretanto, quanto aos meses de novembro e dezembro não tiveram a amostragem cumprida. Dessa forma, as notas de outubro serão todas consideradas, entretanto, quanto a novembro e dezembro, somente consideraremos as notas apresentadas. Apenas duas notas referentes a julho foram apresentadas e nada mais. Dessa forma, as bases de cálculo retificadas de ofício são demonstradas no quadro abaixo: (...) 6.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Em análise do creditamento dos serviços utilizados como insumos, cabe o mesmo entendimento aplicado aos bens usados como insumo (IN SRF n.° 404, de 2004). A pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços e, somente geram créditos, as aquisições de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pelo contribuinte. Solicitamos, por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto aos Insumos (item 6.2), a apresentação de cópias de notas fiscais de serviços consumidos nos procedimentos de vendas e fabricação. A amostragem das notas de serviços/insumos que foi solicitada encontra se no Anexo 11. Todas as notas fiscais solicitadas foram apresentadas, entretanto, da análise combinada da listagem das notas fiscais com as cópias das notas de serviços utilizados como insumos que nos foram apresentadas, verificamos que, no período, as notas que se referem a serviços de apoio logístico; portuário; aduaneiro; operações de logística offshore; assistência técnica; despacho aduaneiro; afretamento de embarcações e aeronaves; compra de óleo diesel para navios; equipamentos de perfuração petrolífera e serviços de exploração de petróleo que nada têm a ver com as operações praticadas no presente caso. Verificamos até mesmo, inúmeras notas de serviços prestados por empresas não domiciliadas no país, cujo creditamento é vedado por lei. Analisando não somente a lista de amostragem, mas, todas as notas de serviços como insumos, verificamos que todas elas se mostraram fora de possibilidade de creditamento. Assim sendo, todas as notas de serviços utilizados como insumos serão desconsideradas. Com base no Anexo 07, consideraremos, apenas, os Serviços de Fabricação por encomenda ICOLUB. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.767 6 (...) 6.4 DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA] No tocante às despesas com energia elétrica, constatamos nas listagens das notas fiscais que nos foram apresentadas que inúmeras delas nada informam acerca do CNPJ dos adquirentes e nenhuma delas tem o seu número de referência. Notese ainda que nas listagens há notas fiscais emitidas foram computadas notas de transportadoras, SABESP e BR Distribuidora que não são produtoras de energia elétrica. Todas as notas da listagem foram desconsideradas de plano haja vista a incerteza e generalidade da referida listagem (Anexo 12). (...) 6.5 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE IMÓVEIS Sem maiores críticas às listagens de notas fiscais apresentadas, fica registrado apenas que os valores totais das listagens apresentadas são inferiores aos montantes totais declarados nas DACON. Serão considerados os montantes das listas de TI (Anexo 07), conforme quadro abaixo. (...) 6.6 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA (...) Com relação à estas bases de cálculo, as maiores divergências entre os contribuintes e a RFB reside nas transferências de mercadorias entre bases do mesmo contribuinte. A RFB não aceita o creditamento referente a essas transferências. A fiscalizada, por sua vez, formulou processo de consulta em que lhe foi garantido o direito a esse creditamento para fins de apuração do valor devido a título de PIS e COFINS não cumulativos. Tratase da Solução de Consulta 497 de 05/12/2005. (...) Tal Solução de Consulta foi revogada pela Solução de Divergência Cosit n° 26, publicada na data de 09/06/2008. Sobre as conseqüências da revogação de uma consulta, definiu a Lei na 9.430/1996, em seu art.48, §12, que se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorrerem após a ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. (...) Por conseguinte, para os fatos geradores ocorridos até o mês de junho de 2008, mês da publicação da referida Solução de Consulta no DOU, estava a contribuinte protegida ainda pela Solução de Consulta n° 497 de 05/12/2005, cabendo qualquer ação cominatória por parte desta fiscalização somente para os fatos geradores ocorridos a partir de julho de 2008. Portanto, no tocante ao presente trimestre, todas as transferências praticadas pela fiscalizada devem ser glosadas. Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.768 7 Este assunto já foi totalmente exaurido em virtude de auditoria realizada através do MPF 071852012000471. Do referido MPF foi constituído um auto de infração cujo processo de acompanhamento é o de nº 16682.721219/201204. As transferências foram analisadas e glosadas conforme disposto no Anexo 16. Este anexo foi extraído do supracitado auto de infração. As bases a serem consideradas são as dispostas no quando abaixo. (...) 6.7 BENS PARA REVENDA – IMPORTAÇÃO (...) Analisando as listagens das notas fiscais do período, encontramos despesas ali enquadradas que devem ser rechaçadas haja vista nem mesmo se tratarem de bens para revenda. Em verdade se tratam de notas fiscais referentes à tecnologia de informação, cujo serviço é prestado por empresas estrangeiras e, o seu creditamento é expressamente vedado por lei e explícito no § 4º do art. 8º da IN 404/2004 abaixo transcrito novamente. (...) Além das citadas glosas, solicitamos, também por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto às demais rubricas, a apresentação de cópias de notas fiscais para uma maior análise. As notas de insumos que foram solicitadas/glosadas encontramse no Anexo 14. A fiscalizada não apresentou nenhuma nota da amostragem solicitada. (...) 6.8 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS IMPORTADOS (...) Verificando as listagens de notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, concluímos que em outubro, a bases declarada na DACON está errada, ou seja, ela foi declarada na Dacon com montantes superiores aos montantes de notas fiscais que lhes dá suporte. Dessa forma, as bases a serem analisadas são as do quadro abaixo. (...) Nesta rubrica, ao analisar a listagem das notas fiscais apresentadas, não vislumbramos possíveis glosas. Solicitamos, também por amostragem e nos mesmos moldes praticados quanto às demais rubricas, a apresentação de cópias de notas fiscais (Anexo 15). A fiscalizada não apresentou nenhuma nota da amostragem solicitada. (...) 7 RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO E APURAÇÃO DOS CRÉDITOS (...) 8 APURAÇÃO DOS CRÉDITOS EM FUNÇÃO DAS NOVAS BASES APURADAS (...) Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.769 8 9 APURAÇÃO DE OFÍCIO DO RESSARCIMENTO OU TRIBUTO DEVIDO (...)Os créditos apurados de ofício, ao serem deduzidos dos valores das contribuições a recolher apuradas no 4º trimestre de 2009 foram integralmente consumidos e não há valores a serem ressarcidos. Há montantes ainda devidos a serem lançados de ofício. Em síntese, constatamos que a fiscalizada não acostou aos autos um conjunto probatório suficientemente capaz de embasar o seu pedido de ressarcimento. Como já explicitado, em se tratando de reconhecimento de direito de créditos tributários, o dever da comprovação recai sobre o sujeito passivo que alega tal direito. A Fiscalização cabe a verificação da existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da interessada, o que foi levado a efeito por intermédio da presente ação efetuada pela Administração Tributária. (...)” (n.n) O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 30/01/2013, por ciência pessoal, e em 01/03/2013 apresentou Manifestação de Inconformidade. Em resumo, assim se pronunciou: “(...) III NULIDADES (...) III.1 – DA AUSÊNCIA DE RAZOABILIDADE NA EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE 3.700 NOTAS FISCAIS DE UM UNIVERSO DE 900.000 NOTAS FISCAIS EM 15 DIAS (...) III.2 – VÍCIO NA ELEIÇÃO DAS NOTAS FISCAIS PARA FINS DE Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.770 9 AMOSTRAGEM – DESCONSIDERAÇÃO DOS VOLUMES DE CRÉDITOS X NÚMEROS DE NOTAS EXIGIDAS PARA AFERIÇÃO DE REPRESENTATIVIDADE (...) III.3 – VÍCIO DO CRITÉRIO JURÍDICO ADOTADO – ABANDONO DA AMOSTRAGEM PARA VERIFICAÇÃO INDIVIDUAL SEM A INTIMAÇÃO DA IMPUGNANTE PARA APRESENTAÇÃO DE TODAS AS NOTAS FISCAIS – NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA VERDADEIRO ARBITRAMENTO SEM OBSERVÂNCIA DO PROCEDIMENTO CORRESPONDENTE (...) III.4 – NULIDADE POR AUSÊNCIA DE SEGURANÇA JURÍDICA QUANTO ÀS BASES SOBRE AS QUAIS DEVERÁ SE MANIFESTAR A IMPUGNANTE PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO ORIGINALMENTE PLEITEADO IV – DO DIREITO (...) IV.1 – DO DIREITO AO CRÉDITO DA “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS” e “COFINS” NA AQUISIÇÃO DE BENS PARA VENDA OU REVENDA, TANTO NAS AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO QUANTO NAS REALIZADAS POR MEIO DE IMPORTAÇÃO (LINHA 01) (...) IV.2 – DO DIREITO AO CRÉDITO DA “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS” E DA “COFINS” NA AQUISIÇÃO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS TANTO OS ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO QUANTO IMPORTADOS (LINHA 02) Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.771 10 (...) IV.3 – DO DIREITO AO CRÉDITO DA “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS” E DA “COFINS” NA AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS TANTO OS ADQUIRIDOS NO MERCADO INTERNO QUANTO IMPORTADOS (LINHA 03) (...) IV.4 – DA HIGIDEZ DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE ENERGIA ELÉTRICA (LINHA 04) – PREVISÃO LEGAL – DESCABIMENTO DA GLOSA INTEGRAL (...) IV.5 – DA IMPOSSIBILIDADE EM DESCARTAR AS INFORMAÇÕES CONSIGNADAS EM “DACON” – HIGIDEZ DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS COM ALUGUÉIS (LINHA 05) (...) V – ALTERNATIVAMENTE – ELEIÇÃO DE NOVA AMOSTRAGEM ANTE AS DEFICIÊNCIAS DAQUELA REALIZADA – AUSÊNCIA DA PROPORCIONALIZAÇÃO EM RELAÇÃO ÀS NOTAS FISCAIS APRESENTADAS DIANTE DO VOLUME TOTAL – VÍCIO NO CRITÉRIO JURÍDICO ADOTADO – MAJORAÇÃO INDEVIDA DA AUTUAÇÃO (...) VI – VINCULAÇÃO À CONCLUSÃO A SER CONSIGNADA NOS AUTOS DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2009.51.01.0085880 NO QUE SE REFERE AOS CRÉDITOS DECORRENTES DE FRETES ENTRE BASES PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS (...) VII – DA DILIGÊNCIA (...) VIII CONCLUSÕES Ao longo da Manifestação de Inconformidade, a REQUERENTE pôde demonstrar, por vários meios, as nulidades que fulminam o “Despacho Decisório” ora combatido, bem como as razões de mérito que determinam a homologação integral dos créditos nela pleiteados. Restou demonstrado, portanto, que, em sede de preliminar, diversas nulidades maculam integralmente e, de forma insanável, o presente “Despacho Decisório”, quais sejam: i) ocorrência de cerceamento do direito de defesa ante a ausência de prazo razoável para que fossem apresentadas 3.700 (três mil e setecentas) Notas Fiscais, eis que estas deveriam ser localizadas dentro de um universo total de 900.000 (novecentas mil) Notas Fiscais, espalhadas por 25 (vinte e cinco) bases da REQUERENTE no Brasil, tudo isso em 15 (quinze) dias no mês de dezembro. ii) vício na forma de eleição da amostragem realizada, pois a D. Autoridade Fiscal não solicitou nenhum documento relativo às despesas com energia elétrica e aluguéis e, tampouco as Notas Fiscais solicitadas refletem de forma proporcional os créditos a serem validados pela D. Autoridade Fiscal frente aos créditos lançados na escrita fiscal da REQUERENTE. Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.772 11 iii) vício no critério jurídico do lançamento e cerceamento do direito de defesa, eis que a D. Autoridade Fiscal simplesmente abandonou o critério de amostragem, passando à análise individual somente dos documentos fiscais anteriormente solicitados para amostragem, sem que tenha procedido com qualquer intimação da REQUERENTE para que procedesse com a apresentação do volume total das Notas Fiscais que possuísse. iv) vício no critério jurídico do lançamento, realizado mediante arbitramento efetivado de forma indevida, sem observar o procedimento e requisitos legais, eis que a D. Autoridade Fiscal fez uso de uma “amostragem negativa” para proceder com o arbitramento da base de cálculo do lançamento tributário, uma vez que glosou os créditos lançados pela REQUERENTE em sua escrita fiscal sem realizar qualquer verificação dos mesmos. (iv.1) o vício no arbitramento realizado fica ainda mais evidente à luz da total ausência de um critério único e uniforme, para estipulação de uma base de cálculo, eis que cada modalidade de linha de crédito constante da “DACON” recebeu um tratamento diverso, ao bel prazer da D. Autoridade Fiscal. A D. Autoridade Fiscal reputou válidas as informações constantes em “DACON” apenas quando elas eram inferiores àquelas mencionadas nas listagens apresentadas pela REQUERENTE, ao passo que quando eram superiores, a D. Autoridade Fiscal considerava as informações constantes das referidas listagens. As nulidades acima reiteradas, por óbvio, deverão determinar o cancelamento da autuação, eis que fulminam o procedimento fiscal realizado e, por via de consequência, todo o crédito tributário constituído e mesmo o glosado a partir dele. Na improvável hipótese de que o mérito venha a ser analisado, a REQUERENTE igualmente pôde demonstrar: v) que os créditos por ela aproveitados são legítimos e válidos, estando devida e regularmente amparados em documentos fiscais, os quais, caso tivessem sido examinados pela D. Autoridade Fiscal, seriam validados. A prova acerca dessa higidez se verifica tanto diante do fato de que quase todas as Notas Fiscais analisadas foram referendadas pela D. Autoridade Fiscal, sendo que as não reconhecidas decorrem ou de erros de interpretação e/ou falta de sua apresentação naquele exíguo prazo que foi concedido. vi) a necessidade de reconhecimento dos créditos decorrentes de atividades offshore, eis que a REQUERENTE exercia, à época, atividades de produção de petróleo, comprovada pelos documentos ora acostados. vii) a necessidade de reconhecimento dos créditos decorrentes de despesas de energia elétrica e aluguéis de imóveis, eis que diretamente relacionadas com a sua atividade fim. Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.773 12 viii) a necessidade de realização de diligência fiscal e perícia técnica, mediante análise das 900.000 Notas Fiscais que originaram os créditos apropriados, caso superadas as nulidades acima destacadas, ou então; viii.1) alternativamente, a necessidade de realização de uma nova amostragem, sem os vícios contidos na realizada pela D. Autoridade Fiscal, ou então, para fins do reconhecimento do direito creditório, que o mesmo seja ao menos proporcionalizado em relação a sua totalidade com base no montante auferido parcialmente na amostragem. ix) ao final, a necessidade de reunião de todas as Manifestações de Inconformidade decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0718500.2012.00597, e com a Impugnação apresentada nos autos do processo administrativo nº 16682.720069/201394, eis que evidente o caráter de prejudicialidade e conexão entre todos aqueles; e, ainda, x) a necessidade de suspensão dos processos em razão da existência da Ação Judicial nº 2009.51.01.0085880, onde se discute o direito à utilização de créditos parcialmente aqui glosados, ou então; x.1) alternativamente, o desmembramento dessas parcelas em uma nova autuação, sendo vedada, inclusive, a imposição de multa de ofício em relação a parcela para a qual existe decisão judicial válida até o momento. X – DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, a REQUERENTE pugna a Vossa Senhoria que: i) preliminarmente, em caráter de prejudicialidade, a reunião da presente Manifestação de Inconformidade com as demais apresentadas nos Despachos Decisórios decorrentes do Mandado de Procedimento Fiscal nº 0718500.2012.00597 e com a Impugnação apresentação no processo administrativo nº 16682.720069/201394. ii) preliminarmente, se digne a decretar a nulidade do “Despacho Decisório” em razão das seguintes nulidades: ii.1) cerceamento do direito de defesa da REQUERENTE, em razão da concessão de prazo incompatível com o volume de documentos a serem manuseados para localização daqueles requeridos pela D. Autoridade Fiscal; ii.2) vício na forma de eleição da amostragem, a qual não refletia todas as rubricas que deram origem aos créditos pleiteados pela REQUERENTE, nem tampouco a participação daqueles créditos frente às Notas Fiscais solicitadas; ii.3) vício no critério jurídico do lançamento e consequente cerceamento do direito de defesa da REQUERENTE, em razão do abandono do critério de amostragem, sem a necessária intimação da REQURENTE para apresentação de todos os seus documentos fiscais, e tampouco verificação e análise daqueles, o que denota arbitramento indevido e sem respeito aos procedimentos legais; ii.4) vício no critério jurídico de determinação da base de cálculo, em razão de arbitramento realizado sem critério único e uniforme para Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.774 13 todas as classes de créditos escriturados nos livros fiscais da REQUERENTE; E, no mérito, ad argumentandum, se digne a dar provimento a presente Manifestação de Inconformidade, a fim de: iii) reconhecer a higidez da totalidade dos créditos registrados pela REQUERENTE; ou ainda, alternativa e sucessivamente, iii.1) o reconhecimento do direito aos créditos glosados decorrentes das atividades offshore da REQUERENTE; iii.2) o reconhecimento do direito aos créditos decorrentes de energia elétrica e de aluguéis; iii.3) a necessidade de desmembramento dos valores relativos às despesas com frete entre suas bases primária e secundária, eis que a questão já em sede judicial e com decisão favorável à REQUERENTE. E, em caráter subsidiário, caso os elementos trazidos nessa Manifestação de Inconformidade não sejam suficientes para decretar a homologação integral dos créditos pleiteados, a REQUERENTE pugna: iv) pela realização de diligência fiscal para análise das 900.000 (novecentas mil) Notas Fiscais, para que sejam respondidos os quesitos já apresentados no item VII supra; iv.1) alternativamente, a realização de diligência com base em novo espaço amostral, o qual deverá refletir proporcionalmente todos os créditos registrados pela REQUERENTE para o período sob análise e o reconhecimento proporcional do direito creditório frente a totalidade dos créditos com base no montante auferido na amostragem;” Em 21/02/2013 o contribuinte protocolou um Pedido de Cópia de processo (fl. 2529). No mesmo dia foi entregue ao interessado um CD/DVD com cópia integral do presente processo, conforme fl. 2535. Tendo em vista que na amostra utilizada não foram contempladas todas as linhas do DACON que foram objeto de glosa e que os elementos constantes dos autos, bem como o critério adotado pela autoridade fiscal na eleição e na análise da amostra não foram suficientes para firmar a convicção deste julgador quanto ao crédito em litígio, em 05/06/2013 os autos retornaram à Unidade de Origem para que a autoridade fiscal efetuasse diligência junto à empresa para: a) efetuar as diligências necessárias, considerando a escrituração e os demonstrativos do contribuinte, bem como os documentos fiscais que os respaldam1, a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da DACON e os motivos das glosas; Fl. 6815DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.775 14 b) verificar se a empresa efetivamente realizou operações de produção de petróleo no período e se existe crédito oriundo da referida atividade; c) refazer, se for o caso, o cálculo dos créditos e manifestarse quanto à homologação das compensações declaradas. Em 20/06/2013 foi proferido o Despacho Decisório Demac/RJO/Diort nº 147/2013, que não homologou as compensações declaradas, vinculadas ao presente pedido de ressarcimento. De acordo com o Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl. 2552, em 12/07/2013 foi dada ciência ao contribuinte do referido Despacho Decisório, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal (27/06/2013), Modulo eCAC do Site da Receita Federal. O contribuinte não se manifestou contra a não homologação das compensações2. Em resposta à diligência, foi efetuado o “Resultado de Diligência” que esclarece em minúcias todos os procedimentos efetuados, demonstra os créditos apurados de ofício na Diligência e também a apuração dos montantes ainda devidos de PIS e COFINS: “(...) 2 – AUDITORIA ORIGINAL: O trabalho original de auditoria consistiu, basicamente: da verificação dos percentuais das receitas não cumulativas em relação à receita total, apurados pela fiscalizada e utilizados nas DACON; contabilização das receitas que redundaram nos percentuais apurados; contabilização das bases de cálculo dos créditos nas Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON; obtenção de listagem de todas as notas fiscais que totalizaram as Linhas das Fichas 06A e 06B das DACON e, verificação, por amostragem, das notas fiscais listadas que serviram de base à apuração dos créditos não cumulativos a fim de termos certeza da liquidez dos créditos pleiteados. O contribuinte apresentou planilha demonstrando como foram obtidos os percentuais de rateio de receitas para os meses em análise (Anexo 05). Notese no quadro resumo da referida planilha que, do total das receitas auferidas, mais de 90% correspondem a operações de revenda de mercadorias. Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.776 15 O resultado do trabalho original de auditoria, conforme Despacho Decisório exarado pela Demac/RJO/Difis, resultou no não reconhecimento do crédito tributário alegado pela interessada e, resultou ainda, nos seguintes montantes a serem Lançados de Ofício: (…) 4 NOVA ANÁLISE DOS CRÉDITOS EM VISTA DAS NOTAS APRESENTADAS EM FASE DE INCONFORMIDADE E IMPUGNAÇÃO: CRITÉRIOS ADOTADOS NA AUDITORIA ORIGINAL E NESTA DILIGÊNCIA: Na auditoria original, no intuito de analisarmos as bases geradoras de crédito de PIS e COFINS declaradas nas DACON (Fichas 06 e 16), solicitamos à fiscalizada que nos demonstrasse como havia apurado aqueles valores mensais. Queríamos que, simplesmente, a empresa nos “detalhasse” aqueles valores. Nesse sentido a intimamos que nos apresentasse listagens de todas as notas fiscais que redundavam em cada linha das DACON apresentadas. Atendo às intimações, a fiscalizada nos apresentou listagens que foram por ela denominadas como “listagens TI”. Acontece que, em inúmeros períodos, os totais das listagens de TI ora se mostravam inferiores ora se mostravam superiores aos montantes declarados nas Fichas 06 e 16 das DACON. Em outros casos, as listagens de TI apresentavam diferenças entre as bases de Bens de Revenda com as bases dos Insumos que, matematicamente, se compensavam de forma perfeita. Isto estava discriminado claramente nos demonstrativos dispostos no Anexo 07. Dessa forma, face ao que nos foi apresentado e, a fim de não descartar completamente as bases das DACON que não fossem devidamente comprovadas, considerandoas não comprovadas de plano (critério esse que seria muito radical), optamos pelos critérios abaixo discriminados que, em nosso entendimento, foram benéficos à fiscalizada. Critérios utilizados no trabalho de auditoria original e na presente diligência: a) Quando o valor de uma base de crédito declarada na DACON (Fichas 06 ou 16)apresentava valor maior que a base referente à listagem de notas fiscais de TI (Anexo 07), concluímos que o montante em DACON foi declarado a maior, e estava sem lastro de notas fiscais probantes que lhe dessem sustentação. Nesses casos, consideramos, de plano, o montante de TI como a base de crédito passível de análise e ser comprovada por amostragem; b) Por outro lado, quando uma base declarada em DACON apresentou se menor que a base da listagem de notas fiscais de TI, consideramos o Fl. 6817DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.777 16 montante declarado em DACON posto que, se a interessada não quis utilizar todas as suas notas fiscais geradoras de crédito, tratase de uma prerrogativa exclusiva dela e não da fiscalização; c) Nos casos em que a listagem de TI apresentou diferenças entre duas bases de cálculo e essas diferenças se compensaram, como o foi nos casos de Bens de Revenda e Insumos, consideramos as bases declaradas nas DACON, pois, concluímos que nas listagens de TI houve inclusão inadvertida de notas fiscais de uma base em outra no momento da extração dos dados para atender às intimações. Dessa forma, nenhum ônus foi causado à interessada e tampouco à RFB. DILIGÊNCIA: Conforme já informado, boa parte das notas fiscais solicitadas a título de amostragem não haviam sido apresentadas no decorrer da auditoria original. Em fase recursal, foram juntadas aos autos. Mesmo assim, a fim de facilitar as análises na presente diligência, intimamos a interessada a nos reapresentar as notas fiscais restantes, assim como, solicitamos a apresentação de uma amostragem referente às notas fiscais de energia elétrica, conforme indicação da DRJ. Um segundo Termo de Intimação também foi enviado à fiscalizada a fim de que ela informasse acerca das operações de prospecção e venda de petróleo (ambos os Termos estão no Anexo de DILIGÊNCIA 01). Em resposta, a fiscalizada confirmou aquilo que já havia deixado claro em sua manifestação de inconformidade, ou seja, confirmou que no período aqui analisado, praticou operações de prospecção e exploração de petróleo. Haja vista as cópias de notas fiscais ora apresentadas completando as amostragens solicitadas na auditoria original, passemos à análise dos itens que auferiram bases de cálculo relevantes de crédito à fiscalizada. Ressaltamos que, listagens de bases de cálculo em que as discriminações das notas fiscais não despertaram inconsistências/dúvidas à fiscalização, como foi o caso de Despesas com Aluguéis de Prédios de Pessoas Jurídicas e Despesas com Fretes, foram simplesmente considerados sem solicitação de cópias de notas fiscais. Causanos estranheza o fato de a fiscalizada ter se inconformado quanto a esse procedimento da fiscalização uma vez que os montantes foram considerados sem qualquer questionamento pela fiscalização. Apenas aplicamos os critérios já esclarecidos anteriormente a fim de estabelecer a base de cálculo geradora de crédito (montantes da listagem de TI ou montantes das DACON). Passemos à diligência. (...) 4.1 BENS PARA REVENDA MERCADO INTERNO: (...) Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.778 17 A fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais que complementaram a amostragem anteriormente solicitada nos induzindo à sua veracidade (Anexo de DILIGÊNCIA 02). (...) 4.2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Em sintonia com as decisões exaradas pelo CARF (já especificadas na auditoria original), somente deve ser considerado insumo, para fins de creditamento, aquilo que seja inerente ao processo de produção do bem destinado à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorra uma receita tributada. Então, apenas os dispêndios diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens, dos quais decorra o auferimento de uma receita, é que podem ser considerados insumos. Há que existir uma inerência direta entre os dispêndios ocorridos e os processos produtivos e serviços prestados que geraram receitas para que se configure direito ao crédito. No presente caso a fiscalizada praticou preponderantemente operações de revenda de mercadorias e, em muito menor proporção, venda de produtos e exportação de mercadorias. Assim sendo, os insumos com direito a crédito devem ter correlação direta com essas operações e nada mais. Foram estas operações de revenda que geraram as respectivas receitas não cumulativas e os seus respectivos rateios (anexo 05). Os dispêndios geradores de crédito, portanto, devem ter correlação com as operações de revenda de mercadorias e não com qualquer operação praticada pela empresa. Da análise da listagem de notas fiscais apresentadas, de plano, glosamos aquelas que se referem a Operações de Offshore e produtos submarinos posto que as operações de prospecção e exploração de petróleo nada têm a ver com as operações geradoras de crédito do presente caso. Essas notas serão, de plano, desconsideradas (Anexo 09). Em que pesem as glosas acima citadas, a fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais que complementaram a amostragem anteriormente solicitada (Anexo de DILIGÊNCIA 03). (...) 4.3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) Em análise do creditamento dos serviços utilizados como insumos, cabe o mesmo entendimento aplicado aos bens usados como insumo (IN SRF n.º 404, de 2004). A pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços e, somente geram créditos, as aquisições de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pelo contribuinte. Fl. 6819DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.779 18 Foram as operações de revenda que geraram as respectivas receitas não cumulativas e os seus respectivos rateios (anexo 05). Os dispêndios geradores de crédito devem, portanto, ter correlação com as operações de revenda de mercadorias e não com qualquer operação praticada pela empresa. Há que se considerar que, se 90% das receitas da fiscalizada são oriundos de revendas, há ainda outros 10% de receitas passíveis de originar créditos. Conforme disposto no Anexo 05, verificamos que há receitas oriundas de produção por encomenda (produção de óleos lubrificantes e graxas) que, inegavelmente, incluemse neste 10% restantes. Ao produzir determinado produto por encomenda a empresa arca com dispêndios (insumos) que lhe são creditáveis. Assim sendo, os insumos inerentes aos Serviços de Fabricação por encomenda ICOLUB (Anexo 07) serão considerados. A fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais da amostragem anteriormente solicitada nos comprovando a existência de todas as notas listadas (Anexo de DILIGÊNCIA 04), entretanto, da análise combinada da listagem das notas fiscais com as cópias das notas de serviços utilizados como insumos que nos foram apresentadas, verificamos que, no período, as notas que se referem a serviços de apoio logístico; portuário; aduaneiro; operações de logística offshore; assistência técnica; despacho aduaneiro; afretamento de embarcações e aeronaves; compra de óleo diesel para navios; equipamentos de perfuração petrolífera e serviços de exploração de petróleo que nada têm a ver com as operações praticadas no presente caso. Analisando não somente a lista de amostragem, mas, todas as notas de serviços como insumos, verificamos que todas elas se mostraram fora de possibilidade de creditamento. Assim sendo, todas as notas de serviços utilizados como insumos serão desconsideradas. Com base no Anexo 07, consideraremos, apenas, os Serviços de Fabricação por encomenda ICOLUB. As bases de cálculo retificadas de ofício são demonstradas no quadro abaixo: (...) 4.4 DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA (...) Todas as notas da amostragem foram apresentadas (Anexo de DILIGÊNCIA 05). 4.5 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE IMÓVEIS (...) Sem maiores críticas às listagens de notas fiscais apresentadas não solicitamos cópias das mesmas. Consideramos as bases mediante os critérios acima. Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.780 19 4.6 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA (...) Com relação à estas bases de cálculo, as maiores divergências entre os contribuintes e a RFB reside nas transferências de mercadorias entre bases do mesmo contribuinte. A RFB não aceita o creditamento referente a essas transferências. A explanação completa desta base de cálculo encontrase no Despacho Decisório original. Neste período as supracitadas transferências foram glosadas e lançadas no auto de infração, cujo processo de acompanhamento é o de nº 16682.721219/201204. Os mesmos créditos que neste auto de infração foram desconsiderados, aqui também o serão (Anexo 16). O que está sendo feito aqui é considerar as glosas de créditos que foram apuradas no auto de infração. Nada mais.] 3 Sem maiores críticas às listagens de notas fiscais apresentadas não solicitamos cópias das mesmas.(...) 4.7 BENS PARA REVENDA – IMPORTAÇÃO (...) Analisando as listagens das notas fiscais do período, encontramos despesas ali enquadradas que devem ser rechaçadas haja vista nem mesmo se tratarem de bens para revenda. Em verdade se tratam de notas fiscais referentes à tecnologia de informação cujo serviço é prestado por empresas estrangeiras e, o seu creditamento é expressamente vedado por lei e explícito no § 4º do art. 8º da IN 404/2004 abaixo transcrito novamente.Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês:(...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços;(...) (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: b) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.781 20 prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação dos serviços (...) (grifos nossos) As notas glosadas encontramse no Anexo 14A. Em que pesem as glosas acima citadas, a fiscalizada apresentou cópias das notas fiscais que complementaram a amostragem anteriormente solicitada nos induzindo à sua existência (Anexo de DILIGÊNCIA 06). O quadro a seguir demonstra as bases dos créditos de bens para revenda importados que serão considerados de ofício na apuração dos créditos a descontar do PIS não cumulativo devido: (...) 4.8 BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS IMPORTADOS (...) Nesta rubrica, ao analisar a listagem das notas fiscais apresentadas, a princípio, não vislumbramos possíveis glosas. (...) 5 – RECOMPOSIÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO E APURAÇÃO DOS CRÉDITOS (...) 6 – APURAÇÃO DOS CRÉDITOS EM FUNÇÃO DAS NOVAS BASES APURADAS (...) 7 – APURAÇÃO DE OFÍCIO DO RESSARCIMENTO OU TRIBUTO DEVIDO: (...) Os créditos apurados de ofício, ao serem deduzidos dos valores das contribuições a recolher apuradas no 4º trimestre de 2009 foram integralmente consumidos e não há valores a serem ressarcidos. Há montantes ainda devidos a serem lançados de ofício. Notese na planilha acima que, no presente período, foram deduzidos os montantes já lançados de ofício nos trâmites do já citado processo RFB de nº 16682.721219/201204 (auto de infração). 8 – CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA Após análise da impugnação apresentada pela fiscalizada, observamos que a mesma não concordou com alguns critérios adotados pela auditoria fiscal, porém, face à apresentação das cópias das Notas Fiscais, das diversas amostragens, as Bases de Cálculo que originaram créditos foram todas confirmadas, mediante a aplicação dos critérios já explicitados no item 04. A única celeuma restante é aquela referente às glosas dos insumos e aos serviços oriundos de exploração e prospecção de petróleo. Como já explicado, as receitas da fiscalizada são referentes preponderantemente a revendas de mercadorias; venda de mercadorias e produção de óleos e graxas por encomenda, sendo incabível trazer créditos de dispêndios que não têm qualquer relacionamento com as retrocitadas receitas. Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.782 21 Traçando um paralelo comparativo, uma empresa cuja receita é oriunda da revenda de móveis não pode trazer créditos de insumos utilizados em uma fazenda de sua propriedade que opere em plantio de árvores para reflorestamento. No tocante às bases de cálculo em DACON referentes às locações de prédios de pessoas jurídicas, informamos que, na auditoria original, as bases foram todas concedidas sendo aplicado apenas o critério dos valores TI x DACON. Nem mesmo solicitamos cópias de notas. Finalizando, o resultado desta Diligência corrobora o resultado da auditoria original mantendose o não reconhecimento do crédito tributário alegado pela interessada, entretanto, há que serem alterados/reduzidos os Lançamentos anteriormente efetuados, conforme valores dispostos no quadro abaixo: (...) Dessa forma, afastadas quaisquer dúvidas acerca da materialidade (Notas Fiscais existentes) quanto aos créditos pleiteados, restando somente a análise qualitativa (efetividade do direito creditório) daqueles documentos fiscais. No entender da REQUERENTE, a análise qualitativa das Notas Fiscais apresentadas deveria determinar o cancelamento integral da autuação. Contudo, não foi este o posicionamento adotado pela D. Autoridade Fiscal. Esta, em sua análise, procedeu com a retificação da autuação original, reduzindoa substancialmente, mas ainda não reconheceu a integralidade do direito creditório pleiteado pela REQUERENTE. (...) O Relatório de Diligência exarado nos autos do processo administrativo nº 16682.720381/201205 não contou com nenhum anexo. Daí, exsurge a primeira ilegalidade desta intimação. Explicase. A diligência faz menção a uma série de anexos, quais sejam: i) Anexo 01; ii)Anexo 05; iii) Anexo 07; iv) Anexo 09; v) Anexo 14A; vi) Anexo 16. Vejase, abaixo, a menção a cada um dos referidos anexos: (...) A leitura do trecho acima transcrito demonstra a importância dos Anexos mencionados na referida Diligência, os quais deveriam, necessariamente, ter sido encaminhados à REQUERENTE para que fosse possível o exercício pleno e amplo do seu direito de defesa. Contudo, isto não foi feito pela D. Autoridade Fiscal. Então, neste ponto, reside mais uma ilegalidade incorrida pela D. Autoridade Fiscal, na medida em que a REQUERENTE foi obrigada a elaborar a presente peça sem ciência plena da integralidade das diligências realizadas pela D. Autoridade Fiscal e suas correspondentes conclusões. Por este motivo, requer desde logo que seja concedido novo prazo para manifestação da REQUERENTE, em complementação a Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.783 22 presente, após serlhe dada ciência da íntegra de todos os anexos e documentação que perfazem a diligência, conforme requerido ao final. (...) Ora, como visto, a Diligência teve o resultado positivo de reconhecer que foram apresentados todos os documentos necessários à análise da legitimidade dos créditos pleiteados (Notas Fiscais), tanto que deu ensejo à redução substancial dos valores exigidos da REQUERENTE. Por outro lado, a Diligência demonstrou, ainda, que a D. Autoridade Fiscal deixou de dar cumprimento ao quanto solicitado por meio dos itens “a”, “b” e c” do Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, eis que, respectivamente: i) não foram realizadas as diligências necessárias no tocante à identificação dos valores glosados em relação a todas as linhas da “DACON”; ii) a D. Autoridade Fiscal não apurou efetivamente se a REQUERENTE, no período da autuação, teria realizado operações de produção de petróleo, tampouco informou a existência de créditos oriundos dessa atividade; iii) também deixou de se manifestar sobre a questão da duplicidade acerca da glosa dos valores relativos ao crédito extemporâneo e aos créditos relativos aos Os lançamentos efetuados anteriormente através de processo de auto de infração da RFB de nº 16682.720069/201394 foram considerados e descontados do devido, redundando assim nos valores do quadro acima. Registrese que há PERDCOMP vinculada ao PER de ressarcimento aqui analisado. (...)”. Cientificado do referido Resultado de Diligência em 13/11/2014, o contribuinte apresentou, em 12/12/2014, razões adicionais de defesa, nos seguintes termos: “(...) Após a apresentação da Manifestação de Inconformidade por parte da RAÍZEN COMBUSTÍVEIS S/A, adiante denominada REQUERENTE, e antes de se manifestar sobre os pontos de direito ali suscitados, a D. Autoridade Julgadora determinou a realização de diligência com os seguintes objetivos: (...) A solicitação era bastante clara: i) determinava a realização de diligências, com vistas à identificação das glosas realizadas em face das linhas da “DACON”; ii) Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.784 23 que fosse verificada a existência de duplicidade quanto aos créditos extemporâneos e os valores relativos aos fretes entre bases primárias e secundárias, e que foram tratados no processo administrativo nº 16682.721219/201204; iii) verificação acerca da efetiva realização de operações de produção de petróleo para o período autuado, e se existia crédito oriundo dessas atividades; e iv) a apresentação de novos cálculos e apuração de tributos, se fosse o caso. Por meio da diligência realizada, a REQUERENTE deveria proceder com a apresentação de todas as Notas Fiscais solicitadas por meio da amostragem eleita pela D. Autoridade Fiscal. Nas respostas às intimações recebidas, a REQUERENTE pôde apresentar praticamente a integralidade das Notas Fiscais solicitadas, tanto que a D. Autoridade Fiscal considerou como completamente atendida essa obrigação, como se vê do trecho extraído do Relatório de Diligência, abaixo reproduzido: (...) fretes entre bases primárias e secundárias, tratados no processo administrativo nº 16682.721219/201204. Dessa forma, resta evidente o não atendimento integral ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, o que, naturalmente, compromete o conhecimento acerca de todos os pontos inerentes à demanda, trazendo nítidos prejuízos à formação da convicção dos julgadores acerca do quanto alegado em sede de Manifestação de Inconformidade. A REQUERENTE evidenciará o descumprimento do quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, pugnando pela realização de nova diligência, sem a qual restará comprometido o prosseguimento da análise em tela, ao menos para a apreciação de todos os elementos necessários à garantia do contraditório, da ampla defesa, e, principalmente, do respeito ao princípio da busca pela verdade material, conforme consignado no Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora. É o que se passa a fazer. CONSIDERAÇÕES ACERCA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Tendo em vista o reconhecimento de que foram apresentadas as Notas Fiscais solicitadas pela D. Autoridade Fiscal, resta proceder com a comprovação acerca dos pontos consignados na Diligência, e que deixaram de ser atendidos pela D. Autoridade Fiscal. O primeiro deles se refere à violação ao princípio da busca pela verdade material, consignado pela D. Autoridade Julgadora como essencial, e que deveria nortear a diligência a ser realizada pela D. Autoridade Fiscal. Vejase. Fl. 6825DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.785 24 A busca pela verdade material foi descumprida pela D. Autoridade Fiscal quando deixaram de ser realizadas as diligências necessárias a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da “DACON”. Por seu turno, a D. Autoridade Fiscal pautou sua análise, superficial, apenas nas diferenças apontadas entre a “DACON” e a listagem de notas fiscais, constante de uma planilha apresentada pela REQUERENTE, sendo adotado como parâmetro o menor valor entre aquelas duas bases – ou seja, sempre que para determinado período o menor valor de crédito constava na “DACON” (em confronto com a planilha), aceitouse o valor da “DACON”; sempre que o menor valor de crédito constava na planilha, utilizouse o valor da planilha. O fiscal autuante não buscou conciliar as duas bases de informação e apurar qual seria o valor correto dos créditos, limitouse a utilizar sempre o critério mais prejudicial à REQUERENTE. Dessa forma, resta evidente a violação a um dos corolários mais caros ao processo administrativo fiscal, o qual, inclusive, foi destacado de forma expressa pela D. Autoridade Julgadora, a saber, o princípio da busca pela verdade material. Nada mais descabido! O outro ponto que merece críticas é a absoluta ausência de resposta quanto ao questionamento aduzido pela D. Autoridade Julgadora, por meio da qual foi requerida a verificação acerca da efetiva realização de operações de produção de petróleo e dos créditos vinculados àquela atividade, durante o período autuado. Quanto a este questionamento, a D. Autoridade Fiscal simplesmente não o respondeu, limitandose a aduzir, sem a devida demonstração, de que “A única celeuma restante é aquela referente às glosas dos insumos e aos serviços oriundos da exploração e prospecção de petróleo. Como já explicado, as receitas da fiscalizada são referentes preponderantemente a revendas de mercadorias; venda de mercadorias e produção de óleos e graxas por encomenda, sendo incabível trazer créditos de dispêndios que não tem qualquer relacionamento com as retrocitadas receitas.” Entretanto, apresentou tal assertiva, sem efetivamente apurar a existência dos supostos créditos decorrentes da fase de “exploração e prospecção de petróleo” que teriam sido supostamente utilizados pela REQUERENTE, e por este motivo glosados (quando em verdade, não ocorreu a utilização de créditos de tal natureza por parte da REQUERENTE, como se irá demonstrar adiante. Ademais, não foi respondida a questão nodal apontada pela D. Autoridade Julgadora, qual seja, a determinação se, no perídio autuado, a REQUERENTE teria realizado atividades de produção de petróleo. Quanto a este ponto, também mais a frente, a REQUERENTE comprovará a realização das referidas atividades. Fl. 6826DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.786 25 AUSÊNCIA DE SEGURANÇA JURÍDICA QUANTO ÀS BASES SOBRE AS QUAIS DEVERÁ SE MANIFESTAR A IMPUGNANTE PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO ORIGINALMENTE PLEITEADO O comando emanado do Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora não dava margem a dúvidas: (...) Ou seja, a D. Autoridade Fiscal deveria proceder com as diligências necessárias, isto tendo em vista a escrituração (contabilidade) e os demonstrativos do contribuinte (DACON), bem como os documentos fiscais que os respaldam (Notas Fiscais), a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da “DACON”, com o destaque dos motivos das glosas. Não obstante a determinação constante daquele comando, a D. Autoridade Fiscal, responsável pela realização do atendimento da Diligência, aduziu que “a fiscalizada apresentou listagens de notas fiscais (TI) em montantes inferiores àqueles declarados nas DACON e, assim sendo, consideramos os montantes destas listagens. Não houve comprovação total dos montantes declarados nas DACON”. Frente ao quanto exigido pela D. Autoridade Julgadora (busca pela verdade material acrescida da realização de diligências à luz de vários documentos, inclusive, das Notas Fiscais), jamais a D. Autoridade Fiscal poderia ter consignado a informação de que os valores informados em suas planilhas seriam menores àqueles declarados em “DACON”, o que ensejaria o entendimento de que os montantes declarados em “DACON” não teriam sido comprovados. (...) Como comprovado, a D. Autoridade Fiscal, ao contrário daquilo que afirmou, apenas desconsiderou os valores informados em “DACON” quando superiores aos indicados nas listagens de notas fiscais, vez que, quando inferiores, aquelas informações foram as que balizaram a análise do direito creditório. Além de contraditório, este comportamento se distancia do quanto solicitado pelo Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, que foi assertivo ao aduzir que deveriam ser efetuadas “as diligências necessárias, considerando a escrituração e os demonstrativos do contribuinte, bem como os documentos fiscais que os respaldam, a fim de relacionar os valores glosados referentes a todas as linhas da DACON e os motivos das glosas”, isto em observância ao princípio da busca pela verdade material. A D. Autoridade Fiscal, ao invés de buscar qual daquelas bases estaria correta, como determinado pelo Despacho proferido pela 1ª Turma da Fl. 6827DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.787 26 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, simplesmente adota a menor entre as duas, como limite do direito creditório a ser analisado. O descabimento deste tipo de procedimento é manifesto, seja por deixar de cumprir o quanto determinado pela D. Autoridade Julgadora, seja por não desconsiderar de forma clara a validade das informações prestadas pela REQUERENTE, passando a adotar o expediente e observar os requisitos próprios do arbitramento, seja por deixar de dar cumprimento ao princípio da busca pela verdade material, ínsito ao processo administrativo fiscal, culminando, por certo, com o cerceamento do direito de defesa da REQUERENTE. Por qualquer um dos pontos anteriormente mencionados, o procedimento adotado pela D. Autoridade Fiscal, no tocante à comprovação dos montantes declarados em “DACON” deve ser revisto, sendo determinada a realização de nova diligência, que, enfim, atenda ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora. O caminho tortuoso percorrido pela D. Autoridade Fiscal fica evidente, vez que busca adotar sempre o menor valor, e não aquele que é o certo, conforme determinado pela Diligência. Assim, a D. Autoridade Fiscal ora invalida o que está informado em “DACON”, ora as planilhas apresentadas pela REQUERENTE, utilizando as duas como bases dentro de um mesmo mês, a depender dos valores e da natureza dos créditos. Por óbvio tal expediente não se afigura correto. Ou as informações prestadas em “DACON” são inservíveis e merecem ser desconsideradas, sendo adotado de forma clara e transparente o procedimento do arbitramento, com o respeito a todos os seus requisitos, ou, alternativamente, deveria a D. Autoridade Fiscal ter procedido com as verificações próprias do procedimento de fiscalização para que fosse determinado qual daquelas duas bases de informação refletia, com mais correção, os créditos acumulados pela REQUERENTE, isto em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, bem como ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, como, aliás, solicitado de forma expressa pela D. Autoridade Julgadora. Ao descaracterizar as informações constantes de documentos fiscais da REQUERENTE, sem observar o procedimento próprio do arbitramento, a D. Autoridade Fiscal macula a validade do Resultado da Diligência. Aliás, esta é a orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre o tema: (...) Ora, a simples divergência entre a “DACON” e a planilha apresentada não pode ser configurada como razão suficiente para desconsiderar as informações constantes da Fl. 6828DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.788 27 “DACON”, eis que as informações constantes da “DACON” foram consideradas para determinadas linhas de crédito. Tampouco pode servir de fundamento a simples adoção do menor valor entre as duas bases de informação (“DACON” e planilha”), eis que este não é um critério que possua amparo jurídico ou seja razoável. Com efeito, ao encontrar as divergências, a D. Autoridade Fiscal deveria ter procedido com a intimação da REQUERENTE para que esta explicitasse a razão daquelas inconsistências e informasse qual seria a base correta a ser adotada, como exigido pela D. Autoridade Julgadora no Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora. Contudo, tal não se verificou. Ao deixar de fazêlo, negando vigência ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, a D. Autoridade Fiscal, por mais este viés, fulmina neste aspecto a validade do Resultado da Diligência em tela. Este entendimento encontra amparo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: (...) No presente caso, a D. Autoridade Fiscal, sem qualquer amparo razoável ou justificado ora procedeu com a desconsideração das informações prestadas em “DACON”, ora das planilhas apresentadas pela REQUERENTE. Além de esvaziar por completo a segurança do contribuinte, o procedimento ignorou o comando emanado do Despacho proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, que era no sentido da observância do princípio da busca pela verdade material, como determinado originalmente pela D. Autoridade Julgadora, sob pena de nulidade da autuação fiscal. AUSÊNCIA DE RESPOSTA QUANTO AO QUESTIONAMENTO EMANADO DA D. AUTORIDADE JULGADORA, ACERCA DA EFETIVA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NO PERÍODO AUTUADO, BEM ASSIM SE EXISTIRAM CRÉDITOS DESTA ORIGEM Um ponto nevrálgico da Diligência determinada pela D. Autoridade Julgadora era o esclarecimento quanto à efetiva realização de operações de produção de petróleo por parte da REQUERENTE durante o período autuado, bem assim a indicação acerca da existência de créditos dessa atividade. (...) Ao invés de proceder com a verificação acima, a D. Autoridade Fiscal, em mais uma clara demonstração de descumprimento quanto à determinação emanada da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, assim, se pronunciou: Relatório de Diligência: Fl. 6829DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.789 28 “(...)A única celeuma restante é aquela referente às glosas dos insumos e aos serviços oriundos da exploração e prospecção de petróleo. Como já explicado, as receitas da fiscalizada são referentes preponderantemente a revendas de mercadorias; venda de mercadorias e produção de óleos e graxas por encomenda, sendo incabível trazer créditos de dispêndios que não tem qualquer relacionamento com as retrocitadas receitas(...)”O descompasso entre a pergunta e a resposta é evidente. A D. Autoridade Julgadora determinou que fosse verificado se foram efetivadas operações de produção de petróleo durante o período objeto da autuação, com a informação acerca dos créditos a elas vinculados, e a D. Autoridade Fiscal respondeu no sentido de que os insumos referentes à exploração e a prospecção não guardariam nenhuma relação com as receitas do período. Ora, a resposta prestada não condiz com o questionamento feito. A D. Autoridade Fiscal deveria ter informado se a REQUERENTE efetivamente realizou operações de produção de petróleo no período da autuação. Contudo, essa resposta não foi prestada, o que impossibilita a formação da convicção por parte da D. Autoridade Fiscal. Por seu turno, a REQUERENTE informa e comprova que, sim, realizou, no período da autuação, quando ainda atuava sob a denominação de SHELL BRASIL LTDA., operações de produção de petróleo.Ora, a Lei nº 9.478/97, também conhecida como Lei do Petróleo, define, no âmbito regulatório, quais são as fases de um campo de petróleo, conforme adiante destacado: em que declarada a sua comercialidade, sendo certo, que, a partir de então, já se inicia a fase de produção. Com efeito, é certo que, de acordo com a Lei nº 9.478/97, a fase de exploração se presta às análises das áreas a serem avaliadas para determinação da existência de petróleo e gás natural, sendo certo que, ao final desse período, o concessionário tem duas opções: devolver a área à “ANP” ou declarar a comercialidade dos campos ora explorados. Em linha com o que dispõe a referida Lei, a REQUERENTE informa que se aproveita dos créditos somente dos insumos à produção do petróleo, pelo que não assiste razão à D. Autoridade Fiscal, conforme se demonstra, de forma inequívoca, a seguir. A REQUERENTE, imbuída de sua costumeira boafé e diligência, realizou a análise de TODAS as 468 Notas Fiscais que, segundo o entendimento apontado pela D. Autoridade Fiscal, não dariam direito aos créditos de “PIS” e de “COFINS”, por serem de exploração e prospecção, e verificou que 100% (cem por cento) dessas Notas Fiscais são relativas às aquisições de serviços, mercadorias e alugueres de ativos que já se encontravam em produção à época! Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.790 29 Tal informação pode ser facilmente corroborada da leitura dos documentos anexados à petição protocolizada em 17 de setembro de 2014 que, nada mais são, do que as Declarações de Comercialidades dos referidos ativos, bem como a aprovação dos planos de desenvolvimento dos mesmos perante a ANP, como ilustrado abaixo: Vêse, portanto, que todas as 468 Notas Fiscais referemse, efetivamente, a insumos afeitos à produção, visto que tais ativos já se encontravam na fase de produção de petróleo. Ora, negar direito ao crédito da REQUERENTE com base na presunção de que tais aquisições foram correlatas à exploração e prospecção de petróleo, é, no mínimo, uma leviandade que vai de encontro contra todos os princípios inerentes à Administração Pública, mormente o da busca pela verdade material. Apenas a título exemplificativo, a REQUERENTE realizou uma análise qualitativa de parte dessas notas fiscais. Em uma análise preliminar, a REQUERENTE verificou que todas as referidas notas fiscais foram posteriores às respectivas Declarações de Comercialidade, sendo certo que, junta a presente, a título de amostragem (em torno de 5% do total das 468 Notas Fiscais), cópia das notas fiscais (Doc. nº 03) que deram azo ao aproveitamento do crédito ora vergastado. Neste levantamento preliminar, a REQUERENTE tomou como base dois de seus quatro maiores fornecedores, tendo analisado, aproximadamente, 40% (quarenta por cento) do valor glosado em relação a esses dois prestadores, de modo a comprovar, de forma inequívoca, a certeza, liquidez e higidez em seu procedimento de aproveitamento dos créditos de “PIS” e da “COFINS”, mormente em face de não ter considerado nenhum gasto relativo à fase de exploração e prospecção, ao contrário do que afirma a D. Autoridade Fiscal. Lei nº 9.478/97: “Art. 24. Os contratos de concessão deverão prever duas fases: a de exploração e a de produção. § 1º Incluemse na fase de exploração as atividades de avaliação de eventual descoberta de petróleo ou gás natural, para determinação de sua comercialidade. (...) Art. 28. As concessões extinguirseão: (...) IV ao término da fase de exploração, sem que tenha sido feita qualquer descoberta comercial, conforme definido no contrato; Art. 44. O contrato estabelecerá que o concessionário estará obrigado a: (...) Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.791 30 III realizar a avaliação da descoberta nos termos do programa submetido à ANP, apresentando relatório de comercialidade e declarando seu interesse no desenvolvimento do campo; IV submeter à ANP o plano de desenvolvimento de campo declarado comercial, contendo o cronograma e a estimativa de investimento;” Na mesma linha, a Portaria ANP nº 90 define: Portaria ANP nº 90: “3. Definições (...) i) Produção conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para sua movimentação. (...) n) Declaração de Comercialidade notificação escrita do Concessionário à ANP declarando uma jazida como descoberta comercial na área de concessão.” Da leitura dos referidos diplomas legais concluise que: a fase exploratória se inicia com a concessão da “ANP” ao concessionário e se estende até o momento Portanto, resta demonstrado que ao contrário do que indicado pela D.Autoridade Fiscal, a REQUERENTE (a) realizou operações de produção de petróleo no período autuado;(b) tais operações de produção resultaram na apuração de créditos que foram corretamente utilizados pela REQUERENTE, não havendo razão para que fossem glosados; e (c) não restou demonstrada pela D. orientação do antigo Conselho e Contribuintes do Ministério da Fazenda sobre esse tipo de situação, como se depreende do aresto abaixo: (...) A conclusão acima consignada é a mesma que deve ser estendida ao presente caso. Isto porque, é imperativo que os questionamentos feitos pela D. Autoridade Julgadora sejam respondidos de forma assertiva e clara, indicando se a REQUERENTE realizou ou não atividades de produção de petróleo no período autuado, bem assim o valor dos créditos vinculados àquelas atividades. A resposta ao questionamento será nitidamente positiva, em linha com os documentos aqui apresentados, sendo de rigor apenas que a D. Autoridade Fiscal indique o montante dos créditos vinculados a estas atividades, reconecendoos como válidos e reformando a autuação na parte relativa à glosa dos mesmos, a partir do que será possível delimitar a matéria remanescente desta autuação. VI – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO QUANTO AOS ANEXOS MENCIONADOS NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO – IMPOSSIBILIDADE DE VERIFICAÇÃO ACERCA DAS GLOSAS REALIZADAS Como anteriormente mencionado, a autuação em tela decorre do lançamento Fl. 6832DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.792 31 de crédito tributário correspondente aos valores de “PIS” e de “COFINS” que seriam devidos em razão das glosas dos créditos aproveitados pela REQUERENTE durante os anos de 2008 e 2009. Dessa forma o lançamento tributário também é resultado da glosa dos Pedidos de Ressarcimento de “PIS” e de “COFINS” formalizados pela REQUERENTE durante aquele período. O Relatório de Diligência exarado nos autos do processo administrativo nº 16682.720381/201205 procede com a análise, por trimestre, dos valores pleiteados pela REQUERENTE, confrontandoos com as operações do período, para que seja alcançado o valor efetivamente passível de ressarcimento. Nestes anexos, a D. Autoridade Fiscal procede com a análise, por trimestre, dos valores pleiteados pela IMPUGNANTE, confrontandoos com as operações do período, para que seja alcançado o valor efetivamente passível de ressarcimento. Daí, a importância da análise das informações contidas em cada um dos anexos mencionados no resultado de Diligência, quais sejam: i) Anexo 01; ii) Anexo 05; iii) Anexo 07; iv) Anexo 09; v) Anexo 14A; vi) Anexo 16. Vejase, abaixo, a menção a cada um dos referidos anexos: (...) Contudo, e para a surpresa da REQUERENTE, o resultado da Diligência veio incompleto, na medida em que não contemplaram os respectivos anexos. Explicase. (...) Como visto, o Resultado de Diligência exarado no processo administrativo nº 16682.720381/201205, faz menção a uma série de anexos, nos quais são demonstradas as operações e as Notas Fiscais consideradas (Anexos 5 e 7), bem assim as Notas Fiscais glosadas (Anexos 9 e 14A). Autoridade Fiscal a utilização de créditos da fase de exploração de petróleo (e portanto nada haveria a glosar a este título). Esta é uma comprovação simples e fácil que faz ruir toda a glosa dos créditos relativos às atividades offshore, vez que são demonstrações claras de que, sim, a REQUERENTE realizava atividades de produção de petróleo durante o período objeto da autuação. Dessa maneira, cumpriria à D. Autoridade Fiscal ter verificado esse fato, o qual foi demonstrado pela REQUERENTE em sua Manifestação de Inconformidade, bem como destacado na Diligência determinada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, e corroborado na presente manifestação, restando validados os valores dos créditos vinculados àquelas atividades de produção de petróleo. Fl. 6833DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.793 32 Ao deixar de fazêlo, a D. Autoridade Fiscal macula a validade e o próprio escopo da Diligência determinada pela D. Autoridade Julgadora, na medida em que permanece sem resposta esse importante questionamento, o qual é determinante para a conclusão da análise a ser feita acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada pela REQUERENTE. Neste ponto, a relevância do questionamento feito pela D. Autoridade Julgadora é nítida, pois não há dúvidas acerca do direito aos créditos de “PIS” e de “COFINS” quanto às atividades de produção de petróleo. Além dos documentos ora trazidos, cumpre destacar que, em sua Manifestação de Inconformidade, a REQUERENTE apresentou, ainda, documentos que comprovavam as vendas de óleo (Doc. nº 20 da Impugnação) e de gás natural (Doc. nº 21 da Impugnação) por ela realizadas, as quais corroboram o desempenho das atividades de produção offshore. Logo, desnecessário mencionar que a D. Autoridade Fiscal se pautou em premissas equivocadas para afirmar que a REQUERENTE, em relação ao período fiscalizado, não procedia com atividades de produção de petróleo. Tal equívoco, provavelmente, decorre do fato de que, atualmente (desde meados de 2011), a REQUERENTE não mais se dedica àquelas atividades, isto após a criação da RAÍZEN COMBUSTÍVEIS, empresa que passou a se dedicar à distribuição (operações denominadas como “Downstream” pela indústria de Óleo e Gás), sendo que toda as operações denominadas de upstream (exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural) foram transferidas para a pessoa jurídica SHELL BRASIL PETRÓLEO LTDA. Contudo, tal transferência ocorreu apenas em 2011, ou seja, momento posterior ao período sob questionamento. Demonstrada a ausência de resposta objetiva quanto ao questionamento feito pela D. Autoridade Julgadora, o qual é de vital importância para deslinde do caso sob exame, e à luz das provas carreadas pela REQUERENTE, deve ser determinada a realização de nova diligência, que responda efetivamente os pontos suscitados pela D. Autoridade Julgadora, bem assim que verifique as provas apresentadas pela REQUERENTE, sob pena de nulidade. Aliás, esta é a Dessa maneira, resta evidente a necessidade de que tais anexos instruíssem o Relatório de Diligência exarado no presente processo administrativo. Isto porque, sem estes documentos, a ampla defesa e o direito ao contraditório da REQUERENTE restam esvaziados. Ora, como seria possível fazer a defesa de que determinadas Notas Fiscais não deveriam ter sido glosadas, sem que se conheça o universo, natureza e motivação destas glosas? Como é possível verificar se todas as operações foram consideradas, se não disponibilizado o rol destas operações validadas pela D. Autoridade Fiscal? Fl. 6834DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.794 33 A resposta aos dois questionamentos é a mesma: é impossível fazer a defesa sem o conhecimento/análise destes elementos!!! Então, é imperativo que, além da realização de nova diligência, nos termos já requeridos, quando da intimação da REQUERENTE quanto aos novos resultados alcançadas, sejam encaminhados todos os elementos que nortearam a referida análise, permitindose que a REQUERENTE exerça seu direito de defesa de forma ampla, como lhe garante a Constituição Federal. Naturalmente, ao deixar de proceder com o envio desses documentos, afigurase nítida a ilegalidade incorrida pela D. Autoridade Fiscal, na medida em que restringiu o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório por parte da REQUERENTE. É de rigor reconhecer que a ausência de envio de todos os elementos que deram ensejo à formação da convicção da D. Autoridade Fiscal para a retificação do lançamento, com a manutenção de valores em detrimento da REQUERENTE, importa em clara e manifesta violação ao seu direito de ampla defesa e contraditório, o que é vedado pela Constituição Federal (artigo 5º, inciso LV). VII DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, clama a REQUERENTE, inicialmente, pela concessão de novo prazo para manifestação acerca do Relatório de Diligência exarado no processo administrativo em tela, agora com o envio de todos os elementos necessários à sua ampla verificação, com a disponibilização de todos os documentos mencionados no Relatório de Diligência em tela, bem como nos seus anexos, dada a sua vinculação à conclusão a ser perseguida neste processo, sob pena de materialização de violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ademais, diante da comprovação de que a diligência ora comentada pela REQUERENTE, malgrado tenha reduzido substancialmente o valor da autuação (como já era esperado), deixou de responder adequadamente a todos os questionamentos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, além de haver explicitado premissas equivocadas no tocante aos créditos decorrentes de “DACON” e à suposta inexistência de operações de produção de petróleo e gás por parte da REQUERENTE, pugna esta a Vossa Senhoria que seja determinada a realização de nova diligência. Nesta, que se dê integral cumprimento ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, sendo adotadas todas as diligências necessárias para a correta indicação dos valores passíveis de aproveitamento por parte da REQUERENTE, bem assim com a informação acerca da efetiva realização de atividades de produção de petróleo, com os créditos vinculados a esta atividade no período autuado, e com a resposta do questionamento acerca da duplicidade de glosas, em razão do crédito extemporâneo e dos valores relativos aos fretes entre suas bases primárias e secundárias, tudo em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, sob pena de nulidade, na esteira da orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.795 34 Em virtude das alegações acima, e tendo em vista que não houve ciência ao contribuinte dos Anexos de Diligência do “Resultado de Diligência”, para evitar qualquer possibilidade de cerceamento de direito de defesa, os autos foram encaminhados novamente à DEMAC/RJ, em 07/06/2016, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, para que fosse dada ciência ao contribuinte, no presente processo, dos anexos do “Resultado de Diligência e reaberto prazo de 30 (trinta) dias para manifestação do contribuinte. Em 14/06/2016 o contribuinte acessou o teor dos documentos acima citados, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos. Em 14/07/2016, o interessado apresentou razões adicionais de defesa, que além das alegações já aduzidas na resposta à diligência anterior trouxe novos argumentos, nos seguintes termos: “(...) I – DA TEMPESTIVIDADE (...) II – SÍNTESE DOS FATOS E DO TERMO DE INTIMAÇÃO ORA RESPONDIDO (...) III – PRELIMINAR – MANUTENÇÃO DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA –AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO QUANTO A TODOS OS ANEXOS MENCIONADOS NO RESULTADO DE DILIGÊNCIA – INTIMAÇÃO EXCLUSIVA EM RELAÇÃO AOS CHAMADOS “ANEXOS DE DILIGÊNCIA” Como mencionado, o “Resultado de Diligência” de fls. xx, exarado nos autos do processo administrativo nº 16682.720381/201205, procede com a análise, por trimestre, dos valores pleiteados pela REQUERENTE, confrontandoos com as operações do período, para que seja alcançado o valor efetivamente passível de ressarcimento, fazendo menção, em seu corpo a dois tipos de anexos, chamados de (i) “anexos simples” e (ii) “anexos de diligência”. Nada obstante a REQUERENTE ter realizado pedido expresso em sua última manifestação (fls. xx) para que fosse intimada acerca de todos os anexos mencionados no referido Resultado de Diligência, por meio do último Termo de Intimação exarado nestes autos, houve a intimação exclusiva acerca dos chamados “anexos de diligência” (fls. xx), mas não em relação aos “anexos simples”. Contudo, são os mencionados “anexos simples”, quais sejam: i) Anexo 01; Fl. 6836DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.796 35 ii)Anexo 05; iii) Anexo 07; iv) Anexo 09; v) Anexo 14A; vi) Anexo 16 que efetivamente conferem informações necessárias para prosseguir com uma análise qualitativa sobre o “Resultado da Diligência”, permitindo realizar uma defesa plena, pois aqueles outros nada mais são que os documentos que foram apresentados pela própria REQUERENTE em sede de diligência. Daí exsurge a importância da análise das informações contidas em cada um daqueles “anexos simples” mencionados no resultado de Diligência. Vejase, abaixo, a menção a cada um dos referidos anexos, denotando que as informações sobre notas fiscais consideradas (anexos 05 e 07) e, principalmente, daquelas glosadas (anexos 09 e 14A) são extraídas de seus documentos. (...) Por outro lado, os “anexos de diligência” – dos quais a Requerente foi intimada– se referem, única e exclusivamente, ao termo de intimação já respondido pela REQUERENTE (Anexo de Diligência 01), além das notas fiscais de bens e serviços que instruíram às referidas respostas (Anexos de Diligência 02, 03, 04, 05, 06 e 07), nada acrescentando para nova manifestação da REQUERENTE. Vejase as menções aos referidos anexos no “Resultado de Diligência”, que comprovam o quanto arguido acima: (...) Ou seja, a REQUERENTE já possuía plena ciência acerca desses documentos e não tem o porquê de questionálos nesse momento, vez que, em geral, todas as notas fiscais apresentadas foram consideradas pela autoridade fiscal no Resultado de Diligência. A leitura do trecho acima transcrito demonstra a importância da cientificação acerca dos anexos simples mencionados na referida Diligência, os quais deveriam, necessariamente, ter sido encaminhados à REQUERENTE nessa nova intimação para que fosse possível o exercício pleno e amplo do seu direito de defesa. Nesse sentido, novamente o resultado da Diligência veio incompleto, na medida em que não contemplaram os referidos anexos simples (anexo 01, anexo 05, anexo 09, anexo 14A, etc...). Ora, como será possível fazer uma defesa acerca de que determinadas Notas Fiscais não deveriam ter sido glosadas, sem que se conheça o universo, natureza e motivação destas glosas? Como é possível verificar se todas as operações foram consideradas, se não disponibilizado o rol destas operações validadas pela D. Autoridade Fiscal? A resposta aos dois questionamentos é a mesma: é impossível fazer uma defesa plena sem o conhecimento/análise destes elementos! Então, é imperativo que, além da realização de nova diligência, nos termos conforme se reiterará doravante, quando da intimação da Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.797 36 REQUERENTE quanto aos novos resultados alcançadas, sejam encaminhadas os chamados “anexos simples”, que repitase à exaustão, não são aqueles mencionados nas fls. xx, permitindose que a REQUERENTE exerça seu direito de defesa de forma ampla, como lhe garante a Constituição Federal. IV – CONSIDERAÇÕES ACERCA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA – DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE NOVA DILIGÊNCIA FISCAL E DAS IMPROPRIEDADES ALI CONTIDAS (...) IV.1 – AUSÊNCIA DE SEGURANÇA JURÍDICA QUANTO ÀS BASES SOBRE AS QUAIS DEVERÁ SE MANIFESTAR A REQUERENTE PARA FINS DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO ORIGINALMENTE PLEITEADO (...)IV.2 – AUSÊNCIA DE RESPOSTA QUANTO AO QUESTIONAMENTO EMANADO DA D. AUTORIDADE JULGADORA, ACERCA DA EFETIVA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE PETRÓLEO NO PERÍODO AUTUADO, BEM ASSIM SE EXISTIRAM CRÉDITOS DESTA ORIGEM (...) IV.3 – DA RESTRIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO PELA AUTORIDADE FISCAL – BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS O último ponto que merece ser observado, se refere aos itens onde a autoridade administrativa trata dos bens e serviços utilizados como insumos pela REQUERENTE e que lhe geraram direito ao crédito de PIS e COFINS. Vejase abaixo o entendimento da autoridade administrativa: (...) Não obstante esse entendimento já tenha sido rechaçado quando da elaboração da manifestação de inconformidade, a Autoridade Fiscal mantém sua posição de glosar os créditos atrelados aos gastos exploratórios, de desenvolvimento e na produção de petróleo, o que, como já ressaltado anteriormente, não pode prosperar, visto que a REQUERENTE à época da tomada dos créditos (conforme disposto na subseção IV.2 acima) possuía como seu escopo primordial às referidas atividades. Desse modo, sendo superado este entendimento, ainda assim é de rigor refutar a restrição do conceito de insumo em que se arvora a autoridade administrativa, consubstanciada na Instrução Normativa SRF n.º 404/2004. A legislação infraconstitucional, regulamentando o artigo 195, parágrafo doze, da Constituição Federal, estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos do PIS e da COFINS na aquisição de bens e serviços “utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, sem, contudo, manifestarse acerca da extensão do conceito de “insumo”, a ser adotado pelos contribuintes. Sobre este aspecto, vejase a redação do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/032: (...) Portanto, exceto por aquela vedação legal, todos os demais créditos relacionados a bens e serviços tomados pelo contribuinte para a fabricação dos seus produtos, destinados à venda, são considerados insumos. Ocorre que não há, na lei, uma conceituação positiva de “insumo”. Entretanto, ultrajando o Princípio da Legalidade Tributária, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio das Instruções Normativas SRF nos 247/02, 358/03 e 404/04, buscou delimitar o conceito de “insumo” para fins de apuração de créditos do PIS e da COFINS às hipóteses em que os bens e serviços são Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.798 37 empregados diretamente na prestação de serviços ou na fabricação ou produção de bens4. Como visto anteriormente, esse é o entendimento em que se baliza a autoridade administrativa no caso em apreço. Isto é, a Secretaria da Receita Federal do Brasil adotou um conceito de “insumo” idêntico àquele previsto na legislação do IPI, condicionando os créditos da COFINS e do PIS à integração no serviço ou no produto oferecido pelo contribuinte, embora as hipóteses de incidência tributária desse imposto e das Contribuições em questão em nada se assemelhem. No entanto, a definição de insumo contida naquelas instruções normativas não revela uma interpretação coerente com o regime não cumulativo instituído para o PIS e para a COFINS. A doutrina tributária defende que a conceituação do termo “insumo”, para fins de creditamento de PIS e de COFINS, não pode ser tão restritiva quanto o é para a legislação do IPI, tendo em vista que tais contribuições sociais incidem sobre a receita do contribuinte, motivo pelo qual os bens e serviços (insumos) passíveis de creditamento devem refletir sua regra matriz de incidência. (...) Tendo em vista a nítida divergência quanto à amplitude do conceito, a jurisprudência histórica do “CARF” oscilou em três principais grupos decisórios: (i) em um primeiro momento, acatou o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil “SRFB” quanto ao entendimento restritivo similar ao “IPI”; (ii) paralelamente, em alguns períodos, houve julgados que entenderam que o conceito seria bem mais amplo, comparado aos custos e despesas dedutíveis no lucro real em consonância com a legislação do “IRPJ”; e (iii) o atual conceito, adotando amplitude intermediária aos dois anteriores, entende que “insumo” é tudo aquilo que for despesa essencial para a produção de bens e prestação de serviços do contribuinte, compondo seu custo de produção8. Este conceito do vocábulo “insumo”, intermediário, ligado à essencialidade do bem ou serviço para a produção dos bens e serviços finais, é originado dos Acórdãos nºs 9303 01.035 e 930301.036, ambos de Relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, julgados pela 3ª Turma da “CSRF” – Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de julgamento de 23 de agosto de 2010, cuja ementa do primeiro aresto se transcreve abaixo: (...) A 3ª Turma da “CSRF” sedimentou esse conceito de “insumo” nos julgamentos que seguiram, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 930301.740 e 930301.741 (sessão de 09.11.2011); 9303002.651, 9303002.652, 9303002.653 e 9303.002 655 (julgados Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.799 38 em 14.11.2013); 9303003.069 (sessão de 13.08.2014); 9303 003.079 (julgado em 13.08.2014); 9303 003.193 e 9303003.194 (sessão de 26.11.2014); 9303003.308 e 9303003.309 (sessão de 25.03.2015); bem como no mais recente julgamento dos Processos Administrativos nºs 10925.720046/201212 e 10925.720686/201222, realizados na sessão de julgamento de 25 de fevereiro de 2016, cujos Acórdãos ainda não foram formalizados. Através do conceito sedimentado no bojo da jurisprudência mais atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – “CARF”, os “insumos” passíveis de creditamento dessas Contribuições são aqueles bens e serviços “necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo”, os quais integram o custo de produção. Com efeito, as Turmas Ordinárias do “CARF” seguem a mesma linha do conceito definido tanto pela “CSRF”, quanto pelo Superior Tribunal de Justiça. Transcrevese abaixo recentes julgados da 3ª Seção do “CARF” que mostram a atualidade do conceito intermediário de “insumo”, ligado à essencialidade do bem e do serviço para a produção do contribuinte, afirmando a pacificação do tema no Conselho: (...) O entendimento acima esposado acolhe o quanto pleiteado pela RECORRENTE, eis que todos os bens e serviços em face dos quais se tomou o crédito do PIS e da COFINS guardam estreita relação com as etapas produtivas relacionadas com as atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo. Verificado, portanto, que o conceito do “insumo” para a atual e recente histórica jurisprudência da CSRF e das Turmas Ordinárias CARF é todo bem e serviço essencialmente utilizados na produção de bens e serviços pelo contribuinte, sejam eles aplicados direta ou indiretamente, resta claro o descompasso com o posicionamento arguido pela autoridade administrativa. VI – DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, clama a REQUERENTE, inicialmente, pela concessão de novo prazo para manifestação acerca do Resultado de Diligência exarado no processo administrativo em tela, agora com o envio dos mencionados “anexos simples” (anexo 01, anexo 05, anexo 07, anexo 09, anexo 14A e anexo 16), que não estão contemplados nas fls. xx, relativos aos anexos dos quais a REQUERENTE foi cientificada no Termo de Intimação nº xxx/2016, dada a sua vinculação à conclusão a ser perseguida neste processo, sob pena de materialização de violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ademais, diante da comprovação de que a diligência ora comentada pela REQUERENTE, malgrado tenha reduzido substancialmente o valor da autuação (como já era esperado), deixou de responder adequadamente a todos os questionamentos apontados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, além de haver explicitado premissas equivocadas no tocante aos créditos Fl. 6840DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.800 39 decorrentes de “DACON” e à suposta inexistência de operações de produção de petróleo e gás por parte da REQUERENTE, pugna esta a Vossa Senhoria que seja determinada a realização de nova diligência. Nesta, que se dê integral cumprimento ao quanto solicitado pela D. Autoridade Julgadora, sendo adotadas todas as diligências necessárias para a correta indicação dos valores passíveis de aproveitamento por parte da REQUERENTE, bem assim com a informação acerca da efetiva realização de atividades de produção de petróleo, com os créditos vinculados a esta atividade no período autuado, e com a resposta do questionamento acerca da duplicidade de glosas, em razão do crédito extemporâneo e dos valores relativos aos fretes entre suas bases primárias e secundárias, tudo em homenagem ao princípio da busca pela verdade material, sob pena de nulidade, na esteira da orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” Foi apresentado Recurso Voluntário refutando todos os argumentos do Acórdão nos termos da Manifestação de Inconformidade, ainda, requer reforma que foi contestada todos os indeferimentos de compensações. É o relatório. VOTO Laércio Cruz Uliana Junior – Relator O Recurso é tempestivo. Inicialmente cumpre ressaltar que foi reconhecida conexão dos seguintes Processos Administrativos Fiscais: Ainda, compulsando os autos, me deparo com a seguinte informação extraída do Acórdão: Nos termos do § 7º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 21 do Decreto nº 70.235/72, deve ser efetuada a cobrança imediata dos débitos declarados nas declarações de compensação, tendo em vista que a não homologação das declarações de compensação não foi contestada. (Acórdão DRJ fl. 6397 eprocesso). Ainda, houve intimação Fiscal em fl. 6492 (eprocesso): Segue, em anexo, cópia do Acórdão nº 0960.945 (fls. 6.395/6.451), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 16682.720381/201205 Resolução nº 3201001.533 S3C2T1 Fl. 6.801 40 apresentada nos autos do processo em epígrafe e determinou a cobrança imediata dos débitos declarados nas declarações de compensação, tendo em vista que a não homologação das referidas declarações de compensação não foi contestada, tornandose matéria não impugnada. Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO dessa decisão e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir de sua ciência, efetuar os pagamentos dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de recurso voluntário, dentro do mesmo prazo, conforme disposto no § 10 do artigo 74 da lei 9.430, de 27 de dezembro de 1.996. Quatro DARFs em anexo. Não havendo pagamentos, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, os débitos indevidamente compensados serão encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, em atendimento ao Acórdão nº 0960.945, que determinou a imediata cobrança dos mesmos. Contudo, realizando pesquisa no sítio do Tribunal Regional Federal da 2ª. Regional encontro uma Execução Fiscal e Embargos à Execução – 0025946 72.2018.4.02.51.01 (2018.51.01.02.94688) em trâmite perante a 12ª. Vara Federal do Rio de Janeiro, envolvendo os PAF’s 16682.720381/201205 e 16682.720390/201298. É de ressaltar que foi proferida sentença proferida nos autos judiciais, aparenta que algumas matérias discutidas possam impactar no julgamento deste Processo Administrativo. Por questões de segurança jurídica, se faz necessário converter o presente feito em diligência, determinando que no prazo de 30 (trinta) dias, o Contribuinte traga aos autos cópia das petições que envolvem a Execução e os Embargos à Execução mencionados, respectivas impugnações, Recursos e demais peças que entenda importante, devendo ser juntado em ordem cronológica, após, abrase vista para Procuradoria da Fazenda Nacional por igual prazo. Ainda, existindo qualquer outra demanda judicial envolvendo os processos conexos que não noticiado nos autos, no mesmo prazo, deverá o contribuinte informar e juntar cópia nos autos para evitar qualquer prejuízo. Finalmente, diante das conexões, os demais processos devem ser julgados em conjunto com este, para isso, devem ser sobrestados até o retorno desse processo. Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 6842DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003887/2008-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando- se o art. 173, inciso I, do CTN.
RELEVAÇÃO DE MULTA. NECESSIDADE DE PEDIDO DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO.
Incabível a relevação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, quando o respectivo pedido não foi apresentado dentro do prazo de impugnação.
Numero da decisão: 9202-007.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratando-se de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando- se o art. 173, inciso I, do CTN. RELEVAÇÃO DE MULTA. NECESSIDADE DE PEDIDO DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. Incabível a relevação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, quando o respectivo pedido não foi apresentado dentro do prazo de impugnação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PENALIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Tratandose de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, incabível a discussão acerca da existência ou não de pagamento antecipado, aplicando se o art. 173, inciso I, do CTN. RELEVAÇÃO DE MULTA. NECESSIDADE DE PEDIDO DENTRO DO PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. Incabível a relevação da multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, quando o respectivo pedido não foi apresentado dentro do prazo de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 38 87 /2 00 8- 50 Fl. 349DF CARF MF 2 Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO FASE 15504.003886/200813 37.143.3894 (AI38) Obrig. Acessória Recurso Voluntário 15504.003887/200850 37.143.3908 (AI68) Obrig. Acessória Recurso Especial 15504.003888/200802 37.143.3916 (AI69) Obrig. Acessória Recurso Especial 15504.003889/200849 37.143.3924 (AI85) Obrig. Acessória Dívida Ativa 15504.003890/200873 37.143.3932 (AI86) Obrig. Acessória Recurso Voluntário O presente processo trata do Debcad 37.143.3908 (AI68), lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos períodos de 01/2003 a 12/2004. A ciência do lançamento ocorreu em 18/03/2008 (fls. 13/14). Em sessão plenária de 12/07/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.533 (efls. 292 a 300), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RELEVAÇÃO DA MULTA. A multa deve ser relevada se o contribuinte retifica a falha que deu ensejo à multa isolada no prazo da Impugnação, mesmo que não faça o requerimento. DECADÊNCIA PARCIAL. PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE DO STF. Após a publicação da Súmula Vinculante nº 8 pelo Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, aplicamse as disposições do CTN para fins do cômputo da decadência. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 15504.003887/200850 Acórdão n.º 9202007.484 CSRFT2 Fl. 350 3 Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2001 a 12/2004, o lançamento foi realizado em 17/03/2008, tendo a notificação ocorrido em 18/03/2008, dessa forma decaído o período compreendido entre 01/2003 e 02/2003. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INOBSERVÂNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar de apresentar a declaração no prazo fixado ou apresentála com incorreções ou omissões. Obrigatoriedade expressamente contida na norma do art. 32, IV, da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte." A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de voto, em dar provimento parcial ao recurso reconheço a decadência parcial das competências 01/2003 e 02/2003, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso a fim de relevar a multa concernente à competência de 04/2003." O processo foi encaminhado à PGFN em 17/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 301) e, em 18/10/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 308), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 302 a 307, rejeitados conforme Despacho nº 2403112, de 12/12/2012 (efls. 310/311). Foi o processo novamente encaminhado à PGFN em 08/02/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 312) e, em 26/02/2013, foi interposto o Recurso Especial de efls. 313 a 329 (Despacho de Encaminhamento de efls. 330), com fundamento nos arts. 67 e 68, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: decadência; e requisitos necessários para relevação da multa. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 149/2014, de 10/02/2014 (efls. 332 a 335). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: Da decadência no presente caso, tratandose de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é sempre de ofício, e não por homologação, não existe dispositivo legal que autorize deslocar o termo inicial da decadência para o fato gerador, devendo ser aplicada a regra geral do artigo 173, I, do CTN. Dos requisitos para relevação da multa Fl. 351DF CARF MF 4 o Colegiado a quo resolveu relevar a multa, no que toca à competência 04/2003, em que pese não tenha o Contribuinte formulado pedido expresso nesse sentido; todavia, tal decisão contraria o disposto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048, de 1999), vigente à época da autuação; o citado dispositivo legal é claro ao prescrever a necessidade de o Contribuinte formular pedido expresso dentro do prazo de defesa, para que haja a relevação da multa; não tendo o Contribuinte adotado tal providência, mostrase inviável a relevação da multa. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, mantendose o lançamento. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 343 a 347). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de Auto de Infração (Debcad 37.143.3908) lavrado em razão da apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos períodos de 01/2003 a 12/2004. A ciência do lançamento ocorreu em 18/03/2008 (fls. 13/14). Quanto à primeira matéria decadência no acórdão recorrido, mediante a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, foi declarada a decadência das competências 01/2003 e 02/2003. A Fazenda Nacional, por sua vez, pleiteia a aplicação do art. 173, inciso I, do mesmo Código. Com efeito, o presente processo trata de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é levado a cabo na modalidade de ofício, e não de homologação, portanto não se harmoniza com a problemática de existência ou não de pagamento antecipado. Assim, o dispositivo do CTN a ser aplicado é o artigo 173, inciso I, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Destarte, considerandose que a Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 18/03/2008, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 01/2003 a 12/2004, aplicandose o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência. Quanto à segunda matéria requisitos para relevação da multa destacase que, à época do lançamento, vigorava o art. 291, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, com a seguinte redação: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15504.003887/200850 Acórdão n.º 9202007.484 CSRFT2 Fl. 351 5 "Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1º A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)" (grifei) Com efeito, verificase que um dos requisitos para a concessão desse favor fiscal era o requerimento dentro do prazo de impugnação, o que não foi feito pela Contribuinte em sua peça de defesa. Destarte, não tendo a Contribuinte adotado tal providência, mostrase inviável a apreciação do pedido de relevação da multa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 353DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.905944/2008-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
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PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 44 /2 00 8- 19 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.905944/200819 Acórdão n.º 3001000.635 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 84DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.905944/200819 Acórdão n.º 3001000.635 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 86DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.905944/200819 Acórdão n.º 3001000.635 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000078/2007-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2002-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (relatora) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (relatora) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 00 78 /2 00 7- 73 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 169 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 28/35) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005, onde se apurou: Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 02/04) alegando que seus rendimentos são isentos por ser aposentado e portador de doença grave (CIDC71), conforme documentos anexados. A impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/FNS por não ter sido apresentado laudo oficial para fins de isenção dos rendimentos recebidos a titulo de aposentadoria (efls. 46/50). Cientificado do acórdão de impugnação em 17/09/2009 (efls. 58), o interessado ingressou com recurso voluntário em 19/10/2009 (efls. 66/80) com os argumentos a seguir sintetizados: Alega que, ao contrário do que restou assentado na decisão alvejada, o recorrente se insurgiu sim contra os valores lançados a titulo de deduções tidas como indevidas, pois o argumento invocando a isenção prevista no inciso XIV do art. 6° da Lei n°7.713/88 é mais que suficiente para questionálos. Entende que o que efetivamente impediu a revisão do lançamento impugnado foi o apego ao formalismo previsto no § 1° do art. 30 da Lei n° 9.250/95, que exige a comprovação da moléstia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Nesse contexto, indica a juntada ao presente recurso do Laudo de Exame Médico Pericial emitido pelo Instituto Nacional do Seguro Social em 15/09/2008, o qual comprova ser aquele portador de neoplasia maligna classificada com o CID C71.3, considerada complexa e irreversível e cuja conclusão foi no sentido de considerálo beneficiário da isenção do imposto de renda. Aduz que, da declaração firmada em 18/09/2008 pelo Supervisor Operacional de Benefícios e Arrecadação da agência do INSS de Rio do Sul, que acompanha o laudo supramencionado, extraise que a data de inicio da incapacidade (DII) é 30/01/2001, assim como se vê assegurada a isenção do desconto de imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria por invalidez previdenciária do ora recorrente mantido naquela Agência da Previdência Social. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 170 3 Voto Vencido Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Sobre a isenção por moléstia grave, aplicase o disposto no art. 39, XXXI e XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 171 4 II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção em comento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o outro está relacionado com a existência de moléstia tipificada no texto legal, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso concreto a certidão emitida pelo INSS (efls. 26) demonstra que o contribuinte já se encontrava aposentado por invalidez no ano calendário 2004. Por outro lado, a declaração e o laudo pericial do INSS juntados pelo recorrente para contrapor as razões trazidas pela DRJ (efls. 88/98) indicam que este era portador de neoplasia maligna (CID C.71) à época, fazendo jus, portanto, à isenção pretendida. Cumpre ressaltar que não consta dos autos nenhum documento capaz de comprovar que os rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal foram pagos a título de aposentadoria ou pensão, devendo ser mantida a omissão correspondente a essa fonte pagadora (efls. 33). No que concerne às deduções indevidas apuradas, verificase que nenhum argumento ou elemento de prova foi apresentado na impugnação para contestar o lançamento, motivo pelo qual a decisão de piso considerou as matérias não impugnadas (efls. 47). Com efeito, de acordo com os arts. 15 e 16 do Decreto 70.235/72, todos os documentos comprobatórios devem ser apresentados juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses previstas no §4º do art. 16, o que não restou configurado no caso concreto. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para cancelar a omissão de rendimentos relativa às fontes pagadoras INSS e FUSESC. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 172 5 Voto Vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator Inicialmente peço vênia para adotar o minudente relatório elaborado pela Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Não acompanho a relatora quanto ao tratamento dado aos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal. É certo que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção pleiteada, como apontado pela i. relatora. Na apreciação da impugnação, a decisão recorrida indica quais seriam esses dois requisitos, consignando que o sujeito passivo não preenchera apenas um deles: a apresentação de laudo médico oficial. É o que se extrai do trecho a seguir reproduzido: “Como se vê dos dispositivos transcritos a isenção está condicionada ao reconhecimento da doença através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e que os rendimentos se refiram aposentadoria. Em análise aos autos, entretanto, verificase que o sujeito passivo não traz o laudo pericial emitido por serviço médico oficial. 0 contribuinte junta as folhas 05 a 12, tãosomente resumos de internamento, relatórios médicos e atestados emitidos por médicos particulares. No caso, a legislação é clara. Ainda que os documentos apresentados pelo contribuinte indicam a existência de moléstia grave, estes não suprem a exigência de que, para o reconhecimento da isenção, é indispensável a apresentação de "laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios".” Como em seu recurso, o recorrente juntou o laudo médico oficial, é de se reconhecer a isenção pleiteada não só para os rendimentos auferidos do INSS e da FUSESC, mas também da Caixa Econômica Federal, uma vez que a natureza desses rendimentos não foi questionada pela decisão de piso. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13971.000078/200773 Acórdão n.º 2002000.507 S2C0T2 Fl. 173 6 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720134/2016-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA.
SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.
MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS.
Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), deve-se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação.
MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO.
As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao ano-calendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013.
MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS - PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas.
PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS.
A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS.
Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil.
Numero da decisão: 1402-003.577
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, i) acerca da ilegalidade de IN 243/2002; ii) em relação a possíveis equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal - inexistência de regra de controle por fornecedor individual; iii) quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; iv) quanto à aplicação do tratado Brasil-Coréia; v) em relação à imposição de juros sobre a multa de ofício - Súmula CARF nº 108; por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente, i) à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado, divergindo, em relação ao mérito e entendendo pela inaplicabilidade da Súmula CARF nº 115 ao tema, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento; ii) ao item restrição ao método PIC - critério da representatividade mínima de 5%, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. SÚMULA CARF Nº 115. A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO. As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao anocalendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO. Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 34 /2 01 6- 09 Fl. 2158DF CARF MF 2 PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS. A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, i) acerca da ilegalidade de IN 243/2002; ii) em relação a possíveis equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal inexistência de regra de controle por fornecedor individual; iii) quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; iv) quanto à aplicação do tratado BrasilCoréia; v) em relação à imposição de juros sobre a multa de ofício Súmula CARF nº 108; por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente, i) à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado, divergindo, em relação ao mérito e entendendo pela inaplicabilidade da Súmula CARF nº 115 ao tema, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento; ii) ao item restrição ao método PIC critério da representatividade mínima de 5%, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.159 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG, que julgou IMPROCEDENTE, integralmente, a impugnação da agora recorrente. Da autuação fiscal: O presente processo versa sobre autos de infração de IRPJ e da CSLL, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2012. O valor autuado decorre de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferência, não adicionados ao lucro líquido do período, para determinação do lucro real, no montante de R$ 660.805.912,73. Em decorrência da infração anterior, houve também autuação inerente à compensação indevida de prejuízo operacional, no montante superior ao saldo desse prejuízo de R$ 24.862.938,96. Envolve o montante autuado de R$ 494.926.039,50, assim discriminado: Tributo Principal Multa 75% Juros Total IRPJ 165.245.981,70 123.934.486,26 74.761.719,13 363.942.187,09 CSLL 59.472.532,13 44.604.399,09 26.906.921,19 130.983.852,41 Total 224.718.513,83 168.538.885,35 101.668.640,32 494.926.039,50 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até fevereiro/2017) Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: Na “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” constante do Auto de Infração de IRPJ, a auditorfiscal autuante relatou o seguinte: ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIAS INFRAÇÃO: CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA Valor de ajuste decorrente da aplicação de métodos de preços de transferência, relativo a custos, despesas e encargos de importação de bens adquiridos de pessoa vinculada no exterior ou de pessoa em país com tributação favorecida, não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme relatório de auditoria fiscal anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) Fl. 2160DF CARF MF 4 31/12/2012 660.805.912,73 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 241, 244, 245, 247 e 249, inciso I, do RIR/99 SALDO INSUFICIENTE INFRAÇÃO: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no relatório de auditoria fiscal anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2013 24.862.938,96 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2013 e 31/12/2013: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 No lançamento de CSLL foram apontadas as mesmas infrações apontadas no lançamento de IRPJ. No Relatório de Auditoria Fiscal, parte integrante dos autos de infração, às fls. 2/29, foi relatado, em resumo, o seguinte: Em 14/05/2015, deuse início à fiscalização no contribuinte acima para apuração do IRPJ/CSLL do anocalendário 2012, referente ao ajuste de preço de transferência – operações de importação, conforme documentação contida no anexo nº 1. [...] Em 30/05/2016, o contribuinte apresentou novas memórias de cálculo, e intempestivamente as complementou em 14/06/2016 com informações que haviam faltado sobre o método CPL. Em 01/06/2016, a fiscalização, a pedido do contribuinte, com ele se reuniu para tirarlhe algumas dúvidas e ouvirlhe alguns esclarecimentos. As novas memórias de cálculo, sua complementação e a correspondência entre fiscalização e contribuinte constam do anexo nº 6. Por fim, em 28/06/2016, o contribuinte apresentou de modo próprio novas memórias de cálculo, em substituição às anteriores, constantes do anexo nº 7. Estas últimas memórias de cálculo, a fiscalização não as pôde aceitar, pelas razões expostas no item seguinte. 3. INACEITABILIDADE DO TERCEIRO CONJUNTO DE MEMÓRIAS DE CÁLCULO As memórias de cálculo de 28/06/2016 foram apresentadas pelo contribuinte, acompanhadas de correspondência de onde se destaca a passagem abaixo: “Nos termos do artigo 20A da Lei nº 9.430/96 (conforme redação dada pela Lei nº 12.715/12), os contribuintes podem optar pela aplicação do Novo PRL, para ajustes de preços de transferência, em relação ao anocalendário de 2012. Fl. 2161DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.160 5 Caso se desconsidere o PRL da Lei nº 9.430/96 (critério adotado pela Fiscalizada), devese considerar o Novo PRL da Lei nº 12.715/12, conforme cálculos anexos.” Correspondência do contribuinte de 28/06/2016. A lei nº 12.715/2012 alterou a lei nº 9.430/1996, estabelecendo novas regras de preço de transferência. Tais regras são imediatamente aplicáveis ao ano calendário 2013 e seguintes, independentemente de opção do contribuinte. Para o anocalendário 2012, elas só se aplicam por opção do contribuinte, conforme facultado pelo art. 52 da lei nº 12.715/2012, transcrito abaixo: [...] Assim, para fazer uso das novas regras, o contribuinte deveria por elas optar na DIPJ 2013 AC 2012, sendo essa opção irretratável. Não foi isso o que o contribuinte ora autuado fez, como consta na sua DIPJ (anexo nº 8 A). Nela vêse, conforme extrato abaixo, que o contribuinte optou por não aplicar as novas regras de preços de transferência. Sendo essa opção irretratável, a fiscalização não pôde aceitar as memórias de cálculo apresentadas pelo contribuinte em 28/06/2016, baseadas nas novas regras de preços de transferência, visto que o contribuinte já não mais podia fazer uso delas. [...] 4. EXAME DAS MEMÓRIAS DE CÁLCULO [...] A fiscalização examinou cada um desse itens das primeiras memórias de cálculo, e informou ao contribuinte qual o erro encontrado em cada um deles (anexo nº 4). Os seguintes erros foram informados: 1 – no método PRL, o preço praticado não incluiu o frete, seguro e imposto de importação, em desacordo com o art. 4º, § 4º, da IN SRF nº 243/2002; 2 – no método PRL 60, o preço parâmetro foi calculado com metodologia contrária ao art. 12, § 11, da IN SRF nº 243/2002; 3 – no método PIC, em alguns produtos, a composição do preço parâmetro não foi informada, em desacordo com o art. 8º, caput, da IN SRF nº 243/2002; 4 – no método PIC, na maioria dos produtos, os valores dos bens não foram ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços comparados, por diferenças nas quantidades negociadas, contrariando o art. 9º, caput, § 1º, inciso II, e § 4º, da IN SRF nº 243/2002; 5 – no método CPL, os custos de produção não foram demonstrados, contrariando o art. 13, § 2º, da IN SRF nº 243/2002. Em substituição às primeiras memórias de cálculo, o contribuinte apresentou novas memórias (anexos nº 6 C e 6 E). [...] Fl. 2162DF CARF MF 6 Além das alterações de método mostradas acima, o contribuinte, variando de item para item, também fez alterações no preço praticado, no preço parâmetro e na composição do preço parâmetro. A fiscalização examinou novamente cada um dos 20.335 itens nas novas memórias de cálculo e encontrou erros em 10.103 itens que, corrigidos pela fiscalização, geraram ajuste de R$ 660.905.912,73, demonstrado no anexo nº 10. Os demais itens, embora vários tenham apresentado erros, não geraram ajuste, de modo que não são mencionados doravante nem entram nas quantificações abaixo. A tabela nº 2 abaixo, mostra o ajuste declarado pelo contribuinte na DIPJ 2013 AC 2012 e nas suas memórias de cálculo, e o ajuste obtido pela fiscalização. DIPJ 2013 primeiras memórias segundas memórias fiscalização 0,00 0,00 26.162.993,76 660.805.912,73 Tabela nº 2 – comparativo de ajustes Nas novas memórias de cálculo, a fiscalização encontrou mais uma vez os quatro primeiros erros das memórias anteriores, mas não encontrou o erro nº 5. Em compensação, inexistente nas primeiras memórias, apareceu nas novas memórias o erro nº 6. O erro nº 6 ocorreu porque, nos produtos com mais de um fornecedor, o preço praticado não foi individualizado por fornecedor, contrariando o disposto no caput do art. 1º (“operações praticadas por pessoa jurídica no Brasil com pessoa jurídica no exterior” – pessoa no singular) e no caput do parágrafo único do art. 8º (“por esse método, os preços dos bens adquiridos de uma empresa vinculada serão comparados” – empresa no singular) da IN SRF nº 243/2002, ambos fundados no art. 18 da lei nº 9.430/1996 (“nas operações efetuadas com pessoa vinculada” – pessoa no singular. [...] 10. PRL APURADO Ao lidar com os erros examinados acima, em duas situações a fiscalização foi obrigada a considerar imprestáveis os documentos apresentados pelo contribuinte: > no erro nº 3: as planilhas Ajustes e Média Preços são incompatíveis entre si, pois na primeira planilha o contribuinte optou pelo método PIC, mas na segunda adotou o método PRL. > no erro nº 4: nos itens comparados totalmente afetados pelo expurgo, conforme detalhado no tópico nº 8.6 deste relatório, a planilha PIC não se presta para sustentar o preço parâmetro informado na planilha Ajustes, pois o contribuinte deixou de fazer o ajuste de quantidade necessário. [...] Tendo sido intimado dos erros acima e recebido o prazo de 60 dias para corrigilos, o contribuinte permaneceu incorrendo nos mesmos erros, apesar de apresentar à fiscalização novas memórias de cálculo e de informarlhe que os corrigira. A fiscalização, então, recorreu a informações prestadas pelo contribuinte no ambiente SPED – Sistema Público de Escrituração Digital, módulo NFe – Notas Fiscais Eletrônicas, e juntamente com as informações das planilhas Ajustes, Saldos de Inventário, Vendas e PRL 60% das segundas memórias de cálculo, determinou novo preço parâmetro aplicando o método PRL. Este procedimento é identificado no Fl. 2163DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.161 7 anexo nº 10, na planilha demonstrativo de ajuste, coluna método fiscalização, com a expressão PRL apurado. Nos casos mencionados acima, a fiscalização determinou o preço parâmetro com base nos documentos de que dispunha, aplicando o método PRL, em vez do método PIC adotado pelo contribuinte. A demonstração do novo preço parâmetro e o detalhamento de seu cálculo encontramse no anexo nº 18. 11. RESUMO DOS ERROS A tabela nº 16 abaixo apresenta uma sinopse dos erros incorridos nas segundas memórias de cálculo, com a providência adotada pela fiscalização para corrigilos. erro método preço incorreto descrição correção 1 PRL praticado sem frete, seguro e II incluído o frete, seguro e II 2 PRL 60 parâmetro metodologia incorreta corrigida a metodologia 3 PIC parâmetro composição não informada PRL apurado 4 PIC parâmetro sem ajuste de quantidade expurgado nível comercial < 5% (a) PIC contribuinte (b) PIC corrigido (c) PRL apurado 6 PRL e PIC praticado fornecedor não individualizado individualizado o fornecedor 12. AUTOS DE INFRAÇÃO O exame da DIPJ 2013 AC 2012 (anexo nº 8 A) mostra que, tanto na demonstração do lucro real (ficha 09A) quanto no cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido (ficha 17), o contribuinte nada adicionou a título de ajustes decorrentes de métodos – preços de transferências (linha 09), declarando ajuste zero. Assim, o ajuste de R$ 660.805.912,73 encontrado pela fiscalização é integralmente adicionado ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, procedendose à lavratura de auto de infração, para constituição do crédito tributário daí resultante. Com a adição do ajuste acima, aumentou a compensação de prejuízo fiscal do contribuinte, zerando o saldo no anocalendário de 2012. Com isso, houve compensação indevida de prejuízos no ano seguinte, pelo que a fiscalização autuou também essa infração, formalizando tudo em um único processo, visto que a comprovação dos ilícitos depende dos mesmos elementos de prova, nos termos do § 1º do art. 9º do decreto nº 70.235/1972. No anexo nº 19, temse o demonstrativo dessa infração. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Fl. 2164DF CARF MF 8 Cientificada do lançamento em 23/02/2017, a interessada apresentou impugnação em 22/03/2017, às fls. 1.791/1.839, na qual, consoante os argumentos ali aduzidos, ao final assim se manifestou: 185. Ante todo exposto, podese concluir que: (i) deve ser reconhecida a ilegalidade da IN 243/02, seu artigo 12 e parágrafos (em especial o § 11). A Requerente demonstrou que a IN 243/02 inovou em relação ao artigo 18 da Lei 9.430/96 (artigo 18, inciso II), trazendo nova sistemática para o PRL 60, o que resultou em majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSL. As principais inovações da IN 243/02 ao PRL 60, que caracterizam ilegalidade, estão relacionadas: a) à introdução do chamado "critério de proporcionalidade", com base no qual o preço parâmetro seria definido com base na participação do insumo sobre produto final revendido no Brasil, e não mais com base no valor absoluto dessa revenda; e b) à exclusão da variável "valor agregado no País" das fórmulas para determinação do preço parâmetro do PRL 60, cuja utilização era expressamente determinada pelo texto da Lei 9.430/96 (artigo 18, inciso II, "d"); (ii) por meio de cálculos elaborados por auditores independentes da Deloitte e parecer matemático (elaborado pelo Prof. Dr. Vladimir Belitzky, da USP), a Requerente comprovou, no caso concreto, que o PRL 60 da IN 243/02: a) não guarda nenhuma relação direta com a Lei 9.430/96, não podendo ser obtido através de nenhuma interpretação do texto legal (finalística, gramatical ou matemática); e b) efetivamente resulta em ajustes tributários superiores aos da lei (majoração da base de cálculo do IRPJ e da CSL), invariavelmente, em todas as operações de importação examinadas no caso concreto (e em toda e qualquer operação que se possa examinar); (iii) a Requerente demonstrou que a majoração de tributação por instrução normativa configura ilegalidade e inconstitucionalidade da autuação, por violação direta aos artigos 3°, 97 e 114 do CTN, em afronta aos princípios de legalidade, capacidade contributiva, vinculação do ato administrativo, dentre outros; (iv) somente uma lei poderia inserir os critérios de proporcionalidade e afastar uma variável expressamente indicada em lei anterior, resultando em majoração de tributação. A lei em questão somente foi editada em 2012 (Lei 12.715/12), tornando ainda mais clara a ilegalidade do PRL 60 da IN 243/02 (e a ausência de sua fundamentação lógica), pois: a) a Lei 12.715/12 produz efeitos para períodos posteriores a 2013, sem efeitos retroativos para os fatos geradores de 2012, discutidos nos presentes autos (observado o princípio da anterioridade); e b) ao introduzir o critério de proporcionalidade (da IN 243/02) ao ordenamento legal, o legislador teve o cuidado de reduzir a margem de lucro do PRL de 600/o para 20%. (v) se aplicável ao presente caso (considerando os valores efetivamente praticados pela Requerente, conforme cálculos da Deloitte), a metodologia da Lei 12.715/12 não resultaria em ajustes tributáveis (ou ao menos estes seriam muito inferiores aos do auto de infração), o que torna patente a regularidade dos preços praticados pela Requerente e a ausência de lógica do PRL 60 da IN 243/02, em especial no caso concreto; Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.162 9 (vi) restou demonstrado que o critério de proporcionalidade, trazido de forma ilegal pela IN 243/02 e legal pela Lei 12.715/12, somente teria lógica se aliado à redução da margem de lucro (de 60% para 20%, observada a realidade de qualquer mercado), caso contrário, a sua aplicação resultaria em distorções e abusos (seria incompatível com a realidade de mercado e com o princípio arm's length); (vii) também ficou clara a impossibilidade de utilização do preço CIF+I.I., devendo prevalecer a metodologia adotada pela Requerente, que preconiza a utilização do preço FOB, em conformidade com a legislação aplicável. A edição posterior da Lei 12.715/12 apenas confirma a correção do procedimento adotado pela Requerente; (viii) também foi demonstrada, de forma clara e incontestável, a impossibilidade de as autoridades fiscais restringirem a utilização do método PIC pela Requerente, tendo em vista que o critério de representatividade mínima de 5%, adotado como referencial pelas autoridades fiscais, não encontra previsão nem na Lei 9.430/96, nem na IN 243/02, decorrendo de mera liberalidade. No caso, as autoridades fiscais não exerceram o seu ônus de comprovar que as diferenças de quantidades exerceriam efetiva interferência no preço praticado, conforme exige a legislação, com base em documentação disponibilizada pelos vendedores. A regra de representatividade mínima, como visto, foi introduzida ao ordenamento legal somente após a edição da Lei 12.715/12, sem efeitos retroativos para o caso concreto, conforme inclusive reconhecido pela DRJ em caso análogo; e (ix) a exigência de que os métodos PRL e PIC considerassem apenas operações com fornecedores individualizados, para fins de determinação do preço praticado, não encontra nenhuma previsão legal ou normativa. A finalidade da regra transcrita é apenas de indicar quais operações estariam sujeitas ao controle de preços de transferência, e não individualizar o preço praticado por fornecedor com cada produto. Em termos práticos, não é viável o preenchimento da DIPJ e da ECF com a informação individualizada. O próprio sistema exige que no campo "preço praticado" a pessoa jurídica informe o "preço médio ponderado de aquisição nas importações dos bens", não existindo referência a informação por fornecedores individualizados (ficha 32 da DIPJ); (x) em caráter subsidiário, a Requerente demonstrou ainda a impossibilidade de ajustes tributáveis com base no artigo 9° do Tratado Internacional firmado entre Brasil e Coreia para evitar a Dupla Tributação ("Tratado"), pois: a) o Tratado se sobrepõe à legislação brasileira, nos termos do artigo 98 do CTN; e b) o Tratado somente admite ajustes tributáveis quando as autoridades fiscais comprovarem a transferência indevida de lucros tributáveis do Brasil para a Coreia do Sul (profit shifting), o que não ocorreu no caso dos autos; e (xi) por fim, a Requerente apontou as inconsistência da aplicação dos juros SELIC sobre a multa de mora. Considerando que a SELIC teria sido instituída para fins de atualização dos valores de principal (tributo), foi demonstrada a ilegalidade de sua exigência sobre o valor da multa, com base em precedente da CSRF. 186. Ante o exposto nos itens acima, a Requerente pleiteia o acolhimento integral da presente Impugnação e o cancelamento da exigência fiscal consubstanciada no auto de infração, com o consequente arquivamento do processo administrativo, seja pelo reconhecimento da ilegalidade do PRL da IN 243/02, seja pelo reconhecimento da necessidade de ajustes com base na aplicação do método Fl. 2166DF CARF MF 10 PIC, os quais devem afastar, in totum, a presunção dos supostos erros do Termo de Verificação Fiscal, que deram origem à autuação. 187. Apenas para fins de argumentação, na remota hipótese de serem desconsiderados os argumentos acima apresentados, com base nos quais deve ser reconhecida a inaplicabilidade do PRL da IN 243/02, bem como a aplicabilidade do método PIC, a Requerente pleiteia, em caráter subsidiário, seja deferida a comprovação da adequação dos preços de transferência com base no "novo PRL" da Lei 12.715/12, tendo em vista sua aplicação facultativa para o anocalendário de 2012 (artigo 20A da Lei 9.430/96), aceitandose como válida a documentação de suporte apresentada no curso do procedimento de fiscalização. 188. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos, nos termos do artigo 16, § 40, alínea "a" do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL à mesma, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. Constatada a infração à legislação tributária, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de ofício em conformidade com as determinações expressas em normas legais e administrativas, não sendo passível na esfera administrativa a discussão de eventuais imperfeições porventura contidas nessas normas. MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MÉTODO PRL. NOVO REGRAMENTO DA LEI Nº 12.715/2012. NECESSIDADE DE OPÇÃO. As novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 somente são aplicáveis ao anocalendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte realizada na DIPJ/2013. MÉTODO PREÇOS INDEPENDENTES COMPARADOS PIC. AJUSTES RELACIONADOS A QUANTIDADES NEGOCIADAS. OMISSÃO DO SUJEITO PASSIVO. Diante da omissão do sujeito passivo, após intimação para tanto, cabível o ajuste de ofício, com as informações disponíveis e sob critério razoável, dos valores dos bens, serviços ou direitos, de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, em razão das quantidades negociadas. Fl. 2167DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.163 11 PREÇO PRATICADO. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS FORNECEDORES VINCULADOS. A legislação de preço de transferência visa verificar, para cada fornecedor vinculado, individualmente considerado, se os preços praticados nessas transações estão compatíveis com os preços de mercado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. ACORDOS INTERNACIONAIS. Não há contradição entre as disposições legais para determinação de ajustes de preço de transferência e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. “A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” [Acórdão CSRF nº 9101002.749, sessão de 04/04/2017.] DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. O decidido quanto ao lançamento principal aplicase aos lançamentos decorrentes dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto à discordância da recorrente sobre a metodologia de cálculo do PRL adotada pela IN SRF nº 243/2002, que padeceria de ilegalidade, por estar em desacordo com o art. 18 da Lei nº 9.430/1996, não cabe às DRJs apreciar questões acerca da eventual ilegalidade de instrução normativa editada pela Receita Federal. Por conseguinte, não há reparos ao procedimento da fiscalização. Contudo, mesmo assim fez uma análise detalhada do comparativo de ambos normativos legais, concluindo que para não ocorrer distorções no preço praticado, deverá ter em sua composição tais custos, algo já previsto tanto na lei quanto na IN; quanto ao erro nº 4 Método Preços Independentes Comparados PIC a recorrente alegou tal critério adotado pela fiscalização não encontra previsão nem na Lei nº 9.430/1996 e nem IN nº 243/2002, e não teve acesso aos documentos de emissão da empresa vendedora. Contudo, 98% dos itens parâmetros são de fornecedores vinculados à recorrente, e a fiscalização buscou os critérios para dar cumprimento ao art. 9º da IN SRF nº 243/2002, o que fez a contento conforme demonstra no relatório fiscal; quanto ao erro nº 6 Métodos PRL e PIC alegou a recorrente na sua impugnação que o preço praticado do PRL e do PIC é fixado a partir da média por produtos, considerando múltiplos fornecedores. Contudo, a legislação aplicável é na lógica que cada fornecedor deve ser individualmente considerado, no sentido de se buscar os efeitos com pessoa vinculada, o que prospera o realizado pela fiscalização; Fl. 2168DF CARF MF 12 quanto ao novo PRL instituído pela Lei nº 12.715/2012, tendo em vista a sua aplicação facultativa para o anocalendário de 2012 (art. 20A da Lei nº 9.430/1996) arguidos pela recorrente na sua impugnação, não prosperaram pois fizera opção irretratável na sua DIPJ/2013 de não seguir as novas regras; sobre a alegação de impossibilidade de ajustes por conta de tratado internacional entre BrasilCoréia, não foi incorporado o item 2 do modelo OCDE, que trata de ajustes como o do caso concreto, assegurando a aplicação da legislação brasileira ao tema de preços de transferência; Do Recurso Voluntário: A recorrente tomou ciência da decisão a quo em 01/08/2017, e apresentou recurso voluntário em 30/08/2017, ou seja, tempestivamente. Em essência, sua peça recursal repisa os mesmos elementos e alegações da sua peça impugnatória, os quais destaco a seguir: o PRL 60 ilegalidade da IN 243/2002 a autoridade administrativa é competente para apreciar a ilegalidade ou não da IN; a metodologia da IN 243/2002 é inovadora em relação à metodologia da Lei 9.430/1996; impossibilidade de majoração de tributo pela IN 243/2002; improcede o argumento que a IN 243/2002 tem fundamento lógico ou finalístico; a MP 478/09 e a Lei 12.715 reconhecem expressamente a ilegalidade da IN; PRL 20 e PRL 60 Inaplicabilidade do Preço CIF + II para determinação do preço praticado ; indevida restrição à utilização do método PIC (erro nº 4 do TVF Inaplicabilidade do critério de representatividade mínima de 5%; equívocos na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal (erro nº 6 do TVF) inexistência de regra de controle por fornecedor individual; a aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; aplicação do tratado BrasilCoréia; impossibilidade de aplicação dos juros sobre a multa de ofício; IV. CONCLUSÃO 219. Considerando o quanto acima exposto, podese concluir que: (i) o presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, devendo ser regularmente processado e julgado pelo CARF; (ii) os ajustes baseados no PRL 60 da IN 243/02 são totalmente improcedentes, em vista da ilegalidade do normativo em questão. A metodologia da IN 243/02 inova (e não interpreta) em relação à Lei 9.430/96, ao criar um critério de proporcionalidade (isolamento do insumo) e afastar a variável "valor agregado no País" de suas fórmulas do PRL 60. Além disso, a aplicação da Fl. 2169DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.164 13 IN 243/02 necessariamente resulta em ajustes tributários superiores aos da Lei 9.430/96, o que é comprovado pelos cálculos da Deloitte e parecer matemático elaborado pelo Prof. Dr. Vladimir Belitzky, da USP. A inovação da metodologia e a majoração de tributação, no caso, caracterizam a ilegalidade da IN 243/02; (iii) também ficou clara a impossibilidade de utilização do preço CIF+I.I, devendo prevalecer a metodologia adotada pela Recorrente, que preconiza a utilização do preço FOB, em conformidade com a legislação aplicável, para fins de determinação do preço praticado do PRL. A edição posterior da Lei 12.715/12 apenas confirma a correção do procedimento adotado pela Requerente); (iv) foi demonstrada, de forma clara e incontestável, a impossibilidade de as autoridades fiscais restringirem a utilização do método PIC pela Recorrente, tendo em vista que o critério de representatividade mínima de 5%, adotado como referencial pelas autoridades fiscais, não encontra previsão nem na Lei 9.430/96, nem na IN 243/02, decorrendo de mera liberalidade. No caso, as autoridades fiscais não exerceram o seu ônus de comprovar que as diferenças de quantidades exerceriam efetiva interferência no preço praticado, conforme exige a legislação, com base em documentação disponibilizada pelos vendedores. A regra de representatividade mínima, como visto, foi introduzida ao ordenamento legal somente após a edição da Lei 12.715/12, sem efeitos retroativos para o caso concreto, conforme inclusive reconhecido pela DRJ em caso análogo (Caso Nissan); (v) a exigência de que os métodos PRL e PIC considerassem apenas operações com fornecedores individualizados, para fins de determinação do preço praticado, não encontra nenhuma previsão legal ou normativa. A finalidade da regra transcrita é apenas de indicar quais operações estariam sujeitas ao controle de preços de transferência, e não individualizar o preço praticado por fornecedor com cada produto. Em termos práticos, não é viável o preenchimento da DIPJ com a informação individualizada. O próprio sistema exige que no campo "preço praticado" a pessoa jurídica informe o "preço médio ponderado de aquisição nas importações dos bens", não existindo referência a informação por fornecedores individualizados (ficha 32 da DIPJ). Exigir o cumprimento de obrigação acessória impossível, decorrente da interpretação equivocada da legislação que regula a obrigação principal (regras de preços de transferência), demandaria prova impossível, caracterizando a chamada probatio diabólica; (vi) de forma subsidiária (caso os argumentos acima fossem desconsiderados), a Recorrente demonstrou no curso dos autos que as regras do "novo PRL" da Lei 12.715/12 (opcional para o anocalendário de 2012) seriam mais benéficas do que o PRL 60 da IN 243/02, por resultar em menores ajustes (devendo Fl. 2170DF CARF MF 14 prevalecer no caso dos autos, nos termos dos artigos 18, § 4o, e 20A, da Lei 9.430/96); (vii) para fins de argumentação, em se tratando de matéria de ordem pública, a Recorrente demonstrou a impossibilidade de ajustes tributáveis com base no artigo 9o do Tratado Brasil Coréia. Em seus termos, somente caberiam ajustes se comprovado (pelas autoridades fiscais) que houve transferência indevida de recursos tributáveis do Brasil para o exterior (Coréia do Sul). Essa prova inexiste no caso concreto (pelo contrário, o método PRL 60 da IN 243/02 exige ajustes em patamares totalmente incompatíveis com a realidade de mercado). A Recorrente, sabidamente, é uma multinacional que observa necessariamente condições de mercado (inclusive para fins de compliance) em suas operações com partes vinculadas. O Tratado prevalece sobre o dispositivo da IN 243/02 (artigo 98 do CTN); e (viii) por fim, deve ser reconhecida a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de mora. Nesse particular, considerando que a Selic foi instituída para fins de atualização dos valores de principal, é claramente ilegal a sua exigência sobre o valor da multa, conforme jurisprudência desse CARF. 220. Portanto, a Recorrente requer seja julgado INTEGRALMENTE PROCEDENTE o presente Recurso Voluntário, para o fim de que sejam totalmente cancelados os débitos de IRPJ e CSL objeto do processo administrativo, em vista da patente ilegalidade dos ajustes de preços de transferência realizados pelas autoridades fiscais. 221. Apenas para fins de argumentação, na remota hipótese de serem desconsiderados os argumentos acima apresentados, com base nos quais deve ser reconhecida a inaplicabilidade do PRL da IN 243/02, bem como a aplicabilidade do método PIC, a Recorrente pleiteia, em caráter subsidiário, seja deferida a comprovação da adequação dos preços de transferência com base no "novo PRL" da Lei 12.715/12, tendo em vista sua aplicação facultativa para o anocalendário de 2012 (artigo 20 A da Lei 9.430/96), aceitandose como válida a documentação de suporte apresentada no curso do procedimento de fiscalização. 222. Ademais, em observância ao princípio da verdade material, a Recorrente protesta ainda pela juntada oportuna de quaisquer documentos aptos a demonstrar a realidade fática dos autos, acaso necessários. Termos em que pede deferimento. É o relatório. Fl. 2171DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.165 15 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Dos pontos suscitados na peça recursal: Quanto à ilegalidade da IN 243/2002 Alega a recorrente da ilegalidade da IN SRF nº 243/2002, e que a autoridade administrativa é competente para apreciação desta questão. Destaca, no seu entender, as inovações do PRL 60 da IN SRF nº 243/2002 em relação à Lei nº 9.430/1996, em extenso arrazoado na sua peça recursal. Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 115: A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Quanto à inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado Alega a recorrente da impossibilidade de utilização do preço CIF+II, devendo prevalecer a sua metodologia aplicada, que preconiza a utilização do preço FOB, em conformidade com a legislação aplicável, para fins de determinação do preço praticado do PRL. Fl. 2172DF CARF MF 16 Contudo, a apuração do preço parâmetro, dos valores relativos a frete e seguro, cujo o ônus tenha sido do importador, e dos tributos incidentes na importação está expressamente consignado no art. 18 da lei nº 9.430/1996, caput e § 6º, dada antes da alteração promovida pela lei nº 12.715/2012, assim transcrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: [...] III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: [...] (...) § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. E a própria IN SRF nº 243/2002, no seu § 4º, do artigo 4º não vacila sobre acompanhar o mesmo entendimento: Art. 4º (...) § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Destarte, a pretensão da recorrente que a apuração do preço praticado deve ser o de valor FOB (free on board) da mercadoria importada, não merece acolhida. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço praticado, devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. Do contrário, haveria distorções com o preço parâmetro, que são as operações entre pessoas não vinculadas. É necessário manter ambos os valores preço praticado e preço parâmetro no mesmo nível comparativo. E de qualquer forma, na nova redação dada pela lei nº 12.715/2012 não alterou tal entendimento, apenas ao permitir a exclusão dos valores de frete, seguro e tributos na importação na apuração do preço praticado, na mesma toada do preço parâmetro, ou seja, mantendo a mesma base de comparação e grandeza dos valores. Dito isto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso quanto a este item. Fl. 2173DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.166 17 Quanto à restrição ao método PIC (erro nº 4 do TVF) critério da representatividade mínima de 5%; Alega a recorrente que haveria a impossibilidade das autoridades fiscais de restringirem a utilização do método PIC, tendo em vista que o critério de representatividade mínima de 5%, adotado como referencial pelas autoridades fiscais, não encontra previsão nem na Lei 9.430/96, nem na IN 243/02, decorrendo de mera liberalidade. A regra da representatividade mínima só teria sido introduzida ao ordenamento legal após a edição da lei nº 12.715/2012, sem efeitos retroativos. Traz a tona decisão da DRJ sobre o tema, o qual chamou de caso Nissan (processo nº 16561.720101/201146). Tal matéria foi objeto de decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, no sentido de acatar o procedimento da autoridade fiscal, pois o ato de desprezar as comparações com nível comercial menos que 5% buscou tão somente minimizar os efeitos sobre os preços comparados, decorrentes das quantidades negociadas, em conformidade com o disposto no art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Compulsando os autos, verificase que o relatório de auditoria fiscal aplicou as seguintes disposições da IN SRF nº 243/2002, no que tange ao método PIC: Art. 9º Os valores dos bens, serviços ou direitos serão ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. § 1º No caso de bens, serviços e direitos idênticos, somente será permitida a efetivação de ajustes relacionados com: [...] II quantidades negociadas; [...] § 4º Os ajustes em função de diferenças de quantidades negociadas serão efetuados com base em documentos de emissão da empresa vendedora, que demonstrem a prática de preços menores quanto maiores as quantidades adquiridas por um mesmo comprador. [Grifei.] Na disposição normativa acima, verificase a necessidade de ajuste de preço em razão da quantidade negociada. Agregase a isso o que foi salientado no relatório de auditoria fiscal e na decisão a quo, que a recorrente concordou com tal postura durante a execução do procedimento fiscal, após intimada para tanto. Nos autos, constatase que 98% dos itens parâmetros eram de fornecedores vinculados à recorrente, conforme trecho destacado do relatório de auditoria fiscal: Vêse que o ajuste de quantidade necessita de documentos da empresa vendedora. Seriam tais documentos inacessíveis a LG Electronics do Brasil Ltda., de modo que teria sido esta a razão por que não fez o ajuste de quantidade? Esta hipótese dificilmente se sustenta, tendo em vista que 98,0% dos itens parâmetro tinham um fornecedor vinculado ao contribuinte, Fl. 2174DF CARF MF 18 conforme mostra a tabela nº 11 abaixo (vide planilha itens parâmetro, coluna tipo, no anexo nº 13). O que poderia obstar ao contribuinte o acesso a documentos necessários ao ajuste de quantidade, documentos que demonstrassem a prática de preços menores quanto maiores as quantidades adquiridas por um mesmo comprador, quando tais documentos seriam de emissão de empresa do mesmo grupo LG? Nenhuma informação com base em documento dessa natureza foi apresentada pelo contribuinte à fiscalização, apesar de muitas outras informações terem sido obtidas de vinculadas e apresentadas à fiscalização pelo contribuinte. Isto se deu em todas as planilhas PIC, ao mostrar milhares de operações entre vinculadas e clientes no exterior, e particularmente quando o contribuinte corrigiu o erro nº 5, ao demonstrar no método CPL os custos de produção (anexo nº 6 E), atendendo o disposto no art. 13, § 2º, da IN SRF nº 243/2002. E aqui, peço vênia e me valho da decisão a quo que faz a seguinte ponderação a respeito: Na falta das informações prestadas pela contribuinte sobre as empresas vendedoras, restou à fiscalização buscar elementos e critérios para dar cumprimento ao art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Segundo o critério adotado, o método PIC só foi aceito quando as operações entre as partes independentes (utilizadas como base para fixação do preço parâmetro do método PIC) têm nível de representatividade (nível comercial) superior a 5%, em relação à quantidade de importações realizadas pela interessada com o mesmo produto em operações com partes vinculadas (sujeitas ao controle de preços de transferência). Assim, se a contribuinte importou 100 unidades de uma empresa vinculada, deve comparar com pelo menos 6 unidades transacionadas por partes independentes (nível comercial = 6%). Foram feitas 259.079 comparações pelo método PIC preços independentes comparados. A tabela abaixo, extraída do relato fiscal, mostra que a grande maioria dos itens comparados tem baixo nível comercial. Por exemplo, em 77,8% das comparações o nível comercial é menor que 5%. Ou seja, na ausência de informações prestadas pela recorrente sobre as empresas vendedoras, restou à autoridade fiscal autuante buscar elementos para aplicação do art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Fl. 2175DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.167 19 No relatório de auditoria fiscal consta que a recorrente comparou preços de compra com preços de revenda, em quantidades relativas a atacado com relativas a varejo, o que suscitou a necessidade de promover os ajustes para minimizar as diferenças decorrentes de condições de negócios distintas. Como salientou a decisão a quo: Se assim não fosse, a não apresentação dos documentos de emissão da empresa vendedora implicaria, neste caso concreto, aceitação pelo Fisco de comparações de preço em níveis comerciais, por exemplo, de 0,001%, como ocorreu para o produto “0CK104BF56A”, em que foram comparados preços unitários de compras, entre transações que envolveram aproximadamente 214 milhões de unidades e transações que envolveram apenas 8 unidades. As alegações da recorrente quanto ao caso Nissan, invocado tanto na impugnação quanto na peça recursal, que entendeu em primeiro grau afastar a regra de representatividade mínima antes da edição da lei nº 12.715/2012, entendo que além de ser um caso e julgados próprios, o fato da edição da MP nº 563/2012, convertida na Lei nº 12.715/2012, que deu nova redação ao artigo 18 da Lei nº 9.430/1996 que passou a exigir a representatividade mínima de 5%, não foi o aplicado no presente caso. Aqui se aplicou a normativa então vigente já citada anteriormente, na aplicação do artigo 9º da IN SRF nº 243/2002. Em nenhum momento a autoridade fiscal autuante invoca o novo ordenamento legal, apesar de estar fiscalizando em 2016 e 2017 o ano calendário de 2012. Apenas se valeu de critérios para minimizar os efeitos, conforme consigna no relatório da auditoria fiscal: Notese que isto não elimina os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, pois permanecem as comparações com nível comercial maior ou igual a 5% e menor que 100%. Mas duas razões sustentam esse procedimento: 1º) mesmo o ajuste de quantidade não elimina, mas minimiza os efeitos, conforme o caput do art. 9º da IN SRF nº 243/2002; 2º) há uma gradação nesses efeitos, que são inversamente proporcionais ao nível comercial, isto é, quanto menor o nível comercial maior o efeito provocado sobre os preços comparados, o que decorre diretamente da prática de preços menores quanto maiores as quantidades adquiridas por um mesmo comprador, mencionada no § 4º, in fine, do art. 9º da IN SRF nº 243/2002. Assim o corte a 5% a um tempo minimiza distorções e limitase ao que é mais danoso. Eliminadas as comparações com nível comercial inferior a 5%, três situações diferentes surgem com relação aos itens comparados: Ø 1ª) itens comparados não afetados pelo expurgo: são os itens cujas comparações apresentaram todas nível comercial igual ou maior que 5%. Nesse caso, não havendo comparação a ser expurgada, o preço parâmetro calculado pelo contribuinte foi aceito pela fiscalização, sendo mantido o método PIC. Fl. 2176DF CARF MF 20 Ø 2ª) itens comparados parcialmente afetados pelo expurgo: são os itens cujas comparações apresentaram umas nível comercial menor que 5% e outras nível comercial igual ou maior que 5%. Nesse caso, a fiscalização expurgou todas as comparações com nível comercial inferior a 5%, manteve as comparações com nível comercial igual ou maior que 5%, e recalculou o preço parâmetro com base nas comparações não expurgadas, sendo mantido o método PIC, cujo cálculo está demonstrado no anexo nº 16. Ø 3ª) itens comparados totalmente afetados pelo expurgo: são os itens cujas comparações apresentaram todas nível comercial menor que 5%. Nesse caso, sendo expurgadas todas as comparações, não foi possível a manutenção do método PIC, e a fiscalização determinou o preço parâmetro com base em outros documentos, com a adoção do método PRL, detalhado no tópico nº 10 deste relatório e demonstrado no anexo nº 17. [Grifos do original.] Ou seja, o critério utilizado está devidamente fundamentado nos autos, mostrandose razoável e proporcional, dadas as informações disponíveis . Nesse sentido, vejo nesta postura do procedimento fiscal apenas dar efetividade ao artigo 9º da IN SRF nº 243/2002 ao caso concreto. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item. Quanto aos equívocos alegados na apuração dos métodos PRL e PIC pela autoridade fiscal (erro nº 6 do TVF) inexistência de regra de controle por fornecedor individual; Alega a recorrente que não há previsão legal para que se considerem apenas as operações com fornecedores individualizados para determinação do preço praticado para os métodos PRL e PIC. Sustenta que o preço praticado do PRL e do PIC é fixado a partir da média por produto, considerando múltiplos fornecedores. Ademais, sustenta que a DIPJ não comporta tal tipo de informação individualizada. Verificandose aos argumentos para a decisão a quo sobre este ponto, entendo que lhe cabem razão. A legislação de preço de transferência objetiva verificar, para cada fornecedor vinculado ou sediado em país de tributação favorecida, individualmente considerado, se os preços praticados estão compatíveis com os preços de mercado (transações entre partes independentes). Essa é a lógica aplicável dos preços de transferência. A legislação aplicável, já salientada na decisão a quo vai nesse sentido, nos termos do caput do art. 18 da Lei nº 9.430/19961 e arts. 1º, 5º e. 8º da IN SRF nº 243/20022: 1 Lei nº 9.430/96: “Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos:” Fl. 2177DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.168 21 No que tange ao preenchimento das obrigações acessórias, no que tange à DIPJ, como suscitado pela recorrente, peço vênia para destacar o que consta no manual de preenchimento da DIPJ, algo que já ocorreu na decisão a quo: Ficha 33 Operações com o Exterior Contratantes das Importações Esta ficha é habilitada ao se incluir cada operação na Ficha 32. Para cada operação incluída na Ficha 32, a pessoa jurídica deve informar, em ordem decrescente de valor, até 30 (trinta) pessoas vinculadas (subitem 20.1), domiciliadas em países com tributação favorecida ou cuja legislação oponha sigilo à composição societária, ou ainda, a partir de 1º de janeiro de 2009, que gozem, nos termos da legislação, de regime fiscal privilegiado (subitem 20.2), ainda que empreendidas por meio de interpostas pessoas, que sejam contratantes das importações ou operações financeiras. [...] A pessoa jurídica deve preencher os seguintes campos: 1) Nome da Pessoa (Jurídica/Física) Indicar nesta coluna o nome ou razão social da pessoa física ou jurídica contratante da transação, que seja domiciliada no exterior. 2) País 2 IN SRF n° 243/2012: “Art. 1º Para efeito da legislação do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a dedutibilidade de custos de bens, serviços e direitos importados e o reconhecimento de receitas e rendimentos derivados da exportação, em operações praticadas por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, consideradas vinculadas, será efetuada de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa.” Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. [...] § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado.” Art. 8º A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados (PIC), definido como a média aritmética ponderada dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. Parágrafo único. Por esse método, os preços dos bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; II adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou nãoresidentes; III em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não residentes.” Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. [...] § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado.” Fl. 2178DF CARF MF 22 Informar o país onde a pessoa física ou jurídica contratante, no exterior, é domiciliada. 3) Valor da Operação Informar os valores das transações que compõem cada operação inserida na Ficha 32 agrupados por pessoa física ou jurídica contratante, desde que originadas do mesmo país. 4) Condição da Pessoa Envolvida na Operação Assinalar se a pessoa física ou jurídica contratante é: Considerada Vinculada (subitem 20.1); Interposta Pessoa – Transação com Vinculada; ou Residente/Domiciliada em País com Tributação Favorecida, ou ainda, a partir de 1º de janeiro de 2009, que goze, nos termos da legislação, de regime fiscal privilegiado (subitem 20.2). Ou seja, há um nítido sentido de comparações por preços individualizados. Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item. Quanto à aplicação do novo PRL da lei nº 12.715/2012; Alega a recorrente que novo PRL da Lei nº 12.715/2012 (opcional para o ano calendário de 2012 e o período em que fora fiscalizada e autuada) seria mais benéfico que o PRL60 da IN SRF nº 243/2002, por resultar menores ajustes, e que portanto, deveria prevalecer no caso dos autos. Ocorre que quando da edição da Lei nº 12.715/2012, a eventual adoção às novas regras relativas à obtenção dos preços parâmetros somente seriam aplicáveis ao ano calendário de 2012 mediante opção irretratável do contribuinte, a ser realizada na DIPJ/2013. Nos termos da Lei nº 12.715/2012: Art. 52. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 48 e 50 desta Lei para fins de aplicação das regras de preços de transferência para o ano calendário de 2012. § 1o A opção será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 48 e 50 desta Lei. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda definirá a forma, o prazo e as condições de opção de que trata o caput. Nos termos da IN RFB nº 1312/2012, que regulamentou as normas contidas na Lei nº 12.715/2012: Art. 56. A pessoa jurídica poderá optar pela aplicação das disposições contidas nos arts. 11, 12, 16, 34 e 38 desta Instrução Normativa, para fins de aplicação das regras de preços de transferência para o anocalendário de 2012. Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.169 23 § 1º A opção será irretratável e acarretará a observância de todas as alterações trazidas pelos arts. 11, 12, 16, 34 e 38. § 2º A opção de que trata este artigo deverá ser efetuada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário de 2012. Compulsando os autos, verificase que a recorrente não fez a referida opção na DIPJ/2013 no campo próprio, ficha 01 Dados Iniciais Opção pela Aplicação das Regras de Preços de Transferência Prevista no Artigo 52 da Lei nº 12.715/2012: Não (fl. 1.324). No que tange à eventual aplicação do art. 20A da lei nº 12.715/2012, cabe destacar que tal aspecto foi tratado durante o procedimento fiscal, nos seguintes termos e conforme emails tratados: Em 29/03/2016, após exame das memórias de cálculo apresentadas, a fiscalização solicitou ao contribuinte novas memórias, para correção de cinco erros identificados, conforme documentação contida no anexo nº 4. Inicialmente a fiscalização deu prazo de vinte dias para atendimento da solicitação, mas posteriormente o alterou para sessenta dias, de forma a atender pedido de prorrogação do contribuinte e também o disposto no art. 20A, caput, da lei nº 9.430/1996, conforme anexo nº 5. A recorrente então suscitou apresentar novos cálculos, mas com o PRL vigente com as modificação da Lei nº 12.715/2012, o que a autoridade fiscal não aceitou, tendo consignado o seguinte: Notese que erra o contribuinte ao tentar adotar as novas regras de preços de transferência com base na opção prevista no art. 20A da lei nº 9.430/2012, artigo este introduzido pela mesma lei nº 12.715/2012, no seu art. 51. O art. 20A diz respeito tanto às novas regras quanto às anteriores, não se aplicando à opção entre elas. Tal artigo se aplica à opção entre os métodos que cada conjunto de regras contém. Tendo optado pelas regras anteriores, um contribuinte pode optar por qualquer método dentro das regras anteriores. Do mesmo modo, tendo optado pelas novas regras, um contribuinte pode optar por qualquer método dentro das novas regras. Primeiro um contribuinte opta por que regras ele vai usar, se as novas ou as anteriores; depois opta por que métodos vai usar, se PIC, PRL, CPL ou PCI, conforme permita sua primeira opção, pois se optar pelas regras anteriores, não poderá optar pelo método PCI, inexistente sob as regras anteriores. O que o contribuinte fez com o art. 20A, mencionado em sua correspondência de 28/06/2016, foi erroneamente aplicálo à opção entre as regras, opção esta que não se rege pelo art. 20A da lei nº 9.430/1996, mas pelo o art. 52 da lei nº 12.715/2012. Registrese que o contribuinte pretendeu optar pelas novas regras somente para o método PRL, ignorando que as novas regras trouxeram alterações também para o método PIC. A opção pelas novas regras não é seletiva, como fez o contribuinte, aplicandoas apenas ao método PRL. A opção pelas novas regras “acarretará a observância de todas as alterações trazidas Fl. 2180DF CARF MF 24 pelos art. 48 e 50” da lei nº 12.715/2012, conforme o § 1º do seu art. 52, transcrito acima. Ou seja, a recorrente teria a oportunidade de optar por um dos métodos vigentes então. No momento que não exerceu a opção pelas regras introduzidas pela Lei nº 12.715/2012 quanto aos novos cálculos de preços parâmetros, deveria optar entre os métodos vigentes pela IN SRF nº 243/2002, e não querer aplicar apenas o PRL da nova norma legal, que, frisese, não optou. Consoante tal ausência de opção pela recorrente então, descabe qualquer aplicação das novas regras introduzidas pela Lei nº 12.715/2012, NEGANDOSE PROVIMENTO quanto a este item. Quanto à aplicação do tratado BrasilCoréia; Alega a recorrente da impossibilidade de ajustes tributáveis com base no artigo 9o do Tratado BrasilCoréia. Esta matéria, tem alguns julgados recentes, inclusive nesta turma. Peço vênia para transcrever os fundamentos do voto do i. Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira no acórdão 1402002.814: Em relação aos tratados internacionais apontados, não assiste razão ao contribuinte. Os tratados convivem harmonicamente com as normas de preços de transferência, via art. 9º (CMOCDE). A única questão que pode ser colocada em relação a tratados, que não é o caso, são as hipóteses de pessoas vinculada prevista no art. 23 que não se enquadram na redação do tratado. O desvio das margens predeterminadas, conforme a Lei, que definem o padrão arm´s length, já é razão suficiente para aplicação das regras de TP, cumprindo com o requisito do tratado. Esta c. Turma já apreciou a matéria em recente julgado que peço vênia para incorporar às minhas razões de decidir: (...) Ocorre que os acordos então vigentes não definiram, nem limitaram, as metodologias de controle dos preços favorecidos, usualmente, denominadas "preço de transferência". Apenas possibilitaram a tributação dos preços favorecidos nas operações comerciais entre os Estados Contratantes. Em síntese, os Acordos não prevêem a utilização de métodos de preço de transferência. No Estado brasileiro, o controle e a tributação dos preço de transferência se encontram delineados nos artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96. Tais dispositivos, à época dos fatos geradores, eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 243/2002, com as alterações promovidas pelas Instruções Normativas SRF 321/2003 e 382/2003. Tratase de hipóteses fáticas, delimitadas pelo legislador nacional, que presumem a evasão de divisas através de operações com condições especiais entre vinculadas. Com efeito, os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430/96 não colidem com os suscitados acordos internacionais. (Proc. n. 10283.720642/201114 , Acórdão n.1402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Vale notar que há resposta Solução de Consulta sobre a matéria cuja transcrição se faz por oportuna: COSIT n° 6, de 23/11/2001 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.170 25 Ementa: Aplicamse os ajustes previstos na Lei n° 9.430, de 27 dezembro de 1996, em matéria de Preços de Transferência. Não há contradição entre o artigo 9° do Modelo de Convenção Fiscal sobre o Rendimento e o Patrimônio da OCDE que trata dos preços de transferência nas convenções, e os artigos 18 a 24 da Lei n° 9.430, de 1996, que inserem e tributam os preços de transferência na legislação fiscal brasileira. Tampouco há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430, de 1996 e os acordos de bitributação firmados pelo Brasil em matéria relativa ao princípio arm's length Do exposto não vejo como prosperar a pretensão da recorrente neste ponto na medida em que o tratado contra bitributação em absolutamente nada obsta a aplicação das regras de Preço de Transferência. Ou seja, o Brasil não adotou em seus tratados o previsto no art. 9º, §2º, da Convenção Modelo da OCDE, mas o somente o §1º dela. O preceito contido neste autoriza a aplicação de ajustes de preços de transferência por um Estado contratante se, nas relações entre empresas associadas ou vinculadas situadas nos Estados contratantes, não for observado o arm's lenght price. Igualmente, há outras várias decisões no âmbito do CARF sobre o tema, com decisões que corroboram esse entendimento, das quais cito duas ementas exemplificativamente: TRATADOS INTERNACIONAIS E PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. CONTRADIÇÃO. COLISÃO. INEXISTÊNCIA. Não há contradição entre as disposições da Lei n° 9.430/96 e os acordos internacionais para evitar a dupla tributação, firmados pelo Brasil, em matéria relativa ao princípio arm's length. [Acórdão 1301003.291, de 15/08/2018] AJUSTES DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA DA LEI Nº 9.430/96. COMPATIBILIDADE COM TRATADOS FIRMADOS COM HOLANDA E URUGUAI A previsão do art. 9º do Tratado BrasilHolanda para tributação dos ajustes de preços de transferência nas operações entre empresas associadas, não exclui a aplicação dos arts. 18 a 24 da Lei nº 9.430/96, que dispõem sobre o controle e tributação dos preços de transferência nas operações realizadas entre empresas vinculadas. A aplicação da legislação nacional de preços de transferência às operações realizadas entre partes vinculadas no Brasil e Uruguai são compatíveis com o Tratado de Assunção e não se constituem em obstáculos à realização de negócios. [Acórdão nº 1301002.185, de 25/01/2017.] Destarte, NEGO PROVIMENTO da alegação da recorrente sobre a aplicação do tratado BrasilCoréia. Quanto à impossibilidade de aplicação dos juros sobre a multa de ofício; Fl. 2182DF CARF MF 26 Alega a recorrente da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de mora. Contudo, tal questão há anos vem sendo discutida no âmbito do CARF, tendo conformada a posição que resultou na recentemente publicada súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ou seja, independentemente da posição meritória aqui a se discutir, a qual individualmente indico posição já adotada anteriormente em outros votos em que vou de encontro ao pleito da recorrente, tal matéria, no momento em que passa a ser sumulada, é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do caput art. 72 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Ricarf)). Por conseguinte, NEGASE PROVIMENTO quanto a este item do recurso voluntário. Conclusão Por conseguinte, VOTO POR NEGAR INTEGRALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Nos debates acerca da matéria "inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado" cogitouse da aplicação, também neste ponto, da Súmula CARF nº 115 (A sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, não afronta o disposto no art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000.) A dúvida possivelmente decorre do fato de o tema em questão também se reportar às disposições do art. 18 da Lei nº 9.430/96, ainda que em seu §6º, o que torna sua disciplina aplicável, inclusive, ao método estipulado no inciso II do referido dispositivo. Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.171 27 Contudo, para além de, dos dezenove precedentes da referida súmula, onze deles não se reportarem à matéria regida pelo art. 18, §6º da Lei nº 9.430/96 (Acórdãos nº 110200.610, 120100.658, 1103000.672, 1301002.617, 1302001.164, 1401000.848, 1401 002.122, 9101002.175, 9101002.514, 9101003.094, 9101003.373), importa observar que o enunciado da súmula trata, apenas, da sistemática de cálculo do "Método do Preço de Revenda menos Lucro com margem de lucro de sessenta por cento (PRL 60)" prevista na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, reportandose expressamente ao capítulo da referida Instrução Normativa, assim redigido: Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; Fl. 2184DF CARF MF 28 II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. Acrescentese que o debate presente nos paradigmas está localizado em um ponto específico do citado capítulo da Instrução Normativa, concernente à definição das Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 16561.720134/201609 Acórdão n.º 1402003.577 S1C4T2 Fl. 2.172 29 parcelas admitidas como redutoras dos preços de revenda dos bens ou direitos, indicadas em incisos e alíneas do art. 12 da Instrução Normativa SRF nº 243/2002, em comparação com o exposto em alíneas e itens do art. 18, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Ademais, a pretendida "inaplicabilidade do preço CIF+II para preço praticado" era tratada no capítulo referente a "Normas Comuns aos Custos na Importação", nos seguintes termos: Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, nãoresidente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, calculado com base no método de que trata o art. 12, serão integrados ao preço praticado na importação os valores de transporte e seguro, cujo ônus tenha sido da empresa importadora, e os de tributos não recuperáveis, devidos na importação. Resta evidente, assim, que nada no enunciado da Súmula CARF nº 115, ou em seus paradigmas, autoriza a interpretação de que ela se aplicaria ao debate erigido a partir das disposições do art. 18, §6º da Lei nº 9.430/96, ou do art. 4º, §4º da Instrução Normativa SRF nº 243/2002. Com estes esclarecimentos, acompanho o relator em sua interpretação acerca do disposto no art. 18, §6º da Lei nº 9.430/96, bem como nos demais pontos por ele expostos, para negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira. Fl. 2186DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904442/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/1999
CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF.
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência.
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF.
FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS.
O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-005.859
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/1999 CONEXÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Processos com a mesma matéria e períodos de apuração diversos não obrigam a reunião por conexão prevista pelo artigo 6º, §1º, I, Anexo II do RICARF. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. A falta de retificação da DCTF não impede a aplicação do Princípio da Verdade Material, tornando oportuna a averiguação da existência do crédito através de diligência. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718 DE 1998. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. O alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, previsto pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento ao Recurso Extraordinário nº 585.235/ MG, sob repercussão geral. Incidência do artigo 62, § 2º do RICARF. FATURAMENTO. CONCEITO. RECEITAS OPERACIONAIS. O faturamento, para fins de incidência dessas contribuições, corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 42 /2 01 1- 42 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório no limite da diligência fiscal. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maysa de Sá Pittondo Deligne acompanharam a relatora pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, consoante argumentos plasmados no Acórdão nº 14041.269. Inconformada com esta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual defende o direito ao crédito pleiteado. Na apreciação deste recurso, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3402001.060, para que a Unidade de Origem realizasse o seguinte levantamento: i) Apurar a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes; ii) Elaborando Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 3 modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá los com o recolhido; iii) Apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Em cumprimento à Resolução foi apresentada a Informação Fiscal que concluiu pela inexistência de recolhimento a maior, não sendo possível o reconhecimento do crédito para a compensação requerida. Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente argumentou que o raciocínio adotado pela fiscalização sobre a natureza dos valores escriturados em algumas das contas contábeis não merece prevalecer, fundamentando acerca da natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas e, com isso, reiterando o pedido de provimento do recurso voluntário interposto e reconhecimento integral do direito ao crédito postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.856, de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.900095/201260, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.856): "Pressupostos legais de admissibilidade Como já observado pela Resolução nº 3402001.051, o Recurso Voluntário de fls. 73 a 90 é tempestivo, uma vez que a intimação do Acórdão nº 1441253 ocorreu via postal na data de 10/06/2013 (fls. 71), com interposição da defesa em data de 08/07/2013 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 72). Por atender aos pressupostos legais de admissibilidade, deve o recurso ser conhecido por este Colegiado. Do pedido preliminar para reunião dos processos Preliminarmente a Recorrente argumenta que os seguintes processos têm o mesmo objeto do caso em análise, referente ao questionamento sobre a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da COFINS, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 4 Considerando que não há fatos jurídicos tributários idênticos, uma vez que os processos têm períodos de apuração diversos, não há vinculação que torne obrigatória a aplicação do artigo 6º do RICARF. Ademais, o presente recurso foi distribuído como paradigma, seguindo a sistemática dos recursos repetitivos, conforme regulamentação do artigo 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Conforme informado em Termo de Intimação Fiscal nº 01 SAORT/DRFSJR de fls. 241 a 242, a diligência foi realizada em cumprimento às Resoluções de nºs 3402001.050 a 3402 001.067, proferidas por este Colegiado, resultando na análise do crédito pleiteado nos seguintes processos: 10280.900096/201212, 10280.900095/201260, 10280.900097/201259, 10280.900106/201210, 10280.904424/201161, 10280.904437/201130, 10280.904438/201184, 10280.904439/201129, 10280.904440/201153, 10280.904441/201106, 10280.904442/201142, 10280.904443/201197, 10280.904444/201131, 10280.904445/201186, 10280.904446/201121, 10280.904447/201175, 10280.904971/201146, 10280.904972/201191, 10280.904973/201135, 10280.904974/201180, 10280.905315/201161, 10280.905316/2011 13,10280.905317/201150, 10280.905318/201102, 10280.905319/201149, 10280.905320/201173, 10280.905321/201118, 10280.905322/201162, 10280.905323/201115, 10280.905325/201104, 10280.905326/201141, 10280.905328/201130, 10280.905329/201184, 10280.905330/201117, 10280.905331/201153, 10280.905332/201106, 10280.905333/201142, 10280.905334/201197, 10280.905781/201146, 10280.905782/201191, 10280.905784/201180, 10280.905785/201124, Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 5 10280.905786/201179, 10280.905787/201113, 10280.905790/201137, 10280.905803/201178 e 10280.905804/201112. Portanto, resta prejudicada a preliminar invocada no Recurso Voluntário em análise. Do mérito Pede a Recorrente pelo reconhecimento do direito à restituição da COFINS calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, explanando sobre a inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e necessária incidência do artigo 62. § 1º, inciso II e Alínea "b" do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Para tanto, pugna pela aplicação da Verdade Material, uma vez que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, configurando a decisão recorrida em formalismo exagerado. Pede, ainda, pela complementação da produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Com já relatado, tanto o reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 e aplicação do artigo 62, § 1º, inciso II e Alínea "b" do RICARF, quanto o pedido de produção de prova complementar, restaram superados através da Resolução nº 3402001.051 (fls. 234238), pela qual este Colegiado converteu o julgamento do recurso em diligência com a seguinte determinação: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Por sua vez, a matéria suscitada sobre declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 é questão decidida em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal através do RE 585.235/MG, resultando na aplicação do artigo 62, § 2 do RICARF. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 6 Portanto, neste ponto dou provimento ao recurso, com a produção de prova já realizada através da diligência acima mencionada. Do resultado da diligência Em sequência, dando cumprimento ao artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011, a Recorrente manifestouse sobre o resultado da diligência às fls. 338351, sustentando sobre a natureza das verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas com garantia, bem como pela impossibilidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre recuperação de custos e despesas. Em síntese, alega a Recorrente que "....as bonificações não são receitas da recorrente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por e para revenda. Como a recuperação de custos realmente aumenta o lucro bruto da recorrente, eis que diminuem o custo da mercadoria vendida, mas, por outro lado, não interferem nas receitas da recorrente, eis que o valor das vendas não é alterado, não havendo qualquer interferência desses valores na receita da recorrente, passível de tributação pela contribuição ao PIS e pela COFINS." A questão atinente às verbas recebidas a título de bonificações e recuperação de despesas foi objeto de análise por esta Turma Ordinária no PAF nº 10280.900096/201212, de relatoria da Eminente Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula e cujo julgamento ocorreu em data de 25 de setembro de 2018. Com isso, como solução deste litígio, adoto o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.569, pelo qual foi aplicado o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506/19641, bem como as Soluções de Consulta Cosit nºs 291/20172 e 34/20133. 1 Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. 2 Solução de Consulta nº 291 Cosit Data 13 de junho de 2017 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Bonificações em mercadorias entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem vinculação a operação de venda, são consideradas receita de doação para a pessoa jurídica recebedora dos produtos (donatária), incidindo a Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor de mercado desses bens. A receita de vendas oriunda de bens recebidos a título de doação deve sofrer a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, na forma da legislação geral das referidas contribuições. Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. DOAÇÃO. VENDA. INCIDÊNCIA. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 7 Para tanto, transcrevo a fundamentação que embasa a decisão em referência, a qual cita trechos extraídos da respectiva Informação Fiscal, reproduzindo os mesmos termos constantes do resultado da diligência realizada neste processo, motivo pelo qual deve ser considerada como embasamento do presente voto: "Quanto ao mérito, valem aqui as considerações já expedidas na Resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência, a seguir transcritas: Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal. Assim, em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, relativamente ao alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, deve ser aplicado neste julgamento o entendimento do Supremo Tribunal Federal proferido em regime de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 585.235/MG. Como bem esclareceu a fiscalização na diligência, devem ser excluídos do conceito de faturamento os aportes (...) Dispositivos Legais: Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), art. 538; Lei nº 10.833, de 2003, art. 1º e art. 3º, §2º, II; Parecer Normativo CST nº 113, de 1978. 3 Solução de Consulta nº 34 Cosit Data 21 de novembro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS CONDICIONAIS E INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais consideramse parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos; esses descontos não se incluem na receita bruta da pessoa jurídica vendedora e, do ponto de vista da pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituem redutor do custo de aquisição, não configurando receita. Os descontos condicionais são aqueles que dependem de evento posterior à emissão da nota fiscal, usualmente, do pagamento da compra dentro de certo prazo, e configuram despesa financeira para o vendedor e receita financeira para o comprador. Dispositivos Legais: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 373 e 374; Instrução Normativa SRF nº 51, de 1978, item 4.2. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 8 financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa: 7. No anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1.114, de 30/08/2012, está delimitado o julgado pelo STF no RE n° 585.235, nos seguintes termos: “DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. (...)” 8. A delimitação da matéria decidida é também fruto dos julgados do STF, que entendem que o conceito de faturamento abrange a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços das empresas, e todas as receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esta é a interpretação dada pelo RE n. 371.258 AgR (Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 03.10,2006), pelo RE n. 400.4798/RJ ( Segunda Turma, Rel. Min. Cezar Peluzo, julgado em 10.10,2006) e pelo RE n 527.602/SP (Tribunal Pleno, Rel Min Eros Grau, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 05.08.2009), sendo que neste último ficou estabelecido que somente são excluídos do conceito de faturamento “os aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa”. Assim, o faturamento corresponde à totalidade das receitas da pessoa jurídica, fruto de todas suas atividades operacionais, principais ou não. Com efeito, adotando tal entendimento, a fiscalização excluiu do faturamento, para fins de incidência das contribuições, as receitas que não se enquadravam como operacionais, resultando num recolhimento a maior, passível de reconhecimento de crédito para compensação no valor mencionado no relatório acima. Não obstante tenha sido devidamente intimada, a recorrente não se manifestou em face do resultado da diligência, pelo que se pressupõe que com ele concordou. Ademais, na diligência foram acolhidos, em grande parte, os demonstrativos/memórias de cálculo elaborados pela própria contribuinte em resposta à intimação da fiscalização, ressalvadas poucas divergências, quanto às receitas originadas das bonificações recebidas e das recuperações de despesas, como se vê nos seguintes trechos da Informação fiscal: 9. Concorda o contribuinte, conforme seus demonstrativos, que devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as seguintes receitas operacionais (líquidas das devoluções/deduções): vendas de veículos novos (de fev/03 e mar/03), vendas de veículos usados, instalação e vendas de peças e acessórios, instalação e vendas de Kits de conversão Gás, prestação de serviços da oficina, vendas de outras mercadorias e outras prestações de serviços (outras atividades). 10. Também devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins as bonificações recebidas das montadoras, mesmo que em Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 9 mercadoria (contas 37201.00001 Bonificação MBB Veículos, 37201.00002 Bonificação MBB Sprinter e 37202.00001 Bonificação MBB Peças e Motores) e a recuperação de despesas com veículos e peças em garantias (contas 37202.00009 Recup. Desp. c/ Garantia e 37204.00009 Recup. Desp. c/ Garantia), pelo que segue. Nada há a reparar no entendimento da fiscalização no sentido de que as "recuperações de despesas também constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.5061, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999)", sobre as quais há a incidência do PIS/Pasep e da Cofins. Quanto às bonificações, embora em algumas situações específicas elas possam configurar descontos incondicionais, o que, se fosse o caso, poderia ensejar a exclusão de tais receitas do conceito de faturamento, nos termos das Soluções de Consulta Cosit nºs 291/2017 e 34/20132, não há qualquer argumentação da recorrente nesse sentido, no recurso voluntário ou na diligência do presente processo, razão pela qual deve ser mantido o resultado do direito creditório apurado na diligência com base na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que é o mérito do recurso voluntário e do pedido de restituição da interessada. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante certificado na diligência, determinando a homologação das compensações vinculadas na medida correspondente." Portanto, deve imperar o resultado da diligência que corretamente refez a apuração da COFINS do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis apresentados pela Contribuinte. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.904442/201142 Acórdão n.º 3402005.859 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu o Recurso Voluntário e julgouo parcialmente provido em razão da incidência do artigo 62, §2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, considerando a declaração da inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, devendo ser reconhecido o direito creditório no limite da diligência fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 332DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903463/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.558
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TOYOTA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 34 63 /2 00 8- 18 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 3 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a homologação de compensação, valendose de créditos de contribuições recolhidas a maior em decorrência da não dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Em termos práticos, a decisão ora combatida afirma que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Não é o que mostra, contudo, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (...), apresentada pela Manifestante (...). Da análise de tal documento, podese concluir, em absoluto, que há crédito suficiente para a compensação formalizada na PER/DCOMP em questão (.). Ante o exposto, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito da Manifestante. Caso V. Sas. não entendam dessa forma, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já, esclarece a legalidade, regularidade e tempestividade das informações prestadas a esta Secretaria. Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Manifestante já eram Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 4 3 absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, a Manifestante, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. Os créditos da Manifestante, decorrentes de pagamento a maior por não dedução em vendas para a Zona Franca de Manaus, SEMPRE existiu (sic) e, agora, ainda mais, resta plenamente demonstrado na DCTF da Manifestante, ora anexada. A Manifestante, portanto, jamais causou qualquer prejuízo ao erário público, ao compensar valores com créditos dos quais dispunha integralmente. Assim, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Manifestante, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros apresentada no despacho decisório é igualmente descabida. Caso entendam V. Sas. que há alguma irregularidade no caso, nem mesmo mero erro de fato poderia ser cogitado, entendimento que, aliás, ocasionaria verdadeiro enriquecimento ilícito da Unido Federal. A DRJ/Campinas/SP, por meio do Acórdão 0529.648, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 EMENTA: DESPACHO ELETRÔNICO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação, sendo que a retificação de tais declarações posteriormente à emissão do despacho eletrônico não o invalidam. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a invocação do princípio da verdade material, e reitera que a DCTF retratava a condição de liberação do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.544, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/200883, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.544): "O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório foi cientificado ao contribuinte em 21/08/2008, e a DCTF retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório. Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído, passível de posterior homologação. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 6 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificálo – o crédito tributário após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 7 6 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Caso a DCTF ativa (original ou retificadora) estivesse com os valores que alega a recorrente, a compensação poderia ser sido auditada, para eventual prova de sua inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13819.903463/200818 Acórdão n.º 3201004.558 S3C2T1 Fl. 8 7 e comprovar apenas o que for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova, o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte. Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi negada por comparativo eletrônico. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.015489/99-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992
COMPENSAÇÃO ENTRE FINSOCIAL E COFINS. PROCEDIMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A constituição do crédito tributário de Cofins, decorrente de compensação indevida de Finsocial, é efetivada pelo lançamento de ofício, caso o débito não tenha sido declarado em DCTF.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Curz Uliana Júnior, que lhe deram provimento parcial, apenas para conceder o crédito pleiteado com origem no ano de 1992, com base nas informações prestadas na DIPJ e DARF´s recolhidos.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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PROCEDIMENTO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A constituição do crédito tributário de Cofins, decorrente de compensação indevida de Finsocial, é efetivada pelo lançamento de ofício, caso o débito não tenha sido declarado em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/01/1992 COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Laércio Curz Uliana Júnior, que lhe deram provimento parcial, apenas para conceder o crédito pleiteado com origem no ano de 1992, com base nas informações prestadas na DIPJ e DARF´s recolhidos. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 54 89 /9 9- 25 Fl. 138DF CARF MF 2 (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância adminsitrativa: Tratase de pedido (fl. 01) apresentado pela interessada em 13/07/1999, pretendendo ter compensado crédito de FINSOCIAL com débito da Cofíns do período de junho de 1999. Informa a interessada às fls. 05/06 que o crédito do FINSOCIAL originouse de decisão judicial que reconheceu o seu direito à compensação de valores recolhidos à alíquota superior a 0,5%, assegurada pelo julgamento do Recurso Especial n° 123.868/BA (fls. 15/21), objeto de Embargos de Declaração que corrigiu contradição nele existente (fls. 22/28). Às fls. 26/38 foram anexadas fotocópias dos DARF do FINSOCIAL; às fls. 39/44, fotocópia da declaração do IRPJ relativa ao anocalendário de 1992; às fls. 46/52, novos pedidos de compensação relativos à Cofins dos períodos de julho, agosto e setembro de 2001. Após anexação dos documentos de fls. 53/68, a contribuinte foi intimada (fls. 69/70) a apresentar livros fiscais e contábeis que comprovassem as bases de cálculo do FINSOCIAL no período de setembro de 1989 a janeiro de 1992. Por meio do Parecer SEORT n° 024/2004 (fls. 74/75), o pedido da interessada foi indeferido em face da não apresentação da documentação necessária à sua análise, não se homologando assim as declarações de compensação de fls. 01, 46,48 e 51. Cientificada do referido parecer em 22/11/2004 (Aviso de Recebimento AR à fl. 76), a interessada apresenta em 22/12/2004 a Manifestação de Inconformidade de fls. 77/82, sendo essas as suas razões de defesa: A despeito de o agente do Fisco alegar que não foi comprovada a base de cálculo do FINSOCIAL, ao processo foram acostadas "planilhas com discriminativo completo da referida contribuição, constando inclusive a base de cálculo e alíquota"; Ademais, a base de cálculo da contribuição ao FINSOCIAL é o faturamento da empresa, que pode ser facilmente evidenciado a Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.015489/9925 Acórdão n.º 3201004.565 S3C2T1 Fl. 3 3 partir da simples análise das declarações do IRPJ dos exercícios de 1989 a 1991, que se encontram em poder da SRF; A compensação é forma de extinção do crédito tributário, não sendo necessário o deferimento do órgão administrativo, mas simplesmente que este realize o encontro de contas, visto que o direito creditório foi garantido à interessada por via da ação judicial n° 94.00027915, já transitada em julgado; Em seguida, sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferindo mais uma vez o pleito compensatório, sob o argumento de que o prazo para se pleitear a compensação é de 5 anos, contados a partir da data do pagamento, entendimento que é descabido, pois restou assentado pelo STJ, em decisão proferida nos autos da^Ação Ordinária n° 96.8518 8, que o referido prazo é de 10 anos. A 4ª Turma da DRJ/Salvador/BA, por meio do Acórdão 06.722, de 16/03/2005, indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Não houve ementa. O fundamento para a negativa de provimento foi: A Instrução Normativa 32/1997 autorizava a compensação de Finsocial com Cofins, porém somente até a data da sua publicação, em 10 de abril de 1997; A recorrente não apresentou os elementos necessários ao cálculo do indébito. No Recurso Voluntário, a recorrente reforça os argumentos de defesa. Acrescenta que nos autos do Mandado de Segurança 94.00027915, o STJ decidiu segundo a seguinte ementa (fl.101): “TRIBUTÁRIO, LEI Nº 8.383/91 – COMPENSAÇÃO DO FINSOCIAL COM O COFINS. A egrégia 1ª Seção tem decidido ao interpretar a Lei nº 8.383/91, ser possível, ao contribuinte, nos casos de lançamento por homologação, efetivar, a seu talante, e no momento de recolher o tributo, a compensação do FINSOCIAL.” É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A pretensão da recorrente é ver reconhecidas as compensações de créditos de Finsocial, cujo direito foi reconhecido judicialmente, com débitos de Cofins. Fl. 140DF CARF MF 4 A exigência de pedido à Receita Federal para compensação de tributos diferentes sempre foi necessária, para que se respeitasse corretamente a destinação constitucional dos tributos ou contribuições compensados. Para ilustrar, caso o contribuinte compensasse, sem conhecimento da Receita Federal, um crédito de IRPJ com débito de Cofins, restariam os Estados e Municípios prejudicados, porque o IRPJ deve ser diretamente repartido com essas Entidades, enquanto a Cofins não. Na compensação efetivado com controle da Receita Federal, as destinações constitucionais são corretamente direcionadas. Na época das compensações em foco, vigia a IN 21/97, que em seu artigo 12 e seguintes exigia o pedido à Receita Federal. Todavia, na mesma Instrução Normativa, permitese a compensação, independentemente de requerimento, de tributos ou contribuições da mesma espécie: COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES DA MESMA ESPÉCIE Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. A IN 32/97 permitiu a compensação de Finsocial com Cofins, também sem necessidade de pedido: Art. 2º Convalidar a compensação efetivada pelo contribuinte, com a contribuição para o financiamento da Seguridade Social COFINS, devida e não recolhida, dos valores da contribuição ao Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, recolhidos pelas empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 9º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, na alíquota superior a 0,5%(meio por cento), conforme as Leis nºs 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. A decisão recorrida entendeu que os débitos posteriores à IN 32/97 não poderiam ser objeto de compensação de Finsocial com Cofins, pois teria apenas convalidado as compensações anteriores. Divirjo desse fundamento. Entendo que a ratio decidendi do referido artigo 2º da IN 32/97, é que a Cofins veio substituir o Finsocial, possuindo a mesma espécie e destinação constitucional. Isto é, se a referida Instrução Normativa reconheceu que a compensação entre Finsocial e Cofins não viola a destinação constitucional, não há razão para que as compensações até 1997 recebam tratamento diverso das compensações posteriores a 1997. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.015489/9925 Acórdão n.º 3201004.565 S3C2T1 Fl. 4 5 Além disso, na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, a recorrente informa que o STJ decidiu pela possibilidade de compensação de Finsocial com Cofins, sem a necessidade de pedido à Receita Federal, transcrevendo a ementa assim: TRIBUTÁRIO. LEI Nº 8.383/91 COMPENSAÇÃO DO FINSOCIAL COM O COFINS. A egrégia 1ª Seção tem decidido ao interpretar a Lei nº 8.383/91, ser possível ao contribuinte, nos casos de lançamento por homologação, efetivar, a seu talante, e no momento de recolher o tributo, a compensação do FINSOCIAL. Embora não conste dos autos cópia da referida decisão, entendo desnecessária sua juntada, porque se trata de fundamento adicional. As decisões judiciais permitem à administração a aferição do valor do crédito, e não foi diferente no presente caso. A própria recorrente pede, no recurso (fl. 104) Diante do exposto, requer a Recorrente que seja dado total provimento ao presente RECURSO, no sentido de reconhecer o direito à compensação ora pleiteada, visto que a mesma já fora autorizada pela via judicial, cabendo ao fisco apenas verificar a exatidão do encontro de contas efetivado. E foi exatamente para verificar a exatidão da compensação que o Fisco intimou a empresa a apresentar documentos relativos à sua receita bruta. O dever de manter os documentos relativos a comprovação do direito, enquanto não prescritas as ações que lhes sejam pertinentes, é previsto no Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito tributário (lançamento) ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Fl. 142DF CARF MF 6 Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido declaração de compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito, se não tiver materialidade. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Exemplo ilustrativo: Exemplo de cálculo de compensação de Finsocial indevido (desconsiderando índices de atualização para facilitar) mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 Base de cálculo legal correta (controle da RF) 100.000,00 100.000,00 100.000,00 100.000,00 Finsocial devido 2% (inconst.) 2.000,00 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Finsocial devido 0,5% Dec. Jud. 500,00 500,00 500,00 500,00 Valor recolhido darf/confessado 2.000,00 1.000,00 0,00 300,00 Valor a restituir 1.500,00 500,00 0,00 0,00 Valor pago a menor que o devido jud. 0,00 0,00 500,00 200,00 Valor a lançar/cobrar decadência 0,00 0,00 0,00 0,00 * Não há restituição quando os valores recolhidos são menores que os valores devidos cf. decisão judicial * Não há lançamento ou cobrança de nenhum mês, mesmo de valores recolhidos a menor que os valores devidos cf. decisão judicial, por causa da decadência Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10580.015489/9925 Acórdão n.º 3201004.565 S3C2T1 Fl. 5 7 * insuficiências de recolhimento em determinado mês não podem ser compensadas com créditos de outro mês E como a empresa não apresentou tais documentos, impossibilitando o Fisco de fazer a devida aferição da exatidão da compensação, a compensação foi corretamente indeferida. Ressaltese que não se está negando o direito da compensação em tese, reconhecido judicialmente, mas negando a materialidade do indébito, por falta de provas. Em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 144DF CARF MF 8 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à análise da base de cálculo do Finsocial. A conclusão do voto vencedor sobre negar a materialidade do indébito, por falta de provas, ao meu ver, é correta somente em parte. O objetivo desta declaração não é discordar da premissa de que o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC, mas discordar da amplitude com que a Receita Federal analisa as bases de cálculo do Finsocial, com créditos reconhecidos em decisão judicial transitada em julgado. Esta Turma possui alguns precedentes neste sentido, como os consubstanciados no Acórdãos de n.º 3201003.685 e 3201003.197. A análise da Receita Federal deve ser restrita, isto porque, em geral, em favor do contribuinte, toda a matéria a respeito do crédito de Finsocial é tratada em âmbito judicial, de modo que, acompanhado dos DARFs, o pedido judicial, ao ser provido, materializa coisa julgada, conforme previsto no Art. 502 do Código de Processo Civil. Desse modo, o cálculo realizado pela fiscalização não deve prejudicar o crédito de Finsocial reconhecido judicialmente, que se refere à todo indébito comprovado nos DARFs. O calculo administrativo deveria ser simples, porque deveria verificar o quanto foi pago de Finsocial e calcular o indébito pela subtração do que foi pago além da alíquota de 0,5%, com base nos DARFS juntados e na escrita do contribuinte. É claro, deve haver lastro na escrita do contribuinte e por isto a DIPJ também deve ser considerada. Diante do exposto, devem ser considerados os comprovantes de recolhimento do FINSOCIAL e DIPJ contendo a apuração da base de cálculo da referida contribuição, para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Declaração de voto proferida. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720494/2014-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011, 2012
NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA.
A alteração do critério jurídico no âmbito do Acórdão da DRJ implica sua nulidade, uma vez que se trata de preterição de direito de defesa, que é causa de nulidade nos termos do artigo 59, do Decreto-Lei nº 70.235, de 6 de março de l972.
Numero da decisão: 2301-005.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade e anular o acórdão recorrido, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Reginaldo Paixão Emos. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. A alteração do critério jurídico no âmbito do Acórdão da DRJ implica sua nulidade, uma vez que se trata de preterição de direito de defesa, que é causa de nulidade nos termos do artigo 59, do DecretoLei nº 70.235, de 6 de março de l972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade e anular o acórdão recorrido, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Reginaldo Paixão Emos. Manifestou a intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 94 /2 01 4- 90 Fl. 1035DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 704/713) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2010, 2011 e 2012 de R$ 6.807.569,23, de multa de ofício qualificada de R$ 10.211.353,86, e de juros de mora calculados até 09/2014 de R$ 1.562.162,38. A presente ação fiscal foi iniciada, em 30/09/2013, com a ciência do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 03/04, em que o contribuinte foi intimado a apresentar documentos correspondentes aos anoscalendário 2010 a 2012, em especial contratos de trabalho firmados com entidades de prática desportiva nos quais foram pactuadas as remunerações nos termos do art. 28, da Lei 9.615, de 1998, com as alterações pela Lei 12.395, de 2011. No decorrer do procedimento fiscal, apurouse que o contribuinte é atleta profissional tendo atuado junto ao Fluminense e recebido rendimentos de trabalho com vínculo empregatício com salário consignado no respectivo contrato e, concomitantemente, sendo beneficiário de remuneração decorrente de direitos de imagem cedidos ao próprio empregador e à pessoa jurídica UNIMEDRIO. No Relatório Fiscal (fls. 668/702), parte integrante do auto de infração, o Auditor Fiscal assim relata as conclusões acerca do procedimento que culminou com a lavratura do citado auto de infração: FREDERICO CHAVES GUEDES, jogador de futebol profissional, tinha vínculo empregatício com o Fluminense Football Club, CNPJ 33.647.553/000190 nos anos de 2010 a 2012. (doc. fls. 56/304). E manteve com o Clube contrato de licenciamento de uso de imagem firmados com interveniência da pessoa jurídica R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., (cuja razão social atual é Seven Sports). O atleta celebrou outro contrato de licença de imagem, por meio da R. Chaves, desta feita com a pessoa jurídica UNIMEDRIO. Do Fluminense o fiscalizado recebeu uma parcela que se denominou salário, via folha de pagamento. E por meio da interposição da R. Chaves recebeu rendimentos oriundos dos contratos de cessão de uso de imagem, celebrados em 05/03/2009, analisados no item anterior. Nas DIRPF de 2010 a 2012, apenas declarou a remuneração recebida a título de salário da entidade esportiva. Sobre a natureza dos rendimentos objeto dos contratos de licenciamento de imagem celebrados com a interveniência da empresa R. Chaves, ressaltamos que a proteção à imagem integra os direitos da personalidade, sendo inerente a qualquer ser humano, independentemente de qualidade ou característica prévia. Foi inserida no rol das garantias fundamentais constando expressamente no artigo 5º, inciso V, X e XXVIII, alínea “a” da Constituição Federal. (...) Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 3 3 Nem poderia ser diferente, já que os contratos de cessão de imagem, firmados com o Clube Fluminense e UNIMEDRIO receberam a anuência do atleta. Em última análise, é este ato que dá eficácia a cada contrato, porque somente o jogador, por ato de sua vontade, pode dispor da sua imagem ou dos seus serviços. Vale dizer que a pessoa jurídica R. CHAVES não tem poder para dispor sobre o objeto do contrato, em face de tratarse de direitos da personalidade. Sendo assim, a participação da pessoa jurídica nos contratos serviu apenas para mascarar a real remuneração do jogador e obter economia de tributos. Como vimos, foi estabelecido contratualmente, um valor fixo e de pagamento regular, com o objetivo de esconder o real salário do jogador. E em vez de rendimentos tributáveis da pessoa física envolvida (o atleta profissional) que é o beneficiário de fato, o que ocorreu foi o recebimento pelo fiscalizado de valores isentos, a titulo de lucros distribuídos pela R. Chaves. Diante das formas possíveis de se efetuar um negócio, a escolha do contribuinte, evidentemente, recai sobre aquela que lhe impõe um menor ônus tributário. Mas a situação jurídica deve corresponder à situação de fato para ser legal. No caso analisado, a forma utilizada não corresponde à realidade dos fatos, é uma ficção. Não há argumento jurídico plausível para defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um jogador de futebol profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a sociedade centrase unicamente na figura do atleta, o qual é o único responsável pela execução dos contratos geradores de renda. O que une os sócios da R. Chaves não é o desenvolvimento de uma atividade econômica, mas uma pretensa redução de carga tributária, já que todo o ônus da prestação dos serviços está vinculado ao desempenho pessoal de um dos sócios. Assim, deve ser tributada como rendimento de pessoa física a remuneração por serviços prestados, de natureza personalíssima, sem vinculo empregatício, independentemente da denominação que lhe seja atribuída. Os contratos celebrados não têm o condão de modificar a definição legal do sujeito passivo, que, no caso é a pessoa física, visto tratarse de prestação individual de serviços ou cessão de direitos de imagem do atleta, sob pena de ocorrer o desvirtuamento do contrato de cessão de imagem. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Na apreciação dos contratos de direito de imagem firmados podese constatar que o “sócio” da pessoa jurídica com a qual o FLUMINENSE e a empresa UNIMEDRIO celebraram contratos de licença de uso de imagem é o próprio profissional. Considerando que a legislação tributária define expressamente a forma de tributação para rendimentos decorrentes do Fl. 1037DF CARF MF 4 exercício individual profissional, não resta dúvida de que os rendimentos auferidos pelo fiscalizado devem ser tributados na pessoa física. Portanto, pelos termos dos contratos de patrocínio e de imagem celebrados que se encontram às fls. 86/93; 94/97 e 98/99 do presente, ficou evidente que o objeto de tais contratos são direitos personalíssimos, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. E esta pessoa física é o sujeito passivo da obrigação tributária, o contribuinte do imposto de renda. Assim, em conclusão, entendemos que, conforme fundamento da autuação, os valores recebidos pelo jogador através da empresa R. Chaves referemse a remuneração por serviços prestados ao Fluminense e/ou cessão a este de direito de uso de sua imagem, de natureza pessoal e, portanto, tributáveis como rendimentos de pessoa física. Tais rendimentos foram reclassificados da pessoa jurídica para a pessoa física. (...) A pessoa jurídica R. Chaves foi intimada a apresentar todos os contratos com anuência do atleta profissional Frederico Chaves Guedes, mas não atendeu a intimação. No entanto como Frederico Chaves Guedes é sócio majoritário da R. Chaves e único atleta na sociedade, foi possível concluir que as receitas discriminadas nas tabelas 7 e 8 também eram decorrentes do exercício da profissão de jogador de futebol e/ou de uso do direito de imagem do mesmo. Os valores recebidos pela pessoa jurídica e informados nas tabelas acima foram obtidos nos sistemas da Receita Federal e considerados rendimentos pessoais do fiscalizado. (fls. 398 e 407). Consideramos que tal conduta do contribuinte teve por objetivo deixar de recolher tributos e ignoramos, para fins fiscais, o alegado contrato de cessão de tais direitos para a pessoa jurídica. Com isso, os rendimentos, originalmente atribuídos à pessoa jurídica, passaram a ser da pessoa física, ou seja, do atleta, que não os havia declarado, configurando a infração de omissão de rendimentos tributáveis. (...) A Lei 10.833/2003 instituiu a retenção de tributos e contribuições federais, estabelecendo o recolhimento antecipado destes tributos, os quais deverão ser retidos diretamente pelo tomador dos serviços, no momento do pagamento ou da emissão da nota fiscal de prestação de serviços. E a Instrução Normativa nº 381/2003 promoveu instruções adicionais quanto à matéria. Nas notas fiscais emitidas pela R. Chaves constatamos a retenção dos tributos e contribuições de acordo com a legislação mencionada. Verificamos ainda a informação dos valores retidos da pessoa jurídica nas DIRF em que consta como beneficiária, com retenção na fonte dos seguintes tributos: código de retenção 1708 (imposto de renda retido na fonte); código 5960 (retenção de COFINS sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 4 5 de direito privado); código 5979 (retenção de PIS sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica de direito privado) e código 5987 (retenção de CSLL sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica de direito privado). (...) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vinculo empregatício e da cessão de direitos de uso da imagem, nome, marca e som de voz, de acordo com contratos firmados (fls. 539). Estes rendimentos foram tributados na pessoa jurídica R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda e reclassificados como rendimentos da pessoa física do sócio Frederico Chaves Guedes, em lançamento de ofício, como demonstramos a seguir. Em relação aos impostos e contribuições vinculados aos rendimentos/receitas reclassificados, que constam das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, foi adotado o mesmo procedimento utilizado para as receitas, foram compensados no cálculo do crédito tributário (...) A multa de ofício aplicada corresponde ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), em obediência ao que prevê o § 1º do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. A qualificação da multa de ofício se deu a partir da caracterização da intenção do contribuinte de mascarar a natureza de seus rendimentos, através da utilização de interposta pessoa jurídica com o único objetivo de intermediar o recebimento da remuneração, pelo uso de sua imagem no exercício da função de jogador de futebol profissional, sendo que tal prática de evasão fiscal beneficiou ambos os contratantes, com a redução do ônus tributário. Apesar de FREDERICO CHAVES GUEDES ter informado que não possuía contratos para licenciamento da imagem, ficou comprovado que constituiu uma pessoa jurídica exclusivamente para esse fim. E não restou dúvida de que o verdadeiro contratado nos instrumentos firmados foi o jogador. (...) Verificando as declarações de ajuste anual da pessoa física de Frederico Chaves Guedes constatase que não são declarados os rendimentos provenientes dos contratos de patrocínio e de uso de imagem celebrados com empresas brasileiras, os quais são incluídos como rendimentos da empresa R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., da qual é sócio com o irmão. O que chama a atenção nestes contratos é a tentativa de disfarçar o verdadeiro contratado, que é o Frederico Chaves Guedes, incluindoo ora como interveniente anuente, ou como atleta, e tornandoo o principal responsável pelo cumprimento do contrato. Fl. 1039DF CARF MF 6 Com base nessas considerações e nos documentos coletados, foi encerrada a ação fiscal com a lavratura o competente auto de infração em que se apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O contribuinte foi cientificado em 24 de setembro de 2014 (fls. 718), e, inconformado, apresenta a impugnação de fls. 725/773, em 23 de outubro de 2014, alegando, m breve síntese, que: 1 a Autoridade Fiscal juntou aos autos planilhas referentes a contratos de imagem assinados por outros atletas, expondo informações confidenciais. Da mesma forma, supõe que suas informações contratuais também foram disponibilizadas em outros procedimentos fiscais; 2 considerou como "intermediária" a sociedade empresária firmada entre o Impugnante e o seu irmão, desqualificou os atos por ela praticados perante terceiros e perante o próprio fisco, bem como ofereceu à tributação na pessoa física rendimentos já tributados na pessoa jurídica, sem, sequer, ter o cuidado de amortizar integralmente os tributos já recolhidos na pessoa jurídica em relação à nova tributação desses mesmos valores, agora na pessoa física; 3 ao constituir a exigência do IRPF sobre os valores já tributados na pessoa jurídica, não realizou a compensação integral com todos os tributos federais recolhidos na pessoa jurídica sobre tais receitas (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), limitandose apenas a abater da nova exigência (IRPF) os tributos retidos pelas fontes pagadoras informados em DIRF; 4 a pretexto de estar apenas reclassificando ou deslocando os rendimentos da pessoa jurídica para tributálos na pessoa física, a Autoridade Fiscal desconsiderou a personalidade jurídica da referida sociedade, invalidando os efeitos dos atos e negócios jurídicos por ela praticados; 5 leitura apressada desse relatório poderia conduzir à conclusão de que os documentos (contratos e notas fiscais) comprovariam a natureza/origem dos rendimentos relativos a: a) UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101); b) UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ: 09.219.138/000150) e c) UnimedRio Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/0001 02), que são pessoas jurídicas absolutamente distintas, inclusive com sócios e tipo societário distintos (cooperativa, sociedade limitada e sociedade por ações); 6 os contratos e notas fiscais acima mencionados, que, no entendimento da autoridade fiscal, serviram para fundamentar a natureza/origem dos rendimentos e justificar a sua reclassificação na pessoa física, dizem respeito exclusivamente ao Fluminense Football Club (CNPJ:33.647.553/000190) e à UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio deJaneiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101); 7 não há, portanto, nenhuma prova feita pela Autoridade Fiscal em relação à natureza/origem dos valores recebidos pela R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda, oriundos da UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ: 09.219.138/000150) e, também, da UnimedRio Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 5 7 Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/000102), que poderiam, assim, justificar a sua reclassificação na pessoa física; 8 a Autoridade Fiscal nunca intimou a UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ: 09.219.138/000150) ou UnimedRio Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/000102) a se manifestarem sobre a natureza/origem dos valores pagos à R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., o que expõe uma grave falha no procedimento fiscal; 9 mesmo sem conhecer qual foi o fundamento que ensejou o pagamento feito pela UnimedRio Empreendimentos Médicos e Hospitalares Ltda (CNPJ:09.219.138/000150) e, também, pela UnimedRio Participações e Investimentos S/A (CNPJ: 12.501.467/000102) à pessoa jurídica R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda., a Autoridade Fiscal simplesmente PRESUMIU que tais valores possuem a mesma natureza/origem daqueles pagos pela UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101), sendo que apenas estes tiveram a sua natureza/origem comprovada por meio da apresentação de instrumento contratual à fiscalização; 10 se não há certeza quanto à natureza/origem dessas receitas da pessoa jurídica, como pôde a Autoridade Fiscal transferilas para tributação na pessoa física? Ou seja, com base em que fundamento legal estava autorizada a tratar esses valores como se fossem idênticos aos rendimentos oriundos de Fluminense Football Club (CNPJ 33.647.553/000190) e de UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda (CNPJ: 42.163.881/000101), quando, na verdade, nenhuma prova foi feita nesse sentido? 11 a Autoridade Fiscal inverteu o ônus probatório em desfavor do contribuinte por razões muito óbvias: é muito mais conveniente constituir um crédito tributário e transferir ao contribuinte o ônus de se defender de uma cobrança absurda, do que ter o trabalho de aprofundar a fiscalização e adotar as todas as providências necessárias para reunir as provas que fundamentam a exação consubstanciada no Auto de Infração; 12 aplicase à Panini Brasil Ltda tudo o que foi dito no tópico anterior, uma vez que a tributação desses valores decorre da mesma (e indevida) presunção. Isso porque, apesar de ter sido intimada a se manifestar sobre os rendimentos pagos ao Impugnante, tal intimação não determinou qualquer esclarecimento sobre os rendimentos pagos à R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda. Assim, por óbvio, a Intimada não esclareceu a origem dos valores pagos à pessoa jurídica e não apresentou nenhum documento a respeito; 13 a administração da sociedade é realizada, exclusivamente, pelo sócio Sr. Rodrigo Chaves de Melo. É o Sr. Rodrigo quem opera as contas bancárias, analisa e assina os contratos firmados pela sociedade, responde ativa e passivamente pela sociedade em caráter de exclusividade; Fl. 1041DF CARF MF 8 14 depreendese das DIPJs anexadas aos autos pela própria Autoridade Fiscal, que apenas uma parte do lucro auferido era distribuída aos sócios a título de dividendos. O restante do lucro do exercício foi destinado à constituição de reservas; 15 a análise desenvolvida pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a abrangência do objeto social da sociedade R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda (cuja razão social atual é Seven Sports Empreendimentos e Participações Ltda3). Isso porque, além do controle e gestão da carreira do atleta, envolvendo a intermediação de negócios e contratos (inclusive, exploração de direitos de imagem, campanhas de publicidade e marketing do atleta), a pessoa jurídica também tem por objeto, desde 2009, a atividade de compra, venda e locação de imóveis próprios, consoante se infere da 2ª Alteração Contratual, anexa (doc. n. 04), cuja cláusula segue transcrita; 16 em todos os anos fiscalizados a pessoa jurídica demonstrou possuir expressivo e crescente patrimônio líquido (ou capital próprio), que é equivalente aos valores que os sócios possuem na empresa em determinado momento; 17 o direito de imagem é um direito personalíssimo e, como tal, possui duas vertentes: uma moral, que visa tutelar o interesse do indivíduo de oporse à divulgação e exploração de uso da imagem em relação ao seu aspecto moral perante a sociedade, e a outra vertente patrimonial, que permite que esse direito seja cedido e explorado economicamente por terceiros, inclusive por pessoa jurídica; 18 de acordo com o art. 11, do Código Civil, com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis. Entretanto, no caso analisado, há expressa previsão em lei autorizando que o direito de uso de imagem, nome e voz seja explorado por uma pessoa jurídica; 19 essa expressa autorização decorre, inicialmente, do art. 49 da Lei n 9.610/98, por meio do qual está, há muito tempo, autorizada a cessão de direitos autorais e conexos, incluindose, aqui, o direito de uso de imagem, nome e voz; 20 no mesmo sentido, visando por fim às discussões sobre a possibilidade de esses direitos serem explorados por pessoa jurídica, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005 que, em seu art. 129, expressamente esclareceu que, para fins fiscais e previdenciários, as receitas decorrentes da prestação de serviço de natureza artística ou cultural deverão ser tributados na pessoa jurídica, mesmo havendo qualquer designação de obrigações aos seus sócios; 21 para aniquilar qualquer discussão acerca da possibilidade da exploração econômica dos direitos de imagem por meio de pessoa jurídica, também foi inserido no Código Civil Brasileiro o art. 980A (empresa individual de responsabilidade limitada EIRELI), com previsão expressa de que a EIRELI poderá ser remunerada pela cessão dos direitos de imagem, nome ou voz de que seja o seja detentor o titular da pessoa jurídica; Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 6 9 22 é importante ressaltar que tal previsão legal só vem atribuir a esse novo tipo societário algo que já era possível para as demais empresas, pois o raciocínio contrário conduziria à equivocada conclusão de que somente este novo tipo societário estaria autorizado a explorar tal atividade o que seria um contrasenso, sem respaldo lógico e, muito menos, jurídico; 23 em relação ao ramo do futebol, com a ampla dimensão das atividades desportivas no país, que passou a envolver uma intensa divulgação do esporte por diversos meios de comunicação, os atletas profissionais ficaram em evidência e a suas imagens despertaram um interesse econômico e comercial cada vez maior. Ciente dessa realidade, os clubes e patrocinadores vislumbraram a oportunidade de se utilizarem dessas imagens para comercializar uma vastidão de produtos atrelados à sua marca; 24 no presente caso, a constituição da personalidade jurídica para exploração do direito de imagem do atleta tem, também, razão extrafiscal, tendo em vista a união de esforços dos sócios na execução do objeto social. Cabe ao administrador negociar as condições contratuais, a remuneração que será devida, a qual marca a imagem do atleta será vinculada, discussão dos contratos com advogados e com os assessores de imagem e de imprensa; 25 também é importante ressaltar que a Autoridade Fiscal confere natureza salarial às verbas em discussão, sendo que boa parte delas não foi, sequer paga pelo empregador do Impugnante, qual seja Fluminense Football Club, único com quem detém vínculo empregatício; 26 não é possível confundir a exploração do direito de imagem com os conceitos de salário ou remuneração, uma vez que tal direito não representa a contraprestação por um serviço prestado nos moldes em que ocorre em uma relação empregatícia, mas tão somente a exploração de um direito e a remuneração por um serviço prestado de forma autônoma; 27 os contratos de licenciamento do uso da imagem, nome e voz foram assinados por R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda, por meio do sócio Rodrigo Chaves, designado como seu administrador. O Impugnante assina apenas na qualidade de anuente, e não assina como contratante da empresa, já que é a sua imagem que ficará exposta e, como ressaltado pela autoridade Fiscal, é um direito personalíssimo, o que não significa que não é possível cedêlo a terceiro, inclusive por meio de pessoa jurídica destinada a realizar a gestão desse direito; 28 com o intuito de comprovar que serviços de natureza pessoal podem ser desempenhados por pessoas jurídicas, é interessante notar o art. 647 do RIR/99, que prevê a incidência do Imposto de Renda na Fonte (IRRF) sobre pagamentos efetuados por uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica em contraprestação a diversos serviços de natureza pessoal, quais sejam: advocacia, assessoria e consultoria técnica, contabilidade, consultoria, medicina, entre outros; Fl. 1043DF CARF MF 10 29 o art. 120 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais, reconhece a licitude da constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços pessoais executados, exclusivamente, por meio de seu sócio, sem o concurso de empregados ou terceiros; 30 esse dispositivo apenas comprova que o fato de o Impugnante, sócio da pessoa jurídica, prestar os serviços de caráter pessoal não desqualifica a atividade exercida pela sociedade, já que é comum às pessoas jurídicas prestarem seus serviços através de seus sócios, uma vez que a atividade econômica não é, necessariamente, desempenhada por empregados; 31 assim, não estando a R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda enquadrada nas hipóteses do art. 648 do RIR/99, bem como não prosperando as razões para se afastar a tributação na pessoa jurídica, apenas em razão de serem serviços de natureza pessoal, o Impugnante requer que seja afastada a reclassificação dos rendimentos para tributação, na pessoa física, dos valores referentes à exploração do seu direito de imagem, que foram por ele cedidos para administração na pessoa jurídica da qual é sócio; 32 para por fim às discussões sobre o regime tributário aplicável às sociedades constituídas para a prestação de serviços de caráter pessoal, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005, que em seu art. 129 expressamente esclareceu que elas devem ser tributadas como pessoas jurídicas, respeitando a personalidade jurídica que lhes é imbuída na sua constituição; 33 estando diante de hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, esta somente poderia ter sido decretada judicialmente, a teor do que dispõe o art. 50 do Código Civil Brasileiro; 34 a pessoa jurídica e os seus sócios são entidades autônomas, de modo que reclassificar as receitas da pessoa jurídica e enquadrálas como rendimentos da pessoa física, tributandoas como remuneração da pessoa física, é desconsiderar as operações desempenhadas pela pessoa jurídica, o seu caráter de entidade autônoma e independente da figura dos sócios, além de ignorar o disposto nas suas declarações econômicofiscais, bem como a sua representatividade perante terceiros; 35 deve ser cancelado o Auto de Infração por indevida desconsideração da personalidade jurídica da sociedade R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda (cuja denominação atual é Seven Sports Empreendimentos e Participações Ltda); 36 a Autoridade Fiscal não cuidou de abater do valor exigido do Impugnante a integralidade dos valores arrecadados da pessoa jurídica sob os códigos dos .tributos a ela pertinentes. Essa medida ensejou a dupla tributação dos mesmos rendimentos, já que foram tributados uma vez pelo recolhimento espontâneo na pessoa jurídica e a segunda vez pela presente autuação na pessoa física do Impugnante; 37 no cálculo do tributo devido, a Autoridade Fiscal limitouse apenas a compensar as retenções na fonte sofridas pela pessoa jurídica a título de antecipação, nos moldes em que declarados pelas fontes pagadoras. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 7 11 Todavia, como é de conhecimento geral, as retenções são meras antecipações do que será devido ao final do período. Assim, uma vez ) encerrado o período de apuração correspondente, a pessoa jurídica deve efetuar o recolhimento complementar dos tributos devidos; 38 a mesma Autoridade Fiscal não abateu do valor autuado os recolhimentos complementares efetuados pela pessoa jurídica a título de IRPJ e CSLL sobre as receitas ao final de cada período de apuração, após a compensação com as retenções assinaladas; 39 não seria razoável, assim, exigir que a pessoa jurídica pleiteie a restituição do indébito em relação aos tributos pagos, visto que tal solução pedido de restituição – impõe à pessoa jurídica o ônus de, ao pleiteála, reconhecer que o Auto de Infração estaria correto, contra suas próprias convicções e principalmente em razão da incidência de multa de ofício sobre a totalidade do imposto apurado no Auto de Infração que, de uma forma ou de outra, já foi recolhido; 40 é imperioso se faça a compensação dos pagamentos feitos na pessoa jurídica com o crédito tributário que, após procedimento de fiscalização, está sendo exigido na pessoa física sobre os mesmos rendimentos já tributados na sociedade empresária; 41 não é difícil encontrar precedentes do CARF que reforçam o entendimento do Impugnante no sentido de que devem ser compensados, na apuração de crédito tributário, os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física; 42 autuação fiscal alterou drasticamente o seu critério jurídico de interpretação da legislação fiscal, bem como modificou os critérios até então adotados pela própria fiscalização, uma vez que, durante praticamente 10 anos, homologou todas as declarações enviadas pela empresa R. Chaves Empreendimentos Futebolísticos Ltda. Assim, diante dessa brusca alteração no critério jurídico de interpretação da legislação tributária, nos termos do art. 100, inciso lli e parágrafo único, do CTN o entendimento consubstanciado no Auto de Infração somente poderia ser aplicado para períodos futuros; e não caberia a aplicação da multa de ofício e juros de mora; 43 não há nos autos prova material de que o Impugnante tenha dolosamente tentado impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fiscal. Pelo contrário. Apesar de todo o seu esforço em atribuir um dolo específico à conduta do Impugnante, o máximo que a Autoridade Fiscal conseguiu demonstrar foi o fato de os rendimentos aqui discutidos, por serem receitas que, no entendimento do Impugnante, pertenciam à pessoa jurídica, já foram por ela declarados e tributados de modo integral e tempestivamente; 44 também não há que se falar em fraude à lei por parte do Impugnante, tendo em vista que não existe lei cogente que vede a estrutura por ele Fl. 1045DF CARF MF 12 adotada ou que, por decorrência, pudesse ser por ele contornada nessas situações. Do mesmo modo, não há que se falar em abuso de forma, eis que não foi comprovado, pela Autoridade Fiscal, a alteração de requisito legal essencial dos atos e negócios jurídicos praticados pela pessoa física ou jurídica da qual é social. O Acórdão n. 1671.869 da DRJ (fls. 879 a ss) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012 JOGADOR DE FUTEBOL CESSÃO DE DIREITOS DE IMAGEM. NATUREZA DO RENDIMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE PESSOA JURÍDICA INTERMEDIÁRIA. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Remuneração decorrente de contrato de cessão de direitos de imagem de jogador de futebol paga pelo clube desportivo ou por seu patrocinador deve ser tributada na pessoa física do titular do direito em razão da natureza salarial do rendimento. Jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho firmouse em considerar o direito de imagem, ainda que estabelecido em contrato separado do contrato de trabalho, com condições, direitos e deveres específicos, de acordo com a previsão contida no art. 87A da Lei nº 9.615/98, introduzido pela Lei nº 12.395/11, como acessório ao contrato de trabalho, devendo integrar a remuneração do profissional jogador. O art. 129 da Lei 11.196/2005 é aplicável apenas nos casos de prestação de serviços intelectuais e quando todos os sócios encontramse revestidos de condições legais para a prestação dos serviços oferecidos pela sociedade. Embora admita que serviços personalíssimos possam ser tributados na pessoa jurídica, a norma legal não alberga os atos praticados por apenas um dos sócios em seu proveito cuja execução independa da estrutura da pessoa jurídica. REMUNERAÇÃO DECORRENTE DE DIREITOS DE IMAGEM. RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA PESSOA FÍSICA. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. O contribuinte do imposto de renda é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. A reclassificação das receitas de pessoa jurídica para rendimentos da pessoa física não pode ser confundida com a desconsideração da pessoa jurídica. Verificado que os atos não foram praticados utilizando a estrutura da pessoa jurídica, mas por alguém que a integra, o ato deve ser atribuído a quem de fato o praticou. Tratase da correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária e não de desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 8 13 TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DE RENDA EXIGIDO NA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 11.051, de 2004, não admite a compensação de créditos com débitos de terceiros. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, somente pode utilizálo na compensação de débitos próprios. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Aplicável a multa de ofício qualificada quando presentes nos autos elementos suficientes de prova da utilização de contratos de cessão de direitos de imagem para encobrir pagamentos de salário com o único objetivo de afastarse da tributação na pessoa física para beneficiarse de tributação mais favorecida na pessoa jurídica. Irresignado com a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário reiterando as alegações em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade O Recorrente requer a nulidade do acórdão recorrido na parte em que este inova nos fundamentos da autuação, modificando os critérios do lançamento, bem como nos fundamentos para a qualificação da multa de ofício, de modo que suscita que somente seja devolvida ao CARF a matéria suscitada no Auto de Infração, isto é, a impossibilidade de a pessoa jurídica explorar direitos personalíssimos de seus sócios e que seja cancelada a multa qualificada pelo fato de não ter sido tipificada a infração cometida. A partir da leitura do Relatório de Fiscalização (fls. 670 e ss), verificase que o fundamento da autuação foi a impossibilidade de utilização de pessoa jurídica para recebimento de rendimentos de direitos de imagem da pessoa física, conforme trecho abaixo: A auditoria fiscal comprovou que o fiscalizado utilizou a pessoa jurídica intermediária, para viabilizar que rendimentos recebidos a título de direitos Fl. 1047DF CARF MF 14 de imagem fossem aparentemente receita da dita pessoa jurídica, e assim acobertar a operação efetivamente ocorrida, qual seja: omissão de rendimentos decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício e da cessão de direitos recebidos de pessoa jurídica, os quais sujeitamse à tributação na pessoa física. Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal em face de FREDERICO CHAVES GUEDES evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art 1º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 27/12/1990, conforme o disposto a Portaria RFB nº 2.439/2010. Tal entendimento da fiscalização se demonstra claro também em outros trechos do Relatório da Fiscalização: Aparentemente a análise da situação fática mencionada permitiria concluir que se amolda à hipótese descrita no artigo 48 da Instrução Normativa SRF nº 93/1997. No entanto, o que se questiona na presente auditoria é a natureza da receita obtida como “cessão do uso de direito de imagem” com a anuência do profissional. Ora, como vimos, a participação do atleta na pessoa jurídica R. Chaves, dita “intermediária” para a obtenção dos direitos de imagem, é de sócio com 90% das quotas do capital social (27.000 quotas). O outro sócio da empresa não é atleta profissional. É de se reforçar, que, no caso em questão, o próprio jogador é o responsável pelo cumprimento do contrato, pois, sem ele nada será feito. Não há como um outro sócio substituílo. (...) O objeto dos contratos de direitos de imagem consiste, portanto, em direito personalíssimo, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. Sendo assim, o beneficiário do pagamento decorrente da exploração do direito à imagem é a pessoa física, no caso FREDERICO CHAVES GUEDES, independente da intermediação feita por pessoa jurídica. É evidente a natureza salarial da parcela relativa ao direito de imagem. (...) Não há argumento jurídico plausível para defender a regularidade da constituição de empresa de prestação de serviço, detentora de um único ativo vinculado à imagem de um jogador de futebol profissional, para comercialização dos desdobramentos patrimoniais do direito de imagem, quando a sociedade centrase unicamente na figura do atleta, o qual é o único responsável pela execução dos contratos geradores de renda. (...) Portanto, pelos termos dos contratos de patrocínio e de imagem celebrados que se encontram às fls. 86/93; 94/97 e 98/99 do presente, ficou evidente que o objeto de tais contratos são direitos personalíssimos, ou seja, não podem ser prestados por outra pessoa que não seja a detentora da imagem e do nome profissional em questão. E esta pessoa física é o sujeito passivo da obrigação tributária, o contribuinte do imposto de renda. Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 9 15 Assim, em conclusão, entendemos que, conforme fundamento da autuação, os valores recebidos pelo jogador através da empresa R. Chaves referemse a remuneração por serviços prestados ao Fluminense e/ou cessão a este de direito de uso de sua imagem, de natureza pessoal e, portanto, tributáveis como rendimentos de pessoa física. Tais rendimentos foram reclassificados da pessoa jurídica para a pessoa física. Assim, o fundamento para a lavratura do auto de infração foi a impossibilidade de um direito personalíssimo, tal qual o direito de imagem, ser exercido por uma pessoa jurídica (fls. 668). Por sua vez, no Acórdão recorrido, ao tratar da aplicação do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, verificase que se entendeu que a pessoa jurídica seria simulada, uma vez que somente um dos sócios era atleta e havia cedido o seu direito de imagem, de modo que aventouse ainda no Acórdão recorrido que somente seria possível aplicar o referido dispositivo normativo se todos os sócios fossem atletas, conforme pode ser observado no trecho abaixo: Para que o art. 129 da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, possa ser aplicado as condições relacionadas no excerto transcrito devem ser verificadas. Destaquese que todos os sócios devem estar revestidos de condições legais para a prestação dos serviços oferecidos pela sociedade. No caso de uma sociedade para administração de direitos de jogadores de futebol, para que pudesse ser aplicada a norma em tela, todos os sócios deveriam ser também atletas. No presente caso, ainda que o serviço prestado não seja intelectual, não se pode considerar que o contribuinte e seu sócio formem uma sociedade prestadora de serviços já que a receita da empresa decorre única e exclusivamente do trabalho pessoal de apenas um sócio, atleta de futebol. A sociedade civil constituída foi apenas um simulacro de sociedade, já que apenas um dos sócios podia e pode prestar o serviço para o qual a sociedade foi destinada. (...) Repitase que, no caso em questão, foi utilizada, indevidamente, a sociedade civil com o único objetivo de tributação de rendimentos em benefício de apenas um dos sócios. Resta claro, portanto, à vista do acima exposto que, nos moldes como foi constituída a empresa, a remuneração recebida pelo ora impugnante a título de cessão de direitos de imagem não poderia ser oferecida à tributação na pessoa jurídica, mesmo no período posterior a essas alterações legais. A ausência de previsão legal amparando a pretensão do impugnante não impede, ainda, que se aprofunde o estudo dessa matéria e se adentre no exame da jurisprudência emanada dos Tribunais Trabalhistas que consideram como de natureza salarial os rendimentos recebidos por força de contratos de cessão de direitos de imagem de julgadores de futebol, Fl. 1049DF CARF MF 16 independentemente se os pagamentos foram intermediados por pessoa jurídica ou não. Logicamente essa jurisprudência exorbita o direito trabalhista e impõe reflexos tanto no direito tributário como no previdenciário. Por força dessa julgados, ainda que estejam em vigor normas que em tese autorizariam criar empresas individuais de responsabilidade limitada e que possibilitariam atribuirlhes a remuneração decorrente da cessão de direitos de imagem de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, no caso específico do jogador de futebol, essa liberdade encontra alguns obstáculos e não pode ser aplicada livremente. Dessa forma, o Acórdão recorrido não se limita somente à questão da impossibilidade de constituição de pessoa jurídica para prestação de serviços personalíssimos, mas também menciona que somente seria possível constituição de pessoa jurídica se os dois sócios fossem atletas, além de citar que a Justiça do Trabalho vem considerando como de natureza salarial os recebimentos a título de direito de imagem de jogadores de futebol. A regra de nulidade no processo administrativo está disposta no artigo 59, do DecretoLei nº 70.235, de 6 de março de l972, que assim dispõe: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Acórdão recorrido somente poderia ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando ele consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, o Acórdão recorrido deveria ter se limitado a discutir sobre a possibilidade ou não de cessão de direito de imagem de atleta para pessoa jurídica, uma vez que este foi o fundamento da autuação. Diante do uso de novo critério jurídico, sobretudo o da pessoa jurídica simulada e da necessidade de que ambos os sócios fossem atletas e estivessem diretamente ligados ao recebimento do direito de imagem, é possível dizer que houve preterição do direito de defesa, uma vez que não houve como o Recorrente se defender de tal argumento em sede de impugnação. Com base no exposto, acolho a preliminar de nulidade para que o Acórdão recorrido seja anulado e a impugnação venha a ser novamente julgada pela DRJ. Do Mérito Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 10 17 O ponto central no presente processo diz respeito à possiblidade ou não da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica. Em primeiro lugar, cabe situar a legislação aplicável ao presente caso, de modo que tendo em vista que o presente processo abrange os exercícios de 2010 a 2012, não resta dúvida que tal caso deve ser analisado à luz do artigo 129 da Lei nº 11.196/05, que assim dispõe: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 do Código Civil. Dessa forma, não há que se analisar no presente caso se a prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica era permitida ou não antes da edição do artigo 129 da Lei n 11.196/05 e tampouco se o referido dispositivo normativo possui caráter interpretativo ou não, aplicandose a casos pretéritos. A título de exemplificação, citese as posições dos eminentes Professores Humberto Ávila e Roque Carrazza, para os quais não havia vedação a tal prestação de serviços por pessoa jurídica. Humberto Ávila assevera que “se os serviços profissionais, inclusive aqueles de caráter personalíssimo, sempre foram tributados pela pessoa jurídica, justamente porque a legislação sempre admitiu a prestação de serviços de natureza intelectual por pessoa jurídica, a introdução de um novo dispositivo legal, de acordo com o qual os serviços de natureza intelectual se sujeitam à legislação aplicada às pessoas jurídicas, nada mais fez do que declarar aquilo que já estava disposto na legislação anterior (ÁVILA, Humberto. A Prestação de Serviços Personalíssimos por Pessoas Jurídicas e sua Tributação: o Uso e o Abuso do Direito de Criar Pessoas Jurídicas e o Poder de Desconsiderá las”. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (org.). Grandes Questões Atuais de Direito Tributário, v. 17. São Paulo: Dialética, 2013). Roque Carrazza assinala que o artigo 129 da Lei n. 11.196/05 “apenas esclareceu, de modo nítido e definitivo, que devem ser tributadas, inclusive por meio de imposto sobre a renda e de contribuição, as sociedades civis de prestação de serviços profissionais, e não as pessoas físicas que a integram” (CARRAZZA, Roque Antônio. O Caráter Interpretativo do Art. 129 da Lei n. 11.196/05. In: ANAN JR., Pedro, PEIXOTO, Marcelo Magalhães. Prestação de Serviços Intelectuais por Pessoas Jurídicas – Aspectos Legais, Econômicos e Tributários. São Paulo: MP Editora, 2008. P.256). Considerando que os fatos aqui discutidos já aconteceram ao lume da vigência do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, não há dúvidas de que há autorização legal para a prestação de serviços intelectuais personalíssimos por pessoa jurídica, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços. O Acórdão recorrido erra ao entender que o disposto no artigo 129 da Lei n. 11.196/05 não é aplicável ao caso concreto, ao restringir sua aplicação às sociedades civis, tipo Fl. 1051DF CARF MF 18 que inexiste desde o atual Código Civil (Lei n. 10.406/02) e ao trazer requisitos adicionais com base em precedente do antigo Conselho de Contribuintes: Para que se possa falar em uma verdadeira sociedade de prestação de serviço, é necessário o implemento de alguns requisitos, que, com muita clareza, são identificados no Acórdão n° 10421.583, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da relatoria do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann: Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições lesais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos esteiam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios esteiam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc. Com certeza não é o caso do suplicante, já que a sociedade é formada pelo suplicante e sua esposa, que não exerce atividade igual ao do suplicante, (grifouse) Para que o art. 129 da Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, possa ser aplicado as condições relacionadas no excerto transcrito devem ser verificadas. Destaquese que todos os sócios devem estar revestidos de condições legais para a prestação dos serviços oferecidos pela sociedade. No caso de uma sociedade para administração de direitos de jogadores de futebol, para que pudesse ser aplicada a norma em tela, todos os sócios deveriam ser também atletas. Assim, aplicase erroneamente um acórdão que trata de sociedades civis de profissão regulamentada a uma sociedade empresária constituída sob a forma de suma sociedade limitada (ressaltese que em uma sociedade de profissão regulamentada, todos os sócios são legalmente habilitados a prestar serviço). Aplicamse requisitos listados em um Acórdão como se tais requisitos estivessem previstos em lei. Aplicase um acórdão de um período em que não existia o artigo 129 da Lei n. 11.196/05. De todo esse conjunto de aplicação errônea do mencionado precedente, chegase a conclusão de que todos os sócios deveriam ser atletas. O Acórdão recorrido ainda menciona que somente a partir da instituição da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada EIRELI, passou a ser permitida a cessão de direitos de imagem para uma pessoa jurídica. Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 11 19 Destaquese que a EIRELI somente foi instituída pela Lei n. 12.441/11, de modo que ela inexistia no anocalendário inicial da presente autuação, conforme pode ser observado abaixo: Art. 980A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior saláriomínimo vigente no País. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 4º ( VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) § 6º Aplicamse à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) O artigo 980A, §5º, do Código Civil estabelece que poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. Ocorre que, ao contrário do entendido no Acórdão recorrido, não havia proibição de atribuição de direito de imagem a pessoa jurídica antes da instituição da EIRELI, de modo que ela somente explicitou uma realidade econômica. Tanto é assim, que o artigo 87A da Lei nº 9.615/98 (“Lei Pelé”) já previa a cessão do direito ao uso de imagem de atleta, antes mesmo da instituição da EIRELI. Assim, cumpre mencionar o referido dispositivo: Fl. 1053DF CARF MF 20 Art. 87A. O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº 12.395, de 2011). Parágrafo único. Quando houver, por parte do atleta, a cessão de direitos ao uso de sua imagem para a entidade de prática desportiva detentora do contrato especial de trabalho desportivo, o valor correspondente ao uso da imagem não poderá ultrapassar 40% (quarenta por cento) da remuneração total paga ao atleta, composta pela soma do salário e dos valores pagos pelo direito ao uso da imagem. (Incluído pela Lei nº 13.155, de 2015) Também é importante ressaltar que a Lei n. 13.155/15 incluiu um parágrafo único ao artigo 87A da Lei nº 9.615/98, limitando o valor do direito de imagem a 40% da remuneração total paga ao atleta. Todavia, nos exercícios objeto da presente autuação, não havia tal limitação. Ressaltese também que a Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI1) do Tribunal Superior do Trabalho (Processo ERR40617.2012.5.09.0651) entendeu que o direito de exploração da imagem de atleta profissional tem natureza civil e, portanto, não se confunde com o contrato especial de trabalho. Nos termos do voto do ministro João Oreste Dalazen os valores recebidos pela cessão do direito de exploração da imagem “não se confundem com a contraprestação pecuniária devida ao atleta profissional, na condição de empregado, e não constituem salário”. Em outro caso relevante, a Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho (Processo: RR1110522.2015.5.03.0104) declarou a validade do contrato de cessão de uso da imagem assinado entre o Praia Clube, de Uberlândia (MG), e a atleta de voleibol Tandara Alves Caixeta, sendo que foi afastada a natureza salarial do valor pago a esse título, com o fundamento de que o contrato foi livremente pactuado nos termos do artigo 87A da Lei Pelé (Lei 9.615/1998). A referida decisão foi muito bem resumida no próprio site do Tribunal Superior do Trabalho nos seguintes termos: Na reclamação trabalhista, a atleta disse que foi contratada em junho de 2014 para a temporada 2014/2015 de vôlei, com previsão de encerramento do pacto para abril de 2015. Durante as negociações, ficou acertado que ela receberia pouco mais R$ 1 milhão dividido em 11 parcelas mensais de R$ 99 mil, mas a verba foi desdobrada em dois contratos – um de trabalho, no valor de R$ 812, e outro de imagem, de R$ 98 mil. No fim desse período, como estava grávida, Tandara disse que o contrato de trabalho foi mantido, e o de imagem rescindido. Essa situação perdurou até outubro de 2015, quando ela pediu desligamento do clube. O juízo da 4ª Vara do Trabalho de Uberlândia julgou improcedente seu pedido de reconhecimento da natureza salarial dos valores relativos ao contrato rompido, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) entendeu que o desdobramento dos contratos teve por objetivo desvirtuar a aplicação da legislação trabalhista. Segundo o Regional, a discrepância entre os valores pagos a título trabalhista e pela exposição da imagem, este correspondente a 99,5% do total, já é suficiente para caracterizar a fraude, nos termos do artigo 9º da CLT, que prevê a nulidade desses contratos. Levando em conta a garantia de emprego decorrente da gravidez, o TRT Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 12 21 condenou o clube ao pagamento das diferenças salariais, no valor de R$ 98 mil, desde a rescisão do segundo contrato até o desligamento voluntário da atleta. Livre pactuação O relator do recurso do clube ao TST, ministro Caputo Bastos, observou que é bastante comum no meio esportivo a celebração, paralelamente ao contrato de trabalho, de um contrato de licença do uso de imagem, consistindo este num contrato autônomo de natureza civil, conforme o disposto no artigo 87A da Lei Pelé. Mediante esse contrato, o atleta, em troca do uso de sua imagem pelo clube que o contrata, obtém um retorno financeiro, de natureza jurídica não salarial. Essa contrapartida, segundo o ministro, somente teria natureza salarial se a celebração do contrato se desse com o intuito de fraudar a legislação trabalhista, como prevê o artigo 45 do Decreto 7984/2013, que regulamenta a Lei Pelé. Caputo Bastos ressaltou, no entanto que é necessária a prova de ocorrência da fraude, que não pode ser presumida. “Todas as situações fáticas delineadas no acórdão do Tribunal Regional que envolvem a contratação do direito de imagem devem ser adequada e firmemente comprovadas, pois devese sempre partir do pressuposto de que a fraude não se presume”, afirmou. Para o ministro, o fato de a jogadora receber, nesse contrato, valor igual ou muitas vezes superior ao seu salário não invalida o ajuste. “De fato, o valor pactuado pelo contrato de imagem é significativamente superior ao valor do salário”, observou. “Todavia, o caso envolve uma atleta de renome do voleibol brasileiro, detentora de inúmeros títulos, inclusive mundiais e olímpicos, integrante da elite de atletas dessa modalidade esportiva”. Caputo lembrou que, como é de conhecimento público, Tandara teve expressiva passagem pela Seleção Brasileira de Voleibol e tem notoriedade suficiente para que seu clube se beneficie da sua exposição. “No intuito de ver sua imagem associada à de um atleta campeão, o clube se submete às condições e contratos impostos pela atleta através de seus empresários/empresas, e não o contrário”, afirmou O relator registrou também que, na época da celebração do contrato, a lei permitia às partes pactuarem livremente a proporção entre salários e direito de imagem. A alteração introduzida pela Lei 13.155/2015, que limitou o valor correspondente ao uso da imagem a 40% da remuneração total paga ao atleta, é posterior e, portanto, inaplicável.( http://www.tst.jus.br/noticia destaque//asset_publisher/NGo1/content/id/24479582) Em reportagem de 14/06/2018 no site do Tribunal Superior do Trabalho intitulada “Entenda as diferenças entre direito de arena e direito de imagem”, o ministro Alexandre Agra sintetizou muito bem a natureza do direito de imagem nos seguintes termos: “O direito de imagem, no desporto, diz respeito à representação do perfil social da pessoa”, afirma o ministro Alexandre Agra. É o caso, por exemplo, de comerciais em que uma personalidade empresta seu nome, aliado à sua Fl. 1055DF CARF MF 22 imagem, a uma determinada marca ou produto. Esse direito se estende também ao uso da imagem dos jogadores em álbuns de figurinhas, como o da Copa, ou mesmo em jogos eletrônicos, como o Fifa. Por ser um direito de natureza civil, e não propriamente trabalhista, o direito de imagem pode ser negociado com terceiros diretamente pelo atleta ou por meio de intermediação do empregador (clube de futebol). Assim como as gorjetas recebidas por garçons, os valores não têm repercussão na remuneração nem nos salários dos atletas. (Entenda as diferenças entre direito de arena e direito de imagem. http://www.tst.jus.br/noticias/ /asset_publisher/89Dk/content/entendaasdiferencasentredireitodearena edireitodeimagem?inheritRedirect=false) No caso concreto, não resta dúvida de que o Recorrente cedeu seus direitos de imagem a pessoa jurídica do qual era sócio, conforme previsão do artigo 129 da Lei n. 11.196/05, sendo que seu direito de imagem foi muito bem explorado pelo clube. Destaquese que o Recorrente era o principal garotopropaganda do programa de sócio torcedor do Fluminense, conforme pode ser observado abaixo: Não resta dúvidas de que a exploração do direito de imagem do referido atleta contribuiu inclusive para o aumento do número de sócios torcedores do Fluminense, o que pode ser observado no gráfico abaixo: Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 13 23 Fonte: FluSócio Como parte ainda do uso de direito de imagem do Recorrente, é possível observar que sua imagem foi explorada em álbum de figurinhas, conforme abaixo: Fl. 1057DF CARF MF 24 A imagem do Recorrente também foi utilizada no âmbito de jogos eletrônicos, conforme pode ser observado abaixo: Ainda no âmbito da exploração do direito de imagem, ressaltese que a imagem do atleta também foi usada em “fantasy games”, dentre os quais se destaca o “Cartola Futebol Clube” do Grupo Globo: Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 14 25 Embora haja uma série de precedentes do CARF relativos a períodos anteriores à edição da Lei n. 11.196/05, cabe ressaltar que devem ser analisados os precedentes relativos a período posterior à vigência da Lei n. 11.196/05. Nesse sentido, cabe mencionar o caso Neymar, que foi julgado na 2ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF e foi consubstanciado no Acórdão nº.2402005.703. Assim, cabe citar a ementa do referido acórdão: DIREITO DE IMAGEM. DIREITO PERSONALÍSSIMO. VERTENTE PATRIMONIAL. OBJETO CONTRATUAL LÍCITO. CESSÃO OU EXPLORAÇÃO DE USO DE IMAGEM POR TERCEIROS. ART. 11 E 20 DO CC/02. ATLETA PROFISSIONAL. ART. 87ª DA LEI 9.615/98. O direito de imagem, não obstante ser personalíssimo, pode ser cedido ou explorado por terceiro, uma vez que possui vertente patrimonial disponível. Raciocínio do art. 11 e 20 do CC/02. No que se refere a atletas, o art. 87A da Lei 9.615/98, a Lei Pelé, reconhece expressamente tal disponibilidade. REGISTRO PUBLICO. ART. 221 CC/02. CONDIÇÃO DE EFICÁCIA DO CONTRATO PERANTE TERCEIROS PREJUDICADOS. ECONOMIA TRIBUTÁRIA NÃO CONFIGURA PREJUÍZO. AUTONOMIA PRIVADA. LIBERDADE CONTRATUAL. O registro publico é condição de eficácia do contrato perante terceiros prejudicados. A Fazenda Publica não é terceiro interessado a não ser que comprove, no caso concreto, situação de prejuízo. A liberdade na organização de negócios privados, quando legítima, e eventual economia tributária, não podem ser consideradas como elementos de prejuízo sob pena de violação do ordenamento jurídico pátrio, mormente o direito ao exercício da autonomia privada e liberdade contratual (Art. 170 CF/88). Fl. 1059DF CARF MF 26 JOGADOR DE FUTEBOL. CONTRATO DE EXPLORAÇÃO DO DIREITO DE IMAGEM CELEBRADO COM O CLUBE. VALOR DESPROPORCIONAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPLORAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 87A DA LEI 9.615/98. Conquanto o direito de imagem goze de natureza tipicamente civil, há de ser reconhecida a sua natureza salarial, quando, no caso concreto, a parcela decorrente da cessão de seu uso é ajustada em montante que em muito supera o salário nominal do empregado, e paga em valores pré fixados independentes da efetiva exploração da imagem. Verificada a desproporcionalidade entre o valor ajustado e o salário do atleta e não havendo comprovação da devida exploração da imagem contratada a qual é o objeto central do contrato de cessão de uso de imagem resta evidenciada a fraude na contratação, artifício usado para evitar o pagamento integral dos tributos e demais encargos envolvidos, inclusive com a utilização de pessoa jurídica interposta. JOGADOR DE FUTEBOL. DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO COM PATROCINADORES. ANUÊNCIA DO ATLETA. Considerando que o objeto contratual é imagem do atleta, é natural que se queira a anuência do mesmo em relação a extensão de suas obrigações, de forma a garantir que a exploração não violará direitos morais. EXPLORAÇÃO DO DIREITO PATRIMONIAL DE SERVIÇO PERSONALÍSSIMO POR PESSOA JURÍDICA. APLICABILIDADE DO ART. 87A DA LEI 9.615/98. IMPOSSIBILIDADE DE DESLOCAMENTO OU RECLASSIFICAÇÃO DO RENDIMENTO A PESSOA FÍSICA. ESPORTISTA. A possibilidade de exploração de serviços de caráter personalíssimo por pessoa jurídica foi expressamente reconhecida pela legislação civil e tributária. No que se refere especificamente a exploração de serviços de caráter personalíssimo vinculados ao uso de imagem de atletas, dispõe o art. 87A da Lei 9.615/98 Lei Pelé. DIREITO DE USO DE IMAGEM. CONTRATO COM PATROCINADOR. OBRIGAÇÕES PERSONALÍSSIMAS. CLAUSULAS DE GARANTIA OU RESCISÃO VINCULADAS AO ATLETA. VALIDADE DO CONTRATO. A inclusão de obrigações personalíssimas além de ser adequada, não descaracteriza o contrato de exploração de direito de uso de imagem. Tampouco clausulas de garantia pessoal de cumprimento, assim como o fato das causas de rescisão se relacionarem a condutas da pessoa física comprometem a natureza jurídica contratual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE JOGADOR DE FUTEBOL. São tributados como rendimentos de pessoa física recebidos de fonte situada no exterior os valores auferidos por atleta profissional de futebol, em decorrência de sua transferência para clube estrangeiro. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 15 27 A partir da análise do referido Acórdão, verificase que a possibilidade de cessão de direito de imagem para pessoa jurídica prevista no artigo 87A da Lei n. 9.715/98 alinhada com a possibilidade de prestação de serviço personalíssimo por pessoa jurídica prevista no artigo 129 da Lei n. 11.196/05 demonstra que não há problemas em que o direito de imagem do jogador de futebol seja recebido na pessoa jurídica. Ainda que no caso Neymar, tenha sido discutida a questão do montante do direito de imagem ser desproporcional em relação ao salário do atleta, cumpre lembrar que a limitação de 40% do direito de imagem sobre a remuneração total prevista no artigo 87A da Lei n. 9.715/98 somente surgiu em 2015, isto é, em período posterior ao aqui tratado. Ademais, conforme exposto anteriormente, até o próprio Tribunal Superior do Trabalho já entendeu que não há problemas em o valor do direito de imagem ser desproporcional ao montante do salário no caso da atleta de voleibol Tandara (Processo: RR 1110522.2015.5.03.0104) em virtude do impacto de visibilidade e marketing daquele atleta. Não resta dúvida de que o atleta Neymar é um fenômeno de "marketing", de modo que ao tempo em que não existia limitação do direito de imagem, não havia dúvidas de que o retorno da imagem do atleta seria, em muito, superior ao ganho técnico decorrente do seu futebol. No presente caso, não é diferente. O Recorrente era o principal jogador do Fluminense em termos de "marketing", sendo a "cara do clube" nas principais ações promocionais. Ademais, ressaltese que o Recorrente foi atleta da seleção brasileira, tendo atuado em duas Copas do Mundo, sendo que era o principal centroavante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2014, ocorrida no Brasil. Em outras palavras, não há dúvida do potencial de "marketing" do Recorrente, de modo que se trata de uma das imagens mais exploradas de jogadores brasileiros nos anos da autuação. Ademais, cumpre ressaltar que a fiscalização ignorou que a "R. Chaves Empreendimentos e Participações Ltda." possui expressivo patrimônio imobiliário e realiza operações imobiliárias, sendo administrada pelo sócio Rodrigo Chaves Guedes, irmão do Recorrente. Assim, fica claro que as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica não se restringem ao recebimento dos direitos de imagem do Recorrente. Logo, ao contrário do alegado no relatório de fiscalização, a pessoa jurídica não é mera detentora dos direitos de imagem (o que não é proibido, sendo expressamente previsto em lei), mas também possui outras atividades. No tocante ao sócio Rodrigo Chaves Guedes, destaquese que ele é o responsável pelo controle e gestão de carreira do atleta, envolvendo a intermediação de negócios e contratos (direitos de imagem, publicidade e marketing), sendo que o referido sócio recebe um prólabore em razão do seu trabalho, além de também receber lucros ou dividendos. Caso seja vencido com relação ao mérito, entendo que devem ser deduzidos da apuração na apuração de crédito tributário e antes da aplicação da multa de ofício e juros moratórios, os valores arrecadados pela pessoa jurídica sob o código de 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO), 2372 (CSLL PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO), por meio dos DARFs anexos (doc. nº 06 da Impugnação), Fl. 1061DF CARF MF 28 cujas receitas foram desclassificadas e convertidas em rendimentos da pessoa física de seu sócio, ora Recorrente. Vale destacar, inclusive, que no Acórdão 10614.244 do antigo Conselho de Contribuintes (caso Felipão), que embora tenha sido emitido antes da edição da Lei n. 11.196/05 é um dos casos mais paradigmáticos do assunto, decidiuse pelo aproveitamento dos créditos pagos na pessoa jurídica, conforme trecho abaixo da ementa: APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS – Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos da pessoa física, base de cálculo de lançamento de ofício. Por fim, caso seja vencido, no tocante à multa qualificada, entendo que deva ser anulada a multa qualificada de 150%, reduzindoa para a multa de ofício comum de 75%, uma vez que não houve descrição do fato típico que ensejou a qualificação da multa, o que não foi feito. Assim, no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 699), a Autoridade Lançadora apenas faz referência ao §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não especificando se a conduta delitiva estaria enquadrada como sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64) ou conluio (art. 73 da Lei nº 4.502/64), tampouco havendo referência à prática de simulação. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, acolher a preliminar de nulidade para anular o Acórdão recorrido e, caso não seja acolhida a preliminar de nulidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Declaração de Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 1. Referido processo retornou à pauta de julgamento de janeiro/2019 em decorrência de pedido de vista efetuado na sessão de dezembro/2018 (item 3 da pauta da sessão do dia 04 de dezembro de 2018). 2. Em decorrência dos debates realizados à época, foi formulado pedido de vista com a finalidade de se proceder a averiguação minuciosa dos autos com vistas a confirmar a existência de elemento documental hábil a comprovar a cessão de direitos de imagem do atleta profissional à empresa R. Chaves. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 15586.720494/201490 Acórdão n.º 2301005.812 S2C3T1 Fl. 16 29 3. Durante a sessão de julgamento realizada em 18/01/2019, evidenciouse uma mudança de foco ao tempo dos debates, com a controvérsia tendo se deslocado para a preliminar de nulidade suscitada no recurso voluntário. 4. Com respeito à questão preliminar, peço licença para manifestar posição diversa do entendimento da nobre maioria, pois não vislumbro, no caso dos autos, a alegada "mudança de critério jurídico" nos termos expostos no voto do eminente Relator do presente acórdão. 5. Ainda ao tempo dos debates, tive a oportunidade de manifestar sobre a higidez da decisão de primeira instância, quanto à abordagem minuciosa de todas as questões levantadas na impugnação, e destacadamente, sobre a precisa exposição relacionada ao artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, inserta no voto do Acórdão nº 16071.869. 5.1. Vejamos: a peça impugnatória articula tópico intitulado "4.4. FATOS GERADORES POSTERIORES À VIGÊNCIA DO ART. 129 DA LEI Nº 11.196/2005. FIM DA DISCUSSÃO SOBRE ESSA MATÉRIA." (efls 759/760). 5.2. Apresentase a visão de trechos extraídos da peça impugnatória: (efls 759) (efls 760) 5.3. Concernente à questão impugnada, o relatório da decisão de primeira instância se pauta pela clareza e concisão (efls 887/888): 20 no mesmo sentido, visando por fim às discussões sobre a possibilidade de esses direitos serem explorados por pessoa jurídica, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005 que, em seu art. 129, expressamente esclareceu que, para fins fiscais e previdenciários, as receitas decorrentes da prestação de serviço Fl. 1063DF CARF MF 30 de natureza artística ou cultural deverão ser tributados na pessoa jurídica, mesmo havendo qualquer designação de obrigações aos seus sócios; ... 32 para por fim às discussões sobre o regime tributário aplicável às sociedades constituídas para a prestação de serviços de caráter pessoal, foi promulgada a Lei nº 11.196/2005, que em seu art. 129 expressamente esclareceu que elas devem ser tributadas como pessoas jurídicas, respeitando a personalidade jurídica que lhes é imbuída na sua constituição; 5.4. Tendo sido ventilada em sede de impugnação, tornase controversa a questão sobre a possibilidade de constituição de pessoa jurídica para prestação de serviços "intelectuais" de caráter personalíssimo. Em decorrência, fazse necessário o enfrentamento da questão pela decisão de primeira instância, em observância ao princípio do contraditório e da ampla defesa. 6. Como dissemos, ainda durante a sessão de julgamento, a inserção de tal fundamentação na decisão de primeira instância, decorre da evolução natural do contraditório inerente ao processo fiscal, constituindose dever do órgão julgador se pronunciar sobre as matérias suscitadas em sede de impugnação. 7. Na visão deste Conselheiro, e com a devida vênia do eminente Relator, não é possível conceber, no caso dos autos, a alegada "alteração de critério jurídico", ou ainda, como consignado no voto que "o Acórdão recorrido deveria ter se limitado a discutir sobre a possibilidade ou não de cessão de direito de imagem de atleta para pessoa jurídica, uma vez que este foi o fundamento da autuação." 8. Diante das considerações acima delineadas, no meu entendimento, a decisão de primeira instância encontrase perfeitamente hígida, em perfeita harmonia com as normas do processo administrativo tributário, não havendo que se cogitar na alteração de critério jurídico, tal como entendido pela maioria do Colegiado. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 1064DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720837/2014-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETROLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO.
A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
Numero da decisão: 3402-005.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que davam provimento integral ao recurso nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETROLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que davam provimento integral ao recurso nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes- Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 CONTRATO DE AFRETAMENTO. ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE EXPLORAÇÃO DE PETROLEO. SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE UM CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de afretamento e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções, no caso concreto. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços, configurando a simulação praticada, vinculado à causa do negócio jurídico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO EMBASADA NOS MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que davam provimento integral ao recurso nos termos do voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 08 37 /2 01 4- 91 Fl. 31279DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Ante a alegada insuficiência de recolhimento para o PIS e para a COFINS referente ao período em comento, a fiscalização lavrou o Auto de Infração aqui tratado para exigir o pagamento dessas exações, acrescidas de multa e juros, o que totalizou o importe de R$ 1.719.485.868,34. 2. Para a devida compreensão fática do caso, mister se faz destacar que a presente discussão decorre dos diferentes contratos de afretamento celebrados entre a recorrente e empresas estrangeiras que atuam no nicho empresarial de exploração do petróleo e afins. De forma muito simplória, a recorrente promove a “locação” de unidades de exploração de poços de petróleo e gás pertencentes a uma empresa estrangeira. 3. Não obstante, também é comum neste mercado que, paralelamente ao negócio jurídico acima narrado, também sejam celebrados outros contratos, dentre eles contratos de prestação de serviços firmados entre a recorrente e empresas nacionais vinculadas à afretadora estrangeira, o qual tem por escopo a prestação de serviços. 4. Dito isso, convém destacar que o presente processo administrativo gravita em torno exatamente dos negócios jurídicos acima sumarizados. 5. Segundo a acusação fiscal, as contratações sobreditas teriam sido objeto de uma cisão artificial em duas avenças distintas, quais sejam, uma de afretamento e outra de serviços, enquanto que, segundo entendimento da fiscalização, tais negócios jurídicos externam uma única avença de prestação de serviço. Nesse sentido, destaco os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 30.802/30.934): (...) Conforme antecipamos, tratase de contratações em que as prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes Fl. 31280DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.280 3 a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho. Pois não se pode perder de vista que, nos casos descritos a seguir, a unidade de perfuração/sondagem/exploração e outros serviços técnicos “pertence” à própria empresa contratada para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração, ou à sua controladora estrangeira – seja a título de propriedade, seja por detenção do direito de exploração comercial da unidade. As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante, não importa, pois o que de fato importa é que a contratante PETROBRAS está perfeitamente ciente da vinculação entre as contratadas e de sua atuação conjunta no desempenho dos contratos, pois a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário. (...). Com base em todo o exposto, concluímos pelo lançamento de ofício do IRRF, da CIDE, do PIS e da Cofins Importação, incidentes sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2010. Os tributos lançados de ofício foram calculados sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS – vide Planilha “Seleção de Beneficiários de Pagamentos ao Exterior à Título de Afretamento”, anexo a este Termo. Fl. 31281DF CARF MF 4 Os pagamentos que resultaram nos valores constantes na Planilha de Apuração do Tributo Devido – IRRF / CIDE / PIS / COFINS 2010 são baseados na “Relação de Valores Pagos ao Exterior à Título de Afretamento” entregue em papel com folhas rubricadas pelo preposto do contribuinte. A referida relação de pagamentos é parte integrante deste auto de infração. (...). 6. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 30.949/30.999, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão n. 0439.942 (fls. 31.112/31.130), da DRJ de Capo Grande/MS, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ENQUADRAMENTO LEGAL. OMISSÃO PARCIAL E IMPRECISÕES CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. É válido o lançamento, ainda que haja omissão parcial ou imprecisão no enquadramento dos fatos ou da infração, se a descrição fática permitir ao autuado a exata compreensão dos fatos que lhe são imputados. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A separação dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação tais como, naviossonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência e em contratos de prestação de serviços propriamente ditos, não reflete a realidade material de sua execução, já que o fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável dos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos de afretamento sujeitamse à incidência da Cofis e do PIS incidentes sobre a importação. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Fl. 31282DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.281 5 Aplicamse ao lançamento do PIS as mesmas razões de decidir adotadas quanto ao lançamento da Cofins, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 7. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 31.139/31.192, repisando os fundamentos expostos em sua impugnação. A União, por sua vez, se manifestou por intermédio de contrarrazões de fls. 31.239/31.277. 8. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 9. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (a) Da nulidade da autuação fiscal 10. Preliminarmente, o recorrente alega a nulidade da presente autuação ao fundamento que, ao acusar a recorrente de artificialmente os contratos aqui analisados, devera a fiscalização ter descrito quais as circunstâncias fáticas que permitiriam alcançar tal conclusão, de modo a caracterizar, por conseguinte, a existência de fraude, dolo ou simulação por parte da Recorrente. Destaco, a título de exemplo, o seguinte trecho da peça recursal: Fl. 31283DF CARF MF 6 11. Penso, todavia, que tal questão levantada pelo contribuinte se confunde com o próprio mérito da lide, motivo pelo qual será analisada no momento oportuno do presente voto. II. Mérito (a) Das circunstâncias fáticas que gravitam em torno do caso decidendo 12. Antes de seguir adiante no presente voto, é indispensável aduzir que a operação em análise e os negócios jurídicos daí decorrentes se revestem de enorme complexidade e, por conta disso, guardam particularidades próprias. Logo, limitar a presente contenda a uma exclusiva discussão no altiplano normativo (geral e abstrato) quanto à eventual validade ou invalidade de um suposto planejamento tributário implicaria, s.m.j, um reducionismo incompatível com o problema enfrentado. 13. Por outro giro verbal, o que se afirma aqui é que para que haja uma decisão juridicamente justa, i.e., em compasso com uma ideia de phronesis aristotélica, é indispensável debruçarse sobre as particularidades do caso decidendo retratadas pelas provas colacionadas ao longo do presente processo administrativo e, em especial, os diferentes contratos firmados entre as partes envolvidas (recorrente, afretadoras estrangeiras e coligadas brasileiras). 14. Fixados tais pontos, convém agora analisar as particularidades do caso decidendo, a começar pelos contratos anexados aos autos na qualidade de prova. Ressaltese, desde já, que apesar do grande volume de contratos anexados, é possível identificar dois contratos padrões, sendo um deles firmado entre as empresas afretadoras estrangeiras e a PETROBRÁS e outro entre empresas nacionais prestadoras de serviços e a PETROBRÁS. 15. A título de exemplo, será aqui analisado o contrato n. 101.2.023.001 (fls. 90 e s.s.) firmado entre a recorrente e afretadora estrangeira Diamond Offshore Drilling Ltd., o qual apresenta o seguinte objeto: Fl. 31284DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.282 7 16. Tratase, pois, do afretamento de unidades semisubmersíveis para a perfuração de poços de petróleo (descrição técnica as fls. 135 e s.s.), tal como ilustra a imagem abaixo: 17. Tais plataformas, por sua vez, apresentam valores altíssimos, podendo superar a casa de um bilhão de dólares1. 18. Não obstante, juntamente com tal contrato de afretamento, a recorrente também firmava com empresas nacionais coligadas a afretadora estrangeira contratos de serviços, tal como o contrato n. 101.2.024.004 (fls. 307 e s.s.) firmado entre a recorrente e Brasdril Sociedade de Perfurações Ltda., o qual apresenta o seguinte objeto: 1 Ilustrando tal informação destacase a seguinte notícia: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,plataformap52custa20maisqueaestimativainicial,9641 Fl. 31285DF CARF MF 8 19. É natural que além do afretamento de um bem tão valioso como o aqui tratado, a recorrente também contrate serviços altamente especializados para a adequada operação das plataformas de perfuração de petróleo e gás. 20. Assim, o que se observa deste arcabouço contratual, é existência de dois negócios jurídicos distintos: (a) um deles celebrado entre a PETROBRÁS e a empresa afretadora estrangeira e que tem por objeto o fretamento de unidade de perfuração de poços de petróleo e gás; e (b) outro firmado entre a PETROBRÁS e uma empresa nacional coligada da afretadora estrangeira, cujo escopo é a prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo e gás. 20. Importante desde já registrar que essa cisão das atividades empresariais destinadas em proveito da PETROBRÁS não é fruto de um prévio planejamento tributário, mas decorre de exigência licitatória imposta pela própria recorrente. As cartas convites internacionais apresentadas pela recorrente não só determinavam a cisão das operações em duas (fretamento e serviços), como também delimitava que do valor global a ser desembolsado pela companhia estatal 90% (noventa por cento) seria destinado ao fretamento e 10% para a remuneração da prestação de serviços. 21. Em síntese, essas são as circunstâncias fáticas que permeiam o caso em concreto. (b) A acusação fiscal 22. Conforme já relatado alhures, a fiscalização aduz que tal operação seria dotada de um indevido artificialismo, decorrente desta cisão entre as atividades de afretamento e de serviços. Ainda segundo a fiscalização, tal artificialismo ficaria evidenciado pela desproporcional divisão dos valores pagos pela recorrente para as empresas contratadas (afretadora e prestadora de serviços), i.e., na ordem de proporção de 90/10. 23. Pois bem. Antes de seguir adiante na análise de tais conclusões fiscais, mister se faz destacar que a exigência aqui tratada foi veiculada em auto de infração, o que é extremamente relevante para a resolução da presente demanda, já que, para sustentar seus fundamentos, compete à fiscalização fazer prova das suas acusações. Em outros termos, é a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil2. Nesse mesmo sentido já decidiu este colegiado, em antiga composição, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão n. 3402002.881, da lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 31286DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.283 9 iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. 24. Partindo de tais pressupostos e voltandose novamente ao caso, vale frisar que o bem afretado apresenta, per si, um valor que pode superar o importe de um bilhão dólares. É inimaginável, portanto, que um bem desta proporção seja cedido por simples comodato como quer fazer crer a fiscalização , apenas para viabilizar a prestação de serviços de poços de petróleo. A dimensão do valor atribuído a tal bem torna perfeitamente factível que se celebre um negócio jurídico com o fito de remunerar o seu afretamento em favor da recorrente. 25. Nada impede, todavia, de a fiscalização provar que o rateio 90/10 feito entre a remuneração do afretamento e a prestação de serviço é desproporcional e, por isso, dotado de um artificialismo. O que não se pode admitir, entretanto, é que para se eximir do ônus probatório, a fiscalização simplesmente trate 100% do negócio jurídico em apreço como serviço, como se a cessão de um bem de aproximadamente um bilhão de dólares não tivesse valor econômico algum. 26. Repito: se a fiscalização entende que o negócio jurídico em análise é artificial, deve ela fazer prova nesse sentido, seja por estudos econômicos seja por intermedio de comparação com outras operações análogas, sob pena de a fiscalização, sponte propria, promover uma indevida inversão do ônus probatório. 27. Não foi isso, entretanto, o que ocorreu no caso em comento, já que a fiscalização se limitou a promover afirmações genéricas no sentido de "defender" em um altiplano eminentemente teórico a suposta artificialidade dos contratos fiscalizados. 28. Nesse sentido, encaminho meu voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (c) Do REPETRO 29. Não obstante, subsiste ainda outro fundamento autônomo a sustentar a posição do contribuinte, qual seja, o tratamento jurídico dispensado pelo REPETRO em situações como a aqui tratada. A respeito deste tema, partilho do preciso entendimento externado pela Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne no âmbito do processo administrativo n. 16682.722898/201654, em que também figura como parte a recorrente. Nesse sentido, com fundamento no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, adoto como meu os fundamentos desenvolvidos pela citada conselheira, o que faço nos segunite termos: (...). Entretanto, o entendimento fiscal desconsidera, por completo, a forma prevista pela própria legislação pátria para a Recorrente desempenhar suas atividades, inclusive com a previsão de regime aduaneiro especial para o afretamento de bens do Fl. 31287DF CARF MF 10 exterior destinados, especificamente, para a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (REPETRO). Com efeito, o REPETRO é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural desenvolvido desde 1997 como um meio de estímulo à atividade petrolífera e para o alcance dos objetivos da Lei n.º 9.478/1997. À época dos fatos geradores autuados, esse regime aduaneiro era disciplinado pelo Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 e pela Instrução Normativa n.º 844/2008, que expressamente traziam os requisitos a serem adimplidos pelas empresas para garantir o tratamento diferenciado para os bens objeto de afretamento. Vejamos a expressão dos referidos diplomas normativos, na redação vigente à época dos fatos: Regulamento Aduaneiro/2009 "Art. 458. O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, previstas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, é o que permite, conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos aduaneiros (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 93, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 3º): (...) Art. 461A. O REPETRO será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 1o Poderá ser habilitada ao REPETRO a pessoa jurídica: (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 458; e (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 2o A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao REPETRO para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 3o Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o não for sediada no País, poderá ser Fl. 31288DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.284 11 habilitada ao REPETRO a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 4o A pessoa jurídica designada, nos termos do § 3o, deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 5o A habilitação de pessoa jurídica para a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo ficará condicionada à comprovação de que está qualificada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ como empresa brasileira de navegação. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 6o Não será objeto do processo de habilitação ao REPETRO a análise das condições regulatórias para autorização de afretamento de embarcações de apoio marítimo, cuja competência é da ANTAQ, nos termos da legislação específica. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 7o A habilitação será outorgada pelo prazo de duração do contrato de concessão, autorização ou relacionado à prestação de serviços, conforme o caso, prorrogável na mesma medida do contrato. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010). § 8o A comprovação do atendimento de exigências relativas à importação e à exportação de bens, a cargo de outros órgãos ou entidades da administração pública, quando for o caso, somente será solicitada por ocasião da utilização dos tratamentos aduaneiros referidos nos incisos I a III do caput e no § 3o, todos do art. 458. (Incluído pelo Decreto nº 7.296, de 2010)." (grifei) Instrução Normativa n.º 844/2008 "Art. 5o O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação Fl. 31289DF CARF MF 12 dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 4º A pessoa jurídica designada deverá constar do contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 5º A habilitação de pessoa jurídica para a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo ficará condicionada à comprovação de que está qualificada pela Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq) como empresa brasileira de navegação (EBN). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 6º Não será objeto do processo de habilitação ao Repetro a análise das condições regulatórias para autorização de afretamento de embarcações de apoio marítimo, cuja competência é da Antaq, nos termos da legislação específica. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 7º A comprovação do atendimento de exigências relativas à importação e à exportação de bens, a cargo de outros órgãos ou entidades da administração pública, quando for o caso, somente será solicitada por ocasião da utilização dos tratamentos aduaneiros referidos no art. 3º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime Fl. 31290DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.285 13 (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. § 1o O RCR deverá ser instruído com: I ADE de habilitação ao Repetro; II cópia da fatura próforma ou documento equivalente; III cópia do contrato de afretamento, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, para os bens constantes do Anexo Único à Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008;e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) IV documentos que comprovem o atendimento às condições estabelecidas no art. 14. (...) § 7º Na hipótese do § 3º do art. 5º, a empresa designada deverá apresentar, também, cópia do contrato de prestação de serviço firmado entre a concessionária ou autorizada e a contratada domiciliada no exterior. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 8º A unidade local da RFB poderá exigir a apresentação de cópia do contrato de prestação de serviço, quando entender necessário. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) § 10. Para efeitos do disposto no § 9º, na hipótese de a cessão do bem à empresa requerente do regime de admissão temporária não estar prevista nos contratos a que se refere o inciso III do § 1º, o RCR deverá ser instruído, também, com cópia de contrato que comprove a transferência da guarda e da posse do bem estrangeiro à interessada. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) Fl. 31291DF CARF MF 14 Art. 18. Compete ao titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro, a concessão do regime de admissão temporária de que trata esta Instrução Normativa, bem como a fixação do prazo de permanência dos bens no País. Parágrafo único. A autoridade a que se refere o caput poderá autorizar, à vista de solicitação fundamentada do beneficiário, a aplicação do regime aos bens referidos no § 1o do art. 2o previamente à admissão dos bens a que se vinculem, na hipótese da admissão prévia ser imprescindível à instalação desses bens." (grifei) Para o presente processo, não é necessário adentrar nos pormenores do REPETRO ou mesmo avaliar qual a situação do regime da Recorrente e das empresas contratadas. Basta, apenas, evidenciar como esse regime aduaneiro especial trata os contratos de afretamento relacionados à atividade petrolífera (como autuados neste processo) e os contratos de prestação de serviço a eles relacionados. A leitura dos dispositivos acima evidencia, primeiramente, que estes contratos, independentemente da forma como são firmados, são sujeitos à uma análise prévia e pormenorizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) para a habilitação da pessoa jurídica no REPETRO e para admissão dos bens no regime. Com efeito, a concessão do regime compete ao titular da unidade da RFB responsável pelo despacho aduaneiro, que somente poderá ser concedido para pessoa jurídica previamente habilitada pela SRFB. Como indicado no art. 5º da IN n.º 844/2008, essa habilitação depende da própria análise dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, independente da forma adotada para a contratação. A diferença entre o contrato de afretamento e dos contratos de prestação de serviço relacionados aos bens objeto de afretamento é bem traçada pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA) ao tratar dos requisitos do REPETRO3: "4.1.1 INTRODUÇÃO O conhecimento da dinâmica dos contratos é muito importante para uma perfeita aplicação do regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica, em especial, do Repetro. O Repetro é um regime aduaneiro especial que depende, para uma adequada instrução processual, da apresentação e da análise de diversos tipos de contratos. 4.1.2 CONTRATO DE IMPORTAÇÃO 3 Disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/repetro/repetro/contratos/contratosintroducao, publicado em 12/03/2015, última atualização em 05/01/2018. Acesso em 11/10/2018. Fl. 31292DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.286 15 O Contrato de Importação é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime) e o exportador estrangeiro (proprietário do bem) e que estabelece os direitos e obrigações das partes no tocante à cessão temporária do bem para internação no País. As modalidades de cessão de bem permitidas para instrução do Repetro são: arrendamento operacional, afretamento, aluguel ou empréstimo (comodato) (Regulamento Aduaneiro, art. 374 ...). O contrato de importação deve instruir o regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica (Regulamento Aduaneiro, art. 374; IN RFB nº 1.600, de 2015, art. 61, § 2º), inclusive o Repetro (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 23, caput). (...) 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O Contrato de Prestação de Serviços, no caso do Repetro, é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e que estabelece os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País. Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). A prestação de serviços no Repetro deve estar ligada às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Regulamento Aduaneiro, art. 458; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). O contrato de prestação de serviços deve instruir o Repetro por meio do Resumo de Contrato, o qual permitirá a delimitação do prazo de vigência do regime (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 23, § 1º; Anexo IV, campo 1.4). Além disso, o Resumo de Contrato vai permitir que o contrato de prestação de serviços seja analisado de maneira mais célere pela autoridade aduaneira. Nota: o contrato de prestação de serviços que fundamentou o Resumo de Contrato pode ser exigido a qualquer tempo pela autoridade aduaneira responsável pela análise do pedido de aplicação do regime (concessão ou prorrogação). Fl. 31293DF CARF MF 16 4.1.5 CONTRATO DE AFRETAMENTO Ao Contrato de Afretamento por Tempo, no caso do Repetro, se aplicam as mesmas disposições previstas no tópico 4.1.4 acima. Vale ainda mencionar uma diferenciação entre o Contrato de Afretamento a Casco Nu e o Contrato de Afretamento por Tempo: 1) Afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação (art. 2º, inciso I, Lei nº 9.432, de 1997). 2) Afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado (Lei nº 9.432, de 1997, art. 2º, inciso II). O afretamento de embarcações de apoio marítimo somente será permitido se a pessoa jurídica responsável pela prestação de serviço for qualificada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ como empresa brasileira de navegação (EBN) (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 5º). 4.1.6 CONTRATO TRIPARTITE O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. 4.1.7 CONTRATO DE EXECUÇÃO SIMULTÂNEA O Contrato de Execução Simultânea, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela Fl. 31294DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.287 17 existência de dois contratos distintos, que devem ser executados simultaneamente: 1) Contrato de Importação (arrendamento operacional, afretamento, locação ou empréstimo); e 2) Contrato de Prestação de Serviços. Esse tipo de contrato é mais usual nos casos de importação de embarcações ou plataformas para execução das atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Deste modo, podemos ter as seguintes combinações contratuais: 1) contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens (este último é uma modalidade do contrato de importação); 2) contrato de prestação de serviços c/c contrato de arrendamento operacional de bens (este último é uma modalidade do contrato de importação); 3) contrato de prestação de serviços c/c contrato de empréstimo de bens (este último é uma modalidade do contrato de importação); ou 4) contrato de prestação de serviços c/c contrato de afretamento de embarcação ou plataforma (este último é uma modalidade do contrato de importação). Nota: não confundir "contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens" com "contrato de prestação de serviços com locação de bens". No primeiro caso, temos uma combinação de dois contratos: o contrato de prestação de serviços com o contrato de importação, os quais serão executados de maneira simultânea, tão logo o bem seja importado. Mas, no segundo caso, temos um único contrato para utilização interna no País, mas que não se enquadra no Repetro por não atender aos preceitos legais, conforme tópico Disposições sobre Contratos." (grifei) A clara distinção entre o afretamento e os serviços marítimos relacionados aos bens fretados é uma preocupação da COANA em razão da exigência veiculada pela legislação aduaneira no art. 461A, §§3º a 5º do Regulamento Aduaneiro/2009, reiterado no art. 5º, §§3º a 5º da IN 800/2008. Estes dispositivos vedam expressamente que as prestações de serviços relacionadas aos bens objeto de afretamento sejam prestados pelas próprias empresas localizadas no exterior. Somente as empresas brasileiras de navegação podem ser habilitadas no REPETRO "para a prestação de serviço relacionado à operação de embarcação de apoio marítimo". Assim, o procedimento exigido pela legislação aduaneira nos contratos de afretamento, para gozo do REPETRO, é exatamente a segregação das operações de afretamento em relação à Fl. 31295DF CARF MF 18 prestação de serviço à elas relacionadas. O contrato de afretamento é uma exigência para a habilitação no regime (art. 17, III, IN 800/2008), podendo ser opcionalmente apresentado o contrato de prestação de serviço (art. 17, §8º, IN 800/2008). Esse último contrato apenas será obrigatório quando a pessoa jurídica contratada não for sediada Brasil, cuja habilitação ao REPETRO poderá ser feita apenas a empresa com sede no País por ela designada, que deverá expressamente constar do contrato de prestação de serviço (art. 17, §7º, IN 800/2008). A divisão dos contratos de afretamento e de prestação de serviços é, portanto, um meio expressamente admitido pela legislação aduaneira brasileira para o cumprimento dos contratos de afretamento de plataformas, navios, naviosonda e embarcações especiais para o desempenho da atividade petrolífera. Esse entendimento, à luz de um detalhado histórico do REPETRO, foi veiculado pelo Acórdão nº 0739.244 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis para outro contribuinte, no processo n.º 10872.720152/201692, mantido em sede de recurso de ofício por este Conselho no Acórdão n.º 3301004.592, de 17/04/2018, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 06/05/2011, 27/06/2011, 07/07/2011, 20/07/2011, 12/09/2011, 19/10/2011, 29/11/2011, 16/12/2011, 27/12/2011, 29/12/2011 CONTRATO DE AFRETAMENTO E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO SIMULTÂNEA. Mesmo antes da alteração promovida pela Lei nº 13.043/2014, é legítima a celebração de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás. CONTRATO DE AFRETAMENTO. PREVISÃO DE SERVIÇOS. A previsão de serviços relacionados à navegação e à manutenção da própria embarcação afretada não altera a natureza de afretamento do contrato, nas modalidades por tempo ou por viagem. TRANSFERÊNCIA MALICIOSA DE VALORES DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA O DE AFRETAMENTO. NECESSIDADE DE DETERMINAÇÃO. Se a fiscalização entender que há transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento, ela deve determinar ou, ao menos, estimar os valores transferidos, e não simplesmente desconsiderar por completo o conteúdo econômico do contrato de afretamento e lançar Fl. 31296DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.288 19 todo os valores contratados como se decorrentes da prestação de serviços fossem. Recurso de Ofício Negado." (Processo nº 10872.720152/201692 Acórdão nº 3301004.592 Sessão de 17/04/2018 Redatora designada Semíramis de Oliveira Duro grifei) Quando da transcrição do acórdão da DRJ, foi expressamente indicado, após a análise da IN RFB 844/2008 que "com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, pela IN RFB nº 941, de 2009, a própria Receita Federal admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços." Desta forma, considerando a especificidade das operações realizadas pela Recorrente, sujeitas inclusive à controle aduaneiro prévio no âmbito do regime do REPETRO, vislumbra se, com clareza, o descabimento da desconsideração perpetrada pela fiscalização dos contratos de afretamento das unidades para a prospecção e lavra de petróleo. Diferentemente da proposta fiscal, esses contratos não se apresentam como mero meio de repasse dos serviços prestados pelas empresas no exterior, representando, na verdade, os valores correspondentes ao uso dos bens de propriedade das empresas no exterior. A contratação em separado do afretamento (com as empresas estrangeiras) e das prestações de serviços (com as empresas nacionais) foi realizada pela Recorrente de acordo com a própria disciplina normativa exigida pelo REPETRO. Ao contrário do que aduz a fiscalização na autuação, é vedada à empresa estrangeira que cede o direito de uso dos bens objeto do afretamento a prestação de serviços marítimos, que devem ser prestados por uma empresa nacional. As empresas estrangeiras, frisese novamente, não estão autorizadas pelo governo brasileiro a prestarem os serviços relacionados aos contratos de afretamento, devendo necessariamente se valer de uma empresa nacional, exatamente como ocorrido no caso em tela. Desta forma, como exigido pela legislação, as empresas que efetivamente prestaram os serviços marítimos são empresas nacionais, ainda que integrantes do mesmo grupo econômico das empresas no exterior, sendo descabida a imputação da prestação de serviço às empresas estrangeiras. E aqui frisese que a interligação entre os contratos não é, em qualquer momento, negada pela Recorrente, exatamente por encontrar respaldo na legislação: de fato, tratandose de embarcações/plataformas de propriedade de estrangeiros, cuja utilização foi cedida à Recorrente, sua utilização e ideal funcionamento depende de serviços técnicos especializados, a serem prestados por empresas nacionais, qualificadas pela Fl. 31297DF CARF MF 20 Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ como empresas brasileiras de navegação. Nesse sentido que se mostra descabida a afirmação fiscal, feita para todos os contratos de afretamento analisados nestes autos (efls. 48.694/48.831) no sentido de que "não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados". Na verdade, os contratos e a própria legislação aduaneira evidenciam que o objeto principal de contratação é o uso de unidade pertencente à empresa localizada no exterior. A sua utilização, manutenção, instalação e funcionamento, por meio de serviços técnicos especializados, são acessórios à esse contrato, devendo ser prestados necessariamente por empresas nacionais. Ao contrário do indicado na autuação, a segregação dos pagamentos, para o Brasil e para o exterior, com fulcro em dois contratos distintos é uma conduta admitida, e até estimulada, pela legislação aduaneira. Como visto, quem cede o direito de uso de uma unidade relacionada a atividade petrolífera (embarcação/plataforma) é a empresa no exterior, integrando o contrato de afretamento objeto de necessária análise no REPETRO (art. 17, III, IN 800/2008). Por sua vez, quem pode prestar os serviços técnicos especializados relacionados a essas unidades é a empresa brasileira de navegação, qualificada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários ANTAQ, que integra o contrato de prestação de serviço que não necessariamente precisa de fiscalização prévia no REPETRO (art. 17, §8º, IN 800/2008). Por isso, plenamente autorizada a separação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Assim, a pergunta inicialmente formulada (os contratos de afretamento firmados pela PETROBRÁS com empresas estrangeiras são apenas contratos de fachada, inexistentes de fato, utilizados, exclusivamente, para ocultar remessas de remunerações de serviços ao exterior?) merece uma resposta cabalmente negativa, à luz da legislação aduaneira aplicável à essa espécie distinta de contratação. Esses contratos são objeto de tratamento aduaneiro específico, com prévia análise e homologação por parte da Secretaria da Receita Federal, não podendo ser meramente desconsiderados exatamente pelo fato da Recorrente ter adotado conduta autorizada e estimulada para o gozo do regime aduaneiro. Com amparo na legislação aduaneira, possível afirmar que a forma jurídica adotada pela Recorrente é lícita e guarda a devida coerência com os institutos de direito privado adotados. Não representa, portanto, simulação nos negócios jurídico perpetrados, necessária para a desconsideração de seus efeitos na forma do art. 167, do Código Civil/20024, como se manifesta este Conselho: 4 "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: Fl. 31298DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.289 21 "SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTÂNCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto". (PTA 16095.000723/201017. Data da Sessão 25/03/2015. Relator Helio Eduardo de Paiva Araujo. Acórdão n.º 1302001.713 grifei) "SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A utilização de uma empresa componente do grupo (Subsidiária integral) para a organização de negócios e a válida implementação da estrutura análoga às dos correspondentes bancários” (Resolução BACEN no 3.110/2003 e 3.954/2011), mesmo que essa não possua estrutura própria, não se mostra suficiente para presumir a ocorrência de fraude. O reconhecimento da existência de “objetivo negocial” não está atrelado à existência de empregados, escritórios ou demais elementos materiais, mas sim, de sua efetiva presença e atuação nos negócios considerados, o que efetivamente restou validamente comprovado nos autos. A caracterização de “simulação”, na presente vertente, sem a necessária configuração das hipóteses próprias do art. 167 do Código Civil, somente seria possível com a aplicação das disposições do parágrafo único do Art. 116 do CTN, o que, atualmente por falta de específica regulamentação , não pode ser promovido pelos agentes da fiscalização fazendária." (PTA 11080.722264/201071 Data da Sessão 04/12/2013 Relator Calor Augusto de Andrade Jenier Acórdão n.º 1301001.356 grifei) (...). 30. Assim, também com base em tais fundamentos apresentados pelo contribuinte, direciono meu voto pelo provimento do recurso voluntário interposto Dispositivo I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Fl. 31299DF CARF MF 22 31. Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. 32. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. DA PRELIMINAR DE NULIDADE NO LANÇAMENTO Em preliminar, a Recorrente alega a nulidade do lançamento em razão da ausência de fundamentação das razões para taxar de artificial a bipartição contratual, tendo por base o artigo 10º, inciso III e artigo 59, inciso II, ambos do DecretoLei nº 70.235/72. Não assiste razão à Recorrente. A nulidade disposta nos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.º 70.235/72 decorre da ocorrência de uma das seguintes hipóteses: (i) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; (ii) quando resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte. Nenhum desses vícios foi verificado no lançamento efetuado, que foi realizado por autoridade competente, e assegurado o pleno exercício do direito de defesa à parte. A autoridade fiscal, através de um minucioso trabalho de auditoria e das provas carreadas aos autos, constatou a falta de recolhimento das contribuições nos períodos analisados, pela comprovação da artificial bipartição dos contratos de afretamento e serviços. Foram perfeitamente identificados os aspectos da hipótese de incidência, bem como indicada da base legal e a fundamentação jurídica pertinente para as conclusões do trabalho fiscal. A defesa compreendeu perfeitamente os fatos e as infrações a ela imputadas, conforme demonstra a sua impugnação e o Recurso Voluntário ora em análise. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais afasta a nulidade por inexistir prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos se amoldam perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada (Acórdão CSRF/02 02.301). Dessa forma, considerandose que a recorrente rebateu os fundamentos da autuação, mediante extensa e substanciosa defesa, afastase a nulidade do lançamento requerida. DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DOS CONTRATOS VINCULADOS A autoridade fiscal demonstrou que as contratações relativas às prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante Fl. 31300DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.290 23 PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária. Segundo a alegação fiscal, os serviços foram prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte (90%) do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior (10%) é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte. A conclusão do procedimento fiscal demonstra a inexistência de afretamento autônomo, apesar da existência formal de dois contratos. Para a fiscalização, o fornecimento da unidade (afretamento) seria apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. A única contratação existente seria de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Nos casos analisados, constatouse que as empresas contratadas pertenciam a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços, e desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada. Tal vinculação era de pleno conhecimento da contratante PETROBRÁS. Em sua defesa, a Recorrente alega a regularidade do modelo contratual adotado, afastando o enquadramento como prestação de serviço. Também afasta a artificialidade dos contratos, afirmando que, apesar de coligados, os contratos seriam autônomos. Também alega que o modelo contratual seria reconhecido pela Lei nº 13.043/2014, e já era exigido pela Administração desde 2008 para fins de regulamentação do REPETRO, e que foram objeto de análise quando da habilitação no REPETRO, de forma que o lançamento configuraria mudança de critério jurídico afrontando o disposto no artigo 146 do CTN. A fiscalização realizou uma análise minuciosa de cada contrato de afretamento e de prestação de serviços, no intuito de demonstrar que, não obstante a segregação formal, na realidade, o que existia era uma única atividade de exploração e pesquisa de petróleo/gás, prestada pelo grupo econômico (empresa brasileira e estrangeira). Em sua conclusão reafirmou que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderiam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços. Destacamse os seguintes fatos apurados pela autoridade fiscal que fundamentaram a decisão recorrida: · contratos vinculados, em alguns casos expressamente em cláusulas, ou assinados na mesma data; · fretadora cossegurada em seguro de responsabilidade civil com prestadora de serviços; · fretadora solidariamente responsável com prestadora de serviços; · rescisão do contrato de prestação de serviço é base para rescisão do contrato de afretamento; Fl. 31301DF CARF MF 24 · contrato de afretamento traz a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela prestadora de serviços, com cargos diretamente ligados à operação da unidade; · contrato de afretamento dispõe que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo da Fretadora ou seus prepostos; · no caso de despejo de petróleo, óleo e outros resíduos no mar, a responsabilidade conjunta recai sobre a Fretadora e sobre a Prestadora de Serviços; · contrato de afretamento diz que a Contratada (Fretadora) deverá fornecer à PETROBRAS “Folha de Pagamento de seus empregados que estiverem envolvidos na prestação dos serviços contratados” . Tais fatos, devidamente comprovados e não refutados, não podem ser desprezados na presente análise. A vinculação entre as partes, a estreita ligação entre os objetos contratados, as mutuas responsabilidades, os prazos, e as pessoas envolvidas, caracterizam uma verdadeira confusão entre as contratações, comprovando a existência de uma única contratação, conforme afirmado pela autoridade fiscal. Portanto, concluise que a autoridade fiscal demonstrou que os contratos eram não são apenas interligados, mas unos, conforme afirmação feita para todos os contratos analisados nos autos: “a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade [...] foi de fato fornecida por empresa do Grupo [...], mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; c) empresa do Grupo [...] foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo [...] forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração.” Analisando situação semelhante, assim se manifestou o Conselheiro Alexandre Kern no voto vencido (vencedor neste ponto) do Acórdão 3403002.702, cujo excerto reproduzo a seguir: “Pareceme que o conjunto indiciário reunido pela Fiscalização é consistente e corrobora essa conclusão. Em primeiro lugar, os contratos ditos de afretamento de afretamento não são, pois não têm como objeto embarcação. Ademais, as unidades de perfuração e de produção de petróleo offshore, objeto dos contratos de afretamento, não são meras estruturas metálicas, sobre as quais desembarcam e atuam os operadores da companhia prestadora de serviço contratada. Em absoluto. As unidades são, justamente, os equipamentos que serão operados para a consecução do objetivo último da Petrobrás, que é Fl. 31302DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.291 25 a perfuração ou produção do poço de petróleo. E, penso ser evidente, tratase de equipamentos sofisticados, construídos sob encomenda, com projeto único, que incorpora, em geral, o último estágio de desenvolvimento da tecnologia. Nesse sentido, seus operadores são designados já durante a fase de construção, no estaleiro, tamanha é a intimidade com equipamento requerida para operá los. Saliento esse aspecto porque, ainda que se considere a natureza genérica dos contratos, como contrato de aluguel de bens, o que sobressai é que tal contratação é absolutamente dispensável. Bastaria que a Petrobrás celebrasse contrato único, de prestação de serviços, fosse com a nacional ou com a empresa estrangeira, ainda assim as unidades seriam fornecidas, simplesmente, porque não há como prestar os serviços sem elas. Aliás, esse é exatamente o modelo de contratação para a perfuração e produção de petróleo em terra. A Petrobrás, em terra, não se dá ao trabalho de contratar o aluguel de uma sonda de perfuração de terra SPT e, simultaneamente, contratar a prestação do serviço, pois é ilógico, desnecessário, antieconômico. E, se ainda assim, por qualquer razão que se nos escape, a Petrobrás insistisse nesse modelo de contratação, a hipotética locatária dos equipamentos jamais admitiria que os mesmos fossem operados por terceiros. Portanto, pareceme que a conclusão a que chegou a Fiscalização a respeito da essência desses contratos está correta. A bipartição do contrato em “afretamento” e prestação de serviços – a também, por óbvio, a sua coligação voluntária – é artificial, desnecessária, sem propósito. A recorrente nessa hora bradará princípios constitucionais como da Livre Iniciativa (art. 1º, IV), da Livre Concorrência (art. 170, IV) ou mesmo da Propriedade Privada (art. 170, II), e que o ordenamento jurídico brasileiro outorga ao contribuinte o direito de organizarse de forma que se lhe imponha a menor carga tributária possível. Pugnará por que se analisem os contratos celebrados sob uma concepção estritamente formal da legalidade. Enfim, invocará a clássica cantilena liberal formalista que leva à (equivocada) conclusão de que, em matéria de planejamento tributário, tudo o que não estiver expressamente proibido é lícito ao contribuinte. Marciano Seabra de Godoi diagnostica que essa postura parte de certos valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, quais sejam, o tributo visto como uma agressão ou um castigo que se aceita mas não se justifica; a segurança jurídica como um valor absoluto; a aplicação mecânica e não valorativa da lei como um mito sagrado; o individualismo e a autonomia da vontade sobrevalorizados e hipertrofiados, como se vivêssemos em pleno século XIX. Atualmente, as bases da tributação são liberdade, igualdade e solidariedade. Neste cenário, a interpretação dos atos jurídicos e das operações não se pode valer da máxima de hipossuficiência dos contribuintes frente ao todopoderoso Estado, sob pena de se obstar a aplicação de outros princípios constitucionais. Há diversos outros que podem ser tolhidos caso planejamentos sejam indiscriminadamente considerados válidos e legítimos tãosomente porque adotaram forma jurídica prevista em texto de lei (Dignidade da Pessoa Humana, Função Social da Propriedade, Isonomia). O planejamento tributário deve ser analisado “não apenas sob a ótica das formas jurídicas admissíveis, mas também sob o ângulo da sua utilização concreta, do seu funcionamento e dos resultados que geram à luz dos valores básicos igualdade, solidariedade social e justiça” (GRECO. Marco Aurélio. Fl. 31303DF CARF MF 26 Planejamento tributário. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, p. 195) . Enfim, exigese, para além de uma economia de tributos, um propósito negocial. Nesse sentido, a doutrina propõe um teste para se constatar ausência de propósito negocial (SCHOUERI, Luís Eduardo. O desafio do planejamento tributário. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITRAS, Rodrigo de (org,). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187): a) o elemento temporal: já que muitas vezes se verifica que o planejamento, em geral atividade pensada e preparada, é realizada às pressas, com a assinatura de vários documentos em um único momento, alguns desfazendo transações que se celebram no mesmo instante; b) a independência ou não das partes, eis que muitas fusões, cisões e incorporações se dão apenas como forma de alocar perdas e ganhos entre empresas de mesmo grupo, sempre visando à redução da tributação; c) ausência de coerência, quando se realizam transações que não se inserem na rotina da empresa ou na lógica empresarial. Marco Aurélio Greco (GRECO, Marco Aurélio. Perspectivas teóricas do debate sobre planejamento tributário. Revista Fórum de Direito Tributário, Belo Horizonte, ano 7, n. 42, ano 2009. Apud PAULA, Daniel Giotti de. O Dever Geral de Vedação À Elisão: uma análise constitucional baseada nos fundamentos da tributação Brasileira e do direito comparado. Revista da PGFN. Brasília: PGFN, 2011. p. 187) revela os indícios de mera tentativa despropositada de economia de tributo: a) operações estruturas em seqüência, em que uma etapa não tem sentido a não ser quando vista a partir do conjunto de etapas [...]; b) operações invertidas, no sentido de serem realizadas ao contrário do que indica o juízo comum, por exemplo, a incorporação da controladora pela controlada; c) operações entre partes relacionadas, pois nestas é mais rigoroso o juízo sobre os critérios de eqüitatividade em que devem ser feitas certas operações quando comparadas com operações com terceiros; d) o uso de pessoas jurídicas para realizar determinadas operações, pois além de poderem configurar uma interposta pessoa, estas sociedades podem se apresentar como meros instrumentos de passagens de recursos destinados a terceiros (conduint companies) ou assumirem a condição de sociedade aparentes, fictícias ou efêmeras; e) operações que impliquem deslocamento da base tributável para o exterior, pois isto afeta a soberania e a imperatividade da norma tributária; f) as substituições ou montagens jurídicas em que as formas contratuais são construídas meramente para vestir determinado conteúdo sem que haja razões reais e efetivas que as justifiquem.” O i.relator assim concluiu no Acórdão 3403002.702 sobre o modelo de contratação da Petrobrás, situação similar àquela apurada nos presentes autos: Fl. 31304DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.292 27 “O modelo de contratação da Petrobrás sucumbe em todos os testes que lhe são pertinentes: a) Quanto ao aspecto temporal, revelase a simultaneidade da celebração dos pares de contratos; b) A interdependência das partes contratantes é nota característica: a prestadora dos serviços nacional é controlada pela “fretadora” estrangeira; c) Ausência de coerência: a Petrobrás não reproduz o modelo de contratação bipartida, mutatis mutandis, nas suas operações terrestres; d) Deslocamento da base tributável para o exterior: a Petrobrás atribui ao contrato de afretamento, celebrado com a empresa estrangeira, 90% do valor total da causa dos contratos (a exploração dos poços de petróleo); e) Montagem jurídica: a bipartição de contrato que tem causa unitária – a exploração de poços de petróleo – é artificial e despropositada.” Não procede a alegação da Recorrente quanto à violação aos artigos 109 e 110 do CTN, bem como ao artigo 170 da Constituição Federal, ao desconsiderar a dualidade contratual e considerar como um único contrato de prestação de serviços. Não houve desrespeito aos institutos próprios do direito privado, ou ao direito de livre iniciativa ou exercício de atividade econômica, mas apenas definir a verdadeira natureza dos pagamentos realizados pela empresa no exterior e imputar os efeitos tributários decorrentes de tal pagamento. O que ocorreu foi constatação de que os contratos firmados, bipartidos, teriam uma só natureza e seriam, de fato, unos, com o objetivo de regular a contratação de serviços técnicos para garantir a funcionalidade da plataforma para o cumprimento de sua finalidade, a perfuração/exploração de gás e petróleo. Comprovouse que o fornecimento da plataforma seria apenas meio para alcançar a verdadeira atividade pretendida pela Recorrente. Aqui, os princípios de liberdade de autoorganização colidem com o princípio da solidariedade, da capacidade contributiva e da igualdade. A autoridade fiscal, na análise da situação fática e da hipótese de incidência da contribuição, ao dar efeitos tributários diversos daquele esperado pela Recorrente, não apenas considerou os aspectos formais da operação, mas buscou a essência dos atos praticados, de forma a afastar uma interpretação literal que considera apenas os aspectos formais dos atos. A liberdade de contratar não poderia se sobrepor aos princípios da capacidade contributiva, igualdade e solidariedade. A bipartição de contratos revelase artificial, conforme já decidiu este Conselho em diversos outros julgados: Acórdão nº 3201003.022 CIDE. AFRETAMENTO. NATUREZA INDISSOCIÁVEL DO SERVIÇO. CONTRATAÇÃO ÚNICA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. A contratação de embarcação com especificações de construção, equipamento e operação para atender à consecução dos serviços técnicos especializados de levantamento sísmico consubstanciase parte integrante e indissociável da atividade, que se constitui única, não permitindo segregar os valores pagos Fl. 31305DF CARF MF 28 para os efeitos de incidência da CIDE ainda que discriminados no mesmo ou diferentes contratos. Acórdão nº 3302004.822 CONTRATO IMPROPRIAMENTE DENOMINADO DE AFRETAMENTO DE NAVIO DE PESQUISA. REAL NATUREZA DO NEGÓCIO JURÍDICO CONTRATADO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. REMESSA AO EXTERIOR A TÍTULO DE REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS PRESTADOS. INCIDÊNCIA DA CIDE. POSSIBILIDADE. 1. Para fins tributários, prevalece a natureza real do negócio jurídico realizado e não a declaração formal inverídica contida nos instrumentos contratuais impropriamente denominados de afretamento de navio de pesquisa. Segundo os fatos comprovados nos autos, o real negócio jurídico contratado pela recorrente foi a prestação de serviços de “levantamento de dados sísmicos multicomponentes tridimensionais (3D)” e não o afretamento de navio de pesquisa. 2. O fornecimento da embarcação, aparelhada com os equipamentos sísmicos, é parte integrante e indissociável dos real contrato de serviços técnicos de levantamento de dados sísmicos contratados, razão pela qual os valores mensais integrais remetidos ao exterior a título de remuneração às empresas estrangeiras prestadoras dos referidos serviços estão sujeitos à incidência da CIDE e integram a base de cálculo da referida contribuição. Acórdão nº 3302003.095 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita nos casos é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. Acórdão nº 2202003.063 ARTIFICIALIDADE DA BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. CONTRATO ÚNICO. A bipartição dos serviços de exploração marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual se trata de um único contrato de prestação de serviços. Também revela a artificialidade dos contratos, na repartição de 90/10, as alterações legislativas que estabeleceram o percentual máximo a ser atribuído aos contratos de afretamento. Fl. 31306DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.293 29 A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, o percentual máximo de 80% (oitenta por cento) atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços. Posteriormente, os percentuais máximos foram ajustados pela Lei 13.586/2017, prevendo que o percentual de afretamento passaria a ser de 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços. Destacase que tais percentuais não se aplicam no caso em concreto, que aqui discute a incidência das contribuições, mas revelam a artificialidade reconhecida pelo próprio legislador brasileiro quanto aos percentuais de repartição dos contratos de afretamento e serviços nos percentuais de 90% e 10%. A repartição dos contratos revelase artificial, com a constatação de que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços, configurando uma única contratação. A situação constatada enquadrase, de forma clara, no conceito de simulação, ligado à causa do negócio jurídico. É cristalino o fato que o negócio aparente (dois contratos) é divergente do negócio real (única contratação de fato). A causa típica do negócio (contratação para pesquisa e exploração de petróleo e gás, com o fornecimento da unidade) diverge da causa aparente, que artificialmente repartiu a contratação através de um contrato autônomo de afretamento. Nesse caso, haveria um vício na causa, pois as partes usaram determinada estrutura negocial (contratos bipartidos) para atingir um resultado prático, que não correspondeu à causa típica do negócio posto em prática. Destacase, mais uma vez, que a única contratação existente seria de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. O entendimento acima encontra abrigou na doutrina do professor Marciano Seabra de Godoi, que assim analisou a questão da simulação como vício na causa do negócio jurídico: “O conceito de simulação é, no âmbito do próprio direito civil brasileiro, bastante controverso. Ainda que nem sempre deixem isso explícito, diversos autores definem e aplicam o conceito de simulação com base numa visão causalista. A causa dos negócios jurídicos pode ser definida como o “fim econômico ou social reconhecido e garantido pelo direito, uma finalidade objetiva e determinante do negócio que o agente busca além da realização do ato em si mesmo”. A causa é portanto o propósito, a razão de ser, a finalidade prática que se persegue com a prática de determinado negócio jurídico. Orlando Gomes inclusive promove uma classificação dos negócios jurídicos com base nas causas típicas de cada um deles (a cada negócio “corresponde causa específica que o distingue dos outros tipos”): o seguro é por exemplo um negócio jurídico cuja causa é a “prevenção de riscos”, ao passo que o contrato de sociedade tem como causa uma associação de interesses, compondo a categoria dos “negócios associativos”. Fl. 31307DF CARF MF 30 Fixado esse conceito de causa dos negócios jurídicos, como encarar a figura da simulação? Na simulação há um vício na causa, pois as partes usam determinada estrutura negocial (compra e venda) para atingir um resultado prático (doar um patrimônio) que não corresponde à causa típica do negócio posto em prática. Na formulação de Orlando Gomes sobre a simulação relativa, “ao lado do contrato simulado há um contrato dissimulado, que disfarça sua verdadeira causa” destacamos. Os autores causalistas ressaltam que na simulação não há propriamente um vício do consentimento (como no erro ou no dolo), pois as partes consciente e deliberadamente emitem um ato de vontade. O que ocorre é que o ato simulado não corresponde aos propósitos efetivos dos agentes da simulação. Por isso diversos autores vêem na simulação uma “divergência consciente entre a intenção prática e a causa típica do negócio”. O espanhol Federico de Castro y Bravo sustenta que a natureza específica da simulação não é a de “uma declaração vazia de vontade”, mas a de uma “declaração em desacordo com o objetivo proposto [pelas partes], ou, o que é o mesmo, uma declaração com causa falsa” – destacamos. Tanto na concepção causalista ora estudada, quanto na concepção restritiva vista na seção anterior, o negócio simulado é visto como “nãoverdadeiro”. Mas isso a partir de perspectivas diferentes. Com efeito, na perspectiva causalista haverá simulação mesmo que as partes não inventem nem escondam de ninguém um fato específico no bojo de cada um dos negócios praticados”5. A situação apurada nos autos também não diverge do conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): Art. 167 – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º – Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – Aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II – Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III – Os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. No caso, não havia contrato autônomo real de afretamento, mas apenas uma única contratação pesquisa e exploração de petróleo e gás, com o fornecimento da unidade. Dessa forma, a pessoa a quem foi conferido o direito no contrato de afretamento foi diversa daquela que efetivamente se conferiu, configurando a simulação conforme o Código Civil. No presente caso a própria bipartição dos contratos, no percentual de 90/10 já se revela artificial, configurando a simulação praticada. A própria contratante dos serviços determinou a repartição dos contratos em duas, delimitando que, do valor global a ser desembolsado pela companhia estatal, 90% (noventa por cento) seria destinado ao fretamento e 10% para a remuneração da prestação de serviços. Portanto, a artificialidade da repartição dos contratos foi um ato consciente e intencional da recorrente, configurando o intuito doloso da simulação praticada. 5 GODOI, Marciano Seabra de Godoi. Dois conceitos de simulação e suas conseqüências para os limites da elisão fiscal. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Org.). Grandes questões atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2007, v. 11, p. 284285. Fl. 31308DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.294 31 Dessa forma, concluise pela higidez do lançamento efetuado e da decisão recorrida, pela comprovação da unicidade contratual, simulação praticada, e constatação da existência de pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras como contrapartida de serviços técnicos prestados, sujeitos à incidência das contribuições. DO REPETRO A Relatora alega que o entendimento fiscal desconsidera, por completo, a forma prevista pela própria legislação pátria para a Recorrente desempenhar suas atividades, inclusive com a previsão de regime aduaneiro especial para o afretamento de bens do exterior destinados, especificamente, para a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural (REPETRO). Confirma, ainda, a afirmativa da Recorrente acerca da adequação do modelo de contratação adotado àquele determinado pelo REPETRO. Conforme já exposto pela Relatora, o REPETRO é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural. O regime foi instituído pelo Decreto nº 3.161, de 02 de setembro de 1999 (revogado) e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), e pela IN RFB nº 1.415, de 2013. Aqui, destacamos um importante ponto no referido regime: a base legal indicada pelos atos infralegais é o artigo 79, parágrafo único, da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) Constatase, portanto, que a base legal do regime é uma “norma em branco”, que outorga competência para o Poder Executivo a determinar quais seriam os requisitos para a aplicação do regime de admissão temporária para utilização econômica. Destacase que o referido regime tem a natureza jurídica de isenção condicionada. O mesmo vício encontramos na previsão do Decretolei 37/66: Art.93 O regulamento poderá instituir outros regimes aduaneiros especiais, além dos expressamente previstos neste Título, destinados a atender a situações econômicas peculiares, estabelecendo termos, prazos e condições para a sua aplicação. Entendo que tal disposição seria uma violação ao princípio da estrita legalidade, que exige “lei” tanto para tributar quanto para exonerar (CTN, art. 97, inciso III, c/c Fl. 31309DF CARF MF 32 art. 111). Mas, como não estamos analisando os benefícios fiscais do REPETRO, não me estenderei nesse ponto. Em resumo, o REPETRO prevê os seguintes tratamentos tributários/aduaneiros: Conforme exposto pela Relatora, à época dos fatos geradores autuados, esse regime aduaneiro era disciplinado pelo Regulamento Aduaneiro/2009, aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 e pela Instrução Normativa n.º 844/2008. A Relatora afirma, com base nos dispositivos regulamentares transcritos em seu voto, que os contratos firmados estavam sujeitos à uma análise prévia e pormenorizada pela RFB para a habilitação da pessoa jurídica no REPETRO e para admissão dos bens no regime. Entretanto, a Relatora se equivoca a afirmar que tais contratos foram previamente homologados pela RFB e que não poderiam ser desconsiderados pela autoridade fiscal e aduaneira. Já afirmamos em estudo acadêmico publicado6 que a homologação do lançamento tributárioaduaneiro ocorre no procedimento de Revisão Aduaneira, ainda que o canal de conferência aduaneira tenha sido diferente do verde. No referido ato também ocorre a homologação das informações prestadas nas Declarações de Importação ou Admissão em Regime Especial, conforme previsto no artigo 54 do Decretolei 37/66: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Portanto, não procede o fundamento que aponta pela análise definitiva e homologação dos contratos. Em seguida, a Relatora reproduz exceto do Manual do REPETRO, publicado pela CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA) em 12/03/2015 e atualizado em 05/01/2018, e disponível no sítio da RFB. No referido manual, a administração aduaneira esclarece os tipos de contrato objeto do REPETRO, com a previsão do Contrato de Importação, Contrato de Prestação de Serviços, Contrato de Afretamento, Contrato Tripartite e o Contrato de Execução Simultânea. 6 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Revisão aduaneira e segurança jurídica. São Paulo: Intelecto, 2016. Fl. 31310DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.295 33 A legislação veda a prestação de serviço direta por empresa estrangeira, mas prevê que o mesmo pode ser prestado por outra empresa por ela designada, conforme dispõe o item 4.1.4 do referido manual: 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS [...] Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). O parágrafo 3º do artigo 5º da IN RFB 844/2008, com a redação dada pela IN RFB 1070/2010, traz a previsão regulamentar para a designação de empresa com sede no País para promover a importação de bens, em caso de contratação de pessoa jurídica com sede no exterior: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei no 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) No caso, seria um Contrato Tripartite, conforme definição do item 4.1.6 do manual: Fl. 31311DF CARF MF 34 O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. A operação poderia ser considerada como válida se efetivamente existisse três empresas envolvidas de forma autônoma. O modelo tripartite, com contratos distintos entre agentes distintos e autônomos, poderia ser considerado como válido caso houvesse, efetivamente, três agentes autônomos envolvidos. A Relatora corretamente afirmou que a divisão dos contratos de afretamento e de prestação de serviços seria um meio expressamente admitido pela legislação aduaneira brasileira para o cumprimento dos contratos de afretamento de plataformas, navios, navio sonda e embarcações especiais para o desempenho da atividade petrolífera, mas desde que tal contrato reflita a realidade da operação contratada. O modelo seria permitido, desde que refletisse a real operação, o que não ocorreu nos autos. A designação de uma empresa brasileira para a prestação de serviços ligada à contatada estrangeira, com as vinculações e confusões contratuais e financeiras identificadas pela autoridade fiscal, afasta a natureza autônoma da suposta subcontratação para prestação de serviços, e a validade tributária dos contratos distintos, configurando apenas uma operação de fato para fins tributários. Neste caso, o que de fato ocorreu foi uma única contratação da empresa estrangeira, que designou um preposto para a execução do serviço no País e para se habilitar no REPETRO. É importante lembrar, ainda, que a finalidade do REPETRO é a redução da carga tributária na importação dos bens utilizados na exploração do petróleo, e não a regulação da prestação de serviços vinculados. Destacase, também, que a interligação entre os contratos não é negada pela Recorrente. Entretanto, a autoridade fiscal demonstrou que os contratos não são apenas interligados, mas unos, conforme afirmação feita para todos os contratos analisados nos autos: “a) não se pode atribuir os pagamentos a simples afretamento, visto que, no caso concreto, o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados; b) a unidade [...] foi de fato fornecida por empresa do Grupo [...], mesmo grupo a que pertence a empresa brasileira contratada para a prestação de serviços de perfuração; Fl. 31312DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.296 35 c) empresa do Grupo [...] foi contratada para prestar serviços utilizando unidade que o próprio Grupo [...] forneceu; d) tratase de uma só contratação, artificialmente bipartida, a fim de evitar a incidência do imposto de renda, da CIDE, e do PIS/COFINS Importação sobre a maior parte da remuneração.” Questão semelhante acerca da repartição dos contratos também foi objeto de análise da RFB na Solução de Consulta nº 225/2014, curiosamente citada pela defesa como argumento justificador de sua conduta, que se revela imprópria para tal fim. A referida Solução de Consulta advertia, em suas conclusões, que a contratação entre partes relacionadas integrantes de um conglomerado poderia consubstanciar um planejamento tributário abusivo. Transcrevo excerto do referido ato: “[...] 13.No caso em tela, a consulente detém um contrato de construção de navio sonda com um estaleiro brasileiro. Finalizada a construção, o navio sonda será submetido ao procedimento de exportação ficta, ou seja, será exportado sem a efetiva saída do território brasileiro. 14. O centro da questão é a forma de contratação dos referido navios sonda para operação no Brasil, que será feito por meio de dois contratos distintos: (i) contrato de afretamento; e (ii) contrato de prestação de serviço. O primeiro contrato será efetuado entre a consulente, que é uma empresa domiciliada no exterior, e uma empresa brasileira da área de petróleo e gás. Já o contrato de prestação de serviços para operação do navio sonda será efetuado entre a empresa brasileira da área de petróleo e gás e uma empresa operadora brasileira. 15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação. 17. No caso ora analisado, a consulente afirma que será responsável por fornecer o equipamento afretado enquanto uma outra empresa brasileira será a operadora do equipamento, sendo que as duas empresas são independentes e não pertencem ao mesmo grupo econômico. 18. Esse aspecto é importante porque a vinculação entre as empresas responsáveis pelo afretamento do equipamento e pela sua operação poderia configurar, quando associada a outros aspectos, tais como a desproporção da remuneração pactuada e ausência de propósito negocial, um planejamento fiscal abusivo com a conseqüente descaracterização do negócio por parte do Fisco. [...]” Fl. 31313DF CARF MF 36 No caso referido na Solução de Consulta não havia a vinculação entre as partes, diferentemente do que ocorre no caso em análise cujos fatos comprovadamente apontaram a existência de apenas uma única contratação da empresa sediada no exterior, que foram formalmente desmembrados em dois contratos para usufruir dos benefícios fiscais do REPETRO e iludir o pagamento das contribuições, dentre outros benefícios. Portanto, pelas razões acima expostas, entendo que deve ser afastado o fundamento utilizado no voto da i. Relatora no sentido de que as normas do REPETRO legitimam o modelo de contrato adotado pela Recorrente: primeiro, pela inexistência de um ato legal que poderia legitimar as operações, mas apenas atos regulamentares da RFB que não teria poder para tanto, especialmente para legitimar a ilusão da incidência das contribuições, especialmente o aspecto material de sua hipótese de incidência; segundo, ainda que fosse permitido à RFB definir os modelos contratuais, se sobrepondo à hipótese de incidência das contribuições, a interpretação dada pela RFB não avaliza a operação em questão, visto que se trata de um único contrato executado pela contratante e por empresa designada por ela para promover a importação e prestar os serviços contratados. A legislação tributária não admite a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços em tela. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Relativamente aos argumentos lançados pela Recorrente acerca da improcedência da incidência dos juros sobre a multa, aplicase o entendimento da Súmula CARF nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. DA CONCLUSÃO Considerando a ocorrência de simulação na repartição dos contratos, concluise que estão corretos o lançamento efetuado e a decisão recorrida, pela comprovação da unicidade contratual e constatação da existência de pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras como contrapartida de serviços prestados, sujeitos à incidência das contribuições. Dessa forma, a turma julgadora acordou em negar provimento ao recurso voluntário. É o voto vencedor. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 31314DF CARF MF Processo nº 16682.720837/201491 Acórdão n.º 3402005.853 S3C4T2 Fl. 31.297 37 Fl. 31315DF CARF MF
score : 1.0
