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Numero do processo: 10140.721670/2012-64
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C//C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA - NATUREZA DA MULTA APLICADA.
A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal e acessórias lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 70 /2 01 2- 64 Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 9202004.001 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.322.1070, lavrado contra o contribuinte identificado acima, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de Fundamento Legal 68 (apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias). Conforme informações contidas no relatório fiscal, o crédito tributário lançado decorre da falta recolhimento: a) das contribuições ditas patronais em razão da inserção de informação equivocada em GFIP, relativamente à opção da empresa pelo programa Simples Nacional; b) das contribuições previdenciárias a cargo da empresa oriundas da divergência entre as bases de cálculo das Folhas de Pagamento e das GFIP e c) das contribuições dos segurados empregados, também oriundas da divergência entre as bases de cálculo das Folhas de Pagamento e das GFIP. Assim, a fiscalização lançou obrigação acessória, bem como multa equivalente a 100% da contribuição devida. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 1610/1621 o julgador, em observância ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional CTN, deferiu pelo comparativo da multa mais benéfica ao contribuinte, haja vista a alteração da legislação pela Lei nº 11.941/2009, no que se refere à aplicação de penalidade. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, foi acordado que se observasse qual das seguintes situações resultaria mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991; ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Portanto, em sessão plenária de 19/11/2013, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2403002.317, assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 COMPROVAÇÃO Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 O contribuinte, quando frente a lançamento regular, deve comprovar seus pontos de discordância em relação ao lançamento. CUSTEIO – AUTO DE INFRAÇÃO – ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA – ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário provido em Parte.” O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 13/02/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 19/03/2014, o Recurso Especial, fls. 1623/1632. Em seu recurso visa restabelecer a multa aplicada nos termos da autuação, já que o art. 35 da Lei n° 8.212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9.430/96. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 505/2014, de 04/06/2014. O recorrente traz como alegações, que: · o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, o que significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária. · antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). · com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. · o art. 32A, em sua redação dada pela MP 449/2008, dispõe que: Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 9202004.001 CSRFT2 Fl. 4 5 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo”. · a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. · tal dispositivo remete a aplicação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”; · a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma apresentado, e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto/contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). · a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. · toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91. · houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito, e, sendo Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 assim, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). · o auto de infração da obrigação principal e o auto de infração da obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, §5º, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.317, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 01/08/2014, o contribuinte apresentou, em 15/08/2014, portanto tempestivamente, suas Contrarrazões ao Recurso Especial da PGFN e Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável. Os Despachos nº 2400675/2014, de 24/09/2014, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF e nº 2400787R/2014, de 10/10/2014, da Presidência do CARF, negaram seguimento ao Recurso Especial do contribuinte. Em suas Contrarrazões, o contribuinte simplesmente alega: · que a PGFN apresentou Recurso Especial que fora recebido e admitido por acreditar haver divergência sobre o julgamento parcial do acórdão recorrido; · que a PGFN solicita seja adotada a tese esposada devendose verificar na execução do julgado qual seria a norma mais benéfica ao contribuinte, se a soma das duas multas anteriores ou a do artigo 35A da MP 449/2008; · por fim, afirma que a norma a ser aplicada deve ser aquela mais favorável ao contribuinte, de acordo com o artigo 106 do CTN, e requer a apuração dos efeitos. É o relatório. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 9202004.001 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO APLICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA NO CASO DE LANÇAMENTO DE MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Primeiramente, como se trata de obrigação acessória, lavrada em função da não informação em GFIP de fatos geradores incluídos em Autos de Infração de Obrigações Principais: Processo 10140.721671/201217 e 10140.721672/201253, importante destacar que o referido auto já encontramse com trânsito em julgado administrativo, estando em fase de cobrança, o que determina a procedência dos fatos ali lançados, mesmo resultado aplícável ao presente AI de obrigação acessória no que diz ao mérito. Embora não esteja em julgamento, dito fato é relevante, pois em apenas em sendo mantido o lançamento da obrigação principal, poderemos determinar o cálculo da multa da obrigação acessória. Seguem ementa dos referidos processos: PROCESSO: 10140.721671/201217 ACORDÃO: 2403002.319 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COMPROVAÇÃO O contribuinte, quando frente a lançamento regular, deve comprovar seus pontos de discordância em relação ao lançamento. Recurso Voluntário Negado PROCESSO: 10140.721672/201253 ACORDÃO: 2403002.318 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COMPROVAÇÃO O contribuinte, quando frente a lançamento regular, deve comprovar seus pontos de discordância em relação ao lançamento. Recurso Voluntário Negado Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu patamar restabelecido àquele lançado pela autoridade fiscal, entendo que razão assiste ao recorrente. Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 No que toca à multa, a autoridade fiscal registrou em seu relatório, fls. 18 e seguintes, que foram efetuados cálculos, por competência, para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte comparandose a da legislação anterior, art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91, na redação antiga, vigente à época da lavratura do AI e a da legislação atual (art. 35 A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Lei nº 11.941/2009). Como resultado, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10140.721670/201264 Acórdão n.º 9202004.001 CSRFT2 Fl. 6 9 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório decorrente da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o comparativo foi lavrada multa de 24% e o AIOA, justamente por que no comparativo das multas, chegouse a conclusão que a sistemática anterior, para algumas competências era a mais favorável ao contribuinte. Para as demais competência aplicouse a multa limitada a 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24% e Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada. Notese que a aplicação do somatório das multas para efeitos de apuração da multa mais benéfica, impossibilita a aplicação da regra vertida no art. 32A, pois se essa fosse a sistemática adotado pelo auditor, teriam sido lançada multa em relação a todas as competências anteriores, o que na tese aqui descrita implica bis in idem. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para restabelecer a multa originalmente aplicada no presente lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10120.720035/2007-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
RELATÓRIO
O processo trata de Pedido de Ressarcimento do PIS não-cumulativo, relativo ao 1º trimestre de 2005 e cumulado com Declarações de Compensações (DCOMP).
Depois de este Colegiado ter anulado, em 26 de abril de 2012, por meio do Acórdão nº 3401-001.791 (fls. 1015/1028), um primeiro acórdão da DRJ, para que o Colegiado de piso se pronunciasse, também, sobre a alíquota a ser empregada no cálculo do crédito presumido do estoque existente antes do ingresso no regime da não-cumulativo do PIS, a 4ª Turma da DRJ prolatou em 20 de setembro de 2012 um novo, sob o nº 03-49.334 (fls. 1032/1050). Neste, repetiu os fundamentos do anterior e acresceu os relativos à diferença de suposto crédito presumido (R$530.762,58) sobre estoque existente em 31/07/2004, produzindo a seguinte ementa:
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário:2005
Ressarcimento de Crédito de PIS Crédito presumido Há condição imposta pela legislação tributária para o aproveitamento de crédito gerado por insumos. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão-somente, aqueles bens, serviços, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica e serviços de manutenção, sejam efetivamente aplicados/consumidos na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviço.
CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA Nos termo da legislação tributária de regência, as alíquotas para o cálculo do crédito presumido sobre o estoque existente em 31 de julho de 2004 são de 0,65% para a Contribuição para o PIS/PASEP e de 3% para a Cofins.
No novo Recurso Voluntário (fls. 1056/1106), tempestivo, a contribuinte alega preliminarmente o seguinte:
- vício formal no novo acórdão da DRJ, pois era necessário que os ilustres Membros da 4ª Turma da DRJ/BSB enfrentassem novamente toda a matéria (fl. 1061);
- o acórdão não enfrentou a matéria trazida pela Recorrente, quando se afirma que a autoridade fiscal que denegou o ressarcimento do crédito pleiteado não verificou ou deixou de verificar as demonstrações dos cálculos efetuados pela Fiscalização, referindo-se neste ponto às fls. 99/152 e 599/604 (fl. 1063);
- é imperioso que seja o presente acórdão decisório reformado na sua integridade, pois não houve a descrição exata dos fatos, bem como a indicação do dispositivo legal que embasa o mesmo é genérica, conforme amplamente relatado (fl. 1071);
- decurso de prazo do MPF e vícios na intimação da contribuinte, bem como cerceamento do direito de defesa por ocasião do despacho decisório;
No mérito, repete os argumentos da Manifestação de Inconformidade - cujos itens 2.2, 2.3, 2.4 e 2.5, correspondem, respectivamente aos itens III.1, III.2, III.3 e III.4 da peça recursal -, com acréscimos.
Neste novo Recurso Voluntário a contribuinte defende, ainda, sejam levados em conta os princípios da isonomia e da igualdade de tratamento administrado/contribuinte, mencionando julgado do CARF segundo o qual o conceito de insumo, para fins da não-cumulatividade do PIS e Cofins, deve compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, e sejam aplicados juros Selic sobre os valores a ressarcir.
No final requer, nesta ordem (fls. 1105/1106):
a nulidade do novo acórdão da DRJ e o reconhecimento dos créditos pleiteados;
caso superada a preliminar, a reforma parcial do novo acórdão, com o reconhecimento dos créditos no valor de R$ 1.848.302,61 (diferença entre o total do ressarcimento solicitado e a parcela deferida), acrescido de R$ 530.762,58 (parte correspondente ao Crédito Presumido pelos estoques em 31/07/2004, adquiridos sob o regime não-cumulativo do PIS, quando calculado à alíquota de 1,65%, em de 0,65%); e
a homologação das compensações declaradas, com imediato ressarcimento dos valores não compensados.
É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado.
Nome do relator: Não se aplica
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ART. 62A DO RICARF. REPERCUSSÃO GERAL NO STF. PIS NÃOCUMULATIVO. ALÍQUOTA SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA. Recorrente COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO Recorrida DRJ BRASÍLIA DF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. RELATÓRIO O processo trata de Pedido de Ressarcimento do PIS nãocumulativo, relativo ao 1º trimestre de 2005 e cumulado com Declarações de Compensações (DCOMP). Depois de este Colegiado ter anulado, em 26 de abril de 2012, por meio do Acórdão nº 3401001.791 (fls. 1015/1028), um primeiro acórdão da DRJ, para que o Colegiado de piso se pronunciasse, também, sobre a alíquota a ser empregada no cálculo do crédito presumido do estoque existente antes do ingresso no regime da nãocumulativo do PIS, a 4ª Turma da DRJ prolatou em 20 de setembro de 2012 um novo, sob o nº 0349.334 (fls. 1032/1050). Neste, repetiu os fundamentos do anterior e acresceu os relativos à diferença de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .7 20 03 5/ 20 07 -3 1 Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Resolução nº 3401000.701 S3C4T1 Fl. 1.158 2 suposto crédito presumido (R$530.762,58) sobre estoque existente em 31/07/2004, produzindo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ressarcimento de Crédito de PIS Crédito presumido Há condição imposta pela legislação tributária para o aproveitamento de crédito gerado por insumos. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para as atividades da empresa, mas, tão somente, aqueles bens, serviços, combustíveis e lubrificantes, energia elétrica e serviços de manutenção, sejam efetivamente aplicados/consumidos na fabricação ou produção de bens destinados à venda ou utilizados na prestação de serviço. CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE ESTOQUE DE ABERTURA Nos termo da legislação tributária de regência, as alíquotas para o cálculo do crédito presumido sobre o estoque existente em 31 de julho de 2004 são de 0,65% para a Contribuição para o PIS/PASEP e de 3% para a Cofins. No novo Recurso Voluntário (fls. 1056/1106), tempestivo, a contribuinte alega preliminarmente o seguinte: vício formal no novo acórdão da DRJ, pois “era necessário que os ilustres Membros da 4ª Turma da DRJ/BSB enfrentassem novamente toda a matéria” (fl. 1061); o acórdão “não enfrentou a matéria trazida pela Recorrente, quando se afirma que a autoridade fiscal que denegou o ressarcimento do crédito pleiteado não verificou ou deixou de verificar as demonstrações dos cálculos efetuados pela Fiscalização”, referindose neste ponto às fls. 99/152 e 599/604 (fl. 1063); é imperioso que “seja o presente acórdão decisório reformado na sua integridade, pois não houve a descrição exata dos fatos, bem como a indicação do dispositivo legal que embasa o mesmo é genérica, conforme amplamente relatado” (fl. 1071); decurso de prazo do MPF e vícios na intimação da contribuinte, bem como cerceamento do direito de defesa por ocasião do despacho decisório; No mérito, repete os argumentos da Manifestação de Inconformidade cujos itens 2.2, 2.3, 2.4 e 2.5, correspondem, respectivamente aos itens III.1, III.2, III.3 e III.4 da peça recursal , com acréscimos. Neste novo Recurso Voluntário a contribuinte defende, ainda, sejam levados em conta os princípios da isonomia e da igualdade de tratamento administrado/contribuinte, mencionando julgado do CARF segundo o qual o conceito de insumo, para fins da não cumulatividade do PIS e Cofins, deve compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, e sejam aplicados juros Selic sobre os valores a ressarcir. No final requer, nesta ordem (fls. 1105/1106): Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Resolução nº 3401000.701 S3C4T1 Fl. 1.159 3 – a nulidade do novo acórdão da DRJ e o reconhecimento dos créditos pleiteados; – caso superada a preliminar, a reforma parcial do novo acórdão, com o reconhecimento dos créditos no valor de R$ 1.848.302,61 (diferença entre o total do ressarcimento solicitado e a parcela deferida), acrescido de R$ 530.762,58 (parte correspondente ao Crédito Presumido pelos estoques em 31/07/2004, adquiridos sob o regime nãocumulativo do PIS, quando calculado à alíquota de 1,65%, em de 0,65%); e – a homologação das compensações declaradas, com imediato ressarcimento dos valores não compensados. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. VOTO O novo Recurso Voluntário, interposto contra o segundo acórdão da DRJ, prolatado em substituição ao primeiro, anulado por este Colegiado, é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve ser sobrestado porque o litígio envolve, dentre outras matérias, a discussão acerca da alíquota a ser aplicada sobre o crédito presumido dos estoques de abertura existentes em 31/07/2004, antes de a cooperativa Recorrente ingressar no regime nãocumulativo: se 1,65%, o percentual básico do PIS nãocumulativo, ou 0,65%, alíquota própria do PIS cumulativo. A nova peça recursal dedica, mais uma vez um tópico sobre a matéria peça (item III.4, sob o título ‘DO CRÉDITO PRESUMIDO DOS ESTOQUES DE ABERTURA”). O § 2º do art. 62A do Anexo II do RICARF1, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, impõe o sobrestamento haja vista o Recurso Extraordinário nº 587108, cuja ementa é a seguinte (consulta ao site do STF na internet em 11/03/2013): EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BENS EM ESTOQUE. CRÉDITO. ALÍQUOTA. LEI 10.637/2002, ART. 11, § 1º, E LEI 10.833/2003, ART. 12, § 1º. RELEVÂNCIA JURÍDICA E ECONÔMICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. O Colendo Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão em 15/08/2009, descrevendo o tema, sob o nº 179, assim (consulta ao site do STF na internet em 11/03/2013): 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10120.720035/200731 Resolução nº 3401000.701 S3C4T1 Fl. 1.160 4 179 Compensação de créditos calculados com base nos valores dos bens e mercadorias em estoque, no momento da transição da sistemática cumulativa para a não cumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, caput; 150, II; e 195, § 12, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do § 1º do art. 11 da Lei nº 10.637/2002 e do § 1º do art. 12 da Lei nº 10.833/2003, que disciplinam o direito de aproveitamento de créditos calculados com base nos valores dos bens e mercadorias em estoque, no momento da transição da sistemática cumulativa para a nãocumulativa da contribuição para o PIS e da COFINS. Não pode, pois, ser analisado nesta oportunidade, em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 03 de outubro de 2011), o debate Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a constitucionalidade do § 1º do art. 11 da Lei nº 10.637/2002, que estabelece a alíquota do PIS nãocumulativo a ser aplicada sobre o estoque de transição entre os regimes cumulativo e nãocumulativo. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 28/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11128.005716/2009-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.675
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 57 16 /2 00 9- 20 Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 564 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3802002.312. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 565 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 566 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 567 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 568 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 568DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 569 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 570 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 570DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 571 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 572 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 572DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 573 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 573DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11128.005716/200920 Acórdão n.º 9303003.675 CSRF‐T3 Fl. 574 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 574DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 12963.000428/2010-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS.
O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 9202-004.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1695; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.052 1 1.051 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12963.000428/201033 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.018 – 2ª Turma Sessão de 11 de maio de 2016 Matéria IRPF Recorrente Fazenda Nacional Interessado Roberto Pasqua ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados, de forma individual, na declaração de ajuste anual deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento tributados a título de presunção para o respectivo anocalendário, com fulcro no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 04 28 /2 01 0- 33 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.053 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102003.167, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 05 de novembro de 2014 (efls. 921 a 934). Ali, por unanimidade de votos, foi rejeitada a preliminar de nulidade e dado provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF Exercício: 2006 MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, conforme jurisprudência reiterada da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O MPF é elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, razão pela qual eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. APURAÇÃO MENSAL DO IRPF. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA SUMULADA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38). OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.054 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim, não tendo feito o Fisco, descabe qualificar a multa. Recurso Provido em Parte Decisão: por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo da omissão o valor de R$ 2.300.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa de 150% para 75%. Vencido o Conselheiro José Raimundo Tosta Santos que somente desqualificava a multa. Enviados os autos à PGFN em 26/11/2014 (efl. 935). insurgese a Fazenda Nacional contra o Acórdão, no dia 09/01/2015 (efl. 958), agora através de Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 936 a 957). O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 967 a 974, exclusivamente quanto á exclusão dos valores informados na Declaração de Ajuste Anual, rejeitada, assim, a divergência em relação à matéria de multa qualificada. Quanto à matéria admitida, alegou a recorrente divergência em relação ao decidido em 26/06/2008 no Acórdão 10616.977, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, bem como em relação ao decidido pela 4a. Câmara, ainda do referido 1o. Conselho de Contribuintes, agora no Acórdão 10423.562, prolatado em 09/10/2008, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10616.977 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.055 4 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF EMISSÃO E PRORROGAÇÃO FEITA POR AUTORIDADE COMPETENTE – CADUCIDADE DO MANDADO POR DECURSO DE PRAZO – INOCORRÊNCIA – INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO – EVENTUAL INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS QUE DISCIPLINAM O MPF NÃO TEM O CONDÃO DE GERAR NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF foi emitido e prorrogado por autoridade competente. Ainda, não houve caducidade do MPF por decurso de prazo, o que permitiu a mesma autoridade autuante iniciar e encerrar o MPF. Ademais, o MPF constituise em mero instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174/2001 – PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA – LEGISLAÇÃO QUE AUMENTA OS PODERES DE INVESTIGAÇÃO DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA FISCAL – PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO QUE AMPLIA O PODER PERSECUTÓRIO DO ESTADO Hígida a ação fiscal que tomou como elemento indiciário de infração tributária a informação da CPMF, mesmo para período anterior a 2001, já que à luz do art. 144, § 1º, do CTN, podese utilizar a legislação superveniente à ocorrência do fato gerador, quando essa amplia os poderes de investigação da autoridade administrativa fiscal. Não se pode invocar o princípio da segurança jurídica como um meio para se proteger da descoberta do cometimento de infrações tributárias. TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 HIPÓTESES DO DECRETO Nº 3.724/2001 – APLICAÇÃO PARA PERÍODOS ANTERIORES A 2001 POSSIBILIDADE O contribuinte que não atenda a regular intimação do fisco para apresentar os extratos bancários, devese submeter à transferência compulsória do sigilo bancário da instituição financeira para o fisco, nos limites do Decreto nº 3.724/2001. IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do anocalendário. Para esse tipo de lançamento, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.056 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – RENDIMENTOS OMITIDOS – FATO GERADOR COM PERIODICIDADE MENSAL – IMPOSSIBILIDADE – APRECIAÇÃO EQUIVOCADA DO ART. 42, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96 – FATO GERADOR COMPLEXIVO, COM PERIODICIDADE ANUAL – HIGIDEZ DO LANÇAMENTO – É equivocado o entendimento de que o fato gerador do imposto de renda que incide sobre rendimentos omitidos oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada tem periodicidade mensal. A uma, porque o art. 42, §4º, da Lei nº 9.430/96 sequer definiu o vencimento da exação dita mensal; a duas, porque os rendimentos sujeitos à tabela progressiva obrigatoriamente são colacionados no ajuste anual, quando, então, apurase o imposto devido, indicando que o fato gerador, no caso vertente, aperfeiçoouse em 31/12 do anocalendário; a três, porque a ausência de antecipação dentro do anocalendário somente poderia ser apenada com uma multa isolada de ofício, como ocorre na ausência do recolhimento mensal obrigatório (carnêleão); a quatro, porque a regra geral da periodicidade do fato gerador do imposto de renda da pessoa física é anual, na forma do art. 2º da Lei nº 7.713/88 c/c os arts. 2º e 9º da Lei nº 8.134/90. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.057 6 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – VINCULAÇÃO A RECIBOS E CHEQUES EMITIDOS POR EMPRESA AO SÓCIO RECORRENTE – EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO – Comprovada a origem dos depósitos bancários, vinculados, em parte, as receitas omitidas e anteriormente tributadas na pessoa jurídica, é de se afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS – VACINAS – IMPOSSIBILIDADE – RECIBOS QUE NÃO DISCRIMINAM O OBJETO DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO GLOSA São dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes efetivamente pagas e comprovadas através de documentação idônea, na qual se especifique o objeto do pagamento. Não é passível de dedução a despesa relativa a vacinas, por não compor a hipótese de incidência da norma. Ainda, bloquete de cobrança que não especifique o objeto da prestação do serviço deve ser glosado. DESPESA COM INSTRUÇÃO – NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO – AUSÊNCIA DE DESPESA EM NOME DO CÔNJUGE DEPENDENTE – CORREÇÃO DA GLOSA – Não havendo comprovação de despesa com o cônjuge dependente, devese manter a glosa perpetrada pela fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – JUROS RECEBIDOS – RECIBOS FIRMADOS PELO PRÓPRIO RECORRENTE – ALEGAÇÃO NO RECURSO DE QUE NÃO RECEBEU OS RENDIMENTOS – DESCABIMENTO – Os recibos com o montante dos juros recebidos foram firmados pelo recorrente. Aliado a isto, os contratos de mútuos foram acostados aos autos. A mera alegação de que não recebeu os rendimentos representados pelos recibos, digase de passagem, firmados pelo próprio recorrente, não tem o condão de afastar a presunção de higidez da documentação acostada aos autos. MULTA ISOLADA DE OFÍCIO – CARNÊLEÃO – INCIDÊNCIA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO CONSECTÁRIA DO IMPOSTO LANÇADO NO AJUSTE ANUAL EM DECORRÊNCIA DA COLAÇÃO DO RENDIMENTO QUE NÃO FOI OBJETO DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO – IMPOSSIBILIDADE – Mansamente assentada na jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada do carnêleão não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre o imposto lançado, em decorrência da colação no ajuste anual do rendimento que deveria ter sido submetido ao recolhimento mensal obrigatório, pois ambas têm a mesma base de cálculo. JUROS DE MORA – ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC – POSSIBILIDADE – No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.058 7 Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL – COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS – NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS – ÔNUS DO RECORRENTE – A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Recurso voluntário parcialmente provido. Decisão: a) Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em decorrência da irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001, e a de decadência do lançamento relativo aos meses de janeiro a novembro de 1997, vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Luciano Inocêncio dos Santos (suplente convocado), Janaina Mesquita Lourenço de Souza e Gonçalo Bonet Allage; b) Por unanimidade de votos, REJEITAR as demais preliminares de nulidade argüidas pelo recorrente, RECONHECER a decadência do lançamento do anocalendário de 1996 e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: i) excluir da base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários: no ano calendário de 1997, o valor de R$ 187.240,00; no ano calendário de 1998, o valor de R$ 48.500,00; no anocalendário de 1999, o valor de R$ 785.907,66; e no anocalendário de 2000, o valor de R$ 551.380,72. ii) cancelar a multa isolada do carnê leão. Acórdão 10423.562 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 DECADÊNCIA Na modalidade de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, que, no caso do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (150, § 4°, do CTN). MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.059 8 necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°.9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE ANUAL DE R$ 80.000,00 No caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00, cuja soma anual não ultrapasse R$ 80.000,00 (§3°, inciso II, da mesma lei, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 1997. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1°CC n°2). Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido. Decisão: por maioria de votos, ACOLHER a argüição de decadência, relativamente ao anocalendário de 2000, vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 26.424,33 e R$ 16.008,00, nos anoscalendário de 2001 e 2002,respectivamente, e desqualificar as multas de oficio, reduzindoas ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda, quanto à matéria admitida (exclusão dos valores declarados na Declaração de Ajuste Anual) que: No voto condutor, não é explicitado quais depósitos bancários, especificadamente, foram considerados como de origem comprovada pelo valor declarado como rendimento na declaração de ajuste anual de R$ 2.300.000,00, não se podendo aceitar uma explicação genérica que englobe todo o anocalendário, sem especificação do depósito que se pretende comprovar, tal como fez o Colegiado a quo. Entende que, uma vez que se presume como renda omitida cada depósito, de forma individual, também a comprovação dos depósitos deva ser feita de maneira individualizada, em linha com a Súmula CARF no. 30. Entende que seria de se especificar os respectivos depósitos bancários que foram justificados pelo montante constante da Declaração de Ajuste do Contribuinte. Relembra que o ônus da demonstração da correlação entre os depósitos e os valores declarados é do contribuinte. Requer, assim, quanto à matéria, que seja dado provimento ao recurso, para manter o valor declarado na base de cálculo do tributo. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.060 9 Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 19/06/2015 (efl. 981), a contribuinte apresentou: a) Em 02 de julho de 2015 (efl. 982), Recurso Especial de sua iniciativa de efls. 982 a 999, que teve sua admissibilidade negada, consoante despacho de efls. 1033 a 1038; b) No mesmo dia 02/072015, contrarrazões ao Recurso Voluntário (efls. 1007 a 1022), onde, quanto à matéria em litígio: b.1) inicialmente alega que os recursos excluídos da base de cálculo do IR apenas transitaram por contas de sua titularidade, não havendo de se falar na hipótese de incidência de IR; b.2) Reitera a necessidade de observância ao posicionamento do Recorrido quanto à exclusão efetuada de valores, com base em jurisprudência administrativa, a qual alega representar o entendimento atual deste Conselho; b.3) Argumenta, ainda que a individualização de depósitos defendida pela recorrente não encontra fundamento nos autos, uma vez que teria restado comprovado de forma cristalina nos autos que os depósitos excluídos da base de cálculo do IR correspondem a mera circulação de recurso no patrimônio do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. Em análise, o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou dei nvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.061 10 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6oNa hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, ainda que adote posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção (a ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza), entendo que não se deva perder de vista que se está a tratar de presunção de omissão de rendimentos. Desta forma, com a devida vênia aos que se posicionam de forma diversa, cediço que, no caso específico de haver rendimentos tributáveis declarados pelo autuado, passa a depender a correta aplicação da presunção, caso se opte por tributar a totalidade dos depósitos não comprovados (ou seja, sem qualquer exclusão dos rendimentos já oferecidos a tributação), de pressuposto adicional, qual seja, de não estarem os rendimentos tributáveis declarados contidos em tais depósitos, ou, mais propriamente, dos rendimentos tributados constantes da Declaração de Ajuste Anual (DAA) não terem transitado por contas de depósito ou investimento, pressuposto este que me parece pouco razoável. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.062 11 É este também o entendimento majoritário em vigor neste CARF, muito bem exposto, de forma resumida, pelo seguinte excerto do Acórdão CARF 10617.117, verbis: "(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. (g.n.) Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231). (...)" Referendando tal posicionamento, de se citar, ainda, os Acórdãos CARF Acórdãos nºs 280102.085, de 30 de janeiro de 2011, 2102001.079, de 10 de fevereiro de 2011, 210202.220, de 14 de agosto de 2012, 220200.415, de 04 de fevereiro de 2010 e 2801 003.568, de 17 de julho de 2014 Rejeito, aqui, ainda, a argumentação da recorrente no sentido de violação da Súmula CARF no. 30 quando da adoção de tal posicionamento, uma vez que, notese, o que se está a admitir é que, em determinados meses do anocalendário, os depósitos objeto de tributação pela presunção contemplavam, por adoção de razoabilidade, montantes já oferecidos à tributação, não havendo aqui que se falar de omissão de rendimentos quando da aplicação do art. 42 citado, vejase, independentemente de qualquer transferência de depósitos entre diferentes meses do anocalendário em questão. Assim, alinhome aos que entendem pela possibilidade de exclusão dos rendimentos tributáveis constantes da Declaração de Ajuste Anual, em linha com o entendimento esposado pelo recorrido e ao verificar que a exclusão em litígio, no valor de R$ 2.300.000,00, referese a rendimentos declarados pelo contribuinte a título de rendimentos tributáveis para o exercício de 1999 (vide declaração de efls. 805 a 808), voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional quanto à matéria. É como voto. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 12963.000428/201033 Acórdão n.º 9202004.018 CSRFT2 Fl. 1.063 12 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/ 06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10209.000236/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 14/07/1998
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. INADMISSIBILIDADE DO REGIME FAVORECIDO.
Na vigência do artigo 7º da Resolução CR ALADI 78 (até 07/12/1998), regulamentada pelo Acordo Brasil/ALADI 91, não permitidas reduções tarifárias quando na operação houver triangulação com a participação de país não membro da ALADI.
A Resolução CR ALADI 232, que introduziu modificação na Resolução ALADI 78/Acordo 91 para permitir a triangulação de país não pertencente ao Bloco, não possui natureza interpretativa. Impedida sua aplicação retroativa às importações realizadas anteriormente à 08/12/1998, data de início de sua vigência.
REDUÇÃO TARIFÁRIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE HIGIDEZ DOCUMENTAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO/MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO
Instrução processual revelou inconsistências e irregularidades que apontam para ausência de higidez documental hábil a conceder (despacho aduaneiro) ou manter (revisão aduaneira) as preferências tarifárias acordadas entre Brasil e Venezuela, concretizada na redução da alíquota do imposto de importação de mercadoria adquirida e nacionalizada pela recorrente.
Datas de emissões e/ou apresentações de conhecimento de carga, fatura comercial e certificado de origem não sustentam a operação declarada pela recorrente. O Certificado de Origem, documento indispensável para comprovar a fruição do benefício da redução tarifária, revela-se inapto a amparar a redução do imposto de importação, vez que a assinatura nele aposta foi em data posterior à conclusão do despacho aduaneiro.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/07/1998
NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA.TIPICIDADE.
O lançamento contém todos os requisitos exigidos pela norma legal, estando devidamente fundamentado, não sendo verificada ofensa aos princípios da tipicidade e da legalidade. Autuação fundada na ausência de higidez documental que implicou a incidência do imposto de importação sem os benefícios da redução preferencial prevista em Acordo Internacional.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/07/1998
FATURA COMERCIAL
Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, imprescindível para a aplicação da preferência tarifária no âmbito da ALADI, torna-se cabível a exigência da penalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO - Relatora.
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. INADMISSIBILIDADE DO REGIME FAVORECIDO. Na vigência do artigo 7º da Resolução CR ALADI 78 (até 07/12/1998), regulamentada pelo Acordo Brasil/ALADI 91, não permitidas reduções tarifárias quando na operação houver triangulação com a participação de país não membro da ALADI. A Resolução CR ALADI 232, que introduziu modificação na Resolução ALADI 78/Acordo 91 para permitir a triangulação de país não pertencente ao Bloco, não possui natureza interpretativa. Impedida sua aplicação retroativa às importações realizadas anteriormente à 08/12/1998, data de início de sua vigência. REDUÇÃO TARIFÁRIA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE HIGIDEZ DOCUMENTAL. IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO/MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO Instrução processual revelou inconsistências e irregularidades que apontam para ausência de higidez documental hábil a conceder (despacho aduaneiro) ou manter (revisão aduaneira) as preferências tarifárias acordadas entre Brasil e Venezuela, concretizada na redução da alíquota do imposto de importação de mercadoria adquirida e nacionalizada pela recorrente. Datas de emissões e/ou apresentações de conhecimento de carga, fatura comercial e certificado de origem não sustentam a operação declarada pela recorrente. O Certificado de Origem, documento indispensável para comprovar a fruição do benefício da redução tarifária, revelase inapto a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 02 36 /2 00 3- 14 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 191 2 amparar a redução do imposto de importação, vez que a assinatura nele aposta foi em data posterior à conclusão do despacho aduaneiro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/07/1998 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA.TIPICIDADE. O lançamento contém todos os requisitos exigidos pela norma legal, estando devidamente fundamentado, não sendo verificada ofensa aos princípios da tipicidade e da legalidade. Autuação fundada na ausência de higidez documental que implicou a incidência do imposto de importação sem os benefícios da redução preferencial prevista em Acordo Internacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/07/1998 FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, imprescindível para a aplicação da preferência tarifária no âmbito da ALADI, tornase cabível a exigência da penalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO Relatora. PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever a matéria em litígio, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação, acrescido da multa de mora e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor R$ 106.778,33, objeto do Auto de Infração de fls. 0208. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 192 3 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada, por meio do processo nº 10209.000703/0056, protocolizou pedido de restituição de parcela do Imposto de Importação, em razão de apuração errônea da sua base de cálculo, no que diz respeito ao valor do frete. Por ocasião do exame do pedido, foi efetuada a revisão da DI, da qual resultou a conclusão de gozo indevido, na importação, da preferência tarifária, prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACE 27), no âmbito da Associação Latinoamericana de Integração (ALADI). 3. Em decorrência, foi lavrado auto de infração para exigência de diferença do Imposto de Importação, levando em conta, na apuração da base de cálculo, o requerido pela impugnante no pedido de restituição, ou seja, foi atendido ao pleito de alteração da base de cálculo, mas aplicandose a alíquota integral, sem a preferência tarifária, o que resultou em imposto a pagar. 4. A autuação se baseia ainda nos seguintes fundamentos: 4.1 para fruição da redução tarifária exigese o certificado de origem, conforme previsto no art. 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.º 91.030/1985; 4.2 o regime de origem estabelecido para o ACE 27 é o previsto na Resolução nº 78, anexa ao Decreto nº 98.874/1990, e no Acordo 91, apenso ao Decreto nº 98.836/1990, firmados no âmbito da ALADI; 4.3 não há uma correspondência entre o certificado de origem e a fatura comercial que instruiu a DI, emitida pela empresa Petrobrás International Finance Company (PIFCO), situada nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI; 4.4 o certificado de origem não faz menção à fatura comercial que instrui o despacho (PIFCO PIFSB009), mas faz referência à fatura nº 40.8190, a qual constatouse consiste em um documento emitido pela empresa PDVSA Petróleo e Gás, situada na Venezuela, de mesma numeração e não da empresa CORPOVEN, como mencionando na DI; 4.5 na operação de importação, houve a intervenção da empresa Petrobrás Internacional Finance Company (PIFCO), situada nas Ilhas Cayman, terceiro país que não é membro da ALADI, o que não é previsto na Resolução nº 78 da ALADI, executada pelo Decreto nº 98.874/1990; 4.6 o certificado de origem indica que o país exportador é a Venezuela, fazendo referência expressa a fatura comercial que teria sido emitida nesse país, porém, a fatura que instruiu a DI foi emitida pela PIFCO, a qual está identificada na DI como exportadora, de onde se conclui que as Ilhas Cayman é o país de aquisição; 4.7 a operação de comercialização não está amparada pela Resolução 78 nem pelo Acordo 91, da ALADI; 4.8 a Resolução nº 232 da ALADI, apensa ao Decreto nº 2.865/1998, alterou o Acordo 91, passou a permitir que a participação de um operador de terceiro país, desde que atendidos os requisitos por ela exigidos, porém a citada Resolução não estava em vigor na época da importação em causa; 4.9 em atendimento à intimação, a empresa enviou correspondência onde admite que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para a PIFCO e, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 193 4 posteriormente, a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador; 4.10 a fatura comercial não contém os requisitos previstos nas alíneas “a”, “h”, “i”, e “m” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985. 5. Cientificado do lançamento em 16/04/2003, conforme fl. 02, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 5967, em 12/05/2003, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 5.1 A impugnante adquiriu o produto junto à PDVSA, através de usa subsidiária, a PFICO, tendo havido a participação de operador de um terceiro país, razão pela qual foram expedidas duas faturas comerciais, sendo que a fatura PIFSB 375/98 faz referência ao certificado de origem e também à fatura emitida pela PDVSA, deixando claro o liame existente entre todos os documentos; 5.2 Não houve a intervenção de país não membro da ALADI na operação comercial, havendo apenas a intermediação de uma empresa, sediada nas Ilhas Cayman, que pertence ao grupo econômico da Petrobrás; 5.3 a operação consistiu no seguinte: a PFICO, subsidiária da Brasoil, a qual, por sua vez, é subsidiária da Braspetro, sendo esta última subsidiária da Petrobrás, adquiriu o produto da Corpoven (subsidiária da PDVSA), sediada na Venezuela; 5.4 foi cumprida a exigência prevista no art. 4º da Resolução nº 78, restando provado que a mercadoria foi expedida diretamente da Venezuela para o Brasil, países membros da ALADI, sem passar pelo território de outro país; 5.5 o termo “expedição direita”, constante do caput do art. 4º da Resolução 78, referese apenas ao trânsito físico e não ao econômico; 5.6 não houve registro da intermediação da PFICO, porque o Siscomex impede tais registros, os quais nunca foram exigidos pela Receita Federal bem como a cópia das faturas anteriores; 5.7 tais operações decorrem da dificuldade de captação de recursos no país, sendo curto o prazo pagamento no mercado de petróleo, de modo que para alongar tal prazo, a impugnante vem utilizando linhas de crédito no exterior, por suas subsidiárias; 5.8 em razão da crise mundial, algumas restrições administrativas têm sido impostas na área cambial, como coincidência de prazos para a autuada fechar o contrato de câmbio e entregar os recursos para sua liquidação, obrigandoa a, nessa mesma, oportunidade, entregar os documentos de importação, o que a própria Receita Federal admite não ser possível e, por isso, concede prazo maior; 5.9 de acordo com a Nota COANA/COLAD/DITEG nº 60/1997, a intermediação em importações não afasta a preferência tarifária prevista em acordo internacional; 5.10 operações dessa natureza são de uso corrente nas trocas comerciais internacionais e no mercado financeiro nacional e internacional, objetivando o financiamento e o aperfeiçoamento das garantias; 5.11 acordos tarifários visam a proteção recíproca das exportações de países que enfrentem especial dificuldade, sendo exemplo disso, o custo mais alto do Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 194 5 petróleo da Venezuela, que somente com a redução tarifária se torna suportável, e cuja aquisição conformase no esforço para integração dos países do cone sul, na esteira da decisão governamental de mudanças estratégicas na matriz energética e nas suas fontes fornecedoras; 5.12 a Resolução nº 78 e o Acordo nº 91 não vedam a redução tarifária em caso de importação (compra direta) com intervenção de terceiros, sem trânsito da mercadoria por outro país; 5.13 a operação é expressamente acobertada, constituindo inversão lógico normativa a vedação vislumbrada pelo Fisco, que não é prevista em tema de estrita reserva de lei; 5.14 a Resolução nº 232, promulgada pelo Decreto nº 2.835/1998, passou a admitir expressamente a operação, exatamente para dirimir dúvidas ainda existentes; 5.15 tais operações vêm sendo legitimadas pela Receita Federal, como atestam os precedentes sobre a matéria, favoravelmente à Petrobrás; 5.16 o importador não violou o art. 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m”, do Regulamento Aduaneiro, pois a fatura comercial PFISB375/98 faz menção ao certificado de origem e à fatura comercial nº 40.8190, sendo que esta contém todos os requisitos arrolados no citado art. 425; 5.17 deve ser excluída a utilização da taxa Selic, em razão de sua ilegalidade e inconstitucionalidade, com base no art. 146 da Constituição Federal e art. 161, § 1º do CTN. A 2ª Turma da DRJ/FOR, no Acórdão nº 0814.559, de 04/12/2008, julgou procedente em parte o lançamento, para considerar devido o crédito tributário do imposto de importação no valor de R$ 40.217,60, acrescido da multa de mora no percentual de 20% e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável, bem como a multa por descumprimento das exigências regulamentares da fatura comercial, no valor de R$ 12,67 e, exonerar a multa no percentual de 75%, no valor de R$ 30.163,20. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 14/07/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 195 6 pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/07/1998 FATURA COMERCIAL. A apresentação da fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares sujeita o importador à multa prevista na legislação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/02/1998 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Em recurso voluntário, a PETROBRÁS requer que o auto de infração seja declarado nulo e/ou insubsistente por sua flagrante ilegalidade ou que seja cancelado por manifesta improcedência, reiterando os argumentos da sua impugnação. Em 30 de setembro de 2010, este processo teve seu julgamento convertido em diligência, pela Resolução nº 3102000.138, da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, para intimar a PETROBRÁS a apresentar, no prazo de 30 dias, a via original da fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação, ou seja, a fatura comercial expedida pela pessoa jurídica PDVSA PETRÓLEO Y GAS S.A. A diligência foi devidamente cumprida, como certificou a autoridade fiscal em 9 de dezembro de 2013. Portanto, consta, nestes autos, a Fatura Comercial PDVSA nº 40.8190, à efl. 181 (cópia autenticada em cartório da Invoice n° 408190). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Petrobrás foi autuada em decorrência do entendimento da autoridade fiscal que a operação comercial entre Venezuela — Ilhas Cayman — Brasil, realizadas pelas empresas PDVSA — PIECO — PETROBRÁS, respectivamente, descaracteriza a origem da mercadoria pela interveniência de terceiro país não membro do acordo, impedindo o gozo de preferências tarifárias em razão da origem acordadas no âmbito da ALADI. Sendo assim, a operação realizada deveria receber tratamento de importação comum, com aplicação da alíquota integral do imposto de importação, equivalente a 12%. Para a fiscalização, seria inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela PETROBRÁS, nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 196 7 participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. Em razões recursais, a PETROBRÁS reitera os argumentos da impugnação, de que a operação de importação realizada de produtos da Venezuela, adquiridos da PDVSA, não desatendeu às normas do Acordo Internacional que prevê a redução tributária praticada, por não se verificar importação de país não integrante da ALADI. Esclarece que a origem do produto importado foi a Venezuela e o destino o Brasil. Que a empresa integrante do grupo PETROBRAS, a PFICO Petrobras Internacional Finance Company, com sede nas Ilhas Cayman, participou da operação como operador no objetivo de, através da triangulação comercial, propiciar melhor condições negociais notadamente em relação a prazos. Assim, a participação de um operador de terceiro país, membro ou não da ALADI, é admitida pela Resolução 232 do Comitê Representante da ALADI. A razão determinante para a autuação fiscal de descaracterização do benefício de redução do Imposto de Importação foi a participação na operação comercial realizada com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRÁS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses: a Petrobras International Finance Company — PFICO, então subsidiária da Braspetro Oil Services Company — BRASOIL, que é empresa subsidiária da Petróleo International S/A — BRASPETRO, sendo esta última subsidiária da Petróleo Brasileiro S.A — PETROBRÁS, e intermediou, em relação a esta, a aquisição de produto junto à PDVSA Petróleo e Gás S/A, empresa sediada na Venezuela. Por conseguinte, não há nos autos, circunstância fática que descaracterize a origem e o destino da mercadoria importada, tampouco a descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRÁS e a PDVSA. Com isso, não há que se afirmar que a exportação fora realizada a partir das Ilhas Cayman, e que por isto não teria incidência a norma de redução tributária. Ressaltese que estes autos estão devidamente instruídos com despacho de importação e a Fatura Comercial PDVSA nº 40.8190. O artigo quarto da Resolução ALADI nº 252 dispõe que: Quarto Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador Para tais efeitos, considerase como expedição direta. a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. A mercadoria não transitou pelas Ilhas Cayman, portanto, encontrase cumprido o dispositivo acima. Por sua vez, o artigo nono da Resolução Aladi n° 252 prescreve: Nono Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 197 8 e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. O acordo ALADI não proíbe que a mercadoria seja faturada por um operador situado em um país não membro da ALADI. Observase que a mercadoria foi unicamente faturada a partir das Ilhas Cayman e embarcada diretamente da Venezuela para o Brasil. Acolhida a questão pelo CARF, a exemplo do Acórdão nº 320100.444: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 21/12/1999 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIECO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifaria em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Julg. 30/04/2010. E do Acórdão 310200.691: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/05/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA CONCEDIDA EM RAZÃO DA ORIGEM. ALADI. TRIANGULAÇÃO. CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. A apresentação de todas as faturas comerciais atreladas a operação triangular, permitindo seu cotejamento com o certificado de origem que comprova o cumprimento do regime de origem da Aladi, associada à expedição direta da mercadoria de país signatário daquele acordo para o Brasil, impõem a manutenção da preferência tarifária, ainda que o faturamento se dê a partir de país não signatário, Recurso Voluntário Provido. Julg. 01/07/2010. A querela também já tem pronunciamento judicial favorável à Petrobrás: TRIBUTÁRIO E INTERNACIONAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA ORIGINÁRIA DE PAÍS MEMBRO DA ALADI. VENEZUELA. IMPORTAÇÃO. PETROBRAS. TRIANGULAÇÃO VIRTUAL COM PAÍS NÃO MEMBRO. PETROBRÁS FINANCE COMPANY SEDE ILHAS CAYMAN. ORIGEM E DESTINO DA MERCADORIA. NÃO DESCARACTERIZAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL EXISTENTE. APELAÇÃO PROVIDA. REMESSA OFICIAL E APELAÇÃO DA UNIÃO IMPROVIDAS. 1. Tratase de remessa oficial e apelações interpostas em face de sentença que, em ação anulatória de débito fiscal, proposta pela PETROBRAS – Petróleo Brasileiro S/A para anular ato de lançamento de imposto de importação de derivados de petróleo adquiridos da Venezuela, julgou parcialmente procedente o pedido apenas para determinar a exclusão da multa isolada, aplicada. Concluiu Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 198 9 a sentença pela existência do crédito tributário, por considerar inaplicável a redução de alíquota do Imposto de Importação, em 80%, praticada pela apelante nos termos em que prevista no acordo firmado entre países integrantes da ALADI, pelo fato de a operação de importação ter a participação de país não signatário do referido tratado. A operação de importação teve a participação da Petrobras Internacional Finance Company – PFICO, sediada nas Ilhas Cayman. 2. A razão determinante para a autuação fiscal, que descaracterizou o benefício de redução do Imposto de Importação, foi a participação na operação comercial realizada para com a Venezuela, de empresa sediada em país não integrante da ALADI. Contudo, a terceira empresa a participar faz parte do próprio grupo econômico da PETROBRAS, assim considerada não como intermediária, mas como operadora internacional dos seus interesses. Sob outro aspecto, certamente de maior relevância, não se verificam nas razões que motivaram o auto de infração, circunstância fática que descaracterizasse a origem e o destino da mercadoria importada. Não há, assim, informação de que, além da triangulação comercial realizada, houvesse descaracterização da operação comercial originariamente realizada entre a PETROBRAS e a PDVSA. Precedentes: (AGA, Desembargador Federal Reynaldo Fonseca, TRF1 Sétima Turma, eDJF1. Data: 19/10/2012, p. 1344; AC 200481000211851, Desembargadora Federal Margarida Cantarelli, TRF5 Quarta Turma, DJ Data: 09/07/2009 – p. 169 nº 129). 3. Apelação da PETROBRAS provida. Remessa oficial e apelação da União, improvidas. Honorários de sucumbência, R$ 5.000,00. TRF 1ª Região, Apelação/Reexame Necessário 2004.39.00.0023593/PA, julg. 07/10/2013. Em suma, o fato de os produtos terem sido faturados pelas subsidiárias da PETROBRÁS nas Ilhas Cayman, país que não é membro da ALADI, não desnatura o conceito de origem para fins de fruição do tratamento preferencial tarifário, uma vez que o Certificado de Origem foi emitido pelo país produtor, no caso, a Venezuela, membro efetivo da ALADI; o país de origem das mercadorias foi a Venezuela e não as Ilhas Cayman. O que houve foi uma triangulação comercial lícita entre PDVSA, PIFCO, PETROBRÁS. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, afastando a exigência do imposto de importação e das multas de ofício e regulamentar. Sala de Sessões, em 17 de maio 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 198DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 199 10 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Preliminar de nulidade fundamentação legal inadequada A recorrente alega que o enquadramento legal citado pela autoridade autuante não determinaria a "perda do direito de redução (desclassificação do regime aduaneiro)", fato que configuraria ofensa aos princípios da tipicidade e da legalidade. Consoante o disposto no artigo 10 do Decreto n.° 70.235/1972, temse que: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Na descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração (fl. 06), a autoridade fiscal demonstrou que à luz das legislações da ALADI e aduaneira, o certificado de origem é imprescindível à comprovação da regularidade da importação beneficiada com redução tarifária do imposto de importação. Uma vez comprovado que o documento não se vincula à fatura comercial emitida por empresa exportadora localizada em país nãomembro do Bloco não foi reconhecida a redução do imposto pleiteada. Tal medida não se constitui uma penalidade em si, ao contrário, a autuada não provou sua situação de beneficiária e o imposto incidiu sem qualquer preferência prevista no acordo internacional. Considerações iniciais acerca da legislação que concede benefícios na importação O litígio envolve a fruição ou não da redução do imposto de importação prevista no ACE nº 27, no âmbito da ALADI, celebrado entre Brasil e Venezuela, quando o produto originário da Venezuela é adquirido por empresa localizada em país não signatário da ALADI e, após, revendido para o Brasil. A PETROBRAS registrou a Declaração de Importação (DI) nº 98/06801210, da mercadoria (butano liquefeito), em 14/07/1998, cujo desembaraço ocorreu em 02/09/1998, e, portanto, a operação regese pela legislação então vigente. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 200 11 O tratamento tributário favorecido em razão da origem da mercadoria importada encontravase disciplinado no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.035/1985, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo. Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. (grifei) O DecretoLei nº 37/1966 que dispõe sobre o imposto de importação e a reorganização dos serviços aduaneiros ao tratar das "Disposições Gerais" (Seção I), das "Isenções e Reduções" (Capítulo III), do Imposto de Importação (Título I) prescreve: Art. 8º. O tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional aplicase exclusivamente à mercadoria originária do país beneficiário. Art. 9º. Respeitados os critérios decorrentes de ato internacional de que o Brasil seja parte, temse por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou de mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial. (grifei) Em acréscimo, a Lei nº 8.030/1990 trouxe novas disposições à matéria "isenção e redução de impostos de importação" estabelecendo no art. 6º, quanto às isenções e reduções do imposto previstos em acordos internacionais, o seguinte: Art. 6º. Os bens objeto de isenção ou de redução do imposto, em decorrência de acordos internacionais firmados pelo Brasil, terão o tratamento tributário neles previsto. (grifei) Neste ponto tornase importante estabelecer a natureza dos requisitos legais necessários à fruição do benefício da redução tarifária para o imposto de importação, na aquisição de mercadoria originária de país parte da ALADI submetido à despacho aduaneiro. Identifico pois dois requisitos: o primeiro, necessário ao atendimento dos critérios estabelecidos nos atos emitidos no âmbito da ALADI, representado, primordialmente, pelo Certificado de Origem, emitido nos termos estabelecidos pelo Acordo e a fatura comercial (invoice); outro, para atender aos requisitos do despacho aduaneiro, nas hipóteses de concessão de benefícios, tal como a redução tarifária do imposto de importação. 1 A regularidade do Certificado de Origem e fatura comercial, à luz da legislação da ALADI Da aplicação do artigo sétimo da Resolução Aladi/CR 78, combinado com o Acordo 91 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 201 12 Os países membros da ALADI assinaram o Regime de Origem que se consubstancia nos critérios utilizados para determinar o país de origem de uma mercadoria importada e disciplina os demais requisitos a serem atendidos para a fruição do tratamento tributário favorecido. O ato foi celebrado e corporificado pelo Comitê de Representantes (CR) na Resolução Aladi/CR nº 78 (promulgada pelo Decreto nº 98.874 de 24/01/1990) cuja regulamentação operouse no Acordo nº 91 (promulgado pelo Decreto nº 98.836 de 17/01/1990), firmado entre Brasil e ALADI. O artigo sétimo da Resolução estabeleceu a obrigatoriedade da emissão do certificado de origem que deve acompanhar os documentos de exportação e consignará o cumprimento dos requisitos de origem para que a mercadoria objeto de intercâmbio beneficie se do tratamento preferencial pactuado. SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o tratado de Montevidéu 1980, os paísesmembros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capitulo anterior. Essa declaração poderá expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do pais exportador. (grifei) A fatura comercial é documento de apresentação obrigatório no despacho aduaneiro devendo conter as indicações estabelecidas nos atos legais (art. 425 e 431 do RA/1985) sendo de suma importância para acobertar a mercadoria importada e comprovar, no caso da redução tarifária prevista no ACE27, sua vinculação ao certificado de origem. Assim é que o artigo primeiro do Acordo 91 da ALADI determina: PRIMEIRO. A descrição dos produtos incluídos na Declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições em vigor deverá coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI, e com a constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. Não é outra a interpretação da regra acima senão que, a fatura comercial a ser apresentada com fins à identificação da mercadoria submetida a despacho aduaneiro deverá manter plena correspondência entre as informações em si consignadas com aquelas apostas no certificado de origem. O recurso voluntário da contribuinte foi pautado para julgamento em 30/09/2010 (fls. 158/163) sob a relatoria do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro cujo Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 202 13 voto e decisão da Turma foi no sentido de converter o julgamento em diligência para se obter a fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação. Nesta nova oportunidade, ante a tal precedente, tendo em vista que, no presente recurso, igualmente não se verifica intimação para apresentação da fatura indicada no Certificado de Origem e, o que é mais importante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem endossando a imprescindibilidade da apresentação da fatura expedida pela PDVSA, me rendi à opinião da maioria e, com espeque no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 19721, decidi que a prudência exige a complementação da instrução processual, por meio da conversão do julgamento e diligência. Assim sendo, converto o julgamento do presente recurso em diligência, a ser executada por meio da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) preparadora, a fim de que seja a recorrente intimada a apresentar, no prazo de 30 dias, a via original da fatura comercial indicada no certificado de origem que instruiu o despacho de importação. A finalidade da providência foi a de se constatar a rastreabilidade dos documentos, segundo corrente de julgamento no CARF1 em que se mantém o benefício da redução tarifária, na hipótese de comprovação de que a importação ocorreu a partir do país declarado na fatura, pertencente à ALADI, e que o desembaraço tenha se processado normalmente. No mesmo sentido é voto da relatora original. Adotouse a prevalência da substância sobre a forma, entendendose que a triangulação da operação (VenezuelaIlhas CaymanBrasil) não desnatura a origem da mercadoria importada para fins de fruição da redução do imposto de importação. Discordo, porém, do entendimento esposado pela relatora e adoto linha de decisão que somente admite a triangulação na vigência do Acordo 91, e, ademais, minha compreensão é no sentido de que não foram cumpridos os requisitos do art. 7º da Resolução nº 78 da ALADI. A regra do artigo sétimo impõe os seguintes requisitos para o benefício do tratamento preferencial, não cumpridos em decorrência do exportador não se localizar na Venezuela: (i) O paísmembro deverá emitir certificado de origem (CO) para acompanhar os documentos de exportação. Significa dizer que o CO deverá declarar e atestar que as informações que constam na fatura emitida por empresa do paísmembro expressam o cumprimento dos requisitos de origem. 1 Artigo publicado por Marcos Aurélio Pereira Valadão, intitulado." Regras de origem no âmbito da Aladi e as operações de triangulação na jurisprudência do CARF" na obra "Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF", da MP Editora, páginas 216217, em que se analisa os julgamentos no antigo Conselho de Contribuintes e no CARF. O autor identificou as possibilidades de decisão, conforme o ato da Aladi vigente ao tempo da operação de importação e o cumprimento dos demais requisitos no despacho aduaneiro, sistematizandoas em quatro diferentes correntes de decisões. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 203 14 O CO apresentado no despacho aduaneiro (fl. 23) não faz qualquer referência à fatura emitida nas Ilhas Cayman (fl. 181), portanto, não houve nos documentos de exportação a "declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem", conforme exigido pelo artigo sétimo. (ii) A declaração será prestada pelo produtor ou o exportador (quando aquele não for o exportador). Necessário ainda que o certificado de origem seja emitido pelo exportador situado em país membro. A Resolução versa sobre os pactos firmados entre países participantes de um determinado acordo internacional, daí referirse à "paísesmembros" o que exclui a participação de terceiro país alheio à ALADI, como é o caso do exportador situado nas Ilhas Cayman. (iii) A declaração deverá ser certificada no país exportador. Significa que o formulário expedido pelo produtor/exportador tem que ser atestada e assinada por repartição oficial ou entidade de classe credenciada pelo Governo do país exportador. A Venezuela não é o país exportador, assim, descumprido o requisito final do artigo sétimo. O Acordo nº 91 Brasil/ALADI, regulamentador da Resolução nº 78 também foi descumprido. Isto porque ao dispor quanto à adoção de normas de facilitação e aplicação uniforme do Regime Geral de Origem previsto na Resolução nº 78 estabeleceu em seu artigo primeiro sobre a obrigatoriedade de coincidência entre as informações do certificado de origem e os documentos apresentados para o despacho aduaneiro, ambos a serem emitidos no país de origem da mercadoria beneficiária com a preferência tarifária. Da não aplicação do artigo quarto da Resolução ALADI 78. A Recorrente argumentou no sentido de cumprir os requisitos do regime de origem com fundamento no artigo quarto da Resolução nº 78, vez que a mercadoria foi embarcada na Venezuela e enviada diretamente para porto brasileiro, sem sofrer qualquer modalidade de operação prevista em suas alíneas. Não procede a interpretação da Recorrente em relação às disposições do artigo quarto que não pode ser realizada isoladamente sem conjugála com as demais regras da Resolução/CR nº 78, em especial das do artigo sétimo. A Resolução nº 78 trata das regras e requisitos para a qualificação da origem de mercadoria que serão objeto de negociação entre países participantes da ALADI, tal se percebe no Decreto nº 98.874/1990 que introduziu a Resolução no ordenamento jurídico e enuncia em sua ementa que "Dispõe sobre a execução do Estabelecimento do Regime Geral de Origem, da Resolução nº 78, entre o Brasil e a Associação LatinoAmericana de Integração ALADI". Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 204 15 Não há referência na Resolução à possibilidade de negociação (exportação) envolver terceiro país. Sua disposição é acerca da manutenção ou não da condição de origem do paísparte quando a mercadoria sofrer quaisquer das alterações ou operações elencadas nas alíneas e incisos do artigo quarto. Daí que o artigo quarto tão somente alude à expedição de mercadoria negociada (adquirida e exportada) entre paísespartes da ALADI. Da não aplicação da NOTA COANA/COLAD/DITEG 60/97 Quanto aos argumentos acerca da NOTA COANA/COLAD/DITEG 60/97 que a recorrente infere anuir com seu entendimento, entendo desarrazoado. Em síntese, o teor da nota reconhece a inexistência de regulamentação da situação de terceiro país participar da operação de triangulação entre paísesmembros, do que decorre a conclusão no sentido de sustentar a necessidade de correlação entre a fatura e o certificado de origem. Entendo ainda que referida Nota filiase à corrente que aceita a participação de terceiro país na operação triangular, desde que sua regularidade esteja comprovada pela rastreabilidade dos documentos instrutivos do despacho aduaneiro de importação, o que não se verifica no presente caso, com se verá no próximo tópico. Da não aplicação da Resolução CR ALADI 232/252. A previsão expressa de operador localizado em outro país, apto a participar de operação no âmbito da ALADI, mantendose as preferências tarifárias acordadas, somente foi introduzida em 07/12/1998 pela Resolução CR ALADI nº 232 (promulgada pelo Decreto nº 2.865 de 07/12/1998). Após, houve a consolidação das Resoluções 78, 227, 232 e os Acordos 25, 91 e 215 do CR na Resolução ALADI nº 252 (promulgada pelo Decreto nº 3.325 de 30/12/1999). O Decreto nº 2.865/1998 que introduziu a Resolução 232 no ordenamento positivo traz em sua parte preliminar considerações que denotam seu objetivo, qual seja, o de alterar a Regulamentação das disposições referentes à certificação de origem consolidada até então no Acordo 91, in verbis: CONSIDERANDO que os Representantes Plenipotenciários dos Estados Membros da Associação LatinoAmericana de Integração, com base no Tratado de Montevidéu de 1980, assinaram, em 8 de outubro de 1997, em Montevidéu, a Resolução nº 232 do Comitê de Representantes que modifica a Regulamentação das Disposições Referentes à Certificação de Origem, do Acordo 91, daquele Comitê; Estabelece seu art. 1º: Artigo 1º Modificar o Artigo Primeiro do Acordo 91 do Comitê de Representantes, regulamentar da Resolução 78 que institui o Regime Geral de Origem da Associação, o qual ficará redigido da seguinte forma: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 205 16 Artigo 2º Incorporar ao Acordo 91 do Comitê de Representantes, como Artigo Segundo, o seguinte: "Segundo Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". "Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará a administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação". A Resolução 232 introduziu modificação substancial quanto às operações com mercadorias/produtos originários dos paísesmembros, no tocante à manutenção dos benefícios do tratamento tributário preferencial quando envolver "operador" localizado em terceiro país, independentemente deste ser parte ou não da ALADI. Esta interpretação harmonizase com a doutrina de Marcos Aurélio Pereira Valadão2, na leitura que fez do disposto no artigo 2º da Resolução ALADI 232: Da leitura do dispositivo fica claro que a operação de triangulação é permitida, a partir da Resolução 232, em moldes completamente diferentes da Resolução 78, que na verdade não autorizava a operação de triangulação como vinha sendo praticada (ver art. 4o, b, da Resolução CR 78 transcrita acima). O dispositivo da Resolução 232 é idêntico ao art. 9o da Resolução 252 (que entrou em vigor no Brasil em 30/12/1999). Vejase que ambas as Resoluções 232 e 252 contemplam a transação efetiva por terceiro país, fora do bloco, e dão tratamento substancialmente diferente em termos das formalidades que devem ser cumpridas, em relação à Resolução CR 78. O exame atento do texto preliminar e do novel regramento introduzido pelo Decreto nº 2.865/1998, de 07/12/1998 não deixa dúvida quanto ao caráter modificativo (vez que consta do próprio texto dos arts. 1º e 2º) do Acordo 91 e artigo sétimo da Resolução ALADI 78. Decorre então não se sustentar argumentos que invocam uma pretensa natureza interpretativa da Resolução 232, para alargar as regras vigentes sob a égide da 2 VALADÃO, Marcos Aurélio Pereira. Regras de origem no âmbito da Aladi e as operações de triangulação na jurisprudência do CARF., In:PEIXOTO, Marcelo Magalhães, SARTORI, Angela, DOMINGO, Luiz Roberto (Org). Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF. São Paulo: MP Editora, 2013. p. 213. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 206 17 Resolução 78/Acordo 91. Os enunciados prescritivos em análise não socorre tal interpretação; ademais, o Decreto nº 2.865/1998 não possui o status de lei interpretativa pois assim não dispôs sua ementa, conforme exige o art. 106, do CTN para que o ato tenha tal natureza. Acrescentase ainda a sempre atual lição de Carlos Maxilimiano3 da qual se extrai que redução de impostos devem constar de disposições legais e interpretamse estritamente. "280 Os privilégios financeiros do fisco se não estendem a pessoas, nem a casos não contemplados no texto (...) 281 As isenções e simples atenuações de impostos e taxas, decretadas em proveito de determinados indivíduos ou corporações, sofrem exegese restrita; e não se presumem, precisam ser plenamente provadas (. . .)." A interpretação possível e coerente da Resolução 232 com o ordenamento jurídico e o Regime de Origem da ALADI, conduz ao entendimento que: · A Resolução 232 somente alterou o Acordo 91 para, a partir de sua vigência, permitir o faturamento da mercadoria objeto de preferência tarifária por terceiro país membro ou não da ALADI; · A alteração se fez necessária pois que o Acordo 91/Resolução 78 não previa e, portanto, não permitia o faturamento por terceiro país. · A inovação traz uma obrigatoriedade para o faturamento por terceiro país: (i) a indicação que a mercadoria será faturada por terceiro país, consignando as informações que identifique a fatura e o operador; (ii) caso não se tenha a fatura do "terceiro operador", apresentar declaração juramentada com indicação da fatura comercial e do certificado de origem. De todo acima exposto, extraise as seguintes conclusões: A operação de importação de mercadoria, originária de paísmembro da ALADI, segundo suas Regras de Origem, em cujo âmbito celebrouse o ACE27 entre Brasil e Venezuela, com a concessão mútua de preferências tarifárias concretizada na redução do imposto de importação somente passou a permitir a participação de terceiro país com a vigência da Resolução ALADI 232, internalizada pelo Decreto nº 2.865, de 07/12/1998. Na vigência do artigo 7º da Resolução ALADI 78 (até 07/12/1998), regulamentada pelo Acordo Brasil/ALADI 91, não permitida a concessão e/ou manutenção das reduções tarifárias quando na operação houver triangulação com a participação de país não membro da ALADI. A Resolução ALADI 232, que introduziu modificação na Resolução ALADI 78/Acordo 91 para permitir a triangulação de país não pertencente ao Bloco, não possui natureza interpretativa, impedindo sua aplicação retroativa às importações realizadas no âmbito do ACE27 anteriormente à 08/12/1998, data de início de sua vigência. 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 20. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011. p. 189. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 207 18 Neste mesmo sentido transcrevo recentes decisões da CSRF que só admitem as operações de triangulação para os casos com fatos geradores ocorridos após a vigência da Resolução 32. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/10/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. INADMISSIBILIDADE DO REGIME FAVORECIDO. Incabível a aplicação de preferência tarifária no caso de divergência entre o certificado de origem e a fatura comercial, bem assim quando houver intermediação e o produto importado for comercializado por terceiro pais não signatário do acordo internacional, operação denominada triangulação, antes da vigência da Resolução ALADI 232, internalizada por via do Decreto n° 2.865, de 08/12/1998. Negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 18336.001193/200341, Sessão de 06/03/2012, Acórdão nº 930301.870. Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/05/1998 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 18336.000520/200347, Sessão de 23/09/2014, Acórdão nº 9303003.102. Relator Henrique Pinheiro Torres). Outras decisões da CSRF da mesma recorrente, com fatos geradores ocorridos na vigência da Resolução ALADI/CR nº 78 (data anterior à 08/12/1998) cujos resultados foram pela rejeição do recurso especial da PETROBRÁS: 930101.556 (06/07/2011), 9303001.989 (12/06/2012), 9303003.060 (12/08/2014), 9303003.105 (23/09/2014), 9303003.164 (25/11/2014). Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 208 19 Por fim, impõese destacar a inexistência de elementos nos autos que permitam inferir a apresentação da fatura emitida pela PDVSA no despacho aduaneiro, vez que a relação de documentos acostados (fls. 16/17) não a discrimina. Não obstante, firmes estão os argumentos e conclusões até aqui expostos suficientes para decidir pela improcedência do recurso voluntário. Concluise que a situação fática, representada pelos documentos emitidos na operação triangular e acostados nos autos, não se amolda aos requisitos contidos na Resolução ALADI nº 78 e Acordo Brasil/ALADI nº 91 para fruição do benefício da redução do imposto de importação, pois que o exportador está situado em país alheio ao Bloco, a fatura comercial que representa a negociação não foi emitida por produtor ou exportador venezuelano e o certificado de origem não acredita tal fatura, nos termos exigidos pelo Regime de Origem. Por tudo exposto neste tópico "1" não há razão para reconhecer a operação triangular, envolvendo exportador não membro da ALADI, como apta a amparar a importação da recorrente e concederlhe o benefício da redução do imposto de importação. 2 A regularidade na instrução do despacho aduaneiro da DI nº 98/06801210 com pedido de fruição da redução tarifária do imposto de importação Estabeleci no introito deste voto que as exigências legais para a fruição do benefício da redução tarifária para o imposto de importação comportam requisitos estabelecidos no âmbito da ALADI, analisados nos tópicos anteriores, com a conclusão de que na situação fática foram descumpridos, implicando a perda da redução tarifária. Em que pese restar elementos suficientes para decidir pela improcedência do recurso voluntário da recorrente, há de se avançar na análise deste outro requisito, pois, de forma diversa, cingese à averiguação do cumprimento dos requisitos formais para fruição de benefício fiscal concedido à mercadoria importada, estabelecidos na legislação aduaneira (veja se o tópico "Considerações iniciais acerca da legislação que concede benefícios na importação)", por ocasião de seu despacho aduaneiro ou, em momento posterior, em ato de revisão aduaneira. O ponto de partida da fiscalização aduaneira foi a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal nº 0217600.2003.000080 com fins à revisão aduaneira da DI nº 98/06801210, cujo objeto foi o pedido de restituição efetuado no processo nº 10209.000.703/0056 no qual o pleito era a restituição do imposto de importação pago sobre parcela de frete incluso na base de cálculo. Assim, com base no procedimento de revisão aduaneira procedeuse à instrução processual colacionandose nos autos os documentos relacionados à operação de importação, que se encontram discriminados às folhas 16 a 17. Desta feita, focando não a operação iniciada no exterior mas na instrução do despacho aduaneiro, com os documentos apresentados e anexados ao presente processo, procedese a análise da regularidade da importação. Pontuo desde logo que a cronologia dos fatos, ou mais precisamente, das datas de emissões e apresentações dos documentos no despacho aduaneiro, revelam inconsistências insanáveis que impossibilitam a fruição do benefício da redução tarifária, com fundamento legal nos Atos e Acordos Internacionais no âmbito da ALADI. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 209 20 Vejamos as datas, os documentos e o momento de sua apresentação no despacho aduaneiro. Em 30/06/1998 foi emitido o Bill of Lading (Conhecimento de Carga), emitido pela PDVSA e consignado à PETROBRAS (fl. 24). O Conhecimento de Carga confere a propriedade de uma carga carregada em veículo de transporte. Significa que houve a transferência da propriedade ou posse da mercadoria da PDVSA para o adquirente ou consignatário (PETROBRAS), ou alguém por este designado, por força de um contrato. Em 05/07/1998 O navio transportador atracou em porto brasileiro e a carga foi armazenada em nome da consignatária (PETROBRAS). Em 14/07/1998 a PETROBRAS registrou a DI nº 98/06801210. A DI é registrada preenchendose seus dados com base nos documentos que acobertam a operação: conhecimento de carga, fatura comercial e certificado de origem. A recorrente preencheu a DI consignando informações amparadas pela fatura comercial, emitida pela exportadora PFICO nº PIFSB375/98 (fl. 25), e Certificado de Origem nº ALD 980900227CS (fl. 26). Em 21/07/1998 foi emitida a fatura comercial pela PDVSA nº 408190 (fl. 181). A fatura PDVSA traz consignado "due date", em tradução livre, data de vencimento para 30/07/1998. Esta fatura, conforme instrução processual, somente foi apresentada em 09/10/2013 (fl. 174). Em 20/08/1998 foi emitida a fatura comercial pela exportadora PFICO nº PIFSB 375/98 (fl. 25). A fatura PFICO traz consignado o Certificado de Origem emitido somente em 04/09/1998. Não é factível que a mercadoria seja negociada somente após sua chegada no destino. Também não é factível que a fatura faça referência ao Certificado de Origem que ainda não fora emitido. Em 31/08/1998 foi emitido o Certificado de Origem nº ALD 980900227CS pela PDVSA (fl. 26). O Certificado de Origem traz consignado a fatura comercial nº 408190 (emitida pela PDVSA), apresentado em 09/10/2013. A apresentação da fatura que instruiu o despacho aduaneiro foi posterior ao desembaraço (ultimo ato do despacho) Em 02/09/1998 foi concluído o despacho aduaneiro, com o desembaraço da mercadoria. Neste ato disponibilizouse a mercadoria ao importador para sua retirada do recinto alfandegado, na hipótese de não ter ocorrido sua entrega antecipada. Em 02/09/1998, o Certificado de Origem, emitido na Venezuela dois dias antes, não estava "creditado" por repartição pública ou entidade credenciada pelo Governo venezuelano, que ocorreu somente em 04/09/1998 (fl. 24). Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 210 21 Em 04/09/1998 o Certificado de Origem nº ALD 980900227CS, emitido em 31/08/1998 pela PDVSA, foi assinado por pessoa identificada como Ricardo Arcondo (fl. 24). O Certificado de Origem, documento indispensável para comprovar a fruição do benefício da redução tarifária, conquanto se relevasse o vício da emissão por país que não exportou a mercadoria, revelase inapto a amparar a redução do imposto de importação no despacho, vez que a assinatura nele aposta foi em data posterior à conclusão do despacho aduaneiro. A descrição dos fatos, amparada nos documentos colacionados, e conforme a instrução processual destes autos, revelou significativas inconsistências, por vezes insanáveis, e irregularidades que apontam para ausência de higidez documental hábil a conceder ou manter as preferências tarifárias acordadas entre Brasil e Venezuela, concretizada na redução da alíquota do imposto de importação de mercadoria adquirida e nacionalizada pela recorrente. O quadro a seguir apresenta, sinteticamente, segundo ordem cronológica dos fatos (emissão ou apresentação do documento), as inconsistências e irregularidades constatadas que implicam o não reconhecimento da redução tributária pleiteada. DATA DOCUMENTO / EVENTO INCONSISTÊNCIAS INSANÁVEIS E/OU IRREGULARIDADES 30/06/1998 Emissão Conhecimento de Carga (BL) Mercadoria embarcada antes da data de sua negociação que consta da fatura que instruiu o despacho aduaneiro 05/07/1998 Chegada do navio 14/07/1998 Registro da DI Registro da DI antes da emissão da fatura comercial e do certificado de origem. 21/07/1998 Emissão fatura PDVSAPFICO Data da fatura posterior à data do registro da DI. 20/08/1998 Emissão fatura PFICO PETROBRAS Data da fatura posterior à data do registro da DI. Consignou informação acerca de documento ainda não emitido. 31/08/1998 Emissão CO O Certificado de Origem não foi apresentado no despacho aduaneiro, pois a data de sua emissão é posterior ao início do procedimento. A fatura indicada no Certificado de origem não foi informada na DI, nem apresentada no seu despacho aduaneiro. 02/09/1998 Conclusão do despacho aduaneiro (mercadoria entregue) Na data do desembaraço aduaneiro o Certificado de Origem não estava "creditado" (assinado) por repartição pública ou entidade credenciada pelo Governo venezuelano. 04/09/1998 Assinatura CO por agente credenciado O Certificado de Origem revelase inapto a amparar a redução do imposto de importação no despacho, vez que a assinatura nele aposta foi em data posterior à conclusão do despacho aduaneiro. 09/10/2013 Apresentação fatura PDVSA A fatura PDVSA foi juntada aos autos somente em sede de recurso voluntário, após diligência. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 211 22 Ao término da análise deste tópico ofereço as seguintes conclusões acerca das irregularidades apuradas: 1. A data do conhecimento de carga aponta para a situação em que a mercadoria foi embarcada, ocorreu o transporte e sua descarga em porto brasileiro, sem que houvesse uma fatura comercial emitida que suportasse uma negociação internacional; 2. A DI foi registrada com as informações quanto à fatura comercial e certificado de origem que ainda não se encontravam emitidos. A situação é insustentável: ou outros documentos foram apresentados no despacho aduaneiro, ou os documentos da real negociação não foram apresentados, ou a negociação não é a que se fez instruídas nos documentos apresentados; 3. A impossibilidade da fatura comercial da PFICO, que instruiu o despacho de importação, consignar em seu conteúdo o certificado de origem que somente foi emitido quarenta e um dias após. 4. A impossibilidade do certificado de origem ter sua assinatura aposta por repartição pública ou entidade de classe credenciada no governo venezuelano em data posterior ao desembaraço aduaneiro (entrega) da mercadoria. Por tudo exposto neste tópico "2" não há razão para reconhecer a higidez dos documentos que ampararam a importação da recorrente e concederlhe o benefício da redução do imposto de importação. Explicações da Recorrente quanto à operação: dois modus operandi divergentes entre si A recorrente, em dois momentos distintos, manifestouse nos autos acerca da operação triangular envolvendo a PDVSAPFICOPETROBRAS; entretanto, ofereceu explicações distintas que não se conciliam entre si. A primeira manifestação (10/04/2003 fl. 58) foi em atendimento à intimação da fiscalização aduaneira encarregada de proceder à revisão de ofício da importação que, no relatório anexo ao auto de infração, cuja impugnação inaugurou este contencioso, foi assim sintetizada (fl. 15): Atendendo a intimação n° 0217600/00082/02, solicitado pelo Auditor Fiscal responsável 'para efetuar a análise em outras declarações de Importações da Petróleo Brasileiro S. A., a empresa apresentou correspondência UNREMAN/CMB 019/02 de 19/08/02, onde a própria empresa confirma que adquire a mercadoria da Venezuela, revende para sua subsidiária, a empresa Petrobras International Finance Company, e posteriormente a recompra, fato que caracteriza a participação de um terceiro país na qualidade de exportador. A Recorrente informou utilizarse da seguinte modalidade de operação triangular para adquirir a mercadoria originária da PDVSA: PDVSAPETROBRASPFICOPETROBRAS Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 212 23 A segunda manifestação (20/02/2009 fl. 127), divergente da anterior, desta feita em seu recurso voluntário, a recorrente novamente explica a operação triangular, detalhando as informações das faturas comerciais envolvidas, quanto às datas e seus participantes, como indicado (fls. 129/130): No Conhecimento de Embarque, percebese que o produto foi embarcado pela PDVSA PETROLEO Y GAS S.A., a ser entregue diretamente no Brasil, com a menção de que o conteúdo era Butano Normal, ou "Normal Butane". Depois, temos o Certificado de Origem, expedido na data de 31 de agosto de 1998, mais uma vez provando que a mercadoria foi importada da PDVSA, informando que o pais exportador é a Venezuela, e o pais importador é o Brasil. (...) Em seguida, temos a fatura emitida pela PDVSA Petróleo y Gás S.A n° 408190, datada de 21 de julho de 1998, tendo como comprador a Petrobras International Finance Company (PIFCO). ORA, CONSTA FATURA NO AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, EXPEDIDA PELA REAL EXPORTADORA. A PDVSA PETRÓLEO Y GÁS S.A, TENDO COMO COMPRADOR A PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. TUDO, PORTANTO, EM CONFORMIDADE COM O QUE DISPÕE O ACE27. Por fim, constatase a fatura (invoice) expedida pela PIFCO n° PIFSB — 375/98, na data de 20 de agosto de 1998, na qual se faz, expressamente, menção à Invoice n° 40.8190, tendo como comprador, mais uma vez, a PETROLEO BRASILEIRO S.A, a PETROBRAS. ISSO OCORREU PORQUE, CONFORME SERÁ MELHOR EXPLICADO, A SEGUIR, VISANDO A OBTER PRAZOS DE FINANCIAMENTO MAIS EXTENSOS, A PETROBRAS REVENDE A MERCADORIA À SUBSIDIARIA, PIFCO, E A RECOMPRA, PARA PAGAMENTO EM ATÉ 180 DIAS. Em síntese, a operação deuse no seguinte modelo, com a inserção das datas informadas no recurso que, ressaltase, são coincidentes com aquelas apostas nas cópias dos referidos documentos acostadas nos autos e demonstrada no tópico "2" deste voto: PDVSA (21/07/1998)PFICO (20/08/1998)PETROBRAS Analisemos as duas operações evidenciandose que ao menos uma delas não se sustenta, eis que divergentese incompatíveis entre si. Na primeira informação prestada pela recorrente, temse a operação PDVSA PETROBRASPFICOPETROBRAS. Não se sustenta frente aos próprios documentos coligidos que constam dos autos. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 213 24 A uma, a fatura PDVSAPETROBRAS (nº 408190 emitida em 21/07/1998 fl. 181) somente foi colacionada aos autos em 09/10/2013 (fl. 181), do que decorre sua não existência no registro da DI (14/07/1998) e não apresentação em todo o despacho aduaneiro (concluído em 02/09/1998). A duas, não existe nos autos a fatura comercial de venda da PETROBRAS para a PFICO. A três, a fatura PFICOPETROBRAS (nº PIFSB 375/98 emitida em 20/08/1998 fl. 25) não existia na data do registro da DI (14/07/1998), do que decorre sua não apresentação na instrução despacho aduaneiro (concluído em 02/09/1998). Concluise que a operação triangular PDVSAPETROBRASPFICO PETROBRAS não ocorreu à vista dos documentos que constam deste processo. Na segunda informação prestada pela recorrente, temse a operação PDVSA (21/07/1998)PFICO (20/08/1998)PETROBRAS. Esta operação também não se sustenta frente aos documentos coligidos nos autos. A uma, não existe nos autos a fatura comercial PDVSAPFICO, emitida em 21/07/1998. Em verdade, a fatura PDVSA (nº 408190 emitida em 21/07/1998 fl. 181) tem como adquirente a PETROBRAS. A duas, sofre do vício apontado, qual seja, somente foi colacionada aos autos em 09/10/2013 (fl. 181), do que decorre sua não existência no registro da DI (14/07/1998) e não apresentação em todo o despacho aduaneiro (concluído em 02/09/1998). A três, a fatura PFICOPETROBRAS (nº PIFSB 375/98 emitida em 20/08/1998 fl. 25) não existia na data do registro da DI (14/07/1998), do que decorre sua não apresentação na instrução despacho aduaneiro (concluído em 02/09/1998). Concluise, igualmente, que a operação triangular PDVSAPFICO PETROBRAS não ocorreu à vista dos documentos que constam deste processo. Ademais, conquanto não se verifica a real operação triangular, a conclusão é inexorável à luz dos documentados analisados: o exportador é a PFICO, e não a venezuelana PDVSA, tal como suscita a recorrente. Por tudo exposto neste tópico a recorrente não logrou êxito em demonstrar a higidez documental da sua operação triangular. Ofereceu em dois momentos distintos explicações quanto ao modus operandi da importação; contudo, nenhuma delas é factível, vez as inconsistência e irregularidades apontadas e demonstradas no tópico "2". Multa por ausência de elementos essenciais na fatura comercial O art. 425 do Regulamento Aduaneiro RA, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/85, prescreve a obrigatoriedade da fatura comercial como documento de instrução do despacho aduaneiro de importação, nos seguintes termos: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 214 25 Art. 425 O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, assinada pelo exportador, que conterá as seguintes indicações (Decretolei nº 37/66, art. 45). a) nome e endereço, completos, do exportador; b) nome e endereços completos, do importador; c) especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), ou, se em outro idioma, acompanhada de tradução em língua portuguesa, a critério da autoridade aduaneira, contendo as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis à sua perfeita identificação; d) marca, numeração e, se houver, número de referência dos volumes; e) quantidade e espécie dos volumes; f) peso bruto dos volumes, entendendose como tal o da mercadoria com todos os seus recipientes, embalagens e demais envoltórios; g) peso líquido, assim considerado o da mercadoria livre de todo e qualquer envoltório; h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; j) país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; l) preço unitário e total de cada espécie de mercadoria e, se houver, o montante e a natureza das reduções e descontos concedidos ao importador; m) frete e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; n) condições e moeda de pagamento. A apresentação do referido documento com as indicações exigidas pelo art. 425 do RA, é imprescindível ao exercício da fiscalização aduaneira, em virtude da relevância das informações acerca da operação de importação, tais como: valor aduaneiro, base de cálculo para os tributos incidentes na importação; discriminação da mercadoria; o nome e endereço completos do importador e do exportador, condição em que a mercadoria foi negociada. Isto porque, sendo a fatura comercial representativa de uma venda mercantil, deverá indicar os sujeitos da relação jurídica de compra e venda; pais de origem, aquisição e Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Processo nº 10209.000236/200314 Acórdão n.º 3301002.967 S3C3T1 Fl. 215 26 procedência da mercadoria, visto que a indicação dos intervenientes (empresas e países) têm reflexos diretos no tratamento tributário concedido à mercadoria importada. Notese que as informações acima elencadas, longe de serem meras formalidades, constituemse de fato em elementos imprescindíveis à fruição das preferências tarifárias, com a redução do imposto de importação, no âmbito negocial do ACE27. As exigências da Resolução ALADI 78 e Acordo 91 são no sentido de impor plena correspondência entre as informações consignadas nos certificados de origem e das faturas comercias que os acompanham. A cópia da fatura PFICOPETROBRAS (fl 25), demonstra cabalmente a ausência dos elementos de inclusão obrigatória, conforme taxativamente citados na descrição dos fatos de fls.07, tal qual dispõe o art. 425 do Regulamento Aduaneiro. Nesse diapasão, não há reparos no feito fiscal, visto que a legislação tributária foi corretamente aplicada ao caso concreto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 17 de maio de 2016 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 10/0 6/2016 por SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Numero do processo: 10530.723952/2009-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. MATÉRIA SUMULADA.
I - A matéria devolvida ao Colegiado é resolvida pela Súmula nº 105 do CARF, aplicável até o ano-calendário de 2006, precisamente o ano em que recaiu a autuação fiscal.
II - A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, conhecer por voto de qualidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, negar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu, Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. ANO-CALENDÁRIO DE 2006. MATÉRIA SUMULADA. I - A matéria devolvida ao Colegiado é resolvida pela Súmula nº 105 do CARF, aplicável até o ano-calendário de 2006, precisamente o ano em que recaiu a autuação fiscal. II - A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer por voto de qualidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, negar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu, Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ANOCALENDÁRIO DE 2006. MATÉRIA SUMULADA. I A matéria devolvida ao Colegiado é resolvida pela Súmula nº 105 do CARF, aplicável até o anocalendário de 2006, precisamente o ano em que recaiu a autuação fiscal. II A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer por voto de qualidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez e, no mérito, negar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 52 /2 00 9- 15 Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.112 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado), André Mendes de Moura, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu, Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 2972/2980) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1202000.616 (efls. 2954/2970), pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 19/10/2011, no qual foi dado provimento ao recurso voluntário da Contribuinte e negado provimento ao recurso de ofício. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anocalendário de 2006, discorre sobre contabilização imprópria de subvenções para investimento, vez que não teriam sido cumpridas as condições previstas na legislação. Na recomposição da base de cálculo, também foram apuradas insuficiências de estimativas mensais, razão pela qual foram lançadas as multas isoladas. Ao apreciar a impugnação, a decisão da primeira instância (DRJ) manteve parcialmente o lançamento fiscal, para (1) afastar o IRPJ e CSLL, por terem sido lançados em fatos geradores mensais, e não anual, conforme opção da Contribuinte pelo lucro real anual; e (2) manter as multas isoladas sobre insuficiência de estimativas mensais. Em razão de exoneração do crédito tributário referente à matéria 1, foi interposto recurso de ofício. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF) negou provimento ao recurso de ofício, ou seja, manteve o afastamento dos lançamentos de IRPJ e CSLL, e deu provimento ao recurso voluntário. Assim, foram afastadas das multas isoladas sobre estimativas mensais. A PGFN interpôs recurso especial, apresentando divergência relativa à matéria de subvenções para investimento, que foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Foram apresentadas contrarrazões pela Contribuinte. Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.113 3 A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal O Termo de Verificação Fiscal (efls. 28/40) discorre sobre contabilização imprópria, como subvenção para investimentos, de valores transferidos pelo Governo do Estado da Bahia relativos a incentivos fiscais de isenção e redução do ICMS proporcionados pelo programa DESENVOLVE. Valeuse a autoridade autuante da interpretação dada para Solução de Consulta SRRF/5ª RF/DISIT nº 02, de 2004, o qual concluiu, com base no PN CST nº 112, de 1978, que as transferências de recursos do DESENVOLVE não podem ser enquadradas como subvenções para investimento, vez que em nenhum momento o regulamento do programa determina a vinculação do incentivo com a correspondente aplicação em atividades de implantação ou expansão de ativo fixo, e tampouco dispõe sobre contabilização dos recursos em conta de patrimônio líquido e forma de utilização, tratandose, portanto, de subvenções para custeio. Assim, foram lançados de ofício o IRPJ e a CSLL. Também foi apurada insuficiência na apuração da estimativa mensal, razão pela qual foram lançadas multas isoladas. Da Fase Contenciosa A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 2697 e segs), que foi apreciada pela 2ª Turma da DRJ/Salvador. A impugnação foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1522.191 (efls. 2874 e segs.). Contudo, a decisão apreciou de ofício questão relativa aos lançamentos de ofício do IRPJ e CSLL, que foram efetuados levandose em conta fatos geradores mensais, adotandose a base de cálculo das estimativas não recolhidas, enquanto que a opção da Contribuinte foi de lucro real anual. Assim, os lançamentos de IRPJ e CSLL foram exonerados. Por sua vez, as multas isoladas aplicadas sobre as insuficiências de estimativas mensais foram mantidas. A ementa da decisão foi a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LUCRO REAL ANUAL. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO RECOLHIDAS. Improcede o lançamento de ofício de estimativas mensais não recolhidas integralmente, cabendo, nesse caso, unicamente, o Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.114 4 lançamento da multa isolada decorrente da insuficiência do recolhimento. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre o imposto anual apurado em decorrência da constatação de infrações à legislação fiscal, sendo irrelevante que o lançamento se realize após o encerramento do anocalendário correspondente. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Multa de Ofício Isolada pela Insuficiência de Recolhimento das Estimativas Mensais da CSLL Tratandose de lançamentos decorrentes, mantidos parcialmente os valores tributáveis que lhes deram causa, devese dar a estes o mesmo destino. Em razão do crédito tributário exonerado pela DRJ, foi interposto recurso de ofício. Também foi interposto recurso voluntário (efls. 2900 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 19/10/2011, por meio do Acórdão nº 1202000.616 (efls. 2954/2970), decidiu no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA.NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado da Bahia consubstancia subvenção para investimento, uma vez que: (i) a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, tem o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado; (ii) o Decreto nº 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial; (iii) consiste na contraprestação do contribuinte ao benefício concedido, pois o próprio investimento deve ser efetuado pelos beneficiários, e sua exigência de comprovação pode ser identificada no artigo 16 do Decreto nº 8.205/2002; e diante (iv) da correta contabilização Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.115 5 dos benefícios fiscais concedidos, não havendo qualquer menção ao descumprimento deste requisito pela própria Fiscalização. A PGFN interpôs recurso especial (efls. 2972/2980), discorrendo que a subvenção fiscal concedida pelo Estado da Bahia, no programa DESENVOLVE, enquadrase na modalidade de subvenção para custeio. Aduz que a partir da análise da documentação acostada aos autos, não se constata nenhuma exigência para que os recursos recebidos dos cofres do Estado sejam obrigatoriamente aplicados na aquisição de ativos necessárias à implantação ou expansão do parque fabril. Assim, conforme interpretação dos art. 392 e 443 do RIR/99 e do PN CST nº 112, de 1978, não haveria que se falar em subvenção para investimento, mas sim de subvenção para custeio. Ao final, requer pela reforma do acórdão recorrido e pelo restabelecimento da decisão de primeira instância. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2986/2988 deu seguimento ao recurso da PGFN. Cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 2992 e segs), para discorrer sobre as decisões já proferidas. Aduz que na DRJ foram afastadas as exigências principais de IRPJ e CSLL e mantidas as multas isoladas sobre estimativas mensais. Na turma ordinária do CARF foi dado provimento ao recurso voluntário e negado provimento ao recurso de ofício. Ao final, conclui que, como o recurso especial da PGFN, ao tratar da questão do incentivo fiscal, requer ao final que a decisão da DRJ seja restabelecida, na realidade apenas devolve para a CSRF a matéria de subvenção para investimento relativa aos lançamentos de multa isolada sobre estimativa mensal. Isso porque as exigências principais de IRPJ e CSLL foram afastadas pela decisão da primeira instância, e não tendo sido contestadas, estariam definitivamente julgadas. Sobre a admissibilidade do recurso especial, entende que não deveria ser conhecido, vez que apresentou paradigma com tese superada pela CSRF. No mérito, discorre que o incentivo fiscal trata de subvenção para investimento, e defende que em nenhum momento a legislação federal exige a efetiva e específica aplicação dos recursos nos investimento previstos para implantação ou expansão da indústria, que a correspondência exata entre subvenção e investimento não é um requisito legal, e que a legislação estadual é estruturada de modo a estimular a implantação ou expansão do investimento conforme predica o art. 443 do RIR/99. No campo fático, aduz que os requisitos impostos pela legislação estadual estão sendo devidamente observados pela Contribuinte, mediante devida contabilização dos recursos, também refletida na DIPJ, e comprovação da realização dos investimentos, conforme (1) documentos atestando visitas de agentes do Estado às instalações da empresa, (2) relatórios apresentados anualmente para a Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia. É o relatório. Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.116 6 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Antes de se apreciar a admissibilidade do recurso, entendo que cabe uma apreciação das matérias em litígio nos presentes autos. A autuação fiscal, ao verificar a natureza dos recursos transferidos pelo Governo do Estado da Bahia, entendeu que se tratavam de subvenções para custeio, ao contrário da contabilização realizada pela Contribuinte, no sentido de serem subvenções para investimento. Nesse contexto, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL, com duas infrações tributárias: (1) lançamentos principais, tomandose como referência a base de cálculo ajustada pela Fiscalização, e (2) lançamentos de multa isolada sobre insuficiências de estimativas mensais. Por sua vez, o voto da decisão da DRJ/Salvador, inicialmente, trata da matéria subvenções para investimento X subvenções para custeio, vez que tem repercussão nas duas infrações. Decide que o caso trata de subvenção para custeio. Contudo, em relação à infração 1, constata, corretamente, que os lançamentos de IRPJ e CSLL principais foram efetuados tomandose bases de cálculo mensais. Na realidade, tomandose como referência a apuração das estimativas com base em balancete de suspensão ou redução a cada mês, o que a autoridade fez foi efetuar o lançamento da estimativa não paga, quando deveria ter efetuado o lançamento com base na opção adotada pela Contribuinte, de lucro real anual, ou seja, com fato gerador de 31/12/2006. Vale transcrever a parte do voto da decisão de primeira instância (efl. 2885) que trata do assunto: Diante do exposto, por não ter a subvenção concedida à Impugnante pelo Governo do Estado da Bahia natureza de subvenção para investimento, à luz da legislação tributária vigente, mas sim de subvenção para custeio, é normalmente tributada pelo IRPJ consoante art. 392 do RIR/1999, que determina a inclusão dos respectivos valores no lucro operacional. Entretanto, observase no corpo do Auto de Infração do IRPJ que a exigência ora apreciada reportouse a cada um dos meses do anocalendário de 2006. Tratandose de pessoa jurídica submetida ao lucro real anual e, portanto, sujeita aos recolhimentos mensais por estimativa, o lançamento de ofício decorrente da verificação de infração à legislação do imposto de renda deveria referirse ao período de apuração anual, correspondente ao balanço encerrado em 31/12/2006. Em última análise, por meio do presente Auto de Infração formalizouse o lançamento de diferenças de estimativas, o que não é possível à luz da legislação de regência, visto que esta Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.117 7 apenas permite o lançamento do imposto de renda definitivo após ocorrido o fato gerador apurado quando do ajuste anual. Vale dizer que a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais autoriza, unicamente, o lançamento da multa isolada incidente sobre o valor das estimativas não recolhidas, fato este que efetivamente veio a ocorrer, consoante item subsequente do Auto de Infração. Assim, a despeito de restar configurada a redução indevida do lucro tributável da pessoa jurídica, em virtude da falta de inclusão no lucro operacional das receitas decorrentes das subvenções obtidas junto ao Estado da Bahia, a exigência fiscal não poderá prosperar, uma vez que materializada em desacordo com a legislação tributária em vigor. (grifei) Constatase, portanto, que a infração 1 foi afastada pela decisão de primeira instância, e objeto de recurso de ofício. Também, emergiu uma nova matéria, preliminar e prejudicial à infração 1, relativa ao fundamento adotado pela DRJ, sobre a impossibilidade de lançamento de IRPJ e CSLL em fatos geradores mensais, em desacordo com a opção de lucro real anual realizada pela Contribuinte. A infração 2, por sua vez, foi mantida, amparada em duas análises. A primeira, como já visto, de que a subvenção em questão era de custeio, e a segunda, de que não haveria de se falar em cumulação das multas isoladas e de ofício previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e tampouco em óbice ao lançamento após o encerramento do anocalendário. O entendimento foi objeto de recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Os recursos de ofício (em face da infração 1) e voluntário (em face da infração 2) foram apreciados pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que decidiu negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Como se pode observar, no que concerne ao recurso de ofício, o voto da segunda instância acompanhou a decisão da DRJ/Salvador, no sentido de afastar da infração 1. Por outro lado, em relação à infração 2, apreciou a matéria principal subvenção para investimento X subvenção para custeio, para concluir que o caso concreto tratava de subvenção para custeio. Concluiu que a análise dos demais argumentos dependentes (concomitância de multas e lançamento após anocalendário) restou prejudicada. Portanto, decidiu no sentido de afastar a infração 2. Portanto, os presentes autos tratam uma (i) matéria principal, subvenção para investimento X subvenção para custeio, que deu origem a duas infrações, infração 1 (lançamentos principais de IRPJ e CSLL) e infração 2 (multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal), e de (ii) matéria preliminar e prejudicial à infração 1, relativa ao lançamento de IRPJ e CSLL em fatos geradores mensais, em desacordo com a opção de lucro real anual realizada pela Contribuinte. A PGFN, ao interpor recurso especial, tratou especificamente da matéria principal subvenção para investimento X subvenção para custeio, na admissibilidade (com Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.118 8 apresentação de decisão paradigma divergente da decisão recorrida) e no mérito. E ao final, consignou o pedido (efl. 2980): Pelo exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o acórdão proferido pela Segunda Turma Especial da Primeira Seção restabelecendo a decisão de primeira instância .(grifei) Resta claro, portanto, que o recurso especial da PGFN trata, especificamente, da infração 2. A infração 1, afastada com fundamento na impossibilidade de lançamento de IRPJ e CSLL em fatos geradores mensais pela decisão de DRJ que foi mantida pela turma ordinária do CARF, não foi objeto do recurso especial, tanto que a PGFN requer o restabelecimento da decisão de primeira instância, que foi no sentido de afastar a infração 1 e manter a infração 2. Assim, entendo estar delimitada a matéria devolvida para este Colegiado: a infração 2, que trata do lançamento de multas isoladas sobre insuficiência de estimativas mensais, com base na matéria principal subvenção para investimento X subvenção para custeio. Passemos, portanto, para o exame de admissibilidade. O paradigma apresentado pela PGFN trata da matéria subvenção para investimento X subvenção para custeio, e tem decisão divergente com o acórdão recorrido. Por isso, entendo não haver reparos ao Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 2986/2988. A decisão analisou como a matéria subvenção para investimento X subvenção para custeio foi decidida pelos dois acórdãos (recorrido e paradigma), entendeu pela demonstração da divergência e deu seguimento ao recurso. Nesse sentido, voto no sentido de conhecer do recurso especial da PGFN, em relação á matéria subvenção para investimento X subvenção para custeio, que teve a divergência demonstrada no Recurso Especial interposto. Passando para a apreciação do mérito, como já dito, a matéria subvenção para investimento X subvenção para custeio tem repercussão apenas no lançamento de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativa (infração 2), já que o lançamento do principal do IRPJ e CSLL (infração 1) não foi devolvido para o presente Colegiado. Ocorre que a infração 2 trata de concomitância de multa isolada e de ofício, relativa ao anocalendário 2006, marco temporal limite para aplicação da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Na realidade, diante de tal situação, entendo ser prescindível apreciação da matéria subvenção para investimento X subvenção para custeio, vez que o litígio se resolve Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10530.723952/200915 Acórdão n.º 9101002.334 CSRFT1 Fl. 3.119 9 mediante aplicação de norma expressa no RICARF, que predica a obrigatoriedade de aplicação de súmula 1. Portanto, há que ser aplicada para a solução da infração 2 a Súmula 105 do CARF, razão pela qual a parte da autuação fiscal devolvida para o Colegiado deve ser afastada. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator 1 Vide RICARF, Anexo II: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: (...) VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; (...) Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 27/05/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10855.000592/99-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO.
Embargos declaratórios que se acolhe para o esclarecimento de questões, ratificandose a parte conclusiva do voto condutor.
Numero da decisão: 3201-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para o esclarecimento de questões, ratificandose a parte conclusiva do voto condutor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher em parte os embargos de declaração, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Elias Fernandes Eufrásio, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pela DRF Sorocaba, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão nº 320101.658, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 05 92 /9 9- 94 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201002.153 S3C2T1 Fl. 409 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 30/11/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011). A 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção decidiu, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a decadência do seu direito de restituição e determinando o retorno do presente processo à unidade de origem para análise das demais questões referentes ao direito creditório pleiteado. A DRF/Sorocaba, responsável pela liquidação do acórdão, apresenta embargos de declaração, afirmando inicialmente que não haveria pedido de restituição, mas apenas pedido de compensação conforme art. 12 e 13 da IN SRF n° 21/1997 e art. 74 da Lei n° Fl. 409DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201002.153 S3C2T1 Fl. 410 3 9.430/1996, bem como que o mérito da questão teria sido atendido através de Informação Fiscal de fls. 176 a 203 do processo digital, em atendimento à resolução do Terceiro Conselho de Contribuintes n° 303 01.051, de 07/07/2005 Os embargos foram admitidos em despacho firmado pelo Presidente desta Turma. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto A DRF Sorocaba alega que não se trata de pedido de restituição, mas sim de pedido de compensação conforme art. 12 e 13 da IN SRF n° 21/1997 e art. 74 da Lei n° 9.430/1996. De fato, o litígio versa sobre pedido de compensação, devendo o acórdão embargado ser alterado em sua parte dispositiva, conforme exposto abaixo. Diante do exposto, tendo em vista que a recorrente promoveu os pedidos de compensação dentro do prazo legal, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do seu direito a compensação e determinando o retorno do presente processo à unidade de origem para análise das demais questões referentes ao direito creditório pleiteado. Observo, contudo, que o equívoco não modifica o mérito da decisão embargada, devendo o presente do presente processo retornar à unidade de origem para análise das demais questões referentes ao direito creditório utilizado para compensação. Em atenção ao segundo ponto suscitado nos embargos de declaração, esclarecese que o despacho decisório nº 1312/99, proferido pela DRF Sorocaba, nega o direito da compensação à contribuinte apresentando como única justificativa a decadência do direito de pleitear, conforme demonstra o excerto abaixo transcrito: 1. O presente processo trata de Pedido de Restituição/Compensação formalizado em 08/03/99 (folhas 01). [...] FUNDAMENTAÇÃO 5. O instituto da compensação de tributo indevido tem a mesma finalidade da restituição, com a única diferença de que o primeiro caso se recebe créditos e no outro a devolução se dá em espécie. Portanto, ao pedido de compensação se aplica a disposição contida no art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, o direito de 'pleitear a restituição ou a compensação é de 05 (cinco) anos, a partir da data da extinção do crédito tributário. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201002.153 S3C2T1 Fl. 411 4 6 A extinção do crédito tributário de tributo submetido ao lançamento por homologação, ocorre com o pagamento antecipado, a teor do art. 150, § 1°, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de .1966 (CTN). Isto se aplica para o FINSOCIAL. 7 O Ato Declaratório SRF n° 096, de 26/11/99, dispõe que o prazo para que o contribuinte possa k pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória 'ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 165, I, e 168, I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). 8 Assim; os créditos pretendidos pela interessada pagos até 07/11/91 referente 'ao FINSOCIAL, já se encontravam decaídos desde 07/11/96, contandose os 05 (cinco) anos do último pagamento. DECISÃO 9 Diante do acima exposto e tudo o mais que do processo consta, considerando a competência termos delegada pela Portaria GB n° 103/92, de 14/01/93, DECIDO não reconhecer o crédito pleiteado pela interessada, Alves Fogaça & Cia Ltda, CNPJ 58.637.448/000109, por razão da decadência do direito de pleitear, nos do art. 168, I, da Lei n°5.172, de 25/10/66 (CTN) (grifo nosso) A decisão embargada, em atenção à decisão do STF proferida em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011), decidiu que: Como o pedido de restituição/declaração de compensação em julgamento foi apresentado em 08/03/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, o mesmo foi protocolado antes de ultrapassado o prazo legal, devendo ser revista a decisão recorrida. Como já visto, o mérito da questão, qual seja a existência do direito creditório da contribuinte, não foi apreciado pela unidade de origem, que se restringiu a análise da questão prejudicial. Tal fato exige a apreciação do mérito por parte do órgão competente, qual seja a DRF do domicílio fiscal do sujeito passivo. Em relação à diligência realizada, esclarecese, inicialmente, que as decisões de órgãos colegiados de julgamento não podem inovar em relação aos motivos do indeferimento do direito creditório definidos pela DRF que emitiu o despacho decisório. Tal fato configura defeito insanável ao ato administrativo, devido a falta de competência do órgão julgador para tanto. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201002.153 S3C2T1 Fl. 412 5 O Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo de reconhecimento de direito creditório, estabelece em seu artigo 117 que compete ao Chefe da Unidade da RFB do domicílio do sujeito passivo a apreciação de pleitos repetitórios: Art. 117. A competência para apreciar pedidos de restituição, de ressarcimento e de reembolso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de pedidos de restituição relativos a direitos antidumping e direitos compensatórios é do chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (grifo nosso) O artigo 112 do Decreto nº 7.574/2011, por sua vez, estabelece que a competência para promover a homologação da compensação declarada será definida em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 112. A autoridade administrativa competente para promover a homologação da compensação declarada será definida em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil Já a competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) encontrase prevista no artigo 61 do mesmo Decreto nº 7.574/2011, nestes termos: Art. 61. O julgamento de processos sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os relativos à exigência de direitos antidumping e direitos compensatórios, compete em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso I; Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o). Parágrafo único. A competência de que trata o caput inclui, dentre outros, o julgamento de: I impugnação a auto de infração e notificação de lançamento (Decreto no 70.235, de 1972, art. 14); II manifestação de inconformidade do sujeito passivo em processos administrativos relativos a compensação, restituição e ressarcimento de tributos, inclusive créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (Lei no8.748, de 1993, art. 3o, inciso II; Lei no 9.019, de 1995, art. 7o, §1o e §5o); e III impugnação ao ato declaratório de suspensão de imunidade e isenção (Lei no 9.430, de 1996, art. 32, § 10). (grifo nosso) O artigo 75 deste mesmo Decreto nº 7.574/2011 estabelece a competência do CARF como sendo o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância: Art. 75. O julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, e de recursos de natureza especial, compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fl. 412DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201002.153 S3C2T1 Fl. 413 6 Fiscais (Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). (grifo nosso) Como se vê, em se tratando de pleitos repetitórios, são distintas as funções das Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF) e dos órgãos colegiados de julgamento. Enquanto à DRF compete decidir acerca dos pedidos de restituição/compensação, compete à DRJ o julgamento de manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo em relação a esta decisão da DRF. Ao CARF, por sua vez, compete o julgamento de recurso voluntário frente à decisão proferida pela DRJ. No momento de apresentação da manifestação de inconformidade e recurso voluntário pelo contribuinte, definemse a profundidade e a extensão da apreciação do julgador sobre a decisão denegatória. Essa limitação é rigorosa nos processos iniciados a partir de pedido do interessado, pois a autoridade está limitada a julgar nos termos requeridos. Desta forma, não é permitido ao órgão julgador ampliar ou modificar o pleito apresentado pelo contribuinte. Em relação ao ato administrativo que decide o pleito, esclarecese que motivar consiste em apresentar as razões porque a autoridade administrativa tomou determinada decisão, e pode consistir em fundamentos de direito e em fatos. A motivação dos atos processuais no processo administrativo fiscal é obrigatória por expressa previsão legal. A Lei nº 9.784/99, em seu artigo 50, determina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram. O órgão julgador, como consequência, não pode alterar a motivação do ato administrativo emitido pela DRF, pois, tendo em vista que os motivos fazem parte deste ato, criar novos motivos para manutenção de um ato administrativo corresponde a realização de um novo ato. O Decreto nº 70.235/72, por sua vez, estabelece em seu artigo 59 as hipóteses que ensejam a nulidade dos atos administrativos tributários, nestes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como o CARF não possui competência para apreciar pedidos de restituição/compensação apresentados por contribuintes, e tendo em vista o disposto no artigo 59, I, do Decreto nº 70.235/72, qualquer decisão diferente da tomada por esta turma padeceria de nulidade. Esclarecese ainda que o fato da recorrente ter tido acesso ao resultado da diligência e ter sido aberto prazo para contestar estes novos motivos em nada altera a falta de Fl. 413DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10855.000592/9994 Acórdão n.º 3201002.153 S3C2T1 Fl. 414 7 competência do CARF para, por meio de novos fundamentos, indeferir o pedido de restituição/compensação. Diante do exposto, voto por acolher parcialmente aos embargos declaratórios, sem efeitos modificativos. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 414DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 06/05/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13884.003783/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/07/2004
EX TARIFÁRIO. SISTEMA INTEGRADO 193 (SI-193). DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO NECESSÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA BENEFÍCIO DE REDUÇÃO TRIBUTÁRIA. CABIMENTO.
O tratamento tributário de redução da alíquota do Imposto sobre a Importação (II), para o Sistema Integrado 193 (SI-193), somente se aplica quando se tratar da importação da totalidade dos componentes especificados nos ex tarifário do referido Sistema, a serem utilizados em conjunto na atividade produtiva do importador. Se comprovada a não importação de parte dos referidos componentes, o benefício da redução tributária não pode utilizado, o que acarreta a cobrança dos tributos devidos mediante aplicação da alíquota norma do imposto.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO DECLARADAS. COBRANÇA DOS TRIBUTOS DEVIDOS COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS. POSSIBILIDADE.
É procedente o lançamento dos tributos devidos na operação de importação, acrescidos de multas e juros moratórios, nos casos de comprovada importação de mercadorias não declaradas na DI, independentemente delas pertencerem ou não ao Sistema Integrado a ser utilizado na atividade produtiva do importador.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 23/07/2004
INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. PRODUTO ESTAVA SUJEITO A LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO OU NÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. APLICABILIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
É condição necessária para a configuração da prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que haja prova nos autos de que o produto importado estava sujeito a licenciamento automático ou não. Na ausência dessa prova, a referida infração resta descaracterizada e a multa aplicada passa ser inexigível.
INFRAÇÃO REGULAMENTAR POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. COMPROVADO O ERRO DE ENQUADRAMENTO DO PRODUTO NA NCM. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
O incorreto enquadramento do produto no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria.
INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANTER OU DE APRESENTAR DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS DE INSTRUÇÃO DA DI. COMPROVADA A INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. APLICAÇÃO DA MULTA DE 5% DO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO ATÉ O DESEMBARAÇO. IMPOSSIBILIDADE.
A multa de 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI, ou da obrigação de apresentar tais documentos à fiscalização aduaneira quando exigidos, não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria.
Recurso de Oficio Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, para manter a exoneração (i) da multa por falta de LI e (ii) da multa por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI ou de apresentá-los à fiscalização, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/07/2004 EX TARIFÁRIO. SISTEMA INTEGRADO 193 (SI-193). DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO NECESSÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA BENEFÍCIO DE REDUÇÃO TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. O tratamento tributário de redução da alíquota do Imposto sobre a Importação (II), para o Sistema Integrado 193 (SI-193), somente se aplica quando se tratar da importação da totalidade dos componentes especificados nos ex tarifário do referido Sistema, a serem utilizados em conjunto na atividade produtiva do importador. Se comprovada a não importação de parte dos referidos componentes, o benefício da redução tributária não pode utilizado, o que acarreta a cobrança dos tributos devidos mediante aplicação da alíquota norma do imposto. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO DECLARADAS. COBRANÇA DOS TRIBUTOS DEVIDOS COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS. POSSIBILIDADE. É procedente o lançamento dos tributos devidos na operação de importação, acrescidos de multas e juros moratórios, nos casos de comprovada importação de mercadorias não declaradas na DI, independentemente delas pertencerem ou não ao Sistema Integrado a ser utilizado na atividade produtiva do importador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 23/07/2004 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. PRODUTO ESTAVA SUJEITO A LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO OU NÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. APLICABILIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. É condição necessária para a configuração da prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que haja prova nos autos de que o produto importado estava sujeito a licenciamento automático ou não. Na ausência dessa prova, a referida infração resta descaracterizada e a multa aplicada passa ser inexigível. INFRAÇÃO REGULAMENTAR POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. COMPROVADO O ERRO DE ENQUADRAMENTO DO PRODUTO NA NCM. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O incorreto enquadramento do produto no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANTER OU DE APRESENTAR DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS DE INSTRUÇÃO DA DI. COMPROVADA A INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. APLICAÇÃO DA MULTA DE 5% DO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO ATÉ O DESEMBARAÇO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI, ou da obrigação de apresentar tais documentos à fiscalização aduaneira quando exigidos, não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. Recurso de Oficio Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, para manter a exoneração (i) da multa por falta de LI e (ii) da multa por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI ou de apresentá-los à fiscalização, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/07/2004 “EX” TARIFÁRIO. SISTEMA INTEGRADO 193 (SI193). DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÃO NECESSÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA BENEFÍCIO DE REDUÇÃO TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. O tratamento tributário de redução da alíquota do Imposto sobre a Importação (II), para o Sistema Integrado 193 (SI193), somente se aplica quando se tratar da importação da totalidade dos componentes especificados nos “ex” tarifário do referido Sistema, a serem utilizados em conjunto na atividade produtiva do importador. Se comprovada a não importação de parte dos referidos componentes, o benefício da redução tributária não pode utilizado, o que acarreta a cobrança dos tributos devidos mediante aplicação da alíquota norma do imposto. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO DECLARADAS. COBRANÇA DOS TRIBUTOS DEVIDOS COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS. POSSIBILIDADE. É procedente o lançamento dos tributos devidos na operação de importação, acrescidos de multas e juros moratórios, nos casos de comprovada importação de mercadorias não declaradas na DI, independentemente delas pertencerem ou não ao Sistema Integrado a ser utilizado na atividade produtiva do importador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/07/2004 INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. PRODUTO ESTAVA SUJEITO A LICENCIAMENTO AUTOMÁTICO OU NÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. APLICABILIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 37 83 /2 00 4- 69 Fl. 437DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 É condição necessária para a configuração da prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que haja prova nos autos de que o produto importado estava sujeito a licenciamento automático ou não. Na ausência dessa prova, a referida infração resta descaracterizada e a multa aplicada passa ser inexigível. INFRAÇÃO REGULAMENTAR POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. COMPROVADO O ERRO DE ENQUADRAMENTO DO PRODUTO NA NCM. APLICAÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O incorreto enquadramento do produto no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constitui infração regulamentar por erro de classificação fiscal, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria. INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANTER OU DE APRESENTAR DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS DE INSTRUÇÃO DA DI. COMPROVADA A INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. APLICAÇÃO DA MULTA DE 5% DO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS NO CURSO DO DESPACHO ADUANEIRO ATÉ O DESEMBARAÇO. IMPOSSIBILIDADE. A multa de 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI, ou da obrigação de apresentar tais documentos à fiscalização aduaneira quando exigidos, não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. Recurso de Oficio Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso de ofício, para manter a exoneração (i) da multa por falta de LI e (ii) da multa por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI ou de apresentálos à fiscalização, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Fl. 438DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 438 3 Tratase de Autos de Infração (fls. 2/50), em que formalizada a cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 1.612.392,17, compreendendo o somatório do Imposto sobre a Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Cofins Importação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, acrescidos de multa de ofício normal e juros de mora, calculado até 30/11/2004, além de multa do controle administrativo por falta de Licença de Importação (LI), multa regulamentar por erro de classificação fiscal e multa proporcional ao valor aduaneiro por falta de apresentação de fatura comercial. De acordo com a Descrição dos Fatos que integra os referidos Autos de Infração (fls. 5/15), durante o trabalho de conferência física dos produtos importados, denominado de Sistema Integrado 193 (SI193), descrito no da Resolução Camex 13/2003, alterado pela Resolução Camex 16/2003, como um Sistema Integrado para produção, por laminação, de filmes de PVC flexível, com capacidade máxima igual ou superior a 23 m/min, constituído por vários componentes, favorecido com a redução da alíquota do II para 4%, a fiscalização apurou as seguintes irregularidades: a) a existência de uma segunda fatura comercial, com valores e quantidades diferentes, relativos a alguns dos itens importados, quando comparado com os valores e as quantidades constantes da fatura comercial que instruía o correspondente despacho aduaneiro de importação; b) a existência de mercadorias declaradas na Declaração de Importação (DI), cujas descrições não se enquadravam no texto do “ex” tarifário pleiteado; e e) a existência de mercadorias que não constavam de nenhuma das faturas comerciais apresentadas nem foram declaradas na DI. Intimada a informar os Valores Unitários na Condição de Venda (VUCV) desses equipamentos, a autuada apresentou as planilhas de fls. 192/194; A demonstração da base cálculo dos valores cobrados foram distribuídos por tipo de irregularidade, nos seguintes itens: 001 FALTA DE DECLARAÇÃO DA MERCADORIA Neste item, foram relacionadas as mercadorias importadas que não foram declaradas na DI e que não faziam parte da descrição do Sistema Integrado 193 (SI193). Em relação a essas mercadorias, foram cobrados os tributos não recolhidos, multa de oficio sobre os tributos cujo fato gerador já tinha ocorrido (II, Contribuição para PIS/PasepImportação e CofinsImportação), além das infrações por falta de LI e por descumprimento da obrigação de apresentar a fatura comercial à fiscalização. 002 MERCADORIA NÃO ENQUADRADA EM “EX” Neste item, foram relacionadas as mercadorias declaradas na DI com descrição divergente da constante do SI193, acarretando, em alguns casos, inclusive, a mudança da classificação fiscal da mercadoria, ocasionando a descaracterização da aplicação do “ex” tarifário. Assim, em decorrência da descaracterização do “ex” tarifário, foram cobrados a diferença dos tributos devidos, a multa de oficio para os tributos cujo fato gerador já tinha ocorrido (II, Contribuição para PIS/PasepImportação e CofinsImportação), em Fl. 439DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 relação a todas as mercadorias declaradas, além da multa por falta de LI, em relação às mercadorias que sofreram mudança de classificação fiscal e cuja descrição estava incorreta. 003 IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE Neste item, foram relacionados as mercadorias que não foram declaradas na DI e que não faziam parte da descrição do Sistema Integrado (SI193), mencionadas no item 001, e as mercadorias declarados na DI com descrição divergente da constante do SI193 e que sofreram mudança de classificação fiscal, conforme descrito no item 002. 004 MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL Neste item, foram relacionados as mercadorias declaradas com descrição divergente da constante do SI193 e que sofreram mudança na classificação fiscal. Em relação a essas mercadorias, foram cobradas, além da multa por erro de classificação fiscal, a diferença de tributos, as multas e os acréscimos legais devidos, mencionados nos itens anteriores. 005 DESCUMPRIMENTO DE MANTER EM BOA GUARDA OS DOCUMENTOS OU DE APRESENTÁLOS A FISCALIZAÇÃO Neste item, foram relacionados as mercadorias não acobertadas por fatura comercial, que foram relacionados no item 001 e no item 002 acima. Em relação a essas mercadorias, foram cobradas, além da multa por descumprimento de manter em boa guarda os documentos ou de apresentálos à fiscalização, a diferença de tributos, as multas e os acréscimos legais devidos, mencionados nos itens anteriores Por fim, com base nas informações prestadas pela importadora, nas conclusões apresentadas no Laudo Técnico (fls. 93/152) e no Aditamento ao referido Laudo (fls. 169/184), elaborado por engenheiros credenciados perante a unidade da Receita Federal, bem como da documentação instrutiva do despacho a aduaneiro de importação, a fiscalização elaborou (i) as planilhas de fls. 200/202, contendo os valores das diferenças dos tributos apuradas e (ii) um resumo das autuações (fls. 204/205), contendo os valores consolidados dos tributos, multas e juros moratórios cobrados e os esclarecimentos sobre a metodologia utilizada e a razão pela qual glosou a redução tributária do “ex” tarifário pleiteado pelo importador. Em sede de impugnação (fls. 210/239), em síntese, a autuada alegou que: 1) foram cumpridas todas as condições fixadas pela Resolução Camex 13/2003, para o gozo da redução tarifária instituída no “ex” tarifário em comento; 2) não existia uma segunda fatura comercial, conforme alegara a fiscalização, mas da mesma fatura comercial, com a descrição dos mesmos bens, com os mesmos valores, de uma forma diferente, ou seja, na fatura entregue a fiscalização (fl. 292) a descrição dos produtos fora feita de forma agrupada, enquanto na fatura entregue aos peritos (fl. 293), em meio magnético, a descrição fora feita de forma separada (detalhada). Para comprovar o alegado, a autuada trouxe à colação dos autos as cópias dos 2 (dois) documentos (fls. 292/293) e respectivos esclarecimentos sobre as diferenças apontadas pela fiscalização. Segundo a autuada, a única diferença de valor que existia entre as duas faturas era no valor do frete (freith), pois, na suposta segunda fatura, o valor do item freith era US$ 60.050, enquanto que, na fatura que instruiu o despacho, o valor do item international freith era de US$ 59.750. A diferença de apenas US$ 300, tratavase de um ajuste no preço do frete ocorrido após o embarque dos bens. Ademais, alegou a autuada que suposta segunda fatura não constituía Fl. 440DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 439 5 documento instrutório da DI, não continha assinatura do emitente e não preenchia os requisitos dos arts. 497 e 499 do Regulamento Aduaneiro. A fatura válida e autêntica, no entendimento da autuada, era a que instruíra o despacho aduaneiro. Além disso, não competia aos peritos manifestarse sobre os documentos que instruíam a DI e sobre os valores e outros elementos neles inseridos, mas se aterem exclusivamente às considerações de natureza técnica concernentes às mercadorias por eles examinadas; 3) as 2 (duas) irregularidades apuradas pela fiscaliza foram (i) a falta de declaração de mercadorias (item 001 do Auto de Infração) e (ii) a importação de mercadorias não enquadras no “ex” tarifário pleiteado (item 002 do Auto de Infração) 4) em relação à primeira irregularidade, a fiscalização identificara 8 (oito) tipos de bens que não foram declarados na DI, a saber: a) Sistema de aquecimento e circulação de óleo térmico b) Super misturador de 400 l (segunda unidade); c) Super misturador de 100 l (segunda unidade); d) Sistema de ventilação forçada p/ resfriamento de motores; e) Sistema de exaustão de gases e partículas em suspensão; f) Sistema de eliminação de eletricidade estática, por ventilação forçada de ar ionizado; g) Bombas para circulação de água através do Chiller; e h) Painéis de distribuição e comando elétrico; 5) em relação à segunda irregularidade, a fiscalização identificara 2 (dois) bens, quais sejam: b) Câmara refrigeradora para recirculação de água; e b) pulverizador de substância antiaderente. 6) não cometera a primeira irregularidade (falta de declaração de mercadoria), baseada nas seguintes justificativas, extraídas do Laudo Técnico de fls. 298/321, elaborado por seus peritos assistentes: a) os “9 sistemas de circulação e aquecimento de óleo térmico”, apontados pela fiscalização como não declarados eram parte do sistema de controle de temperatura da linha de produção, implicitamente incluído no sistema integrado SI193; b) os 2 (dois) super misturadores não declarados (de 100 L e 400 L), importados em excesso, não eram necessários ao perfeito funcionamento e desempenho do SI 193, pois a linha produção funcionava com um só misturador, que já se encontrava instalado. O primeiro misturador foi importado para, caso instalado, otimizar a linha de produção, e o segundo como peça sobressalente. Os dois misturados foram importados em excesso e não estavam abrangidos pelo “ex” pleiteado, por essa razão, ainda no curso do despacho aduaneiro, retificou a DI e o recolheu os tributos devidos, por essa razão, era totalmente descabido o lançamento de oficio dos tributos devidos na importação desses bens; c) o “sistema de ventilação forçada para resfriamento de motores” e o “sistema de exaustão de gases e partículas em suspensão” eram apenas um ventilador com motor e filtro e um exaustor com motor, respectivamente. Assim, tais elementos seriam partes integrantes do complexo sistema integrado importado, que apenas não foram explicitamente detalhados na DI; d) em relação ao “sistema de eliminação de eletricidade estática, por ventilação forçada de ar ionizado”, afirmou que estava equivocada afirmação consignada no laudo técnico oficial de que a eliminação de eletricidade estática darseia por meio de ventilação forçada com ar ionizado, pois o que estava ionizado era o pó e não o ar. O ar era o ar Fl. 441DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 do ambiente soprado pelo grupo ventilador e tinha por função pulverizar o pó antiaderente em cima da lâmina (filme) de PVC; e) as 2 (duas) “Bombas para circulação de água através do Chiller” eram indispensáveis para promover a “recirculagão da água”, conforme descrito no “ex” tarifário; e f) os “painéis de distribuição e comando elétrico” tratavase somente de um painel elétrico, para comando e controle do sistema de laminação, o qual era composto de vários módulos interligados eletricamente, disposto separadamente por motivos óbvios de logística. Todas as cabines estavam interligadas pelo mesmo barramento, o que caracterizava um único painel elétrico, por haver um único comando com controle computadorizado por CLP. 7) não cometera a segunda irregularidade (mercadoria não enquadrada no “ex” tarifário), baseada nas seguintes justificativas, extraídas do citado Laudo Técnico: a) a “câmara refrigeradora para recirculação de água”, importada e instalada em suas dependências industriais, era uma câmara refrigeradora sem nenhuma serpentina (e tanto menos serpentina por onde circula um gás refrigerante). O aparelho para resfriamento de lamina e a câmara refrigeradora para recirculação da água eram os equipamentos importados, que tinha a função e produziam o efeito do resfriamento de lamina com cilindros por onde circula água resfriada. E afirmou que não ocorreu a importação de um “chiller para resfriamento da água”, mas efetivamente a de uma “câmara refrigeradora para recirculação de água”; e b) o “pulverizador de substância antiaderente” era um sistema que tinha a função de pulverizar a substância antiaderente. Era um sistema simples e que o texto indicado na DI estava absolutamente correto e coerente com o material importado. 8) não procedia a afirmação da fiscalização de omitir os valores dos tributos recolhidos a maior do que o devido em determinado períodos de apuração, uma vez que o auto de infração não possibilitava a compensação de tributos devidos em determinado período de apuração com tributos recolhidos a maior em outros períodos. Neste caso, segundo a fiscalização, a autuada deveria ingressar com pedido de restituição. Para autuada, os valores já recolhidos não poderiam ser lançados novamente sobre pena de configurar dupla tributação, como de fato se configurara. Era claro que se os valores tiverem sido recolhidos a maior do que o lançado de oficio, essa diferença (crédito) deveria ser objeto de pedido de restituição e/ou compensação, mas nunca o valor integral do lançamento como recomendou a fiscalização; 9) era incabível a imposição da multa por classificação fiscal incorreta, pois os bens descritos no processo de concessão do “ex” tarifário eram os mesmos importados pela impugnante. Ademais, ao utilizar a descrição aprovada para o “ex” tarifário, havia seguido orientação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), logo, ao contestar a classificação fiscal adotada, a fiscalização estava, em última análise, contestando o critério adotado pela própria Administração aduaneira. Ademais, ainda que a referida classificação fiscal estivesse incorreta, nos termos do parágrafo único do art. 100 do CTN, de forma alguma, a autuada poderia arcar com ônus dessas penalidades, porque procedera de acordo com a orientação expressa no ato normativo elaborado especificamente para essa importação; 10) as demais infrações, relativas a falta de licença de importação e de manter em boa guarda os documentos necessários à instrução do despacho aduaneiro, como eram meras consequências das infrações relativas à falta de declaração de mercadoria e à mercadoria Fl. 442DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 440 7 não enquadrada no “ex” tarifário, não comprovadas estas infrações, a existência daquelas também era infundada; 11) como estava submetida a sistemática não cumulativa de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, o recolhimento dessas contribuições no âmbito do despacho aduaneiro de importação era mera antecipação do devido em sua apuração mensal, consequentemente, o montante do lançamento deveria ser apenas do efeito da postergação (encargos financeiros) entre o momento em que as contribuições deveriam ter sido antecipadas (no despacho de importação) e o momento em que efetivamente foram absorvidas nas apurações mensais. Ademais, ainda que fosse razoável admitir o lançamento de oficio em questão, que admitia apenas por amor à argumentação, o lançamento deveria a cobrança dos juros isolados, calculados em função do efeito da postergação do recolhimento; e 12) no final, propugnou pela realização de laudo técnico complementar, indicou assistentes periciais e apresentou quesitos; e requereu que fosse o presente auto de infração fosse julgado improcedente. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 413/422), em que, por unanimidade de votos, o lançamento foi considerado improcedente, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/07/2004 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. SISTEMA INTEGRADO. EX TARIFÁRIO. INTERPRETAÇÃO. O texto da descrição de um sistema integrado complexo, composto de vários EX tarifários, deve ser interpretado conforme a descrição técnica detalhada provida no processo de concessão do benefício. Não se pode sustentar uma autuação através da inferência de detalhes tecnológicos não explicitados na resumida descrição do sistema integrado. Em virtude de o crédito tributário exonerado ter superado o limite de alçada, determinado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, o Presidente da Turma de Julgamento de primeiro grau interpôs recurso de ofício perante este Conselho. A autuada foi cientificada da referida decisão em 4/3/2009 (fl. 427), mas não apresentou contrarazões ao citado recurso de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso de ofício interposto preenche os pressupostos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, deve ser conhecido. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 Inicialmente, cabe ressaltar que, nas presentes autuações, a fiscalização imputou a importadora três graves irregularidades, a saber: a) a primeira, foi a constatação da existência de uma segunda fatura comercial, contendo valores e quantidades diferentes de alguns dos itens importados, quando comparado com os valores e as quantidades das mercadorias descritas na fatura comercial, que fora apresentada à fiscalização, instruindo o correspondente despacho aduaneiro de importação; b) a segunda, foi a constatação da existência de mercadorias que não constavam em nenhuma das faturas comerciais apresentadas nem foram declaradas na DI; e c) a terceira, foi a constatação da existência de mercadorias declaradas na DI, cujas descrições não correspondiam aos produtos descritos nos textos do “ex” tarifário pleiteado. Da existência de uma segunda fatura comercial. Em relação a essa infração, a autuada esclareceu que não existia uma segunda fatura comercial, mas de mesma fatura comercial, com a descrição dos mesmos bens, com os mesmos valores, de uma forma diferente, ou seja, na fatura entregue a fiscalização (fl. 292), a descrição dos produtos fora feita de forma agrupada, enquanto na fatura entregue aos peritos (fl. 293), em meio magnético, a descrição fora feita de forma separada (detalhada). Para comprovar o alegado, a autuada trouxe à colação dos autos as cópias dos 2 (dois) documentos (fls. 292/293) e apresentou os esclarecimentos sobre as diferenças apontadas pela fiscalização (fls. 221/224). Segundo a autuada, a única diferença era o valor de US$ 300, de um ajuste a mais no preço do frete ocorrido após o embarque dos bens. Inexplicavelmente, no voto condutor do julgado recorrido, o nobre Relator nada disse a respeito dessa grave irregularidade, especialmente tendo em conta, que, as alegações apresentadas pela autuada, no sentido de que o documento era o mesmo e que a única diferença entre eles era o valor do frete de US$ 300, não corresponde à verdade retratada nos referidos documentos, pois, um simples cotejo dos dados e informações contidas em ambas as faturas, verificase divergências relevantes, dentre outras, merecem destaque as referentes a: (i) a data de emissão, (ii) as quantidades das mercadorias descritas, confirmadas no ato de conferência física, (iii) os preços dos itens descritos, (iv) a natureza dos itens descritos etc. Da simples comparação da fatura que a recorrente alegou ter apresentado para instrução do despacho aduaneiro (fl. 292) com a que foi efetivamente entregue à fiscalização (fl. 67), verificase que o leiaute, as datas e as assinaturas são diferentes, o que confirma a existência de uma terceira fatura, com evidentes indícios de falsidade material. Além disso, a referida segunda fatura não foi entregue aos peritos credenciados, segundo alegou a autuada, mas encontrada no interior do CD que lhes fora entregue pelo preposto da importadora, conforme informação prestada nos trechos extraídos do referido Laudo Técnico, a seguir transcritos: No CD que recebemos do engenheiro Yeh Jeng Kwan, com informações sobre o Packing List encontramos um arquivo com extensão .xls (Excel), com a Fatura original do processo, incluindo dois supermisturadores de 400 litros, cada um com preço de US$ 22,000.00 (vinte e dois mil dólares), ao invés de um único no valor de US$ 44,000.00 como citado na fatura anexada ao processo. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 441 9 5. Além do misturador intensivo de 100 litros declarado pela FLC nos documentos de importação pelo valor de US$ 181,000.00 (cento e oitenta e hum mil dólares), encontramos mais um misturador idêntico na caixa de número 25, que não foi declarado. Na fatura original encontrada no CD, ambos os misturadores encontramse discriminados, sendo que um deles pelo valor de US$ 106,000.00 e o outro por US$ 75,000.00. Essa diferença se deve ao fato de que um dos conjuntos foi importado incompleto, ou seja, sem o conjunto motoredutor de acionamento. Dadas essas circunstâncias, certamente, dois dos três documentos não são material e ideologicamente verdadeiros. E diante da confirmação pelos peritos de que as quantidades e a compatibilidade dos preços dos bens descritos na fatura comercial encontrada no CD foram confirmadas no ato de conferência física, chegase a conclusão inexorável de que apenas esta fatura, salvo prova em contrário, pode ser considerada um documento material e ideologicamente fidedigno. E a constatação da existência de falsidade, ideológica ou material1, de documento necessário ao processamento do despacho aduaneiro de importação, a exemplo da fatura comercial, sabidamente, tratase de infração gravíssima, sancionada com a pena de perdimento por dano Erário, nos termos do art. 23, IV, do Decretolei 1.455/1976, combinado com disposto no art. 105, VI, do Decretolei 37/1966. Todavia, como no caso em tela, não foi proposta tal sanção, não cabe qualquer abordagem meritória sobre a procedência ou não aplicação da referida penalidade. De todo modo, os elementos coligidos aos autos evidenciam que a fatura comercial verdadeira é a que se encontrava no interior do referido CD (fls. 154 e 293), pois as quantidades e os preços das mercadorias nela consignados representavam os dados reais, confirmados na fase de conferência física da operação de importação em apreço. Da importação de mercadorias não declaradas. Na fase de conferência, os peritos encontraram 8 (oito) tipos de mercadorias importadas, mas não declaradas na DI. Eis relação extraída do citado Laudo Técnico: Dentre os equipamentos que foram importados pela FLC, os equipamentos abaixo relacionados, não foram declarados nos documentos de importação. 01 supermisturador de 400 litros (no processo consta apenas um misturador com capacidade de 400 litros); 01 misturador intensivo com capacidade de 100 litros (no processo consta apenas um misturador com capacidade de 100 litros); 09 sistemas de circulação e aquecimento de óleo térmico para aquecimento de cilindros e rolos, nos diversos estágios do 1 A falsidade material é ilicitude consistente na adulteração da forma externa do documento, do seu aspecto externo ou extrínseco, enquanto a falsidade ideológica a ilicitude atinge o aspecto intrínseco do documento, afetando o seu conteúdo. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 10 processo, que será utilizado com utilidade nas instalações industriais. Nos documentos de importação a FLC declarou estar importando apenas um sistema controlador automático de temperatura. O controlador automático de temperatura é constituído apenas por um painel e um conjunto de sensores; 01 sistema de resfriamento de água por Chiller e reservatório de aço inox, que será utilizado como utilidade nas instalações industriais. Nos documentos de importação a FLC declarou estar importando uma câmara refrigeradora para recirculação da água através dos cilindros de resfriamento da lâmina flexível de PVC; 01 sistema de ventilação forçada com ar ionizado para eliminação de eletricidade estática da película laminada, posterior ao sistema de resfriamento da lamina; 01 sistema de ventilação forçada para resfriamento dos motores de corrente contínua da calandra (esse sistema não foi declarado); 01 sistema dosador de pó antiaderente. (na documentação de importação ele foi discriminado como sendo um sistema pulverizador de substância antiaderente); 01 sistema de exaustão de gases e partículas em suspensão (esse sistema não foi declarado) Para justificar a falta de descrição dessas mercadorias na DI e demais documentos que a instruíram, com base no Laudo Técnico de fls. 298/321, elaborado por peritos assistentes, a autuada apresentou os seguintes argumentos, em relação a cada um dos itens mencionados: a) os “9 sistemas de circulação e aquecimento de óleo térmico”, apontados pela fiscalização como não declarados eram parte do sistema de controle de temperatura da linha de produção, implicitamente incluído no sistema integrado SI193; b) os 2 (dois) super misturadores não declarados (de 100 L e 400 L), importados em excesso, não eram necessários ao perfeito funcionamento e desempenho do SI 193, pois a linha produção funcionava com um só misturador, que já se encontrava instalado. O primeiro misturador foi importado para, quando instalado, otimizar a linha de produção, e o segundo como peça sobressalente. Os dois misturados foram importados em excesso e não estavam abrangidos pelo “ex” pleiteado, por essa razão, ainda no curso do despacho aduaneiro, retificou a DI e o recolheu os tributos devidos, por essa razão, era totalmente descabido o lançamento dos tributos devidos na importação desses bens; c) o “sistema de ventilação forçada para resfriamento de motores” e o “sistema de exaustão de gases e partículas em suspensão” eram apenas um ventilador com motor e filtro e um exaustor com motor, respectivamente. Assim, tais elementos seriam partes integrantes do complexo sistema integrado importado, que apenas não foram explicitamente detalhados na DI; d) em relação ao “sistema de eliminação de eletricidade estática, por ventilação forçada de ar ionizado”, afirmou que estava equivocada afirmação consignada no laudo técnico oficial de que a eliminação de eletricidade estática darseia por meio de Fl. 446DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 442 11 ventilação forçada com ar ionizado, pois o que estava ionizado era o pó e não o ar. O ar era o ar do ambiente soprado pelo grupo ventilador e tinha por função pulverizar o pó antiaderente em cima da lâmina (filme) de PVC; e) as 2 (duas) “Bombas para circulação de água através do Chiller” eram indispensáveis para promover a “recirculação da água”, conforme descrito no “ex” tarifário; e f) os “painéis de distribuição e comando elétrico” tratavase somente de um painel elétrico, para comando e controle do sistema de laminação, o qual era composto de vários módulos interligados eletricamente, disposto separadamente por motivos óbvios de logística. Todas as cabines estavam interligadas pelo mesmo barramento, o que caracterizava um único painel elétrico, por haver um único comando com controle computadorizado por CLP. Previamente, cabe esclarecer que o Laudo Técnico de fls. 298/321, elaborado por peritos assistentes contratados pela autuada, obviamente, não se reveste dos atributos da prova técnica adequada, prevista no art. 30 do Decreto 70.235/1972, pois não atende os requisitos dos arts. 509 e 722 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002) e nos arts. 17, 36 e 37 da Instrução Normativa SRF 157/19982, ambos vigentes na época da emissão do citado laudo técnico. Além disso, o referido Laudo Técnico limitouse em dar explicações técnicas sobre funcionamento dos citados equipamentos, sem contudo apresentar qualquer prova que demonstrasse que tais bens não foram importados em excesso e não declarados na DI. Até porque inexiste, nos autos, controvérsia quanto ao fato de tais equipamentos não pertencerem ao citado Sistema. A irregularidade consiste no fato de tais equipamentos, ainda que integrantes do SI193, não foram declarados na DI. E sobre esse fato a recorrente limitouse em alegar que os citados bens estavam implicitamente descritos na DI. Diferentemente, além de atender todos requisitos da legislação, o Laudo Técnico de fls. 93/152 e do seu Aditamento de fls. 169/184, elaborado por peritos credenciados, mas sem qualquer vínculo hierárquico com a Administração aduaneira, demonstrou, com respaldo em fotos ilustrativas dos produtos vistoriados, diagramas extraídos do manual do fabricante e em explicações técnicocientíficas corroboradas por fontes abalizadas, que as mercadorias anteriormente relacionadas não foram declaradas na DI colacionada aos autos (fls. 52/62). Assim, diante da legitimidade do Laudo Técnico oficial e com base nas consistentes e embasadas informações nele consignadas (fls. 142/149 e 169/183), este Relator está convencido de que procedem as conclusões apresentadas no citado documento, no sentido de que as citadas mercadorias, efetivamente, não foram declaradas na DI nem descritas em qualquer outro documento de instrução do despacho aduaneiro em comento. Logo, em face da comprovação cabal dessa irregularidade, certamente, não tem nenhuma relevância o fato das referidas mercadorias pertencerem ou não ao SI193. No caso, ressaltase novamente, o que está em questão é omissão das citadas mercadorias na DI e nos demais documentos obrigatórios (fatura comercial e conhecimento de carga) de instrução do respectivo despacho aduaneiro de importação. 2 Revogada pela Instrução Normativva RFB 1020/2010. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 12 Todavia, embora essas considerações sejam suficientes para justificar as autuações decorrentes da infração em apreço, por pertinente, cabe ainda tecer breves considerações a respeito dos principais argumentos apresentados no voto condutor do julgado, para considerar que as citadas mercadorias, com exceção de 2 (dois) super misturadores de 100 litros e 400 litros, foram declaradas “implicitamente” na citada DI. Antes de analisar a lide em questão, o nobre Relator apresentou uma breve explanação sobre o processo de solicitação de “ex” tributário, disciplinado pela Resolução Camex 08/2001, vigente na época, em especial, sobre os requisitos para o requerimento do benefício fiscal e a proposta de descrição do “ex” elaborada pela RFB, elaborada com base em catálogos e dados técnicos apresentados pelo requerente, cujo resultado, segundo o nobre julgador, era “claramente uma descrição genérica e pobre em detalhamentos técnicos”. E, para justificar a dificuldade de identificar e classificar equipamentos complexos, ele apresentou uma analogia entre a referida descrição feita pela RFB e um resumo da obra de Machado de Assis, o que , com a devida vênia, não tem o menor sentido, pois a primeira está respaldado em critérios jurídicos e científicos, ao passo que a segunda uma obra literária fruto da fértil imaginação do seu autor. Na sequência, após transcrever trechos de ambos os referidos laudos técnicos, sem qualquer justificativa plausível nem respaldado em qualquer documento ou estudo técnico científico abalizado, o nobre Relator fez um clara opção pelas explicações exaradas no laudo técnico apresentado pela autuada e não pelas “laudo de assistência da Receita”, como se laudo tivesse sido elaborado pela RFB e não por peritos por ela credenciados, que, em face das normas que regem a elaboração desse tipo de documento técnico, deve apresentar as suas conclusões com imparcialidade. Ainda dentro do propósito de justificar que as referidas mercadorias estavam implicitamente descritas de forma genérica na citada DI, conforme entendimento exarado no laudo técnico apresentado pela autuada, com respaldo no art. 4º, c.2, da citada Resolução Camex, o nobre Relator concluiu que o mais importante não era o minucioso detalhamento técnico de cada componente, mas a função que cada parte do sistema desempenhava. Assim, satisfeito o critério funcional a concessão do “ex” tarifário em questão “não estava vinculado a uma política de incentivo ou desestímulo de importações específicas de câmaras refrigeradoras com ou sem serpentina.” O que estava visando era “o incentivo à implantação de uma completa linha de produção, sem paralelo nacional, que produzirá efeitos econômicos diretos e indiretos.” Esse era “o objetivo teleológico da concessão do EX para este sistema integrado.” Sabidamente, esse “objetivo teleológico” contraria frontalmente os preceitos normativos que tratam da interpretação das normas sobre reconhecimento de benefício fiscal, em especial, o art. 111 do CTN, que, expressamente, determina que a legislação tributária que disponha sobre essa matéria deve ser interpretada literalmente, o que impede a utilização de qualquer recurso integrativo (analogia etc.) e tampouco a aplicação extensiva, incluindo a finalidade da norma. Em relação, as duas unidades de super misturadores de 100 litros e 400 litros, “importadas em excesso”, conforme admitiu a própria autuada, o nobre Relator entendeu que era necessário o “recolhimento dos tributos sem a redução do sistema integrado”, mas como o recolhimento das respectivas diferenças de tributos devidos, realizado no dia 29/10/2004, ocorrera antes da conclusão das autuações, o que ocorrera no 14/12/2004, eram improcedentes as autuações desses valores. Os argumentos apresentados pelo nobre Relator não procedem. A uma, porque, nas folhas dos autos citadas, não foram localizados documentos comprobatórios do Fl. 448DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 443 13 citado recolhimento. Aliás, consta dos autos (fls. 339/349), a DI retificadora e o demonstrativo do cálculo das diferenças de tributos apuradas. A duas, porque, sabidamente, no curso do despacho aduaneiro de importação, até o desembaraço da mercadoria, não se considera a denúncia espontânea da infração, conforme determina o art. 102 do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade.(Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria;(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) No caso, como as autuações foram concluídas no dia 14/12/2004, data da ciência da autuada, e em cumprimento a decisão judicial expedida nos autos do Mandado de Segurança 2005.61.03.0069086 (fls. 386/ e após a apresentação pela autuada da apólice de seguro aduaneiro n° 0207450160113 (fls. 392/395), como forma de garantia dos valores aduaneiros objeto do litígio em apreço, segundo despacho de fl. 412, o desembaraço aduaneiro somente ocorreu no dia 22/8/2006, portanto, na data do alegado recolhimento a recorrente ainda não poderia recolher a diferença de tributos apurados com os benefícios da denúncia espontânea. Com relação às referidas mercadorias importadas e não declaradas na DI e demais documentos necessários ao processamento do despacho aduaneiro, os argumentos apresentados no voto condutor do julgado consistem numa mera replicação, sem qualquer justificativa plausível e sem fundamentação jurídica adequada, dos mesmos argumentos explicitados no Laudo Técnico apresentado pela autuada e na peça impugnatória, que, conforme já mencionado, não foram corroborados com elementos idôneos que infirmassem as sólidas e bem fundamentadas informações e conclusões exaradas no Laudo Técnico elaborado pelos peritos credenciados pela unidade da RFB. Por todas essas razões, com a devida vênia aos entendimentos contrários, este Relator propugna pelo restabelecimento de todos os gravames lançados nas presentes autuações, decorrente do cometimento da irregularidade em apreço, todavia, na fase de execução do julgado, deverá ser levado em conta eventual pagamento realizado pela recorrente no curso do procedimento fiscal. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 14 Das mercadorias declaradas na DI, mas não pertencentes ao SI193. Outra irregularidade imputada à autuada foi a existência de mercadorias declaradas na DI, mas que não correspondiam aos componentes descritos nos textos do “ex” tarifário pleiteado, o que, em decorrência, acarretou a falta de parte dos componentes do SI 193, descritos na tabela do art. 3º da Resolução Camex 13/2003 (fls. 270/280), que para facilitar a compreensão do dissenso, segue reproduzida (com destaque em negrito e sublinhado que não faz parte do texto original): (SI193): Sistema integrado para produção, por laminação, de filmes de PVC flexível, com capacidade máxima igual ou superior a 23m/min, constituído por: CÓDIGO EX DESCRIÇÃO 8419.89.99 701 1 aparelho para resfriamento da lâmina, com cilindros por onde circula água resfriada, câmara refrigeradora para recirculação da água e pulverizador de substância antiaderente 8420.10.90 713 1 laminador de 4 rolos aquecidos, com unidade de extração e gravação em relevo da lâmina formada 8421.29.90 701 1 aparelho para filtrar a massa pastosa 8423.30.11 704 1 combinação de máquinas para dosagem de matériasprimas, com 3 balanças dosadoras, 2 silos de PVC, 2 silos de óleo e 2 silos de óleo de reserva 8428.39.90 732 1 transportador de esteira rolante 8479.82.10 701 1 misturador com capacidade de 400 litros 8479.82.10 702 1 misturadoramassador com capacidade de 100 litros 8479.82.10 712 2 misturadoresamassadores de rolos 8479.89.99 960 1 bobinador 8537.10.20 701 1 painel elétrico de controle computadorizado do sistema, com CLP Previamente, cabe mencionar as condições para o gozo da redução tarifária instituída no “ex” em destaque, estabelecidas nos §§ 1º e 2º do art. 3º da citado Resolução Camex, a seguir transcritos: Art. 3º Ficam alteradas para 4% (quatro por cento), até 31 de dezembro de 2004, as alíquotas ad valorem do Imposto de Importação incidentes sobre os seguintes componentes dos Sistemas Integrados (SI). § 1º 0 tratamento tributário previsto neste artigo somente se aplica quando se tratar da importação da totalidade dos componentes especificados em cada sistema, a serem utilizados em conjunto na atividade produtiva do importador. § 2º Os componentes referidos no parágrafo anterior podem estar associados a instrumentos de controle ou de medida ou a acessórios, tais como condutos e cabos elétricos, que se destinem a permitir a sua operação, desde que mantida a respectiva Fl. 450DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 444 15 classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) indicada. Segundo a fiscalização, o motivo principal do desenquadradamento do “ex” tarifário pleiteado pelo importador fora a constatação de que, em vez da importação de uma “câmara refrigeradora para recirculação de água”, a autuada importou um “chiller para resfriamento da água”. Para melhor compreensão, leia os excertos extraídos da descrição dos fatos que integram as autuações, a seguir reproduzidos: 0 ponto central da divergência, para que concluíssemos pelo desenquadramento do “ex” tarifário pleiteado pelo importador, é a importação de um “chiller para resfriamento da água” em vez de uma “câmara refrigeradora para recirculação de água”. Para que não restassem dúvidas, solicitamos um aditamento ao referido Laudo (fls. 186 a 202). Apesar de a função executada pelos dois equipamentos ser a mesma, a aplicação do “ex” tarifário está vinculada à “importação da totalidade dos componentes especificados em cada Sistema”, logo, a falta de um descaracteriza o “ex” de todos. Assim, com base na análise dos documentos e declarações constantes do presente Processo, concluímos pela lavratura dos Autos de Infração que lhe deram origem. (grifos não originais) Portanto, ao contrário do entendimento consignado na peça impugnatória e no voto condutor julgado, para autoridade fiscal a função do equipamento é indiferente para efeito de cumprimento da condição do “ex” tarifário pleiteado. Em outras palavras, para fiscalização somente a importação da totalidade dos componentes do SI193, especificados na tabela acima reproduzida (e não qualquer outro, ainda que dotado da mesma função) resultava o cumprimento da condição necessária para fruição da redução tarifária em questão, determinada no § 1º do art. 3º da citada Resolução Camex. Nesse sentido, as conclusões exaradas no Aditamento ao Laudo Técnico oficial (fls. 169/184) demonstram, de forma cabal, com respaldo em fotos ilustrativas dos produtos, diagramas extraídos do manual do fabricante e em explicações técnicocientíficas, corroboradas por estudos técnicocientíficos abalizados, que, em vez da “câmara refrigeradora para recirculação da água”, descrita e classificada no código NCM 8419.89.99 e no “ex” 710, fora importado o “chiller para resfriamento da água”, descrita e classificada no código NCM 8418.69.99, pela fiscalização. Sobre os referidos equipamentos de refrigeração, assim se manifestou os peritos técnicos: 0 aparelho para resfriamento da lamina de PVC, apesar de utilizar cilindros por onde circula água resfriada emprega ao invés da camera refrigeradora para recirculação dessa água, um Chiller para resfriamento da água que será armazenada em uma caixa metálica, a ser instalada como utilidade na fábrica de Caçapava. A circulação da água através dos cilindros será feita através de bombas que farão a água dessa caixa circular através dos cilindros. Em seguida, os referidos peritos apresentaram as explicações técnicas, para evidenciar as diferenças entre os dois equipamentos de refrigeração, com os seguintes termos, in verbis: Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 16 Câmara de refrigeração consiste em um reservatório hermético, onde uma determinada quantidade de água é armazenada e refrigerada através do contato direto com uma serpentina instalada nas paredes da câmara. Por essa serpentina circula um gás refrigerante que recebe calor da água e entrega ao ambiente através de um sistema de refrigeração. A água contida no interior da câmara é mantida a uma temperatura previamente programada para utilização como utilidade industrial. Chiller ou Sistema Gerador de Água Gelada consiste em um sistema trocador de calor baseado em ciclo de refrigeração, que força a circulação da água contida em um reservatório ou caixa metálica por um evaporador externo ao longo de uma tubulação contígua a uma tubulação de gás refrigerante cedendo calor ao gás, para manter a temperatura da água dentro de níveis préprogramados. A água, após perder calor, retorna ao tanque para uso como utilidade industrial. Também com base nas conclusões exarada no referido Laudo Técnico oficial, a fiscalização concluiu que, em vez da importação de “um sistema pulverizador de substância antiaderente”, descrito e classificado no código NCM 8419.89.99 e no “ex” 710, fora importado “um sistema dosador de pó por cilindro rotativo”, classificado no código NCM 8543.89.99. Em relação a essas irregularidades, na peça impugnatória, de forma confusa, baseada no Laudo Técnico elaborado por seus assistentes técnicos, a autuada apresentou as seguintes justificativas: a) a “câmara refrigeradora para recirculação de água”, importada e instalada em suas dependências industriais, era uma câmara refrigeradora sem nenhuma serpentina (e tanto menos serpentina por onde circula um gás refrigerante). O aparelho para resfriamento de lâmina e a câmara refrigeradora para recirculação da água eram os equipamentos importados, que tinha a função e produziam o efeito do resfriamento de lâmina com cilindros por onde circula água resfriada. E afirmou que não ocorreu a importação de um “chiller para resfriamento da água”, mas efetivamente a de uma “câmara refrigeradora para recirculação de água”; e b) o “pulverizador de substância antiaderente” era um sistema que tinha a função de pulverizar a substância antiaderente. Era um sistema simples e que o texto indicado na DI estava absolutamente correto e coerente com o material importado. Por sua vez, no voto condutor do julgado recorrido, sob o fundamento de que não era “o detalhamento técnico”, mas “o critério funcional de concessão do EX tarifário”, em relação apenas ao primeiro equipamento, o nobre Relator alegou que, como ambos os equipamentos desempenhavam a mesma função, a fiscalização não lograra “descaracterizar os equipamentos importados do sistema integrado SI193”. Eis os argumentos relevantes sobre a questão, porém sem prezar pela clareza, extraídos do citado voto, in verbis: Não comprova a fiscalização que a expressão “câmara refrigeradora para recirculação de água” encerra em si mesma de forma unívoca apenas as câmaras com serpentina. Dada a complexidade técnica dos equipamentos, apenas uma análise do processo originário de concessão do EX tarifário poderia Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 445 17 revelar, com o necessário detalhamento técnico, qual a tecnologia utilizada no dispositivo descrito genericamente como “câmara refrigeradora para recirculação de água”. Essa análise poderia até apontar para uma câmara refrigeradora que utilizasse uma terceira tecnologia diferente das duas citadas. O que concluímos aqui é que, não é o detalhamento técnico da câmera de refrigeração o elemento de relevância na concessão deste EX tarifário para uma completa linha de produção. Em relação descaracterização do “pulverizador de substância antiaderente”, inexplicavelmente, nada foi dito pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido. Com base nessas considerações, fica demonstrado que os equipamentos efetivamente importados foram um “chiller para resfriamento da água” e um “sistema dosador de pó por cilindro rotativo”, classificados nos códigos NCM 8418.69.99 e 8543.89.99, respectivamente, conforme determinado pela fiscalização. Da multa administrativa por falta de LI. Em relação à infração administrativa ao controle das importações por falta de Licença de Importação (LI), tanto a autuada quanto o nobre Relator limitaramse em alegar que como esta infração era mera consequência das infrações relativas à falta de declaração de mercadoria e à descaracterização das mercadorias não enquadradas no “ex” tarifário, não comprovadas a prática destas infrações, a infração em apreço também restava não comprovada. A citada infração administrativa e a respectiva penalidade encontramse definidas no art. 169, I, “b”, do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. [...] (grifos não originais). Com a ratificação pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo 30/1994, e a promulgação pelo Presidente da República, por intermédio do Decreto 1.335/1994, em 1/1/1995 passou a vigorar no País, as novas regras para o licenciamento de importações estabelecidas no “Acordo Sobre Procedimentos para o Licenciamento das Importações”, também chamado, informalmente, de Código de Licenciamento das Importações, que prevê dois tipos de procedimentos para o licenciamento das importações: procedimentos relativos ao licenciamento automático e aqueles vinculados ao licenciamento não automático das importações. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 18 Com a implantação do Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, em 1/1/1997, todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras passou a ser realizado no âmbito do referido Sistema. No nova sistemática de controle administrativo das importações, a LI, que substituiu a GI, passou a ser o novo documento base do controle administrativo das importações, conforme estabelecido no § 1º do art. 6º3 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Na data em que ocorreu o fato gerador dos impostos objeto da presente autuação (23/7/2004), em consonância com citado Acordo, o sistema administrativo das importações brasileiras encontravase disciplinado na Portaria Secex 17, de 1º de dezembro de 2003, e, de acordo com o art. 6º, era divido em três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. Segundo a referida Portaria, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento das importações (caput do art. 7º4). O licenciamento automática apenas passou a ser exigido nas operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º5). Por fim, o licenciamento não automático foi estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: 3 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 4 "Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tãosomente providenciar o registro da Declaração de Importação DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. Parágrafo único. Estão relacionadas a seguir as importações dispensadas de licenciamento: I sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial; II sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural Repetro; III sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado, depósito franco e depósito especial alfandegado; IV de partes, peças e demais componentes aeronáuticos voltados à manutenção de aeronaves, novos ou recondicionados, de interesse de empresas autorizadas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) Cotac; V com redução da alíquota de imposto de importação decorrente da aplicação de " extarifário" (Resolução nº 8, de 23 de março de 2001, da Câmara de Comércio Exterior Camex);" 5 "Art. 8º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as seguintes importações: I de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex, também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; II as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) amparo do regime aduaneiro especial de ' drawback'". Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 446 19 a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria. (grifos não originais) Com base nos referidos preceitos normativos, extraise que a intensidade do controle administrativo das importações depende da modalidade do tratamento administrativo. Nas importações dispensadas de licenciamento, como próprio nome sugere, os importadores estão desobrigados de providenciar o licenciamento da importação. Neste caso, ele somente providencia o registro da Declaração de Importação (DI) no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de despacho aduaneiro de importação, perante unidade da Receita Federal com jurisdição sobre o recinto alfandegado em que localizada a mercadoria a ser liberada. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deve prestar, no Siscomex, as informações da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro (registro da DI). E a autorização prévia dos referidos órgãos intervenientes no comércio exterior (órgãos anuentes), em regra, é sempre exigida, por conseguinte, sem tal autorização, o Decex não emite a LI e a mercadoria considerada importada sem LI, o que implica o cometimento da infração em apreço. No caso em tela, não há provas nos autos de que os produtos importados pela autuada, relacionados no item 003 do auto de infração do II (fls. 10/12), estivessem sujeitas a licenciamento automático ou não, na data do registro da DI. Por essa razão, por ausência de prova, não há de ser imputada à autuada infração em apreço e, em decorrência, serlhe exigida a multa por falta LI em questão. Da multa regulamentar por classificação fiscal errônea. Em relação à infração regulamentar por erro de classificação fiscal, o Relator quanto e a autuada alegaram que era incabível a imposição da multa por classificação fiscal incorreta, pois os bens descritos no processo de concessão do “ex” tarifário eram os mesmos importados pela impugnante. A infração e a penalidade por erro de classificação fiscal encontrase estabelecida no art. 84, I, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 20 I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] Da simples leitura do comando normativo em destaque, inferese que a materialização da referida infração ocorre com o simples cometimento do erro de classificação do produto em pelo menos uma das referidas nomenclaturas ou catálogos de detalhamento da mercadoria. Ademais, a responsabilidade pela referida infração tem natureza objetiva, logo, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estatuído no art. 94, § 2º, do Decretolei 37/1966. Diante das conclusões anteriormente apresentadas, resta devidamente demonstrado, que a materialização da referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu códigos incorretos da NCM aos produtos importados descritos no item 004 do auto de infração do II (fls. 12/14). Dessa forma, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no citado auto de infração. Da multa por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI ou de apresentálos à fiscalização. Em relação a referida multa, a autuada alegou que era indevida sua aplicação com base no argumento de que a infração por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, ou de apresentar à fiscalização os documentos obrigatórios ao processamento do despacho aduaneiro de importação era mera consequência das infrações relativas à falta de declaração de mercadoria e à descaracterização das mercadorias não enquadrada no “ex” tarifário. Para autuada, como essas ultimas infrações não foram comprovadas pela fiscalização, a existência daquela também era infundada. Por sua vez, o nobre Relator alegou que, apenas em relação aos dois misturadores importados em excesso, a infração por falta de fatura comercial, que tinha previsão específica no Regulamento Aduaneiro, estava materializada. Porém, ao enquadrar a referida infração nos arts. 70 e 71 da Lei 10.833/2003, a fiscalização equivocarase. Assim, também em relação a esses bens, a multa aplicada era indevida por erro de enquadramento legal. Da leitura do enquadramento legal consignado no auto de infração do II (fls 15 e 22), verificase que a fiscalização enquadrou a referida infração no art. 70, II, “b”, item 1, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: [...] II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 447 21 a) o arbitramento do preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo, conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, se existir dúvida quanto ao preço efetivamente praticado; e b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. [...] (grifos não originais) Da leitura dos textos em destaque, verificase que, a referida multa abrange não só a falta de apresentação da fatura comercial, mas também os demais documentos obrigatórios de instrução do despacho aduaneiro de importação. Em outras palavras, a infração e a penalidade definidas no referido preceito legal incorporou a redação específica da multa por inexistência ou falta de apresentação da fatura comercial, antes prevista no art. 106, IV, “a”, do Decretolei 37/1966, e que foi expressamente revogado pelo art. 94, I, da Lei 10.833/2003. Esse diploma legal, por meio do retrotranscrito art. 70, II, “b”, item 1, instituiu a nova infração e penalidade por inexistência ou falta de apresentação não só da fatura comercial, mas também do conhecimento de carga e de outros documentos previstos em leis ou regulamentos, ou seja, os documentos obrigatórios de instrução da DI, nos termos do art. 46 do Decretolei 37/1966. Acontece que a referida multa não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, segundo dispõe o art. 710, § 1ºA, do Decreto 6.759/2009, denominado de Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009), com a redação dada pelo Decreto 8.010/2013, a seguir transcrito: Art. 710. Aplicase a multa de cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18, se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 1). [...] § 1ºA A multa referida no caput não se aplica no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (grifos não originais) No caso em tela, conforme já demonstrado, a autuação foi concluída antes da realização do desembaraço aduaneiro das mercadorias, portanto, enquadrase perfeitamente ao disposto no comando normativo em destaque. Dessa forma, ainda que a referida determinação tenha sido expedida após a ocorrência da infração e a lavratura do auto de infração em apreço, como se trata de norma de Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 22 natureza interpretativa, por força do disposto no art. 106, I, do CTN, ela deve ser aplicadas ao ato ou fato pretérito. Por esses fundamentos, mantémse a exclusão da cobrança da referida multa, conforme determinado na decisão recorrida. Dos lançamentos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na operação de importação. Na referida peça impugnatória, a autuada alegou que era indevida a cobrança da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação. Porém, ainda que fosse razoável o lançamento de oficio em questão, o que admitia apenas por amor à argumentação, como estava submetida a sistemática não cumulativa, o lançamento deveria se limitar à cobrança apenas dos juros isolados, calculados em razão da postergação do recolhimento das referidas contribuições do momento em que as contribuições deveriam ter sido antecipadas (no despacho de importação) para o momento em que efetivamente elas foram absorvidas nas apurações mensais da importadora ocorridas no mercado interno. Sem razão a autuada. Na entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional, as referidas contribuições são consideradas devidas na data da ocorrência fato gerador, que, formalmente, ocorre na data do registro da DI, momento em que deve também ser feito o pagamento, segundo determinação expressa no art. 13, I, da Lei 10.865/2004. E nos termos do art. 15 da referida Lei, para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativo, há previsão para deduzir os valores das contribuições recolhidos no despacho aduaneiro de importação dos valores devidos nas operações internas, tanto nos casos de revenda dos produtos, como nos casos de utilização deles como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, não existe amparo legal para a operação inversa, ou seja, deduzir os valores recolhidos nas operações internas das contribuições devidas no despacho aduaneiro de importação, conforme pretensão da autuada. Com base nesses fundamentos, fica demonstrada a procedência da cobrança das referidas contribuições, conforme consignado nos autos de infração colacionados aos autos. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso de ofício, para manter apenas a exoneração (i) da multa por falta de LI e (ii) da multa por descumprimento da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos obrigatórios de instrução da DI ou de apresentálos à fiscalização. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13884.003783/200469 Acórdão n.º 3302003.103 S3C3T2 Fl. 448 23 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10530.724190/2009-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
Numero da decisão: 9202-004.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GERSON MACEDO GUERRA - Relator.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado.
EDITADO EM: 29/07/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA - Relator. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Redator designado. EDITADO EM: 29/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 41 90 /2 00 9- 66 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 2 Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida , inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra (relator), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Fizeram sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Isaak Broder OAB/BA 17521 e a representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (assinado digitalmente) GERSON MACEDO GUERRA Relator. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado. EDITADO EM: 29/07/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei 8.730/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 323 3 Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Sobrestamento do feito dado que o STF reconheceu repercussão geral no que se refere aos rendimentos recebidos acumuladamente; b) Os rendimentos previstos na Lei Estadual 8.730/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que seja reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando, em síntese: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 4 cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser admitido o recurso do Contribuinte. Pois bem. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendelas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual nº 8.730/2003, que assim dispõe Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. O STF, ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução em questão, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 324 5 emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655/1998. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Importante destacar que o Parecer emitido pela PGFN foi aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda que chancelou a exclusão da incidência do imposto de renda as verbas referentes às diferenças de URV, pagas aos servidores federias em questão. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros de Tribunal de Justiça Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei estadual nº 8.730/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Ad argumentandum tantum, vislumbro o vício material na apuração do imposto, dado que apurado conforme regime de caixa e não no regime de competência. Com relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios é importante destacar que o STJ, no RESP 1.227.133, fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil, já se manifestou no seguinte sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃOEMBARGADO. Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, devese acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 6 Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente. Nesse contexto, tendo em vista a determinação contida no artigo 62, § 2º do RICARF, essa decisão deve ser aqui reproduzida, tendo em vista que, a meu ver, como a verba principal não é tributada pelo IRPF os juros sobre ela incidente também não o são. Diante de todo o aqui exposto, entendo que deve ser cancelado o crédito tributário exigido no Auto de Infração. Assim, voto por DAR provimento ao recurso. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 325 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Com a devida vênia ao posicionamento esposado pelo relator, ouso discordar no que tange ao mérito recursal. A solução do litígio será delineada através de itens que enfrentam de forma integral, os argumentos apresentados pela recorrente, respeitandose, ainda, a ordem dos quesitos apresentada, limitandose aqui, todavia, às matérias para as quais se deu seguimento ao pleito do contribuinte : a) Quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à aplicação da Lei Estadual no. 8.730, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. Reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 8 Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 326 9 Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração. a.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 10 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais constantes do auto de infração, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. a.3) Quanto aos efeitos do decidido no âmbito do RE 614.406/RS ao feito Reitero, também aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 327 11 Todavia, reconhecese aqui que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute o qual, repita se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria eventualmente mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 12 valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Feita tal digressão, verifico porém, que, no caso em questão, a autoridade fiscal já optou por tributar os valores com base nas alíquotas vigentes nos períodos que apurados o rendimento percebido a menor regime de competência (os rendimentos percebidos a menor referemse aos períodos de abril de 1994 a agosto de 2001) Acerca das tabelas progressivas/alíquotas aplicáveis aos meses de referência, de se consultar o resumo que se segue, que respalda a tabela utilizada pela autoridade autuante: Todavia, ainda que se tenha utilizado as alíquotas corretas, não há como se garantir que estivesse o autuado na faixa superior de recebimentos mensais para cada um dos meses de competência, uma vez que, notese, não se retroagiu, no lançamento, o momento de incidência aos meses dos anoscalendário de 1994 a 2001, constantes do demonstrativo detalhado fornecido pelo contribuinte em resposta à intimação da autoridade fiscal. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de, nesta matéria, dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, tudo de acordo com o regime de competência. b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 328 13 Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio, em linha com o argumentado pela Fazenda Nacional em sede de contrarrazões, que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR 14 circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez entender que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima deve não incidir o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: 1) Conforme já anteriormente delineado, entendo que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, no âmbito do presente voto, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas; 2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS, a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da contribuinte também quanto a esta matéria. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10530.724190/200966 Acórdão n.º 9202004.091 CSRFT2 Fl. 329 15 Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso do Contribuinte, para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação à verba recebida (inclusive juros) tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior Redator Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, A ssinado digitalmente em 02/08/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 10325.721798/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
RELATÓRIO FISCAL QUE DESCREVE OS FATOS GERADORES E APONTA AS NORMAS QUE ENSEJARAM À AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Ao narrar com clareza os fatos geradores e apontar a legislação que dá suporte à lavratura, o fisco possibilitou ao sujeito passivo todos os dados necessários ao exercício da ampla defesa.
NEGATIVA GERAL DA ACUSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Na defesa/recurso o sujeito passivo deve indicar especificamente os pontos do lançamento que merecem sofrer alteração, não se aceitando a contestação por negativa geral da ocorrência do fato gerador.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito.
APRESENTAÇÃO DE RECURSO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE
Por ser um benefício concedido pela legislação processual tributária, não há necessidade de se pedir no recurso a suspensão da exigibilidade do crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RELATÓRIO FISCAL QUE DESCREVE OS FATOS GERADORES E APONTA AS NORMAS QUE ENSEJARAM À AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ao narrar com clareza os fatos geradores e apontar a legislação que dá suporte à lavratura, o fisco possibilitou ao sujeito passivo todos os dados necessários ao exercício da ampla defesa. NEGATIVA GERAL DA ACUSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Na defesa/recurso o sujeito passivo deve indicar especificamente os pontos do lançamento que merecem sofrer alteração, não se aceitando a contestação por negativa geral da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE Por ser um benefício concedido pela legislação processual tributária, não há necessidade de se pedir no recurso a suspensão da exigibilidade do crédito. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 14.304 1 14.303 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10325.721798/201421 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.183 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE IMPERATRIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 RELATÓRIO FISCAL QUE DESCREVE OS FATOS GERADORES E APONTA AS NORMAS QUE ENSEJARAM À AUTUAÇÃO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ao narrar com clareza os fatos geradores e apontar a legislação que dá suporte à lavratura, o fisco possibilitou ao sujeito passivo todos os dados necessários ao exercício da ampla defesa. NEGATIVA GERAL DA ACUSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Na defesa/recurso o sujeito passivo deve indicar especificamente os pontos do lançamento que merecem sofrer alteração, não se aceitando a contestação por negativa geral da ocorrência do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. PEDIDO DE PERÍCIA. FALTA DE CUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Será indeferido o pedido de perícia formulado sem que sejam mencionados os quesitos acerca da matéria controvertida e feita a indicação do perito. APRESENTAÇÃO DE RECURSO. PEDIDO DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DESNECESSIDADE Por ser um benefício concedido pela legislação processual tributária, não há necessidade de se pedir no recurso a suspensão da exigibilidade do crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 72 17 98 /2 01 4- 21 Fl. 14304DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 14305DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10325.721798/201421 Acórdão n.º 2402005.183 S2C4T2 Fl. 14.305 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente as suas impugnações apresentadas para desconstituir os Autos de Infração AI que integram o presente processo. São dois os lançamentos: a) AI n.° 51.067.2590: exigência das contribuições patronais devidas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); b) AI n.° 51.067.2604: aplicação de multa em razão do descumprimento da obrigação acessória de prestar a RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, decorrente da conduta de apresentar arquivos digitais das folhas de pagamento com inconsistências e incorreções, impossibilitando a sua utilização para apuração das contribuições previdenciárias. De acordo com o relatório fiscal, fls. 14.001/14.014, os fatos geradores contemplados nos lançamentos foram as remunerações pagas pelo ente público a segurados empregados e contribuintes individuais, sendo que a base de cálculo para os primeiros foram extraídas da escrita contábil da Prefeitura e para a segunda categoria foram utilizadas informações prestadas mediante a Declaração de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte DIRF. Para justificar essa forma de mensuração da base tributável, a autoridade lançadora mencionou que os arquivos digitais da folha de pagamento continham diversas inconsistências, a exemplo de não conter os servidores que recebiam pagamentos do Fundo Municipal de Saúde e os contribuintes individuais. Cientificado do lançamento em 02/12/2014, o sujeito passivo impugnou os lançamentos com as peças de fls. 14061/14071 e 14160/14.171. A DRJ declarou improcedentes as impugnações e manteve integralmente as exigências. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou dois recursos. No primeiro de fls. 14.217/14.259, voltase contra a exigência da obrigação principal, tendo apresentado, em síntese, as seguintes alegações: a) o recurso é tempestivo e deve ser conhecido por atender aos requisitos legais de admissibilidade; b) a decisão de primeira instância violou princípio constitucional da ampla defesa, posto não permitiu ao sujeito passivo se defender com amplitude, como se pode ver do indeferimento para realização de perícia técnica; Fl. 14306DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 c) inobstante a apresentação dos documentos solicitados pela RFB, estes foram ignorados, autuandose a recorrente de forma unilateral e abusiva; d) é imprescindível a realização de perícia para que os documentos apresentados sejam cuidadosamente analisados; e) a análise contábil foi efetuada sem obedecer a critérios legais para formalização de uma dívida exigível, carecendo a apuração ser submetida a perícia para se verificar se efetivamente ocorreram os fatos geradores; f) o contraditório deve ser garantido, mediante a emissão de relatório fiscal complementar bem fundamentado, com reabertura de prazo para impugnação; g) a própria jurisprudência administrativa é firme em anular decisões que não apreciam pedido para realização de diligência/perícia ou quando não é oportunizado ao sujeito passivo prazo para se manifestar sobre resultado de diligência fiscal (cita decisões); h) o crédito tributário deve ficar suspenso até o término do processo administrativo. Ao final requereu: a) a suspensão da exigibilidade do crédito; b) a realização de perícia; e c) que a lavratura seja declarada insubsistente. O segundo recurso, fls. 14.260/14.301, foi direcionado ao questionamento do auto relativo ao descumprimento de obrigação acessória e traz as mesmas alegações acima relatadas. É o relatório. Fl. 14307DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10325.721798/201421 Acórdão n.º 2402005.183 S2C4T2 Fl. 14.306 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A ciência da decisão recorrida deuse em 02/07/2015 (fl. 14.216), tendo o primeiro recurso sido apresentado em 24/07/2015 (fl. 14.217) e o segundo em 31/07/2015 (fl. 14.260), portanto, dentro do trintídio legal. Por atenderem também ao requisito de legitimidade, merecem conhecimento. Requerimento de perícia O sujeito passivo sugere a realização de diligência/perícia, para que se investigue melhor sobre a ocorrência dos fatos geradores, haja vista que o fisco teria desconsiderado os documentos que apresentou no transcurso da ação fiscal. Acerca da realização de diligências e perícias, o Decreto n.° 70.235/1972 assim dispõe: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)" À luz das normas transcritas já podemos concluir que o pedido de perícia deve ser indeferido de plano, eis que não houve a formulação dos quesitos necessários à feitura do procedimento, tampouco os dados relativos ao perito que acompanharia a realização da perícia técnica. Há, todavia, outra razão para não acolher esse pedido. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a Fl. 14308DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. É o que dispõe o art. 29 do mesmo Decreto: "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessárias. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. No caso sob comento, tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência das infrações. De todo o exposto, deve ser indeferido o pedido para realização de perícia técnica, concluindose que tal medida em absoluto representa atropelo aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Apuração fiscal O órgão público acusa o fisco de haver procedido a uma apuração unilateral e sem respeitar as normas legais aplicáveis. Não hei de concordar com tal assertiva. Foram solicitados do ente fiscalizado os documentos necessários à verificação da sua regularidade fiscal. Com base nesta documentação o fisco concluiu que os arquivos de folhas de pagamento não continham os segurados empregados vinculados ao Fundo Municipal de Saúde, além de apresentar inconsistência outras que impediam o seu aproveitamento na auditoria. A Prefeitura foi intimada a corrigir os arquivos, mediante termo lavrado em 08/10/2014. Doze dias depois, apresentou ofício mencionando que parte das inconsistências teriam sido saneados e solicitando prazo de 30 dias para apresentar os arquivos de folha de pagamento com as correções indicadas. Após nova intimação, o sujeito passivo encaminhou mais um ofício à autoridade fiscal, cujo teor encontrase assim resumido no relatório fiscal: Fl. 14309DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10325.721798/201421 Acórdão n.º 2402005.183 S2C4T2 Fl. 14.307 7 Portanto, diante da falta de correção das falhas relativas ao arquivo de folha de pagamento, o fisco apurou a base de cálculo dos segurados empregados com base na escrita contábil e dos contribuintes individuais valendose das informações da DIRF. Tal procedimento de apuração, conforme explicitado no relato do fisco, teve como base legal os §§ 3.° e 6.° do art. 33 da Lei n.° 8.212/1991. Instaurado o contencioso fiscal, a recorrente teria como se contrapor ao levantamento fiscal, apresentando documentos que demonstrassem a ocorrência de inconsistências na composição da base de cálculo. Todavia limitase a fazer a negativa geral da ocorrência do fato gerador, alegando que o fisco deixou de apreciar com o devido zelo os documentos apresentados durante o procedimento fiscal, mas sem apresentar qualquer evidência de que houve algum desacerto na apuração da base tributável. De se concluir que não se deve dar razão à recorrente quanto à suposta incorreção do saláriodecontribuição apurado pelo fisco. Outro pedido que não merece sucesso é a emissão de relatório fiscal complementar, haja vista que não se vislumbra qualquer mácula que pudesse ensejar prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Ao contrário,o AI e seus anexos contém todos os elementos necessários ao sujeito passivo para apresentar sua impugnação sem obstáculos. Suspensão da exigibilidade do crédito Nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN, os recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. Eis a dicção do comando normativo: " Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (...)" Assim, o pedido da recorrente para suspensão da exigibilidade do crédito tributário até o término do processo administrativo fiscal nem necessitaria ter sido apresentado, eis que tal efeito decorre da própria lei. Fl. 14310DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Conclusão Voto por negar provimento aos recursos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 14311DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 27/04 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/04/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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