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Numero do processo: 10120.720142/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 42 /2 01 1- 45 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 132 2 Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Por bem retratar o realidade dos fatos, transcrevese do relatório do acórdão recorrido: "Trata o processo de contestação contra o Despacho Decisório emitido pela DRF em Goiânia, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento, de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno, do 4º TRIMESTRE 2006, no montante de R$ 561.363,67,apresentado por meio do PER nº 28635.28270.260508.1.1.114059, pela inexistência de direito creditório, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. Cientificada da decisão, a interessada, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que é revendedora de veículos e autopeças, bem como presta serviços de garantia e assistência técnica, estando sujeita à tributação do PIS e da Cofins nos termos da Lei nº 9.718, de 1998. Diz que com a edição da Lei nº 10.485, de 2002, houve a pretensão de se criar uma tributação para a cadeia produtiva automobilista, chamada ‘monofásica’, com uma alíquota elevada para a indústria ou importadora e alíquota zero para os demais elo, dentre eles os concessionários de veículos que é o seu caso. Posteriormente, foram publicadas as Leis nºs 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que introduziram a nova sistemática da nãocumulatividade, mas trazendo exceção à possibilidade de aproveitamento de créditos para a cadeia produtiva automobilista. Mas ressalta que normas posteriores repuseram o direito ao creditamento, procurando corrigir todas as distorções existentes nessa sistemática, que não foram consideradas na decisão da autoridade administrativa. Assim é que por meio da MP nº 206, de 2004, surgiu o art. 16 (que virou art. 17 quando convertida na Lei nº 11.033, de 2004), que, com rara clareza do preceito, permitiu o creditamento para quem faturava com alíquota zero, numa clara demonstração de reforço e prestígio da nãocumulatividade. Entretanto, foi editada a IN SRF nº 594, de 2005, que expressamente introduziu uma vedação, ao vincular a ressalva ao art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, para as vendas com alíquota zero em relação a produtos da cadeia automobilista. Mas, por entender que não existe vedação em lei, assevera que Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 133 3 qualquer ato infralegal que restrinja ou limite direitos transborda sua amplitude. A seguir, faz uma diferenciação entre a alíquota zero e a não incidência, por serem fenômenos distintos, com pressupostos e conseqüências diferentes. Cita caso de ocorrência monofásica em que não há direito a creditamento porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo (querosene de aviação), mas, quando se fala em alíquota zero, a sistemática é outra, pois os fatos estão no campo de incidência, revelando um caso que não é monofasia e portanto é vazia juridicamente qualquer tentativa de retirar do campo da não cumulatividade, sob suposição de regime monofásico. Também realça a equivocidade na tentativa de aproximar a não cumulatividade do PIS/Cofins com a que é praticada por outras exações como, por exemplo, IPI e ICMS. Contesta ainda a interpretação equivocada acerca do art. 17, dizendo que o dispositivo só pode se destinar para os casos que tinham vedação expessa. Ou seja, se podiam creditarse, é óbvio que podiam manter; só faz sentido dar direito de manter para quem estava com impedimento. E para nenhum setor com alíquota zero, fora os iguais ao seu, tinha vedação e portanto precisavam de liberação. Resume, assim, que a) a regra da não cumulatividade era que todos os produtos poderiam tomar créditos; b) mas para alguns veio norma impedindo; e c) então nada mais natural que o art. 17 dizer que, a partir dali, podem, sim, manter os créditos que estavam vedados. Argumenta, referindose a um segundo marco normativo inobservado, que apesar de se enquadrar nas normas da não cumulatividade, a base de cálculo de seus produtos não integraria o novo cálculo padrão, e, mais, obedeceria à legislação anterior, que previa alíquota alta para o industrial e zero para a comercialização. Sucede que houve outra inovação legislativa: a Lei nº 11.727, de 2008 que revogou o inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea “a” do inciso VII do art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002 (também para a Lei nº 10.833, de 2003). Quer dizer que se antes havia a discussão que parte das normas da não cumulatividade incidiriam sobre a contribuinte, pois havia comando para aplicar as normas anteriores; com essa revogação fica claro que se enquadra nas normas da não cumulatividade, agora sequer com as ressalvas de alguns artigos. Assim, entende que, além do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, esse é mais um reforço legal no sentido de se afastar qualquer empecilho à obtenção de creditamento de PIS/Cofins. Por fim, discorre sobre as MP nº 413/08 e nº 451/08, pelas quais o Poder Executivo veio tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, mas que, por intuitiva inconstitucionalidade, não foram mantidas no ordenamento jurídico. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 134 4 Ficando a lição desse fato de que quando a lei quer vedar, ela o faz explicitamente; mas quando libera, devese igualmente respeitar" A Terceira Turma da DRJ em Curitiba proferiu o Acórdão nº 0649.286, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. MERCADO INTERNO. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, b das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 135 5 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva; Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 136 6 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 137 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10120.720142/201145 Acórdão n.º 3302003.750 S3C3T2 Fl. 138 8 Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910506/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.679
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 06 /2 01 2- 79 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10480.910506/201279 Acórdão n.º 3302003.679 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.553. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10480.910506/201279 Acórdão n.º 3302003.679 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.910506/201279 Acórdão n.º 3302003.679 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009023/2006-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO FÁTICA E LEGISLAÇÃO DIVERSA. INADMISSIBILIDADE.
Não há que se falar em divergência de interpretação da legislação tributária entre os acórdãos recorrido e paradigma, quando envolvem situações fáticas distintas e as normas que orientam cada um dos julgados não coincidem.
Numero da decisão: 9101-002.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO FÁTICA E LEGISLAÇÃO DIVERSA. INADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em divergência de interpretação da legislação tributária entre os acórdãos recorrido e paradigma, quando envolvem situações fáticas distintas e as normas que orientam cada um dos julgados não coincidem.
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SITUAÇÃO FÁTICA E LEGISLAÇÃO DIVERSA. INADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em divergência de interpretação da legislação tributária entre os acórdãos recorrido e paradigma, quando envolvem situações fáticas distintas e as normas que orientam cada um dos julgados não coincidem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 90 23 /2 00 6- 25 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 488 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 437 e ss., contra o acórdão nº 180300.877, de 31/03/2011 (efls. 422 e ss.), que, no mérito e por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 454 e ss. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. CONVERSÃO PARA REAIS. Os lucros auferidos no exterior por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os correspondentes lucros. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão nº 10195.946, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: IRPJ LUCRO NO EXTERIOR FATO GERADOR Nos termos do artigo 2°, § 5° da IN SRF n° 38/96, por ocasião do encerramento de atividades da filial no exterior ocorre o fato gerador do IRPJ para a controladora no Brasil, sobre os lucros apurados no exterior. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) que os lucros auferidos no exterior estavam sujeitos à tributação por força do art. 25 da Lei nº 9.249/1995. E que nos termos do § 2º do referido art. 25 se considera ocorrido o fato gerador correspondente (a) no momento de apuração auferidos pelas filiais, sucursais e controladas, ou (b) até a data do balanço de encerramento no caso de extinção da pessoa jurídica no curso do exercício. Quanto à taxa de câmbio, o § 4º do dispositivo determina que, após verificada a ocorrência do fato gerador, a taxa de câmbio a ser aplicada será a do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Destaca que há na redação da Lei nº 9.249/1995 nítida diferenciação entre os momentos de ocorrência do fato gerador e da definição da taxa de juros aplicável e que sobreveio a IN SRF nº 38/1996 para regulamentar a norma em questão; b) que a partir do anocalendário 1998, até o AC 2001, passou a vigorar a Lei nº 9.532/1997, que manteve a tributação dos lucros de controladas no exterior apenas quando Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 489 3 disponibilizados à controladora no Brasil (art. 1º), em nada alterando o momento de definição da taxa aplicável; c) que, no entanto, com a edição da Medida Provisória nº 2.15835/2001 foi criada, pelo art. 74, parágrafo único, uma nova possibilidade de incidência tributária dos lucros auferidos no exterior até 31/12/2001 e que não foram oferecidos à tributação no momento correto, sendo eles considerados disponibilizados em 31/12/2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização da legislação em vigor. Assim, sabido que o fato gerador ocorre quando da disponibilização dos lucros, então deve incidir a taxa de câmbio pertinente ao momento do fato gerador (art. 143 do CTN). E, tendo o parágrafo único do art. 74 criado ficção legal ao estabelecer um novo momento de ocorrência do fato gerador, deve a regra de tributação definida pelo art. 25 da Lei nº 9.249/1995 ser descartada, sendo considerados diponibilizados os lucros em 31/12/2002, data que também define a taxa de câmbio aplicável; d) assim, quando o contribuinte não ofereceu à tributação a totalidade dos lucros auferidos no exterior entre 1996 e 2001 alterouse a norma tributária que lhe seria aplicada. Deixou de incidir o art. 25 da Lei nº 9.249/1995 e tornouse aplicável o parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001, que define o momento do fato gerador e, por via de consequência, define também a taxa de câmbio aplicada (data de disponibililzação dos lucros) nos termos do art. 143 do CTN; e) aduz que, sob outra linha de argumentação, podese inferir que o art. 25 da Lei nº 9.249/1995 foi revogado, assim como toda a parte dessa lei que trata da tributação dos lucros auferidos no exterior (arts. 25 a 27) pelo advento da Lei nº 9.532/1997 (art. 1º), que veio regular inteiramente a mesma matéria tratada naquela lei. Cita o art. 2º da Lei de Introdução ao Código Civil; f) refere que a Lei nº 9.532/1997 inovou ao tratar de forma diferenciada o momento da disponibilização dos lucros no caso de filial ou sucursal e no caso de controlada ou coligada, o que não ocorria na égide da Lei nº 9.249/1995. Além disso, o art. 1º, § 4º da Lei nº 9.532/1997, veio disciplinar o que dispunha o art. 26 da Lei nº 9.249/1995, estabelecendo requisito para a compensação do Imposto de Renda devido no Brasil do Imposto de Renda incidente no exterior sobre lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Daí conclui que; g) assevera que se a então novel Lei nº 9.532/1997 não trouxe dispositivo expresso acerca da taxa de câmbio aplicável é porque assim quis o legislador ordinário, fazendo prevalecer a regra do art. 143 do CTN, não se tratando de omissão mas de intenção implícita de se aplicar a taxa de câmbio do dia da ocorrência do fato gerador, mesmo porque o próprio art. 143 do CTN (norma geral) não exige que o legislador ordinário atue de forma diversa; h) arremata suas razões como segue: Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 490 4 Ao final pede a Fazenda Nacional que o presente recurso seja conhecido e provido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 464 e ss.), aduzindo, em essência, o que segue: a) em preliminar alega que o recurso fazendário não deve ser conhecido, conforme art. 67, § 10, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), uma vez que a tese ventilada no acórdão paradigma já foi superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja jurisprudência já sedimentou o entendimento no sentido de que a taxa de câmbio aplicável aos lucros auferidos no exterior deve ser a do dia em que foram apurados. Refere que tal entendimento se encontra, inclusive sumulado (Súmula CARF nº 94); b) alega também a inadmissibilidade do recurso em razão de desatender aos §§ 4º e 6º do art. 67 do RICARF. Nesse sentido, aduz que não restou demonstrada a divergência na medida em que a situação fática tratada no acórdão paradigma é claramente distinta da tratada nesses autos, asseverando que o paradigma "tratava de uma disponibilização real de lucros de uma filial no exterior em decorrência do seu encerramento no ano de 1999". Acrescenta que "nessa ocasião, ocorrida em momento prévio a edição da MP n. 2158/01, que alterou a legislação para dispor sobre o momento em que será considerada ocorrida a disponibilização dos lucros, o então Conselho de Contribuintes determinou que 'por ocasião do encerramento de atividades da filial no exterior ocorre o fato gerador do IRPJ para a controladoria no Brasil, sobre os lucros apurados no exterior'". Faz quadro cotejando os acórdãos; c) no mérito, alega que "todos os dispositivos legais mencionados no auto de infração apenas alteram o momento em que será considerada como ocorrida, para fins legais, a disponibilização dos lucros acumulados até 31/12/2001, não havendo qualquer alteração que implicasse na utilização da taxa de câmbio publicada pelo Banco Central em 31/12/2002". A taxa de câmbio aplicável continua sendo a do dia das demonstrações financeiras em que Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 491 5 tenham sido apurados os lucros, conforme art. 25, § 4º, da Lei nº 9.249/1995 (cuja redação é repetida no art. 394, § 7º, do RIR/1999; d) acrescenta que o art. 6º, § 3º, da IN SRF nº 213/2002, editada posteriormente à MP nº 2.15835/2001, estanca qualquer dúvida quanto ao alcance e à correta interpretação dos dispositivos antes mencionados; e) afirma, então, o que segue: f) acrescenta que o art. 143 do CTN não pode ser aplicado por haver in casu expressa disposição de lei em contrário, o que contraria a parte inicial do artigo ("salvo disposição de lei em contrário"). E que o dispositivo em questão disciplina o lançamento de ofício de obrigações que sejam, originariamente, quantificadas em moeda estrangeira, o que não é, em absoluto, a hipótese dos autos, uma vez que os lucros auferidos no exterior são convertidos para reais no momento de sua apuração, não chegando a haver na escrita fiscal do contribuinte no Brasil lucro em dólares a ser disponibilizado. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Embora tempestivo, o recurso não deve ser conhecido em razão da imprestabilidade do acórdão paradigma trazido pela Recorrente, como se verá a seguir. Preliminar de Imprestabilidade do Paradigma por Albergar Tese Superada Sustenta a Recorrida em contrarrazões que o recurso fazendário não deve ser conhecido, conforme art. 67, § 10, do Anexo II do RICARF, uma vez que a tese ventilada no acórdão paradigma já foi superada pela CSRF, cuja jurisprudência já sedimentou o entendimento no sentido de que a taxa de câmbio aplicável aos lucros auferidos no exterior deve ser a do dia em que foram apurados, sendo que tal entendimento se encontra, inclusive, sumulado (a Recorrida refere o "Enunciado nº 94"). Sob esse fundamento, sem razão a Recorrida pois, embora o art. 67, § 10, do Anexo II do Regimento Interno do CARF vigente quando da interposição do Recurso Especial ora apreciado (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009) estabeleça que "o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado", a Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 492 6 matéria trazida no recurso foi sumulada pelo CARF passados mais de dois anos da interposição do recurso. Com efeito, enquanto o recurso foi interposto em 15/8/2011, a Súmula CARF nº 94 ("os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001") somente foi consolidada/aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 9/12/2013. Esclareço, por oportuno, que não é o caso de aplicação do art. 67, §12º do Anexo II do Regimento atual (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), porque o acórdão paradigma não está contrariando a súmula CARF nº 94, uma vez que, naquele caso, houve encerramento de atividade da filial estrangeira. O paradigma não afasta a regra do art. 25, §4º da Lei nº 9.249, de 1995, mas trata de questão específica, melhor esclarecida pelo §5º do art. 2º da IN SRF nº 38/1996. Rejeito, portanto, a presente preliminar. Preliminar de Imprestabilidade do Paradigma por Falta de Identidade Fática Alega também a Recorrida que o recurso fazendário é inadmissível por carência de demonstração da divergência suscitada, uma vez que a situação fática tratada no acórdão paradigma é claramente distinta da tratada no presente processo. Compulsandose o acórdão recorrido vêse ali se discute a diferença apurada pela Fiscalização na adição ao lucro real (AC 2002) pela autuada dos lucros apurados por controlada no exterior nos anos de 1996 a 2002, os quais ainda não haviam sido disponibilizados para ela. A diferença em questão se deve à aplicação, pela Fiscalização, do disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, caput, e parágrafo único. O dispositivo em questão revogou tacitamente parte do art. 1º da Lei n° 9.532/1997, passando os lucros no exterior a serem considerados disponibilizados, necessariamente, na data do balanço no qual tiverem sido apurados, e não apenas nas hipóteses do art. 1º da Lei n° 9.532/1997. Estabeleceu também regra específica e transitória, em seu parágrafo único, para os lucros acumulados anteriormente ainda não disponibilizados (até 31/12/2001), os quais passaram a ser considerados disponibilizados em 31/12/2002. Analisando as disposições normativas em questão, a Turma Julgadora contrariou a posição da Fiscalização, entendendo que "considerando que a efetiva tributação dos lucros gerados no exterior até 31/12/2001 restou descolada da hipótese de incidência conforme a regra especial, não há porque exigir que aquela se faça com base na taxa da moeda estrangeira em 31/12/2002", dando provimento ao recurso do Contribuinte. Confirase: Com o advento da Medida Provisória 2.158/352001, criouse regra especial e transitória de disponibilização determinando a tributação dos lucros auferidos por coligada e controlada até 31/12/2001, conforme seu art. 74: (verbis) Art.74.Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 493 7 lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único.Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Considerando que a efetiva tributação dos lucros gerados no exterior até 31/12/2001 restou descolada da hipótese de incidência conforme a regra especial, não há porque exigir que aquela se faça com base na taxa da moeda estrangeira em 31/12/2002. Com efeito, conforme reiterada jurisprudência deste colegiado julgador administrativo, parte citada no recurso voluntário da interessada, a correta exegese dos dispositivos relativos à tributação de lucros auferidos no exterior, permite concluir que não obstante ter havido variação quanto ao momento de tributação no Brasil, a forma de conversão para moeda nacional, deve levar em conta a data do balanço em que foram gerados, nos termos do § 4º do art. 25 da Lei nº 9.249/95. Já no caso do acórdão paradigma, os lucros acumulados no exterior por filial da autuada nos anoscalendário de 1996 e 1997, não foram disponibilizados à época, mas sim no mês de janeiro de 1999, ocasião em que foram encerradas as atividades da filial. A discussão ali cingese à data de conversão da moeda estrangeira, tendo o Colegiado julgador ratificado a posição da Fiscalização de que era a data do encerramento das atividades da filial (29/01/1999), e não a da apuração do lucro (31/12/1997). Vale transcrever o trecho a seguir do julgado: A contribuinte acolheu parte do lançamento, porém, alega que, em relação ao valor remanescente de R$ 68.980,76, houve equívoco por parte do Fisco na conversão da moeda. Na reconstituição da base de cálculo para apurar o valor recolhido a menor, a fiscalização converteu o câmbio no dia 29/01/99 (de New York), quando, no entender da interessada, deveria ser a data da apuração do lucro, ou seja, 31 de dezembro de 1997. A norma legal aplicável aos fatos sob exame é o artigo 25 da Lei n° 9.249/95 e o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 38/96, verbis: Lei n° 9.249/95: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) § 2° Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 494 8 (...) § 4° Os lucros a que se referem os §§ 2° e 3° serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. Instrução Normativa SRF n° 38/96: Art. 2° Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido do períodobase, para efeito de determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados. (. ) § 5° No caso de encerramento de atividades no exterior da filial, sucursal, controlada ou coligada, os lucros, auferidos por seu intermédio, ainda não tributados no Brasil, serão considerados disponibilizados, devendo ser adicionados ao lucro liquido para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro do respectivo anocalendário ou da data do encerramento das atividades da empresa no Brasil). Ainda que a Lei n° 9.249/95 tenha estabelecido a data de 31 de dezembro do próprio ano da apuração dos lucros pela filial no exterior como o momento da tributação — oportunidade em que o lucro seria convertido para a moeda nacional na mesma data — a Instrução Normativa SRF n° 38/1996, em vigor no ano de 1999, considerou que o momento da tributação para o balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário seria no momento em que os lucros tivessem sido disponibilizados. Como visto acima, o § 5º do artigo 2° da IN SRF n° 38/96, dispunha que o encerramento de atividades da filial no exterior obrigava a matriz a submeter à incidência do IRPJ os lucros auferidos por intermédio da filial, ainda não tributados no Brasil. Sendo assim, o encerramento de atividades da filial no exterior, conseqüentemente, equivale à disponibilização de seu lucro. No caso, o fato gerador da obrigação foi exatamente a disponibilização dos lucros auferidos pela filial no exterior ocorrida em 29/01/1999, em decorrência do encerramento de suas atividades. Assim, a conversão deve ser feita pelo câmbio desse dia. Ora, o acórdão paradigma trata de lucros auferidos por filial no exterior considerados disponibilizados em razão do encerramento de atividades da filial por força do § 5º do art. 2° da IN SRF n° 38/1996. Já o recorrido trata de lucros auferidos por controlada no exterior considerados disponibilizados especificamente em razão da regra especial e transitória do parágrafo único do art. 74 Medida Provisória n° 2.15835/2001, artigo esse que alterou a sistemática de tributação dos lucros auferidos no exterior. Vejase, inclusive, que no ano calendário dos fatos autuados no paradigma (1999), a MP n° 2.15835/2001 sequer havia sido editada. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 10680.009023/200625 Acórdão n.º 9101002.591 CSRFT1 Fl. 495 9 É dizer, não só as situações fáticas dos acórdãos cotejados são distintas, como a legislação aplicada nos julgados não coincide, não podendo se estabelecer entre os julgados dissídio jurisprudencial a reclamar solução pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acolho, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do recurso por falta de identidade fática entre acórdãos recorrido e paradigma. Conclusão Em face do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000164/2008-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS
CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE.
Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte
Numero da decisão: 9202-005.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, deve-se fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte
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Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 01 64 /2 00 8- 45 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 9202005.251 CSRFT2 Fl. 770 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. 1ª Turma da 1ª Câmara da Segunda Seção do CARF, que deu parcial provimento ao recurso voluntário “a fim de a) excluir, dos montantes tributados a título de omissão de rendimentos, os valores de R$ 31.786,32 para o anocalendário de 2003 e R$ 56.769,76 e R$ 500,00 para o anocalendário de 2004, uma vez que declarados como rendimento pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual;. b) Reduzir o percentual da multa de ofício aplicável, de 150% para 75%; uma vez não caracterizado o evidente intuito de fraude pelo autuado.” O acórdão ora recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003, 2004 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. É de se descartar a nulidade do lançamento quando não restar comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, uma vez tendo sido garantidos ao autuado; a) o conhecimento de todos os fundamentos de fato e de direito da autuação e de todos os atos processuais e b) seu direito de reação e resposta. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA RENDIMENTOS CONFESSADOS NAS DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS Fl. 770DF CARF MF Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 9202005.251 CSRFT2 Fl. 771 3 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO POSSIBILIDADE. Uma vez que se pode presumir relação entre os rendimentos tributáveis declarados e os créditos bancários caracterizados como rendimentos omitidos, devese fazer a competente exclusão da base de cálculo do imposto lançado dos rendimentos tributáveis constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, art. 44, da Lei nº 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso parcialmente provido. A Fazenda Nacional apresentou Recurso de Divergência, quanto às duas matérias providas na turma a quo, tendo sido admitido o recurso, entretanto, somente quanto à primeira questão, qual seja, a) excluir, dos montantes tributados a título de omissão de rendimentos, os valores de R$ 31.786,32 para o anocalendário de 2003 e R$ 56.769,76 e R$ 500,00 para o anocalendário de 2004, uma vez que declarados como rendimento pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual. O contribuinte apresentou também Recurso Especial o qual foi não foi admitido por falta de cumprimento dos requisitos formais. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso atende seus requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Entendo, entretanto, não assistir razão ao recorrente, em linha com posicionamento majoritário deste CARF acerca do tema. Reproduzo a propósito excerto do brilhante voto de lavra do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no âmbito do Acórdão no 10617.117, exarado pela 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes e que Fl. 771DF CARF MF Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 9202005.251 CSRFT2 Fl. 772 4 representa de forma fidedigna meu posicionamento acerca do tema, e que, assim, adotado como razões de decidir da Turma a quo, verbis: “(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231) (...)” Entendo, ainda, como vem se manifestando esta 2ª Câmara Superior, ex vi, Acórdão 9202004.283 que, os valores declarados pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF devem ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foram objeto de glosa, não era necessário provar identidade entre fonte e depósito. Assim, mantenho a exclusão dos montantes tributados a título de omissão de receita, resumidos à fl. 196, os valores de R$ 31.786,32 para o ano calendário de 2003 (Declaração de fls. 197 a 199) e R$ 56.769,76 e R$ 500,00 para o ano calendário de 2004 (Declaração de fls. 202 a 204), uma vez que declarados pelo contribuinte em suas Declarações de Ajuste Anual. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 772DF CARF MF Processo nº 18088.000164/200845 Acórdão n.º 9202005.251 CSRFT2 Fl. 773 5 Declaração de Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Realizo a presente declaração tão somente para justificar o posicionamento por mim adotado no sentido de, desde minha relatoria em sede de instância ordinária, manter a exclusão do montante de R$ 500,00, declarados pelo contribuinte como rendimentos isentos e não tributáveis para o anocalendário de 2004 (efl. 212). Explico. Entendo que, em situações como a presente, onde o montante de rendimentos isentos e nãotributáveis declarado é praticamente irrisório frente ao valor transitado em conta corrente cuja origem não se comprovou, assumido como omissão de rendimentos (R$ 1.601.468,80 para o anocalendário, AC 2004, in casu, consoante efl. 13) e, ainda, quando este montante agora somado ao montante de rendimentos tributáveis declarados para o mesmo anocalendário (R$ 56.769,76 in casu), ainda assim importa em valor substancialmente inferior ao montante tributado através da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, seria pouco razoável assumir que somente os rendimentos tributáveis transitaram pela conta de depósito objeto de tributação, ou seja, com os depósitos não comprovados não abrangendo, assim, também nesta situação, os rendimentos isentos/não tributáveis declarados. Destarte, em situações como a do presente caso, onde, repitase, o montante de rendimentos isentos/não tributáveis é irrisório frente ao valor transitado em conta corrente cuja origem não se comprovou e tributado pela presunção sob análise e, ainda, quando tal montante, quando somado ao montante de rendimentos tributáveis declarados, ainda assim importa em valor bastante inferior ao montante tributado através da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, entendo poder ser estendida a hipótese pacificamente adotada no âmbito deste Colegiado, no seguinte sentido: Passase, aqui, a se admitir também a exclusão também dos rendimentos isentos/não tributáveis de pequena monta, por se entender pouco razoável se supor que tais valores teriam transitado à margem dos depósitos não comprovados, que totalizam montante substancialmente maior e que, por razoabilidade, se assume terem contemplado os rendimentos tributáveis declarados. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 773DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.006166/2006-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. Não poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que participe do capital de outra pessoa jurídica, ressalvados os investimentos provenientes de incentivos fiscais efetuados antes da vigência da Lei nº 7.256, de 27 de novembro de 1984, quando se tratar de microempresa, ou antes da vigência da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, quando se tratar de empresa de pequeno porte. EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL. Tendo havido alteração de contrato social, portanto com efeitos ex nunc, e não retificação de alteração contratual, com efeitos ex tunc, cabível a exclusão da Recorrente até a data daquela alteração, sem prejuízo do seu direito de, posteriormente, retornar ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples).
Numero da decisão: 1803-001.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. Não poderá optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que participe do capital de outra pessoa jurídica, ressalvados os investimentos provenientes de incentivos fiscais efetuados antes da vigência da Lei nº 7.256, de 27 de novembro de 1984, quando se tratar de microempresa, ou antes da vigência da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, quando se tratar de empresa de pequeno porte. EXCLUSÃO. PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL. Tendo havido alteração de contrato social, portanto com efeitos ex nunc, e não retificação de alteração contratual, com efeitos ex tunc, cabível a exclusão da Recorrente até a data daquela alteração, sem prejuízo do seu direito de, posteriormente, retornar ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006166/200609 Acórdão n.º 180301.248 S1TE03 Fl. 112 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006166/200609 Acórdão n.º 180301.248 S1TE03 Fl. 113 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 86verso): A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Declaratório Executivo Nº 439.120, de 07/08/2003 (fl. 57), de emissão do Delegado da Receita Federal em CuritibaPR, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/02/2003, informando como causa o exercício de atividade econômica vedada, em afronta ao disposto no inciso XIV do artigo 9º da Lei nº 9.317, de 1996. 2. Cientificada do ato de exclusão, a reclamante apresentou SRS de fl. 55 que foi indeferida, posto que a situação excludente só foi afastada depois da ciência do ADE e porque o sujeito passivo tem por atividade escritório administrativo de restaurantes e refeitórios industriais, que, em tese, encontraria óbice no inciso XIII do artigo 9º da mesma lei. 3. Inconformada, compareceu aos autos, fls. 01/02, onde argumenta que teria havido equívoco por parte do responsável técnico pela contabilidade da empresa WP FAC Fomento Mercantil Ltda. que, em vez de registrar o ingresso das pessoas físicas de Marcelo Woellner Pereira e Carlos Eduardo Pereira (também sócios da ora reclamante) no quadro societário daquela empresa, fez constar a reclamante como ingressa na sociedade; que a retificação e o correspondente registro na Junta Comercial comprovam ter agido de boafé; que o segundo motivo para o indeferimento (escritório administrativo de restaurantes e refeitórios industriais) também decorre de equívoco na redação do objeto social da empresa, já que atua no ramo de fornecimento de refeições para empresas; que tudo foi obra do mau profissional; que não exerce qualquer atividade que se assemelhe ao previsto no inciso XIII do artigo 9º da Lei e pede o deferimento do pleito. 4. Posteriormente trouxe documentos (fls. 73/75). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 86): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES. Observada a legislação, a partir de 2004, quando foi afastada a hipótese que deu causa à exclusão, pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que exerce a atividade de comércio e preparação de alimentos e o fornecimento de refeições coletivas a empresas. Solicitação Deferida em Parte. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006166/200609 Acórdão n.º 180301.248 S1TE03 Fl. 114 4 3. Cientificada da referida decisão em 15/06/2009 (fls. 90), a tempo, em 09/07/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 92, instruído com os documentos de fls. 93 a 109, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006166/200609 Acórdão n.º 180301.248 S1TE03 Fl. 115 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Constou do acórdão recorrido o seguinte (fls. 87): Restou esclarecido e a reclamante confirma que participou da pessoa jurídica WP FAC Fomento Mercantil Ltda., CNPJ 04.219.602/000195, fl. 37/45, e tal situação permaneceu inalterada até 25/09/2003, data em que foi registrada a Terceira Alteração do Contrato Social da WP FAC, ocasião em que a reclamante foi excluída do quadro societário. A descrição da razão de fato indicada no Ato Declaratório Executivo DRF/Curitiba nº 439.120, de 07 de agosto de 2003, fl. 57, portanto, está demonstrada de forma inequívoca. Assim, não cabe razão à impugnante quando solicita a reforma do ato atacado. 5. Tendo havido, no caso, alteração de contrato social, com efeitos ex nunc, e não retificação de alteração contratual, com efeitos ex tunc, cabível a exclusão da Recorrente para o anocalendário de 2003, sem prejuízo do seu direito de retornar ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a partir de 01/01/2004, como, aliás, reconhecido pela própria decisão recorrida (fls. 87 e verso, item 14). 6. De todo modo, uma eventual retificação de alteração contratual somente poderia ter por escopo consertar um vício formal, e não solucionar uma convenção rompida entre os partícipes, para voltar ao statu quo ante; ou seja, essa possível retificação somente poderia corrigir erros materiais, e não modificar substancialmente o ato retificado, como sucede no caso de substituição de sócios. 7. Há que se destacar, por fim, que, de conformidade com o art. 36 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, que “Dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências”, os documentos de alteração contratual, quando apresentados a arquivamento na junta comercial fora do prazo de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura (20/01/2003), terão a eficácia dos efeitos do seu arquivamento a partir do despacho que o conceder (25/09/2003). Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006166/200609 Acórdão n.º 180301.248 S1TE03 Fl. 116 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10660.906066/2012-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.966
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 06 6/ 20 12 -3 7 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Resolução nº 3401000.966 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.328. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Resolução nº 3401000.966 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10660.906066/201237 Resolução nº 3401000.966 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002646/2010-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 28/02/2010
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2008 a 28/02/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SEGURADOS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento e solicitou apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 26 46 /2 01 0- 73 Fl. 1253DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.267.3252, consolidado em 14/09/2010, no valor total de R$ 131.470,99, já acrescidos de juros e multa de mora, lavrado contra o contribuinte identificado acima, por ter deixado de recolher contribuições previdenciárias, parte dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, nas competências de 08/2008, 13/2008, 01/2009, 13/2009 e 02/2010. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS julgado a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/08/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403001.548, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Monteiro na questão da multa de mora”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 28/02/2010 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FACE ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em anulação de NFLD ou insubsistência do crédito tributário quando não houver qualquer tipo de vício. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. VERBAS INDENIZATÓRIAS. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 3 3 As verbas que não integram o saláriodecontribuição estão elencadas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91, devendo, contudo, serem comprovados os seus pagamentos. TAXA SELIC. Previsão quando não realizado o pagamento no prazo previsto. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mor pra que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 27/09/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs no mesmo dia, portanto, tempestivamente, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400627/2012, da 4ª Câmara, de 02/10/2012. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403001.548, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 20/11/2012, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1255DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1237. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto: determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 4 5 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei Fl. 1257DF CARF MF 6 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 5 7 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 1259DF CARF MF 8 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 6 9 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1261DF CARF MF 10 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 7 11 Declaração de Voto Conselheiro Fábio Piovesan Bozza Não obstante o judicioso voto da conselheira relatora, peço vênia para apresentar breves considerações sobre a aplicação da retroatividade benigna às multas por descumprimento de obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV e § 5o, todas Lei n° 8.212/91), lançadas anteriormente à vigência da Lei nº 11.941/2009. Multa e Retroatividade Benigna Previamente à edição da Lei nº 11.941/2009, o sistema de penalidades da legislação previdenciária de custeio apresentava diversas particularidades. A redação do antigo art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições previdenciárias em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Com a unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, iniciada em 2007, uma série de modificações legislativas foi introduzida, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. A fiscalização, ao lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória, baseouse na seguinte redação do art. 32, IV e §5º da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 1263DF CARF MF 12 No entanto, referido dispositivo foi revogado, dando lugar ao art. 32A, cuja redação é a seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Com relação à multa sobre a falta de recolhimento de contribuição previdenciária, o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 prescrevia o seguinte: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 8 13 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/91 passou a tratar da multa de mora e o novel art. 35A cuidou de dispor sobre a multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 44 da Lei nº 9.430/96, mencionado no art. 35A supra, possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Feita esta breve digressão sobre a evolução legislativa, há dois pontos que gostaria de examinar, com vistas à aplicação da retroatividade benigna, quais sejam, o emprego da chamada “cesta de multas” (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009) e o limite do percentual da multa. Com o intuito de facilitar a compreensão do posicionamento ora esposado, as matérias foram separadas em dois tópicos. Conflito entre Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória e Multa por Falta de Pagamento de Tributo – A Questão da “Cesta de Multas” O primeiro ponto a ser destacado, quando se analisa os regimes das penalidades constantes da Lei nº 8.212/91 – antes e depois da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 –, referese à identificação do comportamento sancionado. Tal providência afigurase importante para se aplicar adequadamente a retroatividade benigna aludida pelo art. 106, II do CTN, em virtude de alteração legislativa. Fl. 1265DF CARF MF 14 A posição encampada pela Administração Tributária Federal, quando há lançamento de multas por falta de recolhimento de contribuição previdenciária e também de multas por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), é convencionalmente denominada de “cesta de multas” e sua regulamentação encontrase detalhada na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, nos seguintes termos: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Ou seja, na “cesta de multas”, a aplicação da retroatividade benigna é condicionada à comparação entre: (i) o somatório entre as multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior às alterações da Lei nº 11.941/2009) e as multas por falta de pagamento de contribuições previdenciárias (art. 35, nas mesmas condições); e (ii) o art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, o qual introduziu à legislação previdenciária a multa de ofício de 75% sobre o valor da contribuição previdenciária devida. A redução da penalidade, em função da retroatividade benigna, terá lugar somente se o valor resultante da aplicação do critério (i) for superior ao resultado da aplicação do critério (ii). Nesse caso, a multa lançada deverá ser reduzida ao patamar do valor encontrado pelo critério (ii). A fundamentação do raciocínio que permitiu à Administração Tributária Federal alcançar tais conclusões não é explicitada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Contudo, ao analisar a jurisprudência administrativa sobre o tema, é possível tecer conjecturas sobre os motivos que conduziram à elaboração do mencionado normativo. Nesse sentido, por ocasião da prolação do acórdão nº 9202003.795, de 17/02/2016, a eminente Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 9 15 conselheira relatora Maria Helena Cotta Cardozo fez constar do seu voto o seguinte trecho esclarecedor (grifos nossos): Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. A minha leitura sobre o entendimento preconizado pelo acórdão nº 9202003.795 foi o de que: – antes da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata (descumprimento de obrigação acessória), bem como a falta de recolhimento do tributo (descumprimento da obrigação principal) configuravam infrações autônomas, com sanções independentes e cumuláveis, sendo a primeira apenada pelo art. 32 e a segunda apenada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91; – depois da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata juntamente com a falta de recolhimento do tributo passaram a tipificar, de acordo com o mencionado julgado, condutas necessárias para a tipificação de uma única sanção, em função da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual o art. 35A da Lei nº 8.212/91 faz remissão. No final, saber se a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 atuou ou não dentro dos preceitos legais depende, em essência, da interpretação a ser dada à expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”, contida no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Não obstante a clareza do acórdão nº 920203.795, penso que tal exegese merece aprofundamento. De início, é possível afirmar que o legislador ordinário não está impedido de impor uma única sanção para mais de uma infração. Em tese, portanto, a finalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 poderia ser sancionar o contribuinte que não efetuou pagamento e não declarou ou declarou de forma inexata, sendo tais infrações identificadas pela autoridade fiscal, mediante lançamento de ofício. Não abrangeria a falta de recolhimento de tributo já declarado, cuja infração estaria sujeita apenas à multa de mora prevista no novo art. 35, nem o descumprimento isolado de obrigação acessória, passível de multa prevista no art. 32A, todos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 1267DF CARF MF 16 O problema é que o art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96 possui redação truncada quando faz alusão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Na literalidade do dispositivo, se a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse cumulativamente falta de pagamento, falta de declaração e declaração inexata, isso consistiria um paradoxo, porque não seria possível, ao mesmo tempo, não existir declaração e existir declaração com inexatidão. Se, em outra leitura possível, a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse alternativamente falta de pagamento ou falta de declaração ou declaração inexata seria criada uma antinomia em relação ao disposto no art. 32A, que igualmente cuida de penalizar a falta de declaração ou a declaração inexata. Diante da dúvida sobre a aplicação de sanções tributárias, o art. 112 do CTN prioriza a interpretação mais favorável ao acusado. Retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o infrator com a aplicação da penalidade mais branda. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. No caso concreto, pareceme que a interpretação mais favorável ao acusado é considerar que as infrações (i) de falta de declaração ou de declaração inexata e (ii) de falta de recolhimento da contribuição previdenciária devam ser sancionadas globalmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91. Conflito entre o Antigo Art. 35 e os Novos Art. 35 e Art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91 – A Questão do Percentual da Multa O segundo ponto a ser tratado e que tem gerado controvérsia na jurisprudência referese ao limite do percentual da multa a ser observado, para fins de aplicação da retroatividade benigna. Sobre o tema, há essencialmente duas linhas de interpretação. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 10 17 A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 Fl. 1269DF CARF MF 18 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação, por seu turno, considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202003.713, de 28/01/2016; ac. 9202004.344, de 24/08/2016; ac. 2202 003.445, de 14/06/2016; ac. 2301004.388, de 09/12/2015; ac. 2401004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz, a meu ver, uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN, já reproduzido acima. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 11065.002646/201073 Acórdão n.º 9202005.288 CSRFT2 Fl. 11 19 Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), novamente o art. 112 do CTN é invocado para a solução do caso concreto. Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Em vista de todo o exposto, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Fl. 1271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.900010/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA.
Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte.
Numero da decisão: 3302-003.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário.
Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA. PROVA INEQUÍVOCA. Nos casos em que a existência do indébito, incluído em declaração de compensação, está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, deve ocorrer prova inequívoca por parte do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Na votação realizada no mês de janeiro, por unanimidade de votos, foi rejeitada a alegação de impedimento dos conselheiros fazendários e a preliminar de nulidade do crédito tributário. Por maioria de votos, na Reunião de março de 2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá e a Conselheira Lenisa prado, que convertiam o julgamento em diligência. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 00 10 /2 00 8- 40 Fl. 418DF CARF MF 2 Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de processo, advindo de manifestação de inconformidade, cujo relatório é transcrito partir do relatório da Resolução nº 3802000.366, Relator Solon Sehn, fls. 166/167: Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls.138): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2002 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITOS PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. O acórdão recorrido reconheceu que houve retificação da Dctf após o despacho decisório. Todavia, entendeu que a retificação não teria o condão de fundamentar o direito de crédito, razão pela qual indeferiu o pedido. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 155 e ss., alega a existência de crédito capaz de fundamentar a compensação conforme Dcomp nº 11423.68853.141103.1.3.040853. Pleiteia o reconhecimento de um crédito original passível de compensação no valor de R$ 26.709,71 (fls. 40), relativo ao suposto pagamento a maior na competência novembro de 2002, Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10983.900010/200840 Acórdão n.º 3302003.729 S3C3T2 Fl. 3 3 cujo valor atualizado quando da transmissão seria de R$ 31.904,75 (fls. 04). É o Relatório. Ainda no que concerne às razões recursais, a Recorrente expôs o seguinte, fls. 155/161: i) A partir do advento da Circular Bacen n° 3.068/2001, as instituições financeiras obrigaramse na atualização dos Títulos e Valores Mobiliários de que fossem proprietárias, ajustados conforme a cotação de mercado (marcação a mercado); ii) No período acima citado, a Recorrente promoveu o oferecimento das receitas decorrentes dos ajustes positivos da marcação a mercado nas bases de cálculo do PASEP e da COFINS, rubrica 7.1.5.90.109, inseridas na receita bruta da empresa; iii) Ocorre que, posteriormente, observouse que o procedimento estaria em desconformidade com o art. 35 da Lei n° 10.637/2002, o qual previa considerar os ajustes da marcação a mercado somente quando da alienação dos títulos; iv) Assim, a Recorrente readequou a base de cálculo destas contribuições efetuandose a exclusão dos ajustes positivos a valor de mercado, conforme planilhas de apuração dos valores devidos, que foram acostadas à impugnação; v) O erro foi identificado e reprocessadas as bases de cálculo das referidas contribuições sociais, mas a empresa não retificou as declarações acessórias correspondentes (DIPJ e DCTF), evidenciandose incorretamente os débitos e créditos envolvidos. Apesar de não ter retificado a empresa transmitiu a DCOMP, objeto do processo administrativo em baila; vi) Em fevereiro/2008, a empresa foi cientificada a respeito do despacho decisório relativo à compensação declarada, no qual não foi reconhecida a suficiência do crédito a suportar o integral pagamento dos débitos declarados. Em decorrência, na manifestação de inconformidade da empresa, reconheceuse o equívoco consubstanciado na não retificação da DIPJ e DCTF respectivas, ao passo que foram comprovadas a correta apuração e contabilização dos tributos, juntandose, para tanto, planilhas de apuração e controle dos tributos, planilhas demonstrativas e atualização do crédito de pagamento a maior, razão contábil da conta 7.1.5.90.109; vii) Alega que o princípio da verdade material rege o processo administrativo e pleiteia pela nulidade da decisão de primeira instância, pois declarou a necessidade de retificação e o referido pedido foi ignorado pela DRJ/Florianópolis; viii) Colaciona uma série de precedentes, que demonstram que mesmo sem a retificação, se o contribuinte faz jus ao crédito, este deve ser deferido. O feito foi convertido em diligência nos seguintes termos, fls. 168: Devido às particularidades do caso concreto, sobretudo em razão do volume da escrituração fiscal e contábil de uma instituição bancária, entendese que o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a unidade de origem informar, intimando o contribuinte se entender necessário: Fl. 420DF CARF MF 4 a) a diferença entre o valor recolhido aplicandose o regime de competência e o efetivamente devido quando da alienação do título (momento da ocorrência do fato gerador), na forma do art. 35 da Lei n° 10.637/2002; b) se houve pagamento de crédito tributário por ocasião da efetiva alienação dos títulos e valores mobiliários, instrumentos financeiros, derivativos e itens objeto de “hedge”, informando a data, valor e base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Princípio da verdade material e do pedido de nulidade da primeira instância A Recorrente alega que deve ser observado o princípio da verdade material, onde a realidade dos fatos deve prevalecer sobre a verdade formal. Ela alega que houve supressão de instância no julgamento por parte da DRJ/Florianópolis, uma vez que os documentos não foram analisados e que ficou afastado também o princípio do livre convencimento motivado do julgador. A decisão da DRJ/Florianópolis caminhou no sentido da impossibilidade de considerar a homologação da DCOMP, pois, no caso em análise, a retificação da DCTF ocorreu após o despacho decisório. Ora, tal foi o posicionamento do julgador, justamente, pela observância do princípio do livre convencimento motivado. Vide trecho da decisão abaixo, fls. 141: De se ressaltar, por fim, que não se discorda aqui de que, em regra, erros no preenchimento de declarações não podem se sobrepor à realidade dos fatos. Ocorre, porém, que é preciso diferenciar aquelas declarações que meramente “informam” algo à Administração Tributária, daquelas – como a DCTF – que para além do caráter informativo servem à conformação de situações jurídicas. Como acima se viu, os valores devidos declarados em DCTF têm o vigor de confissão de dívida, razão pela qual só se pode admitir sua retificação por parte do próprio contribuinte nas condições e prazos legalmente postos, não sendo lícito à autoridade fiscal produzir alterações de ofício no que foi declarado. Assim, mesmo concordandose com a posição de que erros formais não devem prevalecer sobre a verdade dos fatos, certo é que, do ponto de vista estrito da legislação tributária, a confissão de dívida, materializada pela declaração Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10983.900010/200840 Acórdão n.º 3302003.729 S3C3T2 Fl. 4 5 de débitos na DCTF, não pode ser tida como uma questão meramente formal. Não há, portanto, como acatar aqui as razões postas pela contribuinte. Em face da demonstrada impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF, deixase de apreciar aqui as razões trazidas pela contribuinte com o fim de demonstrar a existência integral de seu crédito contra a Fazenda Nacional. É que independentemente da existência ou não desse crédito, ele não foi utilizado de forma regular no procedimento que aqui se discute ( o que não significa que tal eventual crédito possa ser utilizado em outro procedimento compensatório, posterior à retificação da DCTF, formalizado dentro do prazo legal de repetição). Nula seria a decisão, caso ela não tivesse enfrentando os argumentos, opostos pela contribuinte, o que não foi o caso. Portanto, improcedente o argumento de nulidade da decisão. 3. Mérito No mérito, o cerne da controvérsia cingese a duas questões. A primeira, diz respeito à impossibilidade de validar/homologar a compensação antes da retificação DCTF. A segunda, referese à falta de comprovação da parcela do crédito não reconhecido e utilizada na compensação não homologada. 3.1. Da impossibilidade da compensação Segundo o voto condutor do julgado recorrido, o motivo apresentado pela Turma de julgamento a quo, para manter a não homologação parcial da compensação em apreço, foi a “impossibilidade de validar a compensação efetuada antes da retificação da DCTF”, baseada nos seguintes argumentos, in verbis, fls. 140: No caso concreto que aqui se tem, a contribuinte, na data de apresentação da DCOMP, não havia retificado a DCTF, documento no qual, como é sabido, são declarados, com força de confissão de dívida, os valores dos tributos devidos. Assim, não se pode dizer que, naquele momento, tivesse existência jurídica o crédito contra a Fazenda Nacional alegado pela contribuinte, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Joinville/SC foi correta. O fato de a contribuinte vir a, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, retificar formalmente a DCTF, não tem o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois, como se viu, a existência do indébito só teria se aperfeiçoado bem depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), ela só pode ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como comanda o artigo 170 do Fl. 422DF CARF MF 6 Código Tributário Nacional); ora, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez, quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF. (grifos não constam no original) Os argumentos apresentados pela Recorrente não procedem, pois, embora a compensação tenha sido efetivada antes da entrega da DCTF retificadora, ocorrida no dia 30/07/2004, ao contrário do asseverado pelo nobre Relator do voto condutor do julgado recorrido, a dita DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório, que ocorreu no dia 28/2/2008, e o titular da unidade Receita Federal de origem não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada com base nos dados da referida DCTF retificadora, o que se constata mediante a comparação dos dados apresentados no Despacho Decisório de fls. 134 e com os dos dados apresentados nos extratos de fls. 175/177. Da simples leitura do questionado Despacho Decisório, verificase que o real motivo da não homologação da compensação foi a falta de comprovação da correspondente parcela do valor do crédito utilizado. Dessa forma, por também entender que o motivo da denegação da compensação foi a falta de comprovação de parcela do direito creditório, afastase a alegada impossibilidade e passase a analisar os elementos as provas carreadas aos autos. 3.2. Do resultado da diligência A partir da análise da manifestação à informação fiscal por parte da Recorrente, verificase, a partir do resultado, que não há direito ao crédito, por ela pleiteado. Ela afirma que foi incluído a mais na base de cálculo referente à apuração dos ajustes positivos ao valor de mercado a quantia de R$ 4.109.185,55 novembro/2002. Posteriormente, afirma que foi apurado o valor de R$ 216.251,74 referente à contribuição para o PIS/Pasep, sendo que, quando houve a correção pela exclusão do ajuste positivo, o valor devido seria de R$ 189.542,03, o que lhe renderia um crédito de R$ 26.709,71. A Recorrente somente juntou cópia dos balancetes, mas, em momento algum, fez, efetivamente, prova cabal da base de cálculo em questão, sendo que o ônus da prova lhe compete1. Diferente, portanto, é o contido no relatório de informação fiscal nº 780/2015/DIORT/DRF/BSB, fls. 360/361: 7. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 175/177), confirmouse, em primeiro lugar, o pagamento no valor de R$ 216.251,74, tendo sido alocado ao respectivo débito declarado em DCTF, em conformidade com o despacho decisório de nº de rastreamento 745558592, emitido em 14/02/2008 (fls. 134). 8. Ademais, notase a existência de duas DCTF para o período em análise (4º trimestre/2002): a original, entregue em 1 Lei nº 13.105 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10983.900010/200840 Acórdão n.º 3302003.729 S3C3T2 Fl. 5 7 24/01/2003; e a retificadora, entregue em 30/07/2004, após, portanto, a apresentação da presente Dcomp. Não obstante, o que importa observar acerca do crédito pleiteado é que o valor do débito confessado na DCTF retificadora não coincide com o valor apurado pela Interessada, conforme parágrafo 6, razão pela qual a compensação não foi homologada, por inexistência de crédito. 9. Com o objetivo de subsidiar os trabalhos, de modo a confirmar ou refutar as alegações descritas no parágrafo 6 desta Informação, a Contribuinte foi intimada em 29/07/2015, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 531/2015 (fls. 178/179), a apresentar documentos e informações nos termos requeridos pelo Carf. 10. Ocorre que em sua resposta (fls. 181/358) a Interessada limitouse a apresentar documentos e informações já juntados aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade, com exceção do balancete geral analítico (fls. 307/321) que mostra apenas a conta, com valor respectivo, em que foi registrado o ajuste positivo ao valor de mercado. Cabe notar que os supostos balancetes de fls. 323/328 nada revelam, pois, não há identificação do período a que se referem. 11. No que diz respeito ao solicitado no item “b” do parágrafo 4 desta Informação, a Interessada apresentou a planilha de fls. 183, informando que houve alienação de títulos nos meses de maio, junho, julho e agosto, todos de 2003. Entretanto, tratase de simples informação, sem que esteja acompanhada de elementos de prova. 12. Assim sendo, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo do PIS/Pasep efetivamente devido em novembro/2002, por meio de apresentação de documentação contábil idônea, nada se pode afirmar acerca da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (grifos não constam no original) Portanto, não há nos autos, nem posteriormente à diligência, tendo em vista que não foram devidamente comprovados os valores referidos no parágrafo 6, em especial a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep efetivamente devida em novembro/2002. Diante da falta de prova, mantémse a decisão que indeferiu o pleito da Recorrente. 4. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário, rejeitando a preliminar arguida e, no mérito, indefiro o provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 424DF CARF MF 8 Fl. 425DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001818/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA INTIMAÇÃO CO-TITULARES
"Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento" Súmula CARF nº 29
Numero da decisão: 2202-003.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO - Relatora
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA INTIMAÇÃO COTITULARES "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento" Súmula CARF nº 29 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 18 18 /2 00 3- 55 Fl. 1312DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 92/96), relativo ao IRPF exercícios de 2000 e 2001, anos calendários 1999 e 2000, em que foi apurado o crédito tributário no montante de R$ 6.403.774,47, sendo R$ 2.210.806,62 de imposto, R$ 2.487.157,44 de multa proporcional; e R$ 1.705.810,41 de juros de mora (calculados até 30/11/2004), em virtude de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 401/418) alegando que a perda de vigência, validade e eficácia do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) acarreta a nulidade do auto de infração. A Delegacia Regional de Julgamento de Belém/PA anulou o lançamento, por entender que: a) Não foi regularmente prorrogado (somente ocorrendo a prorrogação um ano e nove meses após a sua extinção) e; b) O MPF originário somente se referia ao anocalendário de 1998, enquanto que a prorrogação a destempo se referia aos anoscalendários de 1999 e 2000; O Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte deu provimento ao recurso de ofício, em decisão que recebeu a seguinte ementa: MPF PRORROGAÇÃO A DESTEMPO. PORTARIA SRF 3007/2001 NULIDADE DO LANÇAMENTO NÃO OCORRÊNCIA. Uma vez obtida a autorização para fiscalizar (MPF originário) e, sendo verificada pelo AFRF a ocorrência do fato gerador, com a determinação e identificação da matéria tributável, sujeito passivo, base de cálculo e alíquota, mesmo que ocorra alguma irregularidade que contraste com a Portaria nº 3.007, de 2001, a ausência do lançamento implicaria em desobediência ao artigo 142 do CTN,l norma de hierarquia superior (Lei Complementar), de força cogente para a administração tributária. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao qual foi negado provimento, nestes termos: VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 10280.001818/200355 Acórdão n.º 2202003.627 S2C2T2 Fl. 1.305 3 Diante da decisão acima transcrita, o processo retornou para Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) que, em novo julgamento (fls. 599 a 611), deu parcial provimento para dividir o total dos rendimentos pela quantidade de titulares (art. 1º da IN SRF nº 246/2002), uma vez que a conta nº 162078, do Banco Bradesco, tem como titulares o contribuinte e Sergio Agostinho Limberti. Reduziu também a multa de 112,5% para 75% por não restarem configurados os pressupostos para a aplicação da multa agravada, prevista no parágrafo 2º, do artigo 44, da Lei 9.430/96. Diante da referida decisão foi apresentado pela DRJ recurso de ofício quanto a parte exonerada. O contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.1203 a 1217) no qual reitera as alegações já formuladas. Em 14 de maio de 2013 a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento resolveu, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 em razão do RE (601314) que tratava da inconstitucionalidade da LC 105/01 (fls. 1227 à 1232) Revogado o dispositivo do regimento que determinava o sobrestamento dos processos sujeitos à repercussão geral, o processo retornou ao CARF. Na sessão de 08 de outubro de 2014, a 2ª Turma Ordinária da 2ª câmara da 2ª Seção, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência (fls. 1241 a 1245), nos termos do voto do Conselheiro Relator Antônio Lopo Martinez para que: 1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se Sr. SERGIO AGOSTINHO LIMBERTI,, recebera por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem.Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em resposta à diligência solicitada (fls. 1255/1256), o Serviço de Fiscalização SEFIS da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA atestou o seguinte: Para subsidiar a resposta ao primeiro quesito, foi solicitado à unidade de origem, Agência da Receita Federal do Brasil em AnanindeuaPA , o desarquivamento do processo físico nº 10280.001818/200355, que revela, a exemplo do eprocesso em exame, inexistir nos autos qualquer indicação de que o Sr. SERGIO AGOSTINHO LIMBERTI, cotitular da contacorrente Bradesco nº 16.2678, Ag 09792, tenha recebido por parte da fiscalização lista de depósitos para comprovar a origem, tampouco observou o lançamento a partição igualitária dos depósitos não comprovados entre os titulares. Contudo, quanto esse último aspecto, a DRJ Belém, observando a regra insculpida no art. 1º, §2º da Instrução Normativa 246/2002, excluiu do lançamento examinado 50% dos depósitos não comprovados, exonerando o sujeito passivo da exigência Fl. 1314DF CARF MF 4 tributária decorrente, conforme explicitado nos itens 4 e 5 do presente termo. Intimado do resultado da Diligência, o Recorrente apresentou a manifestação de fls. 1274 a 1277 na qual requer seja improvido o Recurso de Ofício e seja dado provimento ao Recurso Voluntário, em razão da nulidade do Auto de Infração, em obediência ao disposto na Súmula nº 29 do CARF. É o relatório. Voto Conselheira Relatora JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 1) DO RECURSO DE OFÍCIO. Conforme relatado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ excluiu do lançamento o montante de 50% referente ao cotitular Sergio Agostinho Limberti e reduziu a multa agravada do percentual de 112,5% para 75%. Em relação à exclusão de 50% dos valores relativos ao cotitular, correta a decisão da DRJ, uma vez que a referida divisão dos valores encontrase expressamente prevista no §6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 abaixo transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares A multa de ofício agravada, no percentual de 112,55%, foi aplicada com base no artigo 44, inciso I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 10280.001818/200355 Acórdão n.º 2202003.627 S2C2T2 Fl. 1.306 5 § 2o As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; Como observou a DRJ, da análise dos autos, contatase que o contribuinte foi intimado no endereço Rodovia Mário Covas, Al. Orquídea, casa 21, no dia 24/12/2003 (fls.9). No entanto, em 22/07/2003, o sujeito passivo havia comunicado a mudança de endereço para Rodovia Mário Covas, 1426, Al. Orquídea casa 35. Em razão desses fatos, bem como da ausência de motivação, por parte da autoridade fiscal, para o agravamento da multa, concluiu que não estavam satisfeitos os pressupostos para a aplicação da multa agravada no percentual de 112,5%. Correta a decisão da DRJ. Isso porque, ainda que não houvesse o problema apontado pela DRJ, esse procedimento do contribuinte em nada obstaculizou a atividade fiscal, pois os extratos bancários foram solicitados mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e, com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, foi lhe imputada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ou seja, o não atendimento das intimações da autoridade fiscal não prejudicou a atividade fiscalizatória, pois a autuação se deu por presunção legal. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: IRPF. OMISSÃO RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA ATENDIMENTO INTIMAÇÃO. INEXISTÊNCIA PREJUÍZO. NÃO APLICABILIDADE. Improcedente a aplicação da multa agravada contemplada no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/1996, quando não comprovada que a ausência de atendimento/resposta às intimações fiscais por parte do contribuinte representou prejuízo à fiscalização e/ou lavratura do Auto de Infração, sobretudo quando o Fisco já detinha todos elementos de prova capazes de lastrear o lançamento promovido com base na presunção legal inscrita no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, onde fora justamente a ausência de prestação de esclarecimentos do contribuinte, no sentido de comprovar a origem dos recursos que transitaram em suas contas bancárias, que caracterizou a omissão de rendimentos objeto da autuação. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202.003.653, data de publicação: 24/03/2015, relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). [...] MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INAPLICABILIDADE NO CASO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITO BANCÁRIO. Aumento da multa de ofício prevista no §2º, do art. 44 da L. 9.430/96 não é aplicável ao caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos, uma vez que a falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos não prejudica o crédito tributário do fisco, em razão da presunção de omissão criada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. (Acórdão nº 2201002.241, Fl. 1316DF CARF MF 6 data de publicação: 07/01/2014, relatora Nathalia Mesquita Ceia). MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação. (Acórdão nº 2202003.021, data de publicação:10/04/2015, relator Antonio Lopo Martinez). Saliento, inclusive, que esta Colenda Turma, em processo de relatoria do ilustre Conselheiro Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, proferiu acórdão (nº 2202003.132), no sentido de reduzir a multa de 112,5% para 75%, no igual sentido que aqui está sendo encaminhado o voto. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. 2) DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme exposto no relatório, o presente processo foi objeto de diligência para que se verificasse a intimação do cotitular da conta bancária objeto de autuação. Em resposta o Serviço de Fiscalização SEFIS da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém/PA atestou "inexistir nos autos qualquer indicação de que o Sr. SERGIO AGOSTINHO LIMBERTI, cotitular da contacorrente Bradesco nº 16.2678, Ag 09792, tenha recebido por parte da fiscalização lista de depósitos para comprovar a origem, tampouco observou o lançamento a partição igualitária dos depósitos não comprovados entre os titulares". Sendo assim, nulo o presente lançamento, uma vez que, nos termos da Súmula CARF nº 29: Sumula CARF nº 29 (vinculante) Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (grifamos). 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, nego provimento ao Recurso de ofício e dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 10280.001818/200355 Acórdão n.º 2202003.627 S2C2T2 Fl. 1.307 7 Fl. 1318DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001704/2010-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2007
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação equivalente tenha aplicado a legislação de forma diferente.
Hipótese em que a decisão paradigmática apresentada enfrentava situação diversa.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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CONHECIMENTO. REQUISITOS Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação equivalente tenha aplicado a legislação de forma diferente. Hipótese em que a decisão paradigmática apresentada enfrentava situação diversa. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 04 /2 01 0- 16 Fl. 619DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração que implicou o DEBCAD nº 37.287.6390, às efls. 03 a 11, cientificado à contribuinte em 22/06/2010 (efl. 03), com relatório do auto de infração às efls. 61 a 70. O AI é referente a contribuições destinadas ao custeio da seguridade social relativas à remuneração efetivamente recebida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa.I Em procedimento fiscal foi constatado que a associação prestava serviços aos associados, diferentes dos previstos nas suas finalidades e objetivo principal do seu estatuto, mas serviços de atividade econômica. A associação, pelos fatos apurados, funcionava como uma empresa de transporte de passageiros através dos taxistas associados, e remunerava estes mensalmente pelos serviços prestados às empresas conveniadas. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 83.202,93, consolidado na data de 18/06/2010, para o período de apuração de 01/2007 a 10/2007. O AI foi impugnado, às efls. 112 a 165, em 21/07/2010. Já a 11ª Turma da DRJ/SP1 no acórdão nº 1629.548, prolatado em 15/02/2011, às efls. 365 a 400, considerou, por unanimidade, a impugnação improcedente. Inconformada, em 04/04/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 420 a 460, argumentando, em apertada síntese: · sua desqualificação como associação sem fins lucrativos, atendendo a decreto municipal e com delegação do poder público, sendo apenas representante dos interesses de seus associados frente a seus passageiros; · houve perícia judicial que indicou sua natureza não lucrativa, em processo relativo ao ISS; · ser indevida a contribuição social pois seus associados não são contribuintes individuais a seu serviço, pois não prestam serviços a ela; · não há distribuição de lucro e os valores referentes aos serviços decorrentes dos contratos da associação são totalmente repassados ao associado que presta o serviço. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 19515.001704/201016 Acórdão n.º 9202005.191 CSRFT2 Fl. 606 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 20/06/2012, resultando no acórdão 2402002.810, às efls. 500 a 510, que tem a seguinte ementa: ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. ENTIDADE CARACTERIZADA COMO EMPRESA EM VIRTUDE DA PRESENÇA DO CARÁTER COMERCIAL. TAXISTAS ASSOCIADOS CONSIDERADOS COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Tendo em vista que o relatório fiscal da infração aponta detidamente todos os motivos que ensejaram as conclusões de que a recorrente não detinha o caráter de entidade sem fins lucrativos, atuando, verdadeiramente, como empresa comercial, angariando clientes e creditando aos seus associados, taxistas, mensalmente, valores de remuneração pela prestação de serviços na qualidade de autônomos, é de ser mantido o lançamento das contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. RE da contribuinte Intimada do resultado acórdão (efl. 513), em 04/03/2013 (efl. 514), a contribuinte, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 515 a 547), em 18/03/2013, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF para a mesma contribuinte, no qual se entendeu não ser ela sociedade empresária, mas, associação civil, sem fins lucrativos. Traz por paradigma o acórdão nº 2301002.640 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, exarado em 12/03/2012 (efls. 561 a 566). Nesse sentido, requer seja conhecido e provido o recurso, para julgar insubsistente o auto de infração. O RE da contribuinte foi apreciado pela Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho de efls. 607 a 610, datado de 12/08/2015, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Na admissão do RE está salientada a existência do processo 19515.001704/201016, que trata da contribuição social dos taxistas membros da associação, que teria perdido seu caráter filantrópico, deixando de ser aceita como associação sem fins lucrativos para ser caracterizada como empresa com caráter comercial; esse processo, igualmente, estaria pendente de apreciação de RE. Tendo os processo a mesma base fática a decisão de um na Câmara Superior afetaria o outro. Contrarrazões da Fazenda Fl. 621DF CARF MF 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade em 21/09/2015 (efl. 596). Em 06/10/2015, a procuradora apresentou suas contrarrazões ao RE da contribuinte, às efls. 597 a 603, pelas quais reafirma, com base nos argumentos do recorrido e do relatório fiscal que a situação fática da contribuinte caracterizase por sociedade captadora de recursos mediante convênios com diversas pessoas jurídicas que se utilizam dos serviços prestados pelos taxistas associados; atividade empresária. Por essa razão pleiteia que o RE não seja provido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo, porém quanto aos demais requisitos de admissibilidade, é necessário realizar uma análise mais aprofundada, que apresento a seguir. Reparase que o acórdão paradigma n° 2301002.640, ao apreciar o Recurso Voluntário não se manifestou expressamente quanto à natureza da relação jurídica entre a associação fiscalizada, os taxistas prestadores de serviço e os clientes. Com efeito, o colegiado conforme se depreende da ementa e do dispositivo do acórdão decidiu pela nulidade da autuação, em face da aferição indireta, que entendeu ser insuficiente para a constatação do tributo devido. Nesse sentido, cabe reprodução da ementa e decisum do acórdão, a seguir: Assunto:Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/04/2003a31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE ASSOCIAÇÃO DE TAXISTAS PELA RETENÇÃO DAS CONTRIBUIÇOES DEVIDAS PELOS SEUS ASSOCIADOS.IMPOSSIBILIDADE. A aferição indireta do fato gerador não pode ser feita de forma indiscriminada pela fiscalização tributária. A ausência dos elementos necessários para constatação do tributo acarreta a nulidade da aferição indireta e o lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. É bem verdade que o relator, em seu voto, enfrenta, subsidiariamente, a questão da relação jurídica entre a associação autuada e seus associados taxistas, conforme se extrai do voto condutor, nos termos a seguir: Fl. 622DF CARF MF Processo nº 19515.001704/201016 Acórdão n.º 9202005.191 CSRFT2 Fl. 607 5 12. De qualquer forma, a autuação teve como ponto fulcral a relação de prestação de serviços dos taxistas associados com a recorrente, conforme se extrai do relatório complementar: “8.0 Fica claro nessa relação comercial que tanto a contratada quanto a contratante são pessoas jurídicas, sendo assim, a relação de prestação de serviços dos taxistas associados é com a própria Chame Táxi, devendo ser ela responsável tanto pelo recolhimento da contribuição de 20% devida sobre remunerações pagas ou creditadas a seus associados como arrecadar o desconto das remunerações das contribuições do contribuinte individual a seu serviço a partir de 04/2003. A legislação previdenciária, ao definir como se dará o financiamento da Seguridade Social, equipara as Associações às empresas para fins de cumprimento das obrigações previdenciárias (Lei 8.212, art15, parágrafo único).”(grifamos) (f.1030) 13. Porem, como fica claro da análise dos autos, a recorrente funcionava como uma captadora de clientela para os seus associados, onde estes, em regime de cooperação, atendiam aos eventuais passageiros. Não houve, portanto, prestação de serviços diretamente à recorrente ou mesmo relação jurídica entre o contribuinte e os motoristas que atendiam as chamadas, recebendo, inclusive, as importâncias pelas “corridas” diretamente dos passageiros. 14. É dizer: a recorrente é associação civil, em que seus associados atuam no ramo de transporte de passageiros (taxistas), sem finalidade lucrativa ou econômica em relação à entidade associativa, tendo por objetivo principal a disponibilização de meios de contato não onerosos aos seus associados, possibilitandolhes a prestação de serviços comuns de rádio táxi aos passageiros, ou seja, sequer se aproxima do conceito de sociedade empresarial. 15. Nesse sentido, conforme se infere da leitura do seu estatuto social, a recorrente tem como objetivo principal “os serviços de comum Rádio Taxi, oferecendo aos Taxistas filiados e usuários em geral por tempo indeterminado, melhores condições no atendimento e maior segurança” (f. 36). 16. Mesmo com relação aos convênios formados com terceiros, o próprio fisco reconhece a prestação de serviços dos taxistas diretamente com os passageiros indicados pela empresa conveniada: “Os valores apontados são individuai s em função da remuneração auferida pelo taxista no mês e comprovado pelo boleto entregue por ele na Associação, referente a cada transporte efetuado para empresas conveniadas ” (f. 1029). 17. A principal atividade desenvolvida pela recorrente em benefício dos seus associados é a manutenção permanente de uma central de chamadas telefônicas, a fim de representar (mandatária) os associados perante os contratantes (terceiro Fl. 623DF CARF MF 6 pessoa física ou jurídica) dos serviços de transporte de passageiros, os quais são efetivamente prestados pelos associados da recorrente (taxistas) sem qualquer subordinação jurídica. 18. Admito até que haja repasse de valores pelos taxistas à recor rente a título de manutenção dos serviços de chamada ou mesmo de contribuições, mas não elevo tais quantias ao grau de base de cálculo para efeito de tributação. Eis que a dinâmica dos pagamentos não estão capituladas corretamente na legislação como fato gerador de contribuição social previdenciária, na forma trazida nos autos. Ocorre que todas essas considerações ficaram prejudicadas pela anulação e, assim, não se pode dizer que, caso não fosse anulado o auto, o colegiado decidiria conforme o voto do relator. Mas há um outro ponto que entendo ser essencial e que prejudica o conhecimento: no caso do recorrido, a decisão refere um ato declaratório de cancelamento da isenção da recorrente; no caso do paradigma, a decisão não refere a existência desse ato. Com efeito, o Ato Declaratório de cancelamento da isenção é do ano de 2010 e o lançamento do acórdão paradigma é do ano de 2007, enquanto o lançamento do acórdão recorrido é do próprio ano de 2010. No recorrido, o Ato Declaratório é referido e ressalvado que não será considerada alegação quanto à isenção, já no paradigma não há qualquer referência ao Ato. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 624DF CARF MF
score : 1.0
